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Numero do processo: 18050.002507/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/04/2003
RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 2302-001.629
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/04/2003 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
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Recorrente DRJ SALVADOR BA Interessado TRANSPORTADORA OLIVEIRA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/04/2003 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O recurso de ofício foi interposto em face de a decisão de primeira instância, fls. 309 a 311, ter julgado o lançamento improcedente, em parte, decorrente da fluência do prazo decadencial. É o relato suficiente. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.002507/200833 Acórdão n.º 230201.629 S2C3T2 Fl. 319 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Não merece reforma a decisão de primeira instância. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado Súmula Vinculante de n º 8 no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (operase a homologação tácita). Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN; deve, assim, ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; há a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não ocorra o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN (decadência). Destacase que, nas hipóteses de ocorrências de dolo, fraude, ou simulação; não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o previsto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Para aplicação dos arts. 150, parágrafo 4º, ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, essa somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 13 de janeiro de 2008, fl. 310; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal e decisão de primeira instância; aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização anteriores a novembro de 2002. Para a competência dezembro de 2002, o termo inicial do prazo decadencial é 1º de janeiro de 2004, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2003; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte e como termo final 31 de dezembro de 2008. Nesse sentido da contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 329DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.002507/200833 Acórdão n.º 230201.629 S2C3T2 Fl. 320 5 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013327/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2002 –
PAF – POSTERGAÇÃO IRPJ e CSLL – Nos termos do PN COSIT nº 02/96,
deve ser apurado o lucro real e a base de cálculo da contribuição social
corretamente, correspondentes a cada período de apuração, inclusive o de
término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes
procedidos, inclusive o de correção, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido;apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Exercício: 2002
CSLL DIFERENÇA
IPC/BTNF 1990 DEDUTIBILIDADE IMPOSSIBILIDADE
Súmula CARF nº 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Numero da decisão: 1102-000.685
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer os efeitos da postergação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 – PAF – POSTERGAÇÃO IRPJ e CSLL – Nos termos do PN COSIT nº 02/96, deve ser apurado o lucro real e a base de cálculo da contribuição social corretamente, correspondentes a cada período de apuração, inclusive o de término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o de correção, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido;apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2002 CSLL DIFERENÇA IPC/BTNF 1990 DEDUTIBILIDADE IMPOSSIBILIDADE Súmula CARF nº 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
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Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2002 CSLL DIFERENÇA IPC/BTNF 1990 DEDUTIBILIDADE IMPOSSIBILIDADE Súmula CARF nº 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer os efeitos da postergação, nos termos do voto da relatora Assinado digitalmente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora EDITADO EM:26/03/2012. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Relatório Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 3 3 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: 1. Auto de Infração O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar constam das fls. 1 e 2 e os Demonstrativos Consolidados do Crédito Tributário do Processo Do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL constam das fls. 03 e 12, respectivamente. 1.1 Auto de Infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Pelo Auto de Infração de fls. 04/08 foi formalizada a seguinte exigência contra a empresa anteriormente identificada: Imposto.................................................................R$ 43.646,50 Juros de Mora (calculados até 31/10/2006)..........R$ 35.838,14 Multa proporcional (passível de redução)............R$ 32.734,87 Valor do Crédito Tributário..................................R$ 112.219,51 Como enquadramento legal foram citados: artigo 250, incisos I e II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99; artigo 26 e parágrafos da Instrução Normativa SRF nº 51/95; artigo 34 e parágrafo da Instrução Normativa SRF nº 11/96; artigo 424 e incisos Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041/94 – RIR/94; artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.200/91, c/c o artigo 11 da Lei n° 8.682/93. 1.2 Termo de Verificação Fiscal IRPJ A fiscalização considerou que exclusões extemporâneas não eram passíveis de serem efetuadas pela empresa no anocalendário de 2001. Justifica da seguinte forma a constituição do crédito tributário, fls. 08/11: “9. Em relação à reversão do saldo de provisão para devedores duvidosos, cuja reversão foi efetuada no anocalendário 1998 e a sua respectiva exclusão para apuração do lucro real somente ocorreu no anocalendário 2001, apuramos que no ano de 1998 a empresa apresentou prejuízo fiscal no montante de R$ 1.847.474,92. Assim, caso a exclusão tivesse sido procedida no período correto – anocalendário de 1998 – a empresa teria o seu prejuízo fiscal aumentado e todo o valor relativo à exclusão estaria sujeito à trava de 30% para futuras compensações com resultados positivos a serem apurados pela empresa em períodos posteriores. Em vez disso, a empresa procedeu a exclusão no ano de 2001, reduzindo o lucro do período de uma só vez, contrariando o disposto na legislação pertinente que diz que as exclusões extemporâneas não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido se realizadas na data prevista. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 4 4 10. No que toca ao saldo credor da correção monetária pelo IPC/90, no montante de R$ 32.187,00, fazse necessário que recorramos à legislação que regula a matéria, a seguir transcrita: LEI Nº 8.200, DE 28 DE JUNHO DE 1991 (ATUALIZADA PELA LEI Nº 8.682, DE 1993) Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. (Redação dada pela Lei nº 8.682, de 1993); Em análise do LALUR da empresa, apuramos que a mesma procedeu a exclusão das parcelas correspondentes aos anos calendário 1993, 1994 e 1995, deixando de efetuar a exclusão das três parcelas subsequentes. Conforme disposto na legislação, o saldo de R$ 32.187,00 deveria ter sido excluído na apuração do lucro real em três parcelas de R$ 10.729,00 nos anoscalendário 1996, 1997 e 1998. Vejamos o efeito fiscal da exclusão extemporânea no ano de 2001: AC 96Resultado do Período (após ajustes)4.432.888,30 AC 97Resultado do Período (após ajustes)1.658.695,48 Exclusão Extemporânea realizada em 2001 10.729,00 Resultado caso a exclusão tivesse sido feita no período correto1.669.424,48 AC 97Resultado do Período (após ajustes)1.847.474,92 Exclusão Extemporânea realizada em 2001 10.729,00 Resultado caso a exclusão tivesse sido feita no período correto1.858.203,92 No anocalendário 1996, a empresa apurou resultado positivo. Em vista de tal fato e considerandose que não houve alterações de alíquota e adicional do IRPJ, apuramos que a exclusão extemporânea nesse período não produziu efeito diverso daquele que seria obtido se realizado na data prevista. No entanto, em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, constatamos que a empresa apurou prejuízo fiscal, cabendo as mesmas considerações já efetuadas no item 9 do presente termo em relação à reversão da provisão para devedores duvidosos. 11. Em vista de tudo o que foi acima exposto, estamos procedendo a glosa de parte das exclusões efetuadas no ano calendário 2001, conforme descrito a seguir: Saldo devedor de correção monetária–IPC/90 – Lei 8.200 (parcela 1997) 10.729,00 Saldo devedor de correção monetária– IPC/90 – Lei 8.200 (parcela 1998) 10.729,00 Reversão provisão para devedores duvidosos 153.128,00 Total 174.586,00 12. Assim, estamos constituindo o crédito tributário relativo ao IRPJ Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 5 5 que deixou de ser declarado e recolhido pelas exclusões extemporâneas efetuadas em 2001.” 1.3 – Auto de Infração – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Pelo Auto de Infração de fls. 13/16 foi formalizada a seguinte exigência contra a empresa anteriormente identificada: Contribuição.........................................................R$ 192.711,18 Juros de Mora (calculados até 31/10/2006)..........R$ 158.235,14 Multa proporcional (passível de redução)............R$ 144.533,38 Valor do Crédito Tributário..................................R$ 495.479,70 Como enquadramento legal foram citados: artigo 2º e parágrafos da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96 e artigo 28 da Lei nº 9.430/96; artigo 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas alterações; artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 11/96; artigos 39 e 41 do Decreto nº 332/91. 1.4 – Termo de Verificação Fiscal – CSLL Para a CSLL a fiscalização também considerou que exclusões extemporâneas não eram passíveis de serem efetuadas pela empresa no ano calendário de 2001. Justifica da seguinte forma a constituição do crédito tributário, fls. 17/24: “12. Conforme documentação apresentada pela empresa, constatamos que a reversão da provisão para devedores duvidosos foi efetuada nos anoscalendário 1996 e 1998 e a sua respectiva exclusão para apuração da base de cálculo da CSLL somente ocorreu no anocalendário 2001. Conforme apurado nas DIPJs relativas aos períodos em questão, a empresa apresentou base positiva para a apuração da CSLL no ano calendário 1996 no montante de R$ 5.647.053,67 e base negativa para a apuração da CSLL no montante de R$ 1.514.670,12 no anocalendário de 1998. Assim, passamos a analisar os efeitos fiscais decorrentes da exclusão extemporânea relativa a cada uma das parcelas revertidas a título de provisão para devedores duvidosos. 13. No que toca ao anocalendário 1998, como a empresa apurou base negativa no cálculo da CSLL, não resta dúvida de que tal exclusão não era passível de ser efetuada no ano calendário de 2001. Caso a exclusão tivesse sido procedida no período correto – anocalendário 1998 – a empresa teria a sua base negativa da CSLL aumentada e todo o valor relativo à exclusão estaria sujeito à trava de 30% para futuras compensações com resultados positivos a serem apurados pela empresa em períodos posteriores. Em vez disso, a empresa procedeu a exclusão no ano de 2001, reduzindo o resultado do período de uma só vez, contrariando o disposto na legislação pertinente que diz que as exclusões extemporâneas não poderão Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 6 6 produzir efeito diverso daquele que seria obtido se realizadas na data prevista. 14. Já em relação ao anocalendário 1996, como a empresa apurou base positiva no cálculo da CSLL, é preciso analisar outros aspectos como alíquotas e adicionais a fim de avaliar os efeitos produzidos pela exclusão extemporânea em 2001. Como já visto, a parcela revertida no anocalendário de 1996 perfaz o montante de R$ 142.568,08. Conforme legislação vigente no período de apuração, no anocalendário 1996 a aíquota aplicável na apuração da CSLL era de 8% com aplicação da fórmula (RXA)/(1+A). Já no anocalendário 2001, a alíquota aplicável era 9% com aplicação direta sobre a respectiva base de cálculo. Vejamos pois os efeitos fiscais pertinentes: 1996 – (R$ 142.568,08 X 0,08)/(1+0,08) =R$ 10.560,00 2001 – R$ 142.568,08 X 0,09 = R$ 12.831,13 15. Conforme demonstrado, caso a exclusão tivesse ocorrido no período correto, anocalendário 1996, a empresa teria deixado de pagar o montante de R$ 10.560,00 a título de CSLL ao passo que, efetuando a exclusão extemporânea em 2001, deixou de pagar o montante de R$ 12.831,13. Concluise, portanto, ser indevida tal exclusão extemporânea por produzir efeito diverso daquele que seria obtido se realizada na data prevista, conforme determina o art. 34 e parágrafo “b” da Instrução Normativa SRF 11/96, acima transcrito, dispositivo legal que foi citado pelo próprio contribuinte em sua resposta apresentada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 02.” Com referência à exclusão dos valores relativos ao saldo devedor da correção monetária IPC/90 – Lei nº 8.200/91, no valor de R$ 708.732,12, e do saldo de depreciações IPC/90 – Lei nº 8.200/91, no valor de R$ 1.136.034,00, a empresa alegou ter sido feita exclusão extemporânea, mas a fiscalização consideroua indevida, glosando na sua totalidade, tendo em vista o disposto nos artigos 39, § 1º, e 41, § 2º, do Decreto nº 332/91, e o artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.200/91. Desta forma, constituiu o crédito tributário relativo à CSLL pela glosa das exclusões efetuadas em 2001, consideradas indevidas, a seguir demonstradas: GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDASVALOR R$ Reversão do saldo depreciações IPC/901.136.034,00 Reversão do saldo devedor correção monetária IPC/90708.732,12 Reversão da Provisão p/ Devedores Duvidosos – ano 96142.568,08 Reversão da Provisão p/ Devedores Duvidosos – ano 98153.901,25 Total 2.141.235,45 2. Impugnação A empresa apresentou impugnações em 15 de dezembro de 2006, sendo que a peça referente à CSLL foi anexada às fls. 163/174, acompanhada dos documentos de fls. 175/180, enquanto que a do IRPJ anexada às fls. 181/188, acompanhada dos documentos de fls. 189/194. 2.1 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ 2.1.1 – Nulidade do Auto de Infração Inicialmente a impugnante requer que o Auto de Infração seja considerado nulo, porque o critério para Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 7 7 constituição do crédito tributário não se coaduna com o Parecer Normativo nº 02 COSIT, de 28/08/1996. Alega que houve insuficiência de compensação de prejuízos, no anocalendário de 2003, no exato valor das deduções não permitidas pela fiscalização no anocalendário de 2001, acarretando pagamento a maior do imposto naquele ano calendário no valor de R$ 43.646,50, exatamente o valor principal indevidamente exigido no presente auto de infração, posto que não se observaram os procedimentos de apuração decorrentes de postergação, conforme previsto pelo Parecer Normativo COSIT nº 02/96. Transcreve ementas de Acórdãos de decisões administrativas que embasariam sua tese. 2.1.2 – Saldo Negativo de Imposto de Renda No caso dos autos a autuada argumenta que a fiscalização desprezou o saldo negativo do imposto apresentado na DIPJ do anocalendário em questão e fez o lançamento do imposto de renda, no valor original de R$ 43.646,50, com acréscimos de multa e juros e, assim fazendo, teria agido equivocadamente, uma vez que deveria exigir apenas a redução do saldo negativo do imposto apurado na declaração no exato valor do imposto apurado de ofício. A empresa, nesse caso, ainda apresentaria saldo negativo do imposto da ordem de R$ 153.506,34. Por este motivo, requer outra vez a nulidade do auto de infração, porque defeso à autoridade julgadora efetuar novo lançamento. Não é o caso para os presentes autos. 2.1.3 – Mérito No mérito, inicialmente e sem renúncia à preliminar de nulidade, alternativamente requer o cancelamento do auto de infração e a redução do saldo negativo no exato valor do imposto original cobrado no auto de infração e o cancelamento da multa e dos juros de mora. Também questiona para depois requerer: “Como o lucro real foi reajustado pela própria fiscalização em mais R$ 174.586,00, resultando em R$ 2.084.709,43, deveria também reajustar, de ofício, o prejuízo compensado para R$ 625.412,83, representando o acréscimo dessa compensação de R$ 52.375,80, em redução do imposto exigido nesse ano calendário de R$ 13.093,95, ficando requerido, pois, tal, redução.” Se, contudo, prevalecer o Auto de Infração, a impugnante requer que seja determinado o decotamento do valor do principal e considerado somente a cobrança de juros pelo período em que se verificou a postergação, conforme preconiza o PN COSIT nº 02/96. Finalizando, propugna pelo cancelamento do auto de infração. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 8 8 2.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 2.2.1 – Nulidade do Auto de Infração No caso dos autos a autuada argumenta que a fiscalização desprezou o saldo negativo da contribuição apresentado na DIPJ do anocalendário em questão e fez o lançamento da contribuição, no valor original de R$ 192.711,18, com acréscimos de multa e juros e, assim fazendo, teria agido equivocadamente, uma vez que deveria exigir apenas a redução do saldo negativo da contribuição apurado na declaração no exato valor do montante apurado de ofício e exigir somente a diferença de R$ 21.907,72. Por este motivo, requer outra vez a nulidade do auto de infração, porque defeso à autoridade julgadora efetuar novo lançamento. 2.2.2 – Mérito Iniciando sua contestação quanto ao mérito do lançamento, sustenta que a contribuição exigida tem que ser diminuída do saldo negativo apurado do anocalendário em questão, mesmo se for o caso da não declaração de nulidade. 