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Numero do processo: 18186.004400/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e apresentadas provas pelo contribuintes que conferem veracidade aos recibos emitidos, que têm o condão de afastar as razões das glosas da autoridade fiscal, estas devem ser afastadas e cancelado o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso Voluntário e, no mérito, Dar-lhe Provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e apresentadas provas pelo contribuintes que conferem veracidade aos recibos emitidos, que têm o condão de afastar as razões das glosas da autoridade fiscal, estas devem ser afastadas e cancelado o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 44 00 /2 00 9- 75 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso Voluntário e, no mérito, Darlhe Provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 18186.004400/200975 Acórdão n.º 2401004.112 S2C4T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1649.793 (fls. 86/92), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Presentes nos autos os pressupostos legais autorizadores da exigência da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas e não apresentados os documentos probatórios, deve se manter o lançamento nos termos em que efetuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Adoto parcialmente o relatório da DRJ/SP1 para elucidação do presente processo administrativo fiscal. A Notificação de Lançamento de fls. 65/69 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 9.469,72, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 68/69) a fiscalização informa a glosa de R$ 34.435,34, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: a) R$ 26.435,34 – pagamento declarado a ERICA PAONESSA GERMANO – O contribuinte apresentou recibos em nome de DEISE PAONESSA GERMANO, emitidos por Erica Paonessa Germano, que não identifica o paciente, não há especificação do tipo de serviço, limitandose a descrição vaga e genérica “Tratamento odontológico (à parcela de tratamento odontológico)”. Há relação de parentesco existente entre o declarante, a profissional e a pessoal que pagou as despesas (Deise); b) R$ 8.000,00 – pagamentos declarados a MARIA TERESA TAMAI. Recibos em nome de DEISE PAONESSA GERMANO, que não identifica a paciente, não há especificação do tipo de serviço, limitandose a descrição vaga e genérica como honorários médicos. Tratase de valores exagerados para consultas médicas realizadas em cada mês do ano calendário (média R$ 1.000,00) Na hipótese de impugnação do lançamento, o contribuinte deverá comprovar a efetividade dos serviços prestados, bem como comprovar o Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 desembolso das importâncias, nas datas indicadas, com os cheques compensados, e ou extratos de contas bancárias, demonstrando os saques de importâncias suficientes aos pagamentos, nas datas indicadas nos comprovantes de despesas. Glosas efetuadas nos termos do art. 73 do Decreto 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda. Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte anexou a sua peça impugnatória: a) Demonstrativo de Apuração do Carneleão de Erica Paonessa germano Teixeira (fl. 07); b) Livro Caixa de Erica Paonessa Germano Teixeira Álvares, de fls. 08/50; c) Recibos de Erica Paonessa Germano Teixeira Álvares, de fls. 51/58; d) Recibos de Maria Teresa Tamai, de fls. 59/62; e) Declaração de Maria Teresa Tamai, de fls. 73. Para a DRJ/SP1, a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam, os documentos acostados pelo contribuinte não faziam prova do efetivo pagamento das despesas médicas às profissionais acima mencionadas. Intimado do acórdão da DRJ/SP1 em 26/11/2013 (A.R. fl. 96), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 97/99) em 23/12/2013, onde, reiterando as alegações já trazidas em sede de impugnação, menciona uma série de documentos agora acostados ao recurso voluntário, como contraponto ao que decidido e exigido pela DRJ/SP1 como comprovação suficiente das despesas médicas. São eles: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 18186.004400/200975 Acórdão n.º 2401004.112 S2C4T1 Fl. 166 5 Ao final, resume a vinculação das provas aos valores dos recibos de despesas médicas, da seguinte maneira: a) R$ 11.550,00 em cheques nominais às Dras. Maria Teresa Tamai e Erica P. G. T. Alvares; b) R$ 2.826,00 em transferências para as contascorrentes da Dra. Erica P. G. T. Alvares; c) R$ 12.885,66 em saques em espécie realizados nas proximidades das datas em que a dra. Erica P. G. T. Alvares atestou recebelos via recibos; d) R$ 6.430,00 em cheques que o recorrente usou para pagar a Dra. Erica P. G. T. Alvares, mas que a referida profissional repassou a terceiras pessoas, em uma prática nada ilegal mas que prejudica o recorrente por priválo de uma prova direta e contundente. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Como se vê, para que seja conferida validade ao recibo emitido por profissional de saúde, exigese que constem no mesmo, cumulativamente: a) Nome do profissional; b) Endereço; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 18186.004400/200975 Acórdão n.º 2401004.112 S2C4T1 Fl. 167 7 c) CPF; Assim, analisando a totalidade dos recibos apresentados pelo contribuinte (fls. 51/58), referentes à cirurgiãdentista Erica Paonessa Germano, e os referentes à médica Maria Teresa Tamai (fls. 59/62), verifico que em todos eles constam os três requisitos acima exigidos: nome do profissional, endereço e CPF. Vejamos um exemplo de recibo de cada profissional, os quais são idênticos nos demais meses: Importante destacar que as justificativas da autoridade lançadora, para cada uma das profissionais emitentes dos recibos foram as seguintes: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 1) Erica Paonessa Germano: “não identifica o paciente, não há especificação do tipo de serviço, limitandose a descrição vaga e genérica Tratamento odontológico (à parcela de tratamento odontológico). Há relação de parentesco existente entre o declarante, a profissional e a pessoa que pagou as despesas (Deise)”; 2) Maria Teresa Tamai: “não identifica a paciente, não há especificação do tipo de serviço, limitandose a descrição vaga e genérica como honorários médicos. Tratase de valores exagerados para consultas médicas realizadas em cada mês do anocalendário”; O fundamento legal a justificar as glosas, conforme a autoridade fiscal, foi o artigo 73 do Decreto 3.000/1999, assim disposto: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Primeiramente, parece haver um equívoco de interpretação acerca do caput do artigo 73 acima reproduzido. Quando dispõe que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, A JUÍZO DA AUTORIDADE LANÇADORA”, significa que a referida autoridade tem o condão de escolher quais despesas devem ser comprovadas ou justificadas, não sendo o seu “juízo” para definir COMO devem ser comprovadas. Ao que parece, a interpretação da autoridade fiscal foi a segunda, corroborada inclusive pela instância a quo. Importante destacar que autoridade fiscal não teceu qualquer consideração ao descumprimento do § 2º do art. 8º da Lei nº. 9.250/95. Como se vê das justificativas acima reproduzidas, foram criados outros critérios, que não os previstos no referido artigo 8º. Ainda assim, ante a discricionariedade na eleição das deduções que requeiram efetiva comprovação, não há dúvidas que o art. 73 do RIR/99 confere à autoridade fiscal a prerrogativa de exigir outros documentos além dos próprios recibos. Nesse contexto, no curso do processo administrativo fiscal, o contribuinte trouxe novos elementos de prova visando atender o exigido pela fiscalização. Em sede de impugnação, foram trazidas declarações das referidas profissionais (fls. 6 e 73, de Erica Paonessa Germano Teixeira Alvares e Maria Teresa Tamai, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 18186.004400/200975 Acórdão n.º 2401004.112 S2C4T1 Fl. 168 9 respectivamente), onde atestam e declaram terem sim realizados os procedimentos e recebidos os valores em questão. Ainda, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe ao processo administrativo uma série de documentos a fim de atestar a veracidade dos recibos das despesas médicas, em especial: a) Cheques nominais às profissionais Maria Teresa Tamai (fls. 101/107, 120 e 135), no total de R$ 11.717,00; b) Cheques para pagamentos da profissional Erica Paonessa Germano Teixeira Alvares que teriam sido repassados a terceiros, no montante de R$ 6.260,00 (fls. 121128 e 136138); c) Extratos bancários com comprovantes de saques (fls. 108119 e 129134) em dinheiro, no total de R$ 12.885,66 e de transferências para as contas correntes das profissionais já qualificadas, no montante de R$ 2.826,00; Trazidas as provas em comento pelo contribuinte, cabe cotejálas com as razões apontadas pelo AFRFB como suficientes para desqualificar os recibos de despesas médicas e glosar as despesas declaradas pelo contribuinte. Nesse contexto, entendo estarem comprovadas as despesas, ante o contexto fático produzido pelo contribuinte, que dá força probante aos documentos trazidos aos autos e me permite afirmar, com tranquilidade, que as despesas foram de fato incorridas. Para melhor didática, estabeleço o seguinte roteiro: 1) EMISSÃO DOS RECIBOS PELOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE COM O PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS EXIGIDOS (NOME, ENDEREÇO E CPF); 2) DECLARAÇÃO PELOS PRÓPRIOS PROFISSIONAIS DE QUE REALIZARAM OS SERVIÇOS DE SAÚDE E RECEBERAM PAGAMENTOS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS; 3) EMISSÃO DE CHEQUES NOMINAIS PELO CONTRIBUINTE ÀS REFERIDAS PROFISSIONAIS, BEM COMO CHEQUES, AINDA QUE NÃO NOMINAIS, NOS VALORES CORRESPONDENTES AOS SERVIÇOS PRESTADOS; 4) TRANSAÇÕES BANCÁRIAS ONDE O CONTRIBUINTE DEPOSITA VALORES NAS CONTASCORRENTES DAS REFERIDAS PROFISSIONAIS; 5) REALIZAÇÃO DE SAQUES EM ESPÉCIE PELO CONTRIBUINTE EM DATAS PRÓXIMAS ÀS CONSULTAS QUE ENSEJARAM OS PAGAMENTOS AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE. Assim, sintome confortável em afastar a glosa realizada pela autoridade fiscal, em especial pelos argumentos por ela aduzidos que, diante do contexto probatório Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 10 trazido pelo contribuinte, não são suficientes para afastar a presunção de certeza e veracidade da realização de despesas médicas contidas nos recibos emitidos pelas profissionais de saúde. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO para o fim de afastar a glosa de despesas médicas incorridas pelo contribuinte consubstanciadas nos recibos de fls. 51/62, no montante de R$ 26.435,34 e R$ 8.000,00, referentes às profissionais Erica Paonessa Germano Teixeira Alvares e Maria Teresa Tamai, respectivamente. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Numero do processo: 12269.003663/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
COOPERATIVA. CONSTITUIÇÃO. MEMBROS FUNDADORES. PRESCINDIBILIDADE DO TERMOS DE ADESÃO. DEMONSTRAÇÃO DO REQUISITOS LEGAIS. ATENDIMENTO AS REGRAS DA LEI 5.674/71 E ESTATUTO DA COOPERATIVA.
É justificada a autuação quando se baseia em elementos convincentes e indicadores de que parte das obrigações fiscais deixaram de ser saldadas, pois a realidade dos fatos demonstram a ausência do recolhimento de determinadas rubricas devidas por qualquer empresa/entidade/organização/instituição, inclusive, quando cooperativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira para excluir do lançamento fiscal os levantamentos FP e FP3. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. II- por voto de qualidade, em negar provimento aos demais levantamentos do lançamento fiscal. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização.
Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente e Relator), Eduardo de Oliveira (Redator), Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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CONSTITUIÇÃO. MEMBROS FUNDADORES. PRESCINDIBILIDADE DO TERMOS DE ADESÃO. DEMONSTRAÇÃO DO REQUISITOS LEGAIS. ATENDIMENTO AS REGRAS DA LEI 5.674/71 E ESTATUTO DA COOPERATIVA. É justificada a autuação quando se baseia em elementos convincentes e indicadores de que parte das obrigações fiscais deixaram de ser saldadas, pois a realidade dos fatos demonstram a ausência do recolhimento de determinadas rubricas devidas por qualquer empresa/entidade/organização/instituição, inclusive, quando cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira para excluir do lançamento fiscal os levantamentos FP e FP3. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. II por voto de qualidade, em negar provimento aos demais levantamentos do lançamento fiscal. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 36 63 /2 00 9- 61 Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.444 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente e Relator), Eduardo de Oliveira (Redator), Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.445 3 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração n°37.200.4660/2009 lavrado contra o contribuinte acima mencionado, período 1/2006 a 12/2006, contribuição da empresa (20%) para todos os levantamentos e para levantamento FPE contribuição SAT (1%), cujos motivos constam do Relatório Fiscal de folhas 36 a 40 dos autos digitalizados, e são: (...) 3) A empresa, sujeito passivo do presente lançamento fiscal, tem como atividade econômica principal à prestação de serviços médicos ambulatoriais e de diagnósticos, enquadrada no código 86500 do Código Nacional de Atividade Econômica CNAE e no código 515 do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS. 4) Os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal, destinamse à Previdência Social e referemse à contribuição da empresa sobre o total dos valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais. 5) O fato gerador da obrigação previdenciária é decorrente dos atos praticados pela cooperativa, em desacordo com os pré requisitos estabelecidos na Lei n°5.764, de 16/12/1971, pelos motivos abaixo descritos, eliminado dessa forma o benefício da substituição para as Cooperativas de Trabalho e tributandose a empresa de acordo com o item I do art. 22 da Lei 8.212/91: a) A empresa MITRA COOPERATIVA DE TRABALHO NA ÁREA DA SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL sujeito passivo da obrigação tributária, é sucessora da empresa MITRA Assessoria Integrada em Recursos Humanos Lida, CNPJ 01954384/000144, encerrada em 31/01/2005, por exercerem a mesma atividade, traduzida na prestação de serviços aos Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.446 4 mesmos tomadores, sendo todas as sócias da sucedida, Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda: Anna Lúcia Mello, Teresa Carmen Cavalcanti Koppe, Elisa Maria Oliveira dos Santos, Célia Regina Fernandes, Márcia Silvana Fernandes e Cristina Quadros Rojas, exceto Mara Rosane Gallina, fundadoras da Cooperativa de trabalho MITRA, cuja Ata de Constituição foi registrada na JUCERGS em 14/09/2004, caracterizada a sucessão do parágrafo único do artigo 132 do Código Tributário Nacional: "Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual" b) Não foi comprovada a prestação de nenhum tipo de serviço para os associados, objeto principal de sua constituição, e sim apenas a intermediação do trabalho realizado; c) Não foi apresentado o Livro de Matricula dos associados conforme consta da Lei n°5.674, de 16/12/1971; d) Não identificado o registro contábil dos Fundos mencionados no art 28 da Lei 5.674/71 e no art. 57 do Estatuto Social da Cooperativa; e) O principal tomador de serviço da cooperativa é a empresa AMA Assistência Médica Administrada que até a data de 30/03/2006 estava localizada no mesmo endereço da cooperativa e da prestadora de serviços, encerrada em 31/01/2005, MITRA Assessoria Ltda; f) No livro de Atas do Conselho Administrativo não restou comprovado o número total de associados, e desligamentos ocorridos no período; g) Não foi apresentado o livro de Atas do Conselho Fiscal; h) Os serviços prestados não são de caráter esporádico. O local de trabalho diário dos contribuintes individuais, dito cooperados, são os ambulatórios estabelecidos dentro de empresas que necessitam prestar este serviço aos seus empregados, citandose como exemplo o ambulatório da empresa SONAE DISTRIBUIÇÃO BRASIL S/A, quase sempre intermediados pela empresa AMA Assistência Médica Administrada, sua principal tomadora. i) Na consulta ao endereço eletrônico do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, verificouse a existência do processo 00353200802004008 da 20ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, do reclamante Mauro Azambuja de Souza, onde foi julgado procedente o vínculo empregatício com Cooperativa Mitra; j) No período auditado, não foram distribuídas sobras aos associados, existindo no balanço dos Livros Diário de 2006 a Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.447 5 conta franciscana de reserva de sobras, comparativamente baixo aos valores da receita da cooperativa; 6) O presente AutodeInfração compõese dos seguintes levantamentos, criados para identificar as diversas situações encontradas na empresa sob ação fiscal: Levantamento A UT Pagamentos efetuados para prestadores de serviço, pessoa física, verificados na contabilidade da empresa. Levantamento FP Valores lançados em folha de pagamento e declarados na GFIP código 211 (Cooperativa de Trabalho) e 115 (empregados), sendo que na GFIP de código 211 os segurados são informados na categoria 17, em desacordo com as conclusões do item 6. Levantamento FP1 Valores lançados em folha de pagamento para os segurados contribuintes individuais, não declarado em GFIP. Levantamento FP2 Valores lançados em folha de pagamento para a Presidente da Cooperativa Ana Lúcia Mello, não declarados em GFIP. Levantamento FP3 — Valores lançados em folha de pagamento a Ana Lúcia Mello, declarados em GFIP, no código de categoria 17 (cooperado), em desacordo com as conclusões do item 5. Levantamento FP4 — Diferença entre os valores lançados na contabilidade a título de folha de pagamento e as próprias folhas de pagamento, não lançados em GFIP, não elucidada pela empresa, mesmo intimada para isso através Termo de Intimação Fiscal n° 1. Levantamento FPE Valores lançados na folha de pagamento aos segurados empregados, não informados em GFIP. Levantamento DAL — Diferença de Acréscimos Legais das guias consideradas para abater no crédito. (...) DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 26/08/2009, apresentando impugnação. Os autos foram encaminhados à diligência fiscal. A autoridade fiscal emitiu despacho esclarecendo o lançamento fiscal. O contribuinte foi cientificado do despacho resultante da diligência fiscal, apresentando contestação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento fiscal. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.448 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: da análise do Estatuto Social da Cooperativa em questão, temse que a mesma atende todos os requisitos estabelecidos em lei. Como: a) adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços, conforme art. 4o e 6o do estatuto; b) variabilidade do capital social representado por quotaspartes, art. 18; c) limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais, art. 19; d) inacessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade, art. 18; e) Singularidade de voto, art. 34; f) quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital, arts. 28 e 32; g) retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral, art. 61; h) indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social, art. 57; i) neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social, art. 3o; j) prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa, art. 3o; l) área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços, art. 4o. a cooperativa em questão detém todas as características estabelecidas na lei de regência não havendo como questionar sua legitimidade. O art. 1094 do Código Civil traz os mesmos requisitos do art. 4o da Lei específica 5.764/70. Assim, não há que se falar em irregularidades da autuada nem em desclassificação da mesma; ao desclassificar a cooperativa com base em fatos estranhos à realidade da mesma, e estando a cooperativa em pleno acordo com o que dispõe a legislação, a fiscalização viola o princípio da legalidade, pois desclassifica o contribuinte com fundamentos diversos dos legalmente franqueados; a ausência de indicação correta do artigo (art. 32 do CTN) no qual o fisco consubstancia sua autuação prejudica a correta compreensão da infração cometida, afrontando Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.449 7 o direito de defesa do contribuinte. Assim, temse a irregularidade formal do lançamento fiscal impondo sua anulação; No caso em comento a cooperativa recorrente (supostamente sucessora) foi autuada por supostos débitos incorridos nas competências de 2006. A sua vez, a empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (supostamente sucedida), teve suas atividades encerradas em 2005 consoante distrato em anexo, tendo sua baixa formalizada perante os órgão competentes em 2008. Logo, tendose que o encerramento das atividades da suposta empresa sucedida deuse anteriormente aos fatos geradores aqui perseguidos, temse como inócua a sucessão pretendida, posto que ausente o requisito basilar para a sucessão, qual seja a existência de débitos tributários pela sucedida; a sucessão tributária prescinde de extinção da empresa sucedida anteriormente ao fato ensejador da própria sucessão. A empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (supostamente sucedida) manteve suas atividades comerciais concomitantemente àquelas desempenhadas por Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social conforme documentos em anexo. Logo, mais uma vez evidenciada a inaplicabilidade da sucessão tributária no caso vertente, dada a ausência dos pressupostos legais para tanto; não há como caracterizar a sucessão no caso em tela. Da comparação atenta entre os objetos sociais da empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (prestar serviços de recursos humanos) e da cooperativa Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social (prestar serviços de saúde e assistência social) temos que os mesmos em nada se correspondem; a tese da fiscalização de que a prestação de serviços de ambas as empresas se davam para os mesmos tomadores não subsiste. Enquanto a empresa Mitra – Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda tinha como principal tomador de serviços a empresa AMA Assistência Médica Administrada , a cooperativa Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social possuí pluralidade de tomadores; as contratações efetuadas pela cooperativa se prestarem à alocação dos serviços de seus cooperativados, e tendo em vista que seu objeto social pressupõe a organização do trabalho individual dos cooperados, resta evidente que a prestação de serviço para os associados ocorre com as contratações efetuadas pela cooperativa junto aos seus tomadores. Logo, a afirmação da fiscalização de ausência de prestação de serviço para os associados está desassociada da realidade; quer por chancela legal, quer por previsão expressa estatutária, o livro de matrícula pode ser substituído por fichas numeradas e catalogadas em ordem cronológica de admissão. Desta feita, como bem se comprovam os documentos acostados, a recorrente possui as fichas individuais de matrícula em plena ordem e guarda, em consonância com o que dispõe a lei de regência e o estatuto da recorrente. Os documentos foram entregues à fiscalização, não havendo que se falar em ausência de apresentação; De um universo de aproximadamente 115 (cento e quinze) notas fiscais válidas emitidas no ano de 2006, somente 18 (dezoito) tem como tomador de serviços a AMA Assistência Médica Administrada, representando aproximadamente 28% da receita auferida pela cooperativa. Não há que se falar assim, que a AMA Assistência Médica Administrada figura como principal tomadora do serviço da cooperativa, posto que nem em quantidade de Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.450 8 demanda, nem em quantidade de faturamento a contratação da respectiva empresa pode ser considerada como principal; Consoante relatório de produção em anexo, vislumbrase claramente que os cooperados prestam serviço junto às tomadoras em caráter não habitual e, jamais, diário. Exemplifica o caso com as empresas Portodonto e JOSAPAR. Com carga horária amplamente variável resta evidente que os mesmos os profissionais jamais poderiam ser considerados como prestadores de serviço diário ao referido tomador; inexistindo vedação legal, temos que a prestação dos serviços dos cooperados no local estabelecido pela tomadora ou em suas unidades, em nada descaracteriza a natureza da contratação havida entre as partes, tampouco a legalidade e legitimidade da recorrente; quanto à existência de sentença trabalhista advinda da 20a Vara do Trabalho de Porto Alegre a qual reconheceu a existência de vínculo empregatício entre o cooperado e a cooperativa, Conforme documentos colacionados, as partes transacionaram no processo de referência o qual se deu sem o reconhecimento de vínculo empregatício, da mesma forma que os valores alcançados ao reclamante ocorreram com cunho meramente indenizatório, constituindose em devolução da quota parte do reclamante devidamente corrigido. Dito acordo foi homologado pelo juízo competente fazendo lei entre as partes; não tendo havido no período em comento qualquer eliminação/exclusão de associado, não há que se falar em deliberação do Conselho de Administração acerca dos desligamentos, posto que, por decorrência constitucional, este não prescinde de autorização para ser executado. Igualmente, em que pese o controle de admissão/desligamento poder ser realizado pelas fichas de matrículas dos associados, temse que por controle específico dita informação também poderia ser facilmente aferida; Consoante documento acostado, claro se mostra a existência física do mesmo, encontrandose este em pleno acordo com a legislação, sendo descabida a irregularidade apontada pela fiscalização; Dispõe a Lei 5.164/71, corroborado pelo estatuto da entidade, que sobre o resultado líquido do período constituirseão os fundos de reserva e de assistência técnica, educacional e social (FATES), na proporção de 10% e 5%, respectivamente. Consoante Ata do Conselho Fiscal o balancete do ano de 2006 restou aprovado, constituindose os fundos em comento nos moldes definidos pela lei e reiterados pelo estatuto da entidade. Da mesma forma, em Assembléia Geral ocorrida em março de 2007, o referido balancete restou aprovado pelos membros da cooperativa, determinandose o destino das sobras apuradas. há que se ter presente que a legislação de regência não veda que os cooperados deliberem acerca da destinação diversa do que o rateio das sobras. Hígido se mostra o procedimento adotado pela cooperativa, inclusive no que concerne a existência e correção dos valores dos fundos legalmente previstos; a cooperativa recorrente encontrase validamente constituída não havendo qualquer incorreção ou ilegalidade em suas atividades que ensejassem sua descaracterização como cooperativa e conseqüente enquadramento como empresa; Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.451 9 todas as informações e recolhimentos efetuados pela recorrente encontram se em consonância com seu tipo empresarial, não havendo que se falar em ausência de recolhimento ou incorreção de informação. Sendo cooperativa legitimamente constituída e legalmente operante tendo prestado e recolhido todas as informações previdenciárias correta e tempestivamente, a anulação do auto de infração é devida; requer, ainda, a compensação dos valores já recolhidos. Os autos foram convertidos em diligência fiscal pela Resolução nº 2803000.136 – 3ª Turma Especial, em 19/12/2012, para análise dos argumentos e documentos apresentados no recurso do contribuinte. DA INFORMAÇÃO DA DILIGÊNCIA FISCAL Em resposta, a diligência fiscal, fls. 1384/1394, informou que: a verdadeira atividade, a de intermediar mãodeobra, em desacordo com a essência do cooperativismo, está caracterizada no entendimento da fiscalização: a) mesma atividade da Mitra Assessoria e da Mitra Cooperativa. Embora formalmente os objetos sociais sejam diversos, na prática houve a continuidade das atividades, intermediando mãodeobra, inclusive ao mesmo tomador de serviços, AMAAssistência Médica Administrada; b) não prestação de serviços aos associados e sim intermediação de mãode obra. A Ata da Assembléia Geral Ordinária de 06/01/2005, fl 88, assunto 02. Assevera que fica claro que há a comercialização do trabalho e desvio da essência da cooperativa, há a busca de profissionais para atendimento do contrato e que, na sequência terão como condição para a realização do trabalho, o preenchimento de ficha de matrícula de associado; c) analisados os documentos apresentados pelo recorrente, podese ver que não estão em conformidade com a Lei 5.764/71 (art. 23) e Estatuto da cooperativa (art. 12). Não há registro de conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social, por exemplo. Nas Atas do Conselho Administrativo que delibera sobre novos associados, em momento algum é tratado da integralização das quotas, o que deveria acontecer na forma da Lei 5.764/71 e do art. 5o do Estatuto da Cooperativa. No Balanço Patrimonial de 2006, folhas 723 e 724, se verifica que o Capital Social é de R$ 310,00, desde a constituição da Cooperativa, e não houve integralização e nem mesmo subscrição de quotaspartes. Assim, a análise das Fichas de Matrículas corrobora o entendimento de que os profissionais não eram cooperados e sim prestadores de serviço; d) da não identificação do Registro Contábil dos Fundos: os documentos apresentados, folhas 723 e 724, contêm o indicativo de existência de registros contábeis dos Fundos de Reserva. Considerando que o valor das "Sobras Apuradas", contido nesse documento, equivale ao valor mencionado na ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, de 16/03/2007, folhas 720 a 722, que trata da distribuição das sobras no valor de R$ 6.234,94, crêse que se tratar de valores contidos nas demonstrações da Cooperativa, embora a cópia anexada não tenha sido extraída do Livro Diário e nem tenha sido apresentados os lançamentos efetuados no Livro citado, que deram origem aos saldos; Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.452 10 e) da análise dos contratos de prestação de serviços e notas fiscais, a fiscalização concluiu que, embora a emissão de notas fiscais contra a AMA Ass. Médica não atinge valores que expressam a maior parte do faturamento mensal, também é possível verificar que a maior parte dos contratos foi assinado por Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Sporleder. Assim como, o local para envio das faturas é o endereço da AMA, Rua Gomes Jardim n° 472; f) no livro de Atas do Conselho Administrativo não restou comprovado o número total de associados e desligamentos ocorridos no período; g) verificase nas atas apresentadas, folhas 94 a 110, por exemplo: fornecimento de ticket alimentação de acordo com o número de lojas atendidas; verba e telefone para coordenador da área médica Daniel Manart. A análise das atas deixa claro que o Conselho Fiscal não tem fiscalização assídua, não há, a renovação de 2/3 dos membros, se reúne em período de tempo diverso do estabelecido, sem a participação de pelo menos 3 membros, o que reforça o entendimento de que a atividade exercida não é feita dentro do espírito da lei do cooperativismo; h) não há nada de esporádico na necessidade dos serviços pelas empresas Tomadoras. Tratase de necessidade permanente, cuja execução está sendo suprida através da terceirização dos mesmos. Os contratos sempre são acompanhados de anexo que define qual o profissional que vai realizar a prestação de serviços. Na ata de reunião do Conselho Fiscal, de 26/09/2005 (fl. 101) fica definido o fornecimento de cartão alimentação aos Assistentes Sociais, de acordo com o número de lojas que cada profissional atende, o que demonstra que se trata de serviço permanente a ser realizado. A documentação do contribuinte não modifica o entendimento da fiscalização; i) quanto ao processo 00353200802004008 da 20a Vara do Trabalho de Porto Alegre, do reclamante Mauro Azambuja de Souza, não modifica os fatos. O acórdão só foi citado para demonstrar como se posicionou o Tribunal Regional do Trabalho da 4a Região frente à realidade fática de intermediação da mão de obra feita pela Mitra Cooperativa; j) a possibilidade de aproveitamento das guias GPS será tratada no atendimento da diligência do processo 12269.003665200950, DEBCAD 37.200.4652, que trata da contribuição referente à parcela dos segurados; Por fim, a fiscalização mantém o lançamento fiscal. DA CONTESTAÇÃO À ANÁLISE DOS DOCUMENTOS E RESULTADO DILIGÊNCIA FISCAL a) a cooperativa recorrente (supostamente sucessora) foi autuada por supostos débitos incorridos nas competências de 2006. A sua vez, a empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda (supostamente sucedida), teve suas atividades encerradas em 2005 consoante distrato, tendo sua baixa formalizada perante os órgãos competentes em 2008. Logo, temse inócua a sucessão pretendida, posto que ausente o requisito basilar para a sucessão, qual seja a existência de débitos tributários pela sucedida, consoante art. 132 do CTN. A mera existência de tomadores comuns à cooperativa e à empresa por si só não pode ser fator determinante para o reconhecimento de sucessão. Ainda assim, calha sublinhar que a pluralidade de tomadores da recorrente restou devidamente comprovada, afastando por completo a Ilação feita pela fiscalização de que a empresa e a cooperativa Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.453 11 mantinham exclusividade de contratação com a AMAAssistência Médica Administrada, a cooperativa Mitra Cooperativa de Trabalho na Área da Saúde e Assistência Social; b) a chamada "busca de outros profissionais" referida consiste, unicamente, na habilitação junto à cooperativa de novos cooperados que constam no cadastro de aspirantes (Doc.02); c) as fichas de matrícula não apresentam qualquer irregularidade frente à lei 5.764/71, ao passo que a integralização das quotaspartes está adequadamente formalizada junto à recorrente, como bem atesta o extrato de integralização de capital em anexo (doc.03) – a partir de 02/2008. Apenas Adriane Rodrigues 01/02/2005, Adriane Parker 14/11/2003, Cíntia Mendes 01/03/2005, Elisa Szameltat 05/09/2005, ...; d) como bem reconhecido pela fiscalização há a correta contabilização dos fundos da entidade, não havendo que se falar, portanto, em desatenção aos preceitos legais; e) Evidente se mostra que, na condição de administradora, a empresa AMA Assistência Médica Administrada Ltda gere os recursos atinentes aos pagamentos dos prestadores de serviço o que, por si só, justifica o envio das faturas de serviço da recorrente para o endereço da AMA. Ademais, na condição de administradora, a empresa AMA, através de seus representantes, detém o poder de firmar os contratos de prestação de serviço em nome de suas tomadoras. Evidente, portanto, que a administração realizada pela AMA não possui o condão de afastar a real contratação havida entre a recorrente e suas tomadoras, tampouco pode se prestar a desqualificar a recorrente como cooperativa; f) há a correta apresentação das fichas de matrícula onde constam os desligamentos junto à cooperativa no período, não havendo que se falar, portanto, em desatenção aos preceitos legais; g) no que tange à apresentação atas do Conselho Fiscal, temos que a autuação em comento referiu à ausência de tal livro. Desta forma, a avaliação da fiscalização quanto à suposta irregularidade das atas e da composição do Conselho Fiscal desborda os limites legais da autuação importando em novação, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Ainda que o Estatuto da entidade preveja uma renovação de 2/3 do Conselho Fiscal, temos que esta disposição referese a uma liberalidade da entidade, não correspondendo à imposição legal. Desta maneira, impossibilitada a renovação do Conselho Fiscal pela ausência de chapa contrária àquela que exerce o mandato, temos que a manutenção dos conselheiros é medida impositiva sob pena de inviabilizar as atividades da cooperativa. h) ao contrário do que faz crer a fiscalização a prestação de serviços realizada pelos cooperados se faz em caráter eventual e jamais habitual, fato este provado através dos relatórios de produção outrora anexados; i) o acórdão de trabalhista não caracteriza a existência de vínculo empregatício entre o cooperativado e a recorrente. Desta maneira, dada a homologação de acordo sem que houvesse o reconhecimento de vínculo não há que se falar em apropriação das razões do acórdão para conduzir ao entendimento de que a relação é de trabalho e não de cooperativismo; j) há a correta distribuição das sobras, não havendo que se falar, portanto, em desatenção aos preceitos legais; Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.454 12 Por fim, requer a anulação do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.455 13 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. MESMO RECURSO APRESENTADO PARA OS PROCESSOS: 12269.003663/200961, 12269.003664/200913 e 12269.003665/200950. A análise dos julgamentos será em conjunto e terá como referência o processo: 12269.003663/200961. A decisão recorrida, fls. 240/250 dos autos digitalizados, assim se pronunciou: (...) O estatuto da cooperativa prevê a manutenção de um livro de matrículas, que o impugnante alega ter juntado em sua peça. As folhas 111 a 118, de fato, há uma relação de inclusões e desligamentos de associados, constando profissões, registros profissionais e matrículas. Queremos crer que tais elementos supririam a falta alegada. Mas não se pode olvidar que o art. 23 da Lei 5.764/1971 determina que nele devem constar nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão, residência do associado; data de sua admissão e de sua demissão, eliminação ou exclusão; conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Mesmo que adotados livros de folhas soltas ou fichas, conforme permissivo no parágrafo único do art. 22 da citada Lei, tais informações deveriam constar desse livro ou dessas fichas, o que não foi observado. O registro contábil dos fundos não pôde ser visualizado da inspeção das cópias do Diário acostadas às folhas 64 a 70. Tampouco podemos crer que o documento nominado de balanço, de folhas 119 e 120, possa ser apto a esclarecer a ausência de tais registros. Tratase de documento sem nenhuma autenticação ou identificação da pessoa que o confeccionou, não havendo Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.456 14 qualquer identificação de onde vieram os saldos das contas dos respectivos fundos. (...) Quanto à questão no número total de associados e desligamentos no livro de Atas do Conselho Administrativo, tratase de informação que deveria estar contida no livro de matrículas, mas não observadas nos documentos juntados aos autos, conforme análise já expendida. O Conselho de Administração é órgão superior na hierarquia administrativa da impugnante (art. 39 do seu estatuto, folha 30 do anexo I) e suas reuniões deveriam ser documentadas. O art. 47 de seu estatuto determina também que é da competência desse conselho deliberar sobre admissão, demissão e eliminação de associados. Assim, as informações que deveriam consta no livro de matrículas poderiam também ser encontradas nas atas do Conselho de Administração. Isso, no entanto, não consta dos autos. (...) No que diz respeito à reclamatória trabalhista (003532008020 04008.20a Vara de Porto Alegre, 4a Região), a leitura do acórdão do recurso interposto vai ao encontro do raciocínio da auditoriafiscal, a despeito do esforço da impugnante de minorá la: (...) A distribuição das sobras, entendemos, necessita que estas existam, da mesma maneira que o repasse dos prejuízos. O impugnante alega que tais sobras não existiram por conta de terem sido contingenciadas em 2005, sem, no entanto, explicar seus valores em 2006, exercício do lançamento. Também não indicou ou provou que a cooperativa, em assembléia geral, tivesse destinado tais sobras, nesse último exercício, a alguma outra função. É fato de que o lançamento fiscal deve se sustentar pelas provas e indícios que a auditoriafiscal apura no seu mister. E face aos elementos contidos nos autos, a conclusão que se chega é de que este encontrase escorado em fatos e fundamentos em que se infere elementos suficientes para atestarse a ocorrência dos fatos geradores citados. Por último, no que diz respeito aos recolhimentos pelo sujeito passivo empreendidos (código de recolhimento 2127 Cooperativa de trabalho CNPJ Contribuição descontada do cooperado Lei 10.666/2003), verificase que tratase de recolhimento que não se coaduna com o FPAS utilizado no lançamento, código 515. Poderseia conjecturar que a apropriação desses pagamentos devia se dar de maneira ex officio, dadas as circunstâncias citadas no Relatório Fiscal, no entanto, analisando as GFIP entregues no período lançado pelo impugnante, constatase que estas também o foram no código FPAS 515. Dessa maneira, temse que os recolhimentos foram Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.457 15 incompatíveis com a declaração apresentada desde o início. Não obstante, de nossa análise nos autos do processo 12269.003665/200950, concluímos por seus aproveitamentos lá, em levantamento específico, não havendo, por esta análise, como aproveitálos no presente lançamento. Nesse sentido, votamos pela improcedência da impugnação. Após análise do Relatório Fiscal, fls. 36/40 dos autos digitalizados, da nova diligência fiscal e pronunciamento sobre os documentos apresentados e as contrarrazões do contribuinte, quanto à alegação de intermediação de mão de obra, em desacordo com o ato do cooperativismo, alegado pela fiscalização, temse: a) A contribuinte (empresa MITRA Cooperativa) é sucessora da empresa sucedida MITRA Assessoria, encerrada em 31/01/2005, e exerciam a mesma atividade de prestação de serviços aos mesmos tomadores, sendo todos os sócios da sucedida fundadores da MITRA Cooperativa, exceto Mara Rosane Gallina. Desse modo, entendese plenamente aplicável o § único do art. 132 do CTN, quando há a extinção da pessoa jurídica e a exploração da atividade seja continuada por outra, sob a mesma ou outra razão social, e representada por qualquer sócio remanescente, sendo responsável pelos tributos devidos até à data do ato. A recorrente assevera que a MITRA Assessoria teve suas atividades encerradas em 2005 com baixa formalizada nos órgãos competentes em 2008. Temse inócua a sucessão pretendida por falta de requisitos, qual seja a existência de débitos tributários, consoante art. 132 do CTN. A mera existência de tomadores comuns à cooperativa e à empresa sucedida não pode ser fator determinante para o reconhecimento de sucessão. A pluralidade de tomadores da recorrente restou devidamente comprovada, afastando a ilação de que mantinham exclusividade de contratação com a AMAAssistência Médica Administrada. Diante dos