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Numero do processo: 10166.904311/2009-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 43 11 /2 00 9- 57 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 9101002.919 CSRFT1 Fl. 3 2 que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de IRPJ. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de IRPJ), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 9101002.919 CSRFT1 Fl. 4 3 maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 9101002.919 CSRFT1 Fl. 5 4 [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 9101002.919 CSRFT1 Fl. 6 5 ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 9101002.919 CSRFT1 Fl. 7 6 estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003353/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 15/07/2002
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. APLICAÇÃO CORRETA. INEXISTÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplicação correta da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada com classificação fiscal incorreta, por não ter havido denúncia espontânea.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. CONVERSÃO EM RENDA.
Em 19.06.2008, houve o trânsito em julgado da ação judicial e a determinação para a conversão em renda da União dos depósitos realizados.
Embargos Acolhidos em Parte.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUTO DE INFRAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. APLICAÇÃO CORRETA. INEXISTÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicação correta da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada com classificação fiscal incorreta, por não ter havido denúncia espontânea. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. CONVERSÃO EM RENDA. Em 19.06.2008, houve o trânsito em julgado da ação judicial e a determinação para a conversão em renda da União dos depósitos realizados. Embargos Acolhidos em Parte. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 33 53 /2 00 7- 79 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 209 2 Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 210 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, onde, verificando omissão/contradição/obscuridade tem o objetivo de corrigir supostos vícios do acórdão nº 3301 002.789, proferido por este Colegiado, em que foi dado provimento ao recurso voluntário, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados da ementa a seguir transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 15/07/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. CONVERSÃO EM RENDA. Em 19.06.2008, houve o trânsito em julgado da ação judicial e a determinação para a conversão em renda da União dos depósitos realizados. Recurso Voluntário Provido A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE descreveu a controvérsia da seguinte maneira: A empresa identificada em epígrafe importou um equipamento descrito como centrifugador filtro marca Meura, modelo Meura 2001, com capacidade superior a 30.000 litros/hora, fabricado na Bélgica, mas procedente de Portugal. A Declaração de Importação (DI) foi registrada em 15/07/2002 (vide fls.16/18), e o produto foi deslocado, em 19.07.2002, com acompanhamento fiscal até a fábrica da interessada no bairro da Guabiraba em Recife, mediante autorização no processo 10480.007640/200219, no âmbito do qual foi firmado Termo de Depositário do produto importado. Por ocasião da Verificação Física e Documental da Mercadoria, em junho/2003 foram feitas as intimações pertinentes à finalidade e ao funcionamento do equipamento importado, tendo sido fornecidas as informações solicitadas. Ficou constatado que a mercadoria estava de acordo com a fatura, porém verificouse que a classificação fiscal indicada estava incorreta. O interessado havia classificado como desnatadeira com capacidade de processamento de leite superior a 30.000 litros/hora, na posição NCM 8421.11.10, à qual correspondem respectivamente para o Imposto de Importação (II) a alíquota de 0%, e para o IPI vinculado à importação (IPIv), a alíquota de 0,5%. No entanto, a classificação correta seria como centrifugador para filtrar ou depurar bebidas exceto água, na posição NCM 8421.22.00, cujas alíquotas para o II e para o IPIv são respectivamente 14% e 5%. Exigiuse, então, do importador a retificação da Declaração de Importação (DI), para correção da classificação e recolhimentos conseqüentes. Passados 60 dias sem cumprimento da exigência fiscal, lavrouse o auto de infração e Termo de Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 211 4 Apreensão e Guarda Fiscal (fls.28/30), aplicandose, ainda, a pena de perdimento no âmbito de outro processo administrativo, nº 19647.005767/200317. No processo relativo à pena de perdimento foi apresentada impugnação que não obteve êxito. O que levou a interessada a impetrar o Mandado de Segurança nº 2004.83.00.233050. Em sentença, judicial, de 1ª instância, foi concedida a segurança para declarar a nulidade da pena de perdimento, determinandose a liberação da mercadoria e também a conversão em renda da União dos valores dos depósitos judiciais relativos ao II e ao IPIv correspondentes à classificação fiscal apontada pela autoridade aduaneira. Houve apelação da PFN encaminhada, recebida com efeito devolutivo. Assim, o Auto de Infração (AI) objeto do presente processo, cientificado ao contribuinte em 17.04.2007, teve o objetivo de formalizar a apuração da correta classificação fiscal e constituir o crédito tributário relativo às diferenças de II e de IPIv, com os acréscimos legais cabíveis, resultantes da reclassificação fiscal, prevenindose da decadência. Foi aplicada a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, em razão da incorreta classificação na NCM. Inconformada com a exigência a interessada postou tempestivamente, em 17.05.2007, a impugnação cujo teor integral foi anexado às fls. 40/45 (conforme atestado pela repartição fiscal às fls.78), pode ser assim resumida: 1. Ainda que a ora impugnante tivesse errado a classificação da máquina em foco, resta evidente que tendo depositado judicialmente o valor dos tributos reclamados, com os correspondentes acréscimos de multa e de juros (doc anexo), convertido em renda em favor do erário federal, conforme reconhecido no Termo Fiscal, nada há para ser reclamado. 2. Não excede reiterar aqui os argumentos de mérito constantes da inicial do Mandado de Segurança, tomadas as razões como se constasse desta impugnação. (conforme doc anexo, argumentos repetidos na transcrição às fls.42/44). 3. Por fim, nos termos do art.156, I, do CTN, extinguese a obrigação tributária pelo pagamento, realizado com amparo no art.138 do CTN, nada se podendo cobrar a título da multa indicada no item 002 do AI (multa de 1% pelo erro de classificação fiscal). O Memorando SECAT/IRFCE nº 08/2009, às fls.79/81, informa que em 19.06.2008 o TRF/5ª Região negou provimento à apelação e à remessa obrigatória, e que tal decisão não podia mais ser atacada por via de recurso, informando ao Sr. Delegado de Julgamento em Fortaleza que, em resumo, a pena de perdimento objeto de outro processo administrativo foi declarada nula por decisão judicial transitada em julgado, determinandose a liberação definitiva da mercadoria, além de determinar a conversão em renda da União dos depósitos realizados. Levou, ainda, ao conhecimento da autoridade julgadora cópia da petição inicial judicial, a fim de fosse avaliada a caracterização de eventual renúncia do interessado às instâncias julgadoras administrativas. Este processo foi transferido para a DRJ/REC nos termos da Portaria RFB nº 1.269/2010 (fls.114). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE indeferiu a manifestação de inconformidade em Acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2002 MERCADORIA IMPORTADA. MÉRITO SUB JUDICE. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 212 5 Não se conhece do mérito cujo objeto é concomitante com o de ação judicial impetrada pelo interessado. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. NÃO CARACTERIZADA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicada devidamente a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada com classificação fiscal incorreta. Evidenciouse, em contrariedade ao previsto no parágrafo único do art. 138 do CTN, que os alegados depósitos judiciais dos valores apontados pela fiscalização ocorreram depois do início do procedimento administrativo fiscal relacionado com a apuração da infração, não se caracterizando denúncia espontânea. No seu Recurso Voluntário a contribuinte repete os argumentos da manifestação de inconformidade apresentados a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE apenas no que tange a aplicação da multa de 1% do valor aduaneiro, por classificação incorreta da mercadoria. Como dito, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção proferiu o acórdão nº 3301 002.789, em que foi dado provimento ao recurso voluntário, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados da ementa a seguir transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 15/07/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. CONVERSÃO EM RENDA. Em 19.06.2008, houve o trânsito em julgado da ação judicial e a determinação para a conversão em renda da União dos depósitos realizados. Recurso Voluntário Provido Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração onde alega que, analisandose o acórdão ora embargado em cotejo com a decisão de primeira instância, observase que a fundamentação de ambos se encontra inteiramente alinhada, exceto no que pertine à conclusão. Enquanto a DRJ negou provimento à impugnação, o acórdão embargado, de modo contraditório com toda a fundamentação exposta, concluiu pelo provimento do recurso voluntário. Portanto, alega que verificase o vício da contradição entre os fundamentos consignados pelo voto condutor do acórdão e a conclusão a que chegou no dispositivo. Tal vício também configura obscuridade, na medida em que há dúvidas sobre a efetiva conclusão do julgado. Por fim, podese ainda vislumbrar o vício da omissão, uma vez que toda a fundamentação do voto foi construída no sentido de ter como correta a autuação, ao passo que a efetiva conclusão que consta no julgado, no sentido de dar provimento do recurso voluntário, carece de fundamentação que lhe dê suporte. Complementa que há falta de fundamentação no acórdão, sendo omisso em relação à matéria, nos termos do disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no Fl. 213DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 213 6 artigo 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 31 e da Lei nº 9.784/99, vício que acarreta a decretação de nulidade. Os embargos de declaração foram admitidos. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 214 7 Voto Os embargos de declaração são tempestivos, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, onde, verificando omissão/contradição/obscuridade tem o objetivo de corrigir supostos vícios do acórdão nº 3301 002.789, proferido por este Colegiado, em que foi dado provimento ao recurso voluntário. Alega a embargante que, analisandose o acórdão ora embargado em cotejo com a decisão de primeira instância, observase que a fundamentação de ambos se encontra inteiramente alinhada, exceto no que pertine à conclusão. Enquanto a DRJ negou provimento à impugnação, o acórdão embargado, de modo contraditório com toda a fundamentação exposta, concluiu pelo provimento do recurso voluntário. Portanto, alega que verificase o vício da contradição entre os fundamentos consignados pelo voto condutor do acórdão e a conclusão a que chegou no dispositivo. Tal vício também configura obscuridade, na medida em que há dúvidas sobre a efetiva conclusão do julgado. Por fim, podese ainda vislumbrar o vício da omissão, uma vez que toda a fundamentação do voto foi construída no sentido de ter como correta a autuação, ao passo que a efetiva conclusão que consta no julgado, no sentido de dar provimento do recurso voluntário, carece de fundamentação que lhe dê suporte. Complementa que há falta de fundamentação no acórdão, sendo omisso em relação à matéria, nos termos do disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no artigo 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 31 e da Lei nº 9.784/99, vício que acarreta a decretação de nulidade. Para nos situarmos na controvérsia, está relatado que, na verificação física e documental da mercadoria, em junho de 2003, ficou constatado que apesar da mercadoria estar de acordo com a fatura, a classificação fiscal indicada estava incorreta. O interessado havia classificado o produto como "desnatadeira com capacidade de processamento de leite superior a 30.000 litros/hora", na posição NCM 8421.11.10, à qual correspondem, respectivamente, para o Imposto de Importação (II) a alíquota de 0%, e para o IPI vinculado à importação (IPI v), a alíquota de 0,5%. No entanto, a classificação correta seria como "centrifugador para filtrar ou depurar bebidas exceto água", na posição NCM 8421.22.00, cujas alíquotas para o II e para o IPIv são respectivamente 14% e 5%. Como relatado, exigiuse do importador a retificação da Declaração de Importação (DI), para correção da classificação e recolhimentos conseqüentes. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 215 8 Como não houve o cumprimento da exigência fiscal, lavrouse o auto de infração e o termo de apreensão e guarda fiscal (fls.28/30), aplicandose, ainda, a pena de perdimento no âmbito de outro processo administrativo, de nº 19647.005767/200317. No processo relativo à pena de perdimento a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2004.83.00.233050. Em sentença judicial de 1ª instância, foi concedida a segurança para declarar a nulidade da pena de perdimento, determinandose a liberação da mercadoria e também a conversão em renda da União dos valores dos depósitos judiciais relativos ao II e ao IPIv correspondentes à classificação fiscal apontada pela autoridade aduaneira. Houve apelação da PFN encaminhada, recebida com efeito devolutivo. Assim, o Auto de Infração (AI) objeto do presente processo, cientificado ao contribuinte em 17.04.2007, teve o objetivo de formalizar a apuração da correta classificação fiscal e constituir o crédito tributário relativo às diferenças de II e de IPIv, com os acréscimos legais cabíveis, resultantes da reclassificação fiscal, prevenindose da decadência. Também foi aplicada a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, em razão da incorreta classificação na NCM. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE indeferiu a manifestação de inconformidade em Acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2002 MERCADORIA IMPORTADA. MÉRITO SUB JUDICE. Não se conhece do mérito cujo objeto é concomitante com o de ação judicial impetrada pelo interessado. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. NÃO CARACTERIZADA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicada devidamente a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada com classificação fiscal incorreta. Evidenciouse, em contrariedade ao previsto no parágrafo único do art. 138 do CTN, que os alegados depósitos judiciais dos valores apontados pela fiscalização ocorreram depois do início do procedimento administrativo fiscal relacionado com a apuração da infração, não se caracterizando denúncia espontânea. De maneira acertada, o acórdão recorrido considerou que havia concomitância entre objeto do auto de infração e a ação judicial impetrada pelo contribuinte. Quanto aos valores de II e de IPIv e os correspondentes acréscimos legais, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE considerou que há concomitância entre o objeto do auto de infração e a ação judicial impetrada pelo contribuinte. Concordo com o acórdão recorrido. Os objetos são concomitantes. Tal matéria é sumulada pelo CARF: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 216 9 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Posteriormente, houve o trânsito em julgado da ação judicial, e há a informação nos autos de que houve a conversão dos depósitos judiciais em renda da União por autorização judicial. Tal conversão em renda solucionou essa parte da controvérsia. Em relação à exigência da multa de 1% aplicada sobre o valor aduaneiro em razão da classificação incorreta na NCM, a Delegacia de Julgamento analisou exclusivamente a questão de haver ou não denúncia espontânea por parte da contribuinte. Portanto, como foi questionado que o depósito foi anterior ao auto de infração, restou para ser decidido apenas a validade da aplicação da multa de 1%, no valor originário de R$ 11.827,26 (fl.5, e fl.7). No recurso voluntário, a contribuinte alega que o auto de infração não deveria ter sido lavrado, primeiramente, pois já se passaram "mais de 5 anos da ação fiscal", e como segundo argumento, alega que teria efetuado depósitos prévios ao auto de infração. Em relação à primeira alegação, cumprese destacar que o contribuinte teve ciência do auto de infração em 12/04/2007, enquanto o registro da Declaração de Importação ocorreu em 15/07/2002 (fls.16/18). Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a multa em questão foi lavrada dentro do prazo decadencial. O auto de infração foi realizado com a intenção de prevenir a ocorrência da decadência. Em relação o argumento de que houve depósitos prévios, também não concordo com a recorrente. Conforme se observa pelos documentos anexados às fls.75/76, os depósitos judiciais alegados ocorreram somente em 25/11/2004 enquanto o registro da Declaração de Importação ocorreu em 15/07/2002 (fls.16/18). Assim, entendo que não há denúncia espontânea, pois, tais depósitos ocorreram depois do início do procedimento administrativo fiscal relacionado com a apuração da infração e isso não está de acordo com o previsto no parágrafo único do art. 138 do CTN. Também no recurso voluntário, a recorrente alega que o auto de infração não poderia ter sido lavrado com multa. Nesse momento, a recorrente parece confundir o lançamento da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, decorrente de sua classificação equivocada, com a multa de ofício, lavrada em relação a diferença de II e IPIv. Quando o auto de infração foi lavrado, ainda não havia o trânsito em julgado da ação judicial, que ocorreu em 19/06/2008, portanto a lavratura do auto de infração se justificava. Pelo mesmo motivo acima explanado, considero que a lavratura da exigência da multa de 1% aplicada sobre o valor aduaneiro em razão da classificação incorreta na NCM está correta. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19647.003353/200779 Acórdão n.º 3301003.094 S3C3T1 Fl. 217 10 A controvérsia está solucionada, pois houve a conversão de todos os depósitos em renda da União, inclusive do depósito da multa de 1% aplicada sobre o valor aduaneiro em razão da classificação incorreta na NCM, no valor de R$ 11.827,27 (pág. 77 do processo digital). O auto de infração foi assim fundamentado: a) Em relação aos tributos lançados em consequência da divergência de classificação da mercadoria: Arts. 1º , 77, inciso I, 80, inciso I, alínea "a", 83, 86, 87, inciso I, 89, inciso II, 99, 100, caput e parágrafo único, 103, 111, 112, 411 a 413, 416, 418, 455, 456, 499, 500, incisos I e IV, 501, inciso III, 542, do RA, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. b) Em relação à multa lavrada por classificação incorreta da mercadoria: Arts. 1º , 77, inciso I, 103, 411 a 413, 416, 418, 455, 456, 500, incisos I e IV, 501, inciso 542, do RA, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Art. 84, inciso I, da MP 2.158, de 24/08/01. Pelo exposto, voto por acolher em parte os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para sanar os vícios da contradição e da omissão para: não conhecer do recurso voluntário referente ao código da classificação fiscal da mercadoria importada e dos lançamentos referentes às diferenças de alíquotas de II e de IPIv, por terem sido objeto de ação judicial impetrada pela recorrente, e quanto à multa proporcional ao valor aduaneiro, lavrada em consequência da classificação errada da mercadoria, também o recurso voluntário não deve ser conhecido, pois há concomitância com o objeto de ação judicial impetrada pela recorrente, ressaltandose que, não houve denúncia espontânea. Ressaltese que, em 19.06.2008, houve o trânsito em julgado da ação judicial e a determinação para a conversão em renda da União dos depósitos realizados, solucionando a controvérsia. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002172/2007-50
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2002
OMISSÃO DE RECEITAS. REMESSAS AO EXTERIOR.
