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Numero do processo: 11962.000198/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.544
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 22/05/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 22/05/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11962.000198/200410 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.544 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de maio de 2013 Assunto PIS NÃO CUMULATIVO RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO GLOSA DE CRÉDITO INIDONEIDADE Recorrente REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 22/05/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/RJ2 nº 1333.447 de 17/02/11 constante de fls. 278/292, e exarado pela da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 62 .0 00 19 8/ 20 04 -1 0 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3402000.544 S3C4T2 Fl. 3 2 inconformidade de fls. 177/190, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 172) e respectiva informação fiscal (fls. 147/152) da DRF de Vitória ES, que deferiu parcialmente os Pedidos de Ressarcimentos (PER) nos valores de R$ 950.973,62 (fls. 1 e 40) protocolados em 14/07/03 e relativos à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa apurado no períodos do 1º e 2º trimestres de 2004, deixando de homologar parcialmente as respectivas Dcomps a ele vinculadas (fls. 141/146). Por seu turno, a decisão de fls. fls. 278/292 da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 41/57, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 172) e respectiva informação fiscal (fls. 147/152) da DRF de Vitória ES, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2004 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer plenamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. COFINS. Ressarcimento/Compensação. Créditos da Não Cumulatividade. Glosa. Dissimulação. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária sobre o sujeito passivo. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Processo Administrativo Fiscal. Elementos de Prova. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade da r. decisão recorrida por cerceamento ao direito de defesa eis que não teria adentrado ao mérito dos créditos ressarciendos; b) no mérito sustenta que todas as empresas citadas como fictícias possuíam CNPJ válidos no momento da aquisição do café, que à época das operações verificou a regularidade dessas empresas no CNPJ e no SINTEGRA, e nenhuma tinha sido declarada inapta, e que as mercadorias adquiridas entraram no estoque da recorrente e foram pagas diretamente aos emitentes das notas fiscais, razões pelas quais nos termos da legislação de regência, os créditos glosados seriam legítimos. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3402000.544 S3C4T2 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram o crédito ressarciendo glosado. A legislação de regência (art. 82 da Lei nº 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as datas de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720082/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências.
ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A RECEITA DECLARADA PELO CONTRIBUINTE EM DIPJ, DCTF E DACON E AS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELO FISCO EM DIRF.
Caracteriza-se como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ, DCTF e DACON e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, obtido tal valor com o cruzamento da informação prestada pelas fontes pagadoras, mediante preenchimento da DIRF.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, mediante a prática reiterada de não escriturar e nem declarar receitas de prestação de serviços, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%.
AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente.
Impugnação Improcedente.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 1202-000.960
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente. Substituto
(Documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo. (Presidente em exercício), Andrada Marcio Canuto Natal (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente convocado, conforme Portaria 190 de 04/04/2013)
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A RECEITA DECLARADA PELO CONTRIBUINTE EM DIPJ, DCTF E DACON E AS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELO FISCO EM DIRF. Caracteriza-se como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ, DCTF e DACON e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, obtido tal valor com o cruzamento da informação prestada pelas fontes pagadoras, mediante preenchimento da DIRF. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, mediante a prática reiterada de não escriturar e nem declarar receitas de prestação de serviços, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo- Presidente. Substituto (Documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo. (Presidente em exercício), Andrada Marcio Canuto Natal (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente convocado, conforme Portaria 190 de 04/04/2013)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A RECEITA DECLARADA PELO CONTRIBUINTE EM DIPJ, DCTF E DACON E AS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELO FISCO EM DIRF. Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ, DCTF e DACON e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, obtido tal valor com o cruzamento da informação prestada pelas fontes pagadoras, mediante preenchimento da DIRF. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, mediante a prática reiterada de não escriturar e nem declarar receitas de prestação de serviços, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 82 /2 01 2- 05 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 2 principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. Substituto (Documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo. (Presidente em exercício), Andrada Marcio Canuto Natal (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente convocado, conforme Portaria 190 de 04/04/2013) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 18088.720082/201205 Acórdão n.º 1202000.960 S1C2T2 Fl. 951 3 Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 120/155) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, somados a multa de ofício qualificada e juros, referentes aos anoscalendários de 2008 e 2009. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 156/172), foi constatada omissão de receitas pela falta de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no período em questão, tendo sido efetuado o arbitramento do lucro da Recorrente em decorrência da ausência de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração. Conforme relatório detalhado elaborado pelas D. Autoridades Fiscais, no ano calendário de 2008 constatouse a incompatibilidade entre os valores declarados por terceiros e os montantes recolhidos pela Recorrente, como também a entrega de DIPJ zerada (fls. 78/93), e no anocalendário de 2009 constatouse que a Recorrente informou os valores de faturamento em sua DIPJ, mas não efetuou nenhum recolhimento no referido período, tampouco promoveu a confissão dos tributos via DCTF. Cientificada da lavratura dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação, utilizando, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, alegou a nulidade do lançamento por cerceamento do seu direito de defesa, pois nos Autos de Infração só teriam constados o enquadramento legal e a descrição dos fatos, mas não teria discriminação legal infringida e muito menos a penalidade aplicável; No mérito alegou que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, devendo ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária; É entendimento pacífico na doutrina que o arbitramento não é penalidade ou castigo, mas sim uma forma de averiguação em que se procura restabelecer ou apurar resultados impossíveis de serem conhecidos diretamente. No entanto, havendo elementos suficientes para a apuração da verdade material, não cabe a aplicação da medida extrema; Os vícios, erros ou deficiências só legitimam a utilização do arbitramento se os mesmos tornarem a documentação imprestável para os fins a que se destina; Entende que quando os contribuintes apresentam provas corroborativas, sejam elas técnicas, contábeis ou jurídicas, evidenciando que suas operações foram baseadas na lei, o ônus da prova se inverte contra o Fisco; O relatório de fiscalização elaborado pelo agente fiscal informa que os documentos solicitados ao contribuinte não foram apresentados, mas, além dos documentos Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 4 relativos à escrituração mercantil, existem outros documentos que denotam o real faturamento da empresa, tal como o talão de notas fiscais; A multa de 150% não pode subsistir, pois em nenhum momento foi provada a ilicitude do contribuinte em incorrer no crime de sonegação; A Fiscalização não teria comprovado o dolo na conduta, não bastando a simples imputação do ilícito por parte da fiscalização para a aplicação da multa qualificada. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que houve por bem julgar improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente, nos seguintes termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A RECEITA DECLARADA PELO CONTRIBUINTE EM DIPJ, DCTF E DACON E AS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APURADAS PELO FISCO EM DIRF. Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ, DCTF e DACON e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, obtido tal valor com o cruzamento da informação prestada pelas fontes pagadoras, mediante preenchimento da DIRF. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, mediante a prática reiterada de não escriturar e nem declarar receitas de prestação de serviços, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 18088.720082/201205 Acórdão n.º 1202000.960 S1C2T2 Fl. 952 5 Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos utilizados na Impugnação. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. È o relatorio Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 6 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Primeiramente, a Recorrente alega que os lançamentos efetuados no presente processo administrativo deveriam ser declarados nulos em decorrência de suposto cerceamento de defesa, pois nos Autos de Infração não teria havido a discriminação legal infringida e a penalidade aplicável. Todavia, conforme se observa do Relatório Fiscal, assim como dos próprios Autos de Infração, as D. Autoridades Fiscais foram diligentes no sentido de demonstrar de maneira detalhada as infrações apuradas e as consequentes penalidades aplicáveis, de modo que não devem prosperar as alegações da Recorrente. Uma simples leitura do Relatório fiscal (fls. 156/172) acostado aos Autos de Infração já é hábil a comprovar que no presente caso não houve cerceamento do direito de defesa da Recorrente, muito menos qualquer vício que fosse capaz de acarretar a nulidade dos lançamentos ao amparo do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Ademais, a Recorrente não sofreu nenhum prejuízo em relação à sua defesa, tendo em vista que a mesma conseguiu se defender adequadamente de todas as infrações e lançamentos que lhe foram impostos. Este E. Conselho já decidiu diversas vezes a respeito desse assunto. Vejamos: “(...) Cerceamento de defesa Nulidade – Inocorrência. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o relatório fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara (...)”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 240200871 do Processo 12045000484200734, Data: 09/06/2010) (não grifado no original) “(...) Cerceamento do Direito de Defesa. Inocorrência. Não se vislumbra cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. Inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Impossibilidade de conhecimento na seara administrativa. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e ii) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 240101821 do Processo 13857000938200866, Data: 12/05/2011) (não grifado no original) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 18088.720082/201205 Acórdão n.º 1202000.960 S1C2T2 Fl. 953 7 Tendo em vista que os Autos de Infração estão devidamente acompanhados do Relatório Fiscal e que ambos dispõem claramente sobre as infrações incorridas, base legal e respectivas multas cabíveis e, ainda, levando em consideração que a Recorrente conseguiu se defender adequadamente apresentando Impugnação e o presente Recurso Voluntário, não há que se falar em cerceamento de defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade e passo à análise do mérito. II – MÉRITO ARBITRAMENTO DO LUCRO Em vista da inércia da Recorrente em apresentar, embora intimada diversas vezes, sua escrituração contábil e livros fiscais, as D. Autoridades Fiscais procederam ao arbitramento do lucro para apuração dos valores aqui lançados. A Recorrente alega que o arbitramento só se justifica quando houver impossibilidade de apuração dos tributos por outros meios e foi exatamente o que ocorreu no presente caso. Diante da ausência de apresentação dos livros fiscais e escrituração contábil, as D. Autoridades Fiscais não tiveram outra saída senão apurar os tributos com base no lucro arbitrado. O artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/1999) estabelece expressamente os livros que deverão ser guardados aos optantes do regime de tributação do lucro presumido – que é o caso da Recorrente. Vejamos: “Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n º 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único).” Conforme demonstrado, não obstante as duas prorrogações de prazo solicitadas, a Recorrente não apresentou a escrituração contábil requerida pela D. Fiscalização, ao passo que a não entrega de referidos documentos enquadrase na hipótese legal de arbitramento descrita no artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda. Vejamos: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º): (...) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 8 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” Sendo assim, é incontroverso que a D. Autoridade Fiscal agiu nos exatos termos da lei ao aplicar o arbitramento do lucro para determinação dos tributos devidos pela Recorrente, não havendo que se falar, portanto, em ilegalidades na autuação. A jurisprudência deste E. Conselho é vasta neste sentido. Vejamos: “ARBITRAMENTO DO LUCRO EXERCÍCIOS DE 2000 E 2001 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado pelo lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros comerciais e fiscais ou o Livro Caixa ou quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para apurar a base de cálculo do imposto.(...) Recurso improvido.(Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10515374 do Processo 13603002277200461, Data: 09/11/2005)” (não grifado no original) “RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ LUCRO ARBITRADO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E RESPECTIVA DOCUMENTAÇÃO INDISPENSÁVEIS À OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A não apresentação dos livros obrigatórios e da documentação correspondente, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a conferência dos valores tributados, restando como única alternativa o arbitramento dos lucros (...)”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10195030 do Processo 10830011076200211, Data: 16/06/2005) (não grifado no original) Portanto, concordo com a decisão da DRJ de Campo Grande e considero correto o arbitramento do lucro da Recorrente para determinação dos tributos devidos no presente caso. OMISSÃO DE RECEITAS Em relação à omissão de receitas apurada através da divergência entre valores informados em DIPJ, DCTF e DACON e os valores das receitas de prestação de serviços auferidas constantes nas DIRFS das fontes pagadoras, o lançamento deve prosperar. Isso porque, de posse das declarações mencionadas acima as D. Autoridades Fiscais intimaram a Recorrente (fls. 10/15) a justificar as discrepâncias encontradas entre os valores declarados e aqueles encontrados nas declarações das fontes pagadoras e, ainda, a respeito da entrega de declarações zeradas, o que nunca foi justificado. Ademais, tanto na Impugnação quanto no presente Recurso Voluntário a Recorrente não se preocupou em tentar justificar as discrepâncias encontradas e o motivo de ter entregado zerada sua DIPJ em relação ao anocalendário 2008, mas apenas tentou afastar a multa de ofício aplicada. Dessa forma, em razão das discrepâncias encontradas nos valores declarados pela Recorrente, assim como pelo fato de a mesma ter entregue DIPJ zerada no período fiscalizado, devem ser mantidos os lançamentos efetuados pautados em omissão de receitas. Não é outro o entendimento deste E. Conselho. Vejamos “(...) Multa qualificada. Fraude. Sonegação. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 18088.720082/201205 Acórdão n.º 1202000.960 S1C2T2 Fl. 954 9 autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Assunto: imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. OMISSÃO DE RECEITAS. Diferença verificada entre o cotejo das DIRF e DIPJ sem movimento operacional. Caracterizamse como receitas omitidas os valores apurados pelo confronto entre as informações prestadas por terceiros em DIRF declaração do imposto de renda retido na fonte, a respeito de pagamentos efetuados à pessoa jurídica com a qual se relacionaram operacionalmente no período fiscalizado e as falsas declarações de inatividade DIPJ sem movimento, apresentadas ao fisco pela empresa no mesmo período. Arbitramento dos Lucros. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do rir/99 (rir/99, arts. 529 e 530, III) (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial, Acórdão nº 180100421 do Processo 13855003192200781, Data: 14/12/2010) (não grifado no original) “IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. Uma vez não justificada a divergência entre o valor dos rendimentos informados em DIRF, pelas fontes pagadoras, e a receita oferecida à tributação na DIPJ, com base no lucro real, é de se manter o lançamento com base nos valores levantados pela fiscalização. Decorrência. PIS, COFINS, CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à COFINS. Lançamentos decorrentes. Subsistindo o lançamento principal, iguais sortes colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência de parcela daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Multa de ofício qualificada. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizada ocorrência de dolo em conseqüência da reiterada conduta de contabilizar apenas parcialmente as receitas efetivamente auferidas (...).” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200083 do Processo 16408000129200750, Data: 29/09/2009) (não grifado no original) Por fim, quanto à aplicação da multa qualificada, a Recorrente alega que em nenhum momento foi provada a existência de ilicitudes em sua conduta que pudesse incorrer em crime de sonegação e que a multa qualificada é medida extrema que só deve ser adotada em casos excepcionais. Alegou, também, que “a escrituração fiscal e contábil é praticada por escritório contábil terceirizado, e o erro nos procedimentos específicos não pode figurar dolo ou indício de fraude por parte do contribuinte em tentar lesar a União”. Ocorre que não se tratam de erros supérfluos, mas de grandes discrepâncias acompanhadas de entrega de DIPJ zerada referente ao anocalendário 2008. Ora, o simples fato de a Recorrente entregar sua DIPJ Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 10 zerada em relação a 2008, sendo que tinha valores expressivos a serem declarados, já é suficiente para caracterizar sua conduta dolosa em burlar o Fisco. Cumpre descrever trechos da decisão recorrida que confirma a ocorrência inequívoca de sonegação por parte da Recorrente. Vejamos: “Os fatos explanados caracterizam a figura de sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. A circunstancia de ter a contribuinte apresentado a DIPJ do anocalendário 2008 com valores zerados e as DCTF e DACON sem apuração de débitos quando, na realidade, auferiu receitas durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil, ou esquecimento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64”. Conforme bem explicado na decisão recorrida, é incontroversa a ocorrência da conduta dolosa da Recorrente a fim de burlar o Fisco, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. Este também é o posicionamento deste E. Conselho: (...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10808477 do Processo 10670001502200299, Data: 12/09/2005). (não grifado no original) Portanto, em vista de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 18088.720082/201205 Acórdão n.º 1202000.960 S1C2T2 Fl. 955 11 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO
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Numero do processo: 11060.721407/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2005 a 31/07/2010
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTAS CORRIGIDAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA.
O fato do contribuinte afirmar que sanou as irregularidades, sem qualquer comprovação, não enseja a extinção da infração cometida, sujeitando-o à responsabilidade prevista na legislação.
DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO.
Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte no tocante à cobrança das multas e das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário provido em parte.
Crédito Tributário mantido parcialmente.
Numero da decisão: 2302-002.522
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto divergente, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008, vencida a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que entenderam que a multa aplicada deveria ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2005 a 31/07/2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTAS CORRIGIDAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA. O fato do contribuinte afirmar que sanou as irregularidades, sem qualquer comprovação, não enseja a extinção da infração cometida, sujeitando-o à responsabilidade prevista na legislação. DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte no tocante à cobrança das multas e das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário provido em parte. Crédito Tributário mantido parcialmente.
