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Numero do processo: 10166.721491/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal.
APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA.
Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996.
Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplica-se
a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS
ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.452
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplica-se a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721491/201077 Acórdão n.º 2401002.452 S2C4T1 Fl. 2.123 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte acima identificado, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n.º 37.256.6537. O acórdão de primeira instância foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviço,conforme previsto nas Leis nº 8.212/91 e nº 10.666/93. JUROS SELIC. As contribuições sociais arrecadadas em atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, de caráter irrelevável. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar sem motivação ou prescindíveis. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sua peça recursal, o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) todo o procedimento fiscal deve ser nulificado, posto que, há Mandados de Procedimento Fiscal MPF que não foram prorrogados dentro do prazo regulamentar e, assim, os MPF subsequentes deveriam ter autorizado outro auditor fiscal para dar continuidade ao procedimento, conforme determina a legislação; b) não se admite no direito pátrio que se estabeleça obrigação tributária com esteio de presunção do fato gerador, como é o caso dos autos em que o fisco baseouse para lavrar o AI em meras declarações prestadas mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; c) tendose em conta a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, deve ser aplicada a multa mais benéfica, com esteio no art. 61 da Lei n.º 9.430/1996; d) a multa aplicada é inconstitucional, em face do seu caráter confiscatório; e) não se admite a cumulação dos juros SELIC com índices de correção monetária e juros moratórios. Ao final, requer: a) declaração de nulidade do AI; b) reconhecimento da improcedência das contribuições lançadas; c) aplicação da multa mais benéfica; d) exclusão dos juros SELIC É o relatório. Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721491/201077 Acórdão n.º 2401002.452 S2C4T1 Fl. 2.124 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A nulidade motivada por falha nos MPF Alega a recorrente que, tendo havido expiração de dois dos MPF, na substituição dos mesmos deveria o obrigatoriamente constar outra autoridade fiscal para dar continuidade ao procedimento. Não se tendo procedido dessa forma é nulo o procedimento fiscal. Consultando a sítio da RFB pude constatar que o MPF original, com duração de 120 dias foi emitido em 09/10/2009, com prazo de expiração em 06/02/2010 (120 dias, conforme art. 11, I, da Portaria RFB n.º 11.371/2007), as prorrogações deramse em 06/02/2010; 07/04/2010 e 06/06/2010 (60 dias, conforme art. 11, II, da mesma Portaria). Considerandose que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo ocorreu em 12/07/2010, percebese que na data da ciência do lançamento havia MPF vigente e que não houve expiração de qualquer dos MPF lavrados, mas apenas prorrogação dos mandados. Assim, a afirmação da recorrente encontrase totalmente dissociada dos fatos ocorridos no processo. Afasto, então, essa preliminar. A suposta presunção quanto à ocorrência dos fatos geradores Os autos estão a revelar que a apuração das contribuições deuse mediante análise da documentação apresentada pela empresa. Foi com esteio nas folhas de pagamento exibidas que o fisco constatou o desconto na remuneração dos segurados empregados. Foram acostadas tabelas onde é indicado o saláriodecontribuição para cada um dos segurados que receberam pagamentos pelos serviços prestados a autuada. Esta por sua vez, embora manifeste inconformismo, não juntou qualquer elemento que pudesse alterar o resultado da apuração fiscal realizada. Foi apresentado demonstrativo de todas as guias de pagamento que foram aproveitadas no levantamento fiscal, não tendo a empresa levantado qualquer argumento que conduzisse a descrédito o trabalho de auditoria. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, o direito de Fisco de exigir as contribuições restaria extinto se o sujeito passivo conseguisse demonstrar que a Administração houvera incorrido em erro ao calcular o valor das contribuições ora lançadas. Considerandose que esse fato não restou demonstrado, deixo de acolher, por absoluta falta de provas, o argumento de que houve na espécie presunção de fatos geradores ou mesmo equívoco na apuração. Não custa repetir que a empresa não acostou qualquer retificação dos documentos que serviram de base para a confecção do lançamento. A aplicação da multa De acordo com o fisco, na fixação da multa d ofício, levouse em conta as alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2008. Assim, comparouse a multa aplicada com base no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (dispositivo vigente na data da ocorrência dos fatos geradores), com a multa imposta em obediência ao art. 35A da mesma lei, aplicandose o valor mais favorável ao sujeito passivo. De acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, havendo lançamento de ofício do tributo, devese aplicar a multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, o qual assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Suscita a empresa que lhe fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996, todavia esse dispositivo somente se aplica no caso de recolhimento espontâneo, no qual é aplicada a multa de mora e juros. Havendo lançamento das contribuições, exigese a multa de ofício prevista no art. 44, I, da mesma Lei. Assim, o fisco agiu com acerto ao comparar a multa do art. 35 com aquela prevista no art. 35A, ambos da Lei n.º 8.212/1991, não havendo reparos a serem feitos no levantamento quanto a esse aspecto. Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721491/201077 Acórdão n.º 2401002.452 S2C4T1 Fl. 2.125 7 vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, já considerando, em razão das alterações legislativas advindas da MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, dispositivo mais benéfico ao sujeito passivo, conforme muito bem demonstrado no próprio relatório fiscal em que é apresentada planilha pormenorizada de aplicação da multa. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Também não há o que se falar em cumulação da taxa SELIC com correção monetária e juros moratórios, posto que, além da multa de ofício, foram aplicados apenas os juros SELIC, conforme demonstrado nos anexos que acompanham o AI. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10660.005264/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO JUNTO A COOPERATIVA AGROPECUÁRIA.
Anteriormente à regulamentação do art. 9º da Lei nº 10.925/04, nas aquisições de insumos feitas junto à cooperativa agropecuária, o adquirente tem direito ao crédito básico da Cofins, apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/03.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido do PIS não-cumulativo, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO JUNTO A COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Anteriormente à regulamentação do art. 9º da Lei nº 10.925/04, nas aquisições de insumos feitas junto à cooperativa agropecuária, o adquirente tem direito ao crédito básico da Cofins, apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/03. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do PIS não-cumulativo, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AQUISIÇÃO JUNTO A COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Anteriormente à regulamentação do art. 9º da Lei nº 10.925/04, nas aquisições de insumos feitas junto à cooperativa agropecuária, o adquirente tem direito ao crédito básico da Cofins, apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/03. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do PIS nãocumulativo, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 52 64 /2 00 7- 14 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10660.005264/200714 Acórdão n.º 3302002.039 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa EXPRINSUL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2002, relativo ao 4º trimestre de 2005. A DRF em Varginha RS deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que as aquisições feitas junto a cooperativas geram crédito presumido e, também, que o crédito presumido não é passível de ressarcimento. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG deferiu, em parte, a solicitação da interessada, para admitir a compensação dos créditos nas aquisições de insumos efetuadas sem suspensão, nos termos do Acórdão nº 0934328, de 06/04/2011. Ciente desta decisão em 04/08/2011, a interessada ingressou, no dia 02/09/2011, com recurso voluntário, no qual alega que: 1 nas aquisições feitas junto a cooperativas tem direito a crédito básico e não a crédito presumido, postos que as compras foram realizadas sem suspensão do PIS e da Cofins e a receita da cooperativa está sujeita à incidência dessas exações. 2 não existe impedimento legal para a compensação (ou ressarcimento) de crédito presumido com débitos de tributos administrados pela RFB. 3 a IN SRF nº 660/2006 extrapolou os limites da lei que visava regulamentar (Lei nº 10.925/04). Na forma regimental, o processo foi distribuído para ser relatado. É o Relatório. Voto Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10660.005264/200714 Acórdão n.º 3302002.039 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário do contribuinte é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos básicos e presumidos de Cofins com débitos da interessada. A decisão recorrida considerou que nas aquisições feitas junto a cooperativas gera crédito presumido, não passível de ressarcimento e de compensação. Por seu turno, a empresa recorrente defende que nas aquisições de insumos feitas junto a cooperativas tem direito a crédito básico e que o crédito presumido pode ser objeto de ressarcimento e de compensação. Com razão, em parte, a recorrente. No período de interesse deste processo, 4º trimestre de 2005, a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, ainda não tinha eficácia, o que só foi acontecer em 1º de abril de 2006, em face do termos e condições fixados pela Receita Federal Brasil em conformidade com o § 2º do referido artigo. Nesse sentido, a eventual utilização do benefício por algumas cooperativas de produção, como também aconteceu com os cerealistas, nas suas vendas de café à Recorrente é indevida e não deve produzir efeitos. Nesses casos, aplicase a regra geral da nãocumulatividade: a cooperativa é obrigada ao recolhimento da Contribuição, apurandose o débito com aplicação das alíquota de 1,65%, enquanto a pessoa jurídica adquirente tem direito ao crédito apurado segundo a alíquota padrão, e não conforme os percentuais reduzidos do crédito presumido. A regra prevista no § 1º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/04, aplicase a todas as pessoas jurídicas citadas nos seus incisos, ou seja, aos cerealistas (inciso I), às pessoas jurídicas que exercem, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura (inciso II), e às pessoas jurídicas e cooperativas que exercem atividades agropecuárias (inciso III). Também a saída com suspensão, prevista no art. 9º (e regulamentado pela IN SRF nº 660/2006), aplicase aos cerealistas, às pessoas jurídicas e cooperativas agropecuárias que comercializam café. Enganase, portanto, a decisão recorrida ao concluir que as aquisições de cooperativas, por estarem citadas no inciso III, do § 1º, do art. 8º, da Lei 10.925/04, geram crédito presumido e não crédito básico. Como acima se disse, as vendas realizadas pelas cooperativas agropecuárias estão sujeitas à incidência do PIS e, diante da impossibilidade dessas vendas serem realizadas com suspensão, face a inexistência de regulamentação do art. 9º da Lei nº 10.925/04 pela RFB (fato corrido com as INs SRF nºs 636/06 e 660/06), as mesmas estão sujeitas à tributação normal e, consequentemente, o adquirente faz jus ao crédito pelas alíquotas cheias (crédito básico), podendo utilizar tais crédito para compensar débitos seus, autorizados pela legislação de regência. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10660.005264/200714 Acórdão n.º 3302002.039 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto ao suposto direito de ressarcimento de crédito presumido de PIS, adoto, como razão de decidir, o voto do Eminente Conselheiro Belchior Melo de Sousa, proferido no Processo nº 10660.000735/200536, também de interesse da recorrente, consubstanciado no Acórdão nº 380302.732, de 01/06/2011, abaixo transcrito: Invoco os dispositivos de leis que tratam do tema, arts. 2º; 3º; 5º, incs. I e III, e §§ 1º e 2º; art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004; arts. 8º, 15 e 17, inc. III, da Lei nº 10.925, de 2004, e; art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, para deles extrair duas normas jurídicas relacionadas ao litígio, com tratamentos diferenciados a depender da natureza do crédito da nãocumulatividade do PIS: i) a primeira norma, relativa aos créditos gerais previstos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, bem como aos créditos incidentes na importação a que se refere o art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que possibilita a dedução dos débitos da Contribuição, seguido, na hipótese de apuração de saldo credor, de sua compensação com valores devidos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil e, finalmente, caso ainda persista saldo credor, do seu aproveitamento mediante ressarcimento em espécie; ii) a segunda, relativa aos créditos presumidos previstos nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, que possibilita apenas o desconto ou abatimento dos débitos da Contribuição, não se admitindo, na existência de saldo credor, a compensação ou o ressarcimento. A impossibilidade de ressarcimento ou compensação do crédito presumido das agroindústrias estatuído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, constitui, por si só, óbice incontornável à pretensão da Recorrente, tal como decidiu a DRJ. O crédito presumido em tela, calculado a uma alíquota inferior à alíquota padrão de 1,65% (PIS) ou 7,6% (COFINS), é regra especial, quando comparada com a do inc. I do § 2º do art. 3º da Lei nºs 10.637, de 2002, que trata da regra geral segundo a qual não se admite crédito decorrente de aquisições a pessoa física. Portanto, diante das normas que regem a nãocumulatividade do PIS, cabe referendar o art. 8º, § 3º, da IN SRF nº 660, de 2004, bem como o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 2005, segundo o qual “O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa.” Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar que nas aquisições de insumos junto a cooperativas, no 4º trimestre de 2005, apurase crédito básico, passível de compensação via PER/DCOMP. (assinado eletronicamente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10660.005264/200714 Acórdão n.º 3302002.039 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13502.000928/2006-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O incentivo fiscal concedido pelo Poder Público mediante restituição do ICMS, lançado diretamente em conta do patrimônio líquido, e tendo como contrapartida a realização de investimentos em ativo fixo, à implantação ou expansão de empreendimento econômico com a geração de novos empregos diretos e indiretos, absorção de nova tecnologia de produto e/ou de processo, subsume-se como subvenção para investimentos e, por conseguinte, descabe a sua tributação.
Os incentivos concedidos pelo Estado da Bahia, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do financiamento de longo prazo, com descontos pela antecipação, ou do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio liquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere o art. 392 do RIR/99.
INCENTIVOS FISCAIS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. Os incentivos concedidos pelo Estado de Pernambuco, sob a égide da Lei Estadual nº 11.675/1999 (Prodepe), devem ser qualificados como subvenção para custeio e computados na determinação do lucro operacional (art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964).
Numero da decisão: 9101-001.239
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso com relação aos incentivos de Pernambuco. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. 2) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso com relação aos incentivos da Bahia. Vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal concedido pelo Poder Público mediante restituição do ICMS, lançado diretamente em conta do patrimônio líquido, e tendo como contrapartida a realização de investimentos em ativo fixo, à implantação ou expansão de empreendimento econômico com a geração de novos empregos diretos e indiretos, absorção de nova tecnologia de produto e/ou de processo, subsume-se como subvenção para investimentos e, por conseguinte, descabe a sua tributação. Os incentivos concedidos pelo Estado da Bahia, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do financiamento de longo prazo, com descontos pela antecipação, ou do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio liquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere o art. 392 do RIR/99. INCENTIVOS FISCAIS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. Os incentivos concedidos pelo Estado de Pernambuco, sob a égide da Lei Estadual nº 11.675/1999 (Prodepe), devem ser qualificados como subvenção para custeio e computados na determinação do lucro operacional (art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964).
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso com relação aos incentivos de Pernambuco. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. 2) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso com relação aos incentivos da Bahia. Vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
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REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal concedido pelo Poder Público mediante restituição do ICMS, lançado diretamente em conta do patrimônio líquido, e tendo como contrapartida a realização de investimentos em ativo fixo, à implantação ou expansão de empreendimento econômico com a geração de novos empregos diretos e indiretos, absorção de nova tecnologia de produto e/ou de processo, subsumese como subvenção para investimentos e, por conseguinte, descabe a sua tributação. Os incentivos concedidos pelo Estado da Bahia, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do financiamento de longo prazo, com descontos pela antecipação, ou do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio liquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere o art. 392 do RIR/99. INCENTIVOS FISCAIS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. Os incentivos concedidos pelo Estado de Pernambuco, sob a égide da Lei Estadual nº 11.675/1999 (Prodepe), devem ser qualificados como subvenção para custeio e computados na determinação do lucro operacional (art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964). Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso com relação aos incentivos de Pernambuco. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, João Carlos de Lima Júnior, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. 2) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso com relação aos incentivos da Bahia. Vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri – Relator (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Relator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão contida no Acórdão n°.10709.492 (Sessão de 28/03/2007), que por maioria de votos, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário de Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A., no prazo regimental ingressou com Recurso Especial alegando contrariedade à lei ou à evidência das provas. A matéria objeto do recurso referese à redução ou a concessão de crédito presumido referente ao ICMS devido aos Estados da Bahia e de Pernambuco, por força de Programas de Desenvolvimento firmados entre as unidades federadas e a contribuinte, tendo o Acórdão recorrido entendido que não seriam hipóteses de subvenção para custeio concedido pelo poder público. Nesse diapasão, não se lhes aplicaria a norma prevista no art. 392 do RIR/1999, assim como, a interpretação do Parecer Normativo CST n° 112/78 estaria equivocada. Na sua peça recursal, o Representante da Fazenda Nacional afirma que o incentivo em questão representa subvenção de custeio e, portanto, passível de incidência do IRPJ e de toda a tributação constante no lançamento fiscal, tendo havido, no Acórdão Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 3 3 recorrido, mácula ao art. 44, IV, da Lei n° 4.506/64 e ao art. 392 do RIR/1999, cuja interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n° 112/78 merece aplausos. A Presidência da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso, por atendidos os pressupostos que o autorizam. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como se viu do relatório, a controvérsia gira em torno da classificação do benefício fiscal concedido pelos Estados da Bahia e de Pernambuco, se subvenção para custeio ou para investimento. A Fazenda Nacional pretende ver restaurada a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, segundo a qual as subvenções concedidas à pessoa jurídica pelos governos dos Estados da Bahia e Pernambuco têm natureza de subvenção para custeio, e não para investimento, uma vez que "não há qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o beneficio fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico”. Essa questão tem sido freqüentemente enfrentada, antes pelo extinto Conselho de Contribuintes, agora pelo CARF, bem como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois muitos são os Estados que instituíram benefícios fiscais mediante renúncia fiscal do ICMS. Nem sempre os benefícios concedidos pelos Estados Federados podem ser caracterizados como subvenção para investimento, e a qualificação há que ser feita, necessariamente, pela análise cuidadosa da legislação que trata dos benefícios. O fato de a lei estadual que institui o benefício revelar a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público de transferir capital para a iniciativa privada, com incorporação de recursos ao seu patrimônio, ou mesmo reduzir seu passivo tributário proporcionando um aumento de capacidade operacional, é indicativo de tratarse de subvenção para investimento. Mas a certeza só pode advir à luz da legislação estadual concernente ao incentivo. Assim, de início, impõese investigar a natureza jurídica do benefício fiscal do qual a Recorrente é beneficiária, e verificar se tal benefício pode ser considerado, para fins fiscais, como subvenção para investimento, ou para custeio, conforme o entendimento da Fazenda Nacional. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 4 4 Também, de início deve ficar claro que o que está sendo tributado aqui pela fiscalização é o efetivo incentivo fiscal já auferido pela contribuinte, seja em razão do pagamento antecipado do imposto estadual – ICMS – (Bahia), e ou do crédito presumido relativamente à parcela do incremento da produção comercializada (Pernambuco), o que poderia levar ao equívoco de não se tratar de um incentivo fiscal, mas sim de um financiamento do imposto devido. Vejase o que registra o TVF sobre o incentivo concedido pelo Estado da Bahia: “ 21 Determinado o caráter da subvenção, necessária se faz a definição do momento da ocorrência do fato gerador. O incentivo é dividido em duas etapas: Inicialmente, o contribuinte apura o valor do ICMS devido e difere o pagamento do tributo, que pode ser recolhido em até 6 anos. Caso o contribuinte antecipe o pagamento, terá direito a um desconto sobre o valor financiado, incluindo principal e juros. Este desconto é variável, podendo ser de 80%, caso antecipe o pagamento em 5 anos, ou de 20%, caso antecipe em apenas 1 ano o pagamento. O fato gerador se dá no momento em que o contribuinte, ao seu critério, antecipa o pagamento e obtém o desconto correspondente. O contribuinte apresentou as contas de razão, livro de ICMS e planilha demonstrando os valores financiados, as antecipações e os descontos correspondentes. Os valores lançados foram os correspondentes aos descontos obtidos, incidentes sobre o principal e os juros.”(negritos acrescentados) E sobre o incentivo concedido pelo Estado de Pernambuco: “23 À exemplo do benefício concedido pelo estado da Bahia, esta subvenção também não vincula os valores subvencionados com a efetiva e específica aplicação destes valores na implantação ou expansão de empreendimentos econômico. O regulamento do programa prevê, inclusive, que a destinação do incentivo poderá ser para o capital de giro, conforme disposto no artigo 5° do Decreto n° 21.959/1999, transcrito abaixo: Art. 5° As empresas enquadradas nos agrupamentos industriais prioritários indicados no artigo anterior, exclusivamente nas hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimento poderão ser estimuladas mediante a concessão de crédito presumido do ICMS, que observará as seguintes características: IV quanto à destinação, investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente, podendose considerar tais definições como subvenções para investimento em relação às empresas que tenham permanecido com os benefícios financeiros concedidos nos termos das Leis n°10.649, de 25 de novembro de 1991 e n° 11.288, de 22 de dezembro de 1995, e respectivas alterações. 24 O disposto no artigo . 5° reforça ainda mais a característica de subvenção para custeio ou operação deste incentivo, uma vez que não exige a vinculação entre os recursos advindos do incentivo e a aplicação efetiva destes recursos na implantação Fl. 14DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 5 5 ou expansão de empreendimento econômico. Pelo contrário, permite a destinação do incentivo para capital de giro. Assim, o incentivo deve ser computado na determinação do lucro operacional, conforme disposto no artigo 392 do RIR/99 25 Os créditos do ICMS decorrentes do incentivo são escriturados no Livro registro de Apuração do ICMS, no campo de apuração dos saldos, sob o título de deduções, reduzindo, assim, o ICMS a recolher pela empresa. A ocorrência do fato gerador se dá no momento deste registro e redução do saldo a recolher, operando o benefício por parte da empresa, na medida do não desembolso do recurso que seria devido. O contribuinte apresentou livros do ICMS, contas razão e planilhas demonstrando os valores do crédito presumido. Os valores a serem lançados são os correspondentes ao crédito presumido obtido em cada período de apuração. (negritos acrescentados) Segundo consta dos autos, os benefícios fiscais em questão foram instituídos pelo Estado da Bahia, por intermédio da Lei Estadual n° 7.980/2001, e pelo Estado de Pernambuco, mediante Lei Estadual n° 11.675/1999. A interessada foi habilitada no programa da Bahia em 23/04/2003, pela Resolução n° 14/2003, e recebeu por transferência da empresa Água Branca Mineral Ltda. (em razão de incorporação), o direito aos benefícios concedidos pelo Estado de Pernambuco. O programa do Estado da Bahia, chamado de "Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia" — DESENVOLVE , oferece: (a) dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS por até 72 meses, incidindo encargos financeiros sobre a parcela financiada calculadas pela taxa de juros de longo prazo e, (b) caso o contribuinte antecipe o pagamento da parcela devedora, terá direito a desconto de até 90% sobre a parcela do ICMS, com prazo dilatado e dos encargos financeiros. Em seu art. 3º, a Lei nº 7.980/2001, do Estado da Bahia, estabelece: Art. 3° Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. (...) Art. 4° O Poder Executivo constituirá o Conselho Deliberativo do DESENVOLVE, vinculado à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração, que examinará e aprovará os projetos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios. § 1° O deferimento do pedido de enquadramento ao Programa deverá observar a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim o cumprimento de todas as suas exigências. (...) Fl. 15DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 6 6 § 3° A Secretaria Executiva do DESENVOLVE acompanhará a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até a completa implantação do projeto base do Programa Ou seja, a finalidade do programa é incentivar a instalação de novos empreendimentos industriais ou agroindustriais e a expansão, reativação ou modernização de empreendimentos industriais ou agroindustriais já instalados. Dos Incentivos: • Desoneração do imposto estadual (ICMS) na aquisição de bens destinados ao ativo fixo nas seguintes hipóteses, conforme regra do Decreto: • Nas operações de importação de bens do exterior; • Nas operações internas relativas às aquisições de bens produzidos neste Estado; • Nas aquisições de bens em outro estado, relativamente ao diferencial de alíquotas; • Diferimento na aquisição interna de insumos, conforme regra do Decreto; • Dilação de prazo de 72 meses para o pagamento de 90%, 80% ou 70% do saldo devedor mensal do imposto estadual (ICMS), relativo às operações próprias, gerado em razão dos investimentos constantes do projeto a ser aprovado pelo Conselho Deliberativo; • Conforme o percentual dilatado, deverá ser feito o pagamento de 10%, 20% ou 30% do valor do ICMS apurado no prazo normal. A liquidação antecipada da parcela do imposto cujo prazo tenha sido dilatado ensejará desconto de 90% ou 80%, resultando num benefício final; • Sobre a parcela dilatada quando paga no prazo de fruição incidirão encargos financeiros correspondentes a um percentual no mínimo de 50% da taxa anual de juros de longo prazo (TJLP) capitalizada anualmente; • A dilação do imposto dos empreendimentos já instalados incidirá o valor que exceder ao piso correspondente à média mensal dos saldos devedores de ICMS apurados em até 24 meses anteriores ao do pedido de incentivo, atualizada pela variação acumulada do IGPM; • O empreendimento que investir na substituição de, no mínimo, 75% da planta de produção, com utilização de maquinários e equipamentos novos, será equiparado a novo empreendimento, não se aplicando o piso. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 7 7 Exemplo: Para um empreendimento enquadrado na Classe I, 10% do imposto devido será pago no prazo normal e caso antecipe em 5 anos o pagamento do saldo devedor mensal do ICMS postergado terá um desconto de 90%, resultando em um pagamento de mais 9%, totalizando 19%. O enquadramento em uma das classes resulta da ponderação objetiva dos seguintes critérios legais: Ramo de Atividade, Integração da Cadeia Produtiva, Geração de Emprego, Desconcentração Espacial, Desenvolvimento Tecnológico, Impacto Ambiental e Responsabilidade Social. Por sua vez, a concessão de benefícios concedidos pelo Estado de Pernambuco foi formalizada pelo Decreto nº 24.044, a seguir reproduzido: DECRETO N° 24.044, DE 22 DE FEVEREIRO DE 2002 “Dispõe sobre a fruição de estimulo previsto na Lei n.° 11.675, de 11 de outubro de 1999. (...) CONSIDERANDO a Resolução n.