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Numero do processo: 11040.721489/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
PROVENTOS E PENSÕES DE MAIORES DE 65 ANOS.
Sujeita-se à tributação a parcela que exceder o valor do limite de isenção, considerando-se no cálculo o total de rendimentos de todas as fontes pagadoras.
Não contraria decisão judicial, a ação que tem no pedido o reconhecimento da isenção apenas quanto a uma fonte pagadora, sem levar ao juízo a informação de rendimentos sobre outras fontes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Sujeitase à tributação a parcela que exceder o valor do limite de isenção, considerandose no cálculo o total de rendimentos de todas as fontes pagadoras. Não contraria decisão judicial, a ação que tem no pedido o reconhecimento da isenção apenas quanto a uma fonte pagadora, sem levar ao juízo a informação de rendimentos sobre outras fontes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 14 89 /2 01 1- 68 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório acima do limite legal, quando o contribuinte já estava em gozo da isenção em outra fonte pagadora sobre aposentadoria a maiores de 65 anos de idade, ainda que decisão judicial tenha reconhecido o direito em relação a fonte pagadora objeto da ação: ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso) que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. PROVENTOS E PENSÕES DE MAIORES DE 65 ANOS. Sujeitase à tributação a parcela que exceder o valor do limite de isenção, independentemente do número de aposentadoria/pensões que a contribuinte receber. ... Tratase de Pedido de Restituição do imposto de renda incidente sobre a parcela isenta dos proventos de aposentadoria de declarantes com 65 anos ou mais, nos termos da decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte, relativos aos exercícios 2003 a 2007. ... Para efeitos de apuração do imposto devido foram tributados os rendimentos relativos a complementação paga pela Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) informados em DIRF (fls. 116/125) e na declaração de ajuste anual dos exercício de 2003 a 2007. Todavia, foram lançados os proventos de aposentadoria percebidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (fls. 130/146) os quais não haviam sido tributados pelo impugnante. O Despacho Decisório nº 358 – DRF/PEL/Saort, em cumprimento a decisão judicial transitada em julgado e nos termos da legislação do imposto de renda, apurou imposto a restituir no total de R$ 6.303,19, conforme demonstrativos ou seja, foi excluída base de cálculo a parcela isenta dos proventos de aposentadoria para declarantes com 65 anos ou mais. Foi Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11040.721489/201168 Acórdão n.º 2300004.649 S2C3T0 Fl. 297 3 incluído na base de cálculo os proventos de aposentadoria percebidos do INSS, nos anoscalendário de 2002 a 2006. Conforme demonstrativos de cálculos em fls. 167/168 relativos aos exercícios 2003 a 2007 foi apurado o imposto a restituir no total originário de 6.303,19 (imposto a restituir na declaração mais IRF sobre o 13º) deferindose, portanto, em parte o pedido de restituição. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese as razões trazidas na impugnação: A regra inscrita no artigo 8º, §1º da Lei n. 9.250/95, alocada no capítulo específico da declaração de rendimentos, ratifica o direito dos contribuintes DE COMPUTAR COMO RENDIMENTO ISENTO O MESMO VALOR CONSIDERADO PARA EFEITO DA INCIDÊNCIA MENSAL DO IMPOSTO, REFERIDO NO INCISO VI DO ARTIGO 4º DA LEI N. 9.250/95; Não existe na lei regra restritiva/limitadora do aproveitamento, na declaração de ajuste anual, da isenção mensal incidente sobre os rendimentos percebidos pelos maiores de 65 anos; e Ainda que não existisse, em capítulo específico da LEI, regra de ratificação/confirmação do direito de cômputo pelo contribuinte, na declaração de rendimentos, do mesmo valor apurado no regime de determinação mensal do imposto de renda (artigo 8º, §1º, da Lei 9.250/95), o efeito de tal ausência determinaria, á luz do v. acórdão transitado em julgado (reconhecendo a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos autores da CEEE, nos termos do artigo 4º, VI, da Lei n. 9.250/95), a subsunção da regra geral de isenção segundo a qual os rendimentos isentos não integram a base de cálculos do imposto devido no ano calendário (artigo 8º, I, Lei n. 9.250/95). Alegou o recorrente também que a decisão judicial transitada em julgado reconheceu o direito do contribuinte de restituição sobre os proventos percebidos da Companhia Estadual de Energia Elétrica CEEE; assim, sob pena de descumprila, não lhe poderia ser negado o direito em razão de simultaneamente exercer seu direito a isenção sobre proventos percebidos do INSS. É o Relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos processuais, conheço do recurso. Na declaração de ajuste anual retificadora dos exercícios 2003/2007, verifica se que o recorrente ofereceu à tributação tão somente os rendimentos relativos a complementação de aposentadoria da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), fonte pagadora a que, posteriormente, obteve decisão judicial favorável à isenção, e considerou como rendimento isento e não tributável os proventos percebidos do INSS. A legislação tributária assim trata do tema: Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 – RIR Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIV. os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); §7º No caso do inciso XXXIV, quando o contribuinte auferir rendimentos de mais de uma fonte, o limite de isenção será considerado em relação à soma desses rendimentos para fins de apuração do imposto na declaração (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 8º, § 1º, e 28). ... Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; (...) XII a parcela que exceder ao valor previsto no art. 39, XXXIV; ... Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11040.721489/201168 Acórdão n.º 2300004.649 S2C3T0 Fl. 298 5 Verifico no acórdão em grau de apelação, fls. 53, que o recorrente pleiteara que a fonte pagadora CEEE se obstasse de realizar retenções na fonte sobre os proventos complementares ao percebido pelo RGPS, ou seja, a aposentadoria do INSS. Reconheceu o tribunal que, desde que respeitado o limite máximo previsto na lei, não haveria discriminação entre a natureza das fontes pagadoras, RGPS ou previdência privada complementar, in verbis: Conforme se extrai da análise dos dispositivos acima transcritos, a isenção abrange os proventos de aposentadoria até certa faixa, atingindo diversas hipóteses de pagamento, tanto pelo Regime Geral de Previdência Social, como os benefícios pagos por instituição de previdência privada. Como se pode constatar, em nenhum momento a decisão excepcionou o recorrente da regra legal, quando para cálculo do limite máximo devem ser somados os proventos e pensões de todas as fontes pagadoras. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11516.005143/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2007
NULIDADE. INDEFERIMENTO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. A LEI QUE ESTABELECE O DEVIDO PROCESSO LEGAL PARA O PAF DETERMINA QUE TODAS AS PROVAS SEJAM APRESENTADAS JUNTO À IMPUGNAÇÃO, SALVO AS PRÓPRIAS EXCEÇÕES PREVISTA NA LEI. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ATENDIMENTO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO DIFERENCIADA. LDC LANÇADA ANTERIORMENTE, ABATIDA COMO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. AO FISCO CABE O DIREITO DE EXIGIR TODA E QUALQUER DIFERENÇA VERIFICADA NO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS, SALVO A OCORRÊNCIA DAS EXTINÇÕES E EXCLUSÕES LEGAIS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio Oliveira Barbosa -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2007 NULIDADE. INDEFERIMENTO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. A LEI QUE ESTABELECE O DEVIDO PROCESSO LEGAL PARA O PAF DETERMINA QUE TODAS AS PROVAS SEJAM APRESENTADAS JUNTO À IMPUGNAÇÃO, SALVO AS PRÓPRIAS EXCEÇÕES PREVISTA NA LEI. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ATENDIMENTO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO DIFERENCIADA. LDC LANÇADA ANTERIORMENTE, ABATIDA COMO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. AO FISCO CABE O DIREITO DE EXIGIR TODA E QUALQUER DIFERENÇA VERIFICADA NO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS, SALVO A OCORRÊNCIA DAS EXTINÇÕES E EXCLUSÕES LEGAIS. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.126 1 1.125 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.005143/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.163 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria CP: TERCEIROS. Recorrente LIGEYRINHO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2007 NULIDADE. INDEFERIMENTO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. A LEI QUE ESTABELECE O DEVIDO PROCESSO LEGAL PARA O PAF DETERMINA QUE TODAS AS PROVAS SEJAM APRESENTADAS JUNTO À IMPUGNAÇÃO, SALVO AS PRÓPRIAS EXCEÇÕES PREVISTA NA LEI. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ATENDIMENTO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO DIFERENCIADA. LDC LANÇADA ANTERIORMENTE, ABATIDA COMO CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. AO FISCO CABE O DIREITO DE EXIGIR TODA E QUALQUER DIFERENÇA VERIFICADA NO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS, SALVO A OCORRÊNCIA DAS EXTINÇÕES E EXCLUSÕES LEGAIS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 51 43 /2 00 9- 61 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.127 2 Eduardo de Oliveira – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.128 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.237.2880, que objetiva o lançamento das contribuições devidas a terceiros outras entidades e fundos, decorrente da remuneração paga devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 39 a 53, com período de apuração de 01/1999 a 12/2006, conforme DD – Discriminativo do Débito, de fls. 04. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 31/12/2009, conforme AR, de fls. 56. O contribuinte apresentou sua defesa, em 03/02/2010, as fls. 58 a 65, acompanhada dos documentos, de fls. 66 a 199, Volume I, digitalizado, fls. 01 a 201. Verifiquei que o Volume I está duplicado, as fls. 403 a 603, da numeração digital, bem como inexiste, fls. 202 a 402, da numeração digital. A documentação apresentada continua, as fls. 202 a 313; 318 a 400, Volume II, digitalizado, fls. 604 a 803. Consta, as fls. 927, numeração digital, uma Termo de Desentranhamento, informando que a Resolução, de fls. 719 a 725, bem como o Volume, de fls 603 a 718, foram desentranhados por estarem duplicados. O Volume III volta a conter documentos apresentados a partir, das fls. 403 a 501. A defesa foi considerada intempestiva, fls. 57. Foi emitido o Termo de Revelia, fls. 502, datado, de 11/02/2010, recebido pelo contribuinte, em 22/02/2010, fls. 504. A empresa apresentou Recurso Administrativo, em 04/03/2010, fls. 505 a 512. O autos foram remetidos ao CARF, fls. 514. O CARF emitiu a Resolução nº 2401000.144, fls. 516 a 519, convertendo o julgamento em diligência para que os autos fossem remetidos a DRJ para julgamento em primeira instância. A SEFIS da DRF FNS emitiu a Informação Fiscal IF, de fls. 525 a 529. Os autos foram remetidos a DRJ, despacho, de fls. 1.068, numeração digital. A DRJ baixou os autos em diligência pelo despacho, de fls. 1.069. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.129 4 O contribuinte foi cientificado da Resolução do CARF e da Informação Fiscal – IF, conforme AR, de fls. 1.071. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 1.072 a 1.084, recebida, em 13/05/2013. Devolveuse os autos a DRJ/FNS, despacho, de fls. 1.085. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0731.839 5ª, Turma DRJ/FNS, em 27/06/2013, fls. 1.086 a 1.108. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/07/2013, conforme AR, de fls. 1.111. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 1.113, recebido, em 14/08/2013, com razões recursais, as fls. 1.114 a 1.119, acompanhado do documentos, de fls. 1.120. Preliminar. · que a decisão recorrida é nula, uma vez que cerceou o direito de defesa da autuada, pois não deferiu as provas requeridas; · que todos os créditos até 31/12/2004 estão prescritos, tendo em vista a aplicação da SV/STF Nº 08/2008, haja vista que a notificação da autuação se deu em 31/12/2009; Mérito. · que o crédito cobrado nesta autuação foi objeto do LDC nº 37.000.6046, referente ao período de 01/1999 a 12/2006, devido a desconsideração pelo fisco da empresa Emerson César Henrique – ME, participante do SIMPLES, sendo que todas as rubricas que são base de cálculo das contribuições previdenciárias foram incluídas, no LDC, uma vez que esses se baseou nas folhas de pagamento, fls. 16 a 382, do processo 11516.003255/200715, bem como, fls. 131 a 199; 202 a 313; 318 a 400; 403 a 500, estando o LDC parcelado; · que tendo sido o débito imputado pelo fisco e parcelado esse valor nada mais deve o contribuinte em decorrência deste fato gerador; · que o artigo 840, do Código Civil determina que é lícita as partes transigirem para por fim ao litígio, sendo isso o que ocorreu no caso, não podendo o fisco fazer nova cobrança por fato idêntico, pois, assim, operase o bis in idem, cita decisão do CECSC, bem como do CRTE – CE, da Paraíba; · que a recorrente não pode ser responsabilizada pelas atividades exercidas pela empresa Emerson César Henrique – ME, não podendo Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.130 5 o fisco desconstituir a tal empresa e nem declarar inapto seu CNPJ, uma vez que o elementos da notificação fiscal, não permitem essa conclusão, não havendo comprovação de tratarse de empresa de fachada ou interposta, pelo simples fato de que documentos que comprovam a relação comercial das empresas não foram resgatados, restando clara a nulidade da autuação ou no mínimo sua insubsistência; · Dos pedido e requerimentos: em preliminar a) provimento do recurso; b) reforma da decisão a quo; c) decretação da nulidade do acórdão guerreado por ofensa a ampla defesa; d) decretar a prescrição de todos os tributos e eventuais créditos anteriores a 31/12/2004, excluindose do crédito o período de 12/2003 a 12/2004; no mérito e) reconhecer a nulidade do auto de infração ou determinar seu cancelamento. A autoridade preparadora não se pronunciou quanto à tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 1.123. O sorteio e distribuição a esse conselheiro ocorreu, em 06/11/2014, Lote 03, conforme, fls. 1.124. É o Relatório. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.131 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminares. Inexiste cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de produção de provas posteriormente, uma vez que na lei do PAF está previsto que as provas devem ser apresentadas pelo contribuinte impugnante, no momento da impugnação, precluindo seu direito de fazêlo em outra oportunidade, conforme transcrição abaixo, pois esse é o devido processo legal estabelecido para a matéria, salvo as exceções previstas na própria norma, mas que não foram noticiadas no presente caso. Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O contribuinte foi cientificado do lançamento, em 31/12/2009, conforme AR, de fls. 56. O presente lançamento referese o período de 12/2003 a 12/2006, incluindo 13º/2004; 13º/2005; 13º/2006. Ocorre que o Relatório Fiscal – REFISC noticia que o lançamento decorre da simulação “...que não tendo aderido diretamente ao SIMPLES, muito provavelmente por incorrer em hipóteses de vedação à opção que o impossibilitavam de fazêla, tornouse beneficiário deste esquema ilegal consubstanciado na simulação da empresa EMERSON CESAR HENRIQUE ME para a contratação e remuneração de motoristas e auxiliares por intermédio da mesma sem o recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa e das contribuições sociais destinadas a terceiros incidentes sobre esta remuneração.” (destaquei). 10. Dispõe o Código Tributário Nacional, no art. 149, incisos IV, VII e VIII, que o lançamento de tributo pode ser revisto de ofício Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.132 7 pela autoridade administrativa quando se comprove a ocorrência de falsidade de qualquer informação estabelecida como de declaração obrigatória, quando se comprove ter o sujeito passivo agido com simulação ou ainda quando se consubstancie a necessidade de apreciação de fato não conhecido no momento do lançamento a ser revisado: (realcei). Lei n° 5.172 (Código Tributário Nacional), de 25/10/1966 "Art. 149. "O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos:" "IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;" "VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;" "VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior;" (grifo do original). 14. Posteriormente ao encerramento da citada ação fiscal, já no segundo semestre de 2007, foi deflagrado o Procedimento de Fiscalização n° 09403294 da SRP tendo EMERSON CESAR HENRIQUE ME por investigada. O conjunto de informações e documentos obtidos nesta auditoria acerca da pretensa pessoa jurídica sob ação fiscal e da sua relação com a empresa que figura no pólo passivo do Auto de Infração a que se refere o presente Relatório, a LIGEYRINHO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, tornou irrefutável a conclusão de que foi promovida uma simulação com o intuito de permitir a esta última fazer uso de benefícios fiscais que legalmente não lhe seriam aplicáveis e suprimir tributos por ela devidos, estando entre estes as contribuições sociais destinadas a terceiros ora lançadas. (negritei). Assim sendo, aplicase ao crédito para efeitos de decadência o artigo 173, I, da Lei 5.172/66, ou seja, a decadência contase pelo primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser feito. Ao se retroagir cinco anos da data do lançamento o marco inicial da decadência cairá em 01/01/2004, a competência 12/2003, só é exigível a partir de 02/01/2004, artigo 30, I, “b”, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, assim não há decadência a ser reconhecida. Mérito. Verificase dos autos que o presente lançamento é complementar em relação as contribuições lançadas no LDC 37.000.6046, relativo ao período de apuração de 01/1999 a 12/2006, pois na LDC o lançamento se deu por aferição indireta arbitramento ante a ausência de informação referente a base de cálculo do tributo, conforme passagem do REFISC, que transcrevo. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.133 8 13. Tendo em vista que o quadro de apenas um motorista declarado na documentação apresentada à fiscalização constituía mãodeobra obviamente insuficiente para a condução e a execução, de todas as atividades auxiliares envolvidas no uso do conjunto de veículo e transporte rodoviário de carga registrado em nome do sujeito passivo, através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos e Esclarecimentos TIAD emitido em 03/04/2007 (ver Doc. de fls. 73 a 77 do Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.005142/200916: cópia do referido TIAD emitido) este foi instado a manifestarse naquela auditoria acerca desta discrepância encontrada, em relação à qual se silenciou, sem apresentar explicações, obrigando a fiscalização, para efeito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias e para terceiras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS utilizados pela empresa na condução de sua frota de caminhões e tendo em vista a total falta de informações — naquele momento — que permitissem quantificar a verdadeira somatória de valores despendidos no pagamento destes trabalhadores, a fixar de forma indireta, por um determinado critério de aferição então adotado, as bases de cálculo dos tributos acima mencionados. O crédito constituído com base nesta sistemática montou o valor total de R$ 73.997,87 e foi consolidado em 20/04/2007 no LDC Lançamento de Débito Confessado n° 37.000.6046 (ver Doc. de fls. 78 a 154 do Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.005142/200916: cópia da via institucional do referido documento de constituição de crédito tributário, conforme se encontra disposto no processo administrativofiscal a que pertence), atualmente em curso de regularização pela empresa através do parcelamento n° 603959903 efetivado em uma unidade local de atendimento da Secretaria da Receita Previdenciária — SRP à época do término daquele Procedimento de Fiscalização. (destaquei). No presente crédito a situação é outra, pois o agente lançador baseouse nas folhas de pagamento elaboradas pela empresa Emerson César Henrique – ME, das quais se obteve os salários dos trabalhadores e elaborouse a planilha, de fls. 164 a 174, do processo 11516.005142/200916. 22. Nas folhas de pagamento elaboradas em nome de EMERSON CESAR HENRIQUE ME e apresentadas no decorrer da auditoria realizada no segundo semestre de 2007 com base no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09403249 da SRP encontramse registradas como remunerações devidas e creditadas a trabalhadores em relação aos meses de 12/2003 a 12/2006 os valores informados na tabela a seguir, que foram transcritos pela fiscalização para os Levantamentos "004 — BC TER S REM EMPREG SET TRANSP" e "005 — BC TER S REM ADMIN SET TRANSP" criados no programa de cálculo que apurou as contribuições lançadas no Auto de Infração em tela: Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.134 9 23. Os valores acima apresentados podem ser também observados na planilha discriminativa desta remuneração, individualizada por trabalhador, que foi elaborada pela fiscalização (ver Doc. de fls. 164 a 174 do Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.005142/200916: a referida planilha elaborada) em resumo dos dados existentes nas mencionadas folhas de pagamento, cuja impressão em formulário contínuo se encontra juntada às fls. 185 a 357 do Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.003255/200715, de Representação Administrativa para declaração de inaptidão da inscrição de EMERSON CÉSAR HENRIQUE ME no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ. Evidente, assim, que não há correspondência entre os valores lançados no LDC nº 37.000.6046 e no presente crédito AIOP 37.237.2880. Não fosse o que dito acima suficiente, basta comparar as bases de cálculo dos dois créditos no LDC para a competência 12/2003, a base de cálculo é de R$ 1.161,00, contudo no AIOP a base de cálculo para a competência 12/2003 é de R$ 8.550,33, conforme supramencionado. Desta forma, o lançamento do LDC e seu parcelamento em nada interfere no crédito complementar lançado, até porque o agente lançador deixa claro no REFISC do AIOP que o valor do LDC foi descontado, pois foi considerado como crédito no lançamento do AIOP, basta ler a transcrição abaixo. 26. Na apuração das contribuições lançadas foram considerados, a favor do sujeito passivo, para efeito de redução do crédito tributário calculado, a integralidade dos valores correspondentes às contribuições destinadas a terceiras entidades apuradas no LDC Lançamento de Débito Confessado n° 37.000.6046 mencionado nos parágrafos 3 e 13 do presente Relatório Fiscal, ao qual o Auto de Infração a que se refere este Relatório Fiscal visa a complementar: Todos os esclarecimentos acima deixam claro a inexistência de sobreposição de cobrança, ou seja, inexisti bis in idem, podendo o fisco exigir quaisquer diferenças verificadas enquanto não decaído o direito de lançamento, artigo 149 e seu incisos c/c o artigo 150 §§ 1º a 3º, da Lei 5.172/66. A questão relativa a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa Emerson César Henrique – ME não cabe ser discutida nesses autos, pois aqui cuidase apenas do AIOP 37.237.2880 e a referida questão foi tratado em processo específico e próprio 11516.003255/200715, tendo sido emitido o Ato Declaratório Executivo nº 01/2008 da DRF – Florianópolis, observese o que diz o agente lançador. 5. Serviram de indicativos para a realização do novo Procedimento de Fiscalização junto ao sujeito passivo autuado, além das constatações efetuadas no decorrer da mencionada auditoria anterior realizada junto ao mesmo, as verificações feitas durante a fiscalização empreendida pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária — SRP junto à suposta firma Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.005143/200961 Acórdão n.º 2202003.163 S2C2T2 Fl. 1.135 10 individual EMERSON CESAR HENRIQUE ME, desenvolvida em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09403249, das quais resultou o Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.003255/200715 composto por Representação Administrativa e elementos de prova que determinaram tanto o desenvolvimento desta nova auditoria da qual decorreu a lavratura do presente Auto de Infração quanto a expedição do Ato Declaratório Executivo n° 1/2008 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, para decretar a inaptidão da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de EMERSON CESAR HENRIQUE ME, por inexistência de fato (ver Docs. de fl. 182, 183 e 184 do Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.005142/200916: respectivamente, cópia do ADE DRF/FNS n° 1/2008, cópia da publicação deste Ato no DOU de 07/01/2008 e cópia do despacho em que foi concedida a autorização para o reexame fiscal da empresa LIGEYRINHO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA com base na Representação Fiscal e documentos que compõem o acima citado Processo AdministrativoFiscal DRF/FNS n° 11516.003255/200715). Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente seja em preliminar ou em mérito. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13819.003929/2002-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes para rerratificar o Ac. CSRF nº 02-03.511, de 2 de setembro de 2008.
Numero da decisão: 9303-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes para rerratificar o Ac. CSRF nº 02-03.511, de 2 de setembro de 2008.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora. EDITADO EM: 20/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes para rerratificar o Ac. CSRF nº 0203.511, de 2 de setembro de 2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. EDITADO EM: 20/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 39 29 /2 00 2- 98 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, tempestivamente, em face do Acórdão da CSRF nº 0203.511, de 2 de setembro de 2008. Originariamente, o contribuinte apresentou recurso especial da decisão que aplicou o prazo decadencial de 10 anos estabelecido na lei nº 8.212/91. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: NORMAS PROCESSUAIS DECADÊNCIA. 0 prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição já poderia ter sido constituído. Dessa decisão, a 3ª Turma da CSRF, em virtude de ter havido recolhimento parcial, aplicou o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. A Fazenda Nacional apresenta embargos, sob o seguinte argumento: A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Em virtude do recolhimento parcial do tributo, essa e. Turma aplicou o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN e reconheceu a decadência dos fatos geradores anteriores a dezembro de 1997. Contudo, entendese que a decadência deveria atingir somente os períodos de janeiro a outubro de 1997, já que a ciência do lançamento aconteceu em 13/11/2002 e o fato gerador do mês de novembro ocorreu em 30/11/1997 (fls. 36). Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que fique esclarecido que a decadência não alcançou o mês de novembro de 1997. Nesses termos, Pede deferimento. A ementa da decisão embargada possui a seguinte redação: COF1NS. DECADÊNCIA. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13819.003929/200298 Acórdão n.º 9303003.449 CSRFT3 Fl. 370 3 Diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. Nos casos de lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, § 4º do CTN, contandose o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. 1NCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, a teor do disposto no art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente às eventuais diferenças de Cofins extinguese em cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Recurso especial provido. A ciência do auto de infração ocorreu em 13/11/2002 e se refere aos períodos compreendidos entre janeiro de 1997 a janeiro de 2002. Consta no entanto, da conclusão do voto: " Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte, e assim reconhecer a decadência, para os fatos geradores ocorridos anterior a dezembro de 1997, eis que a ciência ocorreu em 13/11/2002." É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." A controvérsia suscitada no acórdão embargado cingese portanto à contradição entre a decisão e os seus fundamentos, quando da aplicação da regra para a contagem da decadência da COFINS, pelo fundamento estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, por entender ter ocorrido pagamento. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 Tratase de uma inexatidão material gerando uma contradição, que deve ser corrigida mediante a prolação de um novo Acórdão, conforme estabelece o art. 66 do RICARF, ainda que a matéria tenha sido enfrentada devidamente no Acórdão, ao aplicar a jurisprudência firme do Judiciário, mencionada na ementa. Constou por equívoco: " Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte, e assim reconhecer a decadência, para os fatos geradores ocorridos anterior a dezembro de 1997, eis que a ciência ocorreu em 13/11/2002." Quando o correto seria ter constado: " Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte, e assim reconhecer a decadência, somente os períodos de janeiro a outubro de 1997, já que a ciência do lançamento aconteceu em 13/11/2002 e o fato gerador do mês de novembro ocorreu em 30/11/1997. CONCLUSÃO Embargos acolhidos sem efeitos infringentes para rerratificar o Ac. CSRF nº 0203.511, de 2 de setembro de 2008, que conheceu do recurso e lhe deu provimento pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN. É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 376DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001640/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração na parte em que a recorrente demonstra ter sido omitido, no acórdão, ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado a Turma.
Numero da decisão: 1201-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos pelo sujeito passivo para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão constatada no acórdão nº 1201-001.044 relativamente ao argumento de lançamento em duplicidade.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração na parte em que a recorrente demonstra ter sido omitido, no acórdão, ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado a Turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos pelo sujeito passivo para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão constatada no acórdão nº 1201-001.044 relativamente ao argumento de lançamento em duplicidade. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração na parte em que a recorrente demonstra ter sido omitido, no acórdão, ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado a Turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos pelo sujeito passivo para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão constatada no acórdão nº 1201001.044 relativamente ao argumento de lançamento em duplicidade. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo em epígrafe, contra o acórdão nº 1201001.044, da lavra desta Turma. Alega a embargante, em resumo, o seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 16 40 /2 00 3- 63 Fl. 946DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.423 S1C2T1 Fl. 3 2 No entanto, a Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção deste Eg. CARF houve por bem, além de "restabelecer a exigência dos tributos incidentes sobre a base de cálculo de R$ 420.142,36", no que interessa aos presentes Embargos Declaratórios, negar provimento ao Recurso Voluntário da Embargante ao simples e genérico fundamento de que "pelo exame dos documentos acostados nos autos é possível constatar que são registros contábeis da contribuinte e de pessoas a ela ligadas, DARF's, extratos bancários, etc. por meio dos quais não é possível identificar a origem dos depósitos questionados pela fiscalização." Ocorre que, ao assim decidir, o acórdão embargado incorreu em flagrante omissão na medida em que, ao apenas consignar que dos documentos acostados (a saber: Livro Razão, extrato de conta corrente das Empresas envolvidas nas operações de mútuos, cópia de guias de depósito, etc.) não é possível se chegar à origem das receitas supostamente omitidas, deixou de demonstrar de forma clara e objetiva a motivação para tal conclusão, isto é, as razões pelas quais não se justificariam as alegações apresentadas pela Embargante, padecendo, pois, de vício que deve ser imediatamente sanado. (...) A não bastar, o acórdão embargado deixou também de se manifestar sobre os demais argumentos levantados pela Embargante em seu Recurso Voluntário ou seja, o da quebra de sigilo bancário e o da cobrança em duplicidade para fins de cancelamento da exação em tela, circunstância que reforça ainda mais o vício de omissão ora apontado, que deve ser sanado. (...) Realizado o exame de sua admissibilidade, em 26/01/2016 os embargos foram admitidos por observarem os requisitos estabelecidos no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (redação original, posteriormente modificada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. São, em resumo, duas as omissões questionadas pela embargante, a saber: a) o acórdão recorrido teria deixado de demonstrar de forma clara e objetiva a motivação para a conclusão de que, pelo exame dos documentos carreados aos autos pela defesa, não seria possível identificar a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização; b) a Turma recorrida teria deixado de se pronunciar sobre a quebra de sigilo bancário e o lançamento em duplicidade. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.423 S1C2T1 Fl. 4 3 Pois bem, quanto ao item "a", a fim de melhor contextualizar a questão, é preciso inicialmente dizer que parte dos depósitos bancários questionados pela fiscalização tiveram sua origem comprovada pelo sujeito passivo, conforme decisão de primeiro grau. Referida decisão foi, nessa parte, objeto de recurso de ofício. Ao realizar o reexame necessário esta Turma assim se pronunciou: 2) Do Recurso de Ofício A DRJ de origem considerou que parte dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da contribuinte, no valor total de R$ 2.016.127,00, teve sua origem comprovada por meio de depósitos identificados, e referemse a mútuos contratados junto empresas controladas. O órgão a quo também entendeu que estava provada a origem do depósito no montante de R$ 420.142,36, referente à liquidação de parte de direitos de crédito que a contribuinte mantinha junto a uma empresa controlada. Em relação aos mútuos contratados junto a controladas, no total de R$ 2.016.127,00, os comprovantes dos depósitos relacionados às folhas indicadas no demonstrativo de fl. 523 realmente atestam a origem dos recursos. (...) Em relação à parcela dos depósitos bancários que remanesceram sem comprovação a Turma, ao apreciar o recurso voluntário assim se manifestou: 3) Do Recurso Voluntário (...) No mérito, alega a defesa que os documentos carreados aos autos comprovam a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, no valor total de R$ 3.497.678,49. Pois bem, pelo exame dos documentos acostados aos autos é possível constatar que são registros contábeis da contribuinte e de pessoas a ela ligadas, DARFs, extratos bancários, etc., por meio dos quais não é possível identificar a origem dos depósitos questionados pela fiscalização. Não houve, portanto, qualquer omissão por parte da Turma em relação a este quesito. A recorrente simplesmente não conseguiu promover, por meio dos documentos juntados aos autos, um liame entre a operação descrita naqueles documentos e os depósitos realizados em suas contas bancárias que remanesceram sem comprovação após a decisão de primeiro grau. Em relação ao item "b", retro, devese dizer que não há no recurso voluntário argumento contra quebra de sigilo bancário, até porque os extratos foram apresentados à fiscalização pela própria contribuinte. Não houve aqui omissão sobre ponto acerca do qual deveria haver se pronunciado a Turma. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.423 S1C2T1 Fl. 5 4 Em relação à alegação de omissão na apreciação do argumento referente a lançamento em duplicidade, também questionado no referido item "b", assiste razão à embargante. De fato, a Turma não se pronunciou sobre essa questão. Passemos, então, a sanar a aludida omissão conforme razões a seguir expostas, as quais serão consideradas integrantes do item 3 do voto condutor contido no acórdão nº 1201001.044. Em seu recurso voluntário a interessada alega (item 3 fl. 710 e ss.) que o depósito questionado pela fiscalização, no valor de R$ 2.539.576,59 (vide TVF à fl. 150), decorre de mútuo firmado entre ela e a empresa Friocerá. Explica que o depósito daquele valor em sua conta bancária no ano de 1998 referese à devolução do CDB por ela remetido à Friocerá no ano de 1996 para fins de integralização do capital desta empresa. Afirma ainda que houve lançamento em duplicidade desse valor, conforme trecho de seu recurso a seguir transcrito (tópico denominado de bis in iden à fl. 713 e ss.): Os valores relativos às aplicações financeiras emprestadas à Recorrente foram objeto de lançamento anterior, julgado parcialmente procedente, conforme comprova o Acórdão nº 436, de 22 de janeiro de 2002, da 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (Processo Administrativo n° 10882.001017/0060), oportunamente trazido à colação quando da impugnação deste auto de infração (doc. 17). Entretanto, este dado não foi considerado pelos julgadores de primeira instância, que erroneamente entenderam não haver vínculo entre aquela decisão e o presente lançamento. Exigiase da Recorrente, à época, o IRPJ e a CSLL sobre valores que supostamente configuravam omissão de receitas. Nesse sentido, apurouse naquela autuação que os valores relativos às aplicações financeiras da Recorrente, dentre elas as aplicações em CDB's do Banco Antônio de Queiroz S.A., não tinham origem comprovada por documentos hábeis e idôneos. Inconformada com aquela autuação, a Recorrente apresentou defesa administrativa, conseguindo redução substancial do lançamento após comprovar a origem dos seus recursos. Ainda assim, a exigência fiscal foi mantida sobre alguns numerários, dentre os quais se destacam os relativos às aplicações financeiras da Recorrente, que, em janeiro de 1996, equivaliam a R$ 2.342.998,97 (dois milhões, trezentos e quarenta e dois mil, novecentos e noventa e oito reais e noventa e sete centavos). Inseremse aí os direitos creditórios decorrentes de aplicações em CDB's do Banco Antônio de Queiroz S.A.. O Recurso Voluntário interposto naquele processo não foi apreciado, sendo que, após o julgamento do Recurso de Ofício, o Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda manteve o Acórdão a quo e, por conseguinte, a autuação sobre aqueles valores. Ou seja, entendeuse que a Recorrente não Fl. 949DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.423 S1C2T1 Fl. 6 5 comprovou a origem daqueles recursos, que deveriam, por conta disso, serem levados à tributação (doe. 18). Pois bem, permaneceu a autuação sobre os valores relativos às aplicações financeiras da Recorrente, antes que saíssem do seu patrimônio e fossem integralizadas em aumento de capital da Frioceará. Segundo entendimento do Fisco, a origem destes recursos não foi comprovada, caracterizandose, assim, omissão de receitas. Ora, se a Recorrente já foi autuada com relação a estes valores, não poderia ser autuada novamente, por conta dos mesmos valores, pelo mesmo fato. (...) Pois bem, em primeiro lugar devese reafirmar o que foi dito antes, ou seja, que a recorrente não colacionou aos autos prova de que o valor de R$ 2.539.576,59 foi depositado por Frioceará. Seja como for, é de se ter em conta que a Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuinte baixou os presentes autos em diligência exatamente para elucidar a questão do lançamento em duplicidade arguída pela recorrente (vide Resolução nº 10800.349, à fl. 767 e ss.). A autoridade local acostou aos autos os documentos relativos à diligência por ela realizada (fl. 733 e ss.) e, ao final elaborou informação fiscal concluindo pela inexistência do alegado lançamento em duplicidade (fl. 856 e ss.). Cientificada, a recorrente apresentou contrarrazões ao relatório de diligência reiterando as razões expostas no voluntário. Bem, pelo exame do auto de infração e do respectivo termo de constatação lavrados no âmbito do referido processo nº 10882.001017/0060 (fl. 804 e ss.) é possível verificar que o lançamento do IRPJ e CSLL referese a fato gerador ocorrido no ano de 1996, tendo a fiscalização apurado três infrações, a saber: (i) custos e despesas levados ao resultado do período que, por sua natureza, deveriam ter sido ativados; (ii) falta de adição de despesas consideradas indedutíveis pela legislação tributária, e; (iii) lucros "suspensos" contabilizados no período, e até então não tributados, registrados em contrapartida de bens do ativo permanente adquiridos em anos anteriores mas que somente em 1996 foram contabilizados. Fica claro, portanto, que o objeto da tributação levada a efeito nos autos do processo nº 10882.001017/0060 nada tem em comum com o lançamento de que cuidam os presentes autos. Lá houve, relativamente ao ano de 1996, dedução indevida de custos e despesas bem como falta de tributação de lucros "suspensos", enquanto aqui houve, relativamente ao ano de 1998, omissão de receita caracterizada pela falta da comprovação da origem de depósitos realizados em conta corrente de titularidade da contribuinte. Resumindo, não restou constatado o alegado lançamento em duplicidade. Tendo em vista todo o exposto, voto por acolher parcialmente os embargos opostos pelo sujeito passivo para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão constatada no acórdão nº 1201001.044 relativamente ao argumento de lançamento em duplicidade. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.001640/200363 Acórdão n.º 1201001.423 S1C2T1 Fl. 7 6 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 951DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13766.721120/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Não restando comprovado que o contribuinte recebia os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão, tais rendimentos não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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APOSENTADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Não restando comprovado que o contribuinte recebia os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão, tais rendimentos não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 11 20 /2 01 2- 86 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13766.721120/201286 Acórdão n.º 2402005.192 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 16/19, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2010, anocalendário de 2009, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 42/46, reproduzido a seguir: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a presente Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2009, exercício 2010, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 12.521,21, sendo R$ 6.335,37 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 4.751,52 à multa de ofício e R$ 1.434,32 aos juros de mora (calculados até 29/06/2012). 2. No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” é informado que, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pela fonte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 62.371,48. DA IMPUGNAÇÃO 3. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 através da qual alegou, em síntese, que está apresentando, por meio de cópias reprográficas autenticadas em cartório, os documentos solicitados pelo eminente Auditor Fiscal, quais sejam: Laudo Médico Pericial proferido pela Junta Médica Pericial do IPAJM e Diário Oficial do Estado do Espírito Santo que defere permanentemente a isenção de imposto de renda pessoa física sobre os rendimentos auferidos pelo requerente.” A decisão de primeira instância (fls. 42/46) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/01/2014 (fls. 49), o interessado interpôs, em 14/02/2014, o recurso de fls. 50/55. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os rendimentos percebidos da aposentadoria são isentos do imposto de renda em razão de ser portadora de moléstia grave (degeneração macular equivalente à cegueira CID H 54.0). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA ISENÇÃO IMPOSTO DE RENDA E APOSENTADORIA A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13766.721120/201286 Acórdão n.º 2402005.192 S2C4T2 Fl. 4 5 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (art. 30, caput, da Lei 9.250/1995). Nos termos da peça recursal, a controvérsia cingese apenas à comprovação de ser o Recorrente portador de moléstia grave e receber proventos de aposentadoria, assim definidos nos termos da lei. O Recorrente carreou ao recurso ora examinado documentos que apontam ser portador de cegueira (CID H 54.0), somente a partir de 19 de agosto de 2008, conforme laudo oficial emitido pelo Governo do Estado do Espírito Santo Instituto de Previdência dos Servidores (fls. 53/54). Nesse passo, o Fisco constatou que o Recorrente não recebeu proventos de aposentadoria para o ano de ocorrência do fato gerador, anocalendário 2009, sendo que a fonte pagadora “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” informou ter efetuado pagamentos em favor do contribuinte a título de “rendimentos do trabalho assalariado” até o mês de abril de 2010, e a partir de maio de 2010 foram informados pagamentos a título de “Pensão, Aposentadoria ou Reforma por Moléstia Grave, conforme delineamento registrado na decisão de primeira instância nos seguintes termos: “6.6 Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB foi possível constatar que: 6.6.1 A fonte pagadora “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” informou haver pago ao contribuinte no ano de 2009 a título de “Rendimentos do Trabalho Assalariado” a importância de R$ 62.371,48. 6.6.2 Até o exercício 2007 (anocalendário 2006) o contribuinte sempre declarou os rendimentos recebidos do “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” como tributáveis. Ao elaborar sua DIRPF do exercício 2008 (anocalendário 2007), Declaração entregue em 11/03/2008, declarou como tributáveis os rendimentos recebidos da referida fonte pagadora. Posteriormente, em 25/06/2012, foi apresentada Declaração Retificadora, através da qual o contribuinte informou que o rendimento recebido do “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” seria isento. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 6.6.3 A fonte pagadora “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” informou ter efetuado pagamentos em favor do contribuinte a título de “rendimentos do trabalho assalariado” até o mês de abril de 2010. A partir de maio de 2010 foram informados pagamentos a título de “Pensão, Aposentadoria ou Reforma por Moléstia Grave”. (fls. 46/50) Dentro desse contexto fático, cumpre esclarecer que não há nos autos qualquer documento capaz de comprovar que os rendimentos recebidos do “Tribunal de Justiça do Espírito Santo”, anocalendário 2009, foram decorrentes de proventos de aposentadoria. Dessa forma, não há como reconhecer a isenção pretendida pelo Recorrente. Nesse sentido, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (g.n.) Esse enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente não preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, mantendose os valores apurados pelo Fisco. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13807.005611/2001-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997, 1998
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. (LEGISLAÇÃO ANTERIOR)
Ausente, à época da ocorrência dos fatos, exigência de que a compensação fosse formalizada por meio de requerimento, e, tendo o contribuinte comprovado contabilmente a sua efetiva realização, existindo o direito creditório indicado para o encontro de contas a extinção do débito deve ser decretada. Irrelevante, no caso, a posterior formalização de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, eis que o ato praticado já se encontrava perfeito e acabado.
Numero da decisão: 1301-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. (LEGISLAÇÃO ANTERIOR) Ausente, à época da ocorrência dos fatos, exigência de que a compensação fosse formalizada por meio de requerimento, e, tendo o contribuinte comprovado contabilmente a sua efetiva realização, existindo o direito creditório indicado para o encontro de contas a extinção do débito deve ser decretada. Irrelevante, no caso, a posterior formalização de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, eis que o ato praticado já se encontrava perfeito e acabado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 56 11 /2 00 1- 08 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 467 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição, cumulado com o de Compensação, por meio da qual a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) dos anos calendário de 1996 e de 1997, visando extinguir débito de sua titularidade. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos e as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade. [...] A Eqpir/Diort/Derat/SPO, antes de analisar o pleito, intimara a contribuinte a esclarecer algumas divergências constantes das declarações de rendimentos apresentadas, elaborando os seguintes quesitos (fl. 159): “AC 96 comprovação da diferença de R$ 546.845,54, verificada entre os valores declarados na DIRPJ/97 Ficha 08 linhas 15 (IRFonte) e 16 (IR Mensal BaseRecBruta), que totalizam R$ 45.393.264,94 e os valores dos DARFs do código 2362 apresentados nos autos (R8 43.889.929,52) mais o total de IR retido na Fonte efetivamente processado (R$ 956.489,98) que totalizou R$ 44.846.419,40. Demonstrativo com documentação comprobatória do valor de R$ 3.274.817,16 declarado na linha 17 da Ficha 08 (Saldo de IR a compensar apurado em Per Anteriores). (...) AC 98 A Documentação comprobatória das compensações de IRRF constantes no demonstrativo apresentado no processo, no total de R$ 10.305.688,11 (cópia anexa).” Respondendo à intimação, a interessada apresentou petição (fl. 164) em que alegou o quanto se segue: “AC96 o valor dos DARF's (R$ 43.889.929,52) estão acrescidos da CM R$ 628. 086,39 referente a variação da UFIR 0,8847 para 0,9108 sobre os valores recolhidos no 1º semestre de 1996 (R8 21.918. 049,27). A diferença negativa de R$ 81.240,95 referese ao IR retido na Fonte considerado na DIRPJ R$ 875.249,03 e o efetivamente processado R$ 956.486,98. Desta forma, comprovamos a diferença de R$ 546.845,44 (628. 086,39 81.240,95). Anexamos Demonstrativo e recolhimentos das antecipações do ano calendário 1995 comprovando a antecipação a maior de R$ 3.274.817,16. AC98 Anexo resumo e cópia dos lançamentos contábeis das compensações. Anexo Declaração sobre compensações de eventuais saldos credores.” Acompanha a resposta a documentação juntada às fls. 165/309. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 468 3 O pedido de restituição foi indeferido, em síntese, em razão das seguintes considerações: (a) Relativamente ao anocalendário de 1996, da análise da ficha O8 (fls. 145), verificouse uma diferença entre os valores declarados na linha 16 (imposto mensal apurado com base na receita bruta R$ 44.518.015,91) e aqueles efetivamente recolhidos mediante Darfs (128/138), devidamente confirmados pelos extratos Sinal08, de fls. 148/149, no montante de R$ 43.889.929,52; tendo em vista a inexistência de previsão legal para aplicação de correção monetária no período, foi considerado apenas o valor efetivamente recolhido; (b) Quanto ao valor de R$ 3.274.817,16, informado a linha 17 (saldo de IR apurado em períodos anteriores), a contribuinte alegou que se tratava de antecipações do ano calendário de 1995; entretanto, nesse ano, a contribuinte apurou IR a pagar (fl. 293), além de parte das antecipações terem sido efetuadas mediante Guias de depósitos judiciais (fls. 171/179), relativas ao processo judicial n° 9500075512 (fl. 306); (c) Quanto ao IRRF, foi considerado o valor efetivamente processado, conforme extrato de fl. 146/147; (d) A ficha 08 da DIRPJ/1997 (fl. 145) foi recalculada, apurandose saldo credor de IRPJ no montante de R$ 12.330.385,23; (e) Quanto ao anocalendário de 1997, verificouse que foram deduzidas na DIRPJ/1998, estimativas no montante de R$ 47.334.774,91 (fl. 152), constando do SINAL08 (fls. 154/155), o correspondente a R$ 30.077.750,27; (f) Analisando a Ficha 09 dos meses de janeiro a março de 1997, constatouse que os valores estimados de IR foram compensados com saldo credor do IRPJ do ano anterior, conforme demonstrativo apresentado pela contribuinte de fl. 121; todavia, refeitos os cálculos, expressados na planilha de fl. 315, concluise que o mencionado saldo credor não foi suficiente para compensar integralmente os débitos do período apontado; (g) O IRRF considerado foi aquele efetivamente constante do sistema IRF/CON de fl. 153 (R$ 317.346,57); (h) Através do demonstrativo de fls. 83/84 e da DIPJ/ 1999, constatouse que a contribuinte efetuou compensações de débitos com saldo credor de período anterior, devidamente demonstradas na planilha de fl. 316; (i) Assim, considerando que no anocalendário de 1997 as compensações efetuadas superaram o saldo credor existente (fl. 315) e que o saldo credor do ano calendário de 1997 remanescente após as compensações declaradas pelo interessado a fls. 83/84 (fl. 316) é inferior ao valor compensado a maior no AC 1996 (fl. 315), foi indeferido o pedido de restituição e nãohomologada a compensação de fl. 02. Notificada da decisão em 26.12.2005 (fl. 324verso), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 06.01.2006 (fl. 325/330), alegando, em resumo que: a autoridade administrativa indeferiu integralmente seu pedido, baseandose em premissas equivocadas que, se reputassem verdadeiras, poderiam implicar, tãosomente, em redução parcial do crédito vindicado; não demonstrou que o indeferimento e a desconsideração das informações prestadas pela interessada têm amparo legal; pede para que a decisão seja reformada, reconsiderandose o despacho recorrido ou, para que a autoridade julgadora, caso observe algum ponto Fl. 468DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 469 4 controverso, conceda oportunidade para a manifestante de esclarecêlo e apresentar os documentos pertinentes. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 16 14.040, de 10 de julho de 2007, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXAURIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A declaração de compensação não é homologada quando, à época de sua apresentação, o crédito com o qual se pretendia extinguir o débito fiscal mostravase exaurido em razão de outras compensações e deduções anteriormente realizadas. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO. ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos somente constitui crédito a restituir ou a compensar quando comprovados os itens que compõem a respectiva apuração, dentre os quais, o imposto de renda pago mensalmente a título de estimativas. LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. DEDUÇÃO. ESTIMATIVAS DO PRÓPRIO PERÍODO. Somente podem ser deduzidos do cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, demonstrado na declaração de ajuste anual, os valores pagos a títulos de estimativas relativos ao próprio anocalendário em que foram apuradas, não podendo ser compensadas com o Imposto devido em períodos de apuração posteriores. LUCRO REAL. IMPOSTO DE RENDA. APURAÇÃO ANUAL. ANTECIPAÇÕES. 