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Numero do processo: 35564.006106/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/07/2005
ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-003.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Alexandre Naoki Nishioka e Marcelo Oliveira. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:06/03/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 30/07/2005 ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Recurso especial conhecido e provido.
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CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Alexandre Naoki Nishioka e Marcelo Oliveira. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 61 06 /2 00 6- 10 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de crédito da Seguridade Social composto de contribuição de 2% destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente de segurados empregados. Conforme relatório fiscal, o lançamento referese a contribuição objeto de discussão judicial em que a recorrida requer seu enquadramento em tabela de Classificação Nacional de Atividade Econômicas – CNAE de modo a serlhe aplicável o grau de risco leve (1%), e não o grave (3%). A recorrida foi cientificada da ação fiscal por meio de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e intimada a apresentar os documentos mediante Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD (fls. 57 a 71) e tomou ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em 18/11/2005. Dentro do prazo legal, a recorrida protocolizou defesa (fls. 158 a 174), alegando em síntese: que a matéria abordada nas ações judiciais é diversa da tratada na via administrativa; as competências de julho de 1997 a janeiro de 1999 foram atingidas pela decadência, que é quinquenal, conforme §4º do art. 150 do CTN; a cobrança de multa moratória sobre contribuição cuja exigibilidade encontrase suspensa por deposito do montante integral é inexigível; requer ainda a exclusão das competências atingidas pela decadência e da multa de mora, com suspensão da exigibilidade do valor principal até decisão judicial definitiva. A 4ª Câmara de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária de São Paulo – Centro/SP, negou provimento a impugnação do contribuinte e julgou o lançamento procedente. Segue ementa da decisão: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECADÊNCIA. MULTA. O contribuinte tem direito ao contencioso administrativo fiscal em relação a matéria não contestada judicialmente. O prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é de dez anos, conforme art. 45 da Lei nº 8.212/91. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35564.006106/200610 Acórdão n.º 9202003.576 CSRFT2 Fl. 295 3 Em respeito ao princípio da legalidade, o auditor – fiscal deve laçar o valor correspondente a multa moratória, visto que o lançamento fiscal é vinculado e obrigatório, não cabendo à administração decidir acerca da sua conveniência. LANÇAMENTO PROCEDENTE Em 23/11/2006, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 195 a 220), e na oportunidade reiterou as alegações abordadas na impugnação. Os membros da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no dia 28/04/2010, acordaram por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo parte do crédito tributário. Segue ementa do decisório: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/07/1997 a 30/07/2005 ALIQUOTA DE SAT – MATÉRIA SUB JUDICIE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase ao caso, o prazo previsto no §4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada a antecipação de parte do pagamento da contribuição. DEPÓSITO JUDICIAL – JUROS E MULTA DE MORA O deposito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora, devendo a autoridade administrativa excluir, dos valores lançados, os encargos moratórios, juros e a multa por atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 A Fazenda Nacional inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301.01.381, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 24/08/2010 (fls. 244 a 246) interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 250 a 253, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Segue ementa dos acórdãos paradigmas apresentados: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999 Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O depósito judicial não se equipara ao pagamento antecipado, em cuja ausência a regra para determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial, relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deslocase para o previsto no art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS JUDICIAIS. INTEGRALIDADE. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. A realização de depósitos judiciais no montante integral do lançamento implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e impede a aplicação de multa de ofício. Recurso provido em parte. [Ac.20180517] Explica que o lançamento por homologação capaz de ensejar o emprego do prazo do 150, §4º do CTN somente se verifica quando houver pagamento antecipado do tributo, ação, esta, que em nada se confunde com o deposito judicial do crédito tributário e que, desse modo, como não houve antecipação do pagamento do tributo, deve ser aplicado o prazo previsto art. 173, I, do CTN. Ao final, requer o conhecimento e o provimento do recurso especial para que seja reconhecida a decadência apenas para os valores apurados até novembro de 1999. A contribuinte, ora recorrida, foi cientificada do Acórdão nº 230101.381, do CARF, do Recurso Especial da PGFN e do Despacho de 2300030/2011 do CARF, bem como da abertura do prazo de quinze dias para sua manifestação, conforme AR (fls. 263). Houve manifestação apresentada, dentro do prazo legal, juntada às fls. 265 a 287 do presente processo. O pedido constante da petição da recorrida é de desistência irrevogável do processo, bem como a renúncia das alegações de direito, conforme fls. 287. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35564.006106/200610 Acórdão n.º 9202003.576 CSRFT2 Fl. 296 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo o Recurso Especial interposto e demonstrada a divergência, passo a análise do débito. Consta dos autos que o Sujeito Passivo que, no dia 31/08/2009, aderiu ao Parcelamento Especial instituído pela Lei n. 11.941/2009. Como restam incontroversos os fatos geradores e tendo em vista que a confissão [adesão ao parcelamento] ocorreu antes do julgamento do Recurso Voluntário, entendo que afastado o decisum recorrido, pois a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado. Tratandose de parcelamento com confissão irretratável e irrevogável de dívida, aplicase ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à PortariaMF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009, e 586, de 2011),que dispõe o seguinte,com os destaques cabíveis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Dessa forma, houve desistência do contencioso administrativo. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 DISPOSITIVO Portanto, voto por CONHECER do Recurso Especial interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, devendo ser restabelecida integralmente a autuação exarada. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000735/2009-66
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO.
A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 1803-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
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A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ e CSLL, em decorrência da revisão interna da DIPJ/2008 nº 1857960, fatos geradores 30/09/2007 e 31/12/2007. Constatouse insuficiência de recolhimento por conta da diferença de tributos não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 07 35 /2 00 9- 66 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10970.000735/200966 Acórdão n.º 1803002.613 S1TE03 Fl. 189 2 declarados e não recolhidos em face do confronto dos dados informados em DIPJ, os declarados em DCTF e os valores pagos em DARF. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação. Aduz de forma sintética que está incorreta a base de cálculo utilizada para apurar os tributos exigidos, posto que a fiscalização teria aplicado o percentual de 32% para apurar a base de cálculo de quase 100% dos tributos, por considerar a atividade da empresa de industrialização para terceiros, atividade preponderante, como prestação de serviços. Afere que a atividade da empresa tratase de industrialização por encomenda e não uma prestação de serviços, devendo ser aplicado o percentual de 8% para apurar a base de cálculo do IRPJ e de 12% para apurar a CSLL. Prossegue referindo que a atividade da empresa ao industrializar em massa as sucatas de bateria, transformandoas em chumbo, sem qualquer especificação individual, nitidamente uma atividade industrial e não uma mera prestação de serviços. Fundamenta suas razões no Ato Declaratório SRFB nº 26/2008 que traz o entendimento de que as empresas que industrializam por encomenda, como é o caso da recorrente, independentemente da composição dos custos industriais, quando optam pelo lucro presumido, devem pagar IRPJ e CSLL respectivamente utilizando os percentuais de 08% e 12%. Observa a empresa recorrente que o entendimento da Receita Federal sobre industrialização por encomenda leva em consideração o que preceitua o RIPI, aprovado pelo Decreto 4544/2002. E, conclui que pelas normas da receita, a atividade da recorrente tratase de industrialização e não prestação de serviço, devendo ser retificada a apuração da base de cálculo dos tributos cobrados nesse auto de infração. No tocante ao débito de CSLL, entende que deve ser anulado em vista da inconstitucionalidade da exigência. E referente à multa, entende a recorrente ser extremamente abusiva e ilegal, não existindo motivos para a aplicação da mesma no presente feito, posto ser devida apenas a multa de mora. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o auto de infração na sua integralidade. Aduz em seara de preliminar que as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade apontadas não encontram supedâneo no âmbito do processo administrativo fiscal, sendo defeso proferilas por falta de competência e fundamenta na Portaria MF nº587/2010, Regimento Interno da RFB. No tocante aos julgados judiciais elencados pela recorrente, o julgador a quo fere que não houve comprovação de sua participação no respectivo polo ativo, além de que tais julgados, na espécie, não tem efeito vinculante nas decisões dos órgãos do Poder Executivo. Cita os artigos pertinentes da Constituição Federal, Decreto 70.235/72 e Súmula 02 do CARF. Quanto às alegações de nulidade do auto de infração, discorre a autoridade de primeira instância os arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A respeito da questão e conclui que em face dos princípios que norteiam o processo administrativo fiscal, mormente os da informalidade e da verdade material, não se encontra materializada as nulidades argüidas. No tocante ao mérito, afere que a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos e apresentar escrituração contábil e/ou fiscal, mas em resposta foram apresentados: livro Registro de Saída do ano de 2007, relação de faturamento bruto de 01 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10970.000735/200966 Acórdão n.º 1803002.613 S1TE03 Fl. 190 3 a12/2007 e relação de saídas por CFOP de 01 a 12/2007. Salienta o julgador a quo que a aplicação dos percentuais de 08% e de atividade de "industrialização por encomenda e não uma prestação de serviços", o percentual de 32% sobre a receita bruta adotado pelo fisco, para fins de determinação do lucro presumido, identificase como informado na ficha 14A daquela DIPL/2008 (fls 7585). Atenta a decisão de primeira instância ainda que a empresa recorrente tenha escriturado "industrialização efetuada para outra empresa" (CFOP 6124), atividade escriturada com preponderância em face da receita bruta total, a própria recorrente declaroua como sendo de prestação de serviços. Assim, os valores lançados deramse em observância tanto à forma de tributação adotada pela contribuinte nos 3º e 4º trimestre/2007, quanto ao percentual de 32% ali assumido como de prestação de serviços. E, nesse contexto, entende o julgador tratarse de questão exógena ao litígio. No tocante aos elementos de prova material, aduz que a recorrente trouxe ao autos tão somente 08 notas fiscais emitidas por ela em dezembro de 2007 (fls. 127148, CFOP 6124 industrialização e 6908 retorno simbólico) contra terceiros em face das notas fiscais desses a título de remessa para industrialização/beneficiamento (CFOP 6901). Atenta para o fato de que as notas fiscais trazidas aos autos emitidas em apenas três dias de dezembro/2007 (11, 20 e 21), não fazem frente ao lançamento que envolveu os 3º e 4º trimestres de 2007. Observa que a questão não seria resolvida tão pouco por diligência, mas incursão fiscal retroativa aos idos de 2007 para perquirir se a empresa recorrente poderia se valer do conteúdo do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº26/2008 que dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Afere que a caracterização ou não de industrialização sob encomenda, em vez de prestação de serviços, não está condicionada somente em razão de rubricas adotadas pela empresa recorrente, mas a conceitos definidos naqueles artigos do Decreto 4.544/2002, então em vigor, que importariam uma verdadeira fiscalização. No tocante à multa de ofício aplicada, entende que não merece reparos a multa no patamar de 75%, por encontrarse perfeitamente adequada, dada a sua previsão legal contida no art. 44 da Lei 9430/96. E, quanto ao lançamento de CSLL, mutatis mutandi, aplicamse a esses lançamentos o mesmo veredicto do lançamento relativo ao IRPJ. Devidamente cientifica da decisão de primeira instância em 26.03.2012, a empresa recorrente apresenta em 25.04.2012 suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, com as suas alegações. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e quatro dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10970.000735/200966 Acórdão n.º 1803002.613 S1TE03 Fl. 191 4 mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 10970.000735/200966 Recorrente: TRIANGULO METAIS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.613 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ e CSLL, em decorrência da revisão interna da DIPJ/2008 nº 1857960, FG 30/09/2007 e31/12/2007. Constatouse insuficiência de recolhimento por conta da diferença de tributos não declarados e não recolhidos em face do confronto dos dados informados em DIPJ, os declarados em DCTF e os valores pagos em DARF. A discussão no presente feito se perfaz em razão de que a empresa recorrente pretende que sejam utilizados os percentuais de 8% para IRPJ e de 12% para CSLL em detrimento de 32% cobrados. No entanto, devemos verificar que é a própria empresa quem Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10970.000735/200966 Acórdão n.º 1803002.613 S1TE03 Fl. 192 5 informa, em sua DIPJ, de que é prestadora de serviço, bem como o percentual de recolhimento de 32%. Temse, dessa forma, que a intenção da recorrente, neste momento, é retificar sua declaração. Mas, conforme se verifica da legislação em vigor, não é permitida a retificação de qualquer declaração no curso da fiscalização ou do processo administrativo fiscal. Senão vejamos: "Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º ). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. Art. 833. A pessoa jurídica que, depois de iniciada a ação fiscal, requerer a retificação de rendimentos de sua declaração não se eximirá, por isso, das penalidades previstas neste Decreto, aplicandose o mesmo procedimento a todas as pessoas físicas ou jurídicas, quanto aos rendimentos oriundos da pessoa jurídica a que se referir aquela ação fiscal, inclusive aos sujeitos ao regime de arrecadação nas fontes (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 63, § 5º" Assim, depreendese que a pessoa jurídica que requerer, depois de iniciada a ação fiscal, a retificação de rendimentos de sua declaração, bem como a mudança de alíquota não a terá examinada. No caso em tela, temse que a empresa informou tratarse de alíquota de 32% e no curso do presente feito, argumenta porque deveria recolher a 8% para IRPJ e 12% para CSLL. Em outras, palavras, busca, no decorrer do processo administrativo, retificar a alíquota informada, o que é vedado pela legislação citada. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10970.000735/200966 Acórdão n.º 1803002.613 S1TE03 Fl. 193 6 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13896.001052/2007-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMPETÊNCIAS COM LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.
Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na(s) NFLD(s )correlata(s).
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE - MESES EXCLUÍDOS DO LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - OMISSÃO EM GFIP
Para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência nos AIOP (NFLD) correlatos, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício.