2.2.2.1 –Reversão do Saldo Depreciação IPC/90 – R$ 1.136.034,00 Saldo Devedor Correção Monetária IPC/90 – R$ 708.732,12 Com relação a este tópico, a autuada contesta a fiscalização pela glosa pura e simples dos valores acima mencionados, argumentando: “É que a Lei 8200, de 28 de junho de 1991, em momento algum veda os efeitos da correção complementar do IPC sobre a base de cálculo da CSLL. Ao contrário, o seu art. 5º permite expressamente que seus efeitos devem ser considerados no lucro líquido do exercício – ponto de partida para apuração da base de cálculo da contribuição: Art. 5º O disposto nesta lei aplicase à correção monetária das demonstrações financeiras, para efeitos societários. Transcreve ementas de decisões administrativas que corroborariam com o seu entendimento. 2.2.2.2 – Reversão da Provisão para Devedores Duvidosos – ano 96 – R$ 142.568,08 Por questões de alíquotas, a dedução, se efetivada no ano de 1996, reduziria o valor da contribuição em R$ 10.560,60. Em 2001, reduziu o valor de R$ 12.813,13. Por conta disto, a fiscalização promoveu a tributação pelo valor integral de R$ 142.568,08. Argumenta a impugnante que este procedimento trouxe prejuízo para ela mesma, pois se tivesse deduzido o valor no ano de 1996, teria pago R$ 10.560,60 a menos de imposto, valor este que corrigido monetariamente (financeiramente) até dezembro de 2001 teria um rendimento que suplantaria os R$12.831,13 referenciados pela fiscalização e que motivaram a glosa. Entende também que o pagamento efetuado a maior em 1996 deveria ser compensado, de ofício, pela própria fiscalização, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 9 9 inclusive com o acréscimo correspondente à variação SELIC, o que resultaria em cancelamento da exigência fiscal. Ultimando as ponderações quanto a este tópico, a título de argumentação, no caso de não se considerar a variação da taxa SELIC no pagamento a maior realizado em 1996, a impugnante alega que a fiscalização deveria realizar o lançamento pelo valor líquido da diferença dos dois valores, ou seja, R$ 2.270,53. 2.2.2.3 – Reversão da Provisão para Devedores Duvidosos – ano 98 R$ 153.901,25 A impugnante requer que o Auto de Infração seja considerado nulo, porque o critério para constituição do crédito tributário não se coaduna com o Parecer Normativo nº 02 COSIT, de 28/08/1996. Alega que nada deve de contribuição, uma vez que, nos anos anteriores, até a data da ação fiscal, pagou o tributo e a fiscalização não está considerando a repercussão desse aumento de base de cálculo negativa nos anos posteriores, conforme previsto no PN COSIT nº 02/96. Transcreve decisões administrativas para consubstanciar sua defesa. Também questiona para depois requerer que: “Como o lucro real foi reajustado pela própria fiscalização em mais R$ 153.901,25, resultando em R$ 489.267,56, deveria também reajustar, de ofício, a base negativa compensada para R$ 149.480,27, representando o acréscimo dessa compensação de R$ 46.170,27, em redução da contribuição exigida nesse ano calendário de R$ 4.155,33, ficando requerido, pois, tal, redução.” Repete aqui as considerações feitas quanto ao IRPJ, no sentido de, se prevalecer o Auto de Infração, a impugnante requer que seja determinado o decotamento do valor do principal e considerada somente a cobrança de juros pelo período em que se verificou a postergação, conforme preconiza o PN COSIT nº 02/96. Finalizando, propugna pelo cancelamento do auto de infração. Ponderando os fundamentos expostos na impugnação, decidiu a 4a. Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, através do acórdão 0222.821de 02/07/2009, fls.196/213, julgar improcedente a impugnação,. nos termos do voto do relator, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS POR ESTIMATIVA Os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL que resultarem superiores ao apurado na DIPJ serão compensados, corrigidos monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 10 10 A compensação de créditos com débitos do próprio contribuinte, referente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é feita mediante a apresentação de Declaração de Compensação, cuja competência originária para apreciação não é da DRJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Não cabe à autoridade fiscal e a esta instância julgadora, de ofício, efetuar a compensação de prejuízos, pois não há previsão legal para tal iniciativa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 EXLUSÃO EXTEMPORÂNEA POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ A exclusão extemporânea de despesa não significa postergação do imposto. Ao contrário, significa que a empresa apura um lucro maior ou um prejuízo menor no período competente. Não se aplicam, neste caso, as recomendações previstas no Parecer Normativo COSIT nº 02/96. Caracterizam a redução indevida do lucro real, por não respeitar as normas relativas à escrituração e de reconhecimento de deduções, as exclusões do lucro líquido que produzirem efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadas na data prevista. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2002 EXLUSÃO EXTEMPORÂNEA POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DA CSLL A exclusão extemporânea de despesa, não significa postergação do imposto. Ao contrário, significa que a empresa apura um lucro maior ou um prejuízo menor no período competente. Não se aplica, neste caso, as recomendações previstas no Parecer Normativo COSIT nº. 02/96. Caracteriza a redução indevida do lucro real, por não respeitar as normas relativas à escrituração e de reconhecimento de deduções, as exclusões do lucro líquido que produzirem efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadas na data prevista. DIFERENÇA IPC/BTNF. Consoante estabelecido na legislação tributária, o resultado da correção monetária complementar decorrente da diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF não influirá na base de cálculo da contribuição social. Ciente em 25 de novembro de 2009, fls. 216, interpõe a Contribuinte as razões de recurso,em 16/12/2009, às fls.224/241, onde inicia informando que apresentou impugnações distintas para o IRPJ e a CSLL, mas que suas razões foram conhecidas conjuntamente. Apresenta a preliminar de nulidade do auto de infração, por falta de consideração da postergação do pagamento do imposto.Comenta que, ao contrário do que pensa o Acórdão recorrido, as nulidades que podem macular o auto de infração não são apenas aquelas arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/2, mas também o procedimento que ferir o Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 11 11 disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Transcreve a ementa do Acórdão n° 10248.482 e parte do voto, como suporte à sua pretensão. Diz, com amparo nesse acórdão, que o lançamento padece de vício insanável, por não preencher aos requisitos constantes no art. 142 do Código Tributário Nacional. Também equivocada a construção da exigência que deveria ter observado a postergação do pagamento do imposto e não lançado todo valor da diferença apurada. Porque o imposto que está sendo cobrado no anocalendário de 2001, se considerasse as ocorrências dos anos respectivos, os prejuízos fiscais então apurados acrescidos de tais despesas poderiam ser compensados, na íntegra, até o ano calendário de 2003. Demonstra essas despesas `supostamente postergadas`.Recompõe o prejuízo fiscal , após consideradas as despesas nos anos corretos, compensa os prejuízos observando a trava dos 30% e conclui que houve insuficiência de compensação de prejuízos, no ano calendário de 2003, no valor das deduções não permitidas pela fiscalização, no anocalendário de 2001, acarretando pagamento a maior do imposto naquele anocalendário de 2003 no valor de R$ 43.646,50, igual ao valor principal indevidamente exigido no presente auto de infração. Repisa a figura da postergação do pagamento do imposto, reclama do acórdão por rejeitála e pergunta: “se imposto que deveria ser recolhido em 2001 foi integralmente recolhido em 2003, o que ocorrera, senão a postergação no pagamento do tributo”? Transcreve o art. 142 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional comenta o dispositivo e pede obediência ao mesmo.Em suporte a sua tese replica as ementas dos acórdãos 10195480; 10806779; CSRF/0104.375 e aduz que diante de todos esses argumentos o auto de infração deveria ser cancelado. Noutro tópico referese à “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO SALDO NEGATIVO APURADO NA DECLARAÇÃO”. – pois demonstrara que apurou, no anocalendário de 2001, saldo negativo de imposto de renda no valor de R$ 197.152,74, conforme lançado na linha 18, da Ficha 12A, da DIPJ/2002. O procedimento correto da fiscalização seria a redução do saldo negativo, em razão dos acréscimos efetuados de ofício, com observância desses eventos em todos os cálculos, o que implicaria na redução do saldo negativo anteriormente apresentado. Mas a DRJ refuta sua pretensão sob argumento de que pretendera compensar o imposto pago a maior decorrente de estimativa do próprio anocalendário de 2001. Tal pretensão, todavia, tem rito próprio a observar, a Lei ri° 8.383/1991, art. 66, § 40 e art. 26 da IN SRF n°600/2005. Reclama desta conclusão da DRJ, porque a resposta vem da redação do art. 28 da Lei n° 8.541/92, citado no próprio acórdão. Comenta que a fiscalização deveria recalcular todo o imposto devido no ano calendário e fazer a dedução do imposto pago por estimativa no ano. Se apurasse imposto a pagar, lavrar auto de infração da diferença e considerálo vencido em cota única até a data da entrega da declaração, se o saldo do imposto ainda se apresentasse negativo, lavrar auto de infração com redução e ajuste deste saldo negativo. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 12 12 Comenta o caso semelhante ocorrido quando há prejuízo fiscal declarado e o procedimento fiscal aponta despesas indevidas ou receitas não reconhecidas. No cálculo resultante, se o total dos acréscimos ao lucro real determinados pela fiscalização não superarem o valor do prejuízo fiscal, lavrase auto de infração com redução deste prejuízo. A própria Instrução Normativa n° 600/2005, citada pela decisão manda que o imposto pago por estimativa seja considerado para dedução, e não para compensação, do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração, cujo artigo 10 reproduz, na ordem seguinte: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Comenta que o fiscal deveria refazer toda a ficha 12 da declaração. Contudo, foi desprezado o saldo negativo do imposto apresentado na DIPJ do ano calendário em questão e foi exigido o imposto de renda, no valor original de R$ 43.646,50, mais acréscimos, quando deveria exigir somente a redução do saldo negativo do imposto apurado na declaração no exato valor do imposto apurado de oficio. Consigna que apresentou, no período, saldo negativo do imposto da ordem de R$ 153.506,34.(Mais uma razão para que fosse decretada a nulidade da exigência . Quanto ao mérito, inicia opondo o seguinte item:“DA REDUÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA VERIFICADO NO ANOBASE DE 2.001 “, para dizer que no ano da ação fiscal apresentou saldo negativo do imposto da ordem de R$ 197.152,74, conforme lançado na linha 18, da Ficha 12 A , da DIPJ correspondente.. Por isto, e sem renúncia à preliminar de nulidade anteriormente arguida, alternativamente, requereu o cancelamento do auto de infração e a redução do saldo negativo no exato valor do imposto original cobrado naquele instrumento e o cancelamento de juros e multa. Demonstra os cálculos na forma que entende correto, pede sua consideração, o que implicaria na redução do imposto exigido nesse anocalendário, para R$ 13.093,95. Igualmente pede O DECOTAMENTO DO VALOR PRINCIPAL E AJUSTE DOS JUROS AO PERÍODO DA POSTERGAÇÃO – se mantida a exigência, nos termos do PN COSIT 02/96, ou seja, o efeito da postergação. No tocante à CSLL .aponta os valores eleitos como base de cálculo da exigência( tabela de fls.232)e em seguida aponta o item “ABORDAGEM RELATIVA A TODO O AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE DO AUTO INFRAÇÃO SALDO NEGATIVO NO ANO CALENDÁRIO DA AÇÃO FISCAL”. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 13 13 Comenta que, no anocalendário de 2.001, apurou saldo _ negativo de contribuição no valor de R$ 170.803,46, conforme lançado na linha 42, da Ficha 17, da DIPJ respectiva, e repete neste item toda a argumentação oferecida para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, requerendo, também, o cancelamento dessa exigência. No tocante à QUESTÃO DE MÉRITO, pede que se fosse o caso da não declaração da nulidade do auto, a contribuição exigida teria que ser diminuída do saldo negativo apurado, ficando também requerido o provimento do recurso neste sentido. Referese, ainda, a REVERSÃO DO SALDO DEPRECIAÇÃO IPC/90 R$1.136.034,00 E SALDO DEVEDOR CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/90 — R$708.732,12 Comenta que o item 17 do TVF afirmou que: "No caso em questão, não se trata de uma exclusão extemporânea, conforme argumentou o contribuinte. Trata se de fato de uma exclusão indevida, conforme veremos a seguir." Aponta como QUESTÕES DE MÉRITO, que , segundo o TVF, com relação aos valores de R$ 1.136.034,00 e R$ 708.732,12, o tratamento dado no auto de infração não foi de exclusão extemporânea, mas de glosa pura e simples de dedução que não seria permitida pela legislação. Referese ao equívoco do auto de infração e a decisão nessa parte, porque a Lei 8.200, de 28 de junho de 1.991, em momento algum veda os efeitos da correção complementar do IPC sobre a base de cálculo da CSL. No sentido contrário vai o art° 5° ao permitir expressamente que seus efeitos devam ser considerados no lucro líquido do exercício — ponto de partida para apuração da base de cálculo da contribuição: "Art. 5o. O disposto nesta lei aplicase à correção . monetária das demonstrações financeiras, para efeitos societários." Por isto, perfeitamente dedutíveis na determinação da base de cálculo da CSL os valores glosados pela fiscalização, conforme vasta jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Transcreve as ementas dos acórdãos:10706881, de 07/11/2002;10195592, de 21/06/2006; 10194731 de 21/20/2004; 10195012,de 15/06/2005; CSRF/0105.098; de 17/10/2004. Quanto à REVERSÃO DA PROVISÃO P/DEVEDORES DUVIDOSOS — ANO 96— R$142.568,08, aponta como QUESTÕES DE MÉRITO, que segundo o auto de infração, a dedução feita no ano calendário de 2.001 ao invés de ser considerada no ano de 1.996, produziu efeitos tributários diversos daqueles que produziriam caso houvesse sido deduzida no ano calendário correto. E embora tenha apurado base de cálculo positiva da CSL no anocalendário de 1.996, a alíquota da contribuição daquele ano era inferior ao do ano em que foi a despesa deduzida, acarretando, desse modo, diminuição da contribuição paga. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 14 14 Aponta cálculos de juros que permitiria demonstrar que nenhum prejuízo causara ao fisco: “Se deduzida no ano de 1.996, reduziria o valor da contribuição em R$ 10.560,60; e, se deduzida em 2001, conforme foi, reduziu o valor em R$ 12.831,13. Assim, promoveu a tributação sobre o valor integral de R$ 142.568,08. Também nesse ponto, não assiste razão à fiscalização, em absoluto. O motivo da fiscalização em constituir o crédito tributário é a afirmação de que a dedução feita no ano de 2001 produziu efeito tributário diverso daquele que produziria se o contribuinte houvesse considerado a dedução no ano de 1996. Ora, se o contribuinte houvesse deduzido o valor no ano de 1996 teria pago imposto a menor no exato valor de R$ 10.560,60. A variação da taxa SELIC de janeiro de 1997 a dezembro de 2001 foi da ordem de 103,22% o que ocasiona um acréscimo no valor de R$ 10.900,65, resultando em valor total de R$ 21.461,25. Se o contribuinte aplicasse o mesmo valor de R$ 10.560,60 no mercado financeiro a uma taxa de 1% ao mês, sem capitalização, quer dizer, uma das piores aplicações que se possa ter notícias, o valor renderia rendimento, entre janeiro de 1997 a dezembro de 2.001, de R$ 6.336,36 (10.560,60 x 60%), totalizando R$ 16.896,96. Como no ano calendário de 2.001 o efeito no recolhimento da contribuição foi de R$ 12.831,13, realmente o procedimento do contribuinte produziu efeito tributário diverso, entretanto, EM PREJUÍZO DELE PRÓPRIO E NÃO DO FISCO. Com esta exposição comprovara não caber a aplicação do artigo 34 da IN SRF 11/96, devendo ser cancelado o auto de infração, também nessa parte. Pede que se observe , no caso de não se considerar a variação da taxa SELIC no pagamento a maior realizado relativo ao ano de 1996, que a fiscalização deveria realizar o lançamento pelo valor líquido apurado entre a diferença de R$ 12.831,13 (redução da CSL no ano de 2001) e de R$ 10.560,60 (aumento da CSL no ano de 1996) resultando na exigência de, apenas, R$ 2.270,53, ficando também assim requerido. REVERSÃO DA PROVISÃO P/DEVEDORES DUVIDOSOS ANO 98— R$ 153.901,25 Aduz que neste item , o TVF se deu nos termos seguintes: "13. No que toca ao anocalendário 1998, como a empresa apurou base negativa no cálculo da CSL, não resta dúvida de que tal exclusão não era passível de ser efetuada no anocalendário 2001. Caso a exclusão tivesse sido procedida no período correto — anocalendário 1998 — a empresa teria tido sua base negativa aumentada e todo o valor relativo à exclusão estaria sujeito à trava de 30% para futuras compensações com resultados Fl. 14DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 15 15 positivos a serem apurados pela empresa em períodos posteriores. Em vez disso, a empresa procedeu a exclusão no ano 2001, reduzindo o resultado do período de uma só vez, contrariando o disposto na legislação pertinente que diz que as exclusões extemporâneas não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido se realizadas na data prevista." “NULIDADE DO AUTO INFRAÇÃO POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO” Pede que nesta parte seja aplicada toda a argumentação exposto no item relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, porque nada deve de CSL , uma vez que, nos anos posteriores até a data da ação fiscal, pagou o tributo e a fiscalização não está considerando