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Numero do processo: 11080.100003/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS FORNECIDA PELA IMOBILIÁRIA. PROCEDÊNCIA.
Uma vez comprovada a retenção do imposto, pode o contribuinte proceder à sua compensação na declaração de ajuste anual, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ao recolhimento.
A "Declaração Anual de Rendimentos" emitida pela imobiliária que intermedeia o contrato de locação é suficiente para comprovar a retenção e permitir a compensação do imposto.
Numero da decisão: 2202-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS FORNECIDA PELA IMOBILIÁRIA. PROCEDÊNCIA. Uma vez comprovada a retenção do imposto, pode o contribuinte proceder à sua compensação na declaração de ajuste anual, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ao recolhimento. A "Declaração Anual de Rendimentos" emitida pela imobiliária que intermedeia o contrato de locação é suficiente para comprovar a retenção e permitir a compensação do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
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RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS FORNECIDA PELA IMOBILIÁRIA. PROCEDÊNCIA. Uma vez comprovada a retenção do imposto, pode o contribuinte proceder à sua compensação na declaração de ajuste anual, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ao recolhimento. A "Declaração Anual de Rendimentos" emitida pela imobiliária que intermedeia o contrato de locação é suficiente para comprovar a retenção e permitir a compensação do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 00 03 /2 00 7- 09 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.100003/200709 Acórdão n.º 2202004.923 S2C2T2 Fl. 115 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FERNANDO ROCCA VIANNA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança por dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. O acórdão consignou, em apertada síntese, que “[a] autuação diz respeito à falta de comprovação da retenção e do recolhimento do imposto retido na fonte sobre os rendimentos decorrentes de aluguel" (fl. 49). Asseverou ainda que, malgrado a responsabilidade pelo recolhimento do imposto retido seja da fonte pagadora, não existe, no caso, quaisquer provas da retenção do imposto ou de seu efetivo recolhimento "vide" f. 49. Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 24/08/2010, recurso voluntário (fls. 5458), narrando que situação semelhante ocorrera em relação ao IRPF do ano calendário de 1998. Disse que, à época, a simples apresentação dos extratos mensais da Imobiliária Prodomo teria sido suficiente para que se considerasse regular a declaração apresentada e, consequentemente, mantida a dedução dos valores recebidos a título de aluguéis – cf. f. 55. Em suas razões recursais, argumentou ainda que a responsável pela retenção na fonte do IR incidente sobre o valor mensal do aluguel – “ex vi” do art. 7º, II e § 1º da Lei nº 7.713/88 c/c art. 45, parágrafo único e art. 121, II, ambos do CTN – seria a empresa locatária, a Pop Man Ind. de Confecções Ltda. A fim de corroborar esta tese, colacionou repertório jurisprudencial sustentando que “a retenção do Imposto de Renda pela fonte pagadora, na forma da legislação tributária, afasta a responsabilidade da pessoa física que recebeu o valor do aluguel com o desconto do tributo” (fls. 5758). É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. A querela ora sob escrutínio se refere à (im)possibilidade de ser admitida, como prova da retenção dos valores devidos a título de IR, a "Declaração de Rendimentos Anual em Reais” (fls. 11 e 29) emitida pela Imobiliária Prodomo, que intermediou o contrato de locação pactuado entre o contribuintelocador e a empresalocatária (Pop Man Ind. de Confecções Ltda.). Tirante de dúvidas que, constatada a ausência de retenção e recolhimento pela fonte pagadora, faz recair sobre o contribuinte, pessoa física, a responsabilidade pela apuração definitiva do imposto de renda. Calha a transcrição da ementa de alguns julgados deste Conselho em sentido idêntico: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA, RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.100003/200709 Acórdão n.º 2202004.923 S2C2T2 Fl. 116 3 A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12 (Acórdão nº 280200.411 —2ª Turma Especial, Sessão de 18 de agosto de 2010; sublinhas deste voto). FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual (Acórdão nº 2401004.656 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 15 de março de 2017; sublinhas deste voto). Por outro lado, havendo comprovação da retenção, resta elidida a responsabilidade do contribuinte, pessoa física, pelo recolhimento. Este entendimento prevaleceu nesta eg. Turma em acórdão da lavra do Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO: RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2202003.191 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 17 de fevereiro de 2016; sublinhas deste voto). O novel Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, que regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, replicou, em seu art. 80, § 3º, a possibilidade de dedução do IRRF na Declaração de Ajuste anual, que já existia no Decreto nº 3.000/99 – “vide” § 2º do art. 87: § 3º O imposto sobre a renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de ajuste anual se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos § 1º e § 2º do art. 6º e no § 1º do art. 7º. Fixadas essas premissas, passo à análise do caso sob exame. De início, registro que o recorrente não omitiu os rendimentos recebidos a título de aluguéis, eis que em sua Declaração de Ajuste Anual – “vide” fl. 20 – consta o Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.100003/200709 Acórdão n.º 2202004.923 S2C2T2 Fl. 117 4 desconto de R$ 20.618,11 (vinte mil, seiscentos e dezoito reais e onze centavos), o mesmo valor indicado como retido na “Declaração de Rendimentos Anual em Reais” – “vide” fls. 11 e 29 –, emitida pela Imobiliária Prodomo. Compulsado o acervo fáticoprobatório carreado aos autos, verificase ainda ter sido acostado o contrato de locação, celebrado entre “FERNANDO ROCA VIANNA (...), representado por sua bastante procuradora, Prodomo – Administradora de Imóveis S.A (...)” e a “Pop Man Ind. de Confecções Ltda., (...), doravante designada simplificadamente LOCATÁRIA” (f. 30). A avença foi devidamente firmada e registrada em 23 de julho de 1996 – “vide” f. 33 –, na qual consta que o (...) o aluguel mensal inicial é de R$ 7.000,00 (sete mil reais), pagável pelo LOCATÁRIO, em moeda corrente até o dia 01 do mês seguinte ao vencimento, nos escritórios da Prodomo Administradora de Imóveis S.A., ou no estabelecimento bancário que for apontado, ou ainda onde for indicado (f. 30; sublinhas deste voto). Assim, em que pese ser o recorrente o locador proprietário do imóvel, certo é que cabia à Prodomo Administradora de Imóveis S.A o recebimento do valor pactuado, o que demonstra ser plausível a inexistência de documentação emitida pela fonte pagadora (Pop Man Ind. de Confecções Ltda.) em favor do recorrente. Entretanto, como já narrado, foi acostada a “Declaração de Rendimentos Anual em Reais”, emitida pela administradora do imóvel, que, de forma pormenorizada, indica os valores mensais correspondentes ao aluguel, taxa de administração, IRRF, condomínio, seguro, IPTU e aluguel líquido – cf. fls. 11 e 29. Portanto, malgrado inexista DIRF da fonte pagadora, a comprovação da retenção do imposto de renda pode ser feita mediante outros meios de prova. Colaciono excertos de alguns julgados desta eg. Turma em sentido similar: (...) O argumento utilizado pela DRJ para não acatar as deduções dos valores de IRRF acima foi de que os documentos emitidos pela fonte pagadora divergem do valor do imposto informado pela contribuinte como retido pelas fontes pagadoras, e não foram anexados documentos que comprovassem o efetivo recebimento pela contribuinte dos valores de aluguéis constantes nos recibos acostados já com o desconto do imposto retido na fonte. A Contribuinte não pode ser penalizada pelo fato de as empresas locatárias não terem cumprido corretamente com as suas obrigações tributárias, seja principais ou acessórias. Entendo que a decisão da DRJ não está correta, pois se observa que a Contribuinte trouxe documentos que comprovam as suas alegações, relativas às locações de sua propriedade, tendo apresentado contrato de locação com as fontes pagadoras, além de ter declarado em sua Declaração de Ajuste Anual as correspondentes receitas de aluguéis. A Contribuinte também apresentou os recibos dos recebimentos dos aluguéis das empresas locatárias, referentes ao anocalendário de 2005. Às fls. 28/33 encontramse os recibos relativos aos recebimentos da empresa Iron Muscle Academia Ltda., onde se pode constatar a retenção na fonte do IRRF. Os recibos referentes aos Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.100003/200709 Acórdão n.º 2202004.923 S2C2T2 Fl. 118 5 recebimentos da empresa Golden Gol encontramse às fls. 35/40 e os da empresa Patridany estão às fls. 62/67, os quais demonstram os valores retidos de imposto de renda (Acórdão nº 2202003.515 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 17 de agosto de 2016; sublinhas deste voto). (...) Pela cópia autenticada de contrato de locação não residencial, firmado em 27/02/2009, entre o recorrente (locador) e a Via Mosela 1062 Comercio de Alimentos (locatária), com firmas reconhecidas em tabelionato em março do mesmo ano (fls. 56/69), verificase que há nos autos prova clara que a locação se realizou. Através do comprovante anual de rendimentos de aluguéis, anocalendário 2011, recebidos de Via Mosela 1062 Comercio de Alimentos, verificaseque a retenção do IRRF de fato ocorreu. Por fim, pelos recolhimentos de 12 (doze) DARFs, em 05/2013, correspondente aos recolhimentos do ano calendário 2011, com multa e juros, realizado pela locatária, temse que há nos autos inclusive prova de que o imposto de renda foi recolhido (Acórdão nº 2202003.429 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de maio de 2016; sublinhas deste voto). (...) De acordo com o artigo acima transcrito, a dedução do imposto sobre a renda retido pela fonte pagadora poderá ser realizada se o contribuinte tiver comprovante emitido pela fonte, em seu nome. Conforme se verifica pela documentação trazida aos autos, desde a impugnação o contribuinte juntou o comprovante de rendimentos pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 10). Sendo assim, o fato da fonte pagadora, eventualmente, não ter feito o recolhimento dos valores retido ou não ter apresentado DIRF relativa às mencionadas retenções não pode ser causa de indeferimento das deduções pretendidas (Acórdão nº 2202004.509 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 06 de junho de 2018; sublinhas deste voto). Ante o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003253/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 25 3/ 20 07 -6 2 Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10850.003253/200762 Resolução nº 3402001.715 S3C4T2 Fl. 2.170 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 075/076, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 36.989,10. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 008) entregue em 13/06/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000951/200164, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 057/063), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 064), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 065/074 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000951/200164, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi anulado pelo CARF, resultando em novo Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido, decisão que atualmente encontrase pendente de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10850.003253/200762 Resolução nº 3402001.715 S3C4T2 Fl. 2.171 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de maio de 2003, no valor de R$ 39.982,41, conforme cópia da DCTF do 2ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 36.989,10, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10850.003253/200762 Resolução nº 3402001.715 S3C4T2 Fl. 2.172 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10850.003253/200762 Resolução nº 3402001.715 S3C4T2 Fl. 2.173 5 II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de maio/03 no valor de R$ 38.204,40, fls. 2037. Por fim, concluiu que houve compensação a maior no montante de R$ 1.778,01, fls.2.038 e 2.039, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.037), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10850.003253/200762 Resolução nº 3402001.715 S3C4T2 Fl. 2.174 6 sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2037 a 2039, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2174DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720493/2013-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE
DE CÁLCULO. FUNDEB.
As transferências da União aos Estados a título de parcela de participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, excluídas as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Também devem ser excluídas da base de cálculo os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos. Solução de Consulta nº 278 - Cosit/2017.