Dessa forma, para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calculada com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar a multa estipulada nos moldes do art. 32-A, inciso I, face o principio da retroatividade benigna, e não o limite disposto no art. 44, I da lei 9430/1996, posto que não há multa de ofício para se comparar.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida: a) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao valor do Art. 32-A, I da Lei 8221/91, no período entre 12/2000 a 09/2001. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator) e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka; b) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso para os períodos restantes. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Adriano Gonzalez Silvério (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Fez sustentação oral o Dr. Luiz André Granda Bueno, OAB/SP nº 160.981, advogado do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente à época da formalização
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designada AD HOC para formalização do voto vencido.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto vencedor.
EDITADO EM: 07/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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GFIP Recorrente HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. COMPETÊNCIAS COM LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na(s) NFLD(s )correlata(s). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 10 52 /2 00 7- 92 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE MESES EXCLUÍDOS DO LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA OMISSÃO EM GFIP Para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência nos AIOP (NFLD) correlatos, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício. Dessa forma, para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calculada com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar a multa estipulada nos moldes do art. 32A, inciso I, face o principio da retroatividade benigna, e não o limite disposto no art. 44, I da lei 9430/1996, posto que não há multa de ofício para se comparar. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida: a) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao valor do Art. 32A, I da Lei 8221/91, no período entre 12/2000 a 09/2001. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator) e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka; b) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso para os períodos restantes. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Adriano Gonzalez Silvério (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Luiz André Granda Bueno, OAB/SP nº 160.981, advogado do contribuinte. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente à época da formalização (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 3 3 EDITADO EM: 07/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Relatório O Contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº. 240200.681, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 22 de março de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, nas preliminares, deu parcial provimento ao recurso do contribuinte, para excluir do cálculo da multa, devido à decadência, os fatos até 11/2000, anteriores a 12/2000, pela regra expressa no I, art. 173 do CTN, e por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso nas demais preliminares; e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso para que se recalcule o valor da multa e o utilize, caso seja mais benéfico à recorrente do que o cálculo da autuação, de acordo com o disciplinado no I, art. 44 da Lei nº 9.460/96, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos. Segue abaixo a sua ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cabe informar que tanto a Fazenda Nacional quanto o Contribuinte interpuseram embargos de declaração alegando contradição e omissão no acórdão embargado, sendo ambos rejeitados. O contribuinte alega duas divergências em seu recurso especial. Quanto à primeira divergência, visa rediscutir a aplicação da multa mais benéfica e especificamente aplicável ao caso e apresenta os acórdãos paradigmas nºs 230100.609 e 230100.638, assim ementados: “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFEP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (AC 230100.609) “DECADÊNCIA. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS. GFIP INFORMAÇÕES INCOMPLETAS. APLICAÇÃO PENALIDADE Fl. 893DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 4 5 MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. 1. Aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN ao presente lançamento. 2. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, pede retroagir para beneficiar o contribuinte. 3. Precedentes dos Conselhos de Contribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” (AC 230100.638) Informa que a Recorrente foi autuada por ter, supostamente, omitido informações referentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias em sua GFIP, culminando com a lavratura de auto de infração aplicandolhe sanção de multa correspondente a 100% da suposta contribuição devida e não declarada, nos termos do § 5º do art. 32 da Lei nº 8.22/91, vigente à época. Lembra que a MP 449/2008, convertida e vigente com a atual redação da Lei nº 11.941/09, em seu art. 65, inciso I, revogou o §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, incluindo a atual redação do art. 32A na lei, que prescreve o seguinte: “Art. 32A O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (...)“ Verifica que a nova norma reduz sobremaneira a sanção imposta pela suposta infração que se atribui à Recorrente, mostrandose mais benéfica ao contribuinte e destaca que o art. 106, inciso II, alínea “c” determina que, no caso de norma nova mais benéfica, esta deverá retroagir em benefício do contribuinte, aplicando a condição mais benéfica a fatos pretéritos. Esclarece que o acórdão recorrido, embora reconheça e determine que se aplique a norma mais benéfica ao caso, de modo contraditório, prescreveu a aplicação de sanção legal menos severa do que a originária, mas que, por sua vez, configura sanção que não corresponde à efetivamente mais benéfica ao contribuinte, bem como, trata de pena que não a específica, prescrita para aplicação no caso de infrações como a que teria motivado ao AI impugnado. Ressalta que essa contradição permite a aplicação de multa que não prescrita para as infrações como a do presente caso, eis que o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91 aplicase nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referendadas no art. 35 da mesma Lei, diferente da sanção prescrita no inciso I do art. 32A, incidente para o caso de descumprimento de obrigação acessória determinada no inciso IV do caput do art. 32, todos da Lei nº 8.212/91. Conclui que a pena de multa pela suposta omissão de fatos geradores na declaração prevista no inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/91 (GFIP) é a sanção prescrita no inciso I do art. 32A da mesma lei. Quanto à segunda divergência, visa rediscutir a regra de contagem do prazo decadencial aplicável em tela e apresenta os acórdãos paradigmas nºs 240100.566 e CSRF/01 04.769, assim ementados: Fl. 894DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (AC240100.566) “IRPJ DECADÊNCIA Resta pacificado pela CSRF o entendimento de que o lançamento do IRPJ, após a edição da Lei 8.383, conformase aos ditames do artigo 150, § 4o, do CTN, tendo o prazo decadencial, como dia "a quo", a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado.” (AC CSRF/01 04.769) Inicialmente, lembra que se encontra cristalizado na jurisprudência pátria que as contribuições previdenciárias revestemse de natureza tributária – Súmula Vinculante nº 8 de 2008 do STF. E também, que a CF reserva à Lei Complementar a competência para regular a prescrição e decadência em matéria tributária – art. 146, III, b , lei essa consubstanciada no Código Tributário Nacional CTN. Afirma que dentro do CTN é possível identificar duas regras aplicáveis para contagem do prazo decadencial, sendo uma regra geral – com respaldo no art. 173, inciso I, que estabelece que o termo inicial do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, extinguindose após cinco anos contados deste termo – e uma regra específica – que decorre da conjugação entre o caput e o parágrafo 4º do art. 150 do CTN, que estabelece que se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, o prazo para o Fisco constituir o crédito tributário tem início na data do fato gerador e extinguese após cinco anos contados desta data. Verifica que o caso dos autos tratase de contribuições previdenciárias, recolhida nos termos prescritos no art. 150, §4º do CTN, portanto, tributo sujeito a lançamento por homologação, devendo ser aplicada a regra de contagem de prazo decadencial a partir do fato gerador, permitindo o deslocamento para a regra geral prescrita no art. 173 do CTN somente nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diz ainda que importa verificar o acerto dos julgados elencados como paradigmas, pois o critério que determina a adoção de uma das regras (geral ou específica) é o fato do tributo em questão. Lembra que a decisão recorrida aplica o prazo estabelecido pelo art. 173, I do CTN baseado na inexistência de recolhimentos efetuados pelo contribuinte, o que não se justifica, uma vez que a Recorrente procedeu, no caso dos autos, com o regular recolhimento das contribuições previdenciárias sobre sua folha de pagamentos, bem como, retendo regularmente a parcela devida por seus funcionários, não havendo como suscitar a aplicação da contagem do prazo decadencial diverso do previsto no art. 150, §4º do CTN. O Despacho 2400019/2013 deu seguimento ao pedido em análise. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 5 7 A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Observa que a contagem da decadência de penalidade pecuniária deve ser feita à luz do art. 173 do CTN pela inteligência dos arts. 113 e 139 do mesmo diploma legal, uma vez que a multa é lançada de ofício. Afirma que não cabe a subsunção da norma prevista no art. 150, §4º do CTN ao fato ensejador de multa, tendo em vista inexistência de atividade do contribuinte a ser homologada pela autoridade fiscal, quando do cometimento de infração administrativo tributária, sendo o lançamento de multa por infração à legislação tributária somente aplicada de ofício pelo Fisco. Em relação à penalidade mais benéfica ao contribuinte, diz que o procedimento correto consiste em somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP 449/2008) em conformidade com o que dispões a IN RFB nº 1.027, de 22/10/2010. É o relatório. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencido. Pelo fato de o ConselheiroRedator Elias Sampaio Freire ter se aposentado antes da formalização do presente acórdão, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização reproduzo na integra, a seguir, o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu, (Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), como redatora adhoc, fui designada apenas para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento da Conselheira RedatoraDesignada adhoc. Com isso, esta conselheira não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. Na hipótese dos autos o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos temos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Isto porque em se tratando de obrigação acessória, clara é a disposição do § 3° do art. 113 do CTN, de que a sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária, como no dizer de Luiz A. Gurgel de Faria, in. Código Tributário Nacional Comentado, que havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados ao tributo. Assim sendo, já que pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio, na forma do art. 149 do CTN. Tratandose de lançamento de oficio, a regra a ser observada é a do art. 173, I, do CTN. Confirase, a propósito, os seguintes precedentes dos Tribunais e deste Conselho: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 6 9 I A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN. 2. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi reconhecida pela Corte Especial deste Tribunal na Argüição de Inconstitucionalidade n°2000.04.01.0922283. 3. Apelação a que se nega provimento." (TRF 4' Região APELAÇÃO CÍVEL N° 2006.72.10.001962 3/SC, Relator: Juiz Federal ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA) "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. I. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CIN, tendo em vista tratarse de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente afigura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4°, do CTN. 4. Recurso especial não provido." (STJ RECURSO ESPECIAL N° 1.055.540 — SC — Relator: MINISTRA ELLANA CALMON) "MULTA — ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — DECADÊNCIA — 1NOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entrega da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, Ido CTN e não pelo art. 150, §4° do CTN MASSA FALIDA MULTA — ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Acórdão n° 1070836) "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DECADÊNCIA. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 O prazo decadencial para realização de lançamento com vistas à cobrança de multa regulamentar somente tem início no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência da infração. LEGALIDADE. É cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF à vista do disposto na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega de declaração fora do prazo não exclui a responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e, portanto, não lhe é aplicável o instituto da denúncia espontânea." (Acórdão n° 30334722) Destarte, o prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Relembrese que, no presente caso o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha o revogado art. 32, § 5º da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Fl. 899DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 7 11 É Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. O supracitado art. 32, § 5º, destinavase a punir a apresentação, pelo contribuinte, de declaração inexata quanto aos dados relativos a fatos geradores de tributos, independentemente da existência ou não de tributo a recolher. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991. Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009), in verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Fl. 900DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 8 13 No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Deste modo, para a de aplicação da multa mais benéfica, devese comparar entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na(s) NFLD(s) correlata(s). Isso posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial DO CONTRIBUINTE. É como o conselheiro votou na sessão de julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC Fl. 902DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Pelo fato de o Conselheiro designado para redação do voto vencedor, Alexandre Naoki Nishioka, ter renunciado ao mandato antes da formalização do presente acórdão, eu, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, nomeado AD HOC para formalização desse voto, reproduzo, a seguir, o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, como redator adhoc, fui designado apenas para completar a formalização do acórdão, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, ao entendimento deste Conselheiro, que, consequentemente, não se vincula às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. Respeitavelmente, peço vênia para discordar do ilustre relator, quanto aos efeitos da interpretação por ele adotada quanto ao comparativos das multas, e a retroatividade benigna, levandose em consideração as alterações promovidas pela MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Em certos casos, como o que agora apreciamos, observamos que a aplicação do prazo decadencial, nos autos de infração de obrigações principais (NFLD) e de obrigações acessórias, dáse por dispositivos legais diferentes, o que leva a exclusão de período diversos em relação aos dois lançamentos. É fato que, nos autos de infração de obrigações principais, onde constatado o recolhimento parcial antecipado, ou para os casos em que o lançamento é consubstanciado em rubricas não reconhecidas pelo recorrente, o dispositivo legal mais adequado a se determinar os fatos geradores alcançados pela decadência é o § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.001052/200792 Acórdão n.º 9202003.399 CSRFT2 Fl. 9 15 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em relação as rubricas não reconhecidas, embora existisse dúvidas quanto a se considerar ou não o recolhimento antecipado, o CARF aprovou a súmula n. 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Já em relação ao AI de obrigação acessória, que na verdade constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados, a decadência deve ser analisada a luz do art. 173, I do CTN, senão vejamos: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Frente a evidente diferença entre as contagens dos prazos, temos, como regra geral o maior alcance de exclusão de fatos geradores nos AI de obrigação principal do que nos de acessória. É nesse ponto que a tese do somatório das multas para verificação do dispositivo legal mais benéfico deve ser devidamente ajustada, de forma a refletir de forma mais acertada o alcance da legislação. Ou seja, para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que à luz da legislação superveniente, para os períodos alcançados pela decadência do lançamento do tributo, não é mais lançado qualquer valor a título de multa vinculada ao principal, restando somente a hipótese de lançamento de multa isolada. Dessa forma, entendo mais acertado, que, mantendose para obrigações acessórias a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, por aplicação da LEX MITIOR, para os Fl. 904DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 meses em que a multa pela ausência de informação foi calcula com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32A, inciso I, da lei 8212/91, com redação dada pela MP 449, convertida na lei 11.941/2009 face o principio da retroatividade benigna, em detrimento do limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar. É como o conselheiro votou na sessão de julgamento. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, RedatorDesignado AD HOC Fl. 905DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18470.729587/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OFENSA À GARANTIA DE SIGILO. LEI COMPLEMENTAR 105. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do Art. 1o, parágrafo 3o,, inciso V da Lei Complementar n. 105/2001, não constitui violação do dever de sigilo a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados.