fatos constantes dos autos, não resta dúvida de que a Mitra Assessoria e a Mitra Cooperativa exerciam as mesmas atividades e que houve a continuidade das atividades para os mesmos tomadores, embora por intermédio de cooperativa. Resta saber se a intermediação de mão de obra foi em desacordo com as regras do cooperativismo. b) A fiscalização alega que não foi comprovada a prestação de nenhum tipo de serviço para os associados da cooperativa, mas a intermediação do trabalho realizado. Há a comercialização do trabalho e desvio da essência da cooperativa, pois há a busca de profissionais para atendimento do contrato e que na sequência terão como condição para a realização do trabalho o preenchimento de ficha de matrícula de associado. A Ata da Assembléia Geral Ordinária de 06/01/2005, fl 88, assunto 02, assim dispõe: Passado assim para o assunto 02 a Sra. Ana comunica a celebração do contrato de Prestação de serviço social com a Empresa SONAE distribuição Brasil a partir do dia 10 de dezembro de 2004 para atender a todas as unidades da empresa no RS, PR, SC e SP. Informa ainda que foi necessária a busca de outras profissionais de serviço social para atender algumas localidades que ainda não haviam cooperados. A recorrente menciona que a chamada "busca de outros profissionais" consiste na habilitação junto à cooperativa de novos cooperados que constam no cadastro de aspirantes (doc.02); Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.458 16 A cópia da relação de Aspirantes selecionados (doc. 02, fls. 1411) não apresenta a data de sua confecção. Dos dados apresentados não é possível conclusões, apenas constam o nome, idade, fone, central e profissão. Os documentos apresentados devem ser contemporâneos ao período fiscalizado e devem demonstrar de maneira clara o alegado pela recorrente. c) Da não apresentação do Livro de Matrícula: o fisco afirma que os documentos apresentados não estão em conformidade com a Lei 5.764/71 (art. 23) e Estatuto da cooperativa (art. 12). Não há registro de conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Nas Atas do Conselho Administrativo que delibera sobre novos associados, em momento algum é tratado da integralização das quotas (art. 5o do Estatuto da Cooperativa). No Balanço Patrimonial de 2006, folhas 723/724, se verifica que o Capital Social é de R$ 310, 00, desde a constituição da Cooperativa, e não houve integralização e nem mesmo subscrição de quotaspartes. Assim, a análise das Fichas de Matrículas corrobora o entendimento de que os profissionais não eram cooperados e sim prestadores de serviço. Diz o art.12 do Estatuto da Cooperativa: Art. 5 o Após aprovada a proposta, deverá o candidato subscrever as quotaspartes do capital, nos termos deste Estatuto, e assinar o livro de matrícula juntamente com o Presidente da Sociedade, sendolhe entregue cópia do Estatuto Social, cópia da Ata do Conselho de Administração que aprovou o seu ingresso na Sociedade e cópia da ficha de matrícula; Parágrafo Único O associado adquire todos os direitos e assume todos os deveres e obrigações da Lei, deste Estatuto e das deliberações da Sociedade. (...) Art. 12 Os associados serão inscritos em livros ou fichas individuais de matrícula, numeradas em ordem cronológica de admissão, constando: a) Nome, idade, estado civil; nacionalidade, profissão, número da Carteira de identidade (RG) e do Cadastro Nacional de Pessoa Física (CPF/MF) e endereço residencial do associado. b) Data de admissão, e, quando for o caso, data de demissão a pedido, eliminação ou exclusão. c) Conta corrente das quotaspartes de capital do associado. d) Assinatura do associado e do Presidente. E o art. 23 da Lei 5.764, de 16/12/1971: Art. 23 No livro de Matrícula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando: I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.459 17 III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. A recorrente informa que as fichas de matrícula não apresentam qualquer irregularidade frente à lei 5.764/71, ao passo que a integralização das quotaspartes está adequadamente formalizada, como bem atesta o extrato de integralização de capital em anexo (doc.03). Da análise das filhas de matrículas (doc. 03, fls. 1413/1425), para o período do lançamento fiscal 01/2006 a 12/2006, não é possível firmar conclusão sobre a integralização do capital subscrito para os cooperados que ingressaram na cooperativa até a data do lançamento fiscal. Para os cooperados com ingresso até 2006 temse o status do registro: “Cap. Cancelado”, “devolvido” ou apenas com “subscrição” sem integralização. As exceções, onde consta subscrição integralizada no valor de R$10,00 (dez reais) para alguns cooperados são: Adriane Vasconcelos Parker em 14/11/2003, Cíntia Cardoso Mendes em 01/03/2005, Elisa Salto Szameltat em 1/10/2005, Eloísa Ely Frato em 1/04/2006, Estela Simone Rapahel Dalbem em 1/11/2005, Giovanna Rispoli em 1/01/2006, Luciani dos santos Fonseca em 1/01/2005, Maria de Lourdes Silva Francisco em 1/06/2005. d) Quanto a não identificação do Registro Contábil dos Fundos, não foi possível identificar com clareza o valor das "Sobras Apuradas" do Fundo de Reserva, mencionado na ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, de 16/03/2007, folhas 720/722, que trata da distribuição das sobras no valor de R$ 6.234,94. A cópia anexada não demonstra ser extraída do Livro Diário e não foram apresentados os lançamentos efetuados no Livro Diário que deram origem aos saldos. Destarte, a fiscalização não reconheceu em definitivo que há a correta contabilização dos fundos da entidade, como quer a recorrente. Os documentos apresentados não foram suficientes para a constatação que de os atos contabilizados pela cooperativa seguem os preceitos legais, como alega a recorrente. e) Principal tomador de serviço da cooperativa é a empresa AMA – Ass. Médica, que até 30/03/2006 estava localizada no mesmo endereço da MITRA Cooperativa e prestadora MITRA Assessoria Ltda: em relação à análise dos contratos de prestação de serviços e notas fiscais, a fiscalização concluiu que a emissão de notas fiscais contra a empresa AMA Ass. Médica não atinge valores que expressam a maior parte do faturamento mensal, entretanto, verificou que a maior parte dos contratos com os tomadores de serviços são assinados pelas mesmas pessoas: Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Sporleder, inclusive contrato com o tomador de serviço: Unidade de Saúde Central Ltda, em 01/02/2003, data anterior à constituição da Cooperativa, assim como, o local para envio das faturas é o endereço da AMA, Rua Gomes Jardim n° 472. Atenta para o desligamento de Frederico Fuhrmeister, fls. 395, mencionando que não há mais interesse em atender na Unidade de Saúde Central e em outros ambulatórios administrados pela AMA. A recorrente menciona que a empresa AMA – Ass. Médica na condição de administradora gere os recursos atinentes aos pagamentos dos prestadores de serviço o que justifica o envio das faturas de serviço da recorrente para o endereço da AMA. Ademais, a empresa AMA, através de seus representantes, detém o poder de firmar os contratos de prestação de serviço em nome de suas tomadoras. A administração realizada pela AMA não possui o condão de afastar a real contratação havida entre a cooperativa recorrente e suas tomadoras, tampouco pode se prestar a desqualificar a recorrente como cooperativa. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.460 18 Das informações constantes da fiscalização e do recurso do contribuinte tem se que a AMA – Ass. Médica é uma empresa que administra o pagamento dos prestadores de serviços onde se inclui o MITRA Cooperativa. Até 30/06/2006 estava localizada no mesmo endereço a AMA – Ass. Médica, a MITRA Cooperativa e a MITRA assessoria Ltda. A maior parte dos contratos prestação de serviço são assinados pelas mesmas pessoas: Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Sporleder. Assim, temse que a AMA é tomadora dos serviços da cooperativa MITRA (fl. 1390) e administradora/gestora dos pagamentos dos contratos dos prestadores (inclusive a cooperativa MITRA) e firma contrato em nome dos tomadores. Tomador de Serviço: Ama Assistência Médica Administrada Ltda Representada por barcos Lucchese Sporleder Contrato assinado por Fernando Cabelera Sporleder, em 01/01/2005 Aditivos assinados por Marcos Lucchese Sporleder e Fernando Cabelera Lucchese Local para envio de faturas: Rua Gomes Jardim n° 472, endereço da AMA f) Quanto ao livro de Atas do Conselho Administrativo, a fiscalização informou que não restou comprovado o número total de associados e desligamentos ocorridos no período. Informa que foram apresentadas as Atas do Conselho Administrativo onde é tratado o ingresso, desligamento e fichas de matrículas. Assim sendo, a recorrente cumpriu o exigido pelos preceitos legais nessa obrigação. g) A fiscalização informa que o livro de Atas do Conselho Fiscal foi apresentado somente na defesa. Verificase, nas atas apresentadas, folhas 94 a 110, por exemplo: 1 Ata da reunião de 02/12/2005, fls. 101/102, assinam a Ata Patrícia Dias, Cristina Rojas e Ana Lucia de Mello (Presidente do Conselho de Administração), um dos assuntos debatidos foi o fornecimento de ticket alimentação de acordo com o número de lojas atendidas; 2 Ata da reunião de 04/08/2006, fls. 102/103, assinam Patrícia e Cristina únicas presentes na reunião), um dos assuntos debatido foi a verba e telefone para coordenador da área médica Daniel Manart. A análise das atas deixa claro que o Conselho Fiscal não tem fiscalização assídua, não há a renovação de 2/3 dos membros, se reúne em período de tempo diverso do estabelecido, sem a participação de pelo menos 3 (três) membros, o que reforça o entendimento de que a atividade exercida não é feita dentro do espírito da lei do cooperativismo estabelecido na Lei 5.674/71 e nos arts. 51 e 52 do Estatuto. Art. 51 A administração da Cooperativa será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal, constituído por 3 (três) membros efetivos e 3 (três) suplentes, todos associados, eleitos anualmente pela Assembléia Geral, sendo permitida a reeleição de apenas 1/3 (um terço) de seus componentes. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.461 19 § 1o Não poderão fazer parte do Conselho Fiscal, além dos inelegíveis, os parentes, entre si e dos membros do Conselho de Administração ate 2o (segundo) grau, em linha reta ou colateral. § 2 o Nenhum associado poderá exercer, cumulativamente, cargos nos Conselho de Administração e Conselho Fiscal. Art. 52 O Conselho Fiscal reúnese, ordinariamente, uma vez por mês, e, sempre que necessário, extraordinariamente, com a participação de pelo menos 3 (três) dos seus membros. A recorrente questiona que a fiscalização apenas registrou a ausência do livro de Atas do Conselho Fiscal. A avaliação quanto à suposta irregularidade das atas e da composição do Conselho Fiscal desborda os limites legais e importa em novação, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. A renovação de 2/3 do Conselho Fiscal é uma liberalidade da entidade, não sendo imposição legal. Impossibilitada a renovação do Conselho Fiscal pela ausência de chapa contrária àquela que exerce o mandato, temse que a manutenção dos conselheiros é medida impositiva sob pena de inviabilizar as atividades da cooperativa. A análise da documentação pela fiscalização só pode ser feita após sua apresentação. Constatada irregularidade quanto às normas da Lei 5.674/71 e Estatuto da cooperativa deve ser relatado o fato por dever funcional da autoridade fiscal. Como demonstrado, a recorrente não atentou para as normas estatutárias quanto à renovação dos membros do Conselho Fiscal, nem registrou nas Atas as impossibilidades estatutárias. Não há que falar em novação. h) A fiscalização informou que não há eventualidade na necessidade dos serviços pelas empresas Tomadoras. São necessidades permanentes, cuja execução é suprida através da terceirização. Os contratos sempre são acompanhados de anexo que define qual o profissional que vai realizar a prestação de serviços. Na ata de reunião do Conselho Fiscal, de 26/09/2005 (fl. 101) fica definido o fornecimento de cartão alimentação aos Assistentes Sociais, de acordo com o número de lojas que cada profissional atende, o que demonstra que se trata de serviço permanente a ser realizado. Assevera a recorrente que a prestação de serviços realizada pelos cooperados se faz em caráter eventual e jamais habitual, entretanto, os relatórios de produção e documentos anexados aos autos não são suficientes para a confirmação do alegado. i) Quanto ao processo 00353200802004008 da 20a Vara do Trabalho de Porto Alegre, do reclamante Mauro Azambuja de Souza, a fiscalização informa que o acórdão só foi citado para demonstrar como se posicionou o TRT da 4a Região frente à realidade fática de intermediação da mão de obra feita pela MITRA Cooperativa. O acordo feito entre as partes ocorreu após sentença de reconhecimento de vínculo empregatício e ficou convencionado a inexistência de vínculo empregatício e que o valor pago seria a título de indenização constituindose na devolução de quotaparte do cooperado. Questiona a recorrente que o acórdão trabalhista não caracteriza a existência de vínculo empregatício entre o cooperativado e a recorrente, dada a homologação de acordo sem que houvesse o reconhecimento de vínculo. Não há que falar em relação de trabalho e sim de cooperativismo. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.462 20 Da decisão do processo trabalhista em comento, anexada aos autos, fls. 1392/1393, temse que ficou reconhecida a contratação de mão de obra para exercer atividades essenciais e de forma exclusiva para outros estabelecimentos por intermédio da cooperativa de trabalho, emergindo a relação de emprego e sendo nulo ato de contratação por meio de cooperativa, nos termos do art. 9º da CLT, não se aplicando o art. 442 da CLT. Desse modo, reconhecese a realidade fática de intermediação de mão de obra feita pela MITRA Cooperativa na sentença judicial em epígrafe. Corroborando com o entendimento da ausência dos requisitos que caracterizam o cooperativismo (art. 442 da CLT) e da presença dos elementos fáticojurídicos da relação de emprego têmse as sentenças dos Tribunais da Justiça do Trabalho: COOPERATIVA DE TRABALHO INTERMEDIAÇÃO ILEGAL DE MÃODEOBRA DESCARACTERIZAÇÃO. O verdadeiro cooperativismo pressupõe a conjugação de interesses comuns e a reversão dos frutos do trabalho em benefício de todos os associados ou cooperados, não podendo existir, entre eles, qualquer forma de subordinação própria da relação de emprego. Sendo assim, provado, nos autos, que a Cooperativa reclamada, embora formalmente constituída, limitase, sistematicamente, a realizar intermediação de mãodeobra, recrutando trabalhadores e trabalhadoras para a prestação de serviços em empresas diversas, forçoso reconhecer a existência de simulação que tem por finalidade disfarçar verdadeira relação de emprego. (TRT7 RO: 417000320095070007 CE 0041700 0320095070007, Relator: MARIA JOSÉ GIRÃO, Data de Julgamento: 09/04/2012, Primeira Turma, Data de Publicação: 19/04/2012 DEJT) COOPERATIVA. DESCARACTERIZAÇÃO. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A prestação de serviços que se inserem na atividade fim da empresa, por intermédio de cooperativa caracteriza fraude na contratação de mão de obra. Tal circunstância, aliada à ausência de affectio societatis entre os cooperados, e à fixação do trabalhador na mesma empresa ao longo de todo o contrato, evidencia a utilização da cooperativa como mera intermediadora de mão de obra, impondose, nesse caso, o reconhecimento do vínculo empregatício com a empresa tomadora dos serviços. Recurso provido. (TRT2 RO: 7272520125020 SP 00007272520125020432 A28, Relator: IVANI CONTINI BRAMANTE, Data de Julgamento: 01/10/2013, 4ª TURMA, Data de Publicação: 11/10/2013) VÍNCULO EMPREGATÍCIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESCARACTERIZAÇÃO. Ausentes os requisitos que caracterizam o cooperativismo, conforme disposto no art. 442 da CLT, bem como restando comprovada a existência de elementos Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.463 21 fáticojurídicos da relação de emprego, de se manter a sentença que reconheceu a existência de vínculo empregatício entre as partes, deferindo ao empregado as parcelas trabalhistas decorrentes de tal liame contratual. Recurso conhecido e improvido. (TRT7 RO: 8948620105070007 CE 00008948620105070007, Relator: MARIA ROSELI MENDES ALENCAR, Data de Julgamento: 06/02/2012, Primeira Turma, Data de Publicação: 10/02/2012 DEJT) j) Informa a fiscalização, quanto à falta de distribuição de sobras e do baixo valor da reserva de sobras, que a Ata da Assembléia de Geral Ordinária e Extraordinária de 16/03/2007, fls. 720/722, trata da distribuição, embora a data da Ata esteja rasurada. A possibilidade de aproveitamento das guias GPS será tratada no atendimento da diligência do processo 12269.003665200950, DEBCAD 37.200.4652, que trata da contribuição referente à parcela dos segurados. A recorrente alegou que houve a correta distribuição das sobras, não havendo desatenção aos preceitos legais. Diante dos fatos abordados no voto, temse como conclusão que o lançamento fiscal é procedente. A sucessão da MITRA Cooperativa pela sucedida MITRA Assessoria, com mesma atividade de prestação de serviços aos mesmos tomadores, sendo quase todos os sócios da sucedida fundadores da cooperativa, exploração de atividade continuada, a dificuldade para identificar a prestação de serviço para os associados da cooperativa e identificação da visualização da intermediação do trabalho realizado, a busca de profissionais para atendimento do contrato de prestação de serviços, os documentos apresentados em desconformidade com a Lei 5.764/71 (art. 23) e Estatuto da cooperativa (art. 12), a falta de visualização clara do registro de conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social, a falta de clareza na integralização das quotas (art. 5o do Estatuto da Cooperativa), desligamento de cooperado de sua unidade de saúde e de outros ambulatórios administrados pela AMA – Ass. Médica, a confusão fáticojurídica onde a AMA – Ass. Médica é tomadora dos serviços da cooperativa (fl. 1390) e administradora/gestora dos contratos da prestadora (cooperativa) e firma contrato em nome das tomadoras, a dificuldade de se visualizar os atos praticados pelos membros do conselho fiscal e o cumprimento do estatuto da cooperativa, a definição nos contratos do profissional cooperado que vai prestar os serviços, fornecimento de cartão alimentação aos assistentes sociais, sentença trabalhista reconhecendo o vínculo empregatício, dente outros mencionados nos autos. No mesmo sentido é a falta de participação dos cooperados nas assembléias, a intermediação de mão de obra para atender tomadores de serviços desvirtuando os fins da cooperativa, a colocação à disposição dos tomadores dos supostos cooperados para executar tarefas ligadas à atividade fim, trabalho em caráter habitual, a falta de comprovação de todas as subscrições de quotaspartes, enfim, a falta de sintonia entre os fatos narrados pela recorrente com os documentos apresentados, atas, estatuto e o confronto com a escrituração contábil (Livro Diário). Corroboram o entendimento esposado as decisões dos Tribunais Federais, a seguir: Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.464 22 TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATAÇÃO FRAUDULENTA DE MÃODEOBRA POR INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DESCARACTERIZAÇÃO DA FIGURA DO COOPERADO. EXIGÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇO POR RESTAR CONFIGURADO O VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MULTA. PERCENTUAL DE 15%. RAZOABILIDADE. 1 Tratase de Ação Anulatória de Débito Fiscal em que o autor pretende a anulação da NFLD n.° 35.039.4342. O débito apurado referese às contribuições não repassadas à Previdência Social, quando da contratação de mãodeobra pelo autor por intermédio da Cooperativa Regional de Serviços Autônomos do Alto do Paranaíba Ltda. COOTRAR, em decorrência da decisão exarada pelo juízo da Vara do Trabalho de Patos de Minas que declarou o vínculo empregatício entre o tomador de serviços e os trabalhadores, e irregular a cooperativa. 2 – (...). 4 "In casu, restou demonstrado nos autos que Cooperativa em pauta COOTRAR serviuse de subterfúgio a dissimular o liame empregatício firmado entre o produtor rural e os contratados, uma vez que o ente se desgarrou da liturgia alinhada na Lei n.° 5.746/71, modificada pela Lei n.° 7.231/84. (...). Os rurícolas, pseudo cooperados, ignoravam a existência da Cooperativa, não participavam de assembleias, da distribuição das sobras líquidas e, se pudessem, optariam por laborar com registro em carteira,(...). 5 A Ação Civil Pública n.° 00412199907103 004, promovida pelo Ministério Público do Trabalho em face da COOTRAR, teve o seu pedido julgado procedente para que fosse impedida a COOTRAR de continuar intermediando mãodeobra ilicitamente, com fraude à lei e ofensa a direitos sociais coletivos de trabalhadores, sendo que a r. sentença foi mantida no julgamento do Recurso Ordinário n.°4159/2003 em que o Juiz Relator entendeu que restou claro que a COOTRAR foi constituída com o fim específico de intermediar mãodeobra para os fazendeiros da região, desvirtuando os fins da cooperativa, colocando à disposição dos tomadores os supostos cooperados para executar tarefas ligadas à sua atividade fim. A referida ação transitou em julgado. 6 Correta a fiscalização do INSS em autuar a parte autora para que recolha ao INSS as contribuições previdenciárias relativas aos empregados que lhe prestaram serviços por intermédio de contratação de mãode obra fraudulenta pela COOTRAR. 