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6403639 #
Numero do processo: 10909.720678/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/12/2007, 02/06/2008, 16/07/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. MEDIDA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Mandado de segurança que questionou a constitucionalidade a incidência de PIS e Cofins sobre as importações, teve como pedido mediato, a declaração de inconstitucionalidade da Lei n. 10.865/2004, que ampliou indevidamente a base de cálculo das contribuições. Medida judicial dotada de efeito declaratório que alcança todos os fatos geradores subsumidos à hipótese normativa declarada inconstitucional.
Numero da decisão: 3201-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: : Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     2 Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira  Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.   Relatório  Refere­se  o  presente  processo  administrativo  de  auto  de  infração  para  a  cobrança de PIS.  Para bem relatar os fatos, transcreve­se o relatório da decisão proferida pela  autoridade a quo:  Conforme relato fiscal da ALF Porto de Itajaí, versa o processo  sobre  exigência  de COFINS,  R$  40.623,60,  de  PIS/PASEP,  R$  8.819,59, de  juros moratórios e de multas de ofício de 75% do  valor  das  contribuições, R$  30.467,70  e R$ 6.614,69,  previstas  no art. 44, I da Lei 9430/96.  A  fiscalização  diz  que  a  INDUSTRIA  CARBONIFERA  RIO  DESERTO  LTDA,  CNPJ  83.286.500/0001­69,  registrou  as  Declarações  de  Importação Nºs  07/1718863­3,  08/0814055­2  e  08/1076633­1  a  fim  de  nacionalizar  mercadorias  estrangeiras,  deixando, porém, de recolher parte do PIS/IMPORTAÇÃO e da  COFINS/IMPORTAÇÃO  alegando  estar  amparada  pelo  Mandado de  Segurança nº  2007.72.00.008330­7/SC,  tendo  sido  impetrado em 10/07/2007 contra o Inspetor da Receita Federal  em  Imbituba/SC  e  Delegado  da  Receita  Federal  em  Florianópolis/SC  com  vistas  a  obter  provimento  jurisdicional  para  eximir­se  do  recolhimento  do  PIS­Importação  e  da  COFINS­Importação  incidentes  sobre  os  acréscimos  ao  valor  aduaneiro trazidos pela Lei nº 10.685/2004.  Relata  também  que  ao  submeter  as  mercadorias  ao  despacho  aduaneiro  de  importação,  a  autuada  deixou  de  recolher  as  contribuições incidentes sobre os acréscimos trazidos pela Lei nº  10.685/2004,  informando  apenas  no  campo  de  “Dados  Complementares” estar amparada pelo Mandado de Segurança  nº 2007.72.00.008330­7/SC, que, conforme visto,  foi  impetrado,  em  10/07/2007,  contra  o  Inspetor  da  Receita  Federal  em  Imbituba/SC  e  contra  o  Delegado  da  Receita  Federal  em  Florianópolis/SC, mas não em relação a Itajaí, restando citar o  art.  472  da  Lei  nº  5.869/1973  –  Código  de  Processo  Civil,  no  tocante  às  decisões  judiciais  somente  alcançarem  as  partes  integrantes  do  processo,  não  beneficiando,  nem  prejudicando  terceiros.  A interessada apresentou impugnações relativas às contribuições  exigidas, alegando, em síntese, que:  ­ desde 2009 possui decisão que lhe assegura apurar e recolher  o PIS e a COFINS importação sem a inclusão de impostos ou de  contribuições  na  base  de  cálculo,  em  específico  mandado  de  segurança  contra  os  Senhores  Inspetor Chefe  da Alfândega  da  Receita  Federal  do  Porto  de  Itajaí/SC  e  Delegado  da  Receita  Federal do Brasil em Itajaí/SC.  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.720678/2012­84  Acórdão n.º 3201­002.102  S3­C2T1  Fl. 94          3 ­ tendo em vista que o lançamento ocorreu em 2012, a autuação  é  irregular  e  grave  desobediência  a  expressas  decisões  e  determinação  do  Poder  Judiciário  Federal,  inclusive  diretamente  oficiadas  ao  Sr.  Delegado  da  Receita  Federal  em  Itajaí/SC e à Fazenda Nacional.  ­  recurso  extraordinário  interposto  pela  Fazenda  Nacional  carece  de  qualquer  efeito  suspensivo  das  decisões  judiciais  plenamente tutelatórias de seu direito.  ­ requer o cancelamento do auto de infração.  A Delegacia de Julgamento  julgou  improcedente a  impugnação, em decisão  assim ementada:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 10/12/2007, 02/06/2008, 16/07/2008  CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E  JUDICIAL.  Na presença de ação judicial contra a Fazenda Pública, prévia  ou  posterior  ao  lançamento,  com  o mesmo  objeto  discutido  na  esfera  administrativa,  caracteriza­se  renúncia  às  instâncias  administrativas.  Juros de Mora. Os  juros  de mora serão  sempre devidos, ainda  que suspensa a exigência por medida liminar, ex vi do artigo 161  do CTN,  por  serem mera decorrência  do principal  e,  portanto,  considerados  definitivamente  constituídos  na  esfera  administrativa, juntamente com o tributo, que é discutido na via  judicial.  Aplicável  Multa  de  Ofício  por  infração  ocorrida  antes  da  vigência de medida judicial favorável à interessada.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Na  decisão  recorrida  afirmou­se  que  a  alegação  de  que  desde  2009  possui  decisão que  lhe assegura apurar  e  recolher o PIS e a COFINS  importação sem a  inclusão de  impostos ou de contribuições na base de cálculo, em específico mandado de segurança contra  os Senhores Inspetor Chefe da Alfândega da Receita Federal do Porto de Itajaí/SC e Delegado  da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC, não é suficiente para que se entenda que em 2007 e  em 2008 estaria albergada por essa decisão.   Contudo, nos documentos de importação consta o Mandado de Segurança nº  2007.72.00.008330­7/SC,  impetrado em 10/07/2007, contra o  Inspetor da Receita Federal em  Imbituba/SC  e  Delegado  da  Receita  Federal  em  Florianópolis/SC  e  não  contra  os  Senhores  Inspetor Chefe da Alfândega da Receita Federal do Porto de Itajaí/SC e Delegado da Receita  Federal do Brasil em Itajaí/SC.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     4 Por  conseguinte,  para  as  importações  anteriores  a  2009  não  estaria  a  Recorrente  amparada  por  dispositivo  judicial  para  deixar  de  recolher  as  contribuições  sem  a  inclusão dos acréscimos trazidos pela Lei nº 10.685/2004.  Quanto  aos  juros  de  mora  são  devidos  quando  os  tributos  não  forem  recolhidos  tempestivamente,  ressalvada  a  hipótese  de  depósito  do  montante  integral  correspondente ao crédito tributário e que resulte em conversão de renda da União. A fluência  de  juros  ocorre  mesmo  durante  a  suspensão  da  cobrança  (por  medida  administrativa  ou  judicial), segundo determina o artigo 5º do Decreto Lei 1736/1979.  Quanto à multa de ofício aplicadas são previstas no art. 44, I da Lei 9430/96,  com  a  redação  dada  pela  Lei  11488/2007,  e  considerando­se  que  a  interessada  não  estava  protegida  por  mandado  de  segurança  quando  das  importações  constantes  dos  autos  (2007  e  2008), incorreu em infração pelo não recolhimento das contribuições.  Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  Recorrente  reiterou  os  argumentos  expendidos  na peça  de  defesa,  colacionando  aos  autos  a decisão  do Tribunal Regional  da 4a  Região, com a comprovação de seu respectivo trânsito em julgado, reconhecendo o direito de  não  inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins  incidentes sobre a  importação, de  maneira definitiva.     É o relatório.      Voto               Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora   O presente  recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele  tomo conhecimento.   A decisão  recorrida  deixou  de  conhecer  a  impugnação,  por  entender  que  a  ocorrência de concomitância nos autos, com a consequente renúncia à via administrativa.  Não  obstante,  o  fato  é  que  se  a  concomitância  tem  como  efeito,  para  o  contribuinte,  a  renúncia  ao  processo  administrativo  fiscal  e  para  o  Fisco,  o  lançamento  de  ofício,  no  caso  de  existência  de  prévia  ação  judicial,  pode  ocorrer  apenas  para  efeitos  de  prevenção da decadência, sem aplicação das penalidades, conforme expressamente determina o  artigo 63 da Lei n. 9430/1996, hipótese que não se configurou nos autos.  Destarte, afirma a decisão recorrida que o mandado de segurança impetrado  seria específico contra o  Inspetor da Receita Federal em  Imbituba/SC e Delegado da Receita  Federal em Florianópolis/SC e não contra os Senhores Inspetor Chefe da Alfândega da Receita  Federal do Porto de Itajaí/SC e Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC. Por essa  razão, a liminar à época obtida, não alcançaria os despachos de importação ocorridos no âmbito  desse processo, estando livre o caminho para a exigência do crédito tributário.  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10909.720678/2012­84  Acórdão n.º 3201­002.102  S3­C2T1  Fl. 95          5 Contudo,  não  procede  tal  colocação,  pois  a  ação  mandamental  proposta,  independentemente  da  autoridade  impetrada,  teve  como  pedido  mediato,  a  declaração  de  inconstitucionalidade da Lei n. 10.865/2004, no dispositivo que ampliou indevidamente a base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  incidentes  nas  importações.  Portanto,  a  medida  judicial  era  dotada de efeito declaratório, isto é, alcançando todos os fatos geradores que se subsumissem à  hipótese normativa declarada inconstitucional.   Ademais,  o  direito  pleiteado  pela  Recorrente  foi  reconhecido,  de  forma  definitiva,  no  âmbito  da  Apelação/Reexame  Necessário  nº  2009.72.08.001084­0/SC,  assim  ementado:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS  E  À  COFINS.  IMPORTAÇÃO.  EXIGIBILIDADE.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  ADUANEIRO.  ACRÉSCIMOS  CONFERIDOS  PELA  LEI Nº 10.865/2004. IMPOSSIBILIDADE.  1. Vindo o alargamento das hipótese de  incidência das exações  em  comento  talhado  através  de  emenda  constitucional  (EC  42/2003),  não  há  alegar  o  contribuinte  a  ofensa  ao  §  4º,  do  artigo 195, da CF. E com efeito, quando a regra constitucional  menciona  a  possibilidade  de  "manutenção"  e  "expansão"  da  seguridade  social,  via  instituição  de  novas  fontes  de  receita,  assim o faz tendo em mente acaso se fizessem tais inovações no  plano  legislativo  ordinário,  o  que  não  foi  o  caso,  posto  que  fixada a regra matriz no próprio texto magno.  2.  A  e.  Corte  Especial  deste  Tribunal,  em  julgamento  da  Argüição de Inconstitucionalidade na AC 2004.72.05.003314­1,  em 22.02.2007  (DJU: 14.03.2007),  sob a  relatoria do  eminente  Desembargador  Federal  Antônio  Albino  Ramos  de  Oliveira,  rematou a controvérsia relativa à apuração da base de cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  importações  de  bens  ou  serviços,  declarando  a  inconstitucionalidade  da  expressão "acrescido  do  valor  do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  incidente  no  desembaraço  aduaneiro  e  do  valor  das  próprias  contribuições"trazida na parte  final do  inciso  I  do artigo 7º da  Lei nº 10.865/04, por ter ultrapassado os limites do conceito de  valor aduaneiro, tal como disciplinado nos Decreto­Lei nº 37/66  e Decreto 4.543/2002,  em afronta ao disposto no artigo 149, §  2º, III, a, da Constituição Federal.  3. Apelação e remessa oficial desprovidas.    E o dispositivo do acórdão:   Vistos  e  relatados  estes  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  decide  a  Egrégia  1ª  Turma  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  por  unanimidade,  negar  provimento  à  apelação  e  à  remessa  oficial,  nos  termos  do  relatório,  votos  e  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     6 notas  taquigráficas  que  ficam  fazendo  parte  integrante  do  presente julgado.    Portanto,  é  inquestionável  que  o  lançamento  ora  atacado  é  improcedente,  devendo ser cancelado, pois,  à época, estava obstada a autoridade administrativa de  lavrá­lo,  por força de medida judicial.   Em face do exposto julgo procedente o recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo                            Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/06/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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6414171 #
Numero do processo: 11080.726034/2011-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DESISTÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO Havendo o parcelamento do crédito - REFIS - há o implícito reconhecimento da definitividade do crédito tributário.
Numero da decisão: 9202-003.859
Decisão: Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DESISTÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO Havendo o parcelamento do crédito - REFIS - há o implícito reconhecimento da definitividade do crédito tributário.

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decisao_txt : Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2 Relatório  O presente Recurso Especial  trata de pedido de  análise de divergência motivado pela  Fazenda  Nacional,  face  ao  acórdão  2301­003.238,  proferido  pela  3ª  Câmara/  1º  Turma  Ordinária/2ª Seção de Julgamento do CARF.  O  processo  teve  início  através  dos Autos  de  Infração DEBCAB  nº  37.342.9339  (fls.  2/7)  e  nº  37.342.934­7  (fls.  14/16),  assim  individualizados,  conforme  Relatórios  de  Procedimento Fiscal (fls 17/21):  I ­ AI Debcad 37.342.933­9, referente a 15% sobre o valor constantes das notas fiscais  emitidas por cooperativa de trabalho, com aplicação da multa de 75%, nos termos da legislação  atual,  ou de 24%,  conforme  legislação  anterior,  relativo  ao período de 01/2007 a 12/2008,  e  referente à glosa de compensações indevidas, tendo sido aplicada multa de mora de 20%, nos  termos do § 9º, art. 89, da Lei 8.212/91; e  II  ­  AI  Debcad  37.342.9347,  CFL  78,  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, inciso IV, do art. 32, acrescentado pela Lei n. 9.528/97 e  redação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09.   A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio  do  Acórdão  1035.974,  da  7ª  Turma  da  DRJ/POA  (fls.  117),  julgou  a  impugnação  improcedente, mantendo o crédito tributário.  Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 132/150),  alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, alega nulidade do acórdão recorrido por  ter  deixado  de  enfrentar  os  argumentos  e  razões  que  fundamentam  a  impugnação,  sob  a  alegação de que a “constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública”. No  mérito,  reitera  que  o  art.  22,  IV,  da  Lei  8.212/91  opõe­se  à  CF,  e  que  a  Lei  9.876/99,  ao  acrescentar  o  referido  dispositivo  à  mencionada  norma  legal,  desbordou  da  outorga  de  competência  estabelecida  no  art.  191,  I,  “a”,  da  CF,  que  só  autoriza  a  exigência  desta  contribuição  sobre  serviços  prestados  por  pessoa  física.  Quanto  às  glosas  de  compensação,  destaca que não se  trata de créditos de terceiros, mas de créditos que, depois de regulamente  adquiridos pela recorrente, com base no permissivo do artigo 286, do Código Civil, passaram a  integrar o seu patrimônio, tratando­se, portanto, da compensação de créditos de propriedade da  recorrente.  Insurge  contra  o  AI  DEBCAD  37.342.9347,  argumentando  que,  uma  vez  demonstrada  inexigibilidade  da  contribuição  previdenciária  sobre  os  pagamentos  feitos  à  cooperativas, não teria finalidade razoável penalizar o contribuinte que eventualmente deixou  de informar esse mesmo pagamento ao Fisco.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.726034/2011­62  Acórdão n.º 9202­003.859  CSRF­T2  Fl. 6          3 A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, às fls. 154/169, deu parcial provimento  ao  recurso  voluntário,  decidindo,  em  relação  à  contribuição  incidente  sobre  a  nota  fiscal  ou  fatura de prestação de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, existir o  fato gerador, posto não competir ao CARF o pronunciamento sobre inconstitucionalidades da  lei  tributária. Sobre  a  arguição da  legalidade da  compensação de  contribuição previdenciária  por ela efetuada utilizando­se de direitos creditórios adquiridos de uma outra empresa, afastou  a pretensão do contribuinte por inobservância do art. 290 do Código Civil e do art. 170 do CTN  c/c o art. 89 da Lei 8.212/91. No tocante à multa, através de voto divergente, deu provimento à  insurgência do contribuinte no sentido de que, “para valer a regra da retroatividade benéfica da  lei, estampada no artigo 10, II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser  aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996”.  A  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial,  às  fls.  180/189,  alegando  que  os  acórdãos  paradigmas  entenderam  que,  para  efeito  da  apuração  da  multa  mais  benéfica  ao  contribuinte,  em  hipóteses  como  a  dos  presentes  autos  em  se  trata  de  lançamento  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  deve­se  comparar  a  multa  prevista  na  sistemática  antiga (art. 35 da norma revogada) com a multa indicada no novo art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I,  da Lei nº 9.430/96  (75%). A multa de mora prevista no novo art. 35 da Lei n. 8.212/91 não  deve ser levada em consideração porque trata do pagamento em atraso de crédito que ainda não  foi objeto de autuação.  Às  fls.  193/196,  o  contribuinte  peticionou  nos  autos  informando  ter  efetuado  o  pagamento integral do crédito tributário, objeto da presente autuação. Juntou em anexo Guia da  Previdência Social – GPS. Requereu a baixa e arquivamento do feito, com base no art. 156 do  CTN.   Às fls. 198/201, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, a Presidente da 3ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF,  considerou  que  decisões  –  acórdão  recorrido  e  acórdão  paradigma ­ adotaram critérios distintos para o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte.  Às  fls.  208/221,  o  Contribuinte  contrarrazoou  arguindo,  preliminarmente,  perda  do  objeto  devido  à  extinção  do  crédito  tributário  pelo  seu  pagamento  através  da  adesão  ao  Programa  de  Recuperação  Fiscal  –  Refis  da  Crise;  falta  de  prequestionamento  da  matéria  versada  no  recurso  especial  e  ausência  de  cotejo  analítico  entre  os  acórdãos  recorrido  e  paradigma. No mérito, requereu a negativa do provimento do recurso especial.  É o relatório.  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4 Voto             Conselheira Ana Paula Fernandes  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido.  Trata­se  o  presente  processo  administrativo  fiscal  dos  seguintes  Autos  de  Infração:  I  ­ AI Debcad  37.342.933­9,  referente  a  15%  sobre  o  valor  constantes  das  notas  fiscais emitidas por cooperativa de trabalho, com aplicação da multa de 75%, nos termos  da  legislação  atual,  ou  de  24%,  conforme  legislação  anterior,  relativo  ao  período  de  01/2007  a  12/2008,  e  referente  à  glosa  de  compensações  indevidas,  tendo  sido  aplicada  multa de mora de 20%, nos termos do § 9º, art. 89, da Lei 8.212/91; e  II ­ AI Debcad 37.342.9347, CFL 78, por descumprimento de obrigação acessória  estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, inciso IV, do art. 32, acrescentado pela Lei n. 9.528/97  e redação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09.   A  lide  se  concentra  sobre  a  correta  interpretação  da  aplicação  da multa  de  mora ou isolada nas hipóteses de compensação indevida de contribuição previdenciária.  O acórdão recorrido entendeu, através de voto divergente, dar provimento à  insurgência do contribuinte no sentido de que, “para valer a regra da retroatividade benéfica da  lei, estampada no artigo 10, II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser  aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996”.  O Recorrente,  por  sua  vez,  em  sede de Recurso Especial,  aduziu  que,  para  efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes  autos  em  que  se  trata  de  lançamento  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  deve­se  comparar  a  multa  prevista  na  sistemática  antiga  (art.  35  da  norma  revogada)  com  a  multa  indicada no novo art. 35­A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na  Lei  nº  11.941/2009  e  que  remete  ao  art.  44,  I,  da Lei  nº  9.430/96  (75%). A multa  de mora  prevista no novo art. 35 da Lei n. 8.212/91 não deve ser levada em consideração porque trata  do pagamento em atraso de crédito que ainda não foi objeto de autuação.  Contudo,  considerando  a  informação  contida  nos  autos,  veiculada  pelo  contribuinte,  de  que  houve  o  pagamento  dos  débitos  por meio  de REFIS,  observo  que  há  a  explícita concordância deste com o aludido débito imputado no MPF, devendo ser declarada a  exigibilidade do crédito tributário.  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  especial  e  DAR­LHE  PROVIMENTO.   Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.726034/2011­62  Acórdão n.º 9202­003.859  CSRF­T2  Fl. 7          5     (Assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes ­ Relatora                                Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 12898.001544/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos-Calendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL A compensação indevida com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal e por isso considerada como não- declarada, enseja a aplicação da multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Eventuais mudanças de redação, de terminologia, renumeração de incisos ou alíneas e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. Se ainda presentes os pressupostos que o artigo 72, da Lei nº 4.502/1964 caracteriza como fraude, correto o procedimento do Fisco em calcular a multa isolada com utilização do percentual de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado. DÉBITOS PARCELADOS OU PAGOS. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. EFEITOS O pagamento ou parcelamento posterior dos débitos compensados indevidamente em face de compensação considerada não declarada por se referir a créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal não afasta a multa isolada por compensação indevida, na medida em que ela decorre do efeito extintivo das DCOMP e visa coibir seu uso em hipóteses distintas daquelas autorizadas na lei, mormente se vinculada a créditos de natureza não tributária e com inserção de elementos falsos. Nestas circunstâncias, se o interessado não providencia espontaneamente o cancelamento de tais declarações, sujeita-se à multa aplicável aos lançamentos de ofício com evidente intuito de fraude, na sua forma isolada, prevista na legislação vigente.
Numero da decisão: 1402-002.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos-Calendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL A compensação indevida com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal e por isso considerada como não- declarada, enseja a aplicação da multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Eventuais mudanças de redação, de terminologia, renumeração de incisos ou alíneas e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. Se ainda presentes os pressupostos que o artigo 72, da Lei nº 4.502/1964 caracteriza como fraude, correto o procedimento do Fisco em calcular a multa isolada com utilização do percentual de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado. DÉBITOS PARCELADOS OU PAGOS. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. EFEITOS O pagamento ou parcelamento posterior dos débitos compensados indevidamente em face de compensação considerada não declarada por se referir a créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal não afasta a multa isolada por compensação indevida, na medida em que ela decorre do efeito extintivo das DCOMP e visa coibir seu uso em hipóteses distintas daquelas autorizadas na lei, mormente se vinculada a créditos de natureza não tributária e com inserção de elementos falsos. Nestas circunstâncias, se o interessado não providencia espontaneamente o cancelamento de tais declarações, sujeita-se à multa aplicável aos lançamentos de ofício com evidente intuito de fraude, na sua forma isolada, prevista na legislação vigente.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-07-02T18:07:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2016-07-02T18:07:19Z; Last-Modified: 2016-07-02T18:07:19Z; dcterms:modified: 2016-07-02T18:07:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2016-07-02T18:07:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-07-02T18:07:19Z; meta:save-date: 2016-07-02T18:07:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-07-02T18:07:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2016-07-02T18:07:19Z; created: 2016-07-02T18:07:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2016-07-02T18:07:19Z; pdf:charsPerPage: 2540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-07-02T18:07:19Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 1 1 0 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.001544/2009-67 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402-002.200 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria IRPJ/MULTA ISOLADA Recorrente FACILITY STAFF LTDA. Recorrida 3ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos-Calendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL A compensação indevida com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal e por isso considerada como não- declarada, enseja a aplicação da multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Eventuais mudanças de redação, de terminologia, renumeração de incisos ou alíneas e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. Se ainda presentes os pressupostos que o artigo 72, da Lei nº 4.502/1964 caracteriza como fraude, correto o procedimento do Fisco em calcular a multa isolada com utilização do percentual de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado. DÉBITOS PARCELADOS OU PAGOS. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. EFEITOS O pagamento ou parcelamento posterior dos débitos compensados indevidamente em face de compensação considerada não declarada por se referir a créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal não afasta a multa isolada por compensação indevida, na medida em que ela decorre do efeito extintivo das DCOMP e visa coibir seu uso em hipóteses distintas daquelas autorizadas na lei, mormente se vinculada a créditos de natureza não tributária e com inserção de elementos falsos. Nestas circunstâncias, se o interessado não providencia espontaneamente o cancelamento de tais declarações, sujeita-se à multa aplicável aos lançamentos de ofício com evidente intuito de fraude, na sua forma isolada, prevista na legislação vigente. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Roberto Silva Junior. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/RJ1, em sessão de 23 de novembro de 2009 (fls. 718/729) 1 , que julgou improcedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve o lançamento de multa isolada, em Acórdão assim ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário : 2005, 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não provada violação às disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional, tampouco às dos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005, 2006 CANCELAMENTO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A desistência ou o cancelamento da Declaração de Compensação é ato formal e deve ser veiculado através do programa eletrônico Perdcomp. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DESISTÊNCIA NÃO FORMALIZADA. PARCELAMENTO. MULTA ISOLADA DEVIDA. O parcelamento de débitos relativos à compensação não declarada não elide a multa isolada, nem dispensa a formalização do pedido de desistência/cancelamento da compensação. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO INEXISTENTE. Mantém-se a multa isolada de 150% sobre o valor total da compensação não declarada se não elididos os fatos que lhe deram causa, especialmente o de que a declaração de compensação foi apresentada com base em crédito inexistente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DA ACUSAÇÃO FISCAL De acordo com o TVF de fls. 400/406, a ação fiscal teve origem em razão de proposta de diligência na qual se determinou fosse apurada a multa isolada prevista no artigo 18, da Lei nº 10833/2003, sobre débitos compensados. Ainda segundo o relato do Fisco, “a aplicação da multa isolada deve-se ao fato das DCOMPs apresentadas não se referir a crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela RFB”. Prossegue afirmando ter intimado a contribuinte a confirmar o valor de R$ 10.563.822,68 relativo ao “total geral de débitos indevidamente compensados, conforme 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 784DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 4 4 demonstrativo em anexo”, que os valores “foram extraídos do processo n.° 15374.001263/2008-21”, e que, “o suposto crédito é oriundo do processo administrativo n.° 10070.000186/2005-40 onde as declarações de compensações foram consideradas NÃO DECLARADAS”. Faz referência e transcreve excertos do Despacho Decisório presente no referido Processo nº 10070.000186/2005-40 em que a contribuinte informa estar o suposto crédito tributário e no qual se registra ter havido “alterações indevidas do interessado e do objeto no Cadastramento (f1s.184)”, e que “o processo originalmente tinha como interessado: o contribuinte Wagner Muller de Magalhães - CPF n.° 739.147.467-34, sendo o seu objeto: Isenção de IPI de Taxi; e teve alterado o nome do interessado para Bandeirantes do Rio Conservação e Limpeza Ltda. - CNPJ: 31.651.49010001-10, tendo como objeto Compensação de crédito Tributário – IRPJ”. Continua a reprodução do DD citado pontuando que afirma ter a contribuinte informado que “os débitos referentes a Declarações de Compensação foram objetos de parcelamento no processo administrativo n.º 13708.00210412007-18”, e que, “tais débitos não se encontravam cadastrados no Sistema neste processo de parcelamentos (fls.188 e 189)”. Ainda reproduzindo o DD, aponta ficar “claro que o contribuinte não pode apresentar, como fez no presente processo, Declaração de Compensação lastreada em crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF, devendo, em casos dessa natureza, a autoridade competente considerar não declarada a compensação. Essa ilação deriva do fato de que, em face da inexistência do processo de restituição ou ressarcimento, não há crédito algum a ser apreciado, não podendo dele (crédito) se afirmar, portanto, que tem natureza de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, nem tampouco, é bom que se diga, por qualquer outro órgão”. Para concluir sua acusação (TVF – fls. 405/406): “Diante dos fatos acima transcritos ficou caracterizada a prática dos fatos que configurem crime, em tese, das infrações definidas nos arts. 71 a 73 da Lei n.2 4.502, de 30 de novembro de 1964, e também por envolver o crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF, constituímos o crédito tributário, - mediante lançamento de ofício, MULTA ISOLADA de 150% (cento e cinquenta por cento) calculada sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado. O valor da Multa Isolada foi apurado conforme Demonstrativo Sintético dos Débitos Indevidamente Compensados, folha (29 ), e Demonstrativo dos débitos indevidamente compensados, por tributo e contribuições, relativos as Per/Dcomps consideradas não declaradas, folhas (398 a 400) 2 , elaborados por esta fiscalização”. Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação à DRJ alegando, em síntese, que “efetuou uma série de compensações de débitos seus com créditos, que com base em pareceres e análise de seus consultores contábeis e legais à época, seriam hábeis ao procedimento previsto na legislação de regência”, Que, “entretanto, que apesar de ter realizado o pagamento dos supostos "créditos", assim como, pelos serviços prestados, descobriu a Impugnante que os mesmo não poderiam ser objeto de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, pois não tinham natureza de tributos. Assim, percebendo o equívoco cometido, e antes do início de qualquer procedimento fiscal, desistiu das malsinadas compensações e efetuou o parcelamento de todos os valores que haviam sido objeto delas. Isto foi feito em 18 de agosto de 2007, através do Processo n° 13708-002104/2007-18, conforme evidencia a cópia em anexo (Doc. n° 01), com o pedido realizado em 26 de dezembro de 2.007 (Doc. n° 02)”. (negritado no original). 2 Numeração manuscrita Fl. 785DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 5 5 E, que, “retificou as DCTF"S nela incluindo todos os valores objeto do mencionado parcelamento (Docs. nrs. 04 a 07)” . Reclama, por fim, da aplicação da multa isolada e de sua exasperação ao patamar de 150%, posto que, no seu entender, “diante da situação fática dos autos, é fácil concluir que não ocorreu qualquer resquício de ato doloso, muito menos de evidente intuito de fraude por parte do Impugnante nos termos preconizados pela Lei”. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 3ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à impugnação, afastando as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa e no mérito, acerca da imposição da multa isolada, pontuou, por seu voto condutor (fls. 725/727): “35. Em sua defesa, o interessado alega que, percebendo o equívoco das compensações efetuadas, "desistiu das malsinadas compensações, em 18.08.2007, através do processo de parcelamento n° 13708.002104/2007-18". 36. Como já se viu em nosso item 33, ao contrário do que afirma o interessado, a autoridade lançadora, na análise manual das Dcomps em tela, constatou que os débitos a estas referentes não haviam sido cadastrados no sobredito processo de parcelamento, porém, só viriam a sê-lo no processo 13795/000104-2008-22. 37. E, isto porque, como assinalou a autoridade lançadora, na decisão às fls.31/35, a solicitação do interessado, por cópia às fls.466, para que os ditos débitos fossem incluídos no processo 13708.002104/2007-18, carecia de amparo legal. 38. O fato, então, é que os débitos em tela não foram incluídos no processo de parcelamento de 13708.002104/2007-18 (que é o expressamente referido em todos os darfs de pagamento de parcelamento que o interessado junta às fls.466, com os quais pretende fazer prova de suas alegações), mas, como afirma a autoridade lançadora (fls.32), no processo de parcelamento n° 13795.000104/2008-22, que só foi protocolado em 20.08.2008, conforme consulta às fls. 673/679. 39. Pois bem. O parcelamento é apenas uma das formas de extinção do crédito tributário, e, como tal, pode compreender débitos cuja compensação foi considerada não declarada. 40. Todavia, não há previsão legal para que o fato de os débitos de compensação não declarada terem sido parcelados, pagos ou extintos por qualquer forma, exonere a multa prevista na lei em face de compensação não declarada. Ou seja: a dita multa não está condicionada ao parcelamento ou ao pagamento dos débitos que lhe deram causa, razão por que é inócua a discussão acerca da data de formalização do pedido de parcelamento. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 6 6 41. Apenas o pedido formal de desistência da Dcomp tem o condão de impedir que esta venha a ser considerada não declarada, e, por conseguinte, impedir o fato gerador da multa. 42. O pedido de desistência da Dcomp, conforme Instrução Normativa (IN) SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, da mesma forma que a Dcomp, deve ser feito com a utilização do programa Perdcomp e, só será deferido se a compensação estiver pendente de decisão, e mais: se o declarante não tiver ainda sido intimado para apresentar documentos comprobatórios referentes à compensação declarada. (...) 43. No entanto, no histórico das Dcomp em tela, às fls.662/672, não há registro de pedido de cancelamento das Dcomps relativas às compensações que foram consideradas como não declaradas. Tanto que, como nelas se lê, todas têm registro de análise manual em 10.06.2008 (reprise-se que o processo de parcelamento n° 13795.000104/2008-22, atualmente no arquivo temporário da Dívida Ativa da União, só foi protocolado em 20.08.2008, conforme consulta às fls.678, em 20.08.2008). 44. Conclui-se, então, que o pedido de parcelamento não dispensa a formalização da desistência da compensação declarada, nem elide a multa em face de compensação não declarada. 45. Sendo assim, nascida por força de lei expressa, a multa isolada deve ser mantida, conquanto a condição de compensação não-declarada, de que trata a decisão às fls.31/35, não restou elidida”. E quanto à elevação, em duas vezes, do valor da multa, concluiu (Ac. fls. 727/729): “49. O agravamento da multa de 75% para 150% implica, necessariamente, a presença de conduta intencional de sonegação, fraude ou conluio, tal como explicitado nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, (...) 50. Nas Dcomps em tela, o interessado declarou como fonte do direito creditório "pagamento indevido ou a maior", vinculado ao processo n° 10070.000186/2005-40. 51. Entretanto, como atesta, expressamente, a autoridade lançadora constatou que inexistia qualquer direito creditório no aventado processo de restituição ou ressarcimento – que foi expressamente indicado nas 11 (onze) Dcomps relacionadas no quadro I (nosso item 2) -, para amparar as compensações declaradas (fls.31/35), isto é: o interessado extinguiu, por compensação, débitos no valor total de R$ 10.563.822,68, com créditos inexistentes. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 7 7 52. E mais. Acerca do sobredito processo, que o interessado informou nas Dcomps — que transmitiu no período de 07.10.2005 a 14.09.2006 - como tendo sido aquele de que haurira o crédito para extinguir débitos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, dos anos-calendário de 2005 e 2006, no valor total de R$ 10.563.822,68, a autoridade lançadora assim explicita (fls.31/35): a) o processo 10070.000186/2005-40 foi inicialmente formalizado em nome de Wagner Muller de Marques; b) o processo 10070.000186/2005-40 se referia à isenção de IPI de táxi; c) o processo 10070.000186/2005-40 contém irregularidades em suas movimentações, no período de 11.02.2005 a 07.10.2005; d) o processo 10070.000186/2005-40, ao final, foi alterado para o nome do interessado e para o tributo IRPJ 53. Além das ocorrências acima, ao ser intimado para esclarecer as circunstâncias relativas ao sobredito processo 10070.000186/2005-40, o interessado informou que os débitos haviam sido objeto de um processo de parcelamento: de n° 13708/002104/2007-18, que, como se lê às fls.682, foi protocolado em 17.08.2007. 54. Todavia, nesse processo de parcelamento no qual, segundo o interessado todos os débitos estavam incluídos, a autoridade lançadora não identificou nenhum dos débitos objeto das Dcomps em tela (fls.32). 55. Por isso, como se vê às fls.466, apenas em 26.12.2007 é que o interessado formalizou pedido para parcelamento dos ditos débitos. 56. Agora, em sede de impugnação, o interessado, relativamente aos fatos que culminaram com a decisão de fls.31/35, afirma apenas que as malsinadas compensações foram lastreadas em pareceres de consultores contábeis e legais, não fazendo qualquer referência ao também malsinado processo que deu origem às compensações não declaradas. 57. A conjugação dos fatos acima afasta a alegação do interessado de que o autuante não se teria esforçado para caracterizar o intuito de fraude, porque, da forma como descritos no despacho decisório que considerou não declaradas as compensações listadas em nosso item 2, bastaram para lastrear a conclusão do autuante, que não merece reparos, de que, à hipótese configurada nos autos, deve ser aplicada a multa de 150%. 58. Pelas razões expostas, deve ser mantida a exigência de R$ 15.845.734,03”. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 8 8 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 19/03/2010 (fls. 742), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/04/2010 (fls. 744/759), no qual, basicamente, repisa os argumentos anteriormente expendidos e acrescenta: i) “Na hipótese em exame, o crédito tributário foi constituído através de confissão espontânea, por meio dos parcelamentos realizados. Ou eles foram válidos para elidir a multa de ofício, nela incluída a multa isolada, ou do contrário, os mesmos não foram objeto de lançamento até a presente data, e, portanto decaiu do direito da Fazenda Nacional de fazê-lo. ii) O que de fato não pode ocorrer, é a negação de um princípio básico de filosofia, segundo o qual, nada pode ser e não ser ao mesmo tempo. iii) Ou o parcelamento e as DCTF's geraram os efeitos que lhe são próprios, inclusive a confissão e constituição da dívida, ou nunca interromperam a decadência ou a prescrição na espécie. iv) O Recorrente, entretanto, entende que o parcelamento e a apresentação das DCTF'S antes do início da qualquer procedimento fiscal elidiu a multa de ofício ou isolada, pois antes de qualquer procedimento não havia mais qualquer compensação a ser apreciada (art. 138 do CTN). v) (...) vi) Assim, a hipótese presente se demonstra inviável a caracterização da conduta típica prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502164, isto porque o contribuinte, antes do início de qualquer procedimento fiscal, confessou a dívida com o parcelamento, como argumentar a presença do intuito de evitar ou protelar o pagamento de tributos? vii) Na verdade, multas excessivas, que ultrapassam o razoável para punir os transgressores e prevenir para que o ilícito não volte a acontecer, caracterizam o confisco de forma indireta, sendo vedado pela Constituição da República”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 9 9 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar, passo ao mérito. Cuida-se de apreciar lançamento de multa isolada no valor de R$ 15.845.734,03 em face de “compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo”, conforme consta do auto de infração de fls. 413, com enquadramento legal no art. 18, da Lei nº 10833/2003 (redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e 11.196/2005) e outros dispositivos nele relacionados. Para sustentar seu procedimento, o Fisco, no TVF de fls. 400/406, reporta-se ao Despacho Decisório exarado no Processo nº 10070.000186/2005-40 em que estaria registrado o suposto crédito que a recorrente diz possuir e no qual aponta ficar claro “que o contribuinte não pode apresentar, como fez no presente processo, Declaração de Compensação lastreada em crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF, devendo, em casos dessa natureza, a autoridade competente considerar não declarada a compensação. Essa ilação deriva do fato de que, em face da inexistência do processo de restituição ou ressarcimento, não há crédito algum a ser apreciado, não podendo dele (crédito) se afirmar, portanto, que tem natureza de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, nem tampouco, é bom que se diga, por qualquer outro órgão”. A partir dessa premissa, elaborou demonstrativos de fls. 408/410 para apurar o valor a ser lançado como multa isolada. Mais ainda, por entender ter ocorrido a prática de atos enquadráveis nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/1964 e por envolver crédito não referente a tributos e contribuições administrados pela SRF, a multa isolada foi duplicada ao percentual de 150%, calculada sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado. De seu lado, a recorrente insiste que, depois de ter percebido o equívoco que cometera, “desistiu das malsinadas compensações e efetuou o parcelamento de todos os valores que haviam sido objeto delas. Isto foi feito em 18 de agosto de 2007, através do Processo n° 13708- 002104/2007-18, conforme evidencia a cópia em anexo, com o pedido realizado em 26 de dezembro de 2.007”, e que, “diante da situação fática dos autos, é fácil concluir que não ocorreu qualquer resquício de ato doloso, muito menos de evidente intuito de fraude por parte do Impugnante nos termos preconizados pela Lei”. O que se vê nos autos é que a recorrente objetivou promover a extinção de débitos tributários de sua responsabilidade perante a Fazenda Federal contrapondo-os a Declarações de Compensação lastreadas em supostos créditos que não se referiam a tributos e contribuições sob a administração da Receita Federal. Quanto a isso, inexistem controvérsias nos autos. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 11 11 Em outro dizer, a compensações intentadas pela recorrente estão baseadas em créditos que, por não terem natureza tributária, não são oponíveis à Fazenda Federal, consoante expresso no artigo 170, do CTN 3 . Por sua vez, o art. 74, da Lei n° 9.430/96, disciplinou a compensação tributária, prevendo, em sua redação vigente à época dos fatos aqui tratados, que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques acrescidos). Em contrapartida, foi autorizado ao Fisco, no caso de compensação considerada indevida ou incorreta, negar sua homologação e proceder à cobrança dos débitos indevidamente compensados. É o mandamento dos §§ 6º a 8º, do referido artigo 74: § 6 o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7 o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8 o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7 o , o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9 o . (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Finalmente, a Lei nº 11.051, de 29/12/2004, ao dar nova redação e incluir dispositivos no art. 74, da Lei nº 9.430/1996, expressamente vedou a compensação entre 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv608.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 12 12 débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal com créditos que não se refiram a tributos e contribuições por ela administrados: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Assim, a compensação pretendida foi corretamente negada pela decisão recorrida. Todavia, a não homologação da compensação em casos como o que agora se aprecia apresenta mais uma variável, e esta de caráter de penalização pecuniária. Trata-se da imposição da chamada “multa isolada”. Para melhor compreensão, necessário circular pelos dispositivos legais que tratam do tema. Inicialmente, a sua incorporação ao mundo jurídico-tributário, na forma do art. 43, da Lei nº 9.430/1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Depois, o artigo 44 da mesma Lei (com diversas alterações ao longo do tempo), no qual se definiram percentuais e formas de aplicação da multa. Sequencialmente, a Medida Provisória nº 2.158-35 de 24/08/2001, artigo 90, quando dispôs: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Finalmente, a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (também com várias alterações) que, em seu artigo 18, tratou diretamente da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada (caso apreciado). Na verdade, desde sua versão original 4 , o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, sofreu três alterações, mas em nenhuma dessas modificações a conduta verificada deixou de ser penalizada. 4 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n o 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser Fl. 793DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art90 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art90 Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 13 13 Vejamos: A primeira alteração da redação do referido dispositivo foi promovida pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, trazendo esta linguagem 5 : “Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I caput ou no § 2° do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Por sua vez, a mesma Lei nº 11.051/2004, alterou o inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que passou a ter a seguinte redação (no que é pertinente ao deslinde do caso): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964. 5 Os destaques não constam dos textos originais Fl. 794DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv608.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12838.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art71 Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 14 14 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II - em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Uma segunda alteração ocorreu nos §§ 4° e 5º do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, introduzida pela Lei n° 11.196/2005, que passaram a ter a seguinte redação: § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando- se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) 1 - no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (incluído pela Lei n°11.196, de 2005) II - no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 5° Aplica-se o disposto no § 2° do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4° deste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005). Finalmente, o dispositivo em questão foi novamente alterado pela Medida Provisória n° 351, posteriormente convertida na Lei 11.488, de 16 de junho de 2007 passando a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2°A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 15 15 (...) § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 12, quando for o caso. § 5º Aplica-se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo." De se concluir, repita-se, que em nenhum momento, desde a edição da Lei n° 10.833/2003, e nas várias redações do seu art. 18, a conduta da recorrente de promover, indevidamente, compensação utilizando-se de créditos que não se refiram a tributos e contribuições administrados pela RFB, deixou de ser apenada com a correspondente multa isolada. Neste sentido, divirjo do pensamento daqueles que entendem que a aplicação da multa isolada nos casos de compensação não declarada somente atingiria situações em que caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 e ao patamar de 150%, o que implicaria na negação da multa de 75%, e comungo do pensamento exarado pelo ilustre Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator do Processo nº 10746.001075/2004-80, Acórdão nº 9101.002.200, da 1ª Turma da CSRF, sessão de 01/02/2016, do qual peço vênia para reproduzir excertos do seu voto condutor, em tudo aplicável, com os devidos ajustes, ao caso tratado (com destaques acrescentados): “A observação das várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003, evidencia que desde o início há um núcleo que não se alterou até os dias de hoje. O fato é que o legislador, logo após modificar toda a sistemática para a compensação de tributos federais, mediante as alterações promovidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, estabeleceu pelo art. 18 da Lei 10.833/2003 multa isolada para as hipóteses em que o crédito ou o débito envolvido no encontro de contas não era passível de compensação por expressa disposição legal; em que o crédito era de natureza não tributária; ou em que ficasse caracterizada a prática de fraude. Para o caso concreto, vale registrar que o art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) só admite a compensação de débitos com créditos próprios, e desde que estes créditos sejam relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. Quanto a esse aspecto, as várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003 em nada alteraram os pressupostos para a aplicação da multa isolada em questão. (...) Fl. 796DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 16 16 Nesse sentido, a vedação de compensação que utilize créditos que não correspondam a tributos administrados pela Receita Federal, já existente antes da Lei 11.051/2004, também consta expressamente entre as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/1996 (incluído pela Lei 11.051/2004), situação em que a compensação passou a ser designada como “não declarada”. Tal hipótese, para a qual o legislador previu a multa isolada desde a redação original da Lei 10.833/2003, apenas foi retirada do caput do art. 18 desta lei e passou a constar do § 4º deste mesmo dispositivo, eis que, como dito acima, está exatamente entre aquelas que a lei passou a designar como “compensação não declarada”. Com efeito, a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação da multa isolada em questão, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Para esses casos, a norma que se extrai do texto legal é exatamente a mesma, e não podemos confundir a norma com o texto que a veicula. Nesse caso, as meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindo-se aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. Nesse caso, a multa que já era prevista nos percentuais de 75% ou 150%, passou a ser aplicada apenas no percentual de 150%, independentemente de haver ou não caracterização de fraude. Isto porque o fato de a contribuinte apresentar DCOMP com crédito que manifestamente não pode ser utilizado em procedimento de compensação, revela conduta compatível com a exasperação da multa, principalmente num contexto normativo (desde a Lei nº 10.637/2002) em que a compensação declarada à Receita Federal adquiriu relevantes efeitos favoráveis aos contribuintes, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória. Ocorre que posteriormente, já com a edição da Lei nº 11.196, de 21/11/2005, essa situação foi modificada, prevendo-se novamente os percentuais de 75% e 150% para a multa nos casos de compensação não declarada, dependendo da ocorrência ou não de fraude. Vale registrar novamente: a Lei nº 11.051/2004 não suprimiu a hipótese normativa em questão para a incidência da multa, o que Fl. 797DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 17 17 ela fez foi apenas exasperar o percentual da multa para essa hipótese. Importante destacar que não é o tamanho da sanção que define a hipótese de incidência da norma sancionadora. E conforme indicado acima, há razões que justificam o aumento da penalidade para os casos de utilização de créditos que manifestamente não podem ser utilizados em procedimento de compensação tributária no âmbito da Receita Federal. Nesse contexto, é inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. Também não se trata de retroagir a Lei nº 11.196/2005, para fins de suprir hipótese normativa inexistente para a incidência da norma sancionadora. Como visto, por força do próprio caput do art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal sempre constou como hipótese de incidência da norma sancionadora. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicá-la em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude”. Concluindo, inexistem dúvidas de que a multa isolada aplicada com supedâneo no art. 18, da Lei nº 10.833, em todas as suas redações, atingindo situações elencadas no § 12, II, “e”, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, com redação a partir da Lei nº 11.051/2004 pode ter percentual de 75% ou 150%, conforme restar caracterizada (ou não), a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fixado este alicerce, resta verificar os dois argumentos centrados pela defesa no seu recurso voluntário, quais sejam, i) se o fato de ter “parcelado”os débitos que tentou compensar com créditos não relativos a tributos administrados pela Receita Federal elidiria a penalidade, e, ii) se a exasperação da multa isolada, duplicando seu percentual de 75% para 150% foi corretamente aplicada ou se, como sustenta a recorrente, “diante da situação fática dos autos, é fácil concluir que não ocorreu qualquer resquício de ato doloso, muito menos de evidente intuito de fraude por parte do Impugnante nos termos preconizados pela Lei”. Primeiramente, a respeito do parcelamento que aduz ter providenciado, a decisão recorrida fez várias ressalvas a respeito, por exemplo, “de acordo com o que se lê na decisão de fls.31/35, reproduzida no Termo de Verificação (fls.393/395), nos autos do processo 15374.001263/2008-21, o interessado informou que os débitos referentes às Dcomps em tela haviam sido objeto do processo de parcelamento n° 13708/002104/2007-18 (fls.15 e 24).Todavia, a autoridade lançadora, constatou que os débitos não estavam cadastrados nesse dito processo”. Mais, que “em sua defesa, o interessado alega que, percebendo o equívoco das compensações efetuadas, "desistiu das malsinadas compensações, em 18.08.2007, através do processo de parcelamento n° 13708.002104/2007-18", porém, “ao contrário do que afirma o interessado, a autoridade lançadora, na análise manual das Dcomps em tela, constatou que os débitos a estas referentes não haviam sido cadastrados no sobredito processo de parcelamento, porém, só viriam a sê- lo no processo 13795/000104-2008-22”. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 18 18 E ainda, “o fato, então, é que os débitos em tela não foram incluídos no processo de parcelamento de 13708.002104/2007-18 (que é o expressamente referido em todos os darfs de pagamento de parcelamento que o interessado junta às fls. 466, com os quais pretende fazer prova de suas alegações), mas, como afirma a autoridade lançadora (fls. 32), no processo de parcelamento n° 13795.000104/2008-22, que só foi protocolado em 20.08.2008, conforme consulta às fls. 673/679”. De qualquer forma, mesmo que se relevem as ressalvas acima apontadas, a verdade é que, como bem assinalou a decisão recorrida, aqui tomada como razões de decidir, a insatisfação da recorrente não comporta acolhimento. Veja-se: “O parcelamento é apenas uma das formas de extinção do crédito tributário, e, como tal, pode compreender débitos cuja compensação foi considerada não declarada. Todavia, não há previsão legal para que o fato de os débitos de compensação não declarada terem sido parcelados, pagos ou extintos por qualquer forma, exonere a multa prevista na lei em face de compensação não declarada. Ou seja: a dita multa não está condicionada ao parcelamento ou ao pagamento dos débitos que lhe deram causa, razão por que é inócua a discussão acerca da data de formalização do pedido de parcelamento. Apenas o pedido formal de desistência da Dcomp tem o condão de impedir que esta venha a ser considerada não declarada, e, por conseguinte, impedir o fato gerador da multa. O pedido de desistência da Dcomp, conforme Instrução Normativa (IN) SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, da mesma forma que a Dcomp, deve ser feito com a utilização do programa Perdcomp e, só será deferido se a compensação estiver pendente de decisão, e mais: se o declarante não tiver ainda sido intimado para apresentar documentos comprobatórios referentes à compensação declarada, senão vejamos: Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 19 19 No entanto, no histórico das Dcomp em tela, às fls.662/672, não há registro de pedido de cancelamento das Dcomps relativas às compensações que foram consideradas como não declaradas. Tanto que, como nelas se lê, todas têm registro de análise manual em 10.06.2008 (reprise-se que o processo de parcelamento n° 13795.000104/2008-22, atualmente no arquivo temporário da Dívida Ativa da União, só foi protocolado em 20.08.2008, conforme consulta às fls.678, em 20.08.2008). Conclui-se, então, que o pedido de parcelamento não dispensa a formalização da desistência da compensação declarada, nem elide a multa em face de compensação não declarada. Sendo assim, nascida por força de lei expressa, a multa isolada deve ser mantida, conquanto a condição de compensação não- declarada, de que trata a decisão às fls.31/35, não restou elidida”. Em síntese, é por meio do “cancelamento das DCOMP” que o interessado desfaz seus efeitos, quais sejam, i) confissão de dívida (art. 74, §6 o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003), e, ii) extinção do débito compensado (art. 74, da Lei nº 9.430/96, procedimento que não é substituído ou derrogado pelo parcelamento assumido., não bastando, como diz a recorrente, ter retificado as DCTF, “nela incluindo todos os valores objeto do mencionado parcelamento (Docs. nrs. 04 a 07)” . Adicionalmente, cite-se, sequer os débitos inseridos nas Dcomps têm congruência com os pedidos de parcelamento aportados aos autos, veja-se: Débitos Compensados – fls. 10 Pedido de Parcelamento – fls. 500 Rejeito, pois, os argumentos da recorrente a respeito. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 20 20 Finalmente, acerca da duplicação do percentual da multa isolada, elevando-a a 150% do valor do débito indevidamente compensado, melhor sorte não lhe socorre. De fato, basta ver alguns tópicos presentes nos autos e bem descritos na decisão recorrida (abaixo reproduzidos), para se constatar a correção do procedimento fiscal em impor a penalidade em 150%. Nas Dcomps em tela, o interessado declarou como fonte do direito creditório "pagamento indevido ou a maior", vinculado ao processo n° 10070.000186/2005-40. Entretanto, como atesta, expressamente, a autoridade lançadora constatou que inexistia qualquer direito creditório no aventado processo de restituição ou ressarcimento – que foi expressamente indicado nas 11 (onze) Dcomps relacionadas no quadro I (nosso item 2) -, para amparar as compensações declaradas (fls.31/35), isto é: o interessado extinguiu, por compensação, débitos no valor total de R$ 10.563.822,68, com créditos inexistentes. E mais. Acerca do sobredito processo, que o interessado informou nas Dcomps — que transmitiu no período de 07.10.2005 a 14.09.2006 - como tendo sido aquele de que haurira o crédito para extinguir débitos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, dos anos-calendário de 2005 e 2006, no valor total de R$ 10.563.822,68, a autoridade lançadora assim explicita (fls.31/35): a) o processo 10070.000186/2005-40 foi inicialmente formalizado em nome de Wagner Muller de Marques; b) o processo 10070.000186/2005-40 se referia à isenção de IPI de táxi; c) o processo 10070.000186/2005-40 contém irregularidades em suas movimentações, no período de 11.02.2005 a 07.10.2005; d) o processo 10070.000186/2005-40, ao final, foi alterado para o nome do interessado e para o tributo IRPJ Além das ocorrências acima, ao ser intimado para esclarecer as circunstâncias relativas ao sobredito processo 10070.000186/2005-40, o interessado informou que os débitos haviam sido objeto de um processo de parcelamento: de n° 13708/002104/2007-18, que, como se lê às fls.682, foi protocolado em 17.08.2007. Todavia, nesse processo de parcelamento no qual, segundo o interessado todos os débitos estavam incluídos, a autoridade lançadora não identificou nenhum dos débitos objeto das Dcomps em tela (fls.32). Pois bem, conforme definição legal, caracteriza-se como fraude toda ação ou omissão dolosa tendente (i) a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 801DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 21 21 gerador da obrigação tributária principal, ou (ii) a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Concretamente, para que se caracterize a fraude, não basta que a ação ou omissão seja dolosa, mas também que produza seus efeitos sobre montante do imposto devido. Ou seja, por definição legal, em casos como o presente, há fraude quando a ação fraudulenta visa à redução da obrigação (efeito da parte final do dispositivo). Concretamente, nos autos, a declaração do crédito a ser compensado não é passível de compensação por ser contrária à lei, ou seja, é impreciso e discutível na parte em que declara o direito e não na que confessa a obrigação. Assim, a apresentação e tentativa de demonstração da existência do direito de compensar o crédito utilizando-se do subterfúgio de extinguir, como atesta a autoridade lançadora, via compensação, débitos no valor total de R$ 10.563.822,68, com créditos inexistentes e, mais ainda, lançar mão de processo no qual nem figurava como interessada e tinha, como objeto “isenção de IPI – Táxi”, por si só já são fatores indeléveis para se tipificar a ação praticada no artigo 72, da Lei nº 4.504/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Neste cenário, entendo presentes os pressupostos que o artigo 72, da Lei nº 4.502/1964 elencou para caracterizar a fraude, de forma que a multa isolada foi corretamente aplicada com a utilização do percentual de 150%. Assim, afasto o arguido pela recorrente e mantenho a penalidade aplicada. E, em face dos dizeres da Súmula CARF nº 2, igualmente afasto o reclamo da recorrente de que “multas excessivas, que ultrapassam o razoável para punir os transgressores e prevenir para que o ilícito não volte a acontecer, caracterizam o confisco de forma indireta, sendo vedado pela Constituição da República”. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, MANTENDO a decisão recorrida. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 07 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 802DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12898.001544/2009-67 Acórdão n.º 1402-002.200 S1-C4T2 Fl. 22 22 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.731521/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 ARBITRAMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MODIFICAÇÃO DAS RAZÕES DE ARBITRAMENTO PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Ao se constatar que a decisão de primeira instância manteve o arbitramento dos lucros com base no mesmo dispositivo legal empregado pelo Fisco no ato do lançamento, e que as extensas irregularidades apontadas já se encontravam expostas desde a autuação, sendo tão somente ratificadas pelo acórdão recorrido, não se há de reconhecer qualquer alteração das razões de arbitramento. A preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser rejeitada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA. Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de inúmeras e graves irregularidades, mostra-se imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE CONTÁBIL. MANIPULAÇÃO DE RESULTADOS. PROCEDÊNCIA. Restou comprovada nos autos a existência de uma ação minuciosamente planejada para a obtenção de novos resultados societários, ao mesmo tempo em que se eliminavam pendências/irregularidades fiscais pré-existentes sem gerar novos pagamentos de tributos, introduzindo também novas e igualmente graves irregularidades. A manipulação de resultados incluiu o aumento do resultado em anos já atingidos pela decadência e a redução (mediante majoração de custos) nos períodos ainda sujeitos à tributação. Em tais condições, presente a conduta dolosa de modificação das características essenciais do fato gerador tributário, de forma a reduzir o montante do tributo devido, é de se ter por correta a aplicação da multa de ofício qualificada (150%). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. MANIPULAÇÃO DE RESULTADOS. FRAUDE CONTÁBIL. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62, § 2º, DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos na forma de fraude contábil e manipulação de resultados, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2008 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. BENEFÍCIO FISCAL. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. LEI Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, na verdade se destinaram a empresas situadas na Zona Franca de Manaus e devidamente registradas junto à Suframa, cabe a ela provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta correspondentes a essas vendas devem ser excluídos da base tributável. Em sentido oposto, se os elementos carreados aos autos pela interessada são insuficientes para a prova indispensável, a autuação deve ser mantida, na parte não comprovada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2008 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. BENEFÍCIO FISCAL. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. LEI Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, na verdade se destinaram a empresas situadas na Zona Franca de Manaus e devidamente registradas junto à Suframa, cabe a ela provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta correspondentes a essas vendas devem ser excluídos da base tributável. Em sentido oposto, se os elementos carreados aos autos pela interessada são insuficientes para a prova indispensável, a autuação deve ser mantida, na parte não comprovada.
Numero da decisão: 1301-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, que dava integral provimento ao recurso, e o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que dava provimento parcial em maior extensão para cancelar os juros incidentes sobre a multa de ofício. O Conselheiro Flavio Franco Correa acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Paulo Jakson da Silva Lucas, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, que dava integral provimento ao recurso, e o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que dava provimento parcial em maior extensão para cancelar os juros incidentes sobre a multa de ofício. O Conselheiro Flavio Franco Correa acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Paulo Jakson da Silva Lucas, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães.

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 ARBITRAMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MODIFICAÇÃO DAS RAZÕES DE ARBITRAMENTO PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Ao se constatar que a decisão de primeira instância manteve o arbitramento dos lucros com base no mesmo dispositivo legal empregado pelo Fisco no ato do lançamento, e que as extensas irregularidades apontadas já se encontravam expostas desde a autuação, sendo tão somente ratificadas pelo acórdão recorrido, não se há de reconhecer qualquer alteração das razões de arbitramento. A preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser rejeitada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA. Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de inúmeras e graves irregularidades, mostra-se imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE CONTÁBIL. MANIPULAÇÃO DE RESULTADOS. PROCEDÊNCIA. Restou comprovada nos autos a existência de uma ação minuciosamente planejada para a obtenção de novos resultados societários, ao mesmo tempo em que se eliminavam pendências/irregularidades fiscais pré-existentes sem gerar novos pagamentos de tributos, introduzindo também novas e igualmente graves irregularidades. A manipulação de resultados incluiu o aumento do resultado em anos já atingidos pela decadência e a redução (mediante majoração de custos) nos períodos ainda sujeitos à tributação. Em tais condições, presente a conduta dolosa de modificação das características essenciais do fato gerador tributário, de forma a reduzir o montante do tributo devido, é de se ter por correta a aplicação da multa de ofício qualificada (150%). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. MANIPULAÇÃO DE RESULTADOS. FRAUDE CONTÁBIL. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62, § 2º, DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos na forma de fraude contábil e manipulação de resultados, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2008 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. BENEFÍCIO FISCAL. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. LEI Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, na verdade se destinaram a empresas situadas na Zona Franca de Manaus e devidamente registradas junto à Suframa, cabe a ela provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta correspondentes a essas vendas devem ser excluídos da base tributável. Em sentido oposto, se os elementos carreados aos autos pela interessada são insuficientes para a prova indispensável, a autuação deve ser mantida, na parte não comprovada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2008 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. BENEFÍCIO FISCAL. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. LEI Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, na verdade se destinaram a empresas situadas na Zona Franca de Manaus e devidamente registradas junto à Suframa, cabe a ela provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta correspondentes a essas vendas devem ser excluídos da base tributável. Em sentido oposto, se os elementos carreados aos autos pela interessada são insuficientes para a prova indispensável, a autuação deve ser mantida, na parte não comprovada.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.250          2 tais condições, presente a conduta dolosa de modificação das características  essenciais do fato gerador tributário, de forma a reduzir o montante do tributo  devido,  é  de  se  ter  por  correta  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  (150%).  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2008  DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  CONDUTA  DOLOSA.  MANIPULAÇÃO  DE  RESULTADOS.  FRAUDE  CONTÁBIL.  APLICABILIDADE  DO  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECISÃO  DO  STJ  NO  REGIME DO ART.  543­C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART.  62,  §  2º, DO RICARF.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito.  Decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça no REsp nº  973.733,  no  regime do art.  543­C do CPC.  Aplicabilidade  do  art.  62,  §  2º,  do  Regimento  Interno  do  CARF.  No  caso  vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos na forma de fraude contábil  e manipulação de resultados, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com  o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência.   JUROS  MORATÓRIOS  INCIDENTES  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  TAXA SELIC.  A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento,  incluindo a multa de oficio proporcional.  O  crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir  os juros de mora à taxa Selic.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2008  BENEFÍCIO  FISCAL.  ALÍQUOTA  ZERO.  LEI  Nº  11.196/2005.  CONDIÇÕES  PARA  GOZO  DO  BENEFÍCIO.  VALOR  DE  VENDA  A  VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E  VALOR DE VENDA A VAREJO.  O  gozo  do  benefício  fiscal  pretendido  pela  contribuinte  pressupõe  o  atendimento  de  condições  estabelecidas  em  regulamento.  Dentre  elas,  a  verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o  limite  regulamentar.  Esse  valor  de  venda  a  varejo  não  se  confunde,  em  absoluto,  com a  receita  bruta  da  venda. A  receita  bruta,  base  de cálculo da  contribuição,  não  inclui  o  IPI,  por  expressa  disposição  legal.  O  valor  de  venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição  para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor  Fl. 105267DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.251          3 varejista, o  total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no  qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda.   BENEFÍCIO  FISCAL.  VENDA  A  VAREJO.  LEI  Nº  11.196/2005.  ÔNUS  DA PROVA.  A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício  fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a  recorrente  alega que  parcela  dos  equipamentos  vendidos  a  empresas  que  se  dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de  informática  se  destinaram  a  consumo  próprio  dessas  empresas,  e  não  à  revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da  recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo  da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas  que  se  declaram  à Administração Tributária  como  comerciantes  atacadistas  ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática.  BENEFÍCIO  FISCAL.  VENDAS  À  ZONA  FRANCA DE MANAUS.  LEI  Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA.  A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício  fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a  recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo  da  contribuição,  na  verdade  se  destinaram  a  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus  e  devidamente  registradas  junto  à  Suframa,  cabe  a  ela  provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta  correspondentes  a essas vendas devem ser excluídos da base  tributável. Em  sentido  oposto,  se  os  elementos  carreados  aos  autos  pela  interessada  são  insuficientes  para  a  prova  indispensável,  a  autuação  deve  ser  mantida,  na  parte não comprovada.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 2008  BENEFÍCIO  FISCAL.  ALÍQUOTA  ZERO.  LEI  Nº  11.196/2005.  CONDIÇÕES  PARA  GOZO  DO  BENEFÍCIO.  VALOR  DE  VENDA  A  VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E  VALOR DE VENDA A VAREJO.  O  gozo  do  benefício  fiscal  pretendido  pela  contribuinte  pressupõe  o  atendimento  de  condições  estabelecidas  em  regulamento.  Dentre  elas,  a  verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o  limite  regulamentar.  Esse  valor  de  venda  a  varejo  não  se  confunde,  em  absoluto,  com a  receita  bruta  da  venda. A  receita  bruta,  base  de cálculo da  contribuição,  não  inclui  o  IPI,  por  expressa  disposição  legal.  O  valor  de  venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição  para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor  varejista, o  total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no  qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda.   BENEFÍCIO  FISCAL.  VENDA  A  VAREJO.  LEI  Nº  11.196/2005.  ÔNUS  DA PROVA.  Fl. 105268DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.252          4 A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício  fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a  recorrente  alega que  parcela  dos  equipamentos  vendidos  a  empresas  que  se  dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de  informática  se  destinaram  a  consumo  próprio  dessas  empresas,  e  não  à  revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da  recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo  da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas  que  se  declaram  à Administração Tributária  como  comerciantes  atacadistas  ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática.  BENEFÍCIO  FISCAL.  VENDAS  À  ZONA  FRANCA DE MANAUS.  LEI  Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA.  A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício  fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a  recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo  da  contribuição,  na  verdade  se  destinaram  a  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus  e  devidamente  registradas  junto  à  Suframa,  cabe  a  ela  provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta  correspondentes  a essas vendas devem ser excluídos da base  tributável. Em  sentido  oposto,  se  os  elementos  carreados  aos  autos  pela  interessada  são  insuficientes  para  a  prova  indispensável,  a  autuação  deve  ser  mantida,  na  parte não comprovada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  relator,  vencidos  os  Conselheiros  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  que  dava  integral  provimento  ao  recurso,  e  o  Conselheiro  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  que  dava  provimento  parcial  em  maior  extensão  para  cancelar  os  juros  incidentes  sobre  a  multa  de  ofício.  O  Conselheiro  Flavio  Franco  Correa  acompanhou o relator pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Wilson Fernandes Guimarães ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Waldir Veiga Rocha,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães.    Fl. 105269DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.253          5 Relatório  DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA., já qualificada nestes autos,  inconformada  com  o  Acórdão  n°  10­46.701,  de  17/09/2013,  da  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado,  objetivando a reforma do referido julgado.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do minucioso relatório elaborado por  ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito (grifos e negritos no original).  O  presente  processo  contempla  o  lançamento  de  tributos,  sendo  que  os  tributos incidentes sobre a renda e o lucro tiveram as bases de cálculo arbitradas. A  motivação para a adoção da sistemática do lucro arbitrado, afastando­se a do lucro  real utilizada pelo contribuinte,  repousa sobre a  imprestabilidade da escrita. Dessa  forma, uma vez que adotada a sistemática do lucro arbitrado, inviável a manutenção  do  regime  de  apuração  não­cumulativo  da Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social  –  PIS,  consoante  disposto  no  art.  8º,  II,  da Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002. Houve, assim, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ,  da Contribuição Social sobre o Lucro ­ CSL, da Cofins e do PIS. A multa de ofício  aplicada foi a qualificada (150%), uma vez que o contribuinte teria agido de forma  dolosa com a finalidade de obter vantagens fiscais ilícitas. Esse o resumo da questão  ventilada  nos  autos,  que  é  equivalente  àquela  constante  do  processo  11080.732426/2011­61.  Segundo  aponta  a  fiscalização  (fl.  23.050),  a  principal  atividade  do  contribuinte é a montagem de computadores. As peças utilizadas na produção dos  computadores  são,  quase  que  integralmente,  importadas.  Essas  importações  são  preponderantemente provenientes de sociedades ligadas ao contribuinte (60­70%). O  próprio  contribuinte  também  exporta  produtos  e  serviços  para  sociedades  ligadas  (menos de 20% do total das receitas). O trabalho fiscal também indica (fl. 23.051)  que  software  vendido  juntamente  com  os  computadores  é  adquirido  juntamente  a  empresa ligada (Dell americana), que negocia diretamente com a titular dos direitos  (Microsoft). Esse o cenário negocial. Passo aos detalhes do trabalho fiscal.  Em 13 de dezembro de 2010 foi dado início ao trabalho fiscal que culminou  no lançamento objeto da impugnação ora em análise (fls. 3 a 6). Na oportunidade,  foram  requeridos  (a)  os  registros  contábeis  relativos  aos  anos­calendário  2003  a  2006 (fl. 3, item 5) e (b) esclarecimentos quanto à exclusão de R$ 52.692.848,36 na  apuração  do  lucro  real  do  ano­calendário  2006  (fl.  4,  item  12),  bem  como  esclarecimentos quanto às variações cambiais apuradas nos anos­calendário 2005 a  2008 (fl. 4, itens 7 a 10), entre outros.  No que diz respeito à exclusão (fl. 4, item 12), foi solicitada pelo contribuinte,  em 12 de janeiro de 2011, a prorrogação do prazo para o oferecimento da resposta  (fl. 10). Foi, então, concedido o prazo extra solicitado (30 dias – fl. 11). Em 11 de  fevereiro  de  2011,  o  contribuinte  apresentou  relação  de  contas  e  valores  que  montavam o valor  lançado como “Outras Exclusões” na apuração do lucro real do  ano­calendário 2006 (fls.13 e 14). A manifestação do contribuinte, na oportunidade,  foi a seguinte (fl. 13):  “Referente a este item a Dell informa que foi efetuada a revisão  de alguns processos resultando nos ajustes de R$ 52.692.848,36  Fl. 105270DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.254          6 e  de  R$  15.187.230,29,  anos­calendário  2006  e  2008  respectivamente, os quais estão abaixo demonstrados:”  Em 24 de fevereiro de 2011, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar  esclarecimentos  quanto  às  exclusões  antes  noticiadas,  embasando  a  resposta  com  registros  contábeis,  apontamentos no Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur  e  documentos. Confira­se os termos da intimação (fls. 18 e 19):  “10 ­ Na primeira intimação, a empresa foi chamada a justificar  a  origem  dos  valores  lançados  como  Outras  Exclusões  nas  DIPJs AC 2006 (52.692.848,36) e 2008 (15.187.230,29), o prazo  inicial da  intimação  foi de 30 dias. Foi solicitado mais 30 dias  de prazo, e ao final desses 60 dias foi apresentada uma lista de  contas  e  saldos  para  cada  ano,  na  tentativa  de  comprovar  aqueles valores. A seguir algumas colocações sobre cada ano:  10.1 – Ano 2006: é apresentada uma listagem de contas, dentre  estas,  foram  incluídas  contas  de  Ativo  e  de  Passivo,  as  quais  sendo  contas  patrimoniais  não  influenciam  no  resultado  de  período,  logo  não  servem  como  argumento  para  justificar  exclusão do  lucro real. Para citar uma rubrica mais relevante,  comentaremos sobre a Provisão de Garantia.  ­ A situação registrada na contabilidade e na DIPJ é a seguinte:  a  empresa  apropria  uma  provisão  no  Passivo  (231022042  –  PROV GARANTIA EQUIP INSTA), e como contrapartida lança  uma  conta  de  Despesa  (331053205  –PROVISÃO  DE  GARANTIA)  dentro  do  subgrupo  Despesas  Indedutíveis.  No  encerramento  do  exercício  o  saldo  da  conta  de  despesa  (56.225.361,90)  é  levado  a  resultado  diminuindo  o  lucro  contábil. Como o próprio nome do Subgrupo sugere trata­se de  uma despesa não dedutível para fins tributários, assim,deve ser  adicionada na ficha de apuração do lucro real, e foi dessa forma  que  a  empresa  procedeu  em  sua  declaração.  Contabilidade  e  DIPJ ficaram alinhadas e de acordo com a legislação tributária.  ­ Na listagem de contas apresentadas, a contribuinte considerou  que o saldo de Passivo (231022042 – PROV GARANTIA EQUIP  INSTA),  no  valor  de  R$  113.408.653,54  como  passível  de  exclusão do lucro real; e o saldo da conta Despesa (331053205  –  PROVISÃO  DE  GARANTIA)  no  valor  de  R$  57.183.291,64  como  passível  de  adição.  Desta  forma  restaria  um  saldo  de  exclusão de R$ 56.225.361,90, ou seja, nesta composição extra  contábil e extra Lalur a empresa estaria anulando aquela adição  corretamente apropriada na DIPJ.  ­  Além  das  contas  citadas  a  empresa  apresenta  uma  série  de  outras  contas  com  ajustes  de  saldos  sem  trânsito  pela  contabilidade  ou  pelo  Lalur,  chegando  ao  extremo  de  retirar  uma fatia de R$ 65.530.743,00 do lucro do exercício, isso tudo  sem qualquer comentário ou explicação.  ...  10.3 – No rol de ajustes apresentados para o ano calendário de  2006, a empresa inclui a adição de renda variável e a reversão  Fl. 105271DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.255          7 das  adições  e  exclusões  de  variação  cambial  na  tentativa  de  justificar questionamentos da fiscalização na intimação inicial, e  objetos de indagação nos itens 9 e 10 deste termo.  