° 07/2001, de 21 de dezembro de 2001, do Conselho Estadual de Política Industrial, Comercial e de Serviços CONDIC, que aprovou o Parecer n° 155/2001, DECRETA: Art.1° Fica concedido à empresa ASA BRANCA MINERAL LTDA. (SHINCARIOL), estabelecida na Rua Padre Mosca de Carvalho, s/n° Rancho Dhália Paulista PE, CNPJ n°03.095.118/000139, CACEPE n° 18.1.170.02594086, o estímulo de que trata o art. 5° da Lei n° 11.675, de 11 de outubro de 1999. Art. 2° A concessão do estímulo previsto no artigo anterior fica condicionada à observância das seguintes características: I natureza do projeto: implantação de nova linha de produção; II enquadramento: agrupamento industrial prioritário; III bens produzidos: cervejas e chopps NCM/SH 2203.00.00; refrigerantes NCM/SH 2202.00.00, e água mineral gaseificada NCM/SH 2201.10.00; (...)” Fl. 17DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 8 8 Por seu turno, a Lei nº 11.675/99, fundamento legal do benefício, dispõe: Art. 1º O Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE, com a finalidade de atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista de Pernambuco, mediante a concessão de incentivos fiscais e financeiros, passa a vigorar nos termos previstos na presente Lei. § 1º A concessão dos incentivos fiscais e financeiros às empresas interessadas será diferenciada em função dos seguintes aspectos: I natureza da atividade; II especificação dos produtos fabricados e comercializados; III localização geográfica do empreendimento; IV prioridade e relevância das atividades econômicas, relativamente ao desenvolvimento do Estado de Pernambuco. § 2º A concessão dos incentivos fiscais e financeiros será autorizada por decreto do Poder Executivo, após prévia habilitação dos interessados, observadas as condições e requisitos estabelecidos nesta Lei e nos demais atos regulamentares destinados à sua execução. (...) Art. 4º Consideramse prioritários ao desenvolvimento de Pernambuco, os agrupamentos industriais estruturados em cadeias produtivas formados por empresas localizadas no Estado. § 1º Para os efeitos deste artigo, serão classificados como prioritários os agrupamentos industriais das seguintes cadeias produtivas: I agroindústria, exceto a sucroalcooleira e de moagem de trigo; II metalmecânica e de material de transporte; III eletroeletrônica; IV farmoquímica; V bebidas; VI – minerais nãometálicos, exceto cimento e cerâmica vermelha. § 2º Fica facultado ao Poder Executivo, mediante decreto, incluir novos agrupamentos industriais estruturados em cadeias produtivas na relação definida no parágrafo anterior, desde que sua importância seja previamente demonstrada em estudo Fl. 18DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 9 9 econômico específico e apreciada pelo Comitê Diretor do PRODEPE. Art. 5º As empresas enquadradas nos agrupamentos industriais prioritários indicados no artigo anterior, exclusivamente nas hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos, poderão ser estimuladas mediante a concessão de crédito presumido do ICMS, que observará as seguintes características: I quanto aos produtos sujeitos ao incentivo, exclusivamente aqueles inerentes ao agrupamento industrial e desde que relacionados em decreto do Poder Executivo, observada a respectiva caracterização na cadeia produtiva; II quanto ao montante a ser utilizado, o valor equivalente ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto, de responsabilidade direta do contribuinte, apurado em cada período fiscal, relativamente à parcela do incremento da produção comercializada; III quanto ao prazo de fruição, 12 (doze) anos, contados a partir do mês subseqüente ao da publicação do decreto concessivo; IV quanto à destinação, investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente. (inciso IV criado pela Lei N° 11.937, de 04.01.2001) (...) Art. 14. Para fins de habilitação do empreendimento, as empresas industriais deverão observar, ainda, conforme a hipótese: I relativamente à ampliação, será exigido aumento mínimo, prévio à fruição, de 20% (vinte por cento) da capacidade instalada; II relativamente à revitalização, o empreendimento deverá estar paralisado por, no mínimo, 12 (doze) meses ininterruptos, imediatamente à data da protocolização do projeto na AD DIPER; III os projetos não poderão provocar redução do ICMS devido e arrecadado pela empresa pleiteante, em decorrência de diversificação na linha de fabricação ou no programa de produção de mercadorias nãoincentivadas. Parágrafo único. Na hipótese do inciso II do caput, poderá também habilitarse ao PRODEPE empresa industrial com sede ou filial em Pernambuco que, a partir da data do encaminhamento do pleito à ADDIPER, apresente, com dados retrospectivos para os 12 (doze) meses imediatamente anteriores, declínio de, pelo menos, 60% (sessenta por cento) no índice de utilização de capacidade instalada de produção, Fl. 19DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 10 10 observadas as condições previstas em decreto do Poder Executivo. (...) Como visto acima, os incentivos instituídos pelo Estado de Pernambuco compreendem a: (a) concessão de crédito presumido do ICMS, no percentual de 75% do imposto, de responsabilidade direta do contribuinte, apurado em cada período fiscal, relativamente à parcela do incremento da produção comercializada, (b) a concessão de crédito presumido de 5% do valor total das saídas interestaduais que destinem os produtos às demais regiões geográficas do país, ficando o beneficio limitado ao valor do frete, e (c) prazo de fruição de 12 (doze) anos, contados a partir do mês fixado no decreto concessivo. Por sua vez, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, cuja decisão a Fazenda Nacional quer ver prevalecer, nega o caráter de subvenção para investimento ao benefício, ao argumento de inexistência de qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o beneficio fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico, conforme interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n° 112/78. Com a devida vênia ao entendimento acima esposado, entendo que não há como interpretar restritivamente a expressão “subvenção para investimento” na efetiva e especifica aplicação pelo beneficiário em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos, conforme entendimento expresso no PN CST n. 112, de 1978. De fato, ensina a propedêutica do direito administrativo que, mais que as palavras utilizadas pelo legislador, o que deve ser levado em consideração é o fim para a qual a norma foi editada, e no caso ora tratado resulta claro que a finalidade dos incentivos concedidos a Recorrente não foi no sentido de auxiliála nas suas despesas, mas sim na expansão de seu empreendimento econômico. De se notar que de acordo com o disposto no §2º. do art. 38 do DL 1.598/77, a norma somente se refere à “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos” para identificar a subvenção, ainda que sob a forma de isenção ou redução de impostos, e não como requisito de toda e qualquer subvenção para investimento. Isto significa dizer que pode haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos: basta que a intenção do doador seja transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital. Como se viu acima, as normas estaduais que criaram os benefícios, tiveram objetivo claro e específico de fomentar e atrair investimentos para promover o desenvolvimento de suas economias. No caso da lei bahiana, inclusive, há previsão expressa para o acompanhamento da evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até a completa implantação do projeto base do Programa. Portanto, a inexistência de mecanismo de vinculação direta entre os valores obtidos com o beneficio fiscal e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico não descaracteriza a renúncia fiscal dos Estados como subvenção para investimento. A aplicação darseá, ainda que Fl. 20DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 11 11 indiretamente, desde que os valores sejam mantidos em reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. Presente a intenção do Estado em transferir capital para a iniciativa privada, com o intuito de promover o desenvolvimento, bem como a incorporação dos recursos no patrimônio da empresa, que os aplicará, necessariamente, no seu negócio (pois que vedada a distribuição), os incentivos se configuram como genuína subvenção para investimentos. Em face do exposto, manifestome por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Voto Vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator Designado. Em que pesem as bem fundadas razões de decidir do eminente Relator, ouso dele divergir, com a devida vênia e respeito, apenas em relação às conclusões a que chegou quanto à caracterização de subvenção para investimento dos benefícios fiscais do Prodepe, concedidos à Recorrida pelo Estado de Pernambuco. Conforme consignou em seu voto, “não há como interpretar restritivamente a expressão “subvenção para investimento” na efetiva e especifica aplicação pelo beneficiário em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos, conforme entendimento expresso no PN CST n. 112, de 1978. No entendimento assentado pelo i. Relator, “pode haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos: basta que a intenção do doador seja transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital.” Acrescentou ainda que, conforme o disposto no § 2º do art. 38 do Decreto Lei nº 1.598/77, a norma somente se refere à “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos” para identificar a subvenção, ainda que sob a forma de isenção ou redução de impostos, e não como requisito de toda e qualquer subvenção para investimento.” Com a devida vênia, entendo que tais assertivas não estão plenamente de acordo com o direito aplicável. Vejamos as razões. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 12 12 Com bem assinalado no voto do i. Relator, para serem caracterizados como subvenção para investimento, os benefícios fiscais, devem ser submetidos a cuidadoso exame jurídico do ato concessivo e das respectivas disposições regulamentares. O fato da lei que institui o benefício revelar a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público de transferir capital para a iniciativa privada, é apenas indicativo de tratarse de subvenção para investimento, pois sua correta qualificação, inequivocamente, depende dos requisitos e exigências estipuladas para a fruição do benefício, cujas características permitem assegurar o efetivo cumprimento dos objetivos da norma concessiva. Assim, verificar se tal benefício pode ser considerado, para fins fiscais, como subvenção para investimento, ou para custeio, implica investigar a natureza jurídica do benefício, com destaque para os pontos da lei concessiva que estabelecem os critérios quantitativos e qualitativos, bem como os requisitos e mecanismos que assegurem a efetiva “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, tal como preconizado pelo DecretoLei nº 1.598/77. Pois bem, no caso do Prodepe, a subvenção governamental está prevista na Lei Estadual nº 11.675, de 1999, que foi regulamentada pelo Decreto nº 21.959, de 1999. O art. 1º da Lei, cujos excertos principais foram acima transcritos, dispõe sobre as características do benefício fiscal. Ao apreciar seus elementos caracterizadores, firmei convicção no sentido de que, a despeito da intenção governamental em conceder o incentivo com “a finalidade de atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista de Pernambuco”, efetivamente não foi assegurada a destinação dos recursos na “implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos”. Conforme entendimento que já manifestei neste Colegiado, é condição legal para que as subvenções sejam qualificadas como de “investimento”, além da manifestação do ente subvencionador dispondo que os recursos devem ser aplicados na implantação ou expansão de empreendimento, que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, conforme os critérios quantitativos e qualitativos fixados no ato concessivo. Se a norma que institui o benefício estabelece determinadas exigências documentais, mas não fixa de modo taxativo tais critérios, os requisitos estipulados para fruição do benefício passam a representar mera formalidade, que se descumprida por parte do beneficiário, não acarreta nenhum tipo de sanção. In casu, o benefício concedido pelo Estado de Pernambuco não obriga a destinação dos valores subvencionados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Como se verifica pelo teor ato concessivo, o auxílio obtido por meio de crédito presumido do ICMS evidencia uma redução do desembolso financeiro, podendo ser utilizado pela empresa na forma que lhe for mais conveniente. Neste mesmo sentido, observase pela análise do atos regulamentares, que existem algumas exigências, porém nenhuma delas fixa a destinação do valor correspondente à subvenção ou o montante equivalente, na aplicação específica do projeto apresentado para habilitação no programa. Assim, não vislumbro respaldo jurídico para enquadrar tal benefício como subvenção para investimento, cujos requisitos devem estar prescritos na lei concessiva e estritamente observados pelo contribuinte. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13502.000928/200689 Acórdão n.º 910101.239 CSRFT1 Fl. 13 13 Ademais, conforme o disposto na própria lei instituidora do programa, a sociedade beneficiária pode, ao pleitear sua habilitação, optar em destinar os recursos para investimento fixo ou capital de giro, verbis: “Art. 5º As empresas enquadradas nos agrupamentos industriais prioritários indicados no artigo anterior, exclusivamente nas hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos, poderão ser estimuladas mediante a concessão de crédito presumido do ICMS, que observará as seguintes características: (...) IV quanto à destinação, investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente.” Diante de tal faculdade, me parece que, apesar das exigências regulamentares fixadas para a concessão do benefício à Recorrida, não há um efetivo mecanismo de fiscalização e controle que possibilite o ente subvencionador assegurar que a parcela correspondente à renúncia fiscal, ou seu equivalente, tenha sido destinada à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Seria de se admitir que tal direcionamento se desse em momento não coincidente com a utilização do crédito presumido decorrente do incentivo, porém, nem isso foi possível aferir com base nos elementos caracterizadores do benefício do Prodepe. Assim, ante a inexistência destes elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, é forçoso reconhecer que o benefício fiscal, caracterizado pela redução do valor a ser arrecadado pelo contribuinte, não pode ser qualificado como subvenção para investimento, mas para custeio, devendo seus valores serem computados na determinação do lucro operacional, conforme o art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964, na forma determinada pela autoridade fiscal nos presentes autos. Por tais fundamentos, renovando o pedido de máxima vênia ao i. Relator, manifestome no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência relativa ao benefício fiscal concedido no âmbito do Prodepe. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator Designado. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 2/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 18/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000317/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: IRRF. FONTE SITUADA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. As pessoas físicas que declaram rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior podem deduzir do imposto apurado o imposto cobrado pelo país de origem dos rendimentos, até o limite correspondente à diferença entre o imposto calculado com a inclusão destes rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos, em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, e desde que o imposto não tenham sido por este restituído ou compensado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.664
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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FONTE SITUADA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. As pessoas físicas que declaram rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior podem deduzir do imposto apurado o imposto cobrado pelo país de origem dos rendimentos, até o limite correspondente à diferença entre o imposto calculado com a inclusão destes rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos, em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, e desde que o imposto não tenham sido por este restituído ou compensado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Relatório DAMIAN OBIGLIO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ CAMPO GRANDE/MS (fls. 64) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 04/10, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 10.769,01, que acrescido de multa de ofício e de juros de mora e do imposto apurado na declaração, perfaz um crédito tributário total de R$ 29.167,99. A infração que ensejou o lançamento foi a compensação indevida de imposto pago a título de carnêleão. Segundo a autoridade fiscal, foi declarado o valor de R$ 11.199,75, porém só foi identificado o pagamento de R$ 430,73, tendo sido glosada a diferença. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o valor informado na declaração como carnêleão referese a imposto a pagar constante da declaração (R$ 1.703,80) e a imposto pago no exterior (R$ 10.769,00). A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente em parte o lançamento para reconhecer o pagamento do imposto declarado, no valor de R$ 1.703,80. Manteve a glosa do valor de 10.769,01. O fundamento para a manutenção parcial da glosa foi o de que o Contriubinte não comprovou que o CUIT 201341754878, que identifica o contribuinte na Argentina, corresponde ao mesmo contribuinte com o CPF no Brasil. Também não teria sido comprovado que o imposto pago na argentina não fora restituído. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/05/2011 (fls. 70v) e, em 09/06/2001, interpôs o recurso voluintário de fls. 72/76, que ora se examina, e no qual reafirma que o valor de R$ 10.769,01 corresponde a imposto pago na Argentina sobre rendimentos de alugueis. Sobre a afirmação de que o CUIT não correspnde ao CPF brasileiro, apresenta extrato do sítio do Governo Argentino na internet que demonstra essa correspondência. E sobre a afirmação de que o imposto não foi restituído, observa que na sua declaração de encerramento do domicílio na Argentina não consta a compensação de imposto, restando saldo em favor do Fisco Argentino. É o relatório. Voto Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.000317/200702 Acórdão n.º 220101.664 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, resta em discussão em sede de recurso voluntário apenas a glosa de valor declarado como imposto pago e que se refere a pagamento de imposto feito no exterior, na Argentina. A DRJ considerou insuficientes os elementos apresentados pelo Contribuinte paga comprovar o pagamento do imposto no exterior, sobretudo observou que os documentos que mostram o pagamento de imposto na Argentina não identificam, de forma inequívoca, o Contribuinte como sendo a pessoa tributada. Pois bem, com o Recurso Voluntário o Contribuinte apresenta novos elementos. Passo, pois, a examinálos. Às fls. 78/82 o Contribuinte apresenta vários documentos que demonstram, de forma inequívoca, que o número 20134175878, correspondente ao CUIT Clave Única de Identificación Tributária, equivalente argentino do CPF brasileiro, tem como titular o ora Recorrente. O mesmo número aparece em vários documentos, inclusive o passaporte do Recorrente e pode ser conferido no sítio do governo argentino na internet (www.afip.gob.ar/formularios). Portanto, a ressalva feita pela decisão de primeira instância não subsiste. Quanto à questão levantada sobre a falta de comprovação de que o imposto não foi restituído ou compensado na Argentina, o Contribuinte apresenta cópia de declaração juramentada (declaración jurada), apresentada perante o Fisco Argentino quando da saída do País, em fevereiro de 2002, na qual se informa ter havido “retenciones e percep.” no valor de 61.905,53 pesos e não consta informação sobre restituição ou compensação de imposto, e que indica, inclusive, saldo de imposto a pagar a favor do fisco argentino (fls. 80). Este documento é suficiente para demonstrar que não houve a compensação do imposto. Sobre o direito à compensação de imposto pago no exterior, a matéria está disciplinada no artigo 103 do RIR/99, a saber: Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei n 4.862, de 1965, art. 52, e Lei n2 5.172, de 1966, art. 98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. § l2 A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 §20 imposto pago no exterior será convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei n2 9.250, de 1995, art. 62) E quanto à existência de tratado de reciprocidade entre Brasil e Argentina, a decisão de primeira instância já verificou que existe tratado e foi promulgado, no Brasil, pelo Decreto nº 87.976, publicado no DOU de 23/12/1982. Nessas condições, penso que assiste razão ao Recorrente. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.000317/200702 Acórdão n.º 220101.664 S2C2T1 Fl. 3 5 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11080.000317/200702 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.664. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720093/2011-29
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-001.129
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 624 1 623 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.720093/201129 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.129 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente J&C INDUSTRIA E COMERCIO DE ETIQUETAS ADESIVAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.720093/201129 Acórdão n.º 180101.129 S1TE01 Fl. 625 2 I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 256265, com a exigência do crédito tributário no valor de R$61.634,41, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa proporcional, referente ao ano calendário de 2006, apurado pelo regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 228237, os ilícitos tributários foram apurados a partir de valores creditados na conta corrente derivados dos extratos bancários apresentados por instituição financeira, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 09, 16 e 106. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas não escrituradas apurada mediante o confronto entre os valores informados nas Guias de Apuração e Informação de ICMS (GIA) entregues pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo e aqueles constantes no Livro de Registro de Saídas, fls. 154166, no Livro Razão, fls. 167176 e na Declaração Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2006, fls. 210227; Item 2 – Omissão de receitas devido à apuração do saldo credor de caixa em comparação com as informações constantes informados nas Guias de Apuração e Informação de ICMS (GIA), fls. 142153; Item 3 Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados na contacorrente nº 39.5005 da agência nº 1253 do Banco Bradesco S/A, na contacorrente nº 487492 da agência nº 0228 do Banco Itaú S/A e na contacorrente nº 000600025202 da agência nº 094301 do Banco Sudameris S/A, fls. 09141, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores em comparação com as informações constantes informados nas Guias de Apuração e Informação de ICMS (GIA), fls. 142153; Item 4 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2006, fls. 210227. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188, art. 199 e 281 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 266276 com a exigência do crédito tributário no valor de R$45.186,92 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.720093/201129 Acórdão n.º 180101.129 S1TE01 Fl. 626 3 alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 277287 a exigência do crédito tributário no valor de R$64.077,46 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 288298 com a exigência do crédito tributário no valor de R$189.187,33 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 299309 com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.293,20 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 3º, art. 34, art. 35, art. 122 e art. 127 do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados constante no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002), bem como §2º do art. 2º, alínea “e” do § 1º do art. 3º, § 2º do art. 5º e § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. VI O Auto de Infração às fls. 310320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$540.129,48 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 29.01.2011, fl. 322, a Recorrente apresentou a impugnação em 28.02.2011, fls. 325352, com as alegações a seguir resumidas. Argui que as exigências do PIS e da Cofins são indevidas, uma vez que têm fundamento o § 1° do art. 3° da Lei 9.718, de 1998, dispositivo este declarado inconstitucional em controle concentrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Suscita que também está eivado de vício de inconstitucionalidade utilização dos valores constantes em depósitos bancários para apuração de omissão de receitas. Entende que estas quantias creditadas em contas mantidas em instituições financeiras, por si sós, não representam valores tributáveis, tampouco podem ser consideradas faturamento ou lucro, nem sinais exteriores de riqueza. Defende a tese de que constituem meros indícios que não prescindem da efetiva comprovação documental do nexo de causalidade. Diz que é ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, cuja interpretação também pode ser extensiva para as notas fiscais de Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.720093/201129 Acórdão n.º 180101.129 S1TE01 Fl. 627 4 entradas e saídas, consoante o teor da Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR). Aduz que houve violação ao direito de sigilo bancário, pois a prestação de informação acerca das operações financeiras sem ordem judicial ofende a intimidade e a vida privada das pessoas(inciso X do artigo 5° da Constituição Federal). Procura demonstrar que os Autos de Infração são nulos, uma vez que são carecedores de cumprimento dos requisitos legais. Indica que as descrições dos fatos e os enquadramentos legais são falhos, de modo a prejudicar o seu direito à ampla defesa. Enfatiza que não há que se falar em infração à legislação tributária, pois todos os documentos e livros exigidos pelas autoridades fiscais foram devidamente apresentados pela Recorrente. Esclarece que estes documentos atendem os requisitos legais e contêm informações verídicas e claras, o que demonstra a sua lisura e boafé no cumprimento das obrigações tributárias. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui pleiteando o cancelamento dos Autos de Infração, tendo em vista a nulidade dos atos e a consequente inexigibilidade dos créditos tributários constituídos. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.158, de 16.12.2011, fls. 518535: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE LEIS E/OU DISPOSITIVOS LEGAIS. DESCABIMENTO DE APRECIAÇÃO. Descabe a apreciação, pela instância administrativa, de alegações no sentido da inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de Leis e/ou dispositivos legais, competência essa atribuída, de maneira exclusiva, ao Poder Judiciário. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.720093/201129 Acórdão n.º 180101.129 S1TE01 Fl. 628 5 As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias, e não havendo contestação quanto a elas pela impugnante, importa na manutenção das exigências correspondentes, em consonância com o que preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA. A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Verificada a omissão de receita, aplicase os percentuais legalmente previstos sobre a receita bruta mensal auferida para a determinações dos impostos e contribuições devidos. SIMPLES. AUTOS DE INFRAÇÃO. DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A caracterização da ocorrência de omissão de receita que repercuta em diferença na apuração da base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições tributados pela sistemática do SIMPLES, nos termos da legislação de regência, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para fins de constituição dos créditos tributários correspondentes. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DE FATURAMENTOS INFORMADOS AOS FISCOS ESTADUAL E FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a exigência, fundamentada em divergências apuradas entre os valores relativos aos faturamentos mensais, informados aos fiscos estadual e federal, quando estes se apresentam em valores inferiores àqueles, caracterizando a ocorrência de omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. A apuração de saldo credor de caixa, quando não afastada por meio de provas sólidas, denota a existência de receitas omitidas em montante equivalente. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.720093/201129 Acórdão n.º 180101.129 S1TE01 Fl. 629 6 Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. Notificada em 27.01.2012, fl. 542, a Recorrente apresentou o recurso voluntário datado de 13.04.2012, fls. 556587. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória. Conclui Dessa forma, não só pelo conhecimento das preliminares arguidas, como também ao mérito dessa defesa administrativa, notamos, quanto ao direito em si, principalmente no lançamento de oficio bem como também na aplicação de multa, que ambos carecem de fundamentação legal, ao que se impõe a exclusão dos valores referentes as irregularidades apontadas, notadamente os lançamentos de oficio e os considerados a títulos de multa, posto que foram impostas de forma automática, quando a sua imposição reclama a atividade administrativa da dosimetria da falta; por outro lado, não restou configurada a efetiva inadimplência da empresa Recorrente na apresentação dos documentos exigidos, que só ocorre nos casos de dívida liquida, certa e exigível, o que não aconteceu no presente caso, ficando patente a violação constitucional aos direitos da impugnante, restando nulo de pleno direito o presente auto de infração.[...] Ex positis, reafirmando os termos anteriores, requerse que, diante do recebimento, do presente RECURSO ADMINISTRATIVO, V.Sas., seja dado total provimento ao fim de determinar o cancelamento dos auto de infração acima aludido ante a patente nulidade deste e a inexigibilidade dos débitos que consigna. Termos em que, pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.720093/201129 Acórdão n.º 180101.129 S1TE01 Fl. 630 7 Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 27.01.2012, fl. 542, e apresentou o recurso voluntário datado de 13.04.2012, fls. 556587. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 630DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11030.000425/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica enquadramento nas hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 JUROS DE MORA. SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic. (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 1202-000.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, não conhecer do recurso quanto aos tributos e multa de ofício lançados e, quanto aos juros de mora, negar provimento ao recurso voluntário. (
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica enquadramento nas hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 JUROS DE MORA. SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic. (Súmula CARF nº 4)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica enquadramento nas hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004, 2005, 2006 JUROS DE MORA. SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic. (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, não conhecer do recurso quanto aos tributos e multa de ofício lançados e, quanto aos juros de mora, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 271 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 272 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que negou provimento à impugnação, mantendo integralmente os Autos de Infração lavrados para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, no montante total de R$2.231.448,36 (fls. 0327). De acordo com a descrição dos fatos contida nos autos de infração, foram autuadas as seguintes infrações: I IRPJ. Glosa de prejuízos compensados indevidamente, por não ter sido observado o limite de compensação de 30% do lucro líquido, em 31/12/2004, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação vigente. (Enquadramento legal: arts. 247, 250, III, 251, Parágrafo único, e 510 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). II IRPJ. Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago Foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, em 2005 e 2006, conforme consta no Livro Razão e das DCTFs. (Enquadramento Legal: arts. 247 e 841 do RIR/99.) III CSLL. Compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, pois não foi observado o limite de compensação de 30% do lucro líquido, em 31/12/2004, ajustado pelas adições e exclusões previstas pela legislação vigente. (Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988; art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995; art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002.) IV CSLL. Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, decorrente da divergência entre os valores informados na DCTF e escriturados no Livro Razão, nos anoscalendário de 2005 e 2006. (Enquadramento legal: art. 77, III, do DL nº 5.844, de 1943; art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966; art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996 e art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002.) Os valores lançados foram acrescidos da multa de ofício com o percentual de 75% e dos juros de mora. (Enquadramento legal da multa: arts. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996; dos juros de mora art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996.) Na impugnação, o contribuinte alegou, basicamente, questões de ordem constitucional para, ao final, pedir, in verbis: 3. DOS REQUERIMENTOS Preliminarmente, requer, em função da não comprovação pelo Fisco da ocorrência do fato impunível, que o auto de infração seja declarado nulo. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 273 4 Na hipótese de ser superada a preliminar, requer no mérito, que: seja expungida do auto de infração a pretensão concomitante, o “IRPF” e a CSLL, sob pena de estarse permitindo a dupla tributação de um mesmo fato gerador; seja expungida a multa punitiva aplicada, pois não ocorreu infração a qualquer dispositivo legal e, também, pelo fato da autuada ter sempre agido de boafé. Se entendido de modo diverso, que sejam as multas aplicadas com o “percentual de 150%” reduzidas para 75%, pois como está nos autos evidencia confisco; se mantido o auto de infração, os juros e a correção monetária devem incidir somente a partir de 1º de janeiro de 2006, excluindose a incidência destes, das competências referentes aos anos de 2000 a 2005; Por último, a defesa requer a exclusão da taxa SELIC, sob pena de afronta e negativa de vigência ao que dispõem os arts. 161, § 1º e 167 do CTN, e os arts. 5º caput, 150 e 192, § 3º, da CF/88. É o relatório. A 1ª Turma da DRJ/Santa Maria rechaçou os argumentos do contribuinte, decidindo nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA DE OFICIO Estando presentes os pressupostos legais para sua aplicação, não cabe à autoridade julgadora declarar indevida a sua exigência. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 274 5 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Cientificado da decisão em 30/09/2009 (fl. 223), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao Carf, em 27/10/2009 (fls.227 e ss), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação. Sustenta, ainda, que o órgão julgador não deve se abster de analisar a matéria constitucional, tendo em vista que a obediência ao disposto na Constituição Federal de 1988 é uma de suas principais atribuições. Requer o enfrentamento de todas as questões constitucionais apontadas no recurso, sob pena de afronta e negativa de vigência ao art. 37, caput da Constituição Federal de 1988. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 275 6 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente aduz que a autoridade fiscal não fez prova da real existência do débito exigido, por não indicar a origem das informações que possibilitaram a lavratura do auto de infração. Examinando os autos, não se verifica qualquer dos motivos de nulidade indicados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A alegação de cerceamento do direito de defesa resta afastada quando se constata que consta da Descrição dos Fatos (fls. 05 e 20) a informação de que os valores tributáveis foram obtidos no Livro de Apuração do Lucro Real, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – (DIPJ), no livro Razão e nas DCTFs. MÉRITO Inicialmente, cumpre referir que não está incluído na função de julgamento na esfera administrativa a manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Nesse sentido foi aprovada a Súmula CARF nº 2, que reza: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em razão disso, não serão apreciadas as alegações referentes a eventual violação à ordem constitucional. 1. IRPJ e CSLL A recorrente insurgese contra as exigências do IRPJ e da CSLL, afirmando que não poderiam decorrer do mesmo fato gerador – lucro – incidindo em dupla tributação. Por se limitarem a conflitos constitucionais, suas alegações não podem ser conhecidas, nos termos da Súmula Carf nº 2. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 276 7 2. Da multa de oficio A recorrente pede o afastamento da multa punitiva aplicada, pois não teria ocorrido infração a qualquer dispositivo legal e, também, por ter sempre agido de boafé. Cabe observar que a referência à redução para 75% das multas aplicadas com o “percentual de 150%” por evidenciar confisco, como alega a recorrente, deve ser desconsiderada, pois não houve agravamento de penalidade nos autos. As infrações verificadas pela fiscalização têm natureza objetiva, independente de boafé ou qualquer outro caráter subjetivo. A legislação infringida foi descrita com precisão nos autos de infração. A fiscalização constatou, na apuração do lucro real de 2004, a inobservância do limite de 30% do lucro líquido na compensação de prejuízos fiscais, em clara afronta ao art. 510 do RIR/99. Também se verificou, em 2004, a compensação indevida da base de cálculo negativa de períodos anteriores, na apuração da Contribuição Social do Lucro Líquido – CSLL, ferindo as regras dos art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995. Além disso, houve falta de declaração em DCTF dos valores do IRPJ e da CSLL apurados nos 4 (quatro) trimestres de 2005 e 2006. No recurso voluntário, assim como na impugnação, a recorrente abandonou os fatos para questionar o direito, não contestando qualquer das infrações descritas nos autos de infração, tendo optado por argumentar contra a legislação vigente, o que não pode ser acatado na esfera administrativa, como se viu. Da mesma forma, não devem ser conhecidos os argumentos da recorrente quanto ao caráter confiscatório da multa, pois o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, mais uma vez, o teor da Súmula CARF nº 2. 3. Dos juros de mora Sobre os juros de mora devidos à taxa Selic não assiste razão à recorrente, bastando referir a Súmula CARF nº 4, abaixo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à alegada limitação dos juros de mora a 12% a.a. (1% ao mês), nos termos do § 3º do art. 192 da Carta de 1988, vale lembrar que o referido dispositivo, sem nunca ter sido regulamentado, acabou por ser revogado pela Emenda Constitucional nº 40, de 2003. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11030.000425/200762 Acórdão n.º 1202000.764 S1C2T2 Fl. 277 8 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, não conhecer do recurso quanto aos tributos e multa de ofício lançados e, quanto aos juros de mora, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 16643.000032/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
AÇÕES EM TESOURARIA. VENDA. SIMULAÇÃO.
Constatada a simulação nas vendas de ações de emissão da própria pessoa jurídica, mantidas em tesouraria, é cabível a tributação do ganho de capital auferido na alienação.
MULTA QUALIFICADA.
Constatado o dolo na prática de fraude e conluio nos atos societários, de forma a criar de forma indevida, consciente e deliberada uma hipótese de exclusão do lucro real, é cabível qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO HOMINIS.
As denominadas presunções hominis podem, sob certas circunstâncias, servir de suporte para tributação, mas devem estar acompanhadas de elementos subsidiários que confiram alto juízo de probabilidade à infração tributária.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1302-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para afastar tão somente o lançamento relativo a omissão de receitas no valor de R$500.000,00 baixado do saldo de contas correntes com a Aerosystem e manter o lançamento relativo ao ganho de capital na venda de ações em tesouraria; b) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a multa qualificada no que tange ao ganho de capital na venda de ações em tesouraria. Vencidos os conselheiros Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri, que davam provimento para desqualificar a multa de ofício no percentual de 150%, reduzindo-a para 75%.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 AÇÕES EM TESOURARIA. VENDA. SIMULAÇÃO. Constatada a simulação nas vendas de ações de emissão da própria pessoa jurídica, mantidas em tesouraria, é cabível a tributação do ganho de capital auferido na alienação. MULTA QUALIFICADA. Constatado o dolo na prática de fraude e conluio nos atos societários, de forma a criar de forma indevida, consciente e deliberada uma hipótese de exclusão do lucro real, é cabível qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO HOMINIS. As denominadas presunções hominis podem, sob certas circunstâncias, servir de suporte para tributação, mas devem estar acompanhadas de elementos subsidiários que confiram alto juízo de probabilidade à infração tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
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VENDA. SIMULAÇÃO. Constatada a simulação nas vendas de ações de emissão da própria pessoa jurídica, mantidas em tesouraria, é cabível a tributação do ganho de capital auferido na alienação. MULTA QUALIFICADA. Constatado o dolo na prática de fraude e conluio nos atos societários, de forma a criar de forma indevida, consciente e deliberada uma hipótese de exclusão do lucro real, é cabível qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO HOMINIS. As denominadas presunções hominis podem, sob certas circunstâncias, servir de suporte para tributação, mas devem estar acompanhadas de elementos subsidiários que confiram alto juízo de probabilidade à infração tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para afastar tão somente o lançamento relativo a omissão de receitas no valor de R$500.000,00 baixado do saldo de contas correntes com a Aerosystem e manter o lançamento relativo ao ganho de capital na venda de ações em tesouraria; b) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a multa qualificada no que tange ao ganho de capital na venda de ações em tesouraria. Vencidos os conselheiros Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 32 /2 01 0- 60 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 469 2 Frizzo e Guilherme Pollastri, que davam provimento para desqualificar a multa de ofício no percentual de 150%, reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 470 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/SP1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedentes os lançamentos, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A impugnação demonstra perfeita compreensão das infrações imputadas. Preliminar indeferida. CAPITULAÇÃO LEGAL. A eventual falha na capitulação legal não causa nulidade se a descrição do fato não impediu a ampla defesa. Preliminar indeferida. DESCRIÇÃO DO FATO. A descrição de operações societárias de planejamento tributário são, via de regra, de complexa compreensão. Preliminar indeferida. PRESUNÇÃO. A utilização de presunção não é tema de preliminar. Preliminar indeferida. SIMULAÇÃO. A acusação de simulação não é tema de preliminar. Preliminar indeferida. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência é desnecessária. Preliminar indeferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 VENDA DE AÇÕES EM TESOURARIA. GANHO DE CAPITAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 471 4 A falta de propósito negocial demonstra que as operações societárias visavam apenas a alienação de ações sem pagamento de imposto sobre o ganho de capital, de forma que a simulação está configurada e o lançamento deve ser mantido. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Não comprovada a origem do contacorrente de passivo, é de manterse o lançamento. AUTO REFLEXO. CSLL. PIS. COFINS. O decidido no mérito do IRPJ repercute no auto reflexo. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: O interessado foi autuado no IRPJ e reflexos, em 18/03/2010, em razão de (I) não tributação de ganho de capital de R$ 134.440.713,00 que foi disfarçado em venda de suas próprias ações mantidas em Tesouraria, à AEROSYSTEM, com multa de 150%, e de (II) omissão de receita de R$ 500.000,00 caracterizada pela quitação dessa parte do preço da venda de ações de sua própria emissão à AEROSYSTEM S/A, quitação esta efetuada em contacorrente de passivo do interessado com a AEROSYSTEM que alegadamente seria proveniente do recebimento integral, pelo interessado, do valor da venda da Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A efetuada pela AEROSYSTEM, em 2004, venda esta não declarada, assim como não há créditos com pessoas jurídicas ligadas declarados nas DIPJ’s da AEROSYSTEM, com multa de 75%, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 134.266.300,46, incluindo imposto, contribuições, multas e juros de mora calculados até 26/02/2010 (fls. 1 a 310). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 296 a 310, revela que: “(...) O procedimento ... relativo à TAM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A., (... fiscalizado ou TEP) ... abrangendo ... (IRPJ) ... anoscalendário de 2004 a 2007. (...) E da análise dos documentos recebidos, bem como das respostas fornecidas, concluímos que: TRIBUTAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL, QUE FORAM DISFARÇADOS EM AÇÕES EM TESOURARIA (art. 442 RIR/99 concede não tributação de ganho na venda destas ações) 2 Dos atos sociais 2.1Ata de reunião de cotistas realizada em 06/01/2004 formalização do ingresso, por sucessão do Comandante Rolim Adolfo Amaro, dos sócios Noemy Almeida Oliveira Amaro, Maria Claudia Oliveira Amaro Demenato, Mauricio Rolim Amaro, Marcos Adolfo Tadeu Senamo Amaro, que receberam quotas de capital. (fls 51 a 55). Fl. 473DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 472 5 2.2 Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30/03/2004 aumento de capital social mediante a subscrição de novas ações, pelo preço total de subscrição de R$ 2.738.303,00 e Redução de capital social para absorção dos prejuízos acumulados em exercícios anteriores, no valor de R$ 160.000.240,00. Alteração de Ltda, para S/A com reversão de quotas para ações ordinárias nominativas, sem valor nominal. (fls 56 a 59) (fls 17 a 19) CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO LUCROS/PREJ ACUMULADOS DÉBITO CRÉDITO 160.000.240,00 160.000.240,00 ADTO FUTURO AUM CAPITAL CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO DÉBITO CRÉDITO 2.738.303,00 2.738.303,00 2.3 AGE em 15/04/2005 foi aprovada a aquisição, pela Sociedade, de 16.081.424 ações ordinárias de sua própria emissão, para manutenção em tesouraria, ficando a Diretoria autorizada a praticar os atos para formalização da aquisição referida. (fls 17 a 19 e 60) AÇÕES ORDINÁRIAS MANTIDAS EM TESOURARIA DÉBITO 6.915.012,00 AÇÕES A PAGAR AOS ACIONISTAS CRÉDITO 6.915.012,00 2.4 AGE EM 20/04/2005 foi aprovada a alienação de 12.865.140 ações ordinárias de emissão própria mantidas em tesouraria (80% do total adquirido conforme item anterior). (fls 17 a 19, 28 e 61) AEROSYSTEM S/A DÉBITO 139.972.723,20 GANHO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES CRÉDITO 134.440.713,00 AÇÕES ORDINÁRIAS MANTIDAS EM TESOURARIA CREDITO 5.532.010,20 O valor de alienação das ações da TEP foi determinado com base no valor de mercado (bolsa de valores) das ações da TAM S/A (CNPJ = 01.832.635, tendo em vista que este é o seu principal ativo). A quitação do preço pela Aerosystem se deu conforme segue (fl 26): BAIXA DE SALDO EM CONTAS CORRENTES C/ A TEP 20/04/2005 500.000,00 QUITAÇÃO PARCIAL DA DÍVIDA EM VIRTUDE DA CISÃO PARCIAL DA TEP 15/05/2005 10.637.897,00 QUITAÇÃO PARCIAL ATRAVÉS DO DEBITO EM C/C BANCO PACTUAL 20/06/2005 67.134.397,37 QUITAÇÃO PARCIAL ATRAVÉS DO DEBITO EM C/C BANCO PACTUAL 23/06/2005 3.200.638,30 QUITAÇÃO PARCIAL ATRAVÉS DO DEBITO EM C/C BANCO PACTUAL 01/09/2005 814.000,00 QUITAÇÃO PARCIAL ATRAVÉS DO DEBITO EM C/C BANCO PACTUAL 23/03/2006 20.318.495,64 SOMA 102.605.428,31 VALOR DA VENDA 139.972.723,20 SALDO 37.367.294,89 Quanto ao valor de R$ 500.000,00 (fl 26) tido como quitação por meio de contas correntes, o contribuinte respondeu que: "tem sua origem em uma venda de ações do capital da Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A, ocorrida em 2004 e cujo valor foi recebido integralmente pela TEP" A partir desta informação verificamos as declarações de imposto de renda da Aerosystem, que primeiramente em 2003 apresentava apenas o controle da empresa Transamérica Línea Aérea S/A, localizada no Paraguai, possuindo 9,93% do capital total que valia conforme ficha 45A Ativo Balanço Patrimonial o valor de R$ 4.177.882,48 e apresentava um deságio de R$ 2.365.475,00, totalizando a conta de investimento em R$ 1.812.407,48, que na seqüência informa se referir ao custo inicial das ações ordinárias nominativas da TAM S/A detidas pela Aerosystem (fl 165 a 235). Fl. 474DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 473 6 Na declaração de 2004, onde cita que houve a venda da empresa Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A (que não aparece em nenhuma declaração como sendo investimento da Aerosystem) na ficha 6 correspondente a resultados de ganhos não operacionais (onde se situa vendas de ativos e investimentos) não há valores, assim como não há valores em créditos com pessoas jurídicas ligadas nas fichas do ativo. 2.5 AGE em 10/05/2005 foi aprovada a reforma do Estatuto Social para adequálo ao disposto no regulamento nível 2, nos exatos termos do prospecto fornecido pela companhia, estabelecendo o limite máximo de diluição de 2% da participação da Sociedade em função de eventual plano de opção de compra de ações que venha a ser aprovado no futuro, além do desdobramento da totalidade de ações de forma que os detentores de cada ação passarão a deter 2 ações da mesma espécie e classe. (fls 62/63). 2.6 AGE de 12/05/05 Deliberação de proposta de cisão parcial da sociedade, com a incorporação pela AEROSYSTEM S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES (CNPJ 63.904.585/000194), da parcela do patrimônio liquido cindido, conforme protocolo de Justificação e cisão parcial e incorporação. (fls. 64 a 70). Em função da cisão, também é aprovada a redução de capital no valor de R$ 65.120,00 equivalente a 12.865.140 ações da sociedade de titularidade da AEROSYSTEM S/A, passando o capital a ser de R$ 748.880,00 dividido em 147.949.100 ações ordinárias nominativas. O protocolo de justificação registra que a cisão tinha como objetivo atender aos interesses dos sócios de ambas as empresas (lembrar que os sócios são os mesmos), para segregar e transferir da cindida para a incorporadora parcela do patrimônio liquido representada pelos ativos descritos no laudo de avaliação, a fim de preparar uma estrutura societária segregada daquela que mantém o controle acionário da TAM S/A, com vistas a possíveis alternativas estratégicas. (fls 80/84). Pelo Laudo de Avaliação a parcela cindida é de R$ 23.998.457,00, correspondendo a 3.500.240 ações preferenciais nominativas de emissão da TAM S/A de titularidade da TEP ... no valor estimado de R$ 13.360.560,00 e crédito detido contra a incorporadora no valor de R$ 10.637.897,00, constante da conta a receber do balanço especial da cindida de 30/04/05, totalizando R$ 23.998.457,00. (fls 85/87). CAPITAL SUBSCRITO DÉBITO 65.120,00 LUCROS/PREJUÍZOS ACUMULADOS DÉBITO 5.529.305,28 GANHO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES DÉBITO 10.755.257,04 REAVALIAÇÃO (EP) TAM S/A DÉBITO 7.759.414,82 INVESTIMENTO TAM S/A CRÉDITO 13.360.560,00 AÇÕES ORDINÁRIAS MANTIDAS EM TESOURARIA CRÉDITO 110.640,14 AEROSYSTEM CRÉDITO 10.637.897,00 Ainda, em 2005, foram apontados resultados não operacionais na DIPJ da Aerosystem, cuja informação foi assim apresentada: 17/06/05 RECEITA COM VENDA DE AÇÕES DA TAM S/A 76.622.220,00 18/07/05 RECEITA COM VENDA DE AÕES DA TAM S/A 714.700,80 77.336.920,80 17/06/05 BAIXA DO CUSTO REF VENDA AÕES DA TAM S/A 81.627.277,35 18/07/05 BAIXA DO CUSTO REF VENDA AÕES DA TAM S/A 765.231,37 82.392.508,72 (=) PREJUÍZO APURADO NA VENDA DE AÇÕES DA TAM S/A A TERCEIROS 5.055.587,92 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 474 7 2.7 AGO e AGE de 13/06/05 aprovou a participação da Companhia nos instrumentos relacionados com a distribuição pública primária e secundária de ações de emissão de sua controlada TAM S/A (cnpj 01.832.635/000118) (distribuição particular de contrato de distribuição de ações preferênciais da TAM S/A, ''Placement facilitation agreement", ''lockup agreement" e instrumentos de adesão às práticas diferenciadas de governança corporativa nível 2 da Bolsa de Valores de São Paulo, na qualidade de acionista da TAM S/A). (fl 71) 2.8AGE de 20/06/05 deliberouse distribuir aos sócios a totalidade dos resultados decorrentes da alienação de ações de emissão da Companhia à AEROSYSTYEM, ocorrida em 20/04/05, à conta de antecipação de resultados não operacionais, na proporção das participações acionárias. (fl.72). CONTAS A RECEBER AEROSYSTEM DÉBITO 67.134.397,37 CONTAS A PAGAR A ACIONISTAS CRÉDITO 6.337.608,50 ADIANTAMENTO A ACIONISTAS CRÉDITO 60.796.788,87 Registramos que o valor de R$ 67.134.397,73 recebido pelos acionistas foi exatamente parte do valor pago pela Aerosystem na aquisição de ações da TEP, cujo principal e único ativo era ações da TAM S/A (vide item 2.4 deste relatório); 2.9 AGE DE 01/11/05 Aumento de capital social, mediante o aproveitamento de parte da reserva de capital, sem emissão de novas ações, no valor de R$ 115.985.700,00 e redução do capital social em R$ 7.296.942,00, mediante o cancelamento de 9.248.125 ações, com versão parcial do patrimônio da Companhia aos sócios, na proporção de suas participações. (fls 73/75). O capital social passou para R$ 116.734.580 {dividido em 147.949.100 ações) e após redução passou para R$ 109.437.638 (dividido em 138.700.975 ações) RESERVA DE GANHO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES DÉBITO 115.985.700,00 CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO CRÉDITO 115.985.700,00 CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO DÉBITO 7.296.942,00 CUSTO NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTOS DÉBITO 1.267.186,26 INVESTIMENTO NA TAM S/A CRÉDITO 8.564.128,26 2.10 AGE de 09/03/06 deliberouse pela aprovação da participação em instrumentos relacionados com a distribuição pública primária e secundária de ações da controlada TAM S/A (''Lockup agreement"). (fls 76/7). 2.11 AGE DE 29/06/07 aprovou a distribuição aos acionistas de R$ 56.766.949,48 a titulo de dividendos, R$ 8.821.340,40 a titulo de juros sobre o capital próprio (relativo a 2006) destinando o saldo à reserva de lucros a realizar e incorporação da Aerosystem. (fls 78/9) 2.12 INSTRUMENTO JUSTIFICAÇÃO E PROTOCOLO DE CISÃO PARCIAL DA TEP DE 27/07/07 E AGE DE 31/07/07 (fls 80/84 e 88/89) Com a saída da sociedade do Sr. Marcos Adolfo Tadeu Senamo Amaro, 15,300636% foi cindida e assumida pela AMARO & AVIATION PARTICIPAÇÕES (CNPJ 08.720.707/000184) , nos seguintes valores conforme laudo: (fls 85/87) Disponibilidades 24.158,55 IR a compensar 298.229,19 Investimento TAM S/A referente a 9.133.912 ações ordinárias e 13.434.200 ações preferenciais 125.831.156,30 Ágio ações TAM S/A 5.256.722,26 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 475 8 Total do PL a cindir 131.410.266,32 Em face da cisão o capital da TEP é reduzido em R$ 21.999.525,90, mediante o cancelamento de 21.554.146 ações pertencentes a Marcos A T S Rolim, passando o capital de R$ 143.781.769,60 para R$ 121.782.243,70, dividido em 122.533.049 ações. 20/07/07 CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO DÉBITO 21.999.525,90 20/07/07 RESERVA DE GANHOS AÇÕES TESOURA DÉBITO 1.178.111,60 20/07/07 REAVALIAÇÃO DE ATIVOS DÉBITO 11.666.489,90 20/07/07 RESERVA LEGAL DÉBITO 3.156.736,83 20/07/07 LUCROS/PREJUÍZOS ACUMULADOS DÉBITO 88.906.678,87 20/07/07 RESULTADO DO EXERCÍCIO DÉBITO 4.502.723,22 20/07/07 BANCOS CONTA MOVIMENTO CRÉDITO 24.158,56 20/07/07IMPOSTOS A COMPENSAR CRÉDITO 298.229,20 20/07/07 INVESTIMENTOS CRÉDITO 131.087.878,56 31/07/07 BANCOS CONTA MOVIMENTO DÉBITO 16.513,86 31/07/07 IMPOSTOS A COMPENSAR DÉBITO 218,56 31/07/07 INVESTIMENTOS DÉBITO 2.906.447,59 31/07/07 REAVALIAÇÃO TAM S/A DÉBITO 387.863,06 31/07/07 LUCROS/PREJUÍZOS ACUMULADOS CRÉDITO 387.863,06 31/07/07 RESULTADO DO EXERCÍCIO CRÉDITO 2.923.180,01 Afirmam que em junho de 2007, uma vez deliberado pelos acionistas que as razões estratégicas que justificavam a manutenção da Aerosystem deixaram de existir, decidiuse por sua incorporação total, razão porque os saldos de todas as contas foram vertidas para a incorporadora. IMPOSTOS A COMPENSAR DÉBITO 299.609,30 ADTO DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DÉBITO 2.420.026,38 INVESTIMENTOS DÉBITO 70.236.931,43 MARCAS E PATENTES DÉBITO 188,34 BANCOS CONTA MOVIMENTO DÉBITO 864.870,84 APLICAÇÕES FINANCEIRAS DÉBITO 845.844,88 OBRIGAÇÕES FISCAIS CRÉDITO 61.176,82 OBRIGAÇÕES FISCAIS CRÉDITO 2.789,52 CONTAS A PAGAR CRÉDITO 472.029,47 DIVIDENDOS A PAGAR CRÉDITO 2.420.026,38 AEROSYSTEM CRÉDITO 22,49 AEROSYSTEM CRÉDITO 37.367.294,89 CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO CRÉDITO 34.344.131,60 No que se refere ao saldo da conta de investimento na TAM S/A as movimentações foram as seguintes: EVENTO VALOR PATR ÁGIO SALDO INICIAL 1.812.407,48 (+) PELA CISÃO TEP 13.360.560,00 115.974.268,20 () BAIXA POR VENDAS DAS AÇÕES A TERCEIROS 9.425.515,98 81.618.035,54 (+) EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL 30.133.247,27 SALDOS FINAIS 35.880.698,77 34.356.232,66 Soma 70.236.931,43 Informam que o valor de R$ 134.440.713,00 antes referido é o saldo da conta de reserva de capital formada pela TEP e o valor de R$ 10.755.257,04 corresponde ao percentual do patrimônio líquido cindido sobre o valor desta Fl. 477DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 476 9 reserva de capital que foi transferida para a incorporadora da parcela cindida juntamente com as demais contas que compuseram aquela parcela. Informam que o valor de R$ 30.133.247,27, tido no quadro anterior como equivalência patrimonial, que é diferente do valor apontado como equivalência patrimonial registrado na DIPJ 2008 anocalendário de 2007 (R$ 1.385.227,11) mostrando diferença de R$ 28.748.020,16 corresponde aos resultados de equivalência patrimonial de 2005 e 2006. Para certificar estas informações montamos quadro de dados extraídos das Declarações de Imposto de Renda da Aerosystem, conforme segue: CR PJ LIGADA AC EQUIV INVEST ÁGIO/ DESÁGIO SALDO INVESTIDA % TOTAL ATIVO PASSIVO 2003 2004 2005 2006 2006 SOMA 29/06/2007 0,00 0,00 15.327.622,77 20.603.057,94 3.451.887,57 17.151.170,37 1.385.227,11 4.177.882,48 1.812.407,48 22.270.650,61 34.495.471,66 35.880.698,77 2.365.475,00 44.804.959,76 34.356.232,66 34.356.232,66 1.812.407,48 1.812.407,48 67.075.610,37 0,00 0,00 68.851.704,32 70.236.931,43 PARAGUAI TAM S/A TAM S/A S/ REG 9,93% 1,24% 2,93% S/ REG 0,00 0,00 57.699.295,89 37.829.141,00 37.829.163,49 Deste quadro é possível constatar que: A Em momento algum é citada a empresa que alegam ter vendido B O valor de R$ 1.812.407,48 que era o saldo de 2003 da conta de investimento deságio na empresa do Paraguai, se transforma em investimento na TAM S/A C Nunca foi registrado valor no ativo de crédito com pessoas jurídicas ligadas, pois se a TEP recebeu valor que não era seu deveria registrar no seu passivo tal valor e como correspondência a Aerosystem deveria registrar no ativo o mesmo valor (referencia aos R$ 500.000,00, com que a Aerosystem pagou a TEP pela aquisição de ações em tesouraria). D Informa que a equivalência lançada de R$ 33.133.247,27 referese aos resultados dos anoscalendário de 2005 e 2006, todavia foi registrado, conforme quadro, valores neste anoscalendário (vide fichas 6 e 9 das DIPJs) Informam que a "Aero.rystem adquiriu 12.865.140 ações de emissão da TEP por R$ 139.972.723,30. Posteriormente, a TEP foi cindida parcialmente e a parcela do patrimônio liquido cindida foi vertida para a Aerosystem. Tal parcela de patrimônio liquido da TEP vertida tinha seguinte composição"; Contas a receber Aerosystem 10.637 897,00 Investimento Tam S/A ações PN 13.360.560,00 Soma 23.998.457,00 “Tendo em vista o necessário desdobramento do custo de aquisição das ações da TAM S/A, conforme exigido pelo art. 385 do RIR/99, o referido investimento restou assim registrado na Aerosystem”: Valor equivalente ao patrimônio liquido 13.360.560,00 Valor do ágio apurado 115.974.268,20 Total da conta de investimentos 129.334.828,20 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 477 10 "Como se pode verificar, a diferença de R$ 10.637.897,00, corresponde a um dos ativos que compôs a parcela do patrimônio liquido cindido, correspondente a parte do contas a receber que a TEP tinha para com a Aerosystem" Observo que do valor da venda R$ 139.972.723,30, excluído R$ 5.532.010,20 que é o valor do investimento, reproduz saldo de R$ 134.612.163,30 como ágio e não o registrado de R$ 115.974.268,20, porque os R$ 10.637.897,00 é valor que a TEP devia receber da Aerosystem e que foi diminuído do ágio, sem uma explicação clara e adequada, ou seja, a Aerosystem adquiriu ações da TEP pagando com valor que ela devia a própria TEP, via cisão. 3 CONCLUSÃO Recapitulando, temos resumidamente as seguintes movimentações societárias: data descrição quant ações valores tempo decorrido 15/04/2005 20/04/2005 12/05/2005 17/06/2005 01/11/2005 29/06/2007 compra de ações próprias venda de ações a Aerosystem cisão com incorporação pela Aerosystem Aerosystem vende ações a terceiros aumento de capital com ganhos na alienação incorporação pela TEP da Aerosystem 16.081.424 12.865.140 6.915.012,00 139.972.723,20 77.336.920,80 115.985.700,00 0 5 dias após 22 dias após 36 dias após 137 dias após 240 dias após Antes de entrar no mérito desta conclusão é imprescindível a indicação dos sócios, tanto da TEP como da Aerosystem e TAM S/A, durante o período em pauta: TEP 2004 13/06/2005 31/12/2005 2006 31/07/2007 31/12/2007 João Francisco Amaro Maria Cláudia Amaro Maurício Rolim Amaro Marcos Adolfo T S Amaro Noemy A Oliveira Amaro SOMA 8,35% 15,27% 15,27% 15,28% 45,83% 100,00% 8,35% 15,27% 15,27% 15,28% 45,83% 100,00% 8,00% 37,00% 37,00% 15,00% 1,00% 98,00% 8,00% 37,00% 37,00% 15,00% 1,00% 98,00% 8,00% 37,00% 37,00% 15,00% 1,00% 98,00% 9,68% 43,64% 43,64% 3,04% 100,00% INVESTIMENTO NA TAM S/A 71,30% 71,98% 55,88% 52,17% 52,17% 46,20% AEROSYSTEM 29/06/2007 João Francisco Amaro Maria Cláudia Amaro Maurício Rolim Amaro Marcos Adolfo T S Amaro Noemy A Oliveira Amaro SOMA 0,02% 16,66% 16,66% 16,66% 50,00% 100,00% 0,02% 16,66% 16,66% 16,66% 50,00% 100,00% 0,00% 0,02% 16,66% 16,66% 16,66% 50,00% 100,00% INVESTIMENTO NA TAM S/A 1,24% 2,93% SOMA DO INVESTIMENTO NA TAM S/A 72,54% 58,81% TAM S/A 2004 2005 2006 2007 AEROSYSTEM TOTAL AEROSYSTEM VOTANTE BRASIL PRIVATE BRASIL EQUITY LATIN AMERICA LATIN AMERICA TEP TOTAL TEP VOTANTE OUTROS PEQUENOS JP MORGAN AMARO & AVIATION CIA. BRASILEIRA DE LIQ CUSTÓDIA TOTAL TOTAL 1,24% 2,53% 16,82% 3,63% 4,34% 1,10% 71,30% 97,27% 1,57% 98,43% 2,82% 12,22% 2,64% 3,16% 55,08% 24,08% 100,00% 1,01% 48,52% 50,19% 99,72% 1,27% 44,82% 24,96% 21,22% 7,73% 100,00% Assim, fica possível verificar que a verdadeira intenção do contribuinte era de vender determinada quantidade de ações a terceiros, e para tanto fez uso Fl. 479DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 478 11 de pretensas ações em tesouraria e o uso da empresa Aerosystem como passagem transitória da efetiva negociação. A Aerosystem conforme pode ser evidenciado nas DIPJ’s, nunca teve recursos para bancar esta compra, pertencia aos mesmos sócios da TEP, observandose que não houve aumento de capital, não houve recursos oriundos de lucros e tampouco originados de empréstimos e fundamentalmente que os valores com que honrou a quitação da aquisição das pretensas ações em tesouraria foram com repasses dos valores recebidos pela vendas destas mesmas ações a terceiros (vide extratos bancários da Aerosystem). O real motivo para execução deste planejamento, ou seja, aquisição de ações para tesouraria apenas 5 dias depois vender 80% destas ações para empresa pertencente aos mesmos sócios, seguida de cisão parcial da TEP com incorporação pela Aerosystem, venda a terceiros das ações da TAM S/A em breve lapso de tempo da aquisição/cisão, aumento de capital com a reserva de capital fruto do ágio "pago" pela Aerosystem e finalmente incorporação da Aerosystem pela TEP, voltando ao "status quo", com liquidação da aquisição pela Aerosystem junto a TEP com valores, principalmente, repassados pelos terceiros adquirentes das ações da TAM S/A (fls. 29 a 31 extrato bancário da Aerosystem), tinha como objetivo fugir da tributação do ganho de capital aproveitandose desta não tributação via art. 442 do RIR/99, que determina: Contribuições de Subscritores de Valores Mobiliários Art. 442. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38): I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II ......................... III ......................... IV lucro na venda de ações em tesouraria. Parágrafo único. O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 1º). Assim entendido, não havia outra necessidade ou outra obrigação que impusesse à fiscalizada o tratamento como ações em tesouraria, pois devido ao pequeno lapso de tempo, não é normal que uma empresa deste porte tenha tomado decisões desta natureza, ou seja, tratase de uma atitude planejada para obter ganho de capital sem qualquer tributação. Na alienação de investimento sujeito a avaliação pelo método de equivalência patrimonial para determinação do ganho de capital, o valor contábil a ser tomado como custo é a soma algébrica das parcelas representadas pelo valor do patrimônio liquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte, pelo ágio ou deságio na aquisição do investimento e pela provisão de perda que tiver sido computada na determinação do lucro real. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 479 12 O parágrafo anterior remete ao art. 426 do RIR/99 que trata exatamente da determinação do ganho e perda de capital na alienação e liquidação de investimento em controlada ou coligada avaliado pelo patrimônio liquido (art. 384). Isto posto, tributase como ganho de capital o valor de R$ 134.440.713,00. OMISSÃO DE RECEITAS VALOR DE GANHO DE VENDA DE AÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO REAL. Como demonstrado a Aerosystem quitou parcialmente a aquisição de ações da TEP com o chamado contas correntes entre ambas empresas, segundo informação do contribuinte com R$ 500.000,00 referente a suposta venda de ações da empresa Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A. Registrese que não há, em nenhuma declaração de Imposto de renda, menção deste investimento. Ocorre que como foi constatado, não foi oferecido nenhum resultado nas declarações de imposto de renda da Aerosystem durante o período indicado e tampouco nos outros períodos. Também, não há registro de qualquer valor no ativo da Aerosystem como no passivo da TEP que apontasse o registro deste valor. Assim, tributamos o valor de R$ 500.000,00 no anocalendário de 2005 por ausência da indicação do registro deste valor pela origem informada pelo contribuinte, ou seja, ganho de capital na venda de ativos (no caso, ações de empresa). São juntados ao processo, cópia dos balancetes (fls 92 a 112), cópia dos livros Lalur (fls 113 a 119), cópia das Declarações de Imposto de Renda tanto da fiscalizada (fls 120 a 164) como da empresa peão Aerosystem (fls 165 a 235), além das movimentações ocorridas em equivalência patrimonial por força de alteração de percentuais de participações (fls. 18 a 19, 28, 39 a 50). Por força do entendimento que a ação foi simulada, foi efetuada ... representação fiscal para fins penais, processo n° 16.643.000033/201012.” Os extratos dos sistemas da RFB constam às fls. 248 a 262. Os formulários FAPLI e FACS e demonstrativos de compensação constam às fls. 264 a 271. Os Autos de Infração constam às fls. 272 a 295. O interessado apresentou impugnação, em 13/04/2010 (fls. 313 a 333), por meio de seus advogados (fls. 333 a 343), acompanhada de contrato de compra e venda de ações (fls. 344 a 346), alegando, em resumo, que: PRELIMINARES. 1 quanto ao ganho de capital, há nulidade, por cerceamento do direito de defesa, pois: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 480 13 a) nenhum dos dispositivos legais mencionados trata de apuração de ganho de capital disfarçado, mas contêm apenas as regras de apuração do IRPJ e da CSLL; b) a descrição é contraditória, visto que no auto de infração a irregularidade seria “falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação de investimento" mas, no TVF, o ganho na alienação de ações em tesouraria (que não é tributado por força do disposto no art. 442, IV, do RIR/99), teria sido “contabilizado", de forma que há confusão de conceitos e conclusões; c) essa situação impede o exercício da ampla defesa, visto que há mera presunção, sem base legal ou factual; 2 em homenagem ao princípio da eventualidade, a defesa se dará como se a falta fosse o "disfarce" referido às fls. 2 e 13 do TVF; 3 o TVF permite concluir que há a presunção humana de que a operação de venda de ações em tesouraria foi planejada para proporcionar ganho de capital sem tributação, não havendo indicação da disposição legal pertinente; não se alegue que o parágrafo único do art. 116 do CTN autoriza esse entendimento, visto que falta a necessária lei ordinária para poder desconsiderar atos ou negócios jurídicos; assim, é a opinião do fiscal que embasa o lançamento, pois a mera descrição das operações realizadas não comprova a existência do alegado disfarce; 4 por isso, houve descumprimento do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72; 5 mesmo que o auto de infração não seja nulo pelos motivos anteriores, ao presumir a existência de um “disfarce”, ou, como dito em outra passagem do TVF, “fugir da tributação do ganho de capital”, o fiscal conclui que houve “simulação" de atos destinada a produzir menor carga tributária; a simulação, definida no § 1° do art. 167 do Código Civil, traz como conseqüência, segundo o "caput", a nulidade do negócio jurídico simulado, com subsistência do que se dissimulou, se válido for na substância e na forma; 6 ora, o valor do pretenso ganho de capital referese ao valor do lucro na venda de parte das ações de sua emissão, que estavam em tesouraria; se tal operação foi simulada, deve ser considerada nula, nulidade a ser pronunciada pelo Juiz (§ único do Art. 168 do CC); o que subsistiria para fins do lançamento tributário seria a operação que se buscou simular (sic); 7 mas em nenhum momento o agente fiscal identificou o negócio que se teria buscado simular (no seu dizer, disfarçar), preferindo apenas desconsiderar o inciso IV do art. 442 do RIR/99, que determina a não tributação de referido ganho, desde que contabilizado como reserva de capital (o que foi feito, como atesta o fiscal); 8 a não observância dos artigos 167 e 168 do Código Civil, pelo fiscal, causa a nulidade do auto de infração; 9 ademais, a alienação de ações em tesouraria não se equipara a alienação de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, como referido pelo fiscal, pois as ações de emissão da própria Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 481 14 sociedade que estão em seu poder não se sujeitam a avaliação com base no patrimônio líquido, sendo inaplicáveis, portanto, as normas dos artigos 418 e 426 do RIR/99, relacionadas no auto de infração como infringidas; 10 quanto à omissão de receita, há nulidade por erro de sujeito passivo, em razão de o fiscal atribuir à impugnante a obrigação de registrar o resultado na alienação de ações da Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A que eram de titularidade da AEROSYSTEM, conforme doc. 4; 11 a descrição do fato comprova a nulidade do lançamento, visto que apoiado em informação fornecida pelo contribuinte quanto à origem dos recursos utilizados para o pagamento de obrigação originada de outras operações; a despeito disso, resolveu o fiscal que o valor assim utilizado corresponderia a uma receita da impugnante não registrada, utilizando, mais uma vez, presunção não autorizada por lei; a resposta ao Termo de Intimação Fiscal n.º 3 foi de que R$ 500.000,00, constante de uma contacorrente com a AEROSYSTEM (esta, como credora), referiase a uma venda de ações de emissão da Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A, de titularidade da AEROSYSTEM e cujo resultado, como não poderia deixar de ser, foi registrado na contabilidade da mencionada AEROSYSTEM, que não estava sujeita aos trabalhos da fiscalização; a par disso, o fiscal não pediu informações ou documentos que comprovassem o alegado, especialmente porque, como dito, tal resultado foi tributado na empresa titular das ações vendidas, como se pode verificar pela cópia do contrato de compra e venda de ações (doc. 4); 12 além disto, por se tratar de investimento em coligada, sua contabilização na investidora se deu em conta de ativo permanente, e quando de sua alienação, o resultado auferido constituiuse em resultado não operacional, não sujeito à incidência das contribuições para o PIS e COFINS, nos termos do inciso IV do § 2° do art. 3° da Lei n. 9.718/98, reprisado nas Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, que instituiu o regime não cumulativo para as referidas contribuições; MÉRITO. 13 quanto ao ganho de capital, é certo que o lançamento não pode originarse da desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados na forma da lei, sob o argumento de que tais atos ou negócios "escondem" a intenção, manifesta ou não, de reduzir tributo incidente sobre operação a ser realizada no futuro (planejamento tributário), pois o § único do art. 116 do CTN ("norma antielisão") exige uma ainda inexistente lei ordinária para regrar os procedimentos de desconsideração de atos ou negócios jurídicos; 14 vez que, repitase, o auto de infração lavrado não contém dispositivo legal que o fundamente, constatase que após longa e confusa descrição de fatos e negócios jurídicos realizados, o fiscal concluiu que a operação em tela teria sido realizada com o objetivo de "fugir da tributação do ganho de capital aproveitandose desta não tributação via art. 442 do RIR/99 ... " (parte final do último parágrafo da fl.12 do TVF); Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 482 15 15 ainda que se aceite como regular a desconsideração do negócio jurídico realizado, levada a efeito pelo fiscal, razão não lhe assiste, posto que nada há de simulado, nem de dissimulado, nos negócios em questão, como se verá a seguir: “41. De fato, e como historiado no relatório fiscal, a IMPUGNANTE adquiriu de seus acionistas um lote de ações de sua própria emissão, correspondente a 10% (dez por cento) do capital social, com o objetivo de criar um mecanismo de remuneração aos seus acionistas, porquanto, desde 2001, em face de prejuízos acumulados no período, a empresa não distribuía lucros. Ao mesmo tempo, e também como noticiado no relatório referido, as ações de emissão da IMPUGNANTE, antes um sociedade limitada, foram distribuídas aos acionistas que constam do quadro societário, com exceção do Sr. João Francisco Amaro, pela partilha dos bens deixados pelo Comandante Rolim, falecido em junho de 2001. Entretanto, um dos acionistas, o Sr. Marcos Adolfo S. Amaro, cuja condição era de herdeiro somente do falecido Rolim, demonstrou interesse em não mais participar da sociedade com seus meioirmãos, com a viúva Dna. Noemy, e o irmão do Comandante Rolim, o Sr. João Francisco Amaro (vide quadro de participação acionária constante da fl. 11 do relatório). 42. Iniciadas as tratativas para a referida saída, a primeira alternativa vislumbrada foi a segregação de uma parte das ações do controle da TAM S/A, companhia aberta com ações negociadas em bolsa de valores, para uma outra sociedade que, ao final, pudesse ser transferida para o acionista retirante. Para tanto, a empresa escolhida foi a Aerosystem S/A Empreendimentos e Participações, porque que já possuía uma pequena participação na TAM S/A e era uma holding, sem outros ativos ou obrigações, desde que tinha transferido as ações que possuía da TAM Transportes Aéreos Mercosur S/A, com sede em Assunção no Paraguai, para a TAM S/A. Ainda em fase de negociação e sem definição final do montante da participação a ser entregue ao acionista minoritário retirante, tendo em conta outros bens possuídos em conjunto com os demais herdeiros, decidiuse transferir para a Aerosystem o equivalente a 80% (oitenta por cento) das ações de emissão da IMPUGNANTE que se encontravam em tesouraria e que corresponderiam a 3.500.240 ações preferenciais da TAM S/A. Por se tratar de empresa ligada e em atendimento às disposições contidas no art. 464, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, que caracteriza como distribuição disfarçada de lucros a alienação de bem do ativo realizada pela pessoa jurídica a pessoa ligada, por valor notoriamente inferior ao de mercado, adotouse como preço deste negócio o valor de mercado (de bolsa do dia) do ativo principal da IMPUGNANTE, a saber, as ações da TAM S/A. 43. Afora esta negociação, que se encontrava em curso entre acionistas, o grupo controlador da TAM S/A vinha sendo assediado para realizar uma fusão da empresa aérea brasileira com outra empresa aérea estrangeira, destinada a criar uma grande empresa aérea na América Latina, além de se encontrar em estudo uma possível aquisição ou fusão com a então Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 483 16 concorrente Varig. Todas estas alternativas em estudo naquela ocasião passavam por esquemas societários que preservassem o controle acionário na mão da família Amaro, o que demonstrava ser acertado ter um veículo societário próprio e segregado deste controle, para a eventual implementação destes planos. Como informado ao agente fiscal, haviam razões estratégicas para a operação envolvendo a Aerosystem, muito embora não tenha sido solicitado à IMPUGNANTE ou a seus representantes qualquer informação adicional sobre tais razões. 44. Além destas frentes de negócio, que justificavam a segregação de um lote de ações da TAM S/A em empresa apartada daquela que exercia o seu controle acionário, e logo após a realização desta segregação, os acionistas da TAM S/A, fora do bloco de controle, que eram fundos de investimentos e de private equity, sugeriram que a empresa promovesse uma oferta pública de ações novas, visando à capitalização daquela empresa e, em conjunto e se o mercado comportasse, uma oferta pública para venda de ações pertencentes aos acionistas, entre eles os próprios fundos referidos, haja vista o bom momento que o mercado de ações apresentava. Aprovada tal iniciativa, deuse partida na oferta pública referida, abandonandose e adiandose os projetos anteriores, haja vista que em razão desta oferta a Aerosystem vendeu no mercado, em várias oportunidades (entre junho e setembro de 2005 a março de 2006), uma parte do lote de ações da TAM S/A que possuía. Tais vendas, conforme atestado pelo agente fiscal, foram realizadas em bolsa de valores, pelo preço do dia e de acordo com a procura do mercado pelo título, por meio de corretoras e para terceiros sem qualquer vínculo com a vendedora ou com empresas ligadas. 45. Embora entenda desnecessário trazer para o âmbito do processo, informações no mais das vezes, bastante sigilosas, por conta da condição de controladora da companhia aberta TAM S/A, a IMPUGNANTE julga ser seu dever dar ditas informações, para que se desfaça o enredo urdido pelo agente fiscal no sentido de provar, muito embora não haja prova alguma, a tentativa de disfarçar uma real intenção de se obter um ganho de capital não tributável. Havia sim, razões estratégicas para o negócio realizado pela IMPUGNANTE e que teria sido desconsiderado pelo agente fiscal. E para corroborar tal assertiva, basta notar que em 30/07/2007 se confirmou a saída do acionista Marcos Adolfo T. S. Amaro, por meio de versão de parcela cindida do patrimônio da IMPUGNANTE para empresa nova por ele criada (vide notícia na fl. 7 do relatório fiscal), em substituição da anteriormente eleita para tanto e, que por terem deixado de existir as razões estratégicas antes referidas, foi incorporada pela IMPUGNANTE, como noticia o relatório fiscal. 46. Como antes referido, o valor pelo qual as ações de emissão da IMPUGNANTE, que se encontravam em sua tesouraria, foram alienadas a empresa ligada, foi determinado em estrita obediência da legislação vigente, não tendo sido extraído em função desta ou daquela finalidade. O preço de mercado praticado naquele negócio visou tão somente obedecer à disposição contida no inciso I do art. 464 do Regulamento do Imposto de Renda, de modo a evitar que se pudesse atribuir a tal operação a presunção legal da distribuição disfarçada de lucros. Também por este aspecto, nenhuma Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 484 17 ressalva há que aplicar à operação realizada, como aliás não o fez o agente fiscal. 47. Ora, na situação sob análise, a operação realizada foi a alienação de ações de emissão da própria IMPUGNANTE, que se encontravam em tesouraria. Em tal operação, a teor do disposto no já citado inciso IV do art. 442 do Regulamento do Imposto de Renda, o lucro obtido não é computável no lucro real da pessoa jurídica alienante, desde que tal valor seja creditado em conta de reserva de capital, o que foi cumprido pela IMPUGNANTE. Em razão desta disposição regulamentar, que reproduz a norma constante do art. 38 do Decretolei n.º 1.598, de 1977, há uma isenção condicionada do IRPJ e da CSLL e portanto, embora haja a ocorrência do fato gerador dos mencionados tributos, sua incidência está afastada pela norma legal. Cumprindo o mandamento do CTN, ao agente fiscal caberia tão somente verificar o cumprimento da condição imposta pela lei para afastar a incidência dos referidos tributos, nada mais.” 16 quanto à simulação, a primeira barreira a ser ultrapassada é subsumir a situação sob análise a uma das hipóteses previstas nos incisos do parágrafo primeiro do artigo 167 do Código Civil, que dispõe: "Parágrafo primeiro: Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas a quem realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; II os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados." 17 a operação sob análise não pode ser enquadrada em nenhuma das hipóteses de simulação, pois: a) os direitos, transferidos e conferidos às pessoas declaradas, são autênticos; b) todas as condições, confissões, declarações e cláusulas contratuais são fidedignas e incontestáveis; e c) todos os documentos são atuais e verdadeiros, consignando as datas das efetivas realizações dos atos nele consubstanciados; 18 concluise que essa a operação não pode ser considerada simulação, pois: a) a existência de simulação se esgota nas hipóteses do dispositivo retrotranscrito, que contém relação exaustiva e taxativa ("numerus clausus"); b) as hipóteses legais descritas são impotentes para arrostar sob os respectivos espectros a situação analisada; e Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 485 18 c) o princípio da estrita legalidade segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, afasta a possibilidade de considerar como simuladas outras situações que não as expressamente previstas; 19 outra barreira, impossível de ser ultrapassada, é a produção de prova efetiva de ter havido simulação, pois esse o ônus incumbe àquele que acusa, o que não ocorreu; 20 simulação, conforme a doutrina, é a discrepância entre a vontade efetiva do agente e o ato por ele praticado; assim, ela não pode ser provada diretamente, isto é, pela utilização de fatos indutores de conclusão passível de ser tomada como verdade irrefutável, restando a prova indireta, mediante indícios e presunções; presunções comuns (humanas) não possuem valor no âmbito tributário, de forma que a prova da simulação exigiria a existência de indícios densos e veementes que pudessem ser guindados à condição de prova; 21 essa densidade, no caso dos autos, é impossível de ser obtida, na medida em que todos os atos praticados dão conta da inequívoca vontade de as partes, ao final, praticarem o negócio tido por simulado; 22 no caso presente, não há possibilidade de manter os lançamentos, porquanto está patente que o fiscal os promoveu apenas com base em mera presunção, o que não se coaduna com a realidade dos fatos e fere os arts, 108, 114, 116 e 142, do CTN, violando os princípios da tipicidade fechada, da estrita legalidade, da verdade material, da interpretação mais favorável ao contribuinte, e da vedação ao enriquecimento sem causa, pois: a) a situação final coincide com a situação pretendida; e b) a operação não pode ser enquadrada nas hipóteses do art. 167 do CC; 23 protesta especialmente pela juntada de documentos complementares, com fundamento no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72 e suas alterações, bem como realização de diligências suplementares, apresentação de memoriais e sustentação oral. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, preliminarmente, que: a base legal utilizada não é adequada ao lançamento feito, sendo nulos o lançamento e a decisão que o manteve. O acórdão não apreciou todos os argumentos da recorrente neste sentido; No mérito: a presunção não pode ser admitida como meio de prova, aduzindo que deve produzir prova negativa para desfazer os fatos constituídos por presunção. A prática adotada Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 486 19 viola, ainda, o princípio da verdade material. Nenhuma prova foi juntada pela autoridade, mas tão somente presunções; a realização dos lançamentos sem base em fatos viola os art.108,114,116,142 do CTN; o lançamento carece de liquidez e certeza; relativamente à omissão de rendimentos pela venda de ações da empresa Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A, não houve aprofundamento pelo fiscal. O acórdão recorrido afirma que não havia registro de valor no ativo da Aerosystem, mas o balancete da Aerosystem traz este valor (R$500.000,00) lançado, além de ter sido apresentado o contrato de compra e venda das ações da Agropecuária acima referida; o resultado relativo à Agropecuária, por se tratar de investimento em sociedade coligada, cujo registro é feito em conta de ativo permanente, é não operacional, não se sujeitando, portanto, às contribuições ao PIS e à Cofins; a norma antielisão do art. 116 do CTN não pode ser aplicada por faltar a lei ordinária ali mencionada em nosso Ordenamento, e o agente não identificou qual o negócio que a recorrente buscou simular; a transformação da recorrente em S/A, ocorrida um ano antes da operação com as ações em tesouraria, deuse para acomodar os interesses dos sucessores do falecido comandante Rolim, mediante fixação de regras de decisão e compartilhamento do controle da sociedade e de sua controlada TAM S/A, que ainda era e é uma companhia aberta; o propósito específico da operação com ações em tesouraria foi remunerar os acionistas, pois desde 2001 não recebiam dividendos, haja vista os prejuízos acumulados; A não indicação, pelo fiscal, do negócio que foi dissimulado viola os art. 167 e 168 do CC, sendo o lançamento nulo; os acionistas alienaram à recorrente 10% do capital social para criar mecanismo de remuneração de seus acionistas, que desde 2001 não recebiam dividendos. Ao mesmo tempo, as ações da recorrente foram distribuídas aos acionistas, com exceção de João Francisco Amaro, pela partilha dos bens deixados pelo Comandante Rolim, falecido em junho/2001. Entretanto, o acionista Marcos Adolfo S. Amaro quis desligarse do quadro social. Para resolver esta questão, segregouse uma parte das ações do controle da TAM S/A para a Aerosystem S/A Empreendimentos e Participações, porque já possuía participação na TAM S/A e era uma holding; ainda em negociação e sem definição final do montante da participação a ser entregue ao acionista minoritário, transferiuse 80% da ações da recorrente (que se encontravam em tesouraria), a preço de mercado das ações da TAM S/A; por outro lado, à época, havia negociação com a LAN CHILE para uma fusão destinada a criar uma grande empresa aérea na América Latina, bem como um estudo para uma possível aquisição da Varig. As alternativas deveriam preservar o controle acionário na mão da família Amaro para atender a exigência constitucional de que a detenção do controle fosse de nacionais; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 487 20 além disso, os acionistas da TAM S/A fora do bloco de controle (fundos de investimentos e de private equity) sugeriram uma oferta pública de ações novas, visando à capitalização daquela empresa e, em conjunto e se o mercado comportasse, uma oferta pública para venda de ações pertencentes aos acionistas, haja vista o bom momento que o mercado de ações passava. A oferta pública foi realizada e a Aerosystem vendeu (entre junho e setembro de 2005 a março de 2006) uma parte do lote de ações que possuía. As vendas foram realizadas em bolsa de valores e a preço de mercado; em 30/07/2007 confirmouse a saída do acionista Marcos Adolfo T. S. Amaro, por meio de versão de parcela cindida do patrimônio da recorrentepara empresa nova por ele criada, em substituição da anteriormente eleita para tanto e, que em face da inexistência das razões estratégicas anteriores, foi incorporada pela recorrente; o valor de alienação das ações a empresa ligada foi a preço de mercado para atender o art. 464 do RIR/99 e evitar presunção legal de distribuição disfarçada de lucros; foram cumpridas as condições para isenção do art. 442 do RIR; a operação não se subsume ao art. 167 do Código Civil. Sendo as hipóteses de simulação de enumeração taxativa, não sendo a operação em comento nelas subsumida, e qualquer outra possibilidade nova sujeita ao princípio da estrita legalidade, a operação não pode ser considerada Simulação; não há prova de simulação e o ônus incumbe a quem acusa; as presunções do homem não possuem valor tributário e não há indícios veementes que possam ser guindados à condição de prova; a situação final coincide com a situação pretendida; há, portanto, ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, interpretação mais favorável ao contribuinte e vedação de enriquecimento sem causa; a penalidade de 150% só é cabível nos casos de fraude e dolo, o que não ocorreu no caso presente. Além disso, a fraude não pode ser presumida, devendo ser provada; a penalidade de 150%, assim como a de 75% têm caráter confiscatório; pede a nulidade da decisão recorrida. Caso assim não se entenda, requer a improcedência do auto de infração pela ausência de comprovação do fato gerador das obrigações tributárias. Por fim, as multas aplicadas são inaplicáveis e confiscatórias. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 488 21 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Relativamente à preliminar de nulidade, de que a base legal utilizada não é adequada ao lançamento feito, sendo nulos o lançamento e a decisão que o manteve, entendo que em face da complexidade da matéria não possa ser neste momento apreciada, posto que o auto de infração foi lavrado por autoridade competente e não houve cerceamento do direito de defesa. Deixo, assim, para apreciar tal questão no exame de mérito da matéria. No que tange à alegação de que a DRJ não analisou todos os argumentos levantados, vejo que a matéria restou bem apreciada pelo acórdão recorrido. Neste sentido, tenho para mim que a afirmação não procede, tendo a decisão de primeira instância apreciado todas as razões relevantes para o deslinde da questão. Demais disso, ainda que o fosse, o julgador não está obrigado a apreciar argumento por argumento, especialmente se já formou sua convicção acerca do tema e motivou sua decisão com base em alguns deles. Neste sentido, segue forte corrente jurisprudencial. Acórdão 10806.877 – 8ª Câmara do 1º Conselhos de Contribuintes NULIDADE DE DECISÃO A ausência de análise minuciosa e exaustiva dos argumentos de defesa, não acarreta a nulidade da decisão quando esta aprecia todos os itens defendidos. No mesmo sentido. Acórdão 10421.617 – 4ª Câmara do 1º Conselhos de Contribuintes DECISÃO NULIDADE NÃO EXAME DE ARGUMENTO Não ocorre a hipótese ensejadora da nulidade da decisão, quando o acórdão, ainda que não tenha enfrentado todas as questões argüidas, tenha se valido de argumentos suficientes para a conclusão do julgado. Assim, rejeito as preliminares, e passo ao exame do mérito. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 489 22 A fiscalização efetuou lançamento para cobrar omissão de receitas no valor de R$500.000,00, fato gerador 31/12/2005, multa de ofício em 75%, e ganhos de capital por alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido no valor de R$134.440.713,00, fato gerador 31/12/2005 também, e multa de ofício aplicada em 150%. Tributação de Ganhos de Capital disfarçados em ações de tesouraria Relativamente à segunda infração (Tributação de Ganhos de Capital disfarçados em ações de tesouraria), a fiscalização entendeu que houve ganho de capital, o qual foi disfarçado por meio de venda de ações em tesouraria. Faço, abaixo, um breve resumo dos atos societários relevantes para o entendimento da matéria: Ato societário Ações Aprovadas Ata de quotistas 06/01/2004 (fl.51) Promove, por sucessão, o ingresso dos herdeiros do falecido Comandante Rolim Amaro. No mesmo ato societário é decidida a transformação do tipo societário, de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para o de sociedade anônima. AGE 30/03/2005 (fl.56) Aumento do capital da sociedade em R$2.738.303,00 (mediante emissão de 2.738.303 ações) aumentando o capital social de R$158.075.937,00 para R$160.814.240,00, e no mesmo ato reduz o capital social de R$160.814.240,00 para R$814.000,00 (dividido em 160.814.240 ações ordinárias nominativas), mediante absorção de prejuízos acumulados em exercícios anteriores AGE – 15/04/2005 (fl.60) Aquisição pela sociedade, de 16.081.424 ações ordinárias de emissão da própria companhia (das 160.814.240 existentes – ou seja, 10% do total de ações), para manutenção em tesouraria AGE – 20/04/2005 (fl.61) Alienar 12.865.140 ações ordinárias de emissão da própria companhia (80% do total adquirido), sendo a alienação feita a valor de mercado. A quitação da maior parte do valor foi feita por débito em conta corrente, exceto parcela de R$500.000,00 que foi quitada mediante baixa de saldo de conta corrente entre a Aerosystem e a TEP (objeto da primeira infração), e o valor de R$10.637.897,00, quitado na cisão parcial da TEP em 15/05/2005. Assim, em resumo, verificase que a TAM Empreendimentos e Participações (TEP) admite por sucessão os herdeiros do sócio majoritário falecido, transformase em sociedade anônima, baixa em mais de 90% seu capital social (que passa a ser de R$814.000,00), adquire 10% das ações de sua emissão, e revende 8% destes 10% a valor de mercado para a Aerosystem, empresa que possui os mesmos sócios da TEP. A venda, todavia, é feita a valor de mercado, gerando considerável ágio, o qual é considerado não tributável pela TEP, que o reconhece como feito nos moldes do art. 442 do RIR/99. Após tais atos, sucedemse novos atos societários que promoverão o término da operação, com o retorno do status quo ante. Vejamos: Ato societário Ações Aprovadas AGE – 12/05/2005 Aprovação da proposta de cisão parcial da sociedade, com a incorporação pela Aerosystem da parcela do patrimônio líquido cindido. Decorrente da cisão, é também aprovada a redução de capital no valor de R$65.120,00, equivalente a 12.865.140 ações de titularidade da Aerosystem, passando o capital a ser de R$748.880,00, dividido em 147.949.100 ações ordinárias nominativas AGE – 20/06/2005 Distribuição dos resultados decorrentes da alienação de ações de emissão da TEP à Aerosystem, à conta de antecipação de resultados não operacionais. A fiscalização Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 490 23 ressaltou que o valor de R$67.134.397,73, recebido pelos acionistas, foi exatamente parte do valor pago pela Aerosystem na aquisição de ações da TEP. AGE – 01/11/2005 Aumento do capital por aproveitamento da reserva de capital (conta que foi acrescida pelo lucro na venda de ações em tesouraria), que passa a ser de R$116.734.580,00, dividido em 147.949.100 ações ordinárias nominativas. AGE – 29/06/2007 Aprovou a distribuição aos acionistas de R$56.766.949,48 a título de dividendos, , ratificou o pagamento R$8.821.340,40 a título de juros sobre o capital próprio (relativo a 2006), destinando o saldo à reserva de lucros, e aprovou a incorporação da Aerosystem pela TEP. Como decorrência da incorporação da Aerosystem o capital social foi aumentado em R$34.344.131,60, com emissão de 5.386.230 novas ações ordinárias nominativas Entendeu, assim, a fiscalização que: ficou evidenciada a intenção do contribuinte de vender determinada quantidade de ações a terceiros, e para tanto fez uso de pretensas ações em tesouraria e da empresa Aerosystem como passagem transitória da efetiva negociação; a Aerosystem (conforme suas DIPJ) nunca teve recursos para liquidar a aquisição de ações. Ela quitou as ações com repasses dos valores recebidos pelas vendas destas mesmas ações a terceiros (conforme extratos bancários da Aerosystem); 5 dias após a aquisição das ações houve a venda de 80% delas à empresa pertencente aos mesmos sócios; finalmente, com a incorporação da Aerosystem pela TEP tudo volta ao status quo ante; assim, o real motivo do planejamento era fugir da tributação do ganho de capital, aproveitandose da isenção veiculada pelo art. 442 do RIR/99, pois não havia qualquer outra necessidade ou obrigação que impusesse o tratamento como ações em tesouraria. Foi, portanto, uma atitude planejada para obter ganho de capital sem qualquer tributação; como no caso de investimento sujeito a avaliação pelo método de equivalência patrimonial (art. 426, RIR/99) , para determinação do ganho de capital o valor contábil considerado é a soma das parcelas representadas pelo valor do patrimônio líquido, ágio ou deságio na aquisição do investimento, e provisão de perda computada, o valor assim obtido monta R$ 134.440.713,00, valor este utilizado pela fiscalização para efetuar o lançamento. Tenho me manifestado, nestes casos envolvendo planejamentos tributários, em que quando a intenção por detrás dos atos societários é de difícil compreensão, face a costumeira e usual realidade comercial, que é simples por natureza (e pela exigência de lucro), é necessário, antes, um exame do direito tributário, em especial no que tange à economia tributária envolvida, para a perfeita compreensão da lógica negocial envolvida. Tal situação faz a compreensão da matéria se deslocar do âmbito meramente negocial para o âmbito tributário, com o posterior retorno ao âmbito negocial, para análise comparativa da forma simples abandonada, da forma complexa adotada, da situação final em um e em outro caso, e da economia tributária lograda. Neste sentido, lembro a citação que fiz em recente julgamento, no caso ALLIANCE ONE, acórdão nº 1302000.991, e que me vem a calhar após o exame dos fatos, verbis: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 491 24 Assim, não me convence a alegação de que a recorrente optou por uma dentre as várias opções legais disponíveis e que é vedado à Administração escolher dentre elas a mais gravemente tributada. Fica evidente que foi adotada uma estrutura às avessas (com confusão de papéis entre investidor e investido), contrária à lógica simples negocial, apenas para permitir a criação e amortização do ágio. A recorrente não optou dentre as opções possíveis. A versão negocial adotada não foi optada. Ela foi gestada, criada em laboratório jurídico, e por isso é tão estranha, é não usual, é tão exótica. Ela não deriva do mundo dos negócios, mas do mundo do planejamento tributário. Lembro, também, pela coincidência de pontos mencionados, que em obra recente sobre ágio, na qual é analisada a jurisprudência recente do Carf sobre a matéria, Schoueri1 conclui que a reorganização societária pode ser desconsiderada se à luz do caso concreto ficar demonstrada a simulação. Diz o jurista Nos acórdãos analisados acima, em que o CARF desconsiderou operações em que foi gerado ágio “dentro da casa”, havia vários indícios de que as transações não eram válidas. Podese citar, nesse sentido, o curtíssimo lapso temporal entre as etapas das transações (por exemplo, a aquisição com ágio ocorrendo em um dia e a incorporação, no dia seguinte), e o fato de que, como já se apontou, ao final, a situação verificada era idêntica à situação inicial, exceto pela geração de um ágio que estava sendo aproveitado para reduzir o lucro tributável das empresas envolvidas.