a repercussão desse aumento de base de cálculo negativa nesses anos posteriores. Ás fls. 238, em duas tabelas apresenta “Demonstração da Base de Calculo Negativa Apurada em Razão da Fiscalização” e Demonstração da Compensação de Base de Cálculos Negativas Apuradas Ajustadas Informa que obedeceu à limitação de 30% da base de cálculo da CSLL, conforme determina a lei. Conclui que demonstrara a insuficiência de compensação de base de cálculo negativa, já no ano calendário de 1.999, no exato valor das deduções não permitidas pela fiscalização no anocalendário de 2.001, acarretando pagamento a maior do imposto naquele anocalendário no valor de equivalente ao que aqui se exige indevidamente no presente auto de infração, posto que não se observou os procedimentos de apuração decorrentes de postergação, conforme previsto pelo Parecer Normativo COSIT 02/96 e de acordo com as decisões administrativas proferidas nos acórdãos 10195480, de 26/04/2006; 10806779, de 05/12/2001; CSRF/0104.375, de 13/12/2002. No tocante às QUESTÕES DE MÉRITO , a fiscalização desconsiderou a dedução do valor de R$ 153.901,25, acrescendo à base de cálculo do período o exato valor da glosa da dedução. Mas é perceptível que, naquele período, fez compensação de base de cálculo negativa de apenas R$ 103.309,89, exatamente o valor correspondente a 30% da base de cálculo apurada em sua DIPJ de R$ 344.366,31. E como o lucro real foi reajustado pela própria fiscalização em mais R$ .... _ 153.901,25, resultando em R$ 498.267,56, deveria também reajustar, de oficio, a base negativa compensada para R$ 149.480,27, representando o acréscimo dessa compensação de R$ 46.170,38, em redução da contribuição exigida nesse anocalendário de R$ 4.155,33. Por fim pede que seja observada a postergação do pagamento da contribuição, consoante preconiza o PN COSIT 02/96. É o relatório. Voto Fl. 15DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 16 16 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase de exigência para o IRPJ e CSLL, anocalendário de 2001, por exclusões e compensações não autorizadas na apuração do lucro real, conforme consignado pelo Termo de Verificação Fiscal, em síntese: I – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA O LALUR da empresa, aponta para o IRPJ, exclusão das parcelas correspondentes aos anoscalendário 1993, 1994 e 1995, deixando de efetuar a exclusão das três parcelas subseqüentes. Conforme disposto na legislação, o saldo de R$ 32.187,00 deveria ter sido excluído na apuração do lucro real em três parcelas de R$ 10.729,00 nos anos calendário 1996, 1997 e 1998. Demonstra o efeito fiscal da exclusão extemporânea no ano 2001: No anocalendário 1996, o resultado foi positivo. Considerandose que não houve alterações de alíquota e adicional do IRPJ, apurou que a exclusão extemporânea nesse período não produziu efeito diverso daquele que seria obtido se realizada na data prevista. Em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, a empresa apurou prejuízo fiscal, que repercutiu, também, no ano de 2001 e por isto foram glosadas parte das exclusões efetuadas no anocalendário 2001, conforme descrito a seguir: SD CM IPC/90 — Lei 8.200 (parcela de 1997) 10.729,00; SD CM IPC/90 — Lei 8.200 (parcela de 1998) 10.729,00; Reversão provisão para devedores duvidosos 153.128,00; 174.586,00 A Recorrente em suas razões aduz a preliminar de nulidade do lançamento porque não fora observada a figura da postergação do pagamento do imposto e contribuição social, nos moldes do PN 02/1996, em desacordo com o artigo 142 do Código Tributário Nacional. A forma de contabilização das provisões, conforme realizado neste processo, para o imposto de renda provocou, num primeiro momento pagamento de imposto a maior e no encerramento de períodos seguintes, provocou redução no montante do imposto de renda a ser recolhido naquele momento. No período seguinte, nova distorção contábil provocada por aquele erro, determinou redução do resultado liquido com conseqüente aumento do imposto de renda a ser calculado, provocando notório caso de postergação do imposto de renda, que, deixado de ser recolhido em um período, será compensado parcial ou integralmente por recolhimentos nos períodos subseqüentes. Caracterizada a postergação aplicamse as normas do PN CST n° 02/96, sob pena de improcedência do lançamento que as desatendeu, por não observar a determinação do art. 6° do Decretolei n°1.598/77, a saber: Art. 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) Fl. 16DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 17 17 § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. Na página da Receita Federal as respostas às questões seguintes, bem esclarecem o procedimento que deveria ter sido aplicado, ao caso: (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2002/pergresp2002/pr 265a276.htm ) 265. Qualquer inobservância do regime de competência na escrituração da pessoa jurídica constituirá fundamento para lançamento por parte da autoridade fiscal? Não. A inexatidão, no período de apuração, de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, se dela resultar (RIR/99, art. 273; PN CST nº 57/79 e PN COSIT nº 02/96): I a postergação do pagamento do imposto para período posterior ao em que seria devido; ou, II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. 266. Quando ocorre, em linhas gerais, a postergação do pagamento do imposto ou a redução indevida do lucro real? A postergação do pagamento do imposto para período posterior ao em que seria devido ocorrerá quando se protelar para períodos subseqüentes a escrituração de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro, ou se antecipar a escrituração de custo, despesa ou encargo correspondente a períodos subseqüentes. A redução indevida do lucro real ocorrerá quando não for adicionado ao lucro líquido qualquer parcela tida como não dedutível ou dele for excluída parcela não autorizada pela legislação tributária. 267. Somente nos dois casos a que se referem as duas questões anteriores, a inobservância do regime de competência na escrituração da pessoa jurídica constituirá fundamento para lançamento por parte de autoridade fiscal? Não. Normalmente o registro antecipado de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro, ou a contabilização posterior de custo ou dedução, não ocasionam, via de regra, prejuízo para o Fisco, quando então tais eventos não ocasionam efetivação de lançamento, caso a alíquota do imposto seja a mesma nos dois exercícios. Configuram meras inexatidões contábeis, sem efeitos tributários. Esses mesmos fatos, porém, adquirem relevância fiscal quando o contribuinte visa, antecipando a receita, a criar lucro necessário ao aproveitamento de prejuízo fiscal, cujo direito à compensação Fl. 17DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 18 18 caducaria se obedecido o regime de competência, consoante as regras vigentes até 31/12/94; ou, a partir de 01/01/95, quando o contribuinte procurar aumentar o lucro visando à compensação de valor maior do que o limite de 30%, previsto para a compensação de prejuízos fiscais na forma da Lei nº 8.981/95, com as alterações da Lei nº 9.065/95, art. 15. 268. Como deverá ser regularizada, na apuração do lucro real, a inobservância do regime de competência, quando o procedimento partir da autoridade fiscal? Os valores que competirem a outro período de apuração e que, para efeito de determinação do lucro real, forem adicionados ao lucro líquido do período, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente (RIR/99, art. 247, § 2º). Assim, na hipótese de inobservância do regime de competência na escrituração, a regularização do lucro real do período de apuração da contabilização implica, de modo obrigatório, retificação do lucro real do período competente, a fim de que o regime prescrito na lei seja observado em ambos os períodos de apuração, ou seja, quando a autoridade fiscal se deparar com uma inexatidão quanto ao período de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período indevido e adicioná la ao lucro líquido do período competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do período de competência (PN COSIT nº 02/96, item 5.2) Ressaltese que para efeito da determinação do lucro real com vistas a ser caracterizada a postergação, nos termos do artigo 26 da IN SRF nº 51/95, as exclusões do lucro líquido em anos calendário subseqüentes àquele em que deveria ter sido procedido o ajuste não poderão produzir efeito diverso do que seria obtido, se realizadas na data prevista. 269. Tendo em vista o disposto na questão anterior, como deverá proceder a autoridade fiscal no caso de constatar inobservância no regime de competência? Depois de recompor o lucro real dos dois períodos de apuração envolvidos se verificar que o lucro real do período mais antigo, obtido após a retificação, é menor que o anteriormente apurado pelo contribuinte, nada há a fazer se a pessoa jurídica houver declarado imposto maior que o realmente devido. Em caso contrário, a diferença entre o retificado e o anteriormente apurado, por ter gerado postergação de pagamento do imposto, enseja que a autoridade fiscal efetue o lançamento no período em que tenha havido indevida redução do lucro real (sendo o mais antigo), constituindo o crédito tributário pelo valor líquido, isto é, depois de compensado o imposto se este já tiver sido lançado no período do registro inexato. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 19 19 Nesta hipótese, ainda que já recolhido o imposto postergado, indevidamente lançado em período posterior, dará ensejo à cobrança de juros de mora e correção monetária, quando for o caso (períodos de apuração encerrados até 31/12/95), calculados sobre seu montante e cobrados, se já não espontaneamente pagos ou lançados mediante auto de infração (PN CST nº 57/79, item 7). 270. Quais os procedimentos a serem seguidos para se apurar com exatidão o valor considerado como imposto postergado e as diferenças entre os valores pagos e os devidos? De acordo com a legislação tributária, os comandos normativos são no sentido de que seja ajustado o lucro líquido para determinação do lucro real, não se tratando, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, devendose observar os seguintes procedimentos (PN COSIT nº 02/96, item 5.3): a) tratandose de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do período de apuração em que houver sido reconhecido e adicionálo ao lucro líquido do período de competência; b) tratandose de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro líquido do período de apuração em que houver ocorrida a dedução e excluílo do lucro líquido do período de competência; c) apurar o lucro real correto, correspondente ao período do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; d) efetuar a correção monetária, quando for o caso (períodos de apuração encerrados até 31/12/95), dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao período do início do prazo da postergação, bem assim dos valores das diferenças do imposto e da contribuição social, considerando seus efeitos em cada balanço de encerramento de período subseqüente, até o período de término da postergação; e) deduzir do lucro líquido de cada período de apuração subseqüente, inclusive o de término da postergação, o valor correspondente à correção monetária, quando for o caso, dos valores mencionados no item "d" anterior; f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social corretamente, correspondentes a cada período de apuração, inclusive o de término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o de correção, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; Fl. 19DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 20 20 g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. NOTA: Caso o contribuinte já tenha procedido espontaneamente, em período posterior, o pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados, tal fato deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, devendo a autoridade fiscal, em relação às parcelas que já houverem sido pagas, exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte não os tenha pagos (PN COSIT nº 02/96, item 6.2). 271. Quando se considera ocorrida a hipótese de postergação de pagamento de imposto? Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado período de apuração, quando efetiva e espontaneamente paga em período posterior àquele em que seria devido (PN COSIT nº 02/96, item 6.1). Nos casos em que, nos períodos de apuração subseqüentes ao de início do prazo da postergação e até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no período de apuração inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores (PN COSIT nº 02/96, item 9). A autoridade lançadora e de 1o. grau entenderam que a Recorrente apropriou, apenas em 2001, despesas correspondentes a exercícios de 1997,8,9 com vistas a se aproveitar de uma compensação maior de prejuízos fiscais. Contudo, no ano de 2002 há recolhimento para o IRPJ, de estimativas no valor de R$ 856.742,84 e o imposto apurado na DIPJ/2003 no valor de R$ 620/941,15 (fls.502), o que prova que houve pagamento de imposto em momento imediatamente posterior. Impende notar que na compensação de prejuízo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em vários julgados, por exemplo no acórdão CSRF/0104.650, de 12/08/2003, admitiu que a compensação de prejuízos extemporâneos, pode implicar, também, em postergação de pagamento do imposto, cabendo ao agente do fisco proceder as devidas conferências para tal fim, como se depreende das razões do voto do acórdão proferido em relação ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a reverter a decisão proferida no recurso voluntário, que fora provido através do acórdão n° 10806.779, de 05 de dezembro de 2001. O aresto está assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL OCORRÊNCIA DE POSTERGAÇÃO NO Fl. 20DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 21 21 PAGAMENTO DO IMPOSTO O lançamento de ofício para exigir o imposto de renda, em face da não observância da trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, deve observar o disposto nos artigos 193 e 219 do RIR/94 e do Parecer Normativo SRF n°. 2/96, exigindose somente a diferença de imposto devido, bem assim juros de mora, se for o caso. (...) E reproduzo parte das razões de decidir por bem esclarecem a matéria: O PN 2/96, entende que considerase postergada a parcela do imposto relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, como tal não se considerando a redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto em períodobase posterior, se procedido o pagamento espontâneo, este fato deve ser considerado no momento do lançamento de ofício para exigirse exclusivamente os acréscimos relativos a juros e multas. A fiscalização, quando de seu procedimento em exame, deixou de atender ao disposto no citado Parecer Normativo, pois, inexistindo prazo para a compensação dos prejuízos fiscais, pode o mesmo ser compensado em qualquer época, dentro das limitações legais. No presente caso, a contribuinte efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados anteriormente, no ano calendário de 1995, os quais foram acatados pela fiscalização, até o limite de 30%, com a glosa das parcelas superiores a esse limite. Tendo o Auto de Infração sido lavrado somente em data de 20 de setembro de 2000, a fiscalizada já teria apurado e tributado lucros superiores aos prejuízos acumulados compensáveis, em época anterior à autuação. Efetivamente a fiscalizada não poderia ter realizado a compensação em valor superior ao limite fixado pela Lei 8.981/95, porém a fiscalização deveria ter considerado a infração como postergação no recolhimento de imposto de renda e não como autuou, pois as parcelas que a empresa compensou a maior, poderiam ter sido realizadas nos períodos seguintes, como efetivamente o foram, e antes mesmo da autuação. A simples glosa do prejuízo compensado a maior, sem efetuar a sua recomposição nos períodos subsequentes, significou retirar da fiscalizada, a possibilidade de efetuar a compensação, ou melhor, cobrar um imposto a maior em determinado período, para posteriormente, autorizálo a compensar em, períodos futuros. A decisão recorrida, igualmente afasta a tese de postergação do recolhimento de imposto, não apreciando e, consequentemente, Fl. 21DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 22 22 não validando ou quantificando valores recolhidos, suas insuficiências, bem como encargos mora tórios pertinentes. No caso, tanto a fiscalização, como a decisão recorrida, afastaram a tese da postergação, recusandose inclusive ao exame de documentação fornecida, tanto na fase de fiscalização bem como por ocasião da impugnação, não acatando a legislação supra transcrita, a qual considero plenamente aplicável ao caso. (...) Ainda que a compensação indevida de prejuízos não se amolde perfeitamente no conceito de postergação, tratado no artigo 219 do RIR/94, seus efeitos são absolutamente os mesmos, qual seja, pode acarretar o pagamento a maior do imposto em período de apuração seguinte. Cumpre à administração tributária constituir crédito tributário para exigir as importâncias efetivamente devidas, nem mais, nem menos. A lei estabelece as penalidades pelo descumprimento da legislação que importem em pagamento a menor dos tributos. Tais penalidades também devem ser exigidas no auto de infração. É inegável que, ao compensar prejuízos fiscais a maior em um determinado período, se a contribuinte apurar lucro em período seguinte e não mais dispor de saldo de prejuízos para compensar, o tributo apurado a menor em virtude da compensação de prejuízos indevida, em princípio, será recolhido. O Parecer Normativo COSIT n°. 2/96, que interpreta dispositivos do Decretolei n° 1.598/77, e deve ser observado pelo fisco na lavratura de auto de infração, determina que os AuditoresFiscais efetuem a reconstituição da apuração do lucro liquido, do lucro real e do imposto devido, verificando, inclusive os efeitos das infrações apuradas nos exercícios seguintes até o período fiscalizado, isto para que seja cobrado o tributo efetivamente devido. Os efeitos da inobservância desse Parecer, quando acarretarem prejuízos aos contribuintes, devidamente comprovados na impugnação ou recurso voluntário, devem ser verificados nas decisões administrativas. (...) A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente.( Súmula CARF nº 36). Mais recentemente a matéria foi tratada através do Acórdão n 9101001.064, na sessão de 28 de junho de 2011,assim ementado e decidido: Fl. 22DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 23 23 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1987 Ementa: IRPJ. POSTERGAÇÃO. Conforme enunciado de súmula aprovado em sessão de 08.12.2009, a postergação do pagamento de IRPJ e CSLL implica tãosomente excluir da exigência o tributo pago em data posterior pelo contribuinte. (cf. Portaria MF n. 106, de 21.12.2009 DOU 22.12.2009). Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência dos juros lançados no item relativo h. glosa de despesas de correção monetária de balanço, exclusivamente em relação ao período compreendido entre a data do vencimento da obrigação originária e a data do recolhimento do tributo postergado pelo contribuinte, permitindose a cobrança de multa de mora pela Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, que não admitia a exigência da multa de mora e o Conselheiro Valmir Sandri que negava provimento ao recurso. Por todo exposto reconheço a postergação neste lançamento. Deve o mesmo ser ajustado, nos moldes do PN 02/1996, para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e conforme jurisprudência da CSRF, do valor da exigência deverá ser excluída a parcela paga posteriormente( súmula CARF no.36). II – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO As DIPJs relativas aos períodos em questão, apontam base positiva para a apuração da CSLL no anocalendário 1996 no montante de R$ 5.647.053,67 e base negativa para a apuração da CSLL no montante de R$ 1.514.670,12 no anocalendário de 1998. No anocalendário 1998, como a empresa apurou base negativa no cálculo da CSLL, a exclusão não era passível de ser efetuada no anocalendário de 2001.(Se procedida a exclusão no período correto – anocalendário 1998 – a empresa teria a sua base negativa da CSLL aumentada e todo o valor relativo à exclusão estaria sujeito à trava de 30% para futuras compensações com resultados positivos a serem apurados pela empresa em períodos posteriores). Mas a empresa procedeu a exclusão no ano de 2001, reduzindo o resultado do período de uma só vez, contrariando o disposto na legislação pertinente que diz que as exclusões extemporâneas não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido se realizadas na data prevista. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 24 24 No anocalendário 1996, como houve base positiva no cálculo da CSLL, analisou outros aspectos como alíquotas e adicionais para avaliar os efeitos produzidos pela exclusão extemporânea em 2001. A parcela revertida no anocalendário de 1996 perfez o montante de R$ 142.568,08. Conforme legislação vigente no período de apuração, no ano calendário 1996 a alíquota aplicável na apuração da CSLL era de 8% com aplicação da fórmula (RXA)/(1+A). Já no anocalendário 2001, a alíquota aplicável era 9% com aplicação direta sobre a respectiva base de cálculo. Demonstrou os efeitos : 1996 – (R$ 142.568,08 X 0,08)/(1+0,08) =R$ 10.560,00 2001 – R$ 142.568,08 X 0,09 = R$ 12.831,13 15. Conforme demonstrado, caso a exclusão tivesse ocorrido no período correto, anocalendário 1996, a empresa teria deixado de pagar o montante de R$ 10.560,00 a título de CSLL ao passo que, efetuando a exclusão extemporânea em 2001, deixou de pagar o montante de R$ 12.831,13. Concluise, portanto, ser indevida tal exclusão extemporânea por produzir efeito diverso daquele que seria obtido se realizada na data prevista, conforme determina o art. 34 e parágrafo “b” da Instrução Normativa SRF 11/96, acima transcrito, dispositivo legal que foi citado pelo próprio contribuinte em sua resposta apresentada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 02.” Com referência à exclusão dos valores relativos ao saldo devedor da correção monetária IPC/90 – Lei nº 8.200/91, no valor de R$ 708.732,12, e do saldo de depreciações IPC/90 – Lei nº 8.200/91, no valor de R$ 1.136.034,00, a empresa alegou ter sido feita exclusão extemporânea, mas a fiscalização a considerou indevida, glosando sua totalidade, tendo em vista o disposto nos artigos 39, § 1º, e 41, § 2º, do Decreto nº 332/91, e o artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.200/91. O crédito tributário relativo à CSLL pela glosa das exclusões efetuadas em 2001, consideradas indevidas, a seguir demonstradas: GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDASVALOR Reversão do saldo depreciações IPC/90 R$ 1.136.034,00 Reversão do saldo devedor correção monetária IPC/90 708.732,12 Reversão da Provisão p/ Devedores Duvidosos – ano 96142.568,08 Reversão da Provisão p/ Devedores Duvidosos – ano 98 153.901,25 Total2.141.235,45 . A Contribuinte reclama da conclusão exarada quanto à CSLL por não considerála como despesa postergada e sim como dedução indevida, porque a diferença IPC/BTNF não reflete na apuração deste tributo. Contudo, não prospera a pretensão da Recorrente. Embora a iterativa jurisprudência da CSRF, em um primeiro momento, inclinouse pela tese oferecida nas razões de recurso, o posicionamento foi revisto a partir de decisão do STJ em sentido contrário àquela orientação. Segundo a E. Primeira Seção do E. STJ, o disposto no art. 41, § 2º do Decreto n. 332/91 não extrapolou os limites traçados pela Lei nº 8.200/91, sendo legítimo o diferimento previsto naqueles diplomas normativos. Exemplo o Recurso Especial nº 637.178/RJ e nos Embargos de Divergência nºs 187.295/SC e 179.429/PR,: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CSLL. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DO PERÍODOBASE DE 1990. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, I, DA LEI Nº 8.200/91 DECLARADA PELO STF. LEGALIDADE DO ART. 41 DO DECRETO Nº 332/91. DEVOLUÇÃO ESCALONADA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Tratase de recurso Fl. 24DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 25 25 especial interposto contra acórdão que reconheceu que o art. 41 do Decreto nº 332/91 exorbitou o disposto na Lei nº 8.200/91 ao não permitir que a aplicação da dedução influísse na base de cálculo da CSLL e do IRPJ, uma vez que aquela lei não estabeleceu nenhuma restrição nesse sentido. 2. Em data de 02/05/2002, o Plenário do colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 2014656/MG, de relatoria do ilustre Ministro Marco Aurélio tendo proferido votovencedor o eminente Ministro Nelson Jobim declarou a constitucionalidade do art. 3º, I, da Lei nº 8.200/91, com a redação que lhe deu a Lei nº 8.682/93. 3. Na esteira do entendimento do STF, a Primeira Seção deste Tribunal Superior passou a reconhecer a legalidade da devolução diferida prevista na Lei nº 8.200/91 e no Decreto nº 332/91, ou seja, o disposto no art. 41, § 2º, desse Decreto não extrapolou os limites traçados pela Lei nº 8.200/91. 4. Recurso especial provido.” (REsp 637178/RJ, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/09/2005, DJ 06/03/2006 p. 144) A partir da nova orientação jurisprudencial dos Tribunais Superiores, a CSRF reviu seu entendimento sobre a matéria para reconhecer a legitimidade do disposto no art. 41, § 2º do Decreto n. 332/91 e, portanto, ausência de influência (na base de cálculo da CSLL) do resultado da correção monetária das demonstrações financeiras correspondente à diferença entre a variação do IPC/BTNF, cabendo a dedutibilidade deste resultado apenas para o IRPJ a partir de 1993, : “CSLL DIFERENÇA IPC/BTNF LEI N° 8.200/91 CORREÇÃO MONETÁRIA – O Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção, uniformizando a jurisprudência daquele Tribunal, reconheceu a legalidade do disposto no art. 41, § 2º do Decreto nº 332/91 (EREsp 187.295/SC; Embargos de Divergência no REsp nº 2006/00167506 e EREsp 179.429/PR; Embargos de Divergência no REsp 2005/00743766 ), cabendo à instância administrativa, em tal situação, decidir em conformidade com os Tribunais Superiores, instância superior e autônoma. CSLL De acordo com o disposto no 41, § 2º do Decreto nº 332/91, o resultado da correção monetária das demonstrações financeiras correspondente à diferença entre a variação do IPC e a variação do BTNF não influencia a base de cálculo da CSLL, em se tratando de procedimento extracontábil aplicável, sendo a sua dedutibilidade autorizada apenas para o imposto de renda, a partir de 1993.” (Processo nº 10980.006751/0071, Recurso de Divergência nº 105127544, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Relator Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Sessão do dia 04/12/2006, Acórdão CSRF/0105.573) A matéria está, inclusive, sumulada, conforme segue: Súmula CARF nº 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 25DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10680.013327/200697 Acórdão n.º 1102.00.685 S1C1T2 Fl. 26 26 A Recorrente suscita, ainda, a preliminar de erro na constituição do lançamento e questões de mérito, bastantes para infirmar total ou parcialmente o lançamento. Em relação às reversões das provisões para devedores duvidosos, valem os mesmos comentários tecidos em relação à exigência do IRPJ, devendo o lançamento ser revisto pela autoridade lançadora para considerar os efeitos da postergação nos lançamentos correspondentes ao ano de 1996, no valor de R$ 142.568,08 e de 1998, no valor de R$ 153.901,25. Nessa ordem de juízo, DOU parcial provimento ao recurso para reconhecer os efeitos da postergação em toda exigência referente ao IRPJ e para a CSLL , nos itens referentes à Reversão da Provisão para Devedores Duvidosos, ano 96, no valor de R/$142.568,08 e no ano de 1998, no valor de R$153.901,25. Assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Numero do processo: 11309.000071/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação
do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.273
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em declarar a decadência até a competência 11/1999; e b) em rejeitar a preliminar de nulidade; e II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído do
cálculo da penalidade o levantamento FP2 Manutenção de Veículos e seja recalculada, se mais benéfico ao contribuinte, a multa nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava o art. 32A
da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo-se em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em declarar a decadência até a competência 11/1999; e b) em rejeitar a preliminar de nulidade; e II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído do cálculo da penalidade o levantamento FP2 Manutenção de Veículos e seja recalculada, se mais benéfico ao contribuinte, a multa nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 240102.273 S2C4T1 Fl. 1.059 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 35.278.9415, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. O valor da penalidade foi R$ 1.976.935,68 (um milhão, novecentos e setenta e seis mil, novecentos e trinta e cinco reais e sessenta e oito centavos). Nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 02., os fatos geradores não declarados foram as quantias pagas aos segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias em valor excedente a 50% da remuneração”. Foram acostadas planilhas discriminando os valores que deixaram de ser declarados, bem como apresentando o cálculo da penalidade fixada em 100% da contribuição não declarada limitada ao teto previsto no § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. A empresa apresentou impugnação, fls. 610 e segs. Nas suas alegações, pede o cancelamento do crédito em razão de erro no cálculo da penalidade. O processo foi baixado em diligência, tendo o fisco mantido o entendimento quanto à procedência do crédito, todavia, corrigindo alguns dados que motivaram incorreção na contribuição dos segurados. Foi exarado Despacho Decisório, 796 e segs., retificandose o valor da multa e determinando a reabertura de prazo para a defesa, o qual transcorreu in albis.. Na sequência, foi exarada Decisão Notificação declarando procedente o lançamento. Asseverou o órgão de primeira instância que a multa foi imposta respeitando os ditames normativos, não havendo o que se questionar quanto a sua legalidade. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 813 e segs., no qual, após exposição dos fatos, em apertada síntese, alegou que: a) não praticou a infração que lhe é imputada uma vez que os fatos geradores que supostamente deixaram de ser declarados não ocorreram; b) afirma que a NFLD que lhe é correlata é nula por falta de motivação e pelo posterior indeferimento da seu pedido para produção de prova pericial; c) alega ainda a prescrição (sic!); Ao final, requer a declaração de improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 240102.273 S2C4T1 Fl. 1.060 5 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, haja vista tratarse de crédito decorrente de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Considerandose que o AI referese às competências de 01/1999 a 12/2004, e que a ciência do lançamento deuse em 17/06/2005, pela aplicação do art. 173, I, do CTN, devem ser excluídas pela decadência as competências até 11/1999. A NFLD correlata A NFLD n.º 35.278.8798 correlata ao presente AI foi julgada há minutos, tendose decidido pela procedência parcial para que fosse excluído da mesma o levantamento denominado FP2 — Manutenção de Veículos. Nesse sentido, devem ser expurgadas da base de cálculo da multa as remunerações relativas a esse levantamento. Quantos às demais rubricas (Ajuda de Custo e Diárias) decidiuse no julgamento da NFLD que as mesmas são passíveis de incidência de contribuições previdenciárias, portanto, são de declaração obrigatória na GFIP, levandonos a concluir que a empresa praticou a conduta omissiva apontada pelo fisco, sendo procedente a lavratura. Ressaltese ainda que não se verificou na referida NFLD motivo para sua nulificação, como se pode inferir desse excerto do voto condutor do acórdão: Inicio a minha apreciação do recurso pelo enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da suposta falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Asseverase que a Autoridade Fiscal não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. No entender da recorrente, a nulidade seria também uma decorrência da falta de motivação do ato administrativo de lançamento. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias que excederam 50% da remuneração”. Na seqüência, indica expressamente as evidências fáticas e jurídicas que culminaram com a conclusão acerca da incidência de contribuições sobre os citados pagamentos. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento das referidas parcelas foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as folhas de pagamento e os registros contábeis. Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados (planilhas), quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito no lançamento, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. O fato do órgão a quo haver determinado a retificação do crédito, com esteio em informação prestada em sede de diligência fiscal não é motivo para que se declare a nulidade do crédito, pelo contrário, a retificação realizada é mais uma garantia de que o julgamento administrativo expurgou do lançamento valores indevidos, realizando o controle de legalidade do ato administrativo, que é o seu principal mister. A revisão de lançamento é prevista no CTN, art. 145, o qual elenca, dentre as hipóteses que autorizam esse procedimento, a provocação do sujeito passivo. Eis o dispositivo: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, tendose em conta que a lei prevê que é possível a revisão do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo, mediante impugnação deste, não há o que se falar em nulidade do crédito constituído, em razão de se ter retificado os valores originariamente lançados. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 240102.273 S2C4T1 Fl. 1.061 7 Por outro lado, há de se convir que os termos da defesa não deixam dúvida que o contribuinte compreendeu perfeitamente os motivos do lançamento e sua quantificação, não me parecendo razoável acolher a nulidade suscitada sem que se evidencie o mínimo prejuízo ao administrado. Às questões que envolvem análise do acerto do fisco em tributar as parcelas citadas, bem como o sopesamento das provas apresentadas no bojo deste processo serão apreciadas mais adiante, quando estivermos a tratar do mérito da causa. Assim, não enxergo motivo para que se anule a NFLD sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude. Quanto à nulidade motivada pelo indeferimento do pedido de perícia, este também não merece prosperar, como se pode ver do que ficou decidido no julgamento da NFLD: Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem que se tenha as informações necessárias a boa compreensão do lançamento, sendo despicienda a realização de perícia nesse caso específico. Aplicação da multa Devo, todavia, ponderar sobre a aplicação da multa em razão de alteração do cálculo da penalidade para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD correlata. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas, por reconhecer a decadência até a competência 11/1999 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído do cálculo da penalidade o levantamento FP2 — Manutenção de Veículos e seja recalculada a multa, para que fique limitada ao cálculo previsto no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. . Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.100811/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. Lei 9.430/96, art. 44.
Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Lei 9.430/96, art. 44).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.299
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. MULTA DE OFÍCIO. Lei 9.430/96, art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Lei 9.430/96, art. 44). Recurso negado.