7 – (...). (TRF1 AC: 200138000133341 AC 200138000133341 Relator: GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS, Data da decisão: 19/11/2013, 5ª Turma Suplementar, Data de Publicação: 27/11/2013 eDJF1) CONTRIBUIÇÃO AO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO FGTS. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRABALHISTA PARA APURAR A EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO (ART. 118, DO CTN). COOPERATIVA DE Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.465 23 TRABALHADORES DE CARGAS SECAS E MOLHADAS. TRABALHO COM SUBORDINAÇÃO, NÃO EVENTUAL E COM PAGAMENTOS HABITUAIS. RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADA (ART. 3º DA CLT). 1. (...). 2. A fiscalização trabalhista e previdenciária têm legitimidade para efetuar lançamentos ex officio de contribuições para o FGTS e as de cunho previdenciário, desconsiderando a qualificação jurídica dada pela empresa à relação trabalhista, conforme prevê o artigo 118 do Código Tributário Nacional. 3. Na forma do artigo 3º da CLT, constituem elementos imprescindíveis à configuração da relação de emprego a subordinação, a nãoeventualidade, a pessoalidade e a remuneração. 4. Na hipótese, o vínculo empregatício entre a Embargante e os participantes da Cooperativa dos Trabalhadores em Empresa de Transportes de Cargas Secas e Molhadas da Cidade de Manaus foi comprovada pelos minuciosos Relatórios Fiscais das NFLD's que, em grau de recurso foram confirmadas, uma vez que a inspeção no local e a análise dos documentos comprovaram a total descaracterização dos elementos formais e substanciais típicos da sociedade em regime de cooperativa e a caracterização da relação de emprego, donde se destacam: a) inexistência da affectio societatis; b) ausência de espontaneidade na criação da entidade; c) falta de igualdade de direitos; d) inexistência de subscrição de cotaspartes; e) não participação dos associados na vida da cooperativa. 5. A situação fática retratada pela atuação fiscal é mais do que suficiente para embasar a autuação imposta à apelante pela fiscalização trabalhista, (...). (TRF1 AC 199932000070988 AC 199932000070988, Relator: PEDRO FRANCISCO DA SILVA (CONV.), Data da decisão: 30/11/2009, 5ª Turma, Data de Publicação: 29/01/2010 eDJF1) PROCESSO CIVIL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DOCUMENTO RELATIVO A FATO NOVO. COBRANÇA SOBRE VALORES CREDITADOS OU PAGOS A AUTÔNOMOS. INCONSTITUCIONALIDADE. DESCONFIGURAÇÃO DO VÍNCULO CONTRATUAL COM COOPERATIVA. MUNICÍPIO CONTRATANTE SEM SERVIDORES PÚBLICOS. PERÍCIA. ANÁLISE JURISDICIONAL DO VÍNCULO DE EMPREGO. VALORES ARCADOS COMO AUTÔNOMOS. DESCONTO DA PARTE DEVIDA PELOS EMPREGADOS. PARCIAL PROCEDÊNCIA. SUCUMBÊNCIA. 1. (...). 6. A questão enfocada é saber se havia vínculo de emprego entre os cooperados da cooperativa e a municipalidade. (...). 13. O que leva a consideração de existência de vínculo de emprego entre os cooperados e o Município exclusivamente para fins de incidência das contribuições previdenciárias, são os elementos colhidos em juízo. Além do minucioso relatório fiscal das duas inscrições, é de se ver que o próprio município declara às fls. 664 dos autos em apenso que, ao menos até 1.996, não tem nenhum funcionário público e, portanto, não tem nenhum registro de empregado. Causa espécie a existência de um ente municipal desprovido de Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.466 24 agentes para o desempenho de suas atividades essenciais, restando evidente que a tal terceirização pela cooperativa visou suprir integralmente a nãoexistência de servidores públicos (ocupantes de cargo público ou de emprego público). A testemunha ouvida, Sr. Valdevino Rodrigues, às fls. 680 dos autos em apenso, confirma essa constatação. 14. (...). 15. Além do mais, como retratado pela fiscalização, 22 (vinte e duas) pessoas que foram descaracterizadas da condição de "autônomo" eram ligadas ao Município de Angatuba como empregados (fl. 10). Angatuba era o município da qual Campina do Monte Alegre era distrito. 16. O desempenho de atividades por terceirização generalizada, sem especificação para serviços de natureza puramente acessória, bem como a ausência formal de servidores públicos (provimento efetivo ou com vínculo de emprego), indicam com veemência a existência de vínculo empregatício dos cooperados com o município, de modo que para fins tributários são devidas pelo município o recolhimento das contribuições previdenciárias (parte "empresa") nos termos dos artigos 15, I e 22, I, da Lei 8.212/91, sem prejuízo do recolhimento que os cooperados fizeram em seu próprio benefício (parte segurado) como autônomos. 17. (...). 19. Os valores comprovadamente recolhidos pelos cooperados a título de contribuição de autônomo devem ser descontados dos valores exigidos da embargante na parte "empregados" dos discriminativos de fls. 03, 119 e 120 do apenso relativo aos autos administrativos, baseados no art. 30, I, "a", da Lei 8.212/91, nas mesmas competências e relativas aos mesmos segurados, também objeto de cobrança em ambas as inscrições, sob pena de "bis in idem" e enriquecimento sem causa do fisco exequente. (...). (TRF3 – APELREEX: 00193563520004039999 APELREEX 582871, Relator: ALEXANDRE SORMANI (CONV.), Data da decisão: 22/09/2009, 2ª Turma, Data de Publicação: 01/10/2009 eDJF3) ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. ANULAÇÃO DESCABIDA. COOPERATIVA ART. 442, PARÁGRAFO ÚNICO CLT. DESCARACTERIZAÇÃO. PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS. CONFIGURADO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. Considerase empregado, toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário (art. 3º da CLT). 2. Em todas as atividades será obrigatório para o empregador o registro dos respectivos trabalhadores, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (art. 41 da CLT). 3. É justificada a autuação quando se basear em elementos convincentes e indicadores de que, efetivamente, a realidade dos fatos – empregados não condiz com a situação jurídica formalmente demonstrada – autônomos. 4. Os “cooperados” na verdade, eram operários que prestavam serviços a MATEC, estando sujeitos a subordinação nitidamente Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.467 25 trabalhista, pois: a) obrigados ao cumprimento de uma jornada de trabalho; b) sujeitos a avaliação pela MATEC, podendo ser desligados (demitidos), c) sujeitos a fiscalização na figura do “controlador” indicado pela COOPERWORK; d) trabalhavam em caráter habitual com horário prédeterminado, além de horas extras; e e: percebiam pagamento de salário no 5º dia útil conforme a legislação trabalhista e cujo valor fora definido por categoria profissional no contrato celebrado entre a MATEC e a COOPERWORK. 5. A Lei 8.949/94 que acrescentou o parágrafo ao artigo 442, visa, apenas, aos casos de cooperados que realizam trabalho eventual ou de curta duração; interpretála de modo diverso, ou literal, é abrir campo para graves deformações incompatíveis com o caráter protetivo da lei trabalhista. 6. Descaracterizada a condição de cooperativa e caracterizado o vínculo empregatício, correta a autuação efetivada pela Delegacia do Trabalho. 7. Apelação improvida. (TRF4 – AC: 199904010987078AC, Relator: ALCIDES VETTORAZZI, Data da decisão: 05/12/2000, 4ª Turma, Data de Publicação: 24/01/2001 DJ) É justificada a autuação quando se baseia em elementos convincentes e indicadores de que a realidade dos fatos (intermediação de mão de obra) não condiz com a situação jurídica formalmente demonstrada pela cooperativa, nos termos do art. 118 do CTN. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Correta a fiscalização em autuar a cooperativa recorrente para que recolha as contribuições sociais previdenciárias relativas à intermediação de mão de obra, vez que não demonstrada o cumprimento das regras da Lei 5.674/71 e Estatuto da cooperativa. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal REFISC; e, ainda, o Discriminativo do Débito, as Instruções para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.468 26 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato dos conselheiros responsáveis pelos votos vencido e vencedor não mais integrarem o colegiado, fui designado AD HOC para redigir o voto vencedor. Feito o registro. Pedi vistas dos autos para melhor poder expressar minha convicção ante os votos prolatados pelos I. Conselheiros que me antecederam e que apresentam soluções diametralmente apostas para o caso. Todavia, peço máximas vênias a ambos os conselheiros que me antecederam para discordar da fundamentação destes. Ainda, que por motivos diversos a minha conclusão acabe por se alinhar ao menos em parte ao resultado de um deles. Dessa forma, acompanho em parte a fundamentação do I. Relator, mas quanto a decisão divirjo daquela em parte, o que explico em minha fundamentação e conclusão. Inicialmente, ressalto que toda a discussão sobre a existência de lançamento tributário, advindo de responsabilidade por sucessão é inócua, pois nestes autos especificamente como defendido pela impugnante desde o início, não existe a atribuição de responsabilidade tributária por sucessão e muito menos o lançamento de crédito devido por outra empresa. Podese verificar que o crédito lançado referese ao período de 01/2006 a 12/2006 e a empresa autuada, impugnante e recorrente Mitra Cooperativa apresentou para registrado na junta comercial, seu ato constitutivo em 25/03/2004, sendo que esse só foi liberados, em 26/08/2004, e, após isso foi providenciado o CNPJ e a inscrição Municipal, bem como o registro no OCERGS, iniciando suas atividades, no ano de 2004, Ata de Assembléia, de 06/01/2005, fls. 88 a 90. Além disso, a suposta empresa sucedida a Mitra Acessória a partir do ano de 2005, tornouse inativa, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa – 2006 a 2008, fls. 324 a 330. Da leitura do Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – REFISC – AIOP podese verificar que os levantamentos constantes do lançamento são os seguintes: Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.469 27 Levantamento AUT Pagamentos efetuados para prestadores de serviço, pessoa física,verificados na contabilidade da empresa. Levantamento FP Valores lançados em folha de pagamento e declarados na GFIP código 211 (Cooperativa de Trabalho) e 115 (empregados), sendo que na GFIP de código 211 os segurados são informados na categoria 17, em desacordo com as conclusões do item 6. Levantamento FP1Valores lançados em folha de pagamento para os segurados contribuintes individuais, não declarado em GFIP. Levantamento FP2Valores lançados em folha de pagamento para a Presidente da Cooperativa Ana Lúcia Mello, não declarados em GFIP. Levantamento FP3 Valores lançados em folha de pagamento a Ana Lúcia Mello, declarados em GFIP, no código de categoria 17 (cooperado), em desacordo com as conclusões do item 5 Levantamento FP4 Diferença entre os valores lançados na contabilidade a título de folha de pagamento e as próprias folhas de pagamento, não lançados em GFIP, não elucidada pela empresa, mesmo intimada para isso através Termo de Intimação Fiscal n° 1. Levantamento FPE Valores lançados na folha de pagamento aos segurados empregados, não informados em GFIP. Levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais das guias consideradas para abater no crédito. Do rol dos levantamentos acima descritos fica evidente em razão do período a que se referem, bem como em razão dos documentos utilizados como fonte de informação: a) contabilidade; b) GFIP e c) folha de pagamento, todos da empresa fiscalizada, que as bases de cálculo e por consequência as contribuições são todas decorrentes de responsabilidade própria nada tendo a ver com responsabilidade por sucessão. Ao analisar os levantamentos efetuados e acima listados em conjunto com os demais elementos dos autos podese verificar o que a seguir se descreve. · Levantamentos: AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS , conforme Relatório de Lançamentos RL, de fls. 17 e 18, os pagamentos foram realizados a pessoas físicas identificadas em RPA ou na conta contábil correspondente e identificada no RL, inclusive com o nome do profissional em algumas competências. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societária da recorrente; FP – FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO , conforme Relatório de Lançamentos RL, de fls. 18 e 19, os pagamentos foram Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.470 28 realizados a pessoas físicas da categoria de cooperados, que foram descaracterizados para Contribuinte Individuais – CI, tendo em vista as irregularidades na constituição da cooperativa. Desta forma, esse levantamento não merece prosperar, uma vez que não vislumbro irregularidades na constituição da cooperativa, o que não justifica a descaracterização dos cooperados; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, os pagamentos foram realizados a pessoas físicas da categoria de Contribuintes Individuais – CI, não declarados em GFIP. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, os pagamentos foram realizados a pessoas físicas da categoria de cooperado que exerce cargo de direção da “empresa” e que nessa qualidade é Contribuinte Individual CI. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; FP3 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, os pagamentos foram realizados a pessoa física da categoria de cooperados, que foram descaracterizados para Contribuinte Individuais – CI, tendo em vista as irregularidades na constituição da cooperativa. Desta forma, esse levantamento não merece prosperar, uma vez que não vislumbro irregularidades na constituição da cooperativa, o que não justifica a descaracterização dos cooperados; FP4 – LANÇAMENTO ARBITRADO , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, cuida este levantamento de diferenças de valores apurados pelo confronto da folha de pagamento com os lançamentos contábeis apurados na contabilidade e que não foram esclarecidos pela empresa apesar de intimada para tal. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS , conforme Relatório Fiscal REFISC, de fls. 35, este levantamento cuida de valores existentes em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. Desta forma, esse levantamento é devido independentemente do tipo societário da recorrente; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS – são diferenças decorrentes de GPS recolhidas em atraso e que tiveram o valor do acréscimo juros e multa, calculadas de forma incorreta pelo contribuinte, havendo a cobrança da diferença no lançamento. A observação dos levantamentos é muito elucidativa no presente caso, sendo possível concluir que os levantamentos AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA; FP4 – Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.471 29 LANÇAMENTO ARBITRADO; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS são devidos independentemente da discussão sobre a descaracterização da recorrente, pois em razão de tais levantamentos o tipo societário é irrelevante, uma vez que a exação por eles representados são devidas pelos diversos tipos societários existentes, empresas em geral, cooperativas e etc. Contudo, em razão dos dois levantamentos abaixo identificados não podemos dizer o mesmo. REFISC, DE FLS. 35. Levantamento FP Valores lançados em folha de pagamento e declarados na GFIP código 211(Cooperativa de Trabalho) e 115 (empregados), sendo que na GFIP de código 211 os segurados são informados na categoria 17, em desacordo com as conclusões do item 6. REFISC, DE FLS. 35. Levantamento FP3 Valores lançados em folha de pagamento a Ana Lúcia Mello, declarados em GFIP, no código de categoria 17 (cooperado), em desacordo com as conclusões do item 5 No Despacho de Diligência Nº 612/2010 5ª, Turma da DRJ/JFA, fls. 198 e 198v, emitido em razão da impugnação da ora recorrente, o órgão julgador faz o seguinte questionamento entre outros. Por último, também seria útil o esclarecimento da razão da opção da auditoriafiscal em efetuar os lançamentos com referência aos associados da cooperativa como contribuintes individuais, posto algumas orientações sugerirem conduta diferente (Maprof 4.0, item 8.6, subitens 3.7.1/3.7.2). A autoridade fiscal questionada, assim, pronunciouse, observese a transcrição, Informação Fiscal – IF, de fls. 200. d) Em relação ao enquadramento como contribuinte individual, esclarecemos que, como não foi possível estimar a data dc admissão e demissão, assim como a rotatividade dos cooperados era muito grande, tributamos como contribuintes individuais por uma questão de maior prudência no lançamento dos valores. Tal diligência e sua resposta foram cientificadas ao contribuinte que recebeu cópia daquelas, conforme recibo, de fls. 201. A empresa fiscalizada e recorrente apresentou manifestação acerca da diligência, as fls. 207 a 212, acompanhada dos documentos, de fls. 213 a 232. Ficou evidenciado que a empresa recorrente tinha pleno conhecimento do que fora e como fora lançado o crédito e que este não se refere a responsabilidade por sucessão, mas apenas e tão somente ao enquadramento dos cooperados como contribuintes individuais, Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.472 30 ante a uma série de supostas irregularidades na constituição da cooperativa elencadas pelo lançador. Destarte, todas as alegações referentes as supostas irregularidades na documentação de constituição da cooperativa são irrelevante, em razão dos levantamentos, abaixo listados, pois as contribuições exigidas são devidas por empresas em geral e, também, por cooperativas, conforme determinado em lei e nada mais, pelo menos no que tange ao levantamento indicados e que reproduzo a seguir: AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA; FP4 – LANÇAMENTO ARBITRADO; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Todavia, não se pode dizer isso para os levantamentos FP FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO e FP3 PRESIDENTE DA COOPERATIVA, uma vez que se reportam a exigência de cooperados como contribuintes individuais. A recorrente juntou, as fls. 1.082 a 1.104, Folha Analítica – Mensal onde constam os funcionários administrativos. No entanto, apenas em razão do apego a argumentação, esclareço que os documentos apresentados em especial no recurso voluntário demonstram a nítida intenção de promover a regularização das falhas apontadas pelo fisco, buscando a demonstração da regularidade da constituição e desenvolvimento das atividades da entidade cooperativa, mas que como dito e sobredito são irrelevantes ao deslinde do presente caso, pois não há no presente auto responsabilização por sucessão e muito menos em relação os levantamentos, AUT – AUTÔNOMOS NÃO INFORMADOS; FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FP2 – PRESIDENTE DA COOPERATIVA; FP4 – LANÇAMENTO ARBITRADO; FPE – FOLHA DE PAGAMENTO EMPREGADOS; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. A mera observação de alguns dos documentos, que acompanham o recurso voluntário, e, que foram juntados aos autos demonstram a irregularidade na emissão desses, observese. Fichas de matrícula dos cooperados da cooperativa NÚMERO COOPERADO DATA IRREGULARIDADES FLS 01 ADRIANE* N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO 381 02 ALESSANDRA 12/03/2004 ANTERIOR A EXISTÊNCIA LEGAL DA COOPERATIVA 382 03 ANA LÚCIA* 10/08/2004 ASSINA E RECEBE DOCUMENTOS ANTERIORES A SUA ADMISSÃO E ANTES DA EXISTÊNCIA LEGAL DA 384 Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.473 31 COOPERATIVA 04 CÉLIA* 17/10/2005 A SOLICITAÇÃO DE INGRESSO DE FLS. 386 ESTÁ DATADA DE 23/11/2005, OU SEJA, O INGRESSO FOI ANTES DA SOLICITAÇÃO 385 05 CHISTIANE* 05/03/2004 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 387 06 CRISTINA* 28/11/2003 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 388 07 ELAINE 19/11/2004 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 389 08 ELIANE N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO 390 09 ELISA N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO 392 10 FERNANDO 04/03/2004 ANTERIOR A EXISTÊNCIA LEGAL DA COOPERATIVA E FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 394 11 FREDERICO N/C AUSÊNCIA DA DATA ADMISSÃO, PORÉM COM RECONHECIMENTO DE FIRMA EM 13/05/2005 395 12 GLECI N/C AUSÊNCIA DE DATA DE ADMISSÃO 398 13 ISABEL N/C AUSÊNCIA DE DATA DE ADMISSÃO 400 14 GEANINE 29/04/2005 FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA 402 15 LAINE 24/11/2003 ANTERIOR A EXISTÊNCIA LEGAL DA COOPERATIVA E FORA DA ORDEM 404 Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.474 32 CRONOLÓGICA OBS: 1) CONSTA NA ATA DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA, DATADA DE 06/01/2005, fls. 88 a 90, QUE AS SENHORAS: TEREZA CAVALCANTI KOPPE; CRISTINA ROJA, ANA LÚCIA DE MELLO, PATRÍCIA DIAS; ADRIANE VASCONCELOS PARKER; LORELAI DAS NEVES; MÁRCIA FERNANDES; CÉLIA FERNANDES; CRISTIANE PEGORARO E LUCIENE FONSECA, PARTIPARAM DAQUELA AGO; * PARTICIPARAM DA AGO DE 06/01/2005. OBS: 2) APENAS PARA REGISTRO NA FICHA DE ANA LÚCIA CONSTA A EXISTÊNCIA DE UM DEPENDENTE – GABRIEL DE MELLO SPORLEDER, OU SEJA, O MESMO SOBRENOME DOS REPRESENTANTE DA CONTRATANTE JOSAPAR, FLS. 336 A 339; TERMO ADITIVO II E III, FLS. 341 E 342; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE PORTODONTO, FLS 343 A 346; ANEXO I E II, FLS. 347 E 348; TERMO ADITIVO V, FLS. 349; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE AMA, FLS 350 A 353; TERMO ADITIVO IV, FLS. 355; TERMO ADITIVO X E XI, FLS. 356 E 357; TERMO ADITIVO XIX E XVI, FLS. 358 E 359; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE UNIDADE SAÚDE CENTRAL, FLS 360 A 363; ANEXO I, FLS. 364; REPRESENTANTE DA CONTRATANTE FN SAÚDE E SERVIÇOS MÉDICOS LTDA, FLS 372 A 375; ANEXO I, FLS. 376 OBS: 3) CONSTA SOLICITAÇÃO DE DESLIGAMENTO DE ELIANE FÁTIMA VOLTENA, AS FLS. 391, SEM DATA DE EMISSÃO, MAS COM DATA DE RECEPÇÃO DA COOPERATIVA EM 30/03/2004, RECEBIDA POR ANA LÚCIA MELLO, MAS ESSA SÓ SE ASSOCIOU EM 10/08/2004, ISTO É, RECEBE DOCUMENTOS NA QUALIDADE DE PRESIDENTE ANTES DE SE ASSOCIAR E EM PERÍODO QUE A COOPERATIVA NÃO EXISTIA LEGALMENTE; Verifico, ainda, que a cópia do suposto Diário, anexado, as fls. 1.075 a 1.081, não está acompanhado dos termos de abertura e encerramento e nem devidamente registrado no órgão competente. As informações, alegações e constatações acima são referentes as irregularidades na documentação da cooperativa as quais foram exaustivamente esclarecidas no presente lançamento. Todavia, ante as alegações e demonstrações do patrono quando do uso da tribuna e dos N. Conselheiros Dr. Amílcar Barca e Dr. Ricardo Messetti quanto a constituição da cooperativa e da demonstração de que as cooperadas apontadas na tabela elencada acima, são em verdade as fundadoras da cooperativa a necessidade de fichas de adesão em relação a elas era irrelevante. Dessa forma, reformulo parte do meu voto e excluo da autuação os levantamentos FP FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO e FP3 PRESIDENTE DA COOPERATIVA, por entender que não cabe a exigência em face da cooperativa da parte patronal da contribuição em relação aos seus próprios cooperados. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.475 33 Com esses esclarecimentos, ainda, que por motivos distintos do I. Relator acompanho parcialmente o seu voto, pedindo vênia ao N. Conselheiro Gustavo Vettorato prolator do primeiro votos vista para dissentir de sua conclusão. CONCLUSÃO: Ante o exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos FP FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADO e FP3 PRESIDENTE DA COOPERATIVA, por entender que tal obrigação não cabe a cooperativa. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12269.003663/200961 Acórdão n.º 2803004.173 S2TE03 Fl. 1.476 34 Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10845.000426/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF - ADICIONAL DE PERICULOSIDADE - NATUREZA REMUNERATÓRIA - INCIDÊNCIA.
