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Numero do processo: 16327.000297/2004-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999
Decadência. COFINS. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Art. 150, § 4º do CTN.
O que determinará o dispositivo legal a ser aplicado, para fins de contagem de prazo decadencial, será a sistemática de lançamento a que o tributo se sujeita e, em se tratando a COFINS de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será aquele instituído pelo artigo 150, § 4º do CTN, ou seja, de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador. Não há o que se falar na aplicação da regra instituída pelo artigo 173, I, do CTN, posto que aludido dispositivo se refere a tributos que estão sujeitos a lançamento de ofício ou por declaração, o que não é o caso da COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.196
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Designada a Conselheira Nanci Gama para redigir o voto vencedor.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Nanci Gama - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 97 /2 00 4- 01 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA 2 Barreto, que davam provimento. Designada a Conselheira Nanci Gama para redigir o voto vencedor. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Nanci Gama Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A câmara recorrida narrou os fatos nos termos seguintes: Trata se do Recurso Voluntário de fls. 157/169, tempestivo, contra o Acórdão da 10ª Turma da DRJ de fls. 129/136, que em julgamento de primeira instância manteve o Auto de Infração de fls. 23 a 26, relativo à Cofins, períodos de apuração fevereiro, maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1999, no valor de R$ 10.720.342,17, incluindo juros de mora. O lançamento foi efetuado sem multa de ofício, em virtude de medida judicial. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 21 e 22), a autoridade fiscal consigna que foi proferida sentença nos autos do mandado de segurança nº 1999.61.00.0138845 que concedeu “... a segurança para o fim de afastar a aplicação da norma inscrita no art. 3º parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98 garantindo à impetrante o direito de recolher a COFINS na forma da Lei Complementar 70/91, a partir do mês de competência de fevereiro deste ano ...”. Cientificada do lançamento, a autuada impugnou o Auto de Infração apresentando, em síntese, as seguintes razões: i) o crédito tributário relativo ao mês de fevereiro/1999 está extinto em razão da decadência que se operou em face do transcurso do prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4º, do CTN, sendo inaplicável o prazo de dez anos previsto na Lei nº 8.212/91; ii) os juros de mora não são devidos, porque a impugnante não incorreu em mora, e ainda que fossem não poderiam ser calculados com base na taxa Selic, inapropriada para tanto. Argúi que, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA Processo nº 16327.000297/200401 Acórdão n.º 9303001.196 CSRFT3 Fl. 358 3 serviços das instituições financeiras, a taxa Selic é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola o percentual de 1% previsto no artigo 161, do CTN. O Acórdão recorrido, levando em conta que as duas alegações acima são distintas da matéria objeto da ação judicial, delas conheceu mas negou provimento à impugnação. Interpretou que o prazo decadencial para lançamento da Cofins é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/91; que conforme o art. 161, caput, do CTN, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, “seja qual for o motivo determinante da falta”, não se podendo afastar a sua incidência nem mesmo no caso de suspensão da exigibilidade por medida judicial; e que o cálculo desses com base na taxa Selic possui amparo legal no art. 13 da Lei nº 9.065/95, descabendo ao julgador administrativo apreciar sua validade, já que isso implicaria apreciar sua constitucionalidade, matéria esta reservada ao Judiciário. O Recurso Voluntário, repetindo os argumentos da impugnação, insiste na decadência do mês de fevereiro de 1999 e na imprestabilidade da taxa Selic como índice empregado no cômputo dos juros de mora. Julgando o feito, a câmara a quo manteve o lançamento fiscal em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999 COFINS. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 08/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 08/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS e do PIS é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, independente de ter havido o pagamento antecipado exigido por esse artigo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA Nº 03. Nos termos da Súmula nº 03/2007, do Segundo Conselho de Contribuintes, é legítimo o emprego da taxa Selic como juros moratórios. Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional recorreu a este colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, vez que o termo inicial para constituição do crédito tributário, Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA 4 na ausência de pagamento, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Por meio do despacho de fls. 275 a 276, o Presidente da câmara recorrida deu seguimento ao recurso fazendário. Contrarrazões vieram às fls. 283 a 292 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo à Cofins devida, mas não recolhida ao Erário. O CTN traz duas situações, absolutamente, distintas para definir o termo inicial da decadência: a primeira, regra geral, aplicase a todos os tributos, e, a segunda, apenas aos tributos que incorram na modalidade de lançamento por homologação, e, mesmo estes, dentro de certas condições. A regra geral inserta no inciso I do art. 173 do CTN, fixa o termo a quo como sendo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Já o § 4º do art 150 do CTN traz regra específica que alcança os tributos cujo lançamento é por homologação, quando atendidas certas condições. A primeira delas é que não tenha havido fraude, dolo ou simulação; a segunda, que o sujeito passivo tenha tomado as providências tendentes a apuração do tributo a pagar (fato imponível, base de cálculo, alíquota, o quantum devido etc) e efetue o recolhimento devido. Assim procedendo o sujeito passivo, o termo inicial de decadência deslocase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado para a data de ocorrência do fato gerador. Notese que não é o simples fato de o tributo estar sujeito a lançamento por homologação que se dá o deslocamento do prazo previsto no inciso do 173 do CTN para o do§ 4º do art. 150 do CTN. É necessário que todos os procedimentos a cargo do sujeito passivo tenha sido por ele efetuado, inclusive, e, principalmente, a satisfação da obrigação tributária. Ora, a principal característica do lançamento por homologação, e a razão maior de ser desta modalidade de lançamento, é o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Daí, no meu pensar, não fazer o menor sentido homologarse procedimento que não tenha como conseqüência a antecipação do pagamento. No caso ora em exame, não houve antecipação de pagamento. Na realidade, a recorrida havia impetrado Mandado de Segurança e obteve liminar que a desobrigava de pagar o tributo. Inclusive, o auto de infração foi efetuado para previnir a decadência, sem a multa de ofício. De outro lado, os períodos lançados de ofício corresponde a fatos geradores ocorridos entre fevereiro e novembro de 1999. Com isso, para os créditos correspondentes a Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA Processo nº 16327.000297/200401 Acórdão n.º 9303001.196 CSRFT3 Fl. 359 5 esses períodos de apuração, o termo de início é o primeiro dia do exercício seguinte, in casu, 1º de janeiro de 2.000, e o final, 31 de dezembro de 2004. Como o lançamento fiscal foi efetuado em 03 de março de 2004, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito objetos destes autos não decaiu. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Voto Vencedor Conselheira Nanci Gama, Redatora Designada Com o devido respeito ao entendimento do E. Conselheiro Relator, divirjo do mesmo, eis que entendo que o que irá determinar o dispositivo legal a ser aplicado será a sistemática de lançamento a que o tributo se sujeita, e sendo a COFINS um tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, não há o que se falar na aplicação do artigo 173, I, posto que o mesmo trata, em verdade, de prazo decadencial relativo a tributos que estão sujeitos a lançamento de ofício ou por declaração. Com efeito, extraise a inequívoca conclusão de que a Fazenda Pública possui o prazo de 5 (cinco) anos para homologar o procedimento adotado pelo contribuinte, em conformidade ao disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, sendo certo que, na hipótese de inércia, o crédito tributário, referente ao período que superar referido prazo, será definitivamente extinto, a saber: “Art. 150. O lançamento por homologação que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele se 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirando esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. (grifei) Nos tributos sujeitos à homologação, em que o fato gerador pode ocorrer todo dia, como é o caso da COFINS, o termo inicial da contagem do prazo para formalização do lançamento é, indubitavelmente, a ocorrência do fato gerador. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA 6 Diferente é o termo inicial para contagem do prazo estipulado àqueles tributos sujeitos a lançamento de ofício ou por declaração, o qual se encontra definido pelo artigo 173,I, do CTN, posto que o respectivo fato gerador ocorre uma vez por ano. O que importa, para fins de estipulação do prazo decadencial é, portanto, verificar o regime do tributo, a que modalidade de lançamento o mesmo está sujeito e, em sendo a COFINS, tributo submetido à sistemática de lançamento por homologação, aplicase o prazo instituído pelo § 4º do artigo 150 do CTN. Isto porque, o que se homologa não é o pagamento, mas sim a atividade exercida pelo sujeito passivo, ou seja, os atos por ele praticados que geram a incidência do imposto e obrigam o seu recolhimento. Confirase a lição de Alberto Xavier1: “Entendemos, pois, que não deve ser a situação fática concreta (existência ou não de pagamento, total ou parcial, ou cumprimento ou não de obrigação declarativa) que determina a aplicabilidade do § 4º do artigo 150, mas sim e tão somente o regime jurídico do tributo em causa. Neste sentido, aponta decisivamente o ‘caput’ do artigo 150, quando se refere aos ‘tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’. O que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento, pouco importando se o dever de pagar foi ou não efetivamente cumprido, no todo ou em parte. A linha divisória das fronteiras entre o artigo 150, § 4º e 173 do Código Tributário Nacional está, pois, no regime jurídico do tributo em causa, pelo que tais preceitos não se encontravam vinculados por uma relação de especialidade, tendo cada um o seu âmbito de aplicação próprio e independente”. (grifouse) Dessa forma, independentemente da verificação de pagamento antecipado, o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado em razão da modalidade adotada pela lei para cada espécie de tributo. Diversos julgados deste Eg. Conselho de Contribuintes, também já se manifestaram nesse sentido, conforme observase das ementas a seguir transcritas: 1) “IRPJ/CSL/PIS/COFINS – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A natureza do lançamento, se por homologação ou não, não se identifica com o pagamento, pois o objeto da homologação engloba toda a cadeia de atos interligados, tais como a escrituração de lançamentos, apresentação de declarações e, se apurado o resultado, o recolhimento de tributos. CSL – DECADÊNCIA. Considerando que a Contribuição Social sobre o Lucro é lançamento do tipo por homologação, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento, quando não ficar comprovado o evidente 1 XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro, Rio de Janeiro, Forense, 2005, p. 100. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA Processo nº 16327.000297/200401 Acórdão n.º 9303001.196 CSRFT3 Fl. 360 7 intuito de fraude, é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de decadência nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Recurso especial negado”. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 103137179, Acórdão CSRF/0105.644, j. em 27.03.2007 – grifouse) 2)“DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento por homologação (art. 150 do CTN), o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. A ausência de recolhimento da prestação devida não altera a natureza do lançamento, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo”. (Primeiro Conselho, Recurso nº 155.187, Acórdão nº 10322961, j. em 29.03.2007 – grifouse) Sendo assim, resta evidente que o artigo 173, inciso I, do CTN não pode ser aplicado à hipótese em comento, tendo em vista que o tributo em tela – COFINS – está sujeito a lançamento por homologação. Por outro lado, forçoso argumentar ainda que o não pagamento do tributo decorreu de ordem judicial (liminar) que suspendeu a sua exigibilidade, e da qual a Fazenda Nacional teve a devida ciência, não se justificando com a devida vênia na hipótese o afastamento da regra prevista no artigo 150, § 4º, sob o argumento de que necessário para sua aplicação o pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, quando esse fato não se realizou por decorrência de ordem judicial. Face ao exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Nanci Gama Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 23/09/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 14751.001614/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
REMISSÃO. LEI N° 11.941/09. INAPLICABILIDADE.
O artigo 14 da Lei n° 11.941/09 estabelece a remissão apenas para débitos que, em 31 de dezembro de 2007, estivessem vencidos há 5 (cinco) anos ou mais. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da referida remissão, pois a legislação exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Fatos Geradores Recorrente TRANSVIVA SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA PATRIMONIAL E OSTENSIVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REMISSÃO. LEI N° 11.941/09. INAPLICABILIDADE. O artigo 14 da Lei n° 11.941/09 estabelece a remissão apenas para débitos que, em 31 de dezembro de 2007, estivessem vencidos há 5 (cinco) anos ou mais. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da referida remissão, pois a legislação exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 16 14 /2 00 8- 96 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001614/200896 Acórdão n.º 2302002.955 S2C3T2 Fl. 86 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 74/77). Adotamos o relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 75/76), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI) para a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2004 a 12/2004, conforme registrado na Descrição Sumária (f. 1) e no Relatório Fiscal da Infração (fls. 8/9). Pela infração foi emitido o presente AI DEBCAD n° 37.108.182 3, no valor de R$14.777,05. No Relatório Fiscal (fls. 8/9), o Fisco apontou que não foram declarados em GFIP os seguintes fatos geradores: a) Remuneração de segurados empregados, conforme listado no anexo I (fls.13/18); b) Prólabore do sóciogerente (segurado contribuinte individual), no período de 01 a12/2004, conforme valores que discrimina; c) Contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), conforme valores que discrimina. 0 Autuado foi cientificado do lançamento pessoalmente (f. 1), em 30/09/2008. Não tendo conhecimento da impugnação, foi emitido Termo de Revelia em 11/11/2008 (f. 27). Posteriormente, esclareceuse (f. 63) que a empresa apresentou impugnação em 30/10/2008, contudo, a peça de defesa somente foi adunada em 21/11/2008, quando já havia sido emitido o Termo de Revelia. Por essa razão foi comandado o evento "Apresentação de Impugnação Tempestiva", sendo o processo encaminhado para julgamento. Na peça de defesa (fls. 29/30), o Autuado requer a exclusão da multa, argumentando, em síntese que: 1. As irregularidades apontadas não merecem prosperar, porque foram avaliadas desconsiderando a necessária exclusão de todos Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 os funcionários cujas reclamações trabalhistas foram resolvidas mediante acordo homologado pelo juízo especializado, conforme copias anexas, visto que a composição transacionada em juízo afasta e extingue qualquer responsabilidade indenizatória decorrente da relação trabalhista. 2. Inexistem irregularidades tocantes a recolhimentos de natureza securitária, uma vez que ditas consignações integraram o pacto celebrado em juízo, podendose dizer que cobranças de tributo previdenciário implicaria bis in idem. Acompanhando a petição, juntou somente copias do documento de identidade do sócio gerente (f. 31); alguns anexos do Auto de Infração (fls. 32/49); protocolo de envio de arquivos conectividade social (fls. 50/61). Eis, em resumo, o que ha para relatar. (...) (destaques nossos) Encaminhados os autos à DRF, o relator determinou diligência, a fim de que fosse dado cumprimento ao Parecer PGFN/CAT n° 433/2009, no sentido de que a multa aplicada fosse revista tendose em conta as inovações trazidas pela Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei n° 11.941/2009 (fls. 66/67). Cumprida a diligência, apurouse que, pela aplicação do aludido parecer, a legislação superveniente foi mais benéfica em seis competências (fls. 70/72). Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente (ainda que conste a advertência da observância da adequação da multa diante das disposições da Lei n° 11.941/2009), tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 80/82, no qual alega, em síntese, que o feito principal está “remido” por ter valor inferior a R$ 10.000,00 (art. 14 da Lei n° 11.941/2009), de sorte que não há mais que se falar em reflexos de multa, como é o caso do Auto de Infração de que tratam os autos. Ademais, com os benefícios de anistia de multa, juros de mora e encargos legais, o presente também estaria remido porque inferior ao limite máximo para a remissão legal. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001614/200896 Acórdão n.º 2302002.955 S2C3T2 Fl. 87 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Remissão. Lei 11.941/2009. Alega a recorrente que o feito principal está “remido” por ter valor inferior a R$ 10.000,00 (art. 14 da Lei n° 11.941/2009), de sorte que não há mais que se falar em reflexos de multa, como é o caso do Auto de Infração de que tratam os autos. A recorrente indica o processo n° 14751.01615/200831 como principal, mas tal processo é constituído de outro Auto de Infração de obrigação acessória, pelo fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Portanto, não há que se falar em acessoriedade entre os débitos. Também assevera que, com os benefícios de anistia de multa, juros de mora e encargos legais, o presente processo também estaria remido porque inferior ao limite máximo para a remissão legal. Vejamos. Assim dispõe o artigo 14 da Lei n° 11.941/2009: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1° O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) (destaques nossos) Como visto, foram remitidos débitos que, em 31 de dezembro de 2007, estivessem vencidos há 5 (cinco) anos ou mais, o que não é o caso dos autos. Não fosse isso, a análise ainda assim mostrariase inviável em sede de recurso voluntário, pois a remissão pressupõe a consolidação de todos os débitos do sujeito passivo para fins de verificar se foi respeitado o limite de R$ 10.000,00 (dez mil reais), sendo que o recurso em pauta trata apenas do reexame da decisão recorrida, onde há apenas parte do débito, não sua totalidade. Na forma do §1° do dispositivo supratranscrito, tal análise deve ser feita pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Destarte, a remissão referida no artigo 14 da Lei n° 11.941/2009 em nada interfere no presente julgamento. Multa. Retroatividade Benigna. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. Consta do Relatório Fiscal de fls. 69, que “foi aplicada multa conforme fundamentação em tela, porque esta se mostrou mais benéfica do que quando comparada com a multa de ofício do art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme demonstrado na planilha “Comparação de Multa”. Ocorre que a autoridade fiscal, a fim de apurar a multa mais benéfica, fez um somatório da multa moratória de vinte e quatro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais as multas pelo descumprimento da obrigação acessória (CFL´s 68 e 69) e comparouas com a multa de ofício de 75% da novel legislação mais a multa de obrigação acessória hoje prevista no artigo 32A, I, da Lei n° 8.212/91. Ou seja, misturou a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Sabese que, uma vez apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001614/200896 Acórdão n.º 2302002.955 S2C3T2 Fl. 88 7 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001614/200896 Acórdão n.º 2302002.955 S2C3T2 Fl. 89 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais as multas pelo descumprimento da obrigação acessória (CFL´s 68 e 69) e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa nos Autos de Infração de obrigação acessória, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescentese que a lei, ao tipificar essas infrações em dispositivos distintos, denota estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º e § 6°, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10783.902204/2008-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao Desconto-Padrão, consoante regra legal.
