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Numero do processo: 10921.000323/2009-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.668
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/03/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 23 /2 00 9- 10 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 291 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802000.554. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 292 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 293 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 294 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 295 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 295DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 296 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 297 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 298 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 299 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 300 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 300DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000323/200910 Acórdão n.º 9303003.668 CSRF‐T3 Fl. 301 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 301DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10907.001685/2010-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/01/2006 a 22/06/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.594
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 16 85 /2 01 0- 31 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 611 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.257, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 612 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 613 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 614 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 615 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 616 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 617 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001685/201031 Acórdão n.º 9303003.594 CSRF‐T3 Fl. 618 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19814.000461/2005-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/04/2005
VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO.
O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, às condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, às condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, às condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 04 61 /2 00 5- 59 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 134 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de segunda instância, que passo a transcrever. Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Por meio da Notificação de Lançamento, de f1. 01, exigese da contribuinte acima qualificada a quantia de RS 6.845,28, a titulo de Imposto de Importação, a quantia de R$ 2.481,41 a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados, a quantia de R$ 907,07 a titulo de Pis, a quantia de R$ 4.178,02 a titulo de Cofins e a quantia de R$ 3.422,64 a titulo de Multa de que trata o art. 628, III, "d", do Decreto n°4.543/2002. Tratase, segundo consta dos autos, de exigência decorrente da falta de mercadoria acobertada pelo conhecimento de carga aéreo MAWB 883 2061 3051 E HAWB 30810283496, Fatura Comercial nº 12329840. Tendo o importador solicitado, com base no art. 581 do Decreto nº" 5.453/2002, a realização de Vistoria Aduaneira, foi constituída por meio da Portaria GAB/VCP 140/2005 a comissão de vistoria aduaneira, sendo intimadas ás partes intervenientes a comparecerem ao armazém para acompanhar o trabalho a ser realizado pela referida comissão. Conforme Termo de Vistoria Aduaneira Oficial, fls. 04 e 05, o armazenamento da carga ocorreu em 13/04/2005, tendo sido registrada presença de carga total, com peso verificado de 12 kg. A comissão de Vistoria Aduaneira concluiu pela responsabilidade do depositário, Libraport Campinas S/A. Ciente do lançamento, a interessada protocolizou a impugnação de fls. 21 a 29, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 60 e 66 a 68, alegando, em síntese, que: Em razão da falta de mercadorias, foi atribuída ao depositário a responsabilidade pelos tributos devidos na importação, incidentes sobre as mercadorias consideradas faltantes, cumulativamente com a aplicação de multa fundada no art. 628, "d", do Decreto n°4.543/2002. Transcreve os artigos 581, 591, 593 e 595 do Regulamento Aduaneiro, concluindo que: A responsabilidade pelo extravio de mercadoria é de quem lhe deu causa, de quem por ação ou omissão contribuiu para o extravio, sendo, portanto, subjetiva. A vistoria aduaneira destinase a identificar o responsável pelo extravio da mercadoria. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 135 3 A responsabilidade do depositário não é absoluta e sim presumida. A autoridade aduaneira verificará se ha nos elementos apresentados pelo indicado como responsável a ocorrência de caso fortuito ou força maior. O caso fortuito ou força maior excluem a responsabilidade. Partindo das premissas acima, é nítido que ficam afastadas as responsabilidades atribuídas à Libraport Campinas S/A, tornado por via de consequência improcedente a Notificação de Lançamento no valor de R$ 17.834,42. A primeira questão a ser destacada para afastar a responsabilidade pelos créditos tributários imputadas a contribuinte reside na ausência de culpa ou dolo da depositária das mercadorias quanto ao evento que resultou no extravio destas. Todas as providências necessárias para impedir o extravio de mercadorias depositadas sob a guarda da interessada foram tomadas, como, por exemplo: Construção de cercas, portões, ostensiva vigilância armada, sofisticado sistema de monitoramento, sistema de alarmes nas portas e controle de acesso de pessoas. Não sendo constatada a culpa, quer por haver ausência de negligência, quer por haver ausência de imprudência ou imperícia da depositária ou de seus prepostos, não se pode atribuir responsabilidade à Libraport em face da ausência de culpa, essencial na verificação e atribuição da responsabilidade. Que o evento (roubo precedido de seqüestro) se caracteriza como caso fortuito ou força maior. Conclui que: Há no processo ausência absoluta de qualquer prova de ação ou omissão da contribuinte. Há no processo clara e evidente ocorrência de caso .fortuito ou força maior. Por fim, requer a anulação dos créditos tributários lançados. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento, afastando os argumentos relativos a ausência de culpa ou dolo, bem como de roubo da mercadoria importada como evento de caso fortuito ou de força maior. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 86 e seguintes onde reproduz alguns argumentos alinhavados em primeiro grau e ataca a decisão a quo, que aplicou o ADI SRF n° 12/2004 (que dispõe sobre a descaracterização de roubo ou furto de mercadoria importada como evento de caso fortuito ou de força maior) de Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 136 4 maneira superficial, sem atentar para as peculiaridades do presente processo; ao final, requer a insubsistência da ação fiscal. Julgando o feito, a turma recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos sintetizados na ementa do acórdão, que se transcreve a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO PRECEDIDO DE SEQUESTRO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁR10. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. Constitui motivo de força maior, excludente da responsabilidade do depositário, o roubo de carga sob sua guarda. Precedente da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça. É bastante para comprovar o roubo o registro da ocorrência policial não refutada por denúncia de comunicação falsa de crime nem desqualificada por culpa da vitima. Recurso Voluntário Provido. Insatisfeita com a decisão que lhe fora desfavorável, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 97 a 101, onde pugna pela reforma do julgado, sob o fundamento de que o roubo não afastaria a responsabilidade do depositário. O recurso foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 107 e 108. Por seu turno, a recorrida apresentou contrarrazões às fls. 119 a 129. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e veio arrimado em paradigma que decidira situação semelhante em sentido diametralmente oposto ao do acórdão recorrido. Atendido os requisitos regimentais, devese conhecer do apelo fazendário. A controvérsia presente nos autos reside em saber se o alegado roubo de bens depositados poderia elidir a responsabilidade da depositária pelos tributos incidentes sobre a importação, lançados em decorrência de extravio de mercadorias apurado em procedimento de vistoria aduaneira, bem como da multa administrativa (art. 628, III, "d" do Decreto nº 4.543/2002) correspondente. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 137 5 A autoridade fiscal, para atribuir responsabilidade ao depositário pelo recolhimento dos tributos em questão, bem como pela multa aplicada em razão do extravio das mercadorias, valeuse do disposto no artigo 32 do DecretoLei n° 37/66, e nos arts. 104, II, 591 e 593 do Regulamento Aduaneiro de 2002 Decreto nº 4.543/2002 abaixo transcritos: DecretoLei nº 37/66 Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Decreto nº 4.543/2002 Art. 104. É responsável pelo imposto: ......................................................................................................... II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro (Decretolei no 37, de 1966, art. 32, inciso II, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o); ou ......................................................................................................... Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). ......................................................................................................... Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. A questão trazida a debate passa, necessariamente, pela definição do momento do fato gerador do imposto de importação, do IPI e das Contribuições lançadas e pelos fatores que excluiriam a responsabilidade do recorrente. O 1art. 1º do DecretoLei n° 37/66, a matriz legal do imposto de importação, determina que o fato gerador do referido imposto é a entrada da mercadoria estrangeira em 1 DecretoLei nº 37/1966. Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 138 6 Território Nacional, em consonância com o art. 19 do CTN. No mesmo sentido, são as disposições insertas nos 2arts. 3º e 4º da Lei nº 10.865/2004, que criou a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação de bens e serviços. Ao seu turno, o 3art. 80 da Lei 10.833/2003 dispôs que, no caso de extravio ou avaria, considerase ocorrido o fato gerador do IPI, quando da apuração dessas circunstâncias, pela autoridade fiscal na vistoria. Incidindo os tributos aduaneiros já na entrada da mercadoria estrangeira no Território Nacional, a responsabilidade por seu não recolhimento cabe aos sujeitos determinados na pertinente legislação. O Regulamento Aduaneiro em vigor à época, expressamente, previa a responsabilidade do depositário pela falta de mercadoria sob sua custódia, respondendo pelo imposto de importação e multas cabíveis. Para afastar a responsabilidade tributária do depositário, o i. relator do Acórdão recorrido entendeu que o roubo das mercadorias foi comprovado por Boletim de Ocorrência (B.O.), configurando a força maior que impediu o depositário de cumprir sua função de vigilância. O art. 595 do Regulamento Aduaneiro, então vigente, previa a exclusão de responsabilidade por caso fortuito ou força maior provada: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável ............................................................................................. § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira.(Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 2 Lei nº 10.865/2004 Art. 3º O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou ............................................................................................. § 1º Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. Art. 4º Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: ............................................................................................ II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; 3 Lei nº 10.833/2003 Art. 80. O art. 2º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar acrescido do § 3º, com a seguinte redação: "Art. 2º........................................................................... § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação." (NR) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 139 7 demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. ........................................................................................................ § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. Entendo de forma divergente da decisão recorrida. Não há previsão para enquadrar a hipótese de roubo entre aquelas consideradas como de caso fortuito ou força maior, de forma a excluir a responsabilidade do depositário. Diz o parágrafo único art. 1.058 do Código Civil de 1916, que teve sua redação reproduzida no parágrafo único do art. 393 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Parágrafo único.O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. A Administração Tributária manifestouse de forma incisiva quanto ao entendimento de que o roubo ou furto não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeitos de exclusão de responsabilidade, quando da edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12/2004, verbis: Artigo único . O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2003 , tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. O alegado roubo ou furto qualificado não constitui em motivo de força maior, por não atender, cumulativamente, aos requisitos de imputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade. A força maior é acontecimento imprevisível ligado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. O roubo não se encaixa nesse requisito, tendo em vista seu risco iminente, razão pela qual seguros são feitos para mercadorias depositadas. Também o roubo ocorrido não atende ao requisito de inevitabilidade, pois além da segurança pública à disposição de todos os cidadãos e estrangeiros, existe a segurança privada que é regularmente utilizada em depósitos de mercadorias. Em outro giro, temse que, o depositário, ao receber a coisa por força do contrato de depósito, assume a "guarda", com todos os riscos inerentes a tal mister, e, como tal, responde por todos os riscos, aplicandose, a esse tipo de contrato, a "teoria da guarda", presente nas temáticas da responsabilidade civil. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000461/200559 Acórdão n.º 9303003.525 CSRFT3 Fl. 140 8 O grande mestre civilista, Caio Mário da Silva Ferreira4 em sua obra, "Responsabilidade Civil, assim explica a teoria da guarda: A noção de guarda, como elemento caracterizador da responsabilidade, assume aspectos peculiares. Não pode objetivarse na "obrigação de vigiar". Ripert esclarece bem a questão, ao observar que se deve tomar como noção nova, criada para definir obrigação legal que pesa sobre o possuidor em razão de deter a coisa. "Quem incumbe uma pessoa de assumir a guarda de uma coisa é para encarregála de um risco" (Aguiar Dias). Nestas condições,o responsável deve assumir o risco gerado pela utilização normal da coisa. (Grifo não constante do original). Destacase, ainda, que a segurança dos produtos importados depositados é inerente ao negócio do depositário, faz parte dos riscos de sua atividade econômica, e não pode ser transferido ao Estado. Dessa forma, a responsabilidade pelos tributos devidos, bem como de multas cabíveis, na constatação de extravio de mercadorias não pode ser excluída pela alegação de que foi vítima de roubo, não se configurando em caso fortuito ou força maior. Assim, a responsabilidade do depositário pelos tributos incidentes na importação, lançados em decorrência de extravio de mercadorias, apurados em procedimento de vistoria aduaneira, bem como da multa administrativa correspondente, não pode ser afastada, por inexistência de previsão legal, e por não restarem configurados os elementos caracterizadores da ocorrência de evento de caso fortuito ou de força maior, devendo ser mantida a exigência de que trata o auto de infração, objeto do presente processo. Esse entendimento foi respaldado por este Colegiado, quando do julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional, Processo nº 10314.003075/0008, Acórdão nº 9303 003.391, de 25 de janeiro de 2016, cuja ementa transcrevese abaixo. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Ano calendário: 2000 Trânsito Aduaneiro. Extravio. Responsabilidade do Depositário. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. Recurso Especial do Procurador Provido Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional Henrique Pinheiro Torres 4 Responsabilidade civil. 8ª ed. Rev e Ampl. São Paulo : Saraiva, 2003, p. 428 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.720411/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes.
AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para retificar o Acórdão n° 2201-002.550, de 08/10/2014, e sanando o vício apontado, alterar a decisão no sentido de "não conhecer do recurso voluntário, por concomitância com a ação judicial".
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para retificar o Acórdão n° 2201-002.550, de 08/10/2014, e sanando o vício apontado, alterar a decisão no sentido de "não conhecer do recurso voluntário, por concomitância com a ação judicial". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindolhes efeitos infringentes. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para retificar o Acórdão n° 2201002.550, de 08/10/2014, e sanando o vício apontado, alterar a decisão no sentido de "não conhecer do recurso voluntário, por concomitância com a ação judicial". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 11 /2 00 9- 31 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Trata de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário de 2004, 2005 e 2006, sendo apurado pela autoridade fiscal classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Em sessão plenária realizada em 08 de outubro de 2014, o Colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, proferiu o Acórdão nº 2201002.550, cujo resultado foi o seguinte: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte e excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que deram provimento parcial apenas para excluir a multa de ofício. Por sua vez, a autoridade responsável pela execução do Acórdão nº 2201 002.550, de 08/10/2014, fls. 223/232, por meio do Despacho, fl. 258, alegou que há nos autos uma decisão judicial, fls. 207/216, que exclui da base de cálculo do Imposto de Renda os juros moratórios decorrentes do pagamento em atraso da URV; entretanto o aresto proferido pelo Colegiado, além de ter silenciado sobre a existência da citada decisão, concedeu provimento em maior extensão. De fato, verificase às fls. 207/216 sentença proferida em Mandado de Segurança (004163856.2011.4.01.3300), cujo resultado foi o provimento parcial para afastar da exigência o imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes do pagamento em atraso da URV. Assim, diante da existência no acórdão de inexatidão material devido a lapso manifesto, o Presidente da 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, acolheu o Despacho de fl. 258, dando tratamento de Embargos Inominados, com fundamento no art. 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, de forma a submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pela autoridade responsável pela execução do acórdão, conforme Despacho em Embargos Inominados de fls. 251/252. É o relatório. Voto Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720411/200931 Acórdão n.º 2201003.078 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade. Em sessão plenária de 08/10/2014, foi exarado o Acórdão nº 2201002.550, assim ementado: PERÍCIA. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Ocorre, entretanto, que consta nos autos, fls. 207/216, Mandado de Segurança Individual n°: 4163856.2011.4.01.3300, cujo objeto é a suspensão a exigibilidade do crédito tributário discutido no Processo Administrativo n° 10580.720411/200931, consoante se extrai de trecho da decisão do Juiz Federal Titular da 12ª Vara, Dr. Ávio Mozar José Ferraz de Novaes: No caso em análise, utilizase a impetrante da ação mandamental para a suspensão a exigibilidade do crédito tributário discutido no Processo Administrativo n° 10580.720411/200931 e a anulação do auto de infração referente a supostas irregularidades nas declarações de ajuste nos anos de 2004, 2005 e 2006, onde teria recebido, em cada exercício, o valor de R$92.023,56, sem retenção do imposto de renda na fonte, decorrente do pagamento do abono URV pelo Tribunal de Justiça do Estado. Mais adiante, a decisão do magistrado foi no seguinte sentido: Isto posto, na forma da fundamentação supra, CONCEDO, parcialmente, A SEGURANÇA, tãosomente, para afastar a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes do pagamento em atraso da URV, não foi observado pelo Relator Do exposto, verificase que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança Individual n°: 4163856.2011.4.01.3300 contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, versando sobre o mesmo objeto dos autos. Nesse caso, a renúncia à instância administrativa se dá no momento da propositura da ação judicial, de modo que qualquer direito pleiteado em juízo deve ser reconhecido nessa esfera de atuação. Essa questão, inclusive, já foi objeto de Súmula deste Órgão. Tratase da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifei) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720411/200931 Acórdão n.º 2201003.078 S2C2T1 Fl. 4 5 Assim, como a matéria foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, a contribuinte renunciou à esfera administrativa e, consequentemente, resta afastada a competência do órgão julgador administrativo para apreciar a mesma matéria. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para retificar o Acórdão n° 2201002.550, de 08/10/2014, e sanando o vício apontado, alterar a decisão no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por concomitância com a ação judicial. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720626/2014-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
Ementa:
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA.
Comprovada a existência de omissão, pelo contribuinte, de receita tributável auferida, cabe o lançamento do tributo e acréscimos nos termos da legislação.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO.
A manipulação de informações pelo contribuinte, de acordo com sua conveniência, com o intuito de impedir ou retardar conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, excluindo ou modificando as suas características essenciais, caracteriza ação fraudulenta.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. DECORRÊNCIA.
Por força da legislação tributária, as razões adotadas no exame do lançamento principal, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, quanto à mesma matéria fática e fundada nos mesmos elementos probatórios, servem também para a solução dos litígios decorrentes e a estes se aplicam, lançamentos reflexos da CSLL.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício no percentual de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, comprovando-se, no caso concreto, o intuito doloso do contribuinte.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. OCORRÊNCIA.