Numero da decisão: 9303-007.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para, restabelecer os lançamentos, excluindo o valor das retenções e transferências.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. As transferências da União aos Estados a título de parcela de participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, excluídas as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Também devem ser excluídas da base de cálculo os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos. Solução de Consulta nº 278 - Cosit/2017.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para, restabelecer os lançamentos, excluindo o valor das retenções e transferências. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. As transferências da União aos Estados a título de parcela de participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, excluídas as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Também devem ser excluídas da base de cálculo os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos. Solução de Consulta nº 278 Cosit/2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para, restabelecer os lançamentos, excluindo o valor das retenções e transferências. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 93 /2 01 3- 64 Fl. 7587DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3301004.140, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Ementa: PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O ingresso de valores originários do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), ou do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), conta 1724.01.00 Transferência do FUNDEF, não integra a base de cálculo para apuração do Pasep devido pelas Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: Fl. 7588DF CARF MF Processo nº 15586.720493/201364 Acórdão n.º 9303007.938 CSRFT3 Fl. 7.586 3 · O Fundef Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério foi originalmente instituído pela Lei 9.424/96. Posteriormente, foi substituído pelo FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, implantado em janeiro de 2007, por meio da EC 53/2006, regulamentada pela Lei 11.494/07. Ambos os fundos destinamse à distribuição de recursos para toda a educação básica dos municípios (incluindo creches, pré escola, ensinos fundamental, médio e especial, entre outros); · Da legislação citada extraise que se trata de mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Conforme o disposto no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, somente podem ser excluídas da base de cálculo do Pasep as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Considerandose que o FUNDEB não é entidade pública, não possuindo personalidade jurídica própria, os valores que eventualmente forem repassados a esse fundo não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Estado, ainda que efetivamente sua destinação final sejam outras entidades públicas, considerando a finalidade para a qual foi instituído; · Portanto, ainda que um percentual dessas transferências recebidas seja direcionado ao FUNDEB, o valor a ser considerado na base de cálculo da contribuição devida pelo ente público continua sendo o valor total recebido da União, excluindose a contribuição retida, o que foi feito pela autoridade lançadora. A própria retenção do Pasep na fonte, que deve incidir sobre a integralidade da verba recebida, comprova tal conclusão; · A impossibilidade de dedução do valor destinado ao FUNDEB deve se ao fato de tratarse de um fundo meramente contábil (artigo 1º, caput, Lei nº 9.424/1996), frisandose que o artigo 7º da Lei nº 9.715/1998 permite tãosomente a dedução de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Irrelevante, também, é a destinação específica dos recursos vinculados ao FUNDEB, uma vez Fl. 7589DF CARF MF 4 que, ainda assim, continuam tais valores integrando as receitas correntes, que compõem a base de cálculo da contribuição; · O mesmo raciocínio é aplicado para o ingresso de valores originários do fundo. Em Despacho às fls. 7562 a 7564, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ressurgindo a discussão acerca da inclusão ou não das receitas do FUNDEB na base de cálculo do PIS/PASEP. Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O ente público não pode ser obrigado a pagar 2 vezes o PIS quando efetivamente recebe apenas uma; · A cobrança da contribuição na transferência dos recursos do FUNDEB – que não ingressa nos cofres municipais – não podendo ser considerado ingresso e muito menos receita – e novamente quando do efetivo retorno do FUNDEB evidentemente caracteriza o BIS IN IDEM tributário, já que efetivamente há um só ingresso e duas tributações sobre o mesmo fato; · Os valores registrados na rubrica 1.7.2.4.01.00 – transferências de recursos do FUNDEB referemse ao retorno do valor repassado/retido ao FUNDEB e, que, posteriormente retornou aos cofres municipais de acordo com o percentual do número de alunos matriculados nas escolas do Município definido pelo Ministério de Educação e Cultura – MEC; · Quando da arrecadação das receitas e transferências correntes registradas pelo valor bruto da arrecadação, o qual é a base de cálculo para as deduções para o FUNDEB, o valor total antes de se fazer a dedução do valor devido ao FUNDEB já foi considerado na composição da base de cálculo para o PIS; · Quando do retorno dos recursos do FUNDEB ao Município seu valor não pode ser considerado e incluído novamente para o cálculo da contribuição, já que, assim teríamos um aumento da base de cálculo. É o relatório. Fl. 7590DF CARF MF Processo nº 15586.720493/201364 Acórdão n.º 9303007.938 CSRFT3 Fl. 7.587 5 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho às fls. 7562 a 7564. Ventiladas tais considerações, quanto ao mérito – inclusão ou não na base de cálculo do PIS/Pasep da parcela destinada ao Município oriunda do FUNDEB, recordo que essa matéria não é nova em nossa turma – o que cito o acórdão 9303007.397 de relatoria do nobre Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal. Naquela sessão, foi consignada a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. TRANSFERÊNCIAS. INCLUSÕES. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. As transferências da União aos Estados a título de parcela de participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, excluídas as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Também devem ser excluídas da base de cálculo os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos. Solução de Consulta nº 278 Cosit/2017. Para melhor elucidar o direcionamento adotado por essa turma, recordo o irretocável voto (Destaques meus): “[...] Mérito Fl. 7591DF CARF MF 6 Como já esclarecido nos autos, discutese a tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas de transferências efetuadas pela União ao Estado do Rio de Janeiro para formação do Fundeb Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, destinado à distribuição de recursos para toda a educação básica nos estados e municípios. O Fundo não é mais do que uma registro de natureza contábil (uma conta) constituído e mantido por um percentual da receita auferida pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, a ele destinado. Segundo disposição constitucional, a União complementará o Fundeb sempre que o valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. Também por disposição legal, os recursos depositados à conta do Fundeb serão, mais tarde, distribuídos no âmbito de cada Estado e Distrito Federal, entre governo estadual e seus municípios, na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial. A questão que se apresenta diz respeito à inclusão ou não do valor recebido da União pelo Estado do Rio de Janeiro para constituição e manutenção do Fundo. A Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, especifica a base de cálculo da Contribuição devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno. Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Nos termos da Lei, a contribuição incide sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e sobre o valor das transferências correntes e Fl. 7592DF CARF MF Processo nº 15586.720493/201364 Acórdão n.º 9303007.938 CSRFT3 Fl. 7.588 7 de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Na constituição do crédito tributário neste controvertido, a Fiscalização Federal entendeu que são tributadas as transferências feitas pela União ao Estado do Rio de Janeiro e que os valores depositados pelo Estado no Fundo não constituem transferências de recursos a outra entidade pública e, por conseguinte, não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição. De fato, a leitura das disposições legais supratranscritas não poderia conduzir a outra conclusão, pelo menos a priori. A transferência de recursos ao Fundeb, sejam eles originários de transferências correntes ou de receitas tributárias do próprio ente federativo, jamais poderá ser enquadrada na hipótese prevista no art. 7º da Lei 9.715/98, pois o Fundo, como já se disse, não é uma entidade pública, mas apenas uma conta de natureza contábil. Contudo, há uma questão de difícil equalização na apuração da base imponível quando consideradas as transferências correntes, as receitas tributárias, os depósitos à conta do Fundo e os valores que, na distribuição dos recursos do Fundeb, venham a ser definitivamente destinados a cada ente federativo. Como já esclarecido antes, os recursos depositados no Fundo serão, mais tarde, obrigatoriamente, transferidos, pelo menos em parte, aos Municípios, dentro de cada Estado da Federação ou ao próprio Estado, na proporção do número de alunos matriculadas nas respectivas redes de educação básica pública presencial. Ou seja, afastada a impensável hipótese de que cada ente federativo receba do Fundo o valor exato que nele depositou, induvidosamente, pelo menos parte dos recursos a ele destinados por um determinado ente federativo serão transferidos mais tarde a outras entidades públicas, ou, em caso contrário, se o valor depositado por determinado ente federativo for menor do que o valor recebido do Fundo, haverá uma transferência de recursos de outra entidade pública através do Fundeb. Fl. 7593DF CARF MF 8 Significa dizer que, necessariamente, há necessidade de que se apure o saldo positivo ou negativo com base na diferença entre os valores depositados no Fundo pelo ente federativo e dele recebidos. Segundo a decisão recorrida, em recente Solução editada pela Cosit Solução de Consulta nº 278 Cosit, de 1º de junho de 2017, a Secretaria da Receita Federal teria decidido, nas palavras do i. Relator do voto condutor da decisão recorrida, que "os valores repassados ao Fundeb devem ser excluídos da base de cálculo do Pasep" (efolhas 458). A Fazenda Nacional, por seu turno, considera equivocado o entendimento expresso na Solução, entende que somente a lei pode determinar a base de cálculo etc. No que diz respeito ao argumento da Recorrente, necessário reafirmar, uma vez que já o fiz em outras oportunidades, que, concessa venia, não me parece razoável que se proponha decisão contrária ao entendimento da Secretaria da Receita Federal quando esse é favorável ao sujeito passivo. De fato, se se considerar que todo o crédito tributário doravante constituído, assim como todas as decisões tomadas pelas delegacias da receita federal de julgamento deverão obedecer a interpretação veiculada na Solução de Consulta, é de se perguntar como seria possível eximirse da revisão de ato ainda não definitivamente julgado e contrário àquilo que uma das partes do processo considera devido? Poderseia o CARF no papel de quem determina a exigência, a despeito da Secretaria considerala indevida. Mas, a despeito disso, segundo entendo, pareceme que nem a Recorrente nem o Colegiado recorrido empregou a melhor exegese da Solução de Consulta Cosit nº 278 de 2017. A seguir, transcrevo o item 21.3 da Solução, no qual a autoridade prolatora descreve, em linhas gerais, as particularidades do Fundeb e especifica, caso a caso, os critérios que devem ser empregados na apuração da base de cálculo da exação. 21.3. Em linhas gerais, tanto a participação como a complementação dos recursos do FUNDEB são transferências intergovernamentais constitucionais operacionalizadas de modo indireto, já que é criado um fundo meramente contábil para distribuir recursos a diversas entidades, devendo seguir a regra das transferências constitucionais e/ou legais já exposta nesse trabalho. Portanto, seus recursos devem ser inseridos na base Fl. 7594DF CARF MF Processo nº 15586.720493/201364 Acórdão n.º 9303007.938 CSRFT3 Fl. 7.589 9 de cálculo do ente recebedor (o ente que efetivamente receber as receitas do FUNDEB) e o ente transferidor deve excluir de sua base de cálculo os valores repassados. Tendo em vista a complexidade da sistemática de transferência dos diversos recursos que compõem o fundo, apresentase o tratamento tributário a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB: Transferências da União a outros entes federativos que compõem a participação do FUNDEB 21.3.1. As transferências efetuadas pela União aos Estados Distrito Federal (DF) e Municípios que compõem a participação dos entes federativos ao FUNDEB, a exemplo do percentual do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), devem ser inseridas na base de cálculo do ente recebedor, em razão do inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9715, de 1998. Também por causa da parte final do referido art. 7º, anteriormente comentado, o ente transferidor (no caso, a União) deve excluir os valores repassados de sua base de cálculo; 21.3.2. Caso a STN retenha alguma dessas parcelas de participação, em razão do § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, os entes beneficiários, apesar de obrigatoriamente incluírem os montantes recebidos em sua base de cálculo, deverão excluir da contribuição devida tais valores retidos. Destarte, como a União já reteve a contribuição sobre tais parcelas, os valores retidos devem ser deduzidos da contribuição devida pelo ente recebedor. Transferências dos Estados e Municípios que compõem a participação do FUNDEB 21.3.3. Quanto às parcelas de participação das receitas próprias dos Estados, DF e Municípios transferidas ao FUNDEB, os entes transferidores devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo, em razão da parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição quando os entes beneficiados receberem os recursos distribuídos por meio do fundo. Transferências da União ao FUNDEB parcela de complementação Fl. 7595DF CARF MF 10 21.3.4. Quanto à parcela de complementação, por se tratar de transferência constitucional e/ou legal, quando for transferida para os fundos, a União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado art. 7º, deverá excluir os valores entregues da base de cálculo da contribuição. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição no ente recebedor dos recursos, quando de sua alocação ao fundo. Caso a União venha a reter a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais quando da transferência aos demais entes, aplicase o mesmo raciocínio apresentado no item 21.3.2. Distribuição dos recursos do FUNDEB 21.3.5. Uma vez distribuídos os recursos dos fundos aos Estados e Municípios, aqui denominados Receitas do FUNDEB, os entes favorecidos deverão incluir em sua base de cálculo a totalidade dos valores recebidos (transferências recebidas), em razão do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Poderá ser deduzido do valor da contribuição devida o valor retido pela STN nas transferências realizadas, em respeito ao § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, para que se evite a dupla tributação de recursos, vedada pelo art. 68, parágrafo único, do Decreto nº 4.524, de 2002. A toda evidência, a conclusão a que chegou o Colegiado recorrido, de que a Solução de Consulta Cosit nº 278 considerou que “os valores repassados ao Fundeb devem ser excluídos da base de cálculo do Pasep” baseouse única e exclusivamente nas considerações preliminares do item 21.3, na parte em que explica que os recursos devem ser inseridos na base de cálculo do ente recebedor (o ente que efetivamente receber as receitas do FUNDEB) e o ente transferidor deve excluir de sua base de cálculo os valores repassados. Contudo, salvo melhor juízo, a instância a quo não levou em consideração o que seguiuse a esse comentário, quando a Coordenação de Tributação aduz que “tendo em vista a complexidade da sistemática de transferência dos diversos recursos que compõem o fundo, apresentase o tratamento tributário a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB”, a partir do que define como deve ser calculada a base imponível que, como a seguir se verá, é apurada com base no saldo final decorrente da diferença entre o valor depositado e o valor ao final recebido. Fl. 7596DF CARF MF Processo nº 15586.720493/201364 Acórdão n.º 9303007.938 CSRFT3 Fl. 7.590 11 Dada a complexidade da matéria, simulase a seguir uma situação hipotética simplificada, fazendose remissão aos itens da Solução de Consulta. (21.3.1) Transferências da União corresp. à participação do Estado: R$ 600.000,00 (21.3.3) Valor depositado ao Fundo pelo Estado: R$ 1.000.000,00 (21.3.4) Transferência da União ao Fundo (parcela de complementação) R$ 100.000,00 (21.3.5) Valores do Fundeb destinados ao Estado: R$ 300.000,00 O valor correspondente a R$ 600.000,00, recebido a título de transferência da União correspondente à parcela do Fundo de Participação do Estado (FPE), integra a base de cálculo da Contribuição. Da mesma forma, os R$ 400.000,00 arrecadados (diferença entre o valor depositado pelo Estado e o valor recebido da União: R$ 1.000.000,00 – R$ 600.000,00) e destinados ao Fundo integram a base de cálculo e foram tributados, por trataremse de receita tributária do Estado. Para a apuração do valor que foi destinado a outras entidades públicas, e, por conseguinte, deve ser excluído da base de cálculo, apurase a diferença entre a valor total depositado ao Fundo (R$ 1.000.000,00 item 21.3.3) e o valor com que o Estado foi contemplado (R$ 300.000,00 item 21.3.5), com o que se chega à monta de R$ 700.000,00. Esse é o valor que deve ser excluído da base de cálculo das contribuições. A parcela de complementação, tal como reza o item 21.3.4 não é tributada no momento da transferência, porque é depositada diretamente pela União ao Fundo e, por conta disso, não é descontada da base de cálculo. É fato que seria significativamente mais simples se a incidência fosse determinada com base nos valores que, ao final, fossem destinados a cada ente federativo; contudo, não há previsão legal para tanto. Nos termos do art. 2º e 7º da Lei 9.715/98, a Contribuição incide sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas, apenas, as transferências efetuadas a outras entidades Fl. 7597DF CARF MF 12 públicas. Não há, portanto, como afastar a tributação que incide sobre a receita auferida, seja o ingresso decorrente de transferência ou de arrecadação de tributos, pois a lei não admite essa possibilidade. Assim, como no caso do Fundeb, o valor que foi transferido a outras entidades só pode ser apurado conforme metodologia de cálculo acima, a base de cálculo necessariamente deverá levar em consideração o saldo positivo ou negativo dos valores ao Fundo destinados e dele recebidos. O relatório no qual está fundamentado o auto de infração ora controvertido esclarece os critérios considerados pela autoridade autuante na apuração da base imponível efolha 307. Desta forma, concluise que as receitas tributárias arrecadadas ou recebidas pelo Estado do Rio de Janeiro que foram destinadas ao FUNDEB não podem ser excluídas da base de cálculo do PASEP, por força do disposto no art. 7º da Lei nº 9.715/98, que determina a consideração nas receitas correntes de quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas no todo ou em parte por outra entidade da Administração Pública, só autorizando a dedução das transferências efetuadas a outras entidades públicas, o que não é o caso. Na página seguinte, destaca que "foram considerados todos os valores de PASEP retidos pela União (...)". A conclusão é a de que o trabalho fiscal considerou parâmetros um tanto discrepantes daqueles definidos pelo Órgão Central por meio da Solução de Consulta nº 278 Cosit/2017. No mesmo sentido, à luz de tudo o que até aqui declinouse, salta aos olhos que a decisão recorrida precisa ser modificada, uma vez que tenha, deliberadamente, excluído da base de cálculo da exação todas as receitas auferidas pelo Estado destinadas ao Fundeb, sem confrontar o saldo final das operações que envolvem a transferência de recursos destinados e provenientes do Fundo, tal como demonstrado. Considerando que a autuação já levou em consideração os valores retidos pela União, voto pelo parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para determinar que sejam excluídas ou incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o saldo das operações com o Fundeb conforme explicitado no vertente voto. ” Fl. 7598DF CARF MF Processo nº 15586.720493/201364 Acórdão n.º 9303007.938 CSRFT3 Fl. 7.591 13 Nestes termos, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que: 1. As transferências da União aos Estados a título de parcela de participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep; 2. Podemse excluir da base de cálculo as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional, bem como os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 7599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729711/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização.
Numero da decisão: 1402-003.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Baevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marco Rogério Borges
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relator.
(Assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Baevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marco Rogério Borges (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relator. (Assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 97 11 /2 01 2- 72 Fl. 651DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE): Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp) nº 31089.57163.300512.1.3.047024, às fls. 2 a 6, por intermédio da qual o contribuinte compensou débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente ao 2º trimestre de 2008 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo, no montante de R$ 1.261.744,84 na data de transmissão, decorrente de Darf no valor de R$ 25.771.746,24, referente ao 1º trimestre de 2008, com data de arrecadação em 30/04/2008. 2. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório 0743/2017 Diort/DRFBrasília/DF, em 08/05/2017, com cópia às fls. 502 a 507, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o débito confessado, tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste. 3. Cientificado da decisão por meio eletrônico em 09/05/2017, conforme fl. 510, em 06/06/2017 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 515 a 537, instruída com os documentos às fls. 538 a 586, onde argumentou, em síntese, o que segue: 3.1. Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; 3.2. Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. 4. Em 06/12/2017, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 453 de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 2.231, de 2017, os autos foram remetidos a esta Delegacia da Receita Federal do Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10166.729711/201272 Acórdão n.º 1402003.600 S1C4T2 Fl. 652 3 Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife PE para proceder ao julgamento da lide (fl. 590). Em 23 de março de 2018, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) negou provimento à manifestação de inconformidade em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea aos casos em que o sujeito passivo compensa o débito confessado com atraso, mediante apresentação de Dcomp. Cientificado (fls. 601) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 610/646, no qual reitera as razões já suscitadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. O contribuinte apresentou Dcomp, em 30/05/2012, onde pleiteou direito creditório de CSLL decorrente de pagamento indevido ou a maior e efetuou compensação de débito de mesmo tributo com vencimento em 31/07/2008. Tendo em vista que a Dcomp foi transmitida após o vencimento do débito confessado, incluiu o valor principal deste acrescido de juros de mora. Embora a autoridade administrativa tenha reconhecido integralmente o direito creditório, concluiu que este era insuficiente para quitar o débito confessado, pois incluiu a multa de mora decorrente do atraso na sua extinção. A decisão recorrida, manteve a decisão baseandose nos seguintes fundamentos: a) A Nota Técnica Cosit nº 01, de 18/01/2012, por meio da qual considerou restar configurada a denúncia espontânea quando o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação na Dcomp, teria sido revogada pela Nota Técnica Cosit nº 19 de 16/06/2012; Fl. 653DF CARF MF 4 b) De acordo com a nova orientação da Cosit, firmada na Nota Técnica 19/2012, a compensação não pode ser equiparada à compensação para efeito de denúncia espontânea, uma vez que o artigo 138 do CTN utiliza a expressão "pagamento". c) Apesar da Nota Técnica Cosit nº 19 ter sido publicada posteriormente à compensação promovida pela contribuinte ( a compensação foi efetuada em 30/05/2012 e a Nota Técnica foi publicada em 16/06/2012) este seria aplicável por tratarse de ato exclusivamente interpretativo. Antes de entrar no mérito da discussão central dos autos, qual seja, se o benefício da denúncia espontânea se aplica na hipótese de compensação ou se está restrita às hipóteses de pagamento, entendo deve ser analisada a aplicação do artigo 100 do CTN à hipótese em questão. A decisão recorrida afastou a aplicação do artigo 100 do CTN sob o seguinte fundamento: Não se alegue que o contribuinte teria observado norma expedida pela Receita Federal vigente à época da transmissão da Dcomp, que se deu em 30/05/2012, exatamente entre a data de expedição na NT Cosit nº 01 (janeiro de 2012) e a data da NT Cosit nº 19 (junho de 2012), e que, por isso, não se lhe imporiam penalidades moratórias em razão do disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. Isto porque a NT não é ato normativo, mas simplesmente ato administrativo consoante Portaria RFB nº 1.098, de 2013, não se subsumindo à hipótese do inciso I: No entanto, esqueceuse a decisão recorrida que o artigo 100 do CTN, abaixo transcrito, não se restringe às hipóteses de atos normativos expedidos pelas autoridades normativas. Abrange, também, as práticas reiteramente obsevadas pelas autoridades administrativas. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.(grifamos) Para demonstrar essa prática reiterada é desnecessário transcrever as diversas decisões das Delegacias da Receita Federal de Julgamento mencionadas pela Recorrente, uma Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10166.729711/201272 Acórdão n.º 1402003.600 S1C4T2 Fl. 653 5 vez que a própria decisão recorrida reconhece que a orientação da Nota Técnica nº 1 era reiteradamente adotada pelas DRJ´s, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito: Por meio deste ato administrativo a Cosit considerou restar configurada a denúncia espontânea quando o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp. 14. Em que pese tal ato administrativo não vincular os demais órgãos da Receita Federal à época de sua expedição, qualidade que passou a ter apenas a partir da vigência da Portaria RFB nº 379, de 2013, as decisões proferidas pelas DRJs à época passaram a adotar o referido entendimento, conforme pode ser visto nos acórdãos mencionados pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. (grifamos) O artigo 100 do CTN visa resguardar a confiança legítima que o contribuinte deposita nas orientações administrativas. Como esclarece ALIOMAR BALEEIRO, na sua clássica obra: 4.PRÁTICAS DAS AUTORIDADES Considerase como boa interpretação aquela que resulta de antiga, iterativa e pacífica aplicação da lei sob determinada diretriz por parte do próprio Fisco. Se as autoridades deram sentido uniforme a uma disposição, entendese tal inteligência como a mais compatível com o texto. Julgados do Supremo Tribunal Federal têm protegido o contribuinte contra a mudança de critério das repartições e autoridades na interpretação da legislação tributária. Ela não pode prejudicar, sobretudo punir o contribuinte pelos fatos e atos anteriores à nova orientação (...) Rezava o art. 109, III, do anteprojeto R. G. Sousa, como complementos da legislação tributária: "As práticas, métodos, processos, usos e costumes de observância reiterada por parte da autoridades administrativas, desde que não sejam contrários à legislação tributária ou à jurisprudência firmada pelo Poder Judiciário." Isso era reiterado no art. 112 daquele projeto revisto ou Projeto Aranha R. G. Sousa. (BALEEIRO, Aliomar Direito Tributário Brasileiro, 11ª edição, p.648) (grifamos) Ora, a interpretação firmada pela Nota Técnica Cosit nº 01, além de não ser contrária à legislação tributária, encontra respaldo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se verifica pelas decisões abaixo transcritas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM Fl. 655DF CARF MF 6 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instâncias ordinárias, referese a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaracã̧o do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensacã̧o de tributos. Ademais, a compensacã̧o efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operacã̧o de compensacã̧o. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaracã̧o tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaracã̧o acolhidos com efeitos modificativos. (STJ, EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) (grifamos) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaracã̧o à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido (STJ, AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010) (grifamos) Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10166.729711/201272 Acórdão n.º 1402003.600 S1C4T2 Fl. 654 7 Além disso, o argumento de que a Nota Técnica nº 19/2012 é "ato interpretativo" e, por isso, se aplica retroativamente, não encontra qualquer amparo no Código Tributário Nacional. Ao contrário, como visto, o código busca preservar os atos praticados pelo contribuinte consentâneo às orientações das autoridades administrativas. A única retroatividade admitida pelo código referese às leis expressamente interpretativas, conforme se verifica pelo artigo 106 abaixo transcrito. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados (grifamos). De todo modo, pela leitura do artigo 106 acima transcrito, constatase que a exclusão das penalidades é imperativa mesmo nas hipóteses de leis interpretativas. Ou seja, mesmo que se adote a premissa utilizada pela decisão recorrida, de que a NT Cosit nº 19/2012 retroage em razão do seu "caráter interpretativo", a penalidade estaria igualmente excluída. Sendo assim, tendo em vista que a compensação discutida nos presentes autos foi realizada antes da publicação da NT Cosit 19/2012 (e, portanto, na vigência da NT Cosit nº 1) deve ser preservada em razão da norma do art. 100, III do CTN. Por fim, quanto ao mérito da discussão é importante destacar a recente decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Acórdão nº 9101003.687, publicada em 18/10/2018, no qual foi reconhecida a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, nas hipóteses de compensação: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Assim como a decisão acima transcrita, entendo que a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretação ampliativa ou restritiva, mas de reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Em face de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 657DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo1. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata 1 rt. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10166.729711/201272 Acórdão n.º 1402003.600 S1C4T2 Fl. 655 9 dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: ""A Fl. 659DF CARF MF 10 Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)."Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator." Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequencia, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Dito isto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 660DF CARF MF
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Numero do processo: 10437.720962/2015-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE PONTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão tiver omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECRETO-LEI No 1.510/76. AUMENTO DE CAPITAL POSTERIOR.
O aumento de capital com emissão de novas quotas após 31/12/1983, inclusive mediante aquisição de quotas bonificadas oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros, não tem o condão de ensejar o direito adquirido do art. 4°, d, do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, como assevera a parte final do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018.
IRPF. INCORPORAÇÃO DE QUOTAS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. MOMENTO.
Na operação de incorporação de quotas, a transferência das participações societárias para o capital social da sociedade em que se ingressa caracteriza alienação em sentido amplo, sujeitando-se à apuração de ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário por se reconhecer que apenas parte das quotas alienadas/integralizadas no ano-calendário de 2010 gozam da isenção do art.4º, d, do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, uma vez que são isentas tão somente as quotas da empresa Organização Farmacêutica Drogão Ltda (desconsideradas as advindas em 2009 por incorporação) adquiridas pelo recorrente até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, excluindo-se dessa isenção as quotas bonificadas, inclusive oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros (bem como as oriundas de incorporações de correção monetária do capital social, inclusive a especial, ou de subvenção para incentivos fiscais), adquiridas após 31/12/1983; ressaltando-se, ainda, que as cisões parciais operadas em 1993 e 2010 ensejaram a redução do capital social com cancelamento proporcional de quotas com e sem isenção. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para reconhecer o direito adquirido à isenção das ações oriundas das reservas de lucros e/ou lucros, além de excluir o ganho de capital vinculado à incorporação de ações. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento ao recurso voluntário. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE PONTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão tiver omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECRETO-LEI No 1.510/76. AUMENTO DE CAPITAL POSTERIOR. O aumento de capital com emissão de novas quotas após 31/12/1983, inclusive mediante aquisição de quotas bonificadas oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros, não tem o condão de ensejar o direito adquirido do art. 4°, d, do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, como assevera a parte final do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018. IRPF. INCORPORAÇÃO DE QUOTAS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de quotas, a transferência das participações societárias para o capital social da sociedade em que se ingressa caracteriza alienação em sentido amplo, sujeitando-se à apuração de ganho de capital.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-07T12:56:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-07T12:56:58Z; Last-Modified: 2019-02-07T12:56:58Z; dcterms:modified: 2019-02-07T12:56:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-07T12:56:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-07T12:56:58Z; meta:save-date: 2019-02-07T12:56:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-07T12:56:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-07T12:56:58Z; created: 2019-02-07T12:56:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2019-02-07T12:56:58Z; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-07T12:56:58Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 872 1 871 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10437.720962/201505 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.925 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Ganho de Capital Embargante CONSELHEIRO JOSÉ LUÍS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO Interessado MARCOS EDUARDO DO AMARAL GUIMARÃES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE PONTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão tiver omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECRETOLEI No 1.510/76. AUMENTO DE CAPITAL POSTERIOR. O aumento de capital com emissão de novas quotas após 31/12/1983, inclusive mediante aquisição de quotas bonificadas oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros, não tem o condão de ensejar o direito adquirido do art. 4°, d, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, como assevera a parte final do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018. IRPF. INCORPORAÇÃO DE QUOTAS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de quotas, a transferência das participações societárias para o capital social da sociedade em que se ingressa caracteriza alienação em sentido amplo, sujeitandose à apuração de ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário por se reconhecer que apenas parte das quotas alienadas/integralizadas no ano calendário de 2010 gozam da isenção do art.4º, d, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, uma vez que são isentas tão somente as quotas da empresa Organização Farmacêutica Drogão Ltda (desconsideradas as advindas em 2009 por incorporação) adquiridas pelo recorrente até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, excluindose dessa isenção as quotas bonificadas, inclusive AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 09 62 /2 01 5- 05 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 873 2 oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros (bem como as oriundas de incorporações de correção monetária do capital social, inclusive a especial, ou de subvenção para incentivos fiscais), adquiridas após 31/12/1983; ressaltandose, ainda, que as cisões parciais operadas em 1993 e 2010 ensejaram a redução do capital social com cancelamento proporcional de quotas com e sem isenção. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para reconhecer o direito adquirido à isenção das ações oriundas das reservas de lucros e/ou lucros, além de excluir o ganho de capital vinculado à incorporação de ações. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento ao recurso voluntário. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos em 21/11/2018 por este conselheiro, com fulcro no artigo 65, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria nº 343, de 2015, contra o acórdão nº. 2401005.810 proferido por esta Colenda 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção em 03 de outubro de 2018 e formalizado em 19/11/2018, relativamente ao Processo Administrativo Fiscal acima epigrafado e de minha relatoria, cuja ementa segue transcrita abaixo: IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal. IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 874 3 O art. 62, § 2°, do Regimento Interno do CARF impõe a utilização da regra definida no REsp nº 973.733 – SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, o que faz com que o art. 150, §4º, do CTN, somente deva ser adotado nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação; nas demais situações prevalecem os ditames do art. 173 do CTN. O dispositivo do acórdão recebeu a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rayd Santana Ferreira. A seguir, para um perfeita apreensão do ocorrido, colaciono excertos do voto vencedor: Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto o posicionamento ao Recurso Voluntário, devendo ser modificada a decisão a quo, com o cancelamento do ganho de capital, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos autos, os argumentos do recorrente têm o condão de reformar o Acórdão atacado, bem como o Auto de Infração, por representar a melhor interpretação a propósito do tema, garantindo a segurança jurídica em homenagem ao direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre a alienação de participação societária, posteriormente à vigência do DecretoLei nº 1.510/76, conquanto que tenha permanecido com a propriedade de sua participação por 05 (cinco) anos durante o período de validade de aludido Diploma Legal, impondo o acolhimento do pleito do contribuinte, com o fito de se restabelecer a ordem legal nesse sentido. Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou (...) Na hipótese dos autos, tendo o contribuinte permanecido com sua participação societária por mais de 05 (cinco) anos, durante a vigência do DecretoLei nº 1.510/1976, não há que se falar em expectativa de direito, mas, sim, em direito adquirido, tendo em vista o cumprimento dos pressupostos legais para fruição da isenção no decorrer do período regido pelo dispositivo legal retro. Destarte, o fato de a alienação de sua participação societária ter ocorrido sob o manto dos preceitos insculpidos na Lei nº 7.713/88, não tem o condão de rechaçar o seu direito Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 875 4 adquirido. Como muito bem asseverou a recorrente há de se observar o princípio do tempus regit actum, implicando dizer que o contribuinte adquiriu o direito de gozar de aludida benesse fiscal no período em que vigia a norma isentiva, sendo defeso a alteração introduzida pela Lei nº 7.713/88 retroagir de maneira a alcançar fato jurídico perfeito e acabado. A possibilidade de aplicação de uma norma mesmo após a sua revogação, dáse o nome de “ultratividade”. Sobre a ultratividade em matéria de direito adquirido, vale destacar a lição do professor (...) Não sendo o bastante a vasta fundamentação acima esposada, a Solução de Consulta Cosit n° 505, de 17 de outubro de 2017, aduz que (...) No mesmo sentindo, claramente aplicável ao caso, dispõe o Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25 de junho de 2018, in verbis: (...) Ante o exposto, resta claro que o contribuinte tem direito adquirido à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre o ganho de capital auferido pela alienação de participação societária, vez que atendeu a condição imposta pelo art. 4º, alínea “d” do DecretoLei 1.510/76 antes mesmo de sua revogação pela Lei n. 7.713/88. Imprescindível mencionar o entendimento do Conselheiro Cleberson Alex Friess, pois há algumas ressalvas com a posição adotada por este Redator, como muito bem restou demonstrado na "Declaração de Voto" exarada no Acórdão n° 2401005.278, senão vejamos: (...) Em linhas gerais, a SC Cosit nº 505/2017 acolheu a orientação prevalente sobre o tema existente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como o encaminhamento dado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio da Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016. As soluções de consulta emitidas pela CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB tem efeito vinculante no âmbito daquele órgão fazendário, inclusive no que tange às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento, representando a interpretação oficial da legislação tributária aplicável a fato determinado. Implica reconhecer, portanto, que os contribuintes em idêntica situação tributária, sob pena de inaceitável discriminação, devem ser tratados uniformemente pelo Poder Público. À vista dessas razões, com a ressalva do ponto de vista pessoal sobre a matéria, acompanho o voto do I. Relator no sentido de que as ações adquiridas pelo contribuinte até 31 de dezembro de 1983 fazem jus à isenção a que alude o DecretoLei nº 1.510, de 1976, mesmo que a alienação das participações societárias Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 876 5 tenha se efetivado na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 (Fração Anterior FA).(...)(grifo nosso) Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar o ganho de capital, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Quando da formalização do acórdão nos presentes autos, depareime com a verificação da existência de omissão acerca de pontos sobre os quais deveria ter se pronunciado a Turma. Na tabela a seguir, especifico os pontos em questão e que dizem respeito à constituição e evolução do capital social da empresa Organização Farmacêutica Drogão Ltda e, por consequência, à constituição e evolução das quotas de titularidade do recorrente, com destaque para as aquisições de quotas em período posterior ao de vigência do DecretoLei n° 1.510/76 e para a ocorrência de incorporações e de cisões parciais: Documento fls. Data Registro cotas totais capital social Descrição Constituição 156/163 30/10/1975 27/11/1975 70 Cr$ 70.000,00 capital subscrito e integralizado em moeda Alteração de 31/08/1992 164/185 31/08/1992 09/09/1992 1.070.401.292 Cr$ 1.070.401.292,00 abre filial não constam dos autos alterações anteriores a revelar formação do capital social explicitado nessa alteração de 31/08/1992. Alteração de 28/05/1993 186/197 28/05/1993 16/09/1993 37.612.537.279 4.193.872.700 Cr$ 37.612.537.279,00 Cr$ 4.193.872.700,00 aumento de capital total de Cr$1.070.401.292,00 para Cr$ 37.612.537.279,00 por aproveitamento das contas "correção monetária do capital social" (Cr$ 33.498.696.221,00), "subvenção para incentivos fiscais" (Cr$ 94.272.488,00), "correção especial lei n° 8.200/91" (Cr$ 58,00) e "lucros acumulados" (Cr$ 2.949.167.220,00). Redução do capital social para Cr$4.193.872.700,00 por cisão parcial com versão de parte do patrimônio líquido (avaliado por balanço patrimonial em 30/04/1993) para aumento de capital da Irmãos Guimarães S/A Droguistas (NIRC 35.300.041.470) com redução do numero de quotas representativas do capital social transferido. Alteração de 31/05/1995 198/202 31/05/1995 30/06/1995 695.838 CR$ 4.193.872,00 R$ 1.525,04 R$ 695.838,00 conversão do capital social para real (de CR$ 4.193.872,00 para R$ 1.525,04) falta folha 2 na folha 3 consta contrato e capital social é maior = R$ 695.838,00 5ª Alteração 203/212 30/04/1997 23/07/1997 833.108 R$ 833.108,00 aumento de capital de R$ 702.248,00 para 833.108,00 pelo aproveitamento de correção monetária do capital social (R$130.860,00) 16ª Alteração 213/236 17/12/2009 30/12/2009 11.297.154 R$ 11.297.154,00 aumento de capital por incorporação de "Irmãos Guimarães Ltda" (NIRE 35.217369.749), Drogaria o Drogão Ltda" (NIRE 35.201.109.467). e "Administração, Representação e Comércio Guimarães Ltda" (NIRE 35.211.835.483), a ser processado pelos valores das incorporadas com base no valor contábil mediante balanço especial. As partes concordam que na incorporação manterão a mesma proporção da participação societária, ou seja 50%, para cada um dos irmãos. 19ª Alteração 237/251 25/03/2010 25/05/2010 17.753.072 R$ 17.753.072,00 aumento de capital social para R$ 17.753.072,00 com recursos lançados em conta do Balanço Patrimonial. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 877 6 Protocolo de Cisão 252/254 30/04/2010 10/06/2010 11.297.154 R$ 11.297.154,00 Redução de capital social de R$ 17.753.072,00 para R$ 11.297.154,00 por Cisão Parcial para Vila Inhambú Participações Ltda com redução do número de quotas representativas do capital social transferido. 21ª Alteração 46/61 21/06/2010 29/07/2010 11.297.154 R$ 11.297.154,00 Drogaria São Paulo SA passa a ter totalidade cotas de titularidade do recorrente e ingressa Ronaldo Jose Neves de Carvalho com 1 cota. Obs1: além dessas alterações contratuais, consta dos autos a 22ª Alteração Contratual; e, excetuadas a 21ª e a 22ª Alteração, o recorrente nas demais alterações especificadas na tabela consta como sócio com metade do capital social. Obs2: Na petição de Separação Judicial Consensual do recorrente (fls. 534/554) protocolada em 21/10/2003, consta a informação de que o recorrente tinha como bem exclusivo 416.554 quotas da Organização Farmacêutica Drogão Ltda, fls. 546. Logo, em 2003, o capital social, guardado o percentual histórico de 50%, seria de 833.108 cotas, ou seja, R$ 833.108,00. A situação em foco não constou de meu Relatório e nem foi explicitada nos debates, tendo o colegiado deliberado sem enfrentar tais pontos. Nesse contexto, foram opostos os embargos de declaração a fim de que o recurso voluntário sofresse nova apreciação por parte deste Colegiado, por ter o Acórdão nº 2401005.810 incorrido em omissão acerca de pontos sobre os quais a Turma deveria, obrigatoriamente, ter se pronunciado. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Formalizado o Acórdão em 19/11/2018, os embargos de declaração opostos em 21/11/2018 são tempestivos. O voto condutor considerou que o contribuinte permaneceu com sua participação societária por mais de 05 (cinco) anos, durante a vigência do art. 4°, d, do DecretoLei nº 1.510/1976, não havendo que se falar em expectativa de direito, mas, sim, em direito adquirido, tendo em vista o cumprimento dos pressupostos legais para fruição da isenção no decorrer do período regido pelo dispositivo legal referido, em face da jurisprudência administrativa, da doutrina, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, da Solução de Consulta Cosit n° 505, de 2017, e do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018. A partir desse raciocínio, concluiuse pelo provimento ao recurso voluntário. Logo, a Turma acabou por não se pronunciar sobre ponto essencial para a configuração da real dimensão do direito adquirido reconhecido pela decisão, ou seja, sobre a evolução acima explicitada do capital social da empresa Organização Farmacêutica Drogão Ltda e, por consequência, sobre a evolução acima explicitada das quotas em titularidade do recorrente e que restaram alienadas em 2010. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade (RICARF, Anexo II, art. 65), tomo conhecimento do recurso. Diante da referida evolução, explicitada na tabela constante do relatório acima, evidenciase que: Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 878 7 (1) houve aumentos de capital em períodos posteriores ao gerador de direito adquirido do art. 4º, d, do DecretoLei nº 1.510/1976; (2) a cisão parcial determinada pela alteração contratual de 1993 ensejou o cancelamento de 88,85% das quotas da empresa; (3) a cisão parcial de 2010 cancelou 36,37% das quotas da empresa; (4) houve a incorporação das empresas "Irmãos Guimarães Ltda", Drogaria o Drogão Ltda" e "Administração, Representação e Comércio Guimarães Ltda" em dezembro de 2009; e (5) não estão presentes nos autos todas as alterações contratuais. De plano, registrese que as cisões parciais de 1993 e 2010 ensejaram a redução do capital social com cancelamento proporcional de quotas com e sem isenção, tendo se em mente a adoção do critério da média ponderada na apuração do ganho de capital (IN SRF n° 39, de 1993, art. 20; e IN SRF n° 84, de 2001, art. 16). Apesar de não estarem presentes nos autos todas as alterações contratuais, o contrato social e as alterações contratuais constantes dos autos são suficientes para possibilitar a imediata solução da lide, eis que geram a convicção de que a Organização Farmacêutica Drogão Ltda era empresa familiar de Marcos Eduardo Amaral Guimarães e Paulo Ney Amaral Guimarães, ambos possuindo participação no capital social desde a constituição em 1975 até as alienações de 2010, e comprovam que houve aumento de capital após 31/12/1983 com emissão de novas quotas. O aumento de capital com emissão de novas quotas após 31/12/1983, inclusive mediante aquisição de quotas bonificadas oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros (inclusive resultantes da correção monetária do capital social ou de subvenção para incentivos fiscais), não tem o condão de ensejar o direito adquirido do art. 4°, d, do Decreto Lei nº 1.510/1976, como assevera a parte final do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018. Logo, no caso concreto, constatase que apenas parte das quotas alienadas em 2010 gozou da isenção do art. 4°, d, do DecretoLei nº 1.510/1976, devendo para tanto ser adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Em relação ao aumento de capital advindo da emissão de quotas pela incorporação das empresas de "Irmãos Guimarães Ltda", "Drogaria o Drogão Ltda" e "Administração, Representação e Comércio Guimarães Ltda", devemos tecer mais algumas considerações, tendo em mente o disposto no Parecer Normativo CST n° 39, de 1981: Parecer Normativo CST n° 39, de 19/10/1981 Em face da previsão legal de não incidir o imposto de renda sobre o lucro auferido na alienação de participações societárias efetuada após decorrido o período de 5 anos da data da subscrição ou aquisição, em conformidade com o disposto no art. 40, § 5º, alínea d, do Regulamento baixado com o Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980, indagase qual o termo de início do qüinqüênio legal se, em virtude de fusão, incorporação ou cisão, houver substituição dos títulos representativos da participação em sociedades que tenham realizado uma dessas operações. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 879 8 2. Em primeiro lugar, cabe observar que, na incorporação, fusão e cisão, há traspasse de "patrimônio", ou "patrimônios", cujo valor passará a formar o capital social, e que deverá ser, pelo menos, igual ao montante do capital a realizar (art. 226, caput, da Lei nº 6.404/76). 2.1. Na incorporação e na fusão, segundo magistério de Pontes de Miranda, há persistência do vínculo social, e a finalidade da lei, ao regulálas, foi a de evitar solução de continuidade que abrisse abismo entre o ontem e o hoje, e implicam que se admitam na sociedade incorporante ou fundente os acionistas ou sócios da sociedade incorporada ou fundida ("Tratado de Direito Privado", tomo LI, p. 66 e 75). 3. O Código Civil diz que o "patrimônio" é coisa universal, ou universalidade, e como tal subsiste, embora não conste de objetos materiais (art. 57) e nele fica subrogado ao indivíduo o respectivo valor e viceversa (art. 56). 3.1. Segundo o princípio geral da subrogação nas universalidades, enunciado pelo último dispositivo, "se, nos bens coletivos, a algum dos bens que o compõem se substitui valor, ou outro bem, ou se, com o valor, se inclui outro bem, dáse a sub rogação", dado que "onde a substituição de um bem por outro, sem se subordinar às mesmas regras jurídicas que sobre aquele incidiam e iam incidir, sacrificaria a destinação do bem singular, ou a sua inclusão em bem coletivo, a subrogação real se opera" (A. e op. cit., tomo V, p. 401 e 404). 3.2. Como a define Pedro Nunes, a subrogação real ocorre no caso de substituição de uma coisa por outra, que fica em lugar da primeira com a transferência implícita, para o subrogado, de todos os direitos e ações do subrogante ("Dicionário de Técnica Jurídica"). Por outras palavras, um bem fica no lugar de outro, juridicamente, sem que o patrimônio, ou os patrimônios, tenham deixado de ser, em qualquer momento, universalidades, como ocorre nos casos mencionados de fusão, incorporação e cisão. 4. Deduzse, daí, que o direito obtido em subscrição ou aquisição não se extingue com as citadas operações, mas, ao contrário, mantémse em relação ao patrimônio que absorveu o primitivo. Desta forma, as quotas ou ações que venham a substituir títulos de participação societária, na mesma proporção das anteriormente possuídas, não podem ser consideradas "novamente subscritas ou adquiridas", donde dever ser contada como data inicial do qüinqüênio aquela indicada no art. 4º, d, do DecretoLei nº 1.510/76. Antes de mais nada, devemos ressaltar que aqui se discute a incorporação de sociedade e não a incorporação de quotas/ações. O tratamento tributário de ambas é distinto, como bem assevera a Solução de Consulta Cosit n° 224, de 14 de agosto de 2014: (...) disposição legal contida no art. 23 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que trata da transferência de bens de pessoa Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 880 9 física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, a qual prevê caso de tributação de ganho de capital quando a transferência ocorrer por valor superior ao constante da respectiva declaração de bens. 4. Também cita a Pergunta nº 556 da publicação “Perguntas e Respostas do IRPF 2013”, elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujo teor expressa não caracterizar alienação, para fins de incidência do IRPF, a substituição de ações, na proporção das anteriormente possuídas, em casos de cisão, fusão ou incorporação. (...) Fundamentos (...) 25. Com efeito, na incorporação de sociedade ocorre a extinção da personalidade jurídica da companhia incorporada, cujos direitos e obrigação subrogamse à pessoa jurídica incorporadora. Concentramse nesta, portanto, todos os aspectos jurídicos e patrimoniais atinentes à pessoa jurídica extinta. 26. Por tal motivo, não cabe aplicar o mesmo tratamento tributário a ambas as figuras – incorporação de companhias e incorporação de ações. 27. De modo que a Pergunta/Resposta nº 556 do “Perguntas e Respostas do IRPF 2013”, mencionada pelo consulente, que tem por base o Parecer Normativo CST nº 39, de 19 de outubro de 1981, emitido pelo Coordenador do Sistema de Tributação, cuida exatamente dessa substituição de ações na hipótese de fusão, cisão ou incorporação de sociedades, e não da operação societária de incorporação de ações. 