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FALTAS CORRIGIDAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA. O fato do contribuinte afirmar que sanou as irregularidades, sem qualquer comprovação, não enseja a extinção da infração cometida, sujeitandoo à responsabilidade prevista na legislação. DOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte no tocante à cobrança das multas e das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 14 07 /2 01 1- 47 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 2 Crédito Tributário mantido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto divergente, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008, vencida a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que entenderam que a multa aplicada deveria ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase o Auto de Infração de resultado da ação fiscal levada a efeito em face do Município Alegrete em decorrência da constatação das seguintes infrações: 1) Auto de Infração Debcad nº 37.315.3210 (obrigação principal), no valor de R$ 716.019,66, consolidado em 31/05/2011, abrangendo as competências 06/2006 a 07/2010, 13/2006, 13/2007 e 13/2008, referente às contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados; a contribuição adicional da empresa destinada ao financiamento da aposentadoria especial incidente sobre a remuneração de segurados empregados expostos a risco ocupacional; e a contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais. Conforme o Relatório Fiscal, os fatos geradores a seguir não foram declarados em GFIP: a) pagamentos realizados a contribuintes individuais, verificados na contabilidade da autuada e relacionados no Anexo I do Relatório Fiscal RF; b) remunerações dos segurados empregados classificados na categoria 1 empregado, 12 Demais Agentes Públicos e 20 Servidor Público ocupante de cargo em comissão, todos relacionados nas folhas de pagamento. Os fatos geradores foram verificados no confronto entre as informações prestadas nas GFIPs e as integrantes das folhas de pagamento. No Anexo II do RF estão discriminados os segurados considerados no lançamento e as respectivas remunerações; c) remuneração dos segurados empregados expostos a risco ambiental, sendo considerados os valores das remunerações dos trabalhadores expostos a ruído que, de acordo com avaliação do perito do INSS poderão ser enquadrados em atividade com direito a aposentadoria especial, discriminados no Anexo III do RF. 2) Auto de Infração Debcad nº 37.315.3198 (obrigação principal), no valor de R$ 301.983,99, consolidado em 31/05/2011, abrangendo as competências 06/2006 a 07/2010, inclusive 13/2006, 13/2007 e 13/2008, referente às contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais. A autuada não declarou e não recolheu as contribuições dos segurados contribuintes individuais e segurados empregados, discriminados nos Anexos I e II, respectivamente, do RF. As contribuições foram calculadas obedecendo ao limite máximo de contribuição estabelecido na legislação, sendo verificada, pela autoridade lançadora, no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, a existência de outros vínculos ou contribuições na condição de segurado contribuinte individual. 3) Auto de Infração Debcad nº 37.342.1591 (Obrigação Acessória – CFL 80), no valor de R$ 1.523,57, consolidado em 31/05/2011, relativo ao descumprimento da obrigação acessória de encaminhar a Receita Federal do Brasil – RFB relação mensal de todos os alvarás para construção civil e dos "habitese" expedidos no mês. Informa a autoridade fiscal que nenhum alvará ou "habitese" emitido pela Prefeitura de Alegrete foi transmitido à RFB no período fiscalizado. A Prefeitura somente começou a transmitir os referidos documentos a partir de novembro de 2010. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 4 4) Auto de Infração Debcad nº 37.315.3201 (Obrigação Acessória – CFL 66), no valor de R$ 15.235,70, consolidado em 30/05/2011, em razão da autuada não ter apresentado os documentos referentes à implementação do Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais. Informa a autoridade fiscal que na Prefeitura não há controle na entrega e uso de equipamento de proteção individual EPI, assim como não foi comprovado treinamento para o uso adequado destes equipamentos. Intimada a apresentar as ações que implementam as medidas necessárias para a eliminação, minimização ou controle dos riscos ambientais, a contribuinte declarou no oficio n°. 558/2010, de 19 de novembro de 2010, integrante dos autos, que não existe Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CIPA na Prefeitura e que o Controle Médico de Saúde Ocupacional e o Programa de Gerenciamento de Riscos não são executados. 5) Auto de Infração Debcad nº 37.315.3180 (Obrigação Acessória – CFL 30), no valor de R$ 1.523,57, consolidado em 31/05/2011, em razão da autuada ter deixado de preparar folha de pagamento das remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço, relacionados no Anexo I do RF, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação. Notificada da autuação, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 464/469). Em julgamento na DRJ/Porto Alegre (fls. 518/525), foi julgada improcedente a impugnação, sendo mantido o crédito tributário na sua totalidade. Intimado do julgado (fls. 529/530), interpôs, em tempo hábil, recurso voluntário (fls. 518/525) alegando: a) Em relação ao AI Debcad nº 37.342.1591 (AI 80), afirmou que somente em novembro/2010 os servidores municipais foram capacitados para atender a obrigação, que foi implementada na integralidade, inclusive para todo o período anterior. Por isso, cumprida a obrigação, não haveria mais razão para a penalidade imposta. Pleiteou a exclusão da multa; b) No que pertine ao AI Debcad nº 37.315.3201 (AI 66), informou ter promovido a compra de equipamentos de proteção individual visando eliminar ou minimizar os riscos ambientais no trabalho e que os servidores celetistas pertenciam ao chamado quadro em extinção no município. Por causa disso, aduziu que a penalidade aplicada feriria o princípio da proporcionalidade em razão do número de servidores deste regime. Argumentou, ainda, que a empresa contratada pelo Município efetuou integralmente o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde de seus servidores. Por outro lado, a falta de informação dos Riscos Ocupacionais na GFIP ocorreu por falta de orientação. Esta orientação só foi fornecida, em maio de 2011, pelo Perito da CONPLAN. A partir desta data “a integralidade foi efetuada” razão pela qual caberia a exclusão da multa. c) Quanto ao AI Debcad nº 37.315.3180 (AI 30), alegou apenas que as irregularidades estavam sendo sanadas pelo Município. d) No tocante ao AI Debcad nºs 37.315.3210 e 37.315.3198 (AIOP), afirmou que o correto é gerar um arquivo chamado “SEFIP.RE”, dentro do sistema de folha de pagamento e importar este arquivo para o sistema “SEFIP”; que neste arquivo constam todos os “funcionários” do município que descontam INSS e estão na folha de Fl. 544DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 216 5 pagamento. Prosseguiu afirmando que os erros que ocorreram neste procedimento decorrem do fato do cadastro de RH não estar correto e noticia que foram tomadas medidas buscando evitar tais equívocos. Informou, ainda, que são retirados do sistema de folha de pagamento relatórios e elaborado ofício dos valores devidos à Previdência Social Geral (INSS), enviados, até o dia 30 do mês da competência, para a Receita Federal em Santa Maria para que seja efetuado o desconto destes valores do Fundo de Participação dos Municípios FPM. Entendeu que os valores retidos no FPM são maiores que os informados no “SEFIP”, pois é levado em conta para o oficio os relatórios de folha de pagamento. Este procedimento equivocado fez com que o Município tivesse retido no FPM valores superiores ao informado na GFIP, gerando, então, um crédito em favor do Município, no valor de R$ 576.730,57, conforme levantamento em anexo. Concluiu argumentando que antes do Município ser devedor, na verdade é credor da importância de R$ 576.730,57, por isso, pleiteou a compensação com o crédito lançado. e) Da Multa de Mora Aplicada afirmou que sendo a retenção do Fundo de Participação dos Municípios maior do que deveria, a multa de mora aplicada deveria ser proporcional aos valores invocados, sob pena de ferir o princípio da proporcionalidade. f) Da Compensação defendeu que o Município de Alegrete teve retido ao longo do período apurado valor a maior do que seria devido, conforme verificado na tabela integrante da peça impugnatória. Por causa disso, requereu que fossem compensados os valores retidos a maior do Fundo de Participação dos Municípios, no valor de R$ 576.730,57, a título de contribuição previdenciária do Regime Geral de Previdência, com o débito levantado. Encaminhados os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl. 539), segue o julgamento. Eis o relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 6 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Tratase a presente autuação de cobrança de contribuições previdenciárias relacionadas a cota patronal, segurados e contribuinte individual e multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias (AI 30, 66 e 80). Na leitura da peça recursal, verifiquei que os argumentos dispostos pelo sujeito passivo para combater os autos de infração nº 37.342.1591 (AI 80); 37.315.3201 (AI 66) e 37.315.3180 (AI 30), restringemse a afirmar que as irregularidades apuradas no Município já foram sanadas e, por causa disso, não seria devida a multa aplicada, cabendo a relevação. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Uma vez descumprida convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, §§ 2º e 3º do CTN). No presente caso, as obrigações acessórias inadimplidas referemse ao dever do Município de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho (AI 37.315.3201); de preparar folha de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (AI 37.315.3180); e, por fim, de encaminhar a Secretaria da Receita Federal relação mensal de Alvarás para Construção e dos "habitese" expedidos (AI 37.342.1591). O art. 291 do Regulamento da Previdência Social dispõe que para haver a revelação da multa fazse necessário a observação de alguns requisitos, quais sejam: correção da falta até termo final do prazo para impugnação, pedido expresso dentro do prazo de defesa, ser o infrator primário e não ter ocorrido nenhuma circunstância agravante. "Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366." Fl. 546DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 217 7 Nenhum dos requisitos dispostos acima foram cumpridos pelo sujeito passivo. Neste contexto, o fato do contribuinte afirmar que sanou as irregularidades, sem qualquer comprovação, não enseja a extinção da penalidade, sujeitandoo à responsabilidade prevista na legislação. Em relação à exigência das contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviço mediante empenho contribuintes individuais (AIOP nº 37.315.3198 e nº 37.315.3210), justificou a Recorrente que o não recolhimento teve origem na falta de informação (relativa às pessoas físicas) entre o setor de pagamentos e o setor de encargos. Neste sentido, informou que já adotou algumas medidas visando corrigir os erros, tais como: o treinamento dos servidores responsáveis pelo cadastro do RH. Mais adiante, ressaltou o Município que os valores cobrados já foram retidos do Fundo de Participação dos Municípios FPM justificando que o montante informado à Receita Federal do Brasil para esta retenção é retirado das folhas de pagamento e não dos relatórios da SEFIP. Por esta razão, os valores retidos do FPM são maiores o que leva o Município ficar credor da Previdência Social na quantia equivalente a R$ 576.730,57. Todavia, o Município não desincumbiu de provar. Como bem comentado pela DRJ, a Recorrente apenas aponta os valores retidos do FPM e as correspondentes diferenças decorrentes dos valores declarados em GFIP, mas não indica quais segurados os montantes “retidos/diferenças” se referem, impossibilitando, dessa forma a constatação pela autoridade julgadora da procedência, ou não, da alegação de que os valores lançados já foram recolhidos/retidos. Além disso, não trouxe o contribuinte aos autos documentos eficazes a demonstrar a veracidade dos valores por ele mencionados na planilha e não identifica quais os segurados estão vinculados àquele levantamento. As assertivas são genéricas e impossibilitam liquidar o suposto crédito. Vale dizer, apesar de aduzir o sujeito passivo a existência de um suposto crédito oriundo das retenções do FPM capaz de reduzir o valor exigido, não contestou o fato gerador propriamente dito. A legislação fazendária, nos termos art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, dispõe que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente considerarseá não impugnada, vide: "Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Portaria da RFB nº 10.875/07 Art. 8 º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Sendo assim, inexistindo impugnação expressa da matéria posta em análise, mantémse a legalidade do lançamento. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 8 No que tange à aplicação da multa de mora para o período anterior à instituição da Lei 11.941/09, em julgamentos pretéritos adotei o posicionamento segundo o qual a multa aplicada quando do lançamento deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91, limitando o escalonamento ao percentual de 75%, conforme nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91, em respeito à retroatividade benigna da norma (art. 106, inciso II, 'c', do CTN). No entanto, aprofundando a análise sobre o tema, achei por bem alterar o meu entendimento e, para o caso, no período de 06/2006 a 11/2008, aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pela MP 449/08 em decorrência da retroatividade benigna, reduzindo o percentual de 75% a 20%. Explico. No período em comento estava em vigor o art. 35 da Lei nº 8.212/91 cuja norma, na sua redação original, regulamentava a incidência da multa de mora sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, era agrupada em percentuais distintos a depender da data do pagamento da exação. Quanto mais distante do dia do vencimento, maior o percentual. A penalidade era aplicada pelo atraso no pagamento, existindo ou não ação fiscal. Assim prescrevia: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 218 9 b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. " (grifo nosso) Posteriormente, com a criação da MP 448/09 convertida na Lei nº 11.941/09, a legislação ordinária de 1991 sofreu alterações significativas. A partir de então, o atraso no pagamento das contribuições sociais passou a ser conduta punida pela multa de mora ou multa de ofício. A aplicação de uma ou de outra estaria vinculada a existência de ação fiscal. Com efeito, a cobrança do tributo seguida de lançamento era condição para incidência da multa de ofício tipificada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (com redação da pela Lei nº 11.941/09) a qual remetia aos percentuais fixados no art. 44 da Lei no 9.430/96: "Art. 35A: Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal..." Em relação a multa de mora, o percentual passou a ser fixado em 20% nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vide transcrição: "Art. 35 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Fl. 549DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 10 "Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do cotejo entre a antiga norma e aquela estabelecida após o avento da MP 449/08, inferese que a multa de mora passou a incidir de forma mais benéfica para o contribuinte a partir de dezembro/2008, porquanto limitada a 20% (vinte por cento). Sob a ótica da incidência do art. 106, inciso II, alínea 'c' do CTN, deve ser aplicada a lei mais benéfica a fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Neste contexto, em relação a ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias até novembro/2008, por inexistir a multa de ofício, deve incidir a penalidade prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (multa de mora), entretanto, limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/08 (art. 35 da Lei 8.212/91 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Este entendimento vem sendo adotado pela 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO cujo julgado, de relatoria do Conselheiro Mauro José Silva (Acórdão nº 999.999 PAF 10805.003371/200716), transcrevo abaixo "LANÇAMENTOS RFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA 'C', DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança do regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea 'c', do inciso II, do art. 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%" Como dito inicialmente, se no passado adotava o posicionamento segundo o qual a multa aplicada quando do lançamento deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91 (multa de mora), limitando o escalonamento ao percentual de 75% conforme nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício) subsumida a hipótese pela retroatividade benigna da norma (art. 106, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 219 11 inciso II, 'c', do CTN), comparando, com isso, multa de mora e multa de ofício. No presente, considero que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91). A partir de dezembro/2008, é indubitável a incidência do novo regramento constante no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício). Antes, porém, deve ser aplicado o percentual de 20%. Por fim, não menos importante, considerando que as multas devem ser aplicadas de forma isolada, por descumprimento das obrigações acessórias ou principais, reputo válidas as penalidades descritas no relatório fiscal, a seguir : AIOA CFL 80 = art. 283, inciso I, alínea 'f', RPS (Decreto 3.048/99) c/c arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 reajustada na forma do art. 373 do RPS; AIOA CFL 66 = art. 283, inciso II, alínea 'n' e art. 373, todos do RPS (Decreto 3.048/99) c/c arts.133 e 134 da Lei nº 8.213/91; AIOA CFL 30 = art. 283, inciso I, alínea 'a', RPS (Decreto 3.048/99) c/c arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 reajustada na forma do art. 373 do RPS Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reduzindo o crédito tributário apenas no tocante a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) ao percentual de 20% até novembro/2008 nos termos da fundamentação exposta, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 551DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 12 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva – Redator designado A PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFICIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pela Ilustre Relatora relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de oficio. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 220 13 privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 14 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de oficio consubstanciado nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.315.3198 e 37.315.3210, referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de Janeiro/2005 a julho/2010. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de oficio formalizado mediante as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito acima indicadas, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em notificações Fiscais, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de oficio, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 221 15 Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de oficio THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de oficio, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então denominada “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 16 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 222 17 mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, diga se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. No novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de oficio THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de oficio, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 18 a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de oficio, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, a Ilustre Conselheira Relatora defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratar se de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou a insigne Relatora que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91). Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio). Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 223 19 De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de oficio) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) prevêem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de oficio, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de oficio de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 20 inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa de mora é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN, concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora de recolhimento trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal lançado mediante lançamento de oficio obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 11060.721407/201147 Acórdão n.º 2302002.522 S2C3T2 Fl. 224 21 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Numero do processo: 10140.720059/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
EXCLUSÃO DAS ÁREAS PROTEGIDAS AMBIENTALMENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Para que o contribuinte possa excluir da área total tributável para fins de ITR as áreas de preservação permanente, de reserva legal e demais áreas protegidas ambientalmente, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente.
AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2202-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Faz sustentação oral o Dr. Danny Warchavsky Guedes, OAB/RJ nº 114.558.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 EXCLUSÃO DAS ÁREAS PROTEGIDAS AMBIENTALMENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir da área total tributável para fins de ITR as áreas de preservação permanente, de reserva legal e demais áreas protegidas ambientalmente, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente. AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir da área total tributável para fins de ITR as áreas de preservação permanente, de reserva legal e demais áreas protegidas ambientalmente, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Faz sustentação oral o Dr. Danny Warchavsky Guedes, OAB/RJ nº 114.558. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 59 /2 00 7- 51 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 183 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 184 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 5, pela qual se exige a importância de R$877.749,10, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Rio Negro, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 3.299.0880, localizado no município de Aquidauana/MS. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2004 no qual foi solicitado à contribuinte apresentar (fls. 6 e 7): (a) cópia o Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama; (b) Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2o do Código Florestal; (c) certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o do Código Florestal, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; (d) cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva particular do patrimônio natural; e (e) Laudo de Avaliação do imóvel, elaborado de acordo com o estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 2 e 3), verificase que foi apurada falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude das seguintes alterações efetuadas pelo autuante na DITR: Área de Preservação Permanente: glosa total, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a isenção da área declarada a título de área de preservação permanente. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural: glosa total, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva particular do patrimônio natural no imóvel rural. Valor da Terra Nua: o valor arbitrado com base no Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal – SIPT (média dos VTN declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural para o exercício), uma vez que não foi apresentado Laudo de Avaliação, observando o disposto nas normas da ABNT, comprovando o valor da terra nua declarado. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 22 a 27, instruída com os documentos de fls. 28 a 75, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 83): Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 185 4 A interessada apresentou a impugnação de f. 22/28. Em síntese, alega que a maior parte do imóvel é constituída pela RPPN Fazenda Rio Negro. Afirma que a RPRN encontrase devidamente averbada. Argumenta que cumpriu todas as exigências legais para a instituição da RPPN e que é pública e notória a atuação da impugnante no cenário da defesa do meio ambiente. Aduz, ainda, que o valor da terra nua, apurado com base no SIPT não condiz com o valor real do imóvel. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 0418.490 (fls. 82 a 87), de 28/08/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. RPPN. ISENÇÃO. REQUISITOS. ADA. AVERBAÇÃO. Por disposição legal, para serem consideradas isentas, as áreas de preservação permanente, de reserva legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) devem ser reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. As áreas de reserva legal e de RPPN, além do ADA, necessitam estar averbadas junto ao Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à da ocorrência do fato gerador. A decisão a quo restabeleceu a área de utilização limitada equivalente a 1.529,4 ha, conforme valor informado no ADA entregue tempestivamente (vide fl. 87). DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 19/11/2009 (vide AR de fl. 94), a contribuinte apresentou, em 17/12/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 95 a 108, acompanhado dos documentos de fls. 109 a 149, no qual, após breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. A Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN foi instituída na Fazenda Rio Negro com a finalidade de preservação ambiental da área, em total consonância com o objetivo e a missão da recorrente. 2. A contribuinte alega que decisão guerreada, “não apenas ignorou todos os documentos apresentados, como ainda inovou, extrapolando os termos da autuação fiscal, ao Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 186 5 condicionar para a referida comprovação a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental, documento que sequer foi mencionado no auto de infração” (fl. 99). 3. Sustenta que a não incidência do ITR sobre as áreas de reserva legal está prevista no art. 104, da Lei no 8.171, de 1991, que dispõe sobre a política agrícola nacional, enquanto que o conceito de RPPN encontrase no art. 21 da Lei no 9.985, de 2000. Aduz que, de acordo com o art. 3o da Instrução Normativa IBAMA no 76, de 2005, as RPPN são áreas de utilização limitada, as quais estão excluídas da área tributável para fins de incidência do 1TR, nos termos do art. 8o do Decreto no 5.746, de 2006, que regulamentou o art. 2 l da Lei no 9.985, de 2000. 4. Argumenta que a interpretação dada pela decisão recorrida do art. 17O da Lei no 6.938, de 1981, no sentido de que o ADA seria obrigatório para fins de redução do ITR a pagar, além de extrapolar os termos da autuação fiscal, conflita ainda com o disposto na Lei no 9.393, de 1996, que determina que a apuração e pagamento do ITR serão efetuados independentemente de prévio procedimento da administração tributária ou comprovação pelo contribuinte, mas tão somente com base em sua declaração. 5. Invoca o princípio da verdade material para concluir que basta a comprovação material da existência das áreas de utilização limitada, no caso a RPPN declarada pela recorrente, o que pode ser feito por meio dos seguintes documentos: (a) Laudo Técnico com memorial descritivo da RPPN, atestando a área de 7.000,2314 ha (doc. 03); (b) Laudo Avaliatório das áreas de preservação permanente da área aproveitável da Fazenda Rio Negro (doc. 04); (c) Deliberação CECA Conselho Estadual de Controle Ambiental/MS/N 011, publicada no Diário Oficial de 18/05/2001, reconhecendo a Reserva Particular do Patrimônio Natural “Rio Negro” (doc. 05); (d) Ofício/GAB/DIEXEC/IMASUL/MS/No 914/2007, expedido em 24/08/2007 pelo IMASUL —Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, órgão da SEMAC Secretaria de Estado de Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento, das Ciências e Tecnologia, atestando o reconhecimento da Reserva Particular de Patrimônio Natural “Rio Negro” pela Deliberação CECA/MS/N 011 (doc. 06); (e) Certidão do Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Aquidauana, onde consta a averbação da Reserva Particular do Patrimônio Natural em 27/06/2001 (doc. 07). 