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MULTA DE OFÍCIO. Lei 9.430/96, art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Lei 9.430/96, art. 44). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 127DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11080.100811/200768 Acórdão n.º 210101.299 S2C1T1 Fl. 126 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente justificadamente o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 119) interposto em 02 de dezembro de 2010 (fl. 119) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) (fls. 111/113), do qual o Recorrente teve ciência em 25 de novembro de 2010 (fl. 118), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 06/10, lavrada em 06 de agosto de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. Do rendimento auferido por decorrência de ação trabalhista, poderá ser deduzido o valor das parcelas não incidentes da tributação do Imposto de Renda. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 111). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fl. 119, informando que devido a falhas da fonte pagadora, os valores recebidos dessa não foram declarados, requerendo, assim, a exoneração da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia cingese à aplicação da multa de ofício devido à falta de pagamento ou recolhimento e falta de declaração de rendimentos percebidos no anocalendário de 2004. De acordo com o artigo 44, I, da Lei n.º 9.430/96, aplicável ao caso: Fl. 128DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11080.100811/200768 Acórdão n.º 210101.299 S2C1T1 Fl. 127 3 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” A glosa efetuada no valor de R$ 6.720,05 se deu uma vez verificada a omissão de rendimentos pagos pela fonte pagadora Brasil Telecom S/A. Diante da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF retificadora enviada pela Brasil Telecom em julho de 2007, verificouse que o contribuinte recebeu daquela no anocalendário de 2004 o valor de R$ 248.994,33 como rendimento tributável (fl. 34). No entanto, em outubro de 2009, a Brasil Telecom S/A enviou uma nova DIRF retificadora, demonstrando que os valores recebidos pelo Recorrente, no anocalendário de 2004, a título de rendimento tributável, perfaziam o montante de R$ 224.935,87 (que consiste no valor recebido a título de adicional de periculosidade e juros) (fl. 110). O contribuinte em fase impugnatória informou que os valores pagos pela Brasil Telecom S/A são provenientes de um acordo em uma ação trabalhista que versava sobre o adicional de periculosidade que, como se sabe, integra o salário, sobre o qual incide imposto de renda, acostando aos autos um alvará de 2004 da 17ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, informando o valor recebido, qual seja, R$ 173.903,99, incluído o FGTS e deduzido o imposto de renda retido na fonte e a doação ao SINTEL (fl. 43). Assim, verificase que o valor não declarado foi recebido pelo Recorrente em 2004. Tendo o contribuinte ciência desse fato, era seu dever ter declarado os valores percebidos na declaração de ajuste anual, dever este que o contribuinte não cumpriu. Frisese que mesmo com o recebimento do demonstrativo oficial da fonte pagadora, à época dos fatos (fl. 41), o contribuinte não declarou nenhum valor recebido da Brasil Telecom S/A, demonstrando ser mais do que justa a aplicação da multa de ofício. Ademais, cumpre destacar, conforme demonstrado acima, que a imposição da multa de ofício decorre de lei; assim, uma vez que a conduta praticada no mundo fenomênico se enquadre na descrição legal, a aplicação da multa é inconteste. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 129DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 11080.100811/200768 Acórdão n.º 210101.299 S2C1T1 Fl. 128 4 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/10/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001296/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.051
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11330.001296/2007-45 Recurso n° 163.572 Voluntário Acórdão n° 2401-01.051 — C Câmara / P Turma Ordinária • Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREV1DENCIÁRIA Recorrente SAMUEL SANZANA CUEVAS & CIA. LTDA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO 1/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 • (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código • Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. • Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ‘\„Hi dto ELIAS SA vvirt 10 FREIRE - Presidente Á infAN RYCARUO H :3/41 IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente ju :ame to, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Deusa Vieira de So b a ' laine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique agalhães de Oliveira. 2 Processo xf 11330.001296/2007-45 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.051 F1. 69 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. .• No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), • Processo: n°35301004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015, assim ementado:• Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 3530L004061/2007-11, Recorrente: KOBE FLUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões 24 de fevereiro de 2010 galLáta % I — - _ RYCARDO HE " QUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 4 , , : : , , MINISTÉRIO DA FAZENDAa CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11330.001296/2007-45 Recurso n°: 163.572 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.051 Brasília, 12 'e março de 2010 , . 41, ELIAS SA I" „„ IO F I RE, Presidente da Quarta Câmara , ' Ciente, com a observação abaixo: ' [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração . Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional , ,
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728735/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa: INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADES. Quando puder decidir no
mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta, conforme disposto no artigo 59, § 3º do Decreto 70.235/72. A descrição do fato constante no Auto de Infração não é suficiente
para acusar qual teria sido a conduta infratora, cerceando a defesa do Contribuinte. Não se admite a disposição dos valores no Auto de Infração já na forma de imposto devido, quando desacompanhados de demonstrativo que permita ao Contribuinte compreender os cálculos realizados pela Fiscalização. A utilização de fatos geradores mensais pela Fiscalização é
incompatível com a opção do Contribuinte pela sistemática do Lucro Real Anual, tornando o Auto de Infração improcedente.
CSLL.TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se à CSLL o disposto em relação
ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
Numero da decisão: 1202-000.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADES. Quando puder decidir no mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta, conforme disposto no artigo 59, § 3º do Decreto 70.235/72. A descrição do fato constante no Auto de Infração não é suficiente para acusar qual teria sido a conduta infratora, cerceando a defesa do Contribuinte. Não se admite a disposição dos valores no Auto de Infração já na forma de imposto devido, quando desacompanhados de demonstrativo que permita ao Contribuinte compreender os cálculos realizados pela Fiscalização. A utilização de fatos geradores mensais pela Fiscalização é incompatível com a opção do Contribuinte pela sistemática do Lucro Real Anual, tornando o Auto de Infração improcedente. CSLL.TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADES. Quando puder decidir no mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, conforme disposto no artigo 59, § 3º do Decreto 70.235/72. A descrição do fato constante no Auto de Infração não é suficiente para acusar qual teria sido a conduta infratora, cerceando a defesa do Contribuinte. Não se admite a disposição dos valores no Auto de Infração já na forma de imposto devido, quando desacompanhados de demonstrativo que permita ao Contribuinte compreender os cálculos realizados pela Fiscalização. A utilização de fatos geradores mensais pela Fiscalização é incompatível com a opção do Contribuinte pela sistemática do Lucro Real Anual, tornando o Auto de Infração improcedente. CSLL.TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.396 2 (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face de DESENBAHIA AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DA BAHIA relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, somado a multas e juros, fundamentados em suposta inobservância dos requisitos legais na contabilização de recebimento de créditos. O crédito tributário exigido no Auto de Infração de fls. 1242/1266 totaliza o montante de R$ 40.278.889,95, sendo assim composto: (i) Quanto ao IRPJ o crédito é de R$ 29.581.349,70, sendo R$ 12.586.250,93 a título de obrigação principal, acompanhados de R$ 7.555.410,67 de juros de mora e R$ 9.439.688,10 de multa de ofício; (ii) Já com relação à CSLL o crédito totaliza R$ 10.697.540,25, sendo R$ 4.550.890,60 de principal, R$ 2.733.481,79 de juros de mora e multa de ofício de R$ 3.413.167,86. O referido Auto de Infração corresponde ao período dos anoscalendários 2004, 2005 e 2006, com ciência ao contribuinte em 23 de dezembro de 2009. Depreendese do Auto de Infração que teria havido suposta contabilização de perdas no recebimento de créditos à margem da lei. No Termo de Verificação Fiscal consta ainda discriminação do crédito tributário decorrente da adição ou exclusão ao lucro líquido do exercício quando da apuração do lucro real e da CSLL. A discriminação em tela encontrase referenciada na própria decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (“DRJ/SDR”), conforme se verifica às fls. 1381/1391. O contribuinte apresentou impugnação alegando que ocorreu a decadência do direito do fisco de constituição do crédito tributário, cujo prazo seria o fixado pela regra do artigo 150 do CTN, como também a nulidade do Auto de Infração em função de imputação genérica do ato ilegal fiscalizado e de sua fundamentação jurídica. A DRJ/SDR decidiu, às fls. 1381/1391, julgar procedente a Impugnação, considerando improcedentes os lançamentos constantes no referido Auto de Infração. Referida decisão recebeu a seguinte ementa: Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.397 3 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. Deve ser rejeitada a alegação de decadência quando o lançamento foi realizado no decorrer do prazo de cinco anos previsto para a constituição do crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MÉRITO. NULIDADE. SUJEITO PASSIVO. Quanto puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprilhe a falta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 APURAÇÃO MENSAL. LUCRO REAL ANUAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a realização de lançamento do imposto com base em apuração mensal, dada a ausência de respaldo legal que ampare tal procedimento, ademais se o contribuinte é optante pela sistemática de apuração do lucro real anual, a qual deve ser observada em eventual lançamento de ofício. CSLL. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, no que couber, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.” A DRJ/SDR acolheu os argumentos de cerceamento de defesa por imprecisão do Auto de Infração e rejeitou o reconhecimento de decadência no caso, pois o contribuinte optou pela apuração anual e não trimestral para o ano de 2004, de maneira que o prazo para lançamento se estenderia até 31/12/2009. A DRJ/SDR reconheceu ainda a legalidade da atuação realizada de acordo com o artigo 9º da Lei 9.430/96. Além disso, segundo a DRJ/SDR as autoridades fiscais falharam na verificação do adimplemento das obrigações tributárias referentes ao IRPJ e CSLL do ano de 2006, devidamente comprovado via DARF’s juntadas ao processo. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.398 4 Anota ainda a DRJ/SDR que o Fisco efetuou o lançamento de crédito tributário de IRPJ em bases mensais, ignorando a opção do contribuinte pelo lucro real anual, permitida pela lei tributária. Assim, como o Auto de Infração que cobra a CSLL é decorrência natural do lançamento do IRPJ, conclui a DRJ/SDR que ambos padecem de nulidades ensejando a total procedência à impugnação apresentada, porém deixando de declarar a nulidade do lançamento para decidir no mérito a favor do contribuinte, conforme estabelece o artigo 59, § 3º do Decreto 70235/72. Com vistas à exoneração do crédito tributário, decorrente da decisão supracitada, recorreu a Fazenda Pública, via Recurso de Ofício, para que se manifeste sobre a decisão da DRJ/SDR, nos moldes do Regimento Interno do CARF. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. A decisão de primeira instância foi totalmente favorável ao contribuinte, conforme acórdão da DRJ/SDR de fls.1381/139, que exonerou o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração. Assim, com vistas à exoneração do crédito tributário, recorreu a própria DRJ, via Recurso de Ofício, que recebo nos moldes da Portaria MF nº 3/2008 e do artigo 2º do Regimento Interno do CARF. Dessa forma, passo à análise da decisão recorrida. I. PRELIMINARES A) Decadência do lançamento No que tange à alegação de que ocorreu a decadência arguida pela contribuinte, concordo com a decisão de primeira instância que não reconheceu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento dos tributos aqui discutidos. Isso porque, conforme bem colocado pela DRJ/SDR, o recolhimento do Imposto de Renda no ano de 2004 se deu pela apuração anual, e não trimestral, razão pela qual deve ser considerado como a data do fato gerador do tributo o último dia do ano calendário, qual seja 31/12/2004, o que impede a alegação da ocorrência de decadência, haja vista que a Fazenda estaria apta a lançar os tributos até o dia 31/12/2009 e o fez em 23/12/2009, de maneira que o lançamento não foi fulminado pela decadência. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.399 5 Este também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECADÊNCIA – IRPJ O imposto de renda pessoa jurídica se submete à modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN).” (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma, Acórdão nº 40105427 do Processo 109400000470062, Data: 21/03/2006). (não grifado no original) Dessa forma, concordo com a decisão de primeira instância e voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência do lançamento. B) Nulidade do Auto de Infração Conforme consta da Decisão da DRJ/SDR, a Fiscalização, quando da lavratura do Auto de Infração ora guerreado, cometeu graves erros, tornando referido ato insubsistente, cerceando o direito de defesa da contribuinte, como se passa a demonstrar. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1232/1241), especificamente às fls. 1238, a fiscalização listou as supostas irregularidades ocorridas “quando da adição ou exclusão ao lucro líquido do exercício na apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, ou ainda no controle do estoque de perdas dedutíveis em operações de crédito.” Porém, ao discriminar as supostas irregularidades por ano de ocorrência, a fiscalização agiu de maneira extremamente genérica, que impossibilitou a apresentação de contra argumentações, cerceando o direito de defesa da contribuinte. Vejamos: “Para o anocalendário de 2004.1 Adição a menor de R$ 961,16, relativa à conta Outros Créditos, conforme explicação da DESEMBAHIA, em sua resposta de 17/09/2009 aos itens 8.1.1. e 8.1.2. do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 02/09/2009. Correção efetuada por esta fiscalização para o anocalendário de 2004, alterando o imposto de renda devido de R$ 551.798,81 para R$551.967,01 e a CSLL de R$ 192.289,54 para R$ 192.350,09. 2004.2 Exclusão a maior de perdas dedutíveis em operações de crédito, conforme planilha denominada ‘Apuração de Janeiro 2001 a outubro de 2006’ (débito de tributo obtido da linha “Imposto de Renda a Pagar após Antecipações” ou CSLL a Pagar após Antecipações”). Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.400 6 Para o anocalendário de 2005.1. Lançamento a crédito a maior no valor de R$ 1.294.074,96 (valor escriturado de R$ 13.040.539,84 menos valor correto de R$ 11.746.464,88), registrado no LALUR – parte B. 2005.2 Exclusão a maior de perdas dedutíveis em operações de crédito, conforme planilha denominada ‘Apurações de janeiro de 2001 a outubro de 2006’ (débito de tributo obtido da linha “Imposto de Renda a Pagar após Antecipações” ou CSLL a Pagar após Antecipações”). 2005.3 Exclusão a maior, no valor de R$ 5.421.471,32, relativa ao uso indevido em 2005, em duplicidade, de perdas já utilizadas em 2004. Correção efetuada por esta fiscalização para o período de dezembro de 2005, reduzindo o resultado negativo de (R$ 1.094.677,61) para (R$ 145.922,12) para o IRPJ e de (R$ 393.250.04) para (R$ 51.697,35) para CSLL. Para o ano de 2006. 2006.1 – Exclusão a maior de perdas dedutíveis em operações de crédito, conforme planilha denominada ‘Apurações de Janeiro 2001 a outubro de 2006’ débito de tributo obtido da linha ‘Imposto de Renda a Pagar após Antecipações’ ou CSLL a Pagar após Antecipações’. Embora a fiscalizada, em seu Ofício DAF/UCN nº 544/2009, de 16 de setembro de 2009, no item 1.1, afirme ter efetuado pagamento de IRPJ e CSLL relativo ao exercício de 2006, não foram detectados tais recolhimentos no sistema informatizado interno denominado SINAL”. ’ E ao final concluiu ainda que: “Diante de todo o exposto, e em virtude da identificação de adição insuficiente ocorrida, e de valores referentes a perdas em operações de crédito utilizados indevidamente na exclusão ao lucro líquido quando da apuração do lucro real e da apuração da base de cálculo da CSLL, concluise pela lavratura de Auto de Infração para a constituição do crédito tributário, com o computo dos tributos devidos”. Resta claro, portanto, que a descrição dos fatos contida no auto é excessivamente genérica, não permitindo ao contribuinte a compreensão da suposta conduta infratora. Ademais, a simples menção no Auto de Infração como justificativa para a autuação de “PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS” não é suficiente para apontar qual teria sido tal infração. Conforme exigência legal, há expressa necessidade de descrição dos fatos que ensejaram a autuação. A fiscalização não pode simplesmente usar justificativa vaga para autuar a contribuinte, ainda mais em casos como este em que o valor discutido é alto, o que acarretaria enorme ônus e cerceamento ao direito de defesa. Conforme sabemos, “descrever é contar, pormenorizadamente, o fato. Por meio da descrição, relevamse os motivos fático e legal que levaram à autuação, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.401 7 produzidos e a conclusão da autoridade fiscal. Seu objetivo é convencer o julgador da plausibilidade legal da autuação, demonstrando a relação entre a matéria constatada no auto com a hipótese descrita na norma jurídica” (NEDER, Marcos Vinicius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Editora Dialética, 2010, p. 209.). Como no presente caso não houve descrição precisa dos fatos impossibilitou se à contribuinte se defender adequadamente. A situação se agrava mais em vista dos dispositivos apontados no enquadramento legal. Assiste, assim, razão à contribuinte quando afirma que o Auto de Infração traz uma série de normativos que regulamentam a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, sem dizer, entretanto, qual deles teria sido descumprido. O agente fiscal não se importou em ao menos descrever a suposta infração cometida pela contribuinte, vinculandoa aos embasamentos legais. Ao contrário, apenas procedeu à lavratura do Auto de Infração, utilizando inúmeros dispositivos legais como base para o lançamento sem esclarecer os fatos e relacionálos aos diversos dispositivos citados, conforme se pode verificar dos artigos utilizados como base legal: artigo 9º a 14 e 28 da Lei 9.430/96; artigo 1º da Lei 9.316/96; artigo 249, I; 251, parágrafo único; 273 e 340 a 343 do RIR/99; e artigo 34 da Instrução Normativa SRF nº11/96. Oportuno se faz transcrever os artigos acima mencionados a fim de demonstrar claramente o descuido da fiscalização ao efetuar a atuação, utilizando como base legal dispositivos que não trazem nenhum impedimento para a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, e sem especificar, ao certo, qual dispositivo e como este teria sido supostamente descumprido à luz dos fatos examinados. Vejamos: Lei 9.430/96 Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. Art. 11. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo. Art. 12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.402 8 novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Art. 13. No balanço levantado para determinação do lucro real em 31 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica poderá optar pela constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa na forma do art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, ou pelos critérios de perdas a que se referem os arts. 9º a 12. Art. 14. A partir do anocalendário de 1997, ficam revogadas as normas previstas no art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, bem como a autorização para a constituição de provisão nos termos dos artigos citados, contida no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Lei 9316/96 Art. 1º. O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. RIR/99 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.403 9 rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas "a" e "b" do inciso II do parágrafo anterior serão Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.404 10 considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 2º). § 3º Para os fins desta Subseção, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 3º). § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 4º). § 5º A parcela do crédito, cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária, poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 5º). § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Art. 341. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Subseção serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 10): I da conta que registra o crédito de que trata o § 1º, inciso II, alínea "a", do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência (Lei nº 9.430, de 1996, art. 10, § 1º). § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 10, § 2º). § 3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior (Lei nº 9.430, de 1996, art. 10, § 3º). § 4º Os valores registrados na conta redutora do crédito, referida no inciso II deste artigo, poderão ser baixados Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.405 11 definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 10, § 4º). Art. 342. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11). § 1º Ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" e "b" do inciso II do § 1º do art. 340, o disposto neste artigo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 1º). § 2º Os valores excluídos deverão ser adicionados no período de apuração em que, para os fins legais, se tornarem disponíveis para a pessoa jurídica credora ou em que reconhecida a respectiva perda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 2º). § 3º A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro líquido, para determinação do lucro real, os encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 3º). § 4º Os valores adicionados a que se refere o parágrafo anterior poderão ser excluídos do lucro líquido, para determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 4º). Art. 343. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real (Lei nº 9.430, de 1996, art. 12). Parágrafo único. Os bens recebidos a título de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 12, parágrafo único). Instrução Normativa SRF 11/96 Art. 34. Para efeito de determinação do lucro real, as exclusões do lucro líquido, em períodobase subsequente àquele em que deveria ter sido procedido o ajuste, não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadas na data prevista. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.406 12 Ora, todos os artigos utilizados pela fiscalização para efetuar a autuação dispõem sobre a forma de se calcular a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos e os procedimentos que deverão ser seguidos pelos contribuintes. Em nenhum momento referidos dispositivos trazem algum impedimento para a contribuinte e não há qualquer relação dos mesmos com as descrições dos fatos. Assim, é nítida a impossibilidade da contribuinte defenderse de uma infração que lhe foi imputada sem os devidos esclarecimentos do que ocorreu e/ou está lhe sendo imputado, o que cerceia o seu direito de defesa. Portanto, o procedimento adotado pela fiscalização está totalmente em desacordo com o artigo 10, inciso II do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito, o que acarretaria a sua nulidade: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” (não grifado no original) É sabido que a autuação deve ser clara, possibilitando a qualquer contribuinte entender claramente qual a infração cometida e dela ter a possibilidade de se defender. Ademais, os dispositivos legais indicados no momento da presente autuação são todos autorizadores da dedução das perdas do recebimento de crédito e estando a contribuinte enquadrada nessa situação realizou as deduções que lhe competiam de acordo com a própria legislação tributária. Não houve, portanto, nenhum erro por parte da contribuinte ao proceder as deduções, não podendo ser prejudicada por isso. O procedimento da fiscalização consistiu em acusar a contribuinte de ter infringido a legislação tributária, se limitando à descrição das hipóteses legais de dedução das perdas em contrapartida à genérica e imprecisa informação de que teria havido suposta divergência nos lançamentos. Neste sentido, cumpre lembrar que tanto o Decreto 70235/72 quanto a Lei 9784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelecem em seu artigo 2º a importância da motivação dos atos administrativos. Vejamos: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A lavratura do auto de infração é um ato administrativo vinculado que deve estar de acordo com a legislação tributária, sendo a fiscalização obrigada a seguir as regras dispostas na lei, sob pena de nulidade do referido ato. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.407 13 Portando, resta claro que faltou motivação por parte da fiscalização, requisito essencial para a legalidade do Auto de Infração. Sem a exposição dos motivos que levaram ao lançamento tornase insubsistente o auto de infração por preterição ao direito de defesa da contribuinte, devendo ser, então declarado nulo, conforme artigo 59 do Decreto 70235/72, in verbis: Art. 59. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Cumpre transcrever, a esse respeito, trechos do voto Relator nos autos do Acórdão nº 30133069 deste E. CARF, que muito bem elucida a questão. Vejamos: “Em se tratando de ato administrativo vinculado, para produzir efeitos válidos é indispensável que atenda a todos os requisitos previstos na lei; desatendido qualquer requisito legal, o ato é nulo, pois não produz efeitos válidos entre as partes a que se vincula, cabendo à autoridade administrativa ou ao judiciário declarar a sua nulidade. Neste sentido, cabe trazer a lume a lição do ilustre Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, na obra "Elementos do Direito Administrativo", Ed. Revista dos Tribunais, 1980, página 39, segundo o qual, "o ato administrativo é válido quando foi expedido em absoluta conformidade com as exigências do sistema normativo. Vale dizer, quando se encontra adequado aos requisitos estabelecidos pela ordem jurídica." Frisese que o motivo antecede a prática do ato administrativo e, quando previsto em lei, o agente que o pratica fica obrigado a comprovar a sua efetiva ocorrência, sob pena de invalidade do ato.” (não grifado no original). Em decorrência da inexistência de descrição precisa dos fatos que levaram à lavratura do Auto de Infração e da base legal utilizada de maneira genérica, este padece de nulidade. Este também é o entendimento deste E. CARF: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de Apuração: 01/04/1998 a 31/10/1998. Responsabilidade Solidaria falta caracterização da cessão de mãodeobra. Relatório incompleto. Nulidade. O órgão previdenciário aponta que a recorrente não conseguiu elidir a responsabilidade solidária, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos ao instituto da solidariedade. Não foi realizado o cotejamento pelos auditores fiscais entre a documentação analisada e a legislação que Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.408 14 dispõe acerca da cessão de mãodeobra. A formalização do Auto de Infração tem como elementos os previstos no art. 10 do decreto n° 70.23. o erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no Auto de Infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do decreto n ° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do decreto n° 70.235.processo anulado. Crédito tributário exonerado.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 230200268 do Processo 35232000588200737, Data: 29/10/2009)” “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/05/1999 a 30/04/2004. Previdenciário. Auto de Infração. Descrição imprecisa da infração. Nulidade. É nula a autuação quando não consegue descrever com clareza e precisão a conduta tida como violadora da norma tributária. Processo anulado. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, anular o Auto de Infração.” (Conselho Administrativo De Recursos Fiscais. 2ª Seção De Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 240101599 do processo 14479001069200723, data: 09/02/2011). (não grifado no original) Ademais, o Auto de Infração sob análise não informa as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização, o que limita severamente as possibilidades de defesa da contribuinte. Neste sentido, vejase excerto da Decisão da DRJ/SDR, que muito bem resume a questão: “Observase ainda que os valores supostamente relativos a infrações estão dispostos no auto de infração já em forma de imposto e não de valor tributável, não existindo contudo, nos autos, qualquer demonstrativo de como o Fisco chegou a estes valores, inclusive omitindose a demonstração de cálculo do adicional do IRPJ, o que impede o exame dos elementos que compõem à base tributável de forma a se vislumbrar como o Fisco apurou tais valores. Portanto, diante da imprecisa descrição dos fatos, da ausência, nos autos, da descrição da base tributável e da ausência, no Auto de Infração, do cálculo do tributo lançado, constase que tal procedimento administrativo viola o artigo 10, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, o qual determina a obrigatoriedade de constar no Auto a descrição dos fatos, observandose, Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.409 15 também, sob pena de nulidade, que, na qualidade de ato administrativo que impõe deveres ao contribuinte, obrigatoriamente ali deve constar a motivação expressa para dar sustentáculo à sua existência, conforme previsto no art. 50, II, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999. Assim, é real a impossibilidade do contribuinte defenderse de uma infração que lhe foi imputada sem os devidos esclarecimentos o que sem sombra de dúvida cerceia o seu direito de defesa”. (não grifado no original) Dessa forma, não restam dúvidas de que houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Além disso, não poderia a Fiscalização ter apurado e lançado o IRPJ e a CSLL com base em fatos geradores mensais, ao invés de efetuar o lançamento com base no lucro real anual, que seria a única maneira possível, visto a opção da contribuinte, nos termos do parágrafo 3º do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. Vejamos: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” (não grifado no original) Ainda que a contribuinte não tenha provocado a questão especificamente, a análise ex officio por parte da DRJ/SDR se mostra acertada, dada a inexistência de qualquer base legal capaz de fundamentar referida conduta por parte da Fiscalização. Vejase que tal lapso também é capaz de invalidar o Auto de Infração. Este entendimento foi, inclusive, adotado pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 10515798 cuja ementa ora se transcreve: “IRPJ E CSLL ANOCALENDÁRIO 1996 OPÇÃO PELA APURAÇÃOMENSAL DO IMPOSTO E DA CONTRIBUIÇÃO LANÇAMENTO FUNDADO EM APURAÇÃO ANUAL É improcedente o lançamento que adota base de cálculo Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.410 16 absolutamente incompatível com a opção regularmente manifestada pelo sujeito passivo.(...)” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10515798 do Processo 11522001462200161, Data: 21/06/2006) Portanto, apesar do evidente cerceamento ao direito de defesa do contribuinte a ensejar a declaração de nulidade do referido lançamento do IRPJ, cumpre aplicar o disposto no § 3º do artigo 59, do Decreto n° 70.235, de 1972, conforme bem suscitado e utilizado na decisão recorrida, o qual determina que a autoridade administrativa não se pronunciará acerca da eventual declaração de nulidade nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta “quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade”. II MÉRITO Quanto ao mérito, também concordo com a decisão recorrida, visto o procedimento utilizado pela fiscalização de apurar e lançar o IRPJ considerando fatos geradores mensais não encontra respaldo legal, inclusive porque a forma de apuração adotada pela contribuinte foi o lucro real anual (nos termos do artigo 2º, § 3º da Lei n° 9.430/96). Assim, devese superar a declaração de nulidade da autuação para no mérito decidir em favor da contribuinte. A jurisprudência deste E. Conselho é vasta neste sentido. Vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO NULIDADE. Quando puder decidir no mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30330184 do Processo 136880001549669, Data: 20/03/2002) (não grifado no original) LANÇAMENTO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O crédito é constituído pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. O Processo Administrativo Fiscal é norteado pelos Princípios da Verdade Material e da Informalidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30131499 do Processo Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.728735/200918 Acórdão n.º 1202000.724 S1C2T2 Fl. 1.411 17 10725000258200183, Data: 20/10/2004) (não grifado no original) Tratase de uma economia processual que tem como finalidade evitar que seja proposta outra lide cujo desfecho favorável à contribuinte já é previamente conhecido pelo julgador. Assim, acompanho a decisão recorrida no sentido de decidir diretamente o mérito da lide a favor da contribuinte que alegou a nulidade. Logo, dada a ausência de base legal que respalde a referida forma de tributação do IRPJ em bases mensais, verificase improcedente o lançamento do IRPJ. Finalmente, as considerações feitas a respeito do IRPJ também se aplicam ao Auto de Infração relativo à CSLL, dado que o mesmo se refere à mesma matéria tributável. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, reconhecendo a improcedência do Auto de Infração guerreado, nos termos consubstanciados na decisão proferida pela DRJ/SDR. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 18471.002030/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2003
RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Verificado que os recursos de oficio e voluntário não preenchem as condições de admissibilidade estabelecidos nos art. 33 e 34 do
Decreto 70.235/1972, cumpre não conhecêlos.
Recurso de Oficio e Voluntário Não Conhecidos.
Numero da decisão: 1402-001.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de oficio e do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2003 RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Verificado que os recursos de oficio e voluntário não preenchem as condições de admissibilidade estabelecidos nos art. 33 e 34 do Decreto 70.235/1972, cumpre não conhecêlos. Recurso de Oficio e Voluntário Não Conhecidos.
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Verificado que os recursos de oficio e voluntário não preenchem as condições de admissibilidade estabelecidos nos art. 33 e 34 do Decreto 70.235/1972, cumpre não conhecêlos. Recurso de Oficio e Voluntário Não Conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio e do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002030/200835 Acórdão n.º 140201.011 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório GUITECNICA COMERCIO DE MAQUINAS E FERRAMENTAS LTDA. apresentou recurso a este Conselho quanto a decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte exigência, pleiteando sua confirmação, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a DRJ apresentou recurso de oficio. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: O presente processo e seu apenso (nº 10768.003665/200901) tratam de: Autos de infração apurados pela sistemática do Simples em virtude de omissão de receitas em 2003 (fls. 160/219); Ato declaratório de exclusão do Simples em virtude de excesso de receita em 2003, com efeitos a partir de 2004 (fl. 253); e Autos de infração apurados pelas normas aplicáveis às empresas não optantes pelo Simples, em virtude de omissão de receitas em 2004, 2005 e 2006 (fls. 502/556). Os autos de infração relativos ao ano calendário 2003 exigem Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 6.684,12, a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 6.684,12, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 12.594,58, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 25.189,17 e a Contribuição para Seguridade Social – INSS no valor de R$ 42.555,65, todos acrescidos da multa proporcional de 75% e de juros de mora. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 157/159, essas exigências decorreram de omissão de receitas constatada pelo confronto da receita bruta declarada na PJSI (declaração anual simplificada – fls. 6/23) com valores depositados, constantes dos extratos bancários (Itaú e Unibanco) fornecidos pelo autuado (fls. 125/143). A fiscalização relacionou as quantias depositadas e intimou o autuado a apresentar documentos que comprovassem suas origens (fls. 81/83). Como o autuado não apresentou a comprovação e declarou que a movimentação bancária não estava contabilizada, a fiscalização considerou que a real receita bruta era a soma das importâncias depositadas com a receita declarada e, sobre esse total, calculou os tributos devidos, conforme quadro abaixo: receita declarada omissão depósitos receita bruta apurada 359.511,24 1.120.541,81 1.480.053,05 O Ato Declaratório nº 125/2008 (fl. 253) excluiu o autuado do regime do Simples a partir de 01.01.2004 em virtude de a receita bruta de R$ 1.480.053,05 do ano de 2003, apurada da forma acima, exceder o limite de R$ 1.200.000,00, previsto no art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.317/96. Os autos de infração relativos aos anos calendário 2004, 2005 e 2006 também foram motivados por omissão de receitas verificada com base nos extratos bancários, mas foram apurados conforme as normas aplicáveis às empresas não optantes pelo Simples, no caso do IRPJ e da CSLL, pelo lucro arbitrado. Neles, exigemse R$ 164.618,22 de IRPJ, R$ 60.030,55 de PIS, R$ 277.064,74 de Cofins e R$ 99.743,28 de CSLL, também acrescidos de multa de 75% e de juros de mora. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002030/200835 Acórdão n.º 140201.011 S1C4T2 Fl. 0 3 Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 497/501, o autuado, também para esses anos, deixou de apresentar a comprovação da origem dos créditos bancários e não possuía escrituração que permitisse a tributação pelo lucro real. A tributação incidiu somente sobre o total dos depósitos nas duas contas bancárias do autuado. A ciência dos lançamentos relativos a 2003 aconteceu em 23.10.2008 (fls. 160 a 202), a do ato de exclusão, em 24.03.2009 (fl. 489) e a dos lançamentos relativos a 2004 a 2006, em 22.05.2009 (fls. 511 a 552). A impugnação aos lançamentos referentes a 2003 foi apresentada em 21.11.2008 (fls. 232/245) e trouxe, em resumo, os seguintes argumentos: Só possui conta nos bancos Itaú e Unibanco e os correspondentes extratos foram fornecidos à fiscalização quando solicitado. Como a própria fiscalização afirmou que não houve movimentação no Unibanco em 2003, e como o autuado recebeu todas as suas vendas pela conta no Itaú, sua receita bruta corresponde exatamente ao total dos depósitos nesse banco (R$ 1.120.541,81) e não à soma desse valor com a receita que havia declarado (R$ 359.511,24), o que resultou em R$ 1.480.053,05; A receita que havia declarado representa parte desses depósitos e, por isso, a omissão foi só a diferença (1.120.541,81 menos 359.511,24); Só vende para órgão público, que só paga por meio do sistema Siafi (extratos anexos), com crédito bancário nessa conta; e Apesar de estar dispensado de apresentar DCTF, tem o direito de recolher os tributos declarados, sem multa de ofício, mesmo após o início do procedimento fiscal, nos termos do art. 47 da Lei nº 9.430/96. A impugnação à exclusão do Simples foi apresentada em 22.04.2009 (fls. 01/03 do processo apenso) e trouxe, em resumo, os seguintes argumentos: Uma vez julgadas procedentes as alegações do autuado contra o lançamento de ofício, relativas aos critérios usados pela fiscalização para determinar a receita bruta de 2003, ficará comprovado que não foi ultrapassado o limite anual de receita bruta; Devem ser suspensos os efeitos do ato declaratório até que seja definitivamente julgado o recurso contra o lançamento de ofício relativo ao ano 2003; e Após julgado aquele recurso, deve, então, ser declarado nulo o ato de exclusão do Simples. A impugnação aos lançamentos referentes aos anos 2004 a 2006 foi apresentada em 22.06.2009 (fls. 563) e trouxe, em resumo, os seguintes argumentos: São nulos os autos de infração, por falta de competência da auditora fiscal, uma vez que na data da lavratura já havia se esgotado o prazo do mandado de procedimento fiscal, nos termos da Portaria SRF nº 11.371/2007 e do art. 59 do Decreto nº 70.235/72; A multa de ofício deve ser afastada, por força do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, porque a espontaneidade foi readquirida, uma vez que entre a última intimação e o termo de encerramento passaramse 150 dias; O Termo de Verificação Fiscal de 18.05.2009 desprezou a natureza dos créditos bancários, ao contrário dos termos de intimação de 10.07.2008 e 23.07.2008; A fiscalização ignorou as receitas oferecidas à tributação e os impostos pagos e errou ao optar por tributar todo o montante dos depósitos bancários, no Itaú e no Unibanco, considerandoos como valores totalmente omitidos; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002030/200835 Acórdão n.º 140201.011 S1C4T2 Fl. 0 4 A fiscalização deveria ter estimado a receita bruta, deduzido a parcela tributada espontaneamente e utilizado a diferença como base de cálculo dos tributos; Impugnou o lançamento referente ao ano de 2003 e o ato de exclusão do Simples, assim sendo, a administração deve aceitar sua condição de optante pelo Simples até o julgamento das impugnações; O crédito tributário foi constituído de forma unilateral, cerceando seu direito de defesa; e Apesar de estar dispensado de apresentar DCTF, tem o direito de recolher os tributos declarados, sem multa de ofício, mesmo após o início do procedimento fiscal, nos termos do art. 47 da Lei nº 9.430/96. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Uma vez computada a totalidade dos depósitos bancários no ano, a receita omitida deve corresponder somente à diferença entre esse montante e a receita declarada. SIMPLES. EXCLUSÃO. Constatado que a receita bruta não ultrapassou o limite de R$ 1.200.00,00, cancelase a exclusão do regime. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, que conclui nos seguintes termos(verbis): É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002030/200835 Acórdão n.º 140201.011 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Conforme relatado, tratase de exigência fiscal sob acusação de omissão de receitas (deposito bancário), que foi quase integralmente exonerada em 1a. instância tendo sido apresentado recurso de oficio, fls. 811/812, verbis: ACORDAM os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ÀS IMPUGNAÇÕES, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para: Reduzir as exigências relativas a 2003 para R$ 428,28 de IRPJ, R$ 428,28 de PIS, R$ 658,89 de CSLL, R$ 1.317,79 de Cofins e R$ 2.520,77 de INSS, todos acrescidos da multa proporcional de 75% e dos juros de mora; Cancelar a exclusão do Simples; e Cancelar as exigências relativas aos anos 2004, 2005 e 2006. Intimese para pagamento do crédito tributário no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvado o direito de interposição de recurso voluntário, em igual prazo, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Deste ato, o presidente recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (...) . Grifei. Ocorre que o total do crédito tributário lançado foi de R$ 230.862,42 (incluindo juros de mora até outubro de 2008), conforme demonstrativo de fl.226, sendo que o limite de alçada da DRJ é de R$ 1.000.000,00 (Portaria MF 3/2008, em vigor na data da decisão recorrida). Logo, à toda evidência, a Turma Julgadora de 1a. Instância incorreu em equívoco ao recorrer de ofício. Por sua vez, o recurso voluntário não contesta as exigências mantidas, propugnando, apenas, pela confirmação do decidido pela DRJ. Inexistindo litígio não há que se conhecer do recurso. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário e do recurso de oficio, cabendo à unidade de origem cumprir integralmente a decisão de 1a. instância. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003543/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/02/2003 a 29/04/2004
LANÇAMENTO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E
QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE POR
VÍCIO MATERIAL. CABIMENTO.