28. Portanto, por tratarem de matérias distintas, não há conflito entre o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995, e a resposta à Pergunta nº 556. A seguir, para um melhor compreensão, transcrevo a Pergunta e Resposta n° 556 do IRPF em questão: SUBSTITUIÇÃO DE AÇÕES — CISÃO, FUSÃO OU INCORPORAÇÃO 556 — Qual é o tratamento tributário na substituição de ações ocorrida em virtude de cisão, fusão ou incorporação? A substituição de ações, na proporção das anteriormente possuídas, ocorrida em virtude de cisão, fusão ou incorporação, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro, não caracteriza alienação para efeito da incidência do imposto sobre a renda. A data de aquisição é a de compra ou subscrição originária, não tendo havido emissão ou entrega de novos títulos representativos da participação societária. Atenção: Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 881 10 O montante das novas participações societárias deve ser igual ao custo de aquisição da participação societária originária. (Parecer Normativo CST nº 39, de 1981) Sobre a proporcionalidade em relação às anteriormente possuídas, podemos invocar o seguinte excerto do Parecer Normativo CST n° 21, de 1987: 2. A Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), ao introduzir a figura da cisão no direito positivo brasileiro, justificou que esta medida visava assegurar maior liberdade na fixação das condições das companhias e definiua em seu artigo 229, cujo § 5º é essencialmente relevante na análise que aqui pretendemos realizar. 3. O referido § 5º trata do critério para distribuição das ações do capital da pessoa jurídica sucessora, integralizadas com parcela do patrimônio da sucedida. Segundo esse dispositivo legal, as ações devem ser atribuídas aos acionistas da sociedade cindida, na mesma proporção das que possuíam. (...) 3.2. Na cisão, assim como na incorporação ou fusão, a transferência do patrimônio de uma pessoa jurídica à outra é feita de forma direta e não por intermédio dos acionistas ou sócios da sociedade de origem, não ocorrendo, nesses casos, modificação na relação de propriedade entre esses acionistas ou sócios. Daí que da cisão, incorporação ou fusão não pode resultar ganho para alguns acionistas ou sócios em detrimento de outros. Esse princípio deve ser observado em todos os eventos dessa natureza. Assim, na cisão de uma empresa, com a partição de seu quadro societário, a propriedade da parcela de patrimônio vertida deve ser atribuída aos acionistas ou sócios que se transferem numa proporção tal, que não haja ganho e perda entre eles próprios. Portanto, na incorporação de sociedade não há liquidação do investimento havido na pessoa jurídica extinta. Ainda que os títulos de participação societária integrantes do patrimônio jurídico da pessoa física sejam substituídos por títulos da nova empresa, não há liquidação de quota/ação e aquisição de nova quota/ação, eis que o vínculo social persiste e o traspasse de patrimônio se opera entre as pessoas jurídicas. Algo semelhante ocorre quando, por exemplo, uma sociedade limitada transformase em sociedade anônima e o título jurídico integrante do patrimônio da pessoa física se altera de quota para ação, não havendo liquidação de investimento e novo investimento. Destarte, na incorporação de sociedade, os novos títulos de participação societária, obtidos em substituição aos extintos em mesma proporção, não podem ser considerados como novamente subscritos ou adquiridos; não há liquidação de investimento e nova subscrição de capital. Por isso, a Pergunta e Resposta n° 556 ressalta que o montante das novas participações societárias deve ser considerado como igual ao custo de aquisição da participação societária originária. Uma ressalva, entretanto, deve ser destacada e para tanto invoco a inteligência veiculada no Parecer Normativo CST n° 462, de 1971: Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 882 11 1. Empresa de responsabilidade limitada, pretendendo incorporar outra empresa, esta Sociedade Anônima, mediante simples apropriação dos saldos das contas constantes do balanço de encerramento da incorporada, inclusive prejuízos, informando antes que ambas possuem como participante majoritária em seus capitais uma mesma empresa estrangeira indaga se correto o seu entendimento de que: 1) "não haverá qualquer tributação para os acionistas da incorporada ao receberem um número de quotas igual ao número de ações e de valor também igual"; 2) "não haverá qualquer tributo para a pessoa jurídica, uma vez que não haverá qualquer alteração nos valores contábeis de quaisquer das contas, que simplesmente passarão de uma para outra empresa"; (...) 4. Na Legislação comercial ocupamse da matéria o artigo 152 e seus parágrafos do DecretoLei nº 2.627, de 26.09.1940, aplicáveis tanto às Sociedades Anônimas por serem seu objeto específico como às sociedades de responsabilidade limitada, face ao que dispõe o artigo 18 do Decreto nº 3.708, de 10.01.1919. 5. Preceituam os supramencionados dispositivos legais: Art. 152. "A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A Sociedade Anônima incorporadora deverá, em Assembléia Geral, na forma desta Lei, aprovar as bases da operação e o projeto de reforma dos estatutos. As sociedades que houverem de ser absorvidas tomarão conhecimento destes atos e, se os aprovarem autorizarão os administradores a praticar todos os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor que se verificar entre o ativo e o passivo. § 2º A Assembléia Geral da Sociedade Anônima incorporadora nomeará os peritos para a avaliação do patrimônio líquido das sociedades que tenham que ser incorporadas, e, aprovado o laudo da avaliação, promoverão os Diretores daquela sociedade o arquivamento e a publicação dos respectivos atos. (grifei) § 3º Os sócios ou acionistas das sociedades incorporadas, aprovado o laudo da avaliação pela Assembléia Geral da Sociedade Anônima incorporadora, deverão reunirse e declarar extintas as sociedades incorporadas, arquivandose e publicandose em seguida os respectivos atos, juntamente com os referidos no parágrafo anterior. 6. Sem maiores esforços de interpretação, da leitura dos textos legais, salta à vista de pronto uma formalidade essencial à realidade do ato jurídico: se efetue a incorporação tendo por base o patrimônio líquido da incorporada, avaliável, inclusive por peritos nomeados. Em última análise, impõese à operação a obediência às mesmas formalidades exigíveis na subscrição de capital, mediante ingresso de bens. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 883 12 7. Não obstante a clareza de tais preceitos, positivamente, não os atenderia o procedimento pretendido pela consulente. Isto porque, ao se proceder à incorporação pelo valor do capital nominal da incorporada sem a devida consideração à existência de prejuízos acumulados, na realidade estarseia atribuindo valor positivo, como patrimonial, a uma parcela de valor negativo, representativa justamente de real decréscimo do patrimônio da empresa. Seria, em síntese, uma subscrição de capital sem correspondência de qualquer ingresso, o que representaria não só uma aberração do ponto de vista econômico, como um atentado nos Mandamentos Legais de Regência (artigos 4º e 152 do DecretoLei nº 2.62740 e 287 do Código Comercial Brasileiro). (...) 9. Descaracterizase a espécie como incorporação de empresa, só resta constituirse liquidação pura e simples de uma e subscrição de capital de outra pelos acionistas daquela. Apesar de o Parecer Normativo CST n° 462, de 1971, se alicerçar em legislação revogada, a legislação posterior não difere substancialmente da nele invocada, como podemos verificar: Lei n° 6.404, de 1976. Art. 226. As operações de incorporação, fusão e cisão somente poderão ser efetivadas nas condições aprovadas se os peritos nomeados determinarem que o valor do patrimônio ou patrimônios líquidos a serem vertidos para a formação de capital social é, ao menos, igual ao montante do capital a realizar. (...) Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Lei n° 10.406, de 2002 Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida para os respectivos tipos. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 884 13 Art. 1.117. A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de reforma do ato constitutivo. § 1° A sociedade que houver de ser incorporada tomará conhecimento desse ato, e, se o aprovar, autorizará os administradores a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que se verificar entre o ativo e o passivo. § 2° A deliberação dos sócios da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio líquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. Art. 1.118. Aprovados os atos da incorporação, a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva averbação no registro próprio. Destarte, em face da legislação em vigor, permanece válida a conclusão de que, descaracterizada a incorporação de sociedade, devese compreender haver um investimento em participação societária liquidado e substituído na mesma operação por investimento diverso, a caracterizar a ação/quota recebida em substituição como novamente subscrita ou adquirida. No caso concreto, o sócios da incorporadora deliberaram acerca da incorporação na 16ª Alteração Contratual, fls. 213/236, tendo constado expressamente que: Através dos Protocolos de Justificação de Incorporação, os sócios acordaram: 1) Proceder a Incorporação das seguintes sociedades: a) IRMÃOS GUIMARÃES LTDA., com sede à Rua Forte do Rio Negro, 220, São Mateus Cep 08340 180, São Paulo inscrita no CNPJ sob o n.° 04.918.584/000130, com registro JUCESP sob o n° NIRE 35.217.369.749. b) DROGARIA O DROGÃO LTDA., com sede ao Largo São Bento n° 10 sobreloja, sala 1, Centro Cep 01029010, São Paulo inscrito no CNPJ/MF sob o n.° 49.174.840/000160, com registro JUCESP sob o n° NIRE 35.201.109.467., e c) ADMINISTRAÇÃO, REPRESENTAÇÃO E COMÉRCIO GUIMARÃES LTDA., com sede a Avenida Padre Antonio José dos Santos n° 1083 sobreloja Cep 04563013 bairro Cidade Monções.Estado de São Paulo inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 60.744.729/000102, com registro JUCESP sob o n° NIRE 35.211.835.438. por resolverem que a efetivação de tal operação atenderá os interesses e anseios de todos os sócios. 2) A presente incorporação processase pelos valores apurados em balanço especialmente levantado para este fim, com data de 30/11/2009., sendo, que as variações patrimoniais, ocorridas Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 885 14 entre a data do balanço e a data da efetivação, da incorporação serão levados em conta da sociedade incorporadora. 3) Os valores das sociedades incorporadas, serão efetivamente avaliadas com base no valor contábil pela empresa especializada para tal fim contratada, Hélio Antonio & Braga Ltda., com sede na Rua Serra de Japi n° 106 , Cep 03309000 Tatuapé São Paulo SP, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 02.937.577/000150 e no CRCSP sob o n° 1SP 175140/06 que aceitando a incumbência se comprometeu a apresentar o correspondente laudo de avaliação. 4) Com a incorporação, o capital social ficará da seguinte forma: Sócios quotas valor a) Paulo Ney Amaral Guimarães.................. 5.648.577,00..R$ 5.648.577,00 b) Marcos Eduardo do Amaral Guimarães...5.648.577,00. R$ 5.648.577,00 Total...........................................................11.297.154,00..R$ 11.297.154,00 5) As partes acordam que na incorporação, manterão a mesma proporção da participação societária, ou seja 50% (cincoenta por cento) cada um. 6) Com o aumento do capital social, alterar a Cláusula 5a do Capitulo II, do Contrato Social que passará a ter a seguinte redação: CLÁUSULA 5a. O capital social totalmente subscrito e integralizado é de R$ 11.297.154,00 (onze milhões duzentos e noventa e sete mil cento e cincoenta e quatro reais), dividido em 11.297.154 ( onze milhões duzentos e noventa e sete mil cento e cincoenta e quatro) quotas no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, integralizadas neste ato em moeda corrente do País, assim distribuídas entre os sócios: (a) O sócio Paulo Ney Amaral Guimarães, já qualificado, é proprietário de 5.648.577 (cinco milhões seiscentos e quarenta e oito mil, quinhentos e setenta e sete ) quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalizando o montante de RS 5.648.577,00 (Cinco milhões quinhentos e quarenta e oito mil, quinhentos e setenta e sete reais) e, (b) O sócio Marcos Eduardo do Amaral Guimarães, já qualificado, é proprietário 5.648.577 (cinco milhões seiscentos e quarenta e oito mil, quinhentos e setenta e sete ) quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalizando o montante de R$ 5.648.577,00 (Cinco milhões quinhentos e quarenta e oito mil, quinhentos e setenta e sete reais). 7) A operação acarretará a alteração do Objeto da Sociedade, que passará a ser: (...) Face as alterações inseridas no presente instrumento, às cláusulas e condições por que se regerão à sociedade passarão ser as seguintes: Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 886 15 Portanto, a alteração contratual constante dos autos é expressa quanto a manutenção da proporção dos sócios na participação societária. Não esclarece, contudo, se tal manutenção se dá em face da incorporadora ou das incorporadas. Na incorporadora, a proporção é mantida. Porém, essa proporção deve ser mantida em relação às incorporadas, não havendo prova nesse sentido nos autos. Além disso, a 16ª Alteração Contratual não está acompanhada dos Laudos de Avaliação das três empresas incorporadas. Logo, não há como se saber se o patrimônio líquido de cada incorporada foi suficiente para lastrear o respectivo aumento de capital na incorporadora. Caso restassem provados a manutenção da proporção e serem os patrimônios líquidos suficientes, as quotas resultantes do aumento de capital poderiam gozar de todos os direitos havidos em face das quotas extintas, por se operar a subrogação real. Em tal hipótese, caberia se apurar quando e por quem foram constituídas as três empresas e qual a evolução societária e do capital social das mesmas para se verificar se haveria alguma quota de titularidade do recorrente nas empresas extintas a gozar do direito à isenção do art. 4°, d, do DecretoLei nº 1.510/1976. Mas, para tanto, deveria ter o recorrente carreados aos autos os contratos sociais e as alterações contratuais de tais empresas. Para comprovar o fato impeditivo consistente na isenção, o recorrente instruiu a impugnação apenas com o Contrato Social original da Organização Farmacêutica Drogão Ltda (fls. 622/647) e com suas 16ª (fls. 648/672), e 21ª (fls. 673/688) e 22ª (fls. 689/717) Alterações Contratuais. Durante a fiscalização, o recorrente já apresentara a 21ª Alteração Contratual (fls. 46/61) e a Drogaria São Paulo SA tinha apresentado, em relação à Organização Farmacêutica Drogão Ltda, o Contrato Social (fls. 156/163), as Alterações de 31/08/1992 (fls. 164/185), de 28/05/1993 (fls. 186/197) e de 31/05/1993 (fls. 198/202) e as 5ª (fls. 203/212), 16ª (fls. 213/236) e 19ª (fls. 237/251) Alterações, bem com Protocolo de Cisão de 2010 (fls. 252/254). Assim, em relação às quotas advindas da incorporação das empresas de "Irmãos Guimarães Ltda", "Drogaria o Drogão Ltda" e "Administração, Representação e Comércio Guimarães Ltda", o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o direito à isenção. Destarte, resta reconhecido o direito adquirido tão somente em relação às quotas da Organização Farmacêutica Drogão Ltda (desconsideradas as advindas em 2009 por incorporação) adquiridas pelo recorrente até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, excluindo se dessa isenção as quotas bonificadas, inclusive oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros (bem como as oriundas de incorporações de correção monetária do capital social, inclusive a especial, ou de subvenção para incentivos fiscais), adquiridas após 31/12/1983; ressaltandose, ainda, que as cisões parciais operadas em 1993 e 2010 ensejaram a redução do capital social com cancelamento proporcional de quotas com e sem isenção. Quando da liquidação do Acórdão resultante do presente voto, a quantificação do número de quotas alienadas em 2010 a gozar do direito à isenção deverá ser empreendida em face de todas as alterações contratuais da Organização Farmacêutica Drogão Ltda, com a observância dos critérios aqui decididos. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 887 16 Considerandose que apenas parte das quotas alienadas no anocalendário de 2010 gozava da isenção do art. 4°, d, do DecretoLei nº 1.510/1976, impõese a análise das demais alegações veiculadas nas razões recursais. Ressalto que o raciocínio empreendido até aqui no presente voto toma por demarcação o voto vencedor do acórdão embargado. A partir desse instante, retomarei e desenvolverei a apreciação das demais alegações veiculadas nas razões recursais, apreciação que constara do meu voto vencido proferido em 03 de outubro de 2018, mas que não chegou a ser conhecida pelo colegiado e que em razão dos efeitos infringentes devem ser apreciadas. Permuta de ativos e inocorrência de ganho de capital. Segundo o recorrente, teria havido permuta com torna e o dinheiro recebido pela venda das quotas nunca teria estado livre e à disposição do vendedor, pois se obrigara a arcar com contingências ou indenizações imputáveis à Drogão e para tanto teria depositado o preço em fundo de investimentos e dele iria abatendo os valores para arcar com tais dívidas, havendo escrow account. Foram pactuados três instrumentos contratuais. A compra e venda das ações está veiculada no "Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Quotas e outras Avenças" (fls. 86/96). Não apenas o título, mas as premissas e cláusulas desse contrato deixam claro de que não se trata de uma permuta com torna, mas de uma compra e venda e com preço certo e a ser pago à vista, transcrevo: PREMISSAS CONSIDERANDO QUE: (a) os Quotistas Drogão, em conjunto, detêm a totalidade do capital social da Drogão; (b) a Drogaria deseja adquirir 2.858.180 (dois milhões, oitocentas e cinquenta e oito mil, cento e oitenta) quotas de emissão da Drogão, equivalentes a 25,30% (vinte e cinco inteiros e trinta centésimos por cento) do seu capital social total, diretamente dos Quotistas Drogão, e os Quotistas Drogão desejam vender à Drogaria referidas quotas; e (c) as Partes celebrarão na presente data um (i) Instrumento Particular de Subscrição de Ações e Outras Avenças ("Contrato de Subscrição''), por meio do qual os Quotistas Drogão subscreverão 1.935.790 (um milhão, novecentas e trinta e cinco mil, setecentas e noventa) ações de emissão da Drogaria, mediante a conferência, pelos Quotistas Drogão para a Drogaria, de 8 438.974 (oito milhões, quatrocentas e trinta e oito mil, novecentas e setenta e quatro) quotas de emissão da Drogão representativas de 74,70% (setenta e quatro inteiros e setenta centésimos por cento) do total do capital social da Drogão, e (ii) Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças ("Contrato de Compra e Venda de Quotas Administradora"), por meio do qual a Drogaria adquiriu 20.000 (vinte mil) quotas de emissão da Drogão Administradora de Cartões de Crédito. Comércio e Participações Ltda. de titularidade dos Quotistas; Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 888 17 AS PARTES RESOLVEM celebrar o presente Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, de acordo com os seguintes termos e condições: (...) CLÁUSULA II COMPRA E VENDA 2.1. Compra e Venda. Observados os termos e condições do presente Contrato de Compra e Venda, Paulo e Marcos, neste ato e pelo presente Contrato de Compra e Venda, vendem à Drogaria e a Drogaria compra de Paulo e Marcos, respectivamente, 1.429.090 (um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil e noventa) e 1.429.090 (um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil e noventa) quotas de emissão da Drogão (em conjunto, "Quotas"), representativas de 25,30% (vinte e cinco inteiros t trinta centésimos por cento) do seu capital social. A transferência de tais Quotas à Drogaria darseá na presente data mediante alteração do contrato social da Drogão. a ser assinada na presente data. 2.1.1. Preço, O valor total pago pelas Quotas é de R$24.500.000,00 (vinte e quatro milhões e quinhentos mil Reais) ("Preço das Quotas"), a ser pago no primeiro Dia Útil após a presente data, da seguinte forma: (i) RS 12.250.000,00 (doze milhões, duzentos e cinquenta mil Reais) para Paulo, e (ii) R$12.250.000,00 (doze milhões, duzentos e cinquenta mil Reais) para Marcos. 