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Numero do processo: 13982.000258/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/10/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/10/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 58 /2 00 7- 26 Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 473 2 Relatório Em desfavor da empresa, foi lavrado Auto de Infração que constituiu crédito tributário de IPI, em decorrência de irregularidades apontadas pela fiscalização, sobretudo a glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. Extraise do Termo de Verificação (efls. 288291), as razões da autoridade fiscal, bem sintetizadas pela decisão recorrida, nos seguintes termos: a) Glosa de créditos no valor de R$ 55.148,28, escriturados em 12/2005 na rubrica “outros créditos”, tendo em vista tais valores referiremse: I a supostos créditos de PIS/Pasep e COFINS recolhidos indevidamente, que, caso realmente existentes, deveriam ser aproveitados via pedido de compensação e não deduzidos no Livro de Apuração do IPI; II além disso esses valores também referemse a créditos presumidos de IPI apurados com base em vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM) e Áreas de Livre Comércio (ALC), não sendo decorrentes de vendas para o exterior; b) “Estorno dos créditos referentes aos pedidos de ressarcimento/compensação formalizados pelo contribuinte (art. 15 da IN SRF nº 210/02; art. 17 da IN SRF nº 460/04 e art. 17 da IN SRF nº 600/05). Os créditos foram estornados no período de apuração de apresentação da PERD/COMP”; c) “Somente foram considerados os créditos presumidos de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS (Lei n° 9.363/96) escriturados no Livro de Apuração do IPI. (art. 11 da IN SRF nº 21/97, art. 16 da IN SRF nº 313/03 e art. 16 da IN SRF nº 419/04)”; d) Após a recomposição da escrituração, foram apurados débitos nos períodos de apuração abril e outubro de 2006, lançados pelo auto de infração que ora se analisa. Em impugnação, a empresa defendeu que há o direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI calculado sobre os insumos aplicados em produtos destinados à Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, uma vez que tais vendas são equiparadas à exportação para o exterior. Ressaltese que a insurgência do contribuinte foi apenas na temática da glosa do crédito presumido relativo às vendas para a Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio. As demais irregularidades apontadas pela fiscalização não foram contestadas, são elas: glosa do crédito de PIS/Pasep e COFINS, estorno dos pedidos de ressarcimento e aproveitamento apenas dos créditos presumidos escriturados no Livro do IPI. A 3ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão n° 0123.463, negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI COMO RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 474 3 O crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, aplicase exclusivamente às exportações de produtos para o exterior. Inadmissível pretenderse a aplicação desse crédito nas vendas de produtos para Zona Franca de Manaus alegandose terem sido essas operações equiparadas a exportações, para efeitos fiscais, pelo DecretoLei nº 288, de 1967. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa os argumentos de sua impugnação e, em especial, defende que são inquestionáveis a equivalência e o tratamento fiscal das vendas à Zona Franca de Manaus e às Áreas de Livre Comércio com as vendas destinadas à exportação para o exterior, o que lhe assegura o direito de efetuar o crédito presumido de IPI. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, os valores referentes aos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus foram glosados pela fiscalização, por não se referirem a vendas para o exterior. No mesmo sentido, a decisão de piso aduziu que é da essência do crédito presumido, beneficiar exclusivamente exportações stricto sensu, isto é, exportações para o estrangeiro: Carece, portanto, de qualquer sentido cogitarse da aplicação do crédito presumido para operações internas destinadas a determinadas regiões que foram, para efeito de gozo de incentivos fiscais, equiparadas à exportação, visandose com esse tratamento privilegiado promover integração e desenvolvimento econômicos daquelas áreas. Há que se concordar que o objetivo do tratamento fiscal privilegiado, nesses casos, não se confunde nem se coaduna com o escopo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. Pretenderse estendêlo àquelas áreas, apelandose à mencionada equiparação, desvirtuaria por completo os objetivos para os quais foi criado o referido crédito presumido. Ademais, tratandose de benefício fiscal, a interpretação aplicável à matéria é a literal, restritiva, em consonância com o art. 111 do CTN. Entendo que a decisão merece reparos. Dispõe o art. 40 do ADCT: Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 475 4 Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Por sua vez, o art. 4° do DecretoLei n° 288/67 prescreve: Art. 4º. A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Por conseguinte, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL n° 288/67, há de se considerar que as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Salientese que essa questão foi julgada pela 3ª Turma da Câmara Superior do CARF, em recentíssimo acórdão n° 9303006.356, sessão de 22/02/2018, relatado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no qual restou assim consignado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Ademais, o STJ tem inúmeros precedentes no mesmo sentido: REsp 817.777 – RS, DJ 26/10/2006 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Descabe a esta Corte se pronunciar sobre violação de dispositivos constitucionais. 2. Deve ser afastada violação do art. 535 do CPC quando o recorrente não indica, com clareza e precisão, as teses sobre as Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 476 5 quais o Tribunal de origem deixou de se pronunciar. 3. Aplicável a Súmula 282/STF quando não há prequestionamento das teses apresentadas no recurso especial. 4. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67. 5. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1º da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 6. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI MC 23489, da relatoria do Ministro Marco Aurélio, havia suspendido a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP 2.03724, de 23.11.2000, que revogara a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Ação direta de inconstitucionalidade julgada prejudicada pelo relator, com prejuízo da medida liminar deferida, porque não aditada a petição inicial após as sucessivas reedições da Medida Provisória 2.037/2000. 7. Entendimento do STJ inalterado em razão de ter sido excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus" do texto do art. 14, § 2º, inciso I, nas reedições da MP 2.037/2000, acompanhandose o entendimento do STF no julgamento da liminar na ADI MC 23489. 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. REsp 698.356 – SC, DJ 03/03/2008 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. PREVALÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES DO CTN SOBRE AS DO DECRETOLEI 20.910/32. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. (...). 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decretolei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp. 652355/SC, 1ª T., Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 08.11.2007; REsp 653975/RS, 2ª T., Min. Eliana Calmon, DJ de 16.02.2007. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 477 6 Quanto às Áreas de Livre Comércio, prescrevia o Decreto n° 4.543/2002, vigente à época dos fatos autuados, que: Art. 472. Constituem áreas de livre comércio de importação e de exportação as que, sob regime fiscal especial, são estabelecidas com a finalidade de promover o desenvolvimento de áreas fronteiriças específicas da Região Norte do País e de incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos, segundo a política de integração latinoamericana (Lei no 7.965, de 22 de dezembro de 1989, art. 1o, Lei no 8.210, de 19 de julho de 1991, art. 1o, Lei no 8.256, de 25 de novembro de 1991, art. 1o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, e Lei no 8.857, de 8 de março de 1994, art. 1o). Parágrafo único. As áreas de livre comércio são configuradas por limites que envolvem, inclusive, os perímetros urbanos dos municípios de Tabatinga (AM), GuajaráMirim (RO), Pacaraima e Bonfim (RR), Macapá e Santana (AP) e Brasiléia, com extensão para o município de Epitaciolândia, e Cruzeiro do Sul (AC) (Lei no 7.965, de 1989, art. 2o, Lei no 8.210, de 1991, art. 2o, Lei no 8.256, de 1991, art. 2o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 1o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 2o). Art. 473. A entrada de produtos estrangeiros nas áreas de livre comércio será feita com suspensão do pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, que será convertida em isenção quando os produtos forem destinados a: (...) Art. 475. A venda de mercadorias nacionais ou nacionalizadas, efetuada por empresas estabelecidas fora das áreas de livre comércio para empresas ali sediadas, destinadas aos fins de que trata o art. 473, será, para os efeitos fiscais, equiparada a uma exportação (Lei no 7.965, de 1989, art. 6o, Lei no 8.210, de 1991, art. 6o, Lei no 8.256, de 1991, art. 7o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 2o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 7o). (...) Art. 478. As áreas de livre comércio serão administradas pela Superintendência da Zona Franca de Manaus. (...) Art. 481. Aplicase às áreas de livre comércio, no que couber, a legislação pertinente à Zona Franca de Manaus (Lei no 7.965, de 1989, art. 12, Lei no 8.256, de 1991, art. 11, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 2o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 11). Dessa forma, os benefícios fiscais instituídos para incentivar as exportações de mercadorias nacionais devem ser estendidos às vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus e às Áreas de Livre Comércio, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 478 7 Em última análise, a Zona Franca de Manaus e as áreas de livre comércio carregam a carga axiológica prescrita nos art. 3º, III, 151, I, in fine, e 170, VII, da Constituição Federal. Por isso, restringir a aplicação dos benefícios fiscais configurase afronta aos valores constitucionais de promoção do equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico e redução das desigualdades regionais e sociais. Por conseguinte, os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000247/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 42.
Nos termos da Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 42. Nos termos da Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 02 47 /2 01 1- 07 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 356 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11060.000247/201107, em face do acórdão nº 1040.690, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 09 de outubro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Do lançamento Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 246 a 256) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2008, no qual é exigido imposto de renda pessoa física no valor de R$299.406,27 acrescido da multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de ganhos de capital na alienação do imóvel rural denominado“Estância do Céu”, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Da impugnação O contribuinte apresenta a impugnação da exigência às fls. 260 a 283. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Desapropriação do imóvel rural “Estância do Céu” por interesse social para fins de reforma agrária. Não incidência do IRPF A desapropriação do imóvel rural deuse com o fim exclusivo de promover a reforma agrária. Tal operação está abrangida pelo disposto no artigo 184, § 5o, o qual prevê a nãoincidência de impostos, entre eles o Imposto de Renda Ganho de Capital, sobre as transferências de imóvel desapropriado para fins de reforma agrária. A cópia do processo administrativo de desapropriação acostada aos autos a fls. 27/217 traz inúmeros elementos que apontam, de forma incontroversa, a finalidade da desapropriação do imóvel rural do Impugnante, qual seja, implementar a reforma agrária. Todavia, a Autoridade Tributária aduz que, como o decreto de desapropriação foi embasado no artigo 5o, inciso XXIV, da Constituição, não seria possível considerar a desapropriação sub examine efetuada para fins de reforma agrária. Por conseguinte, em se tratando de suposta desapropriação por interesse social genérica, entende o Fisco Federal que haveria a incidência do IRPF sobre o ganho de capital oriundo da indenização recebida pelo Impugnante. Tais conclusões mostramse absolutamente equivocadas e contrárias ao nosso ordenamento jurídico. Inferese do próprio decreto de desapropriação, Decreto de 04 de novembro de 2008, que foi declarado sobre o bem interesse social "para fins de estabelecimento e manutenção de colônias Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 357 3 ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola" (artigo 1o), bem como que restou atribuída ao INCRA a tarefa de promover e executar a desapropriação do imóvel rural em questão (artigo 3o). O imóvel transmitido ao INCRA em virtude da desapropriação consiste nas frações de terra de 2.098,1664ha. e de 1.467,48ha., que fazem parte do imóvel denominado "Estância do Céu" e encontramse registradas no Ofício de Registro de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975. Examinando as matrículas, constatase que a desapropriação em comento foi averbada no Ofício de Registro de Imóveis nos seguintes termos: O imóvel objeto da presente matrícula foi declarado como sendo de interesse social ou utilidade pública para fins de Reforma Agrária. Incontestável, pois, que a desapropriação do imóvel rural, registrado no Ofício de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975, se deu por interesse social para fins de reforma agrária. A maior prova disso é a menção expressa nesse sentido na averbação realizada nas matrículas dos bens a requerimento do INCRA. No site do INCRA foi veiculada notícia sobre ato realizado em 18/12/2008 que marcou o assentamento de 590 famílias em áreas desapropriadas para fins de reforma agrária, entre elas a antiga "Estância do Céu”. Traz aos autos a relação dos beneficiários das concessões de uso expedidas pelo INCRA aos assentados na antiga “Estância do Céu”. Ademais, a desapropriação do imóvel rural “Estância do Céu” foi registrada amplamente pela imprensa gaúcha. É indiscutível que a transferência do imóvel do Impugnante para o INCRA efetivouse com o propósito exclusivo de implementar assentamentos rurais para famílias sem terra e, dessa forma, dar seqüência à promoção da reforma agrária no país. A nãoincidência do imposto está expressamente prevista no artigo 22, parágrafo único, da Lei n°. 7.713/88, norma esta repisada no artigo 120, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda. O aludido dispositivo legal, na esteira da regra constitucional supramencionada, exclui do conceito de ganho de capital o valor da indenização decorrente de desapropriação para fins de reforma agrária. Destarte, devidamente demonstrada a nãoincidência do IRPF sobre a indenização percebida pelo Impugnante em razão da desapropriação em tela, impõese o imediato e integral cancelamento do lançamento fiscal ora impugnado, eis que o crédito tributário nele veiculado mostrase totalmente indevido. Desapropriação pelo Poder Público. Natureza Indenizatório. Não Incidência do IRPF Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 358 4 Em atenção ao princípio da eventualidade, isto é, na remotíssima hipótese de se considerar que a desapropriação em comento não se deu com a finalidade de promover a reforma agrária, mas sim com base em interesse social genérico, cumpre evidenciar que, ainda assim, não se vislumbraria hipótese de incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital. No que diz respeito ao Imposto de Renda, o signo presuntivo de riqueza alvo de tributação consiste no acréscimo patrimonial decorrente da obtenção de renda e proventos de qualquer natureza, conforme disposto no artigo 43 do CTN. Somente nas situações em que a verba recebida pela pessoa aumentar o seu patrimônio haverá a incidência do Imposto de Renda. Afigurase indispensável perquirir acerca da natureza jurídica da verba percebida pelo proprietário nos casos de desapropriação por necessidade ou utilizada pública, ou por interesse social. Transcreve o artigo 5o, inciso XXIV, da Constituição, o qual disciplina o instituto da desapropriação genérica. A Constituição consagra a natureza indenizatória da verba recebida em virtude de desapropriação ("justa indenização"), reconhecendo se tratar de quantia destinada a recompor o patrimônio do expropriado. Portanto, é evidente que o recebimento da indenização pela desapropriação não encerra ganho de capital, nem enseja lucro, escapando tal fato ao conceito de renda ou proventos de qualquer natureza. Desse modo, considerando que tal verba possui caráter indenizatório, ou seja, consiste em mera recomposição do valor do bem desapropriado, não há que se falar em incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, porquanto não se verifica acréscimo patrimonial. Este, aliás, o sentido da expressão "justa indenização" constante do texto constitucional, a qual não pode ser reduzida pela incidência do IRPF. Apresenta jurisprudência judicial e administrativa. Por conseguinte, mesmo que se esteja diante de desapropriação genérica por interesse social, conforme sustenta equivocadamente a Autoridade Tributária, mostrase totalmente inviável a exigência do IRPF sobre Ganho de Capital, eis que a quantia recebida possui natureza indenizatória. Conclusões 1. A desapropriação do imóvel rural deuse exclusivamente para fins de reforma agrária; logo, a verba percebida enquadrase na hipótese prevista no artigo 184, § 5°, da Constituição, que exclui expressamente a incidência de impostos federais, estaduais e municipais sobre referida operação; inviável, portanto, a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física; 2. subsidiariamente, caso se entenda que não houve desapropriação para fins de reforma agrária, mas sim Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 359 5 desapropriação genérica por interesse social o que se diz apenas a título argumentativo , também não cabe cogitar da incidência da exação em comento; isso porque, o valor recebido em razão da desapropriação realizada pelo INCRA consiste em mera indenização para recomposição do patrimônio, não caracterizando ganho de capital. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, integralmente o crédito tributário lançado. A parte dispositiva do acórdão conta com a seguinte redação: Portanto, não se aplica, ao caso, a imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição Federal. O dispositivo se refere às operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, a denominada desapropriaçãosanção. A imunidade tem por pressuposto a desapropriação, que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode, se o preço ou as condições não lhe agradarem, recusar o negócio. A liberdade que está presente na venda e não existe na desapropriação justifica o tratamento tributário distinto. Além disso, não haveria lógica exigir imposto de renda sobre o ganho de capital incidente na expropriação de um imóvel, pois na desapropriaçãosanção o bem é tomado do seu proprietário, é um ato decorrente do poder de Império do Estado (autorizado pela CF/88) independentemente da vontade do agente, que não cumpriu com a função social da propriedade. Com relação a jurisprudência trazida aos autos pelo impugnante, ressaltese que as decisões proferidas no âmbito administrativo e no judiciário somente tem eficácia para o interessado na ação específica, não se estendendo aos demais contribuintes. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 324/340, reiterando as alegações expostas em impugnação, requerendo que este Colegiado proceda na improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica, ocorreu a desapropriação do imóvel rural em questão, consoante escritura pública de fls. 208/2017. Os documentos acostados aos autos a fls. 27/217 traz inúmeros elementos que apontam, de forma incontroversa, a desapropriação do imóvel rural do contribuinte. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 360 6 Este Conselho já consolidou seu entendimento desde dezembro/2009 no sentido de que não incide IRPF sobre ganho de capital quando a alienação ocorre em função de desapropriação: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp nº 1.116.460, em sede de recurso repetitivo, submetido ao regime do art. 543C do CPC/73, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 361 7 pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Ademais, foi consolidada a Tese nº 397 do STJ: A indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. (...) Nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. Mais uma vez, tratase de entendimento que deve ser repetido no âmbito deste Conselho, conforme disposto no RICARF. Registrase que esta decisão judicial levou, inclusive, à publicação da Solução de Consulta COSIT nº 105/2014, que reformou Solução anterior, e reconheceu a não incidência do IRPF sobre o ganho de capital quando a alienação ocorre em decorrência de desapropriação. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 362 8 Salientase, por fim, que o entendimento acima exposto já foi apreciado por esta Turma Ordinária, , na sessão realizada em 13 de setembro de 2017, ao apreciar o processo nº 15563.000093/201054, de relatoria do ilustre Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, entendeu, por unanimidade de votos, por proferir o acórdão 2202004.144, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário:2006 Ementa: DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA. "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42) Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730825/2016-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IN RFB 1.343/2013. VALOR ISENTO. ATUALIZAÇÃO. ENTIDADE.
O valor a ser utilizado na retificação prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve ser atualizado pela entidade de previdência complementar privada.
Numero da decisão: 2002-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IN RFB 1.343/2013. VALOR ISENTO. ATUALIZAÇÃO. ENTIDADE. O valor a ser utilizado na retificação prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve ser atualizado pela entidade de previdência complementar privada.
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VALOR ISENTO. ATUALIZAÇÃO. ENTIDADE. O valor a ser utilizado na retificação prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve ser atualizado pela entidade de previdência complementar privada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 08 25 /2 01 6- 26 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 10): Rubrica Valor em reais Imposto 1.758,96 Multa de ofício 1.319,22 Juros de mora 733,31 Total à época 3.811,49 A origem do lançamento foi a omissão de rendimento tributável de R$ 6.396,22 recebido da fonte pagadora Fundação Chesf de Assistência e Seguridade Social FACHESF (fl. 12). O lançamento foi motivado nos seguintes termos: Conforme documentação apresentada as Contribuições Previdenciárias de Janeiro/1989 a Dezembro de 1995 equivalem a R$ 48.454,98. Sendo assim, de acordo com a IN RFB nº 1343/2013 e alterações, o valor a ser abatido da Suplementação de Aposentadoria da Fundação CHESF (FACHESF) está limitado ao total das Contribuições Previdenciárias acima citadas (R$ 48.454,98). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 3) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 12/12/2016 (fl. 23) e protocolou sua peça no dia 29/12/2016 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que o demonstrativo da FACHESF só estava atualizado até 12/2010 e por isso totalizou R$ 48.454,98 (doc. 1). Partindo desse valor e utilizando a planilha da IN RFB 1.343/2013, totalizouse R$ 49.176,06 até 12/2010 (doc. 2). Na declaração retificadora do anocalendário 2012, o valor de R$ 49.176,06 foi atualizado até 12/2012, utilizando os mesmos índices da planilha da IN RFB 1.343/2013, chegandose a um total de R$ 55.426,52 (doc. 3). Este valor é superior ao que foi recebido da FACHESF em 2012, qual seja, R$ 54.851,20 (doc. 4). Dessa forma, não houve omissão de rendimentos, pois o valor das contribuições de 1989 a 1995 atualizado até 12/2012 supera os rendimentos recebidos da FACHESF em 2012. Declara ainda que não está discutindo judicialmente a matéria objeto deste processo e pede prioridade na análise em razão do art. 69A, I, da Lei 9.784/99. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 4 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 4); informe de contribuições FACHESF (fl. 5e ss); resumo de exaurimento e resultado (fl. 7); planilha de atualização do valor (fl. 8); comprovante de rendimentos FACHESF (fl. 9); notificação de lançamento (fl. 10 e ss). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 26 e ss) porque o próprio contribuinte fez a atualização dos cálculos, contudo, de acordo com o art. 3º, § 1º da IN RFB 1.343/2013, caberia à entidade de previdência complementar informar o valor das contribuições atualizado. Como tal formalidade não foi cumprida, não poderia ser excluído da tributação o valor em questão. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 40) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 09/10/2017 (fl. 35) e protocolou sua peça no dia 03/11/2017 (fl. 37), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 39 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que, em face das razões de decidir da DRJ, retornou à FACHESF e solicitou que as contribuições fossem atualizadas até 31/12/2012, tendo esta entidade realizado as devidas atualizações, conforme doc. 5 onde se observa que o valor total das contribuições é R$ 55.808,01, valor este que supera o que foi recebido da FACHESF e declarado pelo recorrente no anocalendário 2012, R$ 54.851,20 (doc. 4). Assim, foi atendido o previsto no art. 3º, § 1º da IN RFB 1.343/2013, dessa forma, pede o cancelamento do débito fiscal. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: informe de contribuições FACHESF (fl. 41 e ss); resumo de exaurimento e resultado (fl. 43); planilha de atualização do valor (fl. 44); 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 5 4 comprovante de rendimentos FACHESF (fl. 45); demonstrativo de contribuições emitido em 11/10/2017 (fl. 46 e ss); intimação e demonstrativo (fl. 48 e ss); acórdão DRJ (fl. 51 e ss); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão Apresentação de novas provas Em sede de recurso voluntário o contribuinte juntou novos documentos aos autos. O art. 16, § 4º, c do Decreto 70.235/72 prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Verificase que os documentos apresentados pela parte encaixamse nesta previsão, visto que destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que fundamentou sua decisão de improcedência da impugnação na falta de cumprimento da formalidade do art. 3º, § 1º da IN RFB 1.343/2013. Diante disso, a nova documentação será analisada. Mérito Segundo o art. 5º, caput da IN RFB nº 1.343/2013: Art. 5º Para efeitos do disposto nesta Instrução Normativa, as contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 devem ser atualizadas monetariamente até a data da não retenção, nos casos de que trata os arts. 2º e 7º, ou até 31 de dezembro do anocalendário correspondente, na hipótese prevista no art. 3º, com a utilização dos seguintes índices: Por força do artigo supracitado, considerando que a declaração retificada foi a do anocalendário 2012, é cabível a atualização do valor das contribuições até 31/12/12. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 6 5 O demonstrativo das contribuições apresentado pelo contribuinte às fls. 46 e 47 sana a falha apontada pela DRJ como motivo para o indeferimento do pleito. Verificase ainda neste documento que o valor total da contribuições atualizado foi R$ 55. 808,01, valor este inferior ao declarado como isento na retificação de 2012, qual seja R$ 54.851,20 (fl. 17). Dessa forma, os motivos que deram causa ao lançamento não mais existem, haja vista que o contribuinte sanou as falhas apontadas com a apresentação do demonstrativo das contribuições atualizado. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, para que seja extinto o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724547/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 47 /2 01 4- 79 Fl. 2953DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9490 e nº 51.065.2719, referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.954 3 contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e ao levantamento DI. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 2. O Relatório Fiscal, fls. 37/97, descreve a ação fiscal realizada no Contribuinte; a apuração das contribuições previdenciárias do período fiscalizado, os fatos e justificativas do lançamento e da caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (empresa e pessoas físicas) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: 2.1. Em suma, constam informações dos elementos básicos dos créditos previdenciários lançados; relato dos procedimentos realizados, a documentação examinada, as diligências efetuadas, as conclusões e resultados advindos. Ressalta se que a atividade principal da Empresa é a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas. 2.1.1. Nesse sentido, descreve o fluxo da operação imobiliária de vendas da então Fiscalizada; a documentação entregue e os esclarecimentos prestados, ambos considerados insatisfatórios para justificar a versão dos fatos dados pela Interessada, porém comprobatórios de serviços prestados por contribuintes individuais à Empresa, incluindose os comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas, bem como um discriminativo dos valores pagos aos corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas (identificando Nome, CPF, NIT, CRECI e Competência). 2.2. A então Fiscalizada, em resposta às intimações, apresentou esclarecimentos, destacandose que: (i) as autorizações de corretagem eram informalmente outorgadas pelas incorporadoras à LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda e que não localizou contratos escritos nos seus arquivos; (ii) assevera que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes, mas que os corretores eram contratados e remunerados diretamente pelos clientes, os compradores dos imóveis; (iii) ao explicar suas atividades, afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado; (iv) reforça que o corretor independente é quem faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília; (v) afirma que o comprador assume as seguintes obrigações distintas: de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. 2.2.1. Registrase que foram obtidos instrumentos particulares de parceria comercial, sendo a parceira empresa a LPS e o parceiro comercial o corretor pessoa física, parcialmente transcritos pela Autoridade Fiscal, com destaque para as cláusulas consideradas abusivas e de caráter unilateral, contendo previsões de poucos direitos, inúmeras obrigações e punições, próprias de subordinação, revelando que o contrato de prestação de serviço firmado entres as partes (LPS e Corretor) tem a natureza de típico contrato de adesão. Fl. 2955DF CARF MF 4 2.3. Durante o procedimento a Empresa foi alertada de que a não apresentação da documentação acarretaria no arbitramento do valor da remuneração reputada devida, mediante procedimento de aferição indireta e sem a observância do limite máximo do salário de contribuição no cálculo da contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais, como, de fato, ocorreu, pois a então Fiscalizada apresentou parte dos documentos e os esclarecimentos foram insuficientes e/ou insatisfatórios, conforme consta do Relatório Fiscal. 2.4. Assim, tendo em vista que os documentos e esclarecimentos fornecidos pela Empresa foram considerados insuficientes para comprovar a veracidade de suas afirmações de que não contratou/remunerou contribuintes individuais para auxiliála na intermediação de negócios imobiliários, a Autoridade Fiscal realizou diligências fiscais em 27 pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras), sendo que inicialmente no dia 07/03/2014 a fiscalização emitiu 06 (seis) Termos de Início do Procedimento Fiscal Diligência e posteriormente no dia 29/05/14 foram emitidas outras 21 intimações, através das quais requereu e obteve esclarecimentos e documentos do modus operandi das transações imobiliárias, de seus atores, funções, etc 2.5. Dos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis apurado que: (i) os imóveis foram adquiridos com a intermediação da LPS Brasília; (ii) os corretores pessoas físicas que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília (em geral usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação da LPS Brasília); (iii) quando da venda o comprador emitia vários cheques para pagamentos diversos, relativos ao sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) apresentado e juntado ao processo a memória de cálculo da área financeira; (iv) as vendas eram realizadas nos estandes de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra e a conclusão do negócio, por vezes, na sede da LPS Brasília; (v) o valor do imóvel constante no contrato de compra e venda geralmente era inferior ao valor constante na proposta de compra e venda/tabela de preço, devido a não inclusão dos valores pagos a título de comissão/premiação aos intermediários. 2.6. Dos documentos e esclarecimentos prestados pelos coordenadores e diretores diligenciados, a fiscalização constatou a ocorrência de um procedimento de criação de sociedades simples e/ou individuais para prestação serviços, geralmente exclusivos, à empresa para quem já trabalhavam como pessoas físicas (Pjotização). 2.7. Os corretores corroboraram com as seguintes informações, acrescidas de documentação: (a) o corretor recepcionava toda a documentação e a LPS Brasília e/ou a incorporadora/construtora ficava com uma das vias da negociação e a outra era entregue ao comprador do imóvel; (b) toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador) a área financeira da Lopes Royal entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos; (c) as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Brasília; (d) prestavam serviços com exclusividade, geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária, sob pena de desligamento do quadro das equipes de vendas. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.955 5 2.8. O resultado obtido nas diligências fiscais realizadas junto às incorporadoras/construtoras, em especial revelou (a) a praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal da concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boafé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias; (b) a imobiliária prestava consultoria mercadológica à incorporadora, esta definia o preço do imóvel e o valor da corretagem, variando entre 3,5% a 5,0%; (c) a ligação incorporadora mercado é efetivada pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por corretores independentes; (d) esclarecido que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. 2.10. A Autoridade Fiscal identificou nos contratos celebrados entre a Fiscalizada e as incorporadoras cláusulas com as seguintes características, relevantes ao caso em apreço: (a) exclusividade na intermediação das unidades das incorporadoras pela contratada; (b) possibilidade de criação de campanhas de prêmios para estimular a comercialização das unidades a serem pagos pelas incorporadoras à imobiliária (LPS Brasília) e aos profissionais que esta indicar (os corretores autônomos), cabendo à contratada a organização e distribuição dos prêmios; (c) previsão, em exceção à regra, de que os contratos de compra e venda determinem o pagamento das comissões diretamente à incorporadora, com o compromisso de repasse das comissões à imobiliária e aos profissionais participantes da intermediação da venda, indicados pela LPS. 2.11. Anotase que a Autoridade Fiscal registrou inúmeras empresas e corretores envolvidos, transcreveu trechos dos contratos e das informações obtidas quando das diligências, além de fazer referências aos anexos que contém a respectiva documentação e as planilhas que entabulam os dados obtidos. 