1996. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. VARIAÇÃO DA UFIR. Os valores pagos a titulo de estimativas mensais, no anocalendário de 1996, podiam ser atualizados monetariamente pela variação da UFIR do semestre subseqüente ao do pagamento ou da retenção e o semestre seguinte ao da compensação efetuada com o imposto anual apurado. Às fls. 357/367, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 14 de setembro de 2007, em que a contribuinte sustenta: que a compensação tributária ocorreu efetivamente em 1° de fevereiro de 1999, tendo sido declarada à Secretaria da Receita Federal em 15 de maio de 2001; que o fato de ter sido apresentado Pedido de Restituição/Compensação em 15 de maio de 2001 não descaracteriza o fato da compensação ter sido processada em 1° de fevereiro de 1999; que, nos termos do artigo 14 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n. 21/97, que vigia à época dos fatos, a compensação entre tributos da mesma espécie poderia ser realizada pelos contribuintes independentemente de requerimento; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 470 5 que é fato que, dois anos mais tarde, apresentou referido Pedido de Restituição/Compensação, pois havia na época celeuma jurídica em âmbito da Receita Federal acerca da necessidade ou não da apresentação de tais requerimentos para efetivar a compensação tributária; que pode este Colegiado, se assim entender, encerrar a leitura da peça recursal, pois que, ao concluir que a data da compensação tributária ocorreu em 1º de fevereiro de 1999, inevitavelmente concluirá que havia crédito de saldo negativo de IRPJ de 1997 a compensar, visto que a própria Delegacia da Receita Federal no quadro demonstrativo elaborado por ela à folha 214 dos autos, correspondente à folha 13 da decisão, reconhece que em fevereiro de 1999 havia um saldo a compensar correspondente a R$ 15.475.239,01; que, conforme comprova a anexa DCTF do mês de dezembro de 1995 (anexo documento 06), alem da estimativa de RS 11.611.987,39, a Recorrente recolheu um valor adicional de estimativa correspondente a RS 3.274.817,16, o que acabou por totalizar um imposto de renda por estimativa recolhido no ano igual a R$ 52.390.263,91, valor superior aos R$ 49.115.446,75 declarados erroneamente por ela em sua DIPJ daquele ano calendário; que assiste razão à ela ao incluir na DIPJ do anocalendário 1996, exercício 1997, na Linha 17 da Ficha 08 (saldo de IR a compensar apurado cm períodos anteriores), o valor de R$ 3.274.817,16, pois que corresponde a estimativa recolhida por ela em dezembro de 1995 e não incluída, por um lapso, em sua DIPJ do ano calendário 1995, exercício 1996; que, ainda que tal valor não esteja na DIPJ do ano calendário 1995, é patente o recolhimento desta quantia, conforme faz prova a anexa DCTF do mês de dezembro de 1995 (anexo documento 06); que, conforme a própria 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI afirmou em sua decisão (fls. 209 dos autos, correspondente a fls. 8 da decisão), o Manual de Preenchimento da Declaração de Rendimentos do ano calendário de 1996 explicitava que poderiam constar da Linha 17 da Ficha 08 o saldo de imposto pago a maior em períodos anteriores, exatamente o caso dos autos; que, assim, o patamar de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, exercício 1997, deverá corresponder a RS 16.233.288,78 (RS 12.958.471,62 + RS 3.274.817,16); que, conforme comprovado acima, o montante real de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, exercício 1997, correspondia a R$ 16.233.288,78, valor que, corrigido pela Selic, era mais que suficiente para compensar as estimativas apuradas pela Recorrente durante o anocalendário de 1997; que, portanto, o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, exercício 1998, deverá corresponder a RS 36.024.294,08; que resta mais do que provado que havia saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, exercício de 1998, para compensar o débito de IRPJ de 31/12/98 apurado pela Tostines, incorporada por ela em 1° de janeiro de 1999. que a compensação realizada por ela deverá ser homologada por este Colegiado, que deverá anular a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO I. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 471 6 É o Relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 472 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Despacho decisório de fls. 318/322, temos que a contribuinte solicitou restituição de recolhimentos promovidos por antecipação (estimativas), relativos aos anos de 1996 e de 19971, requerendo, concomitantemente, compensação com débito referente ao ajuste do ano de 1998. Analisando o pleito da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo constatou: Relativamente ao ano calendário de 1996 a) FICHA 08 (CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA), LINHA 16 (IMP. MENSAL BASE REC. BRUTA ACRESC. BAL. SUSP./RED.): divergência entre o valor declarado (R$ 44.518.015,91) e o efetivamente recolhido por meio de documentos de arrecadação (R$ 43.889.929,52) no caso, a contribuinte alegou que a diferença decorreu da correção monetária dos recolhimentos, o que não foi acolhido; b) FICHA 08 (CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA), LINHA 17 (SALDO DE IR A COMP. APURADO EM PERÍODOS ANT.): para o valor ali registrado (R$ 3.274.817,16), a alegação da contribuinte foi de que tratarseia de antecipações do ano calendário de 1995, porém, a partir da constatação de que no referido ano foi apurado IMPOSTO A PAGAR e que parte das antecipações foi recolhida por meio de guia de DEPÓSITO JUDICIAL, o valor em questão não foi aceito; c) FICHA 08 (CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA), LINHA 15 (IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE): embora tenha sido consignado o montante de R$ 875.249,03, o valor apurado conforme controles da Receita Federal foi de R$ 956.489,98; d) diante de tais constatações, o SALDO CREDOR relativo ao ano calendário de 1996 foi de R$ 12.330.385,23. Relativamente ao ano calendário de 1997 a) FICHA 08 (CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA), LINHA 17 (IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA): divergência entre o valor declarado (R$ 47.334.774,91) e o efetivamente recolhido por meio de documentos de arrecadação (R$ 30.077.750,27) verificouse que os valores devidos relativos ao período de janeiro a março foram compensados com saldo credor apurado no exercício anterior, porém, tais compensações superaram o saldo credor correspondente; 1 Na verdade, o pedido diz respeito ao ano calendário de 1997. A análise estendeuse ao ano de 1996 em razão do fato de que parcela integrante do saldo negativo de IRPJ de 1997 ter sido extinta por meio de saldo negativo de IRPJ de 1996. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 473 8 b) FICHA 08 (CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA), LINHA 15 (IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE): embora tenha sido consignado o montante de R$ 287.819,39, o valor apurado conforme controles da Receita Federal foi de R$ 317.346,57; c) diante de tais constatações, o SALDO CREDOR relativo ao ano calendário de 1997 foi de R$ 18.946.620,61; d) foi constatado que a contribuinte promoveu compensações dos valores devidos no ano calendário de 1998 com saldo credor de período anterior. Em conclusão, o Despacho Decisório em referência assinala: Diante do exposto e, considerandose que no anocalendário de 1997 as compensações efetuadas superaram o saldo credor existente (fls. 315); Considerandose ainda que o saldo credor do anocalendário 1997 remanescente após as compensações declaradas pelo interessado às fls. 83/84 (fls. 316) é inferior ao valor compensado a maior no AC 96 (fls. 315), PROPONHO que se INDEFIRA o pedido de restituição de fls. 01 e, conseqüentemente, não se homologue o Pedido de Compensação de fls. 02. Às fls. 315 e 316 dos autos, constam planilhas que demonstram que: i) o saldo negativo apurado no ano calendário de 1996 foi insuficiente para extinguir os valores devidos em 1997; e ii) o que restou do saldo negativo do ano calendário de 1997 após a compensação com os valores devidos em 1998 (R$ 2.078.338,09) é inferior ao compensado a maior no ano calendário de 1997 (R$ 4.246.551,63)2. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, naquilo que importa registrar, assinalou: [...] O I. Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributário proferiu decisão aprovando o despacho da Equipe de Análise de Processos do I.R., cujo trecho transcrevemos acima, indeferindo o Pedido de Restituição da ora Manifestante, e, por via reflexa, deixando de homologar o pedido de compensação nele lastreado. Tal entendimento, todavia, não pode prevalecer, eis que a I. Autoridade Fiscal indeferiu integralmente o pedido da Manifestante, baseandose em premissas equivocadas, que, ainda que se reputassem verdadeiras, poderiam implicar tão somente em redução parcial do crédito da Manifestante. Ora, o despacho que deu causa à decisão ora debatida indeferiu a integralidade dos valores pleiteados pela Manifestante, por entender que houve algumas divergências nos cálculos apresentados. Vale dizer, todavia, que a decisão recorrida não considerou as informações prestadas pela Manifestante, nem demonstrou que o indeferimento e a desconsideração das informações prestadas têm amparo legal! Dessa forma, não se pode permitir que um despacho que padece de respaldo legal, e afronta o direito da Manifestante, previsto no artigo 165, do CTN, prevaleça! 2 Salvo melhor juízo, embora o Despacho faça referência à compensação do ano calendário de 1996, penso que, no caso, tratase de compensação do SALDO NEGATIVO DE 1996 com valores devidos em 1997. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 474 9 Nesse contexto, vale observar o que dispõe o artigo 165, do CTN: ... Dessa forma, indeferir integralmente o pedido de compensação da Manifestante, sem fundamento legal plausível, é cometer ato injusto e arbitrário, eis que as diferenças apontadas foram prontamente esclarecidas pela Manifestante, que comprovou sua legalidade. Outrossim, ainda que a Manifestante não houvesse prestado os esclarecimentos requeridos, e, fossem efetivamente verdadeiros os números e argumentos apresentados no despacho que deu causa à decisão questionada, as diferenças apontadas poderiam implicar somente em redução dos valores de restituição pretendidos pela Manifestante, não podendo resultar, jamais, em seu total indeferimento!! Diante disso, é mister a reforma da decisão ora debatida, para o fim de reconsiderarse o despacho proferido!! Entretanto, caso não seja esse o entendimento de V. Sa. é de se requerer sejam apontadas as diferenças para que eventual limitação atenhase a eventuais diferenças, e não à integralidade do valor pretendido pela Manifestante!! Ademais, caso esta D. Autoridade Julgadora observe qualquer ponto controverso no autos do presente processo administrativo, requerse que seja dada à Manifestante a oportunidade de esclarecêlos e apresentar os documentos necessários à efetiva comprovação de seus direitos! Diante do exposto, é a presente para requerer a V. Sa. seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para o fim de: (i) DEFERIR o pedido de Restituição, objeto do presente processo administrativo, e, conseqüentemente, (ii) HOMOLOGAR as Compensações lastreadas no mesmo; Por fim, caso não seja esse, de imediato, o entendimento de V. Sa., requerse seja concedida à Manifestante a oportunidade de prestar os esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários. Notase, pois, que a contribuinte não contraditou os fundamentos que serviram de suporte para a denegação do seu pedido, vez que limitouse a sustentar que o indeferimento não poderia alcançar a integralidade do pedido de restituição e a requerer oportunidade para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Diante desse quadro, o ato decisório recorrido consignou que, embora a contribuinte tenha alegado que o Despacho Decisório proferiu decisão em "premissas equivocadas", não apontou quais seriam esses equívocos. Não obstante, revendo os fundamentos declinados no referido Despacho Decisório para não reconhecer o direito creditório pleiteado pela contribuinte, a decisão de primeira instância conclui pela existência de saldo negativo no ano calendário de 1997, mesmo considerando que foram efetuadas compensações deste saldo com valores devidos no ano calendário de 1998. Contudo, assinalando que o saldo negativo do ano de 1997 continuou sendo aproveitado pela contribuinte para compensar débitos do ano calendário de 1999, a decisão de Fl. 474DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 475 10 primeiro grau, declinando o entendimento de que a data da compensação a ser considerada no caso destes autos é a da correspondente a entrega do PEDIDO DE COMPENSAÇÃO de fls. 02 (15/05/2001), concluiu pela inexistência de saldo que pudesse ser aproveitado, naquela data, para a extinção por compensação do débito indicado no referido pedido. Notase, assim, que a decisão de primeira instância alterou substancialmente o fundamento para denegar o pedido de compensação, pois, apesar de admitir que em 1999 a contribuinte detinha saldo negativo de IRPJ correspondente ao ano de 1997 capaz de suportar a compensação requerida pelo formulário de fls. 02, entendeu que na data em que o referido documento foi protocolado (15/05/2001), referido saldo já havia sido utilizado para compensar débitos relativos ao ano de 1999. Primeiramente, tenho por consistentes as revisões empreendidas pelo ato decisório recorrido no Despacho Decisório denegatório do reconhecimento do direito creditório. Com efeito, no ano calendário de 1996 era possível promover a correção monetária do imposto de renda retido na fonte incidente sobre as receitas computadas na base de cálculo do imposto e os pagamentos antecipados, conforme previsão expressa nos parágrafos 4º e 5º do art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, que tinha como pressuposto de validade as disposições do § 4º do art. 37 da Lei nº 8.981, de 1995, somente revogadas a partir de 1º de janeiro de 1997 por meio da Lei nº 9.430, de 1996. Correto também, a meu ver, o cômputo, na determinação do saldo negativo de 1997, da parcela das estimativas que comprovadamente foram extintas por compensação com o saldo negativo de 1996 (o Despacho Decisório, ao recompor o saldo negativo de 1997, considerou apenas a parcela das estimativas extintas por pagamento). A solução da controvérsia, portanto, cingese à questão do momento em que se pode considerar efetuada a compensação tributária apreciada nos presentes autos, se em 1999, como alega Recorrente, ou em 15/05/2001, data em que foi protocolado o pedido de compensação de fls. 02. A contribuinte, em sede de recurso voluntário, sustenta que efetuou a compensação tributária em 1º de fevereiro de 1999, para extinguir débito de IRPJ de 31/12/1998 da TOSTINES, empresa por ela incorporada em janeiro de 1999. Aduz que, nos termos do disposto no art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, vigente à época dos fatos, a compensação entre tributos da mesma espécie poderia ser realizada independentemente de requerimento. Penso assistir razão à Recorrente. Primeiramente, em virtude da alteração da fundamentação da denegação do pedido por parte da autoridade julgadora de primeira instância, entendendo que os argumentos trazidos por meio da peça recursal devem ser conhecidos, e a documentação aportada ao processo por meio da referida peça deve ser apreciada. A Recorrente junta aos autos folhas do Razão, às fls. 393/395, que convergem para o que alega, eis que ali resta comprovada a compensação contábil do valor de R$ 523.821,84, em 1º de fevereiro de 1999. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13807.005611/200108 Acórdão n.º 1301002.025 S1C3T1 Fl. 476 11 Na linha do alegado pela Recorrente, à época em que referida compensação foi efetivada, tratando ela de encontro de contas de tributos da mesma espécie, que é o caso retratado nos presentes autos (saldo negativo de IRPJ de 1997 com IRPJ de ajuste anual de 1998), a compensação poderia ser efetuada independentemente de requerimento (art. 14 da IN SRF nº 21/97). Observo, ainda, que a própria decisão de primeiro grau admite que o demonstrativo de fls. 163, apresentado pela contribuinte, já assinalara que a compensação já havia sido efetuada em fevereiro de 1999, cabendo destacar que foi com base nesse mesmo demonstrativo que referida decisão, colhendo os dados relativos às compensações relacionadas aos débitos do ano calendário de 1999, concluiu pela inexistência de saldo negativo de IRPJ de 1997 passível de aproveitamento no presente processo. Não me parece razoável que se possa considerar as compensações registradas no demonstrativo de fls. 163 para fins de redução do saldo negativo de IRPJ de 1997, excluindose de tal cômputo a promovida em fevereiro de 1999, tão somente pelo fato de a contribuinte a ter formalizado em 2001, especialmente na circunstância em que as normas de regência autorizavam o procedimento, independentemente da formalização do pedido, e a contribuinte comprova por meio de documentação contábil que efetivamente promoveu a compensação. Assim, considerado todo o exposto e, por relevarse desnecessário, deixando de apreciar as demais razões trazidas por meio da peça recursal, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório estampado no PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de fls. 01, e, por decorrência, homologar a compensação tributária requerida pelo documento de fls 02. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13971.723251/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
Ementa
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135, III, CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente esta conduta. O sócio-gerente ou diretor deve ter praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária
Numero da decisão: 1301-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ARTIGO 135, III, CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente esta conduta. O sóciogerente ou diretor deve ter praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 32 51 /2 01 2- 72 Fl. 954DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 2 Relatório Cuida o presente processo de autos de infração (fls. 246/304) que apuraram infrações tributárias referentes a IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF no período de de 01/2006 a 12/2008. Com base no art. 135 do Código Tributário Nacional – CTN, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os administradores da empresa Luiz Rodrigues dos Santos (fls. 237/238), Rodolfo Rodrigues dos Santos (fls. 239/240) e Vanessa Rodrigues dos Santos Aguiar (fls. 241/242). O contribuinte requereu às fls. 327/328 que os débitos com vencimento posterior a 30/11/2008 fossem desmembrados para outro processo para fins de inclusão em parcelamento simplificado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e a inclusão dos demais, com vencimento anterior a 30/11/2008, no parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/09. Posteriormente, protocolou aos autos impugnação (fls. 370/372) na qual esclarece que “no que concerne aos tributos, as multas de ofício e as multas e juros isolados, a Impugnante não tece qualquer contraposição na presente defesa, devendo ser considerada como não impugnado estes lançamentos” e que "deixa de apresentar qualquer contraposição no que concerne aos tributos, as multas de oficio e as multas e juros isolados (...), visto que a exigência tributária de que tratam os Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal lavrados são objeto de parcelamento". O mesmo não ocorreu com os responsáveis tributários por solidariedade, os quais apresentaram impugnação contra o Termo de Sujeição Passiva às fls. 385/571. A Unidade de Origem informou às fl. 725/728 o quanto segue: (...) considerando a inadimplência de três parcelas consecutivas dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, o parcelamento foi parcialmente rescindido e o saldo devedor de referidos débitos foi enviado para inscrição em Dívida Ativa da União, em 09/11/2011, pelo Processo Administrativo nº 13971.002829/201172. Em seguida, tendo em vista que o contribuinte deixou de recolher três parcelas consecutivas dos tributos PIS e COFINS, o parcelamento do Processo Administrativo nº 13971.001551/201116 foi rescindido e o saldo remanescente dos débitos enviado para inscrição em Dívida Ativa da União, em 09/02/2012. Reconhecemos que, por equívoco desta Seção, não se atentou para o fato de que, em eventual rescisão dos parcelamentos supracitados, as impugnações tempestivamente apresentadas pelos contribuintes solidários deveriam ter sido reativadas e, consequentemente, realizados os procedimentos necessários a fim de ser dado prosseguimento ao contencioso administrativo validamente instaurado no Processo Administrativo nº 13971.001182/201161 (Principal/Original), limitado, entretanto, aos termos dos recursos. Portanto, foi solicitado o retorno dos Processos Administrativos nºs 13971.001551/201116 e 13971.002829/201172, que se encontravam junto à ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Blumenau, para que fossem devidamente analisados por esta Seção e tomadas as providências cabíveis. A esse respeito, informamos, por fim, que foram cadastrados manualmente neste processo os créditos tributários correspondentes à Multa Isolada de CSLL e IRPJ e à Multa de Ofício de 225%, lançada vinculadamente aos créditos tributários Fl. 955DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 13971.723251/201272 Acórdão n.º 1301002.092 S1C3T1 Fl. 954 3 de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, os quais foram objeto das impugnações tempestivamente apresentadas pelo contribuintes solidários, suspendendo a exigibilidade de referidos créditos tributários em relação a todos os autuados, nos termos do artigo 7º, da Portaria RFB nº 2.284/2010, conforme se verifica do extrato do processo, às fls. 716/723. Isso posto, tendo sido realizados os ajustes necessários junto ao sistema informatizado desta RFB, propomos o encaminhamento deste processo para a DRJ/Florianópolis para julgamento, em conformidade com o disposto no inciso I, do artigo 25, do Decreto nº 70.235/72 e no Anexo I, da Portaria RFB nº 1.916/2010”. Ocorrendo as exclusões dos parcelamentos, as impugnações apresentadas foram julgadas totalmente improcedentes pela 3ª Turma da DRJ/BEL em acórdão acostado aos autos às fls. 731/743. Inconformados, os sujeitos passivos por solidariedade interpuseram recurso voluntário, ao qual foi dado provimento por este Colegiado, em acórdão de fls. 928/943, “destacando, no presente caso, a invalidade da imposição aos sócios, tendo em vista a ausência de configuração específica da conduta de cada um, capaz de possibilitar a incidência das disposições do Art. 135, inciso III do CTN, e, ainda, nos termos da Súmula CARF nº 105, a completa invalidade da exigência da multa isolada, imposta de forma concomitante com a multa de ofício, devendo aquela, portanto, ser completamente desconstituída na presente vertente, nos termos e fundamentos aqui então especificamente apresentados”. A Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração (fls. 945/947) em que se alega obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: (...) da leitura dos três Termos de Sujeição Passiva Solidária, verificase expressa menção às condutas que autorizariam a aplicação do art. 135 do CTN, conforme se confere do seguinte texto, comum a ambos os termos: “Para os anos calendário 2006 a 2008, a empresa apresentou DIPJ com receitas, despesas e custos zerados apesar das receitas auferidas, custos e despesas incorridas, com evidente intuito de fraude à fiscalização.” Ante a análise das DIPJ citadas tanto nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, quanto no Termo de Verificação Fiscal (item 2), verificase que em relação à declaração de 2007, Vanessa Rodrigues dos Santos Aguiar, respondia pela empresa como representante legal, enquanto em relação às declarações de 2008 e de 2009, Rodolfo Rodrigues dos Santos, era o responsável pela empresa na qualidade de seu representante legal. Essas informações podem ser conferidas às fls. 28, 44 e 60. Considerada apresentação de DIPJs zeradas para os anos calendário de 2006 a 2008, sob a gestão dos sócios Vanessa Rodrigues dos Santos Aguiar e Rodolfo Rodrigues dos Santos, o acórdão incorre em obscuridade ao consignar que tanto o Termo de Verificação Fiscal, quanto os Termos de Responsabilidade Solidária não indicam o ato por eles praticado no sentido de atrair a incidência do art. 135 do CTN. Diante do exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) que os presentes embargos de declaração sejam recebidos e providos, sanandose o vício acima apontado. É o relatório. Passo a decidir sobre os embargos apresentados. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 4 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou caso seja omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. Feitas essas considerações iniciais, passase à análise dos argumentos aduzidos pelo Embargante. A Embargante aduz haver obscuridade entre a decisão e seus fundamentos ao afirmar que tanto o Termo de Verificação Fiscal, quanto aos Termos de Responsabilidade Solidária não indicam o ato praticado pelos sócios capaz de atrair a incidência do art. 135 do CTN, ao passo que haveria expressa menção às condutas que autorizariam a aplicação do citado dispositivo no Termo de Responsabilidade Solidária. O cerne da discussão concentrase, pois, no fato de os autos de infração apontarem responsáveis solidários, vinculados ao cumprimento da obrigação tributária imposta, sob o manto do artigo 135 do CTN. Segundo o citado dispositivo legal, somente pode ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. Entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. Logo, para efeito de atribuição da responsabilidade contida no citado artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Corroborando este entendimento, temse decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1101728/SP sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no Fl. 957DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 13971.723251/201272 Acórdão n.º 1301002.092 S1C3T1 Fl. 955 5 sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) Os Termos de Sujeição Passiva constantes às fls. 237/242 descrevem o contexto que resultou na responsabilização solidária da seguinte forma: No curso da fiscalização, efetuamos a glosa de despesas em 2006 de serviços prestados por LCS AR PRESTADORA DE SERVIÇOS GERAIS LTDA., CNPJ 84.796.127/000159, pessoa jurídica inapta desde 2004 e baixada em 2008. O sujeito passivo solidário agiu, em tese, em infração à lei ao utilizar as notas fiscais inidôneas da LCS AR PRESTADORA DE SERVIÇOS GERAIS LTDA. para reduzir tributos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante dos Autos de Infração. (grifei e negritei) Para os anos calendário 2006 a 2008, a empresa apresentou DIPJ com receitas, despesas e custos zerados apesar das receitas auferidas, custos e despesas incorridas, com evidente intuito de fraude à fiscalização. Durante a fiscalização, não foram apresentados documentos contábeis para os anos de 2007 e 2008, nem os arquivos magnéticos obrigatórios. Dessa forma restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional): (...) Por sua vez, no Relatório Fiscal (fls. 306/316) também não há qualquer descrição das condutas, supostamente, dolosas praticadas pelos responsáveis solidários, sendo descritas somente as infrações realizadas pela pessoa jurídica. Portanto, o que afirmou o acórdão embargado é que não foram mencionados nos Termos de Verificação Fiscal os comportamentos descritos no artigo 135, III, do CTN que poderiam ensejar o redirecionamento da responsabilidade tributária. Em momento algum, o voto condutor opinou pela inexistência de infrações à legislação tributária, contudo, afirmou inexistir “individualização das condutas de cada um dos sócios apontados”. Nesse sentido, é o seguinte trecho da decisão em referência: No presente caso, entretanto, em que pese a indicação efetiva da existência de relevantes indícios a fundamentar a prática (pelos agentes da empresa) de condutas ilícitas claras, relevante destacar que nem no Termo de Verificação Fiscal, nem mesmo nos específicos Termos de Responsabilidade Solidária lavrado para cada um dos recorrentes, verificase, especificamente, qual seria o ato por ele pessoal e especificamente praticado, capaz de permitir, então, a aplicação do referido dispositivo. (grifei) Entendo, portanto, inexistir a obscuridade apontada pela Fazenda Nacional. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO 6 Ante todo o exposto, conheço dos embargos e, no mérito, DEIXO de ACOLHER, mantendose a decisão proferida por este Colegiado no Acórdão n° 1301001.751 a fim de afastar a responsabilidade solidária dos sócios. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 959DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO
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Numero do processo: 10283.720401/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. O
O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8. Em conseqüência, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
PROVA ILÍCITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em prova ilícita, mediante quebra de sigilo bancário, nem se discutir a aplicabilidade retroativa ou não da Lei Complementar nº 105/2001, quando o próprio Contribuinte fornece os extratos bancários à fiscalização.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO.
A simples alegação de que não há relação natural entre a existência de depósitos de origem não comprovada e a omissão de receitas não é suficiente para afastar a presunção relativa criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1301-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. O O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8. Em conseqüência, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. PROVA ILÍCITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em prova ilícita, mediante quebra de sigilo bancário, nem se discutir a aplicabilidade retroativa ou não da Lei Complementar nº 105/2001, quando o próprio Contribuinte fornece os extratos bancários à fiscalização. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. A simples alegação de que não há relação natural entre a existência de depósitos de origem não comprovada e a omissão de receitas não é suficiente para afastar a presunção relativa criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 01 /2 00 6- 16 Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0111.212 2ª Turma da DRJ/BEL, na sessão de 09 de junho de 2008, que, naquela oportunidade, apreciou a impugnação apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento contestado. Consta nos autos que trata o processo de lançamentos, decorrentes do SIMPLES (AC 2001): de Multa Regulamentar, Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 4.530.245,78, já incluídos multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 30/11/2006: Segundo "Descrição dos Fatos" de fls. 13/14 a imputação fundamentouse em: a) depósitos bancários (R$ 16.303.437,32, descontados já as receitas constantes da DIPJ Simples entregue à Receita Federal), creditados em contas correntes, para os quais o contribuinte não apresentou justificativa para a origem; b) crédito decorrente da recomposição da receita bruta acumulada, após se comprovar a omissão de receitas não declaradas (as porcentagens utilizadas pelo contribuinte foram inferiores às fixadas legalmente a cada faixa de receita bruta acumulada); c) os extratos bancários foram obtidos junto às instituições financeiras, Via RMF (Requisição de Movimentação Financeira, com base na Lei Complementar 105/2001) em virtude da negativa do contribuinte em entregálos integralmente à Receita Federal. Devidamente intimada, e após apresentar seus argumentos de impugnação, os mesmos foram submetidos à analise da 2ª Turma da DRJ/BEL, entendeu aquele Colegiado Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10283.720401/200616 Acórdão n.º 1301002.076 S1C3T1 Fl. 1.827 3 considerar procedente em parte o lançamento contestado, cujo ementa do acórdão restou assim descrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 OMISSÃO Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECADÊNCIA No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. O prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês). Lançamento Procedente em Parte Ciente do acórdão recorrido (fls. 1720) 19/08/08, e com ele inconformado, a recorrente apresentou 18/09/08, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído (fls. 335), pugnando por provimento, aduzindo os seguintes argumentos: a) que prazo decadencial das contribuições sociais (PIS, COFINS, CSL e INSS) não é de 10 (dez) anos, mas sim de 5 (cinco) anos, consoante prescreve o § 4.° do artigo 150, do Código Tributário Nacional; b) da impossibilidade de constituir tributos por arbitramento tendo por base apenas os extratos bancários; c) da ilicitude da prova por se tratar de produto de violação ao sigilo bancário, sem autorização judicial; d) A inexistência de omissão de receitas é ilegítimo o lançamento do imposto de renda e seus reflexos com base apenas em depósitos bancários, sem maiores investigações de origem, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos de qualquer natureza e, portanto, não são fatos geradores do imposto de renda e seus reflexos; Encaminhado os autos para este Colegiado, numa análise inicial, entendeu por converter o julgamento em diligência (130200.040 fls. 577/579), para que a fiscalização verificasse existir transferências entre contas da própria recorrente; se houver, se os valores foram considerados na base de cálculo dos tributos lançados; em caso positivo, foi ainda determinado que a autoridade diligenciante elaborasse planilha identificando os valores das Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 4 referidas transferências e de outros valores que não devem compor a base de cálculo dos tributos lançados, além de constar expressa determinação para que a recorrente seja cientificada e se manifeste sobre o resultado da mesma. Consta às fls. 1748 e segs, que a autoridade diligenciante apresentou o relatório de diligência fiscal, informando que reexaminou os lançamentos e, ao contrário do que sustenta a recorrente, não encontrou depósitos ou transferências bancárias entre contas do próprio contribuinte na determinação de valores apurados no auto de infração, cuidando de junta aos autos demonstrativo (fls. 1751 a 1822). Devidamente intimada em 25/03/2015, a recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência, sendo os autos reencaminhados ao CARF para continuidade do julgamento. Tendo em vista o relator originário não compor mais este Colegiado, procedeuse a novo sorteio. É o relatório Voto Conselheiro Relator José Eduardo Dornelas Souza Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Aprecio, pois, o recurso interposto, na ordem dos argumentos apresentados na peça recursal. DO PRAZO DECADENCIAL DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (PIS, COFINS, CSLL E INSS). 10 (DEZ) ANOS Sustenta a recorrente que o prazo decadencial das contribuições sociais (PIS, COFINS, CSL e INSS) não é de 10 (dez) anos, mas sim de 5 (cinco) anos, consoante prescreve o § 4º do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Penso assistir razão a recorrente. A esse respeito, dois aspectos devem ser considerados: o prazo e o termo inicial para contagem da decadência. Quanto ao prazo decadencial, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte teor: Súmula Vinculante n° 08 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A partir da edição da Súmula Vinculante nº 8, ocorrida em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatála. Desse modo, o prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias passa de dez para cinco anos, nos termos do CTN. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10283.720401/200616 Acórdão n.º 1301002.076 S1C3T1 Fl. 1.828 5 Falta agora determinar o termo inicial para sua contagem. Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Assim, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: (i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, ainda que parcial, e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou (ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, e quando inexistir declaração prévia do débito (art. 173, I, CTN). Vejase sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 6 págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (os grifos constam no original) No caso concreto, tratase de tributos recolhidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, onde a apuração e recolhimento são feitos mensalmente, e de forma definitiva, por inexistir ajustes, além do que há comprovação nos autos de que o contribuinte efetuou pagamento antecipado (fls 07/08) do tributo. Nos termos da decisão do STJ, que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que, diante da existência de pagamento, ainda que parcial, o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 150, §4º do CTN, ou seja, o dies a quo deve ser considerado como a data do fato gerador do tributo. (último dia de cada mês), no prazo de 5 anos. Assim, considerando que contribuinte tomou ciência do lançamento em 14/12/2006, (fls. 08; 13, 23, 32, 42 e 52), constato que decaiu o direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro/2001 a novembro/2001, por transcorrer mais de 5 (cinco) anos contados a partir do fato gerador. DA IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIR TRIBUTOS POR ARBITRAMENTO TENDO POR BASE APENAS OS EXTRATOS BANCÁRIOS; Alega a recorrente a impossibilidade de constituir tributo utilizandose de extratos bancários; dizendo haver valores pontuados pela fiscalização como créditos, que na verdade se trata de saída de uma conta pra outra, para fins de cobertura de saldo negativo; ou valores relativos a empréstimos e adiantamentos do próprio banco para fazer frente a despesas operacionais, não podendo, estes valores, jamais configurarem como receita ou rendimento. . Entendo que não lhe assiste razão. A presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10283.720401/200616 Acórdão n.