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Numero do processo: 13045.000698/2005-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/05/2000 a 07/05/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração.
Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 9303-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONTRADIÇÃO Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 5. 00 06 98 /2 00 5- 10 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela contribuinte, em face do Acórdão nº 930301.570, visando sanar contradição, nos termos do art. 65, § 1º, V do RICARF, Portaria 256, de 22 de julho de 2009 e alterações posteriores, conforme efls.796. No Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração, de efls.799/801, foi proposta a aceitação deste para corrigir contradição no dispositivo do voto. Transcrevese trechos deste para melhor entendimento: “ A Embargante após ciência do Acórdão nº 930301.570, de fls. 754 a 757, através do despacho de fls. 796, arguiu como a seguir se transcreve: Tratase o processo Auto de Infração impugnado pelo contribuinte, sendo julgado improcedente pela DRJ. Em razão do valor, a DRJ interpôs Recurso de Oficio que foi negado pelo CARF. O Procurador da Fazenda apresentou Recurso Especial que foi julgado pela Câmara Superior através do Acórdão 930301.570 3ª Turma considerando o Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido. Disto, depreendese que o lançamento foi mantido, devendo a cobrança dos valores apurados ser mantida. Ocorre porém, que ao final do Acórdão 930301.570 3ª Turma, o julgador informa " dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, reformando a decisão da câmara o quo, restabelecendo a decisão proferida pela DRJ" Assim, nos termo do art. 64 Portaria MF nº 256/2009, encaminhese ao CARF/MF.(grifei). ... Constatase do próprio teor dos Embargos interpostos, nos excertos acima transcritos que assiste razão à recorrente, visto que existe de fato, uma contradição entre a parte dispositiva da decisão e os fundamentos apresentados, uma vez que ao dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional a decisão embargada está efetivamente reformando a decisão da câmara a quo e consequentemente reformando a decisão de piso, restabelecendo assim o auto de infração.” É o relatório. Voto A embargante aponta contradição no dispositivo do voto, pois ao dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a decisão embargada reformou a decisão da câmara a quo, que tinha negado provimento ao recurso de ofício da DRJ pelo cancelamento do auto de infração, não podendo ser restabelecida a decisão da DRJ, mas sim o auto de infração. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13045.000698/200510 Acórdão n.º 9303003.375 CSRFT3 Fl. 199 3 Assiste razão à embargante, ao propor os presentes embargos, vez que, de fato, ao dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional foram reformadas a decisão da câmara a quo e da 1ª instância (DRJ), sendo restabelecida a exigência do auto de infração . Dessa forma, nos termos do art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, acolho os embargos para que seja o Acórdão no 930301.570, de 06 de julho de 2011, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, rerratificado, sem efeito infringente, no dispositivo do voto, passando, para todos os efeitos, a ter a seguinte redação: Assim, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, reformando a decisão da câmara a quo e a decisão proferida pela DRJ, de forma a restabelecer a exigência do auto de infração . Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e, a fim de sanar contradição no dispositivo do voto, que ficou diferente do que foi votado pela 3ª turma da CSRF, conforme preceitua o art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, devese alterar o dispositivo do voto como proposto acima. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 804DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720312/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento do Recurso Voluntário em diligência fiscal, para que seja esclarecido, com detalhes, o critério adotado para o cálculo da multa e a respectiva fundamentação legal. Vencido o Relator e os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e CARLOS ALEXANDRE TORTATO que superavam a questão preliminar suscitada (conversão em diligência) para adentrar na análise direta do mérito recursal. A Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS fará a Resolução.
André Luís Mársico Lombardi Presidente
Arlindo da Costa e Silva - Relator
Maria Cleci Coti Martins Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento do Recurso Voluntário em diligência fiscal, para que seja esclarecido, com detalhes, o critério adotado para o cálculo da multa e a respectiva fundamentação legal. Vencido o Relator e os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e CARLOS ALEXANDRE TORTATO que superavam a questão preliminar suscitada (conversão em diligência) para adentrar na análise direta do mérito recursal. A Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS fará a Resolução. André Luís Mársico Lombardi – Presidente Arlindo da Costa e Silva Relator Maria Cleci Coti Martins – Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .7 20 31 2/ 20 13 -6 5 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 645 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: Janeiro/2009 a dezembro/2009. Data da lavratura do Auto de Infração: 09/04/2013. Data da Ciência do Auto de Infração: 14/04/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.036.4004, decorrente do descumprimento de obrigação acessória fixada no art. 57, inciso I e §2º, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a alteração dada pela Lei nº 12.766/2012, consistente na não entrega ou na entrega em atraso da Escrituração Contábil Digital, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 183/188. CFL 24 Deixar a empresa de entregar ou entregar com atraso a Escrituração Contábil Digital – ECD. Em sua resenha, datada de 09/04/2013, afirma a Autoridade Lançadora que, em consulta ao sistema ReceitanetBx, foi verificado que a interessada não apresentou a escrituração contábil dela em meio digital até a presente data, apesar de sujeita a tributação pelo lucro real no anocalendário de 2009, mesmo após intimação para apresentação dessa escrituração, através dos Termos de Intimação Fiscal nº 183/2012, 005/2013 e 007/2013. Informa, ainda, que: “tendo o prazo da interessada para entrega da ECD ter se encerrado, excepcionalmente, em 31 de Julho de 2010, e não havendo a entrega desses arquivos digitais até a presente data, será efetuado o lançamento da multa prevista no Artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 787/2007, no valor de R$ 165.000,00 (cento e sessenta e cinco mil reais)”. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 198/210. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0432.663 – 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 226/230, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/08/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 233. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls.236/252, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 646 3 · A multa lançada é inconstitucional, pois fere o princípio da proporcionalidade e da vedação ao confisco; · Os sóciosgerentes não podem ser responsabilizados pela multa lançada, pois não houve excesso de poderes, sendo indevida a desconsideração da personalidade jurídica, não podendo ser aplicado ao caso a situação prevista no art. 135, III, do CTN; · Ao fim requer que seja reanalisado a Impugnação administrativa para o fim especial de declarar os juros e as multas aplicados pela Fazenda Pública confiscatórios, bem como reconhecer a inconstitucionalidade da autuação procedida contra a Contribuinte, reformandose assim o acórdão em questão. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 647 4 2. VOTO VENCIDO 2.1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/08/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 09/09/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2.2. DAS PRELIMINARES 2.2.1. DAS ALEGAÇOES DE INCONSTITUCIONALIDADE O Recorrente alega que a multa lançada é inconstitucional, pois fere o princípio da proporcionalidade e da vedação ao confisco. Em que pesem as ponderações do Recorrente, não lhe confiro razão. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Revelase norteador destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou também à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 648 5 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi atribuída pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Aditese que, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, o mero descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, circunstância que lhe confere natureza objetiva. Tal compreensão é corroborada pela norma tributária inscrita no art. 136 do CTN, o qual reza que a responsabilidade por infração à legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, paramentos que acentuam a natureza objetiva da imputação em relevo, sendo irrelevante, portanto, para a lavratura do competente Auto de Infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária a sindicância da culpa ou da intenção do infrator, ou de eventual prejuízo à administração tributária. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 649 6 Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Deflui das disposições legislativas ora revisitadas que as vedações constitucionais acima mencionadas são dirigidas aos impostos – espécie tributária do gênero tributo, obrigação tributária principal , e não às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação acessória. Justificamse tais vedações pelo fato de os tributos serem prestações pecuniárias compulsórias, que não constituem sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Sendo compulsória, não há como o Contribuinte, ao praticar o fato gerador lícito, se esquivar do seu recolhimento. Já a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória representa sanção pela prática de ato tributário ilícito, o qual é perfeitamente evitável. Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados, além de outros dispostos na CF/88, são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Repisese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a Fl. 271DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 650 7 inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 651 8 Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 2.3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 652 9 Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.3.1. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS GERENTES. O Recorrente alega que os sóciosgerentes não podem ser responsabilizados pela multa lançada, pois não houve excesso de poderes, sendo indevida a desconsideração da personalidade jurídica, não podendo ser aplicado ao caso a situação prevista no art. 135, III, do CTN. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 653 10 Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 654 11 I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168 A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 655 12 pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 2.3.2. DA CONDUTA INFRACIONAL. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi atribuída pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 656 13 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da lei de custeio da Seguridade Social estabeleceu, como obrigação instrumental a ser observadas pela Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 657 14 empresa, o dever jurídico de prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita Federal DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis dos seus interesses, na forma por eles estabelecida, e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (grifos nossos) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. (grifos nossos) Tais obrigações acessórias evidenciamse como contínuas, não se extinguindo com a mera apresentação de documentos. Ela pressupõe o dever de prestar esclarecimentos à Fiscalização a qualquer tempo, de molde que, mesmo após a apresentação de documentos, caso a Fiscalização solicite novos esclarecimentos, à empresa não é concedida a faculdade de se furtar a cumprir o objeto da intimação, tampouco se escudar na pueril suposição de que eventuais documentos já exibidos anteriormente seriam suficientes e bastantes, eis que a mera exibição de documentos não supre nem exclui qualquer demanda ulterior por esclarecimentos de ordem verbal ou escrita. Na mesma prumada, o art. 16 da Lei nº 9.779/99 atribuiu expressamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 658 15 Nessa esteira, a Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007, instituiu a Escrituração Contábil Digital (ECD), para fins fiscais e previdenciários, a qual deverá ser transmitida, no prazo previsto na Legislação Tributária, pelas pessoas jurídicas a ela obrigadas, ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Consoante o inciso II do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de Novembro de 2007, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de Janeiro de 2009, ficam as sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real obrigadas a adotar a Escrituração Contábil Digital, a qual deverá ser transmitida anualmente ao SPED até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007 Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007: I em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008, as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômicotributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 11.211, de 7 de novembro de 2007, e sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) II em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) §1º Fica facultada a entrega da ECD às demais sociedades empresárias. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) §2º As declarações relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) exigidas das pessoas jurídicas que tenham apresentado a ECD, em relação ao mesmo período, serão simplificadas, com vistas a eliminar eventuais redundâncias de informação. Art. 5º A ECD será transmitida anualmente ao SPED até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. No presente caso, de acordo com o Relatório Fiscal, mediante consulta ao sistema ReceitanetBx foi verificado que a Autuada, apesar de sujeita a tributação pelo lucro real no anocalendário de 2009, mesmo após intimação para apresentação dessa escrituração, através dos Termos de Intimação Fiscal nº 183/2012, 005/2013 e 007/2013, não havia apresentado a sua escrituração contábil em meio digital até a data lavratura do presente Auto de Infração. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 659 16 Fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores abarcados no escopo da fiscalização comandada. A conduta omissiva perpetrada pelo Recorrente representou ofensa direta e objetiva à obrigação tributária prevista no art. 16 da Lei nº 9.779/99 c.c. art. 57 da MP nº 2.15835/2001, sendo apenada com a multa punitiva consignada no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e alterações posteriores, c.c. art. 10 da citada Instrução Normativa RFB nº 787/2007. Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007 Art. 10. A não apresentação da ECD no prazo fixado no art. 5º acarretará a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração. 2.3.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa ao regime jurídico aplicável à quantificação da penalidade pecuniária correspondente à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Urge, inicialmente, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 660 17 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em se tratando de Contribuições Previdenciárias, a contar da publicação da Lei nº 11.457/2007, as condutas infracionais consistentes na inobservância da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos digitais, na omissão de informações ou na incorreção das informações registradas nos arquivos digitais ou na apresentação em atraso dos arquivos e sistemas eram apenadas com a penalidade pecuniária prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 215835/2001. Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001. Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Acontece que em 28 de dezembro de 2012 houvese por publicado no Diário Oficial da União a Lei nº 12.766/2012 que, alterando dispositivos da Medida Provisória nº 2.15835/2001, promoveu significativas modificações no critério de quantificação da multa Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 661 18 imposta ao descumprimento da obrigação acessória consistente na não apresentação, nos prazos fixados, de declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779/99, ou na sua apresentação com incorreções ou omissões. Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) §1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766/2012) §2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766/2012) §3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766/2012) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 662 19 Na sequência, no dia 25/10/2013 foi publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 12.873/2013 que, uma vez mais, instituiu pequenas alterações no mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação tributária acessória ora em debate, conforme abaixo se vos segue: Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873/2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766/2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873/2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873/2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873/2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873/2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873/2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873/2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873/2013) §1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766/2012) §2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766/2012) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 663 20 §3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873/2013) §4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873/2013) Nessa vertente, no que pertine exclusivamente às contribuições previdenciárias, considerando que no ramo do Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, mas, igualmente, que tal princípio jurídico não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que a novel legislação cominar ao o ato jurídico tributário ainda não definitivamente julgado penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, na estipulação do valor da multa pelo descumprimento da obrigação acessória ora em debate, hão de ser observados os seguintes regimes jurídicos: a) No período compreendido entre a vigência da Lei nº 11.457/2007 e da Lei nº 12.766/2012: Há que se proceder a um comparativo entre o valor da penalidade calculado de acordo com o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação originária; o valor calculado conforme o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e o valor determinado em conformidade com o mesmo art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.283/2013, sendo aplicável aquele que for menos gravoso ao Infrator. b) No período compreendido entre a vigência da Lei nº 12.766/2012 e da Lei nº 12.283/2013: Há que se proceder a um comparativo entre o valor da penalidade calculado de acordo com o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.766/2012 e o montante determinado em conformidade com o mesmo art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.283/2013, sendo infligida a multa que for mais favorável ao Contribuinte. c) No período posterior à vigência da Lei nº 12.283/2013: A multa deve ser calculada de acordo com o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, na redação dada pela Lei nº 12.283/2013. Assim, considerando que Auto de Infração houvese por lavrado em 09/04/2013, ocasião em que se encontrava vigente e eficaz a Lei nº 12.766/2012, há que se proceder a um comparativo entre o valor da penalidade calculado de acordo com: i) Art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.766/2012; ii) Art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.283/2013. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 664 21 Ao fim, deverá ser aplicada a penalidade que, em seu conjunto, se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. 2.4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade cabível ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas (a) Art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.766/2012, (b) Art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, na redação dada pela Lei nº 12.283/2013, sendo aplicável aquela que se mostrar menos gravosa ao Infrator, em atenção ao princípio da retroatividade benigna encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13161.720312/201365 Resolução nº 2401000.497 S2C4T1 Fl. 665 22 VOTO VENCEDOR Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Redatora Designada Com a devida vênia ao ilustre Conselheiro Relator, entendo que o valor da multa parece não estar em conformidade com o definido pelo dispositivo legal infringido, qual seja o art. 57 da Medida Provisória 2.15835/2001. O Auto de Infração identificado sob DEBCAD 51.036.4004 (fl.07) referese a multa no valor de R$165.000,00, conforme a seguinte descrição sumária: O sujeito passivo não entregou no prazo/entregou com atraso a escrituração contábil digital (ECD), ensejando na aplicação de multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração de atraso, relativamente às PJ´s que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; ou R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração de atraso, relativamente às PJ´s que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; e em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária. DISPOSITIVOS LEGAIS DA MULTA APLICADA Art. 16 da Lei nº 9.779/99 e art. 57, inciso I, e §2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a alteração dada pela Lei 12.766/2012. Considerando a aparente incoerência entre o dispositivo legal infringido e o valor total da multa constante da infração, tendo em vista o tempo em meses em que o contribuinte permaneceu infringindo o dispositivo, voto por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal esclareça, com detalhes, o critério adotado para o cálculo do montante da multa, respeitando a fundamentação legal da infração cometida pelo contribuinte à época do lançamento. É como voto. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ARLI NDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado dig italmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10711.001806/2008-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/06/2004
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/06/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/06/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/06/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/06/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 18 06 /2 00 8- 18 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 217 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3102001.684, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 218 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 219 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 220 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 221 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 222 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 223 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.001806/200818 Acórdão n.º 9303003.737 CSRFT3 Fl. 224 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.721202/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
CONTESTAÇÃO DE ARGUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. NÃO OCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO NA DECISÃO.
A inovação na decisão somente ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma, não ocorrendo quando a decisão apenas refuta os argumentos apresentados pelo Contribuinte em sua impugnação, em respeito aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da motivação.
CESSÃO/TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES PARA TERCEIROS. PENDÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INCOMPATIBILIDADE COM CONTRATO DE VENDA ANTERIOR.
O ato de ceder/transferir as ações para terceiros na pendência de uma condição suspensiva é incompatível com o contrato de compra e venda pactuado originariamente, aplicando-se nesse caso a retroatividade da condição suspensiva, conforme art. 126 do Código Civil brasileiro.
GANHO DE CAPITAL. ALÍQUOTA. BENEFICIÁRIO RESIDENTE OU DOMICILIADO EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA.
A alíquota do IRRF aplicável sobre o ganho de capital auferido, na alienação de bem localizado no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada em país ou dependência com tributação favorecida, é de 25% (vinte e cinco por cento), conforme definido em disposição literal de lei.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.
Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação.
