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Numero do processo: 13116.000647/2004-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR.
Exercício: 2000.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL OCORRIDA POSTERIORMENTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IRRELEVÂNCIA SE RESTA PATENTE NOS AUTOS A SUA EXISTÊNCIA EFETIVA QUANDO NAQUELA DATA.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, perpetrada meses depois da ocorrência do fato gerador, não enseja, necessariamente, a incidência do ITR, se resta patente nos autos a efetiva existência e preservação da referida área antes do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-001.346
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire e Caio Marcos Candido.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. Exercício: 2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL OCORRIDA POSTERIORMENTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IRRELEVÂNCIA SE RESTA PATENTE NOS AUTOS A SUA EXISTÊNCIA EFETIVA QUANDO NAQUELA DATA. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, perpetrada meses depois da ocorrência do fato gerador, não enseja, necessariamente, a incidência do ITR, se resta patente nos autos a efetiva existência e preservação da referida área antes do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire e Caio Marcos Candido. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de oliveira, Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em violação à legislação tributária. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, em 11/06/2004, para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 129.725,41, a título de ITR, do exercício de 2000, acrescido de multa de ofício e juros legais, calculados até 31/05/2004, incidente sobre o imóvel rural, denominado “Fazenda Mãe Benta”, localizado no município de Niquelândia GO. Foram glosadas as áreas declaradas como de preservação permanente, de utilização limitada e utilizadas na produção vegetal com, respectivamente, 1470,0 ha; 990,0 ha; e 350,0 ha. O contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 60/61 dos autos. Alegou que apresentou o Ato Declaratório Ambiental e notas fiscais comprobatórias da produção de grãos no imóvel. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 88/97) julgou procedente o lançamento: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Exercício: 2000. Ementa: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela Fiscalização e observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/ reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem serem reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, fazendose, também, necessária, em relação às área de utilização limitada/reserva legal, a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. DAS ÁREAS UTILIZADAS COM PRODUTOS VEGETAIS. Com base em provas documentais hábeis, que evidenciam, de maneira inequívoca, a verdade dos fatos, cabe restabelecer, apenas para efeitos cadastrais, as áreas utilizadas com a produção vegetal Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 3 3 declaradas, mantendose o lançamento da exigência tributária correspondente, por permanecer o novo grau de utilização do imóvel apurado abaixo de 50,0%. Lançamento Procedente. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 104/120). A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte (fls. 172/181), conforme a seguinte ementa: “ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Exercício: 2000 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Só a partir de 2001, com os efeitos da edição da Lei n° 10.165, de 28 de dezembro de 2000 é que se pode exigir a apresentação de ADA, ou do protocolo do requerimento do mesmo, junto ao IBAMA, para reconhecer a não tributação das áreas preservadas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir da edição do Decreto 4.382, de 2002, que determina que a averbação da reserva legal seja feita à data do fato gerador é que se pode exigir tal averbação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Diante disso, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em violação à legislação tributária (fls. 185/197). Com base no artigo 16, §8°, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), que estabelece a necessidade de averbação da área de reserva legal, suscitou ocorrência de violação à legislação tributária. Ressaltou, ainda, que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ter ocorrido à época da ocorrência do fato gerador. Voto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 4 4 Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou os dispositivos legais que reputa violados. A recorrente sustenta que, para a exclusão da incidência do ITR da área declarada como de reserva legal, é imprescindível a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, já quando da ocorrência do fato gerador do imposto. Sobre o tema, já tenho manifestado meu entendimento no sentido de que, para a exclusão da área de reserva legal, não se revela imprescindível a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel quando da ocorrência do fato gerador, desde que o contribuinte comprove por outros meios a existência material de referida área na sua propriedade quando da ocorrência do fato gerador. Conforme se depreende dos autos (fls. 30/32), houve averbação da área de reserva legal, num total de 895,89 ha, à margem da matrícula do imóvel em 19 de outubro de 2000 (posteriormente, portanto, à ocorrência do fato gerador). O contribuinte, no recurso voluntário, teceu seus argumentos no que se refere à questão da averbação da área de reserva legal. Reconhecendo a importância da averbação da área de reserva legal para efeito de exclusão da sua incidência do ITR, o contribuinte narrou todo o processo de averbação da área da sua propriedade, que atingiu seu termo final na data acima mencionada: “A Fazenda Mãe Benta, propriedade da recorrente, totalizando hoje 4.935.45.20 h.a. (doc. 03), foi constituída através de compras de glebas de terras independentes e adquiridas em diferentes datas, sendo que, várias das glebas adquiridas possuíam averbação da reserva legal. Assim, após a integração de todas as glebas, a recorrente iniciou um árduo trabalho no sentido de reorganizar às (sic) áreas de reserva legal, para posterior averbação. Vejamos: Em 05 de fevereiro de 1993, a recorrente adquiriu do Sr. Nelson Campos Lisboa, três glebas de terras, com respectivamente, 2.341.12.00 h.a.; 189.23.20 h.a.; e 216.02.50 h.a. (doc. 04), podendo ser verificado na certidão (doc. 04) a averbação “Av2 2.637”, destacando uma área de 505.72.40 h.a., superior a 20% (vinte por cento) do total como reserva legal, trazendo, inclusive, o termo de responsabilidade de preservação de floresta e memorial descritivo (anexo ao doc. 04). Adquiriu ainda, na mesma data, através da anexa escritura (doc. 05), direitos sobre posse e benfeitorias, constituídos por uma gleba de terra, com área de 192.02.70 h.a. Na mesma data adquiriu da Sra. Nilza Campos, uma gleba de terra com área de 1.559.46.00 h.a., que não possuía averbação da reserva legal (doc. 06). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 5 5 Adquiriu em 15 de outubro de 1993, da Sra. Margareth Selni Silva, através da anexa escritura (doc. 07) os direitos sobre posse e benfeitorias, consistente em uma gleba de terra com área de 244.00.00 h.a., declarando como reserva legal 48.00 ha, por força do termo de responsabilidade de preservação de floresta existente junto ao IBAMA, firmado em 13 de março de 1991. Por último, adquiriu do Sr. Antônio Nunes Tavares e sua esposa, através da anexa escritura de compra e venda (doc. 08), em 28 de dezembro de 1993, uma gleba de terra com área de 193.61.50 h.a., não havendo averbação de reserva legal. Mister se faz salientar que a recorrente logo após adquirir a gleba de terra acima mencionada, iniciou suas diligência (sic) para que existisse área de reserva legal, pois, conforme dito anteriormente a recorrente sempre teve ciência da importância de tal registro. Assim, em 27 de março de 1995, declarou como reserva legal 38.80 h.a., por força do termo de responsabilidade de preservação de floresta existente junto ao IBAMA, trazendo ainda o termo de compromisso e memorial descritivo (anexos ao doc. 08). Da Reserva Legal Definitiva A recorrente ao findar o período de aquisição de glebas, somando 4.499.45.20 h.a. possuía averbação de 593.32.40 h.a, como reserva legal, iniciandose então uma nova fase, consistente sinteticamente em uma organização das áreas destinadas à reserva legal, objetivando unificálas como um todo, tendo em vista a nova composição, e a necessidade de uma escritura definitiva. Para que os Doutos Julgadores possam melhor compreender a complexidade de tal reorganização, bem como a extensão da propriedade, anexamos cópia do mapa existente em 1995 contendo as áreas de reserva legal (doc. 09). Assim, diante de tais circunstâncias deuse início aos levantamentos planialtimétricos e cadastrais de toda área totalizando 4.935.45.20 h.a, objetivando o reconhecimento e o zoneamento das “reservas legais”, considerando, para tanto, as características topográficas, morfológicas, conciliandoas com a proteção das nascentes das microbacias hidrográficas, concluindose pela averbação como reserva legal de 1.103.65.70 h.a., dispostas conforme mapa em anexo (doc. 10). Após essa fase inicial de estudos e levantamentos, que exige um certo lapso temporal em decorrência da sua indiscutível complexidade, passamos à fase de requerimento, análise e pré aprovação junto a superintendência do IBAMA do Estado de Goiás, consistente em processos de consulta, elaboração de levantamentos, etc. Os trabalhos foram iniciados em 1995 para averbação da reserva legal definitiva, sendo concluído apenas em outubro de 2000, pela morosidade dos estudos e levantamentos, bem como, pela morosidade do órgão em finalizar a aprovação e emitir autorização, para que enfim a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 6 6 reserva legal fosse averbada, não podendo a recorrente ser prejudicada sob a alegação de ser a averbação intempestiva. Verificamos que a documentação acostada aos autos evidencia uma diligência anterior a data do fato gerador do lançamento do ITR referente ao exercício de 2000, não estando devidamente averbada a reserva legal definitiva, única e exclusivamente por morosidade na conclusão do processo, não por culpa ou dolo da recorrente, não devendo, portanto, com toda “vênia”, prosperar a alegação de que não pode usufruir da reserva legal para fins de exclusão do ITR por não possuir averbação na matrícula em 01/01/00, data do fato gerador.” A área de reserva legal, neste passo, conforme narrado pelo contribuinte, já existia à época do fato gerador. Tal constatação é, inequivocamente, corroborada pela averbação da área de reserva legal perpetrada pelo contribuinte meses após a ocorrência do fato gerador. É de se ter que o STJ tem firmado o entendimento de que, para a comprovação da área de reserva legal, para fins de não incidência de ITR, não se faz imprescindível a sua averbação à margem da matrícula do imóvel. Nesse sentido o seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. LEI N.