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Numero do processo: 10580.000031/2004-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1996
ADMISSIBILIDADE. CONTRARIEDADE. DISPOSITIVO DE LEI. NÃO
CONHECIMENTO.
Compete á Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à Lei, não à Legislação Tributária.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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CONTRARIEDADE. DISPOSITIVO DE LEI. NÃO CONHECIMENTO. Compete á Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à Lei, não à Legislação Tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 55DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 18/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Eivanice Canário da Silva (Conselheira convocada), Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão que reconheceu o direito à restituição/compensação de imposto, acrescido da taxa SELIC, a partir de 01/01/1996 até a data limite para entrega da declaração de ajuste anual (DAA). Seguem ementa e trechos do voto vencedor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV. JUROS SELIC. TERMO INICIAL. Caracterizase como pagamento indevido o imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão à PDV. Assim, a restituição, ainda que pLeiteada via declaração retificadora, deve ser acrescida de juros/atualização monetária, segundo as regras previstas para a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para admitir os juros c/ SELIC, a partir de janeiro de 1996, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Rubens Maurício Carvalho (Suplente convocado), nos termos do voto da Relatora. ... Como se vê, a questão a ser decidida referese à definição do termo inicial para a incidência dos juros Selic na restituição de imposto incidente sobre verbas recebidas a titulo de adesão a PDV. Ao contrário do que afirma o voto condutor da decisão recorrida, a IN/SRF n° 165, de 31/12/1998, ao dispensar a constituição do crédito tributário, reconhece sim a não incidência do imposto sobre as verbas em questão. ... Fl. 56DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.000031/200472 Acórdão n.º 920201.516 CSRFT2 Fl. 2 3 No presente caso, o Contribuinte consignou na DAA, como rendimentos isentos, os valores recebidos a título de PDV, tendo informado, também, no campo próprio, os valores retidos na fonte sobre essas verbas. Em assim sendo, já foi ressarcido do imposto retido, acrescido de juros a partir do mês seguinte ao previsto para a entrega da DAA. Portanto, resta ao Contribuinte o direito de receber os juros devidos entre 1° janeiro de 1996 e o mês previsto para a entrega da declaração, conforme determina a Lei n° 9.250, de 1995. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, "para que se proceda ao pagamento dos juros devidos, com base na taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1996 até o mês previsto para a entrega da declaração. O recurso foi baseado no I, Art. 7° do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que foi contrariado o I, §1°, do Art. 51 da Instrução Normativa SRF 460/2004. Segue trecho do recurso especial: Pela análise dos autos, verificase que a decisão ora impugnada contraria o art.51, §1, I da Instrução Normativa SRF n o 460/2004, vez que este dispõe que o crédito relativo ao imposto de renda apurado em Declaração de Rendimentos de Pessoa Física será restituído com o acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic calculados da data limite para entrega da declaração, se a declaração referirse ao exercício de 1996 e subseqüentes. Instrução Normativa 51/2004: Art. 51. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: ... § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarse á, como termo inicial de incidência: I – tratandose de restituição de imposto de renda apurada em declaração de rendimentos de pessoa física: a) o mês de janeiro de 1996, se a declaração referirse ao exercício de 1995 ou anteriores; b) o mês de maio, se a declaração referirse aos exercícios de 1996 e subseqüentes; Por meio de despacho deuse seguimento ao recurso especial, reconhecendo se a contrariedade. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Cientificado do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento o interessado apresentou contrarazões, pelas quais defende que o entendimento da recorrente não encontra guarida na jurisprudência pacífica dos Conselhos de Contribuintes. Alega também que teria havido omissão do acórdão recorrido quanto à atualização monetária no período entre a retenção e 31/12/1995. Diante do exposto, requer que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional sob pena de violação ao art. 150, II da CF/88. Requer também, que seja sanada a omissão no Acórdão n° 10249.100 no que concerne à atualização monetária entre a retenção e 31/12/1995 de acordo com o que dispõe o inciso I do art.896 do RIR/1999. É o Relatório. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.000031/200472 Acórdão n.º 920201.516 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, examinando o recurso especial e o despacho que lhe deu seguimento entendo que não foram atendidos os pressupostos para admissibilidade. A alegada contrariedade é em face do I, §1°, do Art. 51 da Instrução Normativa SRF 460/2004, portanto à legislação tributária, e não à Lei, como prevê o I, Art. 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, publicado no DOU de 28/06/2007: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à Lei ou à evidência da prova; CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as Leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ... Art. 100. São normas complementares das Leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a Lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Caso o I, Art. 7° do Regimento fosse interpretado para alcançar toda a legislação tributária, estarseia indo de encontro ao determinado pelo CTN e negando autonomia ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, conforme II, Art. 25 do Decreto n° 70.235/72, verbis: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: Fl. 59DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ... II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Portanto, voto pelo não conhecimento do recurso especial por falta de comprovação de contrariedade à Lei. Esclarecemos que, em contrarazões o interessado alega também que o acórdão recorrido teria sido omisso quanto à atualização monetária no período entre a retenção pela fonte pagadora e 31/12/95. Vêse, pela natureza do pedido, independentemente da peça recursal eleita, que se tratam de embargos de declaração visando suprir a suposta omissão no acórdão, conforme artigo 65 do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. § 2° O presidente da Câmara poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos. Assim, é que no uso da designação prevista no parágrafo acima, verifico que os embargos são intempestivos, pois foram opostos em 08/02/2010, quando a intimação tinha sido realizada em 29/01/2010, fls. 051; portanto, tratandose de regra intransponível, manifestome pelo seu não conhecimento. Marcelo Oliveira (Assinado digitalmente) Fl. 60DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.000031/200472 Acórdão n.º 920201.516 CSRFT2 Fl. 4 7 Fl. 61DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003603/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: OPERAÇÕES COM VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL.
A Lei n° 9.716, de 1998, estipulou a tributação diferenciada das operações de venda de veículos usados e estabeleceu o mesmo regime fiscal aplicável às operações de “consignação”. Permitiu, dessa forma, que se considerasse como receita bruta apenas a diferença, entre o valor da venda e o da compra do veículo usado, descaracterizandoa como operação mercantil. Nessa hipótese, o percentual de apuração do lucro presumido é de 32%.
Numero da decisão: 1202-000.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: OPERAÇÕES COM VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. A Lei n° 9.716, de 1998, estipulou a tributação diferenciada das operações de venda de veículos usados e estabeleceu o mesmo regime fiscal aplicável às operações de “consignação”. Permitiu, dessa forma, que se considerasse como receita bruta apenas a diferença, entre o valor da venda e o da compra do veículo usado, descaracterizandoa como operação mercantil. Nessa hipótese, o percentual de apuração do lucro presumido é de 32%.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: OPERAÇÕES COM VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. A Lei n° 9.716, de 1998, estipulou a tributação diferenciada das operações de venda de veículos usados e estabeleceu o mesmo regime fiscal aplicável às operações de “consignação”. Permitiu, dessa forma, que se considerasse como receita bruta apenas a diferença, entre o valor da venda e o da compra do veículo usado, descaracterizandoa como operação mercantil. Nessa hipótese, o percentual de apuração do lucro presumido é de 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11080.003603/200801 Acórdão n.º 1202000.607 S1C2T2 Fl. 210 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o processo de lançamentos do IRPJ e seu reflexo na CSLL, do ano de 2003, no valor total de R$ 181.737,02, já incluído a multa de ofício, no percentual de 75% e dos juros de mora, conforme Autos de Infração, de fls. 113 e seguintes. A fiscalizada tem como objeto social o “comércio de veículos automotores, por conta própria e por terceiros”, fls. 07, optando por tributar o lucro com base no lucro presumido, conforme recibo da DIPJ entregue, fls. 68. De acordo com a descrição dos fatos constante do auto de infração, fls. 114, a irregularidade identificada pelo agente fiscal referese a “aplicação incorreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da atividade de revenda de veículos, de terceiros e próprios, estes equiparados a vendas por consignação, abaixo descritas, quando o correto seria 32%”. Inconformada, a contribuinte impugnou as exigências com as seguintes alegações, resumidas no relatório do Acórdão nº 0336.435, da DRJ/Brasília, de fls. 156 a 160, o qual adoto e transcrevo, em parte: “[...] que em nenhum momento a Lei no. 9.716, de 1998, alterou os percentuais de apuração do lucro presumido ou da base de cálculo da CSLL estabelecidos na Lei n° 9.249, de 1995, razão pela qual, nas operações de compra e venda de veículos usados praticadas pela impugnante, por serem atos de comércio, ainda que equiparadas à consignação mercantil, os percentuais aplicáveis são de 8 % e 12 %, respectivamente. A mesma Lei n° 9.716, de 1998 também não teria inserido na legislação tributária federal nenhuma disposição que ensejasse equiparar a compra e venda ou a consignação mercantil à "prestação de serviços em geral". Junta notas fiscais com o escopo de demonstrar que as saídas de veículos usados adquiridos para revenda são operações mercantis, sujeitas à incidência do ICMS, e, como tal, jamais podem ser consideradas como "prestação de serviços em geral", como definiu a fiscalização.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 0336.435, da DRJ/Brasília, de fls. 156 a 160, com o seguinte ementário: VENDA DE VEÍCULOS USADOS. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. Na atividade de compra e venda de veículos usados, equiparada pela legislação às operações de consignação, a base de cálculo do lucro presumido é determinada mediante a aplicação do coeficiente de 32% sobre a receita bruta, que corresponde ao ganho obtido em cada operação. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11080.003603/200801 Acórdão n.º 1202000.607 S1C2T2 Fl. 211 3 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da contribuição social sobre o lucro, decorrente do mesmo fato, aplicase o decidido em relação ao imposto de renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido podem ser resumidos nos seguintes pontos: i) conforme descrito no caput do art. 2° da IN SRF no 152, de 1998, editada com fundamento na Lei nº. 9.716, de 1998, a operação de venda de veículos usados adquiridos para revenda, para efeitos tributários, foi equiparada às “operações em consignação”. ii) o art. 519 do RIR/99, cuja base legal é a Lei n° 9.249, de 1995, art. 15, §1º, que trata da determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, para fins de cálculo do lucro presumido, estabelece o percentual de 32% para as atividades de “intermediação de negócios”. iii) as operações de revenda de veículos automotores usados, na modalidade de “operações em consignação”, tem a característica de intermediação de negócios, incidindo o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, assim considerada a diferença entre o preço de venda e o de compra do bem comercializado. iv) relativamente às notas fiscais apresentadas pela impugnante, esclarece que a legislação tributária do ICMS aplicase estritamente àquele tributo, de competência dos Estados e do Distrito Federal, não tendo o condão de interferir na legislação tributária federal. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 164 a 181, repisando praticamente as mesmas razões apresentadas na peça impugnatória. Reforça a tese de que pratica dois tipos de operação: i) comercialização de veículos automotores por conta própria, ou seja, compra e venda de veículos usados, configurando ato mercantil, na qual aplica a alíquota de 8% para apuração do lucro presumido; e ii) prestação de serviços de intermediação na venda de veículos de terceiros, na qual aplica a alíquota de 32% para apuração do lucro presumido. Protesta, ainda, pela impropriedade no enquadramento legal utilizado pela fiscalização, caracterizando a operação como “prestação de serviços em geral”, art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/95, ao passo que o acórdão recorrido enquadrou a operação como sendo “intermediação de negócios”, art. 15, § 1º, inciso III, alínea "b" da Lei n° 9.249/95. Ao final, requer o acolhimento das razões apresentadas e que sejam julgadas improcedentes as autuações. É o Relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11080.003603/200801 Acórdão n.