Numero da decisão: 2202-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Arão Bezerra Andrade.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 CONTESTAÇÃO DE ARGUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. NÃO OCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO NA DECISÃO. A inovação na decisão somente ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma, não ocorrendo quando a decisão apenas refuta os argumentos apresentados pelo Contribuinte em sua impugnação, em respeito aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da motivação. CESSÃO/TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES PARA TERCEIROS. PENDÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INCOMPATIBILIDADE COM CONTRATO DE VENDA ANTERIOR. O ato de ceder/transferir as ações para terceiros na pendência de uma condição suspensiva é incompatível com o contrato de compra e venda pactuado originariamente, aplicando-se nesse caso a retroatividade da condição suspensiva, conforme art. 126 do Código Civil brasileiro. GANHO DE CAPITAL. ALÍQUOTA. BENEFICIÁRIO RESIDENTE OU DOMICILIADO EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. A alíquota do IRRF aplicável sobre o ganho de capital auferido, na alienação de bem localizado no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada em país ou dependência com tributação favorecida, é de 25% (vinte e cinco por cento), conforme definido em disposição literal de lei. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Arão Bezerra Andrade. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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NÃO OCORRÊNCIA DE INOVAÇÃO NA DECISÃO. A inovação na decisão somente ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma, não ocorrendo quando a decisão apenas refuta os argumentos apresentados pelo Contribuinte em sua impugnação, em respeito aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da motivação. CESSÃO/TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES PARA TERCEIROS. PENDÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INCOMPATIBILIDADE COM CONTRATO DE VENDA ANTERIOR. O ato de ceder/transferir as ações para terceiros na pendência de uma condição suspensiva é incompatível com o contrato de compra e venda pactuado originariamente, aplicandose nesse caso a retroatividade da condição suspensiva, conforme art. 126 do Código Civil brasileiro. GANHO DE CAPITAL. ALÍQUOTA. BENEFICIÁRIO RESIDENTE OU DOMICILIADO EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. A alíquota do IRRF aplicável sobre o ganho de capital auferido, na alienação de bem localizado no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada em país ou dependência com tributação favorecida, é de 25% (vinte e cinco por cento), conforme definido em disposição literal de lei. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 02 /2 01 2- 49 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Arão Bezerra Andrade. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1 que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão daquela instância. Trata o presente processo de exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, por meio de auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$ 123.655.197,16 (fls. 235/240), acrescido de multa de 150% e juros de mora, calculados até fev/2013, perfazendo o total de R$ 356.905.995,56. O lançamento é decorrente de insuficiência de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre ganho de capital obtido no anocalendário de 2009 pelas empresas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND, as quais são domiciliadas em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), tendo sido cometida infração ao art. 47 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, a seguir reproduzido: “Art 47 — Sem prejuízo do disposto no art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 7º da Lei n° 9.959, de 27 de dezembro de 2000, o ganho de capital decorrente de operação em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, a que se refere o art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento)” (negrito da Fiscalização) Fl. 819DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 819 3 Observações da Fiscalização: Em atenção ao artigo 24 da Lei n° 9.430/96, foi publicada a Instrução Normativa SRF n° 188, de 06/08/2002, a qual divulgou a lista de 53 países ou localidades cuja tributação é favorecida, isto é, que não tributam a renda ou que a tributam à alíquota inferior a 20 % (vinte por cento), sendo que consta na referida Instrução Normativa que as Ilhas Cayman são consideradas Paraíso Fiscal. A IN SRF n° 188, de 06/08/2002, foi revogada pela IN RFB n° 1.037, de 04/06/2010, sendo que em ambas as IN's constam as Ilhas Cayman como Paraíso Fiscal. Como parte integrante da autuação veio o Termo de Constatação de fls. 211/234, que transcrevemos parcialmente: “INTRODUÇÃO 1 — O Início do Procedimento Fiscal no contribuinte ora autuado, iniciouse em 17/11/2011, com a lavratura do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos (MPFDiligência n° 2011025304), vide anexo 6. Considerando que no curso da Diligência foi constatado que para o cálculo do Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre o Ganho de Capital, decorrente da venda das ações de emissão das empresas Invitel S/A,CNPJ 02.465.782/000160 e Brasil Telecom Participações S/A, CNPJ 02.570.688/000170, obtido pelas empresas vendedoras VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND, as quais são domiciliadas em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), foi apropriado indevidamente pela Fonte Pagadora COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, o percentual de 15% (quinze por cento) ao invés da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), conforme determina o artigo 47 da Lei 10.833, de 29/12/2003, a Diligência Fiscal foi convertida em Fiscalização, através do MPFFiscalização (Regional) n° 2012006852 [ver fls. 02/03 e 30/31]. 1.1 O auditor autuante esclarece que a razão da emissão do MPF Diligência n° 2011025304, foi para subsidiar os trabalhos de fiscalização na empresa Invitel S/A, a qual foi determinada pelo MPFFiscalização n° 201000141, cuja fiscalização estava a cargo deste auditor. 1.2 O Termo de Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos, lavrado em 17/11/2011, (MPFDiligência 2011025304), anexo 6, foi lavrado em nome da companhia Brasil Telecom S/A, CNPJ 76.535.764/000143 (antiga denominação social da OI S/A), pois até essa data ainda não tinha ocorrido a alteração da denominação social da companhia Brasil Telecom S/A para OI S/A, pois a alteração ocorreu através da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 27/02/2012, anexo 13, doc. 3, ou seja, após a data da lavratura do Termo de Diligência [ver fl. 114]. 1.3 O auditor fiscal autuante deixa registrado neste Termo de Constatação, que o contribuinte ora autuado OI S/A, pertence à área de autuação da Delegacia dos Maiores Contribuinte RJ/RJ DEMAC/RJO, por essa razão, foi emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 7ª Região Fiscal, o Mandado de Procedimento Fiscal REGIONAL n° 2012006852, concedendo autorização e poderes para o auditor autuante efetuasse a Fl. 820DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 fiscalização e a presente autuação do Imposto de Renda na Fonte, vide anexo [ver fl. 29]. (...) Histórico da Autuação: 1. Na data de 25/04/2008, foi celebrado Contrato de Compra e Venda das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, CNPJ 02.465.782/000160 e também da empresa Brasil Telecom Participações S/A, CNPJ 02.570.688/000170, tendo como vendedores diversos acionistas e como comprador, na condição de comissário, o Banco de Investimentos Credit Suisse, CNPJ 33.987.793/000133, e como Interveniente Anuente a empresa Telemar Norte Leste S/A, CNPJ 33.000.118/000179. 1.1 O contrato acima mencionado encontrase no anexo 12 e a identificação do comprador e do interveniente anuente consta às fls. 5 do referido contrato [ver anexo 12 – fls. 54 a 101]. 1.2 O Banco de Investimentos Credit Suisse contratou a aquisição em seu próprio nome, mas por conta e ordem da Telemar. A fiscalização esclarece que tal procedimento foi decorrente da lei vigente em 25/04/2008, que impedia a aquisição do controle de uma concessionária de telefonia fixa por outra atuante em região diferente. 1.3 Apesar do Contrato de Compra e Venda das ações de emissão da empresa Invitel S/A ter sido celebrado em 25 de abril de 2008, tendo como Interveniente Anuente a companhia Telemar Norte Leste S/A, quando do pagamento o contrato foi transferido para a companhia controlada indireta COPART 1 Participações S/A, por esse motivo, quem efetuou a aquisição das ações de emissão das companhias Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A e o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, foi a companhia controlada indireta COPART 1. 2. Na mesma data em que foi celebrado o Contrato de Compra e Venda acima mencionado, ou seja, 25/04/2008, a companhia Telemar Norte Leste S/A publicou Fato Relevante, dando ciência ao mercado do início da negociação visando a aquisição do controle acionário indireto das empresas Brasil Telecom Participações S/A e Brasil Telecom S/A, vide anexo 17 [fls.167/172]. 2.1. Apesar do Contrato de Compra e Venda das ações ter sido celebrado em 25/04/2008, o pagamento somente ocorreu em janeiro de 2009, pois para a concretização da compra era necessário proceder a alteração da Lei vigente e também era necessário obter a Anuência Prévia da Agência Nacional de Telecomunicações ANATEL, autorizando a operação de compra, sendo que a autorização foi concedida através do Ato n° 7.828, de 19 de dezembro de 2008, vide anexo 18 [fls. 173/185]. 2.2 Em 22 de dezembro de 2008, vide anexo 19, a companhia Telemar Norte Leste S/A, publicou Fato Relevante dando ciência ao mercado que a Agência Nacional de Telecomunicações ANATEL, através do Ato n° 7.828, de 19 de dezembro de 2008, anuiu previamente com a aquisição do controle acionário da Brasil Telecom Participações S/A (BrT Part) e da Brasil Telecom S/A (BrT) pela Telemar [fl. 186]. 2.3. Para aquisição do controle acionário indireto das empresas Brasil Telecom Participações S/A e da Brasil Telecom S/A, era necessário que a Telemar Norte Leste S/A adquirisse 100% (cem por cento) das ações de Fl. 821DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 820 5 emissão da empresa INVITEL S/A, pois era essa empresa que detinha o controle acionário indireto das empresas Brasil Telecom Participações S/A e da Brasil Telecom S/A. (...) 3. Em 21 de novembro de 2008, foi publicado no Diário Oficial da União, o Decreto n° 6.654/2008, que aprovou o novo Plano Geral de Outorgas, eliminando a vedação do Controle Societário de empresa concessionária de Prestação de Serviço Telefônico fixo comutado (STFC), atuante em determinada Região, por outra concessionária do mesmo serviço em Região distinta. 4. Em 08 de janeiro de 2009, a empresa Telemar Norte Leste S/A, publicou Fato Relevante, comunicando ao mercado o seguinte: (vide anexo 20 – fl. 187/189) "A Telemar Norte Leste S/A, através de sua controlada indireta COPART 1 Participações S/A, adquiriu, nesta data, o controle acionário da Brasil Telecom Participações S/A (BrT Part) e da Brasil Telecom S/A (BrT). "(negrito nosso) 4.1. Face ao que consta no Fato Relevante publicado em 08/01/2009, anexo 20, temos que foi a empresa COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, a adquirente das 100% (cem por cento) das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, CNPJ 02.465.782/000160 e de 12.185.836 ações de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A. 5 Comprovação de que as 100% (cem por cento) das ações de emissão da companhia INVITEL S/A, foram adquiridas pela companhia COPART 1 Participações S/A: 5.1 Conforme consta às fls. 1 deste Termo de Constatação, na data de 17/11/2011, foi lavrado Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos na companhia Brasil Telecom S/A (antiga denominação social da companhia OI S/A), solicitando o seguinte: (vide anexo 6) Quesito 1. No anocalendário 2009, a empresa COPART 1 Participações S/A apropriou na Ficha 36A Ativo, os seguintes valores: Item 26 Outros Investimentos R$ 2.910.844.671,37 Item 27 Ágio em Investimentos R$ 7.544.685.393,69 Quesito 3. Em 31/12/2008, a empresa COPART 1 Participações S/A, tinha nas contas Caixa e Bancos o numerário disponível de R$ 25,61 (vinte e cinco reais e sessenta e um centavos), dessa maneira, solicitamos V.Sas, comprovarem a origem dos recursos que foram utilizados nas aquisições dos investimentos que ocorreram no ano de 2009, os quais constam mencionados no quesito 1 acima. 6 Em resposta ao Termo lavrado em 17/11/2011, a companhia Brasil Telecom S/A (antiga denominação social da OI S/A), informou em 23/01/2012, o seguinte: (vide anexo 8) Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 "Os recursos utilizados são provenientes de aportes de capital realizados pela acionista Coari Participações S/A, então controladora de COPART 1 Participações S/A, conforme se pode extrair da leitura das atas das assembléias que autorizaram o aumento social da companhia", vide anexos 9, 10 e 1 1 . 6.1. A fiscalização ressalta que as ações de emissão da empresa Invitel S/A eram detidas por vários acionistas, vide contrato no anexo 12, sendo que dois acionistas vendedores eram domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), e eram os seguintes: CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, L.P., sociedade limitada devidamente organizada e validamente existente em conformidade com as leis das Ilhas Cayman, com escritório em P.O Box 281 GT, Century Yard Cricket Square, Hutchins Drive, George Town, Grand Cayman, Ilhas Cayman, Índias Ocidentais Britânicas, inscrita no CNPJ/MF sob o nrs. 05.479.851/000182 e 06.019.168/000125, neste ato representada na forma de seus atos constitutivos (doravante "CVC Brazil"); (negrito nosso) OPPORTUNITY FUND, fundo devidamente constituído de acordo com as Leis da Ilhas Cayman, com sede na UBS House, 227, Elgin Avenue, P.P. Box 852, George Town, Grand Cayman, Ilhas Cayman, registrado como fundo mútuo em 15.06.1994, sob a Lei de Fundos Mútuos de 1993, inscrito no CNPJ sob o n° 07.703.638/000138, neste ato representado na forma de seus atos constitutivos ("Opportunity Fund"); (negrito nosso) Observação da Fiscalização: A qualificação dos dois acionistas acima mencionados é a mesma que consta no Contrato de Compra e Venda celebrado em 25 de Abril de 2008, vide anexo 12 [ver fls. 55/56]. 6.2 A fiscalização ressalta que além da aquisição das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, a empresa COPART 1 Participações S/A, adquiriu também das empresas domiciliadas em Paraíso Fiscal, que são: Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, 2.329.640 e 9.856.196 ações ordinárias de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A, vide inciso II do Preâmbulo (fls 5) do Contrato de Compra e Venda das ações no anexo 12. Dessa maneira, a empresa COPART 1 Participações S/A pagou Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre o Ganho de Capital, quando da aquisição das ações de emissão da empresa Invitel S/A e também quando da aquisição das ações ordinárias de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A (BrT Part), cujas vendedoras foram as empresas acima mencionadas, as quais são domiciliadas em Paraíso Fiscal. 7. No Contrato de Compra e Venda das ações de emissão da empresa Invitel S/A e da empresa Brasil Telecom Participações S/A, anexo 12, consta nas cláusulas 1.4 e 1.4.1, o seguinte [ver fl. 63]: "1.4. O imposto de renda retido na fonte incidente sobre a alienação das Ações por meio de operação privada (o ‘Imposto sobre Ganho de Capital’), quando devido, será calculado com base no custo de aquisição de cada uma das Vendedoras domiciliadas no exterior, os quais são indicados no Anexo 1.4. (negrito nosso) 1.4.1. O imposto sobre Ganho de Capital será integralmente descontado do valor a ser recebido pela Vendedora sujeita ao Imposto sobre Ganho de Capital. Na data do Fechamento, a Compradora fará a retenção e o recolhimento do Imposto sobre Ganho de Capital Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 821 7 devido por cada Vendedora. A Compradora fornecerá á respectiva Vendedora, como condição para a transferência de suas Ações para a Compradora, a via original do instrumento de recolhimento do imposto sobre Ganho de Capital,"(negrito nosso) Considerando que a empresa adquirente COPART 1 Participações S/A descontou do valor a ser pago aos vendedores, o Imposto na Fonte que foi pago por ela, temos que a empresa adquirente COPART 1 não assumiu o pagamento do Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre o Ganho de Capital, obtido pelos vendedores domiciliados no exterior (Paraíso Fiscal — Ilhas Cayman), portanto, não há de se cogitar em realizar o reajustamento da base de cálculo. 8. Comprovação da razão pela qual o Auto de Infração está sendo lavrado na empresa OI S/A, CNPJ 76.535.764/, e não na empresa COPART 1 Participações S/A , CNPJ 09.338.797/000106, que foi a empresa que recolheu com insuficiência, em 08/01/2009, o Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre o Ganho de Capital, referente a compra das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, CNPJ 02.465.782/000160 e também das ações ordinárias de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A cujo ganho foi obtido pelas empresas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, L.P. e OPPORTUNITY FUND, que são domiciliadas em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), vide subitem 6.1 acima. A fiscalização esclarece que nos anos de 2009 e 2012, ocorreu uma grande Reorganização Societária no grupo empresarial "TELEMAR", pois nesses anos ocorreram varias incorporações, sendo que no final da Reorganização Societária a empresa que sucedeu em todos os direitos e obrigações da empresa COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, foi a empresa OI S/A, CNPJ 76.535.764/00143, conforme diagrama abaixo [ver fl. 218]: (...) 8.1 Fase 1 Em 31/07/2009, a companhia COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, foi incorporada pela companhia Brasil Telecom Participações S/A, CNPJ 02.570.688/000170, vide anexo 13, doc. 1 [fls. 104/105]. 8.2 Fase 2 Em 30/09/2009, a companhia Brasil Telecom Participações S/A, CNPJ 02.570.688/000170, foi incorporada pela companhia Brasil Telecom S/A, CNPJ 76.535.764/0001 43, vide anexo 13 , doc. 2 [fls. 106/109]. 8.3 Fase 3 Em 27/02/2012, através de Assembléia Geral Extraordinária, a companhia Brasil Telecom S/A, CNPJ 76.535.764/, alterou sua denominação social, passando de Brasil Telecom S/A para OI S/A, vide subitem 7.15 da citada Assembléia, no anexo 13 , doc. 3 [fls. 110/116]. A fiscalização esclarece que a Reorganização Societária ocorrida no grupo empresarial Telemar foi muito mais ampla do que consta nos subitens 8.1, 8.2 e 8.3 acima, portanto, o que consta nos referidos subitens é um resumo do que aconteceu. Considerando o disposto no artigo 227 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, temos que o Auto de Infração do Imposto de Renda na Fonte está sendo lavrado na companhia OI S/A, CNPJ 76.535.764/000143 (na condição de Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Incorporadora) e não na incorporada COPART 1 Participações S/A, pois a empresa COPART 1 foi extinta por incorporação, em 31/07/2009, vide subitem 8.1 acima. 9. Encontrase no anexo 14 , documento da companhia Telemar Norte Leste S/A, para fins da Instrução CVM n° 481/09, no qual relata a aquisição do controle acionário da empresa Invitel S/A, documento esse que foi submetido à Assembléia Geral Extraordinária da Telemar Norte Leste S/A, em 13 de janeiro de 2011. Cabendo salientar que nesse documento consta a quantidade de ações vendidas por cada acionista da empresa Invitel S/A, sendo que consta também que os acionistas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL L.P. e OPPORTUNITY FUND, são domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman) [ver fls. 124/164]. 9.1 Na ficha cadastral existente na Receita Federal, a qual está em vigor até a data da lavratura deste Auto de Infração, consta que as empresas Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund são domiciliadas em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), vide anexos 15 e 16 , respectivamente [fls. 165/166] 10 Conforme já mencionado às fls 2 do presente Termo de Constatação, em 01/08/2012, foi lavrado o Termo de Início de Procedimento Fiscal, vide anexo 1, e que abaixo reproduzo parte: "Quesito 3 Fornecer demonstrativo contendo os cálculos efetuados, referentes aos recolhimentos efetuados através de DARF's pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A, conforme abaixo: CÓDIGO DATA VALOR (R$) 0473 08/01/2009 7.782.272,78 0473 08/01/2009 8.801.149,63 0473 08/01/2009 18.075.217,13 0473 08/01/2009 150.824.156,26 O código 0473, referese a Imposto na Fonte incidente sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. Quesito 5 — Fornecer os Contratos de Câmbio, referentes as remessas efetuadas ao exterior pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A, que resultaram nos recolhimentos mencionados no quesito 1 acima. " 11 Em 22/08/2012, vide anexo 13 [fls. 102/123], docs. 1/10, o contribuinte atendeu parcialmente as solicitações da fiscalização, conforme abaixo: 11.1. O contribuinte forneceu a documentação referente às incorporações, as quais encontramse mencionadas nos subitens 8.1 e 8.2 acima. 11.2. O contribuinte forneceu a documentação referente à alteração da denominação social da Brasil Telecom S/A para OI S/A, vide subitem 8.3, acima. 11.3. Em relação à memória de cálculo pertinente ao Imposto de Renda na Fonte, que foi recolhido em 08/01/2009 pela empresa COPART 1 Participações S/A, através do código 0473 (Imposto na Fonte incidente sobre Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 822 9 rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior), o contribuinte informou o seguinte: "Em cumprimento à solicitação desta r. Fiscalização Federal, apresentamos, em anexo, memórias de cálculo dos montantes de R$ 150.824.156,26 e de R$ 8.801.149,63 retidos e recolhido por COPART 1 Participações S/A (doe. n° 04), em janeiro de 2009. No que se refere às duas retenções remanescentes, nos valores de R$ 7.782.272,78 e de R$ 18.824.156,26, informamos que estamos compulsando os arquivos da Companhia incorporada e que apresentaremos as correspondentes memórias de cálculo tão logo estas sejam localizadas. " (negrito nosso) 12 Memória de Cálculo, a respeito do recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, no valor de R$ 150.824.156,26, referente à aquisição pela empresa COPART 1 Participações S/A, das ações de emissão da empresa INVITEL S/A (anexo 13, doc.4) [fl. 117] Acionista Vendedor: Citigroup Venture Capital International, Brasil, LP domiciliado nas ILHAS CAYMAN (Paraíso Fiscal). N° de Ações possuídas CVC : 504.767.818 Custo de Aquisição por ação : US$ 0,2438 Custo de Aquisição CVC : US$ 123.062.597,23 Obs: CVC significa Citigroup Venture Capital. VALOR PAGO PELA COPART 1 PARTICIPAÇÕES S/A N° de ações adquiridas : 504.767.818 Custo de Aquisição por ação : US$ 1,0988 Valor Pago : US$ 554.642.292,94 GANHO DE CAPITAL EM US$: Valor pago pela COPART 1 Participações S/A : US$ 554.642.292,94 Custo de Aquisição pelo Citigroup Venture : US$ 123.062.597,23 GANHO DE CAPITAL PELO CITIGROUP VENTURE CAPITAL : US$ 431.579.695,71 Obs: 1 US$ = R$ 2,3298 Ganho de Capital em R$: US$ 431.579.695,71 x 2,3298 = R$ 1.005.494.375,04 Imposto de Renda na Fonte recolhido pelo contribuinte Copart 1 Participações S/A . 15% de R$ 1.005.494.375,04 = R$ 150.824.156,26 (vide DARF do recolhimento no anexo 13,doc.6) [fl. 119] Imposto de Renda na Fonte calculado pela Fiscalização : Como o alienante Citigroup Venture Capital International Brazil L P, é domiciliado em Paraíso Fl. 826DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Fiscal (Ilhas Cayman), a alíquota do Imposto na Fonte incidente sobre o Ganho de Capital é de 25% (vinte e cinco por cento), conforme estabelece o artigo 47 da Lei n° 10.833/2003, assim temos: 25% de R$ 1.005.494.375,04 = R$ 251.373.593,80 Insuficiência de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte: Cálculo Fiscalização : R$ 251.373.593,80 Cálculo Contribuinte : R$ 150.824.156,26 Insuficiência de Imposto : R$ 100.549.437,46 (VALOR ORIGINAL) Observações: 1. A memória de cálculo fornecida pelo contribuinte, e que consta em sua resposta datada de 22/08/2012, encontrase no anexo 13 , doc. 4. 2. O valor da venda das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, as quais foram vendidas pelo Citigroup Venture Capital International Brazil, LP, foi depositado na conta corrente da empresa vendedora, conforme abaixo: Valor pago pela companhia COPART 1 ................. US$ 554.642.292,94 Valor pago em Reais (US$ 1 = R$ 2,3298)............. R$ 1.292.206.313,12 Imposto na Fonte que foi descontado........................ R$ 150.824.856,26 (subcláusula 1.4.1 do Contrato de Compra e Venda) Valor depositado .................................................... R$ 1.141.381.457,82 O valor de R$ 1.141.381.457,82 (um bilhão, cento e quarenta e um milhões, trezentos e oitenta e um mil, quatrocentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e dois centavos), foi pago pela empresa COPART 1 Participações S/A, em 08 de janeiro de 2009, através de TED, emitido pelo Banco Credit Suisse (Brasil) S/A, ao Banco destinatário Citibank S/A, agência 0001, conta creditada 00016090918, de titularidade da empresa CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP, cujo domicilio é em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), vide comprovante do envio do TED no anexo 13, doc.5 [fl. 118] 3. A cópia do DARF referente ao recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, código 0473, efetuado pela companhia COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, em 08/01 /2009, no valor de R$ 150.824.156,26, encontrase no anexo 13, doc.6 [fl. 119] 13 Conforme consta no item 6.2 deste Termo de Constatação, a companhia COPART 1 Participações S/A, também adquiriu da empresa Citigroup Venture Capital International Brazil,L P, 2.329.640 ações ordinárias de emissão da companhia Brasil Telecom Participações S/A, e em relação a essa aquisição a companhia COPART 1 pagou Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 8.801.149,63 (oito milhões, oitocentos e um mil, cento e quarenta e nove reais e sessenta e três centavos). Vide cópia do Darf no anexo 13, doc. 7 [fl. 120]. O cálculo da Imposto de Renda na Fonte acima mencionado, foi efetuado conforme memória de cálculo fornecida pelo contribuinte, vide anexo 13, doc. 7. Número de ações detidas pelo Citigroup Venture Capital : 504.767.818 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 823 11 Custo de Aquisição por ação em US$ : 23,4132 Custo de Aquisição pelo Citigroup Venture : US$ 54.544.354,21 Valor da Venda das ações para a COPART 1 : US$ 81.084.289,24 Valor da Venda das ações para a COPART 1 : R$ 179.475.465,60 Em Reais (1 US$ = R$ 2,2134) Valor da Venda vinculada ao câmbio de 06/01/2009: R$ 32.905.983,98 Valor da Venda vinculada ao câmbio de 08/01/2009 : R$ 146.569.481,62 PAGAMENTO A: Taxa de Câmbio: 1 US$ = R$ 2,3298 Ganho de Capital Total US$ Valor por Ação Valor da Venda das Ações 14.123.952,26 US$ 33,07 (–) Custo de Aquisição 10.000.445,81 US$ 23,41 Ganho de Capital em US$ 4.123.506,45 IRRF – Alíquota de 15% em US$ 618.525,97 Ganho de Capital em R$ (US$1=R$ 2,3298) 9.606.945,32 IRRF – Alíquota de 15% em R$ 1.441.041,80 PAGAMENTO B: Taxa de Câmbio: 1 US$ = R$ 2,1889 Ganho de Capital Total US$ Valor por Ação Valor da Venda das Ações 66.960.336,98 US$ 35,20 (–) Custo de Capital 44.543.878,70 US$ 23,41 Ganho de Capital em US$ 22.416.458,29 IRRF – Alíquota de 15% em US$ 3.362.468,74 Ganho de Capital em R$ (US$1=R$ 2,3298) 49.067.385,54 IRRF – Alíquota de 15% em R$ 7.360.107,83 Total do IRRF recolhido pela companhia COPART 1 Participações S/A (A + B) R$ 8.801.149,63 (R$ 1.441.041,80 + R$ R$ 7.360.107,83) Fl. 828DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Imposto de Renda na Fonte calculado pela Fiscalização: Como o alienante Citigroup Venture Capital International Brazil LP, é domiciliado em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), a alíquota do Imposto na Fonte incidente sobre o Ganho de Capital é de 25% (vinte e cinco por cento), conforme estabelece o artigo 47 da Lei n° 10.833/2003, assim temos: 25% de (R$ 9.606.945,32 + R$ 49.067.385,54) = R$ 14.668.582,72 Insuficiência de Imposto na Fonte: Cálculo Fiscalização : R$ 14.668.582,72 Cálculo Contribuinte : R$ 8.801.149,63 Insuficiência de Imposto : R$ 5.867.433,09 (Valor Original) Observações: 1 A memória de cálculo fornecida pelo contribuinte e que consta em sua resposta datada de 22/08/2012, encontrase no anexo 13, doc. 7. 2 O valor da Venda das ações de emissão da companhia Brasil Telecom Participações S/A, as quais foram vendidas pelo Citigroup Venture Capital International Brazil L P, foi depositado na conta corrente da empresa vendedora, conforme abaixo: Valor das ações adquiridas pela companhia COPART 1 ................................................ R$ 179.475.465,60 Imposto na Fonte que foi descontado (subcláusula 1.4.1 do Contrato de Compra e Venda – Anexo 12) .......... R$ 8.801.149,63 Valor depositado ................................................................ R$ 170.674.315,97 O valor de R$ 170.674.315,97 (cento e setenta milhões, seiscentos e setenta e quatro mil, trezentos e quinze reais e noventa e sete centavos), foi pago pela empresa COPART 1 Participações S/A, em 08 de janeiro de 2009, através de TED emitido pelo Banco Credit Suisse (Brasil) S/A ao Banco destinatário Citibank S/A, agência 0001, conta creditada 00016090918, cuja titularidade é da empresa CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL LP, cujo domicílio é em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), vide comprovante do envio do TED no anexo 13, doc. 8 [fl. 121] 3 A cópia do Darf referente ao recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, código 0473, efetuado pela companhia COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, em 08/01/2009, no valor de R$ 8.801.149,63, encontra se no anexo 13, doc.9 [fl. 122] 14 Em relação a Insuficiência do Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, referente ao Ganho de Capital obtido pelo Opportunity Fund, a fiscalização esclarece o seguinte: 14.1 Em resposta ao quesito 3 do Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 01/08/2012, vide anexo 1, o contribuinte informou em 22/08/2012, anexo 13, que em relação aos recolhimentos na fonte nos valores de R$ 7.782.272,78 e de R$ 18.824.156,26, as memórias de cálculo não tinham sido localizadas e solicitou um prazo adicional de 30 (trinta) dias, para a apresentação das citadas memórias de cálculo. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 824 13 14.2 Tendo transcorrido 60 (sessenta) dias e não tendo o contribuinte apresentado as memórias de cálculo referentes aos recolhimentos na fonte dos valores acima mencionados, a fiscalização lavrou em 01/10/2012, Termo de Reintimação Fiscal, vide anexo 21, concedendo um prazo adicional de mais 30 (trinta) dias, para a apresentação das memórias de cálculo. (fl. 190/191) 14.3 A fiscalização informa que apesar do contribuinte ter sido intimado e reintimado a apresentar as memórias de cálculo referente ao Ganho de Capital obtido pelo Opportunity Fund, as mesmas não foram entregues à fiscalização, dessa maneira, em 05/02/2013, vide anexo 29, foi lavrado novo Termo de Reintimação Fiscal, solicitando o atendimento integral dos quesitos 3 e 5 constantes no Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 01/08/2012 e também no Termo de Reintimação Fiscal, lavrado em 01/10/2012, conforme abaixo [fls. 205/206]: "Solicitamos a V.Sas, fornecerem no prazo de 72 (setenta e duas) horas, a documentação referentes aos quesitos 3 e 5, constantes no Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 01/08/2012, conforme abaixo: Quesito 3 Memórias de Cálculo referentes ao Ganho de Capital, obtido pelo Opportunity Fund, quando da venda das ações de emissão das empresas Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A, as quais foram adquiridas pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A . Quesito 5 Contrato de Câmbio, referentes ao pagamento das ações de emissão das empresas Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A, as quais foram adquiridas do Citigroup Venture Capital International Brazil, L. P. e do Opportunity Fund, pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A ". 