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Numero do processo: 11080.013546/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Atraso na Entrega de DIPJ. Impossibilidade de Cumprimento Tempestivo da Obrigação. Multa.
Comprovada a impossibilidade, por razões excepcionais, de entrega da DIPJ no prazo estabelecido pela legislação, não cabe a multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1301-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular os Acórdãos 1103-000.803 e 1301-002.735; e, (ii) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO TEMPESTIVO DA OBRIGAÇÃO. MULTA. Comprovada a impossibilidade, por razões excepcionais, de entrega da DIPJ no prazo estabelecido pela legislação, não cabe a multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular os Acórdãos 1103000.803 e 1301002.735; e, (ii) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 35 46 /2 00 7- 89 Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 678 2 Relatório Tratase de embargos opostos pelo Conselheiro Roberto Silva Junior, contra o Acórdão nº 1301002.735 (fls. 669 a 673), que deu provimento aos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, a fim de eliminar contradição entre a parte dispositiva do acórdão e o voto do relator. As razões dos embargos estão descritas na petição de fls. 674 a 675, abaixo reproduzidas: ROBERTO SILVA JUNIOR, Conselheiro da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF, relator do processo em epígrafe, vem à presença de V.Sª, com fulcro no art. 65, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com base nas razões de fato e de direito, que abaixo passa a expor. O processo 11080.013546/200789 tem por objeto a cobrança de multa por atraso na entrega de DIPJ, no valor de R$ 1.194.633,59. A multa foi mantida em primeira instância e, por isso, houve recurso, ao qual o CARF, no Acórdão nº 1103 000.803, deuse provimento. A Procuradoria da Fazenda Nacional, porém, entendendo haver contradição interna no acórdão, opôs embargos. A contradição estava na divergência entre o resultado do julgamento e a parte final do voto condutor da decisão. Enquanto o primeiro, expressamente, falava em negar provimento, a segunda, também de forma expressa, falava em dar provimento ao recurso. A contradição foi resolvida pelo Acórdão nº 1301002.735, que, a despeito de ter eliminado uma contradição, acabou criando outra. É que, pelo Acórdão nº 1301 002.735, o Colegiado entendeu que a contradição havia de ser elidida, corrigindose o resultado do julgamento para, assim, prover o recurso. Ocorre que o referido resultado (no Acórdão nº 1103000.803) nada mais fazia do que reproduzir o exato teor da Ata da 163ª Sessão Ordinária, que testificava que o Colegiado, por unanimidade de votos, negara provimento ao recurso. Claro está que o Acórdão nº 1301002.735 tem efeito modificativo, já que alterou a decisão que constava da ata. Todavia, a despeito de ter alterado a decisão, consta do resultado do julgamento, assim como da parte final do voto do relator, a assertiva de que a contradição fora eliminada sem efeitos infringentes. É neste ponto que reside a contradição que dá ensejo a estes embargos. Se foi alterado o resultado do julgamento (que estava em conformidade com ata da sessão) pelo Acórdão nº 1301002.735, o efeito por este produzido é modificativo. Sendo clara a contradição, e sendo ela uma contradição interna, cabem embargos para sanar o vício. Por essas razões, pedese a V.Sª que os embargos sejam admitidos, devolvendo os autos ao relator, para que, posteriormente, o processo seja incluído em pauta de julgamento, a fim de que o Colegiado elimine o vício aqui apontado. Nesses termos, espera deferimento. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 679 3 Os embargos foram admitidos pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária, nos seguintes termos: Tendo em vista o teor dos embargos opostos pelo próprio Conselheiro Relator a respeito de contradição no Acórdão 1301002.735, ADMITO os embargos opostos. Encaminhemse os autos ao Conselheiro Roberto Silva Junior para relato e inclusão em pauta de julgamento. (fl. 676) É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O Acórdão nº 1103000.803, embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, continha uma nítida contradição: a parte dispositiva do acórdão conflitava com a conclusão do voto do relator. Enquanto a primeira falava em negar provimento ao recurso por unanimidade, o segundo provia o recurso. A análise do problema, sob o aspecto puramente lógico, indicava que o erro estava na parte dispositiva do acórdão, pois o recurso não poderia ser indeferido por unanimidade, se o próprio voto do relator lhe dava provimento. Assim, no pior cenário para a recorrente, terseia uma decisão, por maioria de votos, negando provimento ao recurso, nunca por unanimidade. Ademais, nessa hipótese, algum conselheiro seria designado para redigir o voto vencedor, do que não há qualquer referência. Entretanto, examinando a ata da sessão de julgamento, constatase que o resultado ali consignado é o não provimento do recurso. A ata, em tese, reflete o que foi discutido e deliberado pelo colegiado. Além disso, a partir de sua publicação, ela fica sujeita a embargos e impugnações, o que não ocorreu no caso concreto. Sendo assim, e não existindo nenhum fato ou circunstância a demonstrar erro no conteúdo da ata da sessão de julgamento, o que deve prevalecer é o que nela está consignado. Portanto, a correção a ser feita recai sobre o acórdão e o voto. Porém, para corrigir a incongruência existente entre a ata da sessão e o voto do relator, seria necessário refazer por completo o voto, trazendo novos fundamentos de fato e de direito, os quais, talvez, não correspondam ao que, na ocasião, foi efetivamente debatido pelos então conselheiros. O problema se mostra impossível de corrigir, sem proceder a novo julgamento. Impõese, por conseguinte, a anulação tanto do Acórdão nº 1103000.803, quanto do Acórdão nº 1301002.735, para que seja novamente julgado o recurso voluntário interposto por VALE TRADING S/A. Síntese da controvérsia A controvérsia foi assim resumida no relatório da DRJ: Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 680 4 Tratase de impugnação ao auto de infração, o qual tem por fundamento a entrega intempestiva da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, entregue em 11/05/2006, sendo 30/06/2005 o termo final para o cumprimento da obrigação acessória (fl. 118 do processo em papel). O valor exigido é de R$ 1.194.633,59. A ciência do auto de infração deuse em 1º/11/07 (fl. 119 do processo em papel). A contribuinte apresentou impugnação em 03/12/2007 (fls. 0109 do processo em papel), alegando, em síntese: (a) a incapacidade de apresentar a DIPJ no prazo estabelecido, em virtude da indisponibilidade da maioria da documentação de prova, imprescindível para a contabilização dos atos e fatos relativos ao anocalendário 2004 faz transcrições do "relatório de encerramento de ação fiscal" do processo administrativo 11080.009495/200618, concernente ao contribuinte Sr. Roberto Coimbra Frabbrin, sócio responsável da autuada, relatando que: (1) este fora preso em 11/04/2005, ocasião na qual toda a documentação atinente à pessoa física deste sócio, bem como a documentação fiscal da interessada, fora apreendida pela Polícia Federal e (2) tal documentação ainda estava retida em 20/02/2006, sendo presumivelmente liberada até 30/04/2006; (b) a inconsistência do lançamento fiscal em virtude dos acontecimentos que precederam o prazo da entrega da DIPJ 2004/2005 em abril de 2005 os registros contábeis ainda estavam em fase de conciliação, não sendo possível concluílos em face da apreensão de sua documentação. Afirmou que o Sr. Roberto Coimbra Fabbrin esteve aprisionado de abril a dezembro de 2005, estando impossibilitado de buscar qualquer meio para entregar a DIPJ. A partir de sua soltura, passou a atuar junto à Justiça Federal para obter a documentação necessária para a finalização da contabilização da DIPJ 2004/2005. Juntou cópias de mandados de busca e apreensão n°s 34/05 (fl. 14) e 22/05 (fL 15), de auto de apreensão relativo à "operação tango", datado de 11/04/2005 (fls. 1520), mandado de intimação (crime) do qual é sujeito o Sr. Luis Carlos de Almeida Abadie (fl. 21) e auto de apresentação e apreensão referente ao mandado de busca e apreensão 22/05, datado de 25/04/05 (fls. 22117). Em 21/12/2009, esta 1ª Turma de Julgamento determinou a realização de diligência (fls. 132133), fundamentada nos seguintes termos: É fato inconteste que a documentação da interessada foi apreendida em abril de 2005. Entretanto, não ficou comprovado nos autos que tal documentação esteve indisponível à autuada, impossibilitando a apresentação da DIPJ 2004/2005. É razoável suporse que tenha sido entregue ao procurador da contribuinte cópia do material apreendido, a fim de possibilitar a si, ao seu sócio responsável, ou mesmo ao seu contador o exercício do direito de defesa. Cabe lembrar que à época da apreensão da documentação eram sócios da contendora, além do Sr. Roberto Coimbra Fabbrin, os Srs. Alberto Luiz Ulguim e Cristiano Freire Amorim (fls. 122125). Tais sócios teriam direito e dever de solicitar as referidas cópias, a fim de exercer o seu direito de defesa (seu direito) e cumprir obrigações tributárias principais e acessórias (seu dever). Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 681 5 A fim de esclarecer a situação, proponho o encaminhamento dos autos à Delegacia de origem para que esta, juntando cópia da documentação pertinente, como as petições e os despachos que se refere a eles, informe se houve, por parte da autuada ou de seu procurador, a solicitação de cópia do material apreendido. Caso positivo, informe a data da solicitação e a data em que o material foi disponibilizado ou do despacho que negou o pedido. Em decorrência, foram juntados os documentos das fls. 138 a 245, foi exarado relatório descritivo (fl. 246) e foi reaberto o prazo para a manifestação da autuada, que, às fls. 252254, afirmou, em síntese: (a) os livros Diário e Razão do ano de 2004 que foram apreendidos pela Policia Federal, ainda não estavam totalmente encerrados; estavam por ser entregues dia 11 de abril 2005, conforme correspondência de 08/04/2005, só não acontecendo porque a Policia Federal apreendeuos juntamente com as demais documentações do escritório contábil; (b) o Juiz da 1ª Vara Federal Criminal SFN e JEF Criminal de Porto Alegre, informou (fl. 137) que os livros de 2004 não haviam sido apreendidos na Operação Tango; entretanto, o Sr. Delegado de Policia Federal, no Oficio 6972.760.04/2005 NUFIN/DRCOR/SR/DPF/RS, de 30/06/2005 (fl. 139), afirmou que os livros Diário e Razão do ano calendário de 2004 encontramse apreendidos nos autos do processo 2004.71.00.0371334, que se encontra na 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre, e no Oficio n° 912/05, de 14/07/2005, o Diretor da Secretaria da 1ª VFC, informa que o pedido ficou prejudicado, porque não houve apreensão dos originais dos livros Diário e Razão do ano 2004 (fl. 141), corretamente; (c) o Relatório de Fiscalização informou que foi apresentado o livro Razão do 1º semestre de 2004, em 2005, e as intimações feitas durante aquele procedimento fiscal, a partir de 11/04/2005, não puderam ser atendidas em razão da prisão do Sr. Roberto Fabbrin e a do contador da Vale; (d) em 28/07/2005, fls. 226, a DRF em Santa Maria encaminhou à DRF em Palmas/TO cópias de seus livros contábeis, por haver a anexação dos originais dos livros no Processo 11060.002066/200569 e oito volumes referentes aos originais de oito livros contábeis, apensados ao Processo 11060.002065/200514; (e) tendo em vista a prisão do Sr. Roberto Frabbrin e a do Sr. Luiz Carlos Abadie, contador, a DRF Palmas encontrou a sociedade Vale Palmas com as portas fechadas, e a declarou inapta; por esse motivo, não recebeu os documentos, e era impossível à sociedade inepta (sic) apresentar declarações; por isso, não foi possível finalizar os livros Diário e Razão do ano de 2004 e nem apresentar a declaração; somente quando mudou sua sede para São José/SC, foi e homologado o pedido de ativação de seu CNPJ, pode apresentar as declarações em atraso; (f) os dois Diretores citados por esta Delegacia de Julgamento, Valdemar Alta Júnior, e Alberto Luiz Ulguim foram excluídos da sociedade, respectivamente, em 13/11/2003, e em 12/08/2004; (g) que os documentos referentes ao ano de 2004, encontramse, ainda, apreendidos, até o trânsito em julgado da ação penal. A DRJ POA indeferiu a impugnação, ao argumento de que não tinha sido comprovada a situação impeditiva do cumprimento tempestivo da obrigação acessória. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 682 6 Interposto recurso, foram reiterados os argumentos já trazidos na impugnação. Sustentou a recorrente que, mesmo depois de o diretor Roberto Coimbra Fabbrin ter sido solto, permaneceu impossível apresentar a DIPJ, tendo em vista a apreensão dos documentos. O problema foi assim descrito no recurso: 47) Mesmo depois que foi solto, o Sr. Roberto Coimbra Fabbrin tentou obter documentos, na Justiça Federal Criminal de Porto Alegre, todavia sempre havia impedimentos, pois a ação penal encontravase, ainda, na fase de instrução, acareação, interrogatórios, não sendo liberada qualquer documentação, meio de prova das acusações. Quando, entretanto, conseguiu chegar até os documentos, verificou que estavam em péssimo estado, em completa desorganização, o que, num processo de mais de 40.000 folhas, é como "achar agulha num palheiro" qualquer documento específico que se procure, dificultando sobremaneira a retirada de documentos que se procurava; 48) Qualquer prazo que o contribuinte tivesse de atender, nesse período entre 11/04/2005 e o ano de 2006, estaria fatalmente prejudicado: de 11/04/2005 a 22/12/2005, por estar em poder do Estado, PRESO, privado de seus direitos civis, sem bens, sem saldo bancário e com os documentos da Recorrente e os seus próprios apreendidos; de 23/12/2005 até o primeiro mês do ano seguinte (2006), embora livre, nada havia mudado, não possuía bens e nem saldo bancário, sem acesso aos documentos apreendidos, além de desconhecer que, em 26/01/2006, a DRF Palmas/TO havia protocolado o Processo n° 10746.000071/200646, com intuito de declarar a inaptidão da VALE TRADING S/A, ocorrida em 10/04/2006, com a publicação do ADE n° 10, mas com efeitos à data do protocolo desse processo, em 26/01/2006 (doc. 17); 49) A Recorrente tentou obter os documentos apreendidos, durante todo o ano de 2006 até meados de 2007, quando, aos poucos, conseguiu ir liberando alguns documentos, o que começou a acontecer no final de abril de 2006, havendo farta documentação, ainda, que se encontra sob o poder da Justiça Federal Criminal de Porto Alegre. A entrega da DIPJ2005 foi feita somente em 11/05/2006, quando o contador conseguiu finalizar a contabilização com os documentos liberados com parcimônia, assim, obtidos aos poucos, e porque acabou por localizar uma cópia do programa de contabilidade, mas com dados incompletos, e juntandoos conseguiu apresentar a DIPJ2005, que foi retificada logo após a reativação da inscrição cadastral. Foi por pura sorte que conseguiu transmitir a DIPJ2005 (Recibo 06.82.86.47.3126), porque ficou tentando até conseguir, embora a partir de 10/04/2006, com a publicação do Ato Declaratório de Inaptidão, o sistema da Receita tivesse de impedir a transmissão; (grifos do original) (fls. 286 a 287) Aduziu ainda a recorrente que o óbice a impedir a entrega da DIPJ dentro do prazo era motivo de força maior. Por último, acusou a inobservância, dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Com essas ponderações, pugnou pelo cancelamento do débito. Impossibilidade do cumprimento da obrigação acessória A controvérsia, como se vê, gira em torno de definir se a entrega da DIPJ depois do prazo fixado na legislação pode ser considerada, diante das circunstâncias do caso concreto, como cumprimento em atraso da obrigação acessória e, consequentemente, se é cabível a aplicação da multa por atraso na entrega da DIPJ, no importe de R$ 1.194.633,59. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 683 7 É preciso, de início, salientar dois fatos incontroversos. O primeiro é a prisão do sócio administrador da recorrente, Roberto Coimbra Fabrini, que foi preso em 11/04/2005 e libertado em 22/12/2005. O outro é a apreensão pela autoridade policial, em cumprimento de mandado da Justiça, de vários documentos da recorrente (fls. 16 a 122). O final do prazo para entrega da DIPJ do exercício 2005 ano base 2004 era 30/06/2005, ou seja, cerca de dois meses e meio depois da prisão do administrador da recorrente e da apreensão de diversos documentos da empresa. A proximidade entre esses dois momentos, a meu juízo, por si só, inviabilizaria o cumprimento do prazo para entrega da DIPJ, salvo se a declaração já estivesse pronta. Mas ninguém é obrigado a ter pronta, com dois meses de antecedência, qualquer declaração para entregar à Receita Federal. Não parece razoável, por outro lado, supor que a recorrente obteria da autoridade policial, em curto prazo, cópia de qualquer documento apreendido, mesmo que fosse para concluir a DIPJ e apresentála à Receita Federal. A apreensão feita pela polícia, no caso em tela, não difere das apreensões que são feitas em situações semelhantes. Não se apreende documento específico. Apreendemse caixas, arquivos, pastas, computadores, pendrives, discos rígidos externos, sem especificar o conteúdo, que só vai ser examinado algum tempo depois. No caso concreto, para ilustrar o que se diz, basta ver a discriminação do material recolhido, em cumprimento do mandado de busca e apreensão, indicada no auto de apreensão de fls. 20 a 25. Nele constam, por exemplo, as seguintes descrições: 264 disquetes, 4 CD's, uma CPU da marca METRON; um HD da marca SAMSUNGSIN 0273J1FR209396; uma caixa contendo em seu interior documentos da empresa VALE TRADING LTDA, competência 01/04 a 12/05; trinta e três pastas pretas com documentos da VALE TRADING S/A. No final do documento se acha a seguinte observação: Referido material foi arrecadado, pela equipe 07, na data de hoje (11/04/2005) em cumprimento Mandado de Busca no escritório de contabilidade pertencente a LUIS CARLOS ABADIE, localizado na Av Julio de Castilhos, n° 596, Cj. 603 e 605, Bairro Centro, Porto Alegre/RS. E encontramse acondicionados em seis malotes da Polícia Federal, lacrados sob os números 0014781, 001482, 0014787, 0014788, 0014789 e 0014785. (g.n.) (fl. 25) Como se percebe, a documentação apreendida foi acondicionada em malotes lacrados pela própria autoridade policial, para posterior exame. É possível inferir que nenhum documento seria devolvido, e nenhuma cópia seria fornecida à recorrente, antes de a documentação ser analisada pela autoridade policial, o que, a julgar pelo volume de documentos, não ocorreria em menos de dois meses. É patente, portanto, que a prisão do administrador da recorrente e a apreensão dos documentos inviabilizariam o cumprimento da obrigação acessória dentro do prazo, embora a recorrente permanecesse jungida ao dever de entregar a DIPJ, como de fato o fez em 11/05/2006. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 684 8 Temse aqui, a meu ver, uma impossibilidade temporária do cumprimento da obrigação acessória, que, não exonerando a recorrente do dever de entregar a DIPJ, afastou a mora. Cabe invocar, a propósito, a lição do jurista Orlando Gomes: A rigor, somente a impossibilidade definitiva exonera o devedor. A impossibilidade temporária apenas retarda o adimplemento da obrigação. Da natureza transitória do obstáculo resulta que o devedor pode satisfazer, mais tarde, a prestação, salvo em alguns contratos, nos quais é essencial o termo para o cumprimento da obrigação. (Obrigações. Rio de Janeiro: Forense, 2000, 14ª ed, p. 147) Embora se referindo às obrigações contratuais, o entendimento se aplica também às chamadas obrigações tributárias acessórias. Nessa linha, aliás, decidiu o E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região: ADMINISTRATIVO. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA APRESENTAÇÃO DAS DCTFS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CABIMENTO. 1. Estando o contribuinte inadimplente com as suas obrigações tributárias acessórias, sem que haja comprovação da impossibilidade de cumprimento, correta é aplicação da multa em razão do atraso, eis que a realização do lançamento ou a homologação deste é encargo da autoridade administrativa. 2. Quanto à responsabilidade pelas infrações, descabe indagarse acerca da vontade do agente, quando o adimplemento é possível. 3. A prova testemunhal trazida aos autos apenas comprovou a dificuldade na obtenção do formulário específico, situação que, em tese, fora contornada com a aceitação dos mesmos por simples cópia. 4. Apelo da União e remessa providos. Improvido o recurso do autor. (TRF 4 Apelação Cível AC 57.568 RS 96.04.575686, publicada em 06/05/1998) (g.n.) Notese que a decisão do E. TRF deixa ver (a contrario sensu) que, se o contribuinte estivesse comprovadamente impossibilitado de cumprir a obrigação acessória, dele não se poderia exigir multa. No caso em exame, ficou clara a impossibilidade de entrega da DIPJ dentro do prazo, ou seja, até 30/06/2005. Não ficou demonstrado, entretanto, a partir de que momento a recorrente já se encontrava em poder dos documentos necessários para preparar e entregar a DIPJ. Foi determinada uma diligência pela DRJ, em razão da qual veio aos autos uma vasta documentação. Nela, todavia, não existe nenhuma informação capaz de estabelecer com segurança em que momento a recorrente recebeu de volta os documentos apreendidos. Ao contrário, consta um ofício, de 30 de junho de 2005, assinado pelo Delegado Alexandre da Silva Isbarrola com o seguinte teor: Assunto: Ref. Ofício 129/05/DRFSTM/GABINETE Senhor Delegado, Em resposta ao ofício 129/05/DRFSTM/GABINETE, o qual solicita cópia dos livros diário e razão do ano calendário 2004 da empresa Vale Couros Trading SA, informo a Vossa Senhoria que referidos livros encontramse apreendidos nos autos do processo 2004.71.00.0371334, o qual encontrase na 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1301003.208 S1C3T1 Fl. 685 9 Sendo o que tinha para o momento, renovo os votos de estima e consideração. (fl. 146) As informações contidas nos autos, mesmo após a diligência determinada pela DRJ, não permitem dizer com a necessária segurança a partir de que momento passou a ser possível à recorrente entregar a DIPJ do ano base 2004, de forma que é impossível dizer se houve mora e durante quanto tempo. É regra pacífica a de que, na dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, a lei deve ser aplicada de forma mais favorável ao sujeito passivo (art. 112, inciso II, do CTN). Por último, é importante lembrar que, embora depois do prazo fixado pela legislação, a DIPJ foi efetivamente entregue. A obrigação acessória foi cumprida. Por essas razões, a multa de R$ 1.194.633,59 se revela inaplicável, devendo, por isso, ser afastada. Conclusão Pelo exposto, voto por: a) acolher os embargos, para, com efeitos infringentes, anular os Acórdãos 1103000.803 e 1301002.735; e b) proferir novo julgamento do recurso voluntário de VALE TRADING S/A, para, no mérito, darlhe provimento, exonerando a multa por atraso na entrega da DIPJ do ano base 2004, exercício 2005. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 685DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.902305/2015-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 05 /2 01 5- 44 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de IRPJ. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de IRPJ para o 3º trimestre/2011, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao 3º trimestre de 2011, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 16721.31147.030915.1.2.044351. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, especificamente o seu artigo 15, § 1º, inciso III, alínea ‘a’ (redação alterada pela Lei 11.727/08), estabeleceu que a base de cálculo do imposto, que apuram sob o Regime de Apuração do Lucro Presumido, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 8%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para determinação do lucro presumido com base na alíquota no percentual de 8% é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de IRPJ, relativo ao 3º trimestre/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13005.902305/201544 Acórdão n.º 1201002.188 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.721006/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/03/2014
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Súmula Carf nº 01.
Numero da decisão: 3401-005.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Súmula Carf nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 10 06 /2 01 4- 78 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10907.721006/201478 Acórdão n.º 3401005.105 S3C4T1 Fl. 464 2 Tratase de auto de infração lavrado em consequência da descrição incompleta ou divergente da mercadoria nas declarações de importação. Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório que consta no acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 44.428,97 referente a multa por descrição divergente ou incompleta de mercadorias importadas. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada registrou as Declarações de Importação nº 14/05849640, nº 14/05852390 e nº 14/0585443 1, em 26/03/2014, para amparar a importação de mercadorias. Emitido laudo técnico para identificação e classificação fiscal das mercadorias, se constatou que as mercadorias foram descritas de forma divergente ou incompleta, conforme se verifica do item 10 dos respectivos laudos técnicos anexos ao auto de infração. Assim, foi realizada exigência fiscal, no Siscomex, para que a importadora procedesse à correção da descrição das mercadorias conforme laudos e recolhesse multa de 1% sobre o valor aduaneiro por descrição incorreta, incompleta ou imprecisa. O importador se manifestou contrário à exigência fiscal e impetrou o Mandado de Segurança nº 5001684 57.2014.404.7008/PR no qual obteve liminar para realizar depósito judicial do valor do crédito tributário exigido para que se procedesse ao prosseguimento do despacho aduaneiro. Realizado o depósito, foi lavrado o auto de infração em apreço que consubstancia a multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 combinado com o art. 69 e art. 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. Cientificada do auto de infração, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: Solicitada a retificar a descrição das mercadorias e recolher a multa sem sequer haver auto de infração, impetrou ação judicial para ter garantido o prosseguimento do desembaraço aduaneiro mediante depósito judicial do valor de multa. O pedido liminar foi deferido, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário controvertido, mediante depósito do seu montante integral, estando os autos conclusos para sentença. Há ofensa ao art. 170 da Constituição Federal – direito ao livre exercício da atividade econômica e ao desembaraço aduaneiro. Não há fundamentação legal para aplicação da multa, pois não houve divergência de classificação fiscal, valor ou qualquer inconsistência, processandose a tributação nos moldes da Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10907.721006/201478 Acórdão n.º 3401005.105 S3C4T1 Fl. 465 3 legislação aduaneira. Ademais, o Regulamento Aduaneiro não estabelece em que termos específicos se deve fazer a identificação da mercadoria. Para aplicação da multa há que se verificar se a omissão ou prestação inexata ou incompleta implicaram em alteração do procedimento aduaneiro apropriado, fato não configurado no presente caso. A descrição da mercadoria em cada uma das Declarações de Importação estão de acordo com as informações dos laudos técnicos emitidos por perito (conforme análise de cada uma das Declarações de Importação, equipamentos importados e respectivo laudo técnico). Requer a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário até trânsito em julgado do Mandado de Segurança impetrado; o julgamento pela improcedência do auto de infração para fins de reconhecer seu direito de livre exercício da sua atividade econômica e ao desembaraço aduaneiro dos bens importados, a desnecessidade de retificação das Declarações de Importação e a inaplicabilidade da multa lançada, com levantamento do valor do depósito judicial. Forma juntados aos autos pela impugnante, documentos da importação, laudos técnicos, e documentos da ação judicial, entre outros. A DRJ de Florianópolis não conheceu da impugnação, por unanimidade de votos, por entender haver concomitância com processo judicial, acórdão nº 0736.579, de 04 de fevereiro de 2015. A empresa apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: 1 a empresa importou bens de capital sem similares nacionais, conforme discriminado na tabela seguinte: DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO CÓDIGO NCM DATA FORNECEDOR CONHECIME NTO DE EMBARQUE 14/05849640 8438.10.00 26/03/2014 ALIMEC 47100019149 14/05852390 8438.20.19 26/03/2014 MFHAMBURG 61200164104 14/05854431 8422.30.29 26/03/2014 BFR.S 10600030705 2 a fiscalização interrompeu o despacho formalizando exigência para que fosse efetuada a correta descrição das mercadorias, conforme laudo técnico apresentado e solicitou o recolhimento da multa de 1% do valor aduaneiro das mercadorias, pela descrição incorreta, sem lavrar auto de infração; 3 com o objetivo de sustar a determinação administrativa e a aplicação da multa, a empresa ajuizou mandado de segurança nº 500294387.2014.404.7008 perante a Justiça Federal de Paranaguá, obtendo liminar para prosseguimento do despacho aduaneiro após o depósito judicial do valor da multa; Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10907.721006/201478 Acórdão n.º 3401005.105 S3C4T1 Fl. 466 4 4 faz parte do pedido judicial a discussão sobre o rito administrativo adotado, já que a multa foi aplicada sem a lavratura do auto de infração e o Parecer Cosit nº 07/2014 excepciona os casos em que a via judicial visa corrigir procedimentos da administração tributária; 5 não renunciou à instância administrativa, que a discussão deve prosseguir em ambas esferas e deve prevalecer a posição do judiciário; 6 deve ser conhecida e julgada a impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade. Preliminarmente devemos analisar a concomitância com ação judicial, prejudicial para conhecimento do recurso voluntário. Conforme consulta ao site do JFPR o mandado de segurança nº 500294387.2014.4.04.7008 foi remetido ao STJ em 27/04/2017 para análise de recurso especial, e está desde 15/05/2017 conclusos para decisão. Conforme peça inicial do mandado de segurança, fls. 387 e sgs, o teor do pedido na ação versa sobre: V – DO PEDIDO 5.1 – Por todo o exposto, requerse a Vossa Excelência: a) o deferimento do pedido de concessão liminar, para os seguintes fins: a1) autorizar o depósito judicial da multa exigida pela IMPETRADA, no valor total de R$ 43.555,95 (quarenta e três mil quinhentos e cinquenta e cinco reais e noventa e cinco centavos), em conta poupança vinculada aos presentes autos e a este insigne Juízo; a2) efetuado o depósito judicial, a expedição de ofício à IMPETRADA determinando que as Declarações de Importação n.os 14/05849640, 14/05852390 e 14/05854431 retomem seu curso normal, prosseguindose com os respectivos despachos aduaneiros nestes termos, para fins de conclusão dos mesmos e disponibilização das mercadorias à IMPETRANTE; b) a notificação da IMPETRADA para prestar suas informações no decêndio legal; Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10907.721006/201478 Acórdão n.º 3401005.105 S3C4T1 Fl. 467 5 c) ato contínuo, a ciência do feito ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL para que, querendo, apresente manifestação; d) ao final, a concessão da ordem de segurança, para, os seguintes fins: d1) reconhecer a desnecessidade de retificação das descrições constantes das as Declarações de Importação n.os 14/0584964 0, 14/05852390 e 14/05854431, para prosseguimento dos despachos aduaneiros; d2) reconhecer a inaplicabilidade da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 c/c o § 1º do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, relativamente às Declarações de Importação n.os 14/05849640, 14/05852390 e 14/05854431, diante da desnecessidade de redescrição das mercadorias; d3) autorizar o levantamento, pela IMPETRANTE, do total da multa objeto de depósito judicial, condenando a IMPETRADA ao pagamento das custas e demais despesas relacionadas com a impetração e acompanhamento do presente Mandamus. (grifos nossos) A liminar foi concedida nos seguintes termos, fls. 422 e sgs: Ante o exposto, Defiro a liminar requerida para o fim de autorizar à Impetrante o depósito integral da multa exigida e, uma vez realizado o depósito e verificada pelo Fisco a sua integralidade, determinar à Autoridade Impetrada que dê continuidade aos despachos aduaneiros relacionados às Declarações de Importação nº 14/05849640, 14/05852390 e 14/05854431, independentemente da exigência de nova descrição das mercadorias, para fins de conclusão regular dos procedimentos e disponibilização das mercadorias à Impetrante, desde que observadas todas as demais exigências legais para tanto. Conforme podese verificar pelo pedido da inicial, o escopo do mandado de segurança vai muito além da simples liberação da mercadoria pelo desembaraço aduaneiro. É certo que a liminar foi para que fosse efetuada a continuidade do despacho aduaneiro, mas na sequência a ação judicial deve ser analisada na sua completude, além do que abrange a necessidade de liminar em mandado de segurança que engloba os casos de periculum in mora. Correto o posicionamento da DRJ pela identificação de concomitância de processo administrativo e ação judicial. Por isso deve se aplicada a Súmula CARF n°1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O objetivo da Súmula Carf nº 01 não foi trazer prejuízo ao contribuinte mas sim garantir a efetividade das decisões judiciais. Se o objeto da ação judicial é o mesmo do Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10907.721006/201478 Acórdão n.º 3401005.105 S3C4T1 Fl. 468 6 processo administrativo, e sendo a jurisdição una, não há porque dispender esforços administrativos para julgar um processo cuja decisão final que prevalecerá será a judicial. Caso se analisasse o processo administrativo também poderíamos nos deparar com situações dispares que causariam confusão e insegurança para o contribuinte. Quanto ao Parecer Cosit nº 07/2014 que excepciona os casos em que a via judicial visa corrigir procedimentos da administração tributária não entendo aplicável ao caso já que analisar a questão sobre a lavratura do auto de infração seria adentrar no mérito da ação judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720065/2017-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PROCURAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A Procuração Eletrônica conforme a regulamentação legal permite a outorga de poderes para representar o outorgante perante a RFB no cumprimento de formalidades relacionadas a processos digitais, podendo para tanto peticionar, impugnar, desistir, entre outros atos, inclusive juntar documentos em processo digital ou em dossiê digital. Considera-se comprovada outorga de poderes para impugnação o protocolo de defesa por pessoa com procuração eletrônica outorgada pela impugnante.