º 9.393/96. 1. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996. 2. O ITR é tributo sujeito à homologação, por isso o § 7º, do art. 10, daquele diploma normativo dispõe que: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretação ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial reafirmou o benefício através da Lei n.º 11.428/2006, reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, "a" e IV, "b"), verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 7 7 procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; V área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; 4. A imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, impondo ao julgador na apreciação da lide aterse aos critérios estabelecidos em lei. 5. Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". 6. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 7. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 1060886/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2009, DJe 18/12/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA/ LEI N. 9.393/96. 1. A Lei n. 9.393/96, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, preceitua que a área de reserva legal deve ser excluída do cômputo da área tributável do imóvel para fins de apuração do ITR devido (art. 10, § 1º, II, a). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13116.000647/200418 Acórdão n.º 9202001.346 CSRFT2 Fl. 8 8 2. Por sua vez, a Lei n. 11.428/2006 reafirma o benefício e reitera a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, "a" e IV, "b"). 3. A relação jurídica tributária pautase pelo princípio da legalidade estrita, razão pela qual impõese ao julgador aterse aos critérios estabelecidos em lei, não lhe sendo permitido qualquer interpretação extensiva para determinar a incidência ou afastamento de lei tributária isentiva. Recurso especial improvido. (REsp 998.727/TO, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2010, DJe 16/04/2010). Desta forma, não há como negar que, diante das circunstâncias específicas do presente caso, e tendo em vista que a averbação ocorreu meses após a ocorrência do fato gerador, é de se reconhecer a exclusão da área de reserva legal da incidência do ITR. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida, em todos os seus termos. Sala das Sessões, em 09 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10980.009314/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.009314/200710 Acórdão n.º 240102.103 S2C4T1 Fl. 54 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fulcro no art. 33, § 3º da Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 15/18 , a notificada deixou de efetuar a retenção de 11% (onze por cento) incidente sobre os valores dos serviços de cessão de mão de obra, contidos nas Notas Fiscais emitidas pela empresa JOÃO DE ALMEIDA – SERVIÇOS DE PINTURA LTDA, no período de 09/1999 a 12/1999. Inconformada com a decisão de fls. 77/91, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em apertada síntese: Que o presente lançamento atinge supostos créditos tributários que se encontram atingidos pela decadência. Sustenta a desnecessidade de retenção de 11% nos serviços prestados pela empresa contratada pois esta é optante pelo SIMPLES; Defende que o regime de retenção não se aplica quando da contratação de serviços considerados de construção civil supostamente prestados mediante empreitada de mãodeobra, sujeitos à responsabilidade solidária. Afirma que o erro na capitulação do fundamento da notificação gera nulidade do levantamento por cerceamento de defesa já que nas hipóteses de solidariedade é permitido ao tomador de serviços elidir sua responsabilidade através da apresentação de comprovantes de pagamentos efetuados pelo prestador de serviços, enquanto no regime de retenção esta possibilidade não existe. Aduz que a fiscalização não comprovou a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra. Que a aplicação da taxa SELIC é ilegal. Manifesta pela nulidade do lançamento em face a negativa de realização de perícia. Requer o provimento do recurso nos termos das fundamentações acima alinhavadas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em maio de 2007, conforme se verifica do AR juntado às fls. 21 e as contribuições exigidas referemse às competências período de 09/1999 a 12/1999, o que fulmina totalmente o direito do fisco de constituir o lançamento, seja qual for o critério utilizado para a contagem do prazo art. 150, IV ou 173, I do CTN. Ante ao exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.009314/200710 Acórdão n.º 240102.103 S2C4T1 Fl. 55 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000284/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2003
EMBARGOS.DE DECLARAÇÃO
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em Acórdão exarado por este Conselho, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-001.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para re-ratificar o acórdão embargado
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2003 EMBARGOS.DE DECLARAÇÃO Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em Acórdão exarado por este Conselho, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Embargos Acolhidos
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LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para reratificar o acórdão embargado Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 196/199) contra o Acórdão nº 240200.129 (fls. 189/192) que deu provimento parcial ao recurso apresentado e determinou que a multa deveria ser calculada de acordo com a nova legislação, no caso, a lei nº 11.941/2009 e comparada à multa efetivamente aplicada de forma a se utilizar a forma de cálculo mais benéfica ao sujeito passivo. Segundo a PFN no acórdão recorrido não há qualquer indicação devidamente fundamentada da aplicação de determinado dispositivo legal. Ou seja, o acórdão foi omisso por não se pronunciou sobre qual dispositivo da Lei nº 8.212/1991, alterada pela Lei nº 11.941/2009 deveria ser aplicado, se mais benéfico. Conclui que o julgado embargado carece de esclarecimentos por não apontar especificamente as normas que devem ser cotejadas no cálculo da multa aplicada no caso. À folha nº 200, o então Conselheiro Relator apresenta Informação nº 2402 176, onde reconhece que há razão na oposição de embargos e em seus fundamentos, haja vista a omissão quanto ao dispositivo da nova legislação deve ser aplicado. Assim, manifestouse pelo acolhimento dos embargos propostos, decisão devidamente corroborada pelo Sr. Presidente desta 4ª Câmara. Em razão de o Conselheiro Relator não mais pertencer a essa Câmara, os autos foram a mim distribuídos para continuidade da análise dos Embargos propostos. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12045.000284/200781 Acórdão n.º 2402001.935 S2C4T2 Fl. 203 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Os Embargos de Declaração propostos pela PFN são tempestivos e podem ser conhecidos. Conforme já analisado pelo Conselheiro Relator do acórdão em questão, de fato, houve omissão quanto à indicação do dispositivo legal trazido pela Lei nº 11.941/2009 que deveria ser observado para o cálculo da multa a ser comparada com a multa aplicada segundo a legislação anterior. Assim, tal qual o Conselheiro Relator, considero que os Embargos de Declaração apresentados devem ser acolhidos. Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 6º, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa apresentar GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E ACOLHÊLOS PARA RERRATIFICAR O ACÓRDÃO Nº 240200.129, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparado ao cálculo anterior e seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 205DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007694/2002-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE MILITAR RESERVA.
Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Os proventos recebidos por militar, em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, se enquadram no conceito de aposentadoria, já que ambos configuram inatividade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Os proventos recebidos por militar, em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, se enquadram no conceito de aposentadoria, já que ambos configuram inatividade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Newton Rodrigues foi lavrado o auto de infração de fls. 185/189, objetivando a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física em decorrência da identificação pela autoridade fiscal da declaração indevida de rendimentos como isentos e da glosa de deduções indevidas a título de despesas com instrução e despesas médicas. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10423.195, que se encontra às fls. 267/273 e cuja ementa é a seguinte: “Exercício: 2000 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE MILITAR RESERVA Em conformidade com o artigo 6°, da Lei no. 7.713, de 1988, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Os proventos recebidos por militar em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, que está contida no conceito de aposentadoria/reforma, são da mesma forma isentos porquanto presente a mesma natureza dos rendimentos, ou seja, decorrentes da inatividade. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso para considerar isentos os rendimentos relativos a transferência para reserva remunerada auferidos pelo contribuinte. Intimada pessoalmente do acórdão em 26/08/2008 (fls. 274) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 277/281, em que sustenta contrariedade entre o v. acórdão recorrido e o entendimento veiculado pelo acórdão nº 10614.234. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme Despacho nº 920200.011, de 14/10/2009 (fls. 284 e vº). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 295) o contribuinte deixou de apresentar contrarazões. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.007694/200243 Acórdão n.