Incide Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de adicional de periculosidade, ainda que pagos a destempo, tendo em vista a sua natureza remuneratória. Precedente do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA.
São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações devidas ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro.
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA.
São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária e os juros de mora devidos ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e de quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro, salvo sobre as verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88, bem como sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra accessorium sequitur suum principale.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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Incide Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de adicional de periculosidade, ainda que pagos a destempo, tendo em vista a sua natureza remuneratória. Precedente do STJ. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA. São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações devidas ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA. São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária e os juros de mora devidos ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e de quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro, salvo sobre as verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88, bem como sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra “accessorium sequitur suum principale”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 04 26 /2 01 1- 46 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 135 3 Relatório Exercício: 2010. Data da Notificação de Lançamento: 18/06/2012. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 02/07/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2008/040543246119401, a fls. 59/64, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2008, anocalendário de 2007, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça do Trabalho. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 1.495,81, recebidos pelo titular e/ou dependentes da fonte pagadora SABESPREV – Fundação Sabesp de Seguridade Social. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 07/09. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1646.039 17ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 94/99, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 106. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 108/122, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que não incide Imposto de Renda sobre juros moratórios; Ao fim, requer a declaração de improcedência da ação fiscal, pois assim estará se promovendo JUSTIÇA ! Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 É o que importa relatar. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/06/2013. Havendo sido o Recurso protocolizado em 24/06/2013, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. IRPF – GANHOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE O Recorrente alega não haver incidência de Imposto de Renda sobre os juros moratórios. Vamos aos fatos: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Colhemos dos autos que o ora Recorrente, juntamente com outros autores, ajuizaram perante a 3ª Vara do Trabalho de Santos/SP Reclamatória Trabalhista em face da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP, visando ao pagamento de adicional de periculosidade. Decisão de 1ª Instância julgou procedente em parte a Demanda, condenando a Reclamada ao pagamento de adicional de periculosidade de 30% (trinta por cento) sobre o salário dos autores, com a devida atualização monetária. O adicional de periculosidade tem, reconhecidamente, natureza remuneratória, uma vez que complementa o salário em virtude de determinadas condições que impliquem risco à saúde ou integridade física do trabalhador. Tendo em vista a sua natureza eminentemente remuneratória, inexistem dúvidas acerca da incidência de Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de adicional de periculosidade, ainda que recebido a destempo, mesmo em razão de decisão judicial condenatória. Este se revela o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp 1.162.729 / RO Relator(a): Ministra ELIANA CALMON DJe 10/03/2010 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL – APLICAÇÃO DO TEOR DA SÚMULA 284/STF POR ANALOGIA – IMPOSTO DE RENDA – ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – NATUREZA REMUNERATÓRIA – INCIDÊNCIA – PAGAMENTO ACUMULADO – ALÍQUOTA. 1, Considerase deficiente a fundamentação se o dispositivo trazido como violado não sustenta a tese defendida no recurso especial, aplicandose, por analogia, a Súmula 284/STF. 2. Incide Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de adicional de periculosidade, ainda que pagos a destempo, tendo em vista a sua natureza remuneratória. Precedente do STJ. 3. Esta Corte firmou o entendimento de que, quando os rendimentos são pagos acumuladamente, no desconto do imposto de renda devem ser observados os valores mensais e não o montante global auferido, aplicandose as tabelas e alíquotas referentes a cada período. 4. Recurso especial parcialmente provido. REsp 1.040.773 / RN Relator(a)Ministro FRANCISCO FALCÃO DJe 05/06/2008 TRIBUTÁRIO. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. VERBA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 137 7 I Por possuir o adicional de periculosidade natureza salarial, ainda que pago a destempo, no caso, em virtude de provimento de reclamação trabalhista, deve sofrer a incidência do imposto de renda, o qual detém como fato gerador justamente o acréscimo patrimonial. Precedente: REsp 356.740/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 06.04.2006. II Entendimento pacífico nesta Corte acerca do cabimento da aplicação da Taxa SELIC na atualização dos débitos fiscais dos contribuintes perante a Fazenda Pública. Precedentes: AgRg no REsp 908.959/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 18.03.2008; REsp 665.320/PR, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 03.03.2008; AgRg no Ag 915.013/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 28.02.2008 e AgRg no Ag 923.312/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 06.11.2007. III Recurso especial improvido. Exsurge, portanto, que as verbas auferidas a título de adicional de periculosidade, por se configurarem um acréscimo patrimonial do trabalhador, ostentam natureza remuneratória, integrando assim os rendimentos de trabalho assalariado, sujeitandose então à incidência do imposto de renda na fonte, de acordo com a tabela progressiva mensal, bem como à tributação na declaração de ajuste anual, conforme assentado no art. 16 da Lei nº 4.506/64 c.c. art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda. Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964. Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; II Adicionais, extraordinários, suplementações, abonos, bonificações, gorjetas; (grifos nossos) III Gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e cotaspartes em multas ou receitas; IV Comissões e corretagens; V Ajudas de custo, diárias e outras vantagens por viagens ou transferência do local de trabalho; VI Pagamento de despesas pessoais do assalariado, assim entendidas aquelas cuja dedução ou abatimento a lei não autoriza na determinação da renda líquida; VII Aluguel do imóvel ocupado pelo empregado e pago pelo empregador a terceiros, ou a diferença entre o aluguel que o empregador, paga pela locação do prédio e o que cobra a menos do empregado pela respectiva sublocação; VIII Pagamento ou reembolso do imposto ou contribuições que a lei prevê como encargo do assalariado; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 IX Prêmio de seguro individual de vida do empregado pago pelo empregador, quando o empregado e o beneficiário do seguro, ou indica o beneficiário deste; X Verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego; XI Pensões, civis ou militares de qualquer natureza, meiossoldos, e quaisquer outros proventos recebidos do antigo empregador de institutos, caixas de aposentadorias ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidas no passado, excluídas as correspondentes aos mutilados de guerra exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira. Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Ora, de acordo com o Parágrafo Único do art. 16 da Lei nº 4.506/64, são também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento do adicional de periculosidade. No mesmo sentido também dispõe o §3º do art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda, restando patente que a Legislação Tributária conferiu aos juros moratórios e à atualização monetária o mesmo tratamento tributário dado ao principal. Regulamento do Imposto de Renda Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; III licença especial ou licençaprêmio, inclusive quando convertida em pecúnia; IV gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e quotaspartes de multas ou receitas; (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 138 9 Nessa esteira, configurandose o adicional de periculosidade rendimento tributável, nos termos da lei, deflui que os juros moratórios sobre ele incidentes também integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda. Não se deslembre que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Registrese, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mostrase auspicioso frisar que o Autuado não possui qualquer provimento judicial a lhe conferir a não incidência de imposto de renda sobre os valores recebidos a título de Adicional de Periculosidade, tampouco sobre os juros de mora pelo atraso no pagamento de tais verbas, não se prestando para tal fim as decisões isoladas proferidas incidenter tantum em ações judiciais das quais o Autuado não consta como parte do processo, eis que os efeitos de tais decisões operam, apenas, inter partes, jamais erga omnes. Merece ser enaltecido que as disposições legais acima referidas, aviadas na Lei nº 4.506/64, não foram, até o presente momento, vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade transitada em julgado, seja na via difusa tendo a Autuada como parte autora, seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Não se mostra despiciendo salientar que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 4.506/64 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, não podendo este se furtar ao seu cumprimento, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Não se olvide que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 139 11 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de afastar a incidência de Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes do atraso no pagamento, ao Recorrente, do adicional de periculosidade, provimento esse que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.2. IRPF – GANHOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS DE MORA. O Recorrente alega não haver incidência de Imposto de Renda sobre os juros moratórios. De acordo com o Parágrafo Único do art. 16 da Lei nº 4.506/64, são também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento de verbas classificadas como rendimentos do trabalho assalariado. Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964. Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; II Adicionais, extraordinários, suplementações, abonos, bonificações, gorjetas; III Gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e cotaspartes em multas ou receitas; IV Comissões e corretagens; V Ajudas de custo, diárias e outras vantagens por viagens ou transferência do local de trabalho; VI Pagamento de despesas pessoais do assalariado, assim entendidas aquelas cuja dedução ou abatimento a lei não autoriza na determinação da renda líquida; VII Aluguel do imóvel ocupado pelo empregado e pago pelo empregador a terceiros, ou a diferença entre o aluguel que o empregador, paga pela locação do prédio e o que cobra a menos do empregado pela respectiva sublocação; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 VIII Pagamento ou reembolso do imposto ou contribuições que a lei prevê como encargo do assalariado; IX Prêmio de seguro individual de vida do empregado pago pelo empregador, quando o empregado e o beneficiário do seguro, ou indica o beneficiário deste; X Verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego; XI Pensões, civis ou militares de qualquer natureza, meiossoldos, e quaisquer outros proventos recebidos do antigo empregador de institutos, caixas de aposentadorias ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidas no passado, excluídas as correspondentes aos mutilados de guerra exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira. Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. (grifos nossos) No mesmo sentido também dispõe o §3º do art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda, restando patente que a Legislação Tributária conferiu aos juros moratórios e à atualização monetária o mesmo tratamento tributário dado ao principal. Regulamento do Imposto de Renda Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; III licença especial ou licençaprêmio, inclusive quando convertida em pecúnia; IV gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e quotaspartes de multas ou receitas; (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). A matéria em apreço já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, cuja Primeira Seção, em julgamento realizado em 10/10/2012, no julgamento do REsp 1.089.720/RS, DJe 28/01/2012, por maioria, vencido o Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, firmou orientação, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator Humberto Martins, de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 140 13 que, segundo a regra geral, incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, também quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal, salvo quando: · Nos casos em que forem pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não; e · Nos casos em que a verba principal é isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda, estendendose a isenção aos juros de mora, mesmo quando na circunstância em que não há perda do emprego, consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.720 RS Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES DJe: 28/01/2012. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA Nº 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. Nº 1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. [...] 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. nº 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. . O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do “accessorium sequitur suum principale ”. 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item “3”, subsistindo a isenção decorrente do item “4” exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n. 8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Nesse mesmo sentido: RECURSO ESPECIAL Nº 1.555.641 / SC Rel. Min. HERMAN BENJAMIN DJe 02/02/2016 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA, MESMO EM SE TRATANDO DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. DIFERENÇA SALARIAL. 1. De acordo com a jurisprudência do STJ, incide imposto de renda sobre juros de mora. Conforme o art. 16, parágrafo único, da Lei nº 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". Jurisprudência Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 141 15 uniformizada no REsp. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012. Primeira exceção: não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia REsp. 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Jurisprudência uniformizada no REsp. n. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012". 2. Caso concreto em que se discute a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de Reclamatória Trabalhista em que não houve rescisão do contrato de trabalho. Incidência da regra geral constante do art. 16, XI e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, não tendo havido revogação do dispositivo ou sua declaração de inconstitucionalidade. 3. Recurso Especial provido. Recentemente, o STF reconheceu a Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 855.091/RS, interposto pela União contra acórdão em que o Tribunal Regional Federal da Quarta Região aplicou o entendimento consolidado no seu órgão especial (Arguição de Inconstitucionalidade nº 502073211.2013.404.0000), o qual reconheceu a não recepção do parágrafo único do art. 16 da Lei nº 4.506/64 pela Constituição de 1988 e declarou a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 e do art. 43, inciso II, § 1º, do Código Tributário Nacional, de forma a afastar a incidência do imposto de renda (IRPF) sobre os juros de mora legais recebidos. REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 855.091 RIO GRANDE DO SUL Rel. Min. DIAS TOFFOLI EMENTA: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. JUROS DE MORA. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 7.713/1988 E ART. 43, INCISO II, § 1º, DO CTN. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. No caso específico em debate, extraise dos autos que a verba principal consubstanciase em Adicional de Periculosidade, calculado a razão de 30% sobre a remuneração, assim como o recebimento dos respectivos atrasados, inexistindo nos autos qualquer comprovação de que tal importância houvese por paga em contexto de despedida do beneficiário ou de rescisão do contrato de trabalho em reclamatória trabalhista, tampouco tal Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 rubrica mostrase isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda, uma vez que, de acordo com a Legislação Tributária e a Jurisprudência pacifica do STJ, o adicional de periculosidade constituise rendimento tributável para fins de Imposto de Renda. Logo, não se aplica ao caso dos autos nenhuma das duas hipóteses de exceções à regra geral de incidência do imposto de renda sobre os juros de mora reconhecidas pela remansada Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nessa esteira, configurandose o adicional de periculosidade rendimento tributável, nos termos da lei, deflui que os juros moratórios sobre ele incidentes também integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda. 2.3. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Malgrado não haja sido suscitado pelo Recorrente, o comando imperativo assentado no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil. Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 142 17 art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF. É como voto. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10845.000426/201146 Acórdão n.º 2401004.273 S2‐C4T1 Fl. 143 19 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 35301.012065/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/01/2006
MANIFESTAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO ACERCA DE DOCUMENTOS JUNTADOS PELA DEFESA. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.