6. Conclui, assim, que foi demonstrado que a contribuinte cumpriu os requisitos para fruição da não incidência do ITR sobre as áreas preservadas, devendo prevalecer a verdade material sobre a verdade formal de modo a afastar a incidência do ITR sobre a área de utilização limitada. 7. Alega, também, que em razão da glosa efetuada pela fiscalização e da alteração do valor da terra nua, houve aumento da base de cálculo, da alíquota aplicável e, conseqüentemente, do valor devido do tributo. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 187 6 8. Por fim, argumenta que houve equívoco da fiscalização ao proceder ao arbitramento de do valor do VTN/ha, uma vez que o valor considerado pela contribuinte, excluindose a área de utilização limitada, é superior ao valor arbitrado. Em petição datada de 24/07/2012 (fl. 174), a contribuinte requereu a juntada dos ADA referentes aos exercícios 2003, 2007, 2008, 2009 e 2010 (fls. 175 a 179). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 09, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 10/07/2012, veio digitalizado até à fl. 1791. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 151 (fl. 168 da digitalização). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 188 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio Importa destacar que a glosa da área de Preservação Permanente não foi contestada pela interessada, restringindose a lide a glosa da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural e ao Valor da Terra Nua. 2 Exclusões da área tributável Em síntese, a contribuinte alega que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal, uma vez que a existência da Reserva Particular do Patrimônio Nacional está comprovada pelos documentos acostados aos autos. Aduz que decisão recorrida além de extrapolar os termos da autuação, conflita com legislação que rege a matéria ao adotar o entendimento de que o ADA seria obrigatório para fins de redução do ITR. Podem ser excluídas da área tributável, para fins de apuração do ITR, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada previstas no art.10, § 1o, inciso II, alíneas “a” a “f”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para gozar dessa isenção, além de comprovar a existência dessas áreas ambientalmente protegidas, deve o contribuinte cumprir os requisitos formais que a lei assim determinar, bem como observar as condições de uso impostas pelas leis ambientais. Caso contrário, afastase o benefício fiscal sobre tais áreas, eis que não foram observados os pressupostos legais para sua exclusão da área tributável. Com a devida vencia dos que pensam em contrário, a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, emitido pelo IBAMA, é condição geral para a não incidência tributária sobre tais áreas, como a seguir se demonstrará. 2.1 RESERVA DO PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL A Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) já previa em seu art. 5o a criação de Parques e Reservas Biológicas com a finalidade de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com objetivos educacionais, recreativos e científicos. Da mesma forma, a Lei no 6.902, de 27 de abril de 1981, dispunha sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental. Posteriormente, a Constituição Federal, ao tratar do Meio Ambiente, autorizou o poder público a criar espaços territoriais a serem especialmente protegidos, visando Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 189 8 obstar qualquer utilização que comprometesse a integridade dos atributos naturais que justifiquem sua proteção, conforme disposto em seu art. 225 (grifei): Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações. § 1o Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; Regulamentando o dispositivo constitucional acima transcrito, foi editada a Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que prevê a criação, por ato do Poder Público, de diversas áreas de interesse ambiental denominadas unidades de conservação da natureza, as quais se dividem em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As primeiras visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com as exceções previstas na referida lei, enquanto que as segundas, compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Dentre as Unidade de Uso Sustentável, encontrase a Reserva Particular do Patrimônio Natural que “é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica” e que deve possuir “termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.” (art. 21, caput e §1o, da Lei no 9.985, de 2000). Nas áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural é permitido somente a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais (art. 21, §2o, inciso I e II, da Lei no 9.985, de 2000), ampliando, assim, as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Como se vê, a Reserva Particular do Patrimônio Natural, está inserida no conceito das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, sendo oportuno transcrever o art. 10, §1o, inciso II, alíneas “a” e “b”, da Lei no 9.393, de 1996 (grifos nossos): Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 190 9 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. §1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei no 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] Concluise, assim, que a Reserva Particular do Patrimônio Natural tem sua isenção condicionada a existência de um termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. No caso dos autos, observase que tanto o Auto de Infração quanto a decisão recorrida não mencionam expressamente a existência ou não da averbação da referida área na matrícula do imóvel. Contudo, de acordo com a Certidão do Registro de Imóveis da matrícula no 12.084 (fls. 51 a 52), a Fazenda Rio Negro, situado no município de Aquidauana/MS, com área total de 7.647ha, tem averbada uma Reserva do Particular do Patrimônio Natural com área de 7.000ha, em 27/07/2001, conforme declarado pela contribuinte (fl. 71). A existência da área de Reserva do Particular do Patrimônio Natural foi confirmada pelo OFÍCIO/GAB/DIEXEC/IMASUL/MS/ No 914/2007, de 24/08/2007, expedido pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, segundo o qual (fl. 55): Tendo em vista a solicitação por telefone do funcionário George Camargo sobre a situação da Reserva Particular de Patrimônio NaturalRPPPNda Fazenda Rio Negro, localizada no município de AquidauanaMS e de propriedade do Instituto Conservation International do Brasil S/C, temos as seguintes declarações: · De acordo com o Artigo 21 da Lei no 9985/2000 do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a Reserva Particular de Patrimônio Natural é uma Unidade de Conservação de categoria de uso sustentável, de propriedade privada, de caráter perpétuo, na qual somente são permitidas ações como educação ambiental, pesquisa científica e ecoturismo. · De acordo com o Art. 11, do Decreto Federal 1922/1996 O proprietário poderá requerer ao Instituto Nacional de Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 191 10 Colonização e Reforma Agrária INCRA, a isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, para a área reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural, conforme prevê o parágrafo único do art. 104, da Lei N° 8.171191. · A Reserva Particular de Patrimônio Natural "Rio Negro" foi reconhecida através da Deliberação CECA/MS/N 011, publicada em Diário Oficial no dia 28 de Maio de 2001. · Anualmente é realizada vistoria na área com o objetivo de verificar se a área destinada à RPPN tem cumprido com a legislação vigente e, para avaliação qualitativa do Programa do ICMS Ecológico, e até o presente momento, constatouse que os requisitos têm sido atendidos. Nesses termos, entendo que restou amplamente comprovada a existência da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural declarada pela recorrente. Resta agora, examinar a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de redução do ITR. 3 Ato Declaratório Ambiental Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 24 de agosto de 2001, não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 192 11 comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhandoo à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 193 12 Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. Quanto ao prazo para apresentação do ADA, observase que a Lei no 6.938, de 1981, não fixou qualquer limite temporal. Considerandose que a exclusão das áreas de interesse ambiental requer o reconhecimento por parte do IBAMA, o que no caso é feito por meio da emissão do ADA, caracterizando uma isenção especial (não concedida em caráter geral), nos termos do art. 179 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1o Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2o O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Sendo o ITR um imposto lançado por período certo de tempo, em que a lei considera ocorrido o fato gerador em 1o de janeiro de cada ano (art. 1o da Lei no 9.393, de 1996), a princípio, a exigência de ADA contemporâneo a DITR prevista nas diversas instruções normativas editadas pela Receita Federal do Brasil (protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR) encontra amparo no art. 179 e §§ do CTN. Contudo, há que se observar as normas sobre o assunto expedidas pelo IBAMA, a quem compete a execução das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente e é responsável pela emissão e controle do ADA. Segundo o art. 2o da Portaria IBAMA no 152, de 1998, devem apresentar o ADA, relativo ao ITR 1998 e anos posteriores, os declarantes que informaram no Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada e quem não tenha entregue o ADA anteriormente, sendo obrigatória a apresentação de novo ADA (ADA de retificação), caso haja alteração do DIAT em relação às áreas originalmente informadas em anos anteriores. Tal determinação foi ratificada pela Instrução Normativa IBAMA no 76, de 31 de outubro de 2005, que institui prazo para a apresentação do ADA, in verbis: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 194 13 Art 9o O prazo de entrega do ADA será de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1o de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras. Assim, a partir do exercício 2005, embora o ADA continuasse a ser apresentado uma única vez e nos casos em que fossem alteradas as informações na DITR, o IBAMA passou a definir um período para sua entrega que, em regra, era de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Excepcionalmente, para o ADA relativo a DITR/2005, o prazo foi estendido até 31 de março de 2006 (seis meses da data da entrega da DITR correspondente). Importa registrar que a necessidade de se apresentar o ADA uma única vez ou no caso de alteração de área de interesse ambiental já constava dos atos normativos da Receita Federal, desde a Instrução Normativa SRF no 75, de 20 de julho de 2000, que dispôs sobre a apresentação da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR do exercício de 2000, como se observa pelo teor do art. 11: Art. 11. O contribuinte deverá providenciar, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, no prazo de seis meses, contados do prazo estabelecido no art. 3º, o Ato Declaratório Ambiental – ADA – a que se refere o art. 17 da IN SRF 73, de 2000, se: I – o imóvel teve alterada a área de interesse ambiental em relação à área declarada no ano anterior; ou II – o imóvel está sendo declarado pela primeira vez. Nas instruções normativas referentes aos exercício seguintes, existe dispositivo semelhante, até o exercício 2005. A partir da Instrução Normativa SRF no 659, de 11 de julho de 2006, referente ao exercício 2006, adotouse uma redação mais genérica (grifei): Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Apenas com a edição da Instrução Normativa IBAMA no 96, de 30 de março de 2006, com vigência a partir do exercício 2007, o órgão ambiental passou a exigir a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 195 14 apresentação anual do ADA, como se observa pelo teor do art. 9o (atual art. 9o da Instrução Normativa IBAMA no 31, de 3 de dezembro de 2009): Art. 9o As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. § 1o No Ato Declaratório Ambiental deverão constar, a partir de 2006, informações referentes às áreas de preservação permanente, de reserva legal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, as áreas de Relevante Interesse Ecológico ARIE e, quando for o caso, as áreas sob manejo florestal sustentável ou de reflorestamento. [...] (grifei) De acordo com a Instrução Normativa IBAMA no 5, de 25 de março de 2009, foi mantido o prazo para entrega do ADA de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, cabendo sua retificação até 31 de dezembro do mesmo exercício (art. 6o, §3o). Concluise, assim, que até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Quanto ao prazo, até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicamse os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA. Feitas essas digressões, retornase ao caso em concreto. Conforme consignado no voto condutor da decisão guerreada, “No ADA tempestivo apresentado para o Exercício aqui tratado, somente consta a informação de uma área de 1.529,4 ha. Somente esta área de utilização limitada pode ser aceita.” (fl. 87). Ressaltese, contudo, que o referido ADA não foi localizado nos autos, havendo apenas cópia do Auto de Infração referente ao anocalendário 2000, cuja cópia foi anexada pela própria contribuinte (fls. 57 a 62), no qual o autuante expressamente altera a área de utilização limitada/reserva legal declarada de 0,0 ha para1.529,4ha. Em sede de recurso, a contribuinte juntou o ADA referente ao exercício 2003 (fl. 175), protocolado tempestivamente em 18/02/2004 (seis meses após o prazo para a entrega da DITR), no qual está informado uma área de 7.000ha de Reserva Particular do Patrimônio Natural. Diante de tudo quanto acima se expôs, considerando que a Reserva Particular do Patrimônio Natural foi devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel e apresentado ADA nos termos da legislação em vigor, há que se restabelecer a exclusão da referida área, conforme pleiteado pela recorrente. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 196 15 4 Valor da Terra Nua A fiscalização arbitrou o valor da terra nua, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou Laudo Técnico para corroborar o valor por ela declarado. Em sua defesa, a recorrente apresenta alega que houve equívoco da fiscalização ao proceder o arbitramento do VTN/ha, uma vez que o valor por ela declarado, considerandose a área de utilização limitada, é superior ao valor arbitrado. Inicialmente, importa transcrever o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autorizou a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, a arbitrar o valor da terra nua (VTN) com base em sistema por ela instituído: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, cabe trazer a colação o art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, com a redação vigente à época da edição da Lei no 9.393, de 1996: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. [...] Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 197 16 Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. Conforme consignado na Notificação de Lançamento, à fl. 3, o VTN foi arbitrado com base na média dos VTN declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural para o exercício fiscalizado. Entendo que a utilização dos valores constantes do SIPT são válidos para fins de arbitramento do VTN, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico capaz de comprovar o valor por ele declarado e desde que os dados que alimentaram o sistemas atendam aos requisitos exigidos pela legislação, como, por exemplo, o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, apurado nas avaliações realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, em que os preços de terras são determinados levandose em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc. Ressaltese, entretanto, que o fato de para um determinado município não existirem informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN/médio por hectare por aptidão agrícola, não autoriza o fisco a utilizar o VTN médio informado nas DITR do mesmo município. Isto porque o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Dessa forma, uma vez que o arbitramento foi feito utilizandose o VTN médio declarado pelos contribuintes do mesmo município, valor este que não encontra amparo na legislação, há que se restabelecer o valor originalmente declarado. 5 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10140.720059/200751 Acórdão n.º 2202002.339 S2C2T2 Fl. 198 17 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 12898.000164/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - COOPERATIVA DE TRABALHO - DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA - ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - ASPECTO TEMPORAL - CERCEAMENTO DE DEFESA.
Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadrava-se nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção.
A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência.
A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal.
ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - ENTIDADE ISENTA - ASPECTO TEMPORAL - VÍCIO FORMAL.
A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento.
RECURSO DE OFÍCIO - DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA PARCELA PATRONAL - APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN.
Não há que se falar em recolhimento antecipado a ensejar a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 150, § 4 do CTN, quando o recorrente enquadrava-se na condição de entidade isenta. A contribuição descontada dos segurados empregados não deve ser utilizada, como recolhimento antecipado, posto que não é arcada pela empresa, sendo essa mera repassadora.
Recurso de Ofício Provido em Parte e Processo Anulado.
Numero da decisão: 2401-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para afastar a decadência declarada pela decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - COOPERATIVA DE TRABALHO - DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA - ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - ASPECTO TEMPORAL - CERCEAMENTO DE DEFESA. Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadrava-se nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - ENTIDADE ISENTA - ASPECTO TEMPORAL - VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. RECURSO DE OFÍCIO - DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA PARCELA PATRONAL - APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. Não há que se falar em recolhimento antecipado a ensejar a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 150, § 4 do CTN, quando o recorrente enquadrava-se na condição de entidade isenta. A contribuição descontada dos segurados empregados não deve ser utilizada, como recolhimento antecipado, posto que não é arcada pela empresa, sendo essa mera repassadora. Recurso de Ofício Provido em Parte e Processo Anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para afastar a decadência declarada pela decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadravase nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 ENTIDADE ISENTA ASPECTO TEMPORAL VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 64 /2 00 8- 24 Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA PARCELA PATRONAL APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. Não há que se falar em recolhimento antecipado a ensejar a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 150, § 4 do CTN, quando o recorrente enquadravase na condição de entidade isenta. A contribuição descontada dos segurados empregados não deve ser utilizada, como recolhimento antecipado, posto que não é arcada pela empresa, sendo essa mera repassadora. Recurso de Ofício Provido em Parte e Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para afastar a decadência declarada pela decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.205.9263, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho, no período de 01/2003 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 118 a 131, os fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, consistem O valor originário do débito apurado e levado a efeito no presente Auto de Infração corresponde â aplicação das aliquotas, conforme a seguir demonstrado, sobre as importâncias pagas as Cooperativas de Trabalho, cujos lançamentos foram efetuados na escrita contábil, notadamente nas contas n: 411.03.09 e 421.03.09 Serviços Prestados por Pessoa Jurídica e Conta N. 215.02.04 Plano de Saúde, tudo conforme demonstrado no Relatório de Lançamentos — RL e Discriminativo Analítico do Débito — DAD, partes integrantes deste Auto de Infração, onde se constata por competências as respectivas contribuições reputadas devidas. Com referência aos serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho na atividade médica, o percentual aplicado sobre a base de cálculo na apuração da contribuição devida, em regra, é o mesmo a ser aplicado quanto As demais cooperativas de trabalho, ou seja, quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura, havendo, porém, regras diferenciadas na aplicação do percentual para cálculo da contribuição devida em razão das pecularidades nos contratos firmados. No que tange aos contratos celebrados com empresas, como no caso em questão, temos duas condições a seguir: a primeira tratarse de risco global, assegurando o atendimento completo, em consultórios e em hospitais, inclusive com exames complementares, dentre outros, sendo a parcela correspondente ao valor dos serviços que serão prestados pelos cooperados nunca será inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura. A segunda condição, que não se aplica ao caso presente, em linhas gerais assegura atendimentos com maior restrição do que na condição anteriormente narrado, sendo a parcela dos serviços prestados pelos cooperados avaliados, no minim), com o percentual de sessenta por cento sobre os valores contidos nas notas fiscais ou faturas. DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE Quanto ao enquadramento na condição de entidade beneficente, descreveu a autoridade fiscal, diversos fundamentos para o lançamento realizado. Senão vejamos: A Sociedade de Ensino_ Superior Estacio de Sá Ltda., enquanto entidade dita beneficente, não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98;por não realizar os objetivos tragados pela Lei Orgânica da Assistência Social ,n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 A Autuada travestida de uma roupagem ilusória, nua de conteúdo e fora da realidade fiscal, no que concerne às suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, não comprova a aplicação de pelo menos 20% da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrante do ativo imobilizado, em gratuidade; pois nos percentuais apresentados para satisfazer a sua pretensa condição de entidade filantrópica, estão contabilizados valores de bolsas de estudos parciais, concedidos a titulo de descontos, em verdadeira concorrência de mercado, e que juntamente com os valores das bolsas de estudo, prestadas compulsoriamente em razão de Convenção Coletiva de Trabalho, aos seus funcionários e dependentes desses, não satisfaz o percentual mínimo exigido por lei, tudo conforme mais adiante demonstrado. Ainda, quanto ao seu não enquadramento como entidade beneficente de fins filantrópicos, importante enfatizar que a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., sob o manto da filantropia e usufruindo das benesses da imunidade tributária fiscal, buscou o acúmulo de capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com a aquisição de diversos imóveis, conforme amplamente demonstrado no capitulo "DO PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, notadamente no item "Relação de Imóveis de Propriedade da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda.", deste relatório, e que ao término de suas atividades como entidade beneficente, vertendo esse patrimônio, veio a compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores, atrelado estando com a criação dessa nova pessoa jurídica, não atendendo, dessa forma, aos pressupostos dos Incisos IX e X, do Artigo 3°, do Decreto n° 2.536/98, a seguir transcritos, contrariando também o artigo 26 do seu estatuto, tudo a vista dos elementos trazidos a colação neste Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento fiscal na lavratura do presente Auto de Infração: "Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. (grifei) "Estatuto da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá. Artigo 26— No caso da Assembleia Geral decidir pela extinção ou dissolução, o patrimônio da Sociedade será destinado a uma entidade congênere de idênticas finalidades. (grifei) 6) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 4 5 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos. Fazse mister citar a criação da pessoa jurídica denominada Estácio de Sá Participações S/A, já mencionada, constituída na mesma época, ou seja, em 31/03/2007, cujo estatuto está arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.3.00282050. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para evidenciar a coresponsabilidade das pessoas: física e jurídica, arroladas ao procedimento fiscal, demonstrado está, por via de seus atos constitutivos, que a composição dos quadros societários das citadas pessoas jurídicas, ou seja, da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá • Ltda. e da Estácio de Sá Participações S/A, são empresas que integram o grupo econômico e de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: (8.1) CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACO DE SA LTDA. Do Capital Social — Cláusula IV. "0 capital social é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), dividido em 5.000 (cinco mil) quotas no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalmente integralizada em moeda corrente nacional, estando ditas quotas distribuídas entre os sócios: JOAO UCH6A CAVALCANTI NETTO, 4.850 (quatro mil, oitocentos e cinqüenta) quotas no valor de R$ 4.850,00 (quarto mil, oitocentos e cinqüenta reais); MARCEL CLEÓFAS UCH6A CAVALCANTI, 50 (cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais), ANDRÉ CLE6FAS UCH6A CAVALCANTI, 50 (cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e MONIQUE UCHÕA CAVALCANTI DE VASCONCELOS, 50%(cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais). (8.2) DO ESTATUTO SOCIAL DA ESTACIO DE SA PARTICIPAÇÕES S/A — Deliberações: "0 presidente da mesa deu inicio aos trabalhos e, seguindo a ordem do dia, os presentes deliberam, por unanimidade: I) Constituir a Estácio Participações S/A., fixando o capital social da companhia em R$ 1.000,00 (um mil reais), dividido em 1000 (um mil) ações ordinárias, todas nominativas, escriturais em valor nominal, as quais foram integralmente subscritas e integralizadas em moeda nacional. Após o preenchimento do Boletim de Subscrição, verificouse que (A) João Uch6a Cavalcanti Netto, acima qualificado, subscreveu 997 (novecentos e noventa e sete) ações ordinárias, por um preço total de R$ 997,00 (novecentos e noventa e sete reais), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; (B) Marcel Cleófas Uchôa Cavalcanti, acima qualificado, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por 'um preço de R$ 1,00 Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; (C) André Cleófas Uch6a Cavalcanti, acima qualificado, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por um prego de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; e (D) Monique Uchôa Cavalcanti de Vasconcelos, acima qualificada, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por um preço de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total. II) Aprovar, sem qualquer ressalva, o Estatuto da Companhia, 9) Como restou provado o quadro societário das duas pessoas jurídicas, quando de sua criação, é composto pelos mesmos sócios e na mesma proporcionalidade de participação no capital social em ambas as empresas. 