Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4749882 #
Numero do processo: 13609.720103/2007-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Pedro Anan Junior (suplente convocado).
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201202

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 13609.720103/2007-77

anomes_publicacao_s : 201202

conteudo_id_s : 4875804

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020

numero_decisao_s : 9202-001.935

nome_arquivo_s : 920201935_13609720103200777_201202.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

nome_arquivo_pdf_s : 13609720103200777_4875804.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Pedro Anan Junior (suplente convocado).

dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012

id : 4749882

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359358709760

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 152          1 151  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13609.720103/2007­77  Recurso nº  343.065   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­01.935  –  2ª Turma   Sessão de  14 de fevereiro de 2012  Matéria  ITR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOÃO CORTES DINIZ    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2005  ÁREA DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL  APRESENTADO  TEMPESTIVAMENTE.  POSSIBILIDADE  DE  SUBSTITUIÇÃO  POR  DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE.  Para  ser  possível  a  dedução  da  área  de  preservação  permanente  da  base  de  cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de  que  foi  requerido  tempestivamente  ao  IBAMA  a  expedição  de  Ato  Declaratório Ambiental (ADA).  Entretanto,  essa  obrigação  pode  ser  substituída  por  outro  documento  que  atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área.  No  caso,  foi  apresentada  declaração,  expedida  pelo  Instituto  Estadual  de  Florestas  ­  IEF  antes  do  exercício  fiscalizado,  de  que  o  imóvel  estava  totalmente  abrangido  em  área  de  preservação  permanente  definida  por  decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei,  pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental.  Recurso Especial do Procurador Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Pedro Anan Junior (suplente convocado).       (Assinado digitalmente)     Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.720103/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.935  CSRF­T2  Fl. 153          2 Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator    EDITADO EM: 23/02/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado) Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior  (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira  Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.   Relatório  O Acórdão nº 2801­00.338, da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  (fls.  113  a  116),  julgado  na  sessão  plenária de 9 de março de 2010, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso  voluntário, considerando possível a dedução de área de preservação permanente ­ APP incluída  em  Decreto  Estadual  que  definiu  área  de  proteção  especial  para  fins  de  preservação  de  mananciais, apesar do Ato Declaratório Ambiental – ADA do exercício ter sido protocolizado  intempestivamente. Transcreve­se a ementa do julgado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR   Exercício: 2005   ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ­ EXISTÊNCIA DE  DECRETO  ESTADUAL  E  DECLARAÇÃO  DO  INSTITUTO  ESTADUAL DE FLORESTA ­ Cabe excluir da tributação do ITR  as áreas abrangidas, conforme declarado pelo Instituto Estadual  de Floresta, pelos limites estabelecidos em Decreto Estadual que  definiu  área  de  proteção  especial  para  fins  de  preservação  de  mananciais   VALOR DA TERRA NUA (VTN) ­ Cabe manter o valor arbitrado  pela  fiscalização,  fundamentado  em  informações  prestadas  por  órgãos  oficiais  e  que  alimentam o  SIPT  (Sistema de Preços  de  Terra),  quando  o  contribuinte  não  apresenta  nenhum  elemento  de prova para corroborar o valor declarado.  Recurso provido parcialmente.    Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.720103/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.935  CSRF­T2  Fl. 154          3 Contra  essa  decisão,  a  Fazenda  Nacional  manejou  recurso  especial  de  divergência (fls. 119 a 141), onde defendeu a necessidade de apresentação tempestiva de ADA  para ser possível a dedução de APP da base de cálculo do ITR.  Para  a  matéria  em  discussão,  o  recorrente  apresentou  os  seguintes  paradigmas:  302­36.278  RECURSO  VOLUNTÁRIO  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL  RURAL  —  ITR  EXERCÍCIO  DE  1997  ÁREAS  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  E  DE  UTILIZAÇÃO LIMITADA.  A  existência  de  áreas  de  preservação  permanente  deve  ser  reconhecida  mediante  ato  declaratório  do  IBAMA,  ou  órgão  delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem  ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no  registro de imóveis competente.  NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.  302­36.783  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL  RURAL  — ITR.  EXERCÍCIO 1995.  ISENÇÃO:  imóvel  localizado  dentro  de  área  de  Parque  Nacional.  Para  que  uma  área  rural  seja  isenta  do  ITR,  por  ser  de  preservação permanente ou  de  interesse  ecológico,  na  hipótese  de  que  se  trata,  é  requisito  indispensável  que  a  mesma  seja  reconhecida, formal especifica e individualmente pelo IBAMA ou  por órgão delegado através de convênio.  EXPROPRIAÇÃO:  Quanto  a  imóveis  objeto  de  expropriação/desapropriação  pelo  Poder  Público,  o  ITR  continuará  devido  pelo  proprietário  depois  da  autorização  do  decreto  de  desapropriação  publicado,  salvo  se  houver  imissão  prévia na posse. (Lei 8.847/94, artigo 12)  NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.    O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 142 a 143.  Devidamente  cientificado  do  acórdão  e  do  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  (fl.  150),  o  contribuinte  não  apresentou  nem  recurso  especial  da  parte  que  lhe  foi  desfavorável, nem contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional (fl. 151).  É o relatório.  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.720103/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.935  CSRF­T2  Fl. 155          4     Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator  Pelo  que  consta  no  processo,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  A  discussão  trata  da  necessidade  de  apresentação  tempestiva  de  Ato  Declaratório Ambiental – ADA para se permitir a dedução de área de preservação permanente ­ APP da base de cálculo do ITR no exercício de 2005.  Sobre o tema, esclareça­se que a dedução da área de Preservação Permanente  tem  por  requisito  formal  a  apresentação  tempestiva  de  requerimento  ao  IBAMA  de  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA),  no  qual  é  informada  a  metragem  da  área,  o  que  somente  passou  a  ser  obrigatório  com o  advento  da Lei  no  10.165,  de  27  de dezembro  de  2000,  que  introduziu o art. 17­O na Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981.  Não há dúvidas de que a intenção do legislador era a de obrigar o beneficiário  da dedução tributária a informar ao órgão responsável da existência de área protegida, para que  esse  pudesse,  quando  possível,  verificar  a  consistência  da  informação,  e  assim  confirmar  a  pertinência da redução do tributo devido.  Entretanto,  o  acórdão  recorrido  dispensou  essa obrigação  devido  ao  imóvel  estar  totalmente  abrangido  em  área  de  preservação  permanente  pelo  Decreto  Estadual  n°  29.587,  de  08  de  junho  de  1989,  conforme  declaração  expedida  pelo  Instituto  Estadual  de  Florestas – IEF (fl. 98) em 26 de maio de 1994.  Concordo com decisão atacada.  Não  se  pode  perder  de  vista  que,  ao  exigir  a  apresentação  de  ADA,  a  lei  determina que o contribuinte informe tempestivamente ao órgão ambiental que possui área de  preservação permanente, permitindo posterior fiscalização.   No caso em tela, apesar de não possuir esse documento específico, o sujeito  passivo possui declaração de órgão ambiental, emitida muito antes do fato gerador, que atesta  que o imóvel está inteiramente inserido em área de preservação permanente.  Assim, há que se concluir que o documento apresentado é mais consistente  do  que  aquele  exigido  pela  lei,  pois  não  se  trata  de  mera  informação  para  que  o  órgão  ambiental  verifique  que  o  imóvel  possui  área  de  preservação  permanente,  mas  de  reconhecimento do fato pelo órgão.  Nesse  sentido,  entendo  que  a  exigência  legal  foi  atendida  por  documento  diferente do nela previsto, mas que cumpre de forma mais completa a intenção do legislador.  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.720103/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.935  CSRF­T2  Fl. 156          5 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito,  negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                               Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

score : 1.0
4750646 #
Numero do processo: 10183.006350/2005-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2000. COMPROVAÇÃO VIA TERMO DE RESPONSABILIDADE DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA LAVRADO ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR E AVERBADO. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente a partir de Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta lavrado anteriormente ao fato gerador do tributo, devidamente averbado à margem da matrícula do imóvel, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.018
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201203

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2000. COMPROVAÇÃO VIA TERMO DE RESPONSABILIDADE DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA LAVRADO ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR E AVERBADO. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente a partir de Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta lavrado anteriormente ao fato gerador do tributo, devidamente averbado à margem da matrícula do imóvel, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10183.006350/2005-55

anomes_publicacao_s : 201203

conteudo_id_s : 4877625

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020

numero_decisao_s : 9202-002.018

nome_arquivo_s : 920202018_10183006350200555_201203.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10183006350200555_4877625.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012

id : 4750646

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:50 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359360806912