2.12. Nas condições apuradas e, ainda, considerando os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, o AuditorFiscal conclui que a Empresa não só tinha o conhecimento como participava ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, desde o preenchimento da ficha cadastral, passando pela emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal; emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a finalização (assinatura) do contrato de compra e venda entre as partes. 2.13. Ademais, inferiu que a Fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, intencionalmente atua fragmentando as etapas da comercialização de imóveis (as denominadas “etapas da intermediação de operações imobiliárias”) por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de aparentar a vinculação direta dos corretores autônomos com os compradores de unidades imobiliárias. 2.13.1. O vínculo contratual entre corretor e imobiliária fica confirmado tanto pelo cumprimento do objeto pactuado com incorporadoras/construtoras para a comercialização de imóveis quanto pelos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores e corretores de imóveis diligenciados. 2.14. Assevera, apesar das afirmativas em sentido contrário da Fiscalizada, que todo o complexo processo de intermediação é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, sendo também responsável pela estrutura e material de apoio aos profissionais pessoas físicas para a prestação de serviço de atendimento aos clientes compradores. Fl. 2957DF CARF MF 6 2.15. Conclui que a conduta da LPS caracteriza ato ilícito, com finalidade de sonegação de tributos, especialmente das contribuições previdenciárias incidentes sobres as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados. 2.16. Registra que a LPS foi submetida anteriormente a fiscalizações e que apesar das decisões desfavoráveis continua infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre a matéria aqui abordada e acrescenta que seu entendimento está alicerçado em decisões judiciais. 2.17. Destaca a falta de transparência na conduta comercial pelo fato de não ser dado antecipadamente ao adquirente conhecimento de todos de seus direitos e obrigações para a formação do livre convencimento, em especial quanto ao pagamento destacado da comissão informado somente no momento da assinatura da proposta de compra e venda, entendendo que os procedimentos adotados (pela incorporadora e/ou imobiliária) ferem a legislação tributária e o Código de Defesa do Consumidor (CDC: Lei n° 8.078/90: art. 6°, inciso IV e V; art. 7°, § único; art. 39, inciso I; art. 42, § único e art. 51, inciso IV). 2.18. Em suma, apurado o procedimento ilícito e lesivo do sujeito passivo em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no tocante às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada. 2.19. Ainda, afirma que tal procedimento caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. 2.20. Nas condições relatadas, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, etc) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. 2.21. Esclarecido que em razão da falta de apresentação de todos os documentos solicitados e pelos esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não merecem fé, quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis, a Autoridade Fiscal, com fundamento no art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN), arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. 2.22. Para tanto, adotado o procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e por ela informados nas suas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Juntada respectiva planilha demonstrativa. 2.23. Ainda, considerada a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.956 7 (CRECI/DF) e, assim, a remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas teve o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa LPS registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil mencionada. 2.24. Ressaltado que em razão dos valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não terem sido informados pela fiscalizada (nome, CPF, nº Creci e respectiva remuneração); não constarem das GFIP nem das folhas de pagamento, nem tampouco lançados em títulos próprios da contabilidade, o limite máximo do salário de contribuição não foi considerado no cálculo das contribuições dos segurados contribuintes individuais. O Relatório de Lançamentos RL, fls. 27/29, é no mesmo sentido de que a empresa não apresentou a relação individualizada dos corretores e demais membros da equipe. 2.25. O Relatório Fiscal informa toda a fundamentação legal dos créditos previdenciários, em reforço ao relatório específico, denominado Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 17. 2.25.1. Destacase que o enquadramento do contribuinte individual está previsto no art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei nº 8.212/91, enquanto que a hipótese de incidência se encontra disciplinada no inciso III do art. 28 da mesma lei e cita como obrigações da empresa aquelas previstas no art. 30, inciso I e § 4°, art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. 2.25.2. Ainda sobre este assunto, destacase que no Relatório Fiscal consta a justificativa do arbitramento por meio de aferição indireta de acordo com o art. 33, §§ 3°e 6°, da mesma lei e que, com relação ao desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas, aplicase o disposto no § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 4º da Lei nº 10.666/03. 2.25.3. Quanto à multa, informada a fundamentação legal com esclarecimento de que com a introdução do art 35A na Lei nº 8.212/91 pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, a partir da competência 12/2008 a multa de ofício do Auto de Infração passou a ser de 75% sobre o valor das contribuições previdenciárias apuradas e qualificada (150%) nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Mencionada, também, a previsão do crime de sonegação de contribuição previdenciária nos termos do art. 337A do Código Penal (DecretoLei n° 2848/40), com a redação dada pela Lei n° 9.983/00. 2.26. Além disso, no tocante à multa, a Autoridade Fiscal detalhou sua aplicação e discorreu sobre os fundamentos da qualificação no caso concreto. Neste aspecto, considerou que o Contribuinte agiu no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores em questão e também com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, de modo a afetar sua obrigação tributária principal (deixou de pagar as contribuições previdenciárias). 2.26.1. Demonstrada, em tese, a ocorrência do crime de sonegação fiscal, tendo sido anotado pelo AuditorFiscal que a empresa LPS já incorreu no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora em questão. 2.26.2. Consequentemente, a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada, 150%) sobre as contribuições previdenciárias apuradas nas competências 01/2010 a 12/2011, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2959DF CARF MF 8 2.27. Apesar do presente processo cuidar do lançamento relativo ao descumprimento de obrigações principais, o Relatório Fiscal informa, descreve e detalha, em adição, as obrigações acessórias descumpridas que deram origem à lavratura de três Autos de Infração (Debcad nºs. 51.065.2867; 51.065;2875 e 51.065.2883) integrantes do processo nº 10.166.727336/201498. 2.28. Quanto à sujeição passiva solidária, indicados os dispositivos legais, art. 124, I e art. 135, III do CTN; art. 30, IX da Lei 8.212/91. 2.29. Informa que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A (CNPJ 08.078.847/000109) é sócia majoritária da autuada (51% do seu capital social) e que também tem participação em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas, em vários Estados e no Distrito Federal, sendo, portanto, a fiscalizada LPS Brasília uma das integrantes desse grupo econômico. 2.30. Constatado que a principal atividade das empresas do referido grupo é a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. Em comum entre a LPS Brasil e a LPS Brasília aponta o controle acionário, os administradores comuns e a atividade econômica. Também, considera que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. 2.31. Quanto aos demais sujeitos passivos, os sócios pessoas físicas, indicados como coresponsáveis Wildemir Antonio Demartini, sócio da autuada desde o início de sua atividade na qualidade de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini, atuando sempre no cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação nas comissões de vendas destinadas a LPS Brasília, conforme apurado nas diligências realizadas junto aos corretores e coordenadores/diretores. 2.32. Assim, os sócios acima mencionados (empresa e pessoas físicas) foram arrolados como responsáveis solidários dos créditos tributários constituídos, pois participaram da administração da empresa LPS Brasília, inclusive quanto à ilegalidade e abusividade da transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos. (...) 3. Tempestivamente, a autuada LPS Brasilia apresentou impugnação (fls. 1625/1772) alegando, em suma: 3.1. Inicialmente apresenta um relato sobre os fatos, afirmando que a autuação decorre da conclusão da Autoridade Fiscal de que a Impugnante teria tomado serviços de contribuintes individuais (Corretores Independentes) e remunerado tais serviços, os quais constituem fatos geradores de obrigações previdenciárias, mas que não foram realizados os respectivos recolhimentos das contribuições previdenciárias (cota patronal e contribuição do segurado). 3.1.1. Ainda, que a falta de recolhimentos supostamente devidos à Previdência social foi considerada dolosa, razão da aplicação da penalidade agravada, de 150%, referenciada no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 3.2. Em seguida passa a articular questões de mérito, iniciando pela apresentação de uma exposição sistematizada das “alegações e acusações” contidas no Relatório Fiscal, tendo em vista a estrutura repetitiva do referido documento. Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.957 9 3.2.1. Neste sentido, sua introdução registra e desenvolve os seguintes tópicos extraídos do Relatório Fiscal: a) fundamentos legais do Auto de Infração; b) teses centrais do Auto de Infração (tomada de serviços de contribuintes individuais, respectivo pagamento sem recolhimento das contribuições previdenciárias); c) justificativas da conclusão de que a impugnante teria realizado pagamentos de remunerações em benefício de corretores independentes; penalidade (multa de 150%); d) obrigações acessórias. 3.2.2. Em contrariedade à tese da Autoridade Fiscal, defende a ausência de prestação e tomada de serviços na relação jurídica estabelecida entre a Impugnante e Corretores Independentes, com fundamento no art. 6º da Lei nº 6.530/78 e art. 728 do Código Civil que formatam diversamente a interação entre imobiliárias (corretoras pessoas jurídicas) e corretores independentes (corretores pessoas físicas). 3.3. A fim de melhor expor seu entendimento explica a distinção entre corretagem e prestação de serviços em contraposição ao articulado no Relatório Fiscal. Para tanto retroage à figura do agente auxiliar do comércio previsto no derrogado Código Comercial, entende ser pertinente ao corretor, à luz do art. 722 do Código Civil, ressaltando a atuação independente e imparcial deste perante as partes visando obter condições para o vínculo contratual entre as partes e não atuação em nome (mandato) ou por conta e ordem (comissão mercantil), nem tampouco “simplesmente realizar determinados atos a pedido de uma delas (caso em que há prestação de serviços)” (fls. 1721), reforçando a inexistência de serviço, na corretagem. 3.3.1. Alega que o objeto da corretagem é um resultado, não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obtêlo, se o negócioalvo não se efetivar não fará jus a nenhum recebimento, não se confundindo corretor com o “vendedor” preposto do empresário, portanto inócua a afirmação da Autoridade Lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolvia sob a orientação, coordenação, controle, supervisão e direção da Impugnante, ressaltando que os corretores independentes, cada um por si, como empresários, correm todos os riscos de sua atividade. 3.4. A fim de melhor expor, narra a evolução histórica dos diversos tipos de corretagem, iniciando pela figura do “preposto” na corretagem em geral. 3.5. Partindo do contexto narrado sobre preposto, defende que os Corretores Independentes não são prepostos da Impugnante. Da análise da Lei nº 6.530/78 resulta que não existe previsão de preposição na intermediação imobiliária, ao contrário da legislação atinente a outros ramos de corretagem, ressaltando que na referida lei que regula a corretagem imobiliária a relação entre os tipos distintos de corretores (pessoas jurídicas e físicas) é horizontal. 3.5.1. Coerentemente, o Decreto nº 81.871/78 também não revela preposição, pelo contrário, confirma a relação horizontal. 3.5.2. Ainda, com amparo em doutrina reproduzida e supondo, hipoteticamente, a figura do preposto na intermediação imobiliária, a conduta seria de mero “instrumento” e como tal também não se encaixaria, pois a atuação perante o público é de corretor de imóveis e não de “instrumento”, preposto. 3.6. Esquadrinhando a relação associativa que se institui entre imobiliária e Corretores Independentes, destaca o art. 728 do Código Civil com a previsão de rateio da remuneração entre corretores que atuam em associação, expondo neste sentido a relação existente entre os profissionais liberais e as imobiliárias, Fl. 2961DF CARF MF 10 reafirmando que a imobiliária “patrocinadora” não responde pelos atos do corretor independente e que estes assumem todos os riscos inerentes à sua atividade, ratificando que não se trata de mera prestação de serviços nem o corretor é preposto. 3.6.1. Defende a existência de associação nas atividades, ainda que complementares, da imobiliária “patrocinadora” e do corretor independente que “atende” ao público, não há coincidência de atuação que ocorreria se fosse mera prestação de serviços. Descreve a atividade distinta e complementar de cada um. E afirma que a estrutura física e logística da imobiliária não implica em exclusividade dos corretores autônomos. 3.7. Ainda, discorre sobre a diferença entre “coordenação” e “controle” visando esclarecer que a Impugnante orienta, compartilha e ambos – imobiliária e corretores – estão direcionados para os objetivos comuns. Retoma a questão de que os riscos são assumidos bilateralmente, assim como a perspectiva de lucro. A atuação é colaborativa, colateral. 3.8. Afirma que a Impugnante não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os Corretores Independentes. Discorda da imputação de que remunera os corretores, justificando que se trata de mero rateio (de acordo com o art. 728 do CC) dos valores pagos pelos beneficiários da intermediação. 3.8.1. Examina a materialidade do fato gerador que indica a exigência de que o tomador de serviços seja a fonte de pagamento da remuneração alega que o AuditorFiscal não afirmou nem comprovou neste sentido. 3.9. Adicionalmente refuta com os seguintes argumentos: 3.9.1. Do livre convencimento dos compradores. Discorda de que o cliente não tinha consciência, tanto que receberam os respectivos recibos (RPA), o além do pagamento formaliza a relação de corretagem estabelecida, ressaltando que ainda que não fosse perfeitamente claro isto não implicaria em requalificação dos fatos ocorridos. Acrescenta que é incorreta a afirmação de que haveria dedução do valor venal do imóvel, pois os valores de corretagem são incluídos no custo do imóvel. 3.9.2. Quanto à formalização do contrato de corretagem, defendese no sentido de que nada impede que seja verbal, mas ainda que assim não fosse, seria passível apenas de sanção administrativa e não configuração de fato novo, o pagamento de remuneração a corretores independentes. 3.9.3. A questão da simulação abordada no Relatório Fiscal – aparente pagamento pelos compradores de imóveis encobrindo o negócio dissimulado dito como a Impugnante como efetiva pagadora das remunerações é combatida com a indicação de argumentação contraditória constante do mesmo Relatório, quanto à ilegal transferência de ônus de pagar a corretagem. A simulação requer conluio e não há prova da anuência dos clientes compradores, não fazendo sentido com os outros argumentos da Autoridade Fiscal. 3.9.4. Discorre sobre a “transferência” do ônus relacionado à corretagem afirmando, ao contrário da Autoridade Fiscal, que o entendimento judicial prevalente é no sentido de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador e o consequente pagamento da comissão por este. Reproduz julgado. 3.9.4.1. Reafirma que mesmo supondo a ilegalidade da prática comercial, isto não requalificaria os fatos de modo a caracterizar fato tributável, pagamento da corretagem pela imobiliária. Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.958 11 3.9.5. Combate a dita transferência da “sujeição passiva” afirmando, inclusive, falta de prova nos autos e de até antecedente lógico quanto à realização de pagamentos pela Impugnante e da alegada simulação. 3.9.6. Seguindo o mesmo raciocínio trata da prova da realização de pagamentos pelos compradores e, assim demonstrado, afirma que inexiste suporte fático para a incidência das contribuições previdenciárias lançadas. 3.9.7. Relata e reproduz posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Colaciona acórdãos favoráveis ao seu entendimento. 3.10. A conclusão sobre o mérito do Auto de Infração da Impugnante é de inocorrência dos fatos geradores e improcedência da autuação. 3.11. Ainda e por consequência, defende que não devem persistir as exigências das Obrigações Acessórias. 3. 12. Lado outro, a impugnante discorre, também sobre o que considera Questões Subsidiárias. 3.12.1. Assim, articula sobre o limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração; a falta de base legal e incertezas da circularização; a opinião guiada pela “aparência” dos compradores de imóveis; as Declarações de Corretores Independentes e de Incorporadoras que infirmam o Auto de Infração. 3.12.1.1. Afirma que são opiniões e, ainda, assim revigoram a natureza de parceria e afastam o cunho de prestação de serviços. Cita, quanto às incorporadoras a confirmação de contratos informais. Transcreve trechos dos depoimentos em sustentação à sua posição. 3.12.1.2. Quanto aos elementos probatórios colhidos mediante circularização, pretende o reconhecimento de que se tratam de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 3.12.1.3. E, se assim não fosse, considerando hipoteticamente que o Auto de Infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela Autoridade Fiscal, diversas declarações comprovam ao contrário da interpretação jurídica dada, afirmando ter sido inexplicavelmente ignoradas pelo Auditor Fiscal. 3.12.2. Em adição, também alega improcedência absoluta do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição. 3.12.3. Insurgese à não observância do limite do salário de contribuição na apuração da contribuição dos segurados, entende que no caso de falta de informações a Autoridade Fiscal pode valerse do arbitramento, observados os parâmetros legais, o que não a autoriza a descumprir o teto do salário de contribuição. 3.12.4. Contesta o fato da Autoridade Fiscal não ter calculado, com bases no número de operações registradas na contabilidade, o número de segurados, assim como do número médio que poderia ter sido obtido junto aos compradores diligenciados. 3.12.5. Acrescenta que neste momento não seria possível a revisão do lançamento, por força do art. 146 e 149 do CTN. Fl. 2963DF CARF MF 12 3.12.6. Assim, entende que foi desrespeitada a legalidade e que o respectivo lançamento deveria ser cancelado. 3.13. Ademais, assevera ilegalidade do arbitramento por não ter sido observada a legislação de regência. Analisa o procedimento à luz do art. 148 do CTN, esquadrinha a aplicação, mencionando o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 e § 3º do art. 201 do Decreto nº 3.048/99. 3.13.1. Corrobora seu raciocínio com julgado do CARF no qual figura como autuada a ora Impugnante. 3.13.2. Ainda, aponta que o parâmetro de divisão paritária do valor da comissão com base na tabela do CRECI reforça o equívoco do AuditorFiscal, pois a referida tabela trata de rateio e não de pagamento de remuneração entre Imobiliária e Corretores Independentes. 3.13.3. Nestas condições, a remissão à referida tabela reforça a improcedência do Auto de Infração assim como, ao menos, expõe a ilegalidade da base de cálculo. 3.14. Trata da Dedução de 9% do saláriodecontribuição (cota do segurado) e articula no sentido de que deve ser reduzida a alíquota das contribuições supostamente não retidas dos Corretores Independentes de 20% para 11%. 3.15. Argumenta, ainda, quanto ao descabimento do Agravamento da Multa Qualificada, aplicada com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. 3.15.1. Discorre sobre os elementos objetivo e subjetivo do ilícito tributário: o ilícito tributário (elemento objetivo) e a intenção de fraudar, o dolo (elemento subjetivo). 3.15.2. Discursa sobre a vontade consciente do sujeito passivo em cometer o ilícito tributário – o dolo – introduzido pelos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64 na seara tributária. 3.15.3. Assevera a importância do correto entendimento do dolo tributário no lançamento de ofício, tendo em vista ser causa da majoração da multa de ofício, observando que não se pode confundir a ocorrência do ilícito com a intenção em praticálo. 3.15.4. Neste sentido, registra a forma de apreciação da multa majorada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que tem a posição de rejeitar sua aplicação quando não demonstrada a ocorrência do dolo associado ao ilícito tributário. Colaciona julgados. 3.15.5. Aduz que a adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado “erro de proibição”, situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo, apesar de ciente da sua obrigação com o fisco, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. Adiciona ementas de acórdãos. 3.15.6. Para o caso concreto, quanto ao procedimento da Impugnante e o descabimento da multa qualificada, retoma a situação fática sob sua ótica, acima narrada, reiterando a mera associação com os corretores independentes; afirma que sempre buscou apurar os seus tributos corretamente, refuta a existência de fato oculto, documento falso e assevera a adoção de conduta pautada em raciocínio jurídico plausível. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.959 13 3.15.7. Afirma que o modelo de negócio adotado pela Impugnante trata de um uso consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. 3.15.8. Nesse contexto, entende inaplicável a majoração e caso persista o lançamento, o que considera hipótese remota, a multa deverá ser restabelecida em 75%. 3.16. Por fim, cuida da impossibilidade de Cobrança de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício. 3.16.1. No caso de ser mantido em todo ou em parte a autuação, o que admite para fins de argumentação, combate os juros, calculados pela taxa Selic, sobre a multa lançada de ofício. 3.16.2. Questiona o sentido de “crédito tributário” no art. 161 do CTN discorre sobre o tema à luz do art. 139 do CTN e conclui que deve ser restrito tal vocábulo, ou seja, de descumprimento da obrigação tributária. Reproduz julgados administrativos. 3.16.3. Conclui pela impossibilidade de cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. 3.17. Em suas conclusões repassa todos os pontos anteriormente mencionados e acima sumariados e, ante o exposto, em seu pedido, requer que o Auto de Infração seja julgado integralmente improcedente, protestando, ainda, pela produção de provas. 3.17.1. Acrescenta, ao final, a pretensão de que todas as intimações e comunicações sejam encaminhadas à Impugnante, em seu endereço e, adicionalmente, aos seus advogados, no escritório destes. 3.18. Acompanham a impugnação (fls. 1773/1806) as cópias do documento de identificação de seu Patronos; procuração; alteração de contrato social da Impugnante; Recibos de Corretagem Autônoma. 4. Também impugnaram a Autuação os responsáveis solidários, sócios da Autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, fls. 1809/1828; Wildemir Antonio Demartini, fls. 1932/1951 e Marco Antonio Moura Demartini, fls. 1961/1980. 4.1. Observase que as respectivas peças impugnativas dos responsáveis solidários acima identificados são advindas do mesmo escritório de advocacia e contém razões de fato e de direito basicamente coincidentes. A argumentação, comum aos três e a diferenciada (indicada quando o caso), resumese em: 4.2. Inicialmente, consta a exposição dos Fatos com a mesma visão da Autuada, destacandose a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária que tem como fundamento legal o art. 124, I do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 (LPS Brasil); art. 124, I e art. 135, III, ambos do CTN (Wildemir e Marco Antonio). 4.2.1. Acrescentam que o mérito do Auto de Infração e as razões pelas quais deve ser cancelado constam da impugnação da LPS Brasília, razões estas incorporadas a esta por referência, visando, em primeiro plano, a impugnação de cada um dos supostos coobrigados combater o Termo de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 2965DF CARF MF 14 4.3. Quanto ao mérito, discorrem sobre a inaplicabilidade do art. 124, I do CTN, destacam o interesse comum e sua inexistência no presente caso. Citam legislação, doutrina e jurisprudência. 4.3.1. Argumentam que a Autoridade Fiscal não comprovou que a Autuada e as Solidárias possuíam direitos e deveres iguais comuns na relação jurídica que ensejou a suposta incidência tributária. Destacam que a solidariedade não se presume. 4.3.2. Afirmam que não foi demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial e que a falta de prova da confusão patrimonial exclui a solidariedade. 4.3.3. Também alegam inexistência de comprovação de interesse que não seja meramente econômico na qualidade de sócias da LPS Brasília e desempenho de suas atividades. 4.3.4. Desta forma, afirmam não ter sido atendido o requisito de interesse jurídico comum no fato que constitui a hipótese de incidência tributária, como determina o art. 124, I do CTN. 4.3.5. O simples fato de figurarem no quadro societário da Autuada não ampara a imputação de solidariedade, por falta de previsão legal, reforçando que a Autoridade Fiscal não fez prova de qualquer das hipóteses de solidariedade. 4.3.6. Em decorrência, sem a presença dos requisitos previstos no art. 124, I do CTN, os Termos de Sujeição Passiva devem ser cancelados. 4.4. Ainda quanto ao mérito, a Impugnante LPS Brasil afirma a inaplicabilidade do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. 4.4.1. Argumenta que para a aplicação do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 deve estar presente a unicidade de poder decisório e administração do dito grupo econômico, acrescida da centralização sobre a realização – ou não – dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como das obrigações tributárias. 4.4.2. Destaca que segundo o referido dispositivo não basta pertencerem a um grupo econômico, sendo determinante o poder decisório determinante e concreto sobre os atos ligados ao fato gerador e ao cumprimento das obrigações tributárias. 4.4.3. No presente caso, afirma que a Autoridade Fiscal não comprovou a caracterização de situação nos moldes anteriormente mencionados, motivo pelo qual não subsiste o fundamento de solidariedade com fundamento no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. 4.5. De outra banda, os sócios responsáveis solidários Wildemir e Marco Antonio, defenderam a inaplicabilidade do art. 135, III do CTN. 4.5.1. Argumentaram a incompatibilidade entre a acusação de responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN) e a responsabilidade pessoal (art. 135, III do CTN) e também a ausência dos pressupostos de aplicação do art, 135 do CTN no caso em debate. 4.5.2. Afirmam inconsistência na simultânea responsabilização solidária e pessoal dos sócios pessoas físicas, considerando incompatível o art. 135, III do CTN com a responsabilidade da própria LPS Brasília. 4.5.3. Acrescentam que não constam provas de que os responsáveis solidários – sócios pessoas físicas – tivessem agido de forma ilegal ou com excesso de poderes ou de forma ao contrário social da LPS Brasília. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.960 15 4.5.4. Reforçam que a Autoridade Fiscal pretendeu arrolar os sócios como responsáveis pelo crédito sem provar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. 4.5.5. Portanto, a inexistência dos requisitos para aplicação do art. 124, I e do art. 135, III do CTN conduzem ao necessário cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária (dos sócios pessoas físicas). 4.6. A questão subsidiária trazida em comum pelas três solidárias impugnantes trata da impossibilidade de responsabilização por penalidades. 4.6.1. Refutam a imputação de devedora solidária da multa de ofício aplicada, vez que de acordo com o art. 124 do CTN a solidariedade alcança somente a obrigação tributária principal, com o que não inclui a multa. 4.6.2. Acrescentam que somente o agente infrator responde pela penalidade, sendo indispensável a comprovação da ocorrência de dolo específico, consoante art. 173 do CTN, situação não verificada no presente caso. 4.7. Por fim, nos moldes da impugnação da Autuada, apresentam suas conclusões onde repassam as questões acima mencionadas e, em seus pedidos, requerem a improcedência integral do Auto de Infração e protestam pela produção de provas. 4.7.1. Adicionalmente, pretendem que todas as intimações e comunicações sejam encaminhadas à (cada) Impugnante, em seu endereço, bem como aos seus advogados, no escritório destes. (...) Não obstante os termos da impugnação, a exigência foi mantida no julgamento de primeira instância (fls. 2033/2085). Por conseguinte, a autuada interpôs recurso voluntário em 1/4/2016 (fls. 2113/2185), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários respectivamente às fls. 2229/2320, 2401/2426, e 2325/2350. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 2621/2625) juntando documentos novos ao processo, e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Fl. 2967DF CARF MF 16 Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação do documento intitulado "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.961 17 h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 2969DF CARF MF 18 forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.962 19 pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Fl. 2971DF CARF MF 20 Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.963 21 De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato Fl. 2973DF CARF MF 22 de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.964 23 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se Fl. 2975DF CARF MF 24 dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para as Demais Incorporadoras/construtoras não diligenciadas e para as quais não foram emitidos o Termo de Sujeição Passiva Solidária em função da grande quantidade de empresas contratantes, porém com valores venais dos seus imóveis transacionados de menor relevância no contexto desta ação fiscal (LEV DI). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Não demonstra a recorrente, ademais, eventual desproporcionalidade ou inadequação do critério utilizado, o qual está em harmonia com as normas de regência. Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso no voto do relator da decisão contestada, o qual restou vencido àquela ocasião. Explico. Fl. 2976DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.965 25 A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os Fl. 2977DF CARF MF 26 débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Fl. 2978DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.966 27 A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini Fl. 2979DF CARF MF 28 A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.967 29 Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a Fl. 2981DF CARF MF 30 ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.968 31 de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não Fl. 2983DF CARF MF 32 atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.969 33 como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 2985DF CARF MF 34 "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.970 35 a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 2987DF CARF MF 36 que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 10166.724547/201479 Acórdão n.º 2202004.573 S2C2T2 Fl. 2.971 37 Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 2989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.008106/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/03/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer
Numero da decisão: 2402-006.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 81 06 /2 00 3- 11 Fl. 713DF CARF MF Processo nº 23034.008106/200311 Acórdão n.º 2402006.291 S2C4T2 Fl. 102 2 Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 166/183 em face da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 14/2004 emitida em 08/01/2004 no valor total de R$ 11.332.183,78 (efl. 60), com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, especificamente quanto a deduções para indenizações não comprovadas nas competências 06/1998; 01 e 02; 04; 06 a 08; e 12/2000; 01 a 02; 06 a 08/2001; e 01/2002, bem assim compensações indevidas no período abrangendo as competências 02/2002 a 05/2003, consoante documentos e termos acostados aos autos. A Recorrente foi cientificada da NRD n. 14/2004 (efl. 60) em 14/01/2004 (e fl. 62) e apresentou, em 29/01/2004, a impugnação de efls. 73/102, que foi indeferida nos termos da decisão da lavra do Ilmo. Presidente do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 124/127, havendo dela a Recorrente sido cientificada em 20/02/2004 data do carimbo da unidade dos Correios, destacandose que a postagem ocorreu em 16/02/2004 (efl. 155) , e, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, assinado em 29/03/2004 (não consta dos autos comprovante da data do protocolo/recepção no FNDE) e fls. 166/183. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 166/183) é intempestivo e, assim, não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, não havendo, portanto, dele de se conhecer. Com efeito, a Recorrente foi cientificada da decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 124/127 na data de 20/02/2004 sextafeira antecedente ao carnaval, conforme informa carimbo da unidade dos Correios e assinatura com RG consignados no AR (efl. 155) iniciandose o prazo de contagem no dia 26/02/2004 (quintafeira, após o carnaval), primeiro dia útil seguinte à ciência com expediente normal, vez que o dia 25/02/2004 correspondeu a uma quarta feira de cinzas, que, normalmente é dia de meioexpediente nas repartições públicas federais e interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2004 segundafeira (efls. 166/183), data da assinatura da referida peça recursal, vez que não consta dos autos a data de protocolo/recepção no FNDE. É dizer, ainda que o recurso voluntário em apreço houvesse sido protocolizado/recepcionado pelo FNDE exatamente na mesma data em que foi assinado (29/03/2004), mesmo assim restaria caracterizada a intempestividade, tendo em vista que o prazo de 30 (trinta) dias, previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/1972, esgotouse na data de 26/03/2004, sem que haja registro, pelo própria Recorrente, de impossibilidade, de qualquer ordem, de apresentação da referida peça recursal na retrocitada data limite. Também é relevante ressaltar que a Recorrente informa expressamente no Recurso Voluntário (efls. 166/183) que tomou ciência do Ofício n. 367/2004/GERAC/DIINS/PROINSPE (efls. 130/131) que encaminhou o teor da decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 23034.008106/200311 Acórdão n.º 2402006.291 S2C4T2 Fl. 103 3 124/127 na data de 26/02/2004 (quintafeira), diferente do que consta do AR (efl. 155). Na verdade, nessa data é que iniciouse a contagem do prazo para interposição do recurso voluntário, conforme já relatado acima. Desta forma, resta caracterizada a intempestividade, forte no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Destarte, resta prejudicado o Recurso Voluntário de efls. 166/183, não havendo dele se conhecer. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 166/183). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 715DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001508/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
OPÇÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. ASPECTO TEMPORAL.