10.4  –  Pelos  motivos  apresentados  neste  item  10,  os  ajustes  apresentados não sevem para comprovar os valores lançados em  outras exclusões nas DIPJs 2006 e 2008, também não justificam  as exclusões de Variação Cambial e a falta de adição de Renda  Variável na DIPJ 2006. A empresa fica intimada a manifestar­se  a  respeito,  lembrando  que  qualquer  explicação  deve  ser  embasada em registros contábeis e/ou registros no Lalur e base  documental.”  Em 16 de março de 2011, o contribuinte  lavrou a seguinte  resposta (fls. 27,  28, 33 e 34):  “8 – Na  intimação anterior a empresa  foi questionada sobre a  apuração de ganhos/perdas em aplicações de renda variável. Em  sua resposta apresentou planilha demonstrativa da apuração dos  ganhos/perdas dedutíveis e não dedutíveis nos anos 2004 a 2008.  A  esse  respeito  requerem­se  os  seguintes  esclarecimentos:”  (transcrição do questionamento)  “Gostaríamos de esclarecer que no ano de 2009 a Dell efetuou a  revisão  de  seus  controles  internos  e  identificou  que  algumas  contas  contábeis  apresentavam  inconsistências  nos  respectivos  saldos.  Com o  objetivo  de  aprimorar  seus  controles  internos,  a  Dell efetuou a conciliação destas contas.  Como  resultado  da  conciliação,  foram  identificados  determinados  ajustes,  os  quais  foram  registrados  contabilmente  no  encerramento  do  mês  de  janeiro  de  2009,  mês  de  encerramento do exercício social da empresa, conforme dispõe o  contrato social.  Vale  ressaltar que a empresa atentou para a determinação  legal  presente na Instrução Normativa DNRC 107/08 (instrumento da  legislação comercial que rege a escrituração dos livros contábeis  das empresas), a qual não permite que sejam retificados os livros  da  escrituração  comercial  (Diários)  que  já  tenham  sido  escriturados.  Deste  modo,  os  lançamento  ocorreram  contra  Lucros Acumulados do período de janeiro de 2009 que até aquela  data  não  havia  sido  encerrado,  tudo  conforme  determina  a  legislação societária.  Respeitando  o  regime  de  competência  conforme  disposto  no  Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2009, a Dell retificou  as bases fiscais nos respectivos exercícios, conforme evidenciado  nas  declarações  retificadoras  devidamente  entregues  à  Receita  Federal.  Como  a Dell  estava  obrigada  a  preservar  nas DIPJs  retificadas  (Fichas 04, 05,  e 06) os montantes  contabilizados  e  registrados  no Livro Diário, para manter a consistência com as informações  contábeis, os reflexos fiscais dos ajustes contábeis foram em sua  totalidade  efetuados  na  linha  de  outras  adições  /exclusões  da  Fl. 105272DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.256          8 ficha  09A  de  cada  ano­calendário.  Note­se  que  caso  fossem  efetuadas em linhas próprias não ocorreria uma correspondência  com  os  valores  contemplados  na  ficha  de  demonstração  do  resultado, a qual não pode ser alterada conforme esclarecido.  Por  fim  encontra­se  no  CD  ROM  no  formato  “xls”,  planilhas  demonstrando  os  saldos  contábeis  originais  e  ajustados,  bem  como respectivas apurações fiscais.”  Relativamente ao item 10 da intimação (antes transcrito)  “Esclareça­se  que  no  trabalho  de  conciliação  já  mencionado  todos  os  valores  de  provisão  de  garantia  foram  contabilmente  revertidos.  Esses  valores  haviam  sido  adicionados  ao  lucro  líquido  quando  se  referiam  a  saldo  do  exercício  e  excluídos  quando  referentes  a  exercício  anterior.  Uma  vez  que  ambos  foram revertidos,  tal reversão deu­se pelo lançamento contrário,  ou seja, aquilo que havia sido adicionado agora foi excluído e o  que  havia  sido  excluído  agora  foi  adicionado.  Assim,  se  pegarmos  o  exemplo  do  valor  da  provisão  de  garantia  de  R$  113.408.653,54,  que  havia  sido  adicionada  ao  lucro  líquido  de  2006, agora, por  força do ajuste contábil, a mesma foi excluída  para  efetivar  a  sua  reversão.  Da mesma  forma,  se  pegarmos  o  valor  da  provisão  de  garantia  de  R$  57.183.291,64  (saldo  de  exercício  anterior)  que  havia  sido  excluída  do  lucro  líquido  de  2006,  verifica­se  que  a  mesma  foi  agora  adicionada  ao  lucro  líquido ajustado a fim de que sua reversão fosse efetivada. Note­ se, portanto, que não houve nenhum lançamento extracontábil ou  extralalur.  Relativamente ao item 10.4 da intimação (antes transcrito)  “Os  valores  lançados  em  outras  adições/exclusões  nas  DIPJs  2006  a  2008  podem  ser  comprovados  pelos  demonstrativos  de  apuração  dos  impostos  e  ajustes  contábeis  apresentados  em  formato  “xls”  no CD ROM. Vale  lembrar  que  os mencionados  ajustes  contábeis  estão  embasados  em  registros  contábeis  efetuados  em  janeiro  de  2009  pelos  motivos  já  expostos  na  introdução do item 8 desta carta­resposta, bem como no LALUR  entregue à fiscalização que demonstra a apuração do imposto de  renda após o reflexo fiscal dos ajustes contábeis.”  Frente  às  considerações  do  contribuinte,  acima  reprisadas,  a  fiscalização  intimou  o  contribuinte  a  prestar  novos  esclarecimentos  em  20  de  maio  de  2011.  Confira­se a redação da referida intimação (fls. 1.194 a 1.203):  “1  –  No  Termo  de  Início  da  Fiscalização  e  no  Termo  de  Intimação  01,  a  empresa  foi  questionada  sobre  a  origem  de  valores  lançados  como  outras  exclusões  nas  DIPJ  AC  2006  e  2008, sendo que em resposta à última intimação informou que no  ano de 2009 efetuou revisão de seus controles internos e efetuou  conciliação  de  algumas  contas  contábeis,  contabilizando  os  ajustes  em 01/2009. Para demonstrar a dita  conciliação  foram  apresentados  balancetes  de  ajustes,  os  quais  contemplam  alterações  desde  o  ano­calendário  2002  até  o  ano­calendário  2008. Ao contrário do que afirmou a fiscalizada, não se trata de  Fl. 105273DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.257          9 um ajuste  em “algumas contas”, mas alterações  relevantes  em  praticamente  todas as  contas do  elenco, onde em grande parte  delas  há  modificações  na  casa  de  dezenas  de  milhões.  Nesse  sentido,  no  intuito  de  esclarecer  este  verdadeiro  refazimento  contábil, a empresa fica intimada a responder os itens abaixo:  1.1  Qual  foi  o  motivo  que  levou  a  empresa  a  refazer  sua  contabilidade desde 2002 Até 2008?  1.2  De  quem  partiu  a  decisão  para  a  efetivação  desta  conciliação? Apresentar  cópias  de  atas  de  reuniões,  ou  outros  documentos deliberando sobre o assunto.  1.3  Em  que  data  começaram  os  trabalhos  de  conciliação  e  quando terminaram?  1.4 A reforma contábil foi efetivada por empregados da Dell ou  por  empresa  terceirizada?  Se  por  empresa  terceirizada  apresentar os contratos de prestação de serviço.  1.5  Os  papéis  de  trabalho  gerados  na  conciliação  estão  armazenados  na  sede  da  empresa?  Deixar  à  disposição  da  fiscalização,  na  sede  da  empresa,  para  eventual  consulta  e/ou  cópia.  1.6 Somente são passíveis de conciliação as contas patrimoniais,  pois são estas que abrigam bens, direitos e obrigações e têm uma  base documental a ser comparada com os registros contábeis, as  contas  de  resultado  apenas  refletem  os  ajustes  patrimoniais.  Com  base  nisso,  apresentamos  para  manifestação,  questões  extraídas dos balancetes de ajustes.  1.7  Os  questionamentos  a  seguir  referem­se  aos  ajustes  constantes do balancete de 2006:”  Em  13  de  junho  de  2011,  o  contribuinte  apresentou  suas  respostas  aos  questionamentos fiscais (fls. 1.265 a 1.276), nos seguintes termos:  1.1   “A  identificação  de  algumas  inconsistências  em  seus  lançamentos contábeis, os quais foram corrigidos com a revisão  de  controles  internos e conciliação dessas contas. Os ajustes e  conciliação contábeis efetuados foram realizados observando­se  rigorosamente a legislação societária e fiscal brasileira.”  1.2   “A decisão  foi da administração da empresa. Não existem atas  ou outros documentos formalizando tal decisão.”  1.3   “Os  trabalhos  começaram  no  primeiro  trimestre  de  2007  e  terminaram  com  ajustes  fiscais  em  março  de  2009  através  da  apresentação  das  retificações  de  DCTFs,  DACON  e  DIPJ  e  Fl. 105274DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.258          10 contábeis  em  junho  de  2009  através  da  inclusão  dos  referidos  ajustes no sistema de contabilidade da empresa.”  1.4   “Pela equipe da Dell. Os ajustes contábeis foram efetivados pela  equipe  da  Dell.  Entretanto,  ocasionalmente,  no  decorrer  dos  trabalhos,  a  Empresa  contou  com  o  suporte  de  consultores  contábeis,  tais  como  DELOITTE  TOUCHE  TOHMATSU  CONSULTORES  LTDA  e  ERNST  &  YOUNG  ASSESSORIA  EMPRESARIAL LTDA.”  1.5   “Os  papéis  de  trabalho  estão  à  sua  disposição  na  sede  da  Empresa”   1.7  “Comentário.  Importante  ressaltar  que  nas  planilhas  apresentadas os valores de contrapartida lançados nas contas de  resultados  foram  incorporados  no Patrimônio Líquido de  cada  ano, ou seja, as diferença entre Ativo e Passivo,  se referem ao  Resultado do Exercício em análise.”  A  planilha  a  qual  se  refere  o  contribuinte,  relativamente  ao  ano­calendário  2007,  encontra­se  nas  fls.  1.118 a 1.146. Esse documento  contempla  as  contas da  escrita  do  contribuinte  (ativo,  passivo,  patrimônio  líquido,  receitas  e  despesas),  indicando o saldo que  teria constado dos  livros comerciais em 31 de dezembro de  2007 e os ajustes implementados em função dos ajustes.  Relativamente ao ano­calendário 2006, o ajuste de R$ 65.530.734,00 não foi o  único. O documento da fl. 14 aponta extensa relação de ajustes, dentre os quais se  inclui o de R$ 65.530.734,00. A soma de todos os ajustes indicados na fl. 14 (novas  adições e exclusões) monta o valor de R$ 52.692.847,00.  A  revisão  contábil  informada  pelo  contribuinte  abrangeu  seus  registros  relativos ao período de “01/2002 a 01/2009” (fl. 23.052). As planilhas atinentes aos  diversos períodos ajustados constam dos autos (fls. 1.008 a 1.188).  A  fiscalização,  no  “Relatório  da  Ação  Fiscal”  (fl.  23.048/50),  tratou  de  demonstrar  a  envergadura  do  trabalho  de  conciliação  levado  a  efeito  pelo  contribuinte. Apresentou  levantamento  segundo o qual,  no ano­calendário 2007, o  contribuinte  havia  realizado  ajustes  em  100%  das  contas  da  sua  escrituração.  O  resultado  dos  ajustes,  decorrente  da  conciliação,  foi  lançado  em  31  de  janeiro  de  2009  na  conta Lucros Acumulados  (ajuste  de  exercícios  anteriores)  relativamente  aos  anos­calendário  de  2002  a  2008.  Os  lançamentos  a  débito  naquela  conta  totalizaram  R$  11.777.532.322,99,  enquanto  os  a  crédito  montaram  R$  11.551.946.765,19. Contabilmente, então, houve um decréscimo patrimonial de R$  225.585.557,80.  Frente  a  isso,  a  fiscalização  conclui  que  “a  Empresa  assume  claramente que a sua contabilidade formalizada e registrada desde o início de suas  atividades no Brasil estava completamente errada e não merece crédito” (fl. 25.050).  Quanto à eficácia dos ajustes operados, a  fiscalização apresentou a seguinte  manifestação (fl. 23.053):  Fl. 105275DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.259          11 “Não há maiores óbices quanto aos procedimentos de  registro  praticado  pela  Fiscalizada  sob  ponto  de  vista  formal,  os  problemas  surgem  no  tocante  à  materialidade,  quando  se  verifica o período ajustado, a quantidade de contas retificadas,  os montantes modificados, e principalmente quando analisados  os dados das contas.  Na  análise  dos  lançamentos  de  ajustes  verificam­se,  registros  sem  base  documental,  alterações  indevidas  em  contas  de  estoques,  exclusões  de  pagamentos  efetivamente  realizados,  adoção de regime de caixa para alguns contratos, adulterações  em planilhas de variações cambiais, etc. Há graves incorreções  tanto nos lançamentos contábeis, quanto nos balancetes fiscais  usados para apurar os novos resultados societários e fiscais.”  A  fiscalização  identificou  desrespeito  aos  princípios  contábeis  da  Competência e do Registro pelo Valor Original, evocando a Resolução nº 750, de 29  de dezembro de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade. Apontou  recorrente  erro temporal dos registros, porquanto datados em função do pagamento (regime de  caixa).  Segundo  o  acusador,  os  lançamentos  não  estariam  embasados  em  documentos  hábeis  e  idôneos.  Outros  erros,  entretanto,  seriam  bem  mais  contundentes. Confira­se trecho do Relatório da Ação Fiscal (fl. 23.057):  “Diante de todos os milhões de lançamentos que compuseram o  refazimento  contábil,  com  a  finalidade  de  averiguarmos  a  veracidade  das  informações  registradas,  foram  selecionados  vários pontos considerados relevantes dentro das operações da  Empresa para uma análise mais aprofundada.  Adentrando­se na contabilidade Sped 2009, por meio de análise  detalhada  de  todo  o  conjunto  de  lançamentos  de  ajustes  praticados pela Empresa, constatamos inúmeras irregularidades  que, devido a  sua abrangência  tanto em quantidade quanto em  valores, maculam de tal forma todo o refazimento contábil que o  tornam inaceitável para fins tributários.  A  Fiscalizada  conduziu  seus  registros  contábeis  durante  uma  década  de  forma  irregular,  mantendo  lançamentos  errados  e  deixando de fazer outros, com falta de controle contábil de suas  contas a pagar e a receber de pessoas ligadas, de onde surgem  passivos  irreais  na  casa  de  centenas  de  milhões  de  reais.  Em  2009, momento em que refaz sua contabilidade, esperava­se um  perfeito ajuste de forma a não restar qualquer pendência, porém,  o que se  constata  é a geração de outras  irregularidades ainda  maiores.”  Segundo  aponta  a  fiscalização,  a  escrita  do  contribuinte  apresentava  “total  descontrole  de  sua movimentação  financeira  e  da  contabilização de pagamentos  e  recebimentos,  especialmente  no  que  diz  respeito  às  importações  e  exportações  de  pessoas  ligadas”  (fl.  23.058). O  contribuinte  teria  contabilizado  ajustes  em  31  de  janeiro  de  2009  com  a  finalidade  de  afastar  passivos  fictícios  decorrentes  do  descontrole antes referido, fazendo referência aos anos­calendário de 1999 a 2003. A  fiscalização  solicitou  a  apresentação  dos  documentos  que  suportaram os  referidos  lançamentos,  mas  o  contribuinte  não  os  apresentou  (fl.  23.058).  As  planilhas  preparadas pelo contribuinte  (balancetes  fiscais)  relativamente aos anos­calendário  2002  e  2003  apontam  ganho  com  os  ajustes  no  valor  de R$  135.604.219,00  (fls.  Fl. 105276DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.260          12 1.019, 1.033, 1.047, 1.061 e 1.075). A fiscalização, sem ter tido a possibilidade de  verificar  o  acerto  dos  ajustes  antes  citados  (o  contribuinte  não  apresentou  os  documentos  suporte),  protestou  por  isso,  dando  destaque  ao  não  oferecimento  do  valor de R$ 135.604.219,00 à tributação, tendo em vista a decadência, bem como a  manutenção  dos  prejuízos  fiscais  originalmente  registrados  e  declarados.  Elencou  vários lançamentos contábeis contemplando valores expressivos (fl. 23.059). Esses  lançamentos  diriam  respeito  a  importações  e  exportações  envolvendo  sociedades  ligadas.  A  falta  de  apresentação  dos  documentos  que  dariam  sustentação  aos  lançamentos, requeridos por meio do “Termo de Intimação 03”, tornaram impossível  comprovar o acerto do ajuste, tanto no aspecto valorativo quanto temporal. Mesmo  que  lançado  relativamente  ao  ano­calendário  2002,  dizia  respeito  àquele  ano­ calendário? Ou  deveria  ter  sido  efetuado o  ajuste  relativamente  ao  ano­calendário  2007? Sem os documentos não seria possível efetuar a necessária verificação.  Não bastasse a falta de documentação, os históricos adotados nos lançamentos  seriam  genéricos,  dificultando  a  ligação  de  eventuais  documentos,  caso  tivessem  sido  apresentados,  com  os  lançamentos  contábeis.  Citou­se  o  seguinte  exemplo  relativamente  às  operações  de  comércio  exterior:  “diversos  processos  de  1999  a  2001” (fl. 23.060).  Além disso, da forma como demonstrados os ajustes, impossível a análise de  um dos  anos dissociada dos demais.  Isso ocorre  em  função dos critérios adotados  pelo contribuinte. Os ajustes retratados nas planilhas (balancetes fiscais) tomam os  valores da  contabilidade  como base a  ser ajustada. Se  tomarmos como exemplo o  ano­calendário  2007,  teremos  saldos  contábeis  que  já  foram objeto  de  ajustes  em  anos  anteriores  (2002, 2003, 2004, 2005 e 2006). Como procedeu o  contribuinte?  Criou uma conta no patrimônio líquido apontado nas planilhas (balancetes fiscais),  denominada “Encerramento Exercício Ajustes” (nº 249019999), na qual acumula o  valor  dos  ajustes  efetuados  nos  anos  anteriores.  Em  2007,  o  valor  dos  ajustes  efetuados  nos  anos  anteriores  era  de  R$  47.574.852,15  (fl.  1.124).  Esse  valor  equivale  à  soma dos  ajustes  efetuados  em 2002  e  2003,  já  esclarecido  acima  (R$  135.604.219,00 ), com os ajustes operados em 2004 (R$ 26.083.726,00– fl. 1.089),  2005 (R$ 3.585.093,00­ fl. 1.103) e 2006 (R$ 65.530.734,00– fl. 1.117). Assim, os  ajustes  indicados  ano  a  ano  nas  planilhas  (balancetes  fiscais)  dizem  respeito  aos  valores  acumulados  no  curso  dos  anos  objeto  dos  ajustes,  de  2002  até  o  ano  em  questão, no caso dos autos, 2007. Dessa forma, só se pode aquilatar a correção dos  ajustes operados  em 2007 quando  se  atesta  a  correção dos  ajustes do passado e a  distribuição desses ajustes no tempo, tendo em vista o princípio da competência.  A  fiscalização  aponta  equívoco  no  estorno  do  lançamento  de  receita  com  serviços  que  teria  sido  auferida  em  2003  e  lançada,  originalmente,  em  2004  (fls.  23.061­3).  Indica  que  o  lançamento  foi  efetuado  sem  respeitar  o  princípio  da  competência  e  a  legislação  tributária,  tendo em vista erro evidente no cálculo dos  tributos  federais  devidos  (IRPJ  e  CSL  –calculados  em  5,84%  e  1,87%  quando  o  correto  seria  25%  e  9%).  Estornado  o  valor,  é  feito  novo  lançamento  em  31  de  janeiro  de  2009,  contemplando  somente  a  receita,  sem  tributos  (efeito  da  decadência). Solicitados os documentos suporte  (“Termo de Intimação Fiscal 03 – item  10.4),  o  contribuinte  apresenta  uma  “invoice”  (fatura)  redigida  em  inglês,  dando  conta  da  prestação de  serviços para  sociedade portuguesa no valor de US$  3.914.949,00 em dezembro de 2004 (fl. 2.403/4). Não foi apresentada nenhuma nota  fiscal  relativamente  ao  referido  serviço.  São  apontadas  falhas  quanto  à  contabilização  original  e  ajustada  tanto  no  que  diz  respeito  ao  princípio  da  competência quanto à documentação suporte.  Estornos de pagamentos comprovadamente realizados   Fl. 105277DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.261          13 Na  contabilidade  original,  o  contribuinte  registrou  as  aquisições  de  peças  utilizadas na produção dos computadores e dos programas vendidos juntamente com  os equipamentos da seguinte forma: débito da conta de “Matéria­Prima” (estoque no  ativo)  e  crédito  das  contas  “Intercia  Fornecimentos”  e  “Despesas  Aduaneiras”  (dívida no passivo); quando do pagamento das dívidas, débito das contas do passivo  (“Intercia Fornecimentos” e “Despesas Aduaneiras”) e crédito da conta “Bancos”. A  conta  “Bancos”,  que  registra  a  movimentação  bancária,  tem,  por  natureza,  saldo  devedor,  o  que  indica  depósitos  em  favor  da  sociedade.  O  lançamento  a  crédito  reduz  o  saldo  devedor  em  função  do  pagamento  da  dívida.  A  fiscalização  deu  destaque a seguinte constatação (fl. 23.064):  “Os  extratos  bancários  apresentados  pela  Fiscalizada  demonstram que efetivamente ocorreu a transferência financeira  nos  exatos  valores  contabilizados  com  adição  ou  redução  das  variações cambiais.”  O contribuinte, mesmo diante da comprovação do pagamento das aquisições,  efetuou  lançamentos  de  ajuste  relativamente  às  operações  antes  referidas.  O  lançamento  efetuado  foi  o  seguinte:  foi  debitada  a  conta  “Lucros/Prejuízos  Acumulados  Anos  Anteriores”  e  creditada  a  conta  “Intercia  Fornecimentos”.  A  dívida paga voltou a constar do passivo, como uma dívida a pagar. O resultado foi  diminuído  (impactado  negativamente)  em  função  do  débito  (contas  de  resultado  devedoras apontam perdas, enquanto as credoras, ganhos).  Relativamente ao ano­calendário 2006, a fiscalização apontou que os ajustes  operados  pelo  contribuinte  redundaram  no  completo  estorno  (reversão)  dos  lançamentos  contábeis  de  registro  das  importações  de  mercadorias,  seja  de  sociedades ligadas, seja de terceiros. Na efetivação dos ajustes, o contribuinte teria  abandonado o critério de lançar em função dos processos de importação para tomar  as  notas  fiscais.  Ocorre,  entretanto,  que  os  lançamentos  de  estorno  não  foram  efetuados pela simples reversão dos lançamentos originais. O contribuinte tomou os  saldos das contas do passivo (“Intercia Fornecimentos” e “Despesas Aduaneiras”),  concentrando­os  em outra  conta  do passivo chamada “Fornecedores Estrangeiros”  (debitou  as primeiras  e  creditou  a última). A esse  respeito,  assim  se manifestou a  equipe fiscal (fl. 23.066):  “Os estornos das importações de 2006 somaram a quantia de R$  785.514.993,47. A Empresa  foi  intimada especificamente  sobre  isso no item 10.11 do Termo de Intimação 03, quando foi juntada  listagem  de  todos  os  estornos  e  solicitados  os  documentos  originais  de  dez  lançamentos  como  amostragem.  No  entanto,  apesar de  toda a  relevância da situação onde quase um bilhão  de  reais  foi  objeto  de  estorno,  não  houve  manifestação  da  Empresa para a  intimação. A planilha  constante do Termo 03,  com todos os lançamentos de estorno extraídos da contabilidade  SPED, é juntada às fls. 2228/2363.”  Aumentos dos custos pelo novo registro de compras já pagas   A fiscalização identificou lançamentos de ajuste (operados em 31 de janeiro  de 2009 – fls. 5.131 a 5.172) que importaram no reconhecimento pela sociedade de  dívidas que  já haviam sido pagas,  importando no aumento dos custos de produção  (elemento  redutor  do  resultado). As  contas movimentadas  foram  as  seguintes:  foi  debitada  a  conta  “Lucros/Prejuízos  Acumulados  Anos  Anteriores”  e  creditada  a  conta “Intercia Fornecimentos”.  Fl. 105278DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.262          14 Os  agentes  do  Fisco  comprovaram,  por  via  de  extratos  bancários,  que  as  dívidas  já  estavam  quitadas,  motivo  pelo  qual  não  seria  possível  a  indicação  daqueles  valores  como  pendentes  de  quitação  (passivo  –  valores  a  pagar  –  fl.  23.069).   Consoante  apontado pela  fiscalização, a contabilização original  foi efetuada  em  função  dos  processos  de  importação.  Na  oportunidade,  o  contribuinte  teria  debitado uma conta de resultado (custos com matéria­prima) e creditado o passivo  em função das dívidas contraídas com a aquisição do material. Mais adiante, quando  do  pagamento  das  dívidas,  teria  havido  a  baixa  do  passivo  e  a  redução  do  saldo  bancário. O lançamento de ajuste, deu nova vida a uma dívida já extinta e aumentou,  indevidamente, os custos de produção (redutores do resultado). Detalhes e exemplos  constam das fls. 23.068 a 23.073.  Quanto a esse tópico, a acusação é a seguinte:  “No refazimento contábil de 31/01/2009, resolve estornar tudo e  lançar  novamente.  Porém,  após  os  estornos  lança  apenas  as  entradas  pelas  notas  fiscais.  Os  pagamentos  são  estornados  contra resultado do exercício, aumentando os custos do período,  e não são restabelecidos dentro da reforma contábil.  Dessa  prática  resulta  a  geração  de  passivos  fictícios,  uma  vez  que  são  lançadas  as  notas  fiscais  a  crédito  de  fornecedores,  relativas a processos de  importação  já  liquidados, e ao mesmo  tempo são estornados os pagamentos correspondentes.  A geração de passivos fictícios é comprovada por outros ajustes  que a Empresa obrigou­se a fazer, citados no item 9 deste tópico  “V” – Sistema Contábil X Sistema Gerencial. Lá é demonstrada  a  ocorrência  de  baixa  do  passivo  de  forma  global  e  sem base  documental.  Sobre este  tema a Empresa  foi  intimada no Termo 02  item 2.1,  porém  em  sua  resposta  tergiversou,  dando  a  entender  que  o  questionamento  era  sobre  a  contabilização  dos  royalties,  enquanto  que  o  quesito  era  claro  ao  referir  todos  os  demais  processos de importação – com anexação de listagem. Resposta  Fls. 1385/1392.”  Não  bastasse  isso,  o  contribuinte  foi  intimado  por  mais  uma  vez  para  esclarecer a presente questão. Isso se deu por meio do “Termo de Intimação Fiscal  04  –  item  6”  transcrito  à  fl.  23.074.  Consoante  aponta  a  fiscalização,  não  houve  resposta para o questionamento.  Quanto  aos  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  os  agentes  públicos  informam  que  a  entrega  foi  parcial,  uma  vez  que  apresentadas,  essencialmente,  “invoices” (faturas) e declarações de importação, tendo sido apresentadas apenas 8  notas fiscais de entrada de um total de 34 requeridas (fl. 23.075). Justamente essas  notas fiscais teriam servido de lastro para os lançamentos contábeis. A fiscalização  entende que o comportamento do contribuinte “caracteriza claro intuito de dificultar  a  análise  de  todo  o  processo  irregular”  (fl.  23.077),  assim  se  manifestando  (fl.  23.078):  “Essa transformação de pagamento de fornecedores em custo é  algo absolutamente irregular, não há qualquer norma contábil e  Fl. 105279DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.263          15 muito menos lei fiscal que dê amparo a tal procedimento. Isso é  meramente manipulação de dados contábeis para a obtenção de  menor base tributável.”  Dito  isso,  a  fiscalização  conclui  que  o  contribuinte  deu  azo  a  “manobra  contábil” com a finalidade de “ocultar pendências fiscais. Confira­se (fls. 23.078/9):  “A  citada  manobra  contábil  deixa  claro  que  todo  esse  refazimento  contábil  não  teve  o  intuito  de  regularizar  a  escrituração,  mas  apenas  ocultar  pendências  fiscais.  Num  primeiro momento a Fiscalizada baixa, sem tributação, centenas  de milhões  de  passivos  fictícios  relacionados  aos  anos  2002  e  2003,  dando uma aparência  de  acerto  em  suas  contas. Porém,  logo a  seguir, gera novos passivos  fictícios, pois  isso  foi o que  ocorreu. Se  existiam os  registros de entradas dos processos de  importação em Fornecedores, e também existiam os registros de  pagamentos  correspondentes,  ao  estornar  estes  pagamentos  contra Resultado, as obrigações já liquidadas voltam a ficar em  aberto de forma irreal.  ...  Importante  frisar  que  os  citados  pagamentos  foram  feitos  contra a conta Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores,  mas os históricos citam a conta de custo 321013022 – Materiais  Produtivos  Mercado  Interno  teve  aumentos  relevantes  dos  saldos em todos os anos ajustados , conforme segue: 2004 = R$  100.555.306,16; 2005 = 246.537.445,48; 2006 = 66.816.540,30.  Isso  pode  ser  conferido  nos  balancetes  fiscais  anexos  às  fls.  1008/1188.”  Das falhas na contabilização dos royalties  O  software  vendido  juntamente  com  os  computadores  é  adquirido  frente  a  empresa ligada (Dell americana), que negocia diretamente com a titular dos direitos  (Microsoft).  Os  valores  devidos  pelo  contribuinte  em  função  desses  negócios  são  contabilizados  a  título  de  royalties.  O  interessado  foi  intimado  a  apresentar  os  contratos que regem a relação comercial em comento e, por conseguinte, dão lastro  aos  valores  apontados  na  escrita  (item  14  do  “Termo  de  Início”  e  item  3.3  do  “Termo de Intimação 02”). Não houve a apresentação do contrato firmado pela Dell  americana com a Microsoft, tendo em vista o alegado sigilo contratual (fls. 1.281 a  1.307), mas apenas o contrato firmado entre as sociedades ligadas, que “não trata de  preço”  (fl.  23.080). Assim,  a  comprovação dos dispêndios  escriturados  se deu em  função  de  contrato  com  pessoa  ligada  e  faturas  emitidas  por  essa mesma  pessoa  “onde consta apenas um valor global por período, sem descrição da quantidade ou  do valor unitário das licenças reembolsadas” (fl. 23.080).  O lançamento efetuado pelo contribuinte em razão da utilização do software é  o seguinte: débito da conta de resultado “Royalties e Assistência Técnica” (despesa)  e crédito da conta de passivo “Intercia Fornecimentos” (dívida a pagar).  A fiscalização identificou transferência de saldo a pagar a título das operações  em tela da conta “Intercia Mídias” para a conta “Intercia Fornecimentos” efetuada  em 2 de janeiro de 2003 no montante total de R$ 44.900.000,00. Esse saldo não foi  objeto de baixa (pagamento, por exemplo) até a realização dos ajustes operados em  31  de  janeiro  de  2009. Quando  dos  ajustes,  os  valores  são  baixados  a  crédito  da  Fl. 105280DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.264          16 conta Lucros Acumulados, aumentando o resultado do ano­calendário 2002, que não  foi oferecido à tributação.  No  ano­calendário  2003,  houve  diversos  lançamentos  a  débito  da  conta  de  resultado “Royalties e Assistência Técnica” (despesa) e crédito da conta de passivo  “Intercia Fornecimentos” (dívida a pagar), tomando por base documental as faturas  de  reembolso  emitidas pela Dell  americana. O valor dessas operações montou R$  46.412.591,57. No período em questão, houve apenas um pagamento no valor de R$  4.288.831,69, que fez referência à fatura “brazoy 0903”, que apontava o valor de R$  1.923.677,86.  Importante  destacar  que  o  pagamento  foi  registrado  antes  (24  de  setembro de 2003) do registro da dívida (30 de setembro de 2003).  No  ano­calendário  2004,  houve  lançamentos  mensais  a  débito  da  conta  de  resultado “Royalties e Assistência Técnica” (despesa) e crédito da conta de passivo  “Intercia Fornecimentos” (dívida a pagar), tomando por base documental as faturas  de  reembolso  emitidas pela Dell  americana. O valor dessas operações montou R$  59.686.615,20.  Houve  o  registro,  também,  de  pagamentos  no  valor  total  de  R$  56.960.069,87,  sendo que a maior do pagamentos dizia  respeito ao ano­calendário  2003. Quando dos ajustes, houve o estorno das  faturas  relativas ao ano­calendário  2003,  de  tal  sorte  que  o  resultado  daquele  período  foi  aumentado  em  razão  da  extinção  daquela  dívida.  Esse  resultado maior  não  foi  oferecido  à  tributação.  Os  custos em tela passaram, então, a ser considerados em função do pagamento, de tal  forma  que  os  pagamentos  operados  no  ano­calendário  2004,  relativos  em  maior  parte  ao  ano­calendário  2003,  foram  considerados  no  ano­calendário  2004.  Na  adoção do regime de caixa, segundo a fiscalização, o contribuinte teria registrados  custos duplos (fl. 23.083).  No  ano­calendário  2005,  as  faturas  lançadas  montaram  R$  98.395.397,24,  enquanto os pagamentos chegaram à casa dos R$ 112.089.029,96. Esse último valor  foi deduzido do resultado em razão da adoção do regime de caixa.  No ano­calendário 2006, das faturas apropriadas (R$ 113.073.649,79), apenas  parte (R$ 23.985.950,21) foi liquidada.  No  ano­calendário  2007,  foram  apropriadas  faturas  no  valor  de  R$  131.971.657,50. Houve pagamentos no valor de R$ 107.623.477,37, do qual a maior  parte (R$ 63 milhões) dizia respeito ao ano­calendário 2006.  Além  das  irregularidades  acima  descritas,  a  fiscalização  cotejou  os  lançamentos  contábeis  originais  com  os  documentos  que  lhes  deram  suporte  (faturas) relativamente ao ano­calendário 2006. Desse trabalho restou a identificação  de erros nos registros contábeis quanto às datas e quanto aos valores (fls. 23.0845).  Verificou­se caso no qual não houve o lançamento da fatura, outro no qual a fatura  foi lançada em dobro e outro no qual a fatura lançada foi emitida no ano­calendário  2007. Há, portanto, descompasso.  Quanto  aos  pagamentos,  a  conclusão  não  foi  diferente,  tendo a  fiscalização  identificado a continuidade do descompasso (fl. 23.085).  Diante  desses  elementos,  a  fiscalização  consignou  desrespeito  às  normas  contábeis e fiscais, tendo em vista a adoção do regime de caixa para a apropriação  de  gastos  com  a  aquisição  de  software.  Resumiu  a  prática  do  contribuinte  da  seguinte forma (fls. 23.0867):  “1º) Na  contabilidade  original  a  apropriação dos  custos  tinha  sido  de  acordo  com a  emissão das  faturas,  onde  era  creditado  Fl. 105281DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.265          17 Fornecedores e debitado Resultado do Exercício. Nos ajustes foi  feito  o  inverso,  debitando­se  Fornecedores  e  creditando­se  Lucros/Prejuízos  Acumulados  Anos  Anteriores.  Com  isso,  estornaram­se  todos  os  custos  que  estavam  alinhados  com  o  período de competência das  faturas.  Isso  foi praticado para os  anos 2002 a 2006 inclusive.  2º) Cada um dos pagamentos relativos às  faturas de softwares,  que estavam a débito de fornecedores na contabilidade original,  foram  creditados  nos  ajustes,  debitando­se  em  contrapartida  a  Conta de Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores. Assim,  os  custos  que  foram  estornados  na  primeira  etapa  acima,  são  reconstituídos  pela  data  e  valor  de  pagamentos,  ou  seja,  pelo  regime de caixa.”  Especificamente  quanto  ao  ano­calendário  de  2006,  assim  se  manifestou  o  agente do Fisco (fls. 23.08890):  “Ano de 2006: aqui aparece outra grande distorção no tocante a  apropriações de custos  fora do ano de competência. Nesse ano  de 2006 foram lançados R$ 113.073.649,79 de faturas a crédito  de  Fornecedores  e  a  débito  de  Resultado  do  Exercício  (conta  Royalties  e  Assistência  Técnica).  No  mesmo  período  foram  lançados apenas R$ 23.985.950,21 de pagamentos de softwares  a  débito  de  Fornecedores,  a  maior  parte  das  liquidações  relativas  a  2006  efetuaram­se  apenas  em  2007  e  em  2008.  No  momento  dos  ajustes,  foi  aplicado  o  regime  de  caixa,  permanecendo como custo em 2006 apenas o que foi pago neste  ano, assim grande parte das faturas de 2006 passaram a somar  custo de 2007, conforme tabela abaixo:  ...  O total da tabela acima mais outros pequenos ajustes, onde tudo  soma  R$  63.777.585,50  foi  o  montante  relativo  a  despesas  de  software  transferido da competência 2006 para o ano de 2007.  Isso  é  admitido  pela  empresa  em  planilhas  auxiliares  apresentadas  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  02  –  (itens  1.7.13 e 1.8.8) e ao Termo de Intimação 03 (item 15.1).  Num  primeiro  momento  isso  parece  apenas  postergação  de  custo,  no  entanto  tem  dois  fatores  relevantes  a  destacar,  primeiro  que  esta  alteração  2006/2007  faz  parte  da  transformação de todas as despesas de reembolso de software do  regime  de  competência  para  o  regime  de  caixa,  inadmissível  legalmente; segundo, e o mais  importante, é o fato da Empresa  ter  interesse  fiscal  nessa  transferência  de  custos  de  2006 para  2007.  Lá  no  início  deste  relatório  (III,  2,  “C”)  foram  citadas  as  pendências  fiscais  existentes  antes  do  refazimento  contábil,  e  uma delas era a falta de contabilização das variações cambiais  pelo  regime  de  competência  no  ano  de  2007,  pois  dentro  dos  ajustes praticados a Empresa refez suas planilhas de variações  cambiais e, embora ainda com erros, no ano de 2007 apurou um  aumento de receita de 44 milhões a essas variações monetárias.  Fl. 105282DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.266          18 Se não houvesse a apropriação irregular destes custos de 2006  em 2007, teria de tributar toda essa parcela nova de receita.”  A  mudança  de  procedimento  contábil  operada  relativamente  ao  ano­ calendário  2007  teria  deixado  patente  a  intenção  do  contribuinte.  Confira­se  (fls.  23.0912):  “No ajuste  do  ano  de  2007,  as  faturas  emitidas  neste  ano não  foram  estornadas,  mantendo­se  os  custos  dentro  do  regime  de  competência,  porém,  os  pagamentos  de  faturas  de  2006  –  realizados  dentro  do  ano  de  2007,  que  constavam  a  débito  de  Fornecedores  foram creditados, e  também foi debitada a conta  de Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores. Porém, aqui  reside  aquele  detalhe  sutil  citado  acima.  Os  históricos  dos  lançamentos de ajustes desses pagamentos indicaram a conta de  custos 321013030 – Royalties e Assistência Técnica, ou seja os  pagamentos das  faturas de 2006 realizados dentro de 2007 (os  63 milhões informados acima), com a concretização dos ajustes  lá  no  balancete  fiscal  passaram  a  somar  o  saldo  da  conta  321013030  –  Royalties  e  Assistência  Técnica.  Com  essa  ação  diferente do tratamento dado nos ajustes dos anos anteriores, a  Empresa  quis  fazer  parecer  que  os  pagamentos  das  faturas  de  2006 eram novas faturas de 2007 lançadas apenas nos ajustes.”  O  contribuinte,  inquirido  a  respeito  do  acréscimo  dos  gastos  registrados  a  título de Royalties e Assistência Técnica, no valor de R$ 63.777.585,50, apresentou  planilhas  que  contemplam os  gastos  operados  no  anos­calendário 2006 e 2007. O  inusitado  é  que  algumas  faturas  são  consideradas  nas  duas  planilhas  (faturas  BRAZROY  0406,  0806,  0906  e  1006  –  fl.  23.094).  Questionado  a  respeito  o  contribuinte  apresentou  resposta  evasiva  (fls.  23.094­6),  que  ensejou  a  seguinte  manifestação fiscal:  “O  que  a  Fiscalizada  tenta  dizer  em  sua  resposta  é  que  as  faturas  de  2006  não  foram  usadas  em  dobro,  ou  seja,  não  compuseram os custos de 2006 e 2007, pois as faturas emitidas  em 2006, que passaram para dentro de 2007, foram, no conjunto  dos  ajustes,  estornadas  contra  a  conta  321013022 – Materiais  Produtivos – Mercado Interno no mesmo ano de 2006.  Esses  estornos  das  faturas  emitidas  em  2006,  realmente  ocorreram no ajuste deste ano. Mas depois foram lançadas pelo  valor de pagamento dentro do exercício 2007. Portanto não há  utilização  de  custo  em  duplicidade,  porém  há  aplicação  do  regime de caixa.  A  empresa  foi  ainda  intimada  especificamente  sobre  esta  prática de regime de caixa na contabilização dos reembolsos de  software  (Termo  de  Intimação  04  –item  5),  no  entanto,  silenciou sobre o assunto.  Na continuidade do procedimento  fiscal, após o  lançamento do  ano  calendário  2006,  foi  feito  uma  reintimação  com  o mesmo  questionamento,  para  que  não  restasse  dúvida  alguma,  com  a  seguinte redação (Termo de Intimação 06 – fls. 5345/5360):  Fl. 105283DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.267          19 REINTIMAÇÃO:  sobre  a  contabilização  de  royalties,  a  Fiscalizada  instituiu,  dentro  dos  seus  ajustes  contábeis,  um  verdadeiro  regime  de  caixa  em  relação a  essas  faturas. Desde  2002 até 2007, as faturas que originalmente estavam lançadas a  crédito de Fornecedores  Intercia  (entradas)  foram debitadas e,  em  contrapartida,  creditada  a  conta  de  Lucros/Prejuizos  Acumulados  (PL);  todos  os  pagamentos  (comprovadamente  realizados  por  meio  de  contratos  de  câmbio  e  extratos  bancários)  que  originalmente  estavam  lançados  a  débito  de  Fornecedores Intercia (liquidação), foram no ajuste creditados,  e  em  contrapartida  debitada  a  conta  de  Lucros/Prejuizos  Acumulados  (PL).  Assim,  da  contabilização  de  aquisição  de  softwares restou apenas crédito de bancos e débito de resultado  (Lucros/Prejuizos Acumulados),  isso  é  regime de  caixa. Diante  disso, a Empresa fica intimada a manifestar­se de forma clara e  objetiva por que alterou sua contabilidade, que havia sido feita  pelo regime de competência, para o regime de caixa. Citar quais  as normas contábeis e legislação tributária que deram amparo a  tal procedimento.  A resposta apresentada (fls. 5361/5369) foi a seguinte:  Resposta Dell: A contabilização dessas obrigações pelo regime  de caixa resultou involuntariamente do processo de conciliação  adotado pela empresa. A conciliação era  feita, no caso, contra  as notas fiscais de entrada de produtos. Como essas obrigações,  designadas  em  seu  histórico  de  lançamento  como  FLU  não  correspondiam a entradas de mercadorias mas a reembolsos de  despesas  com  software.,  não  havia  um  documento  fiscal  que  apontasse para o exato momento de constituição da obrigação.  Assim,  naquela  oportunidade  optou­se  por  fazer  a  conciliação  dessas obrigações contra pagamentos. Mais recentemente, após  encerrado todo o processo de conciliação, foram identificadas as  faturas  relativas  a  essas  obrigações,  sendo  que  algumas  delas  apontavam que a obrigação referia­se a exercício imediatamente  anterior.  De  qualquer  forma,  a  contabilização  pelo  regime  de  caixa  dessas  despesas  não  trouxe  prejuízo  para  o  Fisco  na  espécie,  eis  que  tais  obrigações  originalmente  haviam  sido  contabilizadas pelo regime de competência e o imposto foi pago  no  seu  devido  tempo  considerando  tais despesas  com base nos  seus  respectivos  regimes  de  competência.  Posteriormente,  somente  com a  retificação das declarações de  renda  feitas por  força  do  processo  de  reconciliação,  é  que  a  apuração  dos  respectivos  períodos  foi  alterada.  Porém,  no  seu  conjunto  (exercícios  de  competência  e  caixa)  o  resultado  líquido  é  o  mesmo. O que foi retificado para ser reduzido compensa­se com  o que foi retificado para ser majorado. (Sublinhamos).  Como  se  constata,  a  reposta  não  tem  qualquer  embasamento  legal  ou  lógico.  Afirma  que  fez  por  equívoco,  e  que  só  mais  recentemente encontrou a faturas. Que espécie de reconciliação  é esta que faz lançamentos de centenas de milhões de reais por  vários exercícios sem documentos originários? Estas faturas são  emitidas pela matriz, assim é frágil a argumentação que não as  teria encontrado, pois bastaria solicitar cópia.”  Fl. 105284DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.268          20 Das irregularidades na apuração das variações cambiais   A apuração do resultado contábil é realizada mediante a adoção do regime de  competência, que determina sejam os efeitos das transações reconhecidos quando da  ocorrência do fatos. Essa sistemática contrapõe­se ao regime de caixa, que toma por  base os recebimentos e os pagamentos efetuados em razão das transações objeto de  registro.  A legislação tributária adotava, como regra, o regime de competência para o  reconhecimento  das  variações  monetárias  (dentre  essas  as  variações  cambiais  positivas/receitas e negativas/despesas),  tal qual a contabilidade comercial, através  da qual se mensura o lucro líquido. As variações cambiais seguiam essa rotina até a  edição da Medida Provisória nº 1.858­10, de 26 de outubro de 1999, que fixou, em  seu art. 30, a adoção do regime de caixa para a apuração do resultados decorrentes  das “variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”.  Mais  adiante,  o  art.  30,  §§  1º  e  2º,  da Medida  Provisória  nº  1.991­14,  de  11  de  fevereiro  de  2000,  fixou  a  utilização  do  regime  de  caixa  para  a  apuração  dos  resultados decorrentes das variações monetárias, abrindo a possibilidade da adoção,  por opção do contribuinte, do regime de competência para a referida apuração. Essa  opção colocada à disposição do contribuinte (a regra geral é o regime de caixa para  as variações monetárias) será aplicada para todo o ano­calendário.  As declarações de rendimentos contemplam, em linha com a legislação acima  referida, informações a respeito dos resultados das variações monetárias escrituradas  pelo regime de competência, que de regra são estornados para fins de apuração do  lucro  real,  e  informações  a  respeito  dos  resultados  das  variações  monetárias  apurados  consoante  o  regime  de  caixa.  Na  hipótese  da  adoção  do  regime  de  competência, os ajustes antes referidos não são necessários.  No  caso  dos  autos,  o  contribuinte  teria  apurado  seus  resultados  fiscais  em  função do regime de caixa (fl. 23.102), uma vez que preencheu suas declarações de  rendimentos  relativas  aos  anos­calendário  2006  e  2007  apontado  os  ajustes  antes  citados.  Relativamente  ao  ano­calendário  2006,  o  contribuinte  informou  que  sua  contabilidade registrou 45 milhões de variações monetárias positivas e 25 milhões  de negativas, apurando um ganho líquido integrado ao resultado comercial no valor  de R$ 20 milhões. Para fins de apuração do lucro real, tendo em vista a disposição  do  art.  30  da  Medida  Provisória  nº  1.85810,  de  1999  (regime  de  caixa),  foram  lançados ajustes positivos de R$ 8 milhões e negativos R$ 38 milhões, bem como  outro ajuste negativo, a título de “Outras Exclusões”, também no montante de R$ 38  milhões. Dessa forma, considerado o resultado contábil de R$ 20 milhões positivo e  os ajustes fiscais de R$ 67 milhões, chega­se ao resultado negativo de R$ 47 milhões  originalmente  informado  ao  Fisco  (fl.  23.100). Mais  adiante,  após  o  refazimento  contábil, o contribuinte aumentou o valor informado a título de “Outras Exclusões”,  que passou de R$ 38 milhões para R$ 52 milhões. Dessa forma, o  resultado  final  informado ao Fisco a título de variações monetárias foi de R$ 52 milhões negativos.  O  contribuinte,  em  que  pese  os  elementos  acima  descritos,  respondeu  a  intimação  fiscal  a  respeito  do  regime  por  ele  adotado  na  apuração  das  variações  monetárias  afirmando  que  não  praticava  o  regime  de  caixa.  Afirmou  que  o  preenchimento  da  declaração  de  rendimentos  apontando  ajustes  teria  se  dado  por  equívoco (fls. 23.101 e 23.104).  Quanto  ao  ano­calendário  2007,  a  contabilidade  do  contribuinte  “deixou de  registrar os ajustes de variação cambial pelo regime de competência para as contas  Fl. 105285DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.269          21 de fornecedores” (fls. 23.101/2). As variações cambiais só foram registradas quando  da realização dos pagamentos. Nesse período o dólar apresentou queda significativa  em  relação  ao  real,  tendo  o  interessado  efetuado  “ajustes  mensais  de  variações  cambiais apenas em alguns meses para a conta Intercia Serviços, onde teve perdas;  já para as contas Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros, onde os saldos  são  mais  relevantes  e  teria  ganho  com  a  queda  da moeda  estrangeira  ignorou  as  normas vigentes e deixou de lançar os ajustes” (fl. 23.102). Na escrita comercial, o  saldo médio das contas do passivo de fornecedores (que teriam ganho com a queda  do  dólar) monta R$ 250 milhões,  enquanto  o  saldo médio  das  contas  do  ativo de  clientes  (que  teriam  perda  com  a  queda  do  dólar)  monta  1/3  daquele  valor.  Paralelamente  a  isso,  o  contribuinte  informou  em  sua  declaração  de  rendimentos  variações  ativas  (ganhos)  de  R$  4.232.918,99  e  passivas  (perdas)  de  R$  6.378.269,68 (fl. 23.102). Frente a isso, a fiscalização fez a seguinte afirmativa (fl.  23.102):  “Mesmo com os registros contábeis falhos, e a Empresa estando  ciente disso, registrou seus livros Diários na Junta Comercial.”  Relativamente a esse ano­calendário (2007), o contribuinte também alega erro  no  preenchimento  das  declarações  de  rendimentos,  porquanto  contemplam ajustes  inerentes  ao  regime  de  caixa,  enquanto  o  sujeito  passivo  alega  ter  optado  pelo  regime de competência. Analisemos, então, os valores apontados nas declarações de  rendimentos.  O  contribuinte  informou  que  sua  contabilidade  registrou  4  milhões  de  variações monetárias positivas e 6 milhões de negativas, apurando uma perda líquida  integrada ao resultado comercial no valor de R$ 2 milhões. Para fins de apuração do  lucro real, tendo em vista a disposição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.858­10,  de  1999  (regime  de  caixa),  foram  lançados  ajustes  positivos  de  R$  1,5 milhão  e  negativos  R$  1  milhão.  Dessa  forma,  considerado  o  resultado  contábil  de  R$  2  milhões  negativo  e  os  ajustes  fiscais  positivos  de  R$  0,5  milhão,  chega­se  ao  resultado negativo de R$ 1,5 milhão originalmente informado ao Fisco (fl. 23.102).  Mais  adiante,  após  o  refazimento  contábil,  o  contribuinte  preencheu  duas  novas  linhas  da  declaração,  informando  novos  ajustes  R$  3  milhões  positivos  e  R$  6  milhões  negativos,  aumentou,  ainda  mais  o  anterior  saldo  negativo  (fl.  23.104),  motivando seguinte manifestação da fiscalização (fl. 23.104):  “Assim, a Empresa diz que não optou pelo regime de caixa, que  preencheu por equívoco as  linhas correspondentes, no entanto,  fez  isso  em  sua  DIPJ  original  e  reforçou  a  opção  na  DIPJ  retificadora,  preenchendo  as  quatro  linhas.  Ao  ser  intimada  a  apresentar as planilhas de apuração pelo regime de caixa, disse  não possuir, porém inseriu valores desconhecidos em sua DIPJ.  ...  A  Empresa  alega  erro  para  2006,  o  mesmo  erro  para  DIPJ  original  de  2007,  e  o  mesmo  erro  para  DIPJ  retificadora  de  2007. Diante  disso,  a  única  conclusão  a  que  se pode  chegar  é  que essas linhas foram preenchidas deliberadamente apenas com  o  intuito  de  confundir  qualquer  tipo  de  análise  por  parte  do  Fisco,  dando  a  entender  que  sua  apuração  de  variações  cambiais  seria  extracontábil,  evitando  uma  análise  em  sua  contabilidade para tal fim.”  Fl. 105286DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.270          22 Além  disso,  o  agente  do  Fisco  identificou  irregularidades  na  apuração  das  variações cambiais. Como o saldo médio das contas que registram as dívidas com os  fornecedores  estrangeiros  gira  em  torno  de  R$  175 milhões  e  o  saldo médio  das  contas que registram os haveres com clientes estrangeiros giram em torno de R$ 82  milhões, o  lógico seria a apuração de ganho com a oscilação negativa do dólar no  ano­calendário 2006 (a cotação do dólar variou de R$ 2,32 no início do ano para R$  2,16  ao  final  –  vide  tabela  da  fl.  23.106).  As  dívidas,  em  montante  maior,  registraram redução também maior frente à redução menor registrada em relação aos  haveres.  Isso,  no  todo,  deveria  significar  um  ganho.  Estranhamente,  depois  da  contabilidade original do contribuinte ter apontado um ganho de R$ 20 milhões com  a variação cambial, o que era esperável, os ajustes implementados transformaram o  ganho em uma perda de R$ 36 milhões.  A  fiscalização,  após  repetir  os  procedimentos  do  contribuinte  quando  do  refazimento contábil relativamente aos fornecedores estrangeiros, apontou a origem  das irregularidades identificadas quanto às variações cambiais. Confira­se:  “Conforme já afirmado, o resultado das variações cambiais em  2006  passou  de  receita  de  20 milhões  (ctb  original)  para  uma  despesa de 36 milhões, ou seja uma variação de 56 milhões. Isso  decorreu  da  eliminação  dos  passivos  fictícios  (ainda  não  comprovados),  estornos  indevidos  de  pagamentos  comprovadamente  realizados,  transformação  das  faturas  de  softwares em regime de caixa. Além destas causas já detalhadas  nos tópicos anteriores, e com supremacia a todas elas, a maior  irregularidade  na  apuração  das  variações  cambiais  decorreu  dos estornos citados acima.”  A  irregularidade  dita  maior  é  explicada  pela  fiscalização.  No  cálculo  das  variações  cambiais,  o  contribuinte  incorreu  em  erro  reiterado. Ao  adotar  as  notas  fiscais  de  entrada  das  mercadorias  importadas  como  base  documental  para  os  lançamentos,  em  detrimento  das  declarações  de  importação,  o  contribuinte  sistematicamente  equivocou­se  ao  apurar  o  valor  em  dólares  de  uma  das  notas  fiscais  (podem existir uma ou mais notas  fiscais de entrada para cada processo de  importação). Confira­se o exemplo dado pelo agente fiscal (fl. 23.112):  Data  Nota Fiscal  Valor US$  Saldo US$  Taxa US$  Valor R$  Saldo R$  17/07/2006  6288  984.963,22  984.963,22  0,1733  170.653,74  170.653,74  17/07/2006  6289  443.184,55  1.428.147,77  2,2118  980.235,59  1.150.889,33  17/07/2006  6290  512.667,79  1.940.815,56  2,2118  1.133.918,62  2.284.807,95  Consoante se verifica, o cálculo do valor em dólares da nota fiscal de entrada  nº 6288 está completamente equivocado,  tendo sido adotada  taxa de conversão de  R$  0,1733  para  cada  dólar.  Dessa  forma,  um  desembolso  de  R$  170.653,74  transformou­se em US$ 984.963,22. Esse erro do contribuinte pode ser atestado no  documento da folha 321, de lavra do interessado.  Qual  a  conseqüência  do  referido  erro  para  fins  do  cálculo  das  variações  cambiais? Para o cálculo das  referidas variações, o contribuinte converteu o saldo  em dólares das compras registradas na notas fiscais de entrada para reais, assumindo  que  a  diferença  entre  esse  valor  e  aquele  contabilizado  em  reais  seria  a  variação  cambial  observada  no  período.  Como  o  valor  em  dólares  está  calculado  reiteradamente  de  forma  errada  e  a  maior,  o  cálculo  da  variação  cambial  é  erroneamente negativo  (uma despesa). Confira­se o  resultado colhido na operação  antes exemplificada (fl. 23.113):  Saldo US$ 1.940.815,56 X Taxa R$ 2.1754  R$ 4.222.050,17  Fl. 105287DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.271          23 Saldo Contábil em Reais  R$ 2.284.807,94  Variação Cambial Passiva (Despesa)  R$ 1.937.242,23  Caso inexistisse o erro na operação em tela, o resultado teria sido o seguinte  (fl. 23.113):  Saldo US$ 1.033.008,38 X Taxa R$ 2.1754  R$ 2.247.206,43  Saldo Contábil em Reais  R$ 2.284.807,94  Variação Cambial Ativa (Receita)  R$ ­37.601,51  Dada essa explicação, a  fiscalização esclareceu a dimensão do equívoco (fl.  23.114):  “Notemos a relevância e a gravidade dessas irregularidades nas  planilhas  de  variações  cambiais,  pois  como  vimos  acima  em  apenas  um  processo  de  importação  houve  uma  distorção  de  milhões  de  reais.  Essa  mesma  prática  foi  usada  para  outras  centenas de  importações  constantes das planilhas de variações  cambiais das  contas  Intercia Fornecimentos  (sobretudo essa) e  Fornecedores Estrangeiros.”  A fiscalização  relata  ter  feito amostragem na qual  restou evidenciado que o  erro sistemático se dava em torno dos valores em dólares das importações, consoante  anteriormente relatado. Como são centenas de processos de importação, o agente do  Fisco tomou para análise aqueles em que a discrepância entre a taxa de cotação do  dólar  utilizada  e  a  efetiva  fosse  superior  a  5%  (havia  casos  nos  quais  as  taxas  apontadas eram de 1, 5, 10 ou 50 centavos). Refeitos os cálculos apenas com essa  parcela  selecionada  de  processos  de  importação,  a  fiscalização  identificou  que  as  despesas de variação monetária obtidas irregularmente montavam R$ 56.782.467,47  (fl. 23.116). Esse valor aproxima­se do ajuste operado pelo contribuinte (objeto das  planilhas)  que  transformou  a  original  receita  com  variação  cambial  registrada  na  contabilidade no valor de R$ 20.235.291,40 em uma despesa de variação cambial no  valor de R$ 36.082.836,76 (fl. 23.107 c/c fl. 23.116), ou seja, um ajuste negativo de  R$ 56.318.128,16.  A  respeito  dos  reiterados  erros  a  fiscalização  assim  se  manifestou  (fls.  23.117/8):  “Não  se  pode  aqui  admitir  que  estas  novas  infrações  nas  planilhas de variações cambiais também sejam fruto de erro. As  taxas  discrepantes  estão  lá  visíveis  ao  longo  das  planilhas,  os  valores apurados contrariam a lógica, não precisa ser perito no  assunto para perceber de plano as incorreções.  Sobre  esse  assunto  a  Fiscalizada  foi  intimada  no  Termo  de  Intimação Fiscal 02 –item 2, com data de ciência em 20/05/2011.  Depois  disso  pediu  prorrogação  de  prazo  três  vezes,  sendo  concedidas todas até o limite de 06/09/2011. Alegava que estava  construindo  novas  planilhas  de  variação  para  explicar  as  planilhas que tinha apresentado inicialmente, embora conforme  demonstrado,  não  há  explicação  dentro  de  parâmetros  legais  para  isso. Mesmo  depois  de  a Fiscalização  ter  consignado  em  termo  que  o  último  prazo  seria  improrrogável,  continuou  pedindo  prorrogação,  mas  até  a  presente  data  nada  explicou  sobre o assunto.”  Fl. 105288DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.272          24 Segundo a fiscalização, no ano­calendário 2007 foram verificadas as mesmas  irregularidades, ou seja, “a inserção de taxas irreais de dólar, especialmente na conta  de Fornecedores Estrangeiros” (fl. 23.118). O contribuinte foi  intimado a respeito,  tendo sido apresentada a ela planilha de cálculo especificamente dirigida ano ano­ calendário  de  2007  (fls  1.198/9,  item  2.3,  e  fls.  1.2613).  O  contribuinte  não  se  manifestou a respeito (fl. 23.119).  Ainda ao tratar das variações cambiais registradas no ano­calendário 2007, a  fiscalização  identificou  a manipulação,  pelo  contribuinte,  dos  cálculos  em  relação  também àquele período. Os saldos finais do ano­calendário 2006, em dólares e em  reais, da conta Intercia Fornecimentos (passivo) constante das planilhas de cálculo  apresentadas pelo contribuinte eram distintos dos saldos iniciais do ano­calendário  2007 (fl. 23.120). Essa manipulação deu azo ao cálculo de uma despesa de variação  cambial  negativa  (despesa)  de R$  17.314.390,53  em  janeiro  de  2007,  período  no  qual  o  dólar  observou  variação  mínima  de  valor,  oscilando  R$  2,1372  para  R$  2,1239  –  fl.  23.120).  Intimado  a  respeito  das  variações  cambiais,  o  contribuinte  apresentou  novas  planilhas  que  indicavam  o mesmo  resultado:  despesa  de R$  17  milhões  (fl.  23.121). Nessa  nova  planilha,  houve  a  correção  dos  saldos  iniciais  e  finais.  A  fiscalização,  então,  procurou  entender  os  novos  cálculos  apresentados,  tendo assim concluído (fl. 23.122):  “A Fiscalizada entregou novas planilhas de variações cambiais  de  2007  –mantendo  irregularmente  o  regime  de  competência,  mas o mais grave é que tentou ocultar a origem da despesa de 17  milhões com a seguinte ação: ajustou linha a linha os valores em  dólares para ficarem alinhados com os equivalentes em reais, e  uma taxa de câmbio coerente; porém de em uma única linha no  meio  de  milhares  inseriu  os  17  milhões  de  despesa,  com  o  histórico de ajuste saldo anterior.”  Ao exemplificar as diferenças de cálculo entre as duas planilhas apresentadas  pelo  contribuinte,  a  fiscalização  afirmou  que  o  erro  nos  saldos  iniciais  e  finais  deixou de existir, mas o resultado negativo de R$ 17 milhões permaneceu. A equipe  fiscal  averiguou  os  motivos  dessa  incoerência,  tendo  apresentado  a  seguinte  conclusão (fl. 23.123):  “Mas, como se sabia que não houve variação da taxa dólar de  31/12/2006 para 31/01/2007, passamos a investigar como estava  sendo gerada a dita despesa na nova planilha. Após uma longa  procura, foi identificada no meio de 5.226 linhas da planilha de  janeiro/2007,  em  um  único  registro,  um  valor  de  US$  8.098.919,49.  Em  uma  única  linha,  com  data  de  31/01/2007,  a  Fiscalizada  inseriu com o histórico “ajuste saldo anterior” o citado valor de  US$  8.098.919,49,  sendo  o  mesmo  lançado  apenas  na  coluna  “US$  Compras”,  com  majoração  automática  do  saldo  acumulado  US$  (fls.  5739/5959  –  pagina  68  daquela).  Esta  quantia ao ser convertida em reais no final da planilha pela taxa  de 31/01  (2,1239) resulta uma despesa de variação cambial de  R$ 17.201.295,10.  Com a citada prática, a Empresa manteve a despesa de variação  cambial  irregular,  porém  agora  com  a  clara  tentativa  de  ludibriar a Fiscalização, inserindo em uma única linha no meio  de milhares  um  ajuste  sem  justificativas. Em  sua manifestação  Fl. 105289DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.273          25 (fls.  5361/5369)  quando  da  entrega  das  novas  planilhas  nada  mencionou sobre o ajuste.”  Relativamente  a  outra  conta  de  fornecedores,  a  conta  Fornecedores  Estrangeiros, que registra as operações com fornecedores não pertencentes ao grupo  Dell,  também  foram  identificadas  irregularidades.  Constatou­se  a  existência  de  4.640  lançamentos  de  estorno  de  fretes  vinculados  às  importações  registradas  na  conta  Fornecedores  Estrangeiros,  totalizando  R$  24  milhões  (fl.  23.124).  A  motivação  para  os  estornos  seria  o  lançamento  em  duplicidade.  Os  estornos  representaram um aumento  do  resultado. Entretanto,  esse  aumento  restou  anulado  por  novos  erros  na  apuração  das  variações  cambiais  calculadas  em  função  das  dívidas registradas na conta Fornecedores Estrangeiros. Nas planilhas de cálculo, os  valores  em  reais devidos  foram afetados  estornos  antes noticiados. Os valores  em  dólares, não. Dessa forma, quando da conversão dos saldos em dólares para  reais,  chegou­se  a valor devido bem superior  àquele  registrado em reais  (aquele que  foi  objeto do estorno). A diferença apurada entre os valores em reais (o saldo objeto do  estorno e o valor calculado em função da conversão do montante devido em dólares)  representou variação cambial devedora excessiva, que abarcou o estorno realizado.  A  fiscalização  apresentou  exemplos  (fls.  23.124­7).  A  motivação  para  esse  procedimento  seria  a  intenção  de  gerar  resultado  positivo  em  dólares  com  neutralidade em reais, posto que em dólares não há despesa com a variação do dólar.  Essa intenção será mais adiante esmiuçada. Confira­se a conclusão do agente fiscal  (fl. 23.127):  “Não  ficou  demonstrada  pela  Empresa  a  razão  de  todos  estes  estornos de fretes, mas as constatações que não deixam margem  à dúvida são as seguintes: com esta operação houve aumento do  lucro societário em 24 milhões de reais, e os efeitos tributários  desse aumento de  lucro  foi anulado pela indevida manipulação  da  planilha  de  variações  cambiais.  Lembrando  sempre  que  os  ajustes  de  variações  cambiais  no  Brasil  não  interfeririam  em  resultado consolidado nos Estados Unidos.”  Por fim, nesse tópico, a fiscalização apontou a falta de critério do contribuinte  com  seus  registros  contábeis.  As  contas  Intercia  Fornecimentos  e  Fornecedores  Estrangeiros, que retratam, em tese, operações com sociedades estrangeiras ligadas e  não ligadas, respectivamente, também registram operações com ligadas na segunda e  não  ligadas na primeira. Observou­se,  também, o registro original da operação em  uma  conta  e  o  registro  da  variação  cambial  na  outra. Essa  situação  inviabiliza  “o  correto  fechamento  no  momento  do  pagamento”  (fl.  23.130).  O  contribuinte,  intimado, não se manifestou a respeito (fl. 23.131).  A conclusão geral para o tópico foi a seguinte (fls. 23.131/2):  “1º) A Empresa optou pelo regime de caixa quando formalizou  isso mês a mês no Lalur e confirmou da DIPJ. Isso vale para os  anos de 2004, 2005, 2006 e 2007.  Portanto  a  mudança  de  critério  de  apuração  no  refazimento  contábil  é  indevida,  uma  vez  que  contraria  a  legislação  pertinente.  2º)  A  Empresa  mudou  de  regime  de  apuração  de  caixa  para  competência  para  possibilitar  a  manipulação  de  resultados  e  gerar  despesas  que  lhe  interessavam  para  atenuar  a  base  tributável do IRPJ e CSLL.  Fl. 105290DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.274          26 3º)  Assim  como  para  o  ano  de  2006,  em  relação  a  2007  a  Empresa  foi  claramente  intimada a  apresentar  as  planilhas  de  forma correta,  porém, decorridos  vários meses,  não o  fez.  Isso  demonstra  que  não  há  qualquer  intenção  por  parte  da  Fiscalizada em corrigir as irregularidades cometidas.  4º) Não é possível à Fiscalização apurar os valores de variações  cambiais  pelo  regime  de  caixa  a  partir  dos  dados  disponibilizados  pela  Empresa.  Como  demonstrado  nas  planilhas  de  fornecedores  a  confusão  é  generalizada;  nas  planilhas de clientes a venda é referenciada pelo número da nota  fiscal,  mas  o  recebimento  é  fechado  agregando  diversas  notas  sem qualquer possibilidade de fechamento.  5º) A partir da contabilidade também é impraticável a apuração  das  variações  cambiais:  a  contas  de  clientes  seguem  a mesma  forma  das  planilhas  –  registro  de  venda  por  nota  fiscal  e  recebimentos  globais  de  diversas  vendas,  as  contas  de  fornecedores foram totalmente alteradas, dezenas de milhares de  processos com algumas partes validas na contabilidade original  e outras somente no ajuste dentro de 2009.”  Dos ajustes nas contas de estoques   Quanto aos estoques, o agente do Fisco relata o resultado do trabalho de dois  auditores independentes.  O primeiro, Consulcamp Auditoria e Consultoria S/C Ltda., manifestou­se a  respeito da escrita do contribuinte em razão do processo de habilitação para o regime  aduaneiro  denominado  “Linha  Azul”.  Após  esclarecer  que  o  contribuinte  não  mantinha sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade,  o auditor teceu críticas ao critério de valorização do estoque de matérias­primas, nos  seguintes termos (fls. 23.1335):  “Para  a  valorização  dos  estoques  finais  de  matéria­prima,  notamos  que  o  critério  não  atende  ao  disposto  na  legislação  vigente  aplicável,  pois  a  empresa adota um critério arbitrário,  em contraposição ao que determina o artigo 295 do RIR/99:  ...  Notamos que o sistema GLOVIA realiza controles específicos de  inventário  e  saldos  físicos  (partes  e  peças),  no  entanto,  não  controla  produtos  acabados,  existindo  limitações,  pois  o  GLOVIA trabalha considerando apenas PART NUMBER.  Ainda, identificamos que o sistema destacado acima não mantém  uma  rotina  de  cálculo  do  custo  médio,  dessa  forma,  de  modo  arbitrário ocorre a valorização dos estoques.  ...  Analisando os procedimentos adotados para o controle dos seus  estoques,  notamos  que  a  empresa  não  mantém  controle  dos  estoques de produtos acabados, pois devida a especificidade de  sua  atividade,  os  produtos  acabados  não  são  mantidos  pela  Fl. 105291DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.275          27 empresa,  ou  seja,  toda  a  produção  é  faturada  e  expedida,  não  havendo saldos de estoques físicos dessa natureza.  Ainda,  em procedimento de análise das operações da empresa,  bem como inspeção física dos estoques e controles empregados  pela empresa, identificamos que os itens de estoques adquiridos  para comercialização direta (finished goods), ou seja, aquelas já  possuem a alocação em alguma ordem (cliente) são controlados  por  meio  de  planilhas  eletrônicas,  não  havendo,  portanto,  o  controle  por  "part  numbers"  no  sistema  "IMS",  assim,  os  registros contábeis e fiscais são realizados manualmente.  Como  reflexo  dos  procedimentos  adotados  pela  empresa  para  esse  controle,  os  custos  dessas  operações  são  registrados  diretamente no  resultado do período, não havendo, portanto, a  alocação como estoques de produtos para revenda. Por meio de  entrevista  realizada,  fomos  informados  que  nos  fechamentos  mensais a empresa mantém saldos desses estoques em seu poder,  no entanto, os mesmos são controlados por meio de quantidade  de  ordens  e  não  de  itens,  o  que  dificulta  o  processo  de  quantificação  e  mensuração  dos  saldos  de  estoques  para  a  correta valorização a ser realizada no período.”  A fiscalização, evidentemente, insurge­se contra o critério arbitrário utilizado  pelo contribuinte e relatado pelo auditor independente.  O contribuinte foi questionado a respeito de eventual mudança de critério da  contabilidade  original  para  a  ajustada,  tendo  apresentado  a  seguinte  resposta  (fl.  23.136):  “Não houve mudança no critério de valoração dos estoques. O  critério  utilizado  sempre  foi  aquele determinado no artigo 293  do  RIR/99.  Entretanto  com  a  revisão  dos  controles  internos  algumas falhas na valorização foram corrigidas com a melhoria  da qualidade da informação.”  Diante  dos  termos  do  trabalho  do  auditor  independente,  assim  conclui  a  fiscalização (fls. 23.137/8):  “Desta  forma,  pela  afirmação  da  Empresa  conclui­se  que  ela  mantém  os  valores  de  estoques  pelo  custo  histórico,  mas,  segundo a declaração dos Auditores Independentes no momento  da avaliação dos seus estoques  finais não segue nem o critério  PEPS, nem o custo médio e nem o terceiro critério admitido de  preço  de  venda  menos  lucro:  “a  empresa  adota  um  critério  arbitrário, em contraposição ao que determina o artigo 295 do  RIR/99”.  Quanto  ao  trabalho  do  segundo  auditor  independente,  PriceWaterhouse  Coopers,  o  agente  do  Fisco  destaca  os  termos  do  parecer  emitido  pelo  auditor  independente a respeito das demonstrações financeiras levantadas em 31 de janeiro  de 2009. A PriceWaterhouse Coopers não avaliou os estoques existentes em 31 de  janeiro de 2008, nos seguintes termos (fl. 23.138):  “Não  acompanhamos  as  contagens  físicas  dos  estoques  de  matérias­prima e produtos acabados em 31/01/2008, pois nossa  Fl. 105292DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.276          28 contratação,  como auditores, ocorreu em data posterior, e não  foi  possível  satisfazermo­nos,  por  outros  procedimentos  de  auditoria, quanto às quantidades de matérias­prima e produtos  acabados nesta data.”  Como  os  trabalhos  efetuados  pelo  auditor  independente  foram  iniciados  no  primeiro  semestre  de  2009,  anteriormente  ao  término  do  chamado  “refazimento  contábil”, bem como tendo presente que nada  teria mudado quanto aos estoques e  que o sistema Glovia seria uma ferramenta hábil para a avaliação dos estoque, como  se  pode  explicar  que  os  auditores  independentes  não  conseguiram  se  satisfazer  quanto à avaliação dos estoques? Segundo a fiscalização, isso demonstra que jamais  houve falta de interesse do Fisco em tentar avaliar os estoques do contribuinte com  os elementos existentes. O que de fato ocorre é que isso é impraticável, consoante  atestado pelo auditor independente.  Após  analisar  a  manifestação  dos  auditores  independentes,  a  fiscalização  passa a avaliar a escrita do impugnante. Informa que a contabilidade do contribuinte  continha  dez  contas  retratando  a movimentação  econômica  atinente  aos  estoques.  Quando do “refazimento contábil”, contas nas quais eram registrados produtos em  elaboração e produtos acabados foram zeradas. Segundo sustenta o contribuinte, seu  processo produtivo seria muito rápido, culminado com o imediato faturamento dos  produtos  acabados, motivo  pelo  qual  o  estoque  somente  conteria matérias­primas.  Assim,  os  valores  indicados  na  escrita  antes  do  “refazimento  contábil”  foram  zerados.  Essa  baixa  dos  estoques  teria  acarretado  o  aumento  dos  custos  e  a  conseqüente redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  No que  diz  respeito  às modificações  implementadas  nos  registros  contábeis  atinentes aos estoques, a fiscalização dá destaque à afirmação do contribuinte de que  a contagem dos estoques ocorreu na época própria (fl. 23.142). Tomando isso como  verdade,  conclui­se  que  as  quantidades  dos  itens  inventariados  antes  e  depois  do  “refazimento  contábil”  não  sofreram  alteração.  As  alterações  nos  valores,  então,  somente poderiam advir dos critérios de valoração. A fiscalização, então, questionou  o contribuinte a respeito, colhendo a seguinte resposta (fl. 23.143):  “Não houve mudança no critério de valoração dos estoques. O  critério  utilizado  sempre  foi  aquele determinado no artigo 293  do  RIR/99.  Entretanto  com  a  revisão  dos  controles  internos  algumas falhas na valorização foram corrigidas com a melhoria  da qualidade da informação.”  Frente  à  manifestação  do  sujeito  passivo,  o  agente  do  Fisco  demonstrou  a  envergadura  das  alterações  implementadas  a  título  da  melhoria  da  qualidade  da  informação. De 2002 a 2007 essas mudanças alteram em milhões de reais os saldos  dos  estoques  (fl.  23.147),  conduzindo  a  fiscalização  à  seguinte  conclusão  (fl.  23.147):  “Assim, não há explicação  razoável para os  temas expostos: a  Empresa diz que a base para controle de seus estoques foi, antes  e  durante  o  refazimento  contábil,  o  seu  sistema  Glovia,  no  entanto  há  relevantes  alterações  nas  realizações  de  estoques  e  nos saldos finais de cada exercício.”  A  fiscalização  identificou  que  o  contribuinte  agregou  aos  seus  estoques  o  valor dos  tributos  recuperáveis  incidentes na aquisição de mercadorias e matérias­ primas, em desrespeito aos termos do art. 289, § 3º, do do Decreto nº 3.000, de 26 de  março  de  1999,  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  RIR/1999.  Como  o  Fl. 105293DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.277          29 contribuinte  realiza  operações  de  consignação  mercantil,  o  agente  do  Fisco  demonstrou o cabimento da segregação do valor dos tributos recuperáveis quando do  ingresso  das  mercadorias  ou  matérias­primas.  Analisados  os  registros  atinentes  à  reconciliação,  a  fiscalização  conclui  pelo  incremento  do  valor  dos  estoques  em  função do cômputo dos tributos recuperáveis (fls. 23.155/8).  Alem  disso,  o  agente  do  Fisco  referiu  a  realização  de  registros  duplos  de  aquisições  de  mercadorias  e  matérias­primas  (fls.  23.158/60),  tendo  efetuado  a  seguinte acusação quanto à escrita original, anterior aos ajustes (fl. 23.160):  “Observe­se que a mesma nota fiscal é lançada duas vezes, mas  com um dia de diferença e  com um centavo de diferença entre  um  lançamento  e  outro,  aparentando  algo  planejado  para  parecer documentos fiscais diversos.”  Quanto  aos  efeitos  dos  ajustes,  assim  se  manifesta  a  fiscalização  (fl.  23.160/1):  “Nos  ajustes  contábeis  relativos  à  mesma  nota  fiscal  citada  acima, são feitos lançamentos de estornos apenas entre as contas  de compensação, mantendo o valor em duplicidade nos estoques  de matéria­prima.  E  mais,  são  lançados  os  tributos  recuperáveis,  também  duas  vezes, para dentro de estoques.  ...  Assim, a conta de Matéria Prima que já tinha recebido o valor  dos produtos em dobro na contabilidade original, agora recebe o  valor dos  tributos  recuperáveis  também em dobro. Com isso, a  mesma  nota  fiscal  restou  somando  duas  vezes  dentro  de  estoques,  e  ainda  com os  impostos  inclusos. Ou  seja,  são duas  irregularidades numa mesma operação.”  Questionado  o  contribuinte  a  respeito  das  irregularidades,  o  sujeito  passivo  apresenta  cópias  de  notas  fiscais,  sem  infirmar  as  acusações. Diante  disso,  assim  conclui o agente do Fisco (fl. 23.161):  “Mais  uma  vez,  aqui  neste  item  também  fica  plenamente  evidenciado  que  o  refazimento  contábil  não  teve  como  intuito  principal de regularizar as incorreções contábeis pré­existentes.  Pelo contrário, a Empresa, além de não corrigir as duplicidades,  ainda  inseriu  valores  de  tributos  recuperáveis  nos  valores  de  estoques.”  Quanto à fidedignidade dos Livros Registro de Entradas, a fiscalização afirma  que  os  referidos  registros  são  inconsistentes,  porquanto  o  próprio  contribuinte  reconheceu que houve falha no registro de inúmeras notas fiscais (fl. 23.163).  A  conclusão  do  agente  do Fisco  acerca do  registro do  estoque de matérias­ primas foi a seguinte (fls. 23.170/1):  “a) A Empresa adota critério arbitrário para valoração dos seus  estoques  –  isso  foi  afirmado  por  empresa  de  auditoria  independente,  em  análise  alheia  a  este  procedimento  fiscal,  o  que só aumenta a garantia de isenção;   Fl. 105294DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.278          30 b) A aglutinação de todos os estoques, inclusive de mercadorias  para  revenda,  em  uma  única  conta  de  Matéria  Prima,  modificando a adequada segregação pré­existente é inadequado  e apenas dificulta a análise;   c) A Fiscalizada afirma que usou a mesma base para apuração  dos  seus  estoques  (sistema  Glovia),  tanto  na  contabilidade  original quanto no refazimento, no entanto aumentou o CPV de  estoque em mais de 300 milhões neste último;   d)  A  auditoria  independente,  que  avaliou  os  processos  da  Fiscalizada  para  fins  de  obtenção  de  certificação  para  o  despacho  expresso  Linha  Azul,  afirma  que  parte  dos  estoques,  como materiais para revenda, não são controlados pelo sistema  Glovia,  mas  têm  controle  manual  –  lembrando  que  no  refazimento tudo foi considerado matéria­prima;   e)  Os  registros  de  ajustes  demonstram  que,  a  Fiscalizada  modificou  a  contabilização  original,  considerada  adequada,  para  inserir  mais  de  100  milhões  de  reais  em  tributos  recuperáveis  nos  estoques  de  matéria­prima,  em  afronta  ao  Regulamento do Imposto de Renda;   f)  Contrariando  o  discurso  de  retificação  de  incorreções,  nos  ajustes  de  2007,  foram  mantidas  em  duplicidade,  dentro  dos  estoques  de  matérias­primas,  notas  fiscais  de  aquisição  de  fornecedores  nacionais,  e  ainda  foram  lançados  impostos  recuperáveis para dentro de estoques de forma duplicada;   g)  A  Empresa  admite  que  os  livros  Registro  de  Entradas  são  inconsistentes, pois centenas de notas fiscais não teriam passado  pelos mesmos, sendo levadas a resultado “por fora” do CPV;  h) A quantidade de ajustes lançados na conta Matéria Prima em  31/01/2009  chega  a  mais  de  setenta  mil,  sendo  que  a  soma  desses  ajustes  chega  a  mais  de  8  bilhões  de  reais  a  débito  e  também a crédito da citada conta, em todos os anos ajustados, o  que torna impraticável qualquer análise aprofundada;   i)  Não  possuía  para  2006  e  2007  livro  Registro  de  Inventário  escriturado em época própria, e os livros elaborados durante o  refazimento  contábil  não  cumprem  a  necessária  formalidade  jurídica, pois não foram autenticados na Junta Comercial. Assim  deixam de atender o art. 289 do RIR/99.  j)  Os  livros  Registro  de  Inventário,  assim  como  os  registros  contábeis,  conteriam  em  seus  saldos  de  estoques  de  matérias­ primas  valores  de  impostos  recuperáveis,  em desacordo com o  art. § 3º do art. 289 do RIR/99.  k)  As  alterações  retroativas  de  realização  de  estoques  e  de  saldos de estoques depois de quase uma década são inaceitáveis.  A apuração de CPV é um valor  fechado, que não há como ser  conferido,  o  único  registro  formal  são  os  livros  contábeis  originais e estes foram modificados.”  Fl. 105295DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.279          31 No que diz respeito ao estoque de peças usadas, aquelas reaproveitáveis que  retornaram  à  empresa  em  função  de  substituição  nos  equipamentos  vendidos,  a  fiscalização verificou a dupla apropriação dos custos, uma quando da primeira venda  e outra quando da reutilização. A segunda apropriação não foi deduzida da base de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSL  no  período  de  2002  a  2006,  mas  houve  a  dedução  relativamente  ao  ano­calendário  2007. Os  consultores  do  contribuinte  atestaram  a  indedutibilidade  dos  valores  em  função  da  falta  “de  documentação  mínima  necessária para garantir e dedutibilidade” (fl. 23.173). Questionado a esse respeito, o  contribuinte não se manifestou (fl. 23.174). O sujeito passivo reafirmou, entretanto,  não ter ocorrido modificação nos critérios de avaliação dos estoques. A fiscalização  apresentou, então, a seguinte conclusão (fl. 23.176):  “Esses  itens  de  estoque  que  retornam  como  sucata  já  compuseram o custo do exercício em período de sua venda como  parte dos produtos. Assim, não poderiam ser usados novamente  para  diminuir  o  lucro  real,  e  não  foi  apresentada  qualquer  justificativa  ou  documentação  que  pudesse  dar  amparo  a  essa  geração de custo durante o refazimento contábil, que somou R$  20.955.479,23.”  Das irregularidades quanto ao PIS e ao Cofins   A  fiscalização demonstra os  critérios  contábeis preconizados pelo Conselho  Federal de Contabilidade e pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil para  o  reconhecimento  dos  créditos  advindos  da  adoção  da  sistemática  da  não­ cumulatividade  do PIS e da Cofins. Em  resumo, duas hipóteses  são possíveis. Na  primeira,  o  crédito  é  registrado  quando  da  aquisição  da  mercadoria  ou  matéria­ prima.  Na  segunda,  dita  simplificada,  o  pessoa  retifica  o  registro  do  custo  (aumentado  pelo  não  reconhecimento  inicial  do  crédito)  quando  da  apuração  do  resultado.  O  contribuinte  teria  adotado  a  segunda  hipótese.  Quando  dos  ajustes,  efetuou  alterações  contábeis  redutoras  dos  referidos  créditos  assim  relatadas  pela  fiscalização (fls. 23.183/4):  “Apenas  com  estes  lançamentos  globalizados,  cujos  históricos  indicam  “compl  prov”  os  saldos  das  contas  de  resultado  retificadoras  do  CPV  são  praticamente  zerados.  Mas  houve  também  outros  lançamentos  a  débito  e  a  crédito  ajustando  as  contas  321013538  –  Créditos  PIS  s/  Entradas  e  321013539  –  Créditos  Cofins  s/  Entradas.  Ao  final  dos  ajustes  verifica­se  a  seguinte situação, que pode ser conferida nos balancetes fiscais  (fls. 1118/1146):  Conta 321013538 – Créditos PIS s/ Entradas   ­ Saldo 31/12/2007 – contabilidade original = R$ 8.618.933,02   ­ Saldo 31/12/2007 – contabilidade ajustada = R$ 1.529.322,96   ­ Diferença = R$ 7.089.610,06   Conta 321013539 – Créditos Cofins s/ Entradas   ­ Saldo 31/12/2007 – contabilidade original = R$ 39.691.520,68   ­ Saldo 31/12/2007 – contabilidade ajustada = R$ 6.645.899,88   ­ Diferença = R$ 33.045.620,80   Fl. 105296DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.280          32 Observe­se que estas contas de resultado, cujos saldos credores  tinham  a  função de  ajustar o CPV, que  estava majorado pelos  créditos  de  PIS  e  Cofins,  tiveram  seus  saldos  reduzidos  significativamente. E isso não se deveu a diminuição dos créditos  apurados em aquisições no mercado interno, mas por ajustes de  créditos  vinculados  à  importação,  que  seguem  outra  linha  de  contabilização e não poderiam afetar estas contas de resultado.  Da  forma  como  ficaram  estes  saldos,  a  Empresa  estaria  declarando que  apurou apenas  1,5 milhão  de  crédito  de PIS  e  6,6 milhões de reais de créditos de Cofins em todo o ano de 2007  sobre as aquisições no mercado interno. Isso, obviamente, não é  verdadeiro,  conforme  será  demonstrado  pelos  dados  do  DACON.”  A fiscalização observou o aumento dos créditos informados pelo contribuinte  por via do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon quando da  retificação  apresentada  em  agosto  de  2009,  posteriormente  aos  ajustes  contábeis.  Frente a isso, assim concluiu (fl. 23.190):  “Assim, da forma como foram lançados esses ajustes houve uma  majoração  indevida  do  Custo  do  Produto  Vendido  –  CPV  em  mais  de  58  milhões  de  reais.  Se  há  reversão  disso  em  outros  lançamentos  não  é  possível  identificar  quais  seriam,  pois  a  Empresa foi intimada a apresentar conciliação entre os DACON  e a contabilidade e preferiu não fazer.”  Dos extratos bancários   Os ajustes levados a efeito pelo contribuinte, relativamente ao ano­calendário  2006,  fizeram  com  que  os  saldos  das  contas  do  Citibank  e  do  BankBoston  passassem,  respectivamente,  de  R$  21.210.485,03  e  R$  12.491.279,55  para  R$  67.095,34 e R$ 1.630.016,03. A reduções  foram, portanto, de R$ 21.143.389,69 e  R$ 10.861.263,52. Os saldos de outras contas que retratam o movimento bancário do  contribuinte  também  foram  ajustados,  mas  em  valores  inferiores  aos  verificados  relativamente ao Citibank e ao BankBoston.  Quanto ao ano­calendário 2007, verifica­se o mesmo. Relativamente à conta  mantida perante o HSBC houve um ajuste redutor de R$ 15.864.657,48, operado em  dezembro.  Segundo  o  agente  do  Fisco,  “Isso  nos  dá  idéia  da  desorganização  que  a  Fiscalizada mantinha no controle de sua movimentação financeira” (fl. 23.191).  Solicitados  os  extratos  bancários  e  colocados  os  referidos  extratos  em  contraste com a contabilidade, observou­se que os saldos são iguais somente ao final  dos anos­calendário, permanecendo diferenças no curso dos períodos. Confira­se a  palavra da fiscalização (fl. 23.192):  “Ao  serem  conferidos  os  extratos  bancários  dos  meses  de  dezembro de cada ano com a contabilidade ajustada, os mesmos  conferem,  confirmando  que  a  contabilidade  original  estava  errada.  Porém,  quando  adentramos  em  outros  meses  para  os  quais  foram  apresentados  balancetes  fiscais  da  contabilidade  ajustada (p.ex. janeiro de 2007) e comparamos com os extratos  bancários correspondentes, o alinhamento deixa de existir.”  Fl. 105297DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.281          33 A fiscalização, então, cotejou os extratos bancários emitidos pelas instituições  financeiras  com os  balancetes  fiscais  preparados  pelo  contribuinte  em  função  dos  ajustes efetuados. Desse trabalho resultou a seguinte constatação por parte do agente  do Fisco (fl. 23.192/3):  “a) Confrontando os lançamentos contábeis na conta 111021004  – Citibank no mês de janeiro de 2007 com o extrato bancário da  mesma conta verificamos grandes divergências nos lançamentos  durante  todo  o  mês,  sendo  que  no  dia  31/01/2007  o  saldo  contábil  (após  os  ajustes  da  conciliação)  era  de  R$  55.260.428,50 e o saldo bancário era de R$ 268.720,92. O total  de todos os valores lançados no mês soma, na contabilidade, R$  131.636.653,90  a  débito  e  R$  76.143.320,74  a  crédito;  já  nos  extratos  bancários  temos  R$  101.919.446,55  a  crédito  (debito  contábil)  e  R$109.882.609,30  a  débito  (credito  contábil).  