Tendo sido os extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, inexiste qualquer possibilidade de discussão a respeito de eventual invalidade do acesso aos referidos dados pelos agentes fazendários.
ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL.
Restando perfeitamente demonstrado nos autos que a atividade principal da contribuinte era a de efetivo comércio varejista de mercadorias, a simples previsão genérica contida nos seus instrumentos societários não se mostra suficiente para a aplicação da alíquota de atividade de prestação de serviços, não tendo sido essa em momento algum comprovado pelos agentes da fiscalização.
Diante dessas considerações, indevida se mostra a aplicação do percentual de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento), sendo devida, assim, a utilização do percentual de apenas 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), nos termos do art. 532 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir o coeficiente de arbitrado aplicado de 38,4% para 9,6%.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES REGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OFENSA À GARANTIA DE SIGILO. LEI COMPLEMENTAR 105. INEXISTÊNCIA. Nos termos do Art. 1o, parágrafo 3o,, inciso V da Lei Complementar n. 105/2001, não constitui violação do dever de sigilo a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados. Tendo sido os extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, inexiste qualquer possibilidade de discussão a respeito de eventual invalidade do acesso aos referidos dados pelos agentes fazendários. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Restando perfeitamente demonstrado nos autos que a atividade principal da contribuinte era a de efetivo comércio varejista de mercadorias, a simples previsão genérica contida nos seus instrumentos societários não se mostra suficiente para a aplicação da alíquota de atividade de prestação de serviços, não tendo sido essa em momento algum comprovado pelos agentes da fiscalização. Diante dessas considerações, indevida se mostra a aplicação do percentual de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento), sendo devida, assim, a utilização do percentual de apenas 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), nos termos do art. 532 do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir o coeficiente de arbitrado aplicado de 38,4% para 9,6%. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Depósitos bancários Recorrente M.GUELD COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OFENSA À GARANTIA DE SIGILO. LEI COMPLEMENTAR 105. INEXISTÊNCIA. Nos termos do Art. 1o, parágrafo 3o,, inciso V da Lei Complementar n. 105/2001, não constitui violação do dever de sigilo a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados. Tendo sido os extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, inexiste qualquer possibilidade de discussão a respeito de eventual invalidade do acesso aos referidos dados pelos agentes fazendários. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Restando perfeitamente demonstrado nos autos que a atividade principal da contribuinte era a de efetivo comércio varejista de mercadorias, a simples previsão genérica contida nos seus instrumentos societários não se mostra suficiente para a aplicação da alíquota de atividade de prestação de serviços, não tendo sido essa em momento algum comprovado pelos agentes da fiscalização. Diante dessas considerações, indevida se mostra a aplicação do percentual de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento), sendo devida, assim, a utilização do percentual de apenas 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), nos termos do art. 532 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir o coeficiente de arbitrado aplicado de 38,4% para 9,6%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 95 87 /2 01 1- 22 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 2 (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 18470.729587/201122 Acórdão n.º 1301001.813 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, destaco: Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração, fls. 04/17, para cobrança dos seguintes tributos, relativos ao anocalendário de 2008: AUTO DE INFRAÇÃO De acordo com o Termo de Constatação de Infração Fiscal, fls. 270/281, durante a ação fiscal foram apuradas as seguintes infrações: 1) OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL – Depósitos bancários de origem não comprovada. Presunção de omissão de receitas caracterizada por valores depositados/creditados em contas correntes mantidas junto à instituição financeira, no anocalendário de 2008, cujas origens não foram comprovadas pela autuada, mediante documentação hábil e idônea, quando regularmente intimada. A autuação tem como base legal o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Consta, ainda, que foram expurgadas da base de cálculo as transferências de mesma titularidade, os estornos, os cheques e TED devolvidos, os movimentos de aplicações/resgates automáticos e ajustes de saldo. Também foi expurgado o total de vendas registradas na escrituração, no valor de R$ 331.611,67, para evitar a bitributação. Como não foi esclarecida a origem dos depósitos, impossibilitando o conhecimento da natureza da receita presumida, e que a autuada tem como objeto social tanto a atividade de comércio quanto à de serviço de representação, foi aplicada a alíquota mais elevada para determinação da base de cálculo (serviços – 32%), além da aplicação da multa aumentada pela metade (112,5%), em consonância com o artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96, com redação da Lei nº 11.488/2007, pela falta de esclarecimentos. Abaixo, tabela com os valores apurados: Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 4 2) RECEITAS DA ATIVIDADE – Receita bruta na revenda de mercadorias. Omissão de receita decorrente da revenda de mercadorias, considerando os valores lançados no Livro de Apuração do ICMS, Diário e Razão, uma vez que os valores declarados em DCTF não contemplam todo o período e que os que o foram não estavam perfeitamente calculados, conforme tabela a seguir: Os créditos tributários foram lançados, com a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo, com multa de ofício de 75%. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 18470.729587/201122 Acórdão n.º 1301001.813 S1C3T1 Fl. 4 5 Ainda, considerando que não foi apresentada a escrituração comercial de forma regular e não se podendo aferir a efetiva movimentação financeira e bancária, os créditos tributários foram apurados pelo Lucro Arbitrado. Com este procedimento, a tributação repercutiu sobre os percentuais aplicados, o que levou a constituição dos créditos tributários com a majoração de 20%, com a dedução dos valores já declarados, sendo cobrados com multa de ofício de 75%. A ciência do lançamento foi pessoal, em 22/11/2011. Inconformada, a autuada apresentou impugnação em 22/12/2011, fls. 364/371, com os seguintes argumentos: contesta a aplicação da alíquota de 32%, pois o fato de constar no objeto social a possibilidade em prestar serviços não significa que possua renda proveniente desta atividade, ou que a mesma seja exercida. as DCTF e o livros fiscais indicam que a atividade exercida é de comércio, tanto que foi apresentado o Livro de ICMS, e não o Livro de ISS. os poucos clientes que a fiscalização intimou confirmaram e apresentaram notas fiscais comprovando que a relação comercial é de compra de mercadorias, com pagamento por boleto bancário. contesta a aplicação da multa por ausência de esclarecimentos, já que a própria autoridade lançadora informa, no Termo de Constatação de Infração Fiscal que obteve informações da autuada. alega a quebra do sigilo bancário, mesmo que a própria tenha fornecido os extratos bancários, pois somente a prévia autorização judicial valida o acesso a informações protegidas. a autuada não poderia desobedecer a comando da autoridade pública cujos atos gozam de presunção de legitimidade, motivo pelo qual a entrega dos extratos não desfigura irregular violação dos seus dados bancários. finaliza pedindo a absoluta improcedência do lançamento, ou, caso não acatado, que seja aplicada a alíquota de 9,6% para determinação da base de cálculo. Apreciando as razões da contribuinte, concluiu a douta 5ª Turma da DRJ/RJ1 pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, apresentando, na ementa de seu Acórdão, o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO. CABIMENTO A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 6 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO ARBITRADO. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. O artigo 63 da IN nº 11/96 determina que, no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR LANÇADO SEM CORRELAÇÃO NOS EXTRATOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determina que será presunção de omissão de receita os valores depositados cuja origem não foi comprovada, devendo ser excluídos da base de cálculo aqueles que não estiverem discriminados nos extratos bancários. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. É procedente o lançamento para cobrança dos créditos tributários relativos às receitas da atividade registradas no Livro de Apuração do ICMS e informadas na DIPJ/2009. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. INTIMAÇÃO ATENDIDA. LANÇAMENTO COM BASE NAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. INAPLICABILIDADE. Não tem cabimento a majoração da multa de ofício quando o lançamento tem como base de cálculo as informações prestadas pela autuada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu Recurso Voluntário, aduzindo, em suas razões, o seguinte: Que a autoridade lançadora, desconhecendo as atividades próprias desenvolvidas pela recorrente, bem como, também, a natureza própria dos montantes depositados em sua conta bancária, teve por bem considerálos, todos, como decorrentes de operações de prestação de serviço, impondo como percentual para a apuração do lucro arbitrado, o importe de 32%. Que a aplicação do elevado percentual não possui qualquer sustentação, tendo em vista que apesar de constar nas disposições do contrato social da contribuinte a possibilidade de exercício dessas atividades, não significa que a empresa possua renda proveniente dessas atividades. Que de acordo com os registros constantes nas DCTF's apresentadas, a única atividade desenvolvida pela contribuinte é a de comércio de mercadorias, sendo, pois, completamente descabida a aplicação do percentual relativo à apuração de Prestação de Serviços. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 18470.729587/201122 Acórdão n.º 1301001.813 S1C3T1 Fl. 5 7 Que a previsão genérica contida no contrato social apenas aponta a "possibilidade" de atividades da contribuinte, o que, apesar de próprio na maior amplitude possível do empreendimento, nunca, entretanto, fora por ela efetivamente materializado. Que a recorrente sequer possui cadastro perante as autoridades competentes como de empresa prestadora de serviço. Que a recorrente somente exercia atividades comerciais, estando, inclusive, submetida à apuração e recolhimento de ICMS, conforme, inclusive, especificamente já constante nestes autos. Que, em decorrência da invalidade da apuração tomando como base o percentual relativo às empresas Prestadoras de Serviço, requer seja tal equívoco reconhecido por esta Turma, reduzindose o percentual para 9,6% que é o percentual aplicável às empresas que desenvolvem atividades de comércio de mercadorias, como ela. Sustenta a invalidade da "quebra de sigilo bancário", conforme recentemente noticiado como entendimento do Colendo STF. Que apesar de os documentos bancários terem sido por ela apresentados, entende como indevidos os procedimentos adotados pelos agentes da fiscalização. Diante disso, requer seja reconhecida a invalidade da quebra e, com isso, a desconstituição do lançamento. Em síntese, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 8 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Conforme aqui apontado, duas são as matérias apresentadas no Recurso Voluntário: i) A invalidade da aplicação da alíquota de 32% na apuração do Lucro Arbitrado, tendo em vista que, apesar de constar em seu Contrato Social a "possibilidade" de desenvolvimento de atividades de Prestação de Serviços, essas nunca foram por ela praticadas, sendo indevida a aplicação do referido percentual; e ii) a invalidade da quebra do sigilo bancário. Tendo em vista a prejudicialidade (em tese) da discussão a respeito da quebra do sigilo, entendo que esta deva aqui ser apreciada antes do outro apontamento. Vejamos: Da (alegada) invalidade do lançamento pela quebra do sigilo bancário A respeito do apontamento apresentado pela recorrente em relação à invalidade da quebra do sigilo bancário promovido pelos agentes da fiscalização, sustenta a recorrente que essa seria indevida, que o acesso às informações bancárias, segundo entende, somente seriam possíveis a partir da necessária atuação jurisdicional, o que, inexistindo nos presentes autos, fulminaria a validade de todo o procedimento, impondo a necessidade de desconstituição dos autos de infração lavrados. Ocorre que, em que pese todos os esforços empreendidos pela recorrente no sentido de ver aqui configurada qualquer invalidade, importante destacar que os documentos bancários (extratos) foram fornecidos aos agentes da fiscalização pela própria contribuinte, o que, a princípio, afasta qualquer discussão a respeito da apontada e pretendida quebra. A recorrente, entretanto, sustenta que somente entregou os referidos documentos após ter sido intimada e reintimada para tanto, promovendo a entrega como forma de impedir a imputação das gravosas penalidades apontadas pela legislação de regência, o que desnaturaria, assim, a concordância da contribuinte. Sem razão entretanto. A respeito desse apontamento da contribuinte, importante destacar que, acaso entendesse ela pela "ilegalidade" da exigência, deveria, ela então, suportar a exigência (com as consequências daí decorrentes) ou ainda, quando muito, buscar, ela própria, a providência judicial, pela via dos writs respectivos, o que, em momento algum se vê nos presentes autos. A alegação de invalidade, com toda a certeza, é apenas a demonstração do inconformismo da contribuinte, o que, com toda a certeza, não pode aqui ser admitido como suficiente para impor a invalidade do procedimento dos agentes da fiscalização. Ademais, conforme se verifica nas expressas disposições da atual Lei Complementar n. 105 Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 18470.729587/201122 Acórdão n.º 1301001.813 S1C3T1 Fl. 6 9 (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; (...) Nesses termos, tendo sido as informações prestadas pela própria contribuinte, não se há falar em qualquer possibilidade de configuração de quebra de sigilo bancário, da forma como aqui, então, por ela pretendido. Da invalidade da apuração do lucro arbitrado a partir da aplicação da alíquota de 38,4% (Serviços) Ultrapassada a mencionada questão prejudicial, cumpre agora, então, analisar as considerações da recorrente no que diz respeito à sua oposição à aplicação da alíquota de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento), decorrente da existência, nos registros de seus atos societários, da possibilidade de exercício de atividades de "Prestação de Serviços". Na análise promovida pela DRJ a respeito dessa matéria, especificamente, verifico que o cerne da questão está em admitir ou não como suficiente a previsão contida no contrato social da contribuinte a possibilidade de exercício de atividade de prestação de serviço é (ou não) suficiente para impor a aplicação da alíquota de 32% (e não apenas a de comércio de mercadorias, 9,6%), da forma como apontado. Vejamos: Também não merece acolhida a alegação de que caberia a redução da alíquota para 9,6%, pelos seguintes motivos. A autoridade fiscal considerou que, uma vez que constava no objeto social a atividade de representação comercial, toda a receita presumidamente omitida seria decorrente desta prestação de serviços, o que justificaria a determinação da base de cálculo dos tributos com a aplicação da alíquota de 32%, que, majorada em função do arbitramento, passaria para 38,40%. Este procedimento está amparado no artigo 63 da IN SRF nº 11/96, que assim determina: Omissão de Receita Art. 63. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 10 atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. (grifei) (...) Assim, para afastar a tributação com a alíquota mais elevada, caberia à autuada comprovar a atividade que deu origem às receitas omitidas. Como tal fato não ocorreu, correta a determinação do lucro arbitrado com aplicação da alíquota mais elevada, de 38,40%. De pronto, relevante observar que, ao contrário do que considerado no Auto de Infração, e, como se verifica, também indicado pela decisão da douta DRJ, não me parece que a a simples menção no Contrato Social da contribuinte da "possibilidade" de desenvolvimento de quaisquer atividades que, em ambiente de apuração do lucro por arbitramento, possase, já por isso, considerar a amplitude das atividades, sacando, dali, o percentual mais elevado a quaisquer das hipóteses previstas. Isso porque, pelo que vejo das normas de regência, a previsão diz respeito à possibilidade de aplicação do percentual mais elevado em relação às "atividades" desenvolvidas pela contribuinte, e não apenas teoricamente previstas. Essa matéria, devo destacar, já foi discutida nesta Turma em outra oportunidade, restando, inclusive, no judicioso voto do ilustre Conselheiro PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, assim então especificamente apontado: Número do Processo 15889.000448/200818 Contribuinte AGROINDUSTRIAL MACATUBA LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) Paulo Jakson da Silva Lucas Nº Acórdão 1301001.559 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. O lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, com a descrição dos fatos e legislação aplicável, e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 142, do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Se a contribuinte apresentou impugnação em tempo hábil e, com enfrentamento de todas as acusações fiscais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude e/ou simulação impõe a contagem do prazo decadencial a partir do Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 18470.729587/201122 Acórdão n.º 1301001.813 S1C3T1 Fl. 7 11 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL ARBITRAMENTO Demonstrada documentalmente a atividade de comércio atacadista de combustível, a base de cálculo do imposto pelo lucro arbitrado será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, acrescidos de vinte por cento. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase aos lançamento reflexos o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. No caso dos presentes autos, conforme destaca a contribuinte, extraise das informações constantes das DCTF's por ela apresentadas que, de fato, as atividades por ela exercidas eram exclusivamente as de comércio de mercadorias, não se mostrando suficiente, ao meu ver, a simples previsão genérica de eventual exercício de atividade de "Prestação de Serviço" como suficiente para impor a aplicação do percentual a ela relativo (32%) sobre todo o montante da receita identificada como omitida. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, admitindo, especificamente, a invalidade da aplicação do percentual de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento) na apuração dos montantes do arbitramento dos lucros, devendo, assim, ser considerada como atividade exclusiva desenvolvida pela contribuinte a de "Comércio de mercadorias", aplicando se, por força disso, a alíquota de 9,6%, nos termos do Art. 532 do RIR/99. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO
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Numero do processo: 10980.720505/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE OUTRAS ALEGAÇÕES.
