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Numero do processo: 14041.001058/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
PRELIMINAR NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE
Conforme estabelece o art. 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 904, § 3º, do Decreto nº3.000/99, a ação fiscal é válida quando formalizada por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, mesmo que este pertença a jurisdição diversa da do domicílio tributário do contribuinte.
DEDUÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não tendo sido apresentados novos documentos que atestassem o dispêndio de despesas dedutíveis, não deve ser feita nenhuma alteração nas apurações e glosas realizadas pela autoridade julgadora de origem.
MULTA POR FALTA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO LANÇAMENTO. MESMA BASE DE CÁLCULO.
IMPOSSIBILIDADE.
Em se tratando de lançamento de ofício, somente deve ser aplicada a multa de ofício vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa por atraso na entrega da declaração, já que ambas têm a mesma base de cálculo. Na espécie, a conduta de não pagar o imposto devido absorve o descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2102-001.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, apenas para cancelar a multa pela ausência da entrega da declaração de ajuste anual dos exercícios 2001 e 2002.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PRELIMINAR NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE Conforme estabelece o art. 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 904, § 3º, do Decreto nº3.000/99, a ação fiscal é válida quando formalizada por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, mesmo que este pertença a jurisdição diversa da do domicílio tributário do contribuinte. DEDUÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não tendo sido apresentados novos documentos que atestassem o dispêndio de despesas dedutíveis, não deve ser feita nenhuma alteração nas apurações e glosas realizadas pela autoridade julgadora de origem. MULTA POR FALTA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO LANÇAMENTO. MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Em se tratando de lançamento de ofício, somente deve ser aplicada a multa de ofício vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa por atraso na entrega da declaração, já que ambas têm a mesma base de cálculo. Na espécie, a conduta de não pagar o imposto devido absorve o descumprimento da obrigação acessória.
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AUTORIDADE INCOMPETENTE Conforme estabelece o art. 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 904, § 3º, do Decreto nº3.000/99, a ação fiscal é válida quando formalizada por AuditorFiscal do Tesouro Nacional, mesmo que este pertença a jurisdição diversa da do domicílio tributário do contribuinte. DEDUÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não tendo sido apresentados novos documentos que atestassem o dispêndio de despesas dedutíveis, não deve ser feita nenhuma alteração nas apurações e glosas realizadas pela autoridade julgadora de origem. MULTA POR FALTA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO LANÇAMENTO. MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Em se tratando de lançamento de ofício, somente deve ser aplicada a multa de ofício vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa por atraso na entrega da declaração, já que ambas têm a mesma base de cálculo. Na espécie, a conduta de não pagar o imposto devido absorve o descumprimento da obrigação acessória Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 354DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 340 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, apenas para cancelar a multa pela ausência da entrega da declaração de ajuste anual dos exercícios 2001 e 2002. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 20/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 324 a 334, interposto contra decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 298 a 311, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF de fls. 06 a 21 dos autos, lavrado em 22/12/2005, relativo aos anoscalendário 1999, 2000, 2001 e 2002, com ciência do RECORRENTE em 24/12/2005 (fl. 22). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 262.592,50, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75% bem como a multa regulamentar pela falta/atraso na entrega da declaração. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 07 a 10, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: “001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Apurada omissão, mediante falta de entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício no valor total de R$ 409.306,66, recebidos nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001. Apurada, também, na DIRPF do exercício de 2003, omissão de rendimentos tributáveis auferidos da fonte pagadora Fl. 355DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 341 3 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, no valor de R$ 62.161,40, conforme descrito abaixo. Verificada, conforme os registros constantes da Secretaria da Receita Federal, falta de entrega, pelo contribuinte, das declarações de ajuste anual dos exercícios de 2000, 2001 e 2002. Intimado, em 24.02.2003, pela Delegacia da Receita Federal em Santos/SP (DRF/Santos), a apresentar tais declarações, o contribuinte não se manifestou, fato que se repetiu após o recebimento de Termo de Reintimação com o mesmo objeto, em 08.04.2003. Constatado, em seguida, pela DRF/Santos, ter o contribuinte assumido cargo público em Brasília. Recusado, assim, o domicílio eleito pelo contribuinte, elegendose como novo domicílio tributário o local de trabalho do contribuinte em Brasília, na Chefia de Gabinete do Ministro da Justiça, conforme Ato Declaratório Executivo n.° 02/2004, do Delegado da Receita Federal em Santos. Restabelecido, entretanto, o antigo domicílio, mediante o Ato Declaratório Executivo n.° 08, de 04.03.2005, da mesma autoridade, havendo sido tal domicílio confirmado pelo contribuinte em sua declaração do exercício de 2005. Lançados, em face da falta de apresentação, pelo contribuinte, das declarações de ajuste anual devidas nos exercícios de 2000 a 2002, os rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício informados mediante Declaração do Imposto Retido na Fonte (DIRF), pelas seguintes fontes pagadoras: GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO (R$ 67.295,58, no anocalendário de 1999, R$ 64.006,20, em 2000, e R$ 55.906,20, em 2001); INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO (R$ 8.138,16, em 1999, e R$ 7.683,52, em 2001) e PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (R$ 68.541,00, em 1999, R$ 68.868,00, em 2000, e R$ 68.868,00, em 2001). Apurada, também, omissão, na declaração de ajuste anual do exercício de 2003, de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício no valor de R$ 62.161,40, auferidos da fonte pagadora GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, conforme a DIRF apresentada por esse órgão. Compensadas, para apuração do imposto devido e não pago pelo contribuinte, as retenções de imposto de renda efetuadas [pelas] fontes pagadoras acima, nos seguintes valores, conforme as DIRF apresentadas por essa fontes: GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: R$ 12.408,79, retidos em 1999, R$ 10.840,19, em 2000, R$ 7.500,96, em 2001, e R$ 10.226,30, em 2002; INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO: R$ 323,29, em 2001; PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: R$ 13.397,83, em 1999, R$ 12.664,12, em 2000, e R$ 12.255,00, em 2001. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 342 4 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1999 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 R$ 143.974,74 R$ 132.874,20 R$ 132.457,72 R$ 62.161,40 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Arts. 1º a 3º e §§, da Lei nº 7.713/88; Arts. 1º a 3º, da Lei nº 8.134/90; Art. 21 da Lei nº 9.532/97; Art. 43 do RIR/99; Art. 1º da Lei nº 9.887/99; Art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. 002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Apurada, conforme descrito anteriormente, omissão, mediante falta de apresentação das declarações de ajuste anual do imposto de renda dos exercícios de 2000 a 2002, de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício no valor total de R$ 2.624.463,68, referentes às seguintes fontes pagadoras, conforme as DIRF apresentadas por estas: LIVRARIA MARTINS FONTES EDITORA LTDA. (CNPJ n.° 43.641.133/000150), nos valores de R$ 1.524,00, em 1999, R$ 11.308,00, em 2000, e R$ 2.410,00, em 2001; SARAIVA S/A LIVREIROS E EDITORES (CNPJ n.° 60.500.139/000126), no valor de R$ 3.297,44, em 1999, e IRB BRASIL RESSEGUROS S.A. (CNPJ n.° 33.376.989/000191), no valor de R$ 2.605.924,24, em 2001. Compensado, para apuração do imposto devido e não pago pelo contribuinte, o imposto retido pelas fontes pagadoras acima, nos seguintes valores, conforme as DIRF apresentadas: LIVRARIA MARTINS FONTES R$ 15,00, em 1999, R$ 1.922,06, em 2000, e R$ 302,75, em 2001; SARAIVA S/A R$ 237,00, em 1999; IRB R$ 716.269,17, em 2001. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1999 31/12/2000 31/12/2001 R$ 4.821,44 R$ 11.308,00 R$ 2.608.334,24 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Arts. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei nº 7.713/88; Fl. 357DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 343 5 Arts. 1º a 3º, da Lei nº 8.134/90; Art. 21 da Lei nº 9.532/97; Art. 45 do RIR/99; Art. 1º da Lei nº 9.887/99. 003 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Apurada, de acordo com a Declaração do Imposto Retido na Fonte apresentada pela fonte pagadora LIVRARIA MARTINS FONTES EDITORA LTDA. para o anocalendário de 2001, pagamento ao contribuinte, naquele ano, de rendimentos de aluguéis ou ‘royalties’ no valor de R$ 120,50. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 120,50 75,00 Enquadramento legal: Arts. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei nº 7.713/88; Arts. 1º a 3º, da Lei nº 8.134/90; Art. 49 do RIR/99; Art. 1º da Lei nº 9.887/99. 004 MULTAS POR FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO (COM IMPOSTO DEVIDO) Lançadas as multas por falta de entrega, dentro do prazo legal, das declarações dos exercícios de 2000, 2001 e 2002, de vinte por cento do valor do imposto devido resultante da base de cálculo apurada conforme as descrições dos fatos efetuadas anteriormente. Tais valores de imposto devido (anteriores às compensações de imposto de renda retido na fonte) foram, conforme os Demonstrativos de Apuração constantes das folhas a seguir, de R$ 36.598,95, no exercício de 2000, de R$ 35.330,11, no exercício de 2001, e de R$ 749.430,93, no exercício de 2002, resultando nos seguintes valores de multa por atraso, respectivamente, R$ 7.319,79, R$ 7.066,02 e R$ 149.886,19. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto 01/05/2000 01/05/2001 01/05/2002 R$ 7.319,79 R$ 7.066,02 R$ 149.886,19 Fl. 358DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 344 6 Enquadramento legal: Art. 88, inciso I, § 1º, alínea ‘a’, da Lei nº 8.981/95 c/c art. 27 da Lei nº 9.532/97; Art. 964, inciso I, alínea ‘a’, § 2°, inciso I e § 5°, do RIR/99; Instruções Normativas SRF nºs. 123/00. 110/01 e 290/03. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei nº 7.713/88; Arts. 1º a 3º, da Lei nº 8.134/90; Art. 49 do RIR/99; Art. 1º da Lei nº 9.887/99.” De acordo com os demonstrativos de apuração às fls. 11 a 14, ao incluir os rendimentos omitidos nas respectivas declarações de ajuste anual, e compensar o imposto retido pelas fontes pagadoras, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 10.540,32, R$9.903,73, R$ 12.779,75 e R$ 6.686,09 em relação aos anoscalendário 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente. A soma das referidas quantias perfaz o valor de R$ 39.451,52, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora (fl. 16). Ainda conforme os demonstrativos de apuração de fls. 17 a 19, os valores das multas por falta/atraso na entrega das declarações referentes aos exercícios 2000, 2001 e 2002 (anoscalendário 1999, 2000 e 2001) foram, respectivamente, de R$ 7.319,79, R$ 7.066,02 e R$ 149.886,19. DA IMPUGNAÇÃO Em 25/01/2006, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 132 a 139, através de procurador devidamente habilitado à fl. 140, complementada pelas petições de fls. 217/218 e fl. 248. Juntou aos autos os documentos de fls. 173 a 215; fls. 219 a 246 e fl. 249. Em suas razões de defesa, o RECORRENTE alega, em suma, o seguinte: “(...) 