No  ajuste  contábil,  a  empresa  fez  apenas  umas  correções,  que  proporcionalmente ao  todo  têm pouca relevância, mas  já estão  inseridas nos saldo contábeis.  b) Confrontando os lançamentos contábeis na conta 111021009  – Bankboston no mês de janeiro de 2007 com o extrato bancário  da  mesma  conta  verificamos  grandes  divergências  nos  lançamentos durante todo o mês, sendo que no dia 31/01/2007 o  saldo  contábil  (após  os  ajustes  da  conciliação)  era  de  R$  6.041.987,17 e o saldo bancário era de R$ 2.470.601,67. O total  de todos os valores lançados no mês soma, na contabilidade, R$  146.419.490,40 a débito  e R$ 154.091.493,62 a crédito;  já nos  extratos  bancários  temos  R$  106.748.525,41  a  crédito  (debito  contábil)  e  R$105.908.279,19  a  débito  (crédito  contábil).  No  ajuste  contábil,  a  empresa  fez  apenas  umas  correções,  que  proporcionalmente ao  todo  têm pouca relevância, mas  já estão  inseridas nos saldo contábeis.”  Intimado a respeito, o contribuinte não apresentou resposta que elucidasse as  divergências  (fls.  2.635),  pois  “não apresentou nada de  concreto”  (fl.  23.193). As  ditas conciliações  são documentos que apenas  indicam discrepâncias gerais como,  por  exemplo,  “valor  identificado  no  extrato  e  não  lançado  na  contabilidade”  ou  “valor contabilizado no razão e não identificado no extrato bancário” (fl. 2.161). Sob  esses títulos são concentrados os ajustes gerais, de dois a quatro por conta, tendentes  a equalizar os saldos dos extratos bancários com aqueles da escrita comercial, tudo  isso  diante  dos  extratos  de  dezembro  de  2007  (fls.  2.160  a  2.184).  Frente  a  isso,  assim conclui a fiscalização (fl. 23.194):  “Pelo  exposto  confirma­se  que  não  houve  efetiva  conciliação  bancária,  mas  apenas  alguns  ajustes  de  saldos  para  que  a  contabilidade  ficasse  alinhada  com  os  extratos  bancários  ao  final de cada ano.”  Dos descontos concedidos em 2007   A fiscalização  identificou  lançamento a débito na conta Lucros/Prejuízos de  Anos  Anteriores  (resultado)  tendo  por  contrapartida  crédito  na  conta  Intercia  Fornecimentos  (passivo)  no  valor  de  R$  8.998.417,74,  efetuado  em  dezembro  de  2007. O histórico do lançamento tinha a seguinte redação: “transf dell américa latina  corp  26/12/2007 D­351013086”. O  lançamento  contempla  desconto  concedido. O  Fl. 105298DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.282          34 contribuinte,  inquirido  a  respeito,  respondeu  após  72  dias  da  seguinte  forma  (fl.  1.366):   “O valor de R$ 8.998.417,74 corresponde em verdade a ajuste  de  preço  referente  a  exportação  de  produtos  para  a  Dell  América  Latina  Corp  –  Sucursal  Argentina  “Dell  Argentina”.  Conforme  negociação  com  a  Dell  Argentina,  a  cada  10  mil  produtos  adquiridos  pela  Dell  Argentina  haveria  um  crédito  cumulativo de 5% (cinco) sobre o valor das aquisições. Ao longo  do  ano  somou­se  a  exportação  de  produtos  que  refletiram  um  ajuste na ordem de 18%. Em anexo segue planilha detalhando a  alocação desse crédito a cada uma das faturas de exportação de  produtos que deram causa ao mesmo.”  O  Fisco,  então,  efetuou  trabalho  por  amostragem  sobre  as  notas  fiscais  de  vendas que teriam originado o desconto em tela, tendo efetuado, também, cotejo das  referidas  notas  com  os  fechamentos  de  câmbio.  Desse  trabalho  resultou  a  constatação de que não teria havido o desconto, uma vez que o desconto não constou  das notas. Além disso, “os valores recebidos em dólar relativos a cada nota fiscal,  equivalem  aos  mesmos  valores  em  dólares  quando  da  operação  de  venda”  (fl.  23.195). Frente a isso, assim conclui (fl. 23.195 e 23.198):  “Assim, contradizendo a planilha apresentada inicialmente pela  Fiscalizada, onde é  informado um desconto de 18% para todas  as  exportações  listadas,  os  valores  efetivamente  recebidos  não  tiveram  quaisquer  descontos,  foram  vendidos  e  recebidos  pelo  mesmo valor em dólares.”  “Desta  forma,  conclui­se  que  foi  inserido  propositalmente  um  valor na contabilidade sem o devido amparo documental e legal.  Frisa­se mais uma vez que esta majoração de custo envolvendo  operações intercompanhia diminui o lucro real, mas não afeta o  lucro  societário  quando  de  consolidação  de  resultados  na  matriz.”  Dos ajustes na conta Clientes Intercia   A fiscalização identificou um lançamento, operado em 31 de janeiro de 2009  no  âmbito  do  chamado  “refazimento  contábil”,  que  reduziu  o  saldo  da  conta  “Clientes no Exterior –  Intercia”  e aumentou os  custos,  reduzindo o  resultado, no  valor de R$ 16.341.819,37 (fls. 23.198/9). Como o lançamento refere a correção do  saldo da conta do ativo verificado em 1º de janeiro de 2008, concluiu a fiscalização  que o ajuste referia­se a 2007 ou períodos anteriores. O contribuinte foi intimado por  três vezes para apresentar os documentos que alicerçavam o lançamento, não tendo  apresentado qualquer esclarecimento (fl. 23.199). Frente a isso, assim se manifestou  o agente do Fisco (fl. 23.200):  “Dessa forma fica claro que a mesma não possui documentação  hábil e idônea que dê guarida a este lançamento de 16 milhões  de  reais,  sendo  que  o  mesmo  afetou  diretamente  o  lucro  real,  causando­lhe diminuição.  Observa­se  mais  uma  vez  que  esta  majoração  de  custo  envolvendo operações intercompanhia diminui o lucro real, mas  Fl. 105299DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.283          35 não  afeta  o  lucro  societário  quando  de  consolidação  de  resultados na matriz.”  Dos ajustes nas contas Clientes Nacionais 2003­2007   O agente do Fisco selecionou três lançamentos operados em 31 de janeiro de  2009  no  âmbito  do  chamado  “refazimento  contábil”,  que  aumentaram  o  saldo  da  conta “Clientes Nacionais” em contrapartida à conta “Outras Receitas”, no valor de  R$ 11.629.039,34 (fls. 23.200/1). O contribuinte foi intimado por duas vezes para se  manifestar  a  respeito,  porém  quedou  silente  (fl.  23.201).  Frente  a  isso,  assim  se  manifestou o agente do Fisco (fl. 23.201/2):  “1º)  Os  lançamentos  citados,  contabilmente,  tratam  de  operações  com  terceiros  (clientes  nacionais),  isso  somaria  no  lucro societário quando consolidado na matriz;   2º)  A  Empresa  fez  esses  ajustes  a  crédito  do  resultado  do  exercício, mas  quanto  isso  aumentou  o  lucro  real? Quanto  foi  pago  a mais  de  tributos  em  função  disso? A Resposta  para  as  duas  perguntas  é  uma  só  NADA,  absolutamente  nada.  Em  decorrência  de outros ajustes,  como  se  vê  também  irregulares,  esses registros deixaram de gerar dispêndios à Empresa.  3º)  Os  citados  ajustes  sem  comprovação  documental,  aumentaram  o  saldo  da  conta  Clientes  Nacionais  nos  anos  de  2003, 2004 e 2007. Pois, dentro do ano de 2008, a Fiscalizada  faz  lançamentos  no  sentido  inverso,  creditando  Clientes  Nacionais e debitando resultado do exercício. Lá sim afetaram o  lucro  real,  diminuindo o mesmo em mais de 46 milhões,  sendo  que  apenas  uma  pequena  parcela  disso  está  em  fase  de  comprovação,  para  maior  parte  do  citado  valor  não  há  explicação.  Com  isso,  mais  uma  vez  fica  demonstrado  o  tratamento  dado  pela  Empresa  aos  seus  registros  contábeis,  ignora  as  normas  contábeis  e  legislação  regente  para  dar  uso  irregular  voltado  aos  seus  interesses. Estaria utilizando  seus  livros  empresariais  como mera planilha para obter resultados desejados.”  Dos ajustes nas contas Clientes Nacionais em 2008   A fiscalização esclareceu que os ajustes efetuados na contabilidade poderiam  ser divididos em dois blocos. O primeiro bloco (janeiro de 2002 a janeiro de 2008)  contempla  ajustes  efetuados  em  relação  a  períodos  já  encerrados.  Quanto  a  esse  bloco, os ajustes que afetaram o resultado foram lançados diretamente em conta do  patrimônio  líquido  denominada  “Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores”,  sem  a  movimentação  de  contas  de  resultado.  Quantos  aos  períodos  ainda  não  encerrados quando da efetivação dos ajustes (segundo bloco – fevereiro de 2008 a  janeiro de 2009), os lançamentos que modificaram o resultado foram efetuados em  conta de resultado específica.  Relativamente ao segundo bloco, houve 103 lançamentos envolvendo contas  patrimoniais.  O  saldo  das  alterações  (resultado),  no  valor  de  R$  52  milhões,  foi  transferido para a conta 381033202 – Ajustes de Exercícios Anteriores (fls. 5.316 a  5.322). Dentre os lançamentos, chama atenção um no valor de R$ 40 milhões “com  o seguinte histórico “transf ajuste conta clientes 30/6/2008” (fl. 23.203). Intimado a  Fl. 105300DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.284          36 respeito,  o  contribuinte  afirmou  que  o  ajuste  decorre  da  diferença  por  ele  identificada  entre  o  saldo  constante  da  contabilidade  e  os  valores  apontados  nos  documentos em poder do interessado. O agente fiscal esclarece (fl. 23.204):  “Resumindo,  a  Empresa  somou  os  seus  títulos  a  receber  e,  percebendo  que  a  soma  dos  mesmos  era  menor  que  o  saldo  contábil, não teve dúvidas, contabilizou como perdas, deixando  de  tributar  uma  fatia  de  40  milhões  do  seu  lucro  em  função  disso.  Simples  assim. Ou  seja,  se  já  tinha  recebido  e não dera  baixa, se extraviou documentos, se existia algum título realmente  incobrável, nada foi verificado, apenas confrontadas as somas.”  Frente  nova  intimação,  o  contribuinte  exemplificou  a  origem  da  distorção,  citando  três  causas,  quais  sejam:  “(i) Baixa  da  contas  a  receber  devido  fraude  de  cartão de crédito; (ii) devoluções de vendas sem retorno físico; (iii) Refaturamento  sem emissão de nota fiscal de entrada ou cancelamento da nota fiscal de saída” (fl.  23.205). O interessado apresentou planilhas para os dois últimos casos.  Quanto às devoluções, a planilha aponta valor de quase R$ 4 milhões, mas o  contribuinte  não  comprova  a  devolução  ou  o  cancelamento  da  venda.  O  próprio  interessado afirma que não houve o retorno físico (fl. 23.205).  Quanto  ao  refaturamento,  a  planilha  aponta  valor  de  R$  2 milhões, mas  o  contribuinte não comprova o cancelamento da nota fiscal original ou a emissão de  nota fiscal de entrada. O próprio interessado afirma que não houve emissão de nota  fiscal de entrada ou o cancelamento da nota fiscal de saída (fl. 23.205).  Assim, o contribuinte tenta justificar­se com exemplo de R$ 6 milhões em um  universo de R$ 52 milhões, não apresentando documentos que dêem sustentação aos  seus exemplos. A fiscalização afirma que foi “elaborada como uma planilha auxiliar,  inserindo­se  valores  de  acordo  com  os  interesses  fiscais,  sem  qualquer  base  documental” (fl. 23.206), dando ênfase os termos do art. 1.179 da Lei nº 10.406, de  10 de janeiro de 2002, o Código Civil, que exige a correspondência da escrita com  os documentos que lhe dão lastro.  Dos estornos de fretes   A fiscalização identificou 4.640 lançamentos de estorno dos gastos com fretes  na aquisição de materiais importados perante fornecedores não ligados. A motivação  dos referidos lançamentos seria afastar lançamentos duplos. A conta “Fornecedores  Estrangeiros” foi debitada em contrapartida a uma conta de receita. O valor total dos  estornos  montou  R$  24.154.331,59.  O  agente  do  Fisco  cotejou  essas  alterações  frente às alterações implementadas em torno das variações cambiais, que teriam sido  artificialmente  infladas  relativamente  às  dívidas  perante  os  fornecedores.  A  fiscalização verificou que os valores devidos em reais  foram reduzidos em função  dos estornos dos fretes. Entretanto, os valores em dólares foram mantidos. Esse fato  acarretou um aumento das despesas com variações cambiais (fls. 23.207/9).  O  contribuinte,  instado  a  se  manifestar  a  respeito  dos  erros  de  cálculo  identificados  pelo  contribuinte,  reconheceu  os  equívocos,  afirmando  que  relativamente  a  outros  processos  o  erro  não  teria  ocorrido.  Foi,  então,  colhida  amostra que continha vinte processos de importação. Destes, quinze apresentaram o  mesmo  problema  (fl.  23.209).  Não  se  constatou,  também  relativamente  aos  processos de importação da amostra, a ocorrência de lançamentos duplos dos gastos  com os fretes (fl. 23.210). “Não houve essa explicação [inexistência de fretes duplos  Fl. 105301DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.285          37 e estornos], e é admitido que para parte dos processos não houve duplicidade” (fl.  23.210).  Diante desses elementos, assim concluiu a fiscalização (fl. 23.211):  “A  diminuição  de  custos  foi  compensada  diretamente  pelas  despesas  irregulares  de  variações  cambiais,  além  dos  demais  ajustes  do  refazimento.  Por  outro  lado,  redução  de  custos  significa  aumento  de  lucro,  e  pelo  contexto  apresentado  a  Empresa teria necessidade de aumentar seu resultado societário,  sobretudo  nas  operações  com  terceiros,  fora  do  grupo  econômico.  Assim,  foram  excluídos  custos  nas  operações  com  terceiros, o que possibilitaria o aumento de lucro consolidado, e  em  contrapartida  geradas  despesas  que  não  influenciam  no  resultado consolidado, para anular os efeitos tributários.  Não  ficou  demonstrada  pela  Empresa  a  razão  de  todos  estes  estornos de fretes, mas as constatações que não deixam margem  à dúvida são as seguintes: com esta operação houve aumento do  lucro societário em 24 milhões de reais, e os efeitos tributários  desse aumento de  lucro  foi anulado pela indevida manipulação  da  planilha  de  variações  cambiais,  além  de  todos  os  demais  ajustes. Lembrando sempre que os ajustes de variações cambiais  no  Brasil  não  interfeririam  em  resultado  consolidado  nos  Estados Unidos.”  Dos estornos de provisões para garantia   O contribuinte constituiu provisão para fazer frente a possíveis gastos futuros  advindos  de  defeitos  identificados  nos  equipamentos  por  ela  vendidos.  Essas  provisões  foram  constituídas  na  escrita  original  relativamente  aos  anos­calendário  2002 a 2007. Quando do chamado “refazimento contábil”, o contribuinte estornou  integralmente  as  provisões,  incrementando  o  resultado  societário  em  R$  136.825.322,65  (fl.  23.214).  Como  essa  provisão  não  é  dedutível  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSL,  o  ajuste  em  apreço  não  teve  efeitos  relativamente  ao  presente lançamento. O agente do Fisco, entretanto, deu foco ao ajuste no intuito de  demonstrar a forma como o contribuinte efetua seus registro comerciais, levando em  consideração  a  necessidade  da  constituição  da  provisão  frente  aos  negócios  explorados  (é  fundamental  ao  fabricante de  computadores garantir  a qualidade do  produto)  e  o  resultado  do  trabalho  das  autoridades  americanas  em  torno  das  demonstrações financeiras da controladora do contribuinte, matéria da qual tratarei  mais adiante. Confira­se a palavra do agente do Fisco (fls. 23.216 e 23.218):  “No caso da Dell, é clara a necessidade que havia em registrar  contabilmente  provisões  para  garantia  de  equipamentos  instalados. Isso fica claro pelo tipo de produto comercializado, e  principalmente  pelo  fato  da  Empresa  ter  lançado  em  suas  contabilidades  originais  em  todos  os  anos  analisados  (2002  a  2009), fazendo ajustes a cada novo exercício.  Assim, apesar da provisão para garantia ser pertinente, ter sido  lançada a ajustada a cada exercício, para os balanços de 2002 a  2007, a Fiscalizada  simplesmente  lançou ajustes para estornar  totalmente  os  valores  relativos  a  essas  rubricas,  dando  um  tratamento alheio às normas contábeis e societárias, como algo  disponível.  Fl. 105302DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.286          38 Os  estornos  das  provisões  para  garantia  dos  anos  de  2002  a  2007 proporcionaram  aumento  do  lucro  societário  em mais de  136  milhões  de  reais,  conforme  detalhado  no  quadro  acima.  Com os complementos inseridos em 2009, o saldo seria de uma  majoração de lucro societário em 36 milhões de reais.  Cabe mencionar mais uma vez,  que diante dos  fatos  constados  no item 1.1 (revisão nos EUA), haveria interesse em aumentar o  lucro  societário,  os  estornos  de  despesas  de  provisões  proporcionam isso.  Também,  cabe  destacar  que  a  prática  de  manipulação  de  provisões  foi constatada pelo comitê de auditoria  independente  na revisão da contabilidade da Dell Inc. nos EUA – Form 10K  2007, note 2 do item 8 da parte II (fls. 9779/9782),...”  Do sistema contábil   Nesse item, o agente do Fisco destaca que a revisão da contabilidade levada a  efeito pelo contribuinte há de ser compreendida na sua totalidade, ou seja, do ano­ calendário  2002  ao  ano­calendário  2009.  A  revisão  seria  única  e  indissociável,  devendo ser avaliada no seu todo. A conciliação, objetivo maior da revisão, teria por  meta “comparar e harmonizar, ajustar os registros contábeis com os documentos que  lhe deram origem” (fl. 23.220). Dessa forma, terminada a revisão seria de se esperar  que  não  houvesse  mais  novos  ajustes  a  realizar.  Ocorre,  entretanto,  que,  após  a  efetivação dos ajustes em 31 de janeiro de 2009, o contribuinte efetuou novo ajuste,  que culminou na baixa, de uma só vez, de R$ 98 milhões de reais da conta Intercia  Fornecimentos  (débito  de  conta  do  passivo),  indicando  o  seguinte  histórico  nos  lançamentos: “conciliação Estatutário X Gerencial” (vide rol de lançamentos nas fls.  23.220/1). As contas creditadas foram Ajustes de Exercícios Anteriores e Custo do  Produto Vendido.  A fiscalização explica o histórico dos lançamentos. Confira­se (fl. 23.221):  “As  nomenclaturas  citadas  tem  os  seguintes  significados:  Estatutário  é  o  sistema  contábil  de  acordo  com  as  normas  brasileiras; e Gerencial é o sistema de controle e gerenciamento  usado  pela  Empresa  e  integrado  com  as  demais  empresas  do  grupo.”  No  entender  do  agente  fiscal,  o  contribuinte  “utilizou­se  do  seu  sistema  gerencial,  durante  toda  uma  década  de  operação  no Brasil,  em detrimento  do  seu  sistema  contábil,  o  qual  ficou  à margem  sem a  devida  correição  exigida  pela  leis  brasileiras” (fl. 23.222). Feita essa consideração, a autoridade lançadora efetua dois  questionamentos e apresenta suas respostas. Verifique­se (fls. 23.222/5):  “1ª)  A  Empresa  demonstrou  por  meio  desses  lançamentos  globalizados  e  sem base  documental  (estatutário X gerencial  e  redução  de  clientes  em  2008,  p.ex.),  com  soma  de  centena  de  milhões de reais, que não tem pudores em desprezar as normas  societárias  e  fiscais.  Por  que  então  procedeu  a  todo  este  refazimento  contábil  originando  milhões  de  lançamentos?  Por  que não fez apenas um ajuste global em cada conta?  Como  já  foi  afirmado  e  reafirmado  a Empresa  não  demonstra  qualquer  respeito  pela  pelas  normas  vigentes,  tanto  na  Fl. 105303DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.287          39 contabilidade original quanto no refazimento foram desprezados  princípios  contábeis  e  ignoradas  as  leis  civis  e  tributárias.  Então,  este  súbito  interesse  da  Fiscalizada  em  reformar  sua  contabilidade  com  retroação  de  uma  década,  nada  tem  a  ver  com preocupação em seguir as normas do País, mas, em função  dos  fatos  novos  citados  no  item  1,  percebe­se  que  haveria  interesse  societário,  além  de  ocultar  os  efeitos  tributários  das  irregularidades  pré­existentes  e  daquelas  geradas  durante  o  refazimento contábil.  Não  se  discute  a  existência  de  erros  na  sua  contabilidade  original,  erros  existiam,  graves  e  relevantes.  No  entanto,  o  objetivo  principal  desse  refazimento  não  foi  o  de  corrigir  as  divergências  pré­existentes,  mas,  teria  o  condão  de  buscar  resultados societários favoráveis e ocultar bases tributáveis.  Se  fossem  feitos  apenas  lançamentos  globais  ajustando  cada  conta  não  teria  como  ocultar  todas  as  irregularidades  citadas  aqui  neste  tópico:  lançamentos  sem  base  documental,  estornos  de  pagamentos  comprovadamente  existentes,  aplicação  de  regime  de  caixa  para  as  faturas  de  reembolso  de  softwares,  distorção  das  variações  cambiais,  realização  retroativa  de  estoques, entre outros.  2ª)  Se  foram  realizados  milhões  de  lançamentos,  segundo  a  Empresa uma conciliação para ajustar todas as pendências, por  que depois de todos esses lançamentos ainda houve necessidade  de se fazer novos ajustes globalizados de centena de milhões?  A empresa registrou milhares/milhões de lançamentos de ajustes  para  corrigir  as distorções  existentes  em cada ano calendário.  Lançamentos  entre  contas  patrimoniais  e  em  contrapartida  de  Lucros/Prejuízos  Acumulados  Anos  Anteriores,  quando  envolveram modificação no resultado. Depois de tudo isso, não  se  pode  admitir  que  ainda  existam  montantes  de  grande  relevância  sem  identificação  que  precisem  ser  ajustados  de  forma globalizada como ocorreu com os citados lançamentos de  98 milhões.  Não se pode precisar todas as causas que motivaram a Empresa  a fazer esse enxugamento na conta Intercia Fornecimentos, isso  é uma obrigação legal que ela tem de demonstrar, porém não o  fez. Mas, os registros verificados apontam para pelo menos duas  daquelas que estão no rol das irregularidades constatadas pela  Fiscalização.  As contas de fornecedores têm natureza credora, ou seja, dentro  de  uma  contabilidade  com  padrões  considerados  normais,  o  saldo  tende  ser  sempre  credor.  Essa  é  a  situação  da  Contribuinte, na conta Intercia Fornecimentos o saldo é sempre  credor,  representando  a  existência  de  obrigações  a  serem  liquidadas.  Nesses  lançamentos  globais  que  somaram  98  milhões, a conta de  fornecedores, como pode ser observado no  quadro  acima,  foi  debitada. Com  isso  a Empresa  está  dizendo  que  existiam  obrigações  irreais,  ou  passivos  fictícios,  por  isso  foram retirados do saldo existente.  Fl. 105304DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.288          40 Cabe  lembrar  que  lá  no  item  5.2  ­  Estornos  de  Pagamentos  Comprovadamente Realizados – foi mencionado que a exclusão  de  pagamentos  comprovadamente  existente  nos  extratos  bancários  significava  a  geração  de  passivos  fictícios.  Foi  demonstrado lá que centenas de milhões que estavam a débito de  fornecedores  foram  creditados  no  refazimento  e  debitado  resultado do exercício, com isso as obrigações que tinham sido  quitadas voltaram a ficar em aberto, passivo ficto.  Outra irregularidade que poderia ser causa do inflacionamento  indevido  do  saldo  de  fornecedores  seriam  as  modificações  descabidas  inseridas  nas  planilhas  de  variações  cambiais.  No  item 5.4 Variações Cambiais – comprovou­se que a Fiscalizada  utilizou de subterfúgios ilegais para gerar perdas em variações  cambiais.  Essas  perdas  irreais  eram  lançadas  a  crédito  de  fornecedores e a débito de resultado.  Assim,  pode­se  afirmar  que  as  duas  irregularidades  citadas,  geradas  durante  o  refazimento  contábil  contribuiriam  para  a  existência  desses  passivos  fictícios  que  foram  baixados  no  dia  31/01/2009. Mas quem deve demonstrar a origem dos referidos  lançamentos é a Fiscalizada.  A Empresa foi questionada de forma clara e objetiva sobre esses  lançamentos  (Estatutário  X Gerencial)  no  item  7  do  Termo  de  Intimação  04,  e  no  item  3  do  Termo  06,  porém,  deixou  de  apresentar qualquer justificativa.  Como  os  citados  lançamentos  somam  uma  quantia  de  grande  relevância, e a Empresa tem a obrigação legal de comprovar a  origem  de  quaisquer  registros  em  sua  contabilidade,  esta  foi  reintimada.  Na  continuidade  do  procedimento  fiscal,  após  o  encerramento  parcial,  por  meio  do  item  3  do  Termo  de  Intimação 06, a Fiscalizada foi novamente chamada a justificar  tal  ação  e  juntar  os  documentos  que  teriam  embasado  os  lançamentos, porém nada foi trazido.  Por todo esse refazimento contábil que foi registrado em janeiro  de  2009,  torna­se  evidente  que  esses  lançamentos  não  são  relativos  a  fatos  ocorridos  em  2009,  mas  resultado  de  um  desfecho  de  ajustes  de  2002  a  2007,  o  que  demonstra  que  os  mesmos não teriam corrigido as irregularidades pré­existentes.  Desta forma, reforça­se que a Empresa tem a obrigação legal de  comprovar  a  origem  de  seus  registros  contábeis,  e,  passados  mais de nove meses desde a primeira intimação a respeito, nada  trouxe para embasar esses 98 milhões.  Não  houve  justificativa,  não  foram  apresentados  quaisquer  documentos,  tampouco  foi apresentado ou aberto o queria este  “sistema gerencial”.”   Mais adiante, a fiscalização sustenta que o contribuinte, após efetuar o ajuste  de R$ 98 milhões no mês de janeiro de ano­calendário 2009 de forma a aumentar o  lucro,  efetuou  novos  ajustes  com  efeito  contrário  relativamente  àquele  ano­ calendário. R$  17 milhões  a  débito  (redutores  do  lucro)  foram  lançados  ainda  no  Fl. 105305DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.289          41 mês  de  janeiro  de  2009  em  função  do  novos  ajustes  nos  saldos  das  contas  que  registram relações com sociedades ligadas (fl. 23.226). Em fevereiro de 2009, R$ 16  milhões foram lançados a débito sob mesmo pretexto. Com os referidos lançamentos  a débito ainda haveria um saldo credor a tributar. Entretanto, o contribuinte efetuou  lançamento complementar a título de dispêndios com royalties no montante de quase  R$ 60 milhões. O  fundamento  desse  lançamento  não  foi  comprovado. Confira­se,  então, a manifestação fiscal (fls. 23.227/8):  “Os  históricos  mencionam  complemento  de  royalties  de  fevereiro/08 a  janeiro/09. Numa primeira análise já se percebe  que,  no  mínimo,  há  desrespeito  ao  Princípio  da  Contábil  da  Competência,  pois  cita o período de 02/2008 a 01/2009, sendo  lançado  tudo  em  01/2009.  Num  primeiro  momento  (até  o  lançamento de 2006) não houve a apresentação dos documentos  que embasaram tais lançamentos, sendo trazido apenas mediante  reintimação.  A  Empresa  foi  intimada,  por  meio  do  item  8  do  Termo  de  Intimação  04,  a  apresentar  os  documentos  que  embasaram  os  citados  lançamentos,  porém  nada  apresentou.  Então,  na  continuidade do procedimento, no item 4 do Termo de Intimação  06 foi novamente intimada.  Em sua resposta (fls. 5361/5369), vem dizendo basicamente que  dos valores de lançamentos citados acima, os 20 milhões seriam  relativos  a  diferenças  de  2008  constantes  de  fatura  emitida  somente  em  maio  de  2009,  além  de  outros  ajustes  devidos  a  incorreções na taxa dólar aplicada; já os 39 milhões referem­se  a  faturas  de  2008  que  foram  estornadas  lá,  e  relançadas  em  janeiro de 2009.”  Quanto ao  lançamento complementar de R$ 60 milhões efetuado a  título de  complementação  de  royalties,  o  agente  do  Fisco  identifica  as  faturas  que  dariam  sustentação  aos  lançamentos  (fls.  23.229/9)  para  demonstrar  que  o  fim  colimado  pelo contribuinte. Confira­se (fl. 23.229):  “A  transferência  dessas  faturas  de  2008  para  2009  denota  a  manipulação dos registros contábeis de forma mais conveniente  aos  interesses  da  Empresa,  e  fere  o  princípio  contábil  da  Competência.”  Pendências Fiscais Pré­existentes 2007   Repriso trecho das fls. 23.230/1:  “Das  pendências  fiscais  pré­existentes  apenas  para  2007,  podemos citar as seguintes:  a)  Receitas  de  Variações  Cambiais:  a  Empresa  simplesmente  não  havia  contabilizado  as  variações  cambiais  pelo  regime  de  competência,  fez opção pelo regime de caixa, mas também não  fez a devida apuração. No refazimento contábil, apenas o que foi  reconhecido  pela  Empresa  (sem  anuência  da  Fiscalização)  somou aumento de resultado de R$ 44.475.762,69.  Fl. 105306DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.290          42 b)  Lançamento  em  Duplicidade  de  PIS/  Cofins  Importação:  quando dos  registros de  importação, eram  lançados os valores  das contribuições duas vezes, uma como créditos a recuperar no  Ativo,  e  outra  como  parte  dos  estoques,  em  contrapartida  mantinham­se  passivos  fictícios  na  conta  de  Despesas  Aduaneiras a Pagar. Nos ajustes, foi reconhecida pela Empresa  crédito de resultado a quantia de R$ 61.809.027,68.  c)  Duplicidade  de  Lançamentos  Processos  Importação  2007:  confirmando  o  completo  descontrole  dos  seus  registros  contábeis,  foram  lançados  na  contabilidade  dezenas  de  processos  de  importação,  duas  ou  até  três  vezes  cada  um.  No  refazimento contábil isso foi estornado – totalizando aumento de  lucro em R$ 6.738.177,20.  A  questão  é  a  seguinte,  apenas  nestes  três  itens  citados  houve  reconhecimento de aumento de lucro em mais de 113 milhões de  reais,  quanto  isso  representou  em  aumento  do  lucro  real?  NADA, ABSOLUTAMENTE NADA.”  A conclusão a respeito consta da fls. 23.237/8:  “Apenas  por  estes  três  itens  trazidos  para  explanação  já  fica  plenamente  comprovado  que  existiam  pendências  fiscais  em  2007, assim como nos anos anteriores. E essas pendências eram  relevantes,  onde  só a amostra de  três  casos  soma mais de 113  milhões de reais. E poderíamos ainda acrescentar os 24 milhões  que  a  Empresa  lançou  a  crédito  de  resultado  pelo  estorno  de  fretes  internacionais  (item  5.13),  para  os  quais  não  foi  comprovado o embasamento, mas foi uma decisão desta. E nem  estamos  falando  das  muitas  outras  irregularidades  apontadas  aqui que não foram reconhecidas pela Fiscalizada.  Para  esta  Fiscalização  está  muito  claro  que  o  refazimento  contábil  foi um ato único, envolvendo os anos de 2002 a 2007,  com  de  adentramento  ainda  em  janeiro  de  2008.  E  os  ajustes  praticados em um ano impactaram de forma direta e indireta nos  resultados  de  anos  seguintes  (vide  faturas  de  royalties  e  estoques, apenas para citar duas amostras). Assim sendo, não há  como  fazer  uma  avaliação  consistente  tomandos  e  apenas  os  ajustes relativos a 2007.  Ao  todo, a  contabilidade de 2009 recebeu milhões de  registros  somente  de  ajustes  de  anos  anteriores.  As  modificações  envolvendo  resultado do exercício  foram  lançadas na  conta de  Lucros/ Prej Acumulados Anos Anteriores. Esta conta  recebeu,  em 31/01/2009, 688.452 registros de ajustes, ora a débito ora a  crédito,  cujas  somas  chegam  às  bilionárias  cifras  de  R$  11.777.532.322,99 a débito, e R$ 11.551.946.765,19 a crédito –  frise­se, meramente ajustes.  Os números demonstram por si a impossibilidade de se avaliar a  existência  de  demais  pendências  fiscais  reconhecidas  nestes  ajustes. Por outro lado tornam impraticável também a avaliação  da regularidade dos demais lançamentos a débito que anularam  os  efeitos  fiscais  dos  aumentos  de  lucros.  Pois,  apenas  pelas  Fl. 105307DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.291          43 amostragens  expostas  no  item  5  deste,  comprova­se  grande  quantidade  de  inconsistências,  que  tornam  inaceitável  esse  refazimento.”  Da auditoria externa   O agente do Fisco informa que as demonstrações financeiras do contribuinte  começaram a ser auditadas a partir da edição da Lei nº 11.638, de 27 de dezembro de  2007. Por  essa  razão,  levando em conta que o ano societário adotado pelo  sujeito  passivo  tem  início  em  1º  de  fevereiro  e  término  em  31  de  janeiro,  a  primeira  demonstração financeira auditada foi a levantada relativamente ao período de 1º de  fevereiro de 2008 a 31 de janeiro de 2009. Consoante já relatado, os ajustes atinentes  à chamada reconciliação foram lançados em 31 de janeiro de 2009. A fiscalização  critica a escassez de informações a respeito dos relevantes ajustes implementados na  escrita. O parecer do auditor independente “faz uma menção muito superficial e ao  final  cita  apenas  alterações  nas  provisões  para  contingências,  provisões  para  garantias, receitas diferidas e despesas com royalties” (fl. 23.239).  A  fiscalização  aponta,  também,  divergência  entre  os  dados  contábeis  constantes do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED e aqueles auditados  (fl. 23.240). O contribuinte informou que o valor em questão (R$ 47.724 mil) dizia  respeito  a  ajuste  “referente  reclassificação de Partes Relacionadas  entre  contas de  Ativo e Passivo”, determinado pelos auditores independentes sem qualquer efeito na  apuração do lucro real (fl. 23.240). A fiscalização aponta contradição, porquanto o  sujeito passivo havia afirmado anteriormente que os dados contábeis do SPED seria  o  fruto  do  trabalho  dos  auditores  independentes  (fl.  23.241).  O  agente  do  Fisco  apresenta, então, a seguinte conclusão (fl. 23.241):  “Independente  de  todas  as  contradições  é  inadmissível  que  qualquer  empresa  possua  balanços  diferentes  para  o  mesmo  período  de  apuração.  No  entanto,  o  que  temos  aqui  são,  no  mínimo  três  balanços  diferentes  para  os  saldos  contábeis  de  31/01/2009, um na contabilidade enviada ao banco de dados do  Sped,  outro  no  relatório  de  auditoria  das  Demonstrações  Financeiras,  e um  terceiro extraído do balancete  fiscal.  (Dctos  às fls. 5.326/5.341).”  Mais adiante arremata (fl. 23.242):  “Todos esses milhões de lançamentos, envolvendo uma reforma  contábil de uma década, assim como inúmeros lançamentos que  somam centenas de milhões de reais e modificam o resultado das  demonstrações  financeiras  auditadas  estão  dentro  da  contabilidade do período de  exame da Auditoria  Independente,  no entanto, não foram objetos de ressalva no Parecer. Docto às  fls. 179/208.”  Da renda variável (hedge)  O  contribuinte  opera  com  o  mercado  exterior,  importando  materiais  e  exportando mercadorias. Dessa  forma,  registra ativos (créditos perante clientes do  exterior) e passivos (débitos perante fornecedores do exterior) vinculados ao dólar.  Indagado a respeito da realização de operações no mercado de renda variável com a  finalidade proteger­se da exposição decorrente da flutuação do câmbio, uma vez que  o  saldo  do  passivo  é maior  do  que  do  ativo, apresentou planilha de  apuração dos  ganhos e perdas com as operações de renda variável, cobrindo o período de 2004 a  Fl. 105308DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.292          44 2008.  A  referida  planilha  não  vincula  as  operações  aos  contratos  protegidos.  O  contribuinte calcula as perdas dedutíveis segundo critério apontado na fl. 23.244.  Diante  desse  cenário,  a  fiscalização  identificou  os  saldos  do  passivo  e  os  diminuiu dos saldo do ativo, uma vez que esse era o valor a ser protegido. O saldo  obtido  desse  cálculo  foi  convertido  em  dólares  e  comparado  com  os  negócios  de  renda  variável.  Os  negócios  excessivos  em  relação  à  necessidade  tiveram  as  respectivas perdas desconsideradas (vide quadro da fl. 23.244, indicativo da despesa  indedutível). Relativamente ao ano­calendário 2006, do total de perdas no montante  de  R$  42.184.847,85,  R$  16.698.560,77  foi  considerado  não  dedutível.  Relativamente aos anos­calendário 2004 e 2005 também foram encontrados valores  não dedutíveis.  A esse respeito assim se manifestou o agente do Fisco (fls. 23.244 a 23.246):  “Essas perdas não dedutíveis deveriam ter sido adicionadas no  Lalur e na Apuração do Lucro Real, porém isso não foi feito nos  documentos  originais.  Na  DIPJ,  ficha  de  Demonstração  do  Resultado do Exercício, foi inserida a totalidade das perdas em  cada ano, linha "(­) Perdas Incor. Merc. Renda Variável, exceto  DayTrade",  e  não  houve  a devida adição ao  lucro  real. DIPJs  originais às fls. 3703/4357.  Quando  do  refazimento  contábil  e  consequente  reedição  do  Lalur essas perdas indedutíveis foram adicionadas nestes Livros  de  Apuração  do  Lucro  Real.  Nas  DIPJs  retificadoras  não  aparecem de forma discriminada em linha própria de adição ao  lucro  real, mas  são  consideradas  dentro  das  linhas  de  "outras  exclusões / adições".  Apesar  de  terem  sido  adicionadas  nos  Lalur  refeitos,  essas  diminuições de despesas não acarretaram qualquer desembolso  a  mais  de  tributos.  Tudo  isso  "sumiu"  em  meio  à  reforma  contábil.  Como  vimos,  com  exceção  do  ano  de  2005,  onde  foi  apurado  ganho  no  refazimento  contábil  (mas  sem  desembolso  pecuniário),  nos  outros  dois,  mesmo  com  as  adições,  houve  diminuição do lucro real.  ...  Eis  aí mais  um motivo  para  o  refazimento  contábil.  Se  tivesse  adicionado  as  perdas  na  DIPJ  original  teria  desembolso  em  cada ano (2004, 2005 e 2006); se tivesse mantido sem adicionar  teria  um  desembolso maior  em  2008.  Com  a  reforma  contábil  considerou  adicionadas  as  despesas  indedutíveis  sem  qualquer  desembolso, e ainda abateu dos ganhos obtidos em 2008.  Dentro da enorme gama de inconsistências já citadas, aqui neste  tópico surge mais uma. Conforme citado acima, as planilhas de  apuração dos ganhos/ perdas com renda variável são baseadas  nos saldos das contas fornecedores (Fornecedores Estrangeiros  e Intercia) e de clientes (Clientes do Exterior, Clientes Intercia e  Intercia  Serviços). Os  saldos  que  a Fiscalizada  está  utilizando  para  fazer  os  cálculos  são  os  constantes  da  contabilidade  original.  Fl. 105309DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.293          45 ...  Desta  forma,  a  Fiscalizada  adota  os  saldos  da  nova  contabilidade para alguns fins, e da contabilidade original para  outros.  É  clara  a  falta  de  coerência,  nem  mesmo  a  Empresa  acredita  inteiramente  no  refazimento  contábil  que  implementou.”  Do Lalur   Inicialmente  a  fiscalização  refere  atraso na  entrega dos Lalur  solicitados. A  pendência  da  encadernação  não  seria  justificativa  para  atraso  de  sessenta  dias.  Observou­se, ainda, que o profissional signatário dos livros somente foi contratado  pelo  contribuinte  em  12  de  julho  de  2010,  data  posterior  à  “conclusão  do  refazimento  contábil  e  retificação  das  DIPJs”  (fl.  23.248).  Diante  disso,  assim  conclui o agente do Fisco (fl. 23.248):  “Antes  disso  [sessenta  dias  após  o  início  da  ação  fiscal]  não  existiam  livros  de  Apuração  do  Lucro  Real,  poderiam  existir  planilhas  eletrônicas  contendo  cálculos,  mas  os  Lalur  juridicamente válidos para embasar as DIPJs retificadoras não  existiam.”  Além disso, os  ajustes  implementados em 31 de  janeiro de 2009 não  foram  refletidos nos Lalur, “permanecem as adições de provisões que foram eliminadas no  refazimento contábil, permanecem adições e exclusões de variações cambiais pelo  regime de caixa, enfim ficou tudo como era no livro original, sendo mudada apenas  a apuração de 31/12 de cada exercício” (fl. 23.248).  Apresentados  os Lalur  originais  dos  anos­calendário  2004, 2005 e 2006  foi  solicitado  prazo  extra  para  a  entrega  do  livro  relativo  ao  ano­calendário  2007,  porquanto  não  estaria  assinado  e  o  contador  estaria viajando. Entregue o  livro do  ano­calendário 2007, além de se constatar que à época da entrega da DIPJ não haver  Lalur  adequadamente  escriturado,  identificou­se  que  os  dados  do  profissional  signatário  do  livro  estavam  preenchidos  com  erros  grosseiros.  Confira­se  (fl.  23.249):  Informações  Correto  Lalur  Nome  Fabiano Baroni Larrea  Fabiano Larrea Baroni  CPF  939.031.890­49  052.937.368­84  CRC/RS  67569  67659  Fabiano foi contratado pelo contribuinte em 2 de janeiro de 2006 e, à época da  fiscalização,  ainda  era  empregado  da  interessada.  Em  que  pese  a  assinatura  ser  semelhante àquela constante da escrituração comercial, seria “inimaginável que uma  pessoa  assine  14  vezes  um  documento  e  não  perceba  que  seus  dados  pessoais,  inclusive o nome estão incorretos” (fl. 23.250).  Das DIPJ retificadoras  A fiscalização reclama da forma como foram retificadas as DIPJ, mantendo­se  os  dados  da  contabilidade  original  e  “inserindo  apenas  extrato  de  todas  as  modificações  ocorridas  em  cada  exercício  nas  linhas  de  outras  exclusões”  (fl.  23.250). Confira­se a conclusão do agente fiscal (fl. 23.251):  “A Empresa tinha as novas composições patrimoniais e os novos  lucros,  constantes  de  balancetes  baseados  em  contabilidade  Fl. 105310DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.294          46 registrada. Com isso, possuía os elementos para a alteração de  todos os campos das DIPJs Retificadoras, mas preferiu não fazer  para dificultar o conhecimento do Fisco.”  Das outras manifestações do contribuinte   O  agente  do  Fisco  inquiriu  o  contribuinte  a  respeito  a  respeito  da  movimentação registrada na conta “Fornecedores em Geral (Adto.)”, solicitando os  documentos que embasaram cinco lançamentos, dentre mais de mil, que afetaram a  referida conta. A resposta colhida foi a seguinte (fl. 23.253):  “Esclareça­se que na conciliação efetuada o ajuste procedido na  referida  conta  correspondeu  ao  estorno  de  uma  provisão  cuja  documentação  que  poderia  lhe  embasar  não  foi  identificada.  Assim,  como  consequência  procedeu­se  ao  seu  estorno,  o  que  veio  a  afetar  positivamente  o  resultado  do  exercício.  Nesse  sentido, saliente­se que o ajuste veio em beneficio do fisco.”  Frente à resposta, a fiscalização assim se manifesta (fls. 23.253):  “Além disso, cabe frisar que estes valores estavam compondo os  saldos contábeis em 31/01/2009. Nos lançamentos de ajustes, a  Empresa credita a conta de Lucros/ Prejuízos Acumulados Anos  Anteriores  dizendo  que  se  tratam  de  valores  de  2002,  porém  admite que não  tem como provar que sejam realmente daquele  exercício. Ora, se são identificados passivos fictícios em 2009 e  não  há  provas  documentais  hábeis  e  idôneas  para  demonstrar  em  que  exercício  foram  gerados,  estes  devem  ser  oferecidos  à  tributação no momento da identificação.”  Quanto à conta “Intercia Mídias”, que registrava valores que seriam devidos  em função do fornecimento de software, o agente fiscal identificou saldo de quase  R$  45  milhões  acumulado  até  o  final  do  ano­calendário  2002.  Esse  saldo  foi  transferido  para  a  conta  “Fornecedores  Intercia”  e,  após  a  liquidação  de  R$  3,6  milhões,  foi  estornado.  O  estorno  apagou  o  passivo  (dívida)  e  reconheceu  uma  receita  relativa  ao  ano­calendário  2002.  Lembra  a  fiscalização  que  “esse  total  de  44,9 milhões aumentou positivamente o resultado do exercício [2002], mas não foi  oferecido  à  tributação”  (fl.  23.254).  O  contribuinte,  intimado  a  apresentar  os  documentos que deram suporte ao lançamento, assim se manifestou (fl. 23.254):  “Estes ajustes correspondem a estornos de despesas lançadas na  oportunidade  para  as  quais  não  se  identificou  documentação  suporte. Como o reflexo fiscal dos estornos já havia prescrevido  quando  da  oportunidade  da  conciliação,  o  único  efeito  dos  ajustes  foi  a  recomposição  do  Patrimônio  Líquido  para  os  exercícios subseqüentes.”  Por fim, nesse item, a  fiscalização aponta erros evidentes e conhecidos pelo  contribuinte na escrita comercial. Confira­se (fls. 23.255/6):  “Outra  questão,  ao  analisarmos  as  cópias  dos  extratos  bancários entregues pela Fiscalizada (fls. 1425/2151), constata­ se  que  os  mesmos  apresentam  data  de  extração  da  época  dos  fatos.  Os  extratos  do  Citibank  e  HSBC  são  diários,  os  do  Bankboston  são  mensais,  com  impressão  no  início  do  mês  Fl. 105311DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.295          47 seguinte. As datas podem ser conferidas no rodapé ou cabeçalho  dos referidos documentos.  Para  relembrar,  a  Fiscalizada  ajustou  seus  saldos  bancários,  diminuindo  em  mais  de  30  milhões  em  2006  (Citibank  e  Bankboston), em mais de 15 milhões em 2007 (HSBC), e em mais  de 20 milhões em janeiro de 2009 (Citibank).  Desta forma fica claro que a Empresa tinha conhecimento, antes  de  encaminhar  os  livros  para  registro,  que  as  informações  ali  contidas  não  eram  verídicas.  Não  possuía  aqueles  saldos  bancários,  a  composição  patrimonial  era  irreal,  o  lucro  societário  estava  distorcido.  No  entanto,  assim  mesmo  os  documentos  foram  firmados  pelo  representante  legal  e  pelo  contador,  foram registrados na Junta Comercial,  e embasaram  as declarações entregues ao Fisco.  Diante  destas  constatações  a  Fiscalizada  foi  intimada  a  responder  por  que  procedeu  dessa  forma  (Termo de  Intimação  03  item 12): “Mesmo com o conhecimento que a contabilidade  continha  relevantes  erros,  os  livros  contábeis  foram  assinados  pelos dirigentes da Empresa e registrados na Junta Comercial.  Por que procedeu dessa forma?”  A  resposta  (fls.  2364/2385):  “Conforme  disposição  legal  é  obrigatório  o  registro  dos  Livros  Contábeis,  o  qual  deve  ser  efetivado antes mesmo da entrega da DIPJ. Em atenção a esta  obrigação  legal  efetuou­se  o  registro  dos Livros Contábeis,  os  quais refletiam a movimentação patrimonial da empresa apesar  de  eventual  divergência  que  por  ventura  possa  ser  identificada.””  Das dificuldades impostas ao conhecimento do Fisco   A  fiscalização  aponta  diversos  fatores  que  demonstrariam a  “clara  tentativa  [do contribuinte] de ocultar” (fl. 23.257) os ajustes contábeis efetuados, quais sejam:  1)  retificação  das  DIPJ  mediante  ajuste  único  na  linha  “outras  exclusões”, mantendo­se dados da contabilidade original;   2)  entrega ao Fisco de dados contábeis desatualizados (sem os ajustes)  relativamente  ao  ano­calendário  2007,  “sem  nada  mencionar  que  esta havia sido completamente modificada” (fl. 23.257);  3)  entrega,  quando  do  início  dos  trabalhos  de  fiscalização,  da  contabilidade relativa aos anos­calendário 2003 a 2006 sem qualquer  referência aos ajustes;   4)  ao ser questionada a respeito dos valores apontados na linha “outras  exclusões” da DIPJ, solicitou prorrogação do prazo por mais 30 dias  e  apresentou  resposta  “nada  esclarecedora”,  informando  “que  foi  efetuada a revisão de alguns processos resultando nos ajustes de R$  52.692.848,36  e  R$  15.187.230,29,  nos  anos­calendário  2006  e  2008” (fl. 23.258);  5)  como  os  valores  indicados  acima  faziam  referência  a  um  rol  de  ajustes,  a  fiscalização  questionou  um  dos  ajustes,  que  chamou  a  Fl. 105312DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.296          48 atenção  em  função  da  denominação  (“Demonstração  do Resultado  do Período”). A resposta a essa  intimação  trouxe à  tona os ajustes  efetuados, sua envergadura e amplitude.  Frente a esses elementos, assim concluiu a fiscalização (fl. 23.259/60):  “Somente  aqui,  não  tendo mais  como ocultar ao  conhecimento  do  Fisco,  obrigou­se  a  esclarecer  que  havia  refeito  suas  contabilidades  desde  2002.  Apresentou  os  já  explicitados  balancetes  fiscais,  que não deixam dúvida do refazimento  total  de suas contas em todos os anos passados.  Assim comprova­se a clara tentativa de ocultar ao conhecimento  do  Fisco  todo  esse  refazimento  contábil.  O  qual  foi  divulgado  somente após não haver mais outra possibilidade.  Embora  os  registros  da  reforma  contábil  estejam  dentro  da  contabilidade Sped 2009, isso não serve como argumento de que  foram  disponibilizados  ao Fisco,  pois  seria  ilógico  a  busca  de  bases  fiscais dos anos de 2006 a 2008 dentro da contabilidade  de 2009.  Também é natural, e os contribuintes sabem disso, que a Receita  Federal  examine  com  prioridade  os  anos  mais  antigos.  Nessa  situação, em princípio, não se adentraria aos registros de 2009,  e  quando  fosse  examinada  a  contabilidade  de  2009  dentro  de  uma  programação  temporal  adequada,  certamente  já  estaria  decaído  o  direito  ao  lançamento  dos  créditos  tributários  aqui  apurados.”  O  agente  do  Fisco  refere,  também,  dificuldades  no  atendimento  prestado  à  fiscalização pelo contribuinte. Esclarece que os contatos diretos foram mantidos, na  maior parte das vezes, com as Sras. Cláudia Linck e Tatiana Paim, empregadas da  interessada desde dezembro e outubro de 2012,  respectivamente. Por esse motivo,  quando  questionadas  a  respeito  dos  ajustes  efetuados  em  31  de  janeiro  de  2009,  “alegavam que não  tinham participado da elaboração e que precisavam contatar o  setor responsável” (fl. 23.261). O contato com o Sr. Fernando Schmitt, Responsável  pelo Departamento Fiscal,  “foi  feito apenas um contato pessoal,  logo no  início da  fiscalização,  e  antes  da  descoberta  do  refazimento  contábil”  (fl.  23.261). Frente  a  isso, assim se manifestou o agente do Fisco (fl. 23.262):  “Numa  situação  dessas,  totalmente  atípica,  envolvendo  uma  reforma  contábil  de  uma  década,  a  única  atitude  esperada  da  parte  fiscalizada  é  que  colocasse a disposição da Fiscalização  pessoas  que  realmente  participaram  do  planejamento  e  condução  dos  trabalhos  para  esclarecimentos  pontuais  e  objetivos.  Desta  forma,  por  absoluta  falta  de  vontade  por  parte  da  Empresa,  todos  os  esclarecimentos  sobre  refazimento  contábil  tiveram de ser levados a termo, ocasionando aumento do tempo  empregado no procedimento fiscal.”  Quanto ao atendimento das intimações, o agente do Fisco apresentou extenso  rol  de  intimações  satisfeitas  em  prazos  largamente  prorrogados  ou  não  satisfeitas  Fl. 105313DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.297          49 mesmo  após  o  deferimento  de  prorrogações  (vide  relação  das  folhas  23.262  a  23.267). A esse respeito assim se manifestou a fiscalização (fls. 23.262):  “A Empresa não quis fazer os esclarecimentos de forma pessoal,  exigindo  a  formalização  por  escrito  de  cada  item.  Embora  estranho  para  quem  não  tem  nada a  ocultar,  é  um direito  que  tem. Porém ao serem lavrados os termos de intimação, passou a  pedir  sucessivos  aditamentos  de  prazo  e,  mesmo  sendo  concedidos a maioria dos pedidos, deixou de apresentar grande  parte dos documentos e esclarecimentos requeridos.”  Das vantagens fiscais colhidas   A  fiscalização  refere  a  existência  das  pendências  fiscais  já  relatadas  (fls.  23.267/8),  notadamente  perdas  cambiais  não  dedutíveis,  exclusões  indevidas  na  apuração do lucro real, variações cambiais não apuradas no ano­calendário 2007 e  despesas aduaneiras e processos de importação lançados em duplicidade. Os valores  das  pendências,  somados,  montam  “no  mínimo  241  milhões  de  reais  de  base  tributável não declarada, apenas em relação ao  IRPJ e CSLL, nos anos de 2004 a  2007”  (fl.  23.268).  Assim  concluindo  a  respeito  da meta  do  contribuinte  com  os  ajustes operados em 31 de janeiro de 2009 (fl. 23.268):  “Com  o  evento  da  revisão  contábil  todas  essas  pendências  fiscais  sumiram  sem  qualquer  pagamento  extra  de  tributos,  e  ainda houve diminuição do lucro real nos AC 2004, 2006, 2007 e  2008.”  Especificamente  quanto  ao  lucro  real,  o  agente  do  Fisco  cotejou  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  originalmente  informada  com  aquela  apontada  nas  DIPJ  retificadoras. Confira­se o resultado (fl. 23.269):  Ano­Calendário  Original  Retificadora  Diferença  2004  R$ 69.566.759,26  R$ 66.846.125,65  ­R$ 2.720.633,61  2005  R$ 80.959.933,32  R$ 91.693.859,82  R$ 10.733.926,50  2006  R$ 103.617.972,28  R$ 83.323.157,29  ­R$ 20.294.814,99  2007  R$ 159.452.136,37  R$ 159.366.862,26  ­R$ 85.274,11  2008  R$ 325.313.628,03  R$ 322.466.672,49  ­R$ 2.846.955,54  Total        ­R$ 15.213.751,74  Outra vantagem indevida observada foi a compensação de prejuízos fiscais e  bases  negativas  apurados  no  anos­calendário  de  1999  a  2003.  Esses  valores,  entretanto,  sofreram  ajustes  em  função  do  chamado  “refazimento  contábil”,  tendo  havido “mudança no resultado contábil de prejuízo para lucro, ou houve diminuição  do prejuízo” (fl. 23.270). Implementadas as mudanças, a compensação de prejuízos  fiscais e bases negativas permaneceu a mesma (vide quadro da fl. 23.270). Confira­ se a posição da fiscalização a respeito do procedimento adotado pelo contribuinte (fl.  23.270):  “Ora, esse é o melhor dos mundos. Depois de sete anos, quando  já decaiu o direito de ação do Fisco, reforma sua contabilidade,  baixando  passivos  fictícios  para  os  anos  já  decaídos  (e  sem  prova  documental),  apura  lucros  no  lugar  de  prejuízos,  mas  continua  beneficiando­se  dos  prejuízos  fiscais  declarados  em  DIPJ.”  Da conclusão da fiscalização a respeito do “Refazimento Contábil”   Fl. 105314DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.298          50 A  fiscalização  realizou  suma  do  seu  trabalho  que merece  reprise  completa.  Confira­se (fls. 23.272 a 23.280):   “Depois do encerramento parcial para lançar o ano calendário  de 2006, surgiram fatos novos, relatados no item 1 deste que, em  função da pertinência à reforma contábil aqui apresentada, não  poderiam deixar de ser trazidos ao processo. Esclareça­se, desde  logo, que as novidades emergidas em nada mudam o que já foi  lançado, pelo contrário, apenas reforçam.  Por  tudo que  foi  exposto no  item 1.1 deste  relatório, não resta  dúvida  que  essa  reforma  contábil  teve  como  origem  a  revisão  contábil nos Estados Unidos em função de investigação da SEC.  Portanto,  haveria  interesses  societários  outros,  que  não  os  de  corrigir  erros  cometidos  em  função  de  falhas  em  controles  internos.  Pelo conjunto de elementos verificados, nos parece muito claro  que  a  Empresa  refez  as  suas  contabilidades  porque  precisava  obter novos resultados societários, aqueles apurados nos livros  originais  não  lhes  eram  mais  interessantes.  Então  decidiu  refazer  tudo  para  gerar  lucros  novos,  os  quais  seriam  consolidados  na  matriz.  Portanto,  a  origem  desse  refazimento  nada tem a ver com revisão de controles internos e com interesse  em  correção  de  erros.  Basta  ver  o  número  de  irregularidades  geradas.  A partir do refazimento contábil houve mudança na apuração de  realização  de  estoques,  de  saldos  finais  de  estoques,  houve  estornos  de  provisões,  mudou­se  o  critério  de  apuração  das  variações  cambiais  de  caixa  para  competência.  Estes  fatos  e  todas as demais modificações implementadas comprovam que se  quis abandonar os resultados originais, tanto de lucro societário  quanto  de  lucro  real,  para  obter  valores  novos  de  maior  interesse.  Nos  ajustes  sem  comprovação,  verificados  em  amostragem,  existem  evidências  de  busca  de  aumento  de  lucro  societário,  como por exemplo, as modificações de clientes nacionais 2003 a  2007  (item 5.11),  estornos  de  fretes  internacionais  (item 5.13),  estornos  de  provisões  –  como  a  provisão  para  garantia  (item  5.14),  reconhecimento  de  passivos  fictícios.  Por  outro  lado,  a  grande maioria dos ajustes irregulares com o objetivo de reduzir  o lucro real foi realizada em cima de contas intercompanhia e de  variações cambiais, os quais não teriam efeito societário quando  de consolidação de resultados.  Assim, nesse refazimento contábil, pode­se verificar a existência  de  interesses  societários  em  si,  e  a  busca  de  eliminação  de  pendências  fiscais pré­existentes  (como vimos por amostragem,  não eram poucas), sem o desembolso de qualquer nova quantia  para isso. Sendo este segundo objetivo o de maior interesse aqui.  Durante  uma  década  de  operação  no  Brasil  a  Empresa  teria  mantido  seus  registros  de  forma  adequada  à  realidade  fática  apenas em seus sistemas gerenciais. A contabilidade de acordo  Fl. 105315DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.299          51 com  as  normas  brasileiras  foi  relegada  a  um  segundo  plano,  acumulando  erros  generalizados,  graves  e  relevantes  em  todas  as contas.  Em paralelo à sua contabilidade errada, a Fiscalizada intentou  graves  infrações  nas  suas  Declarações  Econômico­fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ,  onde,  além  de  refletir  as  apurações  contábeis errôneas, ainda modificou indevidamente o lucro real,  da seguinte forma: inseriu exclusões inexistentes; deixou de fazer  adições  devidas;  declarou  opção  pelo  regime  de  caixa  nas  variações  cambiais,  depois  diz  que  não  praticava  isso,  entre  outros.  Todo o mencionado acima ocorreu em seus registros originais.  No procedimento fiscal em curso, a Fiscalização deparou­se com  um  refazimento  de  toda  a  contabilidade  da  Empresa,  com  alterações de centenas de milhões de reais envolvendo todas as  contas  do  seu  elenco.  Essa  reforma  contábil  incluiu,  estornou,  modificou lançamentos desde 1999 até janeiro/2009. Tendo sido  apurados balancetes  fiscais a partir do ano calendário 2002, e  retificadas as DIPJs somente a partir do 2004.  Diante  desse  refazimento  contábil  de  uma  década,  a  Fiscalização  selecionou  pontos  considerados  relevantes  dentro  das  operações  da  Fiscalizada  para  estimar  a  justeza  e  a  confiabilidade  dos  lançamentos  de  ajustes.  Para  isso  foram  analisados, fornecedores, clientes, estoques, variações cambiais,  operações  com  partes  relacionadas,  movimentação  bancária,  renda  variável,  entre  muitos  outros  citados  ao  longo  deste  relatório.  Da análise dos citados lançamentos observou­se a existência de  graves  irregularidades  de  forma  abrangente  em  praticamente  todos os pontos examinados. Grande quantidade de lançamentos  não  teve  base  documental  comprovada,  houve  estornos  de  centenas  de  milhões  de  pagamentos  comprovadamente  existentes,  não  foi  respeitado  o  regime  de  competência  na  apropriação  de  despesas  com  softwares,  foram  implementadas  graves  irregularidades  nas  planilhas  de  variações  cambiais,  foram inseridos  impostos recuperáveis como saldo de estoques,  há  ajustes  vultosos  em  clientes  e  fornecedores  de  forma  globalizada  e  sem  documentos  de  suporte,  tudo  conforme  finamente detalhado neste relatório e nas planilhas anexas.  Resumindo,  pelas  amostragens  verificadas,  a  Fiscalizada  cometeu, no mínimo, as seguintes infrações:  a)  estornou  saldos  existentes  em  31/01/2009,  dizendo  terem  origem  no  período  de  1999  a  2003,  no  entanto,  quando  solicitados os documentos que embasaram os lançamentos, deixa  de  apresentar  e  até  mesmo  admite  que  não  possui. Os  ajustes  atribuídos  a  esse  período  somam  135  milhões  a  crédito  de  resultado. (itens 5.1, 11.1 e 11.2);  b)  procedeu  a  estornos  de  pagamentos  comprovadamente  realizados por meio dos extratos bancários, sendo que os valores  Fl. 105316DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.300          52 estornados  foram  lançados  a  débito  do  resultado  do  período.  Essa prática ilegal gerou débitos no resultado dos exercícios de  2004, 2005 e 2006. (item 5.2);  c)  modificou  a  contabilização  das  faturas  de  reembolso  de  softwares (royalties) do regime de competência para o regime de  caixa, com isso aproveitou­se duplamente de faturas emitidas em  2002 e em 2003, também transferiu custos de 2006 para 2007 –  dentro do seu interesse fiscal. Além das implicações nos demais  anos podemos citar o valor de 38 milhões relativos a 2002/2003  e 63 milhões transferidos de 2006 para 2007. (item 5.3);  d) fez a opção de tributação das variações cambiais pelo regime  de caixa nas DIPJs originais de 2006 e 2007, também escriturou  adições e exclusões relativas a variações cambiais mensalmente  nos  livros Lalur. Nas DIPJs  retificadoras manteve essa opção,  inclusive  alterando  valores  na  declaração  base  2007.  No  entanto, ao ser intimada a apresentar as planilhas de apuração  pelo  regime  de  caixa,  alegou  praticar  apenas  regime  de  competência. (item 5.4);  e)  inseriu  dados  de  forma  irregular  em  suas  planilhas  de  variações cambiais –  regime de competência (sem anuência da  fiscalização),  de  maneira  que,  contrariando  toda  ordem  econômico­financeira,  transformou  uma  receita  de  20  milhões  em uma despesa de 36 milhões, ou seja, gerou de forma fictícia  um  custo  financeiro  de,  no  mínimo,  56 milhões  em  2006  e  17  milhões em 2007 (item 5.4);  f) usou a planilha de variações cambiais para anular os efeitos  tributários de  lançamentos de estornos de  fretes  internacionais  (item 5.4.4);  g) depois de quase uma década modificou a realização dos seus  estoques  em  todos  os  anos  passados.  No  ano  de  2006,  essas  modificações resultaram em aumento de custo de estoque de 73  milhões de reais em 2006 e 45 milhões em 2007. (item 5.5.2);  h)  adicionou  tributos  recuperáveis  ao  valor  dos  estoques  de  matérias primas (item 5.5.3);  i) manteve lançamentos em duplicidade nos estoques de matérias  primas, relativos a compras em consignação, incluindo tributos  recuperáveis (item 5.5.4);  j)  transformou  estoque  de  peças  usadas  (sucatas)  em  custo  do  exercício (21 milhões de reais), sem qualquer demonstração de  pertinência (item 5.6);  k)  deixou  de  contabilizar  os  ajustes  de  CPV  para  retirar  os  valores  das  contribuições  de  PIS  e  Cofins,  que  eram  contabilizados como parte dos estoques, ocasionando distorções  nos custos dos estoques, sem apresentação de conciliação entre  Dacon e contabilidade (item 5.7);  Fl. 105317DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.301          53 l)  fez  ajustes  em  seus  extratos  bancários  apenas  para  ficarem  alinhados com a contabilidade ao final do ano, sem realizar uma  efetiva conciliação bancária. (item 5.8);  m) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2007, de forma  globalizada,  mais  de  8  milhões  de  reais  a  título  de  descontos  concedidos, descontos esses não comprovados. (item 5.9);  n)  inseriu  em  sua contabilidade, nos ajustes de 01/01/2008, de  forma  globalizada,  mais  de  16  milhões  de  reais  a  crédito  de  clientes  intercia  e  a  débito  de  resultado,  sem  qualquer  comprovação. (item 5.10);  o) fez ajustes na conta Clientes Nacionais, relativos aos anos de  2003 a 2007,  creditando resultado do exercício em mais de 11  milhões de reais, sem justificativa para isso. (item 5.11);  p)  estornou  mais  de  24  milhões  de  despesas  de  fretes  internacionais;  anulou  os  efeitos  tributários  disso  por meio  de  manipulação  das  planilhas  de  variações  cambiais,  e  deixou  de  demonstrar a efetiva duplicidade de tais custos (item 5.13);  q)  ignorando as normas  contábeis  e  societárias,  estornou mais  de  cem  milhões  de  despesas  de  provisões  para  garantia  originalmente  contabilizadas  para  o  período  de  2002  a  2007.  (item 5.14);  r) ajustou a conta de Intercia Fornecimentos, em 31/01/2009, em  mais  de  98 milhões  de  reais  a  crédito,  de  forma globalizada e  sem base documental. (item 5.15;  s) fez ajustes a débito da conta 381033202 – Ajuste de Exercícios  Anteriores  em  31/01/2009  em  mais  de  17  milhões  de  reais  de  forma globalizada e sem base documental. (item 5.15.2);  t)  inseriu,  em  31/01/2009,  lançamentos  a  crédito  de  Intercia  Fornecimentos e a débito de Resultado do Exercício a título de  complementação  de  royalties,  os  quais  somam  mais  de  59  milhões,  cuja  origem  é  de  meses  de  2008  e  de  maio  de  2009.  (item 5.15.3);  u) além de outras, reconheceu pelo menos 113 milhões de reais  como  pendências  fiscais  relativas  a  2007,  porém,  por  outros  ajustes irregulares controlou para que isso não afetasse o lucro  real. (item 6);  v)  apresentou  três  balanços  diferentes  para  o  fechamento  de  31/01/2009, um na contabilidade Sped, outro nas demonstrações  auditadas, e um terceiro relativo aos balancetes fiscais. (item 7);  w) utilizou os saldos das contas da contabilidade original para  fins de apuração das parcelas dedutíveis de despesas incorridas  em aplicações de renda variável (hedge), com isso contraria sua  própria posição, quando diz que o correto são os novos saldos  resultantes de sua “conciliação”. (item 8);  Fl. 105318DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.302          54 x)  não  existiam  livros  Lalur  formalizados  que  embasassem  as  DIPJs  retificadoras,  quando  do  início  da  fiscalização. O  livro  Lalur  original  de  2007  foi  apresentado  com  todos  os  dados  pessoais do contador incorretos. (item 9);  y)  deixou  de  refletir  em  suas  DIPJs  retificadoras  todas  as  modificações  contábeis  implementadas  no  refazimento  de  31/01/2009. (item 10);  z) agiu em vários momentos, antes do início e após o começo da  fiscalização, com intenção de dificultar o conhecimento do Fisco  sobre as reais modificações implementadas em sua contabilidade  (item 12);  a1)  eliminou  as  pendências  fiscais  existentes  antes  do  refazimento contábil  nos anos  de 2004 a 2007 (mínimo de 241  milhões  de  base  de  IRPJ  e  CSLL),  e  ainda  diminuiu  em  15  milhões a soma do lucro real em todos os anos reformados. (item  13.1);  a2) aproveitou­se de prejuízos  fiscais  (IRPJ)  e base de cálculo  negativa (CSLL) gerados nas DIPJs originais de 2002 e 2003, os  quais  somam mais  de  51 milhões  de  reais. No  seu  refazimento  contábil a Fiscalizada apurou lucros nos dois anos, assim mais  uma vez contradiz­se em seus posicionamentos. (item 13.3).  Reforça­se mais uma vez, esta vasta listagem de irregularidades  são extraídas de uma contabilidade refeita, e de apenas alguns  pontos  objeto  de  análise,  pois  não  é  possível  avaliar  todos  os  efeitos.  A Empresa  diz  que  começou  sua  reforma  contábil  no  primeiro  trimestre  de  2007  a  partir  da  identificação  de  falhas  em  seus  controles  internos.  No  entanto,  pelos  lançamentos  citados  no  item  5.15  acima,  fica  comprovado  que  em  31/01/2009  a  referência  mor,  a  única  base  confiável  para  esta,  continuava  sendo o seu sistema gerencial.  Todo esse refazimento contábil é ato único, em uma mesma ação  foram  ajustados  todos  os  registros  contábeis  desde  1999  até  01/2008,  vindo  a  desaguar  nos  lançamentos  da  contabilidade  Sped em 31/01/2009. De forma generalizada para os anos 2002  a 2007, e outros ajustes consignados dentro do exercício 2008 –  tudo  consolidado  nos  balancetes  fiscais  elaborados  pela  Empresa.  Foi  com  essa  visão  que  foram  selecionados  pontos  considerados  relevantes  dentro  das  operações  da  Fiscalizada  para  verificação,  por  amostragem,  da  confiabilidade  dessa  reforma.  Os  fatos  constatados  apontam  que  a  Empresa  não  teve  a  intenção  de  sanar  as  pendências  contábeis  e  fiscais  dentro  da  legalidade, mas  apenas dar uma aparência de que  tudo estava  corrigido.  No  caso  de  2007,  por  exemplo,  lança  as  variações  cambiais  (ainda  com  várias  falhas),  e  elimina  os  enormes  passivos fictícios da conta de Despesas Aduaneiras (PIS e Cofins  importação)  isso  era  tão  gritante  que  não  poderia  mais  ficar  Fl. 105319DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.303          55 oculto. No entanto, insere outros ajustes irregulares para anular  os efeitos  fiscais. Nas verificações procedidas não se observa o  reconhecimento  de  qualquer  custo  novo  oriundo  de  2007  que  tenha amparo legal.  Tanto  é  verdade  o  desinteresse  em  corrigir  as  questões  normativas  e  legais  que,  além  de  todas  as  irregularidades  inseridas  nos  ajustes,  ainda  em  2011,  quando  iniciada  a  fiscalização, sequer tinha formalizado os livros Lalur novos, e os  livros  Registro  de  Inventário  de  2006  e  2007  sequer  foram  registrados.  Diante  de  todas  as  irregularidades  identificadas  nos  lançamentos  de  ajustes,  todas  em  pontos  considerados  chaves  dentro das operações da Empresa, irregularidades essas que se  espraiam pelos  vários anos reformados, o  refazimento contábil  como  um  todo  perde  completamente  sua  confiabilidade,  assim  não há como ser aceito.  Perante  essa  situação  grave,  onde  os  registros  contábeis  de  ajuste  não merecem  confiança,  para  saber  exatamente  o que  é  certo  e  o  que  é  errado  a  Fiscalização  teria  de  conferir  documento  a  documento  de  todas  as  operações  da  Empresa  desde  o  início  de  suas  operações  em  1999,  passando  por  recomposição de estoques, refazimento de planilhas de variações  cambiais – algo completamente impraticável. Além do mais, não  é obrigação do Fisco refazer a contabilidade que o contribuinte  manteve falha.  Cabe mais  uma  vez  lembrar  que  a Empresa  tinha a obrigação  legal de fazer corretamente sua contabilidade original, não o fez.  Depois  por  iniciativa  própria,  antes  do  início  da  fiscalização,  teve  a  oportunidade  de  corrigir  aqueles  erros  originais  e  adequar  seus  livros  aos  quesitos  legais,  porém,  ao  invés  de  acertar,  preferiu  inserir  inúmeros  lançamentos  com  valores  irregulares buscando ocultar as bases tributáveis.  Desta  forma,  todo  o  refazimento  contábil,  que  a  Fiscalizada  chamou  de  “conciliação”,  está  sendo  desconsiderado.  Como  consequência  disso  os  livros  Lalur,  as  DIPJs  Retificadoras  e  demais declarações entregues ao Fisco que  tiveram como base  esse refazimento contábil (anos calendário 2004 a 2008) deixam  de  produzir  seus  efeitos,  passando a  ser  avaliado  ano  a ano o  tratamento legal a ser dado às infrações.”  Do arbitramento   A fiscalização, diante dos elementos resumidos do tópico anterior, manifestou  pelo  cabimento  do  arbitramento  em  razão  da  imprestabilidade  da  escrita  do  contribuinte, seja a original, seja a ajustada. Confira­se a fundamentação (fls. 23.283  e 23.285/6):  “Diante  da  situação  apresentada,  onde  a  Empresa  refaz  sua  contabilidade  com  retroação  de  uma  década,  e  onde  há  modificação em todas as contas do seu elenco, a grande maioria  com  alterações  relevantes  onde  somam  dezenas  de milhões  de  Fl. 105320DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.304          56 reais,  fica  claro  que  aquela  contabilidade  original  estava  completamente  errada,  pois  foi  radicalmente  alterada,  modificando substancialmente os saldos patrimoniais.”  “Perante  esta  situação,  onde  a  contabilidade  original  foi  radicalmente  modificada  pela  Empresa,  com  várias  demonstrações  que  realmente  estava  incorreta,  e  onde  o  refazimento desta contabilidade não tem como ser aceito, devido  ao  grande  numero  de  irregularidades  ali  inseridas,  não  resta  outra solução que não seja o arbitramento do lucro.”  “O artigo 7º , caput, do mesmo Decreto Lei 1.598/77 impõe que  "O lucro real será determinado com base na escrituração que o  contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e  fiscais ".  Por  tudo que  foi exposto nesse  relatório, pode­se perceber que  foram completamente esquecidas as normas comerciais e fiscais.  O  tratamento  dado  aos  registros  contábeis  foi  o  de  uma mera  planilha  de  cálculo  aonde  iam  sendo  alocados  os  custos  conforme  a  necessidade,  sendo  que  a  maioria  destes  custos  gerados de forma artificial.  O  arbitramento  trata­se  de  uma medida  extrema,  mas  legal,  e  dentro do caso concreto, também necessária. Assim procedemos  na forma da lei.”  A base legal para a adoção do lucro arbitrado no caso dos autos foi o art. 530,  inciso II, letras “a” e “b”, do RIR/1999 (fl. 23.286). Confira­se o texto normativo:  “Art.  530.  O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº  9.430, de 1996, art. 1º):  ...  II ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou   b) determinar o lucro real;”   O  valor  das  receitas  utilizado  para  o  cálculo  do  lucro  arbitrado  foi  aquele  indicado pelo contribuinte nos Livros de Apuração do Imposto sobre a Circulação de  Mercadorias e Serviços (ICMS), nos Livros de Apuração do Imposto sobre Serviços  de Qualquer Natureza  (ISS) e nos Livros de Apuração do Imposto sobre Produtos  Industrializados  (IPI),  “Em função da  total  impossibilidade de aproveitamento dos  registros contábeis” (fl. 23.287). O valor das receitas está demonstrado nas planilhas  das folhas 23.287 a 23.289.  Para  a  apuração  do  lucro  arbitrado  foi  observado o  disposto no  art.  532 do  RIR/1999, segundo o qual o  lucro arbitrado é calculado em razão da receita bruta  conhecida, aplicados os percentuais fixados no art. 519 Regulamento do Imposto de  Fl. 105321DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.305          57 Renda,  acrescidos  de  20%. Os  percentuais  aplicados  para  fins  do  IRPJ  foram  os  seguintes (fl. 23.289):  a)  9,6% sobre as receitas auferidas com a venda de produtos e mercadorias;   b)  38,4% sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços.  A apuração da base de cálculo do IRPJ consta das folhas 23.289/90. Sobre a  referida base de cálculo foi aplicada a alíquota de 15% e incidiu o adicional de 10%  (fl. 23.290).  Para fins da CSL, o lucro arbitrado foi calculado em função da aplicação dos  percentuais  fixados  no  art.  29,  I,  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  combinado com os arts. 15, § 1º,  III,  e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995.  Os  percentuais  aplicados  na  apuração  do  lucro  arbitrado  para  fins  da CSL  foram os seguintes (fl. 23.291/2):  c)  12% sobre as receitas auferidas com a venda de produtos e mercadorias;   d)  32% sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços.  A  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSL  consta  da  folha  23.291.  Sobre  a  referida base de cálculo foi aplicada a alíquota de 9% (fl. 23.292).  Dos  valores  apurados  de  IRPJ  e  CSL  foram  descontados  os  recolhimentos  efetuados  pelo  contribuinte  que  não  haviam  sido  objeto  de  compensação  por  ele  formalizada em função de pretenso pagamento a maior ou indevido (fl. 23.293).  Quanto à Cofins e ao PIS, restou afastado o regime da não­cumulatividade em  função do arbitramento do lucro (art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de  2002, e art. 10,  II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Dessa forma, a  base de cálculo dessas contribuições passou a ser o faturamento, consoante fixado  nos  arts.  2º  e  3º  da Lei  nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. A metodologia da  apuração da base de cálculo das contribuições a partir dos livros fiscais do ICMS, do  ISS e do IPI consta das folhas 23.293 a 23.304.  Da aplicação da multa qualificada   A acusação é clara (fls. 23.308):  “A conclusão a que se chega do procedimento fiscal em curso, é  que todo esse refazimento contábil de quase uma década trata­se  de  ato  único,  minimamente  planejado  para  obter  vantagens  ilícitas,  tendo à  frente experts na área contábil. Nessa reforma  foram  feitos  ajustes  que  indicam  a  busca  incremento  nos  resultados  societários  e,  ao  mesmo  tempo  procuram  eliminar  pendências fiscais pré­existentes sem o desembolso de qualquer  valor extra.  Segundo  a  resposta  da  Fiscalizada,  esta  começou  sua  “conciliação”  no  primeiro  trimestre  de  2007,  assim  teve  dois  anos para corrigir o que havia de errado em sua contabilidade.  Porém, ao invés de corrigir totalmente as pendências existentes  optou por tirar proveito fiscal disso modificando irregularmente  seus registros contábeis de forma deliberada.  Fl. 105322DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.306          58 Por todo o exposto fica claro que a Empresa, por meio de seus  administradores quis praticar esses atos em busca de benefícios  ilícitos.  Intentou  com  dolo  para  obtenção  dos  resultados  e  beneficiou­se disso.  Portanto, a multa de ofício a ser aplicada é aquela prevista no  Art. 44, II da Lei 9.430 de 27/12/1996,...”   Considerações finais da fiscalização   “Diante  da  situação  verificada  nesta  fiscalização,  onde  uma  empresa do porte da Dell, multinacional com representação em  vários  países  do  mundo,  faturamento  bilionário,  mantém  sua  contabilidade com graves erros durante uma década, levando a  registro os seus livros, mesmo sabendo das incorreções, e depois  reforma  essas  contabilidades,  inserindo  irregularidades  de  forma  a  ocultar  os  efeitos  tributáveis,  a  primeira  reação  é  de  espanto,  de  incredulidade.  Mas  depois,  analisando  todo  o  contexto  e  os  dados  disponíveis  isso  vai  ficando  claro  e  não  deixa margem a dúvidas.  A Empresa tem capacidade econômico­financeira para contratar  os  melhores  profissionais  do  Brasil,  e  tem  em  seus  quadros  contadores  capacitados  oriundo  de  grandes  empresas  de  auditoria externa. Portanto, fica nítido que este total descontrole  contábil  é  algo  que  vem  da  alta  cúpula,  que  prioriza  seus  sistemas gerenciais deixando­se de lado os quesitos normativos  relacionados à contabilidade brasileira, porém sempre buscando  a economia tributária, ainda que de forma irregular.  A Fiscalizada levou a efeito essa reforma contábil e implementou  irregularidades  contando  com  dois  fatores  relacionados  à  quantidade  de  informações:  a  dificuldade  de  análise  por  parte  do Fisco,  e  a  dificuldade  de  transmitir  isso  aos  julgadores  em  uma eventual  formalização de processo. No entanto, esses dois  obstáculos estão sendo superados. Mas isso só foi possível com o  uso das ferramentas disponíveis pela Receita Federal hoje, para  análise  de  registros  contábeis,  que  são de altíssima qualidade,  permitindo filtros avançados e cruzamentos de dados com muita  precisão. Este relatório apresentou as principais irregularidades  de forma detalhada e o processo foi instruído com os elementos  de prova suficientes para que o julgador tenha a clara percepção  do  que  ocorreu. Porém,  nenhum sistema no mundo  é  capaz de  refazer  de  forma  automática  a  contabilidade  de  uma  grande  indústria como a Dell, especialmente quando há necessidade de  análise física de documentos.  Nos  procedimentos  fiscais  executados  pela  Receita Federal  do  Brasil, não é comum o exame de um período temporal tão longo  e  de  tantas  contas,  mas  a  situação  fática,  da  forma  como  se  apresentou, obrigou a esta extensão e profundidade nas análises  em pauta. Porém, isso tudo decorreu única e exclusivamente em  função dos atos praticados pela Empresa.” (fls.23.311/2)  Nesse passo, retomo a parte inicial do “Relatório da Ação Fiscal”, que trata de  fraude contábil ocorrida no Estados Unidos da América relativamente ao controlador  Fl. 105323DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.307          59 do  contribuinte.  O  agente  do  Fisco,  como  se  verá,  vincula  a  reforma  contábil  ocorrida  no  Brasil,  relativamente  ao  interessado,  com  a  antes  referida  fraude  ocorrida  no  exterior.  Reproduzirei  trechos  do  trabalho  fiscal  com  o  intuito  de  transmitir  a  compreensão  do  agente  do  Fisco  a  respeito  dos  fatos  (fls.  22.980  a  22.998):  “Ao  longo de  vários meses de decurso do procedimento  fiscal,  tentou­se em vão obter da Empresa a informação sobre os reais  motivos  desta  ter  reformado  completamente  seus  registros  contábeis desde janeiro de 2002 até janeiro de 2008 e praticado  outros ajustes relevantes até janeiro de 2009. As respostas eram  sempre  as  mesmas,  que  se  tratou  de  uma  revisão  em  seus  controles  internos,  que  por  ser  uma  sociedade  limitada  não  havia  qualquer  ata  ou  documento  registrando  a  origem  de  tal  reconciliação, dando a entender que o refazimento contábil teria  ocorrido apenas no Brasil. No entanto,  sabia­se que para uma  empresa  levar  a  efeito  um  refazimento  contábil  com  essa  abrangência  teria  de  ter  um  motivo muito  forte,  além  de  uma  revisão de controles internos.  Na  continuidade  desta  fiscalização,  observou­se  que  na  impugnação ao lançamento anterior a Fiscalizada propala que é  uma  organização  com ações  negociadas  em bolsa  nos Estados  Unidos, que participa da Nasdaq. Com base nisso, buscaram­se  maiores  informações  sobre  a  posição  da  Dell  no  mercado  acionário americano, sendo usado como meio de pesquisa sítios  de busca na internet.  Nesta  procura  de  informações,  surgiram  inúmeras matérias  de  órgãos  de  imprensa  nacionais  e  estrangeiros,  onde  foram  publicadas  notícias  aventando  a  existência  de  fraudes  nas  demonstrações financeiras de Dell Inc. (empresa de comando do  grupo,  que  consolida  os  resultados  das  demais  Dell).  Essas  publicações  tiveram  três  momentos  de  destaque,  em  abril  de  2007,  em  agosto  de  2007  e  em  junho  de  2010,  no  primeiro  momento  veio  a  público  a  detecção  de  irregularidades  nos  balanços;  no  segundo,  foram  publicadas  em  atraso  as  demonstrações financeiras do ano fiscal 2007; e no terceiro, foi  divulgada  a  autuação milionária  imposta  pela  SEC  (Securities  and  Exchange  Commission)  à  Dell  Inc.  e  aos  seus  administradores.  Seguem  alguns  trechos  de  algumas  notícias  publicadas  a  respeito da questão:  a) G1 – Portal Globo (02/04/2007)  Dell investiga irregularidades nas contas da empresa   Foram encontradas "evidências de falta grave" na contabilidade  da companhia.  Fabricante  de  computadores  poderá  ter  que  revisar  suas  demonstrações financeiras.  (...)  Fl. 105324DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.308          60 A  companhia,  que  tem  sede  no  Texas,  EUA,  avisou  que  está  trabalhando  com  auditores  independentes  para  determinar  se  terá de revisar e republicar suas demonstrações financeiras. Em  razão disso, a Dell  vai adiar a divulgação de seus números de  2007 fiscal, que estava marcada para terça­feira (3).  (...)  Além  do  conselho  da Dell,  quem  também  está  investigando  as  práticas  contábeis  da  companhia  é  a  Securities  and  Exchange  Commission (SEC), que regula o mercado de ações nos EUA. A  companhia tem ações negociadas nas bolsas norte­americanas.  (http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL17240 9356,00.html)  b) UOL – IDG Now (30/03/2007)  Dell vai adiar divulgação do balanço em função da auditoria nas  finanças  São  Paulo  –  Companhia  informa  que  auditoria  nas  finanças  ainda  não  está  concluída  e,  por  isso,  não  conseguirá  atender  prazo legal de divulgação.  A Dell  informou ontem que  vai  adiar a divulgação do balanço  consolidado do seu ano fiscal, encerrado em 2 de fevereiro, em  relação à data previamente anunciada, de 3 de abril, e mesmo  sobre a extensão normalmente concedida ao prazo, que seria 18  de abril.  (...)  O grupo identificou uma série de erros contábeis, evidências de  comportamento  impróprio  e  deficiências  no  controle  do  ambiente  financeiro  da  empresa.  O  Comitê  trabalha  com  a  direção  da  fabricante  e  com  auditores  independentes  para  apurar se precisa republicar os balanços financeiros e definir se  as  deficiências  constituem  uma  fraqueza  da  companhia  no  controle interno dos relatórios financeiros.  (http://idgnow.uol.com.br/mercado/2007/03/30/idgnoticia.20070 330.8839661244)  c) Forbes (17/08/2007 – em tradução livre)  Investigação da Dell chega ao fim   A  investigação  terminou  e  os  resultados  apontam  que  a  Dell  estava  tentando  bater  suas  metas  financeiras,  mas,  para  isso  manipulado seus livros.  (...)  O  lucro  líquido  do  ano  fiscal  de  2003  a  2006  e  primeiro  trimestre de 2007 será reduzido em entre US$ 50 milhões e US$  150 milhões, ou entre 2 centavos e 7 centavos por ação.  Fl. 105325DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.309          61 (...)  A  investigação  começou  como  um  resultado  das  preocupações  levantadas por documentos e elementos descobertos no decurso  da resposta para solicitações da Securities and Exchange EUA  Comission. A companhia acrescentou que a investigação da SEC  está em curso.  http://www.forbes.com/2007/08/17/dellcomputerinvestigationmar ketsequitycx_ jl_0817markets19.htm   d) New York Times (10/06/2010 – em tradução livre)  Dell em Negociações para resolver a reivindicações da Intel com  a S.E.C.  (...)  Dell  também disse que havia reservado US $ 100 milhões para  uma  possível  resolução  destas  alegações,  em  função  de  uma  longa  investigação  procedida  pela  SEC  em  suas  práticas  contábeis.  Essa  investigação,  que  começou  em  2005  sendo  formalizada  em  2006,  já  levou  à  admissão  de má  conduta  por  parte  da  Dell  e  levou  a  fabricante  de  computadores  para  republicar  os  resultados  financeiros  de  2003  ao  primeiro  trimestre de 2007.  (...)  A  empresa  disse  que  o  acordo  do  Sr. Dell  com  a  SEC  estaria  relacionada  com  a  "divulgação  da  empresa  e  omissões  alegadas"  e  "envolveria  supostas  violações  de  disposições  negligência  baseados  em  fraudes  das  leis  federais  de  valores  mobiliários, bem como outros nonfraud baseados em provisões."  A Dell também informou que iria provisionar um passivo $ 100  milhões  para  a  resolução  de  seus  problemas  de  longa data  de  contabilidade. Como resultado, vai reduzir seu lucro líquido no  primeiro trimestre do ano fiscal de 2011 pelo mesmo valor, ou 5  centavos por ação.  http://www.nytimes.com/2010/06/11/technology/11dell.html   e) The Economist (23/07/2010 – em tradução livre)  Tirando a mamata da Dell   O  feitiço  foi  quebrado.  Durante  anos,  o  poder  aparentemente  mágico  da  Dell  para  extrair  a  eficiência  de  sua  cadeia  de  suprimentos e reduzir os custos a tornou um dos queridinhos dos  mercados  financeiros.  