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Numero do processo: 11030.000655/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora (fls. 5.083/5.116) que julgou procedente em parte o lançamento. Versa o processo sobre autos de infração para a exigência de Imposto sobre a Importação (II) e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação, acrescidos das multas de ofício e dos juros de mora, no montante total de R$ 908.210,68, calculado até 28/02/2002, tendo em vista o não reconhecimento da imunidade dos papéis importados, nos termos do art. 150, VI, "d" da CF de 1988, em face da detecção das irregularidades abaixo, descritas RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL: (...) 6 - DAS IRREGULARIDADES DETECTADAS Nos procedimentos de fiscalização, e considerando o art. 523 do Regulamento Aduaneiro, transcrito no item 4.1 deste Relatório de Auditoria Fiscal, constatamos 4 (quatro) infrações às normas do regime de IMUNIDADE, as quais relataremos abaixo, deixando o detalhamento, a descrição, a motivação e a determinação das referidas infrações para os itens 7 e 8 - Relatório de Auditoria Fiscal: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .0 00 65 5/ 20 02 -1 7 Fl. 5387DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 a) Utilização do papel em outro fim que não a produção de livro, jornal ou periódico, num total de 21.960,740 Kg, conforme item 8.5, "a", deste Relatório de Auditoria Fiscal; b) Venda de sobras de papel não impresso, salvo a editoras ou como matéria-prima a fábricas, num total de 196.607,600 Kg, conforme item 8.5, "b"; c) Venda não faturada de sobras de papel num total de 137.164,886 Kg, item 8.5, "c", deste Relatório de Auditoria Fiscal; d) Transferência à terceiro, a qualquer titulo, de papel importado com isenção, sem prévia autorização da repartição aduaneira num total de 780.236,378 Kg, item 8.5, "d", deste Relatório de Auditoria Fiscal. (...) A autuada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) não confiabilidade do procedimento fiscal em face da reconstituição integral da contabilidade efetuada pela impugnante; b) equívocos quanto ao percentual de quebra de material (resíduos de papel) e ao valor tributável adotado; c) quase totalidade das publicações glosadas pela fiscalização trata-se material de divulgação (impressos de apoio) das obras editadas com a marca Edelbra; d) não comprovação pelo Fisco da desconexão dos impressos de apoio com as obras editadas pela empresa; e) equívoco do Fisco na equiparação da adquirente das aparas a uma empresa editora de livros, jornais e periódicos; f) equívoco no valor médio de venda das aparas; g) o Fisco presume ter ocorrido venda não faturada de sobra de papel; h) o tributo não constitui sanção por ato ilícito; i) o Fisco deveria aplicar o percentual de 5% sobre o peso total dos livros vendidos e não somente sobre o quantitativo das aparas vendidas; j) erro na apuração na quantidade de papel importado com isenção transferido a terceiro sem autorização; e l) a quebra industrial atinge o montante total de 9,8319%, nada havendo a tributar. O julgador de primeira instância, após a realização de 4 diligências, decidiu por acolher em parte as razões de defesa da impugnante, em resumo, sob os seguintes fundamentos: - Cotejando o art. 178 do RA/85 com demonstrativo das fls. 2506 a 2526, percebe-se que as publicações e produtos glosados pela fiscalização não se enquadram no conceito de livro, jornal ou de outra publicação periódica e seus respectivos suplementos ou encarte, que vise precipuamente fins culturais, educacionais, científicos, religiosos e assistenciais. Ao contrário, evidenciam se tratar de catálogos, folhetos promocionais, listas de pregos, cartazes, mapas, tabelas de pregos, talões de pedidos, fichas de cadastros de clientes, lista telefônicas, cartazes, calendários, blocos e demais tipos publicações semelhantes, não fazendo jus à isenção pleiteada. - Não cabe enquadrar a destinatária das mencionadas sucatas de papel (Ouro Verde) aos ditames da IN/SRF nº 23/91, que é norma especifica a ser observada pelos aparistas de papel, a quem a legislação equiparou aos importadores e adquirentes do papel importado com imunidade tributária, assistindo razão à impugnante neste ponto. - Para fazer cumprir os requisitos indispensáveis ao gozo da imunidade foram fixadas normas de controle, tais quais a escrituração de livros e a emissão de notas fiscais. Diante da legislação que regulamenta a imunidade tributária relativa ao papel importado destinado a impressão de livros, jornais e periódicos, há que se cotejar as entradas de papel imune com as saídas decorrentes da respectiva utilização. E para que tal ocorra, o contribuinte não pode se Fl. 5388DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 abster de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação. A emissão de notas fiscais e a escrituração dos livros com seus requisitos intrínsecos e extrínsecos são condições sem as quais o contribuinte não pode fazer provas a favor no tocante a comprovação e manutenção da imunidade. Assim, constata-se que foi cometida a infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória, verificada na alegada destruição das sobras de papel, sem emissão de notas fiscais, e/ou, sua imprescindível escrituração, consequentemente, impossível se torna comprovar a real destinação do papel imune nessa situação. - No que concerne à alegação de que o correto seria aplicar o percentual de 5% sobre o peso total dos livros vendidos e não sobre o quantitativo das aparas vendidas, há que se esclarecer que o entendimento da fiscalização neste ponto foi embasado única e exclusivamente em informações e provas fornecidas pela própria contribuinte (vide item 8.4 do Relatório de Auditoria Fiscal), razão pela qual, não havendo elementos novos que possam contradizê-los, torna-se infactível acatar-lhe seu pleito quanto espécie infracional em comento. - Relativamente à alegação da impugnante de ser inconsistente o quantitativo referente a transferência a terceiro de papel importado com imunidade, sem prévia autorização da repartição fiscal competente, as autoridades fiscais diligenciantes, analisaram as notas fiscais trazidas aos autos pela interessada (fls. 4499 a 4517), retificando esses quantitativos. Assim, é de se alterar o quantitativo de 1.117.134,864 Kg (Item 8.3 "Cálculo das Quantidades Não Constantes da Contabilidade", fls. 43) para o quantitativo de 454.535,478 Kg (4.145.307,554 - 3.690.772,076) do papel importado com imunidade cujas notas fiscais de saída não constavam na contabilidade da empresa, relativo aos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000. Cientificada dessa decisão em 20/10/2004, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/11/2004, alegando, em síntese: 4.1) Não confiabilidade do procedimento fiscal: - Equivoca-se a fiscalização ao exigir da recorrente que todo o papel processado seja dimensível, em pesagem, nos livros (obras) produzidos. - O "Laudo Técnico" elaborado pelo engenheiro de produção da recorrente demonstra que as perdas (quebras) chegam - somadas todas as fases de produção -, ao patamar médio de 12,5% (doze e meio por cento) de todo o papel que efetivamente ingressou no processo produtivo, in casu, 4.145.307,557 quilogramas. 4.2. Inconsistência do levantamento que apurou a utilização de 21.960,740 kg de papel adquirido com imunidade que não a produção de livro, jornal ou periódico: - O "material de apoio" à divulgação das obras (livros) impressas(os) pela recorrente é igualmente imune, bem como as listas telefônicas. Ainda que assim não fosse, o artigo 150, inciso III do Regulamento Aduaneiro, combinado com o que preceitua a IN n° 017/70, permitem que a Recorrente utilize, para consumo próprio, 5% (cinco por cento) da quantidade de papel importado. 4.3 - Inconsistência do levantamento que apurou a ocorrência de "venda não faturada de sobras de papel" Fl. 5389DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 - O autuante agiu por presunção, em lesão ao princípio da legalidade e aos arts. 3º e 112 do CTN. - Houve equívoco na fixação do valor de venda das "sobras de papel", bem como na aplicação do percentual de 5% considerado "destruído" sobre o quantitativo das aparas vendidas, quando deveria ser sobre o peso total dos livros vendidos. - O item 8.4.2.2 do "Relatório de Auditoria Fiscal" (copiado no Relatório da Decisão recorrida às fls. 4995) - que determinou o percentual (11,022%) para quantificar o montante das perdas, no ano de 1997 -, deveria ter sido refeito (recalculado), porque as quantidades utilizadas para se chegar ao referido percentual foram alteradas, substancialmente, por ocasião do "Termo de Diligência" realizado em 26/03/2004, conforme consta às fls. 4865 do presente processo. - Somente em 07.10.1998 a Recorrente efetuou a primeira venda de sucatas de papel, sendo que, antes deste marco, isto é, até esta data, todas foram queimadas (incineradas), nas dependências de seu estabelecimento, como ocorreu com as do ano de 1997, de forma que o cálculo matemático procedido para se chegar ao "percentual de perda" não é confiável. 4.4 - Inconsistência do levantamento que apurou transferência a terceiro sem prévia autorização - Esta parcela do lançamento não tem condições de subsistir em face de erro no quantitativo das aparas/sobras destruídas e do fato de que nas informações prestadas pela contribuinte à fiscalização não estava a totalidade das vendas efetuadas nos anos de 1998 e 1999. - Observa-se, que ao elaborar o quadro relativo à determinação dos percentuais dos papéis que foram utilizados de forma indevida, o Relator da DRJ incluiu como "utilização indevida", no "item 8.5d, a quantidade de 314.244,592 kg, quando o correto a ser ali considerado é o peso de 117.636,992 kg. Dessa forma, é forçoso concluir que da "soma" do peso tributável de 473.370,218 kg dever ser excluída a quantidade de 196.607,600 kg. Mediante a Resolução nº 302-1.343, de 27 de fevereiro de 2007, o julgamento foi convertido em diligência, nestes termos: (...) A fiscalização, com o endosso da decisão de primeira instância estriba-se em constatação da qualificação do parque industrial e do grau de competição existente no mercado onde atua a recorrente para afirmar ser elevado o percentual suscitado por ela. Por esse motivo, através de uma média aritmética entre o que entendeu ser um volume de perdas e de vendas no período, além de se valer de dados fornecidos pela autuada quando do Mandado de Procedimento Fiscal, fixou um índice médio de quebra. Esse procedimento foi vivamente contestado pela contribuinte. Ela traz, em seu apelo recursal, um percentual médio elaborado por Engenheiro da própria empresa. Entendo que esses dados trazem percentuais referentes a, apenas, urna parte do que a empresa diz sofrer de perdas. E a relação calculada no apresenta bases de cálculo apropriadas para tal fim. As quebras alegadas pela fiscalizada não estão convenientemente comprovadas. Por certo, não se encontram presentes nos autos elementos suficientes para formação do convencimento deste órgão julgador, no sentido de propiciarem a formulação de decisão para constituição definitiva do lançamento tributário. Fl. 5390DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 Diante disso, em nome do princípio da verdade material, converto a decisão em diligencia, para que se remetam os autos à repartição de origem com o fito de que se oficie ao Instituto Nacional de Tecnologia — INT, a fim de, diante de breve resumo das questões debatidas nestes autos, ser elaborado laudo técnico que indique qual índice de perdas deva ser adotado in casu e sobre qual base de cálculo deva ser ele aplicado. Devem ser intimadas a Autoridade Autuante e a Recorrente a fim de que formulem quesitos ou indagações, além de prestarem informações pertinentes, se assim julgarem necessário. Cumprida a diligencia, sejam novamente intimadas as partes para que se manifestem e, ato continuo, tornem os autos a esta Câmara para julgamento. (...) No entanto, manifestou-se a recorrente, no sentido de não querer arcar com o custo da perícia, propondo duas soluções: uma seria a designação de AFRFB (vistoria no ciclo de produção), a outra, extração de informações das DIF-Papel Imune, entregues por gráficas similares, estabelecendo uma média ponderada das perdas durante o processo industrial. Os autos retornaram ao então Conselho de Contribuintes e, mediante a Resolução n° 302-1.554, de 11 de novembro de 2008, foi determinada a realização de nova diligência nos seguintes termos: (...) Relativamente as soluções propostas pela recorrente, entendo-as de difícil consecução. Sem embargo, penso que urna forma mais factível de se aferir o quanto declarado pela recorrente, seria a Auditoria-Fiscal verificar in loco exatamente o processo produtivo descrito pelo i. perito da recorrente, no laudo técnico trazido em sede recursal, fl. 5.046, desde que, obviamente, a recorrente, atenta ao seu dever de colaboração com o fisco e com este Colegiado, forneça as condições para tal demonstração a. Auditoria- Fiscal do quanto declara o seu engenheiro de produção. Assim sendo, voto por nova conversão do julgamento em diligência repartição de origem, para que a Autoridade Autuante intime a Recorrente, a fim de que esta, em tempo razoável, não superior a 60 dias contados da intimação, organize demonstração de seu processo produtivo, no sentido de comprovar o percentual de perdas asseverado, além de prestar todas as informações pertinentes que julgar necessárias. Ato seguido, a Auditoria-Fiscal deve elaborar Relatório conclusivo, manifestando- se quanto ao índice de perdas observado e sobre a base de cálculo, consoante menção supra, dando ciência do Relatório a posteriori à recorrente, que terá prazo de 30 dias para se manifestar (em homenagem ao contraditório e ampla defesa), se assim quiser. (...) Na Unidade de Origem, a fiscalização concluiu pela impossibilidade de apuração do índice de perdas a ser aplicado com simples inspeção visual, como havia sugerido a recorrente, devendo-se, assim manter o índice de 5% e sobre as mesmas bases de cálculo já utilizadas pela fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração. Na sua manifestação em face da diligência discordou a recorrente do percentual de 5% para as perdas, requerendo o retorno à alternativa de se executar a perícia técnica pelo INT, como havia definido o Colegiado na Resolução n° 302-1.343. Em 13 de dezembro de 2017 decidiu este Colegiado por determinar a realização de diligência para que a DRF em Passo Fundo/RS esclarecesse os seguintes pontos: Fl. 5391DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 a) Em face da ausência das páginas 13 e 14 do recurso voluntário, caso seja possível, verifique junto a via original do processo em papel se houve algum equívoco na digitalização da petição relativa ao recurso voluntário e, em caso afirmativo, proceda ao devido saneamento, inclusive, se for necessário, mediante intimação à contribuinte para apresentar as folhas faltantes. b) Em Relatório Conclusivo, avalie a veracidade da alegação da recorrente no item 4.4 do Recurso Voluntário no sentido de que teria havido erro de cálculo por parte da decisão da DRJ em relação ao quantitativo de papel importado com isenção que teria sido transferido a terceiro (item 8.5.d); e, em caso afirmativo, se os valores apontados pela recorrente estariam corretos e em que medida alterariam a autuação. (...) Mediante o "Termo de Verificação Fiscal" das fls. 5369/5370, de 11 de dezembro de 2018, a autoridade fiscal relatou a juntada das duas páginas faltantes do recurso voluntário e informou sobre o não atendimento ao item "b)" acima, sob o fundamento de que "somente a DRJ, na fase administrativa em que se encontra o e-processo, poderá reavaliar a sua decisão quanto aos cálculos por ela feitos e se for o caso, alterar". Em 12 de fevereiro de 2019 o processo retornou a esta Relatora. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, toma-se conhecimento do recurso voluntário. O lançamento é decorrente de auditoria fiscal quanto à utilização do papel adquirido pela contribuinte sob a imunidade prevista para "livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão", tendo-se apurado as seguintes irregularidades, conforme constou na decisão recorrida: a) Utilização de 21.960,740 Kg de papel importado com benefício da imunidade na impressão, dentre outros, de catálogos de vendas, folders, folhetos para campanha política, tabelas de preço, convites, talões de pedidos, portanto, em outro fim que não a produção de livro, jornal ou periódico (Item 8.5, "a"); b) Venda de 196.607,600 Kg de sobras e aparas de papel não impresso para a empresa Ouro Verde Papéis e Embalagens Ltda., CNPJ 89.890.792/0001-20, vez que se trata de empresa não registrada na repartição fiscal de sua jurisdição, cujo objetivo social é a produção de papel higiênico e toalhas de mão (Item 8.5, "b"); c) Venda não faturada de 137.164,886 Kg de sobras de papel, decorrente da falta de comprovação de sua destruição e não atestado pela fiscalização da SRF, requisito obrigatório por se tratar de mercadoria importada sob os auspícios de favores fiscais decorrente do instituto da imunidade tributária (Item 8.5, "c"); d) Transferência de 780.236,378 Kg a terceiros, a qualquer título, de papel importado com imunidade, haja vista que não terem sido contabilizados pela autuada a quantidade equivalente a 1.117.134,864 Kg; a quantidade acima é resultante da subtração Fl. 5392DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 das vendas de sobras e aparas de papel não impresso, feitas à empresa Ouro Verde Papéis e Embalagens Ltda. -196.607,600 Kg-, das quantidades de sobras de papel destruídas e não comprovadas pela repartição fiscal jurisdicionante -137.164,886 Kg- e das compras de papel no mercado interno, adquirido sem imunidade tributária -3.126,000 Kg-, (Item 8.5, "d"). A fiscalização sintetizou o quantitativo do papel adquirido pela contribuinte com imunidade para o qual houve desvio da destinação no quadro abaixo (fl. 57): No julgamento de primeira instância a DRJ excluiu a exigência relativa ao item b) e reduziu o quantitativo relativo ao item d), conforme consta no demonstrativo abaixo, extraído da decisão recorrida: UTILIZAÇÃO INDEVIDA PESO (KG) % DE CADA INFRAÇÃO EM RELAÇÃO AO TOTAL Quantidade do item 8.5a 21.960,740 4.64 Quantidade do item 8.5b 0,000 0,00 Quantidade do item 8.5c 137.164,886 28,98 Quantidade do item 8.5d* 314.244,592 66,38 Soma 473.370,218 100,00 * 314.244,592= 454.535,478 - 137.164.886 - 3.126,000 Além dos argumentos reiterados da peça impugnatória, já devidamente analisados na decisão recorrida, e da questão do índice de perdas, para a qual a perícia não se realizou devido a recusa da recorrente em arcar com as despesas correspondentes; remanescem dúvidas a esta Relatora acerca das alegações de erros de cálculos constantes nos itens 4.3 e 4.4 do Recurso Voluntário, nos seguintes termos: 4.3. A ARGUMENTAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO QUE APUROU A OCORRÊNCIA DE "VENDA NÃO FATURADA DE SOBRAS DE PAPEL" (...) Complementarmente ao aduzido, a Recorrente sustenta que o item 8.4.2.2 do "Relatório de Auditoria Fiscal" (copiado no Relatório da Decisão ora guerreada, às fls. 4995) - que determinou o percentual (11,022%) para quantificar o montante das perdas, no ano de 1997 -, deverá(ria) ser refeito (recalculado). Diz-se isso porque as quantidades utilizadas para se chegar ao referido percentual foram alteradas, substancialmente, por ocasião do "Termo de Diligência" realizado em 26/03/2004, conforme consta às fls. 4865 do presente processo, para onde remete o Ilmo. Relator. (...) Fl. 5393DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 4 4. A ARGUIÇÃO DA INCONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO QUE APUROU "TRANSFERÊNCIA A TERCEIRO, A QUALQUER TÍTULO, DE PAPEL IMPORTADO COM ISENÇÃO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DA REPARTIÇÃO ADUANEIRA" (...) ► Observa-se, que ao elaborar o quadro acima, o Relator incluiu como "utilização indevida", no "item 8.5d", a quantidade de 314.244,592 kg., quando o correto a ser ali considerado é o peso de 117.636,992 kg. Esta irregularidade (equívoco) é facilmente constatada ao se observar que o Relator Singular, ao pretender demonstrar a origem do valor encontrado para o "item 8.5d" (epigrafado acima), com a advertência do asterisco (*), deixou de deduzir, do montante de 454.435,478 kg., a quantidade do "item 8.5b", no total de 196.607,600 kg, que nada mais é do que a parcela de quilos (kg.), por ele reconhecida, como "aparas" de papel vendidas para a empresa "Ouro Verde ...Ltda.". Sendo assim, o cálculo correto é (valores em kg.): 117.636,992 = 454.535,478 - 137.164,886 - 196.607,600 - 3.126,000 (...) Como relatado acima, este Colegiado já havia solicitado na diligência objeto da Resolução nº 3402-001.183 (item b.) a avaliação da fiscalização quanto à alegação da recorrente de que teria havido o erro de cálculo na decisão da DRJ apontado no item 4.4 do Recurso Voluntário, tendo a autoridade fiscal entendido que não seria matéria de sua competência. Quanto à alegação de erro constante no item 4.3 do Recurso Voluntário, só não foi solicitada a análise da fiscalização porque tal item constava nas folhas faltantes, que vieram aos autos em face da mesma diligência. Acerca da diligência no âmbito do processo administrativo fiscal, o Decreto nº 70.235/72 e o Decreto nº 7.574/2011 assim dispõem: Decreto nº 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Decreto nº 7.574/2011: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendê-las necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei n o 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1 o ). Fl. 5394DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei n o 9.784, de 1999, art. 28). Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que Gdesejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei n o 8.748, de 1993, art. 1 o ). (...) §3 o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. Art. 37. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compete ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil a realização de diligências e de perícias (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 20, com a redação dada pela Lei n o 8.748, de 1993, art. 1 o ; Lei n o 10.593, de 2002, art. 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.457, de 2007, art. 9 o ). Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36 (Decreto n o 70.235, de 1972, arts. 29 e 18, com a redação dada pela Lei n o 8.748, de 1993, art. 1 o ). [negritei] Conforme se lê nas normas legais e regulamentares acima, a autoridade julgadora pode formar livremente sua convicção na análise da prova, sem prejuízo da prévia determinação da realização de diligências quando entender que elas são necessárias para a análise da matéria sob litígio, sendo vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. Ao determinar a realização de diligência, este Colegiado não declinou da competência de análise das alegações da recorrente para reforma ou manutenção da decisão da DRJ, mas, pelo contrário, a fim de melhor exercê-la, solicitou previamente à fiscalização a sua valorosa contribuição, de forma que fosse assegurada maior segurança ao julgamento, especialmente em se tratando de análise de cálculos não elementares que envolvem todo o critério já utilizado pela fiscalização na lavratura no auto de infração e nas diligências no âmbito de primeira instância. Dessa forma entendo que deve ser reiterada a solicitação do Colegiado constante na Resolução anterior que não foi atendida pela Delegacia da Receita Federal. Assim, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e arts. 35; 36, §3 o ; 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar à Unidade de Origem a realização de diligência para apurar o que se segue, inclusive, se for o caso, solicitando documentos ou esclarecimentos adicionais à contribuinte: a) Em Relatório Conclusivo, levando em conta o critério adotado no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 20/59), analise se são pertinentes as alegações de erro de cálculo da recorrente nos itens 4.3 e 4.4 do Recurso Voluntário, acima especificadas, decorrentes da alteração do quantitativo de papel com desvio de utilização para a fruição da imunidade apurada em diligência e acatada pelo julgador de primeira instância. Em caso afirmativo, refaça os cálculos dos quantitativos de papel e determine o montante que caberia ser exonerado do lançamento em relação ao montante ainda sob litígio no âmbito deste CARF descrito no demonstrativo da fl. 5119. Fl. 5395DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3402-002.116 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.000655/2002-17 b) Cientifique a recorrente desta Resolução, dos eventuais documentos juntados e do Relatório Conclusivo, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; c) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação, devolva os autos a este Colegiado para submissão a julgamento do Colegiado. (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 5396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000930/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
Ementa: DECISÃO. NULIDADE. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. É nula a decisão de primeira instância que deixa de enfrentar questão relevante suscitada na impugnação, ao fundamento de renúncia à discussão administrativa, quando não há identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial, restando configurado cerceamento de direito de defesa
Numero da decisão: 1103-000.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, devolvendo os autos a DRJ de origem para elaboração de nova decisão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Aloysio Jose Percinio da Silva
1.0 = *:*
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: DECISÃO. NULIDADE. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. É nula a decisão de primeira instância que deixa de enfrentar questão relevante suscitada na impugnação, ao fundamento de renúncia à discussão administrativa, quando não há identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial, restando configurado cerceamento de direito de defesa
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Numero do processo: 10880.725391/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014
AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO.
Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 53 91 /2 01 7- 11 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 882 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 835 a 877) interposto pelo Contribuinte, em 26 de setembro de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 12101.406 (fls. 775 a 824), de 12 de setembro de 2018, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação (fls. 631 a 682) apresentada pelo Contribuinte, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado e homologando parcialmente a DCOMP até o limite do crédito reconhecido. Com intuito de contribuir na elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase da análise do Pedido de Ressarcimento no 35063.72175.121114.1.5.19 5839, referente a créditos da Cofins nãocumulativa vinculados ao mercado externo do 1º trimestre de 2014, no valor total de R$ 41.488.277,73. Os créditos a ressarcir foram objeto de compensaca̧õ através das Declarações de Compensação (DCOMP). Preliminarmente, parte do crédito, R$ 10.685.982,62 (dez milhões, seiscentos e oitenta e cinco mil, novecentos e oitenta e dois reais e sessenta e dois centavos), foi antecipado através de procedimento especial previsto na Portaria MF no 34/2014, regulamentada pela Instruçaõ Normativa no 1.497/2014, conforme consta do processo no 12585720.024/201448, que se encontra apensado e diretamente vinculado a este. A autoridade fiscal emitiu Despacho Decisório, fls. 597 a 619, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, no montante total de R$ 11.170.700,96 (onze milhões, cento e setenta mil, setecentos reais e noventa e seis centavos), e conseqüentemente, homologando as DCOMP até o limite do valor reconhecido (descontado da antecipação efetuada). Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 883 3 Resumidamente, relacionamos a seguir as principais considerações levantadas pela autoridade tributária na análise do direito creditório pleiteado: 1. Importante consignar que as regras que versam sobre o crédito do PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativos, pela natureza exoneratória, representam uma excecã̧o à regra geral de tributação, devendo ser interpretadas de modo literal, restritamente, porquanto compreendem um incentivo fiscal ou benefício fiscal implementado pelo Estado. Esse princípio está expressamente inserido no Código Tributário Nacional CTN, Lei 5.172 de 1966, em seus artigos 111 e 176; 2. O processo produtivo consiste na industrialização e comercializacã̧o feitas principalmente de produtos agrícolas das espécies soja em grãos, caroços de algodão e pluma de algodão, além grãos de café. Não somente os estabelecimentos industriais adquirem os insumos, como diversas outras filiais localizadas próximos aos produtores rurais, servindo como postos de compras, também compram insumos e os transferem para as unidades industriais ou os vendem diretamente ao adquirente (comprador), sem a intermediacã̧o de uma filial funcionando como centro de distribuicã̧o, no mercado interno ou exportam, conforme a demanda dos mercados interno e externo; 3. No presente caso, o interessado apura receitas tributadas no mercado interno, receitas não tributadas (NT) no mercado interno, além da receita de exportacã̧o. Com base nos batimentos entre os arquivos SPED NFe e SPED EFDC do ano de 2014 foram glosadas as exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o (CFOP 7501), as quais foram consideradas pelo contribuinte quando do cálculo do rateio proporcional das receitas. As exportacõ̧es de mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o não podem compor as receitas de exportacã̧o para fins de cálculo dos índices de rateio, uma vez que não geram direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep e à COFINS, conforme §4º do art. 6º da lei nº 10.833/2003; 4. Portanto, se sobre as operações realizadas com CFOP 7501 não se pode apurar crédito, por conseguinte, elas também não podem compor as receitas de exportacã̧o para fins de cálculo dos índices de rateio. Assim, quando adquire mercadorias com fim específico de exportação, estaria atuando como empresa comercial exportadora, para qual a apuração de créditos é vedada; 5. Cabe salientar que ao serem glosadas da receita de exportacã̧o foram, consequentemente, excluídas da receita bruta total, para cálculo do percentual de rateio entre as receitas; 6. De acordo com o artigo 3º, inciso I, das Leis 10.637/2002 e n° 10.833/2003, o contribuinte pode descontar créditos de PIS e COFINS sobre as aquisições de bens adquiridos para revenda. A maior parte das aquisições corresponde a compras de pluma de algodão e milho efetuadas majoritariamente de cooperativas. As cooperativas dispõem de permissão legal para excluir de sua base de cálculo os valores repassados a seus cooperados, nos termos do inciso I do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001; Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 884 4 7. Logo, concluise que devem ser glosados os créditos apurados pelo contribuinte, relativos às aquisicõ̧es de cooperativas que tenham realizado a exclusão dos valores da sua base de cálculo, consoante previsão legal; 8. Foram efetuadas consultas ao sistema DCTF da Receita Federal e aos arquivos da EFD Contribuicõ̧es, onde foram verificadas as receitas informadas, a base de cálculo apurada pela cooperativa e eventuais pagamentos. Observouse que na maior parte dos casos, as receitas tributadas e as bases de cálculo do PIS e da COFINS na EFDC encontram se completamente zeradas ou com algum valor apurado para receita tributada no mercado interno, porém na informação referente à base de cálculo oferecida à tributação, a mesma encontrase zerada, ou seja, apesar de ter apurado receita decorrente de venda tributada no mercado interno, a cooperativa não ofereceu esse valor a tributacã̧o, efetuando a exclusão da base de cálculo. Do mesmo modo, a DCTF encontrase zerada ou com recolhimento apenas do PIS/PASEP sobre folha de salários. Com base nessas informacõ̧es, foram localizadas as cooperativas que efetivamente excluem da base de cálculo os valores repassados aos associados e que por consequência apresentavam base de cálculo para PIS e COFINS zerada ou praticamente zerada; 9. Além das aquisições já citadas, foram glosadas também aquisições de paletes, big bag e bulk line, uma vez que foi constatado, em consultas efetuadas nos arquivos de NFe, notas de entrada e saída, que o contribuinte não comercializa tais produtos. As aquisicõ̧es são efetuadas nos CFOP correspondentes a compras para industrialização e não compras para comercialização. Como tal, são utilizadas como embalagens de transporte, não se incorporando ao produto, e, por conseguinte, não geram direito a crédito como insumos; 10. Do ponto de vista das Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003, somente geram créditos no regime não cumulativo os gastos com insumos diretos, cuja previsão está expressa no art. 3o, inciso II de ambas as leis e os insumos indiretos, restritos àqueles previstos nos demais incisos do mesmo artigo. No que tange ao conceito de insumo do inciso II do art. 3o das leis citadas, existem certas limitacõ̧es impostas, que vincularam a caracterização de insumo à sua aplicação direta no processo produtivo; 11. Foram glosados valores referentes a materiais de embalagem de transporte, conforme detalhamento fornecido pelo interessado após intimação. Os materiais de embalagem que não são incorporados ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados, não geram crédito; 12. É nesse contexto, que os denominados "big bags", comumente utilizados pelos segmentos alimentício, agrícola, de fertilizantes etc, se caracterizam como embalagem específica para movimentação, armazenagem e transporte de produtos. Também foram glosados valores referentes a "pallets", tela de aniagem e outros que o interessado informou utilizar apenas para transporte; 13. GRAXAS. Tratase de insumo indireto de produção. Embora seja mercadoria com propriedades lubrificantes, difere dos óleos lubrificantes. As graxas são uma combinação de um fluido com um espessante, com Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 885 5 consisten̂cia semissólida, resultando em um produto homogêneo com qualidades lubrificantes, porém diferentes do óleo lubrificante. Aqui cabe esclarecer que como insumos indiretos, os lubrificantes e combustíveis só geram crédito por previsão legal. Desse modo, no caso das graxas, por ausen̂cia de previsão legal, não há direito ao crédito. Além das graxas, foram glosados também valores referentes às aquisições de aditivos, anticorrosivos, os quais não se enquadram no conceito de lubrificantes e combustíveis, não gerando créditos por falta de expressa previsão legal; 14. MATERIAIS DE LIMPEZA e KITS DE ANÁLISES LABORATORIAIS/TESTES. Nesse caso, aplicase o disposto para as graxas. Uma vez que são insumos indiretos e não estão literalmente dispostos na legislacã̧o pertinente, não geram crédito de PIS e COFINS. Insumos glosados: querosene de limpeza, solução de limpeza, kit de análises, kit de proteínas etc.; 15.PEÇAS DE REPOSIÇÃO UTILIZADAS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Caso as peca̧s estejam incluídas no ativo imobilizado, não poderão gerar crédito. Contrariamente, não estando incluídas no ativo imobilizado, podem gerar crédito desde que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas e sejam utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda. Com base nos memoriais de cálculo apresentados e descricã̧o do processo produtivo não restou claro a caracterizacã̧o dessas condições. Assim, não havendo certeza e liquidez do direito ao crédito foram glosados os créditos. Insumos glosados: correia, disco serra, engrenagem, pinos, rolamentos etc.; 16. No caso em concreto além das questões acima tratadas, o interessado adquire esses e outros itens sob CFOP 1556, 2556,1407 e 2407. Em relação aos CFOP 1556 e 2556, tratase de material de uso e consumo e, que pela descrição do processo produtivo do contribuinte e pelos memoriais de cálculo apresentados não foi possível a comprovação de que se seriam insumos empregados diretamente na producã̧o. Já no caso dos CFOP 1407 e 2407 (Compra de mercadoria para uso e consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituicã̧o tributária), independentemente da natureza do bem adquirido, não haveria direito ao crédito, pois as Leis no 10.637/2002 e n° 10.833/2003, ambas no art. 3º, §2°, vedam a tomada de créditos das contribuições a partir de aquisicõ̧es de bens e servico̧s não sujeitos ao pagamento da contribuição; 17. Para dar efetiva aplicação ao regime da nãocumulatividade a que passaram a estar sujeitos o PIS e a COFINS, as Leis no 10.637/02 e n° 10.833/03, ao lado de garantir créditos sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas jurídicas, asseguraram, em seu artigo 3º, parágrafos 10º e 5º, respectivamente, às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal e vegetal, crédito presumido calculado sobre as aquisicõ̧es de matériasprimas ou servico̧s adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; 18. CAROÇO DE ALGODÃO. A empresa apresentou as planilhas com todas as aquisicõ̧es de caroço de algodão que geraram o crédito presumido apropriado. No entanto, como já citado anteriormente, a lei permite que apenas as compras de caroço de algodão utilizado como insumo possam gerar crédito presumido, sendo vedada a sua apuracã̧o no caso de aquisições para simples comercialização; Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 886 6 19. SOJA. A partir de 10/10/2013, a metodologia de apuração do crédito presumido vinculado a soja sofreu alteracã̧o, conforme art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Foram feitos batimentos entre os arquivos do SPED NFe e da EFDC e os valores constantes dos memoriais de cálculos apresentados, sendo constatado que os valores apropriados pela empresa estão compatíveis com os constantes nos arquivos SPED. Assim, foram mantidos os valores apurados para o crédito presumido de soja; 20. CAFÉ. No caso em concreto do café, a metodologia de apuração sofreu modificações a partir de 1o de janeiro de 2012, com base no Art. 5o da Lei no 12.599 de 2012 e arts. 5o, 7o e 9o da Instrução Normativa RFB no 1.223/2011. Para fins do crédito presumido, considerase exportação a venda direta ao exterior ou a empresa comercial exportadora com fim específico de exportacã̧o. É considerada mera revenda aquela em que o produto é revendido sem passar por processo que lhe imponha alteracã̧o física, como descascamento, moagem, mistura (blend), entre outros. Portanto, no caso em concreto, o contribuinte faz jus ao crédito presumido apropriado, pois efetua o beneficiamento do café para a exportacã̧o, conforme resposta ao Termo de Intimação n° 01/2017; 21. O legislador permitiu o creditamento de aquisições de serviços utilizados tanto na producã̧o ou fabricação de insumos quanto na prestacã̧o de serviços e enquadrou ambas as hipóteses no inciso II, do art. 39 das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; 22. Assim é que, em que pese o servico̧ ser relevante no que concerne às atividades da empresa, não há como reconhecer créditos referentes a servico̧s que não sejam empregados diretamente na industrializacã̧o de produtos. Aqui, aplicase o conceito de insumo, tal qual empregado para os bens utilizados como insumos e o serviço deve estar diretamente inserido na cadeia produtiva. De tal modo que, foram aceitos serviços de industrialização de óleo de soja, arroz, entre outros com CFOP 1124 ou 2124; 23. Consoante os memoriais de cálculo apresentados foram glosados diversos serviços de CFOP 1933 e 2933, os quais não guardam relação direta com o processo produtivo da empresa e para os quais não há previsão legal de creditamento, que não apresentam qualquer relação com as atividades da empresa ou ainda, não foi possível comprovar a sua utilização direta no processo produtivo da empresa, com base nas descricõ̧es dos memoriais apresentados e nas notas fiscais. Serviços glosados: serviços portuários (fumigação e outros não especificados); manutenção elétrica; lubrificação e conserto: instalacã̧o e montagem de aparelhos e máquinas; serviços de caster; consultoria jurídica; execução, por administracã̧o, empreitada; serviços de coleta; remessa ou entrega de correspondência; restauracã̧o e recondicionamento; de dedetização e desinfecção: recrutamento, agenciamento e seleção: serviços de transporte de funcionários: planos de medicina em grupo: funilaria e lanternagem: recauchutagem ou regeneração; perícias e laudos; varrição e coleta; instrucã̧o e treinamento; sondagem; hospedagem; fornecimento ou emissão de atestados; corretagem; aquisicã̧o de telefonia. Foram glosados também serviços com a seguinte descrição: "00000040001079 SERVIÇO DE INDUSTRI". Neste caso não é descrito o tipo de servico̧ especificamente e com base nas descricõ̧es do item e na razão social dos fornecedores informada nas planilhas não é possível inferir que tais serviços são aplicados diretamente na produção de bens, muitos são serviços de manutenção Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 887 7 elétrica, não sendo possível identificar em que local e/ou equipamento foi empregado o serviço; 24. Com o advento da Lei n° 10.833/2003, que instituiu o regime de apuracã̧o nãocumulativa da Cofins, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei. 25. No intuito de esclarecer quais os tipos de fretes informados nos memoriais de cálculo, o contribuinte foi intimado a apresentar planilha segregando os tipos de frete, que foram separados em fretes de compras, vendas e transferência de produtos acabados conforme a planilha apresentada; 26. Observese que há a hipótese de creditamento de custos com serviços de frete, além das hipóteses expressamente previstas na legislacã̧o acima colocadas. Esta se verifica quando o custo deste serviço, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, quando o valor do serviço de frete passa a integrar o valor de aquisição de tal bem; 27. Integrando os fretes sobre compras ao custo de aquisição, o crédito calculado deve ser dividido em três tipos: insumos ou mercadorias com direito a crédito integral, com direito a crédito presumido e sem direito a crédito. O contribuinte em questão adquire mercadorias e/ou insumos nas três modalidades; 28. Assim, essencial no caso dos fretes de compras em questão, a informacã̧o do CNPJ ou CPF do fornecedor, acompanhado do CFOP da operação e do n9 da nota fiscal de compra, além da NCM da mercadoria, para que se possa confirmar ou não o direito ao crédito; 29. Outro ponto, é que grande parte desses fretes está vinculada a mercadorias que também são adquiridas com fim específico de exportacã̧o, para as quais não é possível o creditamento, por vedação legal, conforme já tratado anteriormente no tópico "Método de Apuração dos Créditos". O contribuinte não efetua a segregacã̧o dos fretes de compras vinculados às aquisicõ̧es de mercadorias com fim específico de exportação dos demais fretes, e estas últimas compõem um percentual significativo das aquisições; 30. Não obstante, em relacã̧o a compra de soja em grãos, a partir de 10 outubro de 2013, o crédito presumido da soja passou a ser calculado sobre as vendas de determinados produtos resultantes da industrializacã̧o da soja e não mais sobre as compras de soja em grãos, como já tratado anteriormente no presente despacho. Assim, passou a inexistir também a possibilidade do creditamento do frete vinculado às aquisições de soja em grãos a partir dessa data. O mesmo ocorreu com o café, os créditos passaram a ser apurados apenas sobre a receita de exportacã̧o, não havendo creditamento na entrada e, por conseguinte, não gerando mais a possibilidade de creditamento dos fretes sobre compras; 31. Outra questão, seriam os fretes de compras de bens para revenda adquiridos de cooperativas, como milho em grãos e pluma de algodão. No Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 888 8 caso das cooperativas que efetuam a exclusão da base de cálculos dos valores repassados aos associados, não há direito ao crédito relativo a mercadoria (conforme tópico "Bens para Revenda"), assim como não há, consequentemente, direito ao crédito relativo ao frete na aquisição; 32. Assim sendo, o interessado deveria efetuar a segregação dos fretes por tipo de insumos e a finalidade da aquisição para assim permitir a apuração correta dos créditos. O procedimento correto seria a apuração dos créditos de fretes de compras junto dos insumos ou bens adquiridos, para que possam ser aferidas as condicõ̧es do creditamento. Portanto, com base na argumentacã̧o acima, diante da ausência de certeza e liquidez do crédito, foram glosados integralmente os valores relativos aos fretes de compras; 33. Os fretes sobre transferências de produto acabado foram glosados integralmente, uma vez que inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuicã̧o para o PIS/PASEP e da COFINS a partir de dispen̂dios com serviços de fretes de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica; 34. As despesas com frete nas operacõ̧es de vendas encontram amparo na legislação, como já citado anteriormente. No entanto, primordial a comprovação de que o ônus foi efetivamente suportado pelo contribuinte; 35. No caso em concreto, o interessado efetua vendas nas modalidades CIF e FOB, conforme se verifica na EFD C. Assim, faz jus ao crédito apenas quando efetua as vendas na modalidade CIF; 36. Outra questão seriam as mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o. Nesse caso, os fretes de vendas vinculados não poderiam gerar crédito. Como já tratado anteriormente em relação aos fretes de compras, a empresa em questão não efetua a segregação desses fretes dos demais; 37. Com base nos memoriais de cálculo e nas notas de serviços apresentadas foram efetuadas glosas parciais nos valores apropriados, conforme planilha "ALUGUÉIS DE MÁQUINASGLOSAS; 38. Álvaro Antônio Esteves ME CNPJ 02.065.523/000141: locacã̧o de Munck ou Guindaste. A descrição dos itens glosados não demonstra que estes sejam empregados em qualquer das atividade normalmente desenvolvidas pela empresa, sejam produtivas ou não, podendo remeter à alguma atividade não rotineira da empresa, eventualmente aplicada na montagem de alguma instalação ou equipamento da empresa; 39. Auto Peca̧s São Lourenço de Paraguaçu Ltda CNPJ 06.198.060/000147: os recibos apenas mencionam locação de bens (não especificando qual o tipo de bem) e caminhão, para o qual não é permitido o creditamento, por tratar se de veículo, não se enquadrando na hipótese de locacã̧o de máquinas e equipamentos; 40. Além dos servico̧s de armazenagem e frete, o interessado apropriou diversas despesas de serviços descritos como: "serviço: serviços portuários: ferroportuários; execução pro administração, empreitada ou subempr: revisão de câmera de segurança; serviço de consultoria jurídica: perícias e laudos: honorários de registro de importação: servico̧s de supervisão de embarque; agenciamento e recrutamento: reprografía e microfilmagem: instalação e montagem; produto genético biogenium: assistência técnica; Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 889 9 lubrificação; desembaraço aduaneiro: serviço de caster". Tais serviços foram glosados; 41. A fundamentacã̧o é a mesma apresentada no tópico "Serviços Utilizados como Insumos". As glosas se referem a servico̧s que não guardam relacã̧o intrínseca com atividade produtiva e/ ou não foi possível comprovar tal relacã̧o mediante a descricã̧o e/ou nota fiscal apresentada; 42. Além dos serviços, foram apropriados alguns valores referentes a fretes. No memorial de cálculo não foi informado se os fretes se referem a venda, compra ou transferência, bem como não foi informado o NCM da mercadoria transportada. 