15 Em 14/02/2013, vide anexo 30, doc 1 e 2, o contribuinte atendeu parcialmente o Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 05/02/2013, fornecendo as memórias de cálculo referente ao Ganho de Capital obtido pelo Opportunity Fund, que resultou no recolhimento em 08/01/2009, do Imposto na Fonte nos valores de R$ 7.782.272,78 e R$ 18.075.217,13, valores esses que foram pagos pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A [fls. 207/209] Obs: O contribuinte não entregou à fiscalização os alegados Contratos de Câmbio, que alega que foram celebrados, quando do pagamento pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A, referente a aquisição das ações das empresas Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A , as quais foram adquiridas do Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e do Opportunity Fund. Insuficiência de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, peIa fonte pagadora COPART 1 Participações S/A, referente ao Ganho de Capital obtido pelo Opportunity Fund, quando da venda das ações de emissão da companhia Invitel S/A. N° de Ações possuídas Opportunity Fund : 42.639.777 Custo de Aquisição por ação : US$ 0,61 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Custo de Aquisição Opportunity Fund : US$ 25.830.256,41 VALOR PAGO PELA COPART 1 PARTICIPAÇÕES S/A N° de ações adquiridas : 42.639.777 Custo de Aquisição por ação : US$ 1,15 Valor Pago : US$ 49.227.847,53 GANHO DE CAPITAL EM US$: Valor pago pela COPART 1 Participações S/A : US$ 49.227.847,53 Custo de Aquisição pelo Opportunity Fund : US$ 25.830.256,41 Ganho de Capital pelo Opportunity Fund : US$ 23.397.591,12 Obs: 1 US$ = R$ 2,2174 Ganho de Capital em R$: US$ 23.397.591,12 x 2,2174 : R$ 51.881.818,56 Imposto de Renda na Fonte, recolhido : R$ 7.782.272,78 à alíquota de 15% Imposto de Renda na Fonte, calculado : R$ 12.970.454,63 pela fiscalização à alíquota de 25% Insuficiência de recolhimento : R$ 5.188.181,85 Obs: Os valores acima, foram extraídos da memória de cálculo fornecida pelo contribuinte, vide anexo 30, doc. 1 [fl. 208]. A cópia do Darf no valor de R$ 7.782.272,78, referente ao recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, código 0473, efetuado em 08/01/2009, pela companhia COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, encontrase no anexo 24 [fl. 194] Insuficiência de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, pela Fonte Pagadora COPART 1 Participações S/A, referente ao Ganho de Capital, obtido pelo Opportunity Fund, quando da venda das ações de emissão da companhia Brasil Telecom Participações S/A. N° de Ações possuídas Opportunity Fund : 5.225.991 Custo de Aquisição por ação : US$ 24,34 Custo de Aquisição Opportunity Fund : US$ 127.225.083,03 VALOR PAGO PELA COPART 1 PARTICIPAÇÕES S/A N° de ações adquiridas : 5.225.991 Custo de Aquisição por ação : US$ 34,74 Valor Pago : US$ 181.568.659,98 GANHO DE CAPITAL EM US$: Valor pago pela COPART 1 Participações S/A : US$ 181.568.659,98 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 825 15 Custo de Aquisição pelo Opportunity Fund : US$ 127.225.083,03 Ganho de Capital pelo Opportunity Fund : US$ 54.343.576,95 Obs: 1 US$ = R$ 2,2174 Ganho de Capital em R$: US$ 54.343.576,95 x 2,2174 : R$ 120.501.447,53 Imposto de Renda na Fonte, recolhido : R$ 18.075.217,13 à alíquota de 15% Imposto de Renda na Fonte, calculado : R$ 30.125.361,88 pela fiscalização à alíquota de 25% Insuficiência de recolhimento : R$ 12.050.144,75 Obs: Os valores acima, foram extraídos da memória de cálculo fornecida pelo contribuinte, vide anexo 30, doc. 2 [fl. 209] A cópia do Darf no valor de R$ 18.075.217,13, referente ao recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, código 0473, efetuado em 08/01/2008 pela companhia COPART 1 Participações S/A, CNPJ 09.338.797/000106, encontrase no anexo 25 [fl. 195] O TED referente a compra das ações de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A no valor de R$ 384.535.129,51, anexo 13, doc. 10, está abaixo demonstrado [fl. 123]: Valor antes do Imposto na Fonte : R$ 402.610.346,64 Imposto na Fonte Descontado : R$ 18.075.217,13 Valor do TED : R$ 384.535.129,51 Banco Remetente : Banco Credit Suisse (Brasil) S/A Banco destinatário : ABN Amro Real S/A Agência destinatária : 0084 Conta creditada : 000019999559 Cliente creditado : Banco ABN Amro Real S/A 16 Através do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 18/09/2012, anexo 22 , foi intimado que o contribuinte informasse a base legal, que amparou a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento), no cálculo do Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre o Ganho de Capital obtido pelos vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, os quais são domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), quando da aquisição em 08/01/2009 , pela companhia Copart 1 Participações S/A, das ações de emissão da companhia Invitel S/A e das ações ordinárias da companhia Brasil Telecom Participações S/A [fl. 192]. Obs: O Termo acima foi lavrado na empresa OI S/A, face ao disposto no artigo 227, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 17 Em resposta datada de 03/10/2012, o contribuinte informou o seguinte: (vide anexo 23) [fl. 193]: 17.1 O pagamento referente a compra das ações acima mencionadas, foi remetido para Delaware, nos Estados Unidos. 17.2 A base legal que amparou a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento), incidente sobre o Ganho de Capital obtido pelos vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, é aquela aplicável à tributação na fonte, no caso de beneficiário residente no exterior, prevista no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), nas disposições discorridas a partir do capítulo "V" do título I do Livro III, daquele diploma. (negrito nosso) 18 Em relação à resposta do contribuinte, este auditor fiscal deixa registrado no presente Termo de Constatação o seguinte: 18.1 Na resposta do contribuinte, anexo 23, consta que o pagamento por parte da companhia COPART 1 Participações S/A, referente a compra das ações de emissão das empresas Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A, as quais foram vendidas pelo Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund (que são domiciliados nas Ilhas Cayman), foi remetido para Delaware, nos Estados Unidos da América. A fiscalização transcreve abaixo, o que consta na resposta do contribuinte: (anexo 23) “Cabenos informar que a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento), incidente sobre o Ganho de Capital na remessa realizada para Delaware, nos Estados Unidos, às empresas vendedoras ..." A fiscalização esclarece que através do quesito 2 do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, lavrado em 17/11/2011, anexo 6, foi solicitado que a companhia Brasil Telecom S/A, na condição de sucessora por incorporação, identificasse os vendedores dos investimentos adquiridos pela empresa COPART 1 Participações S/A, comprovando o valor pago a cada um deles. Em resposta datada de 23/01/2012, anexo 8 , o contribuinte informou o seguinte: "A planilha abaixo de liquidação reflete o valor pago a cada um dos vendedores, devidamente comprovados por meio dos comprovantes de transferência e boletos de liquidação (em relação às operações em bolsa) correspondentes" (negrito nosso) Este auditor esclarece que na resposta do contribuinte constam vários vendedores, sendo que na presente autuação só interessa dois vendedores, que são: Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, os quais são domiciliados nas Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal). A fiscalização ressalta que o contribuinte através de sua resposta datada de 23 de janeiro de 2012, forneceu à fiscalização os TED's referentes aos pagamentos efetuados aos vendedores acima mencionados, os quais são domiciliados nas Ilhas Cayman, assim temos: Pagamentos efetuados em 08/01/2009, pela empresa compradora COPART 1 Participações S/A, ao vendedor Citigroup Venture Capital International Brazil, LP, domiciliado nas Ilhas Cayman. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 826 17 • Pagamento referente à compra das ações de emissão da empresa Invitel S/A Pagamento efetuado através de TED, emitido em 08/01/2009, pelo Banco Credit Suisse (Brasil) S/A, no valor de R$ 1.141.381.457,82, anexo 13, doc.5, conforme abaixo [fl. 118]: Banco destinatário : Banco Citibank S/A Agência destinatária : 0001 Conta creditada : 00016090918 Cliente creditado : Citigroup Venture Capital International Brazil, Delaware • Pagamento referente à compra das ações de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A Pagamento efetuado através de TED, emitido em 08/01/2009, pelo Banco Credit Suisse (Brasil) S/A, no valor de R$ 170.674.315,96, anexo 13, doc.8, conforme abaixo: Banco destinatário : Banco Citibank S/A Agência destinatária : 0001 Conta creditada : 00016090918 Cliente creditado : Citigroup Venture Capital International Brazil, Delaware Pagamento efetuado em 08/01/2009, pela empresa compradora COPART 1 Participações S/A , ao vendedor Opportunity Fund, domiciliado nas Ilhas Cayman, referente à compra das ações de emissão das empresas Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A. Conforme citado acima, em 23/01/2012, anexo 8, o contribuinte informou o valor pago a cada vendedor, sendo que em relação ao vendedor Opportunity Fund, foram pagos os seguintes valores: R$ 101.379.556,39, referente a compra das ações de emissão da empresa Invitel S/A. R$ 384.535.129,51, referente a compra das ações de emissão da empresa Brasil Telecom Participações. A fiscalização esclarece que não foi fornecido o TED referente à compra (por parte da empresa COPART 1 Participações S/A), das ações de emissão da empresa Invitel S/A, sendo que o TED referente a compra das ações de emissão da empresa Brasil Telecom Participações S/A no valor de R$ 384.535.129,51, anexo 13, doc. l0, está abaixo demonstrado: Banco Remetente : Banco Credit Suisse (Brasil) S/A Banco destinatário : ABN Amro Real S/A Agência destinatária : 0084 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Conta creditada : 000019999559 Cliente creditado : Banco ABN Amro Real S/A 19 Tendo em vista os TED's de pagamentos constantes no anexo 13, doc’s 5, 8 e 11, temos que os pagamentos efetuados pela companhia COPART 1 Participações S/A, quando da compra das ações de emissão das empresas Invitel S/A e Brasil Telecom Participações S/A, as quais foram adquiridas do Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, foram pagos no Brasil através de TED e em reais, e por outro lado, não foi comprovado pelo contribuinte que os recursos foram remetidos, através de Contratos de Câmbio, para Delaware, nos Estados Unidos da América. 20 A fiscalização esclarece que em 18 de dezembro de 2012, o contribuinte OI S/A, CNPJ 76.535.764/000143, sucessora por incorporação das empresas COPART 1 Participações S/A e Brasil Telecom Participações S/A, entregou à fiscalização cópia do ofício endereçado ao Banco Central do Brasil, no qual solicita cópias dos Contratos de Câmbio celebrados pela empresa COPART 1, vide anexo 28. Cabendo a fiscalização informar que os alegados Contratos de Câmbio não foram entregues à fiscalização. 21 Considerando que foram entregues à fiscalização os TEDs de pagamentos efetuados pela empresa incorporada COPART 1 Participações S/A, vide anexo 13 doc. 5, 8 e 11, portanto, não faz sentido o contribuinte alegar que os pagamentos foram feitos através de Contratos de Câmbio. Sendo que a fiscalização ressalta que mesmo que os vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund tivessem ou tenham conta bancária, por exemplo: nos Estados Unidos da América, França ou Inglaterra, tal fato não modifica em nada o domicílio fiscal dos vendedores, que vem a ser Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal), sendo que nesse caso temos que atentar que para o cálculo do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o Ganho de Capital obtido por domiciliados ou residentes em países ou localidades considerados Paraíso Fiscal, a alíquota a ser aplicada é de 25% (vinte e cinco por cento) 21.1 A fiscalização deixa registrado no presente Termo de Constatação, que os vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, são fundos de investimentos estrangeiros operando no Brasil, dessa maneira, os referidos fundos têm contas bancárias no Brasil, não precisando, portanto, que o numerário obtido quando da venda das ações fosse remetido ao exterior através de Contratos de Câmbio. 22 Em relação ao pleito da fiscalização, no sentido que o contribuinte informasse a base legal que amparou a utilização da alíquota de 15% (quinze por cento) , no cálculo do Ganho de Capital obtido pelos vendedores domiciliados nas Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal) , o contribuinte respondeu de forma não conclusiva, vide anexo 23, ao que foi solicitado pela fiscalização, pois temos que considerar o seguinte: O Capítulo V do Decreto n° 3000, de 26 de março 1999 (RIR/99), dispõe sobre a tributação na fonte em relação a Rendimentos de Residentes ou Domiciliados no Exterior, cabendo ressaltar que no referido capítulo encontramse os artigos de números 682 a 716, ou seja, encontramse mencionados 35 (trinta e cinco) artigos, e por um descuido o contribuinte deixou de informar qual foi o artigo que amparou a utilização do percentual de 15% (quinze por cento), para o cálculo do Ganho de Capital obtido pelos vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund, os quais são domiciliados nas Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal). Fl. 835DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 827 19 Considerando que o contribuinte respondeu de forma não conclusiva ao que foi solicitado pela fiscalização, este auditor fiscal deixa registrado neste Termo de Constatação, que é o artigo 685 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), que trata a respeito da Tributação na Fonte, em relação ao Ganho de Capital obtido por residentes ou domiciliados no exterior, cabendo ressaltar que quando a pessoa jurídica é domiciliada ou residente em Paraíso Fiscal, que é o presente caso, temos que atentar ao disposto no artigo 47 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que estabelece que o Ganho de Capital decorrente de operação em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, a que se refere o artigo 24 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). A fiscalização esclarece que nos artigos do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), consta as alterações ocorridas ao longo do tempo na Legislação Tributária, sendo que nos novos disciplinamentos legais referentes o artigo 685 do citado Decreto, consta mencionado o artigo 47 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. INDÍCIOS DA OCORRÊNCIA, DE FRAUDE E CONLUIO, QUANDO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO NA FONTE INCIDENTE SOBRE O GANHO DE CAPITAL, OBTIDO POR DOMICILIADOS EM PARAÍSO FISCAL (ILHAS CAYMAN), QUE VÊM A SER: CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZ1L E OPPORTUNITY FUND. (...) Indícios da Fraude: A comprovação que era de pleno conhecimento da empresa incorporada COPART 1 Participações S/A, no sentido que o Citigroup Capital International Brazil L.P. e o Opportunity Fund são domiciliados em Paraíso Fiscal, está abaixo demonstrada: Consta no Contrato de Compra e Venda das ações de emissão da empresa INVITEL S/A (anexo 12), o qual foi celebrado em 25/04/2008, que os dois acionistas vendedores acima mencionados, são domiciliados nas Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal), vide também subitem 6.1 deste Termo de Constatação. Considerando que o pagamento do Imposto de Renda na Fonte ocorreu em 08/01/2009, data posterior a data da celebração do Contrato que ocorreu em 25/04/2008, temos a prova que a Companhia COPART 1 Participações S/A, tinha pleno conhecimento que os acionistas vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil LP e Opportunity Fund são domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman). Indícios do Conluio, planejado pelas Companhias COPART 1 Participações S/A e Brasil Telecom S/A. A fiscalização ressalta que a DIPJ referente ao anocalendário 2007, do contribuinte INVITEL S/A, CNPJ 02.465.782/000160, ND 1132596, foi entregue em 27/06/2008, e consta no item 008 da Ficha 50, vide anexo 26, a qual referese a Identificação dos Sócios ou Titular, que o acionista Citigroup Venture Capital International Brazil LP, é domiciliado nas Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal) [fls. 196/197]. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 Cabe enfatizar que a DIPJ do anocalendário 2007 do contribuinte Invitel S/A foi transmitida via internet, em 27/06/2008, sendo que nessa data, o controle do referido contribuinte não tinha sido ainda transferido para a Companhia COPART 1 Participações S/A, cabendo informar que o controle somente passou a ser exercido pela COPART 1 a partir de 08/01/2009, quando ocorreu o pagamento por parte da COPART 1 das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, vide Fato Relevante no anexo 20 [fls. 187/189]. ENTREGA DA DIPJ DO ANOCALENDÁRIO 2008 DO CONTRIBUINTE INVITEL S/A Em relação à DIPJ do AC 2008 do contribuinte INVITEL S/A, ND 1499091, a qual foi entregue em 13/10/2009, temos que atentar que nessa data a Companhia COPART 1 Participações S/A, já tinha sido extinta por incorporação,conforme abaixo: Em 31 de julho de 2009, a empresa COPART 1 S/A foi extinta por incorporação pela Companhia Brasil Telecom Participações S/A, vide subitem 8.1 acima, e na data de 30 de setembro de 2009, a Companhia Brasil Telecom Participações S/A foi extinta por incorporação pela Companhia Brasil Telecom S/A, vide subitem 8.2 acima. Para melhor compreensão, a fiscalização demonstra através do diagrama abaixo, as incorporações acima citadas. [...] Dessa maneira, temos que foi a Companhia Brasil Telecom S/A, a responsável pela entrega em 13/10/2009, da DIPJ do AC 2008 do contribuinte INVITEL S/A, o que ocorreu foi o seguinte: Quando a Companhia Brasil Telecom S/A, transmitiu em 13/10/2009, via Internet, a DIPJ do anocalendário 2008 do contribuinte INVITEL S/A, apesar de ter pleno conhecimento que os acionistas vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil LP e Opportunity Fund são domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), fez constar na Ficha 50, vide anexo 27, a qual referese a Identificação dos Sócios ou Titular, que os acionistas acima mencionados, eram domiciliados nos Estados Unidos e Brasil respectivamente, ou seja, fez constar na DIPJ uma informação falsa. Ora, considerando que a empresa Brasil Telecom S/A, tinha plena ciência da existência do Contrato de Compra e Venda das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, o qual foi celebrado, em 25/04/2008, vide anexo 12, sendo que o pagamento somente ocorreu em 08/01/2009, vide Fato Relevante no anexo 20, e TED de pagamento no anexo 13, doc 5, e também tinha pleno conhecimento que os dois acionistas vendedores acima mencionados são domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), temos que a intenção do contribuinte Brasil Telecom S/A, em prestar uma informação falsa na Ficha 50 da DIPJ do anocalendário 2008 da empresa INVITEL S/A, teve como objetivo em respaldar a aplicação indevida da alíquota de 15% (quinze por cento), no cálculo do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o Ganho de Capital obtido pelos dois acionistas vendedores Citigroup Venture Capital International Brazil LP e Opportunity Fund, os quais são domiciliados nas Ilhas Cayman (Paraíso Fiscal), e com isso reduzir o montante do tributo a ser recolhido a título de Imposto de Renda na Fonte, pois a alíquota que deveria ter sido aplicada no cálculo do Imposto de Renda na Fonte teria que ser de 25% (vinte e cinco por cento), conforme determina o artigo 47 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 828 21 A fiscalização ressalta que a Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu nos incisos I dos artigos 1º e 2º, o que vêm a ser crimes contra a ordem tributária, e que abaixo transcrevo: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I Omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) II Fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre receitas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse total ou parcialmente de pagamento de tributo. (...)” (destaques do Autuante) O contribuinte foi cientificado do lançamento em 15/02/2013 (fl. 235). Inconformada com a exigência, a interessada impugnou, em 18/03/2013, o lançamento (fls. 261/290), instruindo os autos com os documentos de fls. 291/685, e pedindo a improcedência total do auto de infração e o cancelamento dos débitos, com base nas alegações que transcrevo parcialmente: “(...) 2. Razões que demonstram o descabimento da autuação fiscal. O lançamento fiscal deve ser cancelado, em síntese, pelas seguintes razões: 2.1. Inexistência da aquisição das ações de INVITEL e BRTPART junto ao CITI CAYMAN e ao OPPORTUNITY FUND. As participações foram alienadas por CITI DELAWARE e IMI / ABN MONTEVIDÉU. O contrato de compra e venda datado de 25.04.2008 tinha sua eficácia suspensa, dependente de mudanças na legislação do setor de telecomunicações e da aprovação da transação pela Agência Nacional de Telecomunicações ANATEL (o que se deu em 19.12.2008). Nesta data, as ações adquiridas por COPART eram de propriedade do CITI DELAWARE e do IMI / ABN MONTEVIDEU. Foram elas que transferiram o domínio da coisa objeto do negócio e receberam o preço da adquirente, perfazendo assim todas as características para que figurassem como vendedoras em negócio perfeito e acabado. Tais assunções são cabalmente provadas pelos elementos a seguir enumerados, tendo sido parte deles entregue à fiscalização que, estranhamente, ignorouos e até mesmo sequer os anexou ao processo formado: 2.1.1. Previsão no contrato de compra e venda de 25.04.2008 da possibilidade de os seus subscritores cederem seus papéis até a data de sua execução; 2.1.2. Notificações encaminhadas ao adquirente quando da realização de tais cessões por CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND, apontando inclusive Fl. 838DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 autorizações da CVM para a sua realização e atos societários adotados para a sua implementação; 2.1.3. Atualização dos novos proprietários nos certificados de custódias das ações de INVITEL e BRTPART; 2.1.4. Atualização dos novos investidores no Registro Declaratório Eletrônico de Investimento Externo Direto – RDEIED do Banco Central do Brasil ("BACEN") quando da cessão das ações; 2.1.5. Notificações recebidas por COPART, à época do pagamento, mencionando CITI DELAWARE e IMI / ABN MONTEVIDÉU como titulares das ações e destinatários dos recursos, inclusive com a descrição das contas de depósito dos valores; 2.1.6. Identificação de CITI DELAWARE e IMI / ABN MONTEVIDÉU nas TEDs e cheque administrativo emitidos quando do pagamento pela compra das participações; 2.1.7. Indicarão de CITI DELAWARE e IMI / ABN MONTEVIDÉU nos DARFs como alienantes que auferiram o ganho de capital sujeito ao IRRF; e 2.1.8. Cessões de custódia das ações de INVITEL e BRTPART à COPART realizadas e registradas pelo agente responsável a pedido de CITI DELAWARE e IMI / ABN MONTEVIDEU, na condição de proprietários dos papéis; 2.2. Aplicação das normas de tributação dos rendimentos dos residentes nos casos de obtenção de acréscimo por não residente domiciliado em país de tributação favorecida. Mesmo que os alienantes fossem residentes nas Ilhas Cayman, como afirmado pela fiscalização, o que se aceita a título de argumentação, a autuação ora impugnada deve ser cancelada, em razão de a legislação determinar que sejam a eles aplicáveis as mesmas normas destinadas aos ganhos da espécie dos domiciliados no País, os quais também sujeitam os ganhos de capital ao imposto à alíquota de 15%. 2.3. Improcedência da multa de ofício. Ainda que o tributo lançado fosse devido, ilação admitida tão só para fins de argumentação, a multa afigurase improcedente, em razão de a Impugnante ter sido autuada na condição de sucessora por incorporação do imaginado sujeito passivo (COPART), hipótese em que a legislação restringe a responsabilidade da incorporadora ao tributo porventura devido, não a estendendo à exação por eventual infração que possa ter sido cometida por sua sucedida; 2.4. Descabimento da multa qualificada. Por fim, jamais poderia ser imputada multa de 150% à Impugnante, ao argumento de que teria prestado declaração falsa com o propósito de impedir o Fisco de tomar conhecimento de um dos elementos constitutivos da obrigação tributária. As informações constantes da DIPJ de INVITEL de nenhum modo se confundem com ato que vise impedir o Fisco de auditar os fatos ocorridos (instrumento fraudulento). Ocorreu mero erro material no seu preenchimento (distinto, inclusive, daquele alegado pelo sr. Fiscal autuante) que, aliás, de nenhum modo impediu que a Administração tomasse conhecimento dos fatos e avaliasse sua correição. Isso porque os nomes do CITI CAYMAN e CITI DELAWARE são idênticos. Apenas as abreviações de suas espécies societárias são distintas (a primeira é LP e a segunda LLC). O erro cometido consistiu na menção do tipo societário do CITI CAYMAN e ao invés de indicação do tipo do CITI DELAWARE, como deveria ter sido feito, mas com Fl. 839DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 829 23 a correta indicação de sua jurisdição (EUA). No que diz respeito ao OPPORTUNITY FUND, foram dois os equívocos, também distintos do quanto alegado pelo sr. Fiscal autuante. Ao invés de se apontar o IMI como acionista, tal como já o era à época, foi inadvertidamente mencionado que o OPPORTUNITY FUND ainda constava do quadro societário da investida. Alem disso, indicouse a nacionalidade de seu representante, residente no Brasil (Banco Opportunity S.A.), ao invés da menção à jurisdição de IMI (Holanda). Tudo isso ocorreu meses após os fatos geradores objeto da autuação fiscal, não tendo relação direta com tais fatos em si e, como referido, em nada dificultaram nem prejudicaram o procedimento fiscal. Caso tais aspectos já não fossem suficientes a revelar o manifesto descabimento da alegação de inserção de informação falsa com o propósito de impedir o Fisco de tomar conhecimento do fato gerador do tributo, há ainda que se ter presente que houve a completa divulgação da operação pelos procedimentos legalmente previstos – Juntas Comerciais envolvidas, CVM, BOVESPA, ANATEL e CADE nas quais era possível identificar todos os detalhes da transação, inclusive cada um dos alienantes. Afora o exposto, a DIPJ do mesmo período entregue pela BRTPART indica dentre os seus acionistas o CITI DELAWARE e o ABN MONTEVIDEU, da forma como se deu o recolhimento do IRRF. Os TEDs, cheque administrativo, DARFs e cessões de custódia igualmente indicam como alienantes CITI DELAWARE e IMI / ABN MONTEVIDEU. Quer dizer, todos os elementos revelam um comportamento coerente da Impugnante com o regime fiscal que considera correto. Não se pode simplesmente, por discordar das regras adotadas, imaginar que se estaria a impedir o Fisco de saber quem são os imaginados alienantes, como irresponsavelmente alega a fiscalização, que, aliás, ao longo do procedimento fiscalizatório tomou conhecimento de documentos que revelavam que as operações tinham se dado de forma diversa das suas convicções e simplesmente os ignorou a ponto de até mesmo não os anexar ao processo formado. (...) 