Comprovado nos autos que membro da diretoria participou ativamente da administração da empresa na época da ocorrência do fato gerador, este deve ser pessoalmente responsabilizados pelo crédito tributário, nos termos do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 1402-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente) Relator
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 Ementa: IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovada a existência de omissão, pelo contribuinte, de receita tributável auferida, cabe o lançamento do tributo e acréscimos nos termos da legislação. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. A manipulação de informações pelo contribuinte, de acordo com sua conveniência, com o intuito de impedir ou retardar conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, excluindo ou modificando as suas características essenciais, caracteriza ação fraudulenta. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. DECORRÊNCIA. Por força da legislação tributária, as razões adotadas no exame do lançamento principal, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, quanto à mesma matéria fática e fundada nos mesmos elementos probatórios, servem também para a solução dos litígios decorrentes e a estes se aplicam, lançamentos reflexos da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício no percentual de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, comprovando-se, no caso concreto, o intuito doloso do contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. OCORRÊNCIA. Comprovado nos autos que membro da diretoria participou ativamente da administração da empresa na época da ocorrência do fato gerador, este deve ser pessoalmente responsabilizados pelo crédito tributário, nos termos do art. 135 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) Relator LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
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OMISSÃO DE RECEITA. Comprovada a existência de omissão, pelo contribuinte, de receita tributável auferida, cabe o lançamento do tributo e acréscimos nos termos da legislação. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. A manipulação de informações pelo contribuinte, de acordo com sua conveniência, com o intuito de impedir ou retardar conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, excluindo ou modificando as suas características essenciais, caracteriza ação fraudulenta. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. DECORRÊNCIA. Por força da legislação tributária, as razões adotadas no exame do lançamento principal, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, quanto à mesma matéria fática e fundada nos mesmos elementos probatórios, servem também para a solução dos litígios decorrentes e a estes se aplicam, lançamentos reflexos da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício no percentual de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, comprovandose, no caso concreto, o intuito doloso do contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. OCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 26 /2 01 4- 83 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 762 2 Comprovado nos autos que membro da diretoria participou ativamente da administração da empresa na época da ocorrência do fato gerador, este deve ser pessoalmente responsabilizados pelo crédito tributário, nos termos do art. 135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente)– Relator LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 763 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário (fls.683/720) interposto face decisão proferida pela DRJ de Fortaleza Acórdão n. (fls.627/656) que decidiu indeferir a impugnação apresentada pela Recorrente em conjunto com seus sócios diretores responsabilizados solidariamente pela exigência do crédito (fls.529/567), mantendo integralmente o Auto de Infração ora analisado (fls.486/509). Explicações iniciais. Em 05/09/2012 foi iniciado procedimento fiscal de fiscalização (MPF 2013.008196) para o anocalendário de 2012, sendo encerrado em 20/02/2014, conforme TVF anexo ao presente processo as fls. 02/28, tendo resultado no lançamento de IRPJ e reflexos, bem como contribuições previdenciárias, gerando os seguintes processos de números 15586.720083/201402 e 15586.720090/201404. O contribuinte não impugnou os lançamentos e decidiu quitálos parcialmente com créditos de pagamentos de IRRF do ano calendário de 2013. Devido a tal atitude, em 08/04/2014 foi instaurado nova fiscalização referente ao ano calendário de 2013 com MPF 0720100.2014004305 (TVF fls.469/485), para verificar a existência dos créditos utilizados para quitar os débitos acima indicados, resultando no presente Auto de Infração analisado neste processo, que exige créditos relativos ao IRPJ e a CSLL, bem como nos outros dois Autos de Infração relativos ao PIS e COFINS. Este processo em epigrafe trata do Auto de Infração que exige IRPJ e CSLL, sendo que existem outros dois processos que são referentes a dois Autos de Infração que cobram o PIS e COFINs respectivamente, conforme fl.13 do TVF de fls. 469/485 dos autos. O Processo 15586.720624/201494 com o AI referente ao PIS no valor de R$102.313.250,70 e o Processo15586.720623/201440 com o AI referente ao COFINS no valor de R$ 471.254.189,05. No presente processo, foi constatado a omissão de receitas e por tal motivo lavouse AI que exige o IRPJ e CSLL do anocalendário de 2013, com multa de 50% por estimativas não recolhidas com base no art. 44, inciso II da Lei 9430/96 e multa qualificada de 150% nos termos do art. 44, inc I, § 1º da mesma lei, responsabilizando os sócios diretores da Recorrente nos termos do artigo 135 do CTN. Segundo a fiscalização os dados contábeis utilizados para fundamentar a acusação da infração foram obtidos por meio da Escrituração Digital apresentada pela própria contribuinte, conforme tabela do anexo I, fl.14 do TVF de fls. 469/485. O valor da base tributável para o IRPJ e CSLL, contempla a inclusão das receitas e despesas decorrentes dos divulgadores, conforme demanda a apuração pelo lucro real. Em relação ao restante dos fatos acorridos nos autos, entendo por oportuno, reproduzir o relatório então adotado na decisão "a quo", complementandoo ao final. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 764 4 "De acordo com o cadastro CNPJ, em consulta realizada na presente data, a empresa YMPACTUS COMERCIAL, nome fantasia TELEXFREE INC, exerce, como atividade econômica principal, a CNAE 6319400: Portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet. Seu quadro societário é composto por CARLOS ROBERTO COSTA (CPF 997.944.20778), CARLOS NATANIEL WANZELER (CPF 003.287.88775) e JAMES MATTHEW MERRILL (CPF 703.167.79121). Tratase de empresa que entregou DIPJ nos AC 2012 e 2013 com os seguintes dados de Receita Bruta: Tabela: A receita declarada pela empresa decorre da atividade de serviços de intermediação, seriam receitas decorrentes das comissões pagas à autuada (Ympactus) por sua contratante (a empresa Telexfree). As declarações DCTF/2013 apresentam os seguintes valores confessados para o IRPJ, consideradas as declarações apresentadas antes do início da ação fiscal, que ocorreu em 08/04/2014 (fl.31): Tabela. Para melhor contextualizar a atividade exercida pela empresa, utilizarseá o Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 2/28, referente à ação fiscal realizada para o ano calendário de 2012, portanto um ano anterior à ação fiscal de que trata o presente processo. Seguese um resumo da ação fiscal realizada referente ao AC 2012. A ação fiscal foi iniciada em decorrência dos indícios de irregularidades na opção do contribuinte pelo Simples, regime de tributação privilegiado, por suspeita de execução de atividades não permitidas naquele regime. Como resultado inicial houve a exclusão do contribuinte do SIMPLES Nacional pelo ADE n°06/2014, tendo se tornado necessária a apuração dos tributos sob a sistemática do lucro presumido. Quando ocorreu a fiscalização a empresa era investigada com relação à eventual atuação como gestora de uma pirâmide financeira. Em decorrência desta situação as atividades da empresa foram suspensas, bem como foram bloqueadas as quantias depositadas em instituições financeiras por ação cautelar da Justiça Estadual no Acre. A intermediação de negócios realizada pela Ympactus Comercial contempla a formação de uma "rede de divulgadores" que fariam a publicidade e venda de pacotes VOIP. Segundo informações da empresa é utilizada a organização do marketing multinível, que se trata de um modelo em cadeias verticais onde os níveis superiores recebem remuneração pelos ganhos dos níveis inferiores. A Ympactus Comercial informa fazer a intermediação de negócios exclusivamente da Telexfree Inc, e que utiliza comercialmente a marca Telexfree, por meio do sítio na internet cujo domínio é www.telexfree.com. O nome de fantasia da empresa registrado no Brasil é Telexfree Inc. A contribuinte não apresentou receitas significativas nos anos de 2010 e 2011. A empresa, na data de 31/08/2012, efetuou sua exclusão do SIMPLES NACIONAL e fez a opção pelo lucro presumido. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 765 5 A empresa tem vínculos com duas outras empresas: Telexfree INC e Telexfree LLC que atuam com nomes similares e são empresas americanas com base em Massachussets e Nevada respectivamente. A Telexfree Inc tem como diretores os Srs. James Merrill e Carlos Wanzeler (Presidente). A empresa Telexfree LLC tem como integrantes os senhores Carlos Wanzeler, James Merrill e Carlos Costa. Em 14/02/2014 o contribuinte foi excluído do SIMPLES através do ADE n° 06/2014 devido à atividade vedada (intermediação de negócios) e receitas acima do limite para o regime. A empresa realizou, em 2012, segundo informações prestadas pelo contribuinte, apenas as atividades de intermediação (CNAE 7490104). A fiscalizada informou que intermedeia a venda de portas VOIP ("voice over internet protocol" ou voz sobre protocolo de internet)”fornecidas pela Telexfree Inc, empresa sediada nos Estados Unidos. Para tanto usaria um sistema de vendas/divulgação batizado de marketing multinível, no qual colaboradores se agregariam à empresa através de contratos de adesão, através dos quais são obrigados a pagar uma taxa de adesão e a comprar pacotes com portas VOIP, e em contrapartida seriam remunerados pelos serviços de divulgação prestados, bem como pela agregação de novos colaboradores num nível abaixo na sua cadeia, e assim, receberiam uma remuneração originária destes até o 5° nível”. O contrato de adesão de serviços de publicidade que regularia a relação entre os agregados e a Ympactus (com nome Telexfree) assim define as atividades desenvolvidas pela Ympactus: "2.1 DAS ATIVIDADESFIM DA CONTRATADA A TELEXFREE, nome de fantasia da CONTRATADA, desenvolve atividades de divulgação, intermediação e agenciamento de negócios, desenvolvendo uma rede de divulgadores, oferecendolhes treinamento, material de apoio, controle, acompanhamento e suporte e, ainda, remunerandoos sob a estrutura lógica do marketing multinível binário." Em depoimento prestado, o Sr. Carlos Costa, presidente da Telexfree, detalhou o modelo de negócio que, no Brasil, seria exercido através da Ympactus. Existiriam duas figuras distintas: partner (parceiro) e divulgador. As explicações prestadas em depoimento encontramse abaixo transcritas: "Partner (parceiro) A forma de adesão se dá pelo pagamento de US$50 tornandose parceiro da Telexfree (pela intermediação da Ympactuss) tendo um subdomínio e passa a ter o direito da venda de VOIP da própria Telexfree, recebendo bonificação de 10% para cada plano vendido a terceiros e o ganho é continuado a cada mensalidade relativa ao plano vendido. A mensalidade é um crédito para uso da linha VOIP no mesmo valor da compra US$49,90 vendidos a terceiros (clientes). O funcionamento do VOIP 99Telexfree é semelhante ao funcionamento do Skype. Divulgador Para ser divulgador a pessoa obrigatoriamente deve ter sido um parceiro (partner). Deve adquirir contas VOIP no atacado para revenda (Adcentral US$289 = 10 contas, e Adfamily US$1375= 50 contas). O preço de venda de cada linha é de US$49,90 e deste 90% é repassado ao divulgador, enquanto que 10% fica com a empresa. O valor de US$49,90 prépago, dá o direito de uso por 30 dias corridos. Sobre a mensalidade o divulgador continua a receber 10% do valor de US$49,90. O divulgador, por sua vez, pode atrair novos divulgadores e desta forma obter uma outra remuneração: se o novo divulgador adquirir VOIPS para revenda no atacado o divulgador que o trouxe para rede recebe US$20 ( Adcentral) ou US$ 100 (Adfamily)." Fl. 765DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 766 6 O contrato de adesão dos divulgadores apresenta ainda outras formas de remuneração, e vincula sempre o divulgador à obrigação de postar anúncios diários em sítios prédefinidos na internet. O Termo de Verificação fiscal referente ao AC 2012 segue com outras considerações sobre a receita percebida pela Ympactus nessa operações e também apresentando vária provas de que, na verdade, as empresas aqui envolvidas (as Telexfree e a Ympactus) não seriam empresas separadas, ou seja, à Ympactus pertenceria a receita resultante das operações aqui descritas. No decorrer do voto, estes fatos, quando necessário, serão melhor detalhados. Em resumo, a ação fiscal apresenta comprovações de que os valores recebidos como adesão dos divulgadores é receita da Ympactus (empresa contratada), e não da Telexfree (empresa contratante). E busca ainda caracterizar que na verdade “inexiste a separação pretendida pelo contribuinte entre Ympactus e Telexfree no Brasil”. Como prova de que os valores recebidos como adesão dos divulgadores é receita da Ympactus o auditor transcreve, à fl. 11, parte do contrato celebrado entre as duas empresas (Ympactus e Telexfree) concluindo que “Não há nada neste item IV do contrato que se refira à repasse a Telexfree dos valores recebidos como adesão dos divulgadores, portanto tratase de receita da Ympactus”. A ação fiscal do AC 2012 é concluída da seguinte forma, (fl.21): 4. INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS Desta forma, todas as evidências fáticas obtidas no curso da fiscalização mostram que inexiste a separação pretendida pelo contribuinte entre Ympactus e Telexfree no Brasil. Não se pode confirmar o negócio de vendas de VOIP como o sustentáculo da atividade econômica aqui realizada. Pelo contrário, os indícios apontam que vendas VOIP é apenas o pretexto para a formação da rentável rede de divulgadores pela Ympactus, embora a Ympactus afirme que o negócio é venda VOIP o que se conclui da fiscalização é que o negócio é a rede de divulgadores, os recebimentos destes e sua remuneração. Tais entidades se confundem, atuando a Ympactus, sob o nome fantasia Telexfree INC como se Telexfree INC fosse. Na verdade o que se vê é que Ympactus e Telexfree têm mesma origem e uma "existe" em função da outra. Estas possuem mesmos sócios, seus recursos no Brasil encontramse nas mesmas contas bancárias. Há utilização de recursos contábeis de uma pela outra. Inexistem, faticamente, os instrumentos caracterizadores da relação comercial: pagamentos, remessas, notas fiscais, etc. No exterior a Ympactus inexiste, sendo a rede de divulgadores gerida pela Telexfree Inc, mostrandose desnecessária à atividade a existência de eventual intermediário. A alegação da existência de ambas empresas pelo contribuinte somente lhe seria conveniente para evitar a tributação sobre as receitas resultantes das atividades aqui realizadas. (grifei) (...) A ação fiscal resultou em um auto de infração, cujo crédito tributário total alcançou R$ 89.776.156,45 referente ao IRPJ e seus reflexos na CSLL, PIS e COFINS. Passase ao relato da Ação Fiscal referente ao AC 2013, objeto deste processo. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 469 /485, trata de procedimento fiscal referente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, AC 2013, iniciado em 08/04/2014, conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal n° 0720100.2014004305. Inicialmente o auditor informa que a empresa foi fiscalizada para o AC 2012, sob o MPF 2013.008196, resultando em lançamentos de IRPJ e reflexos, bem como contribuições previdenciárias. Tal lançamento não foi impugnado pelo contribuinte e os valores lançados foram parcialmente quitados por compensação com créditos decorrentes de pagamentos de IRRF Fl. 766DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 767 7 realizados em 2013. Assim, houve a necessidade de realização de fiscalização para o AC 2013 para confirmar a existência dos créditos. O auditor informa que “neste procedimento fiscal houve o lançamento de IRRF para o ano de 2013, análise das compensações e lançamento de multa qualificada por compensação indevida, anteriormente realizados" No relatório sob análise neste processo, encontramse registradas as informações relacionadas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A princípio a autoridade fiscal informa que a empresa está com bens e direitos bloqueados, bem como com as atividades suspensas, por decisão judicial sob a acusação de patrocinar uma pirâmide financeira. O contribuinte transmitiu DIPJ 2014, AC 2013, em 30/06/2014 no regime do lucro real com apuração anual. Nesta, à ficha 06 A Demonstração do Resultado, apurou prejuízo de R$ 64.281.773,14. Tendo sido as principais contas abaixo listadas: Receita da prestação de serviços ......... 30.850.000,00 Receitas financeiras ............................... 8.975.981,13 Despesas financeiras .............................. 4.978.909,25 Despesas operacionais ......................... 96.275.219,72 Informa o auditor que o demonstrativo de apuração das contribuições para o PIS e COFINS (DACON) foi apresentado no regime cumulativo e não foi retificado pelo contribuinte. O termo segue com os seguintes esclarecimentos: As DCTFs apresentadas até o início do procedimento fiscal foram juntadas ao processo. Nestas encontramse débitos declarados no regime do lucro presumido e contribuições apuradas no regime cumulativo. As DCTFs apresentadas após ciência do início da fiscalização foram desconsideradas, dada a perda de espontaneidade do contribuinte. (grifei) Existem pagamentos para IRPJ e CSLL no regime de apuração do lucro presumido e PIS e COFINS do regime cumulativo. Estes foram alocados aos débitos das DCTFs originais. Os tributos aqui fiscalizados para o ano de 2013 são no lucro real e contribuições no regime não cumulativo, porém, foram considerados para abater no valor do débito lançado. Durante o procedimento fiscal, foram realizadas 13 intimações ao contribuinte com a solicitação de informações e documentos (algumas destas intimações visavam a atender as fiscalizações dos demais tributos já realizadas). O auditor segue elencando uma série de irregularidades encontradas pela fiscalização referente ao AC 2012, cujo Termo de Verificação Fiscal foi anexado ao presente processo (fls. 2/28), dentre elas que o contribuinte apresentou movimentação de recursos, entradas e saídas em suas contas bancárias, muito mais expressivas que suas receitas e despesas declaradas e que havia uma completa indistinção de entidades (Ympactus/Telexfree) nos registros contábeis e nas transações informadas. O relatório segue nos seguintes termos: No trabalho realizado para 2012, constatouse uma série de irregularidades e fragilidades nas argumentações do contribuinte que mostraram que havia uma completa indistinção de entidades nos registros contábeis e nas transações informadas. As análises criteriosas realizadas pela fiscalização mostraram que inexistia a comprovação desta separação de valores e que todas as receitas que trafegavam nas contas bancárias da Ympactus Comercial no Brasil eram de propriedade desta. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 768 8 Abaixo, se encontram registrados os principais tópicos do relatório elaborado para 2012 (sugerese a leitura do documento original, cuja cópia encontrase juntada ao processo): Contrato: Receitas da Ympactus x Receitas da Telexfree A cláusula 5.2 do contrato entre Ympactus e Telexfree previa que apenas os valores referentes à venda VOIP deveriam ser repassados à Telexfree e define também que sobre os valores decorrentes da adesão dos divulgadores nada servirá de base para a remuneração da contratante (§2° da cláusula VI). O contribuinte entretanto alegava que toda a receita seria da Telexfree; Utilização pela Ympactus de valores que diziam ser da Telexfree Os investimentos imobiliários realizados pela Ympactus tiveram por base recursos que seriam da Telexfree. A utilização destes recursos contrariou as argumentações apresentadas pelo contribuinte que informavam que os valores eram da Telexfree. Para sanar a questão o contribuinte apresentou um contrato de mútuo entre a Telexfree e Ympactus completamente sem valor; A necessidade de recursos para fazer os pagamentos aos divulgadores. O pagamento aos divulgadores, remuneração pelo trabalho sem vínculo empregatício e demais encargos foi feito pela Ympactus, conforme comprovado pela DIRF e contabilidade apresentada e, portanto, esta deveria ter recursos para cobrir estas despesas; Não houve transferência de recursos da Ympactus para Telexfree O contrato apresentado previa a remessa mensal de recursos para a Telexfree, no entanto, não houve qualquer remessa de valores à Telexfree, permanecendo todos os recursos em contas bancárias da Ympactus; Ausência de notas fiscais de serviço. Inexistiam notas fiscais de prestação de serviços da Ympactus para a Telexfree.; Forma de cálculo da comissão da Ympactus. O contribuinte negouse a apresentar a forma de cálculo da remuneração à Ympactus (comissão) pela Telexfree, sob a alegação que era de interesse interno da companhia; Falta de separação na gestão dos recursos. Inexistia qualquer separação entre os recursos das entidades nas contas "bancos". Tendo sido verificado nos registros contábeis e nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte que a empresa atuava da mesma forma em 2013, exercendo a mesma atividade identificada em 2012, fezse desnecessário, realizar novamente todas as análises e diligências já realizadas no sentido de comprovar que as receitas recebidas e administradas pela Ympactus seriam de sua titularidade. No entanto, o contribuinte foi intimado, através do termo de intimação fiscal n° 5, item 11, em 07/08/2014 a apresentar novos argumentos / fatos novos em sua defesa, tendo em vista que não impugnara o lançamento anterior. Em resposta ao item 11 do TIF n°5, o contribuinte não acrescentou fatos novos, limitando se a fazer considerações sobre Direito, ao afirmar que não haveria competência administrativa para a descaracterização da personalidade jurídica pela Receita Federal e que o fato de não ter apresentado recurso contra a multa não implica aceitação de razões outras. Teríamos, portanto, a mesma situação fática caracterizada pela fiscalização para o ano de 2012. Sobre este ponto é necessário esclarecer que o procedimento fiscal mostrou que inexiste qualquer comprovação do ponto de vista tributário que exista uma transação comercial entre Ympactus Comercial e Telexfree em território nacional. Nesta linha, não cabem prosperar argumentos que coloquem a Telexfree como sujeito passivo (contribuinte) em relação às obrigações tributárias decorrentes das receitas auferidas e administradas pela Ympactus, em face da total ausência de comprovação destes argumentos. As informações colhidas pela fiscalização não permitiram identificar duas entidades com responsabilidades tributárias distintas nesta relação. O auditor segue apresentando novas evidências colhidas nas diligências realizadas no curso da presente ação. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 769 9 a) Ativo Intangível – marca Telexfree. A primeira verificação diz respeito à inclusão da marca Telexfree como marcas e patentes no ativo intangível da empresa Ympactus, no valor de R$ 659.629.591,00. Tal informação foi verificada na DIPJ/Ex 2014 e na ECD (escrituração contábil digital) conta 1.2.04.03.001.0001, em 31/07/2013. O auditor afirma que inexiste na contabilidade da fiscalizada em 2012 e 2013 qualquer lançamento contábil referente à aquisição da marca TELEXFREE, a qual desta forma concluiu que a marca não foi adquirida. O contribuinte foi intimado a apresentar laudo de reavaliação, informado na contabilidade, referente ao registro da marca Telexfree. O Laudo de Avaliação Econômica apresentado pela empresa, anexado ao processo às fls. 267/357, foi analisado pelo auditor que conclui da seguinte forma (fl.476): O laudo mostra a evidente manipulação de informações pela fiscalizada: Para a fiscalização tributária a alegação é que TELEXFREE e Ympactus são empresas distintas e que as receitas oriundas dos divulgadores pertencem à TELEXFREE; Para a avaliação da marca e "explosão" do ativo as receitas são da Ympactus e não da TELEXFREE. O laudo pode ser assim resumido: objetiva avaliar o valor de mercado do ativo intangível marca TELEXFREE da Ympactus S/A, empresa do ramo de telecomunicações que opera a prestação de serviço de telefonia VOIP, e para tanto utilizase de informações prestadas por executivos e funcionários da Ympactus, dentre elas o demonstrativo de resultado de 2013, que mostra lucro da Ympactus de R$ 1.259.118.336. Comprovase que as atividades que o contribuinte diz serem da Telexfree no Brasil são realmente da Ympactus. b) Encargos sociais (inclusive FGTS) O auditor constata que na contabilidade digital transmitida via ECD, na conta 5.1.02.01.002.0007 INSS EMPRESA, consta o valor de R$ 78.634.414,85, encontramse os lançamentos das contribuições ao INSS Patronal, ou seja, sobre os pagamentos aos trabalhadores sem vínculo empregatício. Os mesmos valores também foram informados em DIRF. Conclusão do auditor: Notase, no entanto, que na apuração contábil do resultado do exercício o contribuinte considera as despesas relativas à previdência social (encargos sociais) como próprias (da Ympactus), sem considerar da mesma forma as respectivas receitas. Ora, se as receitas recebidas dos divulgadores não são da Ympactus e se tampouco o são as despesas, como registrar como despesa própria o pagamento da previdência oficial sobre estes rendimentos pagos aos divulgadores? Por outro lado: como poderia ser despesa da Ympactus o pagamento da previdência social sobre a remuneração dos divulgadores se a receita total declarada é de apenas R$ 30.850.000,00 referente à prestação de serviços, ou seja insuficiente para pagamento da previdência oficial. Novamente verificase a manipulação contábil pelo contribuinte, separando, ou não, segundo sua conveniência as receitas e despesas entre Ympactus e Telexfree. c) Empréstimos aos sócios sem lastro nas receitas O contribuinte foi intimado a esclarecer de onde obteve recursos para conceder empréstimos aos sócios (os contratos de mútuo constam às fls. 74/82). Como resposta, a Ympactus informou que “os valores emprestados aos sócios originamse de adiantamentos de clientes referente a serviços futuros” (fl.381) e ainda, posteriormente que “os valores tem origem na antecipação do cliente Telexfree Inc”. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 770 10 Conclui o auditor: Ocorre que os lançamentos tem como contrapartida a conta "Banco do Brasil", e inexiste qualquer lançamento na contabilidade de 2013 que trate de adiantamento de cliente. Na verdade inexiste qualquer fluxo financeiro da Telexfree Inc para a Ympactus, ou seja, não há nenhuma evidência de que a Ympactus, a luz da contabilidade e dentro da argumentação apresentada tivesse como realizar os empréstimos aos sócios. Concluise, assim como anteriormente verificado em 2012, que os recursos das contas correntes pertencem à Ympactus, que os utiliza da forma que quiser, inclusive transferindoos aos sócios. Também é necessário registrar que o contrato social da empresa determina que operações desta natureza precisariam ser assinadas por todos os sócios. O que não é fato nos documentos apresentados. d) Notas fiscais de prestação de serviços Neste item o auditor apresenta o seguinte comentário: No ano de 2012 verificouse a inexistência de notas fiscais referentes aos serviços que teriam sido prestados pela Ympactus à Telexfree, conforme alegações do contribuinte, serviços estes, definidos no contrato entre partes decorrente da formação da cadeia de divulgadores. Em 2013 o contribuinte apresenta algumas notas fiscais, porém, conforme posteriormente descrito neste relatório referemse a serviços com ênfase em dados de internet, portanto, sem qualquer vinculação com o contrato de prestação de serviços e uso da marca. Neste mesmo sentido é importante ressaltar que neste contrato a remuneração da Ympactus ocorreria mediante o recebimento de uma comissão pela prestação do serviço de formação da rede de divulgadores. Não há nenhuma nota fiscal nesta atividade. O contribuinte fora intimado a esclarecer os cálculos de apuração desta comissão, tendo à época respondido tratarse de critérios internos entre as partes, impedindo, portanto, a auditoria pelo fisco. Notase, que para 2013 os valores das notas fiscais de serviço não guardam proporcionalidade com as receitas dos divulgadores, o que permite concluir que as bases destes serviços não se vinculam às receitas decorrentes dos divulgadores. O Termo de Verificação Fiscal segue com o levantamento das receitas e despesas não levadas ao resultado, levando em consideração os dados da escrituração digital do contribuinte transmitida via SPED em 07/08/2014. Verificouse que o contribuinte não leva para o resultado as receitas decorrentes da atividade de formação da rede de divulgadores (contabilizadas na conta TELEXFREE INC 2.1.02.02.001.0002). Conforme tabela, à fl.479, de janeiro a junho/2013, perfazem um total de R$ 2.338.904.506,88. Conforme informação do relatório, o contribuinte levou ao resultado apenas o serviço discriminado como “Prestação de serviços com ênfase em dados de internet”, totalizando, dos meses de janeiro a junho/2013, um valor total de R$ 30.850.000,00 Ainda conforme o relatório fiscal, foi detectada “uma distorção entre a contabilidade e as notas fiscais, visto que, pelo regime de competência, obrigatório na apuração pelo lucro real, as receitas foram auferidas nos meses de janeiro a maio, enquantoque o contribuinte contabilizou de fevereiro a junho. Esta distorção apresenta conseqüências na apuração das contribuições ao PIS e COFINS.” “As despesas, por sua vez, foram parcialmente levadas ao resultado. Não foram consideradas pelo contribuinte as despesas com divulgadores, as quais foram nesta apuração consideradas, abatendose no resultado do período.” O Termo de Verificação Fiscal passa então a enumerar as infrações tributárias encontradas no decorrer da ação fiscal, nos seguintes termos: 3 – INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS Fl. 770DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 771 11 Verificase que o contribuinte não leva ao resultado e não oferece à tributação receitas decorrentes de sua atividade, caracterizando omissão de receitas. O faz de forma reiterada e intencional, visto que a mesma infração foi encontrada na fiscalização realizada para o ano de 2012. Esta omissão de receitas provoca conseqüências tributárias para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 3.1 IRPJ e CSLL sobre lucro real apurado Os dados contábeis utilizados são aqueles da tabela no anexo I, obtidos da Escrituração Digital apresentada pelo contribuinte. O valor da base tributável para o IRPJ e CSLL e contempla a inclusão das receitas e despesas decorrentes dos divulgadores, conforme demanda a apuração pelo lucro real. 3.1.1 Multa sobre estimativas não recolhidas para o IRPJ e CSLL Ainda quanto ao IRPJ e CSLL verificouse que o contribuinte não efetuou a apuração da estimativa mensal e tampouco fez os devidos recolhimentos (os pagamentos efetuados para IRPJ e CSLL apurados mensalmente na metodologia do lucro presumido foram considerados). A lei n° 9430/96 no art. 44, inc. II, prevê a multa de 50% exigida sobre o valor do pagamento mensal. Desta forma, foi elaborado o demonstrativo do Anexo II, que apura o valor da multa sobre a estimativa não recolhida para o IRPJ e CSLL. 3.2 PIS e COFINS não cumulativos sobre receitas levadas ao resultado. O contribuinte não apresentou DACON (demonstrativo de apuração das contribuições) com a apuração das contribuições no regime da não cumulativa. Desta forma o PIS e a COFINS foram apurados no regime da não cumulatividade, através da apuração da base de cálculo mensal das contribuições, descontados os créditos decorrentes das despesas sobre as quais é permitida a apuração de créditos. Esta apuração foi realizada com base na escrituração do contribuinte. A tabela do anexo III apresenta a base tributável para o PIS e COFINS. Importante ressaltar que as receitas de prestação de serviço registradas na contabilidade, conforme tabela acima, com dados das notas fiscais, são decorrentes de atividade diversa da receita omitida, sendo mantidas na apuração dos tributos. A multa lançada foi a qualificada de 150% conforme previsto a Lei n°9430/96, art. 44, inc. I e § 1º, por entender o auditor que o contribuinte incidiu nas ocorrências de que tratam os art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, ou seja, sonegação, fraude e conluio, assim concluindo: Para o ano de 2012 a fiscalização não identificou, com a clareza necessária, o dolo do contribuinte. No entanto, a conduta reiterada do contribuinte ao omitir as receitas decorrentes dos divulgadores com objetivo de reduzir tributos, mesmo após ter sido confrontado com as conclusões da Receita federal do Brasil, que serviram de base para o lançamento no ano de 2012, bem como pelos fatos novos que mostraram que o contribuinte manipula as informações conforme sua conveniência, permitiram caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. No caso em análise, resta claro que os procedimentos adotados pelo contribuinte tiveram por objetivo reduzir ou não pagar tributos de forma fraudulenta. Em virtude das irregularidades e da conduta acima, sobre os valores lançados aplicouse a multa de 150% prevista no art. 44, inc. I, § 1° da Lei 9430/96. O Termo de Verificação Fiscal é concluído conforme abaixo (fl.481): Diante dos fatos acima expostos lavrei os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas omitidas que resultaram nos seguintes valores: (...) Fl. 771DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 772 12 Tendo em vista a ocorrência de sonegação e fraude, é verificada a hipótese do art. 135 do CTN onde os sócios diretores agiram com infração a lei, gerando obrigações tributárias. Desta são estes pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários. Assim, o lançamento realizado em nome da fiscalizada, Ympactus Comercial S/A é acompanhado do termo de sujeição passiva solidária aos sócios diretores abaixo listados, cabendo a todos a possibilidade de manifestação quanto ao lançamento: Carlos Roberto Costa, CPF 997.944.20778 ; Carlos Nataniel Wanzeler, CPF 003.287.88775; James Merrill, CPF 703.167.79121. O valor apurado foi dividido em 3 processos da seguinte forma: [...] Seguemse as planilhas, fls. 482/484, com cálculos. O auto de infração, com cálculos e demonstrativos referentes ao IRPJ e à CSLL e acréscimos, foi anexado ao processo, às fls. 486/509. A ação fiscal foi encerrada em 24/10/2014, tendo sido emitido TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTO(S) E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL à Ympactus e a todos os seus sócios (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA), conforme fls. 510/521. A ciência do lançamento ocorreu em 03/11/2014, conforme AR à fl. 523. Em 03/12/2014 a empresa apresentou impugnação ao lançamento, fls.529/567, conforme abaixo se relata. Em sua defesa o contribuinte informa que: Em nenhum momento se negou a apresentar seus registros contábeis à fazenda, conforme alega o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal. O que ocorreu foi que requereu dilatação de prazos para a apresentação de documentação. Encontrase com suas atividades empresariais paralisadas e, por esse motivo, não possui equipe que suporte o atendimento das solicitações com agilidade. Abaixo, continuase a relatar a defesa do contribuinte conforme os tópicos por ele abordados: Um necessário conserto dos fatos( fl.531) Jamais houve por parte da empresa qualquer negativa em apresentar documentos solicitados. Discorda da afirmação do fisco de que as retenções de pagamentos informados no curso da fiscalização mostravam incompatibilidade com os valores dos extratos bancários. Informa que “a contribuinte apurou na fase final de conciliação dos lançamentos contábeis que diversos pagamentos foram efetuados via Banco do Brasil que não foram processados por inconsistência no número do CPF do correntista em confronto com o cadastro interno. Esta disparidade gerou um lançamento a apurar (beneficiário) que não provocou uma distorção também na planilha que foi anteriormente encaminhada para a fiscalização. Para o ajuste destes lançamentos requeremos ao Banco do Brasil que informe o número do CPF dos beneficiários destes pagamentos (devidamente juntados aos autos em questão) para que, em seguida, os lançamentos contábeis sejam corrigidos.” Afirma que o contrato firmado entre a contribuinte e a Telexfree é ato legal e que não existe qualquer irregularidade no documento inclusive que permitia que a impugnante registrasse a marca Telexfree no Brasil. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 773 13 Transcreve as notas explicativas às suas demonstrações contábeis afirmando que, no período compreendido na autuação, o ativo circulante da empresa era de R$ 1.867.354.575, 49 e o seu Passivo Circulante de R$ 1.867.354.575,49, considerando que “é absolutamente desproporcional e absurdo o entendimento do FISCO de que todo o ativo deve ser tratado como receita da Contribuinte mas sim como de terceiros (TELEXFREE e ou Divulgadores”). E ainda que sua receita efetiva a ser considerada como tributável é de R$ 30.850.000,00. Discorda da aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto na Lei 9.430/96, art.44 e que jamais ocorreu a figura da sonegação tipificada nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4502/64. Continua afirmando que “Não houve qualquer ação ou omissão por parte da Contribuinte no intuito de maliciosa e intencionalmente lograr o Fisco”. Sobre as DCTFs da empresa, afirma que o preenchimento da declaração “e sua retificação pela Contribuinte espelha não somente a verdade dos fatos, bem sua realidade tributária”. E ainda que “Não se pode olvidar que é direito do Contribuinte a retificação, sendo que o simples fato de efetuála não pode ser considerado como ato de máfé ou fraudulento, caso a retificação reduza o Imposto de Renda a ser pago”. O contribuinte segue sua defesa nos seguintes termos: Da inexistência de confissão – (fl. 537) Alega o FISCO que a própria Contribuinte Ympactus reconheceu que seus Divulgadores são segurados contribuintes autônomos e nesta qualidade quitou a importância relativa a este crédito tributário, tendo quitado parte dos autos de infração que compõem o Processo Administrativo Fiscal nº 15586720090/2014 0.04 (sic). Ora, o fato do Contribuinte ter pago tributo não lhe retira o direito de eventualmente discutir, posteriormente requerendo judicialmente sua repetição. O contribuinte segue a defesa apresentando decisão do STJ no sentido de que não se pode afirmar que é inviável questionar dívidas tributárias objeto de confissão ou de parcelamento. As argumentações da defesa vão no sentido de que eventual pagamento anterior do tributo não pode retirar do Contribuinte o direito de discutir posteriormente sua validade. Da boafé da Contribuinte e da impossibilidade de imposição de multa (fl.542) O contribuinte afirma que agiu com cristalina boafé, e, que assim sendo, não cabe o pagamento de multa e outros encargos. A título de argumentação utilizase de notícias publicadas em jornais de circulação veiculando notícias de que “O STJ isenta contribuinte de boafé de pagar multa”; transcrevendo ainda o acórdão do STJ sobre o tema. O interessado cita ainda ementa de acórdão de processo julgado no CARF que considera descabida a aplicação de multa qualificada de 150% sobre débitos da CSLL lançados de ofício, não confessados em DCTF no caso de declaração de compensação indevida, com a utilização de créditos referentes a título público quando não demonstrada a prática de evidente intuito de fraude. Do caráter confiscatório da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) excesso de poder e da impossibilidade de aplicação de multa em valor superior a 20% (vinte por cento do supostamente devido Ofensa ao Principio da Razoabilidade (fl. 545) O contribuinte considera abusiva a cobrança da multa qualificada de 150%, fundamentando se no que afirma que garantias constitucionais restringem as ações dos poderes estatais, entende ainda que não pode o fisco cobrar multa acima de 20% e utilizarse de taxa selic de juros superior a 12% ao ano. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 774 14 Segue transcrevendo entendimentos de renomados tributaristas, frisando que “A doutrina e a jurisprudência já firmaram posicionamento no sentido de que as multas não podem assumir caráter confiscatório, sendo imperiosa a sua redução, em respeito ao art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco”. O contribuinte transcreve ainda julgados do STF, etc. Cita ainda a Súmula nº 4 do CARF, a qual transcreve da seguinte forma: "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Conclui o contribuinte que “a multa e os juros de mora apenas são devidos em caso de inadimplemento, o que, à evidência, não é o caso da Contribuinte”. Afirma ainda o interessado que “a cobrança de qualquer multa em patamar superior a 20% sobre o valor originário do imposto ofende o disposto no art. 59 da Lei 8.383/1991, bem como o art. 985, caput, do Regulamento do Imposto de Renda, que assevera (...)”. O impugnante argumenta que em nenhum momento ficou demonstrada a ocorrência de fraude de sua parte. O contribuinte segue sua defesa nos seguintes termos: Importante se faz verificar que entre a lavratura do "Termo de Verificação Fiscal" final relativo ao exercício de 2012 (10 de abril de 2014) e a lavratura do Termo de Fiscalização Inicial" relativo ao ano fiscal de 2013 (25 de abril de 2014) decorreu menos de trinta (30) dias o que impediu que a primeira recorrente (Ympactus) procedesse a contento os ajustes contábeis, sendo absolutamente ilegal e injusta a aplicação das sanções elencadas no processa administrativo. E conclui da seguinte forma: Por estas razões, impõese a exclusão da multa e, alternativamente, diminuição da multa para o patamar de no máximo 20% (vinte por cento) sobre o valor originário da exação, por se tratar de verdadeiro confisco, vedado na legislação pátria, não significando este requerimento confissão, concordância ou renúncia aos eventuais recursos aplicáveis à espécie. Da impossibilidade de extensão da sanção tributária aos sócios (fl. 559) Entende o contribuinte que a extensão da responsabilidade aos sócios é ilegal, fundamentandose no CTN, art.135, III, que “prevê a possibilidade de responsabilização dos sócios nos casos de terem agido com excesso de poder, com infração à lei, contrato social ou estatutos”. Segue transcrevendo entendimento do STJ sobre a matéria além de citar o posicionamento de renomados advogados e professores sobre o tema. Transcrevemse abaixo alguns trechos da defesa apresentada pelo contribuinte : Não há nos autos, e tampouco foi apurado no processo administrativo, qualquer evidência ou até mesmo indícios de que os sócios tenham praticado qualquer das causas autorizadoras previstas no artigo 135 do CTN. Assim, não poderia este Juizo, ainda mais sem pedido do credor, ter autorizado a inclusão dos sócios. O mero inadimplemento da obrigação tributária, sem dolo ou fraude, constitui simplesmente mora da empresa contribuinte, que contém nas normas tributárias pertinentes as respectivas sanções; não se configura, por si só, violação à lei ou ao estatuto social a que deve observância o administrador, seja ele sóciocotista ou não. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 775 15 Em se tratando de responsabilização do sócio, não há que se perder de vista o principio da separação patrimonial das pessoas física e jurídica; não se olvide também a necessária diferenciação que deve haver entre a responsabilidade por infração praticada pela sociedade e a infração de lei, praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos praticada pelo sócio. (...) A responsabilidade tributária solidária prevista no artigo 135 alcança tão somente o sócio gerente que liquidou irregularmente a sociedade limitada, respondendo, não por ser sócio, mas sim por ser gerente. Ele responde não pela circunstância da sociedade estar em débito, mas sim por haver dissolvido irregularmente a pessoa jurídica. (...) Por estas razões, não havendo a prova préconstituída de que os sócios da Impugnante tenham praticado qualquer ato contrário à lei ou ao contrato social da empresa, como manda o artigo 135 do CTN e, ainda, não estando a empresa dissolvida irregularmente, devem ser excluídos os sócios do pólo passivo da autuação impugnada. O impugnante conclui requerendo que seja considerada improcedente a autuação tributária, a exclusão do pagamento de multa mas, na hipótese de aplicação de multa, que a mesma não ultrapasse o equivalente a 20% do valor do tributo e que sejam os sócios da empresa eximidos do pagamento de qualquer obrigação tributária." Inconformado com o v. acórdão, o contribuinte e seus sócios diretores foram intimados da decisão (fl.662/672), interpondo Recurso Voluntário (fls.683/720). Em resumo, reafirma a Recorrente seus argumentos da impugnação, pugnando a reforma da decisão "a quo" e o provimento integral de seu recurso, cancelandose a exigência. Apresenta Agravo, informando uma matéria relativa a multa por atraso e colaciona uma cópia de uma jurisprudência do STF sobre multa. (fls. 724/739). A D. Procuradoria apresenta Contrarazões as fls. 742/758, clamando pela manutenção da decisão de 1 Instância. É o relatório. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 776 16 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei. Cumpre ressaltar, que tanto a empresa autuada como os sócios diretores responsabilizados solidariamente no auto de infração, foram notificados e apresentaram o Recurso Voluntário em conjunto, sendo que todos outorgaram poderes para o procurador que assinou as defesas no processo em epigrafe por meio de instrumentos de mandato assinados individualmente. Desta forma, admito o Recurso Voluntário tanto para a empresa, como para os sócios diretores. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA E DOS SÓCIOS DIRETORES. Tratamse de autos de infração relativos a omissão de receitas e despesas omitidas da base de calculo do IRPJ e da CSLL. Segundo a fiscalização os dados contábeis utilizados para fundamentar a acusação da infração foram obtidos por meio da Escrituração Digital apresentada pela própria Recorrente por meio do SPED, conforme tabela do anexo I, fl.14 do TVF de fls. 469/485, confrontados com extratos bancários, conforme TVF AC 2012 fls. 2/28 que foi utilizado para fundamentar o presente Auto de Infração. O valor da base tributável para o IRPJ e CSLL, contempla a inclusão das receitas e despesas decorrentes dos divulgadores, conforme demanda a apuração pelo lucro real. Ou seja, o principal ponto da discussão dos autos, é saber se a receita auferida com a adesão de divulgadores é de titularidade da Recorrente (Ympactus), acarretando em omissão de receita ou se é de titularidade da Telexfree, devendo assim ser cancelado o auto de infração. A autoridade fiscal constatou que houve omissão de receita relativa aos divulgadores e também verificou por meio de diversos documentos que a Recorrente Ympactus e a empresa Telexfree na realidade são a mesma entidade. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 777 17 Duas infrações foram exigidas: (i) depósitos bancários sem comprovação de origem (art. 42 da Lei nº 9.430/96), conforme TVF do ano calendário de 2012 fls. 02/28 dos autos que serviu de fundamentação para o TVF deste auto de infração de fls. 469/485. (ii) omissão de receitas oriundas de prestação de serviços. Foi cominada a penalidade de 150% em razão da acusação de sonegação fiscal mediante fraude. Compulsando os autos, e observando que o Recurso Voluntário apresentado é praticamente idêntico à impugnação apresentada, entendo que a decisão de primeira instância deve ser confirmada em sua totalidade, e, a fim de evitar tautologia, adoto seus fundamentos como razão de decidir, transcrevendo os excertos de interesse conforme faculta o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: "Concluído o relatório, passase à análise das argumentações apresentadas pelo contribuinte em sua defesa. O contribuinte inicia sua defesa discorrendo sobre o que entende ser “ Um necessário conserto dos fatos” ( fl.531/impugnação): Discorda da afirmação do fisco de que as retenções de pagamentos informados no curso da fiscalização mostravam incompatibilidade com os valores dos extratos bancários, afirma que o contrato firmado entre a contribuinte e a Telexfree é ato legal e que não existe qualquer irregularidade no documento, inclusive que permitia que a impugnante registrasse a marca Telexfree no Brasil, e entende que deve ser considerada como receita efetiva (bruta) e tributável da contribuinte o valor de R$ 30.850.000,00. Sobre o contrato firmado entre as empresas Telexfree e Ympactus, trancrevese abaixo trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl.2/28) referente à ação fiscal desenvolvida para o AC 2012: Como dito, o contribuinte alega que os valores que se encontram nas suas contascorrentes e estão registrados em contas transitórias de sua contabilidade são da Telexfree. Tal alegação é lastreada por um contrato firmado entre Telexfree e Ympactus em 01/03/2012, o qual permite à Ympactus utilizar o nome Telexfree, e por outro lado contrata o serviço de implantação de uma rede de divulgadores para intermediação da venda e divulgação de VOIP. Chama atenção para quem assina o contrato. Pela Telexfree assina seu presidente Carlos Nataniel Wanzeler, que é sócio da Ympactus e pela Ympactus Comercial assina Carlos Costa, sócio da Telexfree. O CTN determina que os contratos entre particulares não se opõem ao fisco. Como já dito, não há nenhuma comprovação de que os serviços de VOIP tenham sido prestados ou que tenham sido prestados pela Telexfree INC. Toda a argumentação apresentada se baseia em informações e documentos unilaterais, visto que são assinados pelos sócios proprietários de ambas empresas e que não permitem a mensuração nem a veracidade pelo fisco. Intimado o contribuinte não teve êxito em comprovar suas alegações. (grifei) O referido contrato, firmado em 01/03/2012, entre as empresas Telexfree e Ympactus, foi obtido em consulta ao processo 15586.720083/201402, citado no Termo de Verificação Fiscal (fl.469), tendo sido anexado ao presente processo, por esta julgadora, às fls. 623/626. Este contrato, segundo o Termo de Verificação Fiscal, fl.474, foi “utilizado pelo contribuinte como argumento de que as receitas em sua conta corrente eram da Telexfree Inc, empresa americana situada em Massachussets e que receberia uma comissão pela intermediação de negócios no Brasil, bem como pagaria pelo uso da marca TELEXFREE à sua proprietária Telexfree Inc”. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 778 18 Observase que o Contrato Particular de Serviços e Cessão de Uso de Marca está assinado pelo Sr. Carlos Nataniel Wanzeler (pela empresa contratanteTelexfree) e pelo Sr. Carlos Roberto Costa (pela empresa contratadaYmpactus), com validade pelo prazo de 5 anos. Frisese que o quadro societário de empresa Ympactus é composto por Carlos Roberto Costa (CPF 997.944.20778), Carlos Nataniel Wanzeler (CPF 003.287.88775) e James Matthew Merrill (CPF 703.167.79121). Na ação fiscal objeto do presente processo, Termo de Verificação Fiscal (fls.469/485), consta a informação de que tanto a DIPJ/Ex.2014 (fls.414/455) como na Escrituração Contábil Fiscal do contribuinte (fl.467) consta no Ativo Intangível Marcas e Patentes da empresa o valor de R$ 659.629.591,00. Porém, segundo o Termo de Verificação Fiscal (fl. 474) não consta, nos anos de 2012 e 2013, qualquer lançamento contábil referente à aquisição da marca Telexfree, portanto, questiona o fiscal: “Como pode então a marca TELEXFREE passar a fazer parte do ativo intangível da Ympactus Comercial?” Intimada pela autoridade fiscal o contribuinte apresentou Laudo de Avaliação Econômica, fls. 267/357, da marca Telexfree avaliada em R$ 659.629.591 (fl.311). Sobre o laudo apresentado pela empresa com a avaliação da marca Telexfree, o Termo de Verificação Fiscal, fls. 474/476, aponta alguns pontos obscuros, senão vejamos: Adentrando as considerações do laudo apresentado pelo contribuinte é relevante ressaltar os seguintes pontos: Pág 07 "A empresa Ympactus é uma sociedade anônima que atua no segmento de telecomunicações e que é considerada uma das maiores do Brasil" a afirmativa é bastante interessante visto que a Ympactus, perante a fiscalização alega fazer apenas a intermediação da venda de pacotes VOIP da Telexfree, portanto não poderia ser considerada uma das maiores empresas de telecomunicações do Brasil; Pág 11 O Objetivo do trabalho foi de determinar "O valor econômico dos ativos intangíveis da YMPACTUS representado pela marca TELEXFREE". Notase que aqui a marca TELEXFREE é considerada como ativo intangível da Ympactus. Pág. 12 Esclarecem os avaliadores que "Este estudo está embasado em subsídios técnicos e foi elaborado com base em informações contábeis e econômicofinanceiras sobre a marca TELEXFREE fornecidas pelos executivos e funcionários da empresa YMPACTUS" Ou seja a própria Ympactus é que presta estas informações para o laudo. Pag 15/16 "Os mercados de atuação da YMPACTUS (TELEXFREE) A empresa YMPACTUS, opera principalmente dois negócios distintos que são: 1) Prestação de serviços de telefonia VOIP, denominadas 99TELEXFREE, a partir de seus equipamentos instalados em sua sede, em Massachusets onde realiza as conexões necessárias para estas ligações (doravante serviço TELEXFREE) . 2).... " Como se vê o laudo informa que a Ympactus presta serviço de telefonia VOIP a partir de Massachusets. Pág 32 fontes de informação. Os avaliadores citaram as seguintes fontes de avaliação: Para os efeitos desta avaliação foram consideradas as seguintes fontes de informação: .Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados da empresa YMPACTUS, para os exercícios de 2012 e 2013 até 31 de maio (utilizado como data base). Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 779 19 .Plano de Negócios da empresa; .Projeções dos demonstrativos financeiros para o período 01 de junho de 2013 até 31 de dezembro de 2017; .Reuniões com os administradores da empresa YMPACTUS e seus consultores jurídicos para análise do desempenho histórico e sobre as expectativas e planos futuros da empresa As fontes de informação foram registros contábeis, projeções de resultados e reuniões com administradores da Ympactus. Notase que a demonstração do resultado da Ympactus considerada no laudo equivale à receita que a Ympactus nega que sejam de sua propriedade. Não é interesse maior da fiscalização expor as fragilidades do laudo, uma vez que a ausência do registro da marca é suficiente para impedir, que a marca seja considerada como propriedade da Ympactus, quando na verdade não é. É bastante relevante, no entanto, a total omissão no laudo dos indícios de pirâmide financeira de que é acusada a fiscalizada. Neste cenário, até o mais ingênuo avaliador não imputaria à marca TELEXFREE qualquer valor expressivo no mercado: a empresa responde a diversos processos, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal. Está, juntamente com seus sócios, com os bens bloqueados. Foi autuada pela Receita Federal em quase 1,5 bilhões de reais. Nesta mesma linha, mesmo que o ativo pertencesse à Ympactus, é inaceitável uma prática contábil em que se contabilize um ativo, mediante reavaliação, por um valor incompatível com a realidade fática, visto que reavaliação tem exatamente o objetivo de adequálo ao valor de mercado.(grifei) (...) O laudo mostra a evidente manipulação de informações pela fiscalizada: Para a fiscalização tributária a alegação é que TELEXFREE e Ympactus são empresas distintas e que as receitas oriundas dos divulgadores pertencem à TELEXFREE; Para a avaliação da marca e "explosão" do ativo as receitas são da Ympactus e não da TELEXFREE. O laudo pode ser assim resumido: objetiva avaliar o valor de mercado do ativo intangível marca TELEXFREE da Ympactus S/A , empresa do ramo de telecomunicações que opera a prestação de serviço de telefonia VOIP, e para tanto utilizase de informações prestadas por executivos e funcionários da Ympactus, dentre elas o demonstrativo de resultado de 2013, que mostra lucro da Ympactus de R$ 1.259.118.336. Comprovase que as atividades que o contribuinte diz serem da Telexfree no Brasil são realmente da Ympactus. Mas como já exposto no Termo de Verificação Fiscal, “este laudo apresenta interesse da fiscalização naquilo que tange a impossibilidade de separação, para fins tributários, entre as entidades Ympactus e TELEXFREE (...)”. Passase ao levantamento dos indícios e provas apresentadas pela Receita Federal de que as empresas Ympactus e Telexfree constituem, na verdade, a mesma empresa. Antes porém devese esclarecer que, conforme já relatado, a Ympactus passou por duas ações fiscais, sendo que uma teve por objeto o AC 2012 e outra o AC 2013 (esta é a que está sob análise neste processo). Ambas as ações fiscais buscavam provar que as receitas Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 780 20 provenientes da adesão dos divulgadores eram, na verdade, valores que deveriam ser tributados na contabilidade da Ympactus e também que as empresas Ympactus e Telexfree constituíam a mesma empresa. Transcrevemse abaixo trechos do Termo de Verificação Fiscal (AC 2013), fls. 469/485, necessários a alguns esclarecimentos: Foi realizada fiscalização para o ano de 2012 sob o MPF 2013.008196, que teve como resultado lançamentos de IRPJ e reflexos, bem como contribuições previdenciárias, controlados, respectivamente, nos processos abaixo: 15586.720083/201402; 15586.720090/201404. O contribuinte não impugnou os lançamentos. Em sentido inverso, os débitos dos processos acima foram parcialmente quitados por compensação com créditos decorrentes de pagamentos de IRRF realizados em 2013. Fezse necessário, então, realizar a fiscalização do ano de 2013 para confirmar a existência dos créditos. (...) Necessário, inicialmente, resumir as conclusões da fiscalização em relação às receitas da atividade da empresa no ano calendário 2012, as quais geraram o lançamento de IRPJ e reflexos da ordem de 90 milhões de reais. O contribuinte tacitamente concordou com as conclusões e conseqüente lançamento, visto que não apresentou impugnação, preferindo a extinção dos débitos via pagamento/compensação. Os relatórios integrais destas fiscalizações, citados neste relatório, encontramse juntados ao processo para eventual consulta, visto que detalham diversos aspectos da fiscalização realizada para 2012. Tendo em vista que o contribuinte não impugnou os lançamentos, não seria razoável concluir que o contribuinte não concordava com as conclusões, uma vez que preferiu realizar a extinção dos débitos que alcançavam valores bastante expressivos (valores da ordem de R$ 90 milhões de reais). (grifei) (...) Tendo sido verificado nos registros contábeis e nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte que a empresa atuava da mesma forma em 2013, exercendo a mesma atividade identificada em 2012, fezse desnecessário realizar novamente todas as análises e diligências já realizadas no sentido de comprovar que as receitas recebidas e administradas pela Ympactus seriam de sua titularidade. No entanto, o contribuinte foi intimado, através do termo de intimação fiscal n° 5, item 11, em 07/08/2014 a apresentar novos argumentos / fatos novos em sua defesa, tendo em vista que não impugnara o lançamento anterior. Na impugnação, embora de forma não muito clara, o contribuinte parece não concordar com o texto supratranscrito, manifestandose nos seguintes termos: Da inexistência de confissão – (fl. 537/impugnação) Alega o FISCO que a própria Contribuinte Ympactus reconheceu que seus Divulgadores são segurados contribuintes autônomos e nesta qualidade quitou a importância relativa a este crédito tributário, tendo quitado parte dos autos de infração que compõem o Processo Administrativo Fiscal nº 1558 6720090/2014 0.04 (sic). Ora, o fato do Contribuinte ter pago tributo não lhe retira o direito de eventualmente discutir, posteriormente requerendo judicialmente sua repetição. O contribuinte segue a defesa apresentando decisão do STJ no sentido de que não se pode afirmar que é inviável questionar dívidas tributárias objeto de confissão ou de parcelamento. As argumentações da defesa vão no sentido de que eventual pagamento anterior do tributo não pode retirar do Contribuinte o direito de discutir posteriormente sua validade. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 781 21 Concordo com a defesa neste aspecto, tanto é que os questionamentos levantados pela impugnante estão todos sendo apreciados na presente decisão. Porém, é importante destacar que, no presente caso, partes das provas que embasaram as irregularidades apontadas pelo fisco foram obtidas em ação fiscal anterior e anexadas aos autos do processo nº 15586.720083/201402. Dentro desse contexto, caberia à defesa ter apresentado elementos que inquinassem a sua validade junto com a peça impugnatória do presente processo, mormente pelo fato de durante a ação fiscal o contribuinte ter sido intimado (através do TIF nº 5, item 11, fls. 373/374) e não se manifestou. Por ser bastante elucidativo, transcrevese resumo, extraído do Termo de Verificação Fiscal (AC 2013), fls.469/485, dos fatos apurados na ação fiscal referente ao 2012, salientandose que o Termo de Verificação Fiscal original (AC 2012) consta às fls. 2/28, trazendo maiores detalhes dos fatos abaixo reproduzidos: 1) Contrato: Receitas da Ympactus x Receitas da Telexfree A cláusula 5.2 do contrato entre Ympactus e Telexfree previa que apenas os valores referentes à venda VOIP deveriam ser repassados à Telexfree e define também que sobre os valores decorrentes da adesão dos divulgadores nada servirá de base para a remuneração da contratante (§2° da cláusula VI). O contribuinte entretanto alegava que toda a receita seria da Telexfree; 2)Utilização pela Ympactus de valores que diziam ser da Telexfree Os investimentos imobiliários realizados pela Ympactus tiveram por base recursos que seriam da Telexfree. A utilização destes recursos contrariou as argumentações apresentadas pelo contribuinte que informavam que os valores eram da Telexfree. Para sanar a questão o contribuinte apresentou um contrato de mútuo entre a Telexfree e Ympactus completamente sem valor; 3)A necessidade de recursos para fazer os pagamentos aos divulgadores. O pagamento aos divulgadores, remuneração pelo trabalho sem vínculo empregatício e demais encargos foi feito pela Ympactus, conforme comprovado pela DIRF e contabilidade apresentada e, portanto, esta deveria ter recursos para cobrir estas despesas; 4)Não houve transferência de recursos da Ympactus para Telexfree O contrato apresentado previa a remessa mensal de recursos para a telexfree, no entanto, não houve qualquer remessa de valores à Telexfree, permanecendo todos os recursos em contas bancárias da Ympactus; 5)Ausência de notas fiscais de serviço. Inexistiam notas fiscais de prestação de serviços da Ympactus para a Telexfree.; 6)Forma de cálculo da comissão da Ympactus. O contribuinte negouse a apresentar a forma de cálculo da remuneração à Ympactus (comissão) pela Telexfree, sob a alegação que era de interesse interno da companhia; 7)Falta de separação na gestão dos recursos. Inexistia qualquer separação entre os recursos das entidades nas contas "bancos". O item 2 supratranscrito trata de aquisição de hotel pela Ympactus, registrado em conta transitória referente a Telexfree inc. Intimado o contribuinte informou ter havido equivoco no lançamento e que na verdade o hotel seria da Ympactus. Indagado sobre a origem dos recursos para a aquisiçãio do hotel, a Ympactus apresentou contrato de mútuo firmado com a Telexfree. O referido contrato de mútuo encontrase copiado à fl. 13 do presente processo, no Termo de Verificação Fiscal do AC 2012, seguido da seguinte observação do auditor fiscal: De pronto notase que o contrato é feito em nome de Telexfree Inc, tendo como Presidente o Sr CarlosWanzeler, porém, é assinado pelo Sr Carlos Costa representante da Telexfree LLC. É fato que a TelexfreeLLC e a Telexfree lNC são empresas distintas, embora possuam sócios em comum. Este contrato é assinado por Carlos Costa tanto pela Telexfree LLC quanto pela Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 782 22 Ympactus. Qual a validade jurídica do contrato que mistura duas diferentes empresas americanas: Telexfree INC e Telexfree LLC? A apresentação do citado contrato apenas para justificar a existência de recursos para a aquisição do Hotel pela Ympactus não pode ser considerada válida. Como dito não há nenhum ingresso na conta bancos na contabilidade da Ympactus dos valores que estariam sendo emprestados. Também não há qualquer lançamento contábil referente ao mútuo ou sob o histórico de empréstimo. O contribuinte confirma a inexistência do lançamento contábil referente ao contrato de mútuo. Também não há comprovação do registro deste contrato. Por fim inexiste qualquer remessa destes valores á Telexfree. (grifei) Observase no contrato de mútuo entre as duas empresas uma cláusula que estabelece a não incidência de juros sobre o valor entregue em mútuo, que constitui um grande benefício que a empresa Telexfree concede à Ympactus. Passase à análise dos fatos apurados na ação fiscal referente ao AC 2013, objeto deste processo. 1) Ativo intangível marca Telexfree (fl.473/Termo de Verificação Fiscal) “O contribuinte registra no seu ativo balanço patrimonial na ficha 36 A da DIPJ 2014, linha 60, Marcas e Patentes o valor de R$ 659.629.591,00. Na escrituração contábil digital ECD, transmitida via SPED o contribuinte informa na conta "1.2.04.03.001.0001 Marcas e Patentes" o mesmo valor de R$ 659.629.591,00 em 31/07/2013. Inexiste na contabilidade da fiscalizada em 2012 e 2013 qualquer lançamento contábil referente à aquisição da marca TELEXFREE, a qual desta forma, concluise que não foi adquirida”. (grifei) 2) Laudo de Avaliação Econômica – anexo ao processo às fls. 267/357. O Laudo de Avaliação Econômica apresenta a demonstração do resultado da empresa, fl. 335, para os meses de janeiro a maio/2013 conforme abaixo: Os valores acima apresentados conflitam com o valor de receita bruta constante da Demonstração de Resultado do Exercício, fl. 411, bem como com o valor da Receita Bruta informado na DIPJ, fl.422, que foi de R$ 30.850.000,00. Conforme afirmado no Termo de Verificação Fiscal, fl.475, “Notase que a demonstração do resultado da Ympactus considerada no laudo equivale à receita que a Ympactus nega que sejam de sua propriedade”. 3) Encargos sociais (inclusive FGTS) (fl.476/Termo de Verificação Fiscal) – “o contribuinte considera dentre as despesas operacionais o valor de R$ 78.772.582,01 que se refere a encargos sociais. Na contabilidade digital transmitida via ECD na conta 5.1.02.01.002.0007 INSS EMPRESA no valor de R$ 78.634.414,85, encontramse os lançamentos das contribuições ao INSS Patronal, ou seja sobre os pagamentos aos trabalhadores sem vínculo empregatício”. “Tais valores também foram informados em DIRF, conforme figura abaixo que apresenta parte do resumo da DIRF do contribuinte e no qual é possível ver a dedução relacionada à previdência social”. (consta, à fl.476, cópia da tela do Sistema Portal DIRF que confirma a afirmação). Embora o contribuinte tenha alegado, à fiscalização, que as receitas e despesas relativas aos recebimentos e pagamentos aos divulgadores seriam responsabilidade da Telexfree, e que a Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 783 23 Ympactus somente faria as retenções/recolhimentos em nome daquela, observase que na apuração contábil do resultado do exercício o contribuinte considera as despesas relativas à previdência social (encargos sociais) como próprias (da Ympactus), sem considerar da mesma forma as respectivas receitas. Verificase que há um novo conflito entre os valores sob análise. Uma receita Bruta de R$ 38.850.000,00, com uma despesa com encargos sociais de R$ 78.634.414,85 (conforme DRE à fl. 411 e DIPJ à fl. 420). Conclui o auditor fiscal: Os fatos novos trazidos ao processo vão no mesmo sentido das conclusões anteriores da fiscalização. As receitas contabilizadas na conta TELEXFREE INC 2.1.02.02.001.0002 são na verdade decorrentes das atividades da Ympactus de criação de uma rede de divulgadores, onde os agregados injetam valores na cadeia e recebem remuneração, decorrente de trabalho sem vínculo empregatício, as quais, da mesma forma, também são despesas da Ympactus Comercial. A remuneração aos divulgadores, o IRRF, a contribuição previdenciária, etc. são despesas da Ympactus, e assim esta precisa ter receitas para fazer frente às despesas. As receitas são os recebimentos dos divulgadores. 4) Empréstimos aos sócios sem lastro nas receitas (fl.477/Termo de Verificação Fiscal) “O contribuinte efetua empréstimos aos sócios em valores superiores às receitas declaradas. Foi então intimado através do TIF n° 5 a esclarecer quais recursos foram usados para empréstimos aos sócios. Respondeu: "quesito 2 os valores emprestados aos sócios originamse de adiantamentos de clientes referente a serviços futuros" . Novamente intimado, através do TIF n° 6, o contribuinte informa que os valores tem origem na antecipação do cliente Telexfree Inc.” Conforme Termo de Verificação Fiscal, fl. 478, “os lançamentos tem como contrapartida a conta "Banco do Brasil", e inexiste qualquer lançamento na contabilidade de 2013 que trate de adiantamento de cliente. Na verdade inexiste qualquer fluxo financeiro da Telexfree Inc para a Ympactus, ou seja, não há nenhuma evidência de que a Ympactus, a luz da contabilidade e dentro da argumentação apresentada tivesse como realizar os empréstimos aos sócios”. Verificase, fls. 74/85, que foram anexados ao processo os contratos de mútuo celebrados entre a Ympactus e seus sócios. Os valores são totalmente incompatíveis com a receita bruta apresentada pela empresa. Listamse abaixo alguns exemplos: [...] (*) Neste contrato, dentre outros, o Sr. Carlos Alberto Costa assina como mutuante e como mutuário. 5) Notas fiscais de prestação de serviços (fl. 478/ Termo de Verificação Fiscal) – “No ano de 2012 verificouse a inexistência de notas fiscais referentes aos serviços que teriam sido prestados pela Ympactus à Telexfree, conforme alegações do contribuinte, serviços estes, definidos no contrato entre partes decorrente da formação da cadeia de divulgadores. Em 2013 o contribuinte apresenta algumas notas fiscais, porém, conforme posteriormente descrito neste relatório referemse a serviços com ênfase em dados de internet, portanto, sem qualquer vinculação com o contrato de prestação de serviços e uso da marca. Neste mesmo sentido é importante ressaltar que neste contrato a remuneração da Ympactus ocorreria mediante o recebimento de uma comissão pela prestação do serviço de formação da rede de divulgadores. Não há nenhuma nota fiscal nesta atividade.” Observese ainda que, no Brasil, a empresa Ympactus opera sob o nome fantasia de Telexfree inc. Pelo acima exposto, concluo que não há separação entre as operações contábeis da Ympactus e da Telexfree e que as empresas constituem, na verdade, a mesma entidade, que a Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 784 24 movimentação financeira da empresa Ympactus é incompatível com sua receita bruta declarada, que não há registros contábeis de várias operações alegadas pela empresa, a exemplo de adiantamento de clientes que permitisse os empréstimos vultosos feitos a seus sócios, dentre outros fatos já acima abordados. Portanto, considero que o contrato celebrado entre ambas é apenas um subterfúgio para reduzir a receita tributável auferida pela autuada. Assim, a receita dos divulgadores, omitida pela empresa, deve sim ser considerada receita da Ympactus. Na defesa apresentada pelo contribuinte não há nada que permita conclusão diferente da que foi acima explicitada. O contribuinte continua sua defesa afirmando “Da boafé da Contribuinte e da impossibilidade de imposição de multa” (fl.542/impugnação) . O contribuinte entende que “agiu com cristalina boafé, e que assim sendo, não cabe o pagamento de multa e outros encargos”. A argumentação do contribuinte não é cabível, tendo em vista que no Direito Tributário, via de regra, a responsabilidade por infrações à legislação fiscal existirá, tenha ou não o sujeito passivo intenção de prejudicar o fisco, ou de ter ele sofrido prejuízos pela infringência da norma tributária (art. 137 do Código Tributário Nacional – CTN). Optou o CTN pela teoria da objetividade da infração fiscal, não importando, para a punição do infrator, salvo disposição de lei em contrário, o elemento subjetivo do ilícito, isto é, se houve dolo ou culpa na prática do ato. Assim sendo, deixase de atender o pleito da autuada, tendo em vista que não existe dispositivo legal atualmente em vigor que estabeleça a dispensa ou redução da multa em decorrência boafé do sujeito passivo. [...]" 3 DA MULTA QUALIFICADA Sobre o assunto, de pronto, esclareçase à interessada que a penalidade aplicada, multa de ofício qualificada no percentual de 150%, (itens do TVF – a seguir transcritos), tem sua gênese no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei n.° 9.430/96 (com a redação dada pelo art. 14 da MP n.º 351/01, convertida na Lei n.° 11.488/07): O Agente Fiscal fundamentou aplicação da multa no seguintes termos, conforme o TVF: "A Lei prevê penalidade pecuniária (multa) quando identificadas algumas condutas do contribuinte. Neste sentido, a Lei nº 9430/96, art. 44, inc I, § 1º, prevê a multa qualificada de 150% na ocorrência dos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964., ou seja, sonegação, fraude e conluio. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). É clara a ocorrência de sonegação (art. 71 da Lei nº 4502/64), visto que o contribuinte ao não confessar os débitos em DCTF, ou seja, omitir valores devidos, tinha por objetivo impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos débitos e a real situação dos pagamentos por ele efetuados. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 785 25 Verificase, também, a existência da conduta caracterizadora da fraude. A fraude é conduta dolosa descrita no art. 72 da Leinº 4502/64. [...] O que caracteriza a fraude do ponto de vista fiscal é o dolo ou má fé. O dolo não se configura pela simples vontade de obter um resultado ou atingir uma finalidade. A vontade é indispensável para associar a consciência de realizar à conduta descrita no tipo. Em outras palavras: aquele que pratica a fraude adota, conscientemente uma conduta com fim doloso específico. Para o ano de 2012 a fiscalização não identificou, com a clareza necessária, o dolo do contribuinte. No entanto, a conduta reiterada do contribuinte ao omitir as receitas decorrentes dos divulgadores com objetivo de reduzir tributos, mesmo após ter sido confrontado com as conclusões da Receita federal do Brasil, que serviram de base para o lançamento no ano de 2012, bem como pelos fatos novos que mostraram que o contribuinte manipula as informações conforme sua conveniência, permitiram caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. No caso em análise, resta claro que os procedimentos adotados pelo contribuinte tiveram por objetivo reduzir ou não pagar tributos de forma fraudulenta. Em virtude das irregularidades e da conduta acima, sobre os valores lançados aplicouse a multa de 150% prevista no art. 44, inc. I, § 1º da Lei 9430/96." A atuação do contribuinte através de duas empresas, Ympactus e Telexfree, esta no exterior, que comprovadamente constituem uma só entidade pela observada indistinção nos registros contábeis e nas transações informadas; bem como a apresentação de contratos e laudo recheados de fragilidades na busca de justificar as irregularidades detectadas na contabilidade, dentre outros aspectos já abordados neste julgado, caracterizam o intuito do autuado de impedir ou retardar conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Da leitura dos reproduzidos dispositivos legais, podese depreender que, nos termos do inciso I do art. 44, nos casos de lançamentos de ofício em que haja a constatação de falta de pagamento ou recolhimento de tributos, de falta de apresentação de declarações e ainda de sua apresentação com valores zerados, deve ser aplicada a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição apurados. Contudo, como também ficou constatada a ocorrência de sonegação mediante fraude, nos termos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa aplicada foi duplicado, em conformidade com o disposto no § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Como visto, frisese, a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% tem fundamento legal no art. 44, inciso I, combinado com o (e) § 1º, da Lei n.º 9.430/96. Segundo o inciso I, a multa proporcional é aplicada no percentual de 75% nos casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Já a majoração/qualificação do percentual da multa para 150% (sua duplicação), conforme determina o § 1º, ocorre nos casos de condutas dolosas do sujeito passivo previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio, o que, como visto, ficou devidamente demonstrado no TVF. Com efeito, as operações realizadas pela empresa fiscalizada, confirmam, de forma inconteste, a fraude/simulação levada a efeito, tudo com o intuito de sonegar tributos. Basta ler Fl. 785DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 786 26 atentamente o TVF para atestar que há provas mais do que suficientes para a qualificação da penalidade. A atuação o contribuinte através de duas empresas, Ympactus e Telexfree, esta no exterior, que comprovadamente constituem uma só entidade pela observada indistinção nos registros contábeis e nas transações informadas; bem como a apresentação de contratos e laudo recheados de fragilidades na busca de justificar as irregularidades detectadas na contabilidade, dentre outros aspectos já abordados neste julgado, caracterizam o intuito do autuado de impedir ou retardar conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. 4 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS: Em relação a responsabilização dos sócios sigo os fundamentos do v. acórdão recorrido, abaixo colacionado: "Após análise do processo, entendo que os diretores, gerentes e representantes das pessoas jurídicas envolvidas devem ser responsabilizados nos termos do inciso III do art.135 do CTN, uma vez que participaram intencionalmente de operações que objetivaram exclusivamente a sonegação da receita bruta auferida pela empresa autuada, inclusive assinando contratos frágeis com o objetivo de justificar irregularidades encontradas no registros contábeis da empresa. Considero que há no processo várias provas da forma de atuação dos administradores, inclusive da participação direta destes, com o intuito de burlar a lei. A existência de contratos de mútuo concedendo empréstimos vultuosos aos diretores da empresa, inclusive em valores excessivamente superiores à receita declarada pela autuada, bem como o contrato de prestação de serviços (fl. 623/626) firmado entre a Ympactus e Telexfree, assinado pelo diretores em comum das duas empresas, caracteriza terem estes agido com excesso de poder. A conduta configura excesso de poder, infração de Lei e ao contrato social, porquanto a grave ilicitude não deve ser tolerada em qualquer dos universos normativos que prescrevem os limites de atuação dos administradores. Devemse citar os contratos de mútuo dos empréstimos feitos aos dirigentes, ressaltese a observação constante no Termo de Verificação Fiscal, fl.478: Também é necessário registrar que o contrato social da empresa determina que operações desta natureza precisariam ser assinadas por todos os sócios. O que não é fato nos documentos apresentados. Inclusive, observamse contratos de mútuo, fls.79/80, entre a Ympactus e o Diretor Carlos Roberto Costa, onde este assina como representante da empresa e como beneficiário do empréstimo, caracterizando ter o sócio agido com excesso de poder. Portanto, concluo pela manutenção da responsabilização dos sócios pelos créditos apurados no auto de infração sob análise neste processo." 4 CONCLUSÃO Fl. 786DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 15586.720626/201483 Acórdão n.º 1402002.130 S1C4T2 Fl. 787 27 Isso posto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto pela empresa e seus sócios diretores e nego provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 10715.006256/2010-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 56 /2 01 0- 16 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 268 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.800, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 269 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 270 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 271 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 272 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 273 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 274 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006256/201016 Acórdão n.