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Numero do processo: 19515.000815/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA. DCOMP ANTERIOR AO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL.
Nos termos dos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972, reputam-se deduzidas e repelidas todas as alegações que a Recorrente poderia opor ao acolhimento ou à rejeição do pedido. Levando-se em conta em conta que os argumentos da Recorrente são exclusivamente os que estão arrolados nos autos, e em face da falta de suporte fático e jurídico à aplicação, no caso em exame, de matéria de ordem pública a ser suscitada de ofício, deve-se negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se a incidência da multa isolada, em face da prevalência das razões e das conclusões da decisão judicial que negou o direito creditório, em relação às razões recursais do processo administrativo de aplicação da multa isolada pela tentativa de veicular compensação vedada por lei.
Numero da decisão: 1301-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA. DCOMP ANTERIOR AO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. Nos termos dos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972, reputamse deduzidas e repelidas todas as alegações que a Recorrente poderia opor ao acolhimento ou à rejeição do pedido. Levandose em conta em conta que os argumentos da Recorrente são exclusivamente os que estão arrolados nos autos, e em face da falta de suporte fático e jurídico à aplicação, no caso em exame, de matéria de ordem pública a ser suscitada de ofício, devese negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a incidência da multa isolada, em face da prevalência das razões e das conclusões da decisão judicial que negou o direito creditório, em relação às razões recursais do processo administrativo de aplicação da multa isolada pela tentativa de veicular compensação vedada por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 15 /2 00 7- 00 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 189 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação contra auto de infração, mediante o qual constituiuse a multa isolada de R$ 300.846,25, às fls. 27/29, aplicada em razão da apresentação de pedido e declarações de compensação com o intento de contrapor créditos derivados de apólices da divida pública interna fundada federal a dívidas tributárias, como bem anuncia o relatório da DRJ, o qual, reproduzo para, em seguida, adotálo, pela clareza do órgão a quo: "De acordo com a decisão administrativa proferida nos autos do processo nº 13807.003552/200214, a contribuinte apresentou Pedidos/Declarações de Compensação, controlados no citado processo, buscando a utilização de crédito oriundo de ação judicial (processo nº 1999.61.00.0519683) na qual pretendeu “ver declarada a validade e a resgatabilidade de títulos da dívida pública, denominados Apólice da Dívida Pública Fundada Interna Federal, emitidos em 1902; a possibilidade de pagamento por precatório, compensação de tributos federais ou outras dívidas com os citados papéis de sua propriedade e a utilização destes como meio de pagamento em processos de privatização”. A intenção da contribuinte seria de compensar, com o mencionado crédito, tributos de sua titularidade lançados de ofício e controlados pelos processos administrativos nºs 13807.003432/200127, 13807.003678/200108, 13808.000012/200261 e 13808.000013/200213. As compensações pleiteadas foram “NÃO HOMOLOGADAS” pela DERAT/SPO (cópia da decisão às fls. 06/11). Cabe destacar que: • O suposto crédito pleiteado pela contribuinte baseouse em decisão judicial proferida em ação não transitada em julgado (de acordo com esclarecimento constante da decisão administrativa que indeferiu a compensação), violando o disposto no artigo 170A do CTN (que veda a compensação de tributo discutido judicialmente antes do trânsito em julgado da ação), tendo sido a apelação da sentença ao TRF recebido com efeito suspensivo; e • O crédito referese a títulos da dívida pública emitidos no início do século XX, sendo, portanto, de natureza financeira (não Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 190 3 tributária), não sendo referente a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal. Assim, resta claro tratarse de tentativa de compensação utilizando crédito de natureza não tributária, bem como de crédito cuja compensação é vedada por expressa disposição legal (artigo 170A do CTN), restando aplicável a multa isolada prevista no artigo 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003. Mesmo com a alteração do texto legal da Lei nº 10.833/2003, pelas Leis nºs 11.051/2004 e 11.196/2005 e pela MP nº 351/2007, permanece o cabimento de multa isolada para o caso de compensação através da utilização de créditos relativos a títulos públicos ou que não sejam referentes a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, bem como de créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. A base de cálculo para a multa isolada é o valor correspondente às diferenças apuradas decorrentes da compensação indevida (valor total do débito indevidamente compensado), nos termos do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e do artigo 30, §1º, da IN SRF nº 460/2003. Conforme síntese à fl. 15 e demonstrativos de fls. 16/23 e 24/28, os valores indevidamente compensados totalizam R$ 401.128,33, sendo o valor da multa isolada (de 75%) de R$ 300.846,25. Em face do exposto, foi efetuado o seguinte lançamento: Fato gerador 28/02/2007 Fundamento legal artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pelas Leis nºs 11.051/2004 e 11.196/2005; artigo 90 da MP nº 2.15835/2001; artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN; e artigo 18 da MP nº 351/2007 Crédito Tributário R$ 300.846,25 Multa isolada" Decisão de primeira instância às fls. 99 /102 [123/126], assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. A multa isolada é aplicável nos casos em que o crédito informado nas compensações for de natureza não tributária ou não ser passível de compensação por expressa disposição legal." Ciência da decisão de primeira instância no dia 12/05/2014, à fl. 107 [131]. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 191 4 Recurso a este Colegiado com entrada na repartição preparadora no dia 19/05/2014, às fls. 109/ 115 [133/149]. Nesta oportunidade, alega, de início, que, entre 1902 e 1940, a então República dos Estados Unidos do Brasil emitiu títulos denominados Apólices da Dívida Pública com fundamento em diversos diplomas legais. Tais títulos possuíam valor de face de 1.000.000 $ (um conto de reis), com juros de 5% ao ano, pagáveis mensalmente, com amortização a partir do ano em que se consumasse a obra pública para a qual se concebeu a captação de recursos entre os interessados nas respectivas Apólices. Todavia, o Governo Federal nunca anunciou a conclusão das obras. Após vários anos de silêncio, a União baixou o Decretolei nº 267, de 1967, que estabeleceu o prazo de seis meses – a partir de edital publicado pelo Banco Central para apresentação desses títulos com o fim de resgate, a ser efetivado por meio de subscrição em Obrigações do Tesouro Nacional (ORTN). Adiante, menciona que o referido edital foi publicado em DOU do dia 05/07/1968, fixando o intercurso temporal acima para o período entre 01/07/1968 a 01/01/1969. Ocorre que, em 30/12/1968, editouse o Decretolei nº 396, que alterou o prazo para resgate de 12 meses, porém o Banco Central nunca publicou novo edital, a configurar grave omissão da Administração Pública Federal, que deve pautar seus atos pelo princípio da boafé. A Recorrente enfatiza a inconstitucionalidade da delegação supracitada ao Banco Central, pois o poder regulamentar é privativo do Presidente da República, afora o fato de que os Decretosleis referidos introduziram condição inexistente no momento em que o negócio jurídico se implementou, a refletir violação ao ato jurídico perfeito. No mesmo roldão, expressa que o Decretolei nº 263/1967 e o Decretolei nº 396/1968 agrediram a Constituição Republicana de 1946, então vigente, já que o Presidente da República usurpara a competência do Congresso Nacional, legislando em matéria de direito civil, ao estabelecer regra sobre prescrição. Em outra linha, a Recorrente insurge contra o “calote’ do Poder Público federal, que, em sua defesa, invoca a prescrição quinquenal, não obstante se saiba que não foram iniciadas ou concluídas as obras vinculadas às Apólices. Por outra ótica, assinala que a dilação do prazo para apresentação dos títulos resgatáveis haveria de ser objeto de novo Edital para convocação, sob pena de não ter havido manifestação de vontade de resgatar os Títulos da Dívida Pública após 1º de janeiro de 1969. Escorandose em juristas de renome, a Recorrente afirma que o Decreto lei nº 2.376, de 1987, reconheceu a validade das preditas apólices, ao determinar ao Conselho Monetário Nacional a atribuição de baixar Resolução para regular a emissão de Letras do Tesouro Nacional com o prazo de validade de 20 anos, o que aniquila a tese da prescrição extintiva do resgate dos aludidos títulos. Mais além, assevera que, na captação de recursos no mercado, tal qual a ocorrida para financiamento mediante a emissão das citadas Apólices, a Administração Pública operou em condição de igualdade com o particular, o que implica regência das regras do Direito Privado. Assim – diz a Recorrente o negócio em tela é verdadeiro contrato de mútuo. A Recorrente realça, ainda, que os Decretosleis prefalados promoveram um engodo, ao impor o resgate sem atualização monetária, considerando que, na época em que tais atos foram editados, a moeda nacional em curso era o cruzeiro, ao passo que o valor de face dos títulos era um conto de reis. Em suma, o que se patenteia, em face do exposto, é a impossibilidade jurídica de se trocar um conto de reis pelo mesmo conto de reis quando a Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 192 5 moeda era o cruzeiro. Portanto, à luz desses acontecimentos, constatase que o Tesouro Nacional deliberadamente impediu o resgate dos valores, acarretando perda significativa aos investidores que confiaram no Estado. Nessa toada, avultase a máxima segundo a qual é ilícito o arbítrio de uma das partes como condição falível para o resgate ou vencimento da dívida, nos termos do Decretolei nº 2.376/1987. A Recorrente registra que é necessário fixar a paridade dos títulos comentados com as Letras do Tesouro Nacional (LTN) ou Notas do Tesouro Nacional (NTN), como reconhecido pelo Decretolei nº 2.376/1987, a fim de ajustar títulos emitidos no início do século com os padrões atuais dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Desse modo, as Apólices da Dívida Pública terão poder liberatório para pagamento de impostos federais, aplicandose, por analogia, o artigo 3º da Lei nº 8.249, de 1991. Em outro norte, a Recorrente salienta que a falta de previsão de atualização monetária, no resgate dos títulos em lume, decorreu da circunstância de que o emitente das Apólices não contava com a inadimplência ou a negativa de pagamento pelo govenos subsequentes, como também não previra a galopante inflação fruto de políticas econômicas desastrosas. No mais, a Recorrente destaca que o artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários líquidos e certos, vencidos ou vincendos, contra a Fazenda Pública. De acordo com esse raciocínio, a previsão legal em referência é a que consta dos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que emprestariam suporte à compensação de dívidas tributárias com Apólices da Dívida Pública. Ainda em seu apoio, traz ao debate as Medidas Provisórias nº 1.76367, de 1999, e a Lei nº 9.711, de 1998. Por fim, a Recorrente alega que sua pretensão está em consonância com a jurisprudência, a lhe conferir o direito de obter o provimento do presente recurso voluntário, com a anulação da multa isolada e a homologação das compensações pleiteadas nos processos 13807.0003432/200127, 13807.003678/200108, 13808.000012/200261 e 13808.000013/2002513. Ad argumentandum, pleiteia que seja minorada a sanção imposta, tendo em conta os princípios da continuidade da empresa e do não confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator O presente recurso cumpre os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Conforme cópia do Despacho Decisório do processo 1807.03552/200214, às fls. 04/09, a Recorrente apresentou, em 15/04/2002, pedido de compensação e, em 28/03/2003, declarações de compensação, com o intento de contrapor créditos derivados de apólices da divida pública interna fundada federal a dívidas tributárias. Expliquese que a Recorrente ingressou como assistente litisconsorcial de Rogério Barbosa na ação ordinária nº 1999.61.00.519683, ajuizada na 15ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pela qual objetivavase o reconhecimento da validade e da resgatabilidade de títulos da dívida pública, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 193 6 denominados Apólices da Dívida Pública Interna Fundada Federal, emitidos a partir de 1902, bem como a possibilidade de pagamento dos créditos inerentes a esses papéis por precatórios, a compensação desses mesmos créditos com tributos federais ou outras dívidas e o empregos dos referidos títulos como meio de pagamento em processos de privatização. Com efeito, a ação foi julgada procedente em primeira instância. Entretanto, União e INSS apelaram da decisão de primeira instância, consoante o que desvela na consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região na internet, fonte de onde se desnudam as seguintes informações, coligidas do voto do relator, Desembargador Mairan Maia (processo nº 1999.61.00.0519683 811623 ACSP): “Cuidase de ação de conhecimento, processada sob o rito comum ordinário, proposta com o objetivo de obter a declaração de validade das Apólices da Dívida Pública emitidas no início do século passado, para fins de pagamento de débitos junto à Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social, devolução por precatório, utilização como garantia em execução fiscal, ou como moeda em leilões de privatizações. Foi concedida tutela antecipada (fls. 683/686), determinando que as apólices pudessem ser utilizadas imediatamente pelo autor para compensação com tributos federais e/ou pagamento de aquisição de ações de empresas estatais em leilões de privatização e determinando, ainda, que as apólices fossem depositadas na Caixa Econômica Federal, à disposição do Juízo, mediante entrega de recibo respectivo ao autor, podendo ser utilizadas para os já referidos fins, sem prejuízo da realização de qualquer negócio entre particulares.(grifei) [...] O autor e as empresas que ingressaram como assistentes litisconsorciais requereram, às fls. 851/864, aditamento à inicial para que o Instituto Nacional do Seguro Social fosse citado e viesse integrar a lide. Às fls. 888, foi deferido o pedido de aditamento. Do pedido de aditamento, não foi intimada a União Federal. [...] Às fls. 1000, 1001, 1003 e 1005 foram devolvidos aos autos ofícios dirigidos, respectivamente, ao Delegado da Receita Federal em São Paulo, ao Procurador da Fazenda Nacional em São Paulo, ao Procurador Chefe da Fazenda Nacional em São Paulo e ao Superintendente do Instituto Nacional do Seguro Social em São Paulo, com o fim de cientificálos da concessão da tutela antecipada e da admissão das empresas como assistentes litisconsorciais. A União Federal manifestouse pela primeira vez nos autos às fls. 1026, para requerer a juntada da cópia de agravo de instrumento interposto da decisão que deferiu a tutela antecipada, em cumprimento ao disposto no art. 526, do CPC. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 194 7 A União Federal manifestouse pela primeira vez nos autos às fls. 1026, para requerer a juntada da cópia de agravo de instrumento interposto da decisão que deferiu a tutela antecipada, em cumprimento ao disposto no art. 526, do CPC. O INSS contestou o feito às fls. 1255/1263. A União Federal não ofereceu contestação. Às fls. 1276, há ofício encaminhado ao Delegado da Receita Federal em São Paulo, cientificandoo da admissão, no processo, de empresas como assistentes litisconsorciais. O autor e as empresas assistentes ofereceram réplica à contestação do INSS às fls. 1278/1303. Às fls. 1304, foi determinada a especificação de provas a serem produzidas pelas partes. Das decisões que admitiram as empresas como assistentes litisconsorciais, o INSS interpôs agravo retido, às fls. 1311, sem o oferecimento das respectivas razões. O autor e as empresas assistentes requereram, às fls. 1326/7, o julgamento antecipado da lide, com fundamento no art. 330, I, do CPC. Em petições protocolizadas às fls. 1375 e 1377, o INSS e a União Federal, respectivamente, requereram a produção de prova pericial e contábil com o intuito de apurar a autenticidade e o valor legal dos títulos, caso se comprovasse sua validade. Às fls. 1379/1385, o autor e as empresas assistentes requereram a expedição de ofício à Caixa Econômica Federal no sentido de que fosse efetuado o depósito das Apólices da Dívida Pública. O ofício foi expedido e juntado, devidamente cumprido, às fls. 1421/2. No entanto, não há nos autos nenhuma comprovação de que os depósitos tenham sido realizados. Posteriormente, às fls. 1398/1401, 1413/6, 1424/9, 1463/8 foram protocolizados pelas empresas Instituto Educacional Estagium S/C Ltda, TCE Indústria Eletrônica da Amazônia S/A, Novalata Beneficiamento e Comércio de Embalagens LTDA, Sonolux Indústria de Polímeros Ltda, Indústria e Comércio de Madeiras e Cereais Gaspari Ltda, Granja Gasparini Ltda, Calçados Samello S/A, Mercador Comércio Exterior Ltda, Bissness Comércio e Distribuição Ltda e Metropolitana Catarinense de Segurança Ltda, pedidos de ingresso como assistentes litisconsorciais do autor, os quais foram deferidos, respectivamente, às fls. 1419, 1445 e 1510. (grifei) Dos pedidos de ingresso e da decisão que os deferiu, não foram intimados pessoalmente os representantes judiciais da União e do INSS. Sobreveio sentença às fls. 1539/92. O juízo a quo considerou a matéria em debate exclusivamente de direito e julgou antecipadamente a lide aplicando o art. 330, I, do CPC, por Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 195 8 entender desnecessária a produção de outras provas. Julgou procedente o pedido do autor para reconhecer a validade e resgatabilidade das apólices da dívida pública apontadas nos presentes autos, autorizando a utilização dos créditos a elas vinculados, conforme opção do autor e de seus assistentes litisconsorciais, para resgate junto à União Federal através de procedimento de ofícios precatórios, para pagamentos de tributos federais, vencidos ou vincendos, inclusive aqueles de competência do INSS, e outras dívidas que porventura existam com a União Federal e o INSS, ou ainda, para utilização como meio de pagamento em procedimentos licitatórios de privatização de empresas estatais controladas pela União Federal. Concedeu tutela específica (art. 461, CPC) para possibilitar a utilização dos créditos vinculados às apólices, conforme opção do autor e de seus assistentes litisconsorciais, de maneira a suspender a exigibilidade de créditos tributários dos réus, União Federal e INSS, contra si. Honorários advocatícios arbitrados em 10% sobre o valor da causa. Reexame necessário na forma da lei. Em apelação (fls.1755/71), o INSS reiterou o pedido de apreciação do agravo retido, requerendo seu integral provimento a fim de não permitir a inclusão de todos os assistentes litisconsorciais, por entender que um grande número de litigantes ocasionaria cerceamento de defesa. Outrossim, aduziu sua ilegitimidade passiva e, no mérito, pugnou a reforma da sentença. Às fls. 1796/9, foi protocolizado pelas empresas Vigilância Triângulo Ltda e Triângulo Limpeza e Conservação Ltda, pedido de ingresso como assistentes litisconsorciais do autor, o qual foi deferido às fls. 1924. Desse pedido de ingresso, não foram intimados pessoalmente os representantes judiciais da União Federal e do INSS, tendo sido intimados tãosomente da decisão que deferiu o pedido. Por seu turno, a União Federal também apelou (fls. 1808/1910) e requereu, preliminarmente, a nulidade da sentença sob a alegação de cerceamento de defesa, bem como, a título de argumentação, a extinção do processo sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267, VI c.c. o art. 283, todos do CPC. No mérito, requereu a reforma da sentença. Posteriormente, às fls. 1972/5 e 2127/35, respectivamente, a União Federal e o INSS interpuseram agravo retido da decisão que deferiu o ingresso das empresas Vigilância Triângulo Ltda e Triângulo Limpeza e Conservação Ltda como assistentes litisconsorciais do autor. A União Federal pugnou a reforma da decisão por entender que com a publicação da sentença acaba o ofício jurisdicional e, por essa razão, o juízo a quo não poderia ter decidido quanto ao ingresso, e sim, submetido o pedido à decisão do Relator. Por outro lado, o INSS considerou que as empresas que ingressaram na lide são litisconsortes facultativos ulteriores mascarados de assistentes litisconsorciais e que, uma vez proposta a ação, a formação do litisconsórcio facultativo Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 196 9 ulterior ofenderia o princípio do juiz natural. Segundo a autarquia, seria dado a parte a oportunidade de escolher o juiz certo para processar e julgar a ação. Às fls. 