º 1301002.076 S1C3T1 Fl. 1.829 7 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Embora esta presunção legal é do tipo relativa, é fato que o legislador conferiu ao Fisco uma presunção válida e legal, incumbindo ao contribuinte, provar, através de documentação hábil e idônea que a referida presunção não possa subsistir. No caso concreto destes autos, o interessado não logrou comprovar, com a documentação adequada, a ausência de omissão de receita, sendo suas alegações genéricas e desguarnecidas de provas. Obviamente, acaso suas alegações fossem devidamente comprovadas, não tenho dúvida que transferências ou quaisquer créditos que não representassem receitas Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 8 tributadas pelos tributos aqui exigidos seriam excluídos do cômputo dos valores devidos por ocasião do lançamento tributário. Registrese que este Colegiado, numa análise inicial, quando entendeu por converter o julgamento em diligência (130200.040 fls. 577/579), objetivou exatamente atender alegações do contribuinte, no sentido de retirar do cômputo do lançamento eventuais valores que seriam apenas transferências entre contas da própria recorrente, solicitando, inclusive, à autoridade diligenciante, que, se fosse o caso, elaborasse planilha identificando tais valores, de forma que tais valores não compusesse a base de cálculo dos tributos lançados. Ocorre que esta diligência não constatou existente nenhuma das alegações da recorrente, além do que, a própria interessa, após devidamente intimada para se manifestar da citada diligência, quedouse inerte. Assim, em face de inexistir provas cabais de suas alegações, não vejo motivo para considerar ilegal ou invalida a conclusão da autoridade fiscal. Assim, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da interessada como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. DA ILICITUDE DA PROVA; Alega a Recorrente que FOAM utilizados como elementos de apuração dados obtidos através da quebra administrativa do sigilo bancário sem a necessária autorização da autoridade judiciária, violando direitos constitucional, fato este que demonstra a ilicitude da prova obtida pela fiscalização, gerando a nulidade de toda a ação fiscal levada a efeito e, via de conseqüência, os autos de infração lavrados. Discorre ainda sobre uma suposta inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, além do que, segundo o Contribuinte, a autoridade fiscalizadora teria extrapolado suas competências, aplicando retroativamente o comando da Lei nº 10.174/2001 Sobre este assunto, constato que o CARF já tem jurisprudência consolidada no sentido de que essa Lei 10.174/2001 tem sim aplicabilidade retroativa, sendo editada, nesse sentido: Súmula CARF nº 35: “O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Além disso, o próprio o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN” Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10283.720401/200616 Acórdão n.º 1301002.076 S1C3T1 Fl. 1.830 9 Em suma, seja pela decisão do STF, seja pela súmula do CARF, fazse necessário reconhecer a retroatividade da norma insculpida na Lei nº 10.174/2001, sendo necessário afastar a nulidade suscitada. Além do mais, do exame dos autos constato que não ocorreu qualquer “quebra” do sigilo bancário, no sentido que lhe deseja atribuir a recorrente. De fato, os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte, mediante intimação escrita, em cumprimento do dever de prestar ao Fisco as informações necessárias e indispensáveis ao procedimento de fiscalização, como se vê às fls 7980 dos autos. Com relação à alegação de efeito retroativo da Lei Complementar nº 105/2001, de que não poderia ter efeito retroativo e, conseqüentemente, a autoridade fiscalizadora não estaria autorizada a analisar os extratos bancários do Contribuinte referentes ao anocalendário de 2001 sem autorização judicial, mesmo que ele os tenha fornecido, igualmente equivocase a Recorrente. Com a ressalva do nosso entendimento sobre a adequação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 ao ordenamento pátrio, é fato que o STF se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no mesmo RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma, conforme já visto. Ademais, constatase que o STJ se pronunciou especificamente acerca da possibilidade de aplicação retroativa da referida LC, concluindo tratarse exatamente da hipótese do art. 144, §1º, do CTN. Fêlo em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1134665/SP, que restou assim ementado: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. (...) 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). (...) 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 10 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). (...) 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. (...) 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Assim, nos termos do art. 62, §2º, do RICARF, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, como é o caso. Nessa esteira, já tendo o STJ se pronunciado sobre a questão – determinando que a LC nº 105/2001 pode sim ter efeitos retroativos – não há como reconhecer qualquer irregularidade na forma do lançamento, a ensejar nulidade. A INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS Alega a recorrente depósitos efetuados nas contas correntes do contribuinte não poderiam configurar omissão de receita, vez que não se pode entender ser suficiente a ocorrência de movimentação financeira de recursos pelas contas bancárias em montante superior à receita declarada pelo contribuinte, devendo a autoridade fiscal demonstrar de forma inequívoca, que o excedente apurado decorre, efetivamente, da prática de omissão no registro de receitas. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10283.720401/200616 Acórdão n.º 1301002.076 S1C3T1 Fl. 1.831 11 Sustenta ainda que o presente lançamento foi realizado com base exclusivamente em depósitos bancários, e por isso, estes dados, por si só, não serviriam de base para arbitramento da receita, sem qualquer nexo causal entre os referidos depósitos e qualquer fato que tipificasse a omissão no registro de receitas. Como visto, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, tem amparo em norma legal, ex vi o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Tratase, assim, de presunção prevista em lei, em que, diferentemente do alegado na peça recursal, cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos capazes de impedir a sua aplicação, providência que, é bom que se ressalte mais uma vez, não foi adotada pelo Recorrente Com referência a este tema, anoto que ele vem ganhando grande valia no âmbito do Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e Súmula CARF nº 2. Por fim, com relação ao lançamento decorrente de Multa Regulamentar, bem como a multa de ofício e os juros moratórios, observo que essas matérias não foram impugnadas através do recurso voluntário.Tratandose de matérias não impugnadas, mantenho o respectivo lançamento e cominações. Sendo assim, em conformidade com os argumentos acima descritos, conduzo meu voto para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro/2001 a novembro/2001, mantendo as demais exigências aqui não afastadas. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 12 Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10680.723238/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO FISCAL. Incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, que não foram incluídos em folha de pagamento, não declarados por meio de GFIP e sobre os quais não houve a arrecadação da parte devida por esses segurados.
LANÇAMENTO FISCAL. Incidente sobre o custeio de auxílio saúde em benefício de alguns empregados, despesas com moradia de um empregado e sobre importâncias pagas por serviços prestados por empregados, não incluídos nas folhas de pagamento, nem declarados em GFIP, que não foram objeto de retenção da parte devida pelos empregados.
Autos de Infração combatidos por meio de impugnação sintetizada objeto de um único processo administrativo, em conformidade com o que dispõe o Decreto nº 70.235/1972, do artigo 9º, § 1º.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve obedecer a lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. Já especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.261-3 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para que: i) a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess, que mantinham a multa como aplicada; ii) especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.261-3 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, `c¿, do CTN. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO FISCAL. Incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, que não foram incluídos em folha de pagamento, não declarados por meio de GFIP e sobre os quais não houve a arrecadação da parte devida por esses segurados. LANÇAMENTO FISCAL. Incidente sobre o custeio de auxílio saúde em benefício de alguns empregados, despesas com moradia de um empregado e sobre importâncias pagas por serviços prestados por empregados, não incluídos nas folhas de pagamento, nem declarados em GFIP, que não foram objeto de retenção da parte devida pelos empregados. Autos de Infração combatidos por meio de impugnação sintetizada objeto de um único processo administrativo, em conformidade com o que dispõe o Decreto nº 70.235/1972, do artigo 9º, § 1º. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve obedecer a lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. Já especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.261-3 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para que: i) a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess, que mantinham a multa como aplicada; ii) especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.261-3 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, `c¿, do CTN. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess. André Luis Marsico Lombardi - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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Incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, que não foram incluídos em folha de pagamento, não declarados por meio de GFIP e sobre os quais não houve a arrecadação da parte devida por esses segurados. LANÇAMENTO FISCAL. Incidente sobre o custeio de auxílio saúde em benefício de alguns empregados, despesas com moradia de um empregado e sobre importâncias pagas por serviços prestados por empregados, não incluídos nas folhas de pagamento, nem declarados em GFIP, que não foram objeto de retenção da parte devida pelos empregados. Autos de Infração combatidos por meio de impugnação sintetizada objeto de um único processo administrativo, em conformidade com o que dispõe o Decreto nº 70.235/1972, do artigo 9º, § 1º. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve obedecer a lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. Já especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.2613 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 38 /2 01 1- 10 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para que: i) a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess, que mantinham a multa como aplicada; ii) especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.2613 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, `c¿, do CTN. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/2007 a 12/2007 Data de lavratura (AI): 24/05/2011 Data de ciência (AI): 26/05/2011 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos seguintes Autos de Infração: AI, DEBCAD nº 37.317.2575, com valor consolidado em 24/5/2011, de R$ 225.576,57, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, parte da empresa, incidentes sobre as remunerações de empregados. Tais valores não foram declarados por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. AI, DEBCAD nº 37.317.2583, com valor consolidado em 24/5/2011, de R$ 36.712,63, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social relativa à parte dos segurados; AI, DEBCAD nº 37.317.2613, no valor de R$ 37.560,14, lavrado em 26/5/2011, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4º (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). AI, DEBCAD nº 37.317.2621, no valor de R$ 1.523,57, lavrado em 26/5/2011, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso I, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso I e § 9º, (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 30) e; AI, DEBCAD nº 37.317.2630, no valor de R$ 1.523,57, lavrado em 26/5/2011, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a” e Lei nº 10.666, de 8/5/2003, artigo 4º, caput combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a” (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 59). Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Os Autos de Infração acima indicados, em razão de possuírem os mesmos elementos de prova, foram objeto de um único processo administrativo, em conformidade com o que dispõe o Decreto nº 70.235/1972, do artigo 9º, § 1º. Consta no Relatório dos Autos de Infração (fls. 33/52): que, conforme declaração firmada pelo sujeito passivo, também fazem parte do Grupo econômico as seguintes empresas: L.E. Participações Societárias Ltda, CNPJ. nº 04.375.262/000191; Alta Energia Empreendimentos e Construções S.A, CNPJ nº 12.599.748/000131 e Abenta Construção Brasil Ltda, CNPJ nº 10.585.880/000169; que em razão disso foram lavrados os Termos de sujeição passiva que foram anexados às cópias dos Autos de Infração nº 37.317.2575 e 37.317.2583; que todas as contribuições apuradas são incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e a contribuintes individuais, bem como, sobre a remuneração paga a sócios de empresas prestadoras de serviços à TABOCAS, caracterizados pela fiscalização como segurados empregados do sujeito passivo, nas competências de janeiro a dezembro/2007; que para apuração das contribuições lançadas foram utilizados os seguintes levantamentos: pagamentos efetuados a contribuintes individuais (autônomos) – levantamento CI; pagamento de assistência médica (plano de saúde) não extensiva à totalidade dos empregados e dirigentes – levantamento AM; pagamento a sócios de prestadores de serviços, enquadrados como segurados empregados do sujeito passivo – levantamento NF e pagamento de salárioutilidade (aluguel) a segurado empregado da administração – levantamento AL; que, por meio da análise da escrituração contábil, constatouse a realização de pagamentos a diversos segurados contribuintes individuais sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. Tais fatos estão registrados a débito nas contas 3.3.1.04.0002; Serviços de terceiros pessoa física; 3.3.1.05.0002 Serviços de terceiros pessoa jurídica; 3.3.1.09.0008; – Conservação e limpeza; 3.3.1.09.0022 – .Manutenção de equipamentos; .3.1.11.0005 – Manutenção e conservação de bens e instalações; 3.3.1.11.0006 – Manutenção e conservação de veículos; 3.3.1.13.0003 – Manutenção de sistemas; 3.3.1.14.0001 – Assistência médica e 3.3.1.14.0003 – Despesas com exames laboratoriais; que a empresa oferece à parte dos seus segurados empregados assistência médica através de plano de saúde da empresa BRADESCO SAÚDE, sem que tal benefício seja decorrente de Acordos ou Convenções Coletivas de Trabalho ou de programa de benefícios institucionalizado na empresa; que o sujeito passivo não comprovou a extensão de tal benefício à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; ao contrário, tendo sido constatado, que somente alguns segurados (a maior parte exerce atividades na administração), tiveram acesso ao plano de saúde oferecido; que os valores dessa parcela estão escriturados a débito da conta 3.3.1.14.0005PLANO DE SAÚDE; que, como os empregados participam com o custeio de 50% desse benefício, somente foi considerada como base de cálculo para as contribuições previdenciárias a parcela custeada pelo sujeito passivo; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 4 5 que, constatouse, com base no contrato de locação (cópia juntada aos autos), a existência de pagamentos de aluguel do imóvel residencial situado à Rua Itiuba, nº 490A, Bairro Araguaia, em Belo Horizonte, MG, em favor de segurado empregado, o Sr. Marcondes Martins da Silva, que trabalha no estabelecimento centralizador (administração); que foram identificadas, por meio da análise da escrituração contábil, no grupo 21101– Fornecedores Diversos, diversas empresas que prestaram serviço na TABOCAS durante o período fiscalizado o que motivou a intimação para apresentação dos contratos de serviços respectivos; que, após análise da documentação apresentada, foram enquadrados como segurados empregados do sujeito passivo os responsáveis legais das seguintes empresas prestadoras de serviços: JOSE ROGERIO DE ALMEIDA – CNPJ 07.716.241/000180, GIOVANNI SANGUINETTI – CNPJ 08.328.507/000180 e A X BERCHOL – CNPJ 07.752.369/000108; que os valores contidos nas notas fiscais faturadas contra o impugnante foram considerados remuneração; que não há contrato firmado entre o sujeito passivo e o empresário individual JOSE ROGERIO DE ALMEIDA, tendo sido apresentado apenas um contrato de nº 041/100/2007, assinado em 11/1/2007 (cópia juntada aos autos), pelo Sr. Jose Rogério de Almeida, no qual menciona apenas o CPF nº 618.603.52715 do prestador; que consta como objeto contratual (cláusula 1ª) uma atividade diretamente relacionada com a atividade fim do sujeito passivo, qual seja, “[...] a prestação de serviços de Gerenciamento de Construção de Obra, segmento de transmissão de energia elétrica, com fornecimento de uma caminhonete S10 cabine dupla 4x4, com ar condicionado e manutenção de veículos e máquinas, localizada em todo o território