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Numero do processo: 10183.721988/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2102-000.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do Recurso, na forma do artigo 62-A,
caput e §1º do Anexo II do RICARF. Acompanhou o julgamento Dra. Tatiana Almeida Castro Alves, OAB/DF 31.374.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do Recurso, na forma do artigo 62A, caput e §1º do Anexo II do RICARF. Acompanhou o julgamento Dra. Tatiana Almeida Castro Alves, OAB/DF 31.374. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10183.721988/201087 Resolução nº 2102000.109 S2C1T2 Fl. 913 2 Relatório Contra ANTONIO JOAQUIM MORAES RODRIGUES NETO foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2005 a 2007, exercícios 2006 a 2008, no valor total de R$1.576.947,11, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/10/2010. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, fls. 14/40, foram omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.713/729, que foi julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os valores de R$583.554,89, R$250.175,50 e R$107.074,04, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0426.883, de 15/12/2011, fls.869/878. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/01/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 885, o contribuinte apresentou, em 13/02/2012, recurso voluntário, fls. 887/907, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa – No curso dos trabalhos fiscais a autoridade fiscal limitouse a relacionar depósitos bancários para pedir a apresentação de documentos no prazo de 20 dias. O fato de constar no Termo de Intimação depósito identificado como documento nº 000000 dificultou o atendimento da intimação. A autoridade fiscal deveria proceder diligências no sentido de apurar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias do contribuinte. Nulidade da decisão recorrida – É nula a decisão recorrida pois deixouse de apreciar provas juntadas aos autos quando da apresentação de aditamento à impugnação sob a simples alegação de que o aditamento era intempestivo. Da ausência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada – O aperfeiçoamento da presunção de omissão de receitas somente se dá se a autoridade fiscal estabelecer o nexo causal entre os valores depositados e as manifestações concretas de consumo de renda. Da comprovação da origem dos depósitos – o recorrente possuía empréstimos bancários ligados à atividade rural declarados, cujo saldo em 31/12/2004 era de R$492.510,76, não havendo prejuízo para compensar em 2005, de modo que o recorrente possuía receita disponível declarada anteriormente para efetuar livremente a movimentação de valores. Logo, considerando os rendimentos declarados não há que se falar em omissão de rendimentos. Da atividade rural – A autoridade fiscal glosou R$86.266,27 de despesas com custeio/investimento escrituradas em agosto de 2005. Porém o contribuinte comprovou a veracidade da despesa no valor de R$46.488,00, conforme notas fiscais, fls. 22/23. Portanto, a glosa deveria ser de apenas R$39.778,27. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10183.721988/201087 Resolução nº 2102000.109 S2C1T2 Fl. 914 3 Da multa com caráter de confisco – É evidente que a aplicação de multa no patamar de 75% viola a regra do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. É o Relatório. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10183.721988/201087 Resolução nº 2102000.109 S2C1T2 Fl. 915 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o Fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria, pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o Fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10183.721988/201087 Resolução nº 2102000.109 S2C1T2 Fl. 916 5 repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No presente caso, embora o contribuinte não faça alegações acerca da transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001), inferese do Relatório Fiscal, que os extratos bancários do contribuinte foram obtidos mediante emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), fato que denota que a transferência do sigilo bancário se deu de forma compulsória. Assim, devese sobrestar o julgamento do recurso voluntário, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Ante o exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003573/2005-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2000
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC
Nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF vigente, "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF".
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C.
Consoante decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733, inexistentes recolhimentos, "...O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheira Tatiana Midoria Migiyama e Vanessa Marini Cecconelo. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Ronsenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 405 1 404 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.003573/200536 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.497 – 3ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IKK DO BRASIL INDÚSTRIA ECOMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2000 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC Nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF vigente, "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Consoante decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733, inexistentes recolhimentos, "...O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Recurso Especial do Procurador Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 73 /2 00 5- 36 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003573/200536 Acórdão n.º 9303003.497 CSRFT3 Fl. 406 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheira Tatiana Midoria Migiyama e Vanessa Marini Cecconelo. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Júlio César Alves Ramos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Ronsenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Em exame tempestivo recurso da Fazenda Nacional a respeito de decadência. Em julgamento datado de 17 de setembro de 2009, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara acolheu o pleito do contribuinte de que a decadência do direito ao lançamento de créditos tributários fosse contada na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN, visto tratarse de IPI. Esse pleito constou expressamente de recurso voluntário, aviado em 05 de maio de 2007. Com isso, foram afastados os lançamentos relativos aos períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 2000 e novembro de 2000, uma vez que o contribuinte deles tomou ciência em 22 de dezembro de 2005. Essa pretensão havia sido rejeitada pela primeira instância por aplicar o art. 173 do mesmo código. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração nos quais apontou omissão por não ter o acórdão verificado a ocorrência de recolhimentos, condição necessária à aplicação da regra do art. 150. Na peça, cita, já, a decisão no REsp 973.733, proferida pelo STJ no rito do art. 543C do CPC. Eles foram, ainda assim, rejeitados por despacho do Presidente da Câmara, datado de 06 de abril de 2010, que acolheu pronunciamento do Conselheiro José Adão Vitorino de Morais cujo teor foi: (...) No entanto, no presente caso, ao contrário do entendimento da embargante, inexiste a suscitada omissão. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003573/200536 Acórdão n.º 9303003.497 CSRFT3 Fl. 407 3 Conforme constou do acórdão recorrido, em face do julgamento ocorrido em 11 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o art. 45 daquela lei e, ainda, aprovou na sessão plenária realizada em 12/06/2008 a Súmula Vinculante nº 08, que assim estabelece, in verbis: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, aplicouse ao presente caso, o disposto no CTN, art. 150, § 4º, que estabelece o prazo de cinco anos, contados a partir dos respectivos fatos geradores, para que a Fazenda Nacional exerça seu direito à constituição de créditos tributários, assim dispondo, in verbis: (...) Ora, segundo este dispositivo legal, o prazo deve ser contado a partir do respectivo fato gerador, inexistindo quaisquer referências quanto à realização de pagamentos. Assim sendo, nãoprovada a alegada omissão no Acórdão n° 330100.249, às fls. 336/338, proponho a rejeição dos presentes Embargos de Declaração. O recurso especial aponta divergência com decisões desta CSRF que reiteraram a aplicação do disposto no art. 173 do CTN no caso de não ter havido recolhimentos, enfatizando que, no presente caso, em todos os períodos considerados decaídos houve apenas a compensação escritural com alegados créditos de IPI que não foram considerados válidos pela fiscalização. Não constam dos autos contrarrazões da recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Entendo que o recurso foi bem admitido, na medida em que a rejeição dos embargos interpostos pela Fazenda deixa claro que, no entender do colegiado, a regra de contagem de prazo decadencial para tributos sujeitos a lançamento por homologação é, sempre, a do parágrafo 4º do art. 150, haja ou não recolhimentos, o que supriu a comprovação de prequestionamento. E como já indicado no relatório, não há espaço para delongas, devendo ser acolhido o apelo fazendário, na medida em que, de fato, inexistentes recolhimentos. Tem, pois, aplicação a decisão do STJ já referida, que me limito a reproduzir em sequência em obediência ao disposto no art. 62A do RICARF: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003573/200536 Acórdão n.º 9303003.497 CSRFT3 Fl. 408 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.003573/200536 Acórdão n.º 9303003.497 CSRFT3 Fl. 409 5 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. É o voto, portanto, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, de modo a restabelecer os lançamentos afastados pela decisão recorrida, dado que, contandose na forma definida no art. 173, o prazo para constituição dos créditos relativos ao ano de 2000 somente se encerrariam em 31 de dezembro de 2005. Como já dito, o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 22 de dezembro de 2005. Esse o voto. Júlio César Alves Ramos Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.013302/2005-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplica-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Dra. Heloisa Guarita Souza OAB/PR 16.597.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Dra. Heloisa Guarita Souza OAB/PR 16.597. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 33 02 /2 00 5- 28 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 341 2 Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/CTA(Fls. 277), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de autos de infração de multa isolada sobre falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, relativos ao ano calendário 2001, 2002 e 2003. 2. O auto de infração de multa isolada (fls. 141/152) exige o recolhimento de R$ 66.195,10 de multa isolada e R$ 11.733,28 de juros de mora. 3. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 126/140: Multas Isoladas — Falta de Retenção e recolhimento do IRF: nos períodos de 03/2001, 07/2001 a 02/2002, 04/2002, 06/2002 a 07/2002, 09/2002 a 10/2003 e 12/2003. Enquadramento legal nos arts. 722, parágrafo único e 957 do RIR/1999; art. 9° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002; Juros Isolados — Falta/Atraso da Retenção ou recolhimento do IRF: nos períodos de 03/2001, 07/2001 a 02/2002, 04/2002, 06/2002 a 07/2002, 09/2002 a 10/2003 e 12/2003. Enquadramento legal no art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; 4. Cientificada em 01/12/2005, conforme fl. 146, tempestivamente, em 28/12/2005, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, As fls. 156/164, através de seu procurador, conforme procuração A fl. 167, acompanhada dos documentos de fls. 165/259, que se resume a seguir: a. Esclarece, inicialmente, que a impugnação tem por objeto a autuação referente aos fornecedores BJP Manutenção e Operação de Utilidades Ltda e Paulo Cezar Fahbush Pires, sendo que as demais autuações foram pagas conforme DARF anexado; BJP Manutenção e Operação de Utilidades Ltda b. Afirma que, em 31/05/2001, firmou contrato de prestação de serviços com o fornecedor referido, com o seguinte escopo: "manutenção e operação, especificamente dos sistemas de vapor, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 342 3 ar comprimido, frio (Chiller), tratamento de efluentes, distribuição de água, predial em geral, ar condicionado, planejamento e controle da manutenção, almoxarifado de peças sobressalentes, média tensão elétrica e gerador de energia elétrica de emergência, manutenção preventiva geral, manutenção do site, iluminação interna e externa e pequenas modificações de layout nas instalações da contratante"; c. Alega que o art. 649 do RIR e demais legislações invocadas pelo auditor fiscal não são aplicáveis A modalidade de serviço contratada, por não se enquadrarem em prestação de serviços de limpeza, conservação, segurança, vigilância e tampouco locação de mão de obra, e que a incidência tributária ocorre quando há prestação de serviços de limpeza