O erro na identificação do sujeito passivo e determinação do montante do
crédito tributário implica inobservância de requisito essencial estabelecido no
art. 142 do CTN e, por conseguinte, nulidade do lançamento por vício
material.
NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE ADUANEIRA. TERMO INICIAL DO
PRAZO DECADENCIAL.
Se o lançamento anteriormente realizado foi declarado nulo por vício
material, ao novo lançamento não se aplica o disposto no art. 173, II, do
CTN, ficando impossibilitada a abertura de novo prazo decadencial do direito
de a Fazenda Pública impor uma nova penalidade e, por conseguinte, mantido
o termo inicial do prazo originalmente estabelecido, contado a partir da data
da infração (art. 139 do Decreto-lei nº 37, de 1966).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-00.932
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/02/2003 a 29/04/2004 LANÇAMENTO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. CABIMENTO. O erro na identificação do sujeito passivo e determinação do montante do crédito tributário implica inobservância de requisito essencial estabelecido no art. 142 do CTN e, por conseguinte, nulidade do lançamento por vício material. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE ADUANEIRA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Se o lançamento anteriormente realizado foi declarado nulo por vício material, ao novo lançamento não se aplica o disposto no art. 173, II, do CTN, ficando impossibilitada a abertura de novo prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública impor uma nova penalidade e, por conseguinte, mantido o termo inicial do prazo originalmente estabelecido, contado a partir da data da infração (art. 139 do Decreto-lei nº 37, de 1966). Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/02/2003 a 29/04/2004 LANÇAMENTO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. CABIMENTO. O erro na identificação do sujeito passivo e determinação do montante do crédito tributário implica inobservância de requisito essencial estabelecido no art. 142 do CTN e, por conseguinte, nulidade do lançamento por vício material. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE ADUANEIRA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Se o lançamento anteriormente realizado foi declarado nulo por vício material, ao novo lançamento não se aplica o disposto no art. 173, II, do CTN, ficando impossibilitada a abertura de novo prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública impor uma nova penalidade e, por conseguinte, mantido o termo inicial do prazo originalmente estabelecido, contado a partir da data da infração (art. 139 do Decreto-lei nº 37, de 1966). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 07-21.862, de 29 de outubro de 2010 (fls. 1.011/1.026), proferido pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que, por unanimidade de votos, consideraram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos expostos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/02/2003 a 29/04/2004 DECADÊNCIA. ANULAÇÃO. VÍCIO FORMAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Artigo 73, inciso II, da Lei nº 5.172/1966 - Código Tributário Nacional) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/02/2003 a 29/04/2004 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003543/2009-37 Acórdão n.º 3802-00.932 S3-TE02 Fl. 2 3 Período de apuração: 10/02/2003 a 29/04/2004 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem resumir os fatos registrados até a decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 175.375,00 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. A descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração informa que a interessada, conforme relatório de ação fiscal anexado, não é real adquirente das mercadorias por ela importadas. Auto de infração anteriormente lavrado para aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas foi declarado nulo, conforme Acórdão cuja cópia instrui os autos. A decisão que tornou nulo o auto de infração anterior decidiu que deveria se proceder novo lançamento, específico para cada uma das exigências e respectivo imputado como responsável solidário. Dessa forma, foi lavrado o auto de infração do presente processo, pela impossibilidade de apreensão das mercadorias relacionadas na Relação de Mercadorias Consumidas e Não Localizadas, com base no artigo 23, inciso V e parágrafo 3º, do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976 com redação da Lei nº 10.637/2002. No presente caso, foi autuada como responsável solidária “GSN Global Security Network Distribuição Ltda”, real adquirente das mercadorias importadas. Cientificada por via postal (fl. 950-v) a interessada “TWS – International Trade Ltda” não apresentou impugnação (Termo de revelia fl. 1009). Cientificada por via postal (fl. 948-v) a devedora solidária “GSN Global Security Network Distribuição Ltda” apresentou a impugnação tempestiva de folhas 968 a 994, com os documentos de folhas 995 a 996 e 999 a 1007 anexados. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 A impugnante alega, em síntese, que o lançamento é decadente por ter transcorrido o prazo previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Defende ainda, que não foram respeitados os princípios constitucionais da adequação, necessidade e proporcionalidade. Alega que agiu sempre de boa- fé e que não causou dano ao Erário. Defende que, se fosse o caso deveria ser aplicada a pena menos gravosa, prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, e que inexistiu interposição fraudulenta, não havendo provas da acusação nos autos. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração ou, alternativamente, seja aplicada a penalidade menos gravosa prevista na Lei nº 1.488/2007. Em 11/02/2011 (fl. 1.019), a Autuada foi cientificada do mencionado Acórdão. Inconformada, em 04/03/2011 (fl. 1.020), protocolou o Recurso Voluntário de fls. 1.021/1.061, em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. No final, requereu (i) a anulação do lançamento, em consequência dos vícios insanáveis e da decadência, ou alternativamente, (ii) a declaração de insubsistência do lançamento, ante a ausência de fundamentos relevantes, ou alternativamente, (iii) a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em 31/05/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de outubro de 2011, mediante sorteio, eles foram distribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, que se enquadra dentro do seu limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da prejudicial de mérito: decadência do lançamento. No presente Recurso, alegou a Recorrente a decadência do presente lançamento, com base no argumento de que, na data da lavratura do questionado Auto de Infração (fls. 02/05), realizada em 23/10/2009, já havia decorrido o prazo de cinco anos, estabelecido no art. 139 do Decreto-lei nº 37, de 1966, combinado com o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. De acordo com o entendimento da Recorrente, como o auto de infração anterior, objeto do processo administrativo n° 12466.004797/2005-49, foi anulado por vício material, o termo inicial do referido prazo seria contado a partir da data do fato gerador, conforme estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, e não da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o lançamento primitivo. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003543/2009-37 Acórdão n.º 3802-00.932 S3-TE02 Fl. 3 5 Noutro giro, entendeu a Turma de Julgamento de primeiro grau que a invalidação do referido lançamento foi motivado por vício formal, com base nas razões que podem ser lidas no trecho do voto condutor do Acórdão recorrido, a seguir transcrito: Para a constituição do auto de infração em apreço apenas se desmembrou a parte do crédito tributário do qual se verificou ser a ora impugnante devedora solidária, ou seja, não houve qualquer inovação relativa à infração imputada, aos sujeitos passivos ou ao próprio crédito tributário anteriormente constituído. Trata-se meramente de um aspecto formal relativo à formalização do crédito tributário. (grifos não originais) Assim, fica evidenciado que, em relação à questão prejudicial em apreço, o cerne da presente controvérsia diz respeito a natureza do vício que provocou a invalidação do lançamento anteriormente realizado, ou seja, se se trata de vício formal ou material. No presente caso, é fundamental para o deslinde da controvérsia em tela, a determinação do tipo de vício presente na compostura do lançamento declarado inválido, pois, se material o vício, o termo inicial do prazo de decadência seria a data da infração, conforme estabelecido no art. 139 do Decreto-lei nº 37, de 1966. Por outro lado, se formal o vício, em conformidade com disposto no art. 173, II, do CTN, o termo a quo passaria a ser a data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o lançamento anteriormente efetuado. Do erro cometido na lavratura do primeiro lançamento. Analisando o inteiro teor do Acórdão nº 302-39.912 (fls. 07/16), proferido pela Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão de primeiro grau que anulou o lançamento primitivo, constata-se que o motivo que resultou na decretação da nulidade do referenciado lançamento foi a existência de erro quanto à identificação dos sujeitos passivos e apuração do crédito tributário. De fato, noticia o referido julgado que, no auto infração anulado, todos os adquirentes das mercadorias importadas (importadores ocultos) pela pessoa jurídica TWS - International Trade Ltda. (importadora ostensiva) foram relacionados como responsáveis solidários pela multa aplicada, no valor total de R$ 8.818.981,00, correspondente ao valor de todas as importações realizadas pela TWS, destinadas a diversos adquirentes (17, no total). Em outras palavras, num só auto de infração foram relacionados como sujeitos passivos solidários pela totalidade débito pessoas sem interesse comum na situação que constitua fato gerador da multa (solidariedade de fato) e sem expressa designação por lei (solidariedade legal), conforme exige o art. 124 do CTN. No presente caso, comparando o presente lançamento com o que foi anulado, constata-se que o valor do crédito e os sujeitos passivos solidários são distintos, portanto, a causa da invalidação do citado lançamento foi, efetivamente, a existência de erro em relação ao valor do crédito tributário e à sujeição passiva solidária. Dessa forma, para o deslinde da presente controvérsia, a questão que precisa ser esclarecida é a seguinte: o erro praticado em relação à identificação do sujeitos passivo e apuração do crédito tributário constitui vício formal ou material? Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Para responder a essa questão, entendo imprescindível, previamente, apresentar uma rápida digressão acerca do que seja vício formal e material, tendo em conta o disposto no direito positivo e os relevantes pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais sobre o assunto. Do vício formal e material do ato administrativo. Diz-se portador de vício de legalidade, o ato administrativo realizado em desconformidade com a lei (ou outra norma superior) que estabelece o procedimento de sua criação e/ou que determina o seu conteúdo (seus elementos. Trata-se de defeito que afeta a validade do ato administrativo. Ele pode ser formal ou material. O vício é considerado formal quando o defeito se encontra nos pressupostos de formação do ato administrativo, ou seja: (i) agente competente; e (ii) procedimento estabelecido normativamente; e (iii) motivo ato. Tratam-se dos componentes externos, estranhos a estrutura normativa do ato administrativo. Por sua vez, o vício é considerado material quanto a ilicitude se encontra nos elementos que integram a estrutura normativa do ato administrativo, a saber: (i) a motivação; e (ii) a relação jurídica, que correspondem, respectivamente, ao antecedente e consequente da norma individual e concreta). Tratam-se dos componentes internos da a estrutura normativa do ato administrativo. Do vício formal e material do ato de lançamento. No âmbito do processo administrativo fiscal, o vício formal se caracteriza pela existência de defeito nos pressupostos de produção do ato de lançamento (autoridade competente, procedimento estabelecido em lei e motivo do ato), enquanto que o vício material refere-se aos erros relacionados com os elementos que integram a estrutura normativa do lançamento, ou seja, o fato jurídico tributário (antecedente) e a relação jurídica tributária (consequente) da regra-matriz de incidência tributária. No direito positivo, os elementos do ato de lançamento tributário encontram- se estabelecidos no caput do art. 142 do CTN, enquanto que os pressupostos da sua edição, encontram-se estabelecidos nos arts. 7º a 11 do Decreto nº 70. 235, de 6 de março de 1972, complementado pelo disposto na legislação de cada tributo. Nesse sentido já se manifestou este Colegiado, na Sessão de 01/06/2011, por meio do Acórdão nº 3802-000.465, da relatoria do i. Conselheiro Regis Xavier Holanda, cujo enunciado da ementa ficou assim redigido, in verbis: MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A correta formatação e delimitação da motivação da exação fiscal é requisito essencial à constituição regular da relação jurídicotributária material, nos termos do art. 142 do CTN, restando, desta forma, nulo, por vício material, o lançamento carente desse requisito. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Declarada a nulidade do lançamento de ofício original, por vício material, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário permanece sendo de 5 (cinco) Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003543/2009-37 Acórdão n.º 3802-00.932 S3-TE02 Fl. 4 7 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). Tendo em vista que no voto condutor do referido julgado, a matéria foi analisada com profundidade pelo nobre Conselheiro Relator, entendo pertinente trazer à colação os trechos que seguem transcritos: O vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização. Já o vício material ocorre quando o auto de infração não preenche os requisitos constantes do artigo 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para exigência do tributo ou constituição do crédito tributário. Nesse ponto, convém trazer à colação, inicialmente, o ensinamento do festejado De Plácido e Silva, que, em sua obra Vocabulário Jurídico, ed. Forense, 1991, p. 489, categoriza os vícios jurídicos em vícios de forma e de fundo: Os vícios de forma, embora concernentes a formalidades exteriores, ou solenidades extrínsecas, não se confundem com os vícios dos documentos decorrentes de borrões, raspaduras, entrelinhas não ressalvadas, riscos, ou emendas, em lugares substanciais. (...) Os vícios de fundo bem se distinguem dos vícios de forma, referindo-se a formalidades habilitantes e a requisitos elementares à validade do ato, enquanto os vícios de forma se referem aos elementos de composição instrumentária e às solenidades prescritas para essa composição (grifei) Tratando do instituto da decadência, José Eduardo Soares de Melo, em sua obra Curso de Direito Tributário, ed. Dialética, 2004, p. 291, assim se manifesta: "Nesta situação, o Fisco realiza o lançamento que, em razão de impugnação do sujeito passivo, ou espontânea manifestação fazendária implica ulterior decisão (administrativa ou judicial), que julga pela sua impropriedade de cunho formal, como é o caso de preterição de direito de defesa. Em conseqüência, ao Fisco é reaberto um novo prazo de cinco anos para proceder a novo lançamento, sanando a irregularidade (formal), revelando-se nítida e excepcional interrupção de decadência, uma vez que se reinicia toda a contagem desse prazo, desprezando-se o lapso de tempo anterior. Inaplicável essa diretriz se a decisão julgou improcedente a insubsistência do lançamento por vicio material, analisando o conteúdo da exigência tributária. É o Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 que se dá quando inexistem provas prática do fato gerador; a atribuição de responsabilidade tributária a quem não a tenha legalmente; ....Se a decisão for proferida após cinco anos dos fatos, opera-se a decadência.” De forma semelhante, Manoel Antonio Gadelha Dias, em "O vício formal no lançamento tributário”, publicado na obra "Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicado”, Ed. Quatier Latin, 2005, p. 345/6, traz as seguintes anotações a respeito da matéria: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto 70.235/72, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1°.) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2°.) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito à requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo-o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. Assim, a valoração jurídica equivocada do fato jurídico tributário, a lavratura de auto de infração por agente incompetente ou a indicação errada do sujeito passivo da obrigação tributária levam à nulidade do lançamento, cabendo à Administração Tributária, uma vez declarada a nulidade por decisão administrativa ou judicial, se for o caso, sanar o vício mediante a formalização de outro lançamento, agora sem o defeito apontado, desde, é claro, que a Fazenda Pública não tenha decaído do direito de fazê-lo. Nessa hipótese, a decretação da nulidade do lançamento não tem o condão de interromper ou suspender o prazo de decadência. Em verdade, para fins da contagem do lapso decadencial para outro lançamento, deve a administração tributária considerar como inexistente o lançamento declarado nulo e observar a regra geral de decadência contida no art. 173, I, ou a regra própria prevista para os casos disciplinados pelo art. 150, parágrafo 4°., ambos do CTN, ou ainda regra especifica estabelecida na legislação de determinados tributos. Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para comunicação jurídica, Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003543/2009-37 Acórdão n.