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, foram devolvidos aos autos os mandados de intimação dirigidos ao Procurador do INSS, ao Gerente de Arrecadação e Fiscalização do INSS, ao Delegado da Receita Federal, ao Procurador da Fazenda Nacional e ao Inspetor da Receita Federal, com o fim de intimá los da decisão de fls. 1924, que admitiu as empresas Vigilância Triângulo Ltda e Triângulo Limpeza e Conservação Ltda como assistentes litisconsorciais do autor. O autor apresentou suas contrarazões às apelações interpostas pelo INSS e pela União Federal, respectivamente, às fls. 2013/39 e 2041/62. Às fls. 2209/2212, o autor e a empresa Simpress Indústria, Comércio e Locação de Sistemas de Impressão Ltda peticionaram postulando o ingresso desta como assistente litisconsorcial, sendo que o juiz da causa submeteu a apreciação do pedido ao Relator do feito quando de sua distribuição neste Tribunal. A referida empresa não juntou cópia autenticada do contrato social, nem instrumento de mandato. Do pedido de ingresso, não foram intimados pessoalmente os representantes judiciais da União Federal e do INSS. Os autos foram remetidos a esta Corte (fls. 2528). Por fim, às fls. 2547/8, o autor requereu o ingresso de Empório das Frutas Ltda no feito, requerimento esse que, como o anterior, também não veio acompanhado da cópia autenticada do contrato social da empresa, nem do instrumento de mandato. Dispensada a revisão, na forma regimental. É o relatório. VOTO O Desembargador Federal MAIRAN MAIA (Relator). Inicialmente, analiso a regularidade do ingresso, na lide, como assistentes litisconsorciais do autor, das empresas AGBR Intermediação de Negócios Ltda, All Fama Industrial S/A, Back Serviços de Vigilância e Segurança Ltda, Back Serviços Especializados Ltda, Bissness Comércio e Distribuição Ltda, Bras Sulamericana Ltda, Calçados Samello Ltda, Casvig Catarinense de Vigilância e Segurança Ltda, Comércio de Veículos Biguaçu Ltda, Construtora Almeidamaral Ltda, Covabra Comercia Varejista Brasileira Ltda, Ferreira Bentes Comércio de Medicamentos Ltda, Granja Gaspari Ltda, Indústria e Comércio de Madeiras e Cereais Gaspari, Inoxlider Aços e Metais Ltda, Instituto Educacional Stagium S/C Ltda, Mercador Comércio Exterior Ltda, Metropolitana Catarinense de Segurança Ltda, MGR – Engenharia Ltda, Milan Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 197 10 Participações e Representações Ltda, Novalata Beneficiamento e Comércio de Embalagens Ltda, Organização Sebba Materiais para Construção Ltda, Post Script Artes Gráficas e Editorial Ltda, Proserv Assessoria e Consultorias de Pessoal Ltda, Protevale Vigilância e Segurança Ltda, Sebba Madeiras e Materiais de Construção Ltda, Sicmol S/A, SLC Construção e Serviços Ltda, Sonolux Indústria de Polímeros Ltda, Sulamericana Indústria e Comércio de Tabacos Ltda, TCE Indústria Eletrônica da Amazônia S/A, Uemura &Uemura Comercial Ltda, Unikey Industrial Ltda, Uniklima Indústria e Comércio Ltda. (grifei) O autor cedeu e transferiu, no curso do processo, às empresas acima mencionadas, a posse e a propriedade de apólices da dívida pública, cuja validade está sendo discutida na presente ação, bem como todos os direitos, vantagens e obrigações referentes a elas. Tratase, portanto, de hipótese à qual se aplicaria o art. 42, caput e parágrafos do CPC, cuja redação é a seguinte: “Art.42. A alienação da coisa ou do direito litigioso, a título particular , por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes. §1º O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, substituindo o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte contrária. §2º O adquirente ou cessionário poderá, no entanto, intervir no processo assistindo o alienante ou o cedente. §3º A sentença, proferida entre as partes originárias, estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário.” A alienação do objeto litigioso não implica necessariamente na alteração das partes, a não ser que haja interesse do adquirente em suceder o cedente e consentimento da parte contrária para operarse a sucessão processual. A propósito do tema é a lição de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: (in “Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor”, 6ª edição revista e atualizada, Editora Revista dos Tribunais, p. 342), verbis: “Alteração subjetiva da lide. O CPC fixou como regra a estabilidade subjetiva da relação processual. Apenas permite a alteração das partes, em virtude de alienação posterior do objeto litigioso, se a parte contrária concordar com a sucessão processual. Havendo a sucessão, o sucessor tornase parte na relação processual. Caso não haja concordância, permanece inalterada a relação subjetiva no processo, devendo prosseguir entre as mesmas partes originárias.” Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 198 11 No presente caso, não houve pedido de ingresso dos terceiros intervenientes na qualidade de sucessores do alienante, tampouco se manifestaram os réus a respeito. Os pedidos de ingresso na lide de todas as empresas suso mencionadas tiveram por fundamento o disposto no art. 54, caput do CPC. Assim, aplicase a regra do parágrafo único do citado artigo, o qual expressamente prevê seguir a assistência litisconsorcial o procedimento disciplinado no art. 51, relativo à assistência simples. Segundo as regras processuais aplicáveis à espécie, o terceiro formula pedido de ingresso como assistente litisconsorcial por meio de petição simples, do qual se dá ciência às partes para impugnação dentro de cinco dias. Não havendo impugnação, o juiz verifica se o terceiro possui interesse jurídico em que uma das partes vença a demanda e decide quanto ao ingresso. Caso contrário, o pedido de ingresso é autuado em apartado juntamente com a impugnação, formandose um incidente processual, sem necessidade de suspensão do processo. A seguir, o juiz autoriza a produção de provas e decide o incidente no prazo de cinco dias. No presente caso, todos os pedidos de ingresso como assistentes foram formulados pelo autor juntamente com as empresas interessadas em intervir. Nesses pedidos, o autor observou que o negócio feito entre particulares não alteraria a legitimidade das partes, sendo ele, autor, parte legítima até o final do processo. Asseverou, porém, que os adquirentes dos títulos poderiam ingressar no feito como assistentes litisconsorciais. No entanto, defendeu a não aplicação do disposto no parágrafo único do art. 54 por entender ser cristalino o interesse jurídico do assistente nesse caso, não sendo passível de impugnação pela parte contrária. O argumento não prospera. Por se tratar de norma de ordem pública, de natureza cogente, sua observância pelas partes é obrigatória, não existindo faculdade em sua aplicação. Por outro lado, não compete à própria parte que formula o pedido, decidilo, por considerálo “cristalino”. A função decisória no processo é privativa do juiz e não comporta delegação. As empresas assistentes não requereram o ingresso em juízo com o fim de suceder o autor, conforme dispõe o §1º do art. 42 do CPC, mas o fizeram para intervir, diretamente, como assistentes litisconsorciais. Feito o pedido, o juízo a quo proferiu decisão deferindo o ingresso sem antes mandar intimar os réus, União e INSS, para se manifestarem, aceitandoo ou impugnandoo. Outrossim, a inobservância do procedimento previsto na assistência litisconsorcial, qual seja, a ciência aos réus, violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 199 12 O art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal assegura às partes, nos processos judicial e administrativo, o contraditório e a ampla defesa. Não obstante serem conceitos autônomos, o princípio do contraditório encontrase umbilicalmente vinculado ao princípio da ampla defesa. [...] Tratandose de matéria de ordem pública, pode ser conhecida de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição, conforme preceitua o art. 301, § 4º do CPC. Os réus foram privados da possibilidade de impugnar os pedidos de ingresso e, por conseguinte, não puderam se manifestar acerca da validade dos documentos juntados aos autos na ocasião em que foram protocolizados os pedidos de ingresso. Entre esses documentos, estão os contratos de cessão de direitos das apólices da dívida pública, por meio dos quais o autor cedeu às empresas intervenientes seus direitos creditórios e processuais relativos às apólices. A cessão de crédito é negócio jurídico bilateral, gratuito ou oneroso, pelo qual o credor transfere a terceiro os seus direitos na relação obrigacional. Nos contratos de cessão juntados aos autos, as partes celebrantes não esclarecem a que título, se gratuito ou oneroso, a cessão se realizou. Todavia, na cessão de crédito a referência quanto à gratuidade ou à onerosidade é essencial em razão da atribuição patrimonial desse tipo de negócio. (grifei) Por essa razão, questionável a validade dos contratos de cessão juntados aos autos. (grifei) Ademais, com o deferimento do efeito suspensivo no Agravo interposto da decisão concessiva da antecipação da tutela, também foi tornada sem efeito a disposição que permitia a cessão dos títulos em questão. (grifei) A inobservância do contraditório e da ampla defesa nulifica de maneira absoluta o procedimento de ingresso dos assistentes litisconsorciais, sendo de rigor a decretação de sua nulidade, bem como a exclusão da lide de todas as empresas acima referidas. (grifei) [...] No mérito, os títulos de dívida pública questionados, além de não possuírem valor de mercado certo, remontam ao início do século passado e já se encontram prescritos, a teor dos Decretoslei n.ºs 263/67 e 396/68. As apólices emitidas entre 1902 e 1926, no valor de 1.000.000$ (um conto de réis) e juros anuais de 5%, tinham por escopo, angariar recursos financeiros para a implementação de programa de obras públicas, iniciandose a amortização do principal a partir do ano seguinte ao término das obras. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 200 13 Em 28 de fevereiro de 1967, foi editado o Decretolei n.º 263 que cancelou a condição suspensiva de término das obras e ensejou o resgate dos títulos no prazo de seis meses, alterado para um ano pelo Decretolei n.º 396/68. O prazo iniciouse com a publicação do edital, nos termos do art. 3º, do Decretolei n.º 263/67, cientificando os interessados para o resgate, em 04/07/1968. Se os titulares das cártulas não exercitaram o direito de resgate, este extinguiuse junto com o crédito nelas representado. Desta forma, ciente de sua condição de devedora, a Fazenda Nacional antecipou o resgate das apólices, com o intuito de ressarcir os investidores diligentes, de sorte a não se poder afirmar tenha sido obstado o direito de crédito decorrente da emissão dos títulos, tampouco a inocorrência da prescrição. Ora, igualmente, não se pode alegar a inconstitucionalidade dos mencionados decretoslei. O art. 58 da Constituição de 1967, estatuía que: “O Presidente da República, em casos de urgência ou de interesse público relevante, e desde que não resulte aumento de despesa, poderá expedir decretos com força de lei sobre as seguintes matérias: I segurança nacional; II finanças públicas.” Assim sendo, os aludidos decretoslei foram expedidos em consonância com a norma constitucional então vigente, pois regularam matéria financeira referente ao resgate dos títulos públicos, o que implica despesa e gestão da dívida pública federal. Estando o Presidente da República autorizado a expedi los, não há falarse em máculas de origem formal. (grifei) Outrossim, ainda que se considere a inviabilidade da regulamentação de prazo prescricional por decretolei na vigência da Carta Política de 1967, por não se tratar de matéria relativa a finanças públicas, permanece o cancelamento da condição suspensiva e a prescrição qüinqüenal dos créditos contra a Fazenda Pública, regulada no Decreto 857, de 12/11/1851, no art. 178 do Código Civil e no art. 1º do Decreto 20.910/32. (grifei) Por conseguinte, considerandose o prazo qüinqüenal de prescrição das obrigações contra a Fazenda Pública, encontra se configurado o prazo extintivo pelo decurso de período superior a 30 anos do termo inicial concedido para o resgate. (grifei) [...] Sob outro aspecto, inviável a pretendida atualização dos referidos títulos eis que remontam a período em que não havia apuração oficial de inflação. (grifei) A indexação surgiu na economia brasileira somente a partir da edição da Lei nº 4.357, em 16 de julho de 1964. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 201 14 Destarte, impõese o não reconhecimento da pretensa validade dos títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, sendo de rigor o decreto de improcedência do pedido – principal – formulado na inicial. Por conseqüência, ficam prejudicadas as demais questões suscitadas, relativamente aos fins colimados pelo autor. (grifei) Isto posto: a) excluo da lide, de ofício, as empresas que ingressaram como assistentes litisconsorciais antes da prolação da sentença; (grifei) b) não conheço do agravo retido interposto pelo INSS às fls. 1311; c) dou provimento aos agravos retidos interpostos pela União Federal e pelo INSS às fls.1972/1975 e 2127/2135; d) rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam argüida pelo INSS; e) dou provimento às apelações do INSS, da União Federal e à remessa oficial, julgando prejudicada a apreciação da preliminar de cerceamento de defesa argüida pela União Federal, em razão do reconhecimento da improcedência do pedido. (grifei) Condeno o autor ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em 20% do valor atribuído à causa, a serem rateados entre os litisconsortes passivos. Determino sejam as apólices da dívida pública, objeto da presente ação, apresentadas pelas partes em juízo e invalidadas pela Secretaria do Juízo da 15ª Vara Federal ou pelo próprio depositário, caso se encontrem depositados. (grifei) Oficiese ao cartório competente, perante o qual foram efetuadas as cessões, comunicandose o inteiro teor da presente decisão. É como voto.” Certidão da Sexta Turma do Tribunal Regional da 3ª Região assim resumiu o conteúdo decisório do acórdão acima, conforme anuncia o sítio do Tribunal na internet : “Certifico que a Egrégia SEXTA TURMA,ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, excluiu da lide, de ofício, as empresas que ingressaram como assistentes litisconsorciais antes da prolação da sentença, não conheceu do agravo retido interposto pelo INSS às fls. 1311; deu provimento aos agravos retidos interpostos pela União Federal e pelo INSS às fls. 1972/1975 e 2127/2135; rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam argüida pelo INSS, e por maioria, deu provimento às apelações do INSS, da União Federal e à Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 202 15 remessa oficial, nos termos do voto do(a) Relator(a), vencido o Desembargador Federal Lazarano Neto que negava provimento às apelações e à remessa oficial. Votaram os(as) DES.FED. LAZARANO NETO e DES.FED. MARLI FERREIRA. Ausente justificadamente o(a) DES.FED. CONSUELO YOSHIDA. ” (grifei) Esse acórdão foi objeto de Embargos Infringentes, não providos pela Turma. Em seguida, o autor e os assistentes litisconsorciais que figuravam no pólo ativo da ação ordinária nº 1999.61.00.0519683 agravaram da decisão que negou provimento aos Embargos Infringentes suprarreferidos, a teor das informações obtidas em consulta ao sítio na Internet do Tribunal Regional Federal na 3º Região, relativas ao Agravo Legal em Embargos Infrigentes nº 005196820.1999.4.03.6100/SP, que conserva a seguinte ementa: “AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS INFRINGENTES. ARTIGO 557, DO CPC. ASPECTO PRESCRICIONAL. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. ART. 3º DO DL N. 263/67. ART. 1º DO DL N. 396/68. ARTIGO 60 DA LEI Nº 4.069/62. DECRETO Nº 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXAME PREJUDICADO. AUSÊNCIA DE CLÁUSULA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Uma vez que a matéria, objeto da presente ação, já se encontrava pacificada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, bem como por esta e. Corte, em consonância com o princípio constitucional insculpido no artigo 5º, inciso LXXVIII, bem como da instrumentalidade das formas, viável se apresenta o julgamento do feito, nos termos do artigo 557, do Código de Processo Civil. 2. O art. 557 do Código de Processo Civil permite ao Relator decidir monocraticamente recurso que não cumpre os requisitos de admissibilidade e aqueles que se mostrem contrários à jurisprudência dominante no Tribunal, não sendo necessário que o entendimento tenha se firmado em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil). 3. Relativamente ao aspecto prescricional, o Colendo Superior Tribunal de Justiça vêm proclamando a inexigibilidade dos Títulos da Dívida Pública (representados por apólices), emitidos no início do Século XX, não resgatados oportunamente (até o decurso do prazo previsto no art. 3º do DL n. 263/67, prorrogado pelo art. 1º do DL n. 396/68), não havendo falar em imprescritibilidade, tampouco em inconstitucionalidade pelo fato de o prazo prescricional ser fixado em decretolei ou, ainda, em necessidade de distinção especial na relação jurídica entre a emitente e o proprietário do título que ensejasse mitigar os efeitos do tempo sobre ela. 4. Não há que se cogitar em inconstitucionalidade dos Decretos leis supramencionados, sob o fundamento de que é vedado ao Presidente da República legislar sobre prescrição, visto que, além de regularem matéria financeira, no tocante ao resgate de Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 203 16 títulos públicos, encontravamse em consonância com o disposto no art. 58 da Constituição de 1967. 5. Levando em conta o prazo de prescrição quinquenal dos créditos contra a Fazenda Pública (artigo 60 da Lei nº 4.069/62 e no Decreto nº 20.910/32), os respectivos títulos, considerando se o prazo do resgate, encontramse caducos há mais de 30 anos. 6. Declarada a prescrição, prejudicada a questão acerca da correção monetária. 7. A apólice expressa em moeda extinta (contos dos réis), por força do Decretolei n° 263/67 (artigo 1°), teria que ser resgatada pelo seu valor nominal, com acréscimo de juros, em face da ausência de cláusula de correção monetária. 8. Diversamente do que ocorre com as dívidas de valor, em face da ausência de previsão legal, não cabe ao Poder Judiciário determinar a correção monetária de dívidas de dinheiro. 9. Em havendo farta e dominante jurisprudência acerca da matéria objeto dos embargos infringentes, tanto perante o Colendo Superior Tribunal de Justiça como por esta e. Corte, não é caso de reforma da decisão agravada, corretamente prolatada nos termos do artigo 557, caput, do Código de Processo Civil. 10. Agravo improvido.” E digase mais: operouse o trânsito em julgado dessa decisão no dia 21/08/2014 (vide http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/) Por conseguinte, tal é o resumo da pesquisa aqui empreendida, em relação ao processo nº 1999.61.00.0519683, para o que interessa ao presente julgamento: a) a Recorrente foi excluída da lide. Vale dizer que não está amparada por decisão judicial que lhe reconheça o crédito vindicado; b) é inválida a cessão do crédito que a Recorrente ofereceu ao encontro de contas, nos autos do processo administrativo nº 13807.003552/200214. Isso significa que não dispõe do crédito oferecido; c) as Apólices da Dívida tratadas nestes autos são inválidas. Como se vê, as razões e as conclusões da decisão transitada em julgado, no julgamento do processo nº 1999.61.00.0519683, contrastam com as razões levantadas pela Recorrente, nos autos do presente processo administrativo fiscal, impedindo o êxito da pretensão ora apreciada. Nos termos dos artigos 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/1972, reputamse deduzidas e repelidas todas as alegações que a Recorrente poderia opor ao acolhimento ou à rejeição do pedido. Levandose em conta em conta que os argumentos da Recorrente são exclusivamente os que estão arrolados nos autos, e em face da falta de suporte Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000815/200700 Acórdão n.º 1301002.068 S1C3T1 Fl. 204 17 fático e jurídico à aplicação, no caso em exame, de matéria de ordem pública a ser suscitada de ofício, devese negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a incidência da multa isolada, em face da prevalência das razões e das conclusões da decisão judicial que negou o direito creditório, em relação às razões recursais do processo administrativo de aplicação da multa isolada pela tentativa de veicular compensação vedada por lei. É como voto. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/07/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 14055.720160/2015-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que conferem veracidade aos recibos emitidos, que não têm o condão de afastar as razões das glosas da autoridade fiscal, estas devem ser mantidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento Os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que conferem veracidade aos recibos emitidos, que não têm o condão de afastar as razões das glosas da autoridade fiscal, estas devem ser mantidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 72 01 60 /2 01 5- 32 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento Os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 14055.720160/201532 Acórdão n.º 2401004.416 S2C4T1 Fl. 71 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 12 76.768.014 (fls. 42/47), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a impugnação (fls. 04/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Está fora da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do contribuinte, a parcela relativa aos proventos de aposentadoria e pensão pagos à pessoa com idade superior a 65 anos, desde que respeitado o limite de isenção estabelecido em lei. DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de fls. 06/12 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 5.590, 39 referente a imposto suplementar sobre a renda de pessoa física. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07) a fiscalização informa a glosa de R$ 20.096,06 correspondente à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, nos seguintes termos: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07/08) a fiscalização informa a glosa de R$ 6.567,66 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte argumentou sua peça impugnatória (fl. 2), alegando, em síntese: a) Que faz jus à dedução de despesas médicas, informando que o valor referese a despesas médicas de companheiro (a) com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de 5 anos, ou cônjuge. b) Que o valor foi declarado adequadamente, apenas faltando o comprovante, o qual anexa a peça impugnatória. c) Que concorda com a infração por Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem empregatício. Para a DRJ/RJO a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam, nos documentos acostados não conta o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 14055.720160/201532 Acórdão n.º 2401004.416 S2C4T1 Fl. 72 5 nome de seu emissor, no caso, empresa administradora do plano de saúde, nem os beneficiários das despesas ali constantes. Como o contribuinte não se opôs à glosa de inclusão de rendimentos, nada foi alegado pelo contribuinte, portando foi mantida. Intimado do acórdão da DRJ/RJO por edital (fl. 54), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fl. 57/61) em 19/08/2015, onde alega, em síntese: a) A impugnação/anulação da multa de 75% do valor devido, pois não houve má fé nem omissão de valores recebidos. b) Que foi induzido a erro por conta de comprovantes de rendimentos inexatos. c) Que não pode ser penalizado, uma vez que o erro teria sido da fonte pagadora e não do contribuinte, ocorrendo a duplicação da multa, pois esta estaria sido paga tanto pela fonte pagadora quanto pelo contribuinte. d) Informa que o imposto suplementar ainda não foi pago, pois não foi desmembrado da multa, solicitando, portanto, o desmembramento para que eu possa fazer o pagamento do valor devido. e) A aplicação da multa no percentual de 75%(setenta e cinco por cento) sobre o montante a ser pago é exorbitante e viola o princípio da vedação do confisco inserido no art. 150,IV da Constituição Federal, o qual também se aplica às infrações fiscais. f) Apresenta os comprovantes de rendimentos, como prova da parcela isenta para maiores de 65 anos contarem nas duas fontes. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em sede de Impugnação, no que tange à omissão de rendimentos, o interessado contesta parcialmente a autuação alegando que parte dos rendimentos considerados omitidos correspondem a parcela isenta de aposentadoria recebida por contribuinte acima de 65 anos. Para fins de prova, juntou os comprovantes emitidos pelo INSS (fl. 13) e pela Fundiágua (fl. 14), os quais demonstram que ambas as fontes informaram a parcela isenta de aposentadoria. Nesse sentido, caberia ao contribuinte informar a uma de suas fontes pagadoras que o desconto já estava sendo efetuado pela outra. Assim, não há pertinência na alegação do contribuinte de que não houve omissão de rendimentos, uma vez que foram todos declarados – seja como tributáveis, seja como isentos e não tributáveis – pois a omissão, da forma como consta do lançamento, diz respeito a omissão de rendimentos tributáveis base de cálculo e, como consequência, o imposto – os quais foram apurados em valor inferior ao devido. Percebese cristalinamente a seguinte situação: ao classificar indevidamente os rendimentos omitidos como isentos e nãotributáveis, na declaração de ajuste anual, o contribuinte deixou de apurar corretamente e de recolher o imposto devido. A glosa decorrente das despesas médicas ocorreu em razão de os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal não comprovarem que Rutineia da Silva e Cidriane da Silva figuram como dependentes na Declaração de Ajuste do Contribuinte. (fl. 27) A DRJ/RJO entendeu, em razão das pacientes indicados não figurarem como dependentes do contribuinte, por manter as glosas dos pagamentos. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou novos argumentos, insistindo no fato de que foi induzido a erro, tanto no que diz respeito as despesas médicas como para justificar a omissão de rendimentos. Apresenta seus comprovantes de rendimentos na intenção de fazer prova de que a parcela isente para maiores de 65 anos contarem nas duas fontes, os quais não constituem novas provas. A alegação do contribuinte de que foi induzido ao erro não é válida, pois a responsabilidade pela veracidade das informações contidas na Declaração entregue é única e exclusivamente sua (Art. 16 da Lei n° 9.799/99). Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 14055.720160/201532 Acórdão n.º 2401004.416 S2C4T1 Fl. 73 7 Por fim, no que tange a exigência da multa indicada na Notificação de Lançamento (fl. 6/12), esta advém da falta de oferecimento à tributação do rendimento omitido e do valor correspondente à dedução indevida, fatos que foram apurados pela fiscalização, e por sua vez, ensejaram o lançamento. Da mesma forma os juros de mora, exigíveis com base nos dispositivos legais também indicados na notificação de lançamento, decorrentes do não pagamento do tributo no prazo fixado. Assim, o contribuinte não conseguiu desqualificar, tanto na peça impugnatória quanto no Recurso Voluntário, as infrações que lhe foram atribuídas, no intuito de cancelar a exigência do tributo bem como da multa e dos juros. Cumpre aqui salientar que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva e independe da intenção do agente, conforme preceituado no art. 136 do CTN, vejamos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isto posto, ante a ausência de razões a fim de contestar as glosas realizadas pela autoridade fiscal que ensejaram o presente lançamento, bem como a ausência de prova quanto a natureza de seus rendimentos a fim de possibilitar a análise de sua eventual isenção, nego provimento ao presente Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720314/2012-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Ementa:
DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Inexiste divergência entre acórdãos para fins de cumprimento de requisito de admissibilidade de recurso especial, quando o recorrido não aceita o enquadramento legal adotado pela Fiscalização, e o paradigma constata divergência entre o que consta do enquadramento legal em relação à descrição da infração apontada.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 Ementa: DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Inexiste divergência entre acórdãos para fins de cumprimento de requisito de admissibilidade de recurso especial, quando o recorrido não aceita o enquadramento legal adotado pela Fiscalização, e o paradigma constata divergência entre o que consta do enquadramento legal em relação à descrição da infração apontada. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
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Inexiste divergência entre acórdãos para fins de cumprimento de requisito de admissibilidade de recurso especial, quando o recorrido não aceita o enquadramento legal adotado pela Fiscalização, e o paradigma constata divergência entre o que consta do enquadramento legal em relação à descrição da infração apontada. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. Declarouse impedida de participar do julgamento, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 14 /2 01 2- 82 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 502 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 302 e ss., contra o acórdão nº 1302001.170, de 11/09/2013 (efls. 286 e ss.), que, no mérito e por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. Na matéria objeto da presente discussão, tal acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 (...) MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. O presente recurso traz como matéria principal a ausência de razões para o cancelamento da exigência, tema para o qual é indicado como paradigma o acórdão nº 1401 00.329, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. A recorrente traz ainda, como tese subsidiária, caso não acatada a primeira, a de que o vício que maculou o lançamento é de natureza formal. Aqui os paradigmas indicados são os acórdão a seguir (transcrevese o texto das ementas na parte de interesse): Acórdão nº 2402002.632 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INCORRETA – VÍCIO FORMAL – NULIDADE Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 503 3 O lançamento amparado em fundamentação legal incorreta representa vício formal e deve ser anulado. Acórdão nº 340300.269 LANÇAMENTO. ERRO NA MOTIVAÇÃO DE SUA LAVRATURA. VICIO DE FORMA. CONFIGURAÇÃO. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na motivação de sua lavratura, quando não refletem a adequada razão de sua realização, configuram vício de forma por prejudicar o contraditório e a ampla defesa, impondo sua nulidade. No mérito, a Recorrente argumenta em relação à tese principal (ausência de razões para o cancelamento da exigência), em síntese, o que segue: a) que o lançamento foi realizado em face do adequado tratamento tributário que deve ser dispensado ao ágio, reconhecendo a Fiscalização que houve infração à legislação tributária, pois evidenciada a falta de adição da amortização do ágio ao lucro líquido, para apuração da base de cálculo da CSLL; b) que, embora a decisão recorrida não tenha discrepado do entendimento adotado pela Fiscalização, cancelou o auto de infração sob a premissa de que "o lançamento foi equivocamente enquadrado no art. 13, I, da Lei 9.249/95, como se a despesa em tela se tratasse de despesa com provisão"; c) que "estando devidamente correta a descrição dos fatos e evidenciada a infração à legislação tributária, milita contra o principio da instrumentalidade das formas, cancelar a exigência tributária apenas por entender equivocado o enquadramento legal do lançamento ou mesmo por alguma suposta incorreção na motivação jurídica". Traz doutrina que assenta que "a discussão conceitual sobre determinadas questões não pode se sobrepor aos fatos". E acrescenta que, no presente caso, a Fiscalização ainda "arrolou diversos outros fundamentos legais e jurídicos aptos a sustentar a exigência, como se vê pelo teor não apenas do Auto de Infração, mas também pelos documentos que o acompanham e que foram devidamente cientificados ao sujeito passivo, como o Termo de Verificação Fiscal", citando entre outros dispositivos, o art. 2º da Lei nº 7.689/88 e o art. 391 c/c art. 385, 386 e 426 do RIR/1999. Quanto à tese subsidiária, que traz para o caso de não se acolher a tese central do recurso, as razões são, resumidamente, as seguintes: a) se cabe o reconhecimento de algum vício no lançamento, cumpre, tão somente, a decretação de nulidade do lançamento e ainda assim por vício formal; b) trazendo a baila os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e 142 do CTN, afirma que "o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235/72) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal". Equivocado, portanto, o acórdão recorrido ao decidir pelo cancelamento do auto de infração. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 504 4 Pede, então, que o presente recurso seja conhecido e provido, para "reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade", ou, caso tal pedido não seja acolhido, "seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, reconhecendo a nulidade do lançamento por vício formal ". O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 325 e seguintes. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 337 e ss.), em que, primeiramente, pugnou pelo não conhecimento do recurso especial, por inexistência de divergência, conforme sintetizado a seguir: a) o acórdão recorrido em nenhum momento reconheceu a existência de "erro no enquadramento legal" pelo auto de infração, como é o caso do paradigma, mas, sim, concluiu que "o critério jurídico adotado pelo mesmo não é suficiente para sustentar o lançamento"; b) no erro de enquadramento, o contribuinte "tem dificuldade em conhecer a real imputação a ele imposta, ocasionando prejuízo à sua defesa", ao passo que na insubsistência de critério jurídico, o contribuinte sabe a imputação e seu fundamento (podendo exercer sua defesa), mas os fundamentos não amparam o lançamento; c) o fato de a impugnação ter se concentrado em contestar o critério jurídico adotado (de que as despesas com amortização do ágio teriam a natureza de provisão), bem como de a Fazenda Nacional não apontar em seu recurso outro enquadramento jurídico para sustentar o suposto erro, confirmam o que antes afirmado; e, d) o paradigma não trata da questão de mérito do presente processo (adição da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL). Alega também que o recurso não pode ser conhecido em razão da inexistência de prequestionamento (exigida pelo art. 67, § 3º, do Anexo II do RICARF) no que se refere à tese subsidiária. Nesse sentido, aduz que não houve no acórdão recorrido qualquer discussão acerca da natureza do vício do lançamento (se material ou formal), e assinala que a Fazenda Nacional não opôs embargos de declaração para que se discutisse a natureza do vício. Apresenta precedentes do CARF. Já no mérito, a Contribuinte alega (no item "A" do recurso) inexistência de enquadramento legal incorreto pelo auto de infração e impossibilidade de alteração de critério jurídico para o mesmo fato gerador. Aqui repisa a diferenciação entre reconhecimento de erro no enquadramento legal e reconhecimento de insubsistência de critério jurídico adotado no lançamento, referindo ter havido no presente caso a segunda situação, sendo que o art. 146 do CTN veda a alteração do critério jurídico do lançamento (traz precedentes do CARF que repelem a possibilidade de inovação e aperfeiçoamento do lançamento). No item "B" do recurso, a Contribuinte, ad argumentandum, defende a possibilidade de dedução da despesa de amortização do ágio da base de cálculo da CSLL, trazendo, resumidamente, os seguintes argumentos: a) o art. 391 do RIR/99, que tem base legal no art. 25 do DecretoLei nº 1.598/77 ("as contrapartidas da amortização do ágio (...) não serão computadas na determinação do lucro real"), é de aplicação restrita ao IRPJ, não havendo norma que estenda semelhante tratamento à CSLL. Não fosse este dispositivo, as contrapartidas da amortização do ágio também seriam dedutíveis na apuração do IRPJ; Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 505 5 b) o art. 2º, § 1º, "c" da Lei nº 7.689/88, citado no auto de infração, que elenca todas as adições previstas para a CSLL, e que no item 3 (em que pretende se amparar o auto de infração) determina a adição de provisões é inaplicável ao caso em exame, uma vez que a amortização do ágio é considerada para fim da legislação comercial como despesa do exercício; c) o art. 57 da Lei nº 8.981/95, também citado no auto de infração, determina que sejam aplicadas à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento do imposto de renda e ainda estabelece expressamente que "ficam mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor". Aduz que a legislação tributária poderia ter atribuído à CSLL os mesmos ajustes aplicáveis ao IRPJ mas "optou pelo estabelecimento de um rol específico e mais limitado de adições e exclusões" a sua base de cálculo. Refere que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes se consolidou no sentido de que a adição da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL não tem previsão legal, não se aplicando ao caso o art. 57 da Lei nº 8.981/95. Ao final requer que o recurso da Fazenda não seja conhecido ou que, se conhecido, seja desprovido, mantendose o cancelamento integral do lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo, contudo em razão das alegações trazidas pela recorrida em suas contrarrazões, merece ter a sua admissibilidade novamente analisada. Preliminar de Inexistência de Divergência A Contribuinte alega em suas contrarrazões que o recurso fazendário não pode ser conhecido por inexistir divergência em relação ao paradigma, uma vez que o acórdão recorrido não reconheceu a existência de erro no enquadramento legal, mas, sim, constatou a insuficiência do critério jurídico adotado para sustentar o lançamento. Uma leitura rápida do acórdão recorrido sugere que foi reconhecido erro no enquadramento legal, tendo se concluído que tal erro não pode ser admitido pela autoridade julgadora, pois esta não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico. Confirase (sublinhei): No entanto, o autuante entendeu que a despesa com a amortização do ágio não era dedutível por se configurar uma despesa com provisão, tanto que o enquadramento legal do auto de infração foi no art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88 c/c com o art. 13, I, da Lei 9.249/95 (a fls. 80). Nesse ponto, reside a minha divergência com relação ao lançamento, pois concordo com a decisão recorrida quando sustenta que: a “contabilização do ágio não constitui qualquer provisão, pois não representa uma reserva de recursos para pagamento de despesa futura e incerta, mas o próprio pagamento com o qual a investidora adquire uma Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 506 6 participação societária. A amortização do ágio também não gera uma reserva de recursos, mas a apropriação, como despesa, de parcelas do ágio aos períodos a que competem, em confronto com os respectivos resultados de equivalência patrimonial. Não obstante entenda que as despesas com amortização de ágio não sejam dedutíveis da base de cálculo da CSLL, o lançamento foi equivocamente enquadrado no art. 13, I, da Lei 9.249/95, como se a despesa em tela se tratasse de despesa com provisão. Assim, fica claro que foi adotado um critério jurídico, o qual, se alterado para atender às conclusões deste julgado, significaria um novo lançamento e ofensa ao devido processo legal. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estaríamos determinando um novo lançamento. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Contudo, analisando o auto de infração e o termo de verificação fiscal, percebese o que quis dizer o relator do acórdão recorrido. É que, em que pese a Fiscalização ter trazido à tona toda a legislação para fundamentar a indedutibilidade do ágil, colacionando o artigos 385 do RIR/99, ter citado os artigos 386, 391 e 426 do RIR/99, o fato é que ela enquadrou a hipótese, para fins de indedutibilidade da despesa de amortização do ágio da base de cálculo da CSLL como uma provisão, tendo transcrito no TVF, o art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995 e aduzido: “A amortização de ágio/deságio sem que sua realização tenha ocorrido de fato é admitida contabilmente, mas gera uma despesa/receita desprovida de documentação que explicite seu valor e estabeleça uma data para seu vencimento, sendo, portanto uma despesa/receita não efetiva, não incorrida, incerta, etc., que em última análise é uma “provisão”, referindose a aumento/redução de valor de um ativo, contingência ativa/passiva. A contrapartida da despesa/receita é uma conta retificadora do investimento, ou seja, o ágio/deságio registrado no ativo. ........................................................................................................ Em relação à CSLL o regramento não é diferente, de sorte que afastada a possibilidade de serem despesas receitas efetivamente incorridas, essas amortizações constituem provisões, contempladas como ajustes por adição/exclusão conforme art. 2º, §1º, “c”, item 3, da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art.2º da Lei nº 8.034/90: Os artigos 2º e 13 da Lei nº 9.249/95 também vedam a dedução, conforme suas transcrições:” A infração trazida no lançamento de ofício foi: Adições ao Lucro Líquido Antes da CSLL – Provisões não Dedutíveis. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 507 7 Assim, toda a análise do relator do acórdão recorrido foi no sentido de que ele até admitia a indedutibilidade da despesa de amortização do ágio, porém, como o autuante enquadrou a hipótese como uma despesa de provisão, ele cancelava o lançamento. Ou seja, ele discordou do enquadramento legal adotado pela Fiscalização. Essa situação, de fato, é bem diferente daquele em que o auditor descreve a infração correta porém erra apenas na capitulação legal, que foi o que ocorreu no acórdão paradigma, em que a descrição dos fatos estava incoerente com toda a fundamentação legal, mas permitia a sua compreensão. Confirase o excerto: Do Cerceamento de Defesa O Recorrente alega que o enquadramento legal argüido pela autoridade fiscal (artigo 41 da Lei n° 9.430, de 1996) não coaduna com a infração apontada no Termo de Constatação Fiscal, relativo à contabilização das compras, pois não foi efetuado nenhum levantamento quantitativo de mercadorias como determina a norma citada, e como a atividade de lançamento se submete ao principio da reserva legal, tal fato lhe acarretou o cerceamento de defesa. De fato, entre vários dispositivos legais referidos como enquadramento legal da infração, constou um dispositivo de lei que não se refere à infração praticada pelo contribuinte. Todavia, entendo que tal fato não trouxe prejuízo para o contribuinte e não prejudicou a eficácia do lançamento. A possibilidade de superar o vício existente é limitada pelo fato de o mesmo haver ou não prejudicado, de alguma forma, algum dos direitos do administrado, em especial o da ampla defesa. No presente caso, apesar de constar indevidamente um enquadramento legal que não se aplica aos fatos, o enquadramento legal aplicável também foi citado e a descrição dos fatos realizada no Termo de Constatação Fiscal foi detalhada e completa, não deixando dúvidas acerca das infrações imputadas ao Recorrente. Além disso, tanto pela peça impugnatória quanto pelo Recurso o contribuinte revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em alentada defesa. Dessa forma, afasto a preliminar de cerceamento ampla defesa do contribuinte, (...) No caso do acórdão recorrido, descrição dos fatos está alinhada com a fundamentação legal, porém a turma recorrida, por unanimidade de votos, discordou essa capitulação legal. Em face ao exposto, entendo que esta divergência não está caracterizada. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16682.720314/201282 Acórdão n.º 9101002.293 CSRFT1 Fl. 508 8 Preliminar de Falta de Prequestionamento A Contribuinte aduz também em suas contrarrazões que o recurso não pode ser conhecido no que se refere à tese subsidiária de que o vício que maculou o lançamento é de natureza formal, uma vez que essa matéria carece do prequestionamento exigido pelo art. 67, § 3º, do Anexo II do RICARF (referindose ao Regimento aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época da interposição do recurso). Ocorre, no entanto, que o dispositivo em questão, ao estabelecer a exigência de prequestionamento da matéria objeto de recurso especial, o faz apenas para os recursos apresentados pelos contribuintes. Confirase: Art. 67. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. É verdade que a PFN poderia ter embargado a decisão, para que o colegiado expressamente se manifestasse sobre a natureza do vício. Ocorre que ainda sem essa manifestação expressa, poderia haver a divergência, tal como consignado no despacho de admissibilidade, em razão de o acórdão recorrido ter entendido haver erro no enquadramento legal e ter cancelado o lançamento, enquanto que o paradigma, vislumbrou também erro no enquadramento legal e adotou solução diversa: anulou por vício formal. Contudo, como no caso dos autos estou constatando que não houve erro no enquadramento legal propriamente dito, mas sim enquadramento legal que não foi acatado pelo colegiado (em que pese o relator dizer expressamente que houve erro no enquadramento legal), da mesma forma que para a primeira divergência, não se pode dizer que essa decisão adotou interpretação divergente daquela que analisou um erro propriamente dito de enquadramento legal. Rejeitase, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do recurso por falta de prequestionamento, mas deixo de conhecer também da divergência subsidiária por não restar caracterizada. Em face ao exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 509DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12448.725013/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 25 01 3/ 20 11 -8 6 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.725013/201186 Resolução nº 2402000.553 S2C4T2 Fl. 84 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a pagar do anocalendário 2009 de R$ 3.037,29 para o montante de R$ 2.766,88 de imposto suplementar a pagar (fls. 4/7), tendo em vista o confronto dos rendimentos declarados com o total dos rendimentos dos aluguéis informados pela Administradora Javi Imóveis Ltda. (CNPJ nº 74.094.319/000160) na Dimob, no valor de R$ 21.106,08. Em sua impugnação (fls. 2/10), o contribuinte afirmou ter apenas o usufruto, registrado na escritura, do imóvel em questão, direito esse que foi cedido ao proprietário, seu genro Alexandre Carlos Santanna Matta, CPF nº 016.206.91892, o qual foi o real receptor dos aluguéis tidos por omitidos. Tal acerto, esclarece, decorreu de dívida que seu genro tinha então para com o impugnante. Disse, também, que não contratou a Javi Imóveis para administrar o imóvel, localizado na rua Dona Mariana nº 66/701, Botafogo, Rio de Janeiro RJ, e que há erro nas informações por aquela prestadas em Dimob. A DRJ/RJ1 manteve a exigência (fls. 23/26), motivo pelo qual foi interposto o recurso voluntário em 8/5/2014 (fls. 36/56), reiterando as razões da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.725013/201186 Resolução nº 2402000.553 S2C4T2 Fl. 85 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Há informações deveras desencontradas e incompletas no caso sob exame, razão pela qual impõese o retorno dos autos à origem, para realização de diligência. Explico. É incontroverso ser o notificado usufrutuário do imóvel em tela, porém ele alega que cedeu seus direitos nos termos do art. 717 do Código CIvil (art. 1393 do Código Civil de 2002), e apresenta contrato de cessão de usufruto (fl. 41), bem como declaração do cessionário (fl. 42), seu genro, nesse sentido. Todavia, além das limitações intrínsecas do valor probatório de declarações, a teor dos arts. 408 e 412 do Código de Processo Civil, ainda mais sendo signatário pessoa do círculo familiar do interessado, temse que, nos termos do art. 221 do Código Civil, o contrato particular de cessão deve ser levado a registro para operar efeitos perante terceiros, o que não ocorreu na espécie. Por outra via, temse diversos "Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis", aparentemente de lavra da Javi Imóveis (fls. 37/40), nos quais consta como beneficiário da locação do imóvel o cessionário Alexandre Carlos Santanna Matta, porém nenhum desses documentos se refere ao anocalendário em foco, 2009. Há, outrossim, duas declarações da administradora (fls. 43/44), no sentido de que, "conforme retificações nas DIMOB relativos aos anos anteriores" o valor do aluguel é depositado em nome de Alexandre Carlos Santanna Matta, porém não há documento atestando as alegadas retificações, cabendo, aliás, perquirir, quais anos anteriores? Diante desse quadro, necessário é saber: se foi realizada a alegada retificação nas DIMOB; com que pessoa física o contrato de administração/locação do imóvel foi firmado; e se os rendimentos de aluguel já foram, no ano em evidência, submetidos à tributação pelo aventado locador. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem: informe se os rendimentos de aluguel do imóvel em questão foram submetidos à tributação na DIRPF/2010 de Alexandre Carlos Santanna Matta, CPF nº 016.206.91892; informe se a Administradora Javi Imóveis Ltda., CNPJ nº 74.094.319/000160 realizou retificações na DIMOB relativas a esse imóvel no anocalendário 2009, e o teor dessas retificações, sendo o caso; realize intimação dessa pessoa jurídica para que ela apresente o contrato de administração desse imóvel, no tocante ao referido anocalendário, devendo ser tais elementos de prova juntados aos autos para o prosseguimento do julgamento. Ronnie Soares Anderson. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000229/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMPENSAÇÃO - VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO
O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO - VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido.
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Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 29 /2 00 7- 56 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000229/200756 Acórdão n.º 3402003.121 S3C4T2 Fl. 1.087 2 Relatório Versam os autos pedido de compensação de crédito de IPI (fls. 3/10), referente ao período de apuração quarto trimestre de 2006, com débitos de IRPJ, CSLL e PIS/PASEP. O Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 48/53), de 27/11/2008, informa que a empresa creditouse (código 05 "outros créditos") de valores de IPI de insumos (2106.90.10 "preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas" concentrado) adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM) em operações isentas, os quais, entendeu a fiscalização, são indevidos nos termos de reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes e do STF, pelo que glosouos e estornou os débitos compensados, e após reconstituiu a escrita do IPI. Tal procedimento operouse, alem deste processo, em relação aos demais elencados no item 2 do TVF. Em decorrência da glosa dos créditos, e realizada a reconstituição da escrita desconsiderandoos, e sendo apurados saldos devedores, os mesmos foram objeto de cobrança no auto de infração formalizado no processo 10166.720116/200895. Com arrimo nessa conclusão da fiscalização, foi editado, em 23/02/2010, o Despacho Decisório/DRFB/BSA/Diort (fls. 419/426) não reconheceu o crédito de IPI e, em consequência, não homologou a compensação. Manifestada sua inconformidade (fls. 435/460) contra esse Despacho, a DRJ/JFA, em acórdão de 09/07/2010 (fls. 963/967), manteve o despacho da unidade local da RFB. Não resignada, contra a r. decisão a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 977/1003), no qual pugna pela insubsistência da decisão recorrida tendo em vista que: a) o art. 19 da IN/RFB nº 210/02 seria inaplicável porque não se trataria de mero ressarcimento, mas de compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9430/96, intentada anteriormente à lavratura do Auto de Infração que originou o Processo Administrativo nº 10166.720116/200895 relativo à suposta exigência do IPI, que foi julgado improcedente por decisão de 1ª instância (Acórdão nº 0924537 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora); b) como resulta da aludida decisão, o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a Recorrente não se sujeitava a alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI, e, portanto, não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007. Pediu o sobrestamento do presente julgado até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo em que se controverte o auto de infração onde há a exigência fiscal do IPI devido em função das glosas dos créditos e reconstituição da escrita; c) a recorrente tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, porque também há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834 assegurando o direito aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus, por força do principio da nãocumulatividade e por força expressa da disposição do art. 6° do DecretoLei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975; Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000229/200756 Acórdão n.º 3402003.121 S3C4T2 Fl. 1.088 3 d) nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a requerente tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF; e) descabida a incidência da multa consoante a dicção do art. 76, II, a, da Lei 4.502/64. O julgamento foi convertido em diligência, consoante Resolução 3402 000.283, de 31/11/2011 (fls. 1022/1026), no sentido de que fosse aguardado o julgamento definitivo do processo 10166.720116/200895, no qual se controverte o auto de infração da exigência fiscal decorrente das glosas de créditos, dentre os quais aqueles objeto da compensação destes autos, e, em face do que viesse a ser julgado, fosse elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído de acordo a decisão definitiva. Em 20/01/2015, despacho da unidade local (fl. 1030), propondo o retorno dos autos ao CARF e informando que não havia decisão definitiva naqueles autos, o que veio a ser feito. Em 17/03/2016, o processo veio à minha relatoria em redistribuição por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Primeiramente rechaço a colocação de que os produtos isentos tenham alíquota de 27 %. Não é esta a motivação do lançamento no PA 10166.720116/200895, o qual não teve por fundamento a classificação fiscal dos produtos, mas exclusivamente o fato de estarem abrigados por operações isentas, o que, no entender do Fisco, afastaria qualquer direito a crédito. Aliás, por sua pífia motivação, foi o mesmo cancelado. Portanto, não conheço da alegação acerca da classificação fiscal dos produtos adquiridos por estranha ao fundamento da autuação. No que concerne ao referido processo de nº 10166.720116/200895, de fato o mesmo teve por objeto cobrança de IPI relativamente ao período de apuração 01/01/2003 a 31/12/2006. Portanto, os créditos objeto da compensação inserta nestes autos está abarcado no período objeto do lançamento de ofício. Entendo que se o lançamento de ofício que glosou os créditos escriturados (os quais, por sua vez, arrimaram compensações, como in casu), refazendo a escrita e apurando valor de IPI a pagar, for "derrubado" neste colegiado, em decorrência desta decisão vinculase o destino das compensações, uma vez que os créditos glosados retornam a seu status quo ante na escrita fiscal. Assim, tendo eu acompanhado o voto vencedor, de lavra do Dr. Antonio Carlos Atulim, no julgamento do recurso nos autos do processo 10166.720116/200895, julgado em sessão de 17 de maio de 2016, acórdão nº 3402003.067, o julgamento do objeto deste recurso terá o destino daquele, pelo seus próprios fundamento de decidir. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000229/200756 Acórdão n.º 3402003.121 S3C4T2 Fl. 1.089 4 Dessarte, com arrimo na decisão do voto vencedor no 3402003.067, que adoto como razões de decidir e que anexo a estes autos, resta homologada a compensação objeto do presente processo. A decisão que cancelou o referido auto de infração (processo 10166.720116/200895) tornouse definitiva, uma vez que a PFN manifestouse naqueles autos (fl. 3707) que não interporia recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722906/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. GLOSA.
São indedutíveis os valores decorrentes da assunção de dívida originariamente contraída por empresa controlada pela autuada, por fugirem aos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos na legislação tributária e violarem os pressupostos de estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Tratando-se de mera divergência de interpretação de normas, não resta caracterizada a ocorrência de dolo, a fraude ou a simulação, hipóteses necessárias à qualificação da penalidade.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1.499.389/PB e REsp 1.496.354/PR.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 8.
Numero da decisão: 1402-002.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para restabelecer a dedução do montante de R$ 2.492.286,34, por erro de apuração da base tributável e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e ii) por maioria de votos, para reduzir a base de cálculo da multa isolada ao valor que exceda a base de cálculo da multa proporcional, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.Vencidos em primeira votação os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto que votaram pela manutenção integral dessa exigência e vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
EFERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. GLOSA. São indedutíveis os valores decorrentes da assunção de dívida originariamente contraída por empresa controlada pela autuada, por fugirem aos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos na legislação tributária e violarem os pressupostos de estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Tratando-se de mera divergência de interpretação de normas, não resta caracterizada a ocorrência de dolo, a fraude ou a simulação, hipóteses necessárias à qualificação da penalidade. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1.499.389/PB e REsp 1.496.354/PR. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 8.
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GLOSA. São indedutíveis os valores decorrentes da assunção de dívida originariamente contraída por empresa controlada pela autuada, por fugirem aos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos na legislação tributária e violarem os pressupostos de estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Tratandose de mera divergência de interpretação de normas, não resta caracterizada a ocorrência de dolo, a fraude ou a simulação, hipóteses necessárias à qualificação da penalidade. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1.499.389/PB e REsp 1.496.354/PR. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 06 /2 01 3- 30 Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.857 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 8. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para restabelecer a dedução do montante de R$ 2.492.286,34, por erro de apuração da base tributável e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e ii) por maioria de votos, para reduzir a base de cálculo da multa isolada ao valor que exceda a base de cálculo da multa proporcional, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.Vencidos em primeira votação os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto que votaram pela manutenção integral dessa exigência e vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) EFERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.858 3 Relatório SÃO CARLOS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1451.483 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em ação fiscal procedida na empresa acima identificada, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1) Falta de adição ao Lucro Líquido, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, do valor correspondente a DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. 2) Falta de recolhimento do IRPJ e CSLL devidos por estimativa. [...] Os lançamentos foram efetuados com base nas disposições legais constantes dos respectivos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal TVF. Conforme consta do TVF, fls. 3288/3301, durante análise da escrituração contábil da empresa foi constatado que valores de despesas financeiras, em 2008, totalizaram R$ 61.689.554,97, valor bastante superior ao das receitas declaradas no ano, no montante de R$ 32.160.857,81. A empresa foi intimada a apresentar esclarecimentos e documentos que comprovassem os valores lançados nas subcontas de despesas financeiras, que estão relacionadas no quadro demonstrativo constante à fl. 3289. A fiscalizada apresentou instrumentos particulares de assunções, cessões e transferências de dívidas, planilhas de cálculo dos juros e variações monetárias e instrumentos particulares de compra e venda a prazo, dos imóveis adquiridos por empresas das quais ela é controladora. Tratamse de forma geral, de juros e variações monetárias passivas decorrentes de dívidas por pagamentos de imóveis adquiridos a prazo, contraídos por empresas controladas pela fiscalizada, e que, posteriormente, foram assumidas, todas as obrigações pecuniárias decorrentes dessas dívidas, pela controladora (São Carlos Empreendimentos e Participações Ltda – doravante denominada: São Carlos). Consta à fl. 3290 do TVF, quadro demonstrativo das empresas controladas pela fiscalizada, especificando os percentuais de participação da São Carlos em cada uma das empresas, que correspondem a 99,97% com exceção de duas delas, nas quais detém 99,40% e 60,00% do capital. Foram detalhados no TVF, como essas assunções de dívidas de cada uma das controladas se deram, concluindo o Fisco que, sem dúvida, é interesse do grupo constituído pela controladora e suas controladas, a aquisição de imóveis para futuras locações, no entanto, os imóveis foram adquiridos pelas controladas e não pela controladora. O que se Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.859 4 verificou foi que a São Carlos recebe valores dos locadores, fica em geral com comissão de cinco por cento que constituem, quase que integralmente, suas receitas tributáveis para apuração do lucro real. Por outro lado, as controladas, que são as reais proprietárias, tributaram os aluguéis recebidos através da sistemática do lucro presumido (nesse caso, 8% das receitas). Não foi questionada a opção das controladas pelo lucro presumido, mas, não restaram dúvidas de que a aquisição desses imóveis é necessária à atividade das controladas e de onde provêm as suas receitas. Portanto as despesas financeiras decorrentes destes empréstimos seriam dedutíveis do lucro contábil das controladas, que teoricamente já estariam sendo utilizadas com a presunção do lucro tributável. Concluiu o Fisco, que essas despesas não são necessárias diretamente à São Carlos e, conseqüentemente, deveriam ter sido adicionadas ao seu lucro contábil para apuração do lucro real, conforme determina o art 249 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR de 1999. As despesas consideradas não necessárias, no montante de R$ 57.279.785,50, estão relacionadas no demonstrativo à fls. 3296 e 3297. O Fisco constatou que a São Carlos apurou o IRPJ e a CSLL pela sistemática do Lucro Real Anual, levantando balancetes mensais de suspensão e redução e que não houve qualquer recolhimento desses tributos. Considerando que aquelas despesas não são necessárias à São Carlos, portanto, indedutíveis, resultou a falta de recolhimento mensal de valores devidos de IRPJ e CSLL (em janeiro e março a dezembro de 2008, conforme demonstrativo às fls. 3297 e 3298), motivo pelo qual foi imposta multa isolada, penalidade prevista no art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Foi elaborada representação fiscal para fins penais considerando que, mediante a conduta adotada, a empresa incorreu no crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 2o, inciso I, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Ciente dos lançamentos em 09/12/2013, a autuada ingressou em 07/01/2014 com a impugnação de fls. 3372/3399, na qual refuta os autos de infração, em suma, sob as seguintes alegações: Glosa de despesa A fiscalização reconheceu que a impugnante registrou corretamente em sua contablididade as despesas decorrentes de juros e variação monetária passiva, lastreadas em instrumentos particulares de assunção de dívidas, cuja regularidade não foi em nenhum momento questionada, discordando unicamente no que se refere à dedutibilidade de tais despesas. No entanto, o TVF imputou à impugnante, multa de ofício agravada, de 150%, sem apresentar justificativas ou fundamentações, de que teria agido, com o intuito de fraude, o que caracterizaria crime contra ordem tributária. Houve equívoco por parte do Fisco ao desconsiderar os efeitos econômicos que a assunção das dívidas causou à Impugnante. Foi demonstrado desconhecimento da atividade da Impugnante e das características envolvidas nas transações objeto dos AI, que justificaram a assunção das dívidas pela impugnante, em favor de suas controladas, sendo o aspecto tributário pouco ou nada relevante no caso. Além disso, cometeu grave erro ao imputar à impugnante conduta dolosa e conseqüente aplicação da multa de 150%, também de lavrar representação criminal para fins penais, sem nunhuma comprovação ou fundamentação. Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.860 5 Devem ser retificados os AI(s) em razão de um erro cometido pelo fiscal autuante na elaboração dos cálculos do IRPJ e da CSLL, supostamente devidos. Equivocouse o Fisco na elaboração dos AI(s) em relação ao valor deduzido a titulo de despesas financeiras nos meses de março, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2008, pois deixou de considerar os créditos que foram efetuados “nas contas do passivo da IMPUGNANTE” nesses períodos relativamente aos juros e variação monetária passiva, e que reduziram o seu saldo final. Independentemente das razões para o cancelamento integral dos AI(s) que serão demonstradas a seguir, o valor de R$ 2.492.286, 34 correspondente à diferença apurada (tabela abaixo reproduzida), deve ser excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em razão do erro de cálculo cometido pelo autuante durante a ação fiscal. Mês/ Ano SCSA RI B Diferenças jan/08 6.021.558,58 6.021.558,58 0,00 fev/o8 3.231.224,89 3.231.224,89 0,00 mar/08 3.277.771,28 3.318.808,58 41.037,30 abr/08 4.505.621,54 4.505.621,54 0,00 mai/08 4.468.954,75 4.468.954,75 0,00 jun/08 6.455.562,40 6.455562,40 0,00 jul/08 6.674.279,02 6.674.279,02 0,00 ago/o8 5.248.201,75 5340.854,44 92.652,69 set/08 1.284.491,92 3.544.158,80 2.259.666,88 out/08 4.598.261,31 4.634009,44 35.748,13 nov/08 5.546.914,50 5.546.914,50 0,00 dez/08 3.474.657,22 3.537838,56 63.181,34 Total 54.787.499,16 57.279.785,50 2.492.286,34 A empresa tem como objetivo principal a criação de valor para seus acionistas por meio de investimentos em operações imobiliárias. Sua atuação contempla a gestão e administração de imóveis próprios de terceiros e, também a participação no capital de outras sociedades que explorem atividade imobiliária. Os lucros da empresa são, portanto, fruto de sua participação em empreendimentos imobiliários, seja diretamente ou por meio de participação no capital de empresas que realizam atividades imobiliárias. Nesse ponto, está o primeiro grave equívoco do autuante que afirmou: Tratase de uma empresa cuja receita bruta, no ano de 2008, foi de R$32.160.857,81. As receitas são, basicamente, decorrentes de administração de imóveis de terceiros, exploração de estacionamento rotativo e de aluguéis de imóveis próprios. Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.861 6 O TVF excluiu, dentre as fontes de receita da impugnante, sua participação no capital de outras sociedades, que o próprio TVF reconhece constar do seu objeto social. A participação no capital de outras sociedades é na verdade a principal fonte de receitas e representou no ano de 2008, aproximadamente 67% da receita bruta por ela auferida. As sociedades investidas da impugnante para adquirirem imóveis objeto de sua atividade, celebram contratos de financiamento com instituições financeiras. Diversamente do que alega o TVF, as sociedades do grupo que realizam as transações imobiliárias diretamente, são aquelas que captam recursos por uma razão meramente financeira e não fiscal. Somente as adquirentes do imóvel podem se beneficiar dos financiamentos com taxas de juros mais competitivas e com prazos mais longos para pagamentos com taxas de juros inferiores às demais modalidades de empréstimo. Após a captação, as sociedades controladas celebram com a Impugnante instrumentos particulares de assunção de dívidas, por meio dos quais lhe são transferidas as dívidas contraídas perante as instituições financeiras, de forma que a Impugnante tornase responsável pelo pagamento de todos os encargos financeiros decorrentes do financiamento para a aquisição dos imóveis pelas controladas. Em razão da assunção das dívidas de suas controladas, a Impugnante apura contra elas um crédito, no montante da dívida cedida. Esse crédito é imediatamente convertido em aumento de capital na controlada. Esse aumento de capital, por sua vez, implica o aumento do valor do investimento da Impugnante em suas controladas, cumprindose, assim, a disposição do seu objeto social descrita acima. Com efeito, o acréscimo de sua participação no capital das controladas lhe permite consequentemente aumentar sua participação nos rendimentos decorrentes da exploração dos imóveis por tais empresas, uma vez que aumenta seus ganhos de equivalência patrimonial e a parcela a ela destinada dos dividendos e juros sobre capital próprio por elas pagos. O Fisco admite que as despesas financeiras decorrentes dos financiamentos para aquisição dos imóveis fazem parte da atividade do grupo da impugnante como um todo. No entanto nega a sua dedutibilidade para a impugnante, tão somente no fato de que os imóveis foram adquiridos por suas controladas. O fato de as aquisições terem sido realizadas pelas controladas, enquanto os encargos decorrentes do financiamento foram suportados pela impugnante em razão do contrato de assunção de dívidas, em nada influencia a avaliação da dedutibilidade dessas despesas financeiras. Ao assumir as dívidas das controladas, a impugnante cumpre um dos seus objetivos sociais pois valoriza o seu investimento nessas empresas. Qual é a diferença, do ponto de vista tributário, de o financiamento ser contratado pela impugnante ou por suas controladas e posteriormente ser repassado à impugnante? Evidentemente, nenhuma. O Conselho dc Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf ao analisar o tratamento de despesas financeiras de juros e de variação monetária passiva decorrentes da assunção de dividas, seguida de integralização do crédito em aumento de capital da cedente pela cessionária (exatamente a hipótese dos autos), já se manifestou pela dedutibilidade de tais despesas para a cessionária da dívida. O acórdão nº 10196.152 ilustra com clareza o entendimento do 1° CC, ao negar provimento ao recurso de ofício contra a decisão de primeira instância favorável ao contribuinte. Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.862 7 "(...) DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO MONETÁRIA DECORRENTES DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA As despesas com Juros c Variação Monetária decorrentes da assunção da dívida permutada pela particição societária no caso de empresas cujo objeto é a participação em outras empresas, são dedutíveis por serem necessárias à aquisição do investimento. (...) (Por entender semelhante com a situação discutida nos presentes autos, foi transcrita à fl. 3382 alguns trechos do relator Paulo Roberto Cortez) Em outro precedente o Primeiro Conselho de Contribuintes novamente negou provimento ao recurso de ofício fazendário por entender que a assunção de dívida comprovada, com subsequente capitalização dos recursos, é passível de dedução pela cessionária da dívida. Eis o que dispõe tais precedentes: ASSUNÇÃO DE DÍVIDA – PROVA DOS FATOS – Tendo sido comprovada a transferência de recursos para a assunção dc dívida com empréstimo com o exterior, bem como a posterior capitalização com registro pelo BACEN. insubsistente a glosa de despesas com juros e variações cambiais. ( Acórdão nº 108 07.445 em 01/07/2003) A dedutibilidade de despesas para fins de IRPJ está subordinada aos requisitos previstos no art. 299 do RIR/1999, segundo o qual as despesas devem ser necessarias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora e usuais ou normais no tipo de transações ou atividades da empresa. De acordo com tal dispositivo legal, as despesas necessárias são aquelas incorridas para realizar qualquer negócio exigido pela atividade da empresa. Concluise, que os custos incorridos pela Impugnante em razão da utilização de capital de terceiros (encargos financeiros) estão diretamente relacionados com a valorização de seus investimentos nas controladas, e são necessárias para que esse fato ocorra. Sem esse investimento, os ganhos adicionais não existiriam. CSLL . Não aplicação do art. 299 do RIR de 1999. Ainda que as despesas financeiras sejam consideradas indedutíveis por não atenderem aos requisitos do art. 299 do RIR, o que se admite apenas para argumentar, sua dedução deveria ser aceita para fins de cálculo da CSLL. Referido artigo aplicase somente ao IRPJ. A legislação da CSLL não contém dispositivo semelhante, que condicione a dedutibilidade de despesas à comprovação de sua necessidade. Para esse fim, podem ser deduzidas quaisquer despesas que tenham sido levadas em consideração na apuração do Lucro Liquido do Exercício, ou seja, que tenham sido pagas ou incorridas. Esta é a única condição à qual se subordinam. Multa de ofício . 150% A multa de lançamento de ofício admite que o percentual seja elevado para 150%, quando o contribuinte, além de não pagar tributo, pratica determinados atos que revelam evidente e consciente intuito de fraudar, conforme disposto no art. 957, II do RIR de 1999. Assim é descabida a aplicação dessa multa, pois a fraude definida no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 é apenas presumida e não provada. Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.863 8 Além disso, inexistindo falsidade, inexatidão ou omissão dolosas, a conduta do contribuinte, ainda que tenha incorrido para o não pagamento do tributo, não enseja a aplicação da multa qualificada de 150%. Não é qualquer ilícito tributario que tipifica crime e requer aplicação da multa de 150%. Caso contrário a lei não teria previsto o percentual de 75%. Tal entendimento foi consolidado na Súmula nº 14 do 1º CC de seguinte teor: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.(grifamos A conduta dolosa não se presume, deve ser comprovada. Por não existir crime em tese, deve ser necessariamente cancelada a multa qualificada. Multa isolada. Não recolhimento de antecipações mensais. Concomitância. As multas isoladas foram lançadas em razão da falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSL devidos pelo regime de estimativa, apurado pela fiscalização a partir da premissa equivocada, como se demonstrou acima – de que a Impugnante teria reduzido indevidamente sua base de cálculo. Mesmo que os AI(s) fossem julgados procedentes, as multas isoladas deveriam ser canceladas porque, além de efetuar o seu lançamento, a fiscalização também efetuou o lançamento, neste mesmo processo, da multa qualificada (150%) calculada sobre o valor dos supostos débitos anuais de IRPJ c CSL apurados pela fiscalização a partir das mesmas premissas. Ou seja, a fiscalização aplicou ambas as multas (a isolada, de um lado, e a qualificada, de outro) sobre o mesmo fato, qual seja, a glosa de despesas financeiras. A exigencia de multa de ofício isolada somente se sustenta na hipótese de o rendimento sujeito à sistemática de estimativa mensal ter sido incluído no montante dos rendimentos tributáveis declarados no final do períodobase e o IRPJ incidente sobre o mesmo já ter sito pago. Não sendo essa a hipótese, a multa aplicável será apenas a do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Em outras palavras, "isolada" ou "conjuntamente" (com o tributo não pago) são apenas formas pelas quais podem ser exigidas as penalidades, mas não indicam hipóteses autónomas da aplicação da multa, daí não poderem incidir concomitantemente. Diante do que expôs, solicita a impugnante: a) sejam retificados os AI(s) em razão do erro de cálculo cometido; b) sejam integralmente cancelados os AI(s) com a consequente extinção do crédito tributario exigido, em rezão da dedutibilidade das despesas financeiras incorridas pela impugnante, ou subsidiariamente; c) seja cancelada a exigencia relativa à CSLL, por terem sido atendidos os requisitos para a dedutibilidade desse tributo, que diferem dos requisitos para o IRPJ. d) seja reduzida a multa agravada de 150%, por não ter agido com dolo a impugnante, e consequentemente cancelada a representação fiscal par fins penais, formalizada no processo nº 19515.722907/201284; Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.864 9 e) sejam canceladas as multas isoladas, por inciderem sobre a mesma base da multa de ofício aplicada. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão, em análise da impugnação apresentada, julgoua improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. GLOSA. São indedutíveis os valores decorrentes da assunção de dívida originariamente contraída por empresa controlada pela autuada, por fugirem aos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos na legislação tributária e violarem os pressupostos de estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. GLOSA. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa de oficio qualificada no percentual de 150%. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional aos tributos exigidos nos autos de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Delegacia de Julgamento não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. O contribuinte foi cientificado da decisão 09 de setembro de 2014 (fl. 3573), apresentando recurso voluntário de fls. 35743619 em 08 de outubro de 2014. Em síntese, a recorrente repisa seus argumentos apresentados em impugnação, requerendo a reforma da decisão recorrida e o consequente cancelamento do crédito em litígio. Reproduzo as conclusões e os pedidos que finalizam o recurso interposto: Diante do exposto acima, demonstrou a RECORRENTE que: Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.865 10 (i) os AI contêm erro de cálculo e devem ser retificados em relação aos valores de despesas financeiras glosados nos meses de março, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2008, uma vez demonstrado que o valor das despesas deduzidas pela RECORRENTE em relação aos financiamentos objeto das assunções de dívida é inferior ao considerado pelos AI; (ii) a RECORRENTE tem no seu objeto social a participação em outras sociedades que se dedicam à exploração de atividade imobiliária; (iii) as despesas financeiras deduzidas pela RECORRENTE decorrem de assunções de dívidas de suas controladas, que geraram, em contrapartida, a valorização de seu investimento nessas sociedades por meio de integralização do crédito em aumento de capital e, consequentemente, o aumento de seus ganhos de equivalência patrimonial e de sua parcela nos dividendos e juros sobre o capital próprio pagos pelas controladas, que representaram a maior parte (67%, aproximadamente) das receitas auferidas pela RECORRENTE no período objeto da autuação; (iv) embora o financiamento para aquisição dos imóveis pelas controladas da RECORRENTE pudesse ter sido realizado de outras formas, o modelo de assunção de dívidas adotado pela RECORRENTE é o mais lógico do ponto de vista financeiro, já que as suas controladas, como adquirentes dos imóveis, conseguem taxas de juros inferiores e prazos mais longos do que a própria RECORRENTE conseguiria; (v) não há norma que impeça a dedução de despesas financeiras por meio de assunção de dívidas, caso elas preencham os requisitos do art. 299 do RIR/99; (vi) ainda que, por absurdo, se considerem indedutíveis para fins de apuração do IRPJ as despesas financeiras apuradas pela RECORRENTE, não o são para o CSL, que possui regras próprias para a dedução de despesas; (vii) não pode ser aplicada a multa de ofício agravada [qualificada] à RECORRENTE pois não houve dolo em sua conduta, e a suposta falta de pagamento de tributos não pode gerar a responsabilização penal dos contribuintes, nos termos da Súmula CARF n° 14; (viii) não cabe a imposição de multa isolada pela falta de pagamento de antecipações mensais cumulada com a multa de ofício, como já pacificou a jurisprudência do CARF; e (ix) não há base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. 9.2. Diante disso, requer a RECORRENTE: (i) sejam retificados de ofício os AI em razão do erro de cálculo cometido; (ii) seja reformada a DECISÃO, para que se reconheça a improcedência integral dos AI, com a consequente extinção dos créditos tributários exigidos, em razão de serem dedutíveis as despesas financeiras incorridas pela RECORRENTE; ou, subsidiariamente, Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.866 11 (iii) seja cancelada a exigência relativa à CSL, por terem sido atendidos os requisitos para a dedutibilidade desse tributo, que diferem dos requisitos para o IRPJ; (iv) seja reduzidà a multa agravada de 150%, por não ter agido com dolo a IMPUGNANTE, e consequentemente cancelada a representação fiscal para fins penais formalizada no processo n° 19515.722907/201384; (v) sejam canceladas as multas isoladas, por incidirem sobre a mesma base da multa de ofício aplicada; e (vi) seja cancelada a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.867 12 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância 09 de setembro de 2014 (fl. 3573), uma segundafeira. Assim, o início da contagem do prazo se deu em 10 de setembro de 2014 (primeiro dia útil após a ciência). Por consequência o prazo fatal para apresentação do recurso voluntário foi o dia 09 de outubro de 2014. Tendo o contribuinte apresentado recurso voluntário de fls. 35743619 em 08 de outubro de 2014, o mesmo mostra se tempestivo. Preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 DAS DESPESAS CONSIDERADAS INDEDUTÍVEIS A questão posta é eminentemente de direito, pois os fatos postos são incontroversos: diversas pessoas jurídicas controladas pela Recorrente e que atuam no ramo imobiliário firmaram contratos de mútuo a fim de viabilizar a aquisição de imóveis. Não se contesta que as despesas financeiras daí decorrentes seriam despesas necessárias, e, portanto, dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo de IRPJ e de CSLL caso tais pessoas jurídicas fossem tributadas com base no lucro real. Contudo, tais pessoas jurídicas eram tributadas com base no lucro presumido. Ocorre que a Recorrente, controladora do grupo, tributada com base no lucro real, realizou uma série de assunções de dívidas, em contrapartida a aumentos de capital em suas controladas, passando a registrar as respectivas despesas financeiras em seu resultado contábil e, consequentemente, também na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Para a autoridade fiscal autuante, tais despesas não foram necessárias à atividade da Recorrente, mas sim às operações de suas controladas, uma vez que não só foram por estas contratadas, mas também acabaram redundando na própria manutenção das respectivas fontes geradoras de renda. Alega ainda que sendo as controladas tributadas com base no lucro presumido, tais despesas financeiras não afetariam as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Com as operações levadas a efeito pela Recorrente de transferir para si mesma as dívidas contraídas por suas controladoras, passou a deduzir de seus resultados contábeis e fiscais as despesas financeiras correspondentes, sem que a respectiva renda as acompanhasse. A turma julgadora a quo aquiesceu tal entendimento, mantendo o lançamento em sua integralidade. Já a Recorrente que a contrapartida de tais assunções de dívida e os aumentos de capital realizados geraram maiores ganhos de equivalência patrimonial e aumento nos dividendos e juros sobre capital próprio pagos pelas controladas. O modelo das operações teria sido adotado em razão de as instituições financeiras oferecem empréstimos em melhores Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.868 13 condições (taxas de juros e prazo de financiamento) para os próprios adquirentes de imóveis. Alega ainda que não haveria diferença tributária se ela própria houvesse contratado os empréstimos e repassado às suas controladas. Contesta ainda a aplicação do conceito de despesa desnecessária para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. A respeito das questões materiais, tratase de fatos incontroversos, uma vez que Recorrente deixou de se manifestar a respeito dos fatos imputados pela Fiscalização. A esse respeito, Darci Guimarães Ribeiro assevera que: Considerase fato incontroverso sempre que uma das partes emitir uma declaração de vontade consistente na criação, impedimento, modificação ou extinção de um direito, e, comunicada a parte contrária, esta não se manifestar ou manifestarse tardiamente, desde que dos autos não resulte o contrário. [...] O fato só pode ser considerado incontroverso, quando a parte, a quem incumbia se manifestar, silencia, ou seja, é o silêncio de quem tinha o ônus de não silenciar que torna o fato incontroverso. 1 A questão controvertida resumese, portanto, se poderia ou não o grupo controlado pela Recorrente se estruturar da maneira como o fez. A esse respeito, entendo que as pessoas jurídicas possuem liberdade de se estruturar da maneira que melhor lhes convier, desde que todos os atos e procedimentos formais correspondam à realidade fática e não sirvam, ao arrepio do Direito, a única e exclusivamente elidir, total ou parcialmente, a tributação inerente aos respectivos fatos. Não se pode olvidar que contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso, necessariamente, implique qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colecionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco2: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu 1 RIBEIRO, Dari Guimarães. PROVAS ATÍPICAS. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 88. 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198208. Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.869 14 funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.3 A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição NorteAmericana de 1787 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reprisaram a limitação. Essa perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma concessão da sociedade em favor do Estado, mas um instrumento da sociedade que tem por 3 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 20. Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.870 15 finalidade manter uma máquina pública estruturada em favor da própria sociedade. Esse é o sentido do dever fundamental do indivíduo de recolher os tributos devidos. Confirase, a respeito, o pensamento de Klaus Tipke (“Justiça Fiscal e Princípio da Capacidade Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13): O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto não é meramente um sacrifício, mas sim uma contribuição necessária para que o Estado possa cumprir suas tarefas no interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito tributário de um Estado de Direito não é Direito técnico de conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O direito Tributário afeta não só a relação cidadão/Estado, mas também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito da coletividade. A Constituição Federal de 1988 caminhou no sentido defendido por Tipke, quando afirma no seu art. 1º que a República Federativa do Brasil constituise em Estado Democrático de Direito e estipula como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. A atividade produtiva deve cumprir o seu papel social de importância ao desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se sobreponha à cidadania e a dignidade humana. O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para o atingimento desses objetivos é de suma importância os recursos oriundos da tributação, daí que não se pode admitir o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para esquivarse do pagamento dos tributos. O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhese o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.871 16 Nessas circunstâncias, os fatos falam por eles mesmos e permitem apenas uma única interpretação. O único empreendimento, embora conduzido nos termos do item “b” da seção 112, fora de fato uma forma elaborada e errônea de transposição simulada como reorganização societária, e nada mais. A regra que exclui de consideração o motivo da elisão fiscal não guarda pertinência com a situação presente, porquanto a transação em sua essência não é alcançada pela intenção pura da lei. Sustentarse de outro modo seria uma exaltação do artifício em desfavor da realidade, bem como retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É mantido o julgamento de segunda instância. Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 4 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 5 Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta: Recordando: na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei. Na terceira fase, acrescentase um outro ingrediente que é o princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio constitucional tributário – acaba por eliminar o predomínio da liberdade, para temperála com a solidariedade social inerente à capacidade contributiva. 6 (grifo nosso) 4 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231. 5 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 25. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319. Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.872 17 Salienta ainda o doutrinador que a capacidade contributiva é uma norma programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 7. (grifo nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos constitucionais.8 O Supremo Tribunal Federal já vêm se manifestando nesse sentido, como é possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.8321 DJ de 28.06.2002), cujo excerto transcrevese a seguir: [...] a interpretação puramente literal e isolada do §3º do art. 155 da Constituição Federal levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Carta – “a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei...” – empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações – o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3º do art. 155, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e da capacidade contributiva. A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em excepcional análise sobre o tema, conclui: [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade contributiva, também é preciso ponderar não ser adequado transformar a capacidade contributiva num valor absoluto que atropele a legalidade e a tipicidade. [...] Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 9 (grifo nosso) 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343. 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344. 9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.873 18 Portanto, qualquer alegação quanto à ausência de normas para o procedimento adotado pela Fiscalização, ou possíveis infringências da autoridade fiscal aos princípios da legalidade e da livre iniciativa, mostramse superadas, quer pela doutrina, quer pela jurisprudência do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. Por oportuno, convém transcrever excerto do voto do Relator Paulo Cortez no acórdão nº 143795 da extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, citando voto da Conselheira Sandra Faroni: “A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude [...], mas sim da oponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídicos”. Tal entendimento, inclusive, encontrase hoje positivado na Lei nº 9.784/99 – Lei do Processo Administrativo, quem seu art. 2º, inciso I, impõe que a Administração deve atuar conforme “a Lei e o Direito”. Maria Helena Diniz, ao tratar sobre o assunto, conclui que “as normas são partes de um âmbito maior, que é o direito; sendo assim, não esgotam a totalidade jurídica nem podem identificarse com ela.” 10 No mesmo sentido, assevera Marcos Vinícius Neder: A interpretação deste dispositivo leva, portanto, ao entendimento que, para o processo administrativo, a lei não é a única fonte. O agente deve cumprir a lei com a observância de todo o ordenamento jurídico. Assim, podese inferir a possibilidade do emprego de diversos veículos normativos, tais como: regulamentos, atos normativos, jurisprudência dos tribunais, costumes e princípios gerais do Direito para preenchimento de lacunas na lei processual no âmbito do processo administrativo”. 11(grifo nosso) Passo, agora, à análise do caso concreto. Compulsando os autos, formei convicção de que a exigência fiscal é acertada. Estamos diante de clássica hipótese de transferência da base tributável para pessoa jurídica em situação fiscal privilegiada. Nos períodos fiscalizados, a Recorrente tributou seus resultados com base no Lucro Real. Nesse interregno, as bases de cálculo de IRPJ já estavam sujeitas, além da alíquota de 15%, também ao adicional de 10%. Assim, qualquer outra despesa que viesse a compor o resultado do contribuinte implicaria uma minoração de tributação de 34% (sendo 25% a título de IRPJ incluindo adicional de 10% e 9% referente à CSLL). Do ponto de vista das receitas 10 DINIZ, Maria Helena. AS LACUNAS DO DIREITO. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 72. 11 NEDER, Marcos Vinícius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (de acordo com a Lei n. 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 3233. Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.874 19 auferidas, se somarmos as alíquotas de PIS e Cofins no regime não cumulativo (1,65% e 7,6%, respectivamente), chegase a uma tributação efetiva de 43,25% sobre qualquer receita adicional. Relativamente aos créditos de PIS e Cofins, salientase que não há direito a créditos sobre despesas financeiras. Já as controladas tributaram seus resultados, nos mesmos períodos, com base no Lucro Presumido. Assim, para determinação das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, multiplicouse suas receitas brutas, respectivamente, pelos coeficientes de 8% e 12%, acrescidos das demais receitas auferidas. Sobre as bases de cálculo assim calculadas, incidiriam as alíquotas de 25% a título de IRPJ (já considerando adicional de 10%) e de 9% para fins de CSLL. Ou seja, efetivamente 2% de IRPJ e 1,08% de CSLL sobre a receita bruta. Devese ainda considerar as alíquotas de PIS (0,65%) e de Cofins (3%) no regime não cumulativo. Desse modo, sobre as receitas de suas controladas incidiriam 6,73% de tributos federais. Assim, ao manter as receitas nas empresas optantes pelo lucro presumido, as receitas foram efetivamente tributadas em 6,73%. Contudo, ao se transferir as despesas incorridas por essas mesmas empresas para sua controladora, ora Recorrente, redundou em economia tributária em tal pessoa jurídica da ordem de 34% do valor de tais despesas. Conforme já explanado, qualquer despesa adicional nas controladoras não alteraria a base de cálculo e o valor de IRPJ e de CSLL a ser por elas recolhido, uma vez que tributadas com base no lucro presumido. E as receitas por elas auferidas estava sujeita Diante de tal cenário, a autoridade fiscal concluiu que houve transferência de despesas das controladas em prol de sua controladora com o intuito de minorar a carga tributária da Recorrente. Em suma, a operação de transferência das despesas teria como único intuito diminuir a tributação sobre o resultado da Recorrente. Entendo que as questões de fato apontadas pela Fiscalização, e suas consequências fiscais, e confirmadas pela Delegacia de Julgamento, mostramse irretocáveis. As questões de fato não são atacadas pela Recorrente, mas sim suas consequências fiscais. Discordo do argumento da Recorrente de que despesas financeiras em questão teriam sido contrabalanceadas pelos ganhos relativos à equivalência patrimonial e juros sobre capital próprio percebidos em maior montante justamente pelo aumento de capacidade operacional que tais empréstimos geraram em suas controladas. Isso porque o resultado de equivalência patrimonial deve ser excluído para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Além disso, a taxa de juros dos empréstimos é consideravelmente superior à aplicada para cálculo dos juros sobre capital próprio (taxa de juros de longo prazo – TJLP), ou seja, o valor do JCP adicional a que fez jus a Recorrente é inferior às despesas financeiras assumidas. Sobre a possibilidade de os empréstimos terem sido contratados diretamente pela Recorrente e serem repassados para suas controladoras, o que, na visão da Recorrente, não alteraria o seu resultado tributável auferido, discordo frontalmente. Isso porque a atual jurisprudência do CARF é uníssona quanto à impossibilidade de dedução da parcela de Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.875 20 despesas financeiras que superar as receitas financeiras auferias em operações de “repasse de empréstimos”. Nesse sentido, colaciono diversas decisões: DESPESAS FINANCEIRAS JUROS BANCÁRIOS GLOSA DO EXCEDENTE EM RELAÇÃO À TAXA DE REMUNERAÇÃO DE MÚTUO ATIVO REPASSE DO EMPRÉSTIMO CARACTERIZAÇÃO – É admissível a glosa do excedente da taxa de empréstimo contraído com instituição financeira em relação à taxa de remuneração de mútuo com terceiros quando fica devidamente comprovado nos autos que há diferença entre o valor da captação e o repasse dos recursos, tendo como conseqüência a desnecessidade da despesa.” (Acórdão CSRF/0105.423 Sessão de 21/03/2006) IRPJ – ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMOS REPASSADOS NÃO DEDUTIBILIDADE – As despesas financeiras relativas a empréstimos repassados a empresas ligadas não se afiguram como necessárias (usuais e normais), sendo, pois, indedutíveis. (Acórdão 1º CC n° 10195280, de 11/05/2005) DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA São passíveis de glosa as despesas financeiras que não possuam as características de necessidade, usual idade e normalidade, indispensáveis à sua dedutibilidade do lucro bruto.” (Acórdão CARF nº 1201000.438, de 25/02/2011) ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMO REPASSADO – Considerando que o empréstimo obtido por uma empresa que o transfira a outra implica na obrigação do repasse das despesas financeiras correspondentes, será ato de mera liberalidade a não exigência do ônus pela empresa mutuante, pelo que cabível o lançamento tributário relativo à glosa da despesa financeira.” (Acórdão 1º CC n° 1053.158/89 – DOU 23/11/89) Este mesmo colegiado, ainda que com outra composição, também já se debruçou sobre o tema, concluindo pela manutenção da exigência: IRPJ. GLOSA. ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMOS REPASSADOS A CONTROLADAS. Na determinação da base de calculo do IRPJ e CSLL, somente são dedutíveis os encargos financeiros de empréstimos indispensáveis à manutenção da fonte produtora. Considerase liberalidade o repasse, a terceiros, de valores sem a cobrança de encargos ou em percentuais inferiores. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 140200.562 – Sessão de 26/05/2011) Saliento ainda que na recente sessão realizada em 20 de janeiro de 2016 esta mesma turma julgadora, com a composição atual, decidiu, de forma unânime sobre tal impossibilidade (Acórdão 1402002.066). Desse modo, conforme comprovado pela Fiscalização, o que se verifica é que houve transferência de resultados de despesas das controladas para a Recorrente. Destaquese ainda que, como a contabilização de despesas nas empresas controladas em nada diminuiria suas tributações, uma vez que optantes pelo Lucro Presumido, houve transferência deliberada de despesas dessas para a Recorrente. Tal fato, por si só, já denota o caráter abusivo do procedimento adotado pela Recorrente, infringindo, inclusive, Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.876 21 aspectos contábeis básicos, como o da confrontação entre despesas e receitas (regime de competência) e o período de apuração: ora, as despesas devem ser reconhecidas na demonstração do resultado com base na associação direta entre elas e os correspondentes itens de receita12. Obviamente, tal princípio contábil deve ser aplicado levandose em conta outro pilar mestre da ciência contábil: o princípio da Entidade13. Não há como dissociar receitas e as despesas correspondentes. Segregálas em Entidades distintas, sobretudo, fere de morte a lógica de todo o sistema. E foi isso que a Recorrente colocou em prática ao manter as receitas correspondentes a essas atividades em suas controladas e, ao mesmo tempo, transferir as despesas dessas para seu resultado, reduzindo artificialmente o seu resultado contábil do período, e, consequentemente, também o IRPJ e a CSLL devidos. Cumpre ressaltar ainda que as normas citadas pela Recorrente não abrigam aqueles que se posicionam artificialmente diante delas. Nada impede que os contribuintes busquem formas de pagar menos tributos, mas o procedimento deve estar dentro daquilo que é autorizado pelo ordenamento jurídico, mas sem o desvirtuamento dos atos praticados para o atingimento desses objetivos, como é o caso dos autos. De igual forma, o princípio da livre iniciativa insculpido na Constituição Federal não possui o condão de transformar os fatos efetivamente ocorridos. A fim de se evitar posteriores questionamentos, convém ainda abordar se é é necessária a descrição do conceito jurídico em que se enquadram determinados fatos. Marco Aurélio Greco assim expôs sobre o tema: [...] o foco da prova neste campo não é determinado conceito jurídico que expresse uma patologia do negócio jurídico. Ou seja, o foco da prova no planejamento tributário não é a simulação, a fraude à lei ou o abuso em si mesmos considerados. O reconhecimento da existência de um caso de simulação, fraude ou abuso será decorrência de uma prova anteriormente produzida que estará focada no caso em si, naquilo que ocorreu em função da conclusão que se extrair a partir disto, então, será possível afirmar ter ou não ocorrido a patologia do negócio jurídico. Por isso, pouco ajuda iniciar o debate sobre a prova pensando numa das patologias. Ao contrário, pensar nelas ofusca a análise e lança na bruma exatamente aquilo que deve ser o núcleo da preocupação nessa análise. Em suma, o tema da prova no planejamento tributário não é um debate “conceitual” ligado às patologias. 14 (grifo nosso) 12 Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) Pronunciamento Conceitual Básico. Item 95. 13 Nesse sentido dispõe a Resolução CFC nº 750/1993, com as alterações da Resolução CFC nº 1282/2010: Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. 14 GRECO, Marco Aurélio. A Prova no Planejamento Tributário. In: NEDER, Marcos Vinícius, DINIZ DE SANTI, Marcos e FERRAGUT, Maria Rita (coords). A Prova no Processo Tributário. São Paulo, Dialética, 2010, p. 191. Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.877 22 [..] Provar o que não está escrito O primeiro ponto sensível é ter bem nítido que aquilo que deve ser provado é que não está escrito. Objeto da prova no planejamento tributário transcende o texto escrito. 15 [...] Provar o ocorrido O segundo ponto consiste em determinar o que ocorreu, se aquilo descrito no texto ou se outro evento. A prova direta de que teria ocorrido evento diverso daquele descrito no texto raramente existe. É uma exceção. Pode existir a prova direta de alguns elementos ou aspectos de algo mais amplo, mas a prova do planejamento tributário realizado se dá, como regra, através do exame do conjunto de elementos que cercam o caso. 16 Em resumo: a discussão conceitual sobre as patologias do planejamento tributário não pode se sobrepor aos fatos. E assim não poderia deixar de ser pois, no que tange ao lançamento tributário, o art. 142 do CTN é cristalino ao estabelecer que compete à autoridade administrativa “constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”. Portanto, evidenciase que o mais importante é a correta descrição dos fatos e não sua qualificação. Nesse aspecto, a Fiscalização foi exemplar: preocupouse com os fatos efetivamente ocorridos e não sua qualificação jurídica. E isso, repisese, em nada prejudicou a Recorrente, que pôde se defender de todos os pontos abordados na autuação. Isso posto, peço vênia a Marco Aurélio Greco para tomar como minhas suas conclusões, já transcritas no corpo de meu voto, que muito se encaixam no fechamento do meu entendimento sobre o caso, em especial o conflito entre livre iniciativa e solidariedade: Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 17 15 GRECO, Marco Aurélio. A Prova no Planejamento Tributário. In: NEDER, Marcos Vinícius, DINIZ DE SANTI, Marcos e FERRAGUT, Maria Rita (coords). A Prova no Processo Tributário. São Paulo, Dialética, 2010, p. 194. 16 GRECO, Marco Aurélio. A Prova no Planejamento Tributário. In: NEDER, Marcos Vinícius, DINIZ DE SANTI, Marcos e FERRAGUT, Maria Rita (coords). A Prova no Processo Tributário. São Paulo, Dialética, 2010, p. 194. 17 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.878 23 Diante do exposto, a infração imputada pela autoridade fiscal encontrase em sintonia com o Direito, devendo ser repelidos os argumentos contrários colacionados pela Recorrente. 2.2 DO SUPOSTO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Em relação ao tema, assim consta na decisão recorrida: Aduziu a autuada, que os AI(s) devem ser retificados em razão de erro cometido pelo autuante na elaboração dos cálculos do IRPJ e da CSLL. Teria ocorrido equívoco em relação ao valor considerado deduzido a título dc despesas financeiras nos meses de março, agosto, setembro, outubro e dezembro dc 2008, pois teria deixado de considerar os créditos que foram efetuados nas contas do passivo nesses períodos, relativamente aos juros e variação monetária passiva, e que reduziram o seu saldo final. Teriam sido unicamente considerados os débitos mas não os créditos nesses períodos. Isso, conforme demonstrativo elaborado à fl. 3377, o que teria gerado uma diferença no montante de R$ 2.492.286,34. A autuada apresentou como prova de erro do fisco, somente demonstrativo dos valores que julgou serem excluíveis da tributação, mas não comprovou que tais valores tenham sido creditados, deduzidos, do total da dívida assumida contabilizada como despesa, ou estornado, de modo que pudesse modificar o valor considerado pelo Fisco. Já a Recorrente alega que, na realidade, a autoridade fiscal não levou em consideração lançamentos realizados a crédito nas contas de despesas financeiras glosadas, levandoa a glosar R$ 2.492.286,34 a mais do que as despesas efetivamente contabilizadas. Compulsando os autos, entendo assistir razão à Recorrente. À fl. 3.583 a Recorrente indica o montante de créditos realizados nas contas de despesas glosadas, mês a mês no período a que se refere o lançamento: Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.879 24 Os valores lançados a crédito das contas de despesas financeiras referemse a reduções de despesas financeiras que, segundo a Recorrente, correspondem à: (i) deflação, afetando as dívidas sujeitas à atualização monetária; ou (ii) atraso na cobrança dos juros pelo credor, gerando, assim, um desconto na cobrança dos juros no mês respectivo. A explicação, até aqui, é absolutamente plausível. Corroborando a validade da defesa, constatase que o valor constante na linha 40 da Ficha 6A da DIPJ 2009 (fl. 3816), parcialmente reproduzida a seguir, indica o montante de receitas financeiras informado pela Recorrente: Tal valor corresponde exatamente ao montante constante no balancete de verificação constante à fl. 3277 (parcialmente reproduzido a seguir): [...] O quadro elaborado pela Recorrente à fl. 3582 é bastante elucidativo: Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.880 25 Ocorre que a autoridade fiscal efetuou o lançamento com base no total de lançamentos a débito das contas de despesas financeiras em questão, chegando a um montante de R$ 57.279.785,50. Ressalto que facilitaria por demasia chegar à conclusão de que o excesso de valor apontado pela Recorrente (R$ 2.492.286,34) estaria correto se fossem anexados os balancetes de todos os meses em que supostamente houve os lançamentos a crédito das contas de despesas financeiras glosadas, o que, a exceção do balancete do mês de dezembro, não localizei nos autos. Vejase que à fl. 3277, referente ao balancete de verificação do mês de dezembro de 2008 e já reproduzido neste item do voto, indica que houve lançamentos a crédito no total de R$ 63.181,34, exatamente o mesmo montante informado no quadro elaborado pela Recorrente à fl. 3283 (e também já espelhado alhures) a fim de demonstrar os valores de lançamentos a crédito das contas de despesa, e os respectivos períodos, que entende ser excessivos caso seja mantida a infração. Esse fato, associado à composição da linha 40 da Ficha 06A da DIPJ/2009 reportada acima, permitemme concluir assistir razão à Recorrente nesse ponto. Como consequência, voto por excluir R$ 2.492.286,34 do montante de despesas glosadas. 3 MULTA DE OFÍCIO Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.881 26 A Recorrente contesta a qualificação da multa, asseverando que não ocorreu nenhuma dolosa ou fraudulenta. Acrescenta ainda que cabe às autoridades fiscais trazer provas inequívocas da ocorrência desses vícios. As despesas contestadas teriam sido efetivamente por ela suportadas e lastreada em documentos hábeis e idôneos que instruem os lançamentos contábeis em questão. Para a decisão recorrida, as circunstâncias caracterizadoras da fraude e da conduta dolosa da autuada e, por conseguinte, o cabimento da multa qualificada estão cabalmente comprovados pelo conjunto de provas reunido pela fiscalização. No caso concreto, divirjo de tal entendimento. A fundamentação utilizada pela autoridade fiscal denota que as despesas em questão efetivamente existiram, pois a glosa realizada baseouse na suposta desnecessidade de tais dispêndios. Não estamos diante de despesas inexistentes, estribadas em notas fiscais inidôneas, interposição de pessoas ou de qualquer outro fato que possa indicar o dolo por parte da Recorrente. Tanto é assim, que não há controvérsia fática nos autos. Tratase, isso sim, de mera divergência de interpretação de normas. Nesse cenário, considero não restar caracterizada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64) necessária à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, voto por reduzir a penalidade aplicada para 75%. 4 MULTA ISOLADA Em razão da glosa de despesas, a Recorrente deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Há de separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Considerandose que a Medida Provisória nº 351/2007 que em seu art. 14 deu nova redação ao art. 44 da lei nº 9.430/1996 – foi editada em 22 de janeiro de 2007 (e posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), as multas isoladas cujos recolhimentos deveriam ter sido realizados antes de tal data devem ser exoneradas. Assim sendo, como o vencimento para pagamento da estimativa é o último dia útil do mês subsequente, devese exonerar as multas isoladas relativas às estimativas referentes ao período de janeiro a novembro de 2006, já que a estimativa referente ao mês de dezembro de 2007 deveria ter sido recolhida até o dia 31/01/2007, quando já vigia a nova redação do dispositivo legal em questão. Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.882 27 No caso concreto, contudo, o lançamento diz respeito a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2008, quando já vigia a nova redação do dispositivo legal em questão. Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.883 28 isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.884 29 Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. De qualquer modo, quer pela redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96, quer pela atual, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. 5 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.885 30 Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.886 31 Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.887 32 No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.888 33 DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: Fl. 3888DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.889 34 TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter tal exigência. 