A falta de escrituração de pagamentos sob a forma remessa de numerário
para o exterior, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a
presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à
margem da escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Anocalendário:
2002
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONTAS NO EXTERIOR.
As provas das operações detectadas através de contas no exterior de preposto
bancário denominado “BEACON HILL SERVIÇE CORPORATION” estão
respaldadas em informações obtidas das autoridades americanas mediante
regular requisição das autoridades policiais e judiciais brasileiras e
transferidas regularmente à Receita Federal do Brasil para utilização nos
lançamentos tributários.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2002
PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA INDICIARIA. NEGATIVA GERAL.
A prova indiciaria é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua
formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se
constituem em indícios precisos, econômicos e convergentes. A negativa
geral de autoria de remessas ao exterior, desacompanhada de qualquer
elemento que possa infirmar as provas coligidas mediante acordo de
cooperação internacional não é suficiente para infirmar o lançamento de
ofício.
ORIGEM DA PROVA. EVIDÊNCIA CIRCUNSTANCIAL.
INCOMPATIBILIDADE COM PROVA PLANTADA.
O argumento de que a prova teria sido plantada não se compatibiliza com a
situação em que a prova foi colhida de maneira circunstancial sem qualquer
controle por parte de alguém, mormente onde as autoridades envolvidas
tomaram todas as cautelas de segurança necessárias.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A apresentação de declaração zerada no faz com que a autoridade fiscal, de
imediato, perceba algo de errado, dando início a procedimento fiscal. Assim,
a não entrega de declaração ou sua entrega sem movimento, por si só, não
caracteriza ação ou omissão dolosa com a finalidade de sonegar tributo ou
retardar o conhecimento da autoridade fiscal.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela
Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso negado
Numero da decisão: 1803-001.882
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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REMESSAS AO EXTERIOR. A falta de escrituração de pagamentos sob a forma remessa de numerário para o exterior, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. CONTAS NO EXTERIOR. As provas das operações detectadas através de contas no exterior de preposto bancário denominado “BEACON HILL SERVIÇE CORPORATION” estão respaldadas em informações obtidas das autoridades americanas mediante regular requisição das autoridades policiais e judiciais brasileiras e transferidas regularmente à Receita Federal do Brasil para utilização nos lançamentos tributários. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA INDICIARIA. NEGATIVA GERAL. A prova indiciaria é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, econômicos e convergentes. A negativa geral de autoria de remessas ao exterior, desacompanhada de qualquer elemento que possa infirmar as provas coligidas mediante acordo de cooperação internacional não é suficiente para infirmar o lançamento de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 72 /2 00 7- 50 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 356 2 ORIGEM DA PROVA. EVIDÊNCIA CIRCUNSTANCIAL. INCOMPATIBILIDADE COM PROVA PLANTADA. O argumento de que a prova teria sido plantada não se compatibiliza com a situação em que a prova foi colhida de maneira circunstancial sem qualquer controle por parte de alguém, mormente onde as autoridades envolvidas tomaram todas as cautelas de segurança necessárias. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A apresentação de declaração zerada no faz com que a autoridade fiscal, de imediato, perceba algo de errado, dando início a procedimento fiscal. Assim, a não entrega de declaração ou sua entrega sem movimento, por si só, não caracteriza ação ou omissão dolosa com a finalidade de sonegar tributo ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1617.525 proferido pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP, constante das fls. 190 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 357 3 “Tratase de impugnação (fls. 104 a 129) a Auto de Infração (fls. 18 a 38) de IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ, por OMISSÃO DE RECEITAS, e dos tributos reflexos, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS, e IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE, relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, lavrado pela DEINF/SPO, em 20/12/2007. 2. O crédito tributário assim constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados: 3. Como enquadramento legal do lançamento do IRPJ, o autuante assinala o artigo 29, da lei 9.249/95, os artigos 247, 248, 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279, 280, 281 e 288, do RIR199 (fl. 19). A exigência da CSLL foi formulada com fundamento no artigo 2° e parágrafos, da Lei 7.689/88, no artigo 1°, da Lei 9.316/96, no artigo 28, da Lei 9.430/96, no artigo 70, da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, e no artigo 6°, da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. O lançamento do PIS foi feito com base no artigo 24, parágrafo 2°, da Lei 9.249/95, no artigo 3°, parágrafos 2° e 3°, da Lei Complementar 07/70, nos artigos 2° e 3°, da Lei 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias 1.807/99 e 1.858/99 e reedições, e no artigo 4°, da Lei 9.701/98 (fl.23), enquanto a COFINS foi lançada com fundamento no artigo 1°, da Lei Complementar 70/91, no artigo 24, parágrafo 2°, da Lei 9.249/95, nos artigos 2°, 3° e 8°, da Lei 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias 1.807/99 e 1.858/99 e reedições (fl. 27). A exigência do IRRF foi lavrada ao amparo do artigo 674, parágrafos 1°, 2° e 3 0, do RIR199 (fl.35). Os juros de mora tiveram por base os artigos 6°, parágrafo 2°, e 61, parágrafo 3°, Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 358 4 ambos da Lei 9.430/96, e o artigo 28, c/c artigo 6°, parágrafo 2°, da Lei 9.430/96, e, a multa agravada, o artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, o artigo 86, parágrafo 1°, da Lei 7.450/85, o artigo 2°, da Lei 7.683/88 , e o artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91 (fls. 21, 25, 29, 33 e 37). 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 07 a 17), a autoridade lançadora noticia que: i) o autuado efetuou duas remessas para o exterior, totalizando US$ 44.139,00, no anocalendário de 2002, através da conta corrente BEACON HILL SERVICE CORPORATION/LONTON TRADING n° 310113, na agência do Banco JP MORGAN CHASE BANK, de Nova Iorque (fls. 58 e 101), sem escriturar tais valores na contabilidade, sendo que, após intimado, não comprovou a origem dos recursos; tal fato caracteriza omissão de receitas (artigo 281, do RIR199), bem como pagamento sem causa ou por operação não comprovada (artigo 674, do RIR199); ii) no âmbito do inquérito instaurado pela Policia Federal para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, decorrente das investigações promovidas a partir de informações da Comissão Parlamentar de Inquérito CPI do BANCO DO ESTADO DO PARANÁ — BANESTADO, foi apuradas que a empresa BEACON HILL atuava, através de conta bancária mantida em agência do JP MORGAN CHASE BANK, em Nova Iorque, como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas nacionais, para fins de envio de divisas ao Exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional; iii) as operações relativas às citadas remessas do autuado estão registradas em documentos (fls. 58 e 101) que contêm dados financeiros da empresa BEACON HILL obtidos, no Exterior, da Promotoria do Distrito de Nova Iorque (fls. 69 a 78), em razão da quebra do sigilo bancário das contas e subcontas daquela empresa determinada pelo Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, no processo 2003.70000303334 (fls. 79 a 81), quebra essa decorrente de solicitação do Departamento da Polícia Federal, de 04/08/2003, feita pelo Oficio n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR (fls. 60 a 62); iv) tais documentos foram periciados pelo Instituto Nacional de Criminalística, do Departamento da Polícia Federal, tendo os resultados da perícia constituído o Laudo de Exame Econômico financeiro, juntado ((fls. 82 a 101). 5. Cientificado do lançamento em 20/12/2007 (fl. 18), o autuado impugnou o Auto de Infração em 21/01/2008 (fl. 104), alegando que: i) os documentos sobre os quais a autoridade fundamentou o lançamento foram suprimidos do conhecimento do autuado, que, tentou, sem sucesso, ter vista do processo para apresentar defesa, havendo, assim, cerceamento do direito de defesa, com ofensa ao artigo 5°, inciso LV, da CF; ii) entre a data de início das investigações do BANESTADO e a data da diligência contra o autuado, realizaramse diversos procedimentos policiais, inquéritos, investigações e outros, dos quais não tomou parte quer na condição de investigado, quer de testemunha, sem ter, assim, podido tomar deles conhecimento ou tido oportunidade de sobre eles se manifestar; tais provas, portanto, foram obtidas e forma ilícita, e, desta forma, não podem gerar qualquer efeito; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 359 5 iii) o autuado nunca respondeu a processo administrativo ou judicial nos Estados Unidos, como também não foi responsabilizado, nem seus sócios, por qualquer prática ilegal naquele país, o que também não ocorreu no Brasil, onde nunca foi condenado por prática irregular, principalmente em face do Banco Central e da Receita Federal; iv) a autoridade utilizou provas emprestadas para presumir a existência de omissão de receitas, a partir de fato investigado no Exterior, que teve por investigada outra pessoa que não o autuado; a eficácia da prova emprestada depende da observância do princípio do contraditório e do requisito de que seja parte no processo de origem aquele contra quem se pretenda usar a referida prova, consoante excertos de julgados do STF, do Conselho de Contribuintes e de doutrina, que colaciona; esse também seria o entendimento da Receita Federal pelo qual não seria permitido lavrar Autos de Infração com base em provas emprestadas de Fiscos Estaduais, conforme excerto que extraiu do sítio do Fisco Federal; v) o Fisco, ao utilizar dados obtidos com a quebra do sigilo bancário da empresa BEACON HILL para o presente lançamento, descumpriu o dever de sigilo que lhe foi transferido ao tomar conhecimento dessas informações, não atendendo os requisitos impostos pelos artigos 1°, 3º e 4°, da Lei Complementar 105/2001, e, assim, configurando situação de utilização de prova ilícita, conforme julgados do STJ e do Conselho de Contribuintes, cujos excertos colaciona; vi) o Fisco não se desincumbiu do ônus de provar suas alegações, consoante o artigo 333 do Código de Processo Civil e o artigo 9°, do Decreto 70.235, porque todos os. documentos juntados referemse à conta investigada LONTON, com a qual o autuado não tem relação alguma, não se comprovando a alegada omissão de receitas, nem o suposto pagamento sem causa ou por operação não comprovada; vii) inexiste razão para aplicação da penalidade de 150%, que, consoante o artigo 44, da Lei 9.430/96, requer a apuração de evidente intuito de fraude, já que não se pode falar em omissão de receita; a autoridade não consegui provar de forma irrefutável essa infração, pois baseouse em documentos inconsistentes, sem relação com o autuado, oriundos de processo judicial do qual este não participou, não lhe tendo sido permitido exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório; viii) a utilização da TAXA SELIC para identificação dos juros é ilegal, pois supera o fixado no artigo 192, parágrafo 3°, da CF, e inclui, irregularmente, depreciações monetárias, além de ferir o estabelecido no artigo 161, parágrafo 1º, do CTN, ilegalidade essa, aliás,reconhecida pelo STJ, consoante excerto de julgado, que colaciona”. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP, na sessão de 19/06/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1617.525 entendendo “por maioria de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, nos termos do voto vencedor redigido pelo julgador Hugo Hashimoto, vencido o Relator que exonerava o agravamento da multa de oficio.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 360 6 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.PROVAS ILÍCITAS. QUEBRA DE SIGILO. ILEGITIMIDADE DE ‘PROVA EMPRESTADA’. INOCORRÊNCIA. Não é admissível a alegação de cerceamento do direito de defesa, baseada em prova alegadamente juntada, mas não encontrada nos autos, mormente se, pelo teor da peça irresignatória, resta evidente que o contribuinte teve conhecimento das razões de fato e de direito que ensejaram o Auto de Infração. Descabe a alegação de ilicitude na obtenção de prova ou de quebra de sigilo, quando as informações e documentos que instruem processo criminal são compartilhados em processo administrativo fiscal, por expressa determinação do Juízo para que o Fisco adote as providências de sua alçada. Não se pode negar valor probante à "prova emprestada", quando o contraditório é ofertado no processo para o qual é transportada, sabendose que o que se toma emprestado é apenas a prova, não as conclusões do processo de origem. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A mera negativa por parte do contribuinte, de que não teria relação alguma com as operações de pagamentos não contabilizados, na forma de remessas para o Exterior, não constitui prova apta a desconstituir a eficácia probatória de registros dessas operações feitos por instituição financeira que as intermediou, os quais, apresenta, o inicialmente à Justiça norteamericana, foram, em seguida, periciados pelo Instituto de Criminalistica da Polícia Federal, e, ao final, vieram a instruir processo judicial criminal no País. MULTA QUALIFICADA. Constatado o evidente intuito de fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. IRF. As normas fiscais disciplinadoras da exigência do IRPJ aplicamse, no que cabível, aos tributos reflexos”. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/08/2008 (AR fls. 242), a FITTA DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1617.525, recorre em 05/09/2008 (fls 271 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa e acrescentando novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 361 7 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentrar ao mérito e para evitar qualquer questionamento futuro, esclareço que a quebra do sigilo bancário da empresa BEACON HILL, que ensejaram a fiscalização e a imputação tributária, foi determinado pelo Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, no processo 2003.70000303334 (fls. 90 e segs) Passando agora a preliminar levantada pela Recorrente para que sejam realizadas diligências nas instituições financeiras, JP Morgan e Banestado, e nos titulares das contas Beacon Hill e Lonton, com a consequente suspensão da decisão consubstanciada pelo Acórdão nº 1617.525 proferido pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP. Procurei as razões que embasariam a diligência e a suposta nulidade do Acórdão nº 1617.525 e simplesmente não encontrei. Observando o pleito e analisando tudo que consta dos autos, tenho que me filiar a corrente que defende que as diligências e as perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou esclarecer dúvida que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir. No presente caso, entendo que a diligência não se faz necessária, eis que as provas acostadas ao longo do procedimento de fiscalização e todas as diligências já realizadas pela Policia Federal, pelo Ministério Publico e pela Procuradoria do Estado de New York, foram suficientes para a formação da convicção da 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP e também os são para a minha própria convicção. Não há dúvidas, portanto, com relação aos fundamentos utilizados para embasar as cobranças consubstanciadas nos Autos de Infração, nos quais os valores lançados e a base de apuração dos tributos guardam coerência com os documentos apresentados, cuja conferência pode ser feita por essa 3ª Turma Especial. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de suspensão da decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP e o pedido de diligência. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 362 8 Ultrapassado esses pontos, é importante ressaltar que todas as provas que foram apresentadas pela fiscalização e que consubstanciaram a decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP são baseados nos arquivos obtidos pelo Departamento de Policia Federal, por solicitação do Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, junto à promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York), após decisão judicial da Justiça da Suprema Corte nos EUA (Order to Disclose) de 29/08/2003, (fls. 89 e segs dos autos) com base no Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal — MLAT, Esses arquivos eletrônicos foram periciados pelo Instituto Nacional de Criminalistica (INC) do Departamento de Policia Federal, tendo sido atestada a autenticidade de 2 (duas) remessas de divisas ao exterior, no anocalendário de 2002, na conta BHSC/LONTO realizadas pela Recorrente totalizando o valor de US$ 44.139,00 (quarenta e quatro mil, cento e trinta e nove dólares norteamericanos). Conforme informações contidas nos elementos constantes dos autos, em decorrência da CPMI do caso “Banestado”, pela qual aflorou escândalo nacional envolvendo a remessa de milhões de dólares ao exterior (dentre os valores encontrase de US$ 44.139,00 enviados pela Recorrente), sem qualquer cobertura ou registro cambial por parte do Banco Central do Brasil, obtiveram as autoridades policiais mediante acordo de cooperação internacional (MLAT), informações detalhadas de operações realizadas por residentes no País através de preposto no exterior denominado “BEACON HILL SERVICE CORPORATION”. Assim, fica clara a constatação de omissão de receitas amparado nas provas juntadas aos autos que foram suficientes para formar a convicção da 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP e também a minha este julgador. É importante ressaltar que a 1ª Turma Ordinária desta 4ª. Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF já decidiu o assunto na sessão de 11 de setembro de 2013, da qual participei, quando do julgamento do processo nº. 19515.000416/200731, consubstanciado através do Acórdão nº. 1401001.050 da lavra do ilustre Conselheiro paraibano Antonio Bezerra Neto, a quem rendo minhas homenagens e peço vênia para transcrever parte do voto que, por maioria, deu provimento ao recurso voluntário, “verbis”: “Os indícios assim como as presunções são também considerados como provas no Direito tanto se vistos de forma objetiva, constituindose no conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados, quanto subjetivamente falando, meio pelo qual o julgado normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. Os indícios para ter força probante precisam possuir 2(duas) características importantes: Precisão ou economia (conduzem a poucas hipóteses ou apontam para poucas causas) e convergência (quando se encaixa com outro indício, conduzindo a uma mesma conclusão) Alguns tributaristas colocam o atributo da gravidade (boa intensidade do indicio) nesse mesmo contexto. Nesse ponto peço vênia para discordar, apoiandome no semiótica Umberto Eco, penso que o atributo de Fl. 362DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 363 9 convergência é que dá o verdadeiro tom da intensidade da conclusão, isso quer dizer que indícios com baixas intensidades, aparentemente sem importância, quando convergentes produzem também uma forte conclusão. Vejamos como Umberto Eco, um dos grandes semióticos da atualidade analisa essa questão em seu clássico "Interpretação e Superinterpretação", págs. 57/58: "(..) certos elemento evidentes mas aparentemente sem importância, podem ser indício de uma outra coisa que não é evidente — e, baseado nisso, elaboram uma nova hipótese a ser testada. Mas o indício é considerado o signo de outra coisa somente em três condições: quando não pode ser explicado de maneira mais econômica; quando aponta para uma única causa (ou uma quantidade limitada de causas possíveis) e não passa um número indeterminado de causas diferentes.; e quando se encaixa com outro indício, Como iremos lidar muito amiúde neste voto com a prova indiciária é interessante que os atributos acima referidos fiquem bem claros. Vamos usar de empréstimo os exemplos trazidos pelo próprio Semiótica Umberto Eco ainda naquela obra clássica. Vejamos como ele explica o critério de economia, que de certa forma está associado também ao de precisão: "Se na cena do crime encontro uma cópia do jornal matutino de maior circulação, devo antes de tudo perguntar (critério de economia) se não poderia ter pertencido à vítima; se não, a pista indicaria um milhão de suspeitos potenciais..” No trecho a seguir, Umberto Eco demonstra o requisito de convergência e o estabelecimento de condições objetivas em que a hipótese poderia ser refutada: "(...) Se, por outro lado, na cena do crime encontro uma jóia de .forma estranha, considerada exemplar único deste tipo, e que todos sabem pertencer a um certo indivíduo, a pista fica interessante; e, se depois descubro que esse indivíduo não pode mostrarme sua jóia, as duas pistas se encaixam Mas notem que a esta altura, minha hipótese ainda não está provada. Parece apenas razoável, e é razoável porque me permite estabelecer algumas das condições em que poderia ser refutada: se, por exemplo, o suspeito desse provas indiscutíveis de que havia dado a jóia à vítima há muito tempo, então a presença da jóia na cena do crime deixaria de ser uma pista importante.” Observando tudo que consta dos autos cabe aqui uma pergunta: Não seria função da Recorrente apresentar os documentos que comprovassem que os fatos apresentados pela fiscalização não ocorreram? Vejo, sem muita dificuldade, que a resposta é sim! Essa minha posição tem como base no que determina o artigo 142, do Código Tributário Nacional, “verbis”: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável”. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 364 10 A regra contida no citado artigo é de inequívoca clareza, afinal determinar, com força de lei complementar, que é responsabilidade da autoridade administrativa, ao analisar a autenticidade das 2 (duas) remessas de divisas ao exterior, no anocalendário de 2002, na conta BHSC/LONTO realizadas pela Recorrente totalizando o valor de US$ 44.139,00 (quarenta e quatro mil, cento e trinta e nove dólares norteamericanos) feitas a margem da escrituração da Recorrente, conformar por inteiro, não permitir dúvidas, espancar generalidades e afastar zonas cinzentas. Determinar é dar o perfil completo, o desenho absoluto, nítido, claro, cristalino. Diante de tudo que consta nos autos, não tenho duvida que esqueceu a Recorrente que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva, tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Diante deste fato se poderia perguntar: Qual o momento para a apresentação das provas no PAF? A resposta não é minha, encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 365 11 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada desde a primeira notificação; e, isso não o fez. Quanto ao fundamento legal foi precisamente invocado pela autoridade fiscal com base no art. 40 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Omissão de Receita Falta de Escrituração de Pagamentos Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita”. Destarte, a Recorrente, como comprovado, figura como ordenante nas 2 (duas) remessas de divisas ao exterior, no anocalendário de 2002, na conta BHSC/LONTO realizadas pela Recorrente totalizando o valor de US$ 44.139,00; ou seja, são remetidos recursos ao exterior sem qualquer comprovação da origem dos referidos recursos. E, tratando se de recursos enviados e mantidos no Exterior à revelia das autoridades cambiais e fiscais brasileiras, de maneira ilícita e sem registro oficial, não é legítimo a recorrente exigir em seu benefício, a apresentação de provas adicionais ou à semelhança das que seriam existentes para operações legítimas e regularmente declaradas aos órgãos oficiais de controle. Esse é o fato que ensejou a aplicação da Multa Qualificada, que entendo como válida, uma vez que configurada, de uma maneira cristalina, a prática de ações por parte da Recorrente, com objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Isso porque, a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 366 12 II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Assim, coube ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. O que o fez muito bem e que não foi rebatido tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. Caso isso não aconteça, entendo que não pode ser imputado ao sujeito passivo da obrigação tributária a demonstração que nas suas ações ou omissões hoje intuito de fraude, nos termos e parâmetros da Lei nº. 9430/1996; isso porque, a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. Ressaltese que a conduta da Recorrente deve ser penalizada pelo inadimplemento do tributo devido, com a duplicação da penalidade sobre o valor devido. A aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, o intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. E isso é visto desde o MPF nº. 08.1.66.00 20060020762. Destarte, a negativa geral da impossibilidade de produção de provas ou do desconhecimento das operações não lhe exime das acusações que lhe foram efetuadas em virtude das convincentes provas existentes nos autos. Já em relação à ilegitimidade da aplicação da taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios, resta transcrever a Súmula CARF nº 4: Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 16327.002172/200750 Acórdão n.º 1803001.882 S1TE03 Fl. 367 13 “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de não conhecer a preliminar para que sejam realizadas diligências nas instituições financeiras, JP Morgan e Banestado, e nos titulares das contas Beacon Hill e Lonton, com a consequente suspensão da decisão consubstanciada pelo Acórdão nº 1617.525 e no mérito negar provimento ao Recurso, mantendose a proferido pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1SP, inclusive no que tange a multa agravada. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 13971.908775/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da 10.637/2002.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.
No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 - SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumo e produto em elaboração para produção (Glosa 7.6). Ausente a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da 10.637/2002. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 87 75 /2 01 1- 51 Fl. 1375DF CARF MF 2 No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da 10.637/2002. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.345 3 DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumo e produto em elaboração para produção (Glosa 7.6). Ausente a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, vinculada à receita de exportação, do 2º trimestre de 2008, no montante de R$ 19.096.802,61, o qual foi utilizado nas compensações dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) colacionadas aos autos. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 1.051/1.056, foi reconhecido em favor da recorrente o direito creditório no valor de R$ 17.339.019,98 e homologada as compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido. Segundo o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 582/649, a parcela do crédito não reconhecido decorreu das glosas dos créditos relatadas nos seguintes itens: Glosa 1 Falta de comprovação de operações; Glosa 2 Aquisições com alíquota zero; Glosa 3 Aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição; Glosa 4 Devoluções de compras com base de Fl. 1377DF CARF MF 4 cálculo zero; Glosa 5 Revendas de milho adquirido com suspensão; Glosa 6 Complementos de Valor; e Glosa 7 Fretes. As glosa dos fretes foram relatadas nos seguintes subitens: Glosa 7.1 – Fretes – Falta de Comprovação; Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações Glosa 7.3 – Fretes internos em importações (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda Glosa; 7.9 – Fretes – diferença significativa de data em relação à NF vinculada; Glosa 7.10 – Fretes – NF sem movimentação física; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 5; e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou as seguintes razões, que foram resumidas no relatório integrante da decisão de primeiro grau: 5. Em face do Despacho Decisório proferido pela DRF Blumenau, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/08/2013, fls. 1.090/1.127 na qual alega em síntese: a No que tange à glosa 1 FC Falta de comprovação, acosta ao autos cópia de Notas Fiscais não apresentadas; b Quanto à glosa 2 Aquisição de mercadorias com alíquota zero, concorda com as glosas referentes ao item 48 do Relatório, subitens “a”, “b”, “c”, “e”, “g” e “j”. Deve ser reconhecido o crédito presumido na aquisição de arroz, no valor de R$ 112.474,18, bem como na compra de trigo, no montante de R$ 160.592,52 e também deve ser apurado o crédito presumido incidente na alínea “i” que totaliza R$ 988.486,05. Houve erro na classificação contábil do Refinazil, o que resultou na glosa da fiscalização; c Está de acordo com a glosa 3 CONAB e com a glosa 4 Devolução de compras com base de cálculo zero; d A glosa 5 SUS Revenda de milho adquirido com suspensão não deve prosperar. A própria fiscalização reconhece que as aquisições junto a pessoas físicas, superam as vendas efetuadas com suspensão, assim não haveria o que estornar; e O critério da glosa proporcional adotado pelo auditor não tem fundamento legal, mesmo porque as saídas com suspensão são inferiores às aquisições sem crédito. “A única possibilidade de fazêlo seria identificar isoladamente as aquisições e saídas desta glosa para segmentálas”; f Glosa 6 –CV Complementação de valor. Junta aos autos cópia de notas fiscais não apresentadas, com o intuito de comprovar o crédito glosado; g A comercialização de produtos agrícolas apresenta características peculiares, entre elas a de se fixar o preço definitivo, após a entrega do produto e da emissão da nota fiscal, assim muitas vezes se faz necessária a emissão de uma nota fiscal complementar; Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.346 5 h A fiscalização se equivoca ao afirmar que a tradição da soja seria o momento adequado para o reconhecimento da receita. “Portanto, pouco importante na avaliação deste fato em que momento se deu a complementação de preço ou a tradição da soja em grão, para definir a aquisição, posto que as duas ocorrências significam a efetiva aquisição, a observar a legislação correspondente naquele momento e, conseqüentemente, o regime de competência”; i A legislação de regência não trata desta modalidade de negócio jurídico e não estabeleceu os critérios adotados pela fiscalização para justificar a glosa em comento; j Glosa 7.1 – Fretes Falta de comprovação. Acostou aos autos cópias de notas fiscais não apresentadas; k Glosa 7.2 Fretes Falta de vinculação a operações. Reúne aos autos cópias de notas fiscais não apresentadas, os demais documentos fiscais serão apresentados em até 30 dias. O Relatório Fiscal não informa quais notas fiscais foram glosadas ou não encontradas, fato que cerceou o direito à defesa (item 162, “a” até “c”); l Glosa 7.3 Fretes internos em importações. A interpretação restritiva efetuada pela fiscalização não consta da legislação de regência, ao contrário, o legislador permitiu o cálculo de crédito em serviço contratado junto à pessoa jurídica domiciliada no país; m A Lei nº 10.865/2004 ao permitir o cálculo de crédito na aquisição de mercadorias importadas pretendeu desonerar as importações; n A aquisição do bem e a contratação do frete são operações distintas, assim a compra de um produto não tributado não desqualifica a apuração de crédito incidente sobre o frete deste bem; o Cita a Solução de Consulta nº 441/2006 da SRRF 9ª RF; p Glosa 7.4 Fretes relativos a bens adquiridos com FEX. A IN nº 379/2003 não poderia extrapolar as disposições legais correspondentes, ao dispor que é vedado apurar crédito a empresa comercial exportadora nas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; q A glosa efetuada se deve ao fato de que o contribuinte adquiriu mercadoria com a cláusula FOB e pagou pelo frete, com entrega por conta e ordem no estabelecimento portuário. Em muitas ocasiões não é possível enviar todo um lote de exportação de soja de uma única vez. Desde que comprovada que as transferências se referem a vendas já efetuadas pela empresa, é possível o creditamento relativos a estes fretes, segundo diversos julgados administrativos; Fl. 1379DF CARF MF 6 r Glosa 7.5 Fretes em devoluções. Não há fundamento legal que ampare a posição da fiscalização. O transporte da mercadoria que havia sido destinado à venda/adquirido e retornou ao estabelecimento, é uma despesa suportada e preenche os requisitos previsto no inciso IX do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; s Os fretes em tela foram apropriados pelas filiais “transportes” quando subcontrataram o serviço de outros transportadores, o que é considerado insumo; t Glosa 7.6. Fretes em transferências. O frete de transferência do produto acabado, dos insumos ou dos produtos em elaboração, já faz parte do processo de venda, diferindo da venda direta somente pela passagem da mercadoria pela filial receptora. Caso ocorresse esta situação com empresas distintas se daria o nome de compra para revenda, o que geraria direito a crédito; u A transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS, assim como o faturamento dos fretes, ou seja, há tributação na cadeia anterior. Desta forma, a glosa deste crédito ofenderia o conceito da nãocumulatividade; v Parte destes fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; w Glosa 7.7 Fretes em remessa para armazém geral. Os fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; x Glosa 7.8 Frete em compra de pessoa física para revenda. Não há previsão legal que vede a apuração de crédito incidente sobre frete contratado de pessoa jurídica referente a aquisição de mercadoria para revenda de pessoa física; y Glosa 7.9. Relativos à diferença entre a data da emissão da nota fiscal e da expedição do conhecimento de transporte. Junta cópia de notas fiscais não apresentadas, com o intuito de comprovar o crédito; z Glosa 7.10. Fretes – Nota fiscal sem movimentação física. Reúne cópia de notas fiscias não apresentadas anteriormente; aa Glosa 7.11. Fretes em outras operações sem crédito. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; bb Glosa 7.12. Frete vinculado à glosa 5. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; cc Glosa 7.13. Frete vinculado à glosa 2. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.347 7 dd Requer o reconhecimento da nulidade do relatório fiscal e do despacho, por cerceamento e a homologação das compensações apresentadas. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente em parte, nos termos do voto do Relator, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 CRÉDITOS GLOSADOS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser desconsiderada a glosa de crédito devida à falta de comprovação, se na fase de impugnação for apresentada parte dos documentos comprobatórios. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não gera direito à apuração de crédito a compra de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITO. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas com suspensão. FRETE. APURAÇÃO DE CRÉDITO. A despesa com frete na operação de venda gera direito à apuração de crédito, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e o serviço seja prestado por pessoa jurídica domiciliada no país. A despesa com frete vinculado à operação de aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, por integrar o custo de aquisição dos bens, origina direito ao cálculo do crédito de PIS. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Em 3/7/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 4/8/2014, apresentou recurso voluntário, em que reafirmou, em preliminar, a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, e no mérito, contestou total ou parcialmente as glosas relativas aos seguintes itens: a) Glosa 2 (AZ) Aquisições com alíquota zero, nos casos em que foram calculados créditos em relação a aquisições de bens tributados na etapa anterior a alíquota zero; b) Glosa 5 (SUS) Revendas de milho adquirido com suspensão, nos casos em que a contribuinte revendeu com suspensão parte do milho adquirido com tomada de créditos; e c) Glosa 7 Fretes. Em relação aos fretes, a recorrente contestou a glosa relativa apenas aos seguintes subitens: Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações; Glosa 7.3 – Fretes internos em importações (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes relativos a bens adquiridos Fl. 1381DF CARF MF 8 com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda Glosa; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 5 (aquisições com suspensão); e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2 (aquisições com alíquota zero). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese a questões preliminar, atinente a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, e de mérito, referente a glosa parcial dos créditos da contribuição. 1) DA PRELIMINAR DE NULIDADE No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, com base no argumento de não conseguira ter acesso amplo às informações contidas nos arquivos digitais, especialmente dado o formato “TXT”, que não possibilitava extrair com clareza as informações necessárias para compreender os motivos e os documentos relacionados à glosa dos créditos. Previamente, cabe ressaltar que, no âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório, extensível ao relatório em embasado, encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. Com efeito, o citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, reconhecidamente, a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E compulsando o referido decisório, verificase que ele apresenta adequada fundamentação fáticojurídica. No caso, ao contrário do alegado pela recorrente, era fácil o acesso ao arquivo “Demonstrativo de Glosas.txt”, bastava o usuário ativar, no software leitor de arquivos pdf, a opção de visualizar arquivos anexos, conforme orientação contida no citado Relatório. E diante de qualquer dúvida ou dificuldade de acesso, a recorrente poderia ter solicitado a ajuda ou esclarecimentos adicionais da autoridade fiscal, o que não ocorreu. Ademais, tais arquivos foram reproduzidos no corpo do Relatório ou nos anexos que lhe seguiram, o que também infirma o argumento de que fora possível extrair com clareza as informações necessárias para compreender os motivos e os demonstrativos da glosa dos créditos. Além disso, a leitura das robustas peças defensivas colacionadas aos autos revelam que a corrente não só compreendeu como se defendeu adequadamente das irregularidades que lhe foram imputadas, inclusive, expressamente concordou com parte das glosas realizadas. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.348 9 Cabe ainda ressaltar que a recorrente fundamentou as suas alegações no art. 142 do CTN, que dispõe sobre os requisitos do lançamento do crédito tributário, matéria estranha aos autos, que, inequivocamente, trata de pedido ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, utilizado na compensação de débitos da própria contribuinte. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. 2) DA ANÁLISE DAS QUESTÕES DE MÉRITO. No mérito, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos calculados sobre (i) aquisições de insumos com alíquota zero, (ii) revendas de milho adquirido com suspensão e (iii) despesas com fretes. 2.1 Da Glosa Relativa às Aquisições com Alíquota Zero (Glosa 2 AZ) Segundo a fiscalização, por expressa vedação legal (10.637/2002, art. 3º, 2º, II), foram glosados os créditos calculados sobre o preço das aquisições de bens para revenda ou utilizados como insumos de produção, tributadas na etapa anterior com a alíquota zero. A recorrente não contestou o mérito da glosa dos créditos básicos da contribuição em apreço, o que significa que ela, tacitamente, concordou que as aquisições de bens submetidas à tributação pela alíquota zero não permitem a apropriação de crédito básico assegurado ao regime não cumulativo da contribuição. A discordância da recorrente limitouse apenas a glosa integral dos créditos básicos calculados sobre as aquisições de arroz, farinha, farinha de trigo e trigo. Para recorrente, tais produtos foram utilizados como insumos na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, logo tinha direito de deduzir a parcela do crédito presumido agroindustrial, equivalente a 35% da alíquota do crédito básico, conforme previsto no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Este Colegiado, em reiterados julgamentos, tem reconhecido, de ofício, o direito ao crédito presumido agroindustrial nos casos em que há glosa integral dos créditos básico apropriados, por estabelecimento agroindustrial, sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação, se demonstrado, nos autos, que (i) a aquisição foi feita das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) que o produto agropecuário foi utilizado como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. Nos presentes autos não foi acostado qualquer prova que demonstrasse que os produtos tributados à alíquota zero foram utilizados como insumos de produção das mercadorias de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, especificadas no caput do art. 8º da Lei 10.925/2004. Aliás, a recorrente sequer informou qual a mercadoria fora produzida com os referidos produtos, condição indispensável para o reconhecimento do crédito presumido em apreço. E não se pode olvidar, que essa comprovação era imprescindível, tendo em conta que os produtos adquiridos pela recorrente eram todos eles semiindustrializados (por exemplo, arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido), ou já industrializados (por exemplo, farinhas de milho, descritas como fubá de milho e refinazil Fl. 1383DF CARF MF 10 pelletizado, farelado e ensacado). Na produção de que mercadorias tais produtos foram utilizados? A resposta a essa indagação revelase imprescindível para o reconhecimento do valor do crédito presumido pleiteado, porém, nos autos, não há elementos que para obtêla. Além disso, caso admitido pelo Colegiado o direito ao crédito presumido pleiteado, o que se admite apenas para fim argumentação, ao menos o valor das aquisições do trigo importado da Argentina e dos Estados Unidos, necessariamente, devem ser excluído da base de cálculo do crédito presumido agroindustrial requerido, posto que, nos termos do art. 8º, § 2º, da Lei 10.925/2004, o referido benefício fiscal restringese apenas “aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País”. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos básicos da contribuição apurados sobre o preço de aquisição dos mencionados bens. 2.2 Da Glosa Relativa às Revendas de Milho Adquirido Com Suspensão (Glosa 5 SUS) Nos itens 66 do Relatório de Auditoria Fiscal, a seguir transcritos, a fiscalização prestou as seguintes informações relevantes para o deslinde da controvérsia: 66. A contribuinte, no ano de 2008, adquiriu, para revenda, milho em grãos (código de item 467.499), assumindo, assim, a condição de cerealista. [...] 67. Até 2005, a BUNGE industrializava parte do milho adquirido em fábricas de ração, sendo que o milho em grãos era um dos insumos utilizados. Entretanto, após o encerramento das operações daquelas filiais (fábricas de ração), todo o milho adquirido pela BUNGE passou a ter a finalidade exclusiva de revenda, tanto no mercado interno quanto para exportações. Ainda segunda a fiscalização, a recorrente, na condição de cerealista, adquiriu e revendeu o milho em grãos com suspensão do pagamento da contribuição, eralhe vedado o aproveitamento do crédito presumido agroindustrial calculado sobre o valor de aquisição do referido produto e eventual crédito apropriado deveria ser estornado, por força do disposto no art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004. Intimada pela fiscalização a comprovar o estorno de tais créditos, a recorrente prestou a seguinte informação, in verbis: Com base nessa resposta, resta esclarecido que, segundo o critério adotado pela recorrente, como a quantidade de milho revendido com suspensão foi inferior a quantidade Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.349 11 do produto adquirido sem crédito (aquisições de pessoas físicas e CONAB), logo ela não estava obrigada a fazer o estorno. No entendimento da recorrente, somente se as aquisições do produto sem crédito fossem inferiores às revendas com suspensão era que o estorno do crédito deveria ser realizado, o que não ocorreu em nenhum trimestre do ano de 2008. Assim, o que a recorrente fez para verificar a necessidade ou não de estorno de crédito, foi atribuir, primeiramente, todo milho vendido com suspensão às aquisições sem crédito. Apenas se esta quantidade não fosse suficiente para “cobrir” as saídas com suspensão era que haveria a necessidade de estorno do crédito. Entretanto, segundo a fiscalização: As aquisições, embora feitas de diferentes formas, de PF ou PJ, e estas tributadas, com suspensão ou com FEX, não vinculam a utilização do grão para um tipo de saída específica. Assim, não é possível afirmar, como quer a empresa, que todo grão comprado de pessoa física, sem crédito, é o milho vendido com suspensão, o que dispensaria a necessidade de estorno do crédito, uma vez que não teria havido a tomada de crédito na aquisição; de outro lado, também não seria possível afirmar, por exemplo, que todo grão vendido com suspensão teria advindo das aquisições junto a PJ, com tomada de crédito, o que acarretaria a necessidade de estorno dos créditos correspondentes à quantidade saída com suspensão. Assim, tendo em vista que não era possível vincular entradas e saídas, ante a inexistência de método de controle de apropriação direta, e que o critério adotado pela recorrente eralhe extremamente favorável, a fiscalização adotou, para fim de rateio do valor do crédito a ser estornado vinculado à venda com suspensão, o percentual da proporção mensal, determinado mediante a divisão das quantidades das saídas com suspensão pelas saídas totais (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). E o valor do crédito a ser estornado determinado mediante a aplicação do percentual da proporção mensal sobre a base de cálculo total dos créditos decorrentes das aquisições de milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito). O critério adotado pela fiscalização não tem amparo legal. No caso de inexistência de método de apropriação direta, há previsão legal de rateio de custos, despesas e encargos comuns proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, nos termos do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou Fl. 1385DF CARF MF 12 II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [...] (grifos nãooriginais) Além da inexistência de amparo legal, o critério adotado pela fiscalização revelase irrazoável, pois utiliza como base cálculo de rateio apenas os valores das aquisições de milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito), e que, portanto, não são comuns às aquisições de pessoas físicas (aquisições sem crédito). Assim, a adoção desse critério implica no rateio das operações com crédito entre as saídas tributadas e as saída com suspensão, o que implica estorno de parcela de crédito de parte das operações com tributação, para as quais há previsão de manutenção do crédito. O critério adotado pela fiscalização seria razoável se as saídas com suspensão (sem direito a crédito) fossem superiores às aquisições das pessoas físicas (sem crédito). Neste caso, o percentual de rateio do valor do crédito a ser estornado seria obtido mediante a divisão entre as quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão (em relação as quantidades adquiridas de pessoas físicas) pelo somatório das quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão mais as saídas tributadas (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). Nesta hipótese, as aquisições de milho das pessoas jurídicas parte seriam revendidos com tributação e outra parte com suspensão (a referida diferença), daí a necessidade do rateio, que deve ser utilizado somente quando há uma base comum a ser apropriada entre os diferentes itens. No caso, como as saídas com suspensão foram menores do que as aquisições de pessoas físicas (sem crédito), o critério adotado pela recorrente revelase mais adequado, portanto, deve ser restabelecido o valor crédito glosado. 2.3 Da Glosa Vinculada aos Gastos com Frete. A fiscalização procedeu a glosa de créditos calculados sobre diversos tipos de despesas com fretes. Aqui serão analisadas apenas as glosas contestadas pela recorrente. Porém, previamente a analise das glosas controvertidas, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete apropriado contabilmente sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.350 13 os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e Fl. 1387DF CARF MF 14 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.351 15 ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, durante o ciclo de produção ou fabricação, certamente haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 1389DF CARF MF 16 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal, a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes foram motivadas por falta de comprovação, vinculação e amparo legal, conforme explicitado no item 150, a seguir transcrito: 150. Em linhas gerais, as glosas dos fretes podem ser de três grupos: Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.352 17 a) Falta de comprovação (glosa 7.1) – nos casos da não apresentação de cópia de documento intimado; b) Falta de vinculação (glosa 7.2) – nos casos em que não foi feita a vinculação do frete com a operação correspondente (ou nos casos em que a vinculação foi deficiente) c) Vinculação a operações sem direito a crédito (glosas 7.3 a 7.11) – nos casos em que foi feita vinculação considerada válida pela fiscalização, mas a operações que não dão direito ao crédito para os fretes; d) Vinculação a operações objeto de outras glosas (glosas 7.12 e 7.13) – nos casos em que foi feita vinculação considerada válida pela fiscalização, mas a operações que foram objeto das glosas SUS (ver itens 66/95) e AZ (ver itens 42/51). A seguir serão analisados apenas as glosas relativas aos gastos com fretes contestados pela interessada no recurso em apreço. Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações; Glosa 7.3 – Fretes internos em importações (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda Glosa; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 5 (aquisições com suspensão); e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2 (aquisições com alíquota zero). 2.3.1 Glosa por falta de vinculação a operações (Glosa 7.2). Segundo a fiscalização, a confirmação dos créditos relativos a despesas com fretes dependia da comprovação, de maneira inequívoca, que eles referemse a operações de transporte de mercadorias ou insumos, para as quais são permitidas a dedução de crédito. Assim, operações que não geram crédito também não asseguram a apropriação de crédito sobre os correspondentes gastos com os fretes. Com base nesse entendimento, tal verificação era primordial para fim de confirmação do direito ao crédito sobre os gastos com fretes. E para que ela pudesse ser feita, era necessário que a recorrente tivesse feito a vinculação entre cada dos gastos com fretes para os quais apropriou créditos com as operações (entradas ou saídas) a que se referem a operação de transporte. No entanto, embora intimada a proceder tal vinculação, a recorrente não atendeu tal exigência, conforme se infere dos excertos a seguir transcritos, extraídos do citado Relatório: 160. Para cada um dos anos intimados (2008 e 2009), foram apresentados dois arquivos: a) Conhecimentos_Com_Crédito_Sem_Vinculação_2008.xlsx (contendo 114.239 registros); e b) Novas_Vinculações_2008.xlsx (contendo 203.968 registros). 161. Apesar da alegação de ter efetuado a vinculação dos registros objeto das retificações [2] e [7], percebese, pelo Fl. 1391DF CARF MF 18 próprio nome do primeiro arquivo e pela explicação do teor do mesmo, que para os registros ali incluídos não foi efetuada qualquer vinculação. Pelo contrário, a geração desse arquivo apenas confirma a inexistência da vinculação dos registros nele incluídos. Em virtude disso, tais registros estão entre os atingidos por esta glosa (FR2 –Falta de Vinculação). 162. Já em relação ao segundo arquivo (Novas_Vinculações...), esta fiscalização verificou diversas inconsistências, que impediram que fosse levado em consideração, a saber: a) Dos 203.968 fretes contidos nesse arquivo, a empresa vincula 24.259 deles a notas fiscais do ano de 2007. São fretes de todos os meses de 2008, de janeiro a dezembro. Não consideramos razoável a vinculação de fretes de todos os meses do ano 2008 a operações (entradas e saídas) ocorridas em 2007, ainda que, casualmente, isso pudesse ocorrer próximo à virada de um ano para o outro; b) No caso dos demais 179.709 fretes, que foram vinculados a notas fiscais de 2008, os números de registro informados como sendo os das notas fiscais não foram sequer encontrados no arquivo LRES em 151.430 casos; c) Dos remanescentes 28.279 fretes (vinculados a notas de 2008 e com as mesmas encontradas no LRES), em 26.873 casos a nota fiscal já possuía informação de frete a ela vinculado. A nova informação apenas reforça o fato de a informação ser inconsistente (no arquivo original LRES constava um frete vinculado e no arquivo Novas_Vinculações... é fornecida vinculação a outro frete), não acrescentando informação nova, que pudesse afastar a glosa de falta de vinculação. Por todas as inconsistências listadas, a fiscalização não aceitou as vinculações pretendidas pelo arquivo Novas_Vinculações_2008.xlsx, incluindo ou mantendo todos os seus registros na presente glosa (FR2 – Falta de Vinculação). 