Não conhecendo a DRJ da Impugnação apresentada, incorre em cerceamento do direito de defesa da Impugnante, devendo ser anulada a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1301-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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VALIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A Procuração Eletrônica conforme a regulamentação legal permite a outorga de poderes para representar o outorgante perante a RFB no cumprimento de formalidades relacionadas a processos digitais, podendo para tanto peticionar, impugnar, desistir, entre outros atos, inclusive juntar documentos em processo digital ou em dossiê digital. Considerase comprovada outorga de poderes para impugnação o protocolo de defesa por pessoa com procuração eletrônica outorgada pela impugnante. Não conhecendo a DRJ da Impugnação apresentada, incorre em cerceamento do direito de defesa da Impugnante, devendo ser anulada a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 65 /2 01 7- 50 Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 4 2 Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativamente ao anocalendário de 2012, em razão da verificação de depósitos bancários feitos a terceiros, sem comprovação da operação que deu causa ao dispêndio, conforme Termo de Verificação de fls. 339/346. Por bem relatar o feito, socorrome o relatório da decisão recorrida, transcrito abaixo: Relata a Autoridade Fiscal que, durante a auditoria fiscal, constatouse que houve transferências bancárias para as empresas Editora Caleidoscópio Ltda. (atual Infinity Administradora de Bens Eirelli – ME) e Prime Net Informática Ltda., nos montantes respectivos de R$ 3.050.385,23 e R$ 22.250.729,91. Solicitada a apresentação de justificativas dessas transferências de recursos, o contribuinte apresentou uma amostra de documentação relativa aos pagamentos efetuados pela empresa Lider Telecom para a empresa Prime Net, mas não apresenta justificativas e/ou esclarecimentos para tais transferências de valores, e juntou apenas o razão contábil da conta “banco conta movimento” e os extratos bancários das empresas Lider Telecom e Prime Net. Conclui a Autoridade Fiscal que, não apresentados os motivos ou justificativas para tais transferências a pessoas vinculadas, nem relação com as finalidades socioeconômicas da empresa, restou caracterizada a infração prevista no §1º do art. 674 do RIR/99. Alega ainda que estão sendo lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária para as pessoas jurídicas Líder Serviços de Instalação e Comércio Ltda, GSA Soluções em Telecomunicações Ltda – EPP, Infinity Administradora de Bens Eirelli – ME e Prime Net Informática Ltda., conforme “Relatório Fiscal: Da Solidariedade Tributária” (fls. 347 a 367). Nesse relatório, a Autoridade Fiscal alega que o contribuinte concentra em sua contabilidade as receitas das empresas Lider Serviços e da GSA Soluções, em oposição ao princípio contábil da entidade. Afirma que as empresas Lider Serviços e da GSA Soluções transferiram contratos comerciais para a Lider Telecom, numa verdadeira confusão contábil e administrativa entre as empresas. No Processo Administrativo n° 10314.720 018/201536, a Lider Serviços utiliza como argumento de defesa que contabiliza suas receitas na contabilidade da empresa Lider Telecom, admitindo serem de fato uma única empresa. Além disso, em alteração contratual de 31/08/2016, as empresas Lider Serviços e GSA (entre outras) estão sendo incorporadas pela empresa Lider Telecom. Para o Auditor Fiscal, o controle das empresas Lider Serviços e GSA estavam em poder dos Srs. Pedro e Olavo e da Sra. Mauren, e que passa a ser centralizado e Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 5 3 exercido por meio da empresa Lider Telecom, fato este que vem a ser confirmado com as cisões e intenção de incorporação daquelas empresas por essa. Ao analisar a movimentação financeira da Lider Telecom, constatou entradas e de saídas de recursos de/para as empresas GSA e Lider Serviços, evidenciando confusão patrimonial entre elas. Com base no interesse comum para a constituição do fato gerador, inclui tais empresas como solidariamente obrigadas ao crédito tributário cobrado no presente processo. Ademais, afirma a Autoridade Fiscal que houve vultosas transferências bancárias para as empresas Infinity Administradora de Bens Eirelli – ME e Prime Net Informática Ltda., sem quaisquer justificativas para tanto, evidenciando também confusão patrimonial. As duas empresas apresentam vínculos com o contribuinte Lider Telecom: a Prime Net tem como sócio atual o Sr. Pedro Serrano, com o Sr. Olavo Ribeiro fazendo parte do quadro societário da empresa entre 02/08/2002 e 15/10/2015, de modo similar ao quadro societário da Lider Telecom; a empresa Editora Caleidoscópio, atual Infinity Administradora, além do próprio Sr. Olavo (excluído do quadro societário em 18/06/2015), sua excônjuge, a Sra. Renata Barbosa Concílio Ribeiro pertenciam ao quadro societário. Assim, caracterizou essas empresas como responsáveis solidárias também pela existência de interesse comum no fato gerador da obrigação tributária da empresa Lider Telecom, com aplicação do artigo 124 I do CTN. Em consequência das divergências acima, a contribuinte e os responsáveis solidários foram intimados a pagar o tributo apurado, juros de mora e multa de 75%, totalizando R$ 60.796.604,35 (fl. 1144). Inconformados com a autuação, apresentaram impugnações e juntaram documentos a contribuinte Lider Telecom Comércio e Serviços em Telecomunicações Ltda. (Em Recuperação Judicial) (fls. 1280 a 1302) e os responsáveis solidários Lider Serviços de Instalação e Comércio Ltda. (Em Recuperação Judicial) (fls. 1201 a 1209), Prime Net Informática Ltda. (fls. 1214 a 1223) e Infinity Administradora de Bens Eirelli – ME (fls. 1229 a 1244). A responsável solidária GSA Soluções em Telecomunicações, intimada em 13/03/2017 (fl. 1161), quedouse inerte. Notificada, o Contribuinte LÍDER TELECOM apresentou impugnação aduzindo: a) nulidade do TDPF; b) ofensa ao contraditório e à ampla defesa, em razão da fiscalização ter analisado a documentação por amostragem; c) argumenta que apesar do arbitramento do lucro, não houve análise acurada dos documentos, e que seria possível a apuração do lucro real; d) requer a produção de prova pericial; e) alega irrazoabilidade e confiscatoriedade das multas aplicadas. A responsável solidária LÍDER SERVIÇOS aduz que a simples falta de recolhimento não justifica a responsabilidade solidária, e que não há prova do interesse comum no fato gerador da obrigação principal, ou a comprovação de atos realizados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. A responsável solidária PRIME NET alega que a intimação por edital é nula, já que o Auditor Fiscal não demonstrou que os meios previstos no caput do artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972 resultaram improfícuos, tampouco que a Impugnante tenha declaração Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 6 4 inapta perante o cadastro fiscal. No mais, a impugnante invoca os mesmo argumentos utilizados pela LIDER SERVIÇOS. A responsável solidária INFINITY alega que, mesmo havendo a transferência de valores entre contas suas e da Lider Telecom, ambas não fazem parte da mesma cadeia empresarial, não havendo confusão patrimonial. Afirma ser editora de livros, que tinha em seu quadro societário o excônjuge da atual responsável pelas atividades da empresa, Sr. Olavo Concilio Ribeiro, “que há mais de dois anos não faz parte dos quadros da empresa Lider Telecom, para fomentar a atividade da impugnante, aplicava capital na sociedade, por meio da transferência de lucros da empresa Lider Telecom valores estes já tributados”. Contesta o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (artigo 124, I, CTN) alegada pelo Auditor Fiscal, que inocorreu no presente caso, já que não verificada a prática de atos com excesso de poderes ou em infração de lei, contrato social ou estatutos. A DRJ julgou improcedente as Impugnações apresentadas, e não conheceu a Impugnação da responsável PRIME NET, sob fundamento de que o instrumento de procuração não foi juntado aos autos. O Acórdão de fls. 1478 e seguintes restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 TDPF. PROCEDIMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Os procedimentos de fiscalização deverão ser executados em 120 dias, prorrogados até a sua efetiva conclusão, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo. Compete ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a constituição, mediante lançamento, do crédito tributário. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA TRANSFERÊNCIAS DE VULTOSOS VALORES. Está sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte a transferência de recursos a terceiros quando não for comprovada a operação ou a sua causa. PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS DESNECESSÁRIAS. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE MOTIVOS RAZOÁVEIS PARA A SUA REALIZAÇÃO. A impugnação deve mencionar as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. Considerase não Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 7 5 formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender tais requisitos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. TRANSFERÊNCIA DE VULTOSOS RECURSOS ENTRE EMPRESAS SEM JUSTIFICATIVA, ALIADA À COMPOSIÇÃO SOCIETÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, comprovada pela composição societária comum entre as empresas e pela transferência de vultosos valores entre as responsabilizadas, sem qualquer justificativa para tanto. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE QUANDO NÃO SE OBTIVER SUCESSO POR UM DOS MEIOS DETERMINADOS EM LEI. Quando resultar improfícua a intimação pessoal, por via postal ou por registro eletrônico, sem ordem de preferência, a intimação poderá ser feita por edital. IMPUGNAÇÃO NÃO ADMITIDA. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTO DE REPRESENTAÇÃO DA EMPRESA, MESMO APÓS INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO. A impugnação apresentada e subscrita por advogada, desacompanhada de instrumento de procuração, a teor do art. 76 c/c art. 104 do CPC, após instada a sanear o vício, considerase não admitida no contencioso administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados, o Contribuinte e os Responsáveis apresentaram Recursos Voluntários repisando as razões de suas Impugnações. A PRIME NET aduziu, complementarmente, que não havia vício de representação, pois a impugnação foi enviada digitalmente, via Programa de Solicitação de Juntada de Documentos, e a assinatura foi promovida pelo Dr. Rubens Iscalhão Pereira, OAB/SP nº 71.579 e CPF nº 011.645.87803, detentor de Procuração Eletrônica perante o ECac. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 8 6 Conforme minuciosamente informado por Despacho de fl. 1704, o contribuinte e os responsáveis foram intimados e apresentaram Recursos Voluntários: 1. O acórdão da DRJ 1475.047 (às fls. 1478 a 1494), de 27/11/2017, julgou a improcedência das impugnações apresentadas pelo interessado acima indicado e pelos responsáveis solidários LIDER SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E COMÉRCIO LTDA E INFINITY ADMINISTRADORA DE BENS EIRELLI – ME e pela não admissão da impugnação apresentada pela PRIME NET, mantendo o crédito tributário. 2. Foram enviadas por meio eletrônico as intimações de nº 1301/2017 a 1303/2017 para o sujeito passivo e responsáveis solidários, com ciência em 12/12/2017, 15/12/2017 e 26/12/2017 (conforme Termo de Ciência às fls. 1510, 1512 e 1558), e por via postal a intimação nº 1304/2017, com entrega em 20/12/2017 (fl. 1615) e, por fim, em razão de AR devolvido (fl. 1566), a intimação nº 1305/2017 mediante edital eletrônico (fl. 1653). 3. Em 20/12/2017 foram interpostos recursos voluntários às fls. 1515 a 1554 pelo sujeito passivo e pelos responsáveis solidários LIDER SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E COMÉRCIO LTDA e PRIME NET; em 24/01/2018 às fls. 1630 a 1652 pelo responsável solidário INFINITY ADMINISTRADORA DE BENS EIRELLI – ME bem como novamente em 20/02/2018 das fls. 1664 a 1700 pelo solidário PRIME NET. 4. Tendo em vista o constante dos autos deste processo, havendo após intimados para tanto a juntada pelo interessado acima indicado e pelo solidário PRIME NET dos documentos de representação perante as repartições públicas federais (das fls. 1570 a 1612), proponho o encaminhamento do presente processo atualizado no SIEF –Processos para “Suspenso – Julgamento do Recurso Voluntário” (conforme fls. 1702 a 1703) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para tomada das providências cabíveis. Compulsando todos os comprovantes de ciência da intimação, bem como as datas de juntada dos recursos, verifico que todos os recursos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. I) Preliminares a) Nulidade da decisão recorrida por não conhecimento da Impugnação da PRIME NET. A PRIME NET aduziu em seu Recurso que não havia vício de representação na sua Impugnação, pois ela foi enviada digitalmente, via Programa de Solicitação de Juntada de Documentos, e a assinatura foi promovida pelo Dr. Rubens Iscalhão Pereira, OAB/SP nº 71.579 e CPF nº 011.645.87803, detentor de Procuração Eletrônica perante o ECac. Para comprovar o alegado, junta print de fl. 1667: Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 9 7 Apesar do documento ser pouco legível, conseguese visualizar, com algum esforço, que se trata de "procuração eletrônica", outorgada pela "LIDER TELECOM", ao procurador "Rubens Iscalhão Pereira" (trechos sublinhados em vermelho). Ademais, observe se que a PRIME NET foi incorporada pela LIDER TELECOM em 31/08/2016, com registro na JUCESP em 16/03/2017, conforme documento de fls. 1586/1605. Além disso, se verifica abaixo que se trata de uma procuração outorgada através do CNPJ da PRIME NET INFORMATICA LTDA, com validade de 21/03/2017 a 31/12/2018, com poderes relativos a "Todos os serviços existentes e os que vierem a ser disponibilizados no sistema de Procurações eletrônicas do eCAC (destinados ao tipo do Outorgante PF ou PJ), para todos os fins inclusive confissão de débitos, durante o período de validade da procuração.". Os efeitos da Procuração Eletrônica outorgada através do eCAC são reguladas na IN SRF nº 1751/2017, que dispõe: Art. 3º Além da outorga de poderes de que trata o art. 2º, a opção do serviço “Processos Digitais” do sistema Procurações, disponível no endereço eletrônico informado no inciso II do parágrafo único do art. 2º, permite a outorga de poderes para representar o outorgante perante a RFB no cumprimento de formalidades relacionadas a processos digitais, podendo para tanto peticionar, impugnar, desistir, entre outros atos, inclusive juntar documentos em processo digital ou em dossiê digital. §1º A representação a que se refere o caput compreende também a assinatura em documentos digitais que compõem processo digital ou dossiê digital, ou em documentos digitais juntados pelo representante, que tenham previsão de assinatura de ciência ou notificação Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 16095.720065/201750 Acórdão n.º 1301003.296 S1C3T1 Fl. 10 8 Por fim, verificase no documento de juntada de fl. 1213 que a Impugnação da PRIME NET foi juntada em 12/04/2017, período em que a Procuração Eletrônica estava ativa. Portanto, o Contribuinte tem razão neste ponto, pois não havia qualquer vício de representação, visto que a Impugnação foi assinada digitalmente por um dos subscritores, que detinha Procuração Eletrônica para tanto. Em razão disso, os argumentos da PRIME NET não foram sequer conhecidos pela decisão da DRJ, razão pela qual entendo que ela está maculada por vício de nulidade, com fundamento no art. 59, II do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Desse modo, voto por declarar a nulidade da decisão da DRJ, devendo os autos retornarem àquela instância administrativa para o proferimento de nova decisão, dessa vez conhecendo a Impugnação interposta pela PRIME NET. Ante o exposto, voto dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso da PRIME NET para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, por cerceamento do direito de defesa, determinando que seja proferida nova decisão, com o conhecimento da impugnação apresentada pela recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.911510/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/07/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 06/07/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-24T13:20:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-24T13:20:52Z; Last-Modified: 2018-07-24T13:20:52Z; dcterms:modified: 2018-07-24T13:20:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-24T13:20:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-24T13:20:52Z; meta:save-date: 2018-07-24T13:20:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-24T13:20:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-24T13:20:52Z; created: 2018-07-24T13:20:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-07-24T13:20:52Z; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-24T13:20:52Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 173 1 172 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.911510/200940 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.641 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria IRRF PER/DCOMP DCTF Recorrente HUF DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/07/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 10 /2 00 9- 40 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 174 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 1.209,14, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 30/06/2006) veiculado na PER/DCOMP 13704.28019.291106.1.3.049410, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 175 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 176 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 177 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 178 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 179 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13839.911510/200940 Acórdão n.º 2401005.641 S2C4T1 Fl. 180 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 30/06/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721866/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012
ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.
Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012
CARÁTER CONFISCATÓRIO, DESPROPORCIONAL E DESARRAZOADO DA MULTA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA NA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA
A impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente.
ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ERRO DE DIREITO. POSSIBILIDADE REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico.
Numero da decisão: 3401-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012 CARÁTER CONFISCATÓRIO, DESPROPORCIONAL E DESARRAZOADO DA MULTA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA NA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA A impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ERRO DE DIREITO. POSSIBILIDADE REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 18 66 /2 01 3- 52 Fl. 1120DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 865 a 875, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, por IPI não lançado com cobertura de crédito referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2011 e 30/09/2012, no percentual de 75%, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 624.815,79. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 479 a 498 narra a autoridade fiscal que o procedimento de fiscalização teve início para a verificação de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI formalizados por meio dos seguintes PER/DComp: Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.121 3 3. Em 07/05/2013, foi efetuada visita técnica às instalações fabris da contribuinte para conhecimento dos processos produtivos e materiais utilizados, sendo que todos os documentos que serviram para embasar o termo de verificação em referência foram anexados ao Processo Administrativo nº 10920721.864/201363. Em decorrência da reclassificação fiscal de alguns produtos, foram apurados débitos de IPI não lançados em notas fiscais nem escriturados, que foram cobertos com os créditos apurados, tendo restado caracterizada prática punível com multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, objeto de lançamento de ofício no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352. Assim, foram verificadas irregularidades na classificação fiscal adotada pela contribuinte na venda das linhas ELETRODUTO CORRUGADO e TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL, nos seguintes termos: No caso do primeiro produto, a fiscalização apurou notas fiscais de saída emitidas tanto com o código TIPI 3917.32.90, indicado pelo Fisco, quanto no 3917.23.00, e em todos os casos houve emissões com e sem destaque do imposto. Nos casos da saídas com destaque não há prejuízo ao Fisco. Já nas saídas sem destaque, a fiscalização alega que a empresa não justificou a redução da alíquota para zero quando foi utilizada a classificação 3917.32.90, e classificou incorretamente quando utilizou o código 3917.23.00, destinado aos “tubos rígidos”. (...) No caso dos tubos extensíveis (ou engates flexíveis), a interessada classificou tais produtos majoritariamente no código NCM 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila), sempre sem destaque do IPI; e, minoritariamente, nos demais códigos, com e sem destaque do imposto. Da mesma forma, defende a fiscalização que tais produtos classificamse no código 3917.33.00 (Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios), cuja alíquota de IPI à época era cinco por cento". 4. A reclassificação de tais produtos foi o fundamento para a homologação parcial de diversas PER/DComps apresentadas pela contribuinte que se referem ao período de apuração abrangido pela multa isolada discutida no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 (1º trimestre de 2011 a 3º trimestre de 2012), sendo que tais pedidos de ressarcimento geraram os seguintes processos administrativos, todos pautados para esta mesma sessão de julgamento, para apreciação conjunta: PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 10920.902022/201319 1º trimestre de 2011 R$ 2.177.522,81 10920.902023/201355 2º trimestre de 2011 R$ 3.035.238,52 10920.902024/201308 3º trimestre de 2011 R$ 4.311.367,39 10920.902025/201344 4º trimestre de 2011 R$ 3.222.556,53 Fl. 1122DF CARF MF 4 10920.902026/201399 1º trimestre de 2012 R$ 3.115.341,97 10920.902027/201333 2º trimestre de 2012 R$ 3.348.939,57 10920.902028/201388 3º trimestre de 2012 R$ 3.170.939,74 5. A contribuinte, intimada em 17/06/2013, apresentou, em 16/07/2013, a impugnação, situada às fls. 879 a 891, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal, por ela industrializados, são eletrodutos de PVC (Policloreto de Vinil) que, sejam planos ou corrugados, rígidos ou flexíveis, têm a mesma finalidade: proteger e conduzir condutores providos de isolação em instalações elétricas. Logo, o que deveria diferenciar a utilização de um eletroduto não é o fato dele ser rígido ou flexível, plano ou corrugado, e sim a sua resistência mecânica, sendo que a autoridade fiscal levou em conta apenas o critério rigidez, sem levar em consideração que a finalidade dos produtos é a mesma dos eletrodutos rígidos, devendo receber a mesma classificação destes últimos; (ii) assim como o eletroduto rígido, o eletroduto corrugado está inserido na linha de materiais elétricos utilizados na construção, sendo ambos tratados em um mesmo programa setorial de qualidade perante o PBQPH (Programa de Garantia da Qualidade de Eletrodutos Plásticos para Sistemas Elétricos de Baixa Tensão em Edificações); (iii) apresentou laudo (parecer técnico), situado às fls. 963 a 966, no qual o perito e engenheiro atesta, nos termos da norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, que "(...) o discrímen para determinarse a efetiva e correta classificação fiscal desses produtos não corresponde à sua rigidez, mas sim à sua finalidade e aplicação". 6. Em 06/01/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.989, situado às fls. 998 a 1001, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro Da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS CORRUGADOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 7. A contribuinte, intimada da decisão em 06/02/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 1014, interpôs, em 09/03/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 1016, recurso voluntário, Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.122 5 situado às fls. 1017 a 1075, no qual reiterou as razões de sua impugnação, acrescendo, ainda: (i) o pedido de realização de diligência para que se demonstre, por meio de perícia, a "(...) correição da classificação adotada pela recorrente"; (ii) argumento respeitante ao caráter confiscatório, desproporcional e desarrazoado da multa; e (iii) nulidade do auto de infração lavrado pela impossibilidade de alteração do entendimento quanto à classificação fiscal do produto, o que caracteriza erro de direito, em afronta aos arts. 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, guardadas as seguintes ressalvas. 9. Os argumentos sobre o caráter confiscatório, desproporcional e desarrazoado da multa, bem como aqueles concernentes à suposta ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, são veiculados, de maneira inaugural, no recurso voluntário interposto pela contribuinte, não havendo notícia de terem sido vertidos no momento da impugnação. 10. De acordo com o inciso II do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993, a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. E, de acordo com o art. 17 do mesmo Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532/1997, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. 11. Não se tratando de nenhuma das hipóteses excepcionais que permitam a apresentação de tópicos intempestivos de defesa, entendo que sobre eles operam os efeitos da preclusão consumativa na jurisdição administrativa, motivo pelo qual não devem ser conhecidos. 12. Quanto ao mérito, que merece conhecimento, no decurso dos anos de 2011 e 2012, a contribuinte realizou pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 em decorrência: (i) da aquisição de insumos utilizados na elaboração de seus produtos, e (ii) da saída de mercadorias imunes ou tributadas à alíquota zero: Fl. 1124DF CARF MF 6 Lei nº 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. 13. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria adotado classificação fiscal incorreta quanto aos produtos eletroduto corrugado e tubo extensível universal, o que implicou a apuração do IPI por meio de alíquotas menores do que aquelas efetivamente devidas e, assim, promoveu a reconstituição da escrita fiscal da autuada referente às operações ocorridas entre 01/01/2011 e 30/09/2012, concluindose, ao final do procedimento, pela inexistência de saldo devedor de IPI a ser adimplido. Em que pese tal constatação, a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em virtude da classificação fiscal equivocada conduziu à lavratura do auto de infração em análise, lavrado sob o pálio do art. 80 da Lei nº 4.502/1964: Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 14. A questão de fundo consiste, portanto, em deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3917.23.00 para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3917.32.90 para o eletroduto corrugado e 3917.33.00 para o tubo extensível universal): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.123 7 15. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto da posição: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "plásticos e suas obras" (Capítulo 39), e tampouco questionam estar diante de "tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos" (Posição 3917). 16. Para a contribuinte recorrente, no entanto, (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal devem ser classificados na Subposição, Item e Subitem 3917.23.00 ("De polímeros de cloreto de vinila"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 17. Por outro lado, para autoridade fiscal, (ii) o ELETRODUTO CORRUGADO deve ser classificado na Subposição 3917.32 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios"), Item e Subitem 3917.32.90 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI; já (iii) o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL deve ser classificado na Subposição, Item e Subitem 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI. (i) 3917.23.00: CLASSIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O ELETRODUTO CORRUGADO E PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 18. Deve ser realizada, em primeiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela contribuinte (3917.23): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), rígidos (3917.2), de polímeros de cloreto de vinila (3917.23). Não havendo alternativas após o texto da subposição, tratase esta da classificação completa NCM nº 3917.23.00. 19. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: Fl. 1126DF CARF MF 8 (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido? 20. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte: (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? 21. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação está equivocada. Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), então necessariamente a classificação correta para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal será 3917.23.00, apontada pela contribuinte. (ii) 3917.32.90: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O ELETRODUTO CORRUGADO 22. Deve ser realizada, em segundo lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o ELETRODUTO CORRUGADO (3917.32): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), outros (3917.3), 23. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 24. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte: (ii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 25. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios? 26. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), passase à seguinte: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.124 9 (ii.d) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 27. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.d), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.d), então necessariamente a classificação correta do eletroduto corrugado será 3917.32.90 ("Outros"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da única alternativa. (iii) 3917.33.00: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 28. Deve ser realizada, em terceiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL (3917.33): 29. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (iii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 30. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.a), passase à seguinte: (iii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 31. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 32. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.c), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (iii.c), então necessariamente a classificação correta do tubo extensível universal será 3917.33.00 ("Outros, não reforçados Fl. 1128DF CARF MF 10 com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da mais específica. 33. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Ao nos voltarmos especificamente às metaregras de aplicação descritas no Capítulo 39 da TIPI ("Plástico e suas obras"), advertimos que, para que se respondam às questões que fizerem menção ao termo "copolímero", deve ser levada em conta, necessariamente, a Nota 4, mas, por outro lado, uma vez que o texto da posição é incontroverso, desnecessária a menção à Nota 8 do Capítulo 39, que dispõe acerca do termo "tubos". Devem, no entanto, ser aplicadas as disposições veiculadas pela Nota de subposição 1, sobre a forma como se classificam os polímeros (incluindo os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente. 34. Observese que caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), e se conclua estarmos diante de um tubo de plástico rígido, desnecessário, para fins de provimento ou não provimento do recurso voluntário interposto, prosseguir na classificação, pois equivocados estarão os dois códigos ofertados pela autoridade fiscal, e improcedente restará o auto de infração. 35. Com estas observações em mente, o laudo (parecer técnico) apresentado pela contribuinte, situado às fls. 963 a 966, baseado na norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, além de não responder se os dois produtos em apreço seriam "rígidos" ou "não rígidos" ("flexíveis"), primeira pergunta para se prosseguir em qualquer das três classificações em disputa, concluiu que tanto o eletroduto corrugado como o tubo extensível universal atenderiam à mesma finalidade e teriam a mesma aplicação, baseada em sua resistência mecânica de suportar os esforços de compressão quando a ele submetidos. Assim, no entendimento do perito, o critério correto para se realizar qualquer classificação, seria a resistência, e não a rigidez. 36. A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. 37. Observese que, mesmo uma rápida busca no compêndio de ementas de soluções de consulta e soluções de divergência emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam) da Receita Federal do Brasil, indica que a resposta à questão sobre ser rígido ou flexível o tubo de plástico é condição inexorável para o prosseguimento do intento classificatório: 3917.32.90 | SC 4/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão máxima de 1 Mpa. 3917.32.90 | SC 5/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão de 1,5 a 6 Mpa. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.125 11 3917.32.90 | SC 283/2017 4ª Turma Tubo flexível corrugado fabricado em PVC (poli(cloreto de vinila), com propriedades antichamas, próprio para proteção mecânica das instalações elétricas prediais, medindo 20 mm d e diâmetro e 50 m de comprimento, com tensão de ruptura inferior a 27,6 MPa. 3917.32.90 | SC 130/2016 3ª Turma Tubo flexível termo contrátil de polietileno, sem reforços ou acessórios, com tensão de ruptura máxima de 10,4 MPa, diâmetro interno em estado natural de 41,5 mm, peso líquido de 104,8 g/ml e apresentado em bobina de papelão de 50 metros. 