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Numero do processo: 10680.726552/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. PEDIDOS DIVERSOS.
Havendo sido formulados pedidos distintos na esfera administrativa e judicial, não há concomitância a ser reconhecida.
IRPF. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. VENDA PARCELADA.
O momento a partir do qual é contado o prazo decadencial no ganho de capital em vendas à prazo é aferido quando do recebimento de cada parcela, visto que é então que ocorre a subsunção do fato à norma jurídica de tributação do imposto de renda pessoa física, nos termos do art. 21 da Lei nº 7.713/1988, c/c a ressalva constante no art. 116 do CTN.
GANHO DE CAPITAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. PREÇO INDEXADO EM MOEDA ESTRANGEIRA.
Eventual variação do preço em decorrência da flutuação cambial havida para com o valor em moeda nacional (Real) deve ser considerada como preço de venda e tributada segundo a sistemática do ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. CORREÇÃO MONETÁRIA DO PREÇO.
Correção monetária do preço de venda integra o preço para fins de apuração do ganho de capital.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a prejudicial de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INEXISTÊNCIA. PEDIDOS DIVERSOS. Havendo sido formulados pedidos distintos na esfera administrativa e judicial, não há concomitância a ser reconhecida. IRPF. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. VENDA PARCELADA. O momento a partir do qual é contado o prazo decadencial no ganho de capital em vendas à prazo é aferido quando do recebimento de cada parcela, visto que é então que ocorre a subsunção do fato à norma jurídica de tributação do imposto de renda pessoa física, nos termos do art. 21 da Lei nº 7.713/1988, c/c a ressalva constante no art. 116 do CTN. GANHO DE CAPITAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. PREÇO INDEXADO EM MOEDA ESTRANGEIRA. Eventual variação do preço em decorrência da flutuação cambial havida para com o valor em moeda nacional (Real) deve ser considerada como preço de venda e tributada segundo a sistemática do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. CORREÇÃO MONETÁRIA DO PREÇO. Correção monetária do preço de venda integra o preço para fins de apuração do ganho de capital. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 65 52 /2 01 2- 35 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a prejudicial de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) – DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 23.897.188,79 relativo aos anoscalendário 2007 e 20099 (fls. 212/243. O contribuinte e seu sócio, Rodrigo Andrade Valadares Gontijo, alienaram a totalidade de suas participações societárias na AVG Mineração S.A – CNPJ nº 66.468.208/000148. Esse sócio também teve as mesmas situações fáticojurídicas, envolvendo dita alienação, sujeitas à exame e consequente lançamento de ofício por parte da fiscalização, no processo nº 10680.726553/201280, o qual foi objeto de instauração de contencioso administrativo, culminando em julgamento no CARF em 15/10/2013, sendo então exarado o Acórdão nº 2201002.264. No relatório dessa decisão os fatos em questão foram bem descritos pela Conselheira Relatora, Nathalia Mesquita Ceia, motivo pelo qual reproduzoo nos seus aspectos mais importantes, com as devidas adaptações. O lançamento decorreu da apuração incorreta de ganho de capital proveniente da alienação da totalidade da participação societária na AVG Mineração S/A para a MMX Mineração e Metálicos S/A, bem como de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de reajuste de parcelas pela alienação de ações fora de bolsa. A autoridade lançadora elaborou Termo de Verificação Fiscal, de onde se extraem, em síntese, os seguintes elementos: · A data de alienação do negócio jurídico formalizado entre AVG Mineração S/A e MMX Mineração e Metálicos S/A e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é 05/12/2007, data de implemento das condições pactuadas no contrato celebrado em 28/09/2007. · A MMX Mineração e Metálicos S/A concordou em pagar aos sócios da AVG Mineração S/A (Bernardo e Rodrigo), o valor de US$ 224,000,000.00, em cinco parcelas, sendo a primeira no montante de US$ 44,000,000.00, na data do fechamento do negócio e as demais no valor de US$ 45,000,000.00 cada, sendo a primeira devida em 30/08/2008 e as demais em 30 de agosto dos anos de 2009 a 2011. · A cada sócio coube o percentual de 50% sobre o preço de venda. · Contratualmente restou decidido que as parcelas seriam corrigidas pela variação positiva do US Consumer Price Index (US CPI), a ser apurada entre a data de 05/07/2007 e a data dos seus respectivos pagamentos. Por meio de aditivo, o item de correção das parcelas do preço passou a ser uma média dos índices a seguir listados: (a) CPIU, ajustado e não ajustado e (b) CPIW, ajustado e não ajustado. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 · Os pagamentos seriam efetuados em moeda nacional, adotandose como taxa de conversão a taxa de compra PTAX 800, opção 5, divulgada pelo SISBACEN, vigente no fechamento do mercado de câmbio no dia anterior à data do pagamento. · A taxa de câmbio utilizada para a conversão do preço de alienação da participação societária detida na AVG, em moeda nacional, foi a taxa no valor de 1,793 R$/US$, taxa de compra do dia 3/12/2007. · Para efeitos de apuração do ganho de capital, nos termos da legislação tributária, o valor da alienação da operação para o contribuinte importa em R$ 200.816.000,00 (US$ 224,000,000.00 * 50% = US$112,000,000.00 * 1,793). · O custo de aquisição das ações alienadas pelo contribuinte na sociedade AVG Mineração S/A totalizou o valor de R$ 14.499.417,68 (R$14.499.411,97 + R$5,71). · O Contribuinte fez uso de dedução indevida de despesas de corretagem na apuração do ganho de capital, pois, além de utilizálas no momento do recebimento das parcelas do preço, também o fez na determinação do cálculo da relação percentual do ganho de capital, resultando em dedução excessiva dos referidos dispêndios. · O percentual do ganho de capital apurado pela fiscalização alcançou o índice de 92,7797498%, enquanto o utilizado pelo autuado se restringiu ao indicador 92,61357653% (92,61%). · A apuração do ganho de capital é feita na data do fechamento da operação e apenas ocorre o diferimento da tributação para o momento do recebimento das parcelas, conforme previsto no § 3º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001. · A variação cambial positiva e a correção monetária fixada contratualmente constituem rendimentos sujeitos ao ajuste anual, enquanto a variação cambial negativa não reduz o valor de alienação da participação societária e não altera o ganho de capital tributável pelo imposto sobre a renda de pessoa física. · O valor recebido pela segunda parcela considerou a taxa de câmbio 1,6254 R$/US$ (28/08/2008), além de ter sido aplicada a correção do preço da parcela pelo índice que refletiu a inflação norte americana, acumulada de 05/07/2007 até 29/08/2008, correspondente a 6,77%. · Os descontos concedidos pelo contribuinte no recebimento antecipado das parcelas contratuais não reduzem o valor da alienação para fins de apuração do ganho de capital, tal como preceitua a “Pergunta e Respostas” 569 do Manual “Perguntas e Respostas do IRPF” referente ao exercício 2012. · As omissões até aqui elencadas devem ser tributadas como ganho de capital e como rendimentos sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 253/276), o qual foi mantido no julgamento de primeiro grau (fls. 339/356), motivo pelo qual ele interpôs recurso voluntário em 19/4/2013, vertendo as razões a seguir sintetizadas: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 43 5 · Decadência para a totalidade do item 001 (omissão de rendimentos) e do item 002 (ganho de capital) do Auto de Infração com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), haja vista que o fato gerador ocorreu em 5/12/2007, o que pode ser reconhecida por ser matéria de ordem pública. · No que concerne a variação cambial discorre sobre os elementos do contrato de compra e venda, assinala que o contribuinte e a MMX sujeitaram a determinação do preço a um parâmetro variável e conclui que não há que se falar em pagamento de juros ou reajuste de parcelas, sustentando que a variação cambial, positiva ou negativa, integra o preço efetivo da operação de venda, na forma do artigo 19 da Lei nº 7.713/81, donde não pode prevalecer a tributação da variação cambial positiva, em separado, na Declaração de Ajuste Anual, tampouco a tributação de valores não recebidos, efetivamente, pelo Recorrente, dada a diminuição do valor a receber, quando da constatação de variação cambial negativa. Cita jurisprudência do contencioso administrativo e do Superior Tribunal de Justiça. · Pontua que a tributação de valores não recebidos por ocasião da constatação de variação cambial negativa ofende o princípio da realização da renda. · Quanto à correção monetária alega que a fiscalização não observou o preceito contido no artigo 21 da Lei nº 7.713/88 quando dispõe que nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. . Esclarece que os valores correspondentes à atualização monetária integram o preço, devendo seguir a sorte do principal, e, por essa razão, devem ser tributados como ganho de capital na alienação e não na Declaração de Ajuste Anual. Pondera que não se pode confundir correção monetária com juros. Cita jurisprudência do contencioso administrativo e do Superior Tribunal de Justiça. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou em 27/5/2013 Contra Razões ao Recurso Voluntário às fls. 391/410. Em resumo, aduz que: · O contribuinte não arguiu no recurso voluntário o recálculo do ganho de capital pelos descontos aplicados pelo recorrente. · No ponto concernente à decadência a PGFN destacou o descolamento entre do elemento material e o elemento temporal do fato gerador nos casos de apuração do ganho de capital em alienações a prazo. Desta feita, uma vez que o Imposto de Renda para pessoa física é regido pelo regime de caixa o fato gerador do ganho de capital só se aperfeiçoa para o contribuinte com o pagamento de cada parcela, logo o prazo decadencial deve ser contado de cada parcela 5/12/2007 (1ª parcela); 29/8/2008 (2ª parcela) e 29/12/2008 (terceira e quarta parcelas). Colacionando jurisprudência neste sentido. · O elemento quantitativo (base de cálculo e alíquota) é apurado ao tempo do contrato de alienação. Logo, se as parcelas representam um valor superior ao valor apurado na ocasião da assinatura do contrato, os valores acrescidos às parcelas, variação cambial e Fl. 561DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 correção da moeda norte americana, por estarem fora do elemento quantitativo do fato gerador são reajustes de preço, devendo ser apurados na DIRPF do respectivo exercício. · O art. 17 da Lei nº 9.249/95 extinguiu a incorporação da correção monetária na apuração do ganho de capital a partir de 1º/1/1996. O contribuinte reporta a existência de julgamento definitivo de recurso voluntário envolvendo os mesmos fatos, Acórdão nº 2201002.264 em petição carreada aos autos em 15/10/2014 (fls. 417/443). Em 27/11/2014, a PGFN juntou informações e documentos (fls. 446/481 e 484/549) afirmando que o contribuinte ajuizou ação anulatória, processo nº 66494 34.2014.4.01.3800, a qual teria o mesmo objeto do recurso voluntário, razão pela qual deveria ser aplicada a Súmula CARF nº 1. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 44 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De plano, cabe afastar a alegação da PGFN de que haveria concomitância entre o postulado na ação judicial nº 6649434.2014.4.01.3800 e a demanda veiculada na peça recursal ora examinada. O pedido formulado naquela ação (fls. 470/471 e 480/481) verte sua irresignação contra o crédito tributário constante no processo administrativo nº 10680.720071/201305, o qual trata de débitos extraídos do auto de infração que não foram sujeitos à questionamento do contribuinte, havendo sido na sequência parcelados. Entre outras passagens, tal fato é constatado pela trecho do pedido judicial à fl. 481, em que se pleiteia seja declarada a nulidade do lançamento relativamente "ao ganho de capital decorrente do recebimento referente a 3ª e 4ª parcela", as quais se referem à desconsideração, pela autoridade lançadora, dos descontos concedidos e perdas de operação de hedge. Não sendo tais matérias objeto do recurso voluntário, o qual trata da tributação da variação cambial e da correção monetária, além da decadência, não há concomitância a ser reconhecida. Da decadência. Tanto o recorrente quanto a PGFN concordam que o prazo decadencial, na espécie, regese pelo § 4º do art. 150 do CTN, e que o contrato em evidência só se aperfeiçoou em 5/12/2007, momento em que as condições para a venda foram implementadas. Porém, o contribuinte argumenta que uma vez que foi notificado do auto de infração em 12/12/2012, fls. 244 a 245, não só a primeira parcela, como também as demais parcelas estariam abrangidas pela decadência, tendo em vista que o art. 140 do Decreto nº 3.000/99 determina que a apuração do ganho de capital a prazo deverá ser apurado como se venda à vista fosse. Já a PGFN aponta que o art. 140 supramencionado aborda apenas os elementos materiais, subjetivos e quantitativos do fato gerador. Todavia, o elemento temporal será deslocado para ocasião do pagamento de cada parcela, pois as pessoas físicas estão jungidas ao regime de caixa, assim o fato gerador só se aperfeiçoaria com a disponibilidade econômica da renda. Ora, giza o art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (grifei) Por sua vez, o art. 21 da Lei nº 7.713/1988 assim regra: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver.(grifei) E o art. 140 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99), detalha: Art.140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). §1ºPara efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. §2ºO valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do valor da parcela recebida no mês do seu pagamento. (grifei) Com efeito, no caso de vendas à prazo o ganho de capital é apurado como venda à vista, no sentido de que o cálculo da proporção do ganho a ser aplicado a cada parcela, é realizado considerandose a alienação à vista. Não obstante, por força de expressa disposição legal, a tributação, ou seja, a subsunção do fato à norma jurídica, ocorre somente quando do recebimentos de cada parcela auferida mensalmente, em adequação ao regime de caixa. Oportuno transcrever a lição de Paulo de Barros Carvalho1, a respeito da ressalva "salvo disposição de lei em contrário" constante do art. 116 do CTN: Implica reconhecer que o marco temporal do acontecimento pode ser antecipado ou diferido tanto na contingência do inciso I (situação de fato) quando na do inciso II (situação jurídica). São matizes de fraseologia jurídica que revelam a liberdade de que desfruta o político ao construir as realidades normativas. E é esse, exatamente, o caso examinado. Para fins de enquadrar os ganhos percebidos na sistemática prevalente na seara do imposto de renda pessoa física, o regime de caixa, o legislador ordinário optou por fazer com que o momento de perfectibilização do fato gerador ocorresse justamente quando do efetivo recebimento das parcelas avençadas no contrato de compra e venda, nem antes, nem depois. O aspecto material da fato gerador é igualmente diferido, pois o que se faz com referência ao momento da alienação é tãosomente o cálculo da proporção do ganho de 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª edição, Ed. Saraiva, 2009, p. 306. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 45 9 capital, relativamente ao valor total da alienação, que deve ser aplicada quando da efetiva incidência da tributação, no pagamento das parcelas avençadas. Sem supedâneo legal ou normativo, assim, a tese de que apenas o pagamento do tributo teria sido postergado, pois o próprio legislador deixou bastante claro que o fenômeno jurídico da tributação, com o nascimento do fato gerador da obrigação tributária, dáse no momento do recebimento de cada parcela, em casos tais como o que se examina. Nesse sentido, colho o recente Acórdão nº 9202003.771, j. 16/2/2016, sendo relatora a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Baccieri, cuja ementa restou assim redigida: IRPF GANHO DE CAPITAL VENDA DE IMÓVEL A PRAZO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO DE PARTE DO IMPOSTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Havendo comprovação nos autos da ocorrência do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar o art. 150, §4º do CTN, tomandose como termo inicial para o prazo decadencial a data da ocorrência dos fatos geradores. Nesse senda, mencionese também o Acórdão nº 9202003819, julgado em 8/3/2016, que teve por relatora a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Deve então o prazo decadencial de cinco anos ser contado a partir do pagamento de cada parcela da alienação, e, sendo a primeira auferida datada de 5/12/2007, e o lançamento cientificado em 12/12/2012, verificase estar sem razão o contribuinte, portanto, na espécie. Da Variação Cambial e da Correção Monetária. No tocante à essas matérias, não dissentindo o entendimento deste relator, no essencial, das bem postas razões da relatora do Acórdão nº 2201002.264, já mencionado, peço a devida para transcrevêlas no corpo deste Voto, passando elas a integrar sua fundamentação: Tributação da Variação Cambial Inicialmente, cabe ressaltar que a legislação tributária brasileira não aponta o regramento para cálculo do ganho de capital de bens alienados em moeda estrangeira por residentes no Brasil (operações indexadas ao dólar). Isso porque em face do curso forçado da moeda, tais operações indexadas em moeda estrangeira restariam vedadas. Assim, não há norma jurídica tributária que regule tal operação, pois, em tese, operações dessa natureza não deveriam ocorrer. Porém, como o imposto de renda alcança qualquer acréscimo patrimonial, inclusive aquele oriundo de operações irregulares, cabe interpretar a legislação posta para o caso concreto em questão. Na legislação tributária brasileira, há 02 normas para auferir a tributação do ganho de capital de bens alienados em moeda estrangeira, a saber: (i) bens adquiridos no exterior em moeda estrangeira com recursos originários denominados Fl. 565DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 em Reais e (ii) bens adquiridos no exterior em moeda estrangeira com recursos originários denominados em moeda estrangeira. Ao que parece o tratamento a ser dispensado ao caso concreto em julgamento mais se aproxima do item (i) acima, pois se trata de bem adquirido com recursos originariamente denominados em Reais e alienados em moeda estrangeira. O ganho de capital dos bens adquiridos com recursos originários denominados em Reais, mas alienados em moeda estrangeira, deve levar em conta a variação cambial referente à moeda nacional e à moeda estrangeira, a qual a operação é indexada. Isso porque se entende que a pessoa física que atrela a venda de seus ativos adquiridos em moeda nacional à moeda estrangeira, além do ganho efetivo com a venda do ativo, concorre com a possibilidade de acréscimo ou decréscimo do valor a ser recebido pela venda, em razão da variação cambial. Assim, eventual variação cambial positiva representa um ganho tributável. Desta forma resta claro que a variação cambial decorrente de operações de alienação de bens, indexadas em dólar, quando os recursos originários para sua aquisição foram denominados em Reais, é tributável. A fiscalização argumenta que a variação cambial positiva é tributável com base à tributação do ajuste anual (“tabela progressiva”), enquanto que o Contribuinte defende que a variação cambial deve ser tributada com base no ganho de capital, como preço de venda. A fiscalização também pontua que a variação cambial negativa não deve ser considerada como preço de venda. A PGFN compreende que uma vez que o art. 140 do Decreto nº 3.000/99 determina que apuração do ganho do capital é feita como venda à vista, os elementos quantitativos do fato gerador devem ser apurados nesta ocasião. Logo, o valor da venda foi convertido para real com base na taxa de câmbio do dia 05/12/2007 (1.793 R$/US$), bem como o valor em Real de cada parcela. Uma vez encerrado a apuração do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, as diferenças que o Contribuinte veio receber que superam o valor de cada parcela apurado em 05/12/2007, decorrente de variação cambial e correção monetária da moeda americana, uma vez que a apuração do imposto já foi encerrada, devem ser tratadas como reajuste de preço, na forma do § 3º do art. 19 da IN SRF nº 84/01, e assim tributáveis na DIRPF com base na alíquota progressiva: Art. 19 . Considerase valor de alienação: I o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; (...) § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (CarnêLeão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual.” Por outro lado, o Contribuinte aponta que o valor do contrato, conforme a “cláusula III – O Preço” está em dólar, tanto o valor total como o valor de cada parcela. O referido ponto foi observado inclusive pela autoridade fiscal no item 6 do Termo de Verificação Fiscal. Assim, o Contribuinte argumenta que a variação cambial não se trata de reajuste de preço, mas o próprio preço, que era certo, porém determinável. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 46 11 Neste sentido, verificase que a lide reside na abrangência do conceito de “preço efetivo da operação” e “valor a título de reajuste”. Conforme levantado pelo Contribuinte e verificado pela autoridade fiscal, o preço do contrato está em dólar US$ 224.000.000,00 (2ª, 3ª e 4ª parcelas de US$ 45.000.000,00 cada). Observase que a variação da moeda norte americana em relação ao Real não alterou o valor estipulado no contrato como preço e nem o valor de cada parcela determinada em dólar. A ilação feita pela autoridade fiscal de que o contrato teria o valor de R$ 401.632.000,00 (apuração em 03/12/2007 com a taxa de câmbio do dia para o Contribuinte R$ 200.816.000,00 = US$ 112.000.000,00), contraria a cláusula de preço prevista no contrato, haja vista que o preço do contrato não está em Real. A postura adotada pela autoridade lançadora, em afastar o preço estipulado pelas partes no contrato para adotar o valor correspondente em Real em 05/12/2007 tanto para o preço global quanto para as parcelas, configura arbitramento do valor da operação. O art. 148 do CTN permite o arbitramento sempre que o preço apresentado pelo Contribuinte para operação não mereça fé, ou seja, omisso, confirase: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. O Termo de Verificação Fiscal não aduziu qualquer irregularidade no preço do contrato, não apontou subavaliação do direito transferido, dolo, fraude, simulação, abuso de forma ou imprecisão de informação do Contribuinte. Por consequência, a autoridade fiscal carece de fundamento legal para afastar o valor da operação estipulado pelas partes no contrato adotando valor distinto. Isso posto, o valor do contrato é US$ 224.000.000,00 com 1º parcela na assinatura do contrato de US$ 44.000.000,00 e demais parcelas de US$ 45.000.000,00. Desta feita, os valores da terceira e quarta parcelas são de US$ 45.000.000,00 cada e não de R$ 80.685.000,00 (= 45.000.000,00 x 1,793), conforme aponta o Termo de Verificação Fiscal. Neste contexto a variação cambial entre o dia 05/12/2007 e 29/12/2008, de 1,793 para 2,363 R$/US$, não tem o condão de desnaturar a natureza do valor recebido pelo Contribuinte a título de preço contratual. Ou seja, a variação cambial não transmuda em juros aquilo que as partes pactuaram como preço. As partes pactuaram o preço em dólar e esse preço não foi alterado. Em se utilizando a norma aplicável ao ganho de capital quando da aquisição de bens adquiridos em moeda estrangeira denominados originariamente em Reais, temse que a variação cambial positiva integra a base de cálculo do ganho de capital, conforme disposto no art. 24 da Medida Provisória nº 2.158/01. Da mesma forma, quando a legislação tributária dispõe acerca da alienação de moeda estrangeira em espécie, eventual variação positiva apurada também é Fl. 567DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 tributada com base no ganho de capital, confirase o art. 24 da Medida Provisória nº 2.158/01: Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. § 1o O disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie. § 3o A base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da aplicação financeira. (grifos nossos) Assim, verificase que a legislação tributária brasileira entende que ganho oriundo de variação cambial deve ser tributável com base na metodologia aplicável ao ganho de capital e não como rendimentos sujeitos à tributação anual (“tabela progressiva”). Na mesma linha, já se manifestou essa Corte em decisão do d. Conselheiro Gustavo Liam Haddad, conforme ementa: “GANHO DE CAPITAL. VARIAÇÃO DO PREÇO DE VENDA. MOEDA ESTRANGEIRA. Eventual variação do preço em decorrência da flutuação cambial havida para com o valor em Real deve ser considerada como preço de venda e tributada segundo a sistemática do ganho de capital.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso Especial nº 137.686, Relator Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Acórdão nº 910201881 – 2ª Turma, sessão de 29/11/2001). Assim, resta a variação cambial caracterizada como preço de venda, acréscimo patrimonial materializado na apreciação de valor de ativo, previsto em negócio natureza do contrato de compra e venda). Não se trata de rendimento do capital (juros, por exemplo) como pretendeu caracterizar a autoridade fiscal para aplicar a tributação pela tabela progressiva. Neste sentido, o lançamento da fiscalização para considerar a variação cambial positiva como tributável com base na tabela progressiva resta prejudicado. Da mesma forma, o lançamento da autoridade fiscal que visa considerar variação cambial negativa como preço de venda também não deve prevalecer. 2.2. Tributação da Correção Monetária do Preço Como o preço estipulado no contrato resta em dólar norteamericano, com vistas a manter a coerência econômica da operação, as partes estipularam que as parcelas do preço (em dólar) seriam corrigidas com base na variação positiva do US CPI (cláusula III, item 2), sendo o US CPI índice divulgado pelo governo norte americano que reflete a inflação desse país. Importante pontuar que o Contribuinte alega que fora utilizado um índice da economia norteamericana para correção do preço contratual, pois esse é estipulado Fl. 568DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 47 13 em dólar. Assim, o índice da inflação americana aplicável ao valor em dólar é mais adequado que qualquer outro índice sob a ótica econômica. No tocante à correção monetária do preço, a autoridade fiscal entende se tratar de rendimento sujeito à tributação com base na “tabela progressiva”, enquanto o Contribuinte pretende considerar tal parcela como tributável à título de ganho de capital. No que concerne à correção do preço com base na correção monetária norte americana (US CPI), o acórdão recorrido toma por base a informação contida na resposta à pergunta 595 de orientação emitida pela Receita Federal do Brasil para os contribuintes na elaboração da Declaração de Imposto de Renda de 2009, denominado “Perguntas e Respostas”, afirmando que a correção monetária não integra o ganho de capital, devendo ser tributada em separado na declaração de ajuste anual: 595 — Qual o tratamento tributário das cláusulas de correção para venda parcelada de imóvel, previstas em contrato de compra e venda? Independentemente da designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas etc.), qualquer acréscimo no valor da venda provocado pela divisão em parcelas do pagamento deve ser tributado em separado do ganho de capital, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnê leão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. Exemplo: Se no contrato estiver estabelecido que o valor da venda é de R$ 100.000,00, em dez parcelas de R$ 10.000,00 corrigidas pela variação do IGPM; R$ 100.000,00 serão considerados como valor de alienação, R$ 10.000,00 será o valor de cada parcela para fins de diferimento do ganho de capital. A parte correspondente à atualização da parcela pelo IGPM fica sujeita ao carnêleão, quando recebida de pessoas físicas, e à tributação na fonte, quando recebida de pessoas jurídicas, bem como ao ajuste anual.” (Instrução Normativa SRF nº 84 de 11/10/2001, art. 19, § 3 º ) Já a d. PGFN afasta a correção monetária do ganho de capital com base no inciso II do art. 17 da Lei nº 9.249/95: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 Ambas as posições contrariam os preceitos normativos expostos no art. 21 da Lei nº 7.713/88 e art. 140 do Decreto nº 3.000/99, que preceituam que nas vendas a prazo a tributação será proporcional a cada parcela considerando a respectiva correção monetária, confirase: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerando se a respectiva atualização monetária, se houver. Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). §1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. §2º O valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do valor da parcela recebida no mês do seu pagamento. (grifos nossos) O “Perguntas e Respostas” elaborado pela Receita Federal do Brasil possui força de Instrução Normativa, devendo ser interpretado em linha com a Lei. Assim, a fundamentação com base em Instrução Normativa é válida desde que alinhada com a Lei que a instrui e dentro dos limites aos quais lhe é atribuída competência. Neste sentido, por haver Lei formal que trata do tema, entendo por melhor a aplicação e interpretação da Lei ao caso concreto. Neste contexto, passase a análise do art. 17 da Lei nº 9.249/95 em face do art. 21 da Lei nº 7.713/88. Inicialmente, uma vez que instrumento normativo que veicula o art. 17 é posterior a norma que veicula o art. 21, poderseia cogitar que o art. 17 da Lei nº 9.249/95 derrogou o art. 21 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, em uma leitura mais acurada dos dispositivos verificase que abordam assuntos distintos. O art. 17 da Lei nº 9.249/95 aborda a avaliação do custo de aquisição. Isto é, o custo de aquisição, a partir de 01/01/1996, não comportará correção monetária, verifiquese: “o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomando se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data”. Já o art. 21 da Lei nº 7.713/88 aborda correção monetária das parcelas (preço de venda) na hipótese de venda a prazo. Notese que o art. 17 da Lei nº 9.249/95 está em momento pretérito ao valor do ganho de capital, informando como será apurado o custo de aquisição que confrontado com o valor de alienação, para então obter o ganho de capital. Já o art. 21 da Lei nº 7.713/88 está em momento posterior à apuração do ganho de capital. O ganho de capital, devido à hipótese de compra e venda a prazo, já apurado, será parcelado na proporção de cada parcela do contrato. O art. 21 da Lei nº 7.713/88 determina que a correção monetária incidente sobre a parcela do preço contratual sofrerá a incidência do ganho de capital. Outra não poderia ser a conclusão em razão do princípio da gravitação jurídica, onde o acessório segue o principal, como levantou o Contribuinte em sua Fl. 570DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.726552/201235 Acórdão n.º 2402005.279 S2C4T2 Fl. 48 15 peça recursal. Ou seja, se o valor da venda (preço) é tributado com base no ganho de capital, a correção monetária do preço da venda também restará sujeita ao ganho de capital. Assim, em face da legislação posta sobre o tema e tendo em vista que para fins de julgamento administrativo presumese a constitucionalidade da norma, em razão do disposto no art. 21 da Lei nº 7.713/88, a correção monetária do preço deve ser considerada como preço para fins de apuração do ganho de capital. Neste diapasão, verificase que a correção monetária do preço do contrato não é passível de tributação com base na tabela progressiva, restando afastada a autuação neste aspecto. Ante o exposto, voto no sentido de não acolher a prejudicial de decadência, e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 19985.721073/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
Ementa:
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Cabível a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujo pagamento não foi comprovado.
Numero da decisão: 2201-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Cabível a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujo pagamento não foi comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 10 73 /2 01 4- 34 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento, 07/11, pela qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 13.885,23. A fiscalização identificou dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 25.862,00. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando que as deduções se referem à despesas médicas próprias, informando, ainda, que por meio de documentos comprova a origem dos recursos que acredita serem suficientes para saldar os compromissos assumidos. A 4ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Glosa de Deduções. Despesas Médicas. São dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. Impugnação Improcedente O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 17/10/2014 (fl. 103) e, em 31/10/2014, interpôs o recurso de fls. 104/105, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo, que os pagamentos foram feitos em dinheiro, conforme os extratos bancários carreados. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à prova do efetivo pagamento da despesa médica lançada na Declaração de Ajuste do recorrente, pois, de acordo com a autoridade fiscal e recorrida, tal comprovação não se fez presente. De início, cumpre reproduzir a legislação aplicada à espécie, no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/1995, além do art. 73, § 1º, do Decreto nº 3000/1999: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.721073/201434 Acórdão n.º 2201003.186 S2C2T1 Fl. 3 3 II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ............................ Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Da análise dos dispositivos supracitados, depreendese que cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Primeiramente, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, tais como radiografias, exames, laudos médicos, etc. Portanto, a simples declaração do suposto prestador de serviço não tem o condão de comprovar a efetividade da prestação de serviço. Ademais, cotejando os extratos bancários juntados pelo recorrente em seu apelo, fls. 139/167, não consegui identificar saques efetuados em datas e valores próximos aos alegados pagamentos. Exemplificando, o contribuinte procura justificar o pagamento ao profissional Ewerton E. A. Roth no valor de R$ 1.500,00, ocorrido em 08/01/2010, fl. 132, com dois saques efetuados no valor de R$ 400,00 e R$ 563,00 no dia 06/10/2010. Com efeito, penso que os saques indicados pelo contribuinte como origem para respaldar os pagamentos das despesas médicas lançadas em sua DIRPF/2010, não apresenta qualquer vinculação com o suposto pagamento, portanto não serve para comprovar a efetividade da despesa lançada. Não se pode perder de vista que quando não está presente no processo prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Portanto, a validade da dedução de despesa médica depende da comprovação da prestação dos serviços ou do efetivo dispêndio do contribuinte e, como não foram carreadas aos autos estas provas, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724344/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL ANTES DA ENTREGA DO DIAT. SIMULAÇÃO.
No caso de o contribuinte adquirir imóvel rural antes da entrega do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) e aliená-lo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor.