A ausência de cientificação ao contribuinte do resultado da análise de documentos por ele juntados, efetuada pela fiscalização, constitui-se em cerceamento de defesa quando repercute na apuração do crédito tributário devido, ensejando a anulação da decisão de primeira instância que não considerou tal realidade.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-005.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, devendo os autos retornar àquela instância para realização de novo julgamento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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AUSÊNCIA DE CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A ausência de cientificação ao contribuinte do resultado da análise de documentos por ele juntados, efetuada pela fiscalização, constituise em cerceamento de defesa quando repercute na apuração do crédito tributário devido, ensejando a anulação da decisão de primeira instância que não considerou tal realidade. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 20 65 /2 00 6- 91 Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, devendo os autos retornar àquela instância para realização de novo julgamento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.012065/200691 Acórdão n.º 2402005.329 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Versa o processo sobre o auto de infração DEBCAD 37.025.8355 (fls. 2/106), cientificado em 31/8/2006 à contribuinte, relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao artigo 32, inciso IV e § 5º da Lei n° 8.212/91 c/c o o art. 225, inciso IV do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS). Não foram declaradas rubricas salariais envolvendo verbas alegadamente indenizatórias pagas a "empregado demitido com 45 anos de idade ou mais", adicional noturno, valores relativos a viagens, cursos, aluguel, ticketcombustível e valetransporte, bem como quantias pagas a cooperativas de trabalho, dentre outras, as quais foram lançadas via NFLD DEBCAD nºs 37.025.8274, 37.025.8282, 37.025.8304 e 37.025.8312, conforme explicado no Refisc de fls. 33/37. A contribuinte impugnou a exigência (fls. 177/205), complementando com os documentos de fl. 551 e seguintes, e demandando fossem excluídos do lançamento os valores a que se refere. A fiscalização previdenciária, por solicitação do Serviço de Análise, examinou esses documentos e exarou Informação Fiscal em 15/12/2007 (fls. 838/840), acatando parcialmente as razões levantadas, conforme anexos que juntou (fls. 841/934). Em conformidade com o resultado da diligência, foi emitido o Despacho nº 17.401.4/037/2007, concluindo ser a autuação procedente em parte (fls. 1288/1291), e retificando o valor principal lançado para R$ 1.14.028,24. Foi interposto recurso de ofício da decisão, o qual não foi conhecido por esta Turma do CARF em julgamento realizado em 17/8/2010, visto que o montante exonerado na decisão a quo não havia atingido o valor de alçada (fls. 1478/1481). Por intermédio do Ofício nº 125, de 15/4/2013, da DRF RJO I/Dicat/Eqcdp, foi encaminhado à contribuinte a solicitação de diligência, o seu resultado, proferido pela fiscalização, o DN nº 17.401.4/037/2007 e o Acórdão nº 240201.088, referente ao recurso voluntário. A empresa interpôs recurso voluntário em 4/6/2013 (fls. 1491/1513), e após defender sua tempestividade, alega que não foi intimada para apresentar suas considerações quanto à diligência fiscal, não tendo sido tampouco notificada do despacho decisório, até o recebimento do ofício já mencionado, pleiteando a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Argui, também, que o lançamento teve suporte em mandado de procedimento fiscal inválido e carece de motivação, alude à decadência de parte dos créditos constituídos, e contesta a multa, por exorbitante e confiscatória. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 À fl. 1522, consta despacho da Dicat Demais da DRF/RJ I, noticiando que não foi localizado o Aviso de Recebimento AR relativo ao Ofício nº 1285/2013, e, considerando que a interessada interpôs recurso voluntário, afirma ser certo que houve ciência do Despacho nº 17.401.4/037/2007, "entretanto a análise quanto a sua tempestividade restou prejudicada". É o relatório. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.012065/200691 Acórdão n.º 2402005.329 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Inicialmente, chamese a atenção para o fato de que não foi localizado o AR referente à ciência "conjunta" da solicitação de diligência, do seu resultado, proferido pela fiscalização, do DN nº 17.401.4/037/2007 e do acórdão do recurso de ofício. Frente a esse quadro insólito, em que o prejuízo ao exercício de direito de defesa exsurge inegável, consoante verseá na sequência, não deve ser a recorrente penalizada adicionalmente pela falha da repartição fazendária no registro de seus atos administrativos, no caso, do documento hábil a comprovar a ciência tempestiva da contribuinte dos eventos do processo que repercutem sobre seus direitos. Vejase que a empresa interpôs recurso voluntário em 4/6/2013, alegando ter recebido o indigitado Ofício nº 125/2013 em 6/5/2013. De sua parte, o Fisco não trouxe elemento de prova algum a infirmar tal assertiva. Nesse contexto, temse o recurso como tempestivo, e, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, deve ele ser conhecido. De plano, há que ser abordada a alegação da contribuinte no sentido de que teria sido violado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, pois não foi cientificada do resultado da diligência fiscal que analisou os documentos por ela entregues em complementação da impugnação. Com efeito, não há prova nos autos de que essa ciência tenha ocorrido em algum momento, o mesmo podendo ser dito com relação ao conhecimento do multicitado Despacho Notificação. Durante o procedimento fiscal sob exame, tal tipo de situação não aconteceu somente com a autuação ora focada, mas também no que concerne ao lançamento das obrigações principais. No recurso de ofício referente ao DEBCAD 37.025.8312 rubricas de valetransporte foi prolatado em 17/8/2010 por esta Turma o Acórdão nº 240201.088, assim ementado: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, NFLD, PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA, INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DN. É dever da autoridade julgadora, observar o princípio do contraditório nos procedimentos administrativos sob a sua direção, oportunizando a parte se manifestar nos autos sempre que a outra o fizer, eis que do contrário, implica em Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 flagrante desprestígio ao princípio constitucional acima indicado, impondo a anulação de sua decisão. DECISÃO RECORRIDA NULA. Não divergindo, em essência, meu entendimento quanto aos fatos em tela do partilhado pelo Colegiado àquela ocasião, peço a devida vênia para transcrever as seguintes passagens do voto do relator, Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, de modo a que passem a fazer parte do corpo desta fundamentação: Em que pese à decisão ter sido parcialmente benéfica ao contribuinte, me parece que o recurso de oficio dever ser provido, não pelo seu mérito em si, já que a minoração da atuação se deu por motivos idôneos, mas sim pela incorreta procedimentalização formal do contencioso fiscal, na medida em que vislumbro nos autos, inolvidável ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, ambos garantidos constitucionalmente a todos os litigantes em processos judiciais e administrativos,. Com efeito, da análise cuidadosa do caderno procedimental, extraise que a autoridade julgadora a quo, antes de analisar a NFLD, determinou que fosse realizada diligência (fls. 2872), no sentido de que o fiscal prestasse informações quanto algumas questões que entendeu devessem ser aclaradas. Após a referida diligência (fls. 2874 e s.), os autos foram a julgamento, sendo emitida a DN de fls. 2.965 e s., sem, no entanto, conferir ao contribuinte a oportunidade de manifestarse sobre a informação fiscal juntada aos autos. Em verdade, entendo que deveria o Recorrente ter sido cientificado do resultado da diligência fiscal em questão, oportunizando ainda se manifestar sobre ela, e não julgar o procedimento diretamente, o que a meu ver, o fez em desprestígio de princípios norteadores do procedimento administrativo. (...) Por efeito de tudo o que se disse, entendo eu que, antes de se proferir a Decisão Notificação, era imperioso à autoridade que julgou o procedimento fiscal em análise, oportunizar ao Recorrente se manifestar sobre os documentos juntados aos autos, e não julgar diretamente. É certo que ao não agir dessa forma, a i. autoridade julgadora de 1' instância acabou por cercear o direto de defesa do Recorrente, na medida em que desprestigiou sobremaneira tudo que se expôs acima, não merecendo, assim, prosperar sua decisão. Observese que, ainda que a ausência de ciência do contribuinte do resultado de uma diligência não enseje, como regra geral, a nulidade da decisão de primeira instância que lhe sucedeu, o reconhecimento dessa nulidade é imperioso em casos tais como o que ora se enfrenta, pois consta na Informação Fiscal de fls. 838/934 que foi acatada apenas parcialmente a documentação da recorrente, ao menos no que tange aos fins por ela almejados. Diante disso, fica maculado o exercício do contraditório e da ampla defesa no contencioso administrativo, devendo ser anulada a decisão de primeira instância. De todo modo, desnecessário o reenvio da solicitação de diligência, do seu resultado, proferido pela fiscalização, do DN nº 17.401.4/037/2007 e do acórdão do recurso de ofício, visto que a empresa admite já ter conhecimento desses documentos. Cabe, contudo, devolver à contribuinte o prazo de 30 dias, contados a partir da ciência da presente decisão, para apresentar suas razões de impugnação, tendo em vista as conclusões da referida Informação Fiscal. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.012065/200691 Acórdão n.º 2402005.329 S2C4T2 Fl. 110 7 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de decretar a nulidade da decisão de primeiro grau, devendo os autos retornarem àquela instância para realização de novo julgamento, nos termos da fundamentação. Ronnie Soares Anderson. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10675.721771/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1).
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1). Recurso Não Conhecido
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AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1). Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 17 71 /2 01 4- 69 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a contribuinte acima referida, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 42/46), resultante da revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF – do exercício de 2012 (fls. 48/54). A notificação tratou da omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL/Fapi, no valor de R$ 25.075,42. A descrição dos fatos e enquadramento legal, encontramse às fls. 44. A recorrente apresentou impugnação em 31/07/14 (fls. 2/3), acompanhada dos documentos às fls. 4/46. A Contribuinte alega que em momento algum houve omissão de sua parte na DIRPF, que foi preenchida rigorosamente de acordo com o comprovante de rendimentos e o folder com esclarecimentos de sua fonte pagadora (fls. 5/8), sendo os rendimentos declarados nas fichas específicas da declaração. Destaca que o IRRF sobre a parcela de rendimentos com exigibilidade suspensa foi depositado em juízo. Informa que os rendimentos recebidos da PREVI Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil são oriundos de complemento de aposentadoria, auferidos a partir de 30/05/94, inexistindo, portanto, rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL/Fapi. A ação judicial preiteou a restituição do IRRF retido sobre um terço do benefício da complementação de aposentadoria, bem como a suspensão da exigibilidade do IR sobre esses rendimentos, tendo tramitado em todas as instâncias e encontrandose em fase de execução. Assim, alega equivocada a afirmação da Equipe de Ações Judiciais de “... que o contribuinte, por ter logrado êxito em ação judicial, já se beneficiou da isenção em sua totalidade, no ano de 1997...” Apresenta documentos referentes à ação judicial (fls. 11/41). A Turma de Primeiro Grau, julgou a Impugnação oposta da seguinte forma: DAR PROVIMENTO à impugnação no que diz respeito à parcela do crédito tributário correspondente ao IRPF Suplementar de R$ 869,46, cancelandoa com a respectiva multa e juros de mora; NÃO CONHECER da impugnação do que diz respeito à parcela restante do crédito tributário atinente ao IRPF de R$ 6.026,28, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial deste valor . A contribuinte foi cientificada do Acórdão 1269.451 20ª Turma da DRJ/RJ1 em 01/12/2014 (fl. 90). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.721771/201469 Acórdão n.º 2301000.643 S2C3T1 Fl. 134 3 Em 23/12/2014 sobreveio recurso voluntário (fls. 96/99), acompanhado de documentos (fls. 100/127). Em suas razões, a recorrente alega preliminarmente que a decisão de primeira instância não pode prosperar, pois não houve concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa, uma vez que "a primeira se refere à isenção do IRPF e a segunda discute o tratamento adequado a ser dado no ajuste anual aos rendimentos com exigibilidade suspensa e seus respectivo IRRF, como se trata no caso presente." É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso é tempestivo, mas não atende a todos os pressupostos intrínsecos de admissibilidade. Tratase de rendimentos considerados omitidos os quais encontravamse abrangidos por ação judicial e tinham sua exigibilidade suspensa. Como bem analisou a decisão de primeira instância, de fato, a DIRF apresentada pela Previ informa valores de rendimentos nessa situação e respectivos depósitos judiciais a título de IRRF (fl. 67). A Informação Fiscal à fl. 56, relata tratarse da ação judicial nº 200134.00.0176780 – 9ª Vara Federal do DF. A decisão do TRF da 1ª Região à fl. 33, referente aos embargos de declaração na apelação, ratifica o objeto da ação judicial e o deferimento do depósito dos valores discutidos, ambos noticiados pela Impugnante. A decisão do mesmo Tribunal à fl. 30, referente à apelação, por sua vez, consigna que é indevida a cobrança do IR sobre o valor da complementação de aposentadoria correspondente a recolhimentos para a entidade de previdência privada ocorridos no período de 01/01/89 a 31/12/95, sendo procedente o pedido de repetição de valores recolhidos a esse título no lapso aludido. A consulta à fl. 12 ao site do Tribunal confirma a Contribuinte como um dos autores da ação judicial e o trânsito em julgado em 23/08/11. Ocorre que a consulta à fl. 80 ao mesmo site informa que referida ação está em fase de execução contra a Fazenda Pública, com a “Observação” de “Pagar aos autores IR recolhido s/ complementação de proventos pagos p Previ 1/3”, constando que a PGFN teve acesso aos autos em 11/04/14 e, como último registro na Movimentação, uma diligência ordenada/deferida em 12/05/14. Fora elaborada pela DRF Uberlândia/MG, em 20/06/14, Informação Fiscal constante às fls. 56/66, em atendimento à PGFN/Brasília, que requereu o cálculo do valor pretendido pelo autor a título de restituição de IRPF. Este documento determinou os valores passíveis de restituição pela Contribuinte, trazendo os critérios, esclarecimentos e valores utilizados, concluindo que: a) os créditos a que a Contribuinte teria direito seriam totalmente consumidos em suas DIRPFs dos anos de 1994 a 1997, refeitas com a exclusão dos valores atualizados das contribuições vertidas nos anos de 1989 a 1994, ano em que a Contribuinte se aposentou; e b) os proventos de aposentadoria da Previ a partir de 1998 estariam integralmente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 sujeitos à tributação e os depósitos judiciais efetuados a partir de novembro/01 deveriam ser transformados integralmente em pagamento definitivo à União. Considerando a aludida Informação Fiscal, o Fisco procedeu ao presente lançamento. Porém, pela análise dos registros do histórico da ação (fls. 14 e 80), depreendese que tal informação fiscal ainda não foi apreciada pelos autores da ação judicial e pelo juízo. Concluise, portanto, que a matéria em litígio no presente processo encontra se vinculada à discussão no Poder Judiciário, ainda em andamento, motivo por que não deve ser apreciada por esta instância julgadora. A eleição da via judicial importa renúncia à esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adora o princípio da jurisdição una, estabelecido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais. Nesse contexto, foi editado o enunciado de Súmula nº 1 do CARF , que assim dispõe: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Com efeito, acertadamente a decisão a quo, ao não conhecer da impugnação, determinou que " do que diz respeito à parcela restante do crédito tributário atinente ao IRPF de R$ 6.026,28, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial deste valor". Frisase que, cabe o cumprimento do preceituado pelo art. 63 da Lei 9.430/96, que determina que na constituição do crédito tributário nos casos de haver depósitos judiciais integrais, não caberá lançamento da multa de ofício. Assim, considerando que há concomitância entre o mérito da ação judicial e dos respectivos valores depositados nesta ação com os valores constantes do presente auto de infração, voto no sentido de não conhecer do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, nos termos da a decisão a quo, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial atinente ao IRPF no valor de R$ 6.026,28, devendo ser observado o art. 63 da Lei nº 9.430/96, na extinção do respectivo crédito tributário. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.721771/201469 Acórdão n.º 2301000.643 S2C3T1 Fl. 135 5 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000177/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS.
A coisa julgada é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006
Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF).
