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Numero do processo: 19740.720010/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2007, 2008
CSLL. ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA SEM FINS LUCRATIVOS.
A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente, fenômeno que não ocorre no presente feito, uma vez que a recorrente superávit.
Numero da decisão: 1302-001.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, WALDIR VEIGA ROCHA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente CAPEMI INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007, 2008 CSLL. ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA SEM FINS LUCRATIVOS. A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente, fenômeno que não ocorre no presente feito, uma vez que a recorrente superávit. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, WALDIR VEIGA ROCHA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 10 /2 01 0- 18 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 1237.843 da 7ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2007, 2008. PEDIDO DE PERÍCIA. Apesar de ser facultado o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, cabe à interessada demonstrar a sua necessidade e atender os requisitos previstos na legislação. ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR SEM FINS LUCRATIVOS. SUJEITO PASSIVO. Não havendo norma de isenção no período de apuração, incluemse no campo de incidência da CSLL as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL apurada pelas Entidades de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit), ajustado na forma da legislação de regência. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA E MULTA DE OFICIO. O crédito tributário constituído mediante auto de infração é devido com multa de ofício e juros de mora, nos termos do artigo 61, §3º e artigo 44, inciso I, ambos da Lei nº 9.430/96. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. ALCANCE. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e nem vinculam os órgãos julgadores de primeira instância. Impugnação Improcedente A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 14/08/2012 (vide doc. a fls. 747) e alega que interpôs recurso voluntário em 11/09/2008 (vide doc. a fls. 750), no qual sustenta as seguintes razões de defesa: a) que, de acordo com a legislação de regência, as entidades de previdência podem ser: fechadas, sem fins lucrativos; abertas sem fins lucrativos; e abertas com fins lucrativos; b) que o art. 1° da Lei n° 7.689/88 instituiu a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, ancorado no art. 195, inciso I, alínea da Constituição Federal de 1988, que autorizou a União a instituir contribuição social sobre o lucro das empresas para financiamento da seguridade social; c) que o conceito de lucro, que é do direito privado, por ter sido expressamente utilizado pela Constituição para definir e limitar competência tributária, não pode ter sua definição, conteúdo e alcance alterados sequer pelo legislador tributário, quanto mais pelo intérprete/aplicador da lei; d) que a definição e o alcance do conceito de lucro das empresas encontram se tratados no Código Civil de 2002, nos artigos 966, 981 e 982, significando o resultado positivo da atividade econômica para ser partilhado entre os sócios. Se a atividade econômica exercida tiver outra finalidade, que não a distribuição do resultado entre os sócios, dentro da Fl. 874DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720010/201018 Acórdão n.º 1302001.175 S1C3T2 Fl. 873 3 conceituação do direito privado, a sociedade não é uma empresa, e o resultado positivo obtido não se constitui lucro de empresa; e) que são fatos incontroversos (i) que todo o resultado positivo alcançado pela CAPEMI tem destinação exclusiva (obrigatória) à manutenção dos planos de beneficios previdenciários e à filantropia, (ii) os membros da diretoria e do conselho não são remunerados direta ou indiretamente, e (iii) em caso de extinção, seu patrimônio tem destinação estatutariamente prevista para o Lar Fabiano de Cristo, logo, não há como equiparar a Capemi a empresa, como conceitua o direto privado (exercício de atividade econômica para partilha do resultado entre os sócios), nem seu resultado positivo como lucro (cujo conceito se vincula ao de empresa). f) que não tem relevância para a solução do litígio qualquer consideração em torno de imunidade ou isenção, porque o cerne da questão é o fato de as entidades de previdência privada sem fins Iucrativos (fechadas ou abertas) não serem contribuintes da CSLL porque não auferem lucro, ou seja, não praticam o fato gerador; g) que ainda que se analise a questão sob a ótica da isenção (o que, repitase, escapa ao rigor técnico), ainda assim não se sustenta o lançamento, eis que, ao editar o art. 5° da Lei n° 10.426/2002, dispondo sobre a isenção da CSLL para as entidades de previdência privada fechadas (que, por determinação legal, não podem ter fins lucrativos), o legislador ignorou a possibilidade de existência de entidades abertas sem fins lucrativos (e, portanto em situação idêntica a das fechadas), o que representa uma lacuna axiológica; h) que essa lacuna axiológica foi integrada pelo art. 17 da lnstrução Normativa SRF 588/2005, que dispôs expressamente que são isentas da contribuição social sobre o lucro liquido as entidades de previdência privada sem fins lucrativos, (não restringindo a “isenção” às fechadas); i) que essa Instrução Normativa alcança todos os fatos praticados na vigência da norma legal em que se funda, no caso, a Lei nº 10.426/2002, cuja lacuna axiológica veio preencher, única lei do ordenamento que trata expressamente de isenção da CSLL para entidades de previdência privada; j) que, em conclusão, qualquer que seja o prisma de análise, o lançamento não pode prosperar, eis que: a Capemi Insituto de Ação Social, como entidade de previdência privada sem fins lucrativos, não aufere lucro, não sendo contribuinte da contribuição social sobre o lucro; l) que o art. 17 da Instrução Normativa nº 588/2005 estabelece que são isentas da CSLL as entidades de previdência privada sem fins lucrativo; m) que requer o provimento integral do recurso voluntário; n) que, se assim não entender a Turma julgadora, requer seja excluída da base de cálculo a parcela de 13,3% do montante das contribuições previdenciárias, por se tratar de ingressos que se situam fora do âmbito de apuração de resultados da entidade de previdência privada, constituindo meros repasses de contribuições de terceiros; o) que, outrossim, caso não seja provido integralmente o recurso, requer sejam excluídos a multa e os juros de mora com base no parágrafo único do art. 100 do CTN, uma vez que a recorrente está amparada por normas complementares das leis Ato Declaratório Normativo nº 17/1990 e da Instrução Normativa nº 588/2005. É o relatório. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Da análise dos autos, verificase uma certa falta de zelo por parte da unidade preparadora, pois não se pode identificar com precisão se o dia em que foi recebido o recurso voluntário é realmente o dia 11/09, devida a péssima grafia com que foi informada a data no carimbo aposto no doc. a fls. 750. Além disso, após declarar que o contribuinte ficou ciente do acórdão recorrido em 14/08/2012 no Termo de Abertura de Documento a fls. 747, a unidade preparadora informa que o contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 23/08/2012 no Termo de Ciência por Decurso de Prazo a fls. 748. Por último, a unidade preparadora, ao encaminhar os autos para julgamento deste Colegiado, não se pronuncia, como estaria obrigada a fazêlo, sobre a tempestividade do recurso voluntário. Poderseia, então, baixar os autos em diligência para que a unidade preparadora efetivamente se pronunciasse sobre a data em que o contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido e esclarecesse a dúvida sobre o dia em que foi protocolizado o recurso voluntário. Entendo, porém, que se pode superar tais questões e tomar como a data de protocolo do recurso voluntário o dia 11/09/12, seja por ser possível que assim esteja informado na tortuosa grafia de preenchimento do carimbo de recebimento no doc. a fls. 750, seja porque essa é a data em que foi subscrito o documento pelo recorrente e, por último, em homenagem ao princípio da boafé processual, deve se ter por verdadeira a alegação da recorrente na ausência de prova em contrário. Destarte, o recurso é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal (doc. a fls. 693), razão pela qual dele conheço. Quanto à questão da imunidade a própria recorrente reconhece que não tem qualquer relevância para a solução do litígio qualquer consideração em torno da imunidade ou isenção”. Notese que para o gozo da imunidade de CSLL, prevista no art. 195, § 7º, da CF/88, a recorrente deveria, à época, observar os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, o que não resta configurado nos autos. Por outro lado, apenas as entidades de previdência fechada gozam de isenção da CSLL, por força do art. 5º da Lei nº 10.426/02. Nesse ponto vale ressaltar que nem o art. 17 da IN 588/05 poderia ir além do estabelecido no ordenamento jurídico, para estender às entidades abertas a isenção dada apenas as entidades de previdência fechada, nem muito menos há que se entender como possível que o Ato Declaratório Normativo nº 17/90 pudesse ainda subsistir em um contexto normativo legal totalmente diferente daquele em que foi gestado. No presente caso, as autuações se referem ao período de janeiro de 2007 a abril de 2008, ou seja, antes de a Capemi Instituição de Ação Social ceder a sua carteira de planos de previdência à Capemisa Seguradora de Vida e Previdência S.A. (vide doc. a fls. 517 e 519). Notese que a transferência da carteira de planos de previdência para a Capemisa decorreu de uma imposição do art. 36 da Lei Complementar 109/01, o qual obriga que as entidades de previdências aberta se constituam sob a forma de sociedade anônima. Assim, a partir da Lei Complementar 109/01, as entidades abertas de previdências complementar não mais podiam se constituir sob a forma de sociedades civis sem fins lucrativo, já que teriam que se constituir sob a forma de sociedade anônima, o que, com a entrada em vigor da Lei 10406/02 – Código Civil, significava que seriam necessariamente sociedades empresárias. Vale ressaltar que a permissão, prevista no § 1º do art. 77 da LC 109/01, para que as entidades sem fins lucrativos continuassem ad perpetuam a se constituir como sociedade civil findou com a entrada em vigor do novo Código Civil (Lei 10.406/2002), pois Fl. 876DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720010/201018 Acórdão n.º 1302001.175 S1C3T2 Fl. 874 5 simplesmente essa figura deixou de existir a partir de 11 janeiro de 2007, se não vejamos como dispõe o art. 2.031 do Estatuto Civil brasileiro: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. Assim, nos períodos de apuração sub examine 2007 e 2008, a Capemi já não poderia ser mais uma sociedade civil, razão pela qual, a ela não se aplicaria mais o § 1º do art. 77 da LC 109/01. Se ela não poderia ser mais, a partir de 11/01/2007, uma sociedade civil, consequentemente, deveria também observar o disposto no art. 36 c/c o caput do art. 77, e passar a se constituir como sociedade anônima. Todavia, a Capemi Instituição de Ação Social continuou operando até abril de 2008 como entidade aberta de previdência complementar, embora fosse uma associação, conforme dispõe o art. 1º do seu Estatuto a fls. 508. Embora constituída sob a forma de associação, a recorrente não gozava da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532/97 por se tratar de uma entidade aberta de previdência complementar. Por outro lado, não procede a tese de defesa que desqualifica as sobras líquidas da Capemi, com base no argumento de que o termo “lucro” utilizado na alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal tem um sentido unívoco e preciso. Ora, a questão de saber o que é “lucro” é bastante complexa e tem sido tormentosa para economistas e contabilistas. Ainda no século passado, Kekewick, juiz da Corte de Londres, propunha darse ao termo “lucro” a definição consagrada pelo comércio mundial, qual seja, “a soma pela qual aumenta um capital durante um dado período, em razão de transações efetuadas nesse mesmo período”. O Código Civil, para distinguir a associação (ente sem fins lucrativos) da sociedade (ente com fins lucrativos) diz que a primeira se constitui da união de pessoas que se organizam para fins não econômicos; já para a segunda, dispõe que decorre de contrato no qual pessoas se obrigam a contribuir, com bens e serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Como se vê, a definição do termo “lucro” não é tranqüila, motivo pelo qual nem a fundamentação aduzida pela impetrante nem os julgados trazidos a lume enfrentaram a questão, qual seja, de dizer o que significa o termo “lucro”. Dessa forma, incorre em equívoco quem pretenda dar ao termo “lucro” utilizado na alíena “a” do inciso I do art. 195 um sentido estrito retirado do direito privado. Os termos utilizados pelo constituinte no aludido artigo, seja lucro, faturamento, folha de salário etc., devem ser interpretados à luz da legislação tributária que venha instituir o tributo. Se assim não fosse, a COFINS, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, só poderia, então, ser cobrada quando houvesse efetivo faturamento, não atingindo, assim, as vendas para pronta entrega e pagamento a vista. Nada disso! Mesmo quando a alínea “b” do inciso I do art. 195 dispunha que a COFINS iria incidir sobre o faturamento, ninguém duvidou que, contrariando o sentido comercial estrito do termo faturamento, a base de cálculo da COFINS fosse o que definia a Lei Complementar nº 70, de 1991. Da mesma forma, quando o art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, dispunha que a COFINS iria incidir sobre a venda de mercadorias e serviços, não vingou a tese de que as vendas de imóveis estariam fora do alcance da norma, pelo fato de imóveis não se Fl. 877DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 subsumirem no conceito de mercadoria. A doutrina e a jurisprudência majoritárias adotaram, então, uma interpretação extensiva e teleológica do dispositivo, para afastar tal argumento, sabendo que o conceito de mercadoria há muito já se modificou, tanto que, hoje, é comum e amplamente utilizado termos como mercado imobiliário, mercado financeiro etc., concluíram, então, que o legislador falou menos do que quis no aludido dispositivo e que a interpretação correta do art. 2º levava ao entendimento de que todas as receitas de operações de compra e venda estariam sujeitas a incidência da COFINS, inclusive da venda de imóveis. No caso em tela, a situação, ainda é mais simples, pois sequer existe um conceito legal e unívoco de lucro. Assim, lucro, para fins de apuração da CSLL, é aquilo que a legislação tributária definir. Aliás, há que se alertar que, não existindo na legislação civil e comercial uma definição do conceito de lucro, não se aplica, ao caso em tela, o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional, assim sendo, reforçase a idéia de que o conceito de lucro, para fins de apuração da CSLL, deve ser buscado realmente na legislação tributária. Nesse sentido, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 582525, o Ministro Fux sustentou que os conceitos de lucro e de renda são conceitos legais, na medida em que dependem de diversas operações, não se confundindo com o conceito abstrato e coloquial de lucro puro: “Porque, a levarse em consideração este conceito, uma pessoa física só pagaria imposto de renda depois de deduzir tudo o que gasta por mês, sendo que, às vezes ela até termina o mês deficitária, e então não pagaria absolutamente nada de imposto de renda? Na verdade, esse lucro que é tributável decorre de um comando legal e, no campo do direito tributário, dois princípios são muito caros: o da legalidade (e aqui impede a dedução pretendida pela empresa) e o da ausência da limitação constitucional do poder de tributar. E isso foi obedecido no caso em foco”. Assim sendo, vejamos que a legislação da CSLL, mais precisamente o art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, dispõe que a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício, logo, conceito no qual se subsume perfeitamente as sobras líquidas das Entidades Abertas de Previdência Privada e que não infringe a Constituição Federal, já que não existe uma definição unívoca no Direito Privado do que venha a ser lucro. Com relação a parcela de 13,3% do montante das contribuições previdênciárias, denominado pela recorrente como “adicional filantrópico”, a decisão recorrida bem aponta que o art. 30 do Estatuto a fls. 514 dispõe que se trata de receita própria da Capemi. Ora, se o Estatuto da recorrente expressamente qualifica tal receita como própria da recorrente, as eventuais transferências para o Lar Fabiano de Cristo e CAVADI devem ser tratadas como doações indedutíveis, por não atender as condições de dedutibilidade impostas pelo § 2º do art. 13 da Lei 9.249/95, se não vejamos: “§ 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: [...]” Fl. 878DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720010/201018 Acórdão n.