163. Os registros atingidos por esta glosa encontramse, ainda, identificados no Demonstrativo de Glosas – Fretes.txt (registros com valor “1” coluna Gl2). Em suma, verificase que as glosas em apreço foram realizadas com base nos seguintes motivos: a) fretes informados sem nota fiscal vinculada; b) fretes cuja nota fiscal vinculada era do ano de 2007; c) fretes cuja nota fiscal vinculada não constava no LRES; e d) fretes cuja nota fiscal vinculada já possuía informação de frete a ela vinculada. E os registros das operações glosadas foram explicitados no “Demonstrativo de Glosas”, em que cada uma das linhas referese a um determinado lançamento (operação de frete), bem como as colunas que identificam cada uma das glosas efetuadas, assim a coluna identificada com o termo “Gl1” se refere à glosa 7.1, a coluna “Gl2” à glosa 7.2, e assim sucessivamente até a coluna “Gl13” relativa à glosa 7.13. Assim, para identificar o motivo da glosa de um determinado lançamento, basta observar qual das colunas relativas às glosas contém o número 1, as demais colunas, que não motivaram a glosa, possuem o número zero. A título exemplificativo, destaco o primeiro lançamento deste Demonstrativo, que trata de um serviço de frete no montante de R$ 268,00, que foi glosado em razão da Falta de vinculação a operações, pois consta o número 1, na coluna “Gl2”. Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.353 19 Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que houve cerceamento do direito de defesa, porque a fiscalização não havia separado os 4 motivos utilizados para composição do valor glosado. Em relação aos documentos comprobatórios mencionados pela recorrente, ao compulsar os autos, não constada a existência de documentos, relativos a esta glosa, juntados pela contribuinte. E conforme anteriormente demonstrado, a dedução do crédito calculado sobre o valor do frete depende do tipo operação transporte e da forma como custeada, bem como da natureza dos bens transportados (bens de revenda, insumos etc.). Na falta da comprovação dessa condição, deve ser mantida integralmente a glosa em destaque. 2.3.2 Da glosa relativa ao frete interno (Glosa 7.3). Segundo a fiscalização, no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por força do disposto no art. 3º, § 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, somente os bens adquiridos no País geram crédito das referidas contribuições. De outra parte, não há previsão de apropria créditos sobre o custo da mercadoria adquirida de pessoa jurídica não domiciliada no país, aí incluído os gastos com frete no transporte da mercadoria importada, ocorrido no País, após o desembaraço aduaneiro (o denominado, frete interno), ainda que pago a pessoa jurídica domiciliada no País. A fiscalização esclareceu ainda que os “créditos objeto desta glosa não se confundem, porém, com aqueles previstos na Lei nº 10.865/04 (créditos na importação).” De outra parte, a recorrente alegou que, se prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, o referido preceito legal assegurava o direito de apropriação de crédito sobre os gastos com o transporte interno (frete interno) de mercadoria importada. Além disso, asseverou a recorrente que merecia destaque “o próprio direito a tomada de crédito das mercadorias importadas da Lei n° 10.865/04, a reforçar o entendimento defendido pela ora Recorrente no sentido de que o legislador pretendeu desonerar as importações a fim de incrementar a produção nacional.” A razão está com a fiscalização, pois, em conformidade com o disposto no art. 3º, § 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o direito à dedução do crédito da Cofis e da Contribuição para o PIS/Pasep, em regra, é assegurado à operação de aquisição do bem para revenda ou utilizado como insumo de produção ou fabricação, quando adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, bem como em relação aos custos e despesas incorridos pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País, expressamente designados no referido preceito legal. Em relação aos bens para revenda ou utilizados como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, adquiridos de pessoas não domiciliadas no País, excepcionalmente, é assegurado o direito de desconto de crédito das referidas contribuições somente em relação aos bens importados sujeitos ao pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, porém, valor a ser deduzido, fica limitado ao valor das contribuições efetivamente pagas na importação dos respectivos bens, calculadas sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, segundo dispõe o art. 15, I e II, e §§ 1º e 3º, da Lei 10.685/2004, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos: Fl. 1393DF CARF MF 20 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. [...] (grifos não originais) Assim, os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente alegou que tanto a aquisição de bens como do frete tratavamse de operações distintas, desvinculadas entre si para tomada de crédito das contribuições, ao contrário do que pretendeu a fiscalização. Apenas para argumentar, asseverou a recorrente, que “mesmo que a aquisição de bens não fosse tributada, não gerando crédito ao adquirente, tal situação não poderia influenciar ou impedir o crédito do serviço de frete”. Não procede a alegação, pois, embora distintas as operações, não há previsão legal, isoladamente, para apropriação de crédito sobre os gastos com frete na operação de aquisição de bens de revenda ou insumos adquiridos no mercado interno ou importados, ou seja, em hipóteses, não há previsão de apropriação de crédito sobre o frete na operação de compra, diferentemente do frete da na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.354 21 Assim, tais gastos somente geram crédito quando integrantes do custo de aquisição dos bens de venda ou dos insumos. Em outros termos, somente indiretamente, quando agregados ao custo de aquisição, tais gastos possibilitam geração de crédito das referidas contribuições. No caso, como não há previsão de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição do bem importado, mas apenas da contribuição paga na operação de importação, induvidosamente, não há possibilidade, sequer indiretamente, de apropriação de créditos sobre o valor do frete interno. E tal conclusão, diferentemente do alegado pela recorrente, está em consonância com disposto nos arts. 289 e 290 do RIR/1999. Por essas razões, deve ser mantida integralmente a glosa em questão. 2.3.3 Da glosa vinculada às aquisições com fim específico de exportação (Glosa 7.4). Os créditos glosados referemse a despesas com fretes na operação transporte de mercadorias adquiridas pela recorrente com fim específico de exportação (FEX). De acordo com o disposto no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, há expressa vedação à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados a receita de exportação auferida na operação com fim específico de exportação. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os citados preceitos legais: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Fl. 1395DF CARF MF 22 [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) A razão dessa vedação é óbvia: evitar a apropriação de crédito em duplicidade, ou seja, que apropriação dos créditos seja feito tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. A recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados a tais operações, sob argumento de que “tais despesas de frete são relativas a mercadorias para formação de loterevenda, no caso para exportação, conforme disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003.” Segundo a recorrente as referidas remessas para formação de lote de exportação não poderiam ser tratadas como aquisições de mercadorias com fim de exportação por empresa comercial exportadora, porque ela “adquiriu mercadoria na condição FOB e pagou pelo frete, para entrega em seus armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário, posto que a formação de lote já a própria operacionalização da exportação.” A alegação da recorrente não procede, porque há expressa vedação à empresa comercial exportadora de apurar créditos sobre os custos/despesas vinculados à operação de aquisição de mercadoria com fim específico exportação, o que, certamente, inclui os custos/despesas com a operação de transporte da mercadoria, independentemente, desta ter sido feita diretamente para embarque de exportação, ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, para a formação de lote. No caso, se a norma não previu nenhuma exceção, induvidosamente, não cabe ao intérprete criála, especialmente, em sede de concessão de crédito de tributo, matéria da reserva estrita lei. Também não procede a alegação da recorrente de que a Instrução Normativa SRF 379/2003, em seu art 1o, § 2º, extrapolara as disposições legais correspondentes, ao dispor que era vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito sobre custo de aquisição das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, posto que tal preceito normativo simplesmente reproduziu o teor do art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito. Também não se aplica ao caso em tela, o entendimento esposado na Acórdão n° 0712164, de 29 de fevereiro de 2008, prolatado pela DRJ Florianópolis, relativo aos “valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.” Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. 2.3.4 Da glosa vinculada às operações de devolução (Glosa 7.5). Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.355 23 Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados sobre despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução de compras quanto nas operações de devolução de vendas. Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão legal de apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre custo de aquisição do bem devolvido. Assim, independentemente do tipo de operação de devolução, não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete no transporte de bens devolvidos tanto nas operações de devolução de vendas2 quanto nas operações de devolução de compras. A recorrente alegou que o transporte da mercadoria, que havia sido destinado à venda/adquirida e foi devolvida, era uma despesa suportada pela vendedora/compradora da mercadoria, que preenchia os requisitos para dedução do crédito previsto no art. 3o, II e IX, das Leis 10.637/ 2002 e 10.833/2003. Essa alegação não procede, porque nenhum dos dois incisos do citado art. 3º amparam o direito de apropriação do crédito em questão. Conforme anteriormente demonstrado, somente o valor do frete vinculado à operação de venda, se suportado pelo 2 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, este Relator apresentou entendimento de que, em relação à operação de devolução de venda, era assegurado o direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém, após análise combinada do disposto no inciso VIII com o disposto no § 1º, IV, ambos do art. 3º da Lei 10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de devolução de venda também não existe amparo legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com frete relativa a esta operação. Fl. 1397DF CARF MF 24 vendedor, e aquele relacionado à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumo, podem originar crédito das referidas contribuições. Sabidamente, o referido artigo definiu de forma taxativa as hipóteses de creditamento e não de forma exemplificativa, como dar a entender a recorrente. No caso, ainda que o serviço de transporte tivesse sido prestado por transportadores contratados pelas filiais da recorrente, que se dedicam ao ramo de transporte, conforme alegado, mas não provado pela recorrente, essa circunstância, induvidosamente, em nada altera a falta de previsão legal para o creditamento em questão. Assim, como não há previsão legal para a apropriação de crédito sobre o valor do frete nas operações de devolução de compra e devolução de venda, deve ser integralmente mantida a glosa dos créditos apurados sobre o valor de tais operações. 2.3.5 Da glosa vinculada às operações de transferências (Glosa 7.6). De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a presente glosa compreende os créditos calculados sobre as despesas com fretes nas transferências (i) de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) entre estabelecimentos industriais, para produção, e (ii) de produtos acabados entre filiais, para depósito ou armazenagem. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito sobre o valor do frete nas transferências dos produtos acabados, dos insumos e dos produtos em elaboração, já que tais operações fazia parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora, e de produção. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a venda direta. O deslinde da questão envolve a análise do tipo gasto com transporte que permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de direito a créditos da contribuição os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica; e b) dos produtos acabados na operação de venda. Por outro lado, não geram direito a crédito os gastos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores/vendedores da pessoa jurídica, ou entre estes últimos, por não configurar transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência dos produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de entrega aos futuros compradores. Assim, se essa operação de transferência de produtos acabados não faz parte da operação de venda, logicamente, ela pode ser equiparada à operação de transporte da venda direta ao destinatário final, conforme alegado pela recorrente. Logo, em relação ao valor do frete dessa operação transferência, por falta de previsão legal, o crédito não é permitido. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o crédito calculado sobre o valor do frete nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção. 2.3.6 Da glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral (Glosa 7.7). Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.356 25 De com o Relatório de Auditoria Fiscal, esta glosa referese a créditos calculados sobre valor das despesas com fretes nas operações de remessas de mercadorias para armazém geral ou depósito fechado. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados ou mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de industrialização nem como operação de venda. E somente essas operações asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. O enunciado da ementa do acórdão nº 380303.154, não ampara a pretensão da recorrente, pois ela trata da possibilidade de creditamento sobre despesas de armazenagem, embora tenha feito menção a “frete durante a venda”. A leitura do excerto, a seguir transcrito, extraído do voto condutor julgado, não deixa qualquer duvida de que apenas as despesas com frete nas operações de venda possibilitam o crédito da contribuição: Além disso, as despesas de deslocamentos da carga nas operações de venda encontram amparo no dispositivo legal acima identificado, pois se trata de despesas com fretes que, uma vez suportadas pela pessoa jurídica e tendo sido objeto de tributação pelas contribuições, dão direito ao creditamento. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve mantida integralmente a glosa dos referidos créditos. 2.3.7 Da glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda (Glosa 7.8). Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física, logo não havia que se falar em créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição das mercadorias compradas. A fiscalização procedeu com acerto. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Fl. 1399DF CARF MF 26 Dessa forma, se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. A recorrente alegou que o fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualificava o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica, conforme entendimento esposado no acórdão nº 0714.350. de 17 de Outubro de 2008, da DRJ Florianópolis, e no acórdão n° 380303.154, da extinta 3ª Turma Especial da Terceira Seção deste Conselho. O entendimento da recorrente, bem como o manifestado nos referidos julgados, com a devida vênia, não reflete a correta interpretação dos preceitos legais que dispõe sobre a matéria e ainda conflita com entendimento aqui esposado, logo, não há como ser acatado. Com base nessas considerações, mantémse integralmente a glosa dos referidos créditos. 2.3.8 Da glosa vinculada às operações sem crédito (Glosa 7.11). De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados pela contribuinte sobre despesas com fretes, cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais relativas a outras entradas para as quais não houve cálculo de crédito da contribuição. A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência. 2.3.9 Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 7.12). De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados sobre fretes cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais de aquisição de milho e que “foram objeto da glosa 5 SUS – Revendas de milho adquirido com suspensão.” A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência. 2.3.10 Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 7.13). Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 13971.908775/201151 Acórdão n.º 3302004.331 S3C3T2 Fl. 1.357 27 De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados créditos calculados pela contribuinte sobre fretes cuja vinculação apresentada remete a notas fiscais de aquisições que “foram objeto da glosa 2 AZ Aquisições com alíquota zero.” A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência. 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente à dedução (i) integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 7.6). (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1401DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905015/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 15 /2 01 2- 91 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.905015/201291 Acórdão n.º 3301003.569 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.475. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.905015/201291 Acórdão n.º 3301003.569 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905015/201291 Acórdão n.º 3301003.569 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905015/201291 Acórdão n.º 3301003.569 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905015/201291 Acórdão n.º 3301003.569 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.905015/201291 Acórdão n.º 3301003.569 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.001605/2001-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 29/03/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ALCANCE.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma. Os embargos de declaração poderão ser interpostos pelo Procurador da Fazenda Nacional, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. O despacho do Presidente que os admitir será submetido à deliberação da Turma.