e conservação de bens imóveis; d. Com base no art. 82 do Código Civil, afirma que não se pode confundir os serviços que são objeto de retenção na fonte com aqueles que foram contratados pela requerente, que se referem a manutenção de técnicos especializados em equipamentos e não de conservação e limpeza, os quais, uma vez removidos, não alterarão a substância ou a sua destinação, podendo ser citado como exemplos os equipamentos de ar condicionado, ou seja, podem ser removidos, sem que se perca a sua característica ou finalidade; e. Frisa que o art. 43 do Código Civil mencionado pelo auditor fiscal foi revogado pelo código atual; f. Reclama que o conceito de manutenção e conservação não se correlaciona para os fins indicados pelo auditor, pois não se trata de conservação de imóvel, como estabelecido pela legislação e jamais como locação de mão de obra, sendo que a disponibilização dos empregados do fornecedor/contratado é premissa para a execução dos serviços; g. Explica que na prestação de serviços a retribuição é devida pelos serviços prestados, e a locação de mão de obra se presta, dentre outros, para ajustar contingentes aos picos sazonais ou eventualidades, ou suprir necessidades temporárias ou projetos prioritários da empresa, o que efetivamente não foi o objeto da contratação; h. Cita solução de consulta n° 21 da 1a Região Fiscal, no sentido de que não há retenção do imposto de renda na prestação de serviços de manutenção; Paulo Cezar Fahbush Pires i. Com base no art. 150 do Decretolei 1706/79, entende que a exceção somente se aplicaria As pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividades de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras formas de lhes possam ser assemelhadas (parágrafo único do art. 150 do RIR); Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 343 4 j. Aduz que o prestador de serviços contratado através de pessoa jurídica não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima, conforme decisão n° 289 da 8a Regido Fiscal; k. Entende ser inadmissível a descaracterização de empresas individuais como mencionado pelo auditor, para fins de tributação do IR, que não se enquadrem nas situações acima, ou seja, não tendo o serviço natureza profissional não há que se aplicar a retenção do imposto; e que a pessoa jurídica, ao efetuar o pagamento, deverá adotar as cautelas necessárias para identificar se está contratando com a pessoa física ou com pessoa jurídica por equiparação, sendo que para esta última, o imposto não é retido na fonte; l. Justifica que contratou serviços com pessoa jurídica por equiparação, a teor do art. 150 do RIR, de modo que o art. 639 do RIR, invocado pelo auditor fiscal, não se aplica pela natureza dos serviços prestados por Paulo Cezar Fahbusch Pires Ltda, 110 por ausência de previsão legal para a retenção. 5. As fls. 165/166 consta DARFs com data de 26/12/2005, códigos 2917 (IRPJ LANÇAMENTO DE OFÍCIO), 6583 (JUROS IRRF ART. 43 L.9430), e 6380 (MULTA ISOLADA IRRF ART. 43 L.9430), nos valores de R$ 99.556,60, R$ 83,97 e R$ 2.515,58, respectivamente. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: RETENÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MANUTENÇÃO OU CONSERVAÇÃO. BENS IMÓVEIS. ACOPLAMENTO AO PRÉDIO. Estão sujeitos A retenção do imposto de renda na fonte à aliquota de 1% (art. 3° do Decretolei n° 2.462/88, com a alteração introduzida pelo art. 55 da Lei n° 7.713/88), os rendimentos provenientes da prestação de serviços de manutenção ou conservação de máquinas e equipamentos, quando tratarse de bens imóveis, assim entendido as peps acopladas ao prédio. MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DO IRRF. Incide a multa isolada de 75% para a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento. RENDIMENTO PAGO A FIRMA INDIVIDUAL. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONVENÇÕES PARTICULARES. INOPONIBILIDADE AO FISCO. A circunstância de o rendimento ter sido recebido por firma individual, por si só, não o submete ao regime das pessoas jurídicas, pois as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não são aptas a Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 344 5 modificar a definição legal da qualidade do sujeito passivo das obrigações tributárias. CONTRATO DE USO DE IMAGEM. NATUREZA PERSONALÍSSIMA. SUJEIÇÃO A TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Rendimento auferido com base em contrato de uso de imagem submetese A tributação da pessoa física, em vista da natureza personalíssima da prestação, sendo irrelevante a inexistência de vinculo empregatício, ou se a atividade era comercial ou especulativa, ou se a renda foi paga a pessoa jurídica. Cientificado em 25/07/2008 (Fls. 304), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 25/08/2008 (fls. 305 a 311), argumentando em síntese: (...) 1. Quanto aos Serviços Prestados pela BJP Manutenção e Operação de Utilidades Ltda. (...) Inicialmente, os serviços comprovadamente prestados NÃO se classificam como sendo de limpeza, segurança, vigilância ou locação de mãodeobra. Tampouco podem ser caracterizados como o outro aspecto em que a retenção na fonte é obrigatória, que é a conservação de bens imóveis. (...) Ainda que pretenda a decisão de 1a instância dispor que "o critério empregado para distinção do bem móvel foi o seu acoplamento ou não a um prédio" (fls. 272, p. 8 dá decisão), este não é o critério utilizado peto código Civil, que inclusive contem disposição de conclusão diversa da pretendida pela DRJ/Curitiba. Portanto, está explícito na própria decisão recorrida o equívoco do critério para determinar se um bem é móvel ou imóvel. Devese considerar também que o fato dos serviços terem sido executados nas instalações dos contribuintes não é um critério sério nem tampouco seguro ou legal para fundamentar a decisão (fls. 273, final da p. 9 da decisão). Primeiro, por que é critério de mera conveniência contratual; segundo, por que este elemento nem mesmo foi considerado ou elencado pela legislação tributária; e terceiro, pelo fato de que diversos outros serviços são prestados na sede da autuada e nem por isto são tributados na fonte. Ou seja, a decisão está fundamentada em posicionamentos contrários ao Código Civil, e por conseqüência contrários ao Código Tributário, e também em critérios não sustentados em legislação e fora de qualquer lógica, seja empresarial ou meramente fiscalizatória. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 345 6 Ainda, é necessário apontar que a decisão de 1a Instância está equivocada ao apontar que as soluções a consultas citadas pela autuada/recorrente foram proferidas com base meramente no art. 647 do RIR/99 (e não no art. 649, no qual se sustenta a presente autuação fiscal). (...) 2. Quanto à contratação Paulo Cezar Fahlbush Pires Ltda. (...) É nítido que a prestação de serviços contratada não se encaixa em nenhuma das hipóteses acima. É inadmissível a descaracterização de empresas individuais, para fins de tributação pelo imposto de renda, que não se enquadrem nas situações acima; ou seja, não tendo o serviço natureza profissional (médico, dentista, escultor, advogado, p. ex.) como o presente caso não tem , não há como se aplicar a retenção do imposto. Este vem sendo o entendimento reiterado da própria Receita Federal, vide Decisão n. 289 da DT 8a RF e Solução de Consulta n. 17, de 2003, respectivamente no sentido de que "não cabe retenção de imposto de renda na fonte sobre rendimentos decorrentes de serviços pagos por pessoa jurídica a empresa individual equiparada a pessoa jurídica" e de que "a retenção do imposto de renda na fonte no pagamento de serviços prestados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica só é cabível quando o serviço contratado for caracterizadamente de natureza profissional o que comprovadamente não é o caso. Ou seja, a retenção na fonte para o caso da contratação de Paulo Cezar Fahlbush Pires Ltda., além de não ter previsão legal, é refutada pela própria Receita Federal, como pode se ver dos posicionamentos acima. (...) Como se vê, há um equívoco no próprio enquadramento legal feito no auto de infração. Sobretudo, há uma desconsideração de personalidade jurídica incompatível com o sistema jurídico vigente. As pessoas jurídicas recebedoras dos pagamentos feitos recolhem aos cofres da União Federal e do INSS os tributos devidos. Pagam o IR, PIS, COFINS, contribuições previdenciárias, FGTS de funcionários. Em outras palavras, o que se pretende com o presente auto de infração é cobrar o IRRF como se os pagamentos tivessem sido feitos a pessoas físicas, e ainda receber das pessoas jurídicas (das quais a pessoa física é sócia) os tributos que estas recolhem, entre outros, à Receita Federal. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 346 7 Nesta situação pretendida pelo Fisco, então, o Fisco deveria ter que abater do valor exigido o total dos impostos/tributos pagos à Receita Federal por esta pessoa jurídica recebedora dos valores pagos pelo contrato firmado, Isto apenas bem a demonstrar o absurdo, contrasenso, falta de lógica e ausência de sustentação legal para a forma de tributação pretendida via auto de infração. Um último aspecto a ser considerado é que a Receita Federal, ao autuar a empresa tomadora dos serviços, não tomou o cuidado de informar se a pessoa jurídica beneficiária no pagamento foi objeto de fiscalização. Portanto, não é possível ter conhecimento se cumpriu com se dever de ofício. No entanto, o beneficiário do pagamento continua sendo o titular da disponibilidade econômica, ou seja é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte nau efetuar a retenção, a título de antecipação do devido na declaração, não exime o contribuinte de tributar pelo IR seus rendimentos. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o lançamento de multa aplicada, isoladamente, única e exclusivamente pela falta de retenção do IRRF. No presente caso utilizome dos ensinamentos do Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Vejamos a redação do artigo 9º da Lei nº. 10.426, à época do lançamento, que fundamenta o lançamento. Art. 9° Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente e outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifamos) Esta era a redação do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 a que se referia o art. 9º da Lei nº. 9.426/2002 à época do lançamento: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 347 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; À época desta redação, o artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 previa a aplicação das multas de 75% (inciso I) e 150% (inciso II). Contudo, vieram as alterações promovidas pela Lei nº. 11.488/2007, tanto no artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002, quanto no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 348 9 De dicção bastante clara, concluise que incidiria a referida penalidade nos casos em que a “fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição” deixe de assim proceder, sujeitandose “à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Quando da edição da redação do art. 9º acima reproduzido dada pela Lei nº. 11.488/2007, essa foi a redação dada ao inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 (também alterada pela MP nº. 351/2007, posteriormente convertida na lei nº. 11.488/2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Em que pese a menção feita pelo art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 ao artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/96, tratamse de multas de natureza absolutamente distintas, sendo totalmente inócua a aplicação deste (art. 44) mediante a conjugação dos dois artigos. Qual é a multa que trata o inciso I do art. 44 da Lei nº. 9430/96? Tratase da multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Ora, ao se alterarem ambos os dispositivos legais ao mesmo tempo, com a nova redação do artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002 ficou clara a revogação tácita da previsão de aplicação de multa de ofício na modalidade isolada, posto que o mencionado dispositivo fez menção somente ao inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Destacase que, como visto acima, a alteração promovida pela Lei nº. 11.488/2007 no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 previu, expressamente, a aplicação da multa isolada e no percentual de 50%, em seu inciso II. Porém, o artigo 9º da Lei nº. 9426/2007 não previu a incidência dessa multa (inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/2007) nos casos de ausência de retenção ou recolhimento. Utilizome, também, do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe acerca da interpretação da lei tributária que comine infrações, nitidamente aplicável ao presente caso ante as disposições legais acima reproduzidas, : Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10980.013302/200528 Acórdão n.º 2201003.262 S2C2T1 Fl. 349 10 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, para os fatos geradores anteriores à edição da MP nº. 351/2007, por se tratar de atos ainda não definitivamente julgados, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, assim, afastase o lançamento nos termos do inciso II, a, do referido artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11020.003564/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS. CABIMENTO.
