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Numero do processo: 10510.002814/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRPJ - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL]
Caracterizam-se como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
Falece competência aos membros do CARF para negar a validade ou apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos de lei. Aplicação do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. Falece competência aos membros do CARF para negar a validade ou apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos de lei. Aplicação do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 28 14 /2 00 9- 29 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 541 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente as exigências de que tratam os autos de infração relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a multa de oficio qualificada de 150%, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXTRATOS BANCÁRIOS. APRESENTAÇÃO. SIGILO BANCÁRIO. No momento em que o próprio contribuinte apresenta os extratos bancários, em decorrência de intimação fiscal, fica prejudicada toda a irresignação no tocante ao sigilo bancário para com o fisco. MULTA QUALIFICADA. FATO GERADOR. Caracterizada o evidente intuito doloso tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar o seu pagamento, é cabível Fl. 541DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 542 3 a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Foram lançados IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos ao anocalendário de 2005. Valor total (incluídas as penalidades e juros selic) de R$2.673.188,97. A tributação acolheu o regime de eleição do lucro presumido. O matéria lançada se refere a depósitos bancários de origem não comprovada. A contribuinte impugnou a exigência em 14/09/2009. A DRJ decidiu converter o julgamento em diligência (fl.295), para que o autor do feito diligenciasse no sentido de: a) efetuar a conciliação entre os extratos bancários da Impugnante com a contabilidade da mesma, atentando para a existência de créditos bancários não contabilizados; b) deste resultado deverão ser excluídos os cheques devolvidos os quais somente deverão ser considerados na reapresentação em que forem efetivamente compensados; c) deverão, ainda, ser excluídos os valores concernentes às transferências bancárias do contribuinte (mesma titularidade); d) ao final, elaborar relatório conclusivo onde conste identificado, individualizadamente, os valores excluídos relativos às transferências bancárias da mesma titularidade, aos cheques devolvidos e os valores remanescentes que não forem excluídos por não terem sido justificados a origem, dando ciência ao contribuinte para que ele, no prazo de 30 (trinta) dias possa se manifestar. Finalizada a diligência, foi prolatado acórdão. Ciente do acórdão que manteve parcialmente a exigência em 14/11/2011, interpôs recurso voluntário em 09/12/2011. Na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) é ilegítimo o lançamento do IR arbitrado com base apenas em extratos ou em depósitos bancários, porque nem toda entrada representa uma receita tributável; b) não foram considerados documentos juntados na impugnação, que comprovavam que alguns valores creditados não constituíam renda ou mesmo faturamento da empresa; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 543 4 c) Que, em sua grande maioria, representam transferência de mesma titularidade, empréstimos, reapresentação de cheques devolvidos de valores anteriormente depositados e já oferecidos à tributação, e outros aporte; d) Que, considerandose que a escrita contábil entregue ao auditorfiscal apresentou um resultado do exercício de R$ 1.188.604,11, sendo que a recorrente ofereceu à tributação pelo lucro presumido o valor de R$ 1.713.452,13, caberia ao auditor acatar a escrituração por mais benéfica à autuada; e) Que o procedimento fiscal teve início com base nos dados da movimentação bancária da recorrente, através do levantamento feito no recolhimento da CVPMF, o que caracteriza uma quebra do sigilo bancário e fiscal , sem autorização judicial, em flagrante desrespeito à intimidade e à vida privada da defendente; f) Que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, pois fere o inc. X da CF, além de violar os princípios da legalidade, razoabilidade e outros; e g) Que a Súmula 182 do antigo TFR estabelecia que "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Ao final propugna pela reforma do acórdão recorrido e pela improcedência dos autos de infração. É o relatório. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 544 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Portanto, dele conheço. Passo a apreciação dos argumentos trazidos pela recorrente. A autoridade fiscal observou, na lavratura do auto de infração, o regime de tributação do IRPJ escolhido pelo sujeito passivo: lucro presumido. Não houve arbitramento do lucro. O lançamento foi amparado no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A recorrente reclama da não consideração de nova escrita contábil, apresentada após a impugnação, em que passou a reconhecer resultado positivo no exercício de R$1.713.452,13, bem como a DIPJ retificadora apresentada. Na DIPJ original, válida ao início do procedimento fiscal, o resultado oferecido à tributação era de R$ 97.014,45. O acórdão recorrido observa que durante a diligência aberta para comprovar as alegações da recorrente, ao invés de provar a origem dos depósitos bancários a recorrente aproveitou a oportunidade para apresentar novos livros diário e razão, contemplando os lançamentos bancários objeto da autuação (fl.453). Verificase ter havido, contrariamente ao alegado, especial cuidado da DRJ na apuração da matéria e na apreciação das alegações da recorrente, o que se expressa na determinação de realização de diligência para analisar os novos elementos apresentados, entre eles os novos livros contábeis, corrigidos extemporaneamente. Ocorre que o contribuinte não se desincumbiu de afastar a presunção legal, provando que os valores depositados não se referiam a receitas que deixaram de ser tributadas, mas confessou o contrário, em especial, ao oferecer novo valor tributável, mais próximo daquele lançado. Quanto à DIPJ entregue em 30/08/2008, fora da espontaneidade, cabe reproduzir o conteúdo da Súmula Carf nº 33, já manifestado no acórdão recorrido (fl.454): Súmula CARF n°33: A declaração entregue após o inicio do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio. Com relação à alegação de violação da intimidade ou da vida privada, observase que o próprio contribuinte anuiu com a exigência, apresentando os extratos solicitados pela fiscalização. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 545 6 Também não prospera a alegação de quebra de sigilo bancário em face da afirmação de que o procedimento teria sido instaurado a partir de divergências apuradas entre a receita declarada e a movimentação bancária levantada com base nos dados da CPMF. Conforme decidiu o STJ, ao apreciar o Agravo Regimental no Recurso Especial nº 798.061 SC, é legítima a utilização pelo Fisco, dos dados fornecidos pelas instituições financeiras com base na CPMF, para a instauração de procedimentos fiscais, verbis: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 798.061 SC (2005/01909816) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ART. 545, DO CPC. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 2. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3º da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 3. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6º dispõe: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 4. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 5. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 6. A exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 7. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 546 7 8. Agravo Regimental improvido. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, por violação aos princípios da legalidade, razoabilidade e segurança jurídica cumpre dizer que não compete a este colegiado negar a validade ou apreciar a inconstitucionalidade de lei, nos termos do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1 e da Súmula CARF nº 22. O art. 42 da Lei nº 9430/96 estabelece que, não infirmada a presunção, os depósitos em conta cuja origem não foi justificada constituemse em receita omitida e não em renda. Somente após a formação do lucro, nos termos do art. 518 do RIR/99, com base em tal receita omitida, é que se chega ao lucro, o qual para ser objeto de tributação, independe de sua destinação posterior. Assim, descabe alegação de que o mero depósito constitui presunção de renda, na medida em que o regime de tributação do contribuinte foi respeitado e este regime (lucro presumido) é quem faz a presunção de que parcela da receita é renda (8%). Relativamente à aplicação da Súmula 182 do antigo TRF, datada de 01/10/1985, e contrária ao arbitramento do IRPJ com base em depósitos bancários, cumpre asseverar que após a vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96 ela perdeu sentido, face à inovação legislativa introduzida, que atingiu pontos basilares nos quais se fundava. A jurisprudência do Carf orientase neste sentido, senão vejamos: “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA nº 182/TRF – Na hipótese de existência de depósitos bancários não escriturados, se a empresa não provar, mediante razoável correlacionamento individualizado, que sua origem é a escrita regularmente contabilizada e que os saldos de caixa englobam os montantes em depósito, tornase correta a ação fiscal que adiciona à receita bruta contabilizada os depósitos bancários 1 Ricarf ( Anexo II, Portaria MF. 343/2015)_: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1° O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1973. [...] 2 Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.002814/200929 Acórdão n.º 1302001.897 S1C3T2 Fl. 547 8 cuja origem não foi comprovada. (Acórdão 10319781, publicado no D.O.U de 17/03/1999) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 547DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA
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Numero do processo: 18471.000634/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS.
REPERCUSSÃO DE OUTRA EXIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DECLARADA POR DECISÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Desconstituído o lançamento que poderia repercutir na determinação da presente exigência, subsiste integralmente o crédito tributário mantido na decisão de 1ª instância, mormente se a parcela exonerada não se submete a reexame necessário.
Numero da decisão: 1302-001.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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REPERCUSSÃO DE OUTRA EXIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DECLARADA POR DECISÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Desconstituído o lançamento que poderia repercutir na determinação da presente exigência, subsiste integralmente o crédito tributário mantido na decisão de 1ª instância, mormente se a parcela exonerada não se submete a reexame necessário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 34 /2 00 6- 85 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000634/200685 Acórdão n.º 1302001.890 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório LOJAS AMERICANAS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por voto de qualidade, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 14/07/2006, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 14.851.732,61, sem acréscimo de multa de ofício. A contribuinte compensou bases negativas de CSLL nos anoscalendário 2003 e 2004 em montantes superiores ao limite legal de 30%. Os autos foram instruídos com as DIPJ dos anoscalendário fiscalizados (fls. 08/162) e com referências a diligência anterior, consignadas no Termo de Início de Fiscalização (fl. 163). Na intimação do auto de infração consta que o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo nº 96.00240329 da 30ª Vara Federal (art. 151, inciso II e IV do CTN), e na sequência do auto de infração e de seus demonstrativos de apuração (fls. 164/168) consta cópia de sentença proferida em Ação Ordinária nº 96.0024032 9, bem como decisão de embargos que estendeu a decisão judicial a prejuízos fiscais apurados após 31/12/95 (fls. 169/180). Em impugnação, a contribuinte requereu a apensação deste processo ao de nº 18471.000626/200639, dado que as alterações na base de cálculo da CSLL lá promovidas repercutiriam na presente exigência. A autoridade julgadora de 1ª instância questionou a reprodução dos ajustes decorrentes do lançamento no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário SAPLI, e, informando a Fiscalização a desnecessidade de tais registros ante a suspensão da exigibilidade do lançamento, proferiuse decisão declarando a desnecessidade de juntada dos processos, até porque a mesma Turma de Julgamento apreciou o processo administrativo nº 18471.000626/200639 e não alterou o lucro apurado nos anoscalendário de 2003 e 2004. Contudo, o crédito tributário principal lançado foi reduzido de R$ 11.005.866,06 para R$ 10.590.757,27, admitindose os efeitos de declaração retificadora apresentada pela contribuinte em 05/01/2007, na qual foi aumentada a base de cálculo da CSLL antes da compensação. A decisão de 1ª instância está assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 CORREÇÃO DO CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se corrigir o valor do crédito tributário, ante a constatação de apresentação de declaração retificadora alterando a base de cálculo da contribuição. O crédito tributário exonerado, porque desacompanhado de multa de ofício, foi inferior ao limite de alçado estabelecido pela Portaria MF nº 375/2001, não se sujeitando a reexame necessário. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000634/200685 Acórdão n.º 1302001.890 S1C3T2 Fl. 4 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 22/05/2007 (fl. 309), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 20/06/2007 (fls. 311/320), no qual reiterou que quaisquer modificações nas bases de calculo de CSLL apuradas pela RECORRENTE nos anoscalendário de 2003 e 2004 em virtude de decisão final proferida no processo administrativo n° 18471.000626/200639 terão reflexo na base tributável do AUTO e, portanto, no valor do crédito tributário nele exigido, razão pela qual o processo decorrente do AUTO deve ser apensado ao processo n° 18471.000626/200639, para posterior julgamento conjunto, ante a manifesta conexão que existe entre eles. A recorrente descreve a tributação de lucros auferidos no exterior veiculada no processo administrativo nº 18471.000626/200639, que teriam sido objeto de autuação no anocalendário 2002, mas adicionados pela contribuinte à base tributável de 2003, assim repercutindo no valor exigido nestes autos. Acrescenta não ter sido admitida naquela exigência a compensação de bases negativas, ainda que limitada a 30%, sob o entendimento de que a contribuinte já teria esgotado os saldos disponíveis ao utilizálos acima do limite legal nos períodos aqui autuados. O presente processo foi distribuído para relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner, que reconheceu a possibilidade de repercussão, na presente exigência, da decisão do processo administrativo nº 18471.000626/200639, e firmou que: Diante disso, a dependência do resultado do julgamento nos autos principais compromete o efetivo o julgamento deste processo neste momento, em face do risco de causar prejuízo irreversível ao direito de ampla defesa, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Acolhendo estes argumentos, a extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, na Resolução nº 1202000.176, decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos àquela relatora, para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Às fls. 773/792 consta cópia do Acórdão nº 1202000.959, proferido nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, que assim decidiu o litígio ali presente: Acordam os membros do colegiado, Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal para anular a exigência do IRPJ referente ao anocalendário 2001. Vencido o conselheiro Carlos Fl. 860DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000634/200685 Acórdão n.º 1302001.890 S1C3T2 Fl. 5 4 Alberto Donassolo que rejeitava a preliminar de nulidade. O conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou o voto pelas conclusões. Com base nessa decisão, em relação ao processo apensado, nº 10768.002416/200214, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar à unidade de origem que verifique a suficiência do saldo negativo de IRPJ para fins de homologação ou não da compensação pretendida, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Quanto ao recurso de ofício, pelo voto de qualidade, em face da concomitância com a esfera judicial, em dar parcial provimento para restabelecer o crédito tributário referente à variação cambial do investimento na empresa Klanil, do anocalendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. O acórdão está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2003, 2004, 2005 CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. PARCIAL. Detectada uma discussão judicial sobre matéria objeto de autuação, deve ser restabelecida a parte do lançamento respectiva, observandose a Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. MODIFICAÇÃO SUBSTANCIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A previsão legal de lançamento complementar não alcança a hipótese de alteração do próprio fato gerador em seus aspectos temporal e fático. Houve embargos ao Acórdão nº 1202000.959, decididos por meio do Acórdão nº 1202001.078, no qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara conclui por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir as omissões apontadas sem, contudo, alterar o quanto decidido no Acórdão 1202000.959. Por unanimidade de votos, em suprir, ex officio, omissão constante do referido acórdão para estender à CSLL apurada reflexamente o quanto decidido em relação ao IRPJ. Às fls. 807/825 constam os documentos que instruiriam a liquidação dos acórdãos proferidos no processo administrativo nº 18471.000626/200639, seguindose o despacho de fls. 826/842 que relata todas as ocorrências do processo administrativo e firma a seguinte situação após a manifestação do CARF: a) Quanto aos valores oferecidos à tributação previamente à autuação sofrida, não há reparos à decisão da DRJ que cancelou os lançamentos sobre IRPJ e CSLL dos anos base 2002 a 2004, e parcialmente sobre a CSLL no ano base 2001 (fl. 1201), ou seja, todas as atuações ocorridas nos períodos descritos foram canceladas pela DRJ e tal decisão foi mantida pelo Carf (fl. 1201); (b) No que se refere à variação cambial referente à equivalência patrimonial, o Carf entendeu que a Fazenda estava correta ao afirmar que o contribuinte já tinha recorrido previamente à esfera judicial com o objetivo de se desobrigar de tributar o resultado positivo da equivalência patrimonial, incluindo a variação cambial do investimento (fl. 1203), o que impediria aquele Conselho de se manifestar a respeito da autuação de IRPJ e CSLL relativas ao valor de R$ 163.290.144,73 (fl. 1203), sendo tal manifestação fundamentada na tentativa de afastar a aplicação do §1º do art. 7º da IN SRF nº 213, de 2002, ou seja, foi restabelecida a atuação sobre a variação cambial, previamente inadmitida pela DRJ; (c) em relação à alteração realizada no auto de infração complementar, com o mero deslocamento da autuação sobre os lucros auferidos pela investida Cheyney do ano base 2002 para o ano base 2001, o Carf entendeu que, ao positivar as hipóteses de Fl. 861DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000634/200685 Acórdão n.º 1302001.890 S1C3T2 Fl. 6 5 cabimento de lançamento complementar, o art. 41 do Decreto nº 7.574 de 2011 apenas fez esclarecer aos operadores do direito como deve ser aplicado o §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, tendo nítido caráter interpretativo, e a situação adotada pela Fiscalização no presente caso (em relação à investida Cheyney) não se enquadra em nenhuma delas. Pretendeu se meramente substituir um lançamento pelo outro, dentro do mesmo processo, sob fundamentos diversos (fl. 1207). Portanto, em face da nova fundamentação legal apontada no auto de infração complementar, verificase que houve alteração do próprio fato gerador do IRPJ considerado, quer em relação à data de sua ocorrência, de 31/12/2002 para 31/12/2001, quer em relação ao seu fundamento fático, qual seja, a disponibilização de lucros, sem que tivesse havido a introdução de qualquer elemento novo. Portanto, a decisão do Carf se deu no sentido de que o lançamento de IRPJ referente ao ano base de 2001 deveria ser anulado (fl. 1207). Na sequência, abordando a ação judicial que repercutia sobre o crédito tributário restabelecido no exame do recurso de ofício do recurso de ofício interposto nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, e firmando a existência de decisão judicial transitada em julgado contrária à tributação da variação cambial integrada ao resultado da equivalência patrimonial, mas admitindo a incidência sobre o resultado da controlada ali computado, a autoridade fiscal registra que: No caso em tela, portanto, o valor de R$ 163.290.144,73 (variação cambial da equivalência patrimonial da investida Klanil em 2002) não pode ser somado à base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL para efeito de lançamento via auto de infração. E o resultado da equivalência patrimonial da investida Klanil em 2002 já havia sido oferecido à tributação previamente ao auto de infração controlado pelo p.p., conforme manifestação da DRJ, itens 36 e 37, fl. 973, sob a justificativa de que o interessado ofereceu à tributação R$ 39.282.422,32, correspondente a sua participação no lucro auferido por Klanil em 2002 (Resumo dos Lucros no exterior, fl. 244), valor superior aos cálculos da equivalência patrimonial. Além disso, verificouse que o Lalur de dezembro de 2003 (fl. 349) confirma a adição do valor de R$ 56.552.858,00, bem como a DIPJ 2004 retificadora, que demonstra o aumento da linha 23 do Ficha 09A, no exato valor de R$ 56.552.858,00 (fl. 1354). Frente a tais circunstâncias, considerando não restar débito passível de cobrança nos lançamentos formalizados nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, determinouse a extinção por medida judicial, com data de 03/09/2013, dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls . 1387 e 1388,, bem como a extinção por julgamento administrativo da impugnação dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls. 1365 a 1372. Com estas informações acerca da decisão final do processo administrativo nº 18471.000626/200639 os autos deste processo retornaram a este Conselho em observância à Resolução nº 1202000.176. Com a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara os autos aguardavam sorteio na 1ª Seção de Julgamento mas foram distribuídos a esta Conselheira em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 10768.001910/200423, conforme fls. 854/856. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000634/200685 Acórdão n.º 1302001.890 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Quanto às alegações apresentadas pela contribuinte, restou evidenciado no relatório que não subsistiram as acusações fiscais formuladas nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, de modo que a apuração da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário 2003 e 2004 permanece com os contornos examinados na auditoria da qual resultou na presente exigência, inexistindo razão para outras alterações do crédito tributário apurado. Esclareçase, por oportuno, que, em consulta ao sítio do TRF/2ª Região, constatase o provimento à remessa necessária e à apelação da União para afastar o requerimento da contribuinte e outras autoras, consistente no reconhecimento do suposto direito de compensar integralmente os prejuízos fiscais apurados mesmo após 31 de dezembro de 1995, afastadas as limitações quantitativas e temporais impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95. Em exame de agravo interno restou expresso que a limitação legal aplicavase aos prejuízos acumulados até 31/12/94. Há notícia, ainda, de interposição de recurso extraordinário em 21/08/2013, com sobrestamento acerca de sua admissibilidade em 12/08/2015 em razão da repercussão geral reconhecida nos autos do RE nº 591.340/SP, e consequente baixa dos autos ao Juízo de origem. Em 04/02/2016 foi determinada a suspensão do processo em 1ª instância para aguardar decisão de instância superior. Acrescentese que o RE nº 591.340/SP aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal, depois de reconsiderada a decisão de aplicarse, ali, o que decidido no RE nº 344.994/PR. Assim, há clara concomitância que limita a apreciação do mérito da exigência nesta instância de julgamento, a teor da Súmula CARF nº 01 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.). Aliás, possivelmente por esta razão a recorrente não deduziu qualquer argumento acerca da limitação legal à compensação de prejuízos. Com referência à redução promovida pela autoridade julgadora de 1ª instância, na medida em que o montante exonerado não se submete a reexame necessário, nada há a ser apreciado por este Colegiado. Assim, ante a insubsistência das exigências formuladas no processo administrativo nº 18471.000626/200639, resta apenas NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 863DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000634/200685 Acórdão n.º 1302001.890 S1C3T2 Fl. 8 7 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13768.720104/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública.