4. Preliminarmente, é nulo o auto de infração lavrado por autoridade administrativa incompetente. Com efeito, como se lê na folha n° 2 do auto de infração, fora recusado o domicílio eleito pelo contribuinte, na cidade de Santos, onde sempre residiu e manteve, como mantém, sua atividade profissional. 4. 1. Isso porque, na ocasião, exercia ele função pública em Brasília, no Gabinete do Ministro da Justiça, como relatado no Fl. 359DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 345 7 auto de infração. Ocorre que, tendo se afastado da função em maio de 2004, foi restabelecido o domicílio em Santos para todos os efeitos fiscais, conforme Ato Declaratório Executivo n° 08, de 04.03.2005 (v. auto de infração), confirmado pelo requerente na sua declaração de imposto de renda do exercício de 2005. (...) 6. No mérito, se eventualmente versado, não subsiste a pretensão. 7. De plano, devem ser consideradas as deduções a que faz jus o requerente, nos termos da lei e dos artigos 73 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda (decreto n° 3000/99). 7. 1. Efetivamente, primeiro a relativa a dependente, sua mulher, Yara Paolozzi Sérvulo da Cunha, com quem é casado, figurando nessa qualidade em todas as declarações. 7. 2. Ainda, como ora comprovado, houve diversas despesas médicas nos períodos considerados, como comprovam os recibos anexados. Tais valores, perfeitamente justificados, devem ser igualmente deduzidos relativamente aos anos de cada dispêndio. 7. 3. Ainda, há que considerar que as importâncias despendidas para o exercício da atividade profissional (Livro Caixa), como facultado pela lei, deverão ser deduzidas. Os valores apurados e cujos comprovantes se encontram à inteira disposição da fiscalização representam despesas dedutíveis para a definição da base de cálculo tributável. 7. 4. E, finalmente, devem ser deduzidas as importâncias recolhidas à Previdência Oficial, como é notório, salientandose que esses valores sequer integraram aqueles percebidos pelo requerente, deduzidos que foram já na fonte pagadora, como se verifica dos comprovantes de rendimento na anexados. 8. Tudo somado e comprovado, tem o contribuinte direito à dedução dos seguintes valores: R$ 4.491,40 em 2003; R$ 23.597,64 em 2002; R$ 16.964,80 em 2001 e R$ 16.039,53 em 2000. Esclarece o requerente que, diante do volume dos documentos comprobatórios, junta nesta oportunidade apenas aqueles referentes às despesas médicas e contribuições previdenciárias (já que em menor número), colocando à disposição do fisco os demais, que poderão ser examinados a qualquer tempo. Protesta, no entanto, por sua juntada, se assim entender o ilustre julgador. (...) Fl. 360DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 346 8 10. Já com relação às multas, não são elas conciliáveis. Relembrese, como relatado, que a pretensão abrange multa de lançamento de oficio calculada em 75% sobre a pretensa diferença de imposto de renda e MAIS 1% ao mês a título de multa moratória (observado o limite de 20%). 11. Mais ainda, numa atitude verdadeiramente inusitada, a d. autoridade administrativa, não contente com a indevida cumulação, pretende impor a conseqüência da mora mesmo sobre as importâncias descontadas na fonte, calculando a multa sobre os valores de imposto devido (SIC) ‘anteriores às compensações de imposto de renda retido na fonte’ (cf. fls. 5/16). 11. 1. Assim é que, por exemplo, no exercício de 2002, embora a pretensa diferença de imposto de renda apurada seja de R$ 6.227,72, a denominada multa regulamentar (de mora) exigida é de, pasmem, R$ 149.886,19 (...) 12. De qualquer forma, é clara a lei ao excluir a aplicação da multa de mora quando já tenha incidido aquela referente ao lançamento de ofício como se lê do art. 44, I, da lei n° 9430, de 1996: (...) A lei, como se verifica, repudia expressamente a duplicidade de sanções, já que a multa de 75% sobre o valor do imposto aplica se em todos os casos de lançamento de oficio, ainda que decorrente de falta de declaração ou de declaração inexata. Aplicase esta, com exclusão da multa moratória. 13. Não fosse suficiente a clareza do texto, o requerente traz à colação precedentes do Conselho de Contribuintes a respeito do assunto, como se lê das ementas a seguir transcritas: (...) 14. Nítido o abuso cometido pela d. autoridade ao pretender impor ao contribuinte multa vultosa, injustamente exacerbada porque calculada sobre imposto na fonte, oportunamente retido do contribuinte e, ainda mais, contra literal disposição de lei. 15. Por todo o exposto, demonstradas e comprovadas as razões apresentadas, aguarda o requerente seja acolhida a impugnação para ser reconhecida a NULIDADE do auto de infração e no mérito, se eventualmente versado, para ser julgado insubsistente.” Como forma de reiterar os itens 7 e seguintes de sua impugnação, no dia 15/02/2006 (fl. 247), o RECORRENTE apresentou a petição de fls. 217 e 218, oportunidade em que requereu a juntada dos seguintes comprovantes: a) das despesas médicas referentes ao ano base de 1999, no valor total de R$4.328,84 (fls. 219 a 226); Fl. 361DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 347 9 b) das contribuições previdenciárias referentes aos anoscalendário 1999 (fls. 241 a 246), 2000 (fls. 234 a 240) e 2001 (fls. 227 a 233), nos valores de, respectivamente, R$ 9.902,89, R$ 9.583,36 e R$ 8.653,60. Posteriormente, o RECORRENTE apresentou a petição de fl. 248, requerendo a juntada dos comprovantes de despesas médicas referentes ao anocalendário 1999 no valor total de R$ 140,00 (fl. 249). Inicialmente, a DRF de origem entendeu que a impugnação seria intempestiva (fl. 264, 265 e 268). Contudo, após apreciação do pedido de reconsideração formulado pelo RECORRENTE (fls. 282 a 284), a DRF de origem atestou a tempestividade da impugnação, conforme certidão de fl. 289. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 298 a 311 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. Consoante disposição legal expressa, a ação fiscal e todos os termos inerentes a ela são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal pertencente à jurisdição diversa da do domicílio fiscal do sujeito passivo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. No lançamento de oficio do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no Anocalendário, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do respectivo anocalendário. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos específicos preconizados no Procedimento Administrativo Fiscal (PAF). MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. OMISSÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DE PESSOA JURÍDICA. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 348 10 Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo sujeito passivo. DEDUÇÕES. São dedutíveis dos rendimentos tributáveis os valores efetivamente comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, na forma estabelecida pela legislação de regência. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. É devida, por expressa disposição legal, a aplicação da multa por falta de apresentação da Declaração de Ajuste Anual ou de sua apresentação fora do prazo. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu as alegações da RECORRENTE, conforme abaixo transcrito: “(...) DA PRELIMINAR DE NULIDADE: (...) Merece atenção o registro na descrição dos fatos constante do Auto de Infração, dando conta que o contribuinte, por duas vezes, foi intimado pela DRF/Santos a apresentar as declarações de rendimentos dos exercícios 2000 a 2002, porém, não se manifestou, pois, como constatado, ele assumiu cargo público em Brasília (Chefe de Gabinete do Ministério da Justiça). Nesse sentido, aquela autoridade emitiu o Ato Declaratório Executivo n" 02/2004, elegendo o local de trabalho do contribuinte o seu domicílio fiscal, ou seja, a cidade de Brasília, com supedâneo no § 2° do art. 127 da Lei n°5.172/1966 (CTN). Posteriormente ao início da ação fiscal pela DRF/Brasília, foi restabelecido o domicílio da cidade de Santos. A ciência do lançamento foi encaminhada para o domicílio restabelecido. Portanto, é fato que o contribuinte ao assumir cargo público em Brasília (DF) teve o seu domicílio fiscal transferido para a Capital Federal, nos ditames dos §§ 2º do art. 147 do CTN e 1º do art. 28 do RIR. Todavia, o que interessa, no caso, é saber se a autoridade lançadora tem competência para levar a efeito o lançamento. Assim dispõe os §§ 2º e 3° do art. 9° do Decreto n.° 70.235/72: (...) Da exegese dos dispositivos antes transcritos, depreendese, de forma irrefutável, que o lançamento em causa foi efetuado por autoridade lançadora competente. Notese que a legislação Fl. 363DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 349 11 pertinente reconhece a validade do lançamento, ainda que efetuado por Auditor Fiscal lotado em unidade da Receita Federal diferente daquela a que pertence o domicílio fiscal do contribuinte sob fiscalização. (...) Logo, afastase a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. DA DECADÊNCIA O lançamento de oficio em tela alcançou os anoscalendário 1999 a 2002. Percebese que o Auto de Infração foi lavrado em 22/12/2005 e a ciência ocorreu em 24/12/2005, conforme se extrai das fls. 6 e 22 dos autos. (...) Assim, no caso concreto, relativamente ao exercício 2000, ano calendário 1999, constatase que a decadência operouse em 31/12/2004, tendo em vista que sobre os rendimentos respectivos houve retenção de imposto de renda na fonte. Logo, considerando que a ciência do lançamento deuse somente em 24/12/2005, depreendese que estava configurada a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente. DA JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS (...) Inicialmente, cabe registrar que, apesar de afirmar que tem direito à dedução, versão alguma do Livro Caixa foi acostada pelo contribuinte ao presente processo, nem foi feita indicação dos valores correspondentes às deduções. Simplesmente alegou o direito e pede a juntada posterior por ser elevado o volume dos documentos de prova, este é o fundamento que se apega. É importante deixar claro que, no Processo Administrativo Fiscal, a regra geral é que as provas devem ser apresentadas no prazo da impugnação do lançamento, admitindose a juntada de documentos em data posterior apenas em situações especificadas pela legislação. Nesse sentido, de forma bastante elucidativa, a redação dos arts. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72 assim prescreve: (...) Fácil é a conclusão que o motivo alegado pelo sujeito passivo (volume dos documentos) não está previsto na legislação de regência para que seja admitida a juntada de documentos em data posterior. Não demonstrou a existência de motivo de força maior, fato ou direito superveniente ou a necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, Fl. 364DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 350 12 exigência estampada nos §§ 4° e 5° do art. 16 do Decreto n°3000/1972. (...) Logo, uma vez precluso o direito de apresentar prova documental nesta fase processual, indeferese o pedido. DO MÉRITO Protesta pelo direito às deduções de Dependentes, Despesas Médicas e Previdência Oficial. Diz que a soma de todas as deduções atinge o montante de R$ 16.039,53, R$ 16.964,80, R$ 23.597,64 e R$ 4.491,40, nos exercícios 2000, 2001, 2002 e 2003, respectivamente. A pretensão formulada será apreciada com supedâneo no art. 77 do Decreto n° 3000/1999, que regulamentou a norma legal e abrangerá tãosomente os exercícios 2001 a 2003, haja vista a decadência operada sobre o exercício 2000. Dependentes A dedução de dependente pleiteada referese à esposa do contribuinte, Yara Paolozzi Sérvulo da Cunha, a qual foi informada na Declaração de Ajuste do exercício 2003 (fls. 102/105). Pesquisas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil dão conta que referida esposa não figura como beneficiária de rendimento declarado em Dirf e não apresentou Declaração em separado nos exercícios autuados. Portanto, há de ser concedida a dedução a este título nos exercícios 2001 e 2002. Esta dedução já foi aproveitada no exercício 2003, tendo em vista que o contribuinte informou sua esposa como dependente na correspondente Declaração de Ajuste. Despesas Médicas As deduções pleiteadas abarcam os exercícios 2001 e 2002. Para tanto, juntou os documentos aos autos (fls. 168/212, 219/226 e 249). De plano, convém esclarecer que não foi apreciada a documentação referente a gastos de saúde com Luciana Paolozzi Sérvulo da Cunha (fls. 175/185, 189/200 e 223/226), filha do requerente, que nasceu em 20/03/1966, ou seja, com mais de trinta anos nos exercícios autuados, fato que a impede de figurar como dependente na Declaração de seu pai, nos termos do § 1º do art. 77 do Decreto n°3000/1999. Dessa forma, do cotejo dos demais documentos referentes às despesas realizadas com o titular e sua esposa (fls. 168/174, 186/188 e 201/212), concluise que ao sujeito passivo assiste direito às deduções, nos valores de R$ 4.951,32 e R$ 6.407,52, Fl. 365DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 351 13 que devem ser computadas nos exercícios 2001 e 2002, respectivamente. Previdência Oficial Para comprovar que tem direito à dedução de Previdência Oficial, acostou vários comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras (fls. 215 e 227/246). Da exegese de tal documentação, extraise que foram comprovadas as contribuições de R$ 9.583,36, R$ 8.653,60 e R$ 4.491,40, alusivas aos exercícios 2001 a 2003, as quais devem ser deduzidas dos rendimentos tributáveis dos respectivos períodos. Registrese que, no exercício 2003, além dos valores já considerados pela fiscalização, o contribuinte tem direito à dedução acima anotada, que se refere aos rendimentos omitidos apurados no Auto de Infração no correspondente exercício. Livro Caixa Pleiteia o contribuinte a dedução das despesas registradas em Livro Caixa, todavia, não mencionou valores, não apresentou qualquer versão do respectivo livro e não trouxe documentação alguma aos autos. (...) Com efeito, impossível conceder a dedução pleiteada, pois nada foi comprovado. O pedido de juntada posterior de documentos foi enfrentado em tópico precedente, específico à matéria. DAS MULTAS APLICADAS O contribuinte pugna pelo cancelamento da multa pela falta de entrega das Declarações dos exercícios 2000, 2001 e 2002, por entender não ser conciliável a sua aplicação concomitante com a multa de oficio. Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuinte para sustentar o argumento firmado. Inicialmente, registrese que o entendimento anotado pelo contribuinte não merece ser acatado, embora haja decisões administrativas reconhecendo a inaplicabilidade concomitante das multas antes mencionadas, quando exigidas no mesmo lançamento, tendo em vista que tais decisões não vinculam este órgão colegiado. Por outro turno, é importante elucidar que a imposição da multa pela falta de entrega de declarações decorre do cumprimento de normas legais (Leis nºs 8981/1995 e 9532/1997). A disposição legal aplicada ao caso concreto está assim regulamentada por meio do Decreto n° 3000/1999 (RIR): Fl. 366DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 352 14 INFRAÇÕES ÀS DISPOSIÇÕES REFERENTES À DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: 1 multa de mora: a) de um por cento ao mês ou .fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei n°9.532, de 1997, art. 27); (...) § 1º As disposições da alínea ‘a’ do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 17, e DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 89. (...) Da leitura do dispositivo antes colacionado, depreendese que não prospera a alegação trazida pelo sujeito passivo, uma vez que o § 1° estampa com clareza a previsão de aplicar a multa por falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 do RIR. Com efeito, como o art. 957 prevê a aplicação das multas de oficio (75% e 150%), concluise que a autoridade lançadora, em obediência à legislação pertinente, lavrou o presente Auto de Infração para cobrar ambas as multas (falta de entrega de declarações e de oficio), além do imposto e juros de mora. Ademais, inexiste disposição legal proibindo a constituição das multas (falta de entrega de declarações e de oficio) por intermédio do mesmo lançamento. Em sentido contrário, estatui o § 1° do art. 964 do RIR que a primeira multa será aplicada sem prejuízo da imposição das multas de oficio, o que afasta, de forma irrefutável, a alegação de que tais multas não são conciliáveis. (...) Relativamente ao exercício 2000, notese que foi reconhecida a decadência do lançamento, motivo pelo qual tornase nula a multa pela falta de apresentação da Declaração de Ajuste Anual, no valor de R$ 7.319,79, aplicada neste exercício. Logo, por ausência de amparo legal, indeferese o pedido. Contudo, em conseqüência das deduções concedidas (quadro demonstrativo no tópico seguinte), o imposto devido que caracteriza a base de cálculo da multa em questão foi alterado, Fl. 367DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 353 15 motivo pelo qual ajustase o valor lançado nos exercícios 2001 e 2002, conforme tabela a seguir: Exercício Nova Base de Cálculo (R$) Multa por atraso na entrega da Declaração Ajustada (R$) 2001 31.036,07 6.207,21 2002 744.992,12 148.998,42 Total 155.205,63 DO CÁLCULO DO IMPOSTO Dessa forma, com base nesta decisão, o lançamento deve ser alterado para contemplar as seguintes deduções comprovadas: Infrações 2001 2002 2003 Dependentes 1.080,00 1.080,00 0,00 Despesas Médicas 4.951,322 6.407,52 0,00 Previdência Oficial 9.583,36 8.653,60 4.491,40 Total 15.614,68 16.141,12 4.491,40 Demonstrativo de Cálculos (Ação Fiscal Externa) Exercício 2001 Valores em Reais BC Declarada Deduções Infrações Total Alíquota Parcela a Deduzir Imposto Devido () Imposto Pago ()I. Pago C. Leão () Deduç. Imposto () IRRF s/ Diferença Multa (%) Imp. Apurado 15.614,68 144.182,20 128.567,52 27,5% 4.320,00 31.036,07 25.426,37 75% 5.609,70 Demonstrativo de Cálculos (Ação Fiscal Externa) Exercício 2002 Valores em Reais BC Declarada Deduções Infrações Total Alíquota Parcela a Deduzir Imposto Devido () Imposto Pago ()I. Pago C. Leão () Deduç. Imposto () IRRF s/ Diferença Multa (%) Imp. Apurado 16.141,12 2.740.912,46 2.724.771,34 27,5% 4.320,00 744.992,12 736.651,17 75% 8.340,95 Demonstrativo de Cálculos (Ação Fiscal Externa) Exercício 2003 Fl. 368DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 354 16 Valores em Reais BC Declarada Deduções Infrações Total Alíquota Parcela a Deduzir Imposto Devido () Imposto Pago ()I. Pago C. Leão () Deduç. Imposto () IRRF s/ Diferença Multa (%) Imp. Apurado 83.177,55 4.491,40 62.161,40 140.847,55 27,5% 5.076,90 33.356,18 17.796,92 640,37 10.226,30 75% 4.992,59 DA DECISÃO Diante do exposto, encaminho o meu VOTO no sentido de REJEITAR a preliminar argüida, ANULAR o lançamento e a multa pela falta de entrega da Declaração, correspondentes ao exercício 2000, tendo em vista que relativamente a este exercício ocorreu a decadência, e, no mérito, julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento para, nos exercícios 2001 a 2003, ajustar os impostos a pagar aos valores constantes dos quadros.demonstrativos do tópico precedente, mais multa de oficio e juros de mora, e alterar a multa por atraso na entrega das declarações dos exercícios 2001 e 2002 para R$ 6.207,21 e R$ 148.998,42, mais juros de mora.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE foi intimado dos termos da decisão de primeira instância em, 11/03/2008, conforme AR de fl. 321, e apresentou em 27/03/2008 (fl. 335) o recurso voluntário de fls. 324 a 334, através de procurador habilitado à fl. 140. Em suas razões de apelo, o RECORRENTE demonstrou a sua discordância quanto à manutenção da multa pelo atraso na entrega da declaração, visto que cumulada com a multa de ofício de 75% exigida em razão do lançamento de ofício. Reiterou as razões da impugnação, uma a uma. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 369DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 355 17 Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar Em suas razões de apelo, o RECORRENTE reitera o pedido formulado em sua impugnação, pugnando pela nulidade do lançamento por ter sido lavrado por pessoa supostamente incompetente, uma vez que o RECORRENTE não possui domicílio fiscal em Brasília/DF (local da lavratura). Nesse ponto, são insubistentes as alegações do RECORRENTE. Neste ponto, importante transcrever as afirmações da autoridade lançadora, registradas na descrição dos fatos de fl. 07: “(...) Constatado, em seguida, pela DRF/Santos, ter o contribuinte assumido cargo público em Brasília. Recusado, assim, o domicílio eleito pelo contribuinte, elegendose como novo domicílio tributário o local de trabalho do contribuinte em Brasília, na Chefia de Gabinete do Ministro da Justiça, conforme Ato Declaratório Executivo n.° 02/2004, do Delegado da Receita Federal em Santos. Restabelecido, entretanto, o antigo domicílio, mediante o Ato Declaratório Executivo n.° 08, de 04.03.2005, da mesma autoridade, havendo sido tal domicílio confirmado pelo contribuinte em sua declaração do exercício de 2005. (...)” O Ato Declaratório Executivo n.° 02/2004, do Delegado da Receita Federal em Santos, foi proferido em 20/02/2004 (fl. 24), enquanto que a ação fiscal teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.1.01.002004003176, datado de 02/07/2004 (fl. 01). A presente ação fiscal se iniciou antes do restabelecimento do domicílio fiscal do RECORRENTE na cidade de Santos/SP, o que ocorreu com o Ato Declaratório Executivo n.° 08, de 04/03/2005. Portanto, a ação fiscal teve início quando o RECORRENTE possuía domicílio fiscal em Brasília/DF, não importando se o domicílio fiscal foi restabelecido após o inicio da investigação fiscal. Neste sentido, prevê o art. 28, §1º, do Decreto nº3.000/99 (RIR/99) que, no caso de exercício função pública, o domicílio fiscal é o lugar onde a mesma estiver sendo desempenhada, verbis: “Art. 28. Considerase como domicílio fiscal da pessoa física a sua residência habitual, assim entendido o lugar em que ela tiver uma habitação em condições que permitam presumir intenção de mantêla (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 171). §1º No caso de exercício de profissão ou função particular ou pública, o domicílio fiscal é o lugar onde a profissão ou função Fl. 370DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 356 18 estiver sendo desempenhada (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 1º).” Ademais, conforme bem observado pela autoridade julgadora de primeira instância, a ação fiscal é válida quando formalizada por AuditorFiscal do Tesouro Nacional, mesmo que este pertença à jurisdição diversa da do domicílio tributário do contribuinte, conforme estabelece o art. 