2.1.2. Pagamento. O Preço das Quotas deverá será pago à vista, no primeiro Dia Útil após a presente data, pela Drogaria para Paulo e Marcos, nos lermos da Cláusula 2.1.1 acima, mediante transferência de fundos imediatamente disponíveis por meio de transferência eletrônica (TED), para as contas correntes indicadas por Paulo e Marcos. (...) CLAUSULA IV VALIDADE E INDENIZAÇÃO 4.1. Indenização pelos Quotistas Drogao. Toda e qualquer indenização devida pelos Quotistas Drogão oriunda do presente Contrato deverá seguir o rito, processo e limites estabelecidos no Contrato de Subscrição, nos termos da Cláusula IV, conforme aplicável. Portanto, não se sustenta a alegação de que teria havido permuta de ações com torna em dinheiro. A leitura do "Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças"(fls. 108134) corrobora essa constatação, transcrevo: PREMISSAS CONSIDERANDO QUE: (a) (i) os Acionistas Codrome detêm, em conjunto. 81,0343% das ações que compõem o capital social da Codrome, e (ii) os Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 889 18 Quotistas Drogão detêm, em conjunto, a totalidade do capital social da Drogão; (b) a Codrome detém 99,9951% das ações que compõem o capital social de Drogaria; (c) as Partes decidiram unificar as operações da Drogão o da Drogaria ("Associação"), mediante uma operação que envolve, num primeiro instante, a subscrição de ações de Drogaria pelos Quotistas Drogão, a serem integralizadas mediante a conferência, de quotas do capital social da Drogão, e num segundo instante, a subscrição, pelos Quotistas Drogão, de ações do capital da Codrome, integralizadas mediante a conferência das ações de Drogaria que esses subscreveram, como acima referido; e (d) as Partes entendem que a Associação resulta na redução de custos redundantes e ganhos de escala operacional que viabilizarão investimentos mais elevados e uma maior taxa de crescimento de forma sustentada, em linha com a estratégia de contínua expansão, dos negócios da Drogão e da Drogaria, resultando em maior eficiência e competitividade para fazer frente aos desafios do mercado nacional: AS PARTES RESOLVEM celebrar o presente Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças, de acordo com os seguintes termos e condições: (...) CLAUSULA IV VALIDADE E INDENIZAÇÃO 4.1. Indenização pelos Quotistas Drogão. Os Quotistas Drogão, individualmente e sem solidariedade, deverão indenizar, defender ou manter a Drogaria, a Codrome, os Acionistas Codrome, e seus respectivos conselheiros, diretores, empregados, procuradores. Afiliadas, representantes e respectivos sucessores e cessionários (em conjunto.''Partes indenizáveis Codrome'' e, individualmente, "Parte Indemzável Codrome'") isentos de todas e quaisquer perdas, danos, obrigações, responsabilidades, contingências (consubstanciadas em processos judiciais ou administrativos ou em procedimentos de arbitragem), prejuízos, passivos, reclamações, ações, processos, demandas, investigações, fiscalizações, autuações, decisões (incluindo judiciais, administrativas ou arbitrais), cobranças, multas, juros, penalidades, custos e despesas' (incluindo, sem limitação, honorários de advogados, custas, depósitos judiciais e desembolsos) (em conjunto. "Passivos Indenizáveis". e, individualmente, "Passivo Indenizável") efetivamente incorridos pela Drogão ou por uma Parte Indenizável Codrome e decorrentes exclusivamente: (i) de violação, inveracidade ou inexatidão de qualquer declaração ou garantia prestada pelos Quotistas Drogão nos termos da Cláusula 11I(B) acima; Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 890 19 (ii) do não cumprimento, pela Drogão ou pelos Quotistas Drogão, de quaisquer de suas obrigações constantes do presente Contrato de Subscrição: ou (íií) de fatos, atos, omissões ou negócios da Drogão relativos ao período anterior à presente data e cujo valor não esteja especifica e integralmente provisionado nas demonstrações financeiras de Drogão." datadas de 31 de dezembro de 2009 e anexas ao presente Contrato de Subscrição como Anexo 4,l("Demonstrações financeiras Drogão). 42 Garantia da indenização pelos Quotistas Drogão, Em garantia da obrigação assumida nos termos desta Cláusula, os Quotistas Drogão constituíram, nesta data, em favor dos Acionistas Codrorne, da Codrome e da Drogaria, penhor sobre as Novas Ações da Codrome, nos termos do Contrato de Penhor ("Penhor'). Para tanto, os Quotistas Drogão autorizam, neste ato e pelo presente instrumento, o lançamento do registro do Penhor nos registros societários da Codrome e nos certificados de ações eventualmente emitidos, Constatase, destarte, que houve uma efetiva compra e venda com preço certo e pago à vista e duas integralizações de ações; ações da Organização Farmacêutica Drogão Ltda (Drogão) integralizadas na Drogaria São Paulo SA (Drogaria) e, a seguir, as ações da Drogaria integralizadas na Companhia Comercial de Drogas e Medicamentos Codrome (Codrome). Além disso, assumiuse obrigação de indenização, instituindose penhor das ações da Codrome em garantia. Não houve instituição de escrow account, cuja definição dada pelo Banco Central do Brasil transcrevo1: ESCROW ACCOUNT conta especial instituída pelas partes junto a uma terceira entidade, sob contrato, destinada a acolher depósitos, a serem feitos pelo devedor e ali mantidos em custódia, para liberação após o cumprimento de requisitos especificados. Na documentação acostada aos autos, detectei referência a um contrato intitulado "Contrato de Depósito (Escrow Account) e Outras Avenças celebrado em 05 de julho de 2013 entre Drogaria São Paulo SA, DSP Administração de Bens Imóveis e Participações SA, Ronaldo José Neves de Carvalho, Tomaz Eduardo Neves de Carvalho, Inhambu II Fundo de Investimentos e Participações e Banco Safra SA" apenas em notificação endereçada ao Banco Safra SA firmada em 10/03/2015 (fls. 502). Não localizei tal contrato nos autos e o próprio documento em questão atesta que tal contrato foi firmado em 05/07/2013. Ressaltese que na data de 05 de julho de 2013 foi firmado o Termo de Liberação de Penhor (fls. 517). Assim, os contratos firmados em 2010 não estabeleciam Contrato de Depósito (Escrow Account), tendo havido mera compra e venda e a alienação decorrente da aquisição de participação societária mediante entrega de quotas e paralelamente o estabelecimento do penhor de ações. O dinheiro percebido pela venda das ações integrou o patrimônio jurídico do contribuinte, a caracterizar disponibilidade econômica ou jurídica (e também a financeira), e ao 1 http://www.bcb.gov.br/htms/infecon/dividarevisada/apends_gloss_bibliografia.pdf Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 891 20 aplicálo em fundo de investimentos o autuado exerce prerrogativa inerente ao direito de propriedade, sendo irrelevante a forma de tributação dos rendimentos do fundo. A circunstância de o recorrente se valer do dinheiro aplicado para arcar com dívidas assumidas em "Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças" em nada afeta a anterior caracterização do ganho de capital. Pelo "Instrumento Particular de Contrato de Subscrição de Ações e Outras Avenças", a garantia recaiu sobre as ações, mediante penhor, e não sobre fundo de investimentos. Por fim, como bem demonstrou o Acórdão recorrido, o montante de R$ 4.189.757,96 destinado ao Banco Safra BSI S/A pela intermediação do negócio foi devidamente excluído. Portanto, em face dos instrumentos contratuais, houve compra e venda, perfeita e acabada, e que em nada se confunde com a obrigação assumida de arcar com eventuais indenizações. Incorporação de Quotas (Integralização de Quotas). O recorrente adquiriu a participação societária na Drogaria São Paulo SA (Drogaria) mediante entrega das quotas da Organização Farmacêutica Drogão Ltda (Drogão) e, a seguir, na Companhia Comercial de Drogas e Medicamentos Codrome (Codrome) mediante entrega das ações da Drogaria. No caso, não estamos mais tratando de incorporação de sociedade, mas de incorporação de quotas/ações. Em outras palavras, houve transferência das quotas do patrimônio do recorrente para o patrimônio da pessoa jurídica emissora da ação, subsistindo as quotas na esfera patrimonial da pessoa jurídica. A situação em questão representa uma transferência de domínio de um bem para outra pessoa, tendo em vista os efeitos patrimoniais para o sócio, o qual, ao adquirir participação societária atual, entrega ações anteriormente possuídas integrantes de seu patrimônio. Nesse sentido, dispõe a legislação: Lei 9.249, de 1995 Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. As operações que importem alienação de bens estão sujeitas à apuração de ganho de capital: Lei 7.713, de 1988 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 892 21 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...)§ 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Notese que o §3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, veicula rol exemplificativo, enumerando sem esgotar negócios jurídicos reconhecidamente distintos, como a compra e venda, permuta, desapropriação e os contratos afins. A disponibilidade da nova riqueza em pecúnia não é requisito absoluto para a tributação do ganho de capital, bastando o acréscimo patrimonial advindo do ingresso de bem ou direito. Ao definir o fato gerador do imposto, o ordenamento não se reporta à disponibilidade financeira ou circulação de numerário (dinheiro em caixa regime de caixa), mas à disponibilidade econômica ou jurídica (acréscimo patrimonial): Constituição Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) III renda e proventos de qualquer natureza; (...) § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Código Tributário Nacional Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 893 22 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Lei 7.713, de 1988 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...)§ 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Por isso, não há que se falar em mera expectativa de renda a ser concretizada apenas quando da venda das ações, uma vez que as ações entregues em pagamento foram avaliadas economicamente, refletindo o seu valor a prática do mercado, ainda que sem referência bursátil, e representando o acréscimo patrimonial do contribuinte na perspectiva estática, ou seja, em relação a situação anterior à operação. Notese que o artigo 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR, em seus incisos IV e XIII, traz exemplificativamente hipóteses de incidência em que não há recebimento de valores em dinheiro: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Não há uma mera substituição de ações, com equivalência de valores entre bens substituídos e, no caso concreto, não há como se considerar haver uma simples troca entre bens de mesmo valor. Não se amoldam ao caso concreto o art. 121, § 2°, do RIR e nem os Pareceres PGFN n° 970/1991 e 454/1992. Independentemente da existência de torna, por força do § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, há ganho de capital tributável sempre que existir uma diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor de bens permutados. Há aquisição de disponibilidade econômica com o recebimento de um valor que acresce efetivamente riqueza ao patrimônio do contribuinte, mesmo que não seja em dinheiro. A celebração do contrato de penhor pelo contribuinte revela que adquiriu a titularidade e a disponibilidade jurídica das ações, pois apenas o proprietário pode dar bens em Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 894 23 garantia e para tanto, além do domínio, deve ter a livre disposição da coisa (Lei n° 3.071, de 1916, art. 756; e Lei n° 10.406, de 2002, art. 1.420). Notese que o Contrato de Penhor de Ações estabelece expressamente como uma de suas premissas que "os Acionistas Garantidores são legítimos titulares das Ações Empenhadas" (fls. 509). Assim, a instituição do penhor não implica concluir pela existência de mera expectativa de acréscimo patrimonial e, portanto, pela necessidade de diferimento da tributação para a data de encerramento do mesmo ou para o momento de alienação das participações societárias, quando só então seria possível mensurar, na visão do recorrente, o seu efetivo acréscimo patrimonial. Houve entrega de ações para subscrição de novas ações, sendo estas penhoradas. Há aquisição de disponibilidade econômica com o recebimento de bem que acresce efetivamente riqueza ao patrimônio do contribuinte, mesmo que não seja em dinheiro. Isso porque, a incidência da exação tributária é demarcada no momento em que as ações mais valiosas ingressam no patrimônio do contribuinte, de acordo com precificação determinada por laudos de avaliação específicos, não ficando a base de cálculo do ganho de capital submetida aos fatores naturais do mercado de ações que acarretam flutuações no preço do ativo. Se, após a liberação do penhor (Termo de Liberação de Penhor datado de 05 de julho de 2013, fls. 517), o contribuinte integraliza as ações em fundo de investimento, novamente exercita seu domínio sobre as ações. A jurisprudência e doutrina invocadas sobre a questão em tela não são vinculantes. Portanto, subsiste o lançamento em relação às quotas que não gozam do direito à isenção do 4º, d, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, eis que não prosperam os demais argumentos do recorrente. Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, a dar provimento em parte ao recurso voluntário por se reconhecer que apenas parte das quotas alienadas/integralizadas no anocalendário de 2010 gozam da isenção do 4º, d, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, uma vez que são isentas tão somente as quotas da empresa Organização Farmacêutica Drogão Ltda (desconsideradas as advindas em 2009 por incorporação) adquiridas pelo recorrente até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, excluindo se dessa isenção as quotas bonificadas, inclusive oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros (bem como as oriundas de incorporações de correção monetária do capital social, inclusive a especial, ou de subvenção para incentivos fiscais), adquiridas após 31/12/1983; ressaltandose, ainda, que as cisões parciais operadas em 1993 e 2010 ensejaram a redução do capital social com cancelamento proporcional de quotas com e sem isenção. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 895 24 Declaração de Voto Conselheiro, Rayd Santana Ferreira Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto às "bonificações" e incorporação de ações, capaz de ensejar a manutenção do Acórdão Recorrido, como passaremos a demonstrar. DAS AÇÕES BONIFICADAS E DAS "RESERVAS" O Ilustre Relator considerou que às ações bonificadas estão fora do alcance da isenção prevista pelo DecretoLei n° 1.510/76. Contudo, não compartilho do mesmo entendimento. S.m.j., assim como as ações ou quotas distribuídas em bonificação aos sócios em virtude da integralização de lucros ou reservas destes, a valorização das ações decorrente dos aumentos do valor do capital ocorridos mediantes as referidas capitalizações não correspondem a novas aquisições de ações. O aumento decorrente da capitalização de lucros ou reservas não acresce a participação societária percentual na empresa. Ou seja, o percentual de participação do recorrente na sociedade não se alterou. Isso porque tratase de mero ato contábil, e não negocial. Ou seja, as capitalizações não exerceram qualquer influência sobre a situação patrimonial do contribuinte. Quando o capital social é aumentado pela capitalização de reservas de lucros, há apenas um mero remanejamento de valores já existentes no balanço. Neste caso, não há que se falar em incremento do patrimônio líquido, apenas movimentação de valores entre contas que fazem parte do PL (reservas e/ou lucros acumulados para o capital social). Sendo assim, o valor da empresa não se altera, pois não há entrada de novos recursos decorrentes da subscrição em dinheiro, bens ou direitos (aumento oneroso). Neste sentido, entendo que o aumento de capital das pessoas jurídicas por aproveitamento de reservas e/ou lucros não distribuídos não se revestem de aquisição de nova participação societária. Conforme versa a doutrina (Modesto Carvalhosa, "Comentários a Lei das Sociedades Anônimas", 3° Volume, Editora Saraiva, pág. 601:): O aumento mediante a capitalização de lucros ou reservas constitui mero remanejamento de valores já existentes no balanço, não havendo, consequentemente, mudança no volume financeiro, nem entrada de novos valores no patrimônio social, nem aumento do encargo dos acionistas (art. 106 e s.). Tratase de aumento contábil, nominal ou gratuito, em contraposição ao aumento efetivo, real ou oneroso, que decorre da subscrição em dinheiro, bens ou Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 896 25 direitos (art. 170). Tratase de mera transferência, parcial ou total, do montante da conta de reserva para a conta de capital. O aumento é contábil, porque a elevação do valor do capital é produzida sem mudança efetiva na consistência do patrimônio. Difere também do aumento por subscrição (art. 170), já que, somente após a homologação deste, é que o valor acrescido passa a pertencer ao patrimônio social. Neste sentido, entendo que o aumento do valor do capital social, assim como as ações dadas em bonificação, em razão da incorporação de lucros ou reservas destes não devem ser considerados como aquisição de novas participações societárias. Portanto, não há sentido em diferenciar estas majorações da participação societária adquirida pelo contribuinte, eis que esta última não se altera mesmo com as capitalizações apontadas pela autoridade fiscal. Conforme entendo, nem mesmo as bonificações ensejariam tal distinção entre as ações originárias, na medida que “as ações bonificadas representam mera expansão das antigas, tendo a natureza de acessões” (José Edwaldo Tavares Borba, Direito Societário, Editora Renovar, 9ª edição, págs. 422/423); elas se incorporam e acompanham um bem principal, que é justamente a participação societária que originou tal bonificação. Assim, os aumentos decorrentes das capitalizações estão atrelados às respectivas participações societárias a que corresponderem, não havendo que cogitar, em razão da capitalização, a possibilidade de atribuir novas datas de aquisição de participação na sociedade. Isto porque a participação societária não se altera. Portanto, os aumentos provocados pela capitalização de lucros e/ou reservas não causam mudança no volume financeiro, nem representam entrada de novos valores no patrimônio social, não havendo que se falar em aquisição de novas participações societárias. No que concerne a capitalização procedida com os recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 897 26 § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (g.n) A seu turno, o Decreto 3.000/1999, que trata do Imposto de Renda, assim dispõe: Art.135.No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. O art. 169 da Lei 6.404/76 versa o seguinte: Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação. É oportuno repisar que somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros possibilita o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida, em conformidade com o disposto no art. 16, § 3°. da Lei n. 7.713/88; no art. 10 da Lei n. 9.249/95 e no art. 135 do DecretoLei n. 3.000/99 (RIR/99). Da mesma forma, devese aplicar tal entendimento no que diz respeito a isenção. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 898 27 Assim, rejeitase, que as ações bonificadas através da capitalização da Reserva de Incentivos Fiscais devam, necessariamente, estarem abarcadas pela isenção de que trata o DecretoLei n° 1.510/76. No caso dos autos, é fato incontroverso de que a parcela de participação societária do recorrente objeto do presente processo foi integralmente adquirido até 31/12/1983. Portanto, tendo em vista o reconhecimento do direito adquirido do contribuinte à isenção prevista no art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 (pelo fato de ter cumprido os requisitos ainda enquanto vigorava o referido diploma legal) em relação à participação societária correspondente quotas da empresa, entendo que tal benefício fiscal também deve se estender à valorização da mencionada participação societária mediante a capitalização de lucros e/ou reservas destes, apenas. DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Divirjo da i. relator quanto a existência do ganho de capital passível de tributação na operação de incorporação de ações detalhadamente descrita no voto acima. Tratase de discussão bastante conhecida neste Conselho e com jurisprudência e doutrina na defesa de ambas as teses. Como destacado nos debates deste julgamento, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 03/03/2015, julgou caso muito semelhante ao presente e entendeu pela não incidência do IRPF na operação, proferindo o Acórdão nº. 9202003.579, cuja ementa restou assim redigida: IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 899 28 imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço.Recurso especial negado. Na ocasião, o i. relator designado para redigir o voto vencedor, Manoel Coelho Arruda Junior, de maneira brilhante e minuciosa abrangeu o tema por diversas perspectivas, todavia, uma delas em especial me chama a atenção, razão pela qual apresento esta declaração de voto, por entender que a matéria, quando discutida, está passando ao largo de crucial fundamento. Destaco alguns trechos do mencionado acórdão: Por outro lado, não obstante as delimitações negativas que buscamos realizar, é importante salientar que o Texto Constitucional consagra o direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). A tributação consiste em invasão no patrimônio do contribuinte, relativizando o seu direito de propriedade, que destaca parte de sua riqueza (a ser calculada de acordo com o referencial adotado – renda, patrimônio, faturamento, receita, dentre outros) e a entrega ao Estado, como forma de abastecimento dos cofres públicos e concretização dos valores constitucionais perseguidos pela sociedade. Esta invasão, no entanto, não pode aniquilar direitos fundamentais. A capacidade contributiva, a seu turno, impõe que o legislador capte as manifestações de riqueza, previamente estipuladas pelas regras de competência tributária. Com essas palavras, queremos pontuar que só há renda– acréscimo patrimonial – após o confronto entre as receitas e as despesas, de modo a se tributar, efetivamente, riqueza disponível, e não um ônus, uma perda ou, enfim, qualquer decréscimo patrimonial. Nesse diapasão, parecenos que o vocábulo renda só pode significar o acréscimo de riqueza definitivo ao patrimônio do contribuinte, obtido após a dedução das despesas indispensáveis à manutenção da fonte produtora, verificada em determinado período de tempo. O conceito em tela distinguese principalmente da noção de “patrimônio” (que é o conjunto estático de bens) e de “receita” (ingresso patrimonial), vez que sua configuração depende da dedução de determinadas saídas. Do contrário, terseia renda como sinônimo de receita. Posto isso, cabe analisar se a definição do conceito de “renda e proventos de qualquer natureza” realizada pelo legislador nacional complementar, é compatível com a regra de competência do artigo 153, III, da Carta Magna de 1988. [...] A tributação da renda só é possível quando configurada a disponibilidade –econômica ou jurídica – que denote manifestação de capacidade contributiva por parte do contribuinte. A disponibilidade econômica referese à efetiva Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 900 29 disponibilidade dos recursos financeiros em caixa, enquanto a disponibilidade jurídica consiste em título jurídico, líquido e certo, que lhe permite obter, incontestavelmente, a realização em dinheiro. O importante, para que se viabilize a incidência do tributo, é que o contribuinte adquira esta disponibilidade e manifeste capacidade econômica para arcar com a carga tributária que lhe será imposta em razão deste acréscimo. Definir se a incorporação de ações enseja ganho de capital aos acionistas, pessoas físicas da empresa incorporada, exige domínio do conceito constitucional de renda, da sua definição à luz do Código Tributário Nacional e se há subsunção deste evento, ou não, ao critério material da hipótese de incidência da norma tributário. Ademais, é decisivo saber se esta operação societária equiparase à alienação de bens ou direitos por meio de subscrição de ações, conforme disposto no §3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. De nossa parte, afirmo sem qualquer receio que a incorporação de ações não se equipara à alienação de bens. Alienar tem como acepção de base a transferência de algo a outrem. O Código Civil de 2002, trata a alienação como forma de perda da propriedade, consoante o artigo 1.275, I, e se concretiza quando há um negócio jurídico bilateral, pelo qual o alienante transfere, a título gratuito ou oneroso, determinado bem ou direito ao alienatário. Na incorporação de ações ocorre troca, permuta ou, como enuncia a Lei das Sociedades Anônimas, substituição de ações. Esta transação, frisese, não se dá entre os acionistas da incorporada e a sociedade incorporadora, mas sim entre as duas companhias. Os acionistas da incorporada deliberam sobre a formalização da operação, mas não se exige votação unânime. O sócio que tenha recusado a incorporação, caso não exerça o seu direito de retirada, sofrerá os efeitos da operação societária, passando a ser considerado acionista da incorporadora, de quem receberá novas ações, em substituição àquelas que possuía, cabendolhe efetuar as alterações necessárias em sua declaração de bens. Como se vê, no trecho acima temos as razões do redator do voto vencedor sob o prisma constitucional, ou seja, a análise da incidência ou não do ganho de capital da pessoa física sob o prisma dos conceitos constitucionais de renda que autorizam a tributação. Não se trata de declarar inconstitucional os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, mas sim de analisar a operação concreta (incorporações de ações) e os seus resultados de acordo com a previsão constitucional e decidir pela incidência ou não da tributação. Neste ponto, fazendo jus ao brilhantismo das razões dispostas no Acórdão nº. 9202003.579 e sendo desnecessário ser repetitivo quanto àquelas, destaco a importância desta discussão tão corrente neste Conselho passar a considerar, mais concretamente, a redação do art. 153, III, da Constituição Federal, além dos mencionados direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 901 30 Analisando a questão também sob esse prisma constitucional, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento da Apelação/Remessa Necessária nº 505279342.2011.4.04.7000, em acórdão proferido em 01/09/2015, também entendeu pela não incidência do IRPF em operação idêntica a do presente caso, utilizandose, inclusive, do acórdão nº. 9202003.579 da 2ª Turma da CSRF acima mencionado. Na ocasião, o Des. Otávio Roberto Pamplona, que redigiu o voto vencedor, assim ponderou: Pondero, ademais, que, mesmo que se considerasse a incorporação de ações como ato de alienação, não estaria a situação dos autos enquadrada no âmbito da regra matriz de incidência do IRPF. Pela simples e óbvia razão de que nem toda alienação implica em ganho de capital. Em outras palavras, a realização de uma alienação, por si só, não gera ganho de capital, cujo exemplo típico é a permuta sem torna, ainda que não coincidentes os valores dos bens permutados. Não se aplica, portanto, na espécie, a regra constante no artigo 3º, § 3º, da Lei n. 7.713/88, nem tampouco a inserta no artigo 23 da Lei nº 9.249/95, esta última um dos fundamentos básicos do ato fiscal, assim expressa: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Isso porque, como exaustivamente posto na fundamentação, a incorporação de ações para a criação da subsidiária integral não se confunde com a integralização de capital. Ademais, o artigo 23, acima transcrito, prevê uma faculdade à pessoa física para optar em fazer ou não a reavaliação mercadológica das ações e, caso queira, altere os valores na sua declaração enquanto pessoa física. Já, na hipótese de criação de subsidiária integral, o caso é de avaliação obrigatória, por força da Lei das Sociedades Anônimas, o que justifica o mesmo tratamento dado à permuta sem torna, visto que, conquanto diversos os valores de aquisição e os valores de mercado, não há, aqui também, recebimento de valores, isto é, de renda tributável. [...] Na verdade, admitirse a tributação como consta do ato fiscal implicaria em tributação sobre o patrimônio e não tributação sobre a renda. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10437.720962/201505 Acórdão n.º 2401005.925 S2C4T1 Fl. 902 31 Mutatis mutandis, em um exemplo simples, seria o mesmo que o legislador determinasse que fossem lançadao, nas declarações de ajuste dos contribuintes pessoas físicas, os valores de seus bens imóveis de acordo com o valor do mercado no final do exercício declarado (desde 31 de dezembro 1995 congelados, portanto, sem correção dos valores; que a posterior legislação que introduziu tardiamente a redução do ganho de capital não solveu bem a distorção Lei nº 11.196/2005,), e, ao mesmo tempo, determinasse, em razão da mais valia, que fosse ela tributada como renda, a título de ganho de capital. Ou seja, tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda. [...] A tudo, ainda, podese acrescentar que a tributação ofenderia o princípio da capacidade contributiva, visto que, como bem posto por Ricardo Mariz de Oliveira, 'a intributabilidade nessas operações decorre do princípio constitucional da capacidade contributiva, o qual, em se tratando do imposto de renda (e também da CSL), está refletido na definição dos respectivo fato gerador, contido no art. 43 do CTN, no sentido de que ele corresponde à aquisição da disponibilização econômica ou jurídica de renda, ou seja, de renda realizada', sendo certo, ainda segundo o aludido autor, que 'qualquer eventual mais valia da ação ou bem recebido, em relação ao custo de aquisição, não passa de valor econômico que a ação ou bem dado já carregava antes do ato, mas que somente seria tributável quando alienado, e agora quando vier ser alienado o bem recebido na troca' (op. cit., p. 202 e 203, respectivamente, vide também, p. 106). Por fim, ofenderia a regra geral de tributação da pessoa física pelo regime de caixa, a qual, só como exceção, é afastada, como, por exemplo, na hipótese do art. 23 da Lei nº 9.249/95, a qual só pode incidir por opção do próprio contribuinte, conforme regra inserta no § 2º do referido artigo, e não por imposição legal ou por discrição da administração tributária. Assim, com base nas razões expostas, dando o devido destaque para os acórdãos proferidos pela 2ª Turma da CSRF deste Conselho (9202003.579) e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 505279342.2011.4.04.7000/ PR), que com brilhantismo tratam exaustivamente da questão de mérito aqui discutida e analisaram a incidência ou não do IRPF sob o prisma da autorização constitucional para sua exigência, entendo que não há que se admitir a existência de ganho de capital passível de tributação na operação de incorporação de ações levada a efeito pelo contribuinte. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER EM PARTE OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900101/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.072
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 01 01 /2 00 8- 11 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.136, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.064, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900002/200830, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.064): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 3 Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Diante dos argumentos trazidos à baila, resta evidente que o período compreendido entre a resolução nª 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei nº 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis. Assim, no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não há que se falar em contribuição para PIS. Não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, tendo o contribuinte recolhido tributo indevidamente no período supracitado, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que a decisão lá proferida referese ao PIS, enquanto a questão aqui travada diz respeito a COFINS supostamente paga a maior. Ademais, a exação em tela referese ao mês de dezembro de 2002 e não ao período que teria pretensamente sido reconhecido como inconstitucional pelo STF (outubro de 1995 a novembro de 1998). 8. Tais considerações também valem para os tópicos desenvolvidos pelo contribuinte e que dizem respeito a uma suposta injuridicidade da IN SRF n. 06/2000 que, segundo o contribuinte, teria restringido os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pretoriana reconhecida no nojo da já citada ADI n. 14170. Isso porque, como visto alhures, o teor da aludida decisão é inaplicável ao caso decidendo por absoluta falta de pertinência com os fatos apurados na presente autuação. 9. Logo, tais tópicos do presente recurso voluntário sequer merecem ser conhecidos. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 10. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 4 por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998 11. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 12. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 5 [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 6 Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 7 Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 8 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.900101/200811 Acórdão n.º 3402006.072 S3C4T2 Fl. 0 9 CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 13. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 14. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902603/2015-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 03 /2 01 5- 84 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902603/201584 Acórdão n.º 1301003.527 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902603/201584 Acórdão n.º 1301003.527 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944014/2008-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 05/09/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, no processo de formação da livre convicção motivada do julgador. Não se presta ao propósito de produção das provas documentais que cabia à recorrente providenciar.
Numero da decisão: 3002-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do relator e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem, que lhe deu provimento. Designada a conselheira Larissa Nunes Girard para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 05/09/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, no processo de formação da livre convicção motivada do julgador. Não se presta ao propósito de produção das provas documentais que cabia à recorrente providenciar.
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, no processo de formação da livre convicção motivada do julgador. Não se presta ao propósito de produção das provas documentais que cabia à recorrente providenciar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do relator e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem, que lhe deu provimento. Designada a conselheira Larissa Nunes Girard para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 40 14 /2 00 8- 98 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 45/49 dos autos: "Tratase de Despacho Decisório, que homologou parcialmente Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: 1. A Impugnante ingressou em 21/07/2004, com pedido de declaração de compensação por meio do PER/DCOMP n.° 02204.82995.210704.1.3.044905 (doc. 01), para compensar valor do IOF (1150) indevidamente recolhido, na importância de R$ 6.821,26, mais encargos de multa e juros, do período de apuração de Julho de 2.003, dando origem ao processo administrativo n.° 1880.924.520/200861. 2. Entretanto, e por equivoco, a Impugnante apresentou, em 23 de Julho de 2.004, idêntico pedido de compensação, dessa feita através da PER/DCOMP n.° 02697.01494.230704.1.3.045608 (doc. 02), o qual referese ao mesmo tributo (I0F); período de apuração (Julho de 2.003); e valor (R$ 6.821,26, mais encargos de multa e juros); o que deu origem ao processo administrativo n.°10880.944.014/200898. 3. É certo que, apesar da existência de dois pedidos de compensação, a Impugnante apenas se aproveitou de um deles, desprezando o outro pedido ante ao já mencionado equivoco de apresentação da Per/Dcomp.. 4. Ademais, deve ser ressaltado que a Impugnante recebeu o despacho decisório referente ao pedido n.° Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 4 3 10880.924.520/200861 (doc. 03), originário do primeiro Per/Dcomp apresentado, o qual homologou parcialmente a compensação pleiteada, e donde foi declarada a existência de um saldo devedor originário de R$ 1.100,34, mais encargos. É de se notar, que o saldo remanescente foi devidamente quitado em 17/10/2008, conforme comprova a DARF (doc. 04) em anexo, pelo valor total de R$ 2.130,36. Portanto, e como visto, a compensação relativa ao crédito do 10F de Julho de 2.003, pelo valor de R$ 6.821,26, restou totalmente consolidado e formalizado, o que impede o lançamento de qualquer outra retificação ou ajuste sobre esse crédito compensável. ... Com efeito, a cobrança realizada através do Despacho Decisório em referência não pode prevalecer, isso porque: 5.1. O crédito compensável (nascido do 10F de Junho de 2.003, no valor principal de R$ 6.821,26), foi utilizado apenas uma única vez, no caso, através do pedido de compensação sob processo n° 10880924.520/ 200861. 5.2. A compensação em questão, restou totalmente convalidada e homologada com o despacho decisório sob n° de rastreamento 790562301, que efetivamente reconheceu grande parte do valor declarado pela lmpugnante. 5.3. O saldo remanescente, apurado através do despacho decisório sob n° de rastreamento 790562301, foi efetivamente quitado pela Impugnante em 17 de Outubro de 2.008, pelo valor total de R$ 2.130,36. 5.4. Apenas haveria que se falar em homologação do processo administrativo e Per/Dcomp em referência, se a compensação declarada tivesse efetivamente ocorrido. No caso, e como não houve valor compensado, não há diferença a ser apurada. 5.5. Dessa forma, não há falar em valor remanescente, uma vez que não houve aproveitamento de créditos a maior, visto que a única compensação realizada decorre do processo n.° 10880.924.520/200861. 6. Ante o exposto requer que o presente processo seja cancelado, sem nenhum valor remanescente a ser cobrado da ora impugnante ante a inexistência de compensação do valor declarado." Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: "COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. MODIFICAÇÃO. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 5 4 A entrega de declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil para a cobrança do débito cuja extinção não se completou por força da não homologação da compensação. A desconstituição da compensação declarada requer a utilização dos instrumentos definidos pela legislação tributária, sem o que não se materializa. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação." Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 55/63) oportunidade em que repisou as razões desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, bem como trouxe novos documentos fiscais (fls. 66/71) que dariam sustentação probatória ao crédito vindicado. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ver reformada a decisão recorrida, para fins de reconhecer o seu direito creditório, com a consequente homologação do pedido de compensação apresentado. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido parcialmente utilizado para quitação de débitos, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Esclarece o contribuinte que "ingressou em 21/07/2004, com pedido de declaração de compensação por meio do PER/DCOMP n.° 02204.82995.210704.1.3.044905 (doc. 01), para compensar valor do IOF (1150) indevidamente recolhido, na importância de R$ 6.821,26, mais encargos de multa e juros, do período de apuração de Julho de 2.003, dando origem ao processo administrativo n.° 1880.924.520/200861. Entretanto, e por equivoco, a Impugnante apresentou, em 23 de Julho de 2.004, idêntico pedido de compensação, dessa feita através da PER/DCOMP n.° 02697.01494.230704.1.3.045608 (doc. 02), o qual referese ao mesmo tributo (IOF); período de apuração (Julho de 2.003); e valor (R$ 6.821,26, mais encargos de multa e juros); o que deu origem ao processo administrativo n.° 10880.944.014/200898. É certo que, apesar da existência de dois pedidos de compensação, a Impugnante apenas se aproveitou de um deles, desprezando o outro pedido ante ao já mencionado equivoco de apresentação da Per/Dcomp". De início, é válido observar que, a DRJ deixou de deferir o pleito do contribuinte, por entender que "a interessada poderia comprovar a duplicidade por meio de sua escrituração contábilfiscal ou outro tipo de prova que demonstrasse a compensação Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 6 5 indevida de um dos dois débitos declarados. Porém nada consta nos autos nesse sentido. Simplesmente dizer que “desprezou” um dos débitos declarados é insuficiente diante do regramento dado às compensações pela legislação tributária", concluindo que "a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi”". Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de afastar o argumento da DRJ e comprovar o seu direito creditório, o contribuinte anexou aos autos o Livro Diário concluindo que "ficará provado que a Recorrente contabilizou somente o primeiro PERDCOMP". Em tal caso, é cediço que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, trouxe aos autos elementos probatórios que, ao menos à primeira vista, apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório. Sendo assim, uma vez anexada ao presente processo, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado pela unidade de origem, visto que a documentação (fls. 66/71) só fora anexada com a interposição do Recurso Voluntário. Sendo assim, entendo que este Conselho deverá baixar o presente processo em diligência, para que a DRF analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Diante do acima exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que os autos sejam remetidos à unidade de origem para que esta analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Dessa forma, vencido na proposta de diligência passo à analise do mérito. Mérito Importante esclarecer que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 7 6 contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, trouxe aos autos elementos probatórios que, ao menos à primeira vista, apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório, documentos juntados às (fls. 66/71). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator. Entendo que a apreciação do caso realizada pela primeira instância é bem pertinente e atinge o cerne da questão: o contribuinte não diverge da conclusão da Receita Federal em relação ao crédito disponível para compensação/restituição, apenas tenta se utilizar do contencioso para ver anulado um débito, para ver anulada a PER/Dcomp que, segundo ele, teria sido transmitida em duplicidade. Ocorre que não é competência do órgão julgador tratar da anulação de débito erroneamente confessado, mas, sim, do crédito perante a Fazenda Nacional. Todavia, em tendo o contribuinte adotado o caminho do litígio, deveria ter trazido aos autos provas do que alega, sem as quais, não é possível acolher suas pretensões. Por oportuno, transcrevo a fundamentação constante no voto da DRJ, com as quais concordo integralmente: Com efeito, o que está por detrás do seu arrazoado é a tentativa de anular a Declaração de Compensação aqui examinada sob o argumento de que os débitos são os mesmos. De pronto, os meios de anulação ou retificação das DCOMP estão definidos na legislação tributária e, dentre eles, não se Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 8 7 encontra o litígio administrativo. É dizer, anulação da compensação declarada tem rito próprio que não compreende a apresentação de Manifestação de Inconformidade contra a sua não homologação. O contribuinte não seguiu esse rito. Alternativamente, a interessada poderia comprovar a duplicidade por meio de sua escrituração contábilfiscal ou outro tipo de prova que demonstrasse a compensação indevida de um dos dois débitos declarados. Porém nada consta nos autos nesse sentido. Simplesmente dizer que “desprezou” um dos débitos declarados é insuficiente diante do regramento dado às compensações pela legislação tributária. Assim, embora se apure dos autos que foram declarados dois débitos de R$ 6.821,26 referentes ao período de apuração de julho de 2003, não há elementos que permitam asseverar que se trate de duplicidade. A contrastar essa hipótese existe a de que o débito do período poderia ser de R$ 13.642,52, o que invalidaria a tese da duplicidade. Na forma como posta, a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi” não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Na lição de Chiovenda : o ônus de afirmar e provar se reparte entre as partes, no sentido de que é deixado à iniciativa de cada uma delas provar os fatos que deseja sejam considerados pelo juiz, isto é, os fatos que tenha interesse sejam por este tidos como verdadeiros. [In “Instituições de Direito Processual Civil”, apud Moacyr Amaral Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 11ª ed., 2º vol. pág. 349]. Neste ponto, é oportuno fixar que, no desenvolvimento da relação processual, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo do seu direito. No caso, caberia ao sujeito passivo apresentar provas que pudessem demonstrar a certeza de seus argumentos, ou seja, de que houve confissão em duplicidade. No entanto, como já se disse, nada há nos autos nesse sentido. Pelos motivos acima expostos, entendo que não cabe conversão do julgamento em diligência, conforme proposto pelo relator, pois tal procedimento não se presta a suprir a omissão da recorrente em demonstrar o seu direito. Como é cediço, nos processos de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, tal ônus recai sobre quem pleiteia o crédito perante a Fazenda Nacional. Em não tendo juntado nada aos autos para provar a veracidade de suas alegações quanto ao débito efetivo, não nos cabe suprir sua falta. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.944014/200898 Acórdão n.º 3002000.641 S3C0T2 Fl. 9 8 Não se pode deixar de apontar, entretanto, que, em reconhecendo a existência de PER/Dcomp em duplicidade, a unidade de origem pode promover o seu cancelamento de ofício, uma vez que nenhuma decisão foi aqui tomada em relação ao mérito do débito. Dessa forma, rejeito a proposta de diligência e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13426.000017/99-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 9.453, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), que assim relatou o feito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 26 .0 00 01 7/ 99 -3 0 Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.219 2 Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.220 3 Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.221 4 Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.222 5 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.223 6 Voto O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Em exame do feito, constato que este não se encontra pronto para julgamento. Aduz a Recorrente que a decisão da DRJ restou silente acerca da defesa apresentada pelo contribuinte quanto às diferenças entre valores de exportação declarados pela Recorrente na DCP e os apurados pela Fiscalização. Entendeu a DRJ inexistir lide nesse aspecto porque as receitas de exportação consideradas são exatamente aquelas informadas pelo próprio contribuinte em seus DCPs. Inicialmente entendo não existir o silêncio invocado. O que houve foi a expressão do entendimento do julgador acerca da do pleito do contribuinte. Confirase: Em sede de Manifestação de Inconformidade, reiterada em Recurso Voluntário, houve expressa irresignação do contribuinte acerca da diferença indicada pela Fiscalização, apresentada em documento de fl. 273, onde se lê: Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.224 7 Pois bem. O DCP relativo ao ano de 2005 foi juntado às fls. 22 e seguintes, com o seguinte demonstrativo de apuração: Logo, o valor das receitas de exportação do DCP é exatamente aquele considerado pela Fiscalização. Todavia, a DIPJ do anocalendário 1996, juntada às fls. 68 e seguintes, na ficha 03, indica como receita de exportação não incentivada o valor de R$16.721.550,13 utilizado no cálculo fiscal: Não há como negar, portanto, que existe diferença entre DCP e DIPJ, plenamente justificável pelo fato de eventuais exportações indiretas realizadas não terem sido consideradas no cálculo do período. Em sua defesa, a contribuinte manifesta sua discordância com a apuração e indica a juntada de documentos que comprovariam que a receita de exportação do período Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 13426.000017/9930 Resolução nº 3201001.551 S3C2T1 Fl. 1.225 8 fiscalizado é exatamente aquela por ela utilizada no cálculo do crédito presumido e que tal diferença seria decorrente de exportações indiretas não consideradas pela Fiscalização. Essa alegação pode ser perfeitamente comprovada pelo exame das Notas Fiscais emitidas em todo o primeiro semestre de 1995. E, de fato, consta na Manifestação de Inconformidade que tais Notas Fiscais compõem o "doc. 4" que acompanhou a defesa. Ocorre que tais documentos não se encontram digitalizados, ressaltando que se trata de processo originalmente físico e digitalizado para o formato eprocesso. Notase que às fls. 507 a 517 (eprocesso) consta a Manifestação de Inconformidade protocolada em 26 de março de 2001. A defesa menciona a juntada de pelo menos 6 documentos (doc. 1 a doc.6), sendo que não consta digitalizado qualquer um dos documentos mencionados. Na fl. 518 do eprocesso já se verifica despacho do Delegado da Receita Federal datado de 13/05/2004. Desse modo, para esclarecimento desta questão, reputo necessário que a Autoridade Lançadora esclareça: Inicialmente, que se esclareça acerca da ausência de juntada dos documentos mencionados na Manifestação de Inconformidade, sendo o caso, solicitar ao contribuinte a sua apresentação (vide Processo nº 10410.003293/200106, de conteúdo similar e do mesmo Contribuinte, no qual os documentos mencionados na defesa foram digitalizados para o e processo) 1. Esclarecer qual a razão das exportações realizadas no 1º Trim./1995 não terem sido consideradas pela Fiscalização. Se trata da diferença entre exportações indiretas realizadas pelo contribuinte e desconsideradas como tal pela Fiscalização? 2. Em se verificando tratarse de exportações indiretas desconsideradas pela Fiscalização, por qual razão estas não foram admitidas, conforme art.39, §2º da Lei n°9.532/97. 3. Esclarecer de que forma ocorreu a comprovação, pelo Contribuinte, das exportações indiretas realizadas, conforme documentos (Notas Fiscais e Memorandos de Importação) e planilhas mencionados na Manifestação de Inconformidade e não anexadas aos autos. A Fiscalização poderá solicitar ao contribuinte demais esclarecimentos ou documentos que entender necessários ao esclarecimento da questão controvertida. Por fim, considerando que questão similar foi abordada nos autos do Processo nº 10410.003293/200106, do mesmo Contribuinte, conforme Resoluções CARF nº 20400.059, de 9 de agosto de 2005 e nº 3402.001.181, de 12 de dezembro de 2017, que a Autoridade Lançadora acrescente qualquer aspecto tido por relevante também ao presente feito. Após, concedase à Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação acerca da diligência fiscal, ao término do qual ou autos devem ser devolvidos a este Conselho para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906851/2012-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 51 /2 01 2- 13 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13888.906851/201213 Acórdão n.º 3003000.016 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original na data de transmissão de R$ 20.700,27, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 14/11/2006. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13888.906851/201213 Acórdão n.º 3003000.016 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.377. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13888.906851/201213 Acórdão n.º 3003000.016 S3C0T3 Fl. 5 4 § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13888.906851/201213 Acórdão n.º 3003000.016 S3C0T3 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador e demonstrativo dos cálculos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e demonstrativo dos cálculos, porém sem documentos hábeis, idôneos e suficientes que os embasassem. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação, são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13888.906851/201213 Acórdão n.º 3003000.016 S3C0T3 Fl. 7 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