A mera constatação de inexistência do saldo negativo utilizado na compensação declarada determina, de per si, sua não homologação, inviabilizando a apreciação de outras alegações relativas ao crédito, inclusive aquelas referentes a prescrição de valores de retenções de IRRF sofridas em anos anteriores e que não compuseram o ajuste do ano calendário em que teria sido apurado o saldo negativo pretendido
Numero da decisão: 1802-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos decide a turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE OUTRAS ALEGAÇÕES. A mera constatação de inexistência do saldo negativo utilizado na compensação declarada determina, de per si, sua não homologação, inviabilizando a apreciação de outras alegações relativas ao crédito, inclusive aquelas referentes a prescrição de valores de retenções de IRRF sofridas em anos anteriores e que não compuseram o ajuste do ano calendário em que teria sido apurado o saldo negativo pretendido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720505/200817 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.557 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE OUTRAS ALEGAÇÕES. A mera constatação de inexistência do saldo negativo utilizado na compensação declarada determina, de per si, sua não homologação, inviabilizando a apreciação de outras alegações relativas ao crédito, inclusive aquelas referentes a prescrição de valores de retenções de IRRF sofridas em anos anteriores e que não compuseram o ajuste do ano calendário em que teria sido apurado o saldo negativo pretendido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos decide a turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 05 05 /2 00 8- 17 Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA 2 Relatório Iniciouse o presente processo com a PER/DCOMP nº 11652.84537.141008.1.2.02.9240 apresentado em 14/10/2008, no qual foi pleiteado o reconhecimento do direito creditório no importe de R$ 210.548,55 apurado no ano calendário de 2003 e referente a saldo negativo de IRPJ. O pedido contido nesse mencionado PER/DCOMP foi de restituição. Na mesma data foi apresentado pelo contribuinte outro PER/DCOMP, de nº 38800.83302.141008.1.3.02.2047, no qual declara a compensação de diversos débitos com crédito referido no PER/DCOMP anterior. Em data de 01/12/2008, a Contribuinte recebeu intimação informando que o total do IRRF deduzido em sua DIPJ retificadora relativa ao anocalendário de 2003 importava em R$ 517.501,53, mas só teriam sido confirmadas retenções no valor de R$ 186.425,01, persistindo a diferença no valor de R$ 331.076,52. A contribuinte foi intimada a apresentar os comprovantes relativos às retenções não comprovadas pelos sistemas de informações da SRFB. Esses documentos foram apresentados. Mesmo assim, um pouco antes da apresentação dos referidos documentos, o Pedido de Restituição foi indeferido em 13/02/2009 e, consequentemente, não homologadas as compensações declaradas, pelo entendimento de não existir saldo negativo algum advindo de IRPJ referente ao anocalendário de 2003, conforme ratificado pela própria contribuinte em sua DIPJ/2004, que declarava saldo a pagar de imposto de renda da pessoa jurídica zero. Incidentalmente, o despacho decisório aduz que a pretensão da contribuinte ainda consistiu na tentativa de caracterizar seu crédito via o exercício de direitos conexos a créditos referentes aos anoscalendários de 1998, 2000 e 2001, que, inclusive, foram considerados prescritos antes do envio dos PER/DCOMP objetos deste processo. O despacho decisório deixa claro que a menção à prescrição é mais um argumento, posto ter o motivo principal do indeferimento da compensação sido a inexistência de crédito, como, repetiu, declarado na DIPJ retificadora (saldo zero). Devidamente cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em suma: Não ocorreu a prescrição do seu direito; Argumenta que seu saldo negativo é oriundo de acumulação de prejuízos ocorridos nos anoscalendários de 1998 a 2001, e que seus resultados eram refletidos no 4º trimestre de 2003 – objeto de retificação na DIPJ de 2004 – fato que teria afastado a alegada prescrição; Argumenta que o tributo em discussão é da espécie que se sujeita a lançamento por homologação e a extinção definitiva do crédito tributário não ocorreria com o pagamento, e sim, tão somente decorridos cinco anos da data de ocorrência do fato gerador. O V. Acórdão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por concluir que a compensação declarada no PER/DCOMP pressupõe a existência de saldo Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.720505/200817 Acórdão n.º 1802002.557 S1TE02 Fl. 3 3 negativo, restando inequívoca a constatação de que não existiria o saldo negativo que a Contribuinte pretenderia utilizar na compensação. Confirase fls. 1118: "Em suas alegações de mérito, a contribuinte limitase a tentar demonstrar que não teria ocorrido a prescrição de seu direito ã utilização de créditos "oriundos de uma acumulação de prejuízos ocorridos nos anoscalendário de 1998 a 2001 ao argumento de que "seus resultados refletiram 110 4' trimestre de 2003, que fbi objeto de retificacdo na DIPJ de 2004, fato este que afastou a alegada prescrição." (fls. 1.077). Enveredando por essa linha de argumentos, a contribuinte tangenciou o verdadeiro motivo determinante da nãohomologação, que é a constatação inequívoca de que esta contribuinte jamais apurou, no quarto trimestre do anocalendário de 2003, o saldo negativo que pretendeu utilizar nas compensações." E mais fls. 1841: "Para a perfeita compreensão da única controvérsia suscetível de ser travada nestes autos, constatase que a contribuinte apresentou o PER/DCOMP no 11652.84537.141008.1.2.029240 (fls. 0123), pleiteando a restituição de um crédito especifico: saldo negativo de IRPJ que teria apurado em 31/12/2003 quarto trimestre do ano de 2003, portanto, posto que submeteuse a tributação pelo regime trimestral. Em outras palavras, a contribuinte atribuiu ao seu crédito a natureza de saldo negativo de IRPJ. Pois bem, reconstituindo os fatos, verifico que a Intimação Seort — EQARC n" 186/2008 (f1s. 4243) foi elaborada quando se encontrava ativa a DIPJ n" 1326937, apresentada pela contribuinte em 14/10/2008 (fls. 35), cuja Ficha 12A se encontra reproduzida as fls. 3641. Nela, o quarto trimestre efetivamente apresentava de saldo negativo no importe de R$ 210.548,55 (lis. 41). Contudo, a apuração desse saldo negativo assentavase na utilização de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 573.484,55, superior, portanto, ao valor constante dos sistemas da RFB, que era de apenas R$ 186.425,01, conforme consta da intimação de fls. 42. A inexistência desses comprovantes, portanto, foi o motivo da intimação. Posteriormente, em 30/01/2009 (fls. 1.054), a contribuinte apresentou DIPJ retificadora em que apurou, para o quarto trimestre de 2003, saldo zero de IRPJ a pagar (fls. 1.0611.062), conforme referido no despacho decisório. Esse é, portanto, o verdadeiro motivo do não reconhecimento do direito creditório: a inexistência de direito creditório suscetível de ser reconhecido." RECURSO VOLUNTÁRIO O Contribuinte, em seu recurso de fls. 1134 e seguintes, repete tratarse de Pedido de Restituição formalizado por meio de PER/DCOMP nº 11652.84537.141008.1.2.02.9240 em 14/10/2008, no qual pleiteou o reconhecimento do crédito apurado em decorrência de retificação de sua DIPJ, tendo tomado por base os dados que compuseram a base de cálculo do saldo negativo de IRPJ, no 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 210.548,55. O Pedido de Restituição teria sido indeferido sob o argumento de que os créditos, embora reconhecidos pelo Contribuinte no ano calendário de 2003, estivessem Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA 4 relacionados aos exercícios de 1998 a 2001, estavam atingidos pela prescrição quinquenal, a teor das disposições contidas nos artigos 168 e 165 do CTN e Ato Declaratório SRF nº 96/99. O indeferimento ocasionou a não homologação das compensações operacionalizadas em relação aos processos nºs 10980.012897/200847 e 10980.012896/2008.01 e que foram formalizadas por meio da PER/DCOMP nº 3880.83302.141008. Entende o Contribuinte que o crédito é passível de restituição, uma vez que o montante relativo a IRRF, contestado pela Autoridade Fiscal, restou comprovado na anexação dos documentos comprobatórios de seu crédito (fls. 491052. Alega também o Contribuinte que a ausência de abatimento destes valores nos respectivos exercícios não poderia descaracterizar a existência do crédito. E, ao negar a existência de saldo negativo, o acórdão recorrido afirma que para provar a existência de referido saldo deveria o contribuinte ter promovido as retificações das DIPJ correspondentes aos anoscalendários de 1998; 2000 e 2001 para então posteriormente, o respectivo órgão julgador analisar a ocorrência de eventual direito de crédito por conta da prescrição. O Contribuinte, em seu Recurso, aborda também o tema da prescrição e defende a sua não ocorrência, aduzindo que o acórdão não poderia ter se valido dos artigos 165 e 168 do CTN e do Ato Declaratório SRF nº 96/99. Entende o Contribuinte que tem o direito à restituição das quantias pagas indevidamente conforme preceitua o artigo 165 do Código Tributário Nacional. Por fim, requer seja o Recurso Voluntário processado, a fim de que seja reformado o acórdão, e acolhido o Pedido de Restituição a fim de possibilitar ao final o reconhecimento do seu direito de repetir os valores pagos indevidamente em decorrência da não observância do saldo negativo do IRPJ, corrigido monetariamente, bem como sejam homologadas as Declarações de Compensações efetivadas aos Processos Administrativos nºs 10980.012897/200847 e 10980.012896/200801. Esse é o relatório. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10980.720505/200817 Acórdão n.º 1802002.557 S1TE02 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 26/10/2010 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 24/10/2010. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por Higi Serv Limpeza e Conservação LTDA., em face da decisão que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, e ratificou Despacho Decisório de não homologação da compensação requerida no PER/DCOMP nº 38800.83302.141008.1.3.02.2047. O motivo da não homologação foi a ausência de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2003. É verdade que, num primeiro momento, a Autoridade Fiscal intimou o contribuinte, via intimação Seort EQUARC nº 186/2008 para apresentação de documentação comprobatória de retenções de IRRF. Essa intimação foi elaborada quando se encontrava ativa a DIPJ nº 1326937 apresentada pelo Recorrente em 14/10/2008. Consta no quarto trimestre efetivamente declarado o saldo negativo no importe de R$ 210.548,55. Contudo, a apuração desse saldo negativo assentavase na utilização de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 573.484,55, superior, portanto, ao valor constante dos sistemas da RFB, que era apenas de R$ 186.425,01. A ausência dos comprovantes foi o motivo da intimação. Houve apresentação de declaração retificadora, que apresentou imposto de renda a pagar zero. Do exame dos autos e, considerandose a sucessão de PER/DCOMP e Declarações de IRPJ apresentados pelo Recorrente, extraise que este contribuinte somente poderia ter utilizado na compensação aqui apreciada o saldo negativo de IRPJ apurado em sua DIPJ que, repitase, por ocasião do despacho decisório, era zero. De se destacar que, conforme informação de fls. 1.114, em 12/07/2004, a Recorrente havia apresentado a DIPJ no 1197229 que apresentou IRPJ a pagar em valor zero. Essa DIPJ vigorou até o dia 14/10/2008, data em que a contribuinte Recorrente apresentou, além dos PER/DCOMP tratados neste PAF, a já mencionada DIPJ n° 1326937, ou seja, aquela em que apurou o saldo negativo de R$ 210.548,55 (fls. 41). Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA 6 Não se pode negar que no período de julho de 2004 até outubro de 2008, a contribuinte não tinha saldo de IRPJ relativo ao 4o trimestre de 2003, seja a recolher ou a pagar. Significa, portanto, que quando apresentou a DIPJ n° 1326937, em 14/10/2008, e nela inseriu o valor das retenções sofridas em anos anteriores, não o fez para compensar com algum débito existente até então. Esse não é o procedimento correto. Para fins de extinguir o débito do IRPJ do próprio período, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto nele apurado o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação. A legislação não previu a hipótese de se utilizar o valor das retenções apenas para gerar saldos negativos. Pelo contrário, o permissivo é para se deduzir do imposto apurado no período, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Assim, o valor das retenções poderá até contribuir para o surgimento de saldo negativo, mas não pode ser utilizado apenas com esse fim exclusivo, como pretendeu a contribuinte Recorrente. E, se o argumento decisivo é o da inexistência do saldo negativo a formar qualquer crédito, fica logicamente superada a questão da prescrição e/ou decadência que, aliás, foi invocada pela autoridade fiscal como "mais um" argumento, e não como causa determinante do indeferimento do exercício do direito do contribuinte de compensação. Por todo o exposto, entendo que não assiste razão ao Recorrente, e voto pelo não provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente o V. Acórdão da DRJ Curitiba, em todos os seus fundamentos. É o meu VOTO. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Numero do processo: 10746.721218/2013-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB.