10) Quanto A abrangência da conceituação de solidariedade, à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art. 30 da Lei n° 8.212/91 e artigo 124 do CTN Lei n°5.172/66, abaixo transcritos, visa dar segurança jurídica para o cumprimento de seu mister nos casos de distorções da realidade econômica, tendo o Estado adotado mecanismos para coibir as hipóteses de simulação ou dissimulação dos negócios econômicos e/ou jurídicos, entre os quais, destacamos o instituto da solidariedade no grupo econômico, "in verbis". • Lei N° 8.212/91. "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas A Seguridade Social obedecem às normas, observado o disposto em regulamento: IX — as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre, si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;" Lei n° 5.172, de 25/10/66. "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem." QUANTO A GRATUIDADE Preliminarmente, quanto ao tema não gratuidade, necessário fazse observar os demonstrativos reproduzidos nos subitens: 11.1 a 11.3, elaborados a partir da análise dos Relatórios Anual de • Bolsistas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., que em confronto com os valores apurados na Ação Fiscal, fica cabalmente comprovado que os Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 5 7 indices, erradamente apresentados pela Autuada, quanto As suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, são irreais e desprovidos de qualquer embasamento legal pertinente ao tema em questão. Importante ressaltar que em virtude do não atendimento em tempo hábil, apesar das solicitações verbais e do Termo de Intimgdo Fiscal especifico emitido, em fornecer os Relatórios Anuais de Bolsistas, inviabilizou inserir nos demonstrativos abaixo os valores correspondentes As bolsas de estudos, integrais e parciais, fornecidas aos dependentes dos funcionários o due, seguramente, seria mais um fator desfavorável à Autuada. Elaborou a autoridade fiscal planilhas, demonstrando para os respectivos anos, quais os percentuais de gratuidade que realmente se enquadram dentro dos ditames legais, constatando, que a empresa emprega percentual de gratuidade abaixo do estabelecido em lei, conforme descrito no próprio relatório e a seguir transcrito: No que concerne As bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. o faz compulsoriamente em atenção ao estabelecido pelas convenções coletivas de trabalho firmadas com os respectivos sindicatos das categorias profissionais, ou seja: • Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região e Sindicato das Mantenedoras de Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro em sua cláusula CI.26 — Gratuidade de Ensino: "Nos cursos de graduação continuará a ser assegurado aos professores gratuidade de ensino, total o parcial, para ele próprio e seus dependentes. A partir de 01/01/2000, sem prejuízo para os beneficiários que já gozavam da gratuidade total ou parcial, na forma da Convenção Coletiva de 1/4/1998, serão observadas as seguintes regras:" • Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro e Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Estado do Rio de Janeiro em sua cláusula 6a: "Manutenção ao direito de gratuidade de matricula e ensino ao empregado, a partir do fimi do período de experiência, ou um dependente para cada dois anos de serviços efetivos ao empregador, durante a manutenção do contrato de trabalho e na hipótese de ocorrer demissão sell preservado o direito até o final do semestre." 13) A Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., como é notório, enquanto se denominava "entidade beneficente de caráter filantrópico", adotou uma política — agressiva de mercado concedendo expressiva redução em suas mensalidades a servidores de diversos órgãos públicos e empregados de empresas estatais; conferia também redução de 50% (cinqüenta por cento) nas mensalidades daqueles alunos que ao ingressarem na faculdade, já possuíssem curso superior, ou seja, Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 que estavam concluindo seu segundo ou mais curso de nível superior. 14) Quanto As bolsas concedidas por força de Convenção Coletiva de Trabalho, é evidente, que não podem figurar como gratuidade por não estarem contemplando o público alvo da assistência social, cujo objetivo é atender aos grupos mais fragilizados da população como a crianças, adolescentes, velhos e deficientes. Ainda, com relação à concessão de bolsas parciais a lógica é a mesma, não se pode considerar pessoas que almejam uma graduação em nível superior e muito menos uma segunda graduação em cursos universitários, por mais meritório que seja, como carentes até porque, cairíamos no ridículo de considerar todos aqueles contemplados com alguma forma de bolsa de estudo como carentes. 15) Necessário se faz atentarmos para o fato de que o comando legal considera como aplicação em gratuidade os serviços, prestações ou benefícios de assistência sociais beneficentes concedidos "a quem dela necessitar" (artigo. 203, CF/88) para o atendimento de suas "necessidades básicas" (artigo. 1 0, Lei 8.742/93); bem como não se enquadram nesse conceito os serviços, prestações ou benefícios conferidos a todos indistintamente, os que não se destinam a suprir uma necessidade básica do cidadão e os que têm por finalidade qualificar funcionários ou concederlhes benefícios trabalhistas em razão de Convenções Coletivas de Trabalho. Cobra relevo, que os percentuais estabelecidos para o fim de se verificar o cumprimento da exigência estabelecida nos artigos 2°, inciso IV, do Decreto n° 752, de 1993, e 3°, inciso VI, do Decreto n° 2.536, de 1998, não podem ser conjugados, não sendo lícito compor os limites do percentual de 20% de aplicação em gratuidade com parcelas de descontos e reduções das mais diversas formas sob o rótulo de "gratuidade" estando, tais parcelas longe de se amoldarem ao conceito de aplicação em gratuidade para fins beneficentes, conforme— e disciplinam os pressupostos reguladores. Isto posto, restou provado que Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá não comprovou a aplicação do percentual de 20% (vinte por cento) da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrantes do ativo imobilizado. • 17) Por fim, quanto ao tema não gratuidade, se uma instituição se reveste de tal qualidade, mas na verdade busca a acumulação de riquezas em beneficio de um ou de alguns, cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, através do devido processo legal, in Casu, onde é assegurado o direito constitucional da ampla defesa, rever o enquadramento da imunidade/isenção, analisando como no caso presente, se os requisitos constantes da Lei estão sendo ou não observados. DESTAQUE PARA OS IMÓVEIS ALIENADOS APÓS A TRANSFORMAÇÃO DA ENTIDADE EM EMPRESA COM FINS LUCRATIVOS. 21) Conforme já assinalado nos itens: III, V e XIII, a alienação por parte da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., dos imóveis remanescentes do seu Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 6 9 patrimônio, a seguir elencados, mais uma vez demonstrase de forma cabal ao não atendimento ao dispositivo legal atinente matéria, consoante arrazoado exarado no item 5 (cinco) deste Relatório Fiscal. Por derradeiro, antecipando A demonstração do crédito fiscal constituído, cabe relatar que a contabilidade do Contribuinte, nas contas n: 411.03.10 e 421.03.10 — Aluguéis e Condomínios revelam expressivo valor pago a João Uchiia Cavalcanti Netto, presidente da entidade, que uma vez comprovado a origem de tais pagamentos na forma lançada, em nada altera o procedimento fiscal em curso. Ocorre que, depois de reiteradas solicitações verbais, culminando com a emissão do Termo de Intimgdo Fiscal, solicitando a exibição dos elementos que deram origem a tais lançamentos contábeis, nenhum documento foi apresentado para tal comprovação, dando origem ao lançamento do crédito fiscal a titulo de prólabore, lançado A cota do Auto de Infração de N° 37.205.9236 e n° 37.205.9244, com fulcro no disposto no artigo 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/91, e que uma vez não sendo apresentada nenhuma prova em contrário, estará mais uma vez, além das provas já trazidas à colação nos itens e subitens anteriores, descaracteriza a condição de entidade filantrópica da ora Autuada por transgressão, dessa vez, ao disposto pelo artigo 3°, inciso VIII, do Decreto n° 2.536/98. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para evidenciar a coresponsabilidade das pessoas: física e jurídica, arroladas ao procedimento fiscal, demonstrado está, por via de seus atos constitutivos, que a composição dos quadros societários das citadas pessoas jurídicas, ou seja, da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá • Ltda. e da Estácio de Sá Participações S/A, são empresas que integram o grupo econômico e de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/12/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 23/12/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 163 a 242. O processo foi baixado em diligência, fl. 1177 a 1179 (Volume 09), considerando as alegações do recorrente, em especial destacou a autoridade julgadora: “por força do principio do contraditório e da ampla defesa (art.5°, LV da CF/88), proponho, com fundamento no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, o retomo dos autos à DEFIS — Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro a fim de que a autoridade lançadora elabore relatório fiscal complementar indicando, com base na situação fática colhida durante a ação fiscal, quais os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do art. 28 da Medida Provisória n° 446, ensejaram o lançamento direto das contribuições patronais, utilizando a regra do art. 31 da mesma MP.” 6. De acordo com o disposto no § 7° do art. 195 da Constituição Federal, "são isentas de contribuição para a Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam As exigências estabelecidas em lei". 7. As exigências is quais o dispositivo constitucional acima citado faz referência eram as previstas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. 8. Conforme destaca o contribuinte em sua peça impugnatória, o § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, traz a regra de elaboração prévia de informação fiscal para os casos de descumprimento do art. 55 da citada Lei, com vistas ao cancelamento da isenção, para que se apure créditos contemplando a cota patronal prevista no art. 22 da mesma lei. 9. Contudo, esta sistemática formada pelos ditames da lei 8.212/91 conjugada com o Regulamento, foi revogada pela Medida Provisória n° 446, de 7 de novembro de 2008. A recente Medida Provisória dispôs sobre os novos requisitos para a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulando também a nova sistemática de isenção de contribuições para a Seguridade Social. 10. Em 10/02/2009, a Camara dos Deputados rejeitou a MP n° 446/08. Com a rejeição do ato, o art. 55 da Lei n° 8.212/91 teve sua eficácia restabelecida. Um decreto legislativo deveria regular as relações jurídicas decorrentes da MP rejeitada, conforme prevê a Constituição Federal, art. 62, § 3°. Não editado o decreto legislativo até sessenta dias após a rejeição da medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas, ainda de acordo com a Carta Magna, art. 62, § 11. 11. Da ordem cronológica descrita acima, podemos situar o auto de infração em tela no período de vigência da Medida Provisória n° 446 e, por conseguinte, admitirseá a validade do lançamento realizado sem o p évio procedimento descrito no § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, por força do então vigente art. 31 da Medida Provisória n° 446. 12. Ocorre que, mesmo que se possa depreender do lançamento a utilização da regra processual descrita no art. 31 da referida MP, tal dispositivo não foi invocado no relatório fiscal. Ademais, a análise &flea contemplada pelo autuante em seu relatório visa claramente a desconsideração da autuada como entidade beneficente de fins filantrópicos com base nos requisitos da Lei 8.742/93, em seu artigo 2° incisos I a IV e do Decreto 2.536/98. 13. Desta forma, por força do principio do contraditório e da ampla defesa (art.5°, LV da CF/88), proponho, com Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 7 11 fundamento no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, o retomo dos autos à DEFIS — Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro a fim de que a autoridade lançadora elabore relatório fiscal complementar indicando, com base na situação fitica colhida durante a ação fiscal, quais os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do art. 28 da Medida Provisória n° 446, ensejaram o lançamento direto das contribuições patronais, utilizando a regra do art. 31 da mesma MP. 14. Importa ainda ressaltar que deve ser promovida a intimação do interessado do inteiro teor do relatório, das provas ou fatos que, em decorrência da diligência ora determinada venham a ser trazidos aos autos, conforme previsto no art. 23 e parágrafos do Decreto 70.235/72, concedendolhe, expressamente, reabertura de prazo para defesa, salientando que o procedimento de envio da Informação Fiscal ao contribuinte suprirá a falta de fundamentação legal do lançamento que porventura tenha sido embasado na referida medida provisória. 15. A comprovação de recebimento no endereço da empresa ou de qualquer de seus sócios, ou, frustrados esses meios, através de edital, deverá ser acostada aos autos do presente processo administrativo, antes de sua devolução a esta Delegacia de Julgamento. A autoridade fiscal elaborou informação fiscal, reforçando que as situações descritas no relatório fiscal são suficientes para fundamentar o lançamento fiscal, fls. 1181 a 1185. Preliminarmente, cabe ressaltar que a Empresa SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, conforme fiz constar do Relatório Fiscal Inicial, item a seguir reproduzido, é pessoa jurídica com fins lucrativos desde a data de 09/02/2007. Portanto, descabida é qualquer alusão à fatídica Medida Provisória n° 446, de 7 de novembro de 2008, rejeitada em 10 de fevereiro de 2009, que durante a sua curta vigência dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulando os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. Tema não acolhe as pretensões da Autuada por ser a mesma A época de vigência da medida provisória uma empresa de responsabilidade limita com fins lucrativos. "10) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fms lucrativos." Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 2) 0 relatado acima, que por si s6, sepulta qualquer questionamento quanto A matéria trata na citada medida provisória, visto que A época da autuação a SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, empresa com fins lucrativos desde 09/02/2007, já estava fora do alcance da tutela do mencionado dispositivo legal, em seu curtíssimo período de existência jurídica. 3) Além do mais, o Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento da autuação fiscal, é rico em detalhes quanto ao não enquadramento da citada empresa como entidade de fins filantrópico nos moldes da legislação vigente A época do fato, fartamente fundamentado no teor do mencionado relatório. 4) Porém, em que pese A inaplicabilidade da Medida Provisória n° 446, por tudo que dos autos fiz constar, notadamente no item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial, como forma de prestigiar a Respeitável Resolução atendendo sua solicitação, transcreverei a seguir os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do artigo 28 da citada medida provisória, não observada pela Autuada na infrutífera tentativa de obter As benesses filantrópicas. I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1 0; Resposta => Item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial. "10) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA —Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuidas pelos respectivos atos constitutivos; Resposta => Não foi constatada nenhuma remuneração direta paga h diretoria. No entanto cabe a ressalva do item 24 (vinte e quatro) do relatório fiscal na lavratura dos Autos de Infração 37.205.9236 e 37.205.9244, arrolando contribuição a titulo de prólabore: "24) Por derradeiro, antecipando a demonstração do crédito fiscal constituído, cabe relatar que a contabilidade do Contribuinte, nas contas n's: 411.03.10 e 421.03.10 – Aluguéis e Condomínios revelam expressivo valor pago a João Uchija Cavalcanti Netto, presidente da entidade, que uma vez comprovado a origem de tais pagamentos na forma lançada, em nada altera o procedimento fiscal em curso. Ocorre que, depois de reiteradas solicitações verbais, culminando com a emissão do Termo de Intimação Fiscal, solicitando a exibição dos elementos que deram origem a tais lançamentos contábeis, nenhum documento foi apresentado para tal comprovação, dando origem Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 8 13 ao lançamento • do crédito fiscal a titulo de prólabore, lançado à cota do Auto de Infração de N° 37.205.9236 e n° 37.205.924 4, com fulcro no disposto no artigo 33, §§ 2° e 30, da Lei 8.212/91, e que uma vez sendo apresentada nenhuma prova em contrário, estará mais uma vez, além das provas já trazidas h colação nos itens e subitens anteriores, descaracteriza a condição de entidade filantrópica da ora Autuada por transgressão, dessa vez, ao disposto pelo artigo 3 0, inciso VIII, do Decreto n° 2.536/98." III aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Resposta => Item 15 e subitens do Relatório Fiscal Inicial. "15) Preliminarmente, quanto ao tema não gratuidade, necessário fazse observar os demonstrativos reproduzidos nos subitens: 15.1 a 15.3, elaborados a partir da análise dos Relatórios Anual de Bolsistas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., que em confronto com os valores apurados na Ação Fiscal, fica cabalmente comprovado que os indices, erradamente apresentados pela Autuada, quanto às suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, são irreais e desprovidos de qualquer embasamento legal pertinente ao tema em questão. Importante ressaltar que em virtude do não atendimento em tempo hábil, apesar das solicitações verbais e do Termo de Intimação Fiscal especifico emitido, em fornecer os Relatórios Anuais de Bolsistas, inviabilizou inserir nos demonstrativos abaixo os valores correspondentes Is bolsas de estudos, integrais e parciais, fornecidas aos aos dependentes dos funcionários o que, seguramente, seria mais um fator desfavorável h Autuada." (...) IV preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; Resposta => Item 9 (nove) do Relatório Fiscal Inicial. "9) Ainda, quanto ao seu não enquadramento como entidade beneficente de fins filantrópicos, importante enfatizar que a Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda., sob o manto da filantropia e usufruindo as benesses da imunidade tributária fiscal, buscou o acúmulo de capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com a aquisição de diversos imóveis, conforme amplamente demonstrado no capitulo "DO PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, notadamente no item "Relação de Imóveis de Propriedade da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda.", deste relatório, e que ao término de suas Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 atividades como entidade beneficente, vertendo esse patrimônio, veio a compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores, atrelado estando com a criação dessa nova pessoa jurídica, não atendendo, dessa forma, aos pressupostos dos Incisos IX e X, do Artigo 3°, do Decreto n° 2.536/98, a seguir transcritos, contrariando também o artigo 26 do seu estatuto, tudo a vista dos elementos trazidos a coin do neste Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento fiscal na lavratura do presente Auto de Infração: "Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. (grifei) "Estatuto da Sociedade de Ensino Superior Estficio de Sá. Artigo 26 — No caso da Assembléia Geral decidir pela extinção ou dissolução, o patrimônio da Sociedade será destinado a uma entidade congênere de idênticas finalidades." (grifei) V não seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; Resposta => Item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial. "10) A Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA —Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; Resposta => Conforme já relatado a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. a partir de 09/02/2007, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, transformou se em pessoa jurídica limitada, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." logo, a distribuição de resultados é inerente a sua natureza jurídica. X conserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizados que venham a modificar sua situação patrimonial; Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 9 15 Resposta => Os anos calendários fiscalizados foram: 2003, 2004 e 2005 sendo lavrado o Auto de Infração DEBCAD N° 37.205.9287 por infração ao disposto pelo Inciso III, Artigo 32, da Lei N° 8.212/91; ou seja, não prestou a esta Fiscalização todos os esclarecimentos e as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, uma vez que, embora devidamente intimada. XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e Resposta => No curso da ação fiscal foi lavrado os Autos de Infrações: DEBCAD N° 37.205.9287 e DEBCAD N° 37.205.9295 por descumprimento de obrigações acessórias. XIII zele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Resposta => Os itens: 8 (oito), 9 (nove), 10 (dez), 15 (quinze) e 20 (vinte), dentre outros, inseridos no Relatório Fiscal Inicial demonstram o não cumprimento dos requisitos atinentes as entidades beneficentes de caráter filantrópico. 5) Por derradeiro, no que concerne ao subitem 5.4 (cinco ponto quatro) e item 8 (oito) da presente Resolução, mesmo que se admitindo a aberração jurídica de considerar a Empresa SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA., pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, e por tudo que consta dos Autos, uma entidade beneficente de caráter filantrópico, mister se faz atentar para o teor do Acórdão do EResp N° 572.603, do Superior Tribunal de Justiça, Relator Ministro Carlos Meira, publicado no DJ de 05/09/2005. E ainda, principalmente, quando se tem noticias da Ação Popular N° 2007.71.07.0066400 (RS), cujo objeto é a Anulação da Isenção/Imunidade de Contribuições da Seguridade Social, retroativo ao ano de 1995, da qual a ora Autuada integra seu pólo passivo. • 6) A Consideração Superior com solicitação do retorno dos autos â 13 TURMA DA DRJ/RJ1, com trânsito pela EQCDP/DERAT/RJO. Devidamente cientificado dos termos da diligência, manifestouse o recorrente, fls. 1190 a 1296, alegando persistir a nulidade de fundamentação, posto não ter sido indicado o art. 31 da MP 446, destacando que a jurisprudência é pacífica no sentido que a falta da indicação de dispositivo legal acarreta nulidade, pois implica cerceamento do direito de defesa. Foi exarada a Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 1681 a 1709, excluindo do polo passivo o devedor solidário e declarando a decadência parcial do crédito em relação ao período de 01/2003 a 11/2003, pela aplicação da regra do art. 150, § 4 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 MEDIDA Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 PROVISÓRIA 446/2008. PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRÉREQUISITOS. Aplicase a MP 446/2008 aos lançamentos efetuados sob a sua vigência, no caso de regra que institua um novo procedimento de fiscalização, in casu, previsto no artigo 31 da referida norma. Descumpridos os requisitos previstos em lei para a manutenção dó beneficio, a autoridade fiscal está autorizada a lançar o crédito tributário TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdencidrias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA. devida, pela empresa contratante, a contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE Não é o foro administrativo o apropriado para as discussões relativas a inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos legais utilizados nos lançamentos de crédito tributário. Usurpação de função. Art.109 da Constituição Federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1798 a 1913, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Nulidade por não observância do devido processo legal; 2. Os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social referentes ao período autuado continuam em pleno vigor, e a impugnante não foi desqualificada como entidade isenta; 3. A fim de demonstrar a continuidade da isenção originalmente concedida, ressalta que a suspensão da aplicabilidade do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91 prevaleceu até a revogação daquele dispositivo pela Medida Provisória 446/2008. Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 10 17 4. As condições para deferimento do CEBAS, que por sua vez é prérequisito para a isenção das contribuições patronais, estão listados no Decreto 2.536/98, competindo ao CNAS, de acordo com aquele diploma legal, julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social; 5. Por essa razão, a Fiscalização da Receita Federal poderia, no máximo, representar ao CNAS o alegado descumprimento daquelas condições, não estando legitimada para proceder à presente autuação; 6. Os processos administrativos n° 44000.00807/200531 e 71010.001807/200330, instaurados com a interposição de recurso ao Ministro da Previdência Social pela Secretaria da Receita Previdenciária, não haviam sido julgados na data da autuação, tendo sido extintos pelo art. 38 da MP 446, de 07/11/2008. 7. De qualquer modo, o CEBAS concedido à impugnante em novembro de 2000, com validade para o triênio 2001/2003, nem mesmo poderia ser cancelado, ainda que instaurado procedimento próprio para essa finalidade, eis que vencido em novembro de 2005 o prazo decadencial estabelecido no art. 54 da Lei 9.784/99. Cita aresto da Primeira Seção do E. STJ em abono de sua tese; 8. Ainda que cancelados os CEBAS, farseia necessário formalizar a desqualificação da isenção, mediante a instauração de procedimento especifico, nos moldes previstos no § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, a partir da emissão de informação fiscal. Somente após a apresentação de defesa ou decorrido o prazo para sua interposição, poderia a Receita Federal do Brasil, emitir, se fosse o caso, um Ato Cancelatório, e posteriormente, vir a lançar os valores considerados devidos; 9. Tal levantamento só poderia se reportar a fatos geradores com data posterior ao cancelamento da isenção, eis que, conforme excertos doutrinários e jurisprudenciais que aduna, os efeitos da revogação de ato administrativo se operam apenas para o futuro, restando intangíveis os praticados durante a sua vigência; 10. A MP 446/2008 pretendeu preservar as entidades As quais já se havia reconhecido o direito à isenção ou que haviam pleiteado esse reconhecimento, conforme se infere dos termos dos arts. 37 e 38 do referido diploma legal; 11. A fiscalização teria utilizado apenas juizo de valor para proceder ao cancelamento, sem embasamento objetivo. A autuação ocorreu antes do decurso de prazo para apresentação de documentos pela impugnante, assim, por estes motivos seria nulo o lançamento; 12. Argui a decadência de parte do período lançado suscitando a aplicação do artigo 150, § 4 do CTN para a contagem do prazo decadencial; 13. Quanto A questão da gratuidade, a Fiscalização lançou mão de mera convicção subjetiva, para equiparar simplesmente todas as bolsas parciais concedidas a seus alunos a descontos comerciais; 14. A Autoridade Fazendária desconsiderou, para fins de aferição do percentual da receita bruta aplicado em gratuidade, as bolsas de estudo parciais e as concedidas a empregados e seus familiares; Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 15. As bolsas de estudo parciais são expressamente admitidas pela legislação previdenciária, mais precisamente o art. 3°, VI da Resolução CNAS n° 177, de 10/08/2000, entendimento corroborado no art. 10 da Lei 11.096, de 2005, que institui o Programa Universidade para Todos —PROUNI. Transcreve os dispositivos citados; 16. A concessão de bolsas parciais pela impugnante sempre observou um critério de exame prévio da situação financeira do beneficiário. Relata os procedimentos adotados pela empresa no particular; 17. A partir da adesão da impugnante ao PROUNI, em dezembro de 2004, a comprovação da gratuidade desvinculouse do Decreto 2.536/98, passando a ser regida pela Lei 11.096/2005. Esta, repetindo o estatuído na MP 213,de 10/09/2004, determinou a concessão, pelos Conselheiros do CNAS, dos certificados As entidades que não houvessem cumprido nos dois triênios anteriores o requisito relativo A aplicação de gratuidade e, como conseqiiência lógica, a manutenção dos certificados já concedidos, mesmo constatandose a não observância do requisito em questão pelas eventuais interessadas; 18. Não existe óbice legal A aquisição de imóveis por parte das entidades beneficentes, bem como A. sua alienação. No caso em tela, os imóveis adquiridos o foram para a consecução dos objetivos institucionais, e as vendas posteriores observaram critérios operacionais; 19. A legislação prevê a destinação especifica do patrimônio das entidades imunes apenas nos casos de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento das atividades, hipótese distinta da ocorrida, eis que, ao transformarse a entidade em sociedade empresária, não ocorreu dissolução ou liquidação, conforme a regra insculpida no art. 1.113 do Código Civil. A Lei do Prouni, em seu art. 13, acolheu esse conceito; 20. Destaca, ainda, que o patrimônio da impugnante não foi vertido p a a sociedade empresária denominada Estácio Participações S/A. Esta, na realidade, foi criada por seus sócios após a transformação da entidade, integralizando parte do seu capital com quotas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Si Ltda, com o cuidado de registrar os supenivits acumulados até a data da transformação, em conta de reserva de capital não distribuivel aos sócios; 21. Quanto à presunção de que os valores pagos ao sócio da impugnante Sr. João Uchoa Cavalcanti Netto corresponderiam a remuneração paga ao mesmo, junta contratos de locação e respectivos aluguéis, demonstrando que a impugnante é locatária dos imóveis de sua propriedade; afirma ainda que os pagamentos de condomínio são de responsabilidade da impugnante, conforme estipulado nos referidos contratos, que anexa. 