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Numero do processo: 13654.000791/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pela embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, sem qualquer efeito modificativo a decisão recorrida.
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO.
A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. Inteligência da Súmula no 1 do CARF.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO/OMISSÃO DISPOSITIVOS DA LEGISLAÇÃO. NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de contradição ou de omissão na análise dos dispositivos da legislação (art. 126, par. 3o, da Lei 8.213/1991, art. 38 da Lei 6.830/1980) no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, somente para a apreciação e integração da questão de concomitância de instâncias, em razão de ser matéria de ordem pública, e rejeitar a contradição apontada pela embargante.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pela embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, sem qualquer efeito modificativo a decisão recorrida. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO. A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. Inteligência da Súmula no 1 do CARF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO/OMISSÃO DISPOSITIVOS DA LEGISLAÇÃO. NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de contradição ou de omissão na análise dos dispositivos da legislação (art. 126, par. 3o, da Lei 8.213/1991, art. 38 da Lei 6.830/1980) no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 07 91 /2 00 9- 71 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, somente para a apreciação e integração da questão de concomitância de instâncias, em razão de ser matéria de ordem pública, e rejeitar a contradição apontada pela embargante. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.956 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 2402004.742 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na sua ementa o seguinte: “[...] Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 Ementa: CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido omissão e contradição nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, já que o seu conteúdo não se manifestou sobre o fato da lide estar sub judice, nos seguintes termos: “[...] 2. O Relatório Fiscal (fls. 17/20) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos, verbis: ‘[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receitabruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, aEntidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso II doart. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]’ 3. Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeirae segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. 4. Neste contexto, o v. acórdão de 1a instância considerou PROCEDENTE EM SUA TOTALIDADE o lançamento. 5. Assim, o INSTITUTO PRESBITERIANO GAMMON interpôs Recurso Voluntário, o qual foi PROVIDO, por unanimidade, pelo v. acórdão exarado pela Colenda 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.956 S2C4T2 Fl. 4 5 Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa assim dispôs, ipsis litteris: (...) 6. Como se vê, o v. acórdão ora recorrido assentou o entendimento de que a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio ato cancelatório de isenção, consoante estabelece a legislação de regência. 7. Daí, surge a OMISSÃO do v. acórdão, eis que esta matéria encontravase PREJUDICADA, já que OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL, conforme já reconhecera a r. decisão de 1a instância, como se vê pelo trecho abaixo, verbis: ‘Dessa maneira, entendo, que não obstante a não existência do ato cancelatório que seguiria a informação fiscal (art. 206, §8º, RPS), para este tipo de lançamento não haveria tal necessidade, porquanto a questão sobre a isenção encontrase posta em juízo (conforme processo judicial 1999.38.000.0333672, TRF1). Por conta, inclusive, dessa postulação judicial, a questão quanto ao direito do impugnante no que tange à isenção de contribuições sociais previdenciárias, inclusive para o período objeto do lançamento, encontrase prejudicada (art. 126, §3º, Lei 8.213/1991; art. 38, Lei 6.830/1980; art. 26, Portaria MF 58/2006).’ 8. Assim, deve ser sanada a OMISSÃO ora apontada, sob pena de clara ofensa aos artigos 126, par. 3o, da Lei no. 8.213, de 1991, artigo 38, da Lei no. 6.830, de 1980 e artigo 26 da Portaria MF 58/2006, sendo inquestionável que o v. acórdão ora embargado não tratou da questão da CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. I Admissibilidade O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. II Omissão É cediço que as hipóteses de cabimento dos embargos são aquelas mencionadas no art. 65 do Regimento Interno do CARF, na forma do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015. Eis o dispositivo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Assim, não cabe a Turma, pela via dos embargos, conhecer de matéria que sequer foi tratada no recurso do contribuinte. Por outro lado, sou forçado a reconhecer, por ser matéria de ordem pública, a omissão do acórdão embargado quanto à apreciação da concomitância das instâncias administrativa e judicial. Da concomitância de instância administrativa e judicial. Farei o enfrentamento do tema, embora não vejo como acolher o pedido de modificação da decisão ora embargada. Inicialmente, os elementos informativos dos autos apontam que a Recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, pleiteando a renovação do CEBAS que fora indeferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de Recurso Extraordinário nº 567076, interposto pelo INSS. Nos embargos de declaração na apelação cível n° 1999.38.00.0333672/MG, ficou assentado, na decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região, que a Recorrente (autor naquela peça judicial) juntou aos autos judiciais cópia da Resolução n° 234 do CNAS que a ela deferiu, em 09/09/99, o dito Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, atualmente designado de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), nos seguintes termos: “[...] Interposta apelação pelo INSS (fls. 273/286), este elencou os requisitos para que a entidade ficasse a salvo da Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.956 S2C4T2 Fl. 5 7 revogação instituída pelo Decreto 1.572/77 (art. 1o, § 1o), quais sejam: ‘a) que tivesse sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicaão do Decreto Lei n° 1.572/77; b) que fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado; c) e que estivesse isenta da contribuição.’ (fl. 275) Todavia, o INSS somente se insurgiu contra o terceiro requisito, sustentando que o Autor não o tinha preenchido. Nada falou sobre o segundo requisito, que trata do Certificado de Fins Filantrópicos, contra o qual agora se insurge. Efetivamente, observase, nos autos, que a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos foi indeferida pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, em 19.02.98 (fl. 99), cuja decisão foi confirmada no julgamento do recurso administrativo interposto pelo Autor (fl. 100). Todavia, o próprio Autor junta aos autos cópia da Resolução n° 234 do CNAS que a ele defere, em 09.09.99, dito Certificado (fl. 101). [...]” De acordo com o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), o contribuinte tem o direito de se defender na esfera administrativa, mas, caso haja discussão na via judicial sobre o mesmo objeto litigioso, demonstra que o contribuinte abdicou da via administrativa, levando o seu caso diretamente ao Poder Judiciário ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito e, por consectário lógico do principio da jurisdição una no sistema brasileiro, isso importará em não conhecimento do recurso na via administrativa. Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrase que a aplicação desse anunciado e da legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial, tais como o art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, não é uma tarefa automática, a ser exercida mecanicamente, oriunda somente da propositura de ação judicial pelo contribuinte, pressupõe se sempre a identidade de objeto nas discussões administrativas e judicial para se adotar os seus comandos impositivos. Isso porque a identidade do objeto litigioso deverá ser constatada caso a caso, de modo a identificar as semelhanças fáticas e jurídicas das questões postuladas nas instâncias administrativa e judicial. É essencial consignar que não basta o mero ajuizamento de ação judicial para se estampar o imediatismo da concomitância de instâncias administrativa e judicial, necessário Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 fazer o cotejo entre o objeto da ação e do recurso administrativo, para avaliar se a desistência se materializou. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência do STJ (EDcl no REsp 840.556/AM) afirmam que quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial estará caracterizada a concomitância de instância, nas palavras de Leandro Paulsen: “(...) o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial”. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. 8a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, p. 560). Nessa linha de entendimento, percebese que, para ser configurada a concomitância de instâncias administrativa e judicial, os elementos informativos dos autos deverão estabelecer que as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais se fundou a ação no STF (Recurso Extraordinário nº 567076) são idênticas às questões postuladas na peça recursal administrativa ou às razões de decidir do acórdão ora embargado, materializando pela identidade de demandas. E, o que importa para a configuração dessa identidade de demandas é a precisa correspondência, no mínimo, entre o pedido e a causa de pedir, já que a propositura de demanda judicial não irá levar, de forma automática, para a identidade das questões postuladas na demanda administrativa ou dos fundamentos do acórdão ora embargado. No caso dos autos, o objeto da peça recursal versa, em síntese, sobre as seguintes questões: 1. se a Recorrente seria ou não detentora do CEBAS para as competências autuadas, conforme quadro demonstrativo das renovações do CEBAS (período de 1999 a 2011), já que o Fisco lançou os valores para evitar a decadência e com base no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999; 2. se o Fisco considerou ou não os pedidos de renovação do CEBAS para os períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, já que o Fisco não emitiu Ato Cancelatório de Isenção; 3. se a Recorrente perdeu ou não a sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, pois cabia ao Fisco demonstrar que, no período autuado, a Recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos da aludida benesse fiscal. Por sua vez, o objeto litigioso da ação judicial versa sobre a discussão da necessidade ou não de lei complementar para se estabelecer a disciplina normativa das exigências a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal. Diz a decisão de recebimento do Recurso Extraordinário nº 567076, verbis: ‘DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da necessidade, ou não, de lei complementar para a disciplinação normativa das exigências a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.956 S2C4T2 Fl. 6 9 da Constituição será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 566.622/RS, Rel. Min. MARCO AURÉLIO. Sendo assim, os presentes autos permanecerão sobrestados até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2008. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 567076, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2008, publicado em DJe118 DIVULG 27/06/2008 PUBLIC 30/06/2008)’ Diante desse cotejo das questões postuladas na via administrativa e judicial, é forçoso reconhecer que a ação judicial cuida de questão da constitucionalidade da norma tributária impositiva (lei ordinária ou lei complementar) que vai disciplinar as exigências a serem preenchidas pela entidade beneficente de assistência social para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal/1988, enquanto o recurso administrativo se restringe a discussão se a entidade era detentora ou não do CEBAS para o período autuado e se o Fisco poderia lançar a contribuição patronal sem a emissão de Ato Cancelatório de Isenção para prevenir a decadência, tendo em vista que a Recorrente discutia judicialmente a renovação do CEBAS, em razão de questões de direito, para o período anterior as competências da autuação. Em outras palavras, administrativamente, a Recorrente impugna o lançamento com o propósito de anulálo em razão de questões de fato, ao passo que, em juízo, ela discute, para efeito de reconhecimento da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição, a existência da norma a ser aplicada em plano distinto do período autuado e de forma abstrata dos elementos probatórios constantes dos autos, pois o objetivo desse Recurso Extraordinário nº 567076 não é desconstituir o presente lançamento fiscal e sim declarar, em sentido positivo ou negativo, uma determinada situação de direito para aplicação da lei complementar ou da lei ordinária. Nesse passo, caso a decisão judicial encaminhe no sentido de aplicação da lei complementar (artigos 9º, § 1º, e 14, da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional1), isso, 1 Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. ......................................................................................................... Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 aparentemente, não influenciará no requisito de que a entidade era ou não portadora do CEBAS, pois tal requisito não faz parte do comendo normativo dessa lei complementar. Diante desse contexto, a nosso ver, não deve incidir o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF, nem a legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial (art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991), porque os elementos probatórios constantes dos autos apontam para a inexistência de coincidência de objeto litigioso ou pedido das instâncias administrativa e judicial, esta cuida de questões de direito e aquela (administrativa) tratase de questões de fato independente da das questões veiculadas no Recurso Extraordinário nº 567076. Em razão das considerações acima, encaminho por indeferir o pleito da modificação da decisão ora embargada, pois não há concomitância de instâncias administrativa e judicial. III – Contradição (omissão de dispositivos da legislação) Também não encontro espaço jurídico para a aplicação das regras estabelecidas pelo art. 32 da Lei 9.430/19962 e pelo art. 32 da Lei 12.101/2009, pois o critério Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. 2 Lei 9.430/1996: PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.956 S2C4T2 Fl. 7 11 jurídico a ser adotado deverá observar a regra do art. 144 do CTN, o qual dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada (tempus regit actum). E, com isso, para a constituição do presente lançamento fiscal, impõese reconhecer a aplicação das regras estabelecidas pelo art. 55 da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência do fato gerador. Na espécie, reforça a aplicação das regras do art. 55 da Lei 8.212/1991 o fato de que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/09/2009 (fls. 01 e 33), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR), e a Lei 12.101/2009 somente foi publicada em 27/11/2009, portanto, após a lavratura do lançamento fiscal. Verificase que não há contradição no voto condutor, já que o seu conteúdo abordou de forma suficiente tanto a matéria fática como a configuração da nulidade evidenciada nos autos, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha contradição ou obscuridade. Vejamos trechos da decisão ora embargada: “[...] Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (Revogado pela Lei nº 13.165, de 20150) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foi o § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.956 S2C4T2 Fl. 8 13 Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. [...]” Nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Embargante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: (...). OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será em regra obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi contraditório ou omisso na análise dos dispositivos da legislação (art. 126, par. 3o, da Lei 8.213/1991, art. 38 da Lei 6.830/1980 e art. 26 da Portaria MF 58/2006), e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. IV Conclusão: Voto por conhecer e acolher em parte os embargos de declaração, sem efeitos infringentes (sem efeitos modificativos), somente para a apreciação e integração da questão de concomitância de instâncias, em razão de ser matéria de ordem pública, e rejeitar a contradição apontada pela embargante, nos termos acima apresentados. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 12448.730872/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO.
Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de pj, observadas as hipóteses isentivas definidas na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de pj, observadas as hipóteses isentivas definidas na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 41 1 40 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.730872/201197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.221 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente RUBENS MENDES CARDOSO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. TRIBUTAÇÃO. Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos recebidos de pj, observadas as hipóteses isentivas definidas na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 08 72 /2 01 1- 97 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2010 de R$ 10.418,44 para o montante de R$ 4.548,13 a título de imposto suplementar a pagar (fls. 3/7). A notificação decorreu da apuração de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas no valor total de R$ 54.428,18. Em sua impugnação (fl. 2), o contribuinte alegou que os órgãos pagadores não teriam abatido o valor considerado omitido pela RFB, sendo que o julga isento, conforme previsto na Lei nº 8.852/94, em seus artigos 1º, inciso III, letras “d”, “f” e “n.”, e 4º, inciso III. Mantida a exigência no julgamento de primeira instância (fls. 25/30), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/9/2014, repisando os argumentos da impugnação (fls. 39/40). É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.730872/201197 Acórdão n.º 2402005.221 S2C4T2 Fl. 42 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto à infração de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, busca o recorrente abrigo em legislação de natureza nãotributária, a Lei nº 8.852/1994, para justificar o fato de não ter declarado a percepção das verbas em apreço. Cumpre referir que, no tocante aos rendimentos percebidos no anocalendário 2010, a mesma matéria foi objeto de lançamento e consequente controvérsia nos autos do processo nº 12448.724007/201292, tendo este relator adotado as razões da decisão de primeira instância acerca do assunto quando da redação do voto do correspondente julgamento de recurso voluntário, dadas sua percuciência e minúcia. Assim sendo, reproduzo, com a devida vênia, aquela decisão no que interessa ao presente litígio, para fins de fundamentar o afastamento das pretensões do contribuinte, também no presente caso: Quanto ao lançamento por omissão de rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, o contribuinte alega que o imposto de renda não pode incidir nas seguintes parcelas dos vencimentos: gratificação de compensação orgânica, gratificação ou adicional natalino, ou décimo terceiro salário, e adicional por tempo de serviço, de acordo com a Lei nº 8.8.52, de 1994. No que diz respeito às alegações sobre o disposto na Lei nº 8.8.52, de 1994, cumpre assinalar que é cediço que o Código Tributário Nacional Lei 5.172/66, no artigo 43, define o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. No mesmo sentido, a Lei 7.713/88, em seu art 3º, § 1º, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9º a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4º do art 3º da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de outras providências. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Na realidade, o artigo 1º da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Não estabelece qualquer majoração ou redução de tributos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6º do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. Portanto, as alíneas de “a” até “r” no inciso III do art. 1º da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não cuidam de hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, tais dispositivos não determinam qualquer exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, da exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94 e, por isso mesmo, não teve nenhum dos seus dispositivos revogados pela Lei 9.250/95. Assim sendo, não há como acatar os argumentos do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 13794.720027/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO COMPLEMENTAR DE EFETIVO PAGAMENTO. DESNECESSIDADE.
Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância dos requisitos legais são documentos hábeis para a comprovação da dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram, de fato, executados. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boa-fé se presume, enquanto que má-fé precisa ser comprovada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o relator, que negava provimento ao recurso voluntário e os o Conselheiros Andrea Adolfo Brose e João Bellini Júnior que davam provimento apenas quanto aos recibos relacionados a fisioterapia. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes Relator
Alice Grecchi Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO COMPLEMENTAR DE EFETIVO PAGAMENTO. DESNECESSIDADE. Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância dos requisitos legais são documentos hábeis para a comprovação da dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram, de fato, executados. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o relator, que negava provimento ao recurso voluntário e os o Conselheiros Andrea Adolfo Brose e João Bellini Júnior que davam provimento apenas quanto aos recibos relacionados a fisioterapia. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes – Relator Alice Grecchi – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 72 00 27 /2 01 3- 06 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13794.720027/201306 Acórdão n.º 2301004.678 S2C3T1 Fl. 159 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), em razão da glosa de dedução de despesas médicas, por falta de comprovação. Outras glosas foram comprovadas pelo recorrente junto à fiscalização. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 GLOSA. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos e declarações dos profissionais, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Tendo em vista o não atendimento à intimação e considerando os demais documentos apresentados pelo impugnante, foi emitido o Termo Circunstanciado (fls. 42/45), no qual a autoridade revisora aceitou como comprovadas integralmente as despesas com dependente (R$ 1.584,60) e de instrução (R$ 2.480,66), e aceitou parcialmente a dedução com despesas médicas (R$ 1.870,30). ... Como vimos no Relatório, a lide permanece quanto à parte das despesas médicas, posto que houve a manutenção da glosa dos valores referentes aos prestadores de serviço Madalena Jardim Teixeira (R$ 3.000,00), Janaína Pessoa Martins (R$ 2.000,00) e Gleyci Cunha dos Santos (R$ 22.000,00), em face da não comprovação do efetivo pagamento, apesar de o contribuinte ter sido devidamente intimado para tanto (fls. 39), e a glosa das despesas médicas declaradas à Aliança Saúde e Seguros (R$ 300,00) porque não houve a apresentação do recibo. Referidas despesas totalizam o montante de R$ 27.300,00. ... Relativamente à cirugiãdentista Gleyci Cunha dos Santos, foi apresentada a declaração de fls. 16, datada de 02/01/2013, no Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 qual a prestadora afirma ter recebido, por tratamento dentário efetuado ao contribuinte, no ano de 2007, o valor de R$ 22.000,00, acompanhada de onze recibos (fls. 17/20), no valor de R$ 2.000,00 cada um. Quanto à fisioterapeuta Janaína Pessoa Martins, foi apresentada a declaração de fls. 21, datada de 02/01/2013, no qual a prestadora afirma ter recebido, por atendimento fisioterápicos efetuados no contribuinte, no ano de 2007, o valor de R$ 2.000,00, acompanhada de quatro recibos (fls. 22/23), no valor de R$ 500,00 cada um. Em relação à outra profissional, também fisioterapeuta, Madalena Jardim Teixeira, o impugnante apresentou apenas os dez recibos, no valor de R$ 300,00 cada um (fls.24/27), totalizando R$ 3.000,00. Tais documentos, por si sós, constituem apenas elementos adicionais na formação do convencimento quanto ao serviço médico prestado ao contribuinte, mas não comprovam o efetivo pagamento em favor dos profissionais, tal como solicitado pela fiscalização (Termo de Intimação Fiscal 188/2013, fls. 39). O impugnante alega ter efetuado os pagamentos em espécie, de modo que a única forma de comprovação seria por meio da juntada de cópia de seus extratos bancários comprovando os saques em valor e data coincidentes com os dos recibos. Nada foi apresentado até a presente data. Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, quando reitera as alegações em impugnação: O contribuinte foi cientificado desse resultado por meio do Despacho Decisório (fls. 46), tendo apresentado a manifestação de contrariedade de fls. 52, na qual esclarece que os recibos solicitados no Termo de Intimação foram entregues junto com a impugnação, mas que os pagamentos efetuados aos prestadores de serviço foram efetuados em espécie e até o presente momento não conseguiu juntar os extratos bancários, motivo pelo qual aguarda nova oportunidade para apresentação dos mesmos, em ocasião designada pelos senhores. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13794.720027/201306 Acórdão n.º 2301004.678 S2C3T1 Fl. 160 5 Voto Vencido Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas uma vez que os pagamentos, todos em espécie, não foram comprovados com as informações financeiras. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 O total de despesas médicas somam R$ 27.300,00, que representa em torno de 36% de suas disponibilidades financeiras no anocalendário, antes do décimoterceiro salário, R$ 75.672,80 (Rendimentos Contribuição Previdenciária Oficial Imposto Retido na Fonte). Alega o recorrente que todas foram pagas em espécie. Embora apresentados recibos e declarações, fls. 100 em diante e fls. 144 em diante, pelas circunstâncias pareceme não ser um exagero que a fiscalização requeira outros documentos comprobatórios do fato. Dessa forma, o recorrente trouxe aos autos extratos bancários. Contudo, ao início das comparações de valores, constato que em janeiro do anocalendário, antes da data de supostos pagamentos de despesas médicas em espécie, os saques não depositados foram inferiores a esses pagamentos, fls. 137. De certo, caberia ao recorrente demonstrar com outros elementos de prova que os pagamentos efetivamente foram realizados e se referem a despesas médicas dedutíveis; porém, apesar da viabilidade e razoabilidade das exigências de comprovação, até o presente momento não logrou juntálos aos autos. Assim, entendo que o recorrente não tem direito à dedução da despesa médica objeto do recurso. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Voto Vencedor Com todas as vênias ao Ilustre conselheiro relator, apresento o voto divergente vencedor. Em sentido contrário, entendo que os recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância dos requisitos legais são documentos hábeis para a comprovação da dedução de despesas médicas, salvo quando comprovado, nos autos, a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram, de fato, executados. Conforme comprova a cópia do documento de identidade de fl. 10, o recorrente nasceu em 13 de outubro de 1929, portanto tratase de pessoa idosa, de forma que há verossimilhança da necessidade de utilização de serviços médicos. Conforme comprovam os excertos da decisão recorrida, abaixo transcritos, a manutenção do crédito tributário pela Decisão “a quo” restringiuse a falta de comprovação dos pagamentos: [...] Relativamente à cirugiãdentista Gleyci Cunha dos Santos, foi apresentada a declaração de fls. 16, datada de 02/01/2013, no qual a prestadora afirma ter recebido, por tratamento dentário efetuado ao contribuinte, no ano de 2007, o valor de R$ 22.000,00, acompanhada de onze recibos (fls. 17/20), no valor de R$ 2.000,00 cada um. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13794.720027/201306 Acórdão n.º 2301004.678 S2C3T1 Fl. 161 7 Quanto à fisioterapeuta Janaína Pessoa Martins, foi apresentada a declaração de fls. 21, datada de 02/01/2013, no qual a prestadora afirma ter recebido, por atendimento fisioterápicos efetuados no contribuinte, no ano de 2007, o valor de R$ 2.000,00, acompanhada de quatro recibos (fls. 22/23), no valor de R$ 500,00 cada um. Em relação à outra profissional, também fisioterapeuta, Madalena Jardim Teixeira, o impugnante apresentou apenas os dez recibos, no valor de R$ 300,00 cada um (fls.24/27), totalizando R$ 3.000,00. Tais documentos, por si só, constituem apenas elementos adicionais na formação do convencimento quanto ao serviço médico prestado ao contribuinte, mas não comprovam o efetivo pagamento em favor dos profissionais, tal como solicitado pela fiscalização (Termo de Intimação Fiscal 188/2013, fls. 39). O impugnante alega ter efetuado os pagamentos em espécie, de modo que a única forma de comprovação seria por meio da juntada de cópia de seus extratos bancários comprovando os saques em valor e data coincidentes com os dos recibos. Nada foi apresentado até a presente data. [...] Frisase que a fundamentação para manter crédito tributário restringiuse a falta de comprovação dos pagamentos. Os recibos apresentados preenchem toda as formalidades exigidas pelo art. 8º, da Lei nº 9.250/1995, abaixo transcrito: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º [...] II das deduções relativas: aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Contatase que a Lei apenas exige a comprovação através do pagamento (cópia de cheque) na falta do respectivo recibo. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Cabe esclarecer que os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados, que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas e, somente diante de indícios de que a documentação é inidônea, deve o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso. Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de acordo com a ementa abaixo transcrita: DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão nº 9202003.159 Data da Decisão 06/05/2014 Data de Publicação 13/08/2014). Considerando os documentos trazidos aos autos não vislumbro indícios de inidoneidade, sendo suficientes as declarações dos profissionais e os recibos apresentados, os quais preenchem os requisitos determinados pela legislação regente da matéria, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alice Grecchi – Redatora designada. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10880.722595/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA.
O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, completando-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando houver a antecipação do pagamento do Imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
AUSÊNCIA DE NULIDADE POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Não se vislumbra erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que, no presente caso, a autoridade fiscal pretendeu a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Física e não do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.
TRANSFORMAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS EM SOCIEDADE LIMITADA. AUSÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO SOBRE O SUPERÁVIT REMANESCENTE.
Pessoas físicas ou jurídicas beneficiárias de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento do capital social, e ao titular da firma ou empresa individual, mediante incorporação de lucros ou reservas, não sofrerão tributação do imposto sobre a renda.