Tem-se que a opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano-calendário. Excepcionalmente para o ano-calendário de 2007, na hipótese de a pessoa jurídica por opção excluir-se do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007 os efeitos dessa exclusão dar-se-ão a partir de 1º de julho de 2007. O Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional foi formalizado após o prazo legal de 31.08.2007 para a providência e por essa razão não foi deferido pela Administração Pública, que somente pode aplicar a lei de ofício e atuar nos estritos limites legais com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo.
Numero da decisão: 1003-000.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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EXCLUSÃO RETROATIVA. ASPECTO TEMPORAL. Temse que a opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Excepcionalmente para o ano calendário de 2007, na hipótese de a pessoa jurídica por opção excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007 os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. O Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional foi formalizado após o prazo legal de 31.08.2007 para a providência e por essa razão não foi deferido pela Administração Pública, que somente pode aplicar a lei de ofício e atuar nos estritos limites legais com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 08 /2 00 8- 12 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10925.001508/200812 Acórdão n.º 1003000.103 S1C0T3 Fl. 88 2 A Recorrente formalizou em 26.06.2008, fl. 01, o Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional, nos seguintes termos: [...] solicitar que seja desenquadrada do SIMPLES NACIONAL retroativamente ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, pelo motivo de que, neste período, nossa empresa passou a tributar pelo regime de Lucro Presumido, migrou automaticamente para o SIMPLES NACIONAL, mesmo não tendo feito a opção por este regime de tributação, para o referido período, certo de vossa compreensão, agradeço desde já. A Decisão Simples Nacional DRF/JOA/SC nº 44, de 26.01.2011, fls. 1012, indeferiu o pedido fundamentandose no fato de que: Dessa forma, o interessado protocolou pedido de exclusão do Simples Nacional em 26//06/2008, ou sei a, período posterior ao prazo estabelecido pela Resolução CGSN .04 (último dia útil do mês de julho de 2007), de maneira intempestiva.[...] Em consonância com o Parecer SACAT n° 044, de 26 de janeiro de 2011, que aprovo, e fazendo uso da competência delegada pelo artigo 280, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF no 125, de 04 de março de 2009, CONCLUO pelo indeferimento do pedido de exclusão da pessoa jurídica acima identificada no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Nacional — período de 01/07/2007 a 31/12/2007, conforme o disposto nos artigos 17° e 18° da Resolução CGSN n.° 04, de 30 de maio de 2007. Desta decisão cabe impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência deste Despacho. (grifos do original). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0727.426, de 10.02.2012, fls. 5354: PEDIDO DE EXCLUSÃO EXTEMPORÂNEO. INDEFERIMENTO. A exclusão do Simples Nacional por opção, para o anocalendário 2007, deveria ser comunicada a RFB entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, sendo vedada a exclusão comunicada em data posterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 05.04.2012, fl. 63, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.05.2012, fls. 6583, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que toca ao pedido de exclusão retroativa do Simples Nacional defende que não é optante e ainda: Não tendo sido, em momento algum, minha empresa formalmente informa pela Receita Federal de seu enquadramento automático no SIMPLES Nacional, durante o segundo semestre de 2007. [...] Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10925.001508/200812 Acórdão n.º 1003000.103 S1C0T3 Fl. 89 3 O fato ocorreu não, por termos agido de má fé, mas sim, um problema gerado em um momento de adequação a uma sistemática completamente nova de tributação, podendo haver falhas nestas situações transitórias, tanto da parte das empresas, quanto da própria Receita Federal, demonstramos nossa boa fé, pelo fato de que, todos os impostos referentes a este período, foram devidamente recolhidos em dia, pelo Lucro Presumido, assim como foram apresentadas a DCTF do segundo semestre de 2007, DIPJ e a DACON, conforme cópias em anexo. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente requerimento, para o fim de assim ser decidido, cancelar o enquadramento junto ao SIMPLES Nacional referente ao segundo semestre do ano de 2007. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. A Resolução CGSN nº04 de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10925.001508/200812 Acórdão n.º 1003000.103 S1C0T3 Fl. 90 4 § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. A Resolução CGSN nº04 de 30 de maio de 2007, prevê: Art. 6º [...] § 12. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, na hipótese de a ME ou a EPP excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, por opção, os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. Analisando a legislação tributária específica temse que no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007 e § 12 do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 25 de julho de 2007, todos vigentes à época (art. 144 do Código Tributário Nacional), a opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, na hipótese de a pessoa jurídica por opção excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007 os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais1. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em conformidade com os Dados Cadastrais, fl. 03, consta: HISTÓRICO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL INCLUSÃO 1 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10925.001508/200812 Acórdão n.º 1003000.103 S1C0T3 Fl. 91 5 01/07/2007 Está registrado na tela denominada Consulta Optante, fl. 08: CNPJ: 79.025.318/000187 Nome Empresarial: EUCLIDES CATARINO ZENARO ME Situação: Optante pelo Simples Nacional a partir de 01/07/2007 Opções pelo Simples Nacional em Períodos Anteriores: não existem Verificase que a Recorrente formalizou o Pedido de Exclusão Retroativa no Simples Nacional em 26.06.2008, fl. 01, após o prazo estabelecido para a exclusão em relação ao anocalendário 2007, o que impede a exclusão da contribuinte em relação a este ano calendário. Consta no Acórdão da 4ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0727.426, de 10.02.2012, fls. 5354, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Extraise destes dispositivos que os contribuintes podem requerer a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação à RFB, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro do anocalendário subsequente. Caso a exclusão seja comunicada no mês de janeiro, a exclusão produzirá efeitos desde o inicio do próprio anocalendário. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, o prazo para esse cancelamento voluntário foi estabelecido em 31/08/2007. Ingressandose ao caso em tela, observase que a empresa solicitou em 26/06/2008 sua exclusão do Simples Nacional, após o prazo estabelecido para a exclusão em relação ao anocalendário 2007, o que impede a exclusão da contribuinte em relação a este anocalendário. Observase que, em que pese a opção pelo Simples Nacional ser uma faculdade dos contribuintes, após o exercício desta opção os contribuintes devem seguir as regras estabelecidas para este regime tributário, entre elas as normas definidas para a exclusão deste regime. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca a demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Sobre a suposta opção pelo regime do lucro presumido no terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007 temse que o Regulamento de Imposto de Renda, previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, assim determina: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10925.001508/200812 Acórdão n.º 1003000.103 S1C0T3 Fl. 92 6 quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). [...] § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). Em relação à alegada opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, a Recorrente não produziu nos autos um conjunto probatório robusto de que a manifestou pela efetividade de pagamento do imposto devido. Assim, a situação de optante pelo Simples Nacional a partir de 07.07.2007, conforme consta nos registros internos da RFB, fl. 08, não pode ser afastada. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Por essa razão não cabem reparos à Decisão Simples Nacional DRF/JOA/SC nº 44, de 26.01.2011, fls. 1012, nem ao Acórdão da 4ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0727.426, de 10.02.2012, fls. 5354. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado de boafé não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10925.001508/200812 Acórdão n.º 1003000.103 S1C0T3 Fl. 93 7 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000711/95-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 01/01/1991, 31/12/1994
PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08
O Plenário do Supremo Tribunal Federal - STF, ao debater a edição da Súmula Vinculante nº 8, acentuou que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art.5º do DL nº1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 não alcança os créditos de natureza não tributária, e o parágrafo único do art. 5 do DL nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais em razão das normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art.18, §1º, da CF de 1967/1969) quanto sob a Constituição atual (art.146, b, III, da CF/1988).
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELOS CONSELHEIROS DO CARF. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS - STJ.
O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato.
Numero da decisão: 9303-007.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 O Plenário do Supremo Tribunal Federal STF, ao debater a edição da Súmula Vinculante nº 8, acentuou que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art.5º do DL nº1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 não alcança os créditos de natureza não tributária, e o parágrafo único do art. 5 do DL nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais em razão das normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art.18, §1º, da CF de 1967/1969) quanto sob a Constituição atual (art.146, b, III, da CF/1988). INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELOS CONSELHEIROS DO CARF. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS STJ. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 07 11 /9 5- 81 Fl. 706DF CARF MF 2 Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de contrariedade a lei ou evidência em prova interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 32, inciso I, do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº55, de 16/03/98, contra acórdão nº20310.854, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acolher a decadência qüinqüenal do PIS. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Contra a empresa acima identificada foi lavrado pelo AFTN João Alfredo Teixeira Lopes, mat.3.019.2560, lotado na DRF/RIO DE JANEIRO, o auto de infração de fl.01, instruído com os demonstrativos e demais documentos de fls. 02/300, por falta de recolhimento da contribuição devida ao Programa de Integração Social PIS, referente aos períodos de apuração de 01/91 a 12/94, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 02. "Valores apurados conforme planilha em anexo, com base nos balancetes mensais do contribuinte, que ficam fazendo parte integrante deste Auto de Infração, todos eles, calculados e informados a menor, por DCTFs, nos anos base de 1991, 1993 e 1994, e não informados no ano base de 1992. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13702.000711/9581 Acórdão n.º 9303007.220 CSRFT3 Fl. 707 3 De anotar, ainda, que o contribuinte, apesar de intimado, em 13.02.95, a efetuar o recolhimento de todos os tributos e contribuições sociais em atraso, administrados pela Secretaria da Receita Federal, no prazo de quinze dias, ou efetivar o seu parcelamento, quedouse silente. Ciente em 03/10/95, a autuada apresentou, em 27/10/95, a impugnação de fls. 302/305, onde argúi a nulidade do auto de infração pelas seguintes razões: a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2445/88 e 2449/88 pelo Supremo Tribunal Federal, e os efeitos ex tunc da Resolução n° 49/95 do Senado Federal. a impossibilidade legal de efetuarse lançamento de ofício sobre tributo declarado sob a égide do Decretolei n° 2.124/84 e da Instrução Normativa n° 073/94. Em decorrência da diligência solicitada através da Resolução DRJ/RJ/Nº01/96, à fl.313, o AFTN autuante efetuou a retificação da exigência cm questão, às fls.314/334, alterando a base de cálculo e a alíquota aplicada, deixando, porém, notificar a autuada e de expurgar da fundamentação legal os referidos Decretosleis. Através da Resolução DRJ/RJ/SERCO/N°99/97, às fls.367/368, foi reiterada à DRF/CENO/RJ a solicitação de que fosse revista a referida exigência como também verificado a possibilidade de ter havido duplicidade de lançamento, em relação a débitos de fatos geradores ocorridos no período de 01/91 a 09/93, tendo em vista a existência de outro lançamento de ofício, formalizado no processo n° 13702001019/9344, cuja cópia foi anexada às fls. 346/365. Às fls.369/393, foi feita a revisão do lançamento primitivo, autorizada pelo chefe em exercício da DRF/CENO/RJ, à fl.368, com base no art.77, inc .II da Lei 9.430/96, com o saneamento das faltas acima referidas e a redução dos percentuais da multa aplicada de 80 e 100 para 75, da qual a autuada tomou ciência em 28.10.97 ( fl. 396 ) . À fl. 394, consta a informação do autuante que inexiste qualquer identidade entre o valor tributado no presente Processo e no Processo de n° 13702 001019/9344. Em 21.11.97, a autuada apresentou a petição de fls. 397/402, reiterando os argumentos apresentados na inicial, acrescidos dos seguintes : extinção definitiva do direito da Fazenda Pública efetivar ou revisar o lançamento referente aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 01/91 a 09/92. Nulidade do Despacho DRJ/RJ/SERCO/N° 99/97, fls.367/368, estendendose a todos os atos que lhe são posteriores, inclusive o auto de infração de fls. 369/393, ex vi do disposto no §1° do artigo 59, inc. I, do Decreto n° Fl. 708DF CARF MF 4 70235/72, já que as providências nela determinadas não se inserem na esfera de competência inerente à função pública exercida por seu autor. cerceamento do direito de defesa, pois sequer compreende se a imputação que lhe está sendo feita complementa, ou visa modificálo, ao arrepio das formas de alteração do lançamento permitidas pelo art.145 do Código Tributário Nacional (CTN). duplicidade de lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/91 a 09/93 A impugnação levada a julgamento, restou decidido pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, da seguinte forma: À vista do exposto e do mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento efetuado, por seus fundamentos legais, para, na forma dos dispositivos legais vigentes e aplicáveis à espécie : a) manter integralmente os valores constantes do "Demonstrativo de apuração do PIS" de fls. 380/381, referentes aos períodos 01/92 a 12/92, no total de 61.470, 83 UFIR; b) em relação aos períodos de apuração 01/91 a 12/91, 01/93 a 12/93 e 01/94 a 12/94, excluir dos valores constantes do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PIS" de fls.378/379, 382/383 e 384/385 os valores do PIS constantes das DCTFs de fls. 138/178, complementados pelos valores constantes nos documentos de fls.410/425, conforme tabela anexa; c) considerar devida a multa de 50% e 75%, calculadas com base nos valores do PIS acima, referentes, respectivamente, aos períodos de 01 a 05/91 e 06 a 12/94/; d) determinar que sobre os valores do PIS apurados acima sejam cobrados juros de mora previstos na legislação vigente, excluindo a aplicação da TRD referente ao período de 02/91; e) determinar o encaminhamento á PFN dos débitos referentes ao PIS constantes das DCTFs de fls. 138/178, complementadas pelos documentos de fls.410/425, para inscrição em dívida ativa e conseqüente cobrança judicial, nos termos do art.5, § I e 2 , do Decretolei n° 2.1242/84, efetuando antes a imputação dos valores constantes dos Darfs de fls.23/34. Em 19 de setembro de 2001, foi proferida decisão pelo Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20175.379, ás fls. 494/498, anulando a decisão recorrida para fim de que outra seja proferida pela autoridade competente. Vejamos: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE Decisão de primeira instância proferida por autoridade incompetente (Decreto n° 70.235/72, artigo 59).Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Conforme determinado pelo Segundo Conselho de Contribuinte, os autos foram remetidos para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, a qual foi proferida uma nova decisão, para rejeitar as preliminares argüidas, e no mérito, considerar Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13702.000711/9581 Acórdão n.º 9303007.220 CSRFT3 Fl. 708 5 procedente em parte o lançamento relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor equivalente a 85.304,54 UFIR (oitenta e cinco mil, trezentas e quatro Unidades Fiscais de Referência e cinqüenta e quatro centésimos), acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, observandose quanto a estes a Instrução Normativa SRF n° 31, de 1997. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01 /01 /1991 a 31 /12/1994 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. TRIBUTOS DECLARADOS EM DCTF. Tributos e contribuições já declarados em DCTF pelo sujeito passivo, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, não serão objeto de lançamento de ofício, por constituírem confissão de dívida e instrumento hábil para exigência dos tributos declarados. Lançamento Procedente em Parte Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou tempestivamente novo Recurso Voluntário, aduzindo em síntese que: "O novo Auto de Infração" tenha sido regularmente lavrado em 25.10.97,o que se admite somente à título de argumentação, a revisão do lançamento somente poderia ter sido efetuada quanto ao qüinqüênio antecedente, de forma que os períodos compreendidos entre janeiro de 1991 e setembro de 1992, estariam alcançados pelo instituto da homologação tácita". Por sua vez, a decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário, por entender decaído o período entre janeiro de 1991 e setembro de 1992, considerando como prazo decadencial para o lançamento, o segundo auto de infração, a contar a ciência em 28/10/1997, quanto aos períodos remanescentes, deu provimento parcial, nos termos do voto da relatora. A ementa possui a seguinte redação: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1994 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. TRIBUTOS DECLARADOS EM DCTF. Fl. 710DF CARF MF 6 Tributos e contribuições já declarados em DCTF pelo sujeito passivo, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, não serão objeto de lançamento de ofício, por constituírem confissão de dívida e instrumento hábil para exigência dos tributos declarados. Lançamento Procedente em Parte. Ciente do referido acórdão, a Fazenda Nacional, com fulcro no art. 32, inciso I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes, interpôs o presente Recurso de fls. 592/598, onde protestou pela aplicação do prazo decadencial de 10 anos, previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. O Presidente da 3º Câmara, à época, deu seguimento ao Recurso, especialmente quanto à decadência do lançamento, conforme se extrai do exame de admissibilidade, ás fls. 623/625. No essencial é o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, contra a Contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração de fl.01, instruído com os demonstrativos e demais documentos de fls. 02/300, por falta de recolhimento da contribuição devida ao Programa de Integração Social PIS, referente aos períodos de apuração de 01/91 a 12/94, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 02. De anotar, ainda, que a Contribuinte, apesar de ser intimada, em 13.02.95, a efetuar o recolhimento de todos os tributos e contribuições sociais em atraso, no prazo de quinze dias, ou efetivar o seu parcelamento, quedouse silente. Cientificada do lançamento em 03/10/95, a Contribuinte apresentou, em 27/10/95, impugnação de fls. 302/305, onde argüiu nulidade do auto de infração em razão da Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13702.000711/9581 Acórdão n.º 9303007.220 CSRFT3 Fl. 709 7 declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2445/88 e 2449/88 pelo Supremo Tribunal Federal, e os efeitos ex tunc da Resolução n° 49/95 do Senado Federal. Nada obstante, em 19 de setembro de 2001, foi proferida decisão pelo Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20175.379, ás fls. 494/498, anulando a decisão recorrida para fim de que outra seja proferida, com fundamento de que o servidor que proferiu o despacho DRJ/RJ/SERCO n° 99/97 era incompetente para prolatar tal decisão. Conforme determinado pelo Segundo Conselho de Contribuinte, os autos foram remetidos para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, a qual foi proferida uma nova decisão, para rejeitar as preliminares argüidas, e no mérito, considerar procedente em parte o lançamento relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou tempestivamente novo Recurso Voluntário, aduzindo em síntese que: "o novo Auto de Infração tenha sido regularmente lavrado em 25.10.97,o que se admite somente à título de argumentação, a revisão do lançamento somente poderia ter sido efetuada quanto ao qüinqüênio antecedente, de forma que os períodos compreendidos entre janeiro de 1991 e setembro de 1992, estariam alcançados pelo instituto da homologação tácita". Por sua vez, em decisum inédito, pelo menos para este relator, a decisão recorrida sem o mínimo de critério jurídico, considerou para contagem do prazo decadencial, o segundo auto de infração, a contar a ciência em 28/10/1997, e deu provimento parcial ao recurso voluntário, por entender decaído o período entre janeiro de 1991 e setembro de 1992. Discordo diametralmente do frágil argumento, como se vê, o Auto de Infração (lançamento) foi lavrado nos termos do artigo 142 do CTN. Sem embargo, o procedimento administrativo que culminou no Auto de Infração, pautouse na efetiva obrigação tributária, temse um lançamento provido de fundamentação legal e, por conseguinte, valido e eficaz. Recorrendo a literatura administrativista, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 1. Com fundamento nesta classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos motivo, requisitos procedimentais e causa foram cumpridos. Neste sentido, Celso Antônio Bandeira de Mello2, leciona: "o motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa 1 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 2 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. Fl. 712DF CARF MF 8 hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. Neste contexto, não se está diante de um mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento posterior ao lançamento, mas de alteração de conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN. Portanto, a tese encampada pela decisão recorrida no sentido de considerar como prazo inicial para fins de decadência o segundo Auto de Infração, colide frontalmente com os pressupostos do artigo 142 do CTN, tendo em vista que a decisão foi anulada por incompetência do servidor público. Para que se tenha um julgamento imparcial, missão delegada aos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, entendo que a decisão recorrida deveria ter observado os pressupostos mínimos referente ao lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Destarte, para que a decisão recorrida não fique ainda mais fragilizada, carente de fundamento jurídico, em tese, remotamente poderia ser considerado o segundo auto de infração para fins de contagem do prazo decadencial, caso houvesse vicio formal, o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, delimito para fins de contagem do prazo decadencial a data da intimação do lançamento ocorrida em 13.02.95. Mérito Mas, concentrandose a atenção da divergência dos autos, propriamente, a questão do prazo para o Fisco lançar as contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Contudo, houve posicionamentos no sentido de que a referida contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, passou a ser adotado o prazo limite de cinco anos estabelecido pelo Código Tributário Nacional CTN. Neste sentido, afasto aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, e passo a decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, se da data de ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13702.000711/9581 Acórdão n.º 9303007.220 CSRFT3 Fl. 710 9 houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 714DF CARF MF 10 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Compulsando aos autos, não localizei antecipação de pagamento, portanto aplicase a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 323, de 2015, tem o seguinte comando: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dispositivo Ante o exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, afasto a decadência referente aos períodos de 01/91 a 09/92. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13702.000711/9581 Acórdão n.º 9303007.220 CSRFT3 Fl. 711 11 Fl. 716DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.001947/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1331.495, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 01 94 7/ 20 06 -1 1 Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.535 2 Por se tratar de processo em retorno de diligência ordenada por esta Turma, valhome do Relatório apresentado na Resolução nº 3201000.647: Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débitos de IRPJ com créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nãocumulativa de que trata o art. 3o da Lei 10.833/2003 apurados no primeiro trimestre de 2005. A DRF/VITÒRIA exarou o Despacho Decisório de fls. 508, com base no Parecer SEORT n° 1007/2009 de fls. 489 a 507 decidindo por não reconhecer o direito creditório pleiteado no valor de R$ 8.988.773,07 e, por conseguinte, não homologar a compensação efetuada. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: A empresa atua na comercialização e industrialização de óleo de soja, além de atuar na comercialização de fertilizantes. A partir de 02/2004, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativo da Cofins; Ao analisar o DACON e as Planilhas de Apuração enviadas pelo sujeito passivo, foi " constatada divergência entre os valores informados. A análise da escrituração contábil, das planilhas e outros elementos apresentados demonstraram inconsistências nos valores dos créditos compensados. Conseqüentemente, foram realizados ajustes e foi gerada a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar, a fim de discriminar por filiais as eventuais glosas efetuadas; O sujeito passivo equivocouse ao excluir da base de cálculo da Cofins nãocumulativa os valores decorrentes das vendas de mercadorias com suspensão. A ADM não poderia fazer jus ao benefício da suspensão prevista no art. 9o da Lei 10.925/04 anteriormente à edição da IN SRF 660 em 04/04/2006, A ADM não se enquadra na definição de cerealista definida pela IN SRF 660/2006, conforme resposta ao Termo de Solicitação de Documentos 0203/ 2008.Também não se enquadra na definição de atividade agropecuária e nem de cooperativa de produção agropecuária delineada pelos incisos II e III do § Io da mencionada IN; As rubricas "desconto na compra de m. prima e diversos outras rendas", registradas nos balancetes sob a codificação fiscal 411550, 411050 e 748950 deixaram de ser adicionadas à base de cálculo. Em outras situações, foram informados valores a menor em relação ao registrado nos balancetes; Destarte, foram realizadas as devidas adições nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas, com vistas a atender ao que dispõe a legislação; Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.536 3 Foram excluídos créditos calculados sobre aquisições de água mineral, bens de informática, materiais de higiene pessoal, de vestuários e medicamentos por não se caracterizarem no conceito de insumos. Também foram excluídas aquisições dos setores administrativos como por exemplo lápis, caneta, papel, dentre outros e dos setores de segurança, como por exemplo manutenção nos equipamentos de segurança e vestuário do pessoal encarregado; O contribuinte apresentou Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas por filiais e consolidado. Foram efetuadas glosas nos itens "bens utilizados como insumo industrialização: compras material almoxarifado e mat suprimentos produção (exceto embalagem)" nas filiais de Campo Grande, Joaçaba, Paranaguá, Passo Fundo e Três Passos, por não se enquadrarem na definição de insumos; A partir dos relatórios enviados em meio magnético, foram elaboradas as Planilhas 1 (fls. 348/450), discriminando por filiais os bens desconsiderados no cálculo dos créditos. Tais valores foram transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fls. 485) e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições nãocumulativas (fls 486/488); Foram glosados os valores informados a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas em relação ao que foi informado nos relatórios em meio magnético, no que tange às filiais de Campo Grande, Paranaguá e Uberlândia, conforme Planilha 2 (fls. 452/459); Com relação ao item "Bens utilizados insumo industrialização: compras p/ industrialização material de embalagem", foi apurada diferença entre as Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas e os relatórios em meio magnético na filial de Catalão. As diferenças foram demonstradas na Planilha 3 (fls. 460); Foram efetuadas glosas no item "serviços utilizados como insumo na industrialização: despesa com classificação" visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; Foram glosados os serviços de tratamento de efluentes de água na unidade de Três Passos, por não ser considerado serviço aplicado ou consumido na produção. Na unidade de Catalão, o sujeito passivo foi intimado mas não descreveu o papel da água e esgoto no processo de industrialização, apenas apresentou comprovantes de pagamentos, não sendo possível identificar se a água foi de fato utilizada como insumo no processo produtivo ou apenas como um item acessório; No que se refere ao item "serviços utiliz. Insumos industrializ.:Mão de Obra P. Jurídica (Manutenção/Conservação/Limpeza Máq. e Equip.)", foi constatada a inclusão de serviços não aplicados ou consumidos na fabricação do produto, no que tange às filiais de Catalão, Joaçaba, Rondonópolis e Uberlândia. Por não se caracterizarem no conceito de insumo foram glosados os serviços discriminados na Planilha 4 (fls. 461/465); Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.537 4 Pelos mesmos motivos foram glosados no item "serviços utilizados como insumos nas atividades portuárias: Unidades Santos e Vitória", serviços destinados à área de comercialização; O contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de locação e comprovantes de pagamentos dos aluguéis da filial Santos. Da análise dos comprovantes, constatouse que foram informados valores a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas. A diferença foi considerada não comprovada e excluída da base de cálculo dos créditos; O combustível utilizado em páscarregadeiras e empilhadeiras na filial Santos, unidade que, segundo informação do contribuinte presta serviço de armazenagem de mercadorias de terceiros foi desconsiderado no cálculo dos créditos a descontar, pois no contexto do que foi preconizado pela legislação tributária, não gera crédito o combustível utilizado em equipamentos ou máquinas destinados ao deslocamento dos insumos fora ou dentro da linha de produção; Foram excluídos da apuração dos créditos, os encargos de depreciação referentes às aquisições de vagões pela filial de Rondonópolis, por não serem utilizados na produção dos bens, mas sim no transporte dos bens produzidos. As glosas foram efetuadas nos meses de 2004, mas com impacto nos meses de 2005, visto que os encargos de depreciação se exaurem em 48 meses; Foram efetuadas glosas no item energia elétrica na filial Santos, por não ter sido apresentado documentação comprobatória que lastreasse a totalidade dos valores informados; Foram constatadas irregularidades na apuração dos créditos presumidos relacionados à filial de Uberlândia. Não é possível o aproveitamento de créditos decorrentes de compra para recebimento futuro (CFOP 1.922). Dos relatórios em meio magnético foi constatado o aproveitamento de crédito de compras registradas sob o CFOP 1.922 e nas compras registradas sob o CFOP 1.116, quando da entrada real da mercadoria. A Planilha 5 (fls. 467) discrimina as compras que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos; Com relação ao item "serviços utilizados como insumo industrialização: fretes sobre compras", foram informados valores a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas em relação ao informado nos relatórios em meio magnético, no que tange a filial de Rondonópolis. As diferenças foram demonstradas nas Planilhas 6 (fls. 468/484); Uma vez preenchidas as Planilhas de Apuração das contribuições nãocumulativas, pôdese constatar que ao final do 1o trimestre de 2005, o sujeito passivo não possuía saldo de créditos passível de compensação com outros débitos , não sendo possível homologar a compensação de fl. 10/13, por insuficiência de créditos; Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.538 5 Além disso, foi apurado saldo de Cofins a pagar nos meses de janeiro, fevereiro e março. Destarte, foi emitido auto de infração para os referidos meses; A despeito de o sujeito passivo ter informado no DACON saldo de créditos a compensar de períodos anteriores, ele não apresentou pedido de ressarcimento com vistas a compensar suposto saldo. Portanto, o saldo credor de períodos anteriores foi desconsiderado na análise da declaração de compensação de que trata o presente processo. Cientificada da decisão em 03/07/2009 (fls. 519/520), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/08/2009 (fls. 523 a 572), alegando, em síntese que Merece correção o posicionamento do agente Fiscal exposto no item 12, no sentido de desprezar as informações do DACON e considerar as planilhas fornecidas pela empresa. Agindo assim, passou a excluir saldos legitimamente apurados. Tal premissa não encontra guarida no ordenamento legal e deve ser reparada; Verificase a necessidade expressa de se realizar perícia contábil a fim de não restar dúvida quanto à existência de créditos por parte da contribuinte, bem como sobre a regularidade do procedimento de compensação adotado, sob pena de eivar de nulidade a decisão a ser proferida. Formula os quesitos a serem respondidos; Com relação a vendas de mercadorias com suspensão, a Lei 10.925/04 não é norma de eficácia contida, até porque contém todos os elementos necessários (hipóteses de incidência, condições de aplicabilidade e momento da ocorrência do fato gerador). A simples demora por parte da Receita em publicar Instrução Normativa não pode ensejar vacância legal; A IN 636/06 dispôs que seus efeitos retroagiam à publicação da Lei em abril de 2004. A referida IN foi revogada pela IN 660/06 que deixou de informar a retroatividade de seus efeitos. Nem mesmo esta IN veio dispor de forma contrária aos procedimentos adotados. O Sr. Auditor deixou de citar que uma das principais atividades é o comércio de vegetais a granel, o que se constata pelo CNAE das dezenas de filiais comerciais espalhadas pelo Brasil; Com relação ao item Outras Receitas Operacionais, as alegações fiscais maculam a segurança jurídica, vez que não existem demonstrações do que fora supostamente encontrado. Na conta 388130 consta no mês de abril de 2005 a adição feita pela autoridade no montante de R$ 4.848.139,96, sendo que a parte relativa à referida conta representa R$ 4.520.085,81; A conta 381020 considerada pelo fiscal como outras receitas operacionais a tributar se refere a faturamento de serviços tendo sido tributada normalmente pela manifestante. Para comprovar, junta todos os lançamentos contábeis feitos nestas contas; Com relação à glosa de créditos calculados sobre bens utilizados como insumos, é importante destacar que, segundo o disposto na legislação brasileira, os insumos incluem todos os itens que são Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.539 6 comprados e utilizados intrinsecamente na produção de bens. Alguns dos itens excluídos contrariam até mesmo orientação da Receita Federal, conforme Solução de Consulta 174/2009; O serviço de classificação de mercadorias é absolutamente inerente e imprescindível na aquisição de soja e outros vegetais. Tanto é verdade que existem normas do Ministério da Agricultura que demonstram que não se trata de serviço administrativo; O serviço de tratamento de água e efluentes é inerente ao processo de fabricação de óleo de soja, como é o caso da unidade de Três Passos. Foram apresentados à fiscalização os documentos que suportaram o lançamento deste item na contabilidade; Como suporte dos serviços adquiridos de pessoa jurídica tais como limpeza e manutenção de máquinas e equipamentos foram apresentadas à fiscalização notas fiscais, contratos e relatórios detalhados; A unidade de Santos localizase no porto e contrata serviços de despachantes aduaneiros, de controle de qualidade e inspeção, como insumo para que possa realizar a prestação de serviços a terceiros. Existe uma racionalização dos cálculos dos créditos, ao realizar o rateio dos embarques, que passa a juntar pela presente. O mesmo ocorre na unidade em Vitória; Com relação às despesas com aluguéis de prédios é importante destacar que os valores constantes da DACON são os corretos e seu suporte são os contratos com a CODESP; A unidade de Santos Aramazenadora é uma prestadora de serviços e adquire combustível para consumo nas máquinas e equipamentos que transportam cargas de graneis. Neste sentido, adquiriu e se creditou destes insumos na forma da lei; Foram glosados os valores referentes à depreciação de vagões adquiridos para transporte de farelo de produção da manifestante, portanto o uso das máquinas é intrínseco às atividades de produção e ao seu escoamento devendo ser mantido; Tal qual constam das planilhas de apuração da regional Uberlândia e dos bancos de dados fornecidos pela empresa, os cálculos foram feitos tão somente sobre as notas de remessas 1.922 e não duplamente como afirmado, o que se comprova pelos relatório/e bancos de dados juntados ao presente. O crédito calculado pela manifestante foi de 35% e não 80%; A autoridade fiscal desconsiderou os saldos credores de períodos anteriores constantes da DACON e passou a fazer a apuração por mês isoladamente, contrariando as disposições da Lei e da IN 600/05; A fiscalização, ao cometer o erro de desconsiderar o saldo de meses anteriores e refazer a planilha de apuração, consumiu indevidamente os créditos decorrentes de exportação; Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.540 7 Tendo a manifestante direito a utilizar a Cofins paga nas entradas de insumos para abater débito de Cofins pelas saídas tributadas, cuidou de corretamente fazer tal dedução, de maneira a preservar os créditos relativos à exportação, para que estes valores pudessem ser objeto de pedido de compensação; O Conselho de Contribuintes tem proferido reiteradas decisões no sentido de que a verdade material deve prevalecer em todo o processo administrativo; A autoridade administrativa tem total liberdade investigativa, devendo apurar e lançar exclusivamente com base na verdade material. Se os elementos probatórios não foram examinados anteriormente, os mesmos não podem deixar de ser considerados por ocasião do exame da manifestação de Inconformidade; O agente fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, entendeu como devida a multa de mora, que deve ser excluída, por não haver qualquer ilícito tributário que justifique a sa imputação, já que a manifestante não agiu com máfé, baseandose o seu pedido de ressarcimento em direito amparado na legislação federal (art. 6o da Lei n° 10.833/03); O legislador infraconstitucional estabeleceu, tanto na lei 10.637/02 quanto na Lei 10.833/03 que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos mesessubseqüentes; O entendimento da SRF sobre o tema fica claro em seu sítio na internet e na Solução de Consulta 215/09 da SRRF da 9a Região Fiscal. Assim, o tratamento dispensado pelo Agente Fiscal destoa dos princípios basilares da nãocumulatividade e da própria legislação aplicável; O novo ordenamento jurídico imposto pela IN SRF 660/06 não tem razão de ser, um vez que contradiz estrutura lógica disposta anteriormente de maneira clara pela IN SRF 636/06 de forma a revogála expressamente, sem nenhuma mudança na obrigação principal, em afronta aos princípios da segurança jurídica e da legalidade; É equivocada a interpretação restritiva oficial manifestada no art. 66 § 5o, inciso I da IN SRF 247/02, inserido pela IN SRF 358/03 e repetida no art. 8o, § 4o, inciso I da IN SRF 404/04. Essa interpretação está influenciada pelo conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI e ICMS. A afirmação das normas infralegais citadas não encontram respaldo legal. Sobreveio decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.541 8 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. VENDAS COM SUSPENSÃO. ARTIGO 9o DA LEI 10.225/2004. APLICAÇÃO. A suspensão da exigibilidade da Cofins prevista no artigo 9o da Lei 10.225/2004 só se aplica a partir de 4 de abril de 2006, após a sua regulamentação pela Instrução Normativa SRF 636/2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins no regime de incidência nãocumulativo é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. COMPROVAÇÃO. Os créditos calculados em relação a despesas com aluguéis de prédios devem ser comprovados através de contratos e das correspondentes faturas ou comprovantes de pagamento. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. INSUMO. Os combustíveis utilizados ou consumidos em veículos ou equipamentos diretamente empregados na execução do serviço contratado geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Cofins. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. AVISO DE COBRANÇA. DRJ. INCOMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) , rev.ar recurso do contribuinte de caráter impugnatório a avisos ou cartas de cobrança. A decisão concedeu o crédito em relação à despesa com combustíveis. Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.542 9 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para intimar a recorrente a esclarecer seu processo produtivo e para esclarecimentos acerca dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. A recorrente apresentou de forma sintética seu processo produtivo, e a autoridade fiscal esclareceu os cálculos efetivados, apontando a necessidade de algumas modificações nos valores descritos no despacho decisório. A recorrente foi cientificada do resultado da diligência, apresentando suas razões. Como dito, em primeira análise, esta turma julgadora entendeu por converter o feito em diligência para que fosse esclarecido o processo produtivo da Recorrente e prestados esclarecimentos acerca dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. Quando do retorno dos autos, esta Turma Julgadora entendeu remanescer dúvidas a serem esclarecidas para o efetivo julgamento do feito, determinando nova conversão em diligência nos seguintes termos: Desta forma, dado que o presente processo não apresenta estas informações, mostrase necessário que a autoridade fiscal: a) esclareça se os valores declarados como "saldos de créditos do mês anterior" vinculados ao mercado interno foram aproveitados no cálculo da exigência formalizada no processo 15578.000270/200908, apenso a este, ou se foram glosados também em relação ao débito com a contribuição devida; b) informe se os "saldos de créditos do mês anterior" encontramse analisados em outros processos administrativos e, caso a resposta seja positiva, qual o desfecho que tiveram ou a situação em que se encontram estes processos, bem como apresente as informações que entenda auxiliarem no julgamento da lide. A segunda questão a ser esclarecida tem ligação com os valores exigidos incidentes sobre a conta 388130. A autoridade fiscal, em seu Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, assim se manifesta: Observase pela Tabela anterior que, de fato, foi adicionado à base de cálculo da Cofins o registro contábil “Distribuição Desp. c/exportação”, questionado pela empresa diligenciada como sendo uma conta que foi usada apenas para fazer o rateio de gastos com exportação entre as unidades de negócios da ADM. Importante ressaltar que referido lançamento encontrase registrado em uma conta contábil representativa de receita, e na documentação apresentada pela empresa, em vias de manifestação de inconformidade e recurso voluntário, não se logrou êxito ao comprovar que não se trata de uma conta de resultado, mas sim de uma conta transitória. Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.543 10 Ante o exposto, mantémse o entendimento que a conta “Distribuição Desp. c/exportação” deve compor a base de cálculo da Cofins. A autoridade fiscal, contudo, não esclarece os motivos que a levaram a considerar os documentos apresentados pela contribuinte, de fls. 879 a 918, como insuficientes para comprovar que a conta teria sido usada apenas com fins de rateio de gastos com outras unidade da contribuinte. Desta forma, com permanecem dúvidas acerca da questão, deve a autoridade fiscal: c) informar a este colegiado os motivos pelos quais entende que os documentos apresentados pela recorrente de fls. fls. 879 a 918 não são suficientes para comprovar que a conta teria sido usada apenas com fins de rateio de gastos com outras unidade da contribuinte; Em relação à suspensão da Cofins prevista no artigo 9º da Lei nº 10.925/04, tendo em vista que a mesma se restringe a venda efetivada por "cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)"; solicitase a autoridade fiscal que: d) intime a recorrente a identificar, em função das aquisições de soja, qual parcela foi destinada à comercialização e qual parcela foi destinada a industrialização, com a distinção ainda dos valores relacionados aos mercados externo e interno; e) pronunciese acerca das informações apresentadas pela recorrente. Os autos retornaram com Relatório de Diligência Fiscal respondendo a cada um dos quesitos apresentados. a) esclareça se os valores declarados como "saldos de créditos do mês anterior" vinculados ao mercado interno foram aproveitados no cálculo da exigência formalizada no processo 15578.000270/200908, apenso a este, ou se foram glosados também em relação ao débito com a contribuição devida; Não foram apresentados pedidos de ressarcimento no mês anterior, de tal sorte que os saldos de créditos do mês anterior vinculados ao mercado interno não foram aproveitados no cálculo da exigência formalizada no processo 15578.000270/200908. Informo, também, que tais créditos não foram glosados pela fiscalização. b) informe se os "saldos de créditos do mês anterior" encontramse analisados em outros processos administrativos e, caso a resposta seja positiva, qual o desfecho que tiveram ou a situação em que se encontram estes processos, bem como apresente as informações que entenda auxiliarem no julgamento da lide. A segunda questão a ser esclarecida tem ligação com os valores exigidos incidentes sobre a conta 388130. Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.544 11 Os "saldos de créditos do mês anterior" não se encontram analisados em outros processos administrativos. c) informar a este colegiado os motivos pelos quais entende que os documentos apresentados pela recorrente de fls. 879 a 918 não são suficientes para comprovar que a conta teria sido usada apenas com fins de rateio de gastos com outras unidades da contribuinte; Ao analisar as contas 388130 e 304530, podese constatar que se tratavam de mera alocação de custos e despesas entre as diversas unidades da empresa, e, por essa razão, a conta 388130 deve ser excluída da base de cálculo das contribuições não cumulativas. d) intime a recorrente a identificar, em função das aquisições de soja, qual parcela foi destinada à comercialização e qual parcela foi destinada a industrialização, com a distinção ainda dos valores relacionados aos mercados externo e interno; A empresa foi intimada a apresentar a documentação solicitada, mediante o Termo de Intimação Fiscal (fl. 3.130). Em resposta, apresentou a documentação constante às fls. 3.135/3.136 e 3.172. e) pronunciese acerca das informações apresentadas pela recorrente. Com base na documentação apresentada, foram segregadas as parcelas destinadas à comercialização das parcelas destinadas à industrialização, com a distinção ainda dos valores relacionados aos mercados externo e interno (fls. 3.135/3.136 e 3.172). No entanto, o entendimento adotado pela fiscalização, e corroborado pela presente diligência, é de que uma empresa não pode se intitular de empresa cerealista de forma segregada por filiais, mas sim com base na atividade desenvolvida pela empresa como um todo. No presente caso, consideramos a empresa ADM DO BRASIL como uma indústria, muito embora algumas de suas filiais tivessem agido como empresas cerealistas. A Recorrente apresentou sua manifestação ao Relatório Fiscal e a PGFN apenas manifestouse ciente do resultado da diligência. Os autos foram remetidos a mim distribuídos por sorteio, uma vez que o Relator original do feito não mais integra este colegiado. Voto Conforme exposto no Relatório supra, o trabalho fiscal, originado de Pedido de Ressarcimento apresentado pela Recorrente, teve por objeto o exame global da apuração da COFINS, ou seja, foram examinados tanto os débitos declarados, como os créditos. Consta do Parecer Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório que, durante o trabalho fiscal, o Contribuinte foi intimado a demonstrar a apuração da base de cálculo da COFINS. Foram, então, apresentadas pela Recorrente as Planilhas de Apuração das Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.545 12 Contribuições. Contudo, constatouse que tais valores divergiam daqueles informados em DACON. Assim, a Fiscalização optou por adotar as "planilhas enviadas, em detrimento do DACON, cuja natureza jurídica perante a SRF é de uma obrigação acessória de cunho meramente declarativo". A Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade, requereu a realização de Perícia e apresentou quesitos. Contestou, de forma ampla, o lançamento fiscal, afirmando a (i) existência de erros na apuração fiscal; a (ii) legitimidade da aplicação da suspensão da COFINS na condição de cerealista e (iii) defendeu a legitimidade dos créditos apropriados sobre insumos. A DRJ manteve integralmente o lançamento, pelos mesmos fundamentos da autuação. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou toda a matéria de direito e, quanto aos apontados erros de apuração, apresentou justificativa pormenorizada e juntou documentação complementar. O feito foi baixado em diligência por 2 (duas) vezes para que fossem detidamente analisados os argumentos de defesa da Recorrente, notadamente quanto aos alegados erros de apuração. Não obstante, observase que restam aspectos a serem melhor examinados em face das alegações e provas existentes nos autos. É de se observar que no presente feito examinouse grande número de aspectos contábeis e de direito, tendo sido realizadas diversas e sólidas diligências visando ao esclarecimento de questões controvertidas. Todavia, é de se ressaltar que a principal matéria de direito em questão sofreu considerável alteração após a lavratura do auto de infração e até mesmo posteriormente à decisão proferida pela DRJ e exames anteriores por este CARF. Tratase da questão relativa à caracterização dos insumos para fins de apuração do PIS e da COFINS não cumulativas. Com efeito, tanto a autuação, como a DRJ, parametrizaramse na legislação do IPI para apreciar a naturezao dos bens adquiridos e afastar a sua caracterização como insumos, passíveis de creditamento relativos ao PIS e à COFINS. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou, em sede de recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de efeito vinculante à este CARF e à propria Administração Tributária, no sentido de afastar a aplicação da legislação de IPI utilizada como parâmetro na autuação. E, consoante jurisprudência já estabelecida por esta Corte Administrativa, determinou a necessidade de se avaliar a essencialidade e relevância dos bens adquiridos como insumos à atividade produtiva do contribuinte. É a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.546 13 CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, estabelecidos tais parâmetros, deve se perquirir, a essencialidade das aquisições efetuadas pela Recorrente para que se possa legitimar a glosa ou o direito ao crédito. Na hipótese dos autos, remanescem dois itens cujo exame levado a efeito no lançamento mostrase ainda insuficiente para tanto. Tratase dos seguintes itens: Bens utilizados como insumos Filial Campo Grande e Alugueis de prédios, máquinas e equipamentos. Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.547 14 Quanto aos Bens utilizados como insumos Filial Campo Grande (Almoxarifado e suprimentos), foram glosados material de uso administrativo, informática, vestuário, material de limpeza, medicamentos, equipamentos de segurança, etc. (fls. 451 e seguintes eprocesso). A glosa foi fundamentada na aplicação da legislação do IPI, concluindose tratar de despesas administrativas e, portanto, sem direito à crédito. O mesmo entendimento foi mantido na DRJ. A Recorrente, a seu turno, ainda em sede de Manifestação de Inconformidade defende se tratar de bens utilizados nas atividades produtivas da empresa e, sem sede de Recurso Voluntário, insiste nesta defesa, fazendo referência aos docs. 78 e 79 (filial Campo Grande). Pelo exame dos bens listados, percebese que, de fato, existem itens claramente empregados nas atividades administrativas da empresa, como, por exemplo, impressoras e cadeiras de escritório. Contudo, constam itens que, pela sua descrição, podemse entender como aplicados na atividade produtiva, tais como, também a título de exemplo, equipamentos de segurança (uvas, óculos e capacetes) e equipamentos para sistema de tratamento de água e fuligem. Desse modo, necessário melhor exame quanto à natureza, aplicação e essencialidade / relevância ao processo produtivo. Já o segundo item, relativo a alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, a glosa foi motivada na alegação de que existiriam divergências não justificadas entre os valores lançados na documentação contábil e fiscal da Recorrente, fundamento mantido na DRJ. A Recorrente, em Manifestação de Inconformidade, pedia que fossem considerados valores declarados em DACON. Em Recurso Voluntário, alega que a divergência decorre do fato de terem sido incluídas na planilha utilizada pela Fiscalização despesas não apenas de aluguéis de prédios, mas também de máquinas e equipamentos. Faz referência aos documentos 61 a 70. Assim, necessário o exame dos itens glosados pela Fiscalização de modo a, sendo identificado bens caracterizados como máquinas e equipamentos, seja avaliada a possibilidade de creditamento nos termos do art. 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/03. Pelo exposto, reputo necessária a nova conversão do feito em diligência para que a Autoridade Preparadora: 1. Intime o Contribuinte para que apresente, relativamente aos bens adquiridos como insumos na filial Campo Grande, a correta descrição e aplicação ao processo produtivo, demonstrando a sua essencialidade; 2. Intime o Contribuinte para que esclareça, relativamente às despesas contabilizadas como aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, quais se referem à locação de máquinas e equipamentos e, quanto a estas, comprove sua aplicação ao processo produtivo. Além dos documentos e informações listados, a Autoridade poderá requerer quaisquer outros que entenda necessários. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 11543.001947/200611 Resolução nº 3201001.330 S3C2T1 Fl. 1.548 15 Deverá ser concedido à Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogáveis por igual período. 3. Que a Autoridade Preparadora apresente Relatório conclusivo acerca do direito ao crédito postulado pela Recorrente, fundamentando seu posicionamento. Após a elaboração de tal relatório, seja novamente concedido à Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Com ou sem manifestação ao final deste período, retornem os autos para julgamento. É o que proponho. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 3327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720217/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por dar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a concomitância da multa isolada com a multa de ofício e a incidência de juros sobre a multa, e o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento a ambos os recursos. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-19T15:11:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-07-19T15:11:04Z; dcterms:modified: 2018-07-19T15:11:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-07-19T15:11:04Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-19T15:11:04Z; meta:save-date: 2018-07-19T15:11:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-19T15:11:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 54; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 5.109 1 5.108 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720217/201524 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.589 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de maio de 2018 Assunto IRPJ Glosa de Despesas Recorrente GALVÃO ENGENHARIA S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por dar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a concomitância da multa isolada com a multa de ofício e a incidência de juros sobre a multa, e o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento a ambos os recursos. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 21 7/ 20 15 -2 4 Fl. 5109DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório GALVÃO ENGENHARIA S/AEM RECUPERAÇÃO JUDICIAL E OUTROS, já qualificado nos autos, recorrem da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB (fls. 4.541/4.597), que, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação, apenas para afastar a responsabilização tributária do Sr. Dário de Queiroz Galvão Filho. Do Lançamento Tratase de Auto de Infração de fls. 3.905/3.933/308, os quais exigem da interessada o recolhimento das seguintes importâncias, todas apuradas sob o regime do Lucro Real, correspondentes ao ano calendário de 2010: IRPJ R$32.877.849,53 CSLL R$10.867.938,14 IRRF R$64.503.922,13 Já com a incidência de multa de ofício qualificada de 150%, multa isolada e juros de mora. Como consta nos Autos de Infração, foi feito o lançamento de oficio a título de despesas não comprovadas, conforme art. 3º da Lei 9.249/95 e arts. 247, 248, 248, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. E do IRRF em razão do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Segundo o Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: 2. A Galvão Engenharia – em recuperação judicial, doravante denominada Galvão Engenharia, é uma sociedade anônima por ações, de capital fechado, tributada pelo Lucro Real anual, que possui como atividade econômica “Construção de Rodovias e Ferrovias” (CNAE 42.111/01) – conforme DIPJ. I . DO PROCEDIMENTO FISCAL 3. A presente ação fiscal foi motivada pelo fato de a Galvão Engenharia estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal para investigação de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, em que grandes empreiteiras, organizadas em cartel, pagavam propina para que altos executivos da Petrobrás e outros agentes públicos permitissem fraudes à licitação em contratos com a estatal. 4. A referida ação fiscal iniciouse em 06/05/2015, por meio de Termo de Início de Ação Fiscal, informando ao contribuinte os períodos sob fiscalização, a análise da Fl. 5110DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.111 3 escrituração entregue ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e intimandoo a: 1 Informar o nome e telefone da pessoa, representante da empresa, que irá atender as demandas desta fiscalização; 2 Procuração dando poderes ao representante da empresa para atendimento da fiscalização em todas as fases deste procedimento; 3 No contexto da operação denominada “Lava Jato” constatamos, na escrituração fiscal do contribuinte acima identificado, lançamentos de despesas e custos para as empresas abaixo relacionadas: LFSN CONSULTORIA ENGENHARIA S/S LTDA, CNPJ 11.418.207/000105; M.O. CONSULTORIA COMERCIAL E LAUDOS E. LTDA, CNPJ 06.964.032/0001 93; JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 03.008.230/000195; S.M. TERRAPLENAGEM LTDA, CNPJ 07.829.451/000185; LEGEND ENGENHEIROS ASSOSSIADOS LTDA, CNPJ 07.794.669/000141; 3.1 Apresentar relação com todos os pagamentos realizados durante os anos calendários de 2010, 2011, 2012 e 2013 para essas empresas. A informação deverá ser apresentada em meio digital, arquivo excel, contendo as seguintes informações: valor bruto da despesa/custo; valor líquido do pagamento; data do pagamento; número da nota fiscal; descrição do serviço; nome do fornecedor. Ou seja, o demonstrativo deverá conter informações suficientes para que sejam identificados, individualmente, todos os pagamentos realizados para as empresas elencadas acima. 3.2 Apresentar Notas Fiscais, faturas e recibos referentes aos pagamentos efetuados às empresas relacionadas acima. Caso os pagamentos tenham sido efetuados sem emissão de nota fiscal, apresentar declaração informando este fato e detalhando a natureza dos pagamentos efetuados. Cabe ressaltar que devem ser considerados os pagamentos efetuados pelo CONTRIBUINTE e pelos consórcios dos quais participou no período de 01/01/2010 a 31/12/2013; 3.3 Comprovar, com documentação idônea, coincidente em datas e valores, o pagamento das referidas despesas/custos, apresentando os comprovantes bancários dos pagamentos efetuados (cópias de cheques, ordens de pagamentos, doc, ted, transferências bancárias, etc.). No caso de lançamento que englobe diversos pagamentos, cópia do borderô que detalhe e identifique o pagamento de forma individualizada. Caso o pagamento tenha sido feito de formas alternativas à via bancária, apresentar declaração e documentos que comprovem e detalhem a forma utilizada. 3.4 Apresentar cópia dos contratos relacionados às referidas despesas/custos. Caso se tratem de serviços de consultoria/assessoria/auditoria, apresentar cópias dos relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas pelos prestadores e demais documentos que se prestem a comprovar de forma cabal a efetiva prestação dos serviços. Se não houver contrato de prestação de serviços apresentar declaração esclarecendo a falta do documento e detalhando quais foram os serviços prestados; Fl. 5111DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.112 4 3.5 Com relação aos serviços prestados pelas empresas S.M. Terraplenagem e Legend, apresentar relatórios de medições, aferições e controles, incluindo os fotográficos e de evolução dos trabalhos, de forma a comprovar de forma cabal a efetiva prestação dos serviços. Apresentar demonstrativo relacionando todas as máquinas, equipamentos e caminhões que participaram dos serviços prestados, com a indicação da obra, do local, do consórcio, do número de chassi ou série das máquinas e equipamentos, bem como do nome e CPF dos operadores e motoristas. No caso de veículos sujeitos a registro nos órgãos de trânsito, apresentar cópia dos documentos de registro e licenciamento. 3.6 Em complemento ao subitem 3.5, apresentar os documentos de controle e as notas fiscais relativas ao transporte para entrega das máquinas, equipamentos e caminhões, no trajeto entre o estacionamento do prestador dos serviços e o local da obra do CONTRIBUINTE/consórcio, bem como dos controles que identifiquem o operador ou motorista que as conduziu; 3.8 Esclarecer a causa (necessidade) da contratação dos referidos serviços junto às empresas identificadas no item 3; 3.9 Apresentar demonstrativo, extraído das escriturações contábeis do CONTRIBUINTE e dos consórcios, contendo a totalidade dos lançamentos contábeis relacionados à prestação desses serviços, incluindo, dentre outros, a contabilização das despesas, das contas a pagar e dos pagamentos efetuados, com a plena identificação de datas, valores e contas contábeis; 3.10 Declaração informando em quais linhas, das fichas 04A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos ou das fichas 05A – Despesas Operacionais, das DIPJ dos anos calendário 2010 a 2013, foram incluídos os custos e despesas referentes às notas fiscais, faturas e recibos relativos aos serviços prestados pelas empresas relacionadas na tabela. 3.11 Em complemento ao item anterior, informar se tais custos e despesas, referentes às notas fiscais, faturas e recibos relativos aos serviços prestados pelas empresas relacionadas na tabela, foram considerados como parcelas dedutíveis ou não dedutíveis na apuração do lucro real. Caso tenham sido considerados como indedutíveis, comprovar de forma inconteste a sua exclusão na apuração do lucro real do período. 4 Apresentar tabela informando a razão social e o número do CNPJ de todos os consórcios nos quais o CONTRIBUINTE participou no período de 01/01/2010 a 31/12/2013, contendo a indicação do consorciado líder, do consorciado responsável pela confecção da escrituração contábil do consórcio, e do consorciado responsável pela guarda dos livros e documentos comprobatórios das operações do consórcio; 5 Apresentar cópias dos contratos de constituição, bem como de todas as alterações até a presente data, de todos os consórcios nos quais o CONTRIBUINTE era participante no período de 01/01/2010 a 31/12/2013; 5. Em 12/06/2015, a contribuinte, em resposta à intimação do Fisco, apresentou cópias de PERDCOMP (Fls. 799 a 1.054), como documento comprobatório dos tributos recolhidos espontaneamente referentes a pagamentos efetuados às empresas supracitadas. 6. Em relação à empresa M.O. Consultoria Comercial e Laudos E. Ltda, não houve lançamento na presente fiscalização. Fl. 5112DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.113 5 7. As despesas da contribuinte em razão da empresa S.M. Terraplanagem Ltda, bem como os respectivos pagamentos efetuados pela contribuinte, no anocalendário de 2010, foram objetos de lançamentos tratados em autos distintos do presente processo. Portanto, não houve lançamento na presente fiscalização. 8. Em relação à empresa Legend Engenheiros Associados Ltda, destacase que foi declarada inapta, por meio do ADE n° 190, de 27/06/2014 (Fls. 3.424). 9. Cientificada da baixa, a empresa Legend Engenheiros Associados Ltda não apresentou quaisquer esclarecimentos e nem adotou providências no sentido de regularizar sua situação cadastral no âmbito daquele processo administrativo. 10. Segundo o Termo de Descrição dos Fatos (Fls. 3.934 a 4.052), em relação à empresa Legend Engenheiros Associados Ltda, não constam dos sistemas da RFB quaisquer recolhimentos de contribuição previdenciária ou informação de movimentação de segurados, por meio de GFIP, ou mesmo retenções de imposto sobre a renda na fonte, por meio da DIRF no período sob fiscalização. 11. Após verificação da contabilidade da contribuinte, referente ao anocalendário de 2010, o Fisco identificou lançamentos contábeis de custos e pagamentos feitos à Legend Engenheiros Associados Ltda, registrados nas contas “41101300005 – LOCAÇÃO EQTO. SEM KIT” e “11102020015 – itau 6166” respectivamente. 12. Por meio de Termo de Intimação Fiscal, o Fisco solicitou à contribuinte a relação de pagamentos efetuados à Legend Engenheiros Associados Ltda e a documentação comprobatória de que os serviços contratados foram efetivamente prestados (Fls. 2.732 a 2.745). 13. Em 09/12/2015, a contribuinte apresentou notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos relacionados à Legend Engenheiros Associados Ltda, os quais foram considerados inidôneos pelo Fisco. 14. Com base nos registros contábeis da conta “41101300005 – LOCAÇÃO EQTO. SEM KIT” , a Autoridade Fiscal relacionou as despesas glosadas em razão da ausência de demonstração pela contribuinte de serviços prestados pela empresa Legend Engenheiros Associados Ltda, no anocalendário de 2010, na forma a seguir descrita: Fl. 5113DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.114 6 15. Com base nos registros contábeis das conta “11102020015 – itau 6166”, a Autoridade Fiscal informou os pagamentos efetuados sem comprovação da respectiva causa pela contribuinte à empresa Legend Engenheiros Associados Ltda, no anocalendário de 2010, e confirmados em extratos bancários do da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda na forma a seguir descrita: Fl. 5114DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.115 7 16. Em resposta à intimação do Fisco, em relação à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda, a contribuinte apresentou cópia da sua reposta ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba nos autos do inquérito policial n° 504502208.2014.404.7000 (Fls. 21 a 791). 17. Dentre os documentos apresentados, há cópias de 12 notas fiscais no valor de R$25.000 emitidas por JD Assessoria e Consultoria Ltda em 2010 e deduzidas na apuração do Lucro real da contribuinte. 18. Intimada por meio de diligência fiscal a apresentar documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços contratados com a contribuinte, JD Assessoria e Consultoria Ltda esclareceu, em síntese, que a atividade de consultoria desenvolvida para a contribuinte davase, essencialmente, de forma oral e presencial, com a participação em reuniões de aconselhamento destes em viagens internacionais de negócios (Fls. 3.429 a 3.430). 19. Segundo a Autoridade Fiscal, os documentos apresentados pela contribuinte não comprovaram a efetiva prestação dos serviços contratados junto à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda. 20. Com base nos registros da conta "51110010001 AUDITORIA/ASSESSORIA" e "51110010002 – CONSULTORIA, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, Fl. 5115DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.116 8 demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por JD Assessoria e Consultoria Ltda à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2010: 21. Não houve lançamento, na contribuinte, do IRRF por ausência da comprovação de serviços prestados por JD Assessoria e Consultoria Ltda, uma vez que será objeto de outro procedimento fiscal. 22. Em relação à empresa Lfsn Consultoria, o Fisco considerou o recolhimento do IRPJ e da CSLL por meio das referidas PERDCOMP (Fls. 799 a 1.054). Porém, no anocalendário de 2010, não encontrou a comprovação de recolhimento do IRRF. 23. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Lfsn Consultoria, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. 24. Segundo o Fisco, os referidos valores passíveis de retenção constam da DIRF da contribuinte e da DIPJ da empresa Lfsn Consultoria, anocalendário de 2010. 25. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte ainda foi intimada a comprovar os serviços prestados pelas seguintes empresas: AKYZO ASSESSORIA & NEGOCIOS LTDA, CNPJ 05.332.111/000119; BUZZANI E FANTINI CONSULTORIA DE ENGENHARIA E REPRESENTAÇÕES LTDA, CNPJ 08.270.446/000148; GASBOL ENGENHARIA EIRELI, CNPJ03.824.147/000194; HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA, CNPJ 04.067.717/000101; e ARQUIENG ARQUITETURA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 63.530.810/000170 26. Segundo a Autoridade Fiscal, a contribuinte declarou em DIRF o pagamento de R$ 29,2 milhões à empresa AKYZO ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA. Fl. 5116DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.117 9 27. O Fisco constatou que a empresa AKYZO declarou em GFIP 3 (três) empregados, no período entre 2010 e 2013, os quais não possuem qualificação técnica para a prestação de serviços a que se referem a contribuinte e a empresa AKYZO. 28. O Fisco verificou, ainda, que, no mesmo período, não constou da DIRF da AKYZO nenhum prestador de serviços. 29. Segundo a Autoridade Fiscal, nem a contribuinte nem a empresa AKYZO conseguiram demonstrar a efetiva prestação de serviços. 30. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por AKYZO à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2010: 31. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à AKYZO, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Fl. 5117DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.118 10 32. Segundo o Fisco, os referidos valores passíveis de retenção constam da DIRF da contribuinte e da DIPJ da empresa AKYZO, anocalendário de 2010. 33. Em relação à empresa Buzzani e Fantini Consultoria, segundo o Fisco, os documentos apresentados pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. 34. Intimada e reintimada pelo Fisco, a empresa Buzzani e Fantini Consultoria não apresentou documentos comprobatórios da efetiva prestação de serviços à contribuinte. 35. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por Buzzani e Fantini Consultoria à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2010: 36. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Buzzani e Fantini Consultoria, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. 37. Buzzani e Fantini Consultoria, anocalendário de 2010. Fl. 5118DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.119 11 38. Em relação à empresa Gasbol Engenharia, segundo o Fisco, os documentos apresentados pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. 39. Intimada e reintimada pelo Fisco, a empresa Gasbol Engenharia não apresentou documentos comprobatórios da efetiva prestação de serviços à contribuinte. 40. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por Gasbol Engenharia à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2010: 41. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Gasbol Engenharia, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. 42. Segundo o Fisco, os referidos valores passíveis de retenção constam da DIRF da contribuinte e da DIPJ da empresa Gasbol Engenharia, anocalendário de 2010. 43. Em relação à empresa Hefesto, segundo o Fisco, os documentos apresentados pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. 44. O Fisco constatou que a empresa Hefesto declarou em GFIP 3 (três) empregados, no período entre 2010 e 2013, os quais não possuem qualificação técnica para a prestação de serviços a que se referem a contribuinte e a empresa Hefesto. 45. Intimada e reintimada pelo Fisco, a empresa Hefesto não apresentou documentos comprobatórios da efetiva prestação de serviços à contribuinte. Fl. 5119DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.120 12 46. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por Hefesto à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2010: 47. Com base nos registros da conta “11102020015 – ITAÚ 6166”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Hefesto, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. 48. Segundo o Fisco, os referidos valores passíveis de retenção constam da DIRF da contribuinte e da DIPJ da empresa Hefesto, anocalendário de 2010. 49. Em relação à empresa Arquieng, segundo o Fisco, os documentos apresentados pela contribuinte não demonstraram que os serviços contratados foram efetivamente prestados. 50. O Fisco constatou que a empresa Arquieng não apresentou DIRF como declarante, no período entre 2010 e 2013, e apresentou a última DIPJ em 2011 zerada. 51. Intimada pelo Fisco, a empresa Arquieng não foi localizada em seu domicílio fiscal, porém, após intimação dos respectivos sócios, solicitou dilação de prazo em virtude de mudança de endereço. 52. Expirado o prazo concedido pelo Fisco, a empresa Arquieng não apresentou nenhum documento comprobatório da efetiva prestação de serviços à contribuinte. 53. Com base nos registros da conta "41220030002 CONSULTORIA”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo despesas da contribuinte glosadas em decorrência da ausência de comprovação de serviços prestados por Arquieng à contribuinte, referentes ao anocalendário de 2010: 54. Com base nos registros da conta “11102050020 – ITAÚ 034913”, a Autoridade Fiscal elaborou o quadro seguinte, demonstrativo dos pagamentos efetuados pela contribuinte à Arquieng, sem comprovação da sua causa, e o respectivo valor do IRRF cobrado. Fl. 5120DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.121 13 55. Em relação ao IRPJ, a partir dos fatos anteriormente descritos, o Fisco enquadrou a contribuinte na seguinte legislação: art. 3° da Lei n° 9.249/95; Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. 56. Em relação à CSLL, a partir dos fatos anteriormente descritos, o Fisco enquadrou a contribuinte na seguinte legislação: art. 2° da Lei n° 7.689/88 e alterações; art. 57 da Lei n° 8.981/95 e alterações; art. 2° da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96; e art. 3° da Lei n° 7.689/88 e alterações. 57. Em relação ao IRRF, a partir dos fatos anteriormente descritos, o Fisco enquadrou a contribuinte na seguinte legislação: arts. 674 e 675 do RIR/99. 58. A autoridade Fiscal duplicou a multa de 75% do lançamento de ofício, nos termos do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, por entender que as condutas intencionais e planejadas da contribuinte enquadramse na definição legal de fraude a que se refere o art. 72, da Lei n° 4.502, de 1964. 59. Segundo o Fisco, a contribuinte procurou modificar as características essenciais do fato gerador, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo em conseqüência o correspondente montante devido. 60. Ainda segundo o Fisco, os contratos referiamse a serviços fictícios e as referidas condutas foram praticadas com uma diversidade de contrapartes, envolveram valores expressivos e foram reiteradas. 61. Às Fls. 3.904, a Autoridade Fiscal lançou a multa isolada de 50% prevista no art. 44, inciso II, ‘b’, da Lei n° 9.430, de 1996, por ausência de recolhimento de estimativas de IRPJ, no anocalendário de 2010, uma vez que a glosa de despesas consideradas indedutíveis aumentou a base de cálculo do IRPJ. 62. A Autoridade Fiscal incluiu no pólo passivo da relação tributária os sócios DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO (CPF 190.175.45372), JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO (CPF 140.252.48620) e ERTON MEDEIROS FONSECA (CPF 065.579.318 Fl. 5121DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.122 14 65), nos termos do art. 135, III, do CTN, em razão das condutas da contribuinte, consideradas ilícitas pelo Fisco. 63. Segundo a Autoridade Fiscal, os sócios tinham pleno conhecimento da conduta da contribuinte. Ademais, as pessoas jurídicas realizam seus negócios, seus empreendimentos, por meio de atos de vontade praticados por pessoas naturais, seus sócios, que as utilizam para a composição de seus interesses. No caso, ficou caracterizada a infração ao art. 135, III, do CTN, pois, os sócios conduziram os negócios da Galvão Engenharia com o intuito de fraudar a Administração Tributária. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 4.090/4.531, que aduziu os seguintes argumentos: 64. Cientificados dos autos de infração em 11/12/2015 (sextafeira), e irresignados, a contribuinte GALVÃO ENGENHARIA S/A – EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL E OS SÓCIOS DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO (CPF 190.175.45372), JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO (CPF 140.252.48620) e ERTON MEDEIROS FONSECA (CPF 065.579.31865) apresentaram a impugnação de fls. 4.090 a 4.531, em 12/01/2016 (terçafeira), por meio da qual oferecem, em síntese, as seguintes razões de defesa. II.1. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE II.1.1. Da impossibilidade de refiscalização do anocalendário de 2010 65. Sustentam os impugnantes que o Fisco iniciou uma nova fiscalização referente ao mesmo anocalendário anteriormente fiscalizado, incorrendo o presente auto de infração de vício material incorrigível, pois, não houve qualquer fato novo que pudesse embasar a nova ação fiscal nem provas de que ocorrera, no lançamento anterior, fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, a teor do disposto nos incisos VIII e IX, do art. 149, do CTN, respectivamente. 66. Segundo os impugnantes, na primeira fiscalização (autos n° 10830.722896/201476 e 10830.722897/201411), realizada em 2013, o Fisco analisou toda a contabilidade da contribuinte e teve, assim, conhecimento das despesas deduzidas e dos pagamentos realizados no anocalendário de 2010. Tinha, portanto, totais condições de constituir o crédito tributário ora exigido. 67. Trazem jurisprudência do CARF no mesmo sentido, segundo os impugnantes. 68. Pugnam pela nulidade do presente auto de infração, pois, se naquela oportunidade o Fisco entendera que não havia irregularidades, a alteração de seu entendimento só poderia ser aplicada aos fatos geradores futuros, sob pena de alteração do critério jurídico. II.1.2. Da motivação deficiente do lançamento tributário e da ausência de descrição precisa da acusação fiscal II.1.2.1. Em relação ao IRRF 69. Sustentam os impugnantes que a Autoridade Fiscal, quanto à infração supostamente cometida por estes, sempre se referiu à ausência de comprovação da operação ou de sua causa, situações excludentes na exigência do IRRF. 70. Aduzem que há pagamento sem causa quando a fiscalização constata a saída do numerário do caixa da empresa para determinado beneficiário sem qualquer motivo ou razão que os justifiquem. Por outro lado, quando o pagamento é realizado em virtude Fl. 5122DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.123 15 de determinado contrato ou negócio jurídico, por exemplo, não há mais que se falar na ausência de causa. Nesse caso, poderseá questionar a existência da operação, mas não a sua causa. 71. Destacam que a menção genérica às situações excludentes do §1°, do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, torna a motivação incongruente. 72. Citam passagens do Termo de Descrição dos Fatos (TDF) em que, segundo os impugnantes, o Fisco não descreveu com a precisão e detalhamento exigidos os fundamentos jurídicos e fáticos do lançamento (a não comprovação da operação ou a causa do pagamento). 73. Trazem jurisprudência administrativa que reconhece a nulidade do lançamento por motivação deficiente. 74. Pugnam pela nulidade do auto de infração, pois, o TDF não justifica o porquê da cobrança de IRRF (se em razão de pagamentos sem causa ou pela não comprovação da operação). II.1.2.2. Em relação ao IRPJ e à CSLL 75. Em síntese, sustentam os impugnantes que a Autoridade Fiscal não expôs os motivos pelos quais os documentos apresentados pela contribuinte seriam insuficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e sequer desenvolve argumentos jurídicos que justificassem a glosa. 76. Aduzem que o Fisco baseouse na presunção de simulação e ausência da efetiva prestação dos serviços, embora tenham sido apresentados pela contribuinte todos os documentos que possui em sede de fiscalização, o que enseja a nulidade do presente auto de infração por vício material. II.1.3. Das provas colhidas da operação Lava Jato indevidamente transladadas em razão de seu caráter sigiloso 77. Sustentam os impugnantes que é ilícito o compartilhamento das denúncias apresentadas pelo MPF, sem autorização judicial, o que caracteriza notória ilicitude das provas que embasaram a acusação fiscal. Razão pela qual, pugnam pela nulidade do presente auto de infração. II.1.4. Da ilicitude da utilização da prova emprestada sem o devido contraditório e ampla defesa 78. Sustentam os impugnantes que a Autoridade Fiscal, durante o procedimento fiscal, relacionou provas constantes de um processo criminal sobre fatos envolvendo outras Construtoras e empresas diversas das que foram objeto da autuação, sem admitir o exercício do contraditório e da ampla defesa pelos impugnantes, pelo que se impõe a declaração de nulidade do auto de infração. II.1.5. Do descumprimento dos requisitos de validade do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal 79. Segundo os impugnantes, o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) violou os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 1.687, de 2014: o inciso IV, do art. 5°, por deixar a Autoridade Fiscal de expor no TDPF o prazo para a realização do procedimento fiscal; o inciso I, do art.11, por ultrapassar a Autoridade Fiscal o prazo para a conclusão da fiscalização na contribuinte sem justificativas; o § 1°, do art. 5°, por recair o TDPF em período de apuração diverso (anocalendário de 2011) do efetivamente fiscalizado (ano calendário de 2010); e o art. 7°, por incompetência da Autoridade Fiscal para expedir o TDPF. II.2. DA DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE IRRF. Fl. 5123DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.124 16 80. Argumentam os impugnantes o IRRF é tributo sujeito ao lançamento por homologação e que as retenções devidamente comprovadas por meio das DIRFs devem ser consideradas como pagamentos antecipados do tributo (doc. 8 da impugnação). Com base nessas premissas é que se deve concluir que ao IRRF se aplica a sistemática do art.150, §4°, do CTN, para contagem do prazo decadencial, e não aquela prescrita pelo inciso I, do art. 173, do CTN, por ausência de quaisquer atos fraudulentos que justificassem a sua aplicação. 81. Trouxeram jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo o entendimento dos impugnantes. III. DO MÉRITO III.1. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR O IRRF SIMULTANEAMENTE COM A GLOSA DE DESPESAS: CONFIGURAÇÃO DO BIS IN IDEM. 82. Sustentam os impugnantes que, apesar de a Galvão Engenhria ter efetuado diversos pagamentos às empresas LEGEND, LFSN, AKYZO, BUZZANI E FANTINI, GASBOL, HEFESTO e ARQUIENG a título de serviços de assessoria e consultoria, bem como locação de equipamentos, entendeu a Autoridade Fiscal que tais despesas não estariam suportadas por documentação hábil e idônea, ensejando a adição desses valores ao lucro líquido e a aplicação das normas do IRPJ e da CSLL. 83. Argumentam que a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL em razão da glosa de despesas e do IRRF em razão de supostos pagamentos sem causa é incompatível. Isso porque agasalhar tal pretensão significaria admitir a tributação do mesmo fato duas vezes. Em outras palavras, os pagamentos realizados pela Galvão seriam tributados em um primeiro momento pelo IRPJ e pela CSLL e, em um segundo momento, seriam novamente tributados a título de IRRF. 84. Aduzem que o convívio das duas exigências mostrase incoerente. Isso porque, ao glosar as despesas utilizadas para reduzir o lucro líquido, a Autoridade Fiscal concluiu pela inexistência dos serviços e dos pagamentos realizados. Afinal, a suposta falta de uma prestação de serviço ou a inidoneidade dos documentos apresentados impõe, ao menos em tese, a glosa com a conseqüente adição dos valores ao lucro líquido. Contudo, uma vez fixada essa premissa, não podem os pagamentos tidos por inexistentes ou carentes de materialidade serem alvo de tributação pelo IRRF em razão da suposta ausência de causa ou comprovação da operação. De fato, os pagamentos não podem ser considerados inexistentes para fins de IRPJ e CSLL e existentes para fins de IRRF. 85. Trouxeram jurisprudência administrativa nesse mesmo sentido, segundo os impugnantes. 86. Pugnam pelo cancelamento do presente auto de infração por restare incompatível a cobrança simultânea de IRRF e IRPJ/CSLL. III.2. Ausência dos pressupostos do artigo 61, caput e §1° da Lei n° 8.981/95 87. Argumentam os impugnantes ser manifestamente improcedente o lançamento tributário, por não estarem configurados os pressupostos de aplicação da norma jurídica do §1°, do art. 61 da Lei n° 8.981/95. 88. Informam que a aplicação dessa norma deve ser excepcional, vale dizer, quando: (i) o Fisco não sabe quem é o beneficiário dos rendimentos pagos, o que impossibilita a exigência do IRPJ e da CSLL dele, (ii) a operação que motiva o pagamento não é comprovada (sendo considerada inexistente) (iii) ou quando o próprio pagamento é Fl. 5124DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.125 17 feito sem causa ou motivo que o justifique, isto é, sem a indicação de uma operação, o que torna duvidosa, em ambos os casos, a natureza do rendimento auferido pelo terceiro e, consequentemente, a aplicação da norma de tributação. 89. Aduzem que não há dúvidas quanto aos beneficiários dos pagamentos. Afinal, a própria D. Autoridade Fiscal os menciona no TDF (LEGEND, LFSN, AKYZO, BUZZANI E FANTINI, GASBOL, HEFESTO e ARQUIENG). A questão é saber, portanto, se a suposta não comprovação da operação ou a suposta ausência de causa para a realização dos pagamentos impede o Fisco de tributar os beneficiários, justificando, então, a exigência do IRRF. 90. Sustentam ser insuficiente a mera alegação de não comprovação da operação que originou o pagamento ou a falta de causa para tal ato. É necessário que o Fisco não tenha meios de tributar normalmente o beneficiário do rendimento, aplicando as normas de apuração do IRPJ e da CSLL, sob pena de se impor à fonte pagadora uma sanção desproporcional, bem como ônus financeiro que, na prática, equivale a 53,84% dos valores pagos em razão do reajuste da base de cálculo exigido pelo §3°, do artigo 61, da Lei n°. 8.981/95. 100. Argumentam que a Galvão, na qualidade de fonte pagadora dos rendimentos auferidos pelos prestadores de serviços, efetuou a retenção de todos os tributos devidos em razão da operação realizada. Isso fica claro pela análise das notas fiscais de prestação de serviço apresentadas durante a fiscalização e pelas DIRFs (doc. 08), que atestam tais retenções. 101. Destacam que o próprio TDF deixa claro, por diversas vezes, que os prestadores de serviços declararam as receitas auferidas no anocalendário em questão. Apenas a título de exemplo, a D. Autoridade Fiscal menciona as receitas auferidas no ano calendário de 2010 pela AKYZO (página 58 do TDF), GASBOL (página 73 do TDF) e HEFESTO (página 80 do TDF). 102. Sustentam que todos os pagamentos realizados foram feitos a partir das operações contratadas com as referidas empresas, o que também denota a sua causa. Ademais, os valores não saíram do caixa da Galvão sem uma justificativa ou sem documentos que os suportassem. Pelo contrário, há indicação das notas fiscais de prestação de serviço e a correta contabilização de todos esses eventos. 103. Entendem, enfim, que, mesmo indevidos os referidos pagamentos realizados por Galvão Engenharia, a causa residiria no repasse de vantagens indevidas para agentes públicos. III. 3. Indevida cumulação do IRRF com a multa de ofício 104. Sustentam os impugnantes que, a despeito de o legislador ter criado a obrigação de retenção exclusiva na fonte do imposto sobre a renda à alíquota de 35% (o equivalente a 53,84% com o reajuste da base de cálculo) nas hipóteses prescritas pelo artigo 61 da Lei 8.981/95, um exame mais cuidadoso da exação revela tratarse de verdadeira multa punitiva em virtude do cometimento de ato ilícito pela pessoa jurídica que efetua os pagamentos. 105. Argumentam, em síntese, que se deve interpretar o artigo 61, da Lei n°. 8.981/95, em conformidade com o artigo 3°, do CTN. Ou seja: se é verdade que o fato gerador da exação é justamente um ato ilícito, então é possível concluir que a consequência da norma constitui, justamente, a sanção correspondente, resultando na impossibilidade de se cumular com a multa de ofício. Fl. 5125DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.126 18 106. Trouxeram jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo o seu entendimento. III. 4. O necessário reconhecimento dos valores retidos e pagos pela Galvão a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS 107. Sustentam os impugnantes que deve ser considerada a retenção de 6,15% efetuada pela Galvão em relação aos pagamentos efetuados, nos termos do disposto no artigo 647 do RIR/99. 108. Trouxeram jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo o seu entendimento. III. 5. O indevido reajustamento da base de cálculo do IRRF 109. Sustentam os impugnantes que o Fisco deve adotar como base de cálculo para o IRRF o valor dos pagamentos efetuados sem o reajustamento, uma vez que a contribuinte efetuou a retenção legal. 110. Argumentam que o art. 61, da Lei n°. 8.981/95, estabeleceu uma presunção relativa de que os pagamentos realizados pela fonte são líquidos do imposto sobre a renda. No presente caso, os valores entregues aos beneficiários configuram a exata expressão do montante tributável. III.6. A insubsistência da acusação fiscal de exigência de IRPJ e CSLL: o conflito entre o direito à dedutibilidade das despesas e o ônus da prova do Fisco 111. Sustentam os impugnantes que a Autoridade Fiscal não apreciou os documentos apresentados por Galvão Engenharia, que descrevem a prestação dos serviços contratados. Com efeito, teriam sido sumariamente descartados, optando a Autoridade Fiscal pela utilização de presunções baseadas em indícios frágeis, que não convergem ou permitem concluir pela ocorrência da infração tributária. 112. Argumentam que, durante o procedimento de fiscalização, a Galvão apresentou conjunto probatório composto, em geral, por: todas as notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelas empresas, acompanhada do recolhimento dos tributos retidos; os comprovantes de pagamento às empresas prestadoras de serviço; e as planilhas de medição dos serviços de consultoria, assessoria e locação, em conformidade com os pagamentos. 