º 920201.684 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade, tendo sido demonstrada a divergência entre a tese consagrada no acórdão recorrido – isenção de imposto de renda para os rendimentos recebidos por militar portardor de moléstia grave transferido para a reserva – e a manifestada no acórdão paradigma n. 10614.234 – a isenção se aplica apenas ao rendimentos decorrentes de reforma, não de transferência para a reserva remunerada. Dele conheço. A discussão no presente recurso não é desconhecida deste Colegiado. Trata se da aplicação da isenção prevista na legislação tributária aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, para os proventos recebidos por militar em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada. Adoto, como já fazia no julgamento na Câmara de origem, os brilhantes fundamentos do voto do ilustre conselheiro Nelson Malmann no acórdão 10421.935, verbis: “A isenção por moléstia grave, concedida aos rendimentos de aposentadoria ou reforma, limitase aos casos de acidente em serviço e das doenças previstas em lei, com base em conclusão da medicina especializada. Para fazer jus à norma isencional, cabe ao requerente o ônus da prova de que sua situação está prevista na legislação tributária que trata do assunto. Entendo, ainda, que na análise dos pedidos de isenção ou restituição do imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave, devem ser analisados todos os elementos de convicção constantes dos autos, tais como, informações, atestados e exames laboratoriais que comprovem o termo inicial da doença. Visto isto, indiscutivelmente, o requerente era portador, a época referida, de moléstia grave (neoplasia maligna), prevista na legislação de regência para a concessão de isenção de imposto de renda. Entretanto, neste processo, a discussão vai além do fato de ser o requerente portador de moléstia grave, já que abrange militar que estava na situação de “transferido para reserva remunerada”, que não deixa de ser, em última análise, um sinônimo de “aposentado”, pois o militar nesta situação não se encontra mais no serviço ativo e somente em situações especiais é poderá ser feito à reversão de reserva remunerada para serviço ativo, conforme legislação abaixo mencionada. (...) Ora, qualquer interpretação que leve em conta tão somente à letra da lei, mas não o seu contexto, a finalidade da norma a se aplicar, está fadada a cometer equívocos. Com efeito, a um caso concreto aplicase o ordenamento jurídico vigente inteiro, com os seus freios e contrapesos, de acordo com a razoabilidade que o caso concreto pede. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Há de se buscar, no caso em tela, a finalidade da norma isentiva. Parecenos objetivar a proteção ou ressalva dos proventos daquele que se encontra inativo, seja militar ou civil, desde que portador de moléstia grave especificada em lei. Esses dois requisitos são suficientes, sem necessidade de entrarmos numa discussão de termos técnicos, como, por exemplo, o da distinção entre reforma e reserva remunerada. Aquela decisão, interpretando e aplicando tãosomente a literalidade da lei, houve por bem não acolher o pleito do contribuinte, não reconhecendo a isenção a que se refere o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, para o período em que o recorrente se encontrava na reserva remunerada, manifestandose que apenas faz jus àquele que passou para a inatividade mediante reforma. Não obstante, entendo que o portador de moléstia grave faz jus à isenção por enquadrarse na condição de aposentado. Buscando a finalidade que norteia a norma isentiva, que inegavelmente visa proteger o portador de doença grave prevista em lei, constatase que a reserva remunerada nada mais é que a aposentadoria a que se refere o dispositivo isencional acima transcrito. Da citada legislação, podese verificar que, tanto a transferência para a Reserva Remunerada como a Reforma, podem ser efetuadas “a pedido” ou “exofício”, sendo certo que, a reforma exofício, será aplicada ao militar que atingir determinadas idadeslimite de permanência na reserva ou ser portador de doença grave que o incapacite para exercer a atividade militar. Além disso, se por ventura for convocado, dentro das situações previstas em lei, para integrar novamente o serviço ativo, o militar na reserva, portador de doença incapacitante, não poderá participar do serviço ativo e será automaticamente reformado. Assim, é que o recorrente deveria ter sido reformado exofício na data em que foi constatado ser portador de neoplasia maligna, já que não poderia ser convocado para exercer atividade na ativa. Entretanto, não foi feito à transposição de reserva remunerada para a situação de reformado, que para mim, para fins tributários, é irrelevante, já que o termo transferência para inatividade (reserva remunerada ou reforma) tem o mesmo significado que aposentado, caso contrário seria uma norma tributária restritiva, não dando direitos iguais para situações iguais, pois a norma isentiva é para os portadores de moléstia grave prevista na lei, cujos rendimentos são oriundos de aposentadoria. O militar na reserva remunerada não exerce mais atividade militar é um aposentado no sentido amplo, que só perdera esta condição se estiver em perfeitas condições de saúde e se for caso excepcional de convocação, em situações especiais previstos na lei, para reversão ao serviço ativo e para que esta condição excepcional se realize deverá, antes de qualquer coisa, passar por uma junta médica para que seja verificado a sua situação de saúde. (...) Não tenho dúvidas, de que o termo reserva remunerada, referese à aposentadoria de que trata o norma isencional, tendo recebido nominação própria em face das peculiaridades dos membros das Forças Armadas e Forças Auxiliares. Entendo, pois, que a simples negativa ao direito isencional em face da denominação de “reserva remunerada” não tira do contribuinte o direito à isenção em face de moléstia grave. Considerandose, ainda, que a tipificação primeira, naquele Estatuto, enquadra a reserva remunerada a título de inatividade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.007694/200243 Acórdão n.º 920201.684 CSRFT2 Fl. 3 5 Da mesma forma, discordo daqueles que se filiam à tese de que quando a Lei nº 7.713, de 1988, no seu artigo 6º, inciso XIV quis falar, propositalmente, em proventos de reforma, e que esta norma estaria restringindo a isenção somente aos militares portadores de doença grave que fossem reformados, não entraria neste contexto os militares que estivessem na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada não importando os detalhes da situação individual de cada um, ou seja, só faz jus àqueles que estiverem na situação de reformado, apresentando como contraponto o inciso XV do artigo 6º da lei anteriormente citada, sob o argumento que neste inciso se fala em transferência para a reserva remunerada ou reforma. Ora, é evidente que a redação do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, não poderia ser diferente, já que pela Lei 6.880, de 1980 (Estatuto dos Militares) os militares portadores de doença que incapacite para o exercício da função militar são reformados ex officio, independentemente de estar no serviço ativo ou estar na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada. Ou seja, em termos práticos o militar que esta na condição de transferido para inatividade (transferência para reserva remunerada) portador de doença que incapacite para o exercício de atividades inerentes das forças armadas, não poderá, mesmo que queira, retornar ao serviço ativo, deverá ser automaticamente reformado e não poderá mais ser convocado. Ademais, o termo transferência para a reserva remunerada utilizado pelo inciso XV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, se comparado ao conteúdo da Lei nº 6.880, de 09 de dezembro de 1980 (Estatuto dos Militares) é letra morta, já que somente abrangeria os oficiaisgenerais, pois estes são reformados ex officio aos 68 (sessenta e oito) anos, o restante, que representam a expressividade das forças armadas, são reformados ex officio com idades entre 56 (cinqüenta e seis) anos e 64 (sessenta e quatro) anos.” O entendimento quanto à isenção dos rendimentos de reserva remunerada também foi objeto da súmula CARF nº 43, cujo enunciado é o seguinte: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (original sem grifo) Em face do exposto conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10380.007434/00-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E
COOPERATIVAS; ATUALIZAÇÃO SELIC.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI,
em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Provido.
Numero da decisão: 9303-001.547
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS; ATUALIZAÇÃO SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS; ATUALIZAÇÃO SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 18/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de pedido de Crédito presumido de IPI, relativo primeiro trimestre de 2.000. O sujeito passivo postula o direito de incluir na base de cálculo do benefício as aquisições de matériasprimas, de produtos intermediários e de material de embalagem junto à pessoas físicas e cooperativas de produtores. Requer a inda a atualização monetária com base na variação da Selic. Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. O valor da matériaprima, do produto intermediário e do material de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes do PIS e da Cofins não integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso especial, onde requer a reforma do acórdão vergastado para que lhe seja concedido o crédito presumido pleiteado, corrigido pela taxa Selic. O recurso foi admitido, conforme despacho de fl. 541 Contrarrazões vieram às fls. 545 a 571. É o relatório. Voto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 18/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10380.007434/0011 Acórdão n.º 930301.547 CSRFT3 Fl. 575 3 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem junto a pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e da atualização Selic. No tocante à atualização monetária e às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem junto a pessoas físicas e cooperativas, o meu entendimento é no sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 18/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 4 A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e dou provimento ao recurso para a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, determinar a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). É como voto. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 18/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
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Numero do processo: 19311.000104/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato Gerador: 01/09/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Sendo o valor da penalidade imposta através do Auto de Infração único e indivisível, o quantum debeatur a ele associado independe do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração, de forma que correção parcial da falta motivadora da autuação não tem o condão de afastar a imputação nem de modificar o valor da multa aplicada, tampouco.
AUTO DE INFRAÇÃO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Não configura bis in idem a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de documentos, lavradas em ações fiscais distintas, mesmo que coincidentes os períodos de apuração.
A lavratura de Auto de Infração pela não exibição de documentos não torna a empresa imune ou dispensada do cumprimento das obrigações acessórias em apreço, relativas ao período da autuação anterior. Ao contrário, a prática de nova infração de idêntica natureza jurídica implica a agravação da penalidade pelo motivo da reincidência específica.
AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO.
Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr.
Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES.
INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO.
A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória.
Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Constituem-se requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ser o infrator primário, não ter incorrido em circunstância agravante e ter efetivamente corrigido a
falta até o termo final do prazo para impugnação.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.269
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A gradação da multa deve ser recalculada.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo o valor da penalidade imposta através do Auto de Infração único e indivisível, o quantum debeatur a ele associado independe do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração, de forma que correção parcial da falta motivadora da autuação não tem o condão de afastar a imputação nem de modificar o valor da multa aplicada, tampouco. AUTO DE INFRAÇÃO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não configura bis in idem a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de documentos, lavradas em ações fiscais distintas, mesmo que coincidentes os períodos de apuração. A lavratura de Auto de Infração pela não exibição de documentos não torna a empresa imune ou dispensada do cumprimento das obrigações acessórias em apreço, relativas ao período da autuação anterior. Ao contrário, a prática de nova infração de idêntica natureza jurídica implica a agravação da penalidade pelo motivo da reincidência específica. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO. Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS. Constituemse requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ser o infrator primário, não ter incorrido em circunstância agravante e ter efetivamente corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A gradação da multa deve ser recalculada. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 314 3 Relatório Período de apuração: 01/2002 a 12/2005. Data de lavratura do Auto de Infração : 01/09/2008. Data da Ciência do Auto de Infração : 01/09/2008. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de apresentar os documentos abaixo discriminados, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fl. 65. 1) Notas Fiscais de Prestadoras de Serviço (Pessoas Jurídicas) anos de 2002 a 2004, contabilizadas nas contas 411.24.20010002 (Serv. de Laboratório); 411.24.20010004 (Serviços Ortodônticos); 411.24.20010005 (Serviços Clínicos); 411.24.20010006 (Serviços de Radiologia) e 441.49.0001(Serviços Ortodônticos), com registros nos Diários : Balanço (ano 2002) nº 18, autenticação 4840 de 24.06.03, (ano 2003) nº 22, microfilme sob nº 0057993 de 03.02.06 e (ano 2004), nº 26, microfilme sob nº 0057995, de 03.02.06, todos perante o Cartório do 1º Ofício de Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Jundiaí; 2) Notas Fiscais de Prestação de Serviços (Receita da Empresa) anos 2002 a 2005; 3) Contratos firmados com empresas prestadoras de serviço; 4) Livro de Registro de Empregados da Filial de Vitória (001281). CFL 38 Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Para o cálculo do valor da multa foi considerado o valor básico de R$ 12.548,77), de acordo com os artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "j" Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 e art. 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, reajustado nos termos do art. 8º, inciso VI da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 77, de 11 de março de 2008, multiplicado por 12 vezes em razão de reincidência genérica e específica, conforme descrito Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 66. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 69/89. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 284/289, julgando procedente em parte a autuação, retificando o valor da multa aplicada e indeferindo o pedido de relevação da penalidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 292. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 293/310, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que as Notas Fiscais emitidas pelos prestadores de serviço à Recorrente, bem como os respectivos contratos estiveram sempre à disposição da Fiscalização. Aduz ter sido vítima de furto, em 16/01/2008, nas dependências de um galpão onde armazenava artigos odontológicos e diversos documentos alocados em “arquivo morto", sendo que diversos equipamentos e documentos foram furtados e danificados, conforme comprova Boletim de Ocorrência juntado aos autos, não se logrando êxito em encontrar os demais contratos solicitados; • Que o Livro de Registro de Empregados da filial de Vitória também estava guardado no local em que foi perpetrado o furto em face da Recorrente, motivo pelo qual não o apresentou; • Que as Notas Fiscais emitidas pela Recorrente em 2004 já haviam sido apresentadas anteriormente nos autos do processo administrativo previdenciário nº 13839.002130/200751, não havendo qualquer motivo por parte da Requerente para ocultar as mesmas. Argumenta que, ainda houvessem sido ocultadas as mencionadas Notas Fiscais, bastaria compulsar o mencionado processo para verificar o que entendesse necessário, não sendo possível falar em óbice à fiscalização. • Bis in idem, por já ter sido autuada, através do Auto de Infração 35.707.0461, lavrada em ações fiscais anteriores, cobrindo o período de janeiro/2002 a janeiro/2006, pela mesma espécie de infração; • Que foi ilegal a forma de gradação da multa. • Que não há previsão legal para o reajustamento do valor da multa por Portaria Ministerial. • Que a multa tem caráter confiscatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 315 5 • Que a multa deve ser relevada em virtude de Recorrente ter agido em conformidade com os preceitos da boafé, tendo em vista que entregou os documentos solicitados pela Fiscalização. Ao fim, requer a declaração de improcedência da presente autuação ou, alternativamente, a relevação da multa aplicada. Requer ainda a produção de prova pericial, testemunhal e todas em direitos admitidas, diligências, e juntada de documentos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DO BIS IN IDEM Alega o Recorrente que o presente Auto de Infração configura bis in idem, por já ter sido autuada, através do Auto de Infração 35.707.0461, lavrada em ações fiscais anteriores, cobrindo o período de janeiro/2002 a janeiro/2006, pela mesma espécie de infração. Razão não lhe assiste. A Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988, outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 316 7 inserido no Título que versa sobre as Obrigações Tributárias, estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Deflui da análise das disposições do CTN que a imposição de obrigação tributária acessória prescinde de lei formal, podendo ser instituída inclusive mediante legislação tributária, assim compreendida, nos termos do art. 96 do próprio CTN, como as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Código Tributário Nacional Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, os artigos 32 e 33 da citada lei de custeio da Seguridade Social, dentre outros, estatuíram como obrigação acessória da empresa a obrigação jurídica de prestar aos agentes fiscais todos os esclarecimentos e informações solicitados, bem como a exibir todos os livros e documentos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 relacionados com as contribuições previdenciárias, cuja recusa implicará a sujeição do obrigado aos rigores da citada lei, a teor dos §§ 3º e 6º de seu art. 33, em sua redação vigente à época da ocorrência da infração. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita Federal DRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita Federal DRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifos nossos) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Outra não é a diretriz traçada pelas normas regulamentares, à luz do que emana, com extrema clareza, dos artigos 232 e 233 do RPS, em excerto a seguir rememorado para a perfeita compreensão de seus fundamentos. Regulamento da Previdência Social Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 317 9 documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Louvouse a autuação fiscal sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cuja conduta típica é apenada com inflição de penalidade pecuniária, nos termos previstos no art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que assim destaca: Regulamento da Previdência Social. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (grifos nossos) Cumpre salientar, por relevante, que a obrigação de prestar informações e de exibir documentos e livros fiscais é contínua, não sendo afastada pela mera autuação de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 infração de idêntico jaez ocorridas em ações fiscais anteriores, mesmo que referentes a períodos coincidentes. Em reforço a tal compreensão, iluminese a redação realçada no Parágrafo Único do art. 290 c.c. inciso IV do art. 292 ambos do Regulamento da Previdência Social, nos termos dos quais a prática de nova infração a um mesmo dispositivo da legislação por uma mesma pessoa, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória referente à autuação anterior, caracteriza reincidência específica. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgamento administrativo a decisão condenatória ou homolocatória da extinção do crédito referente à infração anterior. Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Dessarte, o fato de a empresa em tela já ter sido autuada, em 25/05/2006, pela conduta omissiva de não exibição de documentos (Livros Diário e Razão de 2005; GFIP de out/2005 a jan/2006; documentos de registro de empregados; rescisões de contratos de trabalho; petição inicial e sentenças de processos trabalhistas; notas fiscais emitidas, recibos de pagamento a trabalhadores autônomos, dentre noutros), não a torna imune ou dispensada do cumprimento das obrigações acessórias em apreço, relativas ao período da autuação anterior. Ao contrário, a prática de nova infração de idêntica natureza jurídica implica a agravação da penalidade pelo motivo da reincidência específica estampada no inciso IV do art. 292 do Regulamento Previdenciário em apreço. Por tais razões, não acatamos a preliminar de bis in idem tão veementemente esposada pelo sujeito passivo. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 318 11 Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA CONDUTA INFRACIONAL Pondera o Recorrente que as Notas Fiscais emitidas pelos prestadores de serviço à Recorrente, bem como os respectivos contratos, sempre estiveram à disposição da Fiscalização. Aduz ter sido vítima de furto de equipamentos e de documentos ocorrido em 16/01/2008, nas dependências de um galpão onde armazenava artigos odontológicos e diversos documentos alocados em “arquivo morto”, oferecendo como prova o Boletim de Ocorrência a fl. 104. Acrescenta que o Livro de Registro de Empregados da filial de Vitória também estava guardado no local em que foi perpetrado o furto em face da Recorrente, motivo pelo qual não o apresentou. Argumenta ainda que as Notas Fiscais emitidas pela Recorrente em 2004 já haviam sido apresentadas anteriormente nos autos do processo administrativo previdenciário nº 13839.002130/200751, não havendo qualquer motivo por parte da Requerente para ocultar as mesmas. Pondera que, ainda houvessem sido ocultadas as mencionadas Notas Fiscais, bastaria compulsar o mencionado processo para verificar o que entendesse necessário, não sendo possível falar em óbice à fiscalização. As alegações oferecidas pelo Recorrente, no entanto, não reúne o poder de ilidir o Auto de Infração objeto de apreciação. Em primeiro lugar, no Boletim de Ocorrência a fls. 104 não resta consignado quais os documentos teriam sido furtados, danificados ou não encontrados. Limitouse a declarante a descrever haverem sido furtados “três motores de cadeira odontológicos, uma máquina autenticadora de caixa, uma máquina de carteirinha, seis alta rotação, dois micro motor e um compressor pequeno e fiação elétrica. Relata a vítima que foram revirados todos os arquivos de documentos fiscais contábeis financeiros jurídicos e trabalhista, sendo que alguns documentos foram danificados e outros não encontrados”. A mesma preocupação exteriorizada pelo Recorrente com os equipamentos subtraídos deveria também ser dispensada na descrição dos documentos supostamente furtados, danificados ou extraviados, fato que não ocorreu. Registrese, por pertinente, que, em relação aos aludidos documentos e livros fiscais, a legislação de regência estipula os procedimentos que devem ser adotados pela empresa em caso de extravio, deterioração ou destruição, providência essa não observada pelo Recorrente. DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Art. 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas documentos ou papéis de interesse da escrituração o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Parágrafo único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo. Citese ainda não ter a empresa em tela produzido qualquer indício de prova material que demonstrasse estar empenhada na reconstituição dos documentos que alega haverem sido furtados ou danificados. Em segundo lugar, dessai dos termos do Relatório Fiscal ter sido a empresa autuada pela não apresentação das notas fiscais arroladas na planilha I, a fls. 59/63, notas fiscais de prestação de serviços dos anos de 2002 a 2005, contratos celebrados com empresas prestadoras de serviços dispostas na planilha II, a fl. 64, e livro de registro de empregados da filial de Vitória, perfazendo um total de 245 documentos. Em sede de impugnação foram coligidas aos autos, em seu anexo II a fls. 107/241, cópias não autenticadas de parte dos contratos firmados com empresas prestadoras de serviços e cópias não autenticadas de 120 notas fiscais e de 11 recibos. Avulta, portanto, não ter o Recorrente logrado adimplir, de forma integral, mesmo em sede de impugnação, a exigência fiscal de exibição dos documentos explicitados nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 06/49. Nesse contexto, sendo o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração único e indivisível, isto é, independente do número de infrações cometidas, basta para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração. Ademais, a natureza da infração perpetrada pelo Recorrente, consistente na não exibição, no prazo assinalado nos Termos de Intimação, de documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, é de consumação instantânea. Nessas circunstâncias, vencido o prazo consignado pela fiscalização para a exibição dos documentos exigidos, a infração se aperfeiçoa e se exaure definitivamente, não mais admitindo convalescença ou correção ulterior. Nesse contexto, há que se considerar que a apresentação parcial, em grau de defesa administrativa, dos documentos e livros cuja não exibição tempestiva motivou a lavratura do presente Auto de Infração, não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. 3.2. DO REAJUSTAMENTO DO VALOR DA MULTA Pondera o Recorrente não haver previsão legal para o reajustamento do valor da multa por Portaria Ministerial. A alegação não procede. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 319 13 A Lei nº 8.212/91, editada com o propósito de disciplinar a organização da Seguridade Social, bem como o seu Plano de Custeio, criou uma miríade de obrigações tributárias acessórias, instituídas no interesse da arrecadação e da fiscalização das contribuições previdenciárias. No intuito de infligir o cumprimento dos deveres tributários adjetivos ora em apreço, estabeleceu o art. 92 da citada Lei de Custeio que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme dispuser o seu regulamento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente à salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação previdenciária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, conforme assentado no art. 649 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 649. Por infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que se refere aos prazos de recolhimento de contribuições, da Lei nº 8.213, de 1991 e da Lei nº 10.666, de 2003, fica o responsável sujeito a multa variável, conforme a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 320 15 gravidade da infração, limitada a um valor mínimo e um valor máximo previstos no RPS e atualizados mediante Portaria Ministerial, aplicada da seguinte forma: (grifos nossos) (...) 3.3. DA GRADAÇÃO DA MULTA Pondera o Recorrente ser ilegal a forma de gradação da multa. Conforme detalhadamente salientado no tópico precedente, almejando constranger o contribuinte a cumprir os deveres tributários adjetivos na Lei de Custeio da Seguridade Social, o seu art. 92 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme dispuser o seu regulamento. No âmbito da competência que lhe foi outorgada pela lei, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 estatuiu como circunstância agravante da infração, a reincidência genérica ou específica, da qual depende a gradação do valor da penalidade pecuniária a ser infligida ao infrator, sendo que esta eleva a multa em três vezes a cada reincidência, enquanto que a ocorrência daquela importa na elevação de duas vezes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e No caso presente, com relação à fiscalização de 27/09/2002, fiscalização constatou a existência de reincidência específica com relação ao Auto de Infração nº 35.386.4803, a qual implicaria a elevação da multa em 3 vezes o valor mínimo. Considerando se a Fiscalização com término datado de 28/10/2003, verificouse a existência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.543.3036 ), fato que importa na elevação da multa em 2 vezes. Por derradeiro, no que tange à ação fiscal encerrada em 26/05/2006, foi apurada a ocorrência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.707.0445), ensejadora da elevação da multa em 2 vezes. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 O procedimento de quantificação da penalidade pecuniária a ser aplicada ao infrator é segmentado e subdividido em etapas estanques, em conformidade com o art. 292 do RPS. Em primeiro plano, o valor básico da multa deve ser fixado de acordo com a cifra prevista no Regulamento da Previdência Social, reajustado nos termos legais, in casu, R$ 12.548,77, conforme art. 283, II, ‘j’ do RPS. Fixado o valor básico, sobre este incidirão as agravantes regulamentares previstas nos incisos II a IV do já citado art. 292 regulamentar. A operação de se elevar a penalidade em n vezes o seu valor pode ser interpretada de duas formas distintas: I) A elevação em n vezes significa acrescentar ao valor básico “X” n vezes o seu valor, de forma que o resultado final seja igual a (n + 1) X, ou seja, o X originário mais os n X decorrentes da elevação. Em termos práticos, o efeito da reincidência específica, que impõe a elevação da multa em 3 vezes, sobre uma multa de valor “M” implicaria no valor final de 4 M : M (valor básico) + 3 M (elevação). II) A elevação em n vezes significa que o valor final será igual a n vezes o valor básico “X”. Em termos práticos, o efeito da reincidência específica, que impõe a elevação da multa em 3 vezes, sobre uma multa de valor “M” implicaria no valor final de 3 M : M (valor básico) + 2 M (elevação). Tem prevalecido nas ordens da fiscalização previdenciária o entendimento pela aplicação da sistemática apontada no item II, acima indicado, de molde que, o efeito da reincidência específica manifestase na triplicação do valor da multa (M x 3) enquanto que a reincidência genérica importa na duplicação do valor básico da penalidade (M x 2). Tal interpretação decorre diretamente das disposições expressas nos artigos 107 e 112, IV do CTN, os quais estabelecem que a lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a gradação da penalidade aplicável. Código Tributário Nacional CTN Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Nessa perspectiva, a pena administrativa a ser imposta ao infrator é constituída da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação acessória, doravante designada “MULTA” acrescida da penalidade pecuniária decorrente da reincidência, Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 321 17 doravante designada “AGRAVANTE”. Assim, o cálculo da pena administrativa a ser aplicada, nos casos de reincidência genérica, se realiza a contento pela adição, ao valor da MULTA, de um montante que lhe é idêntico a título de AGRAVANTE. De forma análoga, nos casos de reincidência específica, elevar a multa em três vezes significa aumentar o seu valor de modo a triplicálo. Aqui, o resultado desejado é obtido pela adição, ao valor da MULTA, de um montante que lhe é o dobro, a título de AGRAVANTE, conforme o mecanismo indicado no mencionado item II, supra. Até aqui o caso não comporta maiores controvérsias. As divergências emergem na aplicação cumulativa das reincidências, eis que o inciso IV do art. 292 do RPS estabelece que a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes. A forma de gradação cumulativa estabelecida no inciso IV do art. 292 do Regulamento da Previdência Social pode dar ensejo a três interpretações possíveis, a saber: a) A elevação subsequente incide sobre o produto da elevação anterior (forma adotada pela fiscalização); b) A elevação incide sobre o valor básico da multa aplicada, na forma apontada no item I supra. c) A elevação incide sobre o valor básico da multa aplicada, na forma apontada no item II, acima debatido. Pelas mesmas razões já expendidas anteriormente, a interpretação a ser emprestada à presente discórdia deve atender ao comando impresso no mencionado art. 112, IV do CTN, por ser a mais favorável ao infrator. Diante de tal panorama jurídico, sendo o valor básico da multa aquele constante no art. 