º 1302001.175 S1C3T2 Fl. 875 7 Corrobora isso, o próprio art. 24 do contrato do plano de previdência privada e seu regulamento, alegado pela recorrente, pois o teor deste dispositivo contratual deixa claro que a contribuição facultativa de 13,3% se destina a obras filantrópicas da Capemi, ou seja, não há uma vinculação de repasse automático e integral de tal valor ao Lar Fabiano de Cristo e CAVADI. Por essa mesma razão, é despicienda a prova aduzida aos autos pela recorrrente de que repassou valores ao Lar Fabiano, se o fez por mera liberalidade, já que poderia ter dado outro destino aos recursos, logo, tais transferências devem ser tratadas como doações da Capemi ao Lar Fabiano de Cristo e CAVADI. Por último, também, descabido o pleito pela exclusão da multa de ofício e juros de mora, sob o argumento de que a recorrente teria observado normas complementares, in casu, o Ato Declaratório Normativo 17/90, pois, como já salientado anteriormente, tal interpretação administrativa da legislação estava prejudicada pela posterior alteração do quadro normativo legal, seja pela entrada em vigor do § 1º do art. 22 da Lei 8.212/91, da Lei Complementar 109/2001 e da Lei nº 10.426/2002. Logo, como a ninguém é dado desconhecer a lei, não pode a recorrente agora alegar que desconhecia tais diplomas legais, para justificar a sua conduta infracional, pela aplicação do Ato Declaratório Normativo expedido sob um outro contexto normativo legal. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior – Relator. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Vencedor Inobstante as bem colocadas considerações do Relator, a quem devoto meu irrestrito respeito, peço vênia para dissentir de seu entendimento nas questões adiante analisadas. De início, destaco que é inócuo apreciar controvérsias sobre a interpretação da base de cálculo de quaisquer outros tributos (v.g. faturamento), uma vez que se está produzindo uma norma concreta e individual para a recorrente, cujos limites devem se restringir as regras pertinentes e vigentes à CSLL. A esse respeito, é pertinente o seguinte precedente do Supremo Tribunal Federal acerca da suposta identidade entre IR e CSLL: (...) Esta Corte já afastou expressamente a identidade entre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza – IRPJ, por se tratarem de tributos classificados em espécies próprias e diferentes. Assim, eventual semelhança entre as bases de cálculo das exações não implica necessariamente em unicidade de tratamento fiscal. Ausente a identidade entre os tributos, a extensão do benefício concedido em relação a uma das exações para a outra dependeria de lei específica neste sentido (art. 150, § 6º da Constituição). As demais alegações referemse a matéria não prequestionada, de natureza infraconstitucional. Agravo ao qual se nega provimento. (STF. RE 399667 AgR. Rel. Min. Joaquim Barbosa. 2ª Turma. Publ. 08/11/2011) (grifo não original). Portanto, é absolutamente pertinente verificar o significado das expressões empregadas pelo legislador constitucional e infraconstitucional, uma vez que a positivação de normas de conduta e de estrutura é a regra empregada em nosso sistema jurídico (embora a relevância do direito consuetudinário seja expressivo na atualidade). É sabido que o financiamento da Seguridade Social é orientado pelo princípio da diversidade da base de financiamento (art. 194, inc. IV, CF/88), o que indica a tentativa de “diminuir o risco financeiro do sistema protetivo. Quanto maior o número de fontes de recursos, menor será o risco de a seguridade sofrer, inesperadamente, grande perda financeira” (KERTZMAN, Ivan. Curso Prático de Direito Previdenciário. 7 ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Podivm, 2010. p. 54). Por isso que o art. 195, inc I, determina que são contribuintes de contribuições sociais as empresas, mas também as entidades a ela equiparadas. Ocorre essa “entidade equiparada” precisa também preencher os demais critérios do tributo, pois a incidência da tributação depende da idêntica correspondência da situação fática à definição abstrata e geral realizada pelo legislador constituinte e ordinário. Neste caso, cumpre investigar precisamente o critério material: auferir lucro. A pergunta é: a recorrente aufere lucro? Com o respeito aos entendimentos distintos, entendo que isso não ocorre, pois a recorrente aufere superávit. Aliás, é intuitivo concluir que entidade “sem fins lucrativos” não aufere “lucro”. Ocorre que é possível verificar “quem” pode auferir lucro e o que significa apurálo. Em tempo, é conveniente a observação do relator sobre a ausência de definição legal de lucro. Isto autoriza a apresentação das presentes razões, que em momento Fl. 880DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720010/201018 Acórdão n.º 1302001.175 S1C3T2 Fl. 876 9 algum traduzem qualquer juízo de constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo. Sobre o tema, observese a lição de Leandro Paulsen: As entidades de assistência social, também beneficiárias da imunidade, são aquelas que desenvolvem uma das atividades descritas no art. 203 da CF. [...] Podem exercer economia rentável, desde que sem finalidade de lucro, ou seja, desde que revertam seus resultados para a atividade essencial. Há impedimento à distribuição de lucros, esta sim descaracterizadora da finalidade assistencial e do caráter não lucrativo. Não se pode confundir, ainda, a ausência de caráter lucrativo com a obtenção de superávit, este desejável inclusive par aas entidades sem fins lucrativos de modo a viabilizar a ampliação das suas atividades assistenciais. (PAULSEN, Leandro. Curso de Direito tributário Completo. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 105). (grifo não original) Como esclarece a doutrina supra, “resultado positivo” deve ser buscado por qualquer entidade que pretenda dar continuidade aos seus trabalhos. Vale dizer, a recorrente precisa de recursos financeiros para alcançar sua finalidade, não sendo possível exigir que esta experimente sucessivos prejuízos. Quando se emprega o termo “lucro”, pretendese afirmar que determinada entidade almeja aumentar o patrimônio próprio ou de seus participantes (sócios/acionistas). De outro lado, afirmar que a entidade aufere “superávit” significa afirmar que seus resultados serão destinados à realização de seus fins. Notese que a própria lei procura criar um contexto para o emprego do “superávit”, fazendo crer que este não pode ser administrado livremente. É o que se depreende do art. 12, §3º, da Lei n. 9.532/97, observese: Art. 12. [...]. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (grifo não original) Nesse sentido tem se posicionado consistente corrente de entendimento deste Conselho. Inclusive, há precedente em face da recorrente, observese: Recorrente CAPEMI INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADE SEM FINS LUCRATIVOS. A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente. Tendo em vista que as sociedades sem fins lucrativos auferem superávits e não lucro, não podem se sujeitar à incidência da CSLL. Ato Declaratório Normativo COSIT nº 17/90 e Instrução Normativa SRF nº 588/05 (artigo 17). (CARF. Acórdão 1202000.904. Cons. Geraldo Valentim Neto. Sessão 07/12/2012) (grifo não original) Fl. 881DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Em outras ocasiões, inclusive no plano da Câmara Superior, o entendimento encontrou eco, observese: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Recurso especial provido. (CARF. CSRF. 0106.013. Rel. Marcos Vinicius Neder de Lima. Formalizado em 20/05/2009) (grifo não original) Ementa: CSLL INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA – INCIDÊNCIA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 10 da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF. (CARF. CSRF. Acórdão 9101 000.915. Rel. Antônio Carlos Guidoni Filho. Sessão 29/03/2011). (grifo não original) CSLL. PESSOAS JURÍDICAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. Ainda que as entidades de previdência privada estejam sujeitas à incidência da CSLL, para que o lançamento fosse mantido, o superávit da entidade deveria ser ajustado para resultado comercial. (Cons. De Contribuintes. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720010/201018 Acórdão n.º 1302001.175 S1C3T2 Fl. 877 11 Acordão 10709.557. Rel. Hugo Correia Sotero. Sessão 13/11/2008). (grifo não original) Não traz nenhum prejuízo o fato de algumas decisões terem sido proferidas em face de entidades fechadas, isto porque o fundamento jurídico empregado naquela ocasião é idêntico ao que ora se apresenta: entidades sem fins lucrativos não auferem lucro, mas superávit, que são conceitos inconfundíveis. Sendo assim, a hipótese de incidência prevista abstratamente na lei não se espelha na realidade dos fatos. Dessa forma, voto pela procedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Relator designado. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900888/2008-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2001
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 88 /2 00 8- 13 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900888/200813 Acórdão n.º 9303002.485 CSRFT3 Fl. 162 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900888/200813 Acórdão n.º 9303002.485 CSRFT3 Fl. 163 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900888/200813 Acórdão n.º 9303002.485 CSRFT3 Fl. 164 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900888/200813 Acórdão n.º 9303002.485 CSRFT3 Fl. 165 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900888/200813 Acórdão n.º 9303002.485 CSRFT3 Fl. 166 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900888/200813 Acórdão n.º 9303002.485 CSRFT3 Fl. 167 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10930.722267/2011-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2009, 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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COMPROVAÇÃO. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 22 67 /2 01 1- 75 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.722267/201175 Acórdão n.º 2801003.372 S2TE01 Fl. 147 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 70 a 80) resultante de ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0910200/00866/11 para verificação das obrigações pertinentes ao IRPF nos anoscalendário de 2005, 2006, 2008 e 2009, exigindose R$ 11.061,98 de imposto, além de multa de R$ 12.529,85 e juros de mora de R$ 4.037,14, totalizando R$ 27.628,97, em virtude da glosa de dedução com despesas médicas, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 81 a 84). 2. Compulsando os autos verificase que: a) em 08/04/2011 (fl. 22) o contribuinte recebeu Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 21) intimandoo a apresentar os seguintes documentos: 1 Originais dos comprovantes de despesas médicas informadas nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário 2005, 2006, 2008 e 2009 (Exercícios 2006, 2007, 2009 e 2010, respectivamente). b) em 27/04/2011 (fl. 24) o contribuinte apresentou cópias autenticadas de 9 recibos assinados por Munir Abujamra, cirurgiãodentista (fls. 25 a 42), totalizando R$ 28.625,00; c) em 10/06/2011 (fl. 45) o contribuinte recebeu Termo de Constatação Fiscal (fls. 43 e 44), informandoo sobre a glosa das demais despesas médicas declaradas, por falta de comprovação, sobre a inidoneidade dos recibos apresentados (Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 8, de 3/3/2011 – fl. 46) e solicitando comprovação do efetivo pagamento das despesas relativas aos recibos apresentados; d) em 15/07/2011 (fl. 70) foi lavrado o Auto de Infração ora impugnado. 2.1. Os documentos autuados nas fls. 47 a 69 referemse a termos de intimação e respostas do contribuinte ocorridas no bojo de procedimento fiscal realizado anteriormente (MPF/Extensivo nº 0910200.2010.009303). 3. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação (fls. 91 a 99), tempestiva segundo a unidade de origem (fl. 121) alegando que a lei não obriga o contribuinte a comprovar a realização do tratamento médico, “porque há tratamentos que o contribuinte não tem como comprovar a sua realização, a não ser pela apresentação do recibo”. 3.1. Para embasar seus argumentos, invoca o princípio da legalidade, que “garante ao contribuinte o dever somente fazer ou deixar de fazer o que estiver determinado em lei” e transcreve o artigo 8º, II, alínea “a” da Lei 9250/95. 3.2. Acrescenta que “se o Fisco tivesse dúvidas, deveria ter requerido a realização de uma perícia odontológica.” Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.722267/201175 Acórdão n.º 2801003.372 S2TE01 Fl. 148 3 3.3. Entende que houve inversão do ônus da prova e reforça que a fiscalização agiu sem respaldo legal, citando Alexandre de Moraes e Marcus Vinícius Neder no que se refere ao princípio da legalidade na Administração Pública. 3.4. Quanto à comprovação do efetivo pagamento, o impugnante entende que “a ofensa ao princípio da legalidade é mais patente”, pois não há vedação legal ao cidadão no sentido de não efetuar os pagamentos de suas despesas em espécie. 3.4.1. Interpreta que o artigo 11, parágrafo 1º, alínea “c” da Lei 8383/91 exige apresentação de cheque somente quando ausente os dados do médico que recebeu o pagamento, transcrevendo, em seguida, decisão do Carf a esse respeito. 3.5. Conclui requerendo que seja acolhida a impugnação e a “produção de todas provas em direito admitidas, inclusive, se for o caso, de prova pericial odontológica no Impugnante e sua dependente (mãe), bem como a prova testemunhal, com a oitiva do médico dentista Dr. Munir Abujamra, para comprovar o que a Fiscalização deveria ter comprovado, isto é, a realização dos serviços.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 123/129, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2008, 2009 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária prevê que a prova das despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual seja feita por meio de documentos originais que demonstrem a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. É lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. PROVAS DOCUMENTAIS. IMPUGNAÇÃO. FASE INSTRUTÓRIA. PRAZO. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, inexistindo fase instrutória específica, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de prova pericial deve atender requisitos fixados no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, sob pena de ser tido como não formulado. OITIVA DE TESTEMUNHAS. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.722267/201175 Acórdão n.º 2801003.372 S2TE01 Fl. 149 4 Indeferese o pedido para oitiva de testemunhas no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 19/01/2012 (fl. 132), o interessado, representado por seu advogado (fl. 100), interpôs recurso voluntário de fls. 133/142, em 17/02/2012 (fl. 143). Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, salientese que o litígio cingese à glosa das despesas médicas declaradas relativas ao profissional MUNIR ABUJAMRA, CPF 042.800.40915, cujos recibos apresentados foram declarados inidôneos por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 008, de 1º/3/11, publicado no Diário Oficial da União (DOU) nº 48, de 11/3/11, tendo em vista o contido na Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz – Processo Administrativo Fiscal nº 10930.720253/201117. Conforme bem observou a decisão recorrida, não consta dos autos, nem durante a ação fiscal nem na impugnação, a apresentação dos documentos comprobatórios das demais despesas médicas glosadas. Também, em sede de recurso, o contribuinte não aditou qualquer elemento de prova. Ao contrário do que entende o peticionário, os recibos apresentados emitidos pelo profissional Munir Abujamra, por si sós, não se prestam a comprovar a efetividade da prestação dos serviços em questão. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço, como também do pagamento correspondente. No caso sob exame, como o recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela decisão de primeira instância, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.722267/201175 Acórdão n.º 2801003.372 S2TE01 Fl. 150 5 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Salientese que não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente, ainda que o contribuinte demonstre disponibilidade de recursos para o pagamento das despesas glosadas. No caso. diante de indícios da inidoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justificase a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Sem isso, o simples recibo é insuficientes para comprovar a despesa dedutível, justificando a glosa. Já é pacífico no âmbito deste Conselho que na hipótese de profissionais sumulados é indispensável que o contribuinte instrua o feito com outras provas consistentes que afastem o pressuposto de inidoneidade trazido pela Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente, de acordo com a Súmula CARF nº 40 do CARF: “A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.722267/201175 Acórdão n.º 2801003.372 S2TE01 Fl. 151 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10875.722852/2011-87
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 52 /2 01 1- 87 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 114 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 115 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 50/66 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.38/43) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA fevereiro/2011 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31/32) que a contribuinte, em 29/08/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA fevereiro/2011, com atraso de 05 (cinco) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 25/04/2011; b) data de entrega: 29/08/2011; montante dos tributos informados na DCTF: R$ 186.649,51; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos informados na DCTF; cálculo da multa: 10% x R$ 186.649,51 = R$ 18.649,56; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 18.649,56 x 50% = R$ 9.324,77 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento pelo sistema eletrônico em 13/09/2011 (fl. 34), e apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 116 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo, sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.38/43), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 117 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 47/48), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 50/66), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 05 (cinco) meses de atraso na entrega da DCTF e 10 (dez) por cento de multa; que, na realidade, o referido atraso foi de 04 meses e 05 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 25/05/2011, mas somente se efetivou em 29/08/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 04 (quatro) meses completos e 05 (cinco) dias, e não 05 (cinco) meses; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 118 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 119 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 1110, de 24/12/2010 (art. 5º), in verbis: Art. 5ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fls. 31/32), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA fevereiro/2011 era 25/04/2011. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 29/08/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 05 (cinco) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 10% sobre o montante dos tributos informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA fevereiro/2011, por vício na aplicação da legislação e na apuração do valor da penalidade. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 120 8 Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 04 meses e 05 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese defendida pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 121 9 A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 05 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 05 (quatro) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA fevereiro/2011. Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de mérito, e não para apreciação em sede de preliminar. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 122 10 A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 123 11 direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproporcional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 124 12 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 125 13 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 126 14 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 127 15 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722852/201187 Acórdão n.º 1802001.933 S1TE02 Fl. 128 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15504.003669/2010-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
NULIDADE. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO.
Vício na motivação caracteriza vício material e leva à nulidade do lançamento.
REPRESENTAÇÃO FiSCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2403-002.360
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo o vício material.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. Vício na motivação caracteriza vício material e leva à nulidade do lançamento. REPRESENTAÇÃO FiSCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo o vício material. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 36 69 /2 01 0- 30 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0239.856 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra Sociedade Civil Casas de Educação, CNPJ 33.618.984/000128, no montante de R$8.847.354,83 (oito milhões oitocentos e quarenta e sete mil, trezentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e três centavos), consolidado em 22/03/2010, Auto de Infração (AI) nº 37.264.1512. O crédito referese às contribuições devidas à Seguridade Social, inclusive a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuinte individual, período 01/2006 a 12/2007, incluídos os décimos terceiros salários, a cargo da empresa. A autoridade lançadora, em seu Relatório Fiscal emitido em 19/03/2010, às fls. 83/86, relata que a autuada teve seu título de Utilidade Pública Federal (UPF) cassado por infração ao disposto nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei n° 8.212/1991, combinado com os incisos V e VI do artigo 206 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, pelos motivos especificados na Decisão Notificação nº 11.401.4/0283/2005 e que foi emitido o Ato Cancelatório n° 11.401.1/009/2005, tendo assim cancelado seu direito à isenção de contribuições previdenciárias, a partir de 01/01/1995. É assinalado que a autuada informou em GFIP, indevidamente, no período de 01/2006 a 12/2007, código FPAS 639, destinado às entidades beneficentes de assistência social, quando o correto seria ter informado o código “515” ou “574”, dependendo do estabelecimento, e também informou alíquota RAT “zero”, o que inibiu o cálculo da contribuição devida, quota patronal, além de não terem sido recolhidas essas contribuições. É citado que o uso indevido desse código inibiu o cálculo da contribuição devida (quota patronal) no período de 01/2006 a 12/2007, incidente sobre os fatos geradores declarados em GFIP, que constituem remunerações pagas aos segurados Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 empregados e contribuintes individuais. É informado que a empresa não recolheu as contribuições devidas aos cofres públicos no prazo legal estabelecido. É descrito que foram lavrados ainda os seguintes AIs na presente ação fiscal: Debcad 37.264.1520 Comprot 15504.003670/201064 (referente a contribuições devidas a terceiros); Debcad 37.264.1539 Comprot 15504.004364/201045 (pela empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias); Debcad 37.264.1547 Comprot 15504.004368/201023 (pela empresa apresentar GFIP com informações inexatas ou omissas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias). É relatado que no caso de infração anterior a 04/12/2008, em observância ao “princípio da retroatividade benigna”, expresso no art. 106, inciso II, letra “c”, do CTN, apurase a multa vigente à época da ocorrência do fato gerador da infração (Lei nº 8.212/1991, art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, e art. 35, inciso II, na redação anterior à MP 449/2008), bem como a imposta pela legislação superveniente, aplicandose a que resultar em penalidade mais benéfica. É exposto que nas competências 01/06 a 12/2007, inclusive 13° salários, foi feita a comparação entre a multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 (75%) mais a multa prevista no art. 32A, inciso II e parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela MP449 de 03/12/2008, e a soma da multa de mora do inciso I do art. 35 (24%) mais a multa prevista no art. 32, § 5º mais a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997. É relatado que no Anexo I do Relatório Fiscal consta o quadro comparativo das multas. A auditoria fiscal destaca que, após a comparação, verificou que para as competências 01/2006 à 12/2007, inclusive 13° salários, a multa mais benéfica é a da legislação anterior à MP 449/2008, ou seja, a multa de mora do art. 35 (24%) da Lei 8.212/1991, mais as multas previstas no artigo 32, §§5° e 6º da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997. É registrado que será emitida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) tendo em vista a situação descrita no Relatório Fiscal. Às fls. 94 temse documento atestando que foram juntados a este processo, por apensação, os processo de nºs 15504.004364/201045, 15504.004368/201023 e 15504.003670/201064. O sujeito passivo foi cientificado do presente Auto de Infração em 24/03/2010, conforme assinatura aposta em fls. 02. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 4 5 A representante da contribuinte, conforme procuração em fls. 105, apresentou impugnação (fls. 95/104) em 23/04/2010 (fls.121), acompanhadas dos documentos de fls. 105/124, alegando, em síntese, que: 1.1 a RFFP citada no item 4.1.5 do Relatório Fiscal não poderia ser emitida e tampouco encaminhada à Procuradoria da República enquanto não encerrado o Processo Fiscal Administrativo. É o que dispõem os art. 83 da Lei nº 9.430/1996 e 2º do Decreto nº 2.730/1998 e constam de diversas decisões judiciais. Não há que falar que esses comandos legais não se aplicam às disposições do art. 337A, incisos I e III do Código Penal (CP). A consumação do delito previsto nesse artigo do CP somente se dá com o término do procedimento administrativo; 1.2 a remessa de RFFP ao Ministério Público Federal (MPF) antes da decisão final no PAF é uma tentativa de forçar o contribuinte a recolher o tributo, caracterizando o crime de excesso de exação, previsto no § 1º do art. 316 do CP; 1.3 requer que a RFFP não seja encaminhada ao MPF até que seja apreciada a impugnação ora apresentada. 2.1 a motivação indicada que levou à lavratura do AI é de toda inexistente. No entanto, a motivação regular e válida, em se tratando de ato administrativo vinculado, é imprescindível. O art. 50 da Lei nº 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados de modo explícito, claro e congruente, e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram; 2.2 a Fiscalização informa tratarse de entidade declarada de UPF e possuidora de CEBAS relativo aos triênios compreendidos pelo período de apuração para fins de autuação (01/2006 a 12/2007), mas também relata que a Autuada teve seu título de UPF cassado e o seu direito à isenção de contribuições previdenciárias cancelado a partir de 01/01/1995, conforme Ato Declaratório n° 11.401.1/009/2005; 2.3 entretanto, o título de UPF que a entidade possui nunca foi cassado e a Fiscalização apenas alega tal cassação sem apresentar prova regular e válida que pudesse ao menos permitir o pleno direito de defesa e do contraditório; 2.4 também o alegado Ato Cancelatório n° 11.401.1/009/2005 que teria cancelado o direito à isenção (na verdade imunidade) não pode ser considerado, uma vez que é nulo; 2.5 o ato administrativo deve ser puro, sadio, íntegro, sem vício ou defeito que o desnature, suprima ou diminua a força de que necessita para que tenha eficácia no plano que lhe reservam as leis e regulamentos; 2.6 conforme decisões judiciais e diversos doutrinadores, inexistente ou falso o motivo que deu suporte ao ato administrativo, este se torna destituído de conteúdo; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 2.7 o Auto de Infração ora impugnado é nulo, pois, ao "revelar" motivação inexistente, inválida ou mesmo falsa, errou a Fiscalização. 3.1 não se considerando a preliminar arguída (Da inexistência de real e verdadeiro Pressuposto Processual, de Motivação, á Lavratura Impugnada), no mérito deve ser julgado improcedente; 3.2 devese considerar que o relevante para fins da "isenção" é a constatação de que os requisitos exigidos em lei foram atendidos (art. 55 da Lei n° 8.212/91), fato atestado pela própria fiscalização em seu Relatório Fiscal. Uma vez constatado, mesmo que por meio oblíquo, o atendimento de tais requisitos, tem o contribuinte o direito de não se submeter à exigência tributária; 3.3 o parágrafo 7º, do artigo 195, da CF não dispõe sobre uma mera isenção como faz crer o Relatório Fiscal e sim de uma verdadeira imunidade tributária, conforme decisões pacificadas pelo STF; 4 ante o exposto, requer o acolhimento da preliminar, para o fim de ser declarado insubsistente o AI e, quando não, no mérito, requer seja decretada a insubsistência do AI; 5 requer, ainda, que toda e qualquer intimação ou cientifícação de despachos e demais atos processuais sejam encaminhados e enviados diretamente aos advogados que subscrevem a impugnação, com escritório à Avenida Doutor Alberto de Oliveira Lima, 100, Morumbi, São Paulo (SP), CEP 05690 020. À fls. 128/184 foram juntados, por esta relatora (fls. 185), depois de pedido de vista, documentos fotocopiados do processo de nº 35097.001365/200577, que se refere ao cancelamento da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/1991, os quais a contribuinte teve ciência à época. Faz parte desses autos a Decisão Notificação n° 11.401.4/0283/2005, citada no Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 11.401.1/009/2005. Nos termos da Resolução nº 02001.385 constante às fls. 186/190, os autos foram encaminhados à fiscalização para emissão de Relatório Fiscal aditivo, de forma a complementar e elucidar as informações contidas no Relatório Fiscal às fls. 83/86, esclarecendo acerca do descumprimento dos requisitos legais exigidos para o gozo da isenção de contribuições previdenciárias no período de 01/2006 a 12/2007, juntando elementos de prova que possuísse, inclusive em relação à cassação do título de UPF, visando a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo e a propiciar a adequada análise do crédito tributário. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 5 7 Em cumprimento ao determinado na Resolução retro, a autoridade fiscal autuante realizou diligência à empresa, conforme documentos de fls. 204/369, resultando na Informação Fiscal/Relatório Fiscal de fls. 195/202, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para a empresa apresentar impugnação, a partir de sua ciência. Nos termos do Relatório Fiscal originário e no Relatório Fiscal Complementar, o presente AI tem como fato gerador as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, período 01/2006 a 12/2007, incluído os décimos terceiros salários, sobre os quais incidem contribuições devidas pela empresa e SAT/RAT. Consta ainda, do Relatório Fiscal Complementar, em síntese que: a empresa possui Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais emitido em 13/12/2005, a contar de 01/01/2005, cuja cópia segue anexa (fls. 203); analisando a contabilidade da empresa, verificouse que esta contabiliza as contas relativas à gratuidade aplicada em contas de compensação, o que é inadequado para demonstrar as suas atividades assistenciais, por falta de amparo da Lei nº 6.404/1976 e das Normas Brasileiras de Contabilidade. Os valores gastos em gratuidade devem estar registrados em contas próprias do grupo das contas de resultado, no subgrupo despesas e não em contas de compensação (Parecer MPS/CJ 3456/2000 AGU –DOU de 17/03/2005); a própria empresa informa nas Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis 2006 e 2007 que as contas de compensação não compõem as contas de resultados; assim, os valores discriminados no item 6 (fls. 196/197), lançados nas contas de compensação em 2006 e 2007 não foram considerados como gratuidade em atendimento ao inciso VI do art. 3º do Decreto nº 2.536/1998; a empresa contabilizou no exercício 2006 como despesas filantrópicas Doações a Pessoas Jurídicas (conta 4.01.01.08.10 – Aplicações em Obras Sociais). Ocorre que donativos a outras entidades não são gastos em assistência social, sendo meros repasses financeiros que não representam custo da atividade, não podendo ser considerados como aplicação em gratuidade; também são contabilizados como despesas filantrópicas, diversos gastos feitos com associadas, que não se enquadram como gratuidade, constituindose meros benefícios e vantagens, como alimentação, vestuário, calçados, farmácias, gastos pessoais, óculos, relógio, água, luz, telefone, conduções, viagens, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 instrução, sepultamentos, cemitérios, hospitais, saúde etc. Registrese que essas vantagens e benefícios às associadas, inclusive as que participam de sua diretoria, têm previsão no art. 9º de seu estatuto social, bem como em atas de reunião da diretoria, conforme pode ser verificado em documentos que seguem anexados; nas atas de reunião constam que as despesas aprovadas a título de viagens da diretoria e demais associadas estão respaldadas em permissivo legal, conforme preceituado pela Lei nº 10.170/2000 (§ 3º do art. 22). Conforme consta do sistema CNPJ da RFB, o código utilizado para a empresa 3999 correspondente à sua natureza jurídica, referese a uma associação privada. Entretanto, essa lei, que acrescentou parágrafos ao art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dispensa somente às instituições religiosas do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago aos ministros de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; não respalda as citadas deliberações aprovadas pela diretoria da empresa. Comprovantes de pagamentos de benefícios a associadas foram anexados, por amostragem, e foram solicitados por meio do Termo de Diligência nº 2, de 07/12/2011; para apuração da gratuidade no período de 2006/2007 foram considerados os lançamentos discriminados no item 12 da Informação Fiscal (fls. 199/200), que totalizaram, respectivamente, R$1.357.605,48 e R$5.324.550,01. Não foram consideradas para cálculo da gratuidade as contas do grupo compensado e as contas consideradas como pagamento de benefícios às associadas; o montante realizado da gratuidade em 2006 e 2007 representou 3,4% e 13%, (respectivamente) da Receita Bruta (quadro constante do item 13), o que mostra que a entidade não cumpriu os 20%, conforme o pressuposto legal; a empresa encerrou os exercícios de 2006 e 2007 utilizando 64,52% e 66,59% (respectivamente) de seu patrimônio para fins de investimentos financeiros, sendo que os juros recebidos em suas aplicações representaram 38,35% e 32,39% (respectivamente) da receita total auferida (item 15 da Informação fiscal). Concluise que a empresa não aplica o resultado operacional na manutenção de desenvolvimento de seus objetivos institucionais e sim no mercado financeiro; No item 18 da Informação Fiscal/Relatório Fiscal (fls.202) consta a conclusão de que a Sociedade Civil Casas de Educação, ao oferecer benefícios às suas associadas (moradia, alimentação, assistência médica, vestuário, educação, transporte, viagens e congêneres) e ao não aplicar o resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais (investe seu superávit em aplicações financeiras), deixou de atender, no período de 2006 a 2007, aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 (incisos IV e V), necessários à manutenção da isenção das contribuições sociais; Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 6 9 A Fiscalização informa ainda, no item 20 do documento acima mencionado (fls. 202), que no dia 28/02/2012 encerrou o procedimento na empresa, sendo encaminhada a esta, sob registro postal, cópia da Resolução 02001385 e do presente Relatório Fiscal, tendo lhe sido concedido o prazo de trinta dias para apresentação de informações ou documentos, se for o caso, visando contestar, modificar ou complementar os fatos relatados na Informação Fiscal/Relatório Fiscal de fls. 195/202. A empresa foi cientificada do teor da Resolução 02001 385 e do resultado da diligência, conforme comprovantes de fls. 370 e 374. Ciente do Relatório Fiscal Complementar, a impugnante apresentou tempestivamente sua impugnação complementar em que ratifica as alegações na impugnação original já sintetizadas acima e acrescenta que: a DRJ/BHE ao apreciar os termos da impugnação apresentada converteu o julgamento em diligência para que a auditoria fiscal emitisse Relatório Fiscal, cabendo a esta relatar os fatos que demonstrasse o descumprimento dos requisitos legais exigidos para o gozo da isenção no período de 01/2006 a 12/2007, informar as circunstâncias que os envolveram e os respectivos fundamentos legais, de forma clara e precisa, juntar os elementos de prova que possuísse, inclusive em relação à cassação do título de UPF, visando a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo e a propiciar a adequada análise do crédito tributário, dar ciência ao contribuinte da Resolução 02001385, bem como do Relatório Fiscal, se emitido, com reabertura do prazo de defesa; a Informação Fiscal não atendeu à exigência da DRJ, pois como relatado pela impugnante e verificado pela Delegacia de Julgamento, nunca houve a cassação do título de UPF. A agente fiscal não comprovou essa cassação e optou por não se manifestar acerca do tema; anexa e junta aos autos, a resposta do Ministério da Justiça dada por meio de sua Coordenação de Entidades Sociais, em atenção à consulta formulada pela entidade, além de extrato atualizado comprovando que possui o título de UPF desde 27/02/1964. Mais uma vez fica caracterizada a inexistência dos fatos alegados em Relatório Fiscal, o que descaracteriza a motivação alegada; é de conhecimento da DRF que o ato que cancelou a isenção foi anulado bem antes da lavratura do AI. Portanto, inexistente também a motivação quanto ao cancelamento da isenção; Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 o art. 9º do Decreto 70.235/1972 estabelece expressamente a necessidade de o lançamento ser instruído com prova concludente de que os eventos tributários ocorreram em estrita conformidade com a descrição de hipóteses normativas; a ausência de motivação enseja a nulidade do ato de constituição do débito, devendo a mesma ser declarada de ofício por esse órgão julgador, assim como, a inexistência de motivação enseja a decretação de inconsistência e, consequentemente, a improcedência do lançamento realizado; no caso concreto, houve decisão transitada em julgado, anulando o ato que declarou o cancelamento de isenção e jamais ocorreu a cassação do título de UPF. Dessa forma, resta claro que houve vício processual, decorrente de erro por parte da fiscalização. Independentemente da inexistência de motivação, regular e válida, houve a prática de ato eivado de vícios de legalidade, impondo a anulação do AI. O art. 53 da Lei nº 9.784/1999 estabelece que a Administração deve anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade. O caput do art. 2º da Lei nº 9.784/1999 dispõe que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Nos termos da Súmula 473 do STF, a Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais porque deles não se originam direitos. São causas de anulação dos atos administrativos os vícios resultantes de erro, dolo, simulação ou fraude; mesmo que se pudesse ignorar a inexistência de motivação regular e válida e desprezar os vícios processuais que justificariam a anulação do AI, não se pode ignorar o fato de tratarse de instituição beneficente de assistência social registrada junto ao CNAS e portadora do Certificado de Entidade Beneficente e de Assistência Social (CEBAS), devidamente renovado, inclusive para o período ora fiscalizado; para a concessão do CEBAS e renovações periódicas há que se cumprir vários requisitos, restando claro que sua renovação constituise em ato declaratório ao direito à imunidade/isenção, pois os requisitos para a concessão são os mesmos constantes no Decreto nº 2.536/1998, que nada mais são do que uma explicitação dos requisitos constantes no art. 55 da Lei nº 8.212/1991; considerando que a entidade é detentora do título de UPF e do CEBAS, devidamente renovado, inclusive para o período de 01/2006 a 12/2007, não há como prevalecer a pretensão de constituição do crédito tributário lançado; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 7 11 caso essa DRJ entenda por enfrentar a matéria ressuscitada na Informação, porém totalmente estranha ao AI lançado, ainda assim, o Auto deve ser julgado improcedente, uma vez que: a matéria relativa ao não cumprimento de incisos do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 é imprópria e descabida nestes autos cuja motivação alegada resumese ao Ato Declaratório de Cancelamento de Isenção e à cassação do título de UPF, fatos esses inexistentes; as questões relativas ao cumprimento dos incisos do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 restaram superadas pela concessão do CEBAS e suas renovações pelo órgão administrativo competente; apesar da representação fiscal, apresentada ao CNAS, com o objetivo de cancelar os CEBAS deferidos, a concessão originária foi mantida e as demais renovações foram deferidas pelo CNAS; todas as questões apontadas na Informação Fiscal, mesmo que impropriamente e de forma extemporânea, foram objeto de apreciação e análise por parte do CNAS, quando do deferimento do CEBAS e suas renovações; o alegado desvio de finalidade em razão da constatação de existência de aplicações financeiras não caracteriza a pretendida arguição de desvio de finalidade e sim uma obrigação do gestor de proteger o capital para que, então, seja integralmente aplicado em suas finalidades institucionais. A entidade obteve a tutela jurisdicional do STF por meio de decisão sobre a matéria, onde se decidiu pela possibilidade de investimento em aplicações financeiras (RE363842), sendo certo que tal prática não caracteriza desvio de finalidade. Citase julgados administrativos e judiciais que corroborariam seu entendimento acerca da nulidade/improcedência do Auto de Infração ora combatido. A contribuinte finaliza reiterando que o AI é improcedente e, até mesmo, nulo, uma vez que inexiste a motivação que o originou, assim como por estar maculado com vícios de legalidade insanáveis bem como por se tratar de instituição devidamente registrada junto ao CNAS e detentora do CEBAS, devidamente renovado. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Nulidade da autuação. Motivação. Ato cancelatório da isenção. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 · Representação fiscal para fins penais. · Direito à isenção. · Imunidade. · Ausência de concessão de benefícios a associados. · Irretroatividade da Lei 12.101/2009. É o relatório Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE MOTIVAÇÃO Conforme descrito no relatório Fiscal, o lançamento se baseou na cassação do direito à isenção formalizado pelo Ato Cancelatório 11.401.1/0009/2005. 4.1.3 Relatamos que a autuada teve seu título de utilidade pública federal, cassado por infração ao disposto nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei n° 8212, de 1991, na sua redação primitiva, sem as alterações introduzidas pela Lei n° 9732, de 11/12/1998, combinado com os incisos V e VI do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048. de 06/05/1999, pelos motivos especificados na Decisão Notificação n° 11.401.4/0283/2005. Foi emitido Ato Cancelatório n° 11.401.1/009/2005, tendo assim cancelado seu direito à isenção de contribuições previdenciárias, a partir de 01/01/1995. Está demonstrado no processo o vício praticado pelo fisco quando do cancelamento do direito à isenção, o que levou o CRPS, por meio do acórdão 0001091, a anular a Decisão Notificação 11.401.4/0283/2005. N° do(a) Acórdão: 0001091 Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, por Unanimidade em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Também o Pedido de Revisão do Acórdão impetrado pela Delegacia da Receita Previdenciária de Belo Horizonte foi negado, conforme despacho 240081/2010, deste CARF. O voto condutor da decisão de primeira instância também reconhece que o Ato Cancelatório não tem validade. DRJ Entretanto, a inexistência de Ato Cancelatório de Isenção válido e a ausência da comprovação da cassação do título de UPF é irrelevante, pois, no momento da lavratura do auto de infração, a Lei nº 12.101/2009 já estava vigente e a fiscalização poderia constituir o crédito exigindo a contribuição previdenciária patronal, se verificado que a entidade não cumpria as exigências estabelecidas em lei para o gozo da isenção, conforme previsto no art. 32 da Lei nº 12.101/2009, considerando a aplicação imediata das normas procedimentais, nos termos do art. 144, §1º, do CTN. Diferentemente do entendimento da DRJ, acima apresentado, entendo que a motivação apresentada no Relatório Fiscal (cancelamento do direito à isenção) tem total relevância. Entendo que vício na motivação caracteriza vício material e leva à nulidade do lançamento REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003669/201030 Acórdão n.º 2403002.360 S2C4T3 Fl. 9 15 Voto pelo provimento do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10070.001932/2003-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DCTF. Auditoria Interna
Os débitos apurados em auditoria interna de DCTF, serão exigidos por meio de auto de infração. (IN SRF 45/1998 e IN SRF 77/1998).