2.1. Resumo dos fatos praticados pela Impugnante e pelos demais agentes envolvidos na transferência da operadora Brasil Telecom ao grupo Telemar. Em 25.04.2008, foi firmado o "Contrato de Compra e Venda de Ações" entre quatorze diferentes pessoas (conjuntamente denominadas "Vendedoras") e o CREDIT SUISSE, este na condição de adquirente. TNL, INVITEL e Solpart Participações S.A. ("SOLPART") figuraram no instrumento na condição de intervenientes (doc. 2). Dentre os vendedores, figuravam o CITI CAYMAN e o OPPORTUNITY FUND. O negócio tinha por objetivo a venda de 100% das ações de INVITEL, que detinha a quase totalidade das ações de SOLPART, que, por sua vez, era titular de ações representativas de 51,41% do capital votante de BRTPART. Esta, por seu turno, era titular de ações representativas de 65,64% do capital (sendo 99,09% do votante) de Brasil Telecom S.A. ("BRTELECOM"), concessionária de serviço telefônico fixo comutado. Em suma, o fim visado era a alienação do bloco de ações representativo do controle (direto e indireto) de BRTELECOM. À época, a legislação aplicável ao setor de telecomunicações, formada pela Lei Geral de Telecomunicações LGT (Lei 9.472/97, art. 202, § 1°) e pelo Fl. 840DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Plano Geral de Outorgas PGO (Decreto 2.534/98, arts. 7º e 14), vedava que uma operadora de telefonia fixa, tal como a TNL, atuasse direta ou indiretamente em região distinta daquela que lhe foi reservada na desestatização (como era a área explorada pela BRASIL TELECOM), salvo se a ANATEL decidisse de forma diversa, por considerar não haver risco de a medida implicar prejuízos aos usuários dos serviços. Diante da vedação mencionada e como, desde então, já havia a expectativa de sua retirada do ordenamento, o grupo Telemar (do qual faz parte a TNL) firmou Contrato de Comissão com o CREDIT SUISSE para que este, atuando na condição comissário (Código Civil, art. 693n), comprasse, em seu próprio nome e à conta de TNL, o controle de BRTELECOM das sociedades acima indicadas (doc. 3 fls. 455/479). Assim, foi fixado, de comum acordo entre as Vendedoras e o grupo Telemar, o prazo que se aguardaria para que fossem adotadas as medidas necessárias a fim de superar as restrições regulatórias existentes, consistentes na mudança do PGO "permitindo dessa forma que a ora Compradora (CREDIT SUISSE), nos termos do Contrato de Comissão, ceda seus direitos e obrigações previstos neste Contrato à Telemar", de modo que a submissão da transação à aprovação da ANATEL pudesse ser feita pela própria Telemar. Durante tal prazo, as disposições essenciais à compra e venda — transferência do domínio das ações e pagamento do preço — tiveram sua eficácia suspensa, pois as mudanças constituíam condições suspensivas à produção dos efeitos do negócio. Vejase: "2.1. Sem prejuízo do disposto na Cláusula 3 deste Contrato, as partes reconhecem que, na forma da legislação em vigor, a transferência e alienação das Ações está sujeita às seguintes condições: (i) a condição suspensiva da aprovação prévia da Anatel, na forma do disposto no art. 97 do LGT, dentro do prazo máximo e improrrogável de 240 (duzentos e quarenta) dias contados a partir da data de assinatura deste Contrato (...)". Em 21.11.2008 (durante o prazo acima mencionado) foi editado o Decreto 6.654, que fixou o novo PGO. A norma passou a admitir a transferência do controle de uma operadora de telefonia fixa para operadora que atenda outra região (art. 6°) doc. 4 [fls. 480/485]. Na mesma data, a Telemar apresentou à ANATEL pedido de anuência prévia de compra das ações que lhe garantiriam o controle (direito ou indireto) de BRTELECOM (doc. 5) [fls. 486/498]. O pleito foi deferido em 19.12.08, por meio da edição do Ato 7.828 da ANATEL (doc. 6) [fls. 499/410]. Com isso, as disposições do contrato de compra e venda, até então com eficácia suspensa, passaram a produzir efeitos. Em tal data, as ações que, à época de assinatura do contrato de compra e venda, eram de titularidade de CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND, já haviam sido transferidas a terceiro. Em verdade, os adquirentes foram aqueles ao final alienaram os papéis de sua propriedade à COPART. Com efeito, em 22.07.08, o CREDIT SUISSE e a TNL foram notificados pelo CITI CAYMAN e pelo CITI DELAWARE, dando conta de que o primeiro "transferiu a totalidade das 504.767.818 ações ordinárias de emissão de Invitel S.A. e 2.329.640 ações ordinárias de emissão de Brasil Telecom Participações S.A. de sua titularidade para sua controlada Citigroup Venture Capital International Brazil (Delaware), LLC (...) conforme permitido pela Cláusula Fl. 841DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 830 25 1.7 do Contrato de Compra e Venda de Ações firmado (...) em 25 de abril de 2008" (doc. 7 – fls. 511/515 destaques do original). Semelhantemente, em 15.05.08, foi transmitida correspondência ao CREDIT SUISSE e à TNL, subscrita por OPPORTUNITY FUND e IMI, a qual tinha por objetivo "nos termos da clausula 1.6.1 do Contrato, comunicar que o Opportunity Fund realizou reorganização societária, na forma da autorização concedida pela Comissão de Valores Mobiliários no Processo CVM/RJ 2006/6380, reg. n° 5269/06, conferindo ao capital de sua subsidiária integral, International Markets Investiments, C.V. ('IMI'), as ações de sua titularidade na Invitel S.A. " (doc. 8 – fls. 516/522) Daí porque, posteriormente, pouco antes de realizar o pagamento pela aquisição das ações, COPART foi notificada pelos adquirentes dos papeis (CITI DELAWARE e IMI), não só reafirmando que eram titulares das ações de INVITEL e BRTPART, como também indicando as contas em que os recursos deveriam ser depositados. No caso do ABN MONTEVIDÉU, as ações de BRTPART já eram de sua propriedade mesmo antes de 25.04.2008, de modo que a notificação à época do pagamento só serviu de confirmação da propriedade e indicação de conta para a realização do pagamento. O CITI DELAWARE, em correspondência de 30.12.08, aponta que: "Conforme consta dos Anexos 1.1 (i) e 1.1 (ii) do Contrato, CVC Delaware é titular de: (a) 504,767.818 (...) ações ordinárias, escriturais e sem valor nominal de emissão de Invitel (...) e (b) 2.329.640 (...) ações ordinárias, escriturais e sem valor nominal de emissão de BrT Part (...)" (doc. 9) [fls. 523/528] – destacamos. A correspondência de 05.01.2009, subscrita por diferentes fundos, apontava em anexos o "quadro Processo 16682.721202/201249 atualizado indicando a titularidade das Ações Diretas, na forma do Anexo l.(ii) do Contrato" (doc. 10 – fls. 529/534). Nele, consta que o ABN MONTEVIDÉU era proprietário de 5.225.991 ações de BRTPART (anexo I) e IMI de 42.639.77 ações de INVITEL (anexo II). Em vista de tais mudanças, contratualmente previstas, COPART fez TEDs para pagamento pelas compras das ações de CITI DELAWARE e ABN MONTEVIDÉU, como mencionou nos extratos de transferências (docs. 11 e 12) [fls. 535/539] e solicitou que o CREDIT SUISSE emitisse cheque administrativo para a aquisição das ações de IMI, nomeandoo destinatário dos recursos no próprio título (doc. 13) [fls. 540/542]. Coerentemente, COPART preencheu os DARFs com o IRRF devido indicando CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU como destinatários do acréscimo gerado com os ganhos de capital verificados (docs. 14 a 17) [fls. 543/546], como, aliás, também constou nos lançamentos do extrato de sua conta bancária no CREDIT SUISSE (doc. 18) [fl. 547]. Não houve, portanto, pagamento de preço pela aquisição das ações de INVITEL e BRTPART a pessoas diversas daquelas acima apontadas, como equivocadamente apontou a fiscalização. 2.2. CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU eram proprietários das ações de INVITEL e BRTPART no momento de ocorrência do fato gerador do IRRF. Impossibilidade de procedência do lançamento fiscal. O fato gerador do IRRF sobre o ganho de capital de não residente reputase ocorrido quando se tem a disponibilização ao alienante do preço e a transmissão de titularidade da participação negociada. A disponibilidade do Fl. 842DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 preço se verifica com o pagamento, crédito, entrega ou remessa dos recursos por fonte no País ao residente no exterior (RIR/99, art. 685). A responsabilidade pelo recolhimento do IRRF é do próprio adquirente, quando residente no Brasil, como se tem no caso em exame (Lei 10.833/03, art. 26 e IN 407/04, art. 1º, I). Por força das disposições mencionadas, antes que se tenha a efetiva entrega dos recursos ao alienante não há que se cogitar da incidência do IRRF. Significa dizer, no caso concreto, que a assinatura do contrato de compra e venda em 25.04.2008 não teve como efeito fazer com que surgisse a obrigação tributária e, por conseguinte, não havia naquele momento obrigatoriedade de COPART proceder ao recolhimento do IRRF apontando como alienantes os titulares dos papéis à época. A conclusão tem fundamento na reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no sentido de que o mero crédito contábil da importância devida ao não residente é insuficiente para fazer surgir o IRRF. Apenas a efetiva disponibilização dos valores ao beneficiário irrompe o nascimento da obrigação. A impossibilidade de se imaginar haver obrigação de recolher IRRF tendo como alienantes o CITI CAYMAN e o OPPORTUNITY FUND tão só porque constavam do contrato subscrito em 25.04.08 — linha sustentada pela fiscalização — aplicase ao caso também em razão de a produção de efeitos do negócio estar suspensa à época, posto que subordinado à autorização da ANATEL para que pudesse passar a surtir conseqüências jurídicas nas esferas patrimoniais dos envolvidos (Clausula 2.1., alínea (i) do contrato de compra e venda – doc. 2). De fato, as normas de direito privado (Código, arts. 121 e 125) e tributário (CTN, arts, 116, II e 117, I) cabíveis estabelecem que, no caso de relação jurídica cuja produção eficácia dependa de evento futuro e incerto, a "obrigação não terá existência enquanto ela não se verificar. Permanece em suspenso a sua incorporação ao patrimônio do titular, na categoria de uma expectativa de direito (...)". Daí porque, na mesma linha, o CARF, ao apreciar caso semelhante, reconheceu que somente após o cumprimento das obrigações condicionantes do negócio a compra e venda pode ser considerada concretizada, com a tributação do ganho a ser então verificado na operação. Na hipótese em exame, embora CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND tenham figurado ao início no contrato como vendedores de partes das ações de INVITEL e BRTPART, tal previsão não faz com que automaticamente, após a implementação da condição (autorização da ANATEL), estes ainda continuassem a figurar como vendedores, pois, entre uma data e outra, ambos transmitiram suas ações a terceiros. Desse modo, quando o acordo passou a ser eficaz, os vendedores já eram terceiros (CITI DELAWARE e IMI, sem prejuízo do ABN MONTEVIDÉU, que mesmo na época de assinatura do contrato já detinha a titularidade de ações de BRTPART). Até porque é certo que nos negócios condicionais "os efeitos serão ex nunc, ou seja, a partir da aquisição do direito, ocorrida com o implemento da condição ". O contrato firmado em 25.04.2008 admitia expressamente que se desse a cessão dos direitos e obrigações subscritos pelos vendedores a terceiros, desde que cumpridos os pressupostos acordados. Vejase: "1.6.1. Cada uma das Vendedoras Opportunity poderá transferir a totalidade ou parte de suas Ações Invitel para uma sociedade controlada por ela, a qual passará a ser considerada Vendedora, em substituição à respectiva Vendedora Opportunity cedente, para todos os fins deste contrato, desde que: (i) adote tal providência no prazo de Fl. 843DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 831 27 90 (noventa) dias a contar da data de assinatura deste Contrato; (ii) a cessionária manifeste concordância em aderir a todos os termos deste Contrato mediante notificação por escrito a ser enviada por cada uma das Vendedoras Opportunity que optarem por referida cessão e pela cessionária Compradora; e (ii) as Vendedoras Opportunity permaneçam solidariamente responsáveis com a cessionária por todas as obrigações previstas neste Contrato. 1.7. A Vendedora CVC Brazil poderá, conforme autorizada pela CVM, por meio do Oficio/C VM/SINGIII nr. 991/2008, transferir a totalidade ou parte de suas Ações Invitel e/ou Ações Diretas para Citigroup Venture Capital International Brazil (Delaware), LLC (CVC DELAWARE), a qual é controlada pela vendedora CVC Brazil. Caso a referida transferência ocorra, a CVC Delaware passará a ser considerada Vendedora, em substituição à CVC Brazil, para todos os fins deste Contrato, desde que: (i) adote tal providência no prazo máximo de 90 (noventa) dias a contar da data de assinatura deste Contrato; (ii) a cessionárias manifeste concordância em aderir a todos os termos deste Contrato mediante notificação por escrito a ser enviada pela CVC Brazil e pela cessionária à Compradora; e (iii) o CVC Brazil permaneça solidariamente responsável com a cessionária por todas as obrigações previstas neste Contrato. 1.8. Na Data do Fechamento: (i) as Vendedoras que optarem pela transferência de suas Ações mediante operação privada deverão entregar à Compradora, ou à parte por ela designada, devidamente assinadas as respectivas ordens de transferência das ações OTAs (ou adotar outras providências cabíveis e necessárias à transferência das Ações); e (ii) as Vendedoras em Leilão realizarão o referido leilão, conforme previsto neste Contrato ". A cessão de direitos e obrigações é regulada pelos artigos 286 e seguintes do Código Civil. Por meio dela há uma substituição do sujeito da relação obrigacional, que, de resto, mantémse inalterada. Não constitui requisito à cessão que o devedor seja previamente comunicado e concorde com a transação "mas contra este passa a ter eficácia depois de ter sido ele notificado (art. 290)". No caso, a COPART não só foi notificada das cessões havidas, como, de todo modo, havia concordado com a sua realização, por força das disposições acima transcritas. Além disso, por envolver direta ou indiretamente participação em sociedade anônima de capital aberto, as cessões foram precedidas de autorizaçõesda CVM. Por meio do Processo Administrativo CVM RJ 2006/6380 concluiuse pela: "concessão de International Markets Investiments C.V. (...)". Semelhantemente, o OFÍCIO/CVM/SIN/GII1/ N° 991/2008 permite a transferência dos ativos de CITI CAYMAN para o CITI DELAWARE "por motivo de reorganização societária ocorrida no exterior " . A implementação da cessão ocorreu no prazo avençado, com a assunção de responsabilidade integral pelos cedentes e solidária pelos cessionários, como dão conta as notificações subscritas conjuntamente por cedentes e cessionárias (CITI CAYMAN / CITI DELAWARE e OPPORTUNITY FUND / IMI), já citadas no tópico anterior (docs. 8 e 9) [fls. 516/528). E mais, além de tal material, foram disponibilizados à COPART outros elementos a comprovar a inequívoca transmissão de propriedade sobre os papéis dos cedentes aos Fl. 844DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 cessionários. Afinal, era do interesse de COPART ter certeza acerca da efetiva cessão das ações de INVITEL e BRPART, a fim de que soubesse para quem deveria pagar o preço pela compra da participação societária, em especial envolvendo cifras tão relevantes. Nesse sentido, cada um dos cedentes / cessionários apresentou o seguinte, em adição às notificações: 1. CITI CAYMAM / CITI DELAWARE: (1.1) contrato de aporte por meio do qual, CITI CAYMAM poderia transferir suas participações societárias à CITI DELAWARE, tão logo houvesse aval da CVM (doc. 21); e (1.2.) RDEsIEDs, extraídos do sistema do BACEN, dos investimentos em INVITEL e BRPART dando conta de que as ações de ambas foram transmitidas de CITI CAYMAM à CITI DELAWARE antes de 09.01.09 (doc. 22) [fls. 557/563]. Notese que, nos termos da legislação aplicável, são "registrados como investimento estrangeiro direto a participação de investidor não residente no capital social de empresa receptora, integralizada ou adquirida na forma da legislação em vigor"; e 2. OPPORTUNITY FUND / IMI: (2.1.) Ordem de Transferência das Ações OTA encaminhada ao agente custodiante (Banco Itaú S.A. – "ITAU") indicando o OPPORTUNITY FUND na qualidade de cedente e o IMI na condição de cessionário de 42.639.777 ações de INVITEL (doc. 23) [fls. 564/565]; e (2.2.) RDEIED, extraído do sistema do BACEN, do investimento em INVITEL dando conta de que as suas ações de titularidade de OPPORTUNITY FUND haviam sido transmitidas ao IMI (doc. 24) [fls. 566/568]. Observese que, quando das cessões havidas (maio e julho de 2008), o contrato de compra e venda datado de 25.04.2008 ainda não havia sido implementado, não produzindo eficácia até então. Isso porque nenhuma das partes havia executado suas respectivas obrigações. De fato, na compra e venda obrigase o vendedor à entrega da coisa prometida e, o adquirente, ao pagamento do preço ajustado. Por esses motivos, a execução do contrato só se dá quando além da celebração do negócio, "ocorra a tradição, a entrega da coisa vendida, para que a propriedade dela se transfira ao comprador" sendo insuficiente para a configuração da translação do domínio "a mera assinatura de um negócio jurídico, em que alguém se obriga a entregar alguma coisa", pois "para que essa entrega se materialize; é necessário que haja a efetiva transferência desse objeto". Disso resulta que, como nas épocas das cessões as ações ainda não haviam sido transmitidas à COPART, evidentemente o contrato de compra e venda de 25.04.2008 não havia sido executado pelos alienantes. Daí seguese como decorrência que o adquirente, da mesma forma, também não providenciou a sua parte da obrigação, consistente no pagamento do preço até a data mencionada. Portanto, independentemente da condição suspensiva então existente (suficiente por si para afastar qualquer pretensão de se afirmar serem CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND os alienantes), a inexistência de transmissão de propriedade das ações por aqueles que a fiscalização alega serem os alienantes à COPART e a ausência de pagamento de preço por esta a eles também afasta a acusação contida na peça fiscal. E mais. À época dos pagamentos, tanto CITI DELAWARE quanto IMI reafirmaram em notificações à COPART que eram os únicos e legítimos proprietários das ações de INVITEL e BRTPART antes detidas por CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND e indicaram as contas nas quais os Fl. 845DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 832 29 pagamentos deviam ser realizados (docs. 8 e 9 – fls. 516/528 ). Daí porque as TEDs feitas, o cheque administrativo emitido e os DARFs pagos por COPART indicam CITI DELAWARE e IMI como alienante de papéis! Mas não é só. Concomitantemente com o pagamento feito pela COPART em 09.01.09, foram expedidas as OTAs encaminhadas ao ITAÚ tendo como cedentes dos papéis de INVITEL e BRTPART o CITI DELAWARE e o IMI (docs. 25, 26 e 27 – fls. 569/570). Tais determinações foram devidamente cumpridas pelo ITAÚ na atualização da propriedade das ações sob a sua custódia (doc. 28 – fl. 571 ). Com isso, afigurase inequívoco que as ações de INVITEL e BRTPART foram alienadas à COPART por CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU, tal como registrado e declarado nos documentos de pagamento e DARFs da adquirente. Com efeito, a legislação estabelece que a propriedade de ações é demonstrada pela inscrição do nome do acionista no livro de Registro de Ações Nominativas ou pelo extrato que seja fornecido peia instituição custodiante (Lei 6.404/76 Lei das S/A, art. 31). Tratandose de ações escriturais, como se tem no caso, a propriedade "presumese pelo registro na conta de depósito das ações, aberta em nome do acionista nos livros da instituição depositária" (Lei das S/A, art. 35). Tanto INVITEL quanto BRTPART tinham as suas ações escriturais mantidas em depósito, circulando mediante requerimento encaminhado ao agente custodiante (vide os estatutos de ambas já apresentados durante o procedimento de fiscalização). Como os requerimentos de transmissão das ações de ambas as empresas à COPART, processados pelo ITAÚ, foram subscritos por CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU, a conclusão forçosa é de que as intituladas cedentes eram (como efetivamente demonstrado) as proprietárias das ações no momento anterior à aquisição pela sociedade incorporada pela ora Impugnante. Afinal, "presumese que o titular de uma conta corrente de ações aberta por uma instituição financeira seja o proprietário das (ações) escriturais que ali forem lançadas a seu crédito". Justamente por isso que: "para efetuar a transferência das ações escriturais, a Lei das S.A. requer, no § Io, ordem escrita do alienante, autorização ou ordem judicial em documento hábil que ficará em poder da instituição depositária que, por sua vez, efetuará lançamento contábil em seus livros, a débito da conta de ações do alienante e crédito da conta de ações do adquirente". Na hipótese em exame, as condições descritas para se operar a transferência das ações e o pagamento do preço foram atendidas. COPART recebeu notificações de CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU informando serem os proprietários das ações de INVITEL e BRTPART e indicando as contas para depósito do preço de venda. Na mesma data em que COPART efetuou os pagamentos, os três preencheram as ordens de transferências das ações dirigidas ao ITAÚ. Com isso, em 09.01.09 houve transmissão do domínio das ações e o pagamento do preço. A compra e venda então se aperfeiçoou, reputandose perfeita e acabada, tendo como alienantes e adquirente as pessoas declaradas de forma condizente com o regime fiscal aplicável. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 Aliás, as provas do quanto alegado, consistentes nas OTAs de transferência das ações de INVITEL e BRTPART de CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU à COPART foram entregues à fiscalização durante o trabalho de auditoria (doc. 29 – fls. 572/573). O material é coerente com as TEDs, cheque administrativo e DARFs reunidos pela fiscalização. Inexplicavelmente, porém, as OTAs não foram sequer mencionadas na conclusão dos trabalhos. E pior, não foram nem mesmo anexadas ao processo formado após a lavratura do auto de infração, o que causa perplexidade, em se tratando de documentação vinculada ao pilar central de sustentação do crédito tributário constituído. Particularmente no que se refere ao ABN MONTEVIDÉU, a desconsideração de sua condição de alienante das 5.225.991 ações de BRTPART é ainda mais absurda na medida em que, desde o contrato de 25.04.08, já figurava na condição de titular dos papéis (anexo 1.1(11)). Coerentemente, na notificação enviada à COPART pouco antes da data de pagamento, foi indicado que 5.225.991 ações de BRTPART eram detidas e o pagamento pelo preço deveria ser feito à ABN MONTEVIDÉU (doc. 10 – 529/534). E mais, apresentase RDEIED juntamente com a defesa, originário do sistema do BACEN acerca do investimento em BRTPART, dando conta de que o proprietário de 5.225.991 ações era o ABN MONTEVIDÉU (doc. 30 –fls. 574/577). Se tanto não bastasse, há extrato de custódia de ações emitido em 22.12.08, o qual, igualmente, comprova que em tal data ABN MONTEVIDÉU era proprietário de 5.225.991 ações de emissão de BRPART (doc. 31 – fl. 578). Logo, não bastasse a OTA de transmissão de ações preenchida com a sucessão na propriedade diretamente de ABN MONTEVIDÉU para COPART, a exemplo do que se verifica nos casos de CITI DELAWARE e IMI, constatase haver também outros elementos (tal como se apresentou para os demais alienantes) que não deixam dúvidas da correição do procedimento adotado pela sucedida da Impugnante. O CARF já se manifestou no sentido de que o regime fiscal aplicável à renda do não residente é o previsto para o titular do acréscimo, não sendo cabível pretender adotar o tratamento prescrito para ente diverso, seja seu controlador ou até mesmo matriz (caso ela e a filial estejam em jurisdições diferentes). Vejase: "IRF REMESSA DE JUROS PARA O EXTERIOR Não se aplica a Convenção entre o Brasil e o Japão para evitar dupla tributação em matéria de impostos sobre rendimentos, na remessa de juros para beneficiário com sede no Panamá, mesmo que esse tenha nacionalidade e seja controlado por empresa japonesa " Ora, no caso o que se requer é que seja observado o mesmo entendimento. Quer dizer, na medida em que CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU transmitiram as ações de INVITEL e BRTPART à COPART e desta receberam o preço, devem ser elas consideradas titulares do ganho de capital tributável e não pessoas diversas (ainda que sejam estas suas controladoras/contratantes). A propósito do pagamento, observese que COPART efetuou a transferência dos recursos para as contas bancárias individualmente indicadas pelos alienantes CITI DELAWARE e ABN MONTEVIDÉU (doc. 11 e 12 – fls. 535/539) e, quanto à IMI, providenciou que fosse emitido cheque administrativo para quitar seu crédito (doc. 13 – 540/542). Tais provas são suficientes para afastar as ilações fiscais que justificaram o lançamento sob os argumentos de que "os alegados Contratos de Câmbio não foram entregues à Fl. 847DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 833 31 fiscalização" e de que "não foi comprovado pelo contribuinte que os recursos foram remetidos, através de Contratos de Câmbio, para Delaware, nos Estados Unidos da América". Afinal, para a correição no cumprimento da obrigação fiscal, basta a impugnante demonstrar como se deu a disponibilização de recursos ao não residente pela sua sucedida, o que pode ocorrer de outra forma que não mediante a remessa de recursos ao exterior, como, por exemplo, mediante depósito dos valores no Brasil. Como conseqüência, a ausência de apresentação por parte da Impugnante de contratos de câmbio em que COPART tenha figurado como remetente de valores é inservível para justificar a autuação promovida. Os pagamentos feitos no Brasil aos não residentes (CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉI) comprovam a regular tributação de IRRF adotada. Ademais, para que não haja dúvidas quanto aos destinatários dos recursos, a Impugnante apresenta os contratos de câmbio, celebrados diretamente por IMI e ABN MONTEVIDÉU, com a remessa ao exterior dos recursos, após terem sido disponibilizados a tais alienantes no País por COPART (docs. 32 e 33 – fls. 579/589). Por meio deles, é possível verificar mais uma vez que os recebedores do preço foram os transmitentes das ações à COPART, na forma apontada em seus documentos entregues à fiscalização. Da mesma forma, é insuficiente como justificava à constituição do crédito tributário a constatação de que: "Na ficha cadastral existente na Receita Federal, a qual está em vigor até a data de lavratura deste Auto de Infração, consta que as empresas Citigroup Venture Capital International Brazil, LP e Opportunity Fund são domiciliados em Paraíso Fiscal". Isso porque a manutenção do cadastro, que não era de responsabilidade de COPART (mas dos procuradores das alienantes) e não tem qualquer relação com a subsistência ou não da titularidade das ações de que se cuida, pode ser explicada por diferentes razões. Justificase eventualmente pelo fato de tais entes terem outros investimentos no País além daqueles que eram detidos por CITI DELAWARE, IMI e AJBN MONTEVIDÉU à época da venda ou até mesmo por ausência de cancelamento da inscrição quando deixaram de deter ativos no Brasil. Ao mesmo tempo, aqueles que alienaram as ações de INVITEL eBRTPART à COPART — CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU — também possuíam à época inscrições próprias no CNPJ, o que afasta a procedência das acusações fiscais. São igualmente descabidas as assunções de que o documento emitido pela Telemar Norte Leste S.A. para atendimento do disposto na Instrução CVM 481/09, anexo à deliberação de 13.11.11 confirmaria as conclusões fiscais, tão só porque, ao descrever a quantidade de ações individualmente vendidas pelos acionistas da INVITEL, "consta também que os acionistas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, L.P. e OPPORTUNITY FUND, são domiciliados em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman)". O documento citado simplesmente resume os fatos que se sucederam para a aquisição do controle de INVITEL, tendo origem no contrato de compra e venda datado de 25.04.2008, que efetivamente enumera entre os alienantes CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND. Todavia, como apontado à exaustão, tais entes transferiram suas participações em INVITEL a terceiros (CITI DELAWARE e IMI) antes que a venda fosse executada. Os cessionários, nos termos da documentação juntada, sucederam os cedentes em todos os direitos e obrigações, motivos pelos quais foram eles os alienantes e Fl. 848DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 destinatários do preço que proporcionou o ganho de capital sobre o qual incidiu o IRRF. Assim, o documento não infirma, ao contrário, confirma as razões da Impugnante, a correição do regime adotado por sua sucedida e a improcedência do lançamento fiscal. Em suma, demonstrado por diferentes ângulos e provas que os proprietários e transmitentes das ações de INVITEL e BRTPART à COPART foram CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU (e não CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND), tendo sido também aquelas as recebedoras do preço, afigurase correto o regime fiscal aplicado ao ganho de capital, o qual se sujeitou ao IRRF à alíquota de 15%, impondo a decretação de insubsistência do lançamento, o que ora se requer. 