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 200          1 199  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10183.006350/2005­55  Recurso nº  339.018   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­02.018  –  2ª Turma   Sessão de  20 de março de 2012  Matéria  ITR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AIRTON NOGUEIRA COSTA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2001  ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL.  EXERCÍCIO  POSTERIOR  A  2000.  COMPROVAÇÃO  VIA  TERMO  DE  RESPONSABILIDADE DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA LAVRADO  ANTERIORMENTE  AO  FATO  GERADOR  E  AVERBADO.  ADA  INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.  HIPÓTESE DE ISENÇÃO.  Tratando­se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente  comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente a partir de  Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta lavrado anteriormente  ao fato gerador do tributo, devidamente averbado à margem da matrícula do  imóvel,  ainda  que  apresentado  ADA  intempestivo,  impõe­se  o  reconhecimento de aludidas áreas,  glosadas pela  fiscalização, para efeito de  cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL.  TEMPESTIVIDADE.  INEXIGÊNCIA  NA  LEGISLAÇÃO  HODIERNA.  APLICAÇÃO  RETROATIVA.  Inexistindo  na  Lei  n°  10.165/2000,  que  alterou  o  artigo  17­O  da  Lei  n°  6.938/81,  exigência  à  observância  de  qualquer  prazo  para  requerimento  do  ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a  data de  sua  requisição/apresentação,  sobretudo  quando  se  constata  que  fora  requerido anteriormente ao início da ação fiscal.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 219DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 201          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator   EDITADO EM: 23/03/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Susy  Gomes  Hoffmann  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan  Junior  (suplente  convocado),  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa  (suplente  convocado),  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  AIRTON NOGUEIRA COSTA,  contribuinte,  pessoa  física,  já  devidamente  qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe,  teve contra si  lavrado Auto de  Infração,  em  20/12/2005,  exigindo­lhe  crédito  tributário  concernente  ao  Imposto  sobre  a  Propriedade Territorial Rural ­ ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel  rural  denominado  “Fazenda Rio Novo”,  localizado  no município  de  Poconé/MT,  inscrita  na  RFB sob nº 4250241­1, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/09, e demais documentos  que instruem o processo.  Após  regular processamento,  interposto  recurso voluntário a então 3a Seção  de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão  nº 04­11.857/2007, às fls. 114/117, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a  Egrégia 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 26/03/2009, por unanimidade de votos, achou  por  bem  DAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  DO  CONTRIBUINTE,  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos  inseridos  no Acórdão  nº  3101­00.025,  sintetizados  na  seguinte ementa:  “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR  EXERCÍCIO: 2001  Normas  gerais  de  Direito  Tributário.  Lançamento  por  homologação.  Na  vigência  da  Lei  9.393,  de  19  de  dezembro  de  1996,  o  contribuinte  do  ITR  está  obrigado  a  apurar  e  a  promover  o  pagamento  do  tributo,  subordinado  o  lançamento  à  posterior  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 202          3 homologação  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  É  exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus  da  prova  da  veracidade  de  suas  declarações  contraditadas  enquanto não consumada a homologação.  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  (ITR).  Não­ incidência. Área de preservação permanente.  Sobre a área de preservação permanente não há  incidência do  tributo.  Prescindível  o  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  do  Ibama para a comprovação dessa área. Imprescindível a prévia  declaração  por  ato  do  poder  público  no  caso  das  áreas  com  quaisquer das  finalidades previstas nas alíneas do artigo 3° do  Código Florestal, diferentemente das áreas identificadas com os  parâmetros definidos no artigo 2°, com a redação dada pela Lei  7.803,  de  1989,  cujo  documento  com  força  probante  é  o  laudo  técnico que comprove a identidade entre as reais características  do imóvel rural ou de parte dele com os parâmetros citados, sem  olvidar  da  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica  (ART)  no  órgão de classe competente.  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  (ITR).  Não­ incidência. Área de utilização limitada.  Sobre a área de utilização limitada não há incidência do tributo.  Carece  de  fundamento  jurídico  a  glosa  da  área  de  utilização  limitada quando unicamente motivada na falta de apresentação  do Ato Declaratório Ambiental do Ibama.  Recurso voluntário provido.”  Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional  interpôs Recurso Especial,  às  fls.  154/163,  com  arrimo  nos  artigos  67  a  70  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  procurando  demonstrar  a  insubsistência  do  Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal, insurge­se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a  efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do  Acórdão nº 302­39.244,  impondo seja conhecido o  recurso especial da  recorrente, porquanto  comprovada a divergência arguida.  Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do  decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal  e  de  preservação  permanente,  para  fins  de  não  incidência  do  ITR,  depende  da  requisição  atempada do ADA, respectivamente, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida.  Alega,  igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais  que  regulam  a  matéria,  especialmente  os  preceitos  contidos  nas  Leis  n°s  9.393/1996,  6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  assevera  que  a  exigência  encimada  foi  expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei  9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997.  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 203          4 Contrapõe­se ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para  tanto que  as áreas de reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal  em  seu  artigo  16  e  que,  para  serem  consideradas  como  tal  não  bastam  apenas  “existir”  no  mundo  fático,  mas  devem  “existir”  também  no  mundo  jurídico  quando  reconhecidas  pelo  IBAMA  a  partir  da  requisição  do  ADA,  mormente  quando  referida  exigência  decorre  da  legislação  de  regência,  mais  precisamente  a  Lei  nº  4.771/65,  que  deverá  ser  interpretada  literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário.  Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA),  protocolado  junto  ao  IBAMA,  no  prazo  estipulado  na  legislação.  Infere  que  a  Receita  Federal  do  Brasil  já  se  manifestou  por  diversas  oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR  sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento  como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel  informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF,  notadamente  o  artigo  10,  §  4º,  inciso  I,  da  IN  SRF  nº  43/1997,  que  disciplinou  a  Lei  nº  9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997.  No  presente  caso,  tratando­se  do  exercício  de  2001,  com  mais  razão  a  exigência  do  Ato  Declaratório  Ambiental,  ou  mesmo  a  protocolização  tempestiva  de  seu  requerimento,  se  faz  presente,  sobretudo  após  a  alteração  do  artigo  17­O,  §  1º,  da  Lei  nº  6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000.  Assim,  inexistindo  na  hipótese  dos  autos  provas  de  que  a  contribuinte  procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõe­se à manutenção  das glosas realizadas pela fiscalização.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido  a  exame  de  admissibilidade,  o  ilustre  então  Presidente  da  2ª  Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional,  sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de  outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito das  mesmas matérias, conforme Despacho n° 2201­00.248/2010, às fls. 176/177.  Instado  a  se  manifestar  a  propósito  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 185/195, corroborando as razões  de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção.  É o Relatório.  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 204          5   Voto             Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda  Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais.  Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente  a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas  contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação,  bem como a legislação de regência, uma vez  ter afastado a glosa procedida pela  fiscalização  deixando  de  considerar  a  ausência  de  comprovação  do  protocolo  do  requerimento  de  ato  declaratório  junto  ao  IBAMA no prazo  legal,  capaz de  justificar  a  isenção do  ITR na  forma  inscrita no decisório guerreado.  Sustenta,  ainda,  a  PFN  que  ao  desconsiderar  a  exigência  do  requerimento  tempestivo  do  ADA  para  fins  da  benesse  isentiva,  a  Câmara  recorrida  malferiu  as  normas  insertas  nas  Leis  n°s  9.393/1996,  6.938/1981  e  10.165/2000,  mormente  tratando­se  do  exercício  de  2001,  posteriormente  ao  advento  da  alteração  do  artigo  17­O,  §  1º,  da  Lei  nº  6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000.  Como  se  observa,  resumidamente,  o  cerne  da  questão  posta  nos  autos  é  a  discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA  dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de  não incidência do Imposto Territorial Rural ­ ITR.  Consoante  se  infere  dos  autos,  conclui­se  que  a  pretensão  da  Fazenda  Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema,  contrariando  a  farta  e  mansa  jurisprudência  administrativa.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem o processo, constata­se que o Acórdão recorrido apresenta­se incensurável, devendo  ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar.  Antes  mesmo  de  se  adentrar  ao  mérito,  cumpre  trazer  à  baila  a  legislação  tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e  parágrafo  7º,  da  Lei  nº  9.393/1996,  na  redação  dada  pelo  artigo  3º  da Medida  Provisória  nº  2.166/2001, nos seguintes termos:  “Art.  10.  A  apuração  e  o  pagamento  do  ITR  serão  efetuados  pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando­se  a homologação posterior.  § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:  I ­ VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a:  a) construções, instalações e benfeitorias;  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 205          6 b) culturas permanentes e temporárias;  c) pastagens cultivadas e melhoradas;  d) florestas plantadas;  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a) de preservação permanente  e de  reserva  legal,  previstas na  Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada  pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;  b)  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou  estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea  anterior;  [...]  § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas  de  que  tratam  as  alíneas  "a"  e  "d"  do  inciso  II,  §  1o,  deste  artigo,  não  está  sujeita  à  prévia  comprovação  por  parte  do  declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei,  caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira,  sem  prejuízo  de  outras  sanções  aplicáveis.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001)” (grifamos)  Conforme  se  extrai  dos  dispositivos  legais  encimados,  a questão  remonta  a  um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental  junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural  goze  do  direito  de  isenção  do  ITR  relativo  às  glebas  de  terra  destinadas  à  preservação  permanente e reserva legal.  Somente  a  título  elucidativo,  não  sendo  a  requisição  atempada  do  ADA,  anteriormente ao exercício 2000, condição  legal para obtenção do beneficio  isentivo que ora  cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer  que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a  inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá­la como sendo área passível de  aproveitamento, e, portanto, tributável.  Contudo, ainda que a  legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a  2000,  em  face  da  ausência  do ADA,  o  reconhecimento  da  inexistência  das  áreas  de  reserva  legal  e  preservação  permanente  decorrente  de  um  raciocínio  presuntivo,  não  torna  essa  condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem  a efetiva destinação de gleba de  terra para  fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o  mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não  daquelas áreas.  Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva  legal e/ou preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não  requisição  tempestiva  do  ADA,  e  demonstrada,  por  outros  meios  de  prova,  a  existência  da  destinação  de  área  para  fins  de  proteção  ambiental,  deverá  ser  restabelecida  a  declaração  do  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 206          7 contribuinte,  e  lhe  ser  assegurado  o  direito  de  excluir  do  cálculo  do  ITR  à  parte  da  sua  propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como se constata nestes autos.  Registre­se,  que  a  jurisprudência  Judicial  que  se  ocupou  do  tema,  notadamente  após  a  edição  da  Lei  n°  10.165/2000,  oferece  proteção  ao  entendimento  encimado,  ressaltando,  inclusive,  que  a  MP  n°  2.166/2001,  por  ser  posterior  ao  primeiro  Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que  não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove  a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante  documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, deve­se admiti­ las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim emantados:  “TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  IMPOSTO  SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR. LEI N.  9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  E  RESERVA  LEGAL.  DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA.  MP.  2.166­67/2001.  APLICAÇÃO  DO  ART.  106  DO  CTN.  1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa ­ SRF  73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ­  ADA  comprovando  as  áreas  de  preservação  permanente  e  reserva legal na área total como condição para dedução da base  de cálculo do Imposto Territorial Rural ­ ITR, tendo em vista que  a  previsão  legal  não  a  exige  para  todas  as  áreas  em  questão,  mas,  tão­somente,  para  aquelas  relacionadas  no  art.  3º,  do  Código  Florestal"  (AMS  2005.35.00011206­7/GO,  Rel.  Desembargadora  Federal  Maria  do  Carmo  Cardoso,  DJ  de  10.05.2007).  2.  A  Lei  n.  10.165/00  inseriu  o  art.  17­O  na  Lei  n.  6.938/81,  exigindo  para  fins  de  exclusão  das  áreas  de  preservação  permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação  do Ato Declaratório Ambiental (ADA).  3.  Consoante  a  jurisprudência  do  STJ,  a  MP  2.166­67/2001,  que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de  preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do  art.  10  da  Lei  9.393/96,  veicula  regra  mais  benéfica  ao  contribuinte,  devendo  retroagir,  a  teor  disposto nos  incisos  do  art.  106  do  CTN,  porquanto  referido  diploma  autoriza  a  retrooperância  da  lex  mitior,  dispensando  a  apresentação  prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17­O da  Lei  n.  6.938/81,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n.  10.165/00.  4.  Apelação  provida.”  (8ª  Turma  do TRF  da  1ª Região  ­ AMS  2005.36.00.008725­0/MT ­ e­DJF1 p.334 de 20/11/2009)  “EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL.  IMPOSTO  TERRITORIAL RURAL ­ ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL.  APRESENTAÇÃO  ADA.  AVERBAÇÃO  MATRÍCULA.  DESNECESSIDADE.  ÁREAS  DE  PASTAGENS.  DIAT  ­  DOCUMENTO  DE  INFORMAÇÃO  E  APURAÇÃO.  DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO.  1.  Não  se  faz  mais  necessária  a  apresentação  do  ADA  para  a  configuração de  áreas  de  reserva  legal  e  consequente  exclusão  do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 207          8 nº  9.393/96  (redação  da  MP  2.166­67/01).  Tal  regra,  por  ter  cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar  os contribuintes.  2.  A  isenção  decorrente  do  reconhecimento  da  área  não  tributável  pelo  ITR  não  fica  condicionada  à  averbação,  a  qual  possui  tão somente o condão de declarar uma situação  jurídica  já existente, não possuindo caráter constitutivo.  3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do  imóvel,  ou  a  averbação  feita  alguns  meses  após  a  data  de  ocorrência do fato gerador, não é, por si só,  fato impeditivo ao  aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do  ITR,  ante  a  proteção  legal  estabelecida  pelo  art.  16  da  Lei  nº  4.771/65.  4.  Cabe  ao  Fisco  demonstrar  que  houve  equívoco  no  DIAT  ­  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  ITR,  passível  de  fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade  com  o  art.  14,  caput,  da  Lei  nº  9.393/96,  o  que  não  restou  evidenciado na hipótese dos autos.  5.  Apelação  e  remessa  oficial  desprovidas.”  (2ª  Turma  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região  ­ APELAÇÃO CÍVEL  Nº 2008.70.00.006274­2/PR ­ 28 de junho de 2011)  Como se observa, em face da  legislação posterior  (MP n° 2.166/2001) mais  benéfica,  dispensando  o  contribuinte  de  comprovação  prévia  das  áreas  declaradas  em  sua  DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal  em  epígrafe,  mormente  em  homenagem  ao  princípio  da  retroatividade  benigna  da  referida  norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000.  Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não  deve sobrepor  à verdade  real, notadamente quando a  lei disciplinadora da  isenção assim não  estabelece.  Entrementes,  afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da  matéria,  acima  explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de  que  inexiste  previsão  legal,  anteriormente  à  vigência  da  Lei  no  10.165,  de  28/12/2000,  contemplando  a  exigência  do ADA  para  efeito  de  não  incidência  de  ITR  sobre  as  áreas  de  preservação permanente e reserva legal.  Aliás,  o  Pleno  da  CSRF,  em  08/12/2009,  aprovou  a  Súmula  n°  41,  contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes  autos, senão vejamos:  “A  não  apresentação  do  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA)  emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o  lançamento de ofício relativo a  fatos geradores ocorridos até o  exercício de 2000.”  No entanto, a  jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento  de  que,  após  a  alteração  introduzida  pela  Lei  n°  10.165/2000,  em  que  pese  à  legislação  de  regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em  momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem  acolhendo  a  pretensão  do  contribuinte,  reconhecendo  a  isenção  de  tais  áreas,  ainda  que  apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10183.006350/2005­55  Acórdão n.º 9202­02.018  CSRF­T2  Fl. 208          9 A corroborar este entendimento,  ressalta­se que a  Instrução Normativa SRF  n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório  Ambiental  junto  ao  IBAMA,  somente  exigindo  a  apresentação  de  referido  documento,  ao  contrário  do  estipulado  nas  Instruções  Normativas  SRF  nºs  43/1997  e  67/1997,  as  quais  prescreviam  o  prazo  de  06  (Seis)  meses,  contados  da  data  da  entrega  da  DITR,  para  protocolização do requerimento do ADA.  Assim,  inobstante  Instruções  Normativas  não  vincularem  este  Órgão,  tratando­se  de  legislação  mais  recente  impõe­se  a  sua  observância,  inclusive  para  fatos  geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor  do  contribuinte,  que apresentou ADA,  às  fls.  94,  contemplando as  áreas objeto da demanda,  ainda que intempestivamente, datado de 29/12/2005 (após o início da ação fiscal).  Por  sua  vez,  relativamente  à  área  de  reserva  legal  e  à  própria APP,  o  que  torna  ainda  mais  digno  de  realce,  é  que  o  contribuinte  trouxe  à  baila  documentos  comprobatórios  de  sua  existência,  dando  conta  inclusive  que  fora  lavrado  Termo  de  Responsabilidade e Preservação de Floresta junto ao IBAMA, anteriormente ao fato gerador do  tributo,  em  08/10/1999,  com  a  respectiva  averbação  à  margem  da  matrícula  do  imóvel  procedida em 10/01/2001 (antes do início da ação fiscal), como se contata do documento de fl.  39.  Dessa  forma,  escorreito  o  Acórdão  recorrido  devendo,  nesse  sentido,  ser  mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma  Ordinária da 1a Câmara da 3a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a  recorrente não  logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado.  Por  todo  o  exposto,  estando  o Acórdão  guerreado  em  consonância  com  os  dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO  AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas  razões de  fato  e de direito  acima  esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira                                Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL

score : 1.0
4748874 #
Numero do processo: 13963.001004/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 10/09/2009 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRFB na administração previdenciária. Ao deixar de descrever em folha de pagamento os valores pagos as pessoas que encontravam-se de fato sob sua seara, seja enquanto empregados de fato ou contribuintes individuais, incorreu a empresa em inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/09/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA CONFISCATÓRIA PREVISÃO LEGAL PARA MULTA. O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.225
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201201

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 10/09/2009 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRFB na administração previdenciária. Ao deixar de descrever em folha de pagamento os valores pagos as pessoas que encontravam-se de fato sob sua seara, seja enquanto empregados de fato ou contribuintes individuais, incorreu a empresa em inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/09/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA CONFISCATÓRIA PREVISÃO LEGAL PARA MULTA. O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 13963.001004/2009-15

anomes_publicacao_s : 201201

conteudo_id_s : 4882525

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 2401-002.225

nome_arquivo_s : 2401002225_13963001004200915_201201.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 13963001004200915_4882525.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012