Agora,  parece  que  a  mágica  foi,  pelo  menos  parcialmente,  o  resultado de uma  ilusão  financeira. Em  22  de  julho Dell  concordou em pagar  uma multa de US $ 100  milhões  para  resolver  acusações  da  Comissão  de  Valores  Mobiliários e Câmbio dos EUA (SEC) que, nas palavras da SEC,  a  empresa  havia  "manipulado  sua  contabilidade  durante  um  longo  período  para  projetar  resultados  financeiros  que  a  empresa queria que  fosse conseguido.” A empresa não admitiu  Fl. 105326DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.310          62 nem  negou  a  culpa  como  parte  da  solução,  uma  fraseologia  comum em tais negócios.  A pena parece bastante leve dada à gravidade das acusações da  SEC.  Segundo  a  comissão,  a  Dell  não  teria  as  avaliações  positivas dos analistas de mercado em cada trimestre entre 2002  e 2006 se não  fosse por manobras contábeis. Isso envolveu um  acordo com a Intel, um grande fabricante de microchips, em que  a  Dell  concordou  em  usar  exclusivamente  chips  da  Intel  e  unidades  centrais  de  processamento  em  seus  computadores  em  troca de uma série de pagamentos não divulgados (...).  http://www.economist.com/blogs/newsbook/2010/07/dells_sec_se ttlement   As matérias citadas acima servem para confirmar que realmente  ocorreu essa revisão contábil na Dell Americana e que o período  revisto é o mesmo modificado aqui no Brasil, portanto, depois de  vários meses,  surge o que seria o  real motivo a dar origem ao  refazimento contábil na Fiscalizada.  As notícias  completas,  com as respectivas  traduções, quando o  original é em inglês, são juntadas às folhas 9747/9759.  1.1.1 Revisão nos Estados Unidos da América   As notícias citadas no item anterior davam conta que a Dell Inc.  começou a ser investigada pela SEC em meados de 2005, tendo  sido  notificada  formalmente  em  2006.  Isso  fez  com  que  a  Companhia  adiasse  a  publicação  de  suas  demonstrações  financeiras  encerradas  em 02/02/2007  (ano  fiscal 2007), o que  seria  feito  em  abril  de  2007.  Neste  mês,  veio  a  público  reconhecer a existência de  irregularidades e que  teria iniciado  uma revisão em suas contas.  Na  nossa  fiscalização  em  curso,  a  Empresa  afirmou  que  a  reconciliação contábil iniciou no primeiro trimestre de 2007, e o  período  modificado  aqui  coincide  com  aquele  divulgado  nos  Estados Unidos.  Diante  dos  fatos  constatados,  e  sabendo  que  por  ser  uma  empresa de capital aberto nos EUA a Dell Inc. teria de publicar  todos os citados fatos, buscamos maiores informações no site da  própria Companhia e no site da SEC.  No  site  da  Dell  Inc.,  portal  de  relações  com  investidores  (investor relations), páginas de relatórios financeiros (financial  reporting)  ­  http://content.dell.com/us/en/corp/investorfinancialreporting.asp x,  é  possível  acessar  às  demonstrações  financeiras  publicadas  pela Companhia, onde em seu texto de abertura expõe a seguinte  informação (em tradução livre):  A Dell revisou as suas demonstrações  financeiras relativas aos  exercícios  2003,  2004,  2005  e  2006  (incluindo  os  períodos  intermediários  dentro  desses  anos)  e  no  primeiro  trimestre  do  Fl. 105327DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.311          63 ano  fiscal  de  2007.  A  informação  financeira  é  atualizado  em  nosso  Relatório  Anual  no  Formulário  10­K  para  o  ano  fiscal  (AF), que terminou em 2 de fevereiro de 2007, disponível neste  site ou em www.sec.gov.  O citado Form 10­k, cujo linck está disponível na mesma página.  Em  uma  comparação  simplificada,  equivale  ao  Formulário  de  Referência, exigido pela CVM para empresas de capital aberto  aqui  no  Brasil,  cuja  publicação  deve  trazer  uma  série  de  informações  econômico­fiscais  e  de  políticas  corporativas  adotadas,  sendo  direcionado  mais  especificamente  aos  investidores.  O Form 10­K da Dell Inc. relativo ao ano fiscal 2007 (encerrado  em  02/02/2007)  foi  publicado  em  30/10/2007,  trazendo  as  informações  do  último  ano  e  de  todos  os  anos  anteriores  que  foram  revisados  –  isso  incluiu  desde  fevereiro  de  2002  (ano  fiscal  2003).  Seguindo  a  busca  de  informações  pertinentes  à  fiscalização,  foram  lidas  as  informações  publicadas  pela  Dell  Inc., o que ratifica as notícias dos meios jornalísticos e confirma  que a reforma contábil no Brasil teria origem na investigação da  SEC e conseqüente  revisão nos EUA. No  item 6 da parte  II do  form  10­K  07  (fls.  9774/9778)  verificamos  demonstrações  financeiras  originais  e  ajustadas  para  os  anos  ficais  2003  a  2007,  muito  semelhantes  aos  balancetes  da  Empresa  apresentados à Fiscalização.  Na abertura do Form 10­K ano fiscal 2007 (fls. 9769/9770), foi  inserta uma nota especial fazendo referência aos anos anteriores  revisados,  bem  como  os  motivos  que  levaram  a  isso.  Abaixo  segue a transcrição da referida special note em tradução livre:  Special Note   Junto  com  este  relatório,  estamos  arquivando  nosso  relatório  alterado para o primeiro  trimestre de 2007 e nossos  relatórios  trimestrais,  atrasados,  para  o  segundo e  terceiro  trimestres do  ano fiscal de 2007 e para o primeiro e segundo trimestres do ano  fiscal  de  2008.  Estes  relatórios  foram  alterados  ou  atrasados  devido  a  questões  que  vieram  a  tona  em  uma  investigação  independente  em  certos  problemas  contábeis  e  financeiros  que  foram conduzidos pelo comitê de auditoria. A  investigação  tem  sido completada, e os investigadores têm relatado os resultados  ao  comitê  de  auditoria.  Como  resultado  das  questões  identificadas  nesta  investigação,  vem  como  questões  identificadas em procedimentos e revisões adicionais conduzidas  pela  diretoria,  o  comitê  de  auditoria,  junto  com  a  PriceWaterhouse,  nossa  empresa  de  auditoria  independente,  concluiu em 13 de agosto de 2007, que as nossas demonstrações  financeiras, previamente divulgadas, dos anos fiscais de 2003 a  2006 e do primeiro trimestre fiscal de 2007, não deveriam mais  ser  consideradas  devido  a  alguns  erros  e  irregularidades  contábeis  nestas  demonstrações.  Por  isso,  temos  corrigido  nossas  demonstrações  financeiras  para  estes  períodos.  Os  ajustes  feitos  como  resultado  desta  correção  são  discutidos  a  Fl. 105328DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.312          64 fundo na Nota 2 da Notes to Consolidated Financial Statements  incluída  na  "Part  II  ­  Item  8  ­  Financial  Statements  and  Supplementary Data", e os impactos cumulativos da revisão dos  resultados  financeiros  no  começo  do  ano  fiscal  de  2003  são  apresentados na "Part II ­ Item 6 Selected Financial Data". Para  discussões  adicionais  da  investigação  dos  erros  e  irregularidades contábeis identificados, e dos ajustes da revisão,  veja "Part II ­ Item 7 Management's Discussion and Analysis of  Financial  Condition  and  Results  of  Operations  AuditoComitee  Independent Investigation and Restatement" e Note 2 do Notes to  Consolidated Financial Statements incluido na "Part II ­ Item 8  Financial  Statements  and  Supplementary  Data".  Para  uma  descrição  das  deficiências  de  controle  identificadas  pela  diretoria  como  resultado  da  investigação  e  de  nossa  revisão  interna, e o plano da diretoria para corrigir estas deficiências,  veja "Part II –Item 9A Control and Procedures. "   A  nota  acima  refere  que  maiores  esclarecimentos  quanto  à  revisão contábil devem ser lidas no item 8 da Parte II do mesmo  Form  10­K.  Na  análise  do  referido  item  (fls.  9779/9782),  percebe­se que as  informações pertinentes ao assunto em voga  estão  concentradas na “Note 2  ­ Audit Committee  Independent  Investigation  and  Restatement”,  pela  relevância  desta  nota  a  transcrevemos abaixo (tradução livre):  NOTE  2  —  Audit  Committee  Independent  Investigation  and  Restatement   Background and Scope of the Investigation   Em agosto de 2005, a Divisão de Execuções da SEC iniciou um  inquérito sobre alguns problemas de demonstrações financeiras  e  contábeis  da  Dell  e  intimou  a  Dell  a  providenciar  alguns  documentos.  No  curso  de  muitos  meses,  a  Dell  produziu  documentos e providenciou informações em resposta a intimação  inicial e subseqüentes da SEC.  Em junho de 2006, a SEC enviou à Dell uma intimação adicional  para  documentos  e  informações  que  expandiram  o  escopo  do  inquérito,  com  respeito  a  questões  e  períodos.  Enquanto  as  informações  e  documentos  foram  coletados  na  resposta  à  intimação  adicional,  a  direção  da  Dell  teve  conhecimento  de  informações  que  aumentaram  os  problemas  a  respeito  de  demonstrações  contábeis  e  financeiras,  incluindo  acréscimos,  reserves  e  outros  elementos  de  balanço  que  foram  registrados  corretamente.  Após  avaliar  esta  informação  e  junto  com  a  consultoria  PWC,  a  direção  determinou  que  as  questões  levantadas  justificavam  uma  investigação  independente  e  recomendaram esta ação ao Comitê de Auditoria do conselho de  administração da Dell.  Em  26  de  agosto  de  2006,  o  Comitê  de  Auditoria,  agindo  sob  recomendação da direção, aprovou o início de uma investigação  independente. O  comitê  de  auditoria  contratou Willkie  Farr &  Gallagher LLP (“Willkie Farr”) a  liderar a  investigação como  conselheiro  independente do  comitê de auditoria. Willkie Farr,  Fl. 105329DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.313          65 por  sua  vez,  contratou  a  KPMG  para  servir  como  sua  consultoria contábil forense independente.  O escopo da investigação foi determinado por Willkie Farr, em  consulta com o comitê de auditoria e a KPMG. A  investigação  envolveu  um  programa  de  análise  forense  e  uma  pesquisa  avançada  em  aspectos  da  prática  da  Dell  de  demonstrações  financeiras e contábeis através do mundo, e avaliou aspectos de  suas  demonstrações  históricas  desde  2002  e,  com  respeito  a  algumas questões, em anos anteriores.  Summary of Investigation Findings   A investigação levantou questões relativas a numerosas questões  contábeis, a maioria delas envolvendo ajustes a várias reservas e  contas  do  passivo  acumuladas,  e  identificou  evidências  de  que  certos  ajustes  pareceram  ter  sido  motivados  pelo  objetivo  de  atingir metas  financeiras. De acordo com a  investigação, estas  atividades tipicamente ocorrem em dias imediatamente posterior  ao  fim  de  trimestre,  quando  os  livros  contábeis  haviam  sido  fechados  e  os  resultados  do  trimestre  sido  compilados.  A  investigação achou evidência de que, naquele prazo, balancetes  contábeis foram revistos, algumas vezes, por requisição ou com  o conhecimento de executivos  seniors, com a meta de procurar  ajustes  de  modos  que  os  objetivos  de  performance  trimestral  fossem atingidos. A  investigação concluiu que o numero destes  ajustes  foram  indevidos,  incluindo  a  criação  e  liberação  de  provisões e reservas que parecem ter sido feitas com o propósito  de  melhorar  as  medidas  de  performance  interna  e  resultados  anunciados, bem como transferir o excesso de provisões de uma  conta de passivo para outra e o uso de excesso de balanços para  equilibrar despesas não relatadas em períodos subseqüentes. A  investigação  achou  que  algumas  unidades  de  negócio  não  forneceram  informações  completas  para  a  direção  e,  em  um  número de instância, informações propositalmente incorretas ou  incompletas  sobre  estas  atividades  foram  fornecidas  para  os  auditores internos e externos.  A  investigação  identificou  evidências  que  os  ajustes  contábeis  foram  vistos  nestas  vezes  como  mecanismos  aceitáveis  para  compensação  para  rendimentos  de  curto  prazo  que  não  poderiam  ser  fechados  através  de  maneiras  operacionais.  Freqüentemente, estes ajustes iam de algumas centenas a muitos  milhões  de  dólares,  no  contexto  de  uma  empresa  com  receita  anual na faixa de 35.3 a 55.8 bilhões de dólares e lucro líquido  anual  de  2  a  3.6  bilhões  nos  períodos  em  questão. Os  erros  e  irregularidades  identificados  no  curso  da  investigação  revelaram deficiências no controle financeiro e contábil da Dell,  algumas  das  quais  foram  determinantes  na  fraqueza  material,  que requereram ações corretivas.  Other Company Identified Adjustments   Concorrentemente com a investigação, a Dell também conduziu  revisões internas com o propósito de preparar e certificar para  as  demonstrações  financeiras  do  ano  fiscal  de  2007  e  a  Fl. 105330DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.314          66 avaliação  de  controles  internos  sobre  demonstrações  financeiras.  Os  procedimentos  da  Dell  incluíram  revisões  contábeis  expandidas  e  reconciliações  de  balanço  expandidas  para  assegurar  que  todas  contabilidades  foram  totalmente  reconciliadas e apropriadamente documentadas. A Dell também  implementou  melhorias  no  fechamento  de  sua  contabilidade  anual  e  trimestral  para  prover  uma mais  completa  análise  do  resultado financeiro de suas várias unidades de negócios.  Restatement Adjustments   Como  resultado  das  questões  identificadas  pelo  comitê  independente de auditoria,  bem como as questões  identificadas  em procedimentos e revisões adicionais conduzidos pela direção,  o  comitê  de  auditoria,  em  consulta  com  a  direção  e  a  PWC,  concluiu  em  13  de  agosto  de  2007  que  as  demonstrações  financeiras  dos  anos  de  2003  a  2006  (incluindo  períodos  menores dentro destes anos) e o primeiro trimestre do ano fiscal  de  2007,  não  deveriam  mais  ser  confiáveis  devido  a  erros  e  irregularidades contábeis nestas demonstrações. Portanto, Dell  tem  atualizado  as  demonstrações  financeiras  para  estes  períodos. Informações financeiras atualizadas são apresentados  neste relatório.  Ajustes  cumulativos  requeridos  para  corrigir  os  erros  e  irregularidades das demonstrações financeiras anteriores a 2005  estão refletidas nos lucros acumulados no final do ano de 2004,  como mostrado  no  Statement  of  Stockholders’  Equity. O  efeito  cumulativo destes ajustes  reduziram o  lucro  em 52 milhões em  31 de Janeiro de 2004. (sublinhamos).  Não obstante a relevância de todas as informações trazidas pela  nota acima, destacamos alguns pontos:  ­  a  auditoria  interna  começou  com  a  formação  de  Comitê  em  agosto de 2006;   ­  a  revisão  que  embasou  a  republicação  das  demonstrações  financeiras de anos anteriores foi concluída em agosto de 2007;   ­ A investigação envolveu os aspectos da contabilidade da Dell e  elaboração de relatórios financeiros em todo o mundo;   ­ A investigação contemplou a avaliação de praticas contábeis e  financeiras  desde  o  ano  fiscal  2002  e,  em  relação  a  certas  questões, anos fiscais anteriores.  Apesar da Dell  Inc.  ter  informado no Form 10­K do ano  fiscal  2007 (nota acima) que a investigação interna estava encerrada,  no Form 10­K do ano fiscal 2008, publicado em março de 2008,  ainda  faz  menção  a  revisões  que  teriam  ocorrido  dentro  deste  período  (02/2007  a  01/2008),  remetendo  a  conclusão  para  o  terceiro  trimestre  do  ano  fiscal  2008  (31/10/2007),  conforme  nota 10 da item 8 abaixo (tradução livre):  (...)  Fl. 105331DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.315          67 Investigações e  litígio relacionado ­ em agosto de 2005, a SEC  iniciou um inquérito em certos problemas contábeis e financeiros  da  Dell  e  requisitou  que  a  Dell  providenciasse  certos  documentos.  A  SEC  expandiu  o  inquérito  em  junho  de  2006  e  iniciou  uma  investigação  formal  em  outubro  de  2006.  A  intimação  da  SEC  veio  se  juntar  a  uma  requisição  similar  da  Procuradoria Federal do Distrito Sul de New York (SDNY), que  intimou  a  documentos  relacionados  às  Demonstrações  Financeiras da Dell a partir do ano fiscal de 2002. Em agosto de  2006, devido a problemas potenciais identificados no curso das  respostas  as  requisições  de  informação  da  SEC,  o  Comitê  de  Auditoria da Dell, por recomendação da direção e concordância  da PriceWaterhouse, iniciou uma investigação independente, que  foi  completada  no  terceiro  trimestre  do  ano  fiscal  de  2008.  Embora  a  investigação  do  Comitê  de  Auditoria  tenha  sido  finalizada,  as  investigações  conduzidas  pela  SEC  e  SDNY  continuam,  e  a Dell  continua  a  cooperar  com a  SEC  e  SDNY.  (sublinhamos)  A  Fiscalizada  foi  chamada  a  manifestar­se  sobre  a  relação  existente  entre  a  revisão  contábil  nos  EUA  e  o  refazimento  contábil  no Brasil  por meio  do  item  1  do  Termo  de  Intimação  Fiscal 09 (fls. 6483/6492). Em suas respostas (fls. 6507/6510), a  Empresa nega a existência de qualquer relação entre o ocorrido  nos Estados Unidos e a reforma contábil local.  Embora a Empresa negue a existência de qualquer relação entre  a  revisão  contábil  nos  EUA  e  o  refazimento  contábil  aqui  no  Brasil,  demonstra­se  abaixo,  além  dos  fatos  já  citados,  que  o  conjunto de evidências indicam que há sim correlação:  a1)  Dell  Americana:  No  formulário  10­K  –  ano  fiscal  2007  ,  onde a Dell Inc. divulga os resultados consolidados ao mercado,  fica  muito  claro  que  a  representação  no  Brasil  está  contida  naquelas demonstrações  financeiras. A Dell Brasil é citada em  vários itens do relatório. Apenas para citar um: “ Our corporate  headquarters  are  located  in  Round  Rock,  Texas.  Our  manufacturing  and  distribution  facilities  are  located  in Austin,  Texas; WinstonSalem, North Carolina; Lebanon and Nashville,  Tennessee;  West  Chester,  Ohio;  Miami,  Florida;  Eldorado  do  Sul,  Brazil;  Limerick  and Athlone,  Ireland; Penang, Malaysia;  and  Xiamen,  China.  Manufacturing  plants  in  Chennai,  India  opened  in  the  first  half  of  Fiscal  2008  and  Lodz,  Poland  will  open later in Fiscal 2008. See “Part I — Item 2 — Properties”.  Em tradução livre: Nossa sede está localizada em Round Rock,  Texas. As nossas instalações de fabricação e distribuição estão  localizadas em Austin, Texas; WinstonSalem, Carolina do Norte,  Líbano e Nashville, Tennessee; West Chester, Ohio, em Miami,  Flórida,  Eldorado  do  Sul,  Brasil;  Limerick  e  Athlone,  Irlanda,  Penang, Malásia  ;  e Xiamen, China. Fábricas  em Chennai,  na  Índia abriram na primeira metade do ano fiscal de 2008 e Lodz,  na  Polónia  vai  abrir  mais  tarde  no  ano  fiscal  de  2008.  (grifamos).  Fl. 105332DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.316          68 a2) Dell  Brasil:  Na  impugnação  ao  lançamento  de  2006  (item  2.1)  a  Fiscalizada  deixa  claro  que  é  parte  integrante  da  Dell  norte­americana “a Dell é uma empresa de tecnologia de ponta,  fundada nos EUA há 27 anos, com presença global e com ações  comercializadas  na  bolsa  de  valores  Nasdaq  em  Nova  York”.  “(...) reconhecida em 2005 como a 28ª maior empresa do mundo  e no mesmo ano como a empresa mais admirada nos EUA pela  Fortune  Magazine,  a  possuir  estabelecimentos  industriais  nos  EUA,  México,  Índia,  China,  Irlanda,  Polônia,  Filipinas  e  Brasil”.  b1) Dell Americana: O  formulário 10­K do ano  fiscal 2007 de  Dell  Inc.  expõe  que  o  período  revisado  vai  desde  o  ano  fiscal  encerrado  em 31/01/2003  (base 2002) até o primeiro  trimestre  do ano fiscal 2007 (abril de 2006). Depois o formulário 10­K do  ano  fiscal  2008,  veio  dizendo  que  os  ajustes  continuam  até  o  terceiro trimestre (outubro de 2007).  b2)  Dell  Brasil:  Os  balancetes  fiscais  apresentados  pela  Fiscalizada  indicam que o período revisado começa em 2002 e  vai até 2007 (janeiro de 2008). Depois continua com balancetes  até  janeiro  de  2009 porque  houve  outros  ajustes  em 2008,  e o  fechamento da revisão foi lançado em janeiro de 2009.  c1)  Dell  Americana:  Na  nota  2  do  item  8  do  formulário  10­K  2007  (exposta  acima),  é  afirmado  que  a  revisão  contábil  envolveu práticas desde 2002, e com relação a certas questões,  anos  fiscais  anteriores  (“...accounting  and  financial  reporting  practices  throughout  the  world,  and  evaluated  aspects  of  its  historical  accounting  and  financial  reporting  practices  since  Fiscal  2002  and,  with  respect  to  certain  issues,  prior  fiscal  years”).  c2) Dell Brasil: Nos ajustes contábeis da Fiscalizada, apesar da  mesma  ter  elaborado  novos  balancetes  a  partir  de  2002,  os  registros  contábeis  expõem  uma  série  de  lançamentos  cujos  históricos  citam  períodos  de  1999  a  2001  (ex.:  estorno  lcto  ajuste  davc  1999  2001  31/1/2002  C  351013090;  estorno  lcto  indevido  ajuste  procflu  ano  2000  cta  2004.  31/10/2002  C  331033071;  valor  referente  período  de  2001  1/1/2002  C  381033202, etc.).  d1) Dell  Americana:  Na  nota  2  do  item  8  do  formulário  10­K  2007  (exposta  acima),  é  afirmado  que  foi  autorizado  pela  administração a abertura de inquérito independente, e formado  o Comitê  de Auditoria  para  revisão  das  práticas  contábeis  em  agosto de 2006.  d2)  Dell  Brasil:  Poucos  meses  depois  a  revisão  contábil  é  iniciada no Brasil –em fevereiro de 2007 , conforme resposta da  Fiscalizada e  informação constante de documento emitido pela  empresa de auditoria Grant Thornton,  trazido pela Fiscalizada  em  sua  impugnação  ao  lançamento  de  2006  (tema  que  será  abordado nos item 1.3), tiveram início os trabalhos de revisão no  Brasil.  Fl. 105333DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.317          69 e1)  Dell  Americana:  O  formulário  10­K  ano  fiscal  2007,  contemplando  a  revisão  dos  anos  anteriores,  conforme  consta  daquele documento, foi publicado em 30/10/2007.  e2) Dell Brasil: Nas  informações  sobre o refazimento contábil,  em  documento  emitido  pela  empresa  de  auditoria  Grant  Thornton,  trazido  pela  Fiscalizada  em  sua  impugnação  ao  lançamento  de  2006  é  feita  a  seguinte  afirmação  sobre  os  cronogramas  dos  trabalhos:  “Inicialmente  o  projeto  tinha  previsão  de  término  para  setembro  de  2007,  porém  para  essa  fase acabou se estendendo até julho de 2008.” (grifamos).  f)  Dell  Americana:  Na  nota  2  do  item  8  do  formulário  10  k,  listada acima, a extensão da revisão contábil às suas unidades  de negócios é explícita: “A Dell também implementou melhorias  no  fechamento  de  sua  contabilidade  anual  e  trimestral  para  prover  uma  mais  completa  análise  do  resultado  financeiro  de  suas várias unidades de negócios.”  Assim,  por  todos  esses  pontos  de  coincidência  entre  o  que  foi  divulgado nos EUA pela Dell Inc. e o que foi realizado no Brasil,  bem como pela necessidade que a controladora do grupo  teria  em refletir as modificações nas controladas diretas e  indiretas,  chega­se à conclusão que o refazimento contábil no Brasil está  relacionado à revisão nos EUA, tendo esta, por sua vez, origem  na investigação da SEC.  No entanto, a partir deste conhecimento obtido,  surgem alguns  questionamentos:  a)  A revisão contábil nos EUA necessariamente implicaria em  uma revisão no Brasil?  b)  O que a implementação desse refazimento contábil no Brasil  possibilitaria?  Para  chegarmos  às  respostas  dos  questionamentos  acima,  primeiramente  temos  de  observar  toda  a  situação  a  partir  de  uma  visão  do  grupo  econômico,  cuja  consolidação  é  feita  na  Dell  Inc.  nos  Estados  Unidos,  empresa  de  capital  aberto  com  ações na Nasdaq.  O  mercado  de  capitais  é  extremamente  sensível  a  qualquer  notícia que gere dúvida sobre os resultados divulgados por uma  empresa,  podendo  ser  desastroso  se  não  tiver  uma  resposta  rápida.  Na  situação  em  foco,  a  Dell  Inc.  foi  obrigada  a  vir  a  público reconhecer inconsistência em seus resultados financeiros  publicados em anos anteriores a 2007 e que  faria uma revisão  em  seus  registros  contábeis  e  financeiros.  Portanto,  naquele  momento  nasceu  uma  situação  de  risco,  exigindo  providência  imediata para tranqüilizar os investidores.  Um dos principais pontos de interesse dos analistas de mercado,  e  conseqüentemente  dos  investidores,  nas  demonstrações  financeiras de uma companhia é saber qual foi o lucro societário  Fl. 105334DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.318          70 apurado, sendo este um parâmetro forte para tomada de decisão  sobre onde investir.  Numa  situação  como  a  ocorrida  com  o  grupo Dell,  onde  seus  diretores  anunciaram  que  revisariam  os  balanços  de  períodos  anteriores,  certamente  gerou  grande  expectativa  no  mercado  financeiro  para  saber  como  viriam  os  novos  resultados,  e  especialmente em quanto os lucros seriam reduzidos – tanto de  períodos  anteriores  quanto  do  ano  em  curso.  A  importância  deste quesito fica latente na nota 2 do item 8, do formulário 10­K  2007,  quando  a  empresa  faz  questão  de  enfatizar  que  as  reduções dos lucros após os ajustes são insignificantes diante da  rentabilidade  total  do  grupo  econômico,  conforme  abaixo  (em  tradução livre):  A  investigação  identificou  evidências  de  que  ajustes  contábeis  foram  vistos,  às  vezes,  como  um  dispositivo  aceitável  para  compensar ganhos inconsistentes que não poderiam ser obtidos  pelos  resultados  operacionais.  Muitas  vezes,  esses  ajustes  variaram  de  várias  centenas  de  milhares  a  vários  milhões  de  dólares,  no  contexto  de  uma  empresa  com  receitas  anuais  variando de 35,3 bilhões dólares a 55,8 bilhões dólares e lucro  líquido  anual  variando  de  US$  2,0  bilhões  a  US$  3,6  bilhões  para os períodos em questão.  Diante do exposto,  fica clara a relevância que os novos lucros,  apresentados após a revisão contábil teriam para o mercado de  capitais.  Uma  redução  significativa  em  relação  aos  ganhos  publicados  originalmente  poderia,  certamente,  causar  grande  prejuízo no meio acionário.  Após  estes  esclarecimentos,  voltemos  aos  questionamentos  formulados  acima.  Nesse  momento,  faremos  uma  exposição  sucinta apenas para encaminhamento, pois as evidências serão  mostradas ao longo deste relatório.  a)  A  revisão  contábil  nos  EUA  necessariamente  implicaria  em  uma revisão no Brasil?  Cada país tem seu próprio ordenamento jurídico e suas normas  societárias  e  contábeis  locais.  Embora  haja  certa  interligação  pelas  normas  internacionais  de  contabilidade  adotadas  no  Brasil, uma revisão contábil na Dell Inc. nos Estados Unidos em  função de critérios normativos não implicaria, necessariamente,  uma revisão  tão grande nos registros contábeis aqui no Brasil.  Alterações  concomitantes  na  Dell  Brasil  justificar­se­iam  por  aspectos  formais  e/ou  materiais  envolvendo  exportações  e  importações e respectivos pagamentos entre ambas empresas.  Não se tem conhecimento de todo o teor da revisão nos Estados  Unidos,  as  divulgações  dão  destaque  a  ajustes  procedidos  em  função  de  uso  distorcidos  de  provisões  e  reservas,  receitas  inexistentes, entre outros. Aqui no Brasil houve um refazimento  contábil, envolvendo importações, exportações, estoques, contas  a  pagar,  contas  a  receber,  clientes  no  exterior,  clientes  nacionais,  fornecedores  intercompanhia  e  demais  fornecedores  Fl. 105335DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.319          71 nacionais  e  estrangeiros,  além de modificação de apuração de  todos os tributos, entre outros. Isso tudo de forma generalizada  desde o ano calendário 2002 até janeiro de 2008 e mais outros  diversos  ajustes  dentro  da  contabilidade  do  ano  calendário  2008.  O  que  a  implementação  desse  refazimento  contábil  no  Brasil  possibilitaria?  Com  fulcro  no  princípio  contábil  mundialmente  aceito  do  Registro  pelo  Valor  Original,  os  ajustes  procedidos  na  Fiscalizada  deveriam  ser  refletidos  na  controladora.  A  amostragem exposta no decorrer deste, demonstra que parte dos  ajustes  proporcionaria  aumento  de  lucro,  e  as  inserções  de  custos irregulares visariam à não diminuição de lucro quando de  consolidação na matriz.  Num  primeiro  momento,  parece  contraditório  afirmar  que  a  Empresa buscaria aumentar seus lucros, e ao mesmo tempo dizer  que esses mesmos ajustes buscariam diminuir a carga tributária,  mas, com as explicações seguintes veremos como isso é possível.  Para termos uma visão real de como ocorreria a modificação do  resultado societário é necessário um olhar sob a ótica da matriz  norte­americana.  Pelas  informações  publicadas  pela Dell  Inc.,  esta consolidaria os resultados societários das demais empresas  do  grupo,  porém  conforme  as  normas  de  consolidação  que  veremos  nos  itens  seguintes,  o  resultado  do  grupo  econômico  não é a soma simples dos resultados de cada controlada, antes  disso  são  necessários  vários  ajustes  para  eliminar  os  lucros/  prejuízos  gerados  entre  as  empresas  ligadas.  Ou  seja,  numa  visão simplificada, o grupo todo deve ser visto como uma única  sociedade.  Desta forma, seria possível à Fiscalizada aumentar o seu lucro  para  fins de consolidação, e ao mesmo  tempo diminuir o  lucro  para  fins  tributários.  Como  ajustes  que  aumentariam  o  lucro  consolidado,  podemos  citar  previamente  estorno  de  provisões,  reconhecimento  de  passivos  fictícios  e  vários  outros  ajustes  positivos  nas  operações  com  terceiros;  como  ajustes  que  diminuem  o  lucro  fiscal  temos  modificações  irregulares  nos  resultados  de  variações  cambiais,  além  de  inúmeros  ajustes  a  débito de resultado nas operações intragrupo para os quais não  tem explicação.  Como  podemos  ver,  o  conjunto  de  evidências  demonstram  que  revisão  contábil  no  Brasil  estaria  diretamente  ligada  com  a  fiscalização da SEC nos EUA, não apenas pelo ajuste direto de  operações entre as partes relacionadas, mas, conforme apontam  os  dados  analisados,  pela  necessidade  do  grupo  Dell  de  melhorar  seus  resultados  consolidados.  Portanto,  a  resposta  para  a  pergunta,  de  o  que  a  implementação  desse  refazimento  contábil  no  Brasil  possibilitaria,  segundo  os  registros  de  modificação da contabilidade, pode ser respondida da seguinte  forma:  Fl. 105336DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.320          72 1º) Possibilitaria modificação positiva do lucro societário para  fins de consolidação nos Estados Unidos;   2º)  Possibilitaria  a  neutralização  dos  efeitos  tributários  que  o  aumento  do  lucro  causaria,  por  meio  da  inserção  de  ajustes  irregulares de operações intragrupo e variações cambiais;   3º)  Eliminaria  pendências  fiscais  pré­existentes,  sem  novos  pagamentos  de  tributos,  uma  vez  que  as  contabilidades/  declarações originais possuíam inúmeras irregularidades.  Para levar a efeito os objetivos pretendidos, a Empresa ignorou  leis tributárias, legislação societária, normas civis, princípios e  normas contábeis, tudo conforme demonstrado neste relatório.  Trechos  dos  formulários  10­K  2007  e  2008  da  Dell  Inc,  relacionados com a reforma contábil, nos EUA são juntados às  folhas 9760/9786 – redação original e tradução livre.  1.1.2 Conclusão da Investigação conduzida pela SEC  É  de  conhecimento  geral  que  os  Estados  Unidos  são  um  dos  berços do  liberalismo econômico, onde prevalecem as políticas  de  não  intervenção  nos  atos  de  particulares.  Assim,  torna­se  evidente  que  para  uma  agência  reguladora  como  a  Securities  and Exchange Commission  (SEC)  formalizar  uma  investigação  nas  contas  de  uma  empresa  é  porque  há  evidências  de  falta  grave.  Conforme as  informações da Dell  Inc. e da SEC, esta interveio  nas  demonstrações  financeiras  de  Dell  Inc.  e  exigiu  que  a  Companhia  desse  publicidade  às  irregularidades  existentes  em  seus registros contábeis, pois os mesmos estariam passando uma  visão ao mercado distorcida da realidade concreta.  Obviamente  esta  Fiscalização  não  teve  acesso  a  todos  os  meandros desse  inquérito protagonizado pela Agência, e nem é  interesse deste procedimento adentrar a fundo na questão, mas  apenas deixar claro que houve tal investigação e mostrar o seu  desfecho.  Em  22/07/2010  a  SEC  publica  em  seu  site  http://www.sec.gov/news/press/2010/2010­131.htm), a conclusão  da  investigação  levada  a  efeito  nas  contas  da  Dell  Inc,  que  segundo as  informações divulgadas anteriormente pela própria  investigada teria iniciado formalmente em 2006.  Chamam a atenção logo de início as palavras usadas pela SEC  em seu artigo, o título traz a seguinte frase: “SEC Charges Dell  and Senior Executives with Disclosure and Accounting Fraud”  (SEC acusa Dell  e  seus Executivos Seniores com Divulgação e  Fraude Contábil – em tradução livre). Logo abaixo no texto, os  termos  fraude e  fraudulenta  são empregados outras vezes.  Isso  demonstra que a Agência não quer deixar qualquer dúvida sobre  o que foi verificado.  Fl. 105337DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.321          73 O subtítulo de chamamento do  informativo declara: “Company  to  Pay  $100 Million  Penalty,  Michael  Dell  to  Pay  $4  Million  Penalty”  (Empresa  paga  100  milhões  de  dólares  de  multa,  e  Michael Dell paga 4 milhões de dólares de multa em  tradução  livre).  Os  valores  informados  dizem  respeito  às  autuações  impostas pela SEC à Dell Inc. e aos seus executivos. Além do Sr.  Michael  Dell,  outros  executivos  seniores  também  foram  gravados  com  multas  relevantes  de  milhões  e  milhares  de  dólares.  A  publicação  é  explícita  ao  demonstrar  os  períodos  contábeis  envolvidos  nas  irregularidades,  ou  seja,  aqueles  que  já  foram  trazidos  pelo  jornalismo  econômico  e  pela  própria  Dell  Inc  –  ano  fiscal  2003  (base  2002)  até  o  primeiro  trimestre  do  ano  fiscal 2007, e  falta de divulgação no segundo  trimestre do ano  fiscal 2007.  O relatório publicado pela SEC, com a respectiva tradução são  juntados às 9787/9792.”  Após,  o  agente  do  Fisco  trata  da  consolidação  de  balanços  (fls.  22.998  a  23.004)  e da  conversão de demonstrações  financeiras para moeda estrangeira  (fls.  23.004  a  23.019). Dessa  parte  do  trabalho  destaco  o  seguinte  trecho  (fls.  23.008,  23.021/2):  “Observe­se  que  por  ser  um  item  monetário  protegido  (obrigação em US$), a despesa de variação cambial é apenas em  reais.  Pela ótica da  controladora norte­americana, no  caso da  Dell, não haveria variação cambial para os contratos em dólar.  Assim,  as  variações  cambiais  apuradas  na  contabilidade  da  Fiscalizada têm efeito apenas no Brasil.”  “1º) As modificações contábeis implementadas em uma empresa  controlada  (direta  ou  indiretamente)  no  exterior  implicam  em  ajustes  na  controladora  que  consolida  os  resultados  do  grupo  econômico.  2º) Os resultados da Dell Brasil, numa previsível consolidação  das  demonstrações  financeiras  nos  Estados  Unidos,  embora  sejam passíveis de determinados ajustes, deveriam ter por base  as operações registradas no Brasil de acordo com os princípios  e  normas  contábeis  brasileiros,  precipuamente  o  Princípio  do  Registro pelo Valor Original.  3º) Quando de consolidação das demonstrações  financeiras, os  efeitos nos resultados das transações entre as empresas do grupo  deverão  ser  excluídos  das  demonstrações  consolidadas,  passando  estas  a  expressar  os  ganhos  e  perdas  apenas  em  relação  a  terceiros,  como  se  fosse  uma  única  companhia.  Ao  longo  deste,  veremos  que,  no  refazimento  contábil  em  análise,  foram  identificados  inúmeros  ajustes  intercompanhias  que  não  têm base documental, ou desrespeitam normas contábeis.  4º) As variações cambiais apuradas no Brasil, por terem origem  em  direitos  e  obrigações  em  dólares  (itens  monetários  protegidos),  deixariam  de  surtir  efeitos  no  momento  da  Fl. 105338DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.322          74 conversão  dos  resultados  contábeis  para  a  moeda  funcional  (US$). Isso é importante para quando verificarmos as relevantes  distorções inseridas por meio dessas apurações.”  O auto de infração foi cientificado ao contribuinte no dia 21 de setembro de  2012, consoante se verifica do documento da folha 23.319.  No dia 23 de outubro de 2012, o contribuinte apresentou sua impugnação ao  lançamento (fl. 23.340).  Da impugnação  O contribuinte inicia sua impugnação apresentando resumo da tese da defesa.  Confira­se (fl. 23.341):  “Impugnação  contra  Auto  de  Infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  lavrado  com  base  em  arbitramento  do  lucro  da  Impugnante  relativamente  ao  exercício  de  2007.  Arbitramento  fundado  em  alegada  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Impugnante.  Auto  de  infração  cujos  lançamentos  por  arbitramento ultrapassam o valor de R$ 255.000.000,00 e que se  somam ao arbitramento de ofício referente ao exercício de 2006  no valor aproximado de R$ 320.000.000,00!  Acusações  lançadas  contra  a  Impugnante  baseadas  em  presunções que não se sustentam sequer com base na narrativa  encontrada  no  relatório  dos  autos.  Tentativa  de  construir  motivação  para  as  alegadas  irregularidades  apontadas  na  contabilidade da Impugnante, com o objetivo não só de macular  a  imagem da  empresa  e  justificar  a  imputação  de  penalidades  agravadas. Falta de técnica e ilegalidade da ação fiscal que opta  pelo arbitramento ao invés de lançar os tributos em suas bases  reais,  mesmo  após  ter  identificado  e  quantificado  na  contabilidade a parcela do lucro que alega ter sido excluída da  tributação.  Transformação  de  procedimentos  de  conciliação  da  contabilidade  da  Impugnante  em  alegação  de  irregularidades.  Alegação  de  uma  mesma  irregularidade  sob  diversas  perspectivas com o objetivo de desenhar quadro generalizado de  irregularidades que pudesse dar fundamento a arbitramento.  Alegações de lançamentos em duplicidade, utilização de regime  de caixa para lançamento de certas receitas e despesas, cálculo  inadequado de variação cambial, indedutibilidade de descontos  condicionais  e  hedge  especulativo,  tudo  identificado  e  quantificado  a  partir  dos  lançamentos  efetivados  pela  Impugnante  em sua contabilidade, o que demonstra a absoluta  falta  de  coerência  com  a  alegação  de  imprestabilidade  da  contabilidade.  Ação  fiscal  que  afronta  o  princípio  da  moralidade  da  administração pública e da busca da verdade material, além de  mostrar­se  claramente  ilegal  ante  a  imprópria  utilização  do  arbitramento como forma de punição da Impugnante.  Fl. 105339DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.323          75 Decadência em relação aos valores de IRPJ e CSLL do 1º e 2°  trimestres  de  2007  e  do  PIS  e  COFINS  de  janeiro  a  agosto  daquele ano.  Erros na apuração das bases de PIS/Cofins cumulativos.  Não  compensação  de  pagamentos  de  IRPJ/CSL  feitos  pela  Impugnante.  Violação  aos  artigos  37  caput,  145  parágrafo  primeiro,  150  inciso IV, 153 inciso III, da Constituição Federal; artigo 44, 142  parágrafo único, 148 do Código Tributário Nacional; e 530 do  RIR.”  Feito o resumo, o impugnante passa ao detalhamento da defesa.  Da tempestividade   O impugnante confirma ter tomado ciência do lançamento em 21 de setembro  de 2012, sustentando ser tempestiva a impugnação apresentada no dia 23 de outubro  de 2012. Protestou contra a escassez de tempo para a formulação da defesa, uma vez  que o “Relatório da Ação Fiscal” conta com 350 páginas e o processo possui mais de  23  mil  páginas.  O  prazo  impugnatório  de  30  dias  não  seria  suficiente  para  uma  contestação  adequada,  motivo  pelo  qual  requereu  a  juntada  posterior  de  provas,  inclusive  pericial,  com  base  no  art.  16,  §  4º,  “a”,  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de  dezembro de 1997.  “Fatos Novos” – Fraude nos EUA   O  contribuinte  refuta  as  ilações  fiscais  de  que  a  fraude  identificada  nos  Estados Unidos da América relativamente ao seu controlador tivessem relação com a  reconciliação levada a efeito no Brasil. Confira­se (fls. 23.345 e 23.347):  “O que muda nesse auto de infração, entretanto, é que a ilação  agora  não  é  a  de  que  o  processo  de  reconciliação  teria  por  objetivo  a  ocultação  de  passivos  tributários  decorrentes  de  inconsistência  da  contabilidade  reconciliada,  mas  também  a  compensação de perdas reconhecidas pela matriz no exterior, a  Dell Inc..”  “Trata­se  em  verdade  de  uma  obra  de  ficção,  repleta  de  elementos  da  Teoria  da  Conspiração,  só  encontrada  nos  "Bestsellers" americanos do gênero.”  “Feitas  todas  essas  digressões,  a  autoridade  fiscalizadora  conclui mais uma vez, com outras palavras, que a reconciliação  implementada  no  Brasil  afetou  a  consolidação  das  demonstrações  financeiras  da  Dell  Inc.  nos  EUA  e  que  a  manipulação  de  resultados  em operações  intercompanhia,  bem  como da variação cambial, não afetariam a consolidação, mas  poderiam  refletir­se  favoravelmente  na  apuração  do  lucro  tributável no Brasil.  Ocorre que toda essa história absurda e análise digressiva não  passam de mais uma inadmissível estratégia, ainda mais quando  vinda  do  Poder  Público,  voltada  a  validar  um  procedimento  Fl. 105340DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.324          76 fiscal que foge completamente da técnica e da lei e que arbitrou  o  lucro  da  Impugnante,  quando  deveria  simplesmente  ter  buscado identificar os fatos geradores dos tributos e quantifica­ los.”  O  impugnante  afirma  que  as  suas  demonstrações  financeiras  não  são  convertidas  para  dólares  americanos  para  fins  de  consolidação  com  as  demonstrações  da  controladora  nos  Estados Unidos  da América. Dessa  forma,  os  ajustes aqui efetuados não alterariam “em nada a consolidação, tanto é que não há  nas  demonstrações  financeiras  em  US  GAAP  (10­K)  nenhuma  afirmação  ou  confirmação de que a reconciliação no Brasil teve origem no acordo com a SEC” (fl.  23.348).  Segundo  sustenta,  a  consolidação  se  dá  em  função  de  demonstrações  financeiras levantadas localmente segundo o padrão americano, já em dólares, sem  que  exista  uma  conversão  (fl.  23.348). Assim,  eventuais manipulações  locais  não  afetariam  as  demonstrações  financeiras  consolidadas  nos  Estados  Unidos  da  América.  Não bastasse isso, os ajustes na contabilidade da impugnante foram operados  em  31  de  janeiro  de  2009,  enquanto  a  “consolidação  dos  resultados  da Dell  Inc.  realizados em decorrência do acordo firmado com a SEC e investigações procedidas  pelo comitê independente de auditoria, foram efetivados em 30 de outubro de 2007”  (fl. 23.350). Dessa forma, em razão do aspecto  temporal, os ajustes aqui operados  não  teriam  tido  efeito  sobre  os  ajustes  informados  à  Securities  and  Exchange  Commision SEC.  Adicionalmente, o impugnante argumenta que a operações levadas a efeito no  Brasil  representam menos  de  2%  da  receita  líquida  e  do  lucro  líquido  global  do  grupo  econômico  (fl.  23.350).  O  impugnante  não  teria,  dessa  forma,  capacidade  econômica para afetar os resultados globais da Dell.  Da habilitação ao Linha Azul   O contribuinte afirma que a sua habilitação ao despacho aduaneiro expresso,  ocorrida em 2010, é uma prova inequívoca da prestabilidade da sua escrita. O Fisco  estaria  sendo  incoerente  ao  habilita­lo  ao  Linha  Azul  e  simultaneamente  desqualificar a sua contabilidade para apuração do lucro real.  Defende,  então,  a  forma  de  escrituração  dos  tributos  recuperáveis  e  a  fidedignidade dos registros quanto aos estoques. Quanto ao segundo, dá destaque à  abrangência  da  análise  então  efetuada  pela  auditoria  independente,  focada  em  questões aduaneiras. O arbitramento dos estoques é a determinação da lei fiscal para  os contribuintes que não possuam escrituração de custos integrada e coordenada com  o  restante  da  contabilidade.  O  agente  do  Fisco  teria  manipulado  a  expressão  “arbitrário” utilizada pelos auditores independentes.  Quanto  aos  registros  atinentes  ao  estoque,  sustenta  que  seus  “controles  simplesmente  estão  fora  do  seu  sistema  corporativo,  mas  apresentam  todos  os  elementos  necessários  à  rastreabilidade  e  contabilidade  desse  estoque”  (fls.  23.355/6).  Quanto  aos  produtos  acabados,  o  impugnante  defende  o  faturamento  diário  em  função  da  expedita  produção.  Afasta  a  alegada  fragilidade  dos  seus  registros, que jamais poderia ter sido escoimada de imprestável.  Do relatório Grant Thornton   Depois de reclamar da forma como o agente do Fisco conduziu os trabalhos  (“Botar  no  papel  uma  pergunta  que  não  faz  qualquer  sentido  na  apuração  dos  Fl. 105341DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.325          77 tributos  em  evidência”  –  fl.  23.358),  afirma  que  colaborou  com  a  fiscalização. O  relatório da Grant Thornton estaria dentro desse contexto. Foi solicitado em função  da  fiscalização,  pois  é  “pertinente  à  defesa  da  Impugnante  contra  o  lançamento  arbitrário realizado pela autoridade fiscalizadora” (fl. 23.358).  Fatos antecedentes ao lançamento   A Impugnante dá destaque à envergadura do conjunto de sociedades do qual  faz  parte.  Informa  que  a  Dell  “nasceu  e  cresceu  baseada  na  qualidade  de  seus  produtos  e  serviços”,  motivo  pelo  qual  hoje  conta  com  mais  de  100.000  colaboradores  no  mundo,  tendo  sido  “reconhecida  em  2005  como  a  28ª  maior  empresa  do  mundo  e  no  ano  como  a  empresa  mais  admirada  nos  EUA”  (fls.  23.359/60).  No  Brasil,  conta  com  3.800  colaboradores,  possuindo  3  estabelecimentos. As ações da Dell são “comercializadas na bolsa de valores Nasdaq  e, portanto, é auditada por terceiros desde o ano 1988” (fl. 23.360).  Sobre auditoria externa no Brasil, assim se manifesta (fl. 23.361):  “E  não  se  diga  que  a  empresa  estaria  submetida  somente  à  auditoria  externa  nos  EUA.  Isso  porque  desde  de  2008  a  empresa é também auditada no Brasil, conforme se verifica pelos  pareceres  da  Pricewaterhouse  ("PWC")  anexos  (Doc.  06),  os  quais  foram  emitidos  após  mais  de  10.000  horas  de  trabalho  desenvolvidos por uma equipe média de mais de 10 auditores em  cada ano.”  Referiu  a  realização  de  auditoria  fiscal  anterior,  nos  seguintes  termos  (fl.  23.362):  “A  própria  Receita  Federal  do  Brasil  auditou  a  Dell  relativamente  aos  períodos  de  2006  a  2008  em  fiscalização  realizada no ano de 2010 para apuração do PIS e da COFINS.  Nessa  oportunidade  procedeu  a  ampla  verificação  da  contabilidade  e  registros  fiscais  da empresa,  e  concluiu  com o  lançamento  de  pequenas  diferenças  no  recolhimento  das  contribuições  relativas  ao  ano­calendário  de  2007,  sem  fazer  OBVIAMENTE qualquer indicação quanto à imprestabilidade da  contabilidade  da  empresa  (Doc.  08),  fundamento  do  arbitramento do lucro de 2007 determinado no auto de infração  ora  impugnado.  E  não  se  diga  que  a  contabilidade  e  registros  fiscais  da  empresa  dos  anos  de  2007  e  demais  não  foram  analisados,  pois conforme se verifica pelo Termo de  Intimação  anexo (Doc.09) a fiscal solicitou os livros e registros relativos a  esse período conforme edição exigida nos termos da IN86.”  Após,  ainda  nesse  tópico,  enfatizou  as  conclusões  da  auditoria  externa.  Confira­se (fls. 23.362/3):  “Ora,  conforme  prescreve  o  item  11.3.5.2  da NBC Técnica  11  "O auditor deve emitir parecer adverso quando verificar que as  demonstrações contábeis estão incorretas ou incompletas, em tal  magnitude que impossibilite a emissão do parecer com ressalva".  Além  disso,  "o  auditor  deve  planejar  seu  trabalho  de  forma  a  detectar  fraudes  e  erros  que  impliquem  efeitos  relevantes  nas  demonstrações financeiras" (item 11.1.4.3 da NBC Técnica 11).  Fl. 105342DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.326          78 Portanto,  se  a  PWC  não  emitiu  ressalva  em  seus  pareceres  quanto  à  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Dell  para  apuração  do  lucro  e  patrimônio,  é  porque  a  Dell,  em  consonância  com  o  que  dela  se  exige  e  espera,  possui  contabilidade que obviamente se presta para tanto. E, saliente­ se,  que  mesmo  não  tendo  auditado  o  ano  de  2007,  conforme  reconhecido no auto de infração, os saldos contábeis desse ano  afetam os saldos do ano de 2008, até porque nesse ano contábil  foram  lançados  os  ajustes  do  processo  de  reconciliação  realizado  pela  empresa.  Assim,  não  tendo  havido  qualquer  ressalva nesse sentido, é porque a contabilidade da empresa não  apresenta  erros  de  tal  magnitude  que  a  tornem  imprestável,  como se acusa no auto de infração.”  Por fim, arremata quanto às provas (fl. 23.364):  “No Direito, é por meio das provas que a verdade se estabelece.  Não basta a alegação do agente da fiscalização de que a escrita  é imprestável. É preciso que isso fique plenamente comprovado  nos  autos  do  processo  administrativo.  No  caso  dos  autos,  o  arbitramento deve ser desconstituído e o lançamento declarado  nulo,  porquanto  claramente  demonstrado,  por meio  de  provas,  que existia a efetiva possibilidade de apurar o lucro real e que  houve  irregularidade no procedimento de fiscalização. De fato,  as  provas  apresentadas  a  seguir  nesta  defesa  permitem  evidenciar  a  invalidade  da  aplicação  da  presunção  legal  do  arbitramento  do  lucro  da  Impugnante  e  dos  equívocos  das  conclusões apresentadas pela peça acusatória.”  Do fatos atinentes à fiscalização   A impugnante relata o início da fiscalização em 13 de dezembro de 2010, que  teria como finalidade verificar a “regularidade de suas Declarações de Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativas aos anos­calendário 2006 a  2008”  (fl.  23.364).  Em  função  desse  trabalho  adveio  o  lançamento  objeto  de  impugnação que diz respeito ao ano­calendário 2007. Processo anterior trata do ano­ calendário  2006  (processo  administrativo  nº  11080.732426/2011­61). No  entender  do  contribuinte,  a provável motivação da  fiscalização foi a  retificação de diversas  declarações encaminhadas pelo interessado ao Fisco. Confira­se (fl. 23.364):  “Tais  retificações  haviam  decorrido  de  ajustes  de  saldos  de  determinadas contas da contabilidade da empresa, lançados em  janeiro  de  2009.  Como  os  referidos  ajustes  envolveram  vários  exercícios  e  alteraram  valores  expressivos  de  determinadas  contas,  todos eles reportados no SPED, era natural e esperado  que a empresa  fosse auditada pela Receita Federal quanto aos  efeitos  tributários  dos  mesmos,  já  que  a  Receita  possui,  e  possuía, mesmo  antes  de  iniciada  a  fiscalização  em  evidência,  amplo  acesso  não  só  às  informações  fiscais  da  empresa,  mas  também à contabilidade ajustada e à contabilidade resultante do  ajuste.”  Defende o impugnante que os lançamentos de ajuste jamais foram escondidos  da fiscalização. Teria ocorrido o oposto. No curso de fiscalização federal anterior,  durante o ano de 2009, o Fisco teve “acesso ao SPED, que contém o lançamento dos  ajustes em janeiro de 2009 com a descrição do período correspondente no nível de  Fl. 105343DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.327          79 cada  transação”  (fl.  23.366).  Não  bastasse  isso,  “os  resultados  dos  ajustes  promovidos pela empresa em sua contabilidade original foram refletidos nas "linhas  de  ajustes  positivos  e  ajustes  negativos  de  crédito"  na  DACON,  as  quais  só  conseguiram  ser  explicadas  e  entendidas  a  partir  da  verificação  dos  ajustes  promovidos  na  contabilidade  original”  (fl.  23.365).  Sob  esse  prisma,  foram  os  agentes  do  Fisco  que  teriam  conduzido  os  trabalhos  de  sorte  a  “construir  a  incriminação  da  fiscalizada,  voltada  desde  o  princípio  ao  arbitramento  do  lucro,  como forma de punição pela suposta falta de pagamento de tributos atingidos pela  decadência”  (fl.  23.365).  Tanto  essa  seria  a  verdade  dos  fatos,  que  o  Termo  de  Intimação que abriu os procedimentos de fiscalização já faria referência aos ajustes  (item 12 do documento da fl. 4). A solicitação, à época, de esclarecimentos quanto à  variação cambial também permitiriam concluir pelo conhecimento dos ajustes.  O interessado aponta a indignação dos agentes do Fisco com o fato dos ajustes  terem promovido aumento de lucro em anos cujo lançamento já estaria decaído, bem  como  com  o  fato  de  prejuízos  fiscais  terem  sido  tacitamente  homologados  e  aproveitados.  Por  esse motivo,  a  fiscalização  teria  “construído”  acervo  probatório  tendente ao arbitramento do lucro. Nessa trilha, os agentes do Fisco teriam solicitado  “milhares de documentos e informações que certamente não poderiam ser atendidos  dentro dos prazos concedidos” (fl. 23.367).Os “fiscais responsáveis pela fiscalização  em evidência passaram menos de 24 horas de trabalho dentro das dependências da  empresa”  (fl.  23.367),  tempo  que  seria  diminuto  para  uma  equipe  interessada  em  conhecer os fatos. A pretensa falta de colaboração com o Fisco seria mais uma das  “construções  maldosas”  levadas  a  efeito  pelos  agentes  do  Fisco.  Referiu  duas  oportunidades  nas  quais  o  interessado  foi  até  a  repartição  pública  prestar  esclarecimentos, afirmando só não ter repetido o comportamento por mais vezes em  função  da  falta  de  solicitação  fiscal  para  tanto.  Assim,  para  o  contribuinte,  “o  arbitramento  desde  o  princípio  foi  planejado  e  desejado  pela  fiscalização  como  forma  de  compensação  do  Fisco  e  de  punição  da  Impugnante  diante  das  perdas  associadas à decadência dos exercícios anteriores aos fiscalizados” (fl. 23.368).  Após,  o  impugnante  historia  os  ajustes  efetuados  na  sua  escrita  comercial.  Refere a existência de inconsistências que poderiam deixar de ser sanadas, tendo em  vista  tratar­se  “de  uma  empresa  cumpridora  de  suas  responsabilidades  sociais”  (fl.23.369). Informa ter contado com a assessoria das empresas de auditoria Ernst &  Young  e  Deloite,  bem  como  da  “empresa  de  contabilidade  chamada  Pryor  Consulting Services Ltda, hoje incorporada à empresa Grant Thornton, para, junto  com  sua  equipe,  executar  a  reconciliação  e  correção  de  eventuais  erros  de  lançamentos”  (fl.  23.370).  Esse  trabalho  foi  denominado  “Reconciliação  Estatutária”,  tendo abrangido os  anos­calendário de 2002 a 2007. A  realização do  trabalho  se deu entre  fevereiro de 2007 a  julho de 2008,  tendo colimado eliminar  “inconsistências nos saldos de certas contas da contabilidade, em especial as contas  de estoque e de fornecedores (Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros),  devido ao grande volume de operações realizadas, falta de integração com sistemas  gerenciais e mudanças de sistemas” (fl. 23.370). Reprisa, então, trechos do relatório  emitido pela Grant Thornton a respeito. Vale reprisar (fls. 23.370/1):  “Em  decorrência  do  extraordinário  volume  de  operações  realizadas  pela  empresa  desde  o  início  de  suas  operações  no  Brasil, da mudança de sistemas de contabilidade ao longo desse  período  (Oracle  e Microsiga),  e da  falta de  integração com os  sistemas  gerenciais,  os  quais  trouxeram  por  vezes  insegurança  para a conciliação de certas de suas contas, a Dell verificou a  necessidade de promover a reconciliação das mesmas para uma  Fl. 105344DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.328          80 melhor  identificação de  seus  fluxos patrimoniais e melhoria de  seus controles.”  “A  Dell  registrava  os  lançamentos  de  recebimentos  e  pagamentos  efetuados  pelos  bancos  através  de  lançamentos  "fechados". A utilização dessa  técnica  implicava em adoção de  procedimentos  adicionais  que  não  estavam  sendo  observados  pela Dell.  De acordo com o estabelecido no art. 258 Decreto 3000/99 RIR,  é admitida a escrituração por totais, desde que utilizados livros  auxiliares para registro individualizado e pormenorizado.  A  Dell  não  possuía  os  livros  auxiliares  que  contivessem  os  registros  individualizados  e,  de  acordo  com o  que  observamos  nas conciliações, é obrigatória a utilização dos livros auxiliares  de clientes, fornecedores e conta­corrente em forma de Diário e  Razão, bem como sua autenticação na junta comercial.”  O  contribuinte  aponta  sua  intenção  com  o  chamado  “processo  de  reconciliação”:  eliminar  passivos  fiscais  eventualmente  decorrentes  de  inconsistência contábeis (fl. 23.371). Com esse desiderato, objetivou “corrigir saldos  contábeis  e  qualquer  risco  deles  advindos”  (fl.  23.371).  Esse  trabalho,  que  inicialmente se estenderia por 83 contas da escrita, tomou mais vulto, atingindo 104  contas. O interessado reprisa, mais uma vez, o relatório da empresa Grant Thornton,  dando destaque para a necessidade de ajustes em relação às contas de receitas, folha  de  pagamento,  bancos  e  ativo  permanente  (fls.  23.371/2).  Vale  reprisar  o  trecho  relativo às contas bancárias (fl. 23.371):  “Bancos Contas Movimento — Não  foram  incluídas no escopo  original  do  trabalho  devido  ao  fato  de  que  as  mesmas  eram  consideradas  pela  Dell  como  conciliadas  pela  sua  equipe  interna. O fato da  inclusão das contas de Bancos no escopo se  deu pela verificação em outras conciliações da falta de registros  identificados  nos  extratos  bancários  e  não  registrados  na  contabilidade, causando impacto direto nas conciliações.”  O  interessado,  então,  dá  o  seu  entendimento  a  respeito  da  dimensão  do  trabalho (fl. 23.372):  “Num  total  foram  reconciliadas  187  contas  no  ano  de  2007,  sendo que destas, 114 eram patrimoniais e correspondiam a 79%  do  plano  de  contas  patrimoniais  daquele  ano  e  não  os  100%  referido no Relatório do auto de infração (fls. 76). Note­se que a  reconciliação  das  contas  necessariamente  refletia  em  contrapartidas,  o  que  gerava  um  número  considerável  de  lançamentos  e  ajustes.  Daí  porque  é  inadequada  a  afirmação  contida  no  auto  de  infração  de  que  todas  as  contas  da  contabilidade  da  empresa  foram  reconciliadas.  Trata­se  de  afirmação precipitada e que só se justifica para tentar induzir o  interprete  a  acreditar  na  falaciosa  argumentação  de  imprestabilidade  da  contabilidade  da  empresa.  Nesse  sentido,  note­se que de um total de 1.784.444 registros na contabilidade  original de 2007, 421.610 foram objeto de ajuste em janeiro de  2009, ou seja, os ajustes relativos ao ano de 2007 representaram  menos de 24% dos  registros originais. Esclareça­se que desses  Fl. 105345DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.329          81 421.610  ajustes  278.020  referem­se  a  lançamentos  de  uma  reclassificação  de  fretes  sobre  vendas  da  conta  de  resultado  3310223061  fretes  e  carretos  para  a  conta  de  resultado  321013536  fretes  sobre  vendas,  realizados  no  detalhe  da  transação  (fazendo  referência  ao  número  do  conhecimento  do  transporte).  Assim,  se  desconsiderarmos  esse  ajuste,  o  percentual de ajustes relativos a 2007 foram na ordem de 8,02%  dos registros orginais.”  Mais adiante, o contribuinte sustenta a seriedade do trabalho de reconciliação,  destacando  a  fidedignidade  dos  participantes  do  referido  trabalho.  Confira­se  (fl.  23.373):  “Saliente­se  que  nenhum  processo  dessa  magnitude,  considerando que a Dell vendeu só no ano de 2007 mais de 2,8  milhões de mercadorias, emitiu 522 mil notas fiscais, procedeu a  mais de 2 milhões de  registros  contábeis  em seu  livro diário  e  que  faturou  a  quantia  de  R$  2,3  bilhões,  é  imune  de  erros  e  concluído  com  o  apertar  de  um  botão.  Entretanto,  o  que  o  relatório  apresentado  pela Grant  Thornton  demonstra  é  que  a  empresa  adotou  um procedimento  sério,  profissional,  técnico  e  metódico  para  eliminar  as  inconsistências  contábeis  então  existentes em sua contabilidade, envolvendo para tanto algumas  das  maiores  empresas  de  contabilidade  e  auditoria  do  Brasil.  Assim,  não  é  absolutamente  crível  que  após  esse  trabalho  a  contabilidade da empresa resultasse imprestável para apuração  do lucro real. Não é absolutamente crível que essa contabilidade  ajustada com toda essa metodologia e dedicação de 12 analistas  externos  por  mês,  durante  mais  de  dois  anos  (sem  contar  a  equipe da própria Dell), submetida à auditoria externa da PWC,  habilitada  no  RECOF,  auditada  por  empresa  capacitada  pela  Receita  Federal  do  Brasil  para  o  Programa  Linha  Azul  e  fiscalizada  em  2009  pela  Receita  Federal,  seja  considerada  imprestável  para  apuração  do  lucro  real,  quando  todos  os  controles externos anteriormente mencionados jamais chegaram  a essa conclusão.”  No entender do contribuinte, como o Fisco o habilitou como “beneficiário do  Linha Azul”, que permite despacho aduaneiro expresso, o arbitramento representaria  incoerência do Fisco com a referida habilitação.  Quanto  aos  ajustes  efetuados,  o  interessado  informa  que  os  relativos  ao  período de 1º de  fevereiro de 2002 a 30 de  janeiro de 2008 foram lançados como  ajustes  de  exercícios  anteriores,  tendo  em  vista  o  disposto  no  art.  186  da  Lei  nº  6.404,  de  15  de  dezembro  de  1976.  Já  os  ajustes  posteriores  foram  lançados  nas  contas de resultado do próprio exercício. Os livros dos períodos em que efetuados  ajustes de exercícios anteriores não foram reabertos em função da disposição do art.  5º da Instrução Normativa DNRC nº 107, de 23 de maio de 2008. Os lançamentos de  ajuste,  entretanto,  identificariam  de  forma  clara  o  período  ao  qual  se  referem.  O  SPED,  obrigatório  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2008,  contemplou  os  ajustes  de  exercícios anteriores operados em janeiro de 2009. A respeito dos ajustes, assim se  manifesta o contribuinte (fl. 23.376):  “Assim,  há  que  mais  uma  vez  refutar­se  veementemente  a  alegação de que a Impugnante tentou esconder algo da Receita.  Fl. 105346DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.330          82 Está  tudo  lá  dentro;  DETALHADAMENTE  para  cada  lançamento.”  Após  essas  considerações,  o  interessado  passa  a  apontar  as  razões  para  a  improcedência do lançamento.  Da decadência   O contribuinte defende a aplicação ao caso vertente da disposição do art. 150,  §  4º,  da Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  o Código Tributário Nacional  ­  CTN. Assim, o lançamento dos fatos geradores do IRPJ e da CSL atinentes aos dois  primeiros  trimestres  do  ano­calendário  2007,  ocorridos  em  31  de  março  e  30  de  junho,  já  estaria  fulminado  pela  decadência  quando  da  efetivação  do  ato  administrativo  ora  guerreado  (21  de  setembro  de  2012).  Junta  jurisprudência  administrativa a respeito da contagem do prazo decadencial no caso do lançamento  por homologação, a sistemática adotada para IRPJ e a CSL, que é de cinco anos da  ocorrência do fato gerador. A apuração do lucro por do arbitramento não modifica  esse  raciocínio.  Na  hipótese  do  arbitramento  do  lucro  não  há  previsão  para  a  apuração  anual  do  lucro,  como  no  lucro  real,  motivo  pelo  qual  resta  inviável  a  contagem do prazo para lançar a partir do final do ano. A eventual consideração de  que  o  lucro  teria  sido  apurado  em  31  de  dezembro  seria  um  equívoco.  Junta  jurisprudência emanada da então Primeira Turma da Primeira Câmara do Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda  a  esse  respeito  quando  apreciado  o  processo  nº  18.471.001.082/200711,  dando  destaque  para  o  voto  proferido pela Conselheira Sandra Faroni. Confira­se (fl. 23.381):  “Ocorre que a fiscalização desqualificou a apuração pelo lucro  real  efetuada  pela  empresa,  e  procedeu  ao  arbitramento. Uma  vez  que  os  períodos  de  apuração  do  lucro  arbitrado  são  trimestrais,  em  setembro  de  2007  estavam  alcançados  pela  decadência os dois primeiros trimestres de 2002.”  Não bastasse isso, mesmo que aplicado o art. 173, I, do CTN, a decadência do  direito  de  lançar  também  teria  se  verificado.  O  contribuinte  sustenta  que  o  fato  gerador ocorre, no caso do IRPJ e da CSL, ao final de cada trimestre. Dessa forma,  “o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  corresponderia  ao primeiro dia do  trimestre  seguinte, marco inicial do prazo decadencial de cinco anos” (fl. 23.382). Forte nessa  interpretação,  reafirma  a  decadência  do  IRPJ  e  da  CSL  relativamente  aos  dois  primeiros trimestres de 2007.  Quanto à Cofins e ao PIS, o interessado defende que, mesmo na hipótese do  arbitramento,  não  há  modificação  na  data  em  que  ocorre  o  fato  gerador  das  contribuições.  O  fato  gerador  ocorre  mensalmente.  Por  esse  motivo,  estariam  fulminadas pela decadência as exigências relativas aos meses de janeiro a agosto do  ano­calendário  2007,  tendo  em vista os  termos do  art.  150, § 4º,  do CTN.  Juntou  jurisprudência administrativa a respeito. Reprisou, quanto às contribuições em tela, a  tese da verificação da decadência mesmo que aplicada a disposição do art. 173, I, do  CTN, uma vez que “o exercício dessas contribuições é mensal” (fl. 23.386).  Da indevida aplicação do arbitramento   O contribuinte aduz que o arbitramento do  lucro somente pode ser  levado a  efeito quando, de forma segura, houver “comprovação de que não é possível apurar  o lucro a partir da escrita fiscal do contribuinte” (fl. 23.387). O arbitramento não é  uma opção da autoridade administrativa, mas uma imposição legal, vinculada a sua  aplicação  aos  casos  previstos  em  lei.  Qualifica  a  apuração  do  lucro  com  base  no  Fl. 105347DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.331          83 arbitramento  como “método excepcional de  apuração da renda”, que “só pode ser  aplicado nos casos em que não for possível a apuração do lucro por um dos outros  dois métodos [real e presumido]” (fl. 23.387). Forte em Alberto Xavier, afirma que a  base de cálculo do imposto é sempre o lucro, só variando o método segundo o qual é  aferido. Dessa  forma,  errado  interpretar o  arbitramento do  lucro como  sendo uma  penalidade. Não é. Trata­se de método de apuração do lucro aplicável em hipóteses  restritas.  Após referir o art. 148 do CTN, assim se manifesta (fls. 23.388/9):  “Conforme  se  infere  do  citado  dispositivo,  o  arbitramento  tem  lugar  nas  situações  em  que  quantificação  da  materialidade  tributária não é possível de se auferir através das declarações ou  informações prestadas ou, ainda, dos documentos expedidos pelo  sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado.”  Reprisa,  então,  o  art.  530  do  RIR/1999,  defendendo  que  somente  quando  verificada  a  inexistência  ou  imprestabilidade  da  escrita  é  possível  a  adoção  do  arbitramento, “medida de exceção” (fl. 23.389).  Retoma o art. 148 do CTN para assim se manifestar (fls. 23.389/90):  “Segundo  a  mais  autorizada  doutrina,  a  utilização  do  arbitramento,  nos  moldes  do  previsto  no  art.  148  do  CTN,  pressupõe  a  presença  de  dois  requisitos  indispensáveis:  (i)  a  omissão  do  contribuinte  na  emissão  de  declarações  e  documentos  exigidos  como  suporte  físico  (prova  direta)  das  transações  realizadas  ou,  ainda,  caso  emitidos  estes  não  mereçam  fé;  e  (ii)  que  a  referida  omissão  implique  na  total  impossibilidade de mensuração do fato jurídico tributário.”  Refere, então, doutrina e jurisprudência farta, concluindo que “o arbitramento  não constitui hipótese de sanção e somente pode ser utilizado de forma subsidiária  (ou seja, nas hipóteses em que restar impossível a utilização do critério do lucro real  por  força da ausência ou imprestabilidade da documentação a que está obrigado o  sujeito passivo)” (fl. 23.392).  O contribuinte  interpreta que o lançamento ora em análise não foi motivado  por omissão na prestação de declarações ou esclarecimentos, muito menos na falta  da  emissão  de  documentos  obrigatórios.  A  motivação  do  ato,  no  entender  do  interessado,  repousa  sobre  a  imprestabilidade  da  escrita.  Dito  isso,  conclui  o  contribuinte  que  a  vasta  retórica  fiscal  a  respeito  da  falta  de  apresentação  de  documentos não foi determinante para a apuração do lucro pela sistemática do lucro  arbitrado.  O interessado defende a existência de dois requisitos para que a apuração do  lucro possa ser efetivada por via do arbitramento, quais sejam (fl. 23.393):  “(i)  inicialmente,  comprovar  a  "imprestabilidade"  da  contabilidade da empresa; e, ainda,   (ii)  comprovar  que  o  lucro  real  não  poderia  ser  apurado  por  outros documentos.”  Dessa  forma,  o  contribuinte,  sem  concordar  com  a  existência  de  vícios  e  inconsistências em sua escrita, entende incabível o lançamento pela sistemática do  Fl. 105348DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.332          84 lucro  arbitrado  em  função  da  viabilidade  da  qualificação  e  da  quantificação  das  irregularidades. Confira­se a manifestação do impugnante (fls. 23.394/5):  “De  início,  percebe­se  que  todas  as  supostas  infrações  encontradas pela Fiscalização  foram  identificadas a partir das  informações contidas na contabilidade e documentação suporte  apresentada  pela  Impugnante.  E  mais  importante,  todas  as  supostas  infrações  foram  quantificadas  no  auto  de  infração  combatido. Portanto, não há que se falar em "imprestabilidade"  da contabilidade da empresa, uma vez que a mesma se mostrou  apta  para  a  verificação  e  quantificação  de  todas  as  supostas  infrações idealizadas pela fiscalização.”  Após referir que a fiscalização mensurou rendas alegadamente não oferecidas  à  tributação  a  partir  da  escrita,  tachou  o  trabalho  fiscal  de  contraditório,  nos  seguintes termos (fl. 23.399):  “Portanto,  como  se  verifica,  o  auto  de  infração  mostra­se  totalmente  contraditório,  pois  de  um  lado  classifica  a  contabilidade da Impugnante como "imprestável", mas por outro  lado  realiza,  a  partir  dela,  minuciosa  apuração  de  todos  os  lançamentos e valores que entende indevidamente deduzidos ou  acrescidos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa.  Ocorre  que  essa  foi  a  única  estratégia  identificada  pela  autoridade fiscalizadora para cobrar da Impugnante valores de  impostos  em  montantes  muito  superiores  não  só  àqueles  já  atingidos pela decadência, mas também àqueles que ela poderia  cobrar  relativamente  ao  exercício  de  2007,  uma  vez  demonstrada  a  improcedência  das  irregularidades,  o  que mais  adiante se fará. Eis aqui a única verdade desse arbitramento.  Desta  forma,  considerando  que  a  Fiscalização  foi  plenamente  capaz  de  qualificar  e  quantificar  as  alegadas  supostas  irregularidades cometidas pela Impugnante, mostra­se indevida  a  opção  pelo  arbitramento.  No  caso,  confirmadas  as  irregularidades,  deveria  o  Fisco  ter  adicionado  os  valores  apurados  ao  lucro  líquido  para  fins  de  lançamento  de  ofício,  conforme  ensina  o  entendimento  pacífico  da  jurisprudência  administrativa.”  Protesta, também, contra a acusação fiscal sob o aspecto do levantamento de  supostas infrações que “não dizem respeito ao ano­calendário 2007” (fl. 23.401). O  objetivo  do  trabalho  teria  sido  “engendrar  uma  imagem  de  “imprestável”  à  contabilidade  da  Impugnante  quando,  na  verdade,  as  alegadas  irregularidades  referentes ao ano de 2007 são pontuais e, inclusive, foram plenamente identificadas  e quantificadas” (fl. 23.401).  Não  bastasse  isso,  seguindo  a  argumentação  do  contribuinte,  as  irregularidades apontadas pela fiscalização estão tipificadas na legislação (omissão  de receitas, despesas não necessárias, passivo fictício e inobservância do regime de  competência).  Não  podem,  portanto,  dar  azo  ao  arbitramento  do  lucro.  Refere  jurisprudência administrativa a respeito.  Mesmo não admitindo que a escrita seja imprestável, o impugnante alega que  o Fisco teria outros meios para apurar a base de cálculo dos tributos na sistemática  Fl. 105349DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.333          85 do lucro real. Destaca que a própria fiscalização admitiu que a impugnante “manteve  seus  registros  de  forma  adequada  à  realidade  fática  apenas  em  seus  registros  gerenciais” (fl. 23.404). Sob a ótica do impugnante, esse não foi o caminho trilhado  pela fiscalização pelos seguintes motivos (fls. 23.404/5):  “A resposta, data máxima venia, é óbvia: porque a Fiscalização  não  estava  interessada  em apurar  o  lucro  real  da  Impugnante  para o ano de 2006, ela estava interessada em punir a empresa  e,  assim,  tentar  compensar  a  Fazenda  Nacional  pelos  valores  que  a  Impugnante  eventualmente  deixou  de  recolher  relativos  aos  anos  de  2002  e  2003  que  restaram  atingidos  pela  decadência.”  O agir  fiscal,  então,  teria  violado  o  art.  148 do CTN,  tendo em vista  a não  configuração da completa impossibilidade da apuração do lucro a partir da escrita.  Refere doutrina a  respeito. Se existia uma base confiável  (sistema gerencial), essa  base deveria ter sido utilizada.  O  impugnante  resumiu  seu protesto  relativamente à adoção do arbitramento  da seguinte forma (fls. 23.406/7):  “Por  todo  o  exposto  no  presente  tópico,  conclui­se  que  o  lançamento por arbitramento foi indevidamente utilizado pela d.  fiscalização e, por isso, deve ser totalmente cancelado, uma vez  que:  (i)  o  arbitramento  não  é  instrumento  de  sanção;  (ii)  o  arbitramento pressupõe prova contundente da  imprestabilidade  da  contabilidade  da  empresa  como  um  todo  e  não  de  partes  isoladas; (iii) o arbitramento não se aplica em situações em que  as irregularidades são plenamente qualificadas e quantificadas;  (iv)  o  arbitramento  não  serve  como  meio  alternativo  para  tratamento  de  infrações  que  possuam  tratamento  legal  específico;  e,  ainda,  (v) o  arbitramento  não  tem  cabimento  em  hipóteses  em  que  o  lucro  real  possa  ser  apurado  através  de  outras  provas  diretas,  situação  que  se  encontrava  presente  conforme  reconhecimento  expresso  do  próprio  auto  de  infração.”  Das supostas irregularidades apontadas   O impugnante chama a atenção para o caminho seguido pelo agente do Fisco:  “a  alegação  da  existência  de  erros  generalizados  na  contabilidade  ajustada  da  Impugnante”  “com o  objetivo  de  sustentar  a  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Impugnante”  (fl.  23.407).  As  irregularidades  alegadas  estaria  vinculadas  preponderantemente  às  contas  “Intercia  Fornecimentos”  e  “Fornecedores  Estrangeiros”. Passa a tratar, então, de cada uma das irregularidades alegadas.  Da reabertura dos anos­calendário 2002 e 2003   O impugnante refuta a acusação. Os ajustes não se prestaram para aumentar o  lucro em períodos já decaídos no valor de 135 milhões de reais. Segundo alega, os  lançamentos efetuados relativamente aos anos­calendário 2002 e 2003 tiveram por  base  “documentos  ou  na  falta  destes  nos  registros  da  contabilidade  original”  (fl.23.409). Tomada a amostra selecionada pela fiscalização, o contribuinte informou  que os  lançamentos  se  referiam a  reversões de  lançamentos  equivocados, “porque  não  foi  possível  localizar  a  documentação  suporte  que  deu  amparo  aos  registros  destes  mesmos  valores  na  contabilidade  original”  (fl.  23.409).  As  provas  do  Fl. 105350DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.334          86 cabimento  dos  ajustes  que  são  apresentadas  são  as  cópias  do  registros  contábeis  originais. Adicionalmente,  relativamente ao valor de 9 milhões de reais, apresenta  ainda “exemplos de livros registro de apuração de ICMS de alguns meses de 2001”  (fl.  23.410),  posto que  se  referia  a  “a  registro do  incentivo  fiscal Fitec  concedido  pelo Estado do Rio Grande do Sul” (fl. 23.410).  Do estorno da receita de serviços   O  contribuinte  alega  que  a  receita  de  serviço  lançada  em  2004  diz  efetivamente diz respeito a 2003, consoante reclamado pela fiscalização. O registro  ocorreu  tardiamente  em  função da  evolução negocial. O “contrato  foi assinado ao  final do ano de 2004, no mesmo momento da emissão da fatura comercial, mas tanto  a fatura comercial, como o contrato já indicavam que a prestação de serviço já havia  iniciado  em  Fevereiro  de  2003  e  que  a  cobrança  retroativa  seria  realizada”  (fl.  23.411).  Dessa  forma,  frente  aos  documentos  emitidos,  não  restava  outra  possibilidade  ao  contribuinte  que  não  fosse  o  registro  tardio,  efetuado  na  conta  “Lucros Acumulados”. Alega, ainda, que no “inicio do ano de 2005 foi calculado o  impacto  desta  receita  na  apuração  de  imposto  de  renda  e  contribuição  social  de  2003, e os respectivos Darf s de complemento foram recolhidos com multa e juros  em  31­Jan­2005”  (fl.  23.411). Quando  da  reconciliação,  o  contribuinte  “entendeu  adequado  realizar  o  estorno  integral  deste  lançamento  e  sua  reentrada  no  ano  de  2003” (fl. 23.412).  Do passivo fictício   Inicialmente o impugnante alega que a presente irregularidade diz respeito ao  ano­calendário 2006, motivo pelo qual não pode ser fundamento para o arbitramento  realizado relativamente ao ano­calendário 2007.  Quanto aos pretensos passivos fictícios, que teriam sido originados em função  do “estorno do pagamento de certas obrigações e o lançamento dessas obrigações a  crédito de fornecedores  (Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros)” (fl.  23.413), o impugnante alega que os agentes do Fisco não compreenderam o registro  dos fatos. À folha 23.414, o contribuinte reprisa os lançamentos que teria efetuado,  alegando  que  os  lançamentos  de  conciliação  teriam  tido  como  objetivo  a  identificação  dos  fornecedores  das  matérias­primas.  Isso  anteriormente  não  seria  possível  em  função  da  deficiência  dos  lançamentos  originalmente  procedidos.  Confira­se a manifestação do contribuinte (fls. 23.413/4):  “a  Impugnante  efetuou  inicialmente  a  reconciliação  de  suas  contas de estoque, fazendo a abertura dos lançamentos por notas  fiscais de  entrada quando esses  registros  tinham sido  feitos de  forma  fechada,  agrupados  por  processo  de  importação  e  nem  sempre  com  a  identificação  do  número  do  processo,  o  que  dificultava  à  Impugnante  identificar  automaticamente  em  qual  conta  de  fornecedores  havia  sido  registrada  originalmente  a  contrapartida.”  “Pelo exposto acima fica claro que a forma como a Impugnante  reconciliou  suas  contas  de  estoques  deu­se  pelo  fato  de  ter  dificuldades  de  identificar  automaticamente  a  conta  de  fornecedores  em  que  havia  sido  registrada  a  contrapartida  originariamente.  Daí  que  nunca  teve  a  intenção  de  esconder  nada.”  Fl. 105351DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.335          87 A aparente existência de passivos fictícios seria uma decorrência do estorno  de pagamentos efetuados a fornecedores e do lançamento desses valores a débito das  contas de resultado (lucros e prejuízos acumulados).  O impugnante, inicialmente, questiona por qual motivo não houve a exigência  dos  tributos  incidentes  sobre  essa  infração,  tendo  em  vista  a  perfeita  valoração  constante no trabalho fiscal. Não haveria motivo para o arbitramento.  Após, defende que os passivos fictícios não existiriam, nos seguintes termos  (fl. 23.415):  “a  prova  de  que  tais  passivos  fictícios  não  existem  está  no  próprio auto de infração. Basta que seja confrontada a relação  de  lançamentos  mencionada  no  auto  de  infração  a  página  94  (fls.  5131/5172  do  PA)  com  a  relação  de  lançamentos  mencionada  nas  páginas  37,  41  e  42  do  relatório  anexado  ao  auto de infração de 2006 (Doc. 21), para que se constate que a  Fiscalização  identificou,  ela  própria,  a  absoluta  maioria  dos  estornos  dos  custos  dos  alegados  passivos  fictícios,  lançados  originalmente  a  débito  da  conta  de  resultados.  Daí  que  a  reentrada desses  lançamentos em outros exercícios a débito de  resultado não significou lançamento em duplicidade.”  Alega  que  “a  maior  parte  dos  alegados  passivos  fictícios  teve  seus  custos  estornados  em  exercícios  anteriores,  não  se  configurando  de  fato  como  passivos  fictícios” (fl. 23.416). Apresenta, então, relação dos lançamentos que teriam tido o  efeito  de  estornar  os  custos  das  obrigações  originalmente  lançadas,  que  somam  valores  devedores  de  R$  51.851.872,56,  R$  59.021.198,36,  R$  98.395.387,24,  relativos a, respectivamente, 2003, 2004 e 2005 (fls. 23.417/8).  Alega,  ainda,  que  parte  dos  pagamentos  que  a  fiscalização  acusa  como  ensejadores  de  passivo  fictício  sequer  foi  objeto  de  provisionamento  (registro  no  passivo), de tal sorte que não poderia redundar em passivo fictício.  Alega,  ainda  quanto  ao  pretenso  passivo  fictício,  que  parte  dos  valores  levados a débito do resultado no anos 2004 a 2006 também teria sido creditado em  outras contas de resultado, anulando, portanto, os efeitos quanto ao resultado.  Por fim, quanto ao passivo fictício, assim conclui (fl. 23.419):  “Portanto,  o  que  se  conclui  é  que  faltou  à  Fiscalização  o  aprofundamento  da  análise  da  contabilidade  da  empresa  e  do  processo  de  reconciliação,  que  face  a  sua  complexidade  facilmente foi utilizado para dar azo à aparente imprestabilidade  da contabilidade.  De  qualquer  forma,  se  algumas  das  obrigações  junto  a  fornecedores remanesceram impropriamente em aberto dando a  ilusão  de  que  a  empresa  teria  criado  passivos  fictícios,  essas  obrigações  definitivamente  foram  por  fim  excluídas  no  encerramento do processo de reconciliação em janeiro de 2009,  quando a empresa lançou a crédito de resultados desse exercício  o valor de R$ 98.568.676,61, conforme reconhecido a folhas 29 e  82 do Relatório anexado ao auto de infração. Tal procedimento  pode não ter sido tecnicamente o mais adequado. Porém, não há  como  se  negar  que  o  passivo  foi  ajustado,  remanescendo  no  Fl. 105352DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.336          88 máximo  penalidade  de  juros  e  multa  decorrente  sobre  o  aproveitamento  extemporâneo  de  despesa.  Mas  jamais  causa  para arbitramento, ainda mais quando tal fato se refere a outro  exercício que não o arbitrado.”  Dos royalties contabilizados pelo regime de caixa   O  impugnante  reconhece  o  lançamento  dos  gastos  com  royalties  segundo o  regime  de  caixa,  mas  rejeita  a  existência  de  benefício  em  seu  favor  como  decorrência  desse  equívoco.  Ademais,  não  vê  nesse  fato  fundamento  para  o  arbitramento. Confira­se (fl. 23.420):  “No  que  tange  ao  tratamento  de  caixa  dado  às  despesas  de  royalties,  o  fato  é  que  os  efeitos  desse  procedimento  não  maculam  a  contabilidade  de  tal  forma  a  torna­la  imprestável.  Isso  porque  tais  despesas  poderiam  facilmente  ter  sido  adicionadas  aos  respectivos  exercícios  em  que  lançadas  pelo  regime de caixa.”  O  contribuinte  efetuou  cálculos  tendentes  a  demonstrar  a  inexistência  de  qualquer benefício fiscal em seu favor (fl. 23.422).  Da variação cambial   O  contribuinte  aponta  a  identificação  pelo  Fisco  de  erros  na  apuração  das  variações  cambiais  relativamente  aos  anos­calendário  2006  e  2007.  Destaca  que  relativamente ao ano­calendário 2007 “ofereceu mais de R$ 40 milhões a crédito de  resultado a título de variação cambial” (fl. 23.422).  Alega  que  a  fiscalização  tenta  “se  agarrar”  a  irregularidade  de  um  período  (2006)  com  o  objetivo  de  “justificar  o  arbitramento  e  a  imprestabilidade  da  contabilidade  de  2007”  (fl.  23.422).  Tais  fatos,  caso  existentes,  não  guardariam  relação com o fatos ocorridos no ano­calendário 2007, o objeto do lançamento ora  contestado. Segundo o impugnante, “A mistura desses fatos tem claramente o único  propósito  de  induzir  a  presunção  de  erros  generalizados”  (fl.  23.423).  O  arbitramento, entretanto, não poderia ser aplicado em função de presunções.  Não bastasse isso, o contribuinte discorda da conclusão fiscal de que o sujeito  passivo não teria corrigido o regime de apuração das variações cambiais. Afirma o  impugnante  que  “A  correção  foi  feita,  pois,  de  fato,  conforme  informado  à  fiscalização, o preenchimento das linhas que demonstrariam a adoção da opção pelo  regime  de  caixa  foi  um  equívoco”  (fl.  23.423).  Presta,  então,  o  seguinte  esclarecimento (fl. 23.423):  “Assim, na retificação da DIPJ de 2006, esse erro foi eliminado  pela  exclusão  do  valor  de  R$  8.677.071,65  correspondente  à  variação  cambial  passiva  não  realizada,  como  também  pela  adição do valor de R$ 76.474.748,30 correspondente à variação  cambial  ativa  não  realizada  e  que  havia  sido  registrada  em  duplicidade  na  declaração  original  (2  x  o  valor  de  R$  38.237.374,15 conforme se verifica inclusive pela transcrição de  fls.  128  no  Relatório).  Esses  valores  de  variação  cambial  não  realizadas estão inclusos no valor fechado de R$ 52.692.848,36  inseridos  como  outras  exclusões  na  linha  37  da  ficha  09  da  retificação,  conforme  inclusive mencionado no próprio auto de  infração (fls. 128 do Relatório).”  Fl. 105353DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.337          89 Assim, a acusação fiscal não teria procedência. O regime adotado não seria o  de caixa, mas o de competência. Os ajustes cabíveis teriam sido feitos e a acusação  seria descabida.  