2.3. Ainda que os alienantes fossem CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND, seria aplicável o regime cabível às operações praticadas por residentes, as quais também sujeitam os ganhos de que se cuida ao IRRF à alíquota de 15%. Ainda que se possa imaginar que os elementos apontados não seriam suficientes a demonstrar que os alienantes e titulares do ganho de capital teriam sido CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU, mas sim CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND, assunção feita tão só para fins de argumentação, mesmo nessa situação não haveria crédito tributário a ser exigido. A conclusão se deve ao fato de serem aplicáveis aos residentes em países de tributação favorecida as mesmas regras de tributação a que se sujeitam os residentes, as quais, no que se refere à venda de ações, também estão adstritas ao imposto de renda à alíquota de 15%. Com efeito, a legislação fixa regime especial para a tributação da renda do não residente que realize operações nos mercados de renda fixa ou de renda variável no País. Referidas disposições asseguram que, uma forma geral, os ganhos dos não residentes: (1) não são onerados quando provenientes da venda de ativos em bolsa de valores, mercadorias e futuros, desde que atendidas exigências do Conselho Monetário Nacional; (2) se não for possível observálas, serão tributados pelo IRRF à alíquota de 10% no caso de rendimentos oriundos da venda de quotas de fundo de ações e em operações de futuro; e (3) serão, nos demais casos, sujeitos ao IRRF à alíquota de 15% (MP 2.18949/01, art. 16 e Lei 8.981/95, arts. 80 a 82, sintetizados à época no arts. 39 e 40 da IN 25/01e arts. 29 e 30 da IN 202/02 , substituídos pelo arts. 68 e 69 da IN 1.022/10). Todavia, caso o não residente esteja localizado em país de tributação favorecida, tal como definido pelo artigo 24 da Lei 9.430/96 (considerado assim aquele que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota inferior a vinte por cento), o regramento especial acima descrito deixa de ser aplicável (MP 2.18949/01, art 16, § 2º; IN 25/01, art. 40, § 2º; IN 202/02 , art. 31; e IN 1.022/10, art. 73). Nesse caso, a conseqüência prevista no ordenamento é a sujeição do residente em país de tributação favorecida às mesmas normas fiscais vigentes para os residentes no Brasil. É o que estabelece o artigo 7º da Lei 9.959/00, reproduzido também no artigo 43 da IN 25/01: "Art. 7 O regime de tributação previsto no art. 81 da Lei n° 8.981, de 1995, com a alteração introduzida pelo art. 11 da Lei n° 9.249, de 1995, não se aplica a investimento estrangeiro oriundo de país que tribute a renda à alíquota inferior a vinte por cento, o qual sujeitarseá às mesmas regras estabelecidas para os residentes ou domiciliados no País " (destacamos). Fl. 849DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 834 33 Ocorre que os ganhos de capital decorrentes da venda de ações feitas por pessoas domiciliadas no País sujeitavamse (e até o presente sujeitamse) ao imposto de renda à alíquota de 15% (Lei 11.033/04, art. 2o, reproduzido na IN 1.022/10, art. 46). Daí seguese a conclusão de que, ainda que os alienantes das ações de INVITEL e BRPART fossem CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND (o que, como visto no item anterior, não o são), não haveria que se cogitar da insuficiência de recolhimento de IRRF que justificasse o lançamento ora impugnado, vez que os acréscimos na hipótese imaginada sujeitarseiam às mesmas disposições aplicáveis aos residentes no País, os quais são também tributados à alíquota de 15% de IRRF. Portanto, à vista do exposto, requerse também por esse motivo o reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal. 2.4. Descabimento da imputação de multa de ofício em face do responsável por sucessão em incorporação. Cobrança restrita ao tributo. Caso porventura os fundamentos antes expostos sejam considerados insuficientes a justificar o cancelamento da integralidade do lançamento fiscal, o que se assume tão só para fins de argumentação, deve, ao menos, ser reconhecida a improcedência da penalidade imposta, na medida em que a legislação não autoriza sua imputação a sucessor por incorporação daquele que teria descumprido a legislação, na condição de responsável tributário, sobretudo no caso que se afirma que o ilícito foi pautado em ato doloso, tal como se tem na hipótese. De fato, o artigo 132 do CTN estabelece que: "A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas"'' (grifamos e destacamos). Vêse da transcrição feita que o dispositivo não deixa margem a dúvidas: responsabilidade por sucessão na incorporação está restrita aos tributos devidos pela incorporada sucedida. (...) Portanto, quando menos, deve ser afastada a exigência de multa em nome da Impugnante, por ter sido ela responsabilizada na qualidade de sucessora por incorporação daquela que se alega ter cometido infração à legislação (COPART), tendo o lançamento se dado bem após a operação societária, hipótese em que o crédito tributário passível de ser constituído está restrito ao tributo. 2.5. Ausência dos pressupostos para o agravamento da multa em 150%. Por fim, na remota hipótese de serem superados os fundamentos anteriormente expostos, deve, ao menos, ser afastada a imputação de multa qualificada. A fiscalização fundamentou sua cobrança sob o argumento de que a sucedida pela Impugnante, ao preencher a DIPJ do anobase de 2008 da INVITEL, teria propositadamente indicado que o seu quadro de sócios era formado por CITI DELAWARE e pelo grupo Opportunity no Brasil, informações falsas (segundo a peça fiscal), já que as ações seriam supostamente detidas por CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND. O objetivo seria impedir que o Fisco Fl. 850DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 tivesse conhecimento da errônea aplicação da alíquota de IRRF sobre o ganho de capital dos alienantes dos papéis de INVITEL. (...) Diante disso, podese concluir que a penalidade agravada não se aplica aos casos em que o sujeito passivo age de acordo com suas convicções, deixando todo o seu procedimento às claras (situação verificável no caso em questão). Nessa hipótese, não há tentativa de enganar quem quer que seja. O que pode haver é erro manifesto no cumprimento de parte das obrigações acessórias em que nada impede o Fisco de auditar os fatos ocorridos. Algo que não tem qualquer relação com sonegação, fraude ou conluio, afastando a possibilidade de ser imputada a multa qualificada até por força do disposto no artigo 112 do CTN . (...) De fato, no caso de BRTPART, sequer alegou a d. autoridade autuante tivesse havido qualquer falsidade nas DIPJs apresentadas. Ademais, a DIPJ do ano base 2007, exercício 2008, indica no seu quadro de acionistas o ABN MONTEVIDÉU e o CITIBANK CAYMAN (doc.34 ficha 50, itens 4 e 8 – fls. 623/624). A DIPJ do anobase 2008, exercício 2009, continua a mencionar o ABN MONTEVIDÉU dentre seus sócios como, de fato o era. De outro lado, deixa de indicar o CITI CAYMAN dentre os acionistas passando a citar entidade do Citibank nos Estados Unidos da América como nova investidora. Embora a descrição correta fosse do CITI DELAWARE Citigroup Venture Capital International Brazil, LLC o nome do sócio indicado foi "CITIBANK N.A. ADR DEPARTAMENT" (doc. 35 ficha 50, itens 1 e 6 – fls. 673/674). Independentemente da imprecisão na denominação do investidor norte americano, fato é que, em relação à BRTPART, sequer foi (como não poderia ser) cogitada qualquer tentativa de se prestar declaração equivocada ao Fisco. O ABN MONTEVIDEU, seja em 2007, seja em 2008, figurava como acionista, tendo deixado de sêlo somente com a venda à COPART, concretizada em janeiro/2009. No que se refere ao CITIBANK CAYMAN, a sua menção na condição de acionista foi mantida enquanto figurou no quadro de investidores. Tão logo substituído, houve a atualização do quadro social, que passou a indicar o ente norteamericano no seu lugar. Em suma, fica nítido que, em relação à BRTPART, não há nem mesmo por parte da fiscalização a acusação de que teria havido a prestação de informação falsa, do que resulta inequívoca a impossibilidade de serem as operações a ela atinentes atingidas pela multa agravada. De outro lado, mesmo no que respeita à DIPJ da INVITEL do anocalendárío de 2008 (único documento que o d. fiscal autuante alega ter contido informação falsa), não houve qualquer falsidade, mas, quando muito, mero erro material distinto daquele apontado pelo sr. fiscal e insuficiente a caracterizar o intuito fraudulento (cópia já integrante dos autos do processo). No que se refere ao CITI DELAWARE, tanto a jurisdição (EUA) quanto o nome do acionista indicados na DIPJ estão corretos, pelas razões antes expostas. Apenas constou, por mero erro material, a referência a "Citigroup Venture Capital International Brazil LP" (entidade de Cayman destaque não original), quando deveria ter constado "Citigroup Venture Capital International Brazil LLC" (entidade de Delaware – destaque não original). O erro se justifica na medida em que ambos possuem a mesma denominação Fl. 851DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 835 35 principal ("Citigroup Venture Capital International Brazil"), diferenciandose apenas na sigla do respectivo tipo societário. O primeiro (Cayman) é identificado como LP Limited Partnership e, o segundo (Delaware), como LLC Limited Liability Corporation. Portanto, não houve indicação errônea da jurisdição, como alega a fiscalização, mas sim da sigla atinente ao tipo societário do acionista. Ademais, ainda que fosse o acionista efetivamente sediado em Cayman (o que se admite por amor à argumentação), nem assim poderseia cogitar de fraude ou dolo pela mera indicação dos EUA na DIPJ entregue em outubro/2009, nove meses após a ocorrência dos fatos geradores de que se cuida e relativa ao ano calendário anterior (de 2008). Afinal, o que importa para apurar se o IRRF atinente aos fatos geradores ocorridos em janeiro/2009 foi corretamente apurado e recolhido é saber quais eram, naquela data, os acionistas / vendedores da INVITEL, reais beneficiários dos pagamentos havidos, que poderiam ou não coincidir com os acionistas existentes em 31/12/2008! O mesmo se diga em relação ao OPPORTUNITY FUND, em que simplesmente deixouse de atualizar a mudança na titularidade das ações, sem qualquer intuito doloso ou fraudulento. De fato, foram erroneamente indicados como acionista o OPPORTUNITY FUND (e não o IMI) e como jurisdição o Brasil (ao invés da Holanda), por mero erro material e plenamente justificável porque, em 31/12/2008, outras entidades do grupo Opportunity, sobretudo fundos de investimentos constituídos e regrados pelas normas brasileiras, ainda possuíam ações da INVITEL (além de ter sido o OPPORTUNITY FUND indicado conjuntamente com o seu investidor, o Banco Opportunity, este sim residente no País). (...) A par do exposto, como também exaustivamente demonstrado, CITI CAYMAN, CITI DELAWARE, OPPORTUNITY FUND, IMI CREDIT SUISSE, COPART (sucedida pela ora Impugnante) e todos os demais envolvidos agiram de acordo com a legislação e, antes de qualquer procedimento fiscal, levaram ao conhecimento das autoridades definidas pela legislação (ANATEL, CVM e CADE) os atos que seriam praticados com a descrição completa de todos os fatos envolvidos na transferência de controle de BRTELECOM para o grupo Telemar. Além disso, todos os atos praticados foram regularmente formalizados e produziram suas naturais conseqüências jurídicas tanto no País quanto no exterior. Foram registrados, auditados por profissionais competentes e amplamente divulgados perante não só os órgãos cabíveis, mas também o mercado de capitais como um todo, por envolver sociedades com ações negociadas em bolsa de valores (BRTPART e BRTELECOM). O trabalho envolveu a ANATEL, a CVM, a BO VESPA, o CADE e as Juntas Comerciais dos Estados em que sediadas, a par da Receita Federal. Se tanto não bastasse, o contrato firmado em 25.04.2008 continha cláusulas expressas admitindo a possibilidade de CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND cederem suas participações. No que se refere à primeira, havia até mesmo menção do potencial cessionário e do ato da CVM que autorizaria a operação. Ambas as transmissões de realizadas previamente à COPART foram feitas em vista de autorizações concedidas pela CVM, nas quais se indica em detalhes as Fl. 852DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 36 figuras dos cedentes e cessionários. As transferências foram levadas ao conhecimento do agente custodiante, de modo a atender a todas as condições necessárias à sua execução. Ora, se houvesse de fato a intenção de esconder os reais alienantes, é de se supor que a previsão de cessão não seria mencionada no contrato. Pela mesma razão, também não seria solicitada autorização à CVM para realizála. Ademais, não haveria o envio de OTAs ao ITAÚ para que procedesse à implementação de transmissão da propriedade. (...) Portanto, em qualquer hipótese deve ser cancelada a multa de 150%, indevidamente aplicada no caso concreto, pois não se verificaram os pressupostos que a justificariam diante da natureza, da clareza e publicidade dos procedimentos adotados pela sucedida pela Impugnante, em especial, a menção no contrato acerca da cessão e a publicidade que lhe foi dada com os requerimentos feitos à CVM, sendo os aspectos pela fiscalização meros equívocos de preenchimento, restritos à DIPJ da INVITEL. 3. Conclusão e pedido. Por todo o exposto, não há como prevalecer o auto de infração ora impugnado. Assim, demonstrado o descabimento da inteireza das alegações fiscais, requer a Impugnante seja integralmente cancelada a autuação de que se cuida ou, quando menos, afastada a multa imposta, cancelandose, em qualquer hipótese, a descabida multa agravada de 150%.” É O RELATÓRIO. (destaques do original) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou procedente em parte a impugnação, mantendo a exigência relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF e reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%. A decisão foi consubstanciada no Acórdão nº 12056.638, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 IRRF. GANHO DE CAPITAL. EMPRESA BENEFICIÁRIA DOMICILIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada em país com tributação favorecida sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). MULTA DE OFÍCIO DE 150%. AGRAVAMENTO MOTIVADO PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA NA DIPJ. INTUITO DE FRAUDE NÃO COMPROVADO. O intuito de fraude que justifica a aplicação da multa qualificada deve ser cabalmente demonstrado pelo Fisco. Havendo fortes motivos para crer que o sujeito passivo cometeu um simples equívoco no preenchimento da declaração, afastase o agravamento da penalidade. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 836 37 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a imputação da multa de ofício à incorporadora, por infração cometida pela incorporada, quando provado que as ambas as sociedades estavam sob controle comum. Tendo em vista a exoneração de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), houve recurso de ofício ao CARF, conforme art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72, e art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008. Cientificada da decisão em 10/07/2013, por via postal (A.R. à fl. 748), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/08/2016 (fls. 751/777), no qual repisa as alegações da impugnação, exceto quanto à imputação da multa de ofício e à sua qualificação, sobre as quais não se manifestou. A Recorrente combate a decisão de primeira instância acrescentando os seguintes argumentos, em suma: A decisão da DRJ afastou a acusação que serviu de fundamento ao lançamento, no sentido de que CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND seriam os proprietários de INVITEL e BRTPART. Porém, manteve a exigência fiscal a partir de argumentação distinta, no sentido de que os efeitos do negócio retroagiriam à data em que celebrado, pelo implemento da condição suspensiva, fazendo com que a cessão não tivesse eficácia. No entanto, é vedado à autoridade julgadora alterar a motivação da exigência fiscal; segundo o entendimento da decisão de primeiro grau, as transmissões das ações feitas no período em que o negócio de compra e venda estava suspenso perderiam a eficácia com o implemento da condição, de modo que seus efeitos retroagiriam à data de assinatura do acordo, inclusive no que diz respeito às pessoas dos alienantes dos bens. Tal entendimento seria decorrrente de uma interpretação conjunta dos artigos 125 e 126 do Código Civil. Todavia, essa questão jamais foi levantada pela Fiscalização no lançamento de ofício; a atuação da autoridade julgadora além dos limites da verificação da procedência ou improcedência do crédito tributário configura ato ilegal, a justificar o cancelamento da exigência, por desvio de finalidade e violação ao artigo 146 do CTN. Cita decisões do CARF; diferentemente do entendimento do acórdão recorrido, o implemento da condição não faz com que os efeitos do ato sejam retroativos à data de assinatura do contrato de compra e venda, de modo a tornar sem efeito as cessões havidas, posto que as transmissões feitas não estão sujeitas a condição e operaram efeitos imediatos quanto à transmissão da propriedade sobre as ações de INVITEL e BRTPART de CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND para CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU, assim como nos negócios condicionais os efeitos serão exnunc, ou seja, a partir da aquisição do direito, ocorrida como o implemento da condição. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 783 a 807) com a seguinte argumentação, em resumo: Fl. 854DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 38 não há que se falar em nulidade por alteração dos fundamentos da autoridade fiscal pela DRJ, pois ambas entenderam pela incidência do IRRF sobre o Ganho de Capital obtido pelas empresas vendedoras CITYGROUP VENTURE INTERNACIONAL BRAZIL, LP E OPPORTUNITY FUND; a questão da "eficácia suspensa do contrato de compra e venda datado de 25/04/2008", foi trazida pela própria Recorrente em sua impugnação ao auto de infração, razão pela qual o órgão julgador (DRJ), em respeito aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da motivação, apreciou os argumentos da impugnante e os afastou, por entender que, em face do efeito retroativo da condição suspensiva, conforme disposto no art. 126 do Código Civil brasileiro de 2002 (CC/2002), os proprietários continuavam sendo as empresas CITYGROUP VENTURE INTERNACIONAL BRAZIL, LP E OPPORTUNITY FUND; da simples leitura da redação do art. 126 do CC/2002 é evidente o efeito retroativo da condição suspensiva na hipótese do negócio jurídico dispor de uma coisa sob condição suspensiva, e, na pendência desta, fizerse novas disposições incompatíveis com a primeira, o que ensejará a nulidade da última disposição, por expressa disposição legal; o referido art. 126 possui idêntica redação do art. 122 do antigo CC/1916, cujo autor, o eminente jurista cearense Clóvis Beviláqua, confirma esse entendimento; o atual Código Civil brasileiro de 2002 (art. 126), tal qual o antigo Código de 1916 (art. 122), o Código francês (art. 1.179), o Código espanhol (art. 1.120), o Código italiano (art. 1.360), e o Código português (art. 276), determina a destruição dos efeitos das novas disposições incompatíveis com o ato originário de dispor sob condição suspensiva; no mesmo sentido entendem os doutrinadores Nestor Duarte, Washington de Barros Monteiro, Paulo Lobo, Maria Helena Diniz, Silvio de Salvo Venosa, Silvio Rodrigues e Pontes de Miranda; a DRJ decidiu exatamente na linha do contido no art. 126 do CC/2002 e na robusta doutrina acima colacionada; não há dúvida de que o ato de ceder/transferir as ações pra terceiros é totalmente incompatível com o contrato de compra e venda pactuado originariamente; No caso presente, CITYGROUP VENTURE INTERNACIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND venderam suas ações para COPART, sob condição suspensiva, mas na pendência desta cederam/transferiram suas ações para CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU. Porém, sendo o ato de ceder/transferir incompatível com venda realizada, uma vez ocorrido o implemento da condição, nula será a cessão/transferência, por expressa disposição legal contida no art. 126 do CC/2002; não pode a Recorrente querer opor ao Fisco uma cessão/transferência absolutamente nula e ineficaz à luz do direito civil brasileiro, com a intenção de modificar os reais vendedores das ações objeto do contrato de compra e venda com condição suspensiva, com a consequente minoração da alíquota do IRRF; as transações ocorreram com cláusula de solidariedade e entre controladoras situadas em paraíso fiscal e controladas não situadas em paraíso fiscal, através de reorganização societária (fls. 548/550), o que, além de afastar a boa fé dos cessionários, trouxe uma vantagem tributária ao procurar reduzir a alíquota do IRRF de 25% para 15%; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 837 39 quanto ao argumento da Recorrente sobre a existência de ordens de transferência, cheque, TED's e DARF's em nome de CITI DELAWARE, IMI e a ABN MONTEVIDÉU, tais documentos apenas comprovam que a Recorrente pagou mal, porquanto não identificou de forma correta os verdadeiros vendedores das ações; a alíquota aplicável à tributação do ganho de capital é de 25% quando o beneficiário for residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, conforme Solução de Consulta 177, da DISIT/SRRF/7ªRF, de 31/12/2008, assim como entendimento predominante do CARF (cita julgados). Ao final, a PFN requer seja negado provimento ao Recurso Voluntário, não se pronunciando sobre o Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de processo de exigência fiscal em face da Contribuinte acima identificada, por meio de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF , no valor de R$ 123.655.197,16, acrescido de multa de 150% e juros de mora, calculados até 02/2013, perfazendo o total de R$ 356.905.995,56 (fls. 235/240). O lançamento é decorrente de insuficiência de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre ganho de capital obtido no anocalendário de 2009 pelas empresas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND, as quais são domiciliadas em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), tendo sido cometida infração ao art. 47 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu provimento parcial à impugnação, para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. Tendo em vista que o total do crédito exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. A autoridade fiscal qualificou a multa de ofício alegando a existência de fraude e conluio, nos termos dos artigos 72 e 73 da lei nº 4.502/64. Afirma a Fiscalização que a Contribuinte tinha pleno conhecimento de que as empresas vendedoras CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND eram domiciliadas em paraíso fiscal, pois isso constava do Contrato de Compra e Venda das ações de emissão da empresa INVITEL S/A, celebrado em 25/04/2008, e o pagamento do IRRF ocorreu em 08/01/2009. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 40 A Fiscalização ressalta que a Contribuinte, já na condição de sucessora da empresa INVITEL S/A, prestara uma informação falsa na ficha 50 da DIPJ/2009 daquela companhia (fl. 198), induzindo o Fisco a acreditar que os acionistas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND não seriam domiciliados em paraíso fiscal, mas sim nos Estados Unidos e Brasil, respectivamente. Entendeu a Fiscalização que a informação falsa na DIPJ da INVITEL S/A teve como objetivo respaldar a aplicação indevida da alíquota de 15% no cálculo do IRRF, ao invés da alíquota de 25%, que seria a correta pelo fato de as empresas vendedoras serem domiciliadas em paraíso fiscal (Ilhas Cayman). Com o devido respeito ao entendimento da autoridade fiscal, penso que não merece prosperar a sua tese de que ocorreu fraude e conluio, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, adoto o entendimento exposto na decisão de primeira instância de que não restou suficientemente caracterizada a intenção de fraude ou conluio. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do cálculo final do IRRF, mediante a aplicação de alíquota inferior. No entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim definem: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 857DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 838 41 montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte acerca da aplicação da alíquota de 15%, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a prestação dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal, além do que os atos praticados foram regularmente formalizados, registrados e divulgados aos órgãos responsáveis. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício, devendo ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, conforme decidiu a DRJ. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente. DELIMITAÇÃO DA LIDE Observase que em sua impugnação a Contribuinte alegou que a multa de ofício não lhe poderia ter sido aplicada, na condição de sucessora da empresa COPART 1 PARTICIPAÇÕES S/A, pois tal imputação seria vedada pelo art. 132, caput, do CTN. A decisão da DRJ manteve a aplicação da multa de ofício aplicando ao caso o entendimento pacificado na Súmula CARF nº 47: “Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico” (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010, publicada no D.O.U. de 23/12/2010). Fl. 858DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 42 Cabe aqui ressaltar que, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente não se insurgiu sobre a aplicação da multa de ofício aplicada à sucessora, de modo que essa matéria encontrase fora do litígio, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Portanto, resta a controvérsia sobre a insuficiência de recolhimento de Imposto sobre Renda na Fonte (IRRF) incidente sobre ganho de capital obtido no ano calendário de 2009, pela venda das ações de emissão das empresas Invitel e Brasil Telecom Participações. DAS ALTERAÇÕES DAS MOTIVAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inicialmente, a Recorrente alega que a decisão da DRJ afastou a acusação que serviu de fundamento ao lançamento, no sentido de que CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND seriam os proprietários de INVITEL e BRTPART, mas manteve a exigência fiscal a partir de argumentação distinta, no sentido de que os efeitos do negócio retroagiriam à data em que celebrado, pelo implemento da condição suspensiva, fazendo com que a cessão não tivesse eficácia. Aduz que, conforme o entendimento da decisão de primeiro grau, as transmissões das ações feitas no período em que o negócio de compra e venda estava suspenso perderiam a eficácia com o implemento da condição, de modo que seus efeitos retroagiriam à data de assinatura do acordo, inclusive no que diz respeito às pessoas dos alienantes dos bens. Afirma que, entretanto, essa questão jamais foi levantada pela Fiscalização no lançamento de ofício. De acordo com a Recorrente, a atuação da autoridade julgadora além dos limites da verificação da procedência ou improcedência do crédito tributário configura ato ilegal, o que implica o cancelamento da exigência, por desvio de finalidade e violação ao artigo 146 do CTN. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto, pois o lançamento é relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na fonte incidente sobre ganho de capital obtido no ano calendário de 2009, pela venda das ações de emissão das empresas Invitel e Brasil Telecom Participações, e teve como fundamento o artigo 47 da Lei n° 10.833/2003, cuja aplicação foi mantida pela decisão recorrida, conforme excerto do voto vencedor, abaixo: Convencido, enfim, de que o ganho de capital obtido na venda das ações foi obtido pela EMPRESA "B" (designação dada, em nossa representação esquemática, às sociedades CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND, ambas domiciliadas nas Ilhas Cayman), julgo procedente a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF à alíquota de 25%, com base no art. 47 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. A questão da eficácia suspensa do contrato de compra e venda com o implemento da condição foi trazida pela Recorrente em sua impugnação, visando contestar o lançamento. A sua utilização pela decisão recorrida foi com vistas a rebater os argumentos trazidos pela Recorrente. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 839 43 Sustentava a Contribuinte, em sua impugnação, que o contrato de compra e venda tinha sua eficácia suspensa, dependente de mudanças na legislação do setor de telecomunicações e da aprovação da transação pela ANATEL, que se deu em 19/12/2008. Defendia que durante tal prazo as disposições essenciais à compra e venda (transferência do domínio das ações e pagamento do preço) tiveram sua eficácia suspensa, pois as mudanças constituíam condições suspensivas à produção dos efeitos do negócio. A decisão de primeira instância então apreciou os argumentos da Impugnante, em respeito aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da motivação, e os rechaçou com base no entendimento de que, em virtude do efeito retroativo da condição suspensiva, conforme disposto no art. 126 do Código Civil brasileiro de 2002 (CC/2002), os proprietários continuaram sendo as empresas CITYGROUP VENTURE INTERNACIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND. Portanto, não houve nenhuma inovação na decisão da DRJ. A inovação somente ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma. No presente caso, não ocorreu inovação, pois a decisão da DRJ não alterou o fundamento jurídico (artigo 47 da Lei n° 10.833/2003), nem alterou os fatos que deram ensejo à subsunção (ganho de capital obtido pelas empresas vendedoras CITYGROUP VENTURE INTERNACIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND). Na realidade, a decisão apenas refutou os argumentos apresentados pela Contribuinte em sua impugnação no sentido de que eram outros os proprietários das referidas ações, quando do implemento da condição, em face da cessão/transferência na pendência da condição suspensiva, tendo concluído a DRJ pela procedência do lançamento de ofício, em relação à exigência a cobrança do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF à alíquota de 25%, com base no art. 47 da Lei nº 10.833/2003. Caso se entendesse pela existência de inovação no caso, terseia que entender que os julgadores estão sempre limitados a fundamentar seu voto apenas com os argumentos contidos no lançamento, o que iria contrariar o princípio do livre convencimento motivado e, sobretudo, impediria a contraposição dos argumentos da Recorrente. Dessa forma, não procedem as alegações da Recorrente nesse tema. MÉRITO A controvérsia reside em saber qual a alíquota do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF é aplicável ao presente caso (15% ou 25%), tendo em vista o ganho de capital obtido no anocalendário de 2009, pela venda das ações de emissão da empresa Invitel e Brasil Telecom Participações à empresa COPART 1 Participações S/A, incorporada pela Oi S/A, ora Recorrente. Sustenta a Fiscalização e a decisão de primeira instância que as vendedoras das referidas ações eram as empresas CITYGROUP VENTURE INTERNACIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND, sediadas em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), o que ensejou a aplicação da alíquota de 25%, com fundamento no art. 47 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 44 Por sua vez, a Recorrente defende que na realidade os verdadeiros proprietários das ações da INVITEL e Brasil Telecom Participações, no momento da ocorrência do fato gerador do IRRF, eram as empresas CITI DELAWARE, IMI e ABN MONTEVIDÉU, pois na pendência da condição suspensiva houve a cessão/transferência das ações conforme previsto no contrato e com a concordância e notificação da compradora COPART, incorporada posteriormente pela Recorrente. Como tais empresas não eram sediadas em paraísos fiscais, a alíquota aplicável seria de 15%. Sobre a questão dos elementos acidentais dos negócios jurídicos, mais especificamente em relação à condição, assim dispõe o Código Civil brasileiro de 2002: Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III as condições incompreensíveis ou contraditórias. Art. 124. Têmse por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. Art. 125. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. (destaquei) Vale salientar que a redação do art. 126 do Código Civil de 2002 possui idêntica redação do art. 122 do antigo Código Civil de 1916. Observase que a norma estabelece que, na pendência de uma condição suspensiva, não se pode fazer novas disposições que com ela sejam incompatíveis, sob pena de não terem valor, o que decorre do princípio da retroatividade das condições. Por disposição entendese a alienação, a cessão, a constituição de direitos reais etc. Conforme sustentado pela PFN em suas contrarrazões, com base em abalizada doutrina, o ato de ceder/transferir as ações para terceiros é incompatível com o contrato de compra e venda pactuado originariamente. Aplicase nesse caso a retroatividade da condição suspensiva, uma vez que envolveu a disposição da coisa, conforme art. 126 do CC/2002. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 840 45 Peço vênia para transcrever alguns trechos da doutrina trazidos pela PFN, os quais reforçam meu entendimento no sentido de que não pode a Contribuinte querer opor ao Fisco os efeitos de cessões/transferências ineficazes do ponto de vista do direito civil brasileiro, notadamente para fazer valer as suas consequências na diminuição da alíquota do imposto aplicável. Conforme Washington de Barros Monteiro (Curso de Direito Civil, Parte Geral, 44ª ed., Saraiva, 2012, p. 301303): "No segundo estado (conditio existit), verificada a condição, o direito passa de eventual a adquirido e o negócio jurídico adquire eficácia, como se desde o início fora puro e simples, não condicional. E o que se denomina efeito retroativo das condições, o qual, todavia, como e óbvio, não afeta direitos de terceiros, nem modifica a percepção de frutos. (... ) Por fim, edita o art. 126 do Código de 2002 que, "se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis". Inconciliável a nova disposição com a cláusula suspensiva, é aquela, e não esta, que cede o passo; tratase de outra aplicação do princípio da retroatividade das condições. A propósito desse princípio, dois sistemas existem, situados em posições antagônicas: o francês e o alemão. O primeiro consagra e o segundo repele o princípio da retroatividade. Em que consiste esse problema, que tantas controvérsias suscitou? A resposta é simples: pelo primeiro sistema, uma vez verificada a condição na relação condicional, seus efeitos remontam, ex post facto, ao instante em que se concluiu o negócio jurídico (conditio retrotrahitur ab initio negotii). É o sistema do Código de Napoleão (art. 1.179), do Código Civil italiano (art. 1.360) e do Código Civil português (art. 276). De acordo com ele, o efeito retroativo corresponde à vontade presumida das partes. Só por convenção expressa se pode arredar essa presunção. Por esse sistema, o adquirente de uma propriedade, sob condição suspensiva, só se torna proprietário na aparência com o implemento respectivo; na realidade, porém, mercê do aludido efeito retroativo, ele vem a tornarse proprietário desde o dia do contrato, desde a celebração do negócio jurídico. Em ponto diametralmente oposto colocase o sistema alemão, que, de modo peremptório, impugna o princípio da retroatividade. Afirmam seus partidários que esta não se concilia com o fato da invalidade do contrato condicional cujo objeto venha a perecer antes da realizada a condição, nem explica a realização fictícia desta, quando impedida pelo próprio interessado (art. 129 da lei civil de 2002). Fl. 862DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 46 Reconhecem os adeptos desse segundo sistema, abraçados pelos Codigos Civis alemão (art. 158) e suíço (art. 171), que às partes compete regular a questão em todos os seus aspectos, de modo que necessária não se torne a discussão dos fatos surgidos pendente conditione. Com relação ma terceiros, os negócios estabelecidos no período condicional reputamse fundados no principio de que o proprietário não pode dispor de mais direitos do que efetivamente tem (memo dat quod non habet), de sorte que, sendo resolúvel seu direito, a respectiva transferência só se processa com esse atributo. Acreditamos, com Dusi, que a retroatividade da condição permanece como a maneira mais simples e natural para esclarecer este fato singular: apenas realizada a condição, o nascimento da relação jurídica, para efeitos mais importantes, retrotrai até o momento em que se conclui o negócio. Caem assim os direitos constituídos pendente conditione, valendo apenas os atos de administração, bem como os de percepção dos frutos, segundo regras do Código Civil." (destaquei) Na lição de Silvio Rodrigues (Direito Civil, Parte Geral, Volume I, 34ª ed., Saraiva, 2003, p. 254255): Entendo que, no Brasil, tendo a lei silenciado sobre os efeitos porventura retroativos da condição, esta, genericamente, não retroage. A retroatividade dos efeitos do ato jurídico constitui, a meu ver, exceção a regra da nãoretroatividade, de sorte que, para retroagirem os efeitos de qualquer disposição contratual, mister se faz que haja lei expressa em tal sentido, ou convenção entre as partes. Caso contrário, isto é, se nada se estipulou e a lei e silente, os efeitos da condição só operam a partir de seu advento. No direito brasileiro, o legislador, em alguns casos, abre exceção a regra da nãoretroatividade da condição. Assim, no art. 126 do Código Civil prescreve que os atos de disposição, efetuados durante a pendência da condição suspensiva, perdem sua eficácia se esta, posteriormente, advir (CC de 1916, art. 122) (destaquei) Pontes de Miranda assim se pronunciou sobre a matéria (Tratado de Direito Privado, Parte Geral, Tomo V, 2ª ed. Editor Borsoi, 1995, p. 79199): "§ 547. Eficácia dos atos pendente a condição suspensiva 1. PENDENTE A CONDIÇÃO. Sempre que o efeito jurídico não se produz desde logo, mas apenas resulta do direito expectativo já existente pendente condicione, irradiase ele, realizada a condição, ainda que não mais viva o que dispôs, ou tenha caído em incapacidade, ou tenha perdido o poder de dispor, ou tenha alienado a outro a coisa. O que dispôs sob condição suspensiva fica em situação idêntica à do que é titular sob condição resolutiva. Se a condição se realiza, o direito expectativo daquele que dependia da condição se faz direito pleno e o que ainda era titular perde o seu. Por isso mesmo, a execução forçada e o concurso de credores do outorgante não atingem o direito expectativo do outorgado. Daí a regra jurídica do art. 122:" Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto aquela novas Fl. 863DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 841 47 disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis". Noutros termos, Se alguém dispôs suspensivamente, qualquer disposição sobre o mesmo objeto só é eficaz, realizada a condição, se não é incompatível com direito pleno nascido ao outorgado. O art. 122 somente se refere a disposições e, por analogia, a execuções forçadas, arrestos, sequestros e outras medidas constritivas, cautelares ou não, e não às obrigações (L. ENNECCERUS, Lehrbuch, I, 39* Ed., § 185, nota 2). Tratase de restrição à disposição ou atos de segurança; a ineficácia dos atos posteriores é absoluta, e não relativa. O direito expectativo é esteado pela natureza formal e negativa da condição suspensiva (F. HEITSCH, Die Verfugungsbeschrankung des § 161 BGB, 12). 2. CONTEÚDO DO ART. 122. A subtração que o direito expectativo faz a propriedade é tal, que E. I. BKKER (System, II, 340) chegou a dizer, exagerando, que, pendente codicione, ninguém é dono exclusivo (Keiner is Alleinherr). A condição, com o art. 122, de certo modo agarra o bem, impedindo que terceiros adquiram direitos colidentes com o do adquirente sob condição suspensiva (E. BOTHE, Begriff, Zweck und Wirkung der Bedingumgen, 37). Se o alienante foi condenado a declaração de vontade que importe em algo incompatível com o direito expectativo do que adquiriu sob condição suspensiva, não tem a sentença eficácia, que se entenda emprestar à sentença, inclusive perante registro. Também é ineficaz contra ele a sentença que condene o alienante a transferir a terceiro a propriedade, ou a posse (cp. E. SCHULZ, Begriff der Verfugung, 38). O adquirente, que caso sofra com a eficácia da sentença, tem pretensão obrigacional contra o alienante, além da ação real (H. BOLTEN, Uber Begriff, Wesen und rechtliche Behandlung der aufschiebenden Bedingung, 94). O outorgado tem, durante a pendência da condição suspensiva, legitimação para defesa do seu direito expectativo. (destaquei) Conforme bem decidiu a DRJ, o fato de a empresa compradora haver efetuado o pagamento diretamente à empresa cessionária não confere a esta última, de forma alguma, a condição jurídica de vendedora das ações. Se a cedente abriu mão de receber, ela própria, o pagamento que lhe caberia na posição de alienante das ações, tal decisão encontrase na sua esfera de disponibilidade, não ficando alterados, com isso, os elementos essenciais do negócio condicional. Ressaltese no caso em comento que havia previsão contratual de solidariedade entre as controladoras domiciliadas em paraísos fiscais e as controladas não domiciliadas em paraísos fiscais, conforme se observa pelas cláusulas 1.6.1; item(ii) e 1.7; item (iii), do contrato firmado em 25/04/2008. Dessa forma, constatase que as empresas CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND venderam suas ações da INVITEL e Brasil Telecom Participações para a COPART, sob condição suspensiva, todavia na pendência dessa cederam/transferiram essas ações para as empresas CITI DELAWARE e ABN MONTEVIDÉU. No entanto, esse ato de cessão/transferência é nulo, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 48 posto que incompatível com a venda ocorrida, pelo implemento da condição, conforme disposto no art. 126 do Código Civil de 2002. Os efeitos do implemento da condição, nesse caso, retroagem até a data em que foi firmado o Contrato de Compra e Venda de Ações entre a empresa compradora, COPART 1 Participações S/A, e as empresas vendedoras, quais sejam, CITIGROUP VENTURE CAPITAL INTERNATIONAL BRAZIL, LP e OPPORTUNITY FUND. Portanto, estando as empresas vendedoras domiciliadas em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), a alíquota aplicável do IRRF é de 25%, com fundamento no art. 47 da Lei nº 10.833/2003. A Recorrente também alega que, ainda que os alienantes fossem CITI CAYMAN e OPPORTUNITY FUND, seria aplicável o regime cabível às operações praticadas por residentes, as quais também sujeitam os ganhos de que se cuida ao IRRF à alíquota de 15%, com base no art. 7º da lei nº 9.959/00, reproduzido no art. 43 da IN nº 25/01. Sobre a matéria temos que a fundamentação legal do lançamento de ofício foi o art. 47 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que assim disciplina: Art. 47. Sem prejuízo do disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 7º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, o ganho de capital decorrente de operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, a que se refere o art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). A Instrução Normativa IN RFB nº 407/2004 dispõe o seguinte: Art. 1º Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, à alíquota de quinze por cento, os ganhos de capital auferidos no País, por pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que alienarem bens localizados no Brasil. Parágrafo único. O responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda de que trata o caput será: I o adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil; ou II o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior. Art. 2º O ganho de que trata o art. 1º, decorrente de operação em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). § 1º Para efeito deste artigo, considerase país com tributação favorecida aquele que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota inferior a vinte por cento. § 2º O disposto no caput não se aplica aos rendimentos de aplicações financeiras e aos ganhos em renda variável de que trata o art. 81 da Lei nº 8.981, de 29 de janeiro de 1995, que se sujeitam às mesmas regras estabelecidas para os residentes e domiciliados no País. (destaquei) Fl. 865DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16682.721202/201249 Acórdão n.º 2202003.452 S2C2T2 Fl. 842 49 Não se pode também desconsiderar a Solução de Consulta nº 177, da DISIT/SRRF/7ª RF, de 31/12/2008: GANHO DE CAPITAL. ALÍQUOTA. BENEFICIÁRIO DOMICILIADO NO EXTERIOR. A alíquota do IRRF aplicável sobre o ganho de capital auferido, na alienação de bem localizado no Brasil, por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, sujeitase à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto quando o beneficiário for residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, caso em que se aplicará a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), conforme definido em disposição literal de lei. Dispositivos Legais: Decreto n° 70.235, de 1972, art. 52, I, c/c o art. 46, IN RFB n° 740, de 2007, art. 15, VII e IX. Lei n° 10.833, de 2003, art. 47; Decreto n° 3.000, de 1999, art. 685; IN SRF n° 208, de2002, art. 27; IN SRF n° 407, de 2004, arts. 1° e 2°. Reproduzo abaixo os fundamentos utilizados na referida Solução de Consulta, com os quais concordo e adoto também como razões de decidir: O art. 685, caput c/c o inciso I, “b”, do Decreto nº 3.000, de 1999, dispõe que o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos creditados, entregues, empregados ou remetidos a pessoa física ou jurídica residente no exterior, está sujeito à incidência na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), quando não tiver tributação específica no Capítulo. Ocorre que o inciso II, “b”, desse mesmo artigo, altera a referida alíquota para 25% (vinte e cinco por cento) quando os rendimentos forem decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento. Neste ponto, observase que não prospera o argumento da consulente sobre o aumento dessa alíquota do imposto de renda não se aplicar ao ganho de capital, tendo como base legal o fato de o art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mencionar apenas rendimentos. Para esclarecer a questão, deve se atentar ao art. 47 da Lei nº 10.833, de 2003, que determina que o ganho de capital decorrente de operação em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida, a que se refere o art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). A IN SRF nº 407, de 2004, ao disciplinar a retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior, também dispõe que a alíquota aplicável ao caso em questão é de 15% (art.1º) ou de 25%, neste último caso quando o beneficiário for residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida (art. 2º). Fl. 866DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 50 Portanto, claro está que a alíquota majorada (25%) também pode ser aplicada ao ganho de capital auferido por residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida. Desse modo, entendo que não prosperam as alegações da Recorrente, devendo ser mantida a alíquota de 25% aplicada no lançamento de ofício do IRRF. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 867DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13910.000107/2003-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO Quando o Acórdão não enfrenta todas as questões suscitadas os Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Nos casos em que a omissão não resulta alteração do entendimento, deve ser mantida a decisão anterior.
Numero da decisão: 9101-001.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO Quando o Acórdão não enfrenta todas as questões suscitadas os Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Nos casos em que a omissão não resulta alteração do entendimento, deve ser mantida a decisão anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. SUSY GOMES HOFFMANN Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 01 07 /2 00 3- 98 2 Relatório Trata o presente de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte (fls. 1.890 e seguintes), em que se alega obscuridades/contradições do V. Acórdão nº 9101.00.590 (fls. 1.844 e seguintes) proferido por esta Câmara. Esta Colenda Turma, por unanimidade de votos, ao julgar Recurso Especial interposto pela douta Procuradoria com esteio no Artigo 7, I, do Regulamento Interno do CARF com a redação vigente à época (i.e recurso privativo do Procurador contra decisão não unânime quando esta for contrária à lei ou à evidência da prova), restabeleceu a glosa de despesas da Contribuinte com prestação de serviços pagos a beneficiários no exterior e no Brasil. O Nobre Embargante afirma que: I. o Acórdão ora embargado padece das seguintes omissões, no que tange sua fundamentação: 1. “Quanto à admissão do Recurso Especial, a PFGN apenas alegou, mas não demonstrou, qual teria sido a contrariedade à evidência de prova.” 2. “quando do julgamento do RESP, houve COMPLETA omissão sobre a verdade material e as provas documentais, além de confusão sobre os fatos da causa.” 3. “No V. Acórdão houve omissão sobre o tempo em que os fatos ocorreram”. 4. “Houve, ainda, omissão sobre a duplicidade de cobranças”. II. Haveria nulidade processual insanável tendo em vista que: “a pauta de julgamento não foi inserida nem divulgada no sitio do CARF na Internet, nem nos andamentos do processo, nem no local especialmente destinado à sua divulgação, como se vê das anexas impressões.”. Requereu assim, o recebimento e acolhimento dos Embargos de Declaração para, alternativamente, anular o julgamento do RESP, com pedido de novo julgamento; ou a concessão de efeito modificativo aos Embargos para não admitir o RESP, ou, se admitido, sejalhe negado provimento. Em síntese é o relatório. Voto Processo nº 13910.000107/200398 Acórdão n.º 9101001.733 CSRFT1 Fl. 2.487 3 Conheço, em parte, dos Embargos de Declaração apresentados, apenas para reconhecer a omissão em relação à alegação de duplicidade de cobranças. Para as demais alegações fica claro que a Embargante pretende a rediscussão do mérito, o que não é viável por meio de Embargos de Declaração. Ab initio, é de se rechaçar a alegação de nulidade processual (item II acima) em função de virtual não inclusão da pauta de julgamento no sítio do CARF, nem nos andamentos processuais, nem no local especialmente destinado à sua divulgação. Isso, pois, a Pauta de Julgamento é publicada na imprensa oficial e, portanto, para todos os fins legais, é considerada de público e notório conhecimento, desnecessário, portanto, a sua publicação no site do CARF ou nos locais indicados pelo Embargante para a plena higidez dos atos processuais. Passo a analisar as outras alegações (item I, números 1,2,3 e 4 descritos alhures). Verificase no presente caso que o Acórdão nº 9101.00.590 (fls. 1.844 e seguintes) proferido por esta Turma deu provimento ao recurso especial para reestabelecer a glosa das despesas com serviços imposta pela Fiscalização, que havia sido afastada, por maioria de votos, pela decisão de primeira instância. Em síntese, a Fiscalização glosou despesas “relacionadas às empresas Sarrater Comércio, Terraplanagem e Locações de Equipamentos Ltda. e Gennaro Gestão e Investimentos Ltda.”, pagas a título de locação de equipamentos e honorários para sociedades profissionais. Tal julgamento teve a seguinte ementa e resultado abaixo transcritos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: IRPJ. DEDUÇÃO DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE, NECESSIDADE E USUALIDADE. Para deduzir despesas de seu lucro real, a contribuinte deverá comprovar sua efetividade, necessidade do gasto à atividade da empresa e usualidade para desenvolvimento do seu objeto social, sob pena de serem glosados os valores correspondentes. A escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, mas somente se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ora, não há obscuridade e/ou contradição a ser sanada no presente julgamento. Senão vejase. 4 Em relação aos item 1 – “Quanto à admissão do Recurso Especial, a PFGN apenas alegou, mas não demonstrou, qual teria sido a contrariedade à evidência de prova.” – a justificativa apresentada pela Embargante, abaixo consignada, não merece prosperar: “Quanto à admissão do Recurso Especial, a PFGN apenas alegou, mas não demonstrou, qual teria sido a contrariedade à evidência de prova. Sobre esse ponto o V. Acórdão ora embargado simplesmente silenciou, afirmando, perfunctoriamente, que o RESP atendeu aos requisitos de admissibilidade fls. 1847 1 linha.” Esta justificativa deixa de considerar que no decorrer do Acórdão Embargado, o ilustre Relator se debruçou sobremaneira e de forma detalhada sobre diversos aspectos probatórios, efetuando o devido cotejo entre as provas dos autos e a decisão da 5ª Câmara, conforme se denota do trecho abaixo transcrito, como exemplo da análise detida feita pelo Ilustre Relator. “Para a dedutibilidade de despesas, portanto, a pessoa jurídica deverá comprovar sua efetividade, necessidade do gasto à atividade da empresa e usualidade para desenvolvimento do seu objeto social. No tocante à BARRATER, a decisão recorrida entendeu que as provas dos autos demonstrariam a dedutibilidade das respectivas despesas. Entendo, contudo, que outra interpretação deve ser dada às mesmas, como segue: 1) a existência do CNPJ do prestador não comprova a efetividade dos serviços, mormente quando a prestadora apresentou declaração de inativa; 2) o fato da empresa ter problemas trabalhistas não demonstra que tenha capacidade operacional para ter prestado os serviços em questão, de locação de equipamentos e veículos pesados; 3) há indícios de que os sócios são interpostas pessoas, a partir de declaração dos próprios; 4) as tentativas de intimações realizadas indicaram que a empresa não funcionava no endereço de sua sede (nem foi indicado outro endereço pela contribuinte); 5) a contribuinte não apresentou qualquer documento que comprovassem a propriedade das maquinas objeto dos serviços de locação que geraram as despesas glosadas; 6) as fotos apresentadas indicam a construção de uma barragem, mas não que a BARRATER fosse locadora dos equipamentos utilizados nas obras; 7) ambos os cheques utilizados para o pagamento foram sacados no caixa, demonstrando atipicidade da transação; e Processo nº 13910.000107/200398 Acórdão n.º 9101001.733 CSRFT1 Fl. 2.488 5 8) apenas uma das notas fiscais teve sua autenticidade comprovada pela gráfica emitente dos respectivos talonários.” (página 8 do Acórdão). Para fins de brevidade, não colaciono todos os trechos em que esta análise é feita pelo Relator, mas é de se ressaltar que conjunto probatório foi profundamente analisado e debatido no processo de formação do entendimento da Colenda Câmara, razão pela qual não merece prosperar a alegação do Embargante. Em relação ao item 2 – “quando do julgamento do RESP, houve COMPLETA omissão sobre a verdade material e as provas documentais, além de confusão sobre os fatos da causa.” pelas mesmas razões supra indicadas, isto é, pelo fato do ilustre Relator ter se debruçado sobremaneira e enfrentado as discussões e efetuado a necessária valoração das provas, entendo incabível a aclaração do Acórdão guerreado. Já no que tange o item 3 “No V. Acórdão houve omissão sobre o tempo em que os fatos ocorreram” – é nítido que este ponto, apenas, não seria relevante para o julgamento. Com efeito, o julgador não está adstrito a destrinchar todos os pontos e argumentos da defesa ou da acusação; ao contrário, ele deve buscar no processo quais elementos bastam para a formação do seu juízo e, com fundamento nestes pontos relevantes, proferir e fundamentar sua decisão, como ocorreu no caso. E em relação ao item 4 “Houve, ainda, omissão sobre a duplicidade de cobranças” reconheço que o v. Acórdão guerreado não atacou este ponto de forma específica. Entendo, entretanto, não haver qualquer modificação a ser feita no Julgado. Isso, pois, o teor do disposto no Art. 9º, § 1º, do Decreto n.70.235/72, se traduz em mera opção para que se proceda à reunião em um único processo os Autos de Infração lavrados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos dependa dos mesmos elementos de prova, conforme abaixo transcrito: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) A norma supracitada surge em função do princípio da economia processual e se traduz em opção para facilitar o controle e tornar mais célere os julgamentos. Logo, a regra geral é a existência de tantos autos de infração e processos quantas forem as infrações, podendo, aritério das autoridades julgadoras, serem reunidos em um mesmo processo, quando e se oportuno. 6 Desta feita, ACOLHO em parte os Embargos de Declaração, somente em relação à omissão a respeito da duplicidade de cobranças (item 4), para suprir a omissão suscitada pela embargante, sem contudo alterar o resultado do julgamento proferido e para ratificar o acórdão n° 910100.590. Brasília, 17 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora
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Numero do processo: 10845.720109/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente SERGIO SOARES DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 09 /2 01 2- 21 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10845.720109/201221 Acórdão n.º 2402005.155 S2C4T2 Fl. 107 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Extraímos os principais aspectos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: "O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento de fl. 04, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2007, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 10.824,01 correspondente a imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora. O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de Ação na Justiça Federal movida contra o INSS, na quantia de R$ 50.779,63 com imposto retido na fonte na quantia de R$ 1.523,39. Em sua impugnação o contribuinte requer a retificação do lançamento alegando, em síntese, que o débito é inexigível, pois os referidos rendimentos correspondem a benefício de aposentadoria por invalidez, gozando da isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88. Para comprovar sua condição de invalidez, junta cópia do laudo médico pericial e sentença extraídos da ação judicial nº 223.02.1999.0019803 da 1ª Vara Cível de Guarujá/SP." A DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que o grau de deficiência visual que o contribuinte possui não lhe dá o direito à isenção tributária. Cientificado da decisão em 17/07/2013, fl. 78, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso, que foi juntado aos autos em 16/08/2013, fl. 79, no qual, em síntese, insiste que sua deficiência dá direito à isenção e pede que a tributação sobre os valores recebidos acumuladamente obedeça os preceitos da Instrução Normativa n.° 1.127/2011. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. IRPF sobre rendimentos acumulados O sujeito passivo se insurgiu contra a forma como foi efetuada a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial. Sustenta que a tributação no mês do seu recebimento e na declaração de ajuste anual, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, fere o princípio da isonomia. Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi vitoriosa a tese constante na divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10845.720109/201221 Acórdão n.º 2402005.155 S2C4T2 Fl. 108 5 de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Portanto, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Essa forma de apuração impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser cancelada a notificação. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10845.720109/201221 Acórdão n.º 2402005.155 S2C4T2 Fl. 109 7 (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Devese, portanto, dar provimento ao recurso voluntário, ressaltandose que deixo de apreciar o outro ponto do recurso, por economia processual. Conclusão Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722955/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE OMISSÃO CONTRADIÇÃO
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, contradição acolhida.
No entanto, a via recursal adotada não é adequada, na parte em que pretende, a renovação de julgamento que ocorreu regularmente.