O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP.
Numero da decisão: 3403-003.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 12 18 /2 01 3- 64 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 91, lavrado em 28/11/2013 (com ciência à empresa em 29/11/2013 fl. 2), para exigência de Contribuição para o PASEP relativa ao período de 02/2009 a 12/2011, no valor total de R$ 45832.192,63 (já com multa de ofício de 75% e juros de mora), por insuficiência de recolhimento, com fundamento no art. 1o da Lei Complementar no 8/1970, e nos arts. 2o, III, 7o e 8o, III da Lei no 9.715/1998. No Relatório Fiscal de fls. 10 a 15, narrase que: (a) a Lei Complementar no 08/1970 institui o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), com contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos Municípios; (b) a base de cálculo da contribuição foi apurada (conforme quadro demonstrativo Anexo I fls. 16 a 18), a partir das informações encaminhadas pela Secretaria de Fazenda (SEFAZ) do Estado do Tocantins, não se acatando as deduções de receita intituladas “91120000 + 91130000 + 972100000 TRANSFERÊNCIAS AO FUNDEB DEDUÇÕES”), pois o FUNDEB é fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica própria, previsto no art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), havendo permissão no art. 7o da Lei no 9.715/1998 apenas para deduções de valores transferidos a outras entidades públicas; e (c) são três as deduções não acatadas: (1) deduções de receitas para formação do FUNDEB incidentes nas arrecadações do IPVA, do ITCMD e do ICMS (conforme Solução de Divergência COSIT no 2, de 10/02/2009), (2) deduções de receitas para formação do FUNDEB incidentes nos repasses advindos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a título de Fundo de Participação dos Estados (FPE), já tendo havido retenção na fonte do PASEP, em 1% (conforme orientação do STN, e a mesma Solução de Divergência COSIT no 2/2009) e (3) deduções de receitas para formação do FUNDEB incidentes nos repasses advindos da STN, a título de IPIExportação e de ICMSDesoneração de Exportações, nos quais não houve retenção integral na fonte (o que não pode ser interpretado como desoneração). Em sua impugnação (fls. 530 a 547), o Estado alega que (a) o auto de infração decorre de equívoco do auditor que, ao determinar a base de cálculo da contribuição, deixou de considerar deduções legítimas de receita; (b) as desconsiderações não abrangem só as três rubricas apontadas pelo fisco em seu relatório, mas também as “TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL” (como transferências de convênios com a União) e “TRANSFERÊNCIAS CORRENTES” (como salárioeducação, FNDE e convênios); (c) em relação aos valores transferidos ao FUNDEB, o Estado tem o direito de deduzilos da base de cálculo da contribuição (cf. art. 7o da Lei no 9.715/1998), pois esses valores são repassados ao referido fundo para serem transferidos a outros entes (Municípios), e não pode haver bitributação (pois os entes que recebem incluem tais valores na base da contribuição), destacandose que o Estado calcula a contribuição sobre a parcela do FUNDEB que a ele retorna; (d) em fiscalizações anteriores o fisco considerou as deduções relativas aos valores transferidos ao FUNDEB (v.g. processo no 10746.000994/200517, com descrição às fls. 539/540 cópias às fls. 556 a 588, na qual foram expressamente, após comprovação, acatadas as mesmas deduções para o período de 2000 a 2005); (e) em relação aos valores das transferências correntes e de capital recebidas da União o Estado tem o direito de deduzilas (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998), cabendo à STN (responsável tributário) efetuar a retenção da contribuição devida; (e) em relação às transferências destinadas a Programas Educacionais e convênios não pode haver incidência da contribuição, porque são receitas vinculadas (destinadas à consecução de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10746.721218/201364 Acórdão n.º 3403003.655 S3C4T3 Fl. 983 3 objetivos específicos), tanto que foi incluído um § 7o, nesse sentido, ao art. 2o da Lei no 9.715/1998.; e (f) a multa aplicada é desproporcional e confiscatória (devendo, em caráter supletivo, ser reduzida ao patamar de 5%). Em 24/07/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 931 a 946), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) os recursos recebidos pelos Estados e destinados ao FUNDEB (que não é entidade pública) não podem ser excluídos da base de cálculo do PASEP do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal, não estando tal medida assegurada no art. 7o da Lei no 9.715/1998; (b) a matéria já foi amplamente analisada na Solução de Divergência COSIT no 2/2009 (revisada parcialmente somente na argumentação pela Solução de Divergência COSIT no 12/2011), cujo entendimento se adota no julgamento (transcrições às fls. 939/942); (c) não há bitributação, havendo somente um sujeito ativo a União, nem bis in idem, pois são distintos os fatos geradores e bases de cálculo; (d) o que restou decidido em outro processo não vincula o entendimento do fisco, podendo haver mudança de critério por parte da Administração, desde que em relação a fatos geradores futuros; (e) a retenção pela STN não descaracteriza o Estado como contribuinte , cabendo a este , ao final de cada mês, apurar ao valor a pagar, excluindo os valores retidos, destacando excerto do Parecer Normativo SRF no 1/2002 (referente a IRRF), e todas as retenções (obtidas por relatórios fornecidos pelo Banco do Brasil) foram deduzidas da autuação; (f) o § 7o do art. 2o da Lei no 9.715/1998 cria hipótese de exclusão, que não pode ser aplicada retroativamente; e (g) a multa aplicada encontra expressa previsão legal, não sendo a inconstitucionalidade oponível na esfera administrativa. Cientificada do julgamento de piso em 27/08/2014 (fl. 950), a empresa apresenta o recurso voluntário de fls. 957 a 974 (em 26/09/2014), basicamente reiterando as razões expressas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O tema central é o cabimento da exigência da Contribuição para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, disciplinada pela Lei no 9.715/1998, e regulamentada no Decreto no 4.542/2002, sobre o valor correspondente ao FUNDEB. O FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foi criado pela Emenda Constitucional no 53/2006 (que alterou o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF/1988), e está regulamentado pela Lei no 11.494/2007 e pelo Decreto no 6.253/2007, tendo substituído o FUNDEF, que vigorou de 1998 a 2006. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI 4 O FUNDEB corresponde basicamente a 20% dos recursos distribuídos entre Estados e Municípios, rateados proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de educação básica, sendo prevista ainda complementação por parte da União. Na autuação, esclarecese que os valores autuados correspondem às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas, cf. art. 2o, III da Lei no 9.715/1998, incluindo os valores recebidos pelo Estado destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e no do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Sobre a base de cálculo incide a alíquota de 1% prevista no art. 8o, III da mesma Lei no 9.715/1998, chegandose ao valor devido, do qual são deduzidos os valores correspondentes às retenções para o PASEP (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001) e os valores recolhidos mediante DARF. Assim estabelece a Lei no 9.715/1998, que rege a Contribuição para o PASEP: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 215835, de 2001) (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” Assim, o que o fisco fez foi adicionar às receitas correntes arrecadadas as transferências correntes e de capital recebidas. Obtendose a base de cálculo e aplicandose a alíquota legalmente prevista, o valor resultante foi subtraído dos pagamentos e das retenções efetuados. Apurada diferença, é exatamente a ela que se reporta o lançamento. As deduções não aceitas pela fiscalização são todas em relação a formação do FUNDEB: receitas para formação do FUNDEB incidentes nas arrecadações do IPVA, do Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10746.721218/201364 Acórdão n.º 3403003.655 S3C4T3 Fl. 984 5 ITCMD e do ICMS; receitas para formação do FUNDEB incidentes nos repasses advindos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a título de Fundo de Participação dos Estados (FPE); e receitas para formação do FUNDEB incidentes nos repasses advindos da STN, a título de IPI Exportação e de ICMSDesoneração de Exportações. Sobre as receitas arrecadadas parece não pairar dúvida. Contudo, é controversa a expressão “recebidas”, referente a transferências correntes e de capital. O Estado sustenta que não “recebe” integralmente os valores transferidos, pois parte deles é destinada compulsoriamente ao FUNDEB e rateada (entre Municípios e o próprio Estado). Assim, defende que deveria constituir base de cálculo da contribuição somente seu quinhão no rateio (após a ocorrência do efetivo rateio). Primordial ao deslinde do contencioso, assim, o texto do art. 7o da Lei no 9.715/1998, que esclarece o que são receitas correntes: “quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas”. E é incontroverso que o FUNDEB é um fundo contábil, e não uma entidade pública. Carente de amparo legal, assim, a exclusão da base de cálculo da contribuição em relação aos valores transferidos compulsoriamente ao FUNDEB. Nesse sentido o posicionamento já assentado em Soluções de Consulta (v.g. as de no 101, de 26/11/2009, e no 86, de 03/11/2011) e de Divergência (v.g. a de no 02, de 10/02/2009) da RFB e todas as decisões deste CARF nos dois últimos anos, proferidas unanimemente por diversas turmas desta Terceira Seção: PASEP. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS AO FUNDEB. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) não ostenta personalidade jurídica própria, razão pela qual não pode ser qualificado como “entidade pública” para a finalidade do art. 7º da Lei nº 9.718/98, não havendo previsão legal para sua exclusão da base de cálculo do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP. (Acórdão no 3401.002.897, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 25.fev.2015) (grifo nosso) PASEP. MUNICIPALIDADE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.VALORES RECEBIDOS EM TRANSFERÊNCIA DA UNIÃO E DESTINADOS À COMPOSIÇÃO DO FUNDEB. IMPOSSIBILIDADE. As transferências recebidas da União e destinadas a compor o Fundo de que cuida a Lei nº 11.494/2007 não são excluídas da base de cálculo da contribuição devida pelos Estados e Municípios por não ter o referido fundo personalidade jurídica própria, não se podendo equiparar às entidades mencionadas no art. 7º da Lei nº 9.715/98. (Acórdão no 3101.001.785, Rel. Cons. Rodrigo Mineiro Fernandes, unânime, sessão de 10.dez.2014) (No mesmo sentido outros acórdãos unânimes da mesma turma: no 3101001.655, 660 e 661) (grifo nosso) PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. FUS. As pessoas Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI 6 jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Os recursos recebidos pelos municípios e destinados ao FUNDEB e FUS não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. (Acórdão no 3202.001.061, Rel. Cons. Gilberto de Castro Moreira Junior, unânime, sessão de 29.jan.2014) (grifo nosso) PARCELA DOS REPASSES DESTINADAS AO FUNDEB. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o Pasep. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Não havendo norma infralegal vinculante e não sendo pacífica a interpretação e a aplicação da norma tributária no âmbito da Administração, é inaplicável o parágrafo único do art. 100 do CTN, que diz que a observância das normas complementares dentre as quais os atos normativos e as práticas reiteradas exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28) (Acórdão no 3801001.870, Rel. Cons. Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, unânime, sessão de 21.mai.2013) (grifo nosso) CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição. (Acórdão no 3201001.192, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D'amorim, unânime, sessão de 31.jan.2013) (grifo nosso) Esta Terceira Turma da Quarta Câmara apreciou o tema por duas vezes recentemente, decidindo no mesmo sentido, por maioria: BASE DE CÁLCULO. FUNDEF E FUNDEB. CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores destinados pelo município ao Fundef/Fundeb não podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep porque originários de receitas arrecadadas por outras entidades da administração pública e por falta de previsão legal, já que as exclusões permitidas contemplam as transferências efetuadas a outras entidades públicas, o que não é Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10746.721218/201364 Acórdão n.º 3403003.655 S3C4T3 Fl. 985 7 o caso desses fundos, que se constituem em meros fundos de natureza contábil, não possuindo personalidade jurídica. (Acórdão no 3403003.104, Rel. Cons. Alexandre Kern, maioria, vencidos os Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, sessão de 23.jul.2014) CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP. (Acórdão no 3403002.806, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, vencido o Cons. Ivan Allegretti que apresentou declaração de voto, sessão de 27.fev.2014) O assunto, assim, beira a possibilidade de ser sumulado no colegiado administrativo. Não há, assim, a percepção de que efetivamente esteja ocorrendo bis in idem, visto que a tributação se dá em ocasiões distintas (como esclareceu o julgamento de piso), cada qual regulada por dispositivo legal específico, que não pode ser afastado pelo tribunal administrativo em nome de eventual inconstitucionalidade (cf. Súmula CARF no 2). O fato de ter ou não sido efetuada retenção pela STN também não interfere na base de cálculo (não havendo aí a pretendida alteração na sujeição passiva). Isso porque a base de cálculo toma em conta o valor da contribuição a pagar pelo contribuinte (no caso, o Estado) e subtrai do que foi retido (pela STN). Assim, havendo retenção, há subtração. Não havendo retenção, não há valor a subtrair. No caso, a retenção legalmente prevista nitidamente não se constitui em uma alteração na sujeição passiva, como requer a recorrente. Em relação às transferências destinadas a Programas Educacionais e convênios com destinação específica (vinculadas), também não assiste razão à recorrente quando demanda aplicação retroativa do comando do § 7o ao art. 2o da Lei no 9.715/1998, incluído pelo art. 13 da Lei no 12.810, de 15/05/2013, em vigor desde 16/05/2013 (data de publicação do texto em diário oficial). Recordese que o período aqui analisado está compreendido entre os anos de 2009 e 2011. E a Lei no 12.810/2013 é clara (art. 35) sobre a data de início de sua vigência. Cabe ainda, por fim, endossar o entendimento do julgador de piso quando este afirma que o que restou decidido em outro processo (de data anterior, analisando períodos anteriores) não vincula o entendimento do fisco em casos futuros. Assim, faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PASEP o valor compulsoriamente transferido ao FUNDEB. Não há então carência de base legal na autuação, mas improcedência do recurso voluntário apresentado, por carência de fundamento legal para excluir os valores transferidos ao FUNDEB das receitas de que trata o art. 7o da Lei no 9.715/1998. Quanto à multa de ofício lançada, reflete exatamente o patamar legalmente determinado (75%), que não pode ser afastado em nome da razoabilidade, proporcionalidade ou não confiscatoriedade, conforme a já citada Súmula no 2 deste tribunal. Ademais, o Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI 8 argumento do Estado do Tocantins de que seria tal percentual de multa confiscatório (demandando a redução a 5%) parece fragilizar a credibilidade da própria codificação tributária daquele Estado, que aplica percentuais semelhantes e até maiores na exigência de multas decorrentes de não recolhimento de crédito tributário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10746.721218/201364 Acórdão n.