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Numero do processo: 15504.018408/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/12/2005
DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE
Aplicação da penalidade do dispositivo legal da época da infração era determinada pelo art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada.
Com advento da Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, foi revogado por outro dispositivo mais benéfico. E, por ser penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna.
Deve, no caso em tela, ser aplicado o artigo 32-A da Lei 8.212/91, por ser mais benéfico ao contribuinte.
ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE.
O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento.
No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Relatório de Representantes Legais - REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Atribui responsabilidade solidária ou subsidiária.
JUROS E MULTAS - EFEITO CONFISCATÓRIO
Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios.
Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de Co-Responsáveis (CORESP), o Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/12/2005 DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE Aplicação da penalidade do dispositivo legal da época da infração era determinada pelo art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada. Com advento da Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, foi revogado por outro dispositivo mais benéfico. E, por ser penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna. Deve, no caso em tela, ser aplicado o artigo 32-A da Lei 8.212/91, por ser mais benéfico ao contribuinte. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS Relatório de Representantes Legais - REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Atribui responsabilidade solidária ou subsidiária. JUROS E MULTAS - EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Voluntário Acórdão nº 2301003.288 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MANGABEIRAS ENSINO FUNDAMENTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/12/2005 DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE Aplicação da penalidade do dispositivo legal da época da infração era determinada pelo art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada. Com advento da Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, foi revogado por outro dispositivo mais benéfico. E, por ser penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna. Deve, no caso em tela, ser aplicado o artigo 32A da Lei 8.212/91, por ser mais benéfico ao contribuinte. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS “Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Atribui responsabilidade solidária ou subsidiária. JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 08 /2 00 8- 08 Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de CoResponsáveis (CORESP), o “Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a “Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018408/200808 Acórdão n.º 2301003.288 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de infringência ao disposto nos artigos 32, inciso III, da Lei n° 8.212, de 1991, e 8° da Lei 10.666, de 2003, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, por ter a empresa apresentado os arquivos digitais contendo os lançamentos contábeis e plano de contas fora do leiaute exigível, do período de 09/2003 a 12/2005. O contribuinte deixou de apresentar também os arquivos digitais das folhas de pagamento do mesmo período. Face infração foilhe aplicada a penalidade prevista nos artigos 283, inciso II, alínea "b", e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048, de 1999. Sendo que não foi constatado agravante e tão pouco atenuante. Ficou constatado que várias empresas fazem parte do grupo econômico, razão pela qual foram emitidos em nome de todas elas os Termos de Sujeição Passiva. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 165 a 171 do processo 15504.018415/200800, uma vez que adquiriu do grupo econômico PROMOVE, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Já a Autuada não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último ato constitutivo a 4' alteração contratual datada de 30/05/2005, registrada na JUCEMG em 07/07/2005 sob o n° 3.378.965. Em 17.FEV.2011 alguns dos Recorrentes foram intimados da decisão e em 30.MAR.2011 interpuseram um só recurso, sendo que nos autos consta que muitos dos que figuram no pólo passivo não foram intimados e ou não tem a data certa, estando em branco. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Alegam nos Recurso Voluntário aviado: i) da ilegalidade na cobrança da penalidade; ii) que a SOEBRAS arrendou a marca PROMOVE; iii) exclusão dos representantes legais da relação de coresponsáveis; iv) juros e multa – efeitos confiscatório; v) do trespasse e da imunidade econômica da SOEBRAS; É a síntese do necessário. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018408/200808 Acórdão n.º 2301003.288 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Nos autos do processo administrativo não foi localizado data da ciência, pelos últimos Recorrentes, da Decisão Notificação, razão pela qual tenho como o presente Recurso Voluntário foi protocolizado tempestivamente e por isto acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE Dizem as Recorrentes que a aplicada penalidade na forma do art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada. Mas, este dispositivo foi revogado pela Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, e em se tratando de penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna. Desta feita, por ser mais benéfica o dispositivo que deva ser aplicado é o artigo 32A da Lei 8.212/91. Assistem razão as Recorrentes, neste tópico. De fato, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa por deixar documentos de apresentar documentos exigíveis por lei no prazo regulamentar ou o fizer com incorreções, passou a ser prevista no caput d artigo 32A, I e II. Assim, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A, I ou II da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, dependendo de qual inciso será mais benéfica ao contribuinte. Então, neste quesito, assistelhe razão, mas não se aplica ao presente processo administrativo, eis que a matéria foi tratada em Auto de Infração próprio, com processo administrativo próprio, cuja decisão lá foi exarada, sendo que nestes autos se trata da matéria por amor à dialética jurídica e em respeito ao que levantado em matéria recursiva. QUE A SOEBRAS ARRENDOU A MARCA PROMOVE Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 Alega que dos documentos juntados aos autos, em 01/11/2006 a SOEBRAS arrendou o uso da marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro. E, como arrendou a marca, tem direito às benesses de entidade sem finalidade lucrativa. Todavia, sem razão a Recorrente, porque não existe a transferência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social de uma instituição para outra. Em 2008 e 2009 houve intensa discussão acerca da Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS. Em verdade, isto era necessário porque a legislação já era ultrapassada e as entidades vinham aprimorandose, merecendo maiores segurança jurídica, bem como necessitava o Governo de melhor Fiscalizar o setor. Foi por isto que a edição da Medida Provisória 446/2009 fez com que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deixasse de ser responsável pela concessão e renovação do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Em 27 de novembro de 2009 foi sancionada a Lei n. 12.101, que de acordo com ela, a análise e decisão dos requerimentos de concessão e renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serãofeitas no âmbito dos Ministérios da Saúde, quanto às entidades da área de saúde, da Educação, quanto às entidades educacionais, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. A entidade que atuar em mais de uma área deverá requerer a certificação e sua renovação no Ministério responsável pela área de atuação preponderante , definida esta como a atividade principal no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda (CNPJ). A Lei 12.101/2009 define os seguintes requisitos estatutários para as entidades que intentam obter a certificação: • É necessário que a entidade seja uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecida como entidade beneficente de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação. Portanto, sua qualificação jurídica e área de atuação devem constar do estatuto. • O estatuto deve informar que, em caso de dissolução ou extinção, a ONG destine o patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; • É importante que o estatuto disponha queseus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não recebem remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; • Da mesma forma, o estatuto deve trazer informações sobre a não distribuição de resultados, dividentos, bonificações, participações ou parcelas de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. • Ademais, deverá haver previsão estatutária informando que a aplicação das rendas da ONG, seus recursos e eventual Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018408/200808 Acórdão n.º 2301003.288 S2C3T1 Fl. 5 7 superávit seráaplicadointegralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da ONG; Portanto, não se faz transferência de certificado como quer a SOEBRAS, e por isto não lhe assiste razão este quesito. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS A pouco tempo atrás pensava este Julgador que, com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” teria tão somente a finalidade de tão somente identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Sendo, somente, os representantes da autuada. Todavia, a pratica mostrouse diferente, pois estes representantes legais podem, querendo, comporem o pólo passivo dos autos, devendo ser intimados e aperto prazo para contestação e outros quejandos. Tenho que várias anomalias processuais podem causar a permanência do representante legal no rol de autuados, ainda como representantes. E, de mais a mais, como dito no Recurso ‘...mera inadimplência não implica redirecionar a cobrança para as pessoas físicas dos sócios, uma vez que aquela situação decorre de vários fatores inerentes à atividade econômica, independente da vontade dos sócios das empresas.’ Desta feita, assiste razão as Recorrentes, devendo ser excluídos do pólo passivo da presente processo administrativo todos os sócios delas. JUROS E MULTAS – EFEITO CONFISCATÓRIO Diz que Os juros e a multa aplicados têm efeitos confiscatórios, contrariando o artigo 150, IV da Carta Maior. Urge dizer que a multa aplicada na autuação não foi inventada pela Fiscalização que, como servidor público que é, uma de suas obrigações é ter seus atos respaldado em lei, ou seja, o princípio da legalidade, e, neste sentido a multa e os juros aplicados foram determinados pelos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, e 283 — inciso II — alínea "b" e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 1999. Sem razão a Recorrente, neste quesito. DO TRESPASSE As Recorrentes, mas uma vez torna a afirma que a SOEBRAS possui imunidade tributária na conformidade que assumiu todos os compromissos, obrigações e direitos da PROMOVE. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 8 Todavia, este quesito já foi espancado juridicamente anteriormente, não merecendo outra análise. Sem razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja excluído da lide administrativa todos os sócios de todas as Recorrentes, conforme requerido, julgando improcedentes as demais questões trazidas ao presente Recurso Voluntário aviado. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator . Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10218.721012/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Não pode ser considerado contribuinte do ITR aquele que não seja proprietário, titular de seu domínio útil ou possuidor a qualquer título de imóvel rural.
Numero da decisão: 2201-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ILEGITIMIDADE PASSIVA. Não pode ser considerado contribuinte do ITR aquele que não seja proprietário, titular de seu domínio útil ou possuidor a qualquer título de imóvel rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 10 12 /2 00 7- 64 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/03), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 33.888,78, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Cachoeira”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8969, com área declarada de 1.936,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, de 18,0 ha e de 1.530,8 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 32.000,00 para R$ 193.600,00, com base no valor de R$ 100,00/ha indicado no SIPT, conforme demonstrado à fl. 02. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: · apresenta um breve resumo da Notificação de Lançamento e informa que a questão cingese ao exame da legalidade das glosas levadas a efeito pela fiscalização ao revisar a DITR do exercício de 2005, bem como da alteração do VTN; · mostra o que consta do Termo de intimação fiscal; · o impugnante, em atenção à intimação, encaminhou ao Auditor Fiscal, a quem incumbiu a revisão da declaração, os seguintes documentos: 1) cópia da anotação da responsabilidade técnica, devidamente registrada no CREA; 2) cópia do comprovante de entrega do ADA ao IBAMA, devidamente protocolado sob o n°. 41000428598, em 14.09.98; 3) laudo de avaliação do imóvel; · entende o impugnante que a exigência do ITR pelo lançamento de ofício, ora impugnado, é ato administrativo de exigência tributária ilegal. Faltalhe, pois, o fundamento de validade. De fato, a glosa das áreas de preservação permanente e de utilidade limitada na DITR de 2005 não tem amparo em lei. A Lei 9.393 de 1996 não estabelece a obrigação de apresentar o ADA, para efeito de exclusão do ITR sobre essas áreas; · o impugnante exibiu a cópia do Ato Declaratório Ambiental à fiscalização, com protocolo do IBAMA, e não sabe o motivo de sua rejeição. Não mereceu sequer uma palavra de explicação; · do mesmo modo aconteceu em relação às outras glosas. Quanto ao laudo técnico exibido, nem uma palavra mereceu, dando o motivo de seu não acolhimento; · mostra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário sobre a desnecessidade de Ato Declaratório do IBAMA e conclui que apresentou o ADA. Mas, se não o tivesse apresentado, mesmo assim, esse ato não pode ser condição de reconhecimento de exclusão da base de cálculo do ITR, das áreas em causa; · no tocante à averbação no Registro de Imóveis de áreas de reserva legal, mostra decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721012/200764 Acórdão n.º 2201002.293 S2C2T1 Fl. 3 3 · se não há sustentação legal, como dito no mencionado julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exigir a averbação no Registro de Imóveis da área reservada em lei, com maior razão para obrigar o contribuinte a exibir o denominado ADA. A existência das áreas que sofreram a glosa está mais do que comprovada. Mas o certo é que o impugnante não está obrigado à prévia comprovação da área de reserva legal (Lei 9.393/96, art. 10, §7°); · observa que a obrigatoriedade do ADA teve início no exercício de 2001, por exigência de instrução normativa que não tem força de obrigar, porquanto somente a lei, formal e material, obriga e, nesse sentido, mostra decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes; · lembra que a Medida Provisória n°. 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao introduzir o § 7º no art. 10 da Lei 9.393/96, dispensou a apresentação pelo contribuinte do malsinado ato declaratório do IBAMA. Essa circunstância é objeto de decisão no acórdão do Superior Tribunal de Justiça, mostra a ementa, julgado do STJ e mais uma decisão administrativa; · conclui que o lançamento de ofício praticado não pode prosperar. Como ato administrativo, que é, padece do vício da ilegalidade, como demonstrado. Por essa razão, o lançamento que exige o ITR do exercício de 2005 deve ser desconstituído; · Sem embargo do exposto, em que o impugnante postula a desconstituição do lançamento de ofício do ITR do exercício de 2005, por vício de ilegalidade, o impugnante, conquanto venha apresentando suas declarações, na esperança de obter vitória no Judiciário, já informou ao Auditor Fiscal revisor que a propriedade em causa fora invadida por Joaquim de Barros Primo, perdendo assim a posse do imóvel. Não bastasse isso, no ano de 2000, um estelionatário conseguiu, junto aos Cartórios de Altamira e São Félix do Xingu, trocar, na matrícula do imóvel, o nome de seu adquirente, no caso, do impugnante, por outro, de nome PAULO FERNANDO DIAS (o impugnante é PAULO FERNANDES DIAS), em virtude de utilização de procuração falsa e escritura lavrada na Comarca de Araguaína, em Tocantins, transferindoo posteriormente para Ednei José Ferreira; · em razão desse fato, o impugnante ajuizou, além da ação reivindicatória, que fora distribuída na Comarca de São Félix do Xingu, no ano de 2003, propôs a ação declaratória de nulidade de ato jurídico, perante o Juízo da Comarca de São Félix do Xingu, Estado do Pará, que tramita sob o n°. 2007.1.0021; · em face da invasão à Fazenda Planície Verde e de sua transferência a Ednei José Ferreira pelo falsário PAULO FERNANDO DIAS, o impugnante acabou por perder a propriedade. Quer dizer, neste momento, a mencionada Fazenda não pertence mais ao impugnante. Por esse motivo, o ITR Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 exigido e impugnado, se não for reconhecida a ilegalidade do lançamento, não cabe por ele, impugnante, ser pago; · finalmente, requer: ·· que seja julgado procedente a impugnação e improcedente o lançamento de ofício, desconstituindoo, em face de sua ilegalidade; ·· seja cancelado o lançamento praticado e cobrado o imposto de quem detém somente a posse ou a posse e o domínio do bem imóvel, segundo prova já produzida. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o titular do seu domínio útil ou mesmo o possuidor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer um deles. Assim, cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como tal na correspondente DITR/2005 e no Cadastro de Imóveis Rurais da RFB CAFIR. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA VTN. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme disposto no processo administrativo fiscal PAF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 29/03/2011 (fl. 98pdf), Paulo Fernandes Dias apresenta Recurso Voluntário em 28/04/2011 (fls. 116pdf e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721012/200764 Acórdão n.º 2201002.293 S2C2T1 Fl. 4 5 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente (18,0 ha) e de reserva legal (1.530,8 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 32.000,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 193.600,00, com base no SIPT. Em sua peça recursal alega preliminarmente o recorrente que “... embora não estivesse na posse do imóvel, apresentou a declaração do ITR, no intuito tentar garantir uma futura reintegração, o que não ocorreu até o presente momento”. Assevera, ainda, que “... não se encontra na posse do imóvel desde o ano de 2002, conforme se demonstra na cópia a ação Reivindicatória de posse, ingressada em junho de 2003, perante a vara Cível da Comarca de São Feliz do Xingu, estando em trâmite, se deslinde, até os dias atuais, conforme cópia do andamento da ação no site do Poder Judiciário do estado do Pará”. Pois bem, os arts. 1º e 4º da Lei nº 9.363/1996 define fato gerador e contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Da leitura supra, concluise que o contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, o imposto é devido por qualquer pessoa que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Feitas as considerações iniciais, cumpre investigar se o recorrente poderia ser considerado contribuinte do ITR. Quanto à propriedade do imóvel, compulsandose as matrículas da Fazenda Planície Verde constituída pelo lote 22A do loteamento São Félix do Xingu, fls. 28/33, verificase que o proprietário do imóvel é Paulo Fernando Dias, agropecuarista, portador da Cédula de Identidade n° 304.333 SSP/DF, CPF n° 760.113.26065, residente e domiciliado em BrasíliaDF. Contudo, a autoridade fiscal constituiu a exigência contra o ora recorrente, Paulo Fernandes Dias, CPF o nº 057.967.50925, residente e domiciliado em Maringá/PR, que não consta, na data do fato gerador, como proprietário do imóvel na matrícula. Embora o recorrente se considere o legítimo proprietário do imóvel, como afirma em sua peça recursal, o fato é que somente o registro do imóvel tem o condão de conferir propriedade imobiliária e somente a sua anulação pode alterar a titularidade do bem, conforme preceitua o §2º do art. 1.245 do Código Civil Brasileiro. Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 (...) § 2º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Citase, outrossim, o art. 252 da Lei n.º 6.015/1973: Art. 252 O registro, enquanto não cancelado, produz todos os seus efeitos legais ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido. Portanto, enquanto não anulado o registro da titularidade da propriedade, o recorrente não pode ser considerado proprietário do imóvel, para fins de incidência do ITR. No que tange à definição de posse e titular do domínio útil, cumpre reproduzir a resposta extraída do “Perguntas e Respostas do ITR/2007” disponível no sitio da Receita Federal do Brasil:1 POSSUIDOR A QUALQUER TÍTULO 032 Quem é possuidor a qualquer título? O ITR adota o instituto da posse tal qual definido pelo Código Civil. É possuidor a qualquer título aquele que tem a posse plena do imóvel rural, sem subordinação (posse com animus domini), seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, como ocorre no caso do usufrutuário, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. A expressão posse a qualquer título referese à posse plena, sem subordinação (posse com animus domini), abrangendo a posse justa (legítima) e a posse injusta (ilegítima). A posse será justa se não for violenta, clandestina ou precária; será injusta se for: I violenta, ou seja, adquirida pela força física ou coação moral; II clandestina, isto é, estabelecida às ocultas daquele que tem interesse em tomar conhecimento; III precária, quando decorre do abuso de confiança por parte de quem recebe a coisa, a título provisório, com o dever de restituíla. (CC, arts. 1.196, 1.390, 1.394, 1.403, II, 1.412 e 1.414; IN SRF nº 256, de 2002, art. 4º, § 2º) POSSE NÃO AUTORIZADA 033 Considerase contribuinte do ITR o possuidor com posse não autorizada? Sim. Para efeito do ITR, é contribuinte o possuidor a qualquer título. Considerase possuidor a qualquer título aquele que tem a 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/itr/2007/itr2007perguntasrespostasditr2007.pdf Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721012/200764 Acórdão n.º 2201002.293 S2C2T1 Fl. 5 7 posse do imóvel rural, inclusive a decorrente de ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. (IN SRF nº 256, de 2002, art. 4º, § 2º) TITULAR DO DOMÍNIO ÚTIL 031 Quem é titular do domínio útil? É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. (Lei nº 3.071, de 1º de Janeiro de 1916, art. 678; CC, art. 2.038; IN SRF nº 256, de 2002, art. 4º, § 1º) Pelo que se vê, possuidor a qualquer título é aquele que tem a posse plena do imóvel rural. Por sua vez, titular do domínio útil é aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. Entretanto, não é caso dos autos. Verificase que o recorrente ajuizou Ação Reivindicatória, fls. 36/43, em razão de não possuir a posse do imóvel. Com efeito, esse tipo de ação é sempre comandado por aquele que não tem posse e deseja readquirila. Portanto, por não ser proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título o recorrente não pode ser considerado contribuinte do ITR, conforme taxativamente prevê os arts. 1º e 4º da Lei nº 9.363/1996. Nesses termos, como não se formou a relação jurídicotributária entre a Fazenda Nacional e o autuado, não pode o recorrente figurar no polo passivo da obrigação tributária. Ressaltese que outros julgados, envolvendo a mesma matéria e o mesmo contribuinte, acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva. São eles: Acórdãos nºs 2202 001.550, 2202001.607 e 2202001.608. Ante a todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10218.721012/200764 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.293. Brasília/DF, 21 de novembro de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10840.000091/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTO. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. VERDADE REAL
Comprovada a moléstia grave por parte do contribuinte por meio de documentação idônea, ainda que em sede de Recurso Voluntário, faz este jus a isenção de Imposto de Renda constante na legislação.
Numero da decisão: 2202-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 12/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente da turma), Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Jimir Doniak Jr, Antonio Lopo Martinez
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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OMISSÃO DE RENDIMENTO. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. VERDADE REAL Comprovada a moléstia grave por parte do contribuinte por meio de documentação idônea, ainda que em sede de Recurso Voluntário, faz este jus a isenção de Imposto de Renda constante na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 12/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente da turma), Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Jimir Doniak Jr, Antonio Lopo Martinez Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 00 91 /2 00 7- 20 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, a fiscalização emitiu Notificação de Lançamento referente ao AnoCalendário de 2003, exercício 2004, às fls. 14/17 (fls. 15 à 18 do EProcesso), em face de omissão de rendimentos de trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 32.414,67 (trinta e dois mil quatrocentos e quatorze reais e sessenta e sete centavos), recebidos pelo recorrente das seguintes fontes pagadoras (i) Instituto Nacional do Seguro Social (R$ 17.957,46) e (ii) Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social (R$ 14.457,21). Neste, restou determinada a exigência de crédito tributário no montante de R$ 5.083,71, sendo R$ 2.343,49 a titulo de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 1.757,61, de multa de oficio, e R$ 982,62, de juros de mora, calculados até 28/12/2006. Impugnação Apresentada impugnação (fl. 02 do EProcesso) embasada nos seguintes argumentos: (i) que a importância de R$ 88.084,25 paga pela Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, em verdade se refere a ação trabalhista movida contra a Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras, tendo sido tributado. (ii) que os proventos recebidos pelo INSS e pela Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, como rendimentos tributáveis, são isentos, pois o impugnante estaria acometido de moléstia grave, à época do Lançamento; (iii) que o laudo oficial emitido em 03.05.2006, de que o contribuinte não mais estaria acometido da moléstia, não poderia retroagir para a data do lançamento, anocalendário 2003, exercício 2004, pois a lei somente retroagiria para beneficiar o contribuinte; Posteriormente, apresentou nova petição, juntando laudo pericial exarado pela Secretaria da Receita Federal, de que o paciente foi submetido em 2009 à nova cirurgia para troca de válvula aórtica biológica. Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 3ª Turma da DRJ/SP2, (fls. 2531 do EProcesso), mantendo na integralidade o crédito tributário exigido, sob o fundamento de que não haveria sido comprovada a moléstia grave à época do anocalendário de 2003 e, portanto, os rendimentos de aposentadoria e complementação de aposentadoria recebidos são tributáveis, em face do laudo emitido pelo INSS em 03.05.2006. Esclareceu a Receita, que o contribuinte não recebeu da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social o montante de R$ 102.541,46, como consignado na notificação de lançamento, mas tão somente a quantia de R$ 14.457,21, assim como a quantia de R$ 17.957,46 do INSS – Instituto Nacional da Seguridade Social, ambos referentes a complementação de aposentadoria e aposentadoria, respectivamente, tendo sido o valor de R$ 88.084,25 auferido da pessoa jurídica Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10840.000091/200720 Acórdão n.º 2202002.356 S2C2T2 Fl. 9 3 Ainda, que o contribuinte ofereceu à tributação na declaração do IRPF/2004 apenas os rendimentos percebidos da Eletrobrás e Jugurta Carvalho Lisboa ME, nos respectivos valores de R$ 88.084,25 e 1.800,00. Recurso Voluntário De tal decisão, foi apresentado Recurso Voluntário (fl. 3739 do EProcesso), repisando os argumentos apresentados em impugnação. Ainda, fazendo o recorrente a ressalva quanto ao equívoco anteriormente ocorrido de, embora informado que haveria atestado médico datado de 06.07.1993, o mesmo não havia sido juntado, o que se fez agora, em sede de recurso. Afirma estar enquadrado no disposto no art. 47 da Lei 8.541/92, pela ocorrência de cardiopatia grave: Art. 47. No art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dêse ao inciso XIV nova redação e acrescentese um novo inciso de número XXI, tudo nos seguintes termos: " Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ............................................................................................. XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão." Por fim, ressalta “duas situações de direito” que haveriam sido violadas: “(i) o restabelecimento da apresentação do laudo médico datado de 06/07/1993, anteriormente apresentado no atendimento aos Termos de Intimações no início da fiscalização, e que por erro não havia sido anexado à Impugnação”, levando a consequente reclassificação de rendimentos como não tributáveis e (ii) o consequente cancelamento da aplicação da penalidade “ao tirar um direito até então utilizado, retroagindo com essa interpretação ao ano calendário de 2003”, pelo entendimento de que a Lei só poderia retroagir para beneficiar, “e não para aplicar penalidade ou tirar um direito até então utilizado”. Em petição datada de 25.05.2012 requereu a prioridade de tramitação nos termos da Lei 10.741/03, Estatuto do Idoso. É o relatório Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recorrente traz em suas razões especialmente três alegações: (i) de que estaria acometido por moléstia grave, qual seja, cardiopatia grave, do tipo estenose aórtica, tendo sido submetido à cirurgia de troca de válvula aórtica em 06.07.93, e por isso enquadrandose na legislação quanto à isenção de imposto de renda, assim como (ii) de que em 20.10.2009 necessitou de nova intervenção cirúrgica para a troca da válvula aórtica biológica por outra de mesmo tipo, juntando Laudo Pericial relatando a ocorrência desde 1993 da enfermidade e ainda (iii) de que o atestado médico datado de 25.03.2006 não poderia retroagir para alcançar fatos ocorridos anteriormente, como a notificação de lançamento do exercício 2004, anocalendário 2003. Traz expressamente o Regulamento do Imposto de Renda, compilando as Leis 7.713/88, 8.541/92 e 9.250/95 que: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n º 7.713, de 1988, art. 6 º , inciso XIV, Lei n º 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n º 9.250, de 1995, art. 30, § 2 º ); Dispondo sobre tal concessão, o artigo 30 da Lei 9.250 de 1995 determinou que: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Ainda, a Instrução Normativa SRF n° 15 de 2001, normatizando o disposto no art. 6, XIV da Lei n° 7.713/88 assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10840.000091/200720 Acórdão n.º 2202002.356 S2C2T2 Fl. 10 5 tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tais regras devem ser interpretadas literalmente, conforme disposição do art. 1111 do Código Tributário Nacional e assim sendo, dois são os requisitos para a isenção de imposto de renda: tratarse de rendimentos de aposentadoria e complementação de aposentadoria e a ocorrência de alguma das moléstias dispostas na Lei. Quanto ao primeiro requisito, inequívoco ser cumprido o mesmo, conforme documentação acostada e concordância expressa da DRJ quando do julgamento da impugnação. A discussão em tela giraria em torno da comprovação do segundo requisito, comprovação do contribuinte de que estaria abrangido pela isenção da legislação do Imposto de Renda, quando da data de ocorrência do fato gerador. Conforme já exposto no relatório, o recorrente trouxe em sede de recurso voluntário atestado médico de que o mesmo havia se “submetido à cirurgia de troca de válvula aórtica por estenose aórtica grave em 06.07.93”, assim como “Preparação de Relatório Médico” e “Impresso para emissão de carteira de portador de válvula cardíaca artificial” emitidos pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP, datados de 14.07.93 e carta dirigida ao Instituto Nacional de Seguridade Social INSS do Rio de Janeiro/RS, requerendo a suspensão do desconto de Imposto de Renda. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em diversas oportunidades já se manifestou a respeito, aceitando a juntada de documentos quando da apresentação do Recurso Voluntário: Número do Processo: 13748.000567/200183 Data de Publicação: 18/10/2006 Contribuinte: JEFERSON EVANGELISTA CORREA Relator(a): Moises Giacomelli Nunes da Silva Ementa: GLOSA DE DESPESAS – PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROVAS A verdade real é princípio que não pode ser afastado do processo administrativo. Na busca da verdade e para a apuração do 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 efetivo tributo devido, é assegurado ao contribuinte, em qualquer fase do processo, apresentar provas pertinentes e necessárias ao julgamento. A juntada aos autos, ainda que após o julgamento de primeira instância, de documento que comprove a efetiva contribuição à Previdência Oficial, importa considerá lo e, se for o caso, afastar a glosa. Demonstrado por meio de documentos as efetivas contribuições feitas à Previdência Oficial, afastase a glosa. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara) Número do Processo: 10480.010832/200211 Data de Publicação: 07/12/2006 Contribuinte: JOSE QUITINO GUIMARAES JUNIOR Relator(a): Silvana Mancini Karam Ementa: DESPESAS MÉDICAS COMPROVANTES PRINCIPIO DA VERDADE REAL RESTABELECIMENTO DA DEDUÇÃO É de se acolher documentos apensados em sede de recurso voluntário em homenagem à verdade real. Comprovada a efetividade da despesa médica é de se restabelecer a sua dedução. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesa médica. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara) Número do Processo: 13924.000276/200298 Data de Publicação: 26/05/2006 Contribuinte: JOSE CARLOS DE LIMA Relator(a): José Ribamar Barros Penha Ementa: IRPF IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERDADE MATERIAL A comprovação do recolhimento do imposto na fonte mediante cópias de DARF apresentadas na fase recursal, em homenagem ao princípio da verdade real, comporta a alteração do lançamento. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Sexta Câmara) Assim, entendo que há comprovação hábil e idônea de cardiopatia grave desde a data da primeira cirurgia, qual seja, 06.07.93. Ainda, a Instrução Normativa n° 15 da própria Receita Federal do Brasil trouxe que as isenções solicitadas a partir de 1° de janeiro de 1996 só poderiam ser deferidas se houvesse reconhecimento mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Contrário senso, anteriormente a tal data, não seria necessária para a concessão da isenção o dito laudo pericial oficial. No caso em tela, uma vez que a isenção foi solicitada antes de 1996, não se fazia necessário o reconhecimento mediante laudo pericial emitido por médico oficial. Também, não Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10840.000091/200720 Acórdão n.º 2202002.356 S2C2T2 Fl. 11 7 havia na legislação, qualquer disposição acerca do prazo de validade do laudo pericial, devendo o laudo pericial apresentado pelo recorrente ser considerado válido. A fiscalização cobra valores referentes ao anocalendário de 2003 embasandose em laudo médico oficial datado de 2006. Ora, entendo que não pode um laudo de 2006 retroagir a data de 2003, sob pena de inobservância à segurança jurídica, princípio basilar do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, conforme constante no art. 2° da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Assim, laudo posterior, datado de 2006 somente poderia ser usado como embasamento para autuações futuras. Ainda que assim não se entendesse, o próprio Superior Tribunal de Justiça por diversas vezes já decidiu que, ainda que a legislação disponha sobre a necessidade de laudo médico oficial, os juízes não estarão vinculados estritamente à dita norma: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LIVRE CONVENCIMENTO. 1. Não há nulidade por ofensa ao art. 535, inciso II, do CPC no acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso em apreço, o Tribunal regional foi claro ao declarar a isenção tributária do recorrido por ser pessoa possuidora de cardiopatia grave. 2. Ademais, o artigo 30 da Lei nº 9.250/95 não vincula o magistrado em sua livre apreciação de provas dos autos, apesar da condição imposta pelo dispositivo, que exige laudo pericial oficial para concessão de isenção do imposto de renda aos portadores de moléstias graves. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1251099/SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/03/2012, DJe 16/03/2012) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. CARDIOPATIA GRAVE. LIBERDADE DO JUIZ NA APRECIAÇÃO DAS PROVAS. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a determinação do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 destinase à Fazenda Pública, podendo o magistrado valerse de outras provas produzidas (Código de Processo Civil, artigos 131 e 436). 2. Não estando o magistrado adstrito aos laudos médicos oficiais, descabe censura ao acórdão que, de acordo com outras provas dos autos e o livre convencimento, julgou comprovada a existência de cardiopatia grave que isenta a autora do imposto de renda. 3. Agravo regimental improvido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 (AgRg no REsp 1160742/PE, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/04/2010, DJe 29/04/2010) Mais razão ainda, por laudo pericial oficial atestar de que desde 03.2009 até a data da expedição do laudo, qual seja, 03.11.2009 o contribuinte seria portador de cardiopatia grave, assim como de sua troca de válvula aórtica no ano de 1993, com duração estimada entre 8 e 10 anos, estando constantemente sujeito à novas intervenções. Assim, em atenção ao princípio da verdade real, levandose em conta os documentos juntados, ainda que em Recurso Voluntário, há fundamento nas alegações do recorrente, devendo os mesmos serem analisados e valorados. Nesse sentido, entendo que deve ser provido o recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 27/09/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907737/2011-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 37 /2 01 1- 31 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907737/201131 Acórdão n.º 3803005.168 S3TE03 Fl. 79 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/10/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907737/201131 Acórdão n.º 3803005.168 S3TE03 Fl. 80 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907737/201131 Acórdão n.º 3803005.168 S3TE03 Fl. 81 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907737/201131 Acórdão n.º 3803005.168 S3TE03 Fl. 82 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10825.000837/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/07/2006
IMPOSTO SOBRE AS IMPORTAÇÕES. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO EM ALTERAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL DE EXAME DA MERCADORIA IMPORTADA. INACEITABILIDADE DE LAUDOS PRIVADOS ONDE AS AMOSTRAS PERICIADAS NÃO FORAM EXTRAÍDAS DAS MERCADORIAS EFETIVAMENTE ADQUIRIDAS.