Porém, na hipótese de aquisição e alienação do imóvel rural antes da entrega do Diat, provadas pela imissão da posse e pelo recebimento da primeira parcela do preço, resta caracterizado que a assinatura a posteriori do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda teve apenas o único fito de fraudar dispositivo legal e se evadir da tributação, ocorrendo, assim, o ganho de capital igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do imóvel.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1401-001.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshiihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que ACOLHIAM a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL ANTES DA ENTREGA DO DIAT. SIMULAÇÃO. No caso de o contribuinte adquirir imóvel rural antes da entrega do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) e aliená-lo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. Porém, na hipótese de aquisição e alienação do imóvel rural antes da entrega do Diat, provadas pela imissão da posse e pelo recebimento da primeira parcela do preço, resta caracterizado que a assinatura a posteriori do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda teve apenas o único fito de fraudar dispositivo legal e se evadir da tributação, ocorrendo, assim, o ganho de capital igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do imóvel. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshiihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que ACOLHIAM a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL ANTES DA ENTREGA DO DIAT. SIMULAÇÃO. No caso de o contribuinte adquirir imóvel rural antes da entrega do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. Porém, na hipótese de aquisição e alienação do imóvel rural antes da entrega do Diat, provadas pela imissão da posse e pelo recebimento da primeira parcela do preço, resta caracterizado que a assinatura a posteriori do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda teve apenas o único fito de fraudar dispositivo legal e se evadir da tributação, ocorrendo, assim, o ganho de capital igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do imóvel. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshiihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que ACOLHIAM a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 43 44 /2 01 2- 15 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 68 2 preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1531.429, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, apurado pela sistemática do Simples Nacional, referente a fatos geradores ocorridos em 31 de julho de 2007, 30 de setembro de 2007 e 31 de julho de 2008, em face de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação do conjunto de imóveis rurais denominado Fazenda Real, registrado perante a Receita Federal sob NIRF n° 5.923.5870, tal qual declarado na DITR 2007. Segundo o autuante, os imóveis rurais foram anteriormente adquiridos pela contribuinte mediante integralizações ao capital social realizadas por seus sócios, e posteriormente alienados à Agrícola Xingu S/A, conforme Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda, Escrituras de Compra e Venda e demais documentos comprobatórios coligidos no procedimento fiscal, a partir dos quais se verifica que o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda: (a) foi assinado em 19/09/2007; (b) de acordo com o item VI (DO PREÇO), subitem 1.1, a primeira parcela (R$9.015.283,31) seria paga na assinatura do contrato; e (c) de acordo com o item X (DA POSSE), a empresa Agrícola Xingu S/A foi imitida na posse dos imóveis em 13/07/2007. Porém, o pagamento da primeira parcela pela Agrícola Xingu S/A ao beneficiário Jorge Pinto Saldanha, no valor total de R$9.013.191,06, se deu em julho/2007, antes mesmo da formalização (assinatura) do instrumento particular. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0002, a contribuinte afirma que esse valor foi recebido no dia 18/09/2007 e, muito embora tenha assim contabilizado em seu Livro Caixa, concluiuse pela falsidade da informação, ao verificar que para esta data (18/09/2007) inexiste qualquer comprovante de pagamento apresentado pela empresa Xingu, bem como qualquer movimentação bancária registrada no extrato bancário apresentado pela contribuinte. Ante os fatos (posse e pagamento da primeira parcela em julho/2007), concluiu o autuante que em julho/2007 já restava configurada a ocorrência do fato gerador do ganho de capital (imposto de renda), e que a assinatura a posteriori do contrato teve apenas a clara intenção de se afastar a tributação. Destaca, ainda, o autuante que, de acordo com o Contrato Social, os imóveis rurais dos sócios foram integralizados em 01/08/2007, mas não se pode considerála como data efetiva de aquisição dos imóveis, e sim como meramente a data em que se formalizou a entrega dos imóveis pelos sócios, pois, primeiramente, temse a impossibilidade lógica temporal de se adquirir um imóvel em agosto/2007, posteriormente à sua alienação que se deu em julho/2007, quando a contribuinte empossou a Agrícola Xingu S/A e recebeu o pagamento da primeira parcela, e, portanto, já era, de fato, senhora dos imóveis. Logo, para fins de tributação, há que se considerar o mês de julho/2007 como efetiva data de aquisição, quando os sócios já tinham entregado seus imóveis à Fl. 652DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 70 4 contribuinte e já os negociavam com a Agrícola Xingu S/A, não podendo a simples e posterior formalização da alteração contratual constituirse em embaraço ao legítimo direito de a Fazenda Pública apurar seu crédito tributário em conformidade com a real seqüência dos fatos/acontecimentos. Foi, então, aplicada a multa de ofício qualificada, nos termos do que prevê o artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, uma vez que as ações da contribuinte, nas pessoas de seus sócios, foram sempre no sentido de dolosamente impedir a ocorrência do fato gerador, modificando suas características essenciais e evitando, assim, o pagamento do imposto devido. Ressalta o autuante que a contribuinte declarou: a) para o 1° semestre de 2007, receitas brutas mensais zeradas; b) para o 2° semestre de 2007, receitas brutas mensais de R$ 0,01; c) e para os anos calendário 2008, 2009 e 2010, receitas brutas mensais zeradas. E acrescenta que, em que pesem as circunstâncias subjetivas e o fato de a contribuinte exercer sua atividade mercantil de acordo com suas convicções, respeitado obviamente o regramento legal, não parece minimamente razoável que pessoas físicas (PF) tornarseiam sócios de uma pessoa jurídica (PJ) para nada movimentarem ou produzirem, visto que em todo o período de 2007 a 2010 não realizou qualquer mercancia, a não ser a venda dos imóveis integralizados, não se passando mais de 07 (sete) meses entre a alteração do quadro societário, integralização dos imóveis e alienação dos mesmos. Fazse evidente que a real intenção dos sócios, ao ingressarem na sociedade, era a de alienar seus próprios imóveis rurais utilizandose da pessoa jurídica e da regra favorável estabelecida no artigo 10, § 1°, inciso II da IN SRF n° 84, de 2001, e assim afastarse da tributação. Por fim, atribuiuse a responsabilidade solidária pela obrigação tributária a todos os sócios, com fundamento no artigo 124, inciso I do CTN (Lei n° 5.172/66), ao se considerar que suas ações, ao ingressarem na sociedade, foram sempre no sentido de se beneficiarem direta e economicamente das irregularidades relatadas. Conclui o agente do Fisco que em momento algum se buscou desconfigurar a alienação. Não restam dúvidas de que é perfeitamente legal a integralização de capital social mediante a transferência de imóveis, conforme artigo 23 da Lei n° 9.249, de 1995. Não restam dúvidas também de que o imóvel Fazenda Real fora realmente alienado à Agrícola Xingu S/A. Mas o que se evidenciou da análise do conjunto de documentos obtidos na ação fiscal, e que restou perfeitamente caracterizada, foi a intenção subreptícia da contribuinte e seus benefícios decorrentes, fatos justificadores da solidariedade, sendo formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 10530.724.346/201212. Cientificada do lançamento de ofício, bem como os sócios do Termo de Sujeição Passiva Solidária, foi apresentada impugnação, sendo essas as razões de defesa, em síntese: 1. Preliminarmente, o lançamento é nulo por erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que o autuante considera como sujeito passivo a pessoa jurídica Fazenda Real, mas, contraditoriamente, considera que o fato gerador deuse quando da "alienação" do terreno em julho/2007 pela pessoa física sócia da empresa (Jorge Pinto Saldanha), contra quem o Fisco deveria promover o lançamento; Fl. 653DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 71 5 2. A pessoa jurídica Fazenda Real só adquiriu os imóveis em agosto/2007, quando da integralização do capital social com bens imóveis, e, portanto, em julho/2007 não poderia ser sujeito passivo, pois não poderia alienar imóveis que ainda não lhe pertenciam; 3. Houve, ainda, a capitulação legal inadequada e insuficiente quanto à responsabilidade solidária dos sócios, pois o autuante capituloua no art. 124 do CTN, que se trata de comando genérico, sem menção a qualquer outro dispositivo mais específico do CTN, implicando em cerceamento do direito de defesa; 4. No mérito, a impugnante sustenta que, à luz do ordenamento civil e fiscal, a alienação dos imóveis rurais para a Agrícola Xingu S/A deuse em 18/09/2007, data do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, sendo inexistente o ganho de capital, nos termos do que dispõe o art. 10, §1°, inciso II, da IN SRF n° 84, de 2001, enquanto que o autuante entende que a alienação terseia dado em julho/2007, quando do recebimento da quantia de R$9.013.191.06, sendo o art. 10, §1°, inciso I, da IN SRF n° 84, de 2001, a norma regente, configurandose o ganho de capital tributável e omitido pela autuada; 5. Quanto ao valor de alienação (pagamento) da Fazenda Real, também se equivocou o autuante, devendo a base de cálculo/imposto ser retificada, pois considerou o valor de R$85.598.096,30, sem deduzir a quantia de R$1.616.924,00 (pagamentos feitos a Juazeiro Empreendimentos Ltda.), que está sendo cobrada daquela empresa através do Mandato de Procedimento Fiscal n° 05102002011 004153, datado de 11/06/2012, restando claro, portanto, que está sendo exigida pelo Fisco duplamente de contribuintes distintos; 6. A quantia de R$9.013.191,06 foi recebida em julho/2007 a outro título, e não teve qualquer relação com a alienação dos imóveis rurais, efetivada posteriormente, não se apercebendo o autuante que esse valor correspondia ao pagamento adiantado por conta de venda futura de produtos agrícolas (compra de colheita/safra futura), e lastreavase em Cédulas de Produto Rural CPR emitidas; 7. Efetivamente, em julho/2007 foram emitidas 3 (três) TEDS Transferência Eletrônica Disponível (Bradesco) e 1 (um) DOC Documento de Crédito (Banco Itaú), tendo Jorge Pinto Saldanha como beneficiário, sendo remetente das quantias a empresa Multigrain S/A, CNPJ 006.963.088/000123; 8. Uma vez que as TEDs, no Tipo de Documento, reportam duplicata, tais remessas bancárias dizem respeito a operações mercantis (adiantamento de numerário, por conta de compra de colheitas futuras), ressaltandose que a referida empresa Multigrain S/A é controladora da empresa Agrícola Xingu S/A; 9. O valor total das transferências (R$9.013.191,06) é quase idêntico ao valor referido no contrato de 18/09/2007 (R$9.015.283,31) como pagamento da 1a parcela do preço de compra dos imóveis rurais; 10. O que ocorreu simplesmente é que a empresa controladora (Multigrain S/A) cedeu seu crédito oriundo de CPR (decorrente de adiantamento por conta de compra de colheita futura) a sua empresa controlada (Agrícola Xingu S/A) e esta o utilizou para quitar a 1a parcela do preço de aquisição das glebas rurais, em 18/09/2007, tratandose de mera cessão de crédito, seguida de compensação recíproca de créditos/débitos, tudo aprovado pela legislação civil e societária e sem reflexos fiscais; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 72 6 11. O autuante intentou desconsiderar e desqualificar os instrumentos contratuais firmados entre a alienante (Fazenda Real) e a adquirente (Agrícola Xingu SA), posteriormente consubstanciados em escrituras públicas, após implementadas as condições pendentes, reportando que tais instrumentos não corresponderiam à verdade real, a despeito da jurisprudência administrativa que dispõe sobre a primazia e prevalência da escritura pública sobre outras alegadas modalidades de ajustes contratuais; 12. A conduta da autuada não deu ensejo à aplicação da multa de ofício, em especial a qualificada, pois não ocorreu ganho de capital, omissão de receitas, infração, falta de recolhimento de tributo ou hipótese de incidência do Imposto de Renda, sendo incabível, assim, qualquer penalidade, não tendo sido praticada qualquer atividade ilícita ou dolosa, além de a contribuinte ter prestado à RFB todas as informações solicitadas; 13. Também não houve abuso de forma ou de direito, negócio jurídico indireto, simulação ou dissimulação, nem "evidente intuito de fraude", sonegação fiscal ou conluio, e se porventura alguma dúvida ainda remanescesse apenas para argumentar , de lembrar o comando ínsito no art. 112 do CTN (interpretação "pro contribuinte" em caso de dúvidas na imposição de penalidades); 14. A jurisprudência administrativa ou judicial é taxativa ao considerar que o dolo tem de ser efetivamente provado, não bastando suposições ou construções engenhosas, conforme Súmulas n° 14 e n° 25 do CARF que transcreve; 15. Quanto à responsabilidade solidária dos sócios, não houve qualquer infração à legislação ou contrato social, e quanto às vantagens por eles auferidas das atividades da empresa, são inerentes à relação sociedade/sócios. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 31/07/2007, 30/09/2007, 31/07/2008 GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL ANTES DA ENTREGA DO DIAT. No caso de o contribuinte adquirir imóvel rural antes da entrega do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. Porém, na hipótese de aquisição e alienação do imóvel rural antes da entrega do Diat, provadas pela imissão da posse e pelo recebimento da primeira parcela do preço, resta caracterizado que a assinatura a posteriori do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda teve apenas a intenção de se afastar a tributação, ocorrendo, assim, o ganho de capital igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do imóvel. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Sempre que houver conduta dolosa do sujeito passivo, buscando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade Fiscal federal da ocorrência Fl. 655DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 73 7 do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, está configurado o evidente intuito de fraude à lei tributária. Irresignada com a decisão de primeira instância, as Recorrentes (Empresa e todos os sócios solidários), em conjunto, interpuseram recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 74 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade A Recorrente pleiteia nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, mas na essência a sua insurgência é contra o mérito, vejamos suas alegações: o lançamento é nulo por erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que o autuante considera como sujeito passivo a pessoa jurídica Fazenda Real, mas, contraditoriamente, considera que o fato gerador deuse quando da "alienação" do terreno em julho/2007 pela pessoa física sócia da empresa (Jorge Pinto Saldanha), contra quem o Fisco deveria promover o lançamento; A pessoa jurídica Fazenda Real só adquiriu os imóveis em agosto/2007, quando da integralização do capital social com bens imóveis, e, portanto, em julho/2007 não poderia ser sujeito passivo, pois não poderia alienar imóveis que ainda não lhe pertenciam; A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Na verdade, a questão será melhor explicitada quando da análise meritória, onde ficará patente que tratouse de um conjunto de fatos, que não pode ser visto de forma estanque, onde a empresa autuada apesar de ter servido de meio para atingir os objetivos dos respectivos sócios, a existência da empresa, bem como a integralização dos imóveis e a alienação que praticou à empresa Fazenda Real à Agrícola Xingu S/A não podem ser Fl. 657DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 75 9 desconstituídas. E como se verá também mais adiante, os sócios foram colocados em seus devidos lugares no âmbito da autuação na medida em que foram arrolados como responsáveis solidários, uma vez que se beneficiaram de toda a operação. Porém, o sujeito passivo da alienação dos referidos imóveis foi mesmo a Recorrente. Outrossim, as razões de mérito suscitadas em sede preliminar serão ainda enfrentadas de forma complementar como se mérito fossem. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. MÉRITO Segundo a fiscalização a empresa foi autuada por ganho de capital na alienação ocorrida em julho de 2007. No caso, a empresa teria praticado simulação ao fraudar dispositivo legal que previa a incidência da norma tributária. Tratase do inciso I do §1° do art. 10 da IN SRF n° 84, de 2001 c/c art. 523 do RIR/99: Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. Parágrafo 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. Parágrafo 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8° e 14 da Lei n° 9.393, de 1996. § 1° No caso de o contribuinte adquirir: 1 e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. (...) RIR/99: Fl. 658DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 76 10 Art.523. A partir de 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra NuaVTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente (Lei n°9.393, de 1996, art. 19). Em síntese, caso o contribuinte adquira imóvel rural antes da entrega do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorreria ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. Porém, na hipótese de aquisição e alienação do imóvel rural ocorrerem antes da entrega do Diat, o ganho de capital existe e deve ser tributado. Toda a celeuma se dá em relação ao momento preciso da ocorrência do fato gerador. Entende autuante que a alienação ocorreu em julho/2007, quando do recebimento da quantia de R$9.013.191.06 pelo sócio da empresa, bem assim quando a empresa compradora já tinha a posse da terra, sendo a norma regente então o inciso I do §1° do art. 10 da IN SRF n° 84, de 2001, configurandose, então, o ganho de capital tributável e omitido pela autuada através de fraude à lei/simulação. Por outro lado, a defesa sustenta que a alienação dos imóveis rurais se deu em 18/09/2007, data do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, sendo inexistente o ganho de capital nos termos do que dispõe o art. 10, §1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001. Cabe salientar que a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) 2007, com o respectivo Diat, foi transmitida pela contribuinte em 17/09/2007, e o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda dos imóveis Fazenda Real, assinado, dois dias depois, em 19/09/2007. Pois bem, a partir do farto conjunto probatório coligido pelo autuante é de concluir sem dúvida alguma que as operações realizadas em seu conjunto ocorreram de forma simulada, sem nenhum propósito negocial a não ser fraudar a incidência da norma prevista inciso I do §1° do art. 10 da IN SRF n° 84, de 2001 e consequentemente o art. 523 do RIR/99, fugindo do ganho de capital. Passemos para isso a tratar agora dos indícios convergentes muito bem delineados pela fiscalização a indicar a simulação/fraude a lei, fugindo assim da tributação do ganho de capital: Como bem colocou a DRJ: (...) em menos de 07 (sete) meses as pessoas físicas arroladas no Termo de Sujeição Passiva Solidária (i) tornaramse sócias de pessoa jurídica que informara não ter desempenhado qualquer atividade econômica; (ii) integralizaram os imóveis rurais ao seu capital social; e (iii) os alienaram à Agrícola Xingu S/A. Conforme comprovado pelo Livro Caixa, o valor recebido na alienação dos imóveis rurais foi distribuído aos sócios a título de lucros isentos. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 77 11 A empresa praticamente foi constituída para alcançar esse propósito. Afinal, apesar de já existir a empresa em 2000, tinha outra denominação social e quadro societário completamente distinto. Somente em 27/02/2007 é que entrou os novos sócios e arrolados no Termo de Sujeição Passiva Solidária, saindo os sócios originais, mudandose o objeto social. O Imóvel objeto da Alienação “Fazenda Real”, na verdade tratase do imóvel rural “Gleba Pernambuco da Fazenda Real” ao qual foi agregado mais 07 imóveis rurais todos eles comuns as pessoas físicas arroladas como solidários, em combinações variadas, conforme tabela constante de TVF. Alguns meses depois (01/08/2007), referidos imóveis foram “formalmente” integralizados ao capital social e alienados a Empresa Agrícola Xingu SA(19/09/2007). É inconteste que apesar de o Instrumento Particular ter sido assinado em 19/09/2007, a empresa Agrícola Xingu S/A foi imitida na posse dos imóveis em 13/07/2007. Há, inclusive, cláusula dispondo que "muito embora a posse tenha sido transmitida em 13.07.2007, ficam sob responsabilidade da XINGU, a partir de 25 de junho de 2007, as despesas e os ônus decorrentes da manutenção dos imóveis e da atividade nela desenvolvida, inclusive conservação de maquinários e peças. (...)" Há um pagamento em julho/2007 pela Agrícola Xingu S/A ao beneficiário Jorge Pinto Saldanha no valor total de R$9.013.191,06, antes mesmo da formalização (assinatura) do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda. Após o ingresso dos sócios (pessoas físicas arroladas) aumentando o capital de R$ 100.000,00 para R$ 25.128.068,00 (integralizações de suas propriedades rurais) a empresa nada produziu, tendo suas declarações todas zeradas nos períodos de 2007 a 2010. Ora, não parece crível que as referidas pessoas físicas pudessem querer ser sócias de uma pessoa jurídica para nada movimentarem ou produzirem, não tendo realizado qualquer tipo de mercancia a não ser a venda dos imóveis integralizados, não restando assim a menor dúvida de que a real intenção dos sócios era a de alienar seus próprios imóveis rurais utilizandose da pessoa jurídica e da regra favorável estabelecida no artigo 10, § 1°, inciso II da IN SRF n° 84, de 2001, e assim afastarse da tributação. Nesse contexto, o fato de o Contrato de compra e venda ter sido assinado apenas dois dias após a entrega da DIAT, é outro forte indício de simulação, uma vez que o marco temporal da norma isentiva é justamente a entrega da DIAT: alienação antes dela há ganho de capital, depois dela não há (sendo no mesmo anocalendário). As contestações da defesa são pontuais e contestáveis, não infirmando os pontos que pretende atacar, muito menos abalando o conjunto da obra, que é o mais importante, senão vejamos: A defesa afirma que em julho/2007 não poderia alienar imóveis que ainda não lhe pertenciam, uma vez que sua aquisição somente se deu em agosto/2007, quando da integralização do capital social. Ora, mas contra isso, como bem colocou a DRJ “se a aquisição ocorreu em agosto/2007, como poderia a autuada ter imitido a posse à Agrícola Xingu S/A em julho de 2007, como assim o fez?” Outrossim, a própria integralização foi apenas mais um outro meio fraudulento utilizado para se fugir do ganho de capital. O fiscal não desconstituiu essa integralização, mas tão somente desconsiderou os seus efeitos formais para efeito de considerar o fato gerador ocorrido anteriormente, em julho de 2007, quando do pagamento da primeira parcela e da imissão de posse da compradora. Também não faz sentido a justificativa dada em relação ao pagamento da primeira parcela em julho de 2007. Apesar de constar no subitem 1.1 do item VI (DO PREÇO) do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda que a primeira parcela Fl. 660DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 78 12 (R$9.015.283,31) seria paga na assinatura do contrato e tenha a contribuinte afirmado que esse valor fora recebido em 18/09/2007, não existe, para essa data, qualquer comprovante de pagamento apresentado pela empresa Xingu, bem como qualquer movimentação bancária registrada no extrato apresentado pela autuada. O simples fato de ter sido tal valor contabilizado em seu Livro Caixa (fls. 216/244), não prova nada diante da ausência de lastro documental da contabilidade, provando apenas que se trata de informação contábil falsa, corroborando ainda mais a presença da simulação. A justificativa para inexistência de qualquer “rastro” de tão vultosa quantia é simplesmente porque de fato a primeira parcela do contrato assinado posteriormente foi integralmente quitada em julho de 2007, justamente o momento da ocorrência do fato gerador. Não havia motivo algum para o contrato de compra e venda ter sido assinado posteriormente a não ser com o fito de manipular a sequência dos acontecimentos em causa própria. Ainda a esse mesmo respeito do item anterior, a contribuinte na tentativa de justificar o injustificável, além de não ter como provar o ingresso financeiro no momento da assinatura do contrato (setembro de 2007), se enreda ainda mais em uma teia complexa de justificativas infundadas quando pretende dar uma explicação para o ingresso financeiro registrado nos seus extratos bancários de R$9.013.191,06, que é praticamente idêntico ao valor acordado da 1a parcela do preço de compra (R$9.015.283,31). A esse respeito, a DRJ muito bem demonstrou a falta de razoabilidade dessa linha de defesa: Ademais, além da coincidência de o valor total das transferências (R$9.013.191,06) ser quase idêntico ao valor referido no contrato como pagamento da 1a parcela do preço de compra dos imóveis rurais (R$9.015.283,31), também não é crível que a autuada tenha recebido valor de tão expressiva monta por conta de venda futura de produtos agrícolas quando para o período fiscalizado declarou à Receita Federal não ter auferido receitas brutas mensais zeradas para o 1° semestre de 2007; de R$ 0,01 para o 2° semestre de 2007; e zeradas para os anos calendário 2008, 2009 e 2010. Vejase, ainda, que no Livro Caixa anexado às folhas 216/244, relativo ao período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, as únicas entradas de numerários referemse à venda dos imóveis rurais, e mesmo dentre as saídas, além de adiantamentos aos sócios, despesas bancárias e pagamento do ITR, inexiste qualquer lançamento relativo a atividades agrícolas. Portanto, diante da posse e pagamento da primeira parcela em julho/2007, nesse mês já restava configurada a ocorrência do fato gerador do ganho de capital (imposto de renda), e que a assinatura a posteriori do contrato teve apenas a clara intenção de se evadir fraudulentamente da tributação. Mantenho assim o lançamento. Responsabilidade dos Sócios Em primeiro lugar, há de se dizer que os indícios convergentes acima apontados serve como uma luva também para demonstrar a pertinência de todos os sócios serem considerados responsáveis tributários no caso concreto, bem assim com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ex vi art. 124, I do CTN, sendo despiciendo tecer considerações adicionais a esse respeito, a não ser também reiterar em todos os seus termos as razões da decisão Fl. 661DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 79 13 de piso que rejeitaram as razões de defesa nesse aspecto, de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adotoas também como razões complementares deste voto: No que tange à responsabilidade solidária dos sócios, destaquese que a pessoa jurídica foi constituída em 25/02/2000; em 27/02/2007, teve seu Contrato Social alterado para inclusão dos sócios em questão, além da alteração da razão social e do objeto da sociedade; e em 01/08/2007, nova alteração foi efetuada no Contrato Social, para inclusão de sócio e suposta integralização dos imóveis rurais. Ora, em menos de 07 (sete) meses as pessoas físicas arroladas no Termo de Sujeição Passiva Solidária (i) tornaramse sócias de pessoa jurídica que informara não ter desempenhado qualquer atividade econômica; (ii) integralizaram os imóveis rurais ao seu capital social; e (iii) os alienaram à Agrícola Xingu S/A. Conforme comprovado pelo Livro Caixa, o valor recebido na alienação dos imóveis rurais foi distribuído aos sócios a título de lucros isentos. Logo, resta evidente que a real intenção dos sócios era a de alienar seus próprios imóveis rurais utilizandose da pessoa jurídica e da regra favorável estabelecida no artigo 10, § 1°, inciso II da IN SRF n° 84, de 2001, e assim afastar se da tributação. A capitulação legal da responsabilidade solidária dos sócios no art. 124 do CTN não é inadequada, como alegou a impugnante, pois guarda relação direta e exata com os fatos apurados pelo autuante, não se vislumbrando o cerceamento do direito de defesa. A infração foi minuciosamente descrita, das quais as pessoas físicas arroladas no Termo de Sujeição Passiva Solidária tiveram pleno conhecimento, conforme razões de defesa apresentadas. Do suposto erro na base de cálculo do tributo Também nesse aspecto não há nada a ser reparado na decisão de piso, motivo pelo qual adoto suas razões de decidir também porque não foi trazido nada de diferente na fase recursal que pudesse infirmar tais razões: Por fim, a impugnante alega que do valor de alienação (pagamento) da Fazenda Real considerado pelo autuante deveria ter sido deduzida a quantia de R$1.616.924,00 referente a pagamentos feitos à Juazeiro Empreendimentos Ltda., já cobrados daquela empresa através do Mandato de Procedimento Fiscal n° 05102002011004153, datado de 11/06/2012. Porém, conforme Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda às folhas 261/293 e Escrituras Públicas de Compra e Venda às folhas 294/399, a empresa Juazeiro Empreendimentos Ltda. foi apenas anuente da alienação, "em todos os seus termos e condições, inclusive com a novação em relação aos pagamentos que lhes restaram devidos e que passaram, na nova forma, montante e valores neste estabelecidos à responsabilidade exclusiva da XINGU". Tal fato decorre de alienação anterior de glebas de terras pela empresa Juazeiro a Jorge Luiz Pinto Saldanha e outros, conforme Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda e Outras Avencas, e, assim, em julho de 2007, quando Fl. 662DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10530.724344/201215 Acórdão n.º 1401001.610 S1C4T1 Fl. 80 14 da venda das glebas de terras pela autuada à Agrícola Xingu S/A, parte do valor foi por essa repassado à Juazeiro, correspondendo à dívida assumida perante aquela empresa em lugar dos vendedores das glebas (Jorge Pinto e outros, sócios da autuada). Portanto, correto o valor da alienação considerado pelo autuante no lançamento de ofício, inexistindo reparo a se fazer neste particular. Multa Qualificada Sobre os valores de tributos e contribuições apurados foi aplicada acertadamente a multa qualificada de 150% conforme previsto nos termos do art. 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, que se refere aos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. De fato, houve sempre ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, modificando suas características essenciais e evitando assim o pagamento do imposto. Também ficou caracterizada aqui a consciência da ilicitude. Conforme foi amplamente visto, a verdadeira intenção dos sócios sempre foi a de alienar seus próprios imóveis rurais fraudando a lei que previa a sua incidência tributária, e tal procedimento, doloso, caracteriza o ilícito penal previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007832/2003-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
auto de infração eletrônico. nulidade. alteração dos fundamentos de fato no julgamento de segunda instância.
Se o auto de infração toma como pressuposto de fato a inexistência do processo judicial indicado pelo contribuinte na DCTF ("Proc jud não comprovad"), e o contribuinte demonstra a existência deste processo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO e MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se o auto de infração toma como pressuposto de fato a inexistência do processo judicial indicado pelo contribuinte na DCTF ("Proc jud não comprovad"), e o contribuinte demonstra a existência deste processo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO e MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 78 32 /2 00 3- 75 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Relatório Adoto o relatório constante da decisão da DRJ em Curitiba/PR (vide fls. 246 e seguintes dos autos), cujo teor segue abaixo transcrito: Trata o presente processo do Auto de Infração n° 6517, as fls. 189/195, em que são exigidos R$ 12.090.815,76 de contribuição para o PIS/Pasep e R$ 9.068.111,82 de multa de oficio, essa com fundamento no art. 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 44, I e § 1", I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 2. 0 lançamento fiscal originouse de Auditoria Interna da DCTF do primeiro ao quarto trimestre de 1998, em que se constatou, para os períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998, "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA" (fl. 190). tendo como enquadramento legal: arts. 1º e 3º, "b", da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970; art. 83, III, da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1° da Lei n° 9.249, dc 26 de dezembro de 1995; art. 2º; I e § 1", e arts. 3°, 5, 6º e 8º, I, da Medida Provisória nº 1.62327, de 12 de dezembro de 1997, e reedições; art. 2º, I e § 1º, e arts. 3°, 5º, 6° e 8º, I, da Medida Provisória nº 1.67634, de 29 de junho de 1998, e reedições; e art. 2º, I e § Iº, e arts. 3º, 5º, 6º e 8º, I, da Lei n" 9.715, de 25 de novembro de 1998. 3. As fls. 191/194, "ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS", em que constam valores informados nas DCTFs, a titulo de "VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como sendo decorrentes de "Exigibilidade Suspensa", com base no Processo n" 95.00142740, não foram confirmados sob a ocorrência "Proc jud não comprovad". A fl. 195, "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR". 4. Cientificada da exigência fiscal, por via postal, em 18/07/2003 (fl. 201), sextafeira, a interessada, por intermédio de representante constituído (procuração as fls. 14/15), apresentou tempestivamente, em 19/08/2003, a impugnação de fl. 01/10, acompanhada dos documentos de fls. 12/199, a seguir sintetizada. 4.2. Acerca dos fatos, esclarece que impetrou Mandado de Segurança n" 95.00142740, com pedido de liminar, visando afastar a cobrança da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep, em face do art. 155, § 3º da Constituição Federal; indeferida a medida liminar, interpôs mandado de segurança perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, obtendo liminar, em 25/10/1995, suspendendo a exigibilidade da contribuição; no entanto, no mandado de segurança que tramitava perante a 8ª Vara Federal de Curitiba, em 10/09/1996 foi publicada sentença denegando a segurança; em função disso, houve despacho do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 13/03/1997, julgando prejudicado o mandado de segurança em que se discutia a liminar; assim, a partir de abril de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.007832/200375 Acórdão n.º 3301002.868 S3C3T1 Fl. 379 3 1997, passou a depositar a contribuição, inclusive dos períodos de apuração de setembro de 1995 a dezembro de 1996; em grau de recurso, o Tribunal Regional Federal negou provimento à apelação da Copel, que, então, interpusera recurso extraordinário. 4.3. Prossegue informando que, posteriormente, mesmo pendente o recurso extraordinário, peticionou ao Tribunal Regional Federal, em face dos benefícios de que tratou a Medida Provisória nº 1.8588, de 27 de agosto de 1999, a conversão em renda da União da importância de R$ 45.495.927,75, o que ocasionou o trânsito em julgado da decisão recorrida (Apelação em Mandado de Segurança n° 97.04.214189). 4.4. Nesse sentido, diz que a conversão em renda visou à baixa do débito tributário discutido no Mandado de Segurança nº 95.00142740 e relativo ao período de setembro de 1995 a agosto de 1999, com base na Medida Provisória nº 1.8588, de 1999; e que, conforme Oficio 855/99 da Secretaria de Recursos do Tribunal Regional Federal e do Oficio 608/99, expedido pelo Juiz da 8ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, a conversão em renda da União já se efetivou. 4.5. Informa que, assim, requereu ao Delegado da Receita Federal em Curitiba a baixa dos débitos dos períodos de setembro de 1995 a agosto de 1999; quanto ao saldo remanescente dos depósitos judiciais, noticia que se estabeleceu controvérsia entre as partes quanto aos valores efetivamente devidos "o que não se tem ainda resolvido, conforme pode ser verificado nos Autos do MS n°95.0014274O, ainda em trâmite na 8ª Vara da Justiça Federal em Curitiba". 4.6. Conclui aduzindo que, desse modo, desistiu da ação judicial e requereu que fosse convertida em renda da Unido a importância de R$ 45.495.927,75, estando o saldo remanescente, de R$ 12.857.180,79, à disposição da Justiça. 4.7. Questiona, por outro lado, a irregularidade apontada no auto de infração, dizendo que "evidenciase sério equivoco da auditoria interna das DMVs do ano de 1998, ou seja, a conclusão de que não se comprovou o depósito judicial ou o seu pagamento, em hipótese alguma pode prosperar diante da realidade dos autos". Argumenta que os depósitos foram efetivados e a exigibilidade, portanto, encontrase suspensa. Ressalva que, todavia, os valores do "primeiro trimestre" não foram depositados, em face da vigência da liminar concedida, mas que os valores devidos no "primeiro trimestre de 1998" foram considerados e incluídos nos cálculos apresentados em juizo para fins de conversão em renda, assim como no requerimento de baixa de débitos perante o Delegado da Receita Federal em Curitiba, protocolizado em 30/09/1999. Destaca que efetuou os depósitos judiciais devidos; que essa afirmação é confirmada nos relatórios da Secretaria da Receita Federal juntados aos autos judiciais; e que, entretanto, os valores depositados permanecem em conta judicial, vinculados aos Autos nº 95.00142740, conforme Oficio nº 029/02 da 6ª Vara da Justiça Federal em Curitiba. 4.8. Ad argumentandum tantum, defende que, caso exista qualquer diferença de valores quanto aos créditos vinculados em DCTF, tudo deverá ser regularizado quando da definição dos valores que forem devidos e que estão em discussão na Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Ação nº 2002.70.000012505, em trâmite na 6ª Vara da Justiça Federal de Curitiba. 4.9. Em relação aos valores lançados a titulo de multa e juros, alega serem improcedentes. Aduz que nunca deteve em seu numerário valores devidos ao fisco, pelo que entende exsurgir a impossibilidade de se lhe cobrarem juros de mora; e que não há mora em face da constatação de que os "recolhimentos" da contribuição estão no "bojo do acerto decorrente a desistência do MS nº 95.00142740 (AMS le 94.04.214189) e comprovado com os demais documentos anexos", não se podendo incidir juros moratórios. 4.10. No tocante à multa, destaca que o auto de infração deveuse à má compreensão das DCTF em relação aos processos judiciais em andamento e alega que a aplicação de penalidade pressupõe o desvalor da conduta de não recolher o tributo da maneira devida; que, sob qualquer prisma, os encargos são improcedentes, por não existir mora; que o auto de infração viola a ampla defesa garantida pela Constituição Federal, por se tratar de dupla exigência sobre fato que depende de decisão judicial; que a autuação é também injusta por já se haver quitado a obrigação tributária do período de 08/1995 a 09/1998, pela transferência à União de R$ 45.495.927,75 dos valores depositados e ainda existir controvérsia sobre o saldo de R$ 12.857.180,79 (em 14/01/2003), pelo que o crédito lançado encontrase com a exigibilidade suspensa e dependente do julgamento final do Mandado de Segurança nº 95.00142740. 4.11. Requer seja exonerada da exigência em duplicidade e a improcedência do auto de infração, por não ter o lançamento de oficio as características que lhe foram atribuídas pelo agente fiscalizador, que não observou os fatos registrados nos autos dos Mandados de Segurança nºs 95.00142740 e 2002.70.00001250 5, especialmente quanto aos valores que foram depositados e já convertidos em renda da Unido Federal. 5. As fls. 202/231, foram juntados extratos e cópias de decisões judiciais proferidas nos autos do Mandado de Segurança nº 95.00142740 e da Ação Ordinária nº 2002.70.000012505; às fls. 232/240, extratos dos depósitos e cálculos relativos aos períodos objeto da autuação. Ao analisar o caso, a DRJ em Curitiba entendeu, por unanimidade de votos, em negar provimento às razões da impugnação, para considerar procedente o lançamento do período de apuração de R$ 984.719,46 a título de PIS, multa e acréscimos legais (competência de fevereiro de 1998), e, por maioria de votos, não dar provimento às razões de impugnação, para considerar procedente o lançamento dos períodos de apuração de janeiro e de março a dezembro de 1998, no valor de R$ 11.106;096,30, a título de PIS, multa e acréscimos legais correspondentes (competência de janeiro e março a dezembro de 1998). O acórdão da primeira instância administrativa restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de ação judicial e de depósitos. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.007832/200375 Acórdão n.º 3301002.868 S3C3T1 Fl. 380 5 FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. São aplicáveis no lançamento fiscal, por falta de recolhimento, a multa de oficio e os juros de mora previstos em lei, ainda que em face da existência de depósitos judiciais. Lançamento Procedente Em seu voto, fundamentou o Julgador de primeira instância administrativa no sentido de que o depósito judicial realizado pelo contribuinte em ação judicial o fiscal confirmou a realização de depósito do montante integral quanto aos meses de janeiro e março a dezembro de 1998, tendo informado que o depósito relativo ao mês de fevereiro de 1998 teria sido insuficiente para cobrir a integralidade do débito correspondente a tal período não teria o condão de impedir o lançamento tributário nem a cobrança de multa e acréscimos legais relacionados, pois seria apenas causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Concluiu que, em tal cenário, apenas a conversão em renda teria o condão de extinguir o crédito tributário, nos moldes do que dispõe o art. 156, VI do CTN. É importante mencionar ainda que constou da referida decisão declaração de voto do julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, por meio do qual discordou em parte do voto vencedor, tendo votado pela "PROCEDÊNCIA EM PARTE do lançamento, no sentido de cancelar a exigência de PIS/PASEP, relativa aos meses de janeiro e de março a dezembro de 1998, bem assim respectivas multas lançadas de oficio e juros moratórios, mantendo, todavia, a exigência de PIS/PASEP, concernente ao mês de fevereiro de 1998, bem assim respectiva multa lançada de oficio e juros de mora". Insatisfeito com o teor do acórdão prevalente, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual alegou, resumidamente: (i) que houve equívoco na decisão recorrida, uma vez que esta analisou equivocadamente os fatos, tendo deixado de observar que, no momento da lavratura do auto de infração (17/06/2003), o crédito tributário em baila já havia sido extinto pela conversão em renda, realizada quatro anos antes da lavratura do auto de infração (20/10/1999); (ii) que a pendência existente no processo judicial trata de competências diferentes das que são objeto deste auto de infração, pelo que a conversão dos valores realizada no processo judicial teria se dado de forma a extinguir integralmente o crédito tributário objeto desta lide, e não parcialmente, como entendeu a DRJ. Ao final, requereu o contribuinte em seu recurso: a) A reforma do r. Acórdão, a fim de ser considerada INTEGRAL a conversão dos valores depositados através dos DARF's apresentados às fls. 131 a 142 e, como conseqüência, julgar improcedente o lançamento do "principal", objeto do Al impugnado; b) Ainda por conseqüência e devido aos pagamentos haverem sido efetuados nas respectivas datas de vencimento, bem como ao fato de a conversão em renda haver se operado quase 4 anos antes do lançamento, requer sejam cancelados os lançamentos referentes aos "acessórios", ou seja, a multa de oficio e juros de mora referentes ao principal cujo lançamento tenha sido afastado. c) o conhecimento do presente recurso, independentemente de arrolamento, em face de os depósitos existentes superarem a exigências fiscal. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 Ato contínuo, foi proferida em 05 de dezembro de 2006 decisão através da qual o Recurso Voluntário deixou de ser conhecido por inexistência de bens ou depósito recursal (condição à época necessária para a interposição do referido recurso), conforme teor a seguir: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEPÓSITO JUDICIAL DA QUANTIA CONTROVERTIDA. ARROLAMENTO DE BENS. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO. 0 arrolamento de bens constitui pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário interposto ao Conselho de Contribuintes, ainda que os valores controvertidos tenham sido depositados em conta de depósito judicial. A ausência de arrolamento de bens impede o conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido Face a tal decisão, o contribuinte interpôs Recurso Especial, por meio do qual ressaltou que a exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens seria inconstitucional, conforme declarado pelo STF na ADIN 1976, além de a referida decisão divergir de outras proferidas pelo CARF. Ao analisar tal recurso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim entendeu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 Ementa: DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. DEPÓSITO INTEGRAL. FINALIDADE DA EXIGÊNCIA SATISFEITA. EXAME DO RECURSO DO CONTRIBUINTE. Alem da exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens serem inconstitucional, conforme declarado pelo STF na ADIN 1976, os mesmos não se justificam na hipótese do contribuinte ter efetuado o depósito do montante integral da exigência, eis que o que se busca com a edição de referidos requisitos de interposição que somente pode ser a proteção do crédito da Fazenda Nacional isto é, o do interesse público enquanto se processa a defesa do contribuinte, o qual está mais do que atendido pelo depósito do montante integral. Recurso Especial do Contribuinte Provido Os autos, então, retornaram para julgamento do Recurso Voluntário outrora interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.007832/200375 Acórdão n.º 3301002.868 S3C3T1 Fl. 381 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Conforme relatado acima, o auto de infração em questão (fls. 190 a 201 dos presentes autos) foi lavrado por suposta "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata", tendo constado do "Anexo I Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados", que os créditos vinculados, informados como decorrentes de "Exigibilidade Suspensa", com base no Processo nº 95.00142740, não foram confirmados sob a ocorrência "Proc jud não comprovad" (vide fl. 195 dos autos). Nesse contexto, vêse que o auto de infração em deslinde foi lavrado sob o fundamento de que o contribuinte não teria comprovado a existência do processo judicial em tela, através do qual teria restado suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Ao analisar este aspecto, contudo, a DRJ em Curitiba/PR, entendeu que, apesar do equívoco quanto à fundamentação, deveria ser mantido o auto de infração. É o que se extrai da decisão a seguir transcrita: No mérito, analisando a documentação acostada pela contribuinte, verificase que é improcedente, em parte, a descrição contida no auto de infração acerca de "declaração inexata", A fI. 190, como se passa a expor. 8. Consta, As fls. 191/194, no auto de infração, a ocorrência, "Proc jud não comprovad", ou seja, que não estaria comprovada a existência do processo judicial (n" 95.00142740) indicado em DCTF, em decorrência do qual a contribuinte declarou como de "exigibilidade suspensa" os créditos tributários dc contribuição para o P1S/Pasep atinentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998. 9. No que se refere ao processo judicial, a impugnante, em contrapartida, apresenta cópia dos seguintes documentos: petição inicial, datada de 09/10/1995, do Mandado de Segurança n°95.0014274O, As fls. 40/71; indeferimento da liminar requerida, cm 11/10/19 às fls. 73/74; deferimento de liminar, nos autos do Mandado de Segurança n" 95.04.52473 7/PR, pelo Tribunal Regional Federal da 4' Regido, em 25/10/1995, às fls. 95/96; sentença de 1" instância, julgando improcedente a ação, em 02/07/1996, fls. 98/99; e ementa de acórdão do TRF, confirmando a constitucionalidade da cobrança da contribuição em face do art. 155, § 3 0, da CF, em 29/09/1998, à fl. 101. 10. As fls. 103/107, requerimento de conversão em renda do valor de R$ 45.495.927,75; à fl. 109, despacho do Tribunal Regional Federal, atendendo ao pedido de conversão e determinando a permanência do saldo remanescente ate decisão ulterior; A fl. Ill, manifestação da Procuradora da Fazenda Nacional, não se opondo à conversão, mas ressalvando necessidade de aferição dos valores, no juizo de primeiro grau, ouvida a Procuradoria da Fazenda Nacional; A fl. 116, oficio da 8' Vara da Justiça Federal em Curitiba/PR ao gerente da Caixa Econômica Federal (posto de atendimento da Justiça Federal), recebido em 20/10/1999, solicitando, no prazo de dez dias, a conversão em renda dos valores mencionados; às fls. 118/119, requerimento da Copel, protocolizado em 30/09/1999, requerendo a "baixa" dos Fl. 384DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 8 débitos de Pasep dos períodos de setembro de 1995 a agosto de 1999, cm face da conversão em renda da União, corn fundamento no art. 11, § 3 0, da Medida Provisória n" 1.8588, de 27 de agosto de 1999; à fl. 121, "planilha explicativa" de valores relativos à conversão; às fls. 123/129, demonstrativos de imputação; às fls. 131/142, cópias de depósitos judiciais; e, As fls. 144/145, ementa de acórdão relativo a agravo de instrumento, tratando da controvérsia entre as partes quanto aos valores efetivamente devidos na ocasião da conversão em renda dos depósitos. 11. Nesse sentido, concluise que, por ocasião da entrega das DCTF, existia a mencionada ação judicial, n° 95.0014274O, sendo indevida a indicação, no auto de infração, de declaração inexata exclusivamente pela não comprovação do processo judicial. 12. Já quanto aos depósitos judiciais, há dois reparos a serem efetuados cm relação aos argumentos da impugnante. 13. Quanto ao "primeiro trimestre" mencionado, à fl. 7, como não objeto de depósitos, mas de liminar, percebese que a interessada se equivoca, ao confundir o primeiro trimestre de 1997 com o que se encontra cm discussão no presente processo, atinente exclusivamente à contribuição do ano de 1998. Segundo alega a impugnante, à fl. 2, o primeiro trimestre de 1997 era o que não estava acobertado por depósitos judiciais ("Este .fato levou o Juiz Vladimir Freitas, do Tribunal Regional Federal da 4" Regido, em despacho pro/'rido em 13.03.97, a julgar prejudicado o Mandado de Segurança em que se discutia a questão preliminar e mandou arquiválo. Após esta manifestação do Juiz Vladimir Freitas (revogando liminar) a COPEL, a partir do mês de abril de 1997, passou a depositar a Contribuição..."), ao passo que, em relação ao primeiro trimestre de 1998, constam os depósitos de fls. 140/142. 14. Todavia, o depósito efetuado para o período de apuração de fevereiro de 1998 (f1. 141) não foi suficiente para suspender a exigibilidade do crédito, eis que não correspondente A integralidade do debito que se pretendeu suspender, não atendendo ao disposto no art. 151, II, do CTN. 15. Assim, à exceção do débito de fevereiro de 1998, todos os demais se encontravam, de fato, com a exigibilidade suspensa por depósitos judiciais. 16. Mesmo no contexto de tudo que foi exposto, correta a constatação contida no auto de infração de falta de pagamento, uma vez que os depósitos judiciais suscitados não extinguem o crédito tributário, nos termos do art. 156 do CTN, não se constituindo em pagamentos, mas apenas suspendendo a sua exigibilidade, a teor do art. 151, II do CTN, e impedindo que a SRF adote medidas corno a inscrição em Divida Ativa. Todavia, o fato de a matéria estar posta ao judiciário não impede a lavratura do auto de infração, porque o lançamento decorre de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, tal como estabelecido no art. 142, parágrafo único, do CTN. Ou seja, apesar de reconhecer o claro equívoco quanto à fundamentação do auto de infração, entendeu a DRJ por manter o auto de infração, considerando que este teria sido lavrado para fins de prevenir a decadência. É importante mencionar, contudo, que este entendimento não foi uníssono, tendo constado da referida decisão declaração de voto elaborada pelo julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, por meio do qual entendeu pela nulidade da autuação em baila, face ao erro na sua fundamentação. É o que se extrai do teor da referida declaração, cujo trecho mais relevante a seguir se transcreve: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.007832/200375 Acórdão n.º 3301002.868 S3C3T1 Fl. 382 9 Sem embargo das considerações que nortearam o voto do relator, no sentido de que a existência de processo e de depósitos judiciais, não afasta, necessariamente, a lavratura do auto de infração e o lançamento efetuado de molde a prevenir a decadência, desejo apenas assinalar que, a meu juízo, não foi este o motivo que ensejou a autuação em exame. 0 auto de infração foi lavrado em virtude de não ter sido comprovada a existência da ação judicial informada pelo contribuinte na DCTF, relativamente à contribuição para o PIS/PASEP apurada de janeiro a dezembro de 1998. Ante a nãocomprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer tomou conhecimento e considerou aspectos próprios e inerentes aos lançamentos destinados a prevenir decadência, tais como a existência ou não de depósitos ou provimento judicial que elida a aplicação de penalidade, se houve ou não a conversão cm renda dos mencionados depósitos, se houve trânsito em julgado da ação, etc, e, na mesma esteira, por óbvio, a autoridade lançadora tampouco cientificou o contribuinte desses novos pressupostos. 38. Vejase, no ponto, que inclusive o Parecer PGFN/CRJN nº 1.064, de 1993, citado pelo relator, não descurou da obrigatoriedade de a exigência fiscal, mesmo nesta hipótese, conter precisamente o motivo que a justifica, a teor da conclusão consignada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, à alínea "h" do precitado ato administrativo, abaixo reproduzida in verbis: "b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145 do CM c/c o artigo 70, inciso I do Decreto n" 70.235/1972), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em .face da medida liminar concedida (artigo 151 do CTN)." (grifei). 39. Com efeito, demonstrada a veracidade do fato declarado pelo contribuinte, época em que foi apresentada a DCTF, a meu ver, resta prejudicado o lançamento, na parte em que é possível comprovar a falsidade do motivo que o teria ensejado e, no caso dos autos, notase que, ao revés do que se encontra precariamente descrito no feito, o que se comprova é, não só a existência do processo judicial, negligenciada pelo "procedimento eletrônico", mas também a existência de depósitos que indicam a ocorrência da suspensão de exigibilidade do crédito noticiada pelo declarante, ao menos no tocante aos períodos de janeiro e, bem assim, de março a dezembro de 1998. Ora, o pressuposto de fato é parte essencial do motivo que serve de fundamento ao ato administrativo, pois corresponde, precisamente, ao conjunto dc circunstâncias que levaram à prática do ato, dai porque tanto a ausência de motivo quanto a indicação de motivo falso são ambos vícios que invalidam o ato administrativo, aquele por inquinálo de nulidade e este por evidenciar objetivamente a sua improcedência. 40. No caso dos autos, assinala o relator que "a exceção do débito de fevereiro de 1998, todos os demais se encontravam, de fato, com a exigibilidade suspensa por depósitos judiciais" e, ademais disso, conclui que "por ocasião da entrega das DCTF, existia a mencionada ação judicial, 95.00142740, sendo indevida a indicação, no auto de infração, de declaração inexata exclusivamente pela não comprovação do processo judicial". 0 fundamento, portanto, pelo qual a turma consideraria justificável a procedência dos demais lançamentos (a não extinção do crédito tributário ante a realização de depósitos judiciais, ainda que pelo montante integralmente devido), a toda evidência, não inspirou a lavratura do auto de infração em exame. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 10 41. Respeitosamente, entendo que fazer agora tais considerações, no âmbito do processo, e manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser, cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que pertine à descrição e à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993, in verbis: (...). 43. Ademais disso, vejase que, na espécie, mesmo a lavratura de um auto de infração complementar, muito provavelmente, longe de remediar a incorreção contida no feito, até evidenciaria a improcedência do motivo pelo qual o auto de infração original foi lavrado, tão flagrantemente demonstrarse ia o conflito existente entre a razão que norteou o feito original (inexistência de processo judicial e da noticiada suspensão de exigibilidade) e aquela que, aditada complementarmente para aperfeiçoálo, estaria, ao contrário, a dizer que o processo judicial existe, eis que só à vista das balizas objetivas fixadas pelo ato que suspendeu a exigibilidade do credito é que se cogitaria constituílo ex officio com o fito de evitar o seu perecimento, acaso a lide não seja decidida pelo Poder Judiciário antes de transcorrido o prazo decadencial. 44. Com efeito, sabemos todos que, no caso em pauta, o auto de infração foi lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. 0 procedimento in caso totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, além de ser requisito de validade do auto de infração é também elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, e encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo a autoridade julgadora (e sobretudo preparadora) suprilo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da "falta de recolhimento". Ora, a falta de recolhimento, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de ofício efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora (ou mesmo a preparadora), ja no âmbito do processo, fazêlo acertar no que não viu. É dizer, em uma frase não pode o Fisco autuar primeiro o contribuinte para só depois, acaso venha a ser impugnado o lançamento, procederse respectiva fiscalização. 45. Quanto ao lançamento referente ao mês de fevereiro de 1998, não considero o feito prejudicado ante a comprovação da existência do processo judicial informado na DCTF, eis que o depósito não foi realizado no montante integralmente devido e, portanto, subsiste a declaração inexata que motivou o lançamento, já que não se confirma a suspensão de exigibilidade do crédito informada pelo contribuinte. 46. Já quanto aos lançamentos relativos aos demais períodos (janeiro, bem assim março a dezembro de 1998) em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, ante a insubsistência do fato que ensejou, nesta parte, a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros, em tese, os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, do relator e dos demais colegas julgadores que votaram, no ponto, pela procedência do feito, eis que, a meu juizo, sem que o processo possa ser saneado, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.007832/200375 Acórdão n.º 3301002.868 S3C3T1 Fl. 383 11 47. Isto posto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA EM PARTE do lançamento, no sentido de cancelar a exigência de PIS/PASEP, relativa aos meses de janeiro e de março a dezembro de 1998, bem assim respectivas multas lançadas de oficio e juros moratórios, mantendo, todavia, a exigência de PIS/PASEP, concernente ao mês de fevereiro de 1998, bem assim respectiva multa lançada de oficio e juros de mora. Concordo parcialmente com os argumentos expostos na declaração de voto acima transcrita. Isso porque, como muito bem fundamentado pelo referido julgador, restou demonstrado pelo contribuinte em sua impugnação que, na época da apresentação das suas DCTF´s o processo judicial indicado pelo mesmo existia, tendo sido realizado naqueles autos depósitos judiciais tendentes a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Logo, há clara nulidade do auto de infração, que leva necessariamente ao seu cancelamento, visto que a base fática sob a qual se sustentava inexiste. Discordo, contudo, da referida declaração de voto apenas na parte em que conclui que "Quanto ao lançamento referente ao mês de fevereiro de 1998, não considero o feito prejudicado ante a comprovação da existência do processo judicial informado na DCTF, eis que o depósito não foi realizado no montante integralmente devido e, portanto, subsiste a declaração inexata que motivou o lançamento, já que não se confirma a suspensão de exigibilidade do crédito informada pelo contribuinte". Ora, uma vez que o auto de infração em tela fora lavrado sob o fundamento de que haveria "Proc jud não comprovad", e que a existência deste processo restou comprovada pelo contribuinte, não há como se manter a autuação quanto ao período de fevereiro de 1998, sob o fundamento de que o depósito judicial não fora realizado no montante integral devido. Em razão da fundamentação equivocada, o auto de infração apresentase nulo em sua integralidade. É válido mencionar, inclusive, que devese chegarse a tal conclusão até por coerência com os próprios fundamentos constantes da referida declaração de voto, em especial da passagem a seguir transcrita: Ante a nãocomprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer tomou conhecimento e considerou aspectos próprios e inerentes aos lançamentos destinados a prevenir decadência, tais como a existência ou não de depósitos ou provimento judicial que elida a aplicação de penalidade, se houve ou não a conversão cm renda dos mencionados depósitos, se houve trânsito em julgado da ação, etc, e, na mesma esteira, por óbvio, a autoridade lançadora tampouco cientificou o contribuinte desses novos pressupostos. Nesse sentido, uma vez que o auto de infração fora lavrado sob o equivocado fundamento de inexistência de processo judicial, e não pela insuficiência do valor depositado para fins de suspensão do crédito tributário, não há como se manter a autuação sob este segundo fundamento. Caso contrário, haveria claro cerceamento do direito de defesa do contribuinte, ao qual não teria sido oportunizado o direito de se defender sobre tal fundamento. Sobre o assunto, há, inclusive, inúmeras decisões deste Conselho, a exemplo das indicadas a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 12 NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência do processo judicial indicado pelo contribuinte na DCTF (proc jud de outro CNPJ), e o contribuinte demonstra a existência desse processo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. (Processo n. 10183.004152/2003 95, Acórdão n. 3803000.332 publicada em 16/09/2015). *** Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE FALSIDADE DO MOTIVO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, e, inexistindo revisão de lançamento a tempo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. (Processo n. 13976.000003/200238, Acórdão n. 3803006.921 publicada em 18/03/2015). Como se não bastasse, o contribuinte destacou ainda que, no caso concreto em análise, ao contrário do que concluiu a DRJ em Curitiba, quando da lavratura do auto de infração, o crédito tributário em tela não estaria apenas suspenso, em razão do depósito judicial realizado pela mesma no processo judicial em questão, mas extinto face à efetiva conversão em renda dos valores em questão. Nessa ótica, ainda que não se entendesse pela nulidade do auto de infração em epígrafe, a presente demanda possivelmente também não se sustentaria quanto ao seu mérito. Diante de todo o acima exposto, voto por declarar nulo o auto de infração em epígrafe em sua integralidade, diante da ausência de suporte fático para a sua fundamentação (existência de processo judicial devidamente comprovada pelo contribuinte). É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 389DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 14/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11968.000912/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/10/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.720
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 09 12 /2 00 8- 35 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 222 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.848. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 223 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 224 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 225 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 226 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 227 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 228 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 229 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 230 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 231 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000912/200835 Acórdão n.º 9303003.720 CSRF‐T3 Fl. 232 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13971.720546/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO.
Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada, caracterizando relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, na condição de contribuinte. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário. Por maioria de votos, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, em razão de não estar comprovada nos autos a acusação fiscal. Vencidos o Relator e a Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS que davam parcial provimento, para que o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.096.500-0, CFL 68, fosse recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.096.501-9, deveria obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Cleberson Alex Friess Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO. Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada, caracterizando relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, na condição de contribuinte. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário. Por maioria de votos, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, em razão de não estar comprovada nos autos a acusação fiscal. Vencidos o Relator e a Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS que davam parcial provimento, para que o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.096.5000, CFL 68, fosse recalculado, tomando se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 05 46 /2 01 3- 78 Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 2 benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.096.5019, deveria obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Cleberson Alex Friess – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.544 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008. Data de lavratura dos Autos de Infração: 28/03/2013. Data da ciência dos Autos de Infração: 08/04/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.096.5019, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, contratados, porém, por intermédio de interposta pessoa, optante do Simples Nacional, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 694/725. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.096.5000, (CFL 68), decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. De acordo com a Resenha Fiscal, mediante procedimento de auditoria realizada na empresa Autuada IRMÃOS LIPPEL E CIA LTDA, doravante LIPPEL, e na empresa VJG INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, daqui pra frente VJG, esta, optante do regime simplificado de tributação do Simples Nacional, verificouse a ocorrência dos pressupostos da relação de segurado empregado entre os segurados empregados e sócios formalmente registrados na VJG e LIPPEL, ora Autuada, procedendose a apuração da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados, não constante nas folhas de pagamento e não declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP da Autuada. Conforme consignado no Relatório Fiscal, “evidenciase uma situação fática completamente divergente da situação jurídica, existindo uma simulação na contratação de pessoa jurídica, cujos empregados e sócios atuam, na verdade, como empregados da contratante. Por meio dos mesmos verificase uma interdependência econômica e interligação administrativa, com unicidade de comando exercida, na prática, pela família LIPPEL nas empresas, sendo a VJG (optante pelo regime de Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 4 tributação SIMPLES) apenas uma empresa interposta na contratação formal da mão de obra utilizada, efetivamente, em benefício da empresa IRMÃOS LIPPEL, com o principal objetivo de REDUÇÃO DE ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS”. Dos fatos expostos no Relatório Fiscal, concluiu a autoridade lançadora que os sócios administradores da LIPPEL, Guideon LIPPEL, Jonas LIPPEL e Lucas LIPPEL, possuíam verdadeiro interesse jurídico na situação constitutiva do fato gerador do tributo ora em constituição, de onde dessai a Responsabilidade Solidária dessas pessoas pelo adimplemento dos créditos tributários constituídos mediante os Auto de Infração ora em debate, nos termos dos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional, razão pela qual foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, a fls. 727 a 732, dando selhes ciência da lavratura das autuações em apreço, de forma a lhes propiciar o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa (fls. 735 a 738). Os fatos apurados na Ação Fiscal foram objeto de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) por restar configurado, em tese, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, inciso III, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000. Irresignados com o supracitado lançamento tributário, os Sujeitos Passivos principal e solidários ofereceram impugnação administrativa, a fls. 1135/1955. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0647.557 6ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 1957/1991, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. Devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Avisos de Recebimento a fls. 1992/1997, e inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, os Sujeitos Passivos principal e solidários interpuseram Recurso Voluntário em petições distintas acostadas a fls. 1999/2536, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade do Auto de Infração, em razão da capitulação genérica e da falta de motivação que ensejou a Responsabilidade Solidária dos sócios administradores; · Inexistência dos requisitos para a responsabilização passiva solidária dos sócios da autuada e ilegitimidade passiva dos sócios administradores da Autuada; · Que a opção pela terceirização de serviços, mediante a industrialização por encomenda, se deu de forma regular e em plena conformidade com a lei; · Impossibilidade de manutenção do único imóvel de propriedade do Recorrente no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, lavrado no presente Auto de Infração; · Que a empresa Autuada jamais simulou a contratação de pessoa jurídica; · Inexistência de norma antielisiva e impossibilidade de desconsideração de atos e negócios da Pessoa Jurídica; · Incompetência do Auditor Fiscal para reconhecer vínculo empregatício; · Que as Contribuições Previdenciárias já recolhidas na sistemática do Simples Nacional devem ser abatidas do crédito lançado; · Decadência parcial; Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.545 5 · Que deve ser afastada a Taxa SELIC incidente sobre a Multa de Ofício; · Que a Representação Fiscal para Fins Penais só pode ocorrer após proferida a decisão final na Instância administrativa; Falta de motivação a ensejar a qualificação da Multa de Ofício; Ao fim, requerem o afastamento dos sócios administradores do polo passivo da Relação JurídicoTributária em questão, bem como o cancelamento da exigência fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 6 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 15/07/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08/08/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE O Recorrente alega nulidade do Auto de Infração em razão de capitulação genérica e da falta de motivação que ensejou a Responsabilidade Solidária dos sócios administradores. Não. Os itens 62 e seguintes expõe a capitulação específica da responsabilidade solidária das pessoas que tenham interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, assentada no art. 124, I, do CTN. Com efeito, a Fiscalização honrou consignar em seu Relatório Fiscal que “Os sócios administradores ou atuaram, ou tiveram conhecimento de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultaram nas situações que constituíram ou relacionaramse aos fatos geradores dos tributos sonegados, pela utilização intencional e contumaz da VJG como uma empresa interposta na contratação de empregados, de fato, da empresa IRMÃOS LIPPEL”. Os grifos são meus. Dispõe, também, que “Os sócios administradores ou atuaram ou tiveram conhecimento de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultaram nas situações que constituíram ou relacionaramse aos fatos geradores dos tributos sonegados, pela utilização intencional e contumaz da VJG como uma empresa interposta na contratação de empregados, de fato, da empresa IRMÃOS LIPPEL”. Relata ainda que “Os benefícios percebidos pelas pessoas físicas dos sócios administradores são claros no sentido de que os tributos sonegados, indevidamente apropriados pela empresa, contribuíram para seus resultados econômicofinanceiros, e por extensão beneficiandoos, o que revela o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação”. Conforme demonstrado, a Fiscalização descreveu em seu Relatório Fiscal as razões de fato e de Direito específicas que desaguaram na imputação da Responsabilidade Solidária pelo Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.546 7 adimplemento das Contribuições Previdenciárias em tela aos sócios administradores da empresa Autuada, razão pela qual rejeitamos a preliminar de nulidade suscitada pelos Recorrentes. Vencidas as questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega que a empresa Autuada jamais simulou a contratação de pessoa jurídica. Aduz que a opção pela terceirização de serviços, mediante a industrialização por encomenda, se deu de forma regular e em plena conformidade com a lei. Argumenta ainda a inexistência de norma antielisiva e impossibilidade de desconsideração de atos e negócios da Pessoa Jurídica, assim como a incompetência do Auditor Fiscal para reconhecer vínculo empregatício. Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização do vínculo trabalhista de empregado (instituto de Direito do Trabalho), previsto no art. 3º da CLT, mas, sim, da caracterização do vínculo previdenciário de empregado (instituto de Direito Previdenciário) assentado no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, assim como do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores à Autuada. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. (grifos nossos) Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (grifos nossos) a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (grifos nossos) b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, em seguimentos acima rememorados para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.547 9 Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana por pessoa física ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. Não procede, portanto, a alegação de incompetência do Auditor Fiscal para reconhecer vínculo empregatício. Não há qualquer reconhecimento de vínculo empregatício, mas, tão somente, reconhecimento da existência material de vínculo de segurado empregado, prerrogativa privativa contida no portfolio de competências da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo por fundamento o princípio da primazia da realidade dos fatos sobre a forma dos atos. O episódio em pauta configurase num típico caso de terceirização fraudulenta da atividade fim da empresa, na qual a pessoa jurídica cria uma outra empresa sob o seu pleno comando, direção e subordinação, porém, constituída em nome de parentes ou de terceiros, conhecidos coloquialmente como “laranjas”, optante do regime simplificado de tributação do Simples Nacional, para abrigar formalmente o registro trabalhista dos trabalhadores utilizados pela empresa mãe na execução de sua atividade fim, uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 10 pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade, de maneira a se beneficiar indevidamente dos benefícios fiscais atávicos ao Sistema Simplificado previsto na Lei Complementar n° 123/2006. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica para executar a sua atividade fim, porém, na realidade nua dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado são os trabalhadores pessoas físicas formalmente registrados na pessoa jurídica artificialmente contratada, porém, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica à contratante e em caráter intuitu personae. No que pertine à subordinação, tal atributo tem que ser averiguado em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levando se em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o treinador de futebol, Sr. Luiz Felipe Scolari, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo da Seleção Brasileira de futebol de 2014, mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art a Seleção Alemã da copa do Mundo do Brasil do Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.548 11 mesmo ano, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, as provas colhidas pela Fiscalização demonstram que as empresas LIPPEL e VJG eram controladas pela família LIPPEL, ressaltandose a participação simultânea do Sr. Guideon LIPPEL (01/06/2001 a 28/10/2007) e do Sr. Lucas LIPPEL (29/10/2007 a 23/01/2008). A empresa IRMÃOS LIPPEL foi constituída em julho/75 pelos Srs. Vigoldo LIPPEL (66,7%) e Renaldo LIPPEL (33,3%). Em 02/05/1995, conforme 5ª alteração contratual, a localização da empresa passa a ser o atual endereço: rua pitangueira, 733, bairro siegel, Agrolândia/SC. Permanecem o casal Vigoldo LIPPEL (65%) e Érica LIPPEL (15%) e ingressam seus filhos: os Srs. Guideon LIPPEL (10%) e Jonas LIPPEL (10%). Retirase da sociedade o Sr. Renaldo LIPPEL. § Em 10/07/1999, conforme 7ª alteração contratual, retirase da sociedade o Sr. Vigoldo LIPPEL, permanecendo a Sra. Érica LIPPEL (50%) e seus filhos Srs. Guideon LIPPEL (25%) e Jonas LIPPEL (25%). § Em 04/04/2001, conforme item III da 8ª alteração contratual, a participação dos sócios passa a ser: Sra. Érica LIPPEL (50%) e seus filhos Srs. Guideon LIPPEL (9%) e Jonas LIPPEL (41%); · Em 28/08/2001, conforme 9ª alteração contratual, é criada uma filial à rua pitangueira, 311, bairro siegel, Agrolândia/SC. A sociedade passa a adotar como título do estabelecimento: “VJG MÁQUINAS INDUSTRIAIS” (observese que VJG faz referência às letras iniciais dos Srs. Vigoldo, Jonas e Guideon LIPPEL – pai e filhos). · Em 01/07/2002, conforme 10ª alteração contratual, transferese a filial para a rodovia BR 470, 2.420, KM 67, bairro encano do norte, Indaial/SC; · Em 04/10/2002, conforme 11ª alteração contratual, excluise o título: “VJG MÁQUINAS INDUSTRIAIS” da sede da empresa e a filial passa a adotar o título: “GIDO MÁQUINAS”; § Em 29/10/2007, conforme 13ª alteração contratual, extinguese a filial. Retiramse da sociedade a Sra. Érica LIPPEL e seu filho Guideon LIPPEL, permanece o Sr. Jonas LIPPEL (80%) e ingressa o seu irmão Lucas LIPPEL (20%). § Em 03/07/2008, conforme 14ª alteração contratual, Retirase da sociedade o sr. Lucas LIPPEL, permanece o Sr. Jonas LIPPEL (50%) e reingressa seu irmão, Sr. Guideon LIPPEL (50%). § Em 31/10/2008, conforme 15ª alteração contratual, permanecem os irmãos: Srs. Jonas LIPPEL (49%) e Guideon LIPPEL (49%) e reingressa o pai: Sr. Vigoldo LIPPEL (2%). A empresa VJG INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi constituída em 01/06/2001 pelo Sr. Guideon LIPPEL (90%) também sócio (9%) da empresa IRMÃO LIPPEL e pelo seu irmão Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 12 Sr. Lucas LIPPEL (10%) na época menor de idade e representado por seu pai Sr. Vigoldo LIPPEL , com capital social irrisório de R$ 15.000,00. · Em 24/01/2008, conforme 2ª alteração contratual, permanece na sociedade o Sr. Guideon LIPPEL (98%), retirase seu irmão o Sr. Lucas LIPPEL e ingressa o Sr. Samuel Zilse (2%), que era empregado da empresa. · Em 03/07/2008, 3ª alteração contratual, permanece na sociedade o Sr. Samuel Zilse (2%), retirase o Sr. Guideon LIPPEL e ingressa seu irmão o Sr. Lucas LIPPEL (98%); · Em 13/03/2009, conforme 4ª alteração contratual, o objeto social passa a ser: “comércio atacadista, manutenção, reforma e fabricação de peças e equipamentos industriais, e industrialização por encomenda de equipamentos industriais; e serviços especializados de apoio administrativo, como a preparação de documentos diversos”; · Em 13/03/2009, conforme 5ª alteração contratual, permanece na sociedade o Sr. Samuel Zilse (2%), retirase o Sr. Lucas LIPPEL e ingressa a Sra. Odineia Ferreira Soares (98%), cônjuge do Sr. Guideon LIPPEL; · Em 01/07/2010, conforme 6ª alteração contratual, permanece na sociedade a Sra. Odineia Ferreira Soares (98%), retirase o Sr. Samuel Zilse e reingressa o Sr. Lucas LIPPEL (2%). O quadro a fl. 720 demonstra, com precisão, o controle societário integral das empresas LIPPEL e VJG pelos membros da Família LIPPEL, ressaltandose: (i) a participação simultânea do Sr. Guideon LIPPEL no período (01/06/2001 a 28/10/2007) e do Sr. Lucas LIPPEL no período (29/10/2007 a 23/01/2008); (ii) a adoção, posteriormente à constituição da empresa VJG INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no período de 28/08/2001 a 04/10/2002, do título do estabelecimento “VJG MÁQUINAS INDUSTRIAIS” pela empresa IRMÃOS LIPPEL & CIA LTDA; (iii) a troca de participação societária, em 07/07/2008, entre os irmãos Srs. Guideon LIPPEL e Lucas LIPPEL, ou seja, aquele retorna para a empresa IRMÃOS LIPPEL e este para a empresa VJG e (iv) a participação, a partir de 16/06/2009, da Sra. Odineia Ferreira Soares (98%), cônjuge do Sr. Guideon LIPPEL. Merece destaque a atuação do Sr. Samuel Zilse, constantemente figurando como empregado da LIPPEL, ora empregado da VJG, ora figurando como sócio administrador na empresa VJG, bem como as várias procurações outorgadas pelas empresas LIPPEL e VJG conferindolhe amplos poderes administrativos, evidenciando a efetiva interligação de tais empresas, conforme quadro demonstrativo a fls. 703/704. Conforme verificação física levada a cabo pela Fiscalização, as empresas compartilham as mesmas instalações industriais, as quais são de propriedade da empresa IRMÃOS LIPPEL, sendo que Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.549 13 o endereço da empresa VJG corresponde a um acesso lateral das instalações da empresa IRMÃOS LIPPEL, conforme ilustrado a fls. 705/706. Do exame das informações declaradas pelas empresas LIPPEL e VJG em suas GFIP, a Fiscalização apurou que partir da constituição da empresa VJG (optante pelo SIMPLES), em 01/06/2001, a empresa IRMÃOS LIPPEL passou a demitir, sem justa causa, vários empregados dos seus quadros, os quais, logo em seguida, foram admitidos pela empresa VJG, revelando, insofismavelmente, uma efetiva e real transferência dos trabalhadores da LIPPEL para a VJG, conforme ilustrado no Quadro a fls. 707/708. Em realidade, dos 53 empregados da empresa VJG informados na sua GFIP do mês 12/2001, 37 (70%) eram exempregados da empresa IRMÃOS LIPPEL. Deve ser destacado que nas petições iniciais das ações trabalhistas nº 1086/02; 1462/03 e 00453200604812004 , ajuizadas na Vara do Trabalho de Rio do Sul/SC, em face das empresas IRMÃOS LIPPEL e VJG, os autores, respectivamente, Aristiliano Waltrick Bennert, Claudemir Maververk e Ademir Oscar Koch afirmam terem sido contratados inicialmente pela empresa IRMÃOS LIPPEL e posteriormente pela empresa VJG, porém asseveram que sempre mantiveram as mesmas condições de trabalho, sem solução de continuidade, laborando no mesmo local, nas mesmas funções e sob o comando das mesmas pessoas. Os depoimentos do autor e das testemunhas da Ação Trabalhista de nº 1462/03 do Sr. Claudemir Maververk corroboram os dados apresentados na tabela a fls. 707/708, e evidenciam que a empresa VJG, optante pelo SIMPLES, houvese por constituída com único objetivo de redução dos encargos previdenciários, em flagrante desrespeito à legislação vigente. O Quadro demonstrativo a fl. 709 bem demonstra que, a partir do ano de 2001, quando da constituição da empresa VJG, optante pelo Simples Nacional, a empresa IRMÃOS LIPPEL, tributada pelo Lucro Real, sofreu significativa redução de despesas com empregados, de 0,52% a 2,83% da Receita Bruta, de 2002 a 2011, apesar do aumento significativo de 730% do seu faturamento. Em contrapartida, a empresa VJG, prestadora de serviços para a empresa IRMÃOS LIPPEL, apresentou no mesmo período índices bem superiores de despesas com empregados, de 69% a 99% do seu faturamento, demonstrando claramente que a VJG era utilizada para concentrar as despesas com mão de obra utilizada na produção enquanto que a LIPPEL registrava o faturamento proveniente da comercialização dos produtos. Extraise do Quadro Demonstrativo a fl. 709 que a receita bruta anual da VJG jamais ultrapassou o limite de R$ 2.200.000,00 , sob pena de se ver excluída da sistemática do Simples Nacional, e, assim, jogar por terra todo o esquema fraudulento arquitetado. Notese que no exercício de 2010 a VJG comprometeu 99,29 % do seu faturamento com as despesas de pessoal, uma vez que a receita bruta anual não poderia ultrapassar o limite anual de 2,4 milhões de reais. Coincidentemente, com a publicação da Lei Complementar nº 139/2011, que alterou o limite anual para 3,6 milhões, a VJG, já no mesmo exercício de 2011, registrou receita bruta de R$ 3.027.493,11 e o percentual de despesas com empregados despencou para 85%. Deflui do Quadro Ilustrativo a fl. 709 que a administração do grupo econômico em tela manipulava contabilmente o faturamento e as despesas com pessoal da VJG, de molde a mantêlos nos Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 14 lindes do Simples Nacional, com a evidente finalidade de reduzir os encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados. A Fiscalização apurou que o faturamento da empresa VJG, no período de 2007 a 2011, é resultante da prestação de SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO, quase que exclusivamente para a empresa IRMÃOS LIPPEL, vinculados diretamente à sua atividade fim, utilizandose das instalações, máquinas e equipamentos de propriedade da empresa IRMÃOS LIPPEL. Apesar de formalmente intimadas, as empresas IRMÃOS LIPPEL e VJG não apresentaram os contratos de prestação de serviços supostamente celebrados entre elas. A tabela a fl. 710 revela que no período de apuração do presente lançamento os serviços prestados pela VJG à LIPPEL corresponderam a 98,6 % do faturamento. Do exame das notas fiscais emitidas pelas empresas, referentes as prestações de serviços, a Fiscalização concluiu que a empresa IRMÃOS LIPPEL adquire a matériaprima e remete para a empresa VJG, a qual, por sua vez, realiza o serviço de industrialização e retorna o produto acabado para ser comercializado por aquela. Tudo isso sem sair do mesmo local físico, eis que ambas as empresas ocupam o mesmo galpão, que é de propriedade da LIPPEL. As operações de remessa e retorno de mercadorias entre as empresas são fictícias, meramente contábeis, uma vez que estas empresas compartilham as mesmas instalações. Avulta das contingências apontadas que a empresa VJG, optante pelo SIMPLES NACIONAL, concentra o custo da mão de obra e a empresa IRMÃOS LIPPEL, tributada pelo Lucro Real, concentra os outros custos de produção e as receitas com a comercialização dos produtos. Tal ilação é corroborada pelos depoimentos das rés (IRMÃOS LIPPEL e VJG) no Termo de Audiência da Ação trabalhista de nº 1462/03, movida pelo Sr. Claudemir Maveverk, a fls. 203/206. LIPPEL: “que a primeira ré alugou o prédio e maquinários para a segunda ré, por volta de 2001, sendo que a partir desta data apenas a segunda ré deu seguimento ao empreendimento, sendo que a primeira ré compra os serviços da segunda ré e os comercializa”. VJG: “que a primeira ré terceirizou toda a parte de produção, que passou a ser encargo da segunda ré, ficando apenas a parte comercial para a primeira ré, que encomenda os produtos e fornece matéria prima à segunda ré e vende ditos produtos; os galpões são alugados pela segunda ré e o maquinário é através de contrato de comodato com esta”. Autor: “que não houve solução de continuidade do vínculo de emprego, já que trabalhou para a primeira ré, que mudou de denominação social, até a saída em 01.10.2003; sempre trabalhou na mesma atividade, como operador de empilhadeira; anotava corretamente os horários nos cartões de ponto, tendo assinado o documento de fl. 110, embora seja analfabeto.” Dos extratos bancários apresentados, contabilizados pelas empresas, a Fiscalização constatou que a IRMÃOS LIPPEL e VJG mantêm contas correntes na mesma agência nº 36331 do Banco do Brasil S/A. A análise desses extratos demonstra que as despesas com as folhas de pagamentos dos empregados registrados na empresa VJG, dentre outras, eram, de fato, pagas pela empresa IRMÃOS LIPPEL, utilizandose de transferências online entre suas contas correntes, conforme exposto nos extratos bancários a fls. 368/421, onde se verifica que tais transferências online, realizadas Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.550 15 mensalmente, da conta corrente (2063X) da empresa IRMÃOS LIPPEL para a conta corrente (93270) da empresa VJG, em datas coincidentes com as do pagamento dos salários da VJG. Observese que o número do documento (553633000002063), constante nos extratos, identifica o código da operação referente à transferência online (55) e os números da agência (3633) e da conta corrente (2063) de origem das transferências. Avulta, mais uma vez, a manipulação do faturamento da VJG, de molde a não ultrapassar os limites de receita bruta necessários à sua manutenção no Simples Nacional. O Quadro Demonstrativo a fls. 711/712 arrola os cargos/funções e respectivos códigos da Classificação Brasileira de Ocupações – CBO dos empregados da empresa VJG, constantes em suas folhas de pagamentos, no período de 01/2008 a 12/2011. O exame dos LTCAT de 2008 a 2011, a fls. 422/494, apresentados pelas empresas revelam que a descrição física dos locais de trabalho do escritório, usinagem e montagem são idênticos, evidenciando que os empregados dessas empresas compartilham das mesmas instalações, conforme verificado in loco pela Fiscalização. Além disso, a descrição das atividades desenvolvidas pelos empregados da empresa VJG nos vários setores (escritório, usinagem, montagem, corte e dobra, pintura e jato de abrasivo) não deixam dúvidas de que os serviços prestados por estes empregados estão diretamente vinculados à ATIVIDADE FIM da empresa IRMÃOS LIPPEL: “Indústria e comércio varejista de máquinas industriais e jato de granalha, comércio varejista de materiais mecânicos e industriais, compra, venda, manutenção, reforma e fabricação de equipamentos industriais, fabricação de máquinas e equipamentos para os setores de reciclagem e florestal, industrialização por encomenda de equipamentos industriais, importação e exportação”, caracterizandose, portanto, uma terceirização ilegal, a teor do Enunciado 331 do TST, e, consequentemente, formandose o vínculo empregatício dos trabalhadores da empresa VJG diretamente coma a empresa IRMÃOS LIPPEL. Tal fato demonstra, ainda, a não eventualidade dos serviços prestados pelos trabalhadores formalmente registrados na VJG à LIPPEL. Os Balanços Patrimoniais e as relações dos bens apresentadas pelas empresas demonstram que as instalações, máquinas e equipamentos utilizados pelos empregados da VJG nos vários setores administração, usinagem, montagem, pintura, jato de granalha, corte e dobra e almoxarifado , bem como nas várias etapas do processo de industrialização, pertencem a empresa IRMÃOS LIPPEL, devendo ser ressaltado que não foram apresentados contratos de aluguéis ou de comodato entre as empresas, bem como também não se verificaram quaisquer lançamentos contábeis referentes a aluguéis de instalações, máquinas e equipamentos entre as empresas. Além das procurações outorgadas pelas empresas para o Sr. Samuel Zilse, já abordadas alhures, a Fiscalização apurou a existência de procurações outorgadas pela empresa VJG, em 08/03/2006 e 31/05/2011, para a Sra. Mara Daiane Marangoni, empregada (coordenadora administrativa financeira) da empresa IRMÃOS LIPPEL desde 18/02/2002, conferindolhe poderes administrativos e constituindo se, portanto, em mais uma evidência da interligação administrativa e gerencial das empresas. Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 16 Merece ser ressaltado que, para fins tributários, considerase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a (a) impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; (b) excluir a ocorrência do fato gerador; ou (c) modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a (i) reduzir o montante do tributo devido; (ii) evitar o seu pagamento ou (iii) diferir o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude tributária se materializa, portanto, pelo emprego de ardis e estratagemas visando a ludibriar o Fisco, induzindoo a erro a respeito das reais características dos fatos jurídicos ocorridos, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Por outro viés, na simulação o ato jurídico é deliberadamente dissimulado, a fim de representar externamente perante terceiros uma outra realidade que não aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum resultado econômico favorável. Assim, haverá simulação nos atos jurídicos quando estes contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula sabidamente não verdadeira; Na definição de Clóvis Beviláqua, citado por Silvio Rodrigues (in Direito Civil Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”. Segundo Orlando Gomes (in Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro : Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros". A simulação, em resumo, consubstanciase numa deformação voluntária do ato jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei, consistente num desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente pretendida, e a formalmente declarada no ato simulado. O ato jurídico simulado ostenta formalmente uma aparência diversa do efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade, não intencionam nem desejam. A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico, considera serem simulados e passíveis de desconsideração pelo Fisco os atos e os negócios jurídicos praticados pelas partes com a intenção de enganar, ocultar, iludir, dificultar ou até mesmo tornar impossível a atuação fiscal. A simulação, portanto, traduzse pela falta de correspondência entre o ato praticado e o formalizado, encerrando uma declaração enganosa visando a produzir efeito diverso do fato ocorrido. Sobre as dificuldades da comprovação de simulação, que devem ser levadas em conta na análise das provas coletadas pelas autoridades fiscais, cabe lembrar os ensinamentos de GALVÃO TELLES (in Manual dos contratos em geral, 3ª ed., Lisboa, 1995, pag. 172174) “Em regra, porém, dado que os simuladores procuram furtarse a olhares indiscretos e dado que as contra declarações são entre nós pouco utilizadas, não existe prova direta da simulação. Esta terá de provarse indiretamente, através de presunções. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.551 17 A simulação deixa quase sempre vestígio que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou índices do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico. Pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas ou documentos, o interessado provará esses fatos ou circunstâncias e, conjugandoos e apreciandoos segundo o seu prudente critério, o tribunal formará juízo. A simulação representa um esforço de construção artificial, distanciada e deformadora da realidade, e raras vezes essa construção será um todo lógico e coerente, que forma cobertura completa dos fatos. A verdade vem à superfície e denunciase através de brechas daquela construção. Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente convincentes se se tornar aparente um motivo simulatório. Por exemplo, alguém que está crivado de dívidas e com ameaças de execuções, declara vender a um parente próximo a maior parte dos seus bens, mas continua na posse deles e a satisfazer os respectivos encargos e cobrar os respectivos rendimentos; as circunstâncias são suspeitas, e o motivo simulatório ou causa simulandi está à vista, é o intuito de fraudar os credores”. Como visto, a fraude e a simulação deixam quase sempre rastros e vestígios que as denunciam: produzem fatos, atos e circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou indícios do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico fraudulento ou simulado. Em razão de tal acobertamento, tais defeitos da vontade declarada têm que ser provados através do conjunto de indícios e evidências que as operações realizadas na execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas, documentos, a experiência, etc., a Fiscalização reúne os meios de prova relativos a esses fatos, indícios ou circunstâncias, e o Julgador, apreciandoos segundo o seu livre convencimento e prudente critério, conjugandoos com os fins pretendidos pelo Increpado, forma o seu juízo de convicção. Da análise conjunta dos fatos ora apresentados, a Fiscalização constatou a existência de uma situação fática completamente divergente da situação jurídica, existindo uma simulação na contratação de pessoa jurídica VJG, optante do Simples Nacional, cujos empregados e sócios atuam, na verdade, como empregados da LIPPEL. Com efeito, da análise das provas dos autos, exsurge, de maneira nítida e clara, a ocorrência de simulação, na exata medida em que o Contribuinte, mediante ato volitivo e consciente, simulou a prestação de serviços de industrialização por encomenda pela VJG à LIPPEL, com a finalidade de encobrir a relação previdenciária de segurado empregado existente, na realidade nua dos fatos, entre a Autuada e os trabalhadores formalmente registrados na interposta pessoa, visando, tão somente, à redução dos encargos trabalhistas e previdenciários. Os fatos revelam uma intensa interdependência econômica e interligação administrativa e gerencial, com unicidade de comando exercida, na prática, pela família Lippel em ambas as empresas, sendo a VJG, optante pelo regime de tributação SIMPLES NACIONAL, apenas uma empresa interposta na contratação formal da mão de obra utilizada, efetivamente, em benefício das empresas do grupo econômico de fato capitaneado pela IRMÃOS LIPPEL, com o principal objetivo de REDUÇÃO DE ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS. Exsurge das provas dos autos que a Autuada LIPPEL utilizouse da empresa VJG, optante do Simples Nacional, como interposta pessoa, com a finalidade de acobertar, sob aparente manto Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 18 de legalidade, a mão de obra por ela utilizada na execução de sua atividade fim, com significativa redução de encargos previdenciários decorrentes da opção pelo regime tributário simplificado acima citado, circunstância que demonstra e comprova o elemento volitivo do Recorrente de suprimir/reduzir tributo, mediante a omissão de informações à administração fazendária, pela não declaração dessas operações nas GFIP, impedindo a Autoridade Fazendária de ter conhecimento da ocorrência de fatos geradores de Contribuições Previdenciárias. A fraude se manifesta na volitiva e consciente utilização de Pessoa Jurídica optante do SIMPLES, para abrigar, como interposta pessoa, o registro trabalhista formal de trabalhadores visando a intermediar a mão de obra utilizada na execução das tarefas inerentes à atividade econômica da Autuada, com vistas a reduzir a sua carga tributária. Reforça a caracterização da fraude a volitiva e consciente manipulação do faturamento da empresa VJG, de molde a mantêla nos lindes possíveis de permanência no regime simplificado do Simples Nacional, e nessa condição abrigar o registro formal dos contratos de trabalho dos empregados utilizados na execução das atividades fins da LIPPEL, de maneira a se beneficiar do regime simplificado previsto na Lei Complementar n° 123/2006, impedindo, dessa maneira, na órbita jurídica da Autuada, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visando a reduzir o montante do tributo devido pelo empreendimento econômico. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Estivessem devidamente registrados nos livros da VJG os reais custos de produção e o efetivo faturamento, tal empresa não poderia se beneficiar das benesses fiscais oferecidas pelo Simples Nacional, e o grupo econômico ora em trato teria que arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais obreiros, na forma prevista na Lei nº 8.212/91 e nas demais leis de regência. De outro canto, estando tais operários registrados, mediante vínculo formal de emprego, em empresa optante do Simples Nacional, não se observa a ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias previstos na Lei nº 8.212/91, uma vez que, na sistemática do Simples Nacional, a tributação não incide sobre a folha de pagamento, mas, sim, sobre a receita bruta anual, esta devidamente manipulada, independentemente do quantitativo, da qualificação legal ou da remuneração dos trabalhadores a ela vinculados. Conforme demonstrado anteriormente, a partir das provas coligidas, mediante o controle adequado dos registros contábeis de receitas e despesas, manipulouse o faturamento anual da empresa interposta, de molde a mantêla nos limites de enquadramento do Simples Nacional, sendo descarregado em seus Livros de Registro de Empregados os contratados de trabalho dos obreiros utilizados na execução da atividade fim da LIPPEL, assim como, em seus livros fiscais, os custos de mão de obra, para que, dessa forma, a empresa não optante, e efetiva consumidora da mão de obra acima referida, se mantivesse a salvo da tributação previdenciária incidente sobre o montante das remunerações pagas aos segurados em foco. Reforça a compreensão acerca da existência de fraude o fato de a empresa interposta existir, tão somente, no plano formal, em nome de parentes da Família Lippel, os verdadeiros donos do empreendimento econômico em tela, sem autonomia administrativa, financeira, patrimonial e operacional, em total dependência da Autuada, procedimento que demonstra o cuidado da Recorrente de buscar conferir, artificialmente, um falacioso ar de total independência jurídica e econômica entre tais Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.552 19 empresas, como se fossem unidades empresariais totalmente autônomas e independentes, assumindo fantasiosamente, cada uma, o risco da atividade econômica, o que de fato não ocorre no caso em tela. Por via de tal conduta, visou a Autuada induzir o Fisco a erro mediante o artifício da celebração de atos jurídicos formais, porém divorciados da realidade dos fatos, mas aptos a conferir uma sofismática aparência de legalidade às operações levadas a efeito no seio do empreendimento em xeque, encobrindo, dessarte, as circunstâncias materiais de Fatos Jurígenos Tributários que implicariam a incidência das obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social, bem como a responsabilidade tributária da Autuada pelo seu adimplemento. Colimou a Autuada, mediante tal ardil, afastar das dependências do empreendimento em realce os auditores fiscais da RFB, pela compreensão de “empresa que aparentemente nada deve ao Fisco, por este não é fiscalizada in loco”. As operações fraudulentas levadas a efeito pela Autuada configuramse, coloquialmente falando, como verdadeiros “estelionatos tributários”, uma vez que tem por objetivo obter vantagem ilícita, consistente na redução indevida da tributação previdenciária, em prejuízo da Seguridade Social, induzindo o Fisco Federal em erro, mediante a utilização de mão de obra formalmente registrada em empresa optante do Simples Nacional para a execução das tarefas inerentes à atividade empresarial de empresa não optante. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se manipular, volitiva e conscientemente, o faturamento da VJG, de molde a mantêla nos limites legais de opção pelo Simples Nacional, a Autuada impediu o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária das reais condições pessoais das empresas acima citadas, afetando assim a obrigação tributária principal bem como o Crédito Tributário correspondente. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por outro lado, ao proceder ao registro formal dos trabalhadores utilizados na execução de sua atividade fim em empresa distinta, a VJG, optante do Simples Nacional, a LIPPEL volitiva e conscientemente excluiu da Autoridade Fazendária o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores previstos na Lei nº 8.212/91, de sua responsabilidade tributária, eis que tais fatos jurígenos tributários deixaram de ser declarados ao Fisco em suas GFIP, além de restarem omitidos nas respectivas Folhas de Pagamento e nos títulos próprios da contabilidade. Assim, estando as empresas LIPPEL e VJG mancomunadas no fim específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 20 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude, da sonegação e do conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, circunstâncias que implicam a incidência da multa de ofício qualificada, nas competências regidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.48/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Não procede, portanto, a alegação de falta de motivação a ensejar a qualificação da Multa de Ofício. Os diversos fatos narrados no Relatório Fiscal, quando apreciados em seu conjunto, bem demonstram que a empresa VJG e, consequentemente, todos os seus empregados e sócios, estão diretamente subordinados à empresa IRMÃOS LIPPEL, destacandose as atividades vinculadas diretamente a atividade fim, as transferências dos empregados entre as empresas, as Procurações outorgadas, a interligação administrativa através de seus sócios, a dependência econômica entre as empresas, a manipulação de faturamento, a propriedade de todos os meios de produção, etc. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado e de dispensa do trabalhador, mesmo sem justa causa. Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.553 21 A jornada de trabalho é diária, definida pela LIPPEL, sendo controlada por meio de cartõesponto. O trabalho é prestado nas dependências da empresa contratante. É definido por turnos, com horários certos de entrada e saída. A Fiscalização apurou que os trabalhadores registrados na VJG possuem em comum características que deixam claro que a pessoa jurídica em tela houvese por constituída, tão somente, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pela LIPPEL, visando a excluirse dos encargos tributários e trabalhistas previstos na legislação federal. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Registrese que a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade dos serviços prestados. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de os trabalhadores serem admitidos pessoalmente por meio de um contrato de trabalho, ainda que formalizados registrados nos LRE da empresa interposta VJG. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que os serviços prestados por tais trabalhadores à Autuada ostentam natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da empresa Autuada que, além do encargo de captar clientes para a compra de seus produtos, contrata e remunera trabalhadores para a produção daquilo que vende, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos produtos vendidos, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Recorrente se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 22 A onerosidade, por derradeiro, foi devidamente comprovada pela Fiscalização. Com efeito, tais trabalhadores são remunerados mensalmente e constam nas folhas de pagamento da VJG, ainda que a formalização dos vínculos empregatícios aconteça por intermédio da interposta pessoa. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). Não procede, portanto, a alegação de que a opção pela terceirização de serviços, mediante a industrialização por encomenda, se deu de forma regular e em plena conformidade com a lei. As provas e circunstâncias do caso revelam que a “industrialização por encomenda” não passou de mera simulação, visando a encobrir a real e efetiva relação jurídica de segurado empregado existente entre a LIPPEL e os trabalhadores utilizados na execução de todas as operações ligadas à sua atividade fim, mediante a prestação de serviços remunerados de natureza não eventual por pessoa física à empresa e sob total subordinação a esta, tendo por finalidade a redução drástica dos encargos previdenciários. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.554 23 pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre a Autuada e as pessoas físicas dos trabalhadores formalmente registrados nos LRE da VJG, importando na submissão do Contratante – LIPPEL e tais obreiros, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 24 Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.555 25 DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 26 de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.556 27 No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica da empresa interposta. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem necessidade, no entanto, de desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. Não procede, portanto, a alegação de inexistência de norma antielisiva e de impossibilidade de desconsideração de atos e negócios da Pessoa Jurídica. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela Recorrente para o atendimento de demandas contínuas e múltiplas inerentes à sua atividade fim e ao desempenho satisfatório do seu objeto social. Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 28 A fraude se deu, portanto, pela criação de Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional visando unicamente a albergar a mão de obra utilizada pela Autuada, tributada pelo Lucro Real, na execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado da LIPPEL com tais trabalhadores, restando presentes, todavia, entre tais obreiros e a Autuada, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Não procede, portanto, a alegação de que a empresa Autuada jamais simulou a contratação de pessoa jurídica. 3.2. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.557 29 II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN expressamente estatuiu que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. As provas acostadas aos autos e as circunstâncias descritas nos Relatórios Fiscais que compõem o lançamento não deixam dúvidas de que a empresa VJG, integrante do Grupo Econômico de Fato constatado pela Fiscalização, não possuía autonomia administrativa, financeira, patrimonial e operacional, sendo totalmente dependente da empresa Autuada, havendo sido constituída por esta, tão somente, para abrigar mão de obra utilizada na área operacional do grupo. Assim, mediante a simulação de “industrialização por encomenda”, passou então a figurar como contribuinte de direito, concentrando a responsabilidade tributária direta por toda a sorte de fatos geradores de contribuições previdenciárias, com o sinistro intuito de se aproveitar, irregularmente, dos benefícios fiscais do Simples Nacional, concedidos por lei apenas às Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. A Fiscalização demonstrou que os sócios administradores do empreendimento atuaram de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas os atos que resultaram nas situações constitutivas dos fatos geradores dos tributos sonegados, pela utilização intencional e contumaz da VJG como uma empresa interposta na contratação de empregados, de fato, da empresa IRMÃOS LIPPEL. Os benefícios percebidos pelas pessoas físicas dos sócios administradores são claros no sentido de que os tributos sonegados, indevidamente apropriados pela empresa, contribuíram para seus resultados econômicofinanceiros, e por extensão beneficiandoos, o que revela o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação”. As provas constantes dos autos são eloquentes, precisas e convergentes. Eloquentes, porque revelam, de maneira detalhada, todo o mecanismo arquitetado pelos seus idealizadores para a consecução dos fins pretendidos, consubstanciados no proveito das pessoas ora arroladas, em detrimento da arrecadação tributária; Precisas, porque delas avulta, de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial dos donos da empresa LIPPEL na condução das operações representativas de fatos geradores de contribuições previdenciárias e na direção da empresa interposta VJG, como seus verdadeiros donos e controladores; e são convergentes porque todas as provas documentais, depoimentos e indícios conduzem a essa mesma ilação. Do exame da documentação coligida aos autos pela fiscalização, ante todos os elementos de prova então presentes, avulta existir entre a empresa autuada, a empresa interposta e os sócios Guideon Lippel, Jonas Lippel e Lucas Lippel não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um verdadeiro interesse jurídico, haja vista que as empresas mencionadas e os sócios arrolados pela fiscalização envidaram esforços significativos na atividade empresarial comum do grupo, e na realização da situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste lançamento, de onde se extrai a solidariedade entre eles, por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 30 Nessas circunstâncias, são solidárias as pessoas que realizaram conjuntamente a situação que constitui o fato gerador, ou as que, em comum com outras pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a efetiva subsunção do caso concreto à hipótese genérica e abstrata abrigada no inciso I do art. 124 do CTN, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre as pessoas que tenham interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal lançada, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face de qualquer uma dessas pessoas, individualizadamente, ou em desfavor de todas as pessoas em foco, conjuntamente, sendo certo que o pagamento efetuado por uma aproveitam os demais. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do responsável tributário a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito, que não estejam previstas em lei. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse o lançamento primeiramente em face do contribuinte e, subsidiariamente, em face do devedor solidário, configurarse ia como um contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência ao preceito inscrito no Parágrafo Único do art. 124 do CTN, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.558 31 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 32 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. Não procede, portanto, a alegação de inexistência de requisitos para a responsabilização passiva solidária dos sócios da autuada, tampouco a de ilegitimidade passiva dos sócios administradores da LIPPEL. 3.3. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.559 33 relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 34 exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realiza se sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.560 35 o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre, irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 36 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.561 37 avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, diga se, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2007tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2009, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2013, inclusive. No que pertine à homologação tácita do Crédito Tributário, o §4º, in fine, do art. 150 do CTN é de precisão cirúrgica ao dispor que “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 38 pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Ocorre, todavia, que a Fiscalização logrou demonstrar que no período de apuração do Crédito Tributário objeto do vertente lançamento, houveramse por presentes os elementos objetivos e subjetivos das condutas tipificadas legalmente como fraude e sonegação tributárias, nos termos dos artigos 72 da Lei nº 4.502/64 e 337A, III, do Código Penal. Por tal razão, em virtude de os fatos apurados na Ação Fiscal configurarem, em tese, Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000, houvese por lavrada a competente REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. De outro giro, a mera comprovação da existência dos elementos objetivos e subjetivos da conduta de fraude tributária afasta, de per se, peremptoriamente, a homologação tácita do Crédito Tributário, de maneira que o Direito Potestativo do Fisco de constituir o Crédito Tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a dezembro/2008 se sujeita, unicamente, ao regime jurídico encartado no inciso I do art. 173 do CTN. A fraude dolosa se deu, portanto, pela volitiva e consciente utilização de Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional visando unicamente a albergar a mão de obra utilizada pela Autuada na execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado existente entre a LIPPEL e tais trabalhadores, visando a impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal nas ordens de responsabilidade da Recorrente, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento, restando presentes, todavia, entre tais obreiros e a Autuada, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. Com efeito, através do artifício ardiloso de se constituir Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional, para nesta registrar os vínculos trabalhistas formais dos trabalhadores utilizados, com exclusividade quase integral, na execução da atividade fim da LIPPEL, a Autuada, fraudulentamente, modificou as características essenciais do fato gerador, impedindo que este viesse a ocorrer na sua órbita de responsabilidade, mas, sim, na esfera de abrangência da interposta pessoa, fato que resultou na substancial redução do tributo devido, graças às benesses fiscais aviadas na Lei Complementar n° 123/2006. Mediante tal conduta, o Autuado ardilosamente omitiu fatos geradores de contribuições previdenciárias da sua contabilidade, da sua folha de pagamento e também das suas GFIP, ao mesmo tempo em que omitiu segurados obrigatórios do RGPS das folhas de pagamento e das GFIP também. Nestes casos, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Além disso, da análise das provas dos autos, exsurge, de maneira nítida e clara, também a existência de simulação, na medida em que o Contribuinte, mediante ato volitivo e consciente, simulou a prestação de serviços de industrialização por encomenda pela VJG à LIPPEL, com a finalidade de encobrir a relação previdenciária de segurado empregado existente, na realidade nua dos fatos, entre a Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.562 39 Autuada e os trabalhadores formalmente registrados na interposta pessoa, visando, tão somente, à redução dos encargos trabalhistas e previdenciários. Assim, a constatação da efetiva ocorrência de fraude e simulação afasta da espécie em exame a ocorrência de homologação tácita do crédito tributário, por determinação expressa do preceito inscrito no §4º, in fine, do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos nossos) Tal entendimento encontrase plasmado na Súmula nº 72 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Nesse contexto, assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência do Auto de Infração em debate realizada aos 08 dias do mês de abril de 2013, os efeitos do lançamento em questão alcançarão, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/2007, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 01/01/2008 a 31/12/2008, não demanda áurea mestria concluir que todas as Obrigações Tributárias objeto do vertente lançamento decorrem de fatos geradores ocorridos em competências ainda não fulminadas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, I, do CTN, permanecendo hígido o direito do Fisco de constituir o Crédito Tributário deles decorrente. 3.4. DO TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS O Recorrente alega a impossibilidade de manutenção do único imóvel de propriedade do Recorrente no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, lavrado no presente Auto de Infração. Por certo, a apreciação de questões dessa estirpe escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 40 primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Merece ser rememorado, entretanto, que o procedimento fiscal de arrolamento de bens decorre diretamente de obrigação aviada no art. 64 da Lei nº 9.532/97, configurandose como dever funcional da Autoridade Fiscal. Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 64. A autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. §1o No arrolamento, devem ser identificados também os bens e direitos: (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) I em nome do cônjuge, desde que não comunicáveis na forma da lei, se o crédito tributário for formalizado contra pessoa física; ou (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) II em nome dos responsáveis tributários de que trata o art. 135 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §2º Na falta de outros elementos indicativos, considerase patrimônio conhecido, o valor constante da última declaração de rendimentos apresentada. §3º A partir da data da notificação do ato de arrolamento, mediante entrega de cópia do respectivo termo, o proprietário dos bens e direitos arrolados, ao transferilos, alienálos ou onerálos, deve comunicar o fato à unidade do órgão fazendário que jurisdiciona o domicílio tributário do sujeito passivo. §4º A alienação, oneração ou transferência, a qualquer título, dos bens e direitos arrolados, sem o cumprimento da formalidade prevista no parágrafo anterior, autoriza o requerimento de medida cautelar fiscal contra o sujeito passivo. §5º O termo de arrolamento de que trata este artigo será registrado independentemente de pagamento de custas ou emolumentos: I no competente registro imobiliário, relativamente aos bens imóveis; II nos órgãos ou entidades, onde, por força de lei, os bens móveis ou direitos sejam registrados ou controlados; III no Cartório de Títulos e Documentos e Registros Especiais do domicílio tributário do sujeito passivo, relativamente aos demais bens e direitos. §6º As certidões de regularidade fiscal expedidas deverão conter informações quanto à existência de arrolamento. §7º O disposto neste artigo só se aplica a soma de créditos de valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). §8º Liquidado, antes do seu encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa, o crédito tributário que tenha motivado o arrolamento, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal comunicará o fato ao registro imobiliário, cartório, órgão ou entidade competente de registro e controle, em que o termo de arrolamento tenha sido registrado, nos termos do § 5º, para que sejam anulados os efeitos do arrolamento. §9º Liquidado ou garantido, nos termos da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, o crédito tributário que tenha motivado o arrolamento, após seu encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa, a comunicação de que trata o parágrafo anterior será feita pela autoridade competente da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.563 41 §10. Fica o Poder Executivo autorizado a aumentar ou restabelecer o limite de que trata o § 7o. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) Art. 64A. O arrolamento de que trata o art. 64 recairá sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835/2001) Aditese que a competência da Fiscalização para proceder ao arrolamento de bens decorre, diretamente, das atribuições que lhe foram conferidas pelo art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 1.171/2011. Instrução Normativa RFB n° 1.171, de 07 de junho de 2011 Art. 6° O arrolamento será procedido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil sempre que for constatada a existência de créditos tributários superiores aos limites mencionados no caput do art. 2°. §1° O sujeito passivo será cientificado do arrolamento por meio de termo de arrolamento de bens e direitos lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. §2° Os arrolamentos de bens e direitos serão acompanhados pela Divisão, Serviço, Seção ou Núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. Deve ainda ser citado que o Recorrente sequer logrou demonstrar que o bem levado a arrolamento se tratava do único imóvel de sua propriedade, não ultrapassado as frágeis Instâncias da argumentação verbal. 3.5. DAS DEDUÇÕES O Recorrente alega que as Contribuições Previdenciárias já recolhidas na sistemática do Simples Nacional devem ser abatidas do crédito lançado. Conforme já salientado anteriormente, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. Por isso, as empresas LIPPEL e VJG permanecem ativas, na forma pretendida pelos seus representantes legais, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhes são típicos, ressalvados os atos desconsiderados em realce, permanecendo sujeitas a todas as obrigações previstas em lei. Por tais razões, não procede a alegação de que a Autoridade Fiscal deveria proceder à compensação dos tributos já recolhidos na modalidade de pagamento do SIMPLES. A uma, porque o Recorrente não figura como o titular do crédito tributário alegado, eis que se houve recolhido pela VJG, e em favor desta, de molde que somente esta pessoa jurídica detém a prerrogativa de pleitear qualquer espécie de compensação, nos casos e nas condições previstos em lei. Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 42 A duas, porque a empresa Recorrente não é substituta tributária da VJG. As contribuições previdenciárias ora lançadas, em relação aos segurados qualificados pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, decorreram da responsabilidade direta da Recorrente, na condição de contribuinte e não na de responsável tributário. A três, porque, porque o §2º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente admite a compensação de contribuições arrecadadas pelo INSS referentes às parcelas previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 dessa Lei. No caso, o Recorrente pleiteia a compensação de contribuições sociais estatuídas pela Lei nº 9.317/96 e pela Lei Complementar nº 123/2006, incidentes sobre a receita bruta da empresa. As parcelas vertidas ao SIMPLES não têm como fatos geradores a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, mas, sim, a receita bruta anual da empresa, de acordo com a faixa de enquadramento assentada na lei. A quatro, porque, porque o caput do art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente admite a compensação de contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No caso, a Fiscalização tributária não promoveu qualquer desenquadramento de pessoas jurídicas do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. A empresa VJG, optantes do Simples Nacional, permanece nessa mesma condição de antes, mantendo suas obrigações tributárias perante os fiscos federal, estadual e municipal, incidentes sobre as suas receitas brutas anuais, na forma prevista nas legislações de regência dos sistemas simplificados em realce. A obrigação pelo recolhimento em foco decorre, exclusivamente, em razão das obrigações estatuídas na Lei nº 9.317/96 e na Lei Complementar nº 123/2006. Os valores recolhidos pela empresa VJG na sistemática do Simples Nacional são, portanto, devidos, o que afasta qualquer possibilidade de compensação. Atentese que o mero fato de a empresa interposta, optante do Simples Nacional, ser posteriormente considerada como inexistente de fato não se configura como motivo para considerar indevida as contribuições vertidas nessa sistemática simplificada, haja vista que a definição legal do fato gerador independe da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros; da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, bem como dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, nos termos do art. 118 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por isso, mesmo sendo criada para fins fraudulentos, a mera constituição da empresa e a sua opção válida pelo Simples Nacional gera efeitos jurídicos consolidados, dentre eles, os tributários previstos na Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. No caso em tela, a empresa interposta houvese validamente por constituída, assim como se configurou como válida e eficaz a sua opção pelo Simples Nacional, apenas se apresentando como antijurídica a sua utilização no esquema fraudulento ora descortinado. Dessarte, devidos são os tributos decorrentes de sua existência no mundo jurídico combinado com a opção válida e eficaz pelo Simples Nacional. Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.564 43 Tais recolhimentos, portanto, não se prestam para a compensação pretendida pelo Recorrente. Caso contrário, um mesmo recolhimento estará extinguindo, simultaneamente, dois débitos tributários distintos e validamente constituídos: a) Por compensação, o débito da empresa LIPPEL, decorrente das Obrigações Tributárias previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91. b) Pelo Pagamento, o débito da empresa VJG, decorrente das Obrigações Tributárias previstas na Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Código Tributário Nacional Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no §2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Não se deve olvidar que inexiste impedimento para que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser segurado empregado em relação uma determinada entidade e segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Repisese que as contribuições vertidas ao Simples pela VJG independem do número, qualificação e remuneração dos segurados a ela formalmente vinculados, sendo exatamente o mesmo para um, dez, mil ou nenhum segurado. Daí a razão que motiva determinadas empresas a constituir, apenas no plano formal, empresas optantes pelo regime simplificado em tela para abrigar, formalmente, o registro trabalhista de segurados de empresas não optantes, visando a excluíremse da tributação incidente sobre a folha de salários. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 44 Assim, os recolhimentos efetuados pela VJG na sistemática do Simples, não se prestam à Recorrente para fins de compensação em razão de não se configurarem como indevidos, não se consubstanciarem em créditos de titularidade da Recorrente e não se enquadrarem na hipótese de compensação/restituição assentada no art. 89 da Lei nº 8.212/91. 3.6. DOS JUROS SOBRE A MULTA PUNITIVA O Recorrente alega que deve ser afastada a Taxa SELIC incidente sobre a Multa de Ofício. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.565 45 complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à data dos fatos geradores. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também, há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 46 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Mostrase auspicioso esclarecer que o conceito de crédito tributário abarca não somente o principal como, também, os seus acessórios pecuniários legais, in casu, os juros moratórios e a multa punitiva, consolidados até a data da lavratura do Auto de Infração. Ou seja, verificado o inadimplemento do tributo, é cabível a incidência de juros moratórios sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que passam a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Uma vez consolidado o crédito tributário (principal + juros + multa), ao Sujeito Passivo é concedido prazo legal para o adimplemento espontâneo da obrigação. Não se deve perder de vista que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda (o Sujeito Passivo) paga ao seu legítimo proprietário (o Fisco) pela posse temporária do numerário que desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. No caso dos autos, a partir da data de vencimento especificado, o Sujeito Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Nessa perspectiva, os juros de mora são devidos para compensar a demora do Sujeito Passivo no pagamento do crédito tributário consolidado. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Nesse sentido, a súmula nº 5 do CARF: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com efeito, a posição assumida pelo acórdão recorrido espelha a jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme se depreende dos seguintes julgados adiante ementados: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.566 47 multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJ de 10/12/2012) Aditese que a matéria em questão já se houve por decidida pela 1ª Seção do STJ, no REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC, com eficácia vinculativa desse precedente, que deverá ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do preceito insculpido no art. 62A do Regimento Interno do CARF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879.844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, §7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010). Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por tais razões, entendemos inexistir irregularidade na incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário consolidado. 