283, II, ‘j’ do RPS, ou seja, R$ 12.548,77 , o efeito da reincidência específica decorrente do Auto de Infração nº 35.386.4803 importará no acréscimo de R$ 25.097,54 ao valor básico da MULTA. Da mesma forma, as reincidências genéricas decorrentes dos Autos de Infração 35.543.3036 e 35.707.0445 implicarão o acréscimo de 12.548,77 cada, ao valor originário da penalidade. Nesse contexto, o valor final da Pena Administrativa será obtido pela soma das parcelas acima discriminadas : Pena Administrativa = valor básico + acréscimo decorrente da reincidência específica + acréscimos decorrentes das reincidências genéricas. Pena Administrativa = 12.548,77 + 25.097,54 + 12.548,77 + 12.548,77 Pena Administrativa = R$ 62.743,85. Adotar o mecanismo de cálculo empregado pela fiscalização significa interpretar a norma tributária cominadora de penalidades e sua gradação de forma mais Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 desfavorável ao infrator, em verdadeira afronta aos princípios estampados no CTN, negando se, assim, vigência e eficácia à regra encartada no art. 112, IV do Código Tributário Nacional. Além disso, na aplicação da 2ª e 3ª reincidências, na forma defendida pela fiscalização, a elevação iria incidir não somente sobre o valor da MULTA mas, também, sobre a AGRAVANTE determinada pela 1ª reincidência. Mostro: a) Na aplicação da 1ª reincidência: Valor parcial I = 12.548,77 (multa) x 3 (agravante) = 37.646,31 Valor parcial I = 12.548,77 (multa) + 25.097,54 (agravante) = 37.646,31 b) Na aplicação da 2ª reincidência: Valor parcial II = valor parcial I x 2 = 75.292.62 Valor parcial II = [12.548,77 (multa) + 25.097,54 (agravante) ] x 2 = 75.292,62 Desmembrando o termo entre colchetes teremos: Valor parcial II = 12.548,77 (multa) x 2 + 25.097,54 (agravante) x 2 = 75.292,62 Valor parcial II = 25.097,54 (multa majorada) + 50.195,08 (agravante majorada) = 75.292,62 c) Na aplicação da 3ª reincidência: Pena administrativa = valor parcial II x 2 = 150.585,24 Pena administrativa = [ 25.097,54 (multa majorada) + 50.195,08 (agravante majorada) ] x 2 = 150.585,24 Desmembrando o termo entre colchetes teremos: Pena administrativa = 25.097,54 (multa majorada) x 2 + 50.195,08 (agravante majorada) x 2 = 150.585,24 Pena administrativa = 50.195,08 (multa remajorada) + 100.390,16 (agravante remajorada) = 150.585,24 Tal remajoração das AGRAVANTES decorrentes da primeira e segunda reincidências em cascata não se encontra prevista na lei, além de contrariar, conforme evidenciado, a regra de hermenêutica destilada no art. 112, IV do CTN. Frizese, por relevante, que o valor da multa é aquele estabelecido no art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social. O excedente tem natureza jurídica de agravante da multa. A lei prevê a elevação da MULTA em 2 ou 3 vezes a cada reincidência, mas não a majoração em cascata das AGRAVANTES decorrentes das operações anteriores. 3.4. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 322 19 Pondera o Recorrente que a multa aplicada tem caráter de confisco, o que não é permitido na ordem jurídica brasileira. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento obrigações tributárias acessórias de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 92 e 102 estatuem, de forma objetiva, que a infração de qualquer dispositivo constante na Lei de Custeio da Seguridade Social, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável, a qual será reajustada nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Atendendo ao comando inscrito no art. 92, in fine, da Lei nº 8.212/91, o art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social estabeleceu que a conduta infracional consistente na não exibição, pela empresa, de qualquer documento ou livro relacionados com contribuições previdenciárias ou a sua apresentação sem o atendimento pleno às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira, será apenada com a multa de, in casu, R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos), valor esse já reajustado nos termos da Portaria MPS GM n° 142, de 11 de abril de 2007. Escapa, no entanto, da competência desta Corte Administrativa a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 323 21 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.5. DA RELEVAÇÃO DA MULTA Pondera o Recorrente que a multa deve ser relevada em virtude de ele ter agido em conformidade com os preceitos da boafé, tendo em vista que entregou os documentos solicitados pela Fiscalização. Conforme já salientado alhures, a Lei nº 8.212/91 foi editada com o propósito de disciplinar a organização da Seguridade Social, bem como o seu Plano de Custeio, mediante a instituição de obrigações tributárias ditas principais e acessórias, na estruturação engendrada pelo art. 113 do CTN. No que pertine aos deveres tributários adjetivos, estabeleceu o art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme dispuser o seu regulamento. Ao tratar das circunstâncias atenuantes da infração, no capítulo reservado às infrações, o Regulamento da Previdência Social, por seu art. 291, estabeleceu que a multa aplicada por infração à legislação previdenciária poderia ser relevada se o infrator, no prazo de impugnação, houvesse corrigido a falta e formulasse pedido para tanto, desde que satisfizesse, cumulativamente, as condições de ser infrator primário e não ter incorrido em nenhuma circunstância agravante. Regulamento da Previdência Social Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007) §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. As diretivas enunciadas no Regulamento da Previdência Social não discrepam daquelas dispostas na Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em apreço, cujo art. 656 dispõe que haverá relevação da multa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário; não houver incorrido em circunstância agravante; formular pedido para tanto no prazo de impugnação e, antes de escoado esse mesmo prazo, houver corrigido a falta que deu ensejo à autuação. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do Auto de Infração. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) §1º A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o infrator: I formular pedido dentro do prazo de defesa e comprovar a correção da falta no prazo referido no caput; (Redação dada pela IN SRP Nº 6, DE 11/08/2005) II for primário; e III não tiver incorrido em circunstância agravante. Constatase que, entre os requisitos essenciais elencados pelo RPS para a relevação da multa, está a necessidade de a empresa ser "primária". Verificase, no entanto, que a empresa não é primária, havendo, inclusive, incorrido reiteradas vezes em circunstância agravante prevista no inciso V do art. 290 do RPS, fatos que, de per si, já se mostram impeditivos da concessão do benefício da relevação da multa. De outro eito, o conjunto probatório acostado aos autos comprova que o infrator não corrigiu integralmente a falta que deu ensejo à lavratura do presente Auto de Infração. Por tais motivos, a relevação pretendida pelo Recorrente não lhe pode ser agraciada, em virtude da carência de requisitos essenciais. 3.6. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Fl. 22DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 324 23 Requer ainda o Recorrente a produção de prova pericial, testemunhal e todas em direitos admitidas, diligências, e juntada de documentos. Tal pedido não pode ser agraciado. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 24DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000104/200802 Acórdão n.º 230201.269 S2C3T2 Fl. 325 25 §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, mas, sim, por disposição legal, que produzilas, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a gradação da multa ser efetivada da forma mais favorável ao acusado, nos termos do tópico 3.3. deste voto. É como voto. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 Arlindo da Costa e Silva Fl. 26DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000611/2005-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.580
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negsar provimento ao recurso do sujeito passivo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negsar provimento ao recurso do sujeito passivo. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000611/200507 Acórdão n.º 920201.580 CSRFT2 Fl. 255 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de João Baptista de Lima Filho foi lavrado o auto de infração de fls. 3442, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 8091). Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10616.241, que se encontra às fls. 122133, cuja ementa é a seguinte: IRPF ORGANISMOS INTERNACIONAIS PNUD ISENÇÃO – A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por organismos internacionais é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço do Programa, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. IRPF CARNELEÃO MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA – Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a Fl. 259DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000611/200507 Acórdão n.º 920201.580 CSRFT2 Fl. 256 3 título de carnêleão, quando as bases de cálculo de tais penalidades são as mesmas. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 17/12/2007 (fls. 135), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 138147, acompanhado dos documentos de fls. 148168, para pleitear o restabelecimento da multa isolada, invocando como paradigma o acórdão n° 10194.858. Através do Despacho n° DEF106151109_028 (fls. 169172), a então Presidente da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs agravo às fls. 175180, mas por intermédio do Despacho n° 652 (fls. 183185), restou confirmada a decisão que negou seguimento ao recurso especial. Já o contribuinte, quando cientificado do acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes, interpôs recurso especial de divergência às fls. 191206, acompanhado dos documentos de fls. 207236, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas os acórdãos 10416.364 e CSRF/0104.135. Este recurso foi admitido (fls. 238) e, em sede de contrarrazões (fls. 240253) a Fazenda Nacional pugnou, basicamente, pela improcedência da pretensão do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços Fl. 260DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000611/200507 Acórdão n.º 920201.580 CSRFT2 Fl. 257 4 profissionais a Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil PNUD). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Gonçalo Bonet Allage (Assinado digitalmente) Fl. 261DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 14474.000232/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003
ENQUADRAMENTO SEGURADO EMPREGADO SUBORDINAÇÃO E NÃO EVENTUALIDADE
A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada à plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego.
A falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício formal, uma vez que descumprido o artigo 10, do Decreto n.º 70.235/72.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2302-001.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e
Silva que entenderam tratar-se de vício material.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 ENQUADRAMENTO SEGURADO EMPREGADO SUBORDINAÇÃO E NÃO EVENTUALIDADE A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada à plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego. A falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício formal, uma vez que descumprido o artigo 10, do Decreto n.º 70.235/72. Processo Anulado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 ENQUADRAMENTO SEGURADO EMPREGADO SUBORDINAÇÃO E NÃOEVENTUALIDADE A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada à plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego. A falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício formal, uma vez que descumprido o artigo 10, do Decreto n.º 70.235/72. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva que entenderam tratarse de vício material. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000232/200781 Acórdão n.º 230201.415 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 20/10/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 28/10/2005, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurado empregado terceirizado, em vista da desconsideração da empresa prestadora de serviços, nas competências de 01/2003 e 12/2003. O relatório fiscal de fls. 88/92, diz que a caracterização da relação de emprego se deu porque os próprios titulares prestam serviço com cumprimento de horário, subordinação e exclusividade; que a emissão das notas fiscais de prestação de serviço é seqüencial; que os serviços prestados fazem parte da atividade fim da empresa; que os engenheiros são empregados porque não se responsabilizam pelas obras junto ao CREA. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para que a fiscalização emitisse relatório complementar onde constasse o nome do trabalhador, a natureza do serviço prestado, o valor da remuneração, bem como os elementos caracterizadores da relação de emprego, fls. 152. Em resposta à diligência solicitada os auditores notificantes juntaram planilhas às fls. 154 a 183, listando os serviços prestados, o nome dos engenheiros e das empresas prestadoras de serviço, em todo o período fiscalizado. Informação de fls. 185/185, mantém o crédito como lançado. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou, reiterando os termos da defesa. DecisãoNotificação de fls. 192/203, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a) a nulidade da NFLD frente ao cerceamento de defesa pelo exíguo prazo concedido para oferecer a impugnação; b) que o lançamento por arbitramento é insubsistente frente à regularidade dos registros contábeis; c) que não estão presentes, nem foram descritos os pressupostos da relação de emprego; d) que as planilhas juntadas quando da diligência não demonstram a ocorrência do fato gerador; e) que não há comprovação de subordinação; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 f) que anexa documentos para provar que as empresas prestaram serviços para outras tomadoras além da recorrente; g) que as ART’s podem ser assinadas pelos engenheiros na condição de sócios ou empregados da pessoas jurídicas contratadas; h) que possui em seus quadros engenheiros registrados no CREA, como o próprio sócio da recorrente; i) a inexigibilidade da contribuição para o INCRA; j) que a multa é confiscatória; k) a inconstitucionalidade da SELIC. Requer o provimento do recurso para declarar nula a notificação antes as infringências inconstitucionais, ou improcedente, cancelando o crédito lançado, ou, alternativamente, caso seja mantida parcialmente, que seja expurgada a taxa SELIC. Protesta por todos os meios de prova e pela sustentação oral. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000232/200781 Acórdão n.º 230201.415 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à argüição da recorrente de que houve cerceamento de defesa frente ao exíguo prazo para impugnar várias notificações e autuações, temse que não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizarseão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação ( à época do lançamento) era de 15 (quinze) dias, conforme teor do art. 37, § 1º, da Lei nº 8.212/91 e arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, abaixo transcritos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Renumerado pela Lei nº 9.711, de 20.11.98)” “Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes (...). § 2º Recebida a notificação, a empresa, o empregador doméstico ou o segurado terão o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento ou apresentar defesa”. “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. § 1º Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001)” A Portaria MPS/GM nº 520, de 19 de maio de 2004, que regulava o Contencioso Administrativo Previdenciário, também à época do lançamento, previa, em seu art. 34, que “os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados”. Portanto, foram cumpridas as determinações legais, sendo improcedente a argüição de cerceamento de defesa. Do Mérito O levantamento referese a desconsideração dos serviços prestados pela pessoa jurídica Brito Consultoria Civil Ltda., sendo considerado empregado da recorrente o sócio da empresa, nas competências de 01/2003 e 12/2003, tomandose como base para o salário de contribuição o valor contido nas notas fiscais de prestação de serviço emitidas nas competências citadas, de números 100 e 113, respectivamente, fls. 148/149, com a descrição de Serviços de Consultoria e Assistência Técnica. Para a constituição de crédito tributário, determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25/10/66, que deve ser verificada a ocorrência do fato gerador e determinada a matéria tributada. O fato gerador da obrigação principal é definido pelo artigo 114 da mesma lei como “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. E, para que se considere o fato gerador ocorrido devem estar presentes as circunstâncias materiais necessárias para surgimento da obrigação tributária. É a redação do artigo 116 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. Nesse sentido têm sido os pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social: PARECER/CJ Nº 1.747/99 REFERÊNCIA: NFLD nº 32.145.697 1. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000232/200781 Acórdão n.º 230201.415 S2C3T2 Fl. 4 7 INTERESSADO: Editora O Dia LTDA. ASSUNTO: Notificação Fiscal. EMENTADIREITO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO RELATÓRIO FISCAL CLAREZA E PRECISÃO DOS FATOS GERADORES. A omissão da discriminação clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram na Notificação Fiscal quando da elaboração do relatório gera vício insanável, acarretando a nulidade do ato. Avocatória conhecida por infringência de dispositivo legal. AVOCATÓRIA MINISTERIAL REFERÊNCIA: NFLD nº 32.145.6971. INTERESSADO: EDITORA O DIA LTDA. EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO RELATÓRIO FISCAL CLAREZA E PRECISÃO DOS FATOS GERADORES. A omissão da discriminação clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram na Notificação Fiscal quando da elaboração do relatório gera vício insanável, acarretando a nulidade do ato. Avocatória conhecida por infringência de dispositivo legal. Decisão Visto o processo em que é interessada a parte acima indicada. Com fundamento no Parecer/CJ/Nº 1747/99 da Consultoria Jurídica deste Ministério, que aprovo, avoco o presente processo para anular a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 32.145.6971 emitida contra a Editora O Dia Ltda., e determinar a realização de nova fiscalização. Publiquese. Brasília, 19 de maio de 1999. WALDECK ORNÉLAS Ministro da Previdência e Assistência Social No caso sob exame, foram desconsiderados os serviços prestados pela pessoa jurídica e considerados como prestados por segurado empregado da recorrente, consubstanciandose em fato gerador de contribuição previdenciária. Ocorre que a descrição dos fatos mostrase incipiente para o lançamento, pois restam ausentes as circunstâncias materiais que suportariam a certeza e liquidez do crédito constituído. No caso da relação de emprego, deve restar comprovada pela fiscalização a subordinação jurídica, a nãoeventualidade, a onerosidade e a pessoalidade.Tudo em consonância com as disposições regulamentares da Previdência Social: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Icomo empregado: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 219, §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Entretanto, o relatório fiscal se limita a dizer que os titulares das empresas prestam o serviço, que são subordinados à recorrente e trabalham com exclusividade, sem fazer qualquer subsunção dos fatos existentes aos elementos caracterizadores da relação de emprego. Inclusive, o julgador de primeira instância bem solicitou a realização de diligência, fl. 152, para a emissão de relatório complementar visando sanar a irregularidade na descrição do fato gerador, solicitando que o fisco trouxesse os elementos caracterizadores da relação de emprego. Entretanto, embora a auditoria tenha trazido inúmeras planilhas com todas as empresas prestadoras de serviço para a recorrente no período fiscalizado, com o nome dos engenheiros, os valores e os serviços realizados, não foi possível se vislumbrar a caracterização dos segurados empregados. No caso em tela, o fisco se reporta a notas fiscais seqüenciais, mas o lançamento se refere a duas competências, de janeiro e dezembro de 2003, não restando demonstrada a prestação de serviço, nestas competências, com subordinação, não eventualidade e exclusividade próprias de uma relação de emprego. A simples descrição dos serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. A autarquia tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14474.000232/200781 Acórdão n.º 230201.415 S2C3T2 Fl. 5 9 A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. O contencioso administrativo no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972 e mais especificamente, no caso das contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei n.° 11.457, de 16 de março de 2007, pela Portaria RFB n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em ambos diplomas legais, nos artigos 59, inciso II e 27, inciso II, respectivamente, está disposto que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa” (grifei) Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente, fato este determinante para o lançamento de débito na presente NFLD. Um dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material e, por este princípio, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito. Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da suposta relação de emprego. O relatório fiscal não evidencia a relação empregatícia. Assim, entendo que no procedimento da fiscalização e na formalização do lançamento não foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 06/03/72, pois não houve a descrição do fato, de forma a se evidenciar a obrigatoriedade do recolhimento da contribuição previdenciária advinda de uma relação de emprego. A falta de caracterização de que os serviços foram prestados por empregados, impõe a anulação do lançamento por vício formal, já que descumprido o artigo 10, inciso III, do Decreto n.º 70.235/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por todo o exposto, Voto pela anulação da notificação pela existência de vício formal por descumprimento do artigo 10 do Decreto n.º 70235/72. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11128.007941/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 04/11/2002