Numero da decisão: 2301-004.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos embargos no seguinte sentido: (a) não conhecer dos embargos em relação à apontada omissão relativa ao item da territorialidade, e (b) conhecer dos embargos quanto à contradição entre a ementa e dispositivo do acórdão relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR, para, neste item, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Acompanhou o julgamento o Dr. Mario Salles Pereira de Lucena, OAB/RJ 137.630.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
(assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE OMISSÃO CONTRADIÇÃO De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, contradição acolhida. No entanto, a via recursal adotada não é adequada, na parte em que pretende, a renovação de julgamento que ocorreu regularmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos embargos no seguinte sentido: (a) não conhecer dos embargos em relação à apontada omissão relativa ao item da territorialidade, e (b) conhecer dos embargos quanto à contradição entre a ementa e dispositivo do acórdão relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR, para, neste item, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Acompanhou o julgamento o Dr. Mario Salles Pereira de Lucena, OAB/RJ 137.630. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator. (assinado digitalmente) Alice Grecchi - Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE OMISSÃO CONTRADIÇÃO De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, contradição acolhida. No entanto, a via recursal adotada não é adequada, na parte em que pretende, a renovação de julgamento que ocorreu regularmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos embargos no seguinte sentido: (a) não conhecer dos embargos em relação à apontada omissão relativa ao item da territorialidade, e (b) conhecer dos embargos quanto à contradição entre a ementa e dispositivo do acórdão relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR, para, neste item, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Acompanhou o julgamento o Dr. Mario Salles Pereira de Lucena, OAB/RJ 137.630. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 29 55 /2 01 1- 71 Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. (assinado digitalmente) Alice Grecchi Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Amílcar Barca Teixeira Junior. Relatório Em sessão realizada em 18/06/2013, por meio do acórdão nº 2301003.549, esta turma, mas com outra composição, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela ora Embargante. Segundo a parte dispositiva da decisão, os membros do colegiado acordaram o seguinte: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade, excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores; e) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; f) em dar Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA Processo nº 10805.722955/201171 Acórdão n.º 2301004.772 S2C3T1 Fl. 2.192 3 provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Mario Lucena. OAB: 131.630/RJ. No entanto, a Embargante opõe os presentes embargos de declaração, relativamente aos itens (b) e (c) supra, sob o argumento de: (i) omissão quanto ao item da territorialidade, por apenas excluir do lançamento o acordo de PLR homologado pelo sindicato de São Caetano do Sul que abrange os funcionários dessa base territorial sindical, esquecendose de relacionar também os acordos de PLR homologados, nas mesmas condições, com os sindicatos com base territorial sobre os estabelecimentos localizados em São José dos Campos e Campo de Provas de Cruz Alta, Gravataí, Sorocaba e São Paulo/Mogi das Cruzes; (ii) contradição entre a ementa e o dispositivo do acórdão, relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR (o teor da ementa poderia sugerir uma abrangência menor da exclusão da incidência das contribuições previdenciárias que teria sido assegurada pelo julgado). Os presentes embargos foram admitidos pelo presidente da turma em 14/04/2015, havendo sugestão do conselheiro relator para acolhimento da omissão e rejeição da contradição acima apontadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A obscuridade decorre da falta de clareza e precisão da decisão de modo a não permitir a certeza a respeito das decisões resolvidas. A omissão referese à ausência de apreciação de questões relevantes acerca das quais o julgador deveria ter se manifestado, inclusive aquelas que devam ser conhecidas de ofício. A contradição ocorre quando há Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA 4 proposições inconciliáveis entre si ao longo da decisão, de forma que a afirmação de uma significará logicamente a negação da outra. Pois bem. Para facilitar a análise dos supostos pontos com omissão e contradição do acórdão, realizo o confronto, no quadro a seguir, dos seguintes tópicos: (i) a acusação fiscal, (ii) as conclusões expressadas pelo relator em seu voto, (iii) a parte dispositiva do acórdão, elaborada pelo presidente da turma e (iv) os itens embargados: ACUSAÇÃO FISCAL CONCLUSÕES DO RELATOR PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 1) SINDICATO: assinatura de acordo de PLR sem a presença do sindicato da localidade do estabelecimento provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer validade somente do acordo do estabelecimento de São Caetano do Sul provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer validade somente do acordo do estabelecimento de São Caetano do Sul, nos termos do voto do relator. Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral OMISSÃO. Além do acordo relativo ao estabelecimento de São Caetano do Sul, haveria outros na mesma situação, como os acordos referentes aos estabelecimentos localizados em São José dos Campos e Campo de Provas de Cruz Alta, Gravataí, Sorocaba e São Paulo/Mogi das Cruzes; 2) GERENTES: diferenciação indevida da PLR para supervisores, gerentes e diretores provimento integral ao recurso voluntário para excluir lançamento sobre PLR de supervisores, gerentes e diretores do estabelecimento de São Caetano do Sul provimento integral ao recurso voluntário para excluir lançamento sobre PLR de supervisores, gerentes e diretores do estabelecimento de São Caetano do Sul, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento. CONTRADIÇÃO entre a ementa e o dispositivo do acórdão, relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR 3) DATA DA ASSINATURA: assinatura do acordo de PLR durante o período de apuração provimento integral ao recurso voluntário quanto à contestação sobre as datas de assinatura dos acordos de PLR provimento integral ao recurso voluntário quanto à contestação sobre as datas de assinatura dos acordos de PLR em relação a todos os segurados, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores 4) PAGAMENTO DE PARCELAS: ocorrência de mais de um pagamento da PLR no mesmo semestre: janeiro/2007 e maio/2007 provimento integral ao recurso voluntário quanto à contestação sobre os pagamentos no mesmo semestre (janeiro/2007 ref. PLR/2006 e maio/2007 ref. PLR/2007) provimento integral ao recurso voluntário quanto à questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA Processo nº 10805.722955/201171 Acórdão n.º 2301004.772 S2C3T1 Fl. 2.193 5 5) METAS: falta de acompanhamento das metas provimento integral ao recurso voluntário quanto à contestação sobre a falta de acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta provimento integral ao recurso voluntário quanto à questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta 6) MULTA provimento parcial ao recurso voluntário para aplicar o art. 61 da Lei nº 9.430, se mais benéfica provimento parcial ao recurso voluntário para aplicar o art. 61 da Lei nº 9.430, se mais benéfica Notese, quanto à matéria atinente ao acordo de PLR (itens 1 a 5, supra), que a turma deu provimento integral ao recurso voluntário, a fim de afastar a exigência fiscal contida nos autos de infração, exceto em relação à questão envolvendo a necessidade de celebração de acordo coletivo com o sindicato local dos trabalhadores, ao qual deuse provimento parcial, reconhecendo a validade e a eficácia somente do acordo coletivo relativo aos empregados, inclusive DIRETORES, supervisores e gerentes, do estabelecimento de São Caetano do Sul (item 1). Os demais estabelecimentos, segundo o acórdão embargado, ou não possuiriam acordo coletivo ou o possuiriam com sindicato de territorialidade distinta. A Embargante insurgese em relação a este item 1, alegando que existiriam outros estabelecimentos com acordos coletivos sobre PLR nas mesmas condições do acordo relativo ao estabelecimento de São Caetano do Sul. Quanto à omissão apontada, considero que assiste razão apenas em parte à Embargante. Vejamos, primeiramente, o acordo coletivo considerado válido e eficaz pela fiscalização. O acordo coletivo sobre PLR celebrado entre a Embargante e o sindicato da categoria de São Caetano do Sul foi assinado em 25/05/2007, prevendo valores mínimos e adicionais, na hipótese de cumprimento das metas de desempenho pelos estabelecimentos de São Caetano do Sul e São José dos Campos, sendo que os valores devidos deveriam ser pagos em duas parcelas semestrais, em maio/2007 e janeiro/2008 (fls. 855861). Houve divulgação da celebração do acordo e explicação sobre seu funcionamento (fls. 873947), além de acompanhamento mensal de metas (fls. 9481003). Em 30/11/2007, celebrouse ainda com o referido sindicato de São Caetano do Sul aditamento ao acordo coletivo para cuidar da PLR de empregados ocupantes de cargos de supervisão, gerência média e diretoria, com valores diferenciados de PLR, mantidas as mesmas metas (fls. 862863). Respeitando a “ratio” do acórdão embargado, espelhada no quadro acima, verifico que foram juntadas aos presentes autos cópias de diversos acordos de PLR para o ano de 2007, celebrados por sindicatos da mesma base territorial de determinados estabelecimentos da Embargante. As redações desses acordos são muito semelhantes. Todavia, nem todos esses acordos cumpriram com as especificações estabelecidas pelo acórdão embargado. Embora esses acordos tenham sido assinados pelo sindicato local da categoria, a Embargante somente conseguiu comprovar o acompanhamento Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA 6 de metas para alguns deles, mais especificamente para os estabelecimentos de São José dos Campos (abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta) e de São Paulo, conforme segue: § acordo coletivo de PLR 2007 celebrado em 29/05/2007 (fls. 865872) com o sindicato da categoria de São José dos Campos e Região, abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta, prevendo valores mínimos e adicionais, na hipótese de cumprimento das metas de desempenho pelos estabelecimentos de São Caetano do Sul e São José dos Campos, sendo que os valores devidos deveriam ser pagos em duas parcelas semestrais, em maio/2007 e janeiro/2008; houve divulgação da celebração do acordo e explicação sobre seu funcionamento (fls. 873947) e do acompanhamento mensal de metas (fls. 9481003); § acordo coletivo de PLR 2007, celebrado em 31/05/2007 com o sindicato da categoria de São Paulo/Mogi das Cruzes relativamente aos estabelecimentos de São Paulo (fls. 10041011), prevendo valores mínimos e adicionais, na hipótese de cumprimento das metas de desempenho pelos estabelecimentos de São Caetano do Sul e São José dos Campos, sendo que os valores devidos deveriam ser pagos em duas parcelas semestrais, em maio/2007 e janeiro/2008; houve divulgação da celebração do acordo e explicação sobre seu funcionamento (fls. 873 947) e do acompanhamento mensal de metas (fls. 9481003). Já com relação aos estabelecimentos de Mogi das Cruzes, Gravataí e Sorocaba, com metas locais de desempenho, a Embargante não conseguiu comprovar nos presentes autos o acompanhamento de metas previsto no acordo e exigido pela decisão embargada: § acordo coletivo de PLR 2007, celebrado em 06/06/2007 com o sindicato da categoria de São Paulo/Mogi das Cruzes relativamente ao estabelecimento de Mogi das Cruzes (fls. 10271033), prevendo valores mínimos e adicionais, na hipótese de cumprimento das metas de desempenho pelo próprio estabelecimento; todavia, não há prova do acompanhamento mensal de metas, conforme exige a cláusula quarta, parágrafo 3º deste acordo; § acordo coletivo de PLR 2007 celebrado em 09/05/2007 com o sindicato da categoria de Gravataí (fls. 10191026), prevendo valores mínimos e adicionais, na hipótese de cumprimento das metas de desempenho pelo próprio estabelecimento; todavia, não há prova do acompanhamento mensal de metas, conforme exige a cláusula quarta, parágrafo 2º deste acordo; § acordo coletivo de PLR 2007 celebrado em 30/05/2007 com o sindicato da categoria de Sorocaba (fls. 10121018), prevendo valores mínimos e adicionais, na hipótese de cumprimento das metas de desempenho pelo próprio estabelecimento; todavia, não há prova do acompanhamento mensal de metas, conforme exige a cláusula quarta, parágrafo 2º deste acordo. Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA Processo nº 10805.722955/201171 Acórdão n.º 2301004.772 S2C3T1 Fl. 2.194 7 Portanto, o mesmo tratamento dado pelo acórdão embargado ao acordo coletivo relativo ao estabelecimento de São Caetano do Sul deve ser estendido apenas aos acordos coletivos relativos aos estabelecimentos de São José dos Campos (abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta) e de São Paulo. Quanto à contradição apontada, considero que assiste razão à Embargante. No ponto controvertido, a ementa do acórdão nº 2301003.549, de 18/06/2013, da forma como foi redigida, passa a impressão de que toda a matéria foi rejeitada pelo CARF: METAS E REGRAS CLARAS DO PLR INADMISSIBILIDADE DE DIFERENCIAÇÃO NA CONTEMPLAÇÃO. Qualquer categoria de trabalhador poderá participar do PLR, desde que se tenha metas e regras claras, não podendo haver diferenciação na contemplação. No presente caso foi apresentado aditivo ao PLR, no final do ano letivo, para os empregados que ocupavam o cargo de supervisão, sendo que havia contemplação diferenciada. Contudo, consta da fundamentação do voto do conselheiro relator do acórdão embargado o seguinte trecho que reconhece a validade da diferenciação para os funcionários que ocupam o cargo de supervisor no acordo de PLR homologado pelo sindicato de São Caetano do Sul (fls. 2062): Sendo assim, mesmo havendo no PLR contemplação diferenciada para os que ocupam o cargo de supervisor, admiti se a valia do PLR para os funcionários que são abrangidos pelo sindicato de São Caetano do Sul / SP. A conclusão do voto do conselheiro relator espelha a fundamentação acima mencionada (fls. 2063): Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, (...) ii) bem como em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul; E a parte dispositiva do julgado reflete esta posição constante do voto do conselheiro relator (fls. 2056): Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: (...) c) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA 8 É imperioso, assim, harmonizar os trechos acima transcritos do voto e do dispositivo com a ementa, a fim de preservar a autoridade da decisão. Por isso, penso que ela deve ser retificada e adequada ao quanto decidido pelo colegiado, conforme a proposta de redação abaixo. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL aos embargos de declaração, de modo a (i) reconhecer parte da omissão apontada, de modo a também excluir da exigência fiscal a PLR relativa aos funcionários dos estabelecimentos de São José dos Campos (abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta) e de São Paulo, ficando o dispositivo do acórdão embargado com a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: (a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; (b) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade, excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente aos Municípios de São Caetano do Sul; São José dos Campos e Região (abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta) e São Paulo, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; (c) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; (d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores; (e) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; (f) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta. Declaração Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA Processo nº 10805.722955/201171 Acórdão n.º 2301004.772 S2C3T1 Fl. 2.195 9 de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Mario Lucena. OAB: 131.630/RJ. (ii) reconhecer a contradição entre a ementa e o restante do acórdão, de modo a: a. excluir o seguinte trecho da ementa do acórdão embargado: METAS E REGRAS CLARAS DO PLR INADMISSIBILIDADE DE DIFERENCIAÇÃO NA CONTEMPLAÇÃO. Qualquer categoria de trabalhador poderá participar do PLR, desde que se tenha metas e regras claras, não podendo haver diferenciação na contemplação. No presente caso foi apresentado aditivo ao PLR, no final do ano letivo, para os empregados que ocupavam o cargo de supervisão, sendo que havia contemplação diferenciada. b. incluir o seguinte trecho da ementa no acórdão embargado: DIFERENCIAÇÃO NA CONTEMPLAÇÃO PARA SUPERVISORES, GERENTES E DIRETORES. Admitese o pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, de maneira diferenciada em relação aos demais empregados. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi Com todas as vênias ao Ilustre conselheiro relator, apresento o voto divergente vencedor, não sem antes registrar a minha exaltação ao brilhante voto proferido. Os presentes embargos de declaração veiculam pretensão meramente infringente. Objetivam tãosomente o reexame de pedido já repelido pela 1ª Turma da 3ª Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA 10 Câmara. E os embargos não podem conduzir à renovação do julgamento que não se ressente de nenhum vício. Muito menos à modificação do julgado. O Supremo Tribunal Federal já fixou o entendimento de que não cabem embargos de declaração quando, a pretexto de esclarecer uma inexistente situação de obscuridade, omissão ou contradição, vêm a ser opostos com o objetivo de infringir o julgado, para viabilizar um indevido reexame do caso (AI 177.313 AgRED, Rel. Min. Celso de Mello). Asseverese, que os restritos limites dos embargos de declaração não permitem rejulgamento da causa. Ademais, o efeito modificativo pretendido somente é possível em casos excepcionais e uma vez comprovada a obscuridade, contradição ou omissão do julgado, o que não se aplica ao caso sub examine, em que a embargante pretende o reexame de fatos e provas. Nesse sentido, confiramse, à guisa de exemplo, os seguintes julgados da Suprema Corte, verbis: “EMBARGOS DECLARATÓRIOS INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DESPROVIMENTO. Uma vez voltados os embargos declaratórios ao simples rejulgamento de certa matéria e inexistente no acórdão proferido qualquer dos vícios que os respaldam omissão, contradição e obscuridade , impõese o desprovimento. ” (AI 799.509 AgRED, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe de 8/9/2011). “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INOCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração destinamse, precipuamente, a desfazer obscuridades, a afastar contradições e a suprir omissões que eventualmente se registrem no acórdão proferido pelo Tribunal. A inocorrência dos pressupostos de embargabilidade, a que se refere o art. 535 do CPC, autoriza a rejeição dos embargos de declaração, por incabíveis. ” (RE 591.260AgRED, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJe de 9/9/2011). Constatase, no voto do Ilustre Relator, o rejulgamento do mérito, tanto o é que restam reanalisadas as provas e os fatos, não sendo apontada a efetiva contradição, omissão e ou obscuridade que poderia ser saneada pela via estreita dos embargos. Saliento, no entanto, que a divergência desta relatora resta restrita ao item “i”, abaixo transcrito, no qual a embargante pretende rever o julgamento nos seguintes termos: (i) omissão quanto ao item da territorialidade, por apenas excluir do lançamento o acordo de PLR homologado pelo sindicato de São Caetano do Sul que abrange os funcionários dessa base territorial sindical, esquecendose de relacionar também os acordos de PLR homologados, nas mesmas condições, com os sindicatos com base territorial sobre os estabelecimentos localizados em São José dos Campos e Campo de Provas de Cruz Alta, Gravataí, Sorocaba e São Paulo/Mogi das Cruzes; Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA Processo nº 10805.722955/201171 Acórdão n.º 2301004.772 S2C3T1 Fl. 2.196 11 Em relação a matéria, constante do item supracitado, entendo que não existe nenhuma omissão, a embargante, pretende reexame de pedido já repelido pela 1ª Turma da 3ª Câmara, conforme se constata dos excertos da Ementa, dos Fundamentos e do Dispositivo do Acórdão nº 2301003.549, objeto dos embargos, abaixo transcritos: [...] EMENTA ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO AS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical e ao da territorialidade, não pode um sindicato abranger o PLR dos demais empregados que são abrangidos por outro sindicato, em face de incompetência dele. [...] FUNDAMENTOS Até admitirseia a valia do PLR homologado pelo sindicado de São Caetano do Sul /SP se houvesse nos autos um convênio entre ele e os demais sindicatos envolvidos, o que não tem. Razão pela qual, não considero extensiva as regras e metas do PLR de São Caetano do Sul / SP nas demais localidades envolvidas. De mais a mais, temos que o objeto de se respeitar os princípios da unicidade sindical e da territorialidade é proteção ao trabalhador para que ele seja ‘defendido’ por um sindicato que esteja perto de seus problemas e conhecendo as possíveis soluções, trazendo para si a segurança que necessita para valerse diante do poder empregante. Mas, não é só, eis que a criação de bases territoriais também tem como fim a proteção de enfrentamento de diferentes problemas e soluções existentes num país continente como é o caso do Brasil, haja vista que, muitas vezes, o que se enfrenta em Porto Alegre / RS não é a mesma coisa que se enfrenta em Belém / PA, como costumes, tradições, climas e outros quejandos. Pode até a Recorrente alegar que não está na legislação dispositivo que assim determine, mas, de qualquer forma está consubstanciada a agressão a regra insculpida pela Lei 10.101/2000, pois, se um sindicato negociou todo o PLR de todas as unidades da Recorrente no Brasil, claro ficou que não houve a participação do sindicato da base de outras localidades e tão pouco dos trabalhadores que não fossem de São Caetano do Sul /SP. Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA 12 Por isto, tenho que ilegítimo o acordo coletivo celebrado no sindicato de São Caetano do Sul, extensivo às demais unidades da Recorrente, servindo tão somente para aquela localidade. [...] DISPOSITIVO b) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade, excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; [g.n.] Percebese, claramente, pelos excertos supratranscritos do Acórdão embargado que não há omissão, não merecendo qualquer saneamento. Busca, em verdade, o contribuinte, rediscutir o mérito, pois não se conformou com a decisão, todavia, a rediscussão da matéria estaria dando efeitos infringentes aos embargos, visto que, objetivam tãosomente, o reexame de pedido já repelido, bem fundamentado e decidido, pela 1ª Turma da 3ª Câmara. Os embargos não podem conduzir à renovação do julgamento que não se ressente de nenhum vício. Muito menos à modificação do julgado, portanto desacolho os embargos, no que tange ao item “i”. É como voto. (assinado digitalmente) Alice Grecchi – Redatora designada. Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 8/08/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA
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Numero do processo: 19515.721745/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA.
A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CONCESSÃO DE PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A teor dos arts. 7º do Decreto nº 70.235/72 e 11 da IN RFB 903/2008, carece de respaldo legal ou normativo a concessão de prazo para que o contribuinte, uma vez iniciado regularmente o procedimento fiscal, promova a regularização das declarações prestadas à RFB.
DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Demonstrado nos autos que os recolhimentos efetuados de PIS se referem a débitos não confessados em DCTF, é cabível o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O princípio inserto no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 dirige-se aos tributos, não se estendendo às sanções por infração à legislação tributária, demais disso a multa de ofício encontra sustentáculo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não competindo ao CARF o exame de sua constitucionalidade, como sedimentado na Súmula CARF nº 2.
Recurso de ofício provido em parte e recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, quanto ao recurso de ofício, i) por maioria, dar provimento para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e, ii) por maioria, negar provimento quanto à redução da multa qualificada, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Relativamente ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento. Designado o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco para redigir o voto vencedor.
Robson José Bayerl Presidente Substituto e Relator
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA. A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DECLARAÇÕES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CONCESSÃO DE PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A teor dos arts. 7º do Decreto nº 70.235/72 e 11 da IN RFB 903/2008, carece de respaldo legal ou normativo a concessão de prazo para que o contribuinte, uma vez iniciado regularmente o procedimento fiscal, promova a regularização das declarações prestadas à RFB. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Demonstrado nos autos que os recolhimentos efetuados de PIS se referem a débitos não confessados em DCTF, é cabível o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio inserto no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 dirigese aos tributos, não se estendendo às sanções por infração à legislação tributária, demais disso a multa de ofício encontra sustentáculo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não competindo ao CARF o exame de sua constitucionalidade, como sedimentado na Súmula CARF nº 2. Recurso de ofício provido em parte e recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 45 /2 01 3- 67 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, quanto ao recurso de ofício, i) por maioria, dar provimento para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e, ii) por maioria, negar provimento quanto à redução da multa qualificada, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Relativamente ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento. Designado o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco para redigir o voto vencedor. Robson José Bayerl – Presidente Substituto e Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Cuidase de auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, período de apuração janeiro a dezembro de 2009, decorrente de divergência entre os valores declarados/pagos. Narra a fiscalização que constituiu a diferença de crédito quando o valor recolhido foi superior àquele informado em DCTF, nos termos da SCI COSIT nº 08/2007, com orientação ao contribuinte para requerer a desoneração da multa à DRJ. Esclareceu, ainda, que a infração propriamente dita consistiu em informar valores em DCTF em montante inferior àqueles indicados em DACON. No caso, após declarar os valores corretos, o contribuinte retificou as DCTFs para reduzir o montante devido a 1% (um por cento) do valor efetivamente devido. Intimado a justificar o procedimento, alegou o contribuinte dificuldades financeiras para quitação dos débitos e equívoco nas retificações da DCTF. Os recolhimentos, por sua vez, corresponderam a 0,1% (um décimo percentual) do valor efetivamente devido. Para esta infração foi aplicada a multa de 150 % (cento e cinquenta por cento). Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.721745/201367 Acórdão n.º 3401003.127 S3C4T1 Fl. 366 3 Em impugnação o contribuinte questionou a não concessão de oportunidade para regularização dos erros da DCTF; sustentou o descabimento da multa nos casos em que o valor recolhido foi superior àquele indicado em DCTF; pugnou pela redução da multa ao patamar de 20% (vinte por cento); e, por fim, postulou o descabimento da representação fiscal para fins penais. A DRJ Fortaleza/CE acolheu parcialmente a impugnação, afastando a multa sobre os valores recolhidos a maior, ante a DCTF, e reduzindo a multa qualificada ao patamar ordinário (75%), mediante decisão assim ementada: “MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. PAGAMENTO SUPERIOR AO DÉBITO CONFESSADO. É improcedente o lançamento realizado com o intuito de constituir crédito tributário já recolhido pelo contribuinte, mas confessado com insuficiência em DCTF. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. PROVA. A retificação da DCTF para informar débitos inferiores aos declarados em DACON, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício sobre os valores não recolhidos, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciar a regularidade e o cabimento de representação para fins penais formalizada ao final do procedimento de fiscalização.” Essa decisão, em função do valor de alçada, foi submetido a recurso de ofício. Em recurso voluntário o contribuinte vergastou a inobservância de prazo para autoregularização da DCTF e o caráter confiscatório da multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator 1 Recurso de ofício O reexame necessário da decisão de piso observa as condições para sua interposição. Tocante ao lançamento como instrumento de formalização do crédito tributário já extinto por pagamento, assim se manifestou a decisão de piso: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 4 “Na espécie, o lançamento foi realizado no sentido de constituir crédito tributário que foi confessado com insuficiência na DCTF, apesar de existir recolhimento apto a satisfazer, mesmo que em parte, o valor devedor. Entendo que tal lançamento não deveria ser feito, por não existir previsão legal para tanto. Além disso, não tem sentido realizar lançamento para contemplar valores já pagos pelo sujeito passivo; quantias recolhidas se prestam para a extinção do crédito tributário, à luz do que dispõe o art. 156, I, c/c o art. 150, §1º e 4º, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). O simples bloqueio dos valores pagos, mas não alocados aos respectivos débitos, resolveria a questão operacional apontada como fundamento para a elaboração do lançamento, consoante descrito na Solução de Consulta citada, sem a necessidade de obrigar o contribuinte a apresentar defesa, ou exigir pronunciamento por parte da DRJ, no sentido de exonerar a multa aplicada. Dessa forma, considero improcedente o lançamento realizado.” Irretocável, nesta parte, a conclusão da decisão sob revisão. Nada obstante a aparente lógica do lançamento,equivocase a autoridade administrativa lançadora quanto à utilização do auto de infração, ao passo que, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72, juntamente com a notificação de lançamento, é instrumento para a formalização de exigência de crédito tributário, sendo que, no caso dos autos, antes mesmo do lançamento, como reconhecido, houve a liquidação do crédito tributário pelo seu pagamento. Portanto, mostrase descabido efetuar lançamento de crédito tributário já extinto por quaisquer das modalidades arroladas no CTN, ainda que sob o pálio de sua “constituição”, ante a ausência de informação em DCTF. Concernente à inocorrência das hipóteses para exigência da multa qualificada, entendo que não andou bem o epigrafado julgado. Com efeito, prevê o art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/96 o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 376DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.721745/201367 Acórdão n.º 3401003.127 S3C4T1 Fl. 367 5 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” Já o art. 71, I da Lei nº 4.502/64, especificamente, descreve a sonegação da seguinte forma: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (...)” Na situação dos autos, segundo relato da fiscalização, originalmente o contribuinte havia declarado o valor integral do débito devido e, posteriormente, reduziu estes montantes a exato 1% (um por cento) daquela quantia. Intimado a justificar o procedimento, imputou o modus operandi à dificuldade financeira em liquidar a dívida tributária. Ou seja, o contribuinte consciente e deliberadamente alterou seus débitos com o intuito de retardar, parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que se encaixa perfeitamente à conduta classificada como sonegação, pelo art. 71, I da Lei nº 4.502/64. Acentuese que a norma em apreço não exige o êxito na supressão do tributo para consumação da infração, bastando a mera pretensão de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, o que definitivamente ocorreu. Por oportuno, registro meu entendimento que dificuldades financeiras não se prestam como justificativa válida ao desiderato de burlar a legislação tributária, através da postergação da cobrança do crédito tributário exigível. Também não milita em favor do recorrente o fato de reduzir apenas os valores da DCTF, mantidos os valores corretos do DACON, porquanto aquela declaração constitui instrumento de confissão de dívida, enquanto esta última não, ostentando apenas índole informativa. Aliás, este modo de agir apenas realça sua intenção de protelar o quanto possível a exigência do crédito tributário, reforçando o caráter doloso da conduta. Com estas considerações, voto pelo restabelecimento da multa qualificada e, por conseqüência, dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 6 2 Recurso voluntário O recurso voluntário, por seu turno, preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Respeitante à concessão de prazo para “autoregularização”, improcedente o pleito, haja vista que, iniciado o procedimento fiscal, nos termos do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, suprimese a espontaneidade do contribuinte para quaisquer atos atinentes aos tributos sob investigação, não havendo norma legal que excepcione a regra geral. Corrobora esta compreensão a redação do art. 11, § 2º, III, da IN RFB 903/2008, vigente por ocasião dos fatos: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...)” Portanto, iniciado o procedimento fiscal, não há qualquer oportunidade para regularização da situação fiscal do contribuinte, sem incidência dos efeitos inerentes ao exercício da atividade fiscalizatória. Respeitante ao pretenso caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que sua inflição está respaldada no art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/96, norma válida e vigente, não cabendo a quaisquer das turmas julgadoras integrantes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF manifestarse acerca da juridicidade dos diplomas legais em vigor, encontrandose a matéria devidamente sumulada (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Fl. 378DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.721745/201367 Acórdão n.º 3401003.127 S3C4T1 Fl. 368 7 De outra banda, incabível a substituição da multa moratória de 20% (vinte por cento) estatuída no art. 61 da Lei nº 9.430/96, porquanto consectário empregado exclusivamente na hipótese de recolhimento em atraso de valores formalmente declarados à Secretaria da Receita Federal, através de declaração dotada de caráter de confissão de dívida, o que não é o caso dos autos. Em face de todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Relator Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Redator designado Registro o voto divergente do conselheiro relator no concernente à possibilidade de lançamento, diante de ausência de confissão em DCTF, ainda que exista pagamento, bem como quanto à restauração da multa qualificada. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) tem como efeito a confissão de dívida, o que elide, por determinação do § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/1984, a necessidade de constituição formal do crédito tributário, que passa a ser exigível com o decurso do prazo de seu vencimento, em conformidade com a Súmula nº 436/2010 do Superior Tribunal de Justiça1. Por outro lado, não havendo débitos confessados, tem a autoridade fiscal o dever de proceder ao lançamento, atividade administrativa vinculada e obrigatória, para realizar a sua cobrança, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional2. Observandose, como no caso presente, a existência de pagamentos, entendemos que os valores remanescentes não pagos, observado o prazo decadencial, devem ser formalizados por meio do respectivo lançamento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Quanto à multa, reproduzimos abaixo a fundamentação do Acórdão DRJ nº 0830.371, proferido em sessão de 15/07/2014: "O motivo para a exacerbação da multa foi o fato de o sujeito passivo ter inicialmente confessado em DCTF os valores correspondentes aos efetivos 1 Súmula STJ nº 436/2010 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. 2 Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 8 débitos apurados em DACON, e, posteriormente, ter retificado a DCTF reduzindo os créditos tributários para um patamar que correspondia apenas a 1% do real valor devedor. O autuante entendeu que estava configurada situação que podia ser caracterizada como sonegação fiscal, nos termos do art. 71, da Lei nº 4.502, de 19641. De sua parte, o defendente alega a ocorrência de erro cometido por funcionário da empresa no preenchimento da DCTF. De plano, cabe esclarecer que todos os valores que serviram de base para o lançamento foram fornecidos pelo contribuinte ao Fisco (por meio do DACON), dessa forma, não se vislumbra, no caso, uma ação deliberada do sujeito passivo no sentido de retardar ou impedir o conhecimento dos valores das contribuições efetivamente devidas. Se assim fosse o administrado também teria retificado o DACON, para tanto. A manutenção do DACON inalterado (informando as contribuições devidas) e a confecção de DCTF retificadora, reduzindo quantias inclusive para os meses onde os valores já recolhidos satisfaziam plenamente os débitos apurados, reforçam a tese da ocorrência de erro" (seleção e grifos nossos). Em que pese a verossimilhança quanto à alegação de erro não seja suficiente para descaracterizar a imposição da multa de ofício, não se verifica o intuito doloso e deliberado da contribuinte tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante devido e, logo, não vislumbramos viabilidade de duplicar a multa decorrente do lançamento de ofício disciplinada pelo art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Com base nos fundamentos acima expostos, voto por da provimento parcial ao recurso de ofício unicamente para manter o lançamento nas situações em que há recolhimento, ainda que parcial, mas não há declaração em DCTF, negando provimento, portanto, quanto à possibilidade de restauração da multa qualificada. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/05/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 15504.732666/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CARACTERIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS DA TOMADORA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL.
Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implica-se na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Miriam Denise Xavier Lazarini e Maria Cleci Coti Martins.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implicase na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 26 66 /2 01 3- 50 Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Miriam Denise Xavier Lazarini e Maria Cleci Coti Martins. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 2401004.063 S2C4T1 Fl. 2.802 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO COMO EMPREGADO. LEGALIDADE. Presentes os requisitos da relação de emprego é cabível à autoridade fiscal a caracterização dos segurados empregados de uma empresa como trabalhadores de outra, tendo em vista que a legalidade formal dos contratos celebrados não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. PRESUNÇÕES. NATUREZA PROCESSUAL PROBATÓRIA. VERDADE MATERIAL. É admitida no processo administrativo fiscal a utilização da presunção que tenha por finalidade desvendar a verdade material encoberta com o fim de evitar a tributação. TERCEIRIZAÇÃO DE ATIVIDADEFIM. CONTRATAÇÃO ILÍCITA. VÍNCULO COM O TOMADOR. No caso de contratação de serviços relacionados à atividade fim, formarse á o vínculo diretamente com o tomador, haja vista a ilicitude da terceirização. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CARACTERIZAÇÃO. RFB. COMPETÊNCIA. A competência da Justiça do Trabalho para o reconhecimento da relação de emprego, prevista no art. 114 da Constituição, não exclui a competência da RFB para a constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias decorrentes da relação de emprego. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Constatado que a empresa apresentou suas GFIP omitindo as informações referentes aos segurados empregados registrados formalmente em empresas prestadoras de serviços para simular o real vínculo empregatício, cabe a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, relativa à omissão de fato gerador em GFIP. MULTA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Descabe a discussão na esfera administrativa acerca do caráter confiscatório da multa aplicada, considerando que, por dever de ofício, a fiscalização deve obediência às normas em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. FORO INADEQUADO. O contencioso administrativo não é o meio adequado para a discussão acerca da inconstitucionalidade das normas. 2. Utilizome do Relatório da DRJ/RJ1 para melhor descrever os fatos do presente processo: Tratase de créditos constituídos pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 221/236), referemse aos autos de infração abaixo relacionados, relativos ao período de 01/2009 a 12/2010, a saber: AI nº 51.041.3641, no valor de R$ 1.748.604,57, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição previdenciária da parte patronal e aquela destinada ao fínanciamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados AI n° 51.056.4160, no valor de R$ 228.682,47, acrescido de juros e multade ofício, através do qual foi apurada a contribuição previdenciária devida, mas não descontadados segurados AI nº 51.056.4178, no valor de R$ 453.301,59, acrescido de juros e multa de ofício, através do qual foi apurada a contribuição social destinada a outras entidades e fundos, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. AI n° 51.041.3633, valor original de R$ 500,00, referente ao descumprimento de obrigação acessória pelo fato de a empresa ter apresentado GFIP com informações inexatas/omissas (CFL 78), na competência 11/2008. No referido Relatório Fiscal, a autoridade lançadora esclarece que: O fato gerador das contribuições previdenciárias apuradas foi a remuneração paga a segurados empregados, no período de 01/2009 a 12/2010. A apuração dos valores lançados como remuneração dos segurados foi feita com base na análise da DIRF, da contabilidade e da folha de pagamento apresentados pela empresa. Durante a ação fiscal, foi possível verificar a existência de relação empregatícia entre a autuada e os profissionais supostamente contratados como pessoas jurídicas, tendo a fiscalização firmado inequívoca convicção de que atendem integralmente aos pressupostos básicos — determinados pelo Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 2401004.063 S2C4T1 Fl. 2.803 5 art. 3° da CLT e inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91 — necessários à caracterização destes segurados como empregados quais sejam: subordinação, não eventualidade e pessoalidade na prestação do trabalho, mediante remuneração. Destacamos os seguintes fatos relatados pela fiscalização que levaram ao convencimento de que não se tratava de prestação de serviço por pessoa jurídica, mas pelas pessoas físicas encobertas pelas mesmas: Nenhuma das empresas que prestaram serviço à autuada possuía empregados no período do débito, sendo assim, era o titular ou sócio gerente quem efetivamente trabalhava, prestando o serviço exclusivo e diretamente para a TSA. As notas fiscais foram emitidas em número sequencial e com a descrição dos serviços prestados à autuada, que compreende exatamente as atividades inerentes ao seu objeto social, quais sejam: serviços de engenharia, automação e informática, compreendendo: cálculos, supervisão, consultoria, gerenciamento e implantação de projetos. Foram identificados entre os contratados como pessoas jurídicas, gerentes de projetos e de contratos, ou seja, pessoas que assinavam como responsáveis pela execução de projetos e pelo cumprimento dos contratos celebrados entre a TSA e seus tomadores de serviços, como CEMIG, COPASA, PETROBRÁS. Além de gerenciar projetos e contratos, essas pessoas eram também responsáveis pelo acompanhamento dos estagiários admitidos pela TSA, o que só confirma a subordinação e não eventualidade da sua contratação. Na contabilidade foi identificado em nome dessas pessoas físicas, responsáveis pela empresas contratadas pela TSA, o lançamento de despesas com diárias, passagem, combustível e refeições. A fiscalização identificou na prestação de serviços todos os requisitos inerentes à configuração do vínculo empregatício, conforme demonstrado a seguir Evidencia a característica da pessoalidade o fato de o serviço ter sido prestado pessoalmente pelo sócio da empresa, considerando que as prestadoras não possuíam empregados. A habitualidade e a nãoeventualidade são identificadas pelo fato de o serviço ser prestado ininterruptamente, tendo em vista que as notas fiscais eram emitidas mensalmente e de forma sequencial. A emissão de notas fiscais de prestação de serviços comprova a onerosidade do serviço prestado. Subordinação jurídica: Todo o conjunto probatório leva à indicação da existência de dependência jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a empresa TSA Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 TECNOLOGIA, uma vez que as pessoas físicas dos sócios encontravamse à disposição desta para a realização de serviços contínuos e necessários à sua atividade, mesmo que aqueles tivessem liberdade na execução dos mesmos, situação tipicamente comum em serviços especialíssimos. No tocante à aplicação da multa de mora, foi utilizada no percentual de 75%, nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Destacamos, que, em todo o período do débito (01/2009 a 12/2010), a multa de 75% foi duplicada, em observância ao parágrafo primeiro do art. 44 da Lei nº 9.430, em função de a fiscalizada ter, através de seus responsáveis legais, agido dolosamente visando impedir/ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal das contribuições sociais previdenciárias, bem como modificar suas características essenciais de modo a reduzir/evitar o montante do imposto devido, ficando, portanto caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude, decorrendo daí a duplicação da multa. 3. Intimado do acórdão da DRJ/RJ1 por ciência eletrônica em 25/12/2014 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo fl. 2.798), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 2.769/2.792 em 13/01/2015, alegando, em síntese: a) Preliminarmente: a.1) nulidade do auto de infração por ausência de motivação fática do lançamento; a.2) da incompetência em razão da matéria da fiscalização dos auditores da RFB em descaracterizar contratos comerciais e declarar existência de redação de emprego; a.3) vício insanável decorrente da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados por aferição indireta e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários. b) impossibilidade de configuração de relações de emprego por ficção ou presunção, ante a ausência de comprovação de vários elementos que deveriam ter sido analisados antes de ser desconsiderada a personalidade jurídica destes entes, como: estabelecimento físico dessas empresas; recolhimento de tributos (PIS/COFINS,por exemplo); cumprimento de obrigações contábeis e fiscais; c) da improcedência da multa por descumprimento de obrigação acessória, ante o fato, justamente, de não se tratar de vínculo empregatício entre a recorrente e os sócios das pessoas jurídicas que lhe prestavam serviço, bem como por se tratar de dupla penalidade imputada ao mesmo fato; d) impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) ante a ausência de demonstração cabal da ocorrência de dolo na conduta da recorrente É o relatório. Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 2401004.063 S2C4T1 Fl. 2.804 7 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminarmente Alega a contribuinte a nulidade do auto de infração por ausência de motivação fática do lançamento, incompetência da RFB em razão da matéria e ausência de correlação lógica em razão da matéria entre os valores lançados por aferição indireta e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários Afasto as preliminares alegadas pelo contribuinte, primeiramente por entender que há motivação fática do lançamento, qual seja, a verificação de que empresas contratadas pela recorrente seriam na verdade pessoas físicas disfarçadas pelo manto da pessoa jurídica, porém atendendo a todos os requisitos da relação de emprego: pessoalidade, habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação. Se suficientes ou não as razões do AFRFB, isso será visto no mérito, contudo, não se trata de nulidade da autuação. Com relação à incompetência, também afasto a preliminar alegada, posto que compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização e a cobrança relativa às contribuições sociais e, se verificadas supostas irregularidades e/ou planejamentos tributários que visem desmascarar a verdade material dos fatos, que impliquem no recolhimento a menor ou inexistente destas contribuições, como na eventualidade de dissimulações de relações empregatícias, não há que se falar em incompetência, como bem já decidiu este Colendo Conselho: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. POSSIBILIDADE. O procedimento fiscal que deu origem ao Auto de Infração em discussão não fere o devido processo legal. Está rigorosamente evidenciado que na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou criteriosamente os comandos insertos no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em virtude do lançamento, pelo que consta, o sujeito passivo teve acesso aos autos em sua plenitude, e apresentou impugnação e recurso nos prazos legalmente estabelecidos. Vêse, portanto, que ao contribuinte foi dada oportunidade do contraditório e ampla defesa, situações que afastam qualquer inconformismo de ofensa ao devido processo legal. Os fundamentos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, não se caracterizando como meras suposições como Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 pretende o sujeito passivo. Portanto, a manutenção do lançamento é medida que se impõe. Não se pode perder de vista que é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas que lhe prestam serviços (físicas e jurídicas) independentemente da forma como foram contratadas. Insta destacar também que a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, situação que não pode ser confundida com atos de fiscalização a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Acõrdão no. 2803003.496 de 12/08/2014. Por fim, afasto também a nulidade em virtude da alegada "ausência de correlação lógica entre os valores lançados por aferição indireta e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários". Entendo que o AFRFB se utilizou dos valores e informações a que teve ou poderia ter acesso. Ademais, entendo que a presente alegação se confunde com o mérito do recurso e será abrangida pelas razões a seguir fundamentadas. Mérito No mérito do recurso voluntário em análise, alega o recorrente, basicamente, a inexistência/impossibilidade de configuração de relações de emprego perante as empresas indicadas pela fiscalização. Para melhor didática, eis o rol de pessoas jurídicas tidas pela fiscalização como, na verdade, empregados da recorrente (fls. 226/227): Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 2401004.063 S2C4T1 Fl. 2.805 9 Ainda, no relatório fiscal, o AFRFB traz toda a fundamentação (teórica) acerca das características da relação de emprego. Muito bem fundamentado, inclusive, especifica o que é PESSOALIDADE, HABITUALIDADE E NÃOEVENTUALIDADE, REMUNERAÇÃO e SUBORDINAÇÃO. Assim, temos nos autos a relação das pessoas jurídicas que prestam serviço à recorrente e, na verdade, teriam todas as característica de um verdadeiro empregado(a), e os conceitos e definições do que é relação de emprego. Portanto, para que se realize o lançamento, ainda que com base na primazia da verdade material (como mencionado pelo próprio AFRFB: "constatação da realidade fática da prestação do serviço se sobrepõe a qualquer denominação ou mesmo declaração das partes), basta a demonstração, individualizada, das características da prestação de serviço de cada uma das pessoas jurídicas acima mencionadas e o seu enquadramento como pessoa física empregada da recorrente. Todavia, o AFRFB deixou de realizar o elo entre os fundamentos teóricos por ele trazidos ao Relatório Fiscal e a realidade fática INDIVIDUALIZADA de cada pessoa jurídica descaracterizada. Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Assiste razão ao contribuinte quando menciona que o lançamento se dá com base em meras e poucas presunções que, todavia, não seriam suficientes para comprovar a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas e a recorrente. Não há, no Relatório Fiscal (fls. 219/236), qualquer explanação individualizada em relação às pessoas jurídicas "desqualificadas". Destaco o seguinte trecho do Relatório Fiscal (fl. 230) para fim de demonstrar a sua total generalidade: Traz a recorrente, por meio de amostragem (o que digase, embora não amplamente satisfatória, já é imensamente mais diligente do que a autoridade fiscal) exemplos extraídos das próprias planilhas acostadas ao PAF pela própria fiscalização (fl. 413), bem como o razão contábil da recorrente, que demonstram valores absolutamente distintos em cada mês de pagamento para determinada empresa. Ressaltese, ainda, que os próprios contratos de prestação de serviço, trazidos ao PAF, demonstram uma gama de serviços bastante distinta entre si, com características próprias, que deveria o AFRFB demonstrar o liame entre o objeto dos contratos e suas condições, como liame empregatício apontado. Assim, entendo que o presente Auto de Infração de obrigação principal, por ausência de fundamentação legal adequada da fiscalização, em especial a indicação da Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.732666/201350 Acórdão n.º 2401004.063 S2C4T1 Fl. 2.806 11 ocorrência do fato gerador, fere o lançamento tributário, por ausência de cumprimento de requisito intrínseco ao lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, entendo não presente a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas apontadas pela fiscalização e a empresa recorrente, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Nesse sentido, este Conselho: QUALIFICAÇÃODO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. (Acórdão nº. 2301003.427 PAF nº. 13888.002464/200820. 14/03/2013) Assim, ante a insuficiência de fundamentação do AFRFB, que permita a subsunção dos fatos (relação de emprego) à norma (incidência de contribuições sociais previdenciária a cargo da pessoa jurídica), deve ser cancelado o lançamento de obrigação principal, por vício material, e a multa de ofício aplicada Via de consequência, o Auto de Infração de obrigação acessória deve também ser cancelado, ante a ausência de infração do recorrente no preenchimento das GFIPs. CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER E DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso voluntário. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 13643.720346/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas as glosas realizadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao Recurso Voluntário.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas as glosas realizadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 72 03 46 /2 01 2- 56 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao Recurso Voluntário. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13643.720346/201256 Acórdão n.º 2401004.243 S2C4T1 Fl. 129 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0941.782 (fls. 98/105), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/04) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto já foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2011/476553517371288 (fls. 31/35) exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 1.534,75, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 32/33) a fiscalização informa a glosa de R$ 29.190,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte anexou a sua peça impugnatória: a) Declaração da CirurgiãDentista Simone Ferreira Milagres – CROMG 14431 (fl. 06); b) Recibos emitidos pela CirurgiãDentista Simone Ferreira Milagres – CROMG 14431 (fls. 07 e 15); c) Declaração da CirurgiãDentista Viviane Ferreira Milagres – CROMG 18985 (fl. 08); d) Recibos emitidos pela CirurgiãDentista Viviane Ferreira Milagres – CROMG 18985 (fls. 09/14); e) “Plano de Tratamento” emitido pela CirurgiãDentista Viviane Ferreira Milagres – CROMG 18985 (fls. 16/18); f) “Prontuário Odontológico” emitido pela CirurgiãDentista Simone Ferreira Milagres – CROMG 14431 (fls. 19/27); g) “Prontuário Clínico” emitido pela CirurgiãDentista Viviane Ferreira Milagres – CROMG 18985 (fl. 28) Para a DRJ/JFA, a impugnação foi considerada improcedente, ante a falta de comprovação da ocorrência dos pagamentos, por outros meios de prova, que não somente os recibos apresentados. Intimado do acórdão da DRJ/JFA em 10/12/2012 (A.R. fl. 109), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 111/122) em 20/12/2012, onde alega, em síntese: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13643.720346/201256 Acórdão n.º 2401004.243 S2C4T1 Fl. 130 5 a) A apresentação dos recibos é prova suficiente para a comprovação das despesas médicas, nos termos do art. 80, § 1º, III, do RIR/99; b) Não cabe à Receita Federal, por um ato discricionário, exigir outras provas da ocorrência das despesas médicas que não aquelas exigidas em lei, no caso, os próprios recibos; É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Como se vê, para que seja conferida validade ao recibo emitido por profissional de saúde, exigese que constem no mesmo, cumulativamente: a) Nome do profissional; b) Endereço; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13643.720346/201256 Acórdão n.º 2401004.243 S2C4T1 Fl. 131 7 c) CPF; Assim, analisando a totalidade dos recibos apresentados pelo contribuinte (fls. 07 e 15), referentes à cirurgiãdentista Simone Ferreira Milagres, e os referentes à cirurgiã dentista Viviane Ferreira Milagres (fls. 09/14), verifico que: a) Nos recibos emitidos por Simone Ferreira Milagres (fls. 7 e 15) constam os três requisitos acima exigidos: nome do profissional, endereço e CPF. b) Nos recibos emitidos por Viviane Ferreira Milagres (fls. 09/14) constam o nome da profissional e o CPF, porém, em nenhum recibo verificase a indicação do endereço da profissional. Importante destacar que as justificativas da autoridade lançadora, para cada uma das profissionais emitentes dos recibos foram as seguintes: 1) Viviane Ferreira Milagres: “Recibos emitidos em desacordo com o exigido pela legislação tendo em vista a falta de identificação da inscrição da emitente no Conselho Regional de sua categoria profissional”; 2) Simone Ferreira Milagres: “Tais recibos não foram considerados suficientes para comprovação da dedução pleiteada, tendo em vista que o total das despesas médicas declaradas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos tributáveis declarados. Foi então o contribuinte intimado para comprovação da efetividade da prestação dos serviços e da efetividade dos pagamentos, através do Termo de Intimação Fiscal 025/2012 de 15/03/2012. Em atendimento o contribuinte apresentou prontuários odontológicos emitidos pelas profissionais citadas, descrevendo os serviços prestados. Não informou, contudo, qual foi o meio utilizado para realização dos pagamentos e nem apresentou nenhum tipo de documento para comprovação da efetividade da entrega dos recursos, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal". Destaco que no mencionado Termo de Intimação Fiscal 025/2012 (fl. 63), a Autoridade Fiscal solicitou ao contribuinte, expressamente, que comprovasse “a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração, [...], bem como a efetividade da entrega dos recursos para esse mesmo fim despendidos, através de documentação bancária (cópia de cheques nominais microfilmados, extratos bancários em que constem saques com compatibilidade de datas e valores, ordens de pagamento ou transferências eletrônicas)” e indica nominalmente as duas profissionais em comento: Simone Ferreira Milagres (R$ 5.810,00) e Viviane Ferreira Milagres (R$ 23.380,00). Em sua resposta ao termo de intimação, o Sr. Antonio Luiz de Lima apresentou comprovantes que indicariam a efetiva prestação do serviço (já mencionados prontuários, planos de tratamento e declarações das profissionais) sem, contudo, apresentar quaisquer provas quanto a efetivação dos pagamentos. Um dos fundamentos legais a justificar as glosas, conforme a autoridade fiscal, foi o artigo 73 do Decreto 3.000/1999, que assim dispõe: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Assim, destacase que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação”. Não há dúvidas que o art. 73 do RIR/99 confere à autoridade fiscal a prerrogativa de exigir outros documentos além dos próprios recibos. Nesse contexto, no curso do processo administrativo fiscal, o contribuinte trouxe novos elementos de prova visando atender o exigido pela fiscalização quanto à efetividade da prestação dos serviços, porém, sem trazer qualquer comprovação acerca da efetividade dos pagamentos. Desse modo, temos que a autoridade fiscal “superou” quaisquer omissões existentes nos recibos apresentados pelo contribuinte fiscalizado e, nos termos da Intimação Fiscal 025/2012, exigiu a comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, para todos os recibos apresentados. Assim, oportunizou ao contribuinte que apresentasse tais provas. E, como relatado, para a comprovação da efetiva prestação dos serviços trouxe as declarações e os prontuários emitidos pelas profissionais, enquanto que para a comprovação dos pagamentos trouxe somente os recibos. Apresenta, ainda, o seu recurso voluntário, com o único fundamento de suficiência dos recibos para a comprovação dos pagamentos. Nesse contexto, entendo não estarem comprovadas as despesas incorridas pelo contribuinte. Apesar de lhe ser oportunizada a comprovação, com tempo hábil (ou o que poderia ser apresentado até mesmo em sede de recurso voluntário) para tal, não fez qualquer prova da efetividade da ocorrência dos pagamentos às profissionais acima citadas. Tratase de valores relativamente expressivos (R$ 29.190,00) para um ano calendário, cerca de R$ 2.400 ao mês (destaquese, ainda, que não eram pagamentos mensais), sendo que exigidos os comprovantes há menos de dois anos da emissão dos recibos. Ou seja, ainda que não se trate de prova que o contribuinte possa dispor de imediato, é plenamente possível a obtenção de documentos que permitam a comprovação dos pagamentos, seja por meio da microfilmagem de cheques ou emissão de extratos bancários que comprovem transferências ou saques em espécie, por exemplo. Assim, sendo o contribuinte previamente intimado e não apresentando qualquer comprovação do efetivo dispêndio das despesas médicas por ele deduzidas em sua Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 13643.720346/201256 Acórdão n.º 2401004.243 S2C4T1 Fl. 132 9 DIRPF, exigência de comprovação prevista nos termos do art. 73 do RIR/99 (DecretoLei nº. 5.844/1943, art. 11, § 3º). CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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