Numero da decisão: 2201-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento em menor extensão. Fez sustentação oral a Dra. Maria Carolina Bachur OAB/SP 247.115.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, completandose em 31 de dezembro de cada anocalendário. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando houver a antecipação do pagamento do Imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Não se vislumbra erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que, no presente caso, a autoridade fiscal pretendeu a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Física e não do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. TRANSFORMAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS EM SOCIEDADE LIMITADA. AUSÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO SOBRE O SUPERÁVIT REMANESCENTE. Pessoas físicas ou jurídicas beneficiárias de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento do capital social, e ao titular da firma ou empresa individual, mediante incorporação de lucros ou reservas, não sofrerão tributação do imposto sobre a renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 25 95 /2 01 3- 76 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento em menor extensão. Fez sustentação oral a Dra. Maria Carolina Bachur OAB/SP 247.115. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 23/07/2013, foi lavrado auto de infração referente aos exercícios 2009 e 2010, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, restando apurado crédito tributário no valor de R$ 26.892.473,42 (vinte e seis milhões oitocentos e noventa e dois mil quatrocentos e setenta e três reais e quarenta e dois centavos). Conforme narrado no relatório do acórdão recorrido: "Consta do Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte fazia parte do quadro de associados da associação civil sem fins lucrativos, assim entidade imune do imposto sobre a renda, União das Escolas Superiores de Cuiabá – UNIC, CNPJ 33.005.265/000131. Em assembléia geral de 04/04/2008, foi deliberada a transformação da UNIC de associação civil sem fins lucrativos para sociedade limitada empresária, com a alteração de sua denominação para IUNI Educacional Ltda. A transformação foi apoiada no artigo 13 da Lei 11.096/2006. As alterações societárias da IUNI Educacional Ltda encontram se demonstradas resumidamente em quadro às fls. 10 dos autos. Prossegue a autoridade fiscal esclarecendo que, para usufruir a imunidade tributária, as instituições de educação sem fins lucrativos não podem, dentre outros requisitos, distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou rendas. Entretanto, no Fl. 558DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 540 3 presente caso, o superávit acumulado pela então associação civil sem fins lucrativos UNIC, no período em que gozava de imunidade tributária, foi transferido para os sócios após a transformação em sociedade empresária. A 2ª e a 6ª Alterações de Contrato Social, anexadas aos autos, demonstram que as reservas de lucros apuradas nos Balanços da IUNI Educacional Ltda, levantados em 30 de abril de 2008 e 31 de dezembro de 2008, foram utilizadas para “integralizar” novas quotas emitidas. A autoridade fiscal conclui que os valores recebidos pelos sócios por meio das novas quotas, referentes à parcela do superávit acumulado pela entidade enquanto associação civil sem fins lucrativos, correspondem a rendimentos tributáveis pelo IRPF. Observa a autoridade fiscal que não se trata de restituição de capital, mas do recebimento, por meio de novas cotas da sociedade, do superávit produzido pela então entidade sem fins lucrativos (que gozava de imunidade tributária), posteriormente transformada em sociedade empresária. Os valores recebidos pelo contribuinte por meio de novas quotas correspondem a riqueza nova, produzida pela entidade em sua atividade e posteriormente transferida para os sócios, antes associados, e que, assim, ingressou no patrimônio do contribuinte. Os valores recebidos têm natureza semelhante à da distribuição de lucros, com a especificidade de terem sido produzidos quando a entidade era uma associação sem fins lucrativos. Esses valores se enquadram perfeitamente no conceito de renda do art. 153 da CF e do art 43 do CTN, e na hipótese abstrata prevista nos artigos 1º, 2º e 3º, §§1º e 4º, da Lei nº 7.713/88 e, dessa forma, correspondem a rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas. A autoridade fiscal destaca que os rendimentos não estão abrigados pela norma que isenta os lucros ou dividendos distribuídos (art. 10 da Lei 9.249/95), porquanto referida isenção limitase a lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. No presente caso, os valores não foram tributados na DIRPF e também não foram tributados na pessoa jurídica, pois o superávit foi acumulado enquanto a entidade gozava de imunidade tributária. Também não se enquadra na hipótese prevista no parágrafo único do artigo 10 da Lei 9.249/95, que trata do recebimento dos lucros por meio de cotas ou ações, já que, no caso, os valores distribuídos referemse a superávit produzido por entidade à época imune. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A isenção prevista no art 3º, §2º, Lei 8.849/94 também não se aplica ao caso, porque os valores distribuídos não são lucros ou reservas regularmente constituídos, e sim superávit financeiro de entidade imune. Também não se enquadra ao caso referida hipótese de isenção, nos termos do §4º do mesmo dispositivo legal, em razão de ter havido restituição de capital aos sócios mediante redução do capital social, antes de passados cinco anos da incorporação das reservas, demonstradas na 3º e na 8º Alterações Contratuais, anexadas aos autos. Em relação à apuração, a autoridade fiscal afirma que os valores distribuídos pela sociedade aos sócios estão consignados nos atos societários, nas DIPJ e documentos contábeis da IUNI juntados aos autos, e são reconhecidos pelo contribuinte na resposta ao Termo de Início de Fiscalização. Na DIPJ da IUNI (ainda com a antiga denominação UNIC), no período de 01/01/2008 a 31/03/2008, consta o valor de R$ 76.128.123,41 sob a denominação “Lucros Acumulados e/ou Saldo à Dispos. Assembléia”, o qual foi distribuído aos sócios em dois momentos, na 2ª e na 6ª Alterações contratuais. (...). O contribuinte recebeu em 29/06/2008, portanto, 34.166,418 novas quotas da IUNI, ao valor unitário de R$1, 00, totalizando R$ 34.166.418,00, valor considerado como rendimento tributável recebido de pessoa jurídica e objeto do presente lançamento. Do superávit total acumulado pela entidade (R$ 76.128.123,41), foram transferidos para os sócios na 2ª Alteração Contratual R$ 56.010.523,00, restando, portanto R$ 20.117.600,41, posteriormente transferidos aos sócios. O lucro acumulado em 31/12/2008 foi transferido aos sócios na 6ª Alteração Contratual, em 12/06/2009, com o aumento do capital no valor de R$ 22.660.320,00, mediante a emissão de 22.660.320 novas quotas mediante a capitalização de “lucros acumulados”. Do total de R$ 22.660.321,00 indicado como lucros acumulados, R$ 20.117.600,41 correspondem a superávit produzido pela associação sem fins lucrativos, distribuído aos sócios conforme a tabela adiante:(...). Assim, do montante de R$ 13.822.795,00, recebido pelo contribuinte em 12/06/2009, por meio de novas quotas da IUNI, R$ 12.271.736,00 correspondem a saldo do superávit gerado pela entidade sem fins lucrativos, conforme inclusive reconhece o próprio contribuinte em documento anexado aos autos. Pelo exposto, do montante recebido em 12/06/2009, a parcela de R$ 12.271.736,00 corresponde a rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica e também é objeto do presente lançamento. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 541 5 Finaliza a autoridade fiscal informando acerca da multa aplicada, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Enquadramento legal e maior detalhamento da infração nos autos (fls. 2/23). Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fls. 308/455, alegando, em síntese: a) a decadência de parte do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN; b) o erro quanto ao fato tributável: a capitalização das reservas de lucros não é fato gerador do imposto de renda; c) a nulidade do lançamento tributário por erro na identificação do sujeito passivo; d) a inocorrência do fato gerador do IRPF: converter lucros ou reservas não é distribuir; e) a violação do regime de caixa a que estão sujeitas as pessoas físicas; f) o requerente alega que o processo em tela é incompatível com o processo nº 10183.722470/201141, atualmente em trâmite perante o CARF; g) que, se a RFB entende que a IUNI descumpriu os requisitos para gozo da imunidade e pretende a tributação de seus resultados nos termos do processo nº 10183.722470/201141, parte dos valores convertidos em capital social ora em discussão seriam justamente “lucros calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996; h) assim, conversão de tais lucros em capital estaria excluída da tributação pelo IRPF, nos termos do artigo 10 da Lei 9.249/95 e artigo 3º da Lei 9.064/95; i) a inconsistência do lançamento tributário fulmina sua validade e impede o prosseguimento da cobrança contra o requerente, devendo ser determinada a anulação do