Decorre de preceito legal a presunção da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda no caso de ausência de comprovação da origem da aplicação de recursos.
Numero da decisão: 2201-003.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator.
EDITADO EM: 04/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS. CABIMENTO. Decorre de preceito legal a presunção da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda no caso de ausência de comprovação da origem da aplicação de recursos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 593 1 592 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003564/200767 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.241 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Recorrente EUCLIDES CARRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS. CABIMENTO. Decorre de preceito legal a presunção da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda no caso de ausência de comprovação da origem da aplicação de recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 64 /2 00 7- 67 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Neide Ana Zanon Carra contra acórdão da 4ª Turma DRJ Porto Alegre/RS que manteve parcialmente lançamento tributário realizado em desfavor de Euclides Carra, seu marido e sujeito passivo, relativo ao IRPF supostamente devido nos exercícios de 2002 a 2005. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 492 do processo digitalizado), devidamente explicitado no Termo de Verificação Fiscal (folhas 471), pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 297.767,96, que compreende imposto, multa de ofício de 150% e juros de mora, em decorrência da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF dos anos calendário 2001 a 2007, ocorreu em 05 de outubro de 2007, via postal (AR's constam das páginas 501 e 505). Tanto o devedor principal quanto sua cônjuge, aqui Recorrente, impugnaram o lançamento em 05 de novembro de 2007 (fls 506). A decisão da 4ª Turma da DRJ POA restou assim ementada: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. FRAUDE. A não ocorrência do requisito (fraude) utilizado para transferir a interpretação da decadência para o art. 173 do CTN, torna sem efeito o lançamento da matéria realizado com tal descrição. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGENS DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA. A aplicação de recursos sem comprovação da disponibilidade para fazêla incide, segundo determinação legal, em fato gerador do imposto de renda. Lançamento Procedente em Parte" Embora não conste do ementa da decisão, a turma afastou a qualificação da multa. A ciência do decisão de primeira instância foi enviada via correio, em 04 de março de 2008, consoante correspondência de folhas 532, tendo sido recebida pela própria Recorrente em 08 de março de 2008 (AR de fls. 534). Porém, como se relatará adiante, a decisão só foi enviada para o devedor principal, não havendo o envio de cópia para a devedora solidária. Em 07 de abril de 2008, tempestivamente, o devedor principal interpôs recurso voluntário (fls. 535), alegando, basicamente, a existência de comprovação de variação patrimonial verificada. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.003564/200767 Acórdão n.º 2201003.241 S2C2T1 Fl. 594 3 Tal recurso foi apreciado em sessão da 1ª Turma Especial desta Segunda Seção do dia 28 de outubro de 2009. O recurso, a decisão de primeiro grau e a imputação fiscal constam do Relatório Fiscal do acórdão 280100.304. Vejamos: " Tratase de auto de infração lavrado para apurar variação patrimonial a descoberto em nome do contribuinte, tendo em vista diversas origens. As fls. 480/495, impugnação do contribuinte, suscitando: a) a decadência em relação ao anocalendário de 2001; b) a inexistência de variação patrimonial a descoberto; c) o conteúdo confiscatório da multa de 150% aplicada em parte do lançamento. As fis. 501/504, decisão administrativa de primeira instancia que, por unanimidade, acolheu cm parte a impugnação, tendo cm vista o acolhimento da decadência cm relação ao ano calendário de 2001. As fls. 508/516, recurso voluntário do contribuinte, almejando a reforma da decisão recorrida na parte em que desfavorável ao contribuinte. É o relatório.." A decisão da 1ª TE da 2ª Seção, representada pelo Acórdão 280100.304 (fls. 546), restou assim ementada: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA. A aplicação de recursos sem comprovação da disponibilidade para fazêla incide, segundo determinação legal, em fato gerador do imposto de renda. Recurso negado." Devidamente cientificado pelo correio (fls. 552), do Acórdão de Recurso Voluntário em 09 de abril de 2010, o devedor interpôs, em 23 de abril de 2010, recurso especial. Em 20 de maio de 2010, a DRF Caxias do Sul, encaminha correspondência (fls. 566) à devedora solidária, Neide Ana Zanon Carra, com o fito de cientificála do Acórdão de Impugnação prolatado pela 4ª Turma da DRJ POA, em 20/02/2008. A ciência se aperfeiçoa em 28 de maio de 2010, com o recebimento pela própria devedora solidária da correspondência, consoante AR de fls. 567. Em 25 de junho de 2010 a devedora solidária apresenta seu recurso voluntário (fls 568)., reproduzindo o voluntário apresentado pelo devedor principal (fls 535), e que contém as seguintes alegações: Fl. 595DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 · não houve a variação patrimonial a descoberto alegada, o que enseja a improcedência do auto de infração; · não houve a variação patrimonial porque se demonstrou a origem dos recursos; · que a recorrente não pode ser responsabilizada por eventual ausência de documentação que comprove que outras pessoas físicas não tinham origem ou comprovação dos empréstimos por elas realizados à Recorrente; · que a simples ausência de declaração de DIRPF ou de inexistência de conta bancária não significa que determinada pessoa não possui recursos para emprestar a outra; · que o Sr Horácio Carra afirmou ter vendido um caminhão e ter emprestado ao recorrente os recursos advindos dessa venda; · que a Fiscalização deveria ter intimado as instituições financeiras para que prestassem informações sobre os emprestimos concedidos ao Recorrente; · que se nem a Fiscalização conseguiu obter os documentos necessários junto à Arrow Participações e a Action Participações (empresas compradoras do imóvel objeto do acréscimo patrimonial constatado) não seria possível a Recorrente obtêlos; · do aspecto confiscatório da multa aplicada; · da multa aplicável em caso de inexistência de dolo; · do exposto, requer: i) nulidade do AI e expedição de novo com base nas provas apresentadas; ii) retorno do processo para a DRJ para obtenção dos documentos apontados pela Recorrente; ii) redução da multa de 150% para 2%, ou 33%; iv) permissão da produção de novas provas. Em 18 de agosto de 2010, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, SECAT, da DRF Caxias do Sul, verificou a ocorrência da omissão da ciência do acórdão de impugnação da devedora principal e em despacho saneador (fls. 589), decidiu encaminhar o presente processo para apreciação do Conselheiro Sandro Machado dos Reis, relator do acórdão de recurso voluntário proferido pela 1ª TE, visando reparar o rito processual e permitir a ampla defesa da devedora solidária. Em despacho de folhas 591, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção reconhece a falha processual e determina o retorno dos autos para o Conselheiro Relator. Não estando mais o nobre Relator nos quadros do Conselho, o recurso foi distribuído por sorteio eletrônico para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.003564/200767 Acórdão n.º 2201003.241 S2C2T1 Fl. 595 5 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso, passo a analisálo. Mister recordar que tratase de recurso voluntário apresentado pela devedora solidária, consoante termo de sujeição passiva de fls 492, em razão da ausência de cientificação específica do acórdão de impugnação. Como relatado, o devedor principal teve seu voluntário apreciado pela 1ª TE desta Segunda Seção. Não houve nem na impugnação, nem nos recursos voluntários insurgência contra a responsabilidade solidária imputada. O presente recurso alega que houve comprovação da variação patrimonial constada na Auditoria Fiscal, em face de documentação constante dos autos. São seus argumentos (fls 554) "A decisão objeto do presente recurso especial merece sofrer a reforma ora proposta pelo Recorrente, porquanto, como se verá na sequência, na realidade não existiu a variação patrimonial a descoberto apontada pela Fiscalização da Receita Federal, o que enseja a improcedência do auto de infração como um todo. A propósito, diversamente daquilo que referiu a 1a Turma Especial do Conselho de Contribuintes, na verdade, existem nos autos documentos mais do que suficientes à demonstração de que não se verificou a variação patrimonial a descoberto embasadora da condenação imposta ao Recorrente. Por isso, segue novamente alinhada aquela argumentação fáticojuridica que foi esgrimida quando da apresentação do recurso que produziu o decisum nestas linhas hostilizado, a qual é capaz e suficiente para ensejar a reforma aqui perseguida, haja vista dissecar todos os documentos que efetivamente se fazem presentes nos autos e atestam que de fato não ocorreu nenhuma variação patrimonial a descoberto. Com efeito, não se verificou a alegada variação patrimonial a descoberto, primeiramente, em virtude de o Recorrente ter demonstrado a origem dos recursos discriminados já nas suas declarações de IRPF dos anoscalendário de 2002 a 2004, que foram considerados na análise patrimonial realizada. Sem prejuízo disso, com todo o respeito, não se pode simplesmente dizer que o Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos empréstimos/financiamentos obtidos em razão da ausência de documentação, por que o mesmo fez tudo o que estava ao seu alcance para tanto, ou seja, sem ferir a esfera pessoal das pessoas que lhe emprestaram dinheiro. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Nessa conformidade, diante dessas limitações que são inerentes ao caso concreto, o Recorrente não pode vir a ser responsabilizado pelo comportamento de terceiros (titulares do dinheiro emprestado) no tocante falta de documentos comprobatórios da existência de recursos ou declarações de IRPF dos mesmos." (destaques não constam do recurso) Tais argumentos, também como relatado, foram reproduzidos pelo sujeito passivo principal e examinados na 1ª Turma Especial. Reproduzo o entendimento ali esposado, por ter minha total concordância e espelhar minha convicção (fls 547) "Em sede de impugnação, bcm como em desenvolvimento recursal, o Recorrente insurgese contra o lançamento sob o argumento de que os empréstimos informados em sua declaração e efetuados por Horacio Carra c por Gilmar Citton não poderiam ser comprovados, cis que os mesmos no os informaram em suas respectivas declarações, além de que no haveria movimentação financeira relativa a tais empréstimos que pudesse ser apurada através de documentos financeiros, haja vista que o montante relativo ao empréstimo estaria cm espécie com os senhores acima mencionados. Nesse sentido, eis que inexistente qualquer prova apta a comprovar alegação de empréstimo suscitada pelo Recorrente, no podem, os mesmos, ser considerados para justificar o acréscimo patrimonial, conforme se pleiteia na peça recursal." Em acréscimo, devemos apontar que a dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº 70.235 em especial dos artigos 9º e 15. Como bem apontado pela 1ª TE no acórdão 2801.00304, não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. Padece do mesmo vício a alegação da falta de comprovação, pelo Fisco, da desconsideração dos empréstimo bancários tomado pelo Recorrente e que, segundo ele, comprovam parte da origem dos recursos aplicados. Tal comprovação é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. A requisição de informações efetuada pela Autoridade Fiscal é mera questão de convencimento da mesma, zelo, não obrigação. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando variação patrimonial, intima o contribuinte a comprovar a origem dos recursos. A ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório e não produziu suas provas novamente aqui. Não se pode considerar os empréstimos alegados por falta de comprovação. Quanto ao argumento da venda do imóvel objeto da variação patrimonial constatada, alega a recorrente (fls 574): Fl. 598DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.003564/200767 Acórdão n.º 2201003.241 S2C2T1 Fl. 596 7 "Relativamente aos recursos utilizados para pagamento dos imóveis adquiridos por leilão, a Recorrente ratifica suas alegações, lamentando que a Auditoria Fiscal não tenha insistido mais na obtenção dos documentos que as empresas Arrow Participações Ltda e Action Participagões Ltda certamente devem possuir, os quais comprovam a origem defendida. Nunca é demais lembrar que tanto a Arrow Participações Ltda como a Action Participações Ltda, na condição de contribuintes, também têm o dever legal de prestar informações e fornecer documentos no caso de uma investigação fiscal. Se nem a Auditoria Fiscal não conseguiu obter informações e documentos junto à empresa Arrow Participações Ltda, mesmo tendo enviado intimações para os domicilios dos seus sócios (passado e presente), não seria a Recorrente ou o seu marido que conseguiriam, razão pela qual os mesmos não devem ser penalizados da maneira que ocorreu no bojo do auto de infração em debate. Dito isto, fazse mister insistir que efetivamente foram vendidos os direitos e ações que envolviam os imóveis adquiridos via leilão judicial para a empresa Arrow Participações Ltda, tendo sido recebidos alguns valores por conta disso, que constituiram receita liquida e declarada, a qual deveria ter sido considerada pela Auditoria Fiscal." (destaques nossos) Novamente reprisamos o voto condutor do Acórdão 2801.00304, em razão da clareza e por conter nosso entendimento sobre os fatos e o direito aplicável (fls 547): "Passo adiante alega o Recorrente que teria revendido um imóvel que fora anteriormente adquirido cm hasta pública. Ocorre que, segundo é por ele afirmado, tal imóvel teria sido revendido para as empresas Action Service e Arrow, justamente as empresas originariamente detentoras do imóvel, o qual foi levado A hasta pública para pagamento de divida c arrematado pelo Recorrente. Em análise a documentação carreada em processo, todavia, não logrou êxito o Recorrente em demonstrar tal operação, tampouco conseguiu demonstrar que efetivamente recebeu os valores por ele mencionados e que teriam sido pagos pelas mencionadas empresas, razão pela qual podemos afirmar que também no comprovou o suposto recebimento de quantia decorrente da venda de seu imóvel para a Action Service e para a Arrow." (destaques não constam do voto vencedor) Novamente peca a Recorrente pela falta de comprovação do alegado. Nem se fale sobre o pedido de cópias de cheques anexado (fls 544) ao Recurso em razão de sua total inaptidão para comprovação do pagamento que se disse ocorrido. Enfim, como bem concluiu o ínsigne Relator do voto vencedor do Acórdão da 1ª TE, não pode a Recorrente comprovar suas alegações, devendo prevalecer o lançamento tributário em face do acréscimo patrimonial sem comprovação ocorrido. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Quanto à multa qualificada, insta ressaltar que a mesma já foi afastada pela decisão de piso, consoante se observa na transcrição de trecho do voto vencedor do Acórdão da 4ª Turma da DRJ (fls. 530), o que dispensa a análise da questão por este Colegiado: "Entendemos que o contribuinte não comprova o recebimento dos valores, origem dos recursos, pelo exame dos documentos existentes. Embora não comprovadas as origens alegadas, no nosso entendimento, por outro lado, também não se visualiza o evidente intuito de fraude pelo contribuinte. A caracterização da fraude deve ser feita de maneira inequívoca. Assim, a qualificação da multa de oficio não procede." (negritos nossos) Por fim, necessário recordar que, ao afastar a qualificação da multa aplicada pela Autoridade Fiscal, a decisão de 1ª instância restabelece o percentual de 75%, consoante os preceitos constantes da Lei nº 9.430/96. Despiciendo mencionar que as penas aplicáveis pelo Estado sancionador, quanto mais em Estado Democrático de Direito a ainda com mais ênfase no Direito Tributário, decorrem da lei, e somente nela possuem fundamento. Nesse sentido, se refuta os argumentos e pedido da Recorrente quanto ao percentual da multa aplicável. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito, negarlhe provimento, mantendo, portando, a decisão da DRJ POA quanto à inaplicabilidade da multa qualificada e reconhecimento da decadência do lançamento quanto ao ano calendário 2001. Cientifiquese a Recorrente da presente decisão, assegurandolhes o prazo de quinze dias para que querendo, apresente recurso especial. Posteriormente, retornem os autos ao CARF para exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo devedor principal. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 600DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 18050.000098/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-002.957
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.000098/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.957 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS DO ESTADO DA BAHIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 00 98 /2 00 9- 11 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 18050.000098/200911 Acórdão n.º 2201002.957 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 15028.786 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração, DEBCAD nº 37.183.7030 lavrado em 02/01/2009, para constituição do crédito tributário relativo à contribuição social previdenciária a cargo da Federação das Associações Comerciais do Estado da Bahia., referente à parte patronal, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal emitida por cooperativas de trabalho, em razão de serviços prestados à empresa pelos cooperados, como previsto no art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.876, de 1999, combinado com o disposto no inciso III, do art. 201 do Decreto nº 3.048, de 1999. A contribuição lançada referese ao período de 01/01/2005 a 31/12/2005, com consolidação em 02/01/2009, no valor atualizado de R$ 108.314,58 (cento e oito mil trezentos e quatorze reais e cinqüenta e oito centavos), acrescido de juros e multa. O crédito foi apurado através do levantamento COP – Notas Fiscais de Cooperativa, mediante aplicação da alíquota de 15% incidente sobre o valor bruto das Notas Fiscais de Prestação de Serviços. O Relatório Fiscal informa que nas GFIP de 01/2005 a 12/2005 não foram declaradas as bases de incidência, bem como as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho. A autuada foi notificada em 02/01/2009 e apresentou defesa em 05/02/2009, alegando em síntese: Não reconhece o débito que lhe foi imputado, uma vez que o valor que serviu para base de cálculo não lhe pertencia, não integrava a sua receita, pois tais valores pertenciam ao SEBRAE e a Contestante servia apenas de instrumento de repasse de tais valores. Diz que o valor a ser arbitrado a título de multa deve levar em consideração as circunstâncias atenuantes ou agravantes aplicáveis ao caso. Diz que não praticou a infração apontada no auto que se contesta. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Pede a juntada dos documentos a seguir relacionados, e protesta pela juntada de novos documentos, no prazo de quinze dias. Pede que seja arquivado o Auto de Infração, uma vez que não houve a violação ali descrita. Requer ainda, em caso hipotético de aplicação de multa, que esta seja arbitrada em valor igual ao mínimo disposto legislação em vigor. Anexa: Cópia de Execução Trabalhista, tendo como exeqüente Ananias do Nascimento e como executada o Banco do Brasil S.A; Ata de Assembléia Geral Ordinária; Contrato de Prestação de Serviços Profissionais entre a Federação das Associações Comerciais do Estados da Bahia FACEB e a Cooperativa Nacional de Auditores e Consultores –CONASC; Convênio de Cooperação Técnica e Financeira, que, entre si celebram, de um lado, o Serviço de Apoio Às Micro e Pequenas Empresas do Estado Da Bahia SEBRAE/ BA. e, do outro, a Federação das Associações Comerciais da Bahia – FACEB; Procuração, Estatuto da FACEB Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Ausência de prejuízo aos cofres públicos. · Impossibilidade de incidência da contribuição. · Apresenta jurisprudência. · Princípio da vedação ao confisco. · Princípios da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 18050.000098/200911 Acórdão n.