º 1202000.607 S1C2T2 Fl. 212 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. O presente processo trata da lavratura de Autos de Infração para exigir o IRPJ e a CSLL, ao ser verificado, pela fiscalização, que a empresa autuada adotava, na apuração do lucro presumido, o percentual de 8% sobre o valor das receitas obtidas nas operações de vendas de veículos usados próprios, receitas essas obtidas da diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição do veículo. Entendeu a fiscalização que deveria ser aplicado sobre essas receitas o percentual de 32%, consoante arts. 518 e 519 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Os valores das receitas foram apuradas de acordo com o informado na DIPJ entregue pela interessada. Já a autuada argumenta que por se tratar de típica operação mercantil, deveria incidir a alíquota por ela utilizada, de 8%. A seu favor, menciona que sobre essas operações incidem o ICMS, diferentemente daquelas em que atua como intermediário na venda de veículos de terceiros, recebendo apenas comissões pela venda. Creio não assistir razão à recorrente. Inicialmente, verifico dos elementos constantes dos autos que a controvérsia instaurada referese não somente ao percentual de apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%, mas também quanto à base de cálculo a ser utilizada para aplicação desse percentual. Explico melhor. A defesa quer ver reconhecida a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta auferida na venda de veículos, assim considerada aquela obtida pela diferença, entre o valor da venda do veículo e o respectivo custo de aquisição (item 3.2 do recurso voluntário – fl. 174). Por oportuno, cabe transcrever o dispositivo legal que rege as operações de venda de veículos usados. Assim dispõe o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (destaquei) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11080.003603/200801 Acórdão n.º 1202000.607 S1C2T2 Fl. 213 5 Da leitura do dispositivo, verificase que a Lei n° 9.716, de 1998, admitiu a possibilidade de equiparação, para efeitos tributários, das operações de compra e venda de veículos usados, como operação de consignação. Por seu turno, em relação às operações regidas pela Lei n° 9.716, de 1998, a defesa assevera que a receita da empresa, correspondente à diferença entre o valor de venda do veículo usado e o valor da respectiva aquisição, tem a natureza de operação mercantil, razão pela qual deveriam ser enquadradas como atividade comercial, cujo percentual de apuração do lucro é de 8 %, e não como “prestação de serviços em geral”, com percentual de 32%. De fato, tais operações materialmente podem ser consideradas mercantis por terem como objeto a venda de uma mercadoria — veículo usado. Contudo, registrese que a Lei n° 9.716, de 1998, ao dispor sobre a venda de veículos usados, estipulou que essa operação sujeitase ao respectivo regime fiscal aplicável às “operações de consignação”. Ao equiparar a venda de veículos usados às “operações de consignação”, a lei, para fins tributários, descaracterizou essas operações como sendo uma operação mercantil, permitindo que se considerasse como receita bruta, apenas a diferença, entre o valor da venda e da compra do veículo usado, o que descaracteriza a operação como venda de mercadoria. E é justamente o que ocorre no presente caso. A receita bruta utilizada pela autuada, na compra e venda de veículos usados, consiste na diferença entre o valor da venda do veículo usado e do seu respectivo custo de aquisição. A explicação lógica para a aplicação de um percentual superior para a presunção do lucro é que, ao se considerar como receita bruta apenas a diferença entre o valor da venda e da compra, o percentual a ser utilizado deve ser maior (32%), porque aplicado sobre uma base menor, diferentemente do percentual de 8% utilizado nas demais operações mercantis, que é aplicado sobre a receita integral com vendas, sem qualquer dedução de custos. Por seu turno, os arts. 518 e 519 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, que tratam da determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, para fins de cálculo do lucro presumido, assim estabelecem: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts.1º e 25, inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalar; b) intermediação de negócios; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11080.003603/200801 Acórdão n.º 1202000.607 S1C2T2 Fl. 214 6 c)administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. [destaques acrescidos] Assim, ao equiparar as vendas de veículos usados às operações de consignação, que utilizam uma base de cálculo reduzida (diferença entre o valor da venda e da aquisição), deve ser utilizada a alíquota de 32% sobre essa base para apuração do lucro presumido, por ficar enquadrada em operação de intermediação de negócios. Este também é o entendimento exarado em acórdão do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja parte da ementa abaixo se transcreve: VENDA DE VEÍCULOS USADOS CONSIGNAÇÃO As empresas optantes pela sistemática prevista no artigo 5° da Lei 9.716/98, devem utilizar a alíquota de 32% para calcular a base a ser utilizada para determinação do valor a ser recolhido. (Ac. 1° CC 10516775 sessão 08/11/2007) Por fim, cabe esclarecer à recorrente, que a alegada impropriedade no enquadramento legal utilizado pela fiscalização, caracterizando a operação como “prestação de serviços em geral”, art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/95, ao passo que o acórdão recorrido enquadrou a operação como sendo “intermediação de negócios”, art. 15, § 1º, inciso III, alínea "b" da Lei n° 9.249/95 não trouxe nenhum prejuízo para o exercício do seu direito de defesa. Além disso, como se observa da transcrição do texto legal acima, nas duas hipóteses de enquadramento, alínea “a” ou alínea “b”, o percentual para apuração do lucro é o mesmo, ou seja, 32%, o que evidencia que o crédito tributário exigido encontrase com o mesmo valor em qualquer uma das hipótese, sem qualquer prejuízo à autuada. Quanto à exigência da CSLL, devese dizer que uma vez subsistindo o lançamento principal, deve ser mantido o lançamento que lhe seja decorrente, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos Em face do exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001933/2005-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES
AÇÃO FISCAL. Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda
que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES
NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso
inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA EMBRAPA, contribuinte já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/09/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Estação Experimental de Coronel Pacheco”, localizado no município de Coronel Pacheco/MG, cadastrado na RFB sob o nº 18136800, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 20.810/2007, às fls. 50/54, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Especial, em 23/09/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 39100.002, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001 EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RESERVA LEGAL. REQUISITO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. INEXISTÊNCIA DE PRAZO LEGAL. A averbação da área de reserva legal à margem de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, é ato que a constitui juridicamente, dálhe publicidade e serve de prova de sua correta localização. Tratase, portanto, de requisito formal essencial para corroborar a efetiva existência da referida área. Ademais, inexiste, na legislação de regência, comando que determine a averbação da dita área até a data da ocorrência do fato gerador do ITR, por conseguinte, ainda que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10640.001933/200555 Acórdão n.º 920201.733 CSRFT2 Fl. 2 3 intempestivamente realizada, ausente prova em contrário, ela se constitui em elemento de prova suficiente para se presumir a sua existência em data pretérita. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 86/105, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência e as provas constantes dos autos, uma vez não comprovarem a averbação tempestiva da reserva legal junto a matrícula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Sustenta que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Alega que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, em relação à necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do préquestionamento da matéria e indício de contrariedade à lei, conforme Despacho nº 21000155/2009, às fls. 108. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 112/128, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os dispositivos legais que regulamentam a matéria, os quais exigem a averbação tempestiva da reserva legal junto a matrícula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação de reserva legal para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos, pela recorrente, é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10640.001933/200555 Acórdão n.º 920201.733 CSRFT2 Fl. 3 5 contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10640.001933/200555 Acórdão n.º 920201.733 CSRFT2 Fl. 4 7 Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto pelas conclusões é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, que a averbação fora procedida, ainda que intempestivamente (posteriormente ao fato gerador), mas antes do início da ação fiscal, consoante se infere do Termo de Responsabilidade de Preservação Florestal, às fls. 19, datado de 24/09/2001, da Averbação à margem da matrícula do imóvel, às fls. 20, datada de 28/09/2001, e Memorial Descritivo, às fls. 21/26, afastando qualquer dúvida quanto à materialidade de referida área. Nesse sentido, a averbação à margem da escritura do imóvel, ainda que posterior ao fato gerador (mas antes do início da ação fiscal), associada aos documentos acima elencados, notadamente o Termo de Responsabilidade e Memorial Descritivo, se prestam a comprovar a existência da área de reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 averbação tempestiva da reserva legal junto a matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10640.001933/200555 Acórdão n.º 920201.733 CSRFT2 Fl. 5 9 Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Turma Especial do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001266/2001-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997
IRPF. DESPESAS DEDUTÍVEIS. LIVRO CAIXA.
São dedutíveis as despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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DESPESAS DEDUTÍVEIS. LIVRO CAIXA. São dedutíveis as despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (suplente convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que, em decisão não unânime, foi dado provimento parcial ao voluntário para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 3.374,36, considerando dedutível parte das despesas do livrocaixa a titulo de gastos necessários "à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora", assim ementado: IRPF RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE BENS ALTERAÇÃO DO VALOR DE MERCADO EM UFIR — A avaliação dos bens ao valor de mercado em 31/12/1991 foi um beneficio fiscal. O contribuinte poderia retificar tal valor, sem qualquer restrição, dentro do prazo fixado pela Portaria MEFP de 15/08/1992. A partir dessa data, até o transcurso do prazo decadencial, a retificação poderia ser aceita com a demonstração do erro cometido, nos termos do disposto no § 1, do art. 147, do CTN. Logo, inadmissível essa retificação no ano de 1999, inclusive após a venda do imóvel. DESPESAS DEDUTÍVEIS A TITULO DE LIVRO CAIXA Somente são dedutíveis as despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional alega em síntese que a) no concernente ao caso em apreço, convém registrar que, para que as despesas escrituradas em livrocaixa sejam dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, fazse necessária a demonstração cabal, a cargo do contribuinte, da indispensabilidade dos referidos gastos à percepção da receita à manutenção da fonte produtora; e b) na hipótese dos autos, no entanto, o sujeito passivo não se desincumbiu do ônus da comprovação da indispensabilidade dos gastos nos termos do art. 6° da Lei nº 8.134/90, bem como deixou de demonstrar, por documentação idônea, a efetividade da prestação dos serviços. O contribuinte, cientificado do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contrarazões. Argumentando em síntese que: a) O Recurso Especial foi interposto com fundamento no inciso I, do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao argumento de que o acórdão recorrido, ao determinar a exclusão dos gastos com publicidade e propaganda das receitas consideradas para fins de IRPF, "contrariou frontalmente a lei (.,) o art.. 6º da Lei n° 8.134/90, bem como a prova constante nos autos, restando, portanto, constatados os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial.", mas não há na parte recorrida da decisão, qualquer violação à disposição literal de lei ou à evidência de prova constante nos autos; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13603.001266/200111 Acórdão n.º 920201.314 CSRFT2 Fl. 2 3 b) Em suas razões recursais aduz o Recorrente que a decisão recorrida considerou dedutíveis determinadas despesas: 1) sem a necessária comprovação de sua indispensabilidade à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, bem como; e 2) sem respaldo em prova idônea da efetividade das respectivas prestações de serviços, em contrariedade á lei e à prova dos autos. Entretanto, razão nenhuma assiste ao Recorrente; c) a indispensabilidade dos gastos à percepção da receita e patente pela simples análise da natureza das despesas consideradas pela decisão recorrida como dedutíveis; os se fizeram necessários à realização dos leilões e à promoção, por meio do marketing, da atividade leiloeira desempenhada pelo Recorrido; e d) A única exigência prevista em lei é a de que o contribuinte comprove a veracidade das despesas e das receitas, portanto, há de ser mantido incólume o acórdão na parte em que considerou dedutíveis as despesas ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei e às provas dos autos. Examinandose o recurso especial apresentado verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria encontra regramento no artigo 6° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, nos seguintes termos: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991. Andou bem o acórdão recorrido ao apreciar os fatos pertinentes ao lançamento realizado. Destarte, adoto, como se fossem minhas, os seguintes fundamentos constantes no acórdão recorrido para a sua manutenção: “Portanto, as despesas escrituradas em livrocaixa pelo sujeito passivo, / indispensáveis à percepção da renda e à manutenção da fonte produtora, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, desde que comprovadas por intermédio de documentação idônea. Por outro lado, não há autorização legal para o aproveitamento de despesas com peças de veículos e com aquisição de bens do ativo permanente, sendo que com relação aos veículos o recorrente deixou de comprovar, inclusive, a vinculação entre os produtos adquiridos e algum bem de sua propriedade ligado à atividade desenvolvida. Assim, na visão deste julgador, devem ser restabelecidas despesas do livrocaixa no valor de R$,3.374,64 correspondente a 25% do valor glosado das despesas de inauguração do Palácio dos Leilões, que sem dúvida foram necessárias à percepção de rendimentos(divulgação e Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13603.001266/200111 Acórdão n.º 920201.314 CSRFT2 Fl. 3 5 propaganda), a saber: R$1.823,11 (fl. 161), R$ 3.294,48 (fl. 162), R$ 2.858,00 (fl. 163), R$ 1.300,00 (fl. 164), R$ 3.294,48 (fl. 167) e R$ 927,36 (fls. 168/169); tais despesas estão pormenorizadas nos demonstrativos de fls. 1922 e na peça recursal (fl. 388).” Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.920393/2009-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA
DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à
comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro
de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos
termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3403-001.169
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que manteve o despacho decisório da DRF de origem o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório nº. 842610132, fls.6, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 37215.41852.150805.1.3.045654, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Transcrevo a seguir trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 37: (...) A interessada defende a existência do indébito afirmando que estaria errado o valor inicialmente informado em DCTF, causando o indeferimento da compensação e o lançamento de ofício. Anexa DCTF retificadora entregue em data posterior à ciência do Despacho Decisório, a qual corrigiria o equívoco. Então, após solicitar a suspensão da exigibilidade tributária, requer o cancelamento do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação e a validade da compensação, com a extinção da exigência de ofício. A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1027.221, de 2 de setembro de 2010, fls.37/38, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 01/03/2011, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2011, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações alegando que sendo pessoa jurídica de direito privado cujo objeto social consiste no comércio, por atacado e varejo, de peças e acessórios para veículos em geral, suas receitas restaram tributadas pela COFINS até a entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002. Com o advento da entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002, mais precisamente dos efeitos normativos contidos no artigo 3 o e seu §2°, as receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes da venda no atacado e no varejo de peças e acessórios de veículos, restou sujeita à alíquota zero. Referida redução passou a ocorrer da partir do mês de novembro de 2002. Contudo, por Fl. 71DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.920393/200990 Acórdão n.º 340301.169 S3C4T3 Fl. 71 3 lapso deixou de excluir do cálculo dessa exação as receitas da vendas dessa atividade, o que resultou em pagamento a maior do PIS e de Cofins. Aduz que carecem de juridicidade a decisão recorrida. Assim, impera a reforma julgado de primeira instância posto que desconsiderou a prova através do único documento válido a ser anexado pela recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade,o qual consiste justamente na DCTF retificadora. Ao final pede que: seja recebido esse recurso voluntário; reforma da decisão recorrida, reconhecendo ao fim a compensação procedida; caso entenda essa Colenda Câmara Recursal necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadoras, e a considerar os documentos que a Recorrente protesta pela juntada em trinta dias, que se determine a baixa dos autos à instância originária para fins de diligências, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para aferição dos créditos declarados/compensados nas PER/DCOMP; seja realizados o julgamento do presente recursos voluntário em conjunto outros processos, conforme especificados na peça recursal. Para fortalecer seus argumentos traz decisões do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Ademais, a realização de diligência, conforme prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, não tem por objetivo suprir procedimento que é encargo das partes. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência. Quanto às decisões administrativas e judiciais trazidas aos autos não podemos negar que os precedentes tem força persuasiva, contudo não tem força vinculantes. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 No tocante às decisões administrativas, mesmo que o Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, não vinculam os demais julgadores desse Colegiado, estes podem ter entendimento diferente. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. No tocante às decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data vênia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de Cofins. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Como se vê dos autos, às fls. 37/38, a Recorrente, após ciência do decisório do despacho que não homologou a compensação pretendida, alegando erro no valor declarado na DCTF de pronto providencia a sua retificação, entendendo que essa retificação corrigiria o equívoco e exsurgiria o direito creditório alegado. Entretanto, não instrui sua manifestação de inconformidade com documentos que contábil e/ou fiscal que respaldasse sua alegação. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.920393/200990 Acórdão n.º 340301.169 S3C4T3 Fl. 72 5 A autoridade julgadora de primeira instância em seu voto condutor assim fundamentou as razões que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não merecendo retoque: Por sua vez, o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/93) Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: " Art. 333 — O ônus da prova incumbe: I—ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar o indébito alegado. Como se vê do voto condutor, a autoridade julgadora de primeira instância deixou claro o que deveria comprovar o indébito alegado. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Entretanto, aqui também, quanto na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não traz aos autos nenhum documento contábil e/ou fiscal para comprovar o valor do pagamento a maior. Solicita, caso essa Colenda Câmara Recursal entenda necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadora, pela juntada de prova no prazo de 30 (trinta) dias. De acordo com os autos, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/03/2011, passado esse período, não consta nos autos, ora examinado, tenha a Recorrente apresentado provas para comprovar o direito alegado, até o presente momento. Contrário ao entendimento da recorrente, a declaração retificadora não era um único documento válido a ser anexado a Manifestação de Inconformidade. Impende esclarecer que a DCTF retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações prestadas pela contribuinte existentes à época do despacho decisório. Assim, para comprovar a certeza e liquidez, deveria a Recorrente além de ter retificado a DCTF, ter instruído também a Manifestação de Inconformidade com documentos contábeis e /ou fiscais que comprovassem o quantum recolhido indevidamente É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ou ainda, junto com o recurso voluntário com base na flexibilidade que o art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999 deu as regras da preclusão administrativa estabelecidas no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. Com essa considerações, não tendo a recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação do valor recolhido indevidamente, não é possível aferir a certeza e da liquidez do indébito, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária exigidos pelo art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.920393/200990 Acórdão n.º 340301.169 S3C4T3 Fl. 73 7 Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13837.000453/99-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1989, 1990
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO POR SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA, CUJO CONTRATO SOCIAL PREVIA A DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DOS LUCROS. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 35 da Lei 7.713/88, incide o imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido nos casos em que o contrato social de sociedade por quotas de responsabilidade limitada prevê a distribuição automática dos lucros.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado).
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1989, 1990 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO POR SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA, CUJO CONTRATO SOCIAL PREVIA A DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DOS LUCROS. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 35 da Lei 7.713/88, incide o imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido nos casos em que o contrato social de sociedade por quotas de responsabilidade limitada prevê a distribuição automática dos lucros. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – RedatorDesignado EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (conselheira convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 25 de janeiro de 2006, a então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 10247.318 [fls. 117 – 124] que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário: IMPOSTO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente a deliberação expressa dos sócios o lucro poderia ter outra destinação. Recurso negado. Inconformada com o r. acórdão supracitado que negou provimento ao direito de a pessoa jurídica pleitear a restituição de valores pagos a título de imposto de renda sobre o lucro líquidoILL instituído plo art. 35, da Lei n. 7.713/88, sob o fundamento de que no contrato social da pessoa jurídica havia cláusula de distribuição do lucro, a Contribuinte protocolizou Recurso Especial [fls. 131/139], com fulcro no art. 5°, inciso II, e art. 7º, §2º, da Portaria Ministerial n. 55, de 1998. Argui a Recorrente que o fato de constar do contrato social a disponibilidade jurídica da distribuição do lucro não configura fato gerador do imposto, apresentando ao Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13837.000453/9959 Acórdão n.º 920201.913 CSRFT2 Fl. 2 3 dissídio as ementas dos Acórdãos 10612579 e 10612093, juntando cópia da folha de rosto do Acórdão 10612093: IRRF ILL O direito do contribuinte de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente, somente se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data em que um ato legal assim determina. — Deve ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição de valores pagos a titulo de imposto sobre o lucro liquido, quando, nos casos de Sociedades por Quotas de Responsabilidade Limitada, ficar comprovado que não ocorreu a distribuição dos lucros. Inconstitucionalidade da exigência reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso provido. Por tudo exposto, requer a Contribuinte que seja dado provimento ao seu recurso. A então Presidente da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° 1020.128/2007 [fls. 196 – 198], dando seguimento ao recurso da Contribuinte por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial, a i. Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão ora recorrido, por tratarse de imposto exigível segundo entendimento do mesmo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior,Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então Segunda Câmara do Primeiro Conselho a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Em 25 de janeiro de 2006, a então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 10247.318 [fls. 117 – 124] que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário: IMPOSTO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente a deliberação expressa dos sócios o lucro poderia ter outra destinação. Recurso negado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Inconformada com o r. acórdão supracitado que negou provimento ao direito de a pessoa jurídica pleitear a restituição de valores pagos a título de imposto de renda sobre o lucro líquidoILL instituído pelo art. 35, da Lei n. 7.713/88, sob o fundamento de que no contrato social da pessoa jurídica havia cláusula de distribuição do lucro, a Contribuinte protocolizou Recurso Especial [fls. 131/139], com fulcro no art. 5°, inciso II, e art. 7º, §2º, da Portaria Ministerial n. 55, de 1998. Argui a Recorrente que o fato de constar do contrato social a disponibilidade jurídica da distribuição do lucro não configura fato gerador do imposto, apresentando ao dissídio as ementas dos Acórdãos 10612579 e 10612093, juntando cópia da folha de rosto do Acórdão 10612093: IRRF ILL O direito do contribuinte de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente, somente se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data em que um ato legal assim determina. — Deve ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição de valores pagos a titulo de imposto sobre o lucro liquido, quando, nos casos de Sociedades por Quotas de Responsabilidade Limitada, ficar comprovado que não ocorreu a distribuição dos lucros. Inconstitucionalidade da exigência reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso provido. O acórdão supracitado negou provimento ao direito de a pessoa jurídica pleitear a restituição de valores pagos a título de imposto de renda sobre o lucro líquidoILL instituído pelo art. 35, da Lei n. 7.713/88, sob o fundamento de que no contrato social da pessoa jurídica havia cláusula de distribuição do lucro, conforme se dessume do voto condutor prolatado [fls. 122/124]: […]Consoante se observa dos autos, o processo retornou a este e. Conselho de Contribuintes para apreciação do mérito do pedido, qual seja, se, de fato, foi indevida a exigência do ILL. No enfrentamento da matéria a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que o contrato social da empresa previa a distribuição automática dos lucros conforme cláusula quinta (fl. 07). Aos fundamentos do voto condutor do Acórdão recorrido, abaixo transcritos, nada tenho a reparar e peço vênia para adotálos. Consignou a decisão a quo, verbis: "(...)Portanto, em síntese, toda a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que somente será• inconstitucional a exigência do imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido quando o contrato social for omisso sobre a distribuição dos lucros, pois no caso aplicarseá o Código Comercial, e por decorrência a solução adotada para a expressão 'los acionistas", ou quando o contrato preveja, destinação dos lucros, independentemente da manifestação dos sócios, outra que não a sua distribuição. 18. Contudo, quando o contrato social preveja que a destínação do lucro liquido depende de disposição dos sócios a respeito, dá Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13837.000453/9959 Acórdão n.º 920201.913 CSRFT2 Fl. 3 5 se a situação configuradora da disponibilidade jurídica dos rendimentos, como bem apontou o Ministro Celso de Mello. 19. É exatamente esse o caso da contribuinte, no qual a Cláusula Quinta do Contrato Social, dispunha que o "Os lucros ou prejuízos serão distribuídos ou suportados proporcionalmente ao capital de cada sócio" (11.7). Ou seja, possuíam eles a disponibilidade jurídica sobre os lucros da empresa. 