Ademais, caso houvesse a irregularidade acusada, perfeitamente identificada,  deveria ter sido exigido o tributo faltante sem o apelo ao arbitramento.  Destaca o impugnante que ele não teria se beneficiado com o erro, porquanto  os  recolhimentos estimados  teriam sido bastante  superiores aos devidos consoante  regime de competência para a apuração das variações cambiais.  Por  fim  reafirma  o  não  cabimento  do  arbitramento  em  função  do  presente  erro, uma vez que a escrita “poderia ter erros, mas certamente esses erros não são de  tal magnitude a comprometer a possibilidade de, a partir dela, apurar­se o lucro” (fl.  23.425).  O impugnante informa que retificou sua declaração de rendimentos de forma  a  retratar  a  opção  pelo  reconhecimento  das  variações  cambiais  pelo  regime  de  competência, tendo, dessa forma, oferecido mais de 40 milhões de reais à tributação.  Quanto aos cálculos da variação cambial, em relação aos quais a fiscalização  identificou  erros  reiterados,  o  contribuinte  adverte  que  apresentou  cálculos  retificados,  uma  vez  que  no  cálculo  original  houve  o  “aparecimento  de  cotações  artificiais  do  dólar  na  planilha  de  2006  e,  relativamente  a  2007”  (fl.  23.426).  A  fiscalização  na  teria  aceitado  o  novo  cálculo  em  razão  da  adoção  do  regime  de  competência e da ocultação de despesa no montante de 17 milhões (“em uma única  linha  no  meio  de milhares  inseriu  os  17 milhões  de  despesa,  com  o  histórico  de  ajuste saldo anterior” – fl. 23.426). O impugnante, então, protesta por ter como falsa  a imputação de falta de colaboração com o Fisco. O regime de competência sempre  foi aquele adotado pelo contribuinte, se a fiscalização desejasse cálculo segundo o  regime de caixa, deveria ter assim requisitado. Quanto ao ajuste de 17 milhões , o  objetivo  foi  o  de  isolar  o  erro  “claramente  identificável,  para  que  a  autoridade  fiscalizadora pudesse lançar os valor caso assim entendesse apropriado” (fl. 23.247).  Do estoque   O  contribuinte  reclama  da  utilização  pela  fiscalização  de  relatório  adotado  para  fins  de  habilitação  ao  Despacho  Aduaneiro  Expresso  Linha  Azul.  Acusa  a  distorção do relatório. Ao referir a avaliação arbitrária dos estoques e o não controle  pelo  sistema  Glovia  dos  produtos  acabados,  o  agente  do  Fisco  teve  por  meta  desqualificar a contabilidade do impugnante. Ocorre, entretanto, que o relatório não  tinha por foco a contabilidade ajustada, mas “a existência de um sistema corporativo  informatizado integrado à contabilidade para controle dos estoques de mercadorias”  (fl.  23.428).  Segundo  o  impugnante,  o  relatório  utilizado  não  faria  referência  à  contabilidade  ajustada,  mas  à  original.  Destaca,  também,  que  o  arbitramento  do  estoque é uma possibilidade legal. Essa possibilidade foi a adotada na época. Como  se desejava a habilitação ao Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul, “foi então  estruturado um plano de ação para atender tal requisito de concessão do benefício. O  plano foi concluído e o benefício foi concedido em 2010, depois de a empresa já ter  inclusive concluído sua reconciliação!!!!!” (fl. 23.431).  No que diz respeito aos produtos acabados, o impugnante refuta deficiências  no controle desses estoques, posto que "toda a produção é faturada e expedida, não  havendo saldos de estoques físicos dessa natureza" (fl. 23.431).  Fl. 105354DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.338          90 Quanto aos livros Registro de Inventário, o contribuinte afirma ser equivocada  a  ilação  fiscal  segundo  a  qual  os  auditores  que  efetuaram  a  análise  da  escrita  do  contribuinte para fins da habilitação ao Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul  tivessem  tido  acesso  aos  referidos  livros  consoante  a  contabilidade  ajustada  (fl.  23.431).  Transcreve  o  trabalho  dos  auditores  com  a  finalidade  de  demonstrar  a  “consistência  dos  saldos”  retratados  no  documento  “se  considerados  os  ajustes  contábeis registrados” (fl. 23.431).  O  impugnante  contesta,  também,  a  conclusão  fiscal  extraída  da  leitura  do  parecer do auditor  independente que analisou as demonstrações financeiras do ano  encerrado  em  31  de  janeiro  de  2009. Reprisa  parte  do  texto  emitido  pelo  auditor  independente (fl. 23.432):  "Não  acompanhamos  as  contagens  físicas  dos  estoques  de  matérias­primas e produtos acabados em 31/01/2008, pois nossa  contratação,  como  auditores  independentes,  ocorreu  em  data  posterior,  e  não  foi  possível  satisfazermo­nos,  por  outros  procedimentos de auditoria, quanto às quantidades de matérias­ primas e produtos acabados nesta data "   Apresenta, então, a seguinte explicação (fl. 23.432):  “Ora,  veja­se  que  a  ressalva  contida  no  parecer  da  PWC  diz  respeito à dificuldade em validar uma posição estática anterior  ao  inicio de um trabalho de auditoria, uma vez que os itens de  inventário  são  cíclicos  e a alteração das quantidades  é diária.  Sendo  assim,  como  não  estava  em  seu  escopo  e  outros  testes  deveriam  ser  feitos  além do  escopo  contratado,  a  auditoria  da  PWC optou em não opinar e/ou não validar a conta dos estoques  acerca  dessas  quantidades  nem  dos  valores  iniciais,  pois  não  pôde acompanhar qualquer contagem para validar seus saldos.”  No  que  diz  respeito  aos  produtos  em  elaboração,  o  contribuinte  reforça  ter  processo produtivo extremamente célere, tão rápido que ao final do dia os produtos  prontos são todos faturados. Segundo ele, o processo de produção dura 2 horas. Por  tal  motivo,  não  haveria  necessidade  de manter  registro  contábil  dos  produtos  em  processo. A conta “Produtos em Processo” “voltou a constar do plano de contas da  empresa  após  a  reconciliação  foi  porque  a  Impugnante  passou  a  adotar  o  sistema  integrado  de  controle  de  estoques”  (fl.  23.434)  em  função  da  habilitação  ao  Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul. Incorreta, dessa forma, a ilação fiscal de  que  o  impugnante  não  teria  um  controle  confiável  de  estoques.  No  intuito  de  comprovar suas alegações, o contribuinte junta planta e fotografias da sua linha de  produção.  Quanto à acusação fiscal de realização retroativa de estoques, vale reprisar a  manifestação do sujeito passivo (fls. 23.435/6):  “Esta  talvez  seja  das  acusações  a  que  mais  flagrantemente  denota a falta de compreensão por parte da Fiscalização quanto  ao  processo  de  reconciliação  efetivado  pela  empresa  e  a  inapropriada transformação dessa falta de compreensão em uma  presunção  de  generalizada  inconsistência  da  contabilidade  da  empresa que justificaria o arbitramento do lucro.  Em  que  pese  tenha­se  alegado  no  auto  de  infração  ser  tal  procedimento  impossível,  o que  só por aí demonstra a  falta de  Fl. 105355DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.339          91 técnica  e  aprofundamento  pela  Fiscalização  na  análise  do  procedimento  e  que  resultou  por  isso  na  indevida  e  ilegal  decisão de arbitrar o lucro da empresa, a Impugnante executou  a conciliação das contas de estoque de 2002 a 2008 utilizando­se  dos saldos iniciais e finais registrados junto ao Glovia (sistema  de  controle  físico  de  estoques)  para  cada  um  dos  períodos  referidos,  valorizados  a  partir  dos  critérios  fiscais  de  valorização dos estoques previsto no artigo 293 do RIR/99, e das  notas fiscais de entrada e de devolução de mercadorias também  relativas  a  cada  um  daqueles  períodos,  devidamente  reconciliadas  com  o  Livro  registro  de  entrada,  ao  nível  da  transação.  Note­se  que  a  falta  de  aprofundamento  na  análise  do  procedimento  de  conciliação  por  parte  da  Fiscalização  está  evidenciada  no  fato  dela  ter  referido  que  para  executar  o  procedimento  haveria  a  necessidade  de  se  proceder  com  a  contagem  dos  estoques  no  mesmo momento  da  conciliação  da  conta.  Ora,  para  conciliar  e  validar  os  dados  do  Glovia  e,  conseqüentemente, atestar os saldos físicos, a empresa procedia  periodicamente com a contagem dos estoques, procedimento que  foi inclusive verificado pela auditoria do linha azul que atesta a  qualidade  dos  controles  da  Dell,  conforme  mencionado  no  capítulo 5.3.6.1.  A  contagem  dos  estoques,  portanto,  ocorreu  às  suas  devidas  épocas.  Daí  que  é  absolutamente  improcedente  a  afirmação  da  Fiscalização.  Os  estoques  foram  contados  pela  Impugnante  e  esses dados foram todos eles lançados no Glovia, o qual serviu  de base para a posterior conciliação. O procedimento, portanto,  era  sim  possível  e  faltou  à  Fiscalização  compreensão  sobre  o  mesmo.  Saliente­se  que  nenhuma  pergunta  foi  feita  pela  Fiscalização  quanto  ao  funcionamento  do  Glovia.  Não  houve  interesse  em  aprofundar o conhecimento sobre o mesmo. E inclusive sobre o  método  de  valorização  aplicado  sobre  os  respectivos  saldos  físicos.  Feita  a  contagem  dos  estoques  a  Impugnante,  tendo  portanto  uma base  firme das  suas posições  físicas de  estoque, procedeu  com a valorização dos estoques finais e iniciais de acordo com o  artigo 293 do RIR, conforme passamos a demonstrar abaixo:  a)  foram selecionadas das últimas compras do período o maior  custo unitário para o respectivo item; e   b)  apurou­se o montante do estoque multiplicando­se esse custo  unitário pela quantidade encontrada no sistema Glovia para  assim  chegar  no  valor  do  mesmo  dentro  das  contas  de  estoques.”  Após defender a precisão dos seus controles quanto ao estoque, o contribuinte  alega a incompreensão, pelo agente fiscal, dos ajustes efetuados na escrita. O fiscal  Fl. 105356DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.340          92 reclamou  de  ajustes  de  acréscimo  do  custo  do  produto  vendido,  em mais  de  300  milhões de reais, mas deixou de observar ajustes operados nas contas patrimoniais,  em especial “Fornecedores”, o que teria distorcido a conclusão. Afirma, então, que o  efeito das alterações implementadas nos estoques de 2002 até 2007 foi de apenas 6,7  milhões de reais, o que seria irrisório frente à movimentação do período da ordem de  4,8  bilhões  de  reais  (fls.  23.437/8).  Ademais,  como  os  saldos  das  contas  apresentaram acréscimos, isso importou em receita, figura favorável ao Fisco.  No que diz respeito aos tributos recuperáveis (Imposto sobre a Circulação de  Mercadorias e Serviços e o Imposto sobre Produtos Industrializados), que devem ser  contabilizados  em  contas  apartadas  daquelas  que  registram  os  estoques,  o  impugnante refere simples inconformidade do agente fiscal “com a forma como foi  reconciliada a conta de estoques” (fl. 23.439). Afirma que os tributos recuperáveis  não foram agregados ao valor dos estoques.  Quanto  às  compras  em  consignação,  tendo  em  vista  a  identificação  pela  fiscalização  de  lançamentos  de  compras  em  duplicidade,  o  impugnante  alega  a  irrelevância dos valores, bem como a concentração dos valores em uma única nota  fiscal,  no  montante  de  R$  1.232.353,69,  o  que  representaria  um  quarto  do  valor  identificado.  Informa,  também,  que,  de  377  notas  fiscais  de  compras  em  consignação, apenas 6 teriam sido objeto de lançamento em duplicidade. Assim, “o  erro no lançamento de meia dúzia de notas fiscais certamente não é uma constatação  suficiente  para  que  se  conclua  pela  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Impugnante!!!!!” (fl. 23.440).  O impugnante alega, ainda, que o seu Livro Registro de Entradas é hígido. A  informação por ele prestada no curso da fiscalização de que teria levado “centenas  de  notas  fiscais  diretamente  a  débito  de  resultado  porque  não  estariam  elas  registradas no Livro de Registro de Entradas” (fl. 23.440) teria sido um equívoco em  função do excesso de trabalho derivado das demandas fiscais. Defende, então, que  todas as notas de entradas de mercadorias foram devidamente lançadas. Explica, ele,  a origem do erro (fl. 23.441):  “Ora, o que ocorreu de fato e que gerou confusão para fins de  responder  o  questionamento  da  fiscalização,  foi  que  todos  os  lançamentos  selecionados  são  remessas  e  não  compras  de  mercadorias (CFOP: 1906, 1907, 1916, 1949, 2916, 2949) e, por  esse motivo, não se encontram na conciliação de matéria­prima  que  apresenta  apenas  CFOPs  de  compras  (local  onde  foi  procurado inicialmente).”  Por fim, quanto e este tópico, o contribuinte trata do estoque de peças usadas.  Frente a acusação de duplo  lançamento do custo atinente à aquisição de matérias­ primas retornadas como sucata, que teriam somado 21 milhões de reais, alega que o  custo  foi  devidamente  lançado,  uma vez  que  a  peça  usada  substituída  em  face da  garantia  ensejou  lançamento  a  crédito  de  resultado  quando  da  substituição  (fl.  23.445).  Após,  ele  detalha  suas  operações  com  as  referidas  peças  e  os  registros  contábeis que teriam sido feitos (fls. 23.445/6), arrematando (fl. 23.447):  “Portanto,  mais  uma  ilação  da  autoridade  fiscalizadora  é  afastada  e  qualquer  conclusão  quanto  a  desqualificação  da  contabilidade  da  Impugnante  não  passa  de  mera  arbitrariedade.”  Do PIS e da Cofins 2007   Fl. 105357DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.341          93 Frente à constatação fiscal de que as contas de resultado que registram o ônus  com o PIS e a Cofins foram afetadas negativamente (redução do lucro) em função de  ajustes  decorrentes  de  operações  de  importação,  que,  de  regra,  não  permitiriam o  crédito  do  tributo,  porquanto  não  se  submetem  ao  regime  não­cumulativo,  o  impugnante  afirma  que  o  “ajuste  foi  feito,  para  refletir  os  corretos  saldos  patrimoniais  de  PIS  e  COFINS,  a  débito  da  conta  de  impostos  a  recuperar  no  Resultado, compondo o CPV do período, como tributo não recuperável” (fl. 23.448).  Afirma  que  em  alguns  casos  é  possível  a manutenção  de  créditos  na  importação,  como  na  hipótese  da  “aquisição  de  insumos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados a venda “ (fl. 23.447). Destaca, também, que os referidos tributos foram  objeto  de  fiscalização  anterior  relativamente  ao  ano­calendário  2007  (MPF  1010100/00455­2008),  que  não  glosou  créditos  do  mercado  interno  ou  de  importações. Os ajustes diriam respeito a operações de importação em que possível a  manutenção do crédito.  Dos extratos bancários   Repriso  na  íntegra  a manifestação  do  impugnante  devido  à  importância  do  tema (fls. 23.449 a 23.451):  “Antes  do  início  do  trabalho  de  reprocessamento,  a  Dell  já  mantinha controles de conciliação bancária, que consistiam na  confrontação  de  todos  os  movimentos  constantes  nos  extratos  bancários com os lançamentos registrados nas contas contábeis  correspondentes,  tudo  isso  como  o  com  intuito  de  detectar  eventuais  divergências,  averiguando  as  causas  dos  valores  em  aberto e atentando às seguintes situações:  ­ Movimentos refletidos no extrato bancário e não registrados na  Contabilidade;   ­ Movimentos  registrados na Contabilidade e não refletidos no  extrato bancário.  ­ Propor soluções para problemas recorrentes;   Entretanto,  existem  diversos  motivos  para  que  diferenças  ocorram. Podemos  citar  como  exemplo  os  seguintes:  depósitos  não  identificados,  depósito  de  taxas  cobradas  pelos  bancos,  pagamentos efetuados por cheque, entre outros. Apenas a fim de  deixar  mais  claro  o  exemplo,  se  qualquer  cidadão  depositar  dinheiro equivocadamente na conta bancária da Dell, esse valor  ficará pendente de conciliação por meses caso esta pessoa não  tenha vínculo com a empresa.  Portanto, devido ao considerável volume de movimentações que  ocorrem nas contas correntes da Dell Brasil, que efetua milhares  transações bancárias diariamente, na maioria das vezes não há  tempo  hábil  para  correção  dos  saldos  dentro  do  mesmo  mês,  sendo  tais  divergências  sanadas  somente  no  mês  seguinte,  de  forma  que  os  saldos  do  final  do  mês  não  ficam  iguais,  o  que  ocorreu  nos  meses  citados  pelo  auditor  fiscal.  Essa  nuance  causou  o  que  a  autoridade  fiscal  chamou  de  "alguns  poucos"  lançamentos  de  ajuste,  e  não  estavam  relacionados  com  o  processo de reconciliação implementado pela Dell.  Fl. 105358DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.342          94 Saliente­se que as contas bancárias não estavam no escopo do  trabalho  de  reprocessamento  contábil,  pois  as  mesmas  eram  consideradas  conciliadas,  dentro  do  procedimento  rotineiramente  adotado,  conforme  descrito  nos  parágrafos  acima.  Porém,  durante  o  reprocessamento,  foi  verificado  que  apesar  da  existência  das  conciliações  e  da  identificação  das  divergências entre contabilidade e extrato, nem todos os ajustes  identificados estavam devidamente registrados na contabilidade  original,  logo decidiu­se  incluir as contas de banco no escopo,  com  a  finalidade  de  eliminar  as  diferenças  remanescentes  da  conciliação original.  Em  todos  os  meses,  os  lançamentos  propostos  pelo  projeto  de  reconciliação  foram  realizados  nos  mesmos  meses  em  que  as  pendência  foram  originadas,  no  entanto  vale  relembrar,  que  alguns ajustes oriundos de conciliação bancária já tinham sido  registrados  na  contabilidade  original,  mas  dado  ao  encerramento  mensal  dos  períodos,  tais  ajustes  somente  eram  registrados em meses posteriores. Como o escopo do projeto de  reconciliação  para  as  contas  de  banco,  conforme  explicado  acima,  era  de  regularizar  as  pendências  remanescentes,  os  saldos  mensais  entre  extrato  e  contabilidade  não  ficaram  alinhados, exceto dezembro, não podendo desta forma, afirmar­ se  que  não  havia  controle  da  movimentação  financeira.  Em  dezembro, a equipe responsável pelas conciliações aproveitou a  abertura do período de  lançamentos e optou identificar ajustes  de  conciliação  realizados  na  contabilidade  original  em  meses  posteriores  a  dezembro,  os  estornou  e  lançou  novamente  na  competência  de  dezembro,  desta  forma,  alinhando  extrato  e  saldo  contábil.  Este  procedimento  não  foi  adotado  para  os  demais  meses  do  ano,  dado  ao  volume  de  trabalho  que  seria  necessário  e  a  preocupação  de  concluir  o  projeto  de  reconciliações no menor tempo possível.  Cabe,  porém  salientar  novamente  um  aspecto  essencial,  e  já  mencionado pela Impugnante anteriormente: a Dell contabiliza  centenas de milhares de transações de recebimentos anualmente,  referentes às suas centenas de milhares de operações de venda,  tanto  de  produtos  quanto  de  serviços.  Além  disso,  contabiliza  também  outras  centenas  de  milhares  de  pagamentos  relacionados  aos  seus  fornecedores  de  matéria  prima  e  mercadorias para revenda, prestadores de serviço, funcionários,  tributos, etc.  Toda  a  complexidade  dessa  situação  foi  ainda  mais  potencializada com o fato de que a Dell Brasil experimentou um  forte  crescimento  no  país  na  última  década,  sempre mantendo  bons  relacionamentos  com  todos,  seja  cliente,  fornecedor,  funcionário, governo, etc, alcançando no exercício de 2011 um  faturamento de R$ 3,7 bilhões, representando um crescimento de  681%  em  relaçao aos R$ 0,5  bilhões  de  2002  e  um quadro  de  3828  funcionários,  representando um crescimento de 816% em  relação aos 418 funcionários daquele ano, além de três unidades  agora, ante apenas uma naquela época.  Fl. 105359DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.343          95 Diante desse crescimento exponencial é natural que houvessem  divergências  nos  extratos  mensais  e  que  de  qualquer  forma  foram  ajustados  ao  final  do  exercício.  Portanto,  nenhuma  irregularidade há que se identificar nesse ponto, o qual só serviu  a ilações pela autoridade fiscalizadora.”  Dos descontos concedidos em 2007  O contribuinte confirma que os descontos questionados pela fiscalização não  foram  concedidos  por  via  das  notas  fiscais  emitidas  quando  das  operações  comerciais, mas sim em conjunto, “calculado ao longo do ano” (fl. 23.451). O valor  do desconto teria sido pago ao beneficiário (Dell Argentina) no dia 26 de dezembro  de  2007.  Junta  contrato  de  câmbio  no  valor  de  R$  8.908.630,35  (fls.  98.227  a  98.231), relação de vendas efetuadas ao beneficiário (fls. 98.232 a 98.294) e contrato  estabelecido com o beneficiário (fls. 98.295 a 98.305).  Do estorno dos fretes   O impugnante alega erro na contabilização original da compras internacionais,  com  o  frete  sendo  lançado  duas  vezes.  O  ajuste  teria  tido  por  meta  corrigir  o  mencionado erro. Apresenta, então a seguinte explicação (fl. 23.453):  “No  entanto,  essa  duplicidade  não  ocorreu  para  todos  os  processos  de  importação.  Em  decorrência  disso,  o  estorno  efetuado pela Dell  fez com que o  saldo da conta Fornecedores  Estrangeiros fosse reduzido a maior do efetivamente lançado em  duplicidade.  Essa  diferença  foi  entretanto  anulada  pela  contrapartida à conta de variação cambial no resultado.”  Como entende que a fiscalização não reclama disso, uma vez que o valor teria  impactado a base tributável de forma correta, em que pese mal lançado, afirma que o  fiscal não deveria  ter  tocado no assunto. Só o fez para insinuar que o contribuinte  teve o  “intuito de  enviar  lucros para a matriz americana sem os devidos  impactos  nos lucros tributáveis locais” (fl. 23.454).  Do estorno da provisão de garantia   O contribuinte inicia por contestar a aplicabilidade do Pronunciamento NPC  nº  22,  emitido  pelo  Instituto  Brasileiro  de  Auditores  Independentes  –  Ibracon  e  aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Segundo alega, o ato só se  aplica  à  companhia  abertas,  enquanto  o  impugnante  é  uma  sociedade  limitada. A  referida norma somente passou a ter aplicabilidade em relação ao impugnante após a  edição  da  Lei  nº  11.638,  de  28  de  dezembro  de  2007, motivo  pelo  qual  não  era  exigível do contribuinte sua observância em relação ao ano­calendário 2007. Como  a  referida  provisão  não  impacta  a  base  tributável,  bem  como  levando  em  consideração que as demonstrações financeiras consolidadas não foram afetadas, o  contribuinte não vê sentido nas ilações fiscais.  Do estorno de fornecedores em geral   Quanto aos estornos operados relativamente aos anos­calendário 2002 e 2003,  que aumentaram os lucros lá registrados, o objetivo do contribuinte teria sido afetar  os  períodos  em  que  verificados  os  erros  contábeis.  Apresenta,  então,  a  seguinte  explicação (fl. 23.457):  “Estas  reversões  foram  realizadas  durante  os  trabalhos  de  reconciliação,  pois  não  foi  possível  localizar  a  documentação  Fl. 105360DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.344          96 suporte que deu amparo aos registros destes mesmos valores na  contabilidade  original  e/ou  tal  registro  não  se  justificava  no  saldo  final  da  conta  patrimonial  naquela  data.  Desta  forma,  foram sugeridos estornos  integrais dos  lançamentos de origem,  inclusive mantendo o mesmo histórico do registro original para  permitir  melhor  rastreabilidade.  Tais  lançamentos  de  estorno  foram  alocados  aos  balancetes  preparados  pela  Dell  como  resultados  das  reconciliações,  nos  mesmos  períodos  que  os  registros  originais,  afastando  consequentemente  qualquer  questionamento quanto a incorreta alocação destes registros aos  anos calendários de 2002 e 2003.”  Das irregularidades na conta Intercia Mídias   Transcrevo a manifestação do sujeito passivo (fl. 23.459):  “O  fato  destes  ajustes  referentes  aos  anos  2002  e  2003  não  terem  sido  oferecidos  à  tributação  já  foi  exaustivamente  explicado  à  fiscalização  e,  novamente,  abordado  nesta  impugnação em capítulo a parte. Este tópico incluído no auto de  infração é mais um exemplo da tentativa da fiscalização de criar  um  cenário  caótico  para  a  contabilidade  da  Impugnante.  Entretanto,  a  única  verdade  é  que  a  autoridade  fiscalizadora  agarra­se  a  alguns  lançamentos  que  não  compreendeu  ou  não  quis  compreender,  retornando  sempre  a  eles  sob  óticas  diferentes para tentar construir um cenário caótico que entende  justificaria o arbitramento. No entanto, a pergunta a ser feita é:  No  que  esses  lançamentos  de  2002  e  2003  justificariam  o  arbitramento  da  contabilidade  da  empresa  de  2007?  Em  NADA!!!”  Do hedge   O contribuinte relata que a acusação fiscal estaria baseada em erro quanto ao  cálculo  das  perdas  indedutíveis  apuradas  pelo  impugnante  com suas operações de  cobertura  de  riscos  cambiais.  As  perdas  seriam  excessivas  relativamente  às  necessidades do impugnante.  A esse respeito ele assim se manifesta (fl. 23.460):  “Sem  querer  entrar  no mérito  do  efetivo montante  das  perdas  adicionadas, o fato é que a discussão aqui é meramente quanto a  cálculo  e  quanto  à  dedutibilidade  fiscal  de  certas  perdas.  Nenhum  desses  questionamentos  poderia  dar  margem  à  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Impugnante  e  ao  arbitramento.”  Defende,  portanto,  a  especificidade  da  eventual  irregularidade,  que  não  poderia dar azo ao arbitramento.  Dos prejuízos fiscais   Quanto  aos  prejuízos  fiscais  apurados  pelo  impugnante nos  anos­calendário  1999 a 2003 à luz da escrita original, prejuízos esses que não mais existiriam caso  considerados os ajustes operados no âmbito da chamada reconciliação, o impugnante  defende  as  compensações  efetuadas  nos  anos­calendário  2004  a  2006,  dando  a  Fl. 105361DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.345          97 entender  que  os  ajustes  somente  foram  efetuados  em  31  de  janeiro  de  2009.  Em  2009,  “poderia  a  fiscalização  autuar  a  Impugnante  por  considerar  inexistentes  os  prejuízos fiscais compensados entre os anos de 2004 e 2006, inclusive porque não  havia  transcorrido  o  prazo  decadencial”  (fl.  23.462).  Se  a  compensação  não  era  viável, cabia ao Fisco contesta­la, jamais alterar a sistemática de apuração do lucro  para o arbitramento em razão de uma irregularidade facilmente quantificável.  Da retificação das DIPJ   No  que  diz  respeito  à  retificação  das DIPJ,  que  segundo  a  fiscalização  não  refletiu  os  ajustes  efetuados  no  âmbito  da  reconciliação,  o  contribuinte  protesta.  Afirma que a retificação operada seguiu os precisos ditames legais. Referiu o art. 6º  do Decreto­lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e as orientações constantes dos  manuais das referidas declarações.  Da higidez da contabilidade   O  impugnante  defende  a  regularidade  da  sua  escrita  diante  das  Normas  Brasileiras de Contabilidade. Os livros contábeis do contribuinte estariam de acordo  com  a  Resolução  nº  597/1985  do Conselho  Federal  de Contabilidade,  tendo  sido  observadas as formalidades intrínsecas e extrínsecas preconizadas pelo referido ato,  quais sejam (fl. 23.466):  “Formalidades EXTRÍNSECAS dos Livros Contábeis:  ­ Serem encadernados;   ­ Terem as folhas numeradas sequencialmente; e   ­ conterem termo de abertura e de encerramento assinados pelo  titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da  contabilidade regularmente habilitado no Conselho Regional de  Contabilidade.  Formalidades INTRÍNSECAS dos Livros Contábeis:  ­ a utilização do idioma nacional e da moeda corrente do País;   ­ o uso da forma contábil;   ­ o registro dos fatos em ordem cronológica de dia, mês e ano;   ­  a  ausência  de  espaços  em  branco,  entrelinhas,  borrões,  rasuras, emendas ou transportes para margens; e   ­ a base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua  falta,  em  elementos  que  comprovem  ou  evidenciem  fatos  e  a  prática de atos administrativos.”  Os  livros  contábeis  hábeis  perante  o  sistema  jurídico  teriam  sido  todos  apresentados ao Fisco. Os livros sempre foram hábeis. A denominada reconciliação  teve por meta melhora­los. Confira­se (fl. 23.467):  “Entretanto,  conforme  já  referido,  não  obstante  a  Impugnante  manter  o  Livro  Diário,  esta  não  mantinha  o  livro  auxiliar  no  qual deveriam estar detalhadas, no nível da operação, todas as  transações realizadas pela Impugnante em 2007.  Fl. 105362DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.346          98 Justamente  para  alcançar  tal  objetivo  e,  assim,  melhorar  os  registros contábeis do período é que a Impugnante levou adiante  o projeto de reconciliação contábil já descrito.”  No entender do contribuinte, a fiscalização não evocou vícios intrínsecos ou  extrínsecos.  Identificou  a  imprestabilidade  da  escrita  tendo  por  prova  a  reconciliação. Essa reconciliação deveria ter sido valorizada. Não foi.  Afirma  que  a  irresignação  fiscal  quanto  aos  livros  fiscais  do  contribuinte  resumem­se ao Lalur. Que os erros quanto à identificação do profissional signatário  dos  livros  não  afastou  a  correta  identificação  do  profissional. Tais  livros  não  são  imprestáveis.  A  entrega  tardia  dos  livros  não  permite  o  arbitramento.  O  preenchimento com dados originais da escrita também não. Arremata com a seguinte  consideração (fl. 23.469):  “Pelo  exposto,  não  há  que  se  falar  em  imprestabilidade  dos  livros  comerciais  e  fiscais da  Impugnante. Nesse  sentido,  resta  evidente, data máxima venia, mais uma contradição constante do  auto  de  infração,  pois  inicialmente  reconhece  a  regularidade,  sob o aspecto formal, dos procedimentos de registros praticados  pela  Impugnante  no  trabalho  de  reconciliação,  mas  por  outro  lado  tenta  justificar  a  desconsideração  dos  registros  originais  sob o argumento de que o mesmo trabalho de reconciliação os  teria  tornado  imprestáveis  ou.  ainda,  supostamente  "reconhecido" a sua imprestabilidade.  Ora, Ilustres Julgadores, há que se diferenciar (i) equívocos na  escrituração  contábil  (ii)  de  equívocos  na  apuração  da  base  tributária. Por tudo o que foi exposto na presente impugnação  e,  inclusive,  no  auto  de  infração,  é  fácil  perceber  que  as  alegadas irregularidades apontadas limitam­se, quando muito,  à  segunda  hipótese,  ou  seja:  equívocos  na  apuração  da  base  tributária  pela  Impugnante.  Em  outras  palavras,  o  que  se  evidencia no caso concreto é uma insatisfação da Fiscalização  com o  tratamento  fiscal e contábil dado pela Impugnante aos  dados constantes na escrituração.  Entretanto,  é  fato  que  eventual  tratamento  tributário  indevidamente  dado  aos  registros  constantes  na  escrituração  não  torna estes registros  inválidos ou imprestáveis. O alegado  problema resumir­se­ia ao tratamento que lhe foi dado.”  Da colaboração com a fiscalização   O  contribuinte  refuta  a  acusação  de  tentativa  de  omissão  de  informações  quanto à reconciliação. Afirma que apresentou a escrita com os ajustes (atinente a  2009)  antes  do  início  dos  procedimentos  de  fiscalização  e  que  solicitou  o  cancelamento de declarações de compensações que não seriam cabíveis em razão da  inexistência  de  débitos  fiscais  em  decorrência  da  reconciliação.  As  solicitações  fiscais só não foram atendidas de forma mais rápida em razão dos agentes do Fisco  terem lotado o contribuinte de solicitações de informações que a própria fiscalização  poderia ter obtido junto à escrita.  Confira­se parte do protesto (fls. 23.472/3):  Fl. 105363DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.347          99 “De  qualquer  forma,  saliente­se  mais  uma  vez,  que  a  grande  maioria  dos  documentos  solicitados  pela  Fiscalização  foram  entregues,  e  muitos  deles  referentes  a  outros  exercícios  não  lançados e cuja fiscalização continua em aberto. E não estamos  falando  de  meia  dúzia  de  documentos.  Estamos  falando  de  centenas  de  documentos  e  esclarecimentos,  que  resultaram  em  um  processo  administrativo  com  mais  de  23.000  páginas.  Estamos falando de uma empresa que só no ano de 2007 fez mais  de  2,8  milhões  de  lançamentos  contábeis.  Pode  isso  ser  classificado  como  falta  de  colaboração/atendimento  à  fiscalização?  Sendo  assim,  não  há  que  se  falar  em  falta  de  atendimento  à  fiscalização  pela  empresa  Impugnante.  A  verdade  é  que  a  estratégia  da  Fiscalização  foi  solicitar  uma  infinidade  de  informações,  documentos  e  planilhas  para  manter  os  funcionários  da  Impugnante  plenamente  ocupados  e  assim  ocultar  sua  verdadeira  intenção  de  buscar  justificativa  para  arbitrar o lucro da empresa.  Entretanto,  tal  atitude  não  encontra  guarida  no  ordenamento  jurídico tributário pátrio.  De  fato,  conforme  já  demonstrado,  era  dever  da  fiscalização  buscar,  por  quaisquer  meios,  a  apuração  do  lucro  real  da  empresa.  Portanto,  se  estivesse  encontrando  maiores  dificuldades, deveria, ao  invés de  ficar solicitando informações  repetitivas,  ter  intimado  a  Impugnante  para  retificar  a  contabilidade  nos  pontos  que  entendesse  necessário,  MAS  DE  FORMA  CLARA  E  MANIFESTANDO  O  OBJETIVO  DE  TAL  SOLICITAÇÃO,  respeitando  assim ao  já mencionado princípio  da  verdade  material,  assim  como  o  caráter  subsidiário  do  lançamento por arbitramento.  Conforme  se  depreende  dos  tópicos  anteriores  da  presente  impugnação,  os  supostos  equívocos  apontados  pelo  auto  de  infração  são  todos  quantificáveis  e  apurados  a  partir  dos  próprios  lançamentos  efetuados  pela  Impugnante  situação  que  evidentemente  não  torna  a  contabilidade  imprestável  como um  todo,  especialmente  porque  a  documentação  suporte  para  a  mesma (p.ex. notas fiscais de entradas e saídas de mercadorias)  refletia  a  realidade  das  operações  ua  Impugnante. Além disso,  não  afeta  um  universo  de  contas  que  tornaria  toda  a  contabilidade  imprestável.  Restringe­se,  na  sua  maioria,  a  contas  de  passivo  Intercia  Fornecimentos  e  Fornecedores  Estrangeiros  e  seus  reflexos  de  contrapartidas  nas  contas  de  estoques.”  Refere doutrina e jurisprudência que dariam guarida aos seus interesses.  Repisa,  então,  que  a  própria  fiscalização  reconheceu  a  confiabilidade  dos  sistemas  gerenciais  do  impugnante  e  que  jamais  houve  intimação  para  que  o  contribuinte refizesse sua escrita.  Do cancelamento da multa qualificada   Fl. 105364DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.348          100 O  contribuinte  refuta  a  aplicação  da  multa  qualificada  em  função  dos  seguintes motivos (fl. 23.475):  “(a) houve  violação dos princípios da motivação e do ônus da  prova  ao  não  serem  apresentadas  as  razões  e  as  provas  que  justificariam  a  aplicação  da  multa  qualificada,  em  especial  quanto  à  presença  do  dolo  nas  condutas  incorridas  pela  Impugnante;   (b)  a  Impugnante  não  incorreu  em  quaisquer  das  práticas  previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64; e, ainda,   (c) não houve conduta dolosa da Impugnante, tendo em vista sua  absoluta  boa­fé  ao  executar  a  reconciliação  contábil  levado  a  efeito,  bem  como  ao  longo  de  todo  o  procedimento  de  fiscalização.”  O  impugnante  reclama  acusação  fiscal  em  razão  de  que  “não  sabe  a  Impugnante se ela está sendo acusada de sonegação, fraude ou conluio, o que, por  óbvio,  dificulta  a  apresentação  de  uma  defesa  na  medida  em  que  cada  uma  das  situações  elencadas  na  Lei  n.  4.502/64  implica  na  apresentação  de  uma  linha  de  defesa diversa” (fl. 23.476). Por tal motivo, o ato administrativo teria violado o art.  2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, tendo em vista a falta de motivação,  bem como o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, porquanto não identificado o  dispositivo  legal  aplicado  (71,  72  ou  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1974).  A  omissão  da  fiscalização  quanto  a  identificação  da  conduta  dolosa  acarretaria  a nulidade do ato administrativo. Cita  farta doutrina e  jurisprudência a  respeito.  Retoma a questão da prova para afirmar que as provas dos autos demonstram  que o agir do contribuinte foi contrário ao impedimento ou retardo do conhecimento  pelo Fisco dos  fatos que envolvem a obrigação  tributária. Todos os  fatos estavam  registrados na escrita em janeiro de 2009 e a escrita foi entregue ao Fisco antes do  início da ação fiscal. As declaração cabíveis também foram regularmente retificadas.  Conclui seu protesto quanto a esse aspecto nos seguintes termos (fl. 23.486):  “Destarte,  seja  pelo  Fisco  ter  falhado  no  dever  de  trazer  aos  autos  as  provas  que  confirmassem  a  prática  de  quaisquer  das  hipóteses  previstas nos artigos 71, 72  e 73 da Lei n.  4.502/64,  seja  pelo  fato  de  a  Impugnante  ter  demonstrado  de  forma  categórica que não incorreu em nenhuma daquelas situações, é  imperativo  que  seja  cancelada  a  multa  agravada  de  150%  aplicada no auto de infração em evidência.  Ressalte­se,  ainda,  que  a  falta  de  motivação  pelos  autuantes  para  qualificação  da  multa  é  matéria  muito  conhecida  dos  órgãos julgadores. A Súmula n° 14 do CARF, por exemplo, teve  como origem precedentes que versavam sobre autuações fiscais  realizadas  com  multa  qualificada  sem  que  haja  comprovação  expressa do dolo. Não basta indicar a capitulação legal multa e  da  infração,  deve  haver  explicita  fundamentação  do  evidente  intuito  doloso.  O  enunciado  está  assim  redigido:  "a  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária  a comprovação do evidente intuito de fraude ".”   Fl. 105365DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.349          101 Alega, ainda, sua boa­fé durante todo o procedimento fiscal, conduta que se  contrapõe ao alegado dolo. Defende­se da seguinte forma (fls. 23.486/7):  “Conforme exposto, a prática de uma conduta dolosa é elemento  essencial  a  justificar a aplicação da multa qualificada. O dolo  em  casos  de  não­pagamento  de  tributos,  por  sua  vez,  é  caracterizado a partir de embaraços ao processo investigatório  levado  a  efeito  pelo  Fisco,  adulteração  de  documentação,  ou  mesmo práticas anteriores a qualquer processo de fiscalização e  que  visem  ocultação  ou  retardamento  do  Fisco  quanto  ao  conhecimento  de  fatos  geradores  (postergação  do  registro  de  fatos  geradores,  lançamento  a  menor  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação, notas calçadas, etc).  No entanto, nenhuma das situações que configuram indícios de  condutas dolosas identifica­se na espécie.”  Os dados considerados pelos agentes do Fisco estavam todos eles na escrita,  razão pela qual inviável a identificação de má­fé ou dolo no agir do impugnante, que  teria  prestado  “1.247  esclarecimentos  e  documentos  solicitados  ao  longo  da  fiscalização” (fls. 23.487/8).  Por  fim,  evoca  o  art.  37  da Constituição  Federal,  bem  como doutrina,  para  afirmar  que  a  ação  do  Fisco  deveria  ser  guiada  tendo  por  foco  a  orientação  dos  contribuintes,  nunca  a  perseguição  deles.  Ação  contrária  a  isso  estaria  ferindo  o  princípio da moralidade.  Da perícia   O  impugnante  assim  sustenta  a  necessidade  da  realização  de  perícia  (fl.  23.489):  “Diante de tudo o que foi exposto, verifica­se que a solução de  mérito  do  presente  processo  recai  sobre  a  verificação  da  prestabilidade  ou  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Impugnante para fins de apuração do lucro real. Em que pese a  Impugnante  ter  demonstrado  exaustivamente  que  sua  contabilidade  prestase  para  a  apuração  do  lucro  real,  mesmo  assim  entende  que  seria  necessário  a  realização  de  perícia  contábil na espécie para confirmar o alegado e demonstrado em  sua  impugnação.  Somente  a  perícia  contábil  espancaria  qualquer  dúvida  quanto  às  provas  já  produzidas  pela  Impugnante e para confirmar as alegações da Impugnante, caso  as provas já produzidas possam não ter sido suficientes para que  se demonstre a higidez da contabilidade da empresa em 2007.”  O contribuinte busca abrigo no princípio da verdade material, querendo que a  perícia  traga  a  prova  da  prestabilidade  da  escrita. Afirma que  o  indeferimento  da  perícia  geraria  evidente  cerceamento  do  direito  de  defesa.  Alega,  então,  que  a  fiscalização foi açodada em suas conclusões. Confira­se (fl. 23.491):  “Neste aspecto, a ora Impugnante entende que não era factível à  Fiscalização  avaliar  a  higidez  da  contabilidade  da  empresa  tendo  passado  somente  algumas  horas  em  um  dos  seus  estabelecimentos,  quando  a  empresa  de  auditoria  externa  Fl. 105366DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.350          102 contratada para auditar os anos de 2008, 2009 e 2010 dedicou  mais de 10.000 horas de trabalho para essa tarefa.”  Lança, então, os seguintes quesitos (fls. 23.492/3):  “1.Quais  são  os  livros  contábeis  e  fiscais  que  a  Dell  Computadores  do  Brasil  Ltda.  estaria  obrigada  a  possuir,  de  acordo com a legislação comercial/mercantil brasileira para os  anos de 2007 e 2009?  2.  Encontram­se  os  livros  de  escrituração  mercantil  da  Impugnante  obedecendo  as  formalidades  previstas  em  Lei  (Termo de Abertura e Encerramento devidamente registrados na  junta  comercial  do  Estado,  folhas  numeradas,  seqüenciais  e  identificando data dos registros e número do volume) para o Ano  de 2007 e 2009? Sendo positiva a resposta, estaria a DELL em  conformidade com as disposições legais exigidas?  3. Os registros nos Livros Razão de 2007 e 2009 são feitos com  os dados relativos à data do evento, histórico e valores de débito  ou  crédito?  Os  registros  são  feitos  na  forma  de  partidas  dobradas?  4.  Referente  ao  ano  de  2007,  o  Sr.  Perito  poderia  examinar  e  descrever  os  procedimentos  de  guarda  dos  documentos  de  suporte aos lançamentos contábeis e por amostragem certificar  que os mesmos obedecem à boa técnica contábil?  5. Além dos documentos  identificados na resposta oferecida ao  quesito  anterior,  diga  o  Sr.Perito  se  é  possível  afirmar  que  os  registros  contábeis  de  compras  e  pagamentos  nas  contas  de  Fornecedores  Estrangeiros  e  Intercia  Fornecimentos  dos  anos  de 2007 e 2009 permitem a identificação de documentos como as  notas  fiscais,  a  declaração  de  importação  e  invoices?  Considerando  a  resposta  anterior,  diga  o  Sr.  Perito  se  tais  registros  permitem a  rastreabilidade das operações  comerciais  da empresa e servem a atestar a sua existência.  6. Poderia o Sr. Perito examinar o plano de contas e a estrutura  de  contas  do  balanço  e  demais  demonstrações  financeiras  da  Impugnante  para  os  anos  de  2007  e  2009  e  certificar  que  os  mesmos estão de acordo com as exigências legais?  7.  O  registro  no  Livro  Diário  de  2007  era  efetuado  de  forma  resumida,  por  totais  mensais?  A  empresa  apresentava  livro  auxiliar nessa oportunidade conforme prescreve o artigo 258 do  RIR? Eventual deficiência nessa forma de registro foi corrigida  com  o  processo  de  reconciliação  realizado  pela  empresa  e  registrado no balanço de janeiro de 2009?  8. O  resultado  da  reconciliação  promovida  pela  Impugnante  é  identificável no SPED? Como e em que grau de detalhe? Queira  o Sr. Perito documentar com exemplos sua resposta.  9.  O  procedimento  da  empresa  de  lançar  o  resultado  da  reconciliação dos saldos das contas de 2007 em janeiro de 2009  Fl. 105367DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.351          103 está  de  acordo  com  as  normas  e  a  boa  prática  contábil,  considerando  que  esse  processo  concluiuse  após  o  fechamento  do  exercício  de  2006?  Explique  detalhadamente  o  Sr.  Perito  como  se  deu  o  referido  ajuste,  apontando  as  contas  movimentadas e os valores envolvidos.  10.  Descreva  o  Sr.  Perito  qual  foi  o  procedimento  contábil  adotado pela Impugnante para a realização da reconciliação das  contas  de  estoques  Este  procedimento  foi  adotado  segundo  critérios adequados sob a ótica da técnica contábil? Ao adotar  tal  procedimento  era  esperado  que  as  contas  de  lucros  e  prejuízos acumulados fossem igualmente ajustadas?  11. Pede­se ao Sr. Perito que  traga aos autos a Demonstração  de Resultado da Dell Inc. e da Dell Brasil para os anos de 2006,  2007,  2008  e  2009.  Pede­se  que  o  Sr.  Perito  apure  o  representatividade  percentual  do  total  de  receitas  de  vendas  entre uma companhia e a outra.  12.  Diga  o  Sr.  Perito  qual  é  a  definição  do  conceito  de  materialidade para fins contábeis e de auditoria e considerando­ se tais definições se os valores percentuais apurados no quesito  anterior indicam que os mesmos seriam materiais.  13.  Pede­se  ao  Sr.  Perito  que  ilustre  através  de  uma  linha  do  tempo como se deram os ajustes na contabilidade da Dell Brasil  e comparação com os reportados à Dell Inc..  14. Diga o Sr. Perito se os registros de ajustes da contabilidade  da  Dell  Brasil  em  2009  de  alguma  maneira  impactaram  os  resultados da Dell Inc. em 2006 e 2007.  15. Pede­se  ao  Sr. Perito  para apurar os  valores dos  estoques  matérias­primas em 31 de dezembro de 206 e 2007 obedecendo a  algum um dos critérios que determina o artigo 295 do RIR.  16.  Pede­se  ao  Sr.  Perito  que  determine  qual  ao  valor  dos  estoques de produtos acabados, de matérias­primas e do estoque  total. Quanto  representa percentualmente o valor dos produtos  acabados em relação ao total de matérias­primas e estoque final  para a data de 31 de dezembro de 2007?  17.  Considerando  os  livros  obrigatórios  de  escrituração  mercantil da Impugnante em conjunto aos documentos que dão  suporte aos seus registros para o ano de 2007 e também os erros  apontados  no  Auto  de  Infração,  seria  possível  ao  Sr.  Perito  apurar o Lucro Real para o ano de 2007?”  E, então, indica perito, nos seguintes termos (fl. 23.493):  “Por fim, e atendendo aos requisitos exigidos pela legislação no  que tange ao pedido de perícia, desde logo a Impugnante indica  o  senhor  José  Francisco  Compagno,  contabilista  inscrito  no  CRC/SP sob o n° 1 SP 168744, sócio da empresa Ernst & Young  Terço,  com  endereço  à  Av.  Juscelino  Kubitscheck,  1830  Torre  110° andar, Bairro Itaim, São Paulo/SP, CEP 04543900, como  Fl. 105368DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.352          104 perito  para  a  realização  da  perícia  ora  requisitada. O mesmo  pode ser contatado pelos telefones (11) 2573­3215 ou (11) 7543­ 1683  ou,  ainda,  pelo  email  jose­ francisco.compagno@,br.ev.com.”  Dos equívocos na apuração do IRPJ e da CSL acaso mantido o lançamento   O  contribuinte  reclama  da  não  consideração,  pela  fiscalização,  de  valores  quitados por via de compensação a  título de IRPJ e de CSL relativamente ao ano­ calendário 2007. Refere que a fiscalização deduziu da exigência apenas os valores  recolhidos  consoante Documento de Arrecadação de Receitas Federais – Darf,  ou  seja, somente considerou os pagamentos. A esse respeito, informa a posição adotada  pela fiscalização. Confira­se (fl. 23.494):  “Em verdade, a Fiscalização referiu a existência de pagamentos  via  compensação  (fls.  317/318),  mas  por  entender  que  "não  houve a homologação" destes pagamentos os valores não foram  abatidos do saldo de IRPJ e CSLL supostamente devidos.”  O impugnante discorda da posição fiscal por entender que a apresentação da  declaração de compensação extingue o débito tributário, sendo necessária a rejeição  da compensação proposta para que o débito passe a restar em aberto. Enquanto não  apreciada a declaração de compensação, o débito está quitado.  Refere os arts. 150, § 1º, e 156, II, do CTN, bem como o art. 74, § 2º, da Lei  nº  9.430,  de  1996.  Apresenta,  também  jurisprudência  administrativa.  Junta  os  Per/Dcomp  que  deseja  sejam  considerados  (“PERDCOMP  n.°s  30495.04035.281207.1.3.01­0657  e  32852.07322.310108.1.3.01­6910  (Doc.  33),  requer  seja  descontado  do  valor  cobrado  a  título  de  IRPJ  o  montante  de  R$  9.986.990,98 e R$ 3.549.956,75 a título de CSLL, acrescidos dos seus consectarios  legais de multa e juros” – fl. 23.496).  Dos equívocos na apuração da Cofins e do PIS   O impugnante acusa os seguintes equívocos (fl. 23.497):  “(i)  Erro  de  cálculo  que  deixou  de  adicionar  um  valor  de  R$  2.211.763,96 na apuração das operações sujeitas à alíquota zero  de PIS e COFINS quando das vendas à pessoas jurídicas;   (ii)  Erro  de  transporte  de  valores  na  planilha  utilizada  para  apuração  das  operações  sujeitas  à  alíquota  zero  nas  vendas  à  pessoa  física  erro  que  deixou  de  incluir  um  valor  de  R$  R$  409.373,81,  na  apuração  do  total  de  vendas  sujeito  à  alíquota  zero;   (iii) Falha ao não excluir o IPI do preço de venda dos produtos  para verificar as vendas sujeitas à alíquota zero em atenção aos  limites colocados na Lei n. 11.196/2005;   (iv) Apuração das vendas sujeitas à alíquota zero sem considerar  que  as  vendas  a  pessoas  jurídicas  atacadistas  e  varejistas  de  equipamentos  de  informática  eram  destinadas  à  incorporação  em seus ativos imobilizados e não para fins de revenda;   Fl. 105369DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.353          105 (v) Erro ao não excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS  diversas operações de vendas efetuadas pela ora Impugnante a  clientes localizados na Zona Franca de Manaus.”  Dos juros de mora sobre a multa de ofício   O contribuinte protesta contra a cobrança de juros de mora sobre a multa de  ofício por entendêla ilegal frente aos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996. A lei somente autorizaria a exigência de juros “sobre débitos  decorrentes de tributos e contribuições”. Não haveria margem para interpretar a lei  de sorte a exigir juros sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da Câmara Superior de  Recursos  Fiscais  teria  se  pronunciado  nesse  sentido  quando  da  apreciação  do  Recurso Especial nº 10.316.1331, quando da adoção do acórdão nº 9101­00.722, em  8 de novembro de 2010. Defende, em suma, o seguinte (fl. 23.507):  “a  incidência de  juros calculados à  taxa SELIC sobre "débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administradas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal"  não  contempla  a  incidência  de  juros  sobre  multas  de  ofício,  pois  estas  penalidades  não  são  decorrentes  de  tributos  ou  contribuições,  mas  decorrentes  do  descumprimento  do  dever  legal de recolhe­las”   Dessa forma, o procedimento fiscal padeceria de falta de base legal para a sua  aplicação.  Entende  o  contribuinte  que  o  Fisco  somente  poderia  exigir  juros  incidentes  sobre  as  multas  decorrentes  da  inobservância  de  obrigação  acessória,  quando cobrada a multa de forma isolada, tendo em vista a redação do art. 43 da Lei  nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Das conclusões e do pedido   O impugnante conclui sua petição lançando o seguinte pedido (fls. 23.508/9):  “preliminarmente:  a)  que  se  operou  a  decadência  sobre  todos  os  lançamentos  realizados pelo auto de infração impufe ' o relativos ao imposto  de renda e à contribuição social sobre o lucro relativos ao 1º e  2° trimestres de 2007; e   b) igualmente, que se operou a decadência do direito do Fisco de  lançar  as  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS  relativas  aos  meses que vão de janeiro a agosto de 2007;   no mérito:  c)  que  não  se  encontram  presentes  os  pressupostos  para  utilização  do  lançamento  por  arbitramento,  eis  que  não  comprovadas  a  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Impugnante, assim como a impossibilidade de se apurar o lucro  real por outros documentos (provas diretas);  d)  que  não  cabe  a  utilização  do  arbitramento  quando  as  irregularidades  podem  ser  qualificadas  e  quantificadas  pela  fiscalização;  Fl. 105370DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.354          106 e)  que  não  cabe  a  utilização  do  arbitramento  quando  as  irregularidades  apontadas  constituem  infrações  tipificadas  na  legislação;   f)  que,  no  caso  concreto,  a  própria Fiscalização  reconheceu  a  existência de "base confiável" no Sistema Gerencial da empresa  e, por isso, negligenciou em apurar o lucro real;   g)  que  a  Fiscalização  omitiu­se  no  seu  dever  de  intimar  a  Impugnante para retificar sua escrita  fiscal antes de realizar o  lançamento por arbitramento;   h)  que  o  arbitramento  foi  utilizado  indevidamente  como  instrumento  de  punição  à  Impugnante  e  como  forma  de  compensar a Fazenda Nacional dos valores que a Fiscalização  entende foram inadimplidos pela Impugnante; e, ainda   sucessivamente:  i)  ausência  dos  pressupostos  para  aplicação  da  multa  qualificada;   j)  a  ocorrência  de  pagamentos  de  IRPJ  e  CSLL  via  compensação, conforme referido no item 9;   k) que as bases de PIS e COFINS foram indevidamente apuradas  e que,  na  remota hipótese de manutenção do auto de  infração,  devem as referidas contribuições serem recalculadas excluindo­ se  a  integralidade  dos  valores  relativos  às  vendas  sujeitas  à  alíquota  zero,  bem  como  do  valor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI  e  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus.  REQUER  a  Impugnante  seja  inteiramente  provida  a  presente  impugnação  para,  preliminarmente  se  acolher  a  decadência  argüida,  assim  como,  no  mérito,  seja  julgado  improcedente  o  lançamento ora  combatido. Na eventualidade de  ser mantido o  lançamento  ora  combatido,requer­se,  sucessivamente,  seja  afastada  a  multa  qualificada  imposta  no  auto  de  lançamento  impugnado, deduzidos do lançamento os valores de IRPJ e CSLL  compensados  e  ajustadas  as  bases  de PIS  e Cofins,  bem  como  excluídos  os  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  tudo  isso  acompanhado dos encargos acrescidos.  Ainda, protesta­se pela produção de todas as provas em direito  admitidas, em especial a prova pericial já requerida e a juntada  de  outros  documentos  e  laudos  que  eventualmente  se  fizerem  necessários  à  comprovação  dos  argumentos  lançados  na  presente impugnação.  Por  fim,  requer  sejam  as  intimações  referentes  ao  presente  processo  realizadas  no  endereço  da  Impugnante  indicado  no  preâmbulo da presente impugnação, assim como no endereço de  seus procuradores, que recebem intimações em Porto Alegre na  Av. Borges de Medeiros, 2233, 4º andar, CEP 90110­150.”  Dos eventos posteriores à impugnação   Fl. 105371DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.355          107 Em  26  de  dezembro  de  2012,  foi  determinada  a  realização  de  diligência.  Confira­se os termos da determinação (fls. 98.375 a 98.379):  “O presente processo contempla o lançamento de tributos, sendo  que  os  tributos  incidentes  sobre  a  renda  e  o  lucro  tiveram  as  bases de cálculo arbitradas. Uma vez que adotada a sistemática  do  lucro arbitrado, restou afastado o regime de apuração não­ cumulativo  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS, consoante disposto no art. 8º, II, da Lei  nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002.  No  caso  em  exame,  o  contribuinte  efetuou  ajustes  em  sua  contabilidade com a finalidade de torna­la prestável. Verifique­ se  a  palavra  do  contribuinte  a  respeito  dos  trabalhos  de  recuperação da escrita, denominado “reconciliação”:  “O  trabalho  de  reconciliação  que  foi  então  executado  entre  fevereiro  de  2007  e  julho  de  2008,  tinha  por  objetivo  eliminar  inconsistências nos saldos de certas contas da contabilidade...”  (fl. 23.370)  “Do relatório da Grant Thornton, portanto, fica evidente que a  motivação da Dell para executar o processo de reconciliação da  contabilidade não era ocultar passivos fiscais. Ao contrário: sua  intenção  certamente  era  elimina­los  caso  decorressem  de  inconsistências  contábeis.  Sua  intenção  era  corrigir  saldos  contábeis  e  qualquer  risco  deles  advindos,  em  especial  considerando  sua  condição  de  empresa  com  ações  comercializadas na Nasdaq, EUA.” (fl. 23.371)  Especificamente  quanto  às  contas  bancárias,  o  contribuinte  reproduziu  relatório  emitido  por  seu  consultor  para  fins  do  trabalho de recuperação da escrita. Confira­se:  “Bancos  Contas Movimento —Não  foram  incluídas  no  escopo  original  do  trabalho  devido  ao  fato  de  que  as  mesmas  eram  consideradas  pela  Dell  como  conciliadas  pela  sua  equipe  interna. O fato da  inclusão das contas de Bancos no escopo se  deu pela verificação em outras conciliações da falta de registros  identificados  nos  extratos  bancários  e  não  registrados  na  contabilidade,  causando  impacto  direto  nas  conciliações.”  (fl.  23.372)  A  Fiscalização  confirmou  que  o  escopo  do  trabalho  de  “reconciliação”  restringiu­se  ao  saldo  das  contas  contábeis  relativamente  às  operações  bancárias.  Repriso  “Relatório  da  Ação Fiscal”:  “Ao  serem  conferidos  os  extratos  bancários  dos  meses  de  dezembro de cada ano com a contabilidade ajustada, os mesmos  conferem,  confirmando  que  a  contabilidade  original  estava  errada.  Porém,  quando  adentramos  em  outros  meses  para  os  quais  foram  apresentados  balancetes  fiscais  da  contabilidade  ajustada (p.ex. janeiro de 2007) e comparamos com os extratos  Fl. 105372DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.356          108 bancários correspondentes, o alinhamento deixa de existir.” (fl.  23.192)  A Fiscalização requereu os documentos atinentes às conciliações  ditas  efetuadas,  tendo  constatado  “que  foram  feitos  apenas  ajustes nos meses de dezembro e não uma efetiva conciliação de  toda a movimentação bancária”  (fl. 23.193). Além disso,  tendo  em vista a magnitude da movimentação bancária  e dos ajustes  efetuados,  seria  de  esperar  um  trabalho  de  vulto,  que  identificasse  motivadamente  os  ajustes  empreendidos.  Ocorre,  entretanto,  que  as  “ditas  conciliações  bancárias  consistem  em  meia  dúzia  de  folhas  por  ano,  literalmente,  onde  apresenta  alguns  ajustes  de  saldos  de  forma  global  (doctos.  às  fls.  2152/2184).” (fl. 23.194)  Quanto  aos  ajustes  operados  pelo  contribuinte  em  sua  escrituração  relativamente  à  movimentação  bancária  operada  durante  o  ano­calendário  2007,  assim  se  manifestou  o  impugnante:  “Saliente­se que as contas bancárias não estavam no escopo do  trabalho  de  reprocessamento  contábil,  pois  as  mesmas  eram  consideradas  conciliadas,  dentro  do  procedimento  rotineiramente  adotado,  conforme  descrito  nos  parágrafos  acima.  Porém,  durante  o  reprocessamento,  foi  verificado  que  apesar  da  existência  das  conciliações  e  da  identificação  das  divergências entre contabilidade e extrato, nem todos os ajustes  identificados estavam devidamente registrados na contabilidade  original,  logo decidiu­se  incluir as contas de banco no escopo,  com  a  finalidade  de  eliminar  as  diferenças  remanescentes  da  conciliação original.  Em  todos  os  meses,  os  lançamentos  propostos  pelo  projeto  de  reconciliação  foram  realizados  nos  mesmos  meses  em  que  as  pendência  foram  originadas,  no  entanto  vale  relembrar,  que  alguns ajustes oriundos de conciliação bancária já tinham sido  registrados  na  contabilidade  original,  mas  dado  ao  encerramento  mensal  dos  períodos,  tais  ajustes  somente  eram  registrados em meses posteriores. Como o escopo do projeto de  reconciliação  para  as  contas  de  banco,  conforme  explicado  acima,  era  de  regularizar  as  pendências  remanescentes,  os  saldos  mensais  entre  extrato  e  contabilidade  não  ficaram  alinhados, exceto dezembro, não podendo desta forma, afirmar­ se  que  não  havia  controle  da  movimentação  financeira.  Em  dezembro, a equipe responsável pelas conciliações aproveitou a  abertura do período de  lançamentos e optou identificar ajustes  de  conciliação  realizados  na  contabilidade  original  em  meses  posteriores  a  dezembro,  os  estornou  e  lançou  novamente  na  competência  de  dezembro,  desta  forma,  alinhando  extrato  e  saldo  contábil.  Este  procedimento  não  foi  adotado  para  os  demais  meses  do  ano,  dado  ao  volume  de  trabalho  que  seria  necessário  e  a  preocupação  de  concluir  o  projeto  de  reconciliações no menor tempo possível.” (fl. 23.450)  Fl. 105373DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.357          109 Juntamente  com  a  impugnação,  o  contribuinte  apresentou  “Laudo  Pericial  Contábil  Extrajudicial”,  emitido  por  Ernst &  Young Terco. Do referido documento extrai­se o seguinte trecho:  “Considerando os livros obrigatórios de escrituração mercantil  da Impugnante em conjunto aos documentos que dão suporte aos  seus registros para o ano de 2006 e também os erros apontados  no Auto de Infração, seria possível ao Sr. Perito apurar o Lucro  Real para o ano de 2006?  Sim.  As  premissas  assumidas  para  suportar  nossa  conclusão  foram as seguintes:  a)  Todos  os  testes  efetuados  para  as  respostas  aos  quesitos  apresentados  neste  laudo  confirmaram  a  possibilidade  de  rastrear  o  documento  suporte  dos  lançamentos  contábeis  efetuados. Ou  seja,  para  cada  lançamento  contábil  testado,  foi  possível  identificar  um  documento  suporte  e  o  procedimento  inverso  (partir  de  um  documento  suporte  e  o  identificar  o  respectivo lançamento no registro contábil) também se mostrou  efetivo.” (fl. 97.591 e 97.592)  Parecer  emitido  PricewaterhouseCoopers  aponta  conclusão  semelhante. Confira­se:  “(iii)  Considerando  os  livros  obrigatórios  de  escrituração  mercantil da  impugnante em conjunto aos documentos que dão  suporte aos seus registros para o ano de 2006 e também os erros  apontados no auto de infração seria possível apurar o lucro real  para o ano de 2006?  ...  Ainda,  pela  análise  em  base  de  testes  dos  livros  diário  e/ou  razões,  disponibilizados  pela  Dell,  verificamos  que  os  lançamentos contábeis estão apresentados de forma sintética ou  analítica,  a  depender  da  conta  contábil  objeto  da  análise.  Em  virtude  disso,  realizamos  testes  para  verificar  a  existência  ou  não  de  fichas  e/ou  controles  que  suportam  e  detalham o  saldo  sintético  informado  no  razão  e  constatamos  que  todos  os  itens  selecionados estão suportados pela documentação respectiva.  ...  Com  relação  à  data  da  escrituração  dos  documentos  fiscais,  entendemos, nos termos da Súmula nº 76 do Tribunal Federal de  Recursos, que em matéria de imposto de renda, eventual atraso  na escrita não legitima a sua desclassificação. Desta modo, para  fins  de  resposta  aos  quesitos  elaborados,  atentamos  especialmente  para  a  existência  e  congruência  de  elementos  concretos que permitam a apuração do lucro real da sociedade e  que não desclassifiquem a sua escrita fiscal.  Percebe­se,  através  da  análise  da  apuração  do  lucro  real,  lastreada  pela  documentação  suporte  e  dos  livros  fiscais  inspecionados,  que  não  obstante  os  livros  possuírem  falhas  Fl. 105374DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.358          110 pontuais  de  preenchimento,  os  mesmos  possuem  elementos  suficientes  para  se  aferir  o  lucro  real  obtido  pela  sociedade.”  (fls. 97.720, 97.723 e 97.724)  Diante  dos  elementos  expostos,  solicita­se  à  unidade  preparadora  que,  à  luz  de  trabalho  de  auditoria,  se manifeste  conclusivamente  a  respeito  dos  ajustes  operados  na  escrita  do  contribuinte  relativamente  às  contas  que  registram  a  movimentação bancária por ele desenvolvida no ano­calendário  2007, esclarecendo quanto à integralidade ou não dos registros.  Em  outras  palavras,  a  contabilidade  do  ano­calendário  2007  ajustada contempla toda a movimentação bancária ou os ajustes  somente  alinharam  os  saldos  contábeis  com  aqueles  indicados  nos extratos emitidos pelas instituições financeiras?  Paralelamente,  solicita­se  sejam juntados aos autos cópias dos  livros  registro  de  inventário  do  contribuinte  que  retratem  seus  estoques ao final dos anos­calendário 2006 e 2007, tanto para a  contabilidade original quanto para a ajustada.  O  contribuinte  protesta,  também,  contra  equívocos  fiscais  na  apuração da Cofins e do PIS segundo o regime cumulativo (fls.  23.496  a  23.504),  com  o  qual  não  concorda  (labora  protesto  alternativo).  Diante  das  alegações  apresentadas,  solicita­se  à  unidade  preparadora  que,  observadas  as  limitações  impostas  pela  legislação,  se  manifeste  a  respeito  dos  erros  de  cálculo  apontados  no  item  10  da  impugnação  (fls.  23.498  a  23.504),  recalculando  as  dívidas  de  Cofins  e  PIS  caso  identifique  a  existência dos erros alegados.  A manifestação da autoridade administrativa,  fruto da presente  diligência,  deverá  ser  cientificada  ao  interessado.  Restará,  então, reaberto ao contribuinte o prazo de trinta dias para que  se  manifeste  exclusivamente  a  respeito  dos  termos  da  manifestação da autoridade administrativa.  Após, os autos deverão retornar à Delegacia de Julgamento para  a continuidade do julgamento.”  Em  22  de  janeiro  de  2013,  a  fiscalização  se  manifestou  a  respeito  dos  equívocos na apuração da Cofins e do PIS, aspectos questionados pelo impugnante.  A  fiscalização  entendeu  como  procedentes  as  reclamações  (erros materiais)  constantes  dos  itens  10.1  e  10.2  da  impugnação.  Por  esse motivo,  foi  efetuado  o  recálculo das dívidas de Cofins e PIS exigidas relativamente aos meses de janeiro e  fevereiro de 2008. Verifique­se a alteração acatada (fl. 23.304 c/c fl. 98.385):     PIS Lançado  PIS Corrigido  Cofins Lançado  Cofins Corrigido  Janeiro/2007  821.049,98  807.088,31  3.789.461,43  3.725.022,96  Fevereiro/2007  369.908,22  366.832,49  1.707.268,70  1.693.073,04  Quanto aos demais itens (10.3 a 10.5), a fiscalização refutou a reclamação do  contribuinte nos seguintes termos (fl. 98.386):  Fl. 105375DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.359          111 “Esses  itens  da  impugnação  apresentada  versam  sobre  a  não  exclusão do valor do IPI para fins de verificação do limite da Lei  11.196/2005 para a alíquota zero (10.3), a não consideração das  vendas  a  empresas  com  CNAE  de  vendedoras  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos  de  informática  (10.4)  e  da  não  consideração de vendas a empresas localizadas na ZFM (10.5).  Com relação aos itens 10.3 e 10.4, a fiscalização tem a informar  que  o  artigo  28  da  Lei  11.196/2005  traz  expressamente  a  expressão”receita  bruta  de  venda  a  varejo”  por  isso  o  valor  verificado das notas fiscais para fins dos limites mencionados na  lei são os valores de venda bruta constantes das notas fiscais, ou  seja, o preço pago pelo adquirente no qual o IPI está incluso; e  deriva  dessa  mesma  expressão  “...a  varejo”  a  motivação  da  fiscalização  para  que  as  vendas  a  empresas  com  CNAE  de  vendedores  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos  de  informática  não  fossem  considerados  como  sujeitas  à  alíquota  zero.  “Lei 11.196/2005   Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de  venda a varejo:”  Já a respeito do item 10.5, vendas a ZFM, a fiscalização explica  em seu Relatório na folha 23.296, item “j” que apenas as vendas  registradas nos códigos CFOP 6109 e 6110 foram consideradas  como  sujeitas  à  tributação  à  alíquota  zero  para  fins  de  PIS  e  Cofins.  Com  essas  colocações  a  fiscalização  mantém  os  cálculos  apresentados  no  Relatório  de  Ação  Fiscal  (exceção  janeiro  e  fevereiro, corrigidos de acordo com os itens “a” e “b” acima) e  informa que não há outras correções a serem feitas na apuração  dos tributos PIS e Cofins cumulativos.”  Em 21 de fevereiro de 2013, o contribuinte apresentou sua manifestação em  função do resultado do trabalho de diligência acima relatado (fls. 98.388 a 98.395).  O  impugnante  nada  opôs  quanto  à manifestação  fiscal  a  respeito  dos  itens  10.1  e  10.2  da  impugnação,  uma  vez  que  os  argumentos  expendidos  pelo  impugnante  foram aceitos pela fiscalização. Quanto aos demais itens (10.3 a 10.5), o impugnante  discorda da posição fiscal.  Segundo defende,  relativamente ao  item 10.3, o IPI destacado na nota fiscal  não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Como o IPI não integra a receita  bruta,  consoante  art.  279  do  RIR/1988,  não  pode  ser  considerado  para  fins  da  aplicação da alíquota zero no art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005.   No que diz respeito às vendas para vendedores atacadistas (item 10.4), alega  que  as  referidas  pessoas  podem  ser  compradoras  de  equipamentos  para  utilização  própria. A fiscalização teria feito uso de presunção que não condiz com a realidade.  Por fim, quanto às vendas efetuadas a clientes localizados na Zona Franca de  Manaus, protesta pela aplicação do art. 2º da Lei nº 10.996, de 2004, que sujeitam  essas operações à alíquota zero. Junta documento com o intuito de demonstrar que  Fl. 105376DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.360          112 essas vendas atingiram o montante de R$ 6.962.815,27, e não R$ 366.758,40 como  referido pelo agente do Fisco, consoante CFOP 6109 e 6110.  Mais  adiante,  no  dia  4  de  junho  de  2013,  a  fiscalização  se  manifestou  a  respeito do registro contábil da movimentação bancária e da formalização dos livros  Registro de Inventário.  Quanto ao registro da movimentação bancária, as conclusões fiscais foram as  seguintes (fls. 104.108 a 104.112):  “2.7.2  Resumo  das  irregularidades  identificadas  por  amostragem Depois  de  fazermos  a  analise  por  amostragem  de  toda  a  contabilidade  da  Empresa,  incluindo  a  contabilidade  original e os ajustes lançados pela reconciliação, identificamos  vários pontos em descordo com as normas contábeis. Lembrando  que  os  livro  Diário  deveria  refletir,  como  seu  próprio  nome  sugere, diariamente, toda a movimentação bancária contida nos  extratos. Ou  seja,  o  fluxo  financeiro,  necessariamente,  deveria  estar  contido  nos  registros  contábeis  na  mesma  data  de  sua  ocorrência.  As inconsistências encontradas foram detalhadas ao longo desta  informação, a seguir elencamos alguns itens que resumem o que  foi constatado:  a)  Falta  de  contabilização  dentro  da  data  de  competência  de  pagamentos a fornecedores em todo o mês de janeiro e de parte  de  outros  meses,  lançados  em  data  futura  (inclusive  dias  de  feriados),  sem  menção  da  data  original  no  histórico–  subitem  2.4.2.3, 2.4.3.2 e 2.5.1.  b) Não comprovação de registros contábeis para os pagamentos  a  fornecedores constantes dos extratos bancários, mencionados  na alínea anterior – subitem 2.4.2.3.  c)  Não  contabilização  diária  da  movimentação  bancária  de  aplicações e resgates, entre conta corrente e conta de aplicação  float  do  Citibank  em  todos  os  meses  de  2007,  envolvendo  centenas de registros bancários, e centenas de milhões de reais –  sendo contabilizada apenas por partidas mensais subitem 2.4.2.  d)  Não  contabilização  diária  da  movimentação  bancária  de  transferências entre os vários bancos distintos em todos os meses  de  2007,  nos  quais  a  empresa  mantinha  conta,  envolvendo  dezenas  de  registros  bancários  e  dezenas  de milhões  de  reais,  sendo  feito  apenas  por  partidas  mensais  –  subitens  2.4.2.3,  2.4.3.2 e 2.4.4.2.  e)  Não  contabilização  diária  da  movimentação  bancária  de  aplicações e resgates, entre conta corrente e conta de aplicação  float  do  Bankboston  nos  meses  de  janeiro  a  março  de  2007,  envolvendo dezenas de registros bancários, e dezenas de milhões  de  reais  –  sendo  contabilizada  apenas  por  partidas  mensais  subitem 2.4.3.  Fl. 105377DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.361          113 f) Não contabilização diária da movimentação bancária relativa  a despesas bancárias, CPMF, débitos/ créditos de renda variável  (hedge) – subitens 2.4.2.3, 2.4.3.2, 2.4.4.2.  g)  Contabilização  em  data  posterior  ao  fato  contábil,  sem  mencionar  no  histórico  a  data  de  origem  –  subitens  2.4.2.3,  2.4.3.2 e 2.4.4.2.  h) Lançamentos de ajustes de reconciliação com novo registro, e  estornos  feitos  em  contas  diversas  das  que  haviam  recebido  o  lançamento original – subitens 2.4.2.3 e 2.4.3.2.  i) Não contabilização de valores  transitados em conta corrente  do HSBC, que seriam transferências de recursos de empregados  para o exterior, sem prova documental – subitem 2.4.4.2.  j)  Ajuste  globalizado  no  valor  de R$  7.483.769,26  lançado  em  06/2007  na  conta  111031038  Bankboston  Rend.  Flutuan,  cuja  origem foram 3 lançamentos a maior no total de R$ 10.156.151,  e  6  registros  bancários  de  recebimento  de  clientes/  aplicações  que deixaram de ser contabilizados, somando R$ 17.638.920,13.  Todas as inconsistências têm origem em 2006, e deixaram de ter  o  tratamento  de  ajuste  individualizado  como  prescrevem  as  normas contábeis – itens 2.6.1 a 2.6.3.  k)  O  ajuste  globalizado  no  valor  de  R$  7.483.769,26  citado  acima,  reflete  uma  série  de  inconsistências  que  só  podem  ser  identificadas em planilha extracontábil, o seu histórico deixa de  fazer  qualquer  referência  à  origem  deste  valor,  e  a  conta  de  contrapartida  usada  não  guardava  qualquer  relação  com  os  fatos ajustados.  l)  Ainda  sobre  o  ajuste  globalizado  acima,  como  se  deixou  de  tratar individualmente cada uma das inconsistências, e as quais  evolviam  diretamente  recebimentos  de  clientes,  a  Empresa  precisou  fazer  um  outro  ajuste  globalizado  de  7  milhões  em  31/01/2009 para ajustar o saldo da conta clientes nacionais, com  isso, várias centenas de documentos fiscais teriam ficado sem o  reconhecimento  contábil  de  baixa,  de  forma  individualizada,  como exigem as normas contábeis.  m)  Na  reconciliação  de  31/01/2009,  foi  feito  lançamento  de  ajuste  em  relação  à  operação  financeira  de  contratos  futuros,  originária  de  2006,  de  forma  a  desvirtuar  o  efetivo  aproveitamento das perdas para  fins  fiscais,  gerando um custo  indevido  dentro  do  ano  de  2007  no  valor  de R$  3.722.167,91.  Para  isso  foi  usada  de  forma  indevida  a  conta  111031084  Citibank Conta Vinculada – subitem 2.6.3.2.  n)  Em  função  do  uso  indevido  da  conta  111031084  Citibank  Conta Vinculada para ajustes que não deveria participar, e em  função de uma série de outros lançamentos indevidos ou falta de  lançamentos,  a  referida  conta  sofreu  um ajuste  globalizado  no  valor de R$ 3.537.643,07. Com isso, mais uma vez contraria as  normas  contábeis,  pois  deixa  de  tratar  cada  irregularidade  Fl. 105378DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.362          114 individualmente  para  fazer  um  ajuste  único  com  base  em  planilha extracontábil.  O resumo acima não substitui o que é detalhado em cada uma  dos itens ao longo deste relatório.  2.7.3 Resposta aos questionamentos da DRJ  Para concluir, voltemos ao questionamento da DRJ: “Diante dos  elementos expostos, solicita­se à unidade preparadora que, à luz  de  trabalho  de  auditoria,  se  manifeste  conclusivamente  a  respeito  dos  ajustes  operados  na  escrita  do  contribuinte  relativamente às contas que registram a movimentação bancária  por  ele  desenvolvida  no  ano­calendário  2007,  esclarecendo  quanto à integralidade ou não dos registros.  Em  outras  palavras,  a  contabilidade  do  ano­calendário  2007  ajustada contempla toda a movimentação bancária ou os ajustes  somente  alinharam  os  saldos  contábeis  com  aqueles  indicados  nos extratos emitidos pelas instituições financeiras?”  Da indagação acima, entende­se que há duas perguntas a serem  respondidas: 1º) se os ajustes  lançados na reconciliação foram  feitos  de  forma detalhada por  fato  contábil,  ou  se  foram  feitos  apenas  registros  globais  ao  final  do  período;  2º)  se  a  contabilidade  ajustada  (registros  originais  +  ajustes  da  reconciliação) contempla toda a movimentação bancária.  No tocante aos ajustes lançados na reconciliação de 31/01/2009,  a  grande  maioria  destes  foi  feito  por  documento  fiscal,  identificando em seu histórico a data de origem do fato contábil  ajustado. O que pode ser visualizado, por exemplo, na extração  feita da conta 111021004 – Citibank – fls. 103.108/ 103.153.  Mas  há  exceção  a  estes  ajustes  contabilmente  adequados  em  31/01/2009.  Em  menor  quantidade,  mas  com  relevância  em  valores  envolvidos,  como  é  o  caso  do  ajuste  global  na  conta  111031084  –  Citibank  Conta  Vinculada  no  valor  de  R$  3.537.643,07,  o  qual  seria  o  extrato  de  vários  outros  lançamentos  indevidos  ou  falta de  lançamentos de 2006, 2007,  2008 e da própria data de 31/01/09, como se observa da planilha  trazida pela Empresa (fls. 103.097/ 103.098) e da extração dos  registros contábeis (fl. 103.099).  Podemos citar também a falta de identificação de estorno para o  valor R$ 1.400.422,62,  lançado novamente nos ajustes, a  título  de pagamento de IRPJ de 2006, originalmente lançado em 2007.  Além dos estornos equivocados para conta de clientes quando o  lançamento original  fora contra fornecedores, e contra a conta  de  fornecedores  quando  o  original  era  em  clientes,  conforme  detalhado nos subitens 2.5.3.1 a 2.5.3.3.  Nos  mesmos  ajustes  de  31/01/2009,  o  estorno  no  valor  de  R$  3.722.167,91  usando  indevidamente  a  conta  111031084  –  Citibank  Conta  Vinculada,  possibilitou  o  aproveitamento  indevido desta quantia como custo de 2007.  Fl. 105379DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.363          115 Ainda pode­se destacar como ajuste irregular, aquele procedido  em 04/06/2007,  embora  seja  anterior  à  reconciliação  de 2009,  foi  feito  fora  do  ano  de  competência.  Como  amplamente  detalhado,  o  valor  de  R$  7.483.769,26  foi  feito  de  forma  globalizada para ajustar a conta 111031038 Bankboston Rend.  Flutuan, e usou de  forma indevida como contrapartida a conta  111031084 –Citibank Conta Vinculada.  Quanto  à  segunda questão,  com base nos  fatos  constatados ao  longo  deste  relatório,  e  resumidos  nas  letras  “a”  a  “n”  do  subitem  anterior,  à  luz  dos  princípios  e  normas  contábeis,  concluímos  que  a  contabilidade  do  ano  calendário  2007  (original  +  ajustes  de  reconciliação)  não  contempla  a  integralidade  da  movimentação  bancária  ocorrida  no  mesmo  período,  pois,  várias  ocorrências  de  movimentação  financeira  nas  contas  bancárias  deixaram  de  ser  refletidas  nos  registros  contábeis de forma diária na data da sua ocorrência.”  Quanto  à  formalização dos  livros Registro de  Inventário,  o  agente do Fisco  inicia por historiar os fatos verificados quando da análise dos dois livros Registro de  Inventário apresentados relativamente ao dia 31 de dezembro de 2005 (fls. 104.113 a  104.117). A esse respeito, apresenta a seguinte conclusão (fl. 104.117):  “Em  resumo,  a Empresa  diz  que as  contagens  foram  feitas  em  suas devidas épocas, que não houve recontagem, que a base de  inventário  foi  a  mesma,  tanto  para  a  contabilidade  original  quanto para a ajustada, e que não houve mudança no critério de  valoração dos estoques.  No entanto,  contrariando as afirmações da Empresa, conforme  apresentamos nas duas  tabelas acima, no comparativo do  livro  registro de  inventário original com o ajustado do AC 2005, há  alteração  no  valor  unitário  (R$)  de  cada  item  de  estoque,  há  modificação nas quantidades de alguns  itens de estoques,  e há  inserção  de  vários  itens  de  estoques  que  não  constavam  do  registro  original.  Em  função  de  todas  estas  alterações,  os  valores de estoque final restaram modificados.  Assim,  entende­se  que  avaliação  acima  serve  de  parâmetro  a  todos  os  anos  revisados  (2002  a  2007),  pois  se  trata  de  um  mesmo  projeto  de  revisão,  e  em  todos  os  exercícios  há  modificações dos saldos de estoques.”  Ao  tratar  especificamente do  livro Registro de  Inventário do ano­calendário  2007, assim se manifesta (fls. 104.117 a 104.122):  “3.2 Registro de Inventário de 2007   3.2.1 Considerações Gerais   Embora  a  Empresa  não  tenha  apresentado  um  livro  de  inventário de estoques que demonstre os valores registrados na  contabilidade original, a existência de uma base diferente para  tais lançamentos é evidente, pois necessariamente teria de ter um  documento suporte para os registros contábeis.  Fl. 105380DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.364          116 Durante o ano­calendário 2007, conforme DIPJ e Lalur, foram  apurados balanços de redução/suspensão mensalmente para fins  de apuração de IRPJ/ CSLL por estimativa. Depois, ao final do  exercício,  foi apurado o lucro líquido e conseqüente lucro real,  tudo  isso  tendo  como  referência  uma  apuração  de  estoques  original,  a  qual  foi  modificada  de  forma  relevante  quando  da  revisão contábil.  Se  observarmos  no  balancete  fiscal  apresentado  pela  Empresa  (fl.  1.135),  os  estoques  finais  de  2007  foram  modificados  em  todas as contas contábeis. Para ficarmos apenas nos estoques de  matérias  primas,  levando  em  conta  que  foram  considerados  como  tal  os  saldos  das  contas  contábeis  114011031 – Matéria  Prima  e 114011044 – Produtos  em Processo, na  contabilidade  original  os  saldos  das  duas  contas  totalizavam  R$  89.878.451,35,  já  na  contabilidade  ajustada,  os  saldos,  agora  unificados  na  conta  Matéria  Prima,  passaram  a  R$  100.286.811,43,  ou  seja,  houve  um  aumento  de  saldo  final  de  estoques em mais de 10 milhões de reais.  Esse  aumento  de  saldo  final  de  estoques  de matéria  prima  em  2007, num primeiro momento, pode parecer desvantagem fiscal  para a Empresa, no entanto, deve ser analisado em conjunto com  as modificações  nas  realizações  de  estoques  registradas mês a  mês durante o ano. Conforme demonstrado no Relatório da Ação  Fiscal  fl.  23.144/  23.145,  no  ano­calendário  2007,  com  os  ajustes da reconciliação houve aumento de custo com realização  de estoques da ordem de 45 milhões de reais.  3.2.2 Formalizações do livro de inventário   No  curso  do  procedimento  de  fiscalização  que  resultou  neste  lançamento em julgamento, a Dell a foi intimada a apresentar os  livros  Registro  de  Inventário  relativos  ao  AC  2007.  Em  atendimento  ao  pedido  da  Fiscalização  apresentou  um  único  livro,  cujos  termos de abertura e encerramento  foram juntados  às  fls.  6.467/  6.468,  tendo  como  signatário  o  então  diretor  financeiro Hans Hubert Lochs (demitido em abril de 2012).  Como naquela  oportunidade  não  havíamos  feito  cópia  integral  do  referido  livro,  e  agora  houve  requisição disso por parte da  Delegacia de Julgamento,  intimamos a Empresa a apresentá­lo  novamente. Em  atendimento  ao pedido da Fiscalização, a Dell  trouxe outro livro de Registro de Inventário para o AC 2007.  Se  compararmos  os  dados  contidos  nos  termos  de  abertura  e  encerramento  do  primeiro  livro,  com os  elementos  contidos no  segundo livro, verificamos que:  Dados  1º Livro (apresentado na  2º Livro (apresentado na     fiscalização)  diligência)     Fls. 6.467/ 6.468  Fls. 103.691/ 104.057  Nome do Livro  Livro Registro de Inventário  Livro Inventário de Estoques  Quantidade de folhas  367  367  Representante Legal  Hans Josef Hubert Lochs  Cláudio Mello e Souza  Contador  Mauricio Cassalta de Paula  Mauricio Cassalta de Paula  Fl. 105381DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.365          117 Dados  1º Livro (apresentado na  2º Livro (apresentado na     fiscalização)  diligência)     Fls. 6.467/ 6.468  Fls. 103.691/ 104.057     Couto  Couto  Data autenticação  S/ autenticação  05/11/2012  JUCERGS        Como  se  observa,  quantidade  de  folhas  é  a mesma. Os  saldos  finais das contas de estoques, em sua maioria, como tinha sido  constatado  pela  Fiscalização  quando  do  lançamento,  estão  alinhados  com os  registros  contábeis ajustados. Há, entretanto  uma  exceção  em  relação  à  conta Matéria  Prima  em Poder  de  Terceiros,  o  saldo  final  desta  no  livro  de  inventário  é  R$  46.339.528,35  (fl.  104.056),  enquanto  que  a  conta  contábil  correspondente  114031119  ESTOQUES  NA  UNISYS,  após  os  ajustes  finalizou com um saldo de R$ 46.485.045,69 (balancete  fl. 1.135), portanto, uma diferença a maior na contabilidade de  R$ 145.517,34.  Em relação à diferença apontada acima, não se pode afirmar se  surgiu  com  o  novo  livro,  ou  se  já  existia  e  deixou  de  ser  observada  pela  fiscalização.  Como  não  foi  juntada  cópia  integral  do  livro  à  época  do  lançamento,  e  como  a  Empresa  defende que restou apenas um livro com os termos de abertura e  encerramento modificados, a comprovação fica prejudicada. No  entanto, destacamos a existência dessa diferença existente entre  o  livro  Registro  de  Inventário  e  a  contabilidade,  cujos  saldos  totais, com a soma de todas as contas, também permanecem com  a  mesma  discrepância,  o  que  comprova  que  não  houve  mera  troca de contas.  Foi  feito  contato  telefônico  e  por  email  com  a  Srª  Márcia  Paradiso  para  tentar  elucidar  os  motivos  da  Empresa  ter  entregue um  livro diferente daquele que apresentara durante a  fiscalização, a mesma ficou de localizar o livro anterior e enviar  à RFB. Como não houve retorno, então  formalizamos o pedido  por  meio  do  item  12  do  Termo  de  Diligência  02.  