43. (...) Em que pese a previsão legal para creditamento dos fretes sobre vendas, no caso em concreto, o interessado adquire mercadorias com fim específico de exportacã̧o, não sendo possível o creditamento dos valores pagos a título de frete, devido a vedação legal existente, como já discutido anteriormente nos tópicos "Método de Apuração de Créditos" e "fretes". Por isso, a necessidade de separacã̧o dos fretes vinculados a essas operacõ̧es dos demais ou, pelo menos, a informação do NCM da mercadoria para separação das que não são exportadas nessa modalidade e que permitem o creditamento; 44. Abaixo, apresentamos quadro sintético com os valores reconhecidos a título de crédito da COFINS, inciden̂cia nãocumulativa, do 1º trimestre de 2014: Cientificado eletronicamente do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 631 a 683, a qual destacamos resumidamente as seguintes alegações: 1. (...) as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03 estabelecem dois critérios para a quantificação e apropriação dos créditos. (...) No entanto, referida norma é silente quanto às receitas de exportação. (...) Isto porque para fins do rateio tais receitas foram elencadas em artigo próprio, qual seja o artigo 6º da Lei 10.833/20003 (5º da Lei 10.637/2002); 2. Fica claro, portanto, que as receitas de exportação devem ser enquadradas conjuntamente com aquelas sujeitas ao regime da não cumulatividade, visto que ambas dariam direito ao crédito (artigo 6º); 3. Entender que as receitas de exportacã̧o ligadas a operacõ̧es com fins específicos de exportacã̧o não deveriam ser consideradas para fins do rateio proporcional significaria: (i) negar o impulso à balanca̧ comercial que referidas operacõ̧es representam para o país e (ii) tolher o direito legal das empresas comerciais exportadoras de ter suas exportações incentivadas; 4. Desta feita, não se identifica qualquer vedação legal quanto à inclusão, no cálculo do rateio proporcional, das receitas de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação (CFOP 7501), como pretendido pela fiscalização; Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 890 10 5. A Recorrente realizou aquisicõ̧es de mercadorias de sociedades cooperativas, tendo sido o seu crédito glosado pela Autoridade Fiscal sob a alegação de que as mesmas teriam efetuado a exclusão dos valores repassados aos associados da sua base de cálculo; 6. Da análise da sistemática de nãocumulatividade instituída por essas leis, notase que, ao contrário do que ocorre com o ICMS e o IPI (Método de Crédito), foi adotado outro método de neutralidade tributária, denominado Método Indireto Subtrativo; 7. Assim, muito embora o caput do artigo 3o das Leis 10.833/03 e 10.637/02, faça referência ao termo “crédito”, constatase que não se está diante do Método de Crédito, utilizado para o IPI e ICMS, mas sim do Método Indireto Subtrativo; 8. Portanto, quando a norma dispõe “não sujeito ao pagamento” deve ser entendida qualquer causa legal que livre o contribuinte, integralmente, das contribuições em apreço, ou seja, o crédito só é vedado quando há ausen̂cia de tributação, salvo nas hipóteses previstas na legislacã̧o; 9. A Nota Técnica no 13 da Cosit, ao esclarecer as razões que a levaram ao entendimento expresso na Solucã̧o de Consulta no 65, de 2014, coloca com muita propriedade o assunto dizendo que a vedação de creditamento prevista no inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637, de 2002, e no 10.833, de 2003, ocorre quando a receita decorrente da operação de compra e venda não está sujeita ao pagamento das contribuições; 10. (..) a legislação de regência do PIS e da COFINS não traz qualquer tipo de definição especial do conceito de insumos. Limitase a dizer que ensejarão créditos os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestacã̧o de serviços; 11. Ora, Instrução Normativa não pode albergar conceito mais restrito do que aquele contido nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, em clara ofensa ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária previsto no artigo 150, I da CF, violando ainda o próprio conceito de insumo eleito por institutos de direito privado previsto no artigo 110 do CTN; 12. Com efeito, na interpretação das normas devese atentar para os preceitos legais que estão integrados no sistema de regras e princípios, pois a presunção de legalidade, que legitima a atividade administrativa, deve ser considerada à luz das normas positivas, dos princípios gerais do Direito, dos bens e valores juridicamente tutelados e das garantias fundamentais; 13. Ora, cabe à lei dar os contornos esclarecedores do tema, nos limites estabelecidos pelo constituinte derivado. Porém, não pode o legislador, a pretexto de regulamentar a nãocumulatividade, restringila a ponto de torná la exceção na ordem jurídica, tal como sustenta a Receita Federal notadamente quanto ao conceito de “insumo”; 14. O conceito de insumo adotado para PIS e COFINS deve ser amplo a ponto de abranger utilidades disponibilizadas por meio de bens e serviços, desde que relevantes à operação da empresa; 15. No caso dos autos, temos que a Autoridade Fiscal glosou diversos materiais que são indispensáveis ao funcionamento das máquinas como, Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 891 11 por exemplo a graxa, alegando a autoridade fiscal que muito embora tratar se de mercadoria com propriedade lubrificante não daria crédito por ausen̂cia de disposição legal, entendimento na contramão do que vem decidindo o CARF, conforme decisões acima; 16. Temos ainda glosa de diversos materiais que pela sua própria natureza são peças de reposição de máquinas que sofrem desgaste na sua utilização tais como correia, disco serra, engrenagem, pinos, rolamentos etc. 17. Outras glosas, apesar de insumos não empregados diretamente na producã̧o também se revelam essenciais as atividades da Recorrente tais como abraca̧deira, aneís, arruelas, correias, buchas, parafusos, brocas, bujões, cadeados, cantoneiras, ventiladores, lâmpadas, máscaras de solda, luvas, rolamentos, eletrodos, alicates, barras, cabos, caixas etc.; 18. Em suma, todas as despesas relacionadas as atividades da Recorrente são passíveis de credito das contribuições ao PIS e à COFINS, eis que indispensáveis, seja direta ou indiretamente ao bom funcionamento da empresa e da sua produção; 19. A Autoridade Fiscal glosou o crédito presumido referente ao Caroco̧ de algodão com a alegacã̧o de que parte das aquisicõ̧es de pessoa física foi efetuada com a finalidade de comercialização (revenda), sendo glosadas as notas fiscais correspondentes nos meses em que as aquisições ocorreram; 20. A Recorrente adquire Caroço de Algodão classificado na NCM 1207 cujo resultado de sua industrialização é o Farelo de Algodão na NCM 2306 e óleo de Algodão na NCM 1512; 21. Acostase aos autos planilha contendo a totalidade das notas fiscais de saída que comprovam o crédito da Recorrente (doc.02), bem como notas fiscais por amostragem (doc.03), comprovando tratarse de notas fiscais de saída, conforme CFOP das mesmas; 22. Alega a Autoridade Fiscal que Integrando os fretes sobre compras ao custo de aquisição, o crédito calculado deve ser dividido em três tipos: insumos ou mercadorias com direito a crédito integral (direito do contribuinte ao credito integral sobre o frete), com direito a crédito presumido (direito do contribuinte ao credito com alíquota reduzida sobre o frete) e sem direito a crédito (sem direito do contribuinte ao credito sobre o frete); 23. (...) no presente caso, entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutencã̧o integral dos créditos relacionados às despesas de frete na aquisição de insumos sujeitos ao crédito presumido ou aqueles adquiridos com fins específicos de exportacã̧o, uma vez que em ambos os casos a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriacã̧o de crédito das mercadorias transportadas; 24. Vejase, no tocante o disposto ao artigo 6o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o fato do § 4o do referido dispositivo vedar a apuração de créditos vinculados à receita de exportação, não importa, via de consequência, que os mesmos não possam se apropriar de créditos oriundos das despesas e custo; Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 892 12 25. Desta feita, inquestionável que a única interpretação do §4o do artigo 6o da Lei 10.833/03, em consonância com a diretriz constitucional no sentido de incentivar as exportações, bem como com o próprio princípio da não cumulatividade, é que tal dispositivo não impede as empresas de apropriarem os créditos da contribuição ao PIS e da COFINS relativamente às despesas com frete; 26. Assim, resta claro ser legítima a apropriacã̧o de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS relacionados ao frete contratado nas operações de aquisição, independentemente da existen̂cia de cred́itos a serem apropriados em razão da aquisicã̧o da mercadoria transportada, nos termos do artigo 3o, inciso II das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, devendo o r. Despacho Decisório ser reformado, nessa parte; 27. (...) o custo dos estoques das matériasprimas e produtos em elaboracã̧o englobam, sem sobra de dúvidas, os custos dos servico̧s de transportes de movimentações destes produtos no curso do processo produtivo. E por essa razão a Receita Federal tem garantido o direito ao crédito do frete incidente no transporte nas aquisições de insumos quando suportado pelo comprador; 28. Da mesma forma, também o frete entre as unidades do mesmo contribuinte, seja de insumos (matériaprima, produtos intermediários, materiais de embalagens, ou mesmo de transportes de funcionários) seja de produtos acabados a serem colocados no ponto em condições de venda, deve gerar o direito ao crédito, pois que tais dispêndios ainda estão dentro do ciclo de “producã̧o e fabricacã̧o” compondo esses custos, sendo que tolher esse direito de crédito significaria manter uma lacuna que deixaria um custo relevante na incidência cumulativa, nem lógica e nem juridicamente sustentável; 29. Ora, se no caso de fretes relacionados à compra de mercadorias o crédito é passível de creditamento, no caso de vendas maior ainda é a certeza. No entanto, no presente caso, mais uma vez entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutenção dos créditos relacionados às despesas de frete na venda vinculadas a aquisição de insumos adquiridos com fins específicos de exportação, uma vez que a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriação de crédito das mercadorias transportadas; 30. Também as despesas decorrentes de armazenagem, utilizados nas atividades da empresa conferem o direito ao crédito do PIS e da COFINS, conforme determinação expressa do artigo 3o, IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/03; 31. O mesmo princípio deve ser aplicado às demais despesas incorridas nas atividades da Recorrente também, glosadas pela Autoridade Fiscal, (...),eis tratarse todos de serviços relacionados diretamente com a atividade da Recorrente, na forma dos incisos, II e IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; 32. As despesas com locação de imóveis, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa conferem o direito ao crédito do PIS e da COFINS, conforme determinação expressa do artigo 3o, IV das Leis 10.637/2002 e 10.833/03; Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 893 13 33. A autoridade fiscal glosou os valores apropriados sob diversos argumentos como “tratase de veículo não havendo previsão legal” ou que “a descrição dos itens glosados não demonstra que estes sejam empregados em qualquer das atividades desenvolvidas pela empresa”; 34. No presente caso, conforme se verifica dos processos de industrializacã̧o acostados aos autos, todas as despesas com maquinários, sejam eles veículos de carga, de levantamento de peso, de transporte de mercadorias etc, devem ser passíveis de creditamento; 35. É sabido que quando se fala em ressarcimento de crédito tributário, não há previsão legal a atualizacã̧o monetária do crédito, uma vez que não se trata de apropriacã̧o indevida de valores pelo Fisco, quer seja por pagamento indevido, quer seja por pagamento a maior do tributo; 36. É certo que no presente caso também não se trata de atualizacã̧o do crédito a ser ressarcido pela Selic. A pretensão da Recorrente se funda na correção monetária do período relativo à demora da autoridade pública em viabilizar o ressarcimento no âmbito administrativo; 37. Ademais, havendo glosa, como no presente caso, estará a Recorrente a merce ̂ novamente da administração pública para julgamento e prosseguimento do moroso processo administrativo, não podendo seu crédito ficar desguarnecido de atualizacã̧o, sob pena de enriquecimento ilícito do poder público em detrimento do contribuinte; Ao fim, a empresa pleiteia a reforma do Despacho Decisório com o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, ou caso seja o entendimento, que o julgamento seja convertido em diligência, e ainda, a juntada de novos documentos que se façam necessaŕios à comprovação do alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 12101.406 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A interposição do recurso visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 894 14 No regime nãocumulativo, somente são considerados insumos, para fins de creditamento, os combustíveis e lubrificantes, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Serviços, em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda geram créditos do regime de apuração não cumulativa. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e sofram alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 895 15 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, não há possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, em relação aos dispêndios com serviços de transporte suportados pelo adquirente na aquisição de matériaprima. Tais dispêndios, em regra, devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens e a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação aos bens adquiridos, e não em relação ao serviço de transporte isoladamente considerado. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Diante de Pedido de Ressarcimento e da apresentação de Declarações de Compensação (PER/DCOMP), referente a créditos de COFINS nãocumulativa mercado externo do 1º Trimestre de 2014, a autoridade administrativa fiscal, por intermédio de Despacho Decisório, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, sendo que na decisão proferida pela DRJ, fezse reconhecimento de valor adicional concernente ao direito creditório, homologandose assim, parcialmente as DCOMPs até o limite reconhecido. Assim ficou consignado na decisão ora recorrida acerca do reconhecimento de valor adicional referente a direito de crédito: Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 896 16 11. CONCLUSÃO Em síntese, a tabela abaixo demonstram o valor total das glosas revertidas e o valor do crédito de Cofins a ser ressarcido à interessada neste processo: PA Base de Cálculo* Valor adicional reconhecido neste Acórdão Janeiro/2014 12.892.446,76 934.271,55 Fevereiro/2014 1.807.011,29 137.332,86 Março/2014 107.917,13 8.493,20 TOTAL 14.807.375,18 1.080.097,61 * Aquisicõ̧es de cooperativas (bens para revenda) e Graxas e lubrificantes (bens utilizados como insumo). Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada, RECONHECENDO PARCIALMENTE o direito creditório pleiteado no valor adicional de R$ 1.080.097,61, e em conseqüência, homologando parcialmente as DCOMP até o limite do crédito reconhecido. O Contribuinte se insurge em seu recurso 1) quanto ao método de apuração dos créditos; 2) quanto as glosas dos bens utilizados como insumo; quanto as glosas dos serviços como insumos, em específico, 3) dos fretes decorrentes da compra de insumos; 4) dos fretes decorrentes de transferência de mercadoria; 5) dos fretes sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem; 6) de diversos serviços utilizados como insumos; 7) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; e, 8) da correção monetária pela mora administrativa. Finaliza seu seu recurso requerendo o reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado, devidamente atualizado pela taxa selic. Em seguida passarseá a tratar de forma específica de cada ponto. 1) Quanto ao método de apuração dos créditos O Contribuinte alega em seu recurso e sustenta que não se pode excluir das receitas decorrentes de operações com fim específico de exportação do cômputo do rateio proporcional. Cito trechos do recurso para precisar o entendimento do Contribuinte: 05. Ora, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 prevendo que determinadas pessoas jurídicas, em razão da natureza de sua atividade, teriam suas receitas submetidas a um regime misto, isto é, parte tributada pelo regime cumulativo e parte pelo regime não cumulativo, disciplinou a questão sobre a forma de apropriacã̧o e da quantificaca̧õ dos créditos. (...) 08. Portanto, para a apuração parcial dos custos e despesas que ensejariam direito a créditos a serem descontados dos valores da contribuição ao PIS e COFINS apurados no regime não cumulativo, o contribuinte poderá optar entre dois métodos: Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 897 17 (i) apropriação direta, quando o contribuinte dispõe de sistema contábil de custos integrado que permite identificar exatamente qual a parcela dos custos e despesas que referese à parcela da receita não cumulativa; ou (ii) rateio proporcional, aplicando aos custos e despesas o percentual referente entre a receita não cumulativa e a receita total. Este percentual deverá ser recalculado todos os meses, quando da apropriação dos créditos do período. 09. No entanto, referida norma é silente quanto às receitas de exportacã̧o. Isto porque para fins do rateio tais receitas foram elencadas em artigo próprio, qual seja o artigo 6º da Lei 10.833/20003 (5º da Lei 10.637/2002): (...) 10. Fica claro, portanto, que as receitas de exportação devem ser enquadradas conjuntamente com aquelas sujeitas ao regime da não cumulatividade, visto que ambas dariam direito ao crédito (artigo 6º). 11. Com efeito, é notório que exportacõ̧es são (e sempre foram) incentivadas no país, a fim de impulsionar a própria balanca̧ comercial. Nesse sentido, dar incentivos à exportação significa incentivar a produção local. 12. Entender que as receitas de exportação ligadas a operações com fins específicos de exportação não deveriam ser consideradas para fins do rateio proporcional significaria: (i) negar o impulso à balanca̧ comercial que referidas operações representam para o país e (ii) tolher o direito legal das empresas comerciais exportadoras de ter suas exportações incentivadas. 19. Nesse sentido, fica claro que não há que se falar em exclusão das receitas decorrentes de operacõ̧es com fim específico de exportação do cômputo do rateio proporcional. Entendo não assistir razão ao Contribuinte, visto que além dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, requer direito de crédito vinculado às receitas de exportação, na apropriação de créditos na aquisição de mercadorias que estão sujeitas à suspensão das contribuições. Cito trechos da decisão ora recorrida, que bem precisa a matéria, a posição do Contribuinte e o entendimento da administração fiscal, como razões para decidir: 1. MÉTODO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS Segundo consta do Despacho Decisório, foram glosadas as receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação (CFOP 7501), constantes dos memoriais de cálculo apresentados pelo contribuinte, porque essas receitas não geram direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep e à COFINS. A empresa entende que teria direito a crédito vinculado às receitas de exportação, além dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. A referida glosa realizada, calcada no § 4º do artigo 6º, e art. 15, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, vedaria apenas a apropriacã̧o de créditos na aquisiçaõ de mercadorias (que está sujeita à suspensão das contribuicõ̧es), de modo que os demais créditos seriam passíveis de apropriação. Defende ainda que negar o direito ao crédito das receitas de exportação para fins do rateio proporcional significaria: (i) negar o impulso à balança comercial que Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 898 18 referidas operações representam para o país e (ii) tolher o direito legal das empresas comerciais exportadoras (como no caso a ora Requerente) de ter suas exportações incentivadas. (consertar tudo parágrafo) A despeito das consideracõ̧es apresentadas pela empresa, no presente caso a vedação à apropriacã̧o de créditos sobre as receitas de mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o é expressa: Lei nº 10.833/2003 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestacã̧o de servico̧s para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportacã̧o. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensacã̧o com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relacã̧o a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportacã̧o, observado o disposto nos §§ 8oe 9o do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuracã̧o de créditos vinculados à receita de exportacã̧o (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 899 19 III nos §§ 3 e 4º do art. 6º desta Lei;. Tal vedaçaõ se assenta no fato de que tal crédito já foi apropriado em etapa anterior da cadeia nãocumulativa, e permitir nova apropriação geraria distorções na mesma. Inclusive, nas legislacõ̧es que regulam a apuração de créditos presumidos de produtos como café e soja, tal vedaca̧õ é replicada, senão vejamos: (...) Por sua vez, alegações quanto a possíveis ofensas a princípios constitucionais não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que esta naõ dispõe de competen̂cia legal para examinar hipóteses de violação à Constituiçaõ, ou a outro dispositivo legal, relativas às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. A apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Assim, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Concluíse, portanto, que não pode ser aceita a utilização desses créditos por expressa vedação legal. Também de acordo com a DRJ em relação aos argumentos expostos pelo Contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade e também no Recurso Voluntário no que tange a possíveis ofensas a princípios constitucionais. Neste sentido estabelece a Súmula CARF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste ponto, quanto ao método de apropriação do crédito, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte, mantendo a decisão ora recorrida. 2) Quanto as glosas dos bens utilizados como insumo Neste ponto o Contribuinte tece considerações acerca do conceito de insumo, da IN 247/2002 e IN 404/2004, das posições jurisprudenciais administrativas e judiciais e aduz ainda: 54. Nessa forma de se conceituar insumo, devese determinar, no caso concreto, se o bem ou serviço e ́ essencial à atividade da empresa e, portanto, a despesa a ele vinculada integra os créditos das contribuições. 55. No caso dos autos, temos que a Autoridade Fiscal glosou diversos materiais que são indispensáveis ao funcionamento das máquinas, entendimento na contramão do que vem decidindo o CARF, conforme decisões acima. 56. Temos ainda glosa de diversos materiais que pela sua própria natureza são peças de reposição de máquinas que sofrem desgaste na sua utilização tais como correia, disco serra, engrenagem, pinos, rolamentos etc. 57. Outras glosas, apesar de insumos não empregados diretamente na produçaõ também se revelam essenciais as atividades da Recorrente tais como abraçadeira, anéis, arruelas, correias, buchas, parafusos, brocas, bujões, cadeados, cantoneiras, Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 900 20 ventiladores, lâmpadas, máscaras de solda, luvas, rolamentos, eletrodos, alicates, barras, cabos, caixas etc. 58. Vale aqui ainda mencionar a Solução de Divergência nº 7 – Cosit, de 23 de agosto de 2016: (...) 59. Em suma, todas as despesas relacionadas as atividades da Recorrente são passíveis de credito das contribuições ao PIS e à COFINS, eis que indispensáveis, seja direta ou indiretamente ao bom funcionamento da empresa e da sua produção. O Contribuinte não faz em seu recurso o apontamento do que foi especificamente glosado, sem fundamentar que cada um dos bens glosados se insere no processo produtivo de forma essencial. Apenas requer que “todas as despesas relacionadas as atividades da recorrente são passíveis de crédito das contribuições ao PIS e à COFINS, eis que indispensáveis, seja diretamente ou indiretamente ao bom funcionamento da empresa e da sua produção”. Na decisão ora recorrida assim constou no voto, no final do ponto “bens utilizados como insumos”: Diante do exposto, entendese não ser possível conceder o crédito pretendido, pois a interessada não demonstrou, em relação às glosas especificamente feitas, se e quais os bens são partes e peca̧s de reposição utilizadas na manutenção de equipamentos industriais que produzem mercadorias destinadas à vendas, assim como não provou que os créditos pretendidos dizem respeito a bens que não foram incorporados ao ativo imobilizado da empresa (CFOP 1556 e 2556). Além disso, constatouse na relação apresentada, mercadorias adquiridas sob regime de substituica̧õ tributária (CFOP 1407 e 2407), para as quais não seria possível o creditamento por força do §2o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendese, portando como corretas as glosas efetuadas sobre os itens desse tópico, exceto em relação às graxas e aos lubrificantes. Não há como, por falta de especificação e de fundamentação por parte do Contribuinte, em relação aos bens que considera insumos, apreciar se estes são ou não essenciais nas atividades produtivas. Não o fez quando da Manifestação de Inconformidade, bem como, não o fez quando da interposição do Recurso Voluntário. Neste sentido voto por negar provimento neste ponto. 