3.7. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega que a Representação Fiscal para Fins Penais só pode ocorrer após proferida a decisão final na Instância administrativa; O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 48 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.567 49 Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 50 XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 3.8. DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – CFL 68 Assentado que no ramo do Direito Previdenciário prevalece a realidade nua dos fatos sobre a formalidade crua dos atos, e considerando que a Fiscalização logrou demonstrar a presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado entre a LIPPEL e os trabalhadores formalmente registrados na interposta pessoa VJG, concluise que os fatos geradores de Contribuições Previdenciárias consistentes na prestação remunerada de serviços ligados à atividade fim da Autuada, pelos trabalhadores formalmente registrados na VJG, se estabelecem diretamente com a Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.568 51 empresa beneficiada, a LIPPEL, circunstância que obriga essa a empresa a declaralos integralmente em suas correspondentes GFIP. Mas assim não se sucedeu. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 52 (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV e 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada individualmente mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, ao fim, devidamente somadas. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.569 53 É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 54 IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; No caso em apreço, o valor mínimo acima referido foi atualizado pelo Art. 8º, inciso IV da Portaria interministerial MPS/MF Nº 15, de 10 de janeiro de 2013 DOU de 11/01/2013. Procedente, portanto, o lançamento tributário levado ora a cabo pela Autoridade Fiscal Fazendária. 3.9. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia. Luís de Camões Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.570 55 Preliminarmente, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 56 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.571 57 a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 58 art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e viceversa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.572 59 pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 60 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, em relação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.096.5000, CFL 68, tratandose o caso nele versado de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3.10. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Embora não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.573 61 E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 62 contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.574 63 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Autos de Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos em competências não fulminadas pela decadência. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Autos de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 64 IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.575 65 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 66 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, diga se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.576 67 Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 68 pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.577 69 Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. A conduta tipificada legalmente como “fraude” consubstanciase em toda e qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Dessarte, considerando haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que se qualifica legalmente como fraude, tipificada no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, a multa de ofício a ser aplicada na competência 12/2008 passa a ser de 150%, conforme Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 70 previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Diante de tal contingência, sendo a multa de ofício de 150%, não há mais que se falar, no caso ora em estudo, de limitador para a multa de mora prevista no inciso III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo qualquer hipótese em que seja aplicável o preceito insculpido no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, no presente lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o valor da penalidade pecuniária aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.096.5000, CFL 68, ser recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante o lançamento de ofício aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.096.5019, deve obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum inscrito no art. 144 do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.578 71 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess, Redator Designado Peço licença ao nobre relator para discordar do seu ponto de vista. Tratase de autuação em que a fiscalização caracterizou a sujeição passiva em nome do tomador dos serviços, relativamente à prestação de serviços por segurados vinculados formalmente à empresa fornecedora da mão de obra. Em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores efetivamente prestaram serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação. Tal situação, uma vez constatada, caracteriza a terceirização ilícita. É de verse, contudo, que cuidase de um procedimento excepcional de constituição do crédito tributário, que privilegia a relação jurídica material existente na realidade e exige a coleta de provas na fase prévia ao lançamento em grau suficiente para demonstrar univocamente a prestação de serviços diretamente à empresa autuada. Pautado nas provas articuladas por ambas as partes, estabelecese a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou não dos fatos imputados pela autoridade lançadora. Como bem destaca Fabiana Del Padre Tomé 1, este convencimento decorre do conjunto probatório avaliado como um todo, atribuindo o julgador maior ou menor força axiológica a cada prova. Pois bem. Reconheço que os elementos apontados pela fiscalização são indícios fortes de que a empresa prestadora (VJG Indústria e Comércio Ltda.) poderia ter sido constituída com o propósito de servir como mero instrumento para desviar a sujeição passiva tributária, mediante utilização do artifício de utilizar uma pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional para concentrar a mão de obra necessária ao processo produtivo da empresa principal (Irmãos Lippel & Cia Ltda). Nesse sentido, cabe destacar, entre outros, os seguintes elementos de prova enumerados pela autoridade lançadora: a instalação física das empresas em um mesmo terreno, ou em áreas contíguas; a transferência de segurados empregados entre as empresas, quando da constituição da prestadora de mão de obra, empresa VJG, no ano de 2001; a interligação familiar entre os sócios das empresas; a existência de reclamatória trabalhista ajuizada por reclamante contra ambas as empresas; a relação entre faturamento e mão de obra das empresas, o percentual significativo da prestação de serviços de industrialização à Lippel, tomadora dos serviços; a outorga de procurações entre as empresas; e a propriedade dos meios de produção por parte da empresa principal (Lippel). 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 3 ed. São Paulo : Editora Noeses, 2011, p. 358. Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 72 Tenho opinião, porém, que para o fim a que se propõe a acusação fiscal tais elementos indiciários ainda são insatisfatórios. Tornase imprescindível que a autoridade lançadora, a quem incumbe o dever da prova, realize uma apropriada construção probatória a ponto de espancar quaisquer incertezas no tocante à ocorrência dos fatos jurídicos que invoca como fundamento à sua pretensão. Não tenho dúvidas que os elementos coletados pela fiscalização são indícios contundentes da existência de efetiva interligação de tais empresas, até porque incontroverso os laços familiares na administração das sociedades comerciais, mas não comprovam uma inequívoca unicidade de gestão, mediante compartilhamento de funcionários, instalações e equipamentos, ou incontestável confusão financeira, patrimonial e administrativa entre as empresas. É certo também que as provas dos autos deixam claro que as empresas envolvidas compõem um grupo econômico de fato, o que implica atribuição de responsabilidade tributária, na forma prevista em lei. Por outro lado, não ficou demonstrado que não se tratam de empresas distintas, formando, na verdade, um único empreendimento de fato. Embora dependentes um da outra no exercício da atividade empresarial, não fiquei convencido que não há separação das personalidades jurídicas. Como alhures salientado, não há provas de que a empresa VJG não possui autonomia diretiva na condução dos negócios e que sua existência é meramente formal. Ainda que não preponderante, a empresa prestou serviços no período fiscalizado a outras pessoas jurídicas, conforme cópias das notas fiscais emitidas na industrialização por encomenda e acostadas aos processo administrativo (fls. 1.248/1.424). Nos termos expostos pela autoridade lançadora, sem informações e/ou documentos adicionais conclusivos, são ainda incertos os elos de conexão para atribuir a relação tributária diretamente com a empresa recorrente, na condição de contribuinte, e não como responsável tributário, inviabilizando a tentativa de caracterizála como o verdadeiro tomador dos serviços remunerados prestados pelos segurados que constituem o aspecto material do fato gerador do lançamento. Tampouco localizei nos autos qualquer indicação pela fiscalização, mediante provas convergentes e concretas, do gerenciamento do pessoal vinculado formalmente à empresa supostamente interposta (VJG) por parte de sócios, diretores, mandatários ou prepostos da empresa Lippel, evidenciando subordinação jurídica, a exemplo do controle de horários e afastamentos, exigência de uniformes, realização de contratação e demissão, ou seja, sobre direitos e deveres trabalhistas dos segurados empregados registrados na empresa industrializadora (prestador de serviços). Identificou a fiscalização, é verdade, duas procurações públicas outorgadas pela empresa VJG à funcionária da empresa Lippel, conferindolhe poderes administrativos (fls. 650/654). Como salienta o relatório fiscal, tais fatos evidenciam certamente a interligação das empresas; contudo, não demonstram por si só, sem a mínima avaliação de fatos concretos, que os setores administrativo e financeiro das empresas eram submetidos a um só comando, utilizandose do mesmo pessoal, estrutura física e responsável. Em que pese haver procedido à verificação física no endereço das empresas, não consta que a autoridade fiscal entrevistou os trabalhadores, cujos depoimentos sobre as condições e o gerenciamento das atividades no período fiscalizado poderiam ser esclarecedores Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720546/201378 Acórdão n.º 2401004.198 S2C4T1 Fl. 2.579 73 e reveladores dos elementos de ligação faltantes para se estabelecer a sujeição passiva da empresa Lippel na qualidade de contribuinte. Saliento que as ações trabalhistas e os depoimentos dos reclamantes mencionados no relatório fiscal são elementos indiciários dos fatos que a acusação fiscal pretende provar; nada obstante, seu valor probante acaba enfraquecido por referirse a fatos anteriores ao período sob fiscalização, mais especificamente aos anos de 2002 a 2006 (fls. 179/261). Logo, entendo insuficiente o conjunto fáticoprobatório juntado pelo Fisco para efeitos do lançamento fiscal em nome da empresa autuada, ora recorrente, carecendo a atividade probatória de elementos adicionais para considerar a pessoa jurídica como quem possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador. Afastada a obrigação principal, resta improcedente também o auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória a ela ligada, com fundamento no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10830.721298/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/01/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/01/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 12 98 /2 00 9- 12 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 489 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.242, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 490 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 491 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 492 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 493 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 494 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 495 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 9303003.593 CSRF‐T3 Fl. 496 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000755/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor foi omisso quanto a informação sobre a multa por não entrega ou entrega em atraso de DIF-Papel Imune, cabe a retificação do acórdão para esclarecer as dúvidas quanto as penalidades a serem aplicadas, conforme a decisão prolatada no Acórdão embargado.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Ausente justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor foi omisso quanto a informação sobre a multa por não entrega ou entrega em atraso de DIF-Papel Imune, cabe a retificação do acórdão para esclarecer as dúvidas quanto as penalidades a serem aplicadas, conforme a decisão prolatada no Acórdão embargado. Embargos Providos
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OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor foi omisso quanto a informação sobre a multa por não entrega ou entrega em atraso de DIFPapel Imune, cabe a retificação do acórdão para esclarecer as dúvidas quanto as penalidades a serem aplicadas, conforme a decisão prolatada no Acórdão embargado. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Ausente justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 07 55 /2 00 5- 11 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Cuidase de embargos declaratórios opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu/PR, em face do Acórdão nº 3403000.665, que foi assim ementado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE DIFPAPEL IMUNE. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. A apresentação da DIFPapel Imune, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Recurso parcialmente provido. A decisão do acórdão deu provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPapel imune a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti (Relator) e Marcos Tranchesi Ortiz, que deram provimento na íntegra por considerarem que o contribuinte não operou com papel imune. Designado o Conselheiro Winderley Morais Pereira. A autoridade fazendária apresentou embargos afirmando a existência de omissão no Acórdão, nos seguintes termos. Definida essa matéria, a Fazenda apresentou o Recurso Especial de fls. 102 a 106, tendo este sido admitido através do Despacho de Exame de Admissibilidade constante às fls. 116 a 118, e em seguida o processo administrativo retornou a Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu. Ocorre que, efetuandose uma leitura do Acórdão, percebemos que, excetuandose a ementa acima demonstrada, em momento algum é citado o fato Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 3201002.154 S3C2T1 Fl. 130 3 ou evento que embasou tal decisão, ou se o número de meses considerado pela fiscalização deve ser corrigido/alterado. Ademais, recentemente a Lei 12.873/2013 modificou o Art. 57 da MP. 215835/2001, diminuindo a multa por apresentação extemporânea de R$ 1.500,00 para R$ 500,00. Com isso, o Acórdão recorrido, ao “dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPapel imune a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo” nos leva a três interpretações possíveis dos efeitos: 1º) O número de meses de atraso continua sendo o considerado pela fiscalização, diminuindo o valor da multa mensal de R$ 1.500,00 para R$ 500,00; 2º) O valor da multa mensal de R$ 1.500,00 é mantido e, para cada declaração em atraso, é considerada a ocorrência de único evento, e, assim, o número de meses de atraso para cada uma seria 1 (um); 3º) O valor da multa mensal de R$ 1.500,00 é mantido e, para cada declaração em atraso, é considerada a ocorrência de único evento, e, assim, o número de meses de atraso para cada uma seria 3 (três) pelo fato de a declaração ser trimestral (e esse entendimento se faz pelo fato de o acórdão citar, em seu relatório, um dos votos vencidos da DRJ que possuía esta interpretação);. Consultando o acórdão verificase que da decisão não consta o detalhamento do valor da multa e sua forma de cálculo, confirmando a omissão alegada pela Embargante. Os embargos foram admitidos nos termos do despacho de fls. 6748 a 6749. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência de lapso material manifesto, pois, o voto vencedor constante do acórdão não esclareceu as penalidades mantidas na decisão. Para sanar a contradição, entendo que o melhor caminho seja a alteração do voto vencedor da decisão prolatada no Acórdão 3403000.665, para alterar a ementa do acórdão que passara a ter a seguinte redação: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE DIFPAPEL IMUNE. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. A apresentação da DIFPapel Imune, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE DIFPAPEL IMUNE. MULTA POR NÃO ENTREGA OU ENTREGA EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa pela não entrega ou entrega em atraso da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune DIFPapel Imune,prevista no art. 57 da MP n° 2.15835 foi modificada pelo art. 10 da Lei n° 11.945/09. Tendo em vista a reforma para aplicação de penalidade menos gravosa, aplicase a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "a" do CTN, reduzindose a multa para o valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e. de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais empresas para cada DIFPapel Imune não entregue ou entregue em atraso Recurso parcialmente provido. No mesmo sentido, também deverá ser esclarecido no voto condutor da decisão, as penalidades mantidas e que deverão ser exigidas do contribuinte, alterando o voto vencedor do Acórdão 3403000.665, que passara a ter a seguinte redação: "A penalidade aplicada pela não apresentação ou apresentação em atraso da DIFPapel Imune esta prevista no art. 57 da MP n° 2.15834/2001, transcrito abaixo. "Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n o 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: 1 R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo O lançamento ora combatido observou as regas da legislação vigente à época dos fatos, entretanto, nova norma legal foi editada, alterando as penalidades referentes à falta de entrega ou entrega em atraso da DIFPapel Imune. As alterações constam da MP n° 451/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009. Este novo diploma legal Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 3201002.154 S3C2T1 Fl. 131 5 alterou a legislação tributária federal e dentre estas alterações, trata das obrigações das empresas que exercem as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. "Art. 1" Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2 O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3 Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: 1 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § .5" Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio, a multa de que trata o inciso II do § 4' deste artigo será reduzida à metade." O § 3°, do artigo 1°, da Lei n° 11.945/09, atribuiu a Receita Federal do Brasil, a competência para estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 No mesmo artigo foram definidas as penalidades aplicáveis, quando do descumprimento das obrigações acessórias que passaram a ser a aplicação de multa no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais empresas. Como explicado alhures, o novo entendimento da Lei n° 11.945/09 altera, no caso da falta de apresentação da DIFPapel Imune, as penalidades definidas pelo art. 57 da MP n°2.15835. A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis, sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna, as exceções estão previstas no artigo 106 do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" No caso em tela, apesar do fato gerador da multa ora em discussão, ter ocorrido em data anterior a edição da Lei n° 11.945/09, obedecendo à alínea "c", do inciso II, do art. 106 do CTN, aplicase penalidade menos gravosa. Na nova sistemática, para cada DIF Papel Imune não entregue ou entregue em atraso, será cobrada a multa no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais empresas. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para aplicar a penalidade prevista no art. 1°, inciso II, § 30 da Lei 11.945/09, em substituição àquela prevista no art. 57 da MP 2.15835. Reduzindo a multa a R$ 5.000,00 (cinco mil e quinhentos reais) por DIFPapel Imune não entregue ou entregue em atraso." Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencedor do Acórdão 3403000.665, nos termos expostos acima. Winderley Morais Pereira Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 3201002.154 S3C2T1 Fl. 132 7 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10218.000792/2007-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO DO IRPJ. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. MULTA QUALIFICADA.
1- Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I e II, da Lei nº 4.502/64.
2- A interposição de pessoas não configura apenas fraude à execução da dívida. Ela também tem a finalidade de "impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais" (art. 71, I, da Lei 4.502/1964). A omissão na apresentação de declarações à Receita Federal e a apresentação de declarações zeradas, acompanhadas de recolhimento insignificante dos tributos devidos, é conduta que está totalmente relacionada à fraude na interposição de pessoas, e o fato de, por circunstâncias posteriores, a Fiscalização conseguir obter parte das informações relativas à base tributável autuada não desqualifica a fraude perpetrada anteriormente.
3- Também não é correto restringir as ações fraudulentas previstas na Lei 4.502/1964 apenas às condutas que tem implicação com o "fato gerador da obrigação tributária principal", porque essa mesma lei também considera como sonegação a "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: [...] II- das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente" (art. 71, II, da Lei 5.502/1964).
Numero da decisão: 9101-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO DO IRPJ. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. MULTA QUALIFICADA. 1 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I e II, da Lei nº 4.502/64. 2 A interposição de pessoas não configura apenas fraude à execução da dívida. Ela também tem a finalidade de "impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais" (art. 71, I, da Lei 4.502/1964). A omissão na apresentação de declarações à Receita Federal e a apresentação de declarações zeradas, acompanhadas de recolhimento insignificante dos tributos devidos, é conduta que está totalmente relacionada à fraude na interposição de pessoas, e o fato de, por circunstâncias posteriores, a Fiscalização conseguir obter parte das informações relativas à base tributável autuada não desqualifica a fraude perpetrada anteriormente. 3 Também não é correto restringir as ações fraudulentas previstas na Lei 4.502/1964 apenas às condutas que tem implicação com o "fato gerador da obrigação tributária principal", porque essa mesma lei também considera como sonegação a "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: [...] II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente" (art. 71, II, da Lei 5.502/1964). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 07 92 /2 00 7- 13 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 3 2 Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007 c/c art. 3º da Portaria MF 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 120100.094, de 17/06/2009, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, com a finalidade de reduzir a multa qualificada de 150% para 75%. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC nº 14). ADESÃO A PARCELAMENTO ESPECIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. A adesão a parcelamento especial após iniciado o procedimento de oficio não elide a formalização do auto de infração para constituição do crédito tributário. Os pagamentos efetuados sob esse regime serão utilizados na quitação da divida que remanescer após decisão administrativa transitada em julgado. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN alega que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à evidencia da prova, no que toca à desqualificação da multa de ofício. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: de uma leitura atenta do votocondutor, observamos que entendeuse ter ocorrido mera apuração de omissão de receita ou de rendimentos, o que evitaria a incidência da multa qualificada, a teor da Súmula n. 14 do 1º C.C.; ocorre que entendemos pela inaplicabilidade de tal verbete, considerando que nos autos, temos diversas peculiaridades que não estão previstas na hipótese da Súmula n. 14 do 1º C.C., justificando ser a mesma afastada com o conseqüente conhecimento do Recurso Especial; não sendo açambarcadas as situações fáticas do caso, a súmula poderá ser excluída (overruling) ou afastada em razão de certas especificidades (distinguishing), sendo a última hipótese o caso que observamos em análise, senão vejamos a seguir, o porquê do entendimento da Fazenda Nacional de que o v. Acórdão ora recorrido acabou por se mostrar contrário à evidencia das provas, ao desqualificar a multa de oficio aplicada; a presente autuação teve seu nascedouro em 21 de junho de 2007, quando a Policia Federal e os Escritórios de Pesquisa e Investigação ESPEI das SRRF da 2ª e 3ª Regiões Fiscais deflagraram a operação "ABATEDOURO"„confirmando os fatos que já haviam sido constatados pela Fiscalização, a qual ainda primava pela coleta de mais provas dos ilícitos perpetrados pela organização encabeçada pelo senhor Roberto Logrado; mais especificamente, no presente caso, os "sócios de direito" da empresa fiscalizada como o senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO e a senhora MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, constam como analfabetos no CPF (informação advinda do Titulo Eleitoral), só foram registrados no CPF em lº de agosto de 2002, quando já possuíam mais de 35 (trinta e cinco) anos de idade, não possuem movimentação financeira, apresentaram DIRPF do mesmo computador e de vários anoscalendário numa mesma data. Exploram atividade pecuária em Fazendas que não possuem número na SRF e que não foram localizadas pela Fiscalização. Não foram encontrados também nos endereços constantes dos cadastros de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme verificações fiscais in loco, além de se situarem em localização não condizente para residência de sócios de sociedade do porte da pessoa jurídica; já o senhor Reginaldo Cabral Souza, só foi registrado no CPF em 24 de fevereiro de 2003, quando possuía 51 anos de idade, não possui movimentação financeira alguma, mesmo sendo o sócio de um empreendimento que movimentou mais de R$ 180 milhões no período fiscalizado. Explora atividade pecuária em fazenda que não possui número na SRF e que não foi localizada pela Fiscalização; a Fiscalização, ao analisar as procurações enviadas pelo Banco Bradesco S.A., constatou a existência de procurações falsas, conforme informação do 2º Cartório de Família da Comarca de Imperatriz, no Maranhão; foi detectado e comprovado, através das diligencias existentes nos autos combinadas com as informações obtidas na "OPERAÇÃO ABATEDOURO" da Policia Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 5 4 Federal, que a contribuinte era titularizada por laranjas e não possuía patrimônio em nome de seus proprietários, e como não possuía patrimônio em nome de seus proprietários legais, não se dava ao luxo de escriturar os livros contábeis obrigatórios, de fazer declarações de rendimentos e nem as DCTF's, necessárias para cientificar o Fisco da ocorrência dos fatos geradores específicos; com efeito, diante de flagrante abuso de direito no uso de pessoa jurídica, a autoridade administrativa ou judiciária, em defesa do interesse público, deve aprofundar as investigações a fim de alcançar as verdadeiras pessoas, físicas ou jurídicas, que por trás dela se escondem, demonstrando, dessarte, a simulação ou a fraude; ressaltese que na área tributária, a preocupação é premente dado que a interposta pessoa normalmente não tem patrimônio para garantir a realização do crédito tributário. Comumente, colocase como testasdeferro, pessoas físicas que não dispõem de qualquer patrimônio para garantir o credito tributário, sendo que quando da constituição deste, geralmente bem após a ocorrência dos fatos geradores, a pessoa jurídica já se extinguiu de fato ou mesmo por razões de direito; assim, é que a legislação pátria permite o alcance de terceiros que efetivamente se locupletaram por intermédio da simulação. Se locupletaram, deixando o fisco e os testasdeferro, quando efetivamente existentes, já que podem ser "fantasmas", a litigarem por um crédito tributário impossível de ser realizado, dada a falta de patrimônio que o garanta, resultando em procedimento absolutamente inócuo, lesivo aos cofres públicos; assim, resta patente que o senhor Roberto Luiz da Silva Logrado incorreu em ato simulado ao constituir pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas, formalizando referida constituição e alterações societárias e de endereço através de documentos públicos, quais seja, contrato social e alterações do contrato social registrados na Comercial; resta, pois, comprovada nos presentes autos, a utilização de "interpostas pessoas" na empresa fiscalizada, porquanto os senhores João Paulo Ferreira Cardoso, Reginaldo Cabral Souza e a senhora Maria de Fátima Bezerra Dos Santos, apenas emprestaram seus nomes quando da constituição da pessoa jurídica e das alterações societárias registradas na Junta Comercial; por todo o dito, entendemos que o v. acórdão ora recorrido se mostrou contrário à evidência dos autos, ao ter desqualificado a multa de oficio, considerando os elementos e provas mencionados, justificandose, assim, a aplicação do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original; ex positis. a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial apresentado, a fim de se reformar em parte o v. acórdão ora recorrido, restaurandose a qualificação da multa de oficio aplicada. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 0.367/2009, de 19/10/2009, admitiu o recurso especial com as seguintes considerações: [...] Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Fl. 778DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 6 5 Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). O Recurso é tempestivo, a decisão foi não unânime, e a sessão de julgamento é anterior a 30/06/2009. Passo à análise da contrariedade indicada. A Procuradoria da Fazenda indica que o acórdão recorrido teria contrariado a prova dos autos, na medida em que as diligências, juntamente com as informações obtidas na "OPERAÇÃO ABATEDOURO" da Polícia Federal, comprovam que a contribuinte era titularizada por laranjas, pessoas sem movimentação financeira e desprovidas de patrimônio, situação que permitia à empresa autuada não escritturar os livros contábeis obrigatórios, não fazer declarações de rendimentos e nem DCTF Ainda segundo a PFN, resta patente que o senhor Roberto Luiz da Silva Logrado incorreu em ato simulado ao constituir pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas, formalizando referida constituição e alterações societárias e de endereço através de documentos públicos registrados na Junta Comercial, pelo que não caberia a desqualificação da multa aplicada pela Fiscalização. Entendo que o recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade, motivo por que, no uso da competência de que trata o art. 68, § 1°, do RICARF, DOU SEGUIMENTO a ele. À Unidade Local da RFB para que o contribuinte tome ciência do acórdão recorrido e deste despacho e, querendo, apresente contrarrazões e recurso especial quanto à parte em que restou vencido. Em 30/11/2009, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 14/12/2009 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DA PRELIMINAR DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DA IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL POR SUPOSTA CONTRARIEDADE À EVIDENCIA DE PROVA de acordo com o despacho da Ilustre Presidente da 2ª Câmara. da lª Seção de Julgamento do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscal que admitiu o presente Recurso Especial, é possível sua interposição com fundamento em contrariedade à evidência de prova, mesmo quando já interposto sob a égide do novo Regimento interno do CARF; ocorre que toda alteração processual aplicase imediatamente aos casos pendentes de julgamento, mesmo que a decisão atacada por meio de Recurso Especial tenha sido proferida antes da edição do novo regimento interno do CARF. No momento da propositura do Recurso só existia a possibilidade de sua interposição em face de decisão que deu à lei tributária interpretação divergente que tenha lhe dado outra câmara, turma de câmara, turma especial, ou a própria CSRF; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 7 6 admitir a possibilidade de sua interposição com base em legislação já revogada é atentar contra os posicionamentos uníssonos da doutrina e da jurisprudência (ementa transcrita); DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA caso admitido o presente recurso, a ele não deve ser dado provimento, pelos motivos abaixo aduzidos; alega a Fazenda Nacional que o senhor Roberto Luiz da Silva Logrado incorreu em ato simulado ao constituir pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas, sendo cabível a qualificação da multa de ofício; ocorre que o voto vencedor é claro ao afirmar que "a omissão de receita que implicou na presente exigência foi apurada pela constatação de que o sujeito passivo não ofereceu à tributação o valor correspondente às operações lançadas no livro de apuração do ICMS referente aos anoscalendário de 2003 e 2004. Além da omissão propriamente dita, a Fiscalização não menciona qualquer outra irregularidade no conteúdo desses documentos que tivesse origem ou fosse relacionada com a existência de uma organização agindo dolosamente sob a proteção de interpostos pessoas"; as multas agravadas trazem a definição legal no inciso II do artigo 957 do RIR/99, que delimitam a aplicação da multa qualificada de 150% aos casos de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; NiIton Latorraca, ao discorrer sobre planejamento tributário, comparando atos lícitos e ilícitos, discorre que "a fraude se distancia da legitima economia de impostos justamente porque nesta o contribuinte adota um procedimento lícito para evitar a ocorrência do fato gerador, ou adota uma alternativa legal ao seu dispor pare reduzir a carga tributária. Na fraude os meios são sempre ilícitos; a ação ou omissão é dolosa, isto é, o infrator age deliberadamente contra a lei, com a intenção de obter o evento desejado A ação dolosa geralmente caracterizase pala distorção ilícita das formas jurídicas, e acaba materializandose na falsidade ideológica ou material"; como visto acima, a ação dolosa caracterizase, de uma forma genérica, pela distorção ilícita das formas jurídicas e acaba materializandose na falsidade ideológica ou material, o que não é o caso dos autos; no caso em comento, a irregularidade praticada pela recorrida, e que foi objeto da autuação, tem seu ponto na informação a menor de suas receitas, para a Receita Federal, mas não houve distorção das formas jurídicas, pois a receita omitida tributada pela Fiscalização tomou por base as notas fiscais da recorrente devidamente escrituradas no seu livro de apuração do ICMS; embora a empresa autuada tenha entregue suas declarações com valores menores que o devido junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil e tenha no seu quadro societário "supostos laranjas", isso não é suficiente para que se configure como evidente intuito de fraude para dar ensejo à aplicação de multa agravada, pois é necessário que o fisco demonstre o nexo causal entre a utilização de interpostas pessoas e o intuito de fraudar o fisco, ou seja, que a conduta tenha impactado diretamente o fato gerador do tributo, situação que não ocorreu no presente caso; Fl. 780DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 8 7 compulsando o Livro de Apuração do ICMS da recorrida, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, encontramos todas as receitas auferidas pela recorrida no decorrer dos mencionados anoscalendário, tanto é verdade que a Fiscalização tomou por base a receita lá informada para efetuar o lançamento através do auto de infração em debate, na conformidade do Termo de Verificação Fiscal; data maxima venia, com base na documentação juntada ao processo, se demonstra que não está presente a vontade da empresa autuada de fazer próprio o dinheiro que pertence ao Fisco, o que se tem é puro e simples inadimplemento da dívida, pois toda ela se encontra devidamente registrada em seus livros fiscais e contabilizada; em qualquer caso, se o contribuinte escritura em sua contabilidade os valores a serem pagos à Fazenda Pública, resta ausente intenção de fraudar a Fiscalização, por ausência do elemento "vontade" que configura a conduta dolosa. O dolo é a vontade livre e consciente de o sujeito se apropriar de coisa alheia móvel de que tem posse ou detenção. E essa vontade, que é elementar na configuração da fraude contra a Fazenda Pública, é inteiramente incompatível com a escrituração fiscal e contábil das quantias correspondentes aos tributos a serem pagos; a escrituração contábil e fiscal há de ser entendida como induvidosa manifestação do propósito do presente contribuinte responder pela divida. Propósito que, evidentemente, não se concilia com a vontade de fraudar a União federal, afastando a possibilidade de agravamento da multa de oficio; no sentido da inaplicabilidade da multa qualificada para o presente caso é a Súmula 1º CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo; este é o entendimento esboçado pelo Conselho de Contribuintes (ementas transcritas); diante do exposto, não existe reparo a ser feito no voto vencedor do Conselheiro Relator, como pretende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, devendo ser mantida a decisão em toda sua íntegra, por ser medida de inteira Justiça. É o relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo, de nº 10218.000792/200713, tem por objeto lançamento a título de COFINS reflexo de IRPJ, incidente sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004. O lançamento "principal" a título de IRPJ e reflexos foi objeto do processo nº 10218.000791/200761, em que a Fiscalização apurou tributos a partir de receitas operacionais extraídas do Livro de Apuração do ICMS e de receitas apuradas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Naquele processo, foi aplicada a multa qualificada de 150% para a parte do lançamento que está fundamentada nos dados constantes do livro do ICMS (receita operacional) e a multa de 75% para a parte que está embasada nos depósitos bancários sem comprovação de origem, por se tratar de receita apurada por presunção legal. O presente processo contém apenas a parte do lançamento de COFINS sobre as receitas operacionais extraídas do livro do ICMS, com a multa de 150%. Conforme ocorreu com a COFINS, a exigência de PIS sobre as receitas operacionais extraídas do livro do ICMS, com a multa de 150%, também foi formalizada em autos apartados (Processo nº 10218.000793/200750). No caso dos presentes autos, Processo nº 10218.000792/200713, o lançamento a título de COFINS, com a multa qualificada de 150%, foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte, para fins de reduzir a multa de 150% para 75%. E o recurso especial da PGFN busca exatamente restabelecer a multa qualificada. PRELIMINAR Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta uma preliminar de não conhecimento do recurso. De acordo com suas alegações, no momento da propositura do recurso, o regimento interno do CARF não mais admitia recurso especial fundamentado em contrariedade à evidência de prova. O recurso especial possível seria apenas aquele apresentado em face de divergência de interpretação da legislação tributária. O Despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, exarado em 19/10/2009, já tinha chamado atenção para a questão argüida pela contribuinte, destacando que Fl. 782DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 10 9 o Regimento Interno do CARF vigente naquela data, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, trazia regra específica para o processamento de recurso especial por contrariedade à evidência de prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, estabelecendo que este tipo de recurso deveria ser processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). O atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, embora também não preveja mais recurso especial contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", traz no mesmo sentido regra específica para o processamento desse tipo de recurso: Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. E essa regra processual específica deve ser observada. Não desconheço o entendimento de que a norma processual, via de regra, tem aplicação imediata. O problema é que a extinção do recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova não tem o efeito pretendido pela contribuinte, justamente porque o mesmo diploma que extinguiu esses recursos, resguardou o processamento daqueles que se referissem a decisões prolatadas antes da alteração regimental. Correto, portanto, o despacho que deu seguimento ao recurso especial sob exame. Preliminar rejeitada. Outra questão que poderia ser suscitada como preliminar de não conhecimento do recurso especial é o fato de o acórdão recorrido ter apontado a Súmula 1º CC nº 14 entre os seus fundamentos. Isto porque o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, traz regra estabelecendo que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (art. 67, §3º, do Anexo II do atual RICARF). Quanto a isso, destaco primeiramente que o processamento do recurso especial em pauta segue rito específico, conforme já mencionado acima, de modo que a ele não se aplica a referida regra impeditiva de admissibilidade. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 11 10 Ademais, como um aspecto que entendo bastante relevante em relação a esse ponto, registro que o acórdão recorrido afastou a qualificadora não por aplicação direta da mencionada súmula, mas sim porque entendeu que a fraude perpetrada, embora comprovada, não tinha impacto no fato gerador dos tributos: Quanto à multa de oficio qualificada, grande parte do procedimento fiscal foi direcionado à comprovação da existência de uma organização encabeçada por ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO que lançou mão de diversos mecanismos fraudulentos para esconder que a pessoa mencionada seria o real proprietário da fiscalizada. Os motivos que, segundo a Fiscalização, teriam motivado essa prática foram aqueles que justificaram a imputação da multa qualificada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 500/501): Como se depreende da leitura do presente relatório, não se trata de fraude isolada, como calçar nota ou emitir nota fria, ou mesmo deixar de emitila, mas sim de todo um contexto fraudatório entabulado pela organização encabeçada pelo nacional ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, onde largamente lançouse mão do uso de laranjas, de documentos ideológica e materialmente falsos, com o fito de escapar da ação do Fisco FederaL, para que não se soubesse quem era o verdadeiro proprietário do estabelecimento industrial consubstanciado no FRIGORÍFICO INDUSTRIAL ELDORADO LTDA. Com isso, o lançamento que porventura fosse feito o seria em cima de "laranjas" sem patrimônio, cuja localização jamais nos foi demonstrada, levando nos a crer que tais pessoas — laranjas — são fruto de documentos forjados, não tendo sequer existência material, visto que nunca apareceram ou travaram qualquer contato com a Fiscalização. Com base nesses argumentos, a autoridade fiscal enquadrou o sujeito passivo nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Para que o enquadramento esteja correto, duas circunstâncias devem estar caracterizadas de forma concomitante: a ocorrência de ação ou omissão dolosa; e os efeitos dessa ação ou omissão sobre o fato gerador, impedindo ou retardando sua ocorrência, ou ainda afetando suas características essenciais. Em outras palavras, não basta que o sujeito passivo tenha agido fraudulentamente, o enquadramento no dispositivo só ocorrerá se a conduta teve impacto no fato gerador. A omissão de receita que implicou na presente exigência foi apurada pela constatação de que o sujeito passivo não ofereceu à tributação o valor correspondente às operações lançadas no livro de apuração do ICMS referente aos anoscalendário de 2003 e 2004. Além da omissão propriamente dita, a Fiscalização não mencionou qualquer outra irregularidade no conteúdo desses documentos que tivesse origem ou fosse relacionada com a existência de uma organização agindo dolosamente sob a proteção de interpostas pessoas. Pareceme estar devidamente comprovada a utilização de interpostas pessoas com vistas a ocultar os efetivos responsáveis pela pessoa jurídica. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 12 11 Entretanto, tal fato mostrase absolutamente dissociado da irregularidade tributária apurada. Não há nexo entre esse fato e o resultado tributável. No Acórdão 10322.706, proferido nesta Câmara com voto condutor de lavra do ilustre Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORREA, a questão foi analisada com precisão: ....Assim, não há relação de causa e efeito, pois a conduta dolosa prevista nos tipos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, só é juridicamente relevante quando provoca alteração do resultado, a teor do artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Sim, é preciso compreender que a norma freqüentemente não está toda ela contida numa única lei. É o que se vê, no presente exame, pois o preceito primário, que prevê a conduta proibida, reside nos artigos aludidos da Lei n° 4.502, de 1964, mas a punição do agente requer a produção de um resultado juridicamente desvalorado, que é a supressão ou a redução do tributo, consoante a redação do preceito secundário, inscrito no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Sem esse liame temse apenas um caso simples de omissão de receita que, conforme Súmula 1° CC n° 14, não enseja a aplicação da multa qualificada: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Isso significa a inexistência de fraude? De forma alguma. Como já mencionado, a Fiscalização demonstrou a utilização de interpostas pessoas. A conduta mostrase tipicamente fraudulenta, mas não se enquadraria nos dispositivos em comento. O que se busca nesse procedimento é fugir à responsabilidade na situação posterior de execução da dívida. Pelo exposto entendo que não caberia a imputação da multa qualificada que deve ser reduzida ao percentual de 75%. (grifei) Após fazer comentários sobre os aspectos que motivaram a exigência dos tributos e a aplicação da multa qualificada, para concluir que não havia um liame entre a fraude (que reconheceu comprovada) e a supressão do crédito tributário, é que o acórdão recorrido mencionou a Súmula 1º CC nº 14 (atualmente Súmula CARF nº 14). Foi nesse contexto, ou seja, no intuito de fortalecer a argumentação para afastar a qualificadora, que o acórdão recorrido mencionou a referida súmula: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A súmula foi citada no sentido de reforço de argumentação, mas está claro que ela não engloba todo o fundamento do acórdão recorrido, e nem poderia servir a esse fim porque o seu comando não é de aplicação direta, objetiva. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 13 12 Com efeito, o próprio texto faz a devida ressalva que compatibiliza a autuação por omissão de receita com as hipóteses de qualificação de multa (sonegação, fraude e conluio). A súmula não diz que uma determinada circunstância (no caso, a simples apuração de omissão de receita) impede a qualificação da multa, o que ela diz é que "a simples apuração de omissão de receita..., por si só, não autoriza a qualificação da multa ..., sendo necessária a comprovação ...". E é exatamente por isso que existem decisões do CARF que mantém a qualificadora em autuações semelhantes (ou idênticas) à que estamos examinando. É de notório conhecimento que esta súmula não trata especificamente de uma questão de direito bem delimitada, cuidando, antes de tudo, da não aplicação de norma punitiva quando presentes circunstâncias fáticas que assim a justifiquem. Essa subjetividade na aplicação desta súmula "fática" está representada pelas expressões "simples" e "por si só". No caso sob exame, todo o contexto que levou à conclusão de que se tratava de "simples" omissão de receita (situação prevista na súmula) depende de uma averiguação anterior sobre a fraude perpetrada, ou melhor, sobre as implicações tributárias dessa fraude, já que o acórdão recorrido reconheceu que ela estava devidamente comprovada. E esse é ponto, anterior à questão da súmula, que configura o fundamento do acórdão recorrido, e que precisa ser examinado. A regra regimental que veda a apreciação de recurso especial contra "decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF" visa resguardar a autoridade das súmulas, cujos comandos configuram solução definitiva para as questões de ordem jurídica que elas abordam. Mas não se pretende aqui rediscutir e muito menos contrariar o comando normativo constante da súmula do CARF. Não é disso que se trata, conforme mencionado acima. O recurso, portanto, deve ser conhecido. Por ter dito nos parágrafos anteriores que existem decisões do CARF que mantém a qualificadora em autuações semelhantes (ou idênticas) à que estamos examinando, inicio o exame de mérito consignando que os outros processos mencionados no início deste voto, referentes à mesma empresa e aos mesmos fatos autuados, Processo nº 10218.000791/200761 referente ao IRPJ e reflexos, com as multas de 75% e 150% (conforme o tipo de infração), e Processo nº 10218.000793/200750 referente ao PIS, com a multa de 150%, saíram da segunda instância administrativa com a multa qualificada mantida. O recurso voluntário apresentado no chamado processo "principal", referente ao IRPJ e reflexos, foi julgado intempestivo pelo Acórdão de nº 120100.057, exarado na sessão de 13/05/2009, conforma a seguinte ementa: Processo n° 10218.000791/200761 Recurso n° 167.534 Voluntário Acórdão n° 120100.057 — 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2009 Fl. 786DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 14 13 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente FRIGORÍFICO INDUSTRIAL ELDORADO LTDA Recorrida 1ª TURMA/DRJBELÉM/PA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — lRPJ Anocalendário: 2004 a 2005 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. Prazo peremptório. Não se conhece de recurso voluntário apresentado fora do prazo recursal. E para o recurso voluntário apresentado no processo referente ao PIS, com a multa de 150%, foi negado provimento por unanimidade de votos, conforme a ementa e a parte dispositiva abaixo descritas: Processo nº 10218.000793/200750 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.655 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2015 Matéria PIS/PASEP Recorrente FRIGORÍFICO INDUSTRIAL ELDORADO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). Em havendo parcelamento do crédito tributário, tal situação afasta qualquer possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN, segundo precedente do E. STJ, em sede de recursos repetitivos. MULTA QUALIFICADA. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. A constatação das circunstâncias agravantes previstas no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, impõe a manutenção da multa agravada. ARBITRAMENTO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em se tratando de arbitramento com base em tributação reflexa do IRPJ, o decidido no processo matriz deve ser aplicado no processo reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. As decisões do CARF para os processos acima mencionados já se tornaram definitivas, conforme indicam as pesquisas realizadas no sítio eletrônico do CARF e também no sistema eprocesso. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 15 14 A negativa de provimento do recurso voluntário no processo referente ao lançamento reflexo de PIS contém os seguintes fundamentos em relação à multa qualificada de 150%: Multa Qualificada A recorrente alega que não deve prosperar a multa qualificada pois não está presente o dolo, visto que a não declaração das receitas auferidas sem quaisquer outras dilações não é suficiente para caracterizar a prática do crime de sonegação e com isso a multa agravada. Não assiste razão à recorrente, pois no presente caso, os "sócios de direito" da empresa fiscalizada como o Sr. João Paulo Ferreira Cardoso e a Sra. Maria de Fátima Bezerra dos Santos, constam como analfabetos no CPF (informação advinda do Título Eleitoral), só foram registrados no CPF em 01.08.2002, quando já possuíam mais de 35 anos de idade, não possuem movimentação financeira, apresentaram DIRPF do mesmo computador e de vários anos calendário numa mesma data. Exploram atividade pecuária em Fazendas que não possuem número na SRF e que não foram localizadas pela fiscalização. Não foram encontrados nos endereços constantes dos cadastros de controle da Secretaria da Receita Federal, conforme verificações fiscais in loco, além de se situarem em localização não condizente para residência de sócios de sociedade do porte da pessoa jurídica. Já o Sr. Reginaldo Cabral Souza, só foi registrado no CPF em 24.02.2003, quando possuía 51 anos de idade, não possui movimentação financeira alguma mesmo sendo o sócio de um empreendimento que movimentou mais de R$ 180 milhões no período fiscalizado. Explora atividade pecuária em Fazenda que não possui número na SRF e que não foi localizada pela fiscalização. A fiscalização ao analisar as procurações enviadas pelo Banco Bradesco S/A constatou a existência de Procurações falsas conforme informação do 2° Cartório da Família da Comarca de Imperatriz — MA. Foi detectado e comprovado, através das diligências existentes nos autos combinada com as informações obtidas na "Operação Abatedouro" da Polícia Federal, que a recorrente era titularizada por laranjas e como não possuía patrimônio em nome de seus proprietários legais, não se dava ao luxo de escriturar os livros contábeis obrigatórios, de fazer declarações de rendimentos e nem as DCTF, necessárias para cientificar o Fisco da ocorrência dos fatos geradores respectivos. Ressaltese que na área tributária, a preocupação é premente dado que a interposta pessoa normalmente não tem patrimônio para garantir a realização do crédito tributário. Comumente, colocase como testas de ferro pessoas físicas que não dispõem de qualquer patrimônio para garantir o crédito tributário, sendo que quando da constituição deste, geralmente bem após a ocorrência dos fatos geradores, a pessoa jurídica já se extinguiu de fato ou mesmo por razões de direito. No presente caso, a mim se afigura patente que o Sr. ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incorreu em ato simulado ao constituir pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas, formalizando referida constituição e alterações societárias e de endereço através de documentos públicos, quais Fl. 788DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 16 15 sejam, Contrato Social e Alterações do Contrato Social registrados na Junta Comercial, o que configura falsidade ideológica. Resta, pois, comprovada nos presentes autos a utilização de "interpostas pessoas" na empresa fiscalizada, porquanto os Srs. João Paulo Ferreira Cardoso, Reginaldo Cabral Souza e a Sra. Maria de Fátima Bezerra dos Santos, apenas emprestaram seu nome quando da constituição da pessoa jurídica e das alterações societárias registradas na Junta Comercial. Ao fisco federal cabe aplicar as penalidades definidas em lei. Conforme "Enquadramento Legal" aposto nos autos de infração, a multa de lançamento de ofício foi aplicada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. O art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, em sua redação original, dispõe que, nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa de 150% (cento c cinqüenta por cento) sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude. É este o teor do referido artigo: [...] Ora, o procedimento da empresa ao usar de falsidades ideológicas em seu Contrato Social e alterações contratuais, utilizandose de "interpostas pessoas", a fim de encobrir os verdadeiros sócios da sociedade, constitui simulação e fraude o que justifica a aplicação de multa qualificada. Assim, justificase a aplicação da multa qualificada à empresa onde resta constatado que seu Contrato Social e alterações contratuais estão maculadas pelos vícios da simulação e fraude, porquanto figura como titulares "interpostas pessoas", nos termos acima referidos. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Aliás, vale novamente destacar que o acórdão recorrido, que tratou do lançamento reflexo de COFINS para os mesmos fatos autuados no processo acima referido (referente ao PIS), deixou bem claro que a conduta da contribuinte e de seu verdadeiro titular mostravase tipicamente fraudulenta: Isso significa a inexistência de fraude? De forma alguma. Como já mencionado, a Fiscalização demonstrou a utilização de interpostas pessoas. A conduta mostrase tipicamente fraudulenta, mas não se enquadraria nos dispositivos em comento. O que se busca nesse procedimento é fugir à responsabilidade na situação posterior de execução da dívida. O acórdão recorrido afastou a qualificadora não pela inexistência de dolo/fraude, mas sim porque entendeu que a fraude perpetrada, embora comprovada, não tinha impacto no fato gerador dos tributos. O entendimento foi no sentido de que a fraude buscava frustrar a execução da dívida (fraude à execução), e que ela não tinha implicação nenhuma no fato gerador dos tributos. Ressaltouse ainda que a punição do agente requer a produção de um resultado juridicamente desvalorado, que é a supressão ou a redução do tributo, consoante a redação do Fl. 789DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 17 16 preceito secundário, inscrito no artigo 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, o que não teria ocorrido no presente caso. Quanto à caracterização da fraude por utilização de interpostas pessoas, já foi mencionado que o acórdão recorrido expressamente a reconheceu. De qualquer forma, é oportuno reproduzir alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal para se ter uma idéia mais detalhada do contexto dos fatos que motivaram a aplicação da multa qualificada (efls. 46/118 do volume III do eprocesso): I — CONTEXTO A presente ação de fiscalização foi oriunda de seleção interna efetuada pelo Setor de Programação Fiscal desta Delegacia, com base nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal, com o fito de compor o rol dos contribuintes fiscalizados no anobase de 2006. A presente ação versa sobre o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anos calendário 2003 e 2004. A empresa milita no ramo de Frigoríficos — Abate de bovinos e preparação de carnes e subprodutos. Ao começo da fiscalização a empresa tinha como sócios o senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.553 68 e a senhora MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391. Registrese que já passaram pelo quadro societário da empresa os senhores ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, CPF 120.803.73234 (excluído do CNPJ em 06/2003) e ROGÉRIO DA SILVA LOGRADO, CPF 257.362.21349 (excluído do CNPJ em 09/2003), bem como o senhor REGINALDO CABRAL SOUZA, CPF 010.861.41315 (excluído do CNPJ em 09/2004). É bom que se diga que depois de iniciada a fiscalização, o senhor PETERGIBSON DE CARVALHO, CPF 278.942.82200, adquiriu as quotas do senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO (excluído do CNPJ em 12/2006), ficando como responsável pela empresa perante o CNPJ. A empresa não apresentou DIPJ em relação aos anosbase fiscalizados (2003 e 2004), tendo apresentado no período fiscalizado a DIPJ 2006, relativa ao anobase 2005, na modalidade Lucro Presumido, declaração essa totalmente zerada, ou seja, sem nenhum valor de receita, despesa, imposto ou contribuição, sendo que a mesma, no mesmo período, esteve em franca atividade. Quanto as DCTF dos anos fiscalizados, elas foram transmitidas nos dias 13.03.2007 (anobase 2003) e 14.03.2007 (anobase 2004). Registrese que no dia 14.09.2006 a empresa fiscalizada aderiu ao PAEX (Parcelamento Excepcional), regido pela MP n° 303, de 29 de julho de 2006, alterada pela MP n° 315, de 03 de agosto de 2006 e pela Lei n° 11.371, de 28 de novembro de 2006. II — DAS MUTAÇÕES DO QUADRO SOCIETÁRIO [...] III — DA CONTABILIDADE E DAS DECLARAÇÕES DE RENDIMENTOS Fl. 790DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 18 17 Quando de nosso primeiro contato com a empresa notamos que a mesma estava omissa quanto à entrega das DIPJ, bem como também das DCTF, dos anosbase fiscalizados (2003 e 2004). Até aquele momento (fevereiro/2006) a empresa só havia apresentado a DIPJ do anobase 2001 (INATIVA). Posteriormente, nos dias 13 e 14 de marco de 2007, já sob fiscalização, a empresa apresentou as DCTF dos anosbase 2003 e 2004, contendo os seguintes débitos (valores em R$): Entregou também a DIPJ 2006, relativa ao anobase 2005, isso em 30.06.2006, porém, tal declaração não contempla nenhuma receita, despesas, tributo ou contribuição, ESTANDO TOTALMENTE ZERADA. De igual modo, já em 29.06.2007, a empresa apresentou a DIPJ 2007, ano base 2006, TOTALMENTE ZERADA, sendo representada por PETERGIBSON DE CARVALHO, e tendo FRANCISCO NEVES PEREIRA como responsável pelo preenchimento. Quanto à escrituração, apesar de instada pela Fiscalização em diversas ocasiões, a fiscalizada, até o presente momento, não apresentou o Livro Diário e o Livro Razão, tendo apresentado somente os livros fiscais estaduais (ICMS), com autenticação de 17.04.2006. Dos livros fiscais do ICMS obtivemos as seguintes informações contando apenas com os códigos de saídas que sofrem tributação: [...] Como vemos, mesmo sem nada ter declarado, antes da intervenção da Fiscalização, a empresa tinha. auferido vendas de R$ 55.370.938,61 (2003) e R$ 57.805.445,37 (2004), segundo seus próprios livros fiscais mantidos em face do fisco estadual do Pará. Estes valores, por si só, já obrigavam a empresa ao Lucro Real, em ambos os anos, e representam um movimento contábil de mais de R$ 110.000.000,00 no período, efetuando quase nenhum recolhimento, sem qualquer causa excludente/impeditiva da obrigação de pagar. IV — DOS PROCEDIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO [...] V — ARBITRAMENTO DO LUCRO — ANOSCALENDÁRIO 2003 E 2004. [...] VI —INFRAÇÕES APURADAS — ANOSCALENDÁRIO 2003 E 2004. [...] VII— APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA — INFRAÇÕES 1,2, 3 e 4 Como se depreende da leitura do presente relatório, não se trata de fraude isolada, como calçar nota ou emitir nota fria, ou mesmo deixar de emitila, mas sim de todo um contexto fraudatório entabulado pela organização encabeçada pelo nacional ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, onde largamente lançouse mão do uso de laranjas, de documentos ideológica e materialmente falsos, com o fito de escapar da ação do Fisco Federal, para que não se soubesse quem era o verdadeiro proprietário do estabelecimento industrial consubstanciado no FRIGORÍFICO INDUSTRIAL ELDORADO LTDA. Com isso, o lançamento que porventura fosse feito o seria em cima de "laranjas" sem patrimônio, cuja localização jamais nos foi demonstrada, levandonos a crer que tais pessoas — laranjas — são fruto Fl. 791DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 19 18 de documentos forjados, não tendo sequer existência material, visto que nunca apareceram ou travaram qualquer contato com a Fiscalização. Acerca de tal arcabouço fraudatório, é interessante lembrar o voto do Min. Ilmar Galvão no REsp 38281SP, abaixo transcrito. [...] Como no caso vertente, nos soa como fato inusitado que o senhor ROBERTO LOGRADO tenha vendido planta frigorífica que vale alguns milhões de reais por algumas dezenas de milhares de reais, cuja efetividade da transferência dos recursos sequer foi comprovada, dando inicio ao circulo de laranjas que depois se seguiu. Em face disso, como já sobredito, nas infrações de números 1 até 4, aplicamos a multa prevista no art. 44, inciso I, § 1° da Lei n ° 9.430/96, conforme abaixo descrito, que é a que se adéqua ao caso em tela. [...] Também os art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos art. 71 e 72. [...] (Grifei) O Termo de Verificação Fiscal traz uma enorme quantidade de informações sobre a fraude na interposição de pessoas, abrangendo inúmeras diligências e pesquisas sobre as pessoas envolvidas com a empresa autuada, fotografias de locais investigados, declarações colhidas com terceiros, informação sobre falsificação de procurações públicas, etc. Mas considerei desnecessário transcrever todas essas informações porque o acórdão recorrido claramente reconheceu que a fraude na interposição de pessoas estava devidamente comprovada. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 20 19 A questão que merece ser agora analisada é a repercussão dessa conduta fraudulenta no fato gerador dos tributos autuados, verificando em que medida ela contribuiu para a supressão dos tributos pela contribuinte. Não concordo com o entendimento de que a interposição de pessoas configura apenas fraude à execução da dívida, sem nenhuma implicação com o fato gerador dos tributos. Não tenho nenhuma dúvida de que a interposição de pessoas, especialmente quando é contemporânea dos fatos geradores, como ocorre no presente caso, tem também a finalidade de "impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais" (art. 71, I, da Lei 4.502/1964). A omissão na apresentação de declarações à Receita Federal e a apresentação de declarações zeradas, acompanhadas de recolhimento insignificante dos tributos devidos, é conduta que está totalmente relacionada à fraude na interposição de pessoas. Afinal, como poderia a Fiscalização obter informação de pessoas que constavam como responsáveis pela pessoa jurídica e que foram consideradas como fruto de documentos forjados, com a suspeita de que nem mesmo teriam existência material, que nunca apareceram ou travaram qualquer contato com a Fiscalização. O fato de, por circunstâncias posteriores, a Fiscalização conseguir obter parte das informações relativas à base tributável autuada não desqualifica a fraude perpetrada anteriormente, valendo lembrar que boa parte da autuação decorreu de depósitos bancários sem comprovação de origem. Nesse sentido, é oportuno destacar um outro trecho do Termo de Verificação Fiscal que representa bem o que está sendo dito nesse momento (efls 101 do volume III do e processo): 5 — OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Um dos fatos que nos causou mais estranheza foi o de que a movimentação financeira da empresa ultrapassava e muito o movimento demonstrado em seus livros fiscais (ICMS). Para se ter uma idéia, no anobase 2004, a empresa teve uma movimentação financeira de R$ 130.978.595,49, com vendas de R$ 57.805.445,37, mostrando uma divergência que ultrapassa os R$ 73 milhões. A implicação da conduta fraudulenta com os fatos geradores, e seu resultado na questão da supressão dos tributos é evidente. Basta ver que só o auto de infração de COFINS, abrangendo apenas uma das infrações apuradas (receitas operacionais extraídas dos livros do ICMS), que é objeto destes autos (lembrando que ainda houve autuação por depósitos bancários sem comprovação de origem matéria constante do processo de IRPJ e reflexos), ultrapassou o valor de dez milhões de reais. Outro aspecto bastante relevante é que não é correto restringir as ações fraudulentas previstas na Lei 4.502/1964 apenas às condutas que tem implicação com o "fato Fl. 793DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10218.000792/200713 Acórdão n.º 9101002.244 CSRFT1 Fl. 21 20 gerador da obrigação tributária principal", porque essa mesma lei também considera como sonegação a "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: [...] II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente". A utilização de interpostas pessoas também se enquadra perfeitamente nessa outra hipótese normativa, de modo que a aplicação da multa qualificada é perfeitamente cabível no caso sob exame. Nos presentes autos, a decisão deve ser no mesmo sentido do que já restou definitivamente decidido pelo CARF para os outros dois processos da mesma empresa, relativamente aos mesmos fatos autuados, conforme mencionado nos parágrafos anteriores. Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a multa qualificada de 150%. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 794DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10384.723949/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2013
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação.
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
Não há nulidade do ato quanto estão claramente descritos os motivos da autuação.
AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Não sendo apresentados todos os documentos solicitados, é cabível a aferição indireta da contribuição devida, com a inversão do ônus da prova.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA 02 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SERVIDORES CEDIDOS FILIADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO CEDENTE. REMUNERAÇÃO A CARGO DO ÓRGÃO CESSIONÁRIO. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Alega a contribuinte que não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a parte da remuneração a cargo do órgão cessionário, auferida por servidores cedidos, filiados a regime próprio de previdência do órgão de origem. Todavia, cabe ao interessado apresentar prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Inexiste nos autos prova de que os servidores cedidos sejam filiados a regime próprio.
VERBA DE PRODUTIVIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. BASE DE CÁLCULO.
Os valores relativos a produtividade integram a remuneração dos segurados e compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária.
ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO.
Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE.
A multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória e a multa de ofício aplicada sobre o valor original da contribuição apurada se referem a fatos distintos e podem ser aplicadas na mesma ação fiscal.
RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS. APROPRIAÇÃO NA AÇÃO FISCAL.
Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte são apropriados, prioritariamente, às contribuições dos segurados, arrecadadas, mediante desconto de sua remuneração, e não repassadas à Previdência Social, excluídos os valores declarados em GFIP.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não há nulidade do ato quanto estão claramente descritos os motivos da autuação. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Não sendo apresentados todos os documentos solicitados, é cabível a aferição indireta da contribuição devida, com a inversão do ônus da prova. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA 02 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SERVIDORES CEDIDOS FILIADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO CEDENTE. REMUNERAÇÃO A CARGO DO ÓRGÃO CESSIONÁRIO. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Alega a contribuinte que não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a parte da remuneração a cargo do órgão cessionário, auferida por servidores cedidos, filiados a regime próprio de previdência do órgão de origem. Todavia, cabe ao interessado apresentar prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Inexiste nos autos prova de que os servidores cedidos sejam filiados a regime próprio. VERBA DE PRODUTIVIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos a produtividade integram a remuneração dos segurados e compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO. Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória e a multa de ofício aplicada sobre o valor original da contribuição apurada se referem a fatos distintos e podem ser aplicadas na mesma ação fiscal. RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS. APROPRIAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte são apropriados, prioritariamente, às contribuições dos segurados, arrecadadas, mediante desconto de sua remuneração, e não repassadas à Previdência Social, excluídos os valores declarados em GFIP. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não há nulidade do ato quanto estão claramente descritos os motivos da autuação. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Não sendo apresentados todos os documentos solicitados, é cabível a aferição indireta da contribuição devida, com a inversão do ônus da prova. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA 02 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SERVIDORES CEDIDOS FILIADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO CEDENTE. REMUNERAÇÃO A CARGO DO ÓRGÃO CESSIONÁRIO. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Alega a contribuinte que não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a parte da remuneração a cargo do órgão cessionário, auferida por servidores cedidos, filiados a regime próprio de previdência do órgão de origem. Todavia, cabe ao interessado apresentar prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Inexiste nos autos prova de que os servidores cedidos sejam filiados a regime próprio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 39 49 /2 01 4- 81 Fl. 87712DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 VERBA DE PRODUTIVIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos a produtividade integram a remuneração dos segurados e compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO. Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória e a multa de ofício aplicada sobre o valor original da contribuição apurada se referem a fatos distintos e podem ser aplicadas na mesma ação fiscal. RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS. APROPRIAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte são apropriados, prioritariamente, às contribuições dos segurados, arrecadadas, mediante desconto de sua remuneração, e não repassadas à Previdência Social, excluídos os valores declarados em GFIP. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada). Relatório Fl. 87713DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.713 3 Tratamse de Recursos Voluntários interpostos nos autos do processo nº 10384.723949/201481, em face do acórdão nº 0957.822, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: 1. DAS AUTUAÇÕES Tratase de processo de Autos de Infração lavrados em razão do descumprimento de obrigações tributárias previdenciárias, do período de 01/2010 a 12/2011, conforme descrição abaixo, por número DEBCAD, em valores consolidados, de acordo com o Relatório Fiscal. 1.1) AI 51.065.3723: remuneração de policiais militares inativos (E1, E2) A presente autuação, no valor de R$1.183.485,84, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), apuradas a partir do pagamento/crédito de remuneração destinada a retribuir a prestação dos serviços de segurança, em caráter não eventual, realizados por policiais militares inativos da Polícia Militar do Estado do Piauí, junto a órgãos da Fundação Municipal de Saúde (FMS), contabilizada no elemento de despesa pública 319011 Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil. Intimado a prestar esclarecimentos, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 3, o contribuinte ratificou seu entendimento de ser indevida a contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados aos policiais “inativos”, integrantes do quadro de servidores inativos da Polícia Militar do Piauí, que prestam serviços de segurança junto aos órgãos da FMS. Diante da fragilidade dos esclarecimentos prestados, os policiais militares foram enquadrados como segurados empregados, de acordo com o art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 1991. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS1, registrados nas planilhas dos doc. 36 e 37 do processo e lançados no código de levantamento E1. Nas competências fev/2011, mar/2011, abr/2011 e jun/2011, a FMS deixou de apresentar à fiscalização os documentos comprobatórios do pagamento de remuneração aos policiais militares, solicitados através do TIF n° 3. Em resposta à intimação fiscal, o contribuinte informou não ser possível a identificação nominal dos prestadores de serviço relativo a alguns pagamentos relacionados no Anexo I, do Termo n.° 03, Fl. 87714DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 todavia, em se tratando dos pagamentos efetuados aos policiais militares, deverão ser considerados os mesmos constantes nas relações de outras competências apresentadas, já que não havia mobilidade para estes prestadores de serviço. Em consequência, a remuneração dos policiais nas referidas competências foi aferida com base no percentual médio da remuneração identificada nas demais competências do ano de 2011, conforme doc. 38, tendo como fundamentação legal o § 3o do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991. Os dados foram lançados no código de levantamento E2. 1.2) AI 51.065.3820: remuneração de policiais militares inativos (S1, S2): O presente AI, no valor de R$404.356,81, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas nos levantamentos S1 e S2, relativas aos mesmos fatos geradores apurados nos levantamentos E1 e E2 do AI 51.065.3723. 1.3) AI 51.065.3731: remuneração de estagiários (E3) A presente autuação, no valor de R$908.208,90, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, apuradas a partir do pagamento/crédito de remuneração a estagiários contratados pela FMS, sem a comprovação integral dos requisitos previstos na Lei nº 11.788, de 2008. Intimado a apresentar justificativas para a apresentação parcial das Apólices de Seguro, exigência legal contida no inciso IV do art. 9º da referida Lei, através do TIF nº 3, o contribuinte informou que não foi possível a localização das demais Apólices de Seguros referentes aos "Estagiários" que prestaram serviços à FMS. A Lei n° 11.788, de 2008, assim dispõe: Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: ... § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. ... Art. 15. A manutenção de estagiários em desconformidade com esta Lei caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. Diante do exposto, os estagiários foram caracterizados como empregados, nos termos do art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212, de Fl. 87715DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.714 5 1991, combinado com os dispositivos acima, sendo os dados apurados nos registros contábeis da FMS2, anexados ao processo por amostragem, registrados na planilha do doc. 39, e lançados no código de levantamento E3. 1.4) AI 51.065.3839: remuneração de estagiários (S3): O presente AI, no valor de R$320.259,16, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento S3, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento E3 do AI 51.065.3731. 1.5) AI 51.065.3740: remuneração “PLANTÕES HUT”, contabilizada no elemento de despesa 319011 (E4, E5, E6 e E7): A presente autuação, no valor de R$1.737.387,76, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, apuradas a partir do pagamento/crédito de remuneração, denominada “PLANTÕES HUT”, feita a servidores médicos plantonistas, em decorrência da prestação de serviços, de forma não eventual, junto ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), estabelecimento filial da FMS, contabilizada no elemento de despesa 319011 – Vencimentos e Vantagens Fixas – Pessoal Civil. Os referidos servidores foram enquadrados como segurados empregados, nos termos do art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, tendo em vista não constarem das relações de servidores filiados a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), solicitadas pela fiscalização e apresentadas pelo contribuinte, quais sejam, a relação de servidores filiados ao Instituto de Previdência do Município de Teresina (IPMT) e a relação de servidores filiados ao RPPS do Estado do Piauí (IAPEP), cedidos ao Município de Teresina, em razão de convênio estabelecido entre os entes. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS3 e através da documentação comprobatória da despesa realizada4, anexados ao processo por amostragem, tendo sido registrados na planilha do doc. 40 e lançados no levantamento E4. Nos meses mar/2011, set/2011 e nov/2011, a FMS deixou de apresentar à fiscalização os documentos comprobatórios do pagamento/crédito dos "PLANTÕES HUT", devidamente solicitados. Em resposta à intimação fiscal, o sujeito passivo informou que "não foi possível a identificação nominal dos prestadores de serviço relativo a alguns pagamentos relacionados no Anexo I, do Termo n.° 03. Em consequência, a remuneração “PLANTÕES HUT”, atribuída a servidores médicos não filiados a RPPS, foi aferida com base no percentual médio da remuneração paga aos mesmos plantonistas, nas demais competências do ano de 2011, conforme Fl. 87716DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 planilha do doc. 42, tendo como fundamentação legal o §3º do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991 e lançada no levantamento E7. Também foram apuradas neste AI as contribuições previdenciárias patronais e destinadas ao RAT, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração, denominada “PLANTÕES HUT”, contabilizada no elemento de despesa 319011 – Vencimentos e Vantagens Fixas – Pessoal Civil, feita a servidores efetivos, filiados a RPPS. De acordo com as cláusulas primeira e segunda do convênio firmado entre o Estado do Piauí e o Município de Teresina, os servidores foram cedidos com ônus para o Estado do Piauí, respondendo este pela remuneração dos cargos dos servidores, como se em exercício no órgão estadual estivessem, cabendo ao Município responder pelo pagamento das demais verbas remuneratórias, tais como plantão extra, hora extra, adicional noturno, produtividade e vantagens de natureza indenizatória. Dessa forma, a fiscalização caracterizou, como fato gerador de contribuição previdenciária para o RGPS, os pagamentos realizados pelo Município, através da Fundação, aos servidores cedidos, com fundamento no §1º do art. 13, combinado com o art. 12, I, “a”, da Lei n° 8.212, de 1991: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. § 1° Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades." Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS5 e através da documentação comprobatória da despesa realizada6, anexados ao processo por amostragem, e foram registrados na planilha do doc. 41 e lançados no código de levantamento E5. Nos meses mar/2011, set/2011 e nov/2011, a FMS deixou de apresentar à fiscalização os documentos comprobatórios do pagamento/crédito de remuneração denominada "PLANTÕES HUT", contabilizada no elemento de despesa pública 319011 Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil, solicitados através do TIF n° 3. Em resposta à intimação fiscal, o sujeito passivo informou que não foi possível a identificação nominal dos prestadores de serviço relativo a alguns pagamentos... Em consequência, a remuneração paga pela FMS, nos meses mar/2011, set/2011 e nov/2011, intitulada “PLANTÕES HUT”, atribuída a servidores cedidos, filiados a RPPS, com exercício de atividade, concomitantemente, abrangida pelo RGPS, foi aferida com base no percentual médio da remuneração paga aos mesmos plantonistas, nas demais competências do ano de 2011, conforme planilha do doc. 42, tendo como fundamentação legal Fl. 87717DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.715 7 o §3º do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991 e lançada no código de levantamento E6. 1.6) AI 51.065.3847: remuneração “PLANTÕES HUT” contabilizada no elemento de despesa 319011 (S4, S5, S6, S7) O presente AI, no valor de R$631.884,33, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas nos levantamentos S4, S5, S6 e S7 e aos mesmos fatos geradores apurados nos levantamentos E4, E5, E6 e E7 do AI 51.065.374 0. 1.7) AI 51.065.3758: remuneração “produtividade” contabilizada no elemento de despesa 319011 (E8): A presente autuação, no valor de R$719.055,94, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração, a título de produtividade, contabilizada no elemento de despesa pública 319011 Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil, efetuado a servidores estaduais prestadores de serviço no HUT. Intimado a prestar esclarecimentos, a FMS informou que, no Convênio de Cooperação Técnica estabelecido entre o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal, consta listagem contendo servidores cedidos da Secretaria de Saúde do Piauí para executarem suas funções no Hospital de Urgência de Teresina HUT, portanto, já que os mesmos possuem vínculo efetivo público, seus pagamento são isentos da contribuição previdenciária ao Regime Geral de Previdência Social, devido sua participação em regime de previdência próprio, qual seja o IAPEP Instituto de Assistência e Previdência do Estado do Piauí. Entretanto, da análise das cláusulas primeira e segunda do convênio, a fiscalização concluiu que os servidores foram cedidos com ônus para o Estado do Piauí, respondendo este pela remuneração dos cargos dos servidores, como se em exercício no órgão estadual estivessem, cabendo ao Município de Teresina responder pelo pagamento das demais verbas remuneratórias, tais como plantão extra, hora extra, adicional noturno, produtividade e vantagens de natureza indenizatória. Dessa forma, os pagamentos realizados pelo Município de Teresina, através da FMS, a servidores cedidos, a título de produtividade, sem incidência de contribuição previdenciária para o RPPS do Estado do Piauí, foram caracterizados pela fiscalização como ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária para o RGPS, com fundamento no §1º do art. 13 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 12, I, “a” da mesma Lei. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS7 e através da documentação comprobatória da despesa realizada8, tendo sido registrados na planilha do doc. 43 e lançados no código de levantamento E8. Fl. 87718DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 8 1.8) AI 51.065.3855: remuneração “produtividade” contabilizada no elemento de despesa 319011 (S8): O presente AI, no valor de R$255.273,65, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento S8, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento E8 do AI 51.065.3758. 1.9) AI 51.065.3766: remuneração de “Bolsistas Agentes da Paz” (E9): A presente autuação, no valor de R$62.712,36, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração feito a prestadores de serviço pessoas físicas, intitulados “Bolsistas Agentes da Paz”, em caráter não eventual, contabilizada no elemento de despesa pública 319011 – Vencimentos e Vantagens Fixas – Pessoal Civil. Intimado a prestar esclarecimentos, o contribuinte informou que não houve a devida contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos de remuneração sob a nomenclatura "Bolsa Programa Agentes da Paz que prestam serviços nas unidades de saúde desta FMS", e que os prestadores de serviço relacionados são realmente segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. Em face do exposto, os prestadores de serviços "Bolsistas Agentes da Paz" foram enquadrados como segurados obrigatórios do RGPS, na categoria "empregado", de acordo com o art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 1991. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS9 e registrados na planilha do doc. 45, tendo sido lançados no código de levantamento E9. 1.10) AI 51.065.3871: remuneração de “Bolsistas Agentes da Paz” (S9): O presente AI, no valor de R$18.555,13, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento S9, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento E9 do AI 51.065.3766. 1.11) AI 51.065.3774: remuneração de servidores, considerada (EA) e não considerada (EB) pelo contribuinte como base de cálculo das contribuições previdenciárias, constante da Folha de Pagamento Analítica de Servidores: A presente autuação, no valor de R$7.668.141,00, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração a servidores municipais, considerados empregados para o RGPS, relativa a rubricas salariais reconhecidas pelo contribuinte como base de cálculo das referidas contribuições. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS10 e através da documentação comprobatória da despesa realizada11. A Folha de Pagamento Analítica, Normal e Fl. 87719DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.716 9 Suplementar, apresentada em meio digital foi corroborada contabilmente pela fiscalização, conforme doc. 31 do processo. Os dados apurados foram registrados nas planilhas dos doc. 32, 33 e 34 do e lançados no levantamento EA. Os valores pagos pela empresa aos servidores, a título dos benefícios salário família e saláriomaternidade, através da Folha de Pagamento Analítica, foram registrados como dedução no levantamento EA. Relativamente às competências 01/2011 e 02/2011, 08/2011 e 12/2011, o valor da dedução foi lançado nos códigos de levantamentos SA e EB, respectivamente, tendo em vista não ter sido apurado débito no levantamento EA, para apropriação do valor da dedução. Os valores relativos aos benefícios saláriofamília e salário maternidade, declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, em montante acima do apurado pela fiscalização mediante a Folha de Pagamento Analítica dos servidores, foram glosados e lançados no código de levantamento EA. A fiscalização apurou ainda, através da Folha de Pagamento Analítica, o pagamento/crédito de remuneração, com incidência de contribuição previdenciária para o INSS, a servidores constantes da relação de segurados filiados ao RPPS do Município de Teresina (IPMT). Intimado a prestar esclarecimentos, a FMS informou que os servidores em questão foram incluídos indevidamente na relação de filiados ao IPMT, os quais são, na realidade, celetistas e, portanto, vinculados ao RGPS. Além disso, o presente AI inclui também a contribuição patronal previdenciária, incluindo RAT, incidente sobre rubricas salariais dos servidores caracterizados como empregados, com fundamento no art. 12, I, “a” da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 40, §13 da CF, de 1988, não reconhecidas como base de cálculo pelo contribuinte: PRODUTIVIDADE, 2o. TURNO, GRATIFICAÇÃO UTI, DIF. HORAS EXTRAS, GRAT. DE AUX. DE EQUIPE PSF, GRATIFICAÇÃO – JETON, ADICIONAL NOT. II, DIF. COMPLEM. COMISSIONADO, INCENTIVO DE PRODUÇÃO SUS, SUBSTITUIÇÃO DE DAM, entre outras. Intimado a prestar esclarecimentos, a FMS ratificou seu entendimento de que estes (as rubricas) não integram a base de cálculo para incidência da previdência geral/INSS. Em razão da fragilidade dos esclarecimentos prestados, os valores relativos às referidas rubricas foram lançados na autuação como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 87720DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 10 Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS12 e através da documentação comprobatória da despesa realizada13 e registrados nos doc. 32, 33 e 34, tendo sido lançados no código de levantamento EB. 1.12) AI 51.065.3880: remuneração de servidores, reconhecida pelo contribuinte como base de cálculo das contribuições previdenciárias, constante da Folha de Pagamento Analítica de Servidores (SA): O presente AI, no valor de R$230.796,26, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SA, e são relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EA do AI 51.065.3774. 1.13) AI 51.065.3863: remuneração de servidores, não reconhecida pelo contribuinte como base de cálculo das contribuições previdenciárias (SB) e contribuições descontadas a menor (SD), verificadas na Folha de Pagamento Analítica de Servidores: O presente AI, no valor de R$1.770.932,91, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SB, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EB do AI 51.065.3774. Também se refere às contribuições dos segurados, apuradas a partir base de cálculo considerada como tal pelo contribuinte, verificada na Folha de Pagamento Analítica dos servidores, mas com desconto a menor da contribuição devida, registradas no levantamento SD. 1.14) AI 51.065.3995: remuneração de servidores considerados empregados, não relacionados como filiados a RPPS, conforme Folha de Pagamento Analítica (EP): A presente autuação, no valor de R$3.259.884,65, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração a servidores municipais, considerados empregados para o RGPS, não constantes das relações de servidores filiados a RPPS do Município ou do Estado do Piauí. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS14, e através da documentação comprobatória da despesa realizada15, registrados na planilha do doc. 35 e lançados no levantamento EP. Os valores pagos pela empresa aos servidores, a título dos benefícios saláriofamília e saláriomaternidade, através da Folha de Pagamento Analítica, foram registrados como dedução no código de levantamento EP. 1.15) AI 51.065.4010: remuneração de servidores considerados empregados, não relacionados como filiados a RPPS, conforme Folha de Pagamento Analítica (SP): O presente AI, no valor de R$1.149.551,71, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SP, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EP do AI 51.065.3995. Fl. 87721DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.717 11 1.16) AI 51.065.3782: remuneração de servidores empregados – rubricas salariais abono de férias, dif. abono de férias e 1/12 de abono de férias, não consideradas como base de cálculo pelo contribuinte, constantes da Folha de Pagamento Analítica (EC): A presente autuação, no valor de R$397.978,32, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidentes sobre as rubricas salariais 71Abono de Férias, 72 Dif. Abono de Férias e 2621/12 de abono de férias, não reconhecidas como base de cálculo pelo contribuinte. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS16, e através da documentação comprobatória da despesa realizada17, registrados nos doc. 32, 33, 34 e 35 do processo e lançados no código de levantamento EC. 1.17) AI 51.065.3898: remuneração de servidores empregados – rubricas salariais abono de férias, dif. abono de férias e 1/12 de abono de férias, não consideradas como base de cálculo pelo contribuinte, constante da Folha de Pagamento Analítica (SC): O presente AI, no valor de R$128.862,37, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SC, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EC do AI 51.065.3782. 1.18) AI 51.065.3987: remuneração de servidores efetivos cedidos, filiados a RPPS, constante da Folha de Pagamento Analítica (EE): A presente autuação, no valor de R$188.681,50, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidente sobre o pagamento/crédito de remuneração a servidores efetivos cedidos, filiados a RPPS (IAPEP), em razão de convênio celebrado entre o Município de Teresina e o Estado do Piauí. Da análise das cláusulas primeira e segunda do convênio firmado, a fiscalização concluiu que os servidores foram cedidos com ônus para o Estado do Piauí, respondendo este pela remuneração dos cargos dos servidores, como se em exercício no órgão estadual estivessem, cabendo ao Município de Teresina responder pelo pagamento das demais verbas remuneratórias, tais como plantão extra, hora extra, adicional noturno, produtividade e vantagens de natureza indenizatória. Dessa forma, os referidos pagamentos/créditos foram caracterizados como fato gerador de contribuição previdenciária para o RGPS, com fundamento no §1º do art. 13, combinado com o art. 12, I, “a”, da Lei n° 8.212, de 1991, e §13 do art. 40 da CF, de 1988. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS18 e através da documentação comprobatória da despesa realizada19, foram registrados na planilha do doc. 44 e lançados no código de levantamento EE. Fl. 87722DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 12 1.19) AI 51.065.4002: remuneração de servidores efetivos cedidos, filiados a RPPS constante da Folha de Pagamento Analítica (SE): O presente AI, no valor de R$53.014,43, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SE, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EE do AI 51.065.3987. 1.20) AI 51.065.3790: remuneração de servidores efetivos cedidos, não filiados a RPPS (EG) e remuneração de servidores municipais, reconhecida pelo contribuinte como base de cálculo (EF), constantes da Folha de Pagamento Avulsa: A presente autuação, no valor de R$205.658,64, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidente sobre o pagamento/crédito de remuneração de servidores municipais, considerados empregados, com fundamento no art. 12, I, “a” da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 40, §13 da CF, de 1988, em razão de seus nomes não constarem das relações de segurados filiados a RPPS (IAPEP e IPMT), fornecidas pelo contribuinte. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS20 e da documentação comprobatória da despesa realizada21, registrados na planilha do doc. 46 e lançados no levantamento EG. Na autuação também foram incluídos os valores de pagamento/crédito de remuneração de servidores municipais empregados, reconhecida como base de cálculo pelo contribuinte, com o desconto e a arrecadação da contribuição dos segurados. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS22 e da documentação comprobatória da despesa realizada23, registrados na planilha do doc. 46 e lançados no levantamento EF. 1.21) AI 51.065.3901: remuneração de servidores efetivos cedidos, filiados a RPPS, constante da Folha de Pagamento Avulsa (SG): O presente AI, no valor de R$32.142,04 se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SG, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EG do AI 51.065.3790. 1.22) AI 51.065.3910: remuneração de servidores municipais, reconhecida pelo contribuinte como base de cálculo, constante da Folha de Pagamento Avulsa (SF) O presente AI, no valor de R$30.784,11 se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SF, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EF do AI 51.065.3790. 1.23) AI 51.065.3804: remuneração “produtividade” (EH), contabilizada nos elementos de despesa 319011 e 339092: Fl. 87723DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.718 13 A presente autuação, no valor de R$684.994,07, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incluindo RAT, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração, a título de produtividade, contabilizada nos elementos de despesa pública 319011 Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil e 339092 – Despesa de Exercícios Anteriores, efetuado a prestadores de serviço considerados empregados, com fundamento no art. 12, I, “a” da Lei º 8.212, de 1991, por não constarem das relações de servidores filiados a RPPS (IPMT e IAPEP), fornecidas pelo contribuinte. Os dados foram apurados nos registros contábeis da FMS (Balancete Analítico Mensal, Acompanhamento da Execução Orçamentária Mensal, Consistência de Pagamentos) e através da documentação comprobatória da despesa realizada24, anexadas ao processo. Os referidos dados foram registrados na planilha do doc. 47 e no código de levantamentos EH. 1.24) AI 51.065.3928: remuneração “produtividade” (SH), contabilizada nos elementos de despesa 319011 e 339092: O presente AI, no valor de R$249.941,93 se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas no levantamento SH, relativas aos mesmos fatos geradores apurados no levantamento EH do AI 51.065.3804. 1.25) AI 51.065.3812: remuneração de contribuinte individual, reconhecida como base de cálculo pelo contribuinte (EI, EL), não reconhecida como base de cálculo pelo contribuinte (EJ, EM) e de pessoas físicas não identificadas (EK, EN): A presente autuação, no valor de R$1.789.082,40, se refere às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração a segurados do RGPS contribuintes individuais, reconhecida pelo contribuinte como base de cálculo, lançadas nos levantamentos EI, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2010, e EL, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2011. Também se refere às mesmas contribuições, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração a segurados do RGPS contribuintes individuais, não reconhecida pelo contribuinte como base de cálculo, lançadas nos levantamentos EJ, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2010, e EM, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2011. Os dados foram apurados nos registros contábeis da Fundação (Balancete Analítico Mensal, Acompanhamento da Execução Orçamentária Mensal, Consistência de Pagamentos) e através da documentação comprobatória da despesa realizada25, anexados ao processo, por amostragem. Os referidos dados foram registrados na planilha do doc. 48 e lançados nos códigos de levantamentos EI, EL, EJ, EM. Fl. 87724DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 14 Este AI se refere ainda às mesmas contribuições, incidentes sobre o pagamento/crédito de remuneração a pessoas físicas não identificadas pelo contribuinte, não considerada base de cálculo, lançadas nos levantamentos EK (2010) e EN (2011), contabilizados no elemento de despesa pública 339036 – Outros Serviços Terceiros – Pessoa Física. Em razão da não identificação dos beneficiários dos pagamentos realizados, a qual foi devidamente solicitada pela fiscalização, os mesmos foram enquadrados como segurados contribuintes individuais, com fundamento no art. 33, §3º da Lei nº 8.212, de 1991, conforme planilha do doc. 49 do processo. 1.26) AI 51.065.3936: remuneração de contribuinte individual, reconhecida como base de cálculo pelo contribuinte (SI, SL): O presente AI, no valor de R$95.934,00, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas nos levantamentos SI (2010) e SL (2011), relativas aos mesmos fatos geradores apurados nos levantamentos EI e EL, no AI 51.065.3812. 1.27) AI 51.065.3944: remuneração de contribuinte individual, não reconhecida como base de cálculo pelo contribuinte (SJ, SM) e remuneração de contribuinte individual não identificado pelo contribuinte (SK, SN): A presente autuação, no valor de R$905.796,42, se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas nos levantamentos SJ (2010) e SM (2011), relativas aos mesmos fatos geradores apurados nos levantamentos EJ e EM, no AI 51.065.3812. Também se refere às contribuições previdenciárias dos segurados, agrupadas nos levantamentos SK (2010) e SN (2011), relativas aos mesmos fatos geradores apurados nos levantamentos EK e EN, no AI 51.065.3812. 1.28) AI 51.065.3952: multa acessória (FL 35) A presente autuação se refere à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$18.128,43, prevista no art. 283, II, “b” do RPS, em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar à fiscalização os elementos comprobatórios que identificassem os beneficiários dos pagamentos realizados a prestadores de serviço pessoas físicas, solicitados através do TIF nº 3, item IV, Anexo I. O contribuinte, em resposta à intimação, informou não ser possível a identificação nominal dos prestadores de serviço, relativa a alguns pagamentos relacionados pela fiscalização. 1.29) AI 51.065.3960: multa acessória (FL 59) A presente autuação se refere à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$1.812,87, prevista no art. 283, I, “g” do RPS, em razão de o contribuinte ter deixado de arrecadar, mediante desconto da remuneração de segurados enquadrados como empregados e Fl. 87725DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.719 15 contribuinte individuais do RGPS, a contribuição previdenciária a cargo do segurados. 1.30) AI 51.065.3979: multa acessória (FL 30) A presente autuação se refere à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$1.812,87, prevista no art. 283, I, “a” do RPS, em razão de o contribuinte ter deixado de preparar folhas de pagamento de todos os segurados, de acordo com os padrões e normas do INSS. 1.31) Dos termos comuns a várias autuações: O Relatório Fiscal acrescenta que a falta de recolhimento de contribuição destinada à Previdência Social, que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, configura, "em tese", o crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no art. 168A, I do Código Penal Brasileiro, e enseja a emissão de representação ao Ministério Público Federal. Da mesma forma, a falta de declaração de fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP configura, “em tese”, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, I, do Código Penal, e enseja a emissão de representação ao Ministério Público Federal. 2. DA CIÊNCIA E DAS IMPUGNAÇÕES A ciência das autuações foi realizada pessoalmente em 30/12/2014, conforme assinatura aposta nas folhas de rosto dos Autos de Infração (fls. 3,20,35,54,69,79,99,114,130,145,161,176,190,207,221,235,244,2 56,270,282,293,307,317,331, 332,333,334,351,368 e 383 dos autos). O contribuinte apresentou impugnações para cada DEBCAD, as quais formaram o processo nº 10384.720255/201573, com data de protocolo de 28/01/2015. As referidas impugnações foram copiadas para o presente processo, às fls. 84159/86329, sendo aquele arquivado. Os argumentos do contribuinte, apresentados em cada uma das impugnações, são descritos abaixo, sob a identificação do DEBCAD em cuja impugnação aparecem pela primeira vez, na seqüência de peças juntadas ao processo. 2.1) Da impugnação ao AI 51.065.3944 (fls. 84160) Preliminar de cerceamento do direito de defesa. Autuação que desrespeita os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Nulidade material da autuação.Após discorrer sobre os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, citando doutrina e dispositivos constitucionais, destaca que a fiscalização apresentou informações descontextualizadas e relativas a diversos servidores, Fl. 87726DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 16 classificandoos como prestadores de serviços à Fundação Municipal de Saúde, gerando a impossibilidade de defesa. Nesse sentido, alega a necessidade de se saber a origem do vínculo dos referidos servidores, apuração que, a seu ver, não pode ser realizada com base nos registros contábeis da Fundação, Balancete Analítico Mensal, Acompanhamento de Execução Orçamentária e Consistência de Pagamentos, além de Folhas de Pagamento dos servidores, mas sim, por categoria de vínculos. Diz que a presente autuação inclui verbas de servidores vinculados a RPPS, cedidos pelo Estado do Piauí e prestadores de serviço eventuais, os quais não foram discriminados, o que cerceia seu direito de defesa, uma vez que não pode se defender de uma acusação da qual não sabe exatamente o motivo determinante. Por conseguinte, considera inconstitucional e ilegal a conduta da Administração Pública, que autuou a defendente de forma injustificada, em ofensa ao art. 5º, LIV e LV, e 37 da Constituição Federal, e aos artigos 142 do CTN, 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1971. Nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação O impugnante argui a nulidade da autuação por ausência de motivação, alegando que a fiscalização deveria ter motivado e especificado quais foram os motivos do pagamento aos servidores classificados como prestadores de serviço, não tendo se atentado “que estes pagamentos são a título de compras de materiais e de indenizações pagas a seus servidores.” Discorre acerca da necessária motivação do ato administrativo, entendida como a declaração escrita do motivo que levou à prática do ato, citando doutrina, os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999, e julgado administrativo. Requer, em razão da ausência de motivação da autuação, a sua insubsistência. Da impossibilidade do arbitramento da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre pagamentos a pessoas físicas não identificadas. Violação dos princípios da razoabilidade, legalidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. O impugnante cita o art. 142 do CTN e afirma que o lançamento está embasado apenas no arbitramento, por falta de apresentação de documentação suficiente à fiscalização. Pondera ser a entidade um ente público, que disponibilizou à fiscalização o máximo de documentos exigidos, não podendo a não apresentação de um deles ser suficiente para a autoridade fiscal arbitrar de ofício. Afirma ser firme a doutrina quanto à necessidade de efetiva e minuciosa investigação para a constituição de lançamento válido, sob pena de nulidade. Discorre acerca do lançamento válido e seus requisitos. Fl. 87727DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.720 17 Alega que “sem a comprovação por parte da autoridade administrativa da ocorrência do fato gerador (não registro das notas fiscais de compra), suportada em mera presunção, como é o caso, não há como ser exercido pelo contribuinte o direito à sua ampla defesa.” Afirma que o fisco deve apresentar a prova primária para o lançamento, cabendo ao contribuinte infirmála, conforme doutrina que cita. Diz que o ato administrativo está subordinado ao princípio da legalidade e que a forma empregada pela fiscalização para tributar, através do arbitramento, afronta os princípios da razoabilidade, legalidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva e segurança jurídica. Discorre acerca do princípio da tipicidade tributária, citando doutrina, e afirma que, no caso, o contribuinte “demonstrou que apresentou todos os documentos e elementos necessários para o trabalho da fiscalização.” Destaca que “a norma individual e concreta em comento entendeu que a recorrente comprou mercadorias sem registrá las na sua contabilidade constituindo estoque paralelo de mercadorias, o que não é verdade em virtude da documentação aqui anexada – como conseqüência lógica da inexatidão do critério material”, o que viola os princípios citados. Citando julgado, afirma a importância do princípio da verdade material e afirma ser carente a prova do fisco, “que deixou de aprofundar as investigações tendentes a verificar o possível enquadramento dos servidores estaduais no Regime Geral de Previdência para ensejar o fato gerador da contribuição previdenciária devida. Discorre acerca da vedação ao confisco, com base no art. 150, IV, da Constituição Federal e doutrina que cita. Citando a EC 20/98, conclui que, se por ocasião da aposentadoria dos servidores, “não será percebida a remuneração auferida na ativa concernente ao exercício do cargo em comissão, não faz o menor sentido, que sobre o percebido a título de função gratificada incida o percentual relativo à contribuição previdenciária”, sob pena de ocorrer confisco. Do levantamento equivocado da fiscalização pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre determinadas rubricas contábeis. Da impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí. O impugnante afirma ter o agente fiscal enquadrado, como segurado obrigatório do RGPS, com base em rubricas contábeis, prestadores de serviço pessoas físicas que fazem parte de Regime Próprio de Previdência Social de Teresina e ou foram Fl. 87728DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 18 cedidos pelo Governo do Estado do Piauí, os quais, por esta razão, devem ser excluídos da base de cálculo. Discorre acerca do princípio da igualdade e da isonomia, citando doutrina. Considerando as alterações trazidas pela Lei nº 9.876, de 1999, e pela EC 20, de 1998, aduz que, “como o valor recebido por produtividade não integrará a remuneração para fins de aposentadoria dos servidores e considerando o caráter contributivo do regime previdenciário esculpido no texto constitucional, não há como reputar legítimo o desconto previdenciário sobre a parcela recebida temporariamente pelo exercício nas estruturas da FMS.” Afirma não poder subsistir o entendimento fiscal, visto não restar comprovado o suporte fático previsto no parágrafo único do art. 13 da Lei nº 8.212, de 1991: a concomitância de atividades sujeitas a regimes diversos, considerando que os servidores cedidos estão afastados de seus cargos de origem para terem exercício em outro órgão público. Argui que “diante da ausência de previsão legal para a exigência da contribuição previdenciária, no caso de servidores públicos cedidos a entidades submetidas a regime de previdência diverso e servidores públicos integrantes do RPPS, é irrelevante a existência, de fato, dos elementos definidores da relação de emprego, que caracterizariam o enquadramento na categoria de segurado da Previdência Social e obrigariam o recolhimento de contribuição previdenciária. Tampouco há que se perquirir a ocorrência de vício na relação de origem entre o servidor e a Fundação Municipal de Saúde.” Aduz que o §2º do art. 13 da Lei nº 8.212, de 1991, corrobora o acerto da solução ao caso concreto. Diz que, de acordo com o entendimento fiscal, “os servidores efetivos que são cedidos a outros entes públicos, por exercerem a mesma função, contribuirão a mais que os servidores que possuem apenas o cargo efetivo, sem, todavia, perceberem benefício superior a estes quando da aposentação”, o que viola o princípio da isonomia. Reitera que, após a promulgação da EC 20/98, todas as normas infraconstitucionais que determinam o desconto da contribuição previdenciária sobre verbas remuneratórias que não mais integrarão a aposentadoria ou pensão, perderam validade material e formal, porquanto o referido tributo somente pode ter como hipótese de incidência o valor dos vencimentos do cargo efetivo, conforme julgados que menciona. Alega que, para haver a vinculação ao RGPS do servidor sujeito a RPPS, deve ocorrer o exercício concomitante de duas atividades, uma decorrente do vínculo estatutário e outra do celetista, conforme interpretação do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 8.212, de 1991, o que não restou comprovado pela fiscalização. Do pedido Fl. 87729DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.721 19 Requer, ao fim, a anulação da autuação, em virtude da violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, da ausência de motivação para sua lavratura, da violação ao art. 142 do CTN, face à ausência de descrição suficiente do ilícito fiscal apurado. Por outro lado, requer seja reformada a autuação, em virtude da impossibilidade de cobrança da contribuição de servidores vinculados a RPPS e cedidos pelo Estado do Piauí à Fundação, e que a mesma seja anulada, por violação aos princípios da tipicidade cerrada e da segurança jurídica, por estar lastreada em meros indícios. 2.2) Das impugnações aos AI 51.065.3952 – FL 35 (fls. 84247), AI 51.065.3960 – FL 59 (fls 84269) e AI 51.065.3979 – FL 30 (fls 84287) Da impossibilidade de concomitância das multas acessórias e da multa de lançamento de ofício Nestas impugnações, o contribuinte entende ter havido dupla penalização sobre o mesmo fato jurídico, do qual decorreu o lançamento de ofício. Afirma ter sido autuado “por não prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, os quais estão sendo exigidas as multas por falta de entrega de declaração de ajuste” e que “a multa por falta destas informações tivera como base de cálculo o tributo devido e apurado na ação fiscal, que também serviu de base para a multa de ofício de 75%.” Alega, assim, estarem sendo exigidas duas multas sobre uma mesma irregularidade: uma de ofício, de 75%, e uma de mora, de 20%, por atraso na entrega das declarações. Isso porque, “para o caso da penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, tratase de norma geral que estabelece o percentual da penalidade a ser aplicada para os casos de falta de pagamento, pagamentos após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, falta de declaração e/ou declaração inexata, enquanto o art. 88, inciso I, §1º alínea “a” da Lei nº 8.981/95 trata da multa de mora aplicada por falta ou atraso na entrega da declaração quando não ocorrer o lançamento de ofício para exigir o imposto de renda não declarado ou declarado depois do prazo estabelecido em lei.” Entende ter havido um “excesso punitivo”, que caracteriza confisco, não havendo que se falar em distinção das multas previstas nos dispositivos citados. Cita decisões administrativas para corroborar seu argumento. Afirma a impossibilidade de concomitância de dupla penalização sobre o mesmo fato jurídico, “não podendo incidir a multa de ofício cumulada com a multa por falta de entrega de declaração de ajuste.” Fl. 87730DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 20 Aduz ser inaplicável a multa por “não deixar de prestar informações”, prevista no art. 32, III, da Lei nº 8.212, de 1991, a multa por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas, prevista no art. 30, I, “a”, ou a multa por “não deixar de preparar as folhas de pagamento”, prevista no art. 32, I, todos da citada Lei nº 8.212, de 1991, com a multa genérica prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, exigível juntamente com a contribuição previdenciária devida. Reitera que a multa de mora é aplicada quando o contribuinte não entrega a sua declaração de ajuste ou a entrega em atraso, desde que não tenha ocorrido o lançamento de ofício cumulado com a multa de 75%, de forma que a imputabilidade da multa de ofício exclui a multa por ausência de informação, sob pena de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato jurídico. Do pedido Pede, ao fim, a improcedência das autuações. 2.3) Da impugnação ao AI 51.065.3987 (fls. 84305) O impugnante afirma ter sido autuado, através do AI 51.065.3740 (sic), no valor de R$188.681,50, em razão do pagamento ou crédito de remuneração, a favor de servidores efetivos cedidos ao Município de Teresina pelo Estado do Piauí, filiados a Regime Próprio de Previdência Social, para exercerem suas funções no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), e apresenta os argumentos abaixo. Dos servidores vinculados a outro ente público. Ausência de contributividade. Impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Servidores cedidos pelo Estado A impugnante afirma que os médicos plantonistas que prestaram serviços em caráter não eventual à FMS, enquadrados como segurados obrigatórios do RPGS pela fiscalização, são servidores cedidos pelo Estado do Piauí ao Município de Teresina, por meio de um convênio celebrado entre os entes, que auferem seus vencimentos pelo Estado e participam de Regime Próprio de Previdência, o IAPEP, sendo desnecessária a contribuição previdenciária para o Regime Geral. Discorre acerca do princípio da igualdade e da isonomia e alega que, no caso, não se trata de exercício concomitante de atividades, mas de atividade única, pelo que fica descaracterizado o enquadramento dos servidores como segurados obrigatórios do RGPS. Aduz que, em decorrência de alterações normativas, inclusive com o advento da EC 20/98, os proventos de aposentadoria dos servidores passaram a ser calculados apenas sobre o vencimento do cargo efetivo, excluídos os valores recebidos por produtividade ou cessão, de forma que “não há como reputar legítimo o desconto previdenciário sobre a parcela recebida temporariamente pelo exercício na FMS.” Fl. 87731DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.722 21 Afirma não restar comprovado o suporte fático previsto no art. 13 da Lei nº 8.212, de 1991: a concomitância de atividades sujeitas a regimes diversos, visto que os servidores cedidos estão afastados de seus cargos de origem para terem exercício em outro órgão público. Argui que “diante da ausência de previsão legal para a exigência da contribuição previdenciária, no caso de servidores públicos cedidos a entidades submetidas a regime de previdência diverso, é irrelevante a existência, de fato, dos elementos definidores da relação de emprego, que caracterizariam o enquadramento na categoria de segurado da Previdência Social e obrigariam o recolhimento de contribuição previdenciária. Tampouco há que se perquirir a ocorrência de vício na relação de origem entre o servidor e o HUT.” Aduz que a Lei nº 9.876, de 1999, criou hipótese específica, aplicável aos servidores cedidos, o §2º do art. 13 da Lei nº 8.212, de 1991, que corrobora o acerto da solução no caso concreto. Diz que o entendimento fiscal viola o princípio da isonomia, pois a contribuição para regimes previdenciários dos servidores efetivos cedidos seria maior que a contribuição dos servidores efetivos não cedidos, sem haver compensação futura quando da aposentação. Reitera que, após a promulgação da EC 20/98, todas as normas infraconstitucionais que determinam o desconto da contribuição previdenciária sobre verbas remuneratórias que não mais integrarão a aposentadoria ou pensão, perderam validade material e formal, porquanto o referido tributo somente pode ter como hipótese de incidência o valor dos vencimentos do cargo efetivo, conforme julgados que transcreve. Reitera ainda que, para haver a vinculação ao RGPS do servidor sujeito a RPPS, deve ocorrer o exercício concomitante de duas atividades, uma decorrente do vínculo estatutário e outra do celetista, conforme interpretação do art. 13, parágrafo único, da Lei nº 8.212, de 1991, o que não restou comprovado pela fiscalização. Do caráter indenizatório dos valores pagos aos servidores efetivos cedidos, filiados a regime de previdência social e da impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Neste ponto, alega que a autuação não pode prosperar, em razão do caráter indenizatório, e não remuneratório, da produtividade, conforme art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e julgados que cita. Cita posicionamento do STF, segundo o qual “as parcelas que tenham caráter indenizatório e não habitual estão fora do alcance do conceito de salário e, conseqüentemente, do âmbito da incidência das contribuições previdenciárias.” Fl. 87732DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 22 Da impossibilidade da fiscalização estabelecer a existência de pagamento a médicos plantonistas com base em meros indícios. Violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, segurança jurídica e da vedação ao confisco O impugnante entende que o cerne da questão é a verificação do correto enquadramento dos médicos no RGPS, para ensejar o fato gerador da contribuição lançada. Citando o art. 142 do CTN, diz que “a exigência tributária deve ser suportada por efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido”, sob pena de nulidade, e que o presente lançamento está embasado apenas em análise superficial dos livros fiscais e contábeis da recorrente. Afirma que, “sem a comprovação por parte da autoridade administrativa da ocorrência do fato gerador (não registro das notas fiscais de compra), suportada em mera presunção, como é o caso”, não há como o contribuinte exercer o seu direito à ampla defesa. Aduz caber ao fisco a apresentação da prova primária do lançamento, enquanto cabe ao contribuinte infirmála, conforme doutrina que cita. Diz que o ato administrativo está subordinado ao princípio da legalidade e que a forma empregada pela fiscalização para tributar afronta os princípios da legalidade, da capacidade contributiva, da tipicidade cerrada e da segurança jurídica. Discorre acerca do lançamento como uma norma individual e concreta, que deve observar os princípios citados, e que, no caso, o contribuinte “demonstrou que os servidores estaduais cedidos fazem parte de regime próprio de previdência do Estado do Piauí.” Destaca que “a norma individual e concreta em comento entendeu que a recorrente comprou mercadorias sem registrá las na sua contabilidade constituindo estoque paralelo de mercadorias, o que não é verdade em virtude da documentação aqui anexada – como conseqüência lógica da inexatidão do critério material”, o que novamente viola os princípios citados. Citando julgado, afirma a importância do princípio da verdade material e afirma ser carente a prova do fisco, “que deixou de aprofundar as investigações tendentes a verificar o possível enquadramento dos servidores estaduais no Regime Geral de Previdência para ensejar o fato gerador da contribuição previdenciária devida.” Discorre acerca da vedação ao confisco, com base no art. 150, IV, da Constituição Federal e doutrina que cita. Citando a EC 20/98, conclui que, se por ocasião da aposentadoria dos servidores, “não será percebida a remuneração auferida na ativa concernente ao exercício do cargo em comissão, não faz o menor sentido, que sobre o percebido a título de função gratificada incida o percentual relativo à contribuição previdenciária”, sob pena de ocorrer confisco. Fl. 87733DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.723 23 Do pedido Pede, ao fim, a improcedência da autuação. 2.4) Da impugnação ao AI 51.065.3995 (fls 84352) O impugnante afirma ter sido autuado, através do AI 51.065.4010 (sic), no valor de R$3.259.884,65, em razão do pagamento ou crédito de rubricas salariais, sem incidência de contribuição previdenciária, realizado pela FMS, a favor de servidores municipais, enquadrados como segurados obrigatórios do RGPS, tendo em vista não constatem das relações de servidores filiados a RPPS, solicitadas pela fiscalização através de termos próprios. Repete alguns argumentos das impugnações anteriores, a saber, a ocorrência de ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, a nulidade material da autuação e a existência de ilegalidades e inconstitucionalidades. Nesse sentido, afirma que a fiscalização suscitou, genericamente, a ausência de recolhimentos de diversas verbas, como ABONO DE FÉRIAS, DIF. ABONO DE FÉRIAS, 1/12 ABONO DE FÉRIAS, “entre outras”, sem discriminar a origem do vínculo dos servidores. Reitera a nulidade da autuação por ausência de motivação e a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Neste ponto, afirma que a fiscalização considerou todos os servidores públicos da FMS como vinculados ao RGPS, deixando de excluir aqueles vinculados ao RPPS e os cedidos, “entre outros”. Em seguida, repete o argumento de equívoco do levantamento, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, incidente sobre certas rubricas contábeis, e a impossibilidade de exigência da referida contribuição de servidores públicos vinculados a RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Argui o caráter indenizatório e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas apuradas a título de ABONO DE FÉRIAS, DIFERENCIAL DE ABONO DE FÉRIAS e 1/12 DE ABONO DE FÉRIAS, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, de julgados que transcreve e de entendimento do STF, já citado. Do dever de obediência à regra de imputação de pagamento de débitos tributários, previsto no art. 163 do CTN, e da inexistência de apropriação indébita previdenciária Sob esse título, o impugnante discorre acerca do instituto da “imputação” do pagamento, afirmando que, no caso das Fl. 87734DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 24 contribuições previdenciárias, recolhidas por meio de guia genérica, que aloca várias rubricas em um único campo, a Administração Pública deve observar o disposto no art. 163 do CTN, o que não foi feito, conforme se verifica às fls. 107/110 do autos [...]. Aduz que, considerando que os valores recolhidos pelo contribuinte quitam os débitos apontados como de apropriação indébita, retidos dos segurados e não repassados à previdência social, deveria ter sido feita a imputação dos valores recolhidos aos referidos débitos, os quais decorrem de responsabilidade tributária (art. 163, I, do CTN), conforme julgados que transcreve. Conclui dever ser afastada, por conseguinte, a existência de apropriação indébita no presente caso. Requer o mesmo das impugnações anteriores, além de que sejam excluídas da autuação as verbas de natureza indenizatória e que seja afastada a imputação de apropriação indébita de contribuição previdenciária. 2.5) Da impugnação ao AI 51.065.4002 (fls 84450) O impugnante afirma ter sido autuado, através do AI 51.065.3740 (sic), no valor de R$53.014,13, em razão do pagamento ou crédito de remuneração, a favor de servidores efetivos cedidos ao Município de Teresina pelo Estado do Piauí, filiados a RPPS, para exercerem suas funções no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Repete o argumento relatado acima de que os servidores incluídos na autuação são vinculados outro ente público, o Estado do Piauí, do que decorre a ausência de contributividade e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Em seguida, repete o argumento do caráter indenizatório dos valores pagos aos servidores cedidos, filiados a regime próprio de previdência, e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Repete ainda o argumento de impossibilidade de a fiscalização estabelecer a existência de pagamentos a médicos plantonistas com base em meros indícios, além de violação aos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.6) Da impugnação ao AI 51.065.4010 (fls 84495) O impugnante afirma ter sido autuado, através do referido AI, no valor de R$1.149.551,71, em razão do pagamento ou crédito de rubricas salariais, sem incidência de contribuição previdenciária, realizado pela FMS, a favor de servidores municipais, tendo em vista os mesmos não constarem das relações de servidores filiados a RPPS, solicitadas pela fiscalização, através de termos próprios. Fl. 87735DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.724 25 Assim como na impugnação ao AI 51.065.3995, acima relatada, argui a ocorrência de ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, a nulidade material da autuação e a existência de ilegalidades e inconstitucionalidades, relativamente ao lançamento das contribuições apuradas sobre as verbas ABONO DE FÉRIAS, DIF. ABONO DE FÉRIAS, 1/12 ABONO DE FÉRIAS, “entre outras”. Reitera a nulidade da autuação por ausência de motivação e a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Em seguida, repete o argumento de equívoco do levantamento, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, incidente sobre certas rubricas contábeis, e a impossibilidade de exigência da referida contribuição de servidores públicos vinculados a RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Ainda conforme a impugnação anterior, argui o caráter indenizatório e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o valores pagos a título de ABONO DE FÉRIAS, DIFERENCIAL DE ABONO DE FÉRIAS e 1/12 DE ABONO DE FÉRIAS, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, de julgados que transcreve e de entendimento do STF, já citado. Argui também o dever de obediência da fiscalização à regra de imputação de pagamento de débitos tributários, prevista no art. 163 do CTN, e, por conseguinte, a inexistência de apropriação indébita previdenciária, citando o mesmo quadro demonstrativo acima transcrito. O requerimento final é o mesmo das impugnações já relatadas. 2.7) Dos documentos anexos (fls 84584) Após as impugnações relatadas, foram juntados os seguintes documentos: Procuração, Decreto Municipal de Nomeação, documentos de identificação, “Tabela Demonstrativa de Valores Recolhidos a Título de Contribuição Previdenciária”, “Relação de Cedidos pela SESAPI ao HUT”, Acórdão do CARF, Decreto Municipal que regulamenta o programa “Agentes da Paz”, GFIP, relação “Servidores Vinculados ao IPMT”. 2.8) Da impugnação ao AI 51.065.3723 (fls 84998) O impugnante afirma ter sido autuado, através do referido AI, no valor de R$1.183.485,84, em razão do pagamento ou crédito de remuneração destinada a retribuir a prestação de serviços de segurança, em caráter não eventual, realizados por policiais Fl. 87736DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 26 militares inativos da Polícia Militar do Piauí, junto a órgão da FMS, contabilizada no elemento de despesa pública 319011. Da mesma forma que nas impugnações anteriores, o contribuinte alega a impossibilidade de a fiscalização estabelecer a existência de pagamento a policiais militares inativos com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Neste ponto, afirma que o cerne da questão é a verificação do correto enquadramento dos policiais militares no RGPS, para ensejar o fato gerador da contribuição lançada, e repete os argumentos antes aduzidos. Afirma ainda que os servidores estaduais estão ativos, ao contrário do afirmado pela fiscalização, tendo sido cedidos ao Município pelo governo do Estado do Piauí, nos termos do convênio celebrado entre os entes, de onde recebem sua remuneração, possuindo os mesmos regime próprio de previdência, o IAPEP. Destaca que “a norma individual e concreta em comento entendeu que a recorrente contratou policiais militares inativos, o que não é verdade, em virtude da documentação aqui anexada – como conseqüência lógica da inexatidão do critério material”, o que novamente viola os princípios citados. Argui, em seguida, como em impugnações já relatadas, a inculação dos servidores a outro ente público, de onde decorre a ausência de contributividade e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Da mesma forma, repete a alegação do caráter indenizatório da contribuição paga aos policiais militares e, por conseguinte, a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.9) Da impugnação ao AI 51.065.3731 (fls 85056) O impugnante afirma que a autuação AI 51.065.3731, no valor de R$908.208,90, se deu, conforme os argumentos da fiscalização, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a estagiários contratados pela FMS, realizado sem a comprovação integral dos requisitos previstos na Lei nº 11.788, de 2008, visto não terem sido apresentadas todas as Apólices de Seguro correspondentes. Da validade do contrato de estágio firmado e da impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária O impugnante aduz que o fiscal se vinculou somente à suposta inexistência de seguro, ignorando os demais elementos da Lei nº 11.788, de 2008, cumpridos pelo contribuinte. Alega não haver a confirmação da ausência de contratação do seguro, mas a impossibilidade de apresentação de todas as apólices, na ação fiscal, pela quantidade de informações solicitadas. Afirma têo feito por amostragem, como também o Fl. 87737DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.725 27 fez a fiscalização em relação a diversos documentos utilizados na ação fiscal. Afirma ter a FMS formalizado contrato para todos os estagiários contratados e argui não ter a fiscalização desconsiderado, da base de cálculo, os pagamentos realizados aos estagiários para os quais foram apresentadas as apólices de seguro. Entende que, nos termos do art. 3º, §2º, da Lei nº 11.788/2008, somente o descumprimento dos requisitos previstos no referido dispositivo enseja a conversão da contratação em relação de emprego, os quais foram todos seguidos pela FMS, sem qualquer divergência. Alega que, para haver a incidência da contribuição previdenciária, deveria haver o desvirtuamento do estágio, conforme art. 15 da citada Lei, conforme item 24 de cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego e julgados que transcreve. Cita, ainda nesse sentido, o art. 2º, I, da Portaria nº 294/2010, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que declara a desistência de interposição de recursos sobre a matéria. O contribuinte repete, em seguida, o argumento de nulidade da autuação por ausência de motivação. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.10) Da impugnação ao AI 51.065.3740 (fls 85076) O impugnante alega ter sido autuado, através do AI 51.065.374 0, no valor de R$1.737.387,76, pelos pagamentos ou créditos de remuneração, sem incidência de contribuição previdenciária, denominada “PLANTÕES HUT”, feitos a servidores médicos plantonistas, em caráter não eventual, junto ao HUT, contabilizados no elemento de despesa pública 319011, tendo em vista tais servidores não constarem das relações de servidores filiados a regime próprio de previdência. O contribuinte repete os argumentos de vinculação dos servidores a outro ente público, ausência de contributividade e impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos a médicos cedidos pelo Estado. Repete ainda o argumento do caráter indenizatório dos valores pagos aos médicos plantonistas e, por conseguinte, a impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Em seguida, repete a impossibilidade de a fiscalização estabelecer a existência de pagamentos a médicos plantonistas com base em meros indícios e violação aos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Do erro na constituição do crédito tributário. Ausência da relação de emprego. Médicos não cedidos pelo Estado. Serviço de natureza eventual. Erro de enquadramento. Vício material. Fl. 87738DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 28 O impugnante destaca a eventualidade dos serviços prestados pelos médicos não cedidos pelo Estado, considerando os plantões realizados por meio de escala, em turnos de 12 horas consecutivas. Entende que a verba paga aos referidos médicos possui natureza transitória, “posto que só é devida quando em razão da condição de trabalho”, não havendo previsão legal para o pagamento das contribuições apuradas. Caracteriza como plantão eventual aquele realizado por quem não participa do quadro fixo da instituição e ressalta que o administrador público só pode praticar o ato que a lei lhe autoriza, citando julgados. Diz não poder prosperar o lançamento de ofício relacionado aos prestadores de serviços eventuais, “alçados indevidamente à condição de empregados”. Cita o art. 3º da CLT e destaca o requisito da não eventualidade como pressuposto da relação de emprego, afirmando que o fiscal aponta circunstância distante da realidade, que gera vício material, pelo que a autuação é insubsistente. Da impossibilidade da tributação com base na “suposta” qualificação do serviço. Condição de “empregado” não configurada. Médicos cedidos não qualificados no art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212, de 1991. Meros indícios levantados pela fiscalização. Violação dos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva e segurança jurídica. Nulidade formal do auto. Inteligência do §1º do art. 108 do CTN. Neste ponto, o impugnante destaca a correção da FMS, como instituição séria e responsável, que colaborou com o fisco durante a ação fiscal. Diz que, apesar da inexistência de elementos materiais, o fiscal arbitrou a prestação de serviços dos médicos cedidos pelo Estado, como se empregados fossem. Alega não se tratar, no caso, de exercício concomitante de atividades, mas de atividade única, visto que os servidores foram cedidos pelo Estado do Piauí e estão vinculados a RPPS daquele ente. Considera que o cerne da questão é o arbitramento de situações presumidas, a partir de fatos tomados como “indícios”, procedimento que se constitui em regra de exceção, já que deve ser utilizada a base de cálculo originária. Afirma que a fiscalização analisou apenas as notas fiscais, “não se atendo, por exemplo, à quantidade de dias laborados; plantões prestados; se ocorreram de forma seqüencial; a existência de alternância de pessoal; a duração das atividade; as especificidades”, presumindo que a autuada não recolheu a contribuição previdenciária devida, para os “prestadores de serviço”, na qualidade de “empregados.” Fl. 87739DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.726 29 Destaca que o lançamento deve ser suportado por efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido, sob pena de nulidade, nos termos do art. 142 do CTN. Aduz que, no caso, o lançamento se encontra embasado apenas “em suposto indício de omissão de receitas, baseado em uma análise superficial e incompleta dos documentos fornecidos”, e considerando os prestadores de serviço como empregados, ainda que ausentes a subordinação e a não eventualidade. Após discorrer sobre o ato administrativo, argui não poder exercer seu direito à ampla defesa sem a comprovação, por parte da autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador (a efetiva condição de empregado). Aduz caber ao fisco a apresentação da prova primária do lançamento, enquanto cabe ao contribuinte infirmála, conforme doutrina que cita. Diz que o ato administrativo está subordinado ao princípio da legalidade e que a forma empregada pela fiscalização para tributar afronta os princípios da legalidade, da capacidade contributiva, da tipicidade cerrada e da segurança jurídica. Discorre acerca do lançamento como uma norma individual e concreta, que deve observar os princípios citados. Citando julgado, afirma a importância do princípio da verdade material e entende ser carente a prova do fisco, “que deixou de aprofundar as investigações tendentes a verificar a alegada condição de ‘empregado’ dos prestadores de serviço eventuais”, pelo que deve ser improvida a autuação. Requer, ao fim, a improcedência do Auto de Infração. 2.11) Da impugnação ao AI 51.065.3758 (fls 85144) O impugnante afirma ter sido autuado, através do AI 51.065.3758, no valor de R$719.055,94, em razão do pagamento ou crédito de remuneração, a título de “produtividade”, contabilizada no elemento de despesa pública 319011, a servidores estaduais cedidos ao HUT. Reitera a impossibilidade de a fiscalização estabelecer a existência de pagamento a servidores estaduais cedidos ao HUT, a título de produtividade, com base em meros indícios, e argui a violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Afirma que os servidores estaduais foram cedidos ao HUT e estão ativos, auferindo rendimentos pelo Estado do Piauí e integrando seu regime próprio de previdência, o IAPEP, o que entende ter sido devidamente demonstrado. Fl. 87740DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 30 Em seguida, reitera que os servidores são vinculados a outro ente público, do que decorre a ausência de contributividade e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Mais uma vez, argui o caráter indenizatório da produtividade e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Requer, ao fim, a improcedência da impugnação. 2.12) Da impugnação ao AI 51.065.3761 (fls 85194) O impugnante afirma ter sido autuado, através do AI 51.065.3761, no valor de R$62.712,36, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a pessoas físicas prestadoras de serviços, intitulados “Bolsistas Agentes de Paz”, em caráter não eventual, contabilizado no elemento de despesa pública 319011. Da validade da condição de bolsistas dos “Agentes da Paz” O contribuinte informa que, de acordo com o Decreto nº 11.079, de 2011, que regulamenta o “Programa Agentes da Paz”, este funciona através de uma parceria entre a FMS e a Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social (SEMTCAS), sendo formado exclusivamente por idosos, com mais de 60 anos, participantes dos Grupos de Convivência e ou Centros, devidamente cadastrados, capacitados e selecionados pela SEMCATS. O objetivo do programa é, nos termos do referido Decreto, a inserção de pessoas idosas, com mais de 60 anos, nas atividades de acolhimento e orientação a pessoas que buscam os serviços sócioassistenciais e de saúde, pelo que recebem uma bolsa individual mensal, no valor de R$150,00. Argui tratarse de um benefício social, inserido em um sistema não contributivo, que dispensa o recolhimento da contribuição previdenciária, e discorre acerca da assistência social prevista na Constituição Federal e na Lei nº 8.742, de 1993 (LOAS), citando ainda doutrina. Conclui que, por não se tratar de uma remuneração a empregados, mas de benefício de natureza social, não é possível o enquadramento dos bolsistas como empregados, na forma do art. 12, I, “a” da Lei nº 8.212, de 1991. Da falta de previsão legal de incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento das bolsas aos “agentes da paz” Neste ponto, o contribuinte alega não haver previsão legal que determine a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor das bolsas pagas aos agentes da paz, pelo que não há obrigação de recolher o referido tributo. Da não existência de vínculo empregatício. Ausência do requisito da não eventualidade. Da descaracterização da condição de segurado obrigatório do RGPS. Nulidade da autuação. Fl. 87741DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.727 31 Citando o art. 3º da CLT e os requisitos da subordinação, não eventualidade e remuneração, afirma não restar caracterizado o vínculo empregatício, pela inexistência dos referidos requisitos na relação estabelecida entre os bolsistas e a FMS, pelo que requer a improcedência da autuação. Nesse sentido, afirma não haver eventualidade, em razão de as atividades serem realizadas durante oito horas semanais, não sendo realizada uma mesma atividade em todas as ocasiões nem um dia estabelecido para as mesmas. Afirma ainda não haver vinculação dos bolsistas aos servidores, visto que as atividades são alçadas pelos próprios bolsistas, sem interveniência da administração dos órgãos públicos específicos. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.13) Da impugnação ao AI 51.065.3774 (fls 85215) O impugnante alega ter sido autuado, no valor de R$7.668.141,00, pelo pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, com desconto e arrecadação da contribuição previdenciária dos segurados, incidentes sobre as rubricas consideradas como base de cálculo pelo sujeito passivo, caracterizando os segurados como empregados para o RGPS, e pelo pagamento e ou crédito de remuneração, sem o desconto da contribuição previdenciária dos segurados, considerados empregados para o RGPS, com base no art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o §13 do art. 40 da Constituição Federal26, incidente sobre diversas rubricas salariais, como PRODUTIVIDADE, 2º TURNO, GRATIFICAÇÃO UTI, DIF. HORAS EXTRAS, GRAT. AUX. DE EQUIPE PSF, GRATIFICAÇÃO JETO, ADICIONAL NOT. II, DIF. COMPLEMENTO COMISSIONADO, INCENTIVO DE PRODUÇÃO SUS, SUBSTITUIÇÃO DAM, entre outras. Nesta peça, reitera o argumento de cerceamento do direito de defesa, por considerar que a autuação desrespeita os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e argui a sua nulidade material. Argui novamente a nulidade do auto de infração por ausência de motivação. Nesse sentido, alega que a fiscalização deveria ter motivado quais servidores estão a ela vinculados, tendo em vista que sua origem perante a FMS é variada, havendo servidores cedidos, vinculados a RPPS e prestadores de serviço eventuais, tendo sido a autuação produzida de forma genérica. Mais uma vez, discorre acerca da necessária motivação do ato administrativo, entendida como a declaração escrita do motivo que levou à prática do ato, citando doutrina, os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999, e julgado administrativo. Requer, em razão da ausência de motivação da autuação, a sua insubsistência. Fl. 87742DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 32 Novamente, alega a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Em seguida, reitera o argumento de levantamento equivocado da fiscalização, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre determinadas rubricas contábeis, em razão da impossibilidade de exigência da contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí, indevidamente incluídos na autuação. Repete as alegações do caráter indenizatório e da não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de produtividade, 2o. turno, dif. horas extras, gratificações, entre outras verbas. Repete ainda o dever de obediência, pela fiscalização, à regra de imputação de pagamento de débitos tributários, previsto no art. 163 do CTN, e a inexistência e de apropriação indébita previdenciária. Ao fim, faz os mesmos requerimentos de impugnações já relatadas. 2.14) Da impugnação ao AI 51.065.3782 (fls 85316): O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$397.978,32, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, considerados empregados para o RGPS, sem o desconto da contribuição previdenciária, sobre as rubricas 71 Abono de Férias, 72Dif. Abono de Férias e 2621/12 Abono de Férias, não consideradas como base de cálculo pelo sujeito passivo. Nesta peça, reitera o argumento de cerceamento do direito de defesa, por considerar que a autuação desrespeita os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e argui a sua nulidade material. Argui novamente a nulidade do auto de infração por ausência de motivação, princípio sobre o qual discorre, por considerar que a fiscalização deveria termotivado quais servidores estão vinculados à autuação. Em seguida, repete o argumento de impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Repete também o argumento de ser o levantamento equivocado, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, e a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores vinculados a RPPS e cedidos pelo Estado do Piauí. Fl. 87743DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.728 33 Em seguida, reitera o caráter indenizatório e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de ABONO DE FÉRIAS, DIFERENCIAL DE ABONO DE FÉRIAS e 1/12 ABONO DE FÉRIAS. Ao fim, faz os mesmos requerimentos de impugnações já relatadas. 2.15) Da impugnação ao AI 51.065.3790 (fls 85383) O impugnante alega ter sido autuado, no valor de R$205.658,64, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, enquadrados como empregados para o RGPS, por não constatem das relações de servidores filiados a RPPS, e do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, com desconto e arrecadação da contribuição previdenciária dos segurados, considerados pelo sujeito passivo como salário de contribuição de empregados. Novamente, o impugnante argui cerceamento do direito de defesa, por considerar que a autuação desrespeita os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e afirma sua nulidade material. Em seguida, alega a nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Do erro na constituição do crédito tributário. Ausência de relação de emprego. Serviço de natureza eventual. Erro de enquadramento. Vício material. Segundo o impugnante, “o auto decorre do arbitramento promovido pelo fiscal, imputando a condição de “empregado” aos prestadores de serviços eventuais”, de forma que o cerne da questão “reside na existência ou não dos requisitos da “relação de emprego”, em relação ao elemento produtividade, pago aos prestadores de serviço, considerando o arbitramento de situações presumidas, a partir de fatos tomados como ‘indícios”. Considera absurdo o entendimento fiscal, pelo qual os segurados, por não constarem da relação de servidores filiados a RPPS, foram enquadrados como segurados obrigatórios, na categoria empregado. Aduz ser carente a prova do fisco, “que deixou de aprofundar as investigações tendentes a verificar a alegada condição de ‘empregado’ aos prestadores de serviço eventuais e não subordinados”, devendo ser improvida a autuação. Citando o art. 3º da CLT, afirma a inocorrência dos requisitos de nãoeventualidade e subordinação, tendo em vista que os profissionais “mantiveram com a Fundação Municipal de Teresina, relação de trabalho eventual, através do qual, nas condições de cada função, prestaram serviços eventuais em períodos descontínuos, recebendo pelos procedimentos realizados”, sem relação empregatícia. Fl. 87744DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 34 Entende que a capitulação correta da autuação seria fundamentada no art. 12, V, “h” ou VI da Lei nº 8.212, de 1991. Citando decisões judiciais, afirma que o fiscal aponta circunstância distante da realidade, que gera vício material, pelo que a autuação é insubsistente. Dos outros argumentos O impugnante aduz novamente a impossibilidade da fiscalização exigir tributo com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. Em seguida, discorre mais uma vez sobre a o levantamento equivocado da fiscalização, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, e a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Novamente, alega o dever da fiscalização obedecer à regra de imputação de pagamento de débitos previdenciários, prevista no art. 163 do CTN, e a inexistência de apropriação indébita previdenciária. Ao fim, faz os mesmos requerimentos de impugnações já relatadas. 2.16) Da impugnação ao AI 51.065.3804 (fls 85473) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$684.994,07, em razão do pagamento e ou credito de remuneração, denominada PRODUTIVIDADE, contabilizado no elemento de despesa 319011 e 339092, a segurados enquadrados como empregados, por não constarem estes das relações de servidores filiados a RPPS. Da mesma forma que em impugnação relatada acima, reitera a ocorrência de erro na constituição do crédito tributário, a ausência de relação de emprego, a eventualidade dos serviços prestados, o erro de enquadramento e o vício material. Repete o argumento de impossibilidade da tributação com base na “suposta” qualificação do serviço, a não configuração da condição de “empregado” e a eventualidade dos serviços prestados. Reitera ter a fiscalização levantado meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva e da segurança jurídica. Argui ainda a nulidade formal do auto, reportandose ao §1º do art. 108 do CTN. Realça que o lançamento não pode prosperar, tendo em vista que os prestadores de serviços eventuais foram alçados indevidamente à condição de empregados e que o arbitramento foi realizado ao arrepio dos fatos, das normas e da jurisprudência que regem sua aplicação administrativa. Fl. 87745DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.729 35 Argui, em seguida, novamente o caráter indenizatório da produtividade paga aos servidores prestadores de serviço e a impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.17) Da impugnação ao AI 51.065.3812 (fls 85515) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$1.789.082,40, em razão de pagamento ou crédito de remuneração a pessoas físicas contribuinte individual, com e sem desconto e arrecadação da contribuição previdenciária dos segurados, e pagamento e ou crédito de remuneração a prestadores de serviços pessoas físicas não identificadas, contabilizado no elemento de despesa pública 339036 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física. Novamente, o impugnante argui cerceamento do direito de defesa, por considerar que a autuação desrespeita os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e afirma sua nulidade material. Em seguida, alega a nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Nesse sentido, argui que a fiscalização deveria ter motivado e especificado quais foram os motivos dos pagamentos realizados aos servidores classificados como prestadores de serviço e que deveria ter atentado que tais pagamentos foram realizados “a título de compra de materiais e de indenizações”. Discorre, em seguida, acerca da necessária motivação do ato administrativo, entendida como a declaração escrita do motivo que levou à prática do referido ato, citando doutrina e os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999, requerendo a declaração de insubsistência da autuação. Repete os argumentos de impossibilidade do arbitramento da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos a pessoas físicas não identificadas, violação dos princípios da razoabilidade, legalidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. Reitera a afirmação de levantamento equivocado, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre determinadas rubricas contábeis, e a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Ao fim, faz os mesmos requerimentos de impugnações já relatadas. 2.18) Da impugnação ao AI 51.065.3820 (fls 85592) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$404.356,81, em razão de pagamento e ou crédito de remuneração a policiais militares inativos, da Polícia Militar do Estado do Piauí, prestadores de serviços de segurança, em Fl. 87746DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 36 caráter não eventual, a órgão da FMS, contabilizado no elemento de despesa pública 319011. Repete o argumento de impossibilidade de a fiscalização estabelecer a existência de pagamentos a servidores ou prestadores de serviço com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, segurança jurídica e da vedação ao confisco. Afirma ter demonstrado que os policiais militares, servidores estaduais, estão ativos e foram cedidos pelo Governo do Estado do Piauí, de quem recebem seus rendimentos e que possui regime próprio de previdência social (IAPEP). Argui, mais uma vez, que os servidores são vinculados a outro ente público, a ausência de contributividade e a impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Reitera o caráter indenizatório da contribuição paga a policiais militares inativos e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.19) Da impugnação ao AI 51.065.3839 (fls 85651) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$320.259,16, em razão de pagamento e ou crédito de remuneração a estagiários contratados pela FMS, realizado sem a comprovação integral dos requisitos previstos na Lei nº11.788/2008. Repete o argumento de validade do contrato de estágio firmado e da impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária Repete, ainda, o argumento de nulidade da autuação por ausência de motivação, afirmando que a fiscalização deveria ter “motivado quais elementos ensejaram referido enquadramento, não somente informar a suposta inexistência de apólice de seguro para esse arbitramento”, conforme doutrina e julgados que cita. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.20) Da impugnação ao AI 51.065.3847(fls 85671) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$631.884,33, em razão de pagamento e ou crédito de remuneração, denominada “plantões HUT”, contabilizado no elemento de despesa pública 319011, a servidores médicos plantonistas que não constavam das relações de filiados a RPPS. Repete o argumento de que os servidores são vinculados a outro ente público, sendo médicos cedidos pelo Estado do Piauí, a ausência de contributividade e a impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 87747DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.730 37 Reitera o caráter indenizatório dos plantões pagos aos servidores médicos plantonistas e a impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Em seguida, repete a impossibilidade da fiscalização estabelecer a existência de pagamento a médicos plantonistas com base em meros indícios, a violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, segurança jurídica e da vedação ao confisco. Neste ponto, discorre acerca do lançamento como uma norma individual e concreta, que deve observar os princípios citados, e assevera que, no caso, o contribuinte “demonstrou que os servidores estaduais cedidos fazem parte de regime próprio de previdência do Estado do Piauí.” Destaca que “a norma individual e concreta em comento entendeu que a recorrente comprou mercadorias sem registrá las na sua contabilidade constituindo estoque paralelo de mercadorias, o que não é verdade em virtude da documentação aqui anexada – como conseqüência lógica da inexatidão do critério material”, o que novamente viola os princípios citados. Afirma novamente a ocorrência de erro na constituição do crédito tributário, a ausência de relação de emprego dos médicos não cedidos pelo Estado, que prestaram serviços de natureza eventual, o erro de enquadramento e o vício material. Alega ainda, mais uma vez, a impossibilidade da tributação com base na “suposta” qualificação do serviço, a não configuração da condição de “empregado”, a não qualificação dos médicos cedidos no art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, a existência de meros indícios levantados pela fiscalização, a violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da razoabilidade e a nulidade formal do auto, pela inteligência do §1º do art. 108 do CTN. 2.21) Da impugnação ao AI 51.065.3855 (fls 85739) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$255.273,65, em razão de pagamento e ou crédito de remuneração, a título de produtividade, contabilizada no elemento de despesa pública 319011, “efetuado a servidores estaduais de serviços no HUT”. Reitera a impossibilidade da fiscalização estabelecer a existência de pagamentos a servidores estaduais cedidos ao HUT, a título de produtividade, com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Argui, novamente, que os servidores estão vinculados a outro ente público, a ausência de contributividade e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 87748DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 38 Repete o argumento do caráter indenizatório da produtividade e da impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.22) Da impugnação ao AI 51.065.3863 (fls 85800) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$1.770.932,91, em razão de pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, caracterizados como empregados, sem o desconto da contribuição previdenciária sobre diversas rubricas salariais (PRODUTIVIDADE, 2o. TURNO, GRATIFICAÇÃO UTI, DIF. HORAS EXTRAS, AUX. EQUIPE PSF, GRATIFICAÇÃO – JETO, ADICIONAL NOT II, DIF. COMPLEMENTO COMISSIONADO, INCENTIVO DE PRODUÇÃO SUS, SUBSTITUIÇÃO DAM, entre outras). Repete a alegação de cerceamento do direito de defesa, desrespeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e nulidade material da autuação. Reitera a nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Argui novamente a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Em seguida, argui, mais uma vez, o equívoco do levantamento realizado, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e dos servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Novamente, argui o caráter indenizatório e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de produtividade, 2o. turno, dif. horas extras, gratificações, entre outros. Repete o argumento do dever de obediência, pela fiscalização, da regra de imputação de pagamento de débitos tributários, prevista no art. 163 do CTN, e a inexistência de apropriação indébita previdenciária. Ao fim, faz os mesmos requerimentos de impugnações já relatadas. 2.23) Da impugnação ao AI 51.065.3871 (fls 85883) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$18.555,13, em razão de pagamento e ou crédito de remuneração a prestadores de serviço pessoas físicas, intitulados “Bolsistas Agentes da Paz”. Fl. 87749DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.731 39 Argui, como em impugnação anterior, a validade da condição de bolsistas dos “Agentes da Paz”. Argui, em seguida, a falta de previsão legal de incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento das bolsas aos “Agentes da Paz”, que não possuem caráter remuneratório, mas de benefício social. Repete o argumento de inexistência de vínculo empregatício, ausência do requisito da não eventualidade, a descaracterização da condição de segurado obrigatório do RGPS e a nulidade do Auto de Infração. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.24) Da impugnação ao AI 51.065.3880 (fls 85904) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$230.796,26, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, sem incidência de contribuição previdenciária, sobre diversas rubricas salariais, como PRODUTIVIDADE, 2º TURNO, GRATIFICAÇÃO UTI, DIF. HORAS EXTRAS, GRAT. AUX. DE EQUIPE PSF, GRATIFICAÇÃO JETO, ADICIONAL NOT. II, DIF. COMPLEMENTO COMISSIONADO, INCENTIVO DE PRODUÇÃO SUS, SUBSTITUIÇÃO DAM, entre outras. Da mesma forma que em impugnação anterior, alega cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório e nulidade material da autuação. Considera inconstitucional e ilegal a conduta da Administração Pública, que autuou a defendente de forma injustificada, em ofensa ao art. 5º, LIV e LV, e 37 da Constituição Federal, e aos artigos 142 do CTN, 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, e Decreto nº70.235, de 1971. Alega, em seguida, a nulidade da autuação por ausência de motivação. Argui também a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em indícios, além de violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva, da segurança jurídica e da vedação ao confisco. Repete o argumento de equívoco do levantamento fiscal, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e de servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Reitera o caráter indenizatório e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PRODUTIVIDADE, 2O. TURNO, DIF. Fl. 87750DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 40 HORAS EXTRAS, GRATIFICAÇÕES e outras rubricas. Considera, mais uma vez, o dever de obediência à regra de imputação de pagamento de débitos tributários, prevista no art. 163 do CTN, e a inexistência de apropriação indébita previdenciária. Apresenta, ao fim, os mesmos requerimentos de impugnações anteriores. 2.25) Impugnação ao AI 51.065.3898 (fls 85986) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$128.862,37, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais considerados empregados, relativa às rubricas 71Abono de Férias, 72Dif. Abono de Férias e 2621/12 de abono de férias Repete o argumento de cerceamento do direito de defesa e desrespeito aos princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, além de nulidade material da autuação. Em seguida, repete a arguição de nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Reitera a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. Novamente, alega o equívoco do lançamento, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e dos servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Também alega o caráter indenizatório e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono de férias, diferencial de abono de férias e 1/12 de abono de férias. Reitera os requerimentos apresentados em impugnações anteriores. 2.26) Da impugnação ao AI 51.065.3901(fls 86061) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$32.142,04, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais considerados empregados, em razão de seus nomes não constarem das relações de filiados a RPPS, e a servidores municipais, com desconto e arrecadação da contribuição previdenciária dos segurados. Repete o argumento de cerceamento do direito de defesa e desrespeito aos princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, além de nulidade material da autuação. Em seguida, repete a arguição de nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Novamente, alega a ocorrência de erro na constituição do crédito tributário, ausência da relação de emprego, a Fl. 87751DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.732 41 eventualidade do serviço prestado, o erro de enquadramento e o vício material. Reitera a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. Mais uma vez, alega o equívoco do lançamento, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e dos servidores cedidos pelo Estado do Piauí. De acordo com o impugnante, o agente fiscal enquadrou, como segurados obrigatórios do RGPS, levando em conta rubricas contábeis, por meio de suposta existência de folha de pagamento avulsa, servidores que fazem parte de Regime Próprio de Previdência Social de Teresina e ou foram cedidos pelo Governo do Estado do Piauí. Em seguida, alega o dever de obediência, pela fiscalização, à regra de imputação de pagamento de débitos tributários, prevista no art. 163 do CTN, e a inexistência de apropriação indébita previdenciária. Requer, ao fim, o que já foi relatado em impugnações anteriores. 2.27) Da impugnação ao AI 51.065.3910 (fls 86143) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$30.784,11, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a servidores municipais, com desconto e arrecadação da contribuição previdenciária do segurado. Repete o argumento de cerceamento do direito de defesa e desrespeito aos princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, além de nulidade material da autuação. Em seguida, repete a arguição de nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Novamente, alega a ocorrência de erro na constituição do crédito tributário, ausência da relação de emprego, a eventualidade do serviço prestado, o erro de enquadramento e o vício material. Reitera a impossibilidade de a fiscalização exigir tributo com base em meros indícios, além de violação dos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. Mais uma vez, alega o equívoco do lançamento, pela suposta ausência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre certas rubricas contábeis, a impossibilidade da exigência de contribuição previdenciária dos servidores públicos vinculados ao RPPS e dos servidores cedidos pelo Estado do Piauí. Fl. 87752DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 42 De acordo com o impugnante, o agente fiscal enquadrou, como segurados obrigatórios do RGPS, levando em conta rubricas contábeis, por meio de suposta existência de folha de pagamento avulsa, servidores que fazem parte de Regime Próprio de Previdência Social de Teresina e ou foram cedidos pelo Governo do Estado do Piauí. Em seguida, alega o dever de obediência, pela fiscalização, à regra de imputação de pagamento de débitos tributários, prevista no art. 163 do CTN, e a inexistência de apropriação indébita previdenciária. Requer, ao fim, o que já foi relatado em impugnações anteriores. 2.28) Da impugnação ao AI 51.065.3928 (fls 86237) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$249.941,93, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a segurados caracterizados como empregados para o RGPS, por não constarem das relações de filiados a RPPS apresentadas. Novamente, alega a ocorrência de erro na constituição do crédito tributário, ausência da relação de emprego, a eventualidade do serviço prestado, o erro de enquadramento e o vício material. Em seguida, repete a impossibilidade da tributação com base na “suposta” qualificação do serviço, a não configuração da condição de ‘empregado’ e a não qualificação dos prestadores de serviços eventuais no art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212, de 1991. Afirma a existência de meros indícios levantados pela fiscalização, a violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva e da segurança jurídica e a nulidade formal do auto, com a inteligência do §1º do art. 108 do CTN. Também alega o caráter indenizatório da produtividade paga aos prestadores de serviço e a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária. Requer, ao fim, a improcedência da autuação. 2.29) Da impugnação ao AI 51.065.3936 (fls 86286) O impugnante afirma ter sido autuado, no valor de R$95.934,00, em razão do pagamento e ou crédito de remuneração a prestadores de serviço eventuais, considerados contribuintes individuais, com desconto e arrecadação das contribuições previdenciárias dos segurados. Repete o argumento de cerceamento do direito de defesa e desrespeito aos princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, além de nulidade material da autuação. Em seguida, repete a arguição de nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Nesse sentido, além dos argumentos apresentados em outras impugnações, diz que a fiscalização deveria ter motivado e Fl. 87753DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.733 43 especificado os motivos dos pagamentos realizados, os quais se referem a compras de materiais e indenizações pagas aos servidores. Argui novamente a impossibilidade de a fiscalização estabelecer a existência de pagamentos a prestadores de serviços como contribuintes individuais com base em meros indícios, além de violação aos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade cerrada, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação ao confisco. Nesse sentido, diz que a autoridade fiscal não pode efetuar o lançamento de ofício por falta de apresentação de alguns documentos pontuais, uma vez que contribuiu com a fiscalização e considerando se tratar de órgão público, em que “qualquer documento exige uma dificuldade maior para fornecêlos”. Destaca que “a norma individual e concreta em comento entendeu que a recorrente comprou mercadorias sem registrá las na sua contabilidade constituindo estoque paralelo de mercadorias, o que não é verdade em virtude da documentação aqui anexada – como conseqüência lógica da inexatidão do critério material”, violando os princípios citados. Transcreve decisão administrativa e entende ser carente a prova do fisco, “que deixou de aprofundar as investigações tendentes a verificar o possível enquadramento dos servidores estaduais no Regime Geral de Previdência para ensejar o fato gerador da Contribuição Previdenciária devida.” Requer, ao fim, a improcedência da autuação A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recursos voluntários às fls. 86405/87707, onde a contribuinte reitera os argumentos apresentados em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os recurso voluntários foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Considerando que todos os recursos foram apresentados em face do acórdão nº 0957.822, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), entendo que devem ser considerados como se fossem um só. Portanto, passo a partir de então a referir a eles como "recurso", no singular. Fl. 87754DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 44 Preliminares. Nulidade por cerceamento de defesa Compreendo que não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. Nulidade por ausência de motivação Quanto a alegação de ausência de motivação no autos de infração, entendo que não há nulidade quando estão claramente descritos os motivos da autuação. Se a motivação é contrária ao que entende a contribuinte, temse outra questão, uma discordância quanto a fundamentação embasada, mas nulidade, em si, não há. Portanto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Aferição indireta Não sendo apresentados todos os documentos solicitados, é cabível a aferição indireta da contribuição devida, com a inversão do ônus da prova. Em razão disso, nego provimento ao pedido de afastar o lançamento pela impossibilidade de aferição indireta. Está comprovado nos autos que os documentos deixaram de ser apresentados à fiscalização, sendo exatamente este o caso de utilização do expediente da aferição indireta. Alegações de inconstitucionalidade A Recorrente apresenta, em suas razões de recurso voluntário, diversas alegações de inconstitucionalidade, em especial a vedação de confisco, também se referindo a violação de princípios constitucionais da capacidade contributiva e da segurança jurídica. Todavia, ocorre que este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tal questão já foi objeto de Súmula: Súmula 02 CARF: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 87755DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.734 45 Portanto, deixo de conhecer destes pedidos. Servidores cedidos filiados a Regime Próprio da Previdência social A recorrente sustenta que não pode integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a parte da remuneração a cargo do órgão cessionário, auferida por servidores cedidos, filiados a regime próprio de previdência do órgão de origem. Todavia, consoante decidiu a DRJ de origem, a contribuinte não apresentou qualquer prova que os servidores cedidos a ela por outros órgãos estariam vinculados a Regime Próprio da Previdência social. Esta prova seguiu sem ser apresentada em recurso voluntário, não fazendo sequer menção a contribuinte para justificar a não juntada aos autos destes documentos. Assim, impossível compreender que os servidores cedidos estariam efetivamente filiados a Regime Próprio da Previdência social e não ao Regime Geral da Previdência social. Ressalvase que o ônus da prova seria da Recorrente, que não se desincumbiu de realizála adequadamente. Em razão disso, nego provimento ao recurso quanto a este pedido. Verba de produtividade Não verifico razões para não considerar que os valores relativos a verba de produtividade não devem integrar a remuneração dos segurados e compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. A referida rubrica tem nítido caráter remuneratório, devendo integrar o saláriodecontribuição. Portanto, nego provimento ao recurso quanto a referida alegação, devendo a verba de produtividade integrar a remuneração dos segurados e compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Estágios contratados em desacordo com a legislação Para ser considerado os valores pagos a título de bolsaauxílio aos estagiários da Recorrente, deve necessariamente o "contrato de estágio" ser fiel ao disposto na chamada Lei do Estágio (Lei nº 11.788, de 2008) Assim, tendo a autuação demonstrado que os estagiários foram contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser eles serem considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados. Fl. 87756DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 46 Face a isto, impõese que sobre os valores pagos ao estagiários que tiveram seu contrato de estágio descaracterizado integram a base de cálculo de contribuição previdenciária. Logo, improcedentes os argumentos da contribuinte em relação a este pedido, também. Concomitância de multas A DRJ de origem compreendeu que a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória e a multa aplicada sobre o valor original da contribuição apurada se referem a fatos distintos e podem ser aplicadas na mesma ação fiscal. Por sua vez, a recorrente alega que não poderiam elas existirem concomitantemente, apresentando jurisprudência que segundo ela abonaria a sua tese. Todavia, verificase que a jurisprudência apresentada pela contribuinte é no sentido de afastar a concomitância de multa de ofício com multa de mora, o que é bem diferente do presente caso. Ocorre que multa de mora é aquela multa por atraso no recolhimento da obrigação tributária, sendo a multa por descumprimento de obrigação acessória, uma multa por falta de cumprimento de obrigações (acessórias) que o contribuinte deveria ter realizado, de modo a cooperar (princípio da cooperação) com a autoridade fazendária. Portanto, estas não se confundem. Ante o exposto, nego provimento ao recurso da contribuinte quanto a esta alegação. Recolhimentos espontâneos apropriados Por fim, em relação aos recolhimentos espontâneos efetuados pela contribuinte, entendo que são improcedentes tais razões, haja vista que os recolhimentos realizados são apropriados, prioritariamente, às contribuições dos segurados, arrecadadas, mediante desconto de sua remuneração, e não repassadas à Previdência Social, excluídos os valores declarados em GFIP. Assim, não há como apropriar destes recolhimentos na forma como pretende a contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, conheço em parte o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 87757DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.444 S2C2T2 Fl. 87.735 47 Fl. 87758DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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