Recurso Voluntário Provido e Parte.
Numero da decisão: 2201-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução no valor de R$ 21.600,00. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento integral ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Recurso Voluntário Provido e Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução no valor de R$ 21.600,00. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento integral ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 72 01 04 /2 01 3- 37 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13768.720104/201337 Acórdão n.º 2201003.237 S2C2T1 Fl. 101 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 23), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Vitória. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Cód. DARF Valores (R$) Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (sujeito à multa de ofício) 2904 7.152,19 Multa de Ofício (passível de redução) 5.364,14 Juros de Mora (calculado até 28/03/2013) 507,09 Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (sujeito à multa de mora) 0211 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros de Mora (calculado até 28/03/2013) 0,00 Valor do Crédito Tributário Apurado 13.023,42 O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. A glosa no valor de R$ 57.571,31, correspondente à dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, foi efetuada por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação dos fatos: Foi glosado o valor deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, declarado como pago a Tereza Augusta Pimentel, por falta de comprovação. O contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2012/675556794301269 e também não comprovou a transferência ou depósito dos rendimentos da fonte pagadora Ministério da Saúde para a alimentanda. A base legal do lançamento encontrase na referida Notificação de Lançamento. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13768.720104/201337 Acórdão n.º 2201003.237 S2C2T1 Fl. 102 3 O interessado tomou ciência da Notificação de Lançamento em 22/03/2013 (fl. 58) e, em 12/04/2013, apresentou a Impugnação (fls. 02/03) alegando, em síntese, que: 1. Fora notificado em outra oportunidade, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2012/675556794301269, para fazer a juntada da prova de repasse (efetiva entrega) dos valores consignados em sua declaração à sua ex esposa, Tereza Augusta Pimentel, tendo juntado na oportunidade toda a documentação que possuía, contudo, ao ver do DD Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não logrou êxito em comprovar com o respectivo recibo de pagamento à mesma, 2. Não obstante o relacionamento do casal se deu há bastante tempo, não é muito fácil a obtenção dos recibos da mesma, que embora faça sua declaração de Imposto de Rendas, atribuindo naquela, todos os valores recepcionados do impugnante, não recebe os valores diretamente dele, como se vê nos extratos de conta corrente junto ao Banco do Brasil. 3. Observese que consta de todos os extratos como primeiro lançamento o Recebimento de Proventos, que totalizam os valores declarados pelo impugnante. 4. Ressalta, que embora a conta corrente 302.5169 Junto ao Banco do Brasil S/A, Agência 3084a (Vitória ES), ainda seja conjunta, é movimentada apenas e tão somente pela Sra, Tereza Augusta Pimentel, cujos extratos foram obtidos para comprovarem que a Sra. Tereza recebe o líquido dos pagamentos feitos pelo Ministério da Saúde, devidos ao impugnante, e repassada diretamente para ela. 5. Se a pensionada declarou no seu imposto de rendas, valores equivalentes aos que são providos pelo impugnante, que seria uma obrigação dela, de conformidade com o que determinou a R. Sentença homologada pelo MM Juiz de Direito da Comarca de Linhares ES, glosar do impugnante tais valores seria uma cobrança em duplicidade, ou melhor dizendo, uma verdadeira bi tributação, o que não é permitido no presente caso. Por fim, requer o acolhimento da impugnação. Passo adiante, 6ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que comprovada mediante documentação hábil e idônea. Cientificado em 16/08/2013 (Fls. 69), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/09/2013 (fls. 71 a 74), argumentando em síntese: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13768.720104/201337 Acórdão n.º 2201003.237 S2C2T1 Fl. 103 4 (...) Não bastassem os documentos juntados, há no acordo a estipulação de um valor a ser corrigido sempre que corrigir o Ministério da Saúde. Pois bem: se antes ganhava R$ 1.800,00 e tudo passou a pertencer a exesposa como forma de Pensão Alimentícia, toda vez que os valores foram corrigidos ela também ficou com todos eles, se assim não o fosse ela não teria declarado no documento que se encontra nos autos. Então, houve aumento; havia a previsão; e todo o valor líquido ficou para ela. Haveria necessidade de se fazer algum termo suplementar e homologar na justiça para que os valores fossem corrigidos? Claro que não! Já havia a previsão e todo o valor depositado pelo Ministério da Saúde, decorrente do vínculo ali descrito seria transferido diretamente para a exesposa. Ora, se não houvesse tal entendimento, certamente que ela, a exesposa não assinaria quaisquer documentos em favor do Recorrente, pois se assim fizesse estaria fazendo prova contra ela mesma. É muito simples à Receita Federal exigir que se comprove, em cada momento, desde 2005 até agora, quais os reajustes, através de planilhas de forma que se chegasse ao final com o valor dos reajustes havidos e não apenas fazer a comprovação do repasse líquido em sua totalidade. (...) Conforme planilha em anexo, das declarações que se encontram em poder do declarante, vêse que sempre foi repassado todo o valor recebido do Ministério da Saúde, inclusive o 13a Salário, cujos valores não coincidem os valores, redondamente, por ter sido descontado algum valor do Ministério da Saúde que não foram detectados na declaração do expoente, (fragmentos das declarações em anexo) Verbis: DECLARAÇÃO MINISTÉRIO DA SAÚDE PENSÃO ALIMENTÍCIA ANO/EXERCÍCIO BRUTO IRRF INSS 13. Sal LÍQUIDO TEREZA A. PIMENTEL 2006/2007 30.585,54 1.557,83 3.226,63 1.938,70 27.739,78 27.723,16 2007/2008 31.162,12 1.719,74 3.228,75 1.947,22 28.160,85 25.984,55 2008/2009 31.982,04 1.611,43 3.392,48 1.956,09 28.934,22 26.768,00 2009/2010 29.443,81 751,22 3.129,15 2.099,63 27.663,07 25.025,78 2010/2011 54.304,78 5.184,00 5.795,26 4.176,21 47.501,73 45.122,98 2011/2012 72.427,04 8.781,76 7.562,74 4.469,99 60.552,53 57.571,31 2012/2013 74.116,37 8.664,02 7.876,06 3.838,20 61.414,49 60.879,47 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13768.720104/201337 Acórdão n.º 2201003.237 S2C2T1 Fl. 104 5 (...) Assim, não seria lícito ou obrigação do Recorrente em conferir os valores lançados na Declaração de Imposto de Renda de sua ex esposa, que em razão da separação, se já era difícil a convivência, ainda ficou pior. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, cumpre ressaltar que trata o presente litígio de glosa de pensão alimentícia no valor de R$ R$ 57.571,31. Entendeu a Fiscalização que: Foi glosado,o valor deduzido á titulo de Pensão Alimentícia Judicial, declarado como pago a Tereza Augusta Pimentel, por falta de comprovação. O contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal n.22012/675556794301269 e também não comprovou a transferência ou deposito dos rendimentos da fonte pagadora Ministério da Saúde para a alimentanda. Em seu julgamento, entendeu a DRJ que: "Primeiramente, seria necessário que o interessado informasse os valores devidos a serem pagos, isto é, realizasse os cálculos previstos no acordo judicial, uma vez que o acordo foi homologado no ano de 2005 e estes pagamentos se referem ao ano de 2011. Há que se fazer os reajustes necessários de acordo com os proventos do Ministério da Saúde. O interessado não anexou aos autos quaisquer valores calculados ou reajustados, nem quaisquer documentos que comprovem seus rendimentos de 2005 a 2011. Dessa forma, restam indefinidos os valores a serem pagos a título de pensão alimentícia. No que diz respeito aos extratos anexados aos autos, o contribuinte afirma que embora esta seja uma conta corrente conjunta (dele com a pensionada), esta é movimentada apenas e tão somente pela Sra. Tereza Augusta Pimentel, cujos extratos foram obtidos para comprovarem que a Sra. Tereza recebe o líquido dos pagamentos feitos pelo Ministério da Saúde, devidos ao impugnante, e repassada diretamente para ela. Mas o contribuinte não juntou aos autos quaisquer documentos que viessem a confirmar suas alegações." Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13768.720104/201337 Acórdão n.º 2201003.237 S2C2T1 Fl. 105 6 Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública Assim estabelece a legislação: Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 Art. 21. O inciso II do caput do art. 4º e a alínea f do inciso II do caput e o § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , passam a vigorar com a seguinte redação: II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Mesmo alertado pela DRJ da necessidade apresentar os comprovantes de pagamentos, que informassem os valores devidos a serem pagos com os proventos do Ministério da Saúde, calculados e reajustados de acordo com o previstos no acordo judicial, o Recorrente não anexou aos autos quaisquer valores calculados ou reajustados. Neste ponto, observo que o acordo homologado judicialmente assim estabelece o pagamento da pensão: (fls.08 dos autos) Inobstante não se saiba quais as proporções dos reajustes ocorridos, o fato é que, no mínimo, se sabe da obrigação do contribuinte pagar o valor mensal de R$1.800,00; que perfaz a obrigação de pagamento de R$21.600,00 por ano. Por oportuno, esclareço que consta na página 36 dos autos declaração de recebimento de pensão alimentícia datada de 28/03/2013, e assinada pela beneficiária Tereza Augusta Pimentel (com firma reconhecida) (fl. 36), no valor correspondente a R$ 57.571,31. Tenho o entendimento de que a declaração faz prova de pagamento; posto que preenche todos os requisitos legais e dá quitação ao pagamento de pensão alimentícia, que, é um dos poucos casos em que pode haver a prisão do alimentante em razão da falta de pagamento. Assim, perante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução do valor com certeza conhecido de R$21.600,00 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13768.720104/201337 Acórdão n.º 2201003.237 S2C2T1 Fl. 106 7 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor R$21.600,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10925.002687/2005-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
SERVIÇOS DE REPAROS E CONSERTOS DE MÓVEIS E EMBARCAÇÕES. ATIVIDADES NÃO VEDADAS PARA INCLUSÃO NO SIMPLES.
A atividade de reparo, manutenção e conserto de embarcações de lazer de pequeno porte não pode ser confundida com atividade privativa do engenheiro civil ou naval. É preciso distinguir o ato de projetar uma embarcação, privativo de profissional habilitado, das atividades manuais ou mecânicas necessárias à execução do projeto.
Numero da decisão: 9101-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SERVIÇOS DE REPAROS E CONSERTOS DE MÓVEIS E EMBARCAÇÕES. ATIVIDADES NÃO VEDADAS PARA INCLUSÃO NO SIMPLES. A atividade de reparo, manutenção e conserto de embarcações de lazer de pequeno porte não pode ser confundida com atividade privativa do engenheiro civil ou naval. É preciso distinguir o ato de projetar uma embarcação, privativo de profissional habilitado, das atividades manuais ou mecânicas necessárias à execução do projeto.
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ATIVIDADES NÃO VEDADAS PARA INCLUSÃO NO SIMPLES. A atividade de reparo, manutenção e conserto de embarcações de lazer de pequeno porte não pode ser confundida com atividade privativa do engenheiro civil ou naval. É preciso distinguir o ato de projetar uma embarcação, privativo de profissional habilitado, das atividades manuais ou mecânicas necessárias à execução do projeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 26 87 /2 00 5- 62 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002687/200562 Acórdão n.º 9101002.378 CSRFT1 Fl. 143 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401000.541 (efls. 117 e segs), pela 4ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 26/05/2011, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar o ato de exclusão do SIMPLES Federal. Dos Fatos De acordo com o Ato Declaratório da Receita Federal, e a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS), dentre as atividades jurídicas, encontrase a de realizar "serviços de reparação de embarcações de pequeno porte para esporte e lazer e produtos náuticos", que pressupõe a supervisão de um engenheiro ou, pelo menos, um profissional legalmente habilitado, situação que implica em vedação à opção pelo SIMPLES, nos termos do art. 9º, inc. XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em face da exclusão do SIMPLES, que foi indeferida pela 5ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão nº 0716.166 (efls. 77 e segs.), conforme ementa a seguir: EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja a prestação de serviços de reparos de embarcações estão impedidas de optar pelo Simples. Aduziu a contribuinte que, nos termos do contrato social, executa a atividade de reparação e conserto de embarcações de lazer, comércio de pecas, acessórios, produtos e equipamentos para embarcações de lazer e produtos náuticos, tarefas que prescindem da atuação de profissional de engenharia, razão pela qual não deveria ter sido excluída do SIMPLES. Por sua vez, entendeu o colegiado da DRJ/Florianópolis que, conforme normatização dos órgãos reguladores das profissões, as atividades de manutenção e reparos são típicas de engenheiro e de técnicos. Ainda que a pessoa jurídica explore as atividades sem a atuação de profissional registrado no CREA, estaria impedida de optar pelo SIMPLES, vez que Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002687/200562 Acórdão n.º 9101002.378 CSRFT1 Fl. 144 3 se tratam de atividades atinentes aos engenheiros e técnicos, encontrando vedação expressa no art. 9º, inc. XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reforçando os argumentos expostos na impugnação. No Acórdão nº 1401000.541 (efls. 117 e segs), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, foi dado provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa: SERVIÇOS DE REPAROS E CONSERTOS DE MÓVEIS E EMBARCAÇÕES. ATIVIDADES NÃO VEDADAS PARA INCLUSÃO NO SIMPLES. SITUAÇÃO SEMELHANTE A REGRA CONTIDA NA SÚMULA N° 57. RECURSO PROVIDO. A atividade de executar tarefas de instalação e manutenção, não pode ser confundida com atividade privativa do engenheiro civil ou naval. É preciso distinguir o ato de projetar uma embarcação, privativo de profissional habilitado, das atividades manuais ou mecânicas necessárias à execução do projeto. Caso concreto que revela situação análoga ao disposto na Súmula n° 57, do CARF, que prevê que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Foi interposto Recurso Especial pela PGFN (efls. 126 e segs.), no qual se utiliza dos mesmos argumentos empregados pela decisão de primeira instância, citando a Resolução CONFEA nº 218, de 1973, para concluir que as atividades desempenhadas pela empresa estaria no âmbito de competência de engenheiro legalmente habilitado, situação que encontra vedação para adesão ao SIMPLES. Sustenta também que a contribuinte não teria comprovado o enquadramento na Decisão Normativa Confea nº 42/92, que dispensou de registro as oficinas de reparo em embarcações de até 20 AB (arqueações brutas). O despacho de admissibilidade de efls. 132/134 deu seguimento ao RE da PGFN. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002687/200562 Acórdão n.º 9101002.378 CSRFT1 Fl. 145 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Quanto à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 132/134, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal 1, e conheço do Recurso Especial. A matéria em debate trata de vedação ao SIMPLES Federal disposta no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;(grifei) (...) No caso concreto, inserese dentre as atividades desempenhadas pela contribuinte a de reparação e conserto de embarcações de lazer. Por sua vez, a recorrente valese da Resolução CONFEA nº 218, de 1973, para concluir que as atividades desempenhadas pela contribuinte, além de competência de técnicos, seria também de engenheiros, e por isso estariam enquadradas na vedação legal. Questão que se coloca é que, diante de atividades que são concorrentes, ou seja, que podem ser exercidas tanto por engenheiros quanto por técnicos e tecnólogos, caso a pessoa jurídica execute tais atividades por profissionais que não sejam engenheiros, estaria incorrendo na vedação disposta pela lei? Entendo que a atividade de engenheiro, ou assemelhados, tratada no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, diga respeito a competência privativa da profissão. Eventuais atividades concorrentes com a engenharia, não privativas ao engenheiro, prestadas 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002687/200562 Acórdão n.º 9101002.378 CSRFT1 Fl. 146 5 por outros profissionais com a devida autorização do órgão regulador (no caso, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), não se encontrariam vedadas para adesão ao regime especial de tributação. Vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos dos dispositivos da Resolução n.º 218, de 29/06/1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), que regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. (...) Art. 15 Compete ao ENGENHEIRO NAVAL: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002687/200562 Acórdão n.º 9101002.378 CSRFT1 Fl. 147 6 I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a embarcações e seus componentes; máquinas, motores e equipamentos; instalações industriais e mecânicas relacionadas à modalidade; diques e portabatéis; operação, tráfego e serviços de comunicação de transporte hidroviário; seus serviços afins e correlatos. (...) Art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Percebese que as atividades 15 (Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção), 16 (Execução de instalação, montagem e reparo) e 17 (Operação e manutenção de equipamento e instalação) não são privativas do engenheiro naval, tendo competência também o técnico de nível superior, o tecnólogo e o técnico de grau médio. Portanto, a vedação ao SIMPLES Federal estabelecida no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, ao se referir a serviços profissionais de engenheiro, ou assemelhados, não abrange a execução de atividades cuja competência seja concorrente a outros profissionais regularmente autorizados (no caso, pelo CONFEA). Na realidade, não são atividades típicas de um engenheiro, de competência privativa ou exclusiva. O entendimento veio a ser confirmado pela legislação posterior, do SIMPLES Nacional, conforme esclarece o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101 00.284: A legislação aplicável à micro empresa confirma este entendimento: da leitura conjunta dos arts. 146 e 179 da Constituição, de 1988, o primeiro com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 2003 , e do art. 94 do ADCT, posto pela mesma Emenda, extraise que o SIMPLES Nacional, criado pela Lei Complementar n° 123, de 2006, veio substituir o SIMPLES Federal, criado pela Lei n° 9.317, de 1996. Nesse passo, analisandose as condições estabelecidas para adesão ao SIMPLES Nacional, percebese que a partir da Lei Fl. 147DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002687/200562 Acórdão n.º 9101002.378 CSRFT1 Fl. 148 7 Complementar n° 128, de 18 de dezembro de 2008, ficou explicitado que os "serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral" não vedam a opção, embora serviços de engenharia estejam fora do sistema. Ou seja, a evolução da legislação demonstra que os serviços de manutenção em geral, assistência técnica, instalação e reparos não são equiparados a serviços profissionais de engenharia. Diante do entendimento exposto, registro que resta superado ponto suscitado pela recorrente, de que a contribuinte não teria comprovado o enquadramento na Decisão Normativa Confea nº 42/92, que dispensou de registro as oficinas de reparo em embarcações de até 20 AB (arqueações brutas). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso da PGFN, e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10380.007794/2002-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
INCENTIVO FISCAL - FINOR. CRITÉRIOS PARA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. VÍCIO DE OBSCURIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS.