38. Por outro lado, em que pese a imprestabilidade da prova produzida pela recorrente, tampouco a autoridade fiscal responde à questão sobre ser ou não rígido o produto a ser classificado de maneira minimamente satisfatória, valendose unicamente das máximas de experiência e da visita ao site comercial da recorrente, conforme excerto, situado à fl. 488, que se transcreve do termo de verificação fiscal: 39. O recurso a tal prova é ecoado e refletido pela decisão recorrida, que não envida esforços em buscar outros indícios ou provas que sirvam como sustentáculo para a sua conclusão: 12. No que se refere aos produtos, inexistem divergências quanto ao fato de se tratarem de tubos de plásticos, enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM. Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato. Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de PVC rígido. Fl. 1130DF CARF MF 12 40. Observese que a contribuinte, ao ser questionada sobre a rigidez dos produtos, "(...) informou que utiliza na fabricação dos produtos da linha eletroduto de PVC flexível corrugado o composto de PVC rígido, o mesmo utilizado na produção dos tubos para água e esgoto, e que por isso utiliza a mesma classificação". O maior apuro técnico de que se vale a autoridade lançadora é obtido por meio de consulta ao site da Wikipedia: 41. Assentese com a afirmação da acusação fiscal de que o simples fato de os produtos utilizarem o PVC rígido como insumo de produção não implica, necessariamente, que deva ser entendido como um tubo rígido. No entanto, tampouco há de se comungar com a afirmação, igualmente falaciosa, no sentido de que o nome comercial do produto exposto no site da contribuinte seja prova em suficiência para a classificação no texto da posição da nomenclatura comum. Muito embora a frase “o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade” ofereça um forte indício sobre se tratar de um material não rígido, impressão esta que apenas se reforça com o silêncio do laudo pericial apresentado quanto a este aspecto, não se vislumbra, apenas com a página da Internet, a prova necessária para se afirmar com segurança a respeito das características físicoquímicas do produto. 42. Assim, acerta a autoridade fiscal ao afirmar que primeiro critério é definir se o tubo de plástico é ou não rígido. Mas se equivoca na forma como constrói precariamente seu argumento, não sendo absolutamente aceitável estribar o auto de infração unicamente em uma informação comercial obtida na Internet que, quando muito, serviria de indício para o início de uma investigação técnica. E, por outro lado, acerta a contribuinte ao entender que, para subsidiar a classificação, fazse necessário o recurso à perícia. No entanto, igualmente se equivoca ao buscar critérios próprios para aferir o código NCM correto, uma vez que o aplicador se volta às específicas regras e metaregras do sistema harmonizado em uma seqüência lógica prédeterminada. 43. A questão passa a ser: há nos autos provas em suficiência para se afirmar se os produtos são ou não rígidos? Em caso positivo, deve o aplicador passar à pergunta seguinte, e assim sucessivamente, uma vez que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Não sendo possível se responder a esta questão inaugural com os dados e documentos disponíveis, deverá o julgamento aguardar a realização de diligência que responda à dúvida do julgador. Neste caso, deverá o colegiado antecipar as dúvidas supervenientes para que todas restem respondidas nesta mesma oportunidade. 44. Concluímos, ao compulsar os autos, que não há outras provas que permitam afirmar, com segurança, se os produtos em análise seriam rígidos ou não rígidos, o que, no atual estado do processo, e caso eventualmente vencida a proposta de diligência, redundaria, necessariamente, na conclusão pela insuficiência de provas hábeis a lastrear o auto de infração lavrado, o que implicaria o provimento do recurso voluntário interposto. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.126 13 45. E se observe que, ainda que a questão em torno da rigidez pudesse eventualmente ser superada, outras questões restariam pendentes: para se confirmar a correção do código adotado pela contribuinte, necessário seria se confirmar que se trata de tubo de polímero de cloreto de vinila. 46. Por outro lado, caso seja não rígido o tubo e, portanto, incorreto o código utilizado pela contribuinte, forçoso se confirmar que a acusação fiscal classificou corretamente os produtos em análise e, para isso, imprescindível se compreender se podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa, hipótese que descartaria a suposição do auto de infração. Caso não possam, a tarefa do classificador ainda não estaria concluída, pois indispensável a questão sobre se os produtos são reforçados com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias, se apresentam acessórios e, em caso positivo, se tais acessórios seriam ou não copolímeros de etileno. 47. Como se pode perceber, a decisão acerca do auto de infração lavrado, e sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende de um seriado de perguntas que demandam saber técnico alheio ao jurídico e, depois de percorrer todas as folhas deste processo em busca de respostas embasadas e minimamente seguras, não as encontramos e, portanto, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente laudo técnicopericial conclusivo que responda afirmativa ou negativamente, de maneira objetiva e fundamentada, os seguintes quesitos referentes ao produto "eletroduto corrugado" e ao produto"tubo extensível universal": (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido ou nãorígido ("flexível")? (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? (i.c) unicamente se o produto for nãorígido ("flexível"), pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa? (i.d) o produto é reforçado com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias? (i.e) unicamente se o produto não for reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, ele apresenta acessórios? (i.f) unicamente se o produto apresentar acessórios, são estes acessórios de copolímeros de etileno? Deverá a resposta a este específico quesito levar em consideração o texto da Nota 4,1 transcrito em nota de rodapé no presente voto. 1 "Consideramse 'copolímeros' todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95 % ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os Fl. 1132DF CARF MF 14 (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator copolímeros (incluindo os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine, em peso, sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Na acepção da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem numa mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros classificamse, conforme o caso, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração". Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Redatora designada. Apesar de concordar com muitos dos argumentos apresentados pelo Ilustre Relator, e por acompanhar sua linha de argumentação, dele ouso divergir quanto a necessidade de diligência para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias autuadas. A controvérsia gira em torno de dois produtos, ambos classificados na NCM 3917.23.00 pela recorrente: eletroduto corrugado tubo extensível universal E classificados pela fiscalização nas NCMs 3917.32.90 e 3917.33.00, respectivamente. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.127 15 Concordo que o cerne da questão está em se decidir se estamos diante de um tubo rígido ou tubo flexível (3917.2 ou 3917.3), já que não existe controvérsia quanto a posição 3917, adotada tanto pela recorrente e pela fiscalização, para ambos produtos. A questão parece tão simples e tão óbvia que a primeira vista não há questionamentos a serem efetuados. Rígido e flexível são duas definições que se opõem e que são utilizadas cotidianamente em muitas situações. Por isso nosso primeiro impulso é buscar essas definições nos dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss, disponível no endereço eletrônico https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0 encontramos as seguintes definições: Rígido adjetivo em que há rigidez 1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.› ‹metal r.› 2 p.metf. que é ou se mostra inflexível em suas opiniões, decisões etc.; duro, intransigente 3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.› ‹homem r.› 3.1 falto de meiguice, de ternura com relação a outrem; rude, áspero ‹pais r.› 4 que não permite frouxidão; exato, rigoroso ‹tinha no trabalho um horário r.› 4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de qualidade› sinônimos ver sinonímia de rigoroso antônimos: flexível Flexível Fl. 1134DF CARF MF 16 adjetivo de dois gêneros 1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.› 3 fácil de manejar; domável 4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.› 5 que tem aptidão para diferentes atividades sinônimos ver antonímia de sólido antônimos: ferrenho, inflexível, intransigente, rígido; ver tb. sinonímia de sólido Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva com facilidade, aquilo que é arqueável, que é flexo, que é elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro. A partir dessas constatações chegamos as duas subposições de primeiro nível possíveis: 3917.2 Tubos rígidos 3917.3 Outros Tubos Ora ou o tubo é rígido ou ele não é rígido, tanto assim que o Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros tubos. Muitos países adotaram a tradução como "3917.3 Tubos não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento, na versão em inglês do SH temos: 3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid: 3917.3 Other tubes, pipes and hoses: Valendonos do senso comum podemos concluir que estamos diante de tubos flexíveis, já que a própria recorrente apresenta seu produto como "Eletroduto corrugado flex" e no site da empresa o produto é apresentado como, fazendo parte da linha "Eletroduto de PVC flexível Corrugado": Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações prediais elétricas de baixa tensão, para condução e acomodação de fios, cabos elétricos e dispositivos embutidos em paredes e lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por eletrodutos corrugados para paredes (amarelo) e para lajes (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas de 20 e 25 mm; e 25 metros para bitola de 32 mm. O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. Antichama, o produto adequase perfeitamente às exigências da norma NBR 5410, oferecendo segurança às instalações elétricas de baixa tensão. Completa o sistema uma linha de caixas de luz e luvas de pressão, que se interligam aos tubos pelo sistema de simples encaixe. No caso dos tubos extensíveis, ou engates flexíveis, eles são apresentados no catálogo da empresa como "Sifão Extensível Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados pela fiscalização (10101, 17311, 96665 e 17815). E consta o esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua curvatura tome o formato de um sifão", e que esses tubos possuem corpo sanfonado. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.128 17 Claro que não podemos nos valer apenas do que afirma a recorrente ser o produto, mesmo que em informações amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda. Para a classificação fiscal é preciso haver a identificação correta da mercadoria. Também não acabe à classificação fiscal adotar critérios diferentes dos preconizados pelas normas do Sistema Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente, a resistência ao invés da rigidez para classificar a mercadoria, já que esse não foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que nem sempre os critérios elegidos para a classificação fiscal de uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de produto ou de outras normas existentes (normas de outros órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e o objetivo que se quer alcançar). São critérios próprios do SH que devem ser seguidos. Assim, correto o entendimento do Ilustre Relator do voto vencido: A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. Apesar de restar definido o que seja rígido e flexível, para efeitos de conhecimento geral, para maiores esclarecimentos devemos buscar apoio em normas técnicas nacionais e internacionais que podem servir de subsídio para nossa investigação. As normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, apesar de serem de utilização no país, seguem as normas internacionais de padronização, e por isso servem para o nosso propósito: Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan Americana de Normas Técnicas Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional IEC). Também temos a nos socorrer as normas internacionais ISO, International Organization for Standardization, em especial a ISO 182632:2015 Plastics Mixtures of polypropylene (PP) and polyethylene (PE) recyclate derived from PP and PE used for flexible and rigid consumer packaging Part 2: Preparation of test specimens and determination of properties. E a American Society for Testing Materials (ASTM), em especial as normas ASTM D79017 Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials e ASTM D123813 Standard Test Method for Melt Flow Rates of Thermoplastics by Extrusion Plastometer. A norma ABNT NBR 15465, sobre Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricos de baixa tensão requisitos de desempenho, utilizada pela recorrente em sua argumentação, define quais requisitos de desempenho devem cumprir o produto: · Resistência à curvatura · Resistência à compressão · Resistência ao impacto Fl. 1136DF CARF MF 18 · Resistência ao calor · Resistência à chama · Resistência rigidez dielétrica · Resistência do isolamento elétrico A recorrente alega seguir as orientações e estar qualificada pelo PBQPH, que é o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PBQPH, do Ministério das Cidades. Esse programa qualifica fabricantes de materiais e componentes, que para isso devem seguir suas orientações, e segue a norma ABNT NBR 15465. Na Diretriz de avaliação técnica de Produtos Sinat/PBQPH nº 013, para Tubulações corrugadas de polietileno contendo polietileno de alta densidade reciclado para microdrenagem de áreas internas de empreendimentos residenciais e comerciais, estão definidos os critérios de desempenho dos produtos: Assim, as tubulações alvo desta Diretriz são compostas por: Tubos corrugados (ver Figura 1) com ponta e bolsa. A ponta do tubo acomoda o anel de vedação elastomérico. Estes tubos possuem parede dupla, sendo a parede interna lisa (superfície que fica em contato com água de escoamento) e a parede externa com corrugações anelares ocas (ver Figura 2). A matériaprima utilizada na fabricação destes tubos contém polietileno de alta densidade reciclado (pósconsumo e pós indústria) e/ou polietileno reprocessado, cujo percentual na composição deve estar de acordo com os limites estabelecidos no item 1.2. Estes tubos devem atender aos requisitos e critérios especificados por esta Diretriz; Essa diretriz avalia os seguintes requisitos: densidade fluidez módulo de flexão tensão de escoamento na tração teor de negro de fumo tempo de oxidação induzida teor de cinzas teor de polipropileno resistência química. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.129 19 A diretriz também avalia o desempenho estrutural do produto, avaliando a rigidez anelar, conforme ISO 9969:2016, o achatamento, resistência ao impacto, fissuramento sob tensão com entalhe, resistência ao calor, e a durabilidade. Toda essa digressão foi efetuada para demonstrar que existem métodos para avaliar a rigidez e a flexibilidade de um produto, e que rigidez e resistência a impactos são características distintas, que podem conviver no mesmo produto. O produto pode ser flexível e apresentar resistência anelar, em cada anel do elemento corrugado, por exemplo. Porém para efeitos de classificação fiscal de mercadoria, o SH elegeu diferenciar os produtos entre flexíveis e rígidos em um primeiro momento, para apenas em um segundo momento fazer a diferenciação dos produtos relativa à resistência (vide descrição da NCM 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa). Voltando aos produtos em análise devemos identificar o produto para saber se eles são rígidos ou não. O TVF informa que foram utilizadas informações obtidas em diligência à empresa para visita técnica, análise de informações constantes no sítio eletrônico da empresa na internet, catálogo de produtos, informações prestadas pela empresa nos seus documentos fiscais, imagens dos produtos, forma de comercialização dos produtos em bobinas para firmar seu convencimento que estava diante de produtos flexíveis, e que o fato de utilizarse para sua produção PVC rígido não significa que se está a produzir um produto rígido. Fl. 1138DF CARF MF 20 A empresa apresenta Parecer Técnico, por ela solicitado ao engenheiro Eduardo A. C. Monteiro, em que discorre sobre a definição e características do PVC, policloreto de vinila, e informa que a diferenciação entre produtos rígidos ou flexíveis é feita pela detecção da presença ou não de óleo plastificante, e os produtos produzidos pela recorrente não utilizam em sua formulação aditivos plastificantes e que por isso são produtos rígidos Para o técnico a classificação de um eletroduto de PVC, em rígido e flexível, tem como base a sua resistência mecânica e a sua aplicação se baseia fundamentalmente nesta capacidade de suportar aos esforços de compressão quando a eles submetidos. Discordo do parecer técnico, pois a norma ABNT utilizada faz a diferenciação entre resistência à curvatura e à compressão, o que demonstra que não se pode tomar uma resistência pela outra. Pelos documentos citados e a leitura atenta do material técnico disponível para o tema, concluímos que os tubos corrugados são compostos de vários anéis. Esses anéis são juntados entre si por material de PVC. Cada anel pode apresentar rigidez (por isso algumas normas trazem testes quanto à rigidez anelar) se considerado isoladamente, mas o tubo, ao conectar os anéis permite que haja uma flexibilidade no produto como um todo. A característica principal dos tubos corrugados é permitir a realização de curvaturas com mudança de direção, dispensando o uso de conexões. Superada a questão quanto a característica dos produtos, concluo a partir de todas as elucubrações efetuadas que os produtos fabricados pela recorrente são produtos flexíveis. Portanto estamos diante da NCM para a subposição 3917.3 outros tubos, pela aplicação da RGI6: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Percorrendo a trilha do procedimento para classificação da mercadoria, agora devemos analisar a subposição de 2º nível: 3917.3 Outros tubos: 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.90 Outros 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 Outros Já concluímos que estamos diante de tubos flexíveis, para os dois produtos. Pela aplicação da RGI6 temos que verificar entres os textos das subposições, qual o melhor Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.130 21 descreve o produto. Para o produto "eletroduto corrugado" as subposições 3917.31 e 3917.32 são possíveis, desde que se esclareça qual a pressão mínima suportada por ele. Já o produto "tubo extensível universal" são possíveis as subposições 3917.31 e 3917.33. A recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral. Quanto especificamente ao produto fabricado pela recorrente temos a informação em email interno da empresa, já que o Parecer Técnico esclarece pontos relativos a tubos corrugados em geral e não realiza uma análise do produto da recorrente: No catalogo de produtos disponível no site da empresa consta que: O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. ... Toda instalação elétrica deve possuir um projeto de instalação que ofereça segurança ao usuário, atendendo às especificações exigidas pela NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho. ... Os eletrodutos são fornecidos em bobinas de 25 e 50 metros, facilitando sua aplicação, gerando uma economia de tempo e reduzindo a quantidade de conexões. Em casos de aproveitamento dos segmentos que sobraram durante a instalação, estes poderão ser unidos por meio de luvas de pressão. ... A nova norma de eletrodutos plásticos ABNT NBR 15465:2007 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho – classifica os eletrodutos plásticos da seguinte forma: Fl. 1140DF CARF MF 22 Para a norma ABNT, os eletrodutos da empresa, como apresentam resistência mecânica média e leve, estão sujeitos a esforços de compressão de até 320N e 750N: Para as aplicações em que os eletrodutos e suas conexões ficam submetidos a esforços de compressão de até 320N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "leve", para esforços até 750N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "médio", para esforços de compressão de até 1250N, devese utilizar a classe de resistência mecânica "pesado". A NCM 3917.31.00 descreve os tubos flexíveis que podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa. O pascal (Pa) é uma unidade padrão de pressão e equivale à força de 1 (um) Newton aplicada uniformemente sobre uma superfície de 1 (um) m2. Logo 27,6 Mpa equivale a 27.600.000 Newton/metro2. Concluímos que a pressão suportada pelos produtos está muito abaixo do mínimo estipulado pela NCM 3917.31.00, não atendendo a descrição da mercadoria ao que está descrito nessa NCM. Chegamos a conclusão que pela aplicação da RGI6 para o produto "eletroduto corrugado" é aplicável a subposição 3917.32. E como o produto é fabricado com PVC, policloreto de polivinila, deve ser aplicada a NCM 3917.32.90. Para o produto "tubo extensível universal" concluímos pela subposição 3917.33, e como não existe desdobramento para essa subposição temos que se aplica a NCM 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios. Já que segundo o catálogo da empresa esse sifão extensível universal vem acompanhado de acessórios. Depois dessa longa explicação concluo por negar provimento ao Recurso Voluntário e pela manutenção da Classificação Fiscal identificada pela Fiscalização no auto de infração. Existem outros dois argumentos constantes do Recurso Voluntário que precisam ser enfrentados: (ii) argumento respeitante ao caráter confiscatório, desproporcional e desarrazoado da multa; e (iii) nulidade do auto de infração lavrado pela impossibilidade de Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.131 23 alteração do entendimento quanto à classificação fiscal do produto, o que caracteriza erro de direito, em afronta aos arts. 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional. O primeiro argumento foi enfrentado pelo Ilustre Relator, que votou pelo não conhecimento, e tomo a liberdade de reproduzir seus termos por ter acompanhado seu entendimento: Os argumentos sobre o caráter confiscatório, desproporcional e desarrazoado da multa, bem como aqueles concernentes à suposta ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, são veiculados, de maneira inaugural, no recurso voluntário interposto pela contribuinte, não havendo notícia de terem sido vertidos no momento da impugnação. De acordo com o inciso II do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993, a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. E, de acordo com o art. 17 do mesmo Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532/1997, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. Não se tratando de nenhuma das hipóteses excepcionais que permitam a apresentação de tópicos intempestivos de defesa, entendo que sobre eles operam os efeitos da preclusão consumativa na jurisdição administrativa, motivo pelo qual não devem ser conhecidos. Já o argumento sobre a nulidade do auto de infração pela impossibilidade de alteração do entendimento quanto à classificação fiscal do produto, o que caracteriza erro de direito, em afronta aos arts. 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, tenho votado pela possibilidade de alteração e mantenho esse entendimento. Quanto a mudança de critério jurídico, esse assunto já foi amplamente debatido por esse Conselho, sendo já a posição predominante que é possível a revisão aduaneira, e somente para citar exemplos do último ano: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, Fl. 1142DF CARF MF 24 efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 24/10/2017. Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO. Acórdão 3401004.020 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 26/06/2017. Relator ROSALDO TREVISAN. Acórdão 3401 003.812. E também acórdãos nºs 3201003.744, 9303006.839, 9303006.332, 3201 003.661, 3301004.095, 3302005.322 e muitos outros. Por todo a exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10920.721866/201352 Acórdão n.º 3401005.133 S3C4T1 Fl. 1.132 25 Fl. 1144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007215/2006-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
INSTALAÇÃO DE GÁS. DESNECESSIDADE DE PROFISSIONAL HABILITADO.
Na atividade de instalação de gás, restou demonstrando não ser necessário engenheiro para a realização, não se confundindo com construção civil. Súmula 57 CARF.
Numero da decisão: 1003-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INSTALAÇÃO DE GÁS. DESNECESSIDADE DE PROFISSIONAL HABILITADO. Na atividade de instalação de gás, restou demonstrando não ser necessário engenheiro para a realização, não se confundindo com construção civil. Súmula 57 CARF.
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DESNECESSIDADE DE PROFISSIONAL HABILITADO. Na atividade de instalação de gás, restou demonstrando não ser necessário engenheiro para a realização, não se confundindo com construção civil. Súmula 57 CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 72 15 /2 00 6- 81 Fl. 56DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0811090 da 4ª Turma da DRJ/FOR, de 06/07/2007, o qual negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Em fiscalização realizada pelo INSS, concluiuse que a empresa Recorrente realizava atividade vedada, qual seja, construção civil (lei nº 9.317/96, art. 9º, V). Em razão da Representação Fiscal recebida, a Secretaria da Receita Federal expediu Ato Declaratório Executivo nº 64, de 17 de agosto de 2006, excluindo a Recorrente do Simples Federal, em virtude da referida empresa se enquadrar na hipótese de vedação/exclusão imposta pelo art. 9º, XII, alínea "f' da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. A Recorrente apresentou pedido de revisão da exclusão do Simples informando que não exerce atividade de construção civil e que todos os seus registros são de instalação e manutenção de gás. A DRJ/FOR julgou improcedente o pedido, fundamentando que a empresa exerce a atividade de construção civil em razão de serviços auxiliares. Inconformada com o julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, defendendo que não efetua a atividade de construção civil, pois não constrói imóveis, sendo sua atividade unicamente os serviços e distribuição de gás de tubulações (condomínios, casas e apartamentos). Declara que os serviços de instalação de tubulação de gás não guardam qualquer liame com os serviços de obra de construção civil, esses serviços não se identificam com a atividade desenvolvida pela Recorrente. O Ato Normativo nº 30/99 não inclui, nem indiretamente, a Recorrente como empresa de construção civil. Destaca que a administração pública está adstrita ao Princípio da Estrita Legalidade e, por conseguinte, o ente público não pode estabelecer regras e interpretações extensivas acerca de normas jurídicas. Por fim, requereu a reforma da decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/FOR no acórdão de nº 08.11090, e a reinclusão da empresa no Simples. É o Relatório Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. O objeto deste processo é identificar se as atividades desempenhadas pela empresa Recorrente incluem obras de construção civil. O Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30 , de 13 de outubro de 1999, dispõe sobre a vedação ao exercício da opção pelo Simples aplicável à atividade de construção e determina conforme abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10380.007215/200681 Acórdão n.º 1003000.091 S1C0T3 Fl. 3 3 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria Ministerial No 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso V do art. 9o da Lei No 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pelo art. 4o da Lei No 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: I a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; II sondagens, fundações e escavações; III construção de estradas e logradouros públicos; IV construção de pontes, viadutos e monumentos; V terraplenagem e pavimentação; VI pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e VII quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. As obras de construção civil são classificadas, pois como a construção, a demolição, a reforma ou ampliação de edificação ou de qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo, excetuandose a reforma de pequeno valor. Os serviços de instalação e manutenção de gás não estão enquadradas como construção civil, o que se conclui a partir das normas internas que dispõem sobre a forma de tributação de determinadas empresas no Simples, vide abaixo: ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO RFBNº8,DE30 DE DEZEMBRO DE 2013 O SECRETÁRIOADJUNTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere os incisos III do art. 280 e inciso I do art. 281 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 17, XI, XII, § 1º, art. 18, §5ºB, IX, §5ºC, §5ºF, §5ºH, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, declara: Art. 1º Os serviços de pintura predial, instalação, manutenção e reparação hidráulica, elétrica, sanitária, de gás, de sistemas contra incêndio, de elevadores, de escadas e esteiras rolantes exercídos por microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte Fl. 58DF CARF MF 4 (EPP) optante pelo Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, são tributados pelo Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006, e não estão sujeitos à retenção da contribuição previdenciária prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991. Parágrafo único. Caso a ME ou EPP seja contratada para construir imóvel ou executar obra de engenharia em que os serviços de pintura predial e instalação hidráulica, elétrica, sanitária, de gás, de sistemas contra incêndio, de elevadores, de escadas e esteiras rolantes façam parte do respectivo contrato, sua tributação ocorrerá juntamente com a obra, na forma do Anexo IV da Lei Complementar nº 123, de 2006. Em fiscalização, os agentes do INSS entenderam que as atividades auxiliares à atividade principal da empresa se caracteriza como construção civil, porém tal fato não corresponde com a interpretação dada pelas próprias normas legais que trata de construção civil. O simples fato de ser necessário ajustes ou pequenos serviços para que ocorra a instalação do gás não pode ser confundido com construção civil, do contrário seria necessária a presença de profissional habilitado (engenheiro) para conduzir todas essas obras. Contudo, tal fato sequer é ventilado na Representação Fiscal ou nas decisões posteriores. Nas notas fiscais colacionadas aos autos (fls. 06 a 10), verificase, claramente, que o serviço principal prestado foi a instalação predial de gás. Não há nos autos comprovação de que a empresa exerça a atividade de construção civil. O CARF possui entendimento pacificado de que atividades que não necessitam de profissional habilitado como engenheiros, podem ser incluídos no Simples Federal, conforme se conclui da Súmula 57, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em razão dessas considerações, deve ser reformado o acórdão da DRJ e deve ser a Recorrente reincluída no Simples. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005386/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ADIN Nº 2.588. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP 2.158-35/2001.
Por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.158-35/2001, decidindo pela inconstitucionalidade do seu parágrafo único, devem ser cancelados os lançamentos relativos aos anos-calendário até 2001.