id : 4748874

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359373389824

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 1          1             S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13963.001004/2009­15  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2401­02.225  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2012  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  Recorrente  IRMAOS DA ROLT TRANSPORTES IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 10/09/2009  CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91  C/C ARTIGO 225,  I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL,  APROVADO PELO DECRETO N.º  3.048/99  ­ NÃO ELABORAÇÃO DE  FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.  A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto­de­ infração,  o  qual  se  constitui,  principalmente,  em  forma  de  exigir  que  a  obrigação seja cumprida; obrigação que tem por  finalidade auxiliar a SRFB  na administração previdenciária.  Ao deixar de descrever em folha de pagamento os valores pagos as pessoas  que encontravam­se de fato sob sua seara, seja enquanto empregados de fato  ou contribuintes  individuais,  incorreu a empresa em inobservância do artigo  32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º  3.048/99.  A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga,  devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as  parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 10/09/2009  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­ MULTA CONFISCATÓRIA  ­ PREVISÃO LEGAL PARA  MULTA.  O Auto  de  Infração  ao  ser  aplicado  não  se  transforma  em meio  obtuso  de  arrecadação,  nem  possui  efeito  confiscatório.  Pelo  contrário,  na  legislação  previdenciária,  a  aplicação  de  auto  de  infração  não  possui  a  natureza     Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2 meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação  ou até mesmo de relevação da multa.   Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.  Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza,  Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001004/2009­15  Acórdão n.º 2401­02.225  S2­C4T1  Fl. 2          3   Relatório  O  presente  Auto  de  Infração  de  obrigação  acessória,  lavrado  sob  n.  37.237.592­8, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I  da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n °  3.048/1999.  Segundo  a  fiscalização  previdenciária,  a  recorrente  deixou  de  elaborar  folha  de  pagamento  com  todas  as  remunerações  dos  segurados  que  lhe  prestaram  serviço,  de  acordo  com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS.   Segundo a fiscalização previdenciária, durante a fiscalização verificou­se que  através de procedimentos de auditoria constatou­se que o sujeito passivo apresentou Guias de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O procedimento  fiscal  abrangeu,  além  do  sujeito  passivo,  as  pessoas  jurídicas R.M.G. Transportes  Ltda ME,  R.A. Transporte Ltda ME, Transporte  e Reforma de Carretas da Rolt Ltda, Ulis Transportes  Ltda, F.J.B. Transportes Ltda, J.C.M.F. Transportes Ltda ME, R.P.R.M. Transportes Ltda ME.  A auditoria constatou as seguintes práticas irregulares no sujeito passivo:  Fracionamento  meramente  formal  da  empresa  Irmãos  Da  Rolt  Transportes  Imp  e  Exp  Ltda,  com  transferência  dos  vínculos  empregaticios  para  as  pessoas  jurídicas  abrangidas.  Tal  estratagema  tem  por  finalidade  a  obtenção  indevida  do  tratamento  tributário  favorecido  que  foi  instituído  pela  Lei  9.317/96  ­  Lei  do  SIMPLES.  Os  trabalhadores  registrados  apenas  formalmente  nas  pessoas  jurídicas  abrangidas  não  foram,  consequentemente,  inseridos  nas  folhas  de  pagamento  do  autuado  nem  os  fatos  geradores  respectivos declarados através de GFIP.  Pagamento extra­folha de comissões  sobre  fretes aos motoristas,  constatado  em reclamatórias trabalhistas e em processo investigatório no Ministério Público do Trabalho.  A remuneração paga a titulo de comissão não foi inserida nas folhas de pagamentos do autuado  nem os fatos geradores respectivos declarados em GFIP.  Os  fatos  acima descritos  estão demonstrados no  relatório  fiscal  do Auto  de  Infração no 37.237.594­4, em anexo.  Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu­se em 10/09/2009, tendo a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009.   Não  conformada  com  a  notificação,  foi  apresentada  defesa  pela  notificada,  fls. 94 a 125.   A Decisão de 1  instância confirmou a procedência  total do  lançamento,  fls.  134 a 139.  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso pela notificada, conforme fls. 140 a 172. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega  o seguinte:  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4 1.  Depreende­se  do  relatório  fiscal  de  fls.  08  a  66,  que  a  autoridade  fiscal  utilizou  o  arbitramento  como  forma  de  apontamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  seja  no  aspecto  de  pagamento  de  comissões  sobre  o  frete,  ou  seja  na  determinação de que as empresas abrangidas pelo procedimento fiscal fazem parte de um  grupo econômico.  2.  Quando a autoridade fiscal arbitra tal procedimento não há como manter a exigência da  multa por descumprimento de obrigação acessória com o arbitramento, em que há uma  inversão do ônus da prova, contudo deve a autoridade fiscal identificar o fato gerador da  obrigação principal.  3.  Desta  forma  não  há  como  ser  mantida  a  exigência  de  tal  crédito  tributário  pois,  no  aspecto  de  comissão  de  frete  foi  efetuado  com  base  de  em  arbitramento  sem  a  identificação de ocorrência do fato gerador.  4.  No outro  aspecto,  de  fracionamento de  folha de pagamento,  a  afirmação  da autoridade  fiscal é de que houve falta de informações em GFIP no  tocante a esses  fatos geradores  que abrangem as demais pessoas jurídicas, contudo, a .própria autoridade fiscal elencou a  base de cálculo, do crédito tributário lançado de oficio, extraída da própria GFIP entregue  pelos  sujeitos  passivos,  demonstrando  assim,  que  não  houve  omissão  na  declaração  e  entrega da GFIP • dos fatos geradores, o que ocorreu foi a desconsideração dos fatos pela  autoridade  fiscal  em quando há o  arbitramento não há  como prevalecer  a  aplicação de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  pois  o  arbitramento  é  incompatível  com o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória.  5.  Acerca desta declaração que consta no acórdão, podemos afirmar que conforme dispõe a  legislação, quando utilizado a presunção (arbitramento) não se pode constatar que houve  infração a legislação tributaria, pois, abandona­se os fatos e presumem­se outros.  6.  No Relatório de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização de folhas 50 a 105,  especificadamente  ao  item  14  folhas  97,  a  autoridade  fiscal  faz  menção  somente  a  presunções,  ou  seja,  utilizou­se  de  prática  tida  pela  autoridade  fiscal  como  pública  e  notória  (fls. 97) no segmento de  transporte de cargas presumindo o pagamento de 10%  (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados aos empregados.  7.  Ocorre  que  tais  fatos  não  ocorreram  nem  tão  pouco  foram  comprovados  pela  autoridade  fiscal  no  decorrer  do  procedimento  fiscalizatório  e  na  apresentação  do  relatório  final  de verificação  fiscal  a  fls.  50  a 105,  sendo  impossível  a  admissibilidade  deste  entendimento  como  pressuposto  de  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal, conforme será demonstrado em item a seguir.  8.  Contudo, na exposição de motivos do relatório final (fls 50 a 105), podemos constar que  não há a identificação precisa do fato gerador da obrigação principal, ou seja, além de  utilizar­se da presunção simples (para inverter o ônus da prova), a autoridade fiscal tem  o dever de identificar o fato • gerador da obrigação tributária e, identificando­a, deve  constar no relatório final para que seja dada oportunidade de ampla defesa e contraditório  ao contribuinte, sujeito passivo do crédito tributário lançado de oficio.  9.  Desta forma, podemos afirmar que no relatório de folhas 50 a 105, não houve por parte  do auditor fiscal identificação do fato gerador, apenas aplicou a inversão do ônus da  prova,  aplicando  o  percentual  de  10%  (dez  por  cento)  sobre  o  faturamento,  conforme  fls.  86,  para  fins  de  arbitrar  o  referido  valor  tido  como  pago  aos  motoristas.  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001004/2009­15  Acórdão n.º 2401­02.225  S2­C4T1  Fl. 3          5 10.  Assim, resta por cercear o direito de defesa do contribuinte neste aspecto, lhe imputando  multa por descumprimento de obriqação acessória sem a devida identificação dos fatos.  11.  Desta  maneira  paira  uma  pergunta:  é  possível  aplicar  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  por  não  entregar  a  GFIP  contendo  fatos  arbitradamente  (presumidamente) ocorridos?  12.  Destarte, consta a fls 122, o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal — TEPF, o  qual  demonstra  no  campo  "Informações  Complementares"  que  a  autoridade  fiscal  verificou  os  livros Diários  de n.°  09  a  18  referente  aos  exercícios  de  2006  a  2008,  do  contribuinte  ora  impugnante,  contudo,  em  nenhum  momento  na  verificação  dos  fatos  contábeis  elencados  nos Livros Diários,  houve  a  identificação,  por  parte  da  autoridade  fiscal,  de  pagamentos  aos  empregados  e  que  fosse  considerado  como  fato  gerador  da  obrigação  principal  que  ensejasse  na  constituição  do  crédito  tributário  referente  as  contribuições sociais.  13.  Salientamos  que  diante  do  posicionamento  da  autoridade  fiscal  que  somente  efetuou  a  inversão  do  ônus  da  prova  sem  identificar  o  fato  gerador,  cerceia  a  d•  efesa  do  contribuinte, ora impugnante, pois, a não identificação completa do fato gerador implica  numa  defesa  sem  objetivo  real,  ou  seja,  implica  numa  defesa  sem  impugnar  os  verdadeiros fatos que estão sendo imputados ao contribuinte.  14.  Conforme  consta  no  relatório  final  de  verificação  fiscal,  as  folhas  50  a  105,  onde  a  autoridade fiscal descreve os fatos ocorridos, podemos constatar que houve a utilização  de fatos "presumidos" pela autoridade fiscal, especificadamente no item 14 a fls 97.  15.  Assim, conforme acima, fica evidenciado que houve a utilização de presunção por parte  da  autoridade  fiscal,  que,  utilizando­se  desta  presunção  fez  nascer  o  fato  imponivel  levando este a presunção de ocorrência do fato gerador dos tributos.  16.  A presunção  legal deve ser utilizada quando o contribuinte  tenta  ludibriar a autoridade  fazenddria, e a presunção existe para,no caso do Direito Tributário, para inverter o ônus  da  prova,  contudo  não  pode  existir  somente  a  presunção,  esta  deve  coexistir  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  que  é  o  fato  imponivel  disposto  na  legislação.  Em  outras  palavras a mera presunção legal em lei não indica ocorrência do fato gerador, apenas a  possibilidade do fisco presumir que tal fato ocorrido é fato gerador de tributo.  17.  Em  nenhum  momento  a  autoridade  fiscal  identificou  na  contabilidade  da  empresa  os  possíveis  depósitos  ou  pagamentos  efetuados  aos  empregados  a  titulo  de  comissões  de  fretes, pois nem poderia, eis que tais fatos imputados ao contribuinte não ocorreram.  18.  A autoridade fiscal apenas logrou presumir que "seja uma. praxe do sujeito passivo já a  muito  tempo,  são  pagas  em  dinheiro  e  não  figuram  na  folha  de  pagamento  ou  na  contabilidade  apresentadas  a  auditoria  fiscal."  (folhas  85)  ,  contudo  indícios  não  são  fatos geradores de tributos.  19.  Com  o  condão  de  afirmar  o  seu  entendimento  de  necessidade  de  comprovação  fatico­ probatória a autoridade fiscal acosta ao relatório fiscal o que chama de "acerto de contas  Irmãos  Da  Rolt"  e  "Relatório  para  Controle  de  Viagens",  contudo,  sem  identificar  a  ocorrência do fato gerador.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6 20.  Colaciona  decisões  do  Conselho  de  Contribuinte,  dando  provimento  ao  recurso  da  recorrente  naquele  processo,  pois,  a Autuante  (Fisco)  não  logrou  comprovar  o  efetivo  pagamento aos  terceiros beneficiários,  e, para  tanto a contabilidade restou por provar a  presunção em contrario levantada pelo Fisco.  21.  Desta forma, em não sendo a contabilidade desconsiderada a mesma faz prova a favor do  contribuinte, ora impugnante.  22.  Desta forma resta cristalino que não houve a identificação de ocorrência do fato gerador,  pois  a  própria  autoridade  afirma  que  o  levantamento  foi  efetuado  com  base  no  faturamento, ou seja, através de arbitramento.  23.  Podemos afirmar que "a caracterização de um ilícito pode dar­se por uma de duas vias:  por  uma  presunção  legalmente  estabelecida  ou,  então,  pela  comprovação  material,  inequívoca, concludente da infração".  24.  A autoridade fiscal relacionou a fls 73 a 86, um gama de informações em processos do  âmbito  trabalhista,  contudo,  tais  fatos,  em quase  •  sua  totalidade,  são de processos que  tramitaram  antes  da  data  de  inicio  dos  procedimentos  de  fiscalização  e,  portanto,  não  podem ser usados como prova fático­probatória de ocorrência de fatos geradores.  25.  No âmbito do processo  trabalhista,  é notório que o demandante  sempre  relaciona  fatos  que não condizem com a realidade dos fatos, cabendo ao juízo do processo a constatação  dos fatos elencados e foram esses fatos que foram destacados pela autoridade fiscal para  desconsiderar a necessidade de identificação de pagamento de comissão, ou seja, o fato  gerador.  26.  A natureza da multa moratória fiscal tem um perfil nitidamente sancionatório, isto 6, visa  a punição, e não o ressarcimento como leva a crer o seu rótulo. Assim, por óbvio, a mora  do devedor provoca danos ao patrimônio do credor, do Fisco em se tratando de tributos,  que devem ser indenizados.  27.  A imposição da penalidade de 100% é absolutamente imprópria, pois configura confisco,  o  que  é  expressamente  refutado  pela  Constituição  Federal  de  1988. Assim,  a  previsão  dessa  multa  em  percentual  tão  elevado  configura  ato  legislativo  da  mais  absoluta  inconstitucionalidade, eivandose, por conseguinte, a sua aplicação do mesmo vicio.  28.  Resta claro que a taxa SELIC não pode ser exigida na composição dos débitos tributários.  29.  Face  ao  exposto,  requer  o  Contribuinte  a  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  que  seja  conhecido  e  provido  o  presente  Recurso,  para  reformar  a  decisão  proferida  pela  5a  Turma  de  Julgamento,  para  o  fim  de  cancelar  os  Autos  de  Infração, face à improcedência dos mesmos.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil,  encaminhou  o  processo  a  este  Conselho sem o oferecimento de contra­razões.  É o relatório.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001004/2009­15  Acórdão n.º 2401­02.225  S2­C4T1  Fl. 4          7   Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  181.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DO MÉRITO  QUANTO AO VÍCIO NO PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO  No recurso em questão, o contribuinte resumiu­se a atacar a inocorrência dos  fatos geradores,  alegando  tratar­se de presunção por arbitramento,  o que por  si  já afastaria  a  autuação, bem como a validade da multa aplicada. Dessa forma, em relação as faltas que lhe  foram imputadas, objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da  Decisão,  presume­se  a  concordância  da  recorrente  com  a  Decisão  de  1  instância.  Não  demonstrou o recorrente que a obrigação foi cumprida.  Alegando  nulidade,  argumenta  o  recorrente  que  o  procedimento  administrativo adotado com base no arbitramento da base de cálculo, não poderia ser realizado  da forma como foi,  independente da causa,  legal ou contratual, o que malfere o princípio do  devido processo  legal,  posto que não houve a devida motivação do arbitramento,  ou mesmo  fundamentação  para  que  se  apurasse  determinadas  verbas  como  salário  de  contribuição,  considerando sua natureza.  Quanto  as  ditas  alegações,  em  primeiro  lugar  cumpre­nos  destacar  que  o  procedimento  fiscal  atendeu  todas  as  determinações  legais,  não  havendo,  pois,  nulidade  por  cerceamento de defesa, ou vício no procedimento, conforme alegado pela recorrente.   Observa­se  anexo  ao  relatório  fiscal  e  mencionado  no  corpo  do  próprio  relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls.  68  a  82,  com  a  competente  designação  do  auditor  fiscal  responsável  pelo  cumprimento  do  procedimento, o período de cobertura, e a solicitação de esclarecimentos.  Foi  realizada  a  devida  intimação  para  a  apresentação  dos  documentos  conforme Termos de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os  documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária.  Foi  realizada  a  conclusão  dos  trabalhos  com  a  emissão  do  Termo  de  Encerramento,  fl.  85,  com  a  apresentação  ao  contribuinte  dos  fatos  geradores  por  meio  de  relatórios  e  fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias  para  que  o  autuado  pudesse  efetuar  as  impugnações que considerasse pertinentes.  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8 Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por  não  ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram o arbitramento,  esclarecendo acerca dos fato geradores apurados, entendo que razão não assiste ao recorrente.  Quanto  à  impossibilidade  de  lavratura  de  Auto  de  Infração  quando  o  procedimento resulta em arbitramento, entendo que razão não assiste ao recorrente.  O próprio conceito de auditoria descrito nas instruções normativas, esclarece  seu objetivo.   Art.  570.  A  Auditoria­Fiscal  Previdenciária  ­  AFP  ou  Fiscalização  é  o  procedimento  fiscal  externo  que  objetiva  orientar,  verificar  e  controlar  o  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  por  parte  do  sujeito  passivo,  podendo  resultar  em  lançamento  de  crédito  previdenciário,  em  Termo  de  Arrolamento  de  Bens  e  Direitos,  em  lavratura  de  Auto  de  Infração ou  em apreensão  de  documentos  de qualquer  espécie,  inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer  outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados.  O auditor apurou as contribuições, considerando que a empresa utiliza­se de  forma  indevida  de  empresas  interposta,  não  havendo  por  parte  do  recorrente  qualquer  argumento quanto aos fatos descritos pelo auditor no relatório, quanto a simulação realizada.  Ademais,  não  compete  ao  auditor  fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  ou  o  descumprimento de obrigação acessória,  face a ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe  lavrar  de  imediato o Auto de  Infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O  art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  Note­se, que a base para a autuação, da obrigação acessória em questão, está  prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras:  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  I  ­  preparar  folhas­de­pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade Social;  Como se percebe,  a própria  lei  conferiu poderes ao  INSS, e posteriormente  RP,  atual  SRFB,  para  definir  o  padrão  e  as  normas  de  elaboração  dos  documentos.  A  elaboração  das  folhas  de  pagamentos  está  disciplinada  no  art.  225  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras:  Art.225. A empresa é também obrigada a:  I  ­  preparar  folha de pagamento da  remuneração paga, devida  ou  creditada  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  devendo  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001004/2009­15  Acórdão n.º 2401­02.225  S2­C4T1  Fl. 5          9 manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e  recibos de pagamentos;  (...)  §  9º  A  folha  de  pagamento  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput,  elaborada mensalmente,  de  forma  coletiva  por  estabelecimento  da  empresa,  por  obra  de  construção  civil  e  por  tomador  de  serviços, com a correspondente totalização, deverá:  I  ­ discriminar o nome dos  segurados,  indicando cargo,  função  ou serviço prestado;  II­agrupar  os  segurados  por  categoria,  assim  entendido:  segurado  empregado,  trabalhador  avulso,  contribuinte  individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99)  III  ­  destacar  o  nome  das  seguradas  em  gozo  de  salário­ maternidade;  IV  ­  destacar  as  parcelas  integrantes  e  não  integrantes  da  remuneração e os descontos legais; e  V  ­indicar  o  número  de  quotas  de  salário­família  atribuídas  a  cada segurado empregado ou trabalhador avulso.  Ou  seja,  não  existe  qualquer  exceção  ao  fato  de  que  a  realização  de  arbitramento ou mesmo aferição,  excluiria outras penalidades. Pelo  contrário,  o  arbitramento  foi  utilizado  para  apurara  a  base  de  cálculo,  sendo  que  o  auto  de  infração  é  aplicado  pelo  descumprimento de obrigação acessória.  A base para autuação, antes mesmo de apreciar os argumentos de que houve  pagamento de comissão por fora, o que vincularia o resultado desta autuação ao resultado dos  AIOP correlatos, é o fato de que a empresa, acabou simulando a contratação de empregados,  valendo­se  de  opção  pelo  SIMPLES,  com  evidente  objetivo  de  elidir  a  contribuição  previdenciária  retirando  a  validade  do  ato  formal,  devendo  prevalecer  a  real  situação  fática,  com base no principio da verdade material.  Importante  destacar,  que  acerca  da  dita  simulação,  não  houve  por  parte  do  recorrente, qualquer manifestação, mesmo tendo sido mencionado e anexado aos autos, que o  lançamento e autuações fundam­se em processo de simulação.  Dessa  forma,  em  relação  as  faltas  que  lhe  foram  imputadas,  objeto  da  presente  autuação,  como  não  houve  recurso  expresso  aos  pontos  da Decisão­  de  1  instância  presume­se  a  concordância  da  recorrente  com  a  referida  decisão.  Competiria  a  empresa  elaborar  folha  de  todos  os  trabalhadores  a  sua  disposição,  seja  enquanto  empregados  e  contribuintes  individuais. Ao  não  reconhecê­los  como  subordinados,  ensejou  não  apenas  em  ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, como também ao descumprimento de  diversas obrigações acessórias, concernentes a esses próprios trabalhadores, como é o caso da  elaboração de folha de pagamento.  Assim,  era  obrigação  da  recorrente  o  preparo  das  folhas  de  pagamentos.  Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida.  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10 O  procedimento  adotado  pelo  AFPS  na  aplicação  do  presente  auto­de­ infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita.  Destaca­se  que  as  obrigações  acessórias  são  impostas  aos  sujeitos  passivos  como  forma  de  auxiliar  e  facilitar  a  ação  fiscal.  Por  meio  das  obrigações  acessórias  a  fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida.   Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e  não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.  A  legislação  engloba  as  leis,  os  tratados  e  as  convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas  complementares  que  versem,  no  todo  ou  em  parte,  sobre  tributos  e  relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN.  Quanto  à  argumentação  da  recorrente  de que  a multa  aplicada  possui  valor  exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não  lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em  meio  obtuso  de  arrecadação,  nem  possui  efeito  confiscatório.  Pelo  contrário,  na  legislação  previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória,  o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta  última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais  Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto  n ° 3.048/1999:  Art.  291.  Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  a  decisão  da  autoridade julgadora competente.   § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de  defesa,  ainda  que  não  contestada  a  infração,  se  o  infrator  for  primário,  tiver  corrigido  a  falta  e  não  tiver  ocorrido  nenhuma  circunstância agravante.  §  2º  O  disposto  no  parágrafo  anterior  não  se  aplica  à  multa  prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta  ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou  outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento.  §  3º  A  autoridade  que  atenuar  ou  relevar  multa  recorrerá  de  ofício  para  a  autoridade  hierarquicamente  superior,  de  acordo  com o disposto no art. 366.  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001004/2009­15  Acórdão n.º 2401­02.225  S2­C4T1  Fl. 6          11 Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam­se pelo fato  da  importância  dos  esclarecimentos  para  administração  previdenciária.  As  informações  prestadas  auxiliarão  na  fiscalização  das  contribuições  arrecadadas  em  prol  da  Previdência  Social.   Quanto  aos  valores  da  multa  aplicada,  onde  questiona  o  recorrente  serem  indevidos, ressalte­se:  Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência social.  Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto  regulamentador  acima  descrito,  a  Portaria  Interministerial  MPS­MF  n.  77  de  11/03/2008  reajustou os valores da multa:  Não serão apreciados, aqui  fato concernentes a  taxa SELIC,  tendo em vista  não ter sido aplicado, por tratar­se de multa por descumprimento de obrigação acessória.  Observo,  ainda  que  abstenho­me  de  apreciar  os  argumentos  acerca  da  incidência de contribuições sobre as comissões, uma vez que dito fato está sendo apreciado nos  autos de infração de obrigação principal, sendo que sua procedência não interfere no valor da  multa,  considerando  tratar­se de multa única,  endo que uma única  falta  é capaz de manter  a  autuação.  Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não  havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais.  CONCLUSÃO:  Voto  pelo  CONHECIMENTO  do  recurso  para  no  mérito  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.  É como voto.  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                                Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

score : 1.0
4749312 #
Numero do processo: 10166.902677/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo:
Numero da decisão: 1801-000.879
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201202

ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo:

turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10166.902677/2008-19

anomes_publicacao_s : 201202

conteudo_id_s : 4850828

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1801-000.879

nome_arquivo_s : 180100876_10670005160200871_201202.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ

nome_arquivo_pdf_s : 10166902677200819_4850828.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012

id : 4749312

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359416381440

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 62          1 61  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10670.005160/2008­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­00.876  –  1ª Turma Especial   Sessão de  02 de fevereiro de 2012  Matéria  Simples Nacional ­ Exclusão  Recorrente  CERÂMICA TELHA FORT LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2009  SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO.   Não pode ingressar no Simples Nacional a empresa que possua débito com a  Fazenda  Pública  Nacional,  Estadual  ou  Municipal,  cuja  exigibilidade  não  esteja suspensa (artigo 17, inciso V, Lei Complementar nº 123/08).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.    (documento assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Carmen  Ferreira  Saraiva,  Magda  Azario  Kanaan  Polanczyk,  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Luiz  Guilherme  de  Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.    Relatório  A  empresa  em  epígrafe  foi  excluída  do  regime  de  tributação  simplificado,  diferenciado e favorecido do Simples Nacional, disciplinado pela Lei Complementar nº 123/06,  consoante Ato Declaratório Executivo (ADE) de fls. 13.     Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 Todavia,  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  01  a  07  reporta­se  à  exclusão  do  Simples  Federal  –  Lei  nº  9.317/96,  com  data  retroativa  ao  ano  de  2002,  mas  transcreve o texto do ADE DRF/MCR nº 056890, emitido em 22 de agosto de 2008.  No  texto  transcrito  na  referida manifestação  está  explícito  que  o ADE  tem  como fundamento a existência de débitos, com exigibilidade não suspensa, em aberto para com  a Receita Federal do Brasil  (RFB) a serem consultados no endereço eletrônico a que remete,  com fulcro no inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06, c/c a Resolução CGSN nº  15/07.  Ainda  assim  a  contribuinte  segue  se  reportando  aos  preceitos  legais  pertinentes ao Simples Federal, extinto, que era regido pela Lei nº 9.317/96 e efeitos próprios  das exclusões daquele sistema. Reporta­se equivocadamente também à exclusão retroativa ao  ano­calendário de 2002 quando está expresso no ADE nº 056890 (fls. 13), emitido em 2008,  que a exclusão se dará a partir de 01/01/2009.  A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, em virtude de  Norma de Execução, antes de apreciar o pleito solicitou à unidade de jurisdição da contribuinte  que  lhe  fosse  dada  ciência  dos  débitos  em  aberto  que  ensejaram  a  exclusão  do  Simples  Nacional, bem como lhe fosse reaberto prazo para aditar a manifestação de conformidade, se  assim desejasse – fls. 21.  Devidamente cientificada a empresa apresentou a impugnação de fls. 25 a 46,  reportando­se  a  este  processo  administrativo  fiscal,  mas  contestando  Auto  de  Infração  pela  “inexigibilidade  de  multa  pela  imputação  de  descumprimento  de  obrigação  acessória.”,  reportando­se  à  desconsideração  de  personalidade  jurídica  de  outra  empresa  (“Cesal”),  mantendo  a  defesa  com  fundamento  na  irretroatividade  dos  efeitos  de  ato  declaratório  de  exclusão de Simples Federal,  retroativo a 2002, atacando a multa por natureza confiscatório,  juros cobrados à razão Selic, enfim pontos incoerentes com o objeto deste processo e o ADE  em questão.  Diante da total impertinência das razões de defesa, com fulcro no artigo 16,  inciso  III,  do  Decreto  nº  70.235/72,  aquela  turma  de  julgamento  exarou  o  Acórdão  nº  09­ 32.176/10, fls. 48 a 50, com a seguinte ementa:  “EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO.  Não  se  conhece  da  manifestação  de  inconformidade  quando  não  são  apresentados motivos de fato e de direito em que se fundamentem.”  Às fls. 54 a 59 a empresa interpôs o recurso contra o acórdão, argumentando  que:  a) os autos versam sobre a exclusão da empresa do Simples por desconsiderar  a sua personalidade jurídica;  b) para  tanto foi  emitido o ADE DRF/MCR nº 056890, de 22 de agosto de  2008, determinando a exclusão da empresa do regime Simples Nacional;  c)  da  análise  do  recurso  foi  prolatada  decisão  argumentando  que  a  contribuinte  em momento  algum  apresentou  comprovantes  de  recolhimento,  bem  como  não  apresentou argumentação relacionada ao processo;  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10670.005160/2008­71  Acórdão n.º 1801­00.876  S1­TE01  Fl. 63          3 d)  ao  expor  as  razões  recursais  seguintes,  a  recorrente  em  flagrante  contradição ao item “b” acima, transcreve trecho de outro processo nº 10670.001222/2006­12,  no  qual  faz­se  menção  a  uma  representação  fiscal  para  excluir  esta  empresa  do  Simples  Federal,  com  fulcro  no  artigo  15,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.317/96;  cita  o  Ato Declaratório,  nº  039/2006, supostamente pertinente à exclusão de empresa do mesmo grupo econômico;  e) passa  a discorrer  sobre  a  legislação  do Simples Federal,  culminando  em  dizer que é indevida e que a exclusão, se mantida, não pode surtir os efeitos retroativos, mas  somente a partir da emissão do ato.  É o relatório. Passo ao voto.    Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes. Relatora.  Conheço  do  recurso,  por  considerá­lo  tempestivo.  A  despeito  da  unidade  preparadora  do  presente  processo  administrativo  não  haver  aposto  carimbo  ou  data  de  protocolo, nem ter se manifestado sobre a tempestividade da entrega da peça de fls. 54 a 60, a  recorrente  datou  o  recurso  em  prazo  hábil,  não  podendo  ser  penalizada  pela  negligência  da  administração tributária que deixou de registrar a efetiva data de entrega.  É notória a confusão da recorrente.  Apesar  de  conhecer  os  termos  explícitos  do  ADE  DRF/MCR  nº  056890,  emitido em 22 de agosto de 2008, transcrevendo seus exatos termos na defesa apresentada às  fls. 01 e ss, mais precisamente às fls. 03, e no recurso voluntário citá­lo corretamente, insiste  em  traçar  as  razões  de  defesa  sobre  outro  possível  ADE  referente  ao  Simples  Federal,  disciplinado pela Lei nº 9.317/96, extinto.  Constato que a contribuinte foi devidamente cientificada – fls. 19 a 23 – de  que os débitos em aberto que ensejaram a emissão do ADE objeto deste processo, concernente  à  sua  adesão  ao  Simples  Nacional,  são  relativos  às  inscrições  nºs  6060800458873  e  6060800458954 na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.  Não  há  menção  nos  autos  que  estes  débitos  estejam  com  a  exigibilidade  suspensa,  nem  a  recorrente  logra  comprovar  qualquer  vício  ou  pagamento  destes,  e  se,  porventura,  as  inscrições  decorreram  de  outros  processos  administrativos,  estes  já  foram  julgados  na  esfera  administrativa  e  devidamente  inscritos  na  Dívida  Ativa  da  União,  não  cabendo mais reabrir qualquer discussão administrativa a respeito.  Suponho pois que as defesas da recorrente giram neste sentido – em matérias  objetos de outros processos administrativos desvinculados do presente. Sendo estas totalmente  estranhas ao presente, não há como conhecê­las.  Ademais  o  presente  ADE  sequer  possui  o  efeito  retroativo  tão  fortemente  atacado pela recorrente.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES     4 Pelo exposto, não logrando comprovar que os débitos apontados pelo sistema  SIVEX – fls. 19 – foram quitados ou estão com exigibilidade suspensa, devida é a exclusão do  Simples Nacional, consoante disposto no ADE nº 056890/08, emitido com fulcro no inciso V  do art. 17 da Lei Complementar nº 123/08, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009 – fls.  13.  Voto em negar provimento ao recurso.   (documento assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Relatora                                  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES

score : 1.0
4751278 #
Numero do processo: 10120.008364/2004-67
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA QUALIFICADA - A apresentação ao fisco federal, durante anos consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas, quando os livros fiscais estaduais e a escrituração do sujeito passivo demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu valor, revelam intenção de ocultar ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador, implicando qualificação da multa de oficio.
Numero da decisão: 9101-001.323
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201204

camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : MULTA QUALIFICADA - A apresentação ao fisco federal, durante anos consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas, quando os livros fiscais estaduais e a escrituração do sujeito passivo demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu valor, revelam intenção de ocultar ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador, implicando qualificação da multa de oficio.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10120.008364/2004-67

anomes_publicacao_s : 201204

conteudo_id_s : 5130492

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 9101-001.323

nome_arquivo_s : 9101001323_10120008364200467_201204.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : VALMIR SANDRI

nome_arquivo_pdf_s : 10120008364200467_5130492.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012

id : 4751278

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359482441728

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 1          1             CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10120.008364/2004­67  Recurso nº  145.664   Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­001.323  –  1ª Turma   Sessão de  25 de abril de 2012  Matéria  Multa qualificada   Recorrente  Fazenda Nacional  Interessado  Marquez e Martins Ltda.      MULTA  QUALIFICADA  ­  A  apresentação  ao  fisco  federal,  durante  anos  consecutivos, de declarações que  informam ausência de  receitas, quando os  livros  fiscais  estaduais  e  a  escrituração  do  sujeito  passivo  demonstram  que  ele  auferia  receitas    e  conhecia  seu  valor,  revelam  intenção  de  ocultar  ou  retardar  o  conhecimento,  pela  autoridade  administrativa,  da  ocorrência  do  fato gerador, implicando qualificação da multa de oficio.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  1ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.  (documento assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres  Presidente Substituto  (documento assinado digitalmente)  Valmir Sandri  Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente Substituto), Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales  Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri,  Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann.          Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI   2 Relatório  A Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão  de 26 de  julho de 2006, proferiu decisão não unânime, consubstanciada no Acórdão n° 108­ 08.923  que,  dando  provimento  parcial  a  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte  MARQUEZ  &  MARTINS  LTDA.,  considerou  inaplicável  aos  lançamentos  objeto  deste  processo, a qualificação da multa de oficio de 75% para 150%.   Desqualificada  a  multa,  decidiu  pela  decadência  de  alguns  períodos,  pela  aplicação do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, ao invés do art. 173, I.  Inconformada,  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  tempestivamente,  Recurso  Especial  alegando  contrariedade  à  lei  e  à  prova  dos  autos.  Argumenta  o  representante  da  Fazenda Nacional  que  a  conduta  praticada  pelo  contribuinte  ao  longo  do  tempo,  aliada  aos  resultados  obtidos,  evidenciam  a  clara  intenção  de  fraudar  o  Fisco,  razão  pela  qual  a  decadência deve ser adotada nos termos do inciso I do art. 173 do mesmo CTN.  O  Presidente  da  Câmara  recorrida  deu  seguimento  ao  recurso  por  demonstrada, “em tese”, a contrariedade à lei.  O contribuinte apresentou contrarrazões.  É o relatório.                                Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.008364/2004­67  Acórdão n.º 9101­001.323  CSRF­T1  Fl. 2          3 Voto             Conselheiro Valmir Sandri, Relator  O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade.  Dele, portanto, tomo conhecimento.  Conforme  se  depreende  do  relatório,  a  Fazenda  Nacional  entende  que,  a  decisão da Oitava Câmara, ao desqualificar a multa de ofício e tomar como termo inicial para a  decadência a data da ocorrência do fato gerador, contraria a lei, pois a conduta praticada pelo  contribuinte, aliada aos resultados obtidos, evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por  meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71 da Lei n° 4.502/64.  No caso dos  autos,  a  fiscalização apontou que  as Declarações de Débitos  e  Créditos Tributários Federais  (DCTFs)  referentes ao 1º, 2º, 3º e 4º  trimestres de 1999, 2000,  2001; ao 2º., 3º e 4º. trimestres de 2003; e ao 1º e 2º trimestres de 2004; foram todas entregues  em  branco  à Secretaria  da Receita  Federal  (SRF),  ou  seja,  não  informaram  qualquer  crédito  tributário  devido,  e  não  entregou  as DCTF  referentes  aos  quatro  trimestres  de  2002  e  ao  1º  trimestre  de  2003.  Além  das  DCTFs,  as  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ/2000,  2001,  2002),  referentes  aos  anos­calendários  de  1999,  2000  e  2001, foram entregue em branco, sem qualquer informação ao fisco.  Em procedimento de verificações obrigatórias, apurou­se, a partir dos livros  fiscais estaduais e da escrituração do contribuinte, que ele praticara operações comerciais, que  estavam registradas em sua escrituração.  Ante  a  conduta  da  contribuinte  de  apresentar  reiteradamente  declarações  omitindo da autoridade tributária os débitos fiscais apurados, foi aplicada a multa qualificada  de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996.   Submetida a matéria a  julgamento, o Relator (que restou vencido) assim, se  manifestou:  Quanto à  preliminar de decadência, não há como acolher, pois  a  conduta  verificada  nos  autos  sinaliza  para  a  possível  ocorrência  de  crime  contra  a  ordem  tributária,  porque  a  Recorrente  omitiu  ou  retardou  o  conhecimento  pelo  Fisco  de  suas  operações  comerciais  com  efeito  tributário,  exceto  no  período  compreendido  no  2°  trimestre  de  2002,  único  onde  os  valores foram coincidentes   Isto  posto,  manifesto­me  por  REJEITAR  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pelo  recorrente  para,  no  mérito,  DAR  provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de 150%  para 75% apenas para os  fatos geradores ocorridos nos meses  compreendidos pelo 2° trimestre de 2002.  Contudo,  apenas  dois  outros  conselheiros  acompanharam  o  Relator,  tendo  prevalecido a desqualificação da multa. O voto condutor assim se expressou:  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI   4 Peço vênia para dele discordar, somente quanto a aplicação da  multa  de  oficio  qualificada  pelas  omissões  apuradas  em  procedimentos fiscais.  Não cabe a manutenção parcial da multa qualificada no vertente  caso,  aliás,  matéria  já  objeto  de  Súmula  deste  Conselho,  publicada  no  DOU,  Seção  1,  dos  dias  26,  27  e  28/06/2006,  vigorando a partir de 28/07/2006, "in verbis":  "Súmula 1°CC n° 14: A  simples apuração de omissão de receita  ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa  de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de  fraude do sujeito passivo.”  Entendo que, para aplicar a multa qualificada prevista no inciso  II  do artigo 44 da Lei 9.430/96,  sobre as omissões de  receitas,  seria necessária a absoluta certeza do evidente intuito de fraude.  A irregularidade constatada foi a falta de informações prestadas  à Receita Federal.  Vejamos agora o  teor da Lei 4.502/64, nos citados artigos, que  definiram  os  crimes  de  sonegação,  fraude  e  conluio,  em  comparação aos fatos trazidos pelo Auditor Fiscal:  "Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais;  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou retardar,  total ou parcialmente, a ocorrência do  fato gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou modificai­  as  suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do  imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento  Art.  73.  Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou  mais  pessoas  naturais  ou  jurídicas,  visando qualquer dos  efeitos  referidos  nos  arts. 71 e 72."  Realmente,  não  se  conclui  pela  acusação  e  pelos  documentos  trazidos  ao  processo,  nem  tampouco  pela  escrituração  e  documentos oferecidos durante a fiscalização, que tenha havido  qualquer uma destas figuras tributárias.  Estes  citados  fatos acarretaram corretamente a  constituição do  crédito  tributário,  apurando­se  lucro  tributável  da  pessoa  jurídica,  mas  não  podem,  por  si  só,  caracterizar  o  evidente  intuito de fraude.  Por  tudo  exposto,  dou  parcial  provimento  ao  recurso  para  desqualificar  a  penalidade  aplicada,  para  que  seja  aplicada  a  multa de oficio em 75%.  Com a devida vênia ao entendimento acima esposado, não me parece que a  interpretação adotada pela maioria da Oitava Câmara seja a mais consentânea com os fatos.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.008364/2004­67  Acórdão n.º 9101­001.323  CSRF­T1  Fl. 3          5 Inicialmente,  destaco  ser  inaplicável  a  Súmula  CARF  nº  14,  pois,  no  caso  concreto,  não  se  trata  de    “simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos”,  hipótese de que trata a súmula, mas sim, de reiteração de conduta consistente na apresentação,  ao fisco federal, durante anos consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas.  Para  a  qualificação  da  multa  foi  determinante  o  fato  de,  por  anos  consecutivos,  o  contribuinte  informar  à Receita  Federal  ausência  de  faturamento,  quando  os  livros fiscais estaduais e sua escrituração demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu  valor. Essa conduta reiterada denota a intenção de subtrair (ou retardar) o conhecimento, pela  autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador.  A  reiteração  da  conduta  é  desnecessária  para  a  tipificação  estabelecida  nos  artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, que envolve qualquer ação ou omissão dolosa que implique  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  do  fato  gerador  pela  autoridade  tributária, ou sua ocorrência.   Dependendo da espécie de ação ou omissão praticada, basta apenas uma para  caracterizar  uma  das  figuras  tratadas  naqueles  dispositivos.  Contudo,  em  relação  as  outras  espécies  de  ação  ou  omissão,  a  consistência/reiteração  é  elemento  relevante  para  que  se  diferencie o simples erro da intenção de subtrair fatos ao conhecimento do fisco.  Não é tão somente a reiteração que revela o dolo, mas sim as circunstâncias  da conduta.   A apresentação de declaração é obrigação acessória instituída pela legislação  no  interesse  da  arrecadação  e  fiscalização  dos  tributos.  O  fato  de  o  contribuinte,  no  cumprimento dessa obrigação, prestar declarações inexatas, não é suficiente para caracterizar o  dolo previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ensejadores da qualificação da multa.  Contudo, se durante anos seguidos, sistematicamente o contribuinte informa  ausência de  faturamento, não há como entender que se  tratou de equívoco do contribuinte,  e  que não houve  intenção de  impedir ou  retardar,  ainda que parcialmente,  o conhecimento por  parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.  Assim, entendo assistir razão à Fazenda Nacional.  Pelo  exposto,  DOU  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  para  restaurar  a qualificação  da multa  e,  por  conseqüência,  afastar  a  decadência  reconhecida pela  Oitava Câmara.   Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012de abril de 2012.  (documento assinado digitalmente)  Valmir Sandri                Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI   6                 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI

score : 1.0
4753754 #
Numero do processo: 10580.004303/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.126
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201002