3) Dos fretes decorrentes da compra de insumos Na parte do recurso do Contribuinte, em que trata dos serviços como insumos, recorre apenas sobre a questão dos fretes, sem adentrar na decisão da DRJ sobre o item “Serviços Utilizados como Insumos”. Assim, diante do recurso, tratarseá do alegado em relação ao frete, neste ponto, sobre o frete decorrente da compra de insumos. O Contribuinte salienta que: 63. Com efeito, embora somente haja previsão expressa para o crédito relativo a “frete nas operações de venda”, quando o ônus for suportado pelo vendedor, há que se observar que, na compra de bens, o frete, quando pago pelo adquirente, consoante a boa técnica contábil, integra o custo de aquisição desses bens, o que está consagrado no art. 289, § 1o, do RIR/1999 (“o custo de aquisição de mercadorias Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 901 21 destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte”). 64. Assim, também na forma de servico̧s estipulados no inciso II do artigo 2o, poderá o valor do frete compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins nãocumulativos. 65. No entanto, no presente caso, entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutenção integral dos créditos relacionados às despesas de frete na aquisição de insumos sujeitos ao crédito presumido ou aqueles adquiridos com fins específicos de exportacã̧o, uma vez que em ambos os casos a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriaçaõ de crédito das mercadorias transportadas. 66. Esse entendimento não merece prosperar, pois, ao contrário da tributação das mercadorias adquiridas, o frete é um negó cio jurídico autônomo, adquirido de pessoa jurídica desvinculada do fornecedor e sujeito, portanto, à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, sendo possível, portando, o creditamento integral das contribuições sobre tais pagamentos. (...) 73. Ou seja, ao interpretar a norma, o intér prete deve levar em conta o coeficiente axiológico e social nela contido, baseado no ato concreto, já que a norma geral em si deixa em aberto várias possibilidades, dei xando esta decisão a um ato de produção normativa, sem esquecer que, ao aplicar a norma ao caso concreto, deve fazêlo atendendo à sua finalidade social e ao bem comum. (...) 80. Assim, resta claro ser legítima a apropriação de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS relacionados ao frete contratado nas operações de aquisicã̧o, independentemente da existência de créditos a serem apropriados em razão da aquisição da mercadoria transportada, nos termos do artigo 3o, inciso II das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, devendo o r. Despacho Decisório ser reformado, nessa parte Com a devida vênia ao entendimento do Contribuinte, neste ponto assiste razão a autoridade administrativa fiscal. Cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: 7.1 FRETES SOBRE COMPRAS DE INSUMOS A autoridade fiscal afirma que quando o custo do serviço de frete, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, o valor do serviço de frete passa a integrar o valor de aquisição de tal bem. Assim, integrando os fretes sobre compras ao custo de aquisica̧õ, o crédito calculado deve ser dividido em três tipos: insumos ou mercadorias com direito a crédito integral, com direito a crédito presumido e sem direito a crédito. O contribuinte em questão adquire mercadorias e/ou insumos nas três modalidades. Analisando as planilhas e informações prestadas pela empresa quando das intimações efetuadas, a fiscalizaçaõ detectou as seguintes inconsistências: Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 902 22 1) Não foi possível identificar se o crédito é oriundo de aquisição de pessoa física ou pessoa jurídica. Nas aquisições de pessoa física só é permitido o crédito presumido, e ainda assim, quando os bens são utilizados como insumo na produção, não sendo permitido para aqueles que sejam destinados à revenda; 2) Grande parte dos fretes está vinculada a mercadorias que são adquiridas como fim específico de exportaca̧õ (na condição de comercial exportadora), para as quais não é possível o creditamento (vide tópico “Método de Apuraçaõ dos Créditos”). No caso, a empresas não efetua a segregação dos fretes de mercadorias destinadas diretamente á exportação dos demais fretes. 3) Nas compras de soja e café, em virtude das alterações legislativas ocorridas (Leis nºs 12.599/2012 e 12.865/2013), passou a não mais existir a possibilidade de creditamento nas compras, e seus fretes, passando o crédito a ser apurado sobre as receitas de venda. 4) Os fretes de compras de bens para a revenda adquiridos de cooperativas, caso estas efetuem a exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos associados, não permitem o crédito relativo à mercadoria, e conseqüentemente, também não permitem o crédito do frete relativo a ela. Com base nos argumentos apresentados, a autoridade fiscal afirmou não ser possível inferir a certeza e liquidez do crédito relativo a parte dos créditos das compras. Para a empresa, a despeito de o produto adquirido estar sujeito a crédito presumido, a prestação do servico̧ de transporte (frete) não o é, visto ser um “negócio jurídico autônomo”, o qual comporta a incidência integral do PIS e da COFINS, tendo em vista a hipótese imponível do tributo. Não seria plausível equiparar a sistemática de tributação que envolve a aquisica̧õ mercadoria àquela referente ao encargo do frete incorrido no seu respectivo transporte. Em sua defesa, alega que o objetivo da legislaçaõ é desonerar as exportações, e que se não fosse assim, as empresas exportadoras acumulariam um enorme ônus da contribuição ao PIS e à Cofins, o que fere o princípio da não cumulatividade e a regra de desoneraçaõ das exportações prevista na Constituição Federal. E assim, em relação à regra restritiva do § 4º do art. 6 da Lei nº 10.833/2003 (acima transcrito) deveria ser buscada uma interpretação teleológica – ou finalística – do dispositivo legal. Nos termos do artigo 111 do CTN, interpretase literalmente a legislaca̧õ tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, não podendo a Autoridade Fiscal, por força vinculante do parágrafo único do art. 142 do mesmo CTN buscar outra forma de interpretação. Como já informado anteriormente, não cabe discutirmos constitucionalidade, ou qual deveria ter sido a intenca̧õ do legislador, nessa esfera administrativa, pois a administraçaõ tributária vinculase aos textos legais vigentes. Em relação aos demais fretes sobre compras, quando o valor do frete for suportado pelo adquirente de mercadorias para revenda e de insumos para a producã̧o, este deve integrar o custo de aquisição e gerar créditos do PIS e da Cofins não cumulativos, nos termos do art. 289 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR); e art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003: Decreto nº 3.000/1999 Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 903 23 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuracã̧o (DecretoLei no 1.598/1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisicã̧o ou importacã̧o (DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Nessa linha de entendimento, quando o valor do frete integra o valor dessas aquisições segue a forma de tributação do insumo. Somente haverá crédito sobre o valor do frete se as aquisições dos insumos ou mercadorias forem passíveis de apuração de crédito. Assim, devem ser segregados em fretes de insumos: com crédito integral; com crédito presumido; e sem direito a crédito (não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero). Considerando que a legislação das contribuições em estudo cuidou expressamente dos gastos com transporte suportados pelo vendedor e silenciou acerca dos gastos com transporte suportados pelo adquirente, e que não há qualquer razão que justifique tratamento diferenciado conforme o custo do transporte seja suportado por um ou por outro, parece mesmo que a referida legislaçaõ considerou que os dispêndios com transportes na aquisição de bens suportados pelo adquirente devem integrar o custo de aquisiçaõ de tais bens. Diversas normas, ao longo dos anos, têm tratado do tema(...) Vêse que a regra geral é que os gastos com servico̧s de transportes sejam tratados como integrantes (ou componentes) do custo de aquisição dos bens movimentados. O direito ao crédito proveniente às despesas de frete com aquisição de insumos, quando assumidos pelo comprador, integra a base de cálculo das referidas mercadorias e dela é parte integrante. Na relação dos fretes de compras apresentada pelo interessado foram detectadas compras que não dão direito ao crédito como: aquisições de pessoas físicas para revenda; café e soja (credito apenas sobre vendas); e aquisicõ̧es de cooperativas que promovem a exclusão das receitas repassadas aos associados. Além, é claro, das mercadorias com fim específico de exportação, cujo crédito também é vedado, como já abordado acima. Não houve segregação do tipo de frete de aquisição por parte da empresa. Em se tratando de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação exigese a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Dessa forma a ausência de escrituração correta das operações que se pretende aproveitar, além de contrariar as boas técnicas contábeis, inibe a certeza daquilo que se pretende comprovar, na medida que não permite aos órgãos fiscais verificarem a utilização da despesa para os fins a que se destina, ou mesmo para que se evite o aproveitamento em duplicidade. Dessa forma, entendemos como correta as glosas efetuadas neste item. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 904 24 Com estas razões, voto por negar provimento ao recurso no que tange aos fretes na aquisição de insumos. 4) Dos fretes decorrentes de transferência de mercadoria Contra a glosa dos fretes decorrentes de transferência de mercadoria, o Contribuinte salienta que: 86. Daí, por óbvio, a decisão empresarial de trazer para si esta gestão do transporte entre suas unidades, assumindo os custos pertinentes, os quais, em última análise, são repassados ao produto, servindo à incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, e, como se trata de não cumulatividade por certo que deve garantir o direito ao crédito. 87. Assim, a toda semelhança que os fretes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, quando pagos pelo adquirente, concedem o direito ao crédito pelo fato de que compõem o custo do produto, e do mesmo modo, também dão direito ao desconto de crédito o gasto com fretes nas operações de venda, quando são “arcados” pelo vendedor. (...) 91. Assim sendo, passíveis de creditamento as despesas com relação aos servico̧s de transportes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A manutenção da glosa sobre os fretes decorrentes de transferência de mercadoria foi assim fundamentado na decisão recorrida: 7.2 FRETES SOBRE TRANSFERÊNCIAS Para a autoridade fiscal os fretes sobre transferências de produto acabado foram glosados integralmente, uma vez que inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuica̧õ para o PIS/PASEP e da COFINS a partir de dispen̂dios com serviços de fretes de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica. A Requerente entende que o custo dos estoques das matériasprimas e produtos em elaboracã̧o englobam, sem sobra de dúvidas, os custos dos serviços de transportes de movimentações destes produtos no curso do processo produtivo. E por essa razão a Receita Federal tem garantido o direito ao crédito do frete incidente no transporte nas aquisições de insumos quando suportado pelo comprador. Ainda segundo ela, “também o frete entre as unidades do mesmo contribuinte, seja de insumos (matériaprima, produtos intermediários, materiais de embalagens, ou mesmo de transportes de funcionários) seja de produtos acabados a serem colocados no ponto em condicõ̧es de venda, deve gerar o direito ao crédito, pois que tais dispen̂dios ainda estão dentro do ciclo de “produção e fabricação” compondo esses custos, sendo que tolher esse direito de crédito significaria manter uma lacuna que deixaria um custo relevante na incidência cumulativa, nem lógica e nem juridicamente sustentável”. Como a transferência de mercadorias não se trata de venda de mercadorias com transferência de propriedade, não há que se falar em tributação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Conseqüentemente, não geram crédito de PIS e COFINS os recebimentos de mercadorias em transferência. E havendo despesas de fretes nessas transferências, esses valores naõ darão direito a crédito de PIS e Cofins, pois não Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 905 25 decorrerão de venda. Portanto, não há que se aplicar por analogia os incisos I e IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003 acima citados. As transferências de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais para comercialização possuem natureza diversa da venda (transferência de propriedade), uma vez que continuam em propriedade da empresa, inclusive possuem CFOP próprio: 1.152 Classificamse neste código as entradas de mercadorias recebidas em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa, para serem comercializadas. A Cosit já se manifestou, por exemplo, acerca da impossibilidade de creditamento, na modalidade aquisiçaõ de insumos, em relação a gastos com transporte de produtos acabados ou em elaboraca̧õ entre estabelecimentos diferentes da própria pessoa jurídica (Soluçaõ de Divergência no 2, de 24 de janeiro de 2011) e em relação a transporte de produto acabado de e para centro de distribuicã̧o da pessoa jurídica (Solucã̧o de Divergência no 26, de 30 de maio de 2008), entre outras. (...) Estão corretas portanto, as glosas efetuadas sobre os créditos de fretes entre estabelecimentos da empresa. Com ressalvas ao entendimento da DRJ no que tange ao crédito decorrente dos fretes sobre transferências de produto acabado entre estabelecimentos da pessoa jurídica, entendo também não assistir razão ao Contribunte, mas por outra motivação, ou seja, foi constatado nos autos, de acordo com as planilhas e informações prestadas pela empresa, diversas inconsistências, como visto no item anterior, e a principal delas, de que os fretes não foram segregados de forma a comprovar o seu alegado direito. Portanto, voto por negar provimento ao recurso neste ponto, mantendo as glosas quanto aos fretes sobre transferência de produtos entre os estabelecimentos do Contribuinte. 5) Dos fretes sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem O Contribuinte aduz em seu recurso que deve ser afastada a glosa sobre as despesas sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem. Desta forma alega: 94. Ora, se no caso de fretes relacionados à compra de mercadorias o crédito é passível de creditamento, no caso de vendas maior ainda é a certeza. 95. No entanto, no presente caso, mais uma vez entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutenção dos créditos relacionados às despesas de frete na venda vinculadas a aquisição de insumos adquiridos com fins específicos de exportacã̧o, uma vez que a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriaçaõ de crédito das mercadorias transportadas. (...) 97. Novamente citamos o artigo 6º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, pelo que o fato do § 4º do referido dispositivo vedar a apuracã̧o de créditos vinculados à receita Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 906 26 de exportaçaõ, não importa, via de consequência, que os mesmos não possam se apropriar de créditos oriundos das despesas e custos. (...) 100. Também as despesas decorrentes de armazenagem, utilizados nas atividades da empresa conferem o direito ao crédito do PIS e da COFINS, conforme determinação expressa do artigo 3º, IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/03: 101. O mesmo princípio deve ser aplicado às demais despesas incorridas nas atividades da Recorrente também, glosadas pela Autoridade Fiscal, tais como: “serviço; serviços portuários; ferroportuários; execução pro administração, empreitada ou subempr; revisão de câmera de segurança; serviço de consultoria jurídica; perícias e laudos; honorários de registro de importação; servi ços de supervisão de embarque; agenciamento e recrutamento; reprografia e micro filmagem; instalacã̧o e montagem; produto genética biogenium; assistência técnica; lubrificacã̧o; desembaraço aduaneiro; serviço de caster”, eis tratarse todos de servi ços relacionados diretamente com a atividade da Recorrente, na forma dos incisos, II e IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No que tange aos fretes sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem assim se entendeu no acórdão recorrido: 7.3 FRETES SOBRE VENDAS Para a fiscalizaçaõ, apesar das despesas com frete nas operações de vendas encontrarem amparo na legislação, como já citado anteriormente, devese comprovar que o ônus foi efetivamente suportado pelo contribuinte. No caso em concreto, o interessado efetua vendas nas modalidades CIF e FOB, conforme se verifica na EFDC. Assim, faz jus ao crédito apenas quando efetua as vendas na modalidade CIF. Verificouse ainda, que os fretes de vendas vinculados às mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não poderiam gerar crédito. Porque como já tratado anteriormente em relaçaõ aos fretes de compras, a empresa em questão não efetua a segregação desses fretes dos demais. Foram glosados os valores de fretes vinculados às operações com mercadorias para os quais o interessado realiza exportacã̧o com CFOP 7501, tais como algodão pluma e milho em grãos, pois não foi possível efetuar a segregação das vendas que permitem o creditamento daquelas que não permitem. No entendimento da empresa, “se no caso de fretes relacionados à compra de mercadorias o crédito é passível de creditamento, no caso de vendas maior ainda é a certeza”. Da mesma forma quando das compras, a empresa entende o frete como um negócio jurídico autônomo, desvinculado do fornecedor, e que estaria sujeito à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins, sendo possível o creditamento integral das contribuições sobre tais pagamentos, ainda que sejam insumos com fins específicos de exportação. A empresa defende o creditamento com base no art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 907 27 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relacã̧o a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operacã̧o de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; Porém, há vedação expressa para apuração de créditos relativamente às despesas de frete vinculados aos produtos exportados, considerando que se trata de prestaçaõ de serviço de frete de produtos com o fim específico de exportaçaõ. As despesas com frete integram o custo de exportação dos produtos nos termos dos incisos I e III, e §§ 1º e 4º, do art. 6° da Lei n° 10.833 de 2003, e considerando o disposto no § 6°A do art. 40 da Lei n° 10.865/2004. Lei nº 10.833/2003 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportacã̧o. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensacã̧o com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuracã̧o de créditos vinculados à receita de exportacã̧o. Lei nº 10.865/2004 Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 908 28 Art. 40. A inciden̂cia da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (...) § 6º A. A suspensão de que trata este artigo alcanca̧ as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei no 11.774, de 2008) I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei no 11.488, de 2007) II produtos destinados à exportacã̧o pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. § 7º Para fins do disposto no inciso II do § 6oA deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. § 8º O disposto no inciso II do § 6oA deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportacã̧o. Na época da transmissão das PER/DCOMP se encontrava vigente a Instrução Normativa RFB no 1.300/2012, que previa no § 1º de seu artigo 27, vedaca̧õ para ressarcimento desses créditos: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3o da Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisicõ̧es. Os elementos comprobatórios carreados na presente manifestação atestam que a contribuinte adquiriu mercadorias com o fim específico de exportação e dessa forma, o frete que pretende utilizar como crédito no presente Pedido de Ressarcimento vinculado a Declarações de Compensação está atrelado a mercadorias adquiridas com benefício fiscal que não possibilita o referido creditamento, como trata a legislação pertinente à não cumulatividade. Foi expressamente vedado, em relaçaõ às empresas comerciais exportadoras que tenham adquirido mercadorias com o fim específico de exportaca̧õ, o direito de apurar créditos de PIS e COFINS vinculados à receita de exportaçaõ originados de Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 909 29 outras operacõ̧es; é dizer, o inciso III do art. 15, combinado com o § 4o do art. 6o, ambos da Lei n.o 10.833/2003, ampliou a vedação imposta pelo regime da não cumulatividade do PIS, desde a vigência da Lei n.o 10.637/2002, impedindo, em relação às empresas comerciais exportadoras, não apenas a apuraçaõ de créditos de PIS e COFINS em relação à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportacã̧o, mas, inclusive, impedindo a apuração de créditos das contribuicõ̧es em relação a custos, despesas e outros encargos vinculados à receita de exportação. Em relação às vendas sob a modalidade FOB (Free on Board), não pode a empresa pleitear créditos sobre fretes que foram arcados pelo adquirente no exterior. Fazendo, de fato, jus apenas às vendas sob a modalidade CIF (Cost, Insurance and Freight), onde o frete fica a cargo do vendedor, como determina o art. 3o, inciso IX c/c art. 15 da Lei no 10.833/2003. Pelo exposto, está correta a glosa sobre os valores de frete das mercadorias adquiridas com fins específico de exportação e sobre as vendas na modalidade FOB. (...) 9. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE SOBRE VENDAS Segundo o Despacho Decisório, além dos serviços de armazenagem e frete, o interessado apropriou diversas despesas de servico̧s descritos como: “serviços portuários; ferroportuários; execução pro administraçaõ, empreitada ou subempr; revisão de câmera de segurança; serviço de consultoria jurídica; perícias e laudos; honorários de registro de importação; serviços de supervisão de embarque; agenciamento e recrutamento; reprografia e microfilmagem; instalacã̧o e montagem; produto genética biogenium; assistência técnica; lubrificação; desembaraço aduaneiro; serviço de caster”. Tais serviços foram glosados por não guardarem relação intrínseca com atividade produtiva da empresa e/ou não ser possível comprovar tal relação pelas notas fiscais apresentadas. A empresa defende a pertinência de todos os serviços informados no emprego de suas atividades, adotando o conceito amplo de insumos, como já aqui reproduzido anteriormente. Já exaustivamente exposta nesse voto a posiçaõ defendida pela RFB, destacamos também os seguintes trechos da Solução de Divergência no 07 de 23 de agosto de 2016 da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da RFB, anteriormente citada, que abordam a definição do conceito de insumo prevista na legislaçaõ das contribuições (PIS/Cofins) e as comparacõ̧es com as legislações do IRPJ e do IPI, a seguir: (...) constatase que não procede a interpretacã̧o defendida por alguns de que o termo insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins abrangeria todos os custos de produção da pessoa jurídica, pois, como visto, os custos de produção a que a legislação das contribuições pretendeu conceder creditamento foram expressamente listados. Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adocã̧o da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 910 30 Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptacã̧o da legislação de qualquer outro tributo. Sem embargo, o ponto comum entre a legislacã̧o da Contribuicã̧o para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigen̂cia, “mutatis mutandis”, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. Ademais, no que tange aos serviços aduaneiros e a todos os demais encargos relativos ao embarque e desembarque de mercadoria ou insumo no porto, a despeito de poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade da requerente, não oferecem ensejo à tomada de créditos, posto que não são consumidos ou aplicados na producã̧o ou fabricacã̧o de produto, sequer sendo utilizados na linha de produção da empresa, visto que pertencem à etapa anterior ou posterior à da fabricaçaõ de produtos e ao do transporte propriamente dito do porto até a empresa, e viceversa. A autoridade fiscal também glosou da relação de serviços apresentada pela interessada, valores de fretes cuja descricã̧o não estava clara, por ausen̂cia do NCM, e também a que tipo de frete se referia. Os fretes relativos a remessas de/para depósitos ou de/para armazenagem aplicase similar entendimento àquele exposto acima, relativo ao transporte entre estabelecimentos da mesma empresa, já que tais fretes não se referem a remessas por operações de venda, o que não enseja creditamento nos termos da legislaçaõ de regência (Leis 10.637 e/ou 10.833) e tampouco não se referem a remessas relativas a aquisições, o que não enseja creditamento com auxílio do art. 289, § 1o, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), que trata do custo das mercadorias e das matériasprimas vinculado à criacã̧o do estoque da pessoa jurídica. A Lei no 10.833/2003, ao instituir o regime de apuraçaõ nãocumulativa da COFINS, admitiu o aproveitamento de crédito calculado sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operaçaõ de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece no caput e no inciso IX de seu artigo 3º, que assim dispõe: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relacã̧o a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operacã̧o de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art.15. Aplicase à contribuição ao PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II – nos inciso VI, VII, e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art.3o desta Lei” Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 911 31 No caso em análise, ao contribuinte cumpre o ônus de trazer os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descriçaõ da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterizaçaõ do negócio. É de se observar que as fases que culminam com o despacho decisório são regidas pelo princípio do inquisitório, nos termos do art. 14 do Decreto no 70.235/72, e que na fase recursal, quando ocorre a instauração do contraditório, a Recorrente tem o direito de exercer o contraditório de maneira irrestrita, quer pela apresentaçaõ da peça impugnatória, quer pela oportunidade de trazer à colaçaõ documentaca̧õ que julgue pertinente à tentativa de combate ao deliberado no despacho decisório. Por sua vez, o § 4º, do art. 16, do Decreto no 70.235/72, com as alteracõ̧es promovidas pelo art. 67 da Lei no 9.532/97, dispõe que: (grifei) Art. 16........... § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Os elementos constantes nos autos não comprovam a ocorrência de qualquer uma das hipóteses previstas nas alíneas a, b e c do dispositivo legal supratranscrito, o que inviabiliza a possibilidade de juntada de novos documentos e/ou argumentos ao recurso inicial, uma vez precluso esse direito. Além disso, o pedido de juntada de novos documentos aos autos, para ser viável, deve vir acompanhado do rol de documentos cuja juntada pretende se que seja realizada, fato que não se verificou no caso em análise. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operacõ̧es por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é lícito ao julgador dispensar a autoridade lançadora ou o contribuinte, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 912 32 probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauracã̧o do litígio, às partes componentes da relaçaõ jurídica. Dessa forma, entendemos como corretas as glosas efetuadas nesse item. Diante do entendimento acima exposto no voto, o Contribuinte, também em sede de recurso, não apresenta os documentos necessários para comprovar o alegado direito a crédito. Como se sabe, cabe a quem alega a existência de crédito fazer a sua devida comprovação. Portanto, com as razões expostas no voto do acórdão ora recorrido, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte no que tange aos fretes de venda de mercadoria e serviços de armazenagem. 6) Diversos serviços utilizados como insumos O Contribuinte aduz em dois parágrafos pelo afastamento das glosas sobre diversos serviços utilizados como insumos: 102. Ainda, a Autoridade Fiscal glosou diversos servico̧s de CFOP 1933 e 2933 da Recorrente empregados na consecução das atividades da empresa, tais como serviços portuários (fumigação e outros não especificados); manutenção elétrica; lubrificacã̧o e conserto; instalação e montagem de aparelhos e máquinas; serviços de caster; consultoria jurídica; execução, por administração, empreitada; serviços de coleta; remessa ou entrega de correspondência; restauração e recondicionamento; de dedetização e desinfecção; recrutamento, agenciamento e seleção; serviços de transporte de funcionários; planos de medicina em grupo; funilaria e lanternagem; recauchutagem ou regeneração; perícias e laudos; varrição e coleta; instrução e treinamento; sondagem; hospedagem; fornecimento ou emissão de atestados; corretagem; aquisição de telefonia, dentre outros. 103. Remontamos aos mesmos fundamentos utilizados nos tópicos anteriores (bens e serviços utilizados como insumos). Todos os serviços relacionados a atividade da empresa, representam despesas indispensáveis ao funcionamento e consecuçaõ das atividades da Recorrente, devendo conceder direito ao crédito, na forma do inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Já o entendimento da administração fazendária e da DRJ é o seguinte acerca dos diversos serviços utilizados como insumos e que foram glosados: 6. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A fiscalização, aplicando o conceito de insumos como aquele diretamente empregados na industrialização de produtos, reconheceu os créditos de servico̧s de industrialização de óleo de soja, arroz, entre outros com CFOP 1124 ou 2124. Consoante os memoriais de cálculo apresentados foram glosados diversos serviços de CFOP 1933 e 2933, os quais não guardam relação direta com o processo produtivo da empresa e para os quais não há previsão legal de creditamento, que não apresentam qualquer relação com as atividades da empresa ou ainda, não foi possível comprovar a sua utilização direta no processo produtivo da empresa, com base nas descrições dos memoriais apresentados e nas notas fiscais. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 913 33 Servico̧s glosados: serviços portuaŕios (fumigação e outros não especificados); manutenção elétrica; lubrificação e conserto: instalaca̧õ e montagem de aparelhos e máquinas; servico̧s de caster; consultoria jurídica; execução, por administração, empreitada; serviços de coleta; remessa ou entrega de correspondência; restauração e recondicionamento; de dedetizacão e desinfecção: recrutamento, agenciamento e seleção: servico̧s de transporte de funcionários: planos de medicina em grupo: funilaria e lanternagem: recauchutagem ou regeneração; perícias e laudos; varrição e coleta; instrucã̧o e treinamento; sondagem; hospedagem; fornecimento ou emissão de atestados; corretagem; aquisica̧õ de telefonia A recorrente defende a tese ampla e irrestrita do conceito de insumos, já relacionada anteriormente. Para ela, todos os servico̧s relacionados representam despesas indispensáveis ao funcionamento e consecução das atividades da empresa. No presente caso, como já abordado no item 2 deste voto (“Conceito de Insumo”) não podemos aceitar, por expressa disposição legal, que despesas administrativas e outras não relacionadas diretamente à produção sejam aproveitadas para a geração de créditos da nãocumulatividade das contribuições, previstas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de servico̧ e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de servico̧s. Registrese, ainda que, como a utilização desses créditos resulta em reduçaõ da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, devese obedecer ao comando do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), que obriga à interpretaca̧õ literal da legislacã̧o que trata dessa matéria, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos. Estando claramente delimitadas na legislação que rege a matéria as condicõ̧es a serem observadas para que os bens e serviços adquiridos possam ser considerados aptos a gerar créditos a serem deduzidos dos valores apurados mensalmente da Cofins e do PIS, cabe à autoridade administrativa, ao constatar o aproveitamento indevido de créditos não autorizados por lei, efetuar os ajustes necessários à correta determinação da contribuicã̧o a ser exigida ou do saldo de crédito a ser ressarcido. Neste aspecto, corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Discordo do entendimento da DRJ de que o conceito de insumo fica restrito àqueles bens e serviços que foram diretamente empregados na industrialização. Entretanto, como o Contribuinte não cuida em seu recurso de forma individualizada dos serviços, sem demonstrar e comprovar a sua essencialidade no seu processo produtivo, fica prejudicada a análise necessária para o afastamento da glosa e a concessão do crédito pleiteado. Como visto acima, o Contribuinte se refere a esta questão, dos diversos serviços utilizados como insumos em dois parágrafos apenas. Com isso, voto por negar provimento neste ponto. 7) Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos Como disciplina a legislação, art. 3º, IV, da Lei nº 10637/2002, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 914 34 equipamentos que foram pagos a pessoa jurídica e que foram utilizados nas atividades da empresa. Foram glosados os valores referentes a estes itens sob alegação de que não ficou demonstrado que estes sejam empregados nas atividades produtivas do Contribuinte. Assim, argumenta e requer: 106. Ora, conforme alhures exposto, todas as despesas inerentes a Atividade da empresa são passíveis de tomada de crédito pela empresa, eis que indispensáveis a consecução se seu objeto social, conforme se depreende de julgados das delegacias regionais de julgamento e do CARF: (...) 107. Ora, tratandose de empresa multinacional líder no setor, a quantidade de bens e serviços necessários a consecução de suas atividades engloba pesado maquinário necessário ao carregamento, embalagem, transporte e diversos seguimentos os quais a mão de obra necessita auxílio. 108. No presente caso, conforme se verifica dos processos de industrializacã̧o acostados aos autos, todas as despesas com maquinários, sejam eles veículos de carga, de levantamento de peso, de transporte de mercadorias etc, devem ser passíveis de creditamento. (...) 110. Com efeito, denotase que são imprescindíveis os alugueres de equipamentos e máquinas, em todas as suas formas, meios e tamanhos para consecução dos objetos da Recorrente, de modo que todos devem ser passíveis de crédito das contribuições ao PIS e a COFINS. Em que pese os argumentos do Contribuinte de que todas as despesas inerentes a atividade da empresa são passíveis de tomada de crédito, incluído todos os aluguéis de equipamentos e máquinas, há que se comprovar, por quem alega a existência do direito creditório, de que essas despesas são de itens essenciais nas atividades produtivas. No recurso o que fica claro é o entendimento do Contribuinte de que são todas as despesas passíveis de tomada de crédito, mas não consta, inclusive quando do recurso, de que forma essas despesas se justificam no processo produtivo e também as não comprova. Neste sentido entendo correta a glosa efetuada e cito trechos do acórdão ora recorrido para fundamentar tal possição: 8. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Neste item a autoridade fiscal glosou despesas com aluguéis de máquinas e equipamento por não se enquadrarem no conceito previsto na legislacã̧o, e também os casos em que não foi documentalmente comprovada a despesa informada. A seguir as inconsistências detectadas pela fiscalização: a) Álvaro Antônio Esteves ME CNPJ 02.065.523/000141. JN Locação de Munck CNPJ 12.810.098/000121 e Cesar Transportes, Guindastes e Equipamentos Ltda CNPJ 00.148.726/000338: locacã̧o de Munck ou Guindaste. A descrição dos itens glosados não demonstra que estes sejam empregados em qualquer das atividade normalmente desenvolvidas pela empresa, sejam produtivas ou não; podendo remetera alguma atividade não rotineira da empresa, eventualmente aplicada na montagem de alguma instalação ou equipamento da empresa; Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 915 35 b) Auto Peças São Lourenço de Paraguaçu Ltda CNPJ 06.198.060/000147: os recibos apenas mencionam locacã̧o de bens (não especificando qual o tipo de bem) e caminhão, para o qual não é permitido o creditamento, por tratar se veículo, não se enquadrando na hipótese de locação de máquinas e equipamentos; A empresa defende que todas as despesas glosadas são inerentes às atividades da empresa, e indispensáveis a consecuçaõ de seu objeto social, e que estaria amparada em recentes julgados do CARF. E complementa que “tratamse de toneladas de insumos que necessitam passar por diversas fases de industrialização”, sendo o maquinário indispensável ao seu processo produtivo. Como citado anteriormente, a legislaca̧õ de regência não assegura o direito de apurar crédito sobre todo e qualquer custo, despesa e encargo que venha a ser necessário às atividades da pessoa jurídica, mas apenas sobre os taxativamente discriminados nos arts. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Quanto à despesa com movimentação de cargas, o simples transporte de produtos em elaboração entre filiais, ou a alocação deste produtos no interior dos estabelecimentos, obviamente, não produzem alterações a estes produtos, impedindo que os mesmos adquiram as características necessárias para serem conceituados como insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Quanto aos itens descritos acima, não foram apresentados os documentos fiscais pertinentes (apenas recibos), ficando prejudicada qualquer análise da pertinência dos mesmos no processo produtivo. No âmbito do Código do Processo Civil (CPC), tanto o anterior (Lei n° 5.869/73) quanto o atual (Lei no 13.105/2015), encontrase no artigo 373 um importante preceito que define uma regra fundamental para a compreensão do sistema adotado pelo legislador nacional: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em se tratando de pedido de ressarcimento ou declaração de compensaca̧õ, como é o caso desses autos, cabe a empresa demonstrar cabalmente a certeza e liquidez do seu direito creditório. Visto que, apenas assim, poderia operacionalizarse a compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei no 5.172/1966). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Desta forma, o direito aos créditos da nãocumulatividade, utilizados para desconto da contribuicã̧o devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislaçaõ, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 916 36 Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Com efeito, devese salientar, ainda, que as decisões do CARF, apresentadas pela Manifestante, fazem coisa julgada administrativa entre as partes, não vinculando a Receita Federal do Brasil às decisões ali manifestadas. Os créditos das despesas pleiteadas neste item carecem de comprovação documental, além de que, não se enquadram como diretamente relacionadas à produca̧õ de bens da empresa, assim, devem ser mantidas as glosas respectivas. Com as ressalvas em relação ao conceito de insumo restritivo da DRJ, a questão é a não comprovação documental do crédito alegado, ônus do Contribuinte, voto, portanto, em negar provimento quanto as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos. 8) Da correção monetária pela mora administrativa Em relação a correção monetária incidente sobre o crédito tributário objeto de pedido de ressarcimento, devido pela mora administrativa, o Contribuinte aponta: 111. É sabido que quando se fala em ressarcimento de crédito tributário, não há previsão legal a atualização monetária do crédito, uma vez que não se trata de apropriação indevida de valores pelo Fisco, quer seja por pagamento indevido, quer seja por pagamento a maior do tributo. 112. É certo que no presente caso também não se trata de atualização do crédito a ser ressarcido pela Selic. A pretensão da Recorrente se funda na correção monetária do período relativo à demora da autoridade pública em viabilizar o ressarcimento no âmbito administrativo. 113. A Lei 11.457/2009 em seu artigo 24, fixa o prazo de 360 dias para a conclusão, com o efetivo pagamento, do procedimento administrativo, sob pena de a demora caracterizar abuso de poder. (...) 115. Dessa forma, tendo o tempo decorrido entre os protocolos de requerimento e o efetivo ressarcimento extrapolado o prazo previsto legalmente para a efetiva disponibilização do crédito à Recorrente, resta evidenciada a mora da Fazenda, modo pelo qual deve a administração pública proceder a atualização monetária e respectivo pagamento do crédito do contribuinte devidamente corrigido. Argumentos procedentes em relação a demora entre o pedido de ressarcimento e a efetiva disponibilização dos valores creditórios do Contribuinte, mas no presente caso a legislação não lhe assiste. O art. 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003 veda tal pretensão pois o crédito de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade não sofre incidência de atualização monetária. Assim dispõem: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualizaçaõ monetária ou inciden̂cia de juros sobre os respectivos valores. (...) Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 917 37 Art. 15. Aplicase à contribuicã̧o para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Assim, voto por manter a decisão ora recorrida no que tange a não incidência de atualização monetária sobre pedido de ressarcimento de crédito tributário PIS/COFINS não cumulativo. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação aplicável, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000265/2007-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO 2005 A entrega de DIRF somente estará sujeita ao pagamento de multa quando comprovado o atraso na entrega da obrigação acessória. Se o contribuinte não estava obrigado à entrega e o fez indevidamente (fora do prazo) é de cancelarse a penalidade. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 188.987, da 1a Turma da DRJ/STM, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 65 /2 00 7- 29 Fl. 40DF CARF MF 2 Notificação de Lançamento (fl 2) que exigiu o pagamento de multa por atraso na entrega da DIRF correspondente ao anocalendário de 2005.. Resumo, a seguir o relatório: Regularmente intimado da exação (tempestividade, fl. 22), mas irresignado, o interessado formulou a reclamação da(s) fl(s). 1, subscrita por representante legal (ata da AGO nas fl. 3) e instruída com os documentos das fls. 4 a 19. Em síntese, alega que, pretendendo entregar a DIRF referente ao AC2004, em 23/08/2007, equivocadamente, apresentou a DIRF 2006, referente ao AC2005. Esclarece que, na mesma data, retificou a referida declaração, anulando os seus valores, e apresentou outra, desta feita referindose ao AC correto. A recorrente foi cientificada da decisão em 28/07/2008 (fl 31) e apresentou o seu recurso voluntário em 08/08/2008 (fl 32). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ, decidiu que: Constatase que, efetivamente, o caso concreto se subsume ao disposto no inc. II do § 30 do art. 1° (IN 197/2002), acima transcrito (omiti), vez que está cabalmente comprovado, o autuado é optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Tratase, portanto de caso de aplicação da multa mínima de R$ 500,00. Além disso, o autuado faz jus redução de 50% da penalidade, direito já reconhecido no Auto de Infração. 3.3 O conjunto probatório é suficiente para corroborar a alegação de erro na apresentação da DIRF/2006 (AC2005). Todavia, mesmo que se releve tal erro, e se considere que, materialmente, a declaração apresentada se referia ao AC 2004, o atraso no cumprimento da obrigação acessória não desaparecerá. Ao contrário, o atraso, que é de 18 meses, passará a ser ainda maior (30 meses), já que o prazo de entrega da DIRF/2005, AC2004, expirou em 28/02/2005. (grifei) A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: A recorrente, em seu recurso, apresenta uma preliminar que se confunde com a descrição dos fatos. No mérito, solicita que este CARF proceda ao cancelamento da DIRF do anocalendário de 2006, pois teria sido indevida, posto que não obrigada a tal obrigação acessória, naquele período, conforme resumo a seguir: Parece que não ficou claro de que não estamos questionando a DIRF 2005 (ano calendário 2004), pois a mesma era devida e a respectiva multa já foi paga. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13052.000265/200729 Acórdão n.º 1001001.314 S1C0T1 Fl. 3 3 O que estamos SOLICITANDO é o CANCELAMENTO DA DIRF 2006 (ano calendário 2005) E DA MULTA ORIGINARIA, POIS A EMPRESA NÃO ESTAVA OBRIGADA A ENTREGÁLA. A DRJ admite que o conjunto probatório é suficiente para corroborar a alegação de erro, conforme reproduzo (novamente): 3.3 O conjunto probatório é suficiente para corroborar a alegação de erro na apresentação da DIRF/2006 (AC2005). Todavia, mesmo que se releve tal erro, e se considere que, materialmente, a declaração apresentada se referia ao AC 2004, o atraso no cumprimento da obrigação acessória não desaparecerá. Ao contrário, o atraso, que é de 18 meses, passará a ser ainda maior (30 meses), já que o prazo de entrega da DIRF/2005, AC2004, expirou em 28/02/2005. Vêse que a DRJ acabou por se confundir. A multa por atraso na entrega da DIRF do anocalendário 2004 foi paga, conforme comprovado pelo documento à fl 33. Portanto, se houve erro na apresentação, pareceme ser a multa, de fato, indevida. Assim, voto por dar provimento ao recurso, cancelandose a multa por atraso na entrega da DIRF. O cancelamento da DIRF é da responsabilidade da Unidade de Origem e não deste CARF. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 42DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720075/2017-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
DECADÊNCIA.
A o termo inicial para contagem da decadência é o do pagamento e não da provisão do pagamento da participação nos lucros e resultados ou da participação estatutária de administradores. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária.
PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores pagos pela empresa aos administradores, sob a denominação Participação Estatutária integra o salário de contribuição e compõe a base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, pois não se enquadra nas hipóteses excluídas da tributação pela Legislação Previdenciária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS.