Numero da decisão: 1402-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002, 2003 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ADIN Nº 2.588. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP 2.158-35/2001. Por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.158-35/2001, decidindo pela inconstitucionalidade do seu parágrafo único, devem ser cancelados os lançamentos relativos aos anos-calendário até 2001.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 624 1 623 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.005386/200519 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.255 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria IRPJ/LUCROS NO EXTERIOR Recorrente GERANIUM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ADIN Nº 2.588. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP 2.15835/2001. Por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.15835/2001, decidindo pela inconstitucionalidade do seu parágrafo único, devem ser cancelados os lançamentos relativos aos anoscalendário até 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 53 86 /2 00 5- 19 Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 625 2 Relatório Tratase de retorno dos autos em face de decisão exarada pela E. CSRF em 18/07/2012 (Ac. 910101.418 – fls. 572/578) que, acolhendo Recurso Especial manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, REFORMOU A DECISÃO a quo prolatada pela então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (fls. 530/535) que havia exonerado os lançamentos em sede de preliminar, por decadência1, determinando que a Turma de origem procedesse ao julgamento do mérito, não apreciado no primeiro instante. A decisão da Câmara Superior restou assim ementada: IRPJ TERMO INICIAL CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR A fixação do termo inicial para a contagem do prazo de decadência, na hipótese de lançamento sobre lucros apurados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a sua disponibilização, e não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. CSL LANÇAMENTO DECORRENTE – O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Contra essa decisão, a recorrente interpôs embargos de declaração, conhecidos e acolhidos, porém sem efeitos infringentes (fls. 606/609): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. RERRATIFICAÇÃO. 1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IRPJ — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. PROCEDIMENTO REFLEXO — CSLL Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ)Y constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terein suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, até o anocalendário 1999. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio José Praga de Souza que dava provimento parcial ao recurso, para cancelar as exigências até o anocalendário de 1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 626 3 Restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo embargante, impõese o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão. INTIMAÇÃO. PROCURADORIA. A Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do art. art. 82 do RICARFAnexo II, vigente à época dos fatos, se considera intimada 30 dias após a entrega dos autos à PGFN (inteligência do art. 23, §§ 8º e 9º, do Decreto nº 70.235/72, e do art. 82 do Anexo II do RICARF/2009). Embargos Parcialmente Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, Embargos conhecidos e acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. Consoante Acórdão do RE, caberia o retorno dos autos à Turma de origem para apreciar a matéria de mérito. Excertos do voto condutor sintetizam o cenário (com destaques acrescidos): “O Recurso Especial versa sobre o momento da ocorrência do fato gerador, para fins de contagem da decadência, de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior entre os anoscalendário de 1998 e 1999. Tendo em vista que o Recurso Especial de Divergência versa sobre prazo decadencial, matéria preliminar, e considerando que o resultado de julgamento consta que foi acolhida a preliminar e, no mérito dado provimento ao recurso, em um primeiro momento entenderia que há insuficiência das razões recursais, porquanto ainda que provido o Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, este não teria o condão de alterar o quanto decidido. Ocorre que da leitura do acórdão recorrido, verifico que o provimento dado ao recurso cingese exclusivamente à preliminar de decadência, inclusive e especificamente para os anoscalendário de 2001 e 2002, que se reportam à tributação dos lucros auferidos nos anoscalendário de 1998 e 1999. Nessa medida, em reexame de conhecimento do Recurso Especial, reitero pelo seu conhecimento. (...) Muito bem, se não houve disponibilização até 2002, então este é o fato gerador, porquanto corresponde à data limite para o reconhecimento da disponibilização, ainda que fictícia, do lucro auferido no exterior. Sobre o momento da disponibilização, às fls. 29/32, o Termo de Verificação Fiscal demonstra cálculo em que corretamente exclui o lucro acumulado até 31/12/1995, porquanto não poderia ser tributado, computando este como disponibilizado em 2000, remanescendo saldo de lucro até 1995, disponibilizado em 2001, como reconhecido pela própria contribuinte, cuja declaração foi transcrita às fls. 28. Nessa medida, Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 627 4 tributou no anocalendário de 2001, apenas o lucro efetivamente disponibilizado nesse ano, excluindo dele o saldo do lucro acumulado até 1995, que ainda não havia sido disponibilizado. Respeitado assim o fato gerador, porquanto afasto a decadência para os lucros disponibilizados em 2001, acumulados até 1999. O restante do lucro acumulado foi considerado disponibilizado nos termos do artigo 74 da MP 215835/2001, em 31/12/2002, respeitandose também o prazo decadencial, conforme artigo 150, § 4º do CTN, uma vez que o lançamento foi notificado ao contribuinte em 26/04/2005. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência e determinar o retorno à Câmara a quo para que sejam apreciadas as demais alegações de mérito, mesmo porque o contribuinte reforça, inclusive, em suas contrarrazões, a não tributação dos lucros auferidos até o ano calendário de 1999, por força da Convenção BrasilPortugal, dentre outras matérias”. Os autos foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da anterior Turma Julgadora (fls. 623). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 628 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Já foi atestada a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 475/505) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Em relação à matéria que retorna para apreciação (posto que a preliminar de decadência foi superada pela decisão da E. CSRF), o que se tem é discussão acerca da tributação dos lucros auferidos por controlada de empresa brasileira no exterior. Conforme acusação fiscal (TVF – fls. 20/34), reproduzida no relatório da decisão da DRJ (fls. 459/471), “Nos anoscalendário de 1995 a 2002, a empresa, ora autuada, participou com 100% (1995 e 1996) do capital da empresa Vega Investiments INC, nas Ilhas Virgens Britânicas, que a partir de 23/12/1996 passou a ser denominada Rector Consultadoria e Investments Lda, com sede na Ilha da Madeira, Portugal (tratase, portanto, da mesma controlada), país (dependência) com tributação favorecida, conforme disposto no artigo 24 da Lei n° 9.430, de 1996 e IN SRF 188/2002. Constatouse que: a controlada possuía lucros acumulados até o ano de 1995; apurou lucro nos anos de 1996 a 2000 e, prejuízo nos anos de 2001 e 2002; e que os lucros apurados não foram tributados em Portugal e tampouco no Brasil. Intimado, a autuada esclarece que devido à Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre os Rendimento entre o Brasil e Portugal, os lucros auferidos pela controlada não estavam sujeitos à tributação no Brasil. Em 31/10/2002, por meio da quinta alteração contratual da empresa Geranium Administração e Participações Ltda toda a participação na Rector Consultadoria e Investments Lda foi cedida para as pessoas físicas Gabriel Donato de Andrade e Vera Furtado de Andrade. Segundo a legislação então vigente, a partir do anocalendário de 1996, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, passaram a ser tributados pelo imposto de renda no Brasil. Verificouse que a autuada adicionou ao lucro líquido para determinação do lucro real, os lucros auferidos no exterior, pela controlada, nas DIPJs de 1999 (R$ 6.862.614,63, referente aos lucros acumulados até 1997 e o lucro auferido em 1998), 2000 (R$ 4.419.267,76, referente ao lucro auferido em 1999) e 2001 (R$ 3.014.710,95, referente ao lucro auferido em 2000), ao mesmo tempo em que os excluiu do lucro líquido para determinação do lucro real”. A seguir, discorre o autuante: “Novamente intimada, demonstrou as disponibilizações de lucros efetuadas pela controlada Rector Consultadoria e Investments Lda, nos anos calendários de 2000 (R$ 2.424.450,12), 2001 (R$ 3.237.623,81) e 2002 (R$ 3.396.765,00), todas referentes a lucros acumulados até o anocalendário de 1999 e declarou que os dividendos pagos pela controlada estão registrados em suas demonstrações financeiras, e foram transferidos para contas correntes em estabelecimentos bancários no exterior, por ordem do sócio da sociedade Geranium Administração e Participações Ltda. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 629 6 A autuada não fez constar em suas DIPJs 2001, 2002 e 2003 os lucros disponibilizados nos respectivos anoscalendário. A fiscalização, concluiu, com base nos lucros auferidos pela controlada, e na legislação vigente, que os lucros auferidos pela controlada no exterior Rector Consultadoria e Investments Lda, até 1998 e 1999, segundo a legislação vigente, não poderiam constar das DIPJs de 1999 e 2000. A controlada, até 1995 possuía lucro acumulado não disponibilizado no montante de R$ 2.439.033,54, e segundo as disposições da Lei n° 9.249, de 1995 (artigos 25 a 27), alcançam somente os lucros auferidos no exterior a partir de 10 de janeiro de 1996, ainda que posteriormente disponibilizados. Em 2000 o valor de R$ 2.424.450,12 disponibilizado foi considerado parte do lucro acumulado até 1995 não disponibilizado, não devendo, portanto, sofrer tributação; do lucro disponibilizado em 2001, no valor de R$ 3.237.623,81, parte foi considerado auferido até 1995 — R$ 14.583,42, e a diferença, no montante de R$ 3.223.040,39 deve ser adicionado ao lucro líquido do exercício em 31/12/2001. O lucro disponibilizado em 2002, no valor de R$ 3.396.765,00 deve ser adicionado ao lucro líquido do exercício em 31/12/2002. Em 2001, houve aumento de capital de R$ 6.200,00, resultante da incorporação dos "resultados transitados", na Rector Consultadoria e Investments Lda. Esse valor utilizado para aumento de capital deve ser adicionado ao lucro líquido no ano de 2001, porque segundo a legislação, caracteriza uma das hipóteses de disponibilização dos lucros. Assim, foram tributados os lucros disponibilizados em 2001 e 2002, como a seguir se demonstra”: Valores que se confirmam nos autos de infração (fls. 6/19): Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 630 7 Em suas peças recursais a recorrente invoca decadência (tema já superado) e tratados internacionais firmados pelo Brasil e que, segundo seu pensamento, impediriam a tributação pretendida pelo Fisco. Pois bem, em que pesem todos os argumentos do Fisco e a contraparte da recorrente, o tema comporta hoje (2018), uma visão totalmente diferente daquela que se via à época dos fatos, dos lançamentos, da impugnação, da decisão de 1º Grau, do recurso voluntário e mesmo do Recurso Especial manejado pela PGFN (2010) e da prolação do Ac. pertinente a este recurso pela E. CSRF em 18/12/2012. Isto porque, em sede da ADIN nº 2.588, a Suprema Corte decidiu acerca da constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 631 8 CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. (destaquei) Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 632 9 Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da cláusula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (sublinhei) Com essa decisão, ainda que outros pontos do questionamento levado à Suprema Corte tenham permanecido em compasso de espera de uma futura definição, inclusive no que tange ao caput do dispositivo, restou claro que o parágrafo único do artigo 74, da MP nº 2.158/2001 foi declarado INCONSTITUCIONAL, por isso não pode produzir quaisquer efeitos jurídicos. Para melhor visualização, vejase a reprodução do artigo 74 e de seu parágrafo único: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Vide ADI nº 2588) Significa que, independentemente de terem sido auferidos por controlada ou por coligada, com localização em países com tributação favorecida ou não, os lucros apurados até 31/12/2001 que, por ficção, eram levados a ter o fato gerador em 31/12/2002, não mais tem tal conformação, por inconstitucionalidade da norma que impunha referido regramento. No caso tratado, claramente os lucros tomados pelo Fisco para consecução dos lançamentos pertencem a anoscalendário anteriores a 2001. A propósito, vejase o TVF (fls. 30/31/32): Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10680.005386/200519 Acórdão n.º 1402003.255 S1C4T2 Fl. 633 10 Portanto, sem mais delongas e mesmo que a recorrente não tenha pleiteado pela inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, a matéria decidida pelo Supremo gera efeito vinculante a este Conselho, razão pela qual deve ser reconhecida de ofício. Desta forma, como a fiscalização tributou o período de 1996 a 2001 com base no dispositivo legal decretado, posteriormente, inconstitucional, devese aplicar a decisão da ADIN nº 2.588 ao presente caso, pelo que encaminho meu voto no sentido de afastar os lançamentos aqui tratados. Tendo a decisão sido favorável à recorrente, eventuais outros argumentos colocados no recurso voluntário restam prejudicados e não necessitam ser apreciados. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos constantes nos AI (fls. 6 e 19). É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 633DF CARF MF
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Numero do processo: 13976.000291/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO.COFINS. JUROS.
É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigo 13, da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-005.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO.COFINS. JUROS. É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigo 13, da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 02 91 /2 00 5- 73 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13976.000291/200573 Acórdão n.º 3302005.709 S3C3T2 Fl. 279 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 255259: Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins (11. 01), protocolizada em 11/08/2005, relativo ao 20 trimestre de 2005, no valor de R$ 259.553,83, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei no Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A DRF em Joinville/SC, por meio do Despacho Decisório de fls. 226/230, a partir das informações fornecidas pela interessada, reconheceu parcialmente o direito creditório postulado, considerando o valor de R$ 245.438,92 como o saldo dos créditos da contribuição para a Cofins, remanescente ao final do 2" trimestre de 2005, passível de ressarcimento e compensação. Cientificada em 29/01/2008 (fl. 244), a interessada, por intermédio de seu representante legal, ingressou com a manifestação de inconformidade de 11. 248, argumentando que foi reconhecido tãosomente o valor originário, sem que houvesse a incidência de correção monetária, ainda que o pedido tenha sido protocolado em 11/08/2005 e julgado somente em 06/11/2007, com ciência ern 29/01/2008. Entende fazer jus do valor de R$ 326.605,57, que se espera ser deferido, com o reconhecimento da correção monetária sobre os valores pleiteados, desde a data do pedido até a data do efetivo pagamento. Salienta que a aplicação da Selic, no caso, encontra amparo em decisões proferidas no Conselho de Contribuintes, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Em 18 de fevereiro de 2009, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. E incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Se lic sobre valores deferidos a titulo de ressarcimento de créditos relativos a Cofins, por falta de previsão legal. Intimada da decisão em 11.03.2009 (fls.262), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09.04.2009 (fls.263267), reproduzindo novamente suas razões apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13976.000291/200573 Acórdão n.º 3302005.709 S3C3T2 Fl. 280 3 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 11.03.2009 (fls.262) e protocolou Recurso Voluntário em 09.04.2009 (fls.263267), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito O cerne da questão está na possibilidade de atualizar créditos da COFINS que foram objeto de pedido de ressarcimento. Conforme julgou acertadamente a DRJ, há previsão expressa na legislação do COFINS estabelecendo a impossibilidade de correção monetária para créditos objetos de pedidos de ressarcimento. Prescreve o artigo 13, VI da Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Neste cenário, havendo vedação expressa da lei, não pode o órgão administrativo afastála com base em afronta a princípios constitucionais, conforme pretende a Recorrente. Aliás, é salutar lembrar que o órgão Administrativo Julgador é incompetente para afastar qualquer lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme prescrevem o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e o artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Não bastasse isso, insta tecer que questão sob análise não é nova neste Conselho, já foi analisada nos autos do PA 13976.000487/200568; 13976.000036/200521; 13976.000206/200577; 13976.000205/200522, todos instaurados contra a Recorrente e, que decidiram por afastar as pretensões deduzidas pelo contribuinte sobre a incidência da taxa Selic, a saber: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. JUROS.É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003. (13976.000206/200577) 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13976.000291/200573 Acórdão n.º 3302005.709 S3C3T2 Fl. 281 4 III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002562/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. DEFINIÇÃO.
O conceito atualmente em vigor de receita operacional bruta, para o fim de cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não abrange o valor das vendas, nos mercados interno e externo, de produtos adquiridos de terceiros, que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica beneficiária do crédito presumido.
Esse conceito foi introduzido pela Portaria MF nº 64, de 2003, e somente se aplica a partir de 26 de março de 2003, data de sua publicação no Diário Oficial da União.
A definição anterior de receita operacional bruta, constante da Portaria MF nº 38, de 1997, e da IN SRF nº 23, de 1997, explicitada pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 13, de 1998, incluía no valor da receita operacional bruta a receita de operações de mera revenda, nos mercados interno e externo, e vigorou até 26 de março de 2003, aplicando-se a todos os fatos ocorridos até essa data.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO "NT".
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Súmula CARF nº 20.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE.
No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO.
Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma.
SALDO NEGATIVO DE CORRENTE DE AJUSTE DE TRIMESTRE DE ANO ANTERIOR.
O saldo negativo de crédito presumido, decorrente de ajustes de trimestres anteriores, deve ser considerado na apuração do crédito presumido de períodos seguintes, sob pena de aproveitamento indevido daquele. O mesmo se dá em relação ao saldo negativo de crédito presumido apurado no último período de apuração do benefício pela contribuinte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS.