22. Ainda em relação a qualidade de entidade beneficente com direito isenção no período da autuação, traça uma linha do tempo, afirmando que tinha direito adquirido desde a concessão original, em 1970, assegurado pela Lei 3.577/59; 23. Prossegue destacando que foi registrada como entidade de fins filantrópicos junto ao CNAS em novembro de 1974, obtendo, em abril de 1975, o Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos, sucessivamente renovado, até ser transformado no CEBAS, que também continuou a ser regularmente renovado, conforme documentos que acosta; Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 11 19 24. Quando da publicação do .DecretoLei 1572/77, que revogou a Lei 3.577/59, sendo, como visto, portadora do Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos, e tendo requerido o reconhecimento de entidade de utilidade pública federal, deferido em 1981, enquadrouse na hipótese do § 2° do art. 10 do referido Decretolei, permanecendo no gozo do beneficio previsto na lei revogada; 25. Aduna arestos em abono da tese do direito adquirido, expressando, outrossim, sua convicção de que a hipótese é de imunidade e não de isenção; 26. Investe contra o arrolamento de bens efetuado pela fiscalização, que inquina de inconstitucional, e contra a corresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que a Fiscalização não comprovou a hipótese da aplicação do artigo 30, IX da Lei 8.212/91 à Esticio Participações; alega ainda ser tal dispositivo inconstitucional. 27. Afirma faltar a fundamentação legal da qualificação dos corresponsáveis, ofendendo a lei 9.784/99 e requer a nulidade em função da ausência de fundamentação. Afirma que a responsabilidade dos sócios por débitos de pessoas jurídicas foi revogada com o artigo 13 da Lei 8.620/93, sendo que as hipóteses de responsabilização de pessoas fisicas atribuida pelo CTN é extremamente restrita. 28. O acordão recorrido de forma imprópria não reconheceu o argumento quanto à ausência de responsabilidade da recorrente pelo recolhimento de contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho. 29. Por fim, requer a nulidade do auto de infração por ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, ou, alternativamente, que sejam excluídas as pessoas fisicas e jurídicas indicadas como corresponsáveis tributários, dando provimento à impugnação; em relação ao mérito, e cancelando o lançamento. 30. Defende a nulidade e improcedência da autuação por ausência de fundamentação legal, uma vez que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução, a autoridade lançadora em momento algum indicou o art. 31 da MP n°446/08. 31. Ressalta a importância do disposto no art. 31 da MP n° 446/08 para as pretensões da Fiscalização, pois é esse o artigo que trata, justamente, das conseqüências advindas pelo não cumprimento dos requisitos constantes no art. 28 da referida Medida Provisória. 32. Exclama que a diligência proposta representa uma alteração da fundamentação legal do auto, revelando, assim, um novo lançamento, realizado pela 13° Turma, autoridade incompetente para constituir crédito tributário. 33. Entende que a MP n° 446/08 não poderia ser aplicada ao lançamento sob pena de ofender os artigos 106,144 e 146 do Código Tributário. 34. Registra que o § 1 0 do art. 144 do CTN não é aplicável ao presente caso, pois ele se refere apenas ao procedimento e às prerrogativas instrumentais e não à ocorrência ou não do fato gerador em si, como no caso em tela, quando se trata de requisitos necessários para usufruir isenção, ou seja, fenômeno intrinsecamente relacionado com o aspecto substancial desta última. Cita conceituada doutrina. Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 35. Alega ter cumprido todos os requisitos do artigo 28 da MP 446/2008, em que pese discordar da aplicação da referida MP ao seu caso. 36. Afirma que cumpriu o inciso I do citado dispositivo pois não há nenhum óbice a que a entidade de assistência social exerça atividade educacional; 37. Cumpriu o inciso II pois alega que a autoridade lançadora não constatou nenhuma remuneração direta paga à diretoria, tendo apenas presumido o pagamento de remuneração ao sócio João Uchoa Cavalcanti Nett° pela suposta falta de apresentação de documentos. A juntada de documentos relativos aos contratos de aluguel é o suficiente para infirmar a presunção da Fiscalização, acrescentando, em relação aos pagamentos efetuados a titulo de pro labore, que os acórdãos proferidos pela DRJ/RJ1 em 27/05/2009 decidiram que não se enquadrava como salário de contribuição a verba paga como aluguel; 38. Afirma que o requisito de aplicar integralmente suas rendas e recursos na manutenção de atividade institucionais (inciso III do artigo 28 da MP) também foi plenamente cumprido; 39. Defende que o inciso IV do mesmo artigo também foi cumprido. Admite que adquiriu muitos imóveis ao longo de seus anos de atividade, mas todos foram usados na consecução de seus objetivos, não existindo na legislação nada que vede a aquisição destes bens pelas entidades assistenciais, em especial porque os imóveis foram usados como campi ou unidades administrativas da autuada; A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 12 21 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008 do Ministro da Fazenda, bem como recurso voluntário interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1934. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Primeiramente cumprenos apreciar o Recurso de Ofício. Quanto a esse ponto entendo passível de conhecimento uma vez que valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao CARF foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor de um milhão de reais, o que se coaduna com o processo em questão, já às fl. 2102, demonstrou o julgador de primeira instância, que a exoneração em relação ao Valor Principal (sem juros ou multa), ultrapassa o montante previsto na portaria. Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Assim, passemos a apreciar a preliminar de nulidade que ensejou a exoneração do crédito. DA DECADÊNCIA Quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 13 23 publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 14 25 pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 15 27 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No caso ora em análise, trouxe a autoridade julgadora, como fundamento para aplicação de art. 150, § 4º, o fato de identificar no conta corrente a existência de recolhimentos de contribuições de segurados para todo o período, restando configurado pagamento parcial. Contudo, não me filio a essa tese, posto que, em se considerando detentora de imunidade a recorrente não efetuava o recolhimento da parcela patronal, mas tão somente da contribuição descontada dos segurados empregados. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que existem recolhimentos no conta corrente, mas identificar, a que contribuição o recolhimento ali descrito referese. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 23/12/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2003 a 12/2005, sendo assim, a luz do art. 173, I não há decadência a ser declarada.. Isto posto, entendo que deva ser dado provimento ao Recurso de Ofício neste ponto. DA CORRESPONSABILIZAÇÃO DA EMPRESA ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES. Quanto a este ponto filiome a tese trazido pela autoridade julgadora, quanto a possibilidade de corresponsabilização em relação a empresas que à época da ocorrência dos fatos geradores, encontravamse nessa situação. Conforme descreveu o auditor, a empresa Estácio Participações surgiu em data posterior, razão porque correto o posicionamento de Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 excluíla da condições de responsável solidária pelo débito apurado. Concordando com os termos termos da decsão proferida, transcrevoa abaixo e a adoto como razões de decidir. Corresponsabilização da empresa Esticio Participações S/A pela formação de Grupo Econômico 16. Cumpre distinguir bem o tópico que se inicia da questão anteriormente abordada. Ou seja, devemos agora apontar as diferenças entre a indicação das pessoas fisicas que representam a sociedade, conforme feito anteriormente, da imputação de responsabilidade solidária a uma terceira pessoa jurídica. 16.1. Conforme o Relatório Fiscal, a empresa ESTACIO PARTICIPAÇÕES S/A foi arrolada neste processo como solidária. Por essa razão, e não obstante a coincidência da composição societária das duas empresas, considerando que estas têm personalidades jurídicas distintas, houve a necessidade de intimação da empresa para que exercesse seu direito de defesa em relação aos fatos narrados no relatório. 16.2. No caso, a caracterização do grupo econômico baseiase em razões alheias A qualquer sucessão. Ademais, não se subsume A previsão especifica sobre a responsabilidade tributária dos sucessores contida no art. 132 do CTN. 0 grupo existe e basta que ocorra o controle, conforme o cOnfessadci pela impugnante, para que seja notória a formação do grupo. 16.3. Este Órgão Colegiado, de fato, não vislumbra a possibilidade de se descartar a caracterização de grupo econômico elaborada pelo autuante. Contudo, demonstraremos a seguir que tal fato não implica diretamente a responsabilização da empresa ESTACIO PARTICIPAÇÕES S/A pelo adimplemento das obrigações especificas contidas neste lançamento. 16.4. Pelas disposições do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa jurídica obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária (art. 121), ostentando esta condição o contribuinte que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador ou o responsável que, sem ser contribuinte, tem obrigação por disposição de lei. 16.5. A figura da solidariedade é aplicável As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nos termos do artigo 124 do Código, ou Aquelas expressamente designadas por lei. 16.6. Já o artigo 142 situa a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação no ato de lançamento, assim entendido o procedimento administrativo que determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo devido, identifica o sujeito passivo e, sendo caso, propõe a aplicação da penalidade cabível. 16.7. Dessa forma, se interpretarmos o art. 142 combinado com o art. 144, que dispõe que o lançamento deve se reportar A data da ocorrência do fato gerador, regendose pela lei então vigente, temos que a identificação do sujeito passivo é determinada concomitantemente com o fato gerador da obrigação. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 16 29 16.8. E não poderia ser diferente eis que, se a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, somente na vigência do mesmo é que se pode determinar quem seria o obrigado (na condição de contribuinte ou responsável). 16.9. Os fatos geradores que deram origem ao lançamento sob análise ocorreram entre 01/2003 a 12/2004, sendo que a ESTACIO PARTICIPAÇÕES S/A só passou a existir, e portanto, somente podemos considerar o inicio de um grupo econômico, a partir de 2007. Antes disso, não hi como considerar que a empresa, ainda inexistente, possuísse interesse comum nas situações que constituíam os fatos geradores das obrigações não adimplidas pela Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá. 16.10. Nesta mesma linha, Rubens Gomes de Sousa, assim tratou o interesse comum: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. 0 interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. E solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação. Por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributário" (in Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3! ed, p 67). 16.11. Muito embora o procedimento do Fisco de colocar no pólo passivo de lançamentos tributários, na condição de solidárias, algumas empresas somente pelo fato de pertencerem ao mesmo grupo econômico (que são, genericamente, as pessoas jurídicas que mantém vínculos societários diretos ou indiretos entre si), a jurisprudência de nossos Tribunais afasta pretensões dessa natureza, por entender que a mera existência de relação de natureza societária entre empresas não tem o condão de caracterizar o interesse comum dos envolvidos, sem que se comprove que ambas tam relação direta com o fato gerador. 16.12. Os seguintes julgados, da P e 2 Turma do Superior Tribunal de Justiça, bem demonstram o entendimento: Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. EXISTÊNCIA DE CONGLOMERADO FINANCEIRO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STI VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. SOLIDARIEDADE TRIBUTARIA PASSIVA. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO. 1. A comprovação de que o BANCO e a ARRENDADORA MERCANTIL constituem partes de uma única organização econômica está atrelada aos aspectos fáticoprobatórios da causa, cujo reexame é inviável em sede de recurso especial, tendo em vista a circunstância obstativa decorrente do disposto na Súmula 7/STJ. 2. "Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do C77V, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (ILARADA, Kiyoshi. "Responsabilidade solidária por interesse comum na situação que constitua o fato 3. Agravo regimental desprovido." (Ag.Rg. AI n.° 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, 1.° Turma, DE 26/3/09) "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO SOLIDARIEDADE PASSIVA INEXISTÊNCIA PRECEDENTES. 1. Ê. tranqüilo nesta Corte o entendimento segundo o qual não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. 2. Recurso especial não provido." (REsp. n.° 1.079.203/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, 2.° Turma, DE 2/4/09) Ê. relevante, ainda, a afirmação contida em outro julgado do STJ, quando acentua que a mera participação em resultados entre empresas que compõem um grupo econômico não gera a solidariedade: "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Min. Denise Arruda, 1.° Turma, de 15/12/2008). 16.13. 0 art. 30 inciso IX da Lei n.° 8.212/91, deve ser interpretado sob a sistemática do Código. Assim, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 17 31 obrigações decorrentes da lei. Contudo é essencial que o grupo econômico coexista com a prática do fato gerador para que se possa admitir a ampliação do pólo passivo para albergar todas as pessoas que possuam interesse nos fatos que originaram o crédito tributário. 16.14. Desta forma, acolhemos o aparato defensório para retirar do pólo passivo a empresa Estácio Participações S/A. DA APRECIAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO DAS QUESTÕES PRELIMINARES: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se desconsiderasse a condição de isenta da entidade no período objeto do lançamento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente, quanto a norma procedimental adotada pela autoridade fiscal. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 592, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 594 a 599, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento, bem como reiterando o pedido de alguns documentos. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 587, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Da mesma forma, quando da baixa do processo em diligência pelo órgão julgador, providenciou a autoridade fiscal a devida cientificação do recorrente dos termos da informação fiscal Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 32 Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria e consequente desenquadramento da condição de isenta, destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na IN 03/2005 esclarece seu objetivo. Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. DA FALTA DA INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL DO PROCEDIMENTO. Alegou recorrente que a ausência do art. 31 da MP 446/2008, acarreta a nulidade do procedimento, o que venho a discordar. O próprio recorrente ao apreciar os termos do relatório fiscal complementar, indicou que o fundamento para o lançamento era o art. 31, sendo que o auditor apenas fez menção ao art. 28 da referida MP. Ora, como alegar nulidade por cerceamento de defesa, se o próprio contribuinte sabe o dispositivo legal que autoriza o procedimento fiscal. Observamos que em seu relatório, bem como na informação fiscal, trouxe o auditor fiscal de forma detalhada todos os fatos que entendeu pertinentes a lavratura do auto de infração, descrevendo que a empresa não mais se enquadrava na condição de isenta e explorando os aspectos inerentes ao descumprimento dos requisitos que a qualificariam na condição de entidade beneficente em gozo de isenção de contribuições previdenciárias. Entendo que ao descrever os fatos e fundamentos que entendeu relevantes para constituição do crédito, bem como ao destacar em sua informação, os fundamentos da MP 446 não haveria a necessidade de informar o dispositivo legal, desde que se deixe claro o embasamento legal que fundamenta o lançamento, o que entendo restou demonstrado. Assim, afasto a nulidade pela ausência da indicação do dispositivo legal. Quanto ao mérito de o fundamento encontrarse equivocado será apreciado mais a frente. QUANTO A INCOMPETÊNCIA DO LANÇADOR Da mesma forma, não acato o argumento de que a realização de diligência seria inviável para correção na fundamentação jurídica do lançamento, nem tampouco acato o argumento que o lançamento tenha sido realizado e fundamentado pela DRJ. Conforme traz o próprio recorrente em sua manifestação, após a lavratura do auto de infração, o julgador retornou o processo a autoridade autuante, no intuito que a mesma o adequasse ao dispositivo legal aplicável, porém na própria informação, repetiu a autoridade lançadora os mesmos argumentos descritos no relatório fiscal, apenas correlacionandoos com os requisitos do art. 28 da referida MP 446. Em que pese o argumento do recorrente de que a autoridade fiscal não entende aplicável, ao caso concreto os termos da MP 446/2008, pelas palavras descritas na própria informação fiscal, fato é que o auditor, mesmo que a contragosto, adequou o lançamento aos requisitos da MP 446, suprindo, a falta que poderia ensejar todo a nulidade do mesmo. A DRJ compete realmente julgar o lançamento, mas entendo, encontrarse dentro de Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 18 33 sua competência a requisição de diligências no intuito de aperfeiçoar o lançamento, possibilitando ao contribuinte um lançamento que lhe permita exercer o amplo direito de defesa. Nesse ponto, também não entendo qualquer afronta ao princípio da legalidade, posto, conforme apreciado acima, ter sido cumprido o rito necessário ao lançamento e julgamento do feito. O fato de ter descrito o auditor, que o mesmo entendia desnecessária a menção aos termos da MP, posto que já seria suficiente a condição de entidade com fins lucrativos também não vicia o procedimento. Tampouco o vícia, o fato de ter cumprindo a orientação da DRJ, a qual, conforme descrito acima, compete julgar o lançamento e caso necessário buscar sua adequação, possibilitando tornálo perfeito e permitindo a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, rejeito também a preliminar de que o lançamento teria sido realizado por pessoa incompetente. O julgador não emendou ou mesmo inovou nos fundamentos jurídicos, mas, submeteu a autoridade fiscal questionamentos quanto a descaracterização da condição de isenta por ele realizada. Dessa forma, quem procedeu ao lançamento e realizou a diligência com a emissão da informação fiscal, foi a autoridade fiscal designada no instrumento próprio, qual seja o MPF, não havendo nulidade a ser declarada também quanto a esse ponto. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou descumprimento dos requisitos para o gozo de isenção, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito ou auto de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. QUANTO AOS EFEITOS DA MP 446/08 AO PRESENTE LANÇAMENTO Quanto a este ponto, trouxe o recorrente os seguintes argumentos: “ Ocorre que o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada,(...). No caso em exame, o lançamento é relativo a fatos geradores ocorridos no período de 01/2003 a 12/2005, ou seja, anteriores à edição da MP n° 446, de 07.11.2008, e, por conseguinte, não poderiam ter sido por ela regidos, sob pena de ofensa ao art. 144 do CTN. Correto encontrase o argumento do recorrente, de que a legislação a ser aplicada é a da ocorrência do fato gerador, contudo, esse fato serve para verificar, se à época do ocorrência dos referidos fatos, os mesmos eram ou não fato gerador de contribuição previdenciária. Já quanto a norma procedimental para realização do lançamento, entendo que Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 34 deva ser aplicada a em vigor no momento da lavratura do AI ou NFLD, conforme o caso, sendo correto o entendimento que a referida MP 446 respalda o lançamento durante a sua vigência. Conforme bem citado pela autoridade julgadora e pela autoridade fiscal, o procedimento deuse sob a égide da MP 446/2008, que assim descrevia o procedimento a ser adotado. Da Concessão e do Cancelamento Art. 30. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. Art. 31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Contudo, dois fatos devem ser apreciados com maior detalhamento. Uma coisa é a norma processual (procedimental) a ser adotado quando da lavratura, que autoriza o lançamento sem a emissão da Informação Fiscal descrevendo os fatos para perda do direito a isenção. Quanto a este ponto, entendo que realmente, sob o manto na referida MP 446, desnecessário a emissão da informação fiscal para cancelamento da isenção, ou mesmo ter sido primeiramente cassado o certificado da entidade. Já quanto ao cumprimento dos requisitos para considerar se a entidade matinha ou não a qualidade de filantrópica, entendo que deva ser observada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, no caso o art. 55 da lei 8212/91. Ao apreciarmos os termos do relatório fiscal, da solicitação em diligência e da informação fiscal emitida verificamos que não há convergência de fundamentos para o lançamento, o que ensejou uma forçação de barra por parte do órgão julgador, senão vejamos: Em seu relatório traz o auditor como fundamentação para o lançamento: “não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98;por não realizar os objetivos traçados pela Lei Orgânica da Assistência Social ,n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes.” Ou seja, ao apreciarmos os termos do relatório, podemos constatar, que o auditor entende que perdeu a entidade em 2007 a condição de isenta, pois sua condição de empresa com fins lucrativos, descrevendo a legislação a lei orgânica da previdência, o decreto 2536 e a própria constituição, como normas a serem observadas para condição de filantrópica no período da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 19 35 Já o julgador, ao baixar o processo em diligência, justifica a reapreciação do feito pelo auditor com fundamento nos requisitos do art. 28 da própria MP 446/08. O auditor por sua vez, destaca nos 3 primeiros parágrafos da informação fiscal, que entende que os argumentos para manutenção do lançamento não devem ser embasados na MP 446, mas para fazer cumprir a diligência requerida, pontualmente, em relação aos argumentos trazidos em seu relatório. Já quanto a decisão de primeira instância, o julgador faz valer seu entendimento de que a MP 446 é a norma adequada a fundamentar o lançamento, sendo que os fatos descritos pelo auditor são suficientes para manutenção da autuação. Oras, confesso, que enquanto auditora, tive dificuldades para entender qual norma, ao fim, serviu para dar sustentáculo ao lançamento. Acredito ter sido essa confusão, que gerou dúvidas ao recorrente, o que justificaria a série de nulidades apontadas pelo mesmo, seja quanto a inovação jurídica do lançamento, incompetência da autoridade autuante, ou mesmo que o relatório fiscal complementar na verdade fez novo lançamento. Apreciei pontualmente cada uma das nulidades, de forma a deixar claro, em que ponto entendo estar o lançamento comprometido. Conforme visto, no meu entender houve uma confusão entre o auditor autuante e o julgador, donde cada um apresentou uma versão para o lançamento, contudo, entendo que isso implicou nulidade do mesmo, pela ausência de definição clara e precisa da legislação que abarca a questão. Fato é que a entidade era detentora dos Certificado de entidade Filantrópica durante o período da ocorrência dos fatos geradores. A legislação que regia a matéria era o art. 55 da lei 8212/91. Em seu recurso, bem argumentou o recorrente: Como exaustivamente demonstrado pela lmpugnante na Seção Ill, Capitulo 3, retro, a MP n° 446/08 não é aplicável ao presente caso, como quer fazer entender a 13a Turma da DRJ/RJ1, pois a mesma não vigia à época da ocorrência dos fatos geradores. No período de ocorrência dos fatos geradores (período de 01/2003 a 12/2005), os requisitos que asseguravam á lmpugnante a fruição da isenção da contribuição previdenciária patronal estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Nunca 6 demais ressaltar que a própria autoridade lançadora, quando instada a elaborar um "relatório fiscal complementar" pela Resolução n° 126, foi categórica ao afirmar que a MP n° 446/08 não era aplicável a esta autuação, porque, à época da vigência da mesma. a lmpugnante já era empresa de responsabilidade limitada com fins lucrativos, como se pode notar do seguinte excerto: Assim, entendo que os requisitos legais a serem cumpridos para o gozo da isenção eram os descritos no art. 55, servindo a MP 446 apenas para fundamentar a lavratura do AI ou NFLD sem a necessidade de informação fiscal. Todavia, a demonstração dos requisitos descumpridos, que desenquadrariam a condição de isenta deveriam aterse ao Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 36 cumprimento dos requisitos ali elencados e não aos requisitos descritos em MP, que vigora a partir da sua vigência. Vejamos os requisitos legais: Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000164/200824 Acórdão n.º 2401002.977 S2C4T1 Fl. 20 37 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Isto posto, entendo que existe conflito entre os fundamentos trazidos pelo auditor em seu relatório, na informação fiscal e na decisão de primeira instância, tornando obscuro o lançamento e principalmente neste ponto causando prejuízo ao recorrente. Tal fato, enseja a nulidade do lançamento, pela ausência de clara fundamentação jurídica do lançamento, ou mesmo pela indicação incorreta do fundamento do lançamento, quando entendeu a autoridade julgadora e fiscal, que os requisitos do art. 28 da MP 446 é que embasariam o desenquadramento da condição de isenta. Destaco, por fim, que embora alguns dos fatos descritos pelo auditor, possuam identidade com os requisitos do citado art. 55 da lei 8212/91, fato é que a autoridade fiscal e julgadora utilizaram fundamentos diversos para o desenquadramento, razão pela qual nulo o procedimento realizado. Ao contrário do apreciado nos tópicos anteriores, não se trata de mera não indicação do dispositivo legal (art. 55 da lei 8212), mas fundamenta a autoridade fiscal, o lançamento em legislação diversa (seja no relatório fiscal, seja no relatório fiscal complementar. Destaco, também, que não afasta essa falta, ter a autoridade julgadora feito menção no acordão de primeira instância, quanto as requisitos do art. 55. QUANTO AO VÍCIO COMETIDO É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado indevidamente o lançamento em relação a fundamentação legal que consubstanciou o lançamento. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal aplicado a norma jurídica pertinente aos requisitos a serem observados em relação à época da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, entendo que a falta da descrição precisa da norma aplicável provaca a anulação do AI de obrigação principal e acessória correlatos por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 38 do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO, para darlhe provimento parcial em relação a decadência. Em relação ao RECURSO VOLUNTÁRIO, voto pelo seu CONHECIMENTO, para ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL, face a incorreta fundamentação legal do lançamento nos termos descritos no voto. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001284/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 21/08/2002, 24/04/2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi concebido com o objetivo de
disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e
contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não
atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 21/08/2002, 24/04/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEIS N. 10.833, DE 2003, E 11.051, DE 2004.