Numero da decisão: 1801-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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AUDITORIA INTERNA Os débitos apurados em auditoria interna de DCTF, serão exigidos por meio de auto de infração. (IN SRF 45/1998 e IN SRF 77/1998). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 19 32 /2 00 3- 51 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 8a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ que, por unanimidade de votos, manteve integralmente a exigência consubstanciada no auto. Por resumir muito bem os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJ: Trata o processo de auto de infração referente à DCTF do segundo a quarto trimestres de 1998, lavrado pela então Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, (Defis/RJ), através do qual foi consubstanciada a exigência de IRPJ, no valor de R$ 251.363,36, multa de 75% sobre ele incidente e juros de mora calculados até 30/06/2003. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, fls.20, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna da DCTF na qual foi apurada falta de recolhimento do IRPJ de abril a outubro de 1998, conforme anexo do auto de infração às fls.28. Inconformada com o lançamento, a Interessada apresentou a impugnação de fls.01, na qual alegou que os débitos foram compensados no âmbito do PA nº.10070.001830/9933. Consta nos autos que, em 20/07/2011 foi realizada revisão de lançamento, que concluiu que o PA nº.10070.001830/9933 referiuse a débitos dos anoscalendários de 1999 e 2000, conforme fls.44 e 45. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade às fls.57/77, alegando que: O recurso contra o decisum é o Recurso Voluntário eis que julgouse procedente o auto de infração lavrado contra ela; Seja suspensa a exigibilidade aos débitos objeto do Auto de Infração, nos termos do artigo 151, III, do CTN; Nulidade de Auto de Infração que cobra montante já confessado em DCTF; Nulidade da decisão recorrida por haver sido proferida por Autoridade incompetente; Os débitos cobrados haviam sido objeto de anterior compensação, estando, portanto extintos; Multa de ofício incompatível com os ditames legais. Ao apreciar o litígio a Turma Julgadora de 1a, instância consignou, inicialmente, que a exigibilidade do crédito tributário constituído neste processo estaria suspensa nos termos do art. 151,III do CTN e que o Recurso Voluntário somente é passível de apresentação contra decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento. Assim, a defesa apresentada teria a natureza de manifestação de inconformidade e assim seria conhecida. Também foi reconhecida a competência da autoridade que proferiu a decisão de revisão de ofício do lançamento. No mérito consignou que o auto de infração exige parcela não recolhida de IRPJ que foi declarado em DCTF como vinculada à compensação, com fundamento nos artigos 2º., das Instruções Normativas nº 45 e 77, de 1998 e que os débitos cobrados no presente lançamento não foram objeto da compensação requerida no PA nº.10070.001830/9933, às Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001932/200351 Acórdão n.º 1801001.803 S1TE01 Fl. 3 3 fls.44/45, convalidando, ainda, a multa de ofício exigida. Ao final a exigência foi considerada procedente. Intimada pessoalmente da decisão, em 03/11/2011, como demonstra a quota à fl. 103 do processo digital, apresentou a interessada, em 05/12/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, inicialmente, em extenso arrazoado, que a decisão da Turma Julgadora de 1a. instância teria sido proferida com ausência de fundamentação e que teria sido omissa no tocante às provas constituídas no presente processo administrativo e quanto à argüição de nulidade de decisão proferida por autoridade incompetente. Reproduziu os argumentos de defesa atinentes à nulidade da exigência por cobrar montante já declarado em DCTF, cuja quitação teria se dado via compensação tratada em processo anterior. Ao final pugnou pela decretação de nulidade da exigência, nulidade das decisões anteriores e total improcedência do lançamento. Fez sustentação oral em plenário, pela recorrente, a Dra. Georgeana Leal de Macedo Rezende, OAB/RJ nº 111.642. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade que reviu o lançamento pois, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal, o titular da unidade que promoveu a constituição do crédito tributário pode efetuar a sua revisão de ofício para que seja detectada qualquer irregularidade ou improcedência da exigência, evitandose assim que uma cobrança indevida prossiga administrativamente, gerando custos desnecessários tanto para a Fazenda como para o contribuinte. Contudo, no caso em apreço, ainda que tenha sido efetuada a revisão de ofício, nenhuma irregularidade foi detectada no lançamento, razão pela qual prosseguiuse na cobrança do crédito tributário constituído. Da mesma forma não procede a alegação de que a decisão da Turma Julgadora de 1a. instância tenha sido proferida por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa da contribuinte, pois naquele voto foram apreciadas todas as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade, inclusive a respeito da alegada compensação, efetuada anteriormente, dos débitos exigidos no presente e sobre a sua anterior constituição, em DCTF. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001932/200351 Acórdão n.º 1801001.803 S1TE01 Fl. 4 5 Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ no Rio de Janeiro/RJOI, da exigência formalizada pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que a infração praticada restou comprovada, Assim, os atos praticados no presente processo revestiramse de todas as formalidades necessárias a sua validação, não se detectando qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, acima transcrito, uma vez que todos foram praticados por pessoa competente, garantido ao autuado o direito de defesa. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1a. instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para nulidade de qualquer decisão. Quanto ao mérito cumpre reforçar que a antiga DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF 129/86, com periodicidade mensal. Na Declaração de Contribuições e Tributos Federais relativa a períodos de apuração até dezembro de 1996, deveriam ser declarados os débitos apurados pela Pessoa Jurídica obrigada à sua apresentação. A partir de janeiro de 1997, e até dezembro de 1998, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais passou a ter sua periodicidade trimestral, com os trimestres encerrados a 31/03, 30/06, 30/09, e 31/12 do ano calendário correspondente. Naquela DCTF deveriam ser declaradas as informações relativas aos débitos de tributos e contribuições apurados pela Pessoa Jurídica no respectivo trimestre, bem como sobre os créditos a eles relacionados. Também deveriam constar da declaração as informações sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos, e compensações. Contudo, a partir de janeiro de 1999, a DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi extinta pela IN SRF 127/1998. Foi, então, criada pela IN SRF 126/1998, vigorando a partir de janeiro de 1999, a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Esta nova DCTF, com alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF 255/02, passou a ter periodicidade trimestral, e deve conter as informações relativas aos tributos e contribuições apurados pela Pessoa Jurídica no trimestre correspondente, assim como informações relativas aos pagamentos efetuados pela Pessoa Jurídica, relativos aos débitos nela declarados, bem como parcelamentos, informações sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações Nos anos de 1999 e 2000 os valores constantes da Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ – não mais configuravam confissão de dívida em relação ao Imposto e às contribuições. Somente até o ano de 1998, exercício de 1999, nessa declaração – DIPJ constava essa informação. A partir do ano calendário de 1999, deixou de ser declaração de dívida, passando a ter caráter meramente informativo. Com a extinção da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ) pelo artigo 6º da IN SRF nº 127, de 30/10/1998 e a criação da DCTF (art. 1º da IN SRF nº 126, de 30/10/98), a confissão de dívidas Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 passou a ser feita apenas nas DCTFs. A IN SRF n º 45, de 1998, determinou que os saldos a pagar de IRPJ e de CSLL declarados em DCTF fossem objeto de auditoria interna de DCTF e que, havendo qualquer irregularidade, deveriam ser lavrados autos de infração para exigir o crédito tributário resultante dessa auditoria: IN SRF 45, de 1998: Art. 1ºAs Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2ºOs saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. IN SRF n º 127, de 1998: Art. 1ºFica instituída a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. ... Art. 6º Ficam extintas, a partir do exercício de 1999, observado o disposto nos § § 3º e 4º do artigo anterior I a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado; ... IV a Declaração de Contribuições e Tributos Federais; E ainda a IN SRF n º 126, de 1998: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001932/200351 Acórdão n.º 1801001.803 S1TE01 Fl. 5 7 Art. 1ºFica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2ºA partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2º A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores ... No caso em apreço a recorrente declarou na DCTF do anocalendário 1998, débitos de estimativa de IRPJ apuradas como devidas nos meses de abril a outubro do ano calendário 1998 – código de receita 5993 – vinculandoos a quitação via pagamento, como consta das pesquisas às fls. 54 a 58 do processo digital. Tais débitos não foram vinculados a qualquer compensação. Como os pagamentos vinculados não foram confirmados nos sistemas internos da Receita Federal, procedeuse a auditoria interna da referida DCTF. Assim, é inverídica a afirmação que insiste em sustentar a defesa, de que os referidos débitos teriam sido quitados via compensação em outro processo administrativo. Há farta prova nos autos que demonstram, com clareza, que o PAF n º 10070.001830/9933, trata de compensação de débitos de IRPJ – balanço trimestral – do ano calendário 1999 e de débitos de CSLL – balanço trimestral –do anocalendário 1999 e 2000. Dito de forma direta. O PAF n º 10070.001830/9933 trata da compensação de débitos de IRPJ do 1o., 2o. 3o. e 4o. trimestres do anocalendário 1999 – código 3373 e débitos de CSLL do 1o., 2o.. 3o. trimestres do anocalendário 1999 e 1o. trimestre do ano calendário 2000 código 6012. É o que consta das pesquisas anexadas às fls. 59/60 do processo digital. Não há, pois, qualquer semelhança entre os débitos exigidos no auto de infração de que trata o presente processo, e aqueles tratados no PAF n º 10070.001830/9933, que diferem em espécie, código de receita, período de apuração e valor Assim, correta a constituição, via auto de infração, do crédito tributário representado pelos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de abril a outubro de 1998, informados, inveridicamente, na DCTF auditada, como tendo sido quitados via pagamento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.004078/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Negado
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TRIBUTAÇÃO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 40 78 /2 00 9- 15 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.004078/200915 Acórdão n.º 2102002.780 S2C1T2 Fl. 60 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLAUDIO THADEU CYS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 18/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2007, exercício 2008, no valor total de R$ 135.025,44, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos da Caixa Vida e Previdência S/A, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A e da Bradesco Vida e Previdência S/A, nos valores de R$ 241.341,61, R$ 270.000,00 e R$ 78.633,76, respectivamente. O valor do imposto de renda retido na fonte foi compensado com o imposto devido apurado na Notificação. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 03/16, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/CTA nº 0634.108, de 25/10/2011, fls. 36/42: Contesta a exigência, aduzindo que os rendimentos foram tributados na fonte, responsabilidade das instituições financeiras, na qualidade de fontes pagadoras, razão pela qual entende não haver sentido na cobrança de todo o “principal do tributo” da pessoa física. Detalha os valores dos rendimentos auferidos e das respectivas retenções na fonte, no patamar de 15%, ora alegando não haver fato gerador para a exigência de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.004078/200915 Acórdão n.º 2102002.780 S2C1T2 Fl. 61 3 imposto suplementar, ora alegando que a omissão teria sido praticada por escritório de contabilidade contratado, ora suscitando bis in idem. Questiona a aplicação da taxa Selic, argüindo ilegalidade e inconstitucionalidade. A respeito, argumenta que a taxa Selic carece de legislação que a institua, contrariando o art. 161, § 1º, do CTN, tratandose de juros remuneratórios e não moratórios. Defende que a Lei nº 9.065, de 1995, apenas estabelece sua adoção, sem discriminar a sua forma de apuração e os critérios utilizados na fixação de seu percentual. Sobre a matéria, transcreve ementa de julgado do STJ. Quanto à multa de ofício aplicada, pugna pela sua redução, em face do princípio constitucional que veda o confisco, citando doutrina e jurisprudência e requerendo sua limitação a 20%. Invoca o disposto no art. 20 da Lei nº 10.522, de 2002, considerando que, acolhidas as razões antes expostas, o saldo remanescente estaria abaixo do limite de R$ 10.000,00, pugnando pelo “arquivamento” da exigência. A respeito do dispositivo legal citado, transcreve jurisprudência. Pelo exposto, requer a exclusão do imposto de renda exigido, assim como da multa e dos juros aplicados, solicitando, alternativamente, o arquivamento da exigência remanescente, que diz ser inferior a R$ 10.000,00. A DRJ Curitiba considerou improcedente a impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 11/11/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 46, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 47/57, em 02/12/2011, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.004078/200915 Acórdão n.