20.Observese que é nesse sentido que se deve interpretar o disposto no parágrafo único do art. /° da IN SRF 63/97, haja vista que essa instrução normativa, com dito alhures, apenas veio dar maior eficácia à decisão do STF, prevenindo litígios, ou seja, não pretendeu, em nenhum momento, dispor contra a decisão da Corte Maior. 21. Deve ser afastada, então, a interpretação que altera a apreciação do Supremo Tribunal Federal sobre a questão, ampliando inadvertidamente a inconstitucionalidade declarada com alcance mais estreito, cabendo lembrar, ainda, que Instrução Normativa não pode inovar no mundo jurídico para dispensar a exigência de tributo devido, máxime quando já declarada a constitucionalidade da exação. 22. Registre, por fim, tendo em vista o argumento da interessada de que os lucros jamais teriam sido distribuídos para os sócios, que, conforme já ressaltado no item 13 deste voto, o Supremo Tribunal Federal já deixou assentado ser desimportante a disponibilidade econômica dos lucros, haja vista bastar a disponibilidade jurídica, sendo que, como transcrito no aludido item 13, 'Os sóciosquotistas titularizam, ordinariamente, situação configuradora de disponibilidade jurídica de rendimentos, pois a percepção do lucro apurado no balanço constitui direito de que se acham irrecusavelmente investidos. Assim, os sóciosquotistas, ressalvada disposição convencional em sentido contrário, possuem, no contexto ora em análise, um crédito revestido de liquidez e certeza." 23. Portanto, sendo, no presente caso, constitucional a exigência do ILL devido pela sociedade por quotas de responsabilidade limitada, tornase indevido o pedido de restituição dos recolhimentos, em virtude da ausência de indébito." Relativamente ao Recurso Voluntário, a contribuinte reforça as alegações da peça impugnativa de que não teria ocorrido a distribuição automática dos lucros, haja vista que os recursos (lucros) não saíram da empresa, e ainda integram o patrimônio desta e não dos sócios. Assim não entendo. O fato de os lucros terem permanecido na empresa foi uma opção dos sócios, que continuaram com a disponibilidade jurídica desses rendimentos. Ao adotar tal procedido a empresa agiu em desacordo com seu contrato social. Bastava um simples instrumento particular de alteração contratual para incorporar tais lucros ao capital. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Corroborando esse entendimento, citese os seguintes acórdãos cuja ementa transcrevo: IMPOSTO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do C. T. uma vez que somente a deliberação expressa dos sócios o lucro poderia ter outra destinação." (Acórdão n.° 10611.225 de 11/04/2000.) 'MÉRITO Em matéria de ILL, somente se subsume à decisão do Supremo Tribunal quando não há disponibilidade econômica ou jurídica segundo o Contrato Social. Havendo previsão de distribuição automática, de se negar restituição.' (Acórdão n.° 10614.968 de 13/09/2005) Em que pese os robustos fundamentos do acórdão recorrido, entendo que, no presente caso, não coaduna com a melhor interpretação das normas e da jurisprudência sobre as matérias em questão. Isso porque não ocorreu a disponibilidade econômica dos lucros. Como visto acima, não há controvérsia quanto ao fato de que os recursos permaneceram à disposição da pessoa jurídica . Os lucros não foram creditados, tampouco pagos, aos sócios, permanecendo em conta de lucros acumulados [fls. 137/138]. Não tendo ocorrido o creditamento dos lucros em conta dos sócios, muito menos a efetiva distribuição, cumpre reconhecer o direito creditório da contribuinte sobre o indébito tributário A título de referência, reportome aos princípios basilares do processo administrativo tributário, quais sejam, verdade material e legalidade e transcrevo a seguir ementas de recentes acórdãos deste Conselho, que corroboram o entendimento ora manifestado: "IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL RESTITUIÇÃO DE VALORES REFERENTES AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PRAZO DECADENCIAL Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIIV; da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo ou da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária (CSRF/0103.239). Quando o indébito se exterioriza a partir do reconhecimento da administração tributária devese tomar a data da publicação da norma que veiculou ser indevida a exação como o dies a quo para a contagem do prazo a que estava submetido o contribuinte para pleitear a restituição do indébito gerado com o entendimento veiculado por ela. Isto porque, antes da publicação da norma, não tinha o contribuinte o conhecimento do que era indevida a exação, e não se reconhecer tal fato seria penalizálo por ato que não praticou Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13837.000453/9959 Acórdão n.º 920201.913 CSRFT2 Fl. 4 7 quando o seu direito não era reconhecido. Assim, em se tratando de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, para que não seja atingido pela decadência, o pedido de reconhecimento do direito creditó rio deve ter sido apresentado até cinco anos contados da data da publicação da IN SRF n°63, de 24/07/1997. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA —Não estando consignado no contrato social a distribuição imediata dos lucros aos sócios, atendidas as determinações do parágrafo único do art. 1° da IN SRF n° 63, de 24/07/1997. Recurso provido." (Acórdão n.° 10616.407, de 24/05/2007); "ILL PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS EFETUADOS É de se admitir a existência de indébitos referentes ao ILL correspondente aos lucros que não foram efetivamente distribuídos aos sócios." (Acórdão n° 10615.478 de 26/04/2006); Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Designado Conforme preconizado no voto da lavra do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, tratase de recurso especial interposto contra o Acórdão n.º 10247.318, proferido pela Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do qual entenderam os doutos julgadores, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o fundamento de que seria descabido o pedido de restituição de ILL nas hipóteses em que o contrato social previsse a distribuição automática dos lucros aos sócios ou quotistas de sociedade limitada. Conhecido o recurso especial pelo então Presidente da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e após a vinda dos autos a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Ilmo. Sr. Relator, Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, proferiu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto e, no mérito, darlhe integral provimento, ao argumento de que “Os lucros não foram creditados, tampouco pagos, aos sócios, permanecendo em conta de lucros acumulados.” Em que pese ao referido entendimento do Ilmo. Sr. Relator, ouso divergir do posicionamento externado no seu voto. Com efeito, analisandose os termos da Resolução do Senado Federal n.º 82/96, editada em consonância com o art. 52, X, da Constituição, verificase que apenas foi suspensa a eficácia da tributação incidente sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas (ILL) relativamente à expressão “acionista”. A este respeito, confirase: “Art. 1º É suspensa a execução do art. 35 da Lei nº 7.713, de 29 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão "o acionista" nele contida.” Na esteira do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, cuja eficácia erga omnes foi conferida pela citada resolução do Senado Federal, apenas seria descabida a tributação pelo ILL, instituída pelo art. 35 da Lei n.º 7.713/88, no tocante às sociedades anônimas, isto é, às sociedades de capital regidas pela Lei n.º 6.404/76, na medida em que, com relação a estas últimas, apenas, não seria lícito pressupor a disponibilidade econômica ou jurídica dos titulares de suas ações pela mera apuração de lucro líquido. Regulamentando, internamente, os efeitos da Resolução do Senado Federal n.º 82/96, por sua vez, a Secretaria da Receita Federal houve por bem editar a Instrução Normativa n.º 63/97, vedando a cobrança de ILL, apenas, nas hipóteses em que o lucro líquido fosse apurado por sociedades anônimas, ou, no tocante às demais formas societárias, apenas nos casos em que o contrato social não previsse a disponibilização imediata dos lucros aos sócios ou quotistas. A este respeito, cumpre trazer à baila o teor do art. 1º, caput e parágrafo único, do citado normativo, in verbis: “Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao Imposto de Renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 2 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13837.000453/9959 Acórdão n.º 920201.913 CSRFT2 Fl. 5 9 apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado.” Nesse sentido, portanto, conforme consignado pela decisão recorrida, tratandose, a espécie, de tributação incidente sobre o lucro líquido apurado em resultado de sociedade por quotas de participação limitada, e, igualmente, sendo certo que a cláusula quinta do respectivo contrato social previa, expressamente, a distribuição automática dos lucros aos sócios, entendo cabível a tributação in casu e, destarte, indevido o pleito de restituição formulado pelo contribuinte. Por esta razão, pois, considerandose que o acórdão recorrido, proferido pela Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, encontrase alinhado com os termos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n.º 223.370/PE, de relatoria do Ministro Marco Aurélio (DJ de 12/03/1999), e, bem assim, com os termos da Resolução do Senado Federal n.º 82/96 e da Instrução Normativa n.º 63/97, ouso divergir do posicionamento consignado pelo Ilmo. Sr. Relator, de maneira que voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/02/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10935.003016/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.331
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Curitiba: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o P1S/Pasep, fl. 01, protocolizado em 19/07/2007, o qual, consoante planilhas c demonstrativos de fls. 07/25, corresponde a retenções ou pagamentos efetuados nos meses de agosto de 1997 a novembro de 1998, no montante atualizado de R$ 109.669,88. À fl. 01, no quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "Restituição do Pasep recolhido e retido sobre arrecadação própria e sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de agosto/1997 a novembro/1998, em face de sua inexigihilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sua utilização não aceitando a data do lato gerador do crédito passados de cinco anos." Às fls. 02/05, procuração c documentos pessoais do representante do Município. Encaminhado para análise (fl. 26), apurouse que, com base no referido crédito, o ente federativo também havia transmitido, eletronicamente, em 15/08/2007, 14/09/2007 e 11/10/2007, as Declarações de Compensação ri% 19352.57945.150807.1.3.04 7095, 19066.49795.140907.1.3.049100 e 02130.57699.111007.1.3.046453, pleiteando a compensação de débitos de PIS/Pasep dos períodos de julho (R$ 6.000,00), agosto (R$ 5.000,00) e setembro (R$ 4.000,00) de 2007, no valor total de R$ 15.000,00 (fls. 27/39). Em 01/11/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, despacho decisório às fls. 40/43, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Consequentemente, não foram homologadas as compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 09/11/2007 (fls. 46 e 61), a interessada, por intermédio de procurador, interpôs, em 27/11/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 47/55, instruída com os documentos de fls. 56/58 (procurações e cópias de documentos pessoais de mandatários), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ineficácia das medidas provisórias não convertidas em lei e conclui que a MP n° 1.212, de 1995, "não revela os predicamentos da urgência e relevância." Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003016/200761 Acórdão n.º 330201.331 S3C3T2 Fl. 2 3 Disserta sobre a ilegalidade da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, e diz que "no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, pode ser recuperada a totalidade dos recolhimentos feitos a título de PASEP, haja vista que não havia norma legal a exigir a exação, muito menos através da LC 8/70, em respeito à vedação da repristinação em nosso ordenamento jurídico." Fala sobre o posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação à legislação tributária e às medidas provisórias e, após análise das medidas editadas, conclui que a Lei n° 9.715, de 1998, deve operar como lei primitiva, cuja entrada em vigor, respeitandose a anterioridade nonagesimal, teria ocorrido somente em 24/02/1999. A seguir, discorre sobre o prazo decadencial. Defende a tese dos '5 + 5 anos", transcreve posicionamento da jurisprudência e conclui que em relação aos pagamentos efetuados anteriormente a 09/06/2005 o prazo de restituição seria de dez anos contados da data do pagamento ou até 09/06/2010, "valendo o prazo que vier antes." Ao final, requer a reforma do despacho decisório e, consequentemente, o deferimento da restituição e a homologação das compensações vinculadas. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. P1S/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos com crédito que não é passível de restituição não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 19/07/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS nos períodos de 01/08/1997 a 31/11/1998, alegando se tratar de "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de agosto/1997 a novembro/1998, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sula utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003016/200761 Acórdão n.º 330201.331 S3C3T2 Fl. 3 5 O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003016/200761 Acórdão n.º 330201.331 S3C3T2 Fl. 4 7 orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 19/07/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 08/1997 a 11/1998, estão todas atingidas pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em relação aos argumentos de omissão da decisão recorrida em relação ao mérito e por conseqüência a validade dos créditos pleiteados, entendo que, tendo em vista o reconhecimento da prescrição da totalidade dos créditos pleiteados, esta não se faz necessária pois a prescrição é matéria preliminar que prejudica o pedido e a analise de seu mérito. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Alexandre Gomes Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11075.720181/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2005
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE.
Somente a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de defesa são vícios insanáveis que conduzem a nulidade.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
A apreciação de eventuais arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. Não compete ao CARF analisar matéria constitucional (Súmula nº 2 do CARF)
IRPJ-SIMPLES. RECEITA BRUTA.
Considera-se
receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
CONHECIMENTO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS.
DECLARAÇÃO INEXATA.