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento o período de concessão do CEBAS (competências até 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007). Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 68, seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c', do CTN. Vencidos o Relator e a Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS. A coisa julgada é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006 Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF). AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PREV. ISENÇÃO/IMUNIDADE Recorrente ASSOCIAÇÃO DAS URSULINAS DE RIBEIRÃO PRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS. A coisa julgada é “apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006 Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF). AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 77 /2 00 8- 50 Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento o período de concessão do CEBAS (competências até 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007). Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 68, seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c', do CTN. Vencidos o Relator e a Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará o voto vencedor. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva –Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.305 3 Relatório Tratase de lançamento nº 37.131.9943, lavrado em 23/06/2008, por ter a empresa apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 06/2003 a 07/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 677.633,58, fls. 01. Em procedimento fiscal anterior àquele que culminou na lavratura do Auto de Infração em comento, constatouse que a entidade não atendia aos requisitos para a concessão do CEBAS, tendo sido emitida Representação Administrativa e Informação Fiscal em 30/06/2004. Posteriormente, conforme Informação Fiscal de 05/04/2007, que deu origem ao Ato Cancelatório n° 002/2007 (09/08/2007), retroativo a 01/01/1998, constatouse que a recorrente não atendia ao art. 55, II, da Lei n° 8.212/91 ausência de CEBAS (processo 17460.000192/200714). Resolvida a questão relativa ao cancelamento de sua isenção, foi iniciado o procedimento fiscal relativo ao lançamento em destaque. Lavrado o Auto de Infração, a recorrente tomou ciência pessoal da autuação em 27/06/2008, fls. 01, e apresentou a impugnação, na qual sustenta argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto, em despacho de fls. 582/583, solicitou fossem os documentos relacionados com o cancelamento da isenção juntados ao presente. A fiscalização juntou os documentos solicitados e informou, fls. 374/375, o seguinte: Foi elaborada Informação Fiscal para cancelamento da Isenção, em 05/04/2007, constante do Processo n° 17460.000192/200714 (n° este, recebido no Ministério da Fazenda DRJ RPO PROT SP, quando da fusão ocorrida na forma da Lei n° 11.457/2007), pelo não cumprimento pela Associação do contido no inciso II, do art. 55, da Lei n° 8.212/91. Foi encaminhada via da Informação Fiscal à Empresa através do Ofício n° 229/2007/DRPRIB/ SRP/MPS, de 05/04/2007, com AR Aviso de Recebimento n° 354926303, cientificada em 17/04/2007, com abertura de prazo para apresentação de defesa no prazo de 15 (quinze) dias. A Associação apresentou defesa tempestiva e a decisão culminou no Acórdão de n° 1416.133 9ª Turma da DRJ/RPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP), de 22/06/2007, onde seus membros acordaram por unanimidade de votos, considerar procedente a Informação fiscal, com trânsito em julgado administrativamente e determinou a emissão do Ato Cancelatório. Assim, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 002/2007, de 09/08/2007, encaminhado à empresa através do Ofício n° 668/2007/DRF/RPO/GAB, de Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 09/08/2007(fls. 377 a 379) do presente Auto de Infração, recebido pela Empresa em 15/08/2007 AR n° 613319001. Da decisão que cancelou a isenção não coube interposição de recurso administrativo, de conformidade com o estabelecido no § 9o do art. 206 do Decreto n° 3.048/99. Cientificada da informação fiscal em 06/03/2009, a recorrente aditou sua impugnação em fls. 382/385, insistindo nos fatos narrados em sua peça inicial. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 388/395, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 19/10/2009, fls. 399. Especificamente quanto ao resultado do processo no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) publicado em 28/02/2008, o Acórdão a quo entendeu que a recorrente somente a partir daquela data teria passado a atender o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Ficou consignada a conclusão de que o certificado anterior não teve seus efeitos estendidos, pois o CNAS não teria feito qualquer ressalva no novo CEBAS. Em seguida, a DRJ consignou que a discussão sobre a existência de isenção não poderia ser objeto de discussão no presente processo. Como a então impugnante não havia discutidos os aspectos fáticos dos fatos geradores, estes foram considerados matéria não impugnada. No recurso voluntário, apresentado em 17/11/2009, fls. 403/413, a recorrente argumenta que: o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deferiu seu CEBAS conforme anexo 2 da defesa inicial, fls. 555. Em decisão publicada em 28/02/2008, a recorrente teve reconhecida a validade de seu Certificado nos períodos 01/2001 a 12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Diante disso, o Ato Cancelatório 002/2007 teria perdido a validade; o Ato Cancelatório referente ao Acórdão 1674/2006 também foi reformado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) conforme consta do Anexo 3 da defesa inicial; insiste que preenche todos os requisitos para a imunidade/isenção Suscita a aplicação da Nota DECOR/CGU/AGU 180/2009 ao caso. Encaminhados os autos ao CARF e distribuídos à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, os Conselheiros decidiram por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para: 1. Que seja solicitado ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) cópia integral dos processos 71010.002063/2004 61, 71010.002064/200414, 44006.005179/200062 e 71010.000199/199/200518, citados no item 2 da Resolução 35 de fevereiro de 2008 daquele órgão; 2. Após a juntada dos documentos, que seja o presente processo enviado ao titular da DRF/Ribeirão Preto para que este se pronuncie sobre a legalidade integral do Ato Cancelatório 002/2007 e, caso conclua pela ilegalidade parcial, realize, se entender cabível, a revisão de ofício do referido Ato, juntando o eventual novo documento aos autos. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.306 5 Entendeu a Turma que, especificamente quanto ao resultado do processo no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) publicado em 28/02/2008, remanesce produzindo efeitos o Ato Cancelatório 002/2007 até que seja retirado do mundo jurídico por autoridade competente para tanto. Todavia, como o único fundamento do Ato Cancelatório 002/2007 restou afastado em relação aos períodos para os quais foi reconhecida a existência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), caberia a sua revisão. Ficou consignada a discordância em relação ao posicionamento adotado no Acórdão a quo que apontou que a decisão do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) de 28/02/2008 teria efeitos apenas ex nunc em relação à isenção. O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de fato, não decidiria sobre isenção, mas decidiria sobre o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Quem decide se a recorrente possuía ou não CEBAS válido em determinado período não é a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) e sim o CNAS. Sendo o CEBAS requisito para a isenção, a decisão definitiva sobre esta deveria ter aguardado o pronunciamento final do CNAS sobre o certificado por se tratar de questão prejudicial, o que não foi feito (em que pese não impediria o respectivo lançamento fosse realizado para evitar a decadência dos fatos geradores relativos a períodos nos quais a isenção estava sendo questionada). Consignouse ainda na Resolução que, com a decisão definitiva posterior do CNAS com efeitos ex tunc, o Ato Cancelatório 002/2007 teria desprovido de fundamentos em relação ao período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Porém, como a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no processo 17460.000192/200714 alcançou a definitividade na esfera administrativa, caberia diligenciar para se apurar se a decisão do CNAS noticiada já alcançou a definitividade na esfera administrativa para, em momento posterior, avaliarse os rumos do lançamento. No Despacho de Diligência (fls. 2.579 dos autos 15956.000178/200802), a DRF explica que a Resolução 35/2008 (publicada em 28/02/2008) CNAS deferiu pedidos de renovação do CEBAS: processo/CNAS n.º 44006.005179/200062, com validada assegurada de 01/01/2001 a 31/12/2003; e processo nº. 71010.000199/200518, com validade assegurada de 17/2/2005 a 16/02/2008. Sobre o Ato Cancelatório, entendeu a DRF que não tem competência para julgar matéria transitada em julgado com decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/Ribeirão Preto (após ampla defesa concedida a Entidade) e que culminou no Acórdão n.º 1416.133 datado de 22/06/2007. A recorrente se manifestou (a partir das fls. 2.587 dos autos 15956.000178/200802). É o relatório. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Ato Cancelatório. Trânsito em julgado Administrativo. Superveniente Perda do Fundamento de Fato e de Direito. Conforme Despacho de Diligência de fls. 2.579, a Resolução 35/2008 (publicada em 28/02/2008) CNAS deferiu pedidos de renovação do CEBAS: processo/CNAS n.º 44006.005179/200062, com validada assegurada de 01/01/2001 a 31/12/2003; e processo nº. 71010.000199/200518, com validade assegurada de 17/2/2005 a 16/02/2008. Estes períodos cobrem todas as competências que remanescem em discussão, tendo em vista que a recorrente apresentou pedido de desistência em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 e 02/2005, fls. 666/669. Os fundamentos do presente lançamento são a ausência de CEBAS (fático) e, consequentemente, o não cumprimento do artigo 55, II, da Lei n° 8.212/91 (de direito). Respeitando o procedimento então vigente, a fiscalização emitiu Ato Cancelatório de Isenção, que era condição sine qua non para o lançamento das contribuições. Este Ato Cancelatório de Isenção transitou em julgado administrativamente. A partir de tal cancelamento, o gozo da isenção somente voltaria a ocorrer após novo pedido de isenção (artigo 55, § 1°, da Lei n° 8.212/91). O Ato Cancelatório de Isenção transitou em julgado administrativamente, mas, para parte do período analisado, sobreveio a concessão retroativa do CEBAS (01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/2/2005 a 16/02/2008). Parecenos que o trânsito em julgado administrativo não é óbice para o reconhecimento da superveniente perda do fundamento fático e de direito para a sua emissão. Com efeito, para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e de 17/2/2005 a 16/02/2008, o Ato Cancelatório não merece prosperar, visto que a entidade passou a ostentar o CEBAS e, consequentemente, a cumprir o artigo 55, II, da Lei n° 8.212/91. Com relação aos argumentos relativos à definitividade do ato cancelatório, consigno que a própria utilização da expressão “coisa julgada” para a matéria administrativa é criticada pela doutrina. Maria Sylvia Zanella Di Pietro afirma que “não se pode simplesmente transpor uma noção, como a coisa julgada, de um ramo, onde tem pleno fundamento, para outro, em que não se justifica” (Direito administrativo. 19a ed. São Paulo: Atlas, 2006). Hely Lopes Meirelles ressalta que a coisa julgada administrativa seria “apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário” (Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006). Portanto, entendemos que os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente, até porque é isso que determina o art. 53 da Lei n° Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.307 7 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF): Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Assim, embora para o período posterior 31/12/2003 e anterior a 17/2/2005 (competências 01/2004 a 01/2005) a entidade continue a não fazer jus à isenção, no período de concessão do CEBAS (01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/2/2005 a 16/02/2008), não subsiste o fundamento fático e jurídico do lançamento. Como o lançamento abrangeu as competências 06/2003 a 31/07/2007, devem ser excluídas as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007, mantidas, portanto, as competências de 01/2004 a 01/2005 (período sem ulterior concessão do CEBAS). Pelo exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo do lançamento as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. I. AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em que pesem as valiosas considerações expostas pelo Ilustre Relator, não comungo data venia a tese aviada na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009, que na aplicação do princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna, prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, pugna pelo comparativo entre a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela MP nº 449/2008, e a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, (§§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária), como se estas ambas tivessem sido substituídas por aquela multa de ofício, ora estipulada na novel legislação. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144, caput, do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.308 9 novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era, originariamente, punível com pena Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Todavia, a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. Nada obstante, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.309 11 Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo não proceder a tese que defende a comparação entre a multa de ofício prevista no art. 35A com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, e a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, todos da Lei nº 8.212/91, para fins de determinação da penalidade mais benéfica ao infrator, visando à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Isso porque não procede, ao meu sentir, a alegação de que a multa pelo descumprimento de Obrigação Principal formalizada mediante Lançamento de Ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, estaria apenando, conjuntamente, tanto descumprimento da Obrigação Tributária Principal lançada quanto o Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, a justificar o somatório de multas. Tratamse de duas condutas absolutamente distintas, autônomas e independentes, portando cada uma natureza jurídica diferenciada, regramento jurídico diverso, tipificação específica e distinta, e penalidade própria. Tanto que o Contribuinte pode proceder das seguintes maneiras: I) Recolher o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. II) Recolher o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. III) Recolher o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. IV) Recolher parcialmente o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. V) Recolher parcialmente o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VI) Recolher parcialmente o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. VII) Não recolher qualquer tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VIII) Não recolher qualquer tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. IX) Não recolher qualquer tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 A declaração de todos os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP é uma obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91. A declaração parcial dos fatos geradores na GFIP (hipóteses II, V e VIII) constituise violação à obrigação acessória acima citada, e implica a aplicação imediata da penalidade prevista no §5º do mesmo artigo 32 já mencionado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) De outro eito, a não declaração dos fatos geradores na GFIP (hipóteses III, VI e IX) também se configura como violação à mesma obrigação acessória assentada no inciso IV da Lei nº 8.212/91, e importa na aplicação imediata da penalidade prevista no §4º do mesmo artigo 32 já citado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. De outro giro, o não recolhimento total ou parcial da Obrigação Tributária Principal (hipóteses IV a IX) configurase caso determinante para o lançamento de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, nas hipóteses em que os fatos geradores correspondentes não Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.310 13 tenham sido declarados, ou tenham sido declarados de maneira incompleta na GFIP correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora... A extinção do crédito tributário decorrente de infração a obrigação tributária constituise hipótese de anistia, a qual se encontra contida no campo da reserva legal, nos termos do art. 97, VI, do CTN, somente podendo ser concedida mediante lei específica federal (in casu) que regule exclusivamente a anistia, ou a correspondente contribuição, a teor do §6º do art. 150 da CF/88. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, ‘g’. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/93) Notese que de acordo com o disposto no inciso I do art. 111 do CTN, só há que se falar em exclusão de crédito tributário nas hipóteses expressamente previstas na lei específica, o que, convenhamos, não é o presente caso, uma vez que inexiste qualquer previsão no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, que exclua o Crédito Tributário decorrente do descumprimento da Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Merece ser citado que antes da vigência da MP nº 449/2008 pairava uma dúvida na Fiscalização a respeito do procedimento a ser adotado nos casos em que o Contribuinte declarava os fatos geradores nas GFIP, mas não procedia ao recolhimento do tributo devido. A legislação tributária afirmava que o Crédito Tributário encontravase lançado (art. 33, §7º, da Lei nº 8.212/91), contudo, o art. 37 da mesma lei determinava a lavratura do lançamento de ofício, uma vez que restava configurado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições em foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.311 15 declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. A MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio a estabelecer um novo procedimento, na medida em que estatuiu que o lançamento de ofício não seria mais necessário nas hipóteses em que houvesse declaração dos fatos geradores nas GFIP, conforme se depreende da nova redação do citado art. 37 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) Portanto, a contar da vigência da MP nº 449/2008, as hipóteses de conduta do Contribuinte passaram a receber o seguinte tratamento por parte da Fiscalização: I) O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Conduta regular. Nada a fazer. II) O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32 A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. III) O Contribuinte recolheu o tributo devido e não entregou a GFIP Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. IV) O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 V) O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32 A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. VI) O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VII) O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VIII) O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Cobrança administrativa do débito correspondente aos fatos geradores declarados e não recolhido, acrescido da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; Lançamento de ofício da parcela não recolhida correspondente aos fatos geradores não declarados, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. IX) O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício do tributo devido, acrescido da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32 A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, o Lançamento de Ofício somente deve ocorrer nas hipóteses em que não tenha havido o recolhimento do tributo e, cumulativamente, não tenha havido declaração ou tenha havido declaração incorreta dos fatos geradores nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.312 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Ou seja, o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 apenas restringe a lavratura do lançamento de ofício às hipóteses em que não houve recolhimento total ou parcial do tributo devido e, cumulativamente, não se operou a entrega da GFIP ou entregouse a GFIP com informações inexatas ou omissas. Não se deslembre que a legislação previdenciária tomou “emprestada” uma norma tributária que havia sido redigida em conformidade com a Legislação Fazendária já preexistente, fato que explica o não casamento perfeito dos termos utilizados em ambos os ramos do Direito Tributário em questão. Se nos antolha, portanto, que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’, do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo descumprimento de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15956.000177/200850 Acórdão n.º 2401004.293 S2C4T1 Fl. 2.313 19 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva Redator designado Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 13819.908966/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS
Não há que se reconhecer o direito a créditos de PIS/PASEP, se o contribuinte não apresenta os correspondentes elementos comprobatórios
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS Não há que se reconhecer o direito a créditos de PIS/PASEP, se o contribuinte não apresenta os correspondentes elementos comprobatórios Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 89 66 /2 00 9- 61 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908966/200961 Acórdão n.º 3301003.039 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto crédito de PIS do período de apuração 05/2007, no montante de R$ 263.153,30, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: 'Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 114.599,85. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensa cão declarada.' Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que seu direito creditório decorre do não aproveitamento, na apuração do PIS não cumulativo, de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo, e créditos referentes aos fretes pagos nas operações de venda, conforme autorização do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação conferida pela Lei n° 10.865, de 2004, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Assim, efetuou a revisão dos valores originalmente apurados e pagos de PIS, e embora tenha procedido à retificação do Dacon pertinente, não retificou a DCTF, razão que teria levado à não homologação da compensação. Informa que a origem de seus créditos pode ser comprovada pelas respectivas notas fiscais, as quais coloca A disposição para verificação fiscal, assinalando a enorme quantidade de documentos fiscais envolvidos. Alega que a ausência de retificação da DCTF não tem o condão de inviabilizar o reconhecimento de seu direito creditório. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto destes autos até o julgamento da manifestação de inconformidade. Ao final, requer, em caso de não ser reformada a decisão combatida, a realização de perícia, indicando os quesitos a ser respondidos, os quais comprovariam a existência de seu crédito." Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908966/200961 Acórdão n.º 3301003.039 S3C3T1 Fl. 12 3 A DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O correspondente Acórdão, de n° 0536.105, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que repete os argumentos consignados na manifestação de inconformidade, adicionando, apenas, a linha da DACON Retificadora, na qual teria computado os créditos calculados sobre serviços e fretes sobre vendas originalmente não aproveitados e causadores do alegado pagamento a maior. É o relatório. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908966/200961 Acórdão n.º 3301003.039 S3C3T1 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Já manifesteime nesta turma no sentido de privilegiar a essência sobre a forma, em casos em que o contribuinte apresenta elementos convincentes de que tem direito a determinado crédito, apesar de ter preenchido declarações e/ou informativos fiscais de forma incorreta. Tratase de homenagear os Princípios da Verdade Material e do Informalismo Moderado, que norteiam o processo administrativo fiscal. Contudo, não é o caso do presente processo. Extraio trechos da decisão de primeira instância, que resumem a questão: "(. . .) No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP, compensando débito com suposto crédito de PIS/Cofins, decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. (. . .) Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, no exame das declarações prestadas pela própria interessada, a Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a nãohomologação. (. . .) Alega a contribuinte que seu direito creditório originase de correta apuração da contribuição para o PIS não cumulativo, considerandose créditos calculados sobre serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo e sobre fretes pagos nas operações de venda, consoante o disposto no art. 3°, inciso I, e §1°, da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação conferida pela Lei n° 10.865, de 2004, bem como art. 3°, incisos II e XI, da Lei n° 10.833, de 2003. Contudo, em análise das informações constantes dos Dacon apresentados, verificouse que, para o período de apuração em análise, não houve alteração dos valores declarados a titulo de "serviços utilizados como insumos" e de "fretes na operação de venda"(ver linhas 3 e 7 da Ficha 6A "Apuração dos créditos de PIS/Pasep — aquisições no mercado interno — regime não cumulativo", fls. 39v e 62v). Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908966/200961 Acórdão n.º 3301003.039 S3C3T1 Fl. 14 5 Assim, não procede a alegação de que a apuração correta do PIS não cumulativo do período de apuração 05/2007 tenha decorrido de aproveitamento de créditos oriundos daquelas rubricas. Em conseqüência, não se caracteriza qualquer pagamento indevido com base nesse fundamento. Demais disso, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum outro elemento indicativo do direito alegado, como, por exemplo, registros contábeis ou notas fiscais relativas a essas rubricas do período em análise. (. . .) Dessa forma, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP destes autos, revelase procedente o ato de não homologação da compensação." (grifo nosso) Na peça recursal, a Recorrente informa que indicou os créditos derivados de serviços e fretes sobre vendas na linha destinada a "Saldo de Crédito de Meses Anteriores" e não naquelas que seriam as próprias para aquelas naturezas de insumos. Por este motivo, a relatora do Acórdão de primeira instância não os teria encontrado. De plano, verificase relevante inconsistência nos argumentos aduzidos pela Recorrente. Alegou que os supostos créditos não aproveitados referiamse a serviços e fretes relativos ao mês de maio de 2007, porém, no DACON, foram indicados na linha destinada ao saldo de créditos não utilizados, transferido de meses anteriores. Mas, privilegiando os Princípios da Verdade Material e do Informalismo Moderado, esta turma, confortavelmente, poderia ultrapassar este obstáculo. Com lastro nos inc. II e IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03, a Recorrente alegou que detinha créditos derivados de serviços utilizados como insumos em seu processo industrial e fretes em operações de vendas. E que, equivocadamente, não haviam sido tempestivamente aproveitados, o que resultou em pagamento a maior de PIS/PASEP. Contudo, além de não ter acostado aos autos sequer uma pequena amostra das notas fiscais dos serviços que classifica como insumos, a Recorrente não descreveu, em detalhes, sua atividade econômica e, principalmente, qual a participação dos referidos serviços em seu processo industrial. Sem isto, não há como formar convicção acerca de seu enquadramento como insumo, nos termos do inc. II do art. 3° da Lei n° 10.833/03. Ademais, também não anexou um único conhecimento de transporte e correspondente nota fiscal de venda de produtos carreados para cliente, de forma que pudéssemos constatar que se tratava de frete em operação de venda de mercadorias produzidas pela Recorrente, nos termos do inc. IX do art. 3° da lei n° 10.833/03. Enfim, uma descrição minuciosa de seus processos de negócio e da conexão com os serviços, cujos créditos não foram registrados, uma amostra significativa de notas fiscais, combinadas com os demais documentos apresentados pela Recorrente (demonstrativos das bases de cálculo da COFINS, DACON retificadora e PER/DCOMP) poderiam motivar este colegiado a requerer a realização de uma diligência. Com efeito, neste trabalho, seria então realizada uma revisão completa da base de cálculo do PIS/PASEP, com sua conciliação com todas as notas fiscais e livros contábeis, o que legitimaria a tomada dos créditos. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.908966/200961 Acórdão n.º 3301003.039 S3C3T1 Fl. 15 6 Contudo, diante da ausência de elementos que demonstrassem ter realmente havido pagamento a maior, faltando, apenas, uma validação completa do montante, não me resta alternativa a não ser a de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15586.001916/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO INEXISTÊNCIA.