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 904, § 3º, do Decreto nº3.000/99, verbis: Decreto nº70.235/72 “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)” Decreto nº3.000/99 (RIR/99) “Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). (...) § 3º A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º).” Portanto, o auto de infração ora em análise é perfeitamente válido, pois foi lavrado por autoridade competente (auditor fiscal), não havendo que se falar em qualquer vício em razão do domicílio fiscal do RECORRENTE. Mérito Fl. 371DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 357 19 No que diz respeito ao mérito, todas as deduções da base de cálculo (com dependente, despesas médicas e previdência oficial) pleiteadas e devidamente comprovadas pelo RECORRENTE foram acatadas pela autoridade julgadora de primeira instância. Como não foram apresentados novos documentos que atestassem o dispêndio de despesas dedutíveis (“livro caixa”), não deve ser feita nenhuma alteração nas apurações realizadas pela DRJ de origem em relação aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 (exercícios 2001, 2002 e 2003). Assim, deve ser mantida a tributação do imposto de renda no valor de R$ 5.609,70, R$ 8.340,95 e R$ 4.992,59, referente aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, respectivamente (conforme quadros de fl. 310), que se sujeitam ainda à multa de ofício de 75% e aos juros de mora. Importante recordar que o lançamento relativo ao anocalendário 1999 (exercício 2000) foi cancelado pela autoridade julgadora de primeira instância, por estar atingido pela decadência. Da multa pela falta da entrega da declaração Após o julgamento de primeira instância, foi mantida a multa pela falta da entrega da declaração do RECORRENTE, referente aos exercícios 2001 e 2002, nos respectivos valores de R$ 6.207,21 e R$ 148.998,42. Ao contrário do entendimento manifestado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que deve ser afastada a aplicação da multa motivada na ausência de declaração de ajuste do contribuinte. É pacífico que, em se tratando de lançamento de ofício, somente deve ser aplicada a multa de ofício vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa por atraso na entrega da declaração, pois ambas têm a mesma base de cálculo, conforme jurisprudência abaixo transcrita, evitandose o bis in idem ou a concomitância, para não se penalizar duplamente o contribuinte pela mesma infração; a conferir: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: APD – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – EXCESSO DE APLICAÇÕES JUSTIFICADO COM RECURSOS DE EXERCÍCIOS PRECEDENTES – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DESSES RECURSOS – NÃO ACATAMENTO – É ônus do contribuinte comprovar a origens de recursos para fazer frente à presunção de omissão de rendimentos lastreada em fluxo de caixa que apura acréscimo patrimonial a descoberto. Não basta afirmar que detinha valores em anos antecedentes, mormente quando o contribuinte sequer apresentou declaração de ajuste anual nos anos anteriores e nos anos em debate. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 358 20 APD – COMPROVAÇÃO DE FONTE DE RECURSO – ADEQUAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA Comprovada a fonte de recursos, esta deve ser registrada no fluxo de caixa, reduzindo o APD do período. DESCUMPRIMENTO DA ENTREGA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO – INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO COM O IMPOSTO LANÇADO A ausência da entrega da declaração de ajuste anual não é fato gerador do imposto de renda. A ausência da entrega da declaração de ajuste pode implicar no lançamento de multa em decorrência do descumprimento da obrigação acessória. O imposto lançado incidiu sobre a presunção de rendimentos decorrente do acréscimo patrimonial a descoberto. O ônus fiscal, no tocante ao imposto, não foi decorrente da ausência da entrega da declaração de ajuste anual, mas da inexistência de rendimentos já declarados que suportassem a evolução patrimonial. APD SALDO EM FINAL DE PERÍODO APURADO EM FLUXO DE CAIXA TRANSPORTE PARA O EXERCÍCIO SUBSEQÜENTE INEXISTÊNCIA DA SOBRA DE RECURSOS NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS IMPOSSIBILIDADE Para o competente transporte entre exercícios das sobras de recursos apuradas em fluxo de caixa, mister que estas constem na declaração de bens e direitos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO DEVIDO – MESMA BASE DE CÁLCULO – IMPOSSIBILIDADE Consoante iterativa jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, em se tratando de lançamento de ofício, somente deve ser aplicada a multa de ofício vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa por atraso na entrega da declaração, já que ambas têm a mesma base de cálculo. Na espécie, a conduta de não pagar o imposto devido absorve o descumprimento da obrigação acessória. Recurso voluntário parcialmente provido. (recurso voluntário nº 156737; Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 10/10/2008)” Assim, em razão da inadmissibilidade da concomitância das multas – a vinculada / de ofício e a por atraso na entrega da declaração, ambas com a mesma base de cálculo – devese afastar a aplicação da multa pela falta da entrega da declaração de ajuste anual dos exercícios 2001 e 2002 (anoscalendário 2000 e 2001), nos respectivos valores de R$ 6.207,21 e R$ 148.998,42. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, cancelar a multa pela ausência da entrega da declaração de ajuste anual dos exercícios 2001 e 2002. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 14041.001058/200511 Acórdão n.º 2102001.457 S2‐C1T2 Fl. 359 21 Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 374DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000245/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Os embargos de declaração não se prestam à reapreciação do mérito de questão já decidida no julgamento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1201-000.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
CONHECER dos embargos para, no mérito, REJEITÁ-LOS.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Os embargos de declaração não se prestam à reapreciação do mérito de questão já decidida no julgamento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para, no mérito, REJEITÁLOS. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto (Suplente convocada), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela contribuinte nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Afirma a interessada, em primeiro lugar, ter havido contradição no acórdão embargado uma vez que, ao mesmo tempo em que afirma não ser possível conhecer a receita Fl. 3588DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10315.000245/200993 Acórdão n.º 120100.580 S1C2T1 Fl. 3.589 2 bruta da pessoa jurídica para fins de arbitramento do lucro, reconhece que a receita bruta foi utilizada pelo auditor com vistas ao lançamento da contribuição para o PIS e da Cofins. Alega ainda a interessada ter havido erro material no acórdão embargado quando afirma que o lançamento da contribuição para o PIS e da Cofins foi realizado com base nas informações de receita bruta disponíveis. Ao contrário, o auditor “apurou” o valor da receita bruta e depois efetuou o lançamento daquelas contribuições, conforme documentos em anexo. Por sua vez, a “apuração” da receita bruta pela autoridade demonstra que ela a conhecia. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Os embargos declaratórios foram propostos tempestivamente e por procurador habilitado, logo, dele tomo conhecimento. Sobre os embargos de declaração o art. 65 do Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) Ao contrário do alegado pela interessada, não se vislumbra qualquer contradição entre a decisão e os fundamentos contidos no acórdão embargado. A Turma entendeu como correto o arbitramento do lucro com base nas compras, daí porque manteve a exigência. O que a interessada pretende aqui é que suas razões, já apreciadas no julgamento do recurso voluntário, sejam novamente examinadas. Os embargos, todavia, não se prestam para tanto. Quanto à alegada existência de erro de fato no acórdão embargado, devese dizer que também não se verificou. Sequer há, no voto, os vocábulos “apurou” ou “apuração”. Aliás, como o lançamento da contribuição para o PIS e da Cofins foi objeto de outro processo, o exame da matéria no acórdão embargado limitouse ao seguinte trecho: Mas como o valor das compras não se traduz em critério de arbitramento das bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, a autoridade, em relação a essas contribuições, teve que realizar o lançamento com base nas informações de receita bruta disponíveis, mesmo desconhecendo a receita bruta efetivamente auferida pela pessoa jurídica. Inexistiu, portanto, o alegado conflito de critérios no lançamento, por um lado, do IRPJ e da CSLL e, por outro, da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 3589DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10315.000245/200993 Acórdão n.º 120100.580 S1C2T1 Fl. 3.590 3 Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer dos embargos para, no mérito, rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3590DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903139/2009-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU
INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.09.2002 a 30.09.2002.
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.223
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP ELETRÔNICA DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.09.2002 a 30.09.2002. Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator . Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário que visa modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS, relativo ao período de apuração de 01.09.2002 a 30.09.2002. O suposto crédito que se pretende ver compensado seria decorrente de procedimento fiscal que teria incluído à base de cálculo receitas distintas do faturamento, vez que, a empresa estaria submetida ao regime cumulativo, impondo recolhimento superior ao devido. Diz a recorrente que o seu direito ao crédito decorre da decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional a norma do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei n° 9.718, de 28 de novembro de 1998, que alterou a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS. Encontram anexada aos autos cópia do Despacho Decisório que indeferiu o pleito e Declarações de compensações – DCOMP e Pedido de Ressarcimento e Compensação. O julgado de piso rechaçou o pleito sob os argumentos: que a decisão do STF em recurso extraordinário não possui efeito erga omnes; a base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS a partir de fevereiro de 1999 é o somatório de todas as receitas auferidas pela empresa, permitida apenas as exclusões previstas em Lei; e, ausência de prova da existência do crédito. Na fase recursal a Interessada reprisa os argumentos tecidos em sua peça de Inconformidade, trazendo à colação os mesmos documentos juntados inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903139/200967 Acórdão n.º 340301.223 S3C4T3 Fl. 2 3 A Recorrente visa compensar crédito com débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, aduzindo, para tanto, que está submetida à sistemática prevista pela Lei n° 9.718/96, regime cumulativo, cujo pagamento a maior decorreu da inclusão à base de cálculo de outras receitas distintas do faturamento pela fiscalização. Da simples leitura da peça recursal se tem a certeza que a controvérsia gira em torno da inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional a norma daquele parágrafo. No caso sub examine a matéria é de fato, precisase identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo da inclusão à base de cálculo de receita diferente do faturamento da empresa pó imposição de procedimento fiscal, isso encontra bem delineado. Precisase, ter certeza que esse fato ocorreu, para tanto, impõe não só a demonstração de que tenha ocorrido, mas se faça a comprovação por meio de documentos hábeis. Se decorre de procedimento fiscal, a prova pode ser inferida através da cópia do documento oriundo da fiscalização. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. Além do que, também, inexiste uma linha sequer mencionando o número do processo administrativo onde teria ocorrido à imposição fiscal, bem como, a prova de que o pagamento dessa exigência tivesse acontecido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende, impõe, no caso deste caderno, aquele que deseja ser restituído o ônus de provar. Portanto, assiste razão a Administração Fazendária, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a cópia do documento de onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 61DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 12571.000050/2007-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003, 2004
Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada
e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.