nacional”; que, quanto ao regime de prestação dos serviços, consta na cláusula 2ª que “os serviços serão prestados pelo CONTRATADO, de acordo com as diretrizes emanadas da Diretoria da CONTRATANTE, normas, rotinas, procedimentos e especificações técnicas/administrativas pertinentes.”; que consta no item 3.1 da cláusula terceira a obrigação do sujeito passivo de pagar, mensalmente, R$ 19.000,00; que, ademais, as notas fiscais emitidas pela contratada contra o sujeito passivo possuem numeração sequencial; que, por meio de consulta realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatouse que, no período fiscalizado, a empresa JOSE ROGERIO DE ALMEIDA prestou serviços exclusivamente à TABOCAS e nesse período, a empresa não teve nenhum segurado empregado declarado; o que comprovaria que os serviços foram pessoalmente prestados pelo responsável legal da empresa, o Sr. José Rogério de Almeida; que as notas fiscais de serviços encontramse devidamente contabilizadas na conta 2.1.101.2050 JOSE ROGÉRIO DE ALMEIDA ; Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 que não há contrato firmado entre o sujeito passivo e o empresário individual GIOVANNI SANGUINETTI, tendo sido apresentado apenas um contrato de nº 035/100/2006, assinado em 21/8/2006 (cópia juntada aos autos), pelo Sr. Giovanni Sanguinetti no qual mencionase apenas o CPF 039.8888.99615 do prestador; que consta como objeto contratual (cláusula 1ª) uma atividade diretamente relacionada com a atividade fim do sujeito passivo, qual seja, “[...] a prestação de serviços de Gerenciamento de Construção de Obra, segmento de transmissão de energia elétrica, localizada em todo o território nacional”; que, quanto ao regime de prestação dos serviços, consta na cláusula 2ª que “os serviços serão prestados pelo CONTRATADO, de acordo com as diretrizes emanadas da Diretoria da CONTRATANTE, normas, rotinas, procedimentos e especificações técnicas/administrativas pertinentes.”; que consta no item 3.1 da cláusula terceira, a obrigação do sujeito passivo de pagar, mensalmente, R$ 17.433,00 até o 5º dia útil do mês subsequente ao dos serviços prestados; que, ademais, as notas fiscais emitidas pela contratada contra o sujeito passivo possuem numeração sequencial; que, constatouse que, no período fiscalizado, a empresa GIOVANNI SANGHINETTI prestou serviços exclusivamente à TABOCAS e nesse período, a empresa não teve nenhum segurado empregado declarado; o que comprovaria que os serviços foram pessoalmente prestados pelo responsável legal da empresa, o Sr. Giovanni Sanghinetti; que as notas fiscais de serviços encontramse devidamente contabilizadas na conta 2.1.101.1784 – GIOVANNI SANGHINETTI, sendo que no histórico do registro contábil consta que os pagamentos se referem a pagamento de salários; que em relação a empresa A X BERCHOLME – CNPJ nº 07.752.369/000108 (empresário individual), a prestação de serviços se deu de maneira análoga às duas acima citadas; que consta como objeto contratual uma atividade diretamente relacionada com a atividade fim do sujeito passivo, qual seja, “[...] a prestação de serviços de acompanhamento das obras civis, necessárias à construção da LT 500 kV Colinas/Miracem/Gurupi, localizada no estado de Tocantins”; que, consta na cláusula 2ª que “os serviços serão prestados pelo CONTRATADO, de acordo com as diretrizes emanadas da Diretoria da CONTRATANTE, normas, rotinas, procedimentos e especificações técnicas/administrativas pertinentes.”; que consta no item 3.1 da cláusula terceira, a obrigação do sujeito passivo de pagar, mensalmente, R$ 8.000,00 até o 5º dia útil do mês subsequente ao dos serviços prestados; que tal empresa sequer apresentou talonário próprio no período fiscalizado utilizandose de notas fiscais avulsas fornecidas pela Prefeitura Municipal de Nova Andradina MS, sendo que essas notas foram numeradas sequencialmente; que, por meio de consulta realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatouse que, no período Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 5 7 fiscalizado, a empresa prestou serviços exclusivamente à TABOCAS e nesse período, a empresa não teve nenhum segurado empregado declarado; o que comprovaria que os serviços foram pessoalmente prestados pelo responsável legal da empresa, o Sr. Alcides Xavier Berchol; que os pagamentos foram feitos diretamente na conta corrente da pessoa física e não na da jurídica; que as notas fiscais de serviços encontramse devidamente contabilizadas na conta 2.1.101.2136 –A X BERCHOL; que o ANEXO III (fl. 167) discrimina por competência, a conta contábil, a data, o valor e o histórico dos lançamentos referentes a essas notas fiscais; que os ANEXOS I e II (fls. 157/166) trazem o cálculo das contribuições dos segurados, relativas aos fatos geradores descritos e que tais valores não foram descontados dos segurados pelo sujeito passivo. Com relação às obrigações acessórias, a Fiscalização informou que tendo em vista as alterações introduzidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/5/2009, considerandose o disposto na Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional – CTN, foi efetuada a comparação entre as multas apuradas antes e após as modificações da MP nº 449/2008 (ANEXO VIII de fl. 191) com vistas a aplicar a mais benéfica ao sujeito passivo. Constatouse que na data da lavratura a legislação mais favorável é a de regência (anterior à edição da MP nº 449/2008). Informou, ainda, que o sujeito passivo não é reincidente. Constam, ainda, no relatório fiscal os seguintes esclarecimentos atinentes aos Autos de Infração lavrados em razão do descumprimento de obrigações acessórias. O sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores anteriormente identificados e as respectivas contribuições previdenciárias. Em razão disso foi aplicada multa por meio do AI, DEBCAD nº 37.317.2613, no valor de R$ 37.560,14 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Tal multa foi calculada com base no que dispõe a Lei 8.212/1991, artigo 32, § 5º, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 6/5/1999, artigo 284, inciso II e artigo 373. Sendo que esse valor, equivale a cem por cento da importância devido relativo à contribuição não declarada, limitada ao valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no RPS, artigo 283, caput, em função do número de segurados do sujeito passivo em cada competência. O valor mínimo considerado foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU de 3/1/2011, e passou a ser de R$ 1.523,57. O ANEXO IV (fl. 168/181) demonstra a apuração do cálculo da multa aplicada. O contribuinte deixou de incluir na sua folha de pagamentos, nas competências janeiro/2007 a dezembro/2007, as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Em razão disso foi aplicada multa por meio do AI, DEBCAD nº 37.317.2621, no valor de R$ 1.523,57, (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 30). Tal multa foi estabelecida com base no que dispõe a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, combinado com o RPS, artigo 283, inciso I, alínea “a” e 373. O valor da multa considerado foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU de 3/1/2011. Nos ANEXOS V e VI (fls. 182/190) foram relacionadas as remunerações, bem como, as contribuições a cargo dos Fl. 588DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 8 segurados empregados e dos contribuintes individuais, que não foram incluídas nas folhas de pagamento. O sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, diferenças de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, nas competências janeiro/2007 a dezembro/2007. Em razão disso foi aplicada multa por meio do AI, DEBCAD nº 37.317.2630, no valor de R$ 1.523,57 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 59). Tal multa foi estabelecida com base no que dispõe a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, combinado com o RPS, artigo 283, inciso I, alínea “g” e 373. O valor da multa considerado foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU de 3/1/2011. Nos ANEXOS V e VI (fls. 182/190) foram relacionadas as remunerações, bem como, as contribuições a cargo dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, que não foram arrecadadas mediante desconto dos segurados remunerados pelo sujeito passivo. A ação fiscal foi precedida do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF (cópia de fls. 92/93), do qual foi dada ciência ao contribuinte no dia 27/4/2010 conforme assinatura à fl. 93. A documentação para realização do Procedimento Fiscal foi solicitada por meio do mencionado TIPF e por meio de Termos de Intimação Fiscal – TIF de nº 01 a 08 (fls. 94/123). A Fiscalização juntou cópias de documentos: cópia de contrato de locação firmado em 26/9/2006 entre o Sr. Tarcízio Costa Ribeiro e o sujeito passivo, segundo o qual foi locado um barracão localizada à Rua Itiuba, nº 490A, Bairro Araguaia, Belo Horizonte (MG) para residência, exclusiva, do Sr Marcondes Martins da Silva e sua esposa (fls. 192/196); cópia de contrato de prestação de serviços firmado entre o sujeito passivo e o Sr. Giovanni Sanguinetti, CPF nº 039.888.99615 (fls. 197/200); cópia de contrato de prestação de serviço pactuado entre o contribuinte A X Berchol, CNPJ n 07.752.369/000108 no qual consta a assinatura do Sr. Giovanni Sanguinetti assinado como Superintendente de Obras (fls. 201/204); cópia de contrato de prestação de serviços firmado entre o sujeito passivo e o Sr. Jose Rogério de Almeida, CPF nº 618.603.52715 e do distrato firmado em 15/4/2008 (fls. 205/210); cópia de recibos pagamentos realizados em 2007 assinados por contribuintes individuais que prestaram serviços de reparo e consertos em 2006 e 2007 (fls.211/212); cópias de Notas fiscais Avulsas – NFA, emitidas por Antonio Rodrigues Silva contra o sujeito passivo (fls. 213/214); cópia de recibos pagamentos realizados a segurados em 2007 e de NFA (fls. 215/324); cópias de NFA emitidas por A X BERCHOL (fls. 325/331); cópias de notas fiscais emitidas por José Rogério de Almeida (fls. 332/338); cópias de notas fiscais emitidas por Giovanni Sanguinetti (fls. 339/349). Fl. 589DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 6 9 Juntou ainda cópias dos termos de sujeição passiva solidária dos integrantes do grupo econômico (fls. 350/358) nos quais consta a indicação de solidariedade em relação, apenas, das obrigações tributárias principais. Tais empresas foram cientificadas dos Autos de Infração lavrados e dos mencionados termos de sujeição passiva por via postal (conforme Avisos de Recebimento – AR de fls. 360/362) nos dias 3/6/2011 (a empresa ABENTA CONSTRUÇÃO BRASIL LTDA) e 9/6/2011 (as demais empresas). O contribuinte foi cientificado dos Autos de Infração de que trata o presente processo em 26/5/2011 (conforme assinatura às fls. 3, 18, 28, 29 e 30). Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a TABOCAS PARTICIPAÇÕES EMPREENDIMENTOS SA apresentou Impugnações a fls 364/469, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 470 a 495. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0235.691 8ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 497/520, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/05/2012, conforme Aviso de Recebimento às fls. 534. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 547/569, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Quanto ao Auto de Infração, DEBCAD nº 37.317.2575, basicamente: Alega que a autuação carece de fundamentação fática e jurídica. Afirma que apesar de diversos lançamentos contábeis relativos a contribuintes individuais terem sido escriturados a débitos das contas do impugnante, tais valores não se tratavam de pagamentos e sim de reembolso de despesas efetuadas por estes em seu favor. Assevera que não existe nenhum RPA ao contrário do que faz parecer a expressão PG. RPA a (nome do beneficiário)” constante nos referidos documentos mas, apenas “[...] meros recibos de reembolso”. Nesse caso tais valores não se referem a remuneração. Cita a CLT, artigo 458, com redação modificada em 2001, para concluir que a norma contida na Lei nº 8.212/1991 a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre essa verba teria sido tacitamente revogada por ser anterior à mencionada modificação. Afirma que o contrato de locação, considerado pela Fiscalização, foi pactuado com Tarcizio Costa Ribeiro sendo que o empregado segurado não era parte integrante do contrato, tendo sido todos os pagamentos efetuados diretamente pela impugnante não havendo qualquer ressarcimento ou pagamento ao empregado beneficiado com o uso do imóvel. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 10 Assevera que para que o aluguel fosse considerado salário utilidade seria indispensável a congruência de dois requisitos: habitualidade do fornecimento do bem ou serviço e o caráter retributivo do fornecimento. Tece comentários acerca do direito constitucional de moradia, da função social da propriedade e da livre iniciativa. Cita a Lei nº 11.196/2005, artigo 129, afirmando que os prestadores de serviços que executam serviços intelectuais em caráter personalíssimo ou não, quando organizados em forma de sociedade, ficam a salvo de imposições pertinentes às pessoas físicas, sempre mais onerosas. Indica que, da leitura do citado artigo combinada com o Código Civil, artigo 50, o Fisco deve requerer ao juiz a despersonalização da pessoa jurídica, em caso de abuso. Por essa razão, o agente fiscal é incompetente para desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade prestadora de serviços e tributála como se pessoa física fosse. Afirma que os casos considerados pela Fiscalização se referem a serviços intelectuais de natureza científica, como o são o trabalho de engenheiro e técnicos, e portanto, mesmo se prestados de forma personalíssima, sofrem incidência fiscal própria de pessoas jurídicas. Aponta que não está presente a subordinação, sendo que o estabelecimento de especificações técnicas e administrativas é essencial ao funcionamento do canteiro de obras. Aduz que dentro da prestação de serviços para o qual foram contratados, os prestadores indicados no Auto de Infração tinham total liberdade de agir e atuar, desde que dentro das normas técnicas e de segurança utilizadas no canteiro de obras, muitas vezes, estabelecida pelo dono da obra. Afirma que pelas mesmas razões já arroladas não haveriam diferenças de SAT. Requer a nulidade do Auto de Infração em razão da incompetência do agente fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade. Requer, alternativamente seja julgado improcedente pelas razões de fato e direito explanadas. Requer, ainda o julgamento em conjunto do AI em comento com o Auto de Infração nº 37.317.2583. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Para impugnar o Auto de Infração AI, DEBCAD nº 37.317.2583 emprega as mesmas considerações expostas relativamente ao AI, DEBCAD nº 37.317.2575. Quanto ao AI, DEBCAD nº 37.317.2613 (AI CFL 68), o contribuinte, essencialmente: Valese das mesmas razões expostas na impugnação do AI, DEBCAD nº 37.317.2575. Aduz que já teria sido punido, pela mesma conduta, por meio dos Autos de Infração nº 37.317.2575 e nº 37.317.2583, nos quais foi determinado o recolhimento das Fl. 591DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 7 11 contribuições previdenciárias com aplicação das respectivas multas. Afirma que por isso houve bis in idem. Assevera que depreendese do disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 32 que a conduta a ser punida conforme esse dispositivo tem de ser dolosa e, no caso em comento, não declarou os fatos geradores discriminados por causa de sua convicção de que não se tratavam de situações que ensejariam recolhimentos previdenciários. Disserta sobre o princípio da proporcionalidade, sobre os valores constitucionais e o princípio de preservação da empresa e sobre os efeitos de tal multa sobre a empresa. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 02 35.691, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 12 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 21/05/2012, conforme AR juntado às fls. 534, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 20/06/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. DO PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Tratase de crédito lançado pela fiscalização, incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais, identificados pela análise de sua contabilidade, que não foram incluídos em folha de pagamentos, não foram declarados por meio de GFIP e sobre os quais não houve a arrecadação da parte devida por esses segurados. O Recorrente alega que o que não foi observado na apuração desses lançamentos é que não se tratavam de pagamentos a contribuintes individuais, e sim de reembolso por despesas efetuadas por estes em favor da Recorrente. Contudo tal alegação não pode prosperar pelas razões que seguem. Pela apreciação dos documentos juntados pela fiscalização (fls. 215 a 235), verificase que a contabilização desses valores encontrase amparada em formulários de recibos emitidos pelo sujeito passivo, em Notas Fiscais Avulsas NFA, e em recibos encontrados em papelarias. O Recorrente não anexou à impugnação documentos que comprovassem a existência de ressarcimento de despesas ou ainda a que tipo de ressarcimento se refeririam. Limitandose a alegar que os valores considerados pela Fiscalização, identificados em sua contabilidade e cujos recibos descrevem serviços prestados, não seriam remuneração, mas ressarcimento de despesas. Assim, considerandose a descrição da Fiscalização e os documentos que anexados a contabilização, ressaltando ainda, que não foram apresentados nos autos novos elementos para desabonar a contabilidade do impugnante, possível constatar que o sujeito passivo, de fato, efetuou pagamentos a contribuintes individuais. No entanto, deixou de recolher a as contribuições previdenciárias devidas, não incluiu tais valores em folhas de pagamentos e não os declarou em GFIP. 2.2. ASSISTÊNCIA MÉDICA O recorrente aduz que não seria possível a cobrança de contribuição previdenciária sobre o plano de saúde, pois colide com a literalidade do artigo 458, §2º da Fl. 593DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 8 13 Consolidação das Leis Trabalhistas, e pode ser rechaçada com base em autorizada doutrina e jurisprudência. Desenvolve em sua peça recursiva, a tese de que houve revogação tácita do artigo 28, § 9“q”da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº10.243/2001, que acrescentou o § 2º do artigo 458 da Consolidação das Leis Trabalhistas. Diz que a legislação previdenciária trata o conceito de remuneração de forma abrangente, ao passo que a novel legislação trabalhista, por ser mais especifica, exclui o pagamento de plano de saúde do conceito de salário e de remuneração. Observase, pelas conclusões legais sobre o tema, que a tese é acertada, todavia, esbarra no fato de que o plano de saúde não integra o salário de contribuição, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Diferente do que nos trás a fiscalização os valores pagos a Plano de Saúde para alguns empregados/sócios constituem em base de incidência de contribuições previdenciárias, pois o benefício não estende à totalidade de seus empregados/sócios. Deveria a Recorrente em sua impugnação demonstrar que os planos de saúde estavam disponíveis à todos, aderindo que os desejasse. Entretanto, não há nos autos a demonstração que assim era o procedimento, ficando óbvio que o plano de saúde não era a todo o quadro de empregados. Concluir que não há a hipótese descrita na Lei 8.212/91, artigo 28, I, §9º, alínea "p", devendo ser mantido no presente lançamento os valores apurados referentes a “plano desaúde”. Não sendo outro o entendimento desse egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.254.0694. Consolidados em 18/02/2010 PLANO DE SAÚDE Revogação tácita do artigo 28, § 9º , ‘q” da Lei 8.212/91, pela Lei nº 10.243/2001, que acrescentou o§ 2º do artigo 458 da CLT. INEXISTÊNCIA. Plano de não integra o saláriodecontribuição, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. E, no caso em tela os valores pagos a Plano de Saúde para alguns empregados/sócios constituem em base de incidência de contribuições previdenciárias, pois o benefício não estende à totalidade de seus empregados/sócios. MULTA. INCIDÊNCIA DA RETROATIVIDADE BENIGNA ENQUANTO O ATO NÃO ESTÁ DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 14 de maio de 2009. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SE INEXISTE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Alegação recursiva de imunidade ao pagamento de contribuição previdenciária incidente sobre o seu PPR, que seria a obrigação principal, razão pela qual não pode ser condenada a pagar a obrigação acessória. Comprovação de que há existência de obrigação principal deságua na obrigação acessória. No presente caso parte dos pagamentos efetuados e não lançadas nas folhas de pagamento foram reconhecidos em sua contabilidade como Participação nos Resultados, porém tratase na verdade de produção e outros benefícios pagos mensalmente, o que os desqualificam como participação nos resultados. Assim, havendo lançamento previdenciário correto, em face de não acudir a determinação legal da Lei nº 10.101/2000, está a recorrente sujeita ao mesmo, por descumprimento da obrigação principal, culminando também o dever de honrar com a obrigação principal. BIS IN IDEM. Inexistência.” (CARF, Processo nº 15504.002107/201079, Rel. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Acórdão nº 2301004.155, jul. 11/09/2014) 2.3. PAGAMENTO DE SALÁRIO ALUGUEL A Lei º 8.212, de 24/07/1991, dispõe conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;[...] (grifo use) Observase então que a remuneração para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias compreende todo pagamento, pactuado ou não, visando remunerar o serviço executado. Esse pagamento pode ser em espécie ou por meio de qualquer outro bem ou serviço, inclusive utilidades, os quais passam a integrar o patrimônio do trabalhador. Cumpre ressaltar, que é irrelevante, conforme se depreende do dispositivo citado, que os pagamentos tenham sido efetuados ao locatário diretamente pelo sujeito passivo. Quanto aos valores correspondentes a habitação fornecidos pela empresa a Lei nº 8.212, de 24/7/1991 dispõe que: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente [...] Fl. 595DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 9 15 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; Do dispositivo citado, percebese que a norma excluiu da hipótese de incidência tributária apenas as despesas com o fornecimento de utilidades (moradia) necessárias à prestação do trabalho em função deste ser realizado em localidade que seja, concomitantemente, distante da residência do trabalhador e em canteiro de obras ou locais que, por força da atividade, exija seu deslocamento e estada. Da leitura da cópia do contrato (fls. 192/196), verificase que se trata de local situado em zona urbana de Belo Horizonte (MG) provida com transporte público regular (linhas de ônibus da estação barreiro). Portanto, não há que se falar que a locação deste imóvel deuse em razão da necessidade de localizar o trabalhador em canteiro de obras ou em local distante de sua residência que lhe obrigue a estada. Do exposto resta evidenciado o caráter retributivo do pagamento de aluguéis em favor do Sr. Marcondes Martins Silva. Nesse sentido, correto o procedimento fiscal ao lançar as contribuições sociais incidentes e em lavrar os Autos de Infração por descumprimento das obrigações acessórias conexas, quais sejam, deixar de inserir tais importâncias nas folhas de pagamento, de declarálas por meio de GFIP e de arrecadar as contribuições devidas pelos segurados sobre essas verbas. 2.4. SÓCIOS DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOES ENQUADRADOS COMO SEGURADOS EMPREGADOS DO SUJEITO PASSIVO Diz a Recorrente que a Fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviço para exigência de contribuição social. Aduz a inexistência de dispositivo de lei que autoriza tal comportamento. Evidente que no ordenamento jurídico pátrio a pessoa jurídica tem personalidade própria e, portanto, distinta das pessoas físicas que as compõem. Isto implica que a pessoa jurídica tenha vida própria e aja separadamente no âmbito das relações jurídicas e econômicas, desvinculadas da pessoa física que a integra, o que estimula a iniciativa privada e contribui para o desenvolvimento econômico e social de toda sociedade. Todavia, em nossa sociedade têmse observado a utilização das pessoas jurídicas para fins distorcidos da sua finalidade, cujo objetivo, não olvidemos, é fraudar e lesar o Fisco, ou seja, as pessoas físicas vêm utilizando a autonomia patrimonial atribuída a esse ente coletivo para praticar fraudes e abusos de direito, em detrimento de direitos de terceiros,como dito, sobretudo ao erário público. Assim, sendo constatado o mau uso da personalidade jurídica, autorizase desconsiderála, realizando a separação patrimonial existente entre a pessoa jurídica e seus Fl. 596DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 16 membros, a fim de estender a esses a responsabilidade pelo adimplemento das obrigações formalmente imputadas ao ente coletivo. Nesse sentido, a criação do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº. 8.078/90), também manifesta esta teoria, assim como a Lei nº 8.884/94, que dispõe sobre a preservação e a repressão às infrações contra a ordem econômica, a Lei nº. 9.605/98, que disciplina a responsabilidade por lesões ao meio ambiente, bem como o próprio Código Civil (Lei nº.10.406/2002) consolidou, em seu artigo 50, a desconsideração da personalidade jurídica como medida excepcional a ser aplicada não só na área cível, mas em todas as relações jurídicas privadas. No âmbito do direito tributário, é medida extrema e excepcional que permite tornar ineficaz temporariamente a autonomia patrimonial da pessoa jurídica, para atingir os patrimônios particulares dos seus sócios, a fim de que esses respondam pelas obrigações sociais, e ou, muitas vezes, torna inexistente uma personalidade jurídica para conhecer a relação trabalhista, sendo que muitas vezes é cível. Do exposto, percebese que não podem prosperar as alegações do impugnante no sentido de que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não poderiam, no exercício de suas atribuições, desconsiderar um contrato ou ato jurídico praticado entre duas pessoas jurídicas. A alegação de que seria necessário o proposição de um ação judicial para requerer a despersonalização das pessoas jurídicas que teriam prestado os serviços para só depois lançar as contribuições sociais também não pode prosperar. Isso, porque, na verdade o ato da Fiscalização não foi, como se depreende do exposto e pela leitura do relatório fiscal, uma despersonalização, que seria a anulação definitiva da personalidade jurídica, e sim o reconhecimento de que, apenas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a relação se deu, diretamente, entre o trabalhador (titular da empresa individual) e o sujeito passivo. Em nenhum momento a Fiscalização indicou que os prestadores pessoas jurídicas que faturaram os serviços inexistem, concluiu, somente, que os serviços por elas faturados não foram prestados numa relação entre pessoas jurídicas autônomas, mas entre o tomador (sujeito passivo) e o trabalhador (que também é titular da pessoa jurídica). A despeito da tradição no direito de que a sociedade tem existência distinta de seus sócios, tendo por conseguinte, patrimônio, direitos e obrigações próprios, que não se confundem com as de seus membros, tal regra por certo, não acolhe por detrás de sua estrutura, os fins abusivos, pois considerar a autonomia da pessoa jurídica como um dogma inatingível, significa prestigiar possíveis interesses ilegítimos, onde o abuso, no presente caso, consiste no prejuízo para a Previdência Social. As alegações do impugnante, no sentido de que inexistiria a relação de emprego, entre ele e os responsáveis pelas empresas individuais consideradas como segurados empregados pela fiscalização, por ausência de todos os requisitos desta relação, também não pode ser acatada. Conforme se depreende da leitura do relatório fiscal, a relação de prestação de serviço diretamente pelo responsável com subordinação não foi configurada apenas porque as empresas individuais não tinham nenhum empregado, ou porque prestavam serviços com exclusividade para o sujeito passivo. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.723238/201110 Acórdão n.º 2401004.132 S2‐C4T1 Fl. 10 17 A direção dos serviços prestados, em relação a todos os prestadores considerados segurados empregados, conforme cópias de contratos já mencionadas, era realizada pelo impugnante. No presente caso, não é verossímil que pessoas prestando serviços, pessoalmente, na área essencial de atuação do tomador tivessem ampla liberdade quanto à prestação dos serviços como quer fazer crer o impugnante. Ademais em todos os contratos analisados verificase que os serviços seriam executados sob as diretrizes do sujeito passivo. Diante dessas constatações, não se aplica ao presente caso o disposto na Lei nº 11.196, de 21/11/205, artigo 129, uma vez que ela se refere aos serviços que, de fato, forem prestados pela pessoa jurídica como se vê a seguir, o que não é o caso. Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. (grifouse) Concluise, portanto, que agiu corretamente a fiscalização ao lançar as contribuições incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados que também são responsáveis pelas empresas individuais, dando primazia à realidade em detrimento da forma com que os atos se revestiram. Corretas também as autuações levadas a efeito em decorrência de descumprimento das obrigações acessórias decorrentes dos mesmos fatos, quais sejam: deixar de incluir segurados na folha de pagamentos, de declarar as importâncias a eles pagas por meio de GFIP e de arrecadar a contribuição por eles devidas para em seguida recolhêlas em favor da Previdência Social, inclusive a imposição de multas. 2.4. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM NA APLICAÇÃO DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA In casu, não há que se falar em necessidade de que a conduta tipificada administrativamente (conforme dispositivos já transcritos) seja dolosa para ser sancionável. Dessa feita, não se podem confundir as obrigações acessórias, Consubstanciadas no dever de incluir todos os segurados e fatos geradores de contribuições sociais nas folhas de pagamento, de declarar todos os fatos geradores e contribuições por meio de GFIP ou de arrecadar as contribuições devidas por segurados sob sua remuneração, com a obrigação principal, consubstanciada no dever de recolher os tributos nos prazos designados pela legislação. Constatase, que as multas aplicadas nos Autos de Infração por meio dos quais foram lançadas as contribuições sociais devidas referemse, apenas, à mora pelo inadimplemento de tal obrigação principal no prazo estabelecido em lei. Portanto, sem razão o impugnante quando aponta ter havido bis in idem quando da lavratura de Autos de Infração contendo multa por descumprimento das obrigações acessórias já mencionadas. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 18 2.5.MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Por fim, a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve obedecer a lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN. E, especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.2613 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que: i) a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, 'c', do CTN.; ii) especificamente quanto ao AI DEBCAD nº 37.317.2613 (CFL 68), que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 12326.003353/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA.
Apresentada intempestivamente a peça impugnatória da contribuinte autuada, mais de um ano após a notificação de lançamento, desacompanhada de quaisquer razões e provas que pudessem vir a justificar eventuais nulidade ou mesmo ausência de notificação, a impugnação não deve ser conhecida e, via de consequência, não é instaurado o litigioso administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. Apresentada intempestivamente a peça impugnatória da contribuinte autuada, mais de um ano após a notificação de lançamento, desacompanhada de quaisquer razões e provas que pudessem vir a justificar eventuais nulidade ou mesmo ausência de notificação, a impugnação não deve ser conhecida e, via de consequência, não é instaurado o litigioso administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 33 53 /2 00 9- 14 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12326.003353/200914 Acórdão n.º 2401004.317 S2C4T1 Fl. 70 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1329.162 (fls. 26/29), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ2), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02) da contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Impugnação não conhecida. Crédito Tributário Mantido Na notificação de Lançamento nº. 2006/607405134062032 (fls. 04/07) foi apurada omissão de rendimentos oriundos da Universidade Federal Fluminense, no valor de R$ 8.126,72. Em razão dessa alteração, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 112,75, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A contribuinte foi intimada da referida notificação em 15/07/2008 e a sua peça impugnatória foi apresentada em 05/10/2009. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 36/37) a fiscalização informa à Omissão de Rendimentos sujeitos à tabela progressiva, nos seguintes termos: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Para impugnar o referido lançamento e solicitar a restituição do imposto de renda retido sobre valores recebidos no período em que estava acometida de moléstia grave, a contribuinte anexou a sua peça impugnatória: a) Atestado firmado em 06/07/2009, pelo serviço médico da Universidade Federal Fluminense, em que foi diagnosticada como Polineuropatia equivalente a paralisia irreversível e incapacitante – Parkinson, razão pela qual ficou impossibilitada de adotar as medidas necessárias para a sua impugnação dentro do prazo legal (fl. 11); b) Declaração retificadora de ajuste anual simplificada – Exercício 2006 – requerendo a devolução dos valores retidos na fonte durante anobase, inclusive sobre a parcela do 13° salário; c) Cópias dos informes de rendimentos relativos ao ano base 2005, para comprovação das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras. Para a DRJ/RJ2, a impugnação foi considerada intempestiva, ante a defesa apresentada fora do prazo legal, razão pela qual entendeu que não é instaurada a fase litigiosa do procedimento, não se suspende a exigibilidade do crédito tributário e não comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Intimada do acórdão da DRJ/RJ2 em 20/09/2010 (A.R. fl. 31), a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 34/35) em 27/09/2010, onde alega, em síntese: a) O pedido de cancelamento do crédito tributário indicado na notificação de lançamento, apesar de intempestivo, deuse em razão do laudo médico emitido em data bem posterior à notificação, mas com retroatividade a maio/2004. b) A Requerente, para configuração da isenção do imposto de renda em razão da doença grave, preenche os dois requisitos necessários: seus rendimentos estão relacionados à aposentadoria e comprova a existência de doença grave desde 05/2004, conforme laudo pericial firmado por serviço médico oficial. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12326.003353/200914 Acórdão n.º 2401004.317 S2C4T1 Fl. 71 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento n° 2006/607405134062032 (fls. 04/07) originase da omissão de rendimentos oriundos da Universidade Federal Fluminense, no valor de R$ 8.126,72. A contribuinte contestou a referida intimação, da qual foi intimada em 15/07/2008, por meio da peça impugnatória de fl. 1 com data de protocolo em 05/10/2009. Como se vê, passados mais de um ano da data da intimação do lançamento. O transcurso do referido prazo implica, inequivocamente, na intempestividade da peça impugnatória e, consequentemente, na ausência de instauração do contencioso administrativo fiscal, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A contribuinte alega que a interposição intempestiva da peça impugnatória se deu justamente pelo acometimento da doença relatada no laudo médico trazido ao presente processo administrativo e que seria, justamente, o fundamento para que lhe fosse concedida a isenção que ora pleiteia (seja requerendo expressamente restituição do imposto de renda retido na fonte, seja pleiteando a desconstituição do lançamento). Todavia. a simples apresentação do Laudo Médico que ateste ser a contribuinte portadora de qualquer moléstia não tem o condão de afastar a intempestividade verificada, até mesmo porque desacompanhada de quaisquer elementos que pudessem, talvez, cabalmente demonstrar a total impossibilidade da contribuinte apresentar a referida impugnação, ou mesmo de outorga procuração a agenda habilitado a fazêlo. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Assim, ante a nítida intempestividade da impugnação e a consequente ausência de instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, nego provimento ao presente recurso voluntário. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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