O pedido de reconhecimento de direito creditório pelo pagamento indevido ou a maior de tributos somente poderá ser deferido uma vez comprovada taxativamente a existência de indébito tributário. Com relação a pedido de restituição do Imposto sobre as Importações baseado na alteração da classificação fiscal de produto objeto de Declaração de Importação, impende seja comprovado o erro cometido na classificação das mercadorias importadas. Para tal fim, não podem ser aceitos laudos privados fundados em amostras não extraídas da importação realizada pelo sujeito passivo, uma vez que a mercadoria importada já não mais se encontrava sob os cuidados da autoridade alfandegária, o que impossibilita também a realização de perícia nos produtos adquiridos.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/07/2006 IMPOSTO SOBRE AS IMPORTAÇÕES. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO EM ALTERAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL DE EXAME DA MERCADORIA IMPORTADA. INACEITABILIDADE DE LAUDOS PRIVADOS ONDE AS AMOSTRAS PERICIADAS NÃO FORAM EXTRAÍDAS DAS MERCADORIAS EFETIVAMENTE ADQUIRIDAS. O pedido de reconhecimento de direito creditório pelo pagamento indevido ou a maior de tributos somente poderá ser deferido uma vez comprovada taxativamente a existência de indébito tributário. Com relação a pedido de restituição do Imposto sobre as Importações baseado na alteração da classificação fiscal de produto objeto de Declaração de Importação, impende seja comprovado o erro cometido na classificação das mercadorias importadas. Para tal fim, não podem ser aceitos laudos privados fundados em amostras não extraídas da importação realizada pelo sujeito passivo, uma vez que a mercadoria importada já não mais se encontrava sob os cuidados da autoridade alfandegária, o que impossibilita também a realização de perícia nos produtos adquiridos. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/07/2006 IMPOSTO SOBRE AS IMPORTAÇÕES. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO FUNDADO EM ALTERAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL DE EXAME DA MERCADORIA IMPORTADA. INACEITABILIDADE DE LAUDOS PRIVADOS ONDE AS AMOSTRAS PERICIADAS NÃO FORAM EXTRAÍDAS DAS MERCADORIAS EFETIVAMENTE ADQUIRIDAS. O pedido de reconhecimento de direito creditório pelo pagamento indevido ou a maior de tributos somente poderá ser deferido uma vez comprovada taxativamente a existência de indébito tributário. Com relação a pedido de restituição do Imposto sobre as Importações baseado na alteração da classificação fiscal de produto objeto de Declaração de Importação, impende seja comprovado o erro cometido na classificação das mercadorias importadas. Para tal fim, não podem ser aceitos laudos privados fundados em amostras não extraídas da importação realizada pelo sujeito passivo, uma vez que a mercadoria importada já não mais se encontrava sob os cuidados da autoridade alfandegária, o que impossibilita também a realização de perícia nos produtos adquiridos. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 08 37 /2 00 9- 55 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ São Paulo II (fls. 104/110 do processo eletrônico – numeração a qual adotaremos como padrão nas referências feitas aos autos doravante), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de alteração de classificação fiscal de mercadoria declarada em declaração de importação – DI. Transcrevo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito decorrente de retificação de declaração de importação de n° 06/08467663, fls. 01/07, tendo a interessada alegado: com base na classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), o polímero de etileno é classificado sob o código 3920.10.0, dividindose, entre outras, nas subclasses 3920.10.91 que se refere aqueles “de densidade inferior a 0,94/cm3 , com óleo de parafina e carga (sílica e negrodecarbono), apresentando nervuras paralelas entre si, com uma resistência elétrica segundo Norma JIS C 231390, superior ou igual a 0,059 ohms.cm2 mas inferior ou igual a 0,78 ohms.cm2, em rolos, dos tipos utilizados para a fabricação de separadores de acumuladores elétricos”, e 39.20.10.99, genericamente denominado “outras”; conforme previsto na Resolução MERCOSUL/GMC/RES. n° 054/04 (doc. 01), a subclasse 3920.10.91 tem alíquota de Tarifa Externa Comum de 2% (dois por cento), ao passo que à subclasse 3920.10.99 fora atribuída a alíquota de 16%; ao proceder a presente importação, a autoridade fazendária classificou o polímero de etileno na subclasse 3920.10.99, atribuindolhe a Tarifa Externa Comum de 16% (dezesseis por cento); inconformada, a Requerente buscou contato com seus fornecedores, uma vez que a aquisição referiase ao polímero com densidade inferior a 0,94 g/cm3, próprio para a confecção dos separadores de acumuladores elétricos conforme atesta a própria descrição da subclasse na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); obteve uma Carta de Certificação emitida pela empresa Ticona, referente ao Produto GUR, certificando que “todos os polímeros GUR de Polietileno de Peso Molecular Ultra Alto virgens, como produzidos na cor natural, têm uma densidade inferior a 0,94 g/cc (doc. 2), concluiuse pela absoluta confiabilidade das informações, dados e, notadamente, acerca da densidade do produto em questão; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10825.000837/200955 Acórdão n.º 3802002.335 S3TE02 Fl. 129 3 no referido teste foram utilizados 10 (dez) amostras do polímero de etileno isolado, ou seja, desacompanhado do óleo de parafina e enchimento composto por sílica e negro de fumo. Todos os lotes testados apresentaram densidade que variava entre 0,926 g/cm3 e 0,929 g/cm3 (doc. 02); o Laboratório Ticona, em Bishop Texas, condutor do método de teste da referida análise, foi certificado pela ISSO 17025 para “Métodos Padronizados de Teste para Densidade e Gravidade Específica (densidade Relativa) de Plásticos por Deslocamento”, com credenciamento concedido pela “Laboratory Accreditation Bureau” até 09 de outubro de 2008 (doc. 03); referidos testes foram repetidos junto ao laboratório do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações CPqD, na cidade de Campinas SP, onde as conclusões foram as mesmas obtidas junto aos fabricantes dos componentes, ou seja, de que “a densidade de 0,94g/cm3 é do Polietileno sem carga” (doc. 05); diante de toda a comprovação pericial, resta perquirir o alcance da classificação descrita na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para o polímero de etileno; resta certo que o produto objeto da Declaração de Importação objeto do presente pedido deve ser submetido a Tarifa Externa Comum de 2% (dois por cento) mostrandose imperiosa sua retificação, bem como a restituição dos valores recolhidos a maior; pede e espera deferimento. O DESPACHO DECISÓRIO de fls. [...], indeferiu o pedido nos seguintes termos: “.../... Do Pedido de Retificação .../... O contribuinte em seu requerimento alega que “a autoridade fazendária classificou o polímero de etileno na subposição 3920.10.99”, documento de fls. 05, o que não corresponde aos fatos, pois não consta no corpo da DI a classificação que o contribuinte cita. Entre outras informações que o importador presta no momento da importação, estão a classificação e a descrição completa da mercadoria, as quais são efetuadas no ato do registro da Declaração de Importação pelo importador, e não pela autoridade fazendária, na forma do item 35 do Anexo Único da IN/SRF n° 680 de 02 de Outubro de 2006, não se justificando, portanto, a alegação do interessado, quanto a esse quesito; O art. 114 do Regulamento Aduaneiro preconiza que seja interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção ou redução, nos seguintes termos: Art. 114. interpretase literalmente a legislação tributária que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do imposto de importação (Lei n° 5.172, de 1966, art. 111, inciso II). (grifo nosso); O requerente, no ato de registro da DI acima identificada classificou a mercadoria na posição NCM 8507.90.10 Separadores para acumuladores elétricos, mercadoria que foi importada da República Popular da China e no campo ‘Descrição Detalhada da Mercadoria’, a descreveu como: "57293 m2 correspondente a 358,080 metros lineares separadores de polietileno microporosos com poros de dimensão média de 2 microns, de baterias chumbocálcioácido de 12 volts", documento de fls. 22; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), consta na posição: 8507 Acumuladores elétricos e seus separadores, mesmo na forma quadrada ou retangular ...8507.90 Partes ...8507.90.10 Separadores TEC16% ou seja, mercadoria já industrializada, pronta para consumo. Do Pedido de Reconhecimento do Direito Creditório Considerando que: 01 Não há no processo comprovação de que houve conferência física e perícia (Laudo Técnico) das mercadorias despachadas para consumo; 02 A impossibilidade de realização de uma perícia, para examinar as características dos produtos importados, face o tempo decorrido entre o desembaraço (20/07/2006) e a data do pedido de restituição (14/05/2009), ou seja, aproximadamente três anos, visto que nesse período de tempo a mercadoria provavelmente foi consumida; 03 As mercadorias, por conseqüência, não se encontram mais sob controle aduaneiro (recinto alfandegado), impossibilitando a confirmação das alegações do interessado; 04 O interessado não anexou a Nota Fiscal de Entrada, o Livro de Registro de Entradas e o Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, impossibilitando a correta identificação da mercadoria que deu entrada em seu estabelecimento; 05 Não foi anexada a procuração completa, o que não permite saber quais os poderes que foram conferidos aos procuradores; Concluise, portanto que o contribuinte não logrou demonstrar a ocorrência de erro de alíquota, fato esse que impossibilita o deferimento do pedido de retificação. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.579 de 05/02/2009 (DOU de 06/02/2009) ao tratar da restituição, assim preceitua: Art. 110. Caberá restituição total ou parcial do imposto pago indevidamente, nos seguintes casos: I diferença, verificada em ato de fiscalização aduaneira, decorrente de erro (DecretoLei n°37 de 1966, art. 28, inciso I): a) de cálculo; b) na aplicação de alíquota; e c) nas declarações quanto ao valor aduaneiro ou à quantidade de mercadoria; II apuração, em ato de vistoria aduaneira, de extravio ou de depreciação de mercadoria decorrente de avaria (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 28, inciso II); III verificação de que o contribuinte, à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e os requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei n° 5.172, de 1966, art. 144, caput); e (grifos nossos) Nos termos do Artigo 15 da IN/RFB n° 900/2008, os valores recolhidos a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF, por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI), só poderão ser restituídos ao importador caso se tornem indevidos em virtude de cancelamento ou retificação de DI; Assim, nos termos do Regulamento Aduaneiro, uma das condições para restituição do imposto é a verificação de que o contribuinte, à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou se já havia preenchido as condições e os requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (inciso III); Da Decisão Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10825.000837/200955 Acórdão n.º 3802002.335 S3TE02 Fl. 130 5 Com base nos fundamentos acima expostos, onde se verifica que o interessado não reuniu os elementos necessários para respaldar sua solicitação de retificação de DI cumulada com restituição de crédito de Imposto de Importação e com fulcro na Delegação de Competência que trata a Portaria ALF/STS n° 150, de 23 de abril de 2010, INDEFIRO o pedido de retificação da DI n° 06/04977268, e o conseqüente direito de crédito no valor de R$ 12.859,31 (doze mil, oitocentos e cinquenta e nove reais, trinta e um centavos) constantes neste processo;” Ciente do indeferimento a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, fls. 63/73, alegando o já alegado, acrescentando que o indeferimento do pleito prendese a questões exclusivamente formais, sem rebater em qualquer linha o ponto chave da questão, qual seja, a densidade do polímero de etileno utilizado em separadores elétricos, apta a determinar a alíquota do Imposto sobre a Importação aplicável a espécie. Alega que a decisão hostilizada aponta alguns fatores que decorrem de erro material perfeitamente escusável e passível de fácil correção. Alega ainda que a classificação aposta na DI, alocando a mercadoria como “SEPARADORES DE POLIETILENO” submetida a subclasse 8507.90.10 está equivocada e decorre de erro material. A ciência da decisão que indeferiu o pleito da recorrente ocorreu em 26/11/2012 (fls. 112). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/12/2011, o recurso voluntário de fls. 116/126, onde se insurge contra o não acolhimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que a decisão recorrida é restrita a questões exclusivamente formais, não tendo rebatido o ponto chave da questão, qual seja, àquela relacionada à densidade do polímero de etileno utilizado em separadores elétricos, apta a determinar a alíquota do Imposto sobre a Importação; b) que o erro material cometido pela recorrente é perfeitamente escusável e passível de correção; c) que a mercadoria importada pela interessada, conforme descrita na nota fiscal de entrada, são “CHAPAS DE POLÍMERO DE ETILENO PARA PRODUÇÃO DE SEPARADORES PARA ACUMULADORES ELÉTRICOS”; assim, a classificação aposta na DI, “alocando a mercadoria como ‘SEPARADORES DE POLIETILENO’ submetida à subclasse 8507.9010 está equivocada e decorre de erro material escusável”; d) que a rejeição dos laudos apresentados pela empresa, sob a justificativa de as entidades responsáveis pelos mesmos não serem credenciadas junto à RFB, afrontam o princípio constitucional da ampla defesa e o princípio da verdade material; e) que, se dúvidas pairam quanto aos elementos probatórios colacionados aos autos, estes deveriam ser baixados em diligência a fim de que se proceda nova análise do material importado; f) reitera que produto importado tem densidade inferior a 0,94 g/cm3, razão pela qual a correta classificação do mesmo corresponderia ao código NCM 3920.10.91, que se restringe apenas ao polímero “[...] Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 desacompanhado do óleo de parafina e enchimento composto por sílica e negro de fumo”. Requer, ao final, seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. A matéria objeto da lide envolve a retificação de código NCM informado em Declaração de Importação, cumulada com pedido de reconhecimento de direito creditório por suposto recolhimento a maior do Imposto de Importação. Dita retificação foi indeferida pela autoridade aduaneira por esta haver entendido que os documentos constantes dos autos não seriam suficientes para fazer prova favoravelmente à pleiteante, e que a mercadoria há muito já adentrara a zona secundária, impossibilitando, assim, o exame dos produtos efetivamente importados. Com efeito, no próprio despacho decisório que indeferiu o pedido da suplicante está consignada “a impossibilidade de realização de uma perícia, para examinar as características dos produtos importados, face o tempo decorrido entre o desembaraço (20/07/2006) e a data do pedido de restituição (14/05/2009), ou seja, aproximadamente três anos, visto que nesse período de tempo a mercadoria provavelmente foi consumida”. Tal realidade torna evidente a impossibilidade de realização de perícia nas mercadorias importadas, uma vez que as mesmas, quando da formalização do pedido de reconhecimento do direito creditório (como dito, em 14/05/2009), há muito já haviam saído do controle das autoridades aduaneiras. No que concerne à aceitação dos laudos trazidos pela recorrente, e abstraindome de realizar qualquer juízo de valor concernente à idoneidade ou à competência técnica das entidades que subscreveram os laudos em tela, entendo que referidos documentos não se revestem de força probatória em favor dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo, e isso pelo simples fato de os produtos periciados não corresponderem exatamente àqueles importados. Com efeito, na tradução do laudo emitido pela empresa Ticona, referida entidade assevera que as análises técnicas foram procedidas em “dez (10) lotes de GUR 4150 produzidos recentemente”. Ora, o documento em tela é datado de 08/02/2008. Já a importação foi registrada muito antes, especificamente em 20/07/2006. Resta claro, pois, que o material periciado não poderia ser o mesmo importado pelo sujeito passivo. O mesmo se diga em relação ao laudo elaborado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações – CPqD, onde consta que “as amostras foram entregues, ao CPqD, em 30/01/2008”. Evidente, portanto, que em ambos os casos as amostras periciadas não foram extraídas da importação realizada pela interessada. Releva destacar que o procedimento inerente à assistência técnica para a identificação de mercadoria importada ou a exportar exige o cumprimento de requisitos necessários à adequada obtenção da amostra, a fim de garantir que esta seja retirada das mercadorias armazenadas importadas ou a exportar. Daí porque há limitação do acesso aos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10825.000837/200955 Acórdão n.º 3802002.335 S3TE02 Fl. 131 7 locais onde se encontram armazenados referidos produtos, como expressamente prescreve o artigo 19 da IN SRF nº 157, de 22/12/1998, à época em vigor. Assim, e considerando que os laudos apresentados pelo sujeito passivo não fazem prova quanto às características técnicas das mercadorias efetivamente importadas – posto que as análises foram conduzidas com amostras diversas das adquiridas pela reclamante – resta claro que não há prova nos autos suficiente para subsidiar a alteração da classificação fiscal da mercadoria descrita na declaração de importação objeto do litígio. Consequentemente, não há como reconhecer o direito creditório guerreado pela litigante. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 28 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.722245/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo deve ser promovida individualizadamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea capaz de identificar não só o depositante como também a natureza da operação que deu causa ao deposito.
Numero da decisão: 1201-000.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, atuando como Presidente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo deve ser promovida individualizadamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea capaz de identificar não só o depositante como também a natureza da operação que deu causa ao deposito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, atuando como Presidente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722245/200907 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.909 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo deve ser promovida individualizadamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea capaz de identificar não só o depositante como também a natureza da operação que deu causa ao deposito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, atuando como Presidente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 22 45 /2 00 9- 07 Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0338.049 exarado pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 913 e ss.): Em 29/10/2009, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes aos anos calendário de 2004 e 2005, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 45.862.962,60, assim discriminados por exação fiscal: (...) A ação fiscal decorreu de solicitação do Ministério Público Federal para que se procedesse com a análise tributária dos fatos descritos no Procedimento Administrativo nº 2.20.000.000216/200540. Nesse contexto, dentre os contribuintes envolvidos, encontrase a fiscalizada, cuja movimentação financeira encontrase incompatível com os valores declarados em DIPJ para os anoscalendário de 2004 e 2005. Foram apresentados á Fiscalização os livros contábeis e obtidos os extratos bancários do Banco HSBC, Banco do Estado de São Paulo – BANESPA, Banco BRADESCO, Banco do Estado de Santa Catarina – BESC, Banco Real e Banco do Brasil. Esclareceu a fiscalizada que a origem dos ingressos dos recursos nas contas bancárias eram decorrentes exclusivamente do contrato de prestação de serviços com a empresa americana UNO REMITTANCE Inc., exceto nos casos de transferência de numerário de mesma titularidade. A contribuinte recebia depósitos em suas contas bancárias no Brasil, originados do recebimento de direitos da empresa americana, e pagava obrigações por ordem da UNO REMITTANCE Inc., utilizandose dos recursos depositados. Para demonstrar a saída dos recursos das contas, a contribuinte encaminhou a listagem com o movimento diário dos pagamentos aos beneficiários indicados por ordem da UNO REMITTANCE Inc.. Contudo, as informações referentes às saídas de valores das contas correntes não foram apreciadas, tendo em vista que o objeto da análise da autoridade fiscal consistiu nos ingressos dos recursos. Assim, no que concerne às origens dos depósitos, a fiscalizada, após sucessivas prorrogações de prazo, informou ter encaminhado cartas aos bancos solicitando a identificação dos depositantes das suas contas correntes. Contudo, apenas o Banco do Brasil retornou disponibilizando listagem daqueles que efetuaram os depósitos em sua conta corrente. Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 4 3 Analisando a listagem de depositantes encaminhada pelo Banco do Brasil, a Fiscalização selecionou doze depósitos de valores mais expressivos, e enviou intimações aos depositantes, tendo obtido apenas uma resposta, que se limitou a dizer que o depósito teria sido efetuado por ordem do seu cliente, não informando qual o objetivo. Ou seja, restou indefinida a finalidade pela qual foram efetuados os depósitos. Verificou a Fiscalização que nenhum depósito foi efetuado pela empresa americana, tendo sido processados por terceiros, na medida em que os depósitos em originados do recebimento de direitos da UNO REMITTANCE Inc.. Por fim, para descaracterizar o contrato celebrado entre a fiscalizada e a empresa norteamericana, amparouse a autoridade fiscal no art. 123 do CTN e aos requisitos da Resolução nº 10, de 19 de novembro de 2001, do Conselho de Controle de Atividade Financeira – COAF, que não teriam sido atendidos, vez que a contribuinte não identificou todos os seus clientes nem manteve registro contábil da movimentação financeira, além de os depositantes dos recursos não terem informado a finalidade da remessa, caracterizando operação ilegal de valores. Em razão de os livros contábeis apresentados pela contribuinte não terem espelhado a movimentação financeira da empresa, havendo referência apenas quanto ao saldo bancário das contas, restou caracterizada a imprestabilidade da escrituração, motivo pelo qual procedeu a Fiscalização com o arbitramento do lucro. Foi tipificada a infração de omissão de receitas, em decorrência dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Cientificada dos lançamentos, em 29/10/2009 (Ciência do Sujeito Passivo às fls. 668 do Auto de Infração), a interessada apresentou a impugnação de fls. 707/765 em 27/11/2009 (carimbo de recepção às fls. 707). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, discorre sobre os pontos relacionados a seguir. Cerceamento do Direito de Defesa. Prazo Para Impugnação. A cópia integral dos elementos referenciados ao processo foi disponibilizada apenas 15 (quinze) dias após a cientificação do auto de infração, o que caracteriza manifesto cerceamento de seus direitos constitucionais fundamentais ao contraditório e à ampla defesa, na medida em que se viu compelida à elaboração de sua defesa administrativa em lapso temporal efetivo inferior àquele previsto em lei (art. 15 do PAF). Assim, reservase à impugnante à oportuna complementação desta manifestação para que lhe seja garantido o adequado respeito às suas prerrogativas constitucionais processuais. Cerceamento do Direito de Defesa. Supressão do Processo de Documentação Essencial à Impugnante. Os documentos apresentados pela impugnante, referentes à “cópia de todos os Fl. 5229DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 5 4 comprovantes de pagamentos efetuados pela FR (...) por ordem da UNO REMITTANCE Inc.”, foram excluídos da juntada dos autos do presente processo administrativo. Adicionalmente, a Administração Tributária não promoveu à devolução da correspondente documentação, conforme se pode verificar no “Termo de Devolução de Documentos nº 0001, de 29 de outubro de 2009”. Tratase de procedimento administrativo absolutamente inadmissível e manifestamente violador das garantias constitucionais e processuais administrativas mais primárias da impugnante, infringe os direitos fundamentais do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal. Ocorre que em se suprimindo os documentos dos autos, impedese o seu conhecimento ou análise por qualquer instância administrativa ou judiciária subseqüente (salvo novo e significativo esforço probatório por parte da impugnante, inclusive à vista do seu reduzido — à metade prazo efetivo para elaboração da correspondente manifestação administrativa de defesa), sendo que são elementos julgados essenciais pela impugnante, vez que corroboram a natureza das suas atividades, destacadamente frente à empresa UNO REMITTANCE Inc., inclusive na forma de comprovação, caso a caso, de sua efetiva ocorrência e do correspondente modus operandi. Nesse sentido, requer a impugnante, preliminarmente, que a Administração Tributária Federal promova a imediata e integral incorporação aos autos deste processo administrativo da documentação apresentada pela mesma impugnante em anexo à Carta FR 04/2009 (de 11 de setembro de 2009). sob pena, ab initio, de nulidade integral – por cerceamento primário aos direitos fundamentais ao contraditório e à ampla defesa e, por derivação, do direito fundamental ao devido processo legal – dos atos precedentes (inclusive e especialmente o próprio lançamento fiscal) e dos atos subseqüentes acaso praticados neste feito. Do Arbitramento. Em primeiro lugar, não procede a assertiva de que os Livros Diário e Razão da impugnante não espelhariam, ao menos no período fiscalizado, de 2004 e 2005, a movimentação financeira da empresa, posto que apenas registrariam "o saldo bancário das contas, caracterizando escrita irregular". Conforme se verifica das cópias integrais dos livros, constam todos os lançamentos referenciados à atividade da impugnante, não havendo a Administração tributária Federal indicado ou demonstrado, sequer exemplificativamente, uma única ocorrência em sentido contrário (quanto à existência e quanto à correção da escrituração contábil). O livro Diário, o único obrigatório pela legislação comercial faz prova também a favor da impugnante na medida em que atende a todos os requisitos exigidos. Os livros da impugnante registram, apenas por exemplo, dia a dia (precisamente uma vez a cada dia), o item "histórico" denominado "valor recebido por serviços prestados à vista", correspondente ao montante de 0,5% (meio por cento) pactuado (Cláusula 12 do respectivo Contrato — Anexo I a esta impugnação) entre a impugnante e a sua contratante, UNO REMITTANCE Inc., incidente sobre os pagamentos efetuados Fl. 5230DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 6 5 pela contribuinte por ordem daquela empresa norteamericana. Em segundo lugar, a Administração Tributária, ao promover o lançamento fiscal mediante arbitramento apresentou, como sustentáculo a tal procedimento, e a partir da premissa de imprestabilidade da escrita da impugnante, já acima desmistificada, conforme expresso no item "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", que compõe o correspondente Auto de Infração, que "a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas" (grifamos), incorreu em diversos equívocos. Um, que a legislação aplicável na matéria às empresas optantes pelo “lucro presumido” (RIR/99, art. 527), apenas exige “escrituração contábil nos termos da legislação comercial” (inciso I), o que foi plenamente atendido no caso, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal (inciso III), o que no caso foi respeitado. Dois, presumir que a impugnante deveria manter escrituração contábilfiscal própria e necessária à apuração do “lucro real”, como expressamente declinado pelo lançamento fiscal, quando a contribuinte em questão era legítima optante do “lucro presumido”. Em terceiro lugar, a impugnante não tinha a obrigação, ou condição, de identificar, per se, os responsáveis, pessoas físicas ou jurídicas, pelos depósitos efetuados em suas contas correntes, “posto que nunca manteve quaisquer relações comerciais com estes, que efetuavam os respectivos créditos por conta e ordem da empresa americana UNO REMITTANCE Inc.. Da Validade do Contrato com a UNO REMITTANCE Inc. e a Inaplicabilidade do Art. 123 do CTN. A Administração Tributária para construir a lógica argumentativa, no sentido de que todo o ingresso de recursos nas contas correntes seriam “depósitos bancários de origem não comprovada”, viuse diante da necessidade de desqualificar as receitas como próprias à atividade operacional, e, para tanto, declarou a invalidade do contrato mantido entre a contribuinte e a UNO REMITTANCE Inc., com fundamento no art. 123 do CTN, e em seguida recusou se ao exame da ampla e minuciosa documentação referente às operações de transferência (saídas) dos recursos previamente creditados em suas contas correntes por conta e ordem da mesma UNO REMITTANCE Inc.. A invalidação do contrato não se sustenta. Materialmente, tratase de contrato regular, firmado entre empresas regularmente estabelecidas em seus respectivos países, concernente à realização do objeto social de cada uma delas. Por outro lado, a UNO REMITTANCE Inc. – o termo em inglês "remittance" significa "remessa, envio, pagamento", e a expressão usualmente utilizada neste segmento "to send a remittance" significa "enviar uma remessa de dinheiro" – é empresa constituída sob as leis norteamericanas e tem por finalidade/objeto a prestação de serviços de transferência de dinheiro ("money transfer"), podendo tal finalidade/objeto específico ser identificado (a) tanto no seu site na internet (http://www.omnexgroup.com/UNOenglish.swf), informações corroboradas, por exemplo, pelo site http://www.internatíonal Fl. 5231DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 7 6 moneytransferinfo/, que contém informações sobre empresas que realizam atividade de transferência de dinheiro, "money transfer" (Anexo II a esta impugnação, quanto (b) no site da Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida (http://www.sunbiz.org/), onde também podem ser consultados os relatórios anuais e os dirigentes daquela empresa, dentre ele o Sr. Oscar Garcia que firmou em nome da empresa o contrato com a impugnante (Anexo III a esta impugnação). Formalmente o contrato encontrase referendado por notário público do Estado norte americano da Flórida, atestando assim a sua data de firmatura, e não se lhe aplica qualquer exigência – para fins de prova entre as partes, ou mesmo frente a terceiros – de registro ou tramitação consular como condição à sua validade no Brasil: esta exigência apenas existe na legislação pátria nas hipóteses (a) do art. 7º, parágrafo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil (com referência ao casamento, na hipótese ali especificada), dos arts. 32 (assentos de nascimento, óbito e de casamento de brasileiros em país estrangeiro) e 221, inciso I ("escritura pública", quando condição do ato jurídico), ambos da Lei n° 6.015/1973, e (c) do art. 1.134, parágrafo 2º, do Código Civil brasileiro de 2002 (autorização para atuação, direta, no país, de sociedade empresária estrangeira). Por sua vez, quanto ao art. 123 do CTN, sem qualquer necessidade de outro esforço hermenêutico, percebese que se refere à identificação da sujeição passiva, e dispõe quanto à inaplicabilidade – contra o fisco e para estes específicos fins (identificação da sujeição passiva) – de convenções particulares relativas à responsabilidade pelas obrigações tributárias, ou seja, nada mais distante do que a realidade dos fatos. Por fim, quanto à Resolução COAF nº 10, de 19 de novembro de 2001, não é aplicável à impugnante relativamente às operações objeto da atividade fiscal, porque (i) a obrigação constante nos arts. 2º e 3º da Resolução, inclusive para os fins a que se referem os arts. 4º e 5º da mesma Resolução, aplicamse relativamente aos "clientes" das "pessoas jurídicas não financeiras prestadoras de serviços de transferências nacionais ou internacionais de numerário", e, conforme já referenciado, os autores dos depósitos nas contas correntes da impugnante não eram, nem nunca foram, seus "clientes" — conforme registrado, e já transcrito, na fl. 2 da Carta FR 02/2009, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 001/09, a impugnante não tinha obrigação, ou condição, de identificar per se os responsáveis, pessoas físicas ou jurídicas, pelos depósitos efetuados em suas contas correntes, "posto que nunca manteve quaisquer relações comerciais com estes, que efetuavam os respectivos créditos por conta e ordem da empresa americana UNO REMITTANCE Inc."; e, (ii) mesmo que se entendesse a referida Resolução como aplicável à impugnante relativamente aos autores dos depósitos nas suas contas correntes, hipótese aqui considerada apenas para esgotar a argumentação em torno do ponto, o contrato entre a impugnante e a empresa norteamericana UNO REMITTANCE Inc. não previa tal obrigação como condição à Fl. 5232DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 8 7 mantença/execução de suas atividades comerciais, e sendo o contrato em causa anterior, à referida Resolução (o contrato é de agosto de 2001, enquanto que a Resolução é de novembro de 2001) está ele, em sua integralidade e em seus limites próprios, protegido pela cláusula fundamental de intangibilidade ao ato jurídico perfeito, nos termos do inciso XXXVI do art. 5º da Constituição. Da Inexistência da Premissa Legal do Art. 42 da Lei nº 9.430/1996, Para Configurar a Existência dos “Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada”. O contrato firmado pela impugnante com a UNO REMITTANCE Inc. é documentação hábil e idônea para fins de prova quanto à origem dos valores creditados nas contas correntes da contribuinte, e, em articulação com a documentação referente à identificação das operações de subsequentes (lógica e cronologicamente) transferências de recursos pela impugnante a terceiros (igualmente hábil e idônea, porém infeliz e indevidamente ignorada, deliberadamente, pela Administração Tributária, conforme já denunciado no item II.II supra), faz prova da origem de todos os recursos utilizados nas operações da contribuinte. A operação efetiva em questão, como diversas vezes explicada e demonstrada nos autos no curso do período de fiscalização, consistia, nos termos do contrato firmado entre as partes, em operação na qual a impugnante, como representante no Brasil da UNO REMITTANCE Inc., recebia (em suas próprias contas bancárias) direitos creditícios (depósitos) em nome da empresa norteamericana (clientes da UNO REMITTANCE Inc., interessados em enviar recursos a outros países) e fazia pagamentos (subsequentes, na cronologia e na sistemática) por sua ordem (clientes da UNO REMITTANCE Inc. que efetuavam créditos nas suas contas correntes em instituições financeiras no exterior, para que fossem pagos a beneficiários sediados no Brasil). Assim, os recursos ingressados nas contas da impugnante no Brasil não representavam, na sua integralidade (na sua essência), faturamento nem seu e nem da UNO REMITTANCE Inc., já que ambas, tanto a empresa norteamericana quanto a contribuinte brasileira operam, exclusivamente, serviços de "money transfer", sobre valores de empresas e pessoas físicas, clientes da UNO REMITTANCE Inc., que solicitavam os serviços de pagamentos destes mesmos valores a beneficiários residentes em outros países. Outrossim, o § 5º do mesmo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, com a redação atribuída pela Lei n° 10.637/2002, veio expressamente a contemplar esta hipótese, ao dispor que "quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento". Fl. 5233DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 9 8 Descabimento do Arbitramento. Carência de Lógica e Coerência Interna. Inadequação às Premissas Gerais do Procedimento de Lançamento Por Arbitramento. O lançamento peca pela incoerência, pois, ao tempo em que afirma e reconhece como matéria não tributável as transferências efetuadas pela impugnante, por conta e ordem da UNO REMITTANCE Inc. e em favor de terceiros (clientes da mesma empresa norte americana), no exercício regular de seu objeto social, tributa como suposta renda conhecida e omitida os valores, também comprovadamente de terceiros (porque não originários de qualquer atuação empresarial direta da impugnante), que por igual ingressaram em suas contas bancárias por conta e ordem da UNO REMITTANCE Inc. junto aos seus clientes. Ainda, tem se firmado jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento de lucro só caberia quando a escrituração contábil mantida pelo sujeito passivo contiver erros ou deficiências que a torne efetivamente imprestável para a determinação do lucro real, com destaque ao voto constante no Acórdão nº 10196.161, de 2007, e nº 10805 877, de 1999. Todos os elementos de convicção apontam no sentido da factibilidade das operações financeiras levadas a efeito nas contas correntes da impugnante. Temse o contrato de prestação de serviços firmado com a UNO REMITTANCE Inc., a identificação dos titulares (pessoas físicas e jurídicas) dos depósitos efetuados nas contas correntes da impugnante apresentada pelo Banco do Brasil (sendo que, quanto às instituições financeiras titulares das demais contas correntes à época operadas pela impugnante, esta solicitoulhe a todas as mesmas informações, as quais não lhe foram prestadas mas o seriam, segundo informação verbal dos sujeitos de contato da impugnante nas mesmas instituições financeiras, mediante solicitação escrita e formal da autoridade fiscal: este fato, inclusive com a expressa solicitação neste sentido, foi informado e solicitado pela impugnante à Autoridade Tributária na forma da Carta FR n° 04/2008, porém restou sem resposta e sem justificativa à falta de resposta por parte do fisco), as relações dos beneficiários dos pagamentos efetuados pela impugnante por ordem da UNO REMITTANCE Inc., a regular escrituração nos livros comerciais do faturamento e do pagamento dos tributos devidos com base no contrato firmado e, ainda, a decisão proferida pela Sexta Vara Criminal Especializada em Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional e em Lavagem de Valores de São Paulo, nos autos do processo nº 2006.61.81.0008133, reconhecendo a licitude dos valores encontrados nas contas correntes da impugnante (conforme documento anexo à Carta FR nº 02/2008). Ainda, vale registrar que a fiscalização detinha a identificação de todos os depositantes nas contas correntes da impugnante mantidas junto ao Banco do Brasil, tendo diligenciado somente em poucos contribuintes (doze, para ser mais preciso), em demonstração de desinteresse no aprofundamento das investigações apesar da documentação comprobatória da atividade realizada pela impugnante , preferindo optar pelo método mais fácil, classificando os Fl. 5234DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 10 9 referidos depósitos como "nebulosos, não se sabendo com que finalidade foram efetuados" e, daí, deles se utilizar como base para o lançamento por arbitramento ancorado em uma indevida caracterização de omissão de receitas. É importante registrar que dois dos contribuintes demandados pela fiscalização tributária no curso do procedimento de elaboração do lançamento fiscal aqui combatido afinal atenderam às intimações. O primeiro foi o Banco Schahin S/A, CNPJ 50.585.090/000106, que informou terem sido os depósitos efetuados a crédito da impugnante por solicitação de seus clientes Reval Empreend. Ltda, CNPJ 43.347.251/000150, e Solemar Empreend. Imobiliários Ltda, CNPJ 43.970.961/0001 31, mas novamente aqui a fiscalização tributária preferiu quedarse inerte quanto ao aprofundamento das investigações. O segundo contribuinte a responder foi a Celerit Serviços de Informática Ltda, CNPJ 02.298.314/000148, que informou que necessitou importar produtos de informática, e por isso celebrou contrato com a UNO REMITTANCE Inc., e o pagamento de tal prestação de serviços e conseguinte importação dos produtos, foi realizado em favor da empresa FR Prestação de Serviços de Cobrança Ltda. Tratase de declaração que se constitui em prova material a existência de relação contratual da impugnante com a UNO REMITTANCE Inc.. Ademais, sequer houve reintimação aos contribuintes que não atenderam o exíguo prazo de 5 (cinco) dias úteis fixados pra a comprovação da finalidade dos depósitos efetuados à créditos das contas correntes da impugnante. Mostrou o lançamento fiscal completamente impróprio, já que, após 17 de meses de diligências, de repente a Fiscalização decidiu efetuar o lançamento, fundado em um único indício, qual seja, a elevada movimentação financeira da impugnante nos anos de 2004 e 2005. Com base em abalizada doutrina e jurisprudência administrativa, verificase que o simples fato de o contribuinte haver recebido e operado depósitos em suas contas correntes bancárias não transforma automaticamente tais valores em receita tributável. Descabe cogitar da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN), pela simples constatação de depósito em conta bancária. Do Descabimento do Arbitramento, por Inadequação da Base de Cálculo e do Crédito Tributário Apurados no Lançamento. Ainda que fosse ao menos parcialmente procedente o lançamento, verificase que a foram desconsiderados os tributos correspondentes já apurados, calculados e tempestivamente recolhidos pela impugnante. Pedido. Requer a impugnante, preliminarmente, a juntada aos autos deste processo administrativo, por ato da autoridade fiscal competente, da documentação referida no item II.II supra, e, no Fl. 5235DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 11 10 mérito, que seja julgada procedente a presente impugnação, para fins de reconhecer a improcedência do auto de infração. Em 17 de maio de 2010, foi encaminhado Despacho de fls. 897/898, solicitando à unidade preparadora a elaboração de planilhas para demonstrar os débitos confessados em DCTF pela contribuinte e que não teriam sido considerados no lançamento de ofício, que foi atendido tendo como resultado o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 902/906. Cientificada em 28/05/2010, a impugnante em petição de fls. 909/911, ratifica os argumentos expostos na impugnação de fls. 707/765. Examinadas as razões de defesa, a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir da exigência o montante dos tributos e contribuições confessados em DCTF. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na impugnação (fl. 933 e ss.). Levados os autos a julgamento esta Turma resolveu convertêlo em diligência, nos seguintes termos (fl. 999 e ss.): Tendo em vista todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal de jurisdição do sujeito passivo: a) junte aos autos os documentos apresentados pela contribuinte durante a fase de fiscalização e que não lhe foram devolvidos nem juntados aos presentes autos (listagens anexas à Carta FR nº 004); b) intime a contribuinte a elaborar demonstrativo indicando, para cada um dos depósitos realizados em suas contas correntes bancárias objeto do presente lançamento, a respectiva saída do recurso; c) elabore relatório conclusivo acerca da correlação entre cada um dos depósitos e saídas de recursos informados pela contribuinte; d) intime a contribuinte a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório de diligência no prazo de 30 dias. Realizada a diligência, a autoridade local assim se pronunciou nas conclusões de seu relatório (fl. 5201 e ss): 5. DAS CONCLUSÕES ACERCA DA CORRELAÇÃO ENTRE CADA UM DOS DEPÓSITOS E SAÍDAS DE RECURSOS INFORMADOS PELA CONTRIBUINTE: Por lodos os elementos fornecidos pela contribuinte em atendimento à presente diligência fiscal, não foi possível estabelecer uma correlação direta entre cada uma das Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 12 11 entradas e cada uma das saídas de recursos nas contas bancárias da empresa. Em relação à movimentação financeira realizada junto ao Banco do Brasil, o único que apresentou os "extratos completos", somente se percebe, pelos demonstrativos apresentados, é que existe um certo equilíbrio entre as entradas e as saídas de recursos, com uma pequena prevalência das saídas sobre as entradas se considerarmos todo o período analisado (outubro/2004 a maio/2005). (...) Já em relação ao demonstrativo denominado "Consolidado Bradesco e Outros", relacionado, segundo à interessada, àquela parte da movimentação bancária, passível de identificação, realizada nos Bancos Bradesco, Real/Santander, Banespa, HSBC e BESC, também não foi possível se chegar a nenhuma conclusão referente a correspondência entre as entradas e as saídas de recursos realizadas nas respectivas contas bancárias, visto que não há indicação das datas das operações e, também, não ter ficado claro se a agencia e a conta especificadas referem se ao remetente ou ao favorecido. Finalmente, em relação aos últimos demonstrativos apresentados, que tratam da movimentação financeira realizada no Banco Bradesco, conforme já mencionado, só foram apresentadas informações, com inconsistências, acerca das saídas (débitos) de recursos efetuadas durante seis dias distintos, o que inviabilizou qualquer análise sobre a correlação entre as entradas e as saídas de recursos. Intimada para tanto, a recorrente apresentou contrarrazões ao relatório de diligência alegando, resumidamente, o seguinte: 3. Por todos estes fatos são as presentes contrarrazões ao Relatório de Diligência Fiscal (RDF), elaborado para o caso pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF para o caso, para, em atendimento ao quanto solicitado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na diligência determinada por sua Resolução 1201.000.095, repisar que: I conforme reportado ao longo de todo o processo (a) a atividade societária da contribuinte, em representação contratual da empresa norteamericana UNO Remittance Inc., compreendia atuação, exclusivamente, no âmbito doméstico/nacional, (b) não houve, não há e jamais haveria "correlação direta entre cada uma das entradas e cada uma das saídas de recursos nas contas bancárias da empresa" (conforme anotado no RDF), pois as operações ativas de captação a crédito da UNO no país não se faziam em vinculação/correlação financeira direta, casoacaso, com cada uma das operações Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 13 12 passivas de transferências de recursos a débito da UNO no país razão pela qual se verifica, em diversos momentos do período fiscalizado, o saldo resultante nas contas correntes da contribuinte é "negativo" (garantindose, porém, as transações junto a ela contratadas pela UNO por meio de seu próprio Capital Social, nos termos do contrato havido entre as partes), e (c) que sim houve, e assim sempre foi reiteradamente esclarecido ao longo de todo o processo, uma expressiva dinâmica correspondente entre os volumes/montantes de depósitos e de saídas nas contas correntes bancárias nacionais à época mantidas pela contribuinte; II no que diz respeito às operações (ativas e passivas) havidas junto ao Banco do Brasil a antes referida expressiva dinâmica entre os volumes/montantes de depósitos e de saídas na conta corrente bancária nacional à época aqui mantida pela contribuinte é patente e foi minuciosamente demonstrada, a partir dos elementos fornecidos pela própria instituição financeira e nesta diligência apresentados pela contribuinte sob a forma de minuciosas demonstrações periciaiscontábeis; III no que diz respeito às operações (ativas e passivas) havidas junto ao Banco Bradesco, e em que pese o fornecimento no passado como no presente apenas parcial e em meio impróprio das informações expressamente solicitadas pela contribuinte a esta instituição financeira, também aqui se patenteou a referida expressiva dinâmica entre os volumes/montantes de depósitos e de saídas na conta corrente bancária nacional à época mantida pela contribuinte nesta instituição financeira, seja no que lhe diz respeito na análise desenvolvida na documentação originalmente anexa à petição da contribuinte de 05.06.2013, seja ainda de forma muito específica e particular na demonstração/análise pericialcontábil apresentada com a resposta complementar de 17.06.2013 (fls. 1033/1036), à vista do modus operandi à época empregado pela contribuinte nestas operações e das respectivas movimentações bancárias no primeiro dia de cada mês do período fiscalizado/lançado, a amostragem demonstrou compatibilidades acima; IV no que diz respeito às operações (ativas e passivas) havidas junto às demais instituições financeiras nacionais à época operadas pela contribuinte (ou seja, HSBC, BANESPA/SANTANDER, REAL/SANTANDER e BESC), lembrandose a sua baixa expressividade contextual (8% da base de cálculo tributária aplicada no lançamento) e novamente em que pese o fornecimento no passado como no presente apenas parcial e em meio impróprio das informações expressamente solicitadas pela contribuinte a esta instituição financeira, mais uma vez não se deixou de patentear em análises correspondentes a volumes de recursos equivalentes a aproximadamente 50% do montante da base de cálculo tributária aplicada no lançamento a mesma já referida expressiva dinâmica entre os volumes/montantes de depósitos e de saídas nas contas correntes bancárias nacionais à época Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 14 13 mantidas pela contribuinte nestas instituições financeiras também se pode afirmar como patente e demonstrada. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Nulidade do Auto de Infração Alega a interessada ter havido cerceamento de seu direito de defesa, haja vista que a autoridade fiscal deixou de juntar aos autos as cópias dos comprovantes de pagamentos a ela apresentados durante a fiscalização, tanto em meio digital quanto em meio físico, bem como deixou de devolver esses elementos à autuada. De fato, conforme reconhecido no termo de verificação fiscal, a autoridade tributária deixou de juntar aos autos as listagens de pagamentos diários realizados pela contribuinte. Explicou o auditor que deixou de juntar essa documentação em virtude de não fazer parte da matéria objeto da autuação, já que não se trata de recursos depositados em suas contas correntes bancárias, e sim de recursos que de lá saíram. Ademais, referida documentação aparentemente também não foi devolvida à contribuinte ao término da fiscalização, pois não consta do termo de devolução de documentos (fl. 701). No entanto, como expressamente confessa a ora recorrente, tratase de “cópia” de documentos em meio físico, e, como tal, poderia ela ter produzido novas cópias a partir dos documentos originais e as juntado aos autos do processo, seja na fase de impugnação seja na de recurso, acaso entendesse fossem eles importante à sua defesa. Quanto aos documentos em meio digital, sua juntada aos autos foi determinada por esta Turma no âmbito do pedido de diligência. A ora recorrente, entretanto, apesar de haver sido cientificada da juntada dos CDR, não se utilizou das informações neles presentes em suas contrarrazões ao relatório de diligência, o que confirma serem eles desnecessários à sua defesa. 3) Dos Depósitos de Origem não Comprovada A autoridade tributária acusa a contribuinte de não haver comprovado a origem dos depósitos mantidos em contas correntes bancárias de sua titularidade. Por sua vez, alega a defesa que os valores ali depositados pertencem a terceiras pessoas, havendo transitado em suas contas bancárias em virtude do contrato de prestação de serviços firmado com a empresa estrangeira Uno Remittance Inc., por meio do qual obrigouse a realizar pagamentos e recebimentos de clientes desta empresa no Brasil, por ordem da contratante, fazendo jus a uma remuneração de 0,5% sobre esses valores. Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 15 14 Afirma ainda a recorrente que essa atividade é lícita e é a única por ela exercida. Traça uma comparação com as operadoras de cartão de crédito, que identicamente recebem recursos de terceiros (os consumidores) e remetem recursos também a terceiros (as empresas vendedoras), para concluir que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se aplica a esses casos. Pois bem, em primeiro lugar é preciso esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga as pessoas a identificar a origem dos recursos depositados em contas correntes de sua titularidade, sob pena de presumiremse serem eles oriundos de receitas omitidas. Nesse sentido, se uma pessoa jurídica movimenta em conta corrente de sua titularidade recursos pertencentes a terceiros, assume ela o ônus de provar a origem desses recursos, sob pena de o fisco validamente presumir sejam eles oriundos de receitas omitidas. E, esclareçase, por origem dos recursos entendase não só a identificação do depositante como também a identificação da natureza da operação que deu causa àquele depósito. Daí porque é uma atitude de risco movimentar em conta corrente de titularidade própria recursos pertencentes a terceiros. Por sua vez, está enganada a interessada quando afirma que as operadoras de cartão de crédito não se submetem ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. No entanto, ao contrário da contribuinte, as operadoras de cartão de crédito via de regra guardam individualizadamente, inclusive para fins de apresentação ao fisco, mas não só, os documentos comprobatórios da origem dos recursos depositados em suas contas correntes. Além do mais as operadoras de cartão de crédito movimentam recursos de terceiros em suas contas correntes por expressa autorização do Banco Central do Brasil. Já a contribuinte o faz por sua própria conta e risco, não sendo demais lembrar que a presente ação fiscal teve início por requisição do Ministério Público, que investigava a prática de crime de lavagem de dinheiro em que a interessada supostamente encontravase envolvida. É de se dizer ainda que mesmo após ter sido concluída a diligência solicitada por esta Turma, com a disponibilização dos CDR à ora recorrente, esta não logrou êxito em comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos depositados em suas contas correntes. Limitouse a afirmar que, considerado o mesmo período mensal, os ingressos de recursos são aproximadamente iguais às saídas de recursos. Isso, contudo, não atende às exigências de individualização previstas no art. 42 da Lei nº 9.430/96, daí porque devese manter a presunção legal de omissão de receitas. Por fim, não assiste razão à contribuinte quando afirma que o contrato firmado com a Uno Remittance Inc. é suficiente para comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes. A origem dos recursos depositados deve ser provada mediante apresentação de documentação hábil e idônea capaz de identificar, para cada um dos depósitos, o nome do depositante e a que título foi realizado. Por isso também não socorre a contribuinte o § 5º, do art. 42, já que aquele dispositivo é aplicável somente aos casos em que fique comprovado que os recursos movimentados na conta corrente pertencem a terceiros. 4) Da Base de Cálculo do IRPJ A autoridade fiscal arbitrou o lucro da contribuinte ao argumento de que a falta de escrituração das contas correntes bancárias objeto da fiscalização tornaram a Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.722245/200907 Acórdão n.º 1201000.909 S1C2T1 Fl. 16 15 contabilidade da empresa imprestável para identificar a movimentação financeira (art. 530, II, do RIR/99). Em sua defesa a recorrente alega, em primeiro lugar, que todos os registros bancários referentes à recorrente foram registrados no livro Diário. Novamente aqui a interessada pretende fazer crer que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes pertencia a terceiros, daí porque não estaria obrigada a registrála no Diário. Ocorre que, como visto no item anterior deste voto, a ora recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes. Consequentemente, também não conseguiu provar que os recursos pertencem a terceiros, daí porque a falta de escrituração dessa expressiva movimentação financeira implica o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, nos exatos termos do art. 530, II, do RIR/99. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 23034.021481/2001-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-002.915
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular a decisão de primeira instância para ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles doAmaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Ausência momentânea: LEO MEIRELLES DO AMARAL
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular a decisão de primeira instância para ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles doAmaral, Bianca Delgado Pinheiro. Ausência momentânea: LEO MEIRELLES DO AMARAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 14 81 /2 00 1- 94 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.021481/200194 Acórdão n.º 2302002.915 S2C3T2 Fl. 281 3 Relatório O presente processo referese a notificação para recolhimento de débito da contribuição social para o Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação, lavrada em 25/07/2001, às fls. 46/49 e 52 e cientificada ao sujeito passivo em 30/07/2001, relativo ao período de 10/1996 a 12/1998. Após a apresentação da defesa, onde o contribuinte alega que os valores lançados foram incluídos no parcelamento referente ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, os autos baixaram em diligência, fls. 124, para que o Fisco informasse conclusivamente se o período e a rubrica , ora lançada foram incluídos no citado parcelamento especial. Em resposta à diligência solicitada, Informação Fiscal de fls. 126, trouxe que os valores lançados na notificação não foram incluídos no REFIS, após o que Acórdão de fls. 129/135, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte recorre da decisão, arguindo, em síntese: a) que desde a impugnação afirma que todos os seus débitos foram incluídos no REFIS; b) argúi que a informação prestada pelo Auditor Fiscal às fls. 126 é inverídica e irresponsável porque não atentou ao fato de que além dos DEBCADs, todos os débitos da empresa foram alvo de consolidação posterior; c) argúi a prescrição intercorrente porque o processo permaneceu parado por seis anos, conforme Lei 9873/1999; d) que é possível a juntada de documentos para comprovar a inclusão dos débitos no REFIS, contrapondo o que trouxe a informação de fls. 26; e) que na época da adesão ao REFIS apenas os débitos de PIS e COFINS eram detalhados, os demais eram calculados e informados pela empresa devedora; f) que a Lei Federal 9964/2000, esclareceu que todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica deviam ser consolidados; g) que o Comitê Gestor do REFIS aceitou os débitos declarados pela SANESUL, ante a impossibilidade de se chegar ao valor correto após diversos parcelamentos e reparcelamentos feitos pelo INSS; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 h) que o próprio órgão não soube informar se os valores estão ou não incluídos no REFIS; i) que comprova a inclusão do valor relativo ao salário educação com o Livro Razão, onde foi contabilizada a baixa do valor devido; j) junta documentos(planilhas) para demonstrar que os valores foram incluídos nos parcelamentos n. 058/99,600035280/99 e 600034836/99. A soma dos valores parcelados coincidem com a soma dos débitos relativos à folha de pagamento e salárioeducação; k) que somente o INSS poderia informar quais tributos e competências estão incluídos nos DEBCADs, mas tal informação não chegou aos autos, pois não houve resposta por parte da Gerência Executiva do INSS em Campo GrandeMS; l) que junta documentos para provar que a informação de fls. 126 está equivocada. Por fim, afirma que o débito do salário educação, cobrado nesta notificação foi incluído no REFIS de 2000, requerendo que o auto de infração DEBCAD 49.905.8895, de 11/05/2001, seja tornado insubsistente e improcedente. Junta documentos. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.021481/200194 Acórdão n.º 2302002.915 S2C3T2 Fl. 282 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Questões Preliminares ao Mérito Compulsando os autos, verifiquei que não há provas de que a recorrente tenha sido cientificada do resultado da diligência solicitada às fls. 124 cuja Informação Fiscal consta das fls. 126, que rebateram as argumentações esposadas na impugnação O Acórdão de fls. 129/135, pugnou pela procedência do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal, ou seja, sem que a notificada tivesse ciência da realização da diligência e de seu resultado. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. Ainda que posteriormente, por sua iniciativa, a notificada tenha buscado vistas e cópia do processo, onde tomou conhecimento da diligência efetuada, tenho que o recorrente possui o direito de apresentar suas contrarazões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 59, II, do Decreto n.º 70235/1972, abaixo transcrito. Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.021481/200194 Acórdão n.º 2302002.915 S2C3T2 Fl. 283 7 Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal de fls. 126 abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de nova decisão, com posterior abertura de prazo recursal. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002148/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
IRPF. RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO.
A verba denominada Ajuda de Custo paga com habitualidade a membros da magistratura estadual está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, salvo se comprovada sua utilização para atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município.
Numero da decisão: 2201-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 11/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO. A verba denominada “Ajuda de Custo” paga com habitualidade a membros da magistratura estadual está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, salvo se comprovada sua utilização para atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 48 /2 00 6- 09 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 11/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira Franca, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de pedido de restituição formulado pela entrega da Declaração de Ajuste Anual IRPF/2001 retificadora n° 06/34.152.964, fls. 32 a 35, resultado na lavratura do Auto de Infração às fls. 12 a 17. Por meio dessa declaração retificadora pretendeu o interessado a restituição do imposto de renda retido na fonte sobre a "verba de ajuda de custo ou diferença de ajuda de custo", paga, no anocalendário de 2000, com base na Resolução 5.154/94 da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais que, segundo seu entendimento, não incidiria tributação. Cientificado do indeferimento do pedido de restituição, o interessado apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 1 Em preliminar: A 4ª Turma desta Delegacia, mediante o Acórdão 0922.374, de 30/01/2009, julgou a impugnação apresentada contra a notificação, em face da declaração retificadora, declarando improcedente o lançamento formalizado, sob o fundamento da decadência; Tal decisão, “no que tange a decadência, teve o conteúdo decisório imutável pela coisa julgada administrativa e está revestida do caráter da efetividade no que se refere ao deslinde do interesse do ora requerente em receber a devolução a que faz jus na declaração retificadora 06/34.080.896 (leiase 06/34.152.964), pois estamos diante de um julgamento definitivo, nos limites da jurisdição administrativa, não havendo mais a possibilidade de alteração.”; Dessa forma, o valor do imposto pago a maior, de acordo com a declaração retificadora, é passível de devolução, sob pena de se configurar, além da ofensa à coisa julgada administrativa, também um autêntico confisco tributário. 2 No mérito: “A questão paradigmática dos magistrados federais e do Estado do Rio de Janeiro, e ainda do contribuinte Cristiano Álvares Valladares do Lago, CPF..., requerente referente ao exercício de 2003 (documentos que se juntam) estabelecem uma situação idêntica, pelo que rogase a aceitação dos documentos juntados como prova inequívoca daquelas afirmações do requerente.”; “De qualquer modo, a fundamentação na qual se funda a R. decisão da digno Chefe Substituta do SAORT, além de ofender a Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.002148/200609 Acórdão n.º 2201002.059 S2C2T1 Fl. 3 3 coisa julgada administrativa, confronta o art. 97 do CTN, segundo o qual somente a lei pode estabelecer a definição do fato gerador da obrigação tributária principal. A analogia extensiva na qual se fundou a decisão recorrida para distinguir a ajuda de custo do abono variável , acabou por criar uma modalidade de tipo tributário ou fato gerador que ultrapassa os limites do art. 108 § 1º do mesmo código que estabelece que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.”; “A questão é que, seja na forma em que foram pagas para a Magistratura Federal e Ministério Público, ou na forma que foram pagas à Magistratura Estadual e respectivo Ministério Público, como historiado na impugnação, as parcelas com o título de ajuda de custo ou abono variável foram caracterizadas de natureza jurídica indenizatória e assim considerados pela Resolução 245 do STF que sem seu artigo 1º assim definiu ... ‘É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório ...”; Em face da Resolução do STF a CoordenaçãoGeral de Administração Tributária da Receita Federal elaborou a Nota Corat nº 22/2004 (doc. em anexo à impugnação) que estabelece procedimentos a serem adotados com relação às declarações IRPF dos exercícios de 1999 a 2003 dos Membros do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas da União e, por equidade, se estenderia aos membros do Ministério Público. O peticionário enfatiza os princípios constitucionais da isonomia e da igualdade jurídicotributária, concluindo que para hipóteses exatamente idênticas há que ocorrer tratamento igual sob pena de serem feridos tais princípios. Cita, em seu socorro, textos de diversos tributaristas e decisões do poder judiciário. A 4ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG nogou provimento à Manifestação de Inconformidade, sustentando, essencialmente, que: Houve, sim, decisão definitiva em relação ao lançamento então efetuado, mas, não, em relação ao pedido de restituição. Conforme restou claro, a decadência foi levantada por esta 4° Turma de Julgamento apenas e tãosomente em relação ao lançamento constante do Auto de Infração. E como não poderia deixar de ser, o mérito da exigência não foi analisado, por incompatível com a preliminar de decadência, nos termos do próprio Acórdão de fls. 59 a 61. Como o pedido de restituição em comento dependia, ainda, dessa análise de mérito, houve a determinação, no citado Acórdão, para que a DRF/Juiz de Fora/SAORT assim procedesse. O que foi feito. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida entendeu que o direito de lançar o crédito tributário já havia decaído, razão pela qual julgou improcedente o lançamento efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora/MG. Contudo, em relação à Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 restituição pleiteada, mediante Declaração de Ajuste Anual retificadora, desde que apresentada dentro do prazo legal, deve ser objeto de exame pela autoridade administrativa, com o intuito de verificar a ocorrência, ou não, de recolhimento a maior de imposto de renda pessoa física. Intimado da decisão de primeira instância em 12/08/2010 (fl. 122), Carlos Alberto Tavares Correa Barbosa apresenta Recurso Voluntário em 19/08/2010 (fls. 123 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/03/2013, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 162). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. De pronto, cumpre registrar que em reforço ao que consignou a decisão recorrida, entendo que o julgamento a quo reconheceu a decadência do Auto de Infração, fls. 12 a 17, portanto, essa decisão foi definitiva em relação ao lançamento. Contudo, no que tange à DIRPF/2001 – Retificadora, verifico, pois, que a mesma foi apresentada em 04/05/2005 (fl. 32), logo, dentro do quinquênio decadencial, já que o direito extinguirseia em 31/12/2005. Quanto ao mérito propriamente dito, penso que a verba recebida a título de ajuda de custo do Tribunal de Justiça/MG, configura remuneração por serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções, constituindo rendimento produzido pelo trabalho, revestindose de todas as características formais e legais de fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (Lei nº 5.172/66, art. 43, I e II, Lei nº 4.506/64, art. 16, Lei nº 7.713/88, art. 3º, § 4º). O rendimento em questão, ainda que denominado “ajuda de custo” pela fonte pagadora, traduz, efetivamente, aquisição de disponibilidade econômica, porquanto acresce o patrimônio do beneficiário e, consequentemente, não visa recompor patrimônio antes existente. Ressaltese que a isenção prevista no art. 39 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/1999), destinase a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX). Com efeito, conforme bem pontuado pela autoridade recorrida, a própria Certidão de fls. 18/19, fornecida pelo Tribunal de Justiça/MG, consta uma observação assegurando que “os valores acima descritos, pagos a titulo de ‘Ajuda de Custo’, não se destinaram a indenização de despesas com mudança de domicilio.” Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.002148/200609 Acórdão n.º 2201002.059 S2C2T1 Fl. 4 5 A respeito da natureza tributária da verba recebida a título de “ajuda de custo”, a jurisprudência administrativa dominante tem se posicionado da seguinte forma: Ementa: “IRPF RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADOAJUDA DE CUSTOTRIBUTAÇÃOISENÇÃO Ajuda de Custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destinase a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. Não atendendo estes requisitos, não estão albergados pela isenção prescrita na legislação tributária. Recurso negado.” Acórdão 1º Conselho de Contribuintes nº 10245044, de 19/09/2.001. No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória a verba denominada “abono variável”. Além do mais, a referida verba foi concedida apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Portanto, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário. Transcrevese o inciso II do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 162) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10480.902061/2011-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 20 61 /2 01 1- 72 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 190 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 191 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 21471.81478.140607.1.3.042889), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 14/06/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS cumulativa (Código 8109), apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/08/2002 13/09/2002 13/09/2002 3.368,19 3.368,19 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 1.398,55, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Contribuição para o PIS, Código 8109, relativo a maio de 2007, no valor de R$ 2.354,88, com vencimento em 20/06/2007,, mais acréscimos legais. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 01/04/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 916012023, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 19/04/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 17/05/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 192 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 193 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 194 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 195 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 196 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902061/201172 Acórdão n.º 3801002.241 S3TE01 Fl. 197 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.004362/98-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. EFEITO REFLEXO DO TRÂNSITO EM JULGADO NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS QUE ALTERARAM O DIREITO CREDITÓRIO.
No caso de compensação indeferida em razão de indeferimento do direito creditório como necessário ato reflexo de lançamento de ofício, que alterou o imposto devido nos anos anteriores, de se reconhecer, também, o efeito do trânsito em julgado em favor do contribuinte para cancelar referidos ajustes, inclusive em razão da decadência.
Numero da decisão: 1401-001.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. EFEITO REFLEXO DO TRÂNSITO EM JULGADO NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS QUE ALTERARAM O DIREITO CREDITÓRIO. No caso de compensação indeferida em razão de indeferimento do direito creditório como necessário ato reflexo de lançamento de ofício, que alterou o imposto devido nos anos anteriores, de se reconhecer, também, o efeito do trânsito em julgado em favor do contribuinte para cancelar referidos ajustes, inclusive em razão da decadência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 12 1 11 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.004362/9891 Recurso nº 145.967 Voluntário Acórdão nº 1401001.098 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. EFEITO REFLEXO DO TRÂNSITO EM JULGADO NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS QUE ALTERARAM O DIREITO CREDITÓRIO. No caso de compensação indeferida em razão de indeferimento do direito creditório como necessário ato reflexo de lançamento de ofício, que alterou o imposto devido nos anos anteriores, de se reconhecer, também, o efeito do trânsito em julgado em favor do contribuinte para cancelar referidos ajustes, inclusive em razão da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 43 62 /9 8- 91 Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 13 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão de n° 11 35.670, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de 07 de dezembro de 2011. O processo versa sobre pedido de compensação protocolado pelo contribuinte em 16 de abril de 1998, referente a créditos fiscais gerados na retificação das DIPJs dos anos calendários de 1993, 1994, 1995 e 1996. Tal pedido de compensação foi protocolado junto à Secretaria da Receita Federal sob o n° 10480.004362/9891. Às fls. 963, por meio do Despacho SEORT de 23 de agosto de 2002, a Delegacia da Receita Federal em Recife homologou em parte o pedido de compensação, reconhecendo apenas os seguintes valores: Ano Calendário Tributo Moeda Crédito conforme DIPJ Crédito homologado 1993 IRPJ UFIR 1.065.360,22 1.065.360,22 1994 IRPJ UFIR 822.719,85 822.719,85 1995 IRPJ R$ 4.410.247,57 1.745.310,00 1995 CSLL R$ 1.455.785,00 0,00 1996 IRPJ R$ 2.587.163,00 1.859.684,00 Ademais, em diligência à empresa, a autoridade constatou a vinculação de outros pedidos de compensação ao presente processo, protocolados sob os n°s 10480.015239/9714, 10480.015238/9743, 10480.002532/9849, 10480.002533/9810, 10480.004363/9854, 10480.004364/9817, 10480.005504/9810 e 10480.005503/9857. Devidamente notificado do Despacho em 22 de setembro de 2004, o contribuinte apresentou tempestiva manifestação de inconformidade em 03 de novembro de 2004, (fls. 1046/1070), aduzindo, em síntese, o que segue: Preliminarmente, aduz a ocorrência de decadência, em virtude do auto de infração ter sido cientificado ao contribuinte apenas em 12 de agosto de 2002. Com isso, estaria decaído o direito de a Fazenda exigir os tributos até julho de 1997. Ainda, alega a ocorrência de cerceamento de defesa, pelo fato de a autoridade ter citado vários dispositivos legais e o contribuinte não saber ao certo de qual se defender. Por fim, argumenta acerca da litispendência do presente processo com outros dois processos (Processo n° 10480.011265/200210 e Processo n° 10480.011266/200256) por se tratar de autos conexos Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 14 3 (processos administrativos que tratam de IRPJ e CSLL dos anoscalendários tratados no presente processo). Quanto ao mérito, impugnou os procedimentos realizados pela fiscalização que importam no não reconhecimento do seu crédito informado referente a adições de provisões não dedutíveis e exclusões de reversões de provisões, exclusões a maior da correção monetária complementar IPC/90, dedução a maior dos valores de IRPJ por estimativa e compensação de prejuízos. Os argumentos utilizados para o IRPJ foram aplicados igualmente para a CSLL. Em 18 de fevereiro de 2005 sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 1122/1140), que, por unanimidade de votos, negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada. A decisão restou assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação, ante a inércia da Fazenda Pública no prazo de que dispõe para proceder ao lançamento, considerase homologada a atividade exercida pelo sujeito passivo, impossibilitando a revisão da declaração. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000 Ementa: PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Procede a lavratura de auto de infração destinado a anular a compensação indevida de prejuízo fiscal. PREJUÍZO FISCAL. SALDO EXISTENTE EM 31/12/89. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC/BINF. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. Poderá ser excluída do lucro real, a partir de 1993, a diferença de correção IPC/EITNF relativa ao saldo de prejuízo a compensar existente em 31/12/89, quando comprovado que, nos períodos base de 1990 a 1993, o lucro real apurado comportou a compensação daquele saldo acrescido da citada diferença de correção, desprezandose o excesso, se houver. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Observados os requisitos legais, os prejuízos fiscais podem ser utilizados para compensar o crédito tributário apurado em procedimento de oficio. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1993, 1995, 1996, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: LANÇAMENTO. CSLL. DECADÊNCIA. No caso da CSLL, é de dez anos o prazo de que dispõe o Fisco para proceder ao lançamento, a teor do disposto no art. 45 da Lei n.° 8.112/91. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 15 4 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Procede a lavratura de auto de infração destinado a anular a compensação indevida de base de calculo negativa da CSLL. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC/BTNF. CSLL. A correção das demonstrações financeiras pela diferença IPC/BTNF de 1990 não influi na base de cálculo da CSLL. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: PEDIDOS DE PERICIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários convicção do julgador. LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente se considera nulo o auto de infração quando praticado por pessoa incompetente, com preterição do direito de defesa ou quando ausente algum de seus requisitos formais. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas a observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de ilegalidade/ inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Irresignado, em 25 de abril de 2005 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1148/1171) e, em 1° de abril de 2011 sobreveio o acórdão de n° 140200.526, da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, determinou o retorno dos autos à DRJ Recife para novo julgamento, conjuntamente com o processo 10480.011265/200210, que foi objeto de anulação da decisão da DRJ, bem como para aplicarse, também, o quanto decidido no processo 10480.011266/200256. Neste ponto, importa esclarecer que os Processos de n° 10480.011265/2002 10 e n° 10480.011266/200256 cuidam de Autos de Infração para a exigência, respectivamente, de IRPJ e CSLL. Tais exigências decorrem dos ajustes efetuados pelo Fisco quanto às adições e exclusões que impactaram no saldo negativo de IRPJ e de CSLL utilizados na compensação em análise, saldo este informado através da DIPJ do anocalendário de 1996. Isso porque, como fundamento para a negativa da compensação no presente processo, o Fisco valeuse dos referidos Autos de Infração para a exigência dos valores que alteraram o saldo negativo a ser utilizado na compensação. Tal fato motivou a 4ª Câmara (2ª Turma Ordinária) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a determinar o retorno dos presentes autos à DRJ Recife . Isto é, justamente pela existência dos outros dois processos mencionados (10480.011265/2002 10 e 10480.011266/200256) que teriam sido julgados no Primeiro Conselho de Contribuintes, os quais receberam as seguintes ementas: § Processo 10480.011265/200210 RECURSO DE OFÍCIO IRPJ — DECADÊNCIA O IRPJ é tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento, sem prévio exame pelo Fisco, Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 16 5 estando, por via de conseqüência, adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Recurso de Oficio negado. RECURSO VOLUNTÁRIO — IRPJ ALTERAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL — GLOSA NO APROVEITAMENTO – As diferenças de correção monetária correspondentes aos prejuízos fiscais relativas aos períodosbase de 1986 a 1989 poderão ser compensados desde que nos períodosbase de 1990 a 1993 exista lucro real suficiente para absorver o seu valor, o que é exatamente o caso dos autos. PRAZO DECADENCIAL — PREJUÍZOS FISCAIS SALDO DE 1989. SALDO DEVEDOR DIF IPC/BTNF — REALIZAÇÃO — O início da contagem do prazo decadencial sobre a diferença complementar de IPC/BTNE dos saldos de prejuízos fiscais constantes em 1989 deve ser feita a partir do exercício em que deveria ter sido feita a sua exclusão (compensação) e não no momento de sua apuração. TAXA SELIC É correta a aplicação da taxa Selic sobre os créditos tributários apurados de oficio que não foram regular e tempestivamente pagos pelo sujeito passivo da relação jurídicotributária. § Processo 10480.011266/200256 CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social sobre o Lucro é tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento, sem prévio exame pelo Fisco, estando, por via de conseqüência, adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). CSLL MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida apurada ao final do exercício. TAXA SELIC É correta a aplicação da taxa Selic sobre os créditos tributários apurados de oficio que não foram regular e tempestivamente pagos pelo sujeito passivo da relação jurídicotributária. Em sua decisão, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já havia reconhecido a inquestionável conexão entre estes processos e o presente, utilizando, inclusive, o argumento de que nos próprios fundamentos do voto condutor da decisão da DRJ no presente processo foram transcritas as razões de decidir dos processos do IRPJ e da CSLL (fls. 1130 a 1139). Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 17 6 Por não acatar o entendimento do CARF acerca da relação dos referidos processos e por não reconhecer a aplicação da decadência reconhecida nos processos conexos, em 07 de dezembro de 2011 sobreveio o acórdão de n° 11.35.670, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife que, por unanimidade de votos, novamente julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Não se conformando com a decisão, o contribuinte apresentou novo Recurso Voluntário em 24 de maio de 2012, no qual pugnou pela aplicação do quanto decidido pelo CARF nos processos n° 10480.011265/200210 e n° 10480.011266/200256, bem como reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Delimitando a lide, a questão versa acerca do reconhecimento das premissas utilizadas, tanto no Despacho Decisório quanto pela DRJ, para homologar apenas parcialmente os créditos passíveis de compensação. Primeiramente, a despeito das considerações da DRJ, entendo que há evidente relação entre o presente processo e os processos de n° 10480.011265/200210 e n° 10480.011266/200256, na medida em que estes servem de fundamento para alteração do saldo negativo apresentado pelo contribuinte e que foi utilizado como crédito para as compensações apreciadas no processo ora em exame. Em diligência realizada no contribuinte, o Fisco efetuou ajustes que entendeu devidos aos cálculos de IRPJ e CSLL, por meio de dois lançamento de ofício. Tais ajustes impactaram na redução do saldo negativo de IRPJ e CSLL, sendo certo que os mesmos foram constituídos justamente nos autos de infração acima mencionados. Assim, verificase que no caso vertente o Fisco realiza a glosa das compensações no presente processo (10480.004362/9891) com fundamento nos ajustes de IRPJ e CSLL por ele propostos (Processos n° 10480.011265/200210 e n° 10480.011266/2002 56). Transcrevo abaixo os relatórios do acórdão n°, 10323.563 do processo n° 10480.011265/200210, e do acórdão n° 10322.422, do processo n° 10480.011266/200256: § Processo 10480.011265/200210 “Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, com origem em procedimento de auditoria externa, através do qual foi constituído crédito tributário referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ. Constatamse as seguintes irregularidades, devidamente tipificadas no libelo Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 18 7 fiscal: "001 — GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS COM INSUFICIÉCIA DE SALDO". Infração ocorrida nos anoscalendários de 1997, 1999 e 2000. "002 — EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ADIÇÃO DE PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS E EXCLUSÃO DE REVERS. PROVISÕES, EM VALORES NÃO CONTAB. A CONTAS DE RESULTADOS". Infração ocorrida nos anos calendários de 1993, 1995 e 1996. "003 — EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES A MAIOR DA CORR. MON. COMPL. IPC/90 DOS PREJUÍZOS FISCAIS NOS ANOSBASE DE 1987/89. GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS". Infração ocorrida nos anoscalendários de 1993 a 1998; "004 — DEDUÇÕES INDEVIDAS DE RETENÇÕES/ANTECIPAÇÕES DE IMPOSTO NÃO COMPROVADAS. DEDUÇÃO A MAIOR DOS VALORES DO IRPJ POR ESTIMATIVA — GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA". Infração ocorrida no anocalendário de 1995. Às fls. 20/27 dos autos, encontrase Relatório de Auditoria Fiscal, no qual as autoridades consignaram as seguintes informações, a seguir sintetizadas: DA ADIÇÃO DE PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS E EXCLUSÃO DE REVERSÕES DE PROVISÕES No preenchimento da ficha "Apuração do Lucro Real" das Declarações de Rendimentos retificadoras dos anoscalendários de 1993 a 1996, a empresa promoveu adições ao lucro líquido de provisões não dedutíveis e exclusões de provisões em valores que não foram efetivamente contabilizados a débitos/créditos de contas de resultados, repercutindo, assim, na redução indevida no lucro real, nos períodos de apuração que menciona; DAS EXCLUSÕES A MAIOR DA CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR IPC/90 A empresa excluiu da apuração do lucro real, nos anoscalendários de 1993 a 1998, valores a título de correção monetária complementar IPC/90 referentes aos prejuízos fiscais dos períodosbase de 1987 a 1989, superiores ao permitido pela legislação; Essas infrações foram apuradas a partir das revisões nas Declarações de Rendimentos retificadoras nos anos calendários de 1993 a 1996, bem como nas Declarações dos anoscalendários de 1997 a 1998, cujos resultados foram informados no Relatório de Informação Fiscal acostado ao processo n° 10480.004362/9891, lavrado em 05/08/2002; DA DEDUÇÃO A MAIOR DOS VALORES DO IRPJ POR ESTIMATIVA No preenchimento da linha 15 da ficha 08 da Declaração retificadora do ano calendário de 1995, a empresa deduziu do imposto sobre o lucro real o valor de R$ 6.574.239,24, como valor atualizado das estimativas do IRPJ, quando o valor corresponderia a R$ 5.617.962,79. DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS COM INSUFICIÊNCIA DE SALDO Nas alterações dos resultados fiscais nos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização, foram aproveitados os saldos existentes para compensação, implicando ora em utilização de prejuízos fiscais a compensar maiores que os originariamente compensados pelo contribuinte, ora em utilização de saldos de prejuízos fiscais de períodos diferentes, condicionados à existência de saldos de prejuízos fiscais e aos limites de compensações permitidas pela legislação. Como conseqüência, as compensações efetuadas pela empresa, nos períodos de 1997, 1999 e 2000, tornaramse indevidas nos valores que menciona. A seguir, as autoridades autuantes passam a relatar as infrações relacionadas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que ensejaram lançamento diverso.” Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 19 8 § Processo 10480.011266/200256 Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, com origem em procedimento de auditoria externa, através do qual foi constituído crédito tributário referente à Contribuição sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor de R$ 3.501.489,00, incluídos multa de ofício e juros de mora. 2. Foram constatadas as seguintes irregularidades, devidamente tipificadas no libelo fiscal: 2.1. "001 — EXCLUSÕES AO LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL SOBRE O LUCRO. ADIÇÃO DE PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS E EXCLUSÃO DE REVERSÕES DE PROVISÕES EM VALORES NÃO CONTABILIZADOS A CONTAS DE RESULTADOS". Infração ocorrida nos anoscalendários de 1993, 1995 e 1996; 2.2. "002 — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES COM INSUFICIÊNCIA DE SALDO — GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA". Infração ocorrida no anocalendário de 1996; 2.3. "003 — GLOSAS. DEDUÇÃO A MAIOR DOS VALORES DE CSLL DEVIDA POR ESTIMATIVA — GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA". Infração ocorrida no anocalendário de 1995; 2. "004 — DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTA ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA DE 75%". Infração ocorrida nos anoscalendários de 1998 a 2001. 3. As fls. 19/26 dos autos, encontrase Relatório de Auditoria Fiscal, no qual as autoridades autuantes, depois de relatar as infrações referentes ao IRPJ, consignaram as seguintes informações, a seguir sintetizadas: DA ADIÇÃO DE PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS E EXCLUSÃO DE REVERSÕES DE PROVISÕES 3.1. Igual procedimento com relação à apuração do lucro real, a empresa promoveu, no preenchimento da ficha "Apuração da Base de Cálculo da CSLL" das Declarações de Rendimentos retificadoras dos anos de 1993 a 1996, adições ao lucro liquido de provisões não dedutíveis e exclusões de reversões de provisões em valores que não foram efetivamente contabilizados a débitos/créditos de contas de resultados, repercutindo, assim, na redução indevida de base de cálculo da CSLL, nos períodos de apuração que menciona; DA DEDUÇÃO A MAIOR DOS VALORES DE CSLL POR ESTIMATIVA 3.2. No preenchimento da linha 19 da ficha 11 da Declaração retificadora do ano calendário de 1995, a empresa deduziu da CSLL o valor de R$ 4.046.279,07, como valor atualizado das estimativas, quando o valor corresponderia a R$ 3.476.365,04; DA COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES COM INSUFICIÊNCIA DE SALDO 3.3. Nas apurações dos resultados fiscais nos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização, foram aproveitados os saldos de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, respeitados a existência de saldos e os limites de compensação estabelecidos pela legislação especifica para períodos de apuração a partir de 1995; 3.4. Como conseqüência da redução da base de cálculo FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA POR ESTIMATIVA MENSAL 3.5. Nas verificações para quantificar o crédito fiscal da CSLL da empresa para o ano de 1998 (10480.001309/0099), fezse uma compilação dos resultados apresentados a partir de 1995, constatandose que, além do pedido formulado pela empresa para compensação com créditos da CSLL de 1998 com débitos de outros tributos esta vinha compensando normalmente esses créditos fiscais com débitos futuros da mesma rubrica; Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 20 9 3.6. O resultado a que se chegou de crédito da CSLL para o ano de 1998 foi de R$ 456.331,03, valor bem inferior ao solicitado pela empresa no processo referido, que foi de R$ 3.200.419,19, e que, mesmo assim, já foi totalmente utilizado pela mesma para compensar com débitos de CSLL devidos por estimativa no anocalendário de 1999; 3.7. Como conseqüência, a empresa deixou de recolher valores devidos da CSLL por estimativa mensal, por compensação com créditos de períodos anteriores que achava possuir, fato que implica na aplicação da multa isolada, prevista no art. 44, IV, § 1°, da Lei n°9.430/96. 4. A contribuinte apresentou impugnação, acostada às fls. 399/427, não qual aduz, em apertada síntese, os seguintes argumentos:” (...) Tais ajustes impactaram, dentre outros, o crédito objeto do presente processo, utilizado para compensação, conforme facilmente se verifica da leitura do relatório do acórdão n° 1135.670, da DRJ (fls. 1451 e 1452): “Tratase de pedido de compensação de débitos com crédito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 14.098.866,88 (fl. 01). 2. A contribuinte informa, as fls. 02/32, que retificou as Declarações de Rendimentos dos anoscalendário de 1993 a 1996, o que proporcionou créditos fiscais compensáveis. Passa a discorrer, então, sobre as razões das modificações efetuadas, que teriam resultado em créditos de IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL nos seguintes valores, em cada um dos períodosbase mencionados: R$ 1.428.300,00 de IRPJ (1993); R$ 1.099.139,00 (1994); R$ 7.105.870,00 de IRPJ e R$ 1.733.958,00 de CSLL (1995); R$ 3.348.987,00 (1996). 3. Foram acostados vários pedidos de compensação (fls. 34/65). 4. Às fls. 769/770, anexouse Relatório de Informação Fiscal, no qual as autoridades diligenciadoras consignaram as seguintes informações, depois de historiar os fatos (Despacho Decisório à fl. 963): 4.1. No que se refere ao aproveitamento da correção monetária complementar IPC/BTNF de 1990 dos prejuízos fiscais de 1986 a 1989, o levantamento que foi efetuado resultou em valores bem diferentes dos apresentados pela empresa. Com base na legislação (Lei n.° 8.200/91, Decreto n.° 332/91, Instrução Normativa — IN SRF n.° 125/91 e IN SRF n.° 96/93), somente poderá ser deduzida a diferença de correção monetária complementar, relativa ao períodobase de 1990, sobre prejuízos fiscais apurados até 31/12/89 se a pessoa jurídica tiver lucro real nos períodos base encerrados de 1990 até o anocalendário de 1993, suficiente, em cada ano, para a compensação dos valores corrigidos pelo IPC em 1990, pelo INPC, em 1991, e pela UF1R diária, a partir de 1992. Assim, somente poderá haver aproveitamento, a partir de 1993, dos excessos dos lucros dos anos de 1990 a 1993, não compensados com os saldos da correção monetária complementar 1PC/90 por vedação legal; 4.2. Com base nos valores declarados pela empresa, chegouse a um resultado de 4.936.879,13 UF1Rs, passível de exclusão do lucro liquido na apuração do lucro real, na razão de 25% no anobase de 1993 e de 15% nos anosbase de 1994 a 1998; 4.3. No que se refere aos demais itens alterados pela empresa, a análise resultou na elaboração de QUADRO DOS VALORES RETIFICADOS NA D1RPJ x VALORES ADMITIDOS PELA SRF — APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO DO IRPJ, no qual se registrou, de forma analítica, dentre outros, os valores glosados pela fiscalização e as explicações. O mesmo em relação Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 21 10 As alterações das bases de cálculos da CSLL; 4.4. As diferenças entre os resultados apresentados nas declarações retificadoras e os resultados admitidos serão objeto de auto de infração; 4.5. A compilação dos resultados está consolidada no QUADRO RESUMO DOS VALORES A PAGAR/RESTITUIR CONF. DIRPJ RETTFICADORAS 93 A 96 (fl. 827).” (...) Nada obstante, a despeito do reconhecimento da decadência, ao menos para o IRPJ, a DRJRecife permaneceu com o entendimento: “Inicialmente, cumpre salientar, antes de adentrar na análise das preliminares e das razões de mérito, que o que se discute neste processo é apenas o indeferimento em parte do pedido de compensação em razão da inexistência do crédito a ser compensado. Nos demais processos administrativos a que faz referência a contribuinte, tratouse de lançamento para exigência de crédito tributário, em razão da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, em virtude das irregularidades constatadas nas Declarações de Rendimentos. Desse modo, insubsistente a alegação de que se verifica, in casu, o pressuposto processual negativo denominado litispendência, que reclama a extinção, sem a apreciação do mérito, de outro processo que repita a tríplice identidade do que lhe seja anterior: partes, causa de pedir e pedido. Malgrado os fatos que ensejaram o indeferimento em parte do pedido de compensação e os lançamentos do IRPJ e da CSLL serem os mesmos, não há como nulificar o processo em testilha só por isso, vez que diversas as suas finalidades e conseqüências.” Data máxima vênia do bem elaborado acórdão da DRJ, entendo que existe íntima relação de causa e efeito entre os processos n° 10480.011266/200256 e n° 10480.011265/200210 e este processo, assim como outrora já decidido definitivamente pelo CARF. Isto porque, o que se discutiu na composição do direito creditório do contribuinte decorreu justamente da alteração do seu resultado tributável, o que evidentemente só poderia ser feito, como foi corretamente efetuado, por meio de lançamento de ofício. Se tais lançamentos de ofício foram cancelados, total ou parcialmente, ainda que pela decadência, aquela alteração do resultado tributável deixou de existir juridicamente, e não pode exatamente essa alteração ser fundamento, per se, para a negativa do direito creditório do contribuinte e a consequente não homologação de sua compensação, a despeito de outras questões que podem ser eventualmente analisadas. Se assim é, a solução deste processo depende da solução definitiva daqueloutros. Cumpre reforçar que o próprio CARF já havia constatado a relação de dependência do presente processo com os anteriormente citados, motivo pelo qual a Turma Julgadora determinou o encaminhamento dos autos para a adequação do acórdão da DRJ. Esta foi inclusive a conclusão do acórdão exarado pela 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, conforme seguinte trecho: Diante do exposto, voto no sentido de determinar o retorno dos autos à DRJ Recife PE, para novo julgamento em primeira instância, conjuntamente com o processo 10480.011265/200210, Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 22 11 que foi objeto de anulação da decisão da DRJ; aplicandose também o decido no processo 10480.011266/200256. Assim, também já havia entendido o CARF na ementa do acórdão n° 1402 00.526, deste mesmo processo: “Confirmada a conexão deste com outro processo, cuja decisão de Primeira Instância foi anulada, além de uma parte ter sido definitivamente julgado na esfera administrativa a favor do contribuinte, cumpre determinar a lavratura de nova decisão da DRJ, em conjunto com o aludido processo”. Uma vez esclarecida tal premissa, necessário se faz averiguar o quanto decidido em definitivo nos lançamentos de ofício para atribuir ou discutir a atribuição dos reflexos que tais decisões acarretam ao presente. Conforme documentos juntados pelo contribuinte, verifico que os processos de n° 10480.011265/200210 e de n° 10480.011266/200256 já foram definitivamente apreciados na esfera administrativa, cujas ementas são abaixo colacionadas: · PA 10480.011265/200210 IRPJ. DECADÊNCIA. Para os casos de tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, aplicase a regra decadencial prevista no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. · PA 10480.011266/200256 CSLL – DECADÊNCIA – A Contribuição Social sobre o Lucro é tributo cuja legislação prevê a antecipação do pagamento, sem prévio exame pelo Fisco, estando, por via de consequência, adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° CTN) CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a ampliação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida apurada ao final do exercício. TAXA SELIC – É correta a aplicação da taxa SELIC sobre os créditos tributários apurados de ofício que não foram regular e tempestivamente pagos pelo sujeito passivo da relação jurídico tributária. No processo de n° 10480.011265/200210 verificase do resultado de julgamento que o período de 1993 a 1996 foi excluído, mantendo parcialmente apenas os períodos de 1997 a 2000. Entretanto, o pedido de compensação do contribuinte reportase a Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.098 S1C4T1 Fl. 23 12 créditos fiscais gerados na retificação das DIPJs dos anoscalendários de 1993, 1994, 1995 e 1996. Uma vez que os lançamentos de ofício foram cancelados, aquela alteração do resultado tributável deixou de existir juridicamente, e não pode exatamente essa alteração ser fundamento, per se, para a negativa do direito creditório do contribuinte e a consequente não homologação de sua compensação. No processo de n° 10480.011266/200256, verificase que o débito foi integralmente extinto, de sorte que não deve mais prosperar a negativa do direito creditório do contribuinte no presente processo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam homologadas as compensações declaradas, em observância às decisões proferidas nos Processos de n° 10480.011265/200210 e de n° 10480.011266/2002 56, porquanto restou homologado o saldo negativo do contribuinte antes dos ajustes efetuados nos respectivos P.A.s e exonerados conforme decisão transitada em julgado. Pelo exposto, deixo inclusive de analisar a questão meritória suscitada pela recorrente relativa às homologações tácitas, já que o motivo antes tratado é suficiente ao provimento do recurso do contribuinte. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
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