º 3403003.655 S3C4T3 Fl. 986 9 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, A Lei no 9.715/1998 dispõe o seguinte: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Os dois dispositivos deixam transparecer a lógica da apuração da contribuição: computamse as receitas correntes e as transferências recebidas (sejam correntes sejam de capital) e deduzemse as transferências realizadas. A questão está em que, em relação às receitas recebidas, nem se cogita em distinguir de quem são recebidas, de maneira que tanto faz se são originárias diretamente de outra pessoa jurídica de direito público interno ou de um fundo, tampouco se questiona quanto à natureza do fundo de onde tenha sido originada a transferência. Em suma: todas as transferências recebidas são computadas na base de cálculo. Quanto às transferências realizadas, por sua vez, parece claro que a intenção do legislador foi a de permitir a sua dedução com a mesma amplitude, seguindo a mesma lógica. No entanto, a interpretação da Fiscalização e de alguns julgados deste Conselho tem sido tem sido no sentido de restringir a dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98 exclusivamente às transferências realizadas para outras pessoas jurídicas de direito público interno, recusando o mesmo efeito em relação às transferências realizadas para fundos, sob o argumento objetivo de que os fundos não possuem personalidade jurídica. Entendo que a Lei não ampara este entendimento. Para ser mais preciso, tal entendimento apenas se legitimaria nas situações específicas em que a transferência fosse destinada a um fundo integrante do orçamento da mesma pessoa jurídica de direito público. Mas nesta situação não se configuraria a hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI 10 Em linhas gerais, os fundos são instrumentos de administração financeira, utilizados para vincular determinados recursos para a aplicação em finalidades específicas. Segundo a doutrina, “tratase de um conjunto de bens e recursos, de titularidade de um certo sujeito. Portanto, o fundo é objeto de direito, não sujeito” (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 11. ed. Dialética, São Paulo: 2005, p. 30). Pode significar apenas a segregação de valores dentro do orçamento da pessoa jurídica de direito público. Mas pode tratarse, diferentemente, de um conjunto de recursos destacado do orçamento, ou seja, que não componha o orçamento, embora vinculado e submetido à administração de uma pessoa jurídica de direito público. No caso do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de que trata o presente caso, tratase de fundo vinculado à União. As transferências realizadas para o Fundeb, portanto, significam uma subtração da receita corrente e configuram transferência intergovernamental. Nada obstante não se trate de uma transferência intergovernamental típica que tenha nas duas pontas o orçamento de duas pessoas jurídicas de direito público , não pode haver dúvida de que há uma transferência, que deixam de pertencer ao Município e, embora passem a compor um fundo que não tem personalidade jurídica, isto não significa que passem a “ não pertencer a ninguém”, pois o referido fundo é vinculado à União. Por isso, a transferência de recursos realizada para um fundo vinculado a outra pessoa de direito público deve ter o mesmo tratamento de uma transferência realizada para outra pessoa de direito público, estando igualmente categorizadas como “transferências efetuadas a outras entidades públicas” para o efeito da dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98. Em reforço, devese atentar ao fato de que a mesma Lei faz diferença entre “pessoa jurídica de direito público interno” e “entidades públicas”, ficando claro que este último conceito não é tão restrito quanto o primeiro, abarcando “outras entidades públicas”. Como visto, embora o Fundeb não tenham personalidade jurídica, tratase de fundo vinculado à União, de maneira que os recursos remetidos para compor este fundo são operações que configuram transferências, as quais, se não são destinadas especificamente e diretamente para uma pessoa jurídica de direito público, são destinadas a “outras entidades públicas”, no caso, um fundo vinculado a outra pessoa jurídica de direito público. Tratase, outrossim, de uma questão de justiça e neutralidade, visto que os recursos acumulados no Fundeb retornarão aos Municípios do Estado então finalmente como transferência corrente , quando sofrerão a incidência da Contribuição ao Pasep na forma do art. 2o da Lei no 9.715/98. Entendo, enfim, que as transferências realizadas para o Fundeb, que é fundo vinculado à União, enquadramse na hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei no 9.715/98. É como voto. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10746.721218/201364 Acórdão n.º 3403003.655 S3C4T3 Fl. 987 11 Ivan Allegretti Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 11080.916566/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
Pedido de Compensação. Ônus da Prova.
O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.196
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 Pedido de Compensação. Ônus da Prova. O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Fl. 44DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A empresa citada identificada por IFORTIX INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA transmitiu declaração de compensação (Dcomp) em 20/01/2005, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, sendo que o valor total do pagamento é RS 8.660,27. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre pelo Despacho Decisório não reconheceu o direito pleiteado e não homologou a compensação declarada, afirmando que o DARF foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato. o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instância pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Con ribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados cm DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Impugnação Improcedente Fl. 45DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.916566/200975 Acórdão n.º 310201.196 S3C1T2 Fl. 41 3 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Aduz a recorrente, que tanto o órgão de jurisdição quanto o julgador de primeira instância não cumpriam o dever de investigar a liquidez e certeza dos créditos em que se fundaria o pedido de compensação litigioso. Quanto à alegação, é preciso recordar o que dizia o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, (original não destacado): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Como é possível perceber, a apuração do crédito, tarefa a ser empreendida pelo sujeito passivo nos termos do dispositivo transcrito, é o ponto de partida para formulação de declaração de compensação. Ora, compulsando os autos, o que se verifica é que não foi colacionado qualquer elemento que demonstre o indébito. Aliás, não foi trazido sequer um demonstrativo que discrimine quais foram os parâmetros utilizados para sua apuração. Com efeito, o sujeito passivo aduz que os pagamentos eram indevidos, de acordo com determinado norte jurisprudencial, mas não traz ao processo sequer elementos que permitam aferir se os fundamentos invocados seriam os mesmos que foram considerados para o afastamento da multa em outros processos. Noutro giro, levando a discussão para o plano processual, de acordo com o art. 16, III do Decreto nº 70.2351, de 1972, caberia ao sujeito passivo carrear ao processo os elementos respaldassem suas alegações. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 46DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Assim, considero prejudicada a discussão acerca do higidez da incidência de multa moratória sobre tributos recolhidos espontaneamente em atraso. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 47DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000815/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2005
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. No presente caso, seja pela regra do art. 150, §4o do CTN ou mesmo a do art. 173, I, do mesmo diploma legal, a decadência somente alcança as competências lançadas até 09/2000.
ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento.
MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento no que se refere às contribuições parte dos empregados, há de ser aplicado, no caso o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento todos as contribuições até 09/2000, face a aplicação da decadência qüinqüenal, c) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições patronais. d) no mérito, negar provimento ao recurso em relação a contribuição dos segurados.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2005 ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. No presente caso, seja pela regra do art. 150, §4o do CTN ou mesmo a do art. 173, I, do mesmo diploma legal, a decadência somente alcança as competências lançadas até 09/2000. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento. MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento no que se refere às contribuições parte dos empregados, há de ser aplicado, no caso o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. No presente caso, seja pela regra do art. 150, §4o do CTN ou mesmo a do art. 173, I, do mesmo diploma legal, a decadência somente alcança as competências lançadas até 09/2000. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento. MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento no que se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 15 /2 00 7- 83 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 refere às contribuições parte dos empregados, há de ser aplicado, no caso o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento todos as contribuições até 09/2000, face a aplicação da decadência qüinqüenal, c) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições patronais. d) no mérito, negar provimento ao recurso em relação a contribuição dos segurados. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 867 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos, respectivamente, por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL SA e a FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão de fls.780/798, que manteve parcialmente a NFLD N°. 37.014.2330, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados e da empresa incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal de fls. 70 que o lançamento fora realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n°. 01/2005, emitido em desfavor da recorrente em 23/03/2005, nos autos do processo n. 35462.002444/200469. Referido Ato Cancelatório cassou a isenção que usufruía a contribuinte desde 01/1998, por descumprimento do requisito constante no inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Além disso, também informou o ilustre fiscal autuante que o crédito tributário lançados encontrase com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n°. 10.510DF, pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, suspendendo o ato do Sr. Ministro de Estado do Previdência Social, que cancelava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, para o período. Por fim, apontou que foram considerados como fatos geradores das contribuições lançadas, a remuneração paga aos trabalhadores autônomos/contribuintes individuais, contabilizadas a título de "Serviços Prestados Pessoa Física", com base nos livros Razão. O lançamento compreende as competências de 01/98 a 16/09/2000, 17/09/2003 a 01/2004 e 03/2004 a 12/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). Às fl.s 642 fora determinada a realização de diligência para que a fiscalização pormenorizasse, em ordem cronológica de acontecimento, os fatos que deram ensejo ao lançamento. Em cumprimento assim apontou a fiscalização a ordem cronológica dos fatos que ensejaram o presente lançamento: 3.1 O primeiro Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (antiga denominação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS), obtido pelo Instituto Superior de Comunicação Publicitária ISCP, atual ISCP Sociedade Educacional S.A., manteve sua validade de 07/07/81 a 31/12/94. 3.2 A Resolução CNAS n 0 . 086/97 deferiu a renovação do primeiro certificado assegurandolhe a validade para o período de 01/01/95 a 31/12/97. 3.3 Em 05/01/1998, nos autos do Processo n°. 35462.000002/98 51, aentidade requereu o direito de isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 4 assim como das exigidas pela Lei Complementar n°. 84, de 18/01/1996. 3.4 Em 08/10/1998 a entidade teve seu pedido deferido, estando dispensada das referidas contribuições a partir de 01/01/1998, resguardado o direito do INSS de periodicamente verificar se a entidade continuava atendendo aos requisitos legais da Lei n°. 8.212/91, 3.5 A instituição não era portadora do CEAS no período de 01/01/98 a 16/09/2000 uma vez que o novo certificado só lhe foi concedido pelaResolução CNAS n0 . 181/2002. publicado no DOU de 16/12/2002, comvalidade de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.6 O Parecer MPS/CJ n 3.347/2004, publicado no DOU de 24/11/2004, deu provimento ao recurso interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no sentido de cancelar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pela Resolução CNAS n 0 .181/2002, de 10/12/2002, DOU de 16/12/2002, o que significa que a instituição deixou de ser portadora do CEAS também no período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.7 Com base no § 2 0 do art. 11 da Medida Provisória n. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS n 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 2 0 da Lei n. 11.096 de 13/01/2005. 3.9 A partir de 18/09/2003 não foi expedido nenhum CEAS para a entidade. 3.10 Em 23/03/2005 foi emitido o Ato Cancelatório n 01/2005 declarando cancelada a isenção das contribuições sociais, a partir de 01/01/98, por infração ao inciso II do art. 55 da Lei no. 8.212/91, combinado com o art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3.11 Posteriormente à emissão do Ato Cancelatório a entidade impetrou Mandado de Segurança no Superior Tribunal de Justiça, contra o ato do Senhor Ministro de Estado da Previdência Social que havia cancelado o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (MS n 10.510/DF 2005/00429090). Na referida ação judicial, em 28/03/2005, foi concedida liminar à Impetrante; suspendendo os efeitos do ato ministerial, razão pela qual a instituição teve a validade de seu certificado restabelecida, compreendendo o período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.12 Em 06/10/2005 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n°. 0926776700, para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, das contribuições por lei devidas a terceiros e dos requisitos de regularidade quanto à manutenção da isenção, período de janeiro/2000 a Agosto/2005. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 868 5 3.13 Durante a ação fiscal, foi detectado pelo contencioso que o período de 01/1998 a 16/09/2000 não está contido na liminar (MS n 10.510/DF, 2005/00429090). Assim, foi determinado o levantamento da cota patronal e a glosa da restituição efetuada no PT n°. 36624.005141/200192, com base no Ato Cancelatório n°. 01/2005, de23/03/2005, respeitando a suspensão de exigibilidade por força da medida judicial acima citada. 3.14 Em 26/1012006 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n°. 09267767C07, estendendo o período de apuração, de 01/2000 a 0812005, para janeiro/1998 a dezembro/2005. 3.15 Durante o procedimento fiscal foi constatado que a instituição não cumpridos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Foi emitida uma Informação Fiscal sugerindo o cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias, o que deu origem ao Processo 44023.0001411200714 (cópia anexa). Ao final de referido resultado de diligência, o fiscal manifestouse, ainda, pela retificação, em algumas competências, dos valores originários lançados, conforme anexo de fls. 668/677. Intimada, a recorrente não se manifestou quanto resultado da diligência, mas apenas reiterou os argumentos de impugnação e requereu a aplicação da Súmula 08 e o art. 150, 4o do CTN ao caso. Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas à competências de 01/01/98 a 15/09/2000, em razão do reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN. Nas demais competências o crédito foi retificado conforme manifestação e planilhas elaboradas pela Fiscalização juntadas aos autos (fls.660/673). Em seu recurso, a contribuinte sustenta ser indevida a expedição do Ato Cancelatório 01/2005, pois o suposto descumprimento do inciso II, do artigo 55, da Lei n. ° 8.212/91, teria ocorrido no período de 1998 a 2000 e a fazenda visa a cobrança de débitos tributários com fatos geradores de 2000 a 2003. Acresce que o Ato Cancelatório é genérico, pois não aponta o período do descumprimento da exigência legal tida por inobservada. Diante do ato ilegal praticado pelo Ministro de Estado da Previdência Social, qual seja o cancelamento do CEAS que resultou na expedição do Ato Cancelatório 01/2005, o recorrente impetrou mandado de segurança com pedido de medida liminar, MS n.