Embora o acórdão embargado tenha adotado o mesmo entendimento defendido pela PGFN em seu recurso especial, ou seja, de que a regularidade fiscal deve ser verificada em relação à data de opção pelo incentivo (e não à data do despacho da Delegacia da Receita Federal que examina o PERC), ele também admitiu que a comprovação da quitação das pendências pudesse ser feita no decorrer do processo administrativo, conforme a Súmula CARF nº 37, e foi precisamente esse segundo fundamento que motivou a negativa do recurso especial. Embargos de declaração acolhidos para sanar vício de obscuridade, mantida a negativa para o recurso especial da PGFN.
Numero da decisão: 9101-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos conhecidos e acolhidos sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 INCENTIVO FISCAL - FINOR. CRITÉRIOS PARA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. VÍCIO DE OBSCURIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Embora o acórdão embargado tenha adotado o mesmo entendimento defendido pela PGFN em seu recurso especial, ou seja, de que a regularidade fiscal deve ser verificada em relação à data de opção pelo incentivo (e não à data do despacho da Delegacia da Receita Federal que examina o PERC), ele também admitiu que a comprovação da quitação das pendências pudesse ser feita no decorrer do processo administrativo, conforme a Súmula CARF nº 37, e foi precisamente esse segundo fundamento que motivou a negativa do recurso especial. Embargos de declaração acolhidos para sanar vício de obscuridade, mantida a negativa para o recurso especial da PGFN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos conhecidos e acolhidos sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.007794/200239 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101002.309 – 1ª Turma Sessão de 03 de maio de 2016 Matéria IRPJ/PERC Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CASCAJU AGROINDUSTRIAL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. CRITÉRIOS PARA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. VÍCIO DE OBSCURIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Embora o acórdão embargado tenha adotado o mesmo entendimento defendido pela PGFN em seu recurso especial, ou seja, de que a regularidade fiscal deve ser verificada em relação à data de opção pelo incentivo (e não à data do despacho da Delegacia da Receita Federal que examina o PERC), ele também admitiu que a comprovação da quitação das pendências pudesse ser feita no decorrer do processo administrativo, conforme a Súmula CARF nº 37, e foi precisamente esse segundo fundamento que motivou a negativa do recurso especial. Embargos de declaração acolhidos para sanar vício de obscuridade, mantida a negativa para o recurso especial da PGFN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos conhecidos e acolhidos sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 77 94 /2 00 2- 39 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 3 2 EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 9101001.453, exarado por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em 14/08/2012. No presente processo, em sede de recurso especial, a PGFN suscitou divergência de interpretação da legislação tributária quanto à definição do momento para a comprovação da regularidade fiscal pela contribuinte que pretende gozar de benefício relativo à aplicação em incentivos fiscais FINOR. O acórdão embargado possui a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADES. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator. Na peça de embargos, a PGFN alega: que o Colegiado negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em que se discutia o momento apropriado para aferição da regularidade fiscal do contribuinte; que a Turma se equivocou acerca do posicionamento defendido pela União; que a União defende a tese de que a regularidade fiscal deve ser aferida tendo como parâmetro a data da opção pelo incentivo fiscal, que corresponde à data da entrega da DIPJ (e não a data do despacho); Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 4 3 que tal posicionamento, aliás, s.m.j., coincide com a afirmação constante no quarto parágrafo da fl. 177verso do voto condutor do acórdão embargado; que, inicialmente, há necessidade de correção da descrição do caso, a fim de que não restem dúvidas acerca do posicionamento defendido pela Fazenda Nacional; que a há priori há coincidência entre a posição defendida pela União e a adotada pela Turma ora embargada; que o contribuinte não demonstrou que estava regular à data da opção pelo beneficio; e que o Colegiado deve esclarecer por qual razão foi negado provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, explicitando seu posicionamento sobre o tema. Com base no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (seja o RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, seja pela Portaria MF nº 343/2015), os embargos foram admitidos e encaminhados ao colegiado para o exame de seu mérito, conforme Despacho do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais exarado em 25/11/2015, nos seguintes termos: Os embargos de declaração estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 1 e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: O acórdão ora recorrido posicionase no sentido de que a regularidade fiscal do requerente deve ser aferida pela quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Por sua vez, a Fazenda Nacional se posiciona no sentido de que tal entendimento não merece guarida, devendo prevalecer a tese de que, para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável a regularidade fiscal da empresa na data do despacho. Firmo a minha convicção de que a data mais correta é o momento da opção pelo incentivo, qual seja: a data da entrega da Declaração de Rendimentos, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. A situação de obscuridade na motivação do acórdão embargado está apontada objetivamente e se refere ao momento apropriado para aferição da regularidade fiscal do Sujeito Passivo para fins de utilizarse do benefício fiscal (art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995 e § 3º do art 50 da Lei nº 9.784, de 1999). Assim, está configurada a obscuridade pois há falta de clareza na redação do julgado, tornando difícil dele terse a exata interpretação. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 5 4 Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. Encaminhese o presente processo ao SESEJ1ªTURMACSRF para inclusão em lote de sorteio à membro da 1ª Turma da CSRF, nos termos do art. 49, § 5º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista que o relator original não pertence mais ao colegiado. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Os embargos de declaração estão dotados dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. O litígio contido neste processo versa sobre o indeferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativamente a valores destinados pela Contribuinte ao fundo de investimento FINOR. A aplicação neste fundo de investimento é referente ao anobase de 1998, exercício de 1999, e a negativa do PERC, pela Delegacia da Receita Federal, foi motivada pelo não atendimento do disposto no art. 60 da Lei 9.069/1995: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo legal não indica o momento em relação ao qual deve ser verificado o cumprimento da condição para a concessão/reconhecimento do incentivo, e foi especificamente em torno dessa questão que o debate se desenvolveu no curso do processo. A decisão de primeira instância administrativa (DRJ) manteve a negativa em relação ao PERC, mas o acórdão que julgou o recurso voluntário da Contribuinte (decisão de segunda instância) reconheceu o direito ao incentivo fiscal. Em sede de recurso especial, a PGFN suscitou divergência de interpretação da legislação tributária quanto à definição do momento para a comprovação da regularidade fiscal pela contribuinte que pretende gozar de benefício relativo à aplicação em incentivos fiscais FINOR. O acórdão desta 1ª Turma da CSRF (ora embargado) negou provimento ao recurso especial da PGFN, confirmando o reconhecimento do direito ao incentivo fiscal. Realmente, há uma obscuridade no acórdão embargado que precisa ser sanada. É que ele sustenta que a Fazenda Nacional defende a tese "de que, para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável a regularidade fiscal da empresa na data do despacho". Mas, de fato, não é essa a tese defendida pela Fazenda Nacional. A tese defendida pela PGFN é de que o contribuinte deve demonstrar a sua regularidade fiscal no momento em que faz a opção pelo beneficio. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 7 6 Ainda de acordo com a PGFN, não se poderia aceitar que a comprovação da quitação das pendências apontadas pela autoridade de primeira instância se desse em grau de recurso voluntário. E foi nesse passo que ela apresentou o recurso especial, para questionar a decisão da Câmara a quo, que julgou ser possível deferir o pedido de emissão mesmo que o contribuinte não comprove a regularidade fiscal na data da apresentação do pedido, admitindo a apresentação dessa prova no decorrer do processo. A decisão apontada como paradigma de divergência é no sentido de que o contribuinte, para fazer jus ao incentivo fiscal, deve demonstrar a sua regularidade no momento em que solicita a emissão do certificado (apresentação da DIPJ). Cabe então esclarecer que a PGFN realmente não sustenta tese que toma como referência a data do despacho que examina o PERC, mas sim o momento em que a Contribuinte faz a opção pelo benefício, ou seja, a data de apresentação da declaração (DIPJ), para fins de se verificar a regularidade fiscal, que é condição para a fruição do benefício. Contudo, esse esclarecimento não implica em alteração do que restou decidido no acórdão embargado. O aspecto que realmente influiu no acórdão embargado não foi propriamente o momento que deve ser tomado como referência para a verificação da regularidade fiscal, se a data da opção pelo benefício (entrega da declaração), ou a data da análise do PERC pela Delegacia da Receita Federal. O ponto relevante é (1) se essa comprovação deve estar baseada em informações colhidas contemporaneamente à opção, ou (2) se a comprovação da regularidade (incluindose aí a própria quitação das pendências) pode ser feita no curso do processo administrativo. A transcrição a seguir demonstra que o acórdão embargado encampou a segunda opção desse último parágrafo: [...] A decisão de Segunda Instância foi favorável ao pleito do contribuinte, sob o argumento básico de que a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber a data em que deve ser verificada a regularidade fiscal da empresa, se na data da apresentação da DIRPJ ou no momento do despacho no PERC ou se ainda pode ser em algum momento posterior durante o trâmite do processo. O acórdão ora recorrido posicionase no sentido de que a regularidade fiscal do requerente deve ser aferida pela quitação de tributos e Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 8 7 contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Por sua vez, a Fazenda Nacional se posiciona no sentido de que tal entendimento não merece guarida, devendo prevalecer a tese de que, para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável a regularidade fiscal da empresa na data do despacho. Firmo a minha convicção de que a data mais correta é o momento da opção pelo incentivo, qual seja: a data da entrega da Declaração de Rendimentos, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. [...] Não há dúvidas de que face as condições dinâmicas da atividade a situação do postulante ao beneficio pode variar de "sem débito em aberto" a "com débito em aberto", propiciando o surgimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária. Assim, dependendo da data em que seja verificada a situação do contribuinte, pode ser ou não concedido o benefício pleiteado. Essa incerteza no tempo com relação à situação fiscal não satisfaz aos ditames do principio da segurança jurídica. Assim, se faz necessário adotar um único momento para avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte, pleiteante de benefícios fiscais. [...] No caso em discussão, observase que o contribuinte foi instado a regularizar pendências junto à Receita Federal e à Divida Ativa da União, através da intimação de fls. 53/54, não logrando, em tempo hábil, comprovar a sua regularidade fiscal, condição essencial à fruição do benefício fiscal. Ocorre, que agora em grau de recurso, a Recorrente apresenta às fls. 140/142, Certidões Positivas com Efeito de Negativas tanto da Secretaria da Receita Federal como da Dívida Ativa da União, emitidas, respectivamente, nas datas de 23 de junho de 2005 e 24 de agosto de 2005, impondo, por conseguinte, o gozo do beneficio dos incentivos fiscais, eis que os débitos junto a Receita Federal e a ausência da Certidão da Divida Ativa que originou o indeferimento inicial, encontramse ausentes no presente momento. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte é de se acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e, no mérito, negolhe provimento. O acórdão embargado incorreu em obscuridade, porque ele elenca inicialmente três momentos para a verificação da regularidade fiscal (1 apresentação da DIRPJ, 2 despacho de exame do PERC, 3 algum momento posterior durante o trâmite do processo); depois indica que o momento correto é a apresentação da DIRPJ; mas ao final Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 9 8 admite certidões emitidas posteriormente, no curso do processo, que comprovariam a inexistência dos débitos inicialmente indicados pela Delegacia da Receita Federal. A forma como o acórdão embargado apresentou a questão dificulta a compreensão do problema. O debate sobre o momento em relação ao qual deve se verificar a regularidade fiscal surgiu porque os débitos indicados para a negativa do benefício, nos inúmeros processos que tratavam de PERC, nem sempre eram contemporâneos da data de opção pelo incentivo. E era esse tipo de situação que demandava decidir se a referência temporal para a verificação da regularidade fiscal era a data de opção (entrega da DIPJ) ou a data do despacho de exame do PERC (que poderia incluir débitos de períodos posteriores àquele em que se deu a opção pelo incentivo). Questão diferente é decidir se a comprovação da quitação dos débitos relativos a um determinado momento/período pode ou não ser feita do decorrer do processo. Essa última questão não é excludente das anteriores, como ficou sugerido no contexto do acórdão embargado. Com efeito, podese perfeitamente entender que a verificação da regularidade fiscal deve levar em conta apenas débitos que sejam contemporâneos de um determinado momento/período (seja a entrega da DIPJ, seja o despacho sobre o PERC), sem prejuízo de se admitir que a comprovação da quitação desses débitos possa ocorrer em momento posterior, no curso do processo administrativo. O fato de o art. 60 da Lei 9.069/1995 não indicar o momento em relação ao qual deve ser verificado o cumprimento da condição para a concessão/reconhecimento do incentivo acarretou inúmeras controvérsias sobre essa matéria. Contudo, já é pacífico que o exame da regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, e que a comprovação da quitação das pendências pode ser feita em qualquer momento do processo administrativo. A matéria inclusive já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale também transcrever trechos de um dos acórdãos que embasa a referida Súmula CARF nº 37: Acórdão nº 19500110, de 10/12/2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 10 9 COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. [...] VOTO [...] Na análise fática da regularidade fiscal da recorrente, verificase, que os débitos que ensejaram o indeferimento do PERC, no curso desse processo tiveram a regularidade fiscal comprovada. Destarte, que este conselho reiteradamente tem se manifestado no sentido de que não é razoável exigir do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal no momento (incerto) de exame do PERC, devendo esta comprovação se reportar ao momento da opção pelo incentivo fiscal, com a entrega da DIPJ. Por outro lado, a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível (ao contribuinte) que essa comprovação se faça em qualquer fase do processo. Com efeito, esse entendimento já se encontra assentado neste conselho, como se extrai do brilhante voto da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido, no acórdão n° 101 96.863 de 13/08/2008, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que assevera (in verbis): "O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo." (Nossos Grifos) (sublinhado acrescido) Desse modo, o que precisa ser esclarecido é que embora o acórdão embargado tenha adotado o mesmo entendimento defendido pela PGFN em seu recurso especial, ou seja, de que a regularidade fiscal deve ser verificada em relação à data de opção pelo incentivo (e não à data do despacho da Delegacia da Receita Federal que examina o PERC), ele também admitiu que a comprovação da quitação das pendências pudesse ser feita no decorrer do processo administrativo, conforme a Súmula CARF nº 37, e foi precisamente esse segundo fundamento que motivou a negativa do recurso especial da PGFN. Todo esse esclarecimento foi necessário em virtude das questões teóricas que se apresentaram nessa fase do processo. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.007794/200239 Acórdão n.º 9101002.309 CSRFT1 Fl. 11 10 De todo modo, vale registrar que a negativa do PERC contida nestes autos está baseada em débitos de PIS e COFINS referentes ao mês de janeiro/2000 (fls. 78), enquanto a opção pelo FINOR é referente ao anocalendário 1998, ex. 1999. Nesse contexto, o recurso especial da PGFN é contraditório com o que ele mesmo defende, porque sustenta que a verificação da regularidade fiscal deve se ater à data da opção pelo incentivo, mas procura manter uma negativa de PERC amparada em débitos que são posteriores a esse momento, ou seja, em débitos do ano de 2000 que nem mesmo existiam na data da opção pelo incentivo. Com estes esclarecimentos finais, finalizo o voto. Desse modo, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração da PGFN para sanar o vício de obscuridade nos termos acima, mantendo a negativa de seu recurso especial. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001291/2011-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP e COFINS IMPORTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO I, ARTIGO 7º, DA LEI 10.865/04. REPERCUSSÃO GERAL
Cabe a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS-Importação e da Cofins-Importação quando existente declaração de inconstitucionalidade pelo STF em Recurso Extraordinário afetado com repercussão geral que impede a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições.
O Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade da expressão acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão.
No presente caso, constata-se que o relator do acórdão recorrido apresentou devidamente os motivos e fundamentos pelos quais direcionou sua decisão.