Constitui infração à legislação tributária, no caso, declaração inexata, o fato de oferecer à tributação apenas parte do valor do frete apontado nos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas.
TRANSPORTE DE CARGAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ALÍQUOTA.
Ficam acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) os percentuais do imposto e contribuições devidos ao Simples em relação às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e INSS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1802-001.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,
REJEITAREM as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2005 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. Somente a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de defesa são vícios insanáveis que conduzem a nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. Não compete ao CARF analisar matéria constitucional (Súmula nº 2 do CARF) IRPJ-SIMPLES. RECEITA BRUTA. Considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. CONHECIMENTO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação tributária, no caso, declaração inexata, o fato de oferecer à tributação apenas parte do valor do frete apontado nos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas. TRANSPORTE DE CARGAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ALÍQUOTA. Ficam acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) os percentuais do imposto e contribuições devidos ao Simples em relação às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e INSS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
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NULIDADE. Somente a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de defesa são vícios insanáveis que conduzem a nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. Não compete ao CARF analisar matéria constitucional (Súmula nº 2 do CARF) IRPJSIMPLES. RECEITA BRUTA. Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. CONHECIMENTO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação tributária, no caso, declaração inexata, o fato de oferecer à tributação apenas parte do valor do frete apontado nos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas. TRANSPORTE DE CARGAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ALÍQUOTA. Ficam acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) os percentuais do imposto e contribuições devidos ao Simples em relação às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e INSS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.611 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAREM as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.612 3 Relatório Conforme consta no Mandado de Procedimento Fiscal, o contribuinte acima identificado foi fiscalizado nos anos calendário de 01/2005 a 06/2008 e, 06/2004 a 12/2008 para Tributos e Contribuições do Simples e Contribuição Previdenciária e para Outras Entidades, respectivamente. Foram lavrados Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Simples; Multa isolada Simples; Programa de Integração Social PIS Simples; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Simples; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins Simples; e, INSS Contribuição à Previdência Oficial INSS – Simples, pelas infrações relatadas a seguir: a) Diferença de Base de Cálculo – entre a utilizada pelo contribuinte e a apurada pela autoridade fiscal b) Insuficiência de Recolhimento – tributos pagos a menor; Dada a quantia devida apurada no anocalendário de 2005, a título de omissão de receita (R$2.736.354,99), foi encaminhada em 20/05/2009, uma Representação Fiscal para exclusão do Simples. Tal fato se deu por meio do Ato Declaratório Executivo nº 03, de mesma data da Representação Fiscal, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006. O Contribuinte tomou ciência da exclusão em 28/05/2009. O Contribuinte tomou ciência do auto de infração em 20/05/2009, apresentando duas impugnações: a primeira delas em 19/06/2009, relativamente a exigência do imposto e contribuições referentes ao Simples e, a segunda em 21/07/2009 combatendo a exigência do IRPJ e CSLL. No bojo da primeira das duas impugnações, o contribuinte argumentou o que segue: a) Reclama a não aplicação do tratamento constitucional diferenciado constante dos artigos 170, inciso IX e 179 da Constituição Federal de 1988, este último em relação ao percentual de multa aplicada 75%, o que geraria nulidade dos autos de infração; b) Fundamenta a nulidade dos autos de infração e o montante da multa aplicada na inobservância dos princípios da legalidade, impessoalidade, publicidade, com transcrição de textos legais; c) Já tratando da questão da exclusão do Simples, narra o impugnante que o Ato Declaratório de Exclusão não foi devidamente formalizado não sendo dada oportunidade de defesa nos termos do §3º do artigo 15 da Lei nº 9.317/96, acrescenta ser indevida a multa regulamentar aplicada no montante de 10%; d) Quanto à majoração em 50% das alíquotas do Simples, expõe o ora impugnante que tal aumento seria devido apenas aos centros de formação de condutores de Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.613 4 veículos automotores, não se aplicando a prestadores de serviço de transporte nos termos do artigo 1º, inciso III da Lei nº 10.034/2000. Encerra requerendo o cancelamento da exigência fiscal. Já na segunda das duas impugnações apresentadas, aduz o contribuinte os mesmos pontos constantes nos itens “a” e “b” acima descritos; quanto à exclusão do Simples nota que apenas após o ato de exclusão o contribuinte teve sua oportunidade de defesa, assim ensejando nulidade. Quanto ao último tópico, “Arbitramento Ilegal do Lucro”, relata o impugnante que se encontra submetido ao tratamento fiscal dos optantes do Simples, conforme artigo 7º da Lei. 9.317/96, que a exigência de documentos como os livros Diário, Razão e Lalur seriam ilegais, requer ainda a não aplicação do artigo 530 do RIR/99. Por fim, pleitea o cancelamento do débito fiscal. Frente a estes argumentos, a decisão da DRJ/STM adotou a seguinte orientação, conforme ementa de fls. 1.574/1.575: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE É intempestiva a manifestação de inconformidade ou impugnação apresentada após o transcurso do prazo de trinta dias contados do dia seguinte ao da ciência da exclusão ou do auto de infração. PRELIMINAR. NULIDADE. Somente a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de defesa são vícios insanáveis que conduzem a nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Ano calendário: 2005 IRPJSIMPLES. RECEITA BRUTA. Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.614 5 CONHECIMENTO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação tributária, no caso, declaração inexata, o fato de oferecer à tributação apenas parte do valor do frete apontado nos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas. TRANSPORTE DE CARGAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ALÍQUOTA. Ficam acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) os percentuais do imposto e contribuições devidos ao Simples em relação às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igualou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e CSS INSS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido À guisa de conclusão de sua decisão, a DRJ/STM enfrentou os tópicos argüidos pela impugnante no seguinte sentido, como consta nas fls.1.588/1.589 dos autos: a) REJEITAR as preliminares de nulidade, ilegalidade e inconstitucionalidade argüidas; b) NÃO CONHECER A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra a exclusão da interessada do SIMPLES por tratarse de matéria preclusa; c) JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA relativa ao: c.1) Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – Simples no valor de R$19.164,62; c.2) Contribuição para o PIS/PASEP – Simples no valor de R$19.164,62; c.3) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – Simples no valor de R$31.160,09; c.4) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins – Simples no valor de R$62.320,19; c.5) Contribuição Social para Seguridade Social – INSS – Simples no valor de R$250.255,77; c.6) Multa Regulamentar de 10% no valor de R$ 6.676,05; d) JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA relativa ao: Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.615 6 d.1) Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – Lucro Arbitrado no valor de R$25.044,14; d.2) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – Lucro Arbitrado no valor de R$18.269,41; e) JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO contra a exigência da multa de ofício de 75% sobre o imposto e as contribuições exigidas acima; f) Todos os valores acima devem ser exigidos com os acréscimos legais de acordo com a legislação em vigor. Inconformado com a referida decisão da DRJ/STM, apresentou o contribuinte o presente Recurso Voluntário requerendo: a) Reconhecimento da inobservância do tratamento constitucional diferenciado, nos termos dos artigos 170, IX e 179 da CF/88; b) Desobediência aos princípios constitucionais da administração pública expressos no artigo 37 da CF/88, também presentes no artigo 2º da Lei 9.784/99 quando da aplicação da multa de 75%, também como na impugnação, acrescentando violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; c) Cerceamento de defesa, ensejando nulidade nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, em razão da autuação fiscal anterior à ciência do ato de exclusão do Simples, sendo a primeira em 20/05/2009 e a segunda em 28/05/2009; d) Explana que o auto de infração encontrase fundamentado em lei já revogada, sendo que a Lei Complementar nº 123/2006 expressamente revogou a Lei nº 9.317/96, fundamenta sua pretensão na LICC em seu artigo 2º, §1º; e) Requer a concessão de efeito suspensivo e total provimento do Recurso Voluntário. É o relatório, passo a decidir Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.616 7 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O contribuinte alega preliminarmente uma questão de nulidade absoluta derivada da hipótese de cerceamento de defesa, estatuída no artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Tal afirmação não merece prosperar. É sabido que durante a fase de investigação de irregularidades, conhecida como préprocessual, as autoridades fiscais têm como prerrogativa a investidura nos poderes conferidos pelos artigos 194 e 195 e 197 a 200, todos do CTN, não havendo o que se falar de cerceamento de defesa nessa fase. Nesta perspectiva, mantenho a decisão da DRJ/STM de modo a reconhecer que não houve óbice à livre manifestação do contribuinte em seu direito de defesa e, para tanto adoto trecho da decisão da DRJ/STM atinente à questão: “(...) ressaltese que as oportunidades de manifestação do impugnante não se exauriram na etapa anterior à efetivação do referido ato administrativo (o auto de infração). Na busca da preservação do direito de defesa, o processo administrativo fiscal, estendese por outra fase, a litigiosa, na qual o autuado, irresignandose com os atos administrativos, pode oferecer por meio de manifestação de inconformidade (impugnação) e recurso voluntário suas razões à consideração dos órgãos julgadores administrativos” Assim, concedida a oportunidade do direito de defesa da recorrente que fora devidamente exercida contra os autos de infração, não enxergo no caso concreto cerceamento de defesa que enseje nulidade absoluta. Ainda no que diz respeito às preliminares, alegou a Recorrente cerceamento de defesa, ensejando nulidade nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, fundado na ordem de atos realizados pelo Poder Público, em razão da autuação fiscal ter sido anterior à ciência do ato de exclusão do Simples, sendo a primeira em 20/05/2009 e a segunda em 28/05/2009, respectivamente. No que tange a este mister, também entendo não caber razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão da DRJ/STM por seus próprios fundamentos. Isto porque, conforme podese verificar dos presentes autos, a exclusão da Recorrente do Simples se deu por meio do Ato Declaratório Executivo nº 03, de 20 de maio de Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.617 8 2009 (“ADE nº 03/09”), constante às fls. 969, tendo a Recorrente tomado ciência de sua exclusão uma semana depois, ou seja, em 28 de maio de 2009. A partir da data da ciência, a Recorrente dispunha de 30 dias, nos termos do Decreto 70.235, de 1972 e suas alterações posteriores, para apresentar sua Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, contra o referido ato de Exclusão. Entretanto, constatase dos autos que essa faculdade não foi exercida pela Recorrente; o prazo expirou em 29 de junho de 2009, sem que houvesse qualquer manifestação por parte da Recorrente. Dessa forma, verificase que a Recorrente foi regularmente notificada de sua exclusão no Simples, dispunha de prazo legal 30 (trinta) dias para apresentar sua manifestação, restando demonstrado que não houve qualquer cerceamento de defesa, apenas que essa faculdade não foi exercida pela Recorrente. Quanto à alegação de violação de princípios constitucionais é irretocável a decisão de primeira instância no sentido que a esfera administrativa não é competente para análise de violação de preceitos constantes em nossa Carta Maior. Nesse sentido, a a Súmula nº 2 deste Conselho é expressa ao afirmar que: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Reafirmo a aplicação da multa imposta no montante de 75%, vez que tratase de aplicação de lei vigente em nosso ordenamento. Discussões acerca da sua legalidade e, principalmente, compatibilidade com a ordem constitucional fogem à alçada deste Conselho. Rejeitadas as preliminares apresentadas pela Recorrente, passo a análise do mérito. Cumpre, primeiramente, destacar o fato de que, em seu Recurso Voluntário a Recorrente apenas reproduziu o anteriormente aduzido em sua Impugnação, sem trazer qualquer elemento capaz de reverter o lançamento ora guerreado. O principal e único aspecto abordado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário é a fundamentação legal do auto de infração, apontando que o documento encontra se fundamentado na Lei nº 9.317/96, revogada pela Lei Complementar nº 123/2006. Apesar desse ponto não ter sido suscitado quando das impugnações, acarretando preclusão da matéria, por tratar de uma questão de ordem pública, passo a analisar esta questão. De fato a Lei Complementar 123/2006, revogou a Lei nº 9.317/96, porém, ao fazêlo em nada alterou o dispositivo que embasou a autuação ora guerreada. Vislumbro, de tal sorte, que não existem diferenças relevantes entre os dois textos legais de modo a justificar modificação do conteúdo do auto de infração ora guerreado. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11075.720181/200983 Acórdão n.º 180201.065 S1TE02 Fl. 1.618 9 Dessa forma, embora tenha havido a alteração da lei que regula o Simples, não houve alteração de sua sistemática e, dessa forma, ainda que se aplique o disposto na Lei Complementar nº 123/2006, subsistiria a irregularidade praticada pelo Recorrente e, portanto, de sua autuação. Verifico que a Recorrente, visando a total falta de meios para comprovar o alegado, tenta criar quimera, como forma de imputar dúvidas acerca do lançamento ora guerreado, que se faz, no meu entender, correto no caso concreto. No que tange a falta de recolhimento dos tributos gerados pela diferença de base de cálculo utilizada pelo contribuinte e apurada pela autoridade fiscal, geradas por declarações inexatas nos conhecimentos de transportes rodoviários de carga (CTRC) e da insuficiência de recolhimentos por conta de tributos pagos a menor, nada fora questionado pela Recorrente, restando mantido o crédito tributário constante do Auto de Infração e corroborado pela decisão da DRJ. Por último, requer o recorrente o deferimento de efeito suspensivo, entendido aqui como suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão do Recurso Voluntário apresentado. Ocorre que, considerado o disposto no artigo 151, III combinado com o artigo 33 do Decreto n.º 70.235 de 6 de março de 1972, o efeito suspensivo decorre expressamente da lei, sendo desnecessário seu pedido no texto do recurso. Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
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Numero do processo: 18186.000089/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/1997 a 06/2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
0 Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos
543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF" (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que "o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CT1- V, sendo certo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a
ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologa0o " (Recurso Especial n° 973.733).