° 10.510DF, em 22 de março de 2005, tendo em vista que o ISCP não necessitaria renovar trienalmente seu certificado, ao fazer jus ao direito adquirido, sendo que tal procedimento era efetivadoapenas por cautela. Que teve o restabelecimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095), não havendo que se falar em ausência do descumprimento do requisito legal constante no relatório fiscal da infração. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 6 Aduz que entendimento do v. acórdão de primeira instância, no sentido de que o restabelecimento do CEAS para o período do lançamento fiscal em comento: 18/09/2000 até 17/09/2003 somente teria eficácia a partir da legislação que instituiu o referido Programa é absurdo e merece ser reformado, pois, se assim fosse, não haveria qualquer benesse para as empresas que aderissem ao programa, na medida em que não se pode requerer renovações de certificados que foram ANTERIORMENTE indeferidos, se os mesmos somente teriam eficácia após vigência da Lei do PROUNI. Que além do deferimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, teve também deferido a seu favor o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) para o período em razão da Medida Provisória n.° 446, de 2008. Que a Lei n.° 12.101 de 2009 editou lei tributária mais benéfica, que impõe expressamente que o direito a isenção/imunidade a contribuições sociais (artigo 195, §7º, da Constituição da República) , quando suspenso ou cancelado em razão de descumprimento da legislação, deve ter como data inicial o da infração, além de demonstrar o período (competências) em que tal infração ocorreu, não podendo ser descrito de forma genérica, conforme ocorreu no presente caso. Consoante exaustivamente demonstrado em sua impugnação, em estrito cumprimento às legislações pertinentes, o recorrente cumpriu com todos os requisitos exigidos para fazer jus à imunidade às contribuições sociais, possuindo direito adquirido à fruição da isenção. Que foi expedido em seu favor Ato Declaratório de Isenção, quando foi devidamente reconhecida como entidade imune às contribuições sociais, pelo próprio INSS, em 8 de outubro de 1998, declarando que o ISCP cumpriu integralmente com as condições do artigo 55, da Lei n.° 8.212, de 1991, estando dispensada das referidas contribuições, a partir de 01/98. Equivocouse, portanto, a Douta Delegacia de Julgamento ao afirmar nos lançamentos fiscais que no período de 01/01/98 a 16/09/2000 não possuía o recorrente o certificado, vez que o próprio então INSS, nesse período, emitiu ato declaratório de isenção em seu favor. Que o Ato Cancelatório n.° 01/2007 trata de matéria diversa daquela objeto do presente processo, não podendo ser considerado como fundamento apto a determinar a cassação de sua isenção. Que os efeitos dos Atos Cancelatórios não podem retroagir a fatos geradores passados, mas apenas a partir da data em que são emitidos. Que o MS impetrado junto ao STJ ainda não transitou em julgado, de modo que ante a inexistência de decisão definitiva, não há que se falar na possibilidade de adoção dos fundamentos ali tomados como razões de decidir para manter o lançamento. Por fim, pretende o reconhecimento da decadência do lançamento com base no art. 150, 4o do CTN. É o relatório. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 869 7 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o julgamento de primeira instância exonerou a recorrente do pagamento de crédito tributário contra si lançado em valores superiores a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), tenho como preenchidos os requisitos da Portaria MF 03/08, motivo pelo qual conheço do recurso de ofício. E, tempestivo o voluntário, dele também conheço. DO RECURSO DE OFÍCIO Decadência Conforme se percebe do julgamento de primeira instância, a recorrente fora exonerada de crédito tributário em decorrência do reconhecimento da decadência pela aplicação do art. 173, I do CTN uma vez que sobre os valores lançados não fora verificada a ocorrência de pagamento. Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 8 direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. E, no caso dos autos, o acórdão de primeira instância vislumbrou, a partir da análise do DAD – Discriminativo Analítico do Débito, a inexistência de pagamentos, seja relativamente a parte patronal e da parte de empregados, de modo que, em seu entendimento, em não havendo pagamentos, fora determinada a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN. Por tais motivos, entendo que o julgado, sob tais aspectos não merece reparos, tendo em vista tratarse de entendimento próprio da primeira instância. Logo, nego provimento ao recurso de ofício. Passo então, a análise do Recurso Voluntário apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO Decadência Por outro lado, a parte interessada aponta a existência de pagamentos, o que confirmo a partir da verificação do TEAF, onde foram apropriadas guias de pagamento. A propósito, cito jurisprudência deste conselho que ampara tal entendimento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 870 9 publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, verificados no relatório termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF. Embargos Rejeitados. (Acórdão 2403001.890, Rel. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Sessão de 20/02/2013) No entanto, no presente caso, seja pela regra do art. 150, §4o ou do art. 173, I, ambos do CTN, fato é que, a decadência somente alcança as contribuições lançadas até a competência 09/2000, sendo, pois, declarados extintos tais valores. Nulidade do Lançamento Refiscalização Na oportunidade da sustentação oral, o patrono da recorrente argüiu a nulidade do lançamento em razão de que, diante das determinações da DRJ quanto aos motivos que ensejaram o lançamento, em verdade houve a formalização de novo lançamento e não a mera complementação do relatório fiscal original. E trouxe tal matéria, sob o argumento de tratarse de matéria de ordem pública, que poderia ser enfrentada por este colegiado, mesmo sem ter sido argüida no recurso. Todavia, sem qualquer manifestação acerca do pedido formulado, seja mesmo quanto a se tratar de matéria de ordem pública, valhome nesta oportunidade do disposto no art. 59, §3o do Decreto 70.235/72, a seguir, por entender que o mérito do recurso voluntário deve ser julgado em favor da recorrente. Confirase: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Dessa forma, passo ao mérito. MÉRITO Inicialmente, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 10 fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. E assim preceitua o dispositivo legal cujo requisito não fora observado pela recorrente: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). [...] II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). Defende, sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). E assim dispõe referido artigo de Lei: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 871 11 Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3oe no inciso II do caput e §§ 1oe 2odo art. 7odesta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: III gozar do benefício previsto no § 3odo art. 7odesta Lei. [...] § 2oAs entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata oart. 55 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991. § 3oO Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória no 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: 3.7 Com base no § 2o do art. 11 da Medida Provisória n. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS n 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 12 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 2o da Lei n. 11.096 de 13/01/2005. Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: CERTIFICAMOS que a entidade protocolou pedido de renovação do CEAS peio processo 71010.0009351200376, formalizado ern 15/09/2003, o qual aguarda análise. CERTIFICAMOS finalmente que a entidade requereu novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, pelo processo 71010.0004371200595, com adesão a Lei do PROUNI, a qual foi Deferido, pela Resolução n° 49/2005 de .17/03/05, DOU 30/03/2005 . ficando a validade assegurada de 18/09/2000 a 17/09/2003.///////////////////////////////////////ESTA CERTIDÃO E VALIDA POR SEIS MESES A PARTIR DA DATA DE SUA EXPEDIÇÃO Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Da renovação do certificado no período de 2003 a 2006. Outro ponto que necessariamente deve ser analisado por esta Turma referese aos argumentos da recorrente no sentido de que também era possuidora do CEAS válido para o triênio posterior ao período de 09/2003. E justifica sua afirmação em razão de que o certificado antes concedido fora renovado, em tal caso, pela Medida Provisória n.° 446 de 07 de novembro de 2008. Mister elucidar que sobre o assunto o art. 39 da Medida Provisória 446 de 2008 assim preceituava: Art.39. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Assim, todos os pedidos de renovação do CEAS protocolados e que ainda estavam pendentes de análise foram considerados como automaticamente deferidos quando da publicação de referida medida provisória. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 872 13 E diante de tal preceito legal, aponta a recorrente que em fevereiro de 2009 fora publicada a Resolução CNAS n. 11/09, deferindolhe a renovação do CEAS para o período de 09/2003 a 09/2006, cujo teor segue transcrito: RESOLUÇÃO N.° 11, DE 9 DE FEVEREIRO DE 2009 Publica os DEFERIMENTOS dos pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social das entidades abaixo relacionadas, na forma do art. 39 da Medida Provisória n' 446, de 7 de novembro de 2008. 0 CONSELHO NACIONAL DE ASSISTENCIA SOCIAL, no uso da competência que lhe confere o artigo 18 da Lei n.'8.742, de 07 de dezembro de 1993 Lei Orgânica de Assistência Social LOAS e, CONSIDERANDO a Medida Provisória n.' 446, de 7 de novembro de 2008 que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, publicada no Diário Oficial da União em 10 de novembro de 2008; CONSIDERANDO o Parecer da C71MDS n.° 1.76512008 e relato do Grupo de Trabalho de Transição Gerencial instituído pela Resolução CNAS n.° 7912008, que trataram de procedimentos a serem adotados em relação às disposições transitórias dos artigos 36, 37, 38 e 39 da Medida Provisória n.' 44612008, aprovados em Reunião Plenária realizada nos dias 10 e 11 de dezembro de 2008; CONSIDERANDO a orientação da Comissão de Normas aprovada pela Plenária do CNAS em Reunião dias 30 e 11 de dezembro de 2008, adota as providências observando a ordem dos processos. RESOLVE: Art.1` Publicar os DEFERIMENTOS , na forma do disposto no artigo 39 da MP n. 2 44612008, dos pedidos de RENOVAÇÃO de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, com respectivas validades, que são objeto de pedido de reconsideração ainda não Julgados pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, até a data da publicação da Medida Provisória n.' 446, de 7 de novembro de 2008, relativos às (321 ) entidades abaixo relacionadas , considerando a ordem dos processos: [...] 230) INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA CNPJ: 62.596.408/000125 SÃO PAULO SP processo de reconsideração n.2 71010.0022101200746 processo de referência n.2 71010.0004351200376 Período de validade desta renovação: 18/09/2003 a 17/09/2006 — Area de Atuação: EDUCAÇÃO. Em face de tais constatações, vejo, mais uma vez, que o fundamento adotado pela fiscalização para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias não se Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 14 sustenta, na medida em que a condição de não possuidora do CEAS não mais se verifica, pois sua renovação fora deferida em decorrência de autorização legal expressa. Não obstante a MP 446/2008, tenha perdido a eficácia, a Constituição Federal prevê tal ocorrência e sua conseqüência, no artigo 62, na redação dada pela Emenda Constitucional nº32/2001, no seguinte sentido: Art. 62 Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (...) §3ºAs medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, senão forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período,devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo,as relações jurídicas delas decorrentes. (...) §11Não editado o decreto legislativo a que se refere o §3ºaté sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. Também valhome de entendimento já emanado sobre o assunto pela própria AGU, através da Nota DECOR/CGU/AGU N. 180/2009JGAS, abaixo transcrita: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008. REJEIÇÃO. EFEITOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACESSO A BENEFÍCIO FISCAL. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE EDIÇÃO DE DECRETO LEGISLATIVO. PREVALÊNCIA DAS RELAÇÕES JURIDICAS. 1. A referida Medida Provisória rejeitada intentou modificar os procedimentos a serem seguidos pelas entidades interessadas no acesso ao benefício fiscal de que trata o art. 195, par. 5º, da Constituição Federal, estabelecendo novos procedimentos para a concessão de isenção de contribuições previdenciárias e para a outorga do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas). 2. O Congresso Nacional, ao rejeitar a Medida Provisória nº 446/08, não editou o decreto legislativo disciplinando as relações jurídicas dela decorrentes, conforme preconiza do art. 62, par. 3º, da Constituição Federal. 3. Como consequência, é forçoso reconhecer a incidência do art. 62, par. 11, da Constituição Federal, que estabelece que não editado o decreto legislativo a que se refere o par. 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. 4. As relações jurídicas que se formaram sob a égide das regras previstas nos arts. 37, 38, 39, 40 e 41 da Medida Provisória nº 446/08, bem como aquelas decorrentes de atos praticados pela Administração Pública Federal durante o seu período de vigência, continuarão sendo regidas pela citada Medida Provisória. 5. As normas que instituem órgãos e pessoas jurídicas ou alteram suas atribuições não estabelecem relações jurídicas entre sujeitos de direito e por Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000815/200783 Acórdão n.º 2401003.877 S2C4T1 Fl. 873 15 isso não têm sua atividade preservada pelo art. 62, par. 11, da CF/88. Ainda sobre o assunto, também entendendo pela necessidade de improcedência do lançamento pela falta do CEAS, quando referido documento veio a ser renovado pela MP 446/08, cito os seguintes acórdãos deste Eg. Conselho: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/11/2007a31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS tem caráter declaratório vide Parecer PGFN/CRJ/2132/2011, retroagindo seus efeitos desde o protocolo de requerimento. Demonstrado que o período autuado encontrase albergado por CEBAS posteriormente emitido, deve ser afastado o lançamento efetuado por este único fundamento. Recurso Voluntário Provido (Acórdão 2803004.021, Rel. Conselheiro Oseas Coimbra, Sessão de 22/01/2015) Assim, do mesmo modo que para o período de 09/2000 a 09/2003, entendo que a recorrente possui certificado válido para o período de 09/2003 a 09/2006, motivo pelo qual, a meu ver, resta insustentável o lançamento efetuado. Em face do entendimento supra abarcar a totalidade do período objeto do presente lançamento, tão somente no que se refere às contribuições parte da empresa, destinadas a terceiros e ao financiamento do GILRAT, tenho por prejudicados os demais argumentos trazidos no recurso voluntário que dizem respeito à matéria. Passo, portanto, a analisar a incidência das contribuições previdenciárias parte dos empregados. Contribuições parte dos empregados Sobre o assunto, da análise do recurso voluntário apresentado e da própria impugnação, vejo que a recorrente não se insurgiu contra o lançamento de referida rubrica, o que, a meu ver, torna o lançamento incontroverso no que se refere às contribuições parte dos contribuintes individuais. Cito, a propósito, o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Logo, o lançamento, sobre tal rubrica deve ser mantido, à exceção das competências tidas por decadentes. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, e, quanto ao recurso voluntário, reconhecer a decadência das contribuições parte da empresa e dos empregados lançadas até as competências 09/2000 e, no Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 16 mérito, em DARLHE PROVIMENTO, tão somente, para julgar totalmente improcedente o lançamento quanto às demais competências lançadas relativamente às contribuições parte da empresa, destinadas ao financiamento do GILRAT e a terceiros, mantidas, no mais, as demais competências não decadentes de contribuições parte dos segurados. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/05/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
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Numero do processo: 10630.720189/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
Prazos. Intempestividade.