Em  sua  manifestação  (fl.  102.665/  102.666),  a  Dell  traz  a  seguinte  argumentação:  Resposta Dell: O livro de inventário de 2007, assinado pelo Sr.  Hans  Lochs,  entregue  para  V.Sa.  em  12/06/2012  estava  sem  a  autenticação da  junta comercial. Quando da devida entrega na  Junta  Comercial/RS  para  obter  a  autenticação  do  mesmo,  a  Junta  Comercial  recusou  o  livro,  considerando  o  mesmo  sem  efeito conforme carimbo na folha de abertura deste (vide anexo  em  CDROM  cópia).  Esta  recusa  se  deu  pelo  fato  do  nome  do  livro ter sido alterado em relação ao último livro autenticado na  Junta  Comercial,  que  era  o  ano  de  2005.  Desta  forma,  a  Empresa recolheu os livros e providenciou a alteração do nome.  Nesta  troca  de  capa  e  da  folha  de  abertura  e  encerramento,  a  Empresa  optou  por  colher  a  assinatura  do  atual  representante  legal da empresa, Sr. Cláudio Mello e Souza ao invés do antigo  representante Sr. Hans Lochs.  Fl. 105382DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.366          118 E  juntou  cópias  dos  termos  de  abertura  e  encerramento  dos  livros  de  inventário  de  2007  e  de  2006,  nos  quais  constam  carimbos de protocolos, e outros com a expressão “sem efeito”,  os quais teriam sido apostos pela Junta Comercial (fls. 102.914/  102.917).  A  Empresa  traz  como  argumentação  que  a  motivação  para  a  recusa  do  livro  na  Junta  Comercial  teria  sido  em  função  do  nome do livro, o qual estaria diferente do último registrado (AC  2005). Porém, ao conferirmos os termos de abertura do livro de  2005,  com  o  2º  livro  de  2007  (registrado),  constamos  que  apresentam nomes distintos:  Livro de 2005 original  (autenticado JUCERGS –  fl. 103.157) –  nome: “Livro Registro de Inventário 008”;   Livro de 2007 – 2º livro (autenticado JUCERGS – fl. 103.691) –  nome: “Livro Inventário de Estoques 10”;   Livro  de  2007  –  1º  livro  (não  autenticado,  entregue  na  fiscalização  –  fl.  6.467)  –nome:  “Livro  Registro  de  Inventário  número 10”.  Como  se  vê,  ao  contrário  do  que  afirmou  a  Empresa,  o  livro  autenticado  de  2007  (2º)  foi  que  ficou  com  nome  diferente  daquele  constante  do  livro  de  2005. O primeiro  livro de 2007,  entregue durante a fiscalização,  tinha o mesmo nome constante  no de 2005: “Livro Registro de Inventário”.  Além  disso,  o  nome  desse  livro  constante  dos  textos  legais  é  “registro  de  inventário”,  e  não  inventário  de  estoques  como  ficou no livro autenticado de 2007. Vejamos a seguir a redação  dada pelo Regulamento do Imposto de Renda, pelo Regulamento  do IPI e pelo Regulamento do ICMS/RS:  RIR/99 ­ DECRETO 3.000/99   Art.  260.  A  pessoa  jurídica,  além  dos  livros  de  contabilidade  previstos  em  leis  e  regulamentos,  deverá  possuir  os  seguintes  livros (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art.  48, e Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, arts. 8º e 27):  I – para registro de inventário; (...)  Art.  261.  No  Livro  de  Inventário  deverão  ser  arrolados,  com  especificações  que  facilitem  sua  identificação,  as mercadorias,  os produtos manufaturados, as matérias­primas, os produtos em  fabricação  e  os  bens  em  almoxarifado  existentes  na  data  do  balanço  patrimonial  levantado  ao  fim  da  cada  período  de  apuração  (Lei  nº  154,  de  1947,  art.  2º,  §  2º,  Lei  nº  6.404,  de  1976, art. 183, inciso II, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 3º).  RIPI – Decreto 4.544/02 (hoje 7.212/2010)  Art.  444. Os  contribuintes manterão,  em cada estabelecimento,  conforme a natureza das operações que realizarem, os seguintes  livros fiscais: (sublinhamos)  Fl. 105383DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.367          119 (...)  VII – Registro de Inventário, modelo 7; e (...)  §  6º  O  livro  Registro  de  Inventário  será  utilizado  pelos  estabelecimentos  que  mantenham  em  estoque  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem  e,  ainda,  produtos em fase de fabricação e produtos acabados.  RICMS/RS   Art.  731.  Os  contribuintes  deverão  manter,  em  cada  um  dos  estabelecimentos,  os  seguintes  livros  fiscais,  de  conformidade  com as operações que realizarem:  (sublinhamos)  (...)  IX  –  Registro  de  Inventário,  modelo  7;  Sem  sublinhados  nos  originais.  Desta  forma,  pelos  fatos  apontados  acima,  não  ficaram  esclarecidas  as  verdadeiras  motivações  para  que  a  JUCERGS  exigisse a substituição do livro de inventário de 2007.  Ademais,  cabe  frisar que as  legislações do  IPI e  ICMS exigem  que  a Empresa mantenha  um  livro  registro  de  inventário  para  cada estabelecimento onde mantenha em estoque matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem  e,  ainda,  produtos em fase de fabricação e produtos acabados.  Como  já mencionado no Relatório da Ação Fiscal,  a partir do  final  de  2006  a  Dell  passou  a  transferir  suas  atividades  industriais para a  filial  localizada na cidade de Hortolândia –  SP. Nos primeiros meses de 2007, ainda mantinha a maior parte  dos  registros  de  entradas  e  saídas  de  matérias  primas  e  mercadorias  no  estabelecimento  matriz  (Eldorado  do  Sul),  situação que foi se invertendo gradualmente, chegando ao final  de  2007  com  praticamente  toda  a  produção  concentrada  em  Hortolândia.  Essa  afirmação  pode  ser  confirmada  pelos  livros  de apuração do IPI – fls. 9.986/ 10.031 – 10.075/ 10.126.  Pelos  fatos  expostos,  fica  demonstrado  que  a  Empresa  teve  movimentação de estoques, no mínimo em dois estabelecimentos  (matriz e filial Hortolândia), assim, deveria ter registrado livros  de  inventário  separados,  conforme  determinação  legal.  Porém  apresentou  um  único  livro,  consolidando  os  estoques  de  todos  estabelecimentos.  Em resumo, sobre este livro Registro de Inventário de 2007, que  teria embasado a contabilidade ajustada, lançamentos originais  +  ajustes  lançados  em  31/01/2009,  fazemos  os  seguintes  destaques:  Foi  apresentada  uma  versão  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  e  uma  outra  nesta  diligência  alterando  nome  do  Fl. 105384DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.368          120 livro  e  diretor  signatário,  assim,  juridicamente  é  um  novo  documento;   A  versão  autenticada  na  JUCERGS  foi  firmada  pelo  atual  diretor  –  Cláudio  Mello  e  Souza  (nomeado  apenas  em  abril/2012)  e  pelo  contador  Mauricio  Luis  Cassalta  de  Paula  Couto (admitido apenas em julho de 2010). Portanto, o livro foi  assinado por duas pessoas que nem estavam na Empresa à época  dos  fatos  (nem  na  contabilização  original,  nem  na  reconciliação);  Há apenas um livro para mais de um estabelecimento industrial  com manutenção  de  estoques,  em  contradição  aos  dispositivos  legais;   A  contabilidade  ajustada  (114031119  Estoques  na  Unisys)  registrou  como  estoque  final  para  a  conta  de  inventário  “Matéria Prima em Poder de Terceiros”, uma diferença a maior  de R$ 145.517,34.”  Frente ao resultado da diligência, foi oportunizado ao contribuinte o direito de  manifestação no prazo de 30 dias contados a partir da ciência do trabalho fiscal, que  se deu no dia 10 de  junho de 2013 (“Encaminhamentos” – fl. 104.112; “Aviso de  Recebimento” – fl. 104.124).  Diante desses elementos, o contribuinte apresentou nova manifestação em 9  de julho de 2013, dentro, portanto, do prazo de trinta dias.  O  impugnante  contesta  a  acusação  de  falta  de  colaboração  para  com  a  fiscalização, motivo que  teria sido alegado para  justificar o não conhecimento das  contas “float”. Segundo ele, as referidas contas constam do plano de contas ao qual  o Fisco  teve acesso. Se não foram fornecidos extratos específicos,  isso decorre da  simples não solicitação. Arremata (fl. 104.137):  “não  procede  a  tentativa  da  Fiscalização  de  justificar  a  deficiência de seu lançamento decorrente da falta de oportuna e  adequada  análise  da  movimentação  bancária  da  Impugnante.  Não  fez  essa  análise  porque  não  quis.  E  não  quis,  porque  a  análise  revelaria  que  as  inconsistências  são  meramente  aparentes,  conforme  conclui  acima,  e  que  a  contabilidade  da  Empresa  contempla  toda  a  movimentação  bancária  da  Impugnante,  nada  justificando o  arbitramento do  lucro no ano  calendário de 2007.”  Quanto ao resultado da diligência relativamente às contas bancárias, assim se  manifesta o contribuinte (fls. 104.137/8; 104.140):  “9.  Todo  esse  processo  de  fiscalização  da  movimentação  bancária  da  Impugnante  e  respectivos  lançamentos  contábeis  não  identificou  nenhuma  omissão  de  receita  por  parte  da  Impugnante,  nenhuma  despesa  que  não  tivesse  documentação  suporte  e  origem,  nenhuma  conta  bancária  que  não  estivesse  contabilizada, nada que impedisse a apuração do lucro real da  Empresa para o ano­calendário 2007. É o que se verifica de uma  análise  equilibrada  das  irregularidades  pontadas  pela  Fiscalização, resumidas a fls. 104.108/104.110 do processo:  Fl. 105385DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.369          121 ...  10.  Primeiro,  o  que  se  destaca  é  a  grande  maioria  das  impropriedades apontadas pela Fiscalização diz respeito à data  da contabilização. Ou seja, o lançamento teria sido feito; porém  em data diversa da ocorrência de seu fato gerador. É o caso das  impropriedades mencionadas nas letras (a), (c), (d), (f) e (g) do  resumo  acima  transcrito.  Saliente­se  que  estamos  falando  de  movimentações,  na  sua  absoluta maioria,  entre  contas  floats  e  respectivas  contas  correntes,  no  mesmo  Banco,  ou  ainda  de  transferências  bancárias,  que  nenhum  efeito  patrimonial  ou  tributável acarretam. Ou seja, tratam­se de movimentos de uma  linha  do  ativo  circulante  para  outra,  do mesmo  subgrupo,  que  nenhum impacto patrimonial ou tributável acarretam, e que não  deixaram de  ser  contabilizados, mas  simplesmente  o  foram  em  outras  datas  que  não  a  de  sua  ocorrência.  Tratam­se  de  movimentações identificadas e quantificadas pela Fiscalização a  partir  do  exame  da  contabilidade  da  Impugnante,  a  maioria  delas  relativas  a  recebimentos  de  clientes  na  conta  float  que  foram  posteriormente  resgatados  para  a  sua  conta  corrente,  ainda  dentro  de  um  mesmo  mês,  e  que  tiveram,  de  qualquer  forma,  os  ganhos  decorrentes  das  respectivas  aplicações  devidamente levados à conta de resultados.”  Alega,  então,  que  eventuais  falhas  quanto  às  datas  em  que  efetuados  os  lançamentos não acarretam prejuízo à apuração do resultado. O abandono da escrita  em  função  dessa  irregularidade  seria  um  formalismo,  um  rigor  cartesiano,  ainda  mais levando em conta a realização de 3.603.710 lançamentos contábeis no ano.  Após,  passa  ao  ataque  das  acusações  identificadas  no  trabalho  fiscal  pelas  letras  (b),  (h),  (i)  e  (j)  a  (n). Destas,  apenas  (b),  (h)  e  (i)  não  seriam  “relativas  a  contabilizações meramente extemporâneas” (fl. 104.141).  A da letra (b) seria imaterial, porquanto se refere ao valor R$ 132.145,04 em  um  lançamento  total  de  R$  27.267.727,00.  O  pagamento  não  registrado  “não  representou  qualquer  ganho  não  contabilizado  pelo  Impugnante  ou  despesa  não  efetivamente incorrida” (fl. 104.141).  A  da  letra  (h)  não  contemplaria  erro  na  escrituração  da  movimentação  bancária, mas débito a maior na conta que registra a dívida perante os fornecedores,  no  montante  de  R$  939.900,21.  “A  conta  Bancos,  portanto,  estava  correta.”  (fl.  104.142).  “Ocorre  que  esse  erro  de  lançamento  em  contrapartida  na  conta  de  Fornecedores Nacionais, mais uma vez, não afetou o resultado nem o patrimônio da  Empresa” (fl. 104.142).  A da letra (i) diz respeito a “valores aportados à conta bancária da Empresa  por alguns de seus empregados para compra de ações da Dell no EUA” (fl. 104.142),  no  valor  de  R$  48.630,98.  Para  a  fiscalização,  faltaria  prova  documental  da  operação, “que nenhum efeito de resultado trouxe à Empresa” (fl. 140.142).  Por  fim, quanto as acusações constantes da letras (j) a (n), refere que foram  efetuados ajustes globalizados nos valores de R$ 7.483.769,26 e R$ 3.722.167,91.  Repriso na íntegra as alegações do impugnante (fls. 104.143 e 104.144):  “18. Ora, o lançamento contábil no valor de R$ 7.482.769,26 foi  realizado  em  julho  de  2007  na  conta  contábil  111031038  Fl. 105386DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.370          122 Bankboston – Rend. Flutuante para estornar alguns registros de  recebimento  de  clientes  não  identificados  no  extrato  da  respectiva conta bancária e para registrar outros recebimentos  de  clientes  identificados  no  extrato  bancário  da mesma  conta,  todos  relativos  ao  ano  de  2006.  TODA  a  composição  diária  desse lançamento de R$ 7.482.769,26 foi disponibilizada para a  Fiscalização, conforme reconhecido à f. 104.094. A falta desses  registros  contábeis  no  ano  de  2006  acarretou  divergência  no  saldo  da  conta  de  clientes  nacionais,  o  qual  foi  ajustado  em  dezembro  de  2006  com  contrapartida  em  conta  de  resultado  –  despesa  não  dedutível.  Como  o  ajuste  da  conta  de  clientes  nacional foi realizado contra resultado, quando deveria ter sido  feito contra conta 111031038 Bankboston – Rend. Flutuante, a  Empresa em junho de 2007 procedeu regularização da referida  conta. Ocorre  que  tal  regularização,  que  deveria  ter  sido  feita  contra  resultados  acumulados,  foi  feita  com  contrapartida  a  crédito a conta 111031084 Citibank – Conta Vinculada. Assim,  ao  invés  de  corrigir  o  lançamento  equivocado  na  conta  de  resultado, a empresa acabou transferindo a divergência para a  conta 111031084 Citibank –Conta Vinculada. Tal irregularidade  na conta de resultado só foi corrigida posteriormente, quando da  reconciliação  em  janeiro  de  2009.  Justamente  porque  aquele  procedimento  de  conciliação  da  conta  clientes  nacionais  em  2006 havia afetado o  resultado contábil,  efetuou­se em 2009 a  correção  mediante  lançamento  a  crédito  de  resultados,  oferecendo­se a  tributação aquilo que  inclusive não havia sido  deduzido na oportunidade. Conclusão: o procedimento de ajuste  que  iniciou­se  inconsistentemente  foi  posteriormente,  e  com  ganho  para  o  Fisco,  pois  se  primeiramente  o  resultado  havia  sido reduzido por um lançamento a débito, adicionado para fins  tributáveis,  quando  da  efetiva  correção  ofereceu­se  o  mesmo  valor novamente a tributação!!  19.  Portanto,  mesmo  nessa  excepcional  situação  em  que  o  lançamento  deu­se  de  forma  globalizada,  a  Fiscalização  pôde  perfeitamente identificar cada um dos eventos que motivaram e  compuseram o ajuste globalizado, conforme se verifica a partir  do relato da Fiscalização. E mais. O ajuste não só corrigiu os  lançamento equivocadamente realizados na sua origem, como o  fez com ganho para o Fisco.  20.  Saliente­se  também  que  apesar  de  tal  ajuste  ter  sido  efetivado de  forma  fechada, ou globalizada como referido pela  Fiscalização,  mediante  o  lançamento  de  um  único  valor  que  englobava  lançamentos  a  crédito  e  a  débito  que  deveriam  ter  sido feitos na conta 111031038 Bankboston, o fato é que todas  essas  operações  tinham  documento  suporte  e  não  são  questionadas pela Fiscalização. E, conforme dito acima,  foram  perfeitamente  identificadas  na  contabilidade  da  Impugnante,  apesar das inconsistências alegadas pela Fiscalização quanto à  forma do lançamento.  21. No que tange ao valor de R$ 3.537.643,07, lançado de forma  fechada,  a  débito  da  conta  111031084  –  Citibank  –  conta  Vinculada e a crédito de resultado, para correção de lançamento  Fl. 105387DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.371          123 equivocadamente  realizado,  relativo  a  despesas  de  hedge  no  valor de R$ 3.722.167,91, a Impugnante demonstrou claramente  à Fiscalização que tal  lançamento englobou não só o ajuste do  lançamento de R$ 7.482.769,26, equivocadamente  realizado na  referida  conta,  conforme  relatado  no  tópico  acima.  Saliente­se  que  cada  um  dos  eventos  englobados  pelo  valor  de  R$  3.537.643,07  foram  plenamente  identificados  na  planilha  alcançada à Fiscalização em resposta ao  item 13 do Termo de  Intimação 02 da diligência relativa ao processo de arbitramento  do ano­calendário de 2006, citada à fl. 40 da informação fiscal  conclusiva da diligência (fls. 104.097).  22.  Note­se  que  o  valor  de  R$  3.537.643,07  foi  levado  em  31/01/2009  a  crédito  de  resultado  em  contrapartida  do  lançamento realizado a débito da conta 111031084 – Citibank –  Conta Vinculada, de  tal  forma que  todos os registros incluídos  neste lançamento obviamente impactaram o resultado, incluindo  nestes o estorno da despesa de hedge indevidamente registrada  em  2007.  Contrariando  a  lógica  contábil,  a  Fiscalização  contesta que a correção do valor de valor da despesa de hedge  de  R$  3.722.167,91  fora  corrigida  no  lançamento  de  R$  3.537.643,07,  pois  haveria  uma  diferença  de  R$  184.525,00.  Ora, o que não quer aceitar a Fiscalização é que o ajuste de R$  3.537.643,07 é uma ajuste fechado que abrangeu outros valores,  inclusive a reversão desta despesa de hedge, entre outros. Daí o  efeito  líquido  a  impactar  o  resultado  foi  de  R$  3.534.643,07.  Todos  esses  valores  estão  detalhadamente  discriminados  na  planilha  entregue  à  Fiscalização  anteriormente  mencionada  e  abaixo transcrita.”  Mais adiante, o contribuinte aponta a resposta que, no entender dele, deveria  ter  sido  dada  à  pergunta  formulada  quando  da  determinação  da  realização  da  diligência no curso do presente processo. Confira­se (fl. 104.146):  “25.  Por  conseguinte,  a  resposta  que  deveria  ter  sido  dada  à  pergunta do DRJ após a diligência realizada pela Fiscalização,  é a de que os ajustes operados na escrita da Dell relativamente  às  contas  que  registram  a  movimentação  bancária  no  ano­ calendário 2007 foram feitos de tal forma que a contabilidade da  empresa  passou  a  contemplar  toda  a  movimentação  bancária.  Tais ajustes foram feitos na sua grande maioria individualmente  para  cada  operação  e  continham  informação  quanto  ao  dia/mês/ano  e  quanto  a  natureza  da  movimentação.  Os  lançamentos  que  foram  feitos  de  forma  fechada  o  foram,  na  maioria dos casos, para ajustar movimentações entre as contas  correntes  bancárias  e  as  respectivas  contas  vinculadas  (aplicação/float)  de  um  mesmo  banco  sem  que  isso  afetasse  o  resultado. Além disso, as movimentações financeiras abrangidas  por  esses  lançamentos  fechados  foram  identificadas  na  contabilidade e informadas pela Impugnante à Fiscalização.”  Após  juntar  jurisprudência  administrativa  a  respeito  da  desclassificação  da  escrita para fins do arbitramento, o contribuinte defendeu a prestabilidade dos seus  registros  contábeis.  Informou  que  PricewaterhouseCoopers  e  Ernst  &  Young,  auditores independentes, atestaram a referida prestabilidade.  Fl. 105388DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.372          124 Quanto  aos  livros  Registro  de  Inventário,  o  sujeito  passivo  acusa  a  fiscalização de utilizar presunções. Ao analisar os livros Registro de Inventário do  ano­calendário  2005,  o  Fisco  teria  presumido  que  os  saldos  indicados  no  livro  ajustado seriam diferentes daqueles indicados no livro original. Essa diferença seria  uma decorrência da não consideração, no livro original, de “alguns itens constantes  do relatório de inventário do sistema Glovia” (fl. 104.149). Esse sistema teria sido a  única fonte de dados para o preenchimento dos dois livros. Além da diferença antes  apontada, o livro original também não refletiu “quantidade de itens para os estoques  de  ARB  e  em  poder  de  terceiros”  (fl.  104.149).  O  impugnante  defende  que  as  diferenças não passam de erros. Tais erros  foram sanados com a emissão do livro  ajustado.  Além das diferenças noticiadas acima, o Fisco também apontou divergências  quantitativas  e  de  valor  unitário  para  itens  classificados  na  mesma  NCM  ­  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul.  Quanto  a  isso,  o  contribuinte  defende  a  realização de “revisão e reclassificação de NCMs para diversos itens do estoque” (fl.  104.149). Isso justificaria as diferenças quanto às quantidades. Quanto aos valores,  “é  natural  que  o  valor  unitário  seja  alterado  com  a  inclusão  de  novos  itens”  (fl.  104.149).  Quanto ao livro Registro de Inventário do ano­calendário 2007, o impugnante  informa  que  a  escrituração  de  deu  após  o  processo  de  reconciliação,  ocorrido  em  2009,  motivo  pelo  qual  “consigna  valores  corretos”  (fl.  104.150).  Quanto  a  esse  livro,  as  “alegações  [fiscais]  não  passam novamente  de maldosas  presunções”  (fl.  104.150).  As  cópias  do  livro  primeiramente  apresentado  à  fiscalização  seriam  do  mesmo  livro  levado  a  registro  em  2012.  Eventuais  alterações  nominais  ou  na  identificação do responsável técnico pelo livro não invalidariam o livro autenticado.  Por  fim, quanto aos  livros Registro de Inventário, o sujeito passivo defende  seja incabível a manutenção do arbitramento mesmo quando ausente os registros em  questão. Louva­se em jurisprudência administrativa.  Em  8  de  agosto  de  2013,  o  impugnante  juntou  aos  autos  laudo  pericial  contábil  de  emissão  da  PricewaterhouseCoopers  a  respeito  do  presente  auto  de  infração (fls. 104.166 a 104.304). Após destacar a envergadura do emissor do laudo,  o contribuinte afirma que o documento “é enfático ao concluir pela possibilidade de  apuração  do  Lucro  Real  da  Impugnante  para  o  ano  de  2007”  (fl.  104.168).  As  irregularidades seriam quantificáveis segundo a sistemática do lucro real. Do laudo,  o impugnante destacou trechos. Repriso aqueles que me pareceram mais relevantes:  “Para fins de certificação de que os documentos de suporte aos  lançamentos  obedeceram  à  boa  técnica  contábil,  realizamos  testes e análises que objetivaram verificar a rastreabilidade dos  lançamentos efetuados para fins de ajustes dos saldos de 2007,  por  meio  da  documentação  original.  Dessa  forma,  para  os  lançamentos de ajustes, efetuamos a análise do lançamento que  deu  origem  ao  mesmo  e  inspecionamos  a  documentação  que  comprova sua existência e necessidade de correção.  Para os lançamentos originalmente criados em 2007 que foram  posteriormente  estornados,  verificamos  este  procedimento  e  o  lançamento  efetuado  em momento  posterior,  atentando  para  a  documentação suporte.  ““Com base na análise da estrutura e procedimento de guarda  de documentos contábeis e fiscais que suportam os registros na  Fl. 105389DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.373          125 contabilidade, entendemos que os mesmos estão de acordo com  as boas práticas contábeis.” (fl. 27 do Laudo)” (fl. 104.169)  ““Verificamos  que,  durante  o  procedimento  de  reconciliação  dos saldos de “Fornecedores Intercia”, as provisões de royalties  cujos  pagamentos  não  foram  efetuados  no  ano  de  2006  foram  excluídas  da  contabilidade.  Posteriormente,  foram  contabilizados no resultado somente na data de pagamento, que  ocorreu  em  2007.  O  impacto  observado  no  resultado  de  2007  decorrente  de  pagamentos  de  provisões  que  foram  estornadas  até 31 de dezembro de 2006 é de R$ 63.735.490,20.  No  tocante  a  essa  inconsistência,  verifica­se  que  acarretou  distorções no resultado do exercício de 2007, na medida em que  as despesas com royalties foram contabilizadas em competência  inadequada. Deste modo, o procedimento de  reconciliação dos  saldos  de  “Fornecedores  Intercia”  está  em  desacordo  com  o  princípio  contábil  da  competência,  representando  efeito  temporal  na  contabilidade  da  Dell,  visto  que  obrigações  assumidas em 2006 foram apenas contabilizadas no momento do  seu  pagamento  em  2007,  ocasionando  a  postergação  do  reconhecimento da despesa contábil.  Após  as  análises  efetuadas,  verificamos  que  as  provisões  de  royalties  referentes  à  competência  do  exercício  de  2007  foram  efetivadas  dentro  da  própria  competência,  sofrendo  variação  cambial.  Verificamos  que,  não  obstante  referidos  erros  de  registro  contábeis,  os  mesmos  não  se  prestam  para  invalidar  a  contabilidade  da  sociedade,  sendo  ainda  possível  realizar  a  apuração  de  ajuste  ao  cálculo  do  lucro  real,  visto  que  as  inconsistências são identificáveis e mensuráveis. A identificação  fazse  possível  em  virtude  das  distorções  específicas  que  foram  conferidas aos lançamentos no momento de sua contabilização”.  (fls. 115 do Laudo)” (fls. 104.170/1)  ““A fim de verificar o quanto alegado pelas autoridades fiscais,  procedemos  no  sentido  de  analisar  o  cálculo  da  variação  cambial  no  exercício  de  2007  e,  para  tanto,  selecionamos  aleatoriamente  alguns  lançamentos  efetuados  no  resultado  da  sociedade, advindos de operações junto a clientes e fornecedores  no exterior.  Com base na amostra  selecionada,  inspecionamos as planilhas  de cálculo para a variação cambial dos meses correspondentes e  testamos  a  adequabilidade  do  cálculo  efetuado  e  da  cotação  utilizada  neste.  Adicionalmente,  inspecionamos  a  existência  de  documentação­suporte  para  saldos  em  moeda  estrangeira  que  compõe a planilha de cálculo do cliente e verificamos a cotação  da moeda estrangeira na data de início da operação.  1 A  exclusão  das  despesas  com royalties  do  exercício  de  2006  para  posterior  reconhecimento  na  data  de  pagamento  fez  com  que  os  saldos  mensais  de  fornecedores  Intercia  fossem  subavaliados.  Fl. 105390DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.374          126 2  A  taxa  de  câmbio  utilizada  para  a  conversão  em  moeda  nacional não corresponde ao dólar efetivo do dia anterior ao da  operação.  ...  Não  obstante  os  erros  identificados  no  cálculo  da  variação  cambial, os mesmos são identificáveis e quantificáveis, de modo  que seus efeitos poderiam ser considerados na determinação de  ajuste  na  apuração  do  Lucro  Real.”  (fl.  127  do  Laudo)”  (fl.  104.172)  ““ Dessa forma, com base na inspeção dos livros realizada e na  análise  da  apuração  juntamente  com  os  respectivos  documentossuporte, entendemos ser possível apurar o lucro real  da sociedade para o ano 2007, primeiro porque verificamos nos  livros fiscais a existência e congruência de elementos concretos  que  permitam  a  apuração  do  lucro  real;  segundo,  porque  as  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização  podem  ser  qualificadas  e  quantificadas;  terceiro,  porque  atestamos  a  existência e validade dos registros documentais que suportaram  as informações que se prestam para o cálculo do lucro real.” (fl.  128 do Laudo)” (fl. 104.175)  ““a  elaboração  das  demonstrações  financeiras  em  dólares  norte­americanos é de competência da Dell Inc. e não impacta  na  apuração  de  tributos  na  Dell  Brasil.  A  consolidação  das  demonstrações  financeiras da Dell Brasil  junto a Dell Inc. não  ocorre  pelo  ajuste  das  demonstrações  financeiras  feitas  pela  contabilidade  nacional  (princípio  contábil  brasileiro)  e  a  sua  conversão  em  dólares  americanos.  A  Dell  Brasil  elabora  demonstração  financeira  própria  em moeda norte­americana  e  de acordo com padrões da contabilidade dos Estados Unidos”.”  (fl. 104.176)  Os  quesitos  em  função  dos  quais  o  auditor  independente  se  manifestou  constam das fls. 104.181/2.  Em 13 de  agosto de 2013, o  contribuinte  juntou novo  laudo  (fls. 104.307 a  104.318). Esse outro laudo foi emitido por Ernst & Young Terço. ). Após destacar a  envergadura do emissor do laudo, o contribuinte afirma que o documento “é enfático  ao concluir pela possibilidade de apuração do Lucro Real da Impugnante para o ano  de  2007”  (fl.  104.309).  As  irregularidades  seriam  quantificáveis  segundo  a  sistemática do lucro real. Do laudo, o impugnante destacou trechos. Repriso aqueles  que me pareceram mais relevantes:  ““Considerando­se  os  elementos  apontados  na  formulação  do  presente quesito, entendemos que seria possível apurar o Lucro  Real  para  o  ano  2007.  As  premissas  assumidas  para  suportar  esse convencimento técnico foram as seguintes:  Todos  os  testes  efetuados  para  as  respostas  aos  quesitos  apresentados  neste  Laudo  Pericial  Contábil  Extrajudicial  confirmaram  a  possibilidade  de  rastrear  o  documento  suporte  dos  lançamentos  contábeis  efetuados  numa  base  amostral  e  seguindo o conceito de imaterialidade descrito no quesito 12. Ou  Fl. 105391DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.375          127 seja, para cada lançamento contábil testado em nossa amostra,  foi possível identificar um documento suporte e o procedimento  inverso  (a  partir  de  um  documento  suporte  e  o  identificar  o  respectivo lançamento no registro contábil) também se mostrou  efetivo;   Os  testes que  efetuamos nos  livros de  escrituração mercantil  e  fiscal  indicaram  que  a  Companhia  em  sua  grande  parte  teria  cumprido  com  as  obrigações  formais  determinadas  pela  legislação comercial e fiscal;”“ (fl. 104.312)  ““As inconsistências e divergências identificadas na realização  dos nossos trabalhos referentes a Variação Cambial e Royalties  (detalhadamente explicadas no Quesito 9, na secção de Contas a  Pagar  e  Intercompany)  são  quantificáveis  e  permitem  a  mensuração  dos  seus  respectivos  impactos  na  apuração  do  Lucro Tributável.” (pagina 108 e 109 do Laudo)” (fl. 104.312)  ““Os  ajustes  desta  natureza  se  referem  a  lançamentos  identificados  no  extrato  bancário  e  que  não  haviam  sido  lançados  na  contabilidade.  Com  o  intuito  de  identificar  estes  lançamentos,  a  Companhia  conciliou  o  fluxo  financeiro  devidamente identificado no extrato bancário com os montantes  constantes do razão contábil da conta de bancos.  (...)  Durante  a  execução  de  nossos  procedimentos,  foi  possível  concluir  que  todos  os  lançamentos  selecionados  para  teste  se  tratava,  de  pagamentos  identificados  no  extrato  bancário, mas  que ainda não haviam sido contabilizados no sistema da Dell.  Considerando a identificação alternativa das transações através  do  relatório  de  pagamentos,  consideramos  adequado  o  procedimento  adotado  pela  Companhia  de  efetuar  o  devido  lançamento  contábil  para  refletir  os  valores  pagos  e  devidamente  identificados  nos  extratos  bancários.”  (fl.  36  do  Laudo)” (fl. 104.313)  ““Em  resumo,  caso  a  DELL  recalculasse  seus  estoques  de  matérias­primas de acordo com os métodos previstos no RIR em  seu  art.  295  o  efeito  seria  uma  redução  do  valor  total  dos  estoques em seu ativo e um aumento do CPV.”” (fl. 104.314)  ““Apesar do procedimento adotado não estar de acordo com as  melhores práticas contábeis, tal procedimento gera apenas uma  diferença  temporária  na  contabilidade  já  que  despesas  com  Royalties  que  deveriam  ter  sido  reconhecidas  no  momento  da  competência  da  despesa  (momento  em que  a mesma  incorreu),  somente  foram  reconhecidas  numa  fase  posterior  com  o  seu  pagamento. Conforme mencionado anteriormente,  estes  ajustes  são  passíveis  de  mensuração  já  que  é  possível  identificar  na  contabilidade  da  Empresa  e  através  de  planilhas  de  controle  auxiliar da DELL os títulos cujo registro contábil foi postergado  bem  como  as  datas  de  pagamento  e  a  competência  a  que  se  referem.” (pgs. 78 e 79 do Laudo – grifamos)” (fl. 104.315)  Fl. 105392DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.376          128 ““Primeiramente,  identificamos que a Dell Brasil possuía dois  sistemas  contábeis  com  objetivos  distintos.  Um  deles,  o  que  recebeu  todos  os  ajustes  objeto  desta  perícia,  era  comumente  chamado de sistema contábil estatutário e tinha como atribuição  principal o atendimento ao Fisco por intermédio das obrigações  principais  e  acessórias,  ou  seja,  a  apuração  de  tributos.  O  segundo,  era  chamado  de  sistema  contábil  gerencial,  cuja  finalidade era reportar à Dell Inc. as informações financeiras da  Dell Brasil. O sistema gerencial era parametrizado respeitando  os princípios contábeis geralmente aceitos nos EUA (USGAAP),  dessa  forma  não  existia  nenhum  tipo  de  conversão  das  demonstrações  financeiras  brasileira  para  americana.  Nesse  sentido,  concluímos  que  não  ocorreu  o  reporte à Dell  Inc. das  informações  ajustadas  pois  não  houve  qualquer  retificação  no  sistema gerencial.”” (fls. 104.316/7)  ““Por fim, objetivando evidenciar o possível reflexo dos ajustes  quando  da  consolidação,  caso  tivessem  sido  reportados,  concluímos que, para o ano de 2006, os ajustes da Dell Brasil  seriam  insuficientes para causar qualquer  impacto material no  resultado da Dell Inc., tanto que o ajuste no resultado líquido da  Dell  Brasil  representou  apenas  0,8%  no  resultado  líquido  da  Dell Inc.”” (fls. 104.317/8)  Os  quesitos  em  função  dos  quais  o  auditor  independente  se  manifestou  constam das fls. 104.327, 104.329, 104.332, 104.334, 104.337, 104.340, 104.345/6,  104.347, 104.348, 104.404, 104.405, 104.409, 104.413 e 104.426.  A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada  pela  contribuinte  e,  por  via  do  Acórdão  nº  10­46.701,  de  27/09/2013  (fls.  104756/104894),  considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2007   LUCRO ARBITRADO.  O arbitramento não é uma opção da autoridade administrativa,  mas  uma  imposição  legal.  A  adoção  da  sistemática  do  arbitramento se impõe diante da comprovação de que a escrita é  imprestável para (a) identificar a movimentação financeira e (b)  determinar o lucro real, bem como (c) revela evidentes indícios  de fraude.  FRAUDE.  Comprovada a prática de ações dolosas tendentes a modificar as  características  essenciais  do  fato  gerador  com  o  objetivo  de  evitar  o  pagamento  do  tributo  devido,  cabível  a  exigência  da  multa qualificada.  DECADÊNCIA.  Fl. 105393DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.377          129 A  decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  tributário  decai  em  cinco  anos  a  contar  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado  quando,  adotada  a  sistemática  do  lançamento  por  homologação, resta comprovada a prática da fraude.  O conceito de exercício equivale ao de ano civil.  PERÍCIA. DESNECESSIDADE.  O  pedido  de  perícia  somente  é  deferido  quando  necessário  à  formação de convicção por parte do  julgador. A  realização de  perícia  é  desnecessária  quando  é  possível  a  apresentação  de  prova  documental  sobre  as  questões  controversas  e,  ainda,  quando  constatado  que  os  elementos  trazidos  aos  autos  são  suficientes  para  o  deslinde  da  questão  e  que  as  dúvidas  porventura existentes foram esclarecidas por intermédio de uma  diligência.  Esclareço,  por  relevante,  que  a  parcela  do  crédito  tributário  afastada  diz  respeito  exclusivamente  à  redução  de  valores  lançados  de  PIS  e  COFINS,  inclusive  como  resultado  da  diligência  determinada  pelo  Julgador  de  primeira  instância  (vide  quadro  à  fl.  104890).  Em  todos  os  demais  aspectos,  o  lançamento  foi  mantido.  Não  houve  recurso  de  ofício.  Ciente da decisão de primeira  instância em 17/10/2013, conforme Aviso de  Recebimento  à  fl.  104899,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  14/11/2013  conforme carimbo de recepção à folha 104901.  No  recurso  interposto  (fls.  104901/105048),  a  interessada  afirma  a  tempestividade de seu recurso e historia, sob sua ótica, os fatos e o acórdão recorrido.  Preliminarmente  (item  3),  a  recorrente  reitera  seus  protestos  quanto  à  decadência em relação ao IRPJ e à CSLL, para o primeiro e segundo trimestres de 2007 e, em  relação ao PIS e à COFINS, para os meses de janeiro a agosto de 2007.  Ainda  em preliminares,  a  recorrente  requer  (item 4.1) a nulidade parcial do  acórdão recorrido, por modificação das motivações do lançamento. Essa alegada modificação,  nas palavras da recorrente, consistiria no seguinte: (fls. 104924/104925):  A presente afirmativa fica evidente quando se verifica que o auto de infração  foi lavrado sob o fundamento de que “a contabilidade foi considerada imprestável  para  a  apuração  das  bases  tributáveis”  (fls.  22.978),  enquanto  que  o  acórdão  recorrido  nitidamente  inovou  na  fundamentação  sustentando  a  manutenção  do  arbitramento  com  fundamento  em  (i)  “vícios,  erros  ou  deficiências  que  tornem  imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira”, (ii) “vícios erros ou  deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real” (esses limitados  à valoração contábil dos estoques) e (iii) “evidente indícios de fraude” que a tornam  “imprestável para determinar o lucro real”.  No mais,  a  recorrente  repisa os  argumentos  anteriormente  trazidos  em sede  de  impugnação,  acrescentando  e  reforçando,  onde  entende  necessário,  sempre  em  contraposição ao acórdão recorrido. Os pontos sob discussão, em síntese, são:  Fl. 105394DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.378          130 · O arbitramento do lucro seria improcedente, por motivos variados (itens 4.2 a 4.7 e  4.9).  · A  boa­fé  da  recorrente  no  atendimento  à  fiscalização  seria  motivo  para  o  afastamento da multa qualificada (item 4.8).  · Haveria equívocos na apuração das exigências de PIS e COFINS (item 4.10).  · Seria indevida a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (item 4.11).  A  Fazenda Nacional,  por  sua Procuradora,  com  base  no  §  2º  do  art.  48  do  Anexo  II  do  então  vigente  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/2009,  apresentou  suas  contrarrazões  (fls.  105058/105085)  ao  recurso  voluntário  interposto pela contribuinte. Em apertada síntese:  · Não teria ocorrido a decadência, dianta da aplicação do art. 173, I, do CTN.  · O  acórdão  recorrido  não  padeceria  de  qualquer  nulidade. O  Julgador  de  primeira  instância  não  teria  inovado,  antes  teria  explicitado  e  ratificado  o  que  já  estava  contemplado no Relatório Fiscal.  · O  arbitramento  do  lucro  teria  sido  realizado  nos  estritos  termos  da  legislação  em  vigor,  sendo  por  isso  mesmo  válido,  tendo  em  vista  que  estaria  devidamente  configurada  a  imprestabilidade  da  contabilidade  da  recorrente  para  a  apuração  do  lucro real. A Fazenda Nacional relaciona os motivos que, ao seu sentir, conduzem a  essa conclusão.  · A  multa  qualificada  deve  ser  mantida,  à  luz  da  comprovação,  nos  autos,  da  ocorrência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/1964).  · É correta a incidência de juros de mora, calculados à taxa SELIC, sobre a multa por  lançamento de ofício.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O recurso é tempestivo e dele conheço.  Preliminarmente, a recorrente requer a nulidade parcial do acórdão recorrido,  por modificação das motivações do lançamento. Essa alegada modificação, em suas palavras,  consistiria no seguinte: (fls. 104924/104925):  A presente afirmativa fica evidente quando se verifica que o auto de infração  foi lavrado sob o fundamento de que “a contabilidade foi considerada imprestável  para  a  apuração  das  bases  tributáveis”  (fls.  22.978),  enquanto  que  o  acórdão  Fl. 105395DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.379          131 recorrido  nitidamente  inovou  na  fundamentação  sustentando  a  manutenção  do  arbitramento  com  fundamento  em  (i)  “vícios,  erros  ou  deficiências  que  tornem  imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira”, (ii) “vícios erros ou  deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real” (esses limitados  à valoração contábil dos estoques) e (iii) “evidente indícios de fraude” que a tornam  “imprestável para determinar o lucro real”.  Compulsando  os  autos,  constato  que  as  razões  do  arbitramento  são  assim  descritas no auto de infração (fl. 22933):  Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007   Arbitramento do  lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida  pelo  contribuinte  é  imprestável  para  determinação  do Lucro Real,  em virtude dos  erros e falhas abaixo enumeradas:  Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999:  Art. 530, inciso II, do RIR/99.  Por  amor  à  clareza,  eis  o  mencionado  dispositivo  do  Regulamento  do  Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999 – RIR/99):  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 1º):  [...]  II ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou   b) determinar o lucro real;  [...]  No  Relatório  Fiscal  de  fls.  22974/23313,  encontram­se  descritas  minuciosamente  as  numerosas  irregularidades  na  escrita  contábil  e  fiscal  da  interessada,  referentes  tanto  à  contabilidade  original  quanto  àquela  resultante  do  assim  chamado  “refazimento  contábil”. No  entender  do  Fisco,  expresso  no  item  15  do Relatório  Fiscal  (fls.  23280 e segs.), tais irregularidades são de tal monta e em tal extensão, e atingem não apenas o  período aqui objeto de lançamento (ano­calendário 2007), mas também de modo indissociável  outros anos (de 2002 a 2009), que se torna impossível aceitar que a contabilidade apresentada  possa servir, de modo confiável, para a apuração do lucro real. De igual modo, seria impossível  considerar  que  a  contabilidade,  mesmo  após  os  ajustes,  pudesse  servir  para  identificar  corretamente a movimentação bancária.  Ao apreciar os argumentos de  impugnação, a Turma Julgadora em primeira  instância procedeu à análise, em separado, da escrita original (fls. 104868 e segs.) e da escrita  após os  ajustes  efetuados pelo  contribuinte  (“refazimento  contábil”,  fls. 104870 e  segs.). Em  ambos os casos, sua conclusão foi pela  imprestabilidade da escrita para  fins de determinação  do  lucro  real,  sempre  com  base  no  inciso  II  do  art.  530  do RIR/99. Após  detalhar  aspectos  Fl. 105396DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.380          132 atinentes  ao  registro  contábil  da  movimentação  financeira  e  do  controle  de  estoques,  eis  a  conclusão (fls. 104880/104881):  Forte nos elementos acima tratados quanto à movimentação financeira e aos  estoques,  entendo  correta  a  adoção  da  sistemática  do  lucro  arbitrado  para  fins  da  apuração do IRPJ e da CSL. Repriso o art. 530 do RIR/1999:   [...]  A contabilização das  contas bancárias  contém “vícios,  erros ou deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira”  A  valorização contábil dos estoques contém “vícios, erros ou deficiências que a tornem  imprestável para determinar o lucro real”.  Não  bastasse  isso,  como  muito  bem  apontou  a  fiscalização,  a  escrita  do  contribuinte  revela  “evidentes  indícios de  fraude” que  a  tornam “imprestável para  determinar  o  lucro  real”. As  irregularidades  encontradas  no  chamado  refazimento  contábil possuem unidade.  Os ajustes relativos ao período que vai de 2002 até 2009 foram realizados de  forma  a  registrar  receitas  e  despesas  com  evidente  intuito  de  reduzir  o  encargo  tributário. Isso fica evidente nos casos da variação cambial e dos royalties tratados  acima.  Não  são  casos  isolados.  A  fiscalização  apontou  diversos  outros.  Por  tal  motivo,  além  da  fundamentação  para  a  adoção  da  sistemática  do  lucro  arbitrado  ligada  à  movimentação  financeira  e  aos  estoques,  adequada,  também,  a  fundamentação de que a escrita revela “evidentes indícios de fraude ... que a tornem  imprestável para a determinação do lucro real”. [...]:  [...]  Tenho,  assim,  que  inexistiu  qualquer  inovação  quanto  aos  motivos  do  arbitramento. A base legal  foi a mesma (inciso II do art. 530 do RIR/99) e as  irregularidades  apontadas já se encontravam expostas desde o lançamento, sendo tão somente ratificadas pelo  acórdão recorrido.  Com estas considerações, rejeito a preliminar de nulidade parcial da decisão  recorrida.  Ainda  em  preliminares,  a  recorrente  reitera  seus  protestos  quanto  à  decadência em relação ao IRPJ e à CSLL, para o primeiro e segundo trimestres de 2007 e, em  relação  ao  PIS  e  à  COFINS,  para  os  meses  de  janeiro  a  agosto  de  2007.  Deixo  para  me  manifestar sobre essa matéria ao final de meu voto, após apreciados os aspectos atinenentes à  conduta dolosa do contribuinte, posto que isso poderá ser decisivo quanto à aplicação do art.  150, § 4º, ou do art, 173, inciso I, ambos do CTN.  No mérito, a recorrente ataca o acórdão recorrido e o lançamento, buscando  demonstrar a incorreção do arbitramento do lucro sob diversas vertentes, a saber:  · Seria  improcedente  o  arbitramento  com  base  na  alegação  de  vícios  na  contabilização da movimentação financeira da empresa (item 4.2 do recurso).  · Seria improcedente o arbitramento com base na alegação de “evidentes indícios de  fraude ... que a tornem imprestável para a determinação do lucro real”. Igualmente  Fl. 105397DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.381          133 improcedente  seria  qualquer  majoração  de  penalidade  com  esse  fundamento.  Ausência de dolo (item 4.3 do recurso).  · Não  haveria  qualquer  relação  entre  os  ajustes  realizados  pela  recorrente  e  a  compensação de perdas pela controladora Dell Inc. (item 4.4 do recurso).  · Seria  improcedente  o  arbitramento  com  base  na  alegação  de  vícios  na  contabilização dos estoques (item 4.5 do recurso).  · Seria  improcedente  o  arbitramento  com  base  na  alegação  de  imprestabilidade  da  contabilidade para apuração do lucro real (item 4.6 do recurso).  · (item 4.7 do recurso).  · Seria indispensável a prévia intimação ao arbitramento para regularização da escrita  contábil (item 4.9 do recurso).  No  extenso  relatório  que  antecede  a  este  voto  se  buscou  dar  detalhes  dos  aspectos contábeis e das extensas irregularidades que conduziram ao arbitramento dos lucros.  A estratégia da recorrente, nos itens acima, é de focar em alguns dos aspectos particulares, na  tentativa de desviar a atenção do conjunto. No entanto, como de regra acontece, o conjunto é  tão  relevante como os detalhes. Não se pode dar demasiada atenção a uma folha e perder de  vista a árvore.  O  caso  que  ora  se  analisa  diz  respeito  a  um  “refazimento  contábil”  que  alcançou os anos­calendário 2002 a 2008, com ajustes levados a efeito em 2008 e 2009, sendo  impossível,  como  afirmado  pela  fiscalização,  dissociar  os  efeitos  e  analisá­los  em  separado  para  cada  um  dos  anos­calendário.  E  a  análise  em  conjunto  das  extensas  irregularidades  apontadas pelo Fisco conduz, sem sombra de dúvidas, à correção do arbitramento dos lucros.  Peço vênia para transcrever, a seguir, as considerações da D. PGFN em suas  contrarrazões,  com  as  quais  concordo  e  adoto  como  fundamentos  desta  decisão.  Tais  considerações, a meu ver, conseguem sintetizar os aspectos essenciais da discussão (grifos no  original).  A empresa  instalou­se no Rio Grande do Sul  (Eldorado do Sul) em 1998, e  começou  de  fato  suas  atividades  em  1999.  A  partir  daí,  como  deveria  proceder,  escriturou seus livros empresariais, registrando­os, na Junta Comercial, ano após ano  (1999  a  2007).  Com  base  nos  seus  livros  Diários,  a  contribuinte  apurou  lucro  societário  e  consequente  lucro  real,  declarou  DIPJ,  declarou  DCTF,  apurou  os  respectivos tributos, etc. No entanto, no primeiro trimestre de 2007 decide fazer uma  revisão  geral  em  seus  registros  contábeis  desde  o  início  de  suas  atividades  operacionais no Brasil. Esta reforma contábil que teria tido início em 2007 estendeu­ se  até  meados  de  2008,  com  a  formalização  dos  lançamentos  de  alteração  na  contabilidade Sped de 31/01/2009.  Frise­se  que  não  foi  uma  revisão  de  algumas  contas,  mas  de  praticamente  todas  as  contas  do  plano,  tampouco  foram  alguns  lançamentos,  mas mais  de  um  milhão  de  lançamentos  de  ajustes.  Destaque  também  para  os  valores  de  cada  lançamento modificador, muitos da ordem de dezenas de milhões de reais. Apenas a  conta  de  Lucros/  Prej  Acumulados  (Patrimônio  Líquido),  recebeu  688  mil  Fl. 105398DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.382          134 lançamentos de ajustes, os quais somaram alterações de R$ 11,7 bilhões a débito e  R$ 11,5 bilhões a crédito.  Os  referidos  lançamentos  de  ajustes  foram  considerados  para  fins  de  recomposição do lucro societário (2002 a 2007) e fiscal (2004 a 2007 e reflexos em  2008),  no  entanto,  vários  lançamentos  citaram,  em  seus  históricos,  alterações  relativas  ao  período  de  1999  a  2001.  Por  isso,  a  fiscalização  concluiu  que  este  verdadeiro  refazimento  contábil  remonta  ao  início  das  atividades  operacionais  da  empresa no Brasil (1999).  Os  registros  contábeis  são  um  somatório  de  débitos  e  créditos  ao  longo do  tempo.  Então,  modificações  implementadas  no  ano­calendário  2002  não  atingem  somente  este  exercício, mas  têm  impacto  em  todos os períodos  subseqüentes. Por  exemplo, considerando como período em curso o ano de 2008, ao ser aumentado o  saldo final de estoques de matéria prima no ano calendário de 2002 (já decaído para  fins fiscais), os saldos iniciais e finais de todos os anos seguintes (2003, 2004, 2005,  2006  e  2007)  sofrerão  o  impacto  daquela  alteração,  podendo  essa  diferença  ser  levada a resultado, aumentando os custos, em qualquer exercício posterior a 2002.  As normas  contábeis  e  registrais proíbem que o  livro Diário, após o devido  registro, seja anulado e substituído por um livro novo. Nas situações em que sejam  identificadas  incorreções  após  o  encerramento  do  exercício,  a  forma  aceita  é  a  formalização de  lançamentos de  ajustes no exercício em curso, com referência no  histórico  à  data  dos  fatos  originais.  No  caso  concreto,  foram  tão  relevantes  as  modificações que mereceria a impressão de novos livros para cada ano, porém, não  sendo  possível  isso,  a  empresa  seguiu  os  requisitos  formais,  inserindo  todos  os  lançamentos, em uma única data, após o término da revisão.  A  partir  do momento  que  a Dell  inseriu  no  livro Diário  os  lançamentos  de  ajustes do período de 2002 até  janeiro de 2008 na data de 31/01/2009, e registrou  este livro (agora digital) na Junta Comercial, deu validade jurídica a essa alteração  contábil. Desse momento em diante, para cada ano anterior (2002 a 2007) deixou de  existir  apenas  os  livros  anteriores  em  meio  papel,  mas  estes  somados  a  uma  complementação  registrada  em  janeiro  de  2009. Assim,  cada  exercício  continuou  com  uma  única  contabilidade,  porém  com  duas  peças  registradas  separadamente.  Portanto, a análise não pôde se afastar da verificação deste entrelaçamento, onde os  lançamentos de ajustes ora estornavam, ora complementavam, ora modificavam, ora  traziam novos registros.  Uma reforma contábil dessa magnitude, onde, materialmente, a Empresa refaz  suas  contabilidades  com  retroação  de  até  nove  anos,  deveria  ser  embasada  numa  motivação muito relevante. Porém, quando intimada a apresentar os motivos de tais  atos, a Dell afirmou apenas tratar­se de uma revisão em seus controles internos por  ter  identificado  “algumas  inconsistências”,  sem  apresentar  nada  de  concreto  que  justificasse a profundidade e relevância das modificações.  No entanto, como bem demonstrado no Relatório Fiscal, na análise dos dados  contábeis e das declarações ao fisco, identificou­se que existiam pendências fiscais  relevantes,  com  bases  tributáveis  registradas  a  menor  nos  anos­calendário  2004,  2005, 2006 e 2007. Essas infrações somadas chegavam a pelo menos 241 milhões de  reais  que  deixaram  de  ser  oferecida  à  tributação  do  IRPJ  e  CSLL  nos  livros  originais, conforme detalhado a seguir:  a)  Falta de Adição de parcela de perda com renda variável 2004 a 2006  – não dedutível: R$ 61.083.835,07;   Fl. 105399DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.383          135 b)  Exclusões Indevidas na DIPJ AC 2006: R$ 67.797.676,65;   c)  Falta  de  Contabilização  das  Variações  Cambiais  pelo  regime  de  competência em 2007: R$ 44.475.762,69;   d)  Despesas Aduaneiras  (dupl.  Pis/ Cofins  importação) AC  2007:  R$  61.809.027,68;   e)  Processos Importação em duplicidade: R$ 6.738.177,20.  Com  o  evento  da  reforma  contábil  todas  essas  pendências  fiscais  foram  eliminadas  sem  geração  de  novos  pagamentos  de  tributos.  Para  isso,  conforme  demonstrado  no  Relatório  Fiscal,  foram  inseridas  novas  infrações  nos  registros  contábeis.  Então,  um  dos  motivos  para  o  refazimento  contábil  foi  a  eliminação  das  pendências fiscais nos exercícios ainda não atingidos pela decadência, sem qualquer  custo novo para a empresa.  Outro fato conhecido somente após o encerramento parcial para lançar o ano  calendário  2006  (processo  nº  11080.732426/2011­61),  foi  a  existência  de  investigação de fraude contábil na Dell Inc., empresa de comando do Grupo Dell nos  EUA  –  com  papéis  em  bolsa.  Conforme  divulgação  ao  mercado  naquele  país,  também foi implementada uma profunda revisão contábil, que teria se estendido às  unidades  da  Dell  em  para  outros  países.  O  início  da  revisão  nos  EUA  teria  sido  poucos meses antes de começar a reforma aqui no Brasil. Ao final, no ano de 2010, a  investigação  conduzida  pela  SEC  nos  EUA,  concluiu  pela  existência  de  fraude  contábil,  aplicando  uma  multa  de  100  milhões  de  dólares  na  Dell  Inc.,  além  de  outras multas impostas aos administradores. Essas informações são trazidas logo no  início do Relatório Fiscal, com o título de “Fatos Novos”, pois a fiscalização tomou  conhecimento desse fato após o encerramento parcial do ano calendário de 2006.  Em decorrência da revisão nos EUA, há informações que a Dell Inc. precisou  rebaixar  seus  lucros.  Na  análise  dos  dados  contábeis  aqui  do  Brasil,  foram  identificados  indícios  que  apontam para  a busca de majoração do  lucro  societário  para fins de consolidação com a matriz americana.  A demanda do exterior seria um outro motivo para implementação da revisão  contábil,  que  somado  à  necessidade  de  eliminar  pendências  fiscais,  teria  levado a  essa decisão extrema.  A  Recorrente  aduz  que  a  Dell  Brasil  não  tem  capacidade  econômica  para  afetar os resultados da Dell Inc, o que, a seu ver, demonstra a falta de razoabilidade  dos argumentos da fiscalização.  Acontece  que,  a  autoridade  fiscal  apenas  avaliou  esse  fato  como  mola  propulsora para o refazimento contábil, mas não o considerou como motivo para o  arbitramento  do  lucro.  Se,  apesar  dessas  motivações,  a  Dell  tivesse  seguido  as  normas contábeis, societárias e fiscais para fazer seus ajustes, sua contabilidade não  poderia ser rejeitada. Porém, não foi o que ocorreu. Para chegar aos seus objetivos a  empresa  usou mão  de  inúmeras  irregularidades,  tornando  seus  livros  empresariais  imprestáveis para apuração do lucro real.  Como demonstrado no Relatório Fiscal, essa revisão contábil que modificou  os resultados dos exercícios de 2002 até janeiro de 2008 decorreu de ato único, com  as modificações em um ano influenciando os anos seguintes. Assim, não havia como  se  fazer  uma  análise  isolada  de  cada  período.  Então,  a  fiscalização  partiu  para  Fl. 105400DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.384          136 avaliações por amostragem para verificação da adequação, pertinência e idoneidade  dos dados lançados como ajustes.  De forma geral foram identificadas infrações isoladas, lançamentos sem base  documental,  e  sem  justificativas. Mas  verificou­se  também  uma  ação  orquestrada  para contemplar as necessidades de alocação dos custos em cada exercício, de forma  a evitar novos pagamentos de tributos.  Vejamos um exemplo dessas infrações identificadas pela fiscalização. No ano  de 2007, que era o exercício mais recente incluído na revisão, somente nas rubricas  “variação cambial = R$ 44 milhões”, e “Duplicidade de Pis/ Cofins importação = R$  62 milhões” havia pendências de bases não oferecidas à tributação da ordem de 106  milhões de  reais. A Dell precisava eliminar essas  infrações porque estavam muito  escancaradas.  As  variações  cambiais  simplesmente  tinham  deixado  de  ser  contabilizadas em 2007, apesar de significativas variações na cotação do real frente  ao dólar e, mesmo tendo optado pelo critério de apuração na liquidação (regime de  caixa) também deixara de elaborar planilhas para as devidas apurações. Os valores  de Pis e Cofins  importação eram contabilizados duas vezes, primeiro integrando o  valor  da  matéria­prima,  e  depois  como  despesas  aduaneiras,  o  que  gerava  um  passivo fictício, pois pagava­se de uma vez só.  Então, apenas como exemplo de uma pequena parcela de toda a manipulação  contábil,  a  Dell  precisava  reconhecer  106  milhões  de  bases  tributáveis  no  ano  calendário de 2007, mas não pretendia pagar nada a mais por isso.  Uma  das  soluções  encontrada  pela  Recorrente  foi  trazer  custos  de  outro  exercício (lembrando que todas as contabilidades, desde 2002, estavam reabertas ao  mesmo tempo). Para isso, modificou a forma de reconhecimento das despesas com  licenças  de  software  da  Microsoft  (Royalties).  Na  contabilidade  original  tinha  reconhecido corretamente pelo regime de competência, ou seja, o custo de aquisição  vai para o exercício onde é emitida a fatura de importação, somente desta forma é  aceito pelas normas contábeis.  Entretanto,  no  refazimento  contábil,  modificou  o  reconhecimento  para  o  regime de  caixa  (data  da  liquidação  das  faturas),  critério não aceito pelas normas  contábeis. Com essa manobra,  transferiu 64 milhões de custos de 2006 para 2007.  Além disso, são constatadas no Relatório diversas outras infrações para eliminar os  efeitos  fiscais  de  todo  o  montante  de  106  milhões  em  2007  (  Fls.  106/  113  do  Relatório Fiscal).  Dessa  forma,  ao  transferir  custos de 2006 para 2007, a empresa não estaria  apenas postergando despesa,  e,  em conseqüência,  deixando uma  lacuna  aberta  em  2006?  A explicação para a pergunta acima vai deixando clara a ação planejada, de  forma orquestrada, com o objetivo de fraudar seus registros contábeis e enganar o  Fisco. Nos registros contábeis de 2006 (sempre por amostragem devido ao volume),  foi comprovado que houve manipulação das planilhas de variações cambiais, assim,  os resultados financeiros de variações da moeda, que seriam uma receita de R$ 20  milhões,  foram fraudados para virar R$ 36 milhões de despesas. Ou seja, somente  nas variações foi estimada a geração mais de 56 milhões de custos. Essa constatação  é baseada nos dados da empresa, pois, além disso, a Dell mudou a opção de critério  de apuração de caixa para competência após o encerramento do exercício, o que não  poderia ser feito ( Fls. 125/ 158 do Relatório Fiscal).  Fl. 105401DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.385          137 Seguindo a ação para cobrir a  lacuna, originada no ano calendário de 2006,  para  transferir  custos  para  2007,  a  Dell  simplesmente  estornou  pagamentos  de  exportações  que  tinha  realizado,  comprovados  por  extratos  bancários.  Foram  creditados  os  passivos  novamente  (reabertas  as  contas  a  pagar  com  empresas  ligadas), e debitado o resultado do exercício. A fiscalização demonstra que, somente  nessa manobra irregular, foram gerados 67 milhões de reais de custos (Fls. 90/ 94 do  Relatório Fiscal).  Este exemplo é uma pequena amostra que evidencia a existência de uma ação  minimamente  planejada,  tendo  por  objetivo  maior  a  manipulação  dos  dados  contábeis de forma a evitar o pagamento de tributos.  Cumpre ressaltar que a Recorrente não consegue, apesar do extenso recurso  apresentado, rebater as provas apresentadas pela fiscalização.  A Recorrente aduz, ainda, que são improcedentes as alegações da autoridade  julgadora  de  que  vícios  na  contabilização  dos  seus  estoques  justificam  o  arbitramento.  Entretanto,  não  apresenta  nenhuma  prova  que  fundamente  esta  afirmação.  Nesse ponto, cabe destacar a modificação nos estoques desde o ano de 2002.  O  controle  e  gerenciamento  de  estoques  é  a  própria  vida  de  uma  indústria. Neste  subgrupo  contábil,  transitam  todas  as  matérias  primas  compradas,  produtos  em  elaboração, produtos prontos, com as conseqüentes baixas para  formação do custo  do  produto  vendido  (CPV),  que  será,  naturalmente,  a  maior  parcela  de  custo  na  apuração do resultado contábil.  Os  estoques  necessitam  de  um  criterioso  controle,  pois  fazem  parte  de  um  processo  dinâmico,  onde  quantidades  e  valores  são  alterados  diariamente.  A  lei  exige  que  as  empresas  possuam  controle  permanente  sistematizado  ou  alternativamente um controle periódico por contagens físicas. No caso da Dell, esta,  ora afirma que usava um sistema (Glovia), ora afirma que fazia contagens físicas.  No entanto, a questão mais importante com relação ao controle de estoques,  independente se for permanente ou periódico, é que deve ser algo preciso. Uma vez  apurado o estoque, ao final de cada período, a referida apuração deve ser transcrita  no necessário Livro Registro de  Inventário e não pode mais ser modificado, salvo  algum erro material específico.  A apuração dos estoques exige esse  rigor, porque reflete a fotografia de um  momento dentro de um processo dinâmico. O cut­off, expressão usada para definir o  momento de corte, é algo de grande relevância para a correta apuração de cada item,  bem  como  para  determinar  as  quantidades  que  serão  baixadas  para  formação  do  CPV, e conseqüente resultado contábil.  Ocorre que, no presente caso, após passados vários anos, a empresa alterou  completamente  seus  estoques:  transformou  todos  os  estoques  de  produtos  em  elaboração para matéria­prima, modificou os saldos iniciais e finais de estoques de  todos os anos revisados desde 2002, alterou os valores de estoques, que formavam o  custo dos produtos vendidos, em todos os meses de todos os anos.  Quando  questionada  sobre  qual  a  referência  para  apuração  dos  estoques  na  contabilidade original, e qual a referência para a contabilidade ajustada, a resposta  foi que,  tanto em uma como em outra, a base foram as informações do sistema de  controle  de  estoque  –  Glovia.  Também  afirmou  que  não  houve  recontagem  de  estoques.  Fl. 105402DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.386          138 Se  a  origem  das  informações  era  a  mesma,  sem  recontagem  ou  alteração  valores unitários, não poderia haver modificações. No entanto, as alterações somam  dezenas de milhões de reais em cada ano.  Numa  situação  normal,  a  apuração  dos  estoques  é  uma  informação  declaratória. O Fisco não pode estar presente em cada empresa para acompanhar a  contagem física ou auditar sistemas e processos ao final de cada exercício. Passada  aquela data de corte, com os valores transcritos para o livro Registro de Inventário,  salvo  algum  erro  ou  fraude  grosseiros,  é  praticamente  impossível  contestar  a  apuração feita pela empresa.  Entretanto,  se cabe à empresa essa prerrogativa de apontar as quantidades e  valores  de  cada  item  de  estoque  ao  final  do  exercício,  salvo motivo  específico  e  justificado,  esta não pode,  ao bel­prazer,  após decorridos vários  anos,  vir  dizendo  que  tudo estava  errado,  sem qualquer prova documental. No caso concreto, é dito  que as  informações estavam armazenadas em um sistema digital. Ora, os dados de  um  sistema  podem  ser  alterados  a  qualquer  momento.  A  prova  maior  seriam  os  livros de inventário, escriturados em época própria, mas estes a Dell abandonou, e  passou a considerar novos valores.  Para os anos de 2002 a 2005, a Dell escriturou e registrou na Junta Comercial  os  livros  de  inventário  que  embasaram  a  contabilidade  original.  Para  os  anos  de  2006 e de 2007, apenas escriturou as apurações de estoques diretamente nos livros  Diário, que também tiveram registro na JUCERGS.  Para demonstrar a inconsistência da informação trazida pela empresa, de que  não  havia  modificado  as  quantidades  e  valores  para  chegar  aos  novos  totais,  apurados na reforma contábil, quando do atendimento da diligência requerida pela  DRJ,  a  autoridade  fiscal  fez um comparativo dos  livros Registro de  Inventário do  ano calendário de 2005, o original com o substituto.  No relatório da diligência (e juntada dos livros), demonstrou­se que houve sim  alteração dos valores unitários dos  itens, das quantidades de alguns itens,  também  houve a criação de novos  itens –  tudo isso no ano calendário de 2005, último ano  onde  houve  a  escrituração  de  dois  livros  para  registro  de  inventário.  O  primeiro  livro,  com  registro  na  JUCERGS,  foi  abandonado,  sendo  usado  um  novo,  sem  registro, para embasar a contabilidade ajustada.  Nos anos de 2006 e 2007, não foram apresentados à fiscalização os livros de  inventário  originais,  no  entanto,  foram  contabilizados  em  livros Diário  os  valores  dos estoques em época própria. Nos ajustes, foram apresentados livros de inventário  com  outros  valores,  diferentes  daqueles  constantes  da  contabilidade  original.  Embora, não tenhamos dois livros de inventário para confrontar por item de estoque,  como foi feito no ano 2005, fica claro que o critério adotado foi o mesmo para 2006  e 2007. E está comprovado que houve alteração de estoque inicial, de estoque final e  de valores de estoque formadores do CPV nos AC 2006 e 2007.  Conforme  já  exposto,  cabe  lembrar  mais  uma  vez  que  as  alterações  de  estoques em um ano influenciam os anos subseqüentes. Nesse sentido, as alterações  comprovadas em 2005 podem ter modificado o resultado de 2006 e/ou 2007. Outro  destaque,  constatado  no  Relatório  da  Ação  Fiscal,  é  que  os  valores  de  estoques  levados  para  o  CPV  no  ano  calendário  2002  (já  decaído  quando  da  revisão)  diminuíram  quando  dos  ajustes  contábeis.  Com  isso,  o  lucro  de  2002  (não mais  tributável) aumentou, e sobrou custo de estoques para ser usado nos demais anos.  Fl. 105403DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.387          139 Dessa  forma,  essas  modificações  extemporâneas  de  estoques  em  todo  o  período  revisado,  que  envolveram  anos  já  decaídos  (2002  e  2003),  sem  uma  justificativa plausível,  não podem ser passíveis de aceitação pelo Fisco. Por outro  lado,  é  impraticável  a  recomposição  dos  referidos  estoques.  Trata­se  de  uma  indústria com milhares de itens de estoque, de altíssima rotatividade, e as alterações  ocorreram  em  sete  anos.  Seria  necessária  a  recomposição  desde  2002,  com  estimativas de quantidades usadas na produção, algo ilógico.  A  fiscalização  destacada,  ainda,  como  motivo  para  aplicação  do  lucro  arbitrado  o  fato  de  a  contabilidade  da  recorrente  não  contemplar  toda  a  sua  movimentação  financeira.  Por  sua  vez,  a  Recorrente,  mesmo  admitindo  que  há  vícios nos seus registros, aduz que não há prejuízo para apuração do lucro real.  No  Recurso  Voluntário,  afirma  o  seguinte:  “O  fato  de  que  algumas  das  movimentações  financeiras  tenham  sido  registradas  em  lançamentos  fechados,  somando­se a outras movimentações, não significa que a contabilidade da Empresa  não as tenha contemplado. O vício foi de formalidade, mas não material.”  No  Relatório  da  Ação  Fiscal  e,  especialmente  no  Relatório  de  Diligência,  ficou  constatado  que  a  contabilidade  original  da  empresa  não  refletia  a  sua  movimentação  bancária.  Ficou  comprovado  que  a  grande  maioria  dos  registros  selecionados pela fiscalização não guardavam relação direta entre a contabilidade e  os extratos bancários.  Nos ajustes do refazimento contábil, foram corrigidas várias incorreções, mas  ainda  permaneceram  inúmeras  discrepâncias  entre  o  livro  Diário  e  os  extratos  bancários.  Todas  essas  irregularidades  estão  provadas  nos  Relatórios  Fiscal  e  de  Diligência.  A  contabilização  da movimentação  bancária  reflete  a  falta  de  controle  que  existia  para  todos  os  demais  registros  empresariais  daquela  época.  Mas,  embora  relevante, apenas essa falta de alinhamento, de forma isolada, não seria motivo para  o  arbitramento.  Isso  é  mais  um  fator  que  soma  aos  demais  já  relacionados  anteriormente.  Desta  forma,  diante  da  imprestabilidade  da  escrita  fiscal  da  empresa,  conforme  já  salientado,  não  restou  outra  alternativa  ao Auditor  Fiscal,  a  não  ser  efetuar o arbitramento do lucro.  Não  faço  reparos  ao  acima  exposto. A  extensa  peça  recursal  não  consegue  afastar  a  acusação  fiscal  de  igualmente  extensas  irregularidades na  contabilidade, verificadas  ao longo de diversos anos­calendário a partir de 2002 e objeto de ajustes contábeis  levados a  efeito em 2009. Se, por um lado, a extensão e amplitude de tais ajustes evidencia, a meu ver, a  imprestabilidade  da  contabilidade  dita  “original”,  por  outro  lado  resta  inequivocamente  demonstrado que os ajustes,  longe de corrigir eventuais erros, na verdade buscaram mascará­ los,  introduzindo, ao mesmo tempo, diversos outros. Com isso,  igualmente imprestável e não  merecedora de confiabilidade a contabilidade refeita.  Em que pese o grande  renome das consultorias contratadas pela  interessada  na  busca  de  atestar  a  prestabilidade  de  sua  contabilidade,  os  interesses  da  recorrente  seriam  mais bem atendidos  se os  serviços dessas consultorias houvessem sido direcionados a evitar,  tempestivamente, a necessidade de “refazimentos contábeis”, mediante o registro preciso e de  acordo com a lei de suas operações. Em assim não sendo, considero que os laudos apresentados  não conseguem afastar as extensas irregularidades apontadas pelo Fisco e confirmadas em sede  Fl. 105404DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.388          140 de  diligência  e  pela  decisão  de  primeira  instância,  devendo  ser mantido  o  arbitramento  dos  lucros, tal como feito.  Ainda  quanto  a  este  ponto,  alega  a  recorrente  que  seria  necessário  e  indispensável que, diante de irregularidades constatadas em sua escrita contábil, houvesse sido  a  então  fiscalizada  intimada  a  promover  sua  regularização.  Ausente  tal  intimação,  o  arbitramento deveria ser considerado improcedente.  Também aqui não lhe assiste razão.   Em  primeiro  lugar,  por  falta  absoluta  de  previsão  legal  para  tal  pretendida  “intimação prévia”.   Em  segundo  lugar,  pelas  condições  do  caso  concreto.  Não  se  deve  olvidar  que  a  própria  contribuinte,  antes  de  qualquer  procedimento  fiscal,  já  havia  implementado  o  “refazimento contábil” sobre o qual tanto já se discutiu, abrangendo anos­calendário de 2002 a  2008 e levado a efeito mediante lançamentos de ajustes feitos na contabilidade de 2009. A ação  fiscal  se  iniciou  em  13/12/2010  (ainda  como  diligência,  posteriormente  convertida  em  fiscalização) e a ciência do auto de infração se deu em 21/09/2012. Durante quase dois anos,  mediante  seguidas  intimações  e  reintimações  para  prestar  esclarecimentos  e/ou  apresentar  documentos,  o Fisco buscou elementos que permitissem comprovar e convalidar os extensos  ajustes  feitos pela  interessada em sua contabilidade, defrontando­se, como demonstrado, com  manipulação  de  resultados,  alteração  de  critérios,  procedimentos  irregulares,  documentação  insuficiente e/ou insatisfatória, concluindo, como se viu, pela imprestabilidade da escrita para  fins  de  determinação  do  lucro  real.  Nesse  contexto,  totalmente  descabida  a  pretensão  da  recorrente  de  que  o  Fisco  tivesse  a  obrigação  de  intimar  previamente  ao  arbitramento  para  regularização das falhas encontradas.   Demonstra­se  assim  que  o  precedente  administrativo  invocado  pela  recorrente  (acórdão  CSRF/01­04.557,  de  09/06/2003)  tratava  de  situação  fática  totalmente  diversa daquela aqui enfrentada. Lá, foram transcorridos tão somente 12 dias entre o início da  fiscalização  e  a  lavratura  de  auto  de  infração,  não  havendo  qualquer  intimação,  nem  para  prestar  esclarecimentos  nem  para  qualquer  regularização1.  Não  havendo  qualquer  paralelo  entre as situações fáticas, não se pode pretender que as conclusões de um caso sejam aplicáveis  ao outro.  No  que  toca  à  multa  qualificada  (150%)  aplicada  ao  lançamento,  o  entendimento do Fisco foi da ocorrência de fraude contábil. Por todo o anteriormente exposto,  deve­se concordar com essa conclusão. Não se trata, no caso, de meras ilações do Fisco, como                                                              1 O ocorrido foi assim descrito no voto condutor do acórdão CSRF/01­04.557:  ­ lavrou termo de inicio de ação fiscal, fls. 01, entregue ao representante da contribuinte em 01/09/1995, no qual  solicitou a  imediata apresentação de diversos documentos,  relativos aos anos de 1991 a 1994, dentre eles  livros  contábeis e fiscais,  inclusive auxiliares, caso os possuísse. Não reduziu a termo o recebimento da documentação  da contribuinte, mas em princípio foi atendido;   ­ constatou que a empresa escriturava o  livro Diário em partidas mensais,  resumidamente, sem adoção de livros  auxiliares  para  registro  individuado  das  operações,  cópia  às  fls.  33  a  112,  além  de  não  atender  a  "boa  técnica  contábil". Constatou, ainda, que a contribuinte deixou de escriturar uma conta­corrente bancária, fls. 113 a 116;   ­ retornou à empresa no dia 13/09/1995 para dar ciência do auto de infração para exigência do IRPJ, CSL e IRF  dos  períodos  fiscalizados,  mediante  arbitramento  dos  lucros,  sob  a  acusação  de  que  a  escrituração  contábil  apresentada não atendia à legislação de regência (artigo 160 do RIR/80), sendo imprestável para fins de apuração  do lucro real.    Fl. 105405DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.389          141 alega  a  recorrente,  mas  de  numerosos  elementos  os  quais,  reunidos,  conduzem  à  conduta  dolosa  de  modificação  das  características  essenciais  do  fato  gerador  tributário,  de  forma  a  reduzir o montante do tributo devido. De tudo que foi tratado até aqui, tenho por comprovada a  existência  de  uma  ação  minuciosamente  planejada  para  a  obtenção  de  novos  resultados  societários,  ao  mesmo  tempo  em  que  se  eliminavam  pendências/irregularidades  fiscais  pré­ existentes sem gerar novos pagamentos de tributos,  introduzindo também novas e  igualmente  graves irregularidades. A manipulação de resultados incluiu o aumento do resultado em anos já  atingidos  pela  decadência  e  a  redução  (mediante  majoração  de  custos)  nos  períodos  ainda  sujeitos à tributação. “Erros” sistemáticos e reiterados no cálculo da variação cambial (sempre  no sentido favorável à contribuinte); mudança no critério do registro de gastos com royalties;  registro  incompleto  da  movimentação  bancária  e  modificação  no  registro  dos  inventários  e  estoques, com influência direta nos custos, entre diversos outros aspectos, não deixam dúvidas.   Como  alerta  a  Fiscalização,  a  contribuinte  faz  parte  de  um  dos  maiores  grupos econômicos do mundo, e teria, assim, capacidade econômico­financeira para contratar  os  melhores  profissionais  e  manter  os  melhores  sistemas  para  evitar  qualquer  tipo  de  incorreção,  tanto  nos  registros  originais  e  muito  mais  no  refazimento.  Torna­se,  pois,  inaceitável que  tão grande quantidade de irregularidades seja fruto de erro, configurando­se a  intenção dolosa.  A multa qualificada deve, assim, ser mantida.  É  o  momento,  então,  de  retomar  a  análise  da  preliminar  de  decadência,  mencionada no  início deste voto. No entendimento da recorrente,  teria ocorrido a decadência  em relação ao IRPJ e à CSLL, para o primeiro e segundo trimestres de 2007 e, em relação ao  PIS e à COFINS, para os meses de janeiro a agosto de 2007.   A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento  dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo  no  âmbito  deste Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais. Em oportunidades  anteriores,  tenho  me  manifestado  no  sentido  de  que  o  critério  aplicável  para  se  distinguir  se  um  lançamento  é  por  homologação  ou  de  ofício  deve  ser  a  própria  sistemática  de  apuração  do  tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei  estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio  exame  da  Autoridade  Administrativa.  Seria  essa  sistemática,  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou  ausência de pagamento.  Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas  se  conformassem  à  jurisprudência  pacificada  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  o Regimento  Interno  deste Conselho  (RICARF),  aprovado  pela Portaria  MF nº 343/2015, fez constar o § 2º do art. 62 do Anexo II, a seguir transcrito:  Art. 62 [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Fl. 105406DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.390          142 Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou  do  art.  173,  I,  ambos  do  CTN,  já  foi  objeto  de  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543­C do CPC), nos autos  do Recurso Especial nº 973.733 ­ SC (2007/0176994­0). O julgamento se deu em 12/08/2009 e  o  acórdão  foi publicado no DJe de 18/09/2009,  restando assim ementado  (grifos constam do  original):  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do  exercício  seguinte àquele  em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  Fl. 105407DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.391          143 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Posteriormente,  o  próprio  STJ  reviu  seu  posicionamento  quanto  ao  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  nos  EDcl  nos  EDcl  no  AgRG  no  Recurso  Especial  nº  674.497  –  PR  (2004/0109978­2).  Ressalto  que  o  ilustre Ministro  Relator,  após  mencionar  expressamente  o  REsp  nº  973.733,  registra  que  “impõe­se  o  acolhimento  dos  presentes  embargos  de  declaração,  a  fim  de  se  adequar  o  decisório  embargado  à  jurisprudência  uniformizada  no  âmbito  do  STJ  sobre  a matéria”. O  julgamento  ocorreu  em  09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro  caso (REsp nº 973.733), o  termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como  sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato  imponível,  interpretação esta  Fl. 105408DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.392          144 que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o  posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completando­se o  fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de  1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995.  De  se  ver,  portanto,  de  que  forma  tais  decisões  devem  ser  reproduzidas  no  caso sob exame, em cumprimento das disposições regimentais.  O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do  prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria  também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o  contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito.  Além disso, também seria a aplicável a regra geral (art. 173, I) quando constatado dolo, fraude  ou simulação na conduta do contribuinte. E é precisamente este o motivo que vislumbro para  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  se  dê  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.  Tenho me manifestado em diversas ocasiões no sentido de que o dolo deve  ser extraído de cada situação concreta sob exame.  No  caso  vertente,  a  conduta,  comprovada  nos  autos,  de  fraudar  a  contabilidade  no  ano  sob  exame  (2007),  mas  alcançando  com  o  mesmo  procedimento  de  “refazimento  contábil”,  de  forma  indissociável,  os  anos  de  2002  a  2008,  não  pode  levar  a  conclusão diversa:  tais atos  foram conscientes e intencionais, com o objetivo de modificar as  características essenciais do  fato gerador  tributário, de forma a reduzir o montante do  tributo  devido.  Reitero o quanto antes afirmado, ao tratar da qualificação da multa de ofício:  tenho por comprovada a existência de uma ação minuciosamente planejada para a obtenção de  novos  resultados  societários,  ao  mesmo  tempo  em  que  se  eliminavam  pendências/irregularidades  fiscais  pré­existentes  sem  gerar  novos  pagamentos  de  tributos,  introduzindo também novas e igualmente graves irregularidades. A manipulação de resultados  incluiu  o  aumento  do  resultado  em  anos  já  atingidos  pela decadência  e  a  redução  (mediante  majoração de custos) nos períodos ainda sujeitos à tributação. “Erros” sistemáticos e reiterados  no  cálculo  da  variação  cambial  (sempre  no  sentido  favorável  à  contribuinte);  mudança  no  critério do  registro de gastos com royalties;  registro  incompleto da movimentação bancária e  modificação  no  registro  dos  inventários  e  estoques,  com  influência  direta  nos  custos,  entre  diversos outros aspectos, não deixam dúvidas.  A aplicação correta da lei ao reconhecimento ou não da decadência depende  tão somente da presença do elemento volitivo, do dolo na conduta do contribuinte relacionada  às infrações apuradas.  Aplicando­se ao caso concreto as disposições do art. 173, I, do CTN temos:  Para  IRPJ  e  CSLL,  a  opção  do  contribuinte  foi  pela  apuração  anual2,  com  recolhimento  de  estimativas  mensais.  O  fato  gerador  ocorreu,  então,  em  31/12/2007.  O  lançamento  poderia  ser  efetuado  a  partir  de  01/01/2008,  pelo  que  a  fluência  do  prazo  quinquenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2009, encerrando­                                                             2 Conferir DIPJ retificadora às fls. 4599/4722.  Fl. 105409DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.393          145 se em 31/12/2013. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 21/09/2012 (fl.  23319), não se há de falar em decadência.  Poder­se­ia  argumentar  que,  ao  ser  abandonado  o  lucro  real,  adotando­se  o  lucro arbitrado como forma de apuração do lucro, teria também ocorrido modificação na data  de ocorrência dos fatos geradores, com o que a análise do parágrafo anterior deveria ser refeita.  No  entanto,  entendo  que  a  verificação  da  ocorrência  da  decadência  deve  ser  feita  à  luz  do  critério adotado originalmente pelo contribuinte, conforme acima. Constatado, como de fato se  constatou,  que  o  direito  da  Fazenda Nacional  de  constituir  créditos  tributários  para  os  fatos  geradores ocorridos no ano­calendário 2007 se encontrava hígido, esse direito não é afetado se,  ao  impor­se  o  arbitramento  dos  lucros,  o  lançamento  contempla  fatos  geradores  trimestrais.  Adicionalmente, observe­se que, ainda que se devesse considerar as datas dos fatos geradores  do  lançamento  (o  que  admito  apenas  como  hipótese  argumentativa),  não  teria  ocorrido  a  decadência: para o fato gerador ocorrido em 31/03/2007, o lançamento poderia ter sido feito a  partir  de  01/04/2007;  com  isso,  a  fluência  do  quinquênio  decadencial  se  iniciaria  em  01/01/2008, findando­se em 31/12/2012. A conclusão seria idêntica à do parágrafo anterior.  O mesmo se pode constatar para PIS e COFINS, com apuração mensal: o fato  gerador  mais  antigo  ocorreu  em  31/01/2007.  O  lançamento  poderia  ser  efetuado  em  01/02/2007,  pelo  que  a  fluência  do  prazo  quinquenal  se  inicia  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte,  a  saber,  em  01/01/2008,  encerrando­se  em  31/12/2012.  Tendo  sido  o  lançamento  cientificado ao sujeito passivo em 21/09/2012 (fl. 23319), também aqui não se há de falar em  decadência.  Se  os  fatos  mais  antigos  não  foram  alcançados  pela  decadência,  a  mesma  conclusão se pode estender aos fatos mais recentes.  Por  todo  o  exposto,  concluo  da mesma  forma que  a autoridade  julgadora a  quo, pela inocorrência da decadência no caso sob exame.  A  recorrente  traz  argumentos  específicos  acerca de  supostas  incorreções  na  apuração da Contribuição para o PIS e da COFINS, em três diferentes vertentes (item 4.10 da  peça  recursal).  Antes,  porém,  de  examinar  cada  uma  das  reclamações,  especificamente,  considero necessário  revisar as ocorrências processuais até o momento, de modo a mais bem  situar o litígio, quanto a esta matéria.  Diante  do  arbitramento  do  lucro,  para  fins  do  IRPJ  e  da  CSLL,  fez­se  necessário também alterar a incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, que passaram  do regime não­cumulativo para o regime cumulativo (inciso II, art. 8º, da Lei nº 10.637/2002 e  inciso II, art. 10, da Lei nº 10.833/2003, mencionados no Relatório da Ação Fiscal à fl. 23923).  No enquadramento  legal  (fl. 22964 e  fl. 22970) encontro, para ambas as contribuições, entre  outros dispositivos, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.178/1998, cuja redação à época do lançamento  era a que segue:  Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta Lei.  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  Fl. 105410DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.394          146 [...]  §2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;  No  item  17  do Relatório  da Ação  Fiscal  (fls.  23293  e  segs.)  a  fiscalização  detalha  de  que modo  obteve  o  faturamento,  base  de  cálculo  de  ambas  as  contribuições  aqui  tratadas.  De  especial  interesse,  registro  que  o  IPI  foi  subtraído  das  bases  de  cálculo  das  contribuições, em atendimento ao inciso I do § 2º do art. 3º, supra.  Já em sede de impugnação, a interessada apontou cinco incorreções (por sua  ótica)  na  determinação  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  (itens  10.1  a  10.5  da  peça  impugnatória).  A  Autoridade  Julgadora  em  primeira  instância  determinou  a  realização  de  diligência para verificação (fls. 98375/98397), do que resultou o relatório de fls. 98383/98385.  As duas primeiras reclamações (10.1 e 10.2) foram atendidas já em primeira  instância, e sobre elas não mais se falará neste voto. Quanto aos outros três pontos (10.3, 10.4 e  10.5) o relatório de diligência assim os tratou:  c) quanto aos itens 10.3 a 10.5 da impugnação  Esses itens da impugnação apresentada versam sobre a não exclusão do valor  do  IPI  para  fins  de  verificação  do  limite  da Lei  11.196/2005 para  a  alíquota  zero  (10.3),  a  não  consideração  das  vendas  a  empresas  com  CNAE  de  vendedoras  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos  de  informática  (10.4)  e  da  não  consideração de vendas a empresas localizadas na ZFM (10.5).  Com relação aos itens 10.3 e 10.4, a fiscalização tem a informar que o artigo  28  da  Lei  11.196/2005  traz  expressamente  a  expressão  "receita  bruta  de  venda  a  varejo"  por  isso  o  valor  verificado  das  notas  fiscais  para  fins  dos  limites  mencionados na  lei  são os valores de venda bruta constantes das notas  fiscais, ou  seja, o preço pago pelo adquirente no qual o IPI está incluso; e deriva dessa mesma  expressão “...a varejo” a motivação da fiscalização para que as vendas a empresas  com CNAE de vendedores atacadistas ou varejistas de equipamentos de informática  não fossem considerados como sujeitas à alíquota zero.  [...]  Já  a  respeito  do  item  10.5,  vendas  a  ZFM,  a  fiscalização  explica  em  seu  Relatório  na  folha  23.296,  item  “j”  que  apenas  as  vendas  registradas  nos  códigos  CFOP 6109 e 6110  foram consideradas como sujeitas à  tributação à alíquota zero  para fins de PIS e Cofins.  Cumprida  a  diligência,  a  decisão  de  primeira  instância  rejeitou  essas  três  reclamações, com os seguintes fundamentos:  Fl. 105411DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.395          147 Quanto  ao  item  “iii”,  a  questão  a  ser  resolvida  diz  respeito  ao  conceito  de  receita  bruta  a  ser  adotado  para  fins  da  interpretação  dos  termos  da  isenção  concedida por via do art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005. Desvendado esse conceito, se  pode concluir pela inclusão ou não do IPI na apuração do valor da receita bruta para  fins  da  identificação  das  operações  isentas.  A  legislação  fixa  valor  máximo  de  receita bruta para a concessão do referido benefício.  O contribuinte defendeu a adoção do conceito de receita bruta insculpido no  art. 12 do Decreto­lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que trata da legislação  do  IRPJ.  A  Instrução Normativa  nº  51,  de  3  de  novembro  de  1978,  esclareceu  o  alcance da norma legal, definindo que na receita bruta não se incluem os impostos  não cumulativos cobrados do comprador ou contratante e do qual o vendedor seja  mero depositário. É o caso do IPI.  Ocorre, entretanto, que a isenção sob apreço diz respeito ao PIS e à Cofins. O  conceito de receita bruta a ser adotado deve ser, então, o atinente àqueles tributos. A  Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, fixa qual seja o conceito de receita bruta  para fins da exigência do PIS e da Cofins. Confira­se a redação da lei:  [...]  Consoante  se  verifica  da  redação  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  a  distinção  existente na legislação do IRPJ entre faturamento (inclui o IPI) e receita bruta, não  existe na legislação do PIS e da Cofins (“faturamento...corresponde à receita bruta”  art.  3º,  caput).  O  §  2º,  I,  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  é  claro  quanto  à  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Confins,  determinado  que  o  IPI  seja  excluído da receita bruta. Só se pode excluir de determinado montante algo que dele  faça parte. Assim, para fins do PIS e da Cofins, a receita bruta contempla o IPI. Por  tal motivo, indefiro o pleito do contribuinte.  Quanto ao item “iv”, a questão é de prova. A  isenção prevista no art. 28 da  Lei nº 11.196, de 2005,  somente alberga vendas a varejo.  Identificadas vendas do  contribuinte  para  pessoas  jurídicas  que  tem  por  área  de  atuação  o  comércio  de  equipamentos de informática, incabível a concessão da isenção para tais operações.  Cabe ao contribuinte provar que essas operações não tiveram por meta o comércio,  ou  seja,  que  as  operações  em  tela  não  seguiram  a  regra  geral  das  operações  desenvolvidas pelos referidos compradores (o comércio). A prova juntada aos autos  pelo Fisco diz  respeito aos dados cadastrais dos compradores apontados nas notas  fiscais de vendas do impugnante. Os agentes do Fisco colimaram observar o art. 9º  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972.  O  contribuinte  só  alegou,  nada  provou.  Não  observou, portanto, o disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Diante  do  alegado  e  não  provado,  formo  minha  convicção  em  favor  da  manutenção  do  lançamento, observando os termos do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Levo  em consideração, também, os termos do art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de  1999.  Por fim, quanto ao item “v”, entendo que o contribuinte não juntou aos prova  que dê alicerce às suas alegações. O documento juntado aos autos pelo contribuinte  é uma simples relação de notas fiscais (fls. 98.345 a 98.358). Esse documento não  comprova vendas que teriam sido realizadas para destinatários da cidade de Manaus.  Deixada de lado a questão da prova, entendo que o documento preparado pelo  contribuinte  esclarece  a  dúvida  por  ele  próprio  lançada  na  impugnação.  O  documento  aponta  vendas  destinadas  a  Manaus.  Para  cada  venda  é  indicado  o  número da nota fiscal e o Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP.  Fl. 105412DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.396          148 A fiscalização somente considerou como dirigidas à Zona Franca de Manaus  as operações em que  indicados os CFOP 6109 e 6110. Confira­se a descrição dos  referidos  CFOP  (http://www.sefaz.rs.gov.br/ASP/SEF_root/INF/SEFSintegraInfo.htm#tabela):  6.109  ­  Venda  de  produção  do  estabelecimento,  destinada  à  Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio   6.110 ­ Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros,  destinada  à  Zona  Franca  de  Manaus  ou  Áreas  de  Livre  Comércio   A  relação  do  contribuinte  indica  os mais  diversos CFOP. Consultando­se  a  lista  completa  de  CFOP,  verifica­se  que  aqueles  códigos  são  os  únicos  que  contemplam saídas para outros Estados (o Amazonas é um outro Estado) dirigidas à  Zona Franca de Manaus.  O  impugnante,  mesmo  assim,  deseja  que  sejam  consideradas,  para  fins  da  aplicação da alíquota zero, todas as suas vendas que teriam sido encaminhadas para  a cidade de Manaus.  A Zona Franca de Manaus compreende região na qual é possível a habilitação  para o gozo dos  incentivos previstos no Decreto­lei nº 288, de 28 de  fevereiro de  1967.  A  remessa  de  mercadoria  de  origem  nacional  para  consumo  ou  industrialização na Zona Franca de Manaus tal qual uma exportação brasileira para o  exterior é um desses benefícios (art. 4º do Decreto­lei nº 288, de 1967 c/c art. 149, §  2º,  da  Constituição  Federal).  A  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  –  Suframa detém a  competência para  aprovar os projetos que visem a obtenção dos  benefícios previstos no Decreto­lei nº 288, de 1967 (art. 11 do Decreto nº 61.244, de  28 de agosto de 1967). Assim, venda destinada à Zona Franca de Manaus não é uma  venda  para  um  cliente  residente  e  domiciliado  em Manaus,  mas  sim  para  pessoa  devidamente habilitada perante a Suframa para fins do gozo dos benefícios previstos  no Decreto­lei nº 288, de 1967. A nota fiscal de venda deve, inclusive, identificar a  habilitação dos destinatário (art. 16 da Portaria Suframa nº 529, de 28 de novembro  de 2006, dando­se atenção especial para o § 4º). Diante disso, inviável, para fins da  aplicação  da  alíquota  zero,  a  consideração  de  vendas  simplesmente  destinadas  a  Manaus,  ainda mais  levando  em conta que o próprio  contribuinte não  reconheceu  tais operações como destinadas à Zona Franca de Manaus, porquanto não apontou o  CFOP específico nas notas  fiscais. Assim, mesmo vencida a questão probatória, o  contribuinte não faria jus ao benefício em função das razões alegadas.  Irresignada,  a  recorrente  retoma  seus  argumentos  nos  itens  4.10.1,  4.10.2  e  4.10.3 do recurso voluntário.   No  item  4.10.1,  a  recorrente  pleiteia  a  aplicação  da  alíquota  zero  nas  situações  previstas  na Lei  nº  11.196/2005,  regulamentadas  pelo Decreto  nº  5.602/2005.  Para  tanto, seria necessário verificar o atendimento às condições previstas na lei e no regulamento, o  que  foi  feito  em  sede  de  diligência.  No  entanto,  ao  verificar  essas  condições,  o  Fisco  considerou o preço total de venda, incluído o IPI. No entender da recorrente, o IPI não integra  o  faturamento,  e não deveria,  de  igual modo,  integrar o preço  total  de venda para os  fins de  verificação do atendimento às condições para que se possa beneficiar da alíquota zero. Eis o  litígio.  Fl. 105413DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.397          149 Para maior clareza, reproduzo parcialmente abaixo o teor do art. 28 da Lei nº  11.196/2005, que  instituiu o benefício  fiscal pleiteado pela recorrente (grifos não constam do  original):  Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de  venda a varejo:  [...]  § 1o Os produtos de que trata este artigo atenderão aos termos e  condições  estabelecidos  em  regulamento,  inclusive  quanto  ao  valor e especificações técnicas.  A esta altura, faz­se necessário fixar alguns pontos.   A  incidência  tributária originalmente  (antes de qualquer benefício  fiscal)  se  dá sobre o faturamento, este entendido como a receita bruta auferida pela pessoa jurídica (arts.  2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, anteriormente transcrito).  Nessa  receita  bruta,  base  de  cálculo  das  contribuições,  não  se  inclui  o  IPI  (inciso I do art. 3º da Lei nº 9.718/1998). Não há sobre isso qualquer dúvida. Para tanto, seria  suficiente  a  conceituação  contábil,  mas  a  lei  veio  expressamente  espancar  qualquer  controvérsia. No mesmo sentido, o Perguntas e Respostas da Receita Federal3 diz que o IPI não  integra a base de cálculo de PIS e COFINS.  Por certo que,  se o  IPI não  integra a  receita bruta, não faz qualquer sentido  sua  exclusão.  Não  se  exclui  algo  que  não  foi  anteriormente  incluído.  No  entanto,  se,  por  qualquer motivo (por exemplo, decorrente da forma de contabilização ou registro) o valor do  IPI  vier  a  integrar  a  receita  bruta,  por  certo  dela  deverá  ser  excluído,  para  que  se  possa  corretamente determinar a base de cálculo das contribuições.  Um  exemplo  numérico  hipotético  poderá  esclarecer  e  reforçar  o  anteriormente  exposto:  uma  venda  no  valor  de  R$  2.000,  sobre  a  qual  incida  IPI  (que  é  calculado "por  fora") no valor de R$ 200, corresponderá a um preço final de R$ 2.200. Esse  será  o  total  da  nota  fiscal,  o  valor  desembolsado  pelo  adquirente.  O  faturamento  (base  de  cálculo das contribuições),  correspondente à  receita bruta,  será de R$ 2.000. Não faz sentido  falar  em  exclusão  do  IPI,  porque  ele  não  integra  a  receita  bruta.  Se,  por  algum motivo,  nos  assentamentos contábeis/fiscais a  receita bruta houver sido registrada pelo valor  total da nota  fiscal (R$ 2.200), ao determinar a base de cálculo das contribuições o IPI deverá ser retirado,  restando, também por esse procedimento, a receita bruta de R$ 2.000.  Esse  foi  exatamente o  procedimento do Fisco  ao  efetuar o  lançamento. Por  entender que os valores de vendas de mercadorias conteriam, em si,  também o IPI, procedeu  corretamente à exclusão. Vide fl. 23295, item "h".  O art. 28 da Lei nº 11.196/2005 veio introduzir um benefício fiscal. Persiste a  incidência tributária, mas a alíquota aplicável passa a ser zero, nas condições ali especificadas.                                                              3  (capítulo  XXII,  atualizado  até  31/12/2014,  http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoes­e­ demonstrativos/dipj­declaracao­de­informacoes­economico­fiscais­da­pj/perguntas­e­respostas­pessoa­juridica­ 2015­1/capitulo­xxii­contribuicao­para­o­pis­pasep­e­cofins­incidentes­sobre­a­receita­ou­o­ faturamento.pdf/view)  Fl. 105414DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.398          150 E este ponto é muito importante: a base de cálculo permanece a inalterada: é a receita bruta, na  qual não se inclui o IPI, conforme visto.  O  §  1º  do  art.  28  remete  ao  regulamento  a  definição  das  condições  para  o  gozo  do  benefício,  inclusive  no  que  tange  ao  valor  dos  produtos. Ressalto:  não  há  qualquer  alteração na base de cálculo  (faturamento equivalente à receita bruta), muito menos qualquer  condição relacionada à receita bruta. A condição (no que interessa a este item) está relacionada  ao  valor  do  produto. De  se  ver,  portanto,  como  o Decreto  nº  5.602/2005  regulamentou  este  ponto (grifos não constam do original).  Art.  1o  Ficam  reduzidas  a  zero  as  alíquotas  da  Contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta  decorrente da venda, a varejo, de:  [...]  Art.  2o  Para  efeitos  da  redução  a  zero  das  alíquotas  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  de  que  trata  o  art. 1o, o valor de venda, a varejo, não poderá exceder a:  [...]  O  art.  1º  do  Decreto  simplesmente  reproduz  o  caput  do  art.  28  da  Lei  nº  11.196/2005. Insisto: permanece a incidência tributária sobre a mesma base de cálculo, apenas  com a alíquota reduzida a zero. O art. 2º, por sua vez, é que regulamenta as condições para os  produtos,  especificamente  no  que  tange  ao  seu  valor.  E  reza  que  essa  condição  deverá  ser  verificada diante do valor de venda a varejo. Não há qualquer condição atinente à receita bruta  (base de cálculo das contribuições).  Isto  posto,  descabe  qualquer  tentativa  de  estabelecer  ligações  entre  "faturamento equivalente a receita bruta" (base de cálculo das contribuições) e "valor de venda  a  varejo"  (parâmetro  estabelecido  para  fins  de  verificação  do  atendimento  às  condições  para  gozo  do  benefício  fiscal). O valor  de venda  a  varejo,  por  certo,  é o  preço  final de venda  ao  consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto.  Retomando, então, o hipotético exemplo numérico anterior: o valor de venda  a varejo é o total da nota fiscal emitida, R$ 2.200. É com base nesse total, que inclui o IPI, que  deve ser feita a verificação do art. 2º do Decreto. Caso satisfeita a condição (e, por certo, outras  condições  porventura  existentes),  a  receita  bruta  de R$  2.000  estará  sujeita  à  incidência  das  contribuições com alíquota zero. Em caso contrário, não satisfeita a condição, a receita bruta de  R$ 2.000 estará sujeita às alíquotas normais das contribuições.  Exatamente  esse  foi  o  procedimento  da  autoridade  fiscal  que  cumpriu  a  diligência determinada em primeira  instância. Ao verificar o  limite para  fins de aplicação da  alíquota zero, considerou esse limite em face dos "valores de venda bruta constantes das notas  fiscais, ou seja, o preço pago pelo adquirente no qual o IPI está incluso" (fl. 98385).   Assim,  embora  com  raciocínio  diverso  daquele  desenvolvido  pelo  Julgador  de  primeira  instância,  concluo  pela  correção  do  lançamento,  e  que  as  verificações  efetuadas  quando  do  cumprimento  da  diligência,  no  que  toca  a  este  item,  foram  igualmente  corretas,  devendo ser rejeitado o recurso voluntário, quanto ao item 4.10.1.  Fl. 105415DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.399          151 O  item  4.10.2  do  recurso  voluntário  também  está  relacionado  ao  benefício  fiscal de que trata o art. 28 da Lei nº 11.196/2005, mas por outra vertente. Aqui, a recorrente  reclama  que  não  teria  sido  aplicada  a  alíquota  zero  à  receita  bruta  decorrente  de  vendas  efetuadas a diversas empresas que, no entender da recorrente,  teriam adquirido produtos para  uso próprio, e não para  revenda. Desse modo,  tais vendas se equiparariam a vendas a varejo,  alcançadas pelo benefício fiscal em tela. O Fisco teria simplesmente presumido que se tratava  de aquisições para revenda. A recorrente se vale da tabela k.6, elaborada pelo próprio Fisco à  fl. 327 do Relatório da Ação Fiscal. Por sua ótica, seria ônus do Fisco provar a destinação dos  produtos para revenda, e não para consumo próprio.  Essa mencionada tabela k.6 faz parte da descrição dos critérios adotados pela  autoridade lançadora, cabendo a seguinte reprodução (fl. 23300):  k.6) no caso do arquivo com as vendas a PJ, foi feito um filtro preliminar que  excluiu  as  vendas  a  PJ  que,  pelo  CNAE  Fiscal  (Código  Nacional  de  Atividades  Econômicas),  eram  a  empresas  vendedoras  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos  de  informática;  esses  códigos  são 4651601  (Comércio atacadista de  equipamentos  de  informática), 4651602  (Comércio atacadista de  suprimentos para  informática)  e  4751201  (Comércio  varejista  especializado  de  equipamentos  e  suprimentos de informática). Os CNPJ com os CNAE excluídos estão em planilha  anexa a Este Relatório;  Como se vê, na busca da correta base de cálculo das contribuições, o Fisco  manteve na base de cálculo (por não considerar tais vendas alcançadas pelo benefício fiscal) as  vendas  efetuadas  a  empresas  cujos  CNAE  eram  de  vendedoras  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos de informática. Trata­se, realmente, de uma presunção simples, não estabelecida  em  lei,  de  que  um  revendedor  atacadista  ou  varejista  de  equipamentos  de  informática,  ao  adquirir produtos de informática, os destinará à revenda. É o que ocorre, por certo, na grande  maioria dos casos. É possível também que, em alguns poucos casos, o vendedor atacadista ou  varejista separe alguns desses equipamentos para uso próprio. No entanto, ao contrário do que  alega a recorrente, penso que aqui o ônus da prova seria dela, não do Fisco.  A regra geral é da incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício  fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega  que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou  varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas  empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Ressalto, por relevante: o Fisco não  se valeu de presunção simples para tributar. A presunção foi, sim, empregada para afastar parte  da incidência tributária, reconhecendo o benefício fiscal sobre parcela das vendas (aquelas não  efetuadas  a  comerciantes  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos  de  informática).  A  irresignação  da  recorrente  não  é  contra  o  uso  da  presunção,  mas  pelo  desejo  de  que  essa  presunção viesse a alcançar um universo muito maior de vendas.  Ademais, constato que o critério adotado pelo Fisco se revela muito razoável.  A  tabela  k.6  se  encontra  às  fls.  10791/10806  dos  autos.  Os  CNAE  dos  adquirentes  são  exatamente  aqueles  descritos  no  trecho  anteriormente  transcrito. De  se  observar que não é o  Fisco  que  atribui  o  CNAE  à  empresa,  antes  é  esta  que,  ao  se  cadastrar,  declara  o  código  correspondente  a  sua  atividade  econômica.  Em  outras  palavras,  são  essas  empresas  que  se  declaram  ao  Fisco  como  comerciantes  atacadistas  ou  varejistas  de  equipamentos  de  informática. A recorrente afirma (fl. 105005) que "a grande maioria das empresas varejistas  de serviços de informática ali listadas consistem em micro ou pequenas empresas da área de  Fl. 105416DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.400          152 'prestação de serviços de informática' e não de venda de equipamentos", mas não faz prova do  que afirma. Embora em alguns poucos casos a palavra "serviço" conste do nome da empresa,  em nenhum caso o CNAE declarado por elas à Administração Tributária inclui a prestação de  serviços.   Não  faço,  pois,  reparo  a  decisão  recorrida  quanto  a  este  ponto,  e  rejeito  o  recurso voluntário, no que respeita ao seu item 4.10.2.  Finalmente, o item 4.10.3 do recurso voluntário, o último referente a alegadas  irregularidades nas exigências da COFINS e da Contribuição para o PIS. Aqui, a polêmica gira  em  torno  de  outro  benefício  fiscal,  as  vendas  destinadas  à  Zona  Franca  de Manaus  (ZFM),  prevista no art. 2º da Lei nº 10.996/2004, o qual, à época dos fatos geradores, tinha a seguinte  redação:  Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  ­  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus ­ ZFM, por pessoa  jurídica estabelecida fora da ZFM.  § 1o Para os  efeitos deste artigo,  entendem­se  como vendas de  mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ­ ZFM as  que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham  utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a  varejo.  § 2o Aplicam­se às operações de que trata o caput deste artigo  as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no10.637, de  30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei  no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  No ato do lançamento, o Fisco excluiu da base de cálculo das contribuições  as notas  fiscais de vendas  cujos CFOP  indicavam vendas para a ZFM, a  saber, 6109 e 6110  (itens "i" e "j" do Relatório da Ação Fiscal, fls. 23295/23296). Alega a recorrente que muitas  outras vendas, não excluídas da base de cálculo,  também representariam vendas destinadas à  Zona  Franca  de Manaus, muito  embora  tenha  havido  equívoco  no  preenchimento  do CFOP.  Para tanto, ainda em sede de impugnação, fez acostar aos autos a planilha de fls. 98345/98358,  com a relação dessas notas fiscais.  Como se viu, a decisão de primeira instância não acatou seus argumentos, por  dois motivos: a uma, porque a relação de notas fiscais apresentada não comprova que as vendas  correspondentes  tenham  sido  destinadas  à  cidade  de  Manaus;  a  duas,  porque,  ainda  que  ultrapassada essa questão probatória, a destinação à Zona Franca de Manaus é requisito diverso  da destinação à cidade de Manaus. A propósito, destaco o seguinte excerto (fl. 104892):   Assim, venda destinada à Zona Franca de Manaus não é uma venda para um  cliente  residente  e  domiciliado  em  Manaus,  mas  sim  para  pessoa  devidamente  habilitada perante a Suframa para fins do gozo dos benefícios previstos no Decreto­ lei nº 288, de 1967. A nota fiscal de venda deve, inclusive, identificar a habilitação  dos destinatário  (art. 16 da Portaria Suframa nº 529, de 28 de novembro de 2006,  dando­se atenção especial para o § 4º)   Fl. 105417DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.401          153 Pois  bem.  Em  sede  de  recurso,  a  recorrente  argumenta  que  o CFOP  não  é  requisito  legal  para  a  fruição  do  benefício, mas  sim  a  destinação  a  clientes  estabelecidos  na  Zona Franca de Manaus. Acrescenta (fls. 105008/105009):  A  fim de  comprovar  o  ora  exposto,  a Recorrente  junta  aos  autos  (Doc. 01)  uma  planilha  com  a  lista  de  todas  as  notas  fiscais  selecionadas  pelo  fiscal  responsável  pela  autuação  que  não  teriam  os  códigos CFOP  corretos  e,  a  fim  de  espancar  quaisquer  dúvidas,  a  Recorrente  incluiu  a  coluna  "F"  em  tal  planilha  indicando a  inscrição SUFRAMA de cada um dos clientes a quem as mercadorias  foram destinadas.  Ao  realizar  tal  exercício,  a  Recorrente  acabou  verificando  que  a  grande  maioria  das  operações  refletidas  nas  notas  fiscais  referiam­se  a  mercadorias  destinadas à Zona Franca de Manaus.  [...[  Com efeito, a inscrição na SUFRAMA por si só já confirma que a destinatária  das  mercadorias  objeto  da  referida  nota  fiscal  trata­se,  efetivamente,  de  empresa  localizada  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  medida  em  que  apenas  empresas  localizadas em tal zona franca podem obter tal inscrição.  O  Doc.  01,  mencionado  pela  recorrente,  se  encontra  nos  autos  às  fls.  105018/105029. Na sequência, às fls. 105030/105045, encontro cópias de quinze4 notas fiscais  de vendas, que integram (dentre muitas outras), a planilha intitulada Doc. 01. De seu exame, é  possível  constatar  que  se  trata  de  vendas  para  cinco  diferentes  pessoas  jurídicas5,  todas  da  cidade  de  Manaus.  A  recorrente  indica  o  sítio  da  Suframa  na  internet  (https://servicos.suframa.gov.br/servicos/), onde pode ser identificado o registro dessas pessoas  jurídicas, a partir de seu CNPJ, também presente nas cópias de notas fiscais. De fato, a consulta  a esse sítio comprova que essas pessoas jurídicas possuem cadastro na Suframa.  Tenho,  assim,  que,  exclusivamente  para  essas  quinze  notas  fiscais,  a  recorrente logrou comprovar que as vendas se destinaram à Zona Franca de Manaus, isto é, a  empresas devidamente registradas na Suframa. A indicação errônea do CFOP nas notas fiscais  não  deve  servir  de  impedimento  para  a  fruição  do  benefício  fiscal,  desde  que  reste  inequivocamente  comprovado,  como  é o  caso,  que os  produtos  se  destinaram  a  consumo ou  industrialização  na Zona Franca  de Manaus. Os valores de  receita bruta  (não  incluído o  IPI)  correspondentes a essas vendas devem, portanto, ser excluídos das bases de cálculo do PIS e da  COFINS, nos meses correspondentes a sua emissão, conforme quadro abaixo.  Fl.   NF  Destinatário  CNPJ  Data Emissão  Valor (R$)              NF  (não incluído o IPI)  105030  145472  Instituto Nokia de Tecnologia  04.802.134/0002­68  04/10/2007  207.448,28  105031  917025 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  29/03/2007  110.412,59  105032  915994 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  28/03/2007  121.104,55  105033  886860 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  23/02/2007  97.056,36  105034  886205 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  22/02/2007  83.576,31  105035  886196 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  22/02/2007  83.576,31  105036  875796 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  07/02/2007  70.264,60  105037  875194 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  06/02/2007  97.056,36  105038  875187 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  06/02/2007  97.056,36                                                              4 Há, de fato, dezesseis cópias. No entanto, a NF nº 145472 se encontra duplicada às fls. 105030 e 105040.  5 Instituto Nokia de Tecnologia, Moto Honda da Amazônia Ltda., Thomson Multimidia Ltda., Salcomp Industrial  Eletrônica da Amazônia Ltda. e HFJ da Amazônia Indústria de Detergentes Ltda.  Fl. 105418DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.402          154 Fl.   NF  Destinatário  CNPJ  Data Emissão  Valor (R$)              NF  (não incluído o IPI)  105039  214990 Thomson Multimidia Ltda  02.773.531/0001­42  30/11/2007  67.322,40  105041  126166 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  19/09/2007  65.005,74  105042  95331  Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  30/08/2007  70.264,71  105043  55548  Salcomp Industrial Eletrônica da Amazônia Ltda.  07.637.620/0001­85  04/07/2007  62.735,25  105044  40849  Salcomp Industrial Eletrônica da Amazônia Ltda.  07.637.620/0001­85  13/06/2007  72.546,25  105045  39001  HFJ da Amazônia Indústria de Detergentes Ltda  07.483.145/0001­30  08/06/2007  104.668,80  Para as demais notas fiscais relacionadas na planilha intitulada Doc.01, tenho  que a recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório. A situação é semelhante àquela  abordada  no  tópico  anterior.  A  regra  é  a  incidência  tributária.  Diante  de  lei  que  institui  benefício  fiscal,  recai  sobre  a  empresa  que  dele  pretende  usufruir  o  ônus  de  comprovar  que  cumpriu os requisitos para tanto. A exemplo do que ocorreu em primeira instância, a planilha,  desacompanhada  das  respectivas  notas  fiscais,  é  insuficiente  para  provar  que  essas  vendas  efetivamente se destinaram ao estabelecimento ali indicado, tornando­se irrelevante a posterior  demonstração de um registro junto à Suframa.  Quanto  a  este  item  4.10.3  do  recurso  voluntário,  portanto,  sou  por  seu  provimento  parcial,  para  que  sejam  excluídas  das  bases  de  cálculo  do  PIS  e  da COFINS  os  valores constantes do quadro acima, nos respectivos meses de emissão das notas fiscais.  Finalmente, cumpre apreciar a irresignação da recorrente quanto à incidência  de juros moratórios sobre a multa de ofício.  A matéria  tem  sido  objeto  de  discussões  ao  longo  do  tempo,  comportando  decisões por vezes divergentes.  A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de  ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no  artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966  (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza:  Lei nº 9.430/1996:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)   §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.   §3º  Sobre  os  débitos  a  que  se  refere  este  artigo  incidirão  juros  de  mora  calculados à  taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês  subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um  por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  Lei nº 5.172/1966 (CTN):  Fl. 105419DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.403          155 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma  natureza desta.   Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia  previstas nesta Lei ou em lei tributária.   § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à  taxa de um por cento ao mês.  A polêmica gira  em  torno da abrangência que se há de atribuir à expressão  “débitos para  com a União, decorrentes de  tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº  9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal,  mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as  multas  proporcionais  aplicadas  de  ofício  ao  lançamento.  Nesse  sentido,  a  abrangência  dos  débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN.  O débito  do  contribuinte para com a União, visto pela ótica do  sujeito passivo da obrigação  tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma  obrigação.  Essa discussão já foi  travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço  vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o  assunto,  excerto  do  voto  condutor  do  acórdão  CSRF/04­00.651,  de  18/09/2007,  da  lavra  do  ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos  também aqui como razões de decidir (grifo consta do original).   Consoante  relatado,  a  matéria  ora  posta  à  apreciação  deste  Colegiado  se  circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a  multa de oficio proporcional aplicada.  O art.  139 do CTN determina que o  crédito  tributário decorre da obrigação  principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina,  em  seu  parágrafo  primeiro,  que  a  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da  penalidade pecuniária dela decorrente.  Entendo,  assim,  que  a  obrigação  tributária  principal  compreende  tanto  os  próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso  igualmente  dela  decorrente,  a  multa  de  oficio  proporcional,  que  é  exigível  juntamente com o tributo ou contribuição não paga.  Observe­se  que  tanto  o  tributo  quanto  a multa  de  oficio  proporcional  serão  devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora  seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza  pelo  objeto  não  pecuniário,  classificando­se  como  uma  obrigação  de  fazer.  A  obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido,  incluindo­se o tributo, a multa ou penalidade pecuniária.  Em  decorrência,  o  crédito  tributário,  a  que  se  reporta  o  art.  161  do  CTN,  corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais,  notadamente a multa de oficio proporcional.  O art. 61, parágrafo  terceiro, da Lei n. 9.430/97,  fundamento legal da multa  aplicada  no  caso  concreto,  prevê  a  aplicação  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  Fl. 105420DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.404          156 decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de  01 de  janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos  tributos e contribuições,  entendo, pelas razões indicadas acima, incluem­se as multas de oficio proporcionais,  aplicadas  em  função  do  descumprimento  da  obrigação  principal,  e  não  apenas  os  débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si.  Frise­se, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos  juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor  acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do  art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a  depender  das  circunstancia  do  lançamento,  pode  (considerando,  por  exemplo,  a  espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar  acrescido  da  multa  de  oficio  proporcional,  cabe  ao  aplicador  da  norma  afastar  a  respectiva  concomitância,  cuja  eventual  aplicação,  contudo,  não  tem o  condão  de  modificar  a  legislação  sobre  a  matéria,  afastando  a  inclusão  da  multa  de  oficio  proporcional na obrigação principal.  Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte  em  obrigação  principal  é  decorrente  da  observância  de  obrigação  acessória.  Não  pagar  tributo  é  o  descumprimento  de  uma  obrigação  principal,  constituindo  parte  desta. O  fato  de  o  dispositivo  legal  atribuir,  à  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  a  natureza  de  obrigação  principal,  não  significa  que  toda  e  qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória.  Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento  de  obrigação  acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal  em sua  natureza, independentemente de conversão.  Ressalte­se, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina  que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora  à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96  determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve  ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo,  incluindo a multa de oficio proporcional.  Adicionalmente,  especificamente  quanto  ao  art.  43  da  Lei  n°  9.430/96,  invocado  pelo  Contribuinte  em  sua  defesa,  destaque­se  que  esse  dispõe  sobre  a  hipótese  de  "Auto  de  Infração  Sem  Tributo",  razão  pela  qual  não  disciplina  a  aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com  o tributo.  Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa  abaixo:  JUROS  DE  MORA  —  MULTA  DE  OFICIO  —  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL—  A  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento  do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não  pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito  tributário  corresponde a  toda a obrigação  tributária principal,  incluindo  a multa  de  oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem  incidir  os  juros  de  mora  à  taxa  Selic.  (Ac.  CSRF/04­ 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/2002­85, Rel. Cons.  Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho)  Fl. 105421DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.405          157 A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo  prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a  multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac.  9101­00.539,  de  11/03/2010,  proc.  16327.002243/99­71,  Rel.  Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal  Wagner)  Pelas  mesmas  razões,  nego  provimento,  também  quanto  a  esta matéria,  ao  recurso voluntário interposto.  Antes de concluir, devo informar que a matéria aqui tratada não é estranha a  este  Colegiado, muito  embora  com  diferente  composição. Ao  decidir  nos  autos  do  processo  administrativo nº 11080.732426/2011­64, esta 1ª Turma Ordinária proferiu o acórdão nº 1301­ 001.757,  de  04/02/2015,  mediante  o  qual  foi  negado  provimento  ao  recurso  de  ofício  (por  unanimidade)  e  também  ao  recurso  voluntário  (por  voto  de  qualidade).  Tratava­se,  lá,  de  autuação do mesmo contribuinte no curso da mesma ação fiscal, apenas sobre fatos geradores  ocorridos  no  ano­calendário  2006. A  ementa  daquele  julgado  foi  assim  redigida  pelo  ilustre  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, designado redator também do voto vencedor:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2006   RECURSO DE OFÍCIO. IMPROCEDENCIA   A  parcela  exonerada  resulta  de  recálculo  promovido  pela  própria  Fiscalização  na  diligência  efetuada  relativamente  aos  equívocos apontados no relatório.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  FUNDAMENTOS.  PROCEDÊNCIA.  Há  de  se manter  o  lançamento  tributário  na  circunstância  em  que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes  à  convicção  de  que,  em  virtude  de  generalizada  retificação,  a  escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de  inúmeras  e  graves  irregularidades, mostra­se  imprestável para  determinação do lucro real,  justificando, assim, o arbitramento  do lucro.  MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.  Presente  o  intuito  deliberado  de  o  contribuinte,  por  meio  de  retificações  contábeis,  reduzir  o  montante  dos  tributos  e  contribuições  devidos  ao  Fisco,  fato  confirmado,  inclusive,  na  conduta adotada no curso do procedimento fiscal e na estratégia  utilizada  nas  peças  de  defesa,  a  exasperação  da  penalidade  revela­se procedente.  CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA.  Fl. 105422DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.731521/2012­28  Acórdão n.º 1301­002.024  S1­C3T1  Fl. 105.406          158 Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo  4º  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional,  a  regra  de  decadência  ali  prevista  não  opera.  Nesses  casos,  a  melhor  exegese  é  aquela  que  direciona  para  aplicação da  regra geral  estampada  no  art.  173,  I,  do  mesmo  diploma  legal  (Código  Tributário Nacional).  Na  data  do  presente  julgamento,  este  Colegiado  iniciou,  mas  ainda  não  concluiu, o julgamento de embargos declaratórios opostos contra o acórdão acima referido no  processo nº 11080.732426/2011­64.  Em conclusão, voto por  rejeitar  a preliminar de nulidade parcial da decisão  recorrida  e  a  preliminar  de  decadência  do  lançamento.  No mérito,  voto  por  dar  provimento  parcial ao recurso voluntário (admissão também parcial do item 4.10.3 da peça recursal), para  determinar que sejam excluídos das bases de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS  os valores que constam da tabela abaixo, nos meses de emissão de cada uma das notas fiscais.  Fl.   NF  Destinatário  CNPJ  Data Emissão  Valor (R$)              NF  (não incluído o IPI)  105030  145472  Instituto Nokia de Tecnologia  04.802.134/0002­68  04/10/2007  207.448,28  105031  917025 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  29/03/2007  110.412,59  105032  915994 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  28/03/2007  121.104,55  105033  886860 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  23/02/2007  97.056,36  105034  886205 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  22/02/2007  83.576,31  105035  886196 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  22/02/2007  83.576,31  105036  875796 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  07/02/2007  70.264,60  105037  875194 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  06/02/2007  97.056,36  105038  875187 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  06/02/2007  97.056,36  105039  214990 Thomson Multimidia Ltda  02.773.531/0001­42  30/11/2007  67.322,40  105041  126166 Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  19/09/2007  65.005,74  105042  95331  Moto Honda da Amazônia Ltda  04.337.168/0001­48  30/08/2007  70.264,71  105043  55548  Salcomp Industrial Eletrônica da Amazônia Ltda.  07.637.620/0001­85  04/07/2007  62.735,25  105044  40849  Salcomp Industrial Eletrônica da Amazônia Ltda.  07.637.620/0001­85  13/06/2007  72.546,25  105045  39001  HFJ da Amazônia Indústria de Detergentes Ltda  07.483.145/0001­30  08/06/2007  104.668,80  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 105423DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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6393856 #
Numero do processo: 10580.724689/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 Ementa: DESPESA MÉDICA. DEDUÇÃO. A despesa médica restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Numero da decisão: 2201-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1  1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.724689/2013­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.188  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  VALTER MEIRELES PEDROSA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2012  Ementa:  DESPESA MÉDICA. DEDUÇÃO.   A despesa médica  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.                   Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator.    EDITADO EM: 30/05/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.  Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 46 89 /2 01 3- 64 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  ano­calendário  2013,  consubstanciado  na  Notificação  de  Lançamento,  que apurou o crédito tributário no valor de R$ 14.478,73.  A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou  sem vínculo empregatício, no valor de R$ 55.000,00, recebidos da Assembléia Legislativa do  Estado  da  Bahia.  Na  apuração  do  imposto  foi  compensado  o  IRRF  sobre  os  rendimentos  omitidos no valor de R$ 5.995,81.  Cientificado do  lançamento, o  interessado alega, em síntese, que não houve  omissão de rendimentos,  já que recebeu da fonte pagadora apenas o valor  informado em sua  declaração  de  ajuste  anual  do  imposto  de  renda  e  que  o  rendimento  tido  como  omitido  foi  recebido por sua esposa, conforme declarado por ela na DAA, ressaltando que o único erro foi  o abatimento no valor de R$ 1.889,64, relativo a um dependente.  A  5ª  Turma  da  DRJ  em  Salvador/BA  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação, conforme ementas abaixo transcritas:  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA.  Constatada a  inexistência da omissão de rendimentos apontada  na Notificação de Lançamento (NL), a imputação fiscal deve ser  afastada.  DEDUÇÕES. INADMISSIBILIDADE.  Inadmissíveis  as  deduções  se  não  comprovadas  as  exigências  legais para a dedutibilidade.  Relativamente à decisão de primeira instância, destaca­se:  Entretanto,  mesmo  tendo  sido  incluída  como  dependente  do  contribuinte, a esposa (Sonia Maria Santanna Pedrosa, CPF nº  001.659.237­92)  enviou  sua  declaração  de  ajuste  anual  do  imposto  de  renda  (conforme  cópia  acostada  ao  processo,  ratificada  no  sistema  informatizado  da  Receita  Federal  do  Brasil),  oferecendo  à  tributação  os  rendimentos  recebidos  da  fonte  pagadora  Assembléia  Legislativa  do  Estado  da  Bahia  –  CNPJ nº 14.674.337/0001­99.  O  reconhecimento  do  erro  de  inclusão  indevida  de  dependente  para  fins  de  afastar  a  omissão  de  rendimentos  implica  inexoravelmente  no  afastamento  das  deduções  declaradas  com  esse  dependente,  evitando­se  o  enriquecimento  ilícito  do  contribuinte.  Deste modo, faz­se necessário excluir da notificação o valor de  R$ 55.000,00 lançado como omissão de rendimento e respectivo  imposto  de  renda  retido  na  fonte  no  valor  de  R$  5.995,81,  o  valor  de  R$  4.465,85  referente  à  Previdência  Oficial  Sobre  Rendimento Omitido,  bem como a  dedução com dependente  no  valor  de  R$  1.889,64  e  despesas  médicas  vinculadas  a  esse  dependente  no  valor  de R$  13.134,20. Depois  das  exclusões,  o  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724689/2013­64  Acórdão n.º 2201­003.188  S2­C2T1  Fl. 3          3  imposto de  renda ora sob  julgamento  foi  recalculado conforme  planilha abaixo:  (...)  Por  todo  o  exposto,  e  considerando  tudo  o mais  que nos autos  consta,  VOTO  pela  procedência  em  parte  da  impugnação,  mantendo em parte o crédito tributário no valor de R$ 4.126,07.  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  30/10/2013  (fl.  40)  e,  em  20/11/2013,  interpôs  o  recurso  de  fls.  41/43,  alegando  que  não  concorda com a glosa da despesa médica com Camed Operadora de Plano de Saúde Ltda, em  nome de Sônia Maria Santanna Pedrosa, no valor de R$ 12.934,20.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cinge­se a controvérsia, nesta Segunda Instância, à glosa da despesa médica  em nome de Sônia Maria Santanna Pedrosa, no valor de R$ 12.934,20.  De  início,  compulsando­se a decisão  recorrida,  verifica­se que Sônia Maria  Santanna  Pedrosa  foi  excluída  da  relação  de  dependentes  do  contribuinte,  pois  apresentou  declaração de  ajuste,  em  separado, para o  exercício objeto da  exação. Assim, não é possível  considerar  a  despesa médica  com  Camed  Operadora  de  Plano  de  Saúde  Ltda,  em  nome  de  Sônia Maria Santanna Pedrosa, no valor de R$ 12.934,20, já que a cônjuge não é dependente  do contribuinte, consoante dispõe o inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995:  Art.  8º.  A  base  de  cálculo  do  imposto  devido  será  a  diferença  entre as somas:  I  –  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­ calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;  II – das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  com  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias;  (...)  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  (...)  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  ao  próprio  tratamento  e  ao  de  seus  dependentes;  (grifei)  Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso.      Assinado Digitalmente    Eduardo Tadeu Farah                               Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 11051.720070/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 08/10/2009, 10/12/2009, 05/07/2010 CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. Desqualificado o Certificado de Origem de uma importação por Ato Declaratório da Administração, cabível a Revisão Aduaneira para cobrança dos tributos eventualmente não recolhidos em função do mesmo, bem como os demais acréscimos legais.
Numero da decisão: 3201-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 204          1 203  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11051.720070/2012­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.151  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de abril de 2016  Matéria  REGIMES ADUANEIROS  Recorrente  KAMPOMARINO COMERCIAL IMPORTADORA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 08/10/2009, 10/12/2009, 05/07/2010  CERTIFICADO  DE  ORIGEM.  DESQUALIFICAÇÃO.  REVISÃO  ADUANEIRA.  Desqualificado  o  Certificado  de  Origem  de  uma  importação  por  Ato  Declaratório  da Administração,  cabível  a Revisão Aduaneira  para  cobrança  dos tributos eventualmente não recolhidos em função do mesmo, bem como  os demais acréscimos legais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Elias  Fernandes  Eufrásio,  Mércia  Helena  Trajano  Damorim,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Tatiana  Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana  Clarissa Masuko dos Santos Araújo.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 00 70 /2 01 2- 41 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 205          2 Por  bem descrever  a matéria  de que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida.   Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  de  Revisão  Aduaneira  para  cobrança  dos  tributos  eventualmente  não  recolhidos  em  importações  da  empresa  KAMPOMARINO  em  função da utilização de redução tarifária decorrente de Acordo  Internacional (ACE­18 Mercosul).  Segundo a fiscalização, a impugnante registrou três importações  nos anos de 2009 e 2010 do produto “Tubarão azul em Postas”  na  NCM  0303.75.14  com  a  apresentação  de  Certificados  de  Origem  do  Mercosul  que  garantiam  a  redução  tarifária  do  imposto de Importação de 10% para 0%, como segue abaixo:  Nº  da  Declaração  de  Importação (DI)  Nº da Adição  09/1377883­9  001  09/1752124­7  001  10/1120901­4  003  Ocorre  que  através  do  Ato  Declaratório  Executivo  COANA  nº  13,  de  30  de  julho  de  2010,  foram  desqualificados  os  Certificados  de  Origem  utilizados  nas  importações  acima  citadas.  Dessa forma, a fiscalização efetuou o lançamento dos créditos de  II, PIS e Cofins não recolhidos em função da fruição da redução  tarifária do ACE­18, bem como os respectivos juros e multas de  mora. A autuação totalizou o valor de R$17.026,06.  Foi  formulada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  através  do processo administrativo nº 11051.720076/2012­18.  Intimada  do  Auto  de  Infração  em  20/03/2012  (fls.  103/105),  a  interessada  apresentou  impugnação  e  documentos  em  02/04/2012,  juntados  às  fls.  115  e  seguintes,  alegando  em  síntese:  a) a autuação é flagrantemente ilegal, por não haver respeitado  o princípio constitucional da irretroatividade das leis, na medida  em as exigências ao contribuinte estão sendo feitas com base em  norma  editada  posteriormente  à  realização  do  ato  jurídico,  fazendo­a retroagir para atingir operações de importação feitas  em  anos  anteriores  ao  início  de  vigência  da  norma  que  desqualificou  os  Certificados  de  Origem.  Aduz  que  os  Certificados de Origem eram válidos na época de  sua emissão,  sendo equivocada a presunção do Fisco  em afirmar  que  não  o  eram,  posto  que  o  ato  administrativo  exarado  pela COANA  foi  editado em data posterior às importações da requerente;  b)  ao  tempo  em  que  foram  realizadas  as  importações  pela  impugnante,  esta  respeitou  os  critérios  jurídicos  vigentes,  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 206          3 classificou  corretamente  as  mercadorias,  bem  como  os  certificados de origem eram válidos e regulares. A exigência da  diferença de tributos está sendo feita com base no ADE Coana nº  13/2010,  o  que  representa  mudança  de  critério  jurídico.  Cita  doutrina  e  jurisprudência  para  referendar  sua  tese  acerca  da  impossibilidade  de  alteração  do  critério  jurídico,  o  que  representa  afronta  ao  princípio  da  segurança  jurídica  e  torna  nulo o lançamento;  c) observa que o Certificado de Origem  foi emitido no exterior  por  entidade  habilitada,  e  que  a  impugnante  não  praticou  nenhum  ato  irregular.  É  subjetiva  a  tese  da  autoridade  aduaneira em afirmar que os Certificados de Origem possuíam  fundamentos equivocados em seu corpo, sendo que o art. 112 do  CTN  prevê  interpretação  mais  favorável,  “o  in  dúbio  pro  contribuinte”:  d)  as  exigências  afrontam  ademais  os  princípios  da  proporcionalidade e legalidade, previstos na Lei nº 9.784/99;  e) requer, ao final, seja julgado improcedente o auto de infração.  Através do expediente de fls. 157/158, a interessada apresentou  aditamento  à  impugnação,  nos  termos  do  art.  39  da  Lei  nº  9.784/99,  alegando  tratar­se  de  prova  recente,  obtida  em  12/12/2013,  consubstanciada  na  Notícia  Siscomex  nº  63/2013.  Referida  Notícia  informa  que  não  mais  estão  sob  controle  sanitário  da  ANVISA  na  importação  o  capítulo  02  (carnes  e  miudezas  comestíveis),  as  posições  0302  a  0307  (peixes,  crustáceos  e  moluscos)  e  as  posições  0401  a  0406  (leites  e  derivados).  Sobreveio  decisão  da  24ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo  I/SP,  que  julgou,  por  unanimidade  de  votos,  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido.  Os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão recorrido encontram­se consubstanciados na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 08/10/2009, 10/12/2009, 05/07/2010  CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. REVISÃO  ADUANEIRA.  Desqualificado o Certificado de Origem de uma importação por  Ato Declaratório da Administração, cabível a Revisão Aduaneira  para  cobrança  dos  tributos  eventualmente  não  recolhidos  em  função do mesmo, bem como os demais acréscimos legais.  Inconformada  com  a  decisão,  apresentou  a Recorrente,  tempestivamente,  o  presente  recurso  voluntário.  Na  oportunidade,  reiterou  os  argumentos  colacionados  em  sua  defesa inaugural.  É o relatório.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 207          4 Voto             Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  A  exigência  fiscal  decorre  da  desqualificação  do Certificado  de Origem  do  Mercosul que acobertava as mercadorias importadas, formalizada pelo ADE/Coana nº 13/2010,  abaixo transcrito:  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO  Nº  13,  DE  30/07/2010  COORDENAÇÃO­GERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA  –  COANA  PUBLICADO  NO  DOU  NA  PAG.  00022  EM  02/08/2010  Dispõe  sobre  o  Encerramento  de  Processo  Aduaneiro  de  Investigação de Origem.  O  COORDENADOR­GERAL  DE  ADMINISTRAÇÃO  ADUANEIRA, no uso da atribuição que  lhe confere o art.  130,  inciso  IV,  da  Portaria MF  nº  125,  de  04  de março  de  2009,  e  tendo em vista o disposto nos art. 32, Anexo, do Quadragésimo  Quarto  Protocolo  Adicional  ao  Acordo  de  Complementação  Econômica nº 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de  02  de  junho  de  2005,  e  no  artigo  20,  inciso  I,  da  Instrução  Normativa S.R.F. nº 149, de 27 de março de 2002, declara:  Art. 1º Fica encerrado, com base no Relatório Fiscal nº 2010/02,  de  30  de  julho  de  2010,  o  procedimento  de  investigação  de  origem  da  mercadoria  "Tubarão  azul  (Prionace  glauca)",  códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14, 0303.75.19 e 0304.29.70,  iniciado por meio do ADE Coana nº 2010/05, de 12 de março de  2010,  tendo  sido  desqualificada  a  origem  para  a  mercadoria  "Tubarão azul em postas", códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14  e  0303.75.19,  dos  exportadores  uruguaios  Marplatense  S.A,  Pecoa S.A, Siete Mares SRL, Oro Azul S. e Dalkan S.A, no que  se refere a certificados de origem que ampararam importações  nos anos de 2008, 2009 e 2010.  Art.  2º  Tendo  sido  comprovada,  durante  o  procedimento  de  investigação  mencionado  no  art.  1º,  a  ligação  entre  os  exportadores  Dalkan  S.A  e  Siete  Mares  SRL  e  as  empresas  Tideman  S.A.  e  Garditown  S.A,  respectivamente,  fica  também  desqualificada a origem  para a mercadoria "Tubarão azul  em  postas", código NCM 0303.75.14, exportado, nos anos de 2009  e  2010,  pelas  empresas  uruguaias  Tideman  S.A.  e  Garditown  S.A.  Art.  3º  Fica  suspensa  a  concessão  de  tratamento  tarifário  preferencial  para  novas  operações  referentes  às  mesmas  mercadorias,  NCM  0303.75.13,  0303.75.14  e  0303.75.19,  dos  exportadores mencionados nos artigos 1º e 2º.  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 208          5 Art.  4º  Este  Ato  Declaratório  entra  em  vigor  na  data  de  sua  publicação (grifo nosso)  Em análise aos autos, constata­se que as importações ora tributadas referem­ se  a  mercadoria  "Tubarão  Azul  em  Postas",  código  NCM  0303.75.14,  exportadas  pelas  empresas  DALKAN  S/A  e  TIDEMAN  S/A  nos  anos  de  2009  e  2010,  de  forma  que  os  certificados de origem que as acobertavam foram, de fato, desqualificados pelo ADE/Coana nº  13/2010.  Desqualificado o Certificado de Origem da mercadoria, impõe­se a aplicação  do  tratamento  tributário  estabelecido  para mercadoria  originária  de  terceiro  país, mediante  a  constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração, nos termos do artigo 10  da IN SRF nº 149/02:  Art.  10.  O  Certificado  de  Origem  apresentado  será  desqualificado  pela  autoridade  aduaneira,  para  fins  de  reconhecimento  do  tratamento  preferencial,  quando  ficar  comprovado  que  não  acoberta  a  mercadoria  submetida  a  despacho,  por  ser  originária  de  terceiro  país  ou  não  corresponder  à  mercadoria  identificada  na  verificação  física,  conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando:  I  ­  contiver  rasuras,  correções,  emendas  ou  campos  não  preenchidos, com exceção daqueles reservados às observações e  à identificação do consignatário;  II ­ tiver sido emitido anteriormente à data da respectiva fatura  comercial ou após sessenta dias da sua emissão, ou, ainda, após  decorrido  o  prazo  de  dez  dias,  contado  do  embarque  da  mercadoria; ou  III  ­  tiver  sido  firmado  por  entidade  ou  funcionário  não  autorizado.  Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado  de  Origem,  a  importação  ficará  sujeita  à  aplicação  do  tratamento  tributário  estabelecido  para mercadoria  originária  de  terceiro  país,  mediante  a  constituição  do  correspondente  crédito tributário em Auto de Infração.(grifo nosso)  A recorrente não contesta a desqualificação da origem das mercadorias.  Argumenta,  contudo,  que  o  instituto  da  revisão  aduaneira  não  poderia  ser  utilizado,  pois  configura  mudança  de  critério  jurídico,  não  autorizando  a  revisão  do  lançamento.  Em atenção ao alegado, esclarece­se que o despacho aduaneiro de importação  é  um  procedimento  de  natureza  mista,  realizado  com  o  objetivo  de  liberar  a  mercadoria  importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação.  Ele  tem como documento base a Declaração de  Importação (DI),  elaborada e  registrada pelo  importador  no  Siscomex,  e  se  desenvolve  em  duas  etapas  sequenciais:  a  fase  conferência  aduaneira e a fase de revisão aduaneira.  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 209          6 A fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da DI e se encerra  com  o  ato  de  desembaraço  aduaneiro  (liberação  da  mercadoria),  proferido  pela  autoridade  fiscal,  e  tem por  finalidade  identificar  o  importador,  verificar  a mercadoria  e  a  correção  das  informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o  cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Nesta  fase, o objetivo principal da atividade de conferência é a liberação da mercadoria.  Por  sua  vez,  a  fase  de  revisão  aduaneira,  que  se  inicia  com  o  ato  de  desembaraço  aduaneiro  e  se  encerra  (i)  na  data  da  ciência,  ao  interessado,  da  exigência  do  crédito  tributário  apurado,  ou  (ii)  com  o  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contado  do  registro da DI,  e  tem por  finalidade  apurar  a  regularidade do pagamento dos  impostos  e dos  demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício  fiscal e da exatidão  das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Nesta fase, o objetivo  principal  da  atividade  de  revisão  é  a  constituição  de  eventual  diferença  de  crédito  tributário  apurada.  O procedimento de revisão aduaneira encontra­se previsto no art. art. 54 do  Decreto­lei  37/1966,  com  redação  dada  pelo  Decreto­lei  2.472/1988,  que  remete  ao  regulamento o estabelecimento dos requisitos para o citado procedimento.  Vigia,  à  época  das  importações  ora  tributadas,  o  art.  638  do  Regulamento  Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, que explicitava o procedimento:  Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o  desembaraço  aduaneiro,  a  regularidade  do  pagamento  dos  impostos  e  dos  demais  gravames  devidos  à  Fazenda Nacional,  da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações  prestadas  pelo  importador  na  declaração  de  importação,  ou  pelo  exportador  na  declaração  de  exportação (Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  art.  54, com  a  redação  dada  pelo  Decreto­Lei  no 2.472, de 1988, art. 2o; e Decreto­Lei nº 1.578, de 1977, art.  8º).   § 1o  Para  a  constituição  do  crédito  tributário,  apurado  na  revisão,  a  autoridade  aduaneira  deverá  observar  os  prazos  referidos nos arts. 752 e 753.   § 2o  A  revisão  aduaneira  deverá  estar  concluída  no  prazo  de  cinco anos, contados da data:  I ­ do  registro  da  declaração  de  importação  correspondente (Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  art.  54, com  a  redação dada pelo Decreto­Lei no 2.472, de 1988, art. 2o); e  II ­ do registro de exportação.   § 3o  Considera­se  concluída  a  revisão  aduaneira  na  data  da  ciência,  ao  interessado,  da  exigência  do  crédito  tributário  apurado. (grifo nosso)  Esclarece­se ainda que os  referidos preceitos  legal e  regulamentar estão  em  perfeita consonância com o disposto no art. 149, I, do CTN:  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 210          7 Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  I ­ quando a lei assim o determine;  [...] (grifo nosso)  Pois  bem,  tendo  em  vista  que  o  presente  lançamento  foi  formalizado  em  procedimento de revisão aduaneira, decorrente da desqualificação do Certificado de Origem do  Mercosul  que  acobertava  as  mercadorias  importadas,  o  mesmo  encontra­se  acobertado  pela  legislação tributária, sendo que a alegada mudança de critério jurídico não representa causa de  nulidade.  A recorrente afirma ainda que as importações seriam anteriores à publicação  do ADE/Coana nº 13/2010, e que, desta forma, não estariam sujeitas a este ato, que não poderia  ser aplicado de forma retroativa.  Em atenção ao alegado, como já esclarecido, a exigência encontra­se prevista  artigo 10 da IN SRF nº 149, de 27/03/2002, que tem por fundamento o artigo 32 do Anexo ao  44°  Protocolo  Adicional  ao  Acordo  de  Complementação  Econômica  n°  18  celebrado  entre  Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que assim determina:  Artigo 32­   Concluída a investigação com a desqualificação do  critério  de  origem  da  mercadoria  invocado  no  certificado  de  origem questionado, executar­se­ão os tributos incidentes sobre  a mercadoria como se ela fosse importada de terceiros­países e  aplicar­se­ão  as  sanções  previstas  na  normativa  MERCOSUL  e/ou  as  correspondentes  na  legislação  vigente  em  cada Estado  Parte.  [...]  Constata­se, de pronto, que a própria  legislação que define e  regulamenta o  certificado  de  origem  apresentado  pela  Recorrente  para  a  obtenção  da  alíquota  diferenciada  estabelece que,  em caso de desqualificação do mesmo,  sejam exigidos os  tributos  incidentes  sobre a mercadoria como se ela fosse importada de terceiros­países.  Desta  forma,  mostra­se  correto  o  lançamento,  posto  este  formalizar  a  exigência de acordo com o previsto na legislação fiscal.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto ­ Relator                              Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11051.720070/2012­41  Acórdão n.º 3201­002.151  S3­C2T1  Fl. 211          8   Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 10510.002092/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/03/2007 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO RECOLHIDO A PRISÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO REMUNERADO. SEGURADO OBRIGATÓRIO A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Considerando que no presente caso, os detentos, à época dos fatos geradores, realizavam serviços nos termos da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal) e percebiam a respectiva remuneração por tal prestação, devem ser considerados como segurados obrigatórios da previdência social, por força do art. 12 da Lei 8.212/91 e o art. 1º do Decreto 4.729/03. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JETON. MEMBROS DO CONSELHO PENITENCIÁRIO DO ESTADO. ALEGAÇÃO DE VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que os membros do conselho penitenciário do Estado foram remunerados pela concessão de JETONS pagos por sua participação em sessões deliberativas, e não restou comprovado que estes eram filiados a regime próprio de previdência, é de ser mantido o lançamento efetuado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     2  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento  ao recurso voluntário.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli  da Silva, Wilson Antonio de  Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002092/2008­21  Acórdão n.º 2402­005.188  S2­C4T2  Fl. 247          3    Relatório  Trata­se de Recurso de Voluntário interposto pelo ESTADO DE SERGIPE ­  ADMINISTRAÇÃO  DIRETA,  em  face  de  acórdão  que  manteve  parcialmente  o  Auto  de  Infração n. 37.136.859­6,  lavrado para a cobrança de contribuições sociais  incidentes sobre a  remuneração de contribuintes individuais e segurados empregados.  Foram considerados como fatos geradores do presente lançamento:  a­) CIA — Contribuintes  individuais antes da GFIP:  referente  a valores  pagos pela prestação de serviços diversos no ano de 1998 constantes da conta  contábil  34.90.36 —  Outros  Serviços  de  Terceiros  —  Pessoa  Física,  com  alíquota de 15% e utilização de planilha às fls. 143 a 155 com os dados das  despesas por competência, discriminando número do processo de pagamento,  valor, número do empenho, histórico, nome e CPF do prestador de  serviço,  no período de 01/1998 a 12/1998;  b­) CIF — Contribuintes individuais fora GFIP: eferente a valores pagos  a  contribuintes  individuais  pela  prestação  de  serviços  diversos  nos  anos  de  1999 e 2001 a 2005 constantes da conta contábil 34.90.36 — Outros Serviços  de  Terceiros  —  Pessoa  Física,  com  alíquota  de  15%  para  o  período  até  02/2000 e 20% a partir  da competência 03/2000 e utilização de planilha às  fls.  157  a  162  com  os  dados  das  despesas  por  competência,  discriminando  número  do  processo  de  pagamento,  valor,  número  do  empenho,  histórico,  nome e CPF do prestador  c­)  FC1  —  Folha  Comissionados  1:  referente  ao  período  de  01/1998  a  12/1998;  d­) FAG — Fretes Antes GFIP: referente ao período de 01/1998 a 12/1998;  e­)  IAG  —  Internos  antes  GFIP:  referente  ao  período  de  03/1998  a  12/1998;  f­) JAG — Jetons Antes GFIP: referente ao período de 01/1998 a 12/1998;  g­)  IPG — Internos pós GFIP:  eferente  aos valores pagos  a  contribuintes  individuais  designados  "internos"  ou  "apenados"  pela prestação  de  serviços  diversos  nos  anos  de  1999  a  2007,  nos  diversos  presídios  e  Manicômios  Judiciários vinculados à Secretaria de Justiça, constantes da conta 349036 —  Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Física, com alíquota de 15% para o  período até 02/2000 e 20% a partir da competência 03/2000 e utilização de  planilha  às  fls.  181  a  199  com  os  dados  das  despesas  por  competência,  discriminando  número  do  processo  de  pagamento,  valor,  número  do  empenho, histórico, nome e CPF do prestador de serviço;  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     4  h­) FFG — Fretistas fora GFIP: Fretistas fora GFIP: referente aos valores  pagos  a  contribuintes  individuais  fretistas  pela  prestação  de  serviços  de  transporte  nos  anos  de  1999  e  2001  a  2003,  com  alíquota  de  15%  sobre  a  remuneração resultante da aplicação de 11,71% sobre o valor bruto do frete,  carreto ou transporte de passageiros até a competência 02/2000, com alíquota  de 20% sobre a remuneração resultante da aplicação de 11,71% sobre o sobre  o valor bruto do  frete,  carreto ou  transporte de passageiros da  competência  03/2000  até  04/07/2001  e  com  alíquota  de  20%  sobre  a  remuneração  resultante da aplicação de 20% sobre o sobre o valor bruto do frete, carreto  ou transporte de passageiros a partir de 05/07/2001;  i­)  JPG —  Jetons  pós  GFIP:  referente  aos  valores  pagos  a  contribuintes  individuais de 01/1999 a 12/2007 pela prestação de serviços como membros  dos  conselhos  penitenciários  e  de  entorpecentes  vinculados  à  Secretaria  de  Justiça  constantes  da  conta  349036  —  Outros  Serviços  de  Terceiros  —  Pessoa  Física,  com  alíquota  de  15%  sobre  o  valor  pago  ou  creditado  até  a  competência  02/2000  e  alíquota de  20%  sobre o  valor  pago  ou  creditado  a  partir da competência 03/2000.  Consta do  relatório  fiscal  que a  lavratura deu­se com base nas  informações  contábeis,  arquivos  digitais  e  folhas  de  pagamento  apresentadas  durante  a  ação  fiscal,  sendo  que os pagamento supra não foram informados em GFIP.  O  lançamento  compreende  o  período  de  01/1998  a  03/2007,  tendo  sido  o  contribuinte cientificado do lançamento em 27/05/2008.  Quando do julgamento em primeira instância, foram excluídas do lançamento  as competências até 04/2003, em razão da aplicação da decadência quinquenal,  com base no  art. 150, §4º do CTN.  Fora então, interposto o presente recurso voluntário, através do qual sustenta  o contribuinte:  1.  a  ilegalidade  da  inclusão  do  detento  que  presta  serviço  no  rol  dos  segurados  obrigatórios  do  RGPS,  pois,  conquanto  aparentemente  inspirada no princípio de, que todos os trabalhadores com ou sem vínculo  empregatício  devem  filiar­se  ao  Regime  Geral  da  Previdência  Social,  tornando­se  segurados,  apresenta  o  inconveniente  de  ser  nociva  aos  fundamentos  da  política  nacional  de  execução  penal  presentes  na  Lei  7.210/84, na medida em que, dentre outros motivos, ainda cria embaraços  à contratação de serviços dos internos pelas empresas.  2.  os detentos não constam do rol de segurados constantes no art. 12 da Lei  8.212/91;  3.  que o Decreto 4.729/03 levou a efeito ilegal ampliação da base de cálculo  das contribuições previdenciárias;  4.  com relação ao pagamento de JETONS, o ilustre auditor não considerou a  existência  de  regime  próprio  de  previdência  que  ampara  diversos  servidores que percebem esta verba;  5.  os servidores que ocupam cargos comissionados, mas que já se tratavam  de  servidores ocupantes  de cargos  efetivos,  ou  seja, mantinham vínculo  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002092/2008­21  Acórdão n.º 2402­005.188  S2­C4T2  Fl. 248          5  estatutário com a pessoa jurídica de direito público e que foram cedidos  para  ocupar  um  cargo  comissionado,  não  devem  contribuir  ao  RGPS,  visto  que,  apesar  de  estarem  cedidos,  permanecem  contribuindo  e  vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social.  6.  a  ausência  de  demonstração  pelo  fisco  do  destino  de  todo  o  montante  recolhido pelo contribuinte, com vistas a abater o saldo da dívida apurada,  se  não  considerado  como  saldo  credor,  traz  indubitável  cerceamento  de  defesa;  7.  por  fim,  requer  a  realização  de  perícia  de modo  a  que  seja  apurado  se  todos  os  pagamentos  efetuados  foram  devidamente  considerados  no  presente  lançamento,  bem  como  para  que  se  apure  a  existência  de  discrepância  entre  a  base  de  cálculo  apurada  com  base  na  folha  de  pagamentos e a declarada na GFIP  Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a  este Eg. Conselho.    É o relatório.  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     6    Voto               Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator    CONHECIMENTO  Tempestivo  o  recurso  e  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele conheço.  PRELIMINARES  A  recorrente  sustenta  o  cerceamento  de  seu  direito  de  defesa,  em  razão  da  ausência de demonstração pelo fisco do destino de todo o montante recolhido pelo contribuinte  quando do lançamento.  Sem razão.  Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação  pertinente,  atribuindo à  recorrente,  a  responsabilidade pelo pagamento das  contribuições não  adimplidas  e  não  declaradas  em  época  própria,  levando  a  efeito  simplesmente  aquilo  que  determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma  legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento.  Ao que se depreende do relatório fiscal, verifica­se ter sido observado o que  disposto no art. 142 do CTN a seguir:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento, assim entendido o procedimento administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação correspondente, determinar a matéria  tributável,  calcular o montante do  tributo devido,  identificar o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível.  Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  Da análise do relatório  fiscal de cada um dos Autos de Infração, verifica­se  que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo  deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às  disposições  do  art.  142  do  CTN  e  37  da  Lei  n.  8.212/91,  na  medida  em  que  todos  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  que  ensejaram  a  lavratura  do  Auto  e  a  imposição  fiscal  restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao  contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos  Fl. 594DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002092/2008­21  Acórdão n.º 2402­005.188  S2­C4T2  Fl. 249          7  valores  não  recolhidos  das  contribuições  sociais  não  informadas,  conforme  também  restou  decidido pelo acórdão de primeira instância.  Ademais, quanto aos valores recolhidos assim constou do relatório fiscal:  10. A  presente  auditoria  fiscal  não  engloba a  cobrança  de  valores  declarados  em  GFIP  pelo  contríbuinte.  Porém,  os  valores das guias pagas foram prioritariamente apropriadas  aos  valores  declarados  em  GFIP  pelo  contribuinte  e  constantes  nos  levantamentos  FC2  e  CIG,  conforme  relatórios "Relação de Documentos Apresentados ­ RDA" e  "Relatório  de  Apropriação  de Documentos Apresentados  –  RADA.  As  eventuais  sobras  de  recolhimento  foram  devidamente apropriadas aos demais levantamentos em que  se apuraram contribuições a recolher e também constam no  RADA.  11. A discriminação, por competência, das bases de cálculo  e  das  rubricas  com  respectivas  alíquotas  e  contribuições  lançadas neste Auto de Infração constam respectivamente no  Relatório  de  Lançamentos  ­  RL  e  no  Discriminativo  Analítico do Débito ­ DAD, anexos. Já o montante apurado  por levantamento e competência, bem como o montante para  o período de  lançamento do crédito,  inclusive com multa e  juros SELIC, constam no relatório Discriminativo Sintético  do Débito ­ DSD, também anexo.  Assim, rejeito a preliminar.  MÉRITO  Passo, pois, a análise dos demais pontos constantes no recurso voluntário  Consideração dos Detentos como Segurados da Previdência Social  Conforme se apura do relatório fiscal da infração, a seguir, aponto as razões  adotadas para consideração dos detentos como segurados da previdência social:  9.4.1 ­ O órgão fiscalizado, responsável pela administração  penitenciária  do  Estado  de  Sergipe,  remunera  seus  apenados  em  contrapartida  pela  prestação  de  serviços  diversos nas respectivas unidades prisionais e em unidades  prisíonais  diversas,  conforme  cópias  das  folhas  de  pagamento anexadas por amostragem. De acordo com o Sr.  Sildeno  Dantas,  Diretor  Administrativo  e  Financeiro  da  Secretaria,  além  da  remuneração  que  recebem  os  condenados  têm  também o  benefício  da  redução  da  pena  conforme a quantidade de dias trabalhados. A Lei n. 7.210  de  11  de  julho  de  1984  –  Lei  de  Execução  Penal  ­  nas  disposições  relativas  ao  trabalho  dos  apenados  estabelece,  dentre outros artigos:  Art.  28.  O  trabalho  do  condenado,  como  dever  social  e  condição de dignidade humana,  terá  finalidade educativa e  produtiva.  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     8  Art.  29.  O  trabalho  do  preso  será  remunerado,  mediante  prévia tabela, não podendo ser inferior a 314 (três quartos)  do salário mínimo.  Art. 41 ­ Constituem direitos do preso:  11 ­ atribuição de trabalho e sua remuneração;  III ­ Previdência Social;  A Lei n. 8.212/91, em seu artigo 12, inciso V, estabelece:  Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência social as  seguintes pessoas físicas:  V­ Como contribuinte individual:  g)  quem  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural,  em  caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de  emprego; (Alínea incluída pela Lei n0 9.876, de 26.11.99) "  A Constituição Federal, em seu art. 195 institui:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  e  das  seguintes contribuições sociais:  I  ­  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada na forma da lei, incidentes sobre:  a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos ou  creditados,  a qualquer  título,  à pessoa  física que  lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  §  50  Nenhum  benefício  ou  serviço  da  seguridade  social  poderá  ser  criado,  majorado  ou  estendido  sem  a  correspondente fonte de custeio total.  9.4.2  ­  Desta  forma,  os  condenados,  ao  receberem  remuneração pelos serviços prestados, se enquadram como  segurados obrigatórios da previdência social, na qualidade  de  contribuintes  individuais,  pelo  que  devem  contribuir  para  constituir  lastro  que  assegure  seu  direito  à  previdência  social,  conforme  previsão  na  lei  de  execução  penal.  Em contrapartida a tais argumentos, a recorrente aduz que a sua consideração  como segurados da previdência trata­se de medida nociva aos fundamentos da política nacional  de  execução  penal  presentes  na  Lei  7.210/84  e  que  causa  embaraços  às  contratações  dos  mesmos para a prestação de serviços.  Tais  argumentos  não  podem  ser  aceitos,  já  que,  conforme  se  verifica  da  legislação  supra,  a  garantia  à  previdência  social  aos  presos,  além  de  decorrer  de  expressa  disposição  da  Lei  7.210/84,  também  possui  clara  previsão  na  Lei  8.212/91,  sobretudo  considerando que estes prestam serviços  lhes que são remunerados pela autuada sem vínculo  empregatício, situação esta reconhecida pela própria recorrente.  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002092/2008­21  Acórdão n.º 2402­005.188  S2­C4T2  Fl. 250          9  Ademais,  considerando  a  época  dos  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas, quanto analisadas as disposições  sobre o assunto constantes no Decreto 3.048/99 e  4.729/03, também não há que se falar em qualquer ilegalidade, mas em novo reconhecimento  da necessidade de  reconhecer a condição de contribuinte  individual do segurado  recolhido À  prisão. A propósito, cito o art. 1º do Decreto 4.729/03, que fazendo expressa menção à figura  de segurado obrigatório do preso. Vejamos:  Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as  seguintes pessoas físicas:  [...]  IV ­   o) o  segurado  recolhido  à  prisão  sob  regime  fechado  ou  semi­aberto,  que,  nesta  condição, preste  serviço,  dentro ou  fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem  intermediação da organização carcerária ou entidade afim,  ou que exerce atividade artesanal por conta própria;  Assim, tenho que merece ser mantida a autuação sobre estes aspecto.  Pagamento de JETONS  Sobre  o  assunto  a  recorrente  aponta  que  algumas  das  pessoas  que  são  beneficiários  dos  JETONS,  em  verdade  são  regidas  pelo  regime  próprio  de  previdência  do  Estado. São elas os servidores que ocupam cargos comissionados, mas que já se  tratavam de  servidores ocupantes de cargos efetivos, ou seja, que já mantinham vínculo estatutário com a  pessoa jurídica de direito público e que foram cedidos para ocupar um cargo comissionado e  que permanecem contribuindo e vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social.  Sobre o assunto, assim se manifestou a DRJ:  Não  há  nos  autos  qualquer  prova  de  que  houve  inclusão  indevida  de  valores  pagos  a  ocupantes  de  cargos  comissionados  que  também  ocupam  cargos  efetivos  e,  por  isso,  contribuintes  e  vinculados  ao  regime  próprio  de  previdência do Estado de Sergipe.  Na forma do art. 15 e § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235,  de  6  de  março  de  1972,  as  provas  documentais  devem  apresentadas  pelo  impugnante  juntamente  com  sua  impugnação, conduta que o sujeito passivo não adotou:  "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão  preparador  no  prazo  de  trinta  dias,  contados da data em que for feita a intimação da exigência.  Art. 16....  § 4º A prova documental será apresentada na impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  (Incluído  pela  Lei  n°  9.532, de 1997)  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     10  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;  (Incluído  pela  Lei  n'9,532, de 1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela  Lei n° 9.532, de 1997)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) "  A  impugnação  apresenta  argumentos  sem  qualquer  produção probatória.  Por seu turno, a ocupação exclusiva de cargo em comissão  de  servidor  no  Estado,  vincula­o  ao  Regime  Geral  de  Previdência  Social  (RGPS)  na  condição  de  segurado  obrigatório  como  empregado  na  forma  da  alínea  "i"  do  inciso I do art. 9° do Regulamento da Previdência Social —  RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999.  Assim,  sua  remuneração  é  fato  gerador  da  contribuição  social previdenciária.  Sobre o assunto, vejo que a recorrente fez juntar ao seu recurso voluntário o  Regimento Interno do Conselho Penitenciário do Estado de Sergipe, que em seu art. 3º, aponta  a composição de referido órgão, apontando que dele farão parte os seguintes integrantes:  I ­ 1  (um) professor de Direito Penal, Processual Penal ou  Penitenciário, de Instituição de ensino superior,  II  ­1  (um)  representante  do  Ministério  Público  Federal,  indicado pelo Procurador Geral da República;  III  ­  1  (um)  representante  do Ministério  Público  Estadual,  indicado pelo Procurador Geral de Justiça;  IV ­ 1 (um) representante da Defensoria Pública do Estado,  indicado pelo Defensor Público­Geral;  V ­ 2 (dois) advogados;  VI ­ 1 (um) psiquiatra;  VII ­ 1 (um) psicólogo;  VIII  ­  1  (um)  representante  do  Departamento  do  Sistema  Penitenciário.  Da análise de referido artigo vejo que a sua composição detém pessoas que  sequer  estão  ligadas  a  qualquer  órgão  do  poder  público,  de modo  que  estas  certamente  não  estariam abarcadas por um regime próprio de previdência, o que já justificaria a incidência das  contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento.   Ademais, da mesma forma que a DRJ, não vislumbro dos autos, provas que  demonstrem  que  os  componentes  do  órgão  vinculados  ao  poder  público,  estejam  filiados  a  regime próprio de previdência,  sobretudo considerando que o Regimento  apresentado com o  recurso voluntário não é o vigente na data dos fatos geradores das contribuições lançadas, eis  que aprovado em 05 de maio de 2008.  Logo, não vejo como acatar tais fundamentos.  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002092/2008­21  Acórdão n.º 2402­005.188  S2­C4T2  Fl. 251          11  Ante todo o exposto voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, em  NEGAR PROVIMENTO ao recurso.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 599DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O

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Numero do processo: 16561.720159/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 APRESENTAÇÃO, TRANSCRIÇÃO E ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CONTROLADA A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento ocasiona a extrapolação de sua competência e o cerceamento de defesa do contribuinte. AUTENTICAÇÃO DO DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO A regra imposta pelo artigo 26, § 2º, da lei nº 9.249/95, que exige a autenticação do documento de arrecadação, é excepcionada pela do artigo 16, § 2º, II, da Lei nº 9.249/95, quando houver a apresentação do documento de arrecadação corroborado pela legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO TRIBUTO COMPENSADO O descumprimento do artigo 14, § 14, da IN SRF 213/02 não obsta a compensação, já que somente a lei pode criar obrigações ao sujeito passivo, nos termos dos artigos 5°, II e 150, I, da Constituição Federal, do artigo 97 do CTN e do artigo 2º da Lei nº 9.784/99. COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA ADMISSIBILIDADE. A compensação do imposto pago no exterior somente é admitida se for demonstrado, por meio de documentos hábeis, que o correspondente lucro foi oferecido à tributação no Brasil e a compensação está limitada ao imposto devido internamente. Reflexo: CSL Aplica-se ao lançamento da CSL a mesma solução que foi dada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.