Não cabe, em sede de embargos, rediscutir o mérito da decisão embargada.
DOI. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGATORIEDADE DE INFORMAÇÃO. AQUISIÇÃO. ALIENAÇÃO. PESSOA FÍSICA. PESSOA JURÍDICA.
A intenção do Acórdão embargado foi, de fato, aplicar o caput do artigo 940 do RIR/1999 somente quando a operação envolver apenas Pessoas Físicas, aplicar o § 2º quando o "adquirente" for Pessoa Jurídica e não exigir informação na declaração sobre operações imobiliárias - DOI, quando o "alienante" for Pessoa Jurídica, independentemente de, nesse caso, o adquirente ser Pessoa Jurídica ou Pessoa Física.
Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 2202-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 102-45.689, de 17/09/2002, esclarecer que a intenção do Acórdão foi de fato aplicar o caput do artigo 940 do RIR/1999 somente quando a operação envolver apenas Pessoas Físicas, aplicar o § 2º quando o "adquirente" for PJ, e não exigir informação em DOI quando o "alienante" for PJ, independentemente de, nesse caso, o adquirente ser PJ ou PF.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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CABIMENTO. ALCANCE. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. Os embargos de declaração poderão ser interpostos pelo Procurador da Fazenda Nacional, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. O despacho do Presidente que os admitir será submetido à deliberação da Turma. Não cabe, em sede de embargos, rediscutir o mérito da decisão embargada. DOI. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGATORIEDADE DE INFORMAÇÃO. AQUISIÇÃO. ALIENAÇÃO. PESSOA FÍSICA. PESSOA JURÍDICA. A intenção do Acórdão embargado foi, de fato, aplicar o caput do artigo 940 do RIR/1999 somente quando a operação envolver apenas Pessoas Físicas, aplicar o § 2º quando o "adquirente" for Pessoa Jurídica e não exigir informação na declaração sobre operações imobiliárias DOI, quando o "alienante" for Pessoa Jurídica, independentemente de, nesse caso, o adquirente ser Pessoa Jurídica ou Pessoa Física. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 10245.689, de 17/09/2002, esclarecer que a intenção do Acórdão foi de fato aplicar o caput do artigo 940 do RIR/1999 somente quando a operação envolver apenas Pessoas Físicas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 16 05 /2 00 1- 02 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 655 2 aplicar o § 2º quando o "adquirente" for PJ, e não exigir informação em DOI quando o "alienante" for PJ, independentemente de, nesse caso, o adquirente ser PJ ou PF. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório A DRF em Goiânia/GO detectou que o Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição, naquele município, entregara Declarações sobre Operações Imobiliárias DOI fora do prazo estabelecido pelas normas da RFB. Na folha 480, consta o Auto de Infração lavrado em 29/03/2001, no valor de R$ 162.807,93, relativo a Multa Regulamentar aplicada aos períodos de apuração 04, 09, 11 e 12/1998; 01, 02 e 05/1999 e 01/2001. Na descrição dos fatos, relatou o Auditor Fiscal "falta de apresentação da DOI", enquadrando a infração nos artigos 976 e 1.010 do RIR/1994 e 940 e 976, do RIR/1999. A autuação foi lavrada em desfavor do titular do Cartório, Clenon de Barros Loyola Filho, CPF: 071.036.62134. Cientificado da autuação, o interessado apresentou impugnação, na folha 504, tratando de preliminares, contagem de prazos, erros de digitação e denúncia espontânea. Fala ainda do caráter confiscatório da multa aplicada. Pediu o cancelamento total, em razão de denúncia espontânea e multa com efeito de confisco ou, subsidiariamente, o cancelamento parcial, por questões de mérito. A DRJ em Brasília/DF analisou a manifestação do contribuinte, conforme Decisão que consta das folhas 523 e seguintes, em resumo expondo assim suas razões: a) o que denomina "equívocos" do autuante foi preliminar rejeitada pois as questões levantadas dizem respeito ao mérito da matéria sob exame, e, como tal, serão analisadas. b) as digressões sobre o alegado caráter confiscatório da multa foi matéria preliminar igualmente rejeitada pois entendeu aquele julgador que foge à competência da administração apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. c) deveria ser excluído o valor lançado nas competências 01/1998, 08/1998, 01/1999, por comprovação de entrega tempestiva da DOI. Deveria ser excluído o valor de R$ Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 656 3 490,00 lançado referente ao registro na DOI nº 1.297 e reduzido em R$ 230,00 o valor lançado referente ao registro na DOI nº 1.552, por erro material. d) o legislador, ao tipificar a conduta descrita nos artigos 1010 e 976, respectivamente, do RIR/94 e RIR/99 (art. 15, § 2° do Decretolei n° 1.510, de 1976), fez incidir a regra jurídica na falta ou na apresentação fora do prazo das declarações. Assim, a impontualidade no cumprimento da obrigação acessória converteuse em penalidade pecuniária em obrigação principal. A sua exigência não pode, destarte, ser ilidida pela denúncia espontânea que não atinge a obrigação principal, conforme definida no § 1° do art. 113 CTN, tributo ou penalidade pecuniária. Assim, decidiu dar provimento parcial à impugnação para reduzir a multa para R$ 110.330,99, com atualizações legais. Cientificado dessa decisão em 28/09/2001, conforme Aviso de Recebimento na fl. 537, o contribuinte inconformado apresentou recurso voluntário em 26/10/2001, com protocolo na fl. 542. Em sede de recurso, resumidamente, assim se manifesta: a) quando entregou as DOI fora do prazo legal, cumpriu sua obrigação de entrega das mesmas antes do começo de qualquer procedimento fiscal. Assim, nos termos do artigo 138 do CTN, entende que se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea. Cita jurisprudência e doutrina. b) defende a possibilidade do CARF negar eficácia a ato normativo, com base em princípio constitucional, para adentrar no caráter confiscatório da multa que está em exigência. PEDE que seja a exigência fiscal extinta, em razão ou da denúncia espontânea ou pelo caráter confiscatório da multa. Na folha 568 consta um aditamento às razões do recurso, falando de multa menos gravosa, definida por lei nova, a ser aplicada ao caso. Vejamos: Ocorre que a Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, que foi convertida na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 e publicada no Diário Oficial da União em 25/04/2002, diminuiu a multa em razão do atraso da apresentação da DOI de 1% para 0,1%. O Acórdão 10245.689, de 17 de setembro de 2002, deu provimento parcial ao recurso para: I excluir da Tabela de Cálculos (fls. 486/494) as operações em que figuram como alienantes "Pessoas Jurídicas", por inexistir a obrigatoriedade da apresentação da DOI nestas hipóteses, invocando os princípios da moralidade administrativa e da estrita legalidade, insculpidos no art. 37 da Carta Magna e art. 2° da Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999; II manter a exigência do crédito tributário decorrente da multa aplicada pela entrega da Declaração Sobre Operações Imobiliárias fora dos prazos fixados pela Administração Tributária; III conceder ao Recorrente o beneficio da retroatividade benigna, para proceder ao cálculo da multa pelo atraso na entrega da Declaração de Operações Imobiliárias na forma prescrita no Art. 8°, § 1° e letra "a" do inciso II do § 2°, da Lei nº 10.426/2002. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial na fl. 598. Diz que os valores dos documentos constantes do Item I da decisão recorrida foram excluídos da base da Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 657 4 multa porque as respectivas operações cuidam de "alienação" de imóveis efetuadas por pessoas jurídicas e não, como diz expressamente a lei, "aquisição". Segundo o acórdão recorrido, portanto, apenas as "aquisições" (e não as alienações) de imóveis pelas pessoas jurídicas estariam dentro da obrigatoriedade. Requer a Fazenda Nacional que se dê provimento a seu Recurso Especial, para manter a aplicação da multa sobre a base estabelecida inicialmente. O contribuinte apresentou contrarazões na fl. 616, pedindo que fosse o Recurso Especial não conhecido por faltarlhe duas condições de procedibilidade, mantendose a decisão do acórdão recorrido em seus exatos termos. Em 20 de março de 2007, na Resolução CSRF/0400.007/2007, resolveu a 4ª Turma da CSRF pela conversão do julgamento em diligência, para esclarecer/informar a Fazenda Nacional sobre erro procedimental quanto ao Acórdão recorrido, que se dera por unanimidade e não por maioria de votos (fl. 635). Alterado, nesse ínterim, o regimento interno do Conselho, a Fazenda Nacional interpôs novo recurso, embargos de declaração, contra o Acórdão que dera provimento parcial ao recurso do contribuinte. Disse o i. Procurador que "a omissão se configura quando se verifica que o acórdão proferido por esta e. Câmara não apreciou os documentos mencionados, nem tampouco se manifestou sobre o procedimento adotado pela autoridade autuante quando da imposição da aludida penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de entregar a DOI". Na folha 658, consta manifestação do Conselheiro designado para analisar a admissibilidade dos embargos, dizendo que "...verifico que, conforme despacho de fl. 647, os referidos embargos já haviam sido admitidos pelo então presidente da 2ª Câmara do 1º CC". Então, o processo foi devolvido para sorteio e inclusão em pauta. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente na seqüência do arquivo digital (formato . pdf). ADMISSIBILIDADE No Acórdão 10245.689, que ora se questiona mediante os embargos, consta que "Acordam os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, ...."(destaquei). Os termos de tal decisão foram os já relatados. Em vista de terse dado por maioria de votos, a Fazenda Nacional, lastreandose no artigo 32, I do Regimento Interno então vigente, apresentou "recurso especial", requerendo que fosse admitido e encaminhado à Câmara Superior do Conselho, isso em 16 de dezembro de 2002. Dispunha o citado artigo 32, inciso I, do Regimento Interno: Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 658 5 "Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: I de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (destaquei) O recurso foi recebido, por tempestivo (despacho na fl. 602), e encaminhado para ciência do interessado e apresentação de contrarrazões. Cumpridos os procedimentos regimentais, a 1ª Turma da Câmara Superior proferiu o despacho de fl. 625, dizendo que "a decisão final não foi unânime". Explicou que, em verdade, o dispositivo do Acórdão restava incompleto e necessitava de ajuste, pois havia dúvida sobre o posicionamento de alguns Conselheiros. Assim, entendeu por devolver os autos à Câmara de origem, para esclarecimento. Prestadas as informações devidas pelo Presidente da Câmara que proferiu o Acórdão guerreado e seguido trâmite interno, foi proferida a Resolução CSRF de fls. 632, onde, em suma, "resolvem os membros por converter o julgamento em diligência", considerando o equívoco (o acórdão não se dera por maioria, mas por unanimidade) que restara por prejudicar o recurso da Fazenda Nacional. Determinouse que a Procuradoria da Fazenda Nacional fosse cientificada dessa constatação. A ciência deuse, finalmente, em 02/07/2008, conforme fl. 643. Na mesma data, conforme protocolo na fl. 646, o i. Procurador apresentou "embargos de declaração", com "fulcro no artigo 57 do novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes", que dizia o seguinte: Dos Embargos de Declaração Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar se a Câmara. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Câmara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Câmara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. § 2º O despacho do Presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da Câmara em caso contrário. § 3º Os embargos de declaração serão submetidos à Câmara, caso o conselheiro relator, ou outro designado pelo Presidente da Câmara para se manifestar, assim o decida. § 4º Do despacho que rejeitar embargos de declaração do Procurador da Fazenda Nacional ou do recorrente, intimarseá o embargante. § 5º Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 659 6 § 6º Aplicamse às decisões em forma de resolução, no que couber, as disposições deste artigo.