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010

numero_processo_s : 10580.004303/2007-56

anomes_publicacao_s : 201002

conteudo_id_s : 5071776

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 2401-001.126

nome_arquivo_s : 240101126_172576_10580004303200756_005.PDF

ano_publicacao_s : 2010

nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 10580004303200756_5071776.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010

id : 4753754

ano_sessao_s : 2010

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:36 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359487684608

conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:18Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:18Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:18Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:18Z; created: 2010-03-30T23:57:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:18Z; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:18Z | Conteúdo => 52-C4T/ Fl. 370 - - MINISTÉRIO DA FAZENDA • • : • - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ; SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.004303/2007-56 Recurso n° 172.576 Voluntário Acórdão n° 2401-01.126 — 4° Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A Recorrida DRJ-SALVADORMA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1° Turma Ordinária da Segunda I Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. 1 1 11 ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente C---"ttCÁÁ-0 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo te 10580.004303/2007-56 S2-C4TI Acórdão n.° 2401 - 01.126 Ft 371 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n` 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's Cr 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinczdante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. ét. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MORTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 ay MINISTÉRIO DA FAZENDACONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISQUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10580.00430312007-56 Recurso ri°: 172.576 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.126 Brasília, 12 de março de 2010 ELIAS SAM O FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial 1 [ ] Com Embargos de Declaração i Data da ciência: / / I 'Procurador (a) da Fazenda Nacional •

score : 1.0
4749078 #
Numero do processo: 15504.018802/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: PPREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/ 2001). 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-001.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista vencedor, redator(a) designado Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201201

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 15504.018802/2008-38

anomes_publicacao_s : 201201

conteudo_id_s : 4876868

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2302-001.550

nome_arquivo_s : 230201550_15504018802200838_201201.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira

nome_arquivo_pdf_s : 15504018802200838_4876868.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista vencedor, redator(a) designado Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima

dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012

id : 4749078

ano_sessao_s : 2012

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: PPREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/ 2001). 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Recurso Voluntário Provido.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:58 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359538016256

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 72          1 71  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001048/2009­15  Recurso nº                  Acórdão nº  2803­001.067  –  3ª Turma Especial   Sessão de  26 de outubro de 2011  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrente  COOPERATIVA MISTA MOTORISTAS TAXIS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005    Ementa:  PPREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  SOCIEDADE  COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES  AO  SEST/SENAT.  SUBSTITUIÇÃO  PELO  SESCOOP.  MEDIDA  PROVISÓRIA  1.715/98  (ATUAL  MEDIDA  PROVISÓRIA 2.168­40/2001).    1.  A  contribuição  destinada  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Cooperativismo  ­  SESCOOP  foi  instituída  em  substituição  às  contribuições  da  mesma  espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas  a  outras  entidades  integrantes  do  Sistema  "S"  (SENAI,  SESI,  SENAC,  SESC,  SENAT,  SEST  e  SENAR)  (Precedente  do  STJ:  REsp  587.659/SC,  Rel.  Ministro  Franciulli  Netto,  Segunda  Turma,  julgado  em  06.05.2004,  DJ 06.09.2004).    2. É que, à luz do princípio da legalidade, tem­se que: (i) A  Lei  8.706/93,  ao  criar  o  Serviço  Social  do  Transporte  ­  SEST  e  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Transporte ­ SENAT, dispôs que:     "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a  partir  de 1º de  janeiro de 1994,  serão  compostas:  I  ­ pelas  atuais  contribuições  compulsórias  das  empresas  de  transporte  rodoviário,  calculadas  sobre  o  montante  da  remuneração  paga  pelos  estabelecimentos  contribuintes  a  todos  os  seus  empregados  e  recolhidas  pelo  Instituto  Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social     Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 73          2 da  Indústria  ­  SESI,  e  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial  ­  SENAI,  que  passarão  a  ser  recolhidas  em  favor  do  Serviço  Social  do  Transporte  –  SEST  e  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Transporte  ­  SENAT,  respectivamente;  II  ­  pela  contribuição  mensal  compulsória  dos  transportadores  autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos  por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente,  do  salário  de  contribuição  previdenciária;  (...)  §  1º  A  arrecadação  e  fiscalização  das  contribuições  previstas  nos  incisos  I  e  II  deste  artigo  serão  feitas  pela  Previdência  Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST  e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a  que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às  mesmas  condições,  prazos,  sanções  e privilégios,  inclusive  no  que  se  refere  à  cobrança  judicial,  aplicáveis  às  contribuições  para  a  Seguridade  Social  arrecadadas  pelo  INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3  de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.168­40, de  24  de  agosto  de  2001),  ao  autorizar  a  criação  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Cooperativismo  ­  SESCOOP, preceitua que:     "Art.  10.  Constituem  receitas  do  SESCOOP:  (...)  §  2o  A  referida  contribuição  é  instituída  em  substituição  às  contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas  sociedades  cooperativas  e,  até  31  de  dezembro  de  1998,  destinadas  ao:  I  ­  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial ­ SENAI; II ­ Serviço Social da Indústria ­ SESI;  III  ­  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Comercial  ­  SENAC;  IV  ­  Serviço  Social  do  Comércio  ­  SESC;  V  ­  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Transporte  ­  SENAT; VI  ­  Serviço Social  do Transporte  ­  SEST; VII  ­  Serviço Nacional de Aprendizagem Rural ­ SENAR. § 3o A  partir  de  1o  de  janeiro  de  1999,  as  cooperativas  ficam  desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades  mencionadas  no  §  2o,  excetuadas  aquelas  de  competência  até o mês de dezembro de 1998 e os  respectivos encargos,  multas e juros."     3.  Consequentemente,  com  a  criação  do  Serviço Nacional  de  Aprendizagem  do  Cooperativismo  ­  SESCOOP,  a  natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no  setor  de  transporte  de  cargas,  passou  a  ser  fator  preponderante  para  fins  de  recolhimento  da  contribuição  corporativa  respectiva  em  substituição  das  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  integrantes  do  "Sistema  S",  razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições  destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma.     Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 74          3 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição  das  contribuições  destinadas  ao  SESI/SENAI  pelo  SEST/SENAT,  consoante  se  colhe  dos  seguintes  excertos  de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência  pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao  SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de  transportes.  Houve  apenas    alteração  da  destinação  do  tributo,  pois,  se  antes  contribuíam  para  o  SESI  e  para  o  SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para  o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro  Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008,  DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo  Tribunal  de  origem  no  sentido  de  que  as  empresas  enquadradas  na  classificação  contida  no  art.  577  da  CLT  estão  sujeitas  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n.  8.706/93,  se  prestadora  de  serviço  de  transporte,  para  o  SEST  e  o  SENAT,  espelha  a  jurisprudência  desta  Corte.  (...)"  (AgRg  no  Ag  845.243/BA,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  Primeira  Turma,  julgado  em  05.06.2007,  DJ  02.08.2007);  (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu  adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes  que  antes  contribuíam  para  o  SESI  e  o  SENAI,  passando,  apenas,  a  contribuírem  para  o  SEST  e  o  SENAC.  (...)"  (REsp  754.637/MG,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  08.11.2005,  DJ  28.11.2005);  (iv)  "(...)  Uma  vez  que  as  contribuições  devidas  pelas  empresas  transportadoras  ao  SESI  e  ao  SENAI  foram  substituídas  pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas  obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o  SEBRAE,  conclui­se  pela  legalidade  desta  última  contribuição  pelas  empresas  de  transporte  rodoviário  vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel.  Ministro  Franciulli  Netto,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.08.2005,  DJ  21.03.2006);  e  (v)  "(...)  I  ­  A  Lei  nº  8.706/93,  em  seu  art.  7º,  inc.  I,  transferiu  as  contribuições  recolhidas  pelo  INSS  referentes  ao  SESI/SENAI  para  o  SEST/SENAT,  sem  criar  novos  encargos  a  serem  suportados  pelos  empregadores  e  sem  alterar  a  sistemática  de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel.  Ministro  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma,  julgado  em  28.10.2003, DJ 09.12.2003).    5. Não há,  portanto,  como  sustentar  a  tese da  fiscalização,  bem como os argumentos do relator originário, notadamente  em  virtude  de  o  contribuinte,  se  mantido  o  lançamento,  pagar  a  contribuição  para  o  Sistema  “S”  em  duplicidade,  situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento  jurídico.  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 75          4 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do  Cooperativismo  –  SESCOOP,  não  há  que  se  falar  em  pagamento,  pelas  cooperativas,  de  contribuição  para  as  demais entidades integrantes do referido sistema.     Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  vista  vencedor,  redator(a)  designado Amilcar Barca Teixeira  Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.    assinado digitalmente  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.     assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.    assinado digitalmente  Amilcar Barca Teixeira Junior ­ Redator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior,  Wilson Antônio de Souza Correa.    Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 76          5   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado,  referente a contribuições devidas em razão de repasses aos segurados cooperados – motoristas  de  táxi,  por  serviços prestados  a  terceiros  e  intermediados pela  cooperativa,  onde não houve  repasse ao SEST/SENAT.  A  Decisão­Notificação  –  fls  58  e  ss,  conclui  pela  improcedência  da  impugnação  apresentada,  mantendo  o  auto  lavrado.  Inconformada  com  a  decisão,  apresenta  recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte :  •  A  contribuição  para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Cooperativismo  (Sescoop)  substitui  a  contribuição  até  então  devida  pelas  cooperativas  a  outras  entidades  integrantes  do  Sistema  S.  Por  isso, sendo a COOPERTAXI um autêntica cooperativa de transporte,  não cabe o desconto do tributo ao Serviço Social do Transporte (Sest)  e o Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat).  •  O Sest e Senat foram criados pela Lei n. 8.706/93, o primeiro, com o  objetivo  de  desenvolver  programas  nos  campos  de  alimentação,  saúde,  cultura,  lazer  e  segurança  no  trabalho  para  o  trabalhador  em  transporte  rodoviário e para o  transportador autônomo; e o  segundo,  na preparação, treinamento, aperfeiçoamento e formação profissional.  As rendas são compostas de contribuições compulsórias das empresas  de transporte, calculadas sobre o montante de remuneração paga pelos  estabelecimentos  contribuintes  a  todos  os  seus  empregados  e  de  contribuição  mensal  dos  transportadores  autônomos.  Antes,  essas  contribuições eram devidas ao Sesi e ao Senai.  •  A  COOPERTAXI  está  dispensada  das  contribuições  ao  Sest/Senat,  antes exigida pela lei, pois só realiza operações com cooperados e não  com autônomos.  •  O SESCOOP, por sua vez, foi criado pela Medida Provisória 1.715/98  (atual MP 2.168­40, de agosto de 2001) com o objetivo de organizar,  administrar  e  executar,  em  todo  o  território  nacional,  o  ensino  de  formação  profissional,  desenvolvimento  e  promoção  social  do  trabalhador  em  cooperativa  e  dos  cooperados.  O  sistema  é mantido  pelas  próprias  cooperativas  que  contribuem  com  um  valor  de  2,5%  sobre a folha de pagamento dos seus empregados.  •  Requer sejam consideradas as razões recursais ora apresentadas, com  o  escopo  de  se  lhe  dar  provimento  integral,  a  fim  de  reformar  o  acórdão local e tornar sem efeito a autuação levada a efeito em função  da decretação da nulidade  formal  e material  do  auto de  infração em  causa.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 77          6 É o relatório.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 78          7 Voto Vencido  Conselheiro Oséas Coimbra    O ponto controverso cinge­se a definir a responsabilidade da cooperativa no  recolhimento  das  verbas  ao SEST/SENAT  em  razão  de  serviços  de  transporte  prestados  por  seus segurados e com sua intermediação.  