0 termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. 0 Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, devercTo ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF" (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que "o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CT-1V, sendo certo que o 'Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologa0o " (Recurso Especial n° 973.733). 0 termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (Cm, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 40). Recurso especial negado. S Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso. Ca • Marcos Candid° , Presidente-Substituto VbizAti C/ Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 12/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Rijas Sampaio Freire. Relatório Em face de Fundição Fundalloy Ltda foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de fls. 01/127, objetivando a exigência de contribuições devidas ao INSS, destinadas a Seguridade Social, correspondente a parte da empresa, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, e as destinadas aos terceiros, no período compreendido entre 01/1997 a 01/2006. A Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 206-01.737, que se encontra as fls. 311/322 e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2006 CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA — SALÁRIO EDUCAÇÃO - SERRAR - INCRA - JUROS - MORA — TAXA SELIG - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NO A M̂BITO ADMINISTRATIVO - DECADÊNCIA. De acordo com a Sumula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vincula ntes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. 2 Processo n° 18186.000089/2007-23 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.266 Fl. 2 A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. A utilização da taxa de juros SELIG' encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte." A anotação do resultado do julgamento indica que a Camara (i) por unanimidade declarou a decadência das contribuições correspondentes ao período de 01/1997 a 11/2000, 13/2000 e 01/2001, e (ii) por maioria de votos declarou a decadência das contribuições apuradas até 06/2001, tendo, no mérito, negado provimento ao recurso voluntário. Intimada pessoalmente do acórdão em 08/07/2009 (fls. 323) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial as fls. 326/334, em que sustenta, em apertada síntese, que a decadência dos tributos em questão deve observar ao disposto no artigo 173, inciso I do CTN e não ao artigo 150, §4° do referido diploma. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho n° 2400-227, de 20 de agosto de 2009 (fls. 335/336). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contra-razões de fls. 342/350. o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad , Relator 0 Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A questão a ser enfrentada é a aplicação do §40 do art. 150 do CTN para verificação da ocorrência da decadência ou a aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CTN, o que em termos práticos postergaria o inicio do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte. Nesse sentido já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual, para os tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4° do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF 11.0 586/2010 no artigo 62-A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: 3 "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE" Assim, no que diz respeito h. decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP n° 973.733, nos termos do artigo 543-C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, ,ss' 4°, e 173, do CTIV -. IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exagdo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, 1, do CTIV, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Processo n° 18186.000089/2007-23 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.266 Fl. 3 Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (1) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, tem-se que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve-se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contar-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponivel. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplica-se a regra do art. 150, § 4 0 do CTN, ou seja, o prazo inicia-se na data do fato gerador. No presente caso, como se verifica do Relatório de Documentos Apresentados - RDA de fls. 104/108, a contribuinte efetuou recolhimentos parciais dos valores devidos a titulo de contribuições previdencidrias, no período compreendido entre 01/1997 a 01/2006. Logo, aplica-se no presente caso o disposto no artigo 150, §4°, do urN, sendo que o inicio do prazo de decadência dá-se com a ocorrência do fato gerador, em consonância com o que foi decidido no v. acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. ÇALLIti Gustavo Lian Haddad 5
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000629/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIAS ADMINISTRATIVAS.
ANÁLISE.
A autoridade julgadora administrativa não pode afastar a aplicação de lei com
fundamento em inconstitucionalidade de lei, a não ser nos casos
expressamente previstos em lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei n. 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
RECEITA BRUTA TOTAL. SEGREGAÇÃO DE CRÉDITOS. NÃO
INCLUSÃO. RECEITA FINANCEIRA.
As receitas financeiras não devem ser adicionadas à receita bruta total
utilizada na apuração de percentual para a segregação de créditos de PIS não
cumulativo, uma vez que não há previsão legal para apuração de créditos
vinculados a tais receitas.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
Não incide atualização monetária sobre créditos da contribuição objeto de
ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.137
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e
Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial ao recurso.
O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIAS ADMINISTRATIVAS. ANÁLISE. A autoridade julgadora administrativa não pode afastar a aplicação de lei com fundamento em inconstitucionalidade de lei, a não ser nos casos expressamente previstos em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei n. 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. RECEITA BRUTA TOTAL. SEGREGAÇÃO DE CRÉDITOS. NÃO INCLUSÃO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não devem ser adicionadas à receita bruta total utilizada na apuração de percentual para a segregação de créditos de PIS não cumulativo, uma vez que não há previsão legal para apuração de créditos vinculados a tais receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 267 2 Não incide atualização monetária sobre créditos da contribuição objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial ao recurso. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 238 a 261) apresentado em 09 de dezembro de 2009 contra o Acórdão no 1811.410, de 22 de outubro de 2009, da 2ª Turma da DRJ / STM (fls. 219 a 235), cientificado em 03 de dezembro de 2009, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de 3º trimestre de 2006, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INCONSTITUCIONALIDADES. ILEGALIDADES. A apreciação de alegações que se refiram à inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas ou atos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio Texto Maior. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 179DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 268 3 Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIAS. VENDA DE PRODUTOS COM SUSPENSÃO. DIREITO À APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VEDAÇÃO. No regime da nãocumulatividade, não é encontrado fundamento legislativo para que cooperativas de produção agropecuária que efetuem vendas de produtos com suspensão da contribuição, possam apurar créditos, sejam eles básicos ou presumidos, porquanto o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que prevê a manutenção de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos incorridos na atividade de empresas sujeitas ao PIS, vinculados a vendas efetuadas com suspensão, não revogou o art. 8º, §§ e incisos, da Lei nº 10.925, de 2004. RECEITA BRUTA TOTAL. SEGREGAÇÃO DE CRÉDITOS. NÃO INCLUSÃO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não devem ser adicionadas na receita bruta total utilizada na apuração de percentual para a segregação de créditos de PIS não cumulativo, uma vez que não há previsão legal para apuração de créditos vinculados a tais receitas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida A declaração de compensação foi apresentada em 27 de dezembro de 2006, de acordo com o termo de fls. 127 a 143. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O presente processo foi formalizado para análise, controle e acompanhamento de PER/DCOMPs com pedidos de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo vinculados ao Mercado Interno e à Exportação, transmitidos em 27/12/2006 (fls. 01/06), depois retificados em 29/06/2007 (fls. 10/17) Fl. 180DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 269 4 relativos ao terceiro trimestre de 2006, com montante ressarcível de R$ 64.598,33. O processo foi encaminhado à Seção competente para conferir a procedência dos créditos pleiteados pela contribuinte, sendo realizada a necessária fiscalização, com emissão e anexação de documentos, tendo sido produzido o Termo de Constatação Fiscal – Ressarcimento/compensação PIS de fls. 127/143, onde, em especial, restou assentado: Tratase de sociedade cooperativa de produção agropecuária com seção de consumo, tendo como atividade principal a comercialização dos produtos entregue pelos associados em suas unidades, bem como o fornecimento de insumos utilizados em suas atividades, parte da produção recebida é industrializada pela cooperativa. Em complemento, atua no ramo de supermercados. (fl. 128) Analisando as bases de cálculo do PIS e da COFINS apuradas pela contribuinte, constantes das planilhas apresentadas, verificamos que algumas exclusões da receita bruta não têm previsão legal e outras se deram em duplicidade. As exclusões admitidas às sociedades cooperativas são as constantes do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, do art. 1º da Lei nº 10.676/2003 e do art. 17 da Lei nº 10.684/2003. Além das exclusões foram analisados os créditos apurados pelas regras da nãocumulatividade, onde foram verificadas situações de créditos apurados em desacordo com a legislação, bem como de apuração de créditos vedados na legislação. (fl. 129) Em relação aos créditos que a contribuinte informa estar mantendo com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, nos setores da suinocultura, produtos agrícolas, fábrica de ração e leite, setores em que a venda é efetuada com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, existe vedação expressa nos incisos I e II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 de aproveitamento de créditos (crédito básico e presumido), vedação que se aplicada a partir da competência agosto/2004. (fl. 130) Como existe vedação ao aproveitamento de créditos (básicos e presumidos) nos setores em que a cooperativa vende os produtos com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, elaboramos planilhas resumo (...). (fl. 132) 2. Fábrica de Ração (...) Assim, na fábrica de ração, as vendas de ração para associados e terceiros, bem como a parcela de ração transferida para o setor da suinocultura na proporção da venda de suínos para pessoas físicas (vendas de suínos tributadas) é passível a apuração de créditos (básicos e presumidos). Porém em relação à transferência de ração para o setor da suinocultura em que as vendas de suínos são efetuadas com suspensão das citadas contribuições verificamos que há vedação ao aproveitamento de créditos na Fábrica de Ração, conforme dispõem os incisos I e II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 em relação às vendas com suspensão efetuadas Fl. 181DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 270 5 pelas pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a III do § 1º do citado artigo, estando as cooperativas de produção agropecuária relacionadas no inciso III do § 1º mencionado. (fls. 133/134) 3. Receitas Financeiras (...) Como o art. 17 da Lei nº 11.033/204, prevê a manutenção de créditos em relação às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições ao PIS e a COFINS, verificamos que não está inserida nesta previsão legal a manutenção de créditos em relação à receita financeira. Portanto, na apuração do percentual de créditos passíveis de ressarcimento foi desconsiderada a receita financeira. (fls. 134/135) 4. Produtos Agrícolas – (...) Como as vendas são realizadas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS e as pessoas jurídicas adquirentes têm direito à apuração de crédito presumido, o legislador vedou o aproveitamento de créditos por parte das pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a III do § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. (...) Desta forma as vendas efetuadas por estas pessoas jurídicas (vendas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS), não dão direito ao aproveitamento de créditos presumidos e créditos básicos que tenham relação com as vendas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, sendo a vedação de aproveitamento de créditos expressa nos incisos I e II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. (...) Diante disso, estamos glosando de ofício os créditos indevidamente apurados pela contribuinte em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de venda de produtos agrícolas (soja, milho, trigo, etc...) com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS. (fls. 135/137) 5. Leite – (...) a venda do leite é efetuada com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, existindo, quanto à apuração de créditos, vedação amplamente explicitada (...). (fl. 137) 6. Suinocultura (integrados – suínos próprios –UPLs/parceiros) – (...) Nos três setores da cooperativa (Integrados, Suínos Próprios e UPLs/Parceiros) as vendas dos suínos para os frigoríficos são efetuadas com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS. Portanto, a cooperativa está vedada de apurar crédito em relação às vendas de suínos efetuada com suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS. Dessa forma estamos glosando de ofício os créditos apurados indevidamente pela cooperativa em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita destes três setores (...). (fls. 137/138) Fl. 182DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 271 6 Em relação à PER/DCOMP na qual a contribuinte solicita o ressarcimento de créditos do PIS vinculados à receita de exportação, digase sobre custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, cabe informar que os créditos solicitados em relação aos meses de julho, agosto e setembro/2006, (...) possuem correspondência com os valores apurados pela fiscalização com base na escrituração contábil, sendo os valores apurados pela fiscalização demonstrados nas planilhas (...). Portanto, o crédito solicitado é passível de ressarcimento na forma prevista no art. 6º da Lei nº 10.833/2003. (fl. 142) Nas fls. 146/148 está anexado o Despacho Decisório DRF/SAO nº 101, de 22/02/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo (RS) decidiu reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte na importância de R$ 19.014,97, correspondente aos saldos credores de PIS do 3º trimestre do anocalendário 2006, a que se referem os pedidos de ressarcimento objeto do presente processo, nos termos da fundamentação. Determinou fosse a contribuinte cientificada do Despacho Decisório, das planilhas elaboradas pela Fiscalização e do Termo de Constatação Fiscal, assegurando o direito de apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. A seguir foram juntadas informações de débitos, autorizada a emissão de Ordem Bancária – OB (fls. 165/166) e emitido o Despacho II DRF/SAO, de 07/04/2008 (fl. 168). A contribuinte foi cientificada em 17/04/2008 (fl. 169) e, não se conformando com o decidido administrativamente, apresentou em 16/05/2008 – fls. 172/193 – sua manifestação contrária, onde assenta, em síntese, suas alegações: Dos fatos • é sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo como atividade principal o beneficiamento através dos processos de limpeza, secagem, padronização e armazenagem, além da comercialização dos produtos agropecuários entregues pelos seus associados em suas unidades, assim como o fornecimento para estes dos insumos utilizados em suas atividades. Em complemento, atua no ramo de supermercados; • no que tange ao recolhimento do PIS e da COFINS, está sujeita ao regime da nãocumulatividade, na totalidade de suas receitas, de acordo com os critérios fixados pelas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, gerando créditos acumulados decorrentes de vendas no mercado externo com isenção (imunidade) e de vendas no mercado, compreendidas operações (vendas) com suspensão, alíquota zero e nãoincidência; • ingressou com pedidos de ressarcimento de créditos decorrentes de vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e nãoincidência, sendo que a Fl. 183DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 272 7 autoridade administrativa não reconheceu todos os créditos pleiteados, indeferindo parcialmente os pedidos; • a autoridade fazendária indeferiu os créditos sobre insumos, custos, despesas e encargos por estarem vinculados às receitas das vendas efetuadas com suspensão. Tal entendimento é equivocado e está em desacordo com as normas legais vigentes e aplicáveis à questão, motivo pelo qual é solicitada a reforma do Despacho para reconhecer o direito pleno da Cooperativa. Das razões de reforma: o direito aos créditos Da base de cálculo de créditos • a atividade exercida pela Cooperativa é o beneficiamento através dos processos de limpeza, secagem, padronização e armazenagem, além da comercialização dos produtos agropecuários fornecidos pelos seus cooperados em suas unidades, assim como o fornecimento para estes dos insumos utilizados em suas atividades. Industrializa parte da produção recebida de cooperados. Se sujeita, pois, à incidência de PIS e COFINS pelo regime da nãocumulatividade (Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003); • apresenta legislação normatizadora da nãocumulatividade; • em suas vendas, efetua operações com suspensão, alíquota zero e nãoincidência das contribuições, fazendo jus aos créditos acumulados, de acordo com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005; • apurou créditos autorizados pelas leis referentes à aquisição de insumos de pessoas jurídicas de bens e serviços aplicados na produção de seus produtos, entre outros custos e encargos permitidos. Colaciona entendimentos administrativos; • a Cooperativa possui amplo direito aos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão de PIS e COFINS, que foram indeferidos pelo agente fazendário. A Lei nº 11.033, de 2004 (art. 17), prevê a manutenção dos créditos. Da nãocumulatividade do pis e cofins • traça arrazoado acerca do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, entendendo não restar dúvidas de que a Cooperativa tem direito de manter em sua escrituração as bases de cálculo utilizadas sem excluir na proporção, as vendas com suspensão; • solicita a reinclusão de todos os valores excluídos da base de cálculo dos créditos e, conseqüentemente, o ajuste na apuração dos saldos de créditos e débitos, tendo em vista o cumprimento da legislação vigente, além de evitar o enriquecimento ilícito da União à custa do contribuinte. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 273 8 Do direito ao ressarcimento dos créditos, inclusive referente a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência • a Cooperativa escriturou os créditos de direito, bem como apurou os débitos devidos sobre suas rendas. No confronto de ambos apurou saldo credor, o qual foi objeto de pedido de ressarcimento com fundamento nos arts. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Agiu, portanto, na forma da lei, eis que solicitou os créditos existentes após a dedução dos débitos, ou seja, somente o valor que excedeu o montante devido a título de PIS e COFINS. Tais créditos foram acumulados em face das operações da Cooperativa estarem abrangidas pela suspensão, alíquota zero e nãoincidência; • o agente fiscal entendeu que o crédito não poderia ser apurado devido ao fato das vendas terem sido efetuadas com suspensão, mas a legislação é clara ao permitir a apuração de créditos em caso de venda com suspensão; • conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, está cristalino que as vendas com suspensão dão à Cooperativa o direito de manter os créditos de PIS e COFINS nas aquisições de insumos, despesas, custos e encargos vinculados a essas vendas; • a autoridade fiscal alega que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não revogou a vedação de aproveitamento de créditos constantes dos incisos I e II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Disse que esta última trata do assunto suspensão de forma específica, tendo, desta forma, prevalência, eis que a Lei nº 11.033, de 2004, trata o tema de forma genérica. Ainda, que no mesmo sentido a IN SRF nº 635, de 2006, veda a apuração de créditos de PIS e COFINS nas vendas com suspensão em relação a custos, despesas e encargos; • tal argumento não procede, eis que normas posteriores revogam normas anteriores, mormente como no caso em tela onde não há qualquer ressalva específica (LICC) e a última trata especificamente do assunto, de forma incompatível com a anterior, porquanto são antagônicas; • a lei nova, em artigo específico, tratou totalmente do tema, de forma diversa da tratada pela lei anterior. Logo, restou revogado (derrogado) o artigo da lei anterior que tratava genericamente do assunto, de forma diversa; • também não procede o argumento de que a lei anterior seria mais específica, eis que ambas tratam do mesmo assunto. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, trata especificamente de aproveitamento de créditos relativamente a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e nãoincidência de PIS e COFINS. Tal é a sua clareza que o argumento invocado é desconcertante; • não há como prevalecer a lei anterior e mais genérica sobre a posterior e mais específica, essa com redação de meridiana clareza, merecendo reparos a decisão recorrida; Fl. 185DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 274 9 • se a intenção do legislador ao criar a nova lei fosse apenas de manter as restrições contidas nos incisos I e II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não haveria necessidade de nova lei. Ao criar a Lei nº 11.033, de 2004, o legislador, ao invés de revogar expressamente aqueles incisos, preferiu tratar o assunto de forma genérica, donde o art. 17 desta Lei derrogou os incisos daquela, eis que conflitantes; • são manifestas a ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF nº 635, de 2006 (art. 34, § 4º), que restringiu a apuração de créditos decorrentes de custos, insumos e encargos utilizados em produtos vendidos com suspensão. Esta instrução, bem como a Decisão combatida, estão tentando revogar a legislação e frustrar a nãocumulatividade estabelecida em lei, valendose de interpretação que usurpa a função legislativa, o que não está dentre as competências do Fisco. Logo, há violação do primado da legalidade e reserva constitucional de competência, que garantem um Estado Democrático de Direito; • a Cooperativa busca o reconhecimento de que a IN SRF nº 635, de 2006, na parte que veda o direito aos créditos, bem como a Decisão recorrida, apresentam manifesta ilegalidade, na medida em que agridem matéria reservada à lei, restringindo o direito da Cooperativa estampado na legislação pertinente; • diante de tal arbitrariedade não pode prosperar qualquer tentativa de interpretação que restrinja o direito da Cooperativa, consoante materializa a RFB através da IN referida. Com efeito, interpretar não pode restringir o que o próprio texto legal não restringiu, nem alterar (em sede de Direito Público) conceitos de direito privado, donde o pedido de reforma. Da não incidência do pis e cofins do ato cooperado • as sociedades cooperativas possuem tratamento diferenciado das demais empresas, sendo que a Cooperativa realiza operações com cooperados e, por esta razão, acumulou, também, créditos pela não incidência, resultantes das exclusões da receita bruta, permitidas às sociedades cooperativas, conforme legislação vigente, que podem ser ressarcidos ou compensados com débitos de tributos administrados pela RFB; • as operações com cooperados antes de serem abrangidas pela suspensão estão fora do campo da incidência do PIS e da COFINS, decorrentes das exclusões da receita bruta permitidas às sociedades cooperativas, de acordo com o art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e do art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003; • se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da nãoincidência tributária. Estas exclusões constituem operações com cooperados, que estão fora do campo de incidência do PIS e da COFINS. Assim, as vendas classificadas como não incidentes não possuem nenhuma vedação na legislação para manutenção dos créditos; Fl. 186DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 275 10 • não enquadrar tais operações em qualquer uma das formas tributárias vigentes é extrapolar todos os limites legais, desde a CF que determinou caber à lei complementar dar tratamento adequado às cooperativas, como também todas as demais normas infraconstitucionais, pois dá a tais receitas uma forma de tributação (exclusão) até então inexistente; • a Cooperativa agiu na forma da lei, estando duplamente autorizada a apurar os créditos que solicitou. Primeiro pelo fatos destas receitas estarem enquadradas como suspensas; segundo pelo fato de que ao mesmo tempo estas receitas serem decorrentes de atos cooperados autorizados a serem excluídos da base de cálculo do PIS a da COFINS, portanto abrangidos pela nãoincidência. Desta forma, não há restrições na manutenção destes créditos, conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Proporção das receitas financeiras • a base de cálculo do PIS e COFINS de acordo com o art. 1º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, corresponde à totalidade de suas receita, independente de sua classificação contábil. Desta forma, as receitas financeiras fazem parte da base de cálculo. A partir do advento do Decreto nº 5.164, de 2004, as receitas financeiras tiveram as alíquotas para aquelas contribuições reduzidas a zero; • as proporções utilizadas para apuração dos créditos obedeceram aos critérios fixados em lei (art. 3º, §§ 7º a 9º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), que consideram o total dos créditos realizados e o total das saídas à alíquota zero e saídas sem incidência; • é improcedente a intenção da autoridade fazendária de excluir da base de cálculo dos créditos a proporção das receitas que estão sujeitas à alíquota zero apuradas, vez que os arts. 1º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não fazem esta distinção; • os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções das receitas financeiras devem ser anulados, se devendo considerar as receitas financeiras incidentes pela alíquota zero, na proporção das receitas não tributadas. Da atualização dos créditos pela taxa SELIC: restrição criada pelo fisco e violação ao decreto 2.138/97 • não bastasse a interpretação equivocada da legislação pertinente, os valores já reconhecidos e homologados não foram atualizados pela taxa SELIC; • o ressarcimento do crédito, acrescido do valor da correção monetária, nada mais é que a reposição das perdas monetárias decorrentes dos efeitos inflacionários sofridos no tempo. É direito da Cooperativa. Em termos práticos, significa que o crédito solicitado deverá ser corrigido a partir da data de seu protocolo até a data do efetivo pagamento ou compensação; Fl. 187DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 276 11 • a Cooperativa tem direito à incidência de correção monetária pela SELIC