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Numero do processo: 14485.000036/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/200.3 a .31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - FOLHA DE PAGAMENTO DISTINTA POR TOMADOR. A empresa prestadora de serviço com cessão de mão-de-obra deve elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante
ERRO FORMAL, A descrição incorreta da atividade da empresa, pela
atribuição de CNAE indevido, não caracteriza erro formal,
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2403-000.051
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, nas preliminares por unanimidade de votos, em não acatar a tese de vicio formal e em negar a preliminar de decadência pela ocorrência de infração em período não decadente. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n a 14485.000036/2007-87 Recurso na 159_946 Voluntário Acórdão n° 2403-00.051 — 4" Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 8 de julho de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA HERMAN KLASING LTDA Recorrida DRI-SÃO PAULO I/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/200.3 a .31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - FOLHA DE PAGAMENTO DISTINTA POR TOMADOR. A empresa prestadora de serviço com cessão de mão-de-obra deve elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante ERRO FORMAL, A descrição incorreta da atividade da empresa, pela atribuição de CNAE indevido, não caracteriza erro formal, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 n Câmara / 3' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, nas preliminares por unanimidade de votos, em não acatar a tese de vicio formal e em negar a preliminar de decadência pela ocorrência de infração em período não decadente. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. -•/: I- -04 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado), Cleusa Vieira de Souza (Convocada) e Ewan Teles Aguiar (Convocado), t Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de 'Julgamento São Paulo 1, Acórdão 16 — 15.336 - 14 Turma DRJ/SPO 1, folhas 48 a 54, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), folha 4, ação fiscal, constatou que a empresa cedente de mão de obra deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para cada obra de construção civil, por empresa contratante de serviço, nas competências de 01/2000 a 09/2000, 09/2003 a 12/2003, 01/2004 a 05/2004, 07/2004 a 09/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2006, 02/2006 e 06/2006 a 12/2006. Tal fato constitui infração ao artigo 31, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91, Em 21/06/2007 a empresa tomou ciência da autuação. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, folhas 58 a 68, onde alega, em síntese, que: 1. Ocorreu a decadência do direito de cobrar a multa aplicada, em relação ao descurnprimento da obrigação acessória nos períodos de 01 a 09/2000. 2 Houve erro formal pelo uso do código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE n'4521.7 3. A empresa elaborou folha de pagamento para cada construção conforme documentos em anexo 4 A multa deve ser relevada pela correção da infração dentro do prazo da impugnação, somado ao fato da Autuada ser infratora primária e não constar ocorrências agravantes previstas no artigo 290 do RPS. Finaliza o recurso requerendo preliminarmente a nulidade do lançamento pelo erro formal apontado, e, alternativamente a deseonstituição do lançamento, em razão de ter sido operada a decadência do direito de lançar pretenso débito. No mérito, seja reconhecida a abusividade da multa aplicada, uma vez que foram elaboradas folhas de pagamento por construção conforme documentos acostados. Alternativamente, requer a relevação da multa pela correção da infração dentro do prazo da impugnação e por se tratar de infração primária e não haver ocorrências agravantes. É o relatório. 2 f Processo n° 14485.000036/2007-87 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403 -00.051 Fl 133 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator PRELIMINARES Decadência: A recorrente alega decadência. No lançamento, para fins de decadência foi aplicada a regra do artigo 45 da Lei 8,212/91. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante 8",9ão inconstitucionais os parágrofo único do artigo 5" do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la, Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei ri 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está disciplinada no art. 173 e no art, 150, § 4, Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art, 150, § 4 0, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. CTN: Art, 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade 3 administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, § I" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição res .olutória da ulterior homologação do lançamento. àç. 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an- teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terreiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, § 3" Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.. § 4" Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato geradory expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após .5 (cinco) anos, contados.. I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado,. II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único, O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Neste caso concreto, por qualquer dos critérios adotados, considera-se decadentes as competências 01 a 09/2000. Ocorre que ainda persistem as ocorrências das competências 09/2003 a 12/2003, 01/2004 a 05/2004, 07/2004 a 09/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2006, 02/2006 e 06/2006 a 12/2006 e corno basta 1 evento para caracterizar a infração, esta fica caracterizada com qualquer dos critérios de decadência previstos no CTN. Erro Formal O recurso registra que foi utilizado o código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE n°4521.7, quando o correto é o constante do cartão do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ, qual seja, o código de descrição da atividade econômica principal n°41.20-4-00, Registra também que o código utilizado pela fiscalização foi desativado pela Resolução n° 1/2006 do Ministério do Planejamento. Alega que tal erro é erro formal suficiente para a anulação do lançamento. O artigo 173 do CTN prevê a anulação do crédito tributário quando verificado o vício forrnal, 4 Processo n° 14485 000036/2007-87 S2-C4T3 Acórdão n o 2403-00.,051 Fl. 134 Art, 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Antonio Airton Ferreira, no artigo Normas Gerais de Direito Tributário - Lançamento Anulado por Vício Formal - Novo Lançamento - Alcance da Norma - CTN art, 17.3, II, assim define vício formal no contexto do artigo 173 II do CTN: Luiz Henrique Barros de Arruda, com a experiência haurida nos várias anos do exercício das magnas funções de Auditor-Fiscal, de Coordenador-Geral do Sistema de Fiscalização e de destacado Conselheiro do Egrégio Conselho de Contribuintes, à página 82 do seu Processo Administrativo Fiscal publicado pela Editora Resenha Tributária, define assim o vício formar "O vício de forma existe sempre que na . formação ou na declaração da vontade traduziria no ato administrativo foi preterida alguma .formalidade essencial ou que o ato não reveste afama legal. Formalidade é, pois, todo o ato ou .fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da .formação ou da expressão da vontade de 14171 órgão de uma pessoa coletiva (Marcelo Caetano, Manual de Direito Administrativo, 10" ed., Tomo 1, 1973, Lisboa." De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, vol IV, Forense, 2' ed., 1967, pág 1651, detalha mais essa definição - "As formalidades mostram-se prescrições de ordem legal para .feitura do ato ou promoção de qualquer contrato, ou solenidades próprias à validade do ato ou contrato. Quando as formalidades atendem à questão de forma material do ato, dizem-se extrínsecas. Quando se referem ao findo, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizem-se intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo se apresentam como requisitos necessários à validade do ato (capacidade, consentimento), ou se mostram atos preliminares e indispensáveis à validade de sua formação (autorização paterna, autorização do marido, assistência do tutor, curador etc" (grifas acrescidos). As lições desses dois Mestres evidenciam a importância de se estabelecer com rigor a distinção entre formalidade extrínseca e intrínseca, sendo legítimo afirmar que há casos em que a omissão de forma, como, por exemplo, a falta de indicação do dispositivo legal infringido, desde que o .fato esteja perfeitamente identificado, por não caracterizar um vício intrínseco , não prejudica a validade do procedimento fiscal, como reconhece pacificamente a nossa jurisprudência administrativa. Todavia, se a ausência de formalidade for intrínseca ou visceral - a definição do fato tributário, por hipótese - ela determina a nulidade do ato administrativo de lançamento, fora do contexto do vício formal O código CNAE, no registro da Previdência, está presente no cadastro das empresas por ser utilizado para verificação do grau de risco das contribuições relativas ao J. C- 5 financiamento dos beneficias concedidos em razão da incapacidade laborativa, que não é objeto do presente lançamento. Portanto, visto que o citado erro não tem as características de essencial e indispensável ao lançamento que gerariam a nulidade, refuto a argumentação presente no recurso. MÉRITO O auto de infração decorre da constatação pela fiscalização que a empresa cedente de mão de obra deixou de elaborar folha de pagamento distinta para cada obra de construção civil, conforme obrigação estabelecida pelo parágrafo 5° do artigo 31 da Lei 8.212/91, Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5do art. 33. (Redação dada pela Lei n°9.711. de 1998). § O cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante, (Incluído pela Lei rr° 9.711, de 1998). A empresa alega que elaborou as folhas de pagamento e apresenta documentos. Analisados os documentos presentes neste processo é possível afirmar que não está comprovada a elaboração de folhas de pagamento distintas para cada contratante no período 9 a 12/2003, 1 a 5/2004, 7 a 9/2004, 11 e 12/2004, 1 e 2/2006 e 6 a 12/2006. Nessas condições também não há que se aplicar a hipótese da relevação da multa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 8 de julho de 2010 ( ", "L CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR1 - Relatar 6
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904794/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.268
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência , nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência , nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 04 79 4/ 20 09 -1 6 Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17538.EUVE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.904794/200916 Resolução nº 1302000.268 S1C3T2 Fl. 1.118 2 Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade em face de despacho decisório de não homologação de declaração de compensação. A DCOMP não homologada tem por objeto a compensação de débito do sujeito passivo, com base em suposto direito creditório oriundo de ‘pagamento indevido ou a maior’ de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 283.310,03, do período de apuração 31/05/2005, com data de arrecadação em 30/06/2005. Transmitida em 15/03/2006, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de ‘não homologação’ da compensação, emitido em 20/04/2009, cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação do débito de código 5993, do PA 31/05/2005, portanto, sem crédito disponível para a compensação em comento. Cientificada desse despacho em 29/04/2009, a interessada apresentou, em 28/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que “efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 transmitida em 29/06/2006”, sob o “regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto”. Pede revisão do despacho decisório. A 4ª Turma da DRJ/BSB através do acórdão nº 0345.537, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, unanimemente, alegando basicamente o seguinte: que na linha disciplinada pelos artigos 2º, 6º, e 28 a 30 da Lei nº 9.430/1996; artigo 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689/1988; e artigos 221 a 232 do Decreto nº 3.000/99, os valores pagos a título de estimativa de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido não podem ser considerados crédito em favor do contribuinte, sob a qualificação de “pagamento indevido ou a maior’, uma vez que nesta sistemática de tributação a pessoa jurídica fica obrigada a antecipar ao Fisco, mensalmente, parte desse tributo, calculado com base em sua receita bruta, e aplicação de um percentual prédefinido com vistas ao cálculo do lucro real, com a faculdade aberta à pessoa jurídica para suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido por estimativa, desde que demonstre, mediante balancetes mensais, que o valor acumulado já pago até o mês anterior excede o valor do tributo, inclusive adicional (no caso do IRPJ), calculado com base no lucro real auferido até aquele mês. que essa opção somente pode ser exercida até o vencimento do tributo, ou seja, não é facultado ao contribuinte efetuar o pagamento de uma estimativa e, depois, elaborar balancete, concluindo que poderia pagar valor menor ou, até mesmo, não pagar nada. Isso decorre da própria definição do instituto e da sua essência. Por isso, o balancete de suspensão ou redução não pode servir de base para que o contribuinte, tendo recolhido sua estimativa com base na receita bruta, venha a alegar ter sido indevido ou a maior esse pagamento. que o fato gerador do IRPJ (ou CSLL) abrange todas as situações ocorridas durante o anocalendário, sendo que o tributo devido é apurado no encerramento desse período. Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17538.EUVE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.904794/200916 Resolução nº 1302000.268 S1C3T2 Fl. 1.119 3 na apuração segundo a sistemática do lucro real anual, no fim do ano calendário, para se calcular o tributo efetivamente devido, cujo fato gerador é, então, anual, subtraemse do IRPJ (ou CSLL) apurado para todo o ano as deduções legalmente previstas, entre elas as antecipações feitas durante o período, como as decorrentes de retenções na fonte, e a título de pagamentos de estimativa mensal. Caso o resultado dessa operação matemática seja positivo, tem o interessado o dever de recolher o valor encontrado; caso seja negativo, ter seá caracterizado o saldo negativo de IRPJ (ou CSLL), o que significa direito creditório em favor do contribuinte. Nesse último caso, o referido valor constitui crédito em favor do contribuinte, repisase, na forma de saldo negativo de IRPJ (ou CSLL) apurado no período, porém, jamais na condição de pagamento indevido ou a maior. Intimado da decisão da DRJ em 16/12/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo, em 23/12/2011 alegando basicamente o seguinte: a origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, do exercício de 2006, ano calendário 2005, recolhidos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 (anexa) transmitida em 29.06.2006, originando, portanto, o direito a compensação com os demais tributos. os valores foram compensados nos recolhimentos do PIS e do COFINS, conforme demonstrado. verificouse com base no acórdão, que a origem dos créditos tributários, a serem compensados, fora informada de maneira indevida. onde deveria ser assinalado créditos de "saldo negativo de CSLL e saldo negativo de IRPJ", fora preenchido "pagamento indevido ou a maior." Único fator que amparou a decisão em desfavor do contribuinte. pugna pelo reconhecimento do direito creditório tolhido em razão da equivocada 'denominação' do referido crédito, mero erro formal, quando em contrapartida verificase, claramente, a correta origem do saldo negativo. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17538.EUVE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.904794/200916 Resolução nº 1302000.268 S1C3T2 Fl. 1.120 4 VOTO Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator O presente processo retornou de diligência determinada pela Resolução nº 1302000.209 de 06/11/2012, que em seu dispositivo final determinou o seguinte: “Das informações ora requeridas e juntadas aos autos, à recorrente deve ser dada a devida ciência e concedido prazo regulamentar para, desejando, se manifestar a respeito.” Verificase, todavia, clara prejudicial para o julgamento da presente lide que é a falta da cientificação da Contribuinte sobre o Relatório de Diligência Fiscal solicitado. Diante do exposto voto pelo retorno dos autos a unidade de origem para que seja notificada a Contribuinte para que tenha oportunidade de se pronunciar sobre o relatório fiscal como determinado na Resolução desta Turma. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17538.EUVE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 15/10/2013 11:27:50. Documento autenticado digitalmente por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 22/10/2013. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 24/10/2013 e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 22/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0520.17538.EUVE Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 8F457B8379E2DB45F6EB67B8B87C3FE70799D2E1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10120.904794/2009-16. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10880.915011/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.088
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório AES TIETÊ S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI), a qual apreciando sua manifestação de inconformidade, deferiu parcialmente os pedidos de compensação veiculados em Per/Dcomps, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a nulidade e/ou reforma da decisão em referência. Tratase de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição, Declaração de Compensação) eletrônica de número 38417.40551.140704.1.7.029339, na qual a contribuinte informa crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, no valor original de R$ 1.215.415,40, e débito no código 2362 (IRPJ/Estimativa Mensal), referente a outubro/2003, no mesmo valor. A DERAT/SPO não homologou a compensação afirmando não ser possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica/DIPJ (R$ 16.150.498,31) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP (R$ 1.215.415,40). Despacho Decisório “eletrônico”, de fls. 06. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte argumentou ter havido erro de preenchimento das referidas declarações e, alega resumidamente que: Os créditos compensados decorrem de saldo negativo de IRPJ apurados nos exercícios de 2002, anocalendário de 2001, e exercício de 2003, anocalendário de 2002. O saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 13.848.198,52 (doc. 04) está integralmente comprovado pelos informes de rendimentos de instituições financeiras apresentados, no valor de R$ 9.139.799,47 (doc. 05), e R$ 4.708.399,05 decorrente das antecipações feitas ao longo do anocalendário. 0 SNIRPJ apurado no anocalendário de 2002, no valor histórico de R$ 16.150.498,31 (doc. 06) é composto de antecipações no valor de R$ 16.109.086,67 e valores de retenção na fonte de R$ 41.411,64 (doc. 07). Destaquese que os valores dos SNIRPJ dos AC 2001 e 2002, além de terem sido informados nas DIPJ entregues, estão devidamente suportados por documentos fiscais suficientes para comprovar a integralidade dos créditos declarados e compensados (vide planilha doc. 08). Por fim, a requerente acredita que a divergência apontada pela Receita Federal possa ter sido originada pelo fato de no preenchimento da ficha do crédito do PER/DCOMP, ter informado apenas o valor do crédito compensado e não o valor do crédito em sua origem procedimento este que foi adotado pela Requerente em relação a todos os PER/DCOMP enviados, o que só poderia ser entendido como um mero equivoco formal. Demonstra os termos de cada compensação efetuada em oito Per/Dcomps. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 3 3 A DIPJ do AC 2001 ora anexada revela a existência de um credito de SNIRPJ de R$ 13.848.198,52, crédito este devidamente suportado pelos informes de rendimentos e compensação em anexo. DO DIREITO. DA PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO A RFB utilizou como único fundamente para a decisão que negou o direito da Requerente a existência de supostas divergências entre as informações do crédito presentes na DIPJ e no PER/DCOMP. Contudo, como já demonstrado, tais divergências não existem. Traz doutrina e jurisprudência administrativa a embasar seu entendimento de que deve ser buscada a verdade material, no processo administrativo fiscal, e no presente caso, a RFB eximiuse de sua obrigação de investigar o que realmente havia ocorrido. Como demonstrou a Requerente por intermédio de todos os documentos ora juntados, as eventuais divergências apontadas foram de plano afastadas. DO INQUESTIONÁVEL DIREITO AO CRÉDITO DOS VALORES DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ DE 2001 E 2002 Por fim, na hipótese de se considerar que as compensações não podem ser homologadas, em razão dos pequenos erros no preenchimento do formulário eletrônico, a Requerente solicita que se reconheça a não vinculação dos créditos de SNIRPJ de 2002 e 2001 com os débitos de IRPJ de 2003, e a possibilidade, mediante procedimento próprio, de pleitear a restituição dos tributos pagos a maior, com fulcro no art. 165 do CTN, sob pena de confirmar uma situação de enriquecimento sem causa por parte da Unido Federal. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPO), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1621.392, de 14/05/2009 (fls. 357), deferindo parcialmente as compensações, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes integrem a base de cálculo do imposto devido. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Não comprovadas compensações que influíram na composição do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/2003, não há como considerálas. Reconhecese apenas o valor de IRRF efetivamente comprovado, cujas respectivas receitas tenham sido oferecidas à tributação. É o relatório.Passo ao voto. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Pelo acima relatado, temse, em resumo, que o Despacho Decisório de 02 de dezembro de 2008, não homologou as compensações declaradas em PER/DCOMP, que referencia o crédito como decorrente de SNIRPJ/AC2002, tendo em vista que o valor do crédito informado na DIPJ/2003 (AC/2002) não corresponde ao valor indicado nos PER/DCOMP. Em conseqüência não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMPs: 05148.49812.140704.1.3.026094, 33203.19775.140704.1.3.022388, 38417.40551. 140704.1.7.029339, 30326.81841.140704.1.7.026033, 6762.19534.140704.1.3.021690, 25418.6931.140704.1.3.020791, 38267.37422.140704.1.7.022042 e 16226.70401.140704.1.3.024182. A peça recursal ratifica as argumentações iniciais, na qual em termos gerais, a recorrente tenta demonstrar que os valores de IRPJ apurados nos meses de maio a dezembro de 2003 foram integralmente compensados com créditos de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002 e anocalendário de 2001. Aduz no recurso voluntário que: “Em termos gerais, a Recorrente demonstrou que os valores de IRPJ apurados nos meses de maio a dezembro de 2003 foram integralmente compensados com créditos de saldo negativo de IRPJ de 2003 (anocalendário 2002) e 2002 (anocalendário de 2001). Em síntese, a Recorrente demonstrou que: (i) os créditos de saldo negativo de IRPJ dos anos calendários de 2002 e 2001, objeto das referidas compensações, são líquidos e certos, já que oriundos de antecipações feitas ao longo do período (retenções de IR pelas fontes pagadoras e antecipações de estimativas mensais), conforme fazem prova os informes de rendimentos de instituições financeiras, planilhas e DIPJs apresentadas; (ii) as compensações foram devidamente formalizadas nos formulários eletrônicos enviados, estando declarada a intenção do contribuinte do encontro de contas de créditos e débitos, nos termos do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional; (iii) todas as condições impostas pela Lei n° 9.430/96, no que tratam dos débitos e créditos passíveis de compensação foram atendidas: os créditos e débitos são administrados pela Receita Federal (IRPJ e saldo negativo de IRPJ), os créditos são restituíveis (saldo negativo de IRPJ), houve formalização da declaração pelo envio de PER/DCOMP e os débitos eram próprios (IRPJ da própria atividade); e (iv) tendo sido comprovada a existência e suficiência dos créditos e da declaração de compensação dos débitos, as eventuais divergências existentes entre informações prestadas não poderiam jamais ser opostas como fundamento para a não homologação, Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 5 5 sob pena de violação ao Principio da Verdade Material, que deve reger todo o trâmite do processo administrativo. 10. Para comprovar as razões aduzidas em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente acostou os documentos que à época entendeu serem suficientes para demonstrar a integralidade dos créditos declarados e compensados, quais sejam: (a) DIPJ's referentes aos anos calendários de 2001 e 2002 (docs. 04 e 06 da Manifestação de Inconformidade); (b) Informes de Rendimentos dos anos calendários de 2001 e 2002 (docs. 05 e 07 da Manifestação de Inconformidade); e (c) Planilhas de controle interno descritivas de todas as operações realizadas no período (doc. 08 da Manifestação de Inconformidade).” No seu entender não obstante todas as provas apresentadas e as razões de fato e de direito expostas, a Turma de Julgamento da DRJ/SPOI decidiu por acatar apenas em parte os argumentos suscitados em sede de Manifestação de Inconformidade, homologando as compensações efetuadas no limite de R$ 173.539,35 (retenções de fonte). E mais, a escrita fiscal referente aos anos calendário de 2001 e 2002 já foi homologada, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, não podendo a Delegacia de Julgamento, em 2009, questionar a existência de um crédito referente a saldo negativo de IRPJ. Requer, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido em face da não apreciação dos documentos apresentados. De início, reputo imprescindível a apreciação deste ponto. Mesmo porque, compulsando os autos constatase de maneira clara que foram analisadas todas as informações contidas nos sistemas da RFB, tais como: DIPJ, DCTF, DIRF, SCC (Per/Dcomp), SINAL (pagamentos) etc., em confronto com a documentação apresentado no recurso inicial, vejamos: Em primeiro plano vêse no item 8 do voto combatido quadro demonstrativo dos SNIRPJ e créditos indicados nos PerdComps, DIPJs e DCTFs. Nos itens seguinte constatase análise pormenorizada das DIPJs envolvendo cálculos das estimativas mensais, IRFonte, rendimentos tributáveis de aplicações financeiras e compensações em DCTFs. De se destacar, que encontramse às fls. 274/292 dos autos, cópias das reiteradas intimações feitas a ora recorrente solicitantes de retificações saneadoras no sentido de tornar coerentes as informações prestadas e, no entanto, nada foi providenciado. Por oportuno transcrevo do voto combatido o seguinte excerto: “De se notar que a Recorrente afirma que os valores dos SNIRPJ referentes aos AC de 2001 e 2002 foram devidamente escriturados em seus documentos contábeis, sendo suficientes para fazer frente aos débitos de IRPJ do ano de 2003 (subitem 3.6.). Entretanto, verificase que a Recorrente não trouxe aos autos comprovação de seu direito, nem das compensações. Vejase que não foi apresentada escrituração que servisse de arrimo as sua afirmações, tendo sido trazidas apenas planilhas e alegações que não são aptas a comprovar a existência do direito alegado, nem a efetividade das compensações.” Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 6 6 A autoridade julgadora de primeira instância pronunciouse pela não homologação da compensação conforme pleiteada, servindose, em síntese, dos seguintes argumentos: “11.1. A Recorrente informou, nos oito PER/DCOMP sob análise, que o crédito se refere ao SNIRPJ, AC 2002, não os tendo retificado, mesmo após intimações recebidas (subitens 8.4. e 8.5.); 11.2. a Recorrente alega, em sua Manifestação de Inconformidade (subitem 3.28), que em quatro dos oito PER/DCOMP sob análise compensou R$ 5.979.932,41 de SNIRPJ, AC 2001 (direito creditório) com débitos de IRPJ por estimativa (código 2362) referentes aos meses de maio, julho agosto e setembro de 2003; 11.3. a Recorrente informou, nas DCTF retificadoras referentes ao AC 2002 (subitem 9.3.3.), que as estimativas de IRPJ apuradas neste AC (R$ 13.274.705,22) foram compensadas com SNIRPJ, AC 2001; 11.4. o SNIRPJ, AC 2001 informado na DIPJ/2002 foi de R$ 13.848.198,51 (subitem 10.1.), valor este não confirmado, conforme item 10. 11.5. Portanto, percebese que a Recorrente altera sistematicamente as informações prestadas à RFB, seja nas DCTF, seja nas DIPJ, seja nos PER/DCOMP, seja na Manifestação de Inconformidade entregues. Alem disso, não como se validar a utilização de SNIRPJ AC 2001 (R$ 13.848.198,51, conforme DIPJ/2003) para compensar IRPJ calculado por estimativa: no AC 2002 (subitem 9.3.3., no total de R$ 13.274.705,22), e no AC 2003 (subitem 11.2., no total de R$ 5.979.932,41). 11.6. Ademais, é de se ressaltar que a Recorrente afirma ter se utilizado do "excedente" de crédito referente ao AC 2001 para compensar outros débitos (subitens 3.26. e 3.27.), mesmo procedimento por ela adotado em relação ao "excedente" relativo ao AC 2002 (subitens 3.14 e 3.15.). 12. Voltandose ao cálculo do SNIRPJ, AC 2002, temos que ele resultou da soma das Linhas 13 (IRRF = R$ 41.411,64) com a Linha 16 (IRMPE = R$ 16.109.086,67), da Ficha 12A, da DIPJ/2003. Por outro lado, este valor foi obtido na Ficha 11 (R$ 132.127,71 + R$ 15.976.958,96: IRRF + IR a Pagar). No entanto, não tendo havido o pagamento ou compensação do valor de "IR a Pagar" referente aos meses do AC 2002, temse que o valor a ser informado na Linha 16, da Ficha 12A, é de R$ 132.127,71. 12.1. Refazendo o cálculo da Linha 18 (IR a Pagar), da Ficha 12A, da DIPJ/2003, obtémse o SNIRPJ, AC 2002 de R$ 173.539,35 (R$ 41.411,64 + R$ 132.127,71). 12.2. Portanto, o direito creditório apurado (SNIRPJAC 2002) foi de R$ 173.539,35, que é o que deve ser utilizado para compensar os débitos apontados nos PER/DCOMP sob análise.” Por fim, no recurso voluntário apresentado requer a recorrente: “A par da manifesta nulidade contida no v. acórdão e, não obstante entender a Recorrente que as provas apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade sejam suficientes a demonstrar seu direito creditório e, portanto, comprovar a regularidade das compensações efetuadas, a Recorrente faz juntar ao presente recurso as seguintes provas adicionais: Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 7 7 a) Balanço Contábil publicado e auditado por empresa independente demonstrações contábeis dos anos calendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 (docs. 03 a 06); b) Termo de Abertura, Encerramento e "Parte A" do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) dos anos calendários de 1999, 2000, 2001 e 2002, acompanhado de razões de principais contas de adições e exclusões para apuração IRPJ (docs. 07 a 10); c) Razão detalhado da conta contábil de Receita sobre Aplicações Financeiras dos períodos de 2001 (doc. 11); d) Planilhas de controle interno que demonstram toda a movimentação do saldo credor decorrente dos prejuízos fiscais apurados desde os anos calendários de 1999 até 2002 (doc. 12); e e) DARF's de recolhimento do Imposto de Renda por estimativa dos anos calendários de 1999 até 2000 (doc.13).” Retorno ao meu voto. O presente processo foi pautado a julgamento em Sessão do dia 03 de julho de 2012, na ocasião os membros desta Turma Ordinária, resolveram, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que seja dada ciência e aberto o prazo à Procuradoria da Fazenda Nacional, que, caso entenda necessário, se pronuncie sobre a documentação apresentada pela contribuinte após a impugnação. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, assim se pronunciou (ver figura abaixo scaneada): Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 8 8 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301000.088 S1C3T1 Fl. 9 9 Com a devida vênia às percucientes colocações da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, e, em que pese, não acatar a preliminar de nulidade suscitada, haja visto que conforme acima exposto, ao meu ver, todos os pontos foram analisados pela autoridade julgadora de primeira instância, mas, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como, no intuito de se proceder a justiça fiscal, entendo salutar acolher a documentação suplementar trazidas aos autos nesta fase recursal, a saber: balanço contábil, razão, lalur, parecer de auditores independentes, darfs e planilhas apresentadas em sessão juntamente com o memorial. Diante de tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade de jurisdição da contribuinte, tomando por base os documentos adicionais, promova aferição do crédito indicado para compensação, oportunizando prazo para pronunciamento da requerente em caso de glosa total ou parcial do montante indicado para o encontro de contas. “assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10930.908059/2016-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013
CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.
São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,
Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF.
AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES - CREDITAMENTO . VEDAÇÃO LEGAL.
Por estrita vedação legal, contida na Lei nº 10.637/2002, artigo 3º, § 2º, II, não geram créditos da Contribuição ao PIS-PASEP/COFINS, no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE
As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições.
O art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete e determina que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS.
A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 somente tem sua autorização legal quando o adquirente preenche certos requisitos, sendo que principal destes requisitos é de que o produto adquirido seja utilizado no seu processo industrial como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º do referido dispositivo legal.
Em caso de tais produtos serem adquiridos para revenda, pelo comprador, o valor da venda deve compor a base de cálculo das contribuições do vendedor.
Numero da decisão: 3301-011.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.527, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10930.908079/2016-47, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques DOliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini.
Nome do relator: Salvador Cândido Brandão Junior
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES - CREDITAMENTO . VEDAÇÃO LEGAL. Por estrita vedação legal, contida na Lei nº 10.637/2002, artigo 3º, § 2º, II, não geram créditos da Contribuição ao PIS-PASEP/COFINS, no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. O art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete e determina que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 80 59 /2 01 6- 76 Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 somente tem sua autorização legal quando o adquirente preenche certos requisitos, sendo que principal destes requisitos é de que o produto adquirido seja utilizado no seu processo industrial como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º do referido dispositivo legal. Em caso de tais produtos serem adquiridos para revenda, pelo comprador, o valor da venda deve compor a base de cálculo das contribuições do vendedor. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.527, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10930.908079/2016-47, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques D’Oliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo sobre manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o indeferimento/indeferimento parcial do direito creditório solicitado em Pedido de Ressarcimento. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: - Afirma que é contribuinte do PIS e da COFINS incidentes sobre o valor do faturamento mensal, tendo, nos termos da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, o direito de tomar crédito das referidas contribuições, de forma direta, em relação às aquisições de insumos e outros produtos correlatos à sua atividade fim, independentemente de estes serem Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação ou destinados ao mercado interno. Salienta que em virtude da existência de receitas de exportação, sobre as quais não há incidência das contribuições, e também de saídas no mercado interno isentas, sujeitas à alíquota zero ou não alcançadas pela incidência das contribuições, a manifestante se torna uma grande acumuladora de créditos, devendo o saldo remanescente ser ressarcido na forma aqui pretendida. - Questiona a glosa dos créditos referentes à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero destinados à revenda para seus associados. Nesse ponto, destaca que a finalidade técnica do regime não cumulativo do PIS e da COFINS é diminuir a carga tributária ao longo do processo produtivo industrial e afirma que a interpretação literal no sentido de ser vedado o desconto/abatimento de créditos na aquisição de insumos tributados à alíquota zero vai de encontro a esse objetivo finalístico, pois anula o efeito da alíquota zero. Argumenta que a vedação ao desconto/abatimento de créditos implica violação ao princípio da não cumulatividade, previsto sem qualquer limitação no § 12 do art. 195 da Constituição Federal. Assevera que a Receita Federal interpreta de forma literal o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, considerando que os insumos adquiridos sem tributação não conferem direito ao crédito, exceto nos casos em que a aquisição ocorrer com isenção e que os bens e serviços decorrentes destes constituam insumos utilizados na produção de bens ou serviços tributados. Refuta essa interpretação literal e alega ser necessário equiparar os conceitos de isenção e alíquota zero, em face do princípio da isonomia, pois tais institutos têm efeitos práticos absolutamente iguais em relação ao PIS e à COFINS. Assim, defende que a exceção prevista no inciso II, § 2º, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, abrange tanto as hipóteses de aquisição de insumos isentos quanto a aquisição de insumos adquiridos com alíquota zero utilizado pela manifestante na sua atividade, ainda que na revenda (mercado interno tributado). - Contesta a glosa dos créditos relativos aos custos com vale pedágio, afirmando que o princípio da não cumulatividade deve ser observado em todo o ciclo operacional e não pode sofrer supressão parcial, face aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Afirma que se houver proibição, ainda que parcial, do direito do contribuinte de abater o ônus tributário das operações e prestações anteriores, ocorrerá o efeito cumulativo. Assevera que não cumulatividade qualifica-se como um princípio constitucional, não se tratando de simples técnica de apuração de tributos ou mera proposta didática. Alega que tanto a Lei nº 10.637/2002 como a Lei nº 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos de PIS e COFINS relativos a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Aduz que o conceito de insumo corresponde a todos os custos e despesas que, direta ou indiretamente, são utilizados nas atividades da empresa, ou seja, refere-se a todos os gastos e despesas essenciais à atividade principal do contribuinte. Argumenta que se o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os créditos devem ser calculados sobre a totalidade dos custos e despesas inerentes à atividade da pessoa jurídica, sob pena de aumento excessivo da carga tributária, de ineficiência da pretensão do legislador ordinário e de afronta aos ditames constitucionais vigentes. Cita manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF/7ª Região Fiscal no sentido favorável à caracterização como insumo dos valores pagos a título de vale pedágio. Menciona também julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de que o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS compreende os custos e despesas operacionais dedutíveis na forma da legislação referente ao IRPJ. Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 - Quanto às vendas efetuadas para a empresa Seara, destaca que a fiscalização entendeu que não poderia haver suspensão do PIS e da COFINS porque a legislação estabelece que a suspensão se aplica apenas quando o adquirente utiliza o produto como insumo na industrialização de produtos destinados à alimentação humana ou animal, sendo que, no caso, o CNPJ destinatário da mercadoria teria como atividade principal o comércio varejista. Refuta esse entendimento, alegando que a legislação de regência não vincula a suspensão ao CNAE consignado no cartão do CNPJ do destinatário. Afirma ser de notório conhecimento que que a empresa destinatária tem como atividade preponderante a industrialização de inúmeros produtos e, por questão de logística, mantém “entrepostos” para melhor receber os insumos adquiridos. Aduz que a partir dessa fase, a destinatária encaminha os insumos para seus estabelecimentos industriais, que certamente irão processar e transformar o produto adquirido em produto para alimentação. Assevera que não cabe à manifestante analisar o CNAE da empresa destinatária e que é impossível provar que os grãos vendidos foram destinados exclusivamente à produção de alimentos, pois a Seara é empresa de grande porte industrial que adquire os produtos para industrialização e para revenda, mantendo uma “reserva de mercado”. Alega que no caso da Seara, no mínimo, deve se presumir que os produtos adquiridos foram utilizados na industrialização de alimentos, haja vista tratar-se de uma empresa reconhecidamente industrial. - Defende o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e correção monetária, por meio da Taxa Selic, sobre o crédito reconhecido em seu favor. Argumenta que a negação desse direito acarretaria perdas imensuráveis à manifestante e enriquecimento sem causa do Estado. Enfatiza que os débitos cobrados pelo Estado sempre são acrescidos de correção monetária, não sendo justa a aplicação de regra inversa quando é o Estado que se encontra na obrigação de restituir. Cita julgado do CARF em favor da incidência da Taxa Selic sobre o saldo credor objeto de ressarcimento. Ao final, com base nesses argumentos, o contribuinte requereu a reforma do Despacho Decisório e o reconhecimento do direito ao ressarcimento integral do valor solicitado, com incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária por meio da Taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerando improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pretendido, assim ementando seu Acórdão : PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, aplica-se o conceito de insumo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, o qual tem efeito vinculante para a Receita Federal do Brasil - RFB (§§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002; art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014; Nota Explicativa PGFN nº 63/2018; e Parecer Normativo COSIT nº 05/2018). No referido julgado, restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte. Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 O critério da essencialidade refere-se ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal. PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições, seja a título de despesas com armazenagem e frete na operação de venda, seja a título de despesas com aquisição de bens para revenda ou de insumos da produção. PIS/PASEP E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO À APURAÇÃO DE CRÉDITOS. É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos bens e serviços adquiridos em operações beneficiadas com não incidência, incidência com alíquota zero ou com suspensão das contribuições. O mesmo ocorre em relação aos bens adquiridos em operações beneficiadas com isenção das contribuições e posteriormente revendidos ou utilizados como insumo na elaboração de produtos vendidos em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 ocorre quando o adquirente: a) exerça atividade agroindustrial; b) apure o imposto de renda com base no lucro real; c) utilize o produto adquirido como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º da referida lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ainda inconformada, a requerente apresentou Recurso Voluntário dirigido a este CARF, onde repisa os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 Pondo um fim á controvérsia que se estendia em torno da definição de insumo para o regime da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a posição refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Neste contexto, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. No âmbito deste colegiado, aplica-se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 Artigo 62 - (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, são insumos, para efeitos do inciso II dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. 14. Do Estatuto Social da recorrente extraímos o seu objeto social : Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 A autoridade fiscal, após analisar os demonstrativos contábeis, documentos e a contabilidade digital da ora recorrente, resolveu por glosar os seguintes créditos, e a DRJ/CURITIBA, após analisar as razões de defesa apresentadas, decidiu por manter tais glosas, contra a s quais a ora recorrente se insurge : - aquisição de insumos gravados com alíquota zero das contribuições - creditamento - despesas com vale pedágio – créditos - venda de insumos para agroindústria – suspensão – apuração de créditos. Analisemos tais glosas : - AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES – CREDITAMENTO Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 A autoridade fiscal verificou que houve apuração indevida de créditos a título de aquisição de mercadorias para revenda, em relação às aquisições de calcário (NCM 25309090). De acordo com a autoridade fiscal, esses produtos estão sujeitos a alíquota zero conforme disposto no art. 1º, IV, da Lei nº 10.925/2004, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Recorrente, em suas razões recursais, reconhece tal fato, como se verifica do trecho extraído do Recurso Voluntário apresentado : Ademais, essa matéria prima está sob a incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o contribuinte mesmo quando adquire tributo a alíquota zero, paga embutido no preço o tributo indiretamente para empregar no respectivo processo produtivo. Por esta razão, a Recorrente tem direito ao creditamento de PIS e de Cofins sujeitos a alíquota zero, uma vez que estes foram sujeitos a incidência em cascata nas etapas anteriores a circulação. Desta forma, a operação - ora em discussão- não se trata de operação não sujeita ao pagamento das contribuições, pois são sujeitas ao pagamento, mas à alíquota zero, e por esta razão não se alinham a vedação mencionada. Por todo o exposto, resta claro o direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as aquisições de insumos sujeitos a alíquota zero e em relação as despesas relativas aos produtos Calcário e Defensivo Agrícola, equivocadamente enquadradas como produto para revenda, merecendo reforma o despacho decisório ora em debate. Com razão autoridade fiscal, vejamos a redação do texto legal citado : Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor. I - (omissis) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Não há outra interpretação a ser dada ao dispositivo legal, por sua clareza, não haverá crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das Contribuição ao PIS/PASEP e á COFINS. Assim a glosa deve ser mantida e negado provimento ao recurso voluntário neste tópico. - DESPESAS COM VALE-PEDÁGIO – CRÉDITOS A autoridade fiscal verificou que houve apuração indevida de créditos a título de fretes nas operações de venda, concernentes a despesas com vale pedágio. A autoridade fiscal considerou que essa despesa não pode ser Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 classificada como frete na operação de venda para fins do disposto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, pois o art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete. Outro argumento apresentado pela autoridade fiscal para não acatar os referidos créditos é o fato de o art. 2º da Lei nº 10.209/2001 determinar que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Com razão a autoridade fiscal. A Lei nº 10.209, de 2001, que instituiu o vale-pedágio, previu expressamente, em seu art. 2º, que seu valor não integra o do frete e não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de cálculo de contribuições sociais, in verbis : Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Parágrafo único. O valor do Vale-Pedágio obrigatório e os dados do modelo próprio, necessários à sua identificação, deverão ser destacados em campo específico no Documento Eletrônico de Transporte (DT-e). Não havendo incidência das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor da vale-pedágio, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. A glosa deve ser mantida e negado provimento ao recurso neste tópico. - VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA – SUSPENSÃO – APURAÇÃO DE CRÉDITOS . Alega a autoridade fiscal que verificou deixou de incluir na base de cálculo alguns valores referentes a vendas de milho em grãos para a Universidade Estadual de Londrina, pois considerou que se tratava de operações com suspensão do PIS e da COFINS. Assevera a autoridade fiscal que, de acordo com o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 e com a Instrução Normativa SRF nº 660/2006, a venda com suspensão só pode ser feita quando a empresa adquirente cumprir algumas condições, sendo a principal delas que o produto adquirido seja utilizado em seu processo industrial. No caso das vendas efetuadas para a Universidade Estadual de Londrina, foi constatado que a mercadoria adquirida não foi aproveitada como insumo pelo adquirente, motivo pelo qual a autoridade fiscal acresceu o valor dessas vendas à base de cálculo do PIS e da COFINS. A recorrente contesta tal procedimento. Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 Com razão a autoridade fiscal. Adoto, como razões de decidir, trecho do voto do I. Julgador da DRJ/CURITIBA, Herus de Souza Misquevis, por sua clareza no trato do tema : Para analisar a possibilidade de aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS nas vendas efetuadas pelo contribuinte para Nidera Sementes Ltda, CNPJ nº 07.053.693/0007-15, convém, inicialmente, transcrever as disposições legais pertinentes ao caso, constantes dos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações que estavam vigentes no ano-calendário de 2012: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: (...) III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, o art. 8º, § 1º, III, estabelece a possibilidade de as pessoas jurídicas que produzem determinadas mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal apurarem crédito presumido de PIS e COFINS sobre o valor das aquisições feitas junto a cooperativas de produção agropecuária. Já o artigo 9º, inciso III, estabelece que a incidência do PIS e da COFINS fica suspensa no caso de venda, por cooperativa de produção agropecuária, de insumos destinados à produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O § 1º desse artigo restringe a suspensão apenas às vendas efetuadas a pessoa jurídica tributada pelo lucro real e, por fim, o § 2º dispõe que a Secretaria da Receita Federal estabelecerá termos e condições para aplicação dessa suspensão. Com base nessa última disposição (§ 2º), foi editada a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, dispondo “sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004”. Esse ato sofreu algumas alterações posteriormente, de forma que na época dos fatos que interessam ao presente processo estavam em vigor as seguintes disposições: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I - de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; (...) § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. (...) Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: (...) III - que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. (...) Art. 4º Aplica-se a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I - apurar o imposto de renda com base no lucro real; II - exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III - utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Os textos normativos acima citados não deixam qualquer dúvida sobre o assunto, pois dispõem expressamente que a suspensão das contribuições aplica-se apenas na hipótese de o adquirente utilizar o produto adquirido como insumo na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, sendo vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. Nesse contexto, agiu bem a autoridade fiscal, ao incluir o valor das vendas de milho em grãos efetuadas pelo contribuinte para a Universidade Estadual de Londrina na base de cálculo das contribuições, uma vez que as circunstâncias fáticas dessas vendas indicam que as mesmas não atendiam às condições exigidas pela legislação para que ocorra a suspensão da incidência. As alegações apresentadas pelo contribuinte para refutar esse item do Despacho Decisório são totalmente impertinentes, pois toda a argumentação por ela desenvolvida refere-se a vendas efetuadas para a empresa Seara Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda, enquanto as vendas que foram incluídas pela autoridade fiscal na base de cálculo das contribuições foram feitas à Universidade Estadual de Londrina. Portanto, não há razões para alterar o entendimento adotado pela autoridade fiscal. As vendas efetuadas para a Universidade Estadual de Londrina devem ser mantidas na base de cálculo das contribuições devidas pelo contribuinte. . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário . Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908059/2016-76 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 560DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10920.002308/2005-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.127
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, remeter os autos ao conselheiro relator do processo 10920.001580/200466