º 2201002.957 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme Relatório Fiscal, o Auto de Infração foi lavrado pela falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho para a recorrente. Para as cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma empresa de consultoria questiona a tributação. A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados. No entendimento do Tribunal, ao transferir o Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 recolhimento da cooperativa para o prestador de serviço, a União extrapolou as regras constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social. Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 18050.000098/200911 Acórdão n.º 2201002.957 S2C2T1 Fl. 5 7 Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 15540.720228/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALHA NA REPRESENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. VÍCIO FORMAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A ausência de vício na representação do contribuinte que levou ao não conhecimento da impugnação do contribuinte é caso de anulação da decisão de primeira instância por vício formal.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-004.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em anular a decisão de primeira instância ante a validade da procuração acostada aos autos quando da impugnação. Vencida na votação a conselheira relatora. Redigirá o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente e Relatora
Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo Da Costa E Silva, Carlos Henrique De Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALHA NA REPRESENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. VÍCIO FORMAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A ausência de vício na representação do contribuinte que levou ao não conhecimento da impugnação do contribuinte é caso de anulação da decisão de primeira instância por vício formal. Decisão Recorrida Nula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALHA NA REPRESENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. VÍCIO FORMAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A ausência de vício na representação do contribuinte que levou ao não conhecimento da impugnação do contribuinte é caso de anulação da decisão de primeira instância por vício formal. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 28 /2 01 1- 41 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em anular a decisão de primeira instância ante a validade da procuração acostada aos autos quando da impugnação. Vencida na votação a conselheira relatora. Redigirá o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo Da Costa E Silva, Carlos Henrique De Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15540.720228/201141 Acórdão n.º 2401004.039 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 15/01/2014, em face do Acórdão 1046.702 1ª Turma da DRJ/POA, que não conheceu a impugnação do contribuinte tendo em vista falha na representação processual. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL IRREGULAR. Falhas na representação processual do sujeito passivo impedem o conhecimento da impugnação. O contribuinte aduz as seguintes razões: Primeiramente reconhece que, devido à falha humana, a sócia Maria Manoelina Fazolato Vieira deveria ter assinado a procuração a ser encaminhada à RFB. Contudo, o erro ocorreu porque o sócio Fernando Vieira do Nascimento, sócio administrador, é o responsável perante o CNPJ desde a abertura da empresa. Argumenta que a decisão fora muito rígida para com o contribuinte que, de forma célere, teria solucionado grande parte dos débitos através de REDARF´s já anexados ao processo e que o outorgado, sr. Elcimar Fernandes da Silva, é o responsável perante a Receita Federal. Afirma que os recolhimentos informados na intimação 165 de 06/12/2013 foram devidamente recolhidos, contudo, em parte deles teria havido erro de preenchimento no campo 03, que incluiu os CPF´s dos funcionários, quando o correto teria sido terem sido preenchidos com o CNPJ da empresa. Informa que foi feito REDARF´s para correção dos débitos com as devidas multas e juros, conforme a seguir. R$ 3.452,45 referente ao período de apuração de 31/01/2007 a 31/12/2007, sendo R$ 2.48900 pagos no vencimento e corrigidos em REDARF´s. R$ 605,23 referentes a valores originais pagos posteriormente ao auto de infração e R$ 358,22 referentes a 20% de multa (R$ 121,05) e juros da taxa SELIC (R$ 237,17) R$ 7.342,26 referente ao período de apuração compreendido de 31/01/2008 a 31/12/2008, sendo R$ 6.246,98 pagos no vencimento e corrigidos, e R$ 754,28 referentes a valores pagos posteriormente ao auto de infração e R$ 341,00 referentes a 20% de multa (R$ 150,86) e juros da taxa SELIC (R$ 190,14). R$ 6.752,65 referente ao período de apuração compreendido entre 31/01/2009 e 31/12/2009, sendo R$ 4.993,04 pagos no vencimento e corrigidos em REDARF´s, R$ 1.299,54 referente a valores originais pagos posteriormente ao auto deinfração e R$ 496,23 referentes a 20% de multa (R$ 259,91) e juros da taxa SELIC (R$ 236,32). Fl. 634DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 4 Ressalta que recolheu os impostos em questão e alguns em duplicidade. Entende que não houve qualquer prejuízo aos cofres públicos, pois os recolhimentos foram realizados, apenas com a identificação incorreta, e o restante foi recolhido através de DARF´s. Teria tomado as providências para sanar o erro material cometido nos recolhimentos de IRRF após a intimação em 21/06/2011. O auto de infração fora lavrado em 13/07/2011. A demora para efetuar o recolhimento de alguns dos valores em atraso objeto do auto de infração decorreu na demora do sistema de agendamentos da Receita Federal. É o relatório. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15540.720228/201141 Acórdão n.º 2401004.039 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O contribuinte apresentou recurso tendo em vista a decisão terminativa proferida no Acórdão 1046.702 1a. Turma DRJ/POA que não conheceu da impugnação apresentada por falhas na representação processual. Muito embora as argumentações do contribuinte, há que se considerar que após 3 (três) intimações para que corrigisse a falha na representação, nenhuma ação foi tomada por parte do mesmo. Desta forma, não assiste razão ao contribuinte quando da argumentação da rigidez da decisão de primeira instância. Considero que a decisão da DRJ, de não conhecimento da impugnação, é terminativa no que tange a este processo administrativo fiscal. O não conhecimento da impugnação significa que não fora nem analisada em primeira instância e, portanto, não comporta interposição de recurso voluntário a este Conselho. Dado o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 636DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira – Relator Designado Em que pese o costumeiro acerto e a lógica jurídica presentes nos votos da Conselheira Relatora, ouso, com o máximo respeito e pedido de desculpas, discordar. Como bem relatado, tratase de auto de infração lavrado por infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, por falta de retenção de valores pagos à título de rendimentos do trabalho assalariado. Impugnado o lançamento, a unidade da RFB competente verificou a existência de falha na representação do Contribuinte. Mesmo intimado, não houve o saneamento do vício identificado. Por tal motivo a impugnação não foi conhecida pela 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS). Vejamos os principais trechos da decisão: "A última consolidação dos atos sociais da interessada existente no processo revela que a entidade é constituída por apenas dois sócios: Fernando Vieira do Nascimento e Maria Manoelina Fazolato Vieira (fls. 30/32). A cláusula 8ª do contrato social assim dispõe sobre os poderes de administração e a possibilidade de constituir procurador: CLÁUSULA 8ª ADMINISTRAÇÃO A administração da sociedade será exercida por Fernando Vieira do Nascimento, descrito no preâmbulo deste contrato, e a ele caberá a responsabilidade ou representação ativa e passiva da sociedade, judicial e extrajudicialmente, podendo praticar todos os atos compreendidos no objeto social, sempre no interesse da sociedade, ficando vedado, entretanto, o uso da denominação social em negócios estranhos aos fins sociais. Parágrafo único. A sociedade poderá constituir como procurador, pessoa estranha ao quadro societário, restringindose os atos do outorgado no que constar expressamente no instrumento de mandato, obedecendose ao disposto no parágrafo 1º desta cláusula no que se refere à obrigatoriedade da procuração ser subscrita por ambas as sócios. (Sublinhei.) O mandato conferido ao signatário da impugnação foi firmado por apenas um dos sócios, o qual não detinha poderes suficientes para constituir – isoladamente – o procurador. Em atenção ao art. 39 da Lei 9.784/99, a interessada foi intimada (e foi realizada tentativa de intimar os sócios) para sanar a irregularidade; no entanto, a falha não foi suprida. A irregularidade na representação importa inadmissibilidade da petição." (Negritos são nossos. O sublinhado consta da decisão 'a quo') Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15540.720228/201141 Acórdão n.