credito tributário, ou, ao menos, deve ser determinado o sobrestamento do presente processo até o julgamento final dos recursos pendentes no CARF, em relação ao processo nº 10183.722470/201141; j) a necessidade de revisão da apuração do IRPF: valores recolhidos em razão da posterior alienação das quotas bonificadas; k) na hipótese de ser mantido o crédito tributário, os valores recolhidos pelo requerente a título de IRPF sobre o ganho de capital deverão ser levados em consideração na apuração do crédito tributário, descontandose do IRPF a pagar os valores pagos a maior no ano de 2010, em razão de o custo de aquisição Fl. 561DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 da participação societária alienada ter sido considerado como zero; l) que seja julgado improcedente o lançamento em tela, ou, subsidiariamente, o sobrestamento do presente feito até o julgamento final dos recursos pendentes nos autos do processo nº 10183.722470/201141. Na hipótese de serem julgados procedentes os créditos tributários lá constituídos, requer seja dado provimento a esta impugnação para que seja anulado o crédito tributário, ante o reconhecimento da natureza de lucro dos valores acumulados pela UNIC antes de sua transformação em sociedade limitada, aplicandose ao caso as regras dos artigos 10 da Lei 9.249/95 e 3º da Lei 9.064/95. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou improcedente a impugnação, restando mantido auto de infração, com as seguintes considerações: a) para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008, dentre os quais o recebimento dos rendimentos apontados pela autoridade fiscal, o direito de a fazenda constituir o respectivo crédito tributário extinguese somente em 31/12/2013. Sendo assim, na data da ciência do lançamento, 07/08/2013, não havia operado a decadência em relação aos fatos geradores do ano calendário 2008; b) não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados; c) estando o processo de cancelamento da imunidade tributária ainda em trâmite, este não é, ainda, o momento processual adequado para essa verificação. Somente após a decisão administrativa definitiva em relação à tributação da pessoa jurídica é que se conhecerão eventuais reflexos em relação à constituição do superávit acumulado pela entidade imune. Desse modo, deve ser negado tanto o pedido de cancelamento do crédito lançado quanto o pedido de sobrestamento do julgamento, com base na existência do processo nº 10183.722470/201141; d) como os valores não foram tributados na pessoa jurídica (pois acumulado em período anterior à transformação de entidade imune para sociedade empresária), não podem ser qualificados como lucros regularmente constituídos e, assim, não estariam albergados pelas normas isentivas contidas no artigo 10 da lei 9.249/95 e seu parágrafo único, e no artigo 3º, §§2º e 4º, da lei 8.849/94; e) não há no ordenamento jurídico pátrio qualquer lei que considere isentos os proventos recebidos pelo contribuinte da pessoa jurídica IUNI Educacional Ltda, pois as quantias transferidas da empresa ao sócio não o foram em consequência de distribuição de lucros ou de dividendos decorrentes da incorporação de lucros ou de reservas de lucros, como previsto na legislação tributária; f) é fato incontroverso que não houve tributação do superávit pela pessoa jurídica. Como as normas isentivas alegadas pela Fl. 562DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 542 7 impugnação só se aplicam aos lucros regularmente apurados, e estando presentes os critérios que identificam o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o lançamento encontrase perfeitamente constituído; g) a capitalização das reservas de lucros não é fato gerador do imposto de renda, pois a distribuição de novas quotas não representaria aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre a suposta “nova riqueza”; h) posteriormente à transformação, houve o pagamento de rendimentos aos sócios, na forma de capitalização de reservas. Nesse momento, portanto, e não na transformação societária, é que se verifica a ocorrência do fato gerador; i) ainda que aceita a tese do contribuinte de que o fato gerador teria ocorrido em momento anterior, na transformação societária, não haveria reflexos na constituição do presente crédito. A transformação societária ocorreu em 04/04/2008, e, sendo os rendimentos omitidos sujeitos ao ajuste na declaração anual, como já tratado na presente decisão, o fato gerador seria verificado em 31/12/2008; j) é evidente o aumento do patrimônio do contribuinte, ainda que sua participação na sociedade tenha se mantido proporcionalmente a mesma, em relação aos demais sócios; k) tendo sido verificado que os rendimentos recebidos de pessoa jurídica nos exercícios 2009 e 2010 não foram integralmente oferecidos à tributação nas DIRPFs do contribuinte, deve ser mantida integralmente a infração de omissão de rendimentos; l) o IRPF 2010 não é objeto do presente processo e, conforme já esclarecido, também não é objeto do presente processo eventual ganho de capital obtido na alienação das quotas emitidas em nome do contribuinte. Portanto, é incabível no presente processo o pleito do contribuinte em relação a alteração do custo de aquisição informado para apuração do ganho de capital; m) não há previsão legal para fundamentar o pleito do contribuinte de receber publicações ou notificações em endereço diverso de seu domicílio fiscal, na pessoa de seu Patrono. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese: a) extinção pela decadência do crédito de IRPF relativo ao fato gerador ocorrido em 30/06/2008, no valor de R$ 2.556.874,34; b) erro do lançamento ao reputar 30/06/2008 e 30/06/2009 como datas em que ocorreram os eventos tributáveis, devendo ser cancelado o auto de infração por vício quanto à descrição do fato; c) durante todo o tempo em que a UNIC se manteve organizada sob forma de associação civil sem fins lucrativos, o Recorrente Fl. 563DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 não tinha qualquer disponibilidade sobre os valores que compuseram o superávit acumulado. Aliás, nem mesmo a própria UNIC tinha completa disponibilidade sobre tais valores, já que tais recursos apenas poderiam ser aplicados na manutenção de seus objetivos institucionais, sendo expressamente vedada, sua distribuição aos associados ou dirigentes da entidade; d) após a transformação da UNIC em IUNI, os valores antes registrados como superávit passaram a condição de reserva de lucros, diante da ausência de previsão legal expressa sobre o tratamento adequado aos valores até então contabilizados como superávit, sendo efetuado registro em conta de reserva de lucros e, posteriormente, convertidos em capital; e) com a transformação da UNIC em IUNI, os quotistas, entre eles o recorrente, passaram efetivamente a ter disponibilidade sobre os valores que compunham o patrimônio líquido da sociedade ( e antes compunham o patrimônio social da associação; f) o que pretende a fiscalização é tributar a parcela do patrimônio líquido da entidade transformada que supera o aporte financeiro feito pelos associados no momento da formação do patrimônio social da antiga associação sem fins lucrativos; g) erro na identificação do fato tributável, e, por consequência, nulidade do auto de infração (ganho de capital); h) se a conversão do superávit em capital social implicou aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para alguém, como entende a fiscalização, esse alguém foi a própria sociedade, não o seu sócio; i) nulidade do auto de infração por ter sido lavrado contra pessoa estranha ao fato imponível; j) a legislação tributária apenas autoriza que a conversão de lucros ou reservas ao capital acresça o custo de aquisição das quotas para o sócio pessoa física nos casos em que há expressa previsão legal, isentando os lucros ou dividendos distribuídos. Isso porque a conversão de reservas e fundos ao capital social não é distribuição e não traz qualquer benefício para o sócio pessoa física, não podendo gerar tributação pelo IRPF; k) o aumento de capital com a emissão de novas quotas não acarreta disponibilização de riquezas aos sócios, assim como não há disponibilização para os sócios em relação às subvenções para investimento registradas como reservas e utilizadas para aumentar o capital social da sociedade; l) a capitalização da reserva de lucros do IUNI não produziu riqueza nova sob nenhum aspecto; m) a incidência do IRPF na forma pretendida pelo Auto de Infração viola frontalmente o artigo 2º da Lei n.