Numero da decisão: 3302-005.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reverter a glosa quanto à exclusão das receitas financeiras, decorrentes de variação cambial, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, para reverter a glosa quanto ao crédito na aquisição de matéria-prima de pessoa física e para reconhecer o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC, a partir de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Jorge Lima Abud que davam provimento em menor extensão para manter a glosa sobre variações cambiais e o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento em maior extensão para excluir as receitas de revenda de mercadorias da receita operacional bruta, na vigência da Portaria MF nº 38/1997.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. DEFINIÇÃO. O conceito atualmente em vigor de “receita operacional bruta”, para o fim de cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não abrange o valor das vendas, nos mercados interno e externo, de produtos adquiridos de terceiros, que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica beneficiária do crédito presumido. Esse conceito foi introduzido pela Portaria MF nº 64, de 2003, e somente se aplica a partir de 26 de março de 2003, data de sua publicação no Diário Oficial da União. A definição anterior de “receita operacional bruta”, constante da Portaria MF nº 38, de 1997, e da IN SRF nº 23, de 1997, explicitada pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 13, de 1998, incluía no valor da “receita operacional bruta” a receita de operações de mera revenda, nos mercados interno e externo, e vigorou até 26 de março de 2003, aplicandose a todos os fatos ocorridos até essa data. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO "NT". A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Súmula CARF nº 20. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 25 62 /2 00 9- 59 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 3 2 exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma. SALDO NEGATIVO DE CORRENTE DE AJUSTE DE TRIMESTRE DE ANO ANTERIOR. O saldo negativo de crédito presumido, decorrente de ajustes de trimestres anteriores, deve ser considerado na apuração do crédito presumido de períodos seguintes, sob pena de aproveitamento indevido daquele. O mesmo se dá em relação ao saldo negativo de crédito presumido apurado no último período de apuração do benefício pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reverter a glosa quanto à exclusão das receitas financeiras, decorrentes de variação cambial, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, para reverter a glosa quanto ao crédito na aquisição de matériaprima de pessoa física e para reconhecer o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC, a partir de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Jorge Lima Abud que davam provimento em menor extensão para manter a glosa sobre variações cambiais e o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento em maior Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 4 3 extensão para excluir as receitas de revenda de mercadorias da receita operacional bruta, na vigência da Portaria MF nº 38/1997. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório O presente processo tem por objeto o pedidos de ressarcimento de IPI referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, com a utilização de crédito presumido, com albergue na Lei nº 10.276/2001. Devidamente protocolados, após a análise dos pedidos cotejados com documentação acostadas aos autos pela contribuinte, promoveuse o despacho decisório, no qual foi reconhecido parcialmente os créditos. Inconformada com o que fora decidido no despacho acima referido, a contribuinte recorrente apresentou manifestação de inconformidade contestando os seguintes tópicos da decisão: a) Inclusão da receita auferida com comercialização de produtos adquiridos para revenda na receita operacional bruta (ROB); b) Exclusão dos valores relativos às vendas de produtos "NT" da receita bruta de exportação; c) Exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da receita bruta de exportação; d) Glosa das aquisições de pessoas físicas da base de cálculo do crédito presumido; e) Glosa das aquisições para revenda da base de cálculo do crédito presumido; f) Exclusão proporcional às glosas de itens em elaboração e acabados e não vendidos; g) Deduções dos créditos presumidos negativos apurados no ano de 2002 e no 4º trimestre de 2003; Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 5 4 h) Incidência de atualização monetária e juros de mora e incidência da taxa SELIC. Sobreveio então o Acórdão 1461.871, da 8ª Turma da DRJ/RPO, Sessão de 12 de julho de 2016, onde por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo o crédito apontado no despacho decisório da DRF, recebendo a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. DEFINIÇÃO. O conceito atualmente em vigor de “receita operacional bruta”, para o fim de cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não abrange o valor das vendas, nos mercados interno e externo, de produtos adquiridos de terceiros, que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica beneficiária do crédito presumido. Esse conceito foi introduzido pela Portaria MF nº 64, de 2003, e somente se aplica a partir de 26 de março de 2003, data de sua publicação no Diário Oficial da União. A definição anterior de “receita operacional bruta”, constante da Portaria MF nº 38, de 1997, e da IN SRF nº 23, de 1997, explicitada pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 13, de 1998, incluía no valor da “receita operacional bruta” a receita de operações de mera revenda, nos mercados interno e externo, e vigorou até 26 de março de 2003, aplicandose a todos os fatos ocorridos até essa data. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Procurador Provido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. A receita de venda para o exterior de produtos não tributados deve ser excluída da receita bruta de exportação para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 6 5 As variações cambiais, por expressa disposição legal, são classificadas como receitas financeiras, não compondo, portanto, a receita bruta de exportação para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO SOB A ÉGIDE DA LEI N° 10.276/2001. Não são aplicáveis ao regime de apuração da Lei n° 10.276/2001 as conclusões do RESP 993.164/MG, adotadas em âmbito tributário federal pelas Notas PGFN/CRJ n° 1.114/2012 e 1.155/2012, dado que relativas à redação da Lei n° 9.363/1996, que não continha a expressão "A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput" contida na Lei n° 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO. A Lei n° 10.276/2001, em seu art. 1º, §§ 1º e 2º, restringe o cálculo do crédito presumido às aquisições de insumos, correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não abrangendo as mercadorias adquiridas para revenda, sob pena de violação ao art. 111 do CTN. SALDO NEGATIVO DE CORRENTE DE AJUSTE DE TRIMESTRE DE ANO ANTERIOR. O saldo negativo de crédito presumido, decorrente de ajustes de trimestres anteriores, deve ser considerado na apuração do crédito presumido de períodos seguintes, sob pena de aproveitamento indevido daquele. O mesmo se dá em relação ao saldo negativo de crédito presumido apurado no último período de apuração do benefício pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. Ainda que expressamente vedada nos atos normativos da Receita Federal, a correção do valor ressarcido pela taxa SELIC será admitida após decorridos 360 dias do pleito, por força da Nota PGFN/CRJ nº 775/2014, que inseriu a matéria na relação de Recursos Especiais Repetitivos (STJ), aos quais está vinculada a Receita Federal, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 7 6 Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Destacase que a matéria trazida ao debate, já foi ou é objeto de diversos outros processos, que tramitaram ou continuam a espera de resolução, versando, contudo, sobre períodos de apuração diversos. Vale ressaltar que este Conselheiro não afastase das linhas decisórias, trazidas pelos acórdãos anteriores, destacando o de nº 3102002.031. I DO MÉRITO I.1 Receita Operacional Bruta O acórdão da DRJ/RPO, contra ao qual se insurge a contribuinte recorrente, explanando sobre a aplicação das normas no tempo, explicou de forma bem clara as regras para se estabelecer a receita operacional bruta. Conforme bem explanado, a definição da receita operacional bruta, onde eram incluídas as receitas de operação de revenda, no mercado interno e externo, foi aplicada até 26/03/2003, somente após a entrada em vigor. Como se vê, no que tange aos critérios adotados pela fiscalização para a apuração da receita operacional bruta, os argumentos trazidos pela contribuinte recorrente baseiamse em legislação posterior a parte dos períodos de apuração objeto do pedido de ressarcimento. Assim, aos fatos ocorridos em data anterior a 26/03/2003, aplicase a definição de receita bruta esposada pela Portaria MF nº 38, e IN SRF nº 23, ambas de 1997, já, aos fatos ocorridos após esse marco temporal, aplicamse as definições esculpidas na IN SRF nº 315/2003. Dessa forma, insustentáveis são as alegações da recorrente em sentido contrário. I.2 Crédito Presumido IPI. Exportação De Produto Não Tributado (NT). Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 8 7 A matéria aqui debatida já foi objeto de discussão neste Colegiado quando da análise do processo nº 10880.970247/201141, que originou o Acórdão nº 3302.004.637, oportunidade em que decidiuse à unanimidade pela impossibilidade de o contribuinte aproveitarse de suposto crédito advindo das operações de exportação realizadas com produtos não tributados (NT). Corroborando o entendimento expresso no acórdão acima referido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em diversas ocasiões, vem pacificando a controvérsia, estabelecendo que a exportação de produtos NT, situados fora o campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI, podendo ser destacado o acórdão de nº 9303005.170, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Procurador Provido. Referido entendimento resultou inclusive na edição de Súmula do E. CARF, traduzida no verbete de nº 20, vejamos: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Por todo o acima exposto, no meu sentir, é a providência acertada a manutenção das glosas dos créditos pretendidos pela contribuinte recorrente, relacionados à exportação de produtos nãotributados pelo IPI. I.3 Exclusão das Receitas Financeiras da Base de Cálculo das Receitas de Exportação No acórdão da DRJ, que acompanhou as conclusões da fiscalização, restou consignado a impossibilidade de se considerar as diferenças decorrentes da alteração da taxa de câmbio ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, como variações monetárias passivas ou ativas, motivo pelo qual não comporiam a receita de exportação para o cálculo do crédito presumido. A contribuinte recorrente no recurso voluntário insurgese novamente contra a glosa promovida pela fiscalização, citando em seu favor os dispositivos da Portaria MF nº 356/1988. Situação semelhante fora tratada por esse colegiado no acórdão nº 3302 004.437, tendo por relatora a I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, para qual peço vênia, para tomar como razão de decidir sobre o presente ponto, vejamos: "(...) Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 9 8 O Supremo Tribunal Federal no RE 627.815/PR, recebido sobre o regime de repercussão geral, assim decidiu: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. (grifos não constam no original) No caso em análise, não se trata, portanto, de variação cambial "financeira", pois não se encontra no "contas a receber", mas sim de variação cambial da "receita de vendas", já que é contabilizada como receita de vendas, portanto, faz jus a Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 10 9 Recorrente ao crédito presumido de IPI sobre as receitas de exportação acrescidas (ou reduzidas) da variação cambial anteriores à data de fechamento do câmbio. Conforme expressou, o Supremo Tribunal Federal: "O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços". Nesse sentido, já decidiu este Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 A 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE MERCADORIAS NÃO CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES EXVI DA SUMULA Nº12 DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL. AS VARIAÇÕES CAMBIAIS COMPLEMENTARES OBJETO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL CONFORME DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA INTEGRAM A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. (CARF; 2ª Seção de Julgamento; 1ª Câmara; 2º Turma Ordinária; Acórdão nº 210200.157; Data do julgamento: 04/06/2009) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUT0S INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 A 30/09/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CREDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE MERCADORIAS NÃO CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 11 10 INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES EXVI DA SUMULA N° 12 DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO, VARIAÇÃO CAMBIAL. AS VARIAÇÕES CAMBIAIS COMPLEMENTARES OBJETO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL CONFORME DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA INTEGRAM A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.VISTOS RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR MOVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. (CARF; 3ª Seção de Julgamento; 3ª Câmara; 2ª Turma Ordinária; Acórdão nº 330200348; Data do julgamento: 18/03/2010) Portanto, reformase a decisão da DRJ/Ribeirão Preto no que concerne a tal ponto para considerar a variação cambial como receitas de vendas, especificadas nas notas complementares, fls. 57 a 64". No caso em tela, no sentir desse Conselheiro, há a necessidade de se reformar a decisão recorrida, para que seja considerada a variação cambial como receita de vendas para exportação, quando especificadas em notas complementares, emitidas com esse propósito. I.4 Aquisição de matérias primas pessoa físicas No presente ponto a insurgência da contribuinte recorrente recai sobre a glosa dos créditos de IPI observados quando da aquisição de matériaprima de produtores pessoas físicas, alegando que a negativa de aproveitamento de tais créditos, por estar localizada em veículos normativos infralegais, não poderia prosperar. O STJ decidiu, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que as Instruções Normativas que condicionam o crédito presumido previsto pela lei nº 9.363/1996 aos fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS o fazem em desacordo com o texto legal. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 12 11 INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 13 12 fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 14 13 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 15 14 A mesma matéria foi objeto da súmula 494 do STJ. Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. (Súmula 494, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012, DJe 13/08/2012) Embora o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001, e não do previsto na Lei nº 9.363/1996, não se pode olvidar que o entendimento proferido pelo STJ se adapta perfeitamente ao caso concreto, vez que também não há na lei de 2001 qualquer restrição ao crédito presumido oriundo das aquisições de pessoas físicas. Assim, a glosa dos créditos decorrentes da aquisição de algodão de pessoas físicas no mercado interno deve ser revertida, pois as restrições impostas a tal credito presumido não encontram guarida nos textos legais que o instituíram. No mesmo sentido já tem decidido este conselho em decisões da 2ª e 3ª Turmas Ordinárias da 4ª Câmara. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei no 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei no 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇOẼS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido somente as matérias primas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrializacã̧o em face do contato físico direto com o produto em fabricacã̧o, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicacõ̧es não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário. (Acórdão 3402002.738. Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula) Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 16 15 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IPI. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricacã̧o e que não sejam passíveis de ativacã̧o obrigatória. CULTIVO DE CANADEAÇÚCAR. ATIVIDADE AGRÍCOLA. INSUMOS EMPREGADOS. GLOSA. O valor das aquisicõ̧es de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) deve ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. TRANSFEREN̂CIA DE MATÉRIAPRIMA ENTRE FILIAIS. ESTOQUE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido as transferências de mateŕiaprima de produção própria entre as filiais, ou dentro da própria empresa, por não terem sido gravadas com as contribuições que o benefício visa a ressarcir. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CABIMENTO. No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisicõ̧es de pessoas físicas. (Acórdão 3403003.173. Relator: Rosaldo Trevisan) Desta forma, por todo o acima descrito, reconhecese o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente de aquisição de matériaprima de produtor pessoa física. I.5 Das aquisições para comercialização A contribuinte recorrente repete no Recurso Voluntário os mesmos termos utilizados na manifestação de inconformidade, quanto a alegação da possibilidade de incluir na Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 17 16 base de cálculo do credito presumido de IPI as receitas provenientes da comercialização de produtos adquiridos de terceiros. Ao seu favor invoca a tese de que a proibição mencionada passou a vigorar apenas com a edição da IN SRF nº 315/2003, o que não pode ser considerado como certo. Ao contrário do que repisa a recorrente, a vedação de creditamento do IPI verificado na revenda de produto adquirido de terceiros, não foi introduzida pela IN mencionada, ela esta expressamente descrita no art. 1º da Lei nº 9.363/96, senão vejamos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (destaque não consta do original) (...) Desta forma, mantêmse as glosas estabelecidas pela fiscalização e confirmadas no Acórdão recorrido. I.6 Base de Cálculo Produtos em elaboração e acabados não vendidos Para a contribuinte recorrente o acórdão recorrido deveria ser reformado, tendo em vista que teria comprovado a possibilidade de se manter os créditos relacionados produtos acabados e não vendidos. Na sua visão não poderia ser feito o cálculo por meio de rateio utilizado pela fiscalização, uma vez que teria direito ao crédito de IPI sobre a aquisição de matériaprima de pessoa física e insumos para comercialização. Pois bem. Os insumos aplicados em produtos em elaboração e acabados, porém não vendidos, não geram o direito ao crédito presumido de IPI, conforme afirma a recorrente. Desta forma, mantémse a glosa dos créditos de insumos adquiridos e utilizados em produtos em elaboração e/ou acabados não vendidos. I.7 Deduções dos Créditos Presumidos Negativos apurados no ano de 2002 e no 4º trimestre de 2003 Quanto a alegação trazida pela recorrente de que a dedução dos créditos presumidos negativos no ano de 2002 e no 4º trimestre de 2003, razão alguma lhe assiste. Conforme descrito no acórdão recorrido a contribuinte apurava seu crédito presumido de IPI com base na Lei nº 9.363/96. Assim as deduções dos saldos negativos do crédito deveriam seguir as diretrizes do art. 5º, §§ 2º e 3º, da IN SRF 23/97. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 18 17 Quanto ao crédito negativo do 4º trimestre de 2003, vale dizer, que seria utilizado no ano de 2004, ano em que, como apurado pela fiscalização, não houve qualquer apuração de crédito presumido, também restou acertados os apontamentos na conclusão dos trabalhos de fiscalização. Desta forma, afastase as pretensões da recorrente, mantendose o decidido no acórdão guerreado. I.8 Da atualização monetária dos créditos remanescentes O STJ já se posicionou no sentido de ser devida a correção pela Selic quando há oposição ao creditamento decorrente de resistência ilegítima do fisco, nos termos da súmula 411 e do REsp. 1.138.206/RS. Em recente precedente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acatou a jurisprudência do STJ para admitir o direito à correção pela SELIC, dos créditos presumidos de IPI, a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias contados da apresentação do pedido, o qual adotamos como razão de decidir para o presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestacã̧o do serviço de transporte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDEN̂CIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposicã̧o ao seu aproveitamento decorrente de resisten̂cia ilegítima do Fisco (Súmula no 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administracã̧o para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei no11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS. (Acórdão 9303006.466. Relator: Charles Mayer de Castro Souza) Nesse sentido, faz jus a recorrente à correção do crédito presumido de IPI nos termos do precedente entabulado pela CSRF no voto acima citado. II Conclusão Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10950.002562/200959 Acórdão n.º 3302005.572 S3C3T2 Fl. 19 18 Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: a) Manter as considerações do Acórdão da DRJ no que diz respeito à forma da apuração da receita operacional bruta; Manter a glosa dos créditos presumidos de IPI relacionados a exportação de produtos nãotributados; Manter a glosa dos créditos presumidos de IPI relacionados a aquisição de produtos para comercialização; Manter a exclusão dos produtos em elaboração e acabados e não vendidos da base de cálculo do crédito presumido de IPI; Manter as Deduções dos Créditos Presumidos Negativos apurados no ano de 2002 e no 4º trimestre de 2003; b) Reverter a glosa quanto a exclusão das decorrente de variação cambial, da base de cálculo do crédito presumido de IPI; Reverter a glosa quanto ao crédito presumido de IPI verificado na aquisição de matériaprima de pessoa física; Reconhecer o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC, 360 DIAS. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 590DF CARF MF
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