por prevenção.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, remeter os autos ao conselheiro relator do processo 10920.001580/200466 por prevenção. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10920.002308/200584 Resolução n.º 1302000.127 S1C3T2 Fl. 199 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/FNS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo reproduzo: Ementa: COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INSTRUMENTO HÁBIL DE COBRANÇA Somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE JUROS E MULTA A apuração de postergação no pagamento de imposto enseja a exigência, de ofício, de acréscimos de juros e multa. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Por meio do Auto de Infração às folhas 32 a 37, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 10.200.301,31 (dez milhões, duzentos mil e trezentos e um reais, e trinta e um centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, acrescida de juros de mora e multa de ofício. A exigência referese ao fato gerador ocorrido em 31/12/2003. No “Termo de Verificação Fiscal IRPJ” (fls. 36/37), a fiscalização revela que na apuração de IRPJ informada na DIPJ do anocalendário de 2003, a contribuinte realizou a compensação de valores devidos a título de estimativa, no total de R$ 16.181.483,38, com crédito decorrente de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Em análise dessa compensação, que foi informada em DCOMP, a Delegacia da Receita Federal em Joinville deferiu apenas a compensação da parcela de R$ 660.650,94, no processo nº 10920.001580/200466. Por conseqüência, o Despacho Decisório prolatado no processo nº 10920.001576/200406 não homologou as DCOMP referentes à compensação do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003, e determinou que fosse efetuado o lançamento do IRPJ apurado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10920.002308/200584 Resolução n.º 1302000.127 S1C3T2 Fl. 200 3 Desta forma, o valor declarado na linha 17 da ficha 12A da DIPJ 2004 (fls. 03 a 21) foi alterado de R$ 45.311.482,38 para R$ 29.789.232,24, passando o imposto de renda de saldo negativo de R$ 5.321.948,83, para saldo a pagar de R$ 10.200.301,31. Do Despacho Decisório, cuja cópia encontrase acostada às fls. 26 a 31, extraise o seguinte quadro que demonstra a alteração realizada: Linha Discriminação Valor (R$) De Para 01 À Alíquota de 15 % 24.176.081,28 24.176.081,28 03 Adicional 16.093.387,52 16.093.387,52 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte 279.935,25 279.935,25 17 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 45.311.482,38 29.789.232,24 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 5.321.948,83 10.200.301,31 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento (fls. 30 a 66), na qual apresenta os seguintes argumentos de defesa: a) Da Duplicidade na Cobrança A recorrente alega que já está sendo compelida a pagar os débitos de IRPJ compensados durante o ano de 2003, os quais se encontram com a exigibilidade suspensa em face ao julgamento aguardado junto ao Conselho de Contribuintes (processo nº 10920.001580/200466), de modo que vem sendo cobrada em “duplicidade” pelos mesmos valores, parte deles, reflexamente através da não homologação das compensações de IRPJ realizadas em 2004 (R$ 5.321.948,83), conforme Despacho Decisório constante no processo nº 10920.001576/200406, e a outra parte, referente ao crédito constituído em função da mesma não homologação (R$ 10.200.301,31), através de auto de infração. Afirma que o débito de IRPJ de 2003 já foi devidamente constituído e suspenso, não havendo no despacho decisório qualquer outro argumento que derrube o direito creditório da recorrente. Salienta que, caso o questionamento quanto ao uso do saldo negativo de CSLL seja julgado favoravelmente ao fisco, os valores em questão serão objeto de cobrança através do processo nº 10920.001580/200466, sem qualquer prejuízo ao fisco, pois passaria de situação de saldo negativo, para recolhimento efetivo do IRPJ de 2003. Desta forma, seja pela duplicidade no lançamento, seja pelo não cabimento de multa de ofício nos casos de lançamento de valores com exigibilidade suspensa, seria mister a exclusão dos valores lançados a este título no presente processo. b) Do Crédito de CSLL apurado em 2002 Por entender que toda a discussão até aqui tem origem nas compensações de IRPJ realizadas em 2003 com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2002, e não homologadas de acordo com o processo administrativo nº 10920.001580/200466, reitera os argumentos já apresentados nos recursos juntados no referido processo. Os argumentos apresentados não serão aqui relatados em face do que será exposto no voto. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10920.002308/200584 Resolução n.º 1302000.127 S1C3T2 Fl. 201 4 c) Pedido Requer a suspensão do julgamento do presente processo até julgamento final do processo nº 10920.001580/200466, sendo ao final cancelada a presente cobrança por perda de objeto. Se assim não for, que seja julgado improcedente o lançamento por se tratar de utilização de crédito legítimo por parte da impugnante. A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, as Dcomp prestadas posteriormente constituemse em instrumento de confissão de dívida, e, portanto, são hábeis para a cobrança do crédito tributário ali confessado. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: não foi considerada a suspensão da exigibilidade do crédito, que está sendo discutido no PA 10920.001580/200406. Tal fato é vício insanável; Há cobrança em duplicidade, pois o valor aqui não homologado está sendo cobrado por auto de infração. Além disso, no julgamento feito pela DRJ foram excluídos os valores relativos às Dcomp entregues a partir de 31/10/2003 sob argumento de que após esta data as Dcomp constituem confissão de dívida, documento hábil e suficiente para exigir os débitos compensados indevidamente. É defendido, ainda, que para as Dcomp entregues antes desta data o lançamento de ofício deve ser mantido. Tal decisão não pode prosperar. O débito compensado está com exigibilidade suspensa, não importando, portanto, se as Dcomp caracterizamse ou não como confissão de dívida.Tal conclusão pretende induzir a erro e confundir o julgamento do Conselho de Contribuintes. Além disso, não caberia ao julgador da DRJ proferir qualquer decisão acerca das Dcomp de 2003 que são objeto de discussão no PA 10920.001580/200466; quanto ao fato de que a declaração de compensação se caracteriza como confissão de dívida somente após a MP 135/03, devese mencionar que a cobrança de valores indevidamente declarados somente poderá ocorrer após exaurida a discussão na esfera administrativa; não restou apreciado o direito à imunidade veiculada pelo inciso I do §2º do art.149 da CF/88, com a redação dada pela EC nº 33/2001, no que concerne à CSLL, o qual existe e é detido pela recorrente, porque tal imunidade não alcança somente as receitas decorrente das exportações, mas também o lucro daí derivado. O caso veio a julgamento perante a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, tendose decidido, por despacho (Sessão de Julgamento de 04/03/2008), sobrestar o julgamento até que o STF julgasse o RE 564.4138/SC (exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL), e que fosse também julgado o recurso nº 147.068. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10920.002308/200584 Resolução n.º 1302000.127 S1C3T2 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. O recurso voluntário é tempestivo, e portanto, dele também conheço. No presente processo é cobrado o IRPJ decorrente da inversão do resultado do exercício de 2003 por ocasião da apreciação do PA 10920.001576/200406, conforme determinado no despacho decisório. De acordo com aquele despacho, o valor declarado de saldo negativo de IRPJ (R$5.348.948,83) foi revertido para IRPJ a pagar de R$10.200.301,31, conforme tabela abaixo: Linha Discriminação Valor (R$) De Para 01 À Alíquota de 15 % 24.176.081,28 24.176.081,28 03 Adicional 16.093.387,52 16.093.387,52 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte 279.935,25 279.935,25 17 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 45.311.482,38 29.789.232,24 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 5.321.948,83 10.200.301,31 Naquele processo é feita compensação de tributos devidos no anocalendário 2004 pelo sujeito passivo com o crédito originado de saldo negativo de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, relativo à suposta imunidade da CSLL oriunda de receitas com exportação. Com efeito, tal saldo negativo serviu para adimplir estimativas de IRPJ do ano calendário de 2003, resultando em saldo negativo de IRPJ, utilizado para, somente então, compensar débitos relativos ao anocalendário de 2004. O IRPJ cobrado neste processo administrativo tem sua fonte na inversão do resultado do exercício de 2003, pela qual o saldo negativo de IRPJ obtido no anocalendário de 2003, composto de estimativas extintas por compensação com saldo negativo de CSLL originado no anocalendário de 2002, foi revertido para IRPJ a pagar. A origem deste saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002 está lastreada na suposta imunidade relativa à CSLL vinculada às receitas de exportação. Tal direito vem sendo discutido no PA 10920.001580/200466, o qual foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho na sessão de 30/06/2011. Tendose em vista a íntima relação entre as matérias discutidas, com relação de causa e efeito, voto para que sejam os presentes autos encaminhados à 2ª Turma Ordinária da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10920.002308/200584 Resolução n.º 1302000.127 S1C3T2 Fl. 203 6 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, para serem distribuídos por conexão ao Conselheiro Relator do processo administrativo nº10920.001580/200466, nos termos do §7º do art.49 do Ricarf. Sala das Sessões, 23 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10909.000187/2004-11
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/01/2004
OPERADOR PORTUÁRIO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA ATUAR NO DESPACHO ADUANEIRO.
A infração foi praticada pela recorrente e todos os elementos necessários à sua configuração estão no processo. O pedido sucessivo, para que seja calculada a multa desde o recebimento da carta da denunciante até a lavratura do auto de infração, também não merece acolhida, pois tal carta não faz parte deste processo, e está evidenciado nos autos, que desde 10 de novembro de
2003 a denunciante já requeria a movimentação de contêineres
indevidamente depositados em sua área, e que deveriam estar na área pátio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.203
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara da Primeira Turma Ordinária
da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo Burgo.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-14T15:38:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-14T15:38:08Z; Last-Modified: 2009-10-14T15:38:08Z; dcterms:modified: 2009-10-14T15:38:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-14T15:38:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-14T15:38:08Z; meta:save-date: 2009-10-14T15:38:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-14T15:38:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-14T15:38:08Z; created: 2009-10-14T15:38:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-10-14T15:38:08Z; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-14T15:38:08Z | Conteúdo => ,....s, S3-CIT1 Fl. 124 . ..' ••• ` MINISTÉRIO DA FAZENDA A`r#::.•-, i;t:' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,,Nr.:.urre- TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10909.000187/2004-11 Recurso n° 140.415 Voluntário Acórdão n° 3101-00.203 — 1" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2009 Matéria MULTA DIÁRIA Recorrente TECONVI S/A - TERMINAL DE CONTEINERES DO VALE DO ITAJAÍ Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/01/2004 OPERADOR PORTUÁRIO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA ATUAR NO DESPACHO ADUANEIRO. A infração foi praticada pela recorrente e todos os elementos necessários à sua configuração estão no processo. O pedido sucessivo, para que seja calculada a multa desde o recebimento da carta da denunciante até a lavratura do auto de infração, também não merece acolhida, pois tal carta não faz parte deste processo, e está evidenciado nos autos, que desde 10 de novembro de 2003 a denunciante já requeria a movimentação de contêineres indevidamente depositados em sua área, e que deveriam estar na área pátio. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo de Macedo Burgo. 4-NdrQUE I(N E lí-0-14-kg Presidente/1/1:11, LI I i CORINTHO O " RA MACHADO Relator [I 1 • o Processo n° 10909.000187/2004-11 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.203 Fl. 125 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 89.000,00, referente a multa prevista no art. 107, VII, "d", do Decreto-lei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n" 10.833/2003. Depreende-se da descrição dos fatos do auto de infração que a Autoridade Aduaneira, com base no disposto na Instrução Normativa SRF n" 148/2002, depois de ouvida a responsável pelo recinto alfandegado e a própria autuada na condição de operador portuário, estabeleceu um local especifico para a permanência de cargas destinadas à movimentação imediata, local esse denominado "área-pátio", dentro do porto alfandegado. Ao estabelecer o local próprio, a Autoridade Aduaneira determinou os procedimentos a serem cumpridos relativamente ao local e às cargas a ele destinadas, por meio do Oficio n° 303/2003/GAB/DRF/ITJ (fl. 08). Comunicada que a área em questão não estava sendo utilizada como determinado, o responsável pelo porto alfandegado informou que a arrendatária não estava depositando a carga destinada à movimentação imediata na área pátio. Para comprovar a afirmação, anexou cópia dos registros de depósito de contêineres, bem como da Comunicação Interna n° 004/04 de sua área operacional, que informa que a arrendatária não estaria promovendo a segregação das cargas, sendo que a mesma foi, por diversas vezes, solicitada a realizar essa operação. Sendo a arrendatária qualificada conto "operador portuário" e à vista do sistemático descumprimento da determinação relativa à utilização da área especifica dentro de porto alfandegado, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência da multa prevista no art. 107, VII, "d", do Decreto-lei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n" 10.833/2003, considerando, para tal, ocorrido o fato gerador na data de 04/09/2003. A multa foi lançada para o período iniciado em 01/11/2003, em função de a publicação da Medida Provisória n° 135/2002, convertida posteriormente na Lei n" 10.833/2003, ter se dado no dia 30/10/2003, até 28/01/2004, data do Termo de Constatação (f7.68). Regularmente cientificada por via pessoal (ciência à folha 01), a interessada apresentou impugnação tempestiva às folhas 70 a 78, anexando documento às folhas 79 a 102. 2 Processo n° 10909.000187/2004-11 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.203 Fl. 126 A impugnante alega inicialmente que o início do procedimento fiscalizató rio é originário de denúncia apresentada pela empresa Portobelo Multi-Log S/A, que sentiu-se contrariada pelos procedimentos realizados pela Impugnante. Mas, frise-se em momento algum alegou ou provou a existência de prejuízo, em razão do(s) procedimento(s da Requerente. Defende que não houve prejuízo ao Erário, pelas práticas realizadas, apenas questão de ordem formal. A impugnante, em síntese, alega que a autuação desatende aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da razoabilidade. Nesse aspecto, registra que os princípios constitucionais por todos devem ser observados e atendidos, inclusive, e, fundamentalmente a administração tributária, não podendo utilizar suas evasivas tradicionais, que o tema por ser constitucional não poderá ser objeto de exame por tribunal administrativo.(sic) Requer o provimento da impugnação por ausência de prejuízo à Fazenda Nacional. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento, lançando a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/01/2004 MULTA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. Para aplicação de multa há que se comprovar a ocorrência do previsto em norma legal, de forma a que o fato se subsuma à norma. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/01/2004 Ementa: ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade fogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 114 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação e aduz que a disponibilidade de uso da área pátio dependia de determinação da Superintendência do Porto de Rajá. Requer a improcedência da penalidade, ou na subsistência dessa, que seja calculada desde o recebimento da carta da PORTOBELO MULTI-LOG até a lavratura do auto de infração. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 122. É o Relatório. 3 Processo n° 10909.000187/2004-11 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.203 Fl. 127 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passa-se de plano ao mérito do contencioso. A infração foi praticada pela recorrente, todos os elementos necessários à sua configuração estão no processo, e a própria recorrente, de certa forma, confessa tê-la praticado quando insiste na tese de não haver prejuízo ao Erário, assim é devida a multa. O pedido sucessivo, para que seja calculada a multa desde o recebimento da carta da PORTOBELO MULTI-LOG (que segundo a recorrente detonou todo o procedimento fiscal) até a lavratura do auto de infração, também não merece acolhida, pois tal carta não faz parte deste processo, e está evidenciado nos autos, fl. 18, que desde 1° de novembro de 2003 (data inicial da penalidade) a empresa PORTOBELO MULTI-LOG já requeria à TECONVI que havia contêineres indevidamente depositados em sua área, e que deveriam estar na área pátio. Reproduzo, por bem lançadas, as razões de direito que lastrearam a decisão recorrida: A multa de que trata o auto de infração tem previsão no Decreto- lei n° 37/1966, art. 107, inciso VIL "d", com a redação dada pelo art. 77 da Lei n°10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) VII - de R$ 1.000,00 (mil reais): (---) d) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida pela administração aduaneira para a prestação de serviços relacionados com o despacho aduaneiro; (...) Para aplicação da multa há que se analisar se os requisitos para tal estão presentes. Como relatado, a autuada é arrendatária de área dentro de porto alfandegado, atuando como operador portuário. Nessa 1condição, teve definida pela Autoridade Aduaneira área . especifica denominada "área pátio", para permanência de/ 4 Processo n° 10909.000187/2004-11 83-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.203 Fl. 128 cargas destinadas a movimentação imediata. O ato que definiu a área em referência também determinou os procedimentos a serem seguidos pela interessada. É o que se vê nos termos do Oficio n° 303/2003/GAB/DRF/ITJ, in verbis: (.--) 1.Em atenção do Oficio CE n° 1078/03, de 3 de setembro de 2003, aprovo a demarcação da Área Pátio proposta (...) 2.Para operacionalizar a utilização da Área Pátio, determino, nos termos do art. 71 da Instrução Normativa suso mencionada, que: 1) a carga destinada à movimentação imediata seja depositada diretamente na Área Pátio, quando da descarga do navio; 2) a carga permaneça durapte quarenta e oito horas, contadas nos dias úteis, a partir da chegada da carga na Área, à disposição do interessado; 3) excedido o prazo referido no item anterior e não registrada e desembaraçada a declaração de trânsito, a carga deve ser armazenada no Porto e retirada da Área. (...)(grifei) A competência para determinação da área pátio está expressa na própria Instrução Normativa SRF n° 248/2002, que trata da aplicação do regime de trânsito aduaneiro, em seu art. 4°, que dispõe, in verbis: Art. 42 Para os efeitos desta Instrução Normativa, define-se como: I - área pátio, a área de zona primária demarcada pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de jurisdição, para permanência de cargas destinadas a movimentação imediata; (...)(grifei) Da mesma forma, a competência para determinar os procedimentos relativos ao controle aduaneiro a serem adotados e sua fiscalização, em especial nos recintos alfandegados, está prevista no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259 de 24 de agosto de 2001, vigente à época dos fatos, que prevê, in verbis: Art. 10 A Secretaria da Receita Federal, órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: (...) XVI - dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de administração, fiscalização e controle aduaneiros, Processo n° 10909.000187/2004-11 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.203 Fl. 129 inclusive no que diz respeito a alfandegamento de áreas e recintos; (...) Art. 125. Às DRF compete, quanto aos tributos e contribuições administrados pela SRF, desenvolver as atividades de arrecadação e cobrança, de atendimento ao contribuinte, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e de segurança de informação, e de programação e logística, bem assim as relacionadas com planejamento, organização, modernização e recursos humanos, nos limites de suas jurisdições. (...) (grifei) Vê-se, dessa forma que, dentro das atribuições legalmente definidas, a Autoridade Aduaneira determinou o local reservado para a área pátio e definiu os procedimentos a serem cumpridos pelo interveniente autuado. A condição de "operador portuário" da autuada está expressa nos documentos dos autos, sendo que esta condição também a determina como interveniente na operação de comércio exterior, como previsto no parágrafo 2°, do art. 76, da Lei n°10.833/2003, que assim dispôs ao tratar das sanções a que esses intervenientes estão sujeitos, in verbis: Art. 76. Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções (...) § 2' Para os efeitos do disposto neste artigo, considera-se interveniente o importador, o exportador, o beneficiário de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, o despachante aduaneiro e seus ajudantes, o transportador, o agente de carga, o operador de transporte multimodal, o operador portuário, o depositário, o administrador de recinto alfandegado, o perito, o assistente técnico, ou qualquer outra pessoa que tenha relação, direta ou indireta, com a operação de comércio exterior. Da mesma forma, encontra-se explícito nos autos o descumprimento, por parte da autuada, das determinações emanadas pela Autoridade Aduaneira. O responsável pelo recinto alfandegado, inclusive, informa que, por diversas vezes, encaminhou à operadora portuária informação e solicitação sobre a correta utilização da área pátio, não sendo atendida. Informa ainda que a utilização da área determinada, em desacordo com o estabelecido, causou dificuldades operacionais em função da limitação do espaço de armazenamento de cargas. Registre-se que a autuada sequer nega o fato de ter descumprido as determinações emandas pela Autoridade Aduaneira, ao contrário, defende que suas ações não causaram prejuízos à Fazenda Nacional. 6 Processo n° 10909.000187/2004-11 S3-CITI Acórdão n.° 3101-00.203 Fl. 130 Portanto, verifica-se que o fato subsume-se à norma legal, concluindo-se que, analisados todos os aspectos, a multa exigida deve ser aplicada. No vinco do quanto exposto, entendo correto o lançamento lavrado pela autoridade fiscal, bem como o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância, e voto por DESPROVER o recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, eit d agosto de 2009. / CORINTHO OL IRA MACHADO ief ( 7
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Numero do processo: 10530.720426/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.085
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.720426/200561 Resolução n.º 1301000.085 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório O sujeito passivo manifesta inconformidade ao DESPACHO DECISÓRIO DRF/FSA da Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana/BA, que homologou parcialmente a compensação de débitos, objeto da Declaração de Compensação relativa a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, no valor original na data da transmissão de R$ 7.571,182, fl. 02. Ao homologar parcialmente a compensação, a autoridade administrativa reduziu o IRRF deduzido do imposto sobre o lucro real de R$ 9.956.625,39 para R$ 9.933.973,37 e as estimativas compensadas de R$ 12.242.001,36 para R$ 5.505.044,05, apurando um saldo negativo de IRPJ de R$ 837.892,50 em vez de R$ 7.597.501,83. Dessa forma, o valor do crédito na DCOMP a titulo de saldo negativo de IRPJ passou de R$ 7.571.182,02 para R$ 837.892,50. Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade às fls.386 a 390, com as seguintes razões de defesa: O valor do IRRF considerado pela autoridade administrativa de R$9.933.973,37, está incorreto visto que somados todos os valores dos informes de rendimentos dos responsáveis pelas retenções no ano de 2002, foi recolhida a importância de R$9.956.625,36, ou seja, R$22.651,99 a mais do que o destacado no levantamento da DRF/Feira de Santana (doc.04); O levantamento fiscal relativo às estimativas do ano calendário de 2002, na quantia de R$5.505.044,05, está incorreto visto que a soma dos recolhimentos e compensações realizadas pela Requerente foram de R$12.242.001,36, a saber: a) R$409.614,60, recolhido pela Recorrente em Darf no devido prazo legal (Doc.05); b) R$11.832.386,77 foi objeto de compensações pela Requerente utilizandose: b.1 — R$4.367.797,36 do saldo negativo do ano de 2000, não confirmado pela DRF/FS em Despacho Decisório n° 022/2007, Processo Administrativo n° 10530.720.162/2000627. b.2 — R$2.789.214,49 do saldo negativo do 3° trimestre de 2001, não confirmado pela DRF/FS por meio do Despacho Decisório n° 1431/2006, Processo Administrativo n° 10530.720157/200614. b.3 — R$1.841.084,87 do saldo negativo do 4° trimestre de 2001, não confirmado pela DRF/FS por meio do Despacho Decisório n° 1432, Processo Administrativo n° 10530.720156/200670; b.4 — R$2.834.290,05 referese a saldo de Declaração de Compensação formalizada através do Processo Administrativo n° 10805.002997/200209 em trâmite perante a Receita Federal. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.720426/200561 Resolução n.º 1301000.085 S1C3T1 Fl. 3 3 A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SDRBA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1518.004, de 22/12/2008 (fls. 465 e s.s.), julgando procedente em parte a compensação pleiteada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO (SALDO NEGATIVO DO IRPJ). Deve ser retificado o valor do saldo negativo do IRPJ apurado pela autoridade administrativa com competência originária do exame do pedido, em razão de ter sido comprovado parte do crédito pleiteado. Compensação Homologada em Parte É o relatório. Passo ao voto. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.720426/200561 Resolução n.º 1301000.085 S1C3T1 Fl. 4 4 . Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Inconformado com a decisão de primeira instância, a ora recorrente questiona o valor do crédito referente ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002, informado na DIPJ/2003, (R$ 7.597.501,83), reconhecido parcialmente (R$ 860.426,76) pelas autoridades que me antecederam no exame da presente lide. As diferenças questionadas referemse aos valores do IRRF (valor glosado R$ 117,73) e das estimativas pagas/compensadas, deduzidas do imposto de renda pessoa jurídica sobre o lucro real na apuração do saldo negativo do ano calendário de 2002 (valor glosado R$ 6.736.957,32). O recurso voluntário traz como matéria inicial a necessidade da reunião dos Processos Administrativos n.°s 10530.720162/200627, 10530.720157/200614, 10530.720156/200670 e 10805.002997/200209 visto o resultado dos julgamentos destes interferem diretamente no julgamento do presente feito, em razão da total relação existente entre eles. Isto porque, na formação do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002, ora em discussão, estão inseridas as compensações das antecipações do IRPJ relacionadas nos citados processos. Por pertinente, interessa ressaltar a atual situação processual administrativa de cada processo acima citado (pesquisa eprocesso e comprot): 10530.720162/200627 (Distribuído a este relator e pautado para esta Sessão de Julgamento); 10530.720157/200614 (Julgado 2o.TO/4a.CAM/1a.SEJUL. Formalizar Decisão/Conselheiro Carlos Pelá); 10530.720156/200670 (Distribuído a este relator e pautado para esta Sessão de Julgamento); 10805.002997/200209 (Excluído do eprocesso. Comprot: da CSRF para DRF/S.André/SP. Em 20/01/2011 para a Proc.Secc.da Faz.Nacional em Santo André/SP); 10530.720161/200682 (Julgado 2o.TO/4a.CAM/1a.SEJUL. Formalizar Decisão/Conselheiro Carlos Pelá. SNIRPJ, AC de 1999). Resta evidente, assim, que identificada conexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser julgados conjuntamente no sentido de que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.720426/200561 Resolução n.º 1301000.085 S1C3T1 Fl. 5 5 No caso, como visto, os processos administrativos 10530.720157/200614 e 10530.720161/200682 foram julgados mas pendem de formalização e eventuais apelos recursais. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que se aguarde na Delegacia de origem o trânsito em julgado dos processos administrativos 10530.720157/200614 e 10530.720161/200682. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 564DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11853.000995/2007-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/10/2003
FALTA DE CLAREZA NA NFLD. NÃO VERIFICAÇÃO.CERCEAMENTO DE DEFESA.IMPOSSIBILIDADE.
A fiscalização disponibilizou todos os dispositivos legais que foram violados pela recorrente e resultaram na lavratura da NFLD, razão pela qual o possível cerceamento de defesa alegado não foi verificado.
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
Tratandose
de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao
lançamento por homologação, aplicase
a decadência do art. 150, § 4º do
Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A.