(destaquei) Considerando o disposto no § 1º os embargos são, portanto, tempestivos. Além disso, em despacho na fl. 651, a então Presidente da 2ª Câmara do 1º CC disse que "deixo de analisar os pressupostos de admissibilidade, por economia processual, vez que os embargos foram determinados pela resolução da Câmara Superior...". Determinou o sorteio e a inclusão para relato. Após trâmite interno na Câmara, o processo foi distribuído a Conselheiro Substituto para análise de admissibilidade, sendo que o mesmo entendeu pela desnecessidade, uma vez que verificou o despacho anterior da então Presidente, conforme citado. Assim, entendo que de fato já houve uma decisão da Presidente da Câmara, que a teor do regimento em vigor na data da protocolização do recurso era competente para tal, admitindo os embargos, que por isso devem ser analisados. MÉRITO No Acórdão embargado foi relatado que em síntese a controvérsia que chegou à instância recursal tratava de multa por atraso na entrega da DOI, nos valores de R$ 15.688,92 (04/1998); 33.775,23 (11/1998); 27.152,23 (12/1998) e 33.714,61 (01/1999), no total de R$ 110.330,99. Ao fazer sua análise (fl. 584 e ss.), o Relator transcreveu os artigos 940 e 976 do RIR/1999, com destaques para "aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas" e "aquisições de imóveis por pessoas jurídicas", e citou o artigo 15 do Decretolei nº 1.510/76, para caracterizar os termos "aquisição" e "alienação". Passou então a tratar da "denúncia espontânea". Destacou que havia no Conselho duas correntes distintas em relação a aplicação da denúncia espontânea nas situações referentes a multa por atraso na entrega de declarações. Disse abraçar "a tese de que inocorre a denúncia espontânea nos casos de aplicação de multa decorrente da entrega da declaração fora dos prazos fixados pela legislação fiscal...". Fundamentouse nos artigos 113, 115 e 116 do CTN. Citou doutrina e jurisprudência administrativa. Analisou longamente o artigo 138 do CTN para concluir que o ali disposto seria "aplicável somente quando a infração tributária resultar, concomitantemente, responsabilidade de natureza penal". Entendeu ainda que não caberia ao julgador administrativo analisar se inconstitucional o caráter confiscatório da multa, mas que a seu ver essa questão estaria superada com a edição da Lei nº 10.426, de abril, de 2002, que estabelecera novas regras para a penalidade pecuniária. A parte dispositiva, então, contém três tópicos: 1 "exoffício", invocando princípios constitucionais e legais, excluir do lançamento todas as operações em que figuram como "alienantes" pessoas jurídicas, por segundo o relator, "inexistir a obrigatoriedade da apresentação da DOI nestas hipóteses", conforme legislação citada no "caput" deste voto; Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 660 7 2 manter a exigência da multa sobre o que restar, não se aplicando a denúncia espontânea; 3 aplicar a retroatividade benigna ao valor da multa, em face da regra estabelecida pela Lei nº 10.426, de 2001, que reduziu a multa, nesses casos, de 1% para 0,1% do valor das operações que foram informadas na declaração entregue em atraso. Entendo que os itens 2 e 3 acima especificados estão fora de litígio, porque não foram questionados. Assim, não há que se rediscutir a questão da denúncia espontânea tampouco a redução do valor da multa. O tópico 1 foi questionado pela PFN. A alegação é que existem diversos documentos, pormenorizados por operação, que não foram individualizadamente analisados pelo Relator, para concluir pela exclusão generalizada de "todas as operações onde figurassem como alienantes pessoas jurídicas". Disse o nobre Procurador: Ora, da análise do acórdão, verificase que o i. relator do voto condutor parece ter aceito que a norma acima transcrita se aplica aos casos em que houve "aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas", mas não seria aplicável quando se tratasse de alienação feita por pessoas jurídicas. Porém, quando se analisam as operações constantes dos documentos acostados às fls. 70, 71, 72, 74, 75, 76, somente a título de exemplo em face da quantidade, notase que, apesar de os alienantes serem pessoas jurídicas, os adquirentes são pessoas físicas. Dessa maneira, há omissão na decisão embargada, uma vez que embora determine a aplicação do art. 15 do Decretolei n. 1510/76, com os acréscimos efetuados pela Lei n 9.532/97, não se pronuncia sobre se tal dispositivo incide nas hipóteses em que, conquanto tenha ocorrido alienação de imóveis por pessoas jurídicas, os adquirentes tenham sido pessoas físicas. Em outras palavras, diante dos documentos constantes do processo e do procedimento adotado pela autoridade autuante quando do lançamento, de considerar na base de cálculo da multa pela falta de apresentação da DOI as operações de alienação de imóveis feitas por pessoas jurídicas a pessoas físicas (adquirentes), concluise que a decisão embargada contém vícios de omissão. A omissão se configura quando se verifica que o acórdão proferido por esta e. Câmara não apreciou os documentos mencionados, nem tampouco se manifestou sobre o procedimento adotado pela autoridade autuante quando da imposição da aludida penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de entregar a DOI. Observo e destaco que no Acórdão consta "... DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado...". Portanto, a leitura do relatório também é importante e o que nele consta serve para justificar as conclusões a que se chega. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 661 8 No relatório da decisão recorrida, consta que "Compulsando os autos do procedimento fiscal verifiquei que o digno Auditor Fiscal autuante em sua Tabela de Cálculos (fls. 486/494) incluiu as operações constantes dos documentos de fls....onde figuram como alienantes "pessoas jurídicas", hipótese esta não contemplada no artigo 940 do Decreto n. 3000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (Art. 964 do RIR/1994) e a seguir listamse os documentos, um a um, indicando as folhas. Por exemplo, na folha de numeração original 70, que corresponde à 72, na seqüência eletrônica, o alienante foi uma PJ (Construtora Moreira Ortence Ltda) e o adquirente uma PF (João Lourenço). Portanto, não entendo correta a afirmação do embargante de que o acórdão embargado "não apreciou os documentos". Ele apreciou sim, disse que apreciou e citouos individualizadamente, como se observa em seu relatório (fl. 583). A seguir, no voto, o Relator transcreveu os dispositivos legais, para fundamentar seu entendimento, e grifou as partes que, a seu juízo, obrigariam a serem informadas na DOI apenas as operações que registrassem aquisição ou alienação por pessoas físicas e aquisições por pessoas jurídicas, não se aplicando a obrigação, portanto, conforme ele listou, aos documentos/operações em que figure pessoa jurídica como alienante. Vejamos as seguintes situações, em relação ao artigo 940 do RIR/1999: ALIENANTE ADQUIRENTE OBRIGAÇÃO DE DOI PF PF CAPUT PF PJ CAPUT ou § 2º (?) PJ PF CAPUT (?) PJ PJ § 2º No entendimento que quer dar o embargante, primeiro o dispositivo de lei não teria sentido lógico, como se observa na segunda linha da tabela acima, segundo nenhuma situação seria excluída e o Voto e o Acórdão não teriam sentido. Verifiquei no Acórdão 10245.676, na sessão de 17 de setembro de 2002, portanto na mesma data em que foi proferido o Acórdão que aqui se debate, ao analisar a questão de multa por atraso na entrega da DOI, o mesmo Relator, Conselheiro Amaury Maciel, demonstrando claramente seu entendimento sobre a matéria, disse em seu voto que: No que se refere aos atos que caracterizam a alienação de imóveis por Pessoas Jurídicas, entendo assistir plena razão ao Recorrente. Além do disposto no art. 15, caput, referirse somente às aquisições e alienações de imóveis por pessoas físicas, o disposto no art. 71 da Lei n.° 9..532, de 10 de dezembro de 1972, reza que a obrigatoriedade da apresentação da DOI está adstrita as aquisições de imóveis por pessoas jurídicas e não alienações. Os documentos relacionados pelo Recorrente às fls. 707 e 708, com algumas exceções, tratam efetivamente de alienações de imóveis efetuadas por Pessoas Jurídicas e, portanto, devem ser excluídos da base de cálculo da multa ora questionada. (destaque original) Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10120.001605/200102 Acórdão n.º 2202003.855 S2C2T2 Fl. 662 9 CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por admitir os embargos opostos, como embargos de declaração, para esclarecer que a intenção do Acórdão, pelo que está aqui tratado, foi de fato aplicar o caput do artigo 940 do RIR/1999 somente quando a operação envolver apenas Pessoas Físicas, aplicar o § 2º quando o "adquirente" for PJ, e não exigir informação em DOI quando o "alienante" for PJ, independentemente de, nesse caso, o adquirente ser PJ ou PF. Dessa feita, não se aplicam efeitos infringentes à decisão, mantendose as exclusões que estão listadas na folha 596/7. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720137/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com integração ao aresto hostilizado das partes omitidas.
Numero da decisão: 2402-005.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem alteração no resultado do julgamento, para que passe a integrar o acórdão embargado a análise do conhecimento das razões adicionais apresentadas após o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com integração ao aresto hostilizado das partes omitidas.
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Embargante MARIO CELSO LOPES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pelo embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com integração ao aresto hostilizado das partes omitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 37 /2 01 2- 01 Fl. 18136DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem alteração no resultado do julgamento, para que passe a integrar o acórdão embargado a análise do conhecimento das razões adicionais apresentadas após o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 18137DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.876 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo em face v. acórdão no 2402005.465, proferido por esta Eg. Turma, cuja parte dispositiva foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento e, quanto ao recurso voluntário, conhecêlo e negar conhecimento às razões apresentadas posteriormente e, no mérito, negarlhe provimento” Nos aclaratórios, o sujeito passivo aduz que a decisão do CARF incorreu em omissão por haver deixado de apreciar as duas questões trazidas em razões aditivas ao recurso, constantes as fls. 18.060/64. A primeira omissão teria se dado pelo fato da turma de julgamento não haver apreciado argumento relativo à existência de matéria de ordem pública relevante consistente em erro na apuração da base de cálculo, uma vez que a autoridade fiscal não teria observado a regra constante no art. 5.º da Lei n.º 8.023/1990, reproduzido pelo art. 71 do RIR/1999, pela qual deveria limitar a tributação a 20% da receita bruta da atividade rural dos anosbase. A segunda omissão apontada pelo embargante é o fato de que não teriam sido apreciadas provas constates dos autos, as quais demonstrariam que vários depósitos bancários foram identificados/justificados mediante respostas prestadas pelos depositantes aos Termos de Intimação Fiscais (fls. 15.286/17.156), o que foi demonstrado de forma mais didática nas suas razões aditivas ao recurso. Os embargos foram admitidos pelo Presidente da Turma, conforme despacho de fls. 4.139/42. É o relatório. Fl. 18138DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Das omissões Observase que as omissões apontadas foram questões não constantes da peça recursal (de 07/11/2013), mas apresentadas em razões aditivas em 26/02/2015. Conforme a transcrita parte dispositiva do acórdão embargado, a turma decidiu por não conhecer das matérias trazidas nessas razões aditivas. Ocorre que no corpo do voto não constou uma linha sequer acerca do conhecimento das questões ventiladas após o recurso, o que de fato vem a se constituir numa omissão. Destarte, entendo que restou configurada a omissão consistente na falta de fundamentação para não apreciação das razões adicionais, devendo tal mácula ser suprida pela turma embargada. Assim, deve constar do acórdão embargado a seguinte análise acerca das alegações apresentadas após a interposição do recurso: "Quanto às razões constantes na peça juntada pelo sujeito passivo em 10/03/2015, fls. 18.060/64, entendo que não devam ser conhecidas posto que não houve a impossibilidade de apresentálas antes por motivo de força maior, não se refere a fato ou direito superveniente e nem se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, portanto, a petição apresentada não se enquadra nas hipóteses previstas no § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1.972, para as quais não se aplica a preclusão processual." Há também de se incluir na ementa o seguinte texto: "RAZÕES ADITIVAS APRESENTADAS APÓS O RECURSO. NÃO CONHECIMENTO As razões aditivas apresentadas após o recurso não devem ser conhecidas uma vez que não houve a impossibilidade de apresentálas antes por motivo de força maior, não se refere a fato ou direito superveniente e nem se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos" Conclusão Fl. 18139DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201201 Acórdão n.º 2402005.876 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto por acolher os embargos de declaração, sem alteração no resultado do julgamento, para que passe a integrar o acórdão embargado a análise do conhecimento das razões adicionais apresentadas após o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 18140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907905/2012-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.812, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 05 /2 01 2- 19 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10875.907905/201219 Acórdão n.º 9303004.813 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10875.907905/201219 Acórdão n.º 9303004.813 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10875.907905/201219 Acórdão n.º 9303004.813 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726587/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. OBSCURIDADE NA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal, e seus anexos, contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
CAUSAS DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
As hipóteses suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do Código Tributário Nacional, obstam a prática de atos que visem sua cobrança, porém não são impeditivas ao lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência.
FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO (FAP).
Segundo a legislação de regência, o FAP anual reflete a aferição da acidentalidade nas empresas relativa aos dois anos imediatamente anteriores ao processamento, produzindo efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação na rede mundial de computadores, significando, via de regra, vigência durante todo o ano imediatamente posterior ao ano da divulgação/processamento.