Numero da decisão: 9202-001.742
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Recorrida SEBASTIÃO BARAUSSE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 525DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 526DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12571.000050/200786 Acórdão n.º 920201.742 CSRFT2 Fl. 516 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0436, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão, fls. 0431, que decidiu, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa e reduzir o valor do lançamento. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ATIVIDADE RURAL — IMPOSTO DE RENDA – RENDIMENTOS OMITIDOS — EXIGÊNCIA QUE NÃO PODE EXCEDER AO LIMITE DE VINTE POR CENTO DA RECEITA APURADA. Em nenhuma circunstância se pode usar a escrituração contábil, ainda nos casos de receitas omitidas na atividade rural, para exceder a tributação além do limite de vinte por cento, previsto no artigo 50 da Lei n° 8.023, de 1990. A escrituração contábil é instrumento para ser aplicado em favor do sujeito passivo, nos casos em que o resultado da atividade agrícola não atinge o limite máximo de vinte por cento, previsto em lei. MULTA QUALIFICADA — SÚMULA N° 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para desqualificar a multa e reduzir a exigência para R$ 119.313,07 e 213.583,80 nos anos calendários de 2002 e 2003, respectivamente. Em seu recurso especial a nobre Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Não há como prosperar o entendimento presente na decisão, que desconstituiu parcela do auto de infração, haja vista que a exclusão dos valores determinados pelo acórdão ora combatido considerou a tributação da base de cálculo de 20%, sem que o contribuinte optasse por essa forma de tributação; Fl. 527DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. Quanto à redução do percentual da multa de oficio temos que esta também não pode prosperar em razão de configuração de prática reiterada de omissão com o intuito de retardar ou não efetuar o pagamento dos tributos devidos; 3. Apresenta a seguinte divergência e relação a tributção de 20%: Acórdão Paradigma nº 10617198 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO Nos casos em que for constatado o dolo, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Física só decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL DEPÓSITOS INDIVIDUALMENTE IGUAIS OU INFERIORES A R$12.000,00. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, somente não devem ser considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00, em relação a todas as contas bancárias movimentadas pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALÍQUOTA DA ATIVIDADE RURAL. INAPLICABILIDADE A omissão de rendimentos apurada com base na presunção do art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, pressupõem que não foi comprovada a origem dos depósitos e, portanto, descabe a aplicação da alÍquota de 20% prevista para atividade rural que, por se tratar de uma tributação mais benéfica, exige a comprovação de suas receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA Fl. 528DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12571.000050/200786 Acórdão n.º 920201.742 CSRFT2 Fl. 517 5 Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1 de abril de \I 994,1os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do 1' CC, vigente desde de 28/07/2006. Recurso voluntário provido em parte. 4. o precedente acima comprova a necessidade do contribuinte provar, de forma idônea e contundente, a origem dos depósitos bancários, sendo aplicável o artigo 42 da lei 9430/1996, não podendo se valer contribuinte da alíquota de 20%, se não optou por essa foram de tributação no ajuste anual; 5. Com relação à redução do percentual da multa de oficio aplicada no percentual de 150% pára 75% temos que tal entendimento também não pode prevalecer uma vez que ao Contrário do que entendeu a Turma recorrida, a prática contumaz do contribuinte (anos consecutivos) de não oferecer à tributação vultosos rendimentos detectados a partir da existência de omissão de receita da atividade rural constitui dolo suficiente a ensejar a aplicação da penalidade qualificada; 6. Para comprovação da divergência colacionamse os paradigmas de n°s 10196446 e 10517034: Acórdão 10196446 NULIDADE SIGILO BANCÁRIO – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 INOCORRÊNCIA Não cabe alegação de quebra de sigilo bancário no caso de entrega espontânea à fiscalização de extratos das respectivas contas obtidos pelo sujeito passivo diretamente dos bancos de que é cliente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 529DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 É aplicável a multa de oficio qualificada de 150 %,‘ naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente fraude. (...)" 7. Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado; 8. Da análise das alegações e da documentação apresentada pelo contribuinte, com a finalidade de justificar a origem dos depósitos bancários não comprovados, confirmase que o mesmo não logrou êxito em sua empreitada; 9. Aliás, o próprio contribuinte reconheceu não ter meios para comprovar a origem de tais depósitos, limitando se a pleitear fossem estes considerados decorrentes da atividade rural por ele exercida; 10. Entretanto, o Relator, levantou a tese de que nos casos em que o sujeito passivo não dispõe de escrituração o lançamento devese limitar a arbitrar o resultado em razão de 20%, conforme determina o artigo 5° da lei 8.023/1990; 11. Contudo, tal posicionamento não pode prevalecer já que o artigo 42 da Lei 9.430/96 determina que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem de tais recursos; 12. Ademais, através de uma interpretação sistemática aplicase ao caso o artigo 24 da lei 9.249/1995, que determina expressamente que verificada a omissão de receita a autoridade lançadora utilizara o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa; 13. Ora, o contribuinte sequer fez a opção pela tributação na razão de 20%; 14. No tocante à manutenção da qualificação da multa de oficio em 150%, temos que a aplicação desta para alguns períodos contidos no lançamento teve amparo no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro; 15. Como se percebe, a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) tem lugar quando se comprova tratarse de casos evolvendo evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; 16. No presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da Fl. 530DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12571.000050/200786 Acórdão n.º 920201.742 CSRFT2 Fl. 518 7 multa, tendo em vista condutas de cunho fraudatório, praticadas pela omissão dos verdadeiros valores das suas receitas brutas (omitindose vultosos valores), relativos aos anoscalendário 2002 e 2003, ensejando a redução de impostos e contribuições, sendo conduta reiterada do contribuinte; 17. É absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos, pois as quantias omitidas foram de grande monta e assim que intimado o contribuinte apresentou todos os comprovantes que confirmaram a omissão; 18. Pelo exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente recurso especial. Por despacho, fls. 0448, deuse seguimento parcial ao recurso especial, somente na questão da desqualificação da multa de oficio. Portanto, a única matéria em análise referese à desqualificação da multa de oficio. A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento, fls. 0500. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões, fls. 0514. É o Relatório. Fl. 531DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da Primeira Câmara, da Segunda Seção, do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O presente recurso possui seu fundamento no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Em síntese, o Acórdão recorrido entendeu que o simples fato de o contribuinte não ter comprovado depósitos/créditos não caracterizaria o evidente intuito de fraude, capaz de ensejar a qualificação da multa de oficio, o que faria incidir, na espécie, a inteligência da Súmula 1°CC n° 14. “Quanto a multa qualificada, a situação dos autos revela que se está diante de simples omissão, ainda que em dois anos seguidos, o que não caracteriza situação de dolo, fraude ou sonegação, aplicandose as disposições da Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, "in verbis": Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. “ Salientamos que a Sumula acima também consta no rol de Súmulas do CARF, dispostas na Portaria CARF 49/2010. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 532DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12571.000050/200786 Acórdão n.º 920201.742 CSRFT2 Fl. 519 9 Já a recorrente afirma que os Acórdãos paradigmas, como se denota de suas ementas, asseveram que a prática reiterada de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação ou de cometer infrações definidas como falta de recolhimento e/ou de declaração inexata justifica a imposição da multa de oficio qualificada de 150%. A Presidência da Segunda Seção, em sua análise de admissibilidade do Recurso Especial, informa que está configurada a divergência quanto à qualificação da multa. Portanto, a Procuradoria busca a reforma do acórdão, por entender que a prática reiterada de omissão de rendimentos possibilita a qualificação da multa. Para encontrarmos uma solução, devemos verificar a legislação. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Claro está que requisito obrigatório para a qualificação da multa como ressalta, inclusive, a digna PGFN é a demonstração do evidente intuito de fraude. Devemos analisar, para tanto a fim de verificar a demonstração do “evidente intuito de fraude” por parte do contribuinte os motivos do Fisco para a qualificação da multa. Em seu Relatório Fiscal (RF), fls. 0373, o Fisco demonstra seus motivos para a qualificação da multa: “Tendo em vista que o fiscalizado omitiu rendimentos de valor significativo nos dois anos sob fiscalização, descaracterizando assim qualquer acidentalidade ou descuido, restou claramente configurada a intenção reiterada de reduzir o recolhimento de tributos, conduta tipificada como SONEGAÇÃO pelo art. 71 da Lei no 4.502/1964. Conseqüentemente, aplicouse a multa de oficio de 150 % sobre o Imposto de Renda — Pessoa Física apurado, consoante is determinações da Lei n° 9430/96, art. 44, com nova redação dada Lei no 11.488/2007.” Para o Fisco, portanto, a reiterada conduta do contribuinte caracteriza a prática de sonegação fiscal. Lei 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 533DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente Ressaltese que o Fisco obteve conhecimento desses depósitos por informações prestadas pelo contribuinte. Portanto, devemos analisar se cabível a qualificação da multa de ofício, devido a existência de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71. Em nosso entendimento a multa não deve ser qualificada e o acórdão recorrido não deve ser modificado. Sobre a qualificação da multa de ofício, devido a evidente intuito de fraude, entendemos que a determinação não diz respeito unicamente ao fim almejado com a prática de fraude, mas, também, quando existe um resultado obtido. Toda sanção deve penalizar um resultado, um objetivo alcançado, que, no caso, consiste em não atendimento do determinado pela legislação. Não basta a existência, provada/evidente, de mero desejo, objetivo, intuito, de obter o resultado. Fazse necessário e obrigatório para a qualificação da multa que, também, ele tenha sido produzido de uma determinada forma: com fraude (Art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964). Para a qualificação da multa, tornase, sem sombra de dúvida, de extrema relevância a descrição do modo de ação pelo qual se buscou que o cumprimento da obrigação tributária fosse frustrado. Portanto, a intenção (intuito) do contribuinte deve ser provada, fato que não ocorreu no lançamento. Somase as considerações expostas em voto qualificado do nobre Conselheiro Relator Giovanni Christian Nunes Campos (Acórdão 10617.015): “Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. ... Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No Fl. 534DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12571.000050/200786 Acórdão n.º 920201.742 CSRFT2 Fl. 520 11 caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. ... No caso dos autos, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Por óbvio, considerando as gravíssimas conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. Como exemplo, acatase a qualificação da multa de oficio nas seguintes hipóteses: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação da conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 104 20.713, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol; Acórdão n° 10422.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann); • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (acórdão n° 10247.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheiro Silvana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiro para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 10616.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberto de Azeredo Ferreira Pagetti); Fl. 535DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 10193.865, sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez); • utilização de meio fraudulento para comprovar a origem dos depósitos bancários (Acórdão n° 10248.266, sessão de 01/03/2007, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). Na espécie, nenhuma das hipóteses acima ocorreu, mas apenas uma omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Corno exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI 1‘1°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente ' intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com Fl. 536DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12571.000050/200786 Acórdão n.º 920201.742 CSRFT2 Fl. 521 13 evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996.. Recurso parcialmente provido. (grifei) Ainda, na linha do aqui decidido, citamse os Acórdãos n's: 103 23151, sessão de 08/08/2007, relator o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento; 10616389, sessão de 23/05/2007, relatora a conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assim, devese afastar a qualificação da multa de oficio. Destarte, a omissão de informações sobre valores depositados em conta de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte possibilita a utilização da presunção, conceituando esses valores como renda e base de cálculo, invertendo o ônus da prova, mas não há como conceituálos, por si só, como evidente intuito de fraude, pois há a necessidade de se demonstrar que o sujeito passivo, por meio ardiloso, deixou de considerar certos fatos como passíveis de tributação, o que, em nosso entender, não está demonstrado nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. Marcelo Oliveira Fl. 537DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003027/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000.