Numero da decisão: 3803-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao “DescontoPadrão”, consoante regra legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 22 04 /2 00 8- 36 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte. Assim, por considerar que o relatório elaborado pela DRJ abordou as questões principais discutidas no PAF, peço licença para reproduzilo. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 11978.66417.150704.1.3.040728, em 15/07/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 13/09/2002, a título de Cofins com débito da mesma contribuição relativo a agosto de 2002, no valor original de R$ 1.322,43. A DRF de Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 31, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados (fl. 94). Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo Io das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 86 3 faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. E imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP de n' 11978.66417.150704.1.3.04 0728, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 87 4 tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente] dos valores recebidos no período autuado; e queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos! contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor) informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 90 a 92 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. Às fls. 101/110 a DRJ negou provimento ao recurso, sob o pressuposto de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da COFINS o valor devido às agências de publicidade, em razão da falta de previsão legal. Alegam os julgadores de piso que o contribuinte sustenta o seu direito na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007, elaborada com fundamento no Parecer COSIT n° 08/2001. Entretanto, o citado parecer teve a parte conclusiva alterada pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008. Assim, a interpretação que vigora é a de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade, por falta de previsão legal. A DRJ citou também dispositivos da Lei n.º 4.680/65, Decreto n° 57.690/66 para fundamentar o entendimento de que os pagamentos são efetuados pelos anunciantes diretamente à TELEVISÃO VITÓRIA S.A pelo valor bruto da fatura. Os julgadores concluíram ainda que somente em momento “posterior” ao pagamento pelos anunciantes, a Recorrente paga à agência o valor denominado "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra o veículo de divulgação. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 88 5 Já às fls. 117/137 o contribuinte apresenta Recurso Voluntário contra a decisão exarada pela DRJ do RJ2 e alegou: a) Nos termos das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 as contribuições sociais não podem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica,; b) a doutrina defende que somente configura hipótese de incidência o faturamento de valores que ingressem ao patrimônio da empresa e não meros ingressos de valores que transitam por sua contabilidade; c) os valores recebidos pela cessão de espaço não integra a base de cálculo das contribuições, pois além de terem sido transferidos para às agências de publicidade, não agregam ao seu patrimônio; d) o Segundo Conselho de Contribuintes Federal, 1a Câmara, Processo n° 10950.002334/9919, já decidiu que não configura receita os valores recebidos pelas empresas de telefonia a título de “roaming”, por não se tratar de receita própria, mas sim de terceiro; e) o fato de o entendimento da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007 e do Parecer COSIT n° 08/2001, ter sido alterado pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008, não pode gerar efeitos retroativos. Além do que, destaca que a compensação foi realiza na vigência das consulta que assegurava o direito a dedução reclamada. Por fim, requer diligência para que o perito aponte, a partir dos documentos contábeis existentes no PAF n.º 10783.902198/200817, os valores repassados às agencias de publicidade, bem como extinção do crédito tributário exigido e seja homologada a compensação apresentada. Alertase ainda que o Recorrente requer também a suspensão do crédito discutido no PAF 10783.902213/200827. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente é preciso dizer que este conselheiro já havia votado, em julgamento de outro processo pertencente ao mesmo contribuinte, no sentido de que os veículos de divulgação não poderiam excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade em razão da falta de previsão na legislação. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 89 6 Entretanto, agora compulsando melhor os autos e refletindo a respeito dos argumentos de defesa apresentados pela Recorrente, conclui que o contribuinte possui razão. A questão ora em deslinde limitase em saber se as verbas recebidas pelo veículo de comunicação em sua totalidade representam a base de cálculo para o recolhimento do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências Em verdade, o próprio Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por compreender por “receita bruta” a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Neste sentido, o STF ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou amparado no fato de que ao ser ampliado o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita violouse a noção de faturamento pressuposto no art. 195, I, "b" da CF/88, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Assim, em que pese a falta de previsão expressa nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, visto que nelas há a disposição de que se compreende por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ainda assim, compreendo que o pleito do contribuinte deve ser acolhido. É preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerários, estes valores apenas transitando graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram seu patrimônio e, por conseqüência, tais entradas de dinheiro são incapazes de exprimir o contorno de sua capacidade contributiva, conforme exige o art. 145 da Constituição Federal. Data vênia, entendimento contrário, compreendo que todo o veículo de divulgação, ou seja, rádio e televisão, jornais e revistas figura apenas como mero intermediário dos serviços prestados pelas agências de publicidade, logo neste caso o valor transferido às agências não configura despesa do veículo, pois não se trata de insumo dos seus serviços. A Segunda Turma do TRF 5ª Região já apreciou recentemente esta matéria e decidiu em negar provimento a apelação da Fazenda Nacional que pretendia afastar a pretensão do contribuinte. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE nº 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 90 7 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." Esta discussão hoje resta superada com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei nº 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podendo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agências de publicidade agem como mandatárias da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por elas recebidas decorrem dessa mediação. Cabível a restituição ou compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente com a incidência dos consectários legais nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal, obedecida a limitação do art. 170A do CTN. Precedente desta eg. Corte: (APELREEX12164/PE, DES. FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS, Segunda Turma, DJE 02/12/2010). Apelação improvida e remessa parcialmente provida. (grifo) (TRF 5ª Região Apelação / Reexame Necessário n.º 00009715220114058300, Data de Julgamento: 16.10.2012). No mesmo sentido, acerta o contribuinte ao colacionar aos autos julgado do antigo Conselho de Contribuintes referente a não incidência das contribuições sobre os valores recebidos pelas empresas de telefonia denominados “roaming”. Neste caso o colegiado compreendeu, ainda que por maioria, que a base de cálculo da COFINS é a receita própria, não o mero ingresso de valores globais. Com efeito, embora o contribuinte tenha citado em seu Recurso Voluntário o julgamento ocorrido no PAF n° 10950.002334/9919, verificase em rápida pesquisa junto ao “site” do CARF que há outras decisões neste sentido, como por exemplo, Acórdão nº 40202218 do Processo 10166000888200131 e Acórdão nº 40202223 do Processo 10166005507200291 , ambos julgados na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se não bastasse os argumentos aqui apresentados no sentido de admitir a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores transferidos às agências de publicidade, ainda não se pode ignorar o fato de que a Consulta Interna Cosit n° 21/2008 somente pode gerar efeitos para o futuro e jamais alcançar fatos pretéritos, pois como bem se sabe o art. 100 do CTN dispõe que os atos normativos expedidos pela Administração são complementares às leis. Além do que, é importante mencionar que discussão semelhante já ocorreu no STJ em relação a definição de receita para a base de cálculo do ISS. Neste caso, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 91 8 compreendeu o tribunal, por meio do Resp n.º 77771/MG, que a base de cálculo do ISS deve ser reduzida nos serviços de locação de mãodeobra, passando o imposto a incidir somente sobre o valor da “taxa de administração” que é cobrada pela empresa prestadora de serviços em razão do trabalho de intermediação entre o contratante e os trabalhadores contratados. Por fim, uma vez verificado que o contribuinte possui direito a exclusão pretendida, sugiro que os autos sejam encaminhados para a repartição de origem a fim de que seja auditada a contabilidade acostada ao PAF n.º 10783.902198/200817, uma que nestes neste processo constam as provas dos valores transferidos às agências de publicidade. Destarte, é verdade que o mais adequado talvez fosse elaborar uma resolução para primeiramente reconhecer o direito conforme requerido pelo sujeito passivo. Depois, num segundo momento os autos seriam encaminhados para a repartição de origem a fim de que esta se pronunciasse, exclusivamente, quanto as provas, isto é, apontasse quais valores a empresa efetivamente repassou às agência de publicidade. Todavia, em que pesem estas considerações, optei em adotar uma decisão para o caso em exame, ainda que esta decisão tenha sido proferida de forma ilíquida, devido ao fato de que não há no presente PAF as provas necessárias para apurar os créditos pleiteados. Ante o exposto dou provimento. É como voto. Sala das sessões, 28 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa – Redator designado O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu patrimônio, sendo a estes repassados àquelas. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a se poder identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regra matriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 92 9 privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 93 10 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. Sob o lume das disposições acima, vêse que a relação jurídica negocial se dá entre o anunciante e o veículo de comunicação, sendo deste para o primeiro a fatura do valor bruto, sendo o pagamento correspondente contabilizado como receita própria do veículo. Isso se depreende da inteligência do item 2.4.2, como se verá. A figura do repasse de receita de terceiros se dá, em regra, da agência para o veiculo de comunicação, dos valores que lhe são entregues pelo anunciante, sendo a agência a depositária desses recursos, conforme itens 2.4.1.1, 2.4.1.2 e 2.4.1.3. Na hipótese, os valores assim repassados ao veículo é receita deste, integralmente. Excepcionalmente, o pagamento da agência de publicidade pelo anunciante podese dar por meio do veículo de comunicação, que se encarregará de repassar à agência o valor correspondente ao “DescontoPadrão, contudo não sem prévio e expresso ajuste,. Neste caso, o valor do “DescontoPadrão” não compõe o valor faturado e, consequentemente, receita do veículo, segundo o dispositivo regulamentar no item 2.4.2. Nestes autos, além de a Recorrente não expor a forma como se processam essas relações, não houve demonstração de que tivesse ocorrido o referido ajuste prévio e expresso. Sem que restasse demonstrado que as relações se deram na forma excepcional acima mencionada, sobressai a forma básica prevista, pela qual o que o veículo recebe é faturamento. Assim, a exclusão da base de cálculo de valores pagos à agência há de ser o que expressamente está autorizado pela lei tributária, o que se verifica não haver no texto da Lei nº 9.718/98, regente da matéria ao tempo do fato gerador. Decerto, é pela falta da previsão legal para a exclusão que a Recorrente vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas, conquanto este seja conceito da base tributária tratado nas leis nºos 10.637/02 e 10.833/03, o que torna imprópria a discussão no quadrante do objeto destes autos. Quanto às soluções de consulta lembro que elas vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente, e que elas não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a Solução de Consulta nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 28 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902204/200836 Acórdão n.º 3803005.095 S3TE03 Fl. 94 11 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.001923/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004
30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004,31/12/2004
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA.
Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS D A PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo c om o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO
DE RENDA.
As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples.
LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO SUBSEQÜENTE.
O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano-calendário subseqüente ao que ocorrer o e x c e s s o de receita.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%.
Em lançamento de ofício é devida multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado.
CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. Os créditos Tributários vencidos e não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
Numero da decisão: 1302-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, , Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, , Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
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ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS D A PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo c om o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano calendário subseqüente ao que ocorrer o e x c e s s o de receita. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. Os créditos Tributários vencidos e não pagos devem ser acrescidos de juros de mora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 23 /2 00 7- 91 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, , Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001923/200791 Acórdão n.º 1302001.281 S1C3T2 Fl. 63 3 Relatório Em decorrência de ação fiscal, a Contribuinte foi intimada a recolher o crédito tributário relativo aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e Contribuição para a Seguridade SocialINSS), multa de 75% e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004 Irresignada com os lançamentos, a empresa, representada por sócio administrador, apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, o seguinte: que o auto de infração é nulo por ausência da correta demonstração do crédito tributário nele exigido, o que viola o princípio da legalidade, o contraditório e a ampla defesa. que não houve qualquer omissão de receitas. que não há justificativa para tributar valores excluídos na determinação de seu lucro real, pois o imposto de renda somente pode incidir sobre a renda, sendo a disponibilidade econômica fundamental para determinar o momento de incidência do imposto de renda. que não havendo lucro, não há que se falar em incidência de Imposto. que o extinto Tribunal Federal de Recursos editou a Súmula n° 182, segundo a qual é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. que é pacífico o entendimento jurisprudencial de que depósitos bancários não são fatos geradores de imposto. que a multa de 75% deve ser reduzida por não existir distinção entre multa punitiva e multa moratória. que a taxa Sclic é ilegal por ultrapassar o limite máximo de 1% ao mês previsto no § Io do artigo 161 do Código Tributário Nacional. que o presente processo deve ser arquivado e os lançamentos cancelados. protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, documentos, inclusive perícias, diligências, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e as que mais se fizerem necessárias. Que devido à ultrapassagem do limite de receita para permanência no Simples, foi feita Representação Fiscal para Exclusão de Oficio do Simples (proc. Nº 19515.002444/200792), anexado ao presente e emitido o Ato Declaratório n° 183, excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005. Irresignada com a exclusão do Simples, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade que a 1ª Turma, pelo Acórdão 1626.065, reconheceu a nulidade do Ato Declaratório por ter sido praticado por pessoa incompetente. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Devolvidos os autos ao órgão preparador, foi emitido novo Ato Declaratório Executivo de n° 68/2010, excluindo a contribuinte do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005. Irresignada com o novo ato de exclusão, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 521 a 538. A 1ª Turma da DRJ/SP1, pelo Acórdão nº 1629.822, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido e a exclusão do Simples, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 ESPÉCIES DE PROVAS. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DOCUMENTOS. MOMENTO PARA REQUERER OU APRESENTAR. IMPUGNAÇÃO. O processo administrativo fiscal federal prevê a prova pericial, a diligência e a prova documental, devendo as primeiras ser formuladas e justificadas na impugnação e a última, em regra, ser apresentada juntamente com a mesma impugnação. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: IRPJ. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001923/200791 Acórdão n.º 1302001.281 S1C3T2 Fl. 64 5 O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no anocalendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Cientificada da decisão da DRJ em 13/10/2011, apresentou recurso voluntário, em 31/10/2011, reiterando os argumentos de impugnação, requereu a nulidade dos autos de infração ou pelo menos fosse reconhecida a ilegalidade da aplicação da SELIC. É o relatório. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos do Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. A recorrente afirma que há violação de garantias e princípios constitucionais, do contraditório, da ampla defesa, da legalidade, da moralidade e que não haveria correta demonstração do crédito tributário no auto de infração exigido. No processo administrativo fiscal a nulidade é regulada pelos arts. 59 do Decreto 70.235/1972, que determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente processo se constata que a única nulidade existente foi sanada pela 1ª Turma da DRJ/SP1 que reconheceu a nulidade do Ato Declaratório, que havia sido expedido por pessoa incompetente. A DRJ então, corretamente, determinou que se sanasse o erro cometido, o que foi feito pelo novo Ato Declaratório Executivo DERAT n° 68/2010, que determinou a exclusão da Recorrente do Simples com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2005. Em relação a nulidades o Decreto n° 70.235/1972, através de seu artigo 59, estabelece todas as situações em que os atos administrativos venham a ser considerado nulos, “in verbis”: "Art. 59. São nulos: I. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II. os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Sendo assim, somente estes vícios determinariam a nulidade do ato administrativo. Como nenhum deles veio, efetivamente, a ocorrer no presente processo descarto a pretensão de nulidade. Depreendese da leitura das razões de impugnação e recurso que o Recorrente conhece plenamente todas as acusações as quais lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa. Pelo que se extrai dos autos também inexistiu cerceamento de defesa por qualquer ato ou omissão das autoridades administrativas que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa. A Recorrente teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, tendo sido intimada de todos os atos praticados, razão porque esta alegação não pode ser aceita. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001923/200791 Acórdão n.º 1302001.281 S1C3T2 Fl. 65 7 Em relação às supostas inconstitucionalidades apontadas pela Recorrente, as mesmas não podem ser apreciadas por esta Turma, já que a Súmula CARF nº 2 determina que: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, devem ser afastadas todas as argüições de nulidades e inconstitucionalidades. Em relação ao cerne do presente litígio, omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada, verificase que a Recorrente apesar de intimada para demonstrar e comprovar a escrituração nos livros contábeis e fiscais desses créditos bancários, assim como sua inclusão na base de cálculo dos tributos e contribuições, não o fez. Diante destes fatos e da vinculação e obrigatoriedade do lançamento tributário, a fiscalização não teve alternativa senão a aplicação das normas contidas no § I o do artigo 7º e no artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, que fazem parte do enquadramento legal da autuação e dispõem sobre o regime tributário dos contribuintes optantes pelo Simples. A Recorrente deveria ter escriturado ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial, todos os documentos que serviram para esta escrituração, pois como optante pelo Simples está obrigada a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios. Diante da disposição legal a Recorrente está sujeita à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 9.481/1997. Assim a partir da mensionada legislação basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma a ocorrência de omissão de rendimentos. No presente caso foi constatada a manutenção de contas bancárias com a expressiva movimentação de R$15.187.743,04, diante de uma receita bruta anual declarada em R$1.014.288,20. Portanto, não se estão tributando os depósitos bancários nem se os aplicando como fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando são os créditos cujas origens não foram comprovadas, que passarama ter presunção legal e com isso o ônus da prova se inverte e passa da Autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem destes recursos. Assim, caracterizada a receita omitida, o auditor fiscal não teve outra alternativa senão formalizar o lançamento de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Os invocados artigo 9o, inciso VII, do Decretolei n° 2.471/1988 e Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem como a jurisprudência administrativa e judicial citada não se aplicam pois foram editados e exarados em contexto legal e fático antigo e ultrapassado, quando ainda não havia entrado em vigor a legislação atual sobre o tema acima reproduzida. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Desta forma, sobre os créditos bancários cuja origem não foi comprovada foi aplicado o percentual estabelecido na legislação do Simples, para apuração dos tributos devidos, não havendo que se falar em ofensa a qualquer norma constitucional, norma legal ou princípios jurídicos e neste contexto, não faz nenhum sentido a invocação de dispositivo referente ao lucro real. Em relação à multa de ofício (75%) tanto a redação do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, quanto a atual dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007, resultante da conversão da Medida Provisória n° 351/2007, prevêem a multa de ofício no montante no montante de 75%. Desta forma, não há como o julgador administrativo vinculado às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos. Também é inaceitável a tese de que não há diferença entre a multa de ofício e a multa moratória que têm percentuais diferentes são aplicadas em situações distintas. A multa moratória, limitada a 20% conforme previsto no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, é cabível nas hipóteses de pagamento espontâneo do tributo o que não é o presente caso. Também é insustentável o questionamento sobre juros de mora com base na taxa Selic, pois os juros de 1% previstos no § I o do artigo 161 do CTN somente seriam aplicáveis se a legislação ordinária nada dispusesse a respeito. Desta forma, a utilização da taxa Selic como índice de cálculo dos juros de mora está plenamente de acordo com as disposições legais vigentes, não havendo ofensa ao princípio constitucional da legalidade nem nulidade do lançamento, devendo ser mantida, sob pena de responsabilidade funcional. Além do mais, esta matéria já foi Súmulada pelo CARF através da Súmula nº 4, que determina que: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário contra os lançamentos discutidos neste processo e em relação à exclusão do Simples deixo de apreciar esta matéria já que a Recorrente não se manifestou sobre o assubto. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 679DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001923/200791 Acórdão n.º 1302001.281 S1C3T2 Fl. 66 9 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010300/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 11/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 416 1 415 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.010300/200716 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.982 – 2ª Turma Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PAQUETÁ CALÇADOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 03 00 /2 00 7- 16 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório PAQUETÁ CALÇADOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.117.6387, em 29/08/2007, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim considerada a importância concedida a título de fornecimento de moradia a partir de pagamento de aluguéis em favor dos funcionários, em relação ao período de 07/1997 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 97/100, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 6a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão n° 08 12.820/2008, às fls. 322/328, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 08/06/2011, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 240101.869, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.010300/200716 Acórdão n.º 9202002.982 CSRFT2 Fl. 417 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2006 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE MORADIA DESCUMPRIMENTO DA LEI PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. Para o caso concreto, entendo que o fornecimento de moradia pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do art. 28, “m” da lei, ou seja: m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa forneceu moradia em desconformidade com a lei sem que estivesse enquadrado no dispositivo legal. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 386/391, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 910100.460 e 20501.497, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Acrescenta que o ônus de comprovar a existência de eventual pagamento é do contribuinte, nos termos do artigo 16, inciso III, do DecretoLei n° 70.235/72, c/c artigo 333, inciso I, do CPC, ao contrário do que restou assentado no Acórdão recorrido. E, na falta de demonstração do efetivo recolhimento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN para a análise da decadência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciados nos paradigmas a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400424/2011, às fls. 394/396. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 409/412, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, sobretudo quando inobservados os pressupostos de conhecimento da peça recursal. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.010300/200716 Acórdão n.º 9202002.982 CSRFT2 Fl. 418 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados, da empresa, do SAT e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração os segurados empregados, assim considerada a importância concedida a título de fornecimento de moradia a partir de pagamento de aluguéis em favor dos funcionários. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, acolhendo a decadência de parte do crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, razão do insurgimento da Procuradoria da Fazenda Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas nºs 910100.460 e 20501.497, devendo ser conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Em síntese, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional a reforma do Acórdão recorrido, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo a adoção dos ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Ressalta que o ônus de comprovar a existência de eventual pagamento é do contribuinte, nos termos do artigo 16, inciso III, do DecretoLei n° 70.235/72, c/c artigo 333, inciso I, do CPC, ao contrário do que restou assentado no Acórdão recorrido. E, na falta de demonstração do efetivo recolhimento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN para a análise da decadência. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.010300/200716 Acórdão n.º 9202002.982 CSRFT2 Fl. 419 7 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.010300/200716 Acórdão n.º 9202002.982 CSRFT2 Fl. 420 9 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase em parte de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, consoante se extrai do Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, às fls. 95/96, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 29/08/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 07/1997 a 07/2002, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.010300/200716 Acórdão n.º 9202002.982 CSRFT2 Fl. 421 11 Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.001253/2009-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADES.