Integra o salário de contribuição o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 2201-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 07 de maio de 2019, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, em votação realizada na sessão de 04 de junho de 2019, decidiu-se, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões, quanto ao mérito, o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Houve alteração na composição do colegiado nas sessões de julgamento em que foram analisadas a preliminar de decadência e o mérito do recurso voluntário. Na votação levada a termo em 04 de junho de 2019, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II RICARF, manteve-se o voto proferido, em 07 de maio de 2019, pela Conselheira Fernanda Melo Leal, que participou daquele julgamento na condição de suplente convocada. Assim, quanto à questão preliminar, não votou, na sessão de 04 de junho de 2019, o Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernanda Melo Leal (Suplente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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A o termo inicial para contagem da decadência é o do pagamento e não da provisão do pagamento da participação nos lucros e resultados ou da participação estatutária de administradores. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos administradores, sob a denominação “Participação Estatutária” integra o salário de contribuição e compõe a base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, pois não se enquadra nas hipóteses excluídas da tributação pela Legislação Previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. Integra o salário de contribuição o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 07 de maio de 2019, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, em votação realizada na sessão de 04 de junho de 2019, decidiu-se, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões, quanto ao mérito, o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Houve alteração na composição do colegiado nas sessões de julgamento em que foram analisadas a preliminar de decadência e o mérito do recurso voluntário. Na votação levada a termo em 04 de junho de 2019, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 75 /2 01 7- 14 Fl. 2658DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 RICARF, manteve-se o voto proferido, em 07 de maio de 2019, pela Conselheira Fernanda Melo Leal, que participou daquele julgamento na condição de suplente convocada. Assim, quanto à questão preliminar, não votou, na sessão de 04 de junho de 2019, o Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernanda Melo Leal (Suplente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 1210/1231 de decisão de fls. 1798/1821 que manteve o Auto de Infração lavrado. Peço a vênia para transcrever parte do relatório produzido pela decisão recorrida. No Relatório Fiscal (fls. 140/246), a autoridade lançadora presta informações acerca da ação fiscal, bem assim no tocante à lavratura dos autos de infração supra-referidos. Em tal relatório é esclarecido que: A sociedade CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A, com sede na cidade de São Paulo, tem como objeto social a "prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento), inclusive de câmbio e de comércio exterior, de acordo com as disposições legais e regulamentares aplicáveis", conforme definido no Capítulo II, artigo 4° - Objeto Social - do seu Estatuto Social. É sociedade por ações, regida pelas disposições da Lei n° 6.404/76. Período do lançamento do crédito: Participação nos Lucros dos Administradores - abril de 2012; Participação nos Lucros dos Empregados - fevereiro a dezembro de 2012; Diferença de Contribuições relativas ao RAT ajustado pelo FAP - janeiro a dezembro de 2012. Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas: (i) As remunerações pagas aos Administradores a título de Participação nos Lucros (Participação Estatutária), sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias; Fl. 2659DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 (ii) As remunerações aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros dos Empregados, pagas em desacordo com a legislação específica, sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias; (iii) As remunerações pagas aos empregados durante o exercício de 2012, sobre as quais não foram recolhidas, de forma completa, as Contribuições relativas ao RAT ajustado pelo FAP. A autoridade fiscal prossegue no relato dos fatos, detalhando cada fato gerador da obrigação tributária. Da participação nos lucros dos administradores (estatutária) Narra que a sociedade é administrada por um Conselho de Administração e uma Diretoria, conforme disposto no Estatuto Social. Por ser uma sociedade anônima, paga participação nos lucros aos diretores com base na Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações. Na referida lei há dispositivo que faculta à Companhia que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro líquido e o atribuir aos acionistas, pagar participação nos lucros aos administradores, desde que observado o limite. Todavia, não desvincula da remuneração tal verba e não cita que sobre ela não haverá incidência de contribuição previdenciária, pois não é o diploma legal que regulamentou a CF/88 e a Lei n° 8.212/91 no tocante à participação nos lucros ou resultados. No curso da auditoria fiscal realizada, foi constatado que o contribuinte efetuou pagamentos a seus Administradores sob o título de "Participação Estatutária". Todavia, referidos pagamentos devem sofrer a incidência das contribuições previdenciárias correspondentes porque: A MP n° 794/94, convertida na Lei n° 10.101/00, desvinculou da remuneração, não integrando o salário de contribuição, a participação nos lucros ou resultados recebida somente pelos segurados empregados. Sendo assim, sobre a participação paga aos diretores não empregados e aos membros do conselho de administração (segurados contribuintes individuais) incide contribuição previdenciária. Então, a participação nos lucros paga aos Administradores nos moldes previstos na Lei n° 6.404/76 integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Acosta precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que se subsumem a sua argumentação. Da participação nos lucros ou resultados dos empregados Quanto à participação nos lucros ou resultados dos empregados da sociedade, é regida por diferentes instrumentos, a saber: Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos e Acordos Coletivos de Trabalho de Participação nos Resultados. As Convenções Coletivas de Trabalho foram celebradas entre os Sindicatos dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, representados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - CONTRAF e a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN) e demais Sindicatos dos Bancos. Os Acordos Coletivos de Trabalho para Regulamentar o Programa de Participação nos Resultados (PPR), complementar à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) prevista na Convenção Coletiva da categoria bancária foram Fl. 2660DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 celebrados entre CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo/CONTEC - Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito. A autoridade fiscal faz um extenso arrazoado sobre a participação nos lucros ou resultados dos empregados da impugnante à luz das convenções/acordos e legislação de regência. Traça um breve histórico da participação nos lucros ou resultados da empresa no arcabouço legal brasileiro. Junta precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e doutrinadores que corroboram com a sua linha argumentativa, quando defende o procedimento adequado para que a participação não integre o salário de contribuição, conforme excerto do Relatório Fiscal, verbis: A participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o salário de contribuição se realizada na forma da lei específica. Nesse sentido, dispõe a alínea "j", do § 9°, do art. 28, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, deve a empresa cumprir as exigências da lei específica, que no caso é a Lei n° 10.101/2000, sendo a observância dos requisitos da lei indispensável para a caracterização da participação nos lucros ou resultados como parcela desvinculada da remuneração. Após analisar a farta documentação apresentada pela empresa, aponta que: Pelo fato de os pagamentos da PLR/PPR, das suas antecipações e de seus adicionais terem sido realizados em desacordo com a legislação vigente (Lei n° 8.212/91 e Lei n° 10.101/2000), conforme explicado neste Relatório Fiscal, devem, sobre os respectivos valores, incidir as contribuições previdenciárias e as contribuições sociais destinadas aos terceiros (INCRA e Salário Educação). Em resumo, foram descumpridos os seguintes aspectos legais: - Existência de Instrumentos Concomitantes para o Pagamento da PLR/PPR; - Ausência de regras claras e objetivas; - Ausência de incentivo à produtividade (previsão de trabalhos rotineiros, inerentes ao contrato de trabalho); - Retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR. Da contribuição relativa ao RAT ajustada pelo FAP A autoridade lançadora faz um extenso relato sobre a legislação que rege o RAT e o FAP e aponta que "para o exercício de 2012, o FAP atribuído ao CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A, foi de 0,8010. Desta feita, seu RAT Ajustado é igual a sua alíquota básica RAT, qual seja 3%, multiplicada pelo FAP, isto é, 3% x 0,8010, resultando em 2,4030% (alíquota final RAT a ser observada no exercício de 2012)". No entanto, "entre janeiro e dezembro de 2012, incluindo o 13° salário, o CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A declara em GFIP a alíquota básica RAT de 3% e FAP de 0,79, ou seja, um RAT Ajustado de 2,3700%". Relata que a autuada foi questionada em relação ao FAP utilizado no exercício de 2012 a qual respondeu que protocolizou "Formulário de Contestação Online do FAP em 30/11/2011, cujo indeferimento foi publicado somente no Diário Oficial da União de 13/12/2013, portanto em data posterior aos fatos geradores do ano de 2012". Fl. 2661DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Considerando o indeferimento total da contestação, foram lançadas as diferenças de contribuições sociais resultantes da aplicação das alíquotas de 2,4030% e 2,3700% incidentes sobre as remunerações dos empregados que prestaram serviços junto ao CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A durante exercício de 2012. O autuado foi cientificado do AI, em 31 de janeiro de 2017, pessoalmente (fls. 1648/1649). Impugnação O autuado foi cientificado do AI e apresentou impugnação (fls. 1658/1709) alegando, em apertada síntese, o que se relata a seguir. Em sua defesa, inicia com um resumo dos fatos e aponta a tempestividade da peça impugnatória. Na sequência informa que realizou o pagamento da diferença de GILRAT decorrente do indeferimento de Contestação Online do FAP relativa ao exercício de 2012, posto que efetivamente devida tal exigência e destaca que discutirá apenas as exigências decorrentes do pagamento de PPR/PLR no ano de 2012 supostamente em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, que no entender da autoridade fiscal autorizaria o lançamento das contribuições sociais, contribuições a terceiros (INCRA e salário-educação) e GILRAT. Preliminar Da ocorrência de decadência Alega que há questão prejudicial a ser enfrentada antes de se adentrar o mérito da obediência ou não do PPR/PLR em questão à legislação, de modo a afastar a incidência das contribuições previdenciárias: a decadência do PPR/PLR devido em 31/12/2011, mas pago somente no ano de 2012. Traz textos legais e argumenta que deles é possível extrair que o momento de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias em relação ao segurado empregado ou a trabalhador avulso em decorrência da prestação de serviço, é no mês em que for paga, DEVIDA ou creditada a remuneração, o que ocorre primeiro. Acosta Soluções de Consulta da Cosit que corroboram com sua linha argumentativa. Então, "devido o PPR/PLR do ano de 2011 em 31/12/2011; o 1° dia do exercício subsequente para fins do art. 173, Inciso I, do CTN, foi o dia 1°/01/2012, de maneira que a D. Autoridade Fiscal teria até 31/12/2016 para promover o lançamento de ofício contra a Impugnante". E assevera que a notificação de lançamento ocorreu no dia 01/02/2017 (sic), por conseguinte as contribuições sociais devidas desde 31/12/2011 estão alcançadas pela decadência. Mérito Da participação nos lucros e resultados No mérito, inicia a defesa dizendo que, a fim de impugnar os pontos específicos que a autoridade fiscal afirma que teriam sido violados, tecerá alguns comentários gerais sobre a legislação aplicável ao PPR/PLR e o seu tratamento tributário. Assevera que, com isso: Irá demonstrar que (i) a participação nos lucros ou resultados da empresa é um direito assegurado constitucionalmente a todos tipos de trabalhadores, Fl. 2662DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 inclusive os empregados e os contribuintes individuais; (ii) essa participação é regulamentada pela Lei n° 10.101/2000 em respeito aos empregados, e pela Lei das S.A. em respeito aos administradores da empresa (contribuintes individuais); (iii) a legislação previdenciária assegura a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as participações de lucros ou resultados de todas as classes de trabalhadores, inclusive empregados e contribuintes individuais; e, por consequência, o Auto de Infração apurado sobre tais ganhos deve ser anulado. Da participação nos lucros dos administradores Defende que a participação nos lucros e resultados é um direito garantido constitucionalmente aos trabalhadores em sentido amplo (empregados e contribuintes individuais) já que ambos igualmente contribuem para o alcance dos objetivos definidos pela empresa. Tais valores são desvinculados da remuneração quando pagos ou creditados de acordo com lei específica que vier a regulamentar a referida participação. Relata que a participação do PPR/PLR ocorreu inicialmente por meio da Medida Provisória nº 794/94, reeditada várias vezes até a sua conversão na Lei nº 10.101/2000 e deverá será objeto de negociação entre a empresa e seus trabalhadores (empregados ou administradores), registrado em documento que traz as regras sobre a participação. Aduz que o entendimento da fiscalização quanto ao oferecimento à tributação da participação auferida pelos administradores amesquinha o conceito de trabalhador previsto na Constituição Federal posto que o conceito de trabalhador deve ser interpretado de forma mais ampla e comum possível, "de modo a abranger todos aqueles que vivem do trabalho, incluídos os administradores". Defende que, no caso dos administradores, a lei específica mencionada no art. 28, § 9º, alínea "j" da Lei 8.212/911 é a Lei 6.404/76, a Lei das S/A. Destaca que: Por isso, é irrelevante o fato do administrador ou membro do conselho de administração da sociedade ser enquadrado na categoria de contribuinte individual. O fato é que o trabalhador recebe, sob a ótica da legislação cível, uma participação nos lucros; não se trata de remuneração pelo trabalho, mas pelo resultado que ele gerou. Traz doutrina e precedentes do CARF que se subsumem à sua linha argumentativa. Prossegue, dizendo que: A interpretação que fundamenta o lançamento ora atacado, viola de maneira frontal o disposto no artigo 110 do CTN2, na medida em que pretende alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressamente no inciso XI, do artigo 7° da Constituição Federal, com o intuito de definir competência e exigir a contribuição previdenciária ora impugnada. Ato contínuo, defende que, caso se conclua pela incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros e resultados, a despesa efetuada será dedutível na determinação do lucro real, já que: A Impugnante entende que os pagamentos têm a natureza jurídica de PLR e, por isso, considerou-os indedutíveis da base de cálculo do IRPJ; porém, Fl. 2663DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 passará a considerá-los dedutíveis, na hipótese de prevalecer a tese segundo a qual tais pagamentos teriam a natureza jurídica de remuneração pelo trabalho. Da participação nos lucros dos empregados Relata que a autoridade fiscal apontou que o autuado teria descumprido os seguintes preceitos legais: existência de instrumentos concomitantes para pagamento de PLR/PPR; ausência de regras claras e objetivas no PPR/PLR; ausência de incentivo à produtividade (previsão de trabalhos rotineiros, inerentes ao contrato de trabalho) nos instrumentos de PPR/PLR e retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento de PLR/PPR. Em relação ao primeiro preceito - existência de instrumentos concomitantes para pagamento de PLR/PPR -, defende que "não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, não podendo o PPR/PLR ser desconsiderado o pagamento de PLR/PPR baseado em mais de um instrumento, e exigência de cumprimento do quórum do art. 612 da CLT para aprovação do Acordo Coletivo". Em relação à vigência futura do PPR/PLR, sustenta que "o instrumento de negociação foi celebrado em ano anterior ao ano de 2012, não havendo que se falar em desvirtuamento da rubrica pela vigência retroativa, ou pagamento de remuneração mascarado de PPR/PLR". Quanto à ausência de regras claras e objetivas, diz que a PPR sempre se vincula a metas e objetivos concretos, não se relaciona com o lucro da empresa. Assim, mesmo apurando prejuízo, se a meta for atingida o empregado terá a sua remuneração no resultado alcançado. Destaca que "não assiste qualquer razão à D. Autoridade Fiscal ao pretender descaracterizar o pagamento do PPR em questão, pois não está condicionado ao lucro da empresa, mas ao cumprimento de meta". Aduz que, existindo previsão de pagamento de valor fixo vinculado ao atendimento de meta, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o PPR. Quanto à remuneração dos executivos (gerentes comercial, superintendente de agência, superintendente regional e executivo regional) que ocorreria de forma totalmente discricionária, supostamente a critério da diretoria estatutária do banco, destaca que é necessário estabelecer a premissa de que a presente discussão se restringe aos cargos em comento, excluindo-se os demais funcionários. Defende que a fiscalização quer tomar parte pelo todo a fim de desqualificar todo o PPR/PLR. Argumenta que na lei não há regras detalhadas sobre os critérios e as características dos acordos celebrados. Ademais, havendo concordância quanto aos métodos de aferição entre a classe de trabalhadores não pode a fiscalização interferir na livre negociação das partes. E "ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas por amor ao argumento, devem-se baixar os autos em diligência para segregar os valores pagos com base na avaliação, dos pagamentos feitos com base na avaliação objetiva prevista na Cláusula 3.1.2 do Anexo I". Da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Aduz que "nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias". Então, em sendo mantido o lançamento combatido, não há que se admitir a incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício. Do pedido Fl. 2664DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Ao final, requer que seja julgada procedente sua impugnação para o fim de considerar totalmente legítimo o PPR/PLR do impugnante, determinando-se o cancelamento dos autos de Infração. Alternativamente, pede que se considere decaídos os pagamentos devidos em 31/12/2011, ainda que pagos ao longo do ano deu 2012 e na "remota hipótese de as verbas pagas aos administradores serem consideradas remuneração (caráter contraprestacional), que esses pagamentos sejam declarados dedutíveis da base de cálculo do IRPJ". Por fim, "caso se entenda procedente a autuação em relação ao PPR/PLR pago no ano de 2012 aos ocupantes dos cargos de gerente comercial, superintendente de agência, superintendente regional e executivo regional, requer-se sejam baixados os autos em diligência para segregar os valores pagos com base na avaliação, dos pagamentos eitos com base na avaliação objetiva prevista na Cláusula 3.1.2 do Anexo I, do Acordo Coletivo". Foi proferida decisão de fls. 1798/1181. Da Decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS) Sobreveio acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), que manteve a autuação tal como lavrada, conforme se constata da ementa abaixo transcrita (fls. 1798/1799): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A rubrica paga pela empresa aos administradores, sob a denominação “Participação Estatutária” integra o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, uma vez que não está incluída nas hipóteses liberadas de tributação pela Legislação Previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DILIGÊNCIA. A diligência requerida pela impugnante pode ser indeferida pela autoridade julgadora se esta considerá-la desnecessária, por constarem dos autos os elementos suficientes para a análise conclusiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2665DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário fls. 1883/1919, praticamente repetindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. Após a apresentação do Recurso Voluntário a Recorrente apresentou laudo pericial contábil a fim de demonstrar a procedência de seus pedidos fls. 1971/2010. O presente processo foi distribuído a este Relator em sessão pública. Na sessão de julgamento do dia 7 de maio do ano corrente, constou em ata a seguinte decisão: Vista para o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, relator, votou por rejeitar a preliminar de decadência, no que foi acompanhado pela unanimidade da Turma. No mérito, votou por negar provimento ao recurso voluntário. Não votaram, no mérito, os demais conselheiros. Através de petição datada de 31 de maio deste ano, o recorrente junta memoriais reforçando a questão da decadência (fls. 2645/2649) e junta ainda, solução de consulta COSIT nº 250 de 23 de maio de 2017 (fls. 2651/2657), na tentativa de ver reconhecida a decadência. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Da Decadência O Recorrente alega que as contribuições sociais em discussão nos presentes autos estariam decaídas, tendo em vista que o PPR/PLR devido em 31/12/2011, pago em 2012 e por isso, o lançamento deveria ter sido feito até 31/12/2016. Ainda de acordo com o Recorrente, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial Apesar de alegar decadência de parte do crédito, esta alegação não merece prosperar, isso porque, como alega, se de fato fosse um plano para pagamento de PLR efetivo, tivemos a celebração do Acordo Coletivo em 19/11/2011, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2011 e término em 31 de dezembro de 2011. Conforme restou alegado pela Recorrente, os valores que eram devidos desde 31/12/2011 ter-se-ia extinto o direito do Fisco de constituir o crédito tributário em 31/12/2016. Fl. 2666DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 De acordo com suas alegações, a decadência, seria contada a partir do momento em que reconhecida a despesa, nos termos do disposto na a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que estabelece: Art. 52. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I - em relação ao segurado: a) empregado e trabalhador avulso, quando for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, quando do pagamento ou crédito da última parcela do décimo terceiro salário, observado o disposto nos arts. 96 e 97, e no mês a que se referirem as férias, mesmo quando recebidas antecipadamente na forma da legislação trabalhista; b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; [...] III - em relação à empresa: a) no mês em que for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, a segurado empregado ou a trabalhador avulso em decorrência da prestação de serviço; § 2º Para os órgãos do Poder Público considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa. Ocorre que, o disposto no parágrafo 2º da Instrução Normativa nº 971/2009 é norma específica para os órgãos do Poder Público e não se aplica às instituições privadas. Tanto é assim, que as soluções de consulta COSIT (nº 9/2016 e 250/2017) mencionadas, são específicas para os órgãos do Poder Público. Apesar de haver tais dispositivos, a melhor interpretação, a meu ver é a de que o prazo inicial da decadência é o do pagamento e assim, se interpreta as normas que dispõem sobre as contribuições previdenciárias, no âmbito das pessoas jurídicas privadas. Sendo assim, não há que se falar em decadência. Valores pagos a diretores a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR Com relação a este ponto, trago à baila, trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, a quem rendo homenagens, no acórdão de nº 2201-004.404, julgado em 17/05/2018, nos autos do processo nº16539.720002/2017-37: Sustenta o recorrente que o dispositivo constitucional que trata de PLR não limita tais valores aos empregados, já que prevê que a benesse alcança os trabalhadores em geral. Afirma que, ao contrário das conclusões da Autoridade fiscal, a não aplicabilidade da Lei nº 10.101/00 aos lucros e resultados pagos a diretores não empregados e/ou administradores em razão de preceito específico contido na Lei 6.404/76, leva à consequência de incidir tributação previdenciária sobre uma base fora do campo de incidência, por não ser rendimento decorrente do trabalho. Fl. 2667DF CARF MF https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/ Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Não sendo este o entendimento, ainda assim não haveria incidência de tributação, já que se trata de valor pago de forma eventual. Ora, o que está em debate no presente tema é a velha discussão sobre a incidência da contribuição previdenciárias sobre a Participação no Lucros concedida a administradores. Há quem entenda, por questões de isonomia, que não. Afinal, o administrador seria uma espécie do gênero trabalhador. Há quem entenda que sim, em razão da existência de regramento próprio para tais profissionais. Sobre o tema, relevante tratarmos da legislação correlata: A Lei 8.212/91 Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, a alínea J do art. 28 limita a exceção à previsão em lei específica, que, neste caso, é a Lei 10.101, de 19/12/2000, que regula o disposto no art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, assim dispondo: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2 º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) Art. 3 º A participação de que trata o art. 2 o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Pela leitura dos excertos acima, constata-se que a exclusão do conceito de salário de contribuição alcança apenas aqueles que mantenham vinculo de emprego com a empresa, não beneficiando os contribuintes individuais. Por outro lado, a Lei 6.404/76, lei das sociedades por ações, assim dispõe: Art. 152. A assembléia-geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Fl. 2668DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Assim, vê-se que os administradores têm suas possibilidade de participação nos lucros definidas em lei específica para as sociedades por ações e para a sua condição de dirigente da instituição. Desta forma, estender aos administradores o benefício da Lei 10.101/2000, ao contrário de impor algum tratamento igualitário, importaria a criação de tratamento ainda mais desigual, pois os empregados não têm direito à participação nos lucros ou as benesses contidas no art. 152 da 6.404/76. Ademais, dar a estes profissionais a possibilidade de definir, sem qualquer controle prático, aquilo que terão direito de receber a título de PLR, seria extirpar a força normativa e reconhecer sem qualquer utilidade os termos e limitações estabelecidos pelo art. 152 da Lei das SA, que visa, em particular, proteger os acionistas da empresa e o interesse público, representado pela estabilidade e confiança do mercado de capitais, um dos pilares da economia do país. Ainda, com relação à alegada legitimação da desoneração da participação nos lucros com base na Lei 6.404, a lei específica mencionada na Constituição e na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212 é unicamente a Lei 10.101, que tratou, efetivamente, com especialidade própria acerca da participação nos lucros e resultados, exigindo prévia negociação, não podendo ser invocar o art. 152, § 1.º, da Lei das S/A. Aliás, a Lei 6.404 trata com especialidade acerca das Sociedades por Ações não tendo viés previdenciário ou trabalhista. Deveras, a meu ver a natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, da Lei 6.404, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos trabalhadores, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses que poderiam ser conflitantes dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer prestador de serviço. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), já se debruçou sobre o assunto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. LEI 10.101/2000. 1. A jurisprudência do STJ é de que a parcela que não sofre a incidência de contribuição previdenciária, no que se refere aos valores pagos a título de participação nos lucros, é aquela paga nos moldes da Lei 10.101/2000. Nesse sentido: REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 19/12/2011. 2. Na jurisprudência invocada para rejeitar a pretensão da empresa, o voto condutor do acórdão hostilizado afirma que o simples pagamento de parcela remuneratória, em favor de diretores estatutários, de parcela denominada "participação nos lucros", feito nos termos do art. 152 da Lei 6.404/1976, é insuficiente para comprovar que a empresa tenha adotado uma política efetiva de implantação de participação nos lucros por parte de todos os seus empregados, o que somente poderia ser feito mediante o regime instituído pela Lei 10.101/2000. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1.650.783/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 19/12/2017) Fl. 2669DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 No caso, não merece reparos a decisão de piso, quanto a este ponto. Pagamento de PLR Melhor sorte não assiste à Recorrente quanto a este tópico, uma vez que, para fazer jus à isenção quanto a este pagamento, deveria cumprir à risca o que determina a Lei nº 10.101/2000. Vejamos o que dispõe a Lei nº 10.101/2000: Art. 2 o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II - convenção ou acordo coletivo. § 1 o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2 o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Analisando-se a Convenção Coletiva de Trabalho 2010/2010 (fls. 567/589) nota- se apenas a previsão de ajuste e implementação de PLR até 1º de setembro de 2010 (fl. 571). Por outro lado, mencionada convenção coletiva não cumpriu com os requisitos da legislação, quais sejam: - ser um instrumento de integração entre capital e trabalho; - servir como incentivo à produtividade; - ter regras claras e objetivas, podendo ser considerados como critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, b) programa de metas, resultados e prazos previamente pactuados; c) não constitui base para qualquer encargo trabalhista ou previdenciário; e d) a periodicidade do pagamento não poderá ser inferior a um semestre. Em outros termos, conforme trabalho feito pela autoridade lançadora, que analisou exaustivamente a documentação que teria sido utilizada como base para o pagamento da participação nos lucros ou resultados" e as conclusões e apontamento foram relatados Fl. 2670DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12832.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12832.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12832.htm#art3 Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 minuciosamente, nos itens 7 e 8 do do Relatório Fiscal (fls. 150/213). Em resumo, aduz que foram descumpridos os seguintes aspectos legais: - Existência de Instrumentos Concomitantes para o Pagamento da PLR/PPR; - Ausência de regras claras e objetivas; - Ausência de incentivo à produtividade (previsão de trabalhos rotineiros, inerentes ao contrato de trabalho); - Retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR. Cotejando o que fora relatado pela autoridade fiscal (itens 7 e 8 do Relatório Fiscal - fls. 150/213) e as contrarrazões apresentadas pela impugnante (item III.3 da Impugnação - fls. 1.688/1.706), por maior esforço que a defesa faça para defender a legitimidade dos documentos/procedimentos, resta evidente que os valores pagos ou creditados, pela impugnante, a título de PLR, aos segurados empregados a seu serviço, foram efetuados em desacordo com a Lei n.º 10.101, de 2000. Veja-se: Existência de Instrumentos Concomitantes para o Pagamento da PLR/PPR A autuada utiliza-se de instrumentos concomitantes para pagamento da participação sobre lucros ou resultados e faz a leitura da lei específica de forma diversa àquela da fiscalização. No entanto, a interpretação da lei é literal, já que se trata de outorga de isenção tributária6. O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 não admite pluralidade de procedimentos para fins de negociação entre as partes no tocante à participação, mas a eleição de apenas um entre aqueles nela previstos. Ausência de regras claras e objetivas e ausência de incentivo à produtividade a fiscalização aponta que: Os acordos utilizados não incentivam a produtividade, vez que não preveem regras claras e objetivas para o pagamento da participação, as metas a serem atingidas pelos beneficiários, nem seus mecanismos de aferição e critérios de avaliação, além de estabelecerem a existência de uma parcela mínima obrigatória de PLR de igual valor para todos os empregados e sem relação com qualquer plano de metas. Os objetivos são compostos de encargos regulares decorrentes dos contratos de trabalho, não contendo a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores, sendo ainda de caráter subjetivo em alguns casos. Ademais, os mecanismos de aferição e critérios de avaliação, encontrados somente nas Avaliações de Desempenho e não nos Acordos de PLR, apresentam caráter eminentemente subjetivo. A defesa diz que o PPR "sempre se vincula a metas e objetivos concretos, não se relacionando com o lucro da empresa", "não está condicionado ao lucro da empresa, mas ao cumprimento de meta". Também, reduz parte da discussão aos cargos dos executivos. Ora, satisfeito o seu conceito jurídico, a PLR deve ser um recurso extra que é pago ao empregado em virtude da obtenção de um ganho de produtividade que empregador e empregado, previamente, se comprometeram a alcançar. No entanto, a tal PLR promovida pela autuada coaduna-se como reposição do valor real do salário, ou parte dele, ao não cumprimento dos encargos sociais correspondentes, já que nos documentos apresentados pela impugnante não constam quaisquer regras objetivas para o atingimento de metas de produtividade de modo a ensejar o pagamento da PLR disciplinada na forma da Fl. 2671DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Lei n.º 10.101, de 2000, e muito menos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do que foi acordado. Retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR A fiscalização demonstra cabalmente que os instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR do ano-calendário 2011 são retroativos. Os Acordos Coletivos foram celebrados em 19/11/2011 com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2011 e término em 31 de dezembro de 2011. A defesa argumenta que os acordos foram assinados em ano anterior ao de 2012 e que a fiscalização pretende, na verdade, descaracterizar o PPR/PLR da impugnante do ano de 2011 para fazer incidir as contribuições previdenciárias já decaídas desde 01/01/2017. No entanto, a defesa equivoca-se. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito, para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2º da Lei nº 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. Além disso, veja-se que a Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2011 juntada às fls. 342/350 não tem valor jurídico, já que não foi assinada por nenhuma das partes. Pelo exposto, tais verbas não aproveitam a isenção estabelecida no parágrafo 9.º, alínea “j”, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, integrando a base de cálculo (salário de- contribuição) das contribuições previdenciárias patronais, objeto do presente lançamento. Quanto ao pedido de diligência, entendo esta desnecessária para a resolução da lide, já que se mantém como fatos geradores a totalidade dos valores pagos a título participação nos lucros ou resultados dos empregados, o que faço com supedâneo no artigo 187 do Decreto 70.235, de 1972. Sendo assim, não há que se falar em preenchimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000, de modo que não procedem as alegações da Recorrente quanto a este ponto. Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Sustenta a Recorrente que não deveria haver a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário junto com o tributo. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito'não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário e de acordo com o CTN esse decorre da obrigação principal, na qual Fl. 2672DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, preconiza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetiva-se descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. Entretanto, esta questão já se encontra pacificada neste Egrégio Tribunal, consoante o disposto na Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão Pelos motivos expostos, rejeito a preliminar de decadência e voto por conhecer e negar provimento Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 2673DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000557/2002-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos.
LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2301-006.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 57 /2 00 2- 49 Fl. 227DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 197/221 ) interposto em face do Acórdão nº 5.116 (e-fls 176/190), prolatado pela DRJ Santa Maria, em sessão de julgamento realizada em 06 de janeiro de 2006. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida (início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 5.116/2006) O contribuinte acima qualificado foi autuado, exigindo-lhe o crédito tributário no montante de R$ 42.202,51, nele compreendidos imposto, multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano-calendário 1998, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. O autuado, às fls. 107 a 137, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 138 a 151, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Preliminarmente 1. Vício do auto de infração. O Sr. Agente Fiscal somente considerou os valores depositados na conta corrente do contribuinte para fundamentar o referido auto de infração, ignorando o fato de que a mesma conta corrente apresentava débitos, o que afasta a possibilidade de considerar todo o valor creditado na conta corrente do impugnante como renda, passível de ser tributado pelo imposto de renda. A incorreção por parte do Sr. Agente derruba a presunção de legitimidade, certeza e principalmente liquidez do auto de infração. 2. Do cerceamento do direito de defesa e da ausência dos pressupostos de validade do ato administrativo. O direito constitucional à ampla defesa do autuado restou totalmente prejudicada na autuação, pois, além de não guardar correlação lógica entre a capitulação legal, da infração e da multa, com a descrição dos fatos, não foi demonstrado inequivocamente a suposta omissão apontada, o que sem dúvida alguma prejudica a apresentação de defesa pelo contribuinte. Os artigos 9 o e 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, dispõem sobre os requisitos obrigatórios do auto de infração. Não restou provado objetivamente que os valores levantados pelo Fisco constituem suporte suficiente para a formalização do crédito tributário. Transcreve ementas de decisões de tribunais, que nulificaram o auto de infração que não preenche os seus requisitos. Conclui que o auto de infração deve ser declarado nulo. Fl. 228DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 3. Falta de fundamentação adequada - Não atenção aos preceitos da Lei n° 9.784, de 1999. A Fiscalização deixou de mencionar e mesmo de atender aos preceitos da Lei n° 9.784, de 1999, a nova lei dos procedimentos administrativos, mormente seu artigo 50, limitando-se a informar artigos do Decreto n° 70.235, de 1972. Este é mais um motivo de nulidade do AL Mérito. 1. Da inconstitucionalidade da exigência tributária com base em lançamento presuntivo. Segundo o artigo 153, III, da CF, o imposto deve incidir sobre rendas e proventos de qualquer natureza. A hipótese de incidência tributária correspondente a esse permissivo constitucional é definido pelo artigo 43 do CTN. Assim, certo é que o imposto não deve incidir sobre todos os créditos havidos na conta corrente do contribuinte, como ocorreu no presente caso, mas apenas sobre os valores decorrentes de renda e proventos. O conteúdo da hipótese de incidência é delimitado pela CF e não pode ser manipulado pelo legislador ou pelo intérprete de acordo com a sua conveniência, pois, está rigidamente traçado pelo constituinte. Não se afigura a hipótese de incidência do tributo a mera presunção de renda percebida. O ônus de provar que os rendimentos são tributáveis é somente do Fisco. Nesse sentido, como não ficou provado pela Fiscalização as supostas omissões, o AI não pode prevalecer. 2. Necessidade de apuração do resultado. A alegação de que se trata de créditos bancários não justificados não procede, haja vista que, conforme esclarecimento feito pelo impugnante, tais valores decorrem da economia de anos de trabalho conjugado com o valor oriundo da rescisão de seu contrato de trabalho. 3. Manutenção patrimonial. Não houve qualquer alteração no patrimônio do contribuinte, permanecendo o mesmo de anos atrás. Assim, ausente está o fato jurídico que enseja a incidência do imposto de renda. 4. Da multa indevida e abusiva de 75%. A multa imposta caracteriza-se abusiva e confiscatória, o que é vedado pela CF. Poderia ser aplicada a multa de 20%, prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996. O próprio CTN, artigo 106, II, c, determina a aplicação da lei que comine pena menos severa ao contribuinte. Fl. 229DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 5. Da irretroatividade do artigo 1° da Lei n° 10.174, de 2001. O disposto na Lei n° 10.174, de 2001, que permite a quebra do sigilo bancário independente de autorização judicial, não poderá, em hipótese alguma, retroagir para abarcar situação ocorrida em 1998, quando vigia lei em sentido contrário a essa. 6. Da impossibilidade de efetuar lançamento com base em depósitos bancários. Traz a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 7. Da inconstitucional quebra do sigilo bancário. O AI foi baseado em informações obtidas de forma inconstitucional, violando direito resguardado por cláusula pétrea, impossível de ser alterado, inclusive por emenda constitucional. 8. Dos juros. Não consta do auto, o percentual utilizado pelo agente para correção do crédito, muito menos seu embasamento legal, impossibilitando ao sujeito passivo exercer seu direito de defender-se. 9. Da jurisprudência. Enquanto a legislação dispensa autorização judicial para efetuar a quebra do sigilo bancário, o Supremo Tribunal Federal defende a imprescindibilidade de ordem judicial para obtenção de informações sobre a movimentação bancária. A Justiça Federal do Estado de São Paulo vem decidindo no mesmo sentido, conforme decisões que transcreve. 10. Das declarações de renda. Foi demitido em 1991, deixando de apresentar a declaração de imposto de renda, simplesmente por vislumbrar a desnecessidade, ante a inexistência de rendas. Há que se esclarecer que, atendendo à intimação da SRF, o contribuinte entregou as declarações do IR, referente aos anos 1996, 1997, 1998 e 1999. Conclusão Requer que sejam acatadas as preliminares, declarando-se a nulidade do auto de infração, ou, se superadas, seja julgado improcedente o auto de infração. (final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 5.116/2006) 3. Ao julgar a impugnação improcedente, a decisão tem a seguinte ementa: Ementa: NULIDADE. São somente duas as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal: a incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física -IRPF Fl. 230DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3 o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe apreciação na esfera administrativa da arguição de inconstitucionalidade. 4. Interposto o recurso voluntário (e-fls 197/221), após manifestar incoformismo com o teor da decisão de primeira instância, sobretudo na apreciação das questões preliminares, repisa os mesmos argumentos articulados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 5. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, CERCEAMENTO DE DEFESA E INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 6. Nesta parte da peça recursal, o Recorrente se cinge a manifestar inconformismo com a decisão de primeira instância ao apreciar as questões preliminares suscitadas ao tempo da impugnação. 7. Não assiste razão ao Recorrente. A decisão de primeira instância procedeu a correta abordagem da matéria, fundamentando a decisão no artigo 59 do Decreto 70.235/72 (e-fls 181/183). Assim, rejeitam-se as preliminares suscitadas em sede recursal. MMÉÉRRIITTOO 8. No que respeita às demais questões de mérito, não tendo sido deduzidas novas razões em sede recursal, adotam-se os fundamentos da decisão de primeira instância. (início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 5.116/2006) Preliminarmente. Nulidade do auto de infração. Fl. 231DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Sobre a nulidade do auto de infração, os incisos I e II do artigo 59 do Processo Administrativo-Fiscal, aprovado pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, dispõem: Art. 59 - São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; I I - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do texto acima reproduzido depreende-se que, no processo administrativo fiscal, o cerceamento do direito de defesa resulta de despachos e decisões. Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui o auto de infração. Após a lavratura do auto de infração e de sua ciência é aberto o prazo para o contribuinte impugnar a exigência fiscal, sendo-lhe proporcionado devidamente o contraditório e a ampla defesa, pois, é só com a impugnação do auto de infração, que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. É na fase da impugnação que o autuado tem a oportunidade de apresentar os esclarecimentos que julgar necessários e os documentos que comprovem suas alegações a fim de ser proferida, apreciando-se todos os seus argumentos e provas e, à luz da legislação tributária, o acórdão de primeira instância administrativa. No caso em tela, tendo sido facultado ao contribuinte impugnação na qual o autuado demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal e, apresenta seus argumentos de defesa, ora apreciados, não procede a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ademais, é totalmente infundada a alegação do autuado de que não há correlação lógica entre a capitulação legal e a descrição dos fatos do auto de infração, conforme se verificará na apreciação do mérito. Da mesma forma, equivocado é o argumento de que não consta do auto de infração o percentual e o embasamento legal dos juros lançados. Consta no demonstrativo de folha 102 que foi aplicado, a título de juros de mora, o percentual de 54,42%, equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC acumulada mensalmente, com base no artigo 61, § 3 o , da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto à utilização das informações obtidas por intermédio da CPMF para o lançamento de outras contribuições e impostos, para esclarecer tal matéria, vale observar o que dispõe a Lei n° 9.311, de 1996, em seu artigo 11: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § I o . No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2 o . As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações Fl. 232DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, (grifado). De acordo com o parágrafo 3 o do artigo 11, supracitado, a Secretaria da Receita Federal não poderia constituir crédito tributário relativo a outros impostos ou contribuições, com base nas informações prestadas pelas instituições responsáveis pela retenção da CPMF. Assim, qualquer constituição de crédito tributário relativa a imposto sobre a renda de pessoa física, com a utilização de dados oriundos da CPMF, seria inadmissível. Posteriormente, em 10/01/2001, a Lei n° 10.174, alterou o § 3 o do artigo 11 em análise, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. I o O art. 11 da Lei n"9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 11 (...) § 3 ° . A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e vara lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (NR) (grifos nossos). (...) Art. 2 o . Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Então, a partir de 10/01 /2001, data em que a Lei n° 10.174, de 2001, entrou em vigor, as informações relativas à movimentação financeira, obtidas por intermédio da CPMF, passaram a poder ser utilizadas na constituição de outros impostos e contribuições. O procedimento fiscal em tela iniciou-se já na vigência da mencionada lei. Inconstitucionalidade Quanto à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade, saliente-se que não são suscetíveis de apreciação na via administrativa quaisquer arguições de inconstitucionalidade de leis tributárias ou fiscais, isso porque as autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o Legislador tenha editado leis Fl. 233DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 compatíveis com a Constituição Federal. Noutras palavras, as autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário (art. 102 da Constituição Federal, de 1988). Como bem ensina Luiz Henrique Barros de Arruda, in Processo Administrativo Fiscal - Manual, 2 a edição, Editora Resenha Tributária, páginas 85 e 86, no que se refere às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade levantadas pelo interessado, tem-se que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de possíveis inconstitucionalidades ou ilegalidades das normas vigentes, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. A autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontra-se cingida aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedida de ultrapassar tais fronteiras para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em tela, uma vez que às autoridades tributárias cabe apenas cumprir e aplicar a lei. A presente autoridade julgadora, portanto, não possui a prerrogativa de pronunciar-se acerca da constitucionalidade de um dispositivo legal. Excluídos os casos em que há sentença judicial determinando a não aplicação da norma especificamente para o contribuinte, a autoridade administrativa tributária só poderá deixar de exigir o cumprimento de uma lei quando esta tiver sua aplicação suspensa por ato do Senado Federal (Constituição Federal de 1988, art. 52, X), ou quando existir ato do Secretário da Receita Federal dispensando sua aplicação, nos casos previstos pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 77, disciplinada pelo Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Os mecanismos de controle de constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. E inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois a presente autoridade julgadora não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada pela defesa, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do CTN. Mérito Transcreve-se, a seguir, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que embasou o lançamento referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, com a alteração do inciso II do § 3 o do artigo 42, dada pelo artigo 4 o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela insituição financeira. Fl. 234DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3 o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). § 4 o Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. " A lei estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5o, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, a seguir reproduzidos, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montante: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam, (grifado) Fl. 235DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividem-se em absolutas (júris et jure) e relativas {júris tantum). Denomina-se presunção júris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; diz-se que a presunção é júris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Conclui-se, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa). Caberia, portanto, ao contribuinte apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contas-correntes. Corroborando com tal entendimento, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas", JUSTEC - RJ - 1979 - pág. 806: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o falo econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não são meros indícios de omissão, razão por que não há que estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. E função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observância da legislação. A título de ilustração, transcreve-se, a seguir, jurisprudência administrativa ratificando o entendimento de que se considera ocorrida a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, pontificando que cabe ao contribuinte comprovar a origem dos referidos depósitos para afastar esta presunção legal. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Fl. 236DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 ARTIGO 42 DA LEIN°9.430, DE 1996-Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Ac. I o CC 10418307/2001) De acordo com a legislação que embasa o lançamento a título de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários não justificados, já transcrita neste acórdão, a comprovação dos depósitos bancários deve ser com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devendo ser indicada a origem de cada depósito individualmente. O autuado, quando intimado pela fiscalização, não comprovou a origem dos depósitos bancários que deram origem ao lançamento. Os elementos trazidos com a impugnação referem-se somente a notícias da imprensa sobre sigilo bancário e lançamento com base em extratos bancários. Quanto à jurisprudência administrativa, invocada pelo impugnante, transcreve- se a seguir parte do Parecer Normativo CST n° 390, de 1971, que trata da matéria: (...) 3. Necessário esclarecer, na espécie que, embora o Código Tributário Nacional, em seu artigo 100, inciso II, inclua as decisões dos órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos conselhos de contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limita-se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entenda-se aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorrea a decisão daquele colegiado. (...) Com relação à jurisprudência judicial, esclarece-se que o entendimento administrativo sobre a matéria é o supra exposto e a eficácia dos acórdãos dos tribunais limita-se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorreu o acórdão. Fl. 237DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Multa de ofício Quanto à multa de 75%, esclarece-se que essa é devida sempre que houver lançamento de ofício, conforme o que estabelece o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1 " A s multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; I I I - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8 o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; I V - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2 o , que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; V - isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...) O princípio da vedação da utilização de tributo com efeito de confisco se dirige ao legislador, que deve observá-lo na feitura das leis. Não viola referido princípio a aplicação de leis cuja constitucionalidade não foi recusada. O conceito de confisco está previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. Aceitar discutir se tal princípio se faz presente em determinada lei, seria aceitar a análise de questão constitucional. Por conseguinte, nada há a alterar no lançamento em litígio. (final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 5.116/2006) Fl. 238DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 9. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002526/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
IRPF. RENDIMENTO DO TRABALHO.TRANSPORTADOR AUTÔNOMO.
São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, no percentual de quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga.