Aplica-se retroativamente a legislação que, à época da lavratura do auto de
infração, condicionava a imposição da penalidade isolada às hipóteses de
fraude, conluio ou sonegação, não caracterizadas nos autos.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencido o Conselheiro José Antonio Francisco, Relator. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/08/2002, 24/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEIS N. 10.833, DE 2003, E 11.051, DE 2004. Aplicase retroativamente a legislação que, à época da lavratura do auto de infração, condicionava a imposição da penalidade isolada às hipóteses de fraude, conluio ou sonegação, não caracterizadas nos autos. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencido o Conselheiro José Antonio Francisco, Relator. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração de multa isolada por compensação indevida de créditos de terceiros reconhecidos por sentença judicial não transitada em julgado com débitos de vários tributos e contribuições administrados pela Receita Federal (fls. 2 a 25). O auto de infração foi lavrado em 23 de agosto de 2005 e, segundo o termo de constatação de fls. 3 a 5, a protocolização dos pedidos de compensação teria ocorrido de forma irregular, sem a formalização de processos administrativos. Segundo o relatório, a Interessada já havia tomado ciência de despacho decisório anterior que indeferiu o direito de crédito, relativamente a pedido de 13 de setembro de 2001, e, ainda assim, apresentou dois pedidos posteriormente, o que ensejaria a aplicação da multa de 75% sobre os débitos compensados. No relatório de fls. 6 a 21, a Fiscalização ainda esclareceu que a base para o lançamento seria a Instrução Normativa SRF n. 41, de 2000, que vedaria a compensação com créditos de terceiros, o art. 74, § 3º, V, da Lei n. 9.430, de 1996, que vedaria a compensação com crédito indeferido anteriormente, e o art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, combinado com o art. 18 da MP n. 135, de 2003. Os autos ainda foram instruídos com cópia do despacho de fls. 27 a 29, que encaminhou o processo original à Fiscalização para lavratura do auto de infração; cópia dos pedidos de desistência das compensações, de 30 de julho de 2003 (fls. 30 e 31); cópias dos pedidos de compensação (fls. 32 a 110); cópia do despacho que indeferiu o pedido original de compensação (fls. 111 a 115). Segundo os documentos, a empresa Química Industrial Paulista S/A interpôs, em 1994, ação ordinária, com pedido de antecipação de tutela, pretendendo o reconhecimento do direito a crédito de IPI sobre matériasprimas isentas e de alíquota zero. A tutela foi concedida, “ressalvada observância à IN SRF n. 41/2000”. A empresa apresentou nova ação em 1998, objetivando também o afastamento da IN SRF n. 41, de 2000, tendo obtido tutela antecipada. Entretanto, em 26 de junho de 2001, a sentença manteve a decisão, determinando observância à IN SRF n. 41, de 2000. O pedido original de compensação apresentado pela Interessada ocorreu em 6 de setembro e, portanto, após a sentença. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 3 3 A Interessada apresentou impugnação contra o lançamento (fls. 186 a 205), alegando sua nulidade, por ausência de registro de procedimento fiscal aduaneiro (art. 12 da Portaria MF n. 2, de 2005) e de MPF. A seguir, tratou da adesão ao Paes, alegando haver cumprido todas as condições para o parcelamento, o que afastaria a possibilidade de aplicação de outra multa. Acrescentou que a aplicação da multa teria sido efetuada com desrespeito ao princípio da irretroatividade, uma vez que a MP n. 135, de 2003, art. 18, somente poderia ser aplicada aos atos praticados após sua publicação. Ainda alegou que inexistiria ato administrativo considerando indevida a compensação realizada e que a prova emprestada do processo n. 16327.001833/200134, sem observância aos princípios da ampla defesa e contraditório, seria nula. A DRJ Campinas cancelou o lançamento por meio do Acordão n. 0521.890, de 12 de maio de 2008, da 3ª Turma, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/12/2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 90 DA MP N° 2.158 35/2001. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. IMPROCEDÊNCIA. Exonerase a multa de ofício isolada quando, à época da lavratura do auto de infração, a lei que orientava os lançamentos de oficio motivados pelo disposto no art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, condicionava a imposição da penalidade isolada às hipóteses de fraude, conluio ou sonegação, não caracterizadas nos autos. Lançamento Improcedente À vista do limite de alçada, o Presidente da Turma apresentou recurso de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, devendose dele tomar conhecimento. As seguintes são as datas relevantes à elucidação dos fatos: o pedido original de compensação foi apresentado em setembro de 2001; tal pedido foi indeferido em 21 de dezembro de 2001; os pedidos de que tratam os autos foram apresentados em 24 de abril e 21 de agosto de 2002; o lançamento ocorreu em 23 de agosto de 2005. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 4 4 Portanto, a infração alegada teria sido praticada em 2002, anteriormente à entrada em vigor da MP n. 66, de 2002, convertida na Lei n. 10.637, de 2002, enquanto o auto de infração foi lavrado em 2005. À época da prática das infrações, vigia a redação original do art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, que previa o lançamento de tributo e multa proporcional no caso de vinculação irregular de débito em DCTF. Em 31 de outubro de 2003, entrou em vigor a MP n. 135, de 2003, convertida na Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 18 restringiu o lançamento da multa do art. 90 citado à multa isolada, no caso de compensação indevida. Em 30 de dezembro de 2004, a Lei n. 11.051, de 2004, criou o figura da compensação considerada não declarada e restringiu a aplicação da multa (em 150%) aos casos de não homologação e compensação não declaradas com prática de dolo, fraude ou conluio. O acórdão de primeira instância considerou que “aqui não se cogita de aplicação retroativa de lei penal mais benéfica ao contribuinte, mas de investigação da redação vigente para a lei que dirigia o próprio lançamento de ofício.” Entretanto, na lavratura do auto de infração devese aplicar, em princípio, a legislação vigente à época do fato gerador (art. 144 do CTN), a não ser em matéria de penalidade, quando se aplica a disposição do art. 112 do Código. No caso, o acórdão aplicou o entendimento de que o art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, com a redação vigente à época do lançamento, somente preveria a multa qualificada. Exatamente da aplicação retroativa de tal dispositivo é que resultou a conclusão de que não haveria base legal para o lançamento. Após a lavratura do auto de infração, ocorreram outras alterações na legislação. Em 22 de novembro de 2005, a Lei n. 11.196, art. 117, alterou a redação do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, prevendo a multa qualificada para a compensação não homologada praticada com crime e as multas simples e qualificada para as compensações consideradas não declaradas. Em 15 de junho de 2007, a Lei n. 11.488, art. 18, alterou a hipótese de multa qualificada para não homologação de compensação para de falsidade na declaração. O caso em questão, entretanto, é bastante peculiar, merecendo uma análise mais detalhada. É que não se trata de hipótese de compensação considerada não declarada, uma vez que tal figura somente foi criada com a Lei n. 11.051, de 2004. No caso, se a compensação fosse apresentada após a vigência da mencionada lei, seria considerada não declarada à vista da nova redação do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, § 12º, I (combinado com o § 3º, VI), II, “a” e “d”, por se tratar de crédito de terceiro, já indeferido e a decisão judicial não haver transitado em julgado (ademais, a decisão, anterior à apresentação da compensação, foi desfavorável à Interessada). Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 5 5 Por isso, não se aplica ao caso a retroatividade benéfica em relação às disposições da Lei nº 11.051, de 2004, que passaram a prever a multa isolada somente na hipótese de fraude. Em relação à matéria, determina o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, a Lei nº 11.051, de 2004, deixou de prever a aplicação de multa simples aos casos de compensação considerada não declarada, em razão da inidoneidade da declaração para produzir os efeitos próprios da compensação. Num caso como o dos autos, anteriormente à referida lei, a apresentação da declaração extinguiria condicionalmente o crédito tributário e permitiria a discussão administrativa da compensação, fazendo com que o Fisco não pudesse cobrar o seu crédito, como de fato ocorreu. Após a alteração legal, a declaração simplesmente não produziria efeitos, não havendo motivos para aplicar a multa, a não ser quando o contribuinte agisse dolosamente. Para retroagir, entretanto, a lei pressupõe que se trate do mesmo fato jurídico. Valer dizer, se o mesmo fato jurídico deixar de ensejar a aplicação da multa, a lei retroage para abranger os fatos anteriormente ocorridos. No caso de compensação de créditos apurados por terceiros, já indeferidos e sem trânsito em julgado, entretanto, embora o fato “mecânico” entrega ou transmissão do formulário de compensação seja o mesmo, não se trata do mesmo fato jurídico. Antes da alteração (que implicou a vigência do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, com a redação considerada pelo acórdão de primeira instância), o fato jurídico corresponderia efetivamente a uma declaração de compensação, que produziria os efeitos formais próprios (repitase: como, de fato, ocorreu); depois dela, corresponderia à apresentação de um formulário que não produziria efeitos legais. Vale dizer, se os formulários de que tratam os autos houvessem sido apresentados depois da alteração legal, não haveria compensação provisória, extinção condicional do débito, direito à manifestação de inconformidade ou recurso etc. Dessa forma, a lei não deixou de tratar o mesmo fato jurídico como ensejador de aplicação de infração, mas tratou de outro fato. Assim, aqueles fatos apurados no passado deveriam ser objeto de lançamento de multa isolada mesmo depois da Lei nº 11.051, de 2004, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 6 6 em face da ultraatividade das disposições do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, em sua redação anterior. A ultraatividade representa a aplicação da lei, no futuro, aos fatos ocorridos antes de sua revogação, o que é corriqueiro no direito, ainda que se trate de lei expressamente revogada. É o que determina o art. 144 do CTN. Mais, ainda, é a regra no lançamento tributário; as exceções ficam por conta do art. 112 do CTN, que, conforme visto, não se aplica ao caso. No tocante ao disposto no inciso I, segundo o que a lei se aplica ao fato pretérito “quando deixe de definilo como infração”, conforme já esclarecido, não foi o que ocorreu. Restam ainda a analisar as questões de nulidade; da adesão ao parcelamento como fator de determinação de aplicação exclusiva da multa de mora; a impossibilidade de aplicação da multa isolada a fatos anteriores à Lei n. 10.833, de 2003; ausência de ato formal considerando indevidas as compensações. No tocante à ausência de termo aduaneiro, obviamente não se aplicam tais disposições ao caso dos autos, por não se tratar de procedimento aduaneiro. Em relação ao MPF, o entendimento que tem prevalecido no Carf é o de que o MPF é antes um instrumento de controle interno e não um elemento formal imprescindível para a ação fiscal, a ponto de alguma irregularidade representar nulidade do procedimento fiscal. A rigor, não se trata de instrumento previsto em lei como requisito necessário à competência do agente fiscal para investigar infrações de natureza tributária, de forma que a ausência de prorrogação não infringe a lei. É importante ressaltar que, em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0105.189, de 2005, 0105.558, de 2006, 0202.187, de 2006) afastou a configuração da nulidade do lançamento em função de irregularidade e falta de MPF. Portanto, inexiste nulidade no procedimento em questão. Quanto à alegação de que a adesão ao Paes implicaria a exclusividade da multa de mora com redução, não merece prosperar a alegação da Interessada, pois o fato gerador da multa discutida nos autos é a apresentação de compensação irregular e não a falta de declaração ou recolhimento do tributo. A referida exclusividade referese às multas aplicadas ao imposto à vista de sua falta de declaração ou recolhimento. Ademais, ainda que se tratasse de multa proporcional, a pura adesão ao parcelamento não exclui a responsabilidade por infrações à legislação tributária, que somente ocorre na hipótese do art. 138 do CTN, de forma que a multa proporcional aplicada em auto de infração seria cabível. No tocante à retroatividade da Lei n. 10.833, de 2003, também descabe razão à Interessada. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 7 7 De fato, a multa aplicada foi a prevista no art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, com a redação do art. 18 da mencionada MP, que restringiu o lançamento de ofício à multa isolada. À época do lançamento, se não coubesse o lançamento da multa isolada, como alegou a Interessada, caberia o lançamento do imposto e da multa proporcional, por compensação irregular. Tratase, portanto, apenas de adequação da norma aplicada no tempo. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Redatora Designada Tomei vista destes autos para melhor me aprofundar sobre as questões debatidas. Conforme informado pelo d. Conselheiro Relator, tratase de auto de infração que impôs multa isolada à Recorrente em virtude da compensação indevida de débitos próprios com créditos de terceiros. De acordo com o e. Conselheiro, “As seguintes são as datas relevantes à elucidação dos fatos: o pedido original de compensação foi apresentado em setembro de 2001; tal pedido foi indeferido em 21 de dezembro de 2001; os pedidos de que tratam os autos foram apresentados em 24 de abril e 21 de agosto de 2002; o lançamento ocorreu em 23 de agosto de 2005. Portanto, a infração alegada teria sido praticada em 2002, anteriormente à entrada em vigor da MP n. 66, de 2002, convertida na Lei n. 10.637, de 2002, enquanto o auto de infração foi lavrado em 2005.” – destaquei Para melhor compreendermos a situação fática, o Conselheiro Relator, sempre preciso em seus esclarecimentos informou: “À época da prática das infrações, vigia a redação original do art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, que previa o lançamento de tributo e multa proporcional no caso de vinculação irregular de débito em DCTF. Em 31 de outubro de 2003, entrou em vigor a MP n. 135, de 2003, convertida na Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 18 restringiu o lançamento da multa do art. 90 citado à multa isolada, no caso de compensação indevida. Em 30 de dezembro de 2004, a Lei n. 11.051, de 2004, criou o figura da compensação considerada não declarada e restringiu a aplicação da multa (em 150%) aos casos de não homologação e Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 8 8 compensação não declaradas com prática de dolo, fraude ou conluio.” Nos termos do voto do eminente Conselheiro Relator, verificase que é mantida a multa de ofício aplicada com base no entendimento de inaplicação da retroatividade benéfica. Interpreta o ilustre Conselheiro que a Lei aplicada retroativamente (nº 10.833/03, artigo 18) trata de situação fática diversa daquela ocorrida in casu. Entendo o raciocínio. Realmente, à época dos fatos, não havia previsão para a compensação tornarse não declarada, assim como inexistia todo o procedimento atinente a esta espécie de compensação. Possível, portanto, o entendimento de que os fatos são diversos. Todavia, prendome em duas questões, quando realizo este raciocínio. Primeiro, o procedimento da “não declaração” realmente não existia e portanto não se aplicava, mas o fato em si compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, ocorrido à época, foi posteriormente tratado pelo artigo 18, da Lei nº 10.833/03. Neste sentido, pareceme que as situações fáticas se aproximam. A divergência, no meu entender, está no procedimento aplicável às conseqüências desta compensação, em 2002 a compensação era considerada, e analisada como outra qualquer, enquanto em 2003, ela era considerada como não declarada, e de pronto não se transformava em um processo de compensação. Não faço, portanto, a distinção realizada pelo d. Conselheiro que levaria à impossibilidade da aplicação retroativa do art. 18 supramencionado. Por outro giro, se admitisse que as situações fáticas são distintas, deparome com a segunda questão. Qual era, à época dos fatos, a punição aplicável? Qual a fundamentação legal? Isto porque, nos termos mencionados pelo nobre Conselheiro, em 2002, época de ocorrência dos fatos, havia multa apenas para compensações que haviam sido irregularmente vinculadas à DCTF, e este não é o caso da Recorrente. Neste sentido, a meu sentir, a aplicação do artigo 1121 do Código Tributário Nacional – CTN – impede a aplicação de legislação posterior para caso pretérito, com a finalidade de instituir penalidade pecuniária. Assim, sendo casos distintos, qual a punição aplicável? Vejome compelida a acatar as alegações realizadas pela Recorrente, de que à época dos fatos sua ação era atípica e, portanto, fora do campo de aplicação da punição pretendida. Por uma razão ou outra, ouso divergir do Ilustre Conselheiro Relator, com as vênias costumeiras, para o fim de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício apresentado, mantendo a decisão de primeira instância administrativa. 1 "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.001284/200521 Acórdão n.º 330201.528 S3C3T2 Fl. 9 9 É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 209DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/04/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13312.000027/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
PAF. IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO DE ADVOGADO. Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à DRJ, para julgamento da impugnação.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 10 de maio de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 PAF. IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO DE ADVOGADO. Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à DRJ, para julgamento da impugnação. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
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IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO DE ADVOGADO. Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à DRJ, para julgamento da impugnação. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 00 27 /2 01 0- 19 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório MARILHA HOLDING LTDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 232) que não conheceu de impugnação a lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 131/145, para exigência de Imposto sobre Propriedade Territorial Rural – ITR, referente aos exercícios de 2005 a 2008, no valor de R$ 6.020.727,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 12.393.366,35. O lançamento decorre da revisão das declarações de ITR referentes aos períodos acima referidos, tendo sido glosados valores declarados como áreas ocupadas com benfeitorias; benfeitorias, culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas; e áreas utilizadas com produtos vegetais e de pastagens. Também foi alterado o VTN. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a autuação incorreu em equívoco ao tomar com base para o VTN o valor de mercado apurado em laudo, sem considerar que este valor incluía benfeitorias, alcançando também as áreas não tributáveis; que incorreu em erro ao não excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal e glosar as áreas nãotributáveis;. que a Fiscalização não examinou a documentação contábil referente aos anos de 2007 e 2008, ignorando outras reavaliações do imóvel; que as glosas foram ilegais; que a simples informação constante da autuação de que não foram apresentados elementos justificadores dos valores declarados na DIAT não justificariam as glosas; que houve erro na apuração da base tributável e que o fato gerador não ocorreu da forma como consta da autuação. Requer a realização de perícia para a qual indica quesitos. A DRJBRASÍLIA/DF não conheceu da impugnação por ausência de comprovação nos autos de capacidade de representação do impugnante. Segundo a decisão de primeira instância, a procuração foi assinada pelo advogado Francisco Evandro Paz, que apresentou procuração em cópia autenticada, mas sem constar o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante ou documento de identidade que permitisse identificálo. Assim, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que o instrumento de representação não era válido. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/12/2012 e, em 10/01/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 249/256, que ora se examina, e no qual argúi a nulidade da decisão de primeira instância por inobservância do dever de intimar o representante legal do Impugnante. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2201002.065 S2C2T1 Fl. 3 3 Fundamentação Como se colhe do relatório, o que se discute neste processo é apenas a regularidade ou não da representação do advogado que assinou a peça de impugnação. A autoridade julgadora de primeira instância recusou a representação, por ausência de reconhecimento de firma do instrumento de procuração. A matéria não está disciplinada expressamente no Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal. Aplicase, portanto, subsidiariamente, a Lei nº 9.784, de 1999, por força do artigo 69 desta Lei, segundo o qual: Art. 68. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta lei. (grifei) Pois bem, a Lei nº 9.784, de 1999, no seu artigo 3º, inciso IV garante, como direito dos administrados, fazerse assistir por advogado. Vejamos: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: [...] IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Mais adiante, no artigo 22, § 2º, a mesma lei disciplina, nos seguintes termos, a questão da necessidade ou não do reconhecimento de firma: § 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Ora, neste caso, não se arguiu dúvida quanto à autenticidade da procuração apresentada, pelo menos nada foi dito neste sentido, apenas se invocou a ausência de reconhecimento de firma, como se esta fosse requisito essencial ao exercício da representação. Por outro lado, posteriormente, com o recurso, foi apresentado novo instrumento de procuração (fls. 257), agora com firma reconhecida do outorgante, conferindo poderes de representação ao mesmo advogado, o que confirma a representação anterior. Registrese que esta procuração veio assinada por Rafael Lima Moreira Borges, que vem a ser administrador da empresa autuada, com amplos poderes de representação, conforme cláusulas sexta e sétima do Contrato Social da sociedade (fls. 263/264). Portanto, salvo comprovação de falsidade, é inequívoco o poder de representação do advogado Francisco Evandro Vaz. Por tudo isto, e, ainda, em homenagem ao consagrado direito ao contraditório e ampla defesa, entendo que a decisão de primeira instância deve ser reformada para que seja conhecida a impugnação, devolvendose os autos à primeira instância para exame das razões de defesa articuladas na impugnação. Conclusão Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso, determinando a devolução do processo para exame da impugnação pela autoridade julgadora de primeira instância. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2201002.065 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13312.000027/201019 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.065. Brasília/DF, 10 de maio de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10280.722154/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
LUCRO REAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESAS.