º 9303003.776 CSRFT3 Fl. 275 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15983.000406/2007-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). Mandado de Procedimento Fiscal é termo para o início da fiscalização e não para o lançamento do tributo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). Mandado de Procedimento Fiscal é termo para o início da fiscalização e não para o lançamento do tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 04 06 /2 00 7- 28 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 9303003.498 CSRFT3 Fl. 879 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão, consubstanciada no Acórdão n° 3301002.279, de 27 de março de 2014 (fls. 813 a 820), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte conforme a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Por força da interpretação dada pelo § 9ºA, inserido na Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873, de 2013, essas deduções incluem “o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9° entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”. Recurso Provido. A admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, interposto em 16 de setembro de 2014 (fls. 827831), ocorreu por intermédio do Despacho n° 3300000.256, de 24 de outubro de 2014 (fls. 833837). É o relatório. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 9303003.498 CSRFT3 Fl. 880 3 Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. No que tange à divergência para a admissibilidade, citase a análise formulada quando do Despacho de Admissibilidade n° 3300000.256: A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão da decisão recorrida ter reconhecido a decadência das contribuições apuradas no período de 04/2002 a 08/2002, aplicando o art. 150, § 4°, do CTN (prazo decadencial de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária). Esses são os fatos. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma no recurso, o Acórdão nº 230101.568. Vejamos a sua ementa, transcrita a seguir na parte que interessa à presente análise: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei N° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O clies a ci tro do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatando se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art.. 173, inciso I do CTN. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 9303003.498 CSRFT3 Fl. 881 4 Neste ponto, para melhor ilustrar a divergência em análise, cabe transcrever fragmentos dos votos do acórdão recorrido e do paradigma (grifo nosso): Acórdão Recorrido: (...) Acolho a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência de agosto de 2002, inclusive, tendo em vista que a mesma teve ciência dos autos de infração de PIS/Pasep e Cofins, em 05/09/2007 (fl. 594), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: (...) Desta forma, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos da data do fato gerador previsto no art. 150, § 4º do CTN, sobretudo porque estão sendo exigidas apenas as diferenças apuradas, em virtude da divergência existente sobre as deduções das bases de cálculo encontradas pela Recorrente. (...) Paradigma: A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991, dez anos, ou o CTN,cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF), Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: (...) Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere à decadência, da definição de seu prazo, 05 anos, em harmonia com o previsto no CTN, deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I do CTN. (...) Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 9303003.498 CSRFT3 Fl. 882 5 cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de oficio em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: (...) Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública,"considerase homologado" é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado". A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão "pronunciado" não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de oficio. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4 º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão "pronunciado", Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. (...) Pelo acima exposto, com o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões, resta evidenciada a divergência quanto à forma de contagem do prazo decadencial para o caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O acórdão recorrido decidiu por aplicar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos da data do fato gerador, previsto no Art. 150, § 4º do CTN, para o lançamento de diferenças apuradas, em virtude da divergência existente sobre as deduções das bases de cálculo das contribuições PIS/Pasep e Cofins. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria referente a lançamento de contribuições sociais, considerou que uma vez iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passaria a ser regida pelo art. 173, inciso I do CTN e não mais pelo art. 150, § 4º. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 9303003.498 CSRFT3 Fl. 883 6 Devese ressaltar que tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma observaram o disposto na Súmula Vinculante n° 8 do STF, contudo chegaram a resultados distintos. Portanto, em que pese os argumentos das contrarrazões da Contribuinte (fls. 856864) pela não admissibilidade do Recurso Especial, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial e assim voto pela admissibilidade. DO MÉRITO Percebese que a decisão recorrida tratou das seguintes matérias: 1) que a Súmula do STF tem efeito vinculante em relação ao Poder Judiciário e à administração federal pública direta e indireta; 2) que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de acordo com o art. 150, § 4°, do CTN, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; 3) que a partir de dezembro de 2001 as operadoras de plano de assistência a saúde tem o direito às deduções relacionadas no art. 3°, § 9°, da Lei n° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001. O Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 827 a 831) tratou da tempestividade, do cabimento do recurso e dos fundamentos para a reforma do Acórdão n° 3301002.279. Neste explicita que “(...) não se discute a aplicação do art. 150, §4º do CTN, mas a forma pela qual foi aplicada a norma (…)”. O questionamento da Procuradoria da Fazenda Nacional cingese ao entendimento de que qualquer manifestação da fiscalização é suficiente para se evitar a homologação tácita. Alega que como a Contribuinte tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, em 28/02/2007 (fl. 1), as contribuições apuradas após 02/2002 não foram alcançadas pela decadência. No entendimento do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, bem como dos demais membros presentes na sessão de 27 de março de 2014, quando da decisão, acolheuse a preliminar de decadência suscitada pela Contribuinte (fl. 818) “relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência de agosto de 2002, inclusive, tendo em vista que a mesma teve ciência dos autos de infração de PIS/Pasep e Cofins, em 05/09/2007 (fl. 594), em conformidade com a Súmula Vinculante n° 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 (...)”. Entendeuse, assim, que deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, sob o argumento de que “(...) sobretudo porque estão sendo exigidas apenas as diferenças apuradas, em virtude da divergência existente sobre as deduções das bases de cálculo encontradas pela Recorrente (...)”( fl. 818). (grifouse). Percebese que, por um lado, no entendimento da Procuradoria, como a Contribuinte tomou ciência do MPF em 28/02/2007, as contribuições ao PIS/COFINS apuradas após 02/2002 não foram alcançadas pela decadência; por outro lado, no entendimento dos Conselheiros da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, como a Contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 05/09/2007, acolheuse a em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência de agosto de 2002 (inclusive). Portanto, considerando que: (1) das três matérias objeto do Acórdão n° 3301 002.279, de 27 de março de 2014, a Fazenda Pública interpôs Recurso Especial apenas em Fl. 883DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 9303003.498 CSRFT3 Fl. 884 7 relação à questão decadencial (segunda parte da ementa); (2) a Contribuinte fez o recolhimento do tributo apurado; (3) o questionamento sobre as deduções feitas pela contribuinte foram julgadas procedentes; (4) a Fazenda Pública sobre esta matéria anuiu, por ser silente nesta em seu Recurso Especial; voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Pública, visto que a ciência da Contribuinte por intermédio do Mandado de Procedimento Fiscal é para o início da fiscalização e não para o lançamento do tributo. Valcir Gassen Fl. 884DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.724211/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2006
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL.
Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado.
Numero da decisão: 2201-003.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
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AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 42 11 /2 00 9- 58 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 27/07/2009, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, decorrente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 14.445,34 referente à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Constou da referida notificação que de acordo com informações da Fonte Pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil o imposto retido na fonte no valor de R$ 14.445,34foi depositado em juízo, não podendo ser objeto de restituição através de Declaração de Ajuste Anual. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2 e 23, alegando isenção do pagamento do imposto de renda referentes aos proventos de aposentadoria por ser portador de moléstia grave especificada em lei, conforme laudo médico de fl. 24. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) na declaração de ajuste anual retificadora (fls. 16/19), o contribuinte deixou em branco (zerado) o campo “rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica” e transferiu os rendimentos pagos pela Previ, de R$ 99.459,52, para o campo “rendimentos isentos e nãotributáveis – proventos de aposentadoria por moléstia grave”; b) os documentos anexados à impugnação comprovam um dos requisitos para a isenção: proventos de aposentadoria (fl. 9). Quanto ao segundo requisito, condição pessoal de portador de moléstia grave, o documento apresentado (fl. 24) – relatório emitido por médico servidor público federal em receituário do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgar Santos – não atende às exigências legais de laudo pericial emitido por serviço médico federal, caso do órgão emissor, autarquia federal, posto que, a Portaria da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) nº 797, de 22/03/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, institui o Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal, a ser adotado como referência nos procedimentos periciais em saúde na Administração Pública Federal. Nele está estabelecido que a avaliação para isenção de imposto de renda compete à junta Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724211/200958 Acórdão n.º 2201003.132 S2C2T1 Fl. 115 3 oficial em saúde ou a perito oficial em saúde, obrigatoriamente, designado em documento legal, o que não restou comprovado; c) no lançamento ora impugnado, entretanto, não há infração quanto à omissão de rendimentos, mas sim a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pois na análise da declaração retificadora, ND 05/34.481.462, de 26/05/2009, detectouse que o imposto de renda retido na fonte declarado, de R$ 14.445,34, foi depositado em juízo, conforme informações na Dirf da fonte pagadora, Previ (fl. 25); d) o contribuinte não anexou à impugnação qualquer decisão judicial que identifique a destinação do IRRF depositado judicialmente, relativo ao ano calendário de 2005; e) o lançamento fiscal está de acordo com o contexto de questionamento judicial, pois o que está sendo exigido do contribuinte é a devolução do imposto não recolhido aos cofres públicos e que foi restituído indevidamente. Observase que a integralidade do IRRF declarado pelo contribuinte, no montante de R$ 14.445,34, foi depositada em juízo, portanto, não estava disponível para que fosse restituída. Qualquer restituição deste valor somente seria cabível se a União fosse vitoriosa na ação judicial, e somente a partir do momento em que o depósito judicial fosse convertido em renda da União. Caso contrário, ocorreria uma restituição em duplicidade ao contribuinte, pois ele já teria recebido uma restituição no valor de R$ 6.097,04, e no momento que obtivesse êxito na ação judicial, receberia a integridade do valor IRRF depositado judicialmente, no montante de R$ 14.445,34. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte aduz, em síntese, que: a) em cumprimento da determinação judicial, a fonte pagadora passou a realizar o depósito do IRRF perante a Caixa Econômica Federal na conta judicial n.º 975.635.0202.4406, procedimento que foi realizado desde o anocalendário 2001 até o anocalendário 2009,inclusive no anocalendário controvertido (2005), como pode ser observado no informe de Rendimento do recorrente, bem como no próprio acórdão objeto do presente recurso; b) em sua declaração de IRPF do exercício de 2006, o recorrente fez constar o valor que havia sido retido na fonte pela entidade pagadora, sendo que a RFB a processou e deferiu a restituição do IRPF recolhido a maior; c) após realizada a restituição, em 2009, a SRFB emitiu Notificação de Lançamento sob o argumento de que tal restituição teria sido indevida, em razão de o valor do IRRF depositado em juízo não ter sido até então convertido em renda em favor da União; d) o processo judicial proposto pelo contribuinte findouse em 05/12/2003 (consulta processual doc 2), momento no qual teve Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 início o processo de execução de sentença proposto pela União (vide consulta processual doc 3) que veio a encerrar em 10/02/2006; e) caberia a União prestar a informação relativa ao recebimento dos valores, uma vez que a execução da sentença relativa ao processo em que os depósitos judiciais foram realizados foi promovida pela própria União; f) caso o montante não tenha sido efetivamente devolvido aos cofres públicos por omissão ou mora, tal situação jamais poderia ser imputada ao contribuinte; g) nulidade da notificação de lançamento por vício formal decorrente da ausência de enquadramento legal correlacionado com a descrição dos fatos; h) embora a ação ordinária e sua execução tenham findado, respectivamente, em 2003 e 2006, nada impede que os depósitos judiciais tenham continuado a ocorrer, como efetivamente o foram; i) os depósitos realizados pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, perpetuaramse mesmo após o final do processo, provavelmente, em razão de a fonte pagadora, que não foi parte no processo judicial, não ter sido informada do término da ação, o que deveria ter sido determinado pelo juiz da causa ou mesmo solicitado pela PGFN na condição de representante da União, maio interessada no recebimento do valor correspondente ao IRRF; j) a realização dos depósitos judiciais estavam amparados por decisão de juiz competente para determinálos e não contaram com qualquer participação por parte do contribuinte; k) em que pese o coerente requisito da necessidade de a União ter sido vitoriosa na ação judicial, o mesmo não pode ser dito do requisito do depósito já ter sido convertido em renda, pois ocorrido o trânsito em julgado de sentença favorável para a União, o levantamento do valor depositado dependia exclusivamente da Procuradoria da Fazenda Nacional; l) o simples fato de a União ter promovido a execução de sentença já é suficiente para se aduzir que a mesma consagrou se vitoriosa no processo de origem, afastando a ilação da SRJ no sentido de que se o contribuinte obtivesse êxito na ação judicial, poderia obter a restituição em duplicidade; m) o contribuinte não fez prova de que a sentença foi favorável à União, porque, em razão dos vícios da notificação, desconhecia o teor das imputações que estavam lhe sendo feitas; n) o contribuinte não conseguiu obter a cópia dos autos do processo judicial, devido ao arquivamento e aos problemas estruturais da Seção de Arquivo e de Depósito Judicial; o) no que se refere à conversão do valor depositado em renda, ainda que o mesmo não tenha ocorrido integralmente, isto se deu pela simples inércia da fazenda Nacional que, de posse de título Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724211/200958 Acórdão n.º 2201003.132 S2C2T1 Fl. 116 5 executivo favorável a si não procedeu com a conversão do valor depositado em renda; p) considerando que a ação ordinária transitou em julgado em 05 de agosto de 2003 (doc 05), todos os depósitos judiciais que o sucederam eram por direito da União, podendo ser, a qualquer tempo levantados; q) o comportamento do contribuinte encontra guarida na IN n.º 1.216/2011, que constitui norma complementar à legislação tributária, cuja observância afasta a exigência de qualquer montante a título de multa e juros de mora; r) requer o contribuinte a conversão do julgamento em diligência para que seja oficiada a PGFN para que preste informações acerca dos processos judiciais de n.º 2001.34.00.0025136 e 2003.34.00.0124186 (Seção Judiciária de Brasília) informando sobre o conteúdo da sentença e sobre a conversão em renda dos valores depositados em favor da União e da existência de saldo remanescente passível de conversão complementar; s) requer também o recorrente que seja solicitada à PGFN que oficie a CEF no sentido de obter o saldo disponível da conta bancária dos depósitos judiciais, os quais permanecem pendentes de transferência para a conta da União, em decorrência da decisão transitada em julgado; t) demanda o contribuinte pela possibilidade de realizar a juntada de novos documentos como forma de fazer prevalecer o princípio do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Da ausência de nulidade da notificação de lançamento Aduz o recorrente a nulidade da notificação de lançamento por vício formal decorrente da ausência de enquadramento legal correlacionado com a descrição dos fatos. Tal vício suscitado, ainda fosse identificado, não seria capaz de ensejar a nulidade do auto de infração, pois, conforme consta dos autos, o contribuinte efetivamente se defendeu com base no objeto da notificação, que foi a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de $ 14.445,34 depositado em juízo. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 O artigo 59 do Decreto 70.235/1972 assim dispõe sobre as nulidades: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O mesmo Decreto, em seu art. 60, esclarece que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Assim, ao contrário do sustentado pelo contribuinte, não houve cerceamento do direito de defesa, o que pode ser claramente observado em todas as fases do presente processo, e, ainda que eventualmente estivesse imprecisa a fundamentação legal, não restou demonstrado prejuízo ao contribuinte. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. Da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte Conforme relatado, em 27/07/2009, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, decorrente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de $ 14.445,34 referente à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, tendo em vista que o citado valor foi depositado em juízo, não podendo ser objeto de restituição através de Declaração de Ajuste Anual. O contribuinte, em suas razões recursais, tece argumentações considerando que o processo judicial no qual figura com autor findouse em 05/12/2003 (processo n.º 2001.34.00.0025136, em trâmite na Seção Judiciária do Distrito Federal) e o processo de execução de sentença proposto pela União encerrouse em 10/02/2006 (processo n.