Inicialmente  esclarecemos  que  os  valores  devidos  ao  SESCOOP  têm  como  base  de  cálculo  a  remuneração  paga  aos  empregados  das  cooperativas  e  não  os  valores  repassados aos segurados, como no caso sob exame.  A lei 8.706/93, que institui o SEST/SENAT, assim determina:  Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir  de 1º de janeiro de 1994, serão compostas:   ...  II  ­  pela  contribuição  mensal  compulsória  dos  transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro  e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento),  respectivamente,  do  salário  de  contribuição  previdenciária;  O decreto 1007/93 traz     Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considera­se:          I  ­  empresa  de  transporte  rodoviário:  a  que  exercite  a  atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios  ou  de  terceiros,  com  fins  econômicos  ou  comerciais,  por  via  pública ou rodovia;          II  ­  salário de  contribuição do  transportador autônomo: a  parcela  do  frete,  carreto  ou  transporte  correspondente  à  remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos  termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de  julho de 1992.          1° O disposto no inciso I deste artigo abrange, também, as  empresas que, embora não  tenham como atividade principal ou  preponderante  o  transporte  rodoviário  de  pessoas  ou  bens,  próprios ou de terceiros, realizam a referida atividade.           2° No caso previsto no parágrafo anterior, as contribuições  a que se  referem os  incisos  I,  letra a  ,  e  II,  letra a  , do art. 1°  deste  decreto  serão  calculadas  sobre  o  montante  da  remuneração  paga  pelo  estabelecimento  contribuinte  aos  seus  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 79          8 empregados  diretamente  envolvidos  na  atividade  de  transporte  rodoviário.  (...)          §  3°  As  contribuições  devidas  pelos  transportadores  autônomos serão recolhidas diretamente:          a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços;          b) pelo transportador autônomo, nos casos em que prestar  serviços a pessoas físicas.          Art.  3°  A  arrecadação  e  fiscalização  das  contribuições  compulsórias  de  que  trata  este  decreto  serão  feitas  pela  Previdência Social,  podendo,  ainda,  ser  recolhidas diretamente  ao Sest e ao Senat, por meio de convênios.  Completando o quadro legal incidente sobre tais exações, temos a IN INSS/  DC n°100/2003 e IN SRP n° 03 de 14 de julho de 2005.  IN 100/03  Art.  295.  As  cooperativas  de  trabalho  e  de  produção  estão  sujeitas às mesmas obrigações previdenciárias das empresas em  geral, em relação:  (­)  § 2° A cooperativa de  trabalho, na atividade de  transporte,  em  relação  à  remuneração  paga  ou  creditada  a  segurado  contribuinte  individual  que  lhe  presta  serviços  e  a  cooperado  pelos  serviços  prestados  com  sua  intermediação,  deve  reter  e  recolher  a  contribuição  do  segurado  transportador  autônomo  destinada ao Serviço Social do Transporte  (SEST) e ao Serviço  Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENA T), observados  os prazos previstos nos arts.102 e 105.  IN 003/2005  Art. 139.   Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos  do  art.  94  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  as  alterações  decorrentes  do  art.  3°  da  Lei  n°  11.098,  de  2005,  arrecadar  e  fiscalizar  as  contribuições  devidas  às  outras  entidades  ou  fundos,  conforme  alíquotas  discriminadas  na  Tabela  de  Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III.  ...  §9º    O  condutor  autônomo  de  veículo  rodoviário  (inclusive  o  taxista),  o  auxiliar  de  condutor  autônomo,  bem  como  o  cooperado  filiado a cooperativa de transportadores autônomos,  estão  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição  para  o  Serviço  Social  do  Transporte  ­  SEST  e  para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem do Transporte ­ SENAT, conforme disposto no art.  7º  da  Lei  nº  8.706,  de  1993,  que  será  calculada  mediante  a  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 80          9 aplicação da alíquota prevista na tabela constante do Anexo III  sobre a base de cálculo definida no §2° do art. 69, ambos desta  IN.    § 10. A contribuição referida no § 9º , para cujo cálculo não se  observará  o  limite  máximo  do  salário  de  contribuição,  deverá  ser: (NR dada pela IN nº 20, de 11.01.07)  (...)  III  ­ descontada e  recolhida pela cooperativa, quando se tratar  de  cooperado  filiado  a  cooperativa  de  transportadores  autônomos.  Fica  assim  demonstrado  que  as  cooperativas  de  motoristas  de  táxi  devem  reter  e  recolher  as  verbas  devidas  pelos  seus  cooperados,  a  título  de  SEST/SENAT,  não  se  confundindo  com  os  valores  devidos  ao  SESCOOP  que,  como  já  explicitado,  é  ônus  da  cooperativa e incide sobre a sua folha de pagamento.     CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  e,  no  mérito,  nego­lhe  provimento.      assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 81          10 VOTO VENCEDOR    Solicitei vista destes autos por discordar do voto do i. Relator, notadamente  por  se  tratar  de  assunto  até  certo  ponto  dissonante  entre  as  entidades  componentes  do  denominado Sistema “S”, em especial, quando surge nova entidade dessa natureza no âmbito  do referido Sistema.    A  discussão  em  relação  ao  recolhimento  da  contribuição  de  terceiros  (Sistema “S”) não é recente. O próprio sistema SEST / SENAT, quando criado, enfrentou esse  tipo  de  problema  em  relação,  por  exemplo,  ao  Sistema  SESI  /  SENAI,  que  pela  perda  de  receitas,  entendiam  pela  ilegalidade  da  criação  do  Serviço  Social  Autônomo  na  área  de  transporte.    Em virtude dos embates entre referidas entidades, o assunto foi judicializado,  chegando,  inclusive,  ao  STJ,  onde  restou  sedimentado  que  a  criação,  por  lei,  do  SEST  /  SENAT, bem como a canalização das  contribuições das empresas do  ramo  transporte para o  Serviço Social Autônomo próprio, estava correta.    A  criação  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Cooperativismo  ­  SESCOOP, como era de se esperar,  também causou sérios abalos nas entidades mais antigas  (SESI / SENAI, SEST / SENAT, SENAR, entre outras), obviamente pela perda de receitas que  migrariam delas para a novel entidade.    A  discussão  pelas  receitas  também  chegou  ao  STJ,  conforme  se  pode  observar da ementa do REsp nº 986.273 – SC, abaixo transcrito.     RECURSO ESPECIAL Nº 986.273 ­ SC (2007/0215563­3)  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX  RECORRENTE  :  SERVIÇO SOCIAL DO TRANSPORTE  ­  SEST E OUTRO  ADVOGADO : RODRIGO JOSÉ MACHADO E OUTRO(S)  RECORRIDO  :  COOPERATIVA  DE  TRANSPORTE  DE  CARGAS  DO  ESTADO  DE  SANTA  CATARINA  ­  COOPERCARGA  ADVOGADO : ANTONIO BONIFACIO SCHMITT FILHO  E OUTRO(S)  INTERES.  :  INSTITUTO  NACIONAL  DO  SEGURO  SOCIAL ­ INSS  PROCURADOR  :  REPR.  POR  PROCURADORIA­GERAL  DA FAZENDA NACIONAL    EMENTA    TRIBUTÁRIO.  SOCIEDADE  COOPERATIVA  DE  TRANSPORTE.  CONTRIBUIÇÕES  AO  SEST/SENAT.  SUBSTITUIÇÃO  PELO  SESCOOP.  MEDIDA  PROVISÓRIA  1.715/98  (ATUAL  MEDIDA  PROVISÓRIA  2.168­40/2001).    Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 82          11 1.  A  contribuição  destinada  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem do Cooperativismo ­ SESCOOP foi instituída  em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas  e  recolhidas  pelas  sociedades  cooperativas  a  outras  entidades  integrantes  do  Sistema  "S"  (SENAI,  SESI,  SENAC,  SESC,  SENAT,  SEST  e  SENAR)  (Precedente  do  STJ:  REsp  587.659/SC,  Rel.  Ministro  Franciulli  Netto,  Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004).    2. É que, à luz do princípio da legalidade, tem­se que: (i) A  Lei  8.706/93,  ao  criar  o  Serviço  Social  do  Transporte  ­  SEST  e  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Transporte ­ SENAT, dispôs que:     "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a  partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I ­ pelas  atuais  contribuições  compulsórias  das  empresas  de  transporte  rodoviário,  calculadas  sobre  o  montante  da  remuneração  paga  pelos  estabelecimentos  contribuintes  a  todos  os  seus  empregados  e  recolhidas  pelo  Instituto  Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social  da  Indústria  ­  SESI,  e  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial  ­  SENAI,  que  passarão  a  ser  recolhidas  em  favor  do  Serviço  Social  do  Transporte  –  SEST  e  do  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Transporte  ­  SENAT,  respectivamente  ;  II  ­  pela  contribuição  mensal  compulsória  dos  transportadores  autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos  por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente,  do  salário  de  contribuição  previdenciária  ;  (...)  §  1º  A  arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos  incisos  I  e  II  deste  artigo  serão  feitas  pela  Previdência  Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST  e ao SENAT, através de convênios . § 2º As contribuições a  que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às  mesmas condições,  prazos,  sanções  e privilégios,  inclusive  no  que  se  refere  à  cobrança  judicial,  aplicáveis  às  contribuições  para  a  Seguridade  Social  arrecadadas  pelo  INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3  de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.168­40, de  24  de  agosto  de  2001),  ao  autorizar  a  criação  do  Serviço  Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo ­ SESCOOP,  preceitua que:     "Art.  10. Constituem  receitas  do  SESCOOP  :  (...)  §  2o A  referida  contribuição  é  instituída  em  substituição  às  contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas  sociedades  cooperativas  e,  até  31  de  dezembro  de  1998,  destinadas  ao:  I  ­  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial ­ SENAI; II ­ Serviço Social da Indústria ­ SESI;  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 83          12 III  ­  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Comercial  ­  SENAC;  IV  ­  Serviço  Social  do  Comércio  ­  SESC;  V  ­  Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte ­ SENAT;  VI  ­  Serviço  Social  do  Transporte  ­  SEST;  VII  ­  Serviço  Nacional de Aprendizagem Rural ­ SENAR. § 3o A partir de  1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas  de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas  no § 2o,  excetuadas aquelas de  competência até o mês de  dezembro  de  1998  e  os  respectivos  encargos,  multas  e  juros."     3. Conseqüentemente, com a criação do Serviço Nacional  de  Aprendizagem  do  Cooperativismo  ­  SESCOOP,  a  natureza  de  cooperativa  da  sociedade,  ainda que atuante  no  setor  de  transporte  de  cargas,  passou  a  ser  fator  preponderante para  fins de  recolhimento da contribuição  corporativa  respectiva  em  substituição  das  contribuições  destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S",  razão  pela  qual  sobressai  a  inexigibilidade  das  contribuições  destinadas  ao  SEST  e  ao  SENAT  em  relação à mesma.     4.  Deveras,  o  mesmo  fenômeno  ocorreu  com  a  substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI  pelo  SEST/SENAT,  consoante  se  colhe  dos  seguintes  excertos  de  arestos  desta  Corte:  (i)  "(...)  1.  Conforme  jurisprudência  pacífica  do  STJ,  a  Lei  8.706/93  não  extinguiu  o  adicional  ao  SEBRAE  devido  pelas  empresas  prestadoras  de  serviços  de  transportes.  Houve  apenas   alteração  da  destinação  do  tributo,  pois,  se  antes  contribuíam  para  o  SESI  e  para  o  SENAI,  com  a  lei  passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)"  (AgRg  no  REsp  740.430/SC,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  julgado  em  22.04.2008,  DJe  09.02.2009);  (ii)  "(...)  2.  O  entendimento  assumido  pelo  Tribunal  de  origem  no  sentido  de  que  as  empresas  enquadradas  na  classificação  contida  no  art.  577  da CLT  estão  sujeitas  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n.  8.706/93,  se  prestadora  de  serviço  de  transporte,  para  o  SEST  e  o  SENAT,  espelha  a  jurisprudência  desta  Corte.  (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado,  Primeira  Turma,  julgado  em  05.06.2007, DJ  02.08.2007);  (iii)  "(...)  2. A Lei n.º  8.706/93 não extinguiu adicional ao  SEBRAE  devido  pelas  empresas  de  transportes  que  antes  contribuíam  para  o  SESI  e  o  SENAI,  passando,  apenas,  a  contribuírem  para  o  SEST  e  o  SENAC.  (...)"  (REsp  754.637/MG,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez  que  as  contribuições  devidas  pelas  empresas  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 84          13 transportadoras  ao  SESI  e  ao  SENAI  foram  substituídas  pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas  obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para  o  SEBRAE,  conclui­se  pela  legalidade  desta  última  contribuição  pelas  empresas  de  transporte  rodoviário  vinculadas ao SEST/SENAT  .  (...)"  (REsp 729.089/RS, Rel.  Ministro  Franciulli  Netto,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.08.2005,  DJ  21.03.2006);  e  (v)  "(...)  I  ­  A  Lei  nº  8.706/93, em seu art. 7º,  inc.  I,  transferiu as contribuições  recolhidas  pelo  INSS  referentes  ao  SESI/SENAI  para  o  SEST/SENAT,  sem  criar  novos  encargos  a  serem  suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática  de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel.  Ministro  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma,  julgado  em  28.10.2003, DJ 09.12.2003).     5.  In  casu,  cuida­se  de  mandado  de  segurança  em  que  cooperativa  de  transporte  pretende  que  não  lhe  sejam  cobradas as contribuições destinadas ao SEST e SENAT,  no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, tendo  em vista sua substituição pelo SESCOOP.     6. Recurso especial desprovido. (grifou­se e negritou­se)  Como se pode observar da ementa acima transcrita, não há como sustentar a  tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de  o  contribuinte,  se  mantido  o  lançamento,  pagar  a  contribuição  para  o  Sistema  “S”  em  duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico.  Com  a  criação  do Serviço Nacional  de  aprendizagem do Cooperativismo –  SESCOOP,  não  há  que  se  falar  em  pagamento,  pelas  cooperativas,  de  contribuição  para  as  demais entidades integrantes do referido sistema.   Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior ­ Redator                         Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/2009­15  Acórdão n.º 2803­001.067  S2­TE03  Fl. 85          14                 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR

score : 1.0
4751858 #
Numero do processo: 10218.000318/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. Provado que o mandatário da pessoa jurídica autuada, ao prestar informações ao Fisco em nome desta, ocultou, livre e conscientemente, a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, correta a sua inclusão no pólo passivo desta obrigação, na condição de responsável solidário.
Numero da decisão: 1201-000.695
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz acompanhou o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201205

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. Provado que o mandatário da pessoa jurídica autuada, ao prestar informações ao Fisco em nome desta, ocultou, livre e conscientemente, a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, correta a sua inclusão no pólo passivo desta obrigação, na condição de responsável solidário.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10218.000318/2008-64

anomes_publicacao_s : 201205

conteudo_id_s : 5141440

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1201-000.695

nome_arquivo_s : 1201000695_10218000318200864_201205.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : Marcelo Cuba Netto

nome_arquivo_pdf_s : 10218000318200864_5141440.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz acompanhou o Relator pelas conclusões.

dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2012

id : 4751858

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:09 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359543259136

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 802          1 801  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10218.000318/2008­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­00.695  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de maio de 2012  Matéria  IRPJ E CSLL ­ LUCRO ARBITRADO  Recorrente  ARAGUAIA QUÍMICA AGRO­INDUSTRIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003  RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO.  Provado que o mandatário da pessoa jurídica autuada, ao prestar informações  ao Fisco em nome desta, ocultou,  livre e conscientemente, a ocorrência dos  fatos  geradores  da  obrigação  tributária  principal,  correta  a  sua  inclusão  no  pólo passivo desta obrigação, na condição de responsável solidário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  provimento  ao  recurso.  O  Conselheiro  Regis  Magalhães  Soares  de  Queiroz  acompanhou  o  Relator pelas conclusões.  (documento assinado digitalmente)  Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz ­ Presidente  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Francisco  de  Sales  Ribeiro  de  Queiroz  (Presidente),  Claudemir  Rodrigues  Malaquias,  Rafael  Correia  Fuso,  Marcelo Cuba Netto, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Regis Magalhães Soares de  Queiroz.    Relatório     Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 803          2 Trata­se de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº  70.235/72.  Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo  de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau:  Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls.  705­708  e  712­  715,  relativo(s)  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido  ­  CSLL,  ano(s)­calendário  2003,  com  crédito  total  apurado  no  valor de R$ 15.832.192,20, incluindo o principal (IRPJ e CSLL),  a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 30/04/2008.  O(a) contribuinte tomou ciência do(s) lançamento(s) mediante o  Edital n° 11 de 13/05/2008, expedido pela Delegacia da Receita  Federal do Brasil em Marabá (fl. 640).  De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração,  o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou os livros  e documentos de sua escrituração. O que motivou o arbitramento  do lucro com base no valor das compras, vez que a receita bruta  não pode ser conhecida.  A  responsabilidade  pelo  cumprimento  da  exigência  fiscal  também  foi  atribuída  às  pessoas  físicas  e  jurídicas  abaixo  relacionadas, na qualidade de  sujeitos passivos solidários, com  fundamento nos art. 124 e 135 do CTN:  • Valter Guedes da Silva, CPF 963.950.108­59 (fl. 638 e 701);  •  Humberto  Armbrusters  Neto,  CPF  123.584.888­44  (fl.  639  e  702);  • Jairo Machado Vieira, CPF 185.777.172­91 (fl. 642 e 721)  •  Quimpil  Química  Industrial  Piracicabana,  CNPJ  54.392.378/0001­07 (fls. 636 e 641);  •  Ferchimika  Indústria  e  Comércio  de  Produtos  Ltda,  CNPJ  53.782.348/0001­ 44 (fl. 643 e 720).  Também é parte integrante do(s) Autos de Infração o Termo de  Verificação Fiscal (fls. 644­700).  O Sr.  Jairo Machado Vieira,  responsável  solidário,  apresentou  impugnação ao(s) lançamento(s) em 23/06/2008 (fls. 724­733).  Na  peça  impugnatória,  o  recorrente  aduz  que  não  é  parte  legitima para figurar no pólo passivo da obrigação porque não  praticou  fraude  alguma  contra  o  Fisco  e  tampouco  obteve  proveito  econômico.  Para  tanto,  apresentou  as  seguintes  argumentações:  1º  ­  Não  figura  no  contrato  social  da  autuada,  seja  como  sócio,  seja  como  administrador  não­sócio  ou  mesmo  como  procurador,  pelo  que  nunca  teve  poderes  de  administração  ou  representação  da  empresa,  não  podendo,  portanto,  Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 804          3 responder  pela  obrigação  tributária,  mesmo  que  em  procedimento administrativo fiscal;  2º  ­  .Prestou  à  autuada  somente  seus  serviços  contábeis,  a  partir  das  informações  comerciais  prestadas  pelo  Sr.  VALTER GUEDES DA  SILVA,  que  se  dizia  amigo  e  exibia  procuração outorgada em seu nome para representação dos  sócios da autuada;  3º  ­  Por  meio  de  procuração,  outorgada  pela  autuada  com  poderes  específicos,  apenas  a  representou  perante  o  Banco  Bradesco  S/A,  pelo  que  movimentou  a  conta  corrente  n°  0016591­3  ­  Agencia  0925,  retirando  e  assinando  cheques,  para pagamento das despesas mensais da autuada, dos seus  honorários  e  efetuando  transferências  dos  valores  restantes  para  as  contas  do  Sr.  VALTER  GUEDES  DA  SILVA  e  da  esposa deste, Sra. ELIZABETH AP ZERBINATO DA SILVA;  4º  ­ Não  escriturou  os  livros  fiscais  da  autuada,  que  nunca  lhes  foram  fornecidos  para  escrituração,  pelo  que,  logicamente,  não  poderia  tê­los  apresentado  à  autoridade  fiscal.  Afirma  também  que  os  valores  exigidos  pela  Fazenda  são  manifestamente  indevidos,  haja  vista  que  a  própria  autoridade  fiscal  concluiu  que  não  foi  constatado  qualquer  movimento  de  entrada e saída de mercadorias no Sistema Fronteiras.  E disse ainda:  ...  por  indicação  de  uni  colega  contador  da  cidade  de  Colinas/TO, em 01/09/2001, recebeu em seu escritório o Sr.  VALTER GUEDES DA SILVA, que, portando procuração em  nome de Jean Meira Amorim e Kátia Regina Testa, contratou  o  Impugnante  para  constituir  3  (três)  empresas do  ramo de  produtos químicos: REDE QUÍMICA LTDA., ALACILANDIA  QUÍMICA  INDUSTRIAL  LTDA.  e  ARAGUAIA  QUÍMICA  AGROINDUSTRIAL LTDA.  Naquela mesma data, o Sr. VALTER GUEDES DA SILVA e o  Impugnante  celebraram  o  anexo  Contrato  de  Prestação  de  Serviços Contábeis, que, apenas de direito, foi rescindido em  20/10/2001,  conforme  Instrumento  de  Rescisão  Contratual  também anexo.  ...nenhuma  documentação  da  autuada  foi  entregue  ao  Impugnante, que, assim, nunca escriturou os livros fiscais da  autuada,  tendo,  portanto,  prestado  seus  serviços  contábeis  (preenchimento  das  DIEF  e  DIPJ),  somente  a  partir  das  informações  comerciais  fornecidas  pelo  Sr.  VALTER  GUEDES DA SILVA, procurador dos sócios da autuada.  (...)  ...  apenas  representava  a  autuada,  sendo  esta  quem  na  verdade contraía obrigações e adquiria direitos.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 805          4 (...)  O Impugnante, portanto, praticou atos em nome da autuada,  fundado  numa  procuração,  não  tendo  excedido,  porém,  as  limitações constantes naquele instrumento de mandato. Dessa  forma,  não  se  pode  considerar  o  Impugnante  como  gestor  financeiro  de  um  esquema  fraudulento que  ele  sequer  sabia  que  existia,  por  ter,  no  exercício  do  mandato,  assinado  cheques  e  movimentado  a  conta  bancária  da  autuada.  Tal  como  um  "laranja",  o  Impugnante  foi  usado  sem  o  seu  consentimento.  O  fato  é  que  o  Impugnante  foi  ludibriado  por  VALTER  GUEDES DA SILVA, que sempre se mostrou um bom amigo,  tendo  até  hospedado  o  Impugnante  na  sua  casa  em  Limeira/SP,  durante  o  período  de  convalescência  [sic]  do  Impugnante, que havia sofrido delicada cirurgia na coluna.  (...)  Somente  no  curso  da  ação  fiscal  é  que  o  Impugnante  foi  descobrir  quem  realmente  era  o  Sr.  VALTER GUEDES DA  SILVA,  que,  conforme  a  anexa  Denúncia  do  Ministério  Público  de  São  Paulo,  era  um  dos  responsáveis  pela  operação fraudulenta de adulteração de combustíveis em São  Paulo.  Contudo, o Impugnante,  temendo pela sua segurança e a de  sua  família,  deixou  de  mencionar  desde  logo  para  as  autoridades  o  nome  de  VALTER  GUEDES  DA  SILVA,  que  havia lhe feito esse "pedido".  Naquela denúncia do MP, restou comprovado que o papel de  VALTER  GUEDES  DA  SILVA  era  providenciar  a  efetiva  constituição  das  empresas  químicas  de  fachada,  perante  os  órgãos competentes.  Nos anos de 2003 a 2005, VALTER GUEDES DA SILVA e os  demais denunciados, inclusive, fizeram inserir falsamente em  64  notas  fiscais  emitidas  pela  COBRAX,  a  empresa  ARAGUAIA  QUÍMICA  AGROINDUSTRIAL  LTDA.  como  destinatária de 2.060.000 (dois milhões e sessenta mil) litros  de  solvente,  num  total  de  R$  2.955.500,00  (dois  milhões,  novecentos e cinqüenta e cinco mil e quinhentos reais).  Após  ser  intimado  a  impugnar  os  autos  de  infração  em  referencia  o  Impugnante,  então,  resolveu  procurar  o  Sr.  VALTER  GUEDES  DA  SILVA,  que  dizendo  não  ter  mais  nada  a  perder,  posto  que  até  já  foi  preso  na  "Operação  Dissolve" da Policia Federal e está solto somente em virtude  de  uma  ordem  de  habeas  corpus,  se  dignou  a  registrar,  no  Cartório  do  Único  Oficio  da  Comarca  de  Conceição  do  Araguaia/PA,  a  anexa  ESCRITURA  PUBLICA  DE  DECLARAÇÃO, onde esclarece, entre outras, que:  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 806          5 ­ Nunca contou ao  Impugnante  sobre a  sua participação no  esquema de adulteração de combustíveis em São Paulo, bem  como  acerca  da  real  finalidade  de  abertura  das  empresas  químicas;  ­  Envolveu  o  Impugnante  no  esquema  sem  o  seu  consentimento  e  que  assume  total  responsabilidade  pela  movimentação  financeira,  informações  fiscais  e  todos  os  procedimentos  que  havia  para  manutenção  da  empresa  autuada.  (...)  É  importante  esclarecer  que  a  responsabilidade  atribuída  pelo  artigo  135  do  CTN  depende  da  realização  de  atos  infracionais  ou  abusivos,  o  que  caracteriza  a  responsabilidade subjetiva dos Administradores. A culpa ou o  dolo deverão estar presentes na realização de tais atos.  Assim,  para  ocorrer  a  responsabilidade  por  substituição  prevista  no  citado  dispositivo  legal,  devem  estar  presentes  dois  requisitos:  o  sócio  deve  exercer  cargo  de  gerência  da  sociedade  e  deve  praticar  atos  com  excesso  de  poderes,  infração a lei, Contrato Social ou Estatuto Social.  Contudo, para ensejar a responsabilidade pessoal dos sócios,  é necessária a comprovada existência de infração legal, por  atuação dolosa ou culposa dos sócios, cujo ônus probatório é  do  Fisco,  face  o  principio  da  presunção  de  inocência,  aplicável em matéria tributária.  O  administrador  deverá  possuir  a  intenção  de  agir  dessa  forma contra os seus representados. Ou seja, para que ocorra  a  incidência  normativa  do  art.  135  faz­se  necessário  a  caracterização  do  dolo.  Caso  contrário,  pessoa  diversa  que  não aquela designada constitucionalmente  suportará o ônus  tributário,  violando­se,  deste  modo,  o  principio  da  capacidade contributiva (art. 145, §1°, CF).  Cabe ao nobre julgador verificar que o dolo, se houve, deu­se  por  ato  da  autuada  e  não  do  Impugnante,  até  porque  este  nunca  foi  administrador  da  autuada.  Portanto,  dar­se­á  ênfase  a  máxima  in  dúbio  pro  reo,  no  caso  in  dubio  pro  contribuinte,  visto  tratar­se  do  elemento  mais  fraco  na  relação.  Apreciadas as razões de defesa o órgão de primeiro grau julgou procedente o  lançamento,  bem  como manteve  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária,  como  responsável  solidário,  o  Sr.  Jairo  Machado  Vieira,  único  dos  interessados  a  impugnar  a  exigência.  Os  argumentos da DRJ para manter a responsabilidade solidária foram, em resumo, os seguintes:  a)  o impugnante participou ativamente do processo de constituição e alteração contratual  da autuada (fls. 336/340 e 503/504);  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 807          6 b)  também participou ativamente da contratação da Srª Geysiane de Sousa Barros, ex­ secretária da empresa, segundo depoimento desta (fls. 501/502);  c)  foi responsável pela movimentação da conta bancária da autuada (fls. 380/412);  d)  era  o  responsável  pelas  tarefas  trabalhistas  e  pela  escritura  fiscal  da  autuada  (fls.  503/504), mormente as Declarações de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica —  DIPJ  (fls.  10/44)  es  as Declarações  de  Informações Econômico­Fiscais  ­ DIEF para  o Fisco  estadual (fls. 349, 671 e 738);  e)  como  profissional  da  área  de  contabilidade,  não  se  pode  aceitar  que  o  impugnante  tenha agido com ingenuidade e à revelia do suscitado esquema criminoso que se desenrolou em  meio as atividades da Araguaia Química Agro­Industrial Ltda;  f)  a Araguaia Química Agro­Industrial Ltda. foi constituída em um endereço inexistente  a poucos metros do escritório de contabilidade do impugnante, o que autoriza supor que este  era conhecer do esquema fraudulento;  g)  conforme  consta  do  inquérito  policial,  o  impugnante  emitia  graciosamente  notas  fiscais de saídas simbolicamente por estimativas, apenas para pagar alguma coisa de imposto.  As saídas eram emitidas, segundo o representante da autoridade policial, para pessoas físicas  diversas, que o contador pegava de conhecidos;  h) o  impugnante  foi  o  responsável  pela movimentação  bancária  e pelo  pagamento  das  despesas operacionais da pessoa jurídica (fls. 380/412, 503/504 e 725), tendo plena consciência  que esta não movimentava seu estoque e tampouco efetuava qualquer venda (fls. 726/727);  i)  demais disso, o impugnante não colaborou com as investigações do Auditor­ Fiscal,  ao contrário, chegou a fazer falsas declarações com o intuito de omitir a verdade dos fatos. A  exemplo,  informou  que  uma  pessoa  de  nome  Carlos  Alberto  fora  quem  procurara  para  que  constituísse a autuada (fl. 72), quando foi o Sr. Valter Guedes Lima quem tomou esta iniciativa  (fl. 727).  Irresignado,  o  Sr.  Jairo  Machado  Vieira,  responsável  solidário,  interpôs  recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas  razões já expostas na impugnação.  Registre­se ainda que a pessoa jurídica autuada, bem como as demais pessoas  físicas e jurídicas solidariamente responsabilizadas, não apresentaram recurso voluntário.  Voto             Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator.  1) Da Admissibilidade do Recurso  O  recurso  atende  aos  pressupostos  processuais  de  admissibilidade  estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele deve­se tomar conhecimento.  2) Da Preliminar de Ilegitimidade Passiva  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 808          7 Alega  em  preliminar  o  Sr.  Jairo  Machado  Vieira,  recorrente,  haver  sido  ilegitimamente  posto  pela  fiscalização  no  pólo  passivo  da  relação  jurídico­tributária,  na  condição de responsável solidário pelo pagamento do crédito constituído de ofício.  Conforme  consta  dos  autos,  o  recorrente  era  preposto  da  autuada Araguaia  Química Agro­Industrial Ltda, tanto na condição de contabilista, como na de mandatário, haja  vista ter recebido poderes para movimentar conta bancária de titularidade da pessoa jurídica.  Sobre  a  responsabilidade  tributária  os  arts.  124  e  135  do  CTN,  apontados  pelo auditor, assim estabelecem:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  (...)  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  (...)  Pois bem, a jurisprudência é uníssona no sentido de que a responsabilidade de  terceiro  por  obrigação  tributária  do  contribuinte  somente  lhe  é  oponível  acaso  tenha  agido  dolosamente. Em outras palavras, além de enquadrar­se entre os elementos objetivos elencados  no  acima  citado  art.  135  do CTN,  a  responsabilização  do  terceiro  só  é  admitida quando  sua  conduta revelar­se dolosa (elemento subjetivo do tipo).  Em relação ao elemento objetivo não há dúvida de que o Sr. Jairo Machado  Vieira é alcançado pelo art. 135, II, do CTN, já que revestia­se da condição de mandatário da  pessoa  jurídica  autuada,  possuindo  poderes  para  movimentar  conta  bancária  de  titularidade  desta, bem como para emitir notas fiscais e contratar funcionários.  Quanto ao elemento subjetivo, é  também evidente que o Sr. Jairo Machado  Vieira agiu de maneira dolosa, tendo em vista os fatos arrolados no termo de verificação fiscal,  em especial os seguintes:  a)  tentou  iludir  a  fiscalização  ao  afirmar  e  reafirmar  como  tendo  sido  uma  pessoa  de  nome Carlos Roberto quem lhe pediu para providenciar a constituição legal da pessoa jurídica  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 809          8 autuada, quando de fato tal solicitação, como apurado e confessado posteriormente, fora feita  pelo Sr. Valter Guedes da Silva;  b)  tinha  ciência,  até  por  trabalhar  em  local  situado  a  menos  de  um  quilômetro  de  distância, que era inexistente o endereço informado no contrato social da autuada como sendo  o de sua sede;  c)  apesar  de  em  20/10/2001  haver  rescindido  formalmente  o  contrato  de  prestação  de  serviços  contábeis  celebrado  em  01/09/2001,  o  recorrente  apresentou  as  DIPJs  da  autuada  relativamente aos anos de 2002, 2003 e 2004;  d)  apesar de ter movimentado recursos da autuada por meio de procuração, apresentou  as acima referidas DIPJs na condição de inativa;  e)  emitiu  notas  fiscais  de  venda  de  produtos  da  autuada  tendo  como  destinatários  pessoas físicas conhecidas suas, apenas para pagar alguma coisa de imposto, revelando assim  que  também  possuía,  ainda  que  somente  de  fato,  poderes  de  gerência  sobre  os  negócios  da  autuada.  Os  fatos  acima  arrolados,  examinados  em  seu  conjunto,  revelam  a  conduta  dolosa  do  mandatário  da  pessoa  jurídica  autuada,  diante  do  que  resta  sem  qualquer  valor  probatório o conteúdo da declaração prestada pelo Sr. Valter Guedes da Silva, na qual afirma,  em síntese, que o recorrente não tem responsabilidade sobre os fatos apurados.  3) Do Arbitramento do Lucro  Restou comprovado tanto pelo auditor fiscal como pelas autoridades policiais  e  pelo  Ministério  Público,  que  a  autuada  e  outras  pessoa  físicas  e  jurídicas  promoveram  a  adulteração de uma enorme quantidade de combustíveis.  Não  tendo  a  fiscalizada  apresentado  os  livros  e  documentos  de  sua  escrituração comercial e fiscal, e não conhecida a receita bruta, não restou outra alternativa ao  auditor senão arbitrar o lucro da pessoa jurídica com base em suas compras.  Irrelevante o fato de o “sistema fronteiras” não registrar movimento de saída  ou entrada de mercadorias, tal como alegado pelo recorrente. O certo é que compras existiram,  e  em montante  considerável,  autorizando  assim  presumir­se  que  vendas  também  ocorreram,  apesar de os tributos não haverem sido pagos.  4) Conclusão  Tendo  em  vista  todo  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto                Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10218.000318/2008­64  Acórdão n.º 1201­00.695  S1­C2T1  Fl. 810          9                 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MARCELO CUBA NETTO

score : 1.0
4751797 #
Numero do processo: 10814.008410/98-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1993 MULTA DE OFÍCIO. Excluída com base no disposto no ADN n° 10, de 1997. MULTA DO ART. 526, II do Regulamento Aduaneiro de 1985. Excluída não estar comprovada a exigência de licença para importação do produto em tela no período informado. Recurso do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.141
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201009

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1993 MULTA DE OFÍCIO. Excluída com base no disposto no ADN n° 10, de 1997. MULTA DO ART. 526, II do Regulamento Aduaneiro de 1985. Excluída não estar comprovada a exigência de licença para importação do produto em tela no período informado. Recurso do Procurador Negado.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010

numero_processo_s : 10814.008410/98-83

anomes_publicacao_s : 201009

conteudo_id_s : 4896497

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 9303-001.141

nome_arquivo_s : 930301141_108140084109883_201009.PDF

ano_publicacao_s : 2010

nome_relator_s : JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO

nome_arquivo_pdf_s : 108140084109883_4896497.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial.