O AFRFB, quando optar e apurar o IRPJ e CSLL da contribuinte pela sistemática do lucro real, deve observar as regras previstas neste regime para a formação da base de cálculo. O Imposto de Renda deve tributar o conceito previsto no art. 43 do CTN e não pode deixar de considerar as despesas do contribuinte na sua apuração.
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
O AFRFB deve observar todas as regras previstas nas leis 10.637 e 10.833 quando opta e apura o PIS e a COFINS pela sistemática da não cumulatividade, devendo observar todas as despesas que geram créditos para o contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO
A multa de ofício é acessória ao crédito tributário lançado, sendo assim, em caso de mudança na base de cálculo do PIS e da COFINS a multa de ofício deve ser ajustada à nova base de cálculo estipulada
Numero da decisão: 1302-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo De Andrade (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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BASE DE CÁLCULO. DESPESAS. O AFRFB, quando optar e apurar o IRPJ e CSLL da contribuinte pela sistemática do lucro real, deve observar as regras previstas neste regime para a formação da base de cálculo. O Imposto de Renda deve tributar o conceito previsto no art. 43 do CTN e não pode deixar de considerar as despesas do contribuinte na sua apuração. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. O AFRFB deve observar todas as regras previstas nas leis 10.637 e 10.833 quando opta e apura o PIS e a COFINS pela sistemática da não cumulatividade, devendo observar todas as despesas que geram créditos para o contribuinte. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício é acessória ao crédito tributário lançado, sendo assim, em caso de mudança na base de cálculo do PIS e da COFINS a multa de ofício deve ser ajustada à nova base de cálculo estipulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator EDUARDO DE ANDRADE Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 54 /2 01 0- 91 Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.395 2 MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo De Andrade (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.396 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CONDOMÍNIO VOLUNTÁRIO PÁTIO BELÉM, já qualificado nos autos, em face de acórdão proferido em processo administrativo que versa sobre lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, conforme o quadro a seguir (principal, multa e juros, calculados até 29.10.2010). TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ TOTAL R$ IRPJ 4.255.863,52 2.188.239,75 3.191.897,60 9.636.000,87 PIS 437.489,63 231.387,85 328.117,12 996.994,60 COFINS 2.015.103,95 1.065.786,92 1.511.32786 4.592.218,73 CSLL 2.553.518,09 1.312.493,84 1.915.138,53 5.781.600,46 TOTAL 21.006.814,66 A recorrente tomou ciência do auto de infração em 17/11/2010 (fls. 229, 237, 248, e 259). A recorrente foi autuada por não declarar resultados operacionais obtidos nos anoscalendário de 2005 e 2006. As receitas e despesas foram escrituradas, todavia, por se tratar de pessoa jurídica constituída como condomínio não foram tributadas na forma da legislação fiscal. O AFRFB, nos termos da descrição de fatos de fls. 214, informa que o lançamento referese a resultados operacionais não declarados, oriundos da exploração empresarial de serviços de aluguéis de lojas. Verificase no relatório fiscal de fls. 213/227 que: O condomínio Voluntário Pátio Belém, CNPJ nº 83.368.894/000102, durante os anoscalendário 2005 e 2006, quando o nome empresarial era Condomínio Civil Iguatemi Belém com o mesmo numero de CNPJ, exerceu, além da atividade própria de condomínio (fundo de Participação e Promoção – FPP), atividade empresarial, auferindo receitas de aluguéis de lojas e demais receitas passíveis de tributação, conforme comprova a documentação contábil apresentada. (grifo nosso) O Contribuinte não declarou à Receita Federal do Brasil – RFB, os valores devidos dos tributos IRPJ, CSLL, PIS, e COFINS, tampouco recolheu aos cofres públicos tais tributos, havendo Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.397 4 apenas recolhimento de retenções de CSLL, PIS e COFINS quando do pagamento a pessoas jurídicas de direito privado. [...] Para apuração do IRPJ e da CSLL foi adotado o Lucro Real Trimestral. Com base nos lucros registrados na escrita contábil e consolidados nos balancetes mensais e trimestrais. Conta 3.3 – Apuração do resultado, entregues pelo contribuinte à Fiscalização, foram apurados em planilha devidamente cientificada ao contribuinte as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ou seja, os lucros trimestrais referentes à locação de lojas e demais receitas (exceto as receitas de Fundo de Participação e Promoção – FPP) dos anos calendários 2005 e 2006, os quais foram objetos de lançamentos de ofício pela autoridade fiscal. Para apuração do PIS e da COFINS foi adotada a sistemática não cumulativa, nos termos da Lei nº 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, respectivamente. Com base nos balancetes mensais, nas folhas 291 a 298 do Livro Razão de nº 20ª e nas folhas 230 e 241 do Livro Razão [...], entregues pelo Contribuinte à Fiscalização, foram apurados mensalmente em planilhas devidamente cientificadas ao Contribuinte os débitos do PIS e da COFINS não cumulativos sobre as receitas de aluguéis e demais receitas. Considerando que o contribuinte não identificou as contas contábeis que dão direito a créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, a Fiscalização, com base nos balancetes mensais, considerou as contas que poderiam dar direito a tais créditos, ou seja, todas as contas de despesas estatutárias [...]. Em 16/12/2010, a recorrente apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 269/403), com os seguintes argumentos: DA NATUREZA JURÍDICA DO IMPUGNANTE DO CONDOMINIO ORDINARIO O Impugnante constitui condomínio ordinário regulado pelos artigos 1.314 a 1.326 do Código Civil de 2002. Antes de mais nada, revelase oportuno deixar expresso que legalmente o condomínio não constitui pessoa jurídica visto que não está incluído o rol exaustivo contido no art. 44 da Codificação Civil. [...] Assim, o condomínio situase no âmbito dos bens juridicamente considerados, sendo enquadrado como uma coisa (res) inserida na propriedade de diversas pessoas. Por esse motivo, não pode jamais ser tachado de sujeito de direito, mas sim, de bem jurídico diferenciado face às particularidades que o cercam. [...] o Condomínio ora Impugnante constitui um bem de titularidade coletiva, dividido frações ideais de titularidade de seus condôminos (coproprietários). Logo, o condomínio é naturalmente desprovido de personalidade jurídica. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.398 5 Embora exista no mundo real, sua concepção jurídica deriva da necessidade organização dos direitos de propriedade de cada um dos condôminos [...]. Assim, determinado ato praticado pelo administrador em nome do condomínio, representa conduta praticada por todos e cada um dos condôminos, sendo estes, na verdade, os sujeitos responsáveis pelas conseqüências das medidas adotados pelo gestor com base na convenção condominial ou na assembléia geral de condôminos. [...] DA PROPRIEDADE DO IMÓVEL DOS ESPAÇOS LOCADOS. DA EXPLORAÇÃO DA ÁREA DIRETAMENTE PELOS PRÓPRIETÁRIOS. DA RECEITA OBTIDA PELOS CONDÔMINOS Conforme acima exposto, o Impugnante constitui universalidade de direito, decorrente da existência de um bem inserido na propriedade de diversas pessoas, sendo cada uma delas responsável pelos ônus e benefícios decorrentes da fração dominial de sua titularidade. (grifo nosso). Assim, as áreas que constituem os objetos das locações em questão, geradoras dos alugueis e demais valores tributados na atuação ora impugnada, não são e nem poderiam ser de propriedade do condomínio, visto que este não é sujeito de direito, existindo no mundo real exclusivamente em razão de relações de ordem material decorrentes de pluralidade de proprietários sobre um mesmo bem.(grifo nosso). Desse modo, são os próprios condôminos os beneficiários e empreendedores da atividade locação dos imóveis de propriedade comum, sendo o condomínio ordinário constituído a parte de uma situação de fato que proporciona a existência de um ente despersonalizado dotado de convenção destinada disciplinar os direitos e deveres inerentes aos direitos imobiliários correspondentes. Não exerce, portanto, o Condomínio ora impugnante a administração de locações,visto que essa atividade é explorada diretamente pelos seus proprietários, representados pela pessoa jurídica por eles contratada para os fins de desempenho das funções de administradora (Contrato em anexo). O próprio contrato com a empresa administradora, como se observa, é celebrado diretamente pelos proprietários. (grifo nosso).[...] Todavia, o fato condomínio existir não significa que ele seja o beneficiário das atividades exercidas, visto que os proveitos são auferidos diretamente pelos condôminos, não usufruindo o impugnante desse produto visto que funciona como mero ente repassador. Tanto é assim, que o produto da atividade é transferido mensalmente às pessoas jurídicas que figuram como condôminas Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.399 6 do impugnante, conforme expressa determinação contida na convenção condominial. Assim, perceberam valores proporcionalmente rateados e promoveram o recolhimento dos tributos devidos, de acordo com os regimes jurídicos ao qual eram enquadrados [...](grifo nosso). Os repasses às pessoas jurídicas acima elencadas estão lançados no livro razão do impugnante (cópia em anexo) sob a rubrica "remessa de aluguel empreendedores". Com isso, ratificase, portanto, que o impugnante nada mais é do que uma ficção jurídica decorrente da existência de direitos imobiliários organizados coletivamente, bem como que os proveitos econômicos dessas propriedades imobiliárias são auferidos diretamente pelos condôminos, e não pelo condomínio ora impugnante. (grifo nosso). DOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE E DA TIPICIDADE CERRADA NO DIREITO TRIBUTÁRIO. DISSONÂNCIA ENTRE O ELEMENTO PESSOAL ELEITO PELA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA DO IRPJ E O IMPUGNANTE NO CONTEXTO [...] apenas as pessoas jurídicas e as denominadas empresas individuais podem ser sujeito passivo do IRPJ. [...] o Condomínio não tem natureza de pessoa jurídica, estando inserido no campo do direito das coisas, sendo um bem jurídico (res) coletivamente possuído, observada particularidade de ser divido em partes autônomas e partes comuns. [...] O Princípio da Reserva Legal é o Pilar de sustentação de todo o sistema de Princípios e Garantias que protegem o Contribuinte e disciplinam a Incidência Tributária em nosso ordenamento. [...] A lei deve prever, de forma expressa, clara e detalhada, todos os elementos que caracterizam o Fato Imponível do tributo [...]. Se algum elemento previsto na Lei não for identificado no fato, então ele não pode ser considerado fato imponível, não ocorrerá a subsunção do Fato à Norma, e o fato não poderá ser tributado. [...] somente as Pessoas Jurídicas, e as exceções legalmente previstas, podem ser Sujeitos Passivos do Imposto de Renda incidente sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas. O impugnante é um condomínio, não é uma pessoa Jurídica. O Condomínio é formado por uma série de pessoas jurídicas. Estas, por sua vez, quando auferem renda, recolhem regularmente o imposto de renda e a CSLL, observadas as particularidades fiscais de cada um. [...] [...] podese afirmar, com a mais absoluta certeza, que o Condomínio Voluntário Pátio Belém não pode sofrer a incidência do IRPJ, uma vez que o Condomínio não foi eleito Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.400 7 como Sujeito Passivo dos mencionados tributos pela Legislação Tributária em vigor, até porque não é sujeito de direito. Qualquer ato ou decisão neste sentido é flagrantemente ilegal e inconstitucional, por ofensa direta aos dispositivos legais acima transcritos, e aos Princípios da Estrita Legalidade e Tipicidade Tributárias. [...] Portanto, não há tentativa de concorrer de forma desleal, pois os tributos são regularmente recolhidos pelas pessoas jurídicas que exercem atividade. O condomínio foi apenas uma forma, legalmente prevista, para organizar a propriedade que detém coletivamente. A recorrente no que diz respeito ao PIS/COFINS trouxe os seguintes fundamentos (fls. 348 e 382). [...] apenas as pessoas jurídicas e as denominadas empresas individuais podem ser sujeito passivo do IRPJ, assim como do PIS, e da COFINS. [...] o Condomínio não tem natureza de pessoa jurídica, estando inserido no campo do direito das coisas, sendo um bem jurídico (res) coletivamente possuído, observada particularidade de ser divido em partes autônomas e partes comuns. A recorrente também alegou: NÃO OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL. O IMPUGNANTE NÃO AUFERIU RENDA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO VERIFICADO JÁ QUE O IMPUGNANTE NÃO EXERCE ATIVIDADE EMPRESARIAL E NÃO É O DESTINATÁRIO DAS RECEITAS. TRANSFERÊNCIA DOS VALORES RECEBIDOS AOS PROPRIETÁRIOS DO IMÓVEL (CONDÔMINOS). PREDECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL FEDERAL. [...] fato é que há uma questão anterior, que é prejudicial à própria análise da Sujeição Passiva; Não há fato imponível. [...] para que haja incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro é necessário que o sujeito passivo tenha auferido receita e que esta receita represente um acréscimo ao seu patrimônio. [...] O simples fato de que os valores pagos pelos locatários ingressam temporariamente em uma conta corrente em nome do condomínio, para que lá seja feito o rateio, não configura a ocorrência do Fato Gerador, seja este a receita ou a obtenção de renda. [...] Se o Superior Tribunal de Justiça reconhece que os valores repassados por outras pessoas jurídicas não devem ser considerados como receita desses prepostos, certamente entenderá que os valores recebidos pelo condomínio e repassados aos condôminos também não constitui receita do Condomínio. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.401 8 Segue em anexo Cópia Integral do Livro Razão do Impugnante referente aos anos de 2005 e 2006, que comprovam o repasse dos valores aos condôminos, identificados através da rubrica "remessa de aluguel empreendedores". Além disso, seguem comprovantes de depósito bancários e/ou extratos, que atestam que os valores contabilizados efetivamente foram enviados aos condôminos. Com isso, resta absolutamente comprovado que a receita efetivamente foi destinada aos condôminos. [...] BITRIBUTAÇÃO. PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA O não respeito à Capacidade Contributiva gera a transgressão direta de outro princípio, o da Vedação ao Confisco. No caso dos autos, está mais que comprovado que o impugnante não auferiu Renda. Logo, a exigência do Estado de que o impugnante contribua com base em algo que não recebeu é absolutamente confiscatória, e atenta contra direitos fundamentais do contribuinte, como o direito de propriedade. [...] Desse modo, a presente autuação não só é ilegal e inconstitucional e confiscatória como representa tentativa flagrante de BiTributação [...]. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ATUAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL TRIMESTRAL FOI PREJUDICIAL AO CONTRIBUINTE. DIREITO DE OPTAR PELO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE VEDAÇÕES À OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO PELO IMPUGNANTE Na remota hipótese de ser mantido o auto de infração, [...] o cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro deve ser feito com base no Lucro Presumido. [...] o impugnante tem o direito de optar pelo regime do Lucro Presumido. [...]A questão do momento da opção pelo regime também não é fator impeditivo. Isto porque a legislação prevê que a opção será feita pelo contribuinte no momento do pagamento do Imposto. Como o impugnante entende que o tributo não é devido, não declarou e também não efetuou nenhum pagamento. Assim, não expirou o prazo para a opção. [...] PRINCIPIO DA EVENTUALIDADE. MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.402 9 [...] na remota hipótese se de ser mantida a exigência, impõese que seja considerada improcedente parcialmente o auto de infração, na parte em que exige o pagamento de multa de oficio. No caso, há previsão legal para a incidência da multa nos casos em que o contribuinte deixa de recolher no prazo tributo em relação ao qual a lei lhe atribua, de forma expressa, a condição de sujeito passivo. Não pode se exigir do contribuinte que preveja uma interpretação que será atribuída no futuro pela autoridade fazendária, se a lei não o obriga expressamente.[...] Diante dos fundamentos apresentados pela recorrente em sua impugnação, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, por maioria de votos (declaração de voto fls. 1349/1352), manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão sob nº. 0124.604, de 29/03/2012 (fls. 1334/1352), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receitas de aluguéis e outras decorrentes do exercício de atividades manifestamente empresariais, equiparase à pessoa jurídica contribuinte do IRPJ relativamente a tais atividades, sujeitandose à incidência tributária respectiva. CONDOMÍNIO CIVIL. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Na hipótese do desempenho de atividades comerciais típicas, a receita decorrente integra o resultado tributável, base de cálculo do IRPJ devido pelo condomínio, sem prejuízo da eventual incidência do referido imposto sobre o ulterior lucro auferido pelos condôminos, não havendo que se falar em bitributação, haja vista tratarse de pessoas jurídicas e receitas absolutamente distintas e independentes. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. O meio hábil de opção pelo Lucro Presumido é o pagamento da primeira ou única quota do IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada anocalendário CONTRIBUIÇÕES REFLEXAS. Aplicase à CSLL, ao PIS, e a COFINS, o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 20/07/2012 (fl. 1358), tendo interposto recurso voluntário em 20/08/2012 (fls.1359/1392), em síntese reiterando os argumentos já trazidos na impugnação, acrescentando os seguintes fundamentos: Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.403 10 DA EXISTÊNCIA DE VOTOS DIVERGENTES. DA EXATIDÃO JURÍDICA DAS RAZÕES CONTIDAS NA DECLARAÇÃO DE VOTO VENCIDO É relevante destacar que o acórdão recorrido foi decidido por apertada maioria, tendo parte dos membros da Turma julgadora, acolhido as razões de defesa da Recorrente, notadamente no que tange à ausência de sujeição passiva do Condomínio ora Recorrente. Em verdade, o voto divergente teve a cautela de examinar todos os documentos carreados aos autos, o que revela a plena substancia jurídica dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo, erroneamente eleito pelo auto de infração em questão. É oportuno transcrever trecho da Declaração de Voto Vencido: [...] A partir das razões acima transcritas, extraídas do bem lançado voto de divergência, acompanhado por outro membro da turma Julgadora, ratifica a total plausibilidade do presente recurso, tendo em vista que os documentos apresentados ratificam a total improcedência da autuação, não só face à ilegitimidade passiva do Recorrente, mas também porque a exação representa flagrante bi tributação, conforme adiante exposto. Por esses motivos, deve ser integralmente acolhido o presente recurso. É o relatório. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.404 11 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. IRPJ/CSLL DA OPÇÃO PELO LUCRO REAL O AFRFB ao emitir o seu relatório fiscal (fls. 213/227) entendeu que a recorrente não se enquadrava nas funções precípuas de um condomínio nos limites da Lei n. 4.591/64. Vejamos a conclusão do citado relatório fiscal: Em face do exposto neste Relatório, quando aufere a contribuinte receita de aluguéis e demais receitas, em razão do exercício de atividade tipicamente negocial, não o faz por óbvio, ao abrigo da Lei n° 4.591/64, caracterizandose, com relação ao exercício de tal atividade, como pessoa jurídica. Em outras palavras, sua caracterização como condomínio pressupõe, a par das formalidades legais indispensáveis, o exercício de atividade que são próprias desse tipo de associação. E neste ponto corretamente agiu o AFRFB, pois ao constatar que o “condomínio” praticava atividades comerciais, caracterizouo como uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Na análise feita pelo AFRFB, muito bem fundamentada, ficou demonstrado que a recorrente não se limitou às atividades normais de um condomínio. Com base nessa realização pela recorrente de atividades não típicas de um condomínio, o AFRFB descaracterizou a figura do condomínio, vindo a tributar como outra pessoa jurídica com fins lucrativos. Assim, a atividade de locação de imóveis foi tributada. Entretanto, os imóveis locados não eram de propriedade do condomínio, mas de terceiros (condôminos), como se observa pelos fatos abaixo: (i) A Convenção de Condomínio (fls. 425/432) que instituiu a recorrente traz em seu bojo a seguinte redação: “CONSIDERANDO que MULTICORP e PREBEG são titulares de parte ideais correspondentes, respectivamente, a 94,00% (noventa e quatro por cento) e 6,00 (seis por cento) das unidades autônomas (à exceção da loja âncora “D” e das lojas “satélites” n°s 147, 247 e 247A) integrantes do “SHOPPING Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.405 12 CENTER IGUATEMI BELÉM”, situado em Belém, Estado do Pará, e são, dessa forma, condôminos;” (ii) Contrato de Administração do Shopping (fls. 408/424) realizado pelos condôminos dispõe claramente quais são os proprietários dos imóveis (item 2.1 do contrato). (iii) Os reais proprietários dos imóveis locados são: CAFAF – CAIXA DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO AMAZÔNIA – CNPJ n° 04.789.749/000110; PREBEG – CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO ESTADO DE GOIÁS CNPJ n° 01.555.754/000170; REFER – FUNDAÇÃO REDE DERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL – CNPJ n° 30.277.685/000189; MESBLA S/A – CNPJ n° 33.529.017/000190; FUNCEF – FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS – CNPJ n° 00.436.923/000190; SCRB – SHOPPING CENTERS REUNIDOS DO BRASIL LTDA – CNPJ n° 51.693.299/000148; PARTICIPA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ n° 55.886.725/000110; SMA – ADMINISTRAÇÃO DE PATRIMÔNIO E PARTICIPAÇÃO LTDA – CNPJ n° 65.633.331/000104; Portanto, descaracterizada a recorrente como pessoa jurídica “condomínio” e não sendo esta proprietária dos imóveis, a recorrente somente poderia assumir uma de duas figuras (pessoas jurídicas com fins lucrativos), quais sejam: (i) Considerar que a recorrente atuava como uma “imobiliária”, ou seja, intermediária entre o locador e o proprietário e neste caso lhe tributar somente a fração da receita que lhe cabia; ou (ii) Considerar que a recorrente era sublocadora dos imóveis, ou seja, lhe tinha a posse cedida pelo proprietário original, e lhes cedia a terceiros. Partindo da premissa que os imóveis não fazem parte da propriedade do condomínio, não podemos considerar que o proprietário original lhes cedeu a título gratuito, o que é contraditório aos fatos, pois pelos lançamentos infra se observa que mensalmente eram repassados valores (cessão a título oneroso) aos proprietários de fato e de direito (fls. 455/842). Porém, o AFRFB não logrou êxito ao determinar a “nova” pessoa jurídica com fins lucrativos e a formação das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Como ficou demonstrado no processo, a recorrente (condomínio) não é proprietária, de direito e de fato, dos imóveis. Logo, os aluguéis, que são recebidos e Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.406 13 repassados aos proprietários (condôminos) configuramse como custo (locação igual a custo, e sublocação igual a receita), e, como tal, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto ao PIS e COFINS a regra é semelhante, pois por serem os proprietários dos imóveis, pessoas jurídicas são geradores de créditos do PIS e da COFINS. De acordo com a linha de raciocínio constante no auto de infração, o procedimento correto a ser utilizado pelo AFRFB seria subtrair os valores dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL da receita da recorrente, até porque se apuraram os tributos pela modalidade de lucro real. A escolha do regime tributário foi uma opção, única e exclusiva do AFRFB, então, a ele incumbia o ônus da correta apuração e, principalmente, da formação da regra matriz dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) segundo este regime. Assim, no intento de não deixar dúvida quanto ao já exposto, importante dispor sobre a forma de cálculo do IRPJ na modalidade de lucro real. A forma de apuração pela sistemática do lucro real consiste basicamente em: apurar através da contabilidade e do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, o resultado das receitas auferidas pela contribuinte, deduzindo do montante encontrado os valores gastos (os custos, as despesas) pela contribuinte para se chegar a estas receitas. Em outras palavras, utilizandose do julgado pela 1ª Seção 4° Câmara 1ª Turma Ordinária do presente Conselho, a apuração pelo lucro real se dá pela “lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte”. Segue: [...] LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME LEGAL: LUCRO REAL TRIMESTRAL. APLICAÇÃO SUCESSIVA DO LUCRO ARBITRADO. Diante da ausência de opção pelo lucro presumido, a fiscalização somente poderá apurar o tributo com base na sistemática do Lucro Real, que é o regime que espelha a lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte — nem maior, nem menor. Caso a escrituração do contribuinte não permita apuração com base no Lucro Real, caberá ao fisco o arbitramento do lucro. (grifo nosso) (Processo n° 19515.001666/200615 Recurso Voluntário n° 166.085 Sessão de 28 de janeiro de 2010) Na mesma linha de pensamento já decidiram os conselheiros da 1ª Seção 3° Câmara 1ª Turma Ordinária. Segue trecho do voto: “Na sistemática do lucro real não se cogita da tributação de receitas, mas sim do resultado, assim entendida a confrontação entre as receitas auferidas e o esforço despendido com esse fim. Tal esforço pode ser tido, genericamente, como custo ou despesa. Será custo, quando diretamente vinculado a uma receita; despesa, quando a vinculação for indireta, ou não puder ser feita a uma receita específica, mas ao seu conjunto.” (grifo nosso).