A omissão do colegiado sobre determinado aspecto do litigio dá azo a embargos de declaração. Porém, quando a omissão não existe, há de ser rejeitado os embargos declaratórios.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS
Numero da decisão: 3402-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO INEXISTÊNCIA. A omissão do colegiado sobre determinado aspecto do litigio dá azo a embargos de declaração. Porém, quando a omissão não existe, há de ser rejeitado os embargos declaratórios. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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A OMISSÃO DO COLEGIADO SOBRE DETERMINADO ASPECTO DO LITIGIO DÁ AZO A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PORÉM, QUANDO A OMISSÃO NÃO EXISTE, HÁ DE SER REJEITADO OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 16 /2 00 8- 86 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Em despacho de admissibilidade de Embargos de Declaração o presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção em despacho S/Nº de 04 de dezembro de 2015, assim, despachou: “A empresa em epígrafe opôs embargos de declaração (fls. 695/706) contra o Acórdão no 3101 00942 (fls. 665 a 675), de 11/11/2011, por suposta omissão/contradição desse decisum. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder à venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A embargante alega que houve omissão no referido acórdão porque este, ao examinar os insumos que não foram admitidos como matériaprima ou produto intermediário, "ignorou completamente as explicações técnicas trazidas pela embargante, as quais demonstraram que, por serem, tais insumos indispensáveis ao processo industrial, não poderiam ter sido desconsideradas para fins da Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 3402003.055 S3C4T2 Fl. 3 3 determinação da base de cálculo de IPI". Conclui nesse ponto que "ao deixar de considerar tais explicações técnicas em suas razões de decidir, a C. Turma incorreu em omissão em relação a ponto relevante para o deslinde da controvérsia ora discutida". Em sequência, aponta que a decisão incorreu em omissão, pois, em resumo, a fiscalização teria considerado no cálculo de receita operacional bruta todas as receitas por ela auferidas, incluindose aquelas relativas à comercialização de produtos não industrializados e prestação de serviços. Afirma que o acórdão "também incorreu em omissão na medida em que deixou injustificadamente de analisálos". Por fim, aponta omissão no aresto embargado por não ter acatado seu pedido de atualização de seu crédito presumido com base na taxa SELIC. Alfim, pede que sejam acolhidos os embargos para o fim de que: I os itens constantes no Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME sejam incluídos no cálculo do crédito presumido; II na apuração da Receita Operacional Bruta, excluase o valor relativo a vendas de mercadorias, prestação de serviços e outras receitas que não fazem parte do produtos industrializados; e III o valor do crédito presumido seja atualizado monetariamente, com base na taxa SELIC calculada desde a data de protocolo do pedido de ressarcimento. São esses os fatos. Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2009, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Como se dessume do pedido dos embargos, em relação ao primeiro item relatado, o que realmente pretende a embargante é modificar o mérito do acórdão, postulando efeitos infringentes àqueles. Quanto à apontada omissão no r. acórdão, de que não teria levado em conta as explicações técnicas da empresa para definir quais insumos poderiam ter seu valor de compra computado no cálculo do crédito presumido, o relator (no item de seu voto "Dos insumos inadmitidos como matériaprima ou produto intermediário") fundamentou seu voto de acordo com sua convicção e de forma articulada, inclusive arrimandose na decisão da DRJ. Assim, não há omissão neste item por ele simplesmente não ter feito menção a alguma explicação técnica da empresa, pois estas não o vinculam. Assim, rejeito os embargos nesse ponto. Quanto à questão do cálculo da receita bruta operacional, de fato, a então recorrente no item IIe da peça recursal (fls. 639/643) alega, em suma, o seguinte: Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 "Ou seja, as receitas que devem ser consideradas para apuração do referido percentual serão as receitas de exportação, que devem ser as receitas dos bens industrializados e exportados, versus todas as receitas de produtos vendidos no mercado interno e externo (exportados) industrializados pelo produtor/exportador. Assim, para efeito da apuração do percentual referente à receita de exportação versus receita operacional bruta (ROB), não se deve incluir as outras receitas que não fazem parte da produção, tais como as receitas de vendas de mercadorias, prestação de serviços entre outras. Portanto, ao elaborar o cálculo do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e COFINS, devese considerar somente as matérias primas, material Intermediário e material de embalagem vinculados aos produtos exportados." E sobre tal ponto a decisão foi omissa. Igualmente omissa a r. decisão quanto ao pedido de aplicação da taxa SELIC, embora tenha a relatora feito menção a ele no relatório. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, diante das omissões constatadas na decisão embargada. Em consequência, determino à Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (conselheira relatora, que ainda integra a 3ª Seção) a indicação para pauta de julgamento dos embargos de declaração apresentados, a fim de que enfrente os pontos omissos (item IIe e IIf) da peça recursal (fls. 563/603), submetendo sua decisão ao plenário da turma. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção” É o relatório Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conheço dos Embargos de Declaração, porque tempestivos e atendidos ao demais requisitos para sua admissibilidade, tal como o despacho s/nº citado no relatório acima. Conforme o despacho relatado do Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção a de ser enfrentado os supostos pontos omissos (item IIe e IIf) da peça recursal (fls. 563/603) do contribuinte. O referido item IIe tratou da apuração do valor da receita operacional bruta e o despacho de admissibilidade dos embargos destacou as seguintes conclusões do contribuinte em seu Recurso Voluntário: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 3402003.055 S3C4T2 Fl. 4 5 "Ou seja, as receitas que devem ser consideradas para apuração do referido percentual serão as receitas de exportação, que devem ser as receitas dos bens industrializados e exportados, versus todas as receitas de produtos vendidos no mercado interno e externo (exportados) industrializados pelo produtor/exportador. Assim, para efeito da apuração do percentual referente à receita de exportação versus receita operacional bruta (ROB), não se deve incluir as outras receitas que não fazem parte da produção, tais como as receitas de vendas de mercadorias, prestação de serviços entre outras. Portanto, ao elaborar o cálculo do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e COFINS, devese considerar somente as matérias primas, material Intermediário e material de embalagem vinculados aos produtos exportados." Não obstante, não tenha especificamente o acórdão embargado nominado essa apuração do valor da receita operacional bruta, entendo não ter havido omissão no trato da matéria, pois, quanto aos produtos classificados na TIPI como NT esses quando referiremse a produtos industrializados devem compor a Receita de exportação. O mesmo ocorreu na apuração dos créditos, em relação as aquisições de pessoas físicas, já que quanto as aquisições de cooperativas esses créditos já haviam sido reconhecidos pela decisão da primeira instância. Também, o fato é que o julgamento desse processo na segunda instância administrativa não se esgotou com o acórdão embargado, porque, o voto condutor do acordão recorrido terminou por determinar: “Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado.” Assim, o acórdão recorrido tratou do valor da receita operacional bruta com a determinação do afastamento da exclusão dos produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, devolvendo o processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos, no caso, se o acórdão embargado determinou afastar o que foi excluído, agora com a inclusão, o órgão julgador deverá analisar e julgar os demais aspecto, no caso específico se trata de produto industrializado e exportado e não apenas de produto classificado como NT na TIPI. Assim, no retorno do processo ao CARF o contribuinte terá novamente o direito de defesa e recorrer se os cálculos estiverem errados ou em desacordo com estabelecido na legislação vigente. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 Quanto a segunda omissão apontada no acórdão embargado, pelas mesmas razões acima exposta quanto a conclusão do voto condutor, que não reconheço a suposta omissão quanto a aplicação da taxa SELIC. E a explicação é a seguinte: a aplicação ou não da taxa SELIC no pedido de ressarcimento desde essa ou aquela data é decisão de comando de execução de julgado final. A decisão embargada foi de provimento parcial condicionado ao retorno ao órgão de julgamento de primeira instância para uma nova análise e julgamento, logo, nesse novo julgamento se não for determinado a aplicação da taxa SELIC, essa será pelo julgamento em segunda instância administrativa, com direito a defesa em forma de recurso. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdãos, conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo tem o objetivo de combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades da decisão do colegiado. Portanto, o acórdão atacado nos presentes Embargos para ter sido viciado pela omissão deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificando seu saneamento. Também, se contém o vício da omissão, lembrando que o acórdão aqui combatido é a decisão de um colegiado, deve ter se abstido de apreciar as questões de fato e de direito suscitadas ou não pelas partes, embora o contraditório legitime o resultado obtido, desde que se configure pertinência com os elementos do processo. Assim, não vejo presente no acórdão combatido e no voto condutor da decisão do então colegiado a ocorrência das omissões apontadas, nas circunstâncias em que se deu a decisão do colegiado, ou seja, não foi uma decisão total e definitiva. Isto posto, voto por rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte, por inexistência das omissões apontada na decisão embargada proferidas em caráter não definitivo. Conselheira VALDETE APARECIDA, MARINHEIRO Fl. 747DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000426/99-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO E ERRO . OCORRÊNCIA
Constatada a ocorrência de omissão e erro na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-004.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional, para sanar a omissão do acórdão embargado, com efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO E ERRO . OCORRÊNCIA Constatada a ocorrência de omissão e erro na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional, para sanar a omissão do acórdão embargado, com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.172 1 1.171 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13605.000426/9982 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303004.168 – 3ª Turma Sessão de 5 de julho de 2016 Matéria Exame de Admissibilidade de Embargos Declaratórios Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ANGLOGOLD ASHANTI CÓRREGO DO SÍTIO MINERAÇÃO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO E ERRO . OCORRÊNCIA Constatada a ocorrência de omissão e erro na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional, para sanar a omissão do acórdão embargado, com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator e Presidente Interino AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 04 26 /9 9- 82 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 398 a 402) apresentados em 05 de agosto de 2015 contra o Acórdão no 9303001.421, de 05 de abril de 2011, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 384 a 395), que, relativamente a pedido de ressarcimento de IPI, não conheceu do recurso especial do Procurador, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Admissibilidade do Recurso: Divergência não comprovada. Situações fáticas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade. Recurso não conhecido. Segundo o acórdão embargado, seria a seguinte a matéria do recurso: [...] A câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de Gás O2. Segundo consta do acórdão recorrido, o Gás O2, utilizado em reação química nos sulfetos entra em contato direto com o produto final e deve ter o correspondente crédito reconhecido. Irresignada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência. Postulando pela não incidência de Selic no ressarcimento, bem como, pela exclusão, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos ao Gás O2, posto que este não entraria em contato com o produto final, e, em razão disso, não poderia ser considerado como matériaprima ou produto intermediário, o que afastaria a possibilidade de incluílos na base de cálculo do crédito presumido pleiteado. Por meio do despacho de fl. 377, arrimado na informação de fls. 375/376, o Sr. Presidente da Câmara recorrida admitiu parcialmente o apelo fazendário, mais precisamente, na parte pertinente a exclusão dos valores relativos às despesas com Gás O2. Regularmente cientificada do despacho que admitiu, apenas parcialmente o seu recurso especial, a Douta ProcuradoriaGeral Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13605.000426/9982 Acórdão n.º 9303004.168 CSRFT3 Fl. 1.173 3 da Fazenda Nacional deixou passar in albis o prazo para apresentação de agravo de reexame. Contrarrazões do sujeito passivo às fls.396 a 412. A embargante alegou omissão e erro no referido acórdão. Omissão por ter deixado de apreciar a questão da incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento do IPI e erro por ter informado equivocadamente no voto que o recurso especial objeto do acórdão teria sido admitido parcialmente, quando o fora de forma integral. O erro teria provocado a omissão apontada. É o relatório. Voto Os embargos são tempestivos e apontam omissão, merecendo ser conhecidos. O exame de admissibilidade (efls. 412/413), que acolheu os embargos, constatou a omissão/erro material na decisão embargada. Nos termos do acórdão embargado, foram as seguintes as matérias submetidas a recurso: A teor do relatado, as questões trazidas no recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional cingemse à possibilidade ou não de se incluir os valores relativos às despesas com gás O2 na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, à incidência da Selic sobre ressarcimento. No despacho de admissibilidade do recurso, arrimado na informação de fls. 375/376, a questão da incidência da atualização foi afastada, de plano, sob o argumento de que se trataria de matéria alheia à decisão recorrida. Como fundamento, constou o seguinte do voto condutor do acórdão: Desta feita, a matéria devolvida a Este Colegiado restringese à questão do direito à inclusão dos valores relativos à aquisição de gás O2. Essa matéria tornouse controvertida nos autos, mas, a meu sentir, não merece ser admitida posto que a divergência jurisprudencial não foi caracterizada, visto que as situações fáticas entre o acórdão recorrido e os paradigmas são distintas. De fato, nestes, o crédito é negado em razão de os insumos não integrarem o produto final ou não terem sido consumido ou desgastados em contato direto com ele, enquanto, naquele (acórdão recorrido), a razão para conceder o creditamento é, justamente, o fato de o Colegiado haver entendido que houvera o consumo em contato direto com o produto final. O acórdão de recurso voluntário (efl. 284), segundo o resultado, proveu parcialmente o recurso da Interessada, reconhecendo o direito ao crédito quanto ao Gás O2, na Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 composição da base de cálculo do crédito presumido do IPI, e quanto à incidência dos juros Selic no caso de ressarcimento de crédito presumido de IPI. No recurso especial, a Procuradoria contestou a inclusão das aquisições do gás oxigênio na base de cálculo do crédito e a incidência de juros Selic sobre o ressarcimento (efls. 298 e seguintes), a partir da data de protocolização do pedido, anexando cópia de acórdãos (efls. 309/315). No exame de admissibilidade (efls. 332 e seguintes), considerouse o seguinte: Em face do exposto, concluo que foi caracterizado o dissídio jurisprudencial administrativo, bem como afronta ao art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, cabendo a admissão do recurso especial para apreciação do direito ao créditopresumido de IPI sobre aquisição de gás O2 (oxigênio) e da incidência da taxa Selic sobre ressarcimento de IPI. Dessa forma, o acórdão embargado, de fato, omitiuse quanto à incidência de juros Selic no ressarcimento, cujo direito foi parcialmente reconhecido, e errou por ter informado equivocadamente no voto que o recurso especial objeto do acórdão teria sido admitido parcialmente, quando o fora de forma integral. A matéria devolvida ao Colegiado e que não foi analisada no acórdão prolatado pela 3ª turma da CSRF cingese à aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13605.000426/9982 Acórdão n.º 9303004.168 CSRFT3 Fl. 1.174 5 Com essas considerações, passo a admitir, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Constato, ainda, o lapso cometido no acórdão recorrido, devendo ser retificado o acórdão embargado quando faz menção a admissão parcial do despacho de admissibilidade do recurso quando, na verdade, o fora de forma integral. Em face do exposto, conheço parcialmente e nego provimento ao recurso especial da Fazenda nacional no que tange à aplicação da taxa Selic no ressarcimento negado pela Receita Federal. Esse passa a ser o novo resultado do julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão/erro material apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10640.722724/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DOENÇA GRAVE - RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PESSOA FÍSICA PORTADORA DE DOENÇA GRAVE
São isentos apenas os rendimentos recebidos por pessoa física residente no Brasil, portador de doença grave, relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, ainda que pagas por fonte situada no exterior. Tributam-se os demais rendimentos de outra natureza recebidos pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-002.943
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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Tributamse os demais rendimentos de outra natureza recebidos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 27 24 /2 01 1- 97 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10640.722724/201197 Acórdão n.º 2201002.943 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0941.887 da 4ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Para Regina Maria Azevedo de Souza, já qualificada nos autos, foi lavrada a Notificação de Lançamento, às fls. 05 a 10, exigindo R$ 2.982,38 de imposto de renda pessoa física – suplementar, R$ 2.236,78 de multa de ofício de 75% (passível de redução) e R$ 974,34 de juros de mora (atualizados até 30/06/2011). Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2008 retificadora (fls. 23 a 28). Conforme informações, às fls. 07/08, houve dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.845,00, em síntese, por falta de comprovação do efetivo pagamento, aos seguintes profissionais: Nilza Nogueira de Oliveira– R$ 4.000,00, Mariana Graça de Brito – R$ 3.200,00, Vinícius Lopes – R$ 1.800,00 e Valéria Alves Moraes Lopes – R$ 1.845,00. Cientificada da notificação, a contribuinte, através de seu representante (fls. 03/04), interpôs a impugnação de fl. 02, na qual contesta o lançamento alegando que as despesas glosadas referemse a tratamento próprio e da dependente Lílian Azevedo de Souza. Para corroborar sua defesa, anexa os recibos, “contendo todos os requisitos exigidos pela legislação tributária”, documento comprobatório do grau de parentesco da dependente e laudos dos profissionais de saúde, relatando os serviços prestados e a forma de pagamento destes. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · É portadora de moléstia grave, denominada Neoplasia maligna, CID 10; CID C34, desde janeiro de 2007, conforme laudo Médico Oficial, Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 emitido por cancerologista, pelo Serviço Médico Oficial do Município de Juiz de Fora. Anexa o laudo. · Está isenta do IR, conforme artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88; artigo 30 da lei 9.250/95 e artigo 1º da Lei 11.052/2004. · Seus rendimentos não poderiam ser alcançados pela tributação. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10640.722724/201197 Acórdão n.º 2201002.943 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. ISENÇÃO DOENÇA GRAVE A contribuinte inova no recurso, apresentando tese não contida na impugnação (ser portadora de doença grave e, em consequencia, isenta). Segundo o Decreto 70.235/72, admitese prova documental após a impugnação quando refirase a fato ou a direito superveniente. DECRETO 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Entendo que este é o caso presente. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 A impugnação é datada de 15/07/2011 e o laudo apresentado é datado de 17/07/2012. São isentos apenas os rendimentos recebidos por pessoa física residente no Brasil, portador de doença grave, relativos a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações, ainda que pagas por fonte situada no exterior. Tributamse os demais rendimentos de outra natureza recebidos pelo contribuinte. Também é isenta a pensão judicial, inclusive alimentos provisionais, recebida por beneficiário portador de doença grave. Lei 7.713/88 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) LEI 9.250 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). DECRETO 3.000/99 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10640.722724/201197 Acórdão n.º 2201002.943 S2C2T1 Fl. 5 7 Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIos valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, eLei nº8.541, de 1992, art. 47); XXXIIIos proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV,Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); Para a questão do Laudo, somente são aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos periciais expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal e, portanto, não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. Entendese por laudo pericial o documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial.(Lei nº 9250, de 26 de dezembro de 1995, art 30; Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, art. 6º, §§ 4º e 5º; Solução de Consulta Interna Cosit nº 11, de 28 de junho de 2012) Entendo que o Laudo apresentado, folha 104, preenche os requisitos e comprova o direito à isenção. A Carta de Concessão, folha 109, comprova que em 19/12/2003, foi concedida a aposentadoria à recorrente. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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