Não se toma conhecimento de recurso interposto após o prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-01.212
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, face à sua intempestividade.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro - Ad Hoc
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Intempestividade. Não se toma conhecimento de recurso interposto após o prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, face à sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O interessado transmitiu Pedido Ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo – mercado externo, relativo ao 4º trimestre de 2005, no valor de R$ 1.796 (fls 09 e seguintes); AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 89 /2 00 6- 91 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Posteriormente transmitiu a DCOMP de fls. 49/52, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito acima citado. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece o direito creditório no valor de R$ 1.705,12 e homologa parcialmente a compensação pleiteada (fls. 248 e seguintes); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 279 e seguintes), na qual, inicialmente apresenta a si própria, fala do cooperativismo, dos créditos e da nãocumulatividade da contribuição, para depois alegar que: a) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; b) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; c) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720189/200691 Acórdão n.º 3102001.212 S3C1T2 Fl. 451 3 Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, relator do feito, bem assim de que, até o presente momento, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para essa tarefa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Ad Hoc Penso que o recurso não pode ser conhecido. De fato, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 374, a recorrente foi intimada da decisão recorrida em 20 de fevereiro de 2009, sextafeira. Como é cediço, o prazo para interposição do recurso está previsto no art. 33, que deverá ser computado nos termos do art. 5º do Decreto no 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim sendo, considerando que, após a ciência, em face do carnaval, o primeiro dia de funcionamento regular do órgão preparador foi a quintafeira 26/02, a data limite para apresentação do recurso voluntário seria o dia 27 de março de 2009. Ocorre que a recorrente só apresentou o presente recurso no dia 02 de abril de 2009, conforme protocolo à fl. 375. De se acrescentar, finalmente, que a perempção foi consignada no despacho à fl. 425, lavrado pela repartição de origem. Sendo o recurso extemporâneo, voto no sentido de não conhecêlo. Sala das Sessões, em 2 de setembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13819.003859/2003-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto e Otacilio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 38 59 /2 00 3- 59 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de recurso especial (fls. 416 a 424) apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, com fulcro no art. 50, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16/03/1998, contra decisão não unânime consubstanciada no Acórdão n° 10708.788 (sessão de 18 de outubro de 2006), fls. 402/413, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio agravada de 225% para 150%. O RE foi admitido através do Despacho nº DEF10714102766, de 02/05/2008, segundo o qual: Tratase de auto de infração referente a crédito tributário decorrente do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) e autuação reflexa de CSLL, com formalização de Representação Fiscal para fins penais. O acórdão desafiado, na parte que interessa considerou incabível a qualificação da multa de oficio, quando o contribuinte não exibe à fiscalização os meios magnéticos que amparariam sua tributação com base no lucro real. Pelo fato de o imposto ter sido apurado por arbitramento, não seria possível a aplicação do agravamento da penalidade, sendo inaplicável a majoração da multa de oficio de 150% para 225%. Mantido o agravamento de 150% em face da conduta fraudulenta. O recorrente, na petição apresentada, assevera haver incompatibilidade do r. acórdão com a lei, mais especificamente o § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Sendo assim, estando atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do Recurso Especial e demonstrada a situação definida no § 1º do art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, no uso das prerrogativas regimentais que me são conferidas, DOU SEGUIMENTO ao requerido pelo Procurador da Fazenda Nacional. A recorrida apresentou contrarrazões às fls. 433/442, as quais serão lidas em plenário. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso especial fazendário, interposto contra decisão não unânime em contrariedade à lei ou às provas dos autos encontra guarida no então vigente art. 50, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16/03/1998, merecendo ser conhecido. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 A questão em causa reportase à exoneração do agravamento da multa de ofício imposta por embaraço à fiscalização, no curso da ação fiscal, porquanto a fiscalizada não teria atendido aos reiterados pedidos de apresentação de livros e documentos obrigatórios pela legislação de regência, ensejando, assim, a apuração do seu lucro por arbitramento e a consequente lavratura do auto de infração. Consta da Peça Básica, como descrição dos fatos, que o arbitramento se fez em face de a fiscalizada não manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. A propósito e com todas as vênias, acho que não assiste razão à recorrente, por entender que os motivos elencados como ensejadores do arbitramento do lucro realmente se prestam como tal, o mesmo não podendo ser dito quanto a esses mesmos motivos serem suficientes à necessária justificação do agravamento da multa de ofício, por embaraço à fiscalização. Não consta dos autos que a recorrida tenha, de alguma forma, tentado impedir, retardar ou obstaculizar o andamento normal dos trabalhos da autoridade fiscal, mesmo porque os valores que serviram de base ao arbitramento foram extraídos dos seus próprios registros contábeis disponibilizados à fiscalização desde o início da ação fiscal, embora incompletos ou desacompanhados de elementos complementares que, pela sua falta, levaram ao arbitramento em causa. Sem embargo, os reiterados e não satisfeitos pedidos de apresentação dos elementos e documentos faltosos não podem ser entendidos como deliberadamente causados com o intuito de dificultar os trabalhos da fiscalização, mas como suficientes para justificar o arbitramento do lucro que, se efetuado sem essas necessárias intimações e concessão de prazos, poderia ser infirmado pelo óbvio motivo de não lhe ter sido dada a oportunidade e o prazo necessários para o cumprimento do desiderato. Esse é o entendimento que tem prevalecido nos julgados levados a efeito por este órgão do contencioso administrativo, consoante se extrai dos arestos citados pela recorrida nas suas contrarrazões, assim ementados: Acórdão nº 10323005, sessão de 26/04/2005. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Não é suficiente para justificar o agravamento da multa de oficio (Lei n. 9.430/96, art. 44, 2°) a circunstância de o contribuinte ter deixado de apresentar à fiscalização os livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória. Tal circunstância — quando desacompanhada de expressa recusa do contribuinte ou mesmo de embaraços ao procedimento de fiscalização — autoriza o arbitramento do lucro, mas não o agravamento da multa de oficio para 112,5% do tributo lançado. Acórdão nº 10194147, sessão de 19/03/2003. LANÇAMENTO DE OFÍCIO — AGRAVAMENTO DA MULTA Incabível o agravamento da multa de oficio de 75% para 112,5%, quando o contribuinte não exibe à fiscalização os livros comerciais e fiscais que amparariam sua tributação com base no Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 lucro real e que foi motivo de arbitramento do lucro por parte da autoridade lançadora. Também nesse sentido decidiu a 2ª Turma da CSRF no Acórdão nº 9202 002.839, sessão de 08/08/203, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Exercício: 2002,02003 Esta 2ª Turma da CSRF firmou entendimento no sentido de que para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorr eu no presente caso. Por bem abordar o tema, peço vênia para transcrever excertos da Declaração de Voto que instruiu o Acórdão nº 9101001.487, sessão de 25/10/2012 desta 1ª Turma da CSRF, no processo administrativo nº 10730.005550/200385, da lavra do i. Conselheiro João Carlos de Lima Junior, conforme segue: (...). O entendimento por mim adotado segue no sentido de que a majoração, no caso, não deve prevalecer, pois não ficou caracterizada situação de recusa de atendimento à intimação fiscal que motivasse o agravamento da multa. A base legal para a imposição da penalidade foi o § 2°, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela lei 9.532/97, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta lei. A partir da redação do artigo transcrito notase que a lei pretendeu restringir os casos para aplicação da penalidade em discussão, elegendo as três hipóteses dispostas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do artigo 44, §2º, da lei 9430/96. Assim, não há previsão legal para sua imposição nos casos de não apresentação de documentação nos termos solicitados pela fiscalização. Para melhor elucidação vale analisar as situações passíveis de agravamento da penalidade trazida pelo artigo 44, conforme segue. Primeiramente, quanto à prestação de esclarecimento prevista na alínea “a” do artigo transcrito, temse que consiste em tornar claro ou compreensível Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 5 determinado fato. O conhecimento do fato é pressuposto para que sobre ele sejam prestados esclarecimentos. Desse modo, a prestação de esclarecimento não se confunde com a entrega de documentos contábeis, isto porque na primeira situação o fato já é conhecido pela autoridade fiscal e sobre ele são esclarecidas dúvidas específicas e, diferentemente, na segunda situação o fato não é conhecido, razão pela qual é necessária a análise dos livros para constatação de suposta infração. Notase, ainda, que a legislação apresenta rol taxativo de documentos que, se não entregues no prazo estipulado na intimação, autorizam o agravamento. A alínea “b” remete aos artigos 11 a 13 da lei 8.218/91 que tratam da necessidade de manutenção de arquivos magnéticos pelas pessoas jurídicas que utilizarem sistema de processamento eletrônico para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar de livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. E a alínea “c” remete ao artigo 38 da lei 9.430/96, o qual prevê que “o sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada”. Nesse ponto, cumpre salientar que não consta nos autos informação acerca da utilização ou não pelo contribuinte do sistema de processamento eletrônico. Ora, se o objetivo da lei fosse abranger a falta de entrega de qualquer documento, sua redação original, a qual era genérica, não seria alterada pela lei 9.532/97, que trouxe nova redação ao artigo, limitando a possibilidade de interpretação a partir das indicações especificas das alíneas “b” e “c”. Transcrevo a redação original do artigo: § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. O artigo 44, §2º, da lei 9430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, é exaustivo e não permite a interpretação extensiva pelo aplicador da lei, já que estabelece uma penalidade. Desse modo, em vista do intuito da legislação, o agravamento é previsto para os casos em que o contribuinte impede ou dificulta o exercício da fiscalização pela autoridade competente, em razão de não atendimento, no prazo marcado, de intimação para (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar arquivos magnéticos (pessoas jurídicas que utilizarem sistema de processamento eletrônico) de registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, de escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal e (iii) documentação técnica e completa e atualizada do sistema de processamento de dados. No caso dos autos tanto os sócios de direito quanto os sócios de fato deixaram de apresentar os livros contábeis e fiscais. Tal situação justificou a inversão do ônus da prova, permitindo a presunção de que os valores movimentados nas contas bancárias do contribuinte são receitas e autorizou a autuação pelo artigo 42 da lei 9430/96. Ademais, a não apresentação de livros contábeis e fiscais por empresa tributada pelo Lucro Presumido caracteriza a infração capitulada no inciso III, art. 530, do RIR/99, com o consequente arbitramento do lucro tributável, não se enquadrando no §2°, art. 44, da Lei n° 9.430/96). Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 6 Por todo o exposto, entendo que no caso dos autos é incorreto o agravamento da multa de ofício. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
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