Numero da decisão: 2102-001.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 08/12/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/06 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2001, relativamente ao imóvel denominado “Fazenda Cabeceira dos Porcos”, localizada no Município de Balsas MA. De acordo com os esclarecimentos constantes do Auto, o lançamento decorreu da alteração da área total do imóvel, glosa da área declarada como sendo de preservação permanente (de 8.070,0 hectares), em razão da falta de apresentação tempestiva do ADA ao Ibama. Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a Impugnação de fls. 55/68, por meio da qual alegou que a integralidade de sua propriedade estava inserida dentro do Parque Estadual do Mirador, criado através do Decreto Estadual nº 7.641, de 04.06.1980, trazendo documentos comprobatórios de tal alegação. Alegou que por ser unidade de conservação integral, estaria ela, inclusive, dispensada da apresentação do ADA, e que declarara por equívoco que a totalidade da área era de preservação permanente, quando em realidade tratavase de área de interesse ecológico. Afirmou ainda inexistir obrigação tributária, por não deter a posse direta do imóvel, sendo indevida a cobrança do imposto objeto do Auto de Infração. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Recife decidiram pela integral manutenção do lançamento, ao entendimento de que a falta de apresentação tempestiva do ADA seria impeditiva da exclusão da área de preservação permanente da tributação pelo imposto. Afastaram a preliminar de ilegitimidade passiva por não ter a contribuinte a posse do imóvel. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 102/115, por meio do qual repisa os argumentos expostos em sua Impugnação, no sentido de que a área total de seu imóvel não deve estar sujeita à tributação por ser área de interesse ecológico, e que não estaria obrigada à apresentação do ADA para fins de comprovação da existência da referida área. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.05.2008, como atesta o AR de fls. 114. O Recurso Voluntário foi interposto em 13.06.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute a exigência do ITR relativo ao exercício 2001. O lançamento foi efetivado em razão da glosa da área declarada pela Recorrente como sendo de preservação permanente, em razão da falta de apresentação do ADA. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10320.003027/200516 Acórdão n.º 210201.530 S2C1T2 Fl. 143 3 Em sua defesa, a Recorrente afirma – desde a época da fiscalização, que a totalidade de seu imóvel está inserida no Parque Estadual do Mirador, criado através do Decreto Estadual nº 7.641, de 04.06.1980, e por isso não estaria sujeita à tributação pelo ITR. De fato, as áreas de interesse ecológico para proteção de ecossistemas não estão sujeitas ao ITR, nos exatos termos do que determina a Lei nº 9.393/96, em seu art. 10, § 1º, II, b, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...). No caso dos autos, os documentos trazidos pela Recorrente demonstram que a Fazenda Canastra estaria realmente inserida no Parque Estadual do Mirador, inclusive com certidões expedidas pelo Ibama (fls. 30) e pela Gerência Adjunta de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Maranhão (fls. 31). Este parque, por seu turno, foi criado em 04.06.1980, por meio do Decreto Estadual nº 7.641. Da leitura do mesmo, percebese que ele tinha o objetivo de proteger os ecossistemas da região, para a criação de Parque Estadual. A norma que previa a criação, pelo Poder Público, de parques estaduais, era o art. 5º da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), que, porém, foi revogado pela Lei nº 9.985/00, que passou a prever a existência de parques nacionais – áreas estas que, se englobassem qualquer propriedade privada, implicariam na desapropriação das mesmas, verbis: Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 Art. 7o As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; (...) Art. 8o O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I Estação Ecológica; II Reserva Biológica; III Parque Nacional; IV Monumento Natural; V Refúgio de Vida Silvestre. (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. § 2o A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. § 3o A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. § 4o As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal (sem destaques no original) Com base na legislação acima transcrita, a outra conclusão não se pode chegar senão a de que a área em que está situada a propriedade da Recorrente é de posse e domínio públicos, por se tratar de parque estadual – que teria, nos termos da referida lei – os mesmos efeitos de um parque nacional. Sendo assim, é lícito concluir que: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10320.003027/200516 Acórdão n.º 210201.530 S2C1T2 Fl. 144 5 a propriedade da Recorrente está situada em parque estadual, criado em 1980; quando da criação do parque, ficou impedida de explorar suas terras, nos termos do que dispunha o Decreto Estadual nº 7.641/1980; a Lei nº 9.985/00, desde sua entrada em vigor, passou a tratar dos parques estaduais, que passaram a ter a mesma natureza dos parques nacionais, e são áreas de posse e domínio público. Por isso, é de reconhecer que, de fato, a propriedade da Recorrente encontra se integralmente em área de uso limitado, razão pela qual teria ela direito à exclusão da mesma da tributação pelo ITR, nos termos do que determina o art. 10 da Lei nº 9.393/96, já transcrita anteriormente. No entanto, o que motivou o lançamento em exame – bem como a sua manutenção – foi a falta de apresentação do ADA pela Recorrente. Sustenta ela que não estaria obrigada a fazêlo. A discussão, então, se resume à necessidade, ou não, da prévia apresentação do “ADA” pelo contribuinte, a fim de que possa excluir da área tributável pelo ITR a parcela de sua propriedade relativa a área de interesse ecológico (ou de preservação permanente). Já se viu que a Lei nº. 9.393/96, em seu art. 10, § 1º exclui da área a ser tributada pelo ITR as referidas áreas. A Instrução Normativa SRF nº 60/2002 instituiu a obrigação de apresentação do ADA como condição para a exclusão das áreas previstas no referido art. 10 da área tributável pelo ITR. Tal norma foi sucessivamente alterada pela IN/SRF nº 256/02 e 861/08, que sempre estabeleceram a obrigatoriedade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente da tributação pelo ITR. De fato, até então, a Lei nº 9.393/96 não previa tal exigência (de apresentação do ADA), exatamente como suscitou o Recorrente. No entanto, a Lei nº 10.165/2000 determinou que art. 17O da Lei nº 6.938/81 passasse a vigorar com a seguinte redação: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 6 "§ 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama." (NR) "§ 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais)." (NR) "§ 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei." (NR) "§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis."(NR) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Desde então, esta obrigação consta inclusive do Decreto nº 4.382/02, que versa sobre a exigência do ITR, que assim dispõe: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...) No caso em exame, os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram em 2001, quando a referida norma já estava em vigor, razão pela qual a apresentação do ADA seria uma condição para que o Recorrente pudesse se beneficiar da redução desta área da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10320.003027/200516 Acórdão n.º 210201.530 S2C1T2 Fl. 145 7 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10665.000900/2001-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1991
SOBREPOSIÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL APLICAÇÃO
OBRIGATÓRIA PELO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO
Quando o contribuinte busca tutela judicial, esta decisão se sobrepõe ao
entendimento administrativo. Limitação do entendimento do julgador aquele
que foi consolidado pelo judiciário. In casu, aplicação do prazo prescricional
pela Resolução do Senado, sem limite temporal das parcelas devidas em
razão da decisão judicial.
SEMESTRALIDADE DO PIS. APLICAÇÃO. SÚMULA 11 DO
SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado
Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449,
ambos de 1988, bem como e, por conseqüência lógica, o posicionamento do
Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei
Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da
semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo. In casu, o
contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável ao seu pleito,
indiscutível a aplicação do crédito.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3302-001.147
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, , por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Limitação do entendimento do julgador aquele que foi consolidado pelo judiciário. In casu, aplicação do prazo prescricional pela Resolução do Senado, sem limite temporal das parcelas devidas em razão da decisão judicial. SEMESTRALIDADE DO PIS. APLICAÇÃO. SÚMULA 11 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449, ambos de 1988, bem como e, por conseqüência lógica, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo. In casu, o contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável ao seu pleito, indiscutível a aplicação do crédito. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição, cumulado com Pedido de Compensação de valores relativos ao Programa de Integração Social PIS no valor de R$308.523,16 – apresentado em 17/06/2001. Conforme comprovado nos autos do processo administrativo, a compensação realizada está amparada em decisão judicial proferida no processo nº 1998.38.00.0461915 (Ação Ordinária), na qual se discute (i) a existência de crédito decorrente do valor recolhido indevidamente a título de Pis (Cálculo da Semestralidade da Base de Cálculo), (ii) bem como a possibilidade de compensação imediata. A Recorrente apresentou pedidos de compensação às fls. 02; 161 a 163; 165 a 167; 182; 183; 186; 191; 193; 194. Estão anexados os processos: 10 665.00838/200394 e 10665.001675/200286, os quais contêm outros pedidos de compensação. Às fls. 173/186 verificase petição endereçada ao Delegado da Receita Federal de Divinópolis/MG esclarecendo que as compensações foram regulamente realizadas contabilizadas (nos livros fiscais) e que os documentos já apresentados são suficientes para a análise do Fisco. Aos 30/12/02, fls. 197, consta Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição com base na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal 210 de 30/09/2002 e Instrução Normativa 21 de 10/03/1997, em vista de o pedido e as compensações terem ocorrido antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Às fls. 11 a 16 consta cópia da sentença que foi proferida nos autos do processo judicial em 23/04/2001, onde se verifica o deferimento da compensação e o cálculo do crédito com base no critério da semestralidade. Nos termos da decisão judicial resta claro que a compensação deverá ser realizada administrativamente, “sem as restrições das Leis 9032/95 e 9129/95, cabendo ao Fisco a competente homologação da mesma”. Registrase que não há qualquer limitação, na decisão judicial, à realização da imediata compensação do crédito tributário, bem como no tocante ao seu aproveitamento apenas após o trânsito em julgado da decisão. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10665.000900/200186 Acórdão n.º 330201.147 S3C3T2 Fl. 2 3 Às fls.199 e seguintes a Recorrente apresentou suas razões de inconformidade, alegando, em síntese: (i) inaplicação da IN 210/02, posto que publicada posteriormente aos pedidos de restituição e compensação, em virtude da irretroatividade das leis e do direito adquirido. (ii) impossibilidade de revogação do artigo 66 da Lei 8383/91 por meio de portaria, lembrando que não havia restrição no momento do aproveitamento do crédito. (iii) que o artigo 74, da Lei 9430/96, encampou o entendimento por meio do qual é dado ao contribuinte a possibilidade de promover os respectivos registros fiscais para fins de compensação, independentemente de qualquer formalidade perante a Secretaria da Receita Federal. (iv) os tribunais administrativos e judiciais (no caso o STJ) já pacificaram seu entendimento no sentido de que a Lei Complementar 7/70 significa alíquota de 0,75% e base de cálculo sobre o faturamento do sexto mês anterior para a contribuição ao PIS. Aos 28/07/03, foi proferido o Acórdão nº 04.084 pela DRJ (fls 215/222), a qual manteve o indeferimento proferido pelo r. despacho decisório com base nos seguintes argumentos: (i) a matéria discutida no processo administrativo equiparase àquela do processo judicial, o que torna prejudicada a discussão pela via administrativa. (ii) a legislação acerca da compensação não traz o entendimento esposado pela Recorrente, segundo o qual esta pode ser feita unilateralmente pelo contribuinte; (iii) é preciso ocorrer o trânsito em julgado da ação judicial, para que somente então se proceda à compensação de créditos; (iv) as decisões judiciais e administrativas citadas como precedentes favoráveis têm apenas efeitos nos processos em que foram proferidos. Inconformada a Recorrente apresentou recurso às fls. 233 e segs., por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade adicionando: (i) O ato declaratório nº 3196 foi instituído para casos em que ocorra autuação fiscal, logo inaplicável à espécie e (ii) a compensação não se refere ao processo judicial, mas à possibilidade de compensação dos créditos pelo contribuinte unilateralmente, por meio de mera declaração. Após analisar os autos, a Colenda Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes entendeu por bem baixar o processo em diligência para que fossem Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 trazidos aos autos os documentos referentes ao processo judicial que deu origem à compensação, bem como para que os agentes administrativos analisassem tais documentos e quantificassem o crédito da Recorrente. Neste sentido a Recorrente foi intimada para apresentação dos mencionados documentos e, às fls. 336 e segs (Vol. II), consta a análise realizada pelo auditor fiscal, verbis: “Por meio da Resolução n° 20100.655, os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, converteram o julgamento do recurso voluntário em diligência solicitando à autoridade preparadora que, após a intimação da contribuinte para apresentar certidão de objeto e Pé atualizada do processo judicial n° 1998.38.000461915, bem como cópia das decisões judiciais porventura proferidas, analise os documentos apresentados pela recorrente para responder aos seguintes quesitos: (a) Se os documentos são suficientes para a comprovação da existência do crédito tributário? (b) Caso não sejam, a recorrente deverá ser intimada para apresentar os documentos suficientes à comprovação do direito creditório alegado; e (c) Após a análise dos documentos, responder se existem os créditos afirmados pela recorrente, esclarecendo que para o cálculo dos valores deverá ser aplicada a legislação pertinente, ou seja, Lei Complementar n° 7/70, alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior. Para atender às solicitações contidas na resolução a interessada foi intimada a apresentar os documentos relativos aos autos judiciais bem como para complementar a documentação necessária à análise do pedido. Tais documentos foram juntados às fls. 276/314. Pela juntada dos documentos indispensáveis à análise do pleito temse por atendidos os quesitos (a) e (b), restando a análise da existência do crédito para fins de atendimento ao último quesito. Tendo o processo sido a mim distribuído em 29/10/09, passo à análise, esclarecendo que, como já houve o trânsito em julgado da ação, conforme certidão de fls. 276, os critérios de aferição do crédito serão aqueles determinados na decisão emanada pelo Poder Judiciário. Pela decisão passada em julgado foi assegurado à autora o direito a compensar os valores relativos à diferença entre o total recolhido a título de PIS nos moldes dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 até o advento da MP 1.212/95 e o efetivamente devido nos termos da Lei Complementar 07/70, observada a semestralidade, com parcelas vincendas da mesma contribuição. Foi, ainda, determinada a correção monetária dos créditos, considerando os expurgos inflacionários nos termos da Súmula 252 do TRF da 1º Região, sendo que os aplicáveis ao presente caso são os seguintes: 42,72% em jan/89; 44,80% em abr/90; 5,38% em maio/90 e 7,00% em fev/91. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10665.000900/200186 Acórdão n.º 330201.147 S3C3T2 Fl. 3 5 A partir de jan/96 a correção darseá exclusivamente pela aplicação da Selic. A partir das bases de cálculo, obtidas por informações prestadas pela recorrente e, ainda, por informações contidas nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls.316/317), a contribuição para o PIS, do período de apuração 10/88 a 09/95, foi calculada nos moldes da Lei Complementar n° 07/70, ou seja, à alíquota de 0,75% de 11/88 a 12/88; 0,35% de 01/89 a 12/89; 0,75% de 01/90 a 09/95. A base de cálculo considerada foi o faturamento do sexto mês anterior ao mês de competência, sem correção da mesma. Aos débitos apurados de acordo com os critérios definidos acima foram alocados os pagamentos efetuados sob a égide dos DecretosLei nºs. 2.445 e 2.449, apurandose os saldos credores de cada pagamento, esclarecendo que não foram considerados aqueles com data de recolhimento anterior a 17/12/88 (dez anos anteriores à data da propositura da ação), posto que atingidos pela prescrição decenal definida no acórdão. Os saldos dos pagamentos demonstrados no quadro abaixo, atualizados até 31/12/95 pelos índices constantes do Anexo da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08/97, substituídos nos meses de jan/89, abr/90, maio/90 e fev/91 pelos índices dos expurgos inflacionários definidos no acórdão (Súmula 252 TRF/l a Região), e ainda pela variação da UFIR a partir de jan/92, apurandose o valor em 31/12/95, já expresso em reais, de R$ 40.638,06, constituindo esse montante a base de cálculo para aplicação da Selic a partir de 01/01/96, conforme determinado na decisão judicial. O valor apurado em 31/12/95, atualizado até a data do pedido de restituição, é de R$ 89.997,40, inferior, portanto, ao valor pleiteado pela recorrente (R$ 308.536,16). (...)” destaquei A Recorrente foi devidamente intimada da conclusão apresentada pelo agente fiscalizador, tendo deixado de se manifestar no prazo de 30 dias que lhe foi concedido. Após todas estas providências, os autos foram a mim distribuídos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Conforme relatado, tratase de pedido de restituição, seguido de compensação de crédito originado em processo judicial (Ação Ordinária nº1998.38.00.0461915). A natureza do crédito é indébito de PIS, decorrente da inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2445 e 2449, ambos de 1988. Após a análise dos documentos, algumas questões são indiscutíveis em razão do que restou decidido no processo judicial: o critério para o cálculo do crédito é a aplicação da semestralidade à base de cálculo do PIS, os índices de correção monetária são os definidos pela decisão judicial1 e a compensação deverá ser realizada apenas com débitos da mesma natureza. O que resta a ser decidido é o prazo prescricional, uma vez que pelo entendimento do agente administrativo a decisão judicial limitou em 10 anos o prazo prescricional para restituição dos créditos, a saber: “não foram considerados aqueles com data de recolhimento anterior a 17/12/88 (dez anos anteriores à data da propositura da ação), posto que atingidos pela prescrição decenal definida no acórdão.” Em relação a este ponto de questionamento, divirjo da interpretação do agente administrativo. Nos termos da decisão do Tribunal trazida à colação às fls. 281/285 – Vol. II – a Colenda Turma de Julgamento aplicou o prazo prescricional a partir da Resolução do Senado (5 anos), mas não limitou os indébitos que poderiam ser compensados, verbis: “O fato novo havido na hipótese em exame, porém, é o advento da Resolução do Senado, suspendendo a execução deles. A norma expungida do sistema jurídico ainda produzia efeitos, apesar da decisão do STF (entre partes), quando da Resolução do Senado, a qual passou a ser o marco tempor I para a decadência que, no caso, é de cinco anos contados da data da sua publicação. Esse prazo, todavia, deve ser entendido como o prazo para que sejam restituídos TODOS os recolhimentos indevidos, sem que se tenha qualquer impedimento temporal. (...) O prazo qüinqüenal para a compensação de todos os recolhimentos feitos nos moldes dos Decretosleis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, contados da data de publicação da Resolução do Senado Federal (09 OUT 1995) não está extrapolado, porque ajuizada a ação anteriormente a 10 OUT 2000, podendo ser compensados todos os valores indevidamente recolhidos.” – destaquei. Ante os fatos apresentados, concluo que a Recorrente obteve judicialmente o direito à restituição de todos os valores recolhidos indevidamente no período, sem qualquer limitação. Ademais, outra questão que precisa ser validada, por ter sido causa de indeferimento em primeira instância administrativa, é o fato de, no momento da apresentação do pedido de restituição, ainda não haver o trânsito em julgado da ação judicial. Conforme se verifica dos termos do entendimento do agente administrativo, a observação apresentada foi no 1 Conforme coclusão do agente fiscalizador: "expurgos inflacionários definidos no acórdão (Súmula 252 TRF/l a Região), e ainda pela variação da UFIR a partir de jan/92, apurandose o valor em 31/12/95, já expresso em reais, de R$ 40.638,06, constituindo esse montante a base de cálculo para aplicação da Selic a partir de 01/01/96" Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10665.000900/200186 Acórdão n.º 330201.147 S3C3T2 Fl. 4 7 sentido de que agora já existe trânsito em julgado (ocorrido em 08/02/2006 – conforme certidão de objeto e pé, fls. 276), a saber: “Tendo o processo sido a mim distribuído em 29/10/09, passo à análise, esclarecendo que, como já houve o trânsito em julgado da ação, conforme certidão de fls. 276, os critérios de aferição do crédito serão aqueles determinados na decisão emanada pelo Poder Judiciário. Pela decisão passada em julgado foi assegurado à autora o direito a compensar os valores relativos à diferença entre o total recolhido a título de PIS nos moldes dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 até o advento da MP 1.212/95 e o efetivamente devido nos termos da Lei Complementar 07/70, observada a semestralidade, com parcelas vincendas da mesma contribuição.” destaquei Depreendese do teor das decisões que não houve expressa limitação ao direito de compensar do contribuinte à época dos fatos. “No caso concreto, o pedido formulado na inicial, datada de 17.12.1998, é para a autorização da compensação dos pagamentos indevidamente feitos ao PIS "com outros tributos de mesma ou diversa natureza jurídica" (fl. 29). Ora, 'à época da propositura da demanda (1998), não havia autorização legal para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, sendo indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federa1 que, após a análise de cada caso, efetuaria ou não o encontro de débito, e créditos. O pedido veiculado na inicial não poderia, portanto, com base no direito então vigente ser atendido: Sobrevieram, é certo, as modificações legislativas acima aludidas, relativas a abrangência e ao procedimento da compensação. Sobreveio também a Lei Complementar 104/2001, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo o qual "é vedada Compensação Mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo' antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Agregouse, contudo, novo requisito para a realização da compensação tributária: a inexistência de discussão judicial sobre os creditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. Atualmente, portanto, a compensação seria viável apenas após o trânsito em julgado da decisão, devendo ocorrer de acordo com o regime previsto na Lei 10.637/02, isto (a) por iniciativa do contribuinte, (b) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, (c) mediante declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A aplicação do direito 'superveniente à espécie, porém, é impraticável, notadamente no âmbito do recurso especial, que supõe prequestionamento dos temas a serem enfrentados. É que as leis novas, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. Por isso mesmo, além de ser inviável a aplicação retroativa do novo direito, não há como julgar a causa à luz de seus preceitos, o que, evidentemente, não compromete o eventual direito da demandante de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes, se atender aos requisitos próprios.” Claro está que a decisão registrou que o procedimento de compensação deveria seguir a legislação pertinente à época dos fatos, e isto significa exatamente o procedimento realizado pela Recorrente, razão pela qual entendo que não é possível a aplicação retroativa do artigo 170A, com a única finalidade de restringir o direito do contribuinte. Ante o exposto, é o presente para DAR PARCIAL PROVIMENTO aos termos do recurso voluntário apresentado, ressalvado à autoridade administrativa apurar a regularidade dos pagamentos, ao realizar o cálculo do crédito tributário com o cômputo de todos os valores pagos indevidamente, sem qualquer limitação de período. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001370/2003-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A
averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.517
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eivanice Canário da Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que entendem ser desnecessária a averbação da área de reserva legal.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eivanice Canário da Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que entendem ser desnecessária a averbação da área de reserva legal. ELIAS SAMPAIO FREIRE – Presidente em Exercício Gonçalo Bonet Allage Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 171 2 EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire, Gustavo Lian Haddad, Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ronaldo Lima de Macedo. Relatório Em face de João Fernandes Cunha foi lavrado o auto de infração de fls. 03 07, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente, de utilização limitada e de pastagens e, ainda, pela alteração do VTN, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Vereda Boa Sorte, situado no município de Padre Bernardo (GO). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 06): Falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 1999, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, por não ter sido apresentada a documentação requerida comprobatória da: • Área de preservação permanente (Laudo elaborado por Eng.° Agrônomo ou Florestal, conforme Código Florestal Brasileiro), sendo desconsiderado o valor declarado; • Área de reserva legal, averbada à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis, sendo desconsiderado o valor declarado; • Utilização das pastagens (Vacinação do gado existente em suas pastagens durante o de 1998), sendo desconsiderado o valor declarado; • Valoração da Terra Nua (Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme NBR 8799 da ABNT), sendo considerado o VTN/ha constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal). As áreas de preservação permanente, de utilização limitada e de pastagens foram reduzidas de 270,0 ha para 0,0 ha, de 105,1 ha para 0,0 ha e de 138,0 ha para 0,0 ha (fls. 05). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 4252). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 172 3 Por sua vez, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 30134.284, que se encontra às fls. 123129, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL APÓS FATO GERADOR DO IMPOSTO 1 A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, nos termos do art. 16, § 8°, do Código Florestal, tem a finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência, como précondição ao gozo de isenção do ITR, de que a averbação seja realizada até a data da ocorrência do fato gerador do imposto, não encontra amparo na Lei ambiental (precedentes da CSRF). ÁREA DE PROTEÇÃO PERMANENTE LAUDO TÉCNICO DIVERGÊNCIA ENTRE ÁREA APURADA E ÁREA DECLARADA PREVALÊNCIA DO LAUDO 2 Uma vez comprovada a existência de áreas de Preservação Permanente por meio de apresentação de Laudo Técnico elaborado por empresa especializada, devem tais áreas serem excluídas da incidência do ITR. Existindo divergência entre a área de Preservação Permanente declarada e a área efetivamente apurada pelo Laudo Técnico, há de prevalecer a área comprovada. ÁREA DE PASTAGEM ÍNDICE POR LOTAÇÃO MÍNIMA POR ZONA PECUÁRIA (ZP) NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS. 3 Para comprovação das áreas de pastagens declaradas pelo contribuinte devem ser apresentados documentos hábeis a comprovar a existência de rebanho exigido para justificála, levandose em conta o índice de lotação mínima por zona pecuária (ZP). Ante a não comprovação por parte do contribuinte, há de ser mantida a glosa realizada pela fiscalização. VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA (SIPT) AFASTAMENTO COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO ELABORADO POR EMPRESA ESPECIALIZADA. DIVERGÊNCIA ENTRE VTN DECLARADO NA DITR/99 E VTN APURADO. PREVALÊNCIA DO LAUDO. 4 Ante a comprovação do VTN a preços de 1° de janeiro de 1999, por meio de Laudo Técnico elaborado por empresa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 173 4 especializada, com atendimento às normas da ABNT (NBR 8799), há de ser afastado o valor arbitrado pela fiscalização com base no Sistema de Preços de Terra (SIPT). 5 Existindo divergência entre o VTN declarado pelo contribuinte em sua DITR/99 e o VTN efetivamente apurado por Laudo Técnico, há de prevalecer o VTN comprovado pelo Laudo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de ilegitimidade passiva e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso para excluir da incidência do ITR as áreas de Reserva Legal (110,52 ha) e de Proteção Permanente (260,00 ha), bem como para que o cálculo do imposto devido seja realizado com a aplicação do VTN apurado pelo Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte. Intimada do acórdão em 14/11/2008 (fls. 131), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 133142, acompanhado do documento de fls. 143, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Divergindo da Câmara a quo, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 30236.585, exige a averbação, em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, da área de reserva legal junto ao Cartório de Registro de Imóveis; b) Da análise das alegações e da documentação apresentada pelo contribuinte, com a finalidade de justificar as áreas reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis; c) A Lei n° 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR no artigo 10, inciso II. Considerando que esta regra trata da concessão de benefício fiscal, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o artigo 111 do CTN; d) No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis em data anterior à ocorrência do fato gerador, consoante determina a legislação, segundo documento de fls. 2526; e) A Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área" (Art. 16 § 2°); f) Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 174 5 princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; g) À luz desses princípios, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edição, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos setores interessados na questão, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; h) Exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária; i) Inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matrícula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público; j) Uma vez definidos pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar à margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de benefício; k) Tal benefício é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal; l) É preciso ponderar que a necessidade do reconhecimento prévio do Poder Público, além de decorrer do comando legal segundo o qual o lançamento se reporta à data do fato gerador, objetiva assegurar a adequada aplicação do fim da norma, cerceando a ocorrência de fraudes e abusos, tanto mais que possibilita o seu controle, a um só tempo, pela sociedade e o Estado, dada a publicidade que decorre das exigências analisadas; m) No caso em comento, a área declarada de reserva legal foi averbada posteriormente à ocorrência do fato gerador; n) Portanto, pela ausência de averbação tempestiva, merece ser reformada a decisão recorrida. Admitido parcialmente o recurso, no que se refere à área de reserva legal, por intermédio do Despacho n° 920200.286 (fls. 146), que restou confirmado pelo despacho de fls. 147, o contribuinte foi intimado, recolheu a parcela mantida da autuação e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 167 e 169. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 175 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar 110,52 hectares como área de utilização limitada e 260,00 hectares como área de preservação permanente (o lançamento reduziu tais áreas de 105,1 ha para 0,0 ha e de 270,0 ha para 0,0 ha, respectivamente), além de adotar o VTN apurado em laudo apresentado pelo contribuinte. A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver promovido a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela, invocando como paradigma o acórdão n° 302 36.585. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 176 7 Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 177 8 I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 178 9 § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância deve ser confirmada, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/1999, promoveu a averbação de área de utilização limitada de 110,52 hectares em 26/04/1999 (fls. 25 e 101). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 179 10 Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando a averbação da área de reserva legal de 110,52 hectares, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13116.001370/200360 Acórdão n.º 920201.517 CSRFT2 Fl. 180 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.014489/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO NO PRAZO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência do requisito de saneamento da infração, no prazo de impugnação, impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.156
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial para recalcular a multa, limitando-a nos termos do artigo 32A, II da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO NO PRAZO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração, no prazo de impugnação, impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para recalcular a multa, limitandoa nos termos do artigo 32A, II da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 229DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.014489/200716 Acórdão n.º 240102.156 S2C4T1 Fl. 230 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.060.9948, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa pelo descumprimento do dever instrumental de prestar à Administração Tributária informações por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 12, a Associação fiscalizada deixou de apresentar as GFIP relativas às competências 01/2000 e de 01/2003 a 13/2006, pelo que foi aplicada a penalidade de R$ 58.591,25 (cinquenta e oito mil, quinhentos e noventa e um reais e vinte e cinco centavos). Apresentada a impugnação, na qual o sujeito passivo pede a relevação da multa, em razão de haver corrigido as infrações, a DRJ em Fortaleza decidiu dispensar a multa parcialmente, mantendo a exigência apenas para as competências 07/2005 e 11/2006, para as quais se entendeu não ter havido a correção da falta. A multa foi reduzida à cifra de R$ 2.330,51 (dois mil, trezentos e trinta reais e cinquenta e um centavos). Inconformado com a decisão, a entidade interpôs recurso voluntário, no qual afirma que não efetuou a correção para as competências indicadas pelo órgão a quo por um problema alheio a sua vontade, ou seja, por falha no envio dos arquivos ao sistema da Caixa Econômica. Apresenta os comprovantes do posterior envio e requer a exclusão da multa relativa às competências remanescentes. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Relevação da multa Dos autos se extrai que a penalidade em relação a maior parte das ocorrências foi relevada pela DRJ recorrida, todavia, para as competências 07/2005 e 11/2006 a multa foi mantida, por falta de um dos requisitos normativos para a concessão do favor fiscal, a correção da falta. O próprio sujeito passivo reconhece não haver corrigido a falta quando da apresentação da defesa, alegando motivos que lhe fugiram ao controle e juntando o comprovante de envio das GFIP para as competência 07/2005 e 11/2006 em 30/04/2009, portanto, após a ciência da decisão recorrida. A dispensa da multa era um favor fiscal que vinha previsto no revogado § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, nos seguintes termos: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (...) A escusa apresentada pelo sujeito passivo para não haver cumprido, em relação àquelas duas competências, com o requisito de saneamento da infração não pode ser aceita, até porque foi posta à disposição da mesma o prazo de trinta dias para que promovesse a o envio das GFIP faltantes e fizesse o pedido de relevação da multa. Vejase que os requisitos para concessão do favor de dispensa da penalidade são cumulativos, não havendo possibilidade, por ausência de fundamentação legal, que a autoridade julgadora venha a excluir a penalidade sem que todas as exigências normativas sejam cumpridas. Embora o sujeito passivo tenha demonstrado a correção da falta para as competências 07/2005 e 11/2006, quando da apresentação do recurso, não pode ser beneficiado pelo favor fiscal, uma vez que não providenciou o envio das guias informativas no prazo estabelecido, qual seja, até a data limite para apresentar a sua impugnação. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.014489/200716 Acórdão n.º 240102.156 S2C4T1 Fl. 231 5 Assim, entendo que penalidade relativa às competências 07/2005 e 11/2005 não devem ser relevadas, em razão da falta do cumprimento do requisito normativo de correção da infração no prazo para impugnar. Da aplicação da multa mais benéfica Verifico que ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, recalcular a multa, limitandoa nos termos do artigo 32A, II da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte.. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para recalcular a multa, limitandoa nos termos do artigo 32A, II da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 233DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13652.000114/99-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1989 a 19/05/1989
QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO BRASILEIRO DO CAFÉ - IBC RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
O prazo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.. DECADÊNCIA. O prazo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo da Costa Pôssas Relator. EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres (Presidente substituto). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 2 Relatório Tratase de processo se restituição referente à cota café. Foi dado provimento ao Recurso Voluntário e a PGFN apresentou Recurso Especial à CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço o recurso e passo à sua apreciação Peço vênia ao Dr. Henrique torres para fundamentar o presente voto com as suas considerações em casos semelhantes. Nessa questão, a jurisprudência deste Colegiado é no sentido de que o termo inicial da prescrição para repetição de indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, a exemplo do Acórdão 9303.01.115, do qual foi relator do voto condutor o Conselheiro Henrique Torres, cujo excerto transcrevese abaixo: ............................................................................................................................ O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1651do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I .................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) .................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13652.000114/9931 Acórdão n.º 930301.415 CSRFT3 Fl. 329 3 como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1682 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 4 do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal3, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito 3 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13652.000114/9931 Acórdão n.º 930301.415 CSRFT3 Fl. 330 5 que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 4: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 4 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 6 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 5: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 6: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para 5 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 6 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13652.000114/9931 Acórdão n.º 930301.415 CSRFT3 Fl. 331 7 qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari7, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo8, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Ministro Teori Albino Zavascki9, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça10, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: 7 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 8 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. 9 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 10 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 8 REsp nº 547.744/MG11: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG12, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. 11 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. 12 Publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13652.000114/9931 Acórdão n.º 930301.415 CSRFT3 Fl. 332 9 Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG13: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. 13 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 10 Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Esse era o entendimento deste Colegiado. Todavia, com a alteração do Regimento Interno do CARF, mais precisamente com o acréscimo do art. 62A, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivos devem ser observadas pelas turmas julgadoras deste Conselho. De outro lado, a questão do termo inicial para repetição de indébito encontra se apascentada no STJ, em sede de recursos repetitivos, nos termos seguintes, para fatos geradores ocorridos até junho de 2005, permanece a tese dos 5 mais 5, já para fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Acontece porém, que, no caso dos autos, ainda que se considerasse a tese dos 5 mais 5, ainda assim, o direito à repetição do indébito objeto destes autos fora alcançado pela prescrição, posto que o período de apuração mais próximo referese a fatos geradores ocorridos em março de 1989, e o pedido de restituição foi protocolado em 27 de março de 2000, portanto, bem além dos dez anos previstos na tese dos 5 mais 5. Diante do exposto e considerando que, no caso em análise, o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo quinquenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento (ou mesmo da homologação), é de reconhecerse que o direito à repetição de indébito ora em exame foi alcançado pela prescrição. Assim, dou provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional para declarar prescrita a pretensão do sujeito passivo em relação à repetição dos indébitos objeto destes autos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13652.000114/9931 Acórdão n.º 930301.415 CSRFT3 Fl. 333 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
score : 1.0
Numero do processo: 13871.000124/2005-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DCTF
Ano-calendário: 2002
ENTREGA EM ATRASO DA DCTF RELATIVA AO TERCEIRO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO DE 2002. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SÚMULA N°49 DO CARF.
Não se caracteriza a divergência jurisprudencial se existe súmula do CARF a respaldar a decisão recorrida
Numero da decisão: 9101-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13871.000124/2005-09 Recurso re 136.181 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-000.897 — la Turma Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria DCTF Recorrente CARDOSO CORREA REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA. - ME Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: DCTF Ano-calendário: 2002 Ementa: ENTREGA EM ATRASO DA DCTF RELATIVA AO TERCEIRO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO DE 2002. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SÚMULA N°49 DO CARF. Não se caracteriza a divergência jurisprudencial se existe súmula do CARF a respaldar a decisão recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho,Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. Lavrou-se auto de infração contra o contribuinte para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00, referente a multa por atraso na entrega da DCTF, relativa ao terceiro trimestre do ano-calendário de 2002. 0 contribuinte apresentou impugnação As fls. 01/02 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 16/20) entendeu pela procedência do lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁ RIOS FEDERAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. O cumprimento intempestivo da obrigação de apresentar DCTF sujeita a contribuinte ao pagamento de multa prevista na legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ano-calendário: 2002 Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A apresentação da DCTF após decorrido o prazo para cumprimento dessa obrigação acessória não configura denúncia espontânea, ainda que a entrega da declaração se efetue antes do inicio de ação fiscal. Lançamento Procedente. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 25/28). A antiga Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso do contribuinte sob o entendimento, em síntese, de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica As obrigações acessórias (fls. 38/41). O contribuinte, então, interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial. Sustentou a caracterização da denúncia espontânea, no caso de entrega da DCTF, posto que em atraso, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal. 2 Processo n° 13871.000124/2005-09 CSRF-T I Acórdao n.° 9101-000S97 Fl. 2 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 63/67 o relatório. 3 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora 0 presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a divergência jurisprudencial suscitada pelo recorrente não existe. Com efeito, o tema já se encontra pacificado no âmbito do CARF, conforme se constata pelo enunciado n° 49 da sua súmula jurisprudencial: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Com base no artigo 67, § 2°, do Regimento Interno do CARF, não se deve conhecer do recurso especial, tendo em vista a ausência de divergência jurisprudencial, em razão da existência de súmula no sentido da decisão recorrida. Diante do exposto, não conheço do recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, 23 de fevereiro de 2011. 4
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