Inexiste nulidade na decisão de primeira instância quando, fundamentadamente, considera parte da exigência não impugnada e determina o prosseguimento da cobrança em processo separado.
RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA FISCAL.
A reconstituição de escrita fiscal elaborada em planilhas contendo observações numeradas e devidamente explicadas em termo circunstanciado pela fiscalização não caracteriza cerceamento de defesa e constitui instrumento hábil à comprovação dos valores devidos pelo contribuinte.
CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.
O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL.
A falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal relativa às notas fiscais de entrada constitui óbice intransponível ao reconhecimento da legitimidade do crédito extemporâneo, uma vez que impede o fisco de verificar se os valores já não foram aproveitados na época própria.
CRÉDITOS. COMERCIANTE ATACADISTA NÃO CONTRIBUINTE.
O direito ao crédito sobre 50% do valor das notas fiscais de aquisição de insumos de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI não contempla fornecedores inscritos no Simples e nem aquisições tributadas com alíquota zero.
CRÉDITO PRESUMIDO. APROVEITAMENTO NA ESCRITA FISCAL.
A teor do art. 14 da IN SRF 210/2002, a falta de apresentação do DCP só impede o aproveitamento do crédito presumido via ressarcimento ou compensação, não constituindo óbice ao aproveitamento do benefício de forma escritural na conta-corrente de IPI.
SONEGAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA DA INFRAÇÃO.
O aproveitamento indevido de créditos de IPI com base em interpretação equivocada da legislação ou com base em jurisprudência superada não caracteriza a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo dolo do contribuinte, aplica-se a regra do art. 150, § 4º do CTN aos períodos de apuração em que houve pagamento antecipado do imposto e a regra do art. 173, I, do CTN aos períodos de apuração em que não houve pagamento.
MULTA QUALIFICADA.
Inexistindo circunstância qualificadora da infração, aplica-se a multa de ofício no percentual básico de 75%.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) declarar extinto o direito de o fisco exigir valores em relação aos períodos de apuração encerrados entre 1-01/2003 e 2-12/2003 e em relação aos períodos de apuração 2-01/2004, 1-02/2004, 2-02/2004, 1-03/2004, 2-03/2004 e 1-04/2004, em razão da decadência; (ii) reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%, em razão de não ter sido comprovada a sonegação; e (iii) reverter a glosa do crédito presumido do ano de 2003 no valor de R$ 102.846,33.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inexiste nulidade na decisão de primeira instância quando, fundamentadamente, considera parte da exigência não impugnada e determina o prosseguimento da cobrança em processo separado. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA FISCAL. A reconstituição de escrita fiscal elaborada em planilhas contendo observações numeradas e devidamente explicadas em termo circunstanciado pela fiscalização não caracteriza cerceamento de defesa e constitui instrumento hábil à comprovação dos valores devidos pelo contribuinte. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL. A falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal relativa às notas fiscais de entrada constitui óbice intransponível ao reconhecimento da legitimidade do crédito extemporâneo, uma vez que impede o fisco de verificar se os valores já não foram aproveitados na época própria. CRÉDITOS. COMERCIANTE ATACADISTA NÃO CONTRIBUINTE. O direito ao crédito sobre 50% do valor das notas fiscais de aquisição de insumos de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI não contempla fornecedores inscritos no Simples e nem aquisições tributadas com alíquota zero. CRÉDITO PRESUMIDO. APROVEITAMENTO NA ESCRITA FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 53 /2 00 9- 75 Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 A teor do art. 14 da IN SRF 210/2002, a falta de apresentação do DCP só impede o aproveitamento do crédito presumido via ressarcimento ou compensação, não constituindo óbice ao aproveitamento do benefício de forma escritural na contacorrente de IPI. SONEGAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA DA INFRAÇÃO. O aproveitamento indevido de créditos de IPI com base em interpretação equivocada da legislação ou com base em jurisprudência superada não caracteriza a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo dolo do contribuinte, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN aos períodos de apuração em que houve pagamento antecipado do imposto e a regra do art. 173, I, do CTN aos períodos de apuração em que não houve pagamento. MULTA QUALIFICADA. Inexistindo circunstância qualificadora da infração, aplicase a multa de ofício no percentual básico de 75%. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) declarar extinto o direito de o fisco exigir valores em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 1 04/2004, em razão da decadência; (ii) reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%, em razão de não ter sido comprovada a sonegação; e (iii) reverter a glosa do crédito presumido do ano de 2003 no valor de R$ 102.846,33. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 30/04/2009 (fl. 570), lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), multa de ofício qualificada e juros de mora, nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2003 e dezembro de 2004, em razão da falta de recolhimento do imposto detectada após a glosa de créditos indevidos. Segundo o termo de constatação fiscal de fls. 484 a 555, o contribuinte se creditou, no primeiro decêndio de março de 2003, do valor de R$ 7.463.403,48, e na primeira Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 10 3 quinzena de janeiro de 2004, do valor de R$ 505.133,83, ambos escriturados sob a rubrica “outros créditos”. O contribuinte justificou a composição do crédito de R$ 7.463.403,48 da seguinte forma: R$ 322.159,89 se referem a créditos presumidos de atacadistas anos de 2000 a 2002; R$ 262.499,85 se referem ao crédito presumido de IPI de 1998 a 2002; R$ 226.575,42 se referem a créditos por aquisições de insumos isentos de 2000 a 2002; R$ 1.458.329,51 se referem a créditos de insumos “não creditados nos anos 2000 a 2002”; R$ 585.047,82 se referem a créditos por aquisições de insumos tributados com alíquota zero nos anos de 1994 a 1996; R$ 2.430.671,81 se referem à correção monetária – alíquota zero e R$ 310.000,00 se referem à correção monetária – alíquota zero ano de 1993. Esses valores totalizam R$ 5.595.284,30 e o contribuinte justificou a diferença em relação ao valor creditado da seguinte maneira: R$ 1.183.334,37 foram estornados na primeira quinzena de maio de 2004 e R$ 684.784,81 são créditos presumidos de atacadistas não aproveitados à época própria e créditos por aquisição de insumos isentos do período de 1998 a 1999, cujas listagens não foram encontradas. O contribuinte justificou a composição do crédito de R$ 505.133,83 da seguinte forma: R$ 241.460,87 são créditos presumidos de atacadistas do ano 2003; R$ 102.846,33 são créditos presumidos de IPI ano 2003; R$ 91.597,24 são créditos de insumos indiretos; R$ 63.660,83 são créditos de correção monetária sobre insumos indiretos. O somatório desses créditos é de R$ 499.565,27 e o contribuinte justificou que a diferença em relação ao valor creditado se refere a aquisições de atacadistas optantes pelo Simples. A fiscalização justificou as glosas efetuadas da seguinte forma: CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee aaqquuiissiiççõõeess ddee ccoommeerrcciiaanntteess aattaaccaaddiissttaass nnããoo ccoonnttrriibbuuiinntteess ddoo IIPPII.. O contribuinte se creditou do IPI aplicando as alíquotas a que estavam sujeitos determinados produtos intermediários sobre 50% do valor constante da nota fiscal de aquisição. Essas aquisições ocorreram em grande parte durante os anos de 1999, 2000, 2001 e 2002, mas os créditos somente foram lançados e aproveitados no livro de apuração de IPI em novembro e dezembro de 2003 e em fevereiro e março de 2004. Entre as compras que originaram os créditos, existem aquisições de empresas optantes pelo Simples, que não dão direito a crédito. Além disso, a maioria das aquisições não ocorreu de comerciantes atacadistas, mas sim de estabelecimentos industriais, pois grande parte das aludidas notas fiscais traz em seu corpo a observação: “Alíquota de IPI reduzida a zero”. Tendo em vista essa situação fática e considerando, ainda, que o contribuinte não comprovou a contabilização das notas fiscais anteriores ao ano de 2003, pois não apresentou os livros de registro de entradas dos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002, a fiscalização glosou as aquisições de empresas optantes do Simples e aquelas emitidas por estabelecimentos industriais, aceitando créditos no valor de R$ 18.702,98. CCrrééddiittoo pprreessuummiiddoo ddee IIPPII O contribuinte apurou e aproveitou o crédito presumido do IPI nos anos de 1998 e de 2000 a 2003. A fiscalização glosou a totalidade do crédito presumido, pois o contribuinte, além de não ter apresentado as DCPs exigidas pela IN SRF 210/2002, também não apresentou a escrituração contábil e fiscal dos anos de 1998 a 2002. Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 CCrrééddiittooss rreellaattiivvooss aa ““iinnssuummooss nnããoo ccrreeddiittaaddooss”” O contribuinte se creditou por compras de insumos indiretos ocorridas no período de 30/12/1999 a 21/12/2002. Segundo o contribuinte, esses materiais indiretos são empregados no processo produtivo e não são bens classificados no ativo permanente. Utilizou como fundamento do crédito o Parecer Normativo CST nº 515/71. A fiscalização glosou a totalidade dessas aquisições porque o contribuinte deixou de comprovar sua contabilização, uma vez que não apresentou os livros de registro de entradas de mercadorias dos anos de 1999 a 2002. CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee aaqquuiissiiççõõeess ccoomm aallííqquuoottaa zzeerroo O contribuinte se creditou pelas compras de insumos sujeitos à alíquota zero ocorridas no período de 25/01/1993 a 05/11/1996, com base na jurisprudência do Poder Judiciário e no princípio da nãocumulatividade. A fiscalização glosou a totalidade desses créditos, pois o valor do crédito de IPI decorrente da entrada de insumos tributados com alíquota zero é zero. Não há amparo legal para tomar a alíquota de uma das operações de saída para fictamente fazer surgir um crédito, pois a lei não prevê essa possibilidade. CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee aaqquuiissiiççõõeess iisseennttaass O contribuinte se creditou do IPI pelas aquisições de insumos isentos ocorridas no período de 31/12/1999 a 30/12/2002, com base no princípio da não cumulatividade e na jurisprudência do STF e do Conselho de Contribuintes. Os créditos não foram aceitos pela fiscalização, pois além do contribuinte não ter apresentado as notas fiscais de aquisição e os livros de registro de entradas dos anos de 1999 a 2002, não há amparo legal para a tomada de crédito relativo a insumos isentos por meio da aplicação de uma alíquota de 15% sobre o valor das aquisições. CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee ccoorrrreeççããoo mmoonneettáárriiaa O contribuinte calculou correção monetária sobre todos os créditos que não foram efetuados na época própria e lançou essa correção a crédito no livro de apuração do IPI, com amparo no princípio da nãocumulatividade e da jurisprudência do TRF da 4ª Região e do STJ. A fiscalização glosou esses créditos, pois não há amparo legal para a correção monetária de créditos escriturais, ainda que tenham sido lançados na escrita de forma extemporânea. Após discorrer sobre a conduta do contribuinte e de concluir que ela pode ser enquadrada nos tipos penais da Lei nº 8.137/90 (crimes contra a ordem tributária) e da Lei nº 4.729/65 (sonegação fiscal), a fiscalização aplicou a multa de ofício por infração qualificada, pois entendeu presente a circunstância qualificadora prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64 (sonegação). Regularmente notificado do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) decadência do direito do fisco efetuar as glosas, pois o IPI é um imposto sujeito ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN); b) o aproveitamento dos créditos foi feito de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 33, de 1999, e, quanto aos créditos extemporâneos, de acordo com o Parecer Normativo CST n° 515, de 1971; c) o principio da nãocumulatividade assegura o direito ao crédito em relação a Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 11 5 produtos essenciais à atividade empresarial, ainda que se trate de peças de reposição de máquinas, sem embargo das restrições previstas legislação tributária, uma vez que há consumo no processo produtivo e esses bens não integram o ativo imobilizado; d) o direito ao crédito de IPI em aquisições de estabelecimentos atacadistas tem previsão no art. 165 do RIPI/2002, sendo que, apesar de ajustes feitos pela própria impugnante nas listagens, foi considerado pela fiscalização somente o valor de 18.702,98; e) a simples falta de apresentação de DCP não pode impedir o direito ao crédito presumido referente a exportações, sendo que, de acordo com o art. 14, § 4º da IN SRF n° 210, de 2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, a DCP passou a ser exigida somente a partir do 2° trimestre de 2003 e não a partir do 4° trimestre de 2002, sendo antes exigida apenas a DCTF; f) mesmo que não fossem admitidos créditos por causa da falta de DCP a partir do 2° trimestre de 2003, isso não poderia acontecer em relação aos créditos de 2000 até o 1° trimestre de 2001 e quanto à falta dos livros de registro de entradas de 1998 a 2002, deve ser aplicada a regra do art. 191 do RIPI/2002, segundo a qual, no lançamento de oficio, devem ser considerados como escriturados os créditos que forem alegados até a impugnação; g) sob o fundamento da falta de livros fiscais (de 1999 a 2002), a fiscalização deixou de considerar créditos referentes a insumos que seriam produtos intermediários diretamente consumidos no processo produtivo (solventes, tintas, fitas adesivas, cartuchos de impressora, fita de processador, etc.), apesar da documentação fiscal comprobatória; h) o direito aos créditos de IPI de produtos com alíquota zero e isentos, glosados pela fiscalização, deflui do princípio da nãocumulatividade, conforme doutrina e jurisprudência, inclusive administrativa; i) a correção monetária foi incorporada aos créditos não escriturados na época própria para evitar o prejuízo com a inflação do período, sendo inconstitucional o enriquecimento sem causa do Estado resultante do acréscimo inflacionário em favor dos cofres públicos e à custa do sujeito passivo; j) tendo em vista que o imposto em questão segue o regime do lançamento por homologação, o prazo prescricional de cinco anos somente poderia ser contado a partir da data da extinção do crédito tributário, sendo que, então, deve ser considerado o prazo total de 10 anos (5 anos a partir do fato gerador mais 5 contados da homologação tácita do lançamento), consoante doutrina e jurisprudência; k) na confusa planilha de "reconstituição do livro registro de apuração de IPI —AC 2003 e 2004" não constam os créditos referentes a março de 2003 e janeiro de 2004, respectivamente de R$ 7.463.403,48 e R$ 505.133,83, além da demonstração das glosas efetuadas nos períodos respectivos e o estorno efetuado pela própria contribuinte no importe de R$ 1.183.334,37; l) os créditos de IPI relativos a insumos isentos e com alíquota zero é matéria controversa no Poder Judiciário, portanto, não é cabível o enquadramento como crime contra ordem tributária, não tendo sido provado em nenhum momento a conduta dolosa do contribuinte; m) da mesma forma, os créditos relativos a insumos adquiridos de comerciantes atacadistas ou os créditos de exportação previstos na Lei n° 10.276, de 2001, são admitidos expressamente pela lei e a recusa da fiscalização recaiu apenas na falta de apresentação dos livros fiscais de 1998 a 2002, o que não caracteriza crime contra a ordem tributária; e n) não existindo prova do dolo do contribuinte, a multa qualificada de 150% não pode prosperar. Por meio da Resolução nº 1.285, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse analisada a documentação relativa ao crédito presumido até o 2º Trimestre de 2002, pois a não apresentação do Livro de Registro de Entradas não seria insuficiente para fundamentar a glosa. Também foi determinada a elaboração de demonstrativos de reconstituição dos saldos da escrita fiscal antes e depois das glosas efetuadas, sendo que no demonstrativo posterior à glosa deveriam ser demonstrados todos os ajustes efetuados, inclusive a demonstração do estorno que teria sido efetuado pelo próprio contribuinte no valor de R$ 1.183.334,37 na 1ª quinzena de maio de 2004. Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O processo retornou com os documentos de fls. 674 a 1126. No termo de diligência de fls. 1100 a 1126, verificase que foram apresentados novos demonstrativos de reconstituição dos saldos da escrita fiscal e aferido o valor do crédito presumido anterior ao 3º trimestre de 2002. A fiscalização informou que, embora tenha atendido à solicitação da 2ª Turma da DRJRibeirão Preto, quanto ao cálculo do crédito presumido, permanece firme e irredutível no seu entendimento de que cabe a glosa integral do valor desse crédito, pois o contribuinte não apresentou nenhum livro contábil ou fiscal correspondente aos anos calendário de 1998 a 2002. A glosa não se deu apenas por falta de apresentação do livro registro de entradas, como entendeu a DRJ, mas sim por falta de apresentação de toda a escrituração dos anos de 1998 a 2002. Regularmente notificado do resultado da diligência, o contribuinte apresentou sua manifestação às fls. 1138 a 1146, onde reafirmou não só o seu direito à totalidade do crédito presumido, mas também a ineficácia da nova reconstituição dos saldos da escrita fiscal. Atacou a glosa integral do valor do saldo credor inicial da reconstituição da escrita no valor de R$ 424.870,15. Por meio do Acórdão nº 30.344, de 29 de julho de 2010, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente. No que tange à preliminar de decadência, entendeu aquela turma de julgamento que restou caracterizada a sonegação, em virtude da não apresentação dos livros contábeis e fiscais imprescindíveis à análise dos fatos. Assim, o termo inicial de contagem do prazo decadencial deslocouse para o primeiro dia do exercício seguinte à data do conhecimento do fato gerador pela Administração Tributária, no caso, pela apresentação da DIPJ anual com a ficha referente ao IPI onde constam os débitos e créditos do imposto relativo a cada período de apuração. Apresentada a DIPJ de 2003 no exercício de 2004, a constituição do crédito tributário de 2003, mediante glosa de créditos, poderia ocorrer até 31/12/2009. Quanto aos créditos por aquisições isentas e sujeitas à alíquota zero, a glosa foi mantida porque o IPI não é imposto sobre valor agregado. A constituição adotou a técnica do imposto contra imposto. Assim, para que haja crédito na operação seguinte é necessário que haja débito do imposto na operação anterior. Relativamente aos insumos indiretos, a glosa foi mantida porque esses bens não se enquadram no disposto no Parecer Normativo CST nº 65/79, pois não se desgastam no processo produtivo em decorrência de contato físico direto com o produto em fabricação. No tocante à correção monetária dos créditos, a glosa foi mantida, sob o argumento de que não há previsão legal para a correção de créditos escriturais do imposto. Quanto à diligência efetuada e à elaboração dos novos demonstrativos de reconstituição da escrita fiscal, ficou decidido que o contribuinte não tem direito ao crédito presumido do período de 1998 até o 3º trimestre de 2002 porque não foi apresentada a escrituração contábil e fiscal desse período. Quanto ao crédito presumido do 4º trimestre de 2002 e do ano de 2003, o direito foi negado porque o contribuinte não apresentou o DCP, conforme exige a IN 210/2002. Quanto à glosa do saldo credor inicial de R$ 424.870,15, a DRJ consignou que ela decorreu de ajustes empreendidos em processo concernente a pleito de ressarcimento, ainda pendente de decisão no âmbito administrativo. No termo de constatação houve informação errônea de que o valor de R$ 1.183.334,30 seria relativo a estorno de crédito. Na verdade se trata de estorno de débito efetuado pelo contribuinte sem nenhuma justificativa. Quanto à multa qualificada de 150%, entendeu a DRJ que o fato de o contribuinte ter deixado de apresentar livros contábeis e fiscais, caracterizou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pelas autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou também a natureza ou as circunstâncias materiais. A DRJ considerou não impugnados os valores lançados nos meses de outubro e dezembro de 2004 e determinou o prosseguimento da cobrança em separado. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 18/10/2010 (fl. 1178 do PDF), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/11/2010 (fl. 1183). Alegou Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 12 7 em preliminar a nulidade da decisão de primeira instância por ter considerado não impugnado o lançamento relativo aos meses de outubro e dezembro de 2004. Disse que esses débitos somente apareceram em decorrência da glosa dos créditos e da reconstituição da escrita fiscal e, portanto, foram abrangidos pela impugnação. Estando a glosa de crédito devidamente impugnada, é necessário o cancelamento do processo 16151.001216/201089 para o qual foram transferidos os débitos, pois estão prestes a serem encaminhados para cobrança executiva. Ainda em preliminar, reafirmou que ocorreu a decadência do direito do fisco efetuar as glosas. No mérito, reprisou os argumentos oferecidos na impugnação não só em relação ao direito aos créditos apropriados, mas também em relação ao prazo de prescrição para a escrituração dos créditos e quanto à inocorrência da sonegação. No tocante à diligência efetuada, disse que a fiscalização não contestou a magnitude do crédito presumido, apenas mantém a glosa sob o fundamento da não apresentação da escrituração e do DCP. O contribuinte apresentou listagens e notas fiscais que permitem a conferência do cálculo e sendo assim não há justificativa para a glosa. Relativamente à reconstituição da escrita, ela continua ineficaz para o fim de exigência do imposto. Isto porque com relação ao saldo credor inicial (em 31/12/2002) no valor de R$ 424.870,15, a fiscalização alega que o mesmo foi desconsiderado em razão da falta de comprovação por documentos e livros relativos ao ano de 2002, conforme diligência efetuada no processo 13882.000021/200340, que versa sobre pedido de ressarcimento do 4º trimestre de 2002. A glosa do valor de R$ 373.620,15 no saldo credor de 31/12/2002 foi objeto de manifestação de inconformidade, que se encontra pendente de julgamento na DRJ – Juiz de Fora. Assim, o saldo credor inicial de R$ 424.870,15 não pode ser objeto de glosa enquanto estiver pendente o julgamento da manifestação de inconformidade no processo de ressarcimento. Quanto ao valor de R$ 1.183.334,37, no resultado da diligência a fiscalização confirmou que se trata de estorno de crédito efetuado pelo contribuinte, entretanto a decisão recorrida erroneamente afirma que se trata de estorno de débito, o que compromete a validade da decisão da DRJ. O novo demonstrativo de reconstituição dos saldos da escrita fiscal continua confuso e ineficaz para o fim de justificar a exigência dos saldos devedores. Por meio da Resolução 3403000.418, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que fosse atestada a existência ou não de pagamentos antecipados e juntada a decisão derradeira do processo 13882.000021/200340. Os autos retornaram com os documentos de fls. 2456 a 2927 e com a manifestação do contribuinte de fls. 2929 a 2952. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. DDAA NNUULLIIDDAADDEE DDOO AACCÓÓRRDDÃÃOO DDEE PPRRIIMMEEIIRRAA IINNSSTTÂÂNNCCIIAA.. O contribuinte alegou a nulidade da decisão de primeira instância por ter a DRJ considerado os débitos de outubro e dezembro de 2004 como não impugnados e pleiteou o cancelamento do processo nº 16151.001216/201089 para o qual foram transferidos. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Analisando o demonstrativo de reconstituição dos saldos da escrita fiscal, verificase que mesmo a fiscalização tendo desconsiderado por completo o saldo credor inicial de R$ 424.870,15, o efeito da glosa dos créditos indevidos não chegou a atingir os períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 2004. E isso se deve ao fato de que no livro de apuração original o contribuinte apurou saldo credor de escrita durante todo o ano calendário de 2003 (exceto 302/2003) e até o mês de abril de 2004 (fls. 691/692). Esta constatação é corroborada pelo confronto do valor do saldo da escrita fiscal antes da reconstituição coluna “SALDO” com o valor após a reconstituição, coluna “NOVO SALDO FINAL”, no demonstrativo de fls. 1093 a 1098, que veio aos autos com a diligência solicitada pela DRJ. Em relação aos períodos de outubro e dezembro de 2004, a diferença entre aos saldos de escrita e o que foi lançado de ofício, se deve à exclusão dos valores declarados em DCTF, especificados na coluna “AJUSTE 3” do demonstrativo citado no parágrafo anterior. Assim, em outubro de 2004 foi apurado saldo devedor na escrita de R$ 318.322,76, na DCTF foi declarado 8.322,76 (fl. 425), restando um saldo não declarado de R$ 310.000,00 que foi lançado de ofício com a multa de 75%. Quanto ao mês de dezembro de 2004, o saldo da escrita foi de R$ 303.273,76, o valor declarado foi de R$12.273,76 e a diferença lançada foi de R$ 291.000,00 também com a multa de 75%. O contribuinte não contestou em momento algum a falta de declaração e de recolhimento das diferenças lançadas nesses períodos de apuração. A alegação de decadência também não socorre o contribuinte, pois mesmo utilizando o prazo do art. 150, § 4º do CTN, o lançamento permanece hígido em relação aos períodos de apuração ocorridos a partir da segunda quinzena de abril de 2004, inclusive. Portanto, foi correta a decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto em considerar não impugnados os valores lançados em outubro e dezembro de 2004, pois a exigência não decorreu da glosa de créditos, mas sim de falta de declaração e de recolhimento por parte do contribuinte. Tratandose inequivocamente de matéria não impugnada, não há nenhuma razão para se cancelar o processo nº 16151.001216/201089 e o contribuinte deve efetuar o pagamento daqueles débitos, sob pena de se sujeitar à cobrança executiva. DDAA CCOOMMPPOOSSIIÇÇÃÃOO DDOOSS VVAALLOORREESS LLAANNÇÇAADDOOSS AA CCRRÉÉDDIITTOO EE DDAA FFAALLTTAA DDEE CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO DDEE SSUUAA LLEEGGIITTIIMMIIDDAADDEE Conforme se verifica nos autos, o valor de R$ 7.463.403,48, registrado a crédito em março de 2003, é composto por: a) créditos sobre aquisições de atacadistas não contribuintes dos anos de 2000 a 2002; b) crédito presumido de IPI dos anos 1998 a 2002; c) créditos sobre insumos isentos dos anos de 2000 a 2002; d) créditos sobre insumos tributados com alíquota zero dos anos 1994 a 1996; e e) correção monetária sobre o crédito extemporâneo. Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 13 9 Já o valor de R$ 505.133,83, lançado a crédito no livro modelo 8, em janeiro de 2004, tem a seguinte composição: a) crédito sobre aquisições de atacadistas não contribuintes de 2003; b) crédito presumido de IPI do ano de 2003; e c) créditos sobre aquisições de insumos indiretos de dezembro de 1999 a dezembro de 2002. Embora intimado e reintimado por diversas vezes, o contribuinte não apresentou à fiscalização os livros da escrita contábil e fiscal dos anos calendário de 1999 a 2002, fato que por si já justificaria a glosa dos valores creditados em razão da impossibilidade de o fisco aferir sua legitimidade. A mera apresentação de listagens de notas fiscais ou mesmo das notas fiscais, não dá direito ao crédito, pois a inexistência dos livros da época não permite ao fisco aferir se o crédito decorrente das notas fiscais ora apresentadas já foi aproveitado no passado. Por tal razão não socorre o contribuinte o art. 191 do RIPI/2002, uma vez que esse dispositivo regulamentar somente se aplica aos casos de atraso na escrituração fiscal e não aos casos de inexistência ou de falta de apresentação dos livros, como aconteceu no caso concreto. É cediço que existe um atraso "normal" na escrituração dos contribuintes e que os procedimentos fiscais demoram um certo lapso de tempo para serem concluídos. O que o art. 191 do RIPI/2002 garante aos contribuintes é que os créditos não escriturados em decorrência dessas circunstâncias normais sejam considerados para a dedução do imposto lançado de ofício, desde que tais créditos sejam alegados até a impugnação. O art. 191 do RIPI/2002 não representa um salvo conduto que dispensa os contribuintes de apresentarem a escrituração contábil e fiscal de suas operações. O art. 9º do DecretoLei nº 1.598/77 estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Já o art. 190 do RIPI/2002 estabelece que os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista dos documentos que lhes confira legitimidade. Desses dispositivos, se pode concluir que a prova da legitimidade do crédito deve ser aferida por meio da escrituração contábil e fiscal e que o crédito só tem existência jurídica se as notas fiscais de entrada estiverem contabilizadas. Não existe crédito de IPI fora dos livros fiscais. Tal interpretação está explícita no Parecer Normativo CST nº 515/71, que embora tenha estabelecido que o direito de aproveitamento dos créditos extemporâneos prescreve em cinco anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial (art. 1º do Decreto nº 20.910/32), na sua parte final consignou o seguinte: "(...) Advirtase contudo, que, em qualquer caso, o exercício desse direito [de tomar o crédito extemporâneo] está subordinado às exigências regulamentares, bem como às previstas em atos administrativos que o disciplinam." Os créditos extemporâneos que compuseram os valores lançados a crédito pelo contribuinte em sua escrita nos meses de março de 2003 e janeiro de 2004 são compostos Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 por créditos gerados entre 1994 e 1996 (alíquota zero); entre 1998 e 2002 (crédito presumido); entre 2000 e 2002 (insumos isentos) e entre dezembro de 1999 e dezembro de 2003 (produtos indiretos). Ora, se o contribuinte não possui os livros da escrita contábil e fiscal hábeis à comprovação da legitimidade dos valores, merecem ser sumariamente glosados todos os créditos registrados que tenham tido origem por entradas ocorridas até 31/12/2002, com base no art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77 combinado com o art. 190 do RIPI/2002, uma vez que não restaram cumpridos os requisitos exigidos no regulamento (escrituração de livros). DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO SSOOBBRREE AASS AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEESSOONNEERRAADDAASS DDOO IIPPII Embora o crédito apurado sobre aquisições isentas (anos de 2000 a 2002) e tributadas com alíquota zero (1994 a 1996), possa ser negado sumariamente com base no fato da falta da apresentação da escrituração contábil e fiscal, o contribuinte fundamentou seu direito no princípio da nãocumulatividade e na jurisprudência do STF. É consenso na doutrina que o princípio da nãocumulatividade pode ser introduzido no sistema tributário de determinado país por meio das técnicas do valor agregado ou da dedução do imposto. Na técnica do valor agregado, que é originária do direito francês, subtraise do valor da operação posterior o valor da anterior. É o que se conhece como dedução na base. Na técnica da dedução do imposto, subtraise do imposto devido na operação posterior o imposto que incidiu na operação anterior. No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou no art. 153, da CF/1988 que (...) Compete à União instituir impostos sobre (...) IV produtos industrializados (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). (grifei) Conforme se pode verificar, a constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi cobrado na operação anterior. Já o art. 49 do CTN enuncia o seguinte: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Obviamente que imposto “pago” ou “cobrado” quer dizer imposto que incidiu, que foi destacado nas notas fiscais de aquisição das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e não imposto efetivamente pago. Isto porque o pagamento da nota fiscal de aquisição dos insumos ao fornecedor é um ato que extingue uma relação jurídica de direito privado, não podendo condicionar o exercício do direito de crédito que decorre de uma relação jurídica de direito público. Se houve destaque do imposto na operação anterior, poderá haver o direito ao crédito, ainda que o adquirente não tenha efetuado o pagamento ao fornecedor do valor da nota fiscal. Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 14 11 Além disso, duas constatações imediatas surgem da análise do enunciado do art. 49 do CTN. A primeira é que pela expressão ... “dispondo a lei”... que consta da cabeça do artigo, se pode concluir que o princípio da nãocumulatividade tem como destinatário certo o legislador ordinário e não o aplicador da lei. A segunda é que créditos de IPI devem ser utilizados primordialmente para abatimento dos débitos do mesmo imposto. Existindo saldo credor, este deve ser transferido para o período seguinte, o que significa que os créditos de IPI têm natureza escritural, conforme já decidiu o STF. Resta claro que no direito constitucional brasileiro o conteúdo do princípio da nãocumulatividade não tem a mesma amplitude que lhe pretendeu dar a recorrente, uma vez que os créditos são escriturais e não são gerados diretamente pela incidência da norma constitucional sobre situações concretas. Especificamente no caso de insumos imunes, há que se acrescentar algumas considerações. Primeiramente cabe fazer a distinção entre os dois sentidos do termo “imunidade”. O primeiro é o de norma jurídica que tem como destinatário imediato o legislador ordinário da União, dos Estados, do DF e dos Municípios. O segundo significado é o direito subjetivo de o cidadão não ser tributado quando se encontrar na situação prevista na constituição. Para o deslinde deste caso concreto, importa tomar o termo “imunidade” no sentido de norma jurídica. Segundo Paulo de Barros Carvalho, imunidade é: “(...) a classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas.(...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 7 ed. 1995, p.118). Por seu turno, Clélio Chiesa define imunidade como sendo “(...) um conjunto de normas jurídicas contempladas na Constituição Federal que estabelecem a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para instituírem tributos sobre certas situações nela especificadas.(...).” (in: Curso de Especialização em Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 921). Em resumo, podese dizer que imunidade é uma regra de competência negativa que impede a instituição de tributos sobre os fatos e as pessoas eleitos pela constituição. Tratase de verdadeira exclusão ou supressão do poder tributário das pessoas políticas constitucionais, impedindoas de alcançar certas pessoas ou certas materialidades estabelecidas na constituição. As imunidades tributárias são normas jurídicas de estrutura, pois não se voltam diretamente para a regulação de condutas intersubjetivas. As regras de imunidade voltamse para o próprio sistema tributário, limitando e delimitando a conduta dos legisladores de cada pessoa política constitucional, de forma a impedir que cada um deles edite norma impositiva sobre determinados fatos e pessoas. Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 No caso específico dos produtos imunes, o legislador ordinário da União está impedido de submeter aqueles produtos à tributação do IPI. Tratase de verdadeira norma de estrutura, pois atinge em cheio a regramatriz de incidência do IPI impedindoa de atuar sobre operações com produtos imunizados pela Constituição. O imposto incide sobre produtos industrializados, mas caso se trate de produtos imunes, a regramatriz de incidência tornase inoperante pela supressão do poder tributário da União. A recorrente insiste na tese de que o direito aos créditos fictos ora pretendidos deflui diretamente do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, que estabelece que o imposto será não cumulativo, deduzindose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Ora, senhores Conselheiros, no caso da imunidade não houve incidência em nenhuma operação relativa ao produto imune porque aquela regra, que é norma jurídica de estrutura, impediu que a regramatriz de incidência do imposto atuasse. Logo, se não houve incidência da regramatriz, não pode existir cumulação de IPI em nenhuma operação com produtos imunes. A interpretação pretendida pela recorrente é absurda porque se fosse válida teríamos forçosamente que admitir a existência de um “IPI negativo” no caso dos produtos imunes, onde a União, além de não poder cobrar IPI em face da vedação constitucional, teria que “pagar” o imposto ao contribuinte via ressarcimento de créditos fictos. Os produtos imunes estão fora do alcance da normapadrão de incidência do IPI. Em outras palavras, e usandose a terminologia de Rubens Gomes de Souza, os produtos imunes estão fora do campo de incidência do IPI e, desse modo, as operações com estes produtos são insuscetíveis de gerarem débitos e créditos do imposto. Relativamente aos produtos isentos, é sabido que as normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura e introduzem modificações na regramatriz de incidência tributária, que é norma de comportamento. Segundo a lição de Paulo de Barros Carvalho, “(...) a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência, mutilandoos, parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regramatriz, inutilizandoa como regra válida no sistema. O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente. (...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 9 ed. 1995 pp. 329/330). O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência dos critérios do antecedente ou do conseqüente da regramatriz. É o encontro de duas normas jurídicas no campo abstrato, sendo uma a regramatriz de incidência tributária e outra a regra de isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da regramatriz. Ora, se a norma de isenção mutila um dos critérios da regramatriz de incidência a conseqüência é que ela não incide sobre o evento para transformálo em fato jurídico tributário. Inexistindo o fato jurídico tributário, não se instaura o liame jurídico entre os sujeitos descritos no critério pessoal do conseqüente da regramatriz. Em outras palavras, a isenção é uma hipótese de não incidência tributária. Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 15 13 Se não existe incidência, não existe imposto “cobrado” e, conseqüentemente, a operação isenta também não pode gerar direito ao crédito de IPI, porque a não cumulatividade do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. No que tange aos insumos não tributados, tanto no caso de produtos in natura, quanto no caso de produtos industrializados que o legislador não quis tributar, estamos em que a regramatriz de incidência também não atua sobre o evento para transformálo em fato jurídico tributário. No caso de produtos in natura, isto ocorre por absoluta impossibilidade de subsunção ao critério material da normapadrão de incidência, que exige que o produto seja industrializado. No caso dos produtos industrializados, pela inexistência de fixação do critério quantitativo, já que não existe alíquota fixada em lei. Se não existe alíquota, não existe imposto “cobrado” e a operação com produtos não tributados também não poderá gerar direito ao crédito de IPI, porque a não cumulatividade do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. Por fim, quanto aos insumos sujeitos à alíquota zero, a regramatriz de incidência atua com toda a sua força normativa, transformando o evento em fato jurídico. Contudo, sendo zero o valor da alíquota, zero será o valor do imposto cobrado e, por conseguinte, zero será o valor a ser creditado pela aquisição dos produtos sujeitos a esta alíquota. Portanto, claro está que não se pode conceder o direito de crédito ficto de IPI em relação a entradas de produtos imunes, isentos, não tributados ou tributados com alíquota zero por meio da aplicação direta do art. 153, IV, § 3º, II da CF, sob pena de o julgador investirse na condição de legislador ao “instituir o IPI negativo”, ferindo de morte o art. 150, § 6º da Constituição, que estabelece a necessidade de edição de lei específica para a concessão de créditos presumidos. No que tange à jurisprudência do STF citada pela recorrente, o primeiro precedente sobre o direito de créditos do IPI por aquisições desoneradas ocorreu no RE nº 212.484/RS, relatado pelo Ministro Nelson Jobim, que era um caso em que se tratava de aquisições de xarope para a fabricação de refrigerantes de uma indústria localizada na Zona Franca de Manaus. No julgamento ocorrido no dia 05/05/1998, o STF decidiu o seguinte: “Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção.” A partir deste precedente, o Supremo Tribunal Federal passou a reconhecer o direito à apropriação de créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do imposto em virtude de isenção, alíquota zero e não tributados (insumos que estavam fora do campo de incidência do imposto). Exemplo disso é o RE nº 350.446, julgado em 18/12/2002, no qual se reconheceu o direito à apropriação de créditos de IPI pela aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero: Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 “Ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. Isenção e alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido.” Assim, entre maio de 1998, quando foi julgado o RE nº 212.484, e meados de 2007 o STF reconhecia o direito de os contribuintes se creditarem do IPI quando adquiriam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem sem pagamento do IPI, em razão dessas aquisições serem desoneradas por alíquota zero, isenção ou não incidência. A situação mudou a partir do julgamento dos RE nº 353.657 e 370.682, julgados em 25/06/2007, por meio dos quais o STF passou a negar o direito de crédito nas hipóteses de aquisições de insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero. Vejamos as ementas: RE 353.657: “EMENTA: IPI – INSUMO – ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO – ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – INEXISTÊNCIA DO DIREITO – EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto Sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353.657) RE 370.682: “Ementa: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.” A partir de junho de 2007 o Supremo Tribunal Federal passou a não reconhecer o direito de crédito de IPI pelas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas. Surgiu então uma situação de insegurança quanto ao direito de crédito pelas aquisições de insumos isentos. A revisão da posição do tribunal quanto aos insumos isentos veio em 29/09/2010 no julgamento do RE 566.819/RS, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, cuja ementa transcrevese a seguir: Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 16 15 “EMENTA: IPI CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPICRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário nacional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPICRÉDITO DIFERENÇAINSUMOALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Por fim, no RE 592.891 foi reconhecida a repercussão geral em relação ao tema direito de crédito de IPI em relação a produtos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus, onde o STF decidirá se mudará ou não o entendimento do RE 212.484. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, o STF tem negado o direito ao crédito de IPI nas aquisição de insumos desoneradas do imposto. Desse modo, inexistindo o direito material ao crédito ficto de IPI pelo fundamento constitucional, não existe a possibilidade de lançálo no livro de apuração do imposto, e, conseqüentemente, não existe direito ao seu aproveitamento. DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO SSOOBBRREE AASS AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE CCOOMMEERRCCIIAANNTTEESS AATTAACCAADDIISSTTAASS NNÃÃOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEESS DDOO IIPPII Relativamente a esta glosa, a fiscalização constatou que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal dos anos de 1999 a 2002 e que o contribuinte apurou o crédito sobre aquisições de fornecedores inscritos no Simples e sobre aquisições de fornecedores que eram contribuintes do IPI, cujos produtos estavam sujeitos à alíquota zero. O art. 165 do RIPI/2002 estabelece o direito ao crédito sobre aquisições efetuadas de comerciantes atacadistas nãocontribuintes do IPI nos seguintes termos: "Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinquenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (DecretoLei nº 400, de 1968, art. 6º)." A leitura do dispositivo regulamentar não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o direito ao crédito de IPI sobre 50% do preço de aquisição somente alcança produtos sujeitos ao imposto. São dois os requisitos regulamentares que devem ser obedecidos para gerar o crédito ficto sobre 50% do preço de aquisição: o produto deve estar no campo de incidência do imposto e o fornecedor deve ser atacadista não contribuinte do IPI. O contribuinte invocou esse dispositivo regulamentar, alegando que atendeu à intimação da fiscalização e que ele próprio excluiu as aquisições de empresas optantes pelo simples e aquisições de empresas contribuintes do IPI, mas que ainda assim a fiscalização só reconheceu R$ 18.702,98 a título de crédito. Segundo o termo de verificação, a apuração efetuada pelo contribuinte excluindo as empresas optantes pelo simples e as empresas contribuintes do IPI, conduziu aos Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 seguintes valores: R$ 65.746,41 (exercícios de 2000 a 2002) e R$ 56.939,95 (exercício de 2003). Esta apuração pode ser encontrada nas fls. 277 a 295 do Anexo (fls. 1562 a 1580 do PDF). Conforme já ficou assentado antes, o valor de R$ 65.746,41, relativo aos exercícios de 2000 a 2002 não pode ser aceito porque o contribuinte não possui a escrituração contábil e fiscal dos anos de 1999 a 2002. Quanto ao exercício de 2003, o contribuinte informou na fl. 273 que, atendendo solicitação da fiscalização, excluiu as aquisições de quatro empresas, a saber: Cromex Bahia Ltda; Cromex Brancolor Ltda; Orema Indústria e Comércio Ltda e Uniplastic Indústria e Representação Ltda. Contudo, o exame do demonstrativo elaborado pela fiscalização à fl. 274 revela que existem 27 empresas não atacadistas, cujas aquisições devem ser excluídas daquelas que dão direito ao crédito com base no art. 165 do RIPI/2002. As aquisições que dão direito ao crédito previsto no art. 165 do RIPI/2002 são aquelas relacionadas na planilha de fls. 475 a 480. Desse modo, deve prevalecer a apuração da fiscalização, que reconheceu o crédito de comerciantes atacadistas não contribuintes no valor de R$ 18.702.98. DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO SSOOBBRREE PPRROODDUUTTOOSS IINNTTEERRMMEEDDIIÁÁRRIIOOSS O contribuinte se creditou em janeiro de 2004 por aquisições de produtos intermediários ocorridas entre dezembro de 1999 e dezembro de 2002. Não tendo apresentado a escrita contábil e fiscal dos anos calendário de 1999 a 2002, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização, pois não é possível aferir se esses créditos já não foram aproveitados na época própria. O fato dos registros dos documentos nos livros contábeis e fiscais terem ocorrido há mais de seis anos, não dispensa o contribuinte de apresentálos, a teor do que dispõem o art. 195 do CTN, o art. 4º do DecretoLei nº 486/69 e o art. 37 da Lei nº 9.430/96. DDOO DDIIRREEIITTOO AAOO CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO DDEE IIPPII O contribuinte se creditou em março de 2003 do crédito presumido apurado nos anos de 1998 a 2002 e em janeiro de 2004 do crédito presumido apurado no ano de 2003. A fiscalização glosou esses valores sob a justificativa da não apresentação da escrituração contábil e fiscal dos anos anteriores a 2002 e por falta de apresentação do DCP a partir do 3º trimestre de 2002. A fiscalização, em razão de diligência determinada pela DRJ, apurou que o crédito presumido não prescrito referente ao período de 1998 ao 3º trimestre de 2002 soma R$ 229.155,78 (fl. 1113), mas informou que continua firme no seu entendimento de que cabe a glosa desse valor por falta de apresentação da escrituração fiscal e contábil. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 17 17 O contribuinte alegou que a falta da escrituração dos períodos anteriores a 2002 e a falta de apresentação do DCP não são justificativas válidas para glosar o crédito presumido. Em relação ao crédito presumido apurado extemporaneamente do período de 1998 a 2002, vale a argumentação apresentada para as outras modalidades de crédito, qual seja, a glosa da fiscalização deve ser mantida porque a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais dos períodos anteriores a 2002 não permite aferir se os valores já não teriam sido apropriados na época em que foram gerados. Relativamente ao crédito presumido do ano calendário de 2003, tanto a fiscalização, quanto a DRJ, motivaram a glosa no descumprimento do art. 14 da IN SRF 210/2002, pois o contribuinte não teria apresentado os DCP. Acontece que o art. 14 da IN 210/2002 exige o DCP apenas e tãosomente para o fim e se aproveitar o crédito presumido via ressarcimento em dinheiro ou declaração de compensação. Não existe nenhuma exigência no art. 14 da IN 210 no sentido de vedar o aproveitamento do crédito presumido de IPI para abatimento de débitos do imposto na própria escrita fiscal em virtude da não apresentação do DCP. Desse modo, deve ser revertida a glosa do crédito presumido de IPI apurado e aproveitado no anocalendário de 2003 no valor de R$ 102.846,33. DDOO DDIIRREEIITTOO ÀÀ CCOORRRREEÇÇÃÃOO MMOONNEETTÁÁRRIIAA DDEE CCRRÉÉDDIITTOOSS EEXXTTEEMMPPOORRÂÂNNEEOOSS Relativamente à correção monetária, se não existe direito ao principal, não existe direito ao acessório. Mas ainda que fossem legítimos os créditos, não existiria direito à correção no caso concreto, pois o não aproveitamento em época própria decorreu de mora do próprio contribuinte, inexistindo no caso concreto o ato de oposição estatal referido na Súmula 411 do STJ. Relativamente aos créditos deferidos neste processo não há direito a qualquer tipo de correção, pois o crédito presumido do anocalendário de 2003 foi glosado na própria escrita do contribuinte e a reversão da glosa determinada por este acórdão restituirá os valores do modo como foram lançados originalmente, anulando a exigência correspondente. DDAA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA,, DDAA PPRREESSEENNÇÇAA DDEE CCIIRRCCUUNNSSTTÂÂNNCCIIAASS QQUUAALLIIFFIICCAADDOORRAASS DDAA IINNFFRRAAÇÇÃÃOO EE DDAA GGRRAADDAAÇÇÃÃOO DDAA PPEENNAALLIIDDAADDEE.. A verificação da presença de circunstâncias qualificadoras da infração merece ser analisada conjuntamente com as questões relativas à majoração da multa de ofício e à decadência do direito do fisco efetuar o lançamento, pois tratandose o IPI de imposto sujeito ao lançamento por homologação, a presença de dolo, fraude ou simulação, desloca a regra de contagem daquele prazo extintivo do art. 150, § 4º para o art. 173, I, do CTN. A fiscalização enquadrou o contribuinte na circunstância qualificadora prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, por entender que a apropriação indevida de créditos nos montantes de R$ 7.463.403,48 (março de 2003) e R$ 505.133,83 (janeiro de 2004) configurou sonegação, pois teve o objetivo de reduzir o IPI devido. O art. 71 da Lei nº 4.502/64 estabelece o seguinte: Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 "Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e II omissis ..." O contribuinte, em resposta às intimações da fiscalização, esclareceu que os valores escriturados no livro de IPI sob a rubrica "outros créditos" em março de 2003 e em janeiro de 2004 eram basicamente créditos extemporâneos relativos às entradas de matérias primas e materiais indiretos isentos ou tributados com alíquota zero; crédito presumido de IPI; créditos por aquisições de comerciantes atacadistas e créditos decorrentes de correção monetária sobre créditos extemporâneos. Na motivação das glosas a fiscalização não constatou nada que pudesse ser enquadrado no art. 71 da Lei nº 4.502/64. O fato de o contribuinte ter escriturado os créditos com o objetivo de reduzir o IPI devido, não configura por si sonegação, pois todo o crédito de IPI é escriturado para abater débitos do imposto. Ademais, nem a falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis dos anos de 1999 a 2002 e nem a tentativa de apropriação de créditos indevidos sob as mais variadas formas, caracterizam ações que correspondam à fórmula legal: "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais". Não foi a conduta do contribuinte em calcular e escriturar aqueles créditos e nem a inexistência da escrituração contábil e fiscal dos anos de 1999 a 2002 que fizeram com que a administração, somente em 2007, expedisse o Mandado de Procedimento Fiscal para instaurar procedimento relativo aos anos de 2003 e 2004. Não vejo a menor possibilidade de se enquadrar no art. 71 da Lei nº 4.502/64 a conduta do contribuinte, consistente em registrar a crédito no livro de IPI os valores escriturados em março de 2003 e em janeiro de 2004, pois o contribuinte entendia, com base na sua interpretação da legislação e com base na jurisprudência da época, que tinha direito às várias categorias de créditos apurados, ainda que a administração os entenda indevidos. Não se olvide que entre maio de 1998, quando foi julgado o RE nº 212.484 e meados de 2007, quando foram julgados os RE nº 353.657 e 370.682, o STF reconhecia o direito de os contribuintes se creditarem do IPI quando adquiriam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do imposto. Inexistindo a comprovação de dolo por parte do contribuinte, tanto na forma de apuração, quanto na apropriação dos créditos no livro modelo 8, oriento meu voto no sentido de reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%, a teor do que determinam os arts. 475 e 488, I, do RIPI/2002. No que tange à decadência, a questão que se coloca reside em fixar a regra de contagem do prazo extintivo do direito do fisco no art. 150, § 4º do CTN ou no art. 173, I, do CTN. Antes de entrar no mérito da contagem dos prazos de decadência propriamente ditos, merece ser rechaçada alegação do contribuinte, no sentido de que a decadência atingiria o direito de o fisco glosar os créditos da escrita fiscal. Esse entendimento não tem amparo no ordenamento jurídico. Não existe nenhum impedimento de o fisco glosar créditos da conta corrente do IPI, ainda que tenham sido escriturados há mais de cinco anos. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 18 19 O que o fisco não pode fazer é cobrar, por meio de lançamento de ofício, o saldo devedor da escrita reconstituída em relação a períodos de apuração encerrados há mais de cinco anos. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O contribuinte teve ciência do auto de infração em 30/04/2009. Assim, para o fim da contagem de prazo da decadência importam os pagamentos antecipados efetuados até 1 04/2004. Os extratos do Sistema Sinal 08 (fls. 2923/2925) corroborados pelos comprovantes de arrecadação trazidos pelo contribuinte (fls. 2929/2952), revelam a ocorrência de pagamentos parciais feitos antecipadamente ao início da fiscalização, em relação aos seguintes períodos de apuração: 302/2003, 103/2003, 203/2003, 303/2003, 0104/2003, 2 01/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 104/2004. À luz da interpretação fixada pelo STJ, verificase que no caso concreto o crédito tributário lançado em relação aos períodos de apuração encerrados até 212/2003 está extinto pela decadência, pois ainda que se considere a regra do art. 173, I, do CTN, o fisco deveria ter efetuado o lançamento até 31/12/2008. Em relação aos PA 312/2003 e 101/2004, não ocorreu a decadência, pois não houve pagamento antecipado e pela regra do art. 173, I, do CTN, o fisco dispunha de prazo para efetuar o lançamento até 31/12/2009. Já o crédito tributário relativo aos PA 201/2004, 102/2004, 202/2004, 1 03/2004, 203/2004 e 104/2004, está extinto pela decadência, uma vez que havendo pagamento antecipado, o fisco poderia ter efetuado o lançamento em relação ao período mais recente até 15/04/2009. Com essas considerações voto no sentido de declarar extinto o crédito tributário, e também o direito do fisco constituílo por meio de lançamento, em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 104/2004. DDAA RREECCOONNSSTTIITTUUIIÇÇÃÃOO DDOOSS SSAALLDDOOSS DDAA EESSCCRRIITTAA FFIISSCCAALL Outro ponto contestado no recurso foi a reconstituição da escrita fiscal. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Acórdão n.º 3403002.633 S3C4T3 Fl. 19 21 Insurgese o contribuinte contra os valores apurados, sob o argumento de que na planilha do fisco não constaram os créditos de R$ 7.463.403,48, no primeiro decêndio de março de 2003 e de R$ 505.133,83 na primeira quinzena de janeiro de 2004. Também não teriam constado as demonstrações das glosas efetuadas e nem foi considerado o valor de R$ 1.183.334,37, que foi estornado pelo próprio contribuinte antes do início da fiscalização, conforme constou do próprio termo de verificação e do relatório de diligência. A DRJ injustamente afirma que se trata de estorno de débito não comprovado pelo contribuinte. Além disso, o contribuinte também contestou a desconsideração do saldo credor inicial da escrita no valor de R$ 424.870,15 (que corresponde ao saldo final da escrita em 31/12/2002). Relativamente ao saldo credor inicial da reconstituição da escrita, a diligência efetuada pela DRJ revelou e o contribuinte alegou que tal valor era objeto de controvérsia no processo nº 13882.000021/200340. Com a diligência determinada por este colegiado, foi juntado o Acórdão 42.752 da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora. A análise do referido julgado revela que a DRJ Juiz de Fora não julgou a legitimidade do valor de R$ 373.620,15, pleiteado a título de ressarcimento de crédito de IPI apurado no 4º Trimestre de 2002, em face desse crédito ter sido utilizado em declarações de compensação que foram atingidas pela homologação tácita. Se as declarações de compensação do contribuinte tratadas no processo 13882.000021/200340 foram atingidas pela homologação tácita, realmente não havia a menor necessidade de se investigar a legitimidade do crédito naquele processo. Portanto, se do suposto saldo credor existente em 31/12/2002 (R$ 424.870,15), o contribuinte já utilizou em compensação R$ 373.620,15, somente a diferença no montante de R$ 51.250,00 deveria permanecer na escrita para abatimento do IPI devido nos períodos de apuração seguintes. Entretanto, a fiscalização glosou integralmente os R$ 424.870,15, sob a alegação de que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal do ano de 2002, demonstrando a legitimidade daquele valor. A defesa, por seu turno, nada trouxe com a impugnação ou com o recurso no sentido de comprovar a legitimidade da origem e da magnitude do saldo credor que diz possuir 31/12/2002. Considerando que o contribuinte já utilizou em compensação R$ 373.620,15 e que nas oportunidades que teve para falar no processo, nada foi comprovado quanto ao valor total de R$ 424.870,15 e tampouco quanto ao remanescente de R$ 51.250,00, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização. No que tange à natureza do valor de R$ 1.183.334,30, é incontroverso nos autos que se trata de estorno de crédito efetuado pelo contribuinte antes do início da ação fiscal. Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 Não se sabe a razão pela qual o relator do acórdão de piso afirmou que o valor de R$ 1.183.334,30 se refere a estorno de débito, quando a fiscalização e o contribuinte concordam que se trata de um estorno de crédito indevido. O valor de R$ 1.183.334,30 integrou o crédito efetuado no 1º decêndio de março de 2003, no montante de R$ 7.463.403,48, mas foi estornado pelo próprio contribuinte na 1ª quinzena maio de 2004. O contribuinte alegou que a planilha de reconstituição dos saldos da escrita fiscal de fls. 1093 a 1098 não considerou o estorno de R$ 1.183.334,30 que o contribuinte já havia feito. A alegação do contribuinte é improcedente. O valor de R$ 1.183.334,30 foi considerado pela fiscalização, uma vez que foi estornado na origem. Ao estornar os R$ 7.643.403,48 no 1º decêndio de março de 2003 a fiscalização considerou implicitamente o valor que o contribuinte entendeu não estornado. E isso deve ser feito desta maneira para anular o efeito do estorno parcial que havia sido feito pelo contribuinte na primeira quinzena de maio de 2004. Se o crédito foi lançado indevidamente em março de 2003 o contribuinte deveria ter anulado seu efeito nesse período de apuração e não em maio de 2004, mais de um ano depois. No mais são improcedentes as alegações no sentido de que as glosas não estão demonstradas na planilha. Todas as glosas estão demonstradas sob a coluna "AJUSTES" e estão seguidas de observações numeradas. As explicações relativas a essas observações encontramse detalhadas nas fls. 1116 a 1122 e sua leitura permite entender perfeitamente a reconstituição dos saldos efetuada pela fiscalização. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) declarar extinto o direito de o fisco exigir valores em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 104/2004, em razão da decadência; (ii) reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%, em razão de não ter sido comprovada a sonegação; e (iii) reverter a glosa do crédito presumido do ano de 2003 no valor de R$ 102.846,33. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10166.011661/2002-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a litispendência, determinando-se o apensamento dos presentes autos ao processo de no. 10166.015302/2002-13, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a litispendência, determinandose o apensamento dos presentes autos ao processo de no. 10166.015302/200213, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 11 66 1/ 20 02 -0 0 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10166.011661/200200 Resolução nº 1301000.099 S1C3T1 Fl. 11 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação (fls. 1 a 4), relativo a débitos de CSLL do 2o. trimestre/2002 com créditos de imposto de renda na fonte (retenções por órgãos públicos e demais pessoas jurídicas sobre o faturamento). A interessada contesta a não homologação pela DRF de origem da compensação pleiteada basicamente sob o argumento de que trata de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (SNIRPJ) e não de créditos de retenções sobre o faturamento conforme equivocadamente constou do pedido. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/Brasília) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0318.588, de 25/09/2006 (fls. 121), indeferindo a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano Calendário: 2002 Compensação. Imposto de Renda Retido na Fonte. Impossibilidade com Tributos e Contribuições de Diferentes espécies. O imposto de renda retido na fonteIRRF, incidente na prestação de serviços, é considerado antecipação e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou em períodos subseqüentes, quando seu montante for superior ao devido, sendo incabível sua compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10166.011661/200200 Resolução nº 1301000.099 S1C3T1 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Constatase do relatório que a lide diz respeito ao indeferimento de pedido de compensação, débitos no valor de R$ 90.109,44 de CSLL referente 2o. trimestre/2002, inicialmente, com créditos de imposto de renda na fonte (retenções por órgãos públicos e demais pessoas jurídicas sobre o faturamento); posteriormente alega a interessada se tratar, na realidade, de SNIRPJ apurado no ano calendário de 2000. Aduz, a recorrente, que: “No caso vertente, os saldos negativos de imposto de renda foram gerados pelas retenções de IRFonte (antecipação do IRPJ) que no período (anocalendário) de 2000 atingiu o montante de R$ 521.718,50, consoante somatórios das retenções constantes de DIPJ/2001, bem assim o saldo negativo atingiu o valor de R$ 464.567,66.” Em sessão de 04/03/2008, resolvem os membros da 5a. Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, converter o julgamento em diligência (Resolução 105 1.374, fl. 320/322), nos seguintes termos: “Como os alegados saldos negativos de IRPJ e as compensações apenas surgem nas retificadoras da DIPJ e DCTF’s, respectivamente, tornase necessário converter o julgamento em diligencia para que a autoridade responsável verifique a veracidade das informações prestadas nas retificadoras.” Em resposta à solicitação de diligência a fiscalização afirmou: “Há de se observar que a contribuinte ao efetuar as retificações em DCTF e DIPJ e informar que o crédito se refere, na verdade, a Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 2000 e não às retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte ("Retenções s/Faturamento") no anocalendário de 2002, pode ser considerado como uma forma de se retificar declaração de compensação após ciência de seu despacho decisório, o que não é permitido, visto que a declaração de compensação somente poderia ser retificada caso se encontrasse pendente de decisão administrativa. Feitas essas considerações, passemos a verificação dos dados contidos nas declarações retificadoras da DCTF do 2o. trimestre/2002 (fls. 48 a 73) e da DIPJ/2001 (fls.75 a 115), atualmente válidas, transmitidas respectivamente em 07/12/2005 e 05/12/2005. Na DCTF (retificadora) do 2° trimestre/2002, consta que a compensação solicitada neste processo é de débito de CSLL, código de receita 6012, período de apuração do 2° trimestre de 2002, no valor de R$ 90.109,44, com.crédito de saldo negativo de IRPJ anocalendário 2000 (fl. 67). Na DIPJ/2001, anocalendário/2000, consta o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 464.567,66 (fl. 86). Em relação à validação, desse montante, cabe ressaltar que essa análise já foi efetuada por esta Delegacia, conforme Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort extraído do processo administrativo n° 10166.015302/2002 13 (fls. 433 a 442). No referido despacho foi proferida decisão reconhecendo o montante de R$ 201.000,95 como saldo negativo do anocalendário 2000. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10166.011661/200200 Resolução nº 1301000.099 S1C3T1 Fl. 13 4 Inconformada com tal decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia de Julgamento em Brasília DRJ/BSA, que em seu Despacho n° 098 da 4a. Turma, fls. 445 a 446, não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade tendo em vista que seria incabível litígio em relação ao reconhecimento do crédito pela autoridade administrativa, visto.que a Dcomp foi homologada. Entretanto, no julgamento do recurso voluntário apresentado pela contribuinte, ao CARF, através de Acórdão n° 120100.423 (fls. 447 a 452), a 2a. Câmara/1a. Turma Ordinária, por maioria dos .votos, deu provimento ao recurso para que se anulasse a decisão de primeira instância e para que fosse proferida nova decisão a fim de analisar o mérito do pedido de restituição no que concerne ao valor de R$ 269.306,66, isto é, à parcela do direito do crédito no valor de R$ 360.949,04, informado pelo contribuinte no formulário inicial do processo 10166.015302/200213, menos R$ 91.642,38 compensados no despacho decisório. O processo 10166.015302/200213 encontrase pendente de julgamento, conforme consulta à fl. 453. Diante disso, ao verificarmos possíveis declarações de compensações ou auto compensações em DCTF, que utilizem como crédito saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2000, constatamos o que segue. Em 30/10/2002, protocolou o processo de n° 10166.015302/200213, no qual solicita a compensação de crédito de saldo negativo do anocalendário 2000, com débito de estimativa de CSLL referente ao 3o. trimestre de 2000, no valor de R$ 91.642,38 (após retificação de pedido). Tal compensação foi homologada conforme Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort de 21/05/2007 fls. 433 a 438; Em 12/08/2002, protocolizou o presente processo de n° 10166.011661/200200, compensando débitos de CSLL, 2o. Trimestre de 2002, no valor de R$90.109,44. Quanto às auto compensações informadas em DCTF, a contribuinte efetuou em DCTFs retificadoras, utilizandose de crédito de saldo. negativo de IRPJ/2000, compensação de débitos de IRPJ (código de receita 0220) referentes ao período de apuração 2o. Trimestre 2002; no valor de R$ 126.586,91 (fl. 51), e ao período de apuração 3o. Trimestre de 2002, no valor de R$ 144.867,12 (fl.455), e ainda, débito de IRRF, período de apuração 1a. Sem/Julho/2002, no montante de R$ 14.250,00 (fl.454). Portanto, considerando as compensações efetuadas em DCTF e mediante processo administrativo, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, utilizado como crédito nessas compensações, foi inserido no Sistema de Apoio Operacional (SAPO), para que fosse feito o demonstrativo de compensação. Assim, foram efetuados, dois demonstrativos, um considerando o montante de saldo negativo já reconhecido por essa Delegacia em Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort de 21/05/2007, constante às fls. 433 a 438, no montante de R$ 201.000,95, e outro no montante de R$ 360.949,04, ainda que a análise do mérito do pedido de restituição, referente a diferença de R$ 269.306,66, esteja pendente de decisão. Verificouse então que, em ambos demonstrativos, o crédito é insuficiente para compensar o débito indicado na compensação à fl.01 do presente processo (fls 456 a 461). Cientificada do Relatório de Diligência a interessada interpôs a seguinte contestação: O relatório ora contestado teve origem em diligência formulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em virtude de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, para confirmação dos valores por esta informados na constituição da base negativa do IRPJ do anocalendário 2000. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10166.011661/200200 Resolução nº 1301000.099 S1C3T1 Fl. 14 5 Conforme páginas do Processo Administrativo (fls. 169: DIPJ cálculo do imposto de renda s/lucro real demonstração da base negativa; fls. 225 a 263: Informes de rendimentos do anocalendário/2000; e fls. 342 a 425: Notas fiscais dos tomadores de serviços, comprovantes de retenção e declarações de retenção) as informações e composições dos valores que deram origem ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário/2000, no valor de R$ 464.567,66, foram comprovadas. Além das folhas mencionadas, diversos outros documentos acostados ao processo administrativo comprovam os valores retidos durante o ano calendário de 2000 bem como os demais valores que formaram a base negativa desse ano, o que deve ser considerado pelos Srs. Conselheiros, evitando ser a contribuinte penalizada por fatos já comprovados e não considerados pela Delegacia da Receita Federal Em Brasília DF. DOS EQUÍVOCOS COMETIDOS NA DILIGENCIA Nos demonstrativos apresentados no relatório da diligência, que tomaram por base os valores de R$ 201.000,95 e de R$ 360.949,04, o primeiro já reconhecido pela SRF e o segundo ainda em análise, foram cometidos em ambos os demonstrativos erros que prejudicam a conclusão do relatório, quais sejam: (i) foi considerada como data inicial do crédito 02/01/2003 quando a data correta é 01/01/2001 já que a base negativa tem origem no ano calendário 2000; (ii) em virtude do erro mencionado no item acima os débitos objeto de compensação, com vencimentos em 2002 (CSLL em 31/10/2002 e IRPJ em 31/07/2002 e 31/10/2002) foram atualizados como se pagos em atraso, o que não condiz com os fatos. Não pode a Delegacia da Receita Federal em Brasília querer considerar como termo inicial da contagem o anocalendário de 2002, pois não é nesse ano que se formou a base negativa. E como já apresentado pela contribuinte em suas defesas ocorreu apenas um erro de informação, desconsiderado no relatório final, que se firmou no equívoco contestado pela contribuinte (não se trata de retenções na fonte do anocalendário 2002 e sim base negativa do anocalendário 2000) para deslocar a data do evento. Cabe comentar que a redação do item 5 do relatório ora contestado é: "Há de se observar que a contribuinte ao efetuar as retificações em DCTF e DIPJ e informar que o crédito se refere, na verdade, a Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 2000 e não às retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte ("retenções s/faturamento") no anocalendário de 2002, pode ser considerado como uma forma de se retificar declaração de compensação após ciência de seu despacho decisório, o que não é permitido, visto que a declaração de compensação somente poderia ser retificada caso se encontrasse pendente de decisão administrativa", (grifamos) Srs. Conselheiros não se pode admitir que, ao retificar declarações que confirmam a correção do saldo negativo (DIPJ e DCTF), sem retificar a declaração de compensação, visando corrigir apenas informação equivocada, se tenha por conclusão que "pode ser considerado como uma forma de se retificar a declaração de compensação". Ora, no cumprimento da atividade administrativa de lançar tributo, executar diligências e todo o tipo de análise que envolva o processo tributário, fica o agente adstrito às regras estabelecidas no ordenamento jurídico, não podendo realizar tal função segundo seus critérios pessoais. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10166.011661/200200 Resolução nº 1301000.099 S1C3T1 Fl. 15 6 Impera a Lei como fonte de todos os direitos e obrigações em matéria fiscal, de tal sorte que não será exigido tributo algum se não houver ocorrido a materialização da hipótese, descrita na Lei, como sujeita à incidência do tributo. Para tanto, é necessária uma correta adequação dos fatos ocorridos a um tipo legal específico, que deve abarcar de forma precisa todos os componentes fáticos que motivaram sua incidência. A jurisprudência, tanto administrativa como judicial, é dominante no sentido de que as presunções não são suficientes para fundamentar os lançamentos tributários. Vejamos o aresto abaixo que, mesmo tratando de presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica, se presta, ao tópico abordado, por analogia: “IRPJOMISSÃO DE RECEITA LIMITES DA PRESUNÇÃO: A presunção de receita baseada em determinados índices deve assentarse em dados concretos, objetivos e não em meras ilações deduzidas de circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do Julgador quer de Primeiro grau, quer de Segunda Instância a quem compete decidir por sua procedência. Recurso provido. Acordam os membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso interposto". (Acórdão n°:1071.444)” Em matéria tributária "não podemos considerar" que existiu o fato, ou existiu ou não, suposições não podem ser aceitas como verdades. Ou o contribuinte errou e está devidamente enquadrado o erro na legislação, ou do contrário está correto. Assim, o relatório final ao considerar uma forma de retificação os procedimentos adotados pela contribuinte deslocou a data correta da formação da base negativa, qual seja 01/01/2001 para 01/01/2003, tirando da contribuinte atualização da Selic sobre seu crédito de 02 exercícios, além de imputar multa de mora e juros pela liquidação em atraso. Apenas pelos fatos antes mencionados já deve o relatório fiscal ser desconsiderado. Além do mais toda a formação do saldo negativo do anocalendário 2000 foi confirmada a exaustão pelo contribuinte nas diversas peças colacionadas ao processo administrativo em referência. DA EVOLUÇÃO DO SALDO NEGATIVO Na planilha em anexo é demonstrada a evolução do saldo negativo apurado e as compensações efetuadas, comprovando a correção do procedimento da contribuinte e a existência de saldo suficiente para a liquidação dos débitos por compensação. Ou seja, a atualização do crédito tributário da contribuinte foi efetuada considerando a taxa Selic, conforme previsto na legislação, nas datas das compensações existia crédito suficiente para a liquidação dos débitos. De observar ainda que o valor de R$ 360.949,04 apresentado em um dos demonstrativos pela SRFB como sendo saldo inicial do crédito, na verdade é o saldo remanescente do crédito da contribuinte, ou seja, R$ 280.370,54 atualizado até a data de 30/09/2002, como se verifica na planilha ora acostada. DO PEDIDO Por todo o exposto, esperando ter fornecido todos os esclarecimentos para elucidação dos fatos ocorridos e colocandonos, ainda, à disposição para outras informações porventura necessárias, solicita a homologação das compensações efetuadas face a existência de crédito tributário suficiente para tal. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10166.011661/200200 Resolução nº 1301000.099 S1C3T1 Fl. 16 7 Pois bem, por pertinente, informo que o citado processo administrativo no. 10166.015302/200213, inicialmente julgado nesta Corte Administrativa pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara, dando provimento ao recurso para que se anulasse a decisão de primeira instância e para que fosse proferida nova decisão a fim de analisar o mérito do pedido de restituição no que concerne ao valor de R$ 269.306,66, isto é, à parcela do direito do crédito no valor de R$ 360.949,04, informado pelo contribuinte no formulário inicial do processo 10166.015302/200213, menos R$ 91.642,38 compensados no despacho decisório, encontrase, nesta data, pendente de julgamento. Por se tratar o referido processo (no. 10166.015302/200213) de pedido de restituição no valor de R$ 269.306,60, ou seja, a diferença entre o direito creditório pedido no valor de R$ 360.949,04 e o crédito reconhecido no Despacho Creditório no valor de R$ 91.642,38 e, neste mesmo processo a contribuinte no recurso voluntário requer a diferença entre o SNIRPJ do AC/2000 no valor de R$ 464.567,66 (Ficha 12A da DIPJ) e o SNIRPJ confirmado pela autoridade local no valor de R$ 201.000,95 (diferença entre os valor de R$ 263.566,71), entendo, que no caso vertente, resta evidente que a análise de mérito tratado no presente processo depende do julgamento administrativo em definitivo do processo conexo (n° 10166.015302/200213), pois, os feitos administrativos se relacionam (mesma composição do SNIRPJ do AC/2000). O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando se o presente processo com o processo n° 10166.015302/200213, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto (pedido). Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. Portanto, o apensamento deste processo àquele outro já referido é medida que se impõe pela litispendência evidente. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de n° 10166.015302/200213. Pelo exposto, meu voto é no sentido de reconhecer a litispendência, determinandose o apensamento dos presentes autos ao processo de n°.10166.015302/200213 para julgamento em conjunto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 15374.906813/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2003
DILIGÊNCIA. PROVAS.