VINCULAÇÃO À
DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO
TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindo-se tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do
CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, nas preliminares, acatar a decadência até as competências 11/2001 com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, determinar o recálculo da
multa de mora de acordo com o Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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NÃO VERIFICAÇÃO.CERCEAMENTO DE DEFESA.IMPOSSIBILIDADE. A fiscalização disponibilizou todos os dispositivos legais que foram violados pela recorrente e resultaram na lavratura da NFLD, razão pela qual o possível cerceamento de defesa alegado não foi verificado. PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N Fl. 261DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, nas preliminares, acatar a decadência até as competências 11/2001 com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel De Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11853.000995/200779 Acórdão n.º 240300.334 S2C4T3 Fl. 15 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.148 a 168 contra Delegacia da Receita Previdenciária em Brasília/DF (fls.135 a 141 ) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.056.007 8, no valor consolidado de R$ 955.625,16 (novecentos e cinquenta e cinco mil, seiscentos e vinte e cinco reais e dezesseis centavos) referente às contribuições devidas à Seguridade Social, referente ao período fiscalizado que compreende os meses de 12/1996 a 12/2005. Segundo o relatório fiscal às fls.87 a 93, a fiscalização teve como objetivo apurar a prática da empresa em remunerar seus empregados através de cartões de premiações e não considerar essa forma de pagamento para fins de tributação. Ademais, a auditoria atevese em verificar os valores que foram lançados pelo Ministério Público Federal do Paraná em procedimento criminal que versou acerca da ocorrência de sonegação fiscal praticada por empresas que realizam esse tipo de pagamento a seus empregados. Verificouse durante a fiscalização que a recorrente é tomadora de serviço prestado pela empresa Incentive House, a qual desenvolveu sistema que visa remunerar os empregados do cliente tomador através de cartões de premiação, os quais podem ser utilizados pelos empregados premiados em despesas, consumos em lojas conveniadas e saques. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 05/12/2006 e apresentou impugnação às fls. 100 a 120, alegando em síntese: Preliminarmente: Cerceamento de defesa No Mérito: Todo ato administrativo, sob pena de violar o princípio da legalidade e o da motivação, celebrados pelo art. 37 e inciso I do art. 150, da Constituição Federal e inciso I, art. 97, § único do art. 142, do CTN, deve possuir fundamentação legal e identificação clara do ato praticado. Insurgese contra o arbitramento dos valores lançados alegando que a fiscalização emitiu apreciações subjetivas, sem amparo legal, sacrificando a precisão do levantamento fiscal. Cita o parecer CJ/INSS nº 1917/99 e acórdão nº 95.01.074315/MG, para justificar a necessidade de que o fato gerador do tributo deva ter contornos nítidos e perfeitamente especificados. Decadência sob o argumento de que a contribuição social ao INSS é sujeita ao lançamento por homologação e, como tal, tem o prazo decadencial de cinco anos, disciplinado pelo art. 173, do CTN. Ressalta a inconstitucionalidade/ilegalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Por fim, requer seja recebida a presente impugnação e que seja excluída do presente lançamento a exigência das obrigações do período compreendido entre julho de 2000 a novembro de 2001, por estarem acobertados pela prescrição. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a Delegacia da Receita Previdenciária Em Brasília/DF proferiu Acórdão nos seguintes termos: PREVIDÊNCIA SOCIAL. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. É devida a contribuição sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, a segurados empregados. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, o INSS pode inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa o Ônus da prova em contrário. A decadência tributária relativa às contribuições para a Seguridade Social é decenal, nos termos do art. 45 da Lei n.° 8.212/1991 e da interpretação combinada dos arts. 150, §4°, e 173, I, do CTN. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.148 a 168, ratificando os argumentos expendidos na impugnação, retro mencionada, e ao final, reiterou o pedido de cancelamento da notificação em tela. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11853.000995/200779 Acórdão n.º 240300.334 S2C4T3 Fl. 16 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.148 a 168). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Considerando indevida a exigência presente na fl.142 dos autos, a recorrente impetrou Mandado de Segurança perante a Justiça Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal n 2007.34.00.0143803 (cópia às fls.190 a 203) para não ter que cumprir a exigência legal de depositar 30% (trinta por cento) para fins de admissibilidade recursal. Entretanto, cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DA PRELIMINAR I – DA AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA E DE MOTIVO PARA A NULIDADE DA AUTUAÇÃO Fl. 265DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Alega a recorrente que a NFLD nº 37.056.0078 carece de clareza e precisão, o que é exigido pela legislação de regência, razão pela qual poderia ocasionar uma violação à garantia de defesa do contribuinte e ao principio da legalidade tributária, o qual exige que os atos praticados pelo agente público devem estar amparados na legislação. Todavia, a alegação da empresa recorrente não poderá prosperar, tendo em vista que todos os requisitos legais foram atendidos quando da realização do lançamento do crédito, tanto é que os débitos estão discriminados no relatório fiscal e suas fundamentações encontramse em um dos anexos da NFLD, quais sejam, o FLD (fls.27 a 29). Além disso, diferentemente do que alega a recorrente, consta com clareza no relatório fiscal (fls.87 a 93) o momento em que o fato gerador ocorre, o qual se dá no pagamento de premiações e remunerações aos segurados empregados através de cartões e cupons denominados PREMIUM CARD, que são fornecidos e administrados pela empresa Incentive House S/A. Com o pagamento dessas premiações aos segurados empregados, o fato gerador da contribuição social previdenciária ocorre nos moldes do art.22 da Lei n 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Ademais, todas as informações que pudessem auxiliar o sujeito passivo na protocolização de sua defesa, caso se sentisse prejudicado pela autuação, foram comunicadas às fls. 02 e 03 (IPC – Instruções Para o Contribuinte), de modo a assegurar a garantia constitucional do contraditório e da ampladefesa do contribuinte. Deste modo, não há como ser alegado o cerceamento do direito de defesa da recorrente, tendo em vista que foram respeitados todos os ditames legais. II – DA DECADÊNCIA PARCIAL: A recorrente alega que as competências 07/2000 a 11/2001 foram atingidas pela prescrição. Todavia, não há o que se falar em prazo prescricional quando o crédito tributário não se encontra constituído, razão pela qual o único instituto que pode ser invocado no caso em tela é a decadência. Sobre a decadência da cobrança de créditos tributários, cabe destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a Fl. 266DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11853.000995/200779 Acórdão n.º 240300.334 S2C4T3 Fl. 17 7 título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderiam ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos a contar do marco inicial estabelecido pelo CTN. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173, I e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Este entendimento é pacífico na doutrina pátria1: O início do prazo de decadência do direito de lançar, em se tratando de tributo ordinariamente sujeito a lançamento por homologação, começa na data do fato gerador do tributo a que se referir o lançamento. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: 1 MACHADO, Hugo de Brito. Decadência e Prescrição no Direito Tributário Brasileiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.), Curso de direito tributário. 11ed. São Paulo. Saraiva,2009, p.208. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11853.000995/200779 Acórdão n.º 240300.334 S2C4T3 Fl. 18 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento, por se referirem os Discriminativos de Débitos de diferença apurada, o que se leva a crer, que houve um pagamento parcial, pelo menos. Desta feita, sabendo que a ciência da NFLD deuse em 05/12/2006, e, as datas das competências que estão sendo objeto de discussão abrangerem os períodos de 07/2000 a 10/2003, têmse que os valores cobrados na notificação fiscal relativos às competências 07/2000 a 11/2001 estão acobertados pela decadência com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional, haja vista que o fisco só poderia cobrar, com fundamento neste artigo, a partir da competência 12/2001. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, passandose, oportunamente, à analise do meritum causae. DO MÉRITO: I – DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OS VALORES RECEBIDOS PELOS SEGURADOS A TÍTULO DE PREMIAÇÃO: Segundo o relatório fiscal da NFLD nº 37.056.0078, o fato gerador da contribuição social previdenciária a cargo da empresa prevista no art.22, I, da Lei n 8.212/91, ocorreu com o pagamento das premiações/remunerações aos segurados empregados da recorrente pela empresa Incentive House, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 269DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Desse modo, o trabalho dos segurados empregados será remunerado por verbas de qualquer título. No caso em tela, além do salário base, há certos valores que são pagos aos segurados como forma de incentivo profissional, focado em metas que devam ser atingidas, razão pela qual só ocorrem esses pagamentos quando há aumento de produtividade por esses trabalhadores. Todavia, mesmo entendendo que os pagamentos através das premiações são feitos a quem atingir as metas previstas contratualmente, devese analisar a frequência com a qual esses beneficiados são pagos, tendo em vista que esse pagamento só fará parte da base de cálculo do tributo em comento se estiver caracterizada a habitualidade. Diante da documentação analisada (fls.89 a 91), percebo que há a presença da habitualidade, pois houve a recarga dos cartões de premiação a partir de 07/2000 até 10/2003, e, ressaltese, sem nenhum intervalo. Sobre esse requisito ser essencial para caracterizar a natureza dos valores recebidos pelos empregados, o Supremo Tribunal Federal manifestou seu entendimento, através da Súmula nº 209: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. Portanto, considerando que a Lei n 8.212/91 determinou que sobre todos os créditos e rendimentos recebidos pelos empregados, inclusive prêmios, pagos com habitualidade, com a finalidade de remunerar o trabalho prestado, deva incidir contribuição social previdenciária, entendo que no caso em tela a incidência deve ser mantida de modo integral, não podendo prevalecer as alegações da nobre recorrente. II – DA MULTA MORATÓRIA E DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança com relação às demais competências (12/2001 a 10/2003), cabe destacar que esta será acrescida de multa moratória e juros na forma do art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Fl. 270DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11853.000995/200779 Acórdão n.º 240300.334 S2C4T3 Fl. 19 11 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) Fl. 271DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 12 (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 4 – CARF: A partir de 1º de abril de 1995,os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observarem alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei nº 11.941/2009. Desse modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei nº 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO Fl. 272DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 11853.000995/200779 Acórdão n.º 240300.334 S2C4T3 Fl. 20 13 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, e reconhecer a decadência das competências 07/2000 a 11/2001, com base no art.150, §4º, do Código Tributário Nacional. No mérito, entendo pela parcial procedência do recurso voluntário, de modo que a contribuição social previdenciária venha a incidir sobre os valores recebidos pelos empregados da recorrente, tendo em vista a constatação da habitualidade, devendose proceder ao recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13861.000313/92-61
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2001
Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO QUÍMICO — PUFFING RESIN.
Com base em laudo técnico do Labana, o produto em questão é
uma preparação que deve ser classificada na posição
3823.90.9999.
NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.
Numero da decisão: 301-29.989
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO QUÍMICO — PUFFING RESIN. Com base em laudo técnico do Labana, o produto em questão é uma preparação que deve ser classificada na posição 3823.90.9999. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.