º 7.713/88, pois implica cobrar o imposto sem observar a sistemática de caixa imposta pela legislação; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 543 9 n) no que se refere à prejudicialidade parcial quanto ao processo administrativo n.º 10183.722470/201141, não é admissível que a RFB trate determinados valores como lucros para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS da pessoa jurídica no Processo Administrativo citado e, ao mesmo tempo, classifique os mesmos valores como superávit de associação sem fins lucrativos para exigir o IRPF do quotista pessoa física nos autos do presente processo administrativo; o) caso sejam mantidos os créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS constituídos no outro processo, será impositivo o reconhecimento da nulidade da cobrança pretendida nestes autos, em razão da aplicação ao caso do artigo 10 da Lei 9.249/95 e 3º da Lei 9.064/95, que afastam a incidência do IRPF sobre lucros distribuídos por pessoas jurídicas e sobre aumento de capital mediante incorporação de lucros; p) na hipótese de ser mantido o crédito tributário de IRPF ora questionado, os valores recolhidos pelo recorrente a título de IRPF sobre o ganho de capital deverão ser levados em consideração na apuração do crédito tributário, descontandose do IRPF a pagar os valores pagos a maior no ano de 2010, em razão de o custo de o custo de aquisição da participação societária ser considerado como zero. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. 1. DA DECADÊNCIA Aduz o contribuinte a extinção pela decadência do crédito de IRPF relativo ao fato gerador ocorrido em 30/06/2008, no valor de R$ 2.556.874,34. O recorrente levou em consideração a data descrita pela autoridade fiscal como data do fato gerador da obrigação, que foi o dia 30/06/2008, sendo que o prazo decadencial começaria a correr em 07/01/2008 e encerraria em 01/07/2013, data anterior a ciência do lançamento, ocorrida em 07/08/2013. Sobre a decadência de tributo sujeito à homologação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 565DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (....) § 4.º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A decisão de primeira instância reconheceu a aplicação do mencionado dispositivo, referindose a controvérsia à data da ocorrência do fato gerador. Cabe mencionar o disposto no artigo 7º da Lei 9.250/95 abaixo transcrito: Art. 7º. A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. O art. 7º da Lei 9.250/95 estabelece o dever de apurar o imposto relativo aos rendimentos percebidos ao longo do anocalendário. Notese que o fato gerador só se completa em 31 de dezembro do respectivo ano, pois o montante dos valores de rendimentos recebidos, em suas diversas modalidades, bem como o montante das despesas dedutíveis incorridas, só podem ser efetivamente determinados em 31 de dezembro, pois é nesta data que se encerra o anocalendário. Assim, tratandose de imposto com fato gerador complexivo, o suposto equívoco no auto de infração não é apto a ensejar sua nulidade, pois não existe dúvida de que data de ocorrência dos fatos geradores a ser considerada é 31 de dezembro dos anos de 2008 e 2009. Diante do exposto, observase que, na data da ciência do lançamento, em 07/08/2013, não havia operado a decadência em relação aos fatos geradores do anocalendário 2008. 2. DA NULIDADE POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Alega o recorrente que a autuação deve ser cancelada, pois, caso aceita a premissa de que a capitalização da reserva de lucros oriunda do superávit do IUNI é fato gerador do imposto, então apenas poderia ser exigido da pessoa jurídica, tendo em vista que a capitalização de reserva de lucros ou de quaisquer outro fundos que ainda não tenham sofrido tributação, mediante aumento de capital social da pessoa jurídica, está expressamente definida na legislação tributária como fato gerador do IRPJ, conforme artigo 249 do regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000/99: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º ): Fl. 566DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 544 11 I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: I ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alíneas f, g ei); (...). No que se refere à nulidade sustentada, entendo não existir erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que a autoridade fiscal pretendeu a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Física e não do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, ressaltandose que a questão referente ao fato gerador será analisada no mérito. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. 3. DA PREJUDICIAL REFERENTE AO PROCESSO N.º 10183.722470/201141 A fim facilitar a compreensão fática da matéria, utilizome da síntese dos fatos incontroversos dispostos no Acórdão recorrido, nos termos seguintes: 1º A transformação da associação sem fins lucrativos União das Escolas Superiores de Cuiabá – UNIC, entidade com imunidade tributária, em sociedade por quotas de responsabilidade limitada IUNI Educacional Ltda, em 04/04/2008; 2º Ausência de tributação do superávit acumulado pela UNIC, em razão da imunidade tributária, posteriormente contabilizado como “Lucros Acumulados e/ou Saldo à Dispos. Assembléia” na IUNI, no valor de R$ 76.128.123,41; 3º Emissão de novas quotas em nome dos sócios, as quais foram “integralizadas” com o montante acumulado a título de superávit pela então entidade imune, em dois momentos: a) 29/06/2008 – R$ 56.010.523,00, dos quais R$ 34.166.418,00 couberam ao contribuinte; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 b) 12/06/2009 – R$ 20.117.600,35, dos quais R$ 12.271.736,00 couberam ao contribuinte. 4º Ausência de tributação dos valores acima identificados nas DIRPFs do contribuinte, exercícios 2009 e 2010, anexadas às fls. 24/61 dos autos. Sobre a questão prejudicial, assevera o recorrente que, caso sejam mantidos os créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS constituídos no Processo n.º 10183.722470/2011 41, será impositivo o reconhecimento da nulidade da cobrança pretendida nestes autos, em razão da aplicação ao caso do artigo 10 da Lei 9.249/95 e 3º da Lei 8.849/94, que afastam a incidência do IRPF sobre lucros distribuídos por pessoas jurídicas e sobre aumento de capital mediante incorporação de lucros. Acrescenta o contribuinte que não é admissível que a RFB trate determinados valores como lucros para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS da pessoa jurídica no Processo Administrativo citado e, ao mesmo tempo, classifique os mesmos valores como superávit de associação sem fins lucrativos para exigir o IRPF do quotista pessoa física nos autos do presente processo administrativo. A respeito da questão, a decisão de primeira instância assim ponderou: Ademais, ainda que prevaleça o entendimento da RFB no processo nº 10183.722470/201141, sendo confirmado o cancelamento da imunidade e mantidos os lançamentos decorrentes, tal fato isolado não invalidaria o presente lançamento. Isso porque o superávit acumulado pela entidade com imunidade tributária decorreu do exercício de sua atividade por muitos anos, desde sua fundação no ano de 1989, até sua transformação em sociedade empresária, em 2008. Já o cancelamento da imunidade tributária, conforme documentos anexados aos autos, teve como objeto somente o período de 01/2006 a 03/2008. Assim, mantida a tributação, como lucro, de parte dos valores considerados no presente lançamento como superávit, caberá ao contribuinte demonstrar o reflexo de referida decisão no crédito lançado em nome da pessoa física. Entretanto, estando o processo de cancelamento da imunidade tributária ainda em trâmite, este não é, ainda, o momento processual adequado para essa verificação. Somente após a decisão administrativa definitiva em relação à tributação da pessoa jurídica é que se conhecerão eventuais reflexos em relação à constituição do superávit acumulado pela entidade imune. Pela análise das mencionadas razões, resta evidente que a decisão proferida no outro processo administrativo tem relação direta com a exigência contida no presente processo, considerando que parte do valor descrito como superávit pode ser consignado, de fato, como lucro, caso seja cancelada a imunidade tributária no período de 01/2006 a 03/2008. Em consulta realizada no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verificase que foi proferido o Acórdão n.