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Numero do processo: 11046.001959/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/03/1999 a 31/10/2000
FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. CNPJ INDIVIDUAL.
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA.
LIMITAÇÃO À FILIAL.
Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a desconsideração da contabilidade deve se limitar àquela em que ficar comprovada a movimentação irreal.
AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE.
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL
O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada.
Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
Numero da decisão: 2301-002.527
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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E ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/03/1999 a 31/10/2000 FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. CNPJ INDIVIDUAL. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. LIMITAÇÃO À FILIAL. Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a desconsideração da contabilidade deve se limitar àquela em que ficar comprovada a movimentação irreal. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Auto Infração nº 35.159.1044 lavrado em face de TELENGE TELEC. E ENGENHARIA LTDA ENGENHARIA LTDA, do qual foi notificado em 23/02/2001, em virtude do não recolhimento, nas competências de março/1999 a outubro/2000, das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social correspondentes às partes da empresa e do empregado relativos aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, bem como das contribuições para o custeio de Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a serviço da notificada. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 38 e seguintes), constitui fato gerador das referidas contribuições os valores constantes em Notas Fiscais de Prestação de Serviço referentes à mão de obra, tendo o valor bruto daquelas servido de base para apuração indireta do valor devido pelo contribuinte ao Fisco no total de R$ 359.155,46 (trezentos e cinquenta e novos mil, cento e cinquenta e cinco reais e quarenta e seis centavos). Afirma o Relato Fiscal que foi constatada, na filial de CuritibaPR, a existência de recibos paralelos do pagamento de horas extras, sobre os quais não incidiram os respectivos encargos sociais e trabalhistas, quais sejam, INSS e FGTS, respectivamente. Aduz ainda o Relatório que foi, também, lavrado em face da Recorrente o auto de infração nº 0019053099, datado de 08.02.2000, em virtude da não realização do depósito dos valores do FGTS referente às horas extras pagas aos empregados em recibo de pagamento paralelos aos oficiais, o que compromete o princípio legal do registro real da movimentação financeira da empresa. Salientouse, também, que, a razão primordial para a aferição indireta do valor devido pelo contribuinte foi o fato de não haver o devido lançamento contábil, em títulos próprios, das verbas repassadas a título de horas extras, razão pela qual foram desconsiderados os livros contábeis, em virtude destes não registrarem, de forma devida, a atividade financeira da empresa. Assim, em virtude tal conduta, afirmou o Relatório Fiscal ter a Recorrente infringido as disposições do artigo 32, Il da Lei 8212/91 e o artigo 225, II, paragrafo 13, I e 11 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 3 3 do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, o que ensejou, conforme já afirmado, a apuração do valor por ela devido por meio do procedimento de aferição indireta com base nos critérios elencados no item VII, 51 da Ordem de serviço INSS/DAF 209 de 20.05.99 e também no artigo 49 da Instrução Normativa 18 de 11.05.2000. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação, no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. INCIDÊNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. É devido pela empresa o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social — parte patronal e parte do empregado, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho bem como das contribuições para o custeio de entidades Terceiras, incidentes sobre as remunerações dos empregados a seu serviço. Ocorrendo sonegação, ou apresentação deficiente de documento ou informação, cabe o lançamento por aferição indireta das bases de cálculo, restando ao contribuinte o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO PROCEDENTE Insatisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, alegando em suma: a) Que as irregularidades apontadas pelo Fisco foram restritas à filial de CuritibaPR, não havendo razão para se arbitrar e notificar todos os demais estabelecimentos localizados em outros estados e envolvendo um período superior ao das infrações apontadas; b) A total ausência de recusa ou de qualquer espécie de sonegação de informações; c) O recolhimento regular de verbas a título de horas extras, as quais, antes mesmo da fiscalização do INSS, tiveram sua situação regularizada. d) O descabimento do uso, para aferição indireta do valor devido, da Instrução Normativa 18/2000, aplicável, apenas, para obras de construção civil, as quais não correspondem aos serviços prestados pela Recorrente Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 4 4 Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do caráter abusivo do procedimento de aferição indireta pelo Fisco realizado O lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias relativas ao período de 03/99 a 10/2000, tendo a base de cálculo adotada na presente notificação sido apurada mediante o procedimento de aferição indireta, consoante determinação do art. 33, §6º da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da análise do dispositivo legal em destaque, é possível inferirse que, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não registra a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como de seu faturamento e lucro, devem tais valores ser calculados via aferição indireta. No caso concreto, tal premissa se concretiza quando da verificação do fato de que a Recorrente, segundo o Relatório Fiscal, repassou uma série de valores a título de horas extras registrandoos em recibos de pagamento paralelos aos oficiais, o que levou o Fisco a desconsiderar os livros contábeis em razão destes não registrarem, de forma devida, a real atividade financeira da empresa. Vêse, portanto, que a contabilidade da empresa foi considerada, para fins de fiscalização, deficiente, o que, para o Fisco, significa que os documentos apresentados não preenchiam as formalidades legais ou ainda que continham informações incompatíveis com a realidade fática. Diante disso, para fins de esboço estimativo do quadro de movimentação financeira da empresa fiscalizada, foi desconsiderado todo seu registro contábil, o que, naturalmente, acarreta em um pesado ônus para o Fisco, vez que cabe a este, por meio de critérios expressamente previstos na legislação, demonstrar que os documentos contábeis apresentados não correspondem à realidade fática e estimar, com base num código de “dever ser”, o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, uma vez justificado o procedimento de aferição indireta, fazse um cálculo arbitrado, a partir das disposições expressas constantes em dispositivos legais específicos, com base na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, de forma que, em razão Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 5 5 da expressa vinculação do procedimento ao legalmente previsto, não há razões para se afirmar que a aferição indireta é ato sujeito ao belprazer da Fiscalização visando ao prejuízo do contribuinte. Ora, o processo de arbitramento, apesar da semelhança vocabular, não é arbitrário, uma vez que busca, em estreita vinculação ao Princípio da Legalidade, alcançar o real valor devido pelo sujeito passivo, o qual, tendo praticado o fato gerador que dá causa à obrigação tributária, tem o dever legal de adimplila, podendo o Fisco, portanto, na hipótese de eventual inadimplemento, se valer de todos os meios legais para ter satisfeito seu crédito, dentre os quais se destaca a aferição indireta. Destarte, como os documentos contábeis apresentados pela Recorrente não eram um retrato fiel da sua efetiva movimentação financeira, justificada, em parte, foi a utilização do referido procedimento para apurar o real valor por ela devido à Fiscalização. Todavia, como as irregularidades pelo Fisco levantadas eram restritas a filial de CuritibaPR, não há qualquer razão para se desconsiderar a contabilidade de todo grupo empresarial, razão pela qual, neste ponto, foi de extrema abusividade o lançamento realizado. Ora, sabese que a escrituração contábil é obrigatória para todas as empresas, sejam matriz ou filial. Assim, devese manter um sistema de escrituração uniforme dos atos e fatos administrativos ocorridos na sociedade empresarial, através de processo manual, mecanizado ou eletrônico. No entanto, não é exigido que a contabilidade seja feita, unicamente, de forma centralizada, uma vez que pode cada estabelecimento, filial, sucursal ou agência ter seus próprios livros de escrituração comercial, procedendo à apuração contábil e às demonstrações financeiras independentemente dos registros confeccionados pela matriz. Dessa forma cada filial tem contabilidade completa com a escrituração dos livros Diário e Razão, e a matriz se utiliza de contas como participações em filiais ou Contas Correntes matriz/filial entre as unidades. Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos, entendimento este, inclusive, já pacificado pela jurisprudência pátria, conforme se depreende das ementas dos julgados abaixo colacionados: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA ILEGITIMIDADE DA FILIAL DA EMPRESA PARA IMPETRAR MANDADO DE SEGURANÇA COM O FIM DE DISCUTIR A EXIGIBILIDADE DO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES AO SAT RECURSO IMPROVIDO SENTENÇA MANTIDA. 1. As filiais de empresa possuem personalidade jurídica própria, para fins tributários, podendo intentar as demandas de seu interesse, ainda que a sua pretensão confundase com a da matriz. Precedente do Egrégio STJ. 2. No caso, considerando que a matriz efetua o pagamento de tributos devidos por suas filiais localizadas no Estado de São Paulo, centralizando a contabilidade da empresa como um todo, só ela pode vir a juízo discutir a exigibilidade de tais recolhimentos. 3. Recurso improvido. Sentença mantida. (TRF 3, AMS 21792, Rel.: DESEMBARGADORA FEDERAL RAMZA TARTUCE, Órgão Julgador: QUINTA TURMA, Julgado em: 15/05/2006, DJe: 09/08/2006) Fl. 449DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 6 6 TRIBUTÁRIO – FORO COMPETENTE – FILIAIS – UNIÃO NO PÓLO PASSIVO. 1. As filiais de empresas possuem personalidade jurídica própria, para fins tributários, razão porque devem intentar, nos respectivos Estados de domicílio, as demandas de seus interesses, mesmo que haja identidade de pretensão jurídica. 2. O fato da União figurar no pólo passivo, permite tãosomente deslocar a competência do domicílio da empresa para o Distrito Federal (CF, art. 109, § 2º). 3. Agravo regimental improvido. (AGRMC 003293 / SP, 1ª Turma, Relator Ministro José Delgado, DJ 26/03/2001, pág. 368) Assim, como a Recorrente organiza sua contabilidade de forma descentralizada, não haveria razão, em decorrência da autonomia contábil das filiais, a desconsideração total dos livros comerciais de todo o grupo empresarial para a realização do procedimento de aferição indireta em virtude das irregularidades encontradas apenas na filial localizada em CuritibaPR. Além do mais, conforme se depreende do documento anexo às folhas 163, o próprio procurador do Trabalho responsável pela inspeção em Curitiba remeteu correspondência ao Sr. Chefe da Divisão de Arrecadação do INSS em Salvador, informando que a aferição indireta realizada era restrita à referida filial, o que apenas colabora para atestar ainda mais o caráter abusivo do lançamento realizado. Por fim, cabe destacar que, embora o presente lançamento trate, dentre outras, de contribuições relativas aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, o qual, anteriormente, era determinado considerandose todo o grupo empresarial, o entendimento mais recente acerca do tema firmouse no sentido de que o enquadramento do SAT é realizado de forma individual, considerandose cada CNPJ das empresas submetidas à fiscalização. É tão pacífico o referido entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça STJ já editou súmula acerca do tema: Alíquota de Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. STJ Súmula nº 351 11/06/2008 DJe 19/06/2008 Para tornar ainda mais o referido preceito, colacionase, abaixo, recente precedente judicial acerca do tema: Seguindo dita orientação, o Ato Declaratório nº 11/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, publicado no Diário Oficial da União em 15/12/2011, consolidou, na esfera fiscal, o já pacífico entendimento de que nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, a verificação deve ser feito de forma individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, sendo, desnecessárias, portanto, maiores digressões a respeito. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 7 7 Este entendimento já consolidado veio apenas confirmar a autonomia e individualidade das filiais em relação à matriz, sobretudo quando possuem contabilidade distintas. Destarte, diante do quadro fático e jurídico acima construído, deve ser considerado válida a adoção do procedimento de aferição indireta pelo Fisco apenas quanto à filial localizada em CuritibaPR, uma vez que as irregularidades decorrentes dos recibos paralelos referentes aos valores repassados a título de horasextras restringemse àquela empresa, sendo indevida, portanto, a desconsideração contábil e a aferição indireta da movimentação financeira de todo grupo empresarial da Recorrente. Da anulação do lançamento Embora reconhecido o fato de que o lançamento pelo Fisco realizado deveria ser restrito à empresa filial localizada na cidade CuritibaPR, cabe, aqui, destacar o fato de aquele ato administrativo encontrase contaminado por incontestáveis vícios, relativo aos requisitos necessários à metodologia do lançamento aplicado, à configuração do descumprimento da obrigação, no caso principal, e à quantificação do montante devido pela empresa. Em outras palavras, referese ao próprio conteúdo do lançamento. No caso do presente processo, constatase o vício nuclear que contamina o lançamento pelo Fisco realizado quando se considera o fato de que, mesmo tendo a Recorrente realizado os pagamentos dos valores a título de horas extras em recibos paralelos aos oficiais, poderia perfeitamente o Fisco, ao analisar os referidos documentos, constituir o crédito tributário a partir dos valores descriminados naqueles recibos, o que tornaria absolutamente desnecessária a desconsideração da contabilidade da quer apenas da empresa Filial, quer de todo grupo empresarial. Assim, são condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada, a qual, neste caso, será esboçada por meio de aferição indireta com base em dispositivos legais que mais se adequem ao quadro fiscal e contábil analisado. Todavia, não é esta a situação do presente processo, uma vez que, conforme já afirmado, mesmo não sendo oficiais, os recibos paralelos referentes aos valores repassados a título de horas extras poderiam ter sido utilizados para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido pela Recorrente, uma vez que registram, de alguma forma, a movimentação financeira da empresa autuada. Diante dos referidos pressupostos, foi totalmente equivocada a metodologia pelo Fisco aplicada no processo de constituição do crédito tributário nestes autos discutido, em razão de não ser a aferição o critério mais adequado para a apuração do valor devido pela Recorrente, além de ser o mais distante da realidade fática, o que enseja a anulação do lançamento realizado em virtude do grave vício nele verificado. Da Conclusão Fl. 451DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11046.001959/200818 Acórdão n.º 2301002.527 S2C3T1 Fl. 8 8 Diante do exposto, conheço do Recurso para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, no sentido de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado em razão do erro no procedimento de aferição indireta e do grave vício nele verificado. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 452DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 11030.905002/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio De Castro Pontes, Presidente,.José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio De Castro Pontes, Presidente,.José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio De Castro Pontes, Presidente,.José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .9 05 00 2/ 20 09 -0 1 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905002/200901 Resolução nº 3801000.459 S3TE01 Fl. 41 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de Salvador/BA, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 12, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842600926, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 03929.49027.100406.1.7.040726, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 a 12, alegando, em síntese, que: c efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de mai/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 03929.49027.100406.1.7.040726. A DRJ em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/05/2004 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905002/200901 Resolução nº 3801000.459 S3TE01 Fl. 42 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905002/200901 Resolução nº 3801000.459 S3TE01 Fl. 43 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de maio/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4oAs sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o(décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode maio de 2004. Art. 5oEsta Lei entra em vigor em 1ode outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905002/200901 Resolução nº 3801000.459 S3TE01 Fl. 44 5 A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deuse de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo Neste sentido, os dados da DCTF retificadora apontados no acórdão recorrido e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para a COFINS referente ao período de apuração em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intime a contribuinte para no prazo de 30 dias apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada a que aduz o § único do artigo 4º da Lei nº 10.892/2004, ou confirme a DRF a realização da opção por parte da contribuinte; b) anexe cópia da DCTF retificadora ativa referente ao 2º trimestre de 2004; c) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de maio/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001458/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE. Ainda que a adesão ao PROUNI implique, para a instituição de educação, na necessidade de apurar o lucro da exploração com vistas a separar o resultado beneficiado pela isenção daquele sujeito à incidência tributária; descabe a revogação dessa isenção como decorrência da não apuração do lucro, quando não foi dada oportunidade prévia ao sujeito passivo de fornecer as informações exigidas pela legislação.
Numero da decisão: 1402-001.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE. Ainda que a adesão ao PROUNI implique, para a instituição de educação, na necessidade de apurar o lucro da exploração com vistas a separar o resultado beneficiado pela isenção daquele sujeito à incidência tributária; descabe a revogação dessa isenção como decorrência da não apuração do lucro, quando não foi dada oportunidade prévia ao sujeito passivo de fornecer as informações exigidas pela legislação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE. Ainda que a adesão ao PROUNI implique, para a instituição de educação, na necessidade de apurar o lucro da exploração com vistas a separar o resultado beneficiado pela isenção daquele sujeito à incidência tributária; descabe a revogação dessa isenção como decorrência da não apuração do lucro, quando não foi dada oportunidade prévia ao sujeito passivo de fornecer as informações exigidas pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.001458/200849 Acórdão n.º 1402001.156 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi constatado, no ano calendário de 2005, apuração incorreta dos tributos, tendo em vista que a contribuinte aderiu ao PROUNI, mas não apurou o lucro da exploração, tendo optado pelo lucro presumido. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 991 a 1060, subscrita pelo advogado Ricardo Sipoli Castilho (fls.1061 a 1074), alegando: • Não pode a isenção tributária concedida por lei, com encargo, ser suprimida pela administração pública em razão de descumprimento de obrigação acessória criada por instrução normativa. Pelo princípio da legalidade, somente por meio de lei se pode criar tributos, editar a norma jurídica tributária com todos os seus elementos essenciais como a hipótese tributária, sujeito ativo, sujeito passivo, base de cálculo e alíquota, não sendo possível criálos ou aumentálos por decreto, regulamento, instrução normativa, portarias, etc; • Segundo aquele princípio, até para diminuir tributos, isentar contribuintes de pagar tributos e perdoar débitos tributários, imprescindível a lei formal, e assim, da mesma forma, somente por lei poderão ser criadas obrigações acessórias e descritas infrações tributárias com as respectivas sanções; • A matéria tributária está abrangida pela denominada reserva legal, ou seja, os decretos, regulamentos e demais atos normativos complementares, entre eles as instruções normativas, não podem dela tratar, mesmo no silêncio da lei. Constatada uma lacuna na lei só outra lei pode preenchêla; • A Medida Provisória (MP) n° 213, de setembro de 2004, convertida na Lei n° 11.096, de 2005, em momento algum estabelece a condição, ou obrigatoriedade, de que a pessoa jurídica ao aderir ao PROUNI deve submeterse ao regime do lucro real, não podendo apurar os tributos pelo lucro presumido; • A IN n° 456, de 2004, ao determinar que a pessoa jurídica deve apurar o lucro real para usufruir da isenção, está usurpando poder que não lhe foi conferido pela lei objeto da regulamentação, ofendendo o princípio da segurança jurídica; É absolutamente pacífico na doutrina que os decretos, regulamentos, demais atos administrativos bem como as instruções normativas, em matéria tributária sempre se subordinam à lei, sendo evidente que o disposto em referidos atos administrativos prestam para viabilizar a fiel execução das leis em função das quais são editadas; • As instruções normativas em nada se afastam da natureza meramente regulamentar das leis e outros atos normativos de hierarquia superior a que estão absolutamente vinculadas, sendo impossível qualquer inovação, seja positiva ou negativa. Não pode uma instrução normativa cominar uma obrigação adstrita a uma Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.001458/200849 Acórdão n.º 1402001.156 S1C4T2 Fl. 3 3 sanção (perda da isenção e o recolhimento do imposto com multa, juros e correção monetária), abarcando o que compete, com exclusividade, à lei; • Deixou de cobrar mensalidades dos alunos aos quais foram concedidas bolsas no ano de 2005 e, por outro lado, por estar perfeitamente enquadrada na lei do PROUNI faz jus à isenção não podendo, por mera liberalidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ver suprimido o benefício que recebeu contrapartida rigorosa e gravosa à instituição; • Além de criar obrigação não imposta pela lei que criou o PROUNI a IN contrariou súmula do Supremo Tribunal Federal: "Súmula 544 do STF Isenções Tributárias Concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas"; • A multa aplicada deve ser relevada, conforme artigo 112 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que agiu com boafé. A sua adesão ao PROUNI foi aceita sem que fosse apontada qualquer irregularidade pelo Ministério da Educação e Cultura e sem que fosse informada da obrigatoriedade de lançar seus tributos federais pelo regime de lucro real; • Protesta pela produção de todas as provas admitidas pela legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sem exceções. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto prolatou o Acórdão 1432.325 considerando a impugnação improcedente em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROUNI. ISENÇÃO. A isenção concedida à instituição de ensino, em razão de sua adesão ao Programa Universidade para Todos PROUNI, recairá sobre o lucro decorrente da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica, sendo exigível que a instituição apure, na forma da legislação em vigor, o lucro da exploração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ATOS TRIBUTÁRIOS. VALIDADE. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.001458/200849 Acórdão n.º 1402001.156 S1C4T2 Fl. 4 4 O julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos tributários, não lhe cabendo questionar sua validade. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. COMPETÊNCIA. As instâncias julgadoras administrativas não têm competência para decidir sobre pedido de relevação de penalidades. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.001458/200849 Acórdão n.º 1402001.156 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por representante devidamente legitimado e preenche as demais condições de admissibilidade. Em resumo da questão, a interessada foi autuada porque, participante do PROUNI, apurou o resultado pelo lucro presumido quanto a legislação obrigava a apuração do lucro real. Assim, descumprido o requisito, a parcela do resultado da pessoa jurídica por ela considerada isenta foi objeto de tributação. O principal argumento de defesa consiste, em síntese, no questionamento do que seria a revogação da isenção com base em restrições estabelecidas numa Instrução Normativa, o que implicaria em violação ao princípio da legalidade. Tratase da IN/SRF nº 456/04 que, ao tratar da isenção tributária do IRPJ e da CSLL concedida pela Lei nº 11.096/2005 às instituições privadas de ensino superior que aderissem ao PROUNI, estabeleceu a necessidade de apuração do lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recairia essa isenção. Essa orientação dirigese fundamentalmente às instituições que também exercem atividades diversas das graduação ou cursos seqüenciais e, portanto, de resultado não abrangido pela isenção, de forma a permitir uma clara diferenciação. Por outro lado, ainda que a necessidade de apuração do lucro da exploração para casos como o presente tenha sido estabelecida mediante Instrução Normativa, a obrigatoriedade de apurar o resultado pelo lucro real tem base não apenas infralegal, como suscitado pela defesa, mas sim em lei formal. A Lei 9.718/98 tratou da questão em sentido até mais amplo: Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: (.........) IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; (........) Assim, no que se refere á necessidade de apuração do lucro da exploração, não vejo qualquer ilegalidade na Instrução Normativa quando a Lei já estabelecia a obrigatoriedade do lucro real. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.001458/200849 Acórdão n.º 1402001.156 S1C4T2 Fl. 6 6 Já no que se refere à revogação da isenção, a meu ver existem duas falhas que comprometem o trabalho fiscal. A primeira delas, de natureza formal. O § 1º, do art. 5º, da IN/SRF nº 456/2004 estabelece (destaques acrescidos): Art.5 (.........) § 1° Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2 o A instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3 o O Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo da isenção, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição. § 4° Será igualmente expedido o ato suspensivo, se decorrido o prazo previsto no § 2° sem qualquer manifestação da instituição. Vêse que caberia, preliminarmente, a expedição de notificação para a interessada com prazo de manifestação para que se justificasse. Poderseia supor que, notificada da iminente perda da isenção pela ausência de apuração do lucro real (e, como conseqüência, do lucro da exploração), a recorrente adotaria as providências necessárias para suprir a falta no prazo estipulado. Assim, a ausência da notificação prevista na Instrução Normativa nº 456/2004 implicou em cerceamento do direito de defesa para a interessada, agravado pela não emissão do ato declaratório suspensivo da isenção pela autoridade administrativa, que poderia ser objeto de impugnação, nos termos do inciso I, do § 5º c/c § 6º, da IN sob exame. Mesmo que fosse superada essa questão, outra falha macula o procedimento irremediavelmente. A revogação da isenção tributária como conseqüência da não apuração do lucro da exploração foi matéria tratada apenas no âmbito da IN/SRF 456/2004. Em outras palavras, tanto a Lei nº 11.096/2005 como a Lei nº 11.128/2005 são omissas sobre essa circunstância, ao tratar de situações que implicariam em exclusão do programa. Especificamente em relação à Lei nº 11.128/205, o art. 1º estabelece a obrigatoriedade de comprovar a quitação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Considerando que não foi irregularidade dessa natureza que implicou na revogação da isenção, o dispositivo em questão não dá guarida à IN nº 456/2004. Sob essa ótica, tem razão a interessada ao contestar a legitimidade da IN para revogar a isenção. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.001458/200849 Acórdão n.º 1402001.156 S1C4T2 Fl. 7 7 Pelo exame das normas que regem a matéria, é inegável a ênfase dada pelo legislador à necessidade de uma escrituração regular contendo todas as informações que permitam a apuração do lucro da exploração. Mesmo na impossibilidade de apuração do lucro da exploração, pela ausência de algumas dessas informações, a norma estabelece a apuração através de uma relação de proporcionalidade. Pareceme que o foco principal do legislador é a disponibilização dos dados necessários à verificação da regularidade da instituição perante o PROUNI; não necessariamente a revogação da isenção tributária, medida extrema que deve ser bem fundamentada. Estabelecida a isenção tributária por lei em sentido estrito, apenas norma de mesmo quilate pode estipular situações que impliquem na revogação do benefício. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000501/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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score : 1.0
Numero do processo: 13639.000591/2010-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Ementa:
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. MULTA.
Constitui infração, punível com multa, a empresa deixar de apresentar ou apresentar livro ou documento, relacionado com as contribuições previdenciárias, que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. MULTA. Constitui infração, punível com multa, a empresa deixar de apresentar ou apresentar livro ou documento, relacionado com as contribuições previdenciárias, que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. MULTA. Constitui infração, punível com multa, a empresa deixar de apresentar ou apresentar livro ou documento, relacionado com as contribuições previdenciárias, que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 05 91 /2 01 0- 41 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13639.000591/201041 Acórdão n.º 2803002.211 S2TE03 Fl. 106 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória, DEBCAD 37.247.685 6, lavrado em nome do contribuinte acima identificado, por infração ao disposto no art. 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999. Conforme Relatório Fiscal, fls. 7/12. verificouse o seguinte: 3.1.A empresa apresentou boletim de ocorrência nº 27 emitido pela Defesa Civil em 02/01/2009, relatando perda de documentos. 3.1.1. Segundo informações do contador não existia escrituração contábil da empresa, tendo os livros razão e diário sido elaborados para atender a presente fiscalização, com base em documentos (folhas de pagamento, GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, livro de registro de empregados, etc) que foram reconstituídos pela empresa. Os livros foram registrados na JUCEMG em 27/07/2010 e apresentados na mesma data. 3.2. Analisando os sistemas da Receita Federal do Brasil verificouse a existência de GFIP entregues em datas anteriores às enviadas após a reconstituição dos documentos, com valores divergentes dos agora informados,conforme corroborado ao confronto com RAIS — Relação Anual de Informações Sociais e DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte entregues à época. 3.2.1. As remunerações informadas tanto nas folhas de pagamento quanto nas GFIP atuais, não correspondem aos valores informados na época. 3.2.1.1. Os valores informados na DIRF e recolhidos em época própria são condizentes com as remunerações informadas nas GFIP anteriores. 3.3.Na análise dos arquivos digitais verificouse incorreções de valores de fatos geradores e ainda a ausência de lançamentos contábeis referentes à obra matrícula CEI nº 50.024.34348/76. 3.4. Desta forma, podese verificar que a escrituração contábil da empresa não merece fé, não registrando com fidelidade a real situação dos negócios do sujeito passivo. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13639.000591/201041 Acórdão n.º 2803002.211 S2TE03 Fl. 107 3 A multa foi aplicada em observância ao disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991, e nos artigos 283, II, "j" e 373 do RPS, com atualização da Portaria Interministerial MF/MPS 333, de 29/06/2010. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal decidiu pela procedência do lançamento fiscal. DO RECURSO A ciência da decisão se deu em 14/07/2001, fl. 78. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em 15/08/2011, alegando em síntese: a autuação fiscal se deu em decorrência de mera presunção, desconsiderando os documentos contábeis apresentados e a alegação de força maior; deixou de apresentar somente os documentos contábeis que se perderam na enchente e que destruíram a documentação fiscal do período de 01/2005 a 12/2008; a aferição indireta de obra de construção civil só cabe nos casos em que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por mão registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. Não houve qualquer omissão de lançamento na contabilidade da empresa. O Recorrente apresentou todos documentos disponíveis e suficientes para a apuração do valor real da base de cálculo da contribuição previdenciária. requer a atenuação da penalidade imposta; por fim, requer a improcedência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13639.000591/201041 Acórdão n.º 2803002.211 S2TE03 Fl. 108 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Conforme informado no relatório fiscal da infração, fl. 8, consta que a autuação se deu em razão de valores constantes das GFIP’s, RAIS e DIRF enviadas anteriormente serem diferentes dos valores das GFIP’s e folhas de pagamentos atuais reconstituídas pela empresa após extravio dos documentos. A fiscalização verificou, também, nos arquivos digitais incorreções de valores de fatos geradores e ainda a ausência de lançamentos contábeis referentes à obra matrícula CEI nº 50.024.34348/76. A autuação se deu pela apresentação de documentos ou livros contendo informações diversas da realidade ou omissão de informação verdadeira, conforme disposto no art. 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99. Como se pode notar, foi constatado pela fiscalização o descumprimento da obrigação acessória. Não há que se falar em presunção da autoridade fiscal, nem em desconsideração dos documentos contábeis apresentados, pois serviram de base para a constatação da infração. Irrelevante os argumentos quanto à apresentação do boletim de ocorrência nº 27 emitido pela Defesa Civil em 02/01/2009, relatando perda de documentos, bem como a alegação de força maior, pois o que está em discussão são os documentos apresentados com informações diversas ou com omissão de informações verdadeiras. O contribuinte não apresentou a possível documentação correta, tampouco, demonstra a correção da falta. Não se pode atenuar ou relevar a infração fiscal sem que haja a correção da falta por parte do contribuinte. Ademais, o art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que trata da relevação e atenuação, foi revogado pelo Decreto 6.727/09, anteriormente à lavratura do auto de infração. Não há que se falar em aferição indireta de obra de construção civil para cobrança de obrigação principal (pagamento de contribuições sociais sobre a obra), pois o caso guerreado é de descumprimento de obrigação acessória já exposta. São coisas distintas e não se confundem. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte – IPC; identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes dos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13639.000591/201041 Acórdão n.º 2803002.211 S2TE03 Fl. 109 5 autos, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10640.003656/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURO SAÚDE PAGO A DIRIGENTES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a
totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Somente será excluído do campo de incidência de contribuições
previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
A iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A
à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.885
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8212/91 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam que a parcela relativa a seguro de vida não integra o salário-de-contribuição.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURO SAÚDE PAGO A DIRIGENTES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8212/91 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior que entenderam que a parcela relativa a seguro de vida não integra o saláriode contribuição. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.128 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 01/12/2010. Data da ciência do AIOP: 01/12/2010. Tratase de Auto de Infração de cobrança de Obrigação Principal — AIOP lavrada em face da empresa em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 61/86. De acordo com o Relatório Fiscal, a exigência fiscal decorreu da cobrança de diferenças das contribuições previdenciárias patronais não declaradas em Guia de Pagamento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP, incidentes sobre os fatos geradores identificados nos seguintes levantamentos: ASSISTÊNCIA SAÚDE (LEVANTAMENTO L1): Valores pagos pelo contribuinte à empresa AGF SAUDE S.A. a titulo de "Seguro Saúde" (assistência médica e hospitalar), concedidos exclusivamente aos diretores, administradores, outros cargos de confiança e seus respectivos dependentes, lançados na contabilidade, contas: 3.2.06.01.52.79 Plano de Assistência médicaDiretoria; 3.2.06.02.52.79 Seguro Saúde; 3.2.0603.52.79 Seguro Saúde; 4.1.01.01.52.79 Seguro Saúde; e 4.1.02.01.52.79 Seguro Saúde. SEGURO DE VIDA EM GRUPO (LEVANTAMENTO L2): Valores pagos pela autuada às empresas MINAS BRASIL E SANTANDER BANESPA, a título de seguro de vida em grupo dos segurados empregados, sem previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Lançados na conta contábil n° 2.1.05.05.01.05 Seguradora Minas Brasil/ Santander Banespa. CARTÃO DE CRÉDITO CORPORATIVO (LEVANTAMENTO L3): Valores pagos pela autuada ao Banco do Brasil S.A. referentes aos gastos com cartões de créditos corporativos das operadoras VISA e AMERICAN EXPRESS, sem documentos comprobatórios, lançados na conta contábil N° 2.1.01.01.01.01Fornecedores Nacionais. EUFRAZIO CARVALHO MARTINS (LEVANTAMENTO L4), ANTONIO PINTO DE ALMEIDA (LEVANTAMENTO L5), BELMIRO ESTEVES (LEVANTAMENTO L6), ANTONIO ALBERTO LOPES MACHADO (LEVANTAMENTO L7), CARLOS MANOEL CASTRO DE MATTOS (LEVANTAMENTO L8), GABRIEL INÁCIO PEIXOTO (LEVANTAMENTO L9): contratados pela empresa como pessoas jurídicas, todavia, com a plena existência dos requisitos legais inerentes à condição de Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 segurados empregados, quais sejam, a pessoalidade, a natureza não eventual, a subordinação e a onerosidade. Informa o auditor fiscal notificante que, para a fixação da multa de oficio de 75%, foi feito quadro comparativo com vistas a apurar qual era a mais vantajosa ao contribuinte, conforme disposto no CTN, art. 106, inciso. II, "c", se a multa de mora imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador (24%) ou a de oficio (75%) fixada pela legislação superveniente. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 418/447. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1025/1048, julgando procedente em parte o lançamento, para dele excluir as obrigações tributarias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências alcançadas pela decadência, mantendo o crédito tributário na forma assinalada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 1049/1087. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/01/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 1090. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1092/1124, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o auditor fiscal não possui competência para desconstituir relação comercial e para constituir relação de emprego; • Que os valores despendidos a título de seguro saúde não integram o Salário de Contribuição; • Que os valores despendidos a título de seguro de vida em grupo não integram o Salário de Contribuição; • Que o arbitramento realizado nas ordens do levantamento L3 – Cartão de Crédito Corporativo violou o art. 148 do CTN; • Que inexiste vínculo empregatício entre a empresa recorrente e os sócios das pessoas jurídicas elencadas pela fiscalização; • Que a atividade da contabilidade não se insere dentre as atividadesfim do Recorrente, empresa do ramo da indústria têxtil; • Requer a compensação, na qualidade de substituta tributária, das contribuições recolhidas por Beto Instalações ltda em favor de Antonio Alberto Lopes Machado; Ao fim, requer o recebimento do recurso e a declaração de nulidade do lançamento. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.129 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/01/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB. Em recurso interposto a fls. 1092/1124, o Recorrente reage preliminarmente à competência do auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para desconstituir relação comercial e para constituir relação de emprego; A rogativa acima postada não merece o abrigo pretendido. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.130 7 Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa fiscalizada. Registrese que os contratos são Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 firmados com cláusulas de prorrogação automática, sendo alguns, inclusive, assinados por prazo indeterminado. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física, como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação de renomado profissional para a elaboração de Parecer a respeito de matéria de sua notória especialidade, mesmo aqui presente estará a subordinação jurídica, eis que o aludido Parecer deverá atender os objetivos e Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.131 9 interesses do contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por este especificado, sob pena de não se consolidar o contrato laboral. A subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando e quanto do serviço será executado, além do poder de dispensa do trabalhador. Todos trabalham, efetivamente, objetivando atingir as metas determinadas pela contratante, ordenados pelas normas da empresa. No vertente caso, observase em várias cláusulas contratuais a obrigação do contratado em cumprir determinadas rotinas, demonstrando a subordinação jurídica dos serviços prestados. Tal subordinação também se mostra evidente nos documentos relativos à prestação de contas de despesas. Os contratados preenchem relatórios de despesas, os quais têm que ser aprovados por funcionários da Recorrente. Observase, ainda, a existência de valores pagos a título de adiantamento de viagem, procedimento que é normal para empregados da empresa, e não para prestadores de serviços terceirizados. Registrese que o pagamento das remunerações é realizado em dia certo, normalmente, no mês seguinte a prestação dos serviços; O pagamento de despesas do contratado segue as normas internas da empresa; A maioria dos cargos exercidos por tais segurados faz parte da estrutura organizacional da empresa e, consequentemente, as atividades desempenhadas estão subordinadas à política administrativa/produtiva/econômica da Companhia Cataguases, constando, inclusive seus nomes no cargo, sendo apurado, inclusive que tais trabalhadores assinam documentos contratando e demitindo empregados, juntamente com aprovação de outros segurados da administração da CIC. A remuneração foi apurada diretamente dos lançamentos registrados na contabilidade e nas notas fiscais de prestação de serviços, nas quais tais trabalhadores figuravam como sócios ou procuradores pessoas jurídicas, não como pessoas físicas. Corrobora na caracterização da não eventualidade e na representatividade salarial da remuneração auferida pelos obreiros o fato de estes receberem salários fixos, com data certa de recebimento, independente de qualquer mensuração do serviço prestado, com elevado padrão de regularidade de montante e de periodicidade e com cláusulas contratuais de reajustes. Além disso, tais trabalhadores auferiam, além da remuneração direta, remuneração indireta na forma de benefícios sociais, férias, etc. A pessoalidade, por derradeiro, tem sua caracterização realçada na análise de cada caso particular, as quais serão expostas adiante, as quais revelam a prestação exclusiva dos serviços ao contratante, a natureza intuitu personae dos serviços pactuados, a disponibilização de benefícios sociais os quais só podem ser usufruídos por pessoa física, tal como planos de saúde, a referência de tais profissionais na estrutura organizacional da empresa, ocupando cargos de gerência, dentre outros. No caso em tela, observase que tais empresas foram contratadas visando à prestação do serviço exclusivamente pela pessoa do sócio, do procuradores ou do titular identificada em cada contrato, caracterizando assim, a Pessoalidade. Digase ainda que tais Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 segurados estão incluídos no rol dos beneficiários de plano de saúde custeado pela empresa, sendo que o nome de alguns dos segurados consta no organograma da CIC. Registrese que nas prestações de contas de despesas, para fins de reembolso, fica evidenciado o nome da pessoa que prestou o serviço e não a empresa prestadora. Reportamonos, então, ao Relatório Fiscal. Os cargos exercidos pelos segurados empregados contratados fazem parte da estrutura organizacional da empresa e, consequentemente, as atividades por eles desempenhadas estão subordinadas à política administrativa, produtiva e econômica da Contratante. Acentuese que os Senhores Eufrazio Carvalho Martins, Antônio Pinto de Almeida e Antônio Alberto Lopes Machado, ocupam respectivamente as gerências de Informática, Controladoria, e Engenharia de Manutenção do Recorrente, figurando, inclusive, no organograma da empresa com a indicação de "gerências ocupadas por terceiros". Além disso, as funções desempenhadas atendem à necessidade permanente da auditada, na atividade fim da empresa. Aditese que os serviços executados apresentam a qualidade "intuitu personae" do pacto laboral, eis que os contratados deveriam pessoalmente prestar seus serviços. Nesse empreendimento, os contratados preenchiam relatórios de despesas, sendo necessário que esses relatórios fossem aprovados por funcionários da autuada. Mas não é só. Há mais. Registrese que o Recorrente fornecia àqueles contratados como pessoas jurídicas, benefícios típicos de segurados empregados, tais como férias, plano de assistência médica, cursos, treinamentos, reembolso de despesas. Citese, em ádito, que as "pessoas físicas", contratadas como "pessoas jurídicas", se apresentavam a terceiros como representantes da empresa, assinando documentos que pactuaram obrigações e direitos entre as partes. No caso do Sr. Eufrazio Martins, Sóciogerente da empresa ECM Consultoria & Informática Ltda, o contrato firmado desde novembro/98 é intuito personae, na medida em que determina que o “serviço de consultoria” seria prestado, com exclusividade, pelo sócio acima indicado (pessoalidade), com dedicação direta de 20 dias mensais (não eventualidade). O liame contratual acima referido especifica que “todo desenvolvimento dos serviços aqui tratados se dará em estreito relacionamento com a direção, gerências e equipe técnica da CIC”, o que deixa às claras a subordinação da pessoa física em pauta ao contratante. Item 2.1 A CONTRATADA disponibilizará para prestação dos serviços objeto do presente contrato exclusivamente seu Consultor Sócio Eufrázio Carvalho Martins. Item 3.1 0 prazo total de vigência do presente contrato é de 14 (quatorze) meses, equivalente ao período compreendido entre 01/11/98 e 31/12/99. Item 3.2 0 presente contrato será prorrogado de forma automática por sucessivos períodos semestrais, desde que as partes assim concordem. Item 7.1 Pela prestação dos serviços objeto do presente contrato a SOCIEDADE pagará mensalmente à CONTRATADA a quantia total de R$ 6.776,00 (seis mil setecentos e setenta e seis Reais) correspondentes aos serviços mensais previstos na cláusula Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.132 11 1.1. (Contrato assinado em novembro/98. Revela a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais e de mesmo valor, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário). Item 7.5 A CIC arcará com as despesas de viagens, hospedagens e alimentação em caso de prestação de serviços fora da cidade de Cataguases. Tal circunstância demonstra que é o Recorrente que assume o risco e os custos da atividade exercida pelo contratado. A prestação de serviço se revela exclusiva para o Recorrente, na medida em que é faturada com Notas Fiscais sequenciais. Além disso, Sr. Eufrasio Carvalho Martins consta no organograma da empresa como GERENTE DE INFORMÁTICA. Em diversos documentos internos da empresa o segurado assinou como responsável e ocupante do cargo, como, por exemplo: § Ficha de Movimentação de Recursos Humanos da Gerência de Informática, aprovando a contratação de empregados; § Adiantamento e prestação de contas de viagem a serviço (assinou como empregado); § Autorização para compra de passagem para prestadores de serviços da empresa; § Assinou como testemunha e rubrica todas as folhas dos contratos firmados com empresas prestadoras de serviços na área de informática, como por exemplo: Contrato firmado entre a autuada e a empresa LG INFORMATICA LTDA, CNP3 01.468.594/000122; Em Diligência realizada na empresa ECM CONSULTORIA & INFORMÁTICA LTDA, foi constatado que a prestação de serviços é exclusiva para a autuada, não havendo inclusive nenhum segurado empregado contratado desde sua constituição. Cumpre frisar que, no relatório de recomendações emitido em 31/12/2001, elaborado pela empresa de Auditoria / Consultoria externa BRK Lopes, Machado S/C, contratada pelo contribuinte, consta, dentre diversas outras, a seguinte recomendação: "Verificamos que a empresa mantém contrato de prestação de serviços para implantação do plano de tecnologia da informação com a empresa ECM Consultoria & Informática Ltda. Através do Sr. Eufrásio Carvalho que se disponibiliza 20 dias mensais a Companhia para implantação do referido projeto. Verificamos ainda que os honorários mensais são pagos mediante apresentação de nota fiscal de serviços da ECM. Porém, estas notas fiscais vêm sendo enviadas com sua numeração de forma sequencial, o que permite a caracterização de prestação de serviços única e continua e, consequentemente, o vinculo empregatício. Existem ainda outros contratos com características similares, mas cujas notas fiscais correspondentes não são sequenciais”. No caso do Sr. Antonio Pinto de Almeida, sócio gerente da empresa Apacon Contabilidade ltda, o contrato especifica que os serviços seriam realizados preferencialmente Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 pelo sócio gerente da contratada, acima identificado e qualificado, que se fará presente nas dependências da contratante, sempre que se fizer necessário, circunstância que revela a pessoalidade e a não eventualidade da contratação, eis que o Sr. Antonio Pinto deveria estar sempre à disposição do Recorrente, sempre que se fizesse necessário. O Recorrente se compromete a proporcionar ao Sr. Antonio, “a participação em um curso de especialização profissional, a cada trimestre, nas áreas contábil, financeira ou administrativa, visando principalmente à obtenção de técnicas mais modernas de gestão a serem utilizadas no âmbito da empresa. Todas as despesas com a realização desses cursos, tais como: inscrição, veiculo para deslocamento, passagens terrestres ou aéreas, hospedagem e alimentação, correrão por conta da CONTRATANTE e serão reembolsadas CONTRATADA, mediante a apresentação dos respectivos comprovantes”. CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO PARA PESSOA JURÍDICA !!!!???? Tem mais. “Duas vezes por ano, em meses de sua escolha, o Sócio Gerente da CONTRATADA se ausentará por um prazo não superior a 15 dias (quinze) dias para fins de descanso, condição esta que a CONTRATANTE concorda, desde agora. Parágrafo Único: A ausência prevista nesta Cláusula será comunicada previamente à CONTRATANTE que, em caso de real necessidade, poderá vetála. Ocorrendo tal situação as partes negociarão uma nova data que atenda a seus recíprocos interesses”. O que é isso senão férias anuais de 30 dias ??? Por outro lado, iluminese a estrita pessoalidade na prestação do serviço !!!! É de R$ 10.025,00 (Dez mil e vinte e cinco reais) o valor do presente contrato, de acordo com Planilha de formação de preço pactuada entre as partes e que serão pagos mensalmente pela CONTRATANTE à CONTRATADA, sempre até o penúltimo dia útil de cada mês, no qual os serviços foram prestados. O prazo de validade deste contrato é de 12 (meses) meses, a contar da data de sua assinatura e será renovado automaticamente caso as partes não se manifestem em sentido contrário. Contrato assinado em março/98. Revela a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais e de mesmo valor, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Há ainda mais evidencias. O Sr. António Pinto de Almeida consta no organograma da empresa como GERENTE DE CONTROLADORIA. Em diversos documentos internos da empresa o segurado assina como responsável e ocupante do cargo, como, por exemplo: • Ficha de Movimentação de Recursos Humanos da Gerência de Controladoria, aprovando a contratação de empregados; • Correspondências com prestadores de serviços; • Adiantamento e prestação de contas de viagem a serviço (assina como empregado); • Possui cartão de visita da empresa, onde consta, além de telefones e endereço, também email corporativo. O mesmo foi entregue ao Auditor fiscal durante ação fiscal citada no item 4.4.6, nas dependências da empresa, em 14/06/07, quando deu ciência no Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos TIAD. Dados extraídos do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, através de acesso aos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, revelam que Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.133 13 o segurado em tela era empregado do Recorrente, na mesma função, contador, com demissão datada de 13/03/98. O Contrato de prestação de serviço foi assinado em 10/03/98, três dias antes da demissão. Cabe esclarecer que o fato de o serviço de contabilidade não integrar a atividade fim do contratante não modifica as condições de contorno do lançamento, eis que tal circunstância é irrelevante para a caracterização do vínculo previdenciário de segurado empregado. Conforme já salientado alhures, qualificase como segurado empregado a pessoa física que presta serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Inexiste, pois, qualquer relação de dependência entre a caracterização de segurado empregado e a atividade fim da empresa contratante. Quanto à ação judicial invocada pelo Recorrente, as alegações a ela correlatas não poderão ser contempladas por este Colegiado, eis que desprovidas de esteio probatório. Limitouse o Recorrente a transcrever no bojo de seu Recurso Voluntário excertos de suposta sentença proferida no curso da ação judicial nº 1999.38.01.0000832, em trâmite 3ª Vara de Justiça Federal em Juiz de Fora/MG, sem no entanto instruir suas alegações com cópia autenticada da aludida decisão. Tal providência poderia ser dispensada caso o acesso ao conteúdo do decisum em tela fosse possível por outros meios. Nada obstante, pesquisa ao site da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (www.Jfmg.jus.br) revelou que o número do aludido processo é inválido. Por outro lado, mesmo pesquisando pelo nome das partes não logramos sucesso em localizar o referido processo, circunstância que tornou inviável a sindicância de sua existência, e, se existente, a abrangência da decisão nele proferida e se tal decisão houvese por ratificada ou reformada pelo Tribunal ad quem, e se já transitou em julgado. Assim, estando à calva de provas materiais, tais alegações não poderão ser consideradas por esta Corte. Alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Por outro viés, as decisões proferidas no âmbito da ação judicial em realce, em princípio, teriam seu campo de influência adstrito aos efeitos da NFLD nº 32.576.0659, de 21/10/1998, não irradiando efeitos sobre o presente lançamento, eis que se refere a causa de pedir distinta. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra tributária fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 A desconsideração do ato ou negócio praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com a prerrogativa de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial, trazendo a consequência ao plano do fato gerador do tributo. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato hostilizado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. No que pertine ao Sr. Belmiro Esteves, Sóciogerente da empresa Inova Consultoria & Negócios Ltda, O segurado foi empregado do contribuinte, no cargo de Gerente de Vendas, tendo sido admitido na empresa em 10/10/78, e com demissão datada de 18/08/2006 sextafeira. Já o Contrato de prestação de serviço foi assinado em 21/08/06, segundafeira seguinte. Cabe enfatizar que, no relatório de recomendações emitido em 31/12/2001, elaborado pela empresa de Auditoria / Consultoria externa BRK Lopes, Machado S/C, contratada pelo contribuinte, consta, dentre diversas outras, a seguinte recomendação: "Objetivando resguardar a empresa de possíveis questionamentos trabalhistas no futuro, recomendamos que não sejam mais aceitas a apresentação de notas fiscais com numeração sequencia, para estes casos e também que todos os demais contratos mencionados sejam reavaliados pela assessoria jurídica da empresa, solicitando um parecer relativo aos riscos trabalhistas envolvidos. Comentários do executivo responsável (Sr. Antônio Pinto): “Apesar das constantes cobranças, alguns fornecedores de serviços não atualizam seus contratos junto à Companhia, motivo pelo qual também consideramos importante efetuar a consulta à assessoria jurídica". Seguindo tal orientação, o contrato tenta dissuadir a condição de segurado empregado ao dispor em sua cláusula primeira que “a prestação de serviço e consultoria técnica na área comercial, de caráter não exclusivo, por parte da CONTRATADA em favor da CONTRATANTE”. Outras provas, no entanto, revelam de forma indubitável a existência de todos os elementos da condição de segurado empregado. A empresa disponibiliza e paga plano de saúde da AGF Saúde para o segurado e seus 3 (três) dependentes. Plano de saúde para pessoa jurídica ????. Avulta em tal benefício a existência da pessoalidade na prestação laboral e a não eventualidade. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.134 15 Em Diligência realizada na empresa Inova Consultoria & Negócios Ltda, houvese por constatado que a prestação de serviços é exclusiva para a autuada, não havendo inclusive nenhum segurado empregado contratado desde sua constituição. Corrobora tal constatação, a verificação que todas as Notas Fiscais foram emitidas em sequência numérica. O preço certo a ser pago pela CONTRATANTE à CONTRATADA, sempre no primeiro dia útil de cada mês, pelos serviços indicados na Cláusula Primeira, é de R$ 21.700,00 (vinte e um mil e setecentos reais). Registrese que as partes elegeram o INPC como índice de atualização do presente contrato, ficando acertado que a sua aplicação darseia anualmente, na data de aniversário do presente contrato. O contrato foi assinado em Agosto/2006. Revela a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Além disso, a contratada faz jus ao reembolso das despesas com passagens, refeições, hospedagem, ligações telefônicas e reembolso de quilometragem pelo uso de veiculo próprio na proporção de 1/3 do valor do litro de gasolina, por quilometro rodado. Tais despesas serão reembolsadas à CONTRATADA, mediante a apresentação de relatório detalhado, demonstrando e comprovando tais gastos. Afinal, de quem é o risco e custo da atividade econômica?? Não seria da pessoa jurídica que exerce a atividade, in casu, a contratada ??? Há que se registrar que o contrato, embora firmado por prazo indeterminado, poderá ser rescindido a qualquer tempo, bastando que a parte interessada comunique a outra parte, por escrito, com uma antecedência mínima de 90 (noventa) dias. Mais uma vez se revela a não eventualidade dos serviços e o direito de cada uma das partes de rescindir a relação contratual, unilateralmente, mesmo que de forma imotivada, sem direito a qualquer espécie de indenização típica do direito privado, como sói ocorrer nas relações de emprego. No que tange ao Sr. Antonio Alberto Lopes Machado, esse segurado manteve vínculo empregatício com a empresa autuada, tendo sido admitido em 09/10/59, na função aprendiz de mecânico, e desligado do quadro de empregados em 04/04/94. Foi readmitido em 05/04/94, na função de Supervisor Técnico de Instalações Mecânicas, e desligado em 05/08/97, sendo que em 01/08/97 (04 dias antes do desligamento) assinou contrato de prestação de serviços com a Recorrente; A empresa Machado Eletro Mecânica Ltda, aberta em 02/06/97, e tendo como sócios os senhores Antônio Alberto Lopes Machado (gerente), e Domingos Lopes dos Santos Machado (filho do Sr. Alberto), foi na época a empresa utilizada para a prestação dos serviços contratados. Em 21/10/98, foi constituída outra empresa: Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda, tendo como sócio gerente o Sr. Alberto dos Santos Lopes Machado (filho do Sr. Antonio Alberto), e a Sra. Ana dos Santos Machado, esposa do Sr. Antonio Alberto. Em 01/08/03 foi assinado o contrato de Nº 039/2003, entre a empresa Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda e a empresa autuada, para prestação de serviços de manutenção mecânica em máquinas, tendo havido uma transferência da empresa utilizada para a prestação de serviços pelo Sr. Antonio Alberto Lopes Machado, com possível intuito de confundir a fiscalização quanto à pessoalidade da prestação dos serviços pelo mesmo, já que ele não pertence ao quadro societário e de empregados da mesma. Tal fato se evidencia pela Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 assinatura aposta no contrato citado acima, onde quem assina pelo Sóciogerente da empresa (Sr. Alberto dos Santos Lopes Machado – filho do Sr. Antonio), é o próprio Sr. Antonio Alberto Lopes Machado. A situação relatada se repete nos Termos aditivos do mesmo contrato, de números 01/2004, 01/2005, 01/2006 e 01/2007, e também em outros contratos firmados, como, por exemplo, o de Nº 056/2001. Com relação ao contrato de Nº 039/2003, formalmente firmado com a empresa Beto Instalações Refrigeração e motores ltda, no primeiro aditivo ao contrato, de Nº 01/2004, em documento anexado ao mesmo, o setor Gerência de Recursos Humanos, autoriza o reajuste do contrato 039/2003, o qual é transcrito o tópico na integra: "Contrato 039/2003 (Toninho Machado) vencto abr/04: reajuste índice de variação INPC (6,62%) 9,42% (mérito/enquadramento política salarial da CIC). Total do valor do contrato será R$ 10.500,00". Importante observar que a parcela do índice de reajuste de 9,42% houvese por concedido a título de “mérito/enquadramento política salarial da CIC”, circunstância que revela o efetivo vínculo do segurado em tela com a empresa. Além disso, a referência expressa entre parênteses a “Toninho Machado” demonstra que o trabalhador executor dos serviços contratados não era outro senão o Sr. Antonio Alberto Lopes Machado. O contrato em foco foi assinado com vigência até março de 2004, podendo ser renovado, com base de reajuste o índice da variação do INPC do período de março de 2003 a março de 2004. O preço certo e ajustado para o presente contrato era inicialmente de R$ 9.000,00 (nove mil reais) mensais, que deveria ser pago até o 5º (quinto) dia útil de cada mês subsequente ao vencido, circunstâncias que demonstram a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Noticiese por relevante que o nome do segurado consta no organograma da empresa, ocupando a Gerência de Engenharia de Manutenção e Segurança (Mecânica), com a seguinte observação destacando: "Cargo de gerência ocupado por terceiro". Nessa condição, ele assina/Rubrica documentos internos da empresa, como por exemplo as Fichas de Movimentação de Recursos Humanos, aprovando a contratação e demissão de empregados da empresa autuada, juntamente com outros administradores de hierarquia superior. Além disso, a prestação de serviços ao Recorrente é exclusiva, condição que se depreende do fato de as notas fiscais emitidas pela contratada serem sequenciais. No caso do caso do Sr. Carlos Manoel Castro de Mattos, Procurador da empresa Catriz Agroindustrial Ltda, as circunstâncias não se mostram diferentes. Tratase de empresa de vínculo familiar com o segurado nomeado procurador, uma vez que os sócios Sr. Carlos Henrique Peixoto de Mattos e a Sra. Beatriz Peixoto de Mattos são filhos do Sr. Carlos Manoel Castro de Mattos. Contrato firmado em 01/03/1997 dispõe que o CONTRATANTE se responsabiliza pelo pagamento mensal ao CONTRATADO, no primeiro dia útil de cada mês, tendo como a data de inicio dos serviços, o dia 01/03/97, o valor de R$ 4.000,00. Notese que o referido contrato houvese por assinado por prazo indeterminado, sendo que caso haja interesse na rescisão do mesmo, a parte interessada deveria comunicar a outra por escrito com 60 dias de antecedência. Tais circunstâncias demonstram a não eventualidade na prestação do serviço e a Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.135 17 onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Dispõe ainda que o CONTRATANTE se responsabiliza em reembolsar o CONTRATADO de todas as despesas que o mesmo venha a ter com a prestação dos serviços. Entre estas despesas estão incluído Telefone, o valor mensal de R$ 150,00 referente a aluguel, passagens, refeições, hotel, quilometragem quando utilizado veiculo particular. Ora, nos termos da lei, o risco da atividade econômica e os custos decorrentes de sua execução são da pessoa jurídica, in casu, a Catriz Agroindustrial Ltda, resultante da alteração da Razão Social, em 30/03/2004, da Amarulla Indústria e Comércio Ltda. Aqui, quem arca com os custos é a empresa contratante. Por outro viés, em razão de cláusula contratual, o CONTRATADO se comprometia a executar todos os serviços solicitados pelo CONTRATANTE referente à área comercial da empresa. Não limitado aos serviços aqui, dado a amplitude do assunto, estão Markenting, Vendas, levantamento de mercado, análise de clientes, análise e gerenciamento da equipe de vendas, análise dos representantes de vendas, previsão de vendas, promoção e publicidade, Gerenciamento de Produto, dentre outros. Ou seja, a “pessoa jurídica” foi contratada não para a prestação de um serviço específico, mas, sim, para a execução de todos os serviços inerentes à atividade empresarial, sem limites, abrangência essa que somente se pode esperar de pessoa física à inteira disposição, temporal e intelectual, da empresa. Tal conclusão se avulta de maneira notória ao se verificar que o segurado em apreço assinava documentos internos da empresa na condição de empregado, no Cargo de Gerente de Vendas, como por exemplo, adiantamento e prestação de contas de viagem a serviço, cumprindo norma interna da empresa. Além disso, a empresa disponibiliza e pagava plano da AGF SAÚDE para o segurado e seus 2 (dois) dependentes, benefício que só pode ser disponibilizado a pessoa física, nunca a pessoa jurídica. Como se não bastasse, ao segurado foi disponibilizado cartão de crédito corporativo da operadora Visa Banco do Brasil, fornecido pela autuada, outro benefício que só pode ser disponibilizado a pessoa física, nunca a pessoa jurídica. Aditese que a prestação de serviços ao Recorrente é exclusiva, condição que se depreende do fato de as notas fiscais emitidas pela contratada serem sequenciais. Por derradeiro, na hipótese do Sr. GABRIEL INÁCIO PEIXOTO, Sócio gerente da empresa Zoom Consultoria & Negocios Ltda, a situação apurada pela fiscalização não se mostra diversa. O segurado foi empregado do contribuinte, tendo sido admitido na empresa em 01/05/98, e com demissão datada de 30/05/06, no cargo de Assessor de Vendas. O Sr. Gabriel acumulou a função de Conselheiro do Conselho de Administração da empresa até a competência 05/2004, na qualidade de segurado contribuinte individual Diretor não empregado. O contrato firmado em 02/01/2007 houvese por firmado por prazo indeterminado, podendo ser rescindido a qualquer tempo, bastando que a parte interessada comunique a outra parte, por escrito, com uma antecedência mínima de 90 (noventa) dias, Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 circunstância que revela a não eventualidade dos serviços e o direito de cada uma das partes de denunciar a relação contratual, unilateralmente, mesmo que de forma imotivada, sem direito a qualquer espécie de indenização típica do direito privado, como sói ocorrer nas relações de emprego. Muito embora o contrato estipule que a prestação de serviço e consultoria técnica na área comercial, tenha caráter não exclusivo, por parte da CONTRATADA em favor da CONTRATANTE, tal estipulação se revela, tão somente, de fachada. Em realidade, a prestação de serviços ao Recorrente é exclusiva, condição que se depreende do fato de as notas fiscais emitidas pela contratada serem sequenciais. Por outro viés, o preço certo a ser pago pela CONTRATANTE à CONTRATADA, sempre no primeiro dia útil de cada mês, pelos serviços indicados na Cláusula Primeira, é de R$ 13.266,59 (Treze mil, duzentos e sessenta e seis reais e cinquenta e nove centavos), tendo as partes elegido o INPC como índice de atualização do presente contrato, ficando acertado que a sua aplicação darseá anualmente, na data de aniversário do aludido contrato. Tais condições demonstram a não eventualidade na prestação do serviço e a onerosidade, com pagamentos mensais de mesmo valor, com previsão contratual de reajuste automático, ostentando pompas típicas da natureza jurídica de salário. Aditese que a CONTRATADA, por força de cláusula contratual, faz jus ao reembolso das despesas com passagens, refeições, hospedagem, ligações telefônicas e reembolso de quilometragem pelo uso de veículo próprio, na proporção de 1/3 do valor do litro de gasolina por quilometro rodado, as quais seriam reembolsadas à CONTRATADA, mediante a apresentação de relatório detalhado, demonstrando e comprovando tais gastos. Ora, nos termos da lei, o risco da atividade econômica e os custos decorrentes de sua execução são da pessoa jurídica, in casu, a Zoom Consultoria & Negócios Ltda. Aqui, quem arca com os custos é a empresa contratante. Além disso, a empresa disponibiliza e pagava plano da AGF SAÚDE para o segurado e seu dependente, benefício que só pode ser disponibilizado a pessoa física, nunca a pessoa jurídica. Cumpre trazer à baila, neste comenos, que o serviço de assessoria, de maneira bem genérica, constituise atividade de apoio profissional à empresa, prestada por pessoa que detém conhecimento especializado e experiência profissional em determinados campos da atividade econômica, atuando em áreas as mais variadas, tais como, planejamento estratégico, elaboração de fluxo de caixa do negócio, consultoria em gestão empresarial, análise de cenários, cronograma de atividades, gestão de projetos, acompanhamento dos processos de tomada de decisão e implementação de atividades econômicas, dentre várias outras. Nesse cenário, qualquer que seja a área de atuação, o serviço de assessoria constituirseá, sempre, atividade meio nas empresas contratantes, auxiliandoa tecnicamente na elaboração de projetos e na execução de serviços. O que não se concebe como serviço de assessoria é o exercício contínuo e não eventual das atividades fins da contratante, máxime na função gerencial, atividade essa que tem que ser exercida por profissionais contratados diretamente pela empresa. Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais apontem para a celebração de contrato com pessoa jurídica, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.136 19 empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas contratadas, importando na submissão de contratante e prestador de serviços, na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou pessoa jurídica para contratálos como prestadores de serviços, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o ex empregado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurando se o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o ex empregado, agora prestador de serviço, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.137 21 III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Encontramse presentes, portanto, os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Cumpre enfatizar que no, caso dos Sres. Gabriel Inácio Peixoto e Belmiro Esteves, a mera disposição contratual de que a contratação de serviços teria “caráter não exclusivo” não é suficiente para afastar a pessoalidade e a subordinação desses profissionais na prestação dos serviços ao contratante, atributos esses que foram apurados por outros meios de prova, conforme acima detalhado, em cada caso. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser segurado empregado em relação uma determinada entidade e segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, o qual não demanda reparos. Vencidas as questões preliminares, passamos ao exame do mérito. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DO ARBITRAMENTO Pondera o Recorrente que o arbitramento realizado nas ordens do levantamento L3 – Cartão de Crédito Corporativo violou o art. 148 do CTN. Razão não lhe assiste. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.138 23 As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensalmente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendidos: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensalmente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.139 25 b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade não se configura como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Citese que tais documentos devem ser mantidos pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, as GFIP e os livros contábeis equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais, assim como o poder de exigir a exibição de todos os livros e documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, ficando a empresa obrigada a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, a teor do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.140 27 liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. No caso em exame, consoante o relato da Autoridade Lançadora em seu Relatório Fiscal, mediante análise dos extratos e demonstrativos mensais de gastos efetuados por funcionários da administração/diretoria, e por ocupantes de cargos de confiança, apurou a fiscalização a existência de gastos totalmente alheios às transações ou operações da empresa, não usuais e normais na atividade por esta desenvolvida, ou manutenção de sua fonte produtiva, tais como Lojas de departamento; Artigos esportivos; Lojas de sapatos; Artigos / roupas unissex; Aparelhos de som, TV e outros eletrodomésticos; Roupas para família; Cosméticos / perfumaria / toucador; Joalheria e relojoarias; Câmeras fotográficas e acessórios, dentre outros. Verificou a fiscalização que a empresa possui norma interna especifica que estabelece todos os procedimentos a serem cumpridos pelos empregados em relação às despesas de viagem a serviço, como por exemplo: • “As Notas Fiscais deverão estar em nome da Companhia Industrial Cataguases"; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 • "Só são válidas as Notas Fiscais serie D — venda ao consumidor, para os seguintes tipos de despesas: hospedagem, alimentação, compra de qualquer material ou serviço durante a viagem"; • "Fica claro que todas os gastos devem ser apresentados através de NF, não sendo aceito recibo, vale ou outro tipo de comprovação, exceção para táxi" • "Gastos com bebida alcoólica, produtos pessoais, (shampoo, escova e pasta de dentes, etc.), refeições a colegas e instrutores não serão pagos pela empresa"; • "O acerto da viagem deverá ocorrer até 48 horas após o retorno da viagem com o preenchimento, pelo viajante e/ou setor de treinamento, da segunda parte do formulário de adiantamento"; • "No caso de não ocorrer a prestação de contas no prazo estipulado (ate 48 horas após o retorno da viagem), o empregado estará sujeito a débito do valor adiantado em folha de pagamento, como adiantamento salarial.". Além disso, na prestação de contas de viagem devem ser anexados todos os comprovantes das despesas realizadas, inclusive para aqueles empregados não detentores de cartão de cartão de credito corporativo. Intimada a apresentar a documentação comprobatória das despesas efetuadas com os referidos cartões de créditos corporativos, TIF datados de 06/02/09 e 04/02/10, a empresa não os apresentou para exame da fiscalização, fato que motivou a aplicação de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória. Diante da omissão na apresentação de documentos, impossibilitada ficou a fiscalização de identificar a especificidade dos gastos realizados com o cartão corporativo, através do exame de documentos hábeis, tornando impossível aos agentes fiscais concluir se tais gastos foram efetuados em proveito do portador do cartão, em razão do trabalho ou para a execução efetiva do trabalho. Nesse cenário, em virtude da não apresentação dos comprovantes das despesas acima mencionadas, a fiscalização foi impelida a proceder à apuração das bases de cálculo através do instrumento da aferição indireta, considerando como remuneração, a título de salário indireto e ou em utilidades, os valores de despesas efetuadas com cartão corporativo, não devidamente comprovadas pelo sujeito passivo como realizadas para o trabalho. Dessarte, a não observância da obrigação tributária assentadas no §2º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, consistentes na não exibição de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas nessa Lei, frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Nessas circunstâncias, a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou a sua prestação deficiente, configurase como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que o Fisco inscreva de ofício importância reputada como devida, cabendo Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.141 29 sujeito passivo o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Tivesse o sujeito passivo cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP, na escrita fiscal e nos documentos comprobatórios dos lançamentos. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma série de outros documentos para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante desse panorama, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, faturas de cartões de crédito corporativos, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, tão somente, o principio da razoabilidade. No caso em apreciação, a autoridade fiscal procedeu à apuração dos fatos geradores com base nas faturas dos cartões de crédito corporativos, disponibilizados aos administradores e ocupantes de cargo de confiança, cujos gastos totalmente alheios às transações ou operações da empresa, não usuais e anormais à atividade por esta desenvolvida e tampouco inerentes à manutenção de sua fonte produtiva, não foram devidamente comprovados pelo sujeito passivo como realizados em razão do trabalho. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 O pagamento, pela empresa, de bens ou serviços pessoais em proveito unicamente dos administradores e ocupantes de cargo de confiança configurase como um plus remuneratório desses segurados, eis que, do contrário, teriam de desembolsar dos respectivos patrimônios os valores pagos na aquisição de tais utilidades, constituindose, assim, verdadeira remuneração indireta, a qual integra, para os fins previdenciários, os respectivos salários de contribuição. Registrese que a empresa dispensa tratamento diferenciado para estes segurados, porque deles não se exige a prestação de contas nos moldes da norma interna da empresa, bem como foram adquiridos produtos não usuais ao exercício da sua atividade econômica, notoriamente, artigos de vestuário, esportivos, perfumaria, joalheria, relojoaria, câmera fotográficas, dentre outros. Conforme assinalado no art. 37 da Lei nº 8.212/91, verificando o fisco o não recolhimento integral das contribuições previdenciárias, não declaradas em GFIP na forma da lei, o ordenamento impõe ao agente fiscal, compulsoriamente, a lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Principal visando a constituir o crédito tributário devido. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Não tendo o sujeito passivo comprovado, de forma eficaz, que os gastos efetuados na aquisição de produtos e serviços totalmente alheios ao objeto social da empresa e ao desempenho de suas atividades empresariais houveramse por realizados em prol exclusivo do serviço, obrigada ficou a fiscalização a apurar as diferenças devidas, mediante aferição indireta da base de cálculo, utilizandose exclusivamente dos valores despendidos, mediante cartão corporativo, na aquisição de tais produtos/serviços. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que ora lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Nas oportunidades em que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir ponderações acerca das circunstâncias autorizadoras da apuração da base de cálculo por arbitramento, as quais, reiterese, encontramse presentes no caso em estudo, gravitando à distância do núcleo jurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos legais e constitucionais que forneceram esteio à exação em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Nesse diapasão, não se mostra suficiente à elisão do lançamento a mera alegação de que tais despesas teriam sido realizadas em viagens de interesse da empresa. Ora, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, deveria o Recorrente ter demonstrado, no bojo de sua peça recursal, com fundamento em documentação fidedigna, que os lançamentos tributários levados a efeito pelo fisco encontravamse em descordo com a realidade. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.142 31 Mas assim não se sucedeu. Optou, a seu risco, por exortar asserções totalmente alheias aos fundamentos objetivos do presente lançamento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, assim, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário, eis que não produziu os meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Com efeito, o princípio da verdade material deve iluminar o procedimento de fiscalização para permitir lógica entre hipótese normativa e a realidade fática considerada. Mas tal princípio deve ser observado não somente pela administração tributária, como também, pelo administrado, que tem por obrigação legal registrar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias tanto nas folhas de pagamento como nas GFIP. Falhando o contribuinte em sua obrigação, a lei prevê um procedimento alternativo, consistente na apuração indireta da base de cálculo, como assim procedeu a fiscalização. Em consequência, figurando tais despesas realizadas pelo trabalho e não para o trabalho, não há como se fechar os olhos à sua natureza remuneratória, a ensejar a incidência de contribuições previdenciárias. 3.2. DO SEGURO DE SAÚDE E DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO. Pondera o Recorrente que os valores despendidos a título de seguro saúde e a título de seguro de vida em grupo não integram o Salário de Contribuição. Razão não lhe assiste. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.143 33 Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.144 35 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.145 37 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 38 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; 3.2.1. DOS PLANOS DE SAÚDE. Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.146 39 aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Registrese, por fundamental, que a exclusão de tais parcelas da base de incidência das contribuições previdenciárias não é incondicionada. Constituise condição sine qua non para a exclusão da base de incidência em tela que a cobertura do plano de assistência médica abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Dessai do item 4.1 do Relatório Fiscal que os valores pagos pelo Recorrente à empresa AGF SAÚDE S.A., a título de "Seguro Saúde" (assistência médica e hospitalar), referemse a benefícios que foram concedidos exclusivamente aos diretores, administradores e a outros ocupantes de cargos de confiança e seus respectivos dependentes, conforme se depreende dos lançamentos na contabilidade efetuados nas contas: 3.2.06.01.52.79 Plano de Assistência medica Diretoria; 3.2.06.02.52.79 Seguro Saúde; 3.2.06.03.52.79 Seguro Saúde; 4.1.01.01.52.79 Seguro Saúde; e 4.1.02.01.52.79 Seguro Saúde. Impõe o art. 111, I do CTN que a interpretação de norma isentiva seja estritamente gramatical. Diante das diretivas legais ora anunciadas, avulta, por decorrência lógica, que para a exclusão da assistência médica ou segurosaúde da base de cálculo das contribuições previdenciárias mostrase indispensável que a cobertura do benefício abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Louvouse tal condicionamento no objetivo governamental de fomentar a função social da empresa e garantir a isonomia entre dirigentes e empregados, privilegiandose dessarte aquelas que primarem pela não segregação entre as diversas estratificações na linha vertical de comando. Ao estabelecer, contudo, distinções entre as classes de trabalhadores em realce, a empresa frustrou os propósitos da lei fincando discriminações entre dirigentes e empregados, mediante a disponibilidade tão somente àqueles, em esquecimento destes, dos benefícios ora em debate. A fixação de benefícios privilegiados aos dirigentes em detrimento dos demais empregados exclui do caso em estudo a sua subsunção à hipótese de não incidência prevista na alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o que implica a sujeição dos valores pagos sob o rótulo de seguro saúde ao conceito legal de salário de contribuição estatuído nos incisos I e II do caput do mesmo dispositivo legal acima citado. Não há como florescerem, portanto, as alegações do Recorrente de que os valores despendidos a título de seguro saúde não integrariam o Salário de Contribuição. 3.2.2. DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO Nos termos do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o Salário de Contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos compreende toda a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 40 prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, ressalvadas as hipóteses de isenção fixadas numerus clausus no parágrafo nono do mesmo dispositivo legal. Cumpre registrar, por relevante, que as disposições encartadas no §9º do aludido art. 28, por se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva. Nessa perspectiva, observandose apenas as disposições legais, depreendese que o valor efetivamente pago pela pessoa jurídica a título de prêmio de seguro de vida em grupo, por não constar expressamente nas hipóteses de exclusão do Salário de Contribuição elencadas no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, integra o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de custeio da Seguridade Social. Ocorre que o Regulamento da Previdência Social, aumentando os benefícios fiscais previstos na citada lei de custeio, exclui da planilha de cálculo do Salário de Contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica, relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que tal benefício seja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265/99) (grifos nossos) Nessa prumada, o Regulamento da Previdência Social, ao retirar do referido cômputo tal espécie de verba, não o fez de forma incondicionada, mas, sim, desde que tal benefício estivesse expressamente previsto, entre outras condições, em acordo ou convenção coletiva de trabalho, o que, in casu, não ocorreu. Colhemos do item 4.2 do Relatório Fiscal que os valores pagos pelo contribuinte às empresas MINAS BRASIL e SANTANDER BANESPA, lançados na conta contábil nº 2.1.05.05.01.05 Seguradora Minas Brasil / Santander Banespa, a título de seguro de vida em grupo dos segurados empregados, não se encontrava previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho . Assim, por não atender a todos os requisitos condicionantes para a fruição do benefício fiscal previstos na legislação tributária, a verba ora em destaque subsumese na qualidade de parcela integrante do Salário de Contribuição, não podendo este Colegiado fechar os olhos às exigências legais a todos impostas. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.147 41 Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, cabendo frisar que, somente houvese por considerado como base de cálculo das contribuições sociais em realce apenas a parcela custeada pela empresa. 3.3. DA COMPENSAÇÃO PRETENDIDA O sujeito passivo requer a compensação, na qualidade de substituta tributária, das contribuições recolhidas por Beto Instalações ltda em favor de Antonio Alberto Lopes Machado. Tal apelo, todavia, não poderá ser objeto de apreciação por este Colegiado eis que, em seu louvor, nos vertentes autos, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 42 correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo Art. 89 da Lei Nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.148 43 pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da lei 8212/91 é de uma clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei Nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 44 c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; A compensação tributária, a ser realizada nas condições de contorno fixadas na lei, é um direito subjetivo do sujeito passivo. Tratase de uma faculdade de que dispõe o titular de um crédito tributário em face da fazenda pública para extinguir um débito que lhe é imposto pelo fisco. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no caput do art. 66 da Lei nº 8.383/91, o qual reza que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Outra não é a linguagem do direito legislado na Instrução Normativa SRP nº 3/2005, sob cuja égide se sucederam os fatos geradores objeto do presente lançamento. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Nessa vertente, não se mostra possível atender ao pedido formulado pelo Recorrente. A uma, porque o Recorrente não figura como o titular do crédito tributário alegado, eis que se houve recolhido pela empresa Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda, CNPJ nº 02.831.791/000127 e em seu favor, de molde que somente esta pessoa jurídica Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.149 45 detém a prerrogativa de pleitear qualquer espécie de compensação, nos casos e nas condições previstos em lei. A duas, porque a empresa Recorrente não é substituta tributária da empresa Beto Instalações Refrigeração e Motores Ltda, CNPJ nº 02.831.791/000127. As contribuições previdenciárias ora lançadas em relação ao segurado Antonio Alberto Lopes Machado decorreram da responsabilidade direta da Recorrente, na condição de contribuinte e não na de responsável tributário. A três, porque, mesmo que por hipótese a Recorrente tivesse direito a se compensar dos valores pretendidos, o que não é o caso, repisese, a iniciativa do procedimento de compensação teria que ser exercida diretamente pelo titular do direito perante o órgão competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consoante o rito estabelecido na legislação tributária. Por certo, a apreciação de questões dessa estirpe escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Registrese por relevante que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, os pedidos ora deduzidos pelo Recorrente. 3.4. DA MULTA DE OFÍCIO Malgrado não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à incidência da multa de ofício de 75% às competências anteriores à data de vigência da MP nº 449/2008.. Conforme enaltecido no tópico que a este antecede, vigora no Direito Tributário o princípio tempus regit actum, nos termos assinalados no art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Acontece que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 46 previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.150 47 §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 48 Nessa perspectiva, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, enquanto que a legislação anterior previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.151 49 §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Cada macaco no seu galho. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 50 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.003656/201082 Acórdão n.º 230201.885 S2C3T2 Fl. 1.152 51 pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser observado no cômputo da penalidade pecuniária aplicada ao lançamento de ofício decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 52 Arlindo da Costa e Silva Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 15504.009967/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004
ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÃO. MAJORAÇÃO. ENTRADA EM VIGOR. PRAZO.
O prazo para entrada em vigor da modificação introduzida na legislação tributária que importe elevação do valor a ser recolhido a título de contribuição para financiamento da seguridade social é de noventa dias, contados da data da publicação da lei modificadora.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONTRIBUIÇÃO. MAJORAÇÃO. ENTRADA EM VIGOR. PRAZO. O prazo para entrada em vigor da modificação introduzida na legislação tributária que importe elevação do valor a ser recolhido a título de contribuição para financiamento da seguridade social é de noventa dias, contados da data da publicação da lei modificadora. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 06/10, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 21.382.885,90, incluindo multa de ofício e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 08. Segundo a fiscalização, a autuação ocorreu em virtude da insuficiência de recolhimento da Cofins na modalidade não cumulativa, decorrente de utilização de créditos referentes às despesas financeiras não autorizados pela legislação pertinente. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 08. Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11/14 que “Da análise dos livros e da verificação feita na documentação apresentada, foi constatado que as despesas financeiras (inclusive as variações monetárias passivas – art. 9º da Lei nº 9.718/98), constaram como créditos na apuração das contribuições na Dacon, período de maio/2004 a julho/2004, influenciando, portanto, na apuração da Cofins não cumulativa devida neste período. No entanto, essas despesas financeiras não geravam créditos na apuração da Cofins do período acima mencionado. Isto porque, o art. 21 da Lei nº 10.685, de 30 de abril de 2004, que alterou o art. 3º, inciso V, da Lei 10.833 de 2003, determinou que apenas os valores das contraprestações de arrendamento mercantil da PJ continuasse gerando créditos para o cálculo da Cofins não cumulativa, e não mais as despesas financeiras. Essa determinação passou a vigorar a partir de 1º de maio de 2004, conforme expressou a legislação”. Cientificado em 28/05/2009 (fls. 07), o interessado apresentou, em 29/06/2009, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 137/152, acompanhado dos documentos de fls. 153/184, alegando em síntese que “não procede a autuação efetuada, porquanto o crédito tributário consubstanciado no referido auto de infração é indevido, ante a inobservância do Princípio da Anterioridade Nonagesimal, insculpido no § 6º, do art. 195, da CF/88, ante as modificações introduzidas pela Lei nº 10.865/2004, motivo pelo qual deve ser totalmente provida a presente Defesa, julgandose improcedente o lançamento efetuado”. Oportuno salientar que o inciso I, do art. 46, da Lei nº 10865/2004, informou expressamente os artigos objeto de alteração pela referida lei que iriam submeterse ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal, porquanto seus efeitos seriam produzidos, a partir do 1º dia do 4º mês subseqüente ao da publicação desta lei, não tendo sido contemplada a modificação efetuada no art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004 Anterioridade nonagesimal A nova redação dada ao art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003, pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, produz efeitos a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei, isto é, a partir de 1º de agosto de 2004. Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício de sua decisão a este colegiado. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.009967/200908 Acórdão n.º 310201.329 S3C1T2 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Tratase de recurso de ofício de decisão que exonerou o crédito tributário constituído em vista de modificação introduzida pela Lei 10.865/04, excluindo do rol das despesas passíveis de lançamento credor, as despesas financeiras. Incontroverso que a citada Lei excluiu a previsão originalmente presente na Lei 10.833/03, devendo ser apreciada, exclusivamente, a data a partir da qual deve surtir efeito a modificação. A seguir excertos do voto condutor da decisão recorrida. O lançamento decorreu da glosa das exclusões de despesas financeiras em virtude do disposto no art. 21 da Lei 10.865/2004, que alterou o inciso V do art. 3º da Lei 10.833/2004, conforme observação do autuante. (...) Como se pode verificar, o art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, suprimiu a possibilidade de a pessoa jurídica, contribuinte da Cofins nãocumulativa, descontar créditos relativos a “despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos”. (...) O art. 53 da Lei nº 10.865, de 2004, determina: “Art. 53. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do dia 1º de maio de 2004, ressalvadas as disposições contidas nos artigos anteriores.” Como as alterações procedidas no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003, não constam das aludidas ressalvas, poderseia concluir que essa modificação passou a vigorar a partir de 1º de maio de 2004. Entretanto, como é consabido, as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social estão sujeitas ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no art. 195, § 6º, da Constituição Federal. Diz o referido dispositivo: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ................................................................................................................... § 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b".” Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Como a interpretação da legislação tributária deve levar em conta o sistema como um todo, temse como certo o respeito ao prazo nonagesimal estabelecido no dispositivo acima, para que as modificações introduzidas no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003, passem a produzir os efeitos tributários. Assim sendo, concluise que a nova redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, ao art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003, produz efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Nesse sentido, inclusive, é o disposto no art. 46, inciso IV, da Lei nº 10.865, de 2004, abaixo transcrito, ao determinar que a nova redação dada ao art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.637, de 2002, pelo seu art. 37, só produz efeitos a partir de 1º de agosto de 2004: “Art. 46. Produz efeitos a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: ................................................................................................................... IV – nos arts. 1o, 2o, 3o e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 37 desta Lei.” Diante do exposto, concluise que a nova redação dada ao art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003, pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, produz efeitos a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei, isto é, a partir de 1º de agosto de 2004, devendose por tal motivo exonerarse integralmente o lançamento. Para corroborar este entendimento podem ser citadas as Soluções de Consulta nº 101/4ª R.F, de 23 de novembro de 2004 e a de nº 180/9ª R.F., de 09 de maio de 2007, mencionadas pelo impugnante. Segundo me parece, a controvérsia gira em torno do fato de o legislador ordinário, por meio da determinação contida no artigo 46 da Lei modificadora, considerando o princípio da anterioridade nonagesimal previsto na Carta Magna, ter especificado como sendo o dia 1º de agosto de 2004 a data a partir da qual produziriam efeito as modificações introduzidas no texto do artigo 3º da Lei 10.637/02, omitindose, contudo, em relação às modificações introduzidas no artigo 3º da Lei 10.833/02. Ainda que o sistema da não cumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS seja reconhecido por certas particularidades que o diferencia dos demais tributos apurados na mesma sistemática, não há como negar que, na prática, o valor devido é apurado pelo confronto entre os débitos decorrentes do faturamento mensal e os créditos admitidos na legislação, com a particularidade de que podem ser originários de outro período de apuração. A modificação sub examine, introduzida pela Lei 10.865/04 eleva o valor devido a título de Contribuição para COFINS, ao excluir a permissão para lançamento credor de despesas com financiamento, recaindo, a meu sentir, na hipótese contemplada no inciso I do artigo 104 do Código Tributário Nacional, conforme segue. Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15504.009967/200908 Acórdão n.º 310201.329 S3C1T2 Fl. 3 5 III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Não se desconhece tratarse de uma Contribuição que não guarda correspondência com o tributo especificado no caput do artigo supra transcrito. Inobstante, ao definir critérios temporais para exigência de contribuições para financiamento da Seguridade Social, o legislador constituinte ao mesmo tempo em que as diferenciou dos demais tributos, tratou de fixarlhes critérios próprias, estipulando para elas a anterioridade nonagesimal. Ademais, não vejo como pudesse ter sido fixado um prazo para entrada em vigor das modificações introduzidas no sistema de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e outro prazo para a Contribuição COFINS. Por certo, tratase de uma lacuna que merece ser suprimida pelo aplicador do direito. VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 24 de janeiro de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720189/2011-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150 % (cento e cinquenta por cento) quando se comprova de maneira inequívoca a conduta dolosa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150 % (cento e cinquenta por cento) quando se comprova de maneira inequívoca a conduta dolosa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 01 89 /2 01 1- 57 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 36.535,71 e R$ 7.932,16 a título, respectivamente, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, nãocumulativa, e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, acrescidas de multa de ofício de 150 % e encargos legais devidos à época do pagamento, referente a fatos geradores ocorridos no período de 31/08/2006 a 31/08/2009. Dos Lançamentos Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is) e ao Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização, verificase que as autuações se deram em razão da constatação da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições que ocorreu devido a glosa de créditos da nãocumulatividade aproveitados pela contribuinte, nos períodos fiscalizados. Foram glosados os créditos relativos as aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda., que não foram efetivamente recebidas/adquiridas pela interessada. Relata a Autoridade Fiscal que a empresa autuada logrou proveito de esquema fraudulento engendrado pela empresa Tozzo e Cia Ltda, ao utilizarse de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas por esta empresa. (...) Acrescenta que para que um custo possa ser aceito como dedutível, há de se comprovar que o bem e/ou serviço correspondente foi contratado formalmente, que houve o desembolso, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. E que em assim sendo, compete ao contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, oriunda de fonte externa, hábil e idônea, apta a comprovar tais fatos, o que não se verificou no caso. Conclui que, considerando que as aquisições da empresa Tozzo e Cia LTDA não foram efetivamente recebidas/adquiridas, adotou o procedimento de glosar os créditos de PIS e Cofins, relativos às citadas aquisições, aproveitados pelo contribuinte. Em relação ao motivo do agravamento da multa de ofício, diz: [...]A fiscalizada utilizouse de notas fiscais cujo destinatário foi simulado pelo emitente a fim de beneficiarse do creditamento dos tributos inerentes à operação bem como para aumentar o custo dos bens vendidos, reduzindo desta forma o lucro líquido que serve de base de cálculo do imposto de renda e para a Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 12 3 contribuição social, bem como do PIS e da COFINS a pagar. (neste caso por meio do aproveitamento de créditos indevidos). A constatação dos fatos ocorreu a partir da análise de documentos apreendidos na sede da empresa Tozzo & Cia Ltda, em ação de cumprimento de mandado de busca e apreensão cumprido pelo Ministério Público de Santa Catarina e Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, quando desbarataram esquema amiudado no item 2 deste relato. A forma reiterada (04 anos) de utilizarse de notas fiscais inidôneas, fruto de esquema organizado para lesar os cofres públicos, caracteriza a intenção do agente (titular da empresa fiscalizada) de produzir o resultado decorrente da prática daqueles atos, que é a redução do montante dos tributos devidos. [...]Ao inserir na escrituração contábil e fiscal documentos inidôneos a empresa CLEICY COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática desta inserção/utilização fez parte da rotina administrativa da empresa fiscalizada, o que comprova que a intenção do agente sempre foi de reduzir os tributos devidos. [...]A fraude no caso vertente consistiu em utilizarse de notas fiscais de entrada de mercadoria ideologicamente falsas (não houve estas aquisições) escriturando em sua conta caixa, enquanto pagamento, valores que não foram efetivamente pagos. (...) Da Impugnação Irresignada a contribuinte impugna os lançamentos alegando, a título de preliminares de nulidade: a) decadência em relação ao crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos em 2006; b) suspensão da exigibilidade do Auto de Infração e da multa correspondente em face da impugnação apresentada; c) cerceamento do direito de defesa, ante a afronta aos princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa nesse sentido aduz que “o auto de infração deve conter a origem e a natureza do crédito tributário, mencionar o dispositivo legal em que se fundamenta e a descrição completa dos fatos que ensejaram a autuação” e que “Não pode ser considerada clara e precisa uma peça acusatória que não transparece com exatidão a origem do crédito ora exigido”; d) afronta ao princípio da Moralidade Administrativa – argumenta que a atuação da fiscalização encontra limites de cunho constitucional e que, a teor do CTN, “o contribuinte só pode ser compelido a entregar um documento mediante a requisição escrita para tanto” razão pela qual “não lhe é dada a faculdade de utilizarse de todo e qualquer meio”; reclama que Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 13 4 “os agentes fiscais lançaram aleatoriamente imposto e sobre IRPJ/CSLL e PIS e COFINS, decorrentes de notas fiscais não registradas” e conclui que a “conduta dos agentes fiscais é relapsa, constituindo afronta direta aos princípios norteadores da atividade administrativa, em especial o princípio da moralidade pública”; e) afronta ao devido processo legal e ilicitude das provas – defende que a legislação pátria veda a utilização de provas obtidas por meios ilícitos sendo que sua utilização fere, não somente esse óbice legal, como o princípio do devido processo legal; afirma que “o procedimento de fiscalização ocorreu de modo displicente e abusivo” e que “Os documentos que embasam a presente autuação não são exigíveis nem, tampouco líquidos e certos, ante a total inobservância quanto aquelas notas lançadas”; conclui que o “presente processo administrativo se embasa única e exclusivamente em prova ilícita, qual busca o enriquecimento do estado quando atribui infração por ato de terceiro, o que torna eivado de vício insanável”. Já a título de mérito alega: f) ilegitimidade passiva pois a autuação se deu por “ato suspeito de terceiros”; g) nulidade da infração capitulada na notificação fiscal – nesse sentido aduz que o auto de infração não contém os requisitos legalmente exigidos e necessários para assegurar o direito à ampla defesa, dos quais salienta a “descrição clara e precisa do fato” e “exigência a ser cumprida”; e ainda, que “as notificações não descrevem como deveriam a legislação aplicável na correção monetária, bem como nos juros utilizados para o cálculo das multas delas advindas, acarretando em novo cerceamento de defesa”. A impugnante também se insurge contra o diz tratarse de “uso de presunção para imputação da multa qualificada”. Alega que o auto de infração ora impugnado embasase tão somente em prova testemunhal, sem qualquer prova material que tenha o condão de embasar tais depoimentos.(...) A impugnante requer que os Autos de Infração sejam declarados nulos e, em caso contrário, que o processo administrativo seja convertido em diligência a fim de que seja demonstrada a existência das notas fiscais. Ainda requer que seja reconhecida a decadência em relação aos fatos ocorridos em 2006 e a sua ilegitimidade passiva e pugna pelo recálculo do valor lançado em face da a incidência de multas e juros superiores aos previstos legalmente. A DRJ em Florianópolis (SC) considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 14 5 PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. Na hipótese de ocorrência de dolo, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, a teor do art. 173, inc. I, do CTN. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As Notas Fiscais fazem prova perante o fisco das operações comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos casos em que a autoridade fiscal comprovou, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito que deu causa ao lançamento de ofício, este somente é afastado se o contribuinte lograr provar o teor das alegações que contrapõe às provas que o ensejaram. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FRAUDE. APLICABILIDADE Caracterizado o evidente intuito de fraude, sobre os créditos tributários apurados em procedimento de ofício é aplicável a multa de ofício agravada de 150%. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o pedido de reconsideração com base no fundamento de direito a seguir descrito: A partir de 1º/01/1997, nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença ou contribuição (RIR/1999, art. 957, incisos I e II): Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 15 6 Por fim, requereu a redução da multa fixada (150%) para o importe de 75%. Esclareceu que já realizou o parcelamento em 60 (sessenta) vezes do débito consolidado com 75% da multa. É o Relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais. Embora a interessada tenha apresentado apenas um pedido de reconsideração, pelo princípio da fungibilidade recursal, conhecese dele como recurso voluntário. Não se conformando com o agravamento da multa, postula a interessada a redução da multa fixada de 150% para 75 % com base no art. 957, incisos I e II do Decreto 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR). Não assiste razão à recorrente. Conforme se extrai dos autos de infração, o fundamento legal para o lançamento da multa de ofício qualificada de 150% foi o art. 44 da Lei 9.430/96 e alterações, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.720189/201157 Acórdão n.º 3801001.761 S3TE01 Fl. 17 8 Destarte, existindo elementos comprobatórios de dolo, fraude ou simulação a multa de ofício a ser aplicada é a acima citada e não a do art. 957, inciso I do Decreto 3.000/1999, cuja matriz legal também é o art. 44 da Lei nº 9.430/96 e já foi alterado. Como visto, a interessada não atacou o farto conjunto fáticoprobatório que resultou no lançamento da multa qualificada, apenas pleiteou a redução da multa com base em um dispositivo que não se subsume a este caso concreto, de sorte que foi correta a aplicação da multa. Assim sendo, não tendo apresentado razões ou elementos de prova que poderiam afastar a qualificação da multa, só resta manter a multa de ofício no percentual de 150%. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10293.900484/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF - RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO - POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.
Numero da decisão: 3102-001.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 14/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vicepresidente), Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes e Álvaro Almeida Filho. Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 0118.301 da 3ª Turma da DRJ/BEL, que entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade . Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 20/08/2008, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 44.655,32, recolhido através de DARF em 18/07/2008. 2. A DRF/Rio Branco, através de despacho decisório eletrônico (fl. 03), considerou "não homologada" a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. 3. Cientificada em 28/10/2009 (fl. 82) a interessada apresentou, tempestivamente, em 24/11/2009, manifestação de inconformidade (fls. 01/02) na qual informa que, após haver confessado em DCTF e quitado o débito, constatou que o valor de retenções na fonte em vez de subtraído fora acrescido ao valor a pagar, motivo pelo qual efetuou a retificação de sua declaração, utilizando o crédito resultante no PER/DCOMP ora em análise. É o relatório. Analisada a impugnação ao auto de infração, decidiu a 3ª Turma da DRJ/BEL, pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10293.900484/200941 Acórdão n.º 3102001.238 S3C1T2 Fl. 2 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Em atenção a intimação para apresentar documentos e comprovar o valor das retenções, apresenta planilhas de recuperação de crédito para comprovar as retenções informadas a Receita Federal via DIRF; 2) O crédito originado decorrer do valor de retenções na fonte que ao invés de ser deduzido da apuração foi somado. 3) Foi apresentada a retificação das informações anteriormente prestadas, com “cópias das planilhas de apuração do PIS e da COFINS e o razão da conta de COFINS do mês de junho que originou o crédito e julho que seria a compensação, para esclarecimento à Secretaria da Receita Federal”. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Busca a recorrente em suas razões demonstrar a existência do crédito da COFINS a ser compensado com débitos declarados, decorrente do pagamento a maior só constatados após a entrega da DCTF original e posteriormente incluídos na DCTF retificadora. Ora, de acordo o art. 741 da lei nº 9.430/96 com redação dada pela lei nº 10.637/2002, caberá a Secretaria da Receita Federal autorizar a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para tributos e contribuições sob sua administração, já o decreto nº 2.138 de janeiro de 1997, disciplina que o pedido de compensação atenderá procedimento interno, podendo ser a requerimento do contribuinte ou de ofício, nos termos do parágrafo único do art. 1º, in verbis: Decreto n°2.138, de 29 de janeiro de 1997 Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob 1 Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituidos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de oficio, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Apresentada a DCOMP, a receita federal, possui um prazo de 05(cinco) anos para homologar ou não as compensações nos termos do § 5º art. 74 da lei nº 9.430/96, assim decorrido o período “contado da data da entrega da declaração de compensação” 2 , se não ocorrer nenhuma apreciação da autoridade administrativa, restará tacitamente homologado o pedido, o que de fato não ocorreu no caso dos autos ao ser proferido o despacho decisório. De acordo com o despacho decisório de fls. 03 quando da transmissão do PER/DCOMP no valor de R$ 44.655,32, observando o DARF discriminado foi identificado um ou mais pagamentos “mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP”. Acontece que após o despacho decisório, foi realizada a retificação da DCTF, apresentada em 23/11/2009, conforme demonstra recibo de entrega fls. 18, oportunidade em que foram declarados com débitos apurados no mês de julho de 2008 os seguintes valores: R$ R$ 182.913,42 (IRRF), R$ 117.744,35 (PIS/PASEP), COFINS 542.302,27. Assim resta analisar a possibilidade de compensar crédito acrescidos em DCTF retificadora mesmo após ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação. O decretolei nº 2.124 de 1984 autorizou, em seu art. 5º3, o Ministro da Fazenda instituir obrigações acessórias relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sob esse contexto o Ministro delegou sua competência ao Secretário da Receita Federal através da portaria nº 118 de 1984, esse, por sua vez instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, através da instrução normativa nº 129/1986, a qual vem sendo modificada ao longo do tempo. No caso dos autos quando da apresentação da DCTF retificadora, estava em vigor a IN/RFB nº 903/2008, estabelecendo as diretrizes a serem seguidas pelas pessoas jurídicas para apresentarem a DCTF e suas retificadoras. Essa instrução definiu em seu art. 11 caput que a retificadora obedecerá as mesmas normas da declaração retificada e a substituirá integralmente, nos termos do § 1º, “e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados”. Ressaltese ainda que o art. 18 da medida provisória nº 218949, também estabelece que a retificação terá a mesma natureza da declaração original, in verbis: 2 Lei nº 9.430/96 art. 74 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação 3 Decretolei nº 2.124/1984 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10293.900484/200941 Acórdão n.º 3102001.238 S3C1T2 Fl. 3 5 Art.18.A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Percebese a princípio a inexistência de óbices para alterar débitos e créditos, entretanto a mesma instrução, logo em seguida, estabelece as hipóteses em que a retificação, não produzirá efeitos, nos termos do § 2º do art. 11 in verbis: §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. De acordo a norma acima, no caso em liça, não existe impedimento para a retificação produzir seus efeitos, pois não há débitos enviados à PGFN e inscritos em dívida ativa, com também não houve procedimento de auditoria ou início de procedimento fiscal e sim indeferimento ao pedido de compensação, assim a DCTF retificadora passa a substituir integralmente a DCTF original, produzindo seus efeitos. Caso as informações retificadas, possuam incorreções cabe a fiscalização realizar o lançamento de ofício visando as diferenças apuradas, nos termos do art. 904 da medida provisória nº 2.15835 de 24/08/2001. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o impedimento ao conhecimento da DCTFreticadora, apresentada posteriormente a intimação do despacho decisório, determinando, ainda, o retorno do processo a unidade da jurisdição para apuração do crédito pretendido. Sala de sessões 06 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator 4 MP 2.15835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 14/02/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10860.000563/2008-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.113
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o conselheiro Sandro Machado dos Reis. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fl. 27, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2004, por meio da qual foi apurado o crédito tributário assim constituído: Imposto de renda suplementar (sujeito a multa de ofício): R$ 2.490,48 Multa de ofício: R$ 1.867,86 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10860.000563/200897 Resolução n.º 2801000.113 S2TE01 Fl. 107 2 Juros de mora (calculados até 29/02/2008): R$ 979,50 Imposto de renda (sujeito a multa de mora): R$ 14.157,56 Multa de mora: R$ 2.831,51 Juros de mora (calculados até 29/02/2008): R$ 5.568,16 Valor total do crédito tributário apurado: R$ 27.895,07 Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 28, 29 e 30, constatouse, respectivamente: 1) a compensação indevida de carnêleão, no valor de R$ 2.390,30, correspondente à diferença entre o valor declarado (R$ 16.859,30) e o efetivamente recolhido sob o código de receita 0190 (R$ 14.469,00); 2) a omissão de rendimentos recebidos das seguintes pessoas jurídicas: a) G. J. Figueira Perfumes – ME, CNPJ n° 05.814.335/000167, no valor de R$ 6.673,80; e b) Santander Seguros S.A., CNPJ n° 87.376.109/000106, no valor de R$ 3.174,00; e 3) a compensação indevida de imposto de renda na fonte, relativo às seguintes fontes pagadoras: a) Prefeitura Municipal de Taubaté, CNPJ n° 45.176.005/000108, no valor de R$ 4.055,76; e b) Universidade de Taubaté, CNPJ n° 45.176.153/000122, no valor de R$ 9.089,63. Da impugnação Cientificada do lançamento em 09/04/2008 (fl. 71), a contribuinte apresentou, em 27/03/2008, a impugnação de fls. 1 e 2, acompanhada dos documentos de fls. 3 a 26, abaixo resumida. 1) Em relação à compensação indevida do carnêleão, seguem anexas cópias dos DARFs efetivamente pagos sob o código 0190, no total de R$ 16.859,30. 2) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Segue cópia do informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora G. J. Figueira Perfumes – ME, CNPJ n° 05.814.335/000167. 3) Compensação de IRRF 3.1.) Em relação à Prefeitura Municipal de Taubaté, ocorreu o seguinte: em 01/07/2004, a prefeitura pagou à contribuinte, a título de desapropriação, o valor de R$ 12.355,71 e reteve o valor de R$ 4.055,76, conforme processo 141/793ª Vara Cível de Taubaté (cópia anexa). A advogada Daisy Cury Andraus recolheu o IRRF em seu nome, com o seu CPF, conforme cópia anexa, no valor de R$ 8.111,52, referente ao montante devido na ação, montante esse relativo a dois contribuintes. Em relação a esse pagamento, houve o desconto do honorário advocatício de R$ 4.012,87. 3.2.) Em relação à Universidade de Taubaté, segue cópia do informe de rendimentos da fonte pagadora, cópia do contrato de locação e suas alterações.” Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10860.000563/200897 Resolução n.º 2801000.113 S2TE01 Fl. 108 3 A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 75/92, para restabelecer a glosa do imposto pago a título de carnêleão e do IRRF referente à fonte pagadora Universidade de Taubaté, bem como afastar a omissão de rendimentos da fonte pagadora G. J. Figueira PerfumesME. Também, considerou não impugnada a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Santander Seguros S.A. Regularmente cientificada daquele acórdão em 30/05/2011 (fls. 98), a interessada, representada por sua procuradora (fls. 100), interpôs recurso voluntário de fls. 99, em 29/06/2011. Em sua defesa, alega que o valor recebido da Prefeitura Municipal de Taubaté foi lançado como rendimento tributável, mas se trata de desapropriação, operação sobre a qual não incide imposto de renda. Ainda aduz que, por um lapso, o recolhimento do DARF foi feito em nome de Adélia Cury Andraus – advogada que a representou no processo de desapropriação, conforme cópias em anexo. É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio em questão diz respeito à tributação, ou não, do valor recebido pela contribuinte da Prefeitura Municipal de Taubaté, no anocalendário de 2004. A recorrente defende que não incide imposto de renda sobre os referidos rendimentos, considerando que são decorrentes de desapropriação. No que diz respeito à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, assim se pronunciou a decisão recorrida: Para comprovar a retenção na fonte do IRRF no valor de R$ 4.055,76, relativo à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Taubaté, CNPJ n° 45.176.005/000108, a impugnante apresentou o demonstrativo de fl. 12, que trata do recebimento de valores a título de desapropriação pela impugnante e por três outras pessoas. Salientese, inicialmente, que esse documento não está assinado, nem vem acompanhado de cópia da sentença judicial que deu origem às informações ali discriminadas. Por conseguinte, não há no processo nenhum elemento aceitável de prova que vincule o DARF de fl. 11 (recolhido em nome de uma terceira pessoa) com os rendimentos declarados pela impugnante. De qualquer forma, se levarmos em consideração as informações do demonstrativo de fl. 12, podemos tirar as seguintes conclusões acerca do valor total dos rendimentos pagos às quatro pessoas ali mencionadas e do correspondente IRRF: Rendimentos brutos: R$ 38.836,46 + R$ 2.192,22 = R$ 41.028,68 Honorários advocatícios: R$ 8.205,74 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10860.000563/200897 Resolução n.º 2801000.113 S2TE01 Fl. 109 4 IRRF: R$ 8.111,52 Rendimentos líquidos: R$ 41.028,68 – R$ 8.205,74 – R$ 8.111,52 = R$ 24.711,42 Esses rendimentos líquidos foram distribuídos da seguinte forma: à impugnante coube o valor de R$ 12.355,71 e a cada uma das outras três pessoas coube o valor de R$ 4.118,57. Observese: 3 x R$ 4.118,57 + R$ 12.355,71 = R$ 24.711,42. Ora, como a impugnante declarou na DIRPF 2005 (fl. 36) ter recebido dessa fonte pagadora o valor de R$ 12.355,71, concluise que ela declarou exatamente o valor líquido recebido, já deduzido, portanto, o IRRF. Por consequência, não pode ela pretender compensar um valor de IRRF que não compôs o valor dos rendimentos brutos declarados. Diante das considerações acima, só resta manter a glosa efetuada pela fiscalização, no valor de R$ 4.055,76. Em sede de recurso, a contribuinte apresenta, às fls. 101/102, cópia da Certidão de Objeto e Pé de Ação de Desapropriação e Indenização, cujo nº 141/1979 e as partes envolvidas constam também do demonstrativo de fl. 12, examinado pela decisão recorrida. Ainda assim, carece os autos de elementos de prova suficientes a comprovar que os rendimentos recebidos pela interessada da Prefeitura Municipal de Taubaté, no ano calendário de 2004, são, de fato, oriundos da citada Ação de Desapropriação. Nessas condições, proponho que se converta o julgamento em diligência para que a da Prefeitura Municipal de Taubaté seja intimada a informar: • Os Rendimentos pagos à contribuinte, no ano de 2004, e o respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte; • A natureza dos rendimentos pagos à contribuinte nesse período; • Se tais rendimentos estão correlacionados com a Ação de Desapropriação nº 625.01.1979.0000018/000000000. O contribuinte deve ser intimado do relatório de diligência, com prazo para se manifestar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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