Numero da decisão: 2401-004.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para utilização do multiplicador FAP igual a 1,00 (um inteiro), relativamente aos fatos geradores do ano de 2010.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. OBSCURIDADE NA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal, e seus anexos, contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. CAUSAS DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. As hipóteses suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do Código Tributário Nacional, obstam a prática de atos que visem sua cobrança, porém não são impeditivas ao lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO (FAP). Segundo a legislação de regência, o FAP anual reflete a aferição da acidentalidade nas empresas relativa aos dois anos imediatamente anteriores ao processamento, produzindo efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação na rede mundial de computadores, significando, via de regra, vigência durante todo o ano imediatamente posterior ao ano da divulgação/processamento.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. OBSCURIDADE NA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal, e seus anexos, contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. CAUSAS DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. As hipóteses suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do Código Tributário Nacional, obstam a prática de atos que visem sua cobrança, porém não são impeditivas ao lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO (FAP). Segundo a legislação de regência, o FAP anual reflete a aferição da acidentalidade nas empresas relativa aos dois anos imediatamente anteriores ao processamento, produzindo efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação na rede mundial de computadores, significando, via de regra, vigência durante todo o ano imediatamente posterior ao ano da divulgação/processamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 65 87 /2 01 3- 18 Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.781 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe provimento parcial para utilização do multiplicador FAP igual a 1,00 (um inteiro), relativamente aos fatos geradores do ano de 2010. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.782 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1657.2910 (fls. 1.676/1.690): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todas as informações necessárias à perfeita compreensão do lançamento fiscal, inclusive a informação no Relatório Fiscal do número da ação judicial onde foram efetuados os depósitos das contribuições devidas, foram prestadas ao contribuinte nas peças que compõem o processo administrativo fiscal, de modo a permitirlhe o direito ao contraditório e à ampla defesa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. Presente uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário pode o sujeito ativo efetuar o lançamento, que é tão somente a constituição do crédito tributário, estando impedido, apenas, de exercer atos de cobrança, devendo aguardar que cesse a eficácia da causa suspensiva. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. ÍNDICE. Os índices de frequência, gravidade e custo para obtenção do índice FAP são calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, a partir das variáveis definidas no § 4°, do art. 202A do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, cabendo ao Ministério da Previdência Social publicar, anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE e divulgar na internet o FAP de cada empresa. Para o cálculo anual do FAP serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados, em razão do que o FAP de 2010 será calculado considerando os dados levantados no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.783 4 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 328/333, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), compreendendo o período de 01/2009 a 12/2011, inclusive décimo terceiro, assim formalizados: (i) AI nº 51.021.9470, referente às contribuições da empresa, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) fls. 3/189; e (ii) AI nº 51.021.9489, relativo às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados (fls. 188/325). 2.1 Segundo a fiscalização, o lançamento fiscal é destinado à prevenção da decadência, tendo em vista que as contribuições estão sendo discutidas e depositadas judicialmente pela empresa fiscalizada no Processo nº 2002.3400.0366979, com tramitação na 20ª Vara Federal do Distrito Federal. 2.2 As cópias das guias de depósito judicial estão juntadas às fls. 408/1.414, enquanto os detalhamentos das bases de cálculo, contribuições devidas pela empresa, o valor dos depósitos em juízo e, quando existente, a diferença "em aberto", estão consignado, por competência e estabelecimento da pessoa jurídica, nos Anexos 1 a 26, conforme fls. 1.415/1.518. 3. O contribuinte foi cientificado da autuação em 02/08/2013, conforme as fls. 3/4 e 188/189, e impugnou a exigência fiscal (fls. 1.529/1.536 e 1.566/1.573). 4. Previamente a decisão de primeira instância, o relator "a quo" converteu o julgamento em diligência, às fls. 1.608/1.612, com a finalidade de esclarecer, relativamente aos fatos geradores do ano de 2010, a utilização pelo agente fiscal do percentual de 3,49 % para o GILRAT, após a multiplicação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). 4.1 Cumprida a diligência fiscal, a autoridade fiscal declarou que estava correto o FAP utilizado para o ano de 2010, igual a 1,7488, resultando no seguinte cálculo da contribuição previdenciária "GILRAT PADRÃO x FAP": 2 % x 1,7488 = 3,4976 %. Em consequência, o lançamento de ofício efetuado não merecia qualquer retificação (fls. 1.613/.1614). 4.2 Acerca do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse às fls. 1.618/1.619. Reiterou a incorreção do emprego pela fiscalização do índice de 1,7488 para o FAP, tendo em conta o valor equivalente a 1,00 divulgado pela própria Receita Federal do Brasil (RFB), conforme consulta realizada na Internet. 5. Intimada da decisão de piso em 16/9/2014, por via postal, segundo fls. 1,752/1.753, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 02/10/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir a resumidos (fls. 1.754/1.759). Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.784 5 (i) cerceamento do direito de defesa, diante da deficiência na descrição dos fatos constantes do auto de infração; (ii) em relação ao ano de 2010, o FAP obtido no próprio sítio na Internet da Receita Federal é igual a 1,00, o que revela clara divergência entre o valor do lançamento praticado pela autoridade fiscal e os dados divulgados pelo Fisco (fls. 1.760);e (iii) a exigibilidade das contribuições encontrase suspensa por força dos depósitos judiciais regularmente efetuados pelo contribuinte. Quanto às obrigações supridas pelos depósitos em juízo, é indevido o lançamento de ofício. É o relatório. Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.785 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa 7. Argumenta a recorrente a existência de deficiência na descrição dos fatos que justificam o lançamento do crédito tributário, o que acarreta a incompreensão da acusação fiscal. 7.1 Em síntese, apegandose a um trecho do Relatório denominado de "Fundamentos Legais do Débito FLD", a empresa alega obscuridade na exigência fiscal e questiona a que decisão judicial estaria se referindo a autoridade fiscal para legitimar o lançamento fiscal (fls. 186/187 e 324/325): Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais (...) 707 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA. VALOR DETERMINADO POR DECISÃO JUDICIAL 707.01 Competências : 01/2009 a 13/2011 VALOR DETERMINADO POR DECISÃO JUDICIAL. Lei nº 5. 172, de 25/10/66, artigo 151, incisos II e V; Lei nº 9.430 de 27/12/96, art. 63. 8. Pois bem. Ao optar por efetuar uma leitura isolada do conteúdo do Relatório "FLD", a recorrente acabou incorrendo em manifesto equívoco de interpretação. A finalidade do documento 'FLD" é auxiliar e complementar os dados contidos no Relatório Fiscal do respectivo Auto de Infração, informando ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.786 7 8.1 O Relatório Fiscal, acostado às fls. 328/333, menciona de forma clara que as contribuições relativas à parte patronal, GILRAT e terceiros, incluídas no lançamento de ofício, está sendo discutidas judicialmente pela empresa no bojo da demanda autuada sob o nº 2002.3400.03666979, com tramitação perante a 20ª Vara da Justiça Federal do Capital Federal (fls. 329): (...) 4.1 Tratase de débito relativo à parte patronal, as destinadas ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT e as destinadas a outras entidades e fundos sendo que as mesmas são discutidas judicialmente pela empresa com ação proposta através do processo: 2002.3400.0366979 20a. Vara Ação 02100 do Distrito Federal 4.2 Ressaltamos que os valores correspondentes a Parte Patronal, SAT/GILRAT e Terceiros estão sendo depositados em juízo a cada competência, no decorrer da tramitação da ação, cujas cópias dos extratos dos depósitos estão anexas. (...) 8.2. Na sequência do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora explica a origem e extensão da documentação fornecida pela empresa fiscalizada, a qual serviu de lastro para a identificação dos fatos geradores e constituição do crédito tributário deste processo administrativo (fls. 329): (...) 5 Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento ocorreram com o pagamento das remunerações aos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores lançados pela fiscalização foram apurados através da documentação apresentada pelo contribuinte e analisada no decorrer da ação fiscal: • Folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo contribuinte a todos os segurados e contribuintes individuais a seu serviço, relativas às competências em destaque • GFIP • Comprovantes de recolhimento • Diário • Razão • Depósitos Judiciais (...) Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.787 8 8.3 Ao final, o texto do Relatório Fiscal também presta esclarecimentos adicionais sobre os créditos apurados e as alíquotas aplicadas sobre as bases de cálculo, além da indicação de planilhas e outros documentos anexados ao processo administrativo, os quais são partes integrantes dos Autos de Infração. 9. Especificamente sobre as bases de cálculo e contribuições devidas, o agente fiscal confeccionou planilhas com a descrição minuciosa dos seus valores, por competência e estabelecimento da empresa, inclusive com a indicação do montante dos depósitos judiciais realizados pelo contribuinte (fls. 1.415/1.518). 10. Verifico, assim, que o conjunto acusatório, além de abarcar a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, mostra de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. 11. De tal sorte que a autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e pelo art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), o que proporcionou ao sujeito passivo a possibilidade de produzir todas as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. 12. Eventual dificuldade de compreensão do significado da expressão "VALOR DETERMINADO POR DECISÃO JUDICIAL", a qual é mencionada no Relatório "FLD", não possui a relevância que a empresa fiscalizada pretende darlhe. As palavras estão em um contexto de explicação do fundamentos legais aplicáveis ao débito, notadamente na parte que se refere aos acréscimos legais. 12.1 Com base nos fatos apurados no curso do procedimento investigatório, o agente lançador interpretou que o crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa e, portanto, era incabível o lançamento da multa de ofício. O Relatório "Discriminativo do Débito DD" dos Autos de Infração confirma que sobre as contribuições exigidas não houve a incidência de multa (fls. 5/185 e 190/323). 12.2 A fiscalização assinalou, utilizandose do item 7.07 do "FLD", os fundamentos legais para a não incidência da multa de ofício, tendo em vista configurar o lançamento uma hipótese de constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, em que a exigibilidade encontravase suspensa pela existência de depósito do montante integral e/ou concessão de medida liminar ou de tutela antecipada (art. 151, inc. II e V, do CTN, combinado com o art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, todos dispositivos legais citados no documento). 13. Do exposto, percebese a fragilidade da tese defendida pela recorrente de cerceamento do seu direito de defesa, a qual não se mantém após uma breve apreciação do conjunto de documentos que compõem a acusação fiscal. 14. Logo, ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.788 9 Mérito a) Fator Acidentário de Prevenção (FAP) 15. A partir de jan/2010, os percentuais de um, dois ou três por cento destinados à contribuição previdenciária ao GILRAT, conforme inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão ser reduzidos, em até cinquenta por cento, ou aumentados, em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo FAP. 15.1 Tal previsão normativa fundamentase, em linhas gerais, no art. 10 da Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003, art. 202A do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, e nas Resoluções do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). 15.2 Naquilo que interessa ao feito sob exame, reproduzo dispositivos do art. 202A do RPS: Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP. § 1º O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (...) § 5º O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAESubclasse. § 6º O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação. § 7º Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) (...) § 9º Excepcionalmente, no primeiro processamento do FAP serão utilizados os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.789 10 § 10. A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. 16. Não há dificuldade em perceber que o FAP anual reflete a aferição da acidentalidade nas empresas relativa aos dois anos imediatamente anteriores ao processamento, produzindo efeitos tributários o multiplicador a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação. 17. À vista do quadro normativo, assiste razão à recorrente quando afirma que o FAP aplicável aos fatos geradores do ano de 2010 é equivalente a 1,00 (um inteiro). 17.1 Com efeito, a empresa realizou consulta, por meio da rede mundial de computadores, ao FAP divulgado pelo Poder Público para utilização no ano de 2010 (fls. 1.760). 17.2 Do extrato, observase que o períodobase utilizado para o cálculo pelo Ministério da Previdência Social é abril/2007 a dezembro/2008 (art. 202A, § 9º), com extração de dados no mês de abril/2009. O multiplicador do FAP adotado, equivalente a 1,00, foi divulgado em 30/09/2009, aplicandose, portanto, a partir de 1º de janeiro de 2010 (art. 202A, § 6º). 17.3 Em outras palavras, o FAP calculado e divulgado no ano de 2009, como é a hipótese em apreciação, tem vigência de janeiro a dezembro de 2010, inclusive décimo terceiro salário. 18. Por sua vez, a origem do FAP de 1,7488 apontado pela autoridade lançadora não foi devidamente esclarecida, mesmo depois da diligência fiscal, não sendo dotada de confiabilidade, o que é incompatível com o lançamento de ofício. 18.1 Aparentemente, fiscalização e decisão de piso confundiramse na interpretação da estrutura e metodologia de aplicação do FAP estabelecida na legislação de regência, na medida em que, via de regra, o multiplicador tem como período de vigência o ano imediatamente posterior ao ano de processamento (cálculo e divulgação). 19. No sítio da RFB na Internet, inclusive, consta uma explicação que corrobora a linha de pensamento explicitada acima: 1 FAP Fator Acidentário de Prevenção O Fator Acidentário de Prevenção – FAP, em vigência desde 2010, é um sistema bonus x malus, no qual a alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o 1 <https://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/fapfatoracidentariodeprevencaolegislacaoperguntasfrequentesdadosda empresa> Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.790 11 regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. (...) O que as empresas devem fazer a partir da competência 01/2010? (...) 2º) Obter o coeficiente FAP mediante CNPJ + senha no site www.previdencia.gov.br, para informálo no campo próprio na GFIP. O FAP divulgado em setembro/2009 pelo Ministério da Previdência Social tem validade para todo o ano de 2010 (GFIP 01/2010 ..... até GFIP 13/2010). O FAP divulgado em setembro/2010 será aplicado no ano 2011 e assim sucessivamente. (...) (GRIFEI) 20. Destarte, relativamente aos fatos geradores vinculados às competências do ano de 2010, cabe a redução do crédito tributário lançado pela fiscalização no que diz respeito à rubrica "13 Sat/Rat", incidente sobre a remuneração paga/creditada aos segurados empregados da empresa. 20.1 Tal redução aplicase ao Levantamento Fiscal "FP Folha de Pagamento", assim como ao Levantamento Fiscal "OB Obra", com uso do multiplicador FAP igual a 1,00 (um inteiro) aplicado ao respectivo percentual básico da contribuição ao GILRAT, nos termos abaixo: Levantamento Fiscal: FP Folha de Pagamento (CNAE 85996/99) SAT/GILRAT: 2 x 1,00 = 2 % (dois por cento) Levantamento Fiscal: OB Obra (CNAE 42995/99) SAT/GILRAT: 3 x 1,00 = 3 % (três por cento) 21. Ressalto que, segundo as informações disponíveis nos autos, não há notícias que o valor do multiplicador FAP integra a matéria litigiosa submetida ao Poder Judiciário na ação nº 2002.3400.03666979. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.791 12 b) Suspensão da Exigibilidade 22. Com apoio em jurisprudência pacífica, a decisão de piso explicitou corretamente que as hipóteses suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, enumeradas no art. 151 do CTN, obstam a prática de atos que visem sua cobrança, porém não a possibilidade de constituí lo para fins de prevenção da decadência. Assim procedeu a autoridade fiscal. 23. É certo que, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ao realizar o depósito judicial do crédito tributário em montante integral, com a finalidade de suspender a sua exigibilidade, o sujeito passivo constitui o crédito tributário na forma da legislação em vigor, descabendose cogitar, a partir de então, a decadência do direito do Fisco de lançar. 24. Porém, conquanto desnecessário o ato formal do lançamento pelo Fisco relativamente ao crédito tributário depositado integralmente em Juízo, a lavratura de auto de infração não implica a declaração de sua invalidade, dado que não acarreta prejuízo concreto à parte. 25. Em termos práticos, a autuação ficará no aguardo do desfecho da ação judicial interposta pelo particular. Quando da conclusão do litígio judicial, o valor depositado será convertido em renda da União ou objeto de levantamento pelo depositante, conforme favorável ao sujeito ativo ou passivo a decisão final. 26. Em nenhum momento haverá cobrança em duplicidade, porque a eventual conversão do depósito em renda será causa de extinção do crédito tributário, a teor do inciso VI do art. 156 do CTN. Por outro lado, assistindo razão ao sujeito passivo, a própria decisão transitada em julgado possuirá força extintiva de maneira a inibir os atos de cobrança por parte do Fisco. 27. É bom frisar, entretanto, que a autoridade lançadora, conforme fls. 1.415/1.518, identificou a ocorrência de deposito parcial em diversas competências, e não integral. Tal fato não restou desmentido, em linguagem de provas, pela empresa por meio da impugnação e do recurso voluntário. 28. Somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. Por sua vez, não verifiquei nos autos a existência de informação sobre a concessão de liminar ou antecipação de tutela na ação judicial 2002.3400.03666979, o que levaria, igualmente, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 29. A falta de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não autoriza a dispensa da multa de ofício, como fez o agente lançador. Contudo, o procedimento fiscal não implica vício formal ou material no lançamento, tampouco sua improcedência, visto que tão somente beneficiou o contribuinte. 30. Se cabível, o lançamento de ofício da multa, de forma isolada, é questão que escapa ao litígio instaurado com a apresentação da impugnação tempestiva pela empresa, devendo ser avaliada pela unidade da RFB responsável pelos atos de fiscalização do sujeito passivo. Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 15504.726587/201318 Acórdão n.º 2401004.877 S2C4T1 Fl. 1.792 13 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL para utilização do multiplicador FAP igual a 1,00 (um inteiro), relativamente aos fatos geradores do ano de 2010, acarretando a redução da contribuição previdenciária destinada ao GILRAT nas respectivas competências do lançamento do crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1792DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725095/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.881
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 95 /2 01 2- 76 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10469.725095/201276 Acórdão n.º 3302003.881 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.448. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10469.725095/201276 Acórdão n.º 3302003.881 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10469.725095/201276 Acórdão n.º 3302003.881 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10469.725095/201276 Acórdão n.º 3302003.881 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10469.725095/201276 Acórdão n.º 3302003.881 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 139DF CARF MF
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