113. Informam que a Autoridade Fiscal não fez questionamentos acerca da escrituração ou da regularidade da emissão das notas. Isso significa, portanto, que a apresentação de sua escrituração e dos documentos que amparam os fatos nela registrados fariam prova a seu favor. 114. Aduzem que a Autoridade Fiscal fundamenta a glosa das despesas na suposta ausência de comprovação da efetividade dos serviços sem provar, contudo, as suas alegações. 115. Destacam que à exceção da empresa LEGEND, todas as demais estão atualmente ativas e aptas (isto é, com o CNPJ ativo perante a Receita Federal) a exercer as atividades descritas nos respectivos objetos sociais. 116. Trouxeram jurisprudência administrativa segundo a qual situações que não dizem respeito ao contratante, no caso Galvão Engenharia, não podem prejudicála. Em outras palavras, não se pode presumir a inexistência da prestação dos serviços apenas com base em indícios que apontam para o cometimento de irregularidades do prestador que, ademais, não possuem qualquer vinculação com as operações autuadas. Fl. 5126DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.127 19 117. Ressaltam o seguinte em relação a cada uma das empresas que mantinham contratos de prestação de serviços com a contribuinte: LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA 118. Sustentam que o fato de a LEGEND ter sido considerada inapta pela Receita Federal não é motivo suficiente para caracterizar a inidoneidade dos documentos fiscais por ela emitidos. Também não se pode inferir, a partir desta inaptidão, que a operação contratada entre as partes seja fictícia, mormente quando realizada em período anterior ao início da produção dos efeitos do Ato Declaratório de inaptidão. 119. Argumentam que o fato de não constarem empregados no CAGED pode significar a preferência pela terceirização ou locação de mão de obra. AKYZO — ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA 120. Sustentam que a Autoridade Fiscal questiona as operações autuadas apenas pelo fato de o seu sócio majoritário deter participação societária na empresa LIDERROL, que, por sua vez, é fornecedora da Petrobrás e de outras empreiteiras que lhe prestam serviços. HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA 121. Os impugnantes questionam, nesse ponto, o fato de o sócio majoritário da empresa ser exfuncionário da Petrobrás e apresentar vultosos montantes declarados na ficha de bens e direitos de sua DIRPF, o que se torna irrelevante para o presente caso. BUZZANI & FANTINI CONSULTORIA DE ENGENHARIA E REPRESENTAÇÕES LTDA 122. Segundo os impugnantes, a incompatibilidade entre os lucros apurados pela empresa e o decréscimo patrimonial dos sócios nada prova em relação a estes atos, pois, a Galvão Engenharia contratou a pessoa jurídica, e não as pessoas físicas, e pode significar que a pessoa jurídica decidiu não distribuir os lucros. GASBOL ENGENHARIA EIRELI 123. Aduzem que o fato de os sócios da Gasbol serem exfuncionários da Petrobrás nada dizem sobre as operações autuadas. ARQUIENG ARQUITETURA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA 124. Segundo os impugnantes, a acusação fiscal não se sustenta pelo fato de o sócio majoritário dessa empresa ter optado por um cargo público em detrimento de empresas altamente lucrativas. JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA 125. Segundo os impugnantes, apesar de todo o conjunto probatório, apegase o Fisco ao fato de não ter a Galvão Engenharia apresentado relatórios técnicos, planilhas, pareceres, comprovantes de viagens efetuadas etc. Porém, os serviços prestados pela JD não demandavam a elaboração dos documentos exigidos pelo Fisco. 126. Concluem pelo cancelamento da exigência de IRPJ e da CSLL, uma vez que os elementos colacionados pela fiscalização apenas apontam para supostas irregularidades cometidas pelas prestadoras de serviços, o que também é insuficiente para manter a acusação fiscal. III.7. Impossibilidade da concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada 127. Segundo os impugnantes, em decorrência da glosa de despesas e do lançamento do IRPJ, a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com fundamento no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996. Aduzem que não pode o Fisco exigir multa pelo não recolhimento dos tributos apurados ao final do anocalendário e, ao mesmo tempo, multa sobre o não Fl. 5127DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.128 20 recolhimento das estimativas, que são apenas a antecipação daqueles. Nesse caso, a penalidade exigida em razão da ausência de pagamento do IRPJ deve absorver aquela aplicável ao não recolhimento das respectivas antecipações. 129. Citam jurisprudência administrativa, corroborando o entendimento dos impugnantes de que, existindo multa de ofício por falta de pagamento de tributo, a multa isolada por estimativa não deve ser exigida, em razão do princípio emprestado do direito penal denominado de consunção. 130. Trazem nesse sentido o enunciado n° 105 da súmula de jurisprudência do CARF, segundo o qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 10, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 131. Concluem que, em atenção ao princípio da consunção ou da absorção, a multa isolada (menos grave) deve ser absorvida pela multa de oficio, sob pena de restar admitido o "bis in idem". III.8. Afastamento da qualificadora da multa de ofício 132. Em síntese, argumentam os impugnantes que, em momento algum, o Fisco atribuiu de forma clara, inequívoca e precisa uma das condutas descritas pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64 aos Impugnantes, sendo esta condição indispensável para a qualificação da multa de ofício. 133. Aduzem que a fiscalização não pode se basear na suposta prática de ilícitos penais para concluir pela existência de ilícitos tributários e que a denúncia do MPF envolvendo os Responsáveis Tributários não possui qualquer vínculo com as operações questionadas na autuação, o que infirma a alegação da Autoridade Fiscal de que os pagamentos realizados pela Galvão Engenharia teriam sido indevidos. 134. Afirmam que a referida qualificação violou o art. 146 do CTN, por alteração de critério jurídico, uma vez que em fiscalização anterior, a Fazenda Pública não qualificara a multa de ofício de 75%. 135. Destacam que, em relação à qualificação da multa de ofício no lançamento do IRRF, não cabe a qualificadora, uma vez que a Autoridade Fiscal não demonstrou o dolo específico de Galvão Engenharia nos pagamentos realizados por alegada prestação de serviços, e a contribuinte não obteve nenhuma vantagem tributária em razão dos referidos pagamentos. 136. Em relação à qualificação da multa de ofício nos lançamentos de IRPJ e da CSLL, sustentam os impugnantes que não restou configurada sonegação ou fraude e que, nos termos do enunciado n° 14 da súmula do CARF, não restou demonstrado pela Autoridade Fiscal o dolo específico dos impugnantes que caracterizasse o evidente intuito de fraude da contribuinte ou dos responsáveis tributários na dedução de despesas na apuração do lucro líquido. III.9. Aplicação do artigo 112 do CTN em caso de voto de desempate 137. Argumentam os impugnantes que, em caso de empate no presente julgamento, o voto de qualidade deve aplicar o art. 112, do CTN, garantindose a interpretação mais favorável da legislação tributária ao contribuinte. Em outras palavras, o segundo voto do Presidente (voto de qualidade) deve sempre acompanhar a posição mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação das penalidades. 138. Pugnam, portanto, pelo cancelamento das multas veiculadas no presente auto de infração em caso de empate no presente julgamento para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o art. 112, do CTN. Fl. 5128DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.129 21 III.10. Não incidência de juros sobre as multas de ofício e isolada 139. Argumentam os impugnantes que a cobrança de juros de mora sobre as multas de ofício e isolada carece de fundamento legal, uma vez que o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do, CTN, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. 140. Trazem jurisprudência administrativa nesse sentido e pugnam pela exclusão dos juros de mora sobre as multas de ofício e isolada em caso de manutenção do presente auto de infração. III.11. Cessação da fluência dos juros de mora após o transcurso do prazo de 360 dias 141. Segundo os impugnantes, uma vez transcorrido o prazo de 360 dias previsto no artigo 24 da Lei n° 11.457/07, não há mais que se falar em mora do contribuinte, mas sim da Fazenda Pública, que não pode se beneficiar de sua própria inércia. Do contrário, estimularseia o Fisco a não julgar com rapidez os processos administrativos de sua competência, a fim de que o valor dos juros aumente mês a mês. 142. Portanto, requerem os impugnantes, para que se prestigie o dever de duração razoável do processo e o princípio da eficiência da Administração Pública, que o cálculo dos juros de mora seja limitado ao prazo de 360 dias, caso a decisão em primeira instância venha a superar este prazo legal. Ilegitimidade passiva dos responsáveis tributários III.12. Ilegitimidade passiva do Sr. Dário de Queiroz Galvão Filho, membro do Conselho de Administração à época dos fatos geradores 143. Argumentam os impugnantes que afigurase impossível a responsabilização pessoal do Sr. Dario de Queiroz Galvão Filho, com base no artigo 135, inciso III, do CTN. Isso porque, à época do fato gerador da autuação, ele não desempenhava as funções de diretor, gerente ou representante da empresa, conforme se depreende de documentos retirados do site da JUCESP e disponíveis para consulta. III.13. Inaplicabilidade do inciso III, do artigo 135, do CTN em relação ao IRPJ e à CSLL 144. Argumentam os impugnantes que não procede a sua responsabilização pessoal, eis que ausentes os requisitos que autorizam a aplicação da norma contida no art. 135, III, do CTN. 145. Informam que nas três páginas do Termo de Descrição dos Fatos (TDF) dedicadas ao assunto, a Autoridade Fiscal não descreve precisa e especificamente, em relação a cada uma das pessoas físicas responsabilizadas, qual teria sido o ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto capaz de gerar as obrigações tributárias consignadas neste auto de infração. Inclusive, o TDF, em suas 118 páginas, não faz menção a qualquer documento assinado pelas pessoas físicas responsabilizadas, ou ato que pudesse configurar a hipótese do inciso III, do artigo 135, do CTN. 146. Adicionalmente, informam que o Fisco não estabeleceu o nexo entre o ato ilícito e o surgimento da obrigação tributária. 147. Destacam que a dedução das despesas foi efetuada pela Galvão Engenharia sem que exista prova de que foi determinada especificamente pelas pessoas físicas consideradas responsáveis tributárias no auto de infração. Ainda que elas sejam consideradas indevidas, as consequências dessa infração são exclusivamente imputadas à Galvão Engenharia. 148. Trazem jurisprudência administrativa no mesmo sentido, segundo os impugnantes. Fl. 5129DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.130 22 149. Pontuam que o inciso III, do art. 135, do CTN, exige que o ato ilícito seja cronologicamente anterior ao surgimento da obrigação tributária, diferentemente do entendimento da Autoridade Fiscal. 150. Argumentam que o fato de as pessoas físicas consideradas responsáveis tributárias no auto de infração terem sido condenadas penalmente em 1ª instância pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa, não permite concluir pela sua atuação dolosa com infração à lei tributária, muito menos pelo cometimento de sonegação ou fraude. 151. Pugnam, portanto, pela exclusão dos demais responsáveis tributários do pólo passivo da presente autuação, em relação às exigências de IRPJ e da CSLL, por insuficiência de fundamentação legal e por ausência de provas de dolo na prática de sonegação. III.14. Subsidiariamente: incompatibilidade da exigência do IRRF com a norma do artigo 135, inciso III, do CTN 152. Os impugnantes trazem jurisprudência administrativa com o entendimento de que não há fundamento legal para aplicação simultânea da regra de responsabilização do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, e, da regra de responsabilidade pessoal do art. 135, III, do CTN. 153. Pugnam , portanto, pela exclusão dos responsáveis tributários do pólo passivo da presente autuação quanto à exigência de IRRF. 154. Em síntese, requerem os impugnantes que seja julgada procedente a sua impugnação para acolher as preliminares suscitadas na presente impugnação, cancelandose integral ou parcialmente o auto de infração lavrado. Acaso superadas essas preliminares, requerem pela improcedência da acusação fiscal em conformidade com as razões de mérito. Na hipótese de manutenção das autuações relativas ao IRRF, IRPJ e CSLL, requerem, finalmente, para que sejam acolhidos, ao menos, os argumentos subsidiários, reduzindose, por conseguinte, o crédito tributário exigido. Em julgamento realizado em 29 de junho de 2016, a 2ª Turma da DRJ/BSB, considerou parcialmente procedente a impugnação dos contribuintes e prolatou o acórdão 03 71592, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2010 NULIDADES. NOVA FISCALIZAÇÃO DE PERÍODO EXAMINADO ANTERIORMENTE. Não há que se falar em nulidade de auto de infração quando, conforme disposição legal, em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. MOTIVAÇÃO DEFICIENTE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não há que se falar em nulidade de auto de infração quando o lançamento cumpriu com os requisitos dos incisos III e IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. INFORMAÇÕES EM PROCESSO PENAL. CARÁTER SIGILOSO. Fl. 5130DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.131 23 Não há que se falar em quebra de sigilo processual quando o impugnante utiliza as mesmas informações constantes em processo penal para responder a questionamentos da Autoridade Fiscal. PROVA EMPRESTADA SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL. Não há que se falar em ilicitude de uso de prova usada pelo impugnante na fase de fiscalização nem de ausência do devido processo legal, uma vez que o contraditório no processo administrativo fiscal iniciase com a impugnação. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUISITOS DE VALIDADE. Não há que se falar em nulidade de auto de infração, uma vez que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal cumpriu todos os requisitos dispostos na Portaria RFB n° 1.687, de 2014. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. Em conformidade com o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, na ausência de pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo, não há que se falar no lançamento por homologação previsto no art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN, e, nesta hipótese, o prazo decadencial de cinco anos regese pelo disposto no art. 173 do mesmo Código. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE MEMBRO DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INFRAÇÃO À LEI EM FUNÇÃO DE DIREÇÃO. PROVA. Não há que se falar na responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, se inexiste prova de que um membro do Conselho de Administração atuava em atividade de direção, gerência ou representação da Sociedade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO CTN, ART. 135. SOLIDARIEDADE. Tratase de responsabilidade solidária a norma do art. 135, III, do CTN. Fl. 5131DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.132 24 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. IRRF E MULTA DE OFÍCIO. NATUREZAS JURÍDICAS DISTINTAS. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE COBRANÇA. Em se tratando de naturezas jurídicas distintas, não há que se falar em cumulação entre o Imposto sobre a renda retido na Fonte, tributo cobrado do substituto tributário, e a multa de ofício. IRRF. DEDUÇÃO DE VALORES RETIDOS A TÍTULO DE IRRF, CSLL, PIS e COFINS. A base de cálculo do IRRF, antes do seu reajustamento determinado pelo § 3º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1985, é o valor do pagamento considerado sem causa, deduzidas as retenções legais. IRRF. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DO PAGAMENTO. AJUSTE DETERMINADO POR LEI. O ajuste do valor bruto ocorre por expressa determinação legal, sem vinculação com o fato de o sujeito passivo assumir ou não o ônus do IRRF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DESPESA PELO SUJEITO PASSIVO. GLOSA DOS VALORES PELO FISCO. Um vez que o sujeito passivo não comprova a existência de despesa para dedução da base de cálculo do IRPJ, compete à Autoridade Fiscal proceder à glosa dos respectivos valores. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento reflexo realizado com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. Fl. 5132DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.133 25 Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra “b”, da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A multa de ofício, como obrigação tributária principal, é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA LEI N° 11.457, DE 2007. CABIMENTO. Descabe a aplicação do art. 24, da Lei n° 11.457, de 2007, quando a decisão em primeira instância ocorre dentro do prazo de 360 dias a partir da data da apresentação da impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 4.626/4.759, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Das Preliminares Nulidade do Auto de Infração; Fl. 5133DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.134 26 Impossibilidade de refiscalização do anocalendário de 2010; Da motivação deficiente do lançamentoitributário e a ausência de descrição precisa da acusação fiscal em relação ao IRRF e IRPJ e CSLL; Das provas colhidas da Operação Lava Jato não foram devidamente transladadas em razão de seu caráter sigiloso; Da ilicitude da utilização de prova emprestada sem o devido contraditório e ampla defesa; O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização descumpriu os requisitos de validade; Decadência parcial do crédito tributário de IRRF; Do Mérito: IRRF Considerações iniciais sobre a norma do artigo 61 da Lei nº. 8.981/95; A impossibilidade de se exigir o IRRF simultaneamente com a glosa de despesas: configuração do bis in idem; Ausência dos pressupostos do artigo 61, caput e § 1º da Lei nº. 8.981/95; Argumentos subsidiários aplicáveis exclusivamente ao IRRF Realização de diligência, a fim de que a RFB verifique se os beneficiários já foram autuados ou estão sendo fiscalizados; Indevida cumulação do IRRF com a multa de ofício O necessário reconhecimento dos valores retidos e pagos pela Galvão a título de IRRF, CSL, PIS e COFINS; O indevido reajustamento da base de cálculo do IRRF; IRPJ e CSL (glosa de despesas); A insubsistência da acusação fiscal: o conflito entre o direito à dedutibilidade das despesas e o ônus da prova do Fisco; A fragilidade dos indícios que embasam a acusação fiscal; LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA; AKYZO – ASSESSORIA & NEGÓCIOS LTDA; HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA.; BUZZANI & FANTINI CONSULTORIA DE ENGENHARIA E REPRESENTAÇÕES LTDA; Fl. 5134DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.135 27 GASBOL ENGENHARIA EIRELI; ARQUIENG ARQUITETURA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA; JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA Argumentos subsidiários aplicáveis exclusivamente ao IRPJ; Impossibilidade da concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada Argumentos subsidiários aplicáveis ao IRRF, ao IRPJ e à CSL; Afastamento da qualificadora da multa de ofício; A incoerência da acusação fiscal; IRRF; IRPJ e CSL; Considerações sobre a decisão de 1ª instância; Aplicação do artigo 112 do CTN em caso de voto de desempate; Não incidência de juros sobre as multas de ofício e isolada; Cessação da fluência dos juros de mora após o transcurso do prazo de 360 dias Os responsáveis solidários DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO, JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO e ERTON MEDEIROS FONSECA apresentaram Recursos Voluntários às fls. 4.807/4.867, com os seguintes argumentos: Da ilegitimidade passiva dos Recorrentes; Da incompatibilidade da exigência do IRRF com a norma do artigo 135, II, do CTN; Do mérito Reiteraram os argumentos apresentados pela contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões aos Recursos Voluntários, às fls. 5.009/5.097, alegando os seguintes pontos: Preliminares: Possibilidade De Mais De uma Fiscalização No Mesmo Ano Calendário E Ausência De Violação ao Art. 146 Do CTN; Motivação Suficiente Do Lançamento Com Descrição Precisa Da Acusação Fiscal; Das Provas Colhidas Na Operação Lava Jato; Fl. 5135DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.136 28 Licitude Na Utilização De Prova Emprestada; Requisitos De Validade Do TDPF E Inexistência De Combate Ao Acórdão Recorrido; Da Inexistência De Decadência Do AnoCalendário 2010; Mérito Infrações Praticadas Pela Recorrente Galvão Engenharia S/A – Regularidade Das Glosas Por Operação Não Comprovada/Inexistente E Com Documentação Inidônea; LEGEND Engenheiros Associados Ltda; JD Assessoria E Consultoria Ltda; FLSN; Akyzo – Assessoria & Negócios Ltda; Hefesto Consultoria E Projetos Ltda.; Buzzani & Fantini Consultoria De Engenharia E Representações Ltda; Gasbol Engenharia Eireli; Arquieng Arquitetura, Engenharia E Comércio Ltda; Sonegação, Fraude E Conluio Elementos Caracterizadores Das Condutas Da Pem Engenharia Ltda Nos AnosCalendário Fiscalizados, Sob O Comando Do Sr. Augusto Mendonça; Da Multa Majorada; Regularidade Na Cobrança Do Irrf Em Face Dos Pagamentos Efetuados Pela Galvão Engenharia S/A – Higidez Do Lançamento; Regularidade Na Cobrança Da Multa Isolada Com A Multa De Ofício; Juros Sobre A Multa De Ofício E Isolada; Voto De Qualidade E Art. 112 Do Ctn; Juros De Mora Após O Transcurso Do Prazo De 360 Dias; Dos Recursos Interpostos Pelos Responsáveis Solidários Dário De Queiroz Galvão Filho, Jean Alberto Luscher Castro E Erton Medeiros Fonseca; Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 5136DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.137 29 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte e os responsáveis solidários foram autuados para o recolhimento de IRPJ, CSLL e IRRF, relativo ao anocalendário de 2010, totalizando o crédito tributário de R$108.249.709,80, incluindo multa de ofício qualificada de 150%, multa isolada e juros de mora. Elas foram cientificadas do teor do acórdão da DRJ/SP1 e intimadas ao recolhimento dos débitos em 18/11/2016 (ciência por abertura de documento às fls. 4.621), 23/11/2016, 24/11/2016 e também 24/11/2016, (AR de fl. 4.622/23/24), e apresentaram em 20/12/2016 e 22/12/2016, recursos voluntários e demais documentos, juntados às fls. 4.626/4.759 e 4.807/4.867. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, deles conheço. Conforme o Termo de Descrição dos Fatos, fls. 3.934/4.052, a autuação se deu em razão de glosa de despesas e pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. A autoridade fiscal glosou os custos contabilizados pela Recorrente justificando que a empresa não apresentou nenhuma prova hábil para demonstrar a efetiva prestação de serviços por parte das empresas S.M. Terraplenagem, Legend, Jd Assessoria, Lfsn, Akyzo, Buzzani, Gasbol, Hefesto e Arquieng. A DRJ/SP1 julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando a responsabilidade solidária do Sr. Dario de Queiroz Galvão Filho, e mantendo os demais lançamentos e os outros dois responsáveis solidários Srs. Jean Alberto Luscher Castro e Erton Medeiros Fonseca, inclusive a multa qualificada e isolada. Contra essa decisão foi interposto recurso de ofício e voluntário, os quais passo a analisar. RECURSO DE OFÍCIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Fl. 5137DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.138 30 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito do Recurso de Ofício será analisada mais à frente quando tratar da responsabilidade solidária de cada um. Da ação fiscal Iniciouse a ação fiscal em razão do envolvimento da Galvão Engenharia recorrente, na operação "Lava Jato", deflagrada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, visando um esquema de corrupção na Petrobrás, lavagem de dinheiro, envolvendo diversas empreiteiras, que organizados em esquemas fraudulentos pagavam propinas a agentes públicos através de contratos de licitação com a empresa estatal. A recorrente é uma pessoa jurídica, que possui como atividade econômica a Construção de Rodovias e Ferrovias, tendo como sócios/dirigentes no período fiscalizado diversas pessoas. Foi intimada a apresentar os pagamentos, notas fiscais, faturas, recibos, contratos, comprovação da efetiva prestação dos serviços realizados relativos as seguintes empresas: LFSN CONSULTORIA ENGENHARIA S/S LTDA, CNPJ 11.418.207/000105; M.O. CONSULTORIA COMERCIAL E LAUDOS E. LTDA, CNPJ 06.964.032/000193; JD ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 03.008.230/000195; S.M. TERRAPLENAGEM LTDA, CNPJ 07.829.451/000185; LEGEND ENGENHEIROS ASSOSSIADOS LTDA, CNPJ 07.794.669/000141; AKYZO ASSESSORIA & NEGOCIOS LTDA, CNPJ 05.332.111/000119; BRATEC CONSULTORIA S/S LTDA ME, CNPJ 08.265.018/000127; BUZZANI E FANTINI CONSULTORIA DE ENGENHARIA E REPRESENTACOES LTDA, CNPJ 08.270.446/000148; GASBOL ENGENHARIA EIRELI, CNPJ 03.824.147/000194; HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA, CNPJ 04.067.717/000101; Fl. 5138DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.139 31 PROFICENTER PLANEJAMENTO DE OBRAS LTDA EPP, CNPJ 00.508.959/000132; Arquieng Arquitetura Engenharia e Comércio Ltda, CNPJ 63.530.810/0001 70. Preliminares 1 Da impossibilidade de refiscalização do anocalendário de 2010 Alega o recorrente que já havia sido fiscalizado em 2013/2014, relacionado ao período de 2010, para análise do IRPJ, tendo sido finalizado em 06/06/2014, com a lavratura de dois autos de infração, IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesa de locação de bens e equipamentos da empresa SM Terraplenagem, por ausência de comprovação da efetividade das operações e de IRRF, diante do pagamento sem causa. E o procedimento que gerou este lançamento aqui tratado iniciouse em 05/05/2015, tratando novamente do ano de 2010 a 2013. E que tal verificação não seria possível, diante do art. 149, VIII e IX do CTN. De fato, o anocalendário de 2010 foi fiscalizado, porém, conforme se verifica do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal, através do site da RFB, houve justificativa para reexame naquele período, devidamente assinado pelo Superintendente da RFB, nos termos do art. 906 do RIR/99: Vejamos o que diz o art. 906 mencionado: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Assim, de fato, legal e de acordo com o que diz a norma, de se afastar esta preliminar. 2 Da motivação deficiente do lançamento tributário e a ausência de descrição precisa da acusação fiscal Em relação ao IRRF: Fl. 5139DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.140 32 Segundo a recorrente, a Autoridade Fiscal não se decidiu quanto à infração supostamente cometida por ela, pois ora se refere à comprovação da operação e ora à comprovação de sua causa, nos termos do art. 61, §1º da Lei 8.981/95, já que seriam excludentes. Ora, vejamos a redação dessa norma: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o §2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. §2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (g.n.) Em relação ao IRPJ e à CSLL: De igual forma, entendeu a recorrente que a Autoridade Fiscal sustenta a glosa das despesas aos serviços prestados pelas empresas contratadas por ela (LEGEND, JD, LFSN, AKYZO, BUZZANI E FANTINI, GASBOL, HEFESTO e ARQUIENG) em motivação fática e jurídica deficiente. Pareceme que tais discussões se misturam com a de mérito. Como parte de preliminar, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 5140DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.141 33 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para embasamento, não verifico contradição, questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, deixo de conhecer também, das preliminares argüidas. 3 Das provas colhidas da operação Lava Jato indevidamente transladadas em razão de seu caráter sigiloso Neste ponto, aduz o recorrente que as provas colhidas pela Autoridade Fiscal decorrentes da Operação Lava Jato possuem caráter sigiloso, pois originamse de inquérito policial, e que o sigilo é essencial para o desenvolvimento das investigações policiais. Ora, tal alegação não merece prosperar, primeiro porque as provas colhidas na Operação Lava Jato por si só não servem para basear o lançamento, mas foi o que alavancou a fiscalização, que foram posteriormente amealhadas através de procedimento fiscal válido. O próprio recorrente, por diversas vezes reconhece que a contextualização da Operação Lava Jato aqui no caso estudado é irrelevante para o deslinde do feito. Assim, não há que se alegar justamente a nulidade por fatos ditos irrelevantes. Ademais, de se destacar também a autorização dada pelo STF, de compartilhamento de provas, produzidas a partir da Colaboração Premiada de Alberto Youssef, com a Receita Federal do Brasil, através de requerimento feio pelo ProcuradorGeral da República através do Ofício 5222/2015, tendo inclusive decisão no sentido de que foi afastada a tramitação sigilosa dos autos. (fls. 3.250/3.251) Desta feita, não há que se falar em nulidade. 4 Da ilicitude da utilização da prova emprestada sem o devido contraditório e ampla defesa Neste item alega o recorrente que não lhe foi admitido o exercício do contraditório e da ampla defesa no processo em que as provas foram produzidas, já que os termos de colaboração premiada e denúncia apresentada contra a JD originamse de outros processos criminais, das quais a recorrente não faz parte. Fl. 5141DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.142 34 Entendo que não estão presentes as razões de se ensejar a nulidade do lançamento. Nestes autos, não se verificou nenhum ato de cerceamento de defesa, os recorrentes foram por diversas vezes intimados a fim de comprovarem a ocorrência das despesas e teve oportunidade de fazer a comprovação através de documentação hábil e idônea tanto na impugnação quanto na fase recursal. Salientese de pronto, ainda, que não há qualquer óbice à utilização de prova emprestada, conforme se observa do artigo 372 do Código de Processo Civil, aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. Quanto à Jurisprudência deste Conselho, segue: PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.POSSIBILIDADE. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestar se sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. (CARF, 2ªSeção, 4ªCâmara/1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Cleberson Alex Friess, Acórdão nº 2401 004.874, Data da Sessão: 06/06/2017) Desta forma, não há que se falar em nulidade 5 O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização descumpriu os requisitos de validade Ainda, em sede de preliminar, relatam os recorrentes que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) violou os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 1.687, de 2014: o inciso IV, do art. 5°, por deixar a Autoridade Fiscal de expor no TDPF o prazo para a realização do procedimento fiscal; o inciso I, do art.11, por ultrapassar a Autoridade Fiscal o prazo para a conclusão da fiscalização na contribuinte sem justificativas; o § 1°, do art. 5°, por recair o TDPF em período de apuração diverso (anocalendário de 2011) do efetivamente fiscalizado (anocalendário de 2010); e o art. 7°, por incompetência da Autoridade Fiscal para expedir o TDPF. Já rebatidos pela decisão recorrida, acolho seus argumentos: Em relação ao período de apuração, embora não tenha constado no Termo de Início de Ação Fiscal, o anocalendário de 2010 constou da primeira intimação da contribuinte (Fls. 5 a 10). Em relação ao prazo de duração do procedimento fiscal, a sua ausência nos termos lavrados pela Autoridade Fiscal não prejudicou a contribuinte, uma vez que o Fisco concedera no mínimo o prazo legal para respostas às suas intimações. Ademais, nos termos do art. 12, da Portaria RFB n° 1.687, de 2014, o procedimento fiscal só se extingue pela sua conclusão, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo (Fls. 4.053 a 4.055). Fl. 5142DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.143 35 Em relação à competência da Autoridade Fiscal, equivocamse os impugnantes, ao confundirem o TDPF com o Termo de Início de Ação Fiscal (Fls. 2 a 3), o qual foi instaurado e executado por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, conforme determina o art. 2°, da Portaria RFB n° 1.687, de 2014. Destarte, o procedimento fiscal e os termos dele decorrentes seguiram as disposições legais e os atos normativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em face do exposto, rejeito a preliminar de nulidade por descumprimento de requisitos de validade do TDPF. Assim, também afasto aqui esta preliminar. 6 Da decadência parcial do crédito tributário de IRRF A Recorrente alega, desta feita, a decadência do lançamento, no que se refere aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2010, por entender que parte do crédito tributário de IRRF teria sido constituído quando já transcorrido o prazo decadencial contido no art. 150, § 4º, do CTN. Para tanto, ela alega que o IRRF é imposto sujeito ao lançamento por homologação; que teria retido 6,15% de IRRF, CSLL, PIS e COFINS; e que não houve atos fraudulentos que justificassem a aplicação do art. 173, I, do CTN. Entretanto, de se enfatizar que no caso em tela, em razão da aplicação multa qualificada, em razão da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca se para a regra determinada no art. 173, I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, também a Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Assim, conforme se verificará na discussão do mérito, diante da conduta dolosa do contribuinte, aplicável o art. 173, I do CTN, e não o previsto no §4º do art. 150 do CTN, não havendo o que falar em decadência parcial daquelas competências. Mérito 1 IRPJ e CSLL 1.1 Da insubsistência da acusação fiscal de exigência de IRPJ e CSLL: o conflito entre o direito à dedutibilidade das despesas e o ônus da prova do Fisco Requerem os recorrentes o afastamentos das glosas de despesas que geraram os lançamentos de IRPJ e CSLL já que baseados em indícios de irregularidades. Que por sua vez apresentou toda a documentação que comprova a realização dos serviços pelas empresas contratadas, como notas fiscais de prestação de serviços, comprovantes de pagamentos e planilhas de medição dos serviços de consultoria, assessoria e locação. E que tais documentos se coadunam com aquilo que foi escriturado. Ademais, as provas obtidas da Operação Lava Fl. 5143DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.144 36 Jato constituemse em prova ilícita. Outrossim, as irregularidades apontadas não podem ser imputadas às recorrentes, já que se referem às empresas prestadoras, e são responsabilidades destas. Que o valor dos pagamentos realizados para o porte da empresa não se mostra vultosos (R$40 milhões em mais de R$2 bilhões de faturamento), tem mais 6.200 fornecedores, não sendo cabível relatórios cuidadosos e detalhados. Resumidamente, conforme o TDF: No que tange à empresa Legend Engenheiros Associados Ltda, (fls. 36 e ss do TDF) a autoridade fiscal ressaltou que ela era uma “empresa fantasma”, controladas por Adir Assad, utilizada para a emissão de notas fiscais frias de prestação de serviços para a empreiteira Delta, idealizada para emitir notas fiscais frias, simulando a prestação de serviços que na realidade não teriam sido prestados, razão pela qual também foi baixada de ofício pela RFB. Apesar disso, a Recorrente também contabilizou despesas com a Legend, tendo apresentado documentos (notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos) relacionados àquela empresa, e que foram glosadas pela fiscalização haja vista a ausência de comprovação da operação ou a sua causa. Essa empresa foi considerada inexistente de fato, não foi localizada no endereço constante do CNPJ, bem como os integrantes do seu QSA não terem sido localizados, nem o representante no CNPJ e seu preposto. Os Sr. Mauro José Abbud e Marcello José Abbud, sócios remanescentes foram intimados a apresentar documentos e informações, porém não as responderam. Em pesquisas fiscais e trabalhistas, observouse que desde 2010 a empresa não esteve em atividade, não há recolhimentos de contribuições previdenciárias ou movimentação de segurados através de entrega de GFIPs ou retenções de IRRF e declarações através de DIRF. Não há movimentações no CAGED. Ora, não vejo como ser possível para uma empresa que presta serviços de obras, engenharia, treinamento profissional e gerencial, dentre outros, fazêlo para uma empresa do porte da recorrente, sem funcionários, sem estruturas, etc Assim, de fato, de se manter a conclusão trazida pela fiscalização de que tais serviços nunca foram de fato prestados e tais contratos mostramse não válidos, e as notas fiscais "frias", tratandose de empresa noteira. Em face da JD Assessoria e Consultoria Ltda, a fiscalização examinou os documentos ofertados pela Recorrente e concluiu que “em nenhum momento é possível concluir qual foi a atuação desempenhada pela empresa JD Assessoria e Consultoria. Nada do que foi apresentado demonstra o efetivo exercício das atividades que a empresa diz desempenhar”. A autoridade fiscal glosou os referidos custos com a JD também porque a empresa simulava a prestação de serviços para tentar justificar o repasse de vantagens indevidas ao Sr. José Dirceu. Contudo, deixou de lançar o IRRF “haja vista que tal apuração será feita em procedimento fiscal específico em face do destinatário dos recursos”. A recorrente aqui, apresentou resposta já realizada as perguntas feitas pelo Ministério Público Federal e Justiça Federal do Paraná. Entretanto, verificase que não foi possível qual foi a atuação empenhada por esta prestadora: Fl. 5144DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.145 37 Intimada a apresentar quaisquer documentos que pudessem comprovar a efetiva prestação dos serviços tomados junto à JD Assessoria e Consultoria, a recorrente nada apresentou nesse sentido. Em diligências realizadas, verificouse também, a inoperância desta empresa. A prestadora respondeu que diante da atividade de consultoria prestada, sempre de forma oral e presencial, com a participação em reuniões de aconselhamento não haveria a produção de material físico como relatórios e estudos. Ademais, que todo o material probatório estaria sendo produzido no âmbito da Operação Lava Jato. Assim, também, sem comprovação da efetiva prestação do serviço, de se manter o lançamento. Para a empresa LFSN Consultoria Engeharia S/S Ltda, a fiscalização narrou que ela era o veículo para a distribuição de “propinas”, a pretexto da realização de contratos (simulados) de consultoria. Apesar de a Recorrente ter recolhido, espontaneamente, o IRPJ/CSLL respectivos, ela não recolheu o IRRF incidente na espécie. Esta empresa tem como sócio o Sr. Shinko Nakandakari, um dos operadores e delator do esquema de corrupção na Petrobrás, e confirmou ter usado sua empresa para receber valores destinado a pagamento de propinas a agentes públicos. No que tange a Akyzo – Assessoria & Negócios Ltda, consta do TVF que essa empresa não detinha capacidade operacional que justificasse as prestações de serviços e os vultuosos valores recebidos, tampouco (e nem mesmo a Galvão Engenharia S/A) forneceu à fiscalização documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços à Recorrente. Por Fl. 5145DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.146 38 isso, a autoridade fiscal glosou os custos então contabilizados pela Recorrente e lançou o IRRF devido sobre os pagamentos realizados à Akyzo. Essa empresa possui como sócio majoritário o Sr. Paulo Roberto Gomes Fernandes, que possui participação societária em diversas outras empresas, dentre elas a Lideroll Indústria e Comércio de Suportes, que além de ser fornecedora da Petrobrás também forneceu produtos/serviços para outras empreiteiras que trabalham na Petrobrás. E boa parte de suas receitas advém de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, dentre elas a recorrente. A Akyzo – Assessoria & Negócios Ltda possui como objeto social a intermediação de negócios, consultoria, assessoria a empresas, representação, engenharia consultiva, possuindo receitas declaradas incompatíveis com a estrutura operacional da empresa apenas 3 funcionários, sem nenhum prestador de serviço, físico ou jurídico, conforme DIRF, com fortes indícios de ser utilizada para pagamento de propinas a funcionários da Petrobrás, já que conforme DIRF, diversos pagamentos foram realizados a fornecedoras da Petrobrás, e dentre as tomadoras, a recorrente, no valor superior a R$29,2 milhões. Foi, inclusive desenhado o seguinte gráfico para ilustrar o que ocorria: Devidamente intimada, a Akyzo apresentou apenas o Livro Registro de Funcionários e Contrato Social, não comprovando nenhuma prestação de serviço. Assim, também, de se manter o lançamento. Em relação à Buzzani e Fantini Consultoria de Engenharia e Representações Ltda, tal como a Akyzo, a autoridade fiscal verificou que ela também não detinha capacidade operacional que justificasse as prestações de serviços e os vultuosos valores recebidos. Uma vez mais, a Recorrente tentou justificar os serviços com a entrega de documentos (notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos relacionados à Buzzani), que não foram consistentes para tanto. Esta empresa é prestadora de serviços de engenharia. Auferiu entre 2011 a 2013 cerca de R$13,7milhões, possuindo nesse mesmo período apenas poucos funcionários, variando de 2 a 8, não declarou nenhuma pessoa jurídica. Fl. 5146DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.147 39 Devidamente intimada, a empresa nada apresentou, não comprovando nenhuma prestação de serviço realizado. Assim, também, de se manter o lançamento. No caso da Gasbol Engenharia Eireli, a fiscalização concluiu que ela seria uma empresa de fachada, que se utilizou da prestação simulada de serviços de outras empresas (notadamente a Garuda e Oggi, ambas pertencentes a Rogério Araújo, diretor da Odebrecht) para distribuir propinas a determinados empregados da Petrobrás. A Recorrente foi intimada de forma reiterada e, após muita insistência da fiscalização, cingiuse a apresentar notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos relacionados à Gasbol, que não foram considerados capazes de comprovar a efetiva prestação dos serviços. Esta empresa é prestadora de serviços de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários. Através das DIRFS, recebeu mais de R$14,6 milhões pagos por diversas empreiteiras, a maioria fornecedoras da Petrobrás. Porém em sua GFIP demonstrou possuir tãosomente seu sócio majoritário como contribuinte individual. Nenhum funcionário. Ela por sua vez, realizou vultosos pagamentos também para empresas consideradas de fachada, utilizada para o trânsito de propinas: A Oggi Assessoria e Gestão Empresarial Ltda. pertencia a Rogério Santos de Araújo e sua esposa, Foi incorporada, em 30/09/2014, pela Garuda Consultoria Empresarial e Serviços Ltda., outra empresa de Rogério Araújo. Esclareçase que Garuda Consultoria é a nova denominação social da “AVANTECH SERVICOS DE ENGENHARIA LTDA”. Ou seja, a Gasbol teria tomado serviços destas empresas (Garuda e Oggi), todas pertencentes a Rogério Araújo, ao longo dos anoscalendário de 2011 a 2013, no valor total de R$4.050.000,00. Tanto a Oggi quanto a Garuda apresentaram GFIP não declarando nenhum funcionário. Ambas também apresentaram DIRF informando que não contrataram nenhum prestador de serviço – pessoa física ou jurídica. É incompatível e desarrazoado que uma empresa sem funcionários consiga prestar serviços relativos a este volume de dinheiro (R$9.447.830,00). A Gasbol possui como sócio Sérgio Souza Boccaletti, CPF 277.991.58700, Mario Ildeu de Miranda, CPF 195.926.39604 e Sílvia Regina Cardoso Boccaletti CPF 494.440.69753 (cônjuge de Sérgio), Sérgio Boccaletti foi funcionário da Petrobras, chefe do Grupo Executivo para Implantação do Gasoduto BolíviaBrasil, e atualmente é Diretor de Engenharia da Schahin Engenharia Ltda, outra empresa investigada na Operação Lava Jato. Mário Ildeu de Miranda também é exfuncionário da Petrobras. Junto com Sérgio Boccaletti mantém em conjunto sociedade em outra empresa: EPGN – Engenharia Ltda, CNPJ 05.759.392/000190. Observase que enquanto Sérgio Boccaletti é sócio majoritário na Gasbol, na EPGN é exatamente o inverso, inclusive na mesma proporção societária. Fl. 5147DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.148 40 A EPGN também prestou serviços para diversas empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato (UTC, Consórcio Rnest etc.). No período de 2011 a 2013, os valores totalizaram R$29.074.038,33. Apesar de supostamente ter prestado serviços que resultaram em vultosos recebimentos (R$29.074.038,33), a EPGN apresentou as suas DIRF não declarando nenhum prestador de serviço – pessoa jurídica. De acordo com as GFIP entregues, somente consta como funcionários os filhos de Mário Ildeu, como escriturários. Ao que se verificou, a EPGN seria uma noteira de 3ª geração (aquela em que a propina já leva em consideração o pagamento do tributo para lavagem do dinheiro). Em outras palavras, no valor da propina, que transita pelas contas das pessoas jurídicas de fachada, são acrescidos os impostos que a noteira recolherá, diminuindo, desta forma, a identificação por parte das autoridades tributárias, já que nos parâmetros normalmente utilizados para identificação de interpostas pessoas, um dos critérios é a falta de recolhimento de tributos. Chamamos a atenção, ainda, para o endereço do domicílio da Gasbol (Rua Dr. Luiz Januário, 406, sala 201, Parte, Centro, Saquarema/RJ). Nesta sala também estão domiciliadas outras 927 (novecentos e vinte e sete) pessoas jurídicas, muitas prestadoras de serviços de consultoria, gestão e intermediação. Devidamente intimada, a empresa apresentou apenas alguns emails trocados com clientes e cópias de contratos, não comprovando nenhuma prestação de serviço realizado. Assim, também, de se manter o lançamento. Para a Hefesto Consultoria e Projetos Ltda, a autoridade fiscal glosou os custos registrados pela Recorrente devido à quantidade irrisória de mãodeobra daquela empresa, que movimentava vultuosas quantias, cujos funcionários não possuíam qualificação técnica para a prestação dos serviços. Não obstante ter sido devidamente intimada pela fiscalização, a Hefesto não atendeu aos questionamentos fiscais, tendo a Recorrente apresentado notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos relacionados à Hefesto, que o fiscal refutou como hábeis à comprovação dos serviços. Integram o quadro societário da Hefesto o sr. Marco Antônio da Rocha Tristão e seus filhos. Com efeito, o sócio majoritário Marco Antônio da Rocha Tristão, é ex funcionário da Petrobrás, conforme verificase na ficha – Rendimentos Tributáveis – nas DIRPF entregues. Consultando as DIRPF de Marco Antônio identificamos que o maior rendimento declarado é a distribuição de lucros obtidos junto às empresas Hefesto e Atnas Engenharia. A Atnas Engenharia Ltda, CNPJ 01.847.705/000101, pertence ao grupo econômico Hefesto. A principal fonte de recursos da Atnas Engenharia Ltda é a prestação de serviços para a Petrobras. A Hefesto teria objeto social idêntico ao da Atnas: serviços de engenharia (CNAEFiscal nº 71.120/00). Todavia, ao contrário da Atnas, não teve funcionários em quantidade compatível com as “receitas” auferidas. Fl. 5148DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.149 41 Por meio das DIRFs constatamos vultosos valores pagos por diversas empreiteiras a título de prestação de serviços (código 1078 – IRRF – Remuneração de serviços prestados), todas fornecedoras da Petrobras. Apesar da vultosa receita apurada, a Hefesto apresentou as GFIPs declarando apenas 3 (três) funcionários neste período. os funcionários declarados não possuem qualificação técnica que justifique as prestações de serviços contabilizados pela Hefesto e os vultosos valores recebidos. Cumpre registrar que a Renk Consultores e a Gasbol Engenharia também são empresas constituídas por exfuncionários da Petrobras, com elevadíssimos patrimônios e sem funcionários. A Bratec Consultoria também é uma empresa sem funcionários, que movimentou milhões em suas contas bancárias. Devidamente intimada, a empresa apresentou apenas alguns emails trocados com clientes e cópias de contratos, não comprovando nenhuma prestação de serviço realizado. Assim, também, de se manter o lançamento. No que tange à Arquieng Arquitetura Engenharia e Comercio Ltda, ela foi intimada pela fiscalização para comprovar a prestação de serviços à Recorrente, todavia, nenhum documento foi por ela apresentado. No particular, a Recorrente igualmente apresentou notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos relacionados à Arquieng que, conforme o fiscal, não serviram para comprovar a prestação dos serviços. Esta empresa é prestadora de serviços de construção de edifícios. Recebeu cerca de R$3,79 milhões no período de 2011 a 2013. Porém não apresentou GFIPs desde 07/2011, possuindo no período anterior um tomador de serviços. Não apresentou nenhuma DIRF como declarante, ou seja, não contratou prestadores de serviços, sejam pessoas físicas ou jurídicas, em que pese ter como objeto social, repitase, construção de edifícios!!! A última DIPJ entregue foi a relativa ao anocalendário de 2010, apresentada zerada, sem nenhuma informação. A partir daí está omissa, não apresentou mais nenhuma declaração. Devidamente intimada, a empresa não foi localizada no seu domicílio fiscal. Assim, seus sócios foram intimados, porém nada apresentaram, não comprovando nenhuma prestação de serviço realizado. Assim, também, de se manter o lançamento. No que diz respeito à empresa SM Terraplanagem, no período fiscalizado (2010), a fiscalização destacou que ela foi baixada de ofício pela RFB por inexistência de fato, razão pela qual assentou que “as despesas realizadas com a S.M. Terraplenagem são decorrentes de serviços que nunca foram prestados, que os contratos porventura existentes são ideologicamente falsos, assim como todas as notas fiscais por ela emitidas com base em tais prestações simuladas”. (fls. 28 e ss do TDF) Não obstante, o TVF destacou que “a Galvão Engenharia, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 009/01329/2015, apresentou notas fiscais, boletins de medição e Fl. 5149DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.150 42 comprovantes de pagamentos relacionados à S.M. Terraplenagem”, tendo a autoridade fiscal afastado a aptidão probatória desses documentos. Por fim, a autoridade fiscal ressaltou que “as despesas e pagamentos realizados pela Galvão Engenharia junto à S.M. Terraplenagem, já haviam sido objeto de fiscalização, resultando no lançamento fiscal de R$24.066.774,29 (Processos Administrativos nº 10830.722896/201476 e 10830.722897/201411), referentes aos tributos IRPJ, CSLL e IRRF. Portanto não serão objeto de lançamento decorrente da presente fiscalização”. Totalizandose assim, a glosa final: 2 IRRF operação não comprovada ou sem causa 2.1 Da impossibilidade de se exigir o IRRF simultaneamente com a glosa de despesas: configuração do bis in idem Requerem os recorrentes o cancelamento integral da cobrança de IRRF, já que a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL, em razão da glosa de despesas, e do IRRF, em razão de supostos pagamentos sem causa, é incompatível. Uma vez que tal pretensão significaria admitir a tributação do mesmo fato duas vezes, configurandose o bis in idem. Diz o art. 61 da Lei 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 5150DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.151 43 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A decisão recorrida entendeu que a norma determina que a pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou a sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarse á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. Constatandose também que não há na lei a apontada vedação à glosa das despesas no âmbito de apuração do IRPJ e da CSLL. Ressaltou, ainda, que os casos aqui relatados referemse a operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pelo sujeito passivo (e consórcios que integrou) de qualquer serviço prestado, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa. Da mesma forma, as contrarrazões da Procuradoria, acrescentando que não ocorre um bis in idem em razão de que as despesas consideradas inidôneas reajusta o lucro da empresa e sobre tais glosas geraria um "rendimento bruto", sobre o qual recai o IRRF. Em que pese os diversos entendimentos deste Conselho para ambos os entendimentos, no caso em destaque entendo que deve prevalecer a incidência deste IRRF, vez que o parágrafo 1º e 3º do art. 61 da citada norma estabelece o fato gerador de IRRF naqueles casos em que o pagamento é sem causa ou não comprovado. Ou seja, verificamos duas incidências diferentes, uma de IRPJ e CSLL, em razão da glosa das despesas, que se mostraram inexistentes, e outra de IRRF, cuja exigência se dá quando não é comprovada a operação ou a sua causa, e a recorrente é responsável, já que é a fonte pagadora. Assim, mantenho também esta exigência. Aplicação da Multa Qualificada Foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150% sobre os lançamentos de IRPJ, CSLL e IRRF, nos termos do art. 44 inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, e Art. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64. No que se refere à sua aplicação, verificase plenamente aplicável ao caso em tela, justamente pela forma de atuação dos recorrentes, utilizandose de um esquema fraudulento, com empresas "noteiras" ou de fachada, utilização de documentos sabidamente inidôneos, verificase o evidente intuito doloso. Vejamos o que disse o TDF: No presente caso, a multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150% porque a empresa fiscalizada agiu, dolosamente, de modo a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, se enquadrando nas hipóteses (sonegação e fraude) previstas nos arts. 71, inciso I e 72, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A presente fiscalização também é um desdobramento do enorme esforço que está sendo desenvolvido pelo MPF, Polícia Federal, Receita Federal e outros Fl. 5151DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.152 44 órgãos federais no âmbito da denominada Operação Lava Jato a qual, nas palavras do MPF, “é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve.” A fiscalizada, através de seus executivos, agindo de forma consciente, deliberada, organizada, meticulosa e reiterada pagou propinas, ou eufemisticamente, “vantagens indevidas”, a agentes públicos para assegurar sua participação em licitações promovidas pela Petrobrás e, desse modo, contribuiu para fraudálas. Parte dessas ações fraudulentas e criminosas foram reconhecidas por Erton Medeiros Fonseca, em depoimento prestado à Polícia Federal, conforme demonstrado no item 3.1.3 desse Termo de Descrição dos Fatos. As denúncias oferecidas pelo MPF à Justiça Federal do Paraná contra os executivos da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, Jean Alberto Luscher Castro, Dario de Queiroz Galvão Filho e Eduardo de Queiroz Galvão, por lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha criminosas, são objeto do processo penal nº 508336051.2014.404.7000. As denúncias foram aceitas pelo juízo competente. Portanto, as condutas descritas ao longo desse Termo de Descrição dos Fatos, se enquadram perfeitamente na definição legal de fraude como dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/64. Sob o aspecto tributário as ações praticadas pela fiscalizada também foram de natureza dolosa, uma vez que realizadas de forma intencional e planejada. A fiscalizada procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores, tentando caracterizar os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em face de operações comprovadas, o que justificaria a contabilização das despesas e custos decorrentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar, reduzindo em consequência o montante devido desses impostos. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 5152DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.153 45 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifouse.) Assim, no meu entender cabível a multa qualificada já que caracterizado o dolo, no evidente intuito de sonegação da recorrente. Dos Responsáveis Tributários No lançamento foram considerados responsáveis solidários os Srs.: DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO, com base no artigo 135, inciso III, do CTN; DiretorPresidente da Galvão Engenharia, conforme Atas de Reunião do Conselho de Administração, realizada em 25/03/2009 e posteriormente Conselheiro Administrativo e Diretor Presidente. ERTON MEDEIROS FONSECA, com base no artigo 135, inciso III, do CTN; Diretor de Unidade de Negócios da Galvão Engenharia, conforme Atas de Reunião do Conselho de Administração, realizada em 25/03/2009 e 04/01/2010. JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO, com base no artigo 135, inciso III, do CTN; Diretor de Unidade de Negócios da Galvão Engenharia, conforme Ata de Reunião do Conselho de Administração, realizada em 25/03/2009 e posteriormente Conselheiro Administrativo e Diretor. “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Segundo, ainda o TDF, essas três pessoas tinham pleno conhecimento da sonegação fiscal praticada, de tal forma que suas condutas ilícitas beneficiaram diretamente a empresa, esses executivos conduziram os negócios da empresa Galvão Engenharia com o intuito de fraudar a Administração Tributária. Fl. 5153DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.154 46 A DRJ, por sua vez, excluiu do pólo passivo o Sr. DARIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO, pois em seu entendimento, à época do fato gerador da autuação, ele não desempenhava as funções de diretor, gerente ou representante de Galvão Engenharia. A partir de 04/01/2010, conforme documento anexo à impugnação (doc. 10), não há provas de que o Sr. Dario desempenhava atividades de direção, gerência ou representação da Galvão Engenharia, o que o leva à exclusão da responsabilidade solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. E manteve a responsabilidade dos demais, já que restou comprovado nos autos as assinaturas nos contratos de prestação de serviços não comprovados, evidenciando o pleno conhecimento de que os supostos prestadores não possuíam capacidade técnica, operacional ou "expertise" para a prestação dos serviços contratados. Em suma, os mencionados administradores tinham plena consciência que muitos dos aludidos contratos foram utilizados para acobertar e propiciar pagamento de propinas para o esquema criminoso como se serviços fossem. Portanto, agiram os Senhores ERTON MEDEIROS FONSECA e JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO com infração à lei, na medida em que autorizaram ou concordaram com a apropriação, pela contribuinte GALVÃO ENGENHARIA, de despesas não necessárias para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e/ou despesas sabidamente fictícias, sem a respectiva documentação comprobatória. Os recorrentes alegam em suas razões a inaplicabilidade do inciso III do art. 135, do CTN, bem como ausência do preenchimentos dos requisitos que autorizam a sua incidência. Segundo eles, as acusações são genéricas, sem comprovação do alegado, quais condutas foram praticadas por cada um deles. E que a mera assinatura em contrato não serve para se caracterizar o dolo. Alegam, ainda que a despeito deles (Erton e Jean) exercerem cargos de diretores da Galvão à época, já que Dario exerceu apenas a função de membro do Conselho de Administração e não a de diretor, eles não podiam agir livremente, já que suas atribuições eram desempenhadas dentro de uma estrutura organizacional complexa, não possuindo nenhuma ingerência sobre a parte tributária, contábil e financeira. Quanto ao Sr. Dario, em que pese ele não ter empenhado nenhuma função de diretor, gerente ou representante da empresa na data do fato gerador, já que em 04/01/2010 foi nomeado para o cargo de Conselheiro de Administração da empresa, de fato, através das provas colhidas verificase em várias situações relatadas a sua presença como participante e ciente dos fatos ocorridos, inclusive, determinando ordens de pagamentos. A responsabilidade tributária de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas surge quando se praticados atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato ou estatuto. Da leitura do TDF, verificamos em várias passagens a descrição da atuação de cada um dos responsabilizados quando descreve partes dos acordos de colaboração premiada, disponibilizado pelo Ministério Público Federal. Primeiro, no acordo firmado com Shinko Nakandakari, sócio da empresa Lfsn Consultoria Engenharia S/S Ltda, que atuou como operador no esquema de corrupção da Petrobrás: Fl. 5154DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.155 47 que, em meados de 2008, foi contratado pelo Luis Augusto Distrutti, que era antecessor de Erton Fonseca, na então Diretoria da Área de Óleo e Gás da Galvão Engenharia; que a contratação ocorreu para assessorar a Galvão nas questões contratuais com a Petrobrás; que até 2009 a Galvão não era convidada para participar das concorrências dos grandes projetos da Petrobrás. Após o ingresso do depoente é que a Galvão passou a ser convidada a participar das licitações grandes, pelo fato de conhecer Pedro Barusco. No entanto, também gestões eram realizadas pela diretoria da Galvão, através dos diretores Dario Galvão/Distrutti/Erton, junto à Renato Duque e Paulo Roberto Costa a fim de participarem das grandes licitações; que relativamente a pagamentos indevidos, não sabe se eram tratados no conselho de administração. Todavia, tais assuntos eram discutidos pelo depoente com Erton, que estando de acordo com Dario Galvão, possivelmente os levava ao conselho de administração, porque de Dario saiam as ordens de pagamento indevido, que eram operacionalizadas por Ubiratan Queiroz, subordinado de Eduardo Galvão; ... com Erton, eram feitas as reuniões semanais, oportunidade em que ao depoente era comunicado o valor que deveria ser levado para Pedro Barusco e Renato Duque; que os valores da propina não foram negociados entre o depoente e Pedro Barusco ou Renato Duque, mas já vinham preestabelecidos da direção da Galvão, através de Dario e Erton/Distrutti, e correspondiam a um