Numero da decisão: 1201-001.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar a diligência proposta pelo Presidente com vistas à comprovação do oferecimento dos lucro do exterior nos anos de 2003 a 2006. Vencidos o Presidente e o Conselheiro Luis Fabiano. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher a compensação do imposto pago no exterior com IRPJ e a CSLL devidos no ano de 2007, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Roberto Caparroz, Ester Marques e Ronaldo Apelbaum que negavam provimento ao recurso. Fez nova sustentação oral, por parte do sujeito passivo, a Dra. Ana Carolina, OAB 207.382/SP, haja vista a alteração na composição dos membros da Turma em relação à composição verificada na Reunião anterior. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO

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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 APRESENTAÇÃO, TRANSCRIÇÃO E ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CONTROLADA A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento ocasiona a extrapolação de sua competência e o cerceamento de defesa do contribuinte. AUTENTICAÇÃO DO DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO A regra imposta pelo artigo 26, § 2º, da lei nº 9.249/95, que exige a autenticação do documento de arrecadação, é excepcionada pela do artigo 16, § 2º, II, da Lei nº 9.249/95, quando houver a apresentação do documento de arrecadação corroborado pela legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO TRIBUTO COMPENSADO O descumprimento do artigo 14, § 14, da IN SRF 213/02 não obsta a compensação, já que somente a lei pode criar obrigações ao sujeito passivo, nos termos dos artigos 5°, II e 150, I, da Constituição Federal, do artigo 97 do CTN e do artigo 2º da Lei nº 9.784/99. COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA ADMISSIBILIDADE. A compensação do imposto pago no exterior somente é admitida se for demonstrado, por meio de documentos hábeis, que o correspondente lucro foi oferecido à tributação no Brasil e a compensação está limitada ao imposto devido internamente. Reflexo: CSL Aplica-se ao lançamento da CSL a mesma solução que foi dada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar a diligência proposta pelo Presidente com vistas à comprovação do oferecimento dos lucro do exterior nos anos de 2003 a 2006. Vencidos o Presidente e o Conselheiro Luis Fabiano. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher a compensação do imposto pago no exterior com IRPJ e a CSLL devidos no ano de 2007, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Roberto Caparroz, Ester Marques e Ronaldo Apelbaum que negavam provimento ao recurso. Fez nova sustentação oral, por parte do sujeito passivo, a Dra. Ana Carolina, OAB 207.382/SP, haja vista a alteração na composição dos membros da Turma em relação à composição verificada na Reunião anterior. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 989          1 988  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16561.720159/2012­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­001.442  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de junho de 2016  Matéria  Compensação de imposto pago no exterior  Recorrente  MONSANTO DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2007  APRESENTAÇÃO,  TRANSCRIÇÃO  E  ELABORAÇÃO  DAS  DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CONTROLADA   A  inovação,  pela  DRJ,  na  motivação  e  fundamentação  do  lançamento  ocasiona  a  extrapolação  de  sua  competência  e  o  cerceamento  de  defesa  do  contribuinte.  AUTENTICAÇÃO DO DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO  A  regra  imposta  pelo  artigo  26,  §  2º,  da  lei  nº  9.249/95,  que  exige  a  autenticação do documento de arrecadação, é excepcionada pela do artigo 16,  § 2º, II, da Lei nº 9.249/95, quando houver a apresentação do documento de  arrecadação  corroborado  pela  legislação  do  país  de  origem  do  lucro,  rendimento ou ganho de capital.   PRAZO  PARA  A  APRESENTAÇÃO  DOS  DOCUMENTOS  COMPROBATÓRIOS DO TRIBUTO COMPENSADO  O  descumprimento  do  artigo  14,  §  14,  da  IN  SRF  213/02  não  obsta  a  compensação, já que somente a lei pode criar obrigações ao sujeito passivo,  nos termos dos artigos 5°, II e 150, I, da Constituição Federal, do artigo 97 do  CTN e do artigo 2º da Lei nº 9.784/99.   COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA ADMISSIBILIDADE.  A  compensação  do  imposto  pago  no  exterior  somente  é  admitida  se  for  demonstrado, por meio de documentos hábeis, que o correspondente lucro foi  oferecido  à  tributação  no Brasil  e  a  compensação  está  limitada  ao  imposto  devido internamente.   REFLEXO: CSL  Aplica­se ao lançamento da CSL a mesma solução que foi dada ao Imposto  de Renda da Pessoa Jurídica.       AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 59 /2 01 2- 71 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  a  diligência proposta pelo Presidente  com vistas  à  comprovação do oferecimento dos  lucro do  exterior nos  anos de 2003 a 2006. Vencidos o Presidente  e o Conselheiro Luis Fabiano. No  mérito, por maioria de votos, acordam em dar parcial provimento ao  recurso voluntário para  acolher a compensação do  imposto pago no exterior com  IRPJ e a CSLL devidos no ano de  2007,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros  Roberto  Caparroz,  Ester  Marques e Ronaldo Apelbaum que negavam provimento ao recurso. Fez nova sustentação oral,  por parte do sujeito passivo, a Dra. Ana Carolina, OAB 207.382/SP, haja vista a alteração na  composição dos membros da Turma em relação à composição verificada na Reunião anterior.  (assinado digitalmente)  MARCELO CUBA NETTO ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Otávio  Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos  de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.  Relatório  Em  apertada  síntese,  trata­se  de Recurso Voluntário  interposto  em  face  do  Acórdão de nº 11­45.620 (fls. 860/889), o qual julgou improcedente a impugnação apresentada,  mantendo o Auto de Infração que glosou a compensação do montante de lucro pago no exterior  com o devido no Brasil.  Superado isso, a ação fiscal teve início em 12/01/2012 (fls. 02/04), intimando  a  Contribuinte  para,  no  prazo  de  vinte  dias,  apresentar  diversos  documentos.  Intimada  em  18/01/2012 (fl. 05), a Contribuinte apresentou parte dos documentos que lhe foram solicitados  em 07/02/2012 (fls. 06/188), em 27/02/2012 (fls. 207/327), em 30/03/2012 (fls. 331/353), em  06/06/2012 (fls. 364/419) e em 10/07/2012 (fls. 423/493).  Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 990          3 Finalmente, em 17/12/2012, a autoridade fiscalizadora elaborou o Termo de  Verificação Fiscal e de Encerramento (fls. 499/523), cujos principais pontos podemos resumir  assim:    Durante o ano de 2007, a Contribuinte (Monsanto do Brasil Ltda.) declarou  como  única  participação  societária  no  exterior  a  empresa  Monsanto  Bermuda  Ltd.,  nas  Bermuda,  e,  na  DIPJ  de  2008,  houve  a  dedução  dos  impostos  retidos  na  Argentina  em  transação entre a Monsanto Argentina Saic e a Monsanto Bermudas I.  Analisando  tal  dedução,  a  Fiscalização  entendeu  que,  “sem  os  atos  constitutivos da controlada no exterior Monsanto Bermuda Ltd., é impossível verificar se esta é  a mesma  empresa  intitulada MONSANTO BERMUDAS  I,  citada  no  suposto  documento  de  retenção de impostos do Fisco Argentino” – fl. 518.  (...)  “Ainda  que  a  fiscalizada  houvesse  demonstrado  que  se  trata  da  mesma  sociedade  situada  nas  Bermudas,  o  documento  de  arrecadação  apresentado  não  cumpriu  os  requisitos previstos na Lei nº 9.249/96, art. 26, § 2º” – fl. 519, o qual determina a autenticação  pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que  for devido o imposto.  (...)  “Ainda que essa pendência junto ao órgão arrecadador fosse sanada, o que se  argumenta  apenas  em  tese,  há  absoluta  ausência  de  protocolização  junto  ao  órgão  consular  brasileiro.  Tais  providências  junto  ao  órgão  arrecadador  e  ao  órgão  consular  brasileiro  deveriam  ter  sido  tomadas  pela  fiscalizada  à  época  dos  fatos,  assim  que  tais  valores  foram  utilizados na DIPJ 2008 para reduzir o valor do IRPJ devido, bem como da CSLL, sob pena de  inviabilizar a autorização legal de compensação de impostos pagos no exterior com impostos  devidos no Brasil” – fl. 519, em virtude do artigo 14, § 14, da IN SRF 213/02, que determina a  apresentação dos documentos comprobatórios do tributo compensado a partir de 1º de janeiro  do ano subsequente ao da compensação.  Por fim, destacou que, “ao arrepio da Lei, enquanto foi adicionado ao Lucro  Real  do  ano  de  2007  o  valor  correspondente  ao  lucro  disponibilizado  no  exterior,  de  R$  11.062.139,08  –  que  corresponderia  à  incidência  de,  no máximo,  25% de  IRPJ  e  de  9%  de  CSLL sobre essa base de cálculo ­, foi utilizado para fins de compensação de imposto pago no  exterior o valor de R$ 14.606.259,20 no cálculo do IRPJ, e de R$ 3.844.767,43 no cálculo da  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     4 CSLL, simplesmente como se não houvesse os limites previstos nas normas supramencionadas  [artigo 26 da Lei nº 9.249/96, artigo 395 do RIR e artigo 14, § 7º, § 9º, § 10, § 11 e § 15, da IN  SRF 213/02]” – fl. 520.  (...)  “Ou seja: adicionou­se na base de cálculo do  IRPJ  (e CSLL) o valor de R$  11.062.139,08, mas em contrapartida deduziu­se  (não da base de cálculo) do próprio  IRPJ (e  CSLL) devidos o valor total de R$ 18.451.026,63” – fl. 520.  Diante dos motivos acima, a Fiscalização glosou as compensações feitas pela  Contribuinte, cobrou o pagamento dos tributos em decorrência das glosadas (IRPJ e CSLL) e  exigiu multa de ofício,  com base no  artigo 44,  I, da Lei nº 9.430/96, e  juros de mora à  taxa  SELIC, nos termos do artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96.    Em  17/12/2012,  a  autoridade  fiscal  lavrou  dois  Autos  de  Infração,  para  constituição de CSL (fls. 845/850),  referente aos meses de  janeiro e outubro de 2007, e para  constituição de IRPJ (fls. 851/856), referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, com os  seguintes valores (fls. 845 e 851):    Tributo  Principal  Multa  Total  CSL  R$ 3.844.767,43  R$ 2.883.575,57  R$ 6.728.343,00  IRPJ  R$ 14.606.259,20  R$ 10.954.694,40  R$ 25.560.953,60  Total  R$ 32.289.296,60    A infração do IRPJ foi assim descrita no auto de infração:    “0001 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  INCIDENTE NO EXTERIOR  Não  atendimento  aos  requisitos  legais  necessários  à  compensação  de  Imposto  de  Renda  incidente  no  exterior,  conforme relatório fiscal em anexo.  [Destrincha as datas e os valores apurados]  Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 31/12/2007:  Art. 395 do RIR/99” – fl. 853.    A infração da CSL, por sua vez, foi assim descrita no auto de infração:  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 991          5   “0001 – GLOSAS  DEDUÇÃO INDEVIDA DE CSLL  O contribuinte reduziu  indevidamente a CSLL devida, por meio  da dedução de valores indevidos ou não comprovados, conforme  relatório fiscal anexo.  [Destrincha as datas e os valores apurados]  Enquadramento Legal:  Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 31/12/2007:  Art.  2º  da  Lei  nº  7.689/88  com  as  alterações  introduzidas  pelo  art. 2º da Lei nº 8.034/90  Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº  9.065/95  Art. 2º da Lei nº 9.249/95  Art. 1º da Lei nº 9.316/96” – fl. 847.    Cientificada  em  20/12/2012  (fls.  524/525),  a  Contribuinte,  em  18/01/2012,  apresentou  Impugnação  (fls.  527/547  e  anexos  –  fls.  548/841),  cujos  principais  argumentos  podem ser assim resumidos:    DOS ATOS CONSTITUTIVOS DA MONSANTO BERMUDA  A Contribuinte juntou cópia da tradução juramentada do ato Constitutivo da  Monsanto Bermuda  Ltd.  (fls.  567  a  588),  declarou,  em  sua DIPJ  de  2008,  aludida  empresa  como sua controlada e, ainda, submeteu os lucros auferidos por aquela empresa à tributação no  Brasil.    DA COMPROVAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR  A  Contribuinte  requereu  a  autenticação  dos  comprovantes,  mas  ainda  não  havia recebido resposta das autoridades fiscais argentinas.   Ainda que assim não  fosse, a Contribuinte  sustentou que, no presente caso,  restou  configurada  a  dispensa  legal  de  apresentação  dos  documentos  de  arrecadação  autenticados,  nos  termos  do  artigo  395,  §  5º,  do  RIR,  já  que  todas  as  remessas  feitas  pela  Monsanto  Argentina  SAIC  em  favor  da  Monsanto  Bermuda,  em  observância  à  legislação  argentina, sofreram a retenção de 35%.  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     6   DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO  EXTERIOR  A Contribuinte alegou que o não reconhecimento do direito de compensar o  imposto  pago  no  exterior  apenas  se  justificaria  em  razão  de  os  cálculos  efetuados  pelas  autoridades  fiscais  estarem equivocados e  terem desconsiderado o  limite de compensação de  imposto pago no exterior acumulado dos anos anteriores (2004, 2005, 2006 e 2007).  Sobre a possibilidade de utilização como crédito de imposto pago no exterior  acumulado dos anos anteriores,  a Contribuinte  ressaltou que, de acordo com o artigo 395 do  RIR e os artigos 14 e 15 da Instrução Normativa n° 213/2002, o imposto pago no exterior em  decorrência de lucros disponibilizados no Brasil até dois anos após a sua apuração, limitado ao  valor apurado nesses termos, poderá ser compensado a qualquer momento, em especial a partir  do efetivo pagamento do imposto no exterior.     Em  03/04/2014,  a  4ª  Turma  da DRJ/REC,  por meio  do Acórdão  de  nº  11­ 45.620 (fls. 860/889), decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo  o crédito tributário. O aludido acórdão restou assim ementado às fls. 860/861:    “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Ano­calendário: 2007  COMPENSAÇÃO  DE  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR.  DOCUMENTAÇÃO  APRESENTADA  REFERENTE  A  OUTRA  EMPRESA.  Os  documentos  comprobatórios  de  pagamento  de  imposto  no  exterior  por  controlada  apresentados  pelo  contribuinte  não  permitem verificar  se a empresa  indicada nos comprovantes de  pagamento é a mesma empresa que o contribuinte declarou  ter  participação e ter recebido lucro distribuído. Devida a glosa por  falta de comprovação do pagamento de imposto.  COMPENSAÇÃO  DE  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR.  DISPENSA DO RECONHECIMENTO DO COMPROVANTE DE  PAGAMENTO  DO  IMPOSTO.  NECESSIDADE  DE  APRESENTAÇÃO  DE  LEGISLAÇÃO  E  DEMONSTRAÇÕES  FINANCEIRAS.  O  art.  16  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  dispensar  o  reconhecimento  dos  comprovantes  de  arrecadação  pelo  órgão  arrecadador do país de pagamento do imposto e pelo consulado  brasileiro  naquele  país,  estabeleceu  a  necessidade  de  apresentação  da  legislação  do  país  de  origem  do  lucro  e  das  demonstrações financeiras da empresa controlada.  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 992          7 COMPENSAÇÃO  DE  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR.  DISPONIBILIDADE DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO  DO PAGAMENTO.  Os documentos comprobatórios do pagamento do imposto pago  no exterior devem estar à disposição da Receita Federal a partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  a  compensação  foi  feita,  devendo  ser  apresentados  quando  o  contribuinte for intimado para tanto.  COMPENSAÇÃO  DE  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR.  INCOMPATIBILIDADE  ENTRE  DOCUMENTOS  E  VALORES  CALCULADOS E DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE.  Os valores dos lucros e das compensações de imposto constantes  dos  cálculos  efetuados  pelo  contribuinte  na  impugnação  com  base em suas DIPJs não são congruentes com aqueles constantes  dos documentos de arrecadação.    Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido”    Os fundamentos do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, podem ser  assim resumidos:    DA ANÁLISE  SE A MONSANTO BERMUDA  LTD.  E  A MONSANTO  BERMUDA I SE TRATAM DA MESMA EMPRESA  “Na  espécie,  os  documentos  carreados  indicam  que,  em  decorrência  de  crédito  obtido  no  exterior,  a  empresa  Monsanto  Argentina  SAIC  efetuou  uma  ordem  de  pagamento à empresa Monsanto Bermuda I e que sobre tal montante incidiu imposto de renda  (a  las  ganancias).  Ou  seja,  tais  documentos  não  fazem  referência  à  controlada  do  sujeito  passivo: Monsanto Bermuda Ltd, sendo insuficientes como prova” – fl. 880.  (...)  “Em  face  de  impugnação,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópia  do  ato  constitutivo  da  Monsanto  Bermuda  Ltd  (às  fls.  566  a  588)  a  fim  de  demonstrar  que  esta  empresa é a mesma constante dos documentos de retenção apresentados (fls. 610 a 6559).  Acontece  que  em  parte  alguma  do  estatuto  social  há  indicação  de  que  Monsanto Bermuda Ltd e Monsanto Bermuda I são a mesma empresa. A referência à empresa  é sempre feita sob a mesma denominação Monsanto Bermuda Ltd” – fl. 881.  (...)  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     8 “Entre  os  documentos  que  poderiam  complementar  os  comprovantes  de  pagamento,  posso  citar,  como  exemplo,  os  contratos  de  mútuo  firmados  com  a  Monsanto  Argentina  SAIC  cumulados  com  as  ordens  de  pagamento.  Na  hipótese  de  tais  documentos  adicionais conterem menção à  razão social Monsanto Bermuda Ltd, seria possível verificar a  realização da operação de mútuo, os valores relativos à amortização do principal e aos juros,  bem assim determinar impostos correspondentes, a fim de comparar com os comprovantes de  arrecadação apresentados” – fl. 882.  (...)  “Concluo, pois, que os documentos apresentados não servem como prova da  retenção do imposto no exterior e, em consequência, que este não pode ser compensado com o  imposto apurado pelo contribuinte. É devida a glosa” – fl. 883.    DA  NECESSIDADE  DE  AUTENTICAÇÃO  DO  COMPROVANTE  DE  RECOLHIMENTO  “Efetivamente,  consoante  já  tratado  no  tópico  relativo  ao  resumo  da  legislação,  o  reconhecimento  dos  comprovantes  de  arrecadação  resta  dispensado  quando  a  controladora  comprovar  que  a  legislação  do  país  de  origem  do  lucro  prevê  a  incidência  do  imposto de renda que houver sido pago” – fl. 883.  (...)  “Extrai­se  dos  dispositivos  da  referida  lei  que  100%  dos  juros  pagos  por  créditos obtidos no exterior são tributados na forma de retenção definitiva na fonte à alíquota  de  35%,  o  que  está  em  consonância  com a  informação  contida  nos  comprovantes  anexados.  Nele consta que se trata de imposto de renda sobre juros pagos por créditos obtidos no exterior  e que sobre todo o montante do pagamento incidiu 35% (aplicando­se este percentual sobre o  monte pago $ 28.571.445,71 obtém­se $ 10.000.006,00)” – fl. 884.  (...)  “Embora  não  corresponda  à  legislação  do  país  de  origem  do  lucro,  Ilha  Bermudas, onde a empresa controlada estava domiciliada, há que considerar que este é paraíso  fiscal e que o rendimento e a respectiva retenção na fonte tiveram origem na Argentina. Assim,  entendo  que  o  contribuinte  atendeu  o  requisito  de  apresentação  da  legislação  tributária  que  regulava o imposto pago no exterior, dispensando­se o reconhecimento dos comprovantes pelo  órgão tributário argentino e pelo consulado brasileiro naquele país” – fl. 885.    DA  NÃO  APRESENTAÇÃO  DAS  DEMONSTRAÇÕES  FINANCEIRAS  DA CONTROLADA  Fl. 996DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 993          9 “Por  outro  lado,  conforme  visto,  ao  mesmo  tempo  em  que  dispensou  o  mencionado reconhecimento dos comprovantes de arrecadação na hipótese de comprovação da  legislação do país de origem do  lucro,  o  art.  16  da Lei n° 9.430, de 1996,  estabeleceu outra  condição para a compensação do  tributo pago no exterior: a apresentação das demonstrações  financeiras da controlada” – fl. 885.  (...)  “Em  atendimento  à  intimação  trouxe  aos  autos  planilhas  que  seriam  referentes a balanços da sua controlada e demonstrativo de equivalência patrimonial. Segundo  demonstrado  pela  autoridade  fiscal  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  tais  ‘balanços’  são  incompatíveis entre si, além de apresentarem erros de cálculo na conversão de moeda. Tratam­ se,  pois  de  planilhas  que  não  são  confiáveis.  Adicionalmente,  os  documentos  apresentados  também são  incompatíveis quanto à participação na controlada no ano 2007: ora informando  que a participação foi de 70,81% durante todo o ano, ora afirmando que a participação foi neste  percentual até agosto e que a partir de setembro passou para 71,0527%, o que não corresponde  ao declarado em DIPJ (70,81%).  Além disso, o sujeito passivo não apresentou a transcrição das demonstrações  financeiras da controlada no seu livro Diário (sujeito passivo), descumprindo o disposto no §  6° do art. 6° da IN SRF n° 213, de 2002, transcrito no tópico deste voto referente ao resumo da  legislação. Alegou, para tal falta, que esta exigência não se aplicaria ao caso dada a ausência  desse registro nas empresas no exterior” – fl. 885.  (...)  “Logo,  estando  ou  não  em  paraíso  fiscal,  tanto  a  elaboração  dos  demonstrativos  quanto  a  sua  transcrição  no  Diário  da  empresa  sediada  no  Brasil  são  obrigatórios” – fl. 886.    DO MONTANTE DE  IMPOSTO  PAGO NO  EXTERIOR  PASSÍVEL  DE  SER COMPENSADO  “Destaque­se,  ainda,  que  na  impugnação  o  contribuinte  argumentou  que  os  rendimentos  recebidos  foram  tributados  pela  controlada  e  por  si  quando  incorridos,  ou  seja,  pelo  regime de  competência,  integrando os  resultados  apurados  nos  anos­calendários  2004  a  2007.  Ora,  para  atender  à  exigência  legal  e  permitir  ao  julgador  a  verificação  dos  fatos  alegados,  deveriam  ter  sido  apresentados  demonstrativos  financeiros  referentes  a  todos  os  períodos, o que não ocorreu.  Fl. 997DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     10 Não se alegue que foi intimado pela autoridade fiscal apenas para apresentar  os demonstrativos  referentes  a 2006 e 2007, vez que não  era possível  àquele  agente público  intuir que os lucros teriam sido considerados desde 2004. Caberia ao contribuinte, ciente dos  fatos ocorridos (se é que ocorreram da forma alegada) e conhecedor da legislação tributária de  regência,  alertar para  tal  situação durante a  fiscalização ou, ao menos,  instruir a  impugnação  com  todos os documentos necessários e  suficientes para  a verificação e confirmação de seus  argumentos” – fl. 886.    DA INTEMPESTIVIDADE DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS  “Isso  porque  a  documentação  relativa  à  legislação  tributária  argentina,  devidamente  traduzida  por  tradutor  juramentado,  condição  necessária  para  a  dispensa  do  reconhecimento dos comprovantes de arrecadação (que não foi providenciado), somente ficou  à disposição da Receita Federal a partir de 24 de janeiro de 2013, data em que a tradução foi  providenciada,  portanto,  após  a  ciência  dos  lançamentos,  sendo  que  a  data  limite  para  tanto  seria  01  de  janeiro  de  2006,  vez  que  as  compensações  iniciaram,  conforme  alegado  pelo  contribuinte, no balanço de 2005” – fl. 887.    DAS CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS  “(...)  os  cálculos  efetuados  pelo  contribuinte  não  são  passíveis  de  confirmação por este julgador, vez que ele não carreou aos autos seus livros contábeis e fiscais  e os demonstrativos  financeiros da controlada  relativos  aos anos 2004 a 2007, bem assim os  contratos  de  mútuo  firmados  que  permitissem,  juntamente  com  aqueles  livros  e  demonstrativos, bem assim com os comprovantes de arrecadação, confirmar que os valores de  lucro registrados desde 2004 se referem à operação de mútuo da controlada com a Monsanto  Argentina  SAIC,  que  seus  registros  ocorreram  pelo  regime  de  competência,  que  as  compensações  dos  tributos  respectivos  foram  efetivamente  realizadas  a  partir  de  2005  conforme  alegado  e  que  os  limites  legais  de  compensação  foram  obedecidos.  As  DIPJs  referentes  a  esses  anos,  juntadas  às  fls.  767  a  841,  não  servem  como  prova  quando  desacompanhadas dos documentos que alicerçaram os dados nelas registrados.  Ademais,  mesmo  considerando  verdadeiros  os  valores  dos  lucros  e  compensações  constantes  dos  cálculos  efetuados  pelo  contribuinte  na  impugnação  com  base  em  suas  DIPJs,  verifica­se  que  não  há  uma  congruência  entre  estes  e  os  constantes  dos  documentos de arrecadação” – fl. 888.    Fl. 998DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 994          11 Cientificada  em  04/06/2014  (fl.  895),  a  Contribuinte,  em  02/07/2014,  interpôs Recurso Voluntário  (fls.  898/930  e  anexos  –  fls.  931/952),  sustentando,  em  síntese,  que:    RAZÕES  DE  DECIDIR  ESTRANHAS  À  MOTIVAÇÃO  DO  LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO  “Portanto,  tendo­se  como  certo  que  as  decisões  proferidas  durante  o  contencioso  administrativo­tributário  não  podem  inovar  o  lançamento  fiscal,  sob  pena  de  violação direta ao art. 149 do CTN e aos demais princípios de Direito aplicáveis ao assunto, a  Recorrente  inicia  seu  apelo  com  esta  preliminar  para  requerer,  desde  já,  que  todos  os  argumentos apresentados na r. decisão de primeira instância sobre a forma e/ou o montante de  apuração do lucro auferido no exterior sejam pronta e integralmente desconsiderados por esse  Conselho.” – fls. 903/904.    SUPOSTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE A MONSANTO LTD.  É A MONSANTO BERMUDA I  A  Contribuinte  trouxe  diversos  indícios  lastreados  em  documentos  financeiros e contábeis, pretendendo provar que a empresa Monsanto Bermuda I e a empresa  Monsanto Bermuda Ltd.  são  a mesma empresa,  cujos  lucros  foram oferecidos  à  tributação  e  cujas receitas de juros de empréstimos concedidos à Monsanto Argentina SAIC foram sujeitas  à retenção do imposto de renda na Argentina.    FALTA  DE  AUTENTICAÇÃO  DOS  COMPROVANTES  DO  IMPOSTO  PAGO NA ARGENTINA   A  Contribuinte  requereu  a  autenticação  dos  comprovantes,  mas  ainda  não  havia recebido resposta das autoridades fiscais argentinas.   Ainda que assim não  fosse, a Contribuinte  sustentou que, no presente caso,  restou  configurada  a  dispensa  legal  de  apresentação  dos  documentos  de  arrecadação  autenticados,  nos  termos  do  artigo  395,  §  5º,  do  RIR,  já  que  todas  as  remessas  feitas  pela  Monsanto Argentina SAIC em favor da Monsanto Bermuda Ltd., em observância à legislação  argentina, sofreram a retenção de 35%.  Analisando  tal  argumento,  as  autoridades  julgadoras  acolheram­no,  mas,  inovando na acusação, mantiveram a glosa, o que fez com que restasse violado o artigo 145 do  Fl. 999DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     12 CTN, o artigo 212 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria  nº 125/09, e o artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235/72.  Ainda  que  assim  não  se  entendesse,  quanto  à  divergência  apontada  pelas  autoridades  julgadoras  em  relação  aos  percentuais  de  participação  da  Contribuinte  na  Monsanto Bermuda Ltd. informados nos demonstrativos financeiros, a Contribuinte esclareceu  que se tratou de mero erro formal.    ALEGADA  COMPROVAÇÃO  INTEMPESTIVA  DO  IMPOSTO  PAGO  NO EXTERIOR NO MOMENTO DA COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO NO BRASIL  A Contribuinte aduziu que a exigência por parte das autoridades  julgadoras  no  sentido  de  que  deveria  ter  sido  providenciada  a  tradução  juramentada  da  legislação  argentina até 01/01/2008 “tem, pois, natureza meramente formal, não possui base legal e, mais  importante, não  infirma o comprovado fato de que há imposto retido e pago no exterior, nos  montantes informados pela Recorrente” – fl. 916.    SUPOSTA  INOBSERVÂNCIA  DO  LIMITE  LEGAL  PARA  COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR  Ao analisar o limite legal para compensação do imposto pago no exterior, a  decisão  de  primeira  instância manteve  a  acusação  fiscal  com  base  em  duas  alegações:  (i)  a  Contribuinte não teria apresentado as demonstrações financeiras relativas aos lucros auferidos  no  exterior;  e  (ii)  haveria  uma  suposta  incongruência  entre  os  valores  informados  na  impugnação e nos “documentos de arrecadação”.  Quanto  ao  primeiro  argumento,  a  Contribuinte  alertou  que  se  tratou  de  verdadeira  inovação  na  acusação  e,  nesse  ponto,  destacou  que  os  valores  informados  nas  DIPJ’s não poderiam ser desconsiderados,  pois  já haviam sido definitivamente homologados  pelo decurso do prazo decadencial.  Por sua vez, quanto ao segundo argumento, a Contribuinte alegou que, apesar  da falta de maiores informações na decisão, a incongruência apenas se justificaria em razão de  os cálculos efetuados pelas autoridades fiscais estarem equivocados e terem desconsiderado o  limite  de  compensação  do  imposto  pago  no  exterior  acumulado  dos  anos  anteriores  (2004,  2005, 2006 e 2007).  Sobre a possibilidade de utilização como crédito de imposto pago no exterior  acumulado dos anos anteriores,  a Contribuinte  ressaltou que, de acordo com o artigo 395 do  RIR e os artigos 14 e 15 da Instrução Normativa n° 213/2002, o imposto pago no exterior em  decorrência de lucros disponibilizados no Brasil até dois anos após a sua apuração, limitado ao  Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 995          13 valor apurado nesses termos, poderá ser compensado a qualquer momento, em especial a partir  do efetivo pagamento do imposto no exterior.     Apesar de esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção  ter  iniciado o  julgamento do presente caso, em 04/05/2016, ele foi retirado de pauta pelo presidente, para fins  de juntada de documento trazido pelo sujeito passivo em memoriais.  Assim,  em  13/05/2016,  a  Contribuinte  protocolou  petição  (fls.  957/964  e  docs. anexos fls. 965/987), trazendo novas provas de que a empresa Monsanto Bermuda I e a  empresa Monsanto Bermuda Ltd. seriam a mesma empresa.  É o suficiente para o relatório. Passo ao voto.  Voto             Conselheiro Relator João Carlos de Figueiredo Neto    I.  DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE  Os  pressupostos  e  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  determinados  pelo  Decreto  70.235/1972  e  pelo  Regimento  Interno  do  CARF,  fazem­se  presentes, senão vejamos.  Nos termos do artigo 2º, inciso I e IV, do Anexo II ao Regimento Interno do  CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de  primeira instância que versem sobre IRPJ e CSL, razão pela qual é patente a competência desta  Turma para apreciação do caso.  No que tange à legitimidade, este requisito também está presente, vez que a  petição está assinada por advogados  (fls. 898 e 930) com poderes conferidos por procuração  (fls. 933) outorgada por diretores, conforme autoriza os artigos 9º e 13, (a) e parágrafo único,  do estatuto social da empresa (fls. 934/951).  Por  fim,  quanto  à  tempestividade,  a  decisão  proferida  pela  4ª  Turma  da  DRJ/REC  em  03/04/2014  (fls.  860/889)  chegou  ao  conhecimento  da  Contribuinte  em  04/06/2014, uma quarta­feira (fl. 895), e o recurso foi interposto em 02/07/2014, uma quarta­                                                             1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira)  instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a:  I ­ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);  IV  ­ CSLL,  IRRF, Contribuição  para o PIS/Pasep  ou Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  Contribuição  Previdenciária  sobre  a  Receita  Bruta  (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova.  Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     14 feira  (fl.  933),  ou  seja,  dentro  do  prazo  de  trinta  dias  previsto  no  art.  33  do  Decreto  n°  70.235/70, afinal o dies ad quem era 04/07/2014, um sexta­feira.  Nesse caminho, recebo o Recurso Voluntário.    II.  DOS PONTOS CONTROVERTIDOS   Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são:    PRELIMINAR  1.  O  Acórdão  da  DRJ  inovou  por,  dentre  outros  fundamentos,  manter  a  glosa do tributo pago no exterior em virtude da falta de apresentação das  demonstrações  financeiras  da  controlada,  da  transcrição  para  o  Livro  Diário e da  elaboração das demonstrações  contábeis  segundo as normas  brasileiras?     MÉRITO  1.  Restou  comprovado  que  a  Monsanto  Bermuda  Ltd  e  a  Monsanto  Bermuda I são a mesma empresa?  2.  Era  necessária  a  autenticação  dos  documentos  de  arrecadação  pelo  respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira  no país onde foi devido o imposto?   3.  Foi  observada  a  exigência  do  artigo  14,  §  14,  da  IN  SRF  213/02,  que  determina  a  apresentação  dos  documentos  comprobatórios  do  tributo  compensado  a  partir  de  1º  de  janeiro  do  ano  subsequente  ao  da  compensação?   4.  Foi observado o limite legal para a compensação?    III. DA APRESENTAÇÃO,  TRANSCRIÇÃO  E  ELABORAÇÃO DAS  DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA CONTROLADA   A  Contribuinte  aduziu  que  “(...)  tendo­se  como  certo  que  as  decisões  proferidas  durante  o  contencioso  administrativo­tributário  não  podem  inovar  o  lançamento  fiscal,  sob  pena  de  violação  direta  ao  art.  149  do  CTN  e  aos  demais  princípios  de  Direito  aplicáveis ao assunto, a Recorrente inicia seu apelo com esta preliminar para requerer, desde já,  que todos os argumentos apresentados na r. decisão de primeira instância sobre a forma e/ou o  montante  de  apuração  do  lucro  auferido  no  exterior  sejam  pronta  e  integralmente  desconsiderados por esse Conselho.” – fls. 903/904.  Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 996          15 Analisando o Termo de Verificação Fiscal, a DRJ salientou que:    “Conforme consta do relatório que acompanha este voto, a glosa  do montante  deduzido  pelo  contribuinte  a  título  de  imposto  de  renda  pago  no  exterior  decorreu  de  a  autoridade  fiscal  ter  considerado  que  os  documentos  e  esclarecimentos  carreados  pelo  contribuinte  foram  insuficientes  para  comprovar  o  efetivo  pagamento do tributo. As razões que conduziram a tal conclusão  foram as seguintes:  Primeiro ­ não foi possível verificar se a empresa  indicada nos  supostos documentos de  retenção  tributária do Fisco Argentino  apresentados  durante  a  fiscalização,  qual  seja,  Monsanto  Bermuda I, é a mesma empresa que o contribuinte declarou ter  participação (controlada) e ter recebido lucro distribuído no ano  2007, Monsanto Bermuda Ltd;  Segundo  –  mesmo  que  fosse  demonstrado  serem  a  mesma  empresa,  os  documentos  de  arrecadação  apresentados  não  cumpriram os requisitos do art. 26, §2° da Lei n° 9.249, de 1995,  pois  estes  não  foram  reconhecidos  pelo  Consulado  da  Embaixada  Brasileira  na  Argentina  (não  houve  nem  protocolização do pedido), bem assim não houve reconhecimento  por  parte  do  órgão  arrecadador  argentino,  em  que  pese  requerimento apresentado para tanto durante a fiscalização;  Terceiro  –  ainda  que  houvesse  ocorrido  de  fato  pagamento  de  impostos  pela  Monsanto  Bermuda  Ltd  o  reconhecimento  dos  supostos documentos de arrecadação deveria  ter sido realizado  pela fiscalizada à época dos fatos, assim que supostos impostos  retidos  foram utilizados para  reduzir o  IRPJ e a CSLL devidos  no Brasil, conforme determinação do §14 do art. 14 da IN SRF  n° 213, de 2001. Como tal medida não ocorreu, a compensação  não estava autorizada;  Adicionalmente,  a  autoridade  fiscal  destacou  que,  mesmo  que  houvesse  prova  documental  suficiente  do  pagamento  dos  impostos  no  exterior  pela  controlada  Monsanto  Bermuda  Ltd,  teria sido descumprido o disposto no caput e §1° do art. 26 da  Lei n° 9.249, de 1996, bem como do art. 395 do RIR/99, e dos §§  7°, 9°, 10 e 11 dos art. 14 e 15 da IN SRF n° 213, de 2001, vez  que  o  contribuinte  deduziu  imposto  pago  no  exterior  em  montante superior ao limite permitido.” – fls. 875/876.    Ao apreciar o segundo argumento, entendeu a DRJ que o artigo 16 da Lei nº  9.430/96, ao mesmo tempo que dispensou as autenticações previstas no art. 26, §2°, da Lei n°  9.249/95,  estabeleceu,  como  requisito  para  a  compensação  do  tributo  pago  no  exterior,  a  apresentação das demonstrações financeiras da controlada.   Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     16 Além disso, a DRJ destacou que a Contribuinte não apresentou a transcrição  das demonstrações financeiras da controlada no seu livro Diário, descumprindo com o disposto  no § 6º do art. 6º da IN SRF nº 213/02.  Ademais,  a DRJ  asseverou  que  as  demonstrações  financeiras  da  controlada  deveriam ser produzidas em observância aos princípios contábeis da legislação brasileira, em  face da ausência de normas do país de seu domicilio (por se tratar de paraíso fiscal), conforme  determina o artigo 6º, § 1º, da IN SRF nº 213/02.  Por fim, a DRJ acentuou que as planilhas que tratariam dos balanços da sua  controlada e demonstrativo de equivalência patrimonial apresentados pela Contribuinte durante  a  Fiscalização,  além  de  apresentarem  erro  de  cálculo  na  conversão  da moeda,  apresentaram  erro quanto à participação na controlada no ano de 2007.  Realmente,  confrontando  o  termo  de  verificação  fiscal  com  o  acórdão  proferido pela DRJ, verifica­se que as  razões que fundamentaram a manutenção da glosa em  relação ao segundo argumento foram substancialmente alteradas.  Ao assim proceder,  a  autoridade  julgadora  excedeu a  sua  competência,  que  estava  limitada  a  verificar  a  adequação  do  lançamento  em  face  da  aplicação  da  legislação  indicada, ou seja, a efetuar o controle da legalidade do ato administrativo do lançamento.  A autoridade julgadora também desobedeceu aos princípios da ampla defesa,  do contraditório e da segurança jurídica, prescritos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, pois, no caso,  não  pôde  a  Contribuinte  presumir  qual  seria  a  fundamentação  legal  utilizada  pela  DRJ  e,  consequentemente, se defender dela em sede de impugnação.   Nesse sentido, sustentando a impossibilidade de inovação do lançamento pela  autoridade  julgadora,  há  precedentes  das  três  Seções  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, quais sejam: Acórdão nº 9101­001.638, da 1ª Turma do CSRF, Sessão de 18  de abril de 2013; Acórdão nº 9202­002.879, da 2ª Turma do CSRF, Sessão de 11 de setembro  de 2013; e Acórdão nº 9303­001.690, da 3ª Turma da CSRF, Sessão de 05 de outubro de 2011.  Desse modo, conclui­se que, confrontando o termo de verificação fiscal com  o acórdão proferido pela DRJ, as razões que fundamentaram a manutenção da glosa em relação  ao segundo argumento foram substancialmente alteradas, razão pela qual não podem prosperar,  por evidente inovação.   Como o Sr. AFRF apresentou outros fundamentos para a glosa, a anulação do  capítulo do Acórdão da DRJ fruto da inovação não é suficiente para o provimento do Recurso  Voluntário,  razão  pela  qual  passa­se  à  análise  das  demais  razões  do  pedido  de  reforma  do  Acórdão nº 11­45.620, da DRJ/REC.    Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 997          17 IV. DA  COMPROVAÇÃO  DE  QUE  A  MONSANTO  LTD.  É  A  MONSANTO BERMUDA I  A  Fiscalização  e  a  DRJ  entenderam  pela  glosa,  vez  que  não  restou  comprovado que a Monsanto Bermuda Ltd e a Monsanto Bermuda I seriam a mesma empresa  e que, portanto, a Contribuinte, controladora da empresa Monsanto Bermuda Ltd.,  faria  jus à  dedução dos impostos retidos na Argentina em transação entre a Monsanto Argentina Saic e a  Mosanto Bermudas I.  Diante disso, a Contribuinte, em seu Recurso, apresentou diversos indícios de  que  a  Monsanto  Bermuda  Ltd  e  a  Monsanto  Bermuda  I  seriam  a  mesma  empresa  e,  consequentemente, que afastariam a glosa levada a efeito pela Fiscalização.   Como primeiro indício, a Contribuinte apontou que, na tradução juramentada  do ato constitutivo da Monsanto Bermuda Ltd., a Sra. Sonya M. Davis, Secretária Adjunta da  Monsanto Company,  atestou  a  existência de duas  empresas do  grupo Monsanto  sediadas  em  Bermudas: a Monsanto Bermuda Ltd. e a Monsanto Bermuda II Ltd. (fl. 566), então, a fim de  diferenciá­las, passou a denominar a “Monsanto Bermuda Ltd.” de “Monsanto Bermuda I”.  Como  segundo  indício,  a  Contribuinte  destacou  que,  no  demonstrativo  contábil de equivalência patrimonial (fl. 214), a empresa foi chamada de “Monsanto Bermuda I  Ltd.”; por outro  lado, no balanço patrimonial extraído no SAP (fl. 476­verso),  a empresa  foi  denominada  de Monsanto  Bermuda  Ltd.,  mas,  em  ambos  os  documentos,  o  valor  do  lucro  acumulado era de R$ 4.848.583,33.  Como  terceiro  indício,  a  Contribuinte  aumentou  seu  capital,  com  12.000  ações  da  Monsanto  Bermuda  Limited  e  da  Monsanto  Bermuda  II  Limited  (fls.  336/338).  Posteriormente, em 28/08/2007, a Contribuinte vendeu 3.503 ações que detinha na Monsanto  Bermuda Ltd. para a Monsanto International SARL (fl. 133). Assim, a participação acionária  na Monsanto Bermuda Ltd.  ficou dividida  em 8.497 ações detidas pela Contribuinte  e 3.503  detidas  pela  Monsanto  International  SARL,  que  era  exatamente  a  composição  acionária  indicada  na  Apuração  de  Equivalências  Patrimoniais  (fl.  211)  para  a  empresa  “Monsanto  Bermuda I Ltd".  Como  quarto  indício,  a  Contribuinte  aduziu  que  o  lucro  líquido  de  R$  11.062.139,08 apurado no balanço patrimonial da “Monsanto Bermuda Ltd.” de 2007 (fls. 223)  foi exatamente o mesmo incluído na Parte A ­ LALUR ­ Registro de Ajustes do Lucro Líquido  como “Resultado Bermudas I” (fl. 327) e devidamente refletido na DIPJ da Monsanto do Brasil  Ltda. como lucro auferido no exterior (fl. 225).  Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     18 Analisando o documento referido no primeiro indício, obteve­se que:    “Eu,  Sonya  M.  Davis,  Secretária  Adjunta  da  Monsanto  Company,  sociedade  de  Delaware,  certifico  pelo  presente  que  estou  autorizada  a  assinar  o  presente  certificado  em  nome  da  Monsanto Company, e certifico ainda que:  (1)  A  Monsanto  Company  era  a  única  acionista  da  Monsanto  Bermuda Ltd.  e  da Monsanto Bermuda  II  Ltd.  quando  de  suas  respectivas liquidações em 26 de agosto de 2008; e   (2) Os documentos anexos  são cópias  integrais,  fiéis e corretas  dos Estatutos Sociais da Monsanto Bermuda Ltd. e da Monsanto  Bermuda  II  Ltd.,  datados  de  18  de  novembro  de  2001  (incorporados  e  anexados  ao  presente  como  Anexos  A  e  B,  respectivamente), os quais permanecem em pleno vigor e efeito.”  – fl. 566.    Contrariamente  ao  que  fora  informado  pela  Contribuinte,  a  Sra.  Sonya M.  Davis não atestou a existência de apenas duas empresas em Bermudas: a Monsanto Bermuda  Ltd. e a Monsanto Bermuda II Ltd, mas que a Monsanto Company era a única acionista dessas  duas empresas.  Superado  o  primeiro  indicio,  verifico  que  os  outros  três  estão  embasados  apenas no confronto de documentos elaborados pela própria Contribuinte, o que faz com que  eles não sirvam para comprovar que a Monsanto Bermuda Ltd e a Monsanto Bermuda I são a  mesma empresa. Para tanto, a Contribuinte deveria ter juntado aos autos documento externo.   Foi  o  que  fez  a  Contribuinte,  após  retirada  do  processo  de  pauta  pelo  Presidente  desta  d.  Turma,  ao  protocolar  petição  (fls.  957/964  e  docs.  anexos  fls.  965/987),  colacionando  extrato  bancário  do  Citigroup,  o  qual  demonstra  que,  em  27/12/2005,  foi  transferido o valor de 66.583.183,00 da Monsanto Argentina S.A.I.C. para Monsanto Bermuda  Ltd. (fl. 979).  Conforme  explicitado  pela  Contribuinte  na  aludida  petição,  “(...)  do  valor  total  de  juros  de  $309.150.839,99,  foram  retidos  $108.202.794,00,  sendo  o  valor  líquido  a  remeter da Monsanto Argentina SAIC para a Monsanto Bermuda Ltd. $200.948.045,99  (que  corresponde a USD 66.583.182,90 no câmbio de 26 de dezembro de 2005).” – fl. 959.  Analisando  os  documentos  nos  autos,  realmente,  o  valor  de  juros  foi  de  $309.150.839,99,  foi  retido  o  valor  de  $108.202.794,00  (35%  de  $309.150.839,99)  e,  como  consequência, teve que ser repassado o valor de $200.948.045,99, o que corresponde ao valor  de US$66.583.182,90 (=$200.948.045,99/3,018) pela cotação do dólar à fl. 987. Vejamos:    Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 998          19 Fls.   Juros  Valor Retido  Valor líquido  Valor líquido em dólar  611  $  28.571.445,71  $  10.000.006,00  $  18.571.439,71  US$6.153.558,55  617  $  57.142.868,57  $  20.000.004,00  $  37.142.864,57  US$12.307.112,18  623  $  14.865.065,71  $   5.202.773,00  $   9.662.292,71  US$3.201.554,91  629  $  57.142.862,86  $  20.000.002,00  $  37.142.860,86  US$12.307.110,95  636  $  57.142.860,00  $  20.000.001,00  $  37.142.859,00  US$12.307.110,34  642  $   8.571.428,57  $   3.000.000,00  $   5.571.428,57  US$1.846.066,46  648  $  57.142.865,71  $  20.000.003,00  $  37.142.862,71  US$12.307.111,57  654  $  28.571.442,86  $  10.000.005,00  $  18.571.437,86  US$6.153.557,94  Total  $ 309.150.839,99  $ 108.202.794,00  $ 200.948.045,99  US$ 66.583.182,90    Assim,  tendo sido demonstrado que o valor foi  retido em nome da empresa  Monsanto Bermuda I (fls. 611, 617, 623, 629, 636, 642, 648 e 654) e que o valor foi repassado  para  a  empresa  Monsanto  Bermuda  Ltd.  (fl.  979),  entendo  que  restou  comprovado  que  a  Monsanto Bermuda Ltd e a Monsanto Bermuda I se tratam da mesma empresa.     V.  DA NECESSIDADE DE AUTENTICAÇÃO DO DOCUMENTO DE  ARRECADAÇÃO   A Fiscalização entendeu também pela manutenção da glosa, pois, “Ainda que  a fiscalizada houvesse demonstrado que se trata da mesma sociedade situada nas Bermudas, o  documento de arrecadação apresentado não cumpriu os requisitos previstos na Lei nº 9.249/96,  art. 26, § 2º [autenticação]” – fl. 519.  Com  base  no  artigo  16,  §  2º,  II,  da Lei  nº  9.249/95,  o  qual  excepcionou  a  regra do  artigo 26, § 2º,  da Lei nº 9.249/96,  a DRJ asseverou que  “o  contribuinte  atendeu o  requisito  de  apresentação  da  legislação  tributária  que  regulava  o  imposto  pago  no  exterior,  dispensando­se  o  reconhecimento  dos  comprovantes  pelo  órgão  tributário  argentino  e  pelo  consulado brasileiro naquele país” – fl. 885.   Realmente,  analisando  o  presente  caso,  a  Contribuinte  demonstrou  que  se  enquadrava  na  exceção  disposta  no  artigo  16,  §  2º,  II,  da  Lei  nº  9.249/95.  A  legislação  argentina (fls. 663/766) prevê, em seus artigos 91, 92 e 93, c, 2, que 100% dos juros pagos por  créditos obtidos no exterior são tributados na forma de retenção definitiva na fonte à alíquota  de 35%, o que está de acordo com a informação contida nos comprovantes de arrecadação (fls.  611/659).   Portanto,  correta  está  a  dispensa  da  exigência  de  autenticação  dos  documentos de arrecadação.  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     20   VI. DO  PRAZO  PARA  A  APRESENTAÇÃO  DOS  DOCUMENTOS  COMPROBATÓRIOS DO TRIBUTO COMPENSADO  A Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal asseverou que a autenticação  junto ao órgão arrecadador e ao órgão consular brasileiro deveria  ter sido providenciada pela  fiscalizada à época dos fatos, assim que tais valores foram utilizados na DIPJ 2008 para reduzir  o valor do IRPJ devido, bem como da CSLL, nos termos do artigo 14, § 14, da IN SRF 213/02.  Sobre o tema, a DRJ entendeu que:    “A  documentação  relativa  à  legislação  tributária  argentina,  devidamente  traduzida  por  tradutor  juramentado,  condição  necessária  para  a  dispensa  do  reconhecimento  dos  comprovantes  de  arrecadação  (que  não  foi  providenciado),  somente ficou à disposição da Receita Federal a partir de 24 de  janeiro  de  2013,  data  em  que  a  tradução  foi  providenciada,  portanto,  após  a  ciência  dos  lançamentos,  sendo  que  a  data  limite  para  tanto  seria  01  de  janeiro  de  2006,  vez  que  as  compensações iniciaram, conforme alegado pelo contribuinte, no  balanço de 2005” – fl. 887.    A Contribuinte aduziu que a exigência por parte das autoridades  julgadoras  no  sentido  de  que  deveria  ter  sido  providenciada  a  tradução  juramentada  da  legislação  argentina até 01/01/2008 “tem, pois, natureza meramente formal, não possui base legal e, mais  importante, não  infirma o comprovado fato de que há imposto retido e pago no exterior, nos  montantes informados pela Recorrente” – fl. 916.  Realmente,  analisando  a  legislação  que  trata  do  assunto,  verifica­se  que  a  exigência  formalizada  pela  Fiscalização  está  fundamentada  exclusivamente  no  disposto  no  artigo 14, § 14, da IN SRF 213/02. Isso porque, não há qualquer dispositivo legal que exija a  apresentação dos documentos comprobatórios do tributo compensado a partir de 1º de janeiro  do ano subsequente ao da compensação.  Como  consequência,  não  deve  prevalecer  a  exigência  formalizada  pela  Fiscalização  para  fins  de  desconsideração  da  compensação  efetuada  pela  Contribuinte,  visto  que, em face do princípio da legalidade, consagrado nos artigos 5°, II e 150, I, da Constituição  Federal, artigo 97 do Código Tributário Nacional e artigo 2º da Lei nº 9.784/99, somente a lei  pode criar obrigações ao sujeito passivo.   O Poder Executivo, ao baixar provisões  regulamentares, deve conter­se nos  limites traçados pela lei, sob pena de sua ineficácia, seja porque, em obediência ao princípio da  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 999          21 legalidade, só a lei pode ditar regras de ação positiva (fazer) ou negativa (deixar de fazer), seja  porque tais provisões têm caráter meramente interpretativo, nos termos do artigo 100 do CTN.  Nesse sentido, é a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais. Vejamos:    Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR  Exercício: 1999  IMPOSTO  TERRITORIAL  RURAL  —  ITR  ­  ÁREAS  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  —  EXIGÊNCIA,  POR  INSTRUÇÃO  NORMATIVA,  DE  ATO  DECLARATORIO  AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS  ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — INEFICÁCIA.   O  Poder  Executivo,  ao  baixar  provisões  regulamentares,  de  caráter secundário, deve conter­se nos limites traçados pela lei,  não podendo exorbitar  em  seus  termos,  sob pena de  ineficácia.  Só  a  lei  pode  ditar  regas  de  ação  positiva  (fazer)  ou  negativa  (deixar  de  fazer  ou  abster­se)  em  obediência  ao  princípio  da  legalidade.  Assim,  instrução  normativa  não  pode  impor  obrigação  estabelecendo  exigência,  não  prevista  em  lei,  para  que o sujeito passivo faça jus à exclusão da base de cálculo do  ITR das áreas de preservação permanente.   (Acórdão nº 9202­00.369, 2ª Turma da CSRF, Sessão de 27 de  outubro de 2009)  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  PIS.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não  pode  ser  indeferido  pedido  de  compensação  com  fulcro  em  requisito  veiculado  por  instrução  normativa.  Somente  a  lei,  a  teor  do  princípio da  legalidade, por  impor obrigação ou  limitar direito  do particular.   (Acórdão  nº  204­01.737,  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  Sessão de 19 de setembro de 2006)    Ainda nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lópes  asseveraram que:    “Os atos normativos das autoridades administrativas integram a  legislação  tributária,  mas  não  têm  caráter  de  lei  em  sentido  formal  –  aquela  que  é  regularmente  editada  pelo  Poder  Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     22 Legislativo. Assim tais atos não podem inovar, indo além do que  está previsto na lei, pois se destinam à sua fiel execução”.2    Na verdade, de modo contrário ao que estabelece a IN SRF 213/02, o artigo  195, parágrafo único, do CTN determinou que os livros obrigatórios de escrituração comercial  e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a  prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.   É  dizer,  se  aludido  dispositivo,  que  tem  força  de  lei  complementar,  não  limitou a apresentação de qualquer documento,  apenas  sua conservação até a prescrição, por  maior razão não poderia a IN SRF 213/02 assim ter procedido.  Ante o exposto, conclui­se que a IN SRF 213/02 não pode impor obrigação ­  a apresentação dos documentos comprobatórios do tributo compensado a partir de 1º de janeiro  do ano subsequente ao da compensação ­, não prevista em lei e até em sentido contrário a ela  (artigo  195,  parágrafo  único,  do  CTN),  para  que  o  sujeito  passivo  faça  jus  à  dedução  do  imposto pago no exterior.    VII.  DO LIMITE DA COMPENSAÇÃO  Tendo sido superado todos os outros empecilhos apontados pela fiscalização,  restará saber se o limite da compensação foi respeitado, isso porque, a Fiscalização, no termo  de verificação fiscal, salientou que:    “Ao arrepio da Lei, enquanto  foi adicionado ao Lucro Real do  ano de 2007 o valor correspondente ao lucro disponibilizado no  exterior, de R$ 11.062.139,08 – que corresponderia à incidência  de, no máximo, 25% de IRPJ e de 9% de CSLL sobre essa base  de cálculo ­, foi utilizado para fins de compensação de imposto  pago  no  exterior  o  valor  de  R$  14.606.259,20  no  cálculo  do  IRPJ,  e  de R$ 3.844.767,43  no  cálculo  da CSLL,  simplesmente  como  se  não  houvesse  os  limites  previstos  nas  normas  supramencionados [artigo 26, caput e § 1º, da Lei nº 9.249/96,  artigo 395 do RIR e artigo 14, § 7º, § 9º, § 10, § 11 e 15, da IN  SRF 213/02]  Ou  seja:  adicionou­se  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  (e CSLL)  o  valor  de  R$  11.062.139,08,  mas  em  contrapartida  deduziu­se  (não  da  base  de  cálculo)  do  próprio  IRPJ  (e  CSLL)  devidos  o  valor total de R$ 18.451.026,63” – fl. 520.    Ou seja, segundo o Sr. AFRF, a Contribuinte adicionou à base de cálculo do  IRPJ (e CSL) o valor de R$ 11.062.139,08, correspondente ao lucro auferido no exterior, mas                                                              2 NEDER, Marcos Vinicius; e LÓPES, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado.  3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 34.  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720159/2012­71  Acórdão n.º 1201­001.442  S1­C2T1  Fl. 1000          23 compensou no AC 2007 esse crédito de tributo pago no exterior com débitos de IRPJ e CSLL  no valor total de R$ 18.451.026,63 (IRPJ + CSL).  Por  sua  vez,  a  Contribuinte  alegou  que  poderia  compensar  o  valor  citado  acima, haja vista que:    “O  imposto  de  renda  pago  no  exterior  compensado  no  ano­ calendário  de  2007  refere­se  a  lucros  do  exterior  disponibilizados  nos  anos­calendários  de  2004,  2005,  2006  e  2007, de  forma que o  limite do  imposto pago no exterior a  ser  utilizado  como  dedução  do  IRPJ  e  da CSLL  deve  ser  apurado  com base em todos esses períodos e não somente no período de  2007” ­ fl. 919.    Segundo a Recorrente, tais valores foram oferecidos à tributação nos anos de  2004, 2005, 2006 e 2007.   No que  tange à utilização do crédito do  tributo pago no exterior,  só não  se  utilizou no AC 2004, pois:    “Considerando  que  o  imposto  de  renda  na  Argentina  sobre  referidas receitas ainda não havia sido recolhido (pois só seria  devido  no  momento  da  efetiva  remessa  dos  juros  à  Monsanto  Bermuda), a Recorrente não utilizou qualquer valor de  imposto  pago  no  exterior  para  compensação  do  IRPJ  e  da  CSLL  apurados no ano­calendário de 2004” ­ fl. 924.    Assim, restaria o crédito do AC 2004 mais os saldos dos ACs de 2005, 2006  e o próprio crédito do AC 2007:              Neste ponto o Recurso Voluntário deve ser parcialmente provido.  Não há controvérsia que a Recorrente ofereceu à tributação no Brasil R$ 11  (onze) milhões, tributáveis em valor inferior a R$ 4 milhões ­ “25% de IRPJ e de 9% de CSLL  sobre  essa  base  de  cálculo”  (fl.  520).  Todavia,  apresentou  como  crédito  de  tributo  pago  no  Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO     24 exterior R$ 14,6 milhões, para o  IRPJ (fls. 832, estimativas de janeiro e fevereiro de 2007) e  R$ 3,8 milhões para a CSLL (fls. 838 e 840 estimativas de janeiro e de outubro de 2007).  Ou  seja,  a  diferença  entre  o  devido  no  país  e  o  pago  no  exterior  foi  “compensada” com o IRPJ e a CSLL de operações no Brasil.  A  Recorrente  se  contrapõe  à  autuação  e  ao  Acórdão  DRJ  alegando  que  o  crédito decorre de lucros que já foram tributados no Brasil, e não utilizados na ocasião, pois “o  imposto de renda na Argentina sobre referidas receitas ainda não havia sido recolhido (pois  só seria devido no momento da efetiva remessa dos juros à Monsanto Ltd)”.   Sem  verificar  a  veracidade  dessa  afirmação,  o  fato  de  o  lucro  do  qual  supostamente decorreu o crédito em discussão já ter sido tributado no Brasil não possibilita a  compensação do excedente do crédito com débito de IRPJ e CSLL de operações no Brasil por  ausência de previsão legal.  Assim,  não  tendo  sido  observado  o  limite  legal  que  estaria  sujeito  a  Contribuinte,  não  há  como  homologar  a  integralidade  da  compensação  efetuada  pela  Contribuinte. Todavia, considerando que a Recorrente ofereceu à tributação no Brasil lucro no  montante  de  R$  11.062.139,08,  o  crédito  referente  a  este  resultado  positivo  é  assegurado  à  Contribuinte, o qual deverá ser calculado pela DRF quando do cumprimento desta decisão.    VIII.  CONCLUSÃO  Por  fim,  voto  no  sentido  de  conhecer  o  recurso  voluntário  para,  no mérito,  dar­lhe parcial provimento para acolher a compensação do imposto pago no exterior com IRPJ  e a CSLL devidos no ano de 2007.    (assinado digitalmente)  João Carlos de Figueiredo Neto ­ Relator                               Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 10510.724895/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anos-calendário: 2006, 2007 PRELIMINARES DE NULIDADE Rejeitam-se as preliminares de nulidade, uma vez demonstrado que: a) os valores dos depósitos bancários cuja origem remanesce não comprovada encontram-se individualmente identificados, em tabela que integra a decisão recorrida; b) a pequena diferença na base de cálculo da CSLL referente ao 2º trimestre de 2006 decorreu de um mero erro de digitação na elaboração do auto de infração, que pode ser retificado por este colegiado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Correta a qualificação da multa de ofício, uma vez constatado que a contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 ERRO DE DIGITAÇÃO. RETIFICAÇÃO Deve ser corrigido equívoco de digitação cometido pelas autoridades fiscais, por ocasião da lavratura do auto de infração referente à CSLL.
Numero da decisão: 1401-001.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para exonerar a parcela da CSLL no valor R$ 357,71, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS

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Recorrida Fazenda Nacional PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anos-calendário: 2006, 2007 PRELIMINARES DE NULIDADE Rejeitam-se as preliminares de nulidade, uma vez demonstrado que: a) os valores dos depósitos bancários cuja origem remanesce não comprovada encontram-se individualmente identificados, em tabela que integra a decisão recorrida; b) a pequena diferença na base de cálculo da CSLL referente ao 2º trimestre de 2006 decorreu de um mero erro de digitação na elaboração do auto de infração, que pode ser retificado por este colegiado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Correta a qualificação da multa de ofício, uma vez constatado que a contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 ERRO DE DIGITAÇÃO. RETIFICAÇÃO Deve ser corrigido equívoco de digitação cometido pelas autoridades fiscais, por ocasião da lavratura do auto de infração referente à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para exonerar a parcela da CSLL no valor R$ 357,71, nos termos do voto do Relator. 1 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. Ausente justificadamente a conselheira Livia De Carli Germano. 2 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta do próprio recurso voluntário, fls. 715: A presente demanda originou-se de ação fiscal desenvolvida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju/SE, no período de janeiro/2006 a junho/07, que culminou com a lavratura do Auto de Infração Matriz do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, onde foram consignadas as seguintes infrações à legislação tributária vigente: 1. Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, em relação aos quais a Fiscalizada não logrou comprovar a sua origem, através de documentos hábeis e idôneos, tendo infringido aos Artigos 39, da Lei N° 9.249/95 e 42, da Lei N° 9.430/96, combinado com o Artigo 537, do RIR/99; 2. Arbitramento do lucro do período, com base na receita bruta de prestação de serviços não informada, tendo infringido aos Artigos 3º, da Lei N° 9.249/95 e 218, 219, 220, 224, 228, 279 e 519, Inciso III, Alínea "a", combinado com o Artigo 532, todos do RIR/99. A exigência tributária em discussão, foi acrescida da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo a autoridade administrativa justificado este procedimento, no fato do "contribuinte ter declarado falsamente nas DCTF referentes a 2006 e 2007 a ausência de qualquer receita e de correspondente apuração de débito, bem como a DIPJ 2007 também ter sido entregue totalmente "zerada", impõem a aplicação da multa qualificada, uma vez que ficou caracterizado o evidente intuito de, dolosamente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração." Com base nas acusações acima mencionadas, foram lavrados, além do Auto de Infração do IRPJ, exigência tributária da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Os lançamentos tributários em questão foram impugnados em parte, no que diz respeito a acusação prevista no Item 01 do Auto de Infração e acatada a exigência tributária 3 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 consubstanciada no Iten 02 do referido Auto de Infração do IRPJ. A 1ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, rejeitou as alegações de decadência, a preliminar de nulidade e o pedido de produção de provas posteriores à Impugnação, e, no mérito, considerou procedente em parte a impugnação apresentada, para: no IRPJ, manter o valor original no montante de R$ 138.960,68 (cento e trinta e oito mil, novecentos e sessenta reais e sessenta e oito centavos), e exonerar o valor original no montante de R$ 52.694,92 (cinquenta e dois mil, seiscentos e noventa e quatro reais e noventa e dois centavos); na CSLL, manter o valor original no montante de R$ 50.865,11 (cinquenta mil, oitocentos e sessenta e cinco reais e onze centavos), e exonerar o valor original no montante de R$ 16.384,33 (dezesseis mil, trezentos e oitenta e quatro reais e trinta e três centavos), e; no PIS, manter o valor original no montante de R$ 10.567,59 (dez mil, quinhentos e sessenta e sete reais e cinquenta e nove centavos), e exonerar o valor original no montante de R$ 3.701,34 (três mil, setecentos e um reais e trinta e quatro centavos); e na COFINS, manter o valor original no montante de R$ 48.638,24 (quarenta e oito mil, seiscentos e trinta e oito reais e vinte e quatro centavos), e exonerar o valor original no montante de R$ 17.083,04 (dezessete mil, oitenta e três reais e quatro centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive com multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). O Acórdão nº 15-31.877 recebeu a seguinte ementa, fls. 674-675: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL An-calendário: 2006 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Constatada a ocorrência de fraude, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindo-se em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ano-calendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. PROVAS. PROTESTO PELA PRODUÇÃO. Resta esvaziado o protesto para a produção de provas, se no decorrer do processo não foi anexado qualquer documento ou elemento que demonstrasse o seu exercício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ 4 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Ano-calendário: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é obrigatória a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 02/05/2013, conforme AR de fls. 712 e apresentou recurso voluntário em 27/05/2013 (v. fls. 714-722), com base nos seguintes argumentos: 1 – O Acórdão recorrido, embora tenha reduzido o montante dos depósitos considerados não comprovados, absteve-se de informar, individualmente, os depósitos bancários incomprovados que compõem cada parcela mensal. No seu entender, tal fato compromete o contraditório e a ampla defesa. Requereu que este colegiado, com base nos elementos constantes dos autos, exclua da base de cálculo das presentes exigências todos os valores de depósitos bancários comprovados pela contribuinte; 5 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 2 – A decisão recorrida, equivocadamente, demonstrou nas planilhas de fls. 694/697 valores de faturamento diferentes para IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, fato improvável de acontecer. Tal fato, no seu entender, demonstra a “superficialidade da análise do processo pela autoridade recorrida”, o que recomenda a anulação da decisão de 1ª instância. 3 – A multa qualificada não se justifica no presente caso, tendo em vista a ausência de comprovação do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Neste sentido, fez referência à Súmula 25 do CARF. É o relatório. 6 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares A recorrente requereu a nulidade do acórdão recorrido, pelo fato de o mesmo não ter informado individualmente os depósitos bancários considerados incomprovados, que compõem cada parcela mensal. Não assiste razão à recorrente. Inicialmente, cumpre registrar que as autoridades autuantes originalmente identificaram depósitos com origem não comprovada no montante de R$ 1.467.505,16 (v. auto de infração de fls. 06-07, bem como a tabela de fls. 680). Em sua impugnação, a contribuinte contestou parcialmente o trabalho realizado pelas autoridades fiscais, buscando demonstrar a origem de depósitos no montante de R$ 780.845,66. Em outras palavras, a impugnante reconheceu que um montante de depósitos equivalente a R$ 686.659,50 remanescia com sua origem não comprovada. Os valores controversos (que totalizavam R$ 780.845,66) foram individualmente identificados no relatório que integra o acórdão recorrido (v. tabelas de fls. 681-684, consolidada mês a mês na tabela de fls. 686-687). Após minuciosa análise dos documentos constantes dos autos, o acórdão recorrido foi ainda mais benéfico para a recorrente, considerando como comprovados depósitos bancários no montante de R$ 809.775,38 (ou seja, R$ 28.929,72 acima do valor pleiteado pela contribuinte). Após o julgamento de 1ª instância, somente remanesceram como não comprovados depósitos no montante de R$ 657.729,78, os quais encontram-se individualmente identificados, na tabela de fls. 692-694. Ressalto, por oportuno, que a citada tabela traz a indicação da data e do valor de cada depósito cuja origem remanesceu não comprovada, totalizando os aludidos R$ 657.729,78. Diante do exposto, considero que a presente preliminar merece ser rejeitada. 7 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Ainda em sede de preliminar, a recorrente arguiu a nulidade da decisão recorrida pelo fato de as planilhas de fls. 694/697 indicarem valores de faturamento diferentes para IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Também em relação a este tema não assiste razão à recorrente. Ab initio, esclareça-se que os faturamentos utilizados para fins de apuração destas 4 exações (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) foram rigorosamente idênticos no 1º, 3º e 4º trimestres de 2006. Em relação ao 2º trimestre de 2006, também foram idênticos os faturamentos referentes ao IRPJ, PIS e COFINS (R$ 531.447,42). Houve apenas uma pequena diferença no faturamento referente à CSLL (R$ 543.860,92). Uma análise mais aprofundada dos autos nos permite identificar a origem dessa diferença de R$ 12.413,50. Esta diferença, na verdade, decorreu de um erro de digitação na elaboração do auto de infração referente à CSLL. Às fls. 29, a autoridade fiscal relacionou os faturamentos apurados, mês a mês, para fins de apuração da exigência de CSLL. Na relação dos valores , aparecem dois valores referentes ao mês de maio de 2006 (R$ 94.640,30 e R$ 12.413,50). Esta segunda parcela (R$ 12.413,50) corresponde, precisamente, à diferença apontada pela recorrente. Não se revela razoável cancelar todo o lançamento, em razão desse simples erro de digitação, que pode ser facilmente corrigido. Em face do exposto, considero que a presente preliminar merece ser rejeitada. A correção do equívoco será efetuada por ocasião da análise do mérito do presente lançamento. Mérito Da comprovação da origem dos depósitos bancários Conforme relatado, a contribuinte pleiteou a comprovação de depósitos bancários no valor global de R$ 780.845,66. O colegiado recorrido, por sua vez, foi ainda mais benéfico ao contribuinte, uma vez que considerou comprovada a origem de depósitos no montante de R$ 809.775,38 (ou seja, R$ 28.929,72 acima do valor pleiteado pela contribuinte). Os critérios utilizados pela decisão de piso estão claramente expostos no corpo do seu voto condutor, fls. 691-692: […] a Fiscalização, como já foi citado neste voto, intimou duas vezes por via postal, a Contribuinte a demonstrar a origem dos depósitos bancários, conforme fls. 211 e 213. A Contribuinte apresentou notas fiscais e talonários de notas fiscais com notas ainda não utilizadas. De posse de tais notas fiscais a autoridade fiscal confeccionou “Demonstrativos de créditos bancários sem comprovação de origem”, de fls. 436 a 439, isso porque não conseguiu correlacionar muitos dos referidos depósitos bancários com as notas fiscais apresentadas pela Contribuinte. 8 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Da leitura atenta da referida Impugnação, esta autoridade julgadora percebeu que a Impugnante acredita que somente a apresentação das notas fiscais seriam suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários e, consequentemente, exonerar tais receitas das bases de cálculos, relativas dos autos de infração ora em lide. Porém, além disso, deveria ter trazido aos autos, provas de que tais receitas não teriam sido auferidas ou que se auferidas já tivessem sido submetidas à tributação. Entretanto, ao confrontar a lista de notas fiscais as quais a Contribuinte considerou comprovadas as origens em sua Impugnação (fls. 454 a 458), esta autoridade fiscal percebeu que muitas delas já compunham as bases de cálculo dos lançamentos tributários ora guerreados como receitas omitidas da atividade, ou seja, já haviam sido submetidas a tributação pela autoridade fiscal, o que provocou a necessidade de reapurar as referidas bases de cálculo, relativas aos depósitos bancários de origem não comprovada, conforme a seguinte metodologia: 1) foram excluídas receitas, relativas as notas fiscais (confirmadas uma nota para um depósito) no confronto entre as tabelas denominadas “Relação das notas fiscais de prestação de serviços – Série A1” de fls. 414 a 416 e “Créditos bancários de origem não comprovada” de fls. 436 a 439; 2) foram excluídas receitas, relativas as notas fiscais (confirmadas mais de uma nota fiscal para um depósito) no confronto entre as tabelas denominadas “Relação das notas fiscais de prestação de serviços – Série A1”, de fls. 414 a 416 e “Créditos bancários de origem não comprovada”, de fls. 436 a 439; e 3) não foram excluídas receitas, relativas a depósitos bancários de origem não comprovada que não tivessem tido comprovadas a sua submissão à tributação, tendo ou não a contribuinte apresentado as notas fiscais correspondentes a tais receitas, conforme a tabela a seguir: [...] Os depósitos bancários cuja origem remanescem sem comprovação totalizam R$ 657.729,78. Tais depósitos encontram-se individualmente identificados, na tabela de fls. 692-694. Em relação a estes depósitos, a peça recursal não apresenta argumentos nem elementos de prova adicionais. Assim sendo, merece ser ratificada a relação constante de fls. 692-694. Deve-se, contudo, corrigir o equívoco de digitação cometido pelas autoridades fiscais, por ocasião da lavratura do auto de infração referente à CSLL. Conforme já 9 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 mencionado no corpo do presente voto (por ocasião da análise das preliminares), houve uma pequena diferença no faturamento referente à CSLL (R$ 543.860,92). Às fls. 29, a autoridade fiscal relacionou os faturamentos apurados, mês a mês, para fins de apuração da exigência de CSLL. Na relação dos valores , aparecem dois valores referentes ao mês de maio de 2006 (R$ 94.640,30 e R$ 12.413,50). Esta segunda parcela (R$ 12.413,50) corresponde, precisamente, à diferença apontada pela recorrente. Assim sendo, a exigência referente à CSLL deve ser recalculada, com a exclusão do valor de R$ 12.413,50, indevidamente incluído no montante do faturamento utilizado para apuração desta contribuição. Considerando-se a alíquota de 32% sobre o faturamento para fins de apuração da base de cálculo da CSLL e considerando-se a alíquota de 9% que deve incidir sobre a base de cálculo, conclui-se que deve ser exonerado um valor adicional de R$ 357,71 a título de CSLL (R$ 12.413,50 x 0,32 x 0,09). Multa qualificada Em sua peça recursal, a contribuinte voltou a questionar a incidência da multa qualificada, sob a alegação de que não restou comprovado o evidente intuito de fraude (definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64). Neste sentido, fez referência à Súmula 25 do CARF. Não assiste razão à recorrente. No caso em análise, não estamos diante de um simples caso de omissão de receitas, o que afasta, de plano, a aplicabilidade da Súmula 25 do CARF. A situação fática objeto do presente processo caracteriza, com perfeição, o intuito doloso da contribuinte, tendo em vista as seguintes situações cumulativas: a) apuração de enormes diferenças entre os valores declarados em DIPJ e os valores apurados pelo Fisco (DIPJ zerada em 2006); b) não apresentação da escrituração contábil e fiscal; c) não apresentação espontânea dos extratos bancários. A decisão de piso analisou com muita precisão esta questão, fls. 695: Após restar comprovada a falsidade ideológica cometida pela Impugnante por meio da apuração de grandes diferenças entre os valores declarados nas DIPJ (fls. 79 a 105, 106 a 115) dos anos-calendário de 2006 (entregue totalmente zerada) e de 2007 (informada em valor muito inferior) e os levantados pela autoridade fiscal, materializou-se a intenção de fraudar fisco. Ainda nesta esteira, a Contribuinte informou as DCTF dos períodos em lide totalmente zeradas, conforme fls. 73 a 78. Ademais, como já foi relatado, a Impugnante foi solicitada pela autoridade fiscal a apresentar a sua escrituração contábil (Livros Razão, diário e caixa), relativa ao ano-calendário de 1 0 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 2006 e de 2007, e não o fez, conforme comprovado pela análise da documentação existente no PAF. Cabe ressaltar que a Impugnante também não apresentou a sua movimentação financeira em condições de ser verificada pela autoridade fiscal, que a solicitou por meio de RMF (Requisição de Movimentação Financeira) às instituição financeiras supracitadas, sendo que da análise destas movimentações, a autoridade fiscal apurou mais omissões de receitas, relativas a depósitos bancários de origem não comprovada (contestados em parte pela Contribuinte em sua Impugnação). Sendo assim, não cabe a interpretação mais favorável ao Contribuinte descrita no artigo 112 do Código Tributário Nacional, isso porque não paira nenhuma dúvida sobre a intenção do Contribuinte de fraudar o fisco, só restando a esta autoridade julgadora a manutenção da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) por expressa determinação legal (Lei n° 9.430/96, Art. 44, inciso I e § 1o). Assim sendo, em relação à presente matéria considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Tendo em vista a manutenção da multa qualificada, revela-se correta a análise da decadência procedida pela decisão de piso, referente aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2006. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para exonerar uma parcela adicional de R$ 357,71 da exigência relativa à CSLL. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 1 1 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 10825.723448/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Trata-se de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: - Dedução indevida de previdência oficial: foi glosado o valor de R$ 10.925,22, fonte pagadora Instituto de Pagamentos Especiais de São Paulo (IPESP). Complementa a Autoridade lançadora que no Comprovante de Rendimentos Pagos apresentado o valor refere-se à Contribuição à Previdência e ao Fundo de Aposentadoria Programada Individual - FAPI, e não Previdência Oficial, conforme declarado. - Dedução indevida de incentivo: foi glosado o valor de R$ 360,00, por falta de previsão legal para sua dedução. Complementa a Autoridade lançadora que o contribuinte apresentou recibos referentes à contribuição mensal para o Centro Espírita Antoninho Marmo. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 46/51, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Fica mantida a glosa da dedução de incentivo quando não demonstrado o atendimento às exigências previstas na legislação tributária. PREVIDÊNCIA PRIVADA. As contribuições para planos de previdência complementar e para FAPI somente podem ser deduzidas se o declarante for contribuinte do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) ou, quando for o caso, para Regime Próprio de Previdência Social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (RPPS), ou beneficiário de aposentadoria ou pensão concedida por RGPS ou por RPPS. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/03/2015 (fl. 54), o Interessado interpôs, em 20/03/2015, o recurso de fls. 57/59, acompanhado do documento de fl. 77. Na peça recursal aduz, em síntese, que: - Sempre recebeu a informação de que as contribuições realizadas ao Centro Espírita Antoninho Marmo tinha previsão legal no Estatuto do Idoso, mas a legislação trata isso de forma diferente quando estabelece que os valores sejam doados aos Fundos e não diretamente às entidades, como foi feito equivocadamente. Por isto, concorda com a glosa. - É perfeitamente legal o lançamento da dedução da contribuição de R$ 10.925,22 paga à Previdência e ao Fundo de Aposentadoria Programada Individual - FAPI, de vez que não ultrapassa os 12% dos rendimentos (R$ 98.365,61) do Recorrente, que é beneficiário de aposentadoria. - As contribuições eram recolhidas ao IPESP - Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, subdivisão Carteira de Previdência das Serventias Notariais e de Registro, via da qual foi aposentado. - Esse mesmo IPESP, agora com a denominação IPESP - Instituto de Pagamentos Especiais, administra a Carteira de Previdência das Serventias Notariais e de Registro e desconta da aposentadoria o valor da Contribuição à Previdência e ao FAPI que foi objeto da glosa. - Assim o que ocorreu não foi dedução indevida do valor de R$ 10.925,22 e sim lançamento em campo equivocado, posto que o campo correto é o de "Pagamentos Efetuados", "Código 38". Ao final, requer a manutenção da dedução de R$ 10.925,22 paga à Previdência e ao Fundo de Aposentadoria Programada Individual - FAPI. É o essencial relatório. Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 83          1 82  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10825.723448/2014­69  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2201­000.208  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  9 de março de 2016  Assunto  IRPF  Recorrente  ELIO RODRIGUES MARTINS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.   Assinado digitalmente   Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente Substituto.   Assinado digitalmente   Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Eduardo  Tadeu  Farah  (Presidente  Substituto),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Ivete  Malaquias  Pessoa  Monteiro,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira  (Suplente  convocado),  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz  e Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente convocada).  Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  por  meio  do  qual  se  exige  Imposto  de  Renda  Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e  juros de mora.  O lançamento é decorrente das seguintes infrações:  ­ Dedução indevida de previdência oficial: foi glosado o valor de R$ 10.925,22,  fonte  pagadora  Instituto  de  Pagamentos  Especiais  de  São  Paulo  (IPESP).  Complementa  a  Autoridade lançadora que no Comprovante de Rendimentos Pagos apresentado o valor refere­    RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .7 23 44 8/ 20 14 -6 9 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.723448/2014­69  Resolução nº  2201­000.208  S2­C2T1  Fl. 84            2 se à Contribuição à Previdência e ao Fundo de Aposentadoria Programada Individual ­ FAPI, e  não Previdência Oficial, conforme declarado.  ­ Dedução indevida de incentivo: foi glosado o valor de R$ 360,00, por falta de  previsão  legal  para  sua  dedução.  Complementa  a  Autoridade  lançadora  que  o  contribuinte  apresentou recibos referentes à contribuição mensal para o Centro Espírita Antoninho Marmo.  O contribuinte  apresentou a  impugnação de  fls.  2/3,  julgada  improcedente por  intermédio do acórdão de fls. 46/51, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2013  DEDUÇÃO DE INCENTIVO.  Fica  mantida  a  glosa  da  dedução  de  incentivo  quando  não  demonstrado o atendimento às exigências previstas na legislação  tributária.  PREVIDÊNCIA PRIVADA.  As  contribuições  para  planos  de  previdência  complementar  e  para  FAPI  somente  podem  ser  deduzidas  se  o  declarante  for  contribuinte do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) ou,  quando  for o caso, para Regime Próprio de Previdência Social  dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados,  do Distrito Federal  ou  dos Municípios  (RPPS),  ou  beneficiário  de aposentadoria ou pensão concedida por RGPS ou por RPPS.   Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  02/03/2015  (fl.  54),  o  Interessado interpôs, em 20/03/2015, o recurso de fls. 57/59, acompanhado do documento de fl.  77. Na peça recursal aduz, em síntese, que:  ­  Sempre  recebeu  a  informação  de  que  as  contribuições  realizadas  ao  Centro  Espírita Antoninho Marmo  tinha  previsão  legal  no Estatuto  do  Idoso, mas  a  legislação  trata  isso  de  forma  diferente  quando  estabelece  que  os  valores  sejam  doados  aos  Fundos  e  não  diretamente às entidades, como foi feito equivocadamente. Por isto, concorda com a glosa.  ­  É  perfeitamente  legal  o  lançamento  da  dedução  da  contribuição  de  R$  10.925,22 paga à Previdência e ao Fundo de Aposentadoria Programada Individual ­ FAPI, de  vez  que  não  ultrapassa  os  12%  dos  rendimentos  (R$  98.365,61)  do  Recorrente,  que  é  beneficiário de aposentadoria.  ­  As  contribuições  eram  recolhidas  ao  IPESP  ­  Instituto  de  Previdência  do  Estado  de  São  Paulo,  subdivisão  Carteira  de  Previdência  das  Serventias  Notariais  e  de  Registro, via da qual foi aposentado.  ­  Esse  mesmo  IPESP,  agora  com  a  denominação  IPESP  ­  Instituto  de  Pagamentos  Especiais,  administra  a  Carteira  de  Previdência  das  Serventias  Notariais  e  de  Registro e desconta da aposentadoria o valor da Contribuição à Previdência e ao FAPI que foi  objeto da glosa.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.723448/2014­69  Resolução nº  2201­000.208  S2­C2T1  Fl. 85            3 ­ Assim o que ocorreu não foi dedução indevida do valor de R$ 10.925,22 e sim  lançamento em campo equivocado, posto que o campo correto é o de "Pagamentos Efetuados",  "Código 38".  Ao final, requer a manutenção da dedução de R$ 10.925,22 paga à Previdência e  ao Fundo de Aposentadoria Programada Individual ­ FAPI.  É o essencial relatório.  Voto  Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  As folhas citadas neste voto referem­se à numeração do processo digital.  Cinge­se a controvérsia  à glosa de contribuição previdenciária oficial no valor  de R$ 10.925,22,  uma vez  que  o  Interessado  reconheceu,  na  peça  recursal,  que  a  dedução  a  título de incentivo foi indevida.   Na  impugnação  o  Interessado  alegou  que  até  2011  o  IPESP  ­  Instituto  de  Previdência  do Estado  de  São  Paulo  lançava  o  desconto  como  “Contribuição  Previdenciária  Oficial”, mas de 2012 em diante, com o nome de IPESP ­ Instituto de Pagamentos Especiais de  São  Paulo,  passou  a  lançar  o  desconto  como  “Contribuição  à  Previdência  e  ao  Fundo  de  Aposentadoria Programada Individual ­ FAPI”, fato esse por ele não percebido. Uma vez que  esta alteração não modificaria o resultado da declaração, o contribuinte pleiteou que o valor de  R$  10.925,22  fosse  lançado  em  “Pagamentos  Efetuados”,  “Código  38”  (FAPI  ­  Fundo  de  Aposentadoria Programada Individual).  A decisão  recorrida manteve a glosa  sob o  fundamento de que não  se poderia  acatar o pedido do contribuinte, no tocante à dedução de R$ 10.925,22 a título de contribuição  à  previdência  privada/FAPI,  pelo  fato  de  que  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2005  as  deduções  relativas  às  contribuições  para  o  FAPI  estavam  condicionadas  ao  recolhimento,  também,  de  contribuições para o Regime Geral de Previdência Social ­ RGPS ou, quando for o caso, para  Regime  Próprio  de  Previdência  Social  ­  RPPS  dos  servidores  titulares  de  cargo  efetivo  da  União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, exceto se o contribuinte ostentasse  a  condição  de  beneficiário  de  aposentadoria  ou  pensão  concedida  por  quaisquer  dos  dois  regimes.  Concluíram os julgadores da instância de piso que “Verificando a documentação  acostada, inclusive a DAA enviada pelo contribuinte (fls. 33/43), não se localiza recolhimento  de contribuições para o regime geral de previdência social (RGPS) ou para o regime próprio  de previdência social (RPPS) dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados,  do Distrito Federal ou dos Municípios. Também não se pode afirmar que o contribuinte seja  beneficiário de aposentadoria ou pensão concedida por RGPS ou pelo RPPS”.   À  peça  recursal  o  Interessado  anexou  o  “Demonstrativo  de  Pagamento”  do  IPESP (fl. 77), relativo ao mês de dezembro de 2012, no qual consta a informação de que ele é  beneficiário de aposentadoria.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.723448/2014­69  Resolução nº  2201­000.208  S2­C2T1  Fl. 86            4 Ocorre que na Declaração do  Imposto  sobre  a Renda Retido na Fonte  ­ DIRF  acostada aos autos às fls. 44/45, relativa ao ano­calendário de 2012, consta que os rendimentos  recebidos  pelo  Recorrente  são  decorrentes  do  trabalho  assalariado,  código  de  receita  0561  (IRRF  ­  Rendimentos  do  trabalho  Assalariado),  sendo  que  os  rendimentos  decorrentes  de  aposentadoria pelo RGPS ou pelos RPPS são efetuados com o código de receita 3533.  Demais  disso,  o  "Comprovante  de  Rendimentos  Pagos  e  de  Imposto  sobre  a  Renda retido na Fonte" referente ao ano­calendário de 2012, acostado aos autos em fl. 6, não  revela a natureza dos rendimentos recebidos no campo apropriado.   Nesse  contexto,  entendo  que  o  conjunto  probatório  acostado  aos  autos  não  é  suficiente  ao  deslinde  adequado  da  controvérsia,  motivo  pelo  qual  sou  pela  conversão  do  julgamento em diligência a fim de que a Unidade de origem intime o Interessado a comprovar,  de  forma  inequívoca,  que  estava  aposentado  durante  todo  o  ano­calendário  de  2012. Caso  a  aposentadoria  tenha ocorrido do decorrer de 2012, deverá o Recorrente comprovar a data de  início da aposentação e os recolhimentos ao FAPI efetuados a partir desta data.   De  seguida,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselho  para  a  conclusão  do  julgamento.  É como voto.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida    Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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