º 2003.34.00.0124186). Desse modo, aduz o recorrente que, devido ao trânsito em julgado da ação no ano de 2003, todos os depósitos judiciais que o sucederam eram por direito da União, podendo ser, a qualquer tempo levantados. Ademais, tendo em vista que o contribuinte não logrou êxito ao solicitar a cópia do processo judicial, em razão da suposta indisponibilidade para cópia no setor de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724211/200958 Acórdão n.º 2201003.132 S2C2T1 Fl. 117 7 arquivos, pugnou pela conversão em diligência para que seja oficiada a PGFN a prestar informações acerca dos processos judiciais em comento informando sobre o conteúdo da sentença; sobre a conversão em renda dos valores depositados em favor da União; e a existência de saldo remanescente passível de conversão complementar. Pleiteou também o recorrente a determinação à PGFN que oficie à CEF no sentido de obter o saldo disponível da conta bancária dos depósitos judiciais, os quais permanecem pendentes de transferência para a conta da União; bem como que seja aberta a possibilidade de realização da juntada de novos documentos como forma de fazer prevalecer o princípio do contraditório e da ampla defesa. Em consulta aos documentos anexados pelo recorrente, fls. 100 e 101, verificase que o saldo de depósitos referentes inclusive ao anocalendário em questão (2006) ainda encontravamse em conta judicial em 23/01/2013, ou seja, não haviam sido convertidos em renda para União, quando da realização do pedido de compensação. Além disso, em consulta realizada no sítio do Tribunal Regional Federal da 1º Região, foi possível identificar que a baixa ocorrida nas duas ações (ordinária e de execução) nos respectivos anos de 2003 e 2006 foram canceladas, sendo retomado o andamento processual, o que corrobora o fato de que os valores depositados em juízo não estavam disponíveis para a União, no período em que foi realizada a compensação, conforme andamento processual abaixo: a) Processo n.º 2001.34.00.0025136 Procedimento Ordinário Movimentação Data Cod Descrição Complemento 12/04/2016 12:42:35 123 BAIXA REMETIDOS PARA EXECUCAO SENTENCA ATUALIZAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃOALTERAÇÃO DE CLASSE PARA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA PROCESSO 20030424186 FLS630V NO DIA 05122003 20/10/2015 15:32:26 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO 15/09/2015 13:39:38 204 OFICIO EXPEDIDO 17/08/2015 15:37:02 204 OFICIO ORDENADA EXPEDICAO 17/08/2015 15:36:56 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 10/08/2015 15:23:33 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 10/08/2015 15:23:17 124 BAIXA CANCELADA RESTAURADA MOVIMENTACAO PROCESSUAL 05/12/2003 10:58:59 123 BAIXA REMETIDOS PARA EXECUCAO SENTENCA Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 b) Processo n.º 2003.34.00.0424186 Cumprimento de Sentença Movimentação Data Cod Descrição Complemento 15/04/2016 14:41:14 204 OFICIO ORDENADA EXPEDICAO 15/04/2016 14:41:08 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 13/04/2016 17:09:07 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 06/08/2015 14:22:08 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO PETIÇÃO REITERA PEDIDO DE FLS 704 06/08/2015 14:12:27 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA SEM PETIÇÃO 30/07/2015 12:45:31 126 CARGA RETIRADOS ADVOGADO REU RETIRADOS PELO FUNC UBIRAJARA EVANGELISTA DE AVILA RG 932315 SSPDF ADVGDF00002787 IVO EVANGELISTA DE AVILA TELEFONE3226980085501512 DATA DEVOLUÇÃO03082015 QTDE FOLHAS709 29/07/2015 11:55:02 185 INTIMACAO NOTIFICACAO VISTA ORDENADA REU OUTROS 29/07/2015 11:54:56 179 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA PUBLICADO DESPACHO 03/07/2015 17:28:00 178 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA PUBLICACAO REMETIDA IMPRENSA DESPACHO PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 290715 28/05/2015 15:04:06 176 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA ORDENADA PUBLICACAO DESPACHO 28/05/2015 15:03:46 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 26/05/2015 16:25:27 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 18/03/2015 13:10:48 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO 18/03/2015 12:38:58 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA 18/03/2015 12:38:53 124 BAIXA CANCELADA RESTAURADA MOVIMENTACAO PROCESSUAL 10/02/2006 11:16:27 123 BAIXA ARQUIVADOS Portanto, verificase que o trânsito em julgado da decisão, com baixa definitiva do processo n.º 2001.34.00.0025136 Procedimento Ordinário, ocorreu apenas em 12/04/2016, ocasião na qual foi remetido para a execução de sentença. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724211/200958 Acórdão n.º 2201003.132 S2C2T1 Fl. 118 9 Dessa forma, não se faz necessária a conversão em diligência pleiteada pelo contribuinte, tendo em vista que foram identificados todos os elementos necessários para o deslinde do litígio. Nesse contexto, tendo em vista a motivação da glosa, as alegações do contribuinte, bem como o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96 (Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão), deve ser mantida a glosa referente à compensação indevida, pois, quanto realizada a compensação, a ação judicial ainda encontravase em trâmite e os depósitos não haviam sido convertidos em renda para a União. Assim, diante da impossibilidade de compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, não assiste razão ao recorrente. Dos juros e da multa aplicados Sustenta o recorrente a sua fiel observância da legislação tributária sendo indevida a aplicação de juros e de multa. Não obstante as alegações acerca dos juros e da multa, conforme restou demonstrado anteriormente, houve de fato a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que enseja a correspondente aplicação de juros e multas nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei n.º 9.430/96, art. 18 da Lei n.º 10.833/2003. Assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.720871/2013-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 27/02/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE.
1. Sendo omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma, cabem embargos de declaração (art. 65 do RICARF).
2. Se o suprimento da omissão implicar alteração do resultado do julgamento, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. RETORNO À ORIGEM.
1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública.
2. Afastada a preliminar de decadência acolhida em impugnação pela DRJ, é cabível o retorno dos autos à instância de origem, para apreciação das demais questões de mérito levantadas na impugnação.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela União (Fazenda Nacional), dando-lhes efeitos infringentes, para afastar a decadência da multa lançada através do AIOA e determinar o retorno dos autos à DRJ para que aprecie as demais questões de mérito levantadas na impugnação.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 27/02/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. 1. Sendo omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma, cabem embargos de declaração (art. 65 do RICARF). 2. Se o suprimento da omissão implicar alteração do resultado do julgamento, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. RETORNO À ORIGEM. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Afastada a preliminar de decadência acolhida em impugnação pela DRJ, é cabível o retorno dos autos à instância de origem, para apreciação das demais questões de mérito levantadas na impugnação. Embargos Acolhidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720871/201323 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402005.161 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria DECADÊNCIA. MULTA. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CREDIT SUISSE HEDGINGGRIFFO CORRETORA DE VALORES S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 27/02/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. 1. Sendo omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma, cabem embargos de declaração (art. 65 do RICARF). 2. Se o suprimento da omissão implicar alteração do resultado do julgamento, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. RETORNO À ORIGEM. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Afastada a preliminar de decadência acolhida em impugnação pela DRJ, é cabível o retorno dos autos à instância de origem, para apreciação das demais questões de mérito levantadas na impugnação. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 71 /2 01 3- 23 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela União (Fazenda Nacional), dandolhes efeitos infringentes, para afastar a decadência da multa lançada através do AIOA e determinar o retorno dos autos à DRJ para que aprecie as demais questões de mérito levantadas na impugnação. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 16327.720871/201323 Acórdão n.º 2402005.161 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face de acórdão desta Turma, cuja ementa e resultado são os seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 27/02/2008 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso de Ofício Negado. A União Fazenda Nacional opôs embargos de declaração afirmando ter havido omissão. No seu entender: a) o presente processo também englobaria Auto de Infração referente à multa por descumprimento de obrigação acessória; b) tratandose de lançamento de multa, que seria sempre de ofício, e não por homologação, aplicarseia a regra do inc. I do art. 173 do CTN, tendo a Turma apresentado fundamentação apenas no tocante à obrigação principal. Nesses termos, requereu a embargante o conhecimento e o acolhimento dos embargos, para sanar o suposto vício e prequestionar a matéria. É o relatório. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento Os embargos são tempestivos e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. 2 Da omissão Os embargos merecem prosperar, pois, como sustenta a embargante, o acórdão embargado é omisso. Conforme AIOA de fls. 302 e seguintes; Relatório Fiscal de fls. 305 e seguintes; e o próprio relatório do acórdão embargado; o presente PAF também contempla a imposição de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo inaplicável o disposto no § 4º do art. 150 (se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação). Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito estampado no § 4º do art. 150 do CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de Fl. 753DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 16327.720871/201323 Acórdão n.º 2402005.161 S2C4T2 Fl. 4 5 cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. [...] (PAF 10803.720155/201216, Recurso Voluntário, Data da Sessão: 09/12/2015, Relator: Ronaldo de Lima Macedo; Nº Acórdão: 2402004.781) Do CSRF, extraise o seguinte precedente: DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratandose de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN. ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). Recurso Especial do Contribuinte negado. (Número do Processo: 13005.001861/200791; Recurso Especial; Data da Sessão: 09/12/2015; Relator(a) MARIA HELENA COTTA CARDOZO; Nº Acórdão 9202003.667) O acórdão embargado, contudo, não se pronunciou sobre a existência da obrigação acessória, tampouco sobre a regra do inc. I do art. 173, tendo aplicado apenas a norma do § 4º do art. 150, partindose do pressuposto equivocado de que o PAF englobaria apenas as contribuições lançadas. Aí reside a omissão que está sendo sanada nestes embargos. Consequência inafastável do suprimento do citado vício é a alteração do resultado do julgamento no tocante ao AIOA. Os fatos geradores da obrigação acessória ocorreram em fevereiro/2008 e o prazo decadencial para o seu lançamento teve início em janeiro/2009, de forma que o lançamento ocorrido em agosto/2013 não foi atingido pela decadência, pois efetivado antes do transcurso do prazo de cinco anos. Logo, deve ser afastada a decadência no que diz respeito à multa lançada através do AIOA. Afastada a preliminar de decadência acolhida em impugnação pela DRJ, é cabível o retorno dos autos à instância de origem, para apreciação das demais questões de mérito levantadas na impugnação, sob pena de supressão de instância. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração opostos pela União Fazenda Nacional, para, dandolhes efeitos infringentes, afastar a decadência da multa lançada através do AIOA e determinar o retorno dos autos à DRJ, para que aprecie as demais questões de mérito levantadas na impugnação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10831.009395/00-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/09/1997
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO SEM GUIA DE IMPORTAÇÃO OU LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. CONSEQUÊNCIAS.
Demonstrado que o importador equivocou-se quando da indicação do ex tarifário e, por conta de tal equívoco, evitou que a mercadoria obtivesse o correto licenciamento, correta é a aplicação da multa de 30%, por importação ao desamparo de licença de importação.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9303-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de voto, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Julgamento iniciado na sessão de 16/3/2016, em que votaram o Relator e os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Valcir Gassen, tendo sido interrompido em face do pedido de vista da Conselheira Vanessa Marini Cecconello e concluído nesta data.
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
Henrique Pinheiro Torres Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 15/09/1997 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO SEM GUIA DE IMPORTAÇÃO OU LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. CONSEQUÊNCIAS. Demonstrado que o importador equivocou-se quando da indicação do ex tarifário e, por conta de tal equívoco, evitou que a mercadoria obtivesse o correto licenciamento, correta é a aplicação da multa de 30%, por importação ao desamparo de licença de importação. Recurso Especial Provido.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/09/1997 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO SEM GUIA DE IMPORTAÇÃO OU LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. CONSEQUÊNCIAS. Demonstrado que o importador equivocouse quando da indicação do ex tarifário e, por conta de tal equívoco, evitou que a mercadoria obtivesse o correto licenciamento, correta é a aplicação da multa de 30%, por importação ao desamparo de licença de importação. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de voto, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Julgamento iniciado na sessão de 16/3/2016, em que votaram o Relator e os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Valcir Gassen, tendo sido interrompido em face do pedido de vista da Conselheira Vanessa Marini Cecconello e concluído nesta data. Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente Henrique Pinheiro Torres – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 93 95 /0 0- 97 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de segunda instância, que passo a transcrever. Tratase de Auto de Infração (fls.07/12) através do qual se exige Imposto de Importação, Multa por Infração Administrativa ao Controle das Importações (artigo 526, II, RA), Multa de Oficio (art. 44, I, Lei n° 9.430/96) e acréscimos legais, pelos motivos aduzidos no item descrição dos fatos (fls. 08/09) e no Termo de Constatação Fiscal (fls. 13/21), quais sejam: através da DI 71 ° 97/08313688, registrada em 15/09/97, o importador submeteu a despacho uma máquina para resfriar e congelar alimentos com sistema transportador, computadorizada, composta de quatro câmaras principais e duas de préresfriamento com acessórios e os seguintes equipamentos: evaporadores e condensadores de refrigeração; de iluminação a prova de vapores; pressurizadores; de controle de umidade; classificável na TEC no código 8418.69.90 (EX 003); o importador solicitou o desembaraço da mercadoria com base no ex tarifário 003, que ampara a redução tarifária para 0% da alíquota do com fulcro na Portaria MF Nº 279, de 03/12/96; através de laudo técnico concluiuse que (lls. 14) o equipamento vistoriado está parcialmente em conformidade com a documentação apresentada, haja vista que: tratase efetivamente de remessa de câmaras de resfriamento e congelamento de alimento; os quatro equipamentos instalados em Campinas trabalham de maneira independente entre si; os equipamentos não apresentam sistema de transporte, sendo utilizada empilhadeiras elétricas, para carga e descarga do alimento; os equipamentos vistoriados não apresentam automação computadorizada, funcionando de maneira independente e restrita. assim, concluiuse que a mercadoria efetivamente importada não se enquadra no 'ex', bem como está declarada incorretamente, inclusive com relação ás quantidades; consta do Termo de Constatação Fiscal (fls. 15), que a máquina efetivamente importada não corresponde ao descrito na respectiva declaração de importação, uma vez que foi declarado uma máquina e, conforme constatado, tratase não de uma, mas Fl. 402DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10831.009395/0097 Acórdão n.º 9303003.816 CSRFT3 Fl. 402 3 de seis máquinas independentes, além disso, as máquinas não possuem o sistema transportador e tampouco são computadorizadas; consta também que o fato das duas máquinas de pré resfriamento não serem encontradas instaladas no estabelecimento do contribuinte (constatado juntamente com o Engenheiro Responsável pelo Laudo), e sim na sua Fazenda (conforme declaração verbal), efetuando o resfriamento de banana para efeito de transporte, confirma a conclusão do laudo no que aponta a independência destas, logo, o contribuinte se utilizou indevidamente do Ex 003 NCM 8418.69.90 no Despacho de Importação, haja vista que o texto da Portaria — MF 279, de 03/12/96, que ampara o referido 'ex', é claro ao especificar que a máquina em questão tem de possuir o sistema transportador e ser computadorizada; vejamos o texto: "Máquina para resfriar e congelar alimentos, com sistema transportador. Computadorizada.", portanto, concluiuse que o contribuinte não tem direito a redução tarifária da alíquota do II, prevista no 'EX' utilizado no despacho, por não estar literalmente citada no seu texto, conforme estabelece a legislação vigente (art 111 do CTN); sendo assim, cobrase no AI o II devido, apurado em face do não reconhecimento do pleito do contribuinte referente ao `ex', somado aos acréscimos legais devidos; no mais, considerase, ainda, como mercadoria importada ao desamparo de LI — Licença de Importação, haja vista que esta deve ser preenchida da maneira mais completa possível, devendo inclusive mencionar o número de série da mercadoria importada; como o contribuinte declarou incorretamente o destaque 'EX', exigindose um novo Licenciamento, já que a quantidade e a descrição da mercadoria estão incorretos (exigindo, inclusive, nova adição,), não permitido, por si só seu novo enquadramento tarifário, não se trata, por isso, de aplicação da ADN 12/97. A capitulação das exigências encontrase às fls. 08, 09, 11 e 12. Anexos os documentos de fls. 22/53, entre os quais, Laudo Técnico (fls. 34/53). Ciente do Auto de Infração (fls. 21), o contribuinte apresentou Impugnação às fls. 59/72, na qual alega, em suma, que: o bem importado se enquadra perfeitamente no 'EX Tarifário' pleiteado, pois os motivos vislumbrados pelo autuante para determinar a exclusão desse regime especial não existem, o que também torna indevida a multa aplicada poi falta de Licença de Importação; o bem importado está enquadrado na classificação tarifária, no rigor da respectiva Declaração de Importação e em perfeita Fl. 403DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 consonância com o artigo 100 do RA, como reconheceu o próprio autuante; com efeito, o autuante admitiu que essa classificação está correta, pois além de mantêla, citoua expressamente no item 2 do mencionado Termo de Constatação Fiscal; assim, o reconhecimento oficial da exatidão da classificação tarifária, representa o primeiro elemento de convicção sobre o enquadramento do bem importado no 'EX tarifário' correspondente. na execução da vistoria física, constatou o autuante que o bem importado "tratase efetivamente de remessa de câmaras de resfriamento e congelamento de alimentos, configuração esta exigida pelo 'Ex Tarifário' em questão; portanto, no tocante à função central que o bem deve ter e executar, estão plenamente atendidas as condições paia enquadramento no regime especial em análise, haja vista que o 'EX003', para o código NCM 84.18.6990 tem a seguinte dicção: "Máquina para resfriar e congelar alimentos.."; o próprio autuante reconhece que o bem importado desempenha as funções nucleares exigidas pelo referido "EX Tarifário" e a objeção fiscal, portanto, esta alicerçada em funções secundárias que o bem importado não teria; não procede a afirmação do autuante de que 'foi declarado 01 (uma) máquina e conforme constatado, tratase não de 01 (uma), mas de 06 (seis) máquinas independentes", posto que conflita com o próprio laudo emitido pelo Assistente Técnico (Eng. José Renato Garzillo), que registra: "Constatamos que os 4 equipamentos (câmaras principais) instaladas em Campinas trabalham de maneira independente entre si, em relação aos instalados no Vale do Ribeira ( 'câmaras de préresfriamento); contrariamente ao entendimento da fiscalização, as 4 câmaras principais e as duas câmaras de préresfriamento, por desempenharem conjuntamente uma função bem determinada (resfriar e congelar alimentos), e também por terem sido importadas em um único embarque, constituem uma única máquina, conforme definem as notas 4 e 5 da Seção XVI das "Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias — NESH"; o laudo técnico, nas fotos complementares, demonstra que existe um único painel elétrico para o controle das 4 câmaras principais — 3 conjuntos de botões para cada câmara — portanto, comprovado esta que as 4 câmaras principais formam um único conjunto, no rigor da Nota 4 da Seção XVI da NESH, a foto 12 demonstra que 'o conjunto de válvulas para injeção de etileno' está apoiado no quadro comum para as 4 câmaras principais; portanto, a afirmativa do autuante sobre a existência de 4 máquinas não encontra respaldo no laudo técnico solicitado pelo Fisco, nem tampouco nas disposições da NESH; Fl. 404DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10831.009395/0097 Acórdão n.