º 2102002.780 S2C1T2 Fl. 62 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que cuidase da infração de omissão de rendimentos recebidos da Caixa Vida e Previdência S/A, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A e da Bradesco Vida e Previdência S/A, os quais são decorrentes de resgates de previdência privada, mais especificadamente de planos denominados de Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL), os quais são tributáveis, conforme disposto no art. 33 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Veja que conforme disposto no art. 33, acima transcrito, os resgates de contribuições e os benefícios recebidos de entidades de previdência privada sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, sendo certo que o imposto retido na fonte pode ser compensado com o imposto devido apurado no ajuste anual. Importante destacar, que no presente caso a compensação do imposto retido na fonte foi observada no lançamento, sendo certo que na Notificação de Lançamento apenas está sendo exigido do contribuinte o saldo do imposto a pagar, conforme se infere do demonstrativo, fls. 23, cuja responsabilidade tributária é do contribuinte, detentor do rendimento, e não da fonte pagadora, conforme sugerido pela defesa. Sobre o percentual de 75% da multa de ofício, que foi aplicada conforme disposto no art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, o recorrente afirma ser confiscatório. Vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme infere se da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste CARF, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legítima a aplicação dessa taxa, a saber: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.004078/200915 Acórdão n.º 2102002.780 S2C1T2 Fl. 63 5 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (publicadas no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Por fim, cumpre dizer que não há que se falar no presente caso em aplicação das disposições contidas no art. 20 da Lei n 10.522, de 19 de julho de 2002, posto que o crédito tributário exigido na Notificação de Lançamento é de R$ 135.025,44, valor bastante superior ao limite de R$ 10.000,00 a que se refere o mencionado dispositivo legal. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10950.907761/2011-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 61 /2 01 1- 70 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907761/201170 Acórdão n.º 3803005.191 S3TE03 Fl. 84 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/09/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907761/201170 Acórdão n.º 3803005.191 S3TE03 Fl. 85 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907761/201170 Acórdão n.º 3803005.191 S3TE03 Fl. 86 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907761/201170 Acórdão n.º 3803005.191 S3TE03 Fl. 87 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10283.720736/2007-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/03/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA INDISPENSÁVEIS.
Incumbe à fiscalização, nas autuações, a apresentação dos termos, documentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação da irregularidade detectada (cf. art. 9o do Decreto no 70.235/1972).
Numero da decisão: 3403-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ELEMENTOS DE PROVA INDISPENSÁVEIS. Incumbe à fiscalização, nas autuações, a apresentação dos termos, documentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação da irregularidade detectada (cf. art. 9o do Decreto no 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 36 /2 00 7- 15 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre Auto de Infração cientificado ao sujeito passivo em 04/01/2008 (fls. 15 a 20)1, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP na sistemática não cumulativa (no montante de R$ 1.666.046,78, a título de principal), decorrente de diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, “consubstanciados, mormente, na desconsideração das receitas de subvenções auferidas pela empresa, em decorrência de fruição de benefício fiscal estadual, quando da elaboração das bases de cálculo da contribuição”. Segundo a autuação, o benefício fiscal previsto na Lei Estadual no 2.826, de 29/09/2003, compreende o aproveitamento de crédito estímulo no valor do débito, apurado na conta gráfica do ICMS, e constitui subvenção, devendo ser objeto de tributação pela contribuição (na linha do que se entendeu na Solução de Consulta no 06/2005 da SRRF02), pois a obrigação tributária dispensada pelo Estado implica ganho econômicofinanceiro para a empresa. Esclarecese, por fim, que os valores considerados no lançamento são os refletidos na conta 77903 (depois 7793000) – Benef. FiscaisICMS Restituível, referentes aos meses de fevereiro de 2002 a março de 2005. Às fls. 43 apresentase planilha demonstrativa das diferenças apuradas pela fiscalização (dez/2002 a set/2005). A empresa apresenta impugnação em 31/01/2008 (fls. 80 a 95), alegando que as receitas de subvenção foram informadas na linha 9 (“outras receitas”) da planilha que o fisco solicitou fosse preenchida, pois na planilha não havia linha própria para tais receitas, ocorrendo o mesmo com os DACON. A empresa exemplifica o exposto demonstrando a contabilização em “outras receitas” nos meses de janeiro/2003, janeiro/2004, e março/2005. Anexa planilha (Doc. 7 fls. 259 a 262) na qual alega demonstrar que em todos os meses considerados na autuação o valor da subvenção foi devidamente incluído na base de cálculo da contribuição (exceto em dezembro de 2002, resultando em recolhimento a menor de R$ 44.500,68). Aponta ainda dois equívocos a serem esclarecidos: (a) houve erro de preenchimento (inversão de linhas) por parte da empresa no mês de junho/2004, que não afetou o resultado da apuração; e (b) o valor considerado em relação a julho/2005 pelo fisco como receita de subvenção (R$ 2.283.652,86) está incorreto, sendo em verdade de R$ 2.823.652,86 (tendo provavelmente ocorrido erro de digitação). Ainda que a empresa (por ficção) não houvesse incluído as receitas de subvenção na base de cálculo da contribuição, não caberia a autuação, por estar o procedimento amparado em medida judicial Mandado de Segurança (MS) no 2005.32.00.0015280 impetrada por associação da qual faz parte, para afastar a incidência da contribuição em relação aos “incentivos fiscais recebidos do Estado do Amazonas a título de restituição e outorga de créditos de ICMS recebidos pelas associadas da Impetrante, referente a valores que já integraram o preço de mercadorias e serviços vendidos”. Assim, eventual autuação em relação aos R$ 44.500,68, referentes a dez/2002, poderia ser lavrada apenas para interromper o prazo prescricional, sem imposição de multa. A impugnante, mesmo amparada por medida judicial, optou por incluir as subvenções na base de cálculo das contribuições até o trânsito em julgado da decisão no MS. Ademais, a própria RF (Solução de Consulta SRRF07 no 225/2007) reconhece a não inclusão das subvenções na base de cálculo das contribuições, exceto quando aportadas em espécie. Isso tanto porque a recomposição de patrimônio, recuperação ou redução de custos ou despesas não representam auferimento de receita, quanto porque o valor devido aos cofres estaduais, posteriormente restituído, por ter integrado o preço das mercadorias vendidas, já foi tributado pela contribuição. A DRJ, diante dos argumentos trazidos na impugnação, toma como exemplo o mês de jan/2003, no qual se aponta a procedência, a priori, das alegações da empresa, e baixa o processo em diligência, para: 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 619DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720736/200715 Acórdão n.º 3403002.623 S3C4T3 Fl. 573 3 “a) Verificar, por intermédio da análise dos livros fiscais e de outros documentos que entender necessários, a alegação do contribuinte de que as receitas de subvenção relativas ao incentivo fiscal do ICMS teriam sido incluídas na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP na linha "Outras Receitas"; b) Apurar, utilizando os livros fiscais, os saldos das contas contábeis informadas pelo contribuinte como integrantes da linha "Outras Receitas", conforme planilha de fls. 256/259; c) Juntar aos autos toda a documentação que servir de suporte para as providências "a" e "b"; d) Apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo;” A fiscalização, no relatório de diligência de fls. 539 a 541, esclarece que: (a) solicitou arquivos digitais contábeis e fiscais, em decorrência da facilidade de manejo das informações via software específico (CONTÁGIL) oficial da RFB; (b) na análise, constatou algumas divergências entre os demonstrativos (coincidentes com os DACON) e as notas fiscais, citando como exemplos a diferença de valor na linha 2 do mês de fev/2004 (receita de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria), e a divergência entre notas fiscais e demonstrativos no mês de abr/2004, afirmando que “as divergências continuam pelos outros meses, impossibilitando assim a avaliação real entre os valores expressos nas notas fiscais e os declarados à fazenda nacional, no que tange às receitas de vendas dos produtos próprios, inclusive os contemplados pelo benefício fiscal do ICMS”. Adiciona o relatório que “no tocante a ‘outras receitas’, verificouse que os valores informados nos demonstrativos preenchidos pela diligenciada, não estão em consonância com o total das outras receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS, consignados na escrita comercial da diligenciada”. E segue afirmando que restou constatado que em alguns meses (março e junho de 2004) os valores totais das “outras receitas” foram menores que os valores da subvenção, instando observar “que as divergências apuradas se estendem também a outros períodos”. Em 20/03/2012, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 557 a 563), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória. Pelo montante exonerado, recorrese de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 É de se recordar que a autuação, derivada de fiscalização que se estendeu de 20 de maio de 2004 a 29 de fevereiro de 2008 (conforme MPF de fl. 3), culminou na imputação à autuada da conduta de ter desconsiderado as receitas de subvenções auferidas pela empresa, em decorrência de fruição de benefício fiscal estadual, quando da elaboração das bases de cálculo da contribuição. E em sua impugnação a empresa informa que as considerou (na linha “outras receitas”), e apresenta demonstrativos que tornam plausível a alegação, a ponto de suscitar a dúvida no julgador de piso, que baixa o processo em diligência, buscando simplesmente verificar se o que o contribuinte alega tem respaldo nos livros fiscais. Contudo, o resultado da diligência fica distante de aclarar a tese da autuação, ou de sanar a dúvida do julgador. Além de tratar dos tópicos sempre a cunho exemplificativo (o que não parece sintonizarse com o objetivo de uma diligência), o relatório semeia mais dúvidas do que respostas. No único ponto em que busca confirmar que as subvenções não constavam do campo “outras receitas”, também a título exemplificativo, afirma o relatório que: “11 Com efeito, restou constatado pelos registros contábeis da diligenciada, que em alguns meses os valores totais das "outras receitas" foram menores que os valores da subvenção, expressa na conta 7793000 subvenção p/ custeio Icms/outros. Foi o que ocorreu, por exemplo, nos meses de mar/2004 e jun/2004. Isso forçosamente leva a inferir que, nestes meses ou não foi computado o valor da subvenção nas receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS, e foram consideradas apenas as outras receitas, ou apenas parte dela subvenção foi oferecida à tributação, deixando de lado as receitas, que deveriam compor as "outra receitas", dos demonstrativos.” As conclusões que se seguem, no entanto, só demonstram a falta de consistência na autuação, que, ao que tudo indica, sequer havia atentado para a linha “outras receitas”, e sua relação com as subvenções. “12. Assim é que no mês de março/2004, a contabilidade apresenta como valores a crédito da conta 7793000 subvenção p/ custeio Icms/outros, o montante de R$ 2.557.984,90, além de indicar crédito na conta de receita 9040000 Aluguéis Rec/Outras Rec, o valor de R$ 252.841,72. Estas contas, que somadas atingem o valor de R$ 2.810.826,62, deveriam integrar o montante das 'outras receitas", declarado no demonstrativo e no DACON do período, mas não constam dos mesmos, pois o valor informado nestes documentos apresentados pela diligenciada, montam apenas a quantia de R$ 2.413.114,34.” Vejase que ao mesmo tempo em que está o relatório buscando rechaçar exemplificativamente a argumentação da recorrente, está a por em dúvida a tese da autuação. Da mesma forma em que se aponta em dois meses que o valor das subvenções deve ter sido apenas parcialmente considerado nas bases de cálculo, endossase que estava sendo considerado (ou, se desconsiderado, haveria “outras receitas” para as quais a diligência não conseguiu identificar a origem). Fl. 621DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720736/200715 Acórdão n.º 3403002.623 S3C4T3 Fl. 574 5 O elemento mais preocupante do relatório de diligência é a falta de conclusividade. E a recorrente aproximação efetuada na análise é justificada ao final do relatório da seguinte forma: “18 De maneira que, para que restasse comprovado que todas as receitas teriam sido oferecidas regularmente à tributação, deveria a diligenciada ter apresentado os arquivos digitais de notas fiscais, refletindo corretamente as vendas de todos os seus produtos fabricados e dos revendidos, inclusive os sujeitos ao benefício fiscal do ICMS, bem como, os valores expressos nos demonstrativos e DACONS como "outras receitas", deveriam estar compatíveis com as contas contábeis refletidoras das outras receitas sujeitas à tributação do PIS e da COFINS” Longe das conjecturas, apontase como seguro o caminho do cancelamento da autuação, por não restar comprovada a argumentação nela expressa, nem esclarecida a posteriori a dúvida do julgador, pois incumbe à fiscalização, nas autuações, a apresentação dos termos, documentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação da irregularidade detectada (cf. art. 9o do Decreto no 70.235/1972). E foi nesse sentido a decisão da DRJ, da qual se recorre de ofício. “LANÇAMENTO. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário ou da prática de infração, como condição para que se realizem a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa.” É de se endossar, por fim, que a diligência efetuada amparou o julgamento de dois processos (este, em relação a Contribuição para o PIS/PASEP, e o processo no 10283.720737/200751, em relação a COFINS). E esse outro processo teve, recentemente, igual destino ao que se propõe para o presente: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005 LANÇAMENTO. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário ou da prática de infração, como condição para que se Fl. 622DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 realizem a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Recurso de Ofício Negado.” (Acórdão n. 3301001.846, Rel. Cons. Bernardo Motta Moreira, unânime, sessão de 22.mai.2013) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 623DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11516.003150/2003-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VICIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização, logo, eventual falha formal existente na sua emissão e/ou prorrogação não implica nulidade do auto de infração, lavrado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do CTN e dos arts. 9° e 10 do PAF.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO. LEI N° 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n's 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. Súmula n° 02 do CARF.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da seguinte forma: I - Pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que reconheciam a nulidade e cancelavam o lançamento; II - Por unanimidade votos, no mérito, EM DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento as receitas financeiras e não operacionais com fundamento na declaração de inconstitucionalidade pelo Excelso STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VICIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização, logo, eventual falha formal existente na sua emissão e/ou prorrogação não implica nulidade do auto de infração, lavrado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do CTN e dos arts. 9° e 10 do PAF. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO. LEI N° 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. Declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n's 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. Súmula n° 02 do CARF. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da seguinte forma: I - Pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que reconheciam a nulidade e cancelavam o lançamento; II - Por unanimidade votos, no mérito, EM DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento as receitas financeiras e não operacionais com fundamento na declaração de inconstitucionalidade pelo Excelso STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VICIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização, logo, eventual falha formal existente na sua emissão e/ou prorrogação não implica nulidade do auto de infração, lavrado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do CTN e dos arts. 9° e 10 do PAF. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO. LEI N° 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. Declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n's 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. Súmula n° 02 do CARF. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 31 50 /2 00 3- 32 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 638 2 Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da seguinte forma: I Pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que reconheciam a nulidade e cancelavam o lançamento; II Por unanimidade votos, no mérito, EM DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento as receitas financeiras e não operacionais com fundamento na declaração de inconstitucionalidade pelo Excelso STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 639 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DJR de São Paulo I (SP), fls. 462474 que transcrevo a seguir: Trata o presente feito de autos de infração AI de COFINS e PIS, relativos aos anoscalendário de 1999 a 2003 (AI e Demonstrativos de Apuração fls. 82/94 e 283/295). De acordo com os Termos de Verificação de Irregularidade Fiscal (fls. 67/81 e 268/282) e descrição dos fatos e enquadramento legal, constante dos autos de infração, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e aqueles escriturados em seus assentos contábeis. As disposições legais que embasaram o lançamento encontram se descritas nos referidos autos de infração. Em 23/12/2003, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fls. 91 e 292) e, em 23/01/2004, apresentou defesa relativamente à COFINS (fls. 100/130), resumidamente, nos seguintes termos: A contribuinte impugna tãosomente o débito relativo aos fatos geradores ocorridos nos períodos de janeiro a agosto de 2003, uma vez que os anteriores foram incluídos no PAES. O auto de infração deve ser considerado nulo em virtude da incompetência dos autuantes em extrapolar os poderes do MPF relativo a verificações obrigatórias, nos termos do artigo 15, § 2o , da Portaria COFIS 25/2002. Deve ser excluída a exigência relativa ao período de 31/08/2003, em razão do MPF autorizar apenas verificações de fatos geradores ocorridos até o início da ação fiscal. Relativamente a esse período, observese ainda que inexiste declaração ou recolhimento da contribuição, o que impossibilita a fiscalização via verificação obrigatória, sendo necessário MPF específico ou complementar. Cabe a exclusão do principal e multa dos períodos que foram incluídos no PAES, os quais não foram objeto da presente impugnação, e, portanto, devem ser transferidos os débitos em questão ao sistema PAES. Requerse que os débitos exigidos, referentes ao ano calendário de 2003, sejam compensados com os recolhimentos a maior de COFINS apurados nas planilhas de fls. 61 a 66. A apuração da contribuição deve ser feita com base na LC 70/1991, em face da inconstitucionalidade da Lei 9.718/1998, e, Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 640 4 alternativamente, a aplicação dos dispositivos da citada lei exclusivamente para os fatos geradores ocorridos entre 31/01 a 31/08/2003. Devem ser excluídos os juros calculados com base na taxa SELIC. O Processo 11516.003151/200387 foi juntado a este por anexação em 19/11/2007, em cumprimento à disposição contida no artigo 2o da Portaria 6.129/2005, conforme consta no documento de fl. 446. Às fls. 301/331, consta impugnação contra o lançamento do PIS, alegando, em síntese, o se segue: A contribuinte impugna tãosomente o débito relativo aos fatos geradores ocorridos nos períodos de janeiro a agosto de 2003, uma vez que os anteriores foram incluídos no PAES. O auto de infração deve ser considerado nulo em virtude da incompetência dos autuantes em extrapolar os poderes do MPF relativo a verificações obrigatórias, nos termos do artigo 15, § 2o , da Portaria COFIS 25/2002. Deve ser excluída a exigência relativa ao período de agosto e setembro de 2003, em razão do MPF autorizar apenas verificações de fatos geradores ocorridos até o início da ação fiscal. Relativamente a esses períodos, observese ainda que inexiste declaração ou recolhimento da contribuição, o que impossibilita a fiscalização via verificação obrigatória, sendo necessário MPF específico ou complementar. Cabe a exclusão do principal e multa dos períodos que foram incluídos no PAES, os quais não foram objeto da presente impugnação, e, portanto, devem ser transferidos os débitos em questão ao sistema PAES. Há de ser cancelada a exigência, em virtude de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, uma vez quer parte dos créditos do PIS nãocumulativo não foi considerada, sem que houvesse manifestação sobre a motivação para tal. Na planilha elaborada pelo fisco à fl 262, constam valores de crédito do PIS em montantes inferiores àqueles demonstrados pelo contribuinte às fls. 223/231 e não há nos autos explanação quanto ao critério utilizado pela autoridade fiscal para efetuar tais cálculos. Nas alíneas "a.l" a "b.2" de sua impugnação, apresentamse os motivos pelos quais a impugnante entende serem justificados os créditos por ela considerados. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 641 5 Requerse que os débitos exigidos, referentes ao ano calendário de 2003, sejam compensados com os recolhimentos a maior de PIS apurados nas planilhas de fls. 61 a 66. Devem ser excluídos os juros calculados com base na taxa SELIC. A Delegacia de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que a formalização da exigência fiscal foi realizada com estrita observância das normas de regência, contidas no Código Tributário Nacional e no Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades de auditoria fiscal e eventuais irregularidades em sua emissão não acarretam a nulidade do lançamento, posto que não interferem na competência da autoridade fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, que é instituída por lei. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 COFINS. EXIGÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. A exigência fiscal encontrase em perfeita consonância com a legislação de regência. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, com base na taxa SELIC. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 642 6 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falarse em bis in idem na incidência de juros de mora e multa de ofício, eis que possuem natureza jurídica diversa, tendo esta natureza punitiva, destinado a punir o contribuinte pela infração cometida, e aquele natureza indenizatória, pela não disponibilização do pagamento inadimplido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE PIS. Ao efetuar os cálculos da contribuição devida, a autoridade fiscal respeitou a informação fornecida pela interessada, deduzindo os créditos de PIS não cumulativo. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, com base na taxa SELIC. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falarse em bis in idem na incidência de juro de mora e multa de ofício, eis que possuem natureza jurídica diversa, tendo esta natureza punitiva, destinado a punir o contribuinte pela infração cometida, e aquele natureza indenizatória, pela não disponibilização do pagamento inadimplido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls.481 – 611. Em suas razões: a) o recebimento e processamento da Recurso Voluntário, nos termos do Decreto 70.235/72; b) o cancelamento do presente Auto de Infração, em virtude da incompetência dos Auditores Fiscais da Receita Federal ao extrapolarem os poderes do MPF Fiscalização relativo às verificações obrigatórias, nos termos do artigo 15, § 2o , da Portaria COFIS n° 025/02 (item "a"); c) a exclusão do período cujo fato gerador ocorreu no dia 31/08/2003, em razão do MPF Fiscalização, previsto no Anexo I, da Portaria n° 3.007/01, autorizar apenas as verificações obrigatórias dos fatos geradores ocorridos até o início da ação fiscal (item "b"); c.1) a exclusão do período cujo fato gerador ocorreu no dia 31/08/2003, em face da inexistência de declaração e recolhimento da contribuição, o que impossibilita a Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 643 7 fiscalização via verificação obrigatória, fazendose necessário MPF específico ou Complementar (item "b"); d) a exclusão do principal e juros exigidos em duplicidades visto que os mesmos foram incluídos e estão sendo quitados via Parcelamento Especial PAES (item "c.2"); e) a exclusão da multa de ofício vez que o pedido de parcelamento, com força de confissão de dívida (art. 15 da Lei n° 10.684), deuse anteriormente (30/07/2003) ao início da fiscalização (19/08/2003) e que já está sendo parcelada no PAES a correspondente multa de mora (item "c.2"); f) a compensação dos recolhimentos a maior de PIS e COFINS apurados pelos próprios Agentes Notificantes (planilhas de fls. 61 a 66), com o débito exigido por meio deste Auto de Infração, exclusivamente com os débitos do anocalendário de 2003, nos termos do artigo 1 o e artigo 6o , do Decreto n° 2.138/97 (item "d"); f) a exclusão das receitas nãooperacionais da base de cálculo da Cofins e do PIS e o aproveitamento do saldo dos créditos para compensar eventuais outros débitos de 2003, conforme reiteradas decisões do STF combinadas com o art. 1 o do Decreto n° 2.346/97 (item "e"); g) o aproveitamento dos créditos de Pis nãocumulativo oriundos de arrendamento mercantil e energia elétrica existentes e não considerados no levantamento fiscal (item T); h) a exclusão dos juros SELIC utilizados para a atualização dos créditos fiscais ora impugnados. Por fim, a recorrente desistiu do recurso voluntário interposto sobre os períodos de apuração de 01/2003, 05/2003, 07/2003 e 09/2003 (PIS) e 01/2003 e 08/2003 (COFINS), conforme fls. 615 – 616, os quais foram transferidos para o processo n. 11516.000726/201110. É o relatório. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 644 8 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No tocante à preliminar de nulidade do lançamento fiscal levantada pela recorrente, cabe observar que os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF) preconizam que: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Cumpre assinalar que a autoridade fiscal incumbida da autuação em tela – com supedâneo nas disposições constantes no Decreto n° 70.235/1972, que disciplina o rito a ser observado no procedimento administrativo fiscal – extrapolou o objeto de investigação do MPF, prejudicando o entendimento das infrações a serem imputadas ao contribuinte e cerceando o direito de defesa. Salientese que não se trata de eventuais irregularidades, incorreções e omissões diversas daquelas expressas no artigo 59 acima reproduzido, que não importam em nulidade e podem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, restou configurado nos presentes autos óbice ao pleno exercício do direito de defesa, por ter sido esta exercida pela autuada, com a apresentação do recurso voluntário ora apreciado. Necessário afirmarse sobre nulidade do feito fiscal, se o lançamento foi efetuado em inobservância aos pressupostos do direito de defesa estabelecidos no texto constitucional, bem como obedecendose a todos os procedimentos previstos no Decreto 70.235/1972. Relativamente ao Mandado de Procedimento Fiscal, convém ponderar que este não consiste em uma mera ordem administrativa emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores fiscais executem as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. É muito mais que isso, é instrumento interno e que provoca efeitos externos de planejamento e gerência das atividades de fiscalização e eventuais irregularidades. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 645 9 Assim, a inobservância de pressupostos previstos na Portaria SRF 3007/2001 e legislação superveniente implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide. Salientese que a apuração e o lançamento do crédito tributário é atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN. Cumpre lembrar, ainda, que somente a lei pode modificar a competência originária para o lançamento do crédito tributário. O efeito prático da diferenciação das verificações obrigatórias e demais procedimentos, que podem ser levados a efeito pela fiscalização, reside no fato de que nos períodos indicados no MPF, a autoridade fiscal não poderia desenvolver trabalhos de investigação mais abrangentes, visto que uma infinidade de outras questões que poderiam ser aventadas pela fiscalização. Os MPFF de fls. 01 e 190 distinguem claramente, no quadro "Procedimento Fiscal", os dados relativos aos "tributos/contribuições" e os respectivos "períodos" abrangidos pela auditoria dos procedimentos inerentes às "verificações obrigatórias". Portanto, prosperam os argumentos trazidos pela Recorrente. No que tange às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, cumpre asseverar que a autoridade administrativa não possui competência para se manifestar sobre questões de constitucionalidade e legalidade de normas, atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Sobre este ponto, a jurisprudência deste Conselho já definiu que o CARF não é competente para se pronunciar sobre este tipo de alegação, conforme súmula CARF nº 2, que tem o seguinte enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deixo de me pronunciar, portanto, sobre estas alegações. Em relação as demais alegações, adoto a fundamentação da instância julgadora a quo, conforme disposto no art. 50 da Lei 9.784 de 1999, haja vista que não merecem reparos. É de se registrar que a Lei n° 9.718, de 1998, definiu o conceito de receita da contribuição como sendo a totalidade das receitas auferidas pela empresa. Assim, uma vez que, por determinação legal, as contribuições para o PIS e a COFINS passaram a ser calculadas com base no faturamento da empresa, que corresponde à receita bruta entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela, correta a autuação, eis que apenas foi obedecida a legislação vigente. Cumpre, de toda forma, consignar que a alegação concernente à violação ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, afigurase inconsistente, posto que a Lei n° 9.718/1998, é resultante da conversão da Medida Provisória n° 1.724, de 29 de outubro de 1998. Sobre a matéria, restou assentado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que o prazo nonagesimal previsto no parágrafo 6o do art. 195 da Constituição Federal terá curso a partir da publicação da primeira Medida Provisória que venha a instituir ou aumentar alguma Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 646 10 Contribuição Social e não a partir da publicação da Lei resultante de sua conversão (REAgR 402573 / RJ, Julgamento: 24/06/2008, REAgR 400287 / PE, Julgamento: 29/05/2007). Acerca da arguição de que ambas as contribuições foram instituídas por lei complementar e que, pelo princípio da hierarquia das leis e da segurança jurídica, uma lei complementar somente poderia ser alterada ou revogada por outra lei complementar, ressaltese que o Supremo Tribunal Federal, em vários pronunciamentos, declarou inexistir violação ao princípio da hierarquia, concluindo que essas contribuições poderiam ser disciplinadas por lei ordinária (REAgR 400287 / PE, Julgamento: 29/05/2007, REED 471344 / SP, Julgamento: 09/05/2006). Contudo, no tocante à compensação facultada à pessoa jurídica pelo § I o do art. 8° da Lei n° 9.718/1998, tratase de um direito a compensar até um terço da COFINS efetivamente paga com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, não havendo, portanto, qualquer repercussão no presente processo. Salientese que este parágrafo foi revogado pelo artigo 93 da Medida Provisória n° 2.15835 de 24.08.2001. Aduz a recorrente que na planilha elaborada pelo fisco à fl 262 constam valores de crédito do PIS em montantes inferiores àqueles demonstrados pelo contribuinte às fls. 223/231 e não há nos autos explanação quanto ao critério utilizado pela autoridade fiscal para efetuar tais cálculos. Nas alíneas "a.l" a "b.2" de sua impugnação (fls. 317/324), a defendente apresenta os motivos pelos quais entende serem justificados os créditos por ela considerados. Cabe esclarecer, todavia, que, ao efetuar os cálculos da contribuição devida, a autoridade fiscal respeitou a informação fornecida pela interessada, deduzindo os aludidos créditos, conforme se depreende dos dados apresentados na planilha de fl. 267. Reiterese que os valores calculados são exatamente aqueles informados na DIPJ/2004 e DACON (fls. 447/453). Nesse aspecto, importa mencionar que é pacífico o entendimento de que a entrega de DCTF comunicando a existência de crédito tributário constituise confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 5 , §1° , do Decretolei n° 2.124/1984. No entanto, as DIPJ e as DACON têm caráter meramente informativo, não ostentando o atributo de confissão de dívida. No caso vertente, como a empresa não declarou os valores na DCTF, tornou se imperativo que o fisco efetuasse o lançamento de ofício. A interessada requer que os débitos exigidos, referentes ao anocalendário de 2003, sejam compensados com os recolhimentos a maior de COFINS e PIS, apurados nas planilhas de fls. 61/66 e 263/267, respectivamente. Todavia, a compensação não pode ser arguida em fase recursal. Cabia, nesse caso, à contribuinte ingressar com Declaração de Compensação, em conformidade com a legislação pertinente. Sobre o crédito tributário relativo ao período de 28/02/1999 a 30/11/2002, a empresa apenas explica que a apresentação extemporânea da DCTF teve por objetivo a adesão ao PAES, sem que tivesse a intenção de se eximir da multa de ofício. Entende que seria Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 647 11 injustificada a solicitação da Fiscalização à SACAT/DRF/FNS quanto ao cancelamento dos débitos informados nessa DCTF. Registrese que o procedimento fiscal junto à contribuinte teve início com o Termo de Início de Fiscalização, datado de 19/08/2003 (fls. 06 e 193/195), e foi encerrado com a ciência do auto de infração, ocorrida em 23/12/2003 (fl. 91 e 292). De lembrar que a entrega de DCTF que tiver por objeto confessar débitos relativos a contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica já tenha sido intimada do início de procedimento fiscal não tem o condão de impedir a lavratura do Auto de Infração, a teor do art. 7° do Decreto r£ 70.235/72. Por outro lado, a IN SRF 255/2002, em vigor à época da entrega da DCTF retificadora, dispõe que não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Deve, portanto, prevalecer o procedimento da fiscalização, que solicitou à SACAT/DRF/FNS o cancelamento dos débitos informados nessa DCTF entregue após a perda da espontaneidade, posto que o instrumento correto para a exigência desses valores, nesses casos, é o auto de infração. No que concerne às alegações acerca de seu pedido de inclusão no PAES, não compete a esta instância julgadora apreciar as questões suscitadas pela contribuinte, as quais devem ser direcionadas à unidade de cobrança da jurisdição do sujeito passivo. Quanto ao entendimento acerca da inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, assinalese que os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei 9.430/1996 determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. O artigo 161 do CTN não determina outros requisitos para a fixação de juro moratório diverso do percentual de um por cento ao mês além da expressa previsão legal, pressuposto este plenamente atendido pela norma que estabeleceu a cobrança dos juros com base na SELIC. Outrossim, irrelevante arguir sobre o caráter remuneratório da taxa SELIC, porquanto verificada situação em que se caracterize a mora, condição essencial para a incidência do encargo, esta deve ser plenamente exigida nos moldes da lei. Acrescentese que o então 2° Conselho de Contribuintes, na Súmula n° 3, declarou que é cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não procede o argumento à ocorrência de bis in idem entre a exigência de multa e juros de mora. Primeiramente por não ter sido aplicada a multa moratória, mas sim a multa de ofício, a teor do artigo 44,1, da Lei 9.430/1996. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 648 12 Assim, não há que se falar em duplicidade de cobrança, uma vez que se tratam de institutos diversos. A multa de ofício aplicada tem natureza punitiva, em face da infração cometida pelo contribuinte. Já os juros moratórios possuem natureza indenizatória, isto é, visam a indenizar o credor pelo retardamento da obrigação pelo devedor, ou seja, eles têm por finalidade remunerar o credor pelo período que em que não pôde dispor do pagamento que deixou de ser feito pelo inadimplente. Ademais, o próprio art. 161 do CTN dispõe que os juros de mora decorrem automaticamente do inadimplemento do contribuinte, independentemente da aplicação de penalidades. Assim, por não haver vedação legal para a utilização como juros de mora, correta a aplicação da taxa SELIC, nos exatos termos da autuação. Em face do exposto, acatandose a preliminar de nulidade do Auto de Infração, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 649 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. i. Sobre o Mandado de Procedimento Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades da administração. O dever funcional do Fiscal é determinado em função do artigo 142 do Código Tributário Nacional e não da disposição infralegal. O objetivo do MPF foi estabelecer, no âmbito da RFB, um instrumento de controle administrativo das atividades de fiscalização, informando ao contribuinte a natureza, a abrangência, o prazo máximo e as pessoas designadas para a execução do respectivo procedimento fiscal. Em outros termos, o MPF veio conferir transparência ao relacionamento Fiscocontribuinte, protegendo tanto a Administração Tributária Federal quanto o cidadão contribuinte contra eventuais atos arbitrários emanados da autoridade fiscal e de ações ilícitas perpetradas por pessoas desprovidas de competência legal para o exercício da atividade de fiscalização. Sendo assim, a eventual inobservância de regras atinentes ao MPF não contamina o auto de infração com os vícios insanáveis que possam conduzir a sua nulidade, principalmente, quando o procedimento fiscal foi realizado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional e dos arts. 9º e 10 do PAF. Na verdade, por ser norma que se destina a regulamentar a atuação dos AFRFB, estabelecendo as diretrizes para a atuação no âmbito do procedimento de fiscalização, a sua eventual inobservância poderá resultar em ato de insubordinação hierárquica, sujeito à responsabilidade apenas de caráter administrativo. Com base no que foi exposto, entendo não ser passível nulidade do auto de infração originário de um procedimento fiscal que tenha apresentado algum vício concernente à emissão ou prorrogação do MPF, se os demais requisitos legais atinentes o devido processo legal foram obedecidos, em especial, o contraditório e ampla defesa. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõemse às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 650 14 ii. A exclusão das receitas nãooperacionais da base de cálculo da Cofins e do PIS. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 651 15 do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Quanto a alegação de falta de observância do princípio da anterioridade nonagesimal, entendo que não é o caso, nos termos do voto do relator. Desta forma, considerando a declaração parcial de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, acima detalhada, entendo que, em relação aos períodos de apuração em que a recorrente estava sujeita ao regime cumulativo de apuração das contribuições ao PIS e Cofins, ou seja até 31/12/2002 e 31/01/2004, respectivamente, devem ser excluídas das bases de cálculo consideradas no presente lançamento as receitas financeiras e outras receitas não operacionais, mantendose a tributação apenas das receitas decorrentes de vendas e prestação de serviços (Receita Tributável). Nas demais alegações apresentadas entendo que não assiste razão à recorrente e acompanho a fundamentação do voto do relator. Nesse sentido, voto por negar provimento em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e dar provimento parcial ao presente recurso voluntário para excluir do lançamento as receitas financeiras e não operacionais com fundamento na declaração de inconstitucionalidade pelo Excelso STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11516.003150/200332 Acórdão n.º 3801002.101 S3TE01 Fl. 652 16 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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