Numero da decisão: 9303-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento parcial, para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins-importação o valor do ICMS. Julgamento iniciado na sessão de 15/3/2016, em que votaram a Relatora e os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas, tendo sido interrompido em face do pedido de vista da Conselheira Vanessa Marini Cecconello e concluído nesta data.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento parcial, para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins-importação o valor do ICMS. Julgamento iniciado na sessão de 15/3/2016, em que votaram a Relatora e os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas, tendo sido interrompido em face do pedido de vista da Conselheira Vanessa Marini Cecconello e concluído nesta data. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO I, ARTIGO 7º, DA LEI 10.865/04. REPERCUSSÃO GERAL Cabe a exclusão do ICMS na base de cálculo do PISImportação e da Cofins Importação quando existente declaração de inconstitucionalidade pelo STF em Recurso Extraordinário afetado com repercussão geral que impede a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. O Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão. No presente caso, constatase que o relator do acórdão recorrido apresentou devidamente os motivos e fundamentos pelos quais direcionou sua decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 12 91 /2 01 1- 44 Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento parcial, para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofinsimportação o valor do ICMS. Julgamento iniciado na sessão de 15/3/2016, em que votaram a Relatora e os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas, tendo sido interrompido em face do pedido de vista da Conselheira Vanessa Marini Cecconello e concluído nesta data. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especial apresentado pela Gabiplast Disribuidora de Plásticos, Exportação e Importação Ltda contra Acórdão nº 3403002.593, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário com a seguinte ementa: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO. REGIME ADUANEIRO DE “DRAWBACK”. Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.250 3 Por força do que decidiu o E. STF sob o rito do artigo 543C, do CPC, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial rege se pelo artigo 173, inciso I, do CPC, quando o sujeito passivo não antecipa espontaneamente parte da exação devida. Expirado o prazo do drawback, o importador terá o prazo adicional de 30 dias para demonstrar que (i) beneficiou e exportou as mercadorias importadas, (ii) devolveu as mercadorias importadas ao exterior, sem beneficiamento, (iii) destruiu as mercadorias importadas ou (iv) beneficiou ou consumiu as mercadorias importadas no mercado interno, com o pagamento dos impostos aduaneiros. Somente depois de expirado esse prazo de trinta dias, e caso o contribuinte não demonstre ter implementado uma das alternativas acima, é que o Fisco poderá, então, lançar de ofício os tributos aduaneiros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPORTAÇÃO POR “CONTA E ORDEM” DE TERCEIRO. De acordo com o artigo 27, da Lei no. 10.637/02, a importação realizada com a utilização de recursos antecipados ao importador por terceiro, presumese por conta e ordem deste. E se é assim, os artigos 32 e 95, do DecretoLei no. 37/66, atribuem ao adquirente a responsabilidade solidária pelos tributos e infrações aduaneiras cometidas pelo importador. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Comprovados o ardil, o prejuízo ao Erário e o benefício aos agentes com a interposição fraudulenta na importação, justificase a qualificação da multa de ofício. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIA IMPORTADA. TRIBUTOS ADUANEIROS. Por força do artigo 1o, § 4o, do DL 37/66, o imposto de importação não incide apenas na hipótese de aplicação da pena de perdimento da mercadoria propriamente dita, sendo, porém, exigível no caso de imposição ao sujeito passivo da multa que a substitui, nos casos em que o bem é consumido, revendido ou não localizado. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PROVA INEXISTENTE QUANTO À ORIGEM DAS MERCADORIAS OBJETO DA IMPORTAÇÃO. Fl. 4688DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Ausente prova que subsidie o argumento de que as mercadorias objeto da importação provêm de países integrantes do MERCOSUL, não é possível reconhecerlhes a isenção relativamente ao Imposto de Importação. Recurso voluntário negado." Para a compreensão da decisão acordada pelo Colegiado, importante trazer parte do voto constante do acórdão recorrido (Grifos meus): “[...] 1. DECADÊNCIA. Os quatro tributos objeto desta autuação são lançados por homologação, modalidade de lançamento que, a princípio, sujeitas e à regra decadencial do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Já decidiu o STJ, sob a disciplina do art. 543C do CPC, que, na ausência de qualquer recolhimento do tributo no período, não há o que se homologar, razão pela qual a regra decadencial, mesmo para essa modalidade de lançamento, deslocase para o art. 173, I do CTN. Por força do art. 62A do RICARF, esse entendimento nos é mandatório. Como não há nos autos qualquer prova de pagamento de II, IPI, Pis ou Cofins pela recorrente no período, a norma que rege a decadência aqui é a do art. 173, I do CTN, e não a do art. 150, §4º. Devese, então, identificar o dia em que os tributos já poderiam ser lançados, e o dies a quo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte. Como foram registrados pelo regime de drawback, os tributos não poderiam ser lançados na data de registro das DIs, visto que aquele regime justamente suspende a incidência dos tributos (RA/02, art. 335, I). Expirado o prazo do drawback, o importador terá o prazo adicional de 30 dias para demonstrar que (i) beneficiou e exportou as mercadorias importadas, (ii) devolveu as mercadorias importadas ao exterior, sem beneficiamento, (iii) destruiu as mercadorias importadas ou (iv) beneficiou ou consumiu as mercadorias importadas no mercado interno, com o pagamento dos impostos aduaneiros. Fl. 4689DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.251 5 Somente depois de expirado esse prazo de trinta dias, e caso o contribuinte não demonstre ter implementado uma das alternativas acima, é que o Fisco poderá, então, lançar de ofício os tributos aduaneiros. O dies a quo do prazo decadencial será, pois, o dia 1º de janeiro do exercício seguinte àquele em que transcorrer o primeiro dia após o trigésimo dia da data de vencimento do prazo de concessão do drawback. In casu, as DIs mais antigas não alcançadas pela decadência são aquelas cuja validade do ato concessório do drawback expirava em 30 de novembro de 2005. As DIs com validade anterior a essa data teriam o dies a quo decadencial iniciado em 1 de janeiro de 2006 e, portanto, quando do lançamento, em 5 de maio de 2011, já estariam alcançadas pela decadência. Conforme a planilha de fls. 56/63, não há nenhuma DI cujo ato concessório tivesse validade expirada em data anterior a 30 de novembro de 2005. Correta, pois, a DRJ ao recusar a ocorrência de decadência. 2. CERCEAMENTO DE DEFESA. A recorrente alega cerceamento de defesa em razão do indeferimento da produção de provas pela DRJ recorrida (fl. 5 do voluntário). A alegação não prospera porque, no capítulo de sua extensa impugnação dedicado aos pedidos, não consta qualquer pedido de produção de prova. Adicionalmente, aduz tolhimento de defesa em razão de não haver sido intimada para se manifestar durante os trabalhos da auditoria (fl. 10 do voluntário). Não cabe falar em ampla defesa e contraditório durante a fase inquisitória do procedimento administrativo. Essa fase transcorre sob exclusiva conveniência e discricionariedade do Fisco. É somente na fase litigiosa, deflagrada com a impugnação (Decreto nº 70.235/72, art. 14) que os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser assegurados ao contribuinte. Rejeito, pois, a alegação de nulidade da autuação. 3. ART. 32 DO DL Nº 37/66 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADQUIRENTE Fl. 4690DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Da análise do farto material probatório produzido nos autos, concluo, de início, estar absolutamente caracterizado o financiamento das importações pela recorrente Gabiplast. Não se sustenta a alegação de que os pagamentos feitos pela recorrente à Plásticos Itajaí adimpliam preço de compra e venda de mercadoria já previamente nacionalizada pela vendedora. Não. A Gabiplast repassava previamente à Itajaí recursos com o propósito inequívoco de viabilizar a importação da mercadoria por essa empresa. A Gabiplast tinha plena consciência de que as mercadorias que estava “adquirindo” da Itajaí ainda não estavam no estoque da vendedora, e que seriam ato contínuo adquiridas por esta mediante importação, precisamente com os recursos financeiros fornecidos por ela, Gabiplast. A Gabiplast era, pois, protagonista da operação “prévia” de importação das mercadorias que a Itajaí lhe iria “vender”. Amostra inconteste do financiamento das importações pela Cajovil colhese dos documentos trazidos pela própria recorrente (fls. 517 e ss.). A cada importação, o despachante aduaneiro da Itajaí (“Comissária Paulista S.C. Ltda.”) emitialhe uma “Solicitação de Numerário Importação”, para recolher os supostos tributos incidentes na importação; e, na mesma data, a Gabiplast fazia à Itajaí uma transferência bancária neste mesmo valor. Ou seja, é evidente que a Gabiplast sabia – e pretendia – que seus recursos financiassem as importações. São, ainda, inúmeras as faturas emitidas pelos exportadores indicando como cliente a Gabiplast, e até ordens de compra enviadas pela Itajaí ao exportador, em papel timbrado da Cajovil/Gabiplast. Tudo isso a revelar que as importações eram financiadas pela Gabiplast. E, a teor do art. 27 da Lei nº 10.637/02, essa constatação faz presumir que as importações foram realizadas por conta e ordem da Gabiplast. Eis a norma: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15825”. Fl. 4691DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.252 7 Sendo por conta e ordem a importação, a Gabiplast, empresa encomendante, tornase responsável solidária pelos tributos e por quaisquer infrações aduaneiras cometidas pela importadora, segundo os arts. 32 e 95 do DL nº 37/66 (na redação que lhes conferiu os referidos arts. 77 a 81 MP nº 2.15835): “Art. 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora”. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora”. Portanto, a só constatação – irrefutável nos autos – de que a Gabiplast financiou as importações da Itajaí, independentemente de qualquer cogitação sobre intenção das partes ou dano ao erário, basta para responsabilizála pelos tributos aduaneiros aqui lançados. A investigação acerca da existência de fraude ou simulação na relação entre as partes é relevante, neste processo, unicamente para a análise da multa de ofício qualificada, e não para o lançamento do crédito principal. Para o crédito principal, repito, bastome com constatar objetivamente o financiamento das importações pela Gabiplast, que o resto fica por conta das presunções legais existentes. 4. MULTA QUALIFICADA – EXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Restou, a meu ver, plenamente configurado o ardil perpetrado por todas as partes envolvidas. Os sócios da Gabiplast são os parentes Carlos Norberto Brandes, Jorge Luiz Brandes e Elizabeth Brandes. Os sócios da Cajovil são os mesmos Carlos Norberto Brandes e Jorge Luiz Brandes, e Lili Elza Fl. 4692DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Bernardes Brandes. Carlos Norberto e Jorge Luiz são sócios administradores das duas empresas. Os sócios da Itajaí são Maria Cláudia Guerreiro Chaves e Gabriel Chaves Abud, mulher e pai de Jorge Alberto Abud. Jorge Alberto Abud foi o sócio fundador da Gabiplast, juntamente com Fabio Leandro Soares; ambos retiraramse da sociedade em julho de 2005, quando venderam suas participações aos atuais sócios da família Brandes. A sede da Itajaí era na sala dentro da sede da Gabiplast. O Sr. Jorge Luiz Brandes tinha procuração com amplos poderes para, juntamente com o sócio Jorge Abud, representar a Itajaí perante terceiros. Os únicos clientes da Itajaí, nos anos investigados, eram Cajovil e Gabiplast. Em diversos emails comerciais, funcionários das empresas referem a elas como “Grupo Gabiplast”. Cartões de visita dos funcionários mencionavam o nome de todas as empresas. Convençome de que a Itajaí era uma empresa de fachada, concebida para, a partir de 2004 ao menos, concentrar o passivo tributário da Gabiplast e da Cajovil. Como? Importando mercadorias em seu nome sob regime de drawback, repassandoas àquelas duas destinatárias e arcando com o passivo decorrente da inevitável cassação do regime. Diante da relação mantida entre as empresas, reputo como absolutamente inverossímil que a Gabiplast – leiase, seus sócios administradores – não soubesse que a Itajaí estava a desembaraçar mercadorias sob o descabido regime de drawback. Aliás, o próprio desinteresse da Itajaí em defenderse neste processo chamame a atenção, incuteme a impressão de que a função da empresa é mesmo – permitame a expressão algo vulgar – “ficar com o mico nas mãos”. Pondera a recorrente que comprava as mercadorias da Itajaí a preços de mercado, com os tributos aduaneiros neles embutidos. A ponderação não alivia pois, estando convencido da promiscuidade entre as empresas, pagar à Itajaí era como “tirar de um bolso e colocar no outro”. Pagar efetivamente o preço das mercadorias, inclusive com encargos aduaneiros, fazia parte do roteiro da simulação. Fl. 4693DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.253 9 Afirma, ainda, a recorrente que suas vendas eram normalmente tributadas pelo IPI, o que afastaria qualquer vantagem fiscal em seu favor. De fato, há prova amostral de que destacava o IPI em suas notas fiscais de saída, mas isso nem de longe afasta os benefícios advindos da interposição fraudulenta da Itajaí: a uma, porque a Gabiplast muito provavelmente se creditava do IPI na “compra” das mercadorias junto à Itajaí, uma vez que esta empresa destacava normalmente o IPI nas suas notas de venda; a duas, porque, ao menos em relação ao Imposto de Importação o benefício era, digamos, “definitivo”. Indaga, finalmente, a recorrente: “se a recorrente fosse a real proprietária e controladora da Plásticos Itajaí, que segundo o Fisco seria uma mera laranja destinada a assumir os ônus tributários das importações, por que então Plásticos Itajaí não assumiu sozinha o Auto de Infração (para eximir a recorrente de qualquer responsabilidade)?”. Ora, assumir sozinha o auto de infração deixou de ser uma opção para a Itajaí no momento em que a autoridade administrativa efetuou o lançamento também em nome da Gabiplast. Lavrado o auto contra a Gabiplast, já não seria mais possível à Itajaí “eximir a recorrente de qualquer responsabilidade”... Enfim, restaram comprovados a meu ver o ardil, o prejuízo ao erário e o benefício aos agentes com a interposição fraudulenta da Itajaí, a justificar a qualificação da multa. 5. TRIBUTOS ADUANEIROS E MULTA SUBSTITUTIVA DE PERDIMENTO. Assim dispõe o art. 1º do DL nº 37/66: “Art. 1º. (...) § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: III – que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida”. Vêse que a pena de perdimento e o imposto de importação não convivem; aplicada aquela, mais gravosa, este não incide. A meu ver, a norma não veicula propriamente uma isenção, mas apenas um Fl. 4694DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 esclarecimento pedagógico obediente ao princípio constitucional da capacidade contributiva objetiva (CR, art. 145, §1º). A incidência da norma de perdimento ocorre no mesmo átimo da própria importação, e suprime, no ato de importação, qualquer manifestação de riqueza captável pela norma tributária. Quis o legislador, contudo, que a previsão ficasse circunscrita à pena de perdimento propriamente, e não à multa que a substitui em caso de consumo ou não localização do bem importado. Pessoalmente, acho questionável a distinção, mas o fato é que a discussão passa pelo reconhecimento da inconstitucionalidade da parte final do inciso III, por eventual ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Tal iniciativa é, pois, ociosa neste forum administrativo, por força do art. 62 do RICARF. 6. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA DO IPI – INEXISTÊNCIA. Sustenta a recorrente que a Itajaí debitou o IPI nas vendas à Gabiplast (o que se comprova pelas notas fiscais trazidas com a impugnação) e, como não pagou o imposto no desembaraço, não apropriou crédito algum, tendo adimplido o imposto integralmente em dinheiro; assim, conclui, “exigir o IPI agora significa duplicidade de incidência”. Não lhe assiste razão. O IPIImportação possui materialidade própria, distinta da materialidade do IPI incidente na saída de produto industrializado do estabelecimento. Esse fato levou a doutrina a afirmar que “a expressão imposto sobre produtos industrializados não passa de uma sigla a albergar três impostos distintos, dos quais apenas um pode ser considerado IPI em sentido estrito: aquele cujo aspecto material da hipótese de incidência é industrializar produto” (BOTALLO, Eduardo Domingos. Fundamentos do IPI. São Paulo: RT, 2002. p. 36) Assim, o desembaraço aduaneiro faz incidir “um dos IPIs”. É esse o IPI objeto de lançamento. O art. 164, V do RIPI/02 admite, para conferir uma melhor dinâmica ao princípio da não cumulatividade, que o IPI Importação pago no desembaraço seja compensado com débitos do IPI “convencional”, mas não com o próprio IPI Importação da mesma operação de importação. Fl. 4695DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.254 11 Como registra atentamente a DRJ, após o pagamento do IPI Importação ora lançado, a recorrente poderá creditarse do imposto pago normalmente em sua escrita, e aproveitálo para compensar com débitos de saída de produtos industrializados de seu estabelecimento. 7. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 32 E 95 DO DECRETOLEI Nº 37/66 Aduz a recorrente que os artigos 32 e 95 do Decretolei nº 37/66 lhe imputariam a responsabilidade solidária apenas com relação ao Imposto de Importação – II, não compreendendo, assim, o IPI, o PISImportação e a Cofins Importação. Sucede que existem dispositivos equivalentes a este também para o IPI (Decreto nº 4.544/02, art. 27, III) e para o PisImportação e Cofins Importação (Lei nº 10.685/04, art. 6º I), razão pela qual o argumento não prospera. 8. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – AUSÊNCIA DE PROVA Outro argumento suscitado pela recorrente toca à pretensa isenção do Imposto de Importação, nas operações de aquisição de bens oriundos de países do MERCOSUL. Reforça a alegação, inclusive, ao mencionar que, nos autos, fazse prova de que os produtos fornecidos pela Plásticos Itajaí à recorrente eram provenientes da Argentina. Examinando documentos fiscais e pedidos de compra, não encontro demonstração de que os produtos foram importados da Argentina, mas sim da Venezuela, Estados Unidos, África do Sul e outros países não integrantes do MERCOSUL e, naturalmente, referidas aquisições não estariam desoneradas do imposto em referência. Tanto é assim que em todas as DIs objeto da autuação, o valor do II é mencionado, sem qualquer referência à isenção. Enfim, entendo que não houve prova sistematizada, definitiva e consistente, ainda que por amostragem, de que haveria isenção do II. 9. INEXIGIBILIDADE DO PIS IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO Fl. 4696DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 A recorrente argui que a exigência das contribuições sociais em referência é inconstitucional por uma série de razões que relaciona, entre as quais a inclusão do ICMS em sua base de cálculo. Mais uma vez, o art. 62 do RICARF impede a apreciação do argumento. De acordo com o dispositivo, os órgãos fracionários deste Tribunal Administrativo não têm competência para recusar a aplicação de lei com fundamento na sua alegada inconstitucionalidade, limitação esta que cede, entre outras hipóteses, se a lei em cogitação houver sido declarada inconstitucional pelo plenário do STF, em “decisão definitiva”. Sabese que, por ocasião do julgamento do RE no. 559.937, o Pleno do STF enfrentou a matéria em discussão e concluiu pela inconstitucionalidade do inciso I, do artigo 7o, da Lei no. 10.865/04, na parte em que determina seja acrescida à base de cálculo da COFINS e do PIS na importação os valores do ICMS e das próprias contribuições. Como, todavia, ainda não foram julgados os embargos de declaração por meio dos quais a Fazenda Nacional reivindica a modulação de efeitos daquele acórdão, parecem e que a limitação regimental persiste, já que, sob tais circunstâncias, não é ainda “definitiva” a declaração de inconstitucionalidade da norma. Conclusões. Por todo o exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário, com a consequente manutenção integral da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz" Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo: · A reforma do acórdão recorrido; · O cancelamento do Auto de Infração, pela ausência de responsabilidade da Recorrente, ou pela exclusão do Imposto de Importação relativo às operações com o Mercosul e seus reflexos no cálculo do IPI, do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS Importação e do PIS/COFINS Importação de sua própria base de cálculo; ou pelo reconhecimento da nulidade da Decisão que julgou os Embargos de Declaração da contribuinte, seja determinado o retorno Fl. 4697DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.255 13 dos autos à 3 a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, para que esta realize novo julgamento dos referidos Embargos, sanando os vícios neles apontados; ou · Que seja reconhecida a nulidade do Acórdão proferido pela DRJ (e, por conseguinte, do v. Acórdão recorrido), determinadose o retorno dos autos à DRJ, para que esta complemente o julgamento da Impugnação, deferindo previamente a produção de provas requerida pela contribuinte; ou · Na pior das hipóteses, que sejam excluídas as parcelas atingidas pela decadência, e integralmente excluído o montante exigido a título de multa, ou, quando menos, reduzido o seu percentual para 75%. O apelo da empresa foi admitido parcialmente nos termos do Despacho de fls. 4227/4232 apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF em exercício à época. O que peço licença para transcrever parte do despacho por esclarecedor ser (Grifos meus): "[...] O contribuinte opôs embargos de declaração alegando omissão da decisão por ausência de enfrentamento de argumentos expendidos nos recursos manobrados, aclaratório este reputado improcedente, ao entendimento que o julgamento prescinde de debate pormenorizado acerca de todas as razões recursais, desde que devidamente motivado o seu desprovimento, afastando ainda a alegação de erro material e contradição. Diante desse contexto o contribuinte patrocinou recurso especial debatendo as seguintes matérias, respaldado nos paradigmas que menciona: i) decadência, mais especificamente o termo inicial do prazo nos tributos sujeitos a lançamento por homologação (Acórdãos 101 95.403 e 20216.915); ii) nulidade do acórdão que julgou os embargos de declaração, por falta de análise de argumentos (Acórdãos CSRF/01 05.134 e 10809.386), e, pela mesma razão, da decisão proferida pela DRJ Florianópolis/SC (Acórdãos 310200.622 e 10323.172); iii) impossibilidade de aplicação da responsabilidade tributária (Acórdãos Fl. 4698DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 30238.370 e 30238.070); iv) inexigibilidade do imposto de importação (Acórdão 30234.773); v) incorreção na base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação (Acórdão 3102 002.102); vi) inflição da multa qualificada no percentual de 150 % (cento e cinqüenta por cento) (Acórdão 920200.969); e vii) que, em caso de dúvida, caberia o cancelamento da autuação, por força do art. 112 do CTN (Acórdão 107 06.483). Para demonstração do dissídio jurisprudencial foram coligidas cópias de inteiro teor das decisões, conforme documentos de fls. 4113/4224. É o relatório. O recurso especial é tempestivo e está em devida ordem formal. As matérias controvertidas foram objeto de debate na instância a quo, de modo que resta atendido o requisito do prequestionamento. Quanto ao dissídio interpretativo, do cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigmas constatase sua parcial ocorrência, como se demonstrará. Primeiramente, quanto à definição do marco inicial da decadência e, mais precisamente a aplicação do art. 150, § 4º ou art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional, é de se reconhecer que a jurisprudência administrativa claudicava ante a contagem do lapso quinquenal nos tributos sujeitos ao denominado lançamento por homologação, entendendo alguns julgados que a ausência de pagamento não importava a sua descaracterização, continuando a regerse pelo art. 150, § 4º, enquanto outros julgados entendiam que esta situação impunha a incidência do art. 173, I, por vislumbrarem a antecipação do pagamento como corolário da contagem, nos termos do já aludido art. 150. Com a edição do novel regimento interno deste conselho, por intermédio da Portaria MF 256/09, alterada pela Portaria MF 586/2010, através do art. 62A, passouse a prever que as decisões definitivas de mérito julgadas pela sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, recurso repetitivo, seriam obrigatoriamente observadas no âmbito do CARF, como, aliás, deixou claro a decisão recorrida: “Os quatro tributos objeto desta autuação são lançados por homologação, modalidade de lançamento que, a princípio, sujeitase à Fl. 4699DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.256 15 regra decadencial do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Já decidiu o STJ, sob a disciplina do art. 543C do CPC, que, na ausência de qualquer recolhimento do tributo no período, não há o que se homologar, razão pela qual a regra decadencial, mesmo para essa modalidade de lançamento, deslocase para o art. 173, I do CTN. Por força do art. 62A do RICARF, esse entendimento nos é mandatório.” Os paradigmas coligidos, por seu turno, ainda que ostentem entendimento divergente, foram proferidos anteriormente à regra regimental em destaque, vigente por ocasião da decisão e da interposição do recurso sub examine, uma vez ocorridos no mês de fevereiro/2006, ainda sob a égide do regimento revogado, aprovado pela Portaria MF 147/07, que não possuía norma similar. Logo, dadas as normas de direito intertemporal, não é possível estabelecer o antagonismo desejado pelo requerente, eis que a interpretação emprestada pela decisão recorrida não pode ser revista, por força do art. 62A do RICARF, de modo que, nesta parte, não é possível admitir o recurso. Relativamente às nulidades invocadas, os acórdãos paradigmas (CSRF/0105.134, 10809.386, 310200.622 e 10323.172), de fato, aduziram que a ausência de exame de argumento enseja cerceamento do direito de defesa, acarretando a nulidade dos atos decisórios assim proferidos, em contrariedade à posição externada pelo acórdão vergastado. Tocante à atribuição de responsabilidade tributária, os Acórdãos 30238.370 e 30238.070 (exarados nos PA 10945.012955/200354 e 10921.000043/200227, respectivamente) explicitaram que a inflição da sanção lá discutida não poderia se basear em presunções, mas em provas concretas da prática fraudulenta, não prescindindo da demonstração do intuito doloso. Todavia, no caso vertente, a par da dessemelhança fática, constou do voto restar comprovada a existência de repasse prévio às importações realizadas, conforme excerto que ora se reproduz: Fl. 4700DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 “Da análise do farto material probatório produzido nos autos, concluo, de início, estar absolutamente caracterizado o financiamento das importações pela recorrente Gabiplast. Não se sustenta a alegação de que os pagamentos feitos pela Gabiplast à Itajaí adimpliam preço de compra e venda de mercadoria já previamente nacionalizada pela vendedora. Não. A Gabiplast repassava previamente à Itajaí recursos com o propósito inequívoco de viabilizar a importação da mercadoria por essa última empresa. A Gabiplast tinha plena consciência de que as mercadorias que estava ‘adquirindo’ da Itajaí ainda não estavam no estoque da vendedora, e que seriam ato contínuo adquiridas por esta mediante importação, precisamente com os recursos financeiros fornecidos por ela, Gabiplast. A Gabiplast era, pois, protagonista da operação ‘prévia’ de importação das mercadorias que a Itajaí lhe iria ‘vender’. Amostra inconteste do financiamento das importações pela Gabiplast colhese dos documentos trazidos pela própria recorrente (fls. 517 e ss.). A cada importação, o despachante aduaneiro da Itajaí (‘Comissária Paulista S.C. Ltda.’) emitialhe uma ‘Solicitação de Numerário Importação’, para recolher os supostos tributos incidentes na importação; e, na mesma data, a Gabiplast fazia à Itajaí uma transferência bancária neste mesmo valor. Ou seja, é evidente que a Gabiplast sabia – e pretendia – que seus recursos financiassem as importações. São, ainda, inúmeras as faturas emitidas pelos exportadores indicando como cliente a Gabiplast, e até ordens de compra enviadas pela Itajaí ao exportador, em papel timbrado da Cajovil/Gabiplast. Tudo isso a revelar que as importações eram financiadas pela Gabiplast. (...)” Inferese, portanto, que os paradigmas colacionados não se prestam a demonstrar a dissensão interpretativa invocada, eis que o lançamento, distintamente daqueles, está escorado em prova bastante a sustentálo, como pormenorizado na decisão recorrida. Também à imposição da multa qualificada reservase o mesmo desfecho, a saber, inadmissibilidade do recurso especial, haja vista que o Fl. 4701DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.257 17 parâmetro de dissenso apresentado, Acórdão nº 920201.969, analisou caso que envolvia qualificação da multa decorrente de presunção legal, art. 42 da Lei nº 9.430/96, decidindo que a previsão legal de caracterização de omissão de receita, nas hipóteses que menciona, não decorreria automaticamente a qualificação de quaisquer da figuras previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 (fraude, sonegação e conluio), que deveriam ser cabalmente demonstradas e provadas nos autos. Ocorre que, distintamente, no caso destes autos, não houve qualquer presunção legal ou comum, mas elementos que indicam categoricamente o conluio entre as pessoas jurídicas lançadas com o propósito de lesar o erário, como descreve com riqueza de detalhes o voto condutor, como as relações de parentesco entre os seus sócios, o funcionamento de uma pessoa jurídica nas instalações da outra, a confusão empresarial entre elas, por exemplo, de maneira que não há como tomar as situações tratadas em ambos os julgados como assemelhadas. Na mesma senda, aproveitando o ensejo, descabido o rogo pela aplicação das disposições do art. 112 do CTN, haja vista que, como frisado, nestes autos, segundo o aresto reclamado, há farta prova da realização de importação por conta e ordem, não havendo qualquer dúvida a respeito das circunstâncias que envolveram os fatos jurídicos tributários a justificar a interpretação mais benéfica em favor do contribuinte, mormente quando a pretensão é o emprego do dispositivo para exonerar o lançamento. Demais disso, o parâmetro de dissidência (Acórdão 10706.483), neste ponto, trata de situação completamente distinta, que abordava lançamento de IRPJ a partir de receitas omitidas. Respeitante à inexigibilidade do imposto de importação, o julgado reclamado pontua que não há prova nos autos de importação de produtos da Argentina, como sustenta o recorrente, mas sim da Venezuela, EUA, África do Sul e outros países não integrantes do MERCOSUL, portanto, despiciente o recurso ao Acórdão 30234.773, que decidiu pela aplicação Fl. 4702DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 da alíquota zero do imposto de importação para produtos oriundos de país integrante daquele mercado comum, o que não é o caso deste processo. Por derradeiro, concernente à formação da base de cálculo do PIS/Pasep – Importação e Cofins – Importação, pela inclusão do ICMS, confirmase a desinteligência interpretativa, mais uma vez, à luz do revisitado art. 62A do RICARF, tendo a decisão sob vergasta concluído o seguinte: “Sabese que, por ocasião do julgamento do RE nº 559.937, o Pleno do STF enfrentou a matéria em discussão e concluiu pela inconstitucionalidade do inciso I, do artigo 7º, da Lei nº 10.865/04, na parte em que determina seja acrescida à base de cálculo da COFINS e do PIS na importação os valores do ICMS e das próprias contribuições. Como, todavia, ainda não foram julgados os embargos de declaração por meio dos quais a Fazenda Nacional reivindica a modulação de efeitos daquele acórdão, pareceme que a limitação regimental persiste, já que, sob tais circunstâncias, não é ainda ‘definitiva’ a declaração de inconstitucionalidade da norma.” O aresto dissonante (3102002.102), por seu turno, julgou de maneira diversa, verbis: “A matéria foi apreciada pelo STF no julgamento do RE nº 559.937/RS, sob regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), em que o Tribunal negou provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da expressão ‘acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, nos termos dos trechos do enunciado da ementa que segue transcrita: (...) Como se trata de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STF, sob regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no 62A do Anexo II do Regimento de Interno deste Conselho, aprovado pela Port. MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adotase fundamentos exarados na referido julgado como razão de decidir, para excluir o valor ICMS da base de cálculo da Contribuição Fl. 4703DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.258 19 para o PIS/Pasep – Importação e Cofins – Importação, por inconstitucionalidade reconhecida pelo STF no julgamento do RE nº 559.937/RS.” Em síntese, a contrariedade entre decisões exaradas por este Conselho Administrativo se restringe às situações de ausência de análise de argumentos deduzidos em recurso voluntário e/ou impugnação, bem assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação. Com estas considerações, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL e, tendo em conta o disposto no art. 71 do Regimento Interno do CARF, submeto esta decisão ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO" Presidente 4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF" A Fazenda Nacional tomou conhecimento do Recurso Especial apresentado pela empresa, apresentando Contrarrazões às fls. 4236 a 4245, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, a fim de se ver mantida a decisão recorrida, trazendo, entre outros, que (Grifos meus): "[..] A contribuinte apresentou embargos alegando nulidade do acórdão, em virtude da omissão com relação a diversos argumentos apresentados na impugnação. Todavia, os embargos foram rejeitados, nos seguintes termos: “Analisandose as omissões pretextadas para a interposição do recurso, percebese que a embargante não satisfez com a abordagem que fez o voto condutor do aresto embargado da prova e das alegações recursais. Impõese destacar que encontrando o julgador fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, despicienda tornase a abordagem de outras alegações, ainda que destas tenha a parte se utilizado, porque já então inócuas frente ao julgado, não estando, assim, o julgador jungido às minúcias de todos os argumentos lançados pela Fl. 4704DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 20 parte.” Inconformada com o resultado dos julgamentos, a contribuinte interpôs recurso especial, que só foi admitido quanto à nulidade e à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, incidentes na importação. O Recurso Especial, no entanto, não merece ser acolhido, pelas razões adiante expostas. II. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO A contribuinte alega que houve cerceamento do seu direito de defesa, por não terem sido analisados todos os argumentos e provas apresentados, tais como “a Plásticos Itajaí dispunha de linhas de crédito próprias, o que comprova a desnecessidade dos recursos da Recorrente para o giro financeiro relativo às operações de compra e venda de mercadorias de plásticos; e os pagamentos feitos pela Recorrente para a Plásticos Itajaí quitavam fornecimentos, e não operações de câmbio. No entanto, conforme restará a seguir demonstrado, as suas razões não merecem prosperar. O contribuinte aduz que os vários fundamentos não analisados pelo acórdão recorrido são extremamente relevantes, sendo autônomos e suficientes, se acatados, para resultar no cancelamento do Auto de Infração. Entretanto, não é isso que se verifica na decisão recorrida. Com efeito, o acórdão a quo, de acordo com as provas, apresentou de forma clara os motivos e fundamentos pelos quais negou provimento ao recurso voluntário Apenas para não restar dúvidas, vale a pena conferir alguns trechos da decisão recorrida: “Da análise do farto material probatório produzido nos autos, concluo, de início, estar absolutamente caracterizado o financiamento das importações pela recorrente Gabiplast. Não se sustenta a alegação de que os pagamentos feitos pela recorrente à Plásticos Itajaí adimpliam preço de compra e venda de mercadoria já previamente nacionalizada pela vendedora. Não. A Gabiplast repassava previamente à Itajaí recursos com o propósito inequívoco de viabilizar a importação da mercadoria por essa empresa. A Gabiplast tinha plena consciência de que as mercadorias que estava “adquirindo” da Itajaí ainda não estavam no estoque da Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.259 21 vendedora, e que seriam ato contínuo adquiridas por esta mediante importação, precisamente com os recursos financeiros fornecidos por ela, Gabiplast. A Gabiplast era, pois, protagonista da operação “prévia” de importação das mercadorias que a Itajaí lhe iria “vender”. Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 22 Amostra inconteste do financiamento das importações pela Cajovil colhese dos documentos trazidos pela própria recorrente (fls. 517 e ss.). A cada importação, o despachante aduaneiro da Itajaí (“Comissária Paulista S.C. Ltda.”) emitialhe uma “Solicitação de Numerário Importação”, para recolher os supostos tributos incidentes na importação; e, na mesma data, a Gabiplast fazia à Itajaí uma transferência bancária neste mesmo valor. Ou seja, é evidente que a Gabiplast sabia – e pretendia – que seus recursos financiassem as importações. São, ainda, inúmeras as faturas emitidas pelos exportadores indicando como cliente a Gabiplast, e até ordens de compra enviadas pela Itajaí ao exportador, em papel timbrado da Cajovil/Gabiplast. Tudo isso a revelar que as importações eram financiadas pela Gabiplast. E, a teor do art. 27 da Lei nº 10.637/02, essa constatação faz presumir que as importações foram realizadas por conta e ordem da Gabiplast. Eis a norma: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15825”. Sendo por conta e ordem a importação, a Gabiplast, empresa encomendante, tornase responsável solidária pelos tributos e por quaisquer infrações aduaneiras cometidas pela importadora, segundo os arts. 32 e 95 do DL nº 37/66 (na redação que lhes conferiu os referidos arts. 77 a 81 MP nº 2.15835): “Art. 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.260 23 III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora”. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora”. Portanto, a só constatação – irrefutável nos autos – de que a Gabiplast financiou as importações da Itajaí, independentemente de qualquer cogitação sobre intenção das partes ou dano ao erário, basta para responsabilizála pelos tributos aduaneiros aqui lançados. A investigação acerca da existência de fraude ou simulação na relação entre as partes é relevante, neste processo, unicamente para a análise da multa de ofício qualificada, e não para o lançamento do crédito principal. Para o crédito principal, repito, bastome com constatar objetivamente o financiamento das importações pela Gabiplast, que o resto fica por conta das presunções legais existentes.” Percebese, portanto, que os julgadores de primeira instância efetivamente motivaram a decisão. Assim, verificase no acórdão recorrido manifestação ou fundamentação sobre as questões relativas à configuração da infração. Na realidade, a recorrente discorda do entendimento firmado na decisão recorrida – no sentido de que não teriam sido comprovadas suas alegações – e tenta desqualificar a decisão apontando um vício inexistente. Aliás, essa prática de alegar cerceamento do direito de defesa, por omissão do julgador, é relativamente comum. Contudo, não encontra respaldo na jurisprudência em situações como a do presente processo administrativo, ou seja, quando o julgador se manifesta de maneira concisa sobre os pontos controversos da lide. Nesse sentido caminha a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “EMENTA Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 24 ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. GRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. EXAME PSICOTÉCNICO. CRITÉRIOS SUBJETIVOS. ANULAÇÃO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INÉPCIA DA INICIAL. INEXISTÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Tendo o Tribunal de origem se pronunciado de forma clara e precisa sobre as questões postas nos autos, assentandose em fundamentos suficientes para embasar a decisão, como no caso concreto, não há falar em afronta ao art. 535, II, do CPC, não se devendo confundir "fundamentação sucinta com ausência de fundamentação" (REsp 763.983/RJ, Rel. Min. NANCY NDRIGHI, Terceira Turma, DJ 28/11/05). 2. "O pedido é aquilo que se pretende com a instauração da demanda e se extrai a partir de uma interpretação lógicosistemática do afirmado na petição inicial, recolhendo todos os requerimentos feitos em seu corpo, e não só aqueles constantes em capítulo especial ou sob a rubrica 'dos pedidos'" (REsp 120.299/ES, Rel. Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Quarta Turma, DJ de 21/9/98). 3. Agravo regimental não provido. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA ACÓRDÃO QUE SE MANIFESTOU EXPRESSAMENTE SOBRE A SUPOSTA OMISSÃO ULTRAPASSADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DEVERIA O RECURSO ESPECIAL ADENTRAR NO MÉRITO INOCORRÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO. Não há cerceamento de defesa ou omissão quanto ao exame de pontos levantados pelas partes, pois ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados. O órgão judicial para expressar a sua convicção não precisa aduzir comentários sobre todos os argumentos levantados pelas partes. Embora sucinta ou deficiente a motivação, pronunciandose sobre as questões de fato e de direito para fundamentar o resultado, exprimindo o sentido geral Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.261 25 do julgamento, não emoldura negativa de vigência aos arts. 458, II, e 535, II, CPC. Cabia ao recorrente suscitar, em recurso especial, violação aos artigos de lei federal que teriam sido malferidos pelo acórdão recorrido ao excluir a Caixa Econômica Federal da lide. Agravo regimental improvido. Diante disso, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa e consequente nulidade da decisão recorrida, deve negado provimento ao recurso especial. III. DO PEDIDO Ante o exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, a fim de se ver mantida a decisão recorrida, pelas razões e fato e de direito acima declinadas. Termos em que pede deferimento. [...]" É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise dos autos, o Recurso é tempestivo e admissível parcialmente o que concordo integralmente com a análise feita através do Despacho de Admissibilidade de folhas 4227/4232. Eis, entre outros, que, relativamente: 1. À decadência, mais especificamente à discussão do termo inicial do prazo nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, vêse que, ainda que os Acórdãos 10195.403 e 20216.915 indicados como paradigmas tragam entendimento divergente, a interpretação dada pelo acórdão recorrido não Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 26 poderá ser revista, em respeito ao art. 62A do RICARF da Portaria MF 256/09, alterada pela Portaria MF 586/2010 (atualmente, art. 62, § 2º, Anexo II, da Portaria MF 343/2015); 2. Às nulidades invocadas, por falta de análise de argumentos, os Acórdãos CSRF/0105.134 e 10809.386 e Acórdãos 3102 00.622 e 10323.172), indicados como paradigmas, efetivamente trazem que a ausência de exame de argumenta enseja cerceamento do direito de defesa; 3. À impossibilidade de aplicação da responsabilidade tributária, restou prejudicada, tendo em vista ter sido comprovada a existência de repasse prévio às importações realizadas, conforme documentos acostados ao processo; 4. À inflição da multa qualificada no percentual de 150%, restou prejudicada, vez que não houve presunção legal ou comum, pois o relator indicou a ocorrência de conluio entre as pessoas jurídicas – inclusive as relações de parentescos e a exclusividade das empresas envolvidas nessa operação; 5. Ao cancelamento da autuação, restou prejudicado, pois há provas não ignoráveis de que foi realizada importação por conta e ordem; 6. À inclusão do ICMS, à luz do revisitado art. 62A do RICARF, devese considerar como admissível para análise. Dessa forma, tornase necessário conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo somente em relação às discussões acerca da nulidade e da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, incidentes na importação. No que tange à inclusão ou não do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, incidentes na importação, para fins de se clarificar a situação em comento, transcrevo parte do voto constante do acórdão recorrido (Grifos meus): " [...] Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.262 27 Sabese que, por ocasião do julgamento do RE no. 559.937, o Pleno do STF enfrentou a matéria em discussão e concluiu pela inconstitucionalidade do inciso I, do artigo 7º, da Lei nº. 10.865/04, na parte em que determina seja acrescida à base de cálculo da COFINS e do PIS na importação os valores do ICMS e das próprias contribuições. Como, todavia, ainda não foram julgados os embargos de declaração por meio dos quais a Fazenda Nacional reivindica a modulação de efeitos daquele acórdão, parecem e que a limitação regimental persiste, já que, sob tais circunstâncias, não é ainda “definitiva” a declaração de inconstitucionalidade da norma. Conclusões. Por todo o exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário, com a consequente manutenção integral da decisão recorrida." Conforme contemplado pelo ilustre relator, em 2013, o pleno do STF julgou, em sede de repercussão geral, a inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo dos próprios PISImportação e CofinsImportação por ocasião do julgamento do RE 559.937. O que peço licença para transcrevêla: “Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal negou provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, e, tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, determinou a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Dias Toffoli. Em seguida, o Tribunal rejeitou questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 28 que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 20.03.2013. Não obstante, à época do julgamento, o relator daquele acórdão negou provimento nessa parte ao recurso voluntário do contribuinte, por não terem sidos apreciados até aquele momento os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional que, por sua vez, havia reivindicado a modulação dos efeitos do acórdão do julgamento do RE 559.937. Todavia, quanto ao status dos embargos de declaração, verifiquei que, em 17.9.2014, o plenário do STF decidiu pelo não acolhimento, conforme ementa (Grifos meus): “EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade de parte do inciso I do art. 7º da Lei 10.865/04. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. Embargos de declaração não acolhidos.” Sendo assim, em vista do não acolhimento dos embargos pelo STF, não há que se falar em modulação temporal ou pessoal dos efeitos da decisão do Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.263 29 pleno do STF, o que, por conseguinte, tornou definitiva o julgado do RE 559.937, sendo necessário excluir do cálculo dos tributos exigidos os valores de ICMS, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo II, da Portaria MF 343/2015 – RICARF, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Proveitoso também lembrar que, após esse julgamento, a Lei 12.865/13 alterou a Lei 10.865/04 justamente para adequar a base de cálculo do PIS Importação e CofinsImportação ao entendimento do STF: “Art. 26. O art. 7o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º ........................................................................ I o valor aduaneiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou ...................................................................................” (NR)” Sendo assim, nessa parte, cabe a exclusão do ICMS na base de cálculo do PISImportação e da CofinsImportação quando existente declaração de inconstitucionalidade pelo STF em Recurso Extraordinário afetado com repercussão geral que impede a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. O Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 30 Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”. Em relação à discussão acerca da nulidade, é de se lembrar que a contribuinte havia apresentado embargos alegando nulidade do acórdão, em virtude da omissão com relação a diversos argumentos apresentados na impugnação. E que tais embargos haviam sidos rejeitados, nos seguintes termos: “Analisandose as omissões pretextadas para a interposição do recurso, percebese que a embargante não satisfez com a abordagem que fez o voto condutor do aresto embargado da prova e das alegações recursais. Impõese destacar que encontrando o julgador fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, despicienda tornase a abordagem de outras alegações, ainda que destas tenha a parte se utilizado, porque já então inócuas frente ao julgado, não estando, assim, o julgador jungido às minúcias de todos os argumentos lançados pela parte.” O sujeito passivo, em síntese, aduz que houve cerceamento do seu direito de defesa, por não terem sido analisados todos os argumentos e provas apresentados, tais como: · Que a Plásticos Itajaí dispunha de linhas de crédito próprias, o que comprova a desnecessidade dos recursos da Recorrente para o giro financeiro relativo às operações de compra e venda de mercadorias de plásticos; · Que os pagamentos feitos pela Recorrente para a Plásticos Itajaí quitavam fornecimentos, e não operações de câmbio. Não obstante às alegações do sujeito passivo, em análise dos autos do processo, verifico que o relator do acórdão recorrido apresentou devidamente os motivos e fundamentos pelos quais negou provimento ao recurso voluntário. O que, para melhor elucidar, transcrevo parte de seu voto (Grifos meus): Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10909.001291/201144 Acórdão n.º 9303003.824 CSRFT3 Fl. 4.264 31 “Da análise do farto material probatório produzido nos autos, concluo, de início, estar absolutamente caracterizado o financiamento das importações pela recorrente Gabiplast. Não se sustenta a alegação de que os pagamentos feitos pela recorrente à Plásticos Itajaí adimpliam preço de compra e venda de mercadoria já previamente nacionalizada pela vendedora. Não. A Gabiplast repassava previamente à Itajaí recursos com o propósito inequívoco de viabilizar a importação da mercadoria por essa empresa. A Gabiplast tinha plena consciência de que as mercadorias que estava “adquirindo” da Itajaí ainda não estavam no estoque da vendedora, e que seriam ato contínuo adquiridas por esta mediante importação, precisamente com os recursos financeiros fornecidos por ela, Gabiplast. A Gabiplast era, pois, protagonista da operação “prévia” de importação das mercadorias que a Itajaí lhe iria “vender”. Frisese tal direcionamento de entendimento, considerando que os documentos trazidos pela própria recorrente constantes das fls. 517 e seguintes traduzem o financiamento das importações das mercadorias. Ora, a cada importação, o despachante aduaneiro emitialhe uma “Solicitação de Numerário Importação”, para recolher os supostos tributos incidentes na importação; e, na mesma data, a Gabiplast fazia à Itajaí uma transferência bancária neste mesmo valor. Evidente, portanto, que a Gabiplast tinha conhecimento de que seus recursos financiavam as importações. Ademais, as inúmeras faturas emitidas pelos exportadores indicando como cliente a Gabiplast, e até ordens de compra enviadas pela Itajaí ao exportador, em papel timbrado da Cajovil/Gabiplast evidenciam o conhecimento da empresa. O que, por conseguinte, infiro que o relator, a teor do art. 27 da Lei nº 10.637/02, concluiu de forma precisa que as importações foram realizadas por conta e ordem da Gabiplast, conforme reza o dispositivo: Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 32 “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15825”. Sendo por conta e ordem a importação, a Gabiplast, empresa encomendante, tornase responsável solidária pelos tributos e por quaisquer infrações aduaneiras cometidas pela importadora, segundo os arts. 32 e 95 do DL nº 37/66 (na redação que lhes conferiu os referidos arts. 77 a 81 MP nº 2.15835): “Art . 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) Dessa forma, ainda que não tenha sido contemplado no voto constante do acórdão recorrente todas as argumentações trazidas pelo sujeito passivo, é de se considerar que, nessa parte, a razões de decidir foram plenamente tratadas, não alterando o resultado do julgamento nessa parte. Em vista de todo o exposto, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte deve ser conhecido parcialmente e, em relação à parte conhecida, devese dar provimento parcial para que seja excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins importação o valor do ICMS. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 16004.000469/2008-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO COM EVIDENCIADOS PREJUÍZO AO ERÁRIO.
Dá ensejo ao agravamento da multa condutas omissivas do contribuinte que obstaculizem injustificamente o bom andamento do procedimento de fiscalização a ponto de prejudicar a arrecadação tributária a que faria jus o erário público.
Numero da decisão: 9101-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
EDITADO EM: 06/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. EDITADO EM: 06/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO COM EVIDENCIADOS PREJUÍZO AO ERÁRIO. Dá ensejo ao agravamento da multa condutas omissivas do contribuinte que obstaculizem injustificamente o bom andamento do procedimento de fiscalização a ponto de prejudicar a arrecadação tributária a que faria jus o erário público. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. LUÍS FLÁVIO NETO Relator. EDITADO EM: 06/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 04 69 /2 00 8- 12 Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.513 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”) no processo n. 16004.000469/200812, em face do acórdão n. Acórdão no 1301001.233 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 3 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), de interesse de COFERFRIGO ATC LTDA (doravante “COFERFRIGO) e dos seguintes sujeitos passivos solidários: ALFEU CROZATO MOZAQUATRO (doravante “ALFEU”), JOÃO PEREIRA FRAGA (doravante “JOÃO”), MARCELO BUZOLIN MOZAQUATRO (doravante “MARCELO”), PATRÍCIA BUZOLIN MOZAQUATRO (doravante “PATRÍCIA”), INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA (doravante “CMA”) e CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA (doravante “CM4”). O acórdão a quo restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, há prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como “laranjas” e “nota calçada”, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e aquelas expressamente designadas em lei são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles. ARBITRAMENTO DOS LUCROS Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.514 3 Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROVA INDICIÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO. A prova indiciaria é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos onde se desnuda, com todas as luzes, o procedimento fraudulento, consistente na utilização de interposta pessoa jurídica, sem existência fática e sem capacidade operacional, com vistas ao não pagamento dos tributos e contribuições devidos em operações perpetradas pelas pessoas físicas até então ocultas e agora responsabilizadas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. Esta Corte Administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF n° 2). MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificada e provada conduta fraudulenta tendente ao não pagamento dos tributos e contribuições é cabível a sua exigência com a multa qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. DESCABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros. AUTO REFLEXO (CSLL/COFINS/PIS) Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. A longa ementa do acórdão a quo evidencia tratarse de processo envolvendo os seguintes temas, atinentes ao quatro trimestres de 2002: (i) arbitramento dos lucros para o cálculo do IRPJ e CSL; (ii) tributação reflexa de PIS e COFINS; (iii) responsabilidade solidária; (iv) prática de fraude e dolo; (v) decadência; (vi) qualificação da multa, no percentual de 150%; (vii) agravamento da multa, em mais 50%. O caso envolve uma série de fatos, ocorridos em meio à “Operação Grandes Lagos", por meio da qual foi desbaratada uma organizacã̧o criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Houve determinaçaõ judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas pela Receita Federal, verificandose a COFERFRIGO seria detida por interpostas pessoas, tendo como reais proprietários ALFEU, JOÃO, MARCELO, PATRÍCIA, CMA e CM4. O acórdão a quo apresenta minucioso e extenso relatório dos fatos ocorridos, o qual integro a este acórdão. Deixo, no entanto, de transcrevêlo, pois a maior parte das questões atinentes aos referidos fatos já se encontram superadas nesse estágio processual: (i) arbitramento dos lucros para o cálculo do IRPJ e CSL: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.515 4 (ii) tributação reflexa de PIS e COFINS: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (iii) atribuição de responsabilidade solidária a ALFEU, JOÃO, MARCELO, PATRÍCIA, CMA e CM4: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (iv) prática de fraude e dolo: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (v) decadência relativa ao IRPJ e CSL dos três primeiros trimestres de 2002, bem como relativos ao PIS e à COFINS de janeiro a novembro de 2002: declarados pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pela PFN; (vi) qualificação da multa, no percentual de 150%: declarados pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (vii) agravamento da multa, em mais 50%, nos termos do art. 44, par. 2o, da Lei n. 9.430/96: mantido pela decisão da DRJ e excluída pelo acórdão a quo, em face do que a PFN interpôs recurso especial. Ocorre que apenas a PFN interpôs recurso especial em face do acórdão a quo, exclusivamente quanto ao item (vii) acima, qual seja, agravamento da multa, em mais 50%, nos termos do art. 44, par. 2o, da Lei n. 9.430/96. Nesse ponto, Turma a quo compreendeu inaplicável a aludido agravamento e reduziu a multa de ofício de 225% para 150%, sob o fundamento de que a conduta dos sujeitos passivos, de deixar de responder a intimações fiscais e apresentar livros e documentos solicitados pela autoridade fiscal teria ensejado o arbitramento dos lucros, o que seja consequência suficiente. Em 28.04.2015, foi proferido despacho de admissibilidade, em que foi dado seguimento ao recurso especial de divergência da PFN (fls. 15512 e seg. do eprocesso). Em 19.08.2015, foi certificado o quanto segue (fls. 455560 do eprocesso): “O contribuinte e solidários tomaram ciência de resultado do recurso voluntário, recurso de ofício e recurso especial interposto pelo procurador em 17/07/2015 e não apresentaram contrarrazões, nem recurso especial da parte mantida, razão pela qual foi transferido para o processo 10850.722751/201518 a matéria não questionada para prosseguir com a cobrança administrativa. Envio o presente processo ao CARF para análise do recurso especial do procurador”. Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.516 5 Concluise, com isso, o relatório. Voto O recurso especial interposto pela PFN é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. Em especial, a recorrente demonstra a divergência da decisão adotada no acórdão a quo com a do acórdão n. 10809.078, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que restou assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a alegação de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa. Recurso negado. Em 18.05.2010, por maioria de votos, o referido paradigma foi confirmado por esta CSRF, como se observa da ementa do acórdão n. 910100.585: LUCRO ARBITRADO. SANÇÃO, INOCORRÊNCIA. O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro. MULTA AGRAVADA, AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO. Cabível o agravamento da multa de oficio, quando o não atendimento pelo sujeito passivo às intimações obstaculiza o trabalho fiscal, obrigando a autoridade lançadora a buscar, junto a terceiros, informações essenciais ao procedimento. Nesse julgamento, os i. Conselheiros da CSRF se dividiram nas duas teses antagônicas atinentes à matéria, que devem ser analisadas para a melhor solução do presente caso. Inclusive diante da ausência de contrarrazões apresentadas pelos recorridos ao recurso especial interposto pela PFN e em homenagem ao princípio do contraditório, ampla defesa e à função de uniformização exercida por este Colegiado, é pertinente analisar as razões apresentadas pela relatora do referido acórdão proferido em 2010 por esta CSRF, a i. Conselheira Suzy Gomes Hoffmann, e pelo i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, designado redator do voto vencedor. De forma fundamentada, a i. Conselheira Suzy Gomes Hoffmann compreendeu que não seria legítimo o agravamento da multa (art. 44, §2, da lei n. 9.430/96), na hipótese em que o IRPJ e a CSL foram calculados com base no arbitramento dos lucros (RIR, Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.517 6 art. 530, III, do RIR e art. 44 do CTN), sob pena de se aplicar duas “sanções” ao mesmo fato, com consequênte bis in idem não tolerado pelo sistema jurídico, in verbis: “O que se decide, aqui, é a respeito da possibilidade, ou não, de aplicação conjunta da multa agravada, prevista no artigo 44, §2, da Lei n° 9430/96, e do arbitramento do lucro para afericã̧o do tributo devido, com base no artigo 530, inciso III, do RIR/1999. É de se ter que a aplicação de ambos, tanto o arbitramento do lucro quanto o agravamento da multa, decorreu de uma só postura por parte do contribuinte, consistente na omissão em responder às intimações feitas pelo Fisco para a apresentaçaõ dos seus livros e documentos comerciais e fiscais e para prestar esclarecimentos acerca da origem de depósitos em contas bancárias. Tal panorama revela, inquestionavelmente, violação da proibica̧õ de bis in idem, tendo em vista que, sobre um mesmo fato, recaíram duas penalidades. Devese fazer uma ressalva: não se está a dizer que não cabe a aplicacã̧o da multa prevista no artigo 44, inciso I, da lei n° 9430/96, no valor de 75% (artigo 957 do RIR/99). O que não se admite é a inciden̂cia do agravamento previsto no respectivo §2°, ‘a’, que eleva a multa para 112,5%, no caso de não atendimento de intimação, por parte do sujeito passivo, para prestar esclarecimentos. O que conceitualmente se discute é se a forma de apuração do imposto, pela via do arbitramento, é por si uma sanção. Se o entendimento for no sentido de que este tipo de apuraçaõ é uma sanção, prevalecerá a tese do bis in idem. Na minha opinião, a via do arbitramento, no caso artigo 530, III do RIR é uma sanção. Notese que dentro da norma de incidência do imposto sobre a renda e ́ certo que o imposto deve recair sobre a renda, que em linhas gerais, ocorre por meio da apuraca̧õ do imposto sobre a renda pelo lucro real. (…) Ora, se a sua conduta de não apresentação dos livros já lhe acarretou uma tributação mais onerosa, pois a apuração pelo lucro arbitrado é notoriamente mais onerosa do que a apuração pelo lucro real, não poderia esta mesma conduta acarretarlhe outra sanção, neste caso o agravamento da multa. Vejase que o agravamento da multa também tem por base a conduta do contribuinte de não apresentação dos livros e documentos contábeis, de tal modo que é incontroverso que o mesmo fito, neste caso, originou duas sanções: uma interna à formação do tributo, pois intrínseca à base de cálculo e outra referente à multa propriamente dita, quando determina urna maior alíquota de multa. Portanto, a meu ver, a aplicação da multa agravada neste caso, é uma ofensa ao princípio do non bis in idem, pois a mesma conduta que foi a base para a majoração do tributo em si, também é a base para a majoração da multa.” Por sua vez, o i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto compreendeu que o arbitramento dos lucros não constituiria “sanção”, mas mera sistemática de apuração do tributo, de forma que o agravamento da multa, tal como prevista no art. 44, §2, da Lei n. 9.430/96, não ensejaria cumulação de penalidades. Destacamse os seguintes trechos de seu voto, in verbis: “Em primeiro lugar, registrese que a apuração da exigência através de arbitramento do lucro foi entendida como correta neste julgamento. Minha divergência voltase contra o entendimento da Relatora no sentido de que o arbitramento seria uma sanção e, sob essa ótica, a imputação da multa agravada representaria onerosidade excessiva ao sujeito passivo. A meu ver, a apuração do resultado da pessoa jurídica pelo lucro arbitrado é uma sistemática como outra qualquer. A diferença consiste no fato da norma definir tal procedimento como um recurso da Fiscalização, na impossibilidade de apuração por outros meios. Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.518 7 Esse entendimento está consolidado neste Colegiada, conforme exemplo abaixo transcrito (Acórdão CSRF/010.123/81): O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro. Nessas condições, desvinculase da apuração por arbitramento a imputação da multa agravada pelo não atendimento às intimações. Ainda assim, deve ser ressaltado que o fato das intimações não terem sido atendidas não é suficiente, por si só, para justificar o agravamento da multa. A jurisprudência desta Corte administrativa entende que se o não atendimento foi irrelevante para a apuração do fato tributável ou, em outras palavras, não gerou qualquer prejuízo ao Fisco, a multa revelase inaplicável. Como exemplo hipotético, numa situação de arbitramento do lucro, apesar de caracterizada alguma das hipóteses a justificar tal prática, a autoridade lançadora obteve a base tributável nos valores informados na Declaração de Informações Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica (DIN). Nesse caso, a omissão no atendimento foi suprida por informações já disponibilizadas nos sistemas da RFB. Não houve impacto no procedimento fiscal. No presente caso, a situação não é a mesma. A falta de atendimento às intimações obrigou o Fisco a buscar junto a terceiros informações essenciais ao procedimento. Dai a formalização da Requisição De Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF) junto à diversas instituições bancárias, com vistas à obtenção de dados financeiros da fiscalizada.” As conclusões construídas nos eruditos votos são coerentes com as premissas expostas por cada um dos i. Conselheiros. Do mesmo modo, coerentemente, a solução do caso ora sob julgamento dependerá das premissas que sejam adotadas quanto à matéria em questão. Nessa análise, compreendo relevante considerar que, cumprindo o papel da norma geral prevista no art. 146 da Constituição Federal, o CTN estabelece três bases de cálculo possíveis para o imposto sobre a renda: real, arbitrada ou presumida. O montante “arbitrado” deverá ser adotado como base de cálculo nas hipóteses referidas no art. 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.519 8 VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. O lucro arbitrado, como se pode observar, corresponde a uma terceira base de cálculo possível para a apuração do IRPJ e da CSL, que deverá ser adotada em hipóteses residuais, em que as duas antecedentes não sejam possíveis: quando a lei não autorizar ao contribuinte a opção pelo lucro presumido e ele o adotar ou, ainda, quando não houver os elementos e documentos necessários para a regular apuração do lucro real. Não deixa o lucro arbitrado, contudo, de tender à tributaçao do acréscimo patrimonial, manifestando, tal como se dá nos demais métodos, a diretriz de tributação da renda acolhida pelo legislador. Notese, ainda, que o arbitramento não é um ato discricionário da administração fiscal, mas hipótese mandatória que torna o ato administrativo vinculado à adoção desse método residual. Tais fatores são relevantes pois evidenciam que o arbitramento de lucros não corresponde a uma sanção por ato ilícito (penalidade), mas sim a um dos três métodos possíveis para a apuração do tributo (IRPJ e CSL), na necessária distinção estabelecida pelo art. 3o do CTN. Notese que nem sempre o tributo calculado com base no lucro arbitrado será superior àquele apurado pelos outros métodos. Regra geral, a regra de apuração do lucro arbitrado parte de um acréscimos (hodiernamente, 20%) ao valor calculado com base no lucro presumido. Em face dessa remissão do legislador ao lucro presumido, naturalmente o lucro arbitrado sempre lhe será superior na proporção do referido porcentual acrescido. No entanto, o mesmo não se repete necessariamente quando se utiliza o lucro real como par de comparação. No caso da venda de mercadorias, por exemplo, em que em geral deve ser aplicado o percentual de 9,6% sobre o faturamento da pessoa jurídica para a apuração do lucro arbitrado (8% acrescido de 1,6%), bastaria que o contribuinte, submetido ao lucro real, obtivesse lucros tributáveis iguais ou inferiores a 9,5% para que apresentasse ônus fiscal inferior nessa modalidade. Por sua vez, as hipóteses que suscitam o arbitramento dos lucros são distintas daquelas que ensejam o agravamento da multa previsto no art. 44, §2o, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97, aplicável ao caso: Art. 44. (...). § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Como se pode observar, o fato que enseja o agravamento da multa em 50% (tendo como base as multas de 75% e 150%) não é a imprestabilidade ou mesmo inexistência de livros contábeis hábeis à apuração lucro real, o que é hipótese arbitramento de lucros. O que causa o referido agravamento, nos termos prescritos pelo legislador, é a conduta omissiva e protelatória adotada pelo contribuinte que, quando intimado, nem apresenta os referidos documentos e nem informa à autoridade fiscal quanto à sua inexistência, indisponibilidade, imprestabilidade ou reserva do direito de apresentação, com a geração de prejuízos ao fisco. O Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.520 9 bom andamento dos procedimentos administrativos instaurados para a apuração de obrigações tributárias é protegido pelo ordenamento jurídico, que estabelece penalidades a restritas hipóteses de condutas do particular de obstacularização da fiscalização, capazes de colocar em risco a arrecadação tributária. Merece destaque: apenas dão ensejo ao agravamento da multa condutas omissivas do contribuinte que obstaculizem injustificamente o bom andamento do procedimento de fiscalização a ponto de colocar em risco a arrecadação tributária a que faria jus o erário público. Se a omissão do contribuinte não prejudicar a apuração de um efetivo fato tributável, sem prejuízos ao fisco para a constituição do tributo, não deve ser agravada a multa. Esse entendimento não contraria a Súmula CARF n. 96, de 09.12.2013, mas lhe vivifica e dá cumprimento: Súmula CARF n. 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Ocorre que, enquanto a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros, outros elementos podem justificar que o arbitramento de lucros conviva com a imposição de multa agravada. Entre os precedentes que ensejaram e edição da Súmula CARF n. 96, destacase o acórdão n. 9101000.766, proferido por esta CSRF em 13.12.2010, o qual restou assim ementado: MULTA AGRAVADA E ARBITRAMENTO O que determina a aplicação da multa agravada é o não atendimento, no prazo assinalado, a intimação para prestar esclarecimentos. O não atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando, por si só, o agravamento da penalidade. Em seu voto, o i. Conselheiro Valmir Sandri observou: “A lei determina a aplicação da multa agravada ‘nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento’. Assim, para que seja agravada a multa, é preciso que tenha se configurado a situação de ser o sujeito passivo intimado a prestar esclarecimentos e, no prazo assinalado, não atender a intimação. O não atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando, por si só, o agravamento da penalidade. Eventualmente, se além de não apresentar livros e documentos, o contribuinte também deixar de atender intimação para prestar esclarecimentos, pode ser cabível o agravamento da multa. São hipóteses distintas, acarretando conseqüências jurídicas distintas, e que podem vir cumuladas. Assim, sendo a única acusação que pesa sobre o contribuinte a falta de apresentação de livros e documentos, que ensejou o arbitramento do lucro, andou bem a Câmara para cancelar o lançamento.” Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.521 10 Em 16.08.2012, a CSRF prolatou acórdão que também serviu de precedente para a edição da Súmula CARF n. 96, assim ementado: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Também nesse caso, o voto do relator, i. Conselheiro José Ricardo da Silva, consignou que teria sido arguido pela PFN “que não atendida a intimação, presumese o embaraço à fiscalização. A simples falta de atendimento, o desprezo à administração tributária, é fato gerador da multa”, bem como que, “de acordo com a lei, o critério para o agravamento da multa não é subjetivo, mas de ordem objetiva”. Destacase o seguinte trecho do aludido voto, in verbis: “Firmo a minha posição no sentido de que não houve embaraço a ̀ fiscalzação. Isto porque, neste aspecto fundamentou o Sr. Auditor Fiscal terem sido apresentados os documentos requisitados de forma parcial, bem como não terem sido apresentadas respostas, esclarecimentos ou documentos referentes aos Termos de Intimação n° 001 e 002. Ora, a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da aca̧õ fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo.” No caso concreto, a demora na apuração dos tributos neste processo administrativo colaborou para que boa parte dos créditos viessem a ser consumidos pelo decurso do prazo decadencial. Merece destaque o seguinte trecho do acórdão a quo: No caso concreto: No caso versado nos autos, a majoração é conseqüência da falta de atendimento ao “Termo de Constatação e Intimação no 083”, no qual foram solicitados esclarecimentos acerca da escrituração contábil e da receita bruta. Além disso, o contribuinte foi reintimado a prestar esclarecimentos, mediante o “Termo de Constatação e Reintimação no 088”, tendo sido alertado sobre o agravamento da multa de ofício em caso de não atendimento. Finalmente, o contribuinte não atendeu ao “Termo de Constatação e Intimação no 089”, no qual foram solicitados esclarecimentos acerca de exclusões efetuadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, tendo sido alertado novamente sobre o agravamento da multa em caso de não atendimento." Notese, além disso, que a não colaboração do contribuinte, no presente caso, fez com que a fiscalização diligenciasse junto à SEFAZSP e SEFAZMG para a obtenção de informações, obstáculo o qual pode ter colaborado para a decadência de boa parte dos débitos tributários envolvidos. Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.000469/200812 Acórdão n.º 9101002.327 CSRFT1 Fl. 4.522 11 Nesse cenário, compreendo estar configurado o fato ensejador do agravamento da multa, devendo, portanto, ser DADO PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela PFN. É como voto (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto Relator Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15463.721214/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA. GRAVE. ISENÇÃO.
A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse benefício e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
A declaração do INSS que contenha os dados essenciais ao reconhecimento da isenção deve ser acatada como comprobatória da moléstia grave.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores percebidos pelo contribuinte da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA. GRAVE. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse benefício e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A declaração do INSS que contenha os dados essenciais ao reconhecimento da isenção deve ser acatada como comprobatória da moléstia grave. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PORTADOR DE MOLÉSTIA. GRAVE. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse benefício e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A declaração do INSS que contenha os dados essenciais ao reconhecimento da isenção deve ser acatada como comprobatória da moléstia grave. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 12 14 /2 01 4- 57 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores percebidos pelo contribuinte da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15463.721214/201457 Acórdão n.º 2402005.319 S2C4T2 Fl. 58 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua defesa contra a notificação de lançamento de IRPF que constitui o presente processo. De acordo com as informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 117.563,17, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes de duas fontes pagadoras. Não houve compensação do Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Valores lançados com base na DIRF. Não houve apresentação de documento comprobatório de aposentadoria – reforma ou pensão. O sujeito passivo impugnou o lançamento afirmando que desde 17/11/2011 foi acometida de moléstia grave CID C56.0, que lhe dá direito à isenção do IRPF, conforme Declaração de Isenção de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fornecida pelo Instituto Nacional de Previdência Social, assinada pelo Médico Perito, cópia anexa. A DRJ não acolheu o argumento, por entender que a declaração apresentada não pode ser aceita como substituta do laudo médico necessário ao reconhecimento da isenção. Cientificado da decisão em 15/06/2015, fl. 38, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 25/06/2015, fls. 41, acompanhado dos documentos de fls. 42/54, no qual, alega que os documentos acostados comprovam o seu direito à isenção, mormente a declaração do INSS, que tem força probante de um laudo médico. Requer, ao final, o provimento do recurso. Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Mérito O mérito da causa resumese em concluir se a isenção pode ser reconhecida mediante a comprovação da existência de doença grave pela documentação acostada. A isenção decorrente do acometimento de moléstia grave vem prevista no inciso XIV do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988 e alterações, nos seguintes termos: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...)" A Lei n.° 9.250/1995 dispôs acerca da comprovação da doença profissional ou moléstia grave nos seguintes termos: " Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15463.721214/201457 Acórdão n.º 2402005.319 S2C4T2 Fl. 59 5 da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (...)" Como se vê dois são os requisitos necessários ao reconhecimento da isenção. Que os rendimentos sejam referentes a aposentadoria ou reforma e que haja a comprovação por laudo de serviço médico oficial do acometimento de uma das moléstias listadas na norma. O primeiro requisito resta cumprido em relação aos rendimentos percebidos da fonte Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, o mesmo não se verificando em relação ao recebimento da Cooperforte. Quanto à comprovação de que o contribuinte era portador de moléstia grave, entendo que deva ser acatada a declaração do INSS, posto que contempla os dados essenciais ao que se deseja comprovar e tem como emissor um serviço médico oficial. No referido documento, fl. 43, há a indicação da doença (CID 56.0 câncer de ovário) e a data do início da moléstia, 17/11/2011. Vale a pena trazer a colação o teor da declaração emitida pela Gerência Executiva do INSS no Rio de Janeiro Centro: A não aceitação deste documento ao meu ver representa formalismo exacerbado, não condizente com o princípio do informalismo que rege o processo administrativo fiscal, principalmente nos julgamentos de processos envolvendo pessoas físicas Diante dessas ponderações, encaminho para que seja dado provimento parcial ao recurso, para afastar da tributação os valores recebidos pela contribuinte da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, mantendose aqueles recebidos da Cooperforte, posto que não há comprovação de que se tratam de rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores percebidos pelo sujeito passivo da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13961.720228/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES DECORRENTES DE HERANÇA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento é improcedente, haja vista que o sujeito passivo demonstrou que os valores tidos como não declarados referem-se a herança por ele recebida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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VALORES DECORRENTES DE HERANÇA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento é improcedente, haja vista que o sujeito passivo demonstrou que os valores tidos como não declarados referemse a herança por ele recebida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 1. 72 02 28 /2 01 2- 45 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua defesa contra a notificação de lançamento de IRPF que constitui o presente processo. De acordo com as informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 18.327,82, recebidos pela contribuinte do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O sujeito passivo impugnou o lançamento afirmando que o valor tido como não declarado é na verdade decorrente de herança havida de sua irmã CELIA BELIZARIA DE SOUZA, CPF 096.303.84949. Sustenta que o Poder Judiciário equivocadamente tratou a verba como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício. Acrescenta que o valor recebido decorreu de alienação de imóvel pertencente ao espólio e que o seu valor está na faixa de isenção quanto ao ganho de capital. Assegura que foi ao Judiciário para desfazer o equívoco e que o próprio magistrado reconheceu que houve retenção indevida de IRPF. Afirma que para se comprovar a sua alegação basta verificar a declaração final de espólio de sua falecida irmã. A DRJ não acatou os argumentos da defesa, por entender que não houve a devida comprovação do alegado. Eis as razões apostas no voto condutor do acórdão: " 6. Visando comprovar seu direito anexou aos autos o termo de Audiência (fls. 10/11) da Ação de Inventário datado de 26/09/2007, em que as partes firmaram acordo para por fim a lide. Nesta consta informação de que a contribuinte ficaria com determinado percentual dos rendimentos obtidos na venda de um imóvel sob a matrícula 14542. Juntou também ao processo o comprovante de rendimentos (fl. 13) emitido pelo tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina referente ao ano base de 2010. 7. Analisando os citados documentos informados no item 06 do presente voto, concluise que a contribuinte não logra comprovar que tais rendimentos recebidos em 2010 sejam aqueles rendimentos decorrentes da Ação de Inventário, pois a data do acordo judicial foi de 2007. Verificase que a defesa poderia ter demonstrado por meio das guias de levantamento de depósito que recebeu tais rendimentos somente em 2010, bem como ter trazido aos autos quanto foi o valor recebido na referida Ação. No entanto, não fez qualquer prova nesse sentido." A impugnação foi julgada improcedente. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13961.720228/201245 Acórdão n.º 2402005.359 S2C4T2 Fl. 63 3 Cientificada da decisão em 11/06/2015, fl. 35, a notificada apresentou tempestivamente recurso em 18/06/2015, fls. 36/37, acompanhado dos documentos de fls. 38/59, no qual, apresenta as mesmas alegações defensórias e reforça o seu conjunto documental. Traz à colação alvarás de levantamento do valor em questão; declaração de espólio e peças do processo administrativo em que outra herdeira (Ceni Belizária) obteve da RFB o reconhecimento de que o rendimento de mesma natureza era isento. Requer, ao final, o provimento do recurso. Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Mérito O mérito da causa resumese em concluir se houve equívoco por parte da fonte pagadora em relação à natureza dos valores recebidos pela contribuinte. A meu ver o conjunto probatório carreado aos autos é suficiente para comprovar que os rendimentos que ensejaram o lançamento de fato se referem a herança. Conforme o Termo de Audiência judicial de fls. 54/55, a recorrente foi contemplada com parcela da herança de Célia Belizária, situação também retratada na declaração final de espólio, fls. 49/53. Foram acostados aos autos as duas guias relativas ao levantamento do valor, ambas datadas de 29/03/2010, o que satisfaz a dúvida levantada pela DRJ para não acolher os argumentos da defesa. E para fechar a questão, as peças do processo administrativo em que se reconhece a isenção de rendimentos de mesma natureza recebida por outra herdeira, fls. 56/59, não deixam dúvida quanto ao erro cometido pela Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, que informou os valores decorrentes de herança como se fossem rendimentos do trabalho. Encaminho, assim, pela procedência do recurso. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10880.730171/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins Paula. esteve presente no julgamento a Dra. Catarina Elaine de Oliveira, OAB/SP n. 197.618.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins Paula. esteve presente no julgamento a Dra. Catarina Elaine de Oliveira, OAB/SP n. 197.618. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração com exigência de valores referentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativos ao período de apuração compreendido entre janeiro e junho de 2008. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão, neste Tribunal, a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 30 17 1/ 20 12 -0 2 Fl. 6274DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.275 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou todos aqueles créditos tomados pela Recorrente na fase de produção agrícola da cana de açúcar que, por sua vez, é ulteriormente empregada na fase industrial de produção de açúcar e álcool. É o que se depreende, v.g., do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: (...). Dessa maneira, vêse que o termo insumo é gênero que abarca componentes aplicados direta e indiretamente na produção e, por isso, tem sido dividido em dois distintos subgêneros, quais sejam, os “insumos diretos” e “insumos indiretos”. Em conseqüência, por exemplo, são: 1) Insumos diretos de produção: matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem, etc.; e 2) Insumos indiretos de produção: energia elétrica, combustíveis, lubrificantes, manutenção de máquinas, aluguéis, etc. Essa maneira de entender o termo insumo se apresenta, de forma tácita, tanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, na sua versão atual, quanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, ambas com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, bem como nas IN SRF nº 247, de 2002, na versão dada pela IN SRF nº 358, de 2003, e nº 404, de 2004 (negritei). Vista dessa maneira fica claro que, em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Tal regra só é rompida por determinação legal, como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros insumos indiretos de produção que a despeito disto desoneram o créditos em tela (negritei). Da análise do exposto acima, concluise que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, consideramse “insumos”, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e do álcool. Ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção do açúcar e do álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. (...). (fl. 36 grifos constantes no original). Fl. 6275DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.276 3 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela Recorrente ao longo do procedimento fiscalizatório, a fiscalização glosou os seguintes itens que haviam sido tratados como crédito pela Recorrente: (a) Administração, Águas Residuais, Alojamento Agrícola, Captação de Água, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Orgânica, Colheita de Cana Outras Origens, Colheita de Cana Terceirizada, Desenvolvimento Agronômico, Estação Experimental Canaviais, Estação Experimental CTC, Estradas/Cercas/Pontes, Lavador de Veículos, Mecanização Agrícola, Mecanização Agrícola Colheita, Oficina Mecânica, Oficina Mecânica Tratores, Outras Culturas Agrícolas, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Plantio Orgânico, Preparo do Solo Orgânico, Preparo e Plantio Terceirizado, Programa Formação Profs. Agric, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta de Cana Soca, Segurança Patrimonial, Serviços Auxiliares, Serviços de Tratos Culturais, Serviços Recreativos, Serviços de Fornecedores de Cana, Transporte Agrícola, Transporte Agrícola Colheita, Trato da Planta, Trato da Soca, Trato da Soca Orgânica, Trato da Soca Terceirizada, Trato Culturais Soca CP e Vinhaça; (b) cana de açúcar produção própria, carregamento/reboque de cana, colhedeira de cana picada, colhedeira de cana, colheita de cana fornecedores, colheita de cana orgânica, colheita de cana outros, colheita de cana outras origens, colheita de cana terceirizada, comboio de abastecimento, corte mecanizado de cana, departamento de fornecedores de cana, desenvolvimento agronômico, estradas/cercas/pontes, implementos agrícolas, manutenção de campo, mão de obra agrícola, mecanização agrícola, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas leves, mecanização máquinas médias, mecanização máquinas pesadas, mecanização plantio mecanizado, oficina manutenção colhedora, oficina mecânica tratores, oficina mecânica veículos, oficinas de implementos, outras culturas agrícolas, plantio, plantio contratos, plantio mecanizado, preparo do solo, preparo e plantio terceirizado, reboque, reboque de cana picada, reboque fornecedor de cana picada, reboque Julieta próprio, reboque terceirizado de cana picada, refeitório alojamento agrícola, reflorestamento/meio ambiente, serviços de tratos culturais, serviços de fornecedores de cana, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícola, topografia, transporte colheita, transporte agrícola, transporte agrícola colheita, transporte de cana adm manual, transporte de cana adm mecanizada, transporte colheita, transporte fornecedor de cana picada, transporte fornecedor de cana inteira, transporte mec cana administrada, transporte terceirizado de cana picada, trato da planta, trato da soca e vinhaça.; (c) diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes na área agrícola como Caminhões, Motores de Explosão, Reboques e Semi Reboques, Para Motoniveladora Pá Carregadeira e Retroescavadeira, Para Carregamento de Produtos Agrícolas, Para Colheita de Produtos Agrícolas, Tratores e Esteira, Tratores de Rodas, Balsas e Barcaças; Equipamentos e Componentes de Terraplenagem, Equipamentos e Implementos Agrícola Irrigação; (d) arrendamento agrícola decorrente de contratos de parceria com proprietários de terras em que produzida a cana de açúcar; (e) depreciação de ativos mobilizados, os quais foram assim especificados: ar condicionado, aparelho de som, rádio portátil, radio transceptor, grades, arados, colhedoras, cultivadoras, roçadeira, implementos agrícolas em geral, caminhões, carretas, semireboque, transbordos para cana picada, tratores, equipamentos de laboratórios, betoneira, bombas, veículos, dentre outros; Fl. 6276DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.277 4 (f) administração, administração de pessoas, administração logística mi, administração vendas varejo, assistência social, centro de treinamento, clube de campo, comunicação, contencioso trabalhista, desenvolvimento de pessoas, diretoria financeira, equipamentos para vendas, equipamentos reserva, escritório varejo são Paulo, expedição, fiscal, funcionários afastados, higiene e medicina do trabalho, jurídico trabalhista regional, pesquisa e desenvolvimento de produtos, presidência barra, programa alimentação trabalhador, programa de formação de profissionais agrícola, programa de formação de profissionais industria, relação com investidores, saúde e segurança ocupacional, saúde ocupacional, segurança do trabalho, segurança patrimonial, seleção de pessoas, serviços de habitação, serviços médicos, serviços odontológicos, serviços recreativos, unidade telecom segurança, vendas industriais, vendas varejo, vendas varejo e vice presidência operações; (g) águas residuais, almoxarifado/recebimento, armazém de açúcar externo, armazém de açúcar interno, balança de cana, borracharia, captação de água, central de ar comprimido, laboratório industrial/microbiológico, laboratório cotesia, laboratório de lubrificantes, laboratório metharizium, laboratório teor sacarose, lavador de veículos, limpeza operativa, manutenção conservação civil ind., manutenção mecânica, mecanização industrial, mescla, oficina calderaria, oficina elétrica, posto de abastecimento, rouguing, serviço apoio armazém, transporte adm manual, transporte industrial e tratamento de água; (h) gasolina, óleo diesel e querosene; (i) graxas empregadas no maquinário; (j) aquisições de container big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura, lacres, que configuram embalagens retornáveis utilizadas apenas para o transporte do açúcar; (k) materiais utilizados em laboratórios como aerômetro, algodão, balão de vidro, buretas, câmaras, copos Becker, densímentros, filtros, frascos, lâmpadas, pipetas, provetas, resistências, tubos de ensaio (e) discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, filtros, terminais, barras de aço, vigas de aço, adesivos, grampos, borrachas, conexões, tubos, flanges, dentre outros; (l) cabos de aço, cordas, cordoalhas, correntes e acessórios – composto por emendas, cadeados, correntes, abraçadeiras, cabos de aço, grampos, laços, manilhas e prensa; mangueiras, tubos e conexões – adaptadores, bicos, buchas, conexões PVC, engates, flexíveis, mangueiras, molas, terminais, tubos pvc, tubo nylon, tubo flexíveis, adesivos, anéis, arruelas, fitas, gaxetas, juntas, massa vedação, retentores, reparos, sedes válvula borboleta, selo mecânico, travas, vedarrosca, cordão; anéis, anilhas, cantoneiras de aço, barras chatas, aço de construção, barras de inox, barras de latão, buchas, chapas de aço, chapas de alumínio, chapas inox, conectores, cotovelos, curvas, flanges, engates, luvas, niples, pestanas, plugs, tarugos, reduções, tubos de aço, tubos inox, tubos de cobre, vigas de aço, vigas i de aço, borrachas em lençóis, buchas de borracha, cantoneiras de borracha, papelão, tarugo, arruelas, buchas, capas de rolamentos, cone de rolamentos; (m) aluguel de moradias de funcionários, máquinas de café, data show, microfones, mesas para festas e projetos sociais, toalheiros, aluguel de palcos, pallets, clubes, produção artísticas, estacionamento, condomínio, corretagem de imóveis e alugueis para projetos sociais; e Fl. 6277DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.278 5 (n) pagamentos de serviços de transporte e movimentação de cargas, na planilha Notas Fiscais Direto, com centro de custo Armazém de Açúcar Externo e Interno, empacotamento, ensacamento, geração de vapor, oficina elétrica, preparo e moagem, preparo de solo e trato soca, uma vez que os créditos só são permitidos para o frete na operação de venda e não na movimentação entre estabelecimentos da empresa. 6. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou substanciosa Impugnação, oportunidade em que, em suma, alegou: (...preliminarmente, em resumo, que o auto de infração seria nulo por insuficiência de motivação, porquanto as glosas do setor agrícola da empresa foram amplas e genéricas, inviabilizando o entendimento do lançamento e prejudicando o direito de defesa e o exercício do contraditório, pois não foram oferecidas as razões específicas das glosas. Quanto às glosas relativas a “ajustes positivos de créditos”, referente a junho/2008, a fiscalização aparenta reconhecer o direito ao uso do crédito presumido, mas efetuou glosas sem explicações. Alega também que ao considerar o conceito de insumos constante nas IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004, eivou de nulidade todas as glosas e conseqüentemente os autos de infração, porquanto vão de encontro à conceituação de insumo adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Quanto ao mérito, afirma, em resumo, que, conforme decisão do CARF, os dispêndios que geram direito aos créditos da não cumulatividade são aqueles indispensáveis ao processo produtivo, cujo conceito jurídico é o de custo de produção, isto é, todos os gastos necessários à produção de bens e serviços. O mesmo se pode dizer do conceito de insumo contido no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em relação à glosa dos insumos da área agrícola, argumenta que no caso de empresas do setor sucroalcooleiro a atividade agrícola tem intrínseca vinculação com a atividade de produção do açúcar e do álcool, nesse sentido todos os dispêndios relativos a essa atividade são classificados como custo de produção. Assim, não se pode admitir a glosa, de modo amplo, superficial e genérico, de todos os custos relacionados à área agrícola sob a alegação de que não integram o processo produtivo do açúcar e do álcool. Partindose dessa premissa, é indubitável que serviços como dedetização, manutenção de tratores, caminhões e contêineres são indispensáveis às atividades da impugnante, devendo também ser enquadrados como insumos de produção, bem assim as em atividades de laboratório, com balança de cana e manutenção de maquinário utilizado para processamento e transporte de cana. Também seriam indispensáveis os gastos com arrendamento mercantil, além de se enquadrar no conceito de aluguel previsto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833, de 2003. É que, juridicamente, o imóvel rural pode ser Fl. 6278DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.279 6 considerado um “prédio rústico”, como prescreve o art. 4º do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei nº 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN). Em relação à glosa de insumos indiretos e produtos químicos, alega que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF já pacificou o entendimento de que os créditos de PIS/Cofins não devem se pautar pelos critérios utilizados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme excerto que transcreve. Quanto aos gastos com embalagens, combustíveis, lubrificantes e graxa utilizados nos veículos e maquinários agrícolas, com transporte de empregados, bem assim com frete na aquisição de mercadorias e entre estabelecimentos da empresa, alega que são considerados indispensáveis ao processo produtivo, conforme entendimento do CARF. O mesmo se aplicaria às despesas com logística portuária e armazenagem e com depreciação de bens da unidade agrícola, pois se “classificam como gastos imprescindíveis à produção e comercialização do açúcar e álcool produzido pela impugnante...” Ademais, a própria Administração vem entendo que o frete na aquisição de mercadorias inclui o custo de aquisição e nesse sentido podem gerar créditos da nãocumulatividade, conforme soluções de consulta que cita. Quanto à energia elétrica, não procede a glosa, pois as despesas glosadas se referem à energia elétrica utilizada em estabelecimentos da autuada, conforme prevê o art. 3º, III, da Lei nº 10.833, de 2003. Também não procedem as glosas com aluguel e condomínio, pois também foram utilizados em atividades da empresa, não fazendo a lei distinção sobre o tipo de atividade em que foi utilizado, conforme inciso IV do artigo acima. Quanto à proporcionalização da receita bruta total, alega que não há na legislação esse conceito expresso e só pode ser interpretada como a totalidade das receitas auferidas pela empresa, inclusive aquelas não tributadas ou com alíquota zero. A receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa só pode ser interpretada como a receita total excluída das receitas que permaneceram no regime cumulativo. No tocante às glosas relativas a “ajustes positivos de créditos”, referente a junho/2008, a fiscalização aparenta reconhecer o direito ao uso do crédito presumido, mas efetua glosas sem explicações. Em relação aos juros, argumenta que é ilegal a sua aplicação sobre a multa de ofício.. (trecho extraído do acórdão DRJ fls. 6.005/6.006). Fl. 6279DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.280 7 7. Devidamente processada a Impugnação foi julgada improcedente, o que se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2008 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2008 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS nãocumulativo, entende se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 6280DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.281 8 Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS nãocumulativo incidente em suas aquisições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2008 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO DAS MESMAS CONCLUSÕES. A correlação entre as normas que regem as contribuições, autoriza a aplicação das conclusões nas questões de mérito relativas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep também à Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fls. 6.002/6.003). 8. Diante de tal situação, coube ao contribuinte interpor o recurso voluntário em análise (fls. 6.034/6.089), oportunidade e que juntou aos autos substancioso parecer técnico desenvolvido pela ESALQ (fls. 6.102/6.252), a respeito das glosas aqui perpetradas. 9. É a síntese que se faz necessária. Resolução Relator Diego Diniz Ribeiro 10. Ao se analisar o presente processo administrativo, é possível desde já identificar que parte significativa da glosa em questão decorre das diferentes interpretações existentes a respeito do conceito de insumo e que são defendidas pelo Fisco e pelos contribuintes. 11. Todavia, existem determinadas glosas para as quais tornase impossível a tarefa de verificar sua vinculação com o processo produtivo da Recorrente sem antes esclarecer determinadas dúvidas deste julgador. Ademais, existem outras questões que merecem esclarecimentos. Vejamos. 12. Embora determinadas glosas tenham recaído sobre bens e serviços atrelados a centro de custo não vinculado à produção, ao se analisar a descrição dos itens glosados, é possível cogitar, ainda que hipoteticamente, que tais itens apresentam vinculação com a atividade agrícola (plantio da cana) ou com a atividade industrial (produção do açúcar e do álcool). É o que se depreende dos seguintes itens: (i) águas residuais; balança de cana, borracharia, captação de água; limpeza operativa, manutenção conservação civil ind., manutenção mecânica, mecanização industrial, mescla, oficina calderaria, oficina elétrica, rouguing; cabos de aço, cordas, cordoalhas, correntes e acessórios – composto por emendas, cadeados, correntes, abraçadeiras, cabos de aço, grampos, laços, manilhas e prensa; mangueiras, tubos e conexões – adaptadores, bicos, buchas, conexões PVC, engates, flexíveis, mangueiras, molas, terminais, tubos pvc, tubo nylon, tubo flexíveis, adesivos, anéis, arruelas, fitas, gaxetas, juntas, massa vedação, retentores, reparos, sedes válvula borboleta, selo mecânico, travas, vedarrosca, cordão; anéis, anilhas, Fl. 6281DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.282 9 cantoneiras de aço, barras chatas, aço de construção, barras de inox, barras de latão, buchas, chapas de aço, chapas de alumínio, chapas inox, conectores, cotovelos, curvas, flanges, engates, luvas, niples, pestanas, plugs, tarugos, reduções, tubos de aço, tubos inox, tubos de cobre, vigas de aço, vigas i de aço, borrachas em lençóis, buchas de borracha, cantoneiras de borracha, papelão, tarugo, arruelas, buchas, capas de rolamentos, cone de rolamentos; 13. Assim, cumpre a fiscalização esclarecer analiticamente qual a utilização destes itens destacados na operação da Recorrente, seja na fase industrial seja na fase agrícola. 14. Não obstante, o mesmo problema aqui apresentado ocorre na hipótese de glosas atrelados a centro de custo não identificado. Isso porque, ao se analisar a descrição dos itens glosados, também é possível concluir que tais itens apresentam vinculação com a atividade agrícola (plantio da cana) ou com a atividade industrial (produção do açúcar e do álcool). É o que se extrai dos seguintes itens: (ii) rádio transceptor, grades, arados, colhedoras, cultivadoras, roçadeira, implementos agrícolas em geral, caminhões, carretas, semireboque, transbordos para cana picada, tratores, equipamentos de laboratórios, betoneira, bombas, veículos. 15. Dessa feita, cumpre a fiscalização esclarecer analiticamente qual a utilização destes itens destacados na operação da Recorrente, seja na fase industrial seja na fase agrícola. 16. Ademais, também é possível constatar a existência de glosas referentes a (iii) "gasolina, óleo diesel e querosene", bem como de (iv) de graxas empregadas em maquinário. 17. Entretanto, a fiscalização não esclarece em quais veículos tais combustíveis são empregados e para qual finalidade, assim como também não esclarece em que tipo de maquinário a sobredita graxa é utilizada. 18. Por conta disso, em relação ao item "iii" sobredito, cumpre a fiscalização esclarecer em que tipo de veículos e para qual finalidade (v.g., transporte de mãodeobra para a área de cultivo; transporte da cana produzida para o parque industrial, etc.) os combustíveis em questão são empregados. Já em relação ao item "iv" supracitado, deve a fiscalização indicar em que tipo de maquinário é empregada a graxa que redundou no crédito glosado. 19. Outro aspecto que merece esclarecimento diz respeito a glosa de créditos afetos ao suposto pagamento de fretes e com despesas de armazenagem. Conforme se observa da autuação, a fiscalização extraiu e glosou do centro de custo "Armazém de Açúcar Externo e Interno" os seguintes itens: (v) empacotamento, ensacamento, geração de vapor, oficina elétrica, preparo e moagem, preparo de solo e trato soca. 20. Embora aparentemente alocados no centro de custo de armazenagem, tais itens parecem estar atrelados à fase agrícola da operação da Recorrente. Assim, compete a fiscalização primeiramente esclarecer se de fato tais itens estão vinculados ao armazenamento, detalhando tal vinculação com esta atividade (armazenamento). Em caso positivo, deverá a fiscalização esclarecer que tipo de produto foi objeto do frete e qual a finalidade do fretamento Fl. 6282DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.797 S3C4T2 Fl. 6.283 10 (transporte de produtos inacabados entre estabelecimentos da Recorrente, transporte de produto acabado para consumidor final, etc.). 21. Em suma, a diligência aqui proposta é para que a fiscalização esclareça o que segue: (a) qual a utilização dos bens indicados nos itens "i" e "ii" na operação da Recorrente, seja na fase industrial seja na fase agrícola; (b) que tipo de veículos e para qual finalidade os combustíveis descritos no item "iii" são empregados; (c) qual o tipo de maquinário é empregada a graxa que redundou no crédito glosado e referido no item "iv" da presente resolução; e, por fim (d) esclarecer se de fato as rubricas indicadas no item "v" estão vinculadas ao armazenamento, detalhando a forma como tal vinculação ocorre e, em caso positivo, esclarecer que tipo de produto foi objeto do frete e qual a finalidade do fretamento (transporte de produtos inacabados entre estabelecimentos da Recorrente, transporte de produto acabado para consumidor final, etc.). 22. É a resolução. Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 6283DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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