percentual do aditivo ou do contrato; que os pagamentos sempre eram feitos após a aprovação do aditivo contratual; Do acordo firmado com Alberto Youssef, que atuou como doleiro e operador no esquema fraudulento perpetrado na Petrobrás, relatando a participação da Galvão Engenharia no esquema, bem como a utilização de empresas "noteiras" para a emissão de notas: que, dentre as grandes empreiteiras que participavam do esquema, cita: OAS, Galvão Engenharia, Engevix, Iesa, Camargo Correira, UTC, Odebrecht, Mendes Junior, Setal, Mitsui Toyo, Skankas, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Tome Engenharia; que, recordase que a primeira operação de comissionamento operacionalizada pela sua pessoa foi com a empresa Galvão Engenharia, por volta do ano de 2005, sendo emitida uma nota da empresa MO Consultoria. Que, recordase que esse pagamento foi objeto de uma reunião onde o declarante foi apresentado ao Diretor da Galvão Engenharia, de nome Dario ou Eduardo, sendo que as tratativas posteriores, tanto em relação a obras Fl. 5155DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.156 48 quanto ao comissionamento e emissão de notas fiscais, foram feitas diretamente com um diretor de nome Erton; Que, foi feita uma reunião com a empresa Galvão Engenharia, representada pelo engenheiro Erton, sendo acertado que a comissão seria repassada mediante a emissão de notas das empresas MO e Rigidez, acreditando possam ter sido emitidas notas por alguma das empresas de Leonardo também. Que, os contratos entre as empreiteiras e as empresas de Waldomiro visando dar cobertura ao pagamento das comissões, geralmente eram confeccionados pelas próprias empreiteiras; que, com relação ao que consta do Anexo 47 – Mendes Jr e Galvão (Replan), afirma que essas empresas executaram obras junto a refinaria Replan de Paulinea por volta de 2008/2009, sendo realizada uma reunião para acerto do comissionamento de um por cento com Paulo Roberto Costa e Erton, da empresa Galvão, feita junto ao hotel Melia, em Brasilia. Que, o comissionamento foi de um por cento sendo o valor pago pela empresa Galvão realizado por meio de emissão de notas das empresas de Waldomiro, MO Consultoria, Rigidez e possivelmente de alguma empresa de Leonardo a KFC, Hmar ou alguma outra. O próprio Sr. Erton prestou depoimento junto à Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba/PR, em 17/11/2014, onde afirmou que: que o declarante então consultou seu superior Jean Alberto Luscher de Castro, tendo chegado à conclusão de que deveriam pagar ou efetivamente poderiam ser prejudicados junto à Petrobrás em razão do poder do então diretor. Que foram então formalizados quatro contratos de prestação de serviços, sendo três firmados na mesma ocasião, embora com datas retroativas e um quarto contrato assinado algum tempo depois; Trechos da denúncia apresentada pelo MPF na Operação Lava Jato, descrita no TVF, relatam a participação das pessoas, nas relações comerciais visando a obtenção de vantagens ilícitas decorrentes dos contratos efetuados pela Recorrente com a Petrobrás, descreve as diversas condutas criminosas praticadas por aquelas pessoas, na condição de gestores da Recorrente: O MPF relata que uma grande organização criminosa se estruturou com a finalidade de praticar delitos em desfavor da PETROBRAS, a qual compreende três núcleos fundamentais: O primeiro núcleo, integrado por Erton Medeiros Fonseca, Dario de Queiroz Galvão Filho, Jean Alberto Luscher Castro e Eduardo de Queiroz Galvão, na condição de administradores e agentes da empresa Galvão Engenharia, assim como pelos administradores de outras empreiteiras, voltavase à prática de crimes de cartel e licitatórios contra a PETROBRAS, de corrupção de seus agentes e de lavagem dos ativos havidos com a prática destes crimes. O segundo núcleo, integrado por PAULO ROBERTO COSTA, RENATO DUQUE e outros empregados do alto escalão da PETROBRAS, foi corrompido pelos integrantes do primeiro núcleo, passando a auxiliálos na consecução dos delitos de cartel e licitatórios. Fl. 5156DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.157 49 O terceiro núcleo, integrado por ALBERTO YOUSSEF, outros integrantes da organização por ele liderada, e outros operadores, atuava para operacionalizar o pagamento das vantagens indevidas aos integrantes do segundo núcleo, assim como para a lavagem dos ativos decorrentes dos crimes perpetrados por toda a organização criminosa. Conforme denunciado pelo MPF, a organização criminosa serviuse de empresas de fachada, “noteiras”, para a celebração de contratos ideologicamente falsos com as empreiteiras cartelizadas. Assim, a partir de tais contratos, foram emitidas notas fiscais fraudulentas que justificaram transferências e pagamentos sem causa. A utilização de empresas “noteiras”, a par de materializar a lavagem de capitais, também gera crimes tributários, pois, mediante pagamentos sem causa, são suprimidos tributos e contribuições sociais devidos à União, seja porque sobre eles deveria incidir retenção na fonte do imposto de renda, seja pelo fato de que esses pagamentos são lançados na contabilidade da empreiteira como custos (ou despesas operacionais), ensejando a ilegal redução da base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social (CSLL). (g. n.) Salientese que os três foram condenados penalmente em 1ª instância, nos autos da ação penal 50833602014.404.7000/PR, por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Alguns julgados nesse sentido: Acórdão nº 3401003.166 Sessão de 28/04/2016 SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. (...)Assim, a meu ver, patente se mostra os ilícitos praticados com dolo pelos responsáveis solidários JEAN ALBERTO LUSCHER CASTRO, ERTON MEDEIROS FONSECA e DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO, verificouse que eles detinham conhecimento das condutas ilícitas que beneficiaram a Galvão Engenharia S/A e que geraram a sonegação fiscal e prejuízo ao Erário Público. Praticaram eles infração tributária, através de esquema fraudulento junto a outros integrantes na Petrobrás, pagando valores propinas através de prestação de serviços que nunca ocorreram e empresas fantasmas de forma dolosa. Da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício Fl. 5157DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.158 50 A Fiscalização procedeu à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução com base nas despesas glosadas, o que resultou na constatação de falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre estimativas mensais. Por essa razão, foram exigidas multas isoladas de 50% sobre as diferenças recolhidas a menor no mês de dezembro de 2010. O entendimento é de que a multa de ofício decorrente de falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual deve prevalecer em detrimento da multa isolada. É esse o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Notese que este entendimento foi elaborado em relação ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, vigente antes da edição da Lei n° 11.637/07. Em que pese o entendimento sobre a inaplicabilidade da súmula acima transcrita para as hipóteses em que foi cominada a aplicação conjunta da multa de ofício e da multa isolada a partir de 2007, quando houve a alteração do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Não compartilho do mesmo entendimento. A ementa do Acórdão n° 9101001.307 proferido na 1° Turma e utilizado como base para a edição da Súmula n° 105: (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação Mesmo que a lei tenha sido alterada, a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal permanece sendo mera etapa preparatória que culmina com a redução do imposto no final do ano. Dessa forma, o contribuinte não deve ser penalizado duas vezes em função da mesma infração, caracterizando um verdadeiro bis in idem. No caso em que as estimativas não foram recolhidas pelo aproveitamento indevido, ao final do anocalendário, deve prevalecer somente a cobrança do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual e, conseqüentemente, da multa de ofício aplicada sobre esta infração. De forma alguma o fato da Medida Provisória n° 351/07 ter alterado a base de cálculo da multa isolada para “o valor do pagamento mensal” não altera o fato de que o não recolhimento das estimativas é mero meio para a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos no exercício. Fl. 5158DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.159 51 Assim sendo, entendo improcedente a cominação da multa isolada aplicada sobre as estimativas de IRPJ e de CSLL não pagas, devendo permanecer, somente, a aplicação da multa de ofício sobre o imposto apurado ao final do anocalendário e não pago. Da incidência dos juros sobre a multa Alega a recorrente que não se pode aplicar os juros moratórios sobre a multa lançada de ofício, por falta de expressa previsão legal. Entendo que assiste razão à recorrente. Nos termo do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ou seja, na forma do §3º do art. 61, incidem os juros moratórios sobre os débitos de que trata o caput, tributos e contribuições, mas não sobre as multas de ofício. Não há essa previsão legal, pois se assim fosse, o legislador teria assim previsto. O que se prevê aqui é a multa de mora prevista no §2º, sobre os débitos indicados. Da mesma forma, temos no Código Tributário Nacional, em seu art. 161: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A norma determina a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário não pago, sem prejuízo das penalidades cabíveis. O crédito tributário é o tributo ou obrigação tributária, e assim, não se constitui em sanção de ato ilícito, nos termos do art. 3º do CTN, e sobre ele incide os juros e as penalidades e não se incluindo neles. Dessa forma, neste item dou provimento ao Recurso. Fl. 5159DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.160 52 CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntários, afastar as preliminares arguidas, para no mérito DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, para restabelecer a responsabilidade do Sr. DÁRIO DE QUEIROZ GALVÃO FILHO e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários para afastar a concomitância da multa isolada com a multa de ofício, bem como a incidência dos juros sobre a multa. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.161 53 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0371.592, da 2ª Turma da DRJBrasília, que deu parcial provimento à impugnação, apenas para excluir do polo passivo um dos coobrigados, mantendo, de resto, o lançamento, sem qualquer redução do crédito tributário originalmente exigido. O extenso recurso, vertido em cento e trinta e quatro laudas, suscitou inúmeras questões, dentre as quais uma que merece especial atenção, pois envolve a necessidade de diligência para esclarecimento de situação fática relevante. A questão foi posta pela recorrente nos seguintes termos: Conforme o exposto no item III.3 deste recurso voluntário, a premissa de que o IRRF previsto no artigo 61 da Lei n°. 8.981/95 ostenta natureza de tributo implica reconhecer a sua inexigibilidade nas hipóteses em que a RFB conhece o beneficiário dos pagamentos ou, embora não haja comprovação da operação ou da causa, tenha meios de aplicar a norma de tributação adequada para fins de cobrança do IRPJ e da CSL. Assim, não pode a fonte pagadora arcar com o ônus financeiro dos tributos devidos pelo beneficiário se a Fiscalização tem meios de cobrálos. Tal situação só se justifica nos casos em que não é possível rastrear o fluxo dos pagamentos ou na absoluta impossibilidade de se tributar aquele rendimento em razão do desconhecimento da operação ou da causa que o originou. De um lado, isso confirma a natureza tributária do IRRF em questão e, de outro, evita o cenário de pluritributação anteriormente descrito. Nesse sentido, a manutenção da cobrança do IRRF em relação à Recorrente e aos Responsáveis Tributários depende da seguinte indagação: as empresas beneficiárias dos pagamentos autuados foram autuadas ou, ao menos, podem ser autuadas pela RFB? A resposta positiva a esse questionamento implica o cancelamento da exigência fiscal relativa ao IRRF, pois, nessa situação, deve a Fiscalização tributar aquele que auferiu a renda. Esse raciocínio é corroborado pela própria D. Autoridade Fiscal, que deixou de exigir o IRRF em relação aos pagamentos da JD por reconhecer a possibilidade de cobrála diretamente. Dessa forma, é imprescindível perquirir se os beneficiários dos pagamentos já foram autuados ou se a RFB possui meios de cobrálos diretamente, o que justifica a conversão do julgamento em diligência, a fim de que tais informações sejam acostadas aos autos. (g.n.) (fls. 4.699 e 4.700) A premissa que está na base da pretensão deduzida no recurso é de que a exigência do IR na fonte, nos casos de pagamentos sem causa, não se coaduna com a cobrança concomitante do IR do beneficiário dos mesmos pagamentos, hipótese em que haveria (nas palavras da recorrente) uma pluritributação. Fl. 5161DF CARF MF Processo nº 16004.720217/201524 Resolução nº 1301000.589 S1C3T1 Fl. 5.162 54 O raciocínio tem coerência e com ele parece concordar a própria autoridade lançadora, que expressamente afirmou ter excluído da base de cálculo do IR fonte determinados pagamentos, afirmando que estes seriam objeto de autuação no beneficiário. Para que não restasse dúvida quanto a tal propósito, a Fiscalização fez constar de foram expressa do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 3.934 a 4.051) a seguinte observação: Portanto, diante de tudo o quanto já relatado até aqui, tornase necessário glosar os custos e despesas da Galvão Engenharia com a empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., CNPJ 06.964.032/000193. Resta evidenciado que essa empresa simulava prestações de serviço de consultoria, sendo que a verdadeira causa dos pagamentos feitos pela Galvão Engenharia é decorrente de vantagens indevidas destinadas ao sócio da JD Assessoria e Consultoria, o Sr José Dirceu. Nesse caso, deixamos de lançar o IRRF à alíquota de 35%, haja vista que tal apuração será feita em procedimento fiscal específico em face do destinatário dos recursos. (g.n.) (fl. 3.985) O critério adotado aqui foi no sentido de que o procedimento fiscal específico no destinatário dos recursos exclui a tributação do IR na fonte na pessoa que realizou os pagamentos. Na esteira desse critério, e para evitar o risco de duplicidade de exigências tributárias, cabe verificar quais os valores, entre os que deram ensejo ao lançamento do IRRF (quadro de fls. 4.043 a 4.045), foram ou estão em vias de ser objeto de lançamento de ofício no beneficiário. Por essas razões, voto por converter o julgamento em diligência, para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a autoridade lançadora indique de forma clara, entre os créditos incluídos no lançamento do IRRF, quais já foram exigidos, mediante lançamento de ofício, dos respectivos beneficiários; e quais estão em fase de constituição, com o lançamento ainda não concluído. A Fiscalização, identificando os respectivos valores, deverá elaborar relatório conclusivo, do qual a recorrente será ser intimada, assegurandolhe prazo de trinta dias para manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Decorrido o prazo, com ou sem a manifestação da recorrente, os autos devem ser devolvidos ao CARF, para prosseguir o julgamento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 5162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720058/2013-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO
Nos termos da súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo o valor exonerado pela instância a quo inferior ao limite previsto na vigente Portaria MF nº 63/17, o Recurso de Ofício não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 1302-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, estando presentes os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos da súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo o valor exonerado pela instância a quo inferior ao limite previsto na vigente Portaria MF nº 63/17, o Recurso de Ofício não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, estando presentes os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos da súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo o valor exonerado pela instância a quo inferior ao limite previsto na vigente Portaria MF nº 63/17, o Recurso de Ofício não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 58 /2 01 3- 93 Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 13227.720058/201393 Acórdão n.º 1302002.867 S1C3T2 Fl. 1.922 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, estando presentes os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte Santa Marina Importação e Exportação Ltda., no qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por omissões de receitas relativas a "SALDO CREDOR DE CAIXA" e "PASSIVO FICTÍCIO", que foram identificadas quando da análise das demonstrações contábeis do contribuinte. No que se refere ao "Saldo Credor de Caixa", a fiscalização identificou, nas demonstrações contábeis do contribuinte, várias inconsistências, quando do cotejamento dos lançamentos com os extratos bancários. O caminho percorrido pela fiscalização e as conclusões a que chegou foram assim resumidas pelo acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro I (RJ): a) Vários lançamentos contábeis transferindo valores das contas bancárias para a conta caixa foram feitos sob o histórico de “débitos de extrato”. b) Verificando os extratos bancários não se apurou a existência de vários destes lançamentos; c) Outros deles, constavam no extrato bancário sob o histórico de "Pagamento Eletr. Tributo, Redução de Saldo Devedor, Pagamento Eletr. Cobrança, Redução de Saldo Devedor, Encargos Conta Garantia, BB Giro Flex". d) Tais fatos motivaram a lavratura do Termo de Intimação Fiscal 288/2012 (fls. 328/329), solicitando ao sujeito passivo apresentar esclarecimentos e a documentação comprobatória dos lançamentos efetuadas na conta caixa constantes no "anexo II" do referido Termo de Intimação. e) Em resposta ao referido Termo, o sujeito passivo declara que "todos os valores referentes a pagamentos e cheques emitidos pela empresa junto às instituições financeiras foram creditados na conta caixa, para posteriormente efetuar os pagamentos correspondentes, sendo debitado a contrapartida na conta caixa." Em seguida, ainda na resposta apresentada pelo sujeito passivo, passa a relatar os lançamentos. f) Dessa análise, foi possível comprovar os seguintes lançamentos em que, de fato, houve um débito e um crédito na conta caixa na mesma data e no mesmo valor, de modo a não alterar assim o saldo desta conta: (...) g) Em relação aos demais valores, não foi possível identificar "pagamentos correspondentes", como alega o sujeito passivo em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 288/2012, com coincidência de data e valor de modo a não alterar o saldo da conta caixa. Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 13227.720058/201393 Acórdão n.º 1302002.867 S1C3T2 Fl. 1.923 3 h) Além disso, existem vários lançamentos que, sequer, existem no extrato bancário, restando frustrada qualquer alegação de que tais valores foram sacados das contas bancárias para ingressarem no caixa da empresa através de dinheiro em espécie. i) Corrobora com tal argumento, o fato do saldo diário das contas bancárias constante em sua contabilidade diferir, em várias datas, do saldo constante nos extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo. Citese como exemplo, o saldo da conta bancária mantida pela empresa junto ao Banco Bradesco S/A, que ao final dia 02/03/2010 apresentado saldo credor de R$ 1.675.909,01 em sua contabilidade, ao passo que, considerado o saldo real constante no extrato bancário, este deveria ser de R$ 17.349,28 devedor. j) Tais lançamentos efetuados na conta caixa em contrapartida das contas bancárias, tiveram a finalidade de evitar com que o saldo da conta caixa ficasse credor durante o anocalendário de 2010. k) Porém, ao ser regularmente intimado a comprovar a efetiva transferência dos valores, o sujeito passivo não conseguiu comprovar. Assim sendo, foram excluídos tais lançamentos da conta caixa e reconstituído seu saldo diário. l) O lançamentos excluídos da conta caixa, encontramse discriminados no "Anexo I" desse Relatório (fls. 1063/1064) e o saldo da conta caixa reconstituído após a exclusão dos lançamentos citados, encontrase no "Anexo II" desse Relatório (fls. 1065/1129). m) Após a exclusão dos lançamentos citados, foi observado que a conta caixa apresentou saldo diário credor em vários datas durante o anocalendário de 2010. Tais saldos são considerados omissão de receita nos termos do Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do RIR/99 (Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999). (...) o) Para fins de apuração do valor da receita omitida, o saldo credor na conta caixa após considerado como omissão de receita, foi reinserido ao saldo para fins de apuração da receita omitida, evitando assim que fosse considerado em duplicidade, conforme demonstrado na coluna "Momento da Omissão" do Anexo II. Por outro lado, quanto ao "Passivo Fictício", a fiscalização identificou na contabilidade do contribuinte obrigações lançadas como contas a prazo, que, na verdade, foram quitadas à vista e, por isso, não poderiam compor aquela conta. Mais uma vez, se vale do relatório proferido pela DRJ, que assim sintetizou a acusação fiscal: p) Ainda no Termo de Intimação Fiscal 288/2012, foi solicitado ao sujeito passivo apresentar cópia dos DANFEs (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) e demais documentos comprobatórios das aquisições a prazo de mercadorias constantes no "anexo I" de referido Termo de Intimação. q) Em resposta ao referido Termo, o sujeito passivo apresentou cópia e originais dos DANFEs (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) e cópias carbonadas dos cheques emitidos para pagamento das notas fiscais eletrônicas relativas aos DANFEs em tela. r) Da análise desse documentos, foi possível constatar que no campo "fatura" dos DANFEs apresentados, todos constavam a anotação de "pagamento à vista". Além disso, através das cópias carbonadas dos cheques constantes em anexo aos Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 13227.720058/201393 Acórdão n.º 1302002.867 S1C3T2 Fl. 1.924 4 DANFEs e emitidos para pagamento das referidas notas fiscais, foi possível constatar através da data de liquidação (compensação ou pagamento) dos mesmos constante nos extratos bancários, que tratavase de pagamento à vista. s) A relação individualizada dos lançamentos escriturados indevidamente como compras a prazo está no "Anexo III" desse relatório, que, em resumo, resultou nos seguintes valores mensais de lançamentos indevidos no passivo da empresa: (...) t) Por se tratar de pagamentos à vista, tais valores foram contabilizados indevidamente no passivo da empresa configurando a existência de passivo fictício, o que, nos termos dos Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99 (Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999), considerase omissão de receitas Com a lavratura do Auto de Infração, o contribuinte foi devidamente intimado e apresentou Impugnação administrativa. Em sua defesa, assumiu que haviam erros em sua contabilidade, que levaram à conclusão de omissão de receitas. Contudo, argumentou que o agente fiscal se equivocou ao efetivar o lançamento de ofício, sendo que deveria ter sido feita uma recomposição da escrita da fiscalizada, quando poderseia verificar que, de fato, o contribuinte não omitiu receitas. Vejase trecho neste sentido: "O que ocorre, no caso vertente, é uma falha técnica contábil da empresa na escrituração mormente da conta caixa e bancos, não se consubstanciando a erronia, por metamorfose, em omissão de receitas. O fato é que a escrituração não foi feita em partidas que garantam na contabilidade a fidelidade da situação que deveria retratar e, embora não seja o caso de desclassificação de escrita e consequente arbitramento dos lucros, deveria ter o Fisco reconstituído a escrita fiscalizada, para recompor o lucro real, com base nos livros e extratos que estavam em seu poder." Assim, tomando como base apenas o primeiro trimestre do período autuado, demonstrou "as partidas que deveriam constar na recomposição dos saldos da conta caixa, para o período de janeiro a março de 2013, após excluídos os registros lançados com erronia à luz do que consta os extratos bancários". Sob o argumento de que estava demonstrando os erros cometidos pela fiscalização apenas por "amostragem", não apresentou elementos e argumentos que pudessem refutar os demais períodos (trimestres) autuados. Fiouse, apenas, no suposto equívoco cometido pela fiscalização, sem, contudo, demonstrar pontualmente quais seriam esses erros. Assim, após argumentar a incapacidade técnica da fiscalização para analisar as demonstrações contábeis das entidades, argumentou que apenas uma perícia (requeria na impugnação, com quesitos e indicação de assistente técnico), realizada por contador, devidamente habilitado no CRC, poderia verificar que não havia omissão de receitas e que as ilações da fiscalização se deram com base nas demonstrações contábeis erronias do próprio contribunte. Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 13227.720058/201393 Acórdão n.º 1302002.867 S1C3T2 Fl. 1.925 5 Rebateu, ainda, a possibilidade de a Receita Federal do Brasil ter acesso aos extratos bancários dos contribuintes e, com base nesses, promover lançamentos de créditos tributários de ofício. Citou jurisprudência do STF, para robustecer o seu argumento. Em análise à Impugnação administrativa apresentada, a DRJ do Rio de Janeiro I (RJ) deu parcial provimento ao apelo do contribuinte, exonerando parte do crédito tributário constituído, com base na defesa apresentada. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2010 Ementa:PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Quando a verificação da procedência do feito fiscal dependa de conhecimento exigido pela atribuição inerente ao cargo do agente do Fisco designado para proceder aos exames necessários não há que se cogitar de perícia. IMPUGNAÇÃO. PONTOS DE DISCORDÂNCIA. A impugnação deve indicar quais os pontos de discordância com o feito fiscal e ser apresentada juntamente com as provas das alegações que o sujeito passivo fizer. EXTRATO BANCÁRIO SOLICITADO PELO FISCO. É dever de todas as pessoas físicas e jurídicas prestarem informações ao Fisco quando as requer. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL O contribuinte tributado com base Lucro Real deve manter escrituração de todas as suas operações com observância das leis comerciais e fiscais. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA.ERRO NA ESCRITURAÇÃO. Embora seja dever do sujeito passivo manter escrituração contábil em conformidade com as leis comerciais e fiscais se, comprovadamente, ficar evidenciado a ocorrência de erro na escrita com indevidos lançamentos a crédito da conta caixa, há que se recompor a conta caixa expurgando tais créditos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO CSLL; CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS; CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS AUTOS DE INFRAÇÃO CORRELATOS. Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo, período de apuração, e alíquota própria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 13227.720058/201393 Acórdão n.º 1302002.867 S1C3T2 Fl. 1.926 6 Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em apertada e necessária síntese, repisa os argumentos apresentados na Impugnação, em especial que (i) apesar dos erros cometidos em sua contabilidade, a fiscalização deveria ter recomposta a sua escritura para se verificar, ao certo, se houve ou não omissão de receitas; (ii) que a omissão de receita com base em saldo credor de caixa e passivo fictício seriam apenas indícios de omissão, dependendo de outros elementos para sua comprovação; (iii) que a prova pericial é necessária e impositiva para comprovar as suas alegações, em especial, para analisar as suas demonstrações contábéis retificadas; e (iv) a impossibilidade de se utilizar extratos bancários para constituição de créditos tributários de ofício. Como houve exoneração de parte do crédito tributário pela DRJ, também foi apresentado Recurso de Ofício, para apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este é o relatório. Voto Conselheiro FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Como se denota dos autos, o Recorrente Santa Marina Importação e Exportação Ltda. foi intimado do teor do acórdão recorrido, via AR (fls. 1240 e 1241), em 04/03/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 18/04/2015, ou seja, após transcorridos mais de 30 dias da data da intimação. Contudo, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário deverá ser apresentado em 30 dias, contados da data da intimação, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, não há dúvidas quanto a intempestividade do apelo do Recorrente, não podendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mesmo que cumpridos os demais requisitos legais. Devese ressaltar ainda que, a princípio, não há matérias de ordem pública, que poderiam ser conhecidas de ofício pelo órgão julgador. DO RECURSO DE OFÍCIO Como mencionado alhures, em face da exoneração de parte do crédito tributário pelo acórdão recorrido, houve a interposição de Recurso de Ofício. À época da interposição do Recurso, estava em vigência a Portaria MF nº 03/2008, cujo valor de alçada para este tipo de apela era de R$1.000.000,00, considerando o valor principal do crédito tributário e da multa. Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 13227.720058/201393 Acórdão n.º 1302002.867 S1C3T2 Fl. 1.927 7 Contudo, atualmente, está em vigência a Portaria nº 63/2017, que fixou em R$2.500.000,00 como sendo o valor para interposição do Recurso de Ofício. Como se depreende dos autos, o crédito tributário exonerado, considerando o principal e multa, é de R$1.879.581,57. Vejase os cálculos: A súmula CARF nº 103 é clara no sentido de que "para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Assim, em que pese na época em que foi proposto o Recurso de Ofício o valor do crédito tributário exonerado superasse o limite de alçada fixado na Portaria MF nº 03/08, atualmente, com a vigência da Portaria MF nº 63/2017, o valor exonerado não mais autoriza a interposição daquele Recurso. Portanto, NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício. CONCLUSÕES Por ser intempestivo, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário; E, pelo fato de o crédito tributário exonerado pelo acórdão da DRJ não superar o valor estipulado na Portaria MF nº 63/17, também NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício, mantendo na íntegra aquele acórdão. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator IRPJ CSLL COFINS PIS Valor Principal Mantido na autuação 1.791.057,54 651.946,76 573.503,15 124.510,55 Multa (75%) 1.343.293,16 488.960,07 430.127,36 93.382,91 Total 3.134.350,70 1.140.906,83 1.003.630,51 217.893,46 Auto de Infração (principal) 2.420.221,53 878.445,80 752.931,82 163.465,46 Auto de Infração (multa) 1.815.166,15 658.834,35 564.698,87 122.599,10 Total 4.235.387,68 1.537.280,15 1.317.630,69 286.064,56 TOTAL Crédito exonerado 1.101.036,98 396.373,32 314.000,17 68.171,09 1.879.581,57 Fl. 1927DF CARF MF
score : 1.0