º 9303003.816 CSRFT3 Fl. 403 5 assim sendo, apesar das 4 câmaras principais poderem trabalhar isoladamente, ha condições técnicas para o trabalho em conjunto, com a execução de uma função bem determinada (resfriar e congelar alimentos), como exige a NESH; no tocante às câmaras de préresfriamento, cabe destacar que o 'Extarifário' não exige que elas sejam instaladas no mesmo local das câmaras principais, ademais, conforme o laudo técnico, essas câmaras desempenham uma função coadjuvante, correspondente ao préresfriamento, garantindo, dessa forma, a integridade da função nuclear desempenhada pelas câmaras principais — resfriar e congelar alimentos, o que garante o controle sobre o amadurecimento do produto (bananas), que é o objetivo .final do processo vinculado referida máquina importada; as câmaras principais, bem como as câmaras de pré resfriamento, formam um único sistema e, portanto, estão corretamente classificadas e descritas na respectiva DI; a expressão 'computadorizada' constante do 'Ex — tarifário' não tem a conotação vislumbrada pelo autuante, pois não se exige que o bem importado tenha em si incorporado um microcomputador, ou um controlador lógico programável, ou, ainda, um comando número computadorizado; para os fins legais, basta que a máquina em foco tenha um sistema de controle e comando analógico que permita alterar o seu funcionamento sem interferência humana no tocante à definição da temperatura, da umidade e da injeção do gás etileno, e esse dispositivo O bem importado possui, conforme atesta o próprio Laudo Técnico (quesito 5); ademais, o laudo técnico, como já ressaltado, consigna que a máquina possuir um 'painel elétrico para controle das 4 câmaras', como também registra que a máquina pode ser programada para trabalhar em faixas determinadas de temperatura, com o objetivo de 'resfriar ou congelar' alimentos; o 'Ex tarifário' em questão não definiu o tipo de sistema transportador que a máquina deve utilizar, portanto, qualquer um dos sistemas previstos na NESH atende essa condição, conforme, a propósito, redação do texto da posição 84.27; "84.27 — empilhadeiras, outros veículos para movimentação de carga e semelhantes, equipamentos com dispositivos com dispositivos de elevação."; como demonstram as fotos complementares (lotos 5 e 6) — anexo 2 do Laudo Técnico — as câmaras principais possuem espaço suficiente para que o manejo do produto no seu interior seja executado por empilhadeiras dotadas do sistema de elevador, de forma que resta atendida a condição do "sistema transportador"; a máquina importada atende claramente à s especificações técnicas previstas no referido "ex", não havendo, portanto, base Fl. 405DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 para aplicação de multa, uma vez que o imposto de importação não é devido; ainda que o imposto fosse devido, a multa proporcional não poderia ser aplicada, a teor do disposto no Ato Declaratório Normativo n° 10/97, e, no caso concreto, além de não haver prova nos autos das circunstâncias agravantes especificadas no referido ADN, não cabe falar em "intuito doloso ou má fé", pois restou comprovado que o bem importado atende às especificações técnicas previstas no "ex"; a função única dessas câmaras (esfriar e congelar alimentos) — uso interligado, amarrado por uma função bem determinada , define a existência de "uma unidade funcional", no rigor da Nota 4, da Seção XVI da NESH; no máximo, o autuante poderia concluir, COMO incorretamente concluiu, que a máquina importada não se enquadrava nas especificações técnicas previstas no "extarifário", mas jamais afirmar que a licença requerida não ampara tal importação, haja vista o disposto no Ato Declaratório Normativo n" 12/97; é preciso considerar a diretriz fixada no item 7, do artigo I', do Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importação (Decreto lei 1355/94), no sentido de que: "7. Nenhum pedido será rejeitado por erros insignificantes na documentação que não alterem os dados básicos contidos no mesmo. Não será aplicada qualquer penalidade mais severa do que a necessária para conformar ulna advertência no caso de serem detectadas omissões ou erros na documentação ou nos procedimentos que tenham sido obviamente cometidos sem intenção fraudulenta ou patente negligência"; confia que os elementos contidos no Laudo Técnico, e no catálogo do fabricante, sejam suficientes à declaração de improcedência da autuação, contudo, acaso persistam dúvidas, que lhe seja concedido o direito à apresentação de quesitos ao laudo técnico, ou lhe seja permitida apresentação posterior de Laudo Técnico emitido por instituição idônea. Nestes te mos, pugnou o contribuinte pela improcedência das exigências fiscais. Remetidos os autos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo fora prolatada decisão em procedência ao lançamento, nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 15/09/1997 INDICAÇÃO INDEVIDA DE DESTAQUE "EX". DECLARAÇÃO INEXATA. PENALIDADES. Constatandose que as características do equipamento importado não se ajustam perfeita e literalmente ao texto do "Ex", cabível o desenquadramento com a exigência do crédito tributário objeto deste auto de infração. Multa de oficio. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10831.009395/0097 Acórdão n.º 9303003.816 CSRFT3 Fl. 404 7 A declaração inexata da mercadoria enseja a aplicação d a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n" 9.430/96, combinado com o Ato Declaratório Normativo COSIT 71 " 10/97. Multa ao controle administrativo das importações. Com a descrição imprecisa e não conforme com a verificação física e laudo técnico, .fica caracterizada a importação sem licença, cabível a aplicação da multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, com fulcro no art. 169 do Decretolei n°37/66. Lançamento Procedente." Ciente quanto à decisão de primeira instância em 03/01/07, conforme AR de fls. 131, recorre o contribuinte, protocolizando sua peça recursal em 05/02/07, fls. 132/142, reiterando os argumentos de sua impugnação, ressaltando ainda, em suma, que: quanto a questão do pedido de diligência, não se trata propriamente de pedido de diligência ou de perícia, mas sim de nulidade do lançamento por falta de participação da autuada na elaboração do laudo técnico, no qual está baseado o lançamento; a rigor jurídico, a empresa fiscalizada deveria ter sido intimada pata, no curso da fiscalização, apresentar quesitos para auxiliar na elaboração do laudo técnico e, além de não ter sido intimada, não teve oportunidade de se manifestai acerca das conclusões do laudo técnico antes da emissão do auto de infração; a r. decisão de primeira instância, numa visão integrativa, afirma que a máquina deveria executar as duas funções ao mesmo tempo, vale dizer, resfriar e congelar, contudo, tais funções são distintas, podendo ser perfeitamente executadas individualmente, pois pode, por exemplo, ser necessário apenas o resfriamento; não existe base legal para a aplicação da taxa Selic sobre as penalidades aplicadas. Requer pela reforma da decisão de primeira instância para que reste afastada a autuação. Junto ao seu Recurso Voluntário apresenta Parecer Técnico, elaborado por Professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (fls. 164/171). As fls. 172/174 consta relação de bens e direitos para arrolamento. Intimado à apresentação de "cópia completa da última Declaração de Imposto de Renda (D1PJ/2006), com o respectivo recibo de entrega", o contribuinte apresenta os documentos de fls. 178/197. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 Posteriormente, em 29/05/2007, o contribuinte apresenta aditamento ao Recurso Voluntário (fls. 200/236), aduzindo, em síntese, que: é contribuinte em atividade há mais de 30 anos, no CEASA de Campinas/SP, onde se encontram em funcionamento, aproximadamente, 300 estabelecimentos comerciais; referido entreposto — CEASA — abrange uma área física de grandes dimensões, sendo um complexo empresarial, que possui uma portaria que centraliza o vrecebimento de toda a correspondência externa que, após triagem, é entregue aos respectivos destinatários, ali domiciliados; os Correios não entregam as correspondências diretamente aos destinatários, embora os seus endereços constem expressamente indicados nos cadastros oficiais; seu endereço, indicado no CNPJ, 6: Logradouro — RUA D Pedro I Km 140,5 CEASA — Complemento — SP 65 GP 01 18/20; "a sigla GP 01 corresponde ao galpão permanente n° 1, e os números 18/20 aos "box" 18/20, onde efetivamente é o domicilio fiscal da recorrente. Portanto, a correspondência deveria ter sido entregue nesse endereço. Não foi isso que aconteceu! "; por comodidade os correios entregaram as correspondências na Portaria Central do referido entreposto, cuja administração, posteriormente, faz uma triagem e distribui a correspondência entre os 300 estabelecimentos comerciais que lá operam; por mais uma comodidade, os Correios apontam a data da entrega ao CEASA como sendo a data da entrega da correspondência ao destinatário, o que não é verdadeiro; a notificação alusiva à decisão de primeiro grau dos autos foi recebida pelo CEASA em 03/01/2007, e foi entregue ao recorrente, pela administração do CEASA, em 04/01/2007, de forma que, tomandose esta data como correspondente ao efetivo recebimento da intimação, o prazo para interposição do Recurso Voluntário expirou em 05/0212007, data em que referido apelo fora protocolizado na Alfândega de Vira copos, em Campinas/SP; "posteriormente, isto e, em 10/05/2007, ao requerer certidão junto Secretaria da Receita Federal do Brasil, o recorrente tomou conhecimento de que os prazos inicial e final para o recurso ora focalizado seriam, respectivamente, 03/01/2007 e 02/02/2007, pelo que, se rigorosamente verdadeiros, referidos dados estariam a indicar preclusão processual, dado que o Recurso Voluntário teria sido interposto fora do prazo legal, quando, na verdade, pelas circunstâncias especiais que envolvem o presente caso, tal não aconteceu"; impõese a aplicação do artigo 183, e parágrafos, do CPC, combinado com o artigo 108 do CTN, além do principio esculpido no processo administrativo tributário paulista, no sentido de que não realizou o protocolo de sua peça recursal, em tempo, por justa causa; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10831.009395/0097 Acórdão n.º 9303003.816 CSRFT3 Fl. 405 9 no caso dos autos, a questão se prende a I dia de diferença, eis que a Receita aponta o AR, recebido pela Portaria do CEASA, como a data da notificação — 03/01/2007, ao passo que o contribuinte apresenta os documentos alusivos — envelope e protocolo do CEASA, ambos contendo a data de 04/01/2007; invoca o beneficio da dúvida em favor do acusado, cristalizado no artigo 112 do CTN; por fim, requer seja conhecido e apreciado o Recurso interposto em 05/02/2007. Julgando o feito, a Turma Recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 15/09/1997 CLASSIFICAÇÃO FISCAL "EX TARIFÁRIO". Restando comprovado de forma definitiva que a mercadoria importada diverge da descrita no destaque "EX" cujo enquadramento é pretendido pela recorrente, não é de se aceitar a aplicação da aliquota reduzida. . MULTA DE OFÍCIO Não havendo caracterização de declaração inexata, decorrente da comprovação do uso de dolo ou máfé, incabível no caso a multa prevista no artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, exri o principio da tipicidade da norma penal tributária e o Ato Declaratório (Normativo) da Coordenação Geral do Sistema de Tributação n°. 10, de 16 de janeiro de 1997. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÔNEA. INAPLICAPLIBILIDADE ARTIGO 633, II, 'a', do REGULAMENTO ADUANEIRO/02 (artigo 526, inciso II, do RA/85). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna invalida a Guia de Importação/LI que acoberta a importação, temse como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030, de 05/03/1985. Ato Declaratório Cosit no. 12, de 21/01/1997. MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a mercadoria não foi declarada corretamente, não se aplica o disposto no ADN 10/97 e a multa de oficio devida. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada.Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 10 Recurso Voluntário Provido em Parte. Irresignada com a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial de folhas 289 a 294 (eProc), postulando o restabelecimento da multa por falta de licença de importação (LI). Esse recurso foi por mim admitido, nos termos do despacho de efls. 296 a 298 Contrarrazões da contribuinte vieram às folhas 304 a 344 (eProc), onde se requer o não conhecimento do Especial Fazendário, caso conhecido, o seu improvimento. A seu turno, o sujeito passivo também apresentou recurso especial onde requer a reforma do acórdão recorrido, no tocante à questão da classificação fiscal da mercadoria por ela importada, e à multa de ofício de 75%, proporcional ao imposto devido. Esse recurso especial foi por mim inadmitido, nos termos do despacho de fls.391 a 394. O reexame de admissibilidade, efetuado pelo Sr. Presidente deste Colegiado, foi desfavorável ao sujeito passivo, fls. 396/397. É o relatório. . Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O Recurso Especial preenche os requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. O Despacho 3100559, de folhas 296 e seguintes (eProc), considerou que o Recurso deveria ser processado, pelas seguintes razões. A decisão Recorrida excluiu a multa por importação sem licença de importação, ou documento equivalente, por ter sido fundamentada apenas em equivocada indicação do código tarifário com imprecisa descrição da mercadoria. Os acórdão paradigma decidem em sentido contrário. Consideram cabível a aplicação da multa do art. 526, II, do RA quando houver erro de classificação e o produto não está corretamente descrito na GI. Remanesce, portanto, a questão acerca da aplicação da multa por importação sem guia ou licenciamento de importação e, quanto a esse ponto, o recurso deve ser provido. O primeiro aspecto a ser considerado é que, diferentemente do que assentou o acórdão recorrido, a mercadoria importada com alíquota zero, em razão da aplicação de “ex”, estava sujeita a licenciamento não automático. Confirase, quanto a esse aspecto, o que diziam o item 1 e o inciso VIII do Anexo I do Comunicado nº 12, de 1997, vigente à época das importações: 1. Estão relacionadas no Anexo I deste Comunicado as operações sujeitas a licenciamento não automático. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10831.009395/0097 Acórdão n.º 9303003.816 CSRFT3 Fl. 406 11 ANEXO I OPERAÇÕES SUJEITAS A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO VIII) Importações com redução a zero da alíquota de imposto de importação decorrente de extarifário; Nesse trilhar, não vejo como deixar de reproduzir as razões que orientaram o voto condutor do Acórdão 930301.860, assim ementado: Multa por Infração ao Controle Administrativo das Importações. Equívoco quando da Indicação de Destaque NCM. Implicações. Demostrado que o erro na indicação do destaque de NCM interferiu no tratamento administrativo dispensado à mercadoria, cabível é a aplicação de multa por falta de licença de importação. Na mesma linha, o Acórdão nº 9303002.815: Multa por Falta de Licença de Importação. Demonstrado que o erro na indicação da classificação fiscal prejudicou o exercício do controle administrativo das importações, bem assim que a descrição da mercadoria, além de incompleta, demonstrouse inexata, correta é a imposição da multa de 30%, por falta de licença de importação. De fato, naqueles litígios, assim como no presente, restou demonstrado que o importador promoveu o despacho de mercadoria sujeita a licenciamento não automático e , por conta do erro na indicação da classificação, evitou a aplicação dos controles administratvos cabíveis e, como tal, incidiu na conduta prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador1. Superado, a análise do requisito de admissibilidade, adentro na análise da controvérsia, a qual cingese em apurar se a mercadoria, submetida a despacho pelo contribuinte, pode ser classificada código NCM 8418.69.90 — "EX" 003. 0 contribuinte por meio da adição 001 da DI — Declaração de Importação n° 97/08313688 de 15/09/97 (fls.26) declararou a importação de 01 (uma) máquina para resfriar e congelar alimentos com sistema transportador, computadorizada composta por 04 (quatro) câmaras principais e 02 (duas) de préresfriamento com acessórios e os seguintes equipamentos: evaporadores e condesadores de refrigeração de iluminação a prova de vapores, pressurizadores de controle de umidade. No despacho da mercadoria foi pleiteado o 'EX' 003 NCM 8418.69.90 — "Máquina para resfriar e congelar alimentos com sistema transportador", cuja aliquota é de 0% para Imposto de ImportaçãoII. A fiscalização, por meio de Laudo Técnico (fls. 34/38), apurou que em verdade não se trata de 1 máquina e sim de 6, bem como o produto importado não possui sistema transportador e não é computadorizado, de forma que não pode o contribuinte utilizar o 1 Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto lei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei Nº 6.562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 12 beneficio previsto no "EX". Inicialmente, cabe destacar que, inobstante o art. 526, II previr a aplicação da multa à falta de guia de importação e, no caso do presente recurso, discutese a falta de licenciamento, não há dúvida de que a licença de importação inserese no universo dos “documentos equivalentes” citados no dispositivo. Tal conclusão é fruto da simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos 1º Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992 (original não destacado): Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. Da mesma forma, como bem assentado no acórdão recorrido, não se verifica, no presente processo, o cumprimento dos requisitos que justificariam a aplicação do ADN Cosit nº 12, pois a mercadoria, de fato, não restou corretamente descrita. Confirase a redação do ato: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do RA, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.” Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 412DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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