6 DESPESAS DESNECESSÁRIAS E A APURAÇÃO DA CSLL Para a Recorrente, não haveria base legal para se aplicar o conceito de despesa desnecessária à CSLL. Divirjo de tal entendimento. Em relação à dedutibilidade de tais valores da base de cálculo da CSLL, devese ter em conta que a autuação, no presente caso, foi motivada por dispêndios oriundos de operações consideradas artificiais, desprovidas de propósito empresarial. A Contribuição Social sobre o Lucro tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação. Neste sentido, determinam os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 11). O lucro operacional é, pois, o resultado do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais. Assim, determina o artigo 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, Fl. 3889DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.890 35 necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido, as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias. Não se trata de aplicação de analogia, mas sim, de considerar que o dispêndio gerado por operações artificiais, por violar as regras de dedutibilidade do IRPJ, não pode reduzir o lucro líquido que, também, é a base de cálculo da CSLL com os ajustes previstos na sua legislação específica. Ainda que se considere que os dispêndios, no presente caso, tenham natureza não operacional, cabe lembrar que, o que os torna indedutíveis também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. A escrituração contábil, pela qual se apura o resultado do exercício, ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis. Conforme impõe o Princípio da Entidade, um dispêndio produzido artificialmente não deve estar na contabilidade. Em outras palavras, a contabilização de dispêndios sem propósito empresarial implica inobservância do princípio contábil da entidade, devendo ensejar, também por esta razão, a sua glosa, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/9518, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Assim, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da CSLL, voto por negar provimento ao recurso também em relação a tal matéria. 18 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] Fl. 3890DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.891 36 7 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A respeito do tema, cumpre esclarecer que não compete ao CARF pronunciarse a respeito de temas atinentes à representação fiscal para fins penais, matéria inclusive já sumulada nesta Corte Administrativa, conforme verbete transcrito a seguir: Súmula CARF nº 8: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 8 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o montante de R$ 2.492.286,34 e para reduzir a multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 3891DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.892 37 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Ouso discordar do i.Conselheiro relator tãosomente quanto à aplicação da multa isolada, concomitante com aquela aplicada proporcionalmente ao tributo lançado. Quanto a essa matéria este Conselho possui entendimento firmado, para fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a edição da Súmula CARF nº 101, in verbis. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com efeito, a inteligência da citada súmula é clara quanto à impossibilidade de exigência concomitante das multas quando relativas a fatos geradores anteriores a 2007, nada aclarando, no meu entender, quanto a fatos geradores a partir daquela data. Nesse esteira, quanto a fatos geradores posteriores à citada mudança legislativa, como é o caso dos autos deste processo, este Colegiado possui entendimento sedimentado, embora não unânime, no sentido da inaplicabilidade da multa isolada quando concomitante com a multa de ofício proporcional ao tributo apurado. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. E acórdão nº 1102001.315 de 25/09/2015, conforme ementa abaixo. Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. ALTERAÇÕES DA LEI 11.488/07. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo após as alterações no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela Lei nº 11.488/07.” A jurisprudência no e.Superior Tribunal de Justiça também se coaduna com esse entendimento. Vejase, nesse sentido, o AgRg no REsp 1499389/PB. TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº Fl. 3892DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.893 38 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1499389 / PB) E o citado REsp 1496354/PR, julgado pela segunda Turma daquela Corte, que, à unanimidade, confirmou o entendimento quanto à impossibilidade da aplicação das duas multas, quando concomitantes. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Fl. 3893DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.894 39 Recurso especial improvido. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado, com os fundamentos que adoto: "[...] Para fins de esclarecimento da controvérsia, cito as normas que, segundo a parte recorrente, foram violadas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. Fl. 3894DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.895 40 As hipóteses do inciso II, 'a' e 'b', em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. [...]". Portanto, as multas de oficio isoladas, naquilo em que forem concomitantes com as multas de ofício proporcionais, devem ser exoneradas. Em outras palavras, a multa isolada será cancelada até o montante de base de cálculo menor ou igual à base de cálculo sobre a qual incidiu a multa de ofício proporcional, nos termos abaixo, para o caso concreto: Ano calendário BC multa de ofício proporcional IRPJ BC multa isolada IRPJ BC multa isolada remanescente Multa isolada remanescente 2008 2.125.318,97 7.692.749,96 5.567.430,99 2.783.715,50 Ano calendário BC multa de ofício proporcional CSLL BC multa isolada CSLL BC multa isolada remanescente Multa isolada remanescente 2008 1.944.568,36 2.778.030,00 833.461,64 416.730,82 Assim, há que se considerar devida a multa exigida isoladamente, relativa ao IRPJ, no valor de R$ 2.783.715,50, e à CSLL, no valor de R$ 416.730,82. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Fl. 3895DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722906/201330 Acórdão n.º 1402002.146 S1C4T2 Fl. 3.896 41 Fl. 3896DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNA NDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10715.721343/2011-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.589
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 13 43 /2 01 1- 70 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 392 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.268, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 393 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 394 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 395 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 396 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 397 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 398 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.721343/201170 Acórdão n.º 9303003.589 CSRF‐T3 Fl. 399 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10831.013183/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/06/2007
AVARIA E DANO. MERCADORIA SUBMETIDA A INTEMPÉRIE ENQUANTO AGUARDA RECEPCIONAMENTO PELO DEPOSITÁRIO.
Não se pode responsabilizar o transportador pelos tributos na constatação de dano: (1º) cuja causa reside na condição climática a que submeteu a carga enquanto aguardava o atendimento do depositário, carga desembarcada sem conhecimento de que o depositário não iria recebê-la; adicionado ao fato de que (2º) eles não foram informados pelo agente de carga de cuidados especiais para proteção da mercadoria com relação à umidade e à chuva.
Numero da decisão: 3401-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara deAraújo Branco
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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AVARIA. Recorrente ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/06/2007 AVARIA E DANO. MERCADORIA SUBMETIDA A INTEMPÉRIE ENQUANTO AGUARDA RECEPCIONAMENTO PELO DEPOSITÁRIO. Não se pode responsabilizar o transportador pelos tributos na constatação de dano: (1º) cuja causa reside na condição climática a que submeteu a carga enquanto aguardava o atendimento do depositário, carga desembarcada sem conhecimento de que o depositário não iria recebêla; adicionado ao fato de que (2º) eles não foram informados pelo agente de carga de cuidados especiais para proteção da mercadoria com relação à umidade e à chuva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara deAraújo Branco Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 31 83 /2 00 7- 89 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Trata este processo de lançamentos que constituem e exigem Imposto de Importação, IPI, PIS importação e COFINS Importação, adicionados de multa de ofício e juros de mora, a partir do vencimento. A autoridade fiscal, em procedimento de Vistoria Aduaneira, solicitada pelo importador, registrou que as mercadorias contidas em 10 dos 120 volumes (caixas de papelão) acobertados pelo conhecimento aéreo MAWB 04565003982 HAWB 10046293 estavam avariadas em decorrência da umidade proveniente desses volumes terem sido expostos à chuva. A autoridade fiscal decidiu ser o transportador quem deveria ser responsabilizado pelos tributos apurados na avaria. Em seu entendimento, a manipulação entre o veículo transportador e a área da recepção junto ao depositário ocorreu sob a responsabilidade do transportador. E a alegação deste de que a carga permaneceu sob chuva intensa por que havia um congestionamento da INFRAERO não altera o fato da responsabilidade do transportador. O transportador impugnou os lançamentos alegando, em resumo: · tratavase carga preparada por agente de carga, e não pelo transportador; e que nessa situação não tinha conhecimento sobre o conteúdo e domínio sobre as condições de embalagens (que eram caixas de papelão); que os documentos de identificação da carga não trazem informações sobre a necessidade de proteger a mercadoria de chuva; que contratada por agente para transportar carga, não está autorizada a alterar a embalagem ou mudar as formas de acondicionamento; · A INFRAERO somente informou que não receberia a carga depois que ela já estava desembarcada e movimentada para a recepção do armazém; a transportador registrou no sistema MANTRA a condição de negativa do depositário para receber a carga e dela estar submetida à chuva aguardando a entrega à INFRAERO. · A INFRAERO estava congestionada e por longo tempo de espera a carga esteve à mercê da chuva que acometia fortemente o Aeroporto de Viracopos. · que a suposta avaria não ocorreu por sua falta ou culpa; · que a situação se caracteriza caso fortuito e força maior. · que a responsabilidade pelo dano foi do depositário que não recebeu a carga. · que o dano se baseia na afirmação de se deu oxidação nas mercadorias, mas essa condição não ficou comprovada. Os Julgadores da 23ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal em São Paulo (DRJ SP1) consideraram improcedente a impugnação e mantiveram o crédito tributário exigido. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10831.013183/200789 Acórdão n.º 3401003.161 S3C4T1 Fl. 3 3 A contribuinte ingressou com recurso voluntário, repisando os argumentos postos em sua impugnação, adicionando suas considerações de que os julgadores de 1º piso não analisaram a responsabilidade do depositário para a mesma finalidade, ou seja, de criar condições necessárias para que os volumes apresentados pelo transportador fossem devidamente recepcionados e protegidos. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. O fundamento legal para o lançamento está no artigo 60, parágrafo único, do Decretolei n. 37, de 1966, e nos artigos 591 e 593 do Regulamento Aduaneiro vigente á época (Decreto n. 4.543/2002). CAPÍTULO III DA AVARIA, DO EXTRAVIO E DO ACRÉSCIMO Seção I Das Disposições Gerais Art. 580. Para os fins deste Decreto, considerase (Decretolei no 37, de 1966, art. 60): I avaria, qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou o seu envoltório; II extravio, toda e qualquer falta de mercadoria; e III acréscimo, qualquer excesso de volume ou de mercadoria, em relação à quantidade registrada em manifesto ou em declaração de efeito equivalente. Parágrafo único. Será considerada total a avaria que acarrete a descaracterização da mercadoria. Seção II Da Vistoria Aduaneira Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decreto lei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). § 1o A vistoria será realizada a pedido, ou de ofício, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique, devendo seu resultado ser consubstanciado em termo próprio. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 § 2o No caso de remessa postal internacional, a vistoria atenderá ainda às normas da legislação específica. § 3o Não será efetuada vistoria após a saída da mercadoria do recinto de despacho. Art. 582. O volume que, ao ser descarregado, apresentarse quebrado, com diferença de peso, com indícios de violação ou de qualquer modo avariado, deverá ser objeto de conserto e pesagem, fazendose, ato contínuo, a devida anotação no registro de descarga, pelo depositário. Parágrafo único. Sempre que o interesse fiscal o exigir, o volume deverá ser cerrado com dispositivo de segurança pela fiscalização aduaneira e isolado em local próprio do recinto alfandegado. Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou a constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Art. 584. Não será iniciada a verificação de mercadoria contida em volume que apresente indícios de avaria ou de extravio de mercadoria, enquanto não for realizada a vistoria. § 1o Se a avaria ou o extravio for constatado no curso da verificação, esta será suspensa até a realização da vistoria, adotandose, se necessário, as cautelas referidas no parágrafo único do art. 582. § 2o Não havendo inconveniente, poderá ser dado prosseguimento ao despacho, em relação às mercadorias contidas nos demais volumes. Art. 585. O volume cuja abertura, pela natureza do conteúdo, dependa da presença de outra autoridade pública, somente será vistoriado com o atendimento dessa formalidade. Art. 586. Poderá ser dispensada a realização da vistoria se o importador assumir a responsabilidade pelo pagamento do imposto de importação e das penalidades cabíveis. Parágrafo único. A desistência implicará perda de benefício de isenção ou de redução do imposto, na proporção das mercadorias contidas em volumes extraviados. Art. 587. Assistirão à vistoria, a ser realizada em dia e hora fixados pela autoridade aduaneira, o depositário, o importador e o transportador. Parágrafo único. Poderá, ainda, assistir à vistoria qualquer pessoa que comprove legítimo interesse no caso. Art. 588. A Secretaria da Receita Federal poderá editar ato complementar à implementação do disposto nesta Seção . ... Seção IV Da Responsabilidade pelo Extravio, Avaria ou Acréscimo Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): I substituição de mercadoria após o embarque; II extravio de mercadoria em volume descarregado com indício de violação; III avaria visível por fora do volume descarregado; IV divergência, para menos, de peso ou dimensão do volume em relação ao declarado no manifesto, no conhecimento de carga ou em documento de efeito equivalente, ou ainda, se for o caso, aos documentos que instruíram o despacho para trânsito aduaneiro; V extravio ou avaria fraudulenta constatada na descarga; e Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10831.013183/200789 Acórdão n.º 3401003.161 S3C4T1 Fl. 4 5 VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea "d" do inciso III do art. 628; e II no acréscimo, a multa referida no inciso III do art. 646. II no acréscimo, a multa referida na alínea "a" do inciso III do art. 646. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Art. 594. As entidades da Administração Pública indireta e as empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, quando depositários ou transportadores, respondem por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. A situação descrita na vistoria e no processo é de que a carga havia sido desembarcada pelo transportador e levada à recepção do armazém da INFRAERO, que se negou a recebêla imediatamente. O transportador aguardou o atendimento com a carga submetida a chuva intensa. A inspeção dos volumes dessa carga verificou que 10 do total dos volumes (caixas de papelão) estavam molhadas. Que o importador, na vistoria aduaneira, concluiu que as mercadorias desses volumes molhados estavam absolutamente comprometidas pela umidade. Além disso, ao ler o conhecimento aéreo originário das embalagens de transporte verifico que foi emitido por agencia de carga (Yusen Air & Sea Service Co ltd) do qual constam informações de que a carga é composta por 4 PALLETS DE AÇO (que acondicionam 120 caixas de papelão) contendo mercadorias do tipo 'partes de automóveis' (automotive parts manufactured by Mitsubibhi Japan). E que esse agente de carga contratou a ABSA Aerolinhas Brasileiras SA para o transporte de Tokyo (Japan) para Viracopos (Brasil). Mas no conhecimento aéreo não consta qualquer informação sobre providências específicas para proteção ou tratamento das cargas. A partir dessa descrição, concluo que a razão deve assistir a recorrente e procurarei expor as razões desse meu entendimento. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Primeiramente, sublinho que a avaria registrada pela autoridade aduaneira foi atribuída à chuva a que as caixas de papelão ficaram submetidas. A causa do suposto dano às mercadorias foi atribuída à chuva ocorrida após o desembarque das cargas. Essa causa não é questionada pelas partes. Com essa delimitação, ficam excluídas as inúmeras hipóteses alternativas de que a umidade nas mercadorias teria sido causada por outro fator que não a chuva, e que teria sido causada em outro momento que não após o desembarque das cargas e já dentro do aeroporto alfandegado. Pois bem, senhores conselheiros, prossigamos. A área do aeroporto internacional está submetida a regras especiais para o tratamento das cargas provenientes do exterior. Depois de desembarcadas, nenhum dos operadores logísticos pode dar destinação à carga, ou à mercadoria, sem o monitoramento, controle ou autorização das autoridades aduaneiras. Por exemplo, o transportador não pode movimentar a carga desembarcada para seu próprio depósito, ou retornar para a aeronave, ou retirála do área alfandegada, sem autorização aduaneira. Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto 6.759, de 2009): Art. 5o Os portos, aeroportos e pontos de fronteira serão alfandegados por ato declaratório da autoridade aduaneira competente, para que neles possam, sob controle aduaneiro: I estacionar ou transitar veículos procedentes do exterior ou a ele destinados; II ser efetuadas operações de carga, descarga, armazenagem ou passagem de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas; e III embarcar, desembarcar ou transitar viajantes procedentes do exterior ou a ele destinados. ... Art. 8o Somente nos portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados poderá efetuar se a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 34, incisos II e III). ... Art. 56. Os agentes ou os representantes de empresas de transporte aéreo deverão informar à autoridade aduaneira dos aeroportos, com a antecedência mínima estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os horários previstos para a chegada de aeronaves procedentes do exterior. Art. 57. Os volumes transportados por via aérea serão identificados por etiqueta própria, que conterá o nome da empresa transportadora, o número do conhecimento de carga aéreo, a quantidade e a numeração dos volumes neste compreendidos, os aeroportos de procedência e de destino e o nome do consignatário. Art. 58. As aeronaves procedentes do exterior que forem obrigadas a realizar pouso de emergência fora de aeroporto alfandegado ficarão sujeitas ao controle da autoridade aduaneira com jurisdição sobre o local da aterrissagem, a quem o responsável pelo veículo comunicará a ocorrência. Parágrafo único. A bagagem dos viajantes e a carga ficarão sob a responsabilidade da empresa transportadora até que sejam satisfeitas as formalidades de desembarque e descarga ou tenha prosseguimento o vôo. Art. 59. As aeronaves de aviação geral ou não engajadas em serviço aéreo regular, quando procedentes do exterior, ficam submetidas, no que couber, às normas desta Seção. Parágrafo único. Os responsáveis por aeroportos são obrigados a comunicar à autoridade aduaneira jurisdicionante a chegada das aeronaves a que se refere o caput, imediatamente após a sua aterrissagem. ...... Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10831.013183/200789 Acórdão n.º 3401003.161 S3C4T1 Fl. 5 7 Art. 63. A mercadoria descarregada de veículo procedente do exterior será registrada pelo transportador, ou seu representante, e pelo depositário, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1º O volume que, ao ser descarregado, apresentarse quebrado, com diferença de peso, com indícios de violação ou de qualquer modo avariado, deverá ser objeto de conserto e pesagem, fazendose, ato contínuo, a devida anotação no registro de descarga, pelo depositário. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º A autoridade aduaneira poderá determinar a aplicação de cautelas fiscais e o isolamento dos volumes em local próprio do recinto alfandegado, inclusive nos casos de extravio ou avaria.(Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Uma carga pode permanecer em pátio, sem ter sido entronizado no armazém, mas também estará sob controle aduaneiro e sob responsabilidade do Aeroporto. O sistema MANTRA prevê que essas situações sejam registradas, sob pena de serem consideradas irregulares e ensejarem penalidades ao transportador, ou ao agente de carga, ou mesmo à administração da infra estrutura aeroportuária. O transportador registrou no MANTRA a permanência da carga aguardando no pátio do aeroporto para ser recepcionada pelo depositário, neste caso. De fato, o transportador permanece com a custódia da carga não recepcionada pelo depositário. Contudo, para a apuração da responsabilidade tributária por avaria ou dano na carga e na mercadoria nessa situação, a meu ver, deve ser apurada com cuidado. O artigo 60, parágrafo único do Decretolei n. 37, de 1966, é claro: a responsabilidade por extravio ou danos é de quem lhe deu causa. Na situação aqui descrita, o transportador não tinha opção para evitar a submissão á chuva, a não ser a oferecida pela administração do aeroporto, com sua infraestrutura e funcionalidades de apoio (qual seja: permanecer em pátio sem proteção contra as condições climáticas) , e a oferecida pelo depositário, com sua infraestrutura e funcionalidade de apoio (qual seja: permanecer fora do depósito, em área desguarnecida de proteção contra a condições climáticas, por um tempo superior ao razoável). O transportador foi ao depositário para efetuar a entrega da carga, mas este não a aceitou momentaneamente. Durante este tempo de espera, o transportador não teve condições ou opção para esperar o recepcionamento em local protegido da chuva. Se fosse um caso de extravio, muito provavelmente o transportador teria que explicar por que isso ocorreu com as cargas sob sua custódia. Mas, não, aqui temos um caso de avaria. O dano ou avaria, neste caso, está inequivocamente ligada à chuva que o transportador não pode evitar por que o depositário não cumpriu com a expectativa de recebê la no momento em que a carga havia sido oferecida a ele. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Tenho como certo que essa situação exclui a responsabilização do transportador pelo dano. Ele não tinha alternativa para evitar a causa do dano. A meu ver, é de se aplicar a inteligência do disposto no artigo 595 do Regulamento Aduaneiro vigente na época. Com essas considerações, proponho a este Colegiado dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 12448.735832/2011-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9202-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Realizou sustentação oral: Representante da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 58 32 /2 01 1- 31 Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Realizou sustentação oral: Representante da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente a crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativo aos anoscalendário 2006 e 2009, em face do contribuinte ROGÉRIO PESSOA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, no montante de R$ 4.721.418,31, sendo R$ 1.669.953,58, de imposto; R$ 546.534,36 de juros de mora calculados até 30/11/2011 e R$ 2.504.930,37 de multa proporcional calculada sobre o principal. De acordo com o termo de verificação fiscal (fls. 1027 a 1072), a fiscalização teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ n° 30.306.294/000145, de propriedade do sócio ROGÉRIO PESSOA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, que detinham todas as ações do Banco Pactual. Assim, descreveu o Auditor: A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ nº 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Pedro Batista de Lima Filho, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A pertencentes ao acionista Pedro Batista de Lima Filho da ordem de 4.855.120%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 92,01% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao ano calendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tão somente a Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactual S.A (controladora direta do Banco Pactual S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactual S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactual S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de “Pagamento Diferido”. Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”. Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no ano calendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A é incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 4 5 Também nesta data, a Nova Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactual S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda, Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 5.557.586,08, correspondente a 0,65% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídico contábil financeiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de “empresas de papel” (holdings) tão somente para não pagar imposto de renda sobre Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 5 7 ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Com os procedimentos adotados pelos ex acionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos 1 o e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, II, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – Processo nº 12448.735834/201121, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Em decorrência do procedimento adotado pelo recorrente, o aumento de capital da pessoa jurídica incorporada com os lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício em que ocorreu a incorporação (sem que estes restassem capitalizados ao fim do processo de reorganização societária) possuiria a finalidade de inflar os lucros isentos. Com isso, o benefício fiscal de isenção seria, indevidamente, maior do que o de possível fruição. Foi proferida decisão pela 21ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, fls. 1219 a 1246, que manteve a autuação do IRPF nos anos calendários 2006 e 2009. Inconformado o recorrente apresentou recurso voluntário, abaixo transcrito (é incluída transcrição de parte do acórdão recorrido): Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. · É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. · É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. · Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Em sessão plenária de 19/11/2013, foi concedido provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, prolatandose o Acórdão nº 2201002.276 (fls. 1306 a 1322), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2009 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS HOLDINGS INCORPORADAS. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na incorporação societária, é indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados pela empresa investida (operacional) e refletidos nas investidoras (holdings) na apuração do Método de Equivalência Patrimonial, por se tratar dos mesmos lucros da investida e das investidoras holdings. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. DOLO. ELEMENTO SUBJETIVO. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 6 9 A multa de oficio de 75% é objetiva e decorre do tipo legal (lei), é imposta com culpa ou dolo genérico, não se afere a conduta do agente. Na multa qualificada de 150% exigese a comprovação do aspecto subjetivo do infrator, ou seja, dolo específico, o ardil, a vontade livre, consciente, deliberada, premedita de sonegar. A diferença entre o elementos objetivo do tipo e subjetivo da conduta consiste na intensidade dolosa para permitir a qualificação da penalidade. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Devidos os juros de mora sobre a multa de oficio, na esteira dos precedentes da Câmara Superior deste Conselho e do C. Superior Tribunal de Justiça. Foi dada ciência à PGFN, que interpôs Recurso Especial fls. 1324 a 1341. Conforme despacho fls, 1343 a 1353, não foi dado seguimento ao recurso interposto pela ausência de similitude fática entre as situações apreciadas nos acórdãos recorrido e paradigma. Devidamente cientificado da decisão proferida, o contribuinte interpôs Recurso Especial, fls. 1367 a 1486. De acordo com o recorrente, o Acórdão teria divergido em relação à forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital na operação de alienação da participação societária no Banco Pactual S/A, comparativamente ao decidido no Acórdão CARF nº 210201.938, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Por sua vez, em relação aos juros sobre multa de ofício, foram apresentados os paradigmas: Acórdãos CSRF 0203.133 e 180200.981. Acórdão paradigma CSRF 0203.133 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2003 COFINS. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação em que há a antecipação do pagamento, aplicase o artigo 150 §4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. Em respeito ao principio da economia processual, se determinada questão é afeta diretamente ao processo administrativo fiscal em curso, deve ser conhecida e enfrentada de pronto. Desnecessário se aguardar outro momento futuro para fazêlo. ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. FATOS GERADORES A PARTIR DE 1°/01/97. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” (destaques do Recorrente) O recurso especial foi regularmente admitido, em relação às duas matérias suscitadas: (a) forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital e (b) juros de mora sobre a multa de ofício, conforme despacho de fls. 1491 a 1495. No que concerne às alegações de mérito no Recurso Especial, o Contribuinte repisa os argumentos apresentados em seu recurso voluntário, porém ressalta que, pelas autuações, não haveria divergência pela fiscalização quanto ao fato de o custo dos investimentos dos acionistas não poder ser realizado como feito. Destaca que a forma da quantificação do ganho de capital tem variado de uma fiscalização para outra, mostrando a precariedade dos argumentos utilizados pela RFB ao promover os lançamentos. Essa diversidade de critérios na quantificação do ganho de capital dos acionistas evidenciaria que o lançamento se baseou exclusivamente no efeito econômico gerado pela reestruturação, e não na lei, violando o princípio da legalidade. Por fim, requer que fosse reformado o Acórdão Recorrido e cancelado o auto de infração. Subsidiariamente, requer que fossem canceladas as multas e juros de mora, com base no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a observância plena, pelo recorrente, da Instrução Normativa SRF 84/2001. Relativamente ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, fls. 1497 a 1512, onde sinteticamente requer que seja negado provimento ao Recurso Especial do contribuinte, argumentando: Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 7 11 Primeiramente, importante transcrever o art. 135 do RIR/99, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de dividendos não repassados aos sócios: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das quotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou quotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. A equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto. Em outras palavras, o contribuinte capitalizou uma empresa com um lucro ou reserva de capital que já foi utilizado. Isso somente ocorreu, repitase, porque o recorrente tratou de forma autônoma o patrimônio das controladoras e das controladas mesmo havendo, é bom frisar, a apuração de lucros por equivalência patrimonial. Pensar dessa forma é totalmente ilógico e incoerente com o próprio método da equivalência patrimonial. O objetivo do art. 135 do RIR/99 é assegurar uma espécie de compensação ao contribuinte que optou por não receber os dividendos da empresa para reinvestir esse capital na pessoa jurídica. Assim, diminuirseia da base de cálculo do IRPF, que seria utilizada na apuração de eventual ganho de capital, o valor dos lucros e reservas de capital utilizados no aumento do capital social da empresa. Portanto, contraria o sentido e a lógica dessa norma o aproveitamento em duplicidade de lucros e reservas de capital para aumentar o custo de aquisição de ações de uma empresa. Não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento. Uma simples análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. É o relatório. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1491 a 1495. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito I Interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, bem como a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS. Considerando os diversos fatos narrados pela autoridade fiscal, a vasta argumentação trazida tanto pelo recorrente como pela procuradoria da Fazenda Nacional, podemos identificar que não se trata de matéria simples, exigindose estudo detalhado. Embora a referida matéria seja complexa, já foi objeto de debates intensos neste Colegiado, com sustentações das partes e discussões que muito corroboraram a decisão já proclamada em outros processos, envolvendo fatos semelhantes. É neste ponto que peço licença ao ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, para adotar seu voto como fundamento para o presente julgamento. Considero que o relator conseguiu brilhantemente demonstrar, no trecho abaixo transcrito – que adoto como razão para decidir –, a interpretação adequada do art. 135 do RIR, que vai no sentido contrário ao defendido pelo contribuinte, ora recorrente. "O cerne da questão é identificar se a legislação aplicável no caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica, bem como a Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 8 13 Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 9 15 com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 10 17 sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); Nesse ponto, convém retratar a aplicação do voto do ilustre Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, ao caso ora em análise, já que em relação a cada um dos sócios procedeu a fiscalização o levantamento das diferenças entre os valores declarados como ganho de capital para fins de cálculo do imposto devido, comparandoos com o valor real do ganho excluídas as capitalizações realizadas em cadeia. Senão vejamos: A autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpretadas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 5.557.586,08, o valor do custo das Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 11 19 ações do autuado, correspondente a 0,65% do total do acervo líquido da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), líquido dos dividendos distribuídos (demonstrativos de e fls. 13 a 46). Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que no que diz respeito aos aumentos de custo decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006 em Nova Pactual Participações Ltda. (NPP) e Pactual S/A (PSA), respectivamente nos valores de R$ 8.117.624,00 e R$ 6.474.56800 (vide demonstrativos de e fls. 20 a 46), ambos deveriam ter sido glosados. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. Nesse sentido, concluiu no referido processo, que trata das mesmas questões aqui expostas, que de fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas no anocalendário de 2006 não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito a partir do valor concedido pela fiscalização (R$ R$ 5.557.586,08) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicandose assim o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de aproximadamente R$ 2,11(milhões), conforme a seguir apurado: ( ) Custo considerado pelo autuado por ele informado 16,69 () Aumento de custo pela 1a capitalização 8,11 () Aumento de custo pela 2a capitalização 6,47 (=) Custo original a ser aceito conforme procedimento do conselheiro 2,11 () Custo considerado conforme critério do autuante 5,56 (=) Custo considerado a maior 3,45 Obs.: Informações extraídas do Termo de Verificação Fiscal (apresentadas em R$ milhões) Reparase que o valor acima calculado é muito inferior ao referido montante de R$ 5.557.586,08, considerado como custo na apuração do ganho de capital pela autoridade autuante, o que torna despiciendo buscar qualquer ajuste nesse valor. Quanto à alegação de erro na base de cálculo pela fiscalização ter aplicado critérios distintos, entendo que o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos bem esclarece a forma que o cálculo deveria ser realizado. Apesar de a adotada pela fiscalização ter beneficiado o contribuinte, de forma alguma desnaturou o lançamento. A autoridade fiscal identificou a base de cálculo, conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual, e compensou o valor tempestivamente recolhido pelo sujeito passivo. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 Aliás, quanto a possíveis alegações de alteração do critério jurídico, também bem colocou o Dr. Luiz Eduardo na sequência de seu voto, que novamente transcrevo como razões de decidir: Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias, ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada. iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. [...] a.IV – Conclusão Como a exigência original foi apenas de parte do valor que este conselheiro, nos termos da fundamentação deste voto, entende devido, e considerando a impossibilidade de reformatio in pejus voto por NEGAR provimento ao recurso especial de iniciativa do contribuinte, para manter o crédito tributário reconhecido como devido pela decisão a quo, inclusive a multa de ofício no patamar mantido pelo acórdão recorrido, bem como a incidência de juros de mora sobre o principal e sobre a mencionada multa. Assim, concluindo, verificase que o recorrente aumentou o custo de aquisição de sua participação, por meio de artifícios contábeis que tiveram como única origem o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Houve o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual, evidenciando, dessa feita, a elevação artificial do custo de alienação das ações. De fato, a mesma riqueza representou aumento do custo de aquisição mais de uma vez, reduzindo o ganho de capital e, por consequência, o pagamento do imposto de renda. Cito aqui conclusão do ilustre conselheiro Eduardo Farah, no Acordão nº 2201002.638, que resume, com propriedade, a solução para o caso em tela: "Concluise, pois, que o recorrente majorou artificialmente o custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 12 21 equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, já que seu propósito era de fato reduzir o montante de seu ganho de capital e consequente imposto incidente sobre essa alienação. Essa premissa fica mais evidente quando se constata que os aumentos de capital tiveram origem em um único fato econômico, o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico." Quanto à alegação de erro na base de cálculo pela fiscalização ter aplicado critérios distintos, entendo que o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos bem esclarece a forma que o cálculo deveria ser realizado. Apesar de a adotada pela fiscalização ter beneficiado o contribuinte, de forma alguma desnaturou o lançamento. A autoridade fiscal identificou a base de cálculo, conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual, e compensou o valor tempestivamente recolhido pelo sujeito passivo. Pelo exposto, não há reparo na decisão recorrida, neste ponto, devendo ser expurgados os efeitos das seguidas capitalizações nas participações, tendo em vista que a operação implicaria capitalização duplicada sem fundamentação econômica. Assim, não há razão ao contribuinte, ora recorrente. Quanto ao cancelamento da multas e juros de mora, com base no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Em relação a não aplicação de penalidade e juros de mora, novamente, adoto o entendimento já explicitado no acórdão referido acima, que assim, apreciou a questão: "que a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada." Dessa forma, também nego provimento ao recurso especial do contribuinte, nesta parte. II Juros sobre multa de ofício Alega o contribuinte que seria ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Diferentemente, entendo que não lhe assiste razão, conforme decidido no acórdão recorrido. Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12448.735832/201131 Acórdão n.º 9202003.766 CSRFT2 Fl. 13 23 da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Entendo aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, adotando os precedentes citados como fundamento para decidir. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por conhecer do RECURSO especial do contribuinte, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.729226/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 92 26 /2 01 2- 16 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.729226/201216, em face do acórdão nº 1270.784, julgado pela 20ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 3 de dezembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Foi lavrada Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 05/08) relativo ao exercício de 2010, ano calendário 2009, a qual resultou na apuração de imposto de R$ 8.341,46 sujeito à multa de mora de 20% e juros de mora. Conforme consta da descrição dos fatos, foi apurada compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 8.341,46, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras INSS, Prefeitura de Salvador e Departamento de Engenharia e Construção em DIRF. Cientificado do lançamento em 03/07/2012 (fl.11), o contribuinte apresentou, em 30/07/2012, a impugnação de fl. 02 na qual informa, em síntese, que equivocadamente informou os rendimentos recebidos no ano calendário de 2010 na declaração do exercício 2010, ano calendário 2009. Tendo em vista o disposto no art. 1º da IN RFB nº 1.061/10, os documentos apresentados e as questões de fato alegadas foram analisados pela autoridade lançadora sendo lavrados Termo Circunstanciado e Despacho Decisório (fls. 33/36) o qual considerou verossímil a alegação de erro no preenchimento da declaração uma vez que verificou a entrega de DIRPF/2011 na mesma data e poucos minutos depois da entrega da DIRPF/2010 retificadora objeto do lançamento. Além disso, em consulta ao sistema DIRF verificouse que os valores declarados na DIRPF/2010 retificadora são exatamente iguais aos declarados na DIRPF/2011, observando ainda não haver DIRF da fonte pagadora Departamento de Engenharia e Construção para o ano calendário 2009. Assim, a autoridade fiscal entendeu que quanto às fontes pagadoras INSS, Prefeitura de Salvador que o lançamento deveria ser alterado para os valores informados na DIRPF/2010 original. Entretanto, quanto aos rendimentos relacionados à Secretaria Municipal Des Urbano Habit Meio Ambiente manteve o lançamento do valor declarado.Como resultado o imposto (0211) foi reduzido para R$ 2.788,03. A ciência ocorreu em 22/08/2014 (fl. 41), não tendo o Contribuinte se manifestado. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10580.729226/201216 Acórdão n.º 2202003.289 S2C2T2 Fl. 65 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 57/58, onde reitera os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. O recurso voluntário de fls. 57/58 foi apresentado em 24/02/2015, conforme se verifica pelo carimbo da Receita Federal (CAC/DRF/SDR), bem como pelo Extrato do Processo de fl. 60. No presente caso, a ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 13/01/2015, conforme fl. 55. Assim, considerandose que o contribuinte tomou ciência do resultado do acórdão ora recorrido em 13/01/2015 (terçafeira), iniciase o prazo recursal em 14/01/2015 (quartafeira), tendo por término em 12/02/2015 (quintafeira). Logo, temse que o recurso voluntário apresentado em 24/02/2015, doze dias após o término do prazo recursal, é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecido. Importa destacar que o contribuinte foi cientificado por AR no endereço "Avenida Sete de Setembro, nº 1514, apto. 1302, bairro Campo Grande, SalvadorBA", que foi o endereço informado em DAA (fls. 12/21), sendo o endereço que o contribuinte recebeu a notificação de lançamento (AR de fl. 11) e de despacho decisório (AR de fl. 41). Não há notícia nos autos que o contribuinte tenha alterado o seu endereço, tampouco alega em preliminar de tempestividade. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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