Numero da decisão: 2401-006.753
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o imposto suplementar apurado para R$ 1.502,50, que deverá ser acrescido de juros e multa.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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RENDIMENTO DO TRABALHO.TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, no percentual de quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o imposto suplementar apurado para R$ 1.502,50, que deverá ser acrescido de juros e multa. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de auto de infração de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 4/8, ano-calendário 2002, que apurou imposto suplementar no valor de R$ 5.189,45, acrescido de juros e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas: Proton Granito Ltda no valor de R$ 14.214,29 e Itabira Agroindustrial no valor de R$ 11.232,41. Foi incluído o imposto de renda retido na fonte de R$ 12,30. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 25 26 /2 00 6- 15 Fl. 260DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 O contribuinte apresentou impugnação às fls. 2/3, na qual afirma que os valores recebidos da empresa Proton Granito Ltda foram declarados como isentos e que os valores recebidos da empresa Itabira Agroindustrial foram tributados em 60%, quando a legislação determina que a base de incidência do IRRF sobre rendimentos de transporte seja de 40% do valor. Conclui que o Saldo do Imposto a Pagar é de R$ 1.040,73. A DRJ/STM, julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão 18-9.822 de fls. 31/34, assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA Constitui infração a legislação tributária a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica na Declaração de Ajuste Anual do IRPF. Todas as informações declaradas são passíveis de comprovação enquanto não decadente o direito da Fazenda Pública lançar e constituir seus créditos. Lançamento Precedente Cientificado do Acórdão em 15/7/09 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 39), o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 40/41, em 12/8/09, que contém, em síntese: Cita o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, art. 47, e afirma que é seu direito oferecer à tributação somente 40% dos seus serviços de transporte de carga, não reconhecendo o erro das empresas para as quais prestou serviços. Admite que errou ao não informar os rendimentos recebidos da Itabira Agroindustrial SA. Solicita que seja observado o pagamento do Imposto de Renda que entende devido no valor de R$ 1.040,73, com as devidas atualizações, que sequer foram deduzidas no acórdão recorrido. Guia juntada à fl. 42. Requer seja acolhido o recurso, demonstrada a insubsistência ou improcedência parcial do lançamento. Conforme DIRFs das fontes pagadoras (fls. 27/29), disponíveis nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verifica-se que os rendimentos brutos declarados pela Proton foram de R$ 9.476,19 e deduções de R$ 14.214,29, a Itabira Agroindustrial declarou R$ 11.232,41 e a Torres & CIA LTDA declarou rendimentos brutos pagos de R$ 8.549,85 e deduções de R$ 2.226,00. Conforme DIRPF, fls. 22/23, o contribuinte informou, exatamente como consta nas DIRFs, os rendimentos tributáveis recebidos das empresas Proton e Torres. A empresa Itabira Agroindustrial foi intimada (fl. 56) para esclarecer a divergência apontada pelo contribuinte. Em resposta à intimação, fls. 63/256, a empresa Itabira Agroindustrial declara que o valor total pago ao contribuinte em 2002 foi de R$ 23.536,00 e o valor tributável foi de R$ 11.232,41. Os pagamentos foram por serviços (descarga de cimento) e transporte/fretes, conforme cópias de recibos. É o relatório. Voto Fl. 261DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Da análise dos autos, vê-se que o contribuinte é um transportador rodoviário autônomo, que presta serviços de transporte de carga e carga e descarga de mercadorias. Quanto ao transporte de carga, o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, art. 47, na redação vigente à época dos fatos geradores, assim dispõe: Art.47.São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Leii nº 7.713, de 1988, art. 9º): I-quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga; II-sessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros. §1ºO percentual referido no inciso I aplica-se também sobre o rendimento total da prestação de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º, parágrafo único). §2ºO percentual referido nos incisos I e II constitui o mínimo a ser considerado como rendimento tributável. §3ºSerá considerado, para efeito de justificar acréscimo patrimonial, somente o valor correspondente à parcela sobre a qual houver incidido o imposto. No caso, a fiscalização não alterou os valores recebidos da empresa Torres. Quanto à empresa Proton, a fiscalização considerou como tributáveis 60% do valor recebido pelos fretes/carretos (R$ 9.476,19 + R$ 14.214,29 = R$ 23.690,48), informados em DIRF da empresa na coluna deduções, sem descrever o motivo do lançamento e porque foram desconsiderados os valores informados como rendimentos tributáveis na DIRF da fonte pagadora e declarados pelo contribuinte (40% do valor dos fretes = R$ 9.476,19). A decisão recorrida afirma que por não se tratar de rendimento isento, ele deve ser tributado. A Instrução Normativa – IN SRF nº108/01, vigente à época dos fatos geradores, determina que: Art. 15 - A Dirf deve conter as seguintes informações quando os beneficiários forem pessoas físicas: I - nome; II - número de inscrição no CPF; III - relativamente aos rendimentos tributáveis: a) os valores dos rendimentos pagos durante o ano-calendário, discriminados por mês de pagamento e por código de retenção, que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ou não tenham sofrido retenção por se enquadrarem abaixo do limite de isenção; b) o valor das deduções; c) o respectivo valor do imposto de renda retido na fonte; [...] Fl. 262DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 § 5º - Nos casos a seguir, deve ser informado como rendimento tributável: I - quarenta por cento do rendimento decorrente do transporte de carga e de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados; No caso, a informação do valor restante (60% do valor do frete) como rendimento isento não determina que tal montante é tributável. De qualquer forma, a despeito de eventual informação equivocada da fonte pagadora, não há como ser mantido esta parte do lançamento, por falta de motivação, pois a fiscalização não explica no auto de infração o motivo de ter considerado o valor informado como rendimento isento, como rendimento tributável. No que se refere à empresa Itabira Agroindustrial, o contribuinte reconhece que não informou os valores recebidos. Contudo, não procede seu questionamento sobre a tributação de 60% do valor dos fretes ao invés de 40%, pois como informado pela empresa, houve os serviços de frete, mas também foram prestados serviços de descarga de mercadorias. Desta forma, restabelecendo a situação apresentada pelo contribuinte em DIRPF com relação aos rendimentos tributáveis recebidos da empresa Proton e mantendo a autuação quanto aos valores recebidos da empresa Itabira Agroindustrial, refazendo-se a planilha de fl. 7, tem-se o Demonstrativo de apuração do imposto devido, conforme tabela 1. Tabela 1 - Demonstrativo de apuração do imposto devido Descrição Valores em reais 1)Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados R$ 18.026,24 2) Omissão de Rendimentos Apurada R$ 11.232,41 3) Total dos Rendimentos Tributáveis R$ 29.258,65 4) Deduções declaradas R$ 5.814,00 5) Base de Cálculo Apurada (3-4) R$ 23.444,65 6) Imposto Apurado Após Alterações (Tabela Progressiva Anual) R$ 1.612,30 7) Total de Imposto Pago R$ 109,80 8) Imposto a pagar Apurado após Alterações R$ 1.502,50 O contribuinte alega que pagou o valor de R$ 1.040,73, com as devidas atualizações. Guia juntada à fl. 42. Desta forma, se confirmado os valores recolhidos em DARF relativos ao IRPF ano-calendário 2002, tais valores, se disponíveis, deverão ser apropriados ao presente lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para alterar o imposto suplementar apurado para R$ 1.502,50, que deverá ser acrescido de juros e multa. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 263DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902277/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.187
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem identifique a metodologia utilizada pelo contribuinte para apurar o valor do crédito e sua liquidez e certeza, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 27 7/ 20 12 -1 4 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 3 2 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 4 3 i) A Recorrente no ano de 2002 estava sujeita ao recolhimento da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, calculada à alíquota de 3%; ii) Além de ser contribuinte da COFINS, a Recorrente também está sujeita à incidência do ICMS sobre o valor das operações, de acordo com a LC nº 87/96; iii) O crédito cuja restituição a Recorrente pleiteou é resultado da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, resultando, portanto, em um recolhimento a maior e indevido no valor de R$ 8.396,73; iv) O valor do ICMS destacado nas notas fiscais de circulação de mercadoria não pode ser considerado receita ou faturamento da Recorrente para fins de incidência destas Contribuições, então o imposto estadual não deve ser incluído no cômputo das respectivas bases de cálculo; v) Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785/MG em outubro de 2014, em controle concentrado de constitucionalidade, o Pleno do Supremo Tribunal Federal entendeu que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento; vi) Referendando o mesmo entendimento, em 15 de março de 2017, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário nº 574.706 em sede de repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; vii) Por outro lado, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ; viii) Sucessivamente, pede pela conversão do julgamento em diligência para que seja comprovada a apuração original da base de cálculo da COFINS; os lançamentos nas contas de ICMS; e, consequentemente, o direito creditório apurado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.174, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.902278/201251. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.174): "2. Do objeto deste processo. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 5 4 Como relatado, alega a Recorrente que recolheu a COFINS no valor de R$ 245.616,36 apurada no período de agosto de 2002 e, desse valor, faz jus ao crédito de R$ 8.396,73, conforme pedido de restituição. Com isso, pede pela reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS por ter incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. O Despacho Decisório nº 017674001 (efls. 5) indeferiu o pedido por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Por sua vez, em julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ de origem negou provimento à defesa, em síntese, pelas seguintes razões: i) A empresa apresentou não apresentou DCTF retificadora, conforme apurado pela pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal. Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito refletindo as informações declaradas pelo contribuinte e, com isso, o ato administrativo da autoridade foi legítimo e pautado em declaração e em documentos formulados pelo próprio interessado; ii) No mérito, aplicamse os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, bem como art. 1º da Lei nº 10.637/2002, e art. 1º da Lei nº 10.833/2003; iii) Com isso, ficou estabelecido que a base de cálculo das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões, deduções e isenções permitidas pela legislação; iv) O faturamento inclui todas as receitas de vendas, e o ICMS faz parte dele, por integrar o preço de venda das mercadorias; v) As exclusões elencadas nos referidos dispositivos legais não contemplam a exclusão do ICMS incluído nos preços de venda. Assim, não há dispositivo legal que permita a exclusão desse imposto da base de cálculo do PIS e da COFINS; vi) O interessado deixou de apresentar os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem e aproveitamento do suposto indébito. Dos fatos acima, resta delimitada a controversa do presente caso na discussão sobre os seguintes argumentos: 1) O direito creditório da Contribuinte em razão da inclusão dos valores relativos ao ICMS na base de calculo da COFINS; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 6 5 2) Desnecessidade de retificação da DCTF e possibilidade de comprovação através da documentação apresentada; 3) Liquidez e certeza do crédito em análise. 3. Da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Argumenta a Recorrente que o mais recente posicionamento da Suprema Corte considera como inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, uma vez que o valor do imposto estadual não se enquadra no conceito de receita ou faturamento. De fato, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, em sede de repercussão geral1, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, conforme Ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) 1 TEMA 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 7 6 Após a publicação do acórdão do RE nº 574.706/PR em 02/10/2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios requerendo a modulação temporal dos efeitos da decisão, dentre outras matérias pendentes, os quais aguardam análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal2. Diante do julgamento em sede de repercussão geral, a Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial (COCAJ) proferiu a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, pela qual considerou a aplicação da decisão proferida no Recurso Extraordinário em questão, o que fez com o objetivo de esclarecer sobre o procedimento a ser adotado. Transcrevo a justificativa utilizada pela própria Receita Federal para aplicação do julgado: "13. A legislação aplicável a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, no regime cumulativo (Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998) e no regime não cumulativo (Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente), define os elementos constitutivos da base de calculo das referidas contribuições, na qual se incluem, nas duas modalidades de incidência, os tributos sobre ela (a receita mensal) incidentes, conforme insculpido no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, abaixo transcrito: (...) 14. Todavia, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, finalizado em 15.3.2017, e submetido ao rito de repercussão geral, conforme definido no Art. 543 B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (antigo Código de Processo Civil), sob a relatoria da ministra Carmen Lucia, definiu que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 15. Após a publicação do acórdão do RE no 574.706/PR em 2.10.2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão em foco, em 19.10.2017, nos quais requereu a modulação temporal dos efeitos da decisão e a definição de outras questões pendentes. Fica aqui o registro de que, ate a presente data da edição desta solução de consulta interna, os referidos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional aguardam sua analise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. 16. Em paralelo, deve ser consignado que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral reconhecida, como e o caso tratado na presente consulta interna, a Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, em seu art. 19, estabelece todo um rito próprio a ser observado, para fins de vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil a decisão desfavorável. Conforme estatuído na referida lei, a vinculação automática da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, no tocante a 2 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2585258 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 8 7 constituição de credito tributário e as decisões administrativas sobre a matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, só se formaliza apos a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Razão de que, ate o presente momento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não editou parecer normativo delimitando a extensão e o alcance do julgado em referencia pelo Supremo Tribunal Federal, o qual definiu nova tese de ajuste na base de calculo das referidas contribuições sociais. 17. Todavia, em face da profusão de decisões judiciais transitadas em julgado, na esteira do precedente do Supremo Tribunal Federal e com fundamento na tese nele firmada de que trata a presente consulta, urge disciplinar a aplicação, a operacionalidade, o alcance e efeitos da decisão dessa Corte, no sentido não só de nortear os sujeitos ativo (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e passivo (Contribuinte) da relação jurídicotributária das referidas contribuições sociais, como também de fornecer toda uma fundamentação estruturada e normativa para fins de subsidiar os cálculos relativos a matéria em lide, no plano do contencioso judicial e administrativo." Consignase, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706, a exemplo do AgInt no AREsp 282.685/CE3. Não obstante a tramitação perante o STF ainda pendente de trânsito em julgado e, sem prejuízo do posicionamento que será adotado por este Colegiado, entendo que, antes de dar prosseguimento ao julgamento do presente recurso, são importantes esclarecimentos adicionais sobre a base de cálculo da COFINS, bem como sobre a certeza e liquidez do crédito invocado pela Contribuinte, como abaixo demonstrado. 4. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Em pedido de diligência, observa a Recorrente pela possibilidade de análise fiscal para confirmação da correção da base de cálculo da COFINS informada em DIPJ e dos lançamentos nas contas de ICMS do Razão Analítico. 3 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto,independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 9 8 Com relação à ausência de retificações em suas declarações tributárias (DIPJ e DCTF) para evidenciar o alegado pagamento indevido, a Contribuinte invoca decisões deste Tribunal Administrativo e argumenta que, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ. Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido e afastar mero erro formal nas informações prestadas em declarações obrigatórias. A busca pela verdade material vem sendo aplicada pelo CARF, como já decidido por este Colegiado em situações análogas, bem como por outras Turmas, a exemplo do Acórdão nº 3201002.518, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara da 3ª Seção, cuja Ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/08/2014 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS. TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. CRÉDITO EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A COFINS apurada e recolhida sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de COFINS a pagar, segundo esta sistemática foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. Da análise dos autos, verifico que a Recorrente instruiu a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 59 com os seguintes documentos: i) Comprovante de arrecadação no valor total de R$ 245.616,36; ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; iii) Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF original e iv) Planilha de cálculo desconsiderando o ICMS na base de cálculo da contribuição. Já o Recurso Voluntário foi instruído com os mesmos documentos acima mencionados, bem como com o Razão Analítico com respectivos lançamentos nas contas de ICMS. Aplicando o ônus da prova sobre o crédito perseguido e, diante da necessária busca pela verdade material, entendo que, antes do julgamento do presente processo, é importante que seja analisado o Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 10 9 direito creditório através da documentação apresentada nestes autos pela Contribuinte, possibilitando a identificação da metodologia utilizada na apuração da base de cálculo da COFINS por ocasião da transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, bem como os respectivos lançamentos nas contas de ICMS e, por fim, comparando este levantamento com a metodologia considerada em Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Com isso, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.04 2635, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: 1. Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 11 10 2. Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; 3. Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018; 4. Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 5. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.733913/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009
PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado.
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado.
Numero da decisão: 1301-003.958
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 39 13 /2 01 1- 05 Fl. 625DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) - DRJ/RJ1 (fls. 1282 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve as exigências fiscais. Do Lançamento Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSLL, calculado com base no lucro real, do ano-calendário de 2009, exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 4.565.303,16, com aplicação de multa de ofício de 75%, acrescidos de juros de mora, em razão da glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL de períodos-base anteriores compensados indevidamente, uma vez que insuficientes no ano-calendário de 2009, no montante de R$13.497.950,53 cada. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: - insuficiência foi resultado do auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/2010-48, referente ao ano-calendário de 2006, que alterou o valor do prejuízo apurado pela interessada, de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, que, somando ao prejuízo de R$ 8.309.222,83 no ano-calendário de 2007, resultou em saldo de prejuízos compensáveis de R$ 18.382.612,37, dos quais R$ 5.514.783,71 foram utilizados no ano de 2008, restando, portanto, ao final daquele ano, o saldo de R$ 10.080.057,72. Como a interessada utilizou-se de R$ 23.578.008,25 de prejuízos a compensar no ano-calendário de 2009, foi então glosada a diferença de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de IRPJ, objeto do presente processo. Enquadramento Legal: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Quanto à CSLL, a insuficiência foi resultado dos mesmos ajustes, pelo auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/2010-48, no ano-calendário de 2006, que resultou na glosa da diferença de base de cálculo negativa de CSLL de períodos-base anteriores compensada a maior, no igual montante de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de CSLL, também objeto do presente processo. Enquadramento Legal: Art. 2º e §§, e 3º (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Da Impugnação Fl. 626DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 Nos termos da decisão da DRJ, foi apresentada impugnação do contribuinte, fls. 64 e ss, em que foram aduzidos os seguintes argumentos: Que à exceção do art. 926 do RIR/1999, todo o enquadramento legal dos autos de infração de IRPJ e CSLL, que transcreve, corrobora os lançamentos por ela efetuados em sua contabilidade e ampara a sua absorção de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL. Que apresentou Declaração de Informações da Pessoa Jurídica-DIPJ/2007 retificadora, mas ainda estava processando as dos anos-calendário de 2007 a 2009. Admite que, em face de fiscalização, teve seu prejuízo apurado no ano de 2006 ajustado de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, reclamando que o valor correto seria R$ 10.043.363,15, conforme DIPJ retificadora apresentada. Alega que apurou prejuízo de R$ 18.463.002,43 em 2007, mas que não pôde apresentar a DIPJ retificadora por ter entrado em novo processo de fiscalização, e que compensou no ano-calendário de 2008 apenas R$ 4.298.357,33, concordando que compensou R$ 23.578.008,25 em 2009, tendo a fiscalização considerado apenas os registros constantes na base de dados da RFB sem se preocupar em avaliar a origem dos prejuízos. Discorre sobre as razões da existência de diferença entre a fiscalização e a contabilidade, como sendo os ajustes por ela efetuados com relação à contabilização de despesas de contrato de aluguel de equipamentos importados para emprego nas obras de construção desenvolvidas para o grupo Petrobrás. Encerra pedindo a reforma dos autos de infração e a extinção do crédito tributário. Em julgamento realizado em 14 de março de 2014, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente parcialmente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 12- 63.930, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Ementa: PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2009 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações Fl. 627DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 414 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, e pede a improcedência do lançamento por: - Da procedência dos Prejuízos Fiscais/Saldo Negativo utilizados pela recorrente; - Discute-se todos os pontos já colocados no Recurso Voluntário do PA 11052.001125/2010-48. Da Resolução - 1301-000.290 Em 09 de dezembro de 2015, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 1301-000.290, para que se aguardasse a decisão definitiva dos autos do PA 11052.001125/2010-48, que tratam de auto de infração referente ao ano de 2006, que implica diretamente no ano de 2008, onde havia prejuízo fiscal a ser utilizado. Do Despacho de Saneamento - fls. 620/623 Em 21 de setembro de 2018, mediante o despacho de saneamento de fls. 620 e ss, adequou-se o fluxo recursal do processo, já que aquele processo não possuía andamento, onde considerou: - que os processos devem ser vinculados por decorrência (§1º, inc. II), tendo em vista que o deslinde deste depende do julgamento do processo nº 11052.001125/2010-48; - que ambos os processos são de competência da 1ª Seção, ou seja, não há conflito de competência entre Seções (§§2º e 7º); - que ambos os processos se encontram no CARF; - que o processo nº 11052.001125/2010-48 encontra-se na Divisão de Sorteio e Distribuição e, a princípio, encontra-se apto distribuição e julgamento; E determinou-se a vinculação deste processo com aquele. Recebi os autos, por sorteio, em 22/01/2019. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Fl. 628DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 Já que atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Conforme se verifica do despacho de saneamento de fls. 620 e ss, determinou-se a vinculação destes autos com o PA 11052.001125/2010-48, uma vez que a autuação destes autos depende diretamente da conclusão daqueles autos. E como já decidido na Resolução 1301-000.290, de 09 de dezembro de 2015, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 1301-000.290, para que se aguardasse a decisão definitiva dos autos do PA 11052.001125/2010-48, que tratam de auto de infração referente ao ano de 2006, que implica diretamente no ano de 2008, onde havia prejuízo fiscal a ser utilizado. Diante da vinculação esta Relatora também julgou o Recurso Voluntário apresentado, e o entendimento foi o de negar provimento e manter os lançamentos. Dessa forma, nos termos do que diz o RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Bem como nos termos do decidido no Ac. 9101-003.957, não há necessidade desses autos serem sobrestados, assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 12326.003994/2010-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR.
Considera-se como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Considera-se como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente.
IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO
A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência.
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A..
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considera-se como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considera-se como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.. Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considerase como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 39 94 /2 01 0- 11 Fl. 68DF CARF MF 2 judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A.. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 14.397,35, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2009, anobase de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de (fls. 07/19): 1. omissão de rendimentos de pessoa jurídica, decorrente de ação trabalhista na quantia de R$ 34.316,49, com IRRF de R$ 9.215,31; 2. dedução indevida de previdência oficial no valor de R$ 11.175,37; 3. dedução indevida com dependentes no valor de R$ 6.623,52; 4. dedução indevida com despesas de instrução no valor de R$ 2.592,29; 5. dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 17.205,47; 6. dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 6.494,25; 7. compensação indevida de IRRF no valor de R$ 252,30; 8. compensação indevida de Imposto Complementar no valor de R$ 9.215,31; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 69 3 Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls. 03/04): 1. não houve omissão de rendimentos, pois os rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício e da aposentadoria do INSS são tributados na fonte; 2. o INSS não informou os rendimentos do reclamante, não podendo ser penalizado pela falta de terceiros; 3. o lançamento deve ser cancelado pois a documentação apresentada prova sua improcedência. Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em juiz de Fora, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 37/41): 1. não procede a alegação do insurgente no sentido de que referida omissão ocorreu, porque o INSS não havia informado seus rendimentos, pois tais valores foram indicados na DIRF da fonte pagadora e na DAA do impugnante, sendo a reportada omissão decorrente de ação trabalhista; 2. embora ausente manifestação contestando expressamente a glosa da dedução com dependentes, tendo em vista a apresentação das certidões de nascimento e da certidão de casamento, entendese que tal matéria foi impugnada tacitamente; 3. as certidões de nascimento apresentadas comprovam a paternidade por parte do notificado de RUDSON OLIVEIRA AMORA e de EVERTON DE OLIVEIRA AMORA. Contudo, esta não basta para estabelecer a condição de dependência, pois, dentre outros, os filhos devem estar sob a guarda daquele que pleiteia tal benefício; 4. verificase que o insurgente alega apresentar, embora não tenha sido encontrada nos autos, certidão de averbação de divórcio; 5. o impugnante informa pagamento de pensão alimentícia a RUTE MARIA DE OLIVEIRA, mãe dos aludidos dependentes, indicando como cônjuge ou companheira WANDA LEITE DE JESUS AMORA; 6. estando os pais separados, deveria comprovar a quem pertencia a guarda dos filhos no anocalendário em análise, o que não ocorreu; 7. a certidão de casamento apresentada, com RUTE MARIA DE OLIVEIRA, não faz prova da relação de dependência; 8. as demais infrações encontradas não foram objeto de impugnação por parte do notificado, restando, portanto, incontroversas nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Fl. 70DF CARF MF 4 Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls. 46): 1. concorda com a omissão de rendimentos apurada; 2. as certidões de nascimento comprovam a relação e dependência de Everton de Oliveira Amora, Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora; 3. comprova o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 8.263,16 a Rute Maria de Oliveira Amora, por meio da documentação do divórcio; 4. comprova a despesa com instrução dos dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora no valor de R$ 2.880,00. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 24/11/2014 (fls. 42), e a Peça recursal foi recebida em 12/12/2014 (fls. 46), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar no Recurso interposto, pois os argumentos dispostos no tópico qualificado como "Preliminares" são, em verdade, de mérito, os quais serão analisados na sequência. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 70 5 o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Matéria não recorrida 0 ora recorrente discorda parcialmente da Decisão recorrida, não se insurgindo contra a omissão de rendimentos apurada no valor de R$ 34.316,49, com IRRF de R$ 9.215,31. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. Mais precisamente, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo sujeito passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confirase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifo nosso) Arrematando o que está posto, conforme se vê na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciandose o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. [...] Fl. 72DF CARF MF 6 § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Como se viu no Relatório, a lide estabelecida se restringe às deduções com dependentes e pensão alimentícia judicial. Posta assim a questão, passo à análise da presente contenda. Dedução com dependentes A decisão de piso manteve a glosa sob o fundamento de que o recorrente não comprovou a relação de dependência nos termos preceituados na legislação vigente. Assim sendo, vale consignar que o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, contém o rol exaustivo dos dependentes para fins da dedução do IRPF. Confirmase: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 71 7 § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. § 5o Sem prejuízo do disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 3o da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003, a pessoa com deficiência, ou o contribuinte que tenha dependente nessa condição, tem preferência na restituição referida no inciso III do art. 4o e na alínea “c” do inciso II do art. 8o. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Oportuno ressaltar que o autuante glosou e a decisão de piso manteve a dedução com dependentes referente aos seguintes dependentes: Everton de Oliveira Amora; Ana Cláudia Leite Amora; Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus. Na impugnação, embora o contribuinte tenha comprovado a paternidade de Everton de Oliveira Amora, a decisão recorrida manteve reportada glosa, sob o fundamento de que faltou a comprovação de que referido filho estava sob a sua guarda, já que os pais estavam separados. No recurso, o recorrente junta: a certidão de casamento com a Sra. Wanda Leite de Jesus Amora e as certidões de nascimento dos filhos (fls. 47 a 53): 1. obtidos com o atual cônjuge, Sra. Wanda Leite de Jesus Amor: Ana Cláudia Leite Amora e Beatriz Leite de Jesus Amora, nascidas em 2004 e 1999 respectivamente; 2. obtido com o excônjuge, Sra. Rute Maria de Oliveira: Everton de Oliveira Amora, nascido em 1996. Diante do exposto, o recorrente logrou comprovar o preenchimento dos requisitos legais exigidos para a dedução pleiteada somente quanto aos dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. Portanto, mantémse mencionada glosa quanto ao filho Everton de Oliveira Amora,, cuja guarda ficou com o excônjuge, Sra. Rute Maria de Oliveira, beneficiária de pensão alimentícia judicial (fls. 58/65). Dedução com pensão alimentícia judicial A decisão de origem manteve a glosa integralmente, sob o fundamento de que não restaram atendidos os requisitos da comprovação do pagamento e do atendimento às normas do Direito de Família. Nesse sentido, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo Fl. 74DF CARF MF 8 homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Confirmase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Quanto a isso, é de registrar que embora o recorrente tenha atestado o cumprimento das normas do Direito de Família, faltou a comprovação do efetivo pagamento da citada pensão, pois a documentação apresentada constando o dispêndio de R$ 8.263,16 a tal título se refere ao anobase 2009, e não ao períodobase sob litígio, que é 2008 (fls. 56/65). Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso interposto, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 75DF CARF MF
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