tanto sobre os valores deferidos, quanto sobre os indeferidos, já que quanto a estes é manifesta a oposição injustificada do Fisco; • em função da mora da RFB (o que de fato ocorreu) em processar os pedidos de ressarcimento e por sua oposição injustificada, a Cooperativa esteve e está sendo impedida de acessar o seu crédito na magnitude e no quantum legalmente previsto e que é seu direito; • entre a data dos pedidos formulados, as datas em que os ressarcimentos deveriam ter ocorrido e a data do efetivo ressarcimento, bem como dos ilegitimamente indeferidos, se passaram diversos meses e anos, sem qualquer tipo de correção monetária; • o STF tem entendido que o não creditamento ou acesso ao crédito ou benefício no momento oportuno por restrição ilegítima do Fisco, que é o caso dos autos, não pode gerar novo prejuízo para os contribuintes; • o obstáculo posto pelo Fisco Federal, impedindo a Cooperativa de se ver ressarcida em valores deferidos pela lei, ocasiona lesão ao patrimônio daquela, que, por justiça, merece vêlo recomposto com atualização monetária plena, sob pena da União valerse da própria torpeza e em benefício próprio; • cabe evidenciar os preceitos fixados pelo art. 1º do Decreto nº 2.138, de 1997, que equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento e autoriza, portanto, a aplicação da taxa SELIC. Não corrigir ou corrigir o crédito da Cooperativa por qualquer outro índice, viola o Decreto nº 2.138, de 1997. Registra entendimentos do Conselho de Contribuintes e do STJ. Da SELIC com base na in 600/2005, art. 52 • a simples demora para se proceder ao ressarcimento sem culpa da Cooperativa já é motivo suficiente para que ela veja seus créditos corrigidos, eis que houve oposição injustificada do Fisco em satisfazer o direito da interessada; • o direito da Cooperativa se encontra na IN SRF nº 600, de 2005, que em seu art. 52 determina a incidência da taxa SELIC nas hipóteses de restituição. Como o Decreto nº 2.138, de 1997, equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento, está autorizada a aplicação da taxa SELIC tal qual preceituado no caput daquele artigo; • não se deve invocar o § 5º do art. 52 da IN SRF nº 600, de 2005, para oporse à pretensão da Cooperativa, na medida em que ele se refere a juros no mês de competência do pagamento. Mesmo que assim não fosse, isso não poderia ser oposto e subsistir validamente ante o Decreto, eis que seria manifesta a violação ao primado da hierarquia das normas; Fl. 188DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 277 12 • a decisão impugnada deve não só ser reformada, como também deve ser determinada a incidência da taxa SELIC sobre a totalidade dos créditos da Cooperativa (seja em relação aos deferidos ou mesmo em relação aos indeferidos em primeira instância). Do pedido • ao finalizar, requer: 1. seja recebida e processada a sua manifestação de inconformidade; 2. seja reformada a decisão proferida no processo em epígrafe, para, ao final, ser julgado procedente o pedido de ressarcimento de créditos de PIS do 3º trimestre de 2006, bem como seja reconhecido integralmente o crédito solicitado pela Cooperativa, sem qualquer glosa ou exclusão, eis que lançados na forma da lei; 3. sejam mantidos os créditos na proporção das vendas efetuadas com suspensão, de acordo com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004; 4. seja determinada a incidência da taxa SELIC sobre a totalidade dos créditos da Cooperativa (seja em relação aos deferidos ou mesmo em relação aos indeferidos em primeira instância), a partir do mês subseqüente ao período de apuração até o efetivo pagamento. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 184/215. A repartição jurisdicionante anexou o Termo de Juntada de Documento de fl. 216 e despachou na fl. 217. A DRF de origem encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 218). No recurso, inicialmente a Interessada fez um resumo histórico da não cumulatividade das contribuições, analisando os contribuintes, a base de cálculo dos créditos, o direito ao ressarcimento nos casos de suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência (Lei no 10.925, de 2004, art. 9º), a não incidência das contribuições sobre atos cooperativos e a apuração dos créditos pela proporção das receitas financeiras. A seguir, tratou da incidência dos juros Selic sobre o ressarcimento, alegando ter havido óbice temporal em virtude da mora da Receita Federal em processos os pedidos de ressarcimento e os atos normativos que limitavam o reconhecimento do direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Fl. 189DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 278 13 O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. As questões discutidas nos autos referemse às exclusões em duplicidade e indevidas da base de cálculo, a glosa dos créditos na proporção das saídas desoneradas, a incidência das contribuições sobre atos cooperativos e a incidência da Selic sobre os créditos reconhecidos e não reconhecidos pela autoridade de origem. Da mesma forma que o acórdão de primeira instância, iniciase o presente voto destacandose a impossibilidade de afastamento da legislação em vigor à vista de alegações de inconstitucionalidade, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009, e da Súmula Carf no 2, abaixo reproduzidos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação ao aproveitamento dos créditos relativos a saídas desoneradas, a Primeira Instância destacou a vedação constante do art. 8º, § 4º, da Lei no 10.925, de 2004, enfatizando que tal dispositivo não fora revogado, como pretendeu a Interessada, pela Lei no 11.033, de 2004. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 279 14 O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17 prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, pelo que voto por negar provimento ao recurso voluntário. Quanto à base de cálculo, não há ressalvas a fazer em relação ao acórdão de primeira instância, uma vez que, conforme já destacado no início do presente voto, cabe à autoridade julgadora administrativa aplicar a lei vigente, que, no caso, determina a tributação das receitas conforme efetuada pela Fiscalização. Em relação às receitas financeiras, da mesma forma, não há como admitir sua inclusão na apuração do rateio proporcional para apuração dos créditos do mercado interno, uma vez que não se originam de insumos passíveis de creditamento. Inexiste, de fato, relação de causa e efeito que possa justificar tal pretensão. Ademais, as receitas financeiras não se constituem em receita bruta de venda de produtos e serviços, que é, por questão de coerência, o conceito de receita bruta adotado pela legislação. Quanto à atualização dos créditos, devese esclarecer que o art. 62A do Regimento Interno do Carf, introduzido pela Portaria MF no 586, de 2010, estabeleceu a observância obrigatória no âmbito do Carf da jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça no julgamento de recursos repetitivos. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 280 15 Em relação aos créditos de IPI, o STJ decidiu, no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ser cabível a incidência da Selic, conforme ementa abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento foi consolidado na Súmula STJ no 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 281 16 Em relação à aplicação de tal entendimento ao presente caso, não se verifica, inicialmente, que se trate da mesma matéria. Ademais, não houve, sobre os créditos a que a Interessada tem direito, oposição do Fisco. Ao contrário do alegado pela Interessada, não pode ser considerada “mora do Fisco” a demora na apreciação do pedido, uma vez que seria impossível à Administração apreciálos imediatamente, considerandose ainda que houve necessidade de realização de diligência para apuração dos créditos. Ademais, incide novamente a vedação de afastamento de legislação vigente, à vista da disposição expressa do art. 13 da Lei no 10.833, de 2003. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Solicitei vista com o objetivo de verificar se seria cabível ou não a manutenção dos créditos presumidos ou não quando das saídas de produtos sujeitos à isenção ou à suspensão da contribuição devida ao PIS e da COFINS. No caso concreto, a discussão cingese à se ao caso concreto aplicarseia as restrições do parágrafo 4o do art. 8o da Lei no. 10.925 de 23 de julho de 2004 ou o permissivo legal do art. 17 da Lei no. 11.033 de 21 de dezembro do mesmo ano. Não é possível condenar qualquer das partes, erário ou contribuinte. É possível condenar nesse caso apenas o legislador, que não revogou expressamente norma anterior (Lei 10.925/04) tampouco se referiu expressamente ao caso concreto quando da publicação da Lei no. 11.033/04. Vejamos ambos os dispositivos: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, Fl. 193DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 282 17 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 194DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 283 18 § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Na seqüência: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A primeira lei é especial, tratase especificamente de um setor de atividade e busca regular a tomada de créditos dessas atividades, nas quais inserese o contribuinte recorrente. O dispositivo posterior contudo, apesar de inserirse em lei especial, é nitidamente um regramento geral. Nesse sentido, surge o dilema hermenêutico: regra especial derroga norma geral, porém, na técnica legislativa canhestra adotada pelo nosso legislador, o dispositivo também está inserido em lei especial, mais ainda, em lei que trouxe para o ordenamento jurídico uma série de benefícios aos contribuintes. Lei posterior derroga lei anterior, ainda que tacitamente, em que pese as regras da LC no. 95/2000. Nesse ponto, fico com a LICC e com a melhor interpretação do CTN. “Art. 2° Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1° A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2° A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3° Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.” Nitidamente o legislador incluiu a possibilidade de suspensão nos casos em que é possível a manutenção dos créditos. Esse permissivo vale para todos os contribuintes. Uma vez que a lei é posterior e em se tratando de um benefício fiscal, não cabe interpretação restritiva, mas sim estrita, e a leitura estrita do dispositivo não deixa dúvidas quanto à amplitude de sua aplicação. O legislador, se pretendesse manter a restrição, deveria ter novamente restringido esse amplo dispositivo ou feito referência às normas restritivas, o que não foi o caso. Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, isentos ou cuja saída esteja suspensa. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, Fl. 195DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 284 19 prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime nãocumulativo. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Isso posto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário quanto a esse tópico. Quanto à inserção ou não das receitas financeiras como passíveis de inserção na base de cálculo do rateio para a tomada de créditos quando submetida a pessoa jurídica ao regime híbrido de apuração, a legislação determinou no artigo 3o que: Fl. 196DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 285 20 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Muito embora essa redação seja idêntica desde a publicação de ambas as leis, no. 10.637/02 e 10.833/04, é fato que a partir de agosto de 2004 foram submetidas à alíquota zero as receitas financeiras da Pessoa Jurídica. No caso de rateio proporcional, diz a lei que o percentual será obtido a partir da relação entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita total. Ora, a regra geral é a de que as receitas financeiras estão sim submetidas à tributação pelo regime nãocumulativo. São todas as receitas, independente da sua denominação contábil. A Lei n. 10.865/04. então, veio a dispor: Art. 27. O Poder Executivo poderá autorizar o desconto de crédito nos percentuais que estabelecer e para os fins referidos no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativamente às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, inclusive pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Poderão ser estabelecidos percentuais diferenciados no caso de pagamentos ou créditos a residentes ou domiciliados em país com tributação favorecida ou com sigilo societário. § 2o O Poder Executivo poderá, também, reduzir e restabelecer, até os percentuais de que tratam os incisos I e II do caput do art. 8o desta Lei, as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de nãocumulatividade das referidas contribuições, nas hipóteses que fixar.(grifamos) Ora, claro está que tais receitas estão sujeitas à nãocumulatividade, apenas que por força do Decreto tal tributação atualmente é à alíquota zero. Entendo, logo, que uma vez que a pessoa jurídica opte pela sistemática do rateio, as receitas financeiras devem sim fazer parte do cálculo, influenciando, no caso maximizando a base de créditos. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11070.000629/200727 Acórdão n.º 330201.137 S3C3T2 Fl. 286 21 Grifei anteriormente a expressão “bruta” ao lado da “receita”, pois que se emprestássemos as expressões contábeis, como aliás acho que seria o correto, essas “outras” receitas, de origem financeira, deveriam ser excluídas, mas não foi esse o objetivo do legislador, e tem sido esse o raciocínio predominante, muito embora sob protestos dos contribuintes, de que nem todos os ingressos são receitas, e que não poderseia confundir e investirse qualquer ingresso ou crédito contábil das características necessárias para a imposição tributária. Voto, pois, por dar provimento parcial ao recurso voluntário, relativamente às duas questões acima analisadas, acompanhando o relator quanto às demais. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 198DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 10/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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