º 1401001.414, em sessão realizada em 24 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 545 13 de março de 2015, nos autos do processo n.º 10183.722470/201141, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Estando os atos administrativos revestidos das formalidades legais e não tendo ocorrido nenhum cerceamento para a defesa do contribuinte, nenhuma nulidade ocorreu. CONTRATAÇÃO COM FORNECEDORES DE BENS E SERVIÇOS E OUTROS. Se a entidade pretende gozar de imunidade e isenções, a livre contratação, o princípio contábil da entidade e a ficção jurídica em que está baseada a assim chamada pessoa jurídica, dentre outros, não podem ser um manto que acoberte toda e qualquer contratação ou negócio. ISENÇÕES. PROUNI. Tendo havido infrações à legislação tributária que resultaram inclusive em falta de recolhimento de tributos, deve ser suspensa a isenção concedida no âmbito do Prouni. CONTABILIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO. A regularidade formal da contabilidade não garante à entidade a fruição da imunidade ou de benefícios fiscais. AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo havido a suspensão do gozo da imunidade e das isenções, correto o lançamento relativo ao IRPJ. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTO. Não tendo sido reconhecida a imunidade quanto à CSLL, ao PIS e à Cofins em processos anteriores e também neste, por descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, deve ser mantido o auto de infração relativo a estas contribuições. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. Desse modo, observase que parte do superávit obtido pela associação sem fins lucrativos possivelmente será caracterizada como lucro, diante da pendência da Fl. 569DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 análise do recurso especial acerca da questão relativa ao imposto devido pela pessoa jurídica, em razão da exclusão da imunidade referente aos anos calendários de 2006, 2007 e 2008. Assim, seria plausível o acolhimento do recurso voluntário do contribuinte no que se refere ao valor do superávit considerado pela fiscalização, tendo em vista que o artigo 10 da Lei 9.249/95 afasta a incidência do IRPF sobre lucros distribuídos por pessoas jurídicas, nos seguintes termos: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Portanto, com fito nas premissas estabelecidas pela fiscalização para a autuação, parte do valor considerado como superávit, na verdade, eventualmente, pode ser caracterizado como lucro distribuído entre os sócios isento do imposto, e, se for o caso (a depender do resultado da análise do recurso especial), deveria ser excluída da base de cálculo. 4. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Com a análise dos autos, depreendese que houve recebimento pelo recorrente, por meio de novas cotas da sociedade, do superávit produzido pela então entidade sem fins lucrativos (quando gozava da imunidade tributária), posteriormente transformada em sociedade empresária. Diante das alegações do contribuinte, bem como do disposto no acórdão recorrido, cumpre verificar a ocorrência do fato gerador considerada pela fiscalização. O termo de Verificação Fiscal, fl. 12 e 13, explicita que, em decorrência das operações realizadas, houve aumento de capital com a emissão de quotas e houve subscrição das quotas pelos sócios na proporção da participação societária. Cabe destacar que a fiscalização considerou os valores recebidos pelos sócios por meio das novas cotas referentes à parcela do superávit acumulado pela entidade enquanto associação civil sem fins lucrativos correspondentes aos rendimentos tributáveis pelo Imposto de Renda Pessoa Física, conforme se extrai do seguinte trecho do Termo de Verificação: "No caso, o recebimento pelo contribuinte de novas quotas da sociedade, correspondentes a aumento de capital decorrente da capitalização do superávit acumulado nos termos das alterações contratuais acima transcritas integralizadas "mediante reserva de lucros apurados no Balanço da IUNI Educacional LTDA, levantado em 30 de abril de 2008 (2ª Alteração Contratual) ou mediante a capitalização de lucros acumulados (6ª Alteração Contratual) significou, em consonância com a legislação antes transcrita, aquisição de renda, disponível para o contribuinte a partir daquele momento. É importante restar claro que não estamos tratando no presente lançamento de restituição de capital, mas do recebimento, por meio de novas quotas da sociedade, do superávit produzido pela Fl. 570DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 546 15 então entidade sem fins lucrativos (que gozava de imunidade tributária), posteriormente transformada em sociedade empresária. Os valores recebidos pelo contribuinte correspondem riqueza nova, produzida pela entidade em sua atividade e posteriormente transferida para os sócios, antes associados, e que, assim, ingressou no patrimônio do contribuinte. " Observase que a fiscalização dispôs expressamente que não se está diante de restituição de capital, mas, em trecho disposto na fl. 18, a fim de afastar a aplicação da isenção prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 8.849/94, salientou que não houve lucros ou reservas e, ainda que não fosse isso, o § 4º do artigo mencionado esclarece que se a pessoa jurídica restituir capital social aos sócios no período de cinco anos mediante redução de capital social, o capital restituído será considerado lucro ou dividendo distribuído, sujeito à tributação como rendimento dos sócios. Acrescentou ainda, de forma contrária, que "no presente caso houve redução de capital com restituição ao contribuinte", fl. 18. Assim, concluiu que os valores correspondentes à parcela do superávit acumulado pela entidade enquanto associação civil sem fins lucrativos que foram transferidos para o contribuinte, por meio do recebimento de novas quotas da sociedade, representam rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica. Mostrase evidente a impropriedade da autuação em vários aspectos, identificada claramente com a comparação entre os demais autos de infração lavrados. O auto de infração que deu origem ao Processo administrativo n.º 10183.722470/201141 desconsiderou a condição de associação sem fins lucrativos do IUNI no período compreendido entre janeiro de 2006 a março de 2008, exigindose IRPJ, CSLL e COFINS. Em seguida, foi lavrado o presente auto de infração, que exige valores supostamente devidos a título de IRPF em relação às quotas do IUNI que foram recebidas após a conversão da associação sem fins lucrativos em sociedade limitada. Posteriormente, foi lavrado auto de infração que tem por objeto a exigência de IRPF supostamente devido pelo recorrente em relação ao ganho de capital apurado por oportunidade da incorporação de suas ações no IUNI pela Editora e Distribuidora educacional S.A e, sucessivamente pela Kroton Educacional S.A. Desse modo, aos mesmos fatos estão sendo atribuídas características e consequências jurídicas distintas, pois, para o primeiro auto de infração, os valores registrados como superávit são, na verdade, lucros, tendo em vista que a entidade não atendia aos requisitos necessários ao gozo da imunidade (2006 a 2008). Se considerados como lucros, sua distribuição aos sócios deveria ser considerada isenta do IRPF,não subsistindo o presente auto em sua integralidade, como já salientado em tópico anterior. Para os autos em análise, as quotas recebidas pelo requerente por ocasião da capitalização do superávit foram consideradas tributáveis. Já no terceiro auto de infração considerouse que as quotas recebidas pelo requerente em razão da capitalização dos valores correspondentes ao superávit acumulado pelo IUNI, enquanto sem fins lucrativos, teriam custo zero. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Nesse contexto, cabe destacar que houve superávit de entidade imune (associação sem fins lucrativos) não aplