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Numero do processo: 10980.934215/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.754
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 15 /2 00 9- 30 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934215/200930 Acórdão n.º 3402003.754 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934215/200930 Acórdão n.º 3402003.754 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934215/200930 Acórdão n.º 3402003.754 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934215/200930 Acórdão n.º 3402003.754 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.721391/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Devendo ser analisada os valores das parcelas individualmente para eventual cobrança de imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Devendo ser analisada os valores das parcelas individualmente para eventual cobrança de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Devendo ser analisada os valores das parcelas individualmente para eventual cobrança de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 13 91 /2 01 2- 49 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13811.721391/201249 Acórdão n.º 2401004.455 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 06/02/2012, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2009, AnoCalendário 2008, na qual foi constatada a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 40.583,72 (quarenta mil, quinhentos e oitenta três reais e setenta dois centavos), recebidos pelo titular. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que não houve omissão de rendimento, pois foi recebido apenas o valor declarado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE AÇÃO TRABALHISTA. Tratandose de rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação na declaração de ajuste, é correta sua inclusão pela fiscalização, bem como, o IRRF relativo ao rendimento omitido. IMPOSTO COMPLEMENTAR. O IRRF não pode ser declarado como Imposto Complementar. Correta a glosa da fiscalização vez que o IRRF foi considerado na apuração do crédito tributário lançado.” Notase à fl. 12 que o imposto no valor de R$ 1.217,51 se trata do IRRF decorrente dos rendimentos recebidos em decorrência do processo judicial nº 20070030704. Tal imposto deve ser informado no campo apropriado ao IRRF, juntamente com os rendimentos tributáveis e não no campo correspondente ao Imposto Complementar. Dessa forma, é correta a glosa efetuada pela fiscalização. No entanto, percebese que o valor de R$ 1.217,51 foi efetivamente considerado como IRRF dos rendimentos omitidos, conforme informa a fiscalização à fl. 08. Quanto a omissão de rendimentos, o documento à fl. 13 informa que foi levantado o valor total de R$ 39.366,21, sendo R$ 37.000,00 depositado em conta e R$ 2.366,21 sacado em espécie. Destarte, o valor dos rendimentos tributários que deveria ser declarado era de R$ 40.583,72, com IRRF no valor de R$ 1.217,51, conforme constatou a fiscalização. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 No extrato do processo à fl. 21, detectase que não havia advogado representando o impugnante, o que configura não ter ocorrido o pagamento de honorários advocatícios que pudessem ser deduzidos da base de cálculo. O impugnante ofereceu à tributação apenas o valor de R$ 1.745,69 (fl. 29), referente à parcela tributável de seus rendimentos de aposentadoria referente ao ano calendário de 2008 (fl. 15), não informando o valor referente à ação judicial supra mencionada. Tratandose de rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação em sua declaração de ajuste, é correta sua inclusão pela fiscalização nos termos do lançamento. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado.” Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, alegando que: “O valor recebido foi declarado no campo próprio dos rendimentos isentos e não tributáveis, não havendo omissão. Não só declarou aqueles rendimentos: declarouos corretamente. De fato, os valores recebidos, neste caso, pelo Recorrente, o foram a titulo de indenização paga pelo INSS em decorrência de erro de calculo cometido pela R. autarquia na correção dos benefícios a ele devidos, conforme pode ser verificado em cópia da R. sentença acostada a este processo administrativo. (...) Da argumentação até aqui expendida já se vê que a retenção do IRPF efetuado pela CEF foi de todo irregular: os valores retidos e levados aos cofres públicos não eram devidos à Fazenda Nacional. Assim, ao recolher valores do IRF maiores que os devidos, adquiriu o recorrente o direito de utilizalos, para desconto do imposto devido, na sua Declaração de ajuste a título de imposto recolhido a maior. Não é outra a sistemática das restituições do IRF: devolver aos contribuintes valores do IRF recolhidos a maior.” É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13811.721391/201249 Acórdão n.º 2401004.455 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 20/09/2013, conforme AR às fls. 38, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 14/10/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor R$ 40.583,72 (quarenta mil, quinhentos e oitenta três reais e setenta dois centavos), recebidos pelo titular. A recorrente apresentou com a impugnação cópia da decisão judicial que concedeu o pagamento dos proventos, comprovando que se trata de proventos recebidos acumuladamente em virtude de verbas trabalhistas. Preliminarmente, importante ressaltar que não se tratam de verbas isentas, pois tratase de valor recebido em decorrência de Ação Judicial, devendo tal imposto ser informado juntamente com os rendimentos tributáveis e não no campo correspondente ao Imposto Complementar. 2.1. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No entanto, cumpre esclarecer, que se trata de valores recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial Federal. Nesse sentido, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 Ficou sedimento o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos atrai a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Por outro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 prevê a prerrogativa do Fisco de rever o lançamento. Assim, como a época do Lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, deve o fisco rever o lançamento de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13811.721391/201249 Acórdão n.º 2401004.455 S2C4T1 Fl. 5 7 maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Por todo o exposto, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. AP LICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202 003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” Assim, devem ser levados em consideração os valores mensais para possível incidência do imposto de renda e analise de isenção. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10865.905458/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.373
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 54 58 /2 01 2- 82 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 2 Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 02055.303. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905458/201282 Acórdão n.º 3201002.373 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938794/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.202
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 38 79 4/ 20 09 -9 0 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10980.938794/200990 Resolução nº 3402001.202 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10980.938794/200990 Resolução nº 3402001.202 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10980.938794/200990 Resolução nº 3402001.202 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002621/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 21 /2 00 5- 11 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 282 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 239 a 254) interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais R1CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 20403.438, de 5 de setembro de 2008, fls. 171 a 178, prolatado pela extinta 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que manteve o indeferimento do pedido de atualização monetária do valor do ressarcimento de contribuições sociais não cumulativas. A decisão está assim ementada: PREJUDICIAL DE MÉRITO SUSCITADA DE OFÍCIO PELO CONSELHEIRO RELATOR. Não se tratando de matéria de ordem pública, nem havendo expressa autorização legal para que seja conhecida de oficio, a prejudicial de mérito, não argüida pela contribuinte, não deve ser conhecida por este Colegiado. Prejudicial rejeitada. PIS. NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Em face da expressa vedação legal, não é permitida a atualização dos créditos de PIS e Cofins apurados sob o regime não cumulativo, (arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003) Recurso provido em parte A divergência suscitada pelo Recorrente diz respeito ao direito à atualização monetária dos créditos das contribuições sociais apuradas sob a sistemática não cumulativa. Requer conhecimento e provimento ao apelo para o fim de se reconhecer o direito de atualização pela variação da taxa Selic de seus ressarcimentos de créditos de PIS e Cofins, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até aquela em que o respectivo numerário foi ou será disponibilizado. O apelo foi admitido por despacho do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção, fls. 271 e 272. A Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, fls. 274 a 278, pugnando pelo improvimento do recurso em decorrência da existência de expressa vedação legal à pretensão recursal. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 283 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais pressupostos de admissibilidade, razão para dele conhecer. No mérito, a divergência jurisprudencial é de rápido deslinde. É que há expressa disposição legal sobre a matéria no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. O art. 15, inc. VI, da lei acima citada estendeu a vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS. Assim, em estrita observância do princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Peço vênia ao ilustre Conselheiro Presidente em exercício Rodrigo da Costa Pôssas para apresentar meu entendimento acerca da matéria. Para tanto, recordase que a divergência suscitada pelo sujeito passivo diz respeito ao direito à atualização monetária dos créditos das contribuições sociais apuradas sob a sistemática não cumulativa – exportação. Eis que o sujeito passivo é uma empresa fabricante de calçados – e sua totalidade de produção é destinada ao exterior. Vêse que, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei 10.833/03, os créditos constituídos podem ser utilizados mediante dedução do valor das mesmas contribuições a Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 284 4 recolher ou para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo, inclusive, ser objeto de ressarcimento em pecúnia se, até o final de cada trimestre do ano civil, a pessoa jurídica não conseguir utilizar o crédito nas formas prescritas em lei. Não obstante, tal ressarcimento deve observar a legislação específica aplicável à matéria. Confira (Grifos meus): “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Nos termos do § 2º do art. 6º da Lei, a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º do mesmo artigo, poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro OBSERVADA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA APLICÁVEL À MATÉRIA. Sendo assim, não há como se aplicar a vedação de se atualizar monetariamente ou aplicar os juros Selic trazida pelo art. 13 da lei para todos os casos de ressarcimento, eis que se deve observar a legislação “específica” aplicável à matéria. Para melhor elucidar a aplicação desse dispositivo, importante recordar os dizeres dos arts. 13 e 15 da Lei 10.833/03 (Grifos meus): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 285 5 II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Em breve leitura, podese entender que há vedação expressa para atualizar o crédito de PIS e Cofins não cumulativo passível de ressarcimento de que trata o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. No entanto, tal como traz o art. 6, §2º da Lei 10.833/03 – no ressarcimento devese observar a legislação aplicável à matéria. Considerando esse dispositivo, é de se ressurgir à jurisprudência assentada pelo STJ, que entende que o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco", na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ. O que, por conseguinte, vêse que o requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento. Conforme lição do Ministro Mauro Campbell Marques, temse que: "(...) a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada 'resistência ilegítima' exigida pela Súmula n. 411/STJ [...]” Sendo assim, antes de se analisar se cabe ou não juros compensatórios no ressarcimento solicitado pelo sujeito passivo, devese observar o dispositivo que trata dessa matéria – qual seja, o art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme expressamente impõe o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Tal enunciado impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, nos seguintes termos: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 286 6 Considerando o conjunto da norma aplicável, vêse que o deferimento dos pedidos de ressarcimento deve observar o prazo legal. O que, por conseguinte, se for observado o prazo legal, não há que se falar em atualização monetária, eis que não haveria "resistência ilegítima". Caso contrário, devese aplicar sobre o crédito a ser ressarcido a taxa Selic desde a data de sua constituição até a data em que ocorrer o ressarcimento ou for utilizada para compensação. Frisese tal entendimento o recente REsp 1607697/RS, apreciado pelo STJ em 23 de agosto de 2016, que consignou a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. REQUISITO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. MORA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO PRAZO LEGAL PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cingese a controvérsia a definir o termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos pagos, no âmbito administrativo, após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/2007). 2. No presente caso, a resistência ilegítima imputada ao Fisco diz respeito exclusivamente à mora observada para satisfação do crédito. 3. O acórdão recorrido decidiu que a atualização monetária é devida desde a data do protocolo dos processos administrativos. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO: PRESSUPOSTO PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO FISCAL (SÚMULA 411/STJ) 4. Segundo a jurisprudência assentada pelo STJ, o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a 'resistência ilegítima do Fisco', na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ: 'É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco' (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009, sob o regime do art. 543C do CPC). 5. O requisito da 'resistência ilegítima do Fisco' também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento caso dos autos , como aliás, ficou definido na fundamentação do acórdão paradigma (EAg 1.220.942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/4/2013). Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 287 7 TERMO INICIAL CONDICIONADO À VERIFICAÇÃO DO ILEGÍTIMO ÓBICE ESTATAL, IN CASU, A MORA 6. No que concerne à sistemática do PIS e da Cofins não cumulativos caso dos autos , cumpre destacar que a própria legislação impede expressamente a correção monetária dos créditos fiscais quando aproveitados regularmente sob a forma de ressarcimento (arts. 6°, § 2°, 13 e 15, VI, da Lei 10.833/2003). 7. O art. 24 da Lei 11.457/2007 impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 8. Nesse contexto, o deferimento dos pedidos de ressarcimento no prazo legal, ou seja, antes de escoados 360 dias do protocolo, não dá ensejo à atualização monetária, justamente pela ausência do requisito referente à 'resistência ilegítima'. 9. Em recente julgado, a Primeira Seção assentou que a correção monetária somente pode ser aplicada após o transcurso do aludido prazo do art. 24 da Lei 11.457/2007 (AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 1°/7/2015). No Mesmo sentido: AgRg no REsp 1.468.055/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/5/2015; AgRg no REsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/3/2015; AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015. 10. A lógica dessa orientação decorre da premissa de que, 'no caso do contribuinte acumular créditos escriturais em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, não havendo resistência ilegítima do Fisco para a pronta utilização do crédito, afigurase indevida a incidência de correção monetária, salvo se houver disposição legal específica para tanto' (AgRg no REsp 1.159.732/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 11/6/2015). 11. Não se está a confundir correção monetária com juros de mora, mas a reconhecer que a mora é a resistência ilegítima que dispara o cômputo da correção monetária. 12. Recurso Especial provido" Em vista do exposto, é de se concluir que caso o sujeito passivo acumule créditos em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, e restar caracterizada a resistência ilegítima para a pronta utilização do crédito, é de se aplicar a incidência dos juros compensatórios – taxa Selic, conforme preceitua o art. 6, § 2º, da Lei 10.833/03, não se podendo aplicar de forma genérica o art. 13 da mesma Lei a todos os casos de ressarcimento. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11065.002621/200511 Acórdão n.º 9303005.299 CSRFT3 Fl. 288 8 No presente caso, considerando ainda o prazo para se afastar a glosa do crédito decorrente das transferências de ICMS a terceiros, é de se dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 288DF CARF MF
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Numero do processo: 13897.001019/2008-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 10 19 /2 00 8- 33 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. DEDUÇÃQ DE DESPESAS MÉDICAS. O direito à dedução das despesas médicas condicionase à comprovação da efetividade dos correspondentes pagamentos. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional CTN outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Impugnação Procedente em Parte . Crédito Tributário Mantido em Parte Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13897.001019/200833 Acórdão n.º 2001000.094 S2C0T1 Fl. 3 3 Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 113DF CARF MF 4 Apresentamos abaixo, a título de exemplo,um dos recibos apresentados: Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas e que esses recibos não atendem ao art. 80 do RIR/99. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13897.001019/200833 Acórdão n.º 2001000.094 S2C0T1 Fl. 4 5 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Fl. 115DF CARF MF 6 E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13897.001019/200833 Acórdão n.º 2001000.094 S2C0T1 Fl. 5 7 X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Desnecessária a realização de perícia, pois os documentos acostados no processo são suficientes para a solução da lide. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720053/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO ESCRITURADA.
A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO.
A exclusão do Simples Nacional por falta de atendimento a intimação é cabível se esse fato configurar efetivo embaraço à fiscalização. Tratando-se de intimação para comprovar a origem dos recursos creditados em conta bancária, a falta de atendimento tem por consequências a presunção de omissão de receitas e o lançamento dos tributos devidos, não havendo prejuízo ao procedimento fiscal. Nesse caso, a falta de atendimento a intimação não enseja a exclusão do regime simplificado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
ARBITRAMENTO. VÍCIOS, ERROS OU DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO.
Justifica-se o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real.
CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA.
Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores nela creditados. Na falta dessa comprovação, incide a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ALEGAÇÕES DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não compete à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário.
MULTA QUALIFICADA. (DES)CABIMENTO.
Não se vislumbram presentes as condutas previstas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, para ensejar a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATOS COM INFRAÇÃO DE LEI.
Não restaram demonstrados atos com infração de lei para imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da pessoa jurídica.
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao lançamento de IRPJ aplica-se também aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS
Numero da decisão: 1402-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75% e excluir os coobrigados da relação jurídico tributária. Vencidos os Conselheiros Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Souza, que votaram por negar-lhe provimento integralmente
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Sousa Martins, Lizandro Nogueira Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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EXCLUSÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO ESCRITURADA. A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. A exclusão do Simples Nacional por falta de atendimento a intimação é cabível se esse fato configurar efetivo embaraço à fiscalização. Tratandose de intimação para comprovar a origem dos recursos creditados em conta bancária, a falta de atendimento tem por consequências a presunção de omissão de receitas e o lançamento dos tributos devidos, não havendo prejuízo ao procedimento fiscal. Nesse caso, a falta de atendimento a intimação não enseja a exclusão do regime simplificado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ARBITRAMENTO. VÍCIOS, ERROS OU DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. Justificase o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores nela creditados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 00 53 /2 01 4- 33 Fl. 1215DF CARF MF 2 Na falta dessa comprovação, incide a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ALEGAÇÕES DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não compete à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. (DES)CABIMENTO. Não se vislumbram presentes as condutas previstas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, para ensejar a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATOS COM INFRAÇÃO DE LEI. Não restaram demonstrados atos com infração de lei para imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao lançamento de IRPJ aplicase também aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75% e excluir os coobrigados da relação jurídico tributária. Vencidos os Conselheiros Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Souza, que votaram por negarlhe provimento integralmente (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Sousa Martins, Lizandro Nogueira Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto por ABBATUR TURISMO E LOCAÇÕES LTDA ME. no qual se insurge em face de decisão da DRJ em São Paulo que, por unanimidade de votos, decidiu i) julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão de ofício do Simples Nacional; e ii) julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente os créditos tributários exigidos, bem como a responsabilidade tributária solidária dos sócios administradores. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Este processo trata de exclusão da contribuinte em epígrafe do Simples Nacional a partir de 01/10/2009 e de lançamentos tributários relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos períodos de apuração compreendidos entre 01/10/2009 e 31/12/2011. No Termo de Verificação (fls. 610 a 631), a fiscalização relata que, em atendimento a intimação, a contribuinte apresentou extratos bancários e livros Diário e Razão do período compreendido entre 01/01/2009 e 31/12/2011. Alega que a análise dessa documentação revelou que a movimentação bancária não guardava correlação nenhuma com a escrituração da conta Caixa Geral do livro Razão, sendo a movimentação bancária constante dos extratos muito superior à escriturada. Acrescenta que nenhum dos créditos bancários constantes dos extratos foi escriturado na conta Caixa Geral. Relata a fiscalização que a contribuinte foi intimada, em 02/01/2014, a apresentar documentos comprobatórios das origens de todos os recursos creditados em sua conta bancária no período de 01/01/2009 a 31/12/2011, tendo listado individualmente todos os créditos bancários no anexo ao termo de intimação (fls. 459 a 463). Ressalta que tal intimação não obteve resposta, sendo aplicável a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, com o consequente lançamento dos créditos tributários. 2. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL De acordo com o relatado no Termo de Verificação (fls. 610 a 631), a fiscalização constatou que a contribuinte não escriturou sua movimentação financeira, devendo ser excluída de ofício do Simples Nacional. A questão foi analisada no Despacho Decisório EQSIM/DRF/CTA nº 147/2014 (fls. 475 a 480), que concluiu pela exclusão da contribuinte do Simples Nacional a partir de 01/10/2009 com base nos incisos II e VIII e §1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006: “Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darse á quando: (...) II – for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; (...) VIII – houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; § 1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. (Redação dada pela Lei Complementar nº 127,de 2007)” Fl. 1217DF CARF MF 4 A autoridade a quo concluiu que a contribuinte incidiu nas hipóteses acima discriminadas em razão de: i) não atendimento à intimação para apresentar a documentação comprobatória da origem dos recursos creditados em sua conta bancária (inciso II) e ii) falta de escrituração de toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na conta Caixa Geral. Considerandose que a empresa deixou de efetuar escrituração contábil que permitisse a identificação de sua movimentação bancária desde outubro de 2009, a autoridade a quo concluiu que os efeitos da exclusão deveriam se iniciar em 01/01/2009, haja vista o disposto no art. 29, §1º, da Lei Complementar nº 123/2006, acima reproduzido. A exclusão de ofício do Simples Nacional, com base no referido Despacho Decisório, foi formalizada por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 97/2014 (fls. 482), do qual a contribuinte teve ciência em 26/08/2014 (fls. 485 e 486). 3. DAS AUTUAÇÕES 3.1. Do regime de tributação No Termo de Verificação (fls. 610 a 630), a fiscalização relata que a contribuinte era optante pelo Simples Nacional. Acrescenta que, tendo sido excluída de ofício do regime especial a partir de 01/10/2009, a contribuinte foi intimada a manifestar sua opção pelo lucro presumido, lucro real trimestral ou anual, conforme previsto no art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006 (fls. 485 e 486): “Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...) § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual.” Informa que, em resposta à intimação, a contribuinte afirmou que não se manifestaria sobre a opção pelo regime de apuração do lucro pois apresentaria impugnação ao ato declaratório que a excluíra do Simples Nacional (fls. 494). A fiscalização alega que a impugnação por parte do sujeito passivo do ato declaratório de exclusão do Simples Nacional não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, de acordo com a Súmula CARF nº 77. Ressalta que, não tendo a contribuinte optado pelo regime de apuração dos resultados, a regra geral seria a apuração pelo lucro real trimestral. Entretanto, isso só seria possível se a escrituração da contribuinte o possibilitasse. No caso, alega que não é possível a apuração do lucro real, em razão da falta de escrituração da movimentação bancária, devendo ser apurado o resultado pelos critérios do lucro arbitrado, nos termos do art. 530, III, “a” e “b”, do RIR/99: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” A fiscalização alega que o percentual de arbitramento do lucro para as atividades exercidas pela contribuinte (agência de viagens e turismo, emissão de passagens aéreas e terrestres e locação de veículos) corresponde a 38,4% da receita bruta, conforme previsto nos artigos 532 e 519, §1º, III, do RIR/99: “Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerasse receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.113 5 §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, §1º): (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza.” “Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).” 3.2 Da tributação das receitas declaradas em DASN Conforme já relatado, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional e não manifestou sua opção quanto ao regime de apuração dos resultados quando intimada. Além disso, sua contabilidade não possibilitou a apuração pelo lucro real trimestral, visto que não foi escriturada a movimentação bancária. Assim, a contribuinte ficou sujeita à apuração dos resultados pelo lucro arbitrado. A fiscalização informa que a contribuinte entregou as Declarações Anuais do Simples Nacional – DASN referentes a 2009, 2010 e 2011, tendo efetuado recolhimento via DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Na tabela abaixo, estão discriminados os valores das receitas brutas mensais declaradas nas DASN e dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) embutidos nos recolhimentos unificados: Fl. 1219DF CARF MF 6 A fiscalização relata que, no procedimento de ofício, foram apurados o IRPJ e a CSLL pelos critérios do lucro arbitrado e o PIS e a COFINS pelo regime cumulativo em relação às receitas declaradas, deduzindose os tributos recolhidos dos valores a serem lançados de ofício. Em relação a essa infração, foi aplicada multa de ofício no percentual de 75% dos tributos devidos, conforme previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. 3.3. Da omissão de receitas Como já relatado, ao comparar os extratos bancários com a conta Caixa Geral do livro Razão da contribuinte, a fiscalização constatou que nenhum dos lançamentos a crédito efetuados em conta corrente consta da escrituração. A fiscalização informa que a contribuinte foi intimada, em 02/01/2014, a apresentar documentos comprobatórios das origens de todos os recursos creditados em sua conta bancária no período de 01/01/2009 a 31/12/2011, tendo listado Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.114 7 individualmente todos os créditos bancários no anexo ao termo de intimação (fls. 459 a 463). Ressalta que tal intimação não obteve resposta, sendo aplicável a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Informa a fiscalização que, para a apuração dos valores das receitas omitidas, foram somados mensalmente os lançamentos a crédito efetuados na conta corrente, excluindose os lançamentos cuja descrição no extrato permitia identificar não se tratar de receita da pessoa jurídica (ex: BB giro rápido). Os créditos bancários considerados receitas omitidas estão discriminados nas planilhas anexas ao Termo de Verificação (fls. 628 a 630). Foram também deduzidos os montantes de receitas brutas declaradas em DASN. A fiscalização ressalta que a constatação de omissão de receitas enseja o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas omitidas, conforme previsto no art. 24 da Lei nº 9.249/95: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita.’ Alega a fiscalização que a prática reiteradamente adotada pelo sujeito passivo, ao longo de três anoscalendário, de não escriturar sua movimentação bancária impediu o reconhecimento de diversas receitas em sua escrituração contábil. Sustenta que tal conduta, voluntária e intencional, evidencia o intuito do sujeito passivo de “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal”, ficando caracterizada a prática de sonegação prevista no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Assim, conclui que, em relação a essa infração, deve ser aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/96. 3.4. Da responsabilidade tributária dos sócios da pessoa jurídica A fiscalização alega que a falta de escrituração da movimentação bancária constitui crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, II, da Lei nº 8.137/90: “Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;” Sustenta que os sócios da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários ora constituídos, visto que praticaram atos com infração de lei. É o que determina o art. 135, III, do CTN: “Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) Fl. 1221DF CARF MF 8 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Assim, foi atribuída responsabilidade tributária aos sócios da Abbatur: Gérson Euclies Raulino, CPF 586.760.07934 e Giovana Oeschler Raulino, CPF 765.951.10920. 3.5. Dos autos de infração Diante do exposto, foram lavrados autos de infração para a constituição dos créditos tributários abaixo discriminados (fls. 504 a 609): Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.115 9 A pessoa jurídica autuada e os responsáveis tributários foram cientificados das autuações em 14/10/2014 (fls. 634 a 642). 4. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 24/09/2014, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 650 a 665, acompanhada de cópias de: i) procuração e documento de identidade do advogado que subscreve a manifestação, ii) ato declaratório de exclusão do Simples Nacional; iii) contrato social e iv) um recibo e três notas fiscais de serviço de transporte (fls. 666 a 677). Alega ser indevida sua exclusão do Simples Nacional, visto que não incorreu nas hipóteses previstas nos incisos II e VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, como alegado no Despacho Decisório EQSIM/DRF/CTA nº 147/2014. 4.1. Da ausência de prática de qualquer ato de embaraço à fiscalização A manifestante alega que o fato de não ter atendido a intimação para apresentar documentos comprobatórios da origem dos recursos creditados em sua conta bancária foi considerado pela autoridade a quo como embaraço à fiscalização, tendo sido um dos fundamentos da exclusão do Simples Nacional. Argumenta que em momento algum pretendeu causar embaraço à fiscalização, tendo apresentado cópia dos documentos solicitados no termo de início de procedimento fiscal, quais sejam: extratos bancários e livros Diário e Razão, que possibilitaram a apuração pela fiscalização das divergências entre os valores constantes dos livros e dos extratos bancários. Alega que somente deixou de apresentar à fiscalização a documentação comprobatória das origens dos recursos creditados em sua conta corrente porque o Termo de Intimação Fiscal nº 01, de 18/12/2013 (fls. 459 a 463), foi recebido do correio por uma funcionária que não o repassou aos administradores da empresa. Acrescenta que teve conhecimento desse termo de intimação somente em 29/05/2014, quanto obteve cópia do processo. Argumenta que o atendimento à referida intimação não teria por efeito agravar sua situação; pelo contrário, comprovariam o trânsito de receitas de terceiros em sua conta bancária, justificando as divergências entre os recursos movimentados em conta e as receitas próprias escrituradas. Ante o exposto, conclui que não restou caracterizado o embaraço à fiscalização previsto no art. 26, II, da Lei Complementar nº 123/2006, devendo ser cancelado o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 97/2014. 4.2. Da movimentação financeira A manifestante alega que a falta de identidade entre os créditos em conta bancária e a receita bruta declarada decorre do ramo de atividade em que atua (agência de viagens e turismo – CNAE 7911200 e serviço de reservas e outros serviços de turismo – CNAE 7990200). Fl. 1223DF CARF MF 10 Ressalta que os depósitos em conta corrente supostamente não escriturados correspondem a receitas de terceiros que transitavam temporariamente em sua conta. Acrescenta que esses valores eram imediatamente repassados aos seus titulares, prática corriqueira entre os prestadores de serviços turísticos. Alega que atua como intermediária entre os clientes e os fornecedores dos serviços turísticos. Ressalta que cobra um preço único do cliente pelo serviço, que inclui hospedagens, passagens, passeios, transporte, etc. Acrescenta que, ao receber o pagamento do cliente, repassa os valores devidos aos fornecedores envolvidos, retendo apenas sua comissão de intermediação, que constitui menos de 10% do valor total cobrado do cliente. A manifestante sustenta que a origem e o destino dos valores recebidos e repassados podem ser plenamente comprovados pelas notas fiscais anexas. Destaca que eventual equívoco nos lançamentos contábeis não impediu a identificação da movimentação bancária, uma vez que os extratos bancários foram apresentados à fiscalização pela própria manifestante. Ante o exposto, conclui que não incorreu na hipótese de exclusão do Simples Nacional prevista no art. 29, VIII, da Lei Complementar nº 123/2006. 4.3. Dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade A manifestante alega que sua exclusão do Simples Nacional constitui sanção excessiva e desproporcional. Ressalta que a atuação da Administração Pública deve se pautar pela razoabilidade e pela proporcionalidade entre os meios empregados e os fins almejados, o que não aconteceu no caso em tela, visto que sua exclusão do Simples Nacional ocorreu por ter deixado de atender a um único termo de intimação, do qual não teve ciência a tempo. Argumenta que a falta de atendimento a um único termo de intimação, tendo sido atendidos os demais, não caracteriza infração capaz de ensejar penalidade tão grave. Ressalta que ela própria apresentou à fiscalização os livros Diário e Razão e os extratos bancários, não tendo havido, no caso, qualquer embaraço à fiscalização nem ausência de escrituração contábil. 4.4. Do pedido Por todo o exposto, a manifestante requer seja cancelado o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 97/2014, com sua consequente permanência no Simples Nacional. 5. DA IMPUGNAÇÃO Em 13/11/2014, a pessoa jurídica autuada e os responsáveis tributários apresentaram a impugnação de fls. 680 a 700, acompanhada dos documentos de fls. 701 a 977, consistentes em cópias de: i) documento de identidade do advogado que subscreve a impugnação e ii) planilhas, recibos e notas fiscais. A seguir são sintetizadas as alegações apresentadas. 5.1 Da impossibilidade de tributação das receitas repassadas a terceiros A impugnante ressalta que é empresa prestadora de serviços turísticos, atuando como intermediária entre os clientes e os fornecedores dos serviços turísticos. Alega que cobra um preço único do cliente, que inclui hospedagens, passagens, passeios, transporte, etc. Acrescenta que, ao receber o pagamento do cliente, repassa os valores devidos aos fornecedores envolvidos, retendo apenas sua comissão de intermediação, que é variável e constitui, em geral, menos de 10% do valor total cobrado do cliente. Sustenta que o repasse de receitas no ramo das empresas prestadoras de serviços turísticos é comum e necessário para o seu funcionamento. Argumenta que a maior parte dos recursos que transitam pelas contas correntes das agências de turismo não são de sua titularidade nem constituem receita própria, pois são repassados aos diversos fornecedores das agências. Alega que somente a diferença entre os valores recebidos e repassados pode ser considerado receita tributável da agência de turismo. Para exemplificar seu raciocínio, cita quatro depósitos bancários: Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.116 11 Sustenta que as planilhas e notas fiscais juntadas à impugnação comprovam que a maior parte dos recursos creditados em sua conta corrente corresponde a receitas de terceiros, que foram efetivamente repassados aos fornecedores dos serviços. A impugnante alega que esse repasse não se confunde com o pagamento de despesas próprias. Argumenta que os pagamentos dos fornecedores de serviços aos clientes são despesas destes, sendo que a impugnante é remunerada apenas pelas comissões e taxas de administração. Sustenta que a receita bruta corresponde ao preço do serviço prestado, definido no art. 30, §2º, da Lei nº 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo) como “o valor cobrado pelos serviços de organização, a comissão recebida pela intermediação na captação de recursos financeiros para a realização do evento e a taxa de administração referente à contratação de serviços de terceiros”. Assim, conclui que os repasses a terceiros não compõem as bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Alega que apenas as diferenças entre os valores recebidos dos clientes e os repassados a terceiros constituem receita própria da empresa e foram devidamente tributados pelo regime do Simples Nacional. Argumenta que eventual equívoco nos lançamentos contábeis dos repasses a terceiros não os descaracteriza como tais nem autoriza a presunção de omissão de receitas, devendo prevalecer a verdade material. A impugnante sustenta que as receitas de terceiros creditadas em sua conta corrente não podem compor a base imponível do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS sob pena de ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. Alega que sua receita própria corresponde a menos de 10% dos valores que transitam em sua conta corrente, não podendo suportar a imposição de tributos sobre o valor global das quantias envolvidas. Ante o exposto, conclui que os valores repassados a terceiros devem ser excluídos das autuações. 5.2. Da impossibilidade de arbitramento do lucro A impugnante se insurge contra o procedimento da fiscalização de apurar os resultados pelos critérios do lucro arbitrado por considerar que a escrituração da empresa teria revelado evidentes indícios de fraudes, vícios, erros ou deficiências (art. 530, II, do RIR/99). Sustenta que jamais teve a intenção de omitir informações ou praticar qualquer tipo de fraude. Conforme já exposto, a falta de identidade entre os créditos bancários e as receitas declaradas decorre do ramo de atividade da empresa. Ressalta que eventual equívoco nos lançamentos contábeis não autoriza a presunção de omissão de receitas tampouco a presunção de prática fraudulenta. Assim, caso se entenda pela manutenção dos lançamentos tributários, requer ao menos que os tributos sejam calculados pelos critérios do lucro presumido. 5.3. Das multas aplicadas Fl. 1225DF CARF MF 12 A impugnante alega que a multa aplicada no percentual de 150% revelase excessiva e desproporcional, visto que não houve prova de sonegação, fraude ou conluio que justificasse a qualificação da multa. Sustenta que ela própria entregou os extratos bancários que lastrearam os lançamentos, além dos livros Diário e Razão, o que evidencia a ausência de qualquer atitude dolosa. Assim, caso sejam mantidos os lançamentos, requer a redução do percentual das multas de 150% para 75%. 5.4. Da ausência de responsabilidade tributária dos sócios da pessoa jurídica A impugnante relata que foi atribuída responsabilidade tributária solidária aos sócios da pessoa jurídica em razão de “atos praticados com infração de lei, tipificados com Crime Contra a Ordem Tributária pelo inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137 de 1990, e que resultaram na omissão intencional, ao longo dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, do registro da movimentação bancária do sujeito passivo”. Alega que a fiscalização não indicou nem comprovou a prática de atos ilícitos pelos sócios da pessoa jurídica. Ressalta que, no relatório fiscal, não há a descrição de qualquer conduta específica dos sócios da Abbatur que configure infração à lei. A impugnante alega que jamais deixou de escriturar receitas que eram de sua titularidade. O que ocorreu, no caso, é que a maior parte dos recursos que transitaram em sua conta bancária correspondiam a receitas de terceiros, repassadas imediatamente após o seu crédito em conta. Argumenta que a conduta da empresa e de seus sócios/administradores estava em consonância com a Lei nº 11.771/2008, que autoriza a tributação somente das receitas que efetivamente sejam de titularidade da empresa de turismo. Assim, ainda que se considere que as receitas de terceiros deveriam ter sido escrituradas, alega a impugnante que não houve dolo ou fraude, uma vez que agiu de acordo com o disposto na legislação. Ante o exposto, conclui que deve ser afastada a responsabilidade tributária dos sócios da empresa. O acórdão da DRJ ao fim restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/10/2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO ESCRITURADA. A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. A exclusão do Simples Nacional por falta de atendimento a intimação é cabível se esse fato configurar efetivo embaraço à fiscalização. Tratandose de intimação para comprovar a origem dos recursos creditados em conta bancária, a falta de atendimento tem por consequências a presunção de omissão de receitas e o lançamento dos tributos devidos, não havendo prejuízo ao procedimento fiscal. Nesse caso, a falta de atendimento a intimação não enseja a exclusão do regime simplificado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011 ARBITRAMENTO. VÍCIOS, ERROS OU DEFICIÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO. Justificase o arbitramento quando a escrituração apresentada pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.117 13 Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores nela creditados. Na falta dessa comprovação, incide a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não compete à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE RECEITAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A prática reiterada de omissão de receitas demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Tais condutas se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATOS COM INFRAÇÃO DE LEI. Demonstrada a prática de atos com infração de lei, é cabível a imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao lançamento de IRPJ aplicase também aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente ABBATUR TURISMO E LOCAÇÕES LTDA ME e a sócia Giovana Oeschler Raulino apresentaram o presente Recurso Voluntário alegando preliminarmente a nulidade do ADE DRF/CTA nº 97/2014, pois o fato de este não indicar precisamente o motivo da exclusão da Recorrente do Simples Nacional, sendo que este é trazido somente por conta da decisão recorrida, prejudicou a Recorrente na medida em que seu direito de defesa, a ser exercido na manifestação de inconformidade, foi inequivocamente cerceado. Juntou precedentes do Conselho de Contribuintes e do CCRF/PR. Concluindo que no presente caso não houve respeito à garantia constitucional à ampla defesa, pois, como visto, esta foi cerceada em razão de não ter sido indicado no ADE DRF/CTA nº 97/2014 o preciso motivo da exclusão do Simples Nacional, o que só foi demonstrado na decisão recorrida, quando então já haveria sido suprimida uma instância julgadora. Alega ainda que referido ato normativo estaria viciado por erro de fato, uma vez que a ora decisão recorrida reconheceu que não seria aplicável ao caso o art. 29, II, da Lei Complementar nº 123/2006. Ainda em sede preliminar sustenta que na hipótese do lançamento tributário fundarse em depósito bancário de origem não comprovada, a validade do lançamento está atrelada à individualização dos depósitos entendidos como não comprovados pela autoridade Fl. 1227DF CARF MF 14 fiscal para que então o contribuinte possa defenderse adequadamente. No presente caso, a individualização praticada pela autoridade fiscal, materializada às fls. 628/630, é insuficiente pois apenas individualiza os valores dos depósitos bancários considerados como omitidos em cada mês, mas deixa de especificar as correspondentes datas dos depósitos. Alega ainda que a Impugnação da Recorrente às fls. 680/700 foi instruída de planilhas identificando, de forma individualizada, os repasses a terceiros em relação a cada depósito bancário considerado na presunção de omissão de receitas, mas que a decisão recorrida, por sua vez, fez uma análise genérica das planilhas e analisou, exemplificativamente, o mês de novembro de 2009 para concluir que não houve comprovação da origem dos recursos e não houve o repasse a terceiros. Alega ainda que haveria nulidade da decisão recorrida, pois esta não teria se manifestado sob as seguintes alegações: a) As especificidades da área de atuação da Recorrente – prestadora de serviços relacionados ao turismo – e da forma de cobrança de seus serviços (por exemplo: comissões) e que deveriam nortear qualquer lançamento contra si; b) A necessidade de considerar como receita bruta da Recorrente aquilo que efetivamente se configura como “preço dos serviços prestados”; c) A ofensa ao princípio da capacidade contributiva e do não confisco ao exigir a tributação da Recorrente sobre toda e qualquer entrada em sua conta bancária considerada receita omitida. No mérito, alega que não poderia ser excluída do Simples Nacional, pois o art. 29, VIII, da LC 123/2006 fala em livrocaixa, enquanto é fato incontroverso que a Recorrente não possui Livro Caixa, utilizandose para sua escrituração contábil de Livro Diário e Livro Razão e, portanto, dispensada do Livro Caixa. Interpretação que seria reforçada pelo teor do art. 112 do CTN que levaria a conclusão de que em uma interpretação literal da legislação, o disposto no art. 29, VIII, da LC 123/06 aplicase somente às hipóteses da empresa que utiliza LivroCaixa. Como a Recorrente se utiliza de outros livros fiscais, permitidos pela legislação, inaplicável a exclusão do Simples Nacional com base nesse inciso do art. 29. Afirma ainda que sua Receita Bruta é apenas será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes, conforme dispôs inclusive a Solução de Divergência COSIT nº 3/2012. Nessa toada, não poderia ter considera a integralidade dos depósitos como se receita sua fossem. Alega ainda que ao se interpretar os arts. 19, §1 da Lei 3.470/58 e 32, §2 da LC 123/2006 em conjunto decorreria que ao contrário do decidido na decisão recorrida, não há nada que impeça a apuração do imposto com base no lucro presumido, conforme requereu a Recorrente em sua impugnação. Sustenta que ao analisar os dois dispositivos legais em conjunto não decorre logicamente que o contribuinte excluído do Simples Nacional deve optar pelo regime de apuração dos seus tributos em cinco dias úteis, como quer fazer crer a decisão recorrida. Dito de outra forma, a legislação citada não estipula de forma clara um prazo de opção pelo regime de apuração dos tributos após a exclusão do Simples Nacional. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.118 15 Concluindo nesse ponto que as regras de opção são previstas e aplicadas em circunstâncias normais de desenvolvimento da atividade empresarial da empresa. Em circunstâncias normais, o contribuinte cumpre determinadas obrigações acessórias que determinarão o seu regime de apuração dos tributos. Hipótese diversa ocorre no âmbito de um procedimento fiscalizatório. Em relação à multa de ofício sustenta a inaplicabilidade da jurisprudência da CSRF e CARF trazida pela decisão recorrida, em decorrência da distinção entre a situação em análise e o substrato fático subjacente do precedente, dado que lá, os tributos não foram apurados a partir da presunção de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, mas sim, a partir de livros de registros do ICMS. Se não, vejase trecho do voto vencedor do Acórdão nº 9101002.106. Afirma que não houve dolo, a Recorrente não omitiu e nem deixou de escriturar receitas que eram de sua titularidade, apenas não ofereceu a tributação receitas que foram repassadas imediatamente a terceiros, e, consequentemente, não eram de sua titularidade. Sustenta que todos os argumentos devem ser aplicados aos lançamentos reflexos. Terminando por sustentar a ausência de responsabilidade dos sócios, pois não estaria configurada a hipótese do inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137/90 no caso concreto. No presente caso, verificase que não há qualquer comprovação de “dolo” na conduta dos administradores, mas, tão somente a alegação genérica de que ao tempo dos fatos geradores o Sr. Gerson Euclides Raulino e a Sra. Giovana Oeschler Raulino constavam no quadro de representantes legais do contra social. É o relatório. Voto Conselheiro Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DAS PRELIMINARES: As Recorrentes alegam a nulidade do Ato que determinou a sua exclusão do Simples Nacional por suposta ausência de motivação uma vez que não teria sido identificada adequadamente a razão que acarretou em sua exclusão. Ocorre que referido ADE apenas deu publicidade a exclusão, tendo decorrido de fiscalização, inclusive em que a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos, não tendo ocorrido a sua revelia. Além disso, o conteúdo da Fl. 1229DF CARF MF 16 impugnação apresentada demonstra que não houve o prejuízo apontado, e como se sabe sem prejuízo não há nulidade, razão pela qual afasto a nulidade aqui suscitada. Uma segunda nulidade apontada pela decorrente decorreria da existência de erro de fato, o que a meu ver não se comprova. Apontar o inciso II, do art. 29 da Lei 123/2006 como um dos motivos de exclusão do Simples Nacional, quando não o foi, não gerou nenhuma espécie de macula ou vício ao contribuinte, pois além dele também foi apontado o inciso VIII, do mesmo artigo. E como a realização de qualquer umas das hipóteses ali elencadas individualmente consideradas poderiam acarretar em sua exclusão, elencar um inciso a mais, a meu ver não causou prejuízo a Recorrente, até porque no limite a exclusão do embaraço como motivo da exclusão em sede de DRJ deuse por sua interpretação favorável ao contribuinte de que a presunção prevista no art. 42 da Lei. 9.430/96 supriria a ausência de entrega do documento exigido. Não há que se falar em alteração do critério jurídico, pois ab initio já estavam elencados mais de um motivo para sua exclusão. Assim, afasto a nulidade suscitada. Uma terceira causa de nulidade seria a ausência de individualização dos depósitos realizados por dia, o que acarretaria prejuízo em sua defesa, o que causa espanto, pois, na sessão seguinte, ao suscitar outra nulidade, que “a Impugnação da Recorrente às fls. 680/700 foi instruída de planilhas identificando, de forma individualizada, os repasses a terceiros em relação a cada depósito bancário considerado na presunção de omissão de receitas”. Assim, não tenho como afirmar que houve qualquer prejuízo na defesa, motivo pelo qual afasto a nulidade suscitada. Quarta causa de nulidade, afirmam que a decisão recorrida deve ser anulada sob o argumento de que não houve juízo de valor em relação a cada depósito creditado em conta bancária. A meu ver não subsiste razão a Recorrente, pois após analisar a planilha e os documentos juntados a r. DRJ conclui que: As planilhas apresentadas pela impugnante nas fls. 705 a 731 reproduzem, nas duas primeiras colunas, os valores dos créditos bancários discriminados pela fiscalização (coluna “VALOR”) e os créditos que a fiscalização desconsiderou por não se caracterizarem como receitas (coluna “ESTORNO”). Nas outras colunas, a impugnante descreve as parcelas dos depósitos que alega serem receitas de terceiros. Nessas planilhas, verificase que não foram identificados os alegados repasses para a maioria dos créditos bancários. Além disso, não consta a identificação de nenhum dos clientes da impugnante, que seriam os tomadores dos serviços. Entendo que o fato de os julgadores utilizarem um mês como exemplo de seu raciocínio e de suas conclusões não significa que não houve uma análise efetiva das planilhas apresentadas pelas Recorrentes. Da leitura do excerto acima transcrito, verificase que a r. DRJ fez um juízo de valor sobre todos os depósitos creditados, entendendo, com base na planilha apresentada pelas próprias Recorrentes, pela insuficiência de informações para afastar a presunção de omissão de receitas. Última razão pela qual pugna a nulidade da decisão recorrida seria eventual falta de manifestação acerca de determinadas alegações, a saber: especificidades da área de atuação da Recorrente; necessidade de considerar como receita bruta da Recorrente aquilo que efetivamente se configura como “preço dos serviços prestados”; e ofensa ao princípio da capacidade contributiva e do não confisco ao exigir a tributação da Recorrente sobre toda e qualquer entrada em sua conta bancária considerada receita omitida. Aqui novamente não assiste razão a Recorrente, quando lemos o acórdão recorrido, percebemos que cada uma dessas alegações foi considerada pela turma julgadora, e Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.119 17 rebatida pela aplicação seja da presunção de omissão de receita, tendo sido transcrito julgamento do e. STJ para sustentar a posição vencedora, seja pela impossibilidade de a corte administrativa analisar questões constitucionais como a capacidade contributiva ou não confisco. Exemplo, a condição específica do setor, alegação a, vem claramente reproduzida as fls 21 do acórdão, a alegação b e c foram objeto do item 4 do acórdão. Não como se sustentar a nulidade pleiteada, motivo pelo qual afasto todas as nulidades suscitadas e passo a análise do mérito. 3. DO MÉRITO: No mérito sustenta inicialmente que pelo fato de o art. 29, VIII da LC 123/06 mencionar expressamente o livrocaixa, em uma interpretação literal da legislação, o disposto no art. 29, VIII, da LC 123/06 aplicase somente às hipóteses da empresa que utiliza Livro Caixa. E já que estaria dispensada de escriturar o livro caixa, por força do art. 61, §3 da RESOLUÇÃO CGSN Nº 94, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2011 não poderia ser excluída do Simples Nacional. Tal interpretação seria reforçada pelo art. 112 do CTN. Concluindo que: Além disso, não é lícito ao intérprete impor uma penalidade por analogia in malam partem, em respeito ao princípio da legalidade que vige no direito tributário brasileiro. A ausência de sanção específica para aquele que se utiliza do Livro Razão e do Livro Diário pode até ser considerado um vício da legislação, mas não deve ser consertado por meio de analogias e interpretações desfavoráveis ao acusado, mas sim por meio da alteração da legislação, observado o processo legislativo aplicável. Por tentador que seja o convite, não é possível seguirmos nessa linha de raciocínio. Vamos a literatura do inciso VIII do art. 29: A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: VIII houver falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Quando leio a literalidade do dispositivo, ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, não vejo a restrição sugerida pela recorrente em sua interpretação. Qual seja, a impossibilidade de o contribuinte que adotar livro diário e livro razão ser excluído em razão do inc. VIII do art. 29. Em realidade, o racional por detrás do art. 61, §3 da RESOLUÇÃO CGSN Nº 94/2011 é diminuir a burocracia a que está sujeito o contribuinte que adota a apuração pelo Simples Nacional, não dar uma carta livre para que o contribuinte deixe de escriturar adequadamente sua movimentação financeira. Caso levássemos a ferro e fogo, a interpretação literal, teríamos que concluir que o referido art. 61, §3 apenas dispensa a apresentação do livrocaixa, mas não dispensa sua escrituração. Assim, ao confirmar que “É fato incontroverso que a Recorrente não possui Livro Caixa, utilizandose para sua escrituração contábil de Livro Diário e Livro Razão”, teríamos de confirmar a exclusão pelo art. 29, inc. VIII da LC 123/06 primeira parte. Fl. 1231DF CARF MF 18 Não é a interpretação que entendo mais correta, entendo que a escrituração de livro diário e livro razão efetivamente dispensem a escrituração do livrocaixa, desde que permitam a fiscalização do contribuinte de forma adequada, inclusive quanto a sua movimentação financeira e bancária, sob o risco de posterior exclusão. Devendo a segunda parte do art. 29, inc. VIII ser interpretada de forma a englobar não apenas os contribuintes que adotem o livrocaixa, mas também os contribuintes que utilizem a faculdade dada pelo art. 61, §3 da Resolução CGSN 94/2011. Em relação à omissão de receitas, entendo totalmente aplicável a o teor da Solução de divergência COSIT 3/2012, colacionada pela Recorrente. Ela, entretanto, deve ser interpretada em conjunto com o que prescreve o art. 42 da Lei. 9.430/96. Significa dizer que estabelecida a presunção de omissão de receitas, deve o contribuinte comprovar quais receitas são próprias e quais são de terceiros. Neste ponto, constatou a DRJ: Na análise dos documentos juntados à impugnação, verificase que não consta nenhum documento referente aos créditos efetuados em sua conta bancária. Não foi apresentada uma única nota fiscal de sua emissão, relativa à prestação de serviços turísticos aos seus clientes. Concluindo que: a) não foram apresentados documentos comprobatórios da origem dos recursos creditados na conta bancária da impugnante; b) com base nas alegações e documentos apresentados, não foi possível correlacionar os créditos bancários com os alegados repasses a terceiros. Logo, concluise que a impugnante não logrou afastar a presunção de omissão de receitas em relação aos créditos efetuados em sua conta bancária. Da análise dos documentos juntados aos autos não é possível relacionar as despesas com as receitas auferidas, devendo ser mantida a decisão proferida pela r. DRJ por seus próprios fundamentos. Em relação à apuração pela metodologia do lucro arbitrado após a exclusão do Simples Nacional, parece haver razão à Recorrente. Explico. Na legislação não há um prazo específico para o contribuinte se manifestar, determina o art. 32 que as microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, complementando em seu §2º que para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. Importante ressaltar que o art. 29, §1º determina que § 1o nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas. Daí, decorre, a meu ver, que a opção deve ser realizada antes da próxima apuração dos impostos devidos, sob o risco de a apuração ser realizada pelo regime geral, qual seja, a o lucro real, como se verificou no lançamento. Assim, entendo que não merece ser acolhida a alegação da Recorrente. Por fim, no que diz respeito à multa qualificada. Entendo que não há comprovação do intuito de fraude, ou de recorrência que leve a conclusão do intuito de fraude. Assim entendo plenamente aplicáveis a espécie o teor das súmulas 14 e 25 do CARF: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 11624.720053/201433 Acórdão n.º 1402002.853 S1C4T2 Fl. 1.120 19 “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Entendo que a multa deve ser reduzida para o patamar de 75%, além disso, afastada a suposta caracterização de crime de sonegação, deve ser afastada a responsabilidade dos sócios, baseada no art. 135, III, do CTN. Mantidos ainda os tributos decorrentes. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1233DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.000624/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantém-se a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantémse a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 24 /2 00 6- 71 Fl. 215DF CARF MF 2 Tratase da Declaração de Compensação (DComp) n° 34046.30779.130204.1.3.013574 (fls. 12/15), transmitida em 13/2/2004, em que informada a compensação de parcela do crédito presumido IPI do 3º trimestre 2002, no valor de R$ 4.120.312,00, com débito do mesmo valor da Cofins do mês de janeiro de 2004. Por meio do Despacho Decisório de fls. 16/18, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que não existia a parcela do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório, pois o pedido de ressarcimento do total do crédito presumido do IPI do 3º trimestre 2002, analisado nos autos do processo administrativo nº 10907.002132/200458, fora integralmente indeferido, com base nos fundamentos exarados no Despacho Decisório colacionado aos autos (fls. 4/11). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 21/24), a interessada solicitou o sobrestamento do julgamento deste processo, sob o argumento de que havia interposto manifestação de inconformidade contra a decisão de indeferimento do direito creditório, proferida no processo nº 10907.002132/200458, o qual ainda se encontrava pendente de julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 42/48), que, por unanimidade de votos, manteve a não homologação da compensação, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado, sob o fundamento de que, naquela instância julgadora, a manifestação de inconformidade, apresentada no citado processo do crédito, fora indeferida. Em 30/7/2009, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 27/8/2009, protocolou o recurso de fls. 51/54, em que alegou a impossibilidade do julgamento deste processo antes que fosse proferida a decisão definitiva no âmbito do processo nº 10907.002132/200458, posto que a decisão a ser proferida no citado processo podia mudar o destino das compensações não homologadas neste. No final, pediu o sobrestamento do julgamento do recurso até que fosse prolatada a decisão definitiva no processo do crédito, cujo recurso voluntário nele interposto ainda se encontrava pendente de julgamento. Na Sessão de 24 de julho de 2013, por meio da Resolução nº 3102000.272, este Colegiado converteu o julgamento em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para que fosse aguardado e atestado o resultado da decisão definitiva prolatada no processo nº 10907.002132/200458, bem como juntada a cópia do respectivo julgado, o que foi plenamente atendido, conforme documentos de fls. 157/209. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitavase a questão processual atinente à impossibilidade de julgamento deste processo de compensação antes da decisão definitiva, na esfera administrativa, a ser proferida no julgamento do processo nº 10907.002132/200458, onde fora pleiteado e julgado, por decisão definitiva na esfera administrativa, o direito creditório utilizado na presente compensação. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10907.000624/200671 Acórdão n.º 3302005.246 S3C3T2 Fl. 213 3 Com efeito, a não homologação da compensação em apreço foi motivada pela não comprovação da existência parcela do crédito presumido do IPI do 3º trimestre 2002, objeto do pedido de ressarcimento formulado no âmbito citado processo, que foi integralmente indeferido pelo titular da Unidade da Receita Federal de origem, cuja decisão foi integralmente mantida pelo julgamento de primeira instância, que foi ratificado pela decisão definitiva proferida por este Colegiado, por meio do acórdão nº 3302002.584, de 25 de abril de 2014, cujo enunciado da ementa restou assim redigido, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Recurso Voluntário Negado Assim, uma vez atestado nos autos que a decisão definitiva proferida no âmbito do citado processo manteve o indeferimento integral do crédito utilizado na compensação em apreço, não resta outra alternativa a este Colegiado que não a de manter incólume a decisão de primeiro grau que manteve a não homologação da compensação objeto dos presentes autos, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.722214/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Erro na determinação do fato gerador pela fiscalização, as autuações fiscais devem ser canceladas, pois foram lavradas depois de transcorrido o prazo decadencial considerando-se a contagem do art. 150, § 4º, como também a prevista no art. 173, I, ambos do CTN.
O art. 421 do RIR tem aplicação para a sistemática da tributação do lucro real, que não foi opção do contribuinte.
O contribuinte deveria ter oferecido o ganho de capital apurado na alienação das Fazendas Mariana II e III no exercício de ocorrência do fato gerador, respeitando o regime de competência. Assim, deveria ter realizado a referida tributação no ano de 2005.
O fato de assim não ter agido, não permite que a fiscalização altere o regime de tributação do Recorrente. O que me parece ter sido desrespeitado pela fiscalização e pela DRJ.
Acolhida a preliminar de decadência arguída para declarar extinta a exigência relativa ao ganho da capital das fazendas Mariana II e III.
IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL.
Sujeita-se a apuração de ganho de capital a venda de bens originalmente registrados no ativo imobilizado e que serviram para a consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica. A classificação do ativo deve ser observada no momento da sua aquisição, e a contribuinte fez a opção de classificação como ativo permanente, pois essa era a natureza do bem quando da sua aquisição. Tanto assim, que procedeu à depreciação do mesmo.
Outrossim, a fazer valer a tese do contribuinte, ele poderia ter classificado o ativo como imobilizado (como o fez), ter usufruído da sua depreciação (como também o fez), e depois simplesmente reclassificar para vender o bem com uma tributação reduzida.
Entretanto, agente fiscal ao calcular o crédito tributário devido, aplicou o regime de caixa, diverso do adotado pelo contribuinte. A conclusão disso é que a tributação que deveria ocorrer no terceiro trimestre de 2009, teve parte da sua tributação transferida para o quarto trimestre de 2009, o que desrespeitou a escolha e forma de tributação adotada pelo contribuinte. O ajuste não pode ser feito no presente lançamento porque acarretaria em majoração do crédito original.
Lançamento mantido, tão somente quanto ao ganho de capital apurado no terceiro trimestre de 2009.
IRPJ/CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 14 DO CARF.
Para aplicação de multa qualificada se faz necessário comprovar, de forma cabal, o dolo específico do agente, e o simples não pagamento de tributo não pode presumir o dolo. A qualificação da multa deve ser afastada.
Lançamento parcialmente procedente.
Numero da decisão: 1401-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, dar parcial provimento para manter, tão somente, a exigência tributária sobre o ganho de capital relativo à operação de alienação realizada em 17/07/2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Erro na determinação do fato gerador pela fiscalização, as autuações fiscais devem ser canceladas, pois foram lavradas depois de transcorrido o prazo decadencial considerandose a contagem do art. 150, § 4º, como também a prevista no art. 173, I, ambos do CTN. O art. 421 do RIR tem aplicação para a sistemática da tributação do lucro real, que não foi opção do contribuinte. O contribuinte deveria ter oferecido o ganho de capital apurado na alienação das Fazendas Mariana II e III no exercício de ocorrência do fato gerador, respeitando o regime de competência. Assim, deveria ter realizado a referida tributação no ano de 2005. O fato de assim não ter agido, não permite que a fiscalização altere o regime de tributação do Recorrente. O que me parece ter sido desrespeitado pela fiscalização e pela DRJ. Acolhida a preliminar de decadência arguída para declarar extinta a exigência relativa ao ganho da capital das fazendas Mariana II e III. IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. Sujeitase a apuração de ganho de capital a venda de bens originalmente registrados no ativo imobilizado e que serviram para a consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica. A classificação do ativo deve ser observada no momento da sua aquisição, e a contribuinte fez a opção de classificação como ativo permanente, pois essa era a natureza do bem quando da sua aquisição. Tanto assim, que procedeu à depreciação do mesmo. Outrossim, a fazer valer a tese do contribuinte, ele poderia ter classificado o ativo como imobilizado (como o fez), ter usufruído da sua depreciação (como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 22 14 /2 01 2- 41 Fl. 2009DF CARF MF 2 também o fez), e depois simplesmente reclassificar para vender o bem com uma tributação reduzida. Entretanto, agente fiscal ao calcular o crédito tributário devido, aplicou o regime de caixa, diverso do adotado pelo contribuinte. A conclusão disso é que a tributação que deveria ocorrer no terceiro trimestre de 2009, teve parte da sua tributação transferida para o quarto trimestre de 2009, o que desrespeitou a escolha e forma de tributação adotada pelo contribuinte. O ajuste não pode ser feito no presente lançamento porque acarretaria em majoração do crédito original. Lançamento mantido, tão somente quanto ao ganho de capital apurado no terceiro trimestre de 2009. IRPJ/CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 14 DO CARF. Para aplicação de multa qualificada se faz necessário comprovar, de forma cabal, o dolo específico do agente, e o simples não pagamento de tributo não pode presumir o dolo. A qualificação da multa deve ser afastada. Lançamento parcialmente procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, dar parcial provimento para manter, tão somente, a exigência tributária sobre o ganho de capital relativo à operação de alienação realizada em 17/07/2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.010 3 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife(PE) que manteve parcialmente o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado em decorrência de supostas infrações à legislação tributária, referente ao ano calendário de 2007/2008/2009/2010, por meio dos quais são exigidos da Recorrente, o IRPJ, CSLL e o IRRF, tendo o total do crédito no valor consolidado de R$ 6.000.441,34, conforme descrições nas tabelas abaixo: IRPJ Principal R$ 1.322,381,64 Juros R$ 436.661,82 Multa R$ 1.983.572,47 Valor do Crédito Apurado R$ 3.742,615,93 CSLL Principal R$ 462.823,78 Juros de Mora R$ 153.095,40 Multa R$ 694.235,68 Valor do Crédito Apurado R$ 1.310.154,86 IRRF Valor do Crédito Apurado R$ 974.670,55 2. Ao compulsar dos autos às fls. 45/104, notase que a TVF Termo de Verificação Fiscal traz a informação de que o procedimento fiscal junto ao sujeito passivo acima identificado foi a omissão de apuração dos valores dos ganhos de capitais nas alienações de imóveis no lucro Presumido e desconsideração dos lucros contábeis apurados por inconsistências na escrituração contábil, com reflexos na distribuição dos lucros atribuídos/pagos aos sócios. 3. De acordo com as informações constantes no TVF, o contribuinte é uma empresa construtora atuante na região de Erechim e no norte do País, realizando construções de redes de energia elétrica, locação, entre outros serviços conforme descrito no contrato social da fiscalizada. 4. A fiscalização informa que o contribuinte efetuou uma organização e planejamento contábil com a finalidade de criar saldos irreais na conta Caixa (saldo em Fl. 2011DF CARF MF 4 02/01/2009 de R$ 9.637.191,07) e na conta Lucros Acumulados (em 31/12/2010 de R$ 25.952.730,21) com a finalidade explicita de transferir aos seus sócios receitas/lucros que não foram oferecidos à tributação. 5. Aduz ainda, “que o contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos não contabilizados efetuados por meio de cheques, listados em intimação, alegando que vários valores referiamse a adiantamentos à funcionários para pagamento de despesas diversas, inclusive alimentação. Nesse caso não há prestação de contas por parte dos funcionários. Também não comprovou a destinação e a contabilização de vários pagamentos efetuados por meio de transferência e depósitos bancários. Tratase de procedimento idêntico ao de saída da conta Bancos e suprimento da Conta Caixa, não registrar na contabilidade o que realmente ocorreu, a fim de buscar um lucro além de todos os limites disponíveis pela legislação”. 6. Afirma, outrossim, “que a aplicação da multa de 150%, em vista do planejamento e arquitetura de uma fórmula de criação e distribuição de lucros com o fim específico de dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, insinuando a ocorrência de lucros contábeis inexistentes. Não seria uma simples sonegação, mas um planejamento para suprimir despesas e os pagamentos realizados, objetivando um alto saldo da conta Caixa e um lucro contábil inflado e irreal. É uma organização planejada, com dolo específico, dos sócios administradores”. 7. Cientificado da autuação em 10/10/2013 (fl. 1.950), o interessado apresentou impugnação em 10/01/2013 (fls. 1.811/1.854), na qual alegou em apertada síntese: i) DA DECADÊNCIA: Argui que “Não dispõe o autuante de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração e registro contábil protagonizada pela contribuinte a pretexto de requalificar sobreditas operações imobiliárias e modificar a Conta de Resultado dos Exercícios”. Nesse sentido, consumouse “a decadência do direito de o fisco efetuar a recomposição dos “Saldo de Lucros” contábeis acumulados, declarados e homologados, para efeito de glosálos e projetar efeitos tributários presentes e futuros, tanto quanto de exigir ganhos de capital em desrespeito ao lançamento contábil efetivado em 2005, sobre regime fiscal legalmente eleito em todas as DIPJs dos anos calendário de 2005 a 2010 (competência), pois efetuou o adicionamento do resultado da operação na conta lucros acumulados do ano calendário de 2005”; ii) DA INCONSISTÊNCIA DAS AUTUAÇÕES A TÍTULOS DE GANHOS DE CAPITAL SUPOSTAMENTE AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE IMOVÉL URBANO EM 17/07/2009: Informa que "a classificação contábil de bem e direitos adquiridos é determinada não pela natureza do bem, mas levando em consideração a intenção da empresa e seus objetivos sociais, tendo por base a lei comercial (6.404/76) e demais diretrizes contábeis”. (...) Aduz ainda, que “não se pode exigir que imóveis inicialmente não utilizados para gerar receitas fiquem represados no imobilizado, ainda mais que desde 11/2005 consta da 3ª alteração e consolidação de seu contrato social a atividade de incorporação e compra e venda de imóveis urbanos e rurais, conforme letra “h” da cláusula 3ª (fls. 177/183), o que consta, também, perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (Anexo 1), razão porque ofereceu à tributação as receitas obtidas com a alienação como pertencentes à atividade (art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, c/c § 7º, art. 3º da IN SRF nº 93, de 1997)”. “Alienou o referido imóvel em razão da Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Estadual (nº 013/1.07.00004582), que tinha o escopo de obter declaração judicial de tombamento da citada unidade imobiliária, fato Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.011 5 que lhe trouxe diversos incômodos e perspectivas de perdas financeiras representativas”; iii) DA INCONSISTÊNCIA DAS AUTUAÇÕES A TÍTULOS DE GANHOS DE CAPITAL SUPOSTAMENTE AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL EM 11/2005: Alega que em que pese se trate de imóvel rural, o lançador cometeu o incorrigível lapso de fundar a exigência nos mesmos arts. 521/528 do RIR/99, que serviram de suporte legal às atuações que versam sobre a venda do imóvel urbano em 2009. Calculou sob critérios juridicamente inapropriados as diferenças entre o custo de aquisição e o ganho líquido, sem levar em conta os critérios firmados no art. 523 do RIR/99”; iv) DA IMPROCEDÊNCIA DAS AUTUAÇÕES FISCAIS SOB O REGIME DE CAIXA: Argumenta que “na sistemática de tributação do lucro presumido a regra para o registro das operações contábeis é o regime de competência”. E que por sua vez, “o regime de caixa é exceção concebida não para os registros contábeis, mas somente para efeitos de tributação e depende de opção pelo contribuinte”. Afirma que “todas as DIPJs apresentadas, desde o ano calendário de 2005, há expressa indicação do regime de competência na ficha correspondente e não o regime de caixa”; v) DA MULTA ISOLADA DE 50% POR SUPOSTA FALTA DE RETENÇÃO DE IR E DA AUSENCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A SUA EXIGÊNCIA: Alega que “a multa isolada de 50% disposta no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, não é mais oponível no caso em que a fonte pagadora, obrigada a reter tributo ou contribuição, deixa de fazêlo ou recolhêlo, ou o faz fora do prazo, isto porque a Lei nº. 11.488/2007 o suprimiu, de forma que desapareceu o suporte legal à sanção ora imposta”; vi) DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%) CONFUSÃO FISCAL QUANTO À CORRETA IDENTIFICAÇÃO DA NATUREZA E EFEITOS JURÍDICOS: Afirma ser “insustentável a exasperação da multa de ofício. Primeiro, em razão da incipiente e incoerente assertiva fiscal, reduzida a dois parágrafos, que se limitou a generalizar condutas praticadas por representantes de pessoa jurídica diversa da impugnante, provavelmente alvo de procedimento de fiscalização precedente. Trata se de copia e colar as acusações, de qualquer sorte vazias de comprovações quanto à ocorrência de dolo, sem nenhuma prova na direção do que, a seu ver, consistiria num planejamento da criação e distribuição de lucros, planejada e arquitetada para o fim específico de dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, insinuando a ocorrência de lucros contábeis inexistentes. (...) Segundo, porque não foram apontadas pelo autuante evidências da prática fraudulenta quanto às operações imobiliárias, que foram feitas às claras, registradas contabilmente e declaradas nos instrumentos adequados, e que foram reclassificadas para fins dos lançamentos de IRPJ e CSLL. As divergências encontradas não passam de meras discordâncias procedimentais, que quando muito passam a ser tidas como irregularidades fiscais (em sentido amplo), mas que não servem para justificar exasperação punitiva que reclama configuração inquestionável de crime fiscal Vide Súmula CARF nº 14. (...) Terceiro, porque não se mostram presentes as figuras criminalizantes traduzidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964”; Fl. 2013DF CARF MF 6 vii) REQUEREU o acolhimento da impugnação apresentada para declarar a nulidade dos lançamentos questionados diante dos argumentes expostos ou que sejam julgados improcedentes com o consequente arquivamento dos autos. 8. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre converteu o feito em diligência com a finalidade de que “o autuante, em consonância com o art. 523 do RIR/99, informasse o Valor da Terra Nua dos imóveis denominados Fazenda Mariana II e III e cientificasse o contribuinte para que, se fosse de seu interesse, contraditasse o resultado da diligência”. – (Fl. 1.883). 9. Às fls. 1.885/1.888 dos autos consta o Termo de Diligência Fiscal trazendo as informações solicitadas pela DRJPorto Alegre. 10. Às fls. 1.891/1.897 dos autos – Manifestação do Contribuinte, alegando em síntese que: “não obstante o art. 147 do Código Tributário Nacional franquear ao autuante a possibilidade de retificar de ofício os erros contidos nas declarações, tal iniciativa depende da formalização de ato retificador. Ou seja, o lançador deveria ter substituído os dados tidos por ele mesmo como reveladores de inconsistências pelos dados que julgou mais acertados nas próprias DIATs que manuseou, para depois disso adotálos como válidos nos refazimentos de cálculos espelhados na diligência fiscal. Como descumpriu com a obrigação de retificar de ofício as DIATs que embasaram os recálculos fiscais propostos na diligência fiscal, não deve a DRJ encampálos, sob pena de infirmar, também por isto, a estrutura dos autos de infração em contenda”. (...) Alega ainda “que a retificação do dispositivo legal sobre o qual se fundam as exigências, e mesmo o redimensionamento das bases tributáveis, como conseqüência da adoção de critérios diverso daqueles utilizados no instante da formalização dos lançamentos agridem o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional, além de tais condutas traduzirem indisfarçável e ilegal tentativa de realizar novo lançamento. Por fim, reitera a impugnação original e requer que sejam julgados insubsistentes os autos de infração.” 11. O Acórdão ora Recorrido (1045.879 1ª Turma da DRJ/POA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IRPJ/CSLL/IRRF AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE O Termo de Verificação Fiscal que descreve com nitidez os fatos ocorridos, a base legal, as provas obtidas e a relação lógica entre eles, de modo a identificar o que está sendo objeto do lançamento e proporcionar ao contribuinte a possibilidade de conhecimento pleno das acusações que lhe estão sendo imputadas, não enseja a nulidade do auto de infração. IRPJ/CSLL/IRRF IRREGULARIDADES, INCORREÇÕES E OMISSÕES As irregularidades, incorreções e omissões, não relacionadas à competência do agente e com preterição do direito de defesa, não importam em nulidade e devem ser sanadas somente quando resultarem em prejuízo para o contribuinte, salvo se este lhe deu causa, ou quando não influírem na solução do litígio. IRPJ/CSLL GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.012 7 Nos casos de venda de bens do ativo permanente para recebimento do preço após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, que a legislação faculta o diferimento da tributação do ganho de capital, a contagem do prazo decadencial se inicia a partir da data em que cada parcela recebida deveria ter sido tributada, e não a partir da data de ocorrência do fato gerador. IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA A regra geral para a tributação das pessoas jurídicas é o Lucro Real, com reconhecimento das receitas pelo regime de competência. Excepcionalmente, a legislação facultou para as pessoas jurídicas que apuram seus resultados nessa sistemática a tributação do ganho de capital na proporção da parcela do preço recebido em cada período de apuração, quando a venda se der para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação. Para as pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido a legislação tributária instituiu uma outra exceção: as receitas da atividade também podem ser tributadas pelo Regime de Caixa. Portanto, a tributação do ganho de capital, tanto para as pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real, como para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, tem como regra de tributação o Regime de Competência. A exceção é para o caso de vendas parceladas, quando a tributação do ganho pode ser efetuada na proporção da parcela do preço recebido em cada período de apuração, desde que o recebimento do preço, no todo ou em parte, se dê após o término do anocalendário seguinte ao da contratação da venda. IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. Sujeitase a apuração de ganho de capital a venda de bens originalmente registrados no ativo imobilizado e que serviram para a consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica de locação de imóveis. IRPJ/CSLL LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS. GANHOS DE CAPITAL. Na apuração do ganho de capital na venda de imóvel rural considerase como custo e valor da venda o Valor da Terra Nua. O resultado positivo deve ser acrescido à base de cálculo apurada com base na receita bruta auferida no período. IRPJ/CSLL MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É cabível a qualificação da multa de ofício quando presentes os elementos abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados à operação que deu causa ao lançamento tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO Fl. 2015DF CARF MF 8 Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 12. Recurso de Ofício ao CARF às fls. 1.902 dos autos, tendo em vista a exoneração do crédito superior a R$ 1.000.000,00. 13. Considerou a turma julgadora que, “não há nenhum vício nos elementos acima apontados: (1) competência do agente: o auto de infração foi lavrado por auditor fiscal da Receita Federal, que é quem detém competência legal para constituir o crédito tributário da União; (2) forma, o auto de infração obedeceu aos requisitos formais do art. 142 do Código Tributário Nacional e dos arts. 10 e 11 do decreto nº 70.235, de 1972; (3) objeto, constituição do crédito tributário; (4) finalidade, o interesse público, e (5) motivo, infração à legislação tributária”. 14. Segundo entendimento da Turma, “embora o autuante tenha efetuado o lançamento considerando o regime de caixa, esse procedimento não trouxe prejuízo para o contribuinte, pois houve efetivamente um ganho tributável que foi tributado de forma que lhe foi mais favorável, conseqüência da incidência de juros sobre os tributos lançados somente a partir do quarto trimestre de 2009”. 15. De acordo com Acórdão recorrido, “não há evidência nos autos de sonegação, fraude ou conluio relacionado à venda, em 17/07/2009, do bem do ativo permanente. A operação foi registrada contabilmente e oferecida à tributação pelo contribuinte como receita da atividade. As divergências de entendimento a respeito da incidência da norma tributária, neste caso, não passam do campo de uma simples irregularidade fiscal”. Para tanto, cancelouse “o agravamento da multa de ofício incidente somente sobre os valores lançados decorrentes do ganho de capital obtido na venda do bem do ativo imobilizado, correspondente aos fatos geradores de 30/09/2009 e 31/12/2009” – conforme descrições na tabela abaixo: CRÉDITO MANTIDO EM PARTE: Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.013 9 16. Intimado da r. decisão em 10/10/2013 (fl.1.950), e inconformado com o julgamento que manteve em parte o crédito tributário, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/11/2013 (fls. 1.953/2.003), no qual traz em seu bojo praticamente as mesmas razões expendidas em sede de impugnação, acrescentando apenas os seguintes argumentos: i) DA TENTATIVA DE O ACORDÃO RECORRIDO DE “SALVAR” O LANÇAMENTO: Alega que “a indicação precisa da data de ocorrência do fato gerador no auto de infração é conseqüência de imposição legal e não pode ser ignorada ao argumento de sua inobservância ter sido eventualmente benévola com o contribuinte. É decorrência lógica do que dispõe os arts. 114, 116,142 do CTN”; ii) DOS ERROS COMETIDOS PELO AUTUANTE NA DETERMINAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN): Sustenta que "não obstante a redação do art. 147 do CTN, parágrafo 2º, franqueie ao Autuante a possibilidade de retificar, de ofício, erros contidos nas declarações em liça, verdade é que tal iniciativa depende da formalização do ato retificador. Vale dizer: o lançador deveria ter substituído os dados tidos por ele mesmo como reveladores de inconsistências pelos que julgou mais acertado nas próprias DIATS que manuseou, para depois disso, adotálas como válidos nos refazimentos de cálculos espelhados na diligencia fiscal”; iii) IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAREM NOVOS LANÇAMENTOS FUNDADOS EM CLARA MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO: Aduz que a "retificação do dispositivo legal sobre o qual se fundam as exigências, e mesmo o redimensionamento das bases tributáveis, como conseqüência da adoção de critérios diversos daqueles utilizados no instante da formalização dos lançamentos, estiolam o que dispõe o art. 146 do CTN, ao qual estão vinculados o Autuante e também a DRJ, além de tais condutas traduzirem indisfarçável e ilegal tentativa de realizar novo lançamento”; iv) DA DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES/ LANÇAMENTOS REAJUSTADOS PELA DRJ: Argumenta que “o órgão julgador atestou que o "ganho deve ser apurado em 2005, na data da alienação, pois nessa metodologia adotada para imóvel rural, é irrelevante o valor da venda, assim como irrelevante o modo como foi recebido. Daí, a contradição em dizer que o ganho é diferido na proporção do recebimento das parcelas”; v) DA MULTA ISOLADA DE 50%: Informa que “a própria DRJ sentenciou existência de imprestabilidade do lançamento, posto que o Autuante adotou fundamento legal diverso do que deveria ter adotado, param além de ter mal determinado a exigência com alíquota diversa da supostamente válida. (...) Confirmado o erro na execução do lançamento pela autoridade julgadora, não pode ela investirse no papel de autuante para salvar o auto de infração ao argumento de o erro do lançador terlhe beneficiado”. Fl. 2017DF CARF MF 10 vi) REITEROU as razões trazidas em sede de impugnação e REQUEREU por fim, o recebimento do Recurso interposto para reformar parcialmente o Acordão recorrido para declarar os vícios e inconsistências mencionadas, bem como a nulidade dos lançamentos mantidos pela DRJPOA, com o conseqüente arquivamento do processo fiscal. 17. Despacho de encaminhamento do processo ao CARF para julgamento simultâneo do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário interposto – fl. 2.006. 18. É o relatório do essencial. bela do plano Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Recurso de Ofício No que se refere ao Recurso de Ofício, entendo que não há o que ser modificado na decisão Recorrida. Isto porque os ajustes realizados decorrem de correções em erros de cálculo do agente fiscal, reconhecidos e corrigidos através de diligência, bem como de redução da multa qualificada por entender que não estariam satisfeitos os requisitos para sua majoração. De fato, para aplicação de multa qualificada se faz necessário comprovar, de forma cabal, o dolo específico do agente, e o simples não pagamento de tributo não pode presumir o dolo. Ademais, todas as operações foram declaradas pelo contribuinte, razão pela qual nada foi omitido da Receita ou fiscalização. Nestes termos, não dou provimento ao referido recurso. Recurso Voluntário No que se refere ao Recurso Voluntário, passo a analisar, inicialmente, a preliminar de decadência arguída. Da Preliminar de Decadência Preclusão Consumativa Em que pese seu título genérico, nos argumentos e fatos, quanto a esta preliminar, o Recorrente basicamente alega a decadência quanto ao crédito que reconstitui lançamentos contábeis referentes ao ganho de capital relativo às vendas das Fazendas Mariana II e III. Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.014 11 Isto porque, a operação de venda ocorreu no ano de 2005, e o contribuinte sempre foi optante pelo regime de tributação do Lucro Presumido no Regime de Competência. Tal fato é incontroverso no processo. Entretanto, a decisão recorrida, neste aspecto sustentou que: Entretanto, o art. 421 do RIR/99 prevê a hipótese de diferimento da tributação do ganho de capital nos casos em que o recebimento do preço, no todo ou em parte, se der após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, vejamos: Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31. § 2º). Embora o contribuinte tenha informado na DIPJ do ano calendário de 2005 que adotou a tributação pelo Lucro Presumido (fls. 1718) e o regime de apuração das receitas pelo Regime de Competência (fls.1729), o ganho de capital obtido na venda das fazendas Mariana II e Mariana III não foi oferecido à tributação, de sorte que, em face ao art. 421 do RIR/99, foi correto o procedimento do autuante em efetuar o lançamento considerando a data de recebimento das parcelas. Ora, em que pese concorde com a decisão Recorrida, no que se refere à afirmação de que o contribuinte deixou de oferecer à tributação o ganho de capital relativo a tais operações, entendo que o art. 421 do RIR é absolutamente inaplicável ao presente caso. A controvérsia surge porque, em 11/2005, o contribuinte procedeu a venda dos imóveis denominados Fazenda Mariana II e III, sem ter tributado o ganho de capital correspondente. Na ocasião o contribuinte contabilizou o ganho de capital diretamente na conta lucros acumulados. O autuante procedeu ao lançamento do IRPJ e da CSLL pelo Regime de Caixa, conforme o recebimento das parcelas pelo contribuinte, considerando decaído o direito de lançar até julho de 2007. Além disso, o autuante efetuou a recomposição do saldo contábil de Lucros Acumulados, desde o anocalendário de 2005, para fins de cálculo da isenção da distribuição dos lucros contábeis (excesso em relação ao lucro presumido), efetivada no 2º e 3º trimestres de 2009 e no 1º, 2º e 4º trimestres de 2010. Ocorre que, o art. 421 é aplicável à sistemática de tributação do lucro real, inaplicável ao contribuinte face à incontroversa opção pelo lucro presumido no regime de competência. O contribuinte deveria ter oferecido o ganho de capital apurado na alienação das Fazendas Mariana II e III no exercício de ocorrência do fato gerador, respeitando o regime de competência. Assim, deveria ter realizado a referida tributação no ano de 2005. Fl. 2019DF CARF MF 12 O fato de assim não ter agido, não permite que a fiscalização altere o regime de tributação do Recorrente. O que me parece ter sido desrespeitado pela fiscalização e pela DRJ. Assim é que, a aplicação do art. 421 do RIR é absolutamente incoerente por ser dispositivo que se aplica a regime de tributação diverso do escolhido pelo Recorrente. Desta feita, tendo ocorrido o fato gerador do referido ganho de capital no ano de 2005, e sendo o contribuinte optante pelo lucro presumido no regime de competência, não é possível chegar a outra conclusão senão a de que, o lançamento relativo ao recolhimento do ganho de capital relativo à venda das Fazendas Mariana II e III está fulminado pela decadência, seja nos termos do art. 150 ou do art. 173 do CTN. Assim, acolho a preliminar de decadência arguída para declarar extinta a exigência relativa ao ganho da capital das fazendas Mariana II e III. Ademais, mesmo que a decadência fosse ultrapassada, entendo que o lançamento no que se refere a este ponto também seria nulo, tendo em vista a retificação e alteração da fundamentação legal e critério jurídico ocorrida durante o processo pelo agente fiscal, o que foi acatado pela DRJ. Outrossim, o lançamento já se originou de forma incorreta pela própria base de cálculo adotada pelo autuante. Apesar de não fundamentar adequadamente, de forma superficial o Recorrente defende a decadência face à impossibilidade de se recompor o saldo contábil de Lucros Acumulados, desde o anocalendário de 2005, para fins de cálculo da isenção da distribuição dos lucros contábeis (excesso em relação ao lucro presumido), efetivada no 2º e 3º trimestres de 2009 e no 1º, 2º e 4º trimestres de 2010. Entendo que em parte assiste razão ao Recorrente. Especialmente após o reconhecimento da decadência do ganho de capital relativo à venda das Fazendas Mariana II e III, que afetaram diretamente a recomposição dos lucros acumulados realizada pelo autuante. Isto porque, não é possível atribuir ao futuro, efeitos decorrentes de fatos geradores já decaídos. Isto porque, quando realizada a fiscalização, o fato gerador já estaria decaído. Ademais, outro fato agrava a situação. Isto porque, tal recomposição acarretou em outra exigência, a cobrança de multa isolada em razão da falta de retenção do IRRF sobre a distribuição de lucro excedente ao limite de isenção. Ocorre que, toda a análise da DRJ leva à conclusão de que, o agente autuante errou na capitulação da infração aplicável. Senão vejamos: De acordo com o inc. II, a multa de 50% devia ser exigida isoladamente, aplicada sobre o valor mensal que deixou de ser pago (a) pela pessoa física que recebeu de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimento e ganhos de capital que não foram tributados na fonte no País (art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988) e (b) pela pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real optante pelo pagamento mensal do imposto com base em estimativas (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996). Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.015 13 Como visto, a referida multa não é a multa adequada para os casos de falta de retenção do imposto pela fonte pagadora obrigada a reter o imposto de renda na fonte. E na seqüência do voto segue alterando a capitulação e aplicando penalidade diversa, senão vejamos: No caso dos autos, a infração efetivamente ocorreu. O contribuinte utilizouse de artifícios para gerar um lucro contábil superior ao lucro presumido e, assim, proceder a distribuição isenta deste lucro, situação em que caberia no mínimo a aplicação da multa de 75%, prevista no inc. I do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, conforme as justificativas sintetizadas nos itens 4 a 10 do relatório acima, e que se adota como fundamentos deste voto. Desta feita, conclui a DRJ que, em que pese a capitulação da infração e a multa aplicada ter sido a incorreta, tal fato não prejudicou o contribuinte tendo em vista que a penalidade aplicável foi menor: É o caso. A exigência da multa isolada no percentual de 50%, quando deveria ter sido com o percentual mínimo de 75%, não trouxe prejuízos para o contribuinte, por isso deve ser mantida sua exigência. Ora, a capitulação incorreta da infração e penalidade aplicável, por si só, é suficiente para inquinar de nulidade o lançamento. No caso concreto, em que pese a conclusão tenha sido a de que o dispositivo legal referente à penalidade tenha sido indevidamente aplicável, o lançamento foi mantido tendo em vista que a multa é menor que a devida. E se o contrário tivesse ocorrido? Qual seria a postura da DRJ? Manter o lançamento com base em fundamento legal indevido até o limite da multa incorreta? Ora, como se sabe o direito tributário é fundado no princípio da tipicidade cerrada, não podendo serem aplicadas interpretações criativas para fundamentar a manutenção de um lançamento. O contribuinte se defendeu de dispositivo diverso, razão pela qual, claro é o seu prejuízo. Ademais, se a posição majoritária deste conselho é no sentido de proibir a realização de planejamentos tributários com a clara intenção de reduzir a incidência tributária, entendo que a mesma lógica deva ser adotada quando estamos diante de uma interpretação da norma com o único intuito de manter um lançamento. Assim, além da incerteza e insegurança na base de cálculo, apurada tendo por início períodos fulminados pela decadência, o erro na tipificação legal inquina de nulidade o lançamento relativo à multa isolada sobre o excesso na distribuição dos lucros acumulados. Fl. 2021DF CARF MF 14 Assim,caso ultrapassada a preliminar de decadência, entendo que também seria o caso de dar provimento do Recurso Voluntário nesses tópicos. Por último, falta apreciar o Recurso no que se refere à exigência do ganho de capital na alienação de bens ocorrida no ano de 2009. Em 23/09/2005, o contribuinte adquiriu em hasta pública os imóveis descritos na folha 221, registrando contabilmente na conta 12031987 – Imóvel do Ativo Permanente, onde permaneceram registrados até 02/01/2009, quando foram transferidos para a conta 110301987 – Imóveis Diversos a Comercializar. Logo em seguida, em 17/07/2009, o contribuinte efetuou a alienação dos referidos imóveis, reconhecendo o valor da venda como receita da sua atividade (fls. 53/55). O autuante afirma que se trata venda de bens do ativo permanente e, conseqüentemente, o contribuinte deveria ter apurado o ganho de capital e adicionado ao Lucro Presumido para fins de tributação do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Nesse aspecto tem razão o autuante e a DRJ. Em que pese a legislação não vede a reclassificação contábil, a classificação de um bem como ativo imobilizado ou circulante deve ser aferida no momento da sua aquisição. Assim é que, quando adquirido o Recorrente tinha a intenção e vontade de classificálo como ativo permanente. E assim o fez. Tanto assim que, o Recorrente confessa que era a sua intenção. Ademais, afirma que só procedeu à alienação do ativo em razão das implicações de uma Ação Civil Pública. Assim, ao decidir vender o imóvel o reclassificou com a intenção reduzir a tributação na operação. Outrossim, a fazer valer a tese do contribuinte, ele poderia ter classificado o ativo como imobilizado (como o fez), ter usufruído da sua depreciação (como também o fez), e depois simplesmente reclassificar para vender o bem com uma tributação reduzida. Assim, o contribuinte deveria ter apurado ganho de capital e adicionado o resultado ao Lucro Presumido do período de apuração correspondente, pois o registro contábil original se apresentava correto. Ademais, na época da aquisição do referido imóvel o contribuinte não tinha por objeto social atividades de construção civil, mas sim de locação. Desse modo, verificase que a classificação contábil originalmente adotada pelo contribuinte foi correta, pois observou qual o destino do bem no momento da aquisição. Acrescentese que o contribuinte efetuou a depreciação contábil do bem, procedimento cabível somente para os bens do ativo imobilizado. No entanto, assim como fez quanto à venda do imóvel rural, o agente fiscal ao calcular o crédito tributário devido, aplicou o regime de caixa, diverso do adotado pelo contribuinte. A conclusão disso é que a tributação que deveria ocorrer no terceiro trimestre de 2009, teve parte da sua tributação transferida para o quarto trimestre de 2009, o que desrespeitou a escolha e forma de tributação adotada pelo contribuinte. Entretanto, o ajuste não pode ser feito no presente lançamento porque acarretaria em majoração do crédito original, porque traria parte da tributação para trimestre anterior. Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 11030.722214/201241 Acórdão n.º 1401002.158 S1C4T1 Fl. 2.016 15 Desta forma, mantenho o lançamento quanto a este tópico, tão somente quanto ao ganho de capital apurado no terceiro trimestre de 2009. Assim, face o exposto, com o referido ajuste, foi correto o lançamento quanto a este objeto, devendo ser mantido nos termos da decisão da DRJ. Por sua vez, no que se refere à qualificação da multa, pelos mesmos fundamentos adotados pela DRJ para afastar quanto ao ganho de capital decorrente da venda do imóvel rural, o qual reafirmei no julgamento do Recurso de Ofício, também a afasto para o lançamento remanescente. As súmulas editadas por este CARF corroboram o entendimento de que o lançamento por falta de recolhimento de tributo não autoriza, por si só, o agravamento da multa, sendo necessário indicar especificamente o ato ilícito praticado pelo contribuinte que deu ensejo a tal penalidade. Vejase: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Nestes termos, de acordo com tudo o quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, devendo ser mantido o lançamento, tão somente, quanto à exigência tributária sobre o ganho de capital relativo à operação de alienação realizada em 17/07/2009, limitando ao ganho de capital apurado no terceiro trimestre de 2009. Restam prejudicadas as demais razões recursais. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2023DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.721567/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO SEM PROVA. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Não é suficiente para desconstituir a autuação a mera alegação de fato relevante para deslinde da controvérsia desacompanhada de qualquer elemento de prova que confirme o fato alegado.
PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE PROVA A SER PERICIADA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia formulado para analisar provas que não foram carreadas aos autos pela recorrente.
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO CLARA E CONGRUENTE. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos requisitos formais, apresenta pormenorizada e clara descrição dos fatos congruente com a capitulação legal da norma geral e abstrata de incidência tributária, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado e exercido, adequadamente, o contraditório e o direito defesa, na forma da legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO SEM PROVA. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não é suficiente para desconstituir a autuação a mera alegação de fato relevante para deslinde da controvérsia desacompanhada de qualquer elemento de prova que confirme o fato alegado. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE PROVA A SER PERICIADA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia formulado para analisar provas que não foram carreadas aos autos pela recorrente. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO CLARA E CONGRUENTE. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos requisitos formais, apresenta pormenorizada e clara descrição dos fatos congruente com a capitulação legal da norma geral e abstrata de incidência tributária, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado e exercido, adequadamente, o contraditório e o direito defesa, na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 568 1 567 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.721567/201139 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.272 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente HIPER ATACADO PONTO CERTO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO SEM PROVA. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não é suficiente para desconstituir a autuação a mera alegação de fato relevante para deslinde da controvérsia desacompanhada de qualquer elemento de prova que confirme o fato alegado. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE PROVA A SER PERICIADA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia formulado para analisar provas que não foram carreadas aos autos pela recorrente. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO CLARA E CONGRUENTE. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos requisitos formais, apresenta pormenorizada e clara descrição dos fatos congruente com a capitulação legal da norma geral e abstrata de incidência tributária, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado e exercido, adequadamente, o contraditório e o direito defesa, na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 15 67 /2 01 1- 39 Fl. 568DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o presente processo de autos de infração lavrados conta a empresa acima identificada, através dos quais foram lançados créditos tributários de Cofins e PIS/Pasep, nos montantes respectivos de R$ 1.123.443,23 e R$ 391.947,05, incluídos nesses valores as contribuições, multas proporcionais e juros de mora. 2. Segundo as descrições dos fatos contidas nos dois autos, os créditos lançados referemse às diferenças encontradas entre os valores das contribuições apurados nos Dacon’s com aqueles objeto de confissão de dívida em DCTF ou pagos pela empresa. 3. Cientificada em 30.06.2011 (AR fl. 29), a interessada apresentou, tempestivamente, em 22.07.2011, impugnação (fls. 492/497) na qual: a) Preliminarmente, aponta cerceamento no seu direito de defesa por não haver sido concedida pela autoridade fiscal prorrogação do prazo para apresentação da documentação referente às suas contas contábeis; b) No mérito, defende que os valores são indevidos “porque as alíquotas do Programa de integração social e a Contribuição para financiamento da Seguridade Social foram reduzidas a ZERO, conforme Lei Federal nº 10.925, exatamente os produtos comercializados pela Impugnante (...)”; c) “(...) ao analisarmos tal auto, notase que não foram especificados sob quais produtos foram baseadas as ditas, omissões, ou seja, foram, calculados globalmente, sem respeitar a citada legislação”; d) “Ora, da forma como o procedimento administrativo fiscal imputa o débito que a empresa efetivamente, não possui em função da renúncia da receita governamental, deverá o mesmo ser alvo de revisão, tendo como prioridade a imediata realização Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10280.721567/201139 Acórdão n.º 3302005.272 S3C3T2 Fl. 569 3 de perícia técnica nos livros e documentos fiscais juntados aos autos, para a constatação de que, dentre os produtos comercializados pela impugnante, pelo menos 70% (setenta por cento) são os produtos dos códigos 0713 (feijão), 1006 (arroz) e 1106 (farinha), os quais constam na TIPI Tabela de Imposto sobre produtos industrializados, sem fazer menção aos demais itens”; e) Ao final, requer o cancelamento do auto em função do cerceamento apontado e a realização da perícia nos livros e documentos apresentados para identificação dos itens sujeitos à alíquota zero. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi improcedente e o crédito tributário mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 IMPUGNAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PERÍCIA. A realização de perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Será desconsiderado o pedido de perícia que deixar de nomear perito e indicar os seus motivos e os quesitos requeridos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 1/2/2013, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada, em 28/3/2013, a recorrente juntou aos autos o recurso voluntário de fls. 565/574, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 570DF CARF MF 4 O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide envolve questões preliminares e de mérito, bem como pedido de perícia. Da questão preliminar e do pedido de perícia No presente recurso, a recorrente alegou nulidade dos autos de infração, sob o argumento de que houve violação ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa. Em relação ao primeiro argumento, a recorrente asseverou que o auto de infração era nulo porque os elementos essenciais para dar suporte as autuações eram insuficientes, o que afrontava o direito constitucional à ampla defesa. Para a recorrente, a fiscalização não poderia valerse unicamente de relatórios emitidos pela Secretaria de Fazenda, pois, no caso, seriam necessárias as cópias dos Danfe. O argumento da recorrente além de genérico faz menção a fatos estranhos às questionadas autuações, que, ao contrário do informado pela corrente, não se baseou em relatório emitido pela Secretaria de Fazenda, mas com base no simples cotejo entre os valores dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados e declarados pela própria recorrente nos Dacon e com os valores por ela confessados na DCTF ou pagos no período da autuação. O argumento de que houve cerceamento também não procede. A recorrente foi devida e regularmente cientificada das presentes autuações e, se dotada do mínimo de condição cognitiva, inequivocamente, teve pleno conhecimento do motivo da autuação, haja vista a notória clareza dos fatos narrados e a objetiva dos dados consignados nos demonstrativos de apuração dos débitos apresentados pela fiscalização. No caso, ante singeleza das informações e dos dados apresentados nos citados documentos, induvidosamente, qualquer leitor, com o mínimo de conhecimento de leitura dos escritos em nosso idioma e dotado noção básica de álgebra, por certo, não teria qualquer dificuldade de compreensão da origem dos valores lançados, que foram apurados mediante simples comparação (mera conta de subtração) entre os débitos informados no Dacon e os declarados nas correspondentes DCTF, sabidamente, ambos os documentos preenchidos e apresentados pela própria recorrente. Nesse contexto, se algum dado ou informação estava equivocado, cabia recorrente trazer a colação dos autos, especialmente, na fase impugnatória, os elementos comprobatórios do eventual equívoco cometido. Aliás, a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova na fase oportuna e, embora tenha informado, no presente recurso, sobre a apresentação de livros fiscais, em consulta aos autos, não foi localizado tais documentos. Assim, diante da clareza da prova apresentada pela fiscalização e na ausência de qualquer elemento de prova apresentado pela recorrente, revelase totalmente descabido o pedido de perícia formulado pela recorrente. Além disso, o referido pedido de perícia não atender os requisitos do art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/1972. Por todas essas razões, com respaldo no art. 18 do Decreto 70.235/1972, indeferese o pedido de perícia em apreço, e rejeitase a preliminar de nulidade das autuações. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10280.721567/201139 Acórdão n.º 3302005.272 S3C3T2 Fl. 570 5 Da questão de mérito No mérito, a recorrente limitouse em alegar que os produtos por elas comercializados estavam contemplados com a alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, prevista no art. 1º, V, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] V produtos classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29, 0713.33.99, 1006.20, 1006.30 e 1106.20 da TIPI; [...] No entanto, conforme já mencionado, a recorrente não dignou apresentar qualquer elementos probatório de que as receitas por ela própria ofertadas a tributação das referidas contribuições foram decorrentes da venda dos produtos especificados no citado preceito legal. E na ausência de prova do alegado, não resta outra alternativa que não seja a de manter a cobrança dos débitos declarados pela própria recorrente nos Dacon dos períodos de apuração das contribuições, porém, não pagos ou confessados nas correspondentes DCTF, conforme procedeu, com acerto, a autoridade fiscal. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 572DF CARF MF
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