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-01.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. EDITADO EM: 12/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ São Paulo II SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1742.045, proferido em 23 de junho de 2010. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A empresa acima qualificada importou mediante o registro da DI 02/0977565 8, de 04/11/2002, o que declarou ser "Bentone Gel IPM" e "Bentone Gel Mio", classificandoos na posição 3802.90.40 referente às "Outras argilas e terras ativadas". Em análise à amostra retirada, a FUNCAMP identificou o produto importado como sendo "Uma Preparação à base de argila modificada com sal de amônio quaternário, carbonato de propileno e um composto orgânico com grupamento éster, na forma de pasta gelatinosa.", para o Bentone Gel IPM e "Uma Preparação à base de argila modificada com sal de amônio quaternário, carbonato de propileno e hidrocarboneto alifático, na forma de pasta gelatinosa", para o Bentone Gel Mio. Assim sendo, a fiscalização entendeu que a posição correta para os produtos importados era a 3824.90.89, referente às "Outras preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas não especificados nem compreendidos em outras posições". Foi então lavrado o auto de infração às folhas 01 a 19 e cobradas as diferenças de II, IPI, seus juros de mora e as multas previstas nos artigos 44, I, e 45 da lei 9.430/96,84 da MP 2.158/2001 e 526, II, do Decreto 91.030/85. Às folhas 57 a 63, a interessada apresenta suas razões de defesa alegando, em suma, que: 1 — não incorreu na tipificação legal descrita no artigo 526, II, do Decreto 91.030/85, vez que na ocasião do despacho aduaneiro foram apresentados os devidos licenciamentos para as mercadorias em questão; 2 — já é ampla a jurisprudência no sentido de que não se aplica a multa em questão nos casos em que há mera reclassificação da mercadoria, quando o produto importado é o mesmo descrito na DI; 3 — a multa é manifestamente inconstitucional por haver desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica, evidenciando o caráter confiscatório da multa em questão; Às folhas 112 e 113, a interessada afirma ter recolhido os valores referentes às diferenças de tributos cobrados, bem como seus acréscimos moratórios e reitera as razões manifestadas na impugnação contra a exigência da multa do controle administrativo. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A NESH da posição 3802, escolhida pela interessada, dispõe que as argilas e as terras ativadas, consistem em argilas coloidais ou em terras argilosas, selecionadas, ativadas, consoante a sua utilização, por meio de um agente alcalino ou ácido, secas e trituradas. Sua correta classificação deve se dar na posição 3824.90.89, por tratarse de uma outra preparação das indústrias químicas ou conexas que não estão especificadas nem compreendidas em outras posições. Desta forma, é correta a cobrança das diferenças de tributos, seus juros de mora e as multas pela falta de recolhimento no prazo previsto em lei, bem como, pela classificação incorreta das mercadorias. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.007941/200658 Acórdão n.º 310201.170 S3C1T2 Fl. 179 3 Quanto à multa pela falta de licenciamento prevista no artigo 526, II, do Decreto nº 91.030/85, alguns comentários devem ser feitos. A interessada alega que realizou o despacho de importação com os devidos licenciamentos obtidos. Nos termos do ADN COSIT 12/97, mesmo que uma mercadoria tenha sido incorretamente classificada não se aplica a multa por falta de licenciamento se a mesma estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao correto enquadramento tarifário. No caso em questão a interessada não descreveu a mercadoria corretamente, pois não informou tratarse de uma preparação que, além da matéria mineral (argila) e seu possível ativador, também era composta por outros elementos, fato de suma importância para a realização de seu correto enquadramento tarifário. A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 59 e sgs, onde em síntese solicita: Embora a empresa tenha laborado em equívoco quanto ao código NCM atribuído à mercadoria importada por meio da Dl n°. 02/09775658, é fato que a referida documentação foi devidamente apresentada. A aplicação do correto código NCM não importa na alteração do regime de licenciamento ao qual o produto está sujeito. De acordo com o anexo ao comunicado Decex n° 37/1997, nem a classificação adotada pela recorrente (3802.90.40), nem aquela proposta pelo Fisco (3824.90.89), foi citada no anexo II, incluído pelo Comunicado Decex n°. 12, de 26/05/1998, dentre aquelas cujos respectivos produtos sujeitamse ao licenciamento não automático. A recorrente apresenta diversos acórdãos do CARF e julgados de tribunais superiores para corroborar sua tese. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes O recurso é tempestivo, estando de acordo com o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O litígio versa sobre a aplicação da multa administrativa, por falta de licença de importação, prevista no art. 526 do RA vigente à época, Decreto n° 91.030/85: "Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (DecretoLei n° 37/66, artigo 169, alterado pela Lei n° 6.562/78, artigo 2°): [...] II importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multas de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria;" A recorrente importou por meio da DI 02/09775658, adição 002, em 04/11/2002, o produto por ela classificado na NCM 3802.90.40 descrito como: • 340.20 QUILOS BENTONE GEL IP CONTIDOS EM 2 TAMBORES; • 7,52 QUILOS BENTONE GEL MIO CONTIDOS EM 2 TAMBORES. O produto foi reclassificado pela fiscalização aduaneira para a NCM 3824.90.89, sendo a diferença de tributos recolhida aos cofres públicos pela recorrente. Na época da ocorrência dos fatos vigorava a Portaria Secex/MDIC nº 21/96 que definia que o licenciamento das importações deveria ocorrer de forma automática ou não automática. Nesta portaria também estava disposto que o Decex, órgão vinculado ao Secex, divulgaria, por meio de Comunicado, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais. A Decex então publicou o Comunicado nº 37/97 onde definia em seus anexos I e II os produtos sujeitos a licenciamento não automático. Logo os produtos que não estivessem listados estavam sujeitos a licenciamento automático pelo Siscomex. Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291,de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático. Pelos autos concluise que nenhuma das duas classificações constavam do Anexo II do Comunicado Decex nº 37/97, portanto estavam sujeitas a licenciamento automático. O licenciamento das importações é um controle administrativo que está afeito a política econômica do país. Os produtos são sujeitos a análise para sua importação ou exportação, licenciamento não automático, dependendo do plano econômico do governo. Se a grande maioria dos produtos estão sujeitos a licenciamento automático, é porque o governo assim definiu, e busca com isto alcançar outros objetivos, quais sejam o incremento da indústria nacional, a celeridade dos trâmites burocráticos, a geração de empregos e melhoria do comércio. Neste caso o controle que é feito por meio do licenciamento automático é apenas estatístico, com vistas ao controle da balança da pagamentos do país. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 11128.007941/200658 Acórdão n.º 310201.170 S3C1T2 Fl. 180 5 A Egrégia Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo 10907.000430/200161 (Acórdão 30237.985, de 19/09/2006), manifestou entendimento que se aplica à hipótese versada nos autos: "COMÉRCIO EXTERIOR. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA RELATIVA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Sendo o produto descrito na DI/LI o mesmo efetivamente importado, havendo divergência apenas quanto a sua classificação fiscal, não há que se aplicar a multa capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (...)." Também a matéria foi objeto de pronunciamento pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 30335361, em 21/05/2008, a qual formalizou entendimento no sentido de que a revisão da classificação fiscal empregada pelo importador não dá ensejo à aplicação da multa do controle administrativo: MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. "Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. (...)". Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir a aplicação da multa prevista no art. 526, II do Decreto nº 91.030/85, por falta de licenciamento da importação. Mara Cristina Sifuentes Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 29/09/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 11474.000011/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
DECADÊNCIA-CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO.
Período de apuração: 01/12/2000 e 12/2005
É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Nos casos de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, tal prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento, na forma definida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência somente até a competência 11/2000, com fulcro no art. 173, I do CTN. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias DECADÊNCIACONTRIBUIÇOES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. Período de apuração: 01/12/2000 e 12/2005 É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Nos casos de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, tal prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento, na forma definida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência somente até a competência 11/2000, com fulcro no art. 173, I do CTN. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa em epígrafe tendo em vista a autoridade fiscal ter identificado que a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias conforme previsto na Lei nº 8.212, de 1991. O crédito foi constituído e consolidado 04/12/2006. As competências abrangidas pela notificação compreendem o período de 11/2000 a 12/2005. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi julgado procedente conforme DecisãoNotificação exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Florianópolis SC, fls. 111/116. Irresignado, o sujeito passivou interpôs recurso voluntário, fls. 119/133, que, após apreciação pela 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deulhe provimento em parte, conforme acórdão nº 240100.181, fls. 152/184, excluindo do lançamento os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001. Tendo tomado ciência do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra decisão não unânime alegando contrariedade à lei ou à evidência da prova, tempestivamente, fls. 188/208, recebido em relação à matéria decadência. Alega que na contagem da decadência referente à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória não se aplica o art. 150, §4º, pois a contagem da decadência de penalidade deve ser feita à luz do art. 173, do CTN, pela inteligência dos arts. 113 e 139 do mesmo diploma legal, uma vez que a multa é lançada de ofício. O recurso foi admitido por meio de despacho, fls. 209/210, sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista ter ficado demonstrado que a decisão recorrida teria contrariado a lei ou a evidência dos fatos, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do RICSRF. Em contrarazões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11474.000011/200714 Acórdão n.º 920201.415 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 209/212. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida a esta Turma da Câmara Superior limitase a enfrentar a matéria relacionada à decadência do lançamento, apontando contrariedade à lei e à evidência dos fatos, tendo em vista a necessária aplicação do art. 173 do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (....) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. As competências abrangidas pelo auto de infração compreendem o período de 11/2000 a 12/2005, tendo sido consolidado o lançamento em 04/12/2006, com ciência do contribuinte no 04/12/2006. Compulsando os autos, verificase que o crédito tributário representado pelo lançamento sob análise referese a penalidade aplicada pelo não cumprimento de obrigação acessória pelo sujeito passivo. É dizer, o exercício de poder da autoridade fiscal autuante implicou na constituição do crédito tributário na modalidade lançamento de ofício. De fato e não é possível nos afastar desse entendimento, a multa aplicada como sanção do ato praticado em desconformidade com a lei tem seu alicerce na previsão contida no inciso VI do artigo 149 que estabelece a necessidade de ser efetuado o lançamento de ofício quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo resultando na aplicação de multa, in verbis: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (.........) VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Como foi anteriormente relatado, o auto de infração decorre do não cumprimento de obrigação acessória, assim compreendida aquela que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. In casu, deixou a empresa de apresentar a GFIP com a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Notese que a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória é incompatível com a norma prevista pelo art. 150, §4° do CTN, tendo em vista não se estar tratando de tributo propriamente dito e regido pela sistemática do lançamento por homologação cujo recolhimento antecipado é sua característica máter. Nesse sentido, o fato jurídico sob análise revelase um lançamento de ofício, exigindo por si mesmo a aplicação da regra geral da decadência disposta no art. 173, inc. I do CTN, razão pela qual VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL, para excluir da exação fiscal lançada apenas as competências até 11/2000, alcançadas pela decadência qüinqüenal. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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