Inexiste amparo legal para baixar os autos em diligência para que o sujeito passivo produza provas do indébito reclamado.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar o pedido de diligência, suscitado pelo Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais, em relação à diligência. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernardo Motta Moreira - Relator.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 DILIGÊNCIA. PROVAS. Inexiste amparo legal para baixar os autos em diligência para que o sujeito passivo produza provas do indébito reclamado. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar o pedido de diligência, suscitado pelo Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais, em relação à diligência. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Bernardo Motta Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 68 13 /2 00 8- 08 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório A matéria a ser analisada no presente processo foi assim resumida pelo relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 04345.20189.280404.1.7.04 7084, em 28/04/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/09/2003, a título de Contribuição para o PIS, atinente ao período de apuração 08/2003, com débito de IRPJ, referentes ao período de apuração 4° TRIM. / 2003. Por meio do Despacho Decisório n° 775527917, emitido eletronicamente (fl 09), o Delegado da DERAT, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 29/08/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 11, na qual alega, em síntese, que todos os lançamentos foram corretamente compensados, com os pagamentos efetuados a maior de PIS, referente ao mês de agosto de 2003. Aduz que em anexo está enviando a DCTF do 4° Trimestre de 2003. A Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro, após analisar os argumentos oferecidos pelo Recorrente, entendeu por bem manter a decisão de não reconhecer o direito creditório pleiteado em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 30/08/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde se reafirma o direito ao crédito pleiteado, fazendo juntar documentos que corroboram seu entendimento. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.906813/200808 Acórdão n.º 3301002.058 S3C3T1 Fl. 151 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Bernardo Motta Moreira O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório produzido pela DRJ o presente processo trata de compensação declarada, cujo crédito utilizado teria sido decorrente de pagamento efetuado a maior no período de apuração 08/2003. A compensação foi indeferida e não houve a homologação da compensação declarada, por despacho decisório emitido eletronicamente, por conta de alegada inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. A DRJ analisou a documentação apresentada e assim se manifestou: Portanto, somente poderão ser utilizados para compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo. O fato de em procedimento de compensação eletrônico (PER/DCOMP), pelo menos em um primeiro momento, bastar a declaração do contribuinte para ser considerado existente e liquido o crédito, não impede, de forma alguma, que ao se dar um tratamento manual e individualizado ao pedido de compensação se faça necessária a efetiva prova do direito creditório. Nem poderia ser de outra forma, uma vez que a atividade administrativa é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, imbuídos deste espírito, passemos a analisar os argumentos do impugnante. Possivelmente a compensação teria sido homologada pelo sistema eletrônico caso o interessado tivesse apresentado uma DCTF retificadora antes da transmissão do PER/DCOMP, mesmo que a redução do débito fosse indevida, por uma brecha no tratamento eletrônico da informação recebida. Entretanto, isto não ocorreu e nos deparamos com uma situação na qual a declaração de compensação passou a receber um tratamento individualizado e manual e não mais eletrônico que era sujeito apenas aos parâmetros inseridos no sistema. Não há nos autos qualquer explicação sobre o porquê da redução do débito relativo a agosto de 2003 e declarado na DCTF recepcionada em 25/08/2008. (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 No caso em tela, a contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Com o Recurso Voluntário vieram aos autos diversos documentos fiscais que poderiam comprovar a veracidade das afirmações apresentadas pela Recorrente em seu recurso, e a partir de uma análise inicial, constatase que a diferença entre o valor recolhido inicialmente e o valor que se entende devido decorreria de utilização de créditos de aquisição de insumos que não haviam sido considerados inicialmente. Em pesquisa realizada no banco de dados deste E. Conselho, verificase que 03 (três) processos de crédito (n.°s 15374.906811/200819, 15374.906809/200831, 15374.906815/200899), também da ora Recorrente, com temas idênticos, foram baixados em diligência para que sejam apuradas as alegações do contribuinte. Por coerência e tendo em consideração o princípio da Verdade Material que deve nortear o processo administrativo, entendo por bem converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal preparadora verifique a veracidade das informações prestadas e dos créditos alegados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimandoo se necessário para apresentar informações e documentos complementares. Do resultado desta diligência deve ser o Recorrente intimado para se manifestar. Ultrapassada a questão da diligência proposta por este Relator e em razão da total falta de prova, outra saída não há senão a confirmação da decisão da DRJ. Evidenciase, no caso dos autos, flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. Devese ressaltar que meros demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.906813/200808 Acórdão n.º 3301002.058 S3C3T1 Fl. 152 5 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisdição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Observese que o contribuinte sequer se preocupou em contrapor as razões de decidir da decisão recorrida. A Lei n° 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 3°, inciso III, estipula que o administrado tem direito de apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; contudo, tal dispositivo não se sobrepõe à regra do referido art. 16 do PAF, pois, conforme consta do art. 69 da Lei n° 9.784/1999, esta se aplica apenas subsidiariamente ao processos administrativos específicos regidos por lei própria. Nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, em que a Administração tributária exige do contribuinte determinado tributo e seus acréscimos legais, a ela – Administração tributária – cabe o ônus da prova, pois que o processo se inicia a partir de sua atuação, devendo, por conseguinte, o lançamento se encontrar embasado em elementos probatórios consistentes do descumprimento da obrigação tributária. Diferentemente dessa situação, temse o processo inaugurado por pedido do próprio interessado, pois aqui cabe a ele, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Bernardo Motta Moreira Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Discordo do Ilustre Relator apenas quanto à diligência proposta por ele, para que a autoridade fiscal preparadora verifique a veracidade das informações prestadas e dos créditos alegados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimandoo, se necessário, para apresentar informações e documentos complementares, visando comprovar o crédito financeiro utilizado na Dcomp em discussão. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim dispõe quanto aos pedidos de diligência: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro, no valor original de R$2.133,84, decorrente de PIS pago indevidamente e/ ou maior, na data de 15/09/2003, correspondente à competência de 31/08/2003. Contudo, não apresentou quaisquer documentos comprovando o pagamento indevido e/ ou a maior. Assim, a diligência proposta teria como objetivo a apresentação de documentos que comprovem o crédito financeiro declarado. No entanto, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, a prova documental deveria ter sido apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de a recorrente fazer em outro momento. Em face do exposto, rejeito a diligência proposta pelo Ilustre Relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.906813/200808 Acórdão n.º 3301002.058 S3C3T1 Fl. 153 7 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19515.000823/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/01/2007
COFINS/PIS - BASE DE CÁLCULO - RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO E AGENCIAMENTO DE CLIENTES - ISENÇÃO - ART. 5°, INC. II DA LEI 10.637/02; ART. 6°, INC. II DA LEI 10.833/03; ART. 2°, INCISO I, § ÚNICO, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 116/03 - LANÇAMENTO INSUBSISTENTE.
Comprovada a efetiva prestação de serviços, através dos contratos de prestação de serviços de representação e agenciamento, das respectivas Notas Fiscais e contratos de câmbio representativos de entrada de divisas no território nacional, todos emitidas em nome da tomadora dos serviços exportados, não residente no país, as receitas decorrentes das referidas prestações de serviço a pessoa sediada no exterior, mesmo que coligada, constituem receitas de exportação, isentas da Cofins nos termos do art. 5°, inc. II da lei 10.637/02; art. 6°, inc. II da lei 10.833/03, não incidindo a restrição contida no art. 2°, inciso I parágrafo único, da Lei Complementar nº 116/03, quando os resultados ou benefícios dos serviços de agenciamento (investimentos externos em empresas do grupo) são desencadeados fora do território nacional.
Numero da decisão: 3402-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Participou do Julgamento o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Fez sustentação oral o Dr. Celso Costa OAB/SP 148.225 no dia 24/07/2013
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/01/2007 COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO E AGENCIAMENTO DE CLIENTES ISENÇÃO ART. 5°, INC. II DA LEI 10.637/02; ART. 6°, INC. II DA LEI 10.833/03; ART. 2°, INCISO I, § ÚNICO, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 116/03 LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Comprovada a efetiva prestação de serviços, através dos contratos de prestação de serviços de representação e agenciamento, das respectivas Notas Fiscais e contratos de câmbio representativos de entrada de divisas no território nacional, todos emitidas em nome da tomadora dos serviços exportados, não residente no país, as receitas decorrentes das referidas prestações de serviço a pessoa sediada no exterior, mesmo que coligada, constituem “receitas de exportação”, isentas da Cofins nos termos do art. 5°, inc. II da lei 10.637/02; art. 6°, inc. II da lei 10.833/03, não incidindo a restrição contida no art. 2°, inciso I parágrafo único, da Lei Complementar nº 116/03, quando os resultados ou benefícios dos serviços de agenciamento (investimentos externos em empresas do grupo) são desencadeados fora do território nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Participou do Julgamento o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Fez sustentação oral o Dr. Celso Costa OAB/SP 148.225 no dia 24/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 23 /2 00 7- 48 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 555/579) contra o v. Acórdão DRJ/SPOI nº 1616.561 de 28/02/08 (fls. 533/544) exarado pela 9ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente em parte” os lançamentos originais no valor total de R$ 16.642.968,65 relativos a Contribuições de COFINS (MPF nº 0819000/12563/06 fls. 209/218; COFINS R$ 7.146.944,05; juros R$ 1.203.306,83; Multa 75% R$ 5.360.207,92) e para o PIS (MPF nº 0819000/12563/06 fls. 198/207; PIS R$ 1.530.884,58; Juros R$ 253.461,94; Multa 75% R$ 1.148.163,33), notificados em 30/03/07 (fls. 207 e 218), que acusaram a ora Recorrente de”diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago” das contribuições nos períodos de 30/09/04 a 31/01/07, conforme explicitado no TVF (fls. 195/197) nos seguintes termos: “OS FATOS 1)A empresa não recolheu as duas contribuições sobre as suas receitas de Serviços Prestados, Rendimentos de Aplicações Financeiras e outras receitas, conforme demonstrativos anexos. 2)Nos seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais — DACONs, ela registra as receitas nos quadros "Demonstração da Base de Cálculo", conforme documentos anexos 59 a 118PIS; 119 a 178Cofins. 2.1) Porém no quadro "Isenções e Exclusões" desses demonstrativos, ela exclui os mesmos valores, a título de "Receitas de Exportação' e "Receitas Isentas", restando o saldo "zero" como base de cálculo. 2.2) Somente nos meses de dezembro de 2.004 e dezembro de 2.005, ela considerou tributáveis as receitas de Juros Sobre o Capital Próprio, mesmo assim, os valores das contribuições devidas foram absorvidos pelos créditos sobre aquisições de insumos empregados na prestação dos seus serviços, restando saldo "zero" a recolher. ANÁLISE Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000823/200748 Acórdão n.º 3402002.248 S3C4T2 Fl. 3 3 3) Esta empresa tem como sócias a Merrill Lynch International Incorporeted e Merril Lynch Europe Ltd, estabelecidas nos Estados Unidos e Ilhas Cayman, respectivamente, conforme contrato social anexo. 11.5 a 21 3.1) Com a Merrill Lynch Internacional Bank Incorporated, ela fez um contrato de prestação de serviços a partir de 1.983. fl. 179 3.2) Esta empresa brasileira, presta serviços de assessoria para investidores que queiram investir no exterior por meio das empresas do grupo financeiro Merrill Lynch, conforme itens 2 e 3 desse contrato. (76/80) 3.3) A remuneração desta contratada é feita da seguinte forma: 3.3.1) Todas as despesas gastas pela empresa brasileira são reembolsadas pela contratante, item 6 do contrato. Fl. 80 3.3.2) Além desse reembolso, paga para a contratada a quantia de 6%, sobre as despesas reembolsadas, conforme item 6 daquele contrato de 1.983 e alteração contratual de 24.12.1997. (fl. 180,183 e 187, item 7, 1851ª consideração 3.4) No faturamento desta empresa para a contratante, a descrição dos serviços prestados é apenas "Representações", conforme cópia anexa da sua nota fiscal n° 1351. (fl. 192) 4) A Solução de Consulta n° 191, de 29.06.2004 da 8ª Região Fiscal, cópia anexa, diz que os. Fl. 193 reembolsos de despesas da empresa contratada, reembolsadas pela contratante, são receitas auferidas pela contratada, mesmo quando assumidas em contrato 4.1) A matéria da consulta foi imposto de renda na fonte, mas a decisão estabeleceu que esses reembolsos são considerados receitas, portanto, vale para qualquer imposto ou contribuição. 5) Além disso, a empresa brasileira recebe um valor percentual calculado sobre os valores reembolsados, que também constitui uma receita auferida. 6) As despesas desta empresa, de aluguéis de prédios e equipamentos, de consumo de energia elétrica; de salários de seu pessoal, impostos, entre outras, são suas despesas operacionais para a sua prestação de serviços para auferir as suas receitas. Esses serviços são pagos pela associada estrangeira disfarçadamente como reembolsos de despesas. 6.1) Ela própria se credita das contribuições para o PIS e COFINS sobre os pagamentos dos aluguéis e energia elétrica, confirmando que essas despesas são gastos para o exercício da sua atividade econômica, conforme cópias anexas das DACONs. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 7) O objeto social da empresa, previsto no artigo 2° do seu contrato social, demonstra que a natureza das suas atividades não comporta nenhum tipo de isenção das contribuições. CONCLUSÃO 7)De acordo com essa análise as suas receitas de prestação de serviços e financeiras, não se enquadram em nenhuma condição para o privilégio de isenção das contribuições pata o PIS e para a COFINS, e os valores não recolhidos devem ser exigidos por meio de autos de infração. BASE DE CÁLCULO 8) Os valores Bases de Cálculo das contribuições para o PIS estão no anexo "Demonstrativo do PIS". Fl. 194 9) Os valores Base de Cálculo das contribuições para a COFINS estão no anexo "Demonstrativo da COFINS". 94$ ENQUADRAMENTO LEGAL 10)Os enquadramentos legais das infrações estão descritas nas folhas de continuação dos respectivos autos de infração.”” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 533/544 da 9ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem “julgar procedente em parte” os lançamentos originais de Contribuições de COFINS e de PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2004 a 31/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Auto de Infração. SERVIÇOS PRESTADOS A EMPRESA ESTRANGEIRA. NÃO COMPROVAÇÃO. A nãoincidência do PIS sobre divisas recebidas por empresa estrangeira só atinge aquelas decorrentes de efetiva prestação de serviços à. empresa estrangeira, nos termos da Lei 10.637/2002, art. 5º, inciso II, com redação da Lei 10.865/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/01/2007 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000823/200748 Acórdão n.º 3402002.248 S3C4T2 Fl. 4 5 não há que se falar em anulação ou invalidação do Auto de Infração. SERVIÇOS PRESTADOS A EMPRESA ESTRANGEIRA. NÃO COMPROVAÇÃO. A nãoincidência da Cofins sobre divisas recebidas por empresa estrangeira só atinge aquelas decorrentes de efetiva prestação de serviços à empresa estrangeira, nos termos da Lei 10 833/2003, art. 5º, inciso II, com redação da Lei 10.865/2004. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 555/579) oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) a Isenção do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços para não residente cujo pagamento represente ingresso de divisas no país; b) a caracterização da efetiva prestação de serviços comprovada através dos contratos de prestação de serviços de representação, das respectivas Notas Fiscais e contratos de câmbio que comprovam a efetividade da prestação, do pagamento do preço e da entrada de divisas no território nacional, todos emitidas em nome da Merrill Lynch International, não residente no país e no período excogitado nos lançamentos; c) consequentemente, estão plenamente atendidos os critérios estabelecidos pelos arts. 5°, da Lei 10.637/02, e 6°, da Lei 10.833/03, para o gozo das isenções do PIS e COFINS sobre as remunerações dos contratos firmados pela Recorrente. Finalmente, através da d. PGFN a Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 900/911) ao Recurso Voluntário sustentando a mantença da r. decisão recorrida, tendo em vista que: a) não teria havido a exportação no caso em apreço, eis que o serviço de representação ao qual se comprometeu a autuada foi prestado no território nacional e, tal como já proclamado pelo E. STJ “nos termos do art. 2°, inciso I parágrafo único. da LC 116/03. o ISSQN não incide sobre as exportações de serviços, sendo tributáveis aqueles desenvolvidos dentro do território nacional cujo resultado aqui se verifique ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior”; b) que o sistema tributário nacional adota o principio da territorialidade, devendo ser tributadas as rendas e receitas decorrentes de fatos ocorridos em território nacional, e que se a produção se deu no Brasil resta evidente que tudo o que for recebido em razão deste fato tem mesmo que ser tributado no Brasil, razões pelas quais propugna pelo improvimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, e no mérito merece provimento. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Inicialmente anoto que embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente ao cancelamento das exigências de PIS e respectivas multas e acréscimos (relativas ao período de 01/2007 a título de juros sobre capital de próprio), sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada (PIS R$ 642,69 + Multa R$ 482,01), o d. Presidente da C. 2ª Turma da DRJ de São Paulo deixou de interpor o Recurso de Oficio, operandose a coisa julgada administrativa em relação à referida matéria, remanescendo apenas a discussão do mérito das exigências de PIS (R$ 1.530.241,89 + Multa R$ 1.147.681,32) e COFINS (R$ 7146,944,05 + Multa R$ 5.360.207,92) respectivos acréscimos moratórios, Referidas exigências remanescentes versam sobre a incidência das aludidas contribuições sobre receitas decorrentes de contrato de prestação de serviços celebrado entre a Recorrente e sua sócia “Merrill Lynch International Incorporeted” domiciliada nos Estados Unidos da América, que tem por objeto a “representação” desta última no Brasil e o “agenciamento” de “investidores que queiram investir no exterior por meio das empresas do grupo financeiro Merrill Lynch”, e cujo preço dos mencionados serviços é composto pelas “despesas gastas pela empresa brasileira” e mais “6%, sobre as despesas reembolsadas”. Entendem a r. decisão recorrida e a d. PGFN que, por se tratar de serviços de representação e agenciamento de clientes estabelecidos no Brasil, “tanto o serviço prestado, quanto os seus efeitos se verificaram no território nacional” (sic contrarazões da PGFN de fls. 900/911), razão pela qual os serviços prestados pela Recorrente à tomadora estrangeira incidiriam na restrição prevista para a imunidade do ISS pelo art. 2°, inciso I parágrafo único, da LC 116/03, razões pelas quais, também não fariam jus às isenções de PIS e COFINS, previstas no art. 5°, inc. II da Lei 10.637/02 e no art. 6°, inc. II da Lei 10.833/03, respectivamente. Compre, pois examinar a incidência de restrição sobre isenções de PIS e COFINS, previstas no art. 5°, inc. II da Lei 10.637/02 e no art. 6°, inc. II da Lei 10.833/03, em face do disposto no art. 2°, inciso I parágrafo único, da Lei Complementar nº 116/03, que expressamente dispõe que: “Art. 2o O imposto não incide sobre: I – as exportações de serviços para o exterior do País; (...) Parágrafo único. Não se enquadram no disposto no inciso I os serviços desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se verifique, ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior.” Nessa ordem de idéias, ao interpretar o referido dispositivo Humberto Ávila nota que: “No plano interno, a problemática da incidência do imposto sobre serviços é quase sempre resolvida pelo mero exame da ocorrência, ou não, do esforço humano em determinado âmbito territorial. (...). A situação se altera, no entanto, com a nova previsão constitucional concretizada pela Lei Complementar nº 116/2003. A problemática da incidência do imposto sobre serviços não é mais solucionada pela simples análise da ocorrência, ou não do esforço humano em terminado âmbito territorial. Não interessa apenas o processo de criação da utilidade em proveito de terceiro – o fazer. Passa a importar o Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000823/200748 Acórdão n.