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RECORRIDA : DRF/SANTOS/SP CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO QUÍMICO — PUFFING RESIN. Com base em laudo técnico do Labana, o produto em questão é uma preparação que deve ser classificada na posição 3823.90.9999. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 17 de outubro de 2001 IIII161~~11" MOACYR ELOY DE MEDEIROS • Presidente MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Relatora • NOV 7(10 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIZ • SÉRGIO FONSECA SOARES, PAULO LUCENA DE MENEZES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS e CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO. Ausente a Conselheira ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO. une • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.117 ACÓRDÃO N° : 301-29.989 RECORRENTE : POLYTEX PRODUTOS SERIGRÁFICOS LTDA. RECORRIDA : DRF/SANTOS/SP RELATOR(A) : MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO Adoto o relatório de fls., que leio em Sessão. A esse relatório, acrescento que o interessado foi devidamente • intimado a, no prazo de 20 dias, manifestar sua concordância em arcar com as despesas do Laudo e envio de amostra ao INT e a apresentar quesitos. O mesmo manifestou-se às fls. 71 postulando por saber, previamente à sua concordância, o montante das despesas da elaboração do Laudo pelo Instituto Nacional de Tecnologia. A Divisão de Tributação da Alfândega do Porto de Santos entendeu que o interessado, apesar de intimado, não havia manifestado a sua concordância em arcar com as despesas, inviabilizando a providência solicitada por este Conselho de Contribuintes e determinou o seu retorno para julgamento. Em Sessão de agosto de 1997, por despacho aprovado pela D. Presidência da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, os autos foram devolvidos à repartição preparadora a fim de ser obtida junto ao INT uma previsão do custo/despesa do exame e tal informação ser repassada ao interessado • para expressa manifestação a respeito. O Ofício ao INT foi encaminhado, respondido e cientificado ao interessado, que se manifestou da seguinte forma: • 4G .... esclarecer que para se manifestar quanto a sua concordância com as despesas decorrentes da elaboração do Laudo Técnico pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT - é necessário que esse órgão se manifeste se o laudo pode ser feito também para o processo n° 1084.007632/93-71, já que trata da mesma questão e para que os custos não sejam cobrados em dobro." Tendo em vista essa manifestação, a Alfândega de Santos despachou nos autos no sentido de que no aspecto custo, o assunto deveria ser 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.117 ACÓRDÃO N° : 301-29.989 tratado, diretamente pelo interessado junto ao INT, especialmente para resolver a questão a respeito dos dois laudos necessários aos dois processos em curso. Foi, tão, novamente intimado o interessado para se manifestar expressamente nos autos, quedando-se inerte. É o relatório. • 3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 117.117 ACÓRDÃO N° : 301-29.989 VOTO A questão se resume em definir sobre a correta classificação do produto denominado PUFFING RESIN. O contribuinte adotou o código 3904.50.9900 e a fiscalização 3823.90.9999, que assim dispõem: Código 3904.50.9900: Código 3823.90.9999: O laudo que fundamenta a desclassificação efetuada pela fiscalização concluiu que o produto analisado seria uma "preparação à base de um • agente de expansão microencapsulado em Poli (cloreto de Vinilideno/acrilonitrila/acetato de vinila), na forma de grumos" e afirmou que: "a mercadoria analisada não se trata de polímeros de cloreto de vinila; de polímeros de acetato de vinila ou de polímeros acrílicos." O litígio está no ponto em que a fiscalização interpretando o laudo retirou o produto do grupo "plástico" (posição 39) passando-o para o grupo "preparações" (posição 38). A interessada, ao impugnar o feito, insiste que o produto é matéria plástica, fazendo juntar laudo subscrito pelo conhecido perito Luiz Aurélio Alonso neste sentido. Contudo, na Informação Técnica de fls. subscrita pelo Laboratório de Santos, foi reafirmado que a mercadoria analisada não seria, tão-somente, matéria plástica em sua forma primária, mas sim uma preparação à base de agente de expansão microencapsulado em poli, na forma de grumos, utilizada em tratamentos têxteis juntamente com resinas acrílicas e outros polímeros. O esclarecimento das dúvidas suscitadas por essa Câmara não foi possível diante do comportamento do interessado que não diligenciou no sentido de fazer possível a realização de contra-prova a respeito do produto analisado. • Deste modo, diante do conjunto probatório constante dos autos, forçoso concluir que a reclassificação do produto para o código 3823.90.9999 está correta. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2001 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - Relatora 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo 13861.000313/92-61 Recurso n°: 117.117 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 20 do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acordão n° 301.29.989. Brasi1ia-DF,92 3 4. 0,4-4( 4.7>t -z? 2 0011 Atenciosamente, oacyr Eloy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Cente em 0 11 k. /Zoo )1 o , LEAND(2,3 VEUZ gUE.1•13 p ap c \VLADiok. DA PN-k-f-NDA IMACItti Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10630.001304/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.276
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(contribuinte); e HAMILTON MAFRA FILHO (responsável tributário) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório LUNAR TURISMO LTDA., já qualificada nestes autos, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317/1996, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 01, de 03/01/2007 (fl. 18). Na seqüência, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 1.299.801,99, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 482. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 30 .0 01 30 4/ 20 06 -2 5 Fl. 1402DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0118.14106.RN5W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.001304/200625 Resolução nº 1302000.276 S1C3T2 Fl. 1.400 2 Da Exclusão do SIMPLES Durante procedimento fiscal tendente a apurar eventuais irregularidades tributárias nos anoscalendário 2002 e 2003, a fiscalização constatou a omissão de receitas no anocalendário 2002, e fez lavrar os competentes autos de infração no processo administrativo fiscal nº 10630.720209/200624. A impugnação naquele processo foi negada, bem assim o recurso voluntário interposto. Os embargos declaratórios não foram admitidos e, na data desta resolução, o processo se encontra neste CARF, pendente de análise de admissibilidade de recurso especial interposto pela interessada. Desde que as receitas omitidas apuradas pelo Fisco em 2002 faziam com que o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES fosse excedido, a fiscalização representou ao chefe da Unidade Local de jurisdição do contribuinte. Foi, então, expedido o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 01, de 03/01/2007 (fl. 18) pela Sra. Delegada da Receita Federal em Governador Valadares/MG, mediante o qual a contribuinte foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2003. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 29 e segs) contra o ADE. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro – I / RJ analisou a manifestação de inconformidade e, por via do Acórdão nº 1216.443, de 04/10/2007 (fls. 181/188), a indeferiu, em decisão assim ementada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE DE RECEITA. OMISSÃO DE RECEITA. DECORRÊNCIA. O ato declaratório de exclusão da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) cuja edição dimane meramente da acusação da prática de alguma infração à legislação tributária colhe a mesma sorte dela, em virtude da relação de causa e efeito existente entre ambos. Cientificada dessa decisão em 09/06/2008 (AR à fl. 402) e com ela inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 405 e segs.) em 07/07/2008 conforme carimbo no envelope de postagem à folha 467. Dos Autos de Infração por fatos geradores ocorridos no AC 2003 Excluída a contribuinte do sistema simplificado de pagamentos a partir de 01/01/2003, a fiscalização prosseguiu com os exames para o anocalendário 2003, estando os procedimentos descritos detalhadamente no Termo de Verificação Fiscal de fls. 519 e segs. Em apertadíssima síntese: · Foram constatadas omissões de receitas, apuradas com base em depósitos bancários para os quais, devidamente intimada, a contribuinte não logrou comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Fl. 1403DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0118.14106.RN5W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.001304/200625 Resolução nº 1302000.276 S1C3T2 Fl. 1.401 3 · Para a obtenção dos extratos bancários foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) às instituições bancárias, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001. · Intimada a refazer sua escrita e a apresentar os livros e documentos obrigatórios, a interessada deixou de fazêlo. Assim, o fisco procedeu ao arbitramento dos lucros. A base do arbitramento foram as receitas declaradas (R$84.846,16) adicionadas às receitas omitidas (R$2.897.840,54). Dos tributos assim apurados, foram deduzidos os valores pagos na sistemática do SIMPLES. · A multa aplicada às infrações foi de 75% para as receitas declaradas e de 150% para as receitas omitidas, em face do entendimento do fisco de que, neste último caso, estaria caracterizada a subsunção às hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. · O fisco considerou o Sr. Hamilton Mafra Filho como responsável tributário pelos créditos tributários constituídos (vide item 44 do TVF, fl. 533 e as folhas de rosto de cada um dos autos de infração). Foram lavrados autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ (fl. 483 e segs.), PIS (fl. 493 e segs.), COFINS (fl. 501 e segs.) e CSLL (fl. 509 e segs.). O total do crédito tributário apurado foi de R$1.299.801,99, aí incluídas as multas de ofício e os juros de mora calculados até a data do lançamento (vide demonstrativo à fl. 482). Cientificados dos lançamentos e com eles irresignados, a contribuinte e o responsável tributário apresentaram impugnação em uma única peça (fls. 195 e segs.). Cumpre esclarecer que, muito embora a peça impugnatória mencione o processo 10630.720209/2006 24, seu teor é pertinente às autuações por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2003, portanto, ao presente processo nº 10630.001304/200625. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro – I / RJ analisou a impugnação e, por via do Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395), deulhe provimento e cancelou integralmente os lançamentos, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 CONTRIBUINTE NÃO OBRIGADO À APURAÇÃO DO LUCRO REAL. APRESENTAÇÃO DE LIVROCAIXA. IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. O contribuinte não obrigado à apuração do lucro real que escritura regularmente sua movimentação financeira em livrocaixa não se sujeita a arbitramento do lucro. CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIADE SOCIAL – COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 1404DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0118.14106.RN5W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.001304/200625 Resolução nº 1302000.276 S1C3T2 Fl. 1.402 4 Ressalvados os casos especiais, os lançamentos cuja origem coincida com a do auto de infração relativo ao imposto de renda colhem a mesma sorte deste, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. A Autoridade Julgadora em primeira instância não recorreu de ofício dessa decisão. Mediante o despacho de fl. 396, o Sr. Chefe da Sacat da DRF Governador Valadares/MG devolveu o processo à DRJ/RJOI/RJ para a proposição do recurso de ofício. Esse despacho foi respondido nos autos (fl. 397) pelo Sr. Presidente da Turma Julgadora nos seguintes termos: Com o advento da Portaria MF nº 3, de 03.01.08, o limite de alçada dos presidentes de Turma de Julgamento das DRJ passou a ser de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). Diante do exposto, restituase o presente à SACAT/DRF/GVSMG, para que se digne cientificar a interessada do acórdão 1218.849, de 14.03.08 (fls. 379 e 380), e adotar as demais providências de praxe. Na sequência, a contribuinte foi cientificada do acórdão que cancelou integralmente os lançamentos do anocalendário 2003 (AR à fl. 402). Não encontrei nos autos prova da ciência ao responsável tributário, Sr. Hamilton Mafra Filho. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, constato que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. O recurso de ofício das decisões de primeira instância é disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. Fl. 1405DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0118.14106.RN5W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.001304/200625 Resolução nº 1302000.276 S1C3T2 Fl. 1.403 5 § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Pois bem. Conforme visto no relatório, o Sr. Chefe da Sacat da Unidade Preparadora alertou o órgão julgador quanto à necessidade da proposição de recurso de ofício da decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395). Não obstante, o Sr. Presidente da Turma Julgadora alegou que não seria esse o caso, diante do teor da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Eis o dispositivo em comento: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (demonstrativo à fl. 482), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Confirase o quadro abaixo: DISCRIMINAÇÃO VALOR (R$) IRPJ – tributo 262.337,84 IRPJ – multa 387.397,85 PIS – tributo 18.835,88 PIS – multa 28.253,79 CSLL – tributo 59.857,41 CSLL – multa 88.715,31 COFINS – tributo 86.935,16 COFINS – multa 130.402,70 TOTAL DE TRIBUTOS E MULTAS 1.062.735,94 Diante do exposto, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência, e que o processo seja devolvido à Sexta Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – I, para a proposição do recurso de ofício do Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395), nos termos da legislação acima transcrita, ou para esclarecer o motivo de não fazêlo, caso assim entenda. Em sendo proposto recurso de ofício, deve ser dada ciência desse ato ao contribuinte e ao responsável tributário, Sr. Hamilton Mafra Filho. Em qualquer hipótese, deve ser dada ciência do Acórdão nº 1218.849, de 14/03/2008 (fls. 388/395) ao responsável tributário, Sr. Hamilton Mafra Filho. Na sequência, o processo deve retornar a este CARF para julgamento do recurso voluntário contra o Acórdão nº 1216.443 e, se for o caso, também do recurso de ofício contra o Acórdão nº 1218.849. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1406DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0118.14106.RN5W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013 12:03:20. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 13/11/2013 e WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/01/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.0118.14106.RN5W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 104919DA2EB6E60C50407E051E45E0D0327304EA Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10630.001304/2006-25. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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