º 3802-00.932 S3-TE02 Fl. 5 9 consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso denominados requisitos extrínsecos ao lançamento.” Nesse sentido, vejamos decisões desse Conselho Administrativo: ERRO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO - Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base cálculo do imposto lançado, cancela-se o auto de infração para que outro seja feito em boa e devida forma. Lançamento cancelado. (1º CC-6ª Câmara; Acórdão nº 106-12150; Rel. Cons. Sueli Efigênia Mendes de Britto; decisão unânime em 21/08/2001) LANÇAMENTO - NULIDADE - VÍCIO MATERIAL - DECADÊNCIA - Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN. (1º CC-2ª Câmara; Acórdão nº 102-47201; Rel. Cons. Silvana Mancini Karam; decisão em 10/11/2005) PAF — IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — ERRO NA BASE DE CÁLCULO — Presentes os pressuposto de ocorrência do fato imponível o ilícito se quantifica sobre uma base de cálculo, que é a grandeza decorrente de regra matriz tributária. A base de cálculo mensura a intensidade das determinações contidas no núcleo do fato jurídico para, combinando-o com a alíquota, definir o valor a ser , recolhido. Ela confirma, infirma ou afirma o critério material exprimido na norma criadora do tributo. Infirmada, face ao erro em sua quantificação não prospera o lançamento. Recurso Provido. (1º CC-8ª Câmara; Acórdão nº 108-08865; Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; decisão unânime em 25/05/2006) VÍCIO MATERIAL - Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (1º CC-2ª Câmara; Acórdão nº 102-47829; Redator Cons. Moisés Giacomelli Nunes da Silva; decisão em 16/08/2006) NULIDADE - VÍCIO MATERIAL . ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Preliminar acolhida. (1º CC-2ª Câmara-2ª Turma Especial; Acórdão nº 192-00015; Rel. Cons. Sidney Ferro Barros; decisão unânime em 08/09/2008) PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LANÇAMENTO. ERRO DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO MATERIAL. NULIDADE. A descrição clara e precisa do fato gerador, bem como da base de cálculo (matéria tributável) do tributo lançado, in casu, contribuições previdenciárias, é condição sine qua non à validade do lançamento, e a sua ausência e/ou equívoco importa na nulidade material do ato, configurando afronta aos preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. (2ª Seção-4ª Câmara-1ª Turma; Acórdão nº 2401-00036; Rel. Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; decisão em 03/03/2009) Portanto, o vício material tem natureza substancial, logo, alheio, em sua essência, à forma. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no caput, do art. 142, do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos do lançamento, pois sua delimitação precisa é condition sine qua non à existência da obrigação tributária em concreto (trecho do voto condutor do Ac. nº 08-14.289 – 7ª Turma da DRJ/FOR em 22/10/2008; Rel. Julg. Fernando Sérgio Tavares e Sales). Dessa forma, a primeira decisão a quo, ao apontar vícios na fundamentação do lançamento original, acabou por apontar defeitos que não se caracterizam como formalismos externos ou solenidades procedimentais (vícios formais), mas sim que afetam a própria substância do ato uma vez que relacionados à carente formatação e delimitação da infração apurada e da matéria tributável (vícios materiais). No caso em tela, conforme anteriormente explicitado, as razões que conduziram à declaração da nulidade do lançamento primitivo foram os erros de identificação do sujeito passivo e de apuração do crédito tributário, elementos que integram a relação jurídica tributária, portanto, configurando vício de natureza material. De fato, no lançamento anteriormente anulado, todos os adquirentes das mercadorias importadas pela Autuada TWS foram incluídos no polo passivo da referida autuação como responsáveis solidários pelo valor total da multa aplicada, sem que houvesse interesse comum entre eles, o que contraria o disposto no art. 124, I, do CTN, e confirma que, em relação a cada responsável solidário, no referido lançamento, houve equívoco tanto na identificação do sujeito passivo quanto na determinação do valor da multa aplicada. Dessa forma, entendo devidamente configurado o vício material que deu ensejo ao lançamento anteriormente anulado. Da decadência do presente lançamento. Uma vez esclarecido que a decisão que anulou o primeiro lançamento foi motivada por o vício material, consequentemente, tal circunstância impede a reabertura de um novo do prazo de decadência do direito de constituição do crédito tributário anteriormente lançado, haja vista que tal possibilidade somente se aplica na hipótese de decisão definitiva que Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 12466.003543/2009-37 Acórdão n.º 3802-00.932 S3-TE02 Fl. 6 11 tenha anulado o lançamento primitivo em razão de vício formal, conforme expressamente estabelece o inciso II do art. 173 do CTN, a seguir transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: [...] II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. [...] (grifo não original). Por conseguinte, no presente caso, o termo inicial do prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário em apreço deve ser contado a partir da data da infração, segundo determinação expressa no art. 139 do Decreto-lei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 139 - No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. No presente caso, tendo em vista que a Declaração de Importação (DI) nº 0403953574 (fl. 17), a mais recente, foi desembaraça em 29/04/2004 e que o presente Auto de Infração foi lavrado em 23/10/2009, dele sendo cientificada a Recorrente em 17/11/2009, fica cabalmente demonstrado que a presente autuação foi concluída após o prazo de caducidade de cinco anos, ou seja, quando já havia se consumado o direito de a Fazenda Nacional impor a penalidade em apreço. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para declarar extinto o crédito tributário pela decadência. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000966/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 05/07/1994, 09/09/1994
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COFINS E DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. REGIMENTO DO CARF.
De acordo com o Regimento Interno do Carf, a competência para o
julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, sendo que, quando o crédito envolve mais de um tributo, com competências da Primeira, da Segunda e da Terceira Seções, a competência de julgamento será da Primeira Seção.
Competência de julgamento declinada.
Numero da decisão: 3401-001.751
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do Recurso Voluntário e declinar a competência para sua apreciação à Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/07/1994, 09/09/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COFINS E DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. REGIMENTO DO CARF. De acordo com o Regimento Interno do Carf, a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, sendo que, quando o crédito envolve mais de um tributo, com competências da Primeira, da Segunda e da Terceira Seções, a competência de julgamento será da Primeira Seção. Competência de julgamento declinada.
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COFINS E DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. REGIMENTO DO CARF. De acordo com o Regimento Interno do Carf, a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, sendo que, quando o crédito envolve mais de um tributo, com competências da Primeira, da Segunda e da Terceira Seções, a competência de julgamento será da Primeira Seção. Competência de julgamento declinada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e declinar a competência para sua apreciação à Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação entregue em 15/05/2003 na qual se pleiteia o aproveitamento de créditos originados de valores tidos pela interessada como pagos a maior em julho de 1994 a título de Cofins e de Imposto de Renda Retido na Fonte, estes sob os códigos 0561 [Rendimentos do Trabalho Assalariado], 0588 [Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício] e 1708 [Remuneração por Serviços Prestados por Pessoa Jurídica]. Para os fins da deliberação nesta Sessão, é o Relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13855.000966/200399 Acórdão n.º 340101.751 S3C4T1 Fl. 395 3 Voto Conforme dito acima, os créditos que dão lastro à Declaração de Compensação têm origem em pagamentos tidos pela interessada como efetuados a maior a título de Imposto de Renda Retido na Fonte e de Cofins, havidos no mês de julho de 1994. Por sua vêz, o IRRF referese tanto à antecipação de pagamento de IRPJ [código 1708], quanto de imposto retido na fonte sobre rendimentos do trabalhado assalariado [código 0561] e do trabalho sem vínculo empregatício [0588]. Em sendo assim, há de ser declinada a competência de julgamento para a Primeira Seção do Carf, a teor da interpretação conjunta dos artigos 2º, III; 3º, II; 4º, I; 7º, § 3º, II, todos do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 446, de 27/08/2009, e pela Port. MF nº 566, de 21/12/2010, reproduzidos abaixo: “Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; [...] Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I [...] II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); [...] Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; [...] Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § [...]. § 3° Na hipótese do § 1°, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; II Da Segunda Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da Terceira Seção; [...]” (grifos meus) Em face do exposto, voto por declinar a competência do presente julgamento para a Primeira Seção do Carf. Odassi Guerzoni Filho Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19679.000768/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. MESMO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Aplicação da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 2101-001.523
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. MESMO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n.º 1.
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AÇÃO ORDINÁRIA. MESMO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Eivanice Canário da Silva (suplente), José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em desfavor de MARIA ELISABETH DE MENEZES CORIGLIANO foi emitido o Auto de Infração às fls. 25 e seguintes (eprocesso), no qual é cobrado imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao anocalendário de 2000 (exercício 2001), no valor de R$ 3.245,78 (três mil, duzentos e quarenta e cinco reais e setenta e oito centavos) acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até novembro de 2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 8.309,51 (oito mil, trezentos e nove reais e cinqüenta e um centavos). No Demonstrativo das Infrações (fls. 27), consta que a Fiscalização apurou ter havido omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vínculo empregatício, em razão de terem sido declarados pelas respectivas fontes pagadoras os seguintes valores: Instituto Nacional de Seguro Social – R$ 25.145,70 Banco BCN S/A – R$ 77.015,39 Na sua declaração de ajuste correspondente, a contribuinte declarou rendimentos da ordem de R$ 10.800,00 (fls. 28). A contribuinte apresentou impugnação, cujas razões e pedido foram assim sintetizadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília: “ os valores recebidos do Banco BCN são provenientes do pagamento de indenização por danos advindos da morte de seu marido em desfavor do Banco Crefisul de Investimentos S.A. e Outro (Autos n. 132/1978 — 5° Vara de Acidentes do Trabalho da Comarca da Capital), logo esta verba recebida tem natureza indenizatória, não se sujeitando incidência do imposto de renda; o acordo celebrado com o Banco Crefisul de Investimentos ocorreu em 14/09/1979, devendo, então, entender como fato gerador para discussão em relação incidência do Imposto de Renda, seria a data 31/12/1979, o que ocasionaria a decadência para constituição do crédito pela fazenda pública em 31/12/1984; a opção de a requerente ter ou não optado pelo recebimento mensal da indenização auferida não prolongaria o prazo decadencial, pois o fato gerador ocorreu em 14/09/1979; erroneamente, a Fazenda Pública certificou que a requerente omitiu rendimentos recebidos por sua pessoa fisica decorrente de trabalho com vinculo empregatício, uma vez que os valores declarados pelo INSS são valores advindos da Pensão por morte Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000768/200632 Acórdão n.º 210101.523 S2C1T1 Fl. 151 3 de seu marido e os recebidos pelo Banco BCN é proveniente de indenização por acidente de trabalho; a multa aplicada deve ser diminuída, tendo em vista a ausência de culpabilidade da requerente; caso a presente impugnação não alcance o êxito esperado, requer que a fonte pagadora seja solidariamente obrigada ao recolhimento do presente auto; a requerente ingressou com Ação Ordinária de Repetição de Indébito Tributário com Pedido de Tutela Antecipada junto ao Juizado Especial Cível da 1.ª Subseção Judiciária de São Paulo (processo n. 2005.63.01.0012403) discutindo explicitamente todas as questões, de fato e de direito, referentes ao IRPF que está sendo retido indevidamente nos cofres do Fisco Federal, logo requer que a exigibilidade do crédito tributário fique suspenso. requer a juntada de prova documental até a fase de interposição do recurso voluntário;” Ao examinar o pleito, a 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0326.519, de 28 de agosto de 2008, cuja ementa, a seguir, transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: PRELIMINAR. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando houver a antecipação do pagamento do Imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO A responsabilização por infração independe da intenção do agente. Uma vez que houve a infração é cabível o lançamento da multa de oficio. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente Em 19 de outubro de 2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 134 a 145). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Em sua peça recursal, esclarece, em preliminar, que não está promovendo o depósito, correspondente a 30% da exigência fiscal definida na decisão de primeira instância, conforme prevê o artigo 32, da Medida Provisória n° 1.77045/99, pelo fato de que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, na Sessão do dia 28 de março de 2007, declarou ser inconstitucional a exigência do depósito prévio de percentual do valor do tributo como pressuposto obrigatório para a interposição de recurso administrativo voluntário. No mérito, sustenta que a indenização por morte não constitui fato gerador do imposto de renda, seja ela recebida em uma ou em várias prestações. Anexando cópia da Sentença proferida pelo Exmo. Juiz da 9.ª Vara da Justiça Federal da Capital do Estado de São Paulo, ressalta que, ao proferir a sentença, o Exmo. Juiz asseverou que "as verbas indenizatórias consistem em importâncias pagas a titulo de ressarcimento pelos danos sofridos, em razão da morte de seu familiar em incêndio ocorrido no local de trabalho". Sendo assim, é equivocada a decisão proferida pela 7.ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal Entende, portanto, não ter omitido rendimentos ou efetuado compensação indevida, e informa ter declarado as importâncias recebidas do Banco BCN S/A e do INSS no campo "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis". Esclarece que a verba indenizatória, ou pensão pela morte do marido foi paga em parcelas mensais pelo Banco BCN S.A., sucessor do Banco Crefisul de Investimentos S.A., e depois pelo Banco Bradesco S.A., que adquiriu o Banco BCN S.A., já estando encerrado o pagamento da indenização. Reitera que todas as questões levantadas, relativas à não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do Banco BCN S.A., posteriormente adquirido pelo Banco Bradesco S.A., e do INSS, foram apreciadas pelo Poder Judiciário, que julgou procedente a ação de repetição de indébito n° 2005.63.01.0012403, movida em face da Fazenda Nacional. Requer, ao final, que este Conselho reforme a decisão de primeira instância e declare insubsistente o Auto de Infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário constituído, nos moldes do artigo 156, IX, do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Do exame dos autos do presente processo, temse que a matéria em litígio está inserida no âmbito da Ação Ordinária n.º 2004.61.00.0325205, proposta pela Recorrente em face da Fazenda Nacional, na qual se discute a natureza dos valores por ela recebidos do INSS e do Banco BCN S/A, posteriormente Banco Bradesco S/A (fls. 51 a 73), que correu junto à 9.ª Vara da Justiça Federal da 3.ª Região – Estado de São Paulo. Discutese naquela ação se os montantes recebidos pela Recorrente enquadramse na definição de renda ou possuem caráter indenizatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000768/200632 Acórdão n.º 210101.523 S2C1T1 Fl. 152 5 Dos valores em discussão junto ao Poder Judiciário, a parte recebida de Banco BCN S/A, posteriormente, Bradesco S/A, e uma fração da parte recebida do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS foram consideradas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil como omissão de rendimentos, no Auto de Infração às fls. 25 e seguintes (vide Demonstrativo de Infrações, fls. 27), haja vista não terem sido inseridas como rendimentos tributáveis na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste correspondente ao anocalendário 2000. Às fls. 146 a 154, a Recorrente fez anexar cópia da Sentença já proferida na mencionada Ação Ordinária. Sobre a existência de processos com o mesmo objeto junto ao Poder Judiciário e no âmbito administrativo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após reiteradas decisões nesse sentido, decidiu que a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial versando sobre a mesma matéria discutida no âmbito administrativo importa renúncia às instâncias administrativas, e emitiu a Súmula CARF n.º 1, com o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante essa manifestação, que vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como um todo, e tendo em vista que toda a matéria em discussão neste processo encontrase abrangida no objeto da Ação Ordinária n.º 2004.61.00.0325205, impossível apreciar o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. Por esse motivo, entendo que o presente processo deve ser encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de origem, onde aguardará decisão definitiva na Ação Ordinária n.º 2004.61.00.0325205, para então, serem tomadas as medidas adequadas para dar cumprimento à decisão exarada no âmbito do Poder Judiciário. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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