dt_sessao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010

id : 4751797

ano_sessao_s : 2010

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359550599168

conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-03T10:54:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-11-03T10:54:30Z; Last-Modified: 2011-11-03T10:54:30Z; dcterms:modified: 2011-11-03T10:54:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:099a761a-2de9-41fd-8a14-239c647fccf5; Last-Save-Date: 2011-11-03T10:54:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-11-03T10:54:30Z; meta:save-date: 2011-11-03T10:54:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-11-03T10:54:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-11-03T10:54:30Z; created: 2011-11-03T10:54:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-11-03T10:54:30Z; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-11-03T10:54:30Z | Conteúdo => Judith do Ama 4Iarcones Armando -Relatora 4 q-/L Editado em: 3 dejaneirod 2011. CSRF-T3 Fl. 183 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10814.008410/98-83 Recurso n° 320.529 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-01.141 — 3° Turma Sessão de 28 de setembro de 2010 Matéria CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida IMAGRAF INDÚSTRIA DE TINTAS GRÁFICAS LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 1993 MULTA DE OFÍCIO. Excluída com base no disposto no ADN n° 10, de 1997. MULTA DO ART. 526, II do Regulamento Aduaneiro de 1985. Excluída por não estar comprovada a exigência de licença para importação do produto em tela no período informado. Recurso do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. 1.?••-• 4 -44 .17 'riennque Pinheiro Torres — Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório A empresa já qualificada importou DECAGURE K 185 — bis 4 difenil sulfânico fenil sulfito bis hexafluoros fosfato, classificando-o no código TAB 2919.00.9900. 0 desembaraço aduaneiro deu-se mediante assinatura de termo de responsabilidade, eis que a administração tributária entendeu de enviar amostras para o LABANA. 0 laudo elaborado diz não se tratar de produto composto orgânico de constituição química definida, o que determinou a reclassificação do produto para o código 3823.90.9999 (aglutinantes preparados para moldes). A multa de oficio foi aplicada ao entendimento de que o produto não fora corretamente descrito. A multa de controle administrativo também pela descrição inexata do produto. A decisão do colegiado a quo manteve a classificação tarifária dada pela administração tributária e afastou as multas. Assim, a PGFN recorreu da decisão da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo a posição tarifária adotada pelo fisco, e afastando a aplicação das multas de oficio e do art. 526, inciso II do RA 1985. A contribuinte também recorreu da decisão, mas teve negado segmento ao seu recurso por falta de paradigma. E o relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso Especial por contrariedade a lei ou evidência das provas, interposto em nome da Fazenda Nacional, em boa forma. Conforme visto, no decorrer deste processo foram aplicadas multa de oficio e de controle administrativo das importações, tipificadas, respectivarlierite,.rio artigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996 e artigo 526, inciso II do RA de 1985, afastadas pela decisão a quo, com base no ADN n° 10 de 1997, e por haver entendido o colegiado que a Declaração de Importação apresentada acobertava a importação do produto. Entendo que, a teor do ADN n° 10, de 1997, somente se aplica multa do art. 44 quando seja caracterizada a declaração inexata com intuito doloso por parte do importador. De fato, não ficou caracterizado, neste processo, sequer a descrição inexata. No caso em apreço, a PGFN, tão só baseada no nome dado ao produto pelo LABANA em seu laudo técnico, achou de entender que a descrição estava incorreta. 2 Processo n° 10814.008410/98-83 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.141 Fl. 184 —if Ora, fazer tal afirmação não basta. Há de se dizer o que ficou faltando ou sobrando na descrição, e em que medida essa incorreção impediria o correto despacho da mercadoria. Até porque, a nomenclatura em suas diferentes aberturas fala também em grupos de produtos que detem as mesmas características fisico-químicas e apresentação, ou são comercializadas sob determinadas denominações. Por outro lado, a multa do art. 526, inciso II do RA de 1985, no meu entender, deve ser aplicada quando o fisco demonstre que o produto reclassificado estava com controles administrativos previstos em normas à época da importação. Isto porque, é meu entendimento, que a guia de importação era o instrumento de controle administrativo de importação, só necessário quando a mercadoria importada estivesse sujeita a normas não tarifárias. Tanto era assim que a mercadoria de que estamos tratando foi importada sob declaração de importação, outro documento hábil para permitir operações comerciais livres. Não tendo sido comprovada nenhuma obrigação de licença não tarifária para o produto reclassificado, que o obrigasse a apresentação de guia de importação, ele segue a mesma tramitação de despacho do anteriormente declarado. Assim, voto por desprover o recurso da FAZENDA NACIONAL. 01A CASh.__ do Amaral Marcondes Armando 3

score : 1.0
4749915 #
Numero do processo: 10945.004118/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201202

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10945.004118/2003-51

anomes_publicacao_s : 201202

conteudo_id_s : 4876336

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020

numero_decisao_s : 9202-001.974

nome_arquivo_s : 920201974_10945004118200351_201202.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD

nome_arquivo_pdf_s : 10945004118200351_4876336.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012

id : 4749915

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:29 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713044359601979392

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 1          1             CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10945.004118/2003­51  Recurso nº  136.770   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­01.974  –  2ª Turma   Sessão de  15 de fevereiro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL   Interessado  MAURO KEY KAMIOKA     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1998  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  ­  MULTA  QUALIFICADA  ­  JUSTIFICATIVA.  Qualquer  circunstância  que  autorize  a  exasperação  da multa  de  lançamento  de  ofício  de  75%,  prevista  como  regra  geral,  deverá  ser  justificada  e  comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância  econômica  e  reiteração  da  conduta,  desacompanhada  da  demonstração  de  outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata  de exigência alicerçada em presunção legal.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO  DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.  O Regimento  Interno  deste Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­  CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda  n.º  586,  de  21.12.2010  (Publicada  no  em  22.12.2010),  passou  a  fazer  expressa  previsão  no  sentido  de  que  “As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e  543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito do CARF” (Art. 62­A do anexo II).  O STJ,  em  acórdão  submetido  ao  regime do  artigo  543­C,  do CPC definiu  que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege­se  pelo disposto no artigo 173,  I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   2 O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  se  não  houve  antecipação  do  pagamento  (CTN,  ART.  173,  I);  (b)  Fato  Gerador,  caso  tenha  ocorrido  recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Gustavo Lian Haddad – Relator  EDITADO EM: 24/02/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado) Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo  Lian  Haddad,  Francisco  Assis  de  Oliveira  Junior,  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  Em  face  de  Mauro  Key  Kamioka  foi  lavrado  o  auto  de  infração  de  fls.  250/251, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão  de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada em relação  ao ano­calendário de 1997.  A  Segunda  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  ao  apreciar  o  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  exarou  o  acórdão  n°  102­46.704,  que  se  encontra às fls. 908/940 e cuja ementa é a seguinte:  “IRPF — DECADÊNCIA ­ O  imposto de  renda pessoa  física é  tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, cujo  prazo  decadencial  para a  constituição  de  créditos  tributários  é  de  cinco  anos,  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4°,  do  CTN,  que  ocorre  em  31  de  dezembro de cada ano, por se tratar de fato gerador complexivo  anual, observada a Lei n° 8.134, de 1990.  Recurso provido.”  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10945.004118/2003­51  Acórdão n.º 9202­01.974  CSRF­T2  Fl. 2          3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de  votos, deu provimento ao recurso.  Intimada pessoalmente do acórdão em 21/11/2005  (fls. 941) a Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  os  Embargos  de  Declaração  de  fls.  942/948,  que  foram  rejeitados conforme despacho nº 102­0.005/2006 (fls. 949/951).  Dessa  forma,  intimada  do  r.  despacho  a Procuradoria  da  Fazenda Nacional  interpôs o recurso especial de fls. 954/960, em que pleiteia, em apertada síntese, a reforma do  v. acórdão nº 102­46.704 por contrariedade ao disposto no artigo 173, I do Código Tributário  Nacional.  Consoante  despacho  nº  102­0.301/2006  (fls.  968/969)  o  referido  Recurso  Especial foi admitido.  Intimado sobre a admissão do  recurso  especial  interposto pela Procuradoria  da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contra­razões (fls. 973/981).  Em sessão de 19/09/2007, a antiga Quarta Turma desta Câmara Superior de  Recursos  Fiscais,  ao  analisar  o  Recurso  Especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, exarou o acórdão CSRF/04­00.660, por meio do qual anulou o acórdão 102­46.704,  cuja ementa dispõe:  “PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  —  NULIDADE  —  São  nulas  as  decisões  que  possam  resultar  em  preterição  de  direito de defesa, mediante supressão de instância.  Acórdão anulado.”  Dessa  forma,  os  autos  retornaram  para  a  C.  Segunda  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  que,  ao  apreciar  novamente  as  questões  que  lhe  foram  postas,  exarou o acórdão n° 102­49.423, que se encontra às fls. 998/1.008 e cuja ementa é a seguinte:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Exercício: 1998  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  É  dever  do  sujeito  passivo  colaborar  com  a  fiscalização,  para  que  se  possa  dar  eficácia ao princípio da verdade material.  DEPÓSITO  BANCÁRIO  ­  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS ­ Para os fatos geradores ocorridos a partir de  01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de  omissão  de  rendimentos  com  base  nos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem  dos recursos utilizados nessas operações.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  CONTAS  CONJUNTAS.  Nos  casos  de  contas  bancárias  em  conjunto  é  indispensável a  regular  e prévia  intimação de  todos  os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados,  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   4 pois a omissão apurada deverá ser rateada entre os co­titulares,  salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto.  IRPF.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  Nos  termos  da  Súmula  n°  14  deste  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes, "A simples apuração de omissão de receita ou de  rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de  oficio,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude do sujeito passivo".  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.  Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica­se  o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN,  ainda que não tenha havido pagamento antecipado.  Homologa­se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo  sujeito  passivo,  consistente  em  "verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo",  inclusive  quando  tenha  havido  omissão  no  exercício daquela atividade.  A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à  regra geral do artigo 173, I.   A  interpretação  do  caput  do  artigo  150  deve  ser  feita  em  conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e  VII, 150, §§1°. e 4º., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN.  Decadência acolhida.”  A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de  votos, desqualificou a multa e acolheu a preliminar de decadência.  Intimada pessoalmente do acórdão em 23/04/2010 (fls. 1.009) a Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  o  recurso  especial  de  fls.  1.011/1.020,  em  que  pleiteia,  em  apertada síntese, a reforma do v. acórdão nº 102­46.704 por contrariedade ao disposto no artigo  173, I do Código Tributário Nacional e no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.  Consoante  despacho  nº  2101­00165/2010,  de  30/07/2010  (fls.  1.022)  o  referido Recurso Especial foi admitido.  Intimado sobre a admissão do  recurso  especial  interposto pela Procuradoria  da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contra­razões (fls. 1.023).  É o Relatório.  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10945.004118/2003­51  Acórdão n.º 9202­01.974  CSRF­T2  Fl. 3          5   Voto             Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator  O recurso foi manejado  tendo em vista possível contrariedade à lei em face  de decisão não unânime, devidamente articulada no recurso especial apresentado pela Fazenda  Nacional. Dessa forma, impõe­se o conhecimento do recurso.  Assim, a discussão no presente recurso está limitada (i) ao termo de início do  prazo para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN) e (ii) à  discussão quanto à qualificação ou não da multa aplicada ao contribuinte.  Considerando que a qualificação da multa implica o afastamento da aplicação  da  sistemática  do  artigo  150,  §4º  do  CTN  optei  por  primeiramente  examinar  referida  qualificação.  Qualificação da multa  No  presente  caso,  a  autoridade  fiscal  autuante  entendeu  estar  caracterizado  evidente intuito de fraude, tendo aplicado a multa qualificada de 150%.  A  fundamentação utilizada para  justificar o  evidente  intuito de  fraude  foi  a  suposta  conduta  dolosa  da  contribuinte  em  não  declarar  os  valores  relativos  à  sua  movimentação  bancária,  bem  como  omitir  a  propriedade  de  bens  os  extratos  bancários  utilizados para o lançamento, conforme se verifica do seguinte trecho do Termo de Verificação  Fiscal (fls. 247):  “9.  O  contribuinte  ao  não  declarar  valores  relativos  a  rendimentos  auferidos  através  de  suas  atividades,  consubstanciadas pelos depósitos e créditos em conta bancária,  omitiu  informações  às  autoridades  fazendárias,  assim  como  omitiu,  em  sua  declaração  de  bens  da  DIRPF  de  1998,  ano­ calendário  de  1997  (fl.  96),  a  propriedade  de  estabelecimento  comercial no Paraguai: Casa Nippon, conforme constata­se na  ficha cadastral do sujeito passivo enviada pelo Banco Bradesco  (fi.118). Assim, o conjunto de fatos levantados no procedimento  fiscal  conduz  à  conclusão  de  que  o  dolo  esteve  presente  na  conduta adotada pelo contribuinte.”  A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n.  9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em  vigor à época dos fatos geradores):   “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas  as  seguintes multas, calculadas  sobre a  totalidade ou diferença  de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44)  (...)  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   6 II ­ de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito  de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de  1964,  independentemente de outras penalidades administrativas  ou criminais cabíveis.”  Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de  1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos:  “Art. 71. Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.”  Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima,  para  que  a multa  de  lançamento  de  ofício  de  75%  seja  qualificada  e  elevada  para  150%  é  imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente  nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização.  Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando  incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do  evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que  o  evidente  intuito  de  fraude  se  configura  nas  situações  em  que  demonstrado  o  emprego  de  meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc.   Ao  contrário  da  responsabilidade  pela  obrigação  tributária  principal,  que  a  teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da  infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no  sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos.  No caso presente, como já antecipado, a qualificação da penalidade decorreu  de suposta omissão do contribuinte em relação às suas movimentações bancárias e da omissão  da propriedade de bens na  ficha de  “bens  e direitos” de  sua DIRPF  (fls.  247),  relativa a um  único ano­calendário.  Entendo  que  a  simples  omissão  de  rendimentos,  ainda  que  reiterada  em  vários meses durante determinado exercício, desacompanhada de outros elementos probatórios  do evidente intuito de fraude, ou omissão de bens, não dá causa para a qualificação da multa.  Dentre  outras  razões,  tal  conclusão  decorre  do  fato  de  que,  se  assim  não  fosse,  não  haveria  hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10945.004118/2003­51  Acórdão n.º 9202­01.974  CSRF­T2  Fl. 4          7 Com  efeito,  considero  que  para  a  correta  aplicação  da multa  qualificada  a  inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte,  por ação específica e dolosa, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da  utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc.  Isto  é  ainda  mais  relevante  em  se  tratando  de  omissão  de  rendimentos  decorrente  de  depósitos  de  origem  não  comprovada,  cuja  verificação  é  objeto  de  presunção  legal relativa, já que neste caso a lei já traz conseqüência específica para o não fornecimento de  informações quanto à origem dos depósitos.   Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni  Christian Nunes Campos, em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito  não  permite  a  qualificação  da  multa  de  ofício  quando  presente  uma  simples  omissão  de  rendimentos,  como  justificar  a  qualificação  desse  multa  em  uma  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  em  que  não  ficou  demonstrada  nenhuma  fraude,  e  que  a  própria  omissão  de  rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre  com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado.  Entender  diferente  seria  presumir  a  fraude  em  situação  em  que  a  própria  hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada ­ é  presumida pela lei, situação que merece repúdio.  Não vejo,  assim,  como qualificar  a multa  em questão  pela  suposta  conduta  dolosa de omitir os rendimentos e omitir bens de sua DIRPF.  Em  resumo,  entendo  não  ter  a  fiscalização  logrado  êxito  em  demonstrar  evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte a justificar a qualificação da penalidade,  razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito.  Decadência  Por outro lado, no tocante à decadência, já manifestei meu entendimento em  diversas  oportunidades  segundo  o  qual  o  IRPF  é  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em  regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de  cinco anos a contar do fato gerador.  Ocorre  que  o  Regimento  Interno  deste  E.  Conselho,  conforme  alteração  promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62­A do anexo  II,  introduziu dispositivo  que determina, in verbis, que:  “As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF”  Assim,  no  que  diz  respeito  à  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  ao  julgar  o  RESP  nº  973.733,  nos  termos  do  artigo  543­C,  do  CPC,  consolidou  entendimento  diverso,  conforme  se  verifica  da  ementa  a  seguir transcrita:  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   8 “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL  .ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10945.004118/2003­51  Acórdão n.º 9202­01.974  CSRF­T2  Fl. 5          9 imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, tem­se que nos casos  em que não houve antecipação de pagamento deve­se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou  seja, contar­se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial,  aplica­se a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo inicia­se na data do fato gerador.  No presente caso o acórdão recorrido acolheu a alegação de decadência em  relação ao ano­calendário de 1997, tendo determinado o cancelamento do lançamento.   Examinando  a  declaração  de  ajuste  anual  apresentada  pelo  contribuinte  relativamente  ao  ano­calendário  de  1997  (fls.  95/96)  verifico  que  houve  antecipação  de  imposto de renda durante o ano­calendário.  Logo,  aplica­se  no  presente  caso  o  disposto  no  artigo  150,  §4º,  do  CTN,  sendo  que  o  início  do  prazo  de  decadência  dá­se  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  em  consonância com o que foi decidido no v. acórdão recorrido.  Na data em que o contribuinte tomou ciência do lançamento, 15/05/2003, os  fatos  geradores  referentes  ao  ano  calendário  de  1997  encontravam­se  fulminados  pela  decadência, constatado que se passaram mais de cinco anos contados da data do fato gerador  que se deu em 31/12/1997.  Deve, assim, ser mantida a decisão recorrida.  Destarte,  conheço  do  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO.    (Assinado digitalmente)  Gustavo Lian Haddad                            Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   10     Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2 012 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

score : 1.0