º 2401004.039 S2C4T1 Fl. 5 7 Observase que a decisão de primeiro grau, de grande apreço formalístico, verificou falha na representação do Contribuinte, ali impugnante, uma vez que a peça processual estava assinada por procurador constituído por instrumento de mandato no qual constava somente a assinatura do sóciogerente. Ao buscar no Contrato Social o modo pela qual a sociedade se faz representar, encontrou a disposição que a representação por terceiro estranho ao contrato social deveria ser instituída por ambos os sócios. Não me parece a melhor exegese para a questão. Explico. Como acima transcrito, o ato constitutivo da sociedade empresarial, é explícito em outorgar a administração da sociedade unicamente ao sócio outorgante da procuração, com amplos poderes e com a única, exclusiva, vedação do uso da denominação social em negócios estranhos aos fins da sociedade. Claro, portanto, que é o sócio outorgante da procuração o único com poderes de gestão da sociedade, nada restando a outra sócia. Porém, há uma disposição específica no acordo de vontades que rege a sociedade sobre a outorga de procuração. Com o perdão da repetição, abaixo reproduzimos: "CLÁUSULA 8ª ADMINISTRAÇÃO A administração da sociedade será exercida por Fernando Vieira do Nascimento, descrito no preâmbulo deste contrato, e a ele caberá a responsabilidade ou representação ativa e passiva da sociedade, judicial e extrajudicialmente, podendo praticar todos os atos compreendidos no objeto social, sempre no interesse da sociedade, ficando vedado, entretanto, o uso da denominação social em negócios estranhos aos fins sociais. Parágrafo único. A sociedade poderá constituir como procurador, pessoa estranha ao quadro societário, restringindose os atos do outorgado no que constar expressamente no instrumento de mandato, obedecendose ao disposto no parágrafo 1º desta cláusula no que se refere à obrigatoriedade da procuração ser subscrita por ambas as sócios." (destaques nossos) Aqui o ponto fulcral. Há claro, nítido, patente erro na redação da parágrafo que trata da representação da sociedade por terceiros. Como se pode inferir da leitura atenta do parágrafo único da Cláusula 8ª do Contrato Social acima transcrito, há expressa permissão para constituição de procurador estranho à Sociedade, porém com poderes limitados aos constantes do mandato. Essa é a dicção exata da primeira parte do parágrafo em exame. Na segunda parte do mesmo surte o erro apontado. Iniciase a frase com a seguinte determinação: "(...) obedecendose ao disposto no parágrafo 1º desta cláusula (...)". E prossegue a malfadada redação: "no que se refere à obrigatoriedade da procuração ser subscrita por ambas as sócios.". Ora, não existe, simplesmente não há, parágrafo 1º na cláusula 8º. Ou seja, a obrigatoriedade da procuração ser assinada pelos dois sócios não foi descumprida ou era cabível, ou ao menos, não pode ser exigida para todos os casos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 8 Logo não há como se obedecer o que não existe, portanto não se deve restringir um direito do contribuinte em se fazer representar por quem entende como apto, quando não há o que se obedecer. Importa aqui realçar que, o Procurador constituído é o contador da empresa, testemunha do contrato social, o responsável pelo atendimento da Fiscalização (ver, por exemplo, folhas 152), e aquele que representou o contribuinte não só durante a fiscalização como também em todo o consequente processo administrativo tributário (folhas 159, 524, 525). Em seu recurso voluntário, a Recorrente admite o erro quanto a representação, alega pagamento parcial e correção dos erros apontados na Fiscalização. Mister realçar que tais argumentos constavam da impugnação. Importante mencionar que o vício na Procuração foi sanado, tendo sido nomeado procurador, por ambos os sócios, o mesmo representante. Cleide Previtalli Cais (O Processo Tributário, 7ª ed., Ed. RT, pg. 238), comentando os princípios, esculpidos na Lei nº 9.784/99, que norteiam o processo administrativo ao abordar o princípio da finalidade, assevera: "O princípio da finalidade, mencionado no artigo 2º da Lei nº 9.784/99, tem por objetivo controlar os atos dos agentes e servidores da Administração e dos administrados, compondo o conflito dos interesses público e privado, logrando, com a adequada celeridade, extinguir litígios entre as partes, no caso o Fisco e o contribuinte" (destacamos) No caso, não se observa nenhum motivo para o formalismo constante da decisão de primeira instância. Não há nenhum prejuízo ao Contribuinte, tampouco ao Fisco na falha da representação. Ao reverso, o que se observa, a manterse a decisão 'a quo' é a preterição ao direito de defesa, vez que não se analisou os argumentos e provas trazidas aos autos, tempestivamente, pelo Contribuinte. Verificase, portanto, ofensa ao artigo 2, parágrafo único da Lei nº 9.784/99, que preceitua em seus incisos VI e VIII a X: "Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: ... VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; ... VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15540.720228/201141 Acórdão n.º 2401004.039 S2C4T1 Fl. 6 9 IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)" (destaques nossos) Mister realçar que, por questões formais controvertidas, deixar de analisar os argumentos do contribuinte e as provas constantes ao autos é nítido caso de preterição do direito de defesa, que segundo o artigo 59 inciso II do Decreto nº 70235/72, macula de nulidade a decisão de primeira instância. Do exposto e com o fito de resguardar o direito de crédito, voto por anular a decisão de primeira instância, por vício formal, determinando o retorno dos autos à origem para que seja proferida nova decisão. Carlos Henrique de Oliveira Fl. 640DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA
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Numero do processo: 11065.100831/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso.
Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 31 /2 00 9- 99 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100831/200999 Acórdão n.º 3301002.860 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 8.199,94, referente a novembro de 2011, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100831/200999 Acórdão n.º 3301002.860 S3C3T1 Fl. 12 3 INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100831/200999 Acórdão n.º 3301002.860 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100831/200999 Acórdão n.º 3301002.860 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 13558.720343/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
OPÇÃO. VEDAÇÃO.
Na falta de regularização da situação que gerou o indeferimento até 31 de janeiro do ano para o qual a contribuinte optou pelo ingresso no Simples Nacional, permanece a vedação expressa em lei para aquele período de apuração.
Numero da decisão: 1302-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 OPÇÃO. VEDAÇÃO. Na falta de regularização da situação que gerou o indeferimento até 31 de janeiro do ano para o qual a contribuinte optou pelo ingresso no Simples Nacional, permanece a vedação expressa em lei para aquele período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 03 43 /2 01 2- 81 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Versa o presente processo sobre o indeferimento (17/02/2012) de pedido de opção pelo Simples Nacional (26/01/2012) (fl. 65), devido à existência de débito de natureza previdenciária (DEBCAD nº 39.494.2213, no valor total de R$5.520,85), incluído em Dívida Ativa da União, em 19/12/2010, conforme informativo de sistema da RFB, fl. 66. A recorrente impugnou o referido indeferimento, em que na tentativa de explicar o motivo pelo qual só efetuou o pagamento desse débito, após 31/01/2012, apresentou os seguintes fatos e fundamentos em sua impugnação: "O que ocorreu foi um erro do sistema, pois quando estivemos na RFB no mês de janeiro de 2012 para que fossem levantados todos os débitos para podermos efetuar o pagamento, o atendente não nos deu conhecimento deste débito, pois o mesmo afirmou que este não existia. Depois de várias tentativas sem êxito, foi que no mês de maio de 2012, um determinado atendente, descobriu que realmente existia este débito o que foi quitado de imediato, como pode ser visto na GPS em anexo." Com esses esclarecimentos, a recorrente, requereu a reconsideração da referida decisão que indeferiu seu pedido de opção pelo Simples Nacional. Registrou que houve dificuldade por parte da RFB para verificar em sistema a existência do débito, cujo pagamento, em virtude disso, ocorreu somente em 31/05/2012. À vista da impugnação, a DRF proferiu a seguinte decisão: Despacho SARAC DRF/ITA n° 0720/2012 O interessado acima identificado protocolou impugnação, em 24/02/2012, contra o Indeferimento de sua solicitação para opção no SIMPLES NACIONAL de 2012, enviada via Portal em 26/01/2012. Conforme o Termo de Indeferimento emitido pela RFB e registrado em 17/02/2012, o interessado poderia impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no prazo de 30 dias contados da data em que for feita a intimação deste documento. Considerase feita a intimação 15 dias contados da data do registro do Termo de Indeferimento. O contribuinte alega que teria efetuado os pagamentos dos débitos motivadores do indeferimento, até 31/01/2012. Segue em anexo, a comprovação do pagamento, efetuado em 27/01/2012, do débito previdenciário da competência 08/2011. Quanto ao débito n° 39.494.2213, não foi localizado nenhum pagamento nem parcelamento para o mesmo. Diante do exposto, não tendo ocorrido erro de fato no indeferimento e, tendo em vista a tempestividade da impugnação, proponho o envio do presente processo para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de salvadorBA, conforme disposto nos arts. 5°,15°,17° e 23° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Em sequência, os autos foram enviados à DRJ, que proferiu o seguinte acórdão: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13558.720343/201281 Acórdão n.º 1302001.872 S1C3T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 OPÇÃO. VEDAÇÃO. Na falta de regularização da situação que gerou o indeferimento até 31 de janeiro do ano para o qual a contribuinte optou pelo ingresso no SN, permanece a vedação expressa em lei para aquele período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Acórdão Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Relatório Trata o processo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional, a partir de 01/01/2012, motivado pela existência de débito com a RFB, cuja exigibilidade não se encontra suspensa. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde, em resumo, alega que todos os débitos foram quitados. Voto A manifestação de inconformidade atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. Discutese a opção pelo SN para o anocalendário 2012. A contribuinte argumenta que teria regularizado sua situação. Constatase, com base nos documentos anexados ao processo de fls. 67/68, que foi quitado, antes de 31/01/2012, o débito detalhado no TI, CNPJ 07.709.480/000294, na situação Lista de competências (PA 08/2011 Valor Original R$ 1.347,45). Por outro lado, não foi pago ou parcelado o débito detalhado na Lista de débitos, CNPJ 07.709.480/000103, Débito n° 39.494.2213, que se encontra inscrito em dívida ativa, conforme tela de fls 66 e telas do sistema Plenus de fls. 71/72. Portanto, não houve regularização do Débito n° 39.494.2213, constante do Termo de Indeferimento em nome da matriz, até 31/01/2012 e nem mesmo até a presente data, devendo persistir o indeferimento da opção para o ano calendário 2012. Por tudo que foi exposto, deve ser considerada improcedente a manifestação de inconformidade, no tocante ao anocalendário 2012. A recorrente foi intimada do acórdão recorrido, em 02/01/2014 (fl. 77). Interpôs recurso voluntário, em 31/01/2014 (fl. 79). A recorrente está regularmente representada (fls. 81/87). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 Nas suas razões de recurso, apresentou os seguintes argumentos: I OS FATOS Referese a débito do CNPJ 07.709.480/000103, n° 394942213, que se encontra inscrito em divida ativa, conforme tela de fls. 66 e telas do sistema Plenus de fls. 71/72. II O DIREITO II.1 PRELIMINAR Tudo foi feito de acordo com o que preceitua a lei, houve a quitação do débito previdenciário que se encontrava em aberto conforme copia da GPS. II.2 MÉRITO O que ocorreu foi um erro do sistema, pois quando estivemos na RFB no mês de janeiro de 2012 para que fossem levantados todos os débitos para podermos efetuar o pagamento, o atendente não nos deu conhecimento deste débito, pois o mesmo afirmou que este não existia. Depois de várias tentativas sem êxito, foi que no mês de maio de 2012, um determinado atendente, descobriu que realmente existia este débito o que foi quitado de imediato, como pode ser visto na GPS em anexo. III A CONCLUSÃO Venho através deste requerer que seja reconsiderada a decisão do Acórdão: 48.528 – 2ª Turma da DRJ/JFA datado de 12/12/2013 processo: 13558.720343/2012M lavrado pelo Sr. ALCYR VILARDI Relator da Receita Federal do Brasil em anexo. Visto que inexiste o débito discriminado neste Termo referente CNPJ 07.709.480/000103, Débito n° 394942213, que se encontra inscrito em dívida ativa, quando o relator afirma que não foi pago até a presente data, denotase que existe dificuldade no sistema da verificação do pagamento, o que ocorreu em 31/05/2012. Analisando esta situação, se confirma as nossas assertivas da dificuldade que tivemos para obtermos as informações do aludido débito junto a RFB/Previdência, sendo a mais pura e cristalina verdade. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário e por ser tempestivo, conheço do recurso. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13558.720343/201281 Acórdão n.º 1302001.872 S1C3T2 Fl. 4 5 Tratase de indeferimento de pedido de inclusão da recorrente no Simples Nacional, em virtude do não cumprimento das exigências formais para a obtenção dos benefícios desse Programa. A opção pelo Simples Nacional, sistema instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, está regulamentada nos termos da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 004, de 30 de maio de 2007. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional fundamentouse nas disposições do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Nos termos do art. 7º, § 1º e 1ºA, da Resolução CGSN nº 4/2007, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até o último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção e que eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional poderão ser regularizadas dentro deste prazo. Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1º A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Não obstante a alegação de quitação dos débitos listados no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, constatase com base nos documentos anexados ao processo de fls. 67/68, que foi quitado, antes de 31/01/2012, o débito detalhado no TI, CNPJ 07.709.480/000294, na situação Lista de competências (PA 08/2011 – Valor Original R$ 1.347,45). No entanto, não houve pagamento, parcelamento ou outra forma de suspensão da exigibilidade em relação ao débito detalhado na Lista de débitos, até 31/01/2012, do débito nº 39.494.2213, que se encontrava inscrito em dívida ativa, conforme tela de fl. 66 e telas de sistema às fls. 71/72. As alegações de que a DRF não localizou o débito em questão, para o devido pagamento até 31/01/2012, sem a juntada de ao menos de uma tela do sistema da RFB Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 6 indicando que, até aquela data, não era possível localizar para pagamento o débito nº 39.494.2213, mesmo estando listado no relatório de pendências para a opção pelo Simples Nacional, o qual foi exibido pelo sistema da RFB e impresso pela recorrente, no momento da opção (fls. 13/16). Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito perante a Fazenda Nacional na data limite para o caso (31/01/2012), voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 20/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 12448.721167/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL.
Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário.
Numero da decisão: 2202-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 84 1 83 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.721167/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.337 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria IRPF deduções Recorrente LEILA PARREIRA RAMOS E SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 11 67 /2 01 0- 18 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721167/201018 Acórdão n.º 2202003.337 S2C2T2 Fl. 85 2 Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que descreve os fatos ocorrido até a decisão de primeira instância. Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.02/06 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2008, para cobrança do crédito tributário de R$ 18.376,55. O lançamento é decorrente da seguinte infração: * dedução indevida de despesas médicas no total de R$ 35.280,00. O enquadramento legal encontrase às fls. 03 e 06. Inconformada, a contribuinte ingressou com a impugnação de fl.07, alegando que está anexando documentação comprobatória de suas despesas e que o valor glosado a título de dedução indevida de despesas médicas referese a despesas com ela própria. Por fim, solicita prioridade na análise de seu processo, de acordo com a previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Só é de se aceitar as despesas médicas realizadas pelo contribuinte com o seu próprio tratamento e/ou com o de seus dependentes, cuja comprovação da efetividade do serviço prestado, bem como do correspondente pagamento, restou demonstrado nos autos, por documentos hábeis e idôneos, nos termos da legislação de regência. Cientificado dessa decisão em 26/05/2014, por via postal (A.R. de fl. 74), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/06/2014 (fls. 77 a 79), no qual repisa os argumentos da impugnação e anexa as declarações dos profissionais emitentes dos recibos, com a indicação dos respectivos endereços. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721167/201018 Acórdão n.º 2202003.337 S2C2T2 Fl. 86 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O presente recurso resumese à controvérsia acerca das deduções de despesas médicas sujeitas à comprovação por parte da contribuinte. A decisão sobre a dedutibilidade ou não das despesas médicas merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo Fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaquei) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721167/201018 Acórdão n.º 2202003.337 S2C2T2 Fl. 87 4 A autuação deuse em virtude de os recibos apresentados pela Contribuinte não se revestirem das formalidades exigidas e/ou falta de identificação do beneficiário do serviço prestado, em relação aos seguintes profissionais: a) Ricardo Braga; b) Glacy de Paiva Portela, conforme notificação de lançamento (fl. 3). O julgamento da DRJ adotou como fundamento para a manutenção do lançamento a falta de endereço dos profissionais que assinaram os recibos, não tendo sido levantada qualquer dúvida sobre a realização do serviço ou sobre o pagamento. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. No presente caso, os emitentes dos recibos forneceram declaração indicando o endereço dos seus consultórios e essas declarações foram apresentadas juntamente com o recurso voluntário (fls. 78 e 79), suprindo, assim, o único óbice objetivamente apontado pelo acórdão recorrido, o que implica o restabelecimento da dedução de R$ 35.280,00. Nesse sentido temos as seguintes decisões deste Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. DECLARAÇÃO. Quando a fiscalização glosa as despesas médicas unicamente porque os recibos não apresentam todos os requisitos exigidos pela lei, identificação do paciente e endereço do emitente, documentação apresentada pelo contribuinte, na forma de declaração do médico responsável pela emissão dos recibos, na qual se identifica todos os elementos necessários, é suficiente para afastar a glosa. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801002.920, de 20/02/2013, Rel. Carlos Cesar Quadros Pierre) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 [...] IRPF. DESPESA MÉDICA. RECIBOS. FALTA DE ENDEREÇO. COMPROVAÇÃO DO ENDEREÇO PROFISSIONAL DA EMITENTE DOS RECIBOS POR OUTRO DOCUMENTO HÁBIL E IDÔNEO. REQUISITO LEGAL SUPRIDO. Restando como obstáculo à dedução exclusivamente a falta de indicação do endereço no recibo fornecido pela odontóloga, Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721167/201018 Acórdão n.º 2202003.337 S2C2T2 Fl. 88 5 deve ser restabelecida a dedução quando o recorrente comprova com documentação hábil e idônea o endereço da emitente, ainda que por outro documento que não o recibo emitido pela profissional. (Acórdão nº 2802003.240, e 05/11/2014, Rel. Ronnie Soares Anderson. Redator designado: Jorge Cláudio Duarte Cardoso) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. DESPESAS COM FISIOTERAPEUTA. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado no acórdão de primeira instância é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário. (Acórdão nº 2802003.270, de 03/12/2014, Rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10580.020816/99-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento..
Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Joel Miyazaki, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator vencido
Maria Teresa Martínez López - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento.. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas e Joel Miyazaki, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator vencido Maria Teresa Martínez López Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 02 08 16 /9 9- 89 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria Fazenda Nacional contra o acórdão nº 320100.183, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao recurso da contribuinte para considerar ocorrida a homologação tácita do Finsocial. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO . HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, onde alega que o sujeito passivo teria trazido a questão da homologação tácita apenas em sede recurso voluntário, e que, portanto, a matéria estaria preclusa. Insurgiuse ainda, a PGFN, contra a homologação tácita aplicada pelo Colegiado recorrido, por entender que o prazo de cinco anos para a homologação da compensação, conforme disposto no art. 74, § 5o da Lei n° 9.430/96, com à redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, somente se aplicaria a partir de 30/10/2003. O recurso especial foi admitido, apenas no tocante à questão da homologação tácita, conforme despacho de fls. 519 a 523, confirmado pelo despacho de reexame de fls. 524. Contrarrazões vieram às fls. 539 a 543. É o relatório. Voto Vencido Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 10580.020816/9989 Acórdão n.º 9303003.358 CSRFT3 Fl. 565 3 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O recurso é tempestivo e, no tocante à questão da homologação tácita, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo ser admitido nessa parte. A teor do relatado, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão decidir se as compensação realizadas pelo sujeito passivo, à data da decisão da autoridade preparadora, encontravamse homologadas tacitamente. O colegiado recorrido entendeu que, na data em que fora prolatado o despacho decisório já se havia exaurido o prazo da homologação previsto no § 5º do art. 74 da lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003. O Regime jurídico das compensações relativas a tributos administrados pela Receita Federal é regido pelo Art. 74 da Lei 9.430/1996 e suas alterações, dentre essas, ganha destaque a introduzida pelo art. 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, resultado da conversão em Lei da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002. A grande alteração trazida por essa MP foi a que previu que a declaração de compensação extinguiria, antecipadamente, o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação1. Outra mudança que merece ser citada foi a do 2§ 4 desse mesmo artigo, que transformou os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em declarações de compensação, desde o seu protocolo. Posteriormente, o art. 17 da Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, introduziu novas alterações no art. 74 da Lei 9.430/1996, dentre as quais destacase o §3 5°, que fixa prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para a homologação da compensação declarada. Diante desse quadro de alterações na legislação, a pergunta a ser feita é: essas mudanças na legislação de regência, alcança os pedidos de compensação protocolados sob o auspícios da legislação anterior? No caso da transformação de pedidos de compensação em declaração de compensação, dúvida não há, pois a Lei expressamente faz essa transformação. Todavia, efetuadas anteriormente partir de quando. Todavia, no tocante à criação do prazo de homologação, essa alteração alcança apenas as compensações efetuadas a partir da vigência do dispositivo legal que introduziu tal prazo no ordenamento jurídico, ou seja, a partir de 30 de outubro de 2003, data em que foi editada a Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinado, tampouco há dificuldade de entender os efeitos da 1 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 2 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 3 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 566DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 4 lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, há alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária, faria com o processo por uma única lei, a nova ou a velha, mas como, em 4regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, o processo seria constituído de fases (postulatória, instrutória e de julgamento) autônomas, cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais, segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados, e passa a disciplinar os demais a partir de sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Na linha desse raciocínio, temse que, se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. Não se pode olvidar ainda, alguns Princípios norteadores do sistema processual brasileiro, o Princípio da Imediatividade, o Princípio da Irretroatividade da Norma Processual, e o Princípio do Tempus Regit Actum. Pelo primeiro, entendese que, uma vez vigente, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros a partir de então, como previsto no 5art. 1.211 do CPC, já pelo segundo, o da irretroatividade da lei processual, temse a impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o abrigo da lei antiga, por força do primado constitucional da defesa do direito adquirido e da proteção aos efeitos do ato jurídico perfeito, e, finalmente, pelo terceiro, que nada mais é do que a síntese dos dois primeiros, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Sob esse prisma, a lei em vigor na data da protocolização do pedido de compensação, ou da entrega da declaração de compensação, rege todo o processo. Hoje, encontrase apascentado, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o curso normal do processo e, uma vez inserida norma processual nova no ordenamento jurídico, em relação a 4 Regra geral, a lei produz efeitos para frentes, à exceção da lei penal mais benéfica e da que for meramente interpretativa. 5 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes Fl. 567DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 10580.020816/9989 Acórdão n.º 9303003.358 CSRFT3 Fl. 566 5 processos pendente, essa novel legislação regerá apenas os atos que ainda deverão ser praticados. Esse isolamento dos atos processuais garante que a lei nova não alcançará os efeitos produzidos por atos já realizados até aquela fase do processo, por ato préexistente à nova lei. É por demais óbvio que, para os processos iniciados após a vigência da norma nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início, serão regido por essa nova legislação. Sobre o tema, Galeno Lacerda6, ensina que a lei nova "não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é, não pode ferir os respectivos direitos processuais adquiridos. O princípio constitucional de amparo a esses direitos possui, aqui, também, plena e integral vigência". Cândido Dinamarco Rangel7, um dos maiores expoente da Teoria Geral do Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações seguintes: quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; quando retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; quando haja redução da possibilidade de ampla defesa, quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes; De outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, traz, numerus clausus, as situações em que a lei tem efeitos pretéritos, quais sejam: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A situação tratada nos autos não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas no artigo transcrito linhas acima, o que leva à conclusão inexorável que a alteração 6 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13. 7 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. I. 5ª. ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2005, pág 120 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 6 legislativa que introduziu o prazo de homologação tácita da compensação tributária não retroage para alcançar os pedidos efetuados anteriormente à vigência dos dispositivos veiculadores desse prazo. Por último, registro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre a lei aplicável à compensação. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. 1. Inexiste contradição em acórdão que lança premissas harmônicas com as conclusões adotadas. 2. A jurisprudência atual da 1ª Seção é no sentido de que a compensação tributária há de regerse pela lei vigente no momento em que o contribuinte a aciona. 3. No caso, a compensação estava vinculada aos ditames da Lei nº 9430 de 1996, que exigia requerimento prévio ao órgão arrecadador. 4. Embargos rejeitados. (EDcl no AgRg no REsp 701865 / MG EMBARGOS DE : DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/01596046,Rel Ministro JOSÉ DELGADO DJ 22/05/2006 p. 152). Diante do exposto, a conclusão inexorável é a de que a homologação tácita, por decurso de prazo, introduzida no ordenamento jurídico das compensações, somente, alcança as declarações apresentadas a partir da vigência do § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, introduzido pela MP 135/, de 30 de outubro de 2003. De outro lado, os pedidos de compensação sob exame foram protocolados em 22/08/2000, 15/09/2000 e 18/10/2000, portanto anteriores à vigência do § 5º mencionado linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a homologação tácita das compensações sob exame, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que examine as demais questões acerca dessas compensações. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 569DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 10580.020816/9989 Acórdão n.º 9303003.358 CSRFT3 Fl. 567 7 Voto Vencedor Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Ouso divergir do ilustre Conselheiro. A questão central da lide diz respeito ao reconhecimento da homologação tácita para pedidos de compensação apresentados antes de 30/10/2003, data da Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833/2003. No presente caso, os pedidos de compensação sob exame foram protocolados em 22/08/2000, 15/09/2000 e 18/10/2000, portanto anteriores à vigência da Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833/2003. Como se sabe, o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN, arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as suas condições e garantias. Retornando ao passado, em breve relato, verificase que como forma de operacionalização do instituto da compensação, em nível federal, por meio da Lei nº 8.383/91, art. 66, passouse a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Outrossim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Por sua vez, posteriormente, através da promulgação da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1997, deuse a inauguração de um novo regime jurídico compensatório que caminhava paralelamente àquele consagrado pela Lei nº 8.383/91. Na sequencia, o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, altera a redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e acrescenta os parágrafos 1º a 5º, nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizá lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos remanescentes. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 570DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 8 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (grifamos) § 5º A SRF disciplinará o disposto neste artigo. Com essa alteração foi instituída a Declaração de Compensação (DCOMP), procedida pelo próprio contribuinte e tendo o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente (§§ 1º e 2º). O § 4º, acima transcrito, atribui aos “Pedidos de Compensação” pendentes de apreciação pela autoridade administrativa a nova disciplina aplicável à “Declaração de Compensação”, desde o seu protocolo. A Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, alterou o § 5º e acrescentou ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os §§ 6º ao 12, sendo relevante a transcrição do § 5º, in verbis: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Como visto, os “Pedidos de Compensação” pendentes de apreciação pela autoridade administrativa passaram a ser tratados como “Declaração de Compensação”, com efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente, no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. A própria administração pública reconhece o direito à homologação da compensação nesses casos. Vejase entendimento expresso da COSIT sobre o tema: Parecer COSIT na SCI nº 1, de 04/01/2006: EMENTA: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado Fl. 571DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 10580.020816/9989 Acórdão n.º 9303003.358 CSRFT3 Fl. 568 9 da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “crédito prêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Na hipótese de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, após reconhecer a homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. Quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação tacitamente homologada, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal deverá promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi objeto de pedido de restituição, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de compensação convertido em declaração de compensação não for integralmente reconhecido. A DRJ, ao apreciar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como o exato valor do débito compensado. O manual de controle do crédito tributário da Divisão de Administração do Crédito Tributário da Pessoa Jurídica – DIPEJ/CORAT assim dispõe acerca do assunto: a) o prazo para a homologação de compensação requerida à SRF tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação; b) será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da SRF, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do Fl. 572DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 10 protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito; c) mesmo que o crédito informado seja inferior ao total dos débitos relacionados no pedido de compensação convertido em declaração de compensação, haverá a homologação tácita das compensações efetuadas (extinção definitiva dos débitos compensados) após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos para a homologação expressa, haja vista que a homologação tácita da compensação decorre exclusivamente do decurso do referido prazo, independentemente da procedência e do montante do crédito. d) não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “crédito prêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF; e) os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da SRF; f) na hipótese de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, a autoridade competente da SRF, após reconhecer a homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União; g) quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação tacitamente homologada, a autoridade competente da SRF deverá promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi objeto de pedido de restituição, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito; h) ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da SRF, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de compensação convertido em declaração de compensação não for integralmente reconhecido pela autoridade competente da SRF; e i) a DRJ, ao apreciar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como o exato valor do débito compensado.” Assim, entendo não assistir razão ao recorrente, pois a ciência do despacho decisório ocorreu após o transcurso do prazo de cinco anos estabelecido no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, conforme as alterações promovidas pela Lei nº 10.833/03. CONCLUSÃO: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 10580.020816/9989 Acórdão n.º 9303003.358 CSRFT3 Fl. 569 11 Diante do quadro acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Maria Teresa Martínez López Fl. 574DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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