(Processo n° 15889.000244/200887 – Recurso Voluntário n° 178.781 Sessão de 25 de maio de 2011). Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.407 14 A base de cálculo tributável do IRPJ encontrase disposta no art. 43 do Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; (grifo nosso). Nesta esteira, mister trazer os ensinamentos do ilustre Leandro Paulsen no que se refere à diferença entre renda e receita. Segue: “Os §§ 1° e 2° do art. 43 referemse a “receita” ou rendimento. Receita, contudo, é palavra com sentido bem mais largo que o de renda ou proventos, enfim, que o de acréscimo patrimonial, eis que a receita é qualquer quantia recebida. De fato, receita vem do latim “recepta”, significando “coisas recebidas” (AURÉLIO). Assim, não considera as saídas, as despesas. De qualquer modo, não se pode perder de vista que a definição do fato gerador está condicionada pela base econômica dada à tributação pelo art. 153, III, da CF, que se refere a “rendas ou preventos de qualquer natureza” e não a receita.”(grifo nosso) (Paulsen, Leandro – Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência – 7. ed. rer. atual – Porto Alegre – Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005.) Logo, para que houvesse uma correta apuração pela sistemática do lucro real por parte do AFRFB, este deveria ter inserido na apuração do Lucro Real e no resultado do PIS e da COFINS o custo repassado mensalmente aos reais proprietários dos imóveis. Não sendo a recorrente a proprietária, de fato e de direito, mas mera “repassadora”, não é possível presumir que estes imóveis vieram a título gratuito, principalmente neste caso, em que eram repassados mensalmente valores aos reais proprietários, como se observa em análise de fls. 455 a 842. Tais valores, que constam nos balanços como “valores a distribuir aos empreendedores”, não foram declarados pela recorrente e não poderia ser diferente, uma vez que o condomínio entendiase como um ente sem fins lucrativos. Porém o AFRFB, ao descaracterizar o condomínio e ao tributálo como uma pessoa jurídica com fins lucrativos e, ainda, ao optar pela apuração com base no Lucro Real (metodologia), deveria inserir também na base de cálculo todos os custos e despesas necessárias para que as receitas tenham ocorrido, mesmo que estas estejam dispostas no balanço ou nos documentos contábeis sob outras rubricas, no caso “valores a distribuir aos empreendedores”. Não se pode presumir que uma pessoa jurídica meramente intermediária de uma locação (não proprietária de direito e de fato), seja na situação de administradora (imobiliária), ou sublocadora, tenha custo “zero” dos imóveis. O custo que deveria ter sido presumido pelo AFRFB era o valor realmente repassado mensalmente aos proprietários. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.408 15 Desse modo, o valor tributado pelo AFRFB nada mais é do que um custo da recorrente, o qual é repassado aos condôminos e, logo, não integra a base de cálculo do IRPJ e CSLL. Assim não há riqueza a ser tributada, como prevê o fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição Social. Concluise, portanto, que o AFRFB não considerou a correta base de cálculo tributável do IRPJ e CSLL. Assim, deve ser afastado o crédito tributário lançado a título de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2. DO PIS E DA COFINS O AFRFB ao emitir o seu relatório fiscal (fls. 213/227) realizou a seguinte apuração quanto ao PIS e a COFINS: Para apuração do PIS e da COFINS foi adotada a sistemática não cumulativa, nos termos da Lei nº 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, respectivamente. Com base nos balancetes mensais, nas folhas 291 a 298 do Livro Razão de nº 20ª e nas folhas 230 e 241 do Livro Razão [.....], entregues pelo Contribuinte à Fiscalização, foram apurados mensalmente em planilhas devidamente cientificadas ao Contribuinte os débitos do PIS e da COFINS não cumulativos sobre as receitas de aluguéis e demais receitas. Considerando que o contribuinte não identificou as contas contábeis que dão direito a créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, a Fiscalização, com base nos balancetes mensais, considerou as contas que poderiam dar direito a tais créditos, ou seja, todas as contas de despesas estatutárias [...] (grifo nosso). No entanto, com base no trecho do relatório fiscal transcrito acima, verifica se que a base de cálculo tributável no auto de infração em relação ao PIS e a COFINS incorreu em flagrante afronta a legislação que rege a cobrança do PIS e da COFINS, uma vez que o AFRFB ao optar pela apuração do PIS e da COFINS pela sistemática da não cumulatividade, deveria realizar o levantamento de todos os créditos que se pode auferir na modalidade não cumulativa (art. 3º, Inc. IV, Lei 10.833/03; art. 3º, inc. IV, Lei n. 10.637/02) e considerálos para então definir a base de cálculo. Entretanto, o AFRFB somente considerou como base de cálculo dos créditos as despesas estatutárias, sem observar que os imóveis não eram de propriedade da recorrente, mas de terceiros constituídos por pessoas jurídicas, o que claramente incluiria os valores a eles repassados na base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS. Assim o AFRFB ao optar pela apuração pelo Lucro Real e, consequentemente, pela sistemática da não cumulatividade, assumiu a obrigação e o ônus de compor corretamente a base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.409 16 Desse modo, deve a autoridade administrativa competente refazer a base de cálculo tributável do PIS e da COFINS, incluindo os valores repassados aos condôminos (pessoas jurídicas), conforme tabela infra, como base de cálculo dos créditos de PIS e de COFINS, nos termos da lei 10.637 e 10.833. Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 28 e 39) Resultado apurado pelo Fisco (Fls. 230) Janeiro/05 R$ 1.061.565,34 Fevereiro/05 R$ 1.001.062,49 Março/05 R$ 971.669,21 Total R$ 3.034.297,04 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.034.297,04 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 40 e 51) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 230) Abril/05 R$ 1.097.113,09 Maio/05 R$ 1.078.972,08 Junho/05 R$ 1.079.810,93 Total R$ 3.255.896,10 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.255.896,10 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 52 e 63) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 230) Julho/05 R$ 1.112.457,57 Agosto/05 R$ 1.128.458,89 Setembro/05 R$ 1.047.761,48 Total R$ 3.288.677,94 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.288.677,94 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 64 e 75) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 230) Outubro/05 R$ 976.525,10 Novembro/05 R$ 1.227.731,56 Dezembro/05 R$ 2.449.494,93 Total R$ 4.653.751,59 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 4.653.751,59 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 109 e 121) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 230) Janeiro/06 R$ 1.204.917,06 Fevereiro/06 R$ 1.207.853,74 Março/06 R$ 1.138.219,17 Total R$ 3.550,989,97 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.550,989,97 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 122 e 136) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 230) Abril/06 R$ 1.168.257,64 Maio/06 R$ 1.213.783,45 Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.410 17 Junho/06 R$ 1.206.085,35 Total R$ 3.588.126,44 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.588.126,44 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 137 e 151) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 231) Julho/06 R$ 1.108.401,78 Agosto/06 R$ 1.026.779,95 Setembro/06 R$ 1.028.546,68 Total R$ 3.163.728,41 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.163.728,41 Mês de referência Resultado informado pelo Contribuinte (Fls. 152 e 166) Resultado apurado pelo Fisco(Fls. 231) Outubro/06 R$ 1.132.033,18 Novembro/06 R$ 819.061,74 Dezembro/06 R$ 1.885.861,33 Total R$ 3.836.956,25 (linha “3.3.1.Valores a distribuir aos empreendedores”) R$ 3.836.956,25 3. DA MULTA DE OFÍCIO Em atenção ao exposto nos tópicos anteriores, e lembrando que a multa de ofício é acessória a crédito tributário lançado, temos que a multa de ofício somente deve subsistir sobre a nova base de cálculo tributável encontrada pela autoridade administrativa no que se refere ao PIS e a COFINS. 4. CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para afastar os créditos tributários lançados a título de IRPJ e CSLL, e determinar a recomposição da base de Cálculo do PIS e a COFINS nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 1302001.060 S1C3T2 Fl. 1.411 18 Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 13605.000570/2008-06
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 05 70 /2 00 8- 06 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13605.000570/200806 Acórdão n.º 2803002.207 S2TE03 Fl. 101 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve o atuo de infração que lançou penalidade por descumprimento ao art. 32, IV, §3º, da Lei n. 8.212/1991, por ter deixado de apresentar informações (GFIP) todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma correta. A penalidade foi lançada com base no exercício de 2004. A ciência do auto de infração foi em 01.08.2008. Apresentou no recurso os demais argumentos em sintese: 1. Requereu a concessão do efeito suspensivo ao presente recurso, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/1972; 2. o AuditorFiscal faz menção a supostas infrações sendo que cada uma delas decorre de fatos distintos; a primeira delas, a PLR – Participação nos Lucros e Resultados, decorrente de suposta infração à Lei 10.101/00; a segunda, Abono de Ferias, decorre de suposto descumprimento do art. 143 e 144 da CLT e a terceira e última referente à Glosa de Salário Família, em que pese não haver fundamentação legal para tal imposição. Assim, requer a nulidade do lançamento, haja vista a existência de vários fatos distintos exigíveis no mesmo auto de infração, havendo violação do 9o do decreto 70.235/72; 3. a nulidade da decisão em razão do cerceamento de defesa por ter negado o pedido de realização de prova pericial, contrariando o art. 16 do decreto 70.235/1972 e a ofensa à realização de provas, consoante inciso LV do art. 5° da CRF/88; requer que seja respeitada a norma do art. 7°, XI da CRF/88 e art. 28, §9°, j da Lei 8.212/91, para que seja desconsiderado o lançamento fiscal, uma vez que a multa aplicada não se remete a descumprimento da lei 10.101/00, mas sim, computada sobre verba de natureza indenizatória, não havendo incidência de contribuições previdenciárias. Caso contrário, requer que não haja incidência sobre as duas primeiras parcelas a título de PLR para evitar ações trabalhistas, o que seria justo; 4. ao estabelecer que o Abono de Ferias seria pago no importe de 26,67% (vinte seis e sessenta c sete por cento), tanto a Recorrente quanto os empregados, representados pelo Sindicato, respeitaram os limites dos artigos 143 e 144 da CLT. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13605.000570/200806 Acórdão n.º 2803002.207 S2TE03 Fl. 102 3 5. é uníssono o entendimento de que a natureza jurídica do Salário amília é Previdenciária, isso por que, tem caráter alimentar e é concedido aos empregados que, após comprovado o pagamento pelo empregador, a empresa pode compensar no momento de proceder a contribuição previdenciária; 6. a aplicação de juros e multa é insubsistente e foi equivocadamente aplicada. Os autos vieram a esta Turma Especial para análise. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13605.000570/200806 Acórdão n.º 2803002.207 S2TE03 Fl. 103 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto ao questionamento de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão do presente recurso, o mesmo está com exigibilidade suspensa (art. 151, III, do CTN). III Quanto à nulidade do lançamento apontada preliminarmente, que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos do lançamento, não há indicação dos motivos de terem desconsiderado ou porque interpretou as verbas pagas a título do Plano de Participação de Repartição de Lucros e Resultados e de abono de férias previsto em convenção coletiva, previstas como isentas/não aplicáveis em face a contribuições previdenciárias. O relatório fiscal e de imposição de multa somente consta o seguinte texto (fls.11 e 12 dos autos físicos) : RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: 1 0 presente AutodeInfração AI foi lavrado contra a empresa acima identificada, uma vez que a mesma apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao artigo 32, inciso IV, § 5 º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97 combinado com o art. 225, inciso IV, parágrafo 4 0 .do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048, de 06/05/1999. 2 A empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP os valores pagos aos seus empregados a título de Participação de Lucros e Abono de Férias ACT. 3 0 valor devido confessado pela empresa nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, foi obtido no sistema informatizado: Cadastro Nacional de Informações Sociais CNISA. 4 A contribuição devida e não declarada em GFIP, correspondente aos fatos geradores omitidos, encontrase devidamente calculada no Anexo 01 que é parte integrante do presente Relatório. 5 Não há registro de AutodeInfração AI anteriores, contra o contribuinte, sendo portanto, considerado primário. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13605.000570/200806 Acórdão n.º 2803002.207 S2TE03 Fl. 104 5 6 Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA 1 A multa aplicada pela infração cometida corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos § 5 º do art. 32 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528197 c/c art. 284, inciso II e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, calculada conforme "ANEXO 02", que se constitui em parte integrante do presente Relatório. 2 Para apuração da contribuição devida e não declarada, visando ao estabelecimento da multa, foram aplicadas sobre o valor não declarado, por competência, a alíquota de 20% referente a parte patronal; 3% destinado ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultante de riscos ambientais do trabalho GILRAT, e a alíquota correspondente à faixa de contribuição descontada do segurado empregado. • 3 0 limite legal da multa estabelecido, por competência, em função do número de segurados da empresa, encontrase discriminado no Anexo 02 e corresponde a 10 (dez) vezes o valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n° 8.212/91, (R$ 12.548,90). 4 Informamos que o valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n° 8.212/91 foi fixado em R$ 1.254,89 conforme Portaria MPS n 0 77 de 11.03.2008, artigo 8 0 , inciso V, nos termos do disposto no art. 373 Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 5 Portanto, a multa aplicada corresponde ao valor de R$10.553,31(Dez mil, quinhentos e cinqüenta e três reais e trinta e um centavos). A motivação somente veio a luz no julgamento da DRJ, explicando que tanto o PRL e o abono estavam em desconformidade com o art. 28, §9, e, 6 e 7, j, da Lei n. 8.212/1991, c/c art. 3º, §2º, da Lei n. 8.212/1991. Contudo, isso em momento algum, esses motivos foram apontados no auto de infração. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988). “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13605.000570/200806 Acórdão n.º 2803002.207 S2TE03 Fl. 105 6 em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. IV Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 12898.000183/2010-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/03/2010
NULIDADE DA AUTUAÇÃO, FALTA DE MATERIALIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO REALIZADA EM RESPEITO A TODAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MATERIALIDADE E VIOLAÇÃO AS NORMAS TRIBUTÁRIAS COMPROVADAS. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2010 NULIDADE DA AUTUAÇÃO, FALTA DE MATERIALIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO REALIZADA EM RESPEITO A TODAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MATERIALIDADE E VIOLAÇÃO AS NORMAS TRIBUTÁRIAS COMPROVADAS. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 83 /2 01 0- 75 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 145 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.236.7160, objetiva o lançamento da Obrigação Acessória, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 15/03/2010, conforme AR, de fls. 62. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 28 a 36, recebida, em 08/04/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 37 a 58. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 63 e 64. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1233.556 12ª Turma da DRJ/RJI, em 30/09/2010, fls. 66 a 70, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 08/09/2011, AR, de fls. 77. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 78 a 84, recebida, em 06/10/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 85 a 103, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que o recurso é tempestivo; Mérito. · que a autuação carece de materialidade, pois necessário seria que esta ocorresse na data e hora prevista para a entrega da documentação solicitada, não emitindo o fiscal qualquer documento na data prevista no TIPF e TIF’s; · que o agente fiscal em razão da vinculação do ato administrativo estaria obrigado a emitir a autuação de imediato, caso a documentação Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 146 3 no fosse entregue, conforme consta do RPS que transcreve, na comportando o vernáculo imediato interpretações, cita o PARECER CJ 2139/2000; · que a não lavratura do auto de infração no momento da não entrega dos documentos, nos termos da IN/INSS/DAF 10/98 já resulta em nulidade; · que estando a autuação embasada em fato não ocorrido e não comprovado e em desacordo com as normas deve ser anulado, pois faltando materialidade falta motivo, cita a Lei 4.717/65 e o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello; · A recorrente requer e pede: a) declaração de improcedência deste AI. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 107. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 107. É o Relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 147 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Preliminar. A tempestividade foi reconhecida e o recurso está sendo “processado”. Mérito. Não assiste razão à recorrente quando diz que a infração não está provida de materialidade, por não ter sido emitido o auto de infração imediatamente depois do recebimento dos documentos solicitados via TIPF e TIF’s. A uma, porque o artigo 293, do RPS foi alterado pelo Decreto 6.103/2007 que exclui expressão imediato, não se aplicado esta ao caso, pois inexistente tal exigência. A duas, porque, ainda, quando vigente a expressão imediato, isso não implicava dizer que o lançamento deveria ser feito imediatamente depois do recebimento dos documentos. O imediato se referia ao momento de constatação da infração que poderia se dar bem depois ao momento do recebimento dos documentos, pois de certo que ante a gama, variedade e quantidade de documentos que se solicita em uma ação fiscal a conferência minuciosa destes não se dava e não era possível no momento da entrega, ou seja, do recebimento destes documentos pelo fisco. A três, porque com a entrada em vigor da Lei 11.457/2007 e com a autorização de antecipação de seus efeitos pelo Decreto 6.103/2007 na determinação do crédito fiscal, passouse a aplicar em concomitância com o RPS o Decreto 70.235/72 que não tem a expressão imediato. Assim, as duas normas de regência foram atendidas, sendo o vernáculo suscitado desprovido de juridicidade, assim sendo as alegações da recorrente quanto a falta de materialidade, bem como as alegações subjacentes, como a interpretação do vernáculo imediato, por não mais existir tal exigência, e, ainda, a aplicação do Parecer CJ 2.139/2000 e da IN/INSS/DAF 10/98, o que as tornam impertinentes e fora do contexto por inaplicáveis ao caso. O fato só não ocorreu como está amplamente demonstrado, basta para isso ler os termos de solicitação de documentos, ou seja, o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 14 e 15, e os Termos de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 16 a 22, bem como com os esclarecimentos e a relação de livros e documentos relacionados a contribuição previdenciária não apresentados contidos, no Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 07 a 12, item 2.2. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 148 5 Desta forma, fica afastada a alegação de ausência de motivo para autuação, bem como a aplicação da Lei 4.717/65, a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello. Todavia, não há como sustentar a aplicação da reincidência específica como consta do Relatório da Multa Aplicada, fls. 13. No item 3 deste relatório o agente fiscal diz, o que a seguir se transcreve: 3. Considerando a existência de circunstância agravante, prevista no art. 290, inc. V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e tratandose de uma reincidência específica, prevista no art. 292, inc. IV, do referido Regulamento, a multa no valor de R$ 14.107,77 (Quatorze mil, cento e sete reais e setenta e sete centavos), atualizado conforme o estabelecido no inc. VI, do art. 8º, da Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, publicada no DOU de 31/12/2009, foi elevada em três vezes perfazendo o total de R$ 42.323,31 (quatro e dois mil, trezentos e vinte e três reais e trinta e um centavos), conforme cópia do CCREDEXT, em anexo. (destaques do original). Apesar do que dito pelo agente lançador este não trouxe aos presentes autos a comprovação da existência da infração anterior, data de seu cometimento; data da sua aplicação, a data do julgamento, a data do resultado do julgamento ou do pagamento do AI, ou seja, data da consolidação do evento. A falta dos elementos citados não permitem que se configure a reincidência, observese a legislação sobre o tema: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Assim sendo, não prospera a configuração da reincidência e a majoração da multa em três vezes, devendo esta ser excluída e a multa fixada no mínimo legal. Posto isto, nego o pedido de sobrestamento deste, até porque a obrigação principal está sendo julgada em conjunto, apesar de desnecessário como explicitado. Entretanto, reconheço que a reincidência foi aplicada de forma indevida, devendo ser excluída. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 12898.000183/201075 Acórdão n.º 2803002.345 S2TE03 Fl. 149 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA
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