(grifos meus) No caso vertente, verificase o curtíssimo lapso temporal entre as etapas (as ações em tesouraria são vendidas após 5 dias de sua aquisição), bem como a situação final igual à inicial (com a venda das ações com ágio pela Aerosystem, e a incorporação desta pela TEP com a AGE de 29/06/2007. Além disso, salta aos olhos a falta de substrato econômico para a operação intragrupo, dada a impossibilidade (verificada pela análise das DIPJ) da Aerosystem em conseguir adimplir a aquisição das ações da TEP, não fosse a imediata venda das ações e repasse dos valores recebidos à TEP, o que demonstra que sua intermediação é totalmente dispensável do ponto de vista meramente econômico. O que se vê por detrás dos atos negociais adotados é o desejo dos sócios da TEP em alienar parte de suas ações, mas sem que esta alienação ostentasse ganho de capital e fosse, portanto, sujeita à tributação. Assim, eles usaram a TEP para lograr a venda destas mesmas ações sob uma forma que imediatamente, a seu entender, era isenta de tributos. Assim, a TEP foi inicialmente usada pelos sócios na deliberação que determinou a aquisição das de 16.081.424 ações ordinárias de emissão da própria companhia (das 160.814.240 existentes – ou seja, 10% do total de ações), para manutenção em tesouraria, ou de pelo menos, 80% destas ações. Posteriormente, a TEP foi novamente usada pelos sócios na deliberação que determinou a alienação de 12.865.140 ações ordinárias de emissão da própria companhia (80% do total adquirido). Por fim, a TEP foi também usada pelos mesmos sócios na deliberação que determinou a distribuição aos acionistas de R$56.766.949,48 a título de dividendos, ratificou o 1 Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Luís Eduardo Schoueri, Dialética, 2012, p.117 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 492 25 pagamento R$8.821.340,40 a título de juros sobre o capital próprio (relativo a 2006), destinando o saldo à reserva de lucros, e aprovou a incorporação da Aerosystem pela TEP. Com esta última operação, os sócios da TEP (os mesmos da Aerosystem) lograram capitalizar os resultados da complexa operação societária, voltando ao status quo ante. E em sua visão, lograram ainda economizar os tributos devidos pelo ganho de capital na alienação das ações, que evidentemente estavam contabilizadas a um custo baixíssimo, face a seu valor de mercado. O fato de a TEP ter sido usada por seus sócios não implica erro quanto ao sujeito passivo, porquanto os atos foram efetivamente praticados pela TEP, embora sempre mediante deliberação prévia do quadro de acionistas, que a todo instante tinham o controle integral do procedimento e o exerciam nas Assembléias Gerais Extraordinárias. Assim, em que pese a recorrente alegar que não foi demonstrada a simulação, tenhoa como clara e evidente, e manifestada como quase sempre o é nas declarações, condições e cláusulas não verdadeiras e na transmissão de direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transmitem. A demonstração disso reside quase sempre nas motivações negociais declinadas. No caso vertente, por exemplo, afirma a recorrente na impugnação que adquiriu de seus acionistas um lote de ações de sua própria emissão, correspondente a 10% (dez por cento) do capital social, com o objetivo de criar um mecanismo de remuneração aos seus acionistas, porquanto, desde 2001, em face de prejuízos acumulados no período, a empresa não distribuía lucros. É justo e legítimo que uma empresa que sofreu prejuízos acumulados de 2001 até 2006 (época dos negócios) não distribua lucros. É também justo e legítimo que ela resolva criar um mecanismo para reverter este quadro, passando a lucrar. Mas não um mecanismo para simplesmente remunerar seus acionistas. A lucratividade deve passar por um saneamento comercial, se a justificativa é esta. Até porque se os acionistas quisessem se remunerar, bastava venderem as ações que possuíam (embora aí tivessem que apurar ganho de capital). Mas, mediante as operações aqui debatidas, foi isso que a empresa fez. Ao criar o “mecanismo de remuneração”, ela simplesmente substituiu o que eles próprios fariam (alienação de ações), independentemente dela, o que prova que foi usada por eles (para venderem as ações sem sofrer tributação), já que não se vê qualquer revitalização comercial da empresa nestas operações. Mas a recorrente prossegue nesta linha de raciocínio afirmando que: Iniciadas as tratativas para a referida saída, a primeira alternativa vislumbrada foi a segregação de uma parte das ações do controle da TAM S/A, companhia aberta com ações negociadas em bolsa de valores, para uma outra sociedade que, ao final, pudesse ser transferida para o acionista retirante. Para tanto, a empresa escolhida foi a Aerosystem S/A Empreendimentos e Participações, porque que já possuía uma pequena participação na TAM S/A e era uma holding, sem outros ativos ou obrigações, desde que tinha transferido as ações que possuía da TAM Transportes Aéreos Mercosur S/A, com sede em Assunção no Paraguai, para a TAM S/A. Ainda em fase de Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 493 26 negociação e sem definição final do montante da participação a ser entregue ao acionista minoritário retirante, tendo em conta outros bens possuídos em conjunto com os demais herdeiros, decidiuse transferir para a Aerosystem o equivalente a 80% (oitenta por cento) das ações de emissão da IMPUGNANTE que se encontravam em tesouraria e que corresponderiam a 3.500.240 ações preferenciais da TAM S/A. Por se tratar de empresa ligada e em atendimento às disposições contidas no art. 464, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, que caracteriza como distribuição disfarçada de lucros a alienação de bem do ativo realizada pela pessoa jurídica a pessoa ligada, por valor notoriamente inferior ao de mercado, adotouse como preço deste negócio o valor de mercado (de bolsa do dia) do ativo principal da IMPUGNANTE, a saber, as ações da TAM S/A. Vejase que a idéia defendida para o “mecanismo de remuneração” foi a segregação de uma parte das ações do controle da TAM S/A para empresa que posteriormente seria transferida para o acionista retirante (Aerosystem). Isto não ocorreu. Mas aí então, decidiuse transferir 80% das ações de emissão da recorrente (em tesouraria) à Aerosystem, e ponto. Nenhuma explicação há para isso. Apenas que o valor de transferência foi o de mercado para atender ao art. 464, I, do RIR/99. Vejase que tal explicação está longe de esclarecer a motivação dos atos societários empreendidos. A recorrente ainda sustenta que o grupo controlador da TAM S/A vinha sendo assediado para realizar uma fusão da empresa aérea brasileira com outra empresa aérea estrangeira, destinada a criar uma grande empresa aérea na América Latina, além de se encontrar em estudo uma possível aquisição ou fusão com a então concorrente Varig. Todas estas alternativas em estudo naquela ocasião passavam por esquemas societários que preservassem o controle acionário na mão da família Amaro, o que demonstrava ser acertado ter um veículo societário próprio e segregado deste controle, para a eventual implementação destes planos. Como informado ao agente fiscal, haviam razões estratégicas para a operação envolvendo a Aerosystem, muito embora não tenha sido solicitado à IMPUGNANTE ou a seus representantes qualquer informação adicional sobre tais razões. Tal explicação absolutamente nada tem que ver com os fatos ocorridos e nada explica. A tentativa é de explicar o porquê da Aerosystem, uma empresa já vinculada à família Amaro. Todavia, o caso vertente cuida de venda de ações em tesouraria que poderiam ter sido vendidas diretamente pelos próprios sócios. Em nada ajudam, para o entendimento do caso, as referências positivas da Aerosystem. Prossegue a recorrente em sua tentativa de justificar os atos negociais: Além destas frentes de negócio, que justificavam a segregação de um lote de ações da TAM S/A em empresa Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 494 27 apartada daquela que exercia o seu controle acionário, e logo após a realização desta segregação, os acionistas da TAM S/A, fora do bloco de controle, que eram fundos de investimentos e de private equity, sugeriram que a empresa promovesse uma oferta pública de ações novas, visando à capitalização daquela empresa e, em conjunto e se o mercado comportasse, uma oferta pública para venda de ações pertencentes aos acionistas, entre eles os próprios fundos referidos, haja vista o bom momento que o mercado de ações apresentava. Aprovada tal iniciativa, deuse partida na oferta pública referida, abandonandose e adiandose os projetos anteriores, haja vista que em razão desta oferta a Aerosystem vendeu no mercado, em várias oportunidades (entre junho e setembro de 2005 a março de 2006), uma parte do lote de ações da TAM S/A que possuía. Tais vendas, conforme atestado pelo agente fiscal, foram realizadas em bolsa de valores, pelo preço do dia e de acordo com a procura do mercado pelo título, por meio de corretoras e para terceiros sem qualquer vínculo com a vendedora ou com empresas ligadas. Em tais assertivas, vejo uma afirmação possivelmente verdadeira: o desejo de aproveitar o bom momento que o mercado de ações apresentava. E outra que não pode ser aceita: por este motivo foram abandonados todos os projetos anteriores. Isto porque estes (os projetos anteriores) em nada explicam os atos praticados, conforme já analisado, e, portanto, em minha visão, sua invocação é meramente retórica. De se ver, portanto, que as declarações de vontade estampadas nos atos societários que definiram a aquisições de ações e sua manutenção em tesouraria e a alienação de 80% destas à Aerosystem não são verdadeiras, maculando o ato societário que as veicula. Individualmente, em cada ato societário, o quadro societário vai decidindo que a empresa: deve comprar; noutro, que a empresa deve vender 80% do que comprou; depois que quer que a empresa seja incorporada pela que comprou; depois que quer que a empresa que comprou incorpore a empresa que vendeu. Mas, vistos todos eles de uma só vez, percebese que as vontades individuais não são verdadeiras, já que voltase ao status quo ante, com exceção de um detalhe: tributo foi economizado. Assim, e somente assim, descobrese a declaração de vontade que faltou: o desejo de alienar ações sem pagar tributo sobre o ganho de capital. Vêse nada além do modus operandi típico de outros planejamentos tributários: há uma macrooperação, formada por várias microoperações aparentemente válidas em sua estrutura intrínseca. Todavia, vista a obra pelo conjunto (macrooperação) percebese que as declarações de vontades individuais estavam viciadas. Afirmar que porque o auditorfiscal não declinou nestes exatos termos a simulação não induz concluir que ele não verificou, não demonstrou e não atacou a simulação. Suas palavras são categóricas no sentido de que a operação foi simulada. No termo de verificação fiscal, o auditor fiscal: faz um quadro que demonstra os intervalos de tempo curtíssimos entre as operações, o que é um indicador da simulação; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 495 28 verifica que o controle das operações esteve totalmente sob o domínio dos mesmos sócios (tanto da TEP quanto da Aerosystem), pois os sócios são comuns, e além disso, detêm eles, também, o controle absoluto da TAM S/A; concluiu que os atos societários foram simulados; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 496 29 indicou a falta de substrato econômico da Aerosystem para conduzir as operações; concluiu que toda operação societária foi conduzida com o único objetivo de economizar tributo; e, por fim, concluiu haver simulação: Sendo assim, voto para que seja mantido o lançamento deste item tal qual lavrado. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 497 30 Multa qualificada Da análise do contexto exsurge que a ação concertada consistente na reestruturação societária perpetrada pela recorrente visou inegavelmente a reduzir indevidamente o montante devido de IRPJ e CSLL. Os atos societários, vistos pelo conjunto da obra, são simulados, pois a vontade real não é declinada, e a vontade declarada diverge do que na verdade desejam os declarantes, sendo que ao final é mantido o status quo ante. Tendo em vista que as ações de reorganização societária foram planejadas com antecipação, executadas com cuidado, gerando um ganho de capital mascarado com exclusão a ele não destinada, não é possível alegarse inocência quanto à finalidade pretendida e quanto ao domínio dos fatos praticados. Não vejo como possível, também, alegarse o cumprimento aparente das normas para afastar o dolo. Isto porque há nos atos um elemento ideológico não verdadeiro por detrás das ações manifestadas. As normas foram cumpridas somente se analisadas as operações de forma individual. Passandose ao contexto geral, percebese o descumprimento da norma tributária e da norma civil, gerandose indevidamente uma dedutividade, vez que as operações praticadas não podem ser sustentadas pelos propósitos negociais alegados e pela inexistência de efeitos econômicos decorrentes. E aí, não há como se afastar a vontade, o dolo, na prática dos atos destinados a reduzir o IRPJ e a CSLL. Assim, ou bem se reconhece que tudo foi legal e não há dolo, ou bem se admite que houve dolo, mediante fraude, nas ações destinadas a reduzir o montante de tributos devido, e então, a fraude impõe a qualificação da multa. Esta última opção pareceme a mais correta ao caso vertente. No mesmo sentido segue forte jurisprudência do Carf. Vejamos: Acórdão nº 10196066 do Processo 10735003228200533 MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a existência de simulação nos atos jurídicos com o objetivo de prejudicar o Fisco, caracterizado está o evidente intuito de fraude definido no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, devendo ser aplicada a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. No mesmo sentido Acórdão nº 10195168 do Processo 10768015727200162 PRELIMINAR DECADÊNCIA SIMULAÇÃO comprovada a simulação a regra decadencial deslocase, para os tributos lançados por homologação, do artigo 150, parágrafo 4º, para a Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 498 31 do artigo 173, I, ambos do CTN. OPERAÇÕES DE OPÇÕES FLEXÍVEIS DE DÓLAR PREJUÍZOS ALEGAÇÃO DE FRAUDE Comprovada a simulação nas operações de opções flexíveis de dólar, sem garantia, há que ser mantido o lançamento que glosou as perdas decorrentes daquelas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA presente o verdadeiro intuito fraudulento, na figura da simulação do negócio jurídico, a que se manter a qualificação da multa de ofício. Recurso voluntário não provido. No mesmo sentido Acórdão nº 10323441 do Processo 10980009452200618 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. Sou, pois, pela manutenção da multa qualificada. Omissão de Receitas Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 499 32 A segunda infração objeto de lançamento pela fiscalização foi a omissão de receitas caracterizada como receita de venda de ações não contabilizada. Segundo apurou a fiscalização, a recorrente não recebeu a parcela de R$500.000,00 decorrente da venda de ações para a Aerosystem. A Aerosystem, por sua vez, simplesmente baixou este valor em 20/04/2005 do contacorrentes com a TEP. A recorrente afirmou à fiscalização que o valor de R$500.000,00 tem sua origem em uma venda de ações do capital da Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A, ocorrida em 2004 e cujo valor foi recebido integralmente pela TEP. A fiscalização, de posse de tal informação, verificou as DIPJ da Aerosystem desde 2003. Na declaração de 2004 é citada a venda da Agropecuária Santa Maria do Pantanal S/A (Agropecuária). Todavia, nem nesta nem em nenhuma outra declaração a Agropecuária é declarada como investimento da Aerosystem. Também não são indicados ganhos não operacionais na ficha 6, nem há declaração de crédito com pessoa jurídica ligada nas fichas do ativo. A recorrente se defende, alegando que o embora o acórdão recorrido tenha dito que não havia registro de valor no ativo da Aerosystem, o balancete da Aerosystem traz este valor (R$500.000,00) lançado, além de ter sido apresentado o contrato de compra e venda das ações da Agropecuária acima referida. Além disso, o resultado relativo à Agropecuária, por se tratar de investimento em sociedade coligada, cujo registro é feito em conta de ativo permanente, é não operacional, não se sujeitando, portanto, às contribuições ao PIS e à Cofins; Afirma, ainda, que a norma antielisão do art. 116 do CTN não pode ser aplicada por faltar a lei ordinária ali mencionada em nosso Ordenamento, e o agente não identificou qual o negócio que a recorrente buscou simular; Ressalto que o contrato de compra e venda de ações da Agropecuária, citado pela recorrente, somente foi apresentado na impugnação. Este contrato é apresentado na forma simples, sem registro ou reconhecimento de firma. Demais disso, o contrato nada afirma sobre o cumprimento dos direitos ali estabelecidos. Portanto, ele nada afirma sobre a baixa dos valores em aberto (R$500.000,00), ação que deveria ter sido provada pelo comprovante de pagamento e recibo, bem como estar devidamente escriturada em ambas as contabilidades (da Aerosystem e da TEP), além de constar das linhas relativas e este tipo de operação em suas declarações (como na DIPJ). Relativamente ao suposto balancete da Aerosystem, após compulsar todas as folhas do processo, não o encontrei. Não tendo ele sido acostado pela fiscalização, e tendo sido sua existência suscitada pela recorrente e nesta peculiar situação em que os sócios da recorrente são comuns ao quadro societário da Aerosystem deveria a recorrente têlo acostado, posto que se deseja contestar o direito de crédito alegado, alegando existência de fato extintivo do seu direito, nos termos do art. 333 do CPC, deveria juntar os elementos de prova que demonstram suas alegações, verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 500 33 Assim, verificase que a recorrente efetivamente baixou, sem qualquer explicação, seu ativo contra a Aerosystem (empresa cujo quadro social é o mesmo da recorrente), e não foi tal fato escriturado, nem foi apresentada qualquer prova da baixa nem pela recorrente nem mesmo pelas DIPJ prestadas pela Aerosystem. Todavia, ainda assim, tendo em vista que o caso de omissão de receita apontado carece de fundamentação legal específica, há de se constatar que efetivamente o lançamento é feito com base na presunção hominis. No caso, a presunção hominis feita pela fiscalização é no sentido de que os valores relativos à baixa foram efetivamente recebidos à margem da contabilidade (por qualquer forma de acerto entre partes). Ou é isto, ou o próprio investimento era falso, e a manutenção dele no ativo era fictícia. Mas nesse caso, o trabalho fiscal deveria terse pautado pelo avanço nesta linha investigativa. Além disso, não me parece ser esta a situação, posto que o usual é exatamente o contrário, ou seja, para contabilizar receitas à margem da escrituração sem pagar o tributo devido pelo cômputo delas, o sonegador cria passivos fictícios, lançando em conta de passivo valores que deveriam constar de conta de resultado. Poderseia cogitar, ainda, que na alienação do investimento houve ganho de capital e o ganho deste teria sido omitido. Porém, vêse que a alienação é feita entre empresas do mesmo grupo, situação em que para gerar economia tributária, usualmente as operações são realizadas a preço de custo, excetuados os contornos feitos para evitar a incidência da legislação sobre distribuição disfarçada de lucro. E a parcela que restaria omitida deveria ser relativa tão somente ao ganho de capital na operação, nada tendo que ver com o ativo alienado. Por fim, o lançamento feito nestes autos diz respeito tão somente a operações entre empresas do mesmo grupo econômico. Nada se diz sobre eventuais indícios de sonegação fiscal relativos a receitas operacionais omitidas. E a principal função das presunções legais hoje é positivar as máximas da experiência verificadas na lide dos trabalhos fiscais, possibilitando a prova da omissão da receita, que geralmente é derivada das operações normais e usuais da empresa. Vejo, portanto, como distante e isolado o fato indiciário, não sendo possível, a partir dele chegarse, por meio do raciocínio lógico, à infração desconhecida que efetivamente possa ter sido praticada. Em casos como este, já me manifestei no sentido de que para ser aceita a presunção hominis deve ela estar acompanhada de outros elementos que permitam concluirse com alto juízo de probabilidade pela efetiva ocorrência da infração, como no julgamento do PA 16707.003963/200641, julgado à unanimidade por este colegiado em 24/02/2011 verbis: OMISSÃO DE RECEITAS. TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS. As denominadas presunções hominis podem, sob certas circunstâncias, servir de suporte para tributação, porém, neste caso, tornase necessário que elas venham acompanhadas de elementos subsidiários que as tornem incontestáveis. Assim, voto para dar provimento ao recurso nesta matéria. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16643.000032/201060 Acórdão n.º 1302001.056 S1C3T2 Fl. 501 34 Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial a confiscatoriedade das multas de 75% e 150%. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para tão somente afastar o lançamento relativo a omissão de receitas no valor de R$500.000,00 baixado do saldo de contas correntes com a Aerosystem. Sala das Sessões, 09 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 503DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10283.720117/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INCABIMENTO.
Não cabe o sobrestamento do curso processual (art. 62A do Regimento
Interno do CARF) se os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte, em atendimento a intimação a ele dirigida.
Numero da decisão: 1201-000.719
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INCABIMENTO. Não cabe o sobrestamento do curso processual (art. 62A do Regimento Interno do CARF) se os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte, em atendimento a intimação a ele dirigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e João Carlos de Lima Junior. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.720117/200712 Acórdão n.º 120100.719 S1C2T1 Fl. 2 2 No termo de verificação fiscal de fls. 181/185 a autoridade tributária relata, em resumo, o seguinte: a) a pessoa jurídica fiscalizada foi constituída em 10/01/2003 pelos sócios Rômulo da Silva Rezende, CPF n° 077.781.98215, e Gezunita Rodrigues Alves, CPF n° 404.804.61287, conforme contrato social e alterações (fls. 18/26); b) restou constatado ao longo do procedimento fiscal que os sócios acima identificados são pessoas humildes, de pouquíssimas posses, que sequer realizaram movimentação financeira nos anos de 2003 a 2005, objeto da auditoria, o que contrastava com a vultosa movimentação financeira promovida pela pessoa jurídica; c) intimados, os sócios compareceram à DRF em Manaus, oportunidade em que informaram, em resumo, que a empresa pertence ao Sr. João Leitão Limeira, CPF 017.578.302 00, e que a pedido dele assinaram procuração e outros documentos (fl. 166 e fls. 177/178); d) em atenção a ofício que lhe foi dirigido (fl. 147), o Segundo Tabelionato do Município de Manaus apresentou procurações lavradas em favor do Sr. João Leitão Limeira (fls. 148/159), onde consta que este recebeu amplos poderes para gerir a pessoa jurídica sob fiscalização; e) comprovada a interposição de pessoas na constituição da pessoa jurídica, e com base no art. 14, IV, da Lei nº 9.317/96, foi a contribuinte excluída do Simples, com efeitos a partir de 10/01/2003, conforme Ato Declaratório Executivo nº 30/2007 (fl. 262); f) em atendimento ao termo de início de fiscalização (fl. 6), a contribuinte apresentou os extratos de sua conta corrente bancária, mas informou não possuir os livros da escrituração contábil (fls. 11/12); g) intimada a comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária (fls. 123/146), a contribuinte limitouse a informar que os depósitos têm origem no recebimento de vendas de mercadorias, sem contudo apresentar documentação comprobatória; h) caracterizada omissão de receita (art. 42 da Lei nº 9.430/96), foram lavrados os autos de infração do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2003 a 2005 (fls. 214/258). O IRPJ foi apurado com base no lucro arbitrado, tendo em vista a inexistência dos livros contábeis; i) sobre os tributos e contribuições lançados foi imposta multa qualificada (150%), uma vez que, apesar de haver realizado movimentação financeira significativa no período, a contribuinte apresentou declaração de inatividade relativamente ao ano de 2003, declaração simplificada com receitas zeradas para o ano de 2004, e encontrase omissa quanto ao ano de 2005. Ademais, verificouse que a empresa não recolheu quaisquer valores a título de tributos e contribuições federais no período fiscalizado; j) por fim, foi o Sr. João Leitão Limeira qualificado como responsável solidário pelo crédito tributário lançado, conforme termo de fls. 260/261. Impugnada a exigência tanto pela contribuinte (fls. 356/402) como pelo responsável solidário (fls. 419/463), a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 466/472). Fl. 966DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.720117/200712 Acórdão n.º 120100.719 S1C2T1 Fl. 3 3 Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 488/491), pedindo, ao final, o cancelamento da exigência, sob as seguintes alegações, em síntese: a) os valores que transitaram em sua conta corrente possuem origem lícita, pois advêm de compras e vendas de mercadorias efetuadas pela recorrente e demais empresas do grupo; b) os depósitos bancários, por si sós, não representam lucros; c) houve uso indevido da CPMF para o lançamento de tributos; d) o lançamento viola os princípios constitucionais da isonomia, do devido processo legal e do não confisco. Ao apreciar o processo esse Relator verificou que o Sr. João Leitão Limeira, qualificado como responsável solidário, não havia sido formalmente intimado da decisão de primeira instância, razão pela qual, acatando sua proposta, a Turma resolveu converter o julgamento em diligência, a fim de que fosse sanada a falha processual. Sanada a omissão, os autos retornaram a esta Turma para apreciação e julgamento. Entretanto, verificando novamente os autos do processo, esse Relator reconhece aqui que a diligência era desnecessária, tendo em vista que o recurso voluntário foi interposto concomitantemente pela contribuinte e pelo Sr. João Leitão Limeira (fl. 466), fato que supriu a omissão na intimação da decisão de primeiro grau a este último. Por fim é de se ressaltar que encontramse apensados ao presente processo os processos nos 10283.720063/200795 e 10283.720119/200710. O primeiro referese à exclusão do Simples, já mencionada neste relatório, e encontrase transitado administrativamente em julgado, uma vez que a interessada não se manifestou contra o ato de exclusão. O segundo referese à representação fiscal para fins penais. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Dos Depósitos Bancários e sua Origem Antes de mais nada é importante esclarecer que os extratos bancários, a partir dos quais foi realizado o lançamento, foram apresentados pela contribuinte (fl. 30), em resposta ao termo de início de fiscalização a ela dirigido (fl. 6). Isso posto, não tendo o Fisco obtido os extratos bancários mediante requisição direta à instituição financeira, não há que se falar aqui na controvérsia acerca da constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, matéria que se encontra sob apreciação do STF sob o rito da repercussão geral. Pois bem, alegam os recorrentes que os recursos financeiros movimentados na conta corrente de titularidade da pessoa jurídica possuem origem lícita, pois oriundos de Fl. 967DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.720117/200712 Acórdão n.º 120100.719 S1C2T1 Fl. 4 4 compras e vendas de mercadorias efetivadas pela autuada e demais empresas do mesmo grupo familiar. Quanto a essa alegação há que se dizer, em primeiro lugar, que os recorrentes sequer identificaram quais seriam as demais empresas do grupo familiar que teriam utilizado a conta corrente de titularidade da autuada para movimentar recursos próprios. Em vista disso, também não foram identificados quais recursos ali movimentados seriam de propriedade dessas supostas empresas do mesmo grupo familiar. Sobre o assunto o art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Ora, como os recorrentes não comprovaram que parte dos recursos movimentados na conta corrente de titularidade da autuada pertenciam a outras empresas do mesmo grupo familiar, é de se presumir que ditos recursos a ela pertenciam. 3) Dos Depósitos Bancários e das Bases de Cálculo dos Tributos Lançados Alegam os recorrentes que depósitos bancários não representam lucro, razão pela qual não pode prosperar o lançamento. Não assiste razão aos recorrentes, conforme se conclui da simples leitura do já acima transcrito art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96. Tendo sido considerados, por lei, como receita omitida, os depósitos bancários de origem não comprovada integram as bases de cálculo do IRPJ, da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL. 4) Das Alegações de Ilegalidade e Inconstitucionalidade Afirmam os recorrentes ter havido uso indevido da CPMF para o lançamento de tributos. Diz ainda que a exigência viola os princípios constitucionais da isonomia, do devido processo legal e do não confisco. Pois bem, ao contrário do afirmado pela defesa, é lícita a utilização de informações oriundas dos recolhimentos da CPMF para subsidiar o procedimento fiscal e o lançamento de outros tributos, conforme estabelecido pelo art. 11, §§ 1º a 3º, da Lei nº 9.311/96, verbis: Fl. 968DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.720117/200712 Acórdão n.º 120100.719 S1C2T1 Fl. 5 5 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Quanto às alegações de inconstitucionalidade, e tendo em conta que as exigências encontram sustentação nas leis que disciplinam o pagamento dos respectivos tributos (vide enquadramentos legais apontados nos autos de infração), é de se dizer que não compete a este Conselho pronunciarse sobre a matéria, a teor do disposto tanto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 como na súmula nº 2 do CARF, verbis: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Súmula CARF nº 2 (D.O.U. de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 969DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10283.720117/200712 Acórdão n.º 120100.719 S1C2T1 Fl. 6 6 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13315.000066/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Demonstrado que, dos rendimentos pagos por pessoa jurídica, foi descontado do beneficiário, pessoa física, o valor correspondente à retenção na fonte do imposto sobre a renda, compensa-se o imposto retido, mesmo que não comprovado o seu efetivo recolhimento pela fonte pagadora.
Na hipótese, a contribuinte comprovou que o valor compensado em sua declaração de ajuste foi retido pela fonte pagadora a título de imposto sobre a renda.
Numero da decisão: 2101-001.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Demonstrado que, dos rendimentos pagos por pessoa jurídica, foi descontado do beneficiário, pessoa física, o valor correspondente à retenção na fonte do imposto sobre a renda, compensase o imposto retido, mesmo que não comprovado o seu efetivo recolhimento pela fonte pagadora. Na hipótese, a contribuinte comprovou que o valor compensado em sua declaração de ajuste foi retido pela fonte pagadora a título de imposto sobre a renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Fl. 38DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra a contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada compensação indevida de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 1.288,25, correspondente ao anocalendário de 2003. Segundo relato da Fiscalização (fls. 5), a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em 24.1.2008, a contribuinte solicitou a retificação do lançamento (fls. 1 e 2), argumentando que, no seu cadastro junto ao CREDE, não foi observado que o CPF que constava em seu nome era, na realidade, de seu cônjuge, Antonio Ulisses Olinda de Souza. No entanto, apesar de já ter solicitado a alteração cadastral, seu comprovante de rendimentos correspondente ao ano de 2003 ainda foi emitido com a incorreção. A SRL – Solicitação de Retificação de Lançamento foi recebida como impugnação. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0820.066, de 10 de fevereiro de 2011, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. É improcedente a impugnação de lançamento desacompanhada dos elementos comprobatórios das alegações da contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 18, no qual reitera as razões de impugnação e pede o deferimento do seu pedido, anexando: a) Declaração da 18.ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação — CREDE 18; b) Comprovantes dos últimos 10 anos do pagamento do imposto de Renda na Fonte; c) Cópia autenticada de seu CPF; d) Comunicado da Secretaria da Receita Federal referente à correção de seu CPF. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13315.000066/200863 Acórdão n.º 210101.660 S2C1T1 Fl. 35 3 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Lei n.º 7.713, de 1988, em seu artigo 7.º, prevê estarem sujeitos à retenção na fonte, calculado de acordo com o disposto no artigo 25 do mesmo diploma, todos os rendimentos do trabalho assalariado auferidos bem como os demais rendimentos recebidos por pessoa física que não estejam sujeitos à tributação exclusiva. O § 1.º do mesmo artigo de lei determina que compete è fonte pagadora reter o imposto na fonte, salvo disposição em contrário. Na presente hipótese, a Fiscalização constatou que a fonte pagadora, Secretaria da Educação, não apresentou, para o anocalendário 2003, Declaração de Imposto de Renda na Fonte DIRF na qual constasse o nome da contribuinte, procedendo, então, à glosa da compensação feita (fls. 5). A contribuinte alega que houve erro na sua identificação, tendo em vista que o CPF utilizado pela fonte pagadora de seus rendimentos no anocalendário de 2003 foi o de seu excônjuge, Antonio Ulisses Olinda de Souza. A fim de comprovar o alegado, acostou aos autos, em sede de recurso voluntário, os documentos às fls. 19 a 32. Do exame da documentação apresentada, podese constatar que, a partir de 27.7.1992, o CPF da contribuinte é 540.444.80320 (fls. 31). No entanto, do anocalendário 2000 até o anocalendário 2003, no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitido pela Secretaria de Educação Básica do Governo do Estado do Ceará, em seu nome (fls. 27 a 30), consta o CPF 020.760.98372. Os comprovantes em seu nome emitidos a partir do anocalendário 2004 até o anocalendário 2010 (fls. 20 a 26) consignam o CPF 540.544.80320. A 18.ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação – CREDE 18, por meio de sua Coordenadora, emitiu o documento às fls. 19, no qual afirma que a contribuinte solicitou a alteração de seu CPF à Secretaria de Planejamento e Gestão – SEPLAG, no ano de 2003, e que a solicitação não gerou qualquer protocolo, mas pode ser constatada nos comprovantes de rendimentos da interessada, os quais demonstram a efetivação do solicitado. Consulta pública no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil confirmou que o CPF 020.760.98372 pertence a Antonio Ulisses Olinda de Souza. Ante o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte correspondente ao anocalendário 2003, em nome da contribuinte, e os demais documentos anexados aos autos, entendo ter ficado adequadamente comprovada a ocorrência de utilização do CPF de terceiro, e que, dos rendimentos tributáveis pagos à contribuinte Maria Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Marli Olinda pela Secretaria da Educação Básica do Governo do Estado do Ceará, no ano calendário 2003, houve a retenção de imposto sobre a renda na fonte no valor de R$ 1.288,25. Nesses casos, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antigo Conselho de Contribuintes) tem, acertadamente, decidido que, mesmo que não ocorra o recolhimento do imposto retido do contribuinte pela fonte pagadora, a prova da retenção do imposto de renda na fonte é suficiente para autorizar o contribuinte a compensar o imposto na sua declaração de ajuste, tal como se depreende da ementa a seguir transcrita: IRPF. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto de renda, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte que sofreu os descontos oferecer os rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 6.ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão n.º 10614.463, de 24/2/2005) Sendo assim, tendo ficado comprovado nos autos que a fonte pagadora procedeu, no anocalendário, à retenção do imposto de renda no valor glosado, restabelecese a compensação. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13888.005347/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da impugnação depreende-se não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se ter sido alcançado, presta-se a comprovação do ilícito. CRÉDITO DO IMPOSTO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA Devem ser Glosados os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados escriturados nos livros fiscais quando respaldados em documentos fiscais inidôneos. CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÃO ISENTA. INDUSTRIALIZAÇÃO. REQUISITO. SIMULAÇÃO. GLOSA. Devem ser glosados os créditos do Imposto quando constatada simulação de
processo industrial, no qual teriam sido utilizados insumos adquiridos com
isenção em operações para as quais a legislação condiciona a manutenção e
utilização dos créditos à efetiva industrialização do bem..