º 3402002.248 S3C4T2 Fl. 5 7 produto decorrente desse processo – a utilidade ou o bem (i)material. Essa utilidade passa a ser pertinente à incidência da regra de isenção, delimitando, em nível nacional, o âmbito da competência a ser exercida em nível municipal. A regra de isenção tributária, diferentemente, é substancialmente finalistica: não basta apenas saber se o esforço humano foi prestado e onde isso ocorreu: é preciso, além disso, saber qual é o resultado decorrente desse esforço, e onde ele é auferido.” (cf. Parecer intitulado “Imposto sobre Serviços de qualquer natureza. Exportação de Serviços. Lei Complementar nº 116/2003. Isenção: requisitos e alcance. Conceitos de ‘ desenvolvimento’ de serviço e ‘verificação’ do seu resultado” in RDDT vol. 134/101) Por seu turno Paulo de Barros Carvalho dilucida a delimitação semântica do termo “resultado” esclarecendo que: “No sentido comum da palavra ‘resultado’ significa ‘seguimento’, ‘conseqüência’, ‘derivação’. Assim, para que haja efetiva exportação do serviço desenvolvido no Brasil, os efeitos ou conseqüências da atividade realizada devem ser desencadeados fora do território nacional. Apresentandose a prestação de serviços sob a forma de obrigação de fazer, entendese por o resultado o benefício decorrente da utilidade material ou imaterial desenvolvida. Ao executar o serviços, o prestador o faz para alguém, que dele se beneficia de algum modo. O resultado verificase, portanto, nos limites territoriais em que se situa o tomador do serviço, isto é aquele que usufrui o serviço prestado. (...) temse exportação de serviços sempre que seu resultado seja verificado no exterior, ainda que a atividade se desenvolva em território nacional. O requisito caracterizador da exportação de serviços é o desencadeamento de efeitos para fora do território nacional, não importando quem se responsabilize pela remuneração. Daí a necessária distinção entre tomador do serviço, entendido como aquele que se beneficia da utilidade dele decorrente, e a pessoa que efetua o pagamento. Para configurar exportação de serviços não basta que a contraprestação seja paga por nãoresidente: é necessário que sejam prestados para residente no exterior.” (cf. in artigo intitulado “O conceito de ‘exportação de serviços’ para fins de não incidência do imposto sobre serviços de qualquer natureza” publ. in RDT vol.100/0918, págs. 16/17) Finalmente, ao descrever os serviços de “agenciamento e representação de qualquer natureza” excogitados neste processo, Bernardo Ribeiro de Moraes ensina que: “Agenciamento vem a ser a intermediação (mediação) de serviços. É o contrato pelo qual uma pessoa (agente) se obriga para com outra, mediante remuneração, a efetuar um serviço. A atividade de agente não pode ser eventual, mas habitual. O agente se encarrega de, por conta de outrem, exercer profissionalmente uma atividade, promovendo negócios para o proponente. A execução dos serviços de agenciamento é permanente, habitual, jamais esporádica. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 (...) O agente sempre se obriga a promover habitualmente negócios por conte de outrem, em determinada zona (pode ser uma rua, um bairro, um distrito, uma cidade ou um país).Tal atividade é exercida com aoutonomia, independência de ação, embora os encargos do agente sejam executados sempre de acordo com as instruções do proponente.O agente age em nome próprio, mas pratica operações em nome de terceiros. (...) Aqui também se incluem os serviços ligados aos cartões de crédito. Quem emite o cartões de crédito e assegura a sua utilização pelos portadores, na realidade faz contrato de agenciamento com os vendedores de mercadorias, designado agenciamento de clientela. Assim entendeu o Supremo Tribunal Federal. Agencia, também, quem leva terceiro como futuro cliente de Banco” (cf. in Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços, ed. RT, 1984, págs. 309/310) No caso concreto, não há dúvida que o tomador e beneficiário dos serviços de agenciamento de clientes realizado pela Recorrente, foi a sua sócia “Merrill Lynch International Incorporeted” domiciliada nos Estados Unidos da América, e que os resultados, efeitos, utilidade ou conseqüências da atividade de agenciamento realizada foram desencadeados fora do território nacional, eis que o referido agenciamento destinavase à captação de “investidores que queiram investir no exterior por meio das empresas do grupo financeiro Merrill Lynch” o que de plano exclui a restrição contida no art. 2°, inciso I parágrafo único, da Lei Complementar nº 116/03. Superada a objeção oposta pela d. PGFN, passo ao exame da isenção das contribuições sociais objeto da presente autuação, cujas legislações de regência do PIS (art. 5°, inc. II da Lei 10.637/02) e da COFINS (art. 6°, incisos I e II da Lei 10.833/03) expressa e respectivamente dispõem que: Lei 10.637/02 “Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de. (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas: (...)” Lei 10.833/03 “Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000823/200748 Acórdão n.º 3402002.248 S3C4T2 Fl. 6 9 (...)” Dos preceitos expostos verificase que são duas as condições para a não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes de “exportação de serviços” a saber: (a) que o tomador dos serviços seja pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior; e (b) que o pagamento represente ingresso de divisas no País (cf. Soluções de Consulta nº 239 de 28/09/10 e nº 63 de 11/03/09) No caso concreto é incontroversa a caracterização da efetiva prestação de serviços, comprovada através dos contratos de prestação de serviços de representação, pelas respectivas Notas Fiscais, pelos contratos de câmbio e pelo pagamento do preço dos serviços e respectiva entrada de divisas no território nacional, todos emitidas em nome da Merrill Lynch International, não residente no país e no período excogitado nos lançamentos razão pela qual não há dúvida de que efetivamente houve exportação de serviços para o exterior. Ainda quanto ao pagamento ressaltese que já assentou a Jurisprudência do E. STJ que “o contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, (...), não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 1059041/RS, em sessão de 07/08/08, Rel. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, publ. in DJU de 04/09/08) Da mesma forma a Jurisprudência Administrativa do CARF já assentou que mesmo quando advindas de coligada sediada no exterior, as receitas advindas de prestação de serviços constituem receitas de exportação isentas do PIS e da COFINS sediada, como se pode ver das seguinte e elucidativa ementa “COFINS. RECUPERAÇÃO DE RECEITAS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIFERENTES DESACOBERTADA DE DECOMP. Demonstrado que a receita tem origem na recuperação de receitas realizadas por meio de ação judicial de cobrança deve a mesma ser excluída da base de cálculo. Receitas advindas de prestação de serviço a pessoa sediada no exterior, mesmo que coligada, constitui receita de exportação, isenta da Cofins nos termos do art. 14 da MP nº 2.15835/2001. As receitas oriundas de fontes diversas do faturamento não compõem a base de cálculo da Cofins. Inconstitucionalidade declarada pelo STF. A compensação entre tributos de espécies diferentes reputase não efetuada se não declarada tempestivamente ou antes do procedimento de oficio. Recurso provido em parte. (cf. Acórdão nº 20217.558 da 2ª Câm. do CC, Rec. nº 129.789, Proc. nº 10882.002047/200415, em sessão de 05/12/06) Uma vez comprovado, de um lado que o tomador dos serviços (Merrill Lynch International) é pessoa jurídica domiciliada no exterior (USA) e que o pagamento do preço dos serviços de agenciamento representou ingresso de divisas no País, e de outro, que os resultados da atividade de agenciamento realizada foram desencadeados fora do território nacional (vez que o referido agenciamento destinavase à captação de “investidores que queiram investir no Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 exterior por meio das empresas do grupo da tomadora) não incidindo na restrição contida no art. 2°, inciso I parágrafo único, da Lei Complementar nº 116/03, parece não haver dúvida de que a Recorrente preenche os estabelecidos pelos arts. 5°, da Lei 10.637/02, e 6°, da Lei 10.833/03, para o gozo das isenções do PIS e COFINS sobre as receitas de exportação de serviços excogitadas no lançamento, que portanto mostrase insubsistente. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário, para julgar insubsistente o lançamento relativamente às exigências remanescentes incidentes sobre as receitas de exportação de serviços isentas, nos termos dos arts. 5°, da Lei 10.637/02, e 6°, da Lei 10.833/03. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003565/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/08/2006, 01/01/2007 a 30/04/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - GLOSA DE COMPENSAÇÃO - DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES - LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP - AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES
O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, refere-se ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 2401-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, para afastar a nulidade declarada, devendo os autos retornarem para a primeira instância, a fim de que sejam apreciadas as matérias constantes na impugnação. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Carolina Wanderley Landim Relatora
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/08/2006, 01/01/2007 a 30/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, referese ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 35 65 /2 00 7- 64 Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, para afastar a nulidade declarada, devendo os autos retornarem para a primeira instância, a fim de que sejam apreciadas as matérias constantes na impugnação. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente. Carolina Wanderley Landim – Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.125 3 Relatório O Presidente da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, nos termos do inciso I, art. 34 do Decreto nº 70.235/72, recorre de ofício da decisão prolatada às fls. 11101115, que julgou nulo, por vício material, a Notificação Fiscal de Lançamento (NFLD) DEBCAD nº 37.069.9114, lançada em 28.09.2007 (fls.1). Conforme se depreende do relatório fiscal às fls. 164169, tratase de lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, apuradas a partir da glosa de compensações procedidas pela autuada e suas filiais, com fundamento no art. 89 da Lei nº 8.212/91 e arts. 247 a 249, 251 e 253 do Decreto nº 3048/99 (RPS), no período de 09/2005 a 10/2005, 12/2005 a 08/2006, 01/2007 a 04/2007. Ainda, de acordo com o relatório fiscal, o contribuinte utilizouse de créditos tributários provenientes de terceiros, via escritura pública de cessão de direitos creditórios (fls.168184), para compensar sua contribuição previdenciária patronal, além das retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme resta demonstrado nas GFIP colacionadas aos autos. Devidamente notificada do lançamento o contribuinte apresentou tempestiva impugnação às fls. 228249, em 30.10.2007, aduzindo em breve síntese: · A nulidade da autuação, uma vez que o lançamento teve por base artigo de Lei que não se aplica às contribuições sociais (art. 74 da Lei nº 9.430/96) e em artigo de Instrução Normativa incluído em data posterior à compensação operada pela empresa (art. 239A da IN SRP nº 3 de 2005), além da existência de pendência de análise de um processo administrativo de consulta onde se questiona a legalidade da compensação autuada, obstando desta forma qualquer início de procedimento fiscalizatório; · Ainda, alega que a presente NFLD é nula devido à ausência de base legal que autorize o lançamento, em virtude de constar no relatório de Fundamentos Legais dos Débitos FLD dispositivos desconexos com as alegações trazidas pela fiscalização na narração dos fatos. · Quanto ao mérito aduz que os créditos utilizados na compensação não são de terceiros, mas do próprio contribuinte, transferidos através de cessão de créditos. · Tais créditos são oriundos de decisão judicial transitada em julgado, presentes assim todos os requisitos necessários para garantir o direito à compensação, nos limites estabelecidos judicialmente. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao apreciar a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE julgou nulo o lançamento, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72, conforme acórdão abaixo ementado: GLOSA DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO. NULIDADE A glosa de compensação efetuada indevidamente nada mais é que contribuições a cargo da empresa devidas à Seguridade Social e que deixaram de ser recolhidas. É imprescindível que seja informado ao notificado a fundamentação legal do lançamento, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa. Assim, considerando que a decisão acima anulou a autuação exonerando integralmente o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário discutido, e uma vez que o valor da autuação supera o limite de alçada, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão supracitada. É o relatório. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.126 5 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Presente o pressuposto de admissibilidade nos termos do art. 34, I, Decreto nº 70.235/72, tomo conhecimento do recurso de ofício. Como já relatado acima, a presente autuação visa exigir o pagamento das contribuições sociais devidas ao INSS (patronal e as retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais), apuradas a partir da glosa de compensações procedidas indevidamente pela Recorrida. No entanto, o lançamento não discrimina de forma clara e precisa as contribuições que foram indevidamente compensadas e a fundamentação legal que respalda as exigências, como bem explicitou a 5ª Turma da DRJ/FOR na decisão que foi objeto do recurso de ofício ora apreciado: “De posse do Relatório de Lançamentos (RL), fls. 74/97, notase que o crédito foi constituído pelo lançamento unicamente da glosa de compensação efetuada, rubrica 19Glosa Compensação. Consequentemente, o relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), fls. 151/152, não relaciona a fundamentação legal das contribuições previdenciárias insertas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, mas apenas da compensação indevida e dos acréscimos legais. Entretanto, para apuração do crédito, deveria ter sido efetuado o lançamento de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias, inclusive o valor de compensação informado em GFIP, lançando também a glosa da compensação, caso esta seja considerada indevida. Desta forma, seria apresentada a fundamentação legal correta da contribuição apurada, visto que a glosa de compensação indevida nada mais significa do que a existência de contribuições previdenciárias previstas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, conforme o caso. (...) Tais irregularidades, acarretam cerceamento de defesa e levam a nulidade do ato, a teor do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e o artigo 53 da Lei 9.784/199, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal(...)” De fato, a autoridade fiscal, ao formalizar sua peça acusatória, não individualizou as contribuições previdenciárias exigidas, identificando os respectivos fatos geradores e suas bases de cálculo, mas se limitou apenas em exigir, por competência, o valor total compensado indevidamente, sob a rubrica 19Glosa Compensação. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Além disso, não respaldou sua autuação nos fundamentos legais que amparam a exigência das contribuições previdenciárias previstas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, mas baseou seu lançamento apenas em disposições legais que tratam do procedimento de restituição/compensação das contribuições, quais sejam: art. 89 da Lei nº 8.212/91 e arts. 247 a 249, 251 e 253 do Decreto n. 3.048/99. No entanto, como afirmou com bastante propriedade a 5ª Turma da DRJ/FOR, a glosa de compensação indevida nada mais significa do que a existência de contribuições previdenciárias previstas nos arts. 20 e 22 da Lei 8.212/91, conforme for o caso. Deste modo, o lançamento aqui analisado apresenta vícios que nitidamente cercearam o direito de defesa do autuado, além de ter infringido o quanto disposto no art. 37 da Lei nº 8.212/91, que dispõe expressamente que a fiscalização deverá lavrar a notificação de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Ademais, cabe destacar, que os equívocos cometidos pela autoridade fiscal responsável pela lavratura desta autuação possuem a natureza, inequivocamente, de vícios materiais, uma vez que macularam o conteúdo do lançamento e não apenas a sua forma, pois não houve a adequada individualização das contribuições previdenciárias exigidas, além de o lançamento encontrarse baseado em fundamentação legal imprecisa, comprometendo o direito de defesa do contribuinte. Em casos análogos ao aqui tratado, a jurisprudência desse Conselho tem reconhecido a existência de vício material em equívocos dessa natureza, consoante se verifica dos julgados cujas ementas seguem abaixo transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFICIO – É nulo o ato administrativo de Lançamento formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase no caso de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.1 LANÇAMENTO – NULIDADE – VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA – Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no art. 150 §4º, do CTN.2 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de 11ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06.12.2002. 22ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 138.595 – Acórdão nº 10247201, Sessão de 10/11/2005 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.127 7 defesa e consequente nulidade devido a ocorrência de vício material.3 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO, mantendo incólume a decisão proferida pela DRJ/FOR para DECLARAR A NULIDADE da autuação, por vício material, em vista da falta da discriminação clara dos fatos geradores e ausência de correta fundamentação legal, que culminaram na preterição do direito de defesa do Recorrido, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.325/72. É como voto. Carolina Wanderley Landim 34ª Câmara da 2ª Seção do CARF Processo nº 35368.002702/200647 – Acórdão nº240201.058, Sessão 16.08.2010 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Divirjo do entendimento do ilustre relator quanto a nulidade avençada em função da ausência de descrição dos fatos geradores, bem como falta de fundamentação para o lançamento quanto ao lançamento referente a GLOSA de compensação indevida. Primeiramente, observase que o valor do lançamento referente a GLOSA tem por base valores declarados em GFIP em campo próprio de compensação. Todavia, considerou o auditor que dita compensação não foi realizada nos moldes devidos, razão porque procedeu ao lançamento dos valores. Dessa forma, entendo que a posição do relator quanto a nulidade pela ausência de descrição dos fatos geradores não deve prevalecer. O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, referese ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. Entendo que a exigência do relator não há como ser efetivada, uma vez que implicaria em nova informação de fatos geradores (digase já informados na competência própria), implicando duplicidade de informação. Não há nem mesmo como identificar quais os fatos geradores que foram compensados, para que se determinasse novo lançamento, posto que o valor da compensação é informado pelo recorrente, sendo abatido do montante da contribuição devida, tendose por base todos os fatos geradores informados e a aplicação das correspondentes alíquotas. A única coisa que fez o auditor foi lançar o valor abatido indevidamente (informado pelo recorrente no documento GFIP), devendo, portanto, descrever de forma detalhada os motivos pelos quais entendeu ser indevida a compensação realizada, como bem o fez. Notese que o relatório fiscal, conforme transcrito pelo próprio relator, demonstrou a impossibilidade de realização do procedimento de compensação nos moldes como o foi, razão porque procedeu ao lançamento Dessa forma, entendo que não existe a nulidade avençada pelo relator uma vez que os fatos geradores já foram descritos anteriormente pelo próprio recorrente no seu documento GFIP, que digase, foi o documento que consubstanciou o lançamento. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10320.003565/200764 Acórdão n.º 2401003.116 S2C4T1 Fl. 1.128 9 CONCLUSÃO Face o exposto, voto por AFASTAR A NULIDADE declarada pelo julgador de Primeira instância, ratificada pelo relator, para DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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