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA
QUALIFICATIVA.
A multa por falta de pagamento do Imposto, no percentual de 75% é
agravada para 150% quando comprovado nos autos a ocorrência de fraude,
sonegação ou conluio.
PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Compete à autoridade julgadora decidir, em despacho fundamentado, sobre o
pedido de perícia apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da impugnação depreendese não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstrase ter sido alcançado, prestase a comprovação do ilícito. CRÉDITO DO IMPOSTO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA Devem ser Glosados os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados escriturados nos livros fiscais quando respaldados em documentos fiscais inidôneos. CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÃO ISENTA. INDUSTRIALIZAÇÃO. REQUISITO. SIMULAÇÃO. GLOSA. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Devem ser glosados os créditos do Imposto quando constatada simulação de processo industrial, no qual teriam sido utilizados insumos adquiridos com isenção em operações para as quais a legislação condiciona a manutenção e utilização dos créditos à efetiva industrialização do bem.. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. A multa por falta de pagamento do Imposto, no percentual de 75% é agravada para 150% quando comprovado nos autos a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio. PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A AUTUAÇÃO Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, consoante capitulação legal consignada à fl. 1.067, foi lavrado o auto de infração de fls. 1.062/1063, em 04/12/2008, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Rubens Fernando Zilio, para exigir R$ 11.453.604,49 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 7.601.037,96 de juros de mora calculados até 28/11/2008, e R$ 17.180.406,59 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 36.235.049,04. A EMPRESA E O SUPOSTO PRODUTO: “PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZÔNIA – PCNAA” OU “PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO – PCNA” Da descrição dos fatos, de fl. 1.064, que se reporta ao termo de verificação fiscal de fls. 1.007/1.061, cabe sumariar que a Indústria de Bebidas Paris Ltda., Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 3 3 doravante referida como IBP, domiciliada em Rio das Pedras, SP, tem contrato social registrado na Jucesp em 24/10/2002, de fls. 11/16, em que figuram como sócios Oriental Participações S/C Ltda., CNPJ 05.038.261/000114, com 99% de participação, e Altamísio Matos de Lima, CPF 518.955.87204, com 1%. O objeto social é a exploração do ramo de indústria e comércio de bebidas, em todas as formas, e das matérias primas, secundárias e embalagens, assim como o comércio de importação e exportação. Consta no sistema CNPJ da SRFB o código CNAE 1111 901, relativo à “fabricação de aguardente de cana de açúcar”, sendo que a IBP industrializa e comercializa a aguardente de cana da marca “Caninha da Roça”. No período de 28/02/2003 a 08/11/2004, a IBP teria adquirido 469.160 kg. do produto “preparado composto não alcoólico da Amazônia – PCNAA” ou “preparado composto não alcoólico – PCNA” das empresas fornecedoras STRATUS Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 04.475.883/000147, COEMA Química Ltda., CNPJ 60.765.740/000140, e Indústria e Comércio de bebidas NUVEM DE PRATA Ltda. – ME, CNPJ 52.593.084/000118, com o preço total das mercadorias de R$ 42.385.054,00 (média de 90,34/kg), com a seguinte classificação fiscal na TIPI: 2106.90.10. O produto foi registrado no “controle de estoque” com o código 3012, como “preparo composto não alcoólico”, sendo que, do total supostamente adquirido (469.160 kg.) de PCNA, 180.950 kg foram “transferidos” para o estoque do produto de código 2992, “preparado não alcoólico padronizado”; 340 kg foram contabilizados como “quebra”; 174.660 kg teriam sido vendidos diretamente às empresas OU TAIVER, da República da Estônia, e CINKOLL, do Uruguai, ao preço de R$ 12.087.539,00 (média de R$ 69,21/kg.), sem ser submetidos a nova industrialização, à vista de notas fiscais com CFOP 7.101 (venda de produto industrializado para o exterior); 113.210 kg permaneceram no estoque até o fim de 2004. Após a adição de outros elementos (649 kg), a maior parte do produto “preparado não alcoólico padronizado”, não contabilizada como “quebra”, foi transferida (180.000 kg) para o estoque do produto de código 1330, “preparo não alcoólico”, que teria sido vendida às empresas PROAD S/A, CNPJ 27.063.270/000874, e SWISSFARMA Ltda., CNPJ 05.070.660/000162, ao preço de R$ 12.344.400,00 (média de R$ 68,58 kg), com a emissão de notas fiscais com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros com o fim de exportação) e CFOP 6.949 (outras saídas não especificadas). As operações da imputada com o produto PCNAA teria resultado em um prejuízo de mais de R$ 7,6 milhões: de 2003 a 2004, teriam sido comprados 469.160 kg (R$ 42.385.054,00) e vendidos 354.660 kg (R$ 24.431.939,00). Intimada a esclarecer a apropriação de créditos, a IBP indicou a isenção do art. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.435/75, e chamou a atenção para o restabelecimento, pela Lei nº 8.402/92, art. 1º, III, do direito ao crédito de que trata o Decretolei nº 1.894/81, art. 1º, I. Porém, segundo o exator, tratase de dispositivos diferentes. O produto supostamente adquirido pela IBP da fornecedora STRATUS (sem incidência do imposto em virtude de isenção) não teria sofrido industrialização e não faria jus à apropriação de créditos prevista no Decretolei nº 1.435/75, sendo as demais empresas fornecedoras, NUVEM DE PRATA e COEMA, de fachada, não sendo a estas aplicável o direito ao crédito preconizado pelo Decretolei nº 1.894/81. Acerca da composição química do produto PCNA, a IBP respondeu que está de acordo com o art. 60 do Decreto nº 2.314/97 e que estão adequados os percentuais dos subprodutos aos registros no Ministério da Agricultura, sendo a Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 característica do produto de verdadeiro “segredo industrial”; a finalidade do produto seria o emprego na produção de bebidas refrigerantes e energéticas refrescantes, principalmente à base de cafeína natural. Aduz a autoridade fiscal que um produto adquirido a cerca de R$ 100,00 o litro, protegido por segredo industrial, seria empregado como matéria prima na produção de refrigerantes, vendidos no varejo na base de R$ 1,00 o litro. Segundo a IBP, o produto em causa teria sido submetido a industrialização de acordo com o art. 4º do Decreto nº 4.544/2002 e depois revendido. Ao Fisco Estadual a IBP havia informado a ausência de nova industrialização do produto, apenas revenda (aquisição e venda com a mesma classificação fiscal da TIPI: 2106.90.10). Instada a descrever o processo de industrialização do produto, com a indicação de todos os insumos utilizados, a IBP informou a adição de “gludex” (0,00250 a 0,00350%) e “caramelo” (0,00020 a 0,00035%), para atendimento da demanda contratada. Segundo a fiscalização, ambos os ingredientes do processo produtivo que seria “segredo industrial” são usualmente usados na linha de produção normal da empresa na padronização de aguardente de cana, o que dá conta da existência de notas fiscais de compras desses itens. O produto PCNA não consta como insumo na elaboração de outros produtos da IBP e não foi enviado a industrialização por terceiros. Além disso, a adição de 649 kg, relatada alhures, conforme resposta da IBP, diz respeito a 420 kg de xarope de açúcar invertido (gludex), 49 kg de corante caramelo e 180 litros de água: a adição de quantidade irrisória de gludex e corante caramelo é reputada pela IBP como “processo de industrialização”. E, relevante é destacar, conforme o “controle de estoque” da empresa, que os sobreditos ingredientes passaram a ser acrescentados somente a partir de 18/09/2004, data até a qual o produto PCNA fora revendido diretamente (174.660 kg) com o direito ao crédito, segundo a IBP, amparado pelo Decretolei nº 1.894/81. O curioso processo industrial teria ocorrido de 18/09/2004 a 15/12/2004, com as apropriações de PCNA no “processo produtivo” sempre na casa do milhar, sendo os valores restantes equivalentes às adições de “gludex” e caramelo, além de quebras. As vendas nesse período de “industrialização” têm notas fiscais emitidas sob o CFOP 6.502 (remessa de mercadoria de terceiros para exportação) e os créditos, segundo a IBP, teriam arrimo no Decretolei nº 1.435/75. Acerca da venda com evidente prejuízo (compra de PCNA a preço médio de R$ 90,00/kg e venda do “produto” resultante com preço médio de R$ 68,50/kg), redargüiu a IBP que teria ocorrido, na verdade, “lucro operacional bruto da ordem de 5%”, em virtude da falta de tributação na venda (imunidade) e a contabilização de créditos referentes às aquisições. Confirmada, aí, nessa explicação da empresa, segundo o fiscal, a tese da elaboração das “operações” com o simples objetivo de apropriação de créditos: “resultado positivo” financiado pela Fazenda Pública. Indagada a apresentar comprovantes de pagamento e de transporte pelas supostas aquisições de PCNA, a IBP respondeu o seguinte: “(...) Quanto aos pagamentos, segue em anexo, no Pacote 07, o Razão de contas a pagar, cujos comprovantes encontramse no arquivo morto, que em face da elevada quantidade de documentos, estarão à disposição. O saldo parcial devedor remanescente é objeto de negociações e tratativas para acordo de pagamento. A empresa passa por dificuldades financeiras. Como as mercadorias foram adquiridas com o transporte por conta do vendedor, não dispomos dos conhecimentos de transporte. (...)” Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 4 5 A suposta fornecedora COEMA teria vendido R$ 7.798.435,00 de PCNA à IBP à vista de apenas 10 (dez) notas fiscais (fls. 114/124) entre 03/02/2003 e 20/08/2003. Desse total, somente teria sido paga a importância de R$ 3.248.881,70, de 05/05/2003 a 20/04/2004, conforme o Razão de Contas a Pagar apresentado sem lastro em documentos comprobatórios de pagamento, com prorrogação substancial de prazo para apresentação (fls. 594/695). Quanto ao restante, nada foi pago no período de 20/04/2004 a 01/03/2007, tendo sido quitada, subitamente, em um único dia (01/03/2007), a dívida no valor de R$ 4.549.553,30. Quanto à NUVEM DE PRATA, teria ocorrido a venda de PCNA no importe de R$ 2.465.832,00 com a emissão de apenas 4 (quatro) notas fiscais (fls. 127/130) no exíguo período de 25 a 28/08/2003. Desse total, teria sido paga a importância de somente R$ 774.195,26, de 24/04/2004 a 03/01/2006, conforme o Razão de Contas a Pagar apresentado sem fulcro em documentos comprobatórios de pagamento, tendo sido feito o primeiro pagamento oito meses depois da primeira compra. Não há em poder da IBP os conhecimentos de frete das aquisições precitadas, a despeito de que conste das notas fiscais de aquisição os fretes por conta da destinatária: a IBP. Já a suposta fornecedora STRATUS teria vendido R$ 34.302.954,00 de PCNA, de 06/05/2003 a 20/09/2004, com suporte em notas fiscais de fls. 154/282. Desse total, teria sido paga a importância de somente R$ 7.387.901,82, de 02/07/2003 a 09/12/2004, conforme o Razão de Contas a Pagar apresentado sem o amparo de documentos comprobatórios de pagamento, tendo sido feito o primeiro pagamento oito meses depois da primeira compra. Posteriormente, até outubro de 2008, a IBP teria quitado a dívida. A empresa foi intimada a exibir as notas fiscais de venda do produto PCNA, os comprovantes de recebimento pelas vendas e a documentação comprobatória das efetivas exportações, o razão contábil com os registros dos recebimentos e os conhecimentos de transporte rodoviário e aquaviário de carga. Detalhes sobre as supostas vendas da IBP, segundo os elementos apresentados pela IBP: • Nota fiscal (fl. 424), de 03/07/2003, de venda para a empresa OU TAIVER, da Estônia, de 23.460 kg de PCNA, no valor de R$ 1.579.475,00, com vencimento em 04/07/2003: conforme a rubrica “contas a receber” do “livro de clientes” (fls. 594/695), foram recebidos R$ 424.445,48 em 29/04/2004 (quase um ano depois) e R$ 894.501,38 entre 20/03/2006 e 24/08/2006 (três anos depois da venda), com a baixa por abatimento de R$ 260.528,14; à guisa de comprovação, três contratos de câmbio com o BankBoston, de R$ 317.263,11, celebrados quase três anos após as vendas (fls. 513/532 e fls. 588/593); • Nove notas fiscais (fls. 380/417), do período de 08/09/2003 a 21/01/2004, de venda para a empresa CINKOLL, do Uruguai, de 151.200 kg de PCNA, no montante de R$ 10.508.664,00, com último vencimento em 22/07/2004: conforme “contas a receber”, a quantia de R$ 8.627.830,23 foi recebida entre 05/12/2003 e 14/07/2006, com a baixa de R$ 1.880.233,77 a título de abatimento; dos contratos de câmbio apresentados, 20 foram avençados após 12 meses das vendas (fls. 453/512 e fls. 523/587) – última nota fiscal de 21/01/2004, último embarque de 28/01/2004, mas último contrato de câmbio de 12/07/2006 (fls. 381, 382 e 583/587); Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 • Seis notas fiscais (fls. 326/370), do período de 20/09/2004 a 22/11/2004, de venda para a empresa comercial exportadora PROAD, de 120.000 kg de PCNA, no montante de R$ 8.229.600,00, com último vencimento em 22/03/2005: conforme “contas a receber”, a quantia de R$ 4.017.111,37 foi recebida entre 18/04/2005 e 14/03/2006, estando ainda em aberto a quantia de R$ 4.212.488,63; • Três notas fiscais (fls. 305/319), de 15/12/2004, de venda para a empresa SWISSFARMA, de 60.000 kg de PCNA, no montante de R$ 4.114.800,00, com vencimentos em 14/04/2005: em “contas a receber” consta uma quarta nota fiscal de venda de 80.000 kg do produto, sendo o total de R$ 5.486.400,00; o valor total teria sido recebido de 08/11/2005 a 28/05/2006. Em 12/2004, a conta do passivo da IBP, “2110101 – Fornecedores Diversos”, apresentava dívidas em aberto de quase R$ 40 milhões, ao passo que as duas contas de clientes, no país e no mercado externo, apresentavam valores em aberto, a receber, de quase R$ 27 milhões. AS INFORMAÇÕES REPASSADAS PELO FISCO ESTADUAL Conforme o relatório de auto de infração e imposição de multa lavrado pelo Fisco Paulista (fls. 698/894): • O PCNAA, um produto típico de “planejamento tributário”, é apenas uma solução aquosa inservível e imprestável como insumo intermediário destinado à fabricação de bebida refrigerante de guaraná, sem utilidade econômica e valor comercial, conforme comprovam as análises laboratoriais; • A atividade da STRATUS, em um processo artesanal, se limita à adição pura e simples de água filtrada a extrato de guaraná adquirido de produtor local, na proporção média de uma parte para cinco partes, além de pequenas quantidades de outros produtos químicos como benzoato de sódio, ácido cítrico e substância edulcorante. Apesar do mínimo acréscimo de produtos ao extrato vegetal de guaraná, sendo maior o volume de água, seria de se esperar um preço final do preparado não muito maior do que o do insumo básico (extrato de guaraná): preço do extrato vegetal adquirido e produzido pelos irmãos Pazini – R$ 13,10/L; preço do preparado composto – R$ 104,80/L; um lucro bruto de 700%; mediante a agregação de água filtrada e elementos químicos ao extrato líquido de guaraná a indústria de bebidas fabrica o refrigerante de guaraná, assim, não faz sentido uma etapa intermediária em que seria produzido um “preparado” ou um “concentrado” especial com quantidade de água maior que a do extrato, porém menor que a existente no produto final; não faz sentido a adição de um mesmo elemento diluente em duas etapas sucessivas, sendo a seguinte a conclusão: a “fabricação” de um produto intermediário sem utilidade comercial com a finalidade de agregar valor em montante suficiente para permitir a transferência maciça de créditos de IPI e ICMS em benefício de adquirentes situados fora da Zona Franca de Manaus, além das vantagens tributárias atinentes ao PIS, à COFINS e ao IRPJ; • Não se trata de um produto de tecnologia de ponta, mas de algo produzido, mediante um processo altamente rudimentar e artesanal, em uma empresa estabelecida em um galpão mal ajambrado, com objetos espalhados pelo chão e provida de tanques obsoletos. Dessa maneira, a empresa teria faturado 247 milhões de reais em apenas 2 anos!; • O PCNAA não se enquadra nos parâmetros da legislação federal, referente a “preparado ou concentrado líquido para refresco ou refrigerantes”, veiculada na Portaria 544/98 do Ministério da Agricultura, que define concentrado de guaraná (produto classificado no código NCM/SH 2106.90.10, que não constitui matéria prima para a indústria de bebidas, mas produto pronto para consumo e destinado ao preparo de refrigerante em máquina “prémix” ou “postmix”) como Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 5 7 “bebida que contiver suco de fruta, extrato vegetal ou parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento do consumo”; conforme as notas fiscais emitidas, o PCNAA não se apresenta como produto pronto para consumo, mas sim como produto destinado a sofrer novo processo de industrialização: na verdade, um produto inadequado à fabricação de bebida refrigerante de guaraná, pois mero artifício de planejamento tributário; • O preço unitário do extrato de guaraná praticado por empresa conhecida de Jaraguá do Sul, SC, em 2006, era de R$ 1,60/L. Já a STRATUS, de maio de 2003 a agosto de 2004, teria adquirido do produtor rural João Pazini Filho o extrato de guaraná na base de R$ 13,10/L a R$ 33,10/L; no tocante ao PCNAA, consoante documento da STRATUS, o extrato de guaraná é utilizado na proporção de 1 para 5: em 2003, Pazini teria emitido notas fiscais para a STRATUS de 58.411 kg de extrato de guaraná, quantidade apta a produzir 292.055 kg de PCNAA, mas no mesmo ano a STRATUS emitiu documentos fiscais de venda de 405.762 kg de PCNAA; em 2004, supostas aquisições de 80.920 kg de extrato de guaraná, quantidade suficiente para a produção de 404.600 kg de PCNAA, mas com vendas da STRATUS de 1.142.973 kg de PCNAA; DIPJ/2003: compras declaradas de extrato de guaraná – R$ 18.876.951,20; vendas declaradas por Pazini – R$ 376.949,83; DIPJ/2004: compras declaradas de extrato de guaraná – R$ 11.425.840,64; vendas declaradas por Pazini – R$ 935.587,80; • Outra suposta fornecedora de extrato de guaraná para a STRATUS em 2004, a empresa JRFF Comércio e Indústria Ltda., conforme diligências no local, seria o estabelecimento com espaço muito pequeno, tendo permanecido praticamente fechado durante o tempo do pagamento dos aluguéis. AS SUPOSTAS EMPRESAS FORNECEDORAS STRATUS Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 04.475.883/000147: Com sede na Zona Franca de Manaus, AM; sócios, Miguel Haddad e José Henrique Pinheiro Pavão; cadastrada no sistema CNPJ à época da emissão das notas fiscais com CNAEFiscal 1589099 – “fabricação de outros produtos alimentícios”; teria operado em instalações modestas, com precárias condições e equipamentos obsoletos, conforme reproduções fotográficas (fls. 870/872). Teria vendido à IBP 385.860 kg de PCNAA, de junho de 2003 a novembro de 2004, no valor de R$ 34.302.954,00 (média de R$ 88,90/kg), com notas fiscais sem IPI (isenção), relacionadas às fls. 285/286, apreendidas pelo Fisco Estadual (fls. 150/153), sendo que, conforme o “razão do contas a pagar”, apresentado sem documentação comprobatória, de julho de 2003 a dezembro de 2004 teria sido pago somente R$ 7.387.901,82 (21,54%) e, de janeiro de 2005 a outubro de 2008, o restante teria sido praticamente quitado sem a fornecedora tomar nenhuma medida contra a demora da cliente em pagar (protesto ou execução). DIPJ anocalendário 2003: a STRATUS declara a aquisição de R$ 18.876.951,20 da matéria prima “concentrado de guaraná” da pessoa física João Pazini Filho e a venda de R$ 37.188.616,00 de PCNA a diversos adquirentes, sendo R$ 13.716.370,00 à IBP; DIPJ anocalendário 2004: aquisição declarada de R$ 24.187.075,19 da mesma matéria prima da fornecedora JRFF Comércio e Indústria Ltda. e R$ 11.425.840,64 do fornecedor João Pazini Filho, com a venda de R$ 100.065.596,30 a vários clientes, sendo R$ 20.505.674 à IBP. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 O produtor rural, João Pazini Filho, único fornecedor da STRATUS de extrato de guaraná em 2003 e o segundo maior em 2004, teria declarado a receita bruta de apenas R$ 376.949,83 em 2003 e de R$ 935.787,80 em 2004. A empresa JRFF fez declaração de INATIVA quanto ao anocalendário de 2004 (ausência de operação com mercadorias e de recebimentos ou de pagamentos de valores); entregou a GFIP, de informações previdenciárias, como SEM MOVIMENTO já em 1999, situação que perdura (ausência de empregados ou autônomos a serviço em 2004, ano de um montante muito grande de vendas; movimentação financeira: nula em 2003, de R$ 35,00 em 2004 e de R$ 38,00 em 2005. A empresa transportadora das supostas vendas da STRATUS à IBP, PB Transportes Ltda., (pelas notas fiscais, o frete por conta da STRATUS, ficou sob a responsabilidade da PB) não teve movimento em 2003 e declarou inatividade em 2004, sendo omissa nos anos posteriores, o que foi corroborado por declaração prestada pelo respectivo contador à época (“a empresa não estava operando”, fls. 901/904); a empresa contava com um único empregado registrado de junho/2004 a janeiro/2005, embora meia tonelada de PCNAA teria sido transportada de Manaus a Rio das Pedras, SP. COEMA Química Ltda., CNPJ 60.765.740/000140: Com sede em Paulínia, SP; sócios, Antonio José Hadade de Souza e Arthur Chaves Figueiredo; cadastrada no sistema CNPJ com CNAEFiscal 5154399 – “comércio atacadista de produtos químicos”. Teria vendido à IBP 63.300 kg de PCNA “Coema”, de fevereiro a agosto de 2003, no valor de R$ 6.140.500,00 (média de R$ 97,01/kg), com notas fiscais com destaque de IPI no importe de R$ 1.657.935,00 (alíquota de 27%), relacionadas à fl. 285, apreendidas pelo Fisco Estadual (fls. 150/153), sendo que, conforme o “razão do contas a pagar”, apresentado sem documentação comprobatória, de maio de 2003 a abril de 2004 teria sido pago somente R$ 3.248.881,70 (41,66%) e, a partir de abril de 2004 até março de 2007, não houve nenhum pagamento; subitamente, em 01/03/2007, a IBP teria quitado o restante da dívida no valor de R$ 4.549.553,30 (fls. 616/617), sendo que, conforme a movimentação financeira da matriz da COEMA no sistema de processamento de dados da Receita Federal, a conta corrente mantida no Banco Banespa teria sido movimentada pela última vez em 2004 (uma filial teria tido movimentação na conta bancária de valor muito pequeno em 2006 e outra filial não teria apresentado movimentação financeira de 2002 a 2008); mesmo em 2004, ano da quitação de R$ 589.051,44 pela IBP, a COEMA teria tido um fluxo financeiro durante todo o ano de R$ 509.492,32; as mercadorias correspondentes às notas fiscais emitidas teriam chegado à IBP em prazos variados (de 6 dias a 25 dias), incompatíveis com a pequena distância entre as cidades (cerca de 100 km). Os fretes, por conta da destinatária, a IBP, teriam sido realizados por ADAGA Transportes Ltda – ME, mas há somente o registro de um pagamento à transportadora (R$ 3.600,00 em 24/02/2003). DIPJ anocalendário 2003: a COEMA declarou inatividade (sem atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial) e não entregou a DCTF; quanto ao sistema previdenciário, nenhum registro de remuneração de pessoa física, empregado ou autônomo, ou recolhimento previdenciário; sendo 2003 o ano da emissão das notas fiscais de venda à IBP, o contador responsável pela entrega da DIPJ foi intimado e respondeu que o sócio da empresa informara que “a empresa estava sem movimento desde meados de 2002”. Industria e Comércio de Bebidas NUVEM DE PRATA Ltda – ME, CNPJ 52.593.084/000118: Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 6 9 Com sede em Botucatu, SP; eram sócios gerentes, somente no período de 03/2003 a 09/2003, Gilvan Marques e Wady Hadad Neto; no sistema CNPJ consta como responsável, Paulo Cesar Cavinato, e como CNAEFiscal o código 1591101 – “fabricação, retificação, homogeneização e mistura de aguardente de canade açúcar”; declarada INAPTA por ser INEXISTENTE DE FATO, com efeitos a partir de 01/01/2003, pelo Ato Declaratório Executivo nº 25, de 11/12/2007 (fl. 909). Teria vendido à IBP 20.000 kg de “Concentrado Não Alcoólico Nuvem de Prata – CNANP”, de 25 a 28 de agosto de 2003, no valor de R$ 1.941.600,00 (média de R$ 97,08/kg), com quatro notas fiscais com destaque de IPI no importe de R$ 524.232,00 (alíquota de 27%), relacionadas à fl. 285, apreendidas pelo Fisco Estadual (fl. 145), sendo que, conforme o “razão do contas a pagar”, apresentado sem documentação comprobatória, de abril de 2004 a janeiro de 2006 teria sido pago somente R$ 774.195,26 (31,40%) e, com o primeiro pagamento feito somente oito meses depois da primeira compra, a partir de janeiro de 2006 não houve nenhum outro pagamento; houve dois pagamentos, em 02 e 03/01/2006, no total de R$ 10.000,00, mas nesse ano nenhuma movimentação financeira foi registrada para NUVEM DE PRATA. Os fretes referentes às quatro notas fiscais emitidas, conforme as quais seriam os fretes por conta da IBP, foram efetuados pela empresa ADAGA Transportes Ltda – ME, com somente um pagamento feito pela IBP de R$ 3.600,00 em 24/02/2003, como mencionado anteriormente: o único pagamento feito à ADAGA pela IBP é bem anterior às datas das notas fiscais emitidas por NUVEM DE PRATA – agosto de 2003. DIPJ anocalendário 2003: nas fichas IPI/Remetentes de Insumos e IPI/Entradas Insumos não constam dados sobre a origem do insumo utilizado na “fabricação” do produto vendido ou da mercadoria revendida à IBP; quanto ao sistema previdenciário, nenhum registro de remuneração de pessoa física, empregado ou autônomo, ou recolhimento previdenciário à época da emissão das notas fiscais (08/2009). A empresa NUVEM DE PRATA foi flagrada pela Receita Federal do Porto de Santos tentando exportar “água” como sendo “preparado composto não alcoólico”, com superfaturamento, consoante documentação de fls. 893/894: “(...) preparação composta à base de extrato de canela, ácido cítrico, sal de sódio, corante caramelo, com teor de diluição aproximado de 98% (noventa e oito por cento) de água, muito próximo aos preparados refrigerantes encontrados no mercado prontos para consumo. Ocorre que os preparados refrigerantes existentes no mercado custam no varejo, em média, R$ 1,00 por litro, sendo que o valor declarado na nota fiscal nº 000114, de 17/02/2004, (...) é de aproximadamente R$ 76,92 por litro.(...)”; em diligência realizada pela DRF/Bauru/SP foi constatada a capacidade duvidosa para produção das mercadorias, sendo o valor total de vendas das notas fiscais das mercadorias apreendidas de R$ 14.236.700,00, sendo as aquisições de “insumos” para fabricação no montante apenas de R$ 43.818,07. AS SUPOSTAS EMPRESAS ADQUIRENTES SWISSFARMA Ltda., CNPJ 05.070.660/000162: Empresa atualmente INAPTA por inexistência de fato, sediada em Anápolis, GO, tendo como sócio Paulo Roberto Rios e administrador Jessé Silva; CNAE Fiscal 211060 (fabricação de produtos farmoquímicos). Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 As vendas da IBP, 60.000 kg do produto “preparo não alcoólico” no valor total de R$ 4.114.800,00 (média de R$ 68,58 kg), foram efetuadas sem destaque do IPI e sob o código de CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação); vendas em 12/2004 com vencimento em 04/2005 e com recebimentos somente entre 11/2005 e 05/2006, sem que a IBP tenha protestado a cliente. DIPJ anocalendário 2004: o valor da aquisição feita da IBP, R$ 4.114.800,00, é o valor declarado como receita de exportação, sem margem de lucro; a movimentação financeira em todo o ano de 2004 foi de R$ 4.534.056,86; quanto ao sistema previdenciário, somente o registro de uma única empregada à época da emissão das notas fiscais (12/2004). A empresa é citada em representação da DRF/Presidente Prudente/SP, na qual consta como beneficiária de um duvidoso esquema de acumulação de créditos de IPI e de ICMS e que teria fornecido PCNA para a IBP, produto que, segundo análise laboratorial, conteria 97,2% de água (fls. 1.042/1.044). PROAD S/A, CNPJ 27.063.270/000106: Empresa atualmente em situação de SUSPENSA por “prática irregular em operação de comércio exterior”, sediada em Vitória, ES, tendo como sócios Rafael Amaral e Silva Nader e Tuffy Nader Neto; CNAEFiscal 5192600 (comércio atacadista de mercadorias não especificadas anteriormente). As vendas da IBP, 120.000 kg do produto “preparo não alcoólico” no valor total de R$ 8.229.600,00 (média de R$ 68,58 kg), foram efetuadas sem destaque do IPI e sob o código de CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação); vendas de 9 a 11/2004 e recebimento em 2005 e 2006 de somente R$ 4.017.111,37, sendo o restante ainda não quitado, mas sem protesto. DIPJ anocalendário 2004: na ficha IPI/Remetentes de Mercadorias não consta a IBP como fornecedora e na ficha IPI/Entradas de Mercadorias consta a aquisição de apenas R$ 1.982.240,00 de PCNA, montante muito inferior ao das notas fiscais: 8.229.600,00; quanto ao sistema previdenciário, nenhum registro de remuneração de pessoa física, empregado ou autônomo, e sem movimento no período das supostas vendas (2004), no que concerne à filial destinatária da mercadoria (filial 000874). A empresa é citada em representação da DRF/Presidente Prudente/SP a respeito de exportação efetuada para a IBP em que teria ocorrido fraude no valor da transação (superfaturamento), sendo o produto declarado como sendo PCNAA com 97,2% de água (fls. 1.045/1.046). OU TAIVER, empresa estrangeira sediada na Estônia: A conta da IBP vinculada ao recebimento de R$ 424.445,48 em 29/04/2004 no “livro de clientes” foi a ‘1120101 – ClientesPaís”, apesar de se tratar de exportação direta, conta esta com um saldo devedor acumulado em 12/2004 de R$ 16.532.469,23. A mercadoria supostamente exportada à OU TAIVER foi baixada diretamente do estoque do produto PCNA (código 3012), tratandose da mesma conta contábil concernente às aquisições de PCNAA pela IBP: ou seja, não teria ocorrido nova industrialização, somente revenda. As vendas de PCNA à OU TAIVER, ao custo unitário de R$ 67,32 kg, representariam um prejuízo comercial de mais de R$ 600 mil em face das compras Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 7 11 efetuadas das fornecedoras COEMA e STRATUS, de 02 a 07/2003, ao custo médio de R$ 93,42 kg. CINKOLL, empresa estrangeira sediada no Uruguai: A mercadoria pretensamente exportada à CINKOLL também foi baixada diretamente do estoque do produto PCNA (código 3012), tratandose da mesma conta contábil concernente às aquisições de PCNAA pela IBP: ou seja, não teria ocorrido nova industrialização, somente revenda. As vendas de PCNA à CINKOLL, ao custo unitário de R$ 69,50 kg, representariam um prejuízo comercial de mais de R$ 3 milhões em face das compras efetuadas da fornecedora STRATUS, na mesma época, ao custo médio de R$ 88,90 kg. CONSTATAÇÕES E CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO A IBP tem como sócia majoritária (99% das quotas) uma empresa cujas sócias são duas empresas sediadas no Uruguai, para onde teria sido, inclusive, enviada a maior parte do “preparo não alcoólico”, sendo desconhecidos os verdadeiros proprietários (pessoas físicas) e inexistentes bens imóveis em nome da IBP em ambos os cartórios de registro de imóveis de Piracicaba (sendo que Rio das Pedras é da circunscrição de um deles). Há evidente relação entre os responsáveis pelas empresas fornecedoras de PCNA: Miguel Hadad, sócioadministrador e responsável pela STRATUS, é irmão de Wady Hadad Neto, sóciogerente da NUVEM DE PRATA; Antonio José Hadade Souza é sócioadministrador da COEMA. A IBP é uma empresa do ramo de aguardente de canadeaçúcar e emprega no respectivo processo produtivo a aguardente bruta e o destilado alcoólico, matérias primas outrora adquiridas com créditos de IPI. Com o advento da Lei nº 9.493, de 10/09/1997, as aludidas matérias primas passaram a ser vendidas sob suspensão do IPI, sendo que a aguardente padronizada na saída sofre o gravame de 60% de IPI. O PCNA não constitui insumo no processo industrial da IBP, mas há a simulação de operações com tal substância para a apropriação de créditos em grande monta e consequente redução do saldo devedor de IPI atrelado às atividades usuais: com a utilização dos créditos referentes às aquisições de PCNA, os recolhimentos decendiais foram na ordem de R$ 28.000,00, enquanto que, desconsiderados tais créditos, os recolhimentos decendiais seriam da ordem de R$ 280.000,00 (10 vezes mais!). Nos anos de 2003 e 2004, a IBP teria adquirido 469.160 kg de PCNA ao preço total de R$ 42.385.054,00 (média de R$ 90,34/kg) com o aproveitamento de créditos à alíquota de 27%, além de créditos de ICMS, PIS e COFINS, e vendido 354.660 kg do produto “preparo não alcoólico” para o mercado externo, ou seja, com imunidade tributária, sob a mesma classificação fiscal das aquisições (código TIPI 2106.9010), ao preço de R$ 24.431.939,00 (média de R$ 68,89 kg): um prejuízo de R$ 7,6 milhões! Com a inclusão dos créditos apropriados de IPI, ICMS, PIS e COFINS na avaliação, a vantagem do negócio para a empresa fica evidente. A simulação nas operações com o PCNA não implica a inexistência destas: houve movimentação física do produto, com apreensões no Porto de Santos e coleta de amostras pelo Fisco Estadual, com transportes, pagamentos e recebimentos parciais, com o fito de conferir uma aparência de normalidade e legalidade. O produto PCNA, em si, é uma simulação de mercadoria: “neste caso, a dita Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 mercadoria PCNA, “fabricada” na Zona Franca de Manaus com incentivos fiscais, desprovida de valor comercial e vendida a alto preço, não passa de um suporte físico para a transferência de créditos” O PCNA, destinado ao mercado externo, não tem valor comercial, pois, caso contrário, teria aceitação no país: as indústrias nacionais de refrigerantes adquirem o extrato concentrado de guaraná e não esse PCNA que, além de dispendioso e volumoso, nada mais é do que extrato de guaraná diluído em água. O código de classificação fiscal da TIPI, 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27%, utilizado tanto nas notas fiscais de aquisição quanto nas de saída, tem o seguinte texto descritivo: “Preparações compostas não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. O PCNA tratado nos autos apresentava teor de água superior a 97%. A despeito de que as operações concernentes ao PCNA possam ser, de certo modo, reputadas como legítimas, não haveria o direito ao crédito em virtude da inexistência de industrialização: o produto foi adquirido e revendido, apenas com a adição de quantidades ínfimas de “gludex” e de corante caramelo (baixados posteriormente como quebra de produção), tendo sido as notas fiscais de venda emitidas com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS, MAJORAÇÃO DA MULTA E OUTROS DETALHES Créditos de IPI referentes a aquisições de PCNA da fornecedora COEMA cujas notas fiscais foram emitidas com destaque do imposto (não recolhido): R$ 1.657.927,09, registrados no livro Registro de Apuração do IPI no item 6 (“por entrada com crédito do imposto”). Créditos do imposto referentes a aquisições de PCNA da fornecedora NUVEM DE PRATA cujas notas fiscais foram emitidas com destaque do imposto (não recolhido): R$ 524.232,00, registrados no livro Registro de Apuração do IPI no item 6 (“por entrada com crédito do imposto”). Créditos imposto referentes a aquisições de PCNA da fornecedora STRATUS cujas notas fiscais foram emitidas sem destaque do imposto: R$ 9.271.445,40, registrados no livro Registro de Apuração do IPI no item 10 (“outros créditos”) com o histórico: “art. 1º, inciso II da Lei nº 8.402 de 08/01/1992”. Total do crédito de IPI utilizado pela IBP: R$ 11.453.604,49. Em virtude da inexistência de saldos credores na escrita fiscal do sujeito passivo em alguns períodos de apuração, foi necessária a reconstituição da escrita fiscal (fl. 910). Sobre o imposto devido, resultante da glosa de créditos, foi imposta a multa majorada de 150%, cominada pela Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 80, II, em virtude das circunstâncias qualificativas observadas: simulação, em conluio (ajuste doloso entre os responsáveis pelas empresas participantes do esquema), de operações de compra e venda de mercadoria inservível com o intuito de aproveitamento de créditos do imposto, tendo como finalidade a sonegação fiscal. A peça fiscal foi instruída com farta documentação, com todo o lastro probatório detalhado nos parágrafos precedentes deste relatório. A seguinte documentação, carreada pela autoridade fiscal, integra os autos: Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 8 13 • Termo de intimação fiscal nº 01 e cópia do livro Registro de Apuração do IPI (fls. 08 e 23/98); • Termo de intimação fiscal nº 02, resposta e cópias de notas fiscais de aquisição (fls. 99/282); • Termo de intimação fiscal nº 03, resposta e cópias de notas fiscais de compra de corante caramelo e gludex, de notas fiscais de venda, de comprovantes de exportação, de contratos de câmbio e do razão de contas a pagar (fls. 283/695); • Ofício ao Delegado Tributário de Campinas, resposta e documentação: auto de infração, laudos etc. (fls. 696/894); • Ofício ao 1º Oficial de Registro de Imóveis e Anexos de Piracicaba e resposta (fls. 895/897); • Ofício ao 2º Oficial de Registro de Imóveis e Anexos de Piracicaba e resposta (fls. 898/900); • Intimações a terceiros (responsáveis pela contabilidade das empresas P.B. Transportes Ltda. e Coema) e respostas (fls. 901/908); • Página do DOU com o Ato Declaratório Executivo nº 25, de 2007, ref. inaptidão da empresa Nuvem de Prata (fl. 909); • Reconstituição da apuração do IPI da IBP (fl. 910); • DIPJ dos anoscalendário 2003 e 2004 da IBP (fls. 911/993); • Termo de apreensão de notas fiscais e respectivas cópias (994/1.006). Presentes elementos que caracterizam, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária, foi formulada a representação fiscal para fins penais processada sob o nº 13888.005353/200875. Foi promovido também, à luz da Lei nº 9.532, de 1997, art. 64, e da Instrução Normativa SRF nº 264, de 2002, o arrolamento de bens e direitos (processo nº 13888.005355/200864). A IMPUGNAÇÃO A empresa tomou ciência da exação em 12/12/2008, por intermédio do respectivo procurador, Sr. Marcelo de Moraes Frota, qualificado no instrumento de fl. 1.083. Em 13/01/2009, não conformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.085/1.133, subscrita pelo sobredito procurador da pessoa jurídica, em que aduz as seguintes razões de defesa, em resumo: • O fundamento legal utilizado na acusação fiscal não é suficiente para que se possa deduzir efetivamente quais sejam os fundamentos da acusação, mesmo considerando que tenha ocorrido simulação; os dispositivos não são compatíveis com os relatos, ou seja, o enquadramento legal indicado nada tem a ver com o relatório fiscal e com as circunstâncias da autuação: os dispositivos apontados não têm qualquer relação com os fatos narrados; o art. 10 do Decreto 70.235/72 determina que o auto de infração deve conter a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, sendo a ausência da disposição legal e da penalidade aplicável, Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 14 ou a demonstração deficiente, causas de nulidade do lançamento tributário, de acordo, inclusive, com doutrina; • O princípio da nãocumulatividade tem base constitucional e a impugnante, ao se creditar do IPI, nada fez além de utilizar garantias constitucionais; há contradição no auto de infração: o direito ao crédito, sendo o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus, é previsto no Decretolei nº 1.435/75 e no Decretolei nº 1.894/81, mas a razão apontada para a impossibilidade do creditamento pela IBP seria a ausência de nova industrialização no produto adquirido, sendo que, segundo a fiscalização, afastando a aplicação dos diplomas acima, a fornecedora STRATUS teria vendido o produto com isenção e as fornecedoras NUVEM DE PRATA e COEMA seriam empresas de fachada e que não teriam recolhido os tributos devidos; não há provas de que a IBP tenha deixado de industrializar o produto adquirido; nãoincidência não se confunde com isenção, já que com esta há a ocorrência do fato gerador; condicionar o direito de crédito decorrente do imposto incidente nas fases anteriores ao efetivo recolhimento significa criar restrições ao princípio da nãocumulatividade; • O auto de infração é baseado em meras conjecturas e presunções, tendo sido adotado o mesmo relatório utilizado pelo fisco estadual (de um processo ainda sub judice), o que representa um caminho equivocado: não existe perícia e não foram considerados os documentos oferecidos pela impugnante à fiscalização, como comprovantes de pagamento, de transporte, etc.; as operações tiveram existência efetiva, pois houve produção, transporte e pagamento: inexistem provas de que o produto seria inservível; o produto existe e está registrado no Ministério da Agricultura , sendo que todos os lotes têm certificação prévia, ou seja, foram inspecionados e liberados pelos órgãos competentes; o “procedimento de autuar contribuintes sem fundamento legal, sem comprovação baseado em meras especulações e conjecturas (sic), apenas na busca de espetáculos jornalísticos, como os que temos assistido nos últimos dias, revelam verdadeiro abuso do Estado. Mas este comportamento está com dias contados, o levante da sociedade e do Judiciário demonstra a inaplicabilidade destes procedimentos dentro do Estado de direito. (...) os desmandos e abusos perpetrados por Fiscais que, desvirtuados, de suas atribuições legais, enveredam por caminhos oblíquos para se tornarem celebridades. ”; a prova utilizada é emprestada do Fisco do Estado de São Paulo, que periciou amostras com validade vencida; o uso da prova emprestada é possível, mas dentro de limites e com requisitos, conforme jurisprudência: referências a laudos ou análises não podem ter o condão de sustentar nenhuma autuação, não tendo sido demonstrada e comprovada a imprestabilidade do produto; • O auto de infração é nulo de pleno direito, por ausência de provas, uma vez que, pela teoria dos motivos determinantes, o motivo determina a validade de um ato administrativo, e, sendo invalidado o ato, este não pode ser refeito segundo motivo diverso, conforme doutrina; • Ademais, o ônus de provar a acusação é do Fisco; é falsa a alegação de “imprestabilidade” econômica do produto; segundo a Nota Técnica nº 179/2007 da Superintendência da Zona Franca de Manaus os dados teriam sido obtidos de informações prestadas mensalmente pelas próprias empresas, sendo que no quadro IV desse documento há a informação de que a empresa Arosuco teria faturado em 2006 R$ 482.025.831,00 com o produto PCNAA, praticando o preço de R$ 146,07 o quilo, e a empresa Recofarma, a impressionante cifra de R$ 2.439.382.281,00, com o preço de R$ 83,45 o quilo; “imprestável e inservível é este lançamento”; • Outro vício que macula a autuação deve ser considerado: a decadência – o auto foi lavrado em 12/12/2008 e inclui períodos de apuração compreendidos entre fevereiro e dezembro de 2003, todos alcançados pela decadência; não pode ser Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 9 15 invocado o CTN, art. 150, § 4º, pois não há comprovação das alegações do Fisco, muito menos de simulação; existem apenas conjecturas; • O art. 118 do CTN teria sido violado, uma vez que a desclassificação do produto pelo Fisco paulista não implica que o direito ao crédito seja considerado inexistente, conforme julgado do STJ referente a caso semelhante; por outro lado, não poderia ser invocado o art. 116, § único, pelo Fisco; • A alegação de que o produto é inservível é fundada apenas na referência à autuação feita pelo Fisco de São Paulo, baseada em um laudo fajuto; o produto PCNAA deve ser enquadrado pelo arcabouço normativo de regência: Lei nº 8.918/94, Decreto nº 2.314/97, que consagram os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, assim como a garantia do direito e dever de o Estado fiscalizar; são apontadas ilegalidades cometidas pelo Fisco Estadual na produção do laudo, o que implica a ilicitude da prova utilizada, sendo que a adoção de prova emprestada “já remonta o absurdo”; • A fundamentação legal para o agravamento da multa, art. 80, II, da Lei nº 4.502/64, é nula já que o dispositivo teria sido revogado pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, mas, pelo princípio da eventualidade, é sustentado que o agravamento é inaplicável, pois o dolo não se presume, devendo ser provado de forma convincente, com o Fisco tendo um “duplo ônus de prova”, ou seja, “ônus de provar a conduta infracional e ainda ônus de provar a existência de conduta dolosa”; sobre os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, na “fútil tentativa de distorcer a verdade dos fatos, porque os primeiros dispositivos (sonegação e fraude) de plano já ficam descartados”, o tipo escolhido foi o conluio, apesar de dependente que é dos demais tipos; não há prova da conduta infracional com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, ou mesmo impedir ou retardar a própria ocorrência do fato gerador, e, portanto, não há a demonstração do dolo; a multa de 150% aplicada é, pois, absolutamente improcedente; • O arrolamento de bens e direitos de que trata o art. 64 da Lei nº 9.532/97 foi efetuado antes do término do processo administrativo, de forma precoce, o que pode tipificar o crime de abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65, art. 4º, “h”), sendo pacífico na doutrina e na jurisprudência que a defesa administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), e, além disso, não teria sido cumprido o procedimento interno previsto na IN SRF nº 264/2002; • Para a realização de perícia, houve a formulação de quesitos, mas sem a indicação do assistente técnico; é mencionado na impugnação que o servidor público federal indicado na lei deverá realizar a perícia a partir de amostras colhidas nos termos legais; também, à guisa de prova testemunhal, é requerido o encaminhamento de ofício à autoridade competente em Manaus concernente a informações acerca dos produtos vendidos pela Stratus quanto a especificações físicoquímicas e preços; • Por fim, reitera a necessidade da produção de prova pericial, de prova testemunhal, ou, pelo menos, requer a realização de diligências no órgão do Ministério da Agricultura responsável pelos laudos que certificam a regularidade do produto e do preço, e, sobretudo, requesta a anulação do procedimento fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 16 Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 GLOSA DE CRÉDITO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes. GLOSA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS DEPENDENTE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE BEM ADQUIRIDO COM ISENÇÃO. SIMULAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Glosamse os créditos do imposto se for constatada a simulação de processo industrial, no caso de bem adquirido com isenção em operações para as quais a legislação condicione a manutenção e utilização dos créditos à industrialização do bem pelo destinatário. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando ficar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENQUADRAMENTO LEGAL DEFICIENTE. A judiciosa exposição dos fatos elaborada pelo autuante, com a demonstração inequívoca dos valores submetidos a cobrança, assim como a oferta de um apelo impugnatório em que o direito de defesa é plenamente exercido, suprem as falhas existentes na capitulação legal da infração. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. INDÍCIOS. Todos os meios de prova legais e moralmente legítimos são hábeis a fazer prova dos fatos que consubstanciam a imputação, notadamente as provas indiretas (indícios) que se revelam copiosas e convergentes. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITO BÁSICO AUSENTE. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia, se estiver ausente um dos requisitos legais cumulativos e se os elementos existentes na peça acusativa forem suficientes para o convencimento da autoridade julgadora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/02/2003 a 20/03/2003, 11/04/2003 a 30/04/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/08/2003 a 10/11/2003, 21/11/2003 a 20/07/2004, 01/08/2004 a 10/09/2004, 21/09/2004 a 20/12/2004 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 10 17 interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, a sonegação e o conluio, indicadoras de dolo. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Começa por relatar que a origem da presente autuação estaria em procedimento levado a efeito pelo Estado de São Paulo que teria buscado “a qualquer custo desvirtuar a operação, promovendo, pois, fiscalizações abusivas com desvios de finalidades e em aberta violação ao sistema normativo”. Alega, mais uma vez, decadência de parte do crédito tributário constituído no auto de infração. Por haver pagamentos parciais, traz a lume o jurisprudência do STJ, em Regime de Recurso Repetitivo, que determina nestes casos não ser aplicável o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Que o dolo não se presume. Assevera não existir nos autos, “além de meras suposições fantasiosas do fisco, de provas robustas capazes de demonstrar a simulação. As alegações foram "emprestadas" do relatório fiscal produzido pelo Fisco paulista e utilizado em uma série de abusivas autuações. REPITASE, ALGUMAS JA APRECIADAS PELO TRIBUNAL DE IMPOSTOS E TAXAS DE SAO PAULO E, ACERTADAMENTE, CANCELADAS”. (grifos no original) Requer a decretação de nulidade da autuação em virtude da abstrata capitulação das irregularidades apontadas. Considera que “No caso dos autos, o enquadramento legal citado nada tem que ver com o relatório fiscal e com as circunstancia da autuação.” Defende que, segundo “Ficou constatado que a IBP simulou operações comerciais com o produto denominado "Preparado composto não alcoólico", aproveitandose indevidamente de créditos de IPI gerados com as respectivas aquisições deste produto”. E prossegue, Entretanto, a autoridade administrativa afirma diversas outras coisas no curso do Termo de Verificação Fiscal. Em fls. 20, por exemplo, é dito que a IBP "não tem direitos de apropriar os créditos segundo o Decretolei n° 1.435/75". Por outro lado, a partir de fls. 3, o auto de infração utiliza o trabalho fiscal da Fiscalização do Estado de São Paulo que considerou o PCNAA da IBP inservível e imprestável a partir de laudos periciais produzidos com produtos de validade vencida. Noutro giro, o fundamento legal utilizado pela acusação não é suficiente para que ao menos se possa deduzir efetivamente quais sejam os fundamentos da acusação. Nem mesmo considerando que houve simulação os dispositivos não são compatíveis com os relatos. Vejamos: ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 18 Arts. 34, inciso II, 122, 127, 130, 164, inciso I, 199, 200, inciso IV e 202 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02). Segue, transcrevendo teor dos dispositivos legais acima listados, para confirmar a nulidade argüida. Também considera nula a prova utilizada como fundamento do lançamento, “porquanto "emprestada" e ainda baseada em perícia realizada em produto fora do prazo de validade ônus de prova é do Fisco”. Quanto a isso, esclarece que o “julgamento ao qual faz alusão o ilustre Agente Fiscal é o Auto de Infração de Imposição e Multa lavrado pelo Fisco estadual contra a Recorrente (Decisão em anexo). Ocorre, porém, que os argumentos deduzidos pela defesa, em sede de Recurso Voluntário naquela esfera, foram suficientes para fazer com que o Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo reconhecesse a vicissitude que maculava a malfadada análise laboratorial que aparelhava a autuação e convertesse o julgamento em diligencia para se apurar se: A PROVA FORA ELABORADA EM MATERIAL COM PRAZO DE VALIDADE VENCIDA E NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA (Decreto n.° 2.314/07)”. Rebate a afirmação contida no voto condutor da decisão recorrida, de que “sobejam provas diretas e indiretas (indícios) nos autos de que houve simulação...” com a seguinte pergunta: “ONDE SE ENCONTRA, NOS AUTOS, ESTE “AMPLO CONJUNTO PROBATÓRIO" QUE PUDESSE SUPRIMIR A QUESTÃO DA VALIDADE DO LAUDO, SE TODA AUTUAÇÃO TEM COMO PANO DE FUNDO OS RESULTADOS APRESENTADOS PELO ALUDIDO LAUDO?”. Destaca o que entende terem sido “violações perpetradas quando da produção da perícia à legislação”. 99. Pois bem, implicaram então em violação o seguinte: (i) Os Fiscais paulistas não têm a competência exigida pelo Decreto para proceder as coletas dentre outros procedimentos (violação aos Arts. 112/117) (ii) A aludida imprestabilidade perde força quando se indaga se: a) o produto da amostra, ilegalmente, coletada é o mesmo do Art. 60 do Decreto n.°2.314/97? b) o produto da amostra é o produto descrito no rótulo dos vasilhames? c) O produto da amostra é o produto descrito na nota fiscal correspondente? (iii) Não foi obedecido o disposto nos Arts. 127/128 do Decreto n.° 2.314/97; (iv) Por fim, a coleta do material utilizado na perícia fajuta foi feita com produto já fora de seu prazo de validade. Ou seja, no próprio rótulo do PCNAA está indicado o prazo de validade de 6 (seis) meses. Ora se a coleta/apreensão foi efetuada em 10/01/2006, mas o próprio Termo de Apreensão DRT/05 001/2006 indica que o material utilizado referese ao da Nota Fiscal n.° 305 que teve sua saída do estabelecimento fornecedor em 18/04/2005 e a análise pericial só ocorreu em 21/09/2007, confirase: (apresenta cópia do Termo) No mérito, argumenta a legalidade e legitimidade “da apropriação dos créditos, ora glosados, em respeito ao regime constitucional do IPI, o qual prevê, a não cumulatividade do mesmo”. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 11 19 Contesta os apontamentos presentes na decisão recorrida em relação às disposições Constitucionais em relação à nãocumulatividade do IPI para afirmar que “o produto adquirido e exportado pela Recorrente denominado PCNAA (produto composto não alcóolico da Amazônia) atende a todos os requisitos legais acima transcritos (Art. 1° Decreto lei n. 1.894/81). Razão pela qual é plenamente induvidoso, legitimo e legal o creditamento do IPI destacado nas Notas Fiscais de entrada pela Recorrente. A glosa dos referidos créditos, tal pretendida nesta autuação, representa, destarte, violação ao principio da nãocumulatividade e ainda ao principio da legalidade, pois representa a criação de uma nova hipótese de incidência, bem como à legislação mencionada”. Assevera que Lei n° 9.779/99 (Art. 11) c/c a Instrução Normativa SRF n.° 33/99 não tornou sem efeito o teor do Decretolei n° 1.894/81. Argumenta que a autoridade julgadora tenta condicionar a utilização dos créditos a situações distintas. Nas palavras da defesa, “quando se percebe que não há como "sonegar" o direito de crédito às aquisições de determinado fornecedor, utilizase critério de outro diploma para negar vigência de um ou outro dispositivo normativo”. Menciona a falta de comprovação das acusações veiculas no Auto de Infração. Afirma que o que “consta nos autos, nada mais é do que meras e fantasiosas suposições. Ora, cediço na doutrina e na jurisprudência que o ônus de prova, em matéria fiscal, é do Fisco”. Contesta a decisão pela inidoneidade de documentos emitidos pelos fornecedores, lastreadas em Atos Declaratórios Executivos de efeitos projetados a fatos pretéritos. Contesta com veemência a afirmação contida na decisão de piso dando conta à falta de comprovação das internações de insumos mediante páginas ou fichas em livro de registro. Transcrever excertos do auto de infração e da decisão de piso para demonstrar o reconhecimento de que ocorreu o ingresso de insumos no estabelecimento industrial. Considera que “a verdadeira motivação jurídica para sustentar esta autuação só pode ser a prevista no Art. 116 § único do CTN. Conquanto o que se pretende é a desconsideração dos negócios” Quanto a isso, defende a licitude das operações e consequente inexistência de simulação. Protesta pela exclusão da multa agravada. Defende que todos os dispositivos tratam de hipóteses dolosas e que o dolo não se presume, “provase e de forma convincente, o que de plano se percebe não ser o caso dos autos”. Que “o tipo escolhido pelo Fisco, na tentativa de distorcer a verdade dos fatos, porque os primeiros dispositivos (sonegação e fraude) de plano já ficam descartados, uma vez que não se buscou nenhum dos efeitos elencados nos tipos, foi o "CONLUIO". (...) Ocorre, porém, que nesta modalidade; necessariamente, há de estar configurado um dos dois efeitos descartados, ou sonegação ou fraude. Ou seja, o conluio é dependente dos demais” E questiona: “Onde restou demonstrado e comprovada a prova da conduta infracional, que tivesse por objetivo impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento da autoridade fazenddria da ocorrência do fato gerador ou mesmo impedido ou retardado a própria ocorrência do mesmo fato?”. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 20 Reclama do “indeferimento de produção de provas sem fundamentação legal e consequente cerceamento de defesa violação ao contraditório e ampla defesa e a verdade material”. Ao final requer, (i) seja recebido, processado e reconhecidas as preliminares seja o presente Recurso integralmente provido para o fim de anular a autuação; (ii) na hipótese de restarem superadas as preliminares, o conhecimento da matéria de fundo e, igualmente, provido o recurso e ainda, na eventualidade de não assim entender, que seja o julgamento convertido em diligência para se apurar a regularidade do Produto, junto ao Ministério da Agricultura e, sobre os pagamentos parciais para efeito de reconhecimento da decadência bem como para aferirse se a produção do laudo que originou a autuação observou a legislação de regência, notadamente quanto ao prazo de validade do produto periciado; (iii) por fim, a anulação total da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Dáse início pelas preliminares argüidas. Quanto à decadência de parte do crédito tributário constituído no auto de infração, a recorrente alega o impedimento pelo fato de ter efetuado, em todas as situações, pagamentos, ainda que parciais, dos valores devidos nos períodos de apuração correspondentes. Traz à lume jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, inclusive em Regime de Recurso Repetitivo, versando sobre a inaplicabilidade do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional nas situações em que haja pagamento dos tributos. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, a decisão mencionada de fato referese à inaplicabilidade do regime geral de contagem do prazo decadencial nos casos em que o contribuinte tenha efetivamente antecipado o pagamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, contudo, não alcança as situações nas quais tenham ocorrido uma das circunstâncias identificadas no parágrafo quarto do artigo 150: o dolo, a fraude ou a simulação. Em outras palavras, o que se discute nos autos em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial não diz respeito à sua prorrogação ou não em face do pagamento apenas parcial do valor devido, mas em razão do disposto no parágrafo quarto do artigo 150, com o seguinte teor. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 12 21 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos meus) Nestes termos, a contagem do prazo decadencial depende apenas do reconhecimento da presença de intuito doloso dos atos praticados pela contribuinte, não sendo favorável à defesa e nem mesmo pertinente discutir se, por conta da ocorrência de pagamentos parciais, devase ou não levar em considerar e aplicar a citada decisão do Superior Tribunal de Justiça. Sendo matéria de mérito o exame dos fatos apurados pela fiscalização e sua qualificação, fica a decisão sobre a contagem do prazo decadencial na dependência do que será a seguir examinado e decidido. Ainda em preliminar, a recorrente requer a decretação de nulidade da autuação em virtude da abstrata capitulação legal das irregularidades apontadas pela fiscalização, que, segundo entende, nada tem a ver com as acusações descritas nos Termos de Verificação Fiscal e no próprio auto de infração. Transcreve os artigos 34, inciso II, 122, 127, 130, 164, inciso I, 199, 200, inciso IV e 202 do Decreto n° 4.544/02 RIPI/02 para comprovar a ocorrência de preterição ao direito de defesa em face da falta de correspondência entre as irregularidades acusadas e a base legal. À folha 1.067 do processo encontrase o enquadramento legal transcrito pela autuada no corpo do Recurso Voluntário acima reproduzido. Como se lê no quadro do auto de infração a menção da base legal é, de fato, idêntica a informada pela autuada; contudo, não foi mencionado o texto seguinte, no qual é referido o que segue. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Mais adiante, à folha 1.082 do processo consta a base legal correspondente às infrações cometidas pela autuada que, conforme terminologia empregada, “simulou operações comerciais com o produto denominado "Preparado composto não alcoólico", aproveitandose indevidamente de créditos de IPI gerados com as respectivas aquisições deste produto”. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 22 Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 80, inciso II, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n°9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente. A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Importante acrescentar que, depois de contestar a falta de adequada capitulação legal do auto de infração, em momento oportuno, a recorrente defendese demonstrando criteriosamente a incompatibilidade entre os tipos legais previstos em Lei e a fundamentação da autuação, do que se depreende adequado entendimento dos fatos relatados pelo Fisco e suficiente conhecimento da legislação que foi acusada de descumprir, razão suficiente para que seja afastada a hipótese de preterição ao direito de defesa. Importante retomar, aqui, a questão da comprovação da prática dos ilícitos, tantas vezes contestada pela autuada. Quanto a isso, penso que a questão das provas mereça especial atenção, de tal sorte se possa delinear a linha de raciocínio que deve ser observada para fins de considerar as alegações apresentadas pelo Fisco como “meras suposições fantasiosas”, nas palavras da autuada, ou em constatações decorrentes de cognição lógica baseada nos elementos coletados durante o procedimento de fiscalização. Sabese que, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base nesse critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa ou nos sistemas de controle interno do Órgão. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 13 23 registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas exceções, não haverá como comprovar a ocorrência de um fato. Isto posto, adentramos ao caso concreto. Liminarmente, não se aceita a recusa de que sejam levados em consideração os fato apurados pelo Fisco Estadual. Como é cediço, todos os meios de prova são aceitos no processo de formação de opinião do julgador, desde que obtidos por meios lícitos. Ademais, a decisão de piso foi determinante a respeito do assunto. Há, na peça fiscal vergastada, como meio probante principal, o válido empréstimo de provas oriundas do órgão de fiscalização estadual, sendo a prestação mútua de assistência entre os diversos entes tributantes prevista no CTN, art. 199, caput, e regulamentada pelo Convênio abaixo destacado em excertos de interesse, disponível para consulta no sítio da internet “www.fazenda.gov.br/confaz/”: “CONVÊNIO S/Nº, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1970 • Publicado no DOU de 18.02.71. • Alterado pelos Ajustes 01/71, 03/71, 05/71, 07/71, 01/72, 04/73, 02/74, 01/75, 02/75, 01/76, 03/76, 02/78, 03/78, 04/78, 01/79, 01/80, 01/82, 01/84, 02/84, 01/85, 02/85, 03/85, 01/86, 02/86, 03/86, 04/86, 05/86, 01/87, 02/87, 03/87, 04/87, 01/88, 02/88, 01/89, 05/89; 11/89, 16/89, 22/89, 01/90, 04/90, 01/91, 02/94, 03/94, 05/94, 02/95, 04/95, 06/95, 01/96, 02/96, 06/96, 07/96, 02/97, 04/97, 05/97, 06/97, 07/97, 09/97, 10/97, 03/98, 06/98, 02/99, 10/99, 03/00, 04/00, 06/00, 02/01, 07/01, 10/01, 05/02, 07/02, 05/03,12/03, 01/04, 03/04, 07/04, 08/04, 09/04, 13/04, 05/05, 06/05, 09/05, 01/06, 01/07, 03/08, 06/08. O Ministro da Fazenda e os Secretários de Fazenda ou de Finanças dos Estados e do Distrito Federal, reunidos na Cidade do Rio de Janeiro nos dias 14 e 15 de dezembro de 1970, Considerando que a racionalização e a integração de controles e de fiscalização, alicerçados em informações que têm como fonte a escrita e o documentário fiscais dos contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto de Circulação de Mercadorias, poderão conduzir a uma Administração Tributária mais justa e mais eficaz; Considerando que a implantação de um sistema básico e homogêneo de informações levará ao conhecimento, mais rápido e preciso, das estatísticas indispensáveis à formulação de políticas econômicofiscais dos diversos níveis de governo; Considerando que com um Sistema de Informações EconômicoFiscais adequado, promoverseá coleta, elaboração e distribuição de dados básicos, essenciais à implantação de uma política tributária realista; Considerando a necessidade de unificar os livros e documentos fiscais a serem utilizados pelos contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto de Circulação de Mercadorias; Considerando que a simplificação e a harmonização de exigências legais poderão reduzir despesas decorrentes de obrigações tributárias acessórias, com reflexos favoráveis no custo da comercialização das mercadorias; Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 24 Considerando que o art. 199 do Código Tributário Nacional dispõe: “A Fazenda Pública da União e a dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio”, Acordam em criar o Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico Fiscais, incorporando às suas respectivas legislações tributárias as normas consubstanciadas nos seguintes artigos: CAPÍTULO I Dos Objetivos do Sistema Art. 1º O Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais tem como objetivos: I a obtenção e permuta de informações de natureza econômica e fiscal entre os signatários; II a simplificação do cumprimento das obrigações por parte dos contribuintes. (...) Art. 91. As partes signatárias fornecerão ou permutarão entre si informações de interesse das respectivas Administrações Tributárias”.(g.m.) Assim, o que é preciso extrair dos autos é o tipo de informação que dele se obtém pela análise das inúmeros elementos disponíveis. Neste intento, não vejo melhor providência do que recorrer à descrição do trabalho da fiscal conforme anotações contidas no voto condutor da decisão dos i. Julgadores de Primeira Instância. O PCNAA ou PCNA, segundo a fiscalizada, seria submetido, em suas dependências industriais, de tal maneira a configurar um segredo industrial, a um “processo de industrialização” em que haveria a adição de xarope de açúcar invertido (gludex) – 0,0025 a 0,0035% – e corante de caramelo – 0,0002 a 0,00035%: um produto adquirido com um custo de cerca de R$ 100,00 por litro para o emprego como matéria prima na fabricação de refrigerantes com preço de varejo de R$ 1,00 o litro. A adição dos referidos ingredientes foi iniciada somente em 18/09/2004, consoante o controle contábil de estoque da empresa, e teria durado até 15/12/2004. Tratase, segundo o Fisco Estadual, de uma solução aquosa, sem utilidade econômica intrínseca e sem valor comercial, destinada à fabricação de refrigerantes e que não pode ser enquadrada nos parâmetros fixados pela legislação federal (Portaria nº 544, de 1998, do Ministério da Agricultura) no que concerne a “preparado ou concentrado líquido para refrescos ou refrigerantes”. O concentrado de guaraná legítimo, com código NCM/SH 2106.90.10, não se caracteriza como insumo para a indústria de bebidas, mas um produto pronto para consumo, destinado à preparação de refrigerantes em máquinas “prémix” ou “postmix”. O PCNAA ou PCNA constante das notas fiscais emitidas não figura como produto pronto para consumo, mas destinado a ulterior processo industrial. Não é, pois, um produto adequado à mistura em máquinas próprias do qual resulte bebida refrigerante apta ao consumo imediato. “MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO GABINETE DO MINISTRO Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 14 25 PORTARIA Nº. 544, DE 16 DE NOVEMBRO DE 1998. O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 159, inciso I, alínea "a" e II do Regulamento da lei n° 8.918, de 14 de julho de 1994, aprovado pelo Decreto n° 2.314, de 4 de setembro de 1997, resolve: Art. 1° Aprovar os Regulamentos Técnicos para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade, para refresco, refrigerante, preparado ou concentrado líquido para refresco ou refrigerante, preparado sólido para refresco, xarope e chá pronto para o consumo, em anexo. Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. FRANCISCO SÉRGIO TURRA” No anexo, que traz, entre outros, o “Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante”, assim estão estabelecidos alguns tópicos de interesse: “1. ALCANCE 1.1. Objetivo: Fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que deverá obedecer o Preparado ou Concentrado Líquido Para Refresco ou Refrigerante. 1.2. Âmbito de Aplicação: O presente Regulamento se aplica ao Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante. 2. DESCRIÇÃO 2.1. Definição 2.1.1. (...) 2.1.2. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante é a bebida que contiver suco de fruta, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...) 2.1.6. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante (sem açúcar) é a bebida que contiver suco, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...)”(g.m.) A IBP, indagada a respeito da composição química da substância PCNAA ou PCNA, informou a existência de segredo industrial e afiançou a respectiva conformidade com o art. 60 do Decreto nº 2.314, de 1997: “DECRETO No 2.314, DE 4 DE SETEMBRO DE 1997. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 26 Regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, DECRETA: Art. 1º Fica aprovado o Regulamento da Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, que com este baixa. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Ficam revogados os Decretos nº 73.267, de 6 de dezembro de 1973, 96.354, de 18 de julho de 1988, e 1.230, de 24 de agosto de 1994. Brasília, 4 de setembro 1997; 176º da Independência e 109º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Arlindo Porto” O referido art. 60 é vazado nos seguintes termos: “Art. 60. Extrato de guaraná é o produto resultante da extração dos princípios ativos da semente de guaraná (gênero Paullinia), com ou sem casca, observados os limites de sua concentração previstos em ato administrativo próprio”. Nada esclarecido: realidade diversa da declarada, escamoteada nos meandros da legislação que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O produto em tela, nas aquisições (469.160 kg), foi contabilizado pela IBP como “preparo composto não alcoólico”. Com uma quebra contabilizada de 340 kg, uma parte da substância (180.950 kg) foi transferida para uma conta de estoque correspondente a “preparado não alcoólico padronizado”, e, sem a mediação de nenhuma operação industrial, outra parcela (174.660 kg) foi vendida a empresas do exterior, OU TAIVER e CINKOLL, por R$ 69,21/kg, em média, sendo as notas fiscais emitidas com o CFOP 7.101, que diz respeito a “venda de produto industrializado para o exterior”; o restante (113.210 kg) permaneceu registrado no estoque até o final do ano de 2004. Com o acréscimo de 649 kg, no total, de xarope de açúcar invertido (gludex) (420 kg), corante de caramelo (49 kg) e de água (180 litros), a maior parte (180.000 kg) da substância “preparado não alcoólico padronizado” foi transferida para a conta de estoque correspondente a “preparo não alcoólico”, que teria sido destinado às empresas PROAD e SWISSFARMA à vista de notas fiscais com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros para exportação) ou CFOP 6.949 (outras saídas não especificadas), com um preço médio de R$ 68,58 por kg. Como se pode observar, tratase de vendas com indiscutível prejuízo: preço médio de R$ 90,00/kg nas compras e de R$ 68,50 nas vendas. A IBP alega que, considerados os créditos nas aquisições, haveria um lucro operacional bruto na faixa de 5%. Os ingredientes “gludex” e corante de caramelo são normalmente empregados na padronização de aguardente de cana industrializado pela IBP, o que explicaria a existência de notas fiscais de compra desses aditivos. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 15 27 Uma das supostas fornecedoras da substância para a IBP, a NUVEM DE PRATA, foi pilhada pela Receita Federal de Santos/SP tentando exportar água à guisa de “preparado composto não alcoólico”, com superfaturamento: um composto com diluição em 98% de água, com composição semelhante à dos preparados refrigerantes prontos para consumo, usuais no mercado, mas com o valor declarado em nota fiscal de cerca de R$ 76,92 por litro, bem acima do valor dos preparados existentes no mercado – R$ 1,00 por litro. A pretextada empresa fornecedora STRATUS, instalada em um galpão mal ajambrado, alugado de terceiros, em área degradada de Manaus, dotada de tanques obsoletos e com objetos acomodados no chão (bombonas, caixas, estrados, sacos e latas), preparava o refrigerante de guaraná (PCNAA) por meio de um processo artesanal (agregação de água filtrada e elementos químicos a extrato líquido de guaraná) e teria vendido à IBP, de junho de 2003 a novembro de 2004, 385.860 kg de PCNAA, no valor de R$ 34.302.954,00. Cerca de 80% do valor das compras teria sido pago no período de 2005 a 2008, sem que a fornecedora tivesse tomado providências de protesto contra a demora, nos termos do relatório deste voto. O extrato de guaraná teria sido adquirido pela STRATUS, de maio de 2003 a agosto de 2004, do produtor rural João Pazini Filho por um preço entre R$ 13,10/L e R$ 33,10/L (sendo o preço de mercado, em 2006, de R$ 1,60/L). O preço médio de venda do PCNAA para a IBP teria sido de R$ 88,90: uma diferença brutal para uma simples adição de água filtrada e elementos químicos. Além do mais, é de clareza hialina que o refrigerante de guaraná (PCNAA) vendido pela STRATUS, pronto para consumo em máquinas adequadas (“postmix” ou “prémix”), prescindiria totalmente de uma etapa intermediária, representada pela IBP, na qual seria produzido um “concentrado” especial com uma quantidade de água maior que a do extrato de guaraná, mas menor que a quantidade presente no produto final. Em 2 anos, somente com esse processo rudimentar, a STRATUS teria faturado R$ 247.000.000,00. São os seguintes os valores, de compras e de vendas de extrato de guaraná, respectivamente, declarados em DIPJ, pela STRATUS e por João Pazini: a) ano calendário de 2003: R$ 18.876.951,20 e R$ 376.949,83; b) anocalendário de 2004: R$ 11.425.840,64 e R$ 935.587,80. Diferenças avassaladoras, tendo sido o produtor rural João Pazini Filho o único fornecedor de extrato de guaraná da STRATUS em 2003 e o segundo maior em 2004. Em 2003, João Pazini Filho emitiu notas fiscais para a STRATUS no total de 58.411 kg de extrato de guaraná, o que representaria uma produção de PCNAA pela STRATUS de 292.055 kg (sendo utilizado o extrato de guaraná na proporção 1 : 5), contudo, a produção as STRATUS sustentada pela documentação fiscal emitida teria sido de 405.762 kg de PCNAA; no ano de 2004, a STRATUS vendeu 1.142.973 kg de PCNAA, ao passo que teria condições de vender apenas 404.600 kg à luz das aquisições documentadas de extrato de guaraná. A principal fornecedora do extrato de guaraná para a STRATUS em 2004, JRFF Comércio e Indústria Ltda., com R$ 24.187.075,19 em vendas, conforme o relatório, declarou inatividade no tocante ao anocalendário de 2004, com ausência de empregados ou autônomos a serviço em 2004 e com movimentação financeira desprezível no mesmo ano. Essa empresa, instalada em exíguo espaço, segundo diligência aludida pelo Fisco Estadual, teria permanecido com as portas fechadas durante todo o período de pagamento da locação do imóvel. A empresa transportadora, PB Transportes Ltda., incumbida dos fretes nas vendas para a IBP, segundo declaração prestada pela pessoa responsável pela Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 28 respectiva contabilidade, não teria operado nos anos de 2003 e 2004. Com efeito, a despeito de que a aludida empresa tivesse efetuado o transporte de meia tonelada de PCNAA de Manaus até Rio das Pedras, SP, sede da IBP, não teve movimento em 2003 e declarou inatividade para o ano de 2004 e possuía apenas um empregado registrado de junho de 2004 a janeiro de 2005. Outra suposta fornecedora, a COEMA, com sede em Paulínia, SP, tinha como CNAEFiscal, no cadastro do sistema de processamento de dados relativo ao CNPJ da Receita Federal, o código 5154399, referente a “comércio atacadista de produtos químicos”, isto é, nada a ver com a atividade de comércio atacadista de bebidas: 46354. A COEMA teria vendido à IBP, de fevereiro a agosto de 2003, 63.300 kg de PCNA “Coema”, no valor de R$ 6.140.500,00, por um preço médio de R$ 97,01/kg, à vista de notas fiscais com IPI destacado no importe de R$ 1.657.935,00. Cerca de 60% do valor das compras teria permanecido sem pagamento no período de 2004 e 2007, sendo que, repentinamente, em março de 2007 teria sido quitada a dívida de R$ 4.549.553,30, conforme os registros contábeis da IBP. Todavia, apesar dos pagamentos parciais que teriam sido realizados de maio de 2003 a abril de 2004, a conta corrente do Banco Banespa teria sido movimentada somente até 2004, e, mesmo para o ano de 2004, com uma quitação no montante de R$ 589.051,44 de dívida com a IBP, a movimentação financeira teria sido de R$ 509.492,32. Com apenas um pagamento registrado de R$ 3.600,00 em fevereiro de 2003, conforme o relatório, a empresa ADAGA Transportes Ltda. teria efetuado os fretes para a IBP em prazos incompatíveis com a distância das cidades (Paulínia a Rio das Pedras, em SP: 100 km): 6 a 25 dias. A empresa, inativa em 2003, conforme DIPJ, não teria tido movimento desde 2002, nos termos do depoimento prestado pelo respectivo sócio. Mais outra empresa fornecedora, a NUVEM DE PRATA, de Botucatu, SP, foi declarada INAPTA, por inexistência de fato, em procedimento que culminou no Ato Declaratório Executivo nº 25, de 11/02/2007 (fl. 909), com efeitos operantes quanto aos fatos ocorridos desde 01/01/2003, sendo que, supostamente, teria vendido à IBP, de 25 a 28 de agosto de 2003, 20.000 kg de “Concentrado Não Alcoólico Nuvem de Prata – CNANP”, no importe de R$ 1.941.600, com preço médio de R$ 97,08 e IPI destacado nas notas fiscais de R$ 524.232,00. As informações quanto ao pagamento pelas aquisições (apenas pouco mais de 30% do montante quitado), frete, DIPJ, remuneração de empregados ou autônomos, além de flagrante de superfaturamento de exportação realizado pela Alfândega de Santos, estão no relatório deste voto, sendo suficiente a declaração de inaptidão retroativa a janeiro de 2003 para a empresa em comentário ser reputada como “de fachada”. Todas as pretensas empresas fornecedoras do preparado ou concentrado não alcoólico, STRATUS, COEMA e NUVEM DE PRATA, têm como sócios alguém da família Hadad (Miguel Haddad, Antonio José Hadade Neto e Wady Hadad Neto), desconsideradas as diferenças de grafia. Uma das empresas que teria adquirido a substância revendida pela IBP, a SWISSFARMA, de Anápolis, GO, tem como CNAEFiscal o código 211060, concernente a “fabricação de produtos farmoquímicos”, e foi declarada INAPTA por inexistência de fato (Ato Declaratório Executivo nº 09, de 17/04/2008). A aquisição de 60.000 kg da substância “preparo não alcoólico”, no valor de R$ 4.114.800,00, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI nas notas fiscais emitidas com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 16 29 terceiros, com o fim de exportação” (vendas feitas em dezembro de 2004, com vencimento para abril de 2005, mas com os efetivos pagamentos efetuados somente de novembro de 2005 a maio de 2006, sem o protesto da credora). O detalhe é que a movimentação financeira registrada para a SWISSFARMA durante todo o ano de 2004 foi de R$ 4.534.056,86. A outra suposta empresa destinatária do “preparo não alcoólico”, a PROAD, com sede em Vitória, ES, tem atualmente a situação cadastral suspensa e o CNAE Fiscal como 5102600, referente a “comércio atacadista de mercadorias não especificadas anteriormente”. 120.000 kg adquiridos da IBP, no montante de R$ 8.229.600, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI, tampouco, nas notas fiscais emitidas também com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação” (vendas feitas de setembro a novembro de 2004, com o recebimento referente a apenas menos da metade do total em 2005 e 2006, com o restante sem quitação até agora, sem o protesto da credora, a IBP). Na DIPJ de 2004, apenas o registro da aquisição de R$ 1.982.240,00 da substância e sem registro de empregados ou autônomos no ano de interesse. Em 03/07/2003, a IBP teria exportado 23. 460 kg da substância PCNA para a empresa OU TAIVER, domiciliada na Estônia, com a emissão de uma nota fiscal no importe de R$ 1.579.475,00, com vencimento em 04/07/2003. Conforme o relatório, quase um ano depois foi recebido menos de um terço do valor e, em 2006, três anos depois da venda, menos de dois terços do valor da transação, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Como comprovantes, foram exibidos pela IBP contratos de câmbio no montante de R$ 317.263,11 celebrados três anos após a venda! A mercadoria supostamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à idêntica conta contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA: vale dizer, teria havido revenda e não industrialização. Custo unitário na venda (exportação): R$ 67,32; custo unitário das aquisições do “produto” das empresas COEMA e STRATUS (fevereiro a julho de 2003): R$ 93,42; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 600.000,00. De setembro de 2003 a janeiro de 2004, a IBP teria exportado 151.200 kg da substância PCNA para a empresa CINKOLL, domiciliada no Uruguai, com a emissão de nove notas fiscais no montante total de R$ 10.508.664,00, com último vencimento em 22/07/2004. De dezembro de 2003 a julho de 2006, foi recebido cerca de 80% do valor, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Tendo ocorrido o último embarque em 28/01/2004, à guisa de comprovantes foram apresentados pela IBP contratos de câmbio, sendo o último de 12/07/2006. Da mesma forma, a mercadoria pretensamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à mesma rubrica contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA: ora, também, teria ocorrido revenda e não industrialização. Custo unitário nas vendas (exportações): R$ 69,50; custo unitário das aquisições do “produto” da empresa STRATUS: R$ 88,90; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 3.000.000,00. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 30 Instada a esclarecer a razão para a apropriação dos créditos, a empresa invocou a isenção prevista no Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, no tocante às aquisições da STRATUS. Quanto aos fornecimentos de NUVEM DE PRATA e COEMA, foi suscitado o Decretolei nº 1.894, de 16 de dezembro de 1981, art. 1º, I, sendo que o direito ao crédito assegurado por este ato teria sido restabelecido pela Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, III. Até 18/09/2004, a IBP teria revendido diretamente, sem o acréscimo dos ingredientes (gludex e corante de caramelo), ou seja, sem o singelo “processo industrial”, 174.660 kg de PCNA com o direito ao crédito pelas entradas estribado no Decretolei nº 1.894, de 1981; subsequentemente, até 15/12/2004, período em que teria acontecido o “processo produtivo”, as vendas foram promovidas com as notas fiscais emitidas sob o código CFOP 6.502, correspondente a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”, e com o direito ao crédito pelas aquisições arrimado no Decretolei nº 1.435, de 1975. Vale dizer, em todos os períodos teria havido simples revenda. Nos termos da resposta ao termo de intimação de fl. 99, as supostas vendas de PCNAA da STRATUS para a IBP teriam acontecido de junho de 2003 a novembro de 2004, com a invocação da isenção do Decretolei nº 1.435, de 1975; já, as vendas de PCNA da COEMA para a IBP teriam sido promovidas de fevereiro a agosto de 2003; e, por fim, as vendas do “concentrado” não alcoólico” da NUVEM DE PRATA para a imputada: agosto de 2003. Em ambos os últimos casos foi indicado o Decretolei nº 1.894, de 1981. Ora, as vendas do PCNA sem “industrialização” teriam ocorrido, até 18/09/2004, com o direito ao crédito nas entradas amparado no Decretolei nº 1.894, de 1981; posteriormente, até 15/12/2004, as vendas do PCNA submetido ao “processo industrial” teriam sido efetuadas com esteio no Decretolei nº 1.435, de 1975, quanto ao direito ao aproveitamento do crédito pelas aquisições do insumo. Há uma discrepância ululante nesses dados: compras de “produto” de junho de 2003 a novembro de 2004 da STRATUS com o direito ao crédito vinculado a vendas realizadas de setembro a dezembro de 2004 de um “produto” que teria sofrido “processo industrial”, mas com notas fiscais emitidas com CFOP relativo a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”; e compras de “produto”, de 03/02/2003 a 20/08/2003 de 2003, da COEMA, e, de 25 a 28/08/2003, da NUVEM DE PRATA, com o direito ao crédito jungido às vendas efetuadas de julho de 2003 a setembro de 2004. Em resumo: vendas pela IBP do “produto” submetido a “processo industrial”, de 19/09/2004 a 15/12/2004, com toneladas do “insumo” principal (PCNAA) adquirido da STRATUS desde junho de 2003 (mais de um ano antes !), com o necessário armazenamento; revenda pela IBP, sob a denominação de PCNA, até 18/09/2004, do “preparado não alcoólico” ou “concentrado não alcoólico” adquiridos, também às toneladas, da COEMA e da NUVEM DE PRATA, somente até 28/08/2003 (também mais de uma ano antes!), igualmente com os imprescindíveis e adequados acondicionamento, estocagem e refrigeração de composto que seria bebida refrigerante pronta para o consumo (por período superior a um ano). Ora, diante dessa verdadeiro avalanche de informações detalhadamente coletadas pela Fiscalização, criteriosamente examinadas, conformandose em um robusto quadro de elementos indiciários cuja dissociação remete ao inimaginável, não há como acolher as reclamações contidas no Recurso Voluntário no sentido de que “o dolo não se presume”, ou que não haja nos autos “além de meras suposições fantasiosas do fisco”. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 17 31 De fato, tenho, neste ponto, que me filiar ao pensamento reproduzido na decisão recorrida de que “a impugnante não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa” , deixando “passar in albis a oportunidade para a ampla defesa representada pela apresentação da peça impugnatória”. O mesmo se diga em relação ao Recurso Voluntário. Neste mesmo diapasão devem ser consideradas as alegações tendentes a demonstrar que a análise laboratorial que prestouse à identificação do produto na autuação procedida pelo Fisco Estadual tenha sido feita com produto fora do prazo de validade. Tratase de uma questão acessória em um cenário repleto de elementos dando conta de operações simuladas com o fito aproveitamento de créditos de IPI de forma fraudulenta. Fosse constatado qualquer equívoco nas informações técnicas oferecidas pelo laudo pericial e isso não haveria de ter nenhum efeito na decisão final da lide. Dito isso manifesto aqui, desde logo, a desnecessidade de realização de qualquer tipo de perícia técnica com vistas a melhor instrução processual. Não será demais relembrar as informações contidas no auto de infração acerca do assunto. A autuada recebeu amostras testemunhas , mas não se interessou em providenciar análises laboratoriais que pudessem afastar os resultados obtidos pelos exames procedidos pelo fisco. (...) A defesa não apresentou sequer um documento, laudo ou parecer técnico que pudesse fundamentar sua pretensão de desqualificar as análises laboratoriais promovidas pelo fisco. Melhor sorte não assiste à recorrente ao adentrar à discussão de mérito. Embora a detida análise dos preceitos constitucionais nos quais baseiase o sistema de apuração nãocumulativo de tributos, assim como as duras críticas aos comentários contidos na decisão recorrida, o fato é que não se discute nos autos se o sistema em si e os preceitos constitucionais estão principalmente destinados ao legislador ordinário ou a todos operadores do direito indistintamente. O que importa é que, nas circunstâncias descritas no auto de infração, não há como admitir que as operações que deram direito ao crédito e a sua correspondente contabilização tenhamse dado de forma regular e lícita, razão pela qual não podem tais lançamentos serem admitidos e, por conseguinte, devem ser objeto de glosa e constituição em auto de infração como de fato foi feito. A recorrente contesta a decisão pela inidoneidade de documentos emitidos pelos fornecedores lastreadas em Atos Declaratórios Executivos de efeitos projetados a fatos pretéritos, contudo a Instrução Normativa RFB 748/2007 é taxativa, em seu artigo 48, parágrafo 4º, em relação à admissibilidade de que os documentos sejam considerados inidôneos anteriormente às datas fixadas na norma. Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 32 I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e III na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarse á ao pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Quanto aos protestos de que “salta aos olhos a ausência de imparcialidade da autoridade julgadora de primeira instância, à medida que, sem qualquer pudor, tenta ludibriar esta Corte. Os trechos colacionados revelam inequivocamente que o argumento de não internação das mercadorias é cristalinamente falso”, elementar compreender que a Delegacia de Julgamento foi precisa em esclarecer que não se trata de afirmar que o insumo nunca tenha existido. Tanto existe que dele foi colhida uma amostra com vistas à elaboração do contestado Laudo Pericial. Ao afirmar que “Nenhures, nos autos, há qualquer menção da impugnante à comprovação das internações de insumos mediante páginas ou fichas do precitado livro de registro, nem mediante a apresentação de conhecimentos de transporte, apesar de instada a assim fazer (termo de intimação – itens 9 e 10 – e resposta de fls. 283/294)”, a Delegacia faz referência à ausência de provas da efetiva internação e utilização do insumo nas quantidades informadas. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005347/200818 Acórdão n.º 310201.442 S3C1T2 Fl. 18 33 Quanto a isso, de se repetir que a Recorrente mais uma vez não fez qualquer esforço com vistas a reformulação do entendimento manifesto em primeira instância. Tampouco vejo como considerar que a ação da autuada não esteja enquadrada na definição de circunstância qualificativa contida na legislação de regência. A Lei 4.502/64 conceitua a sonegação como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Não restam dúvidas, no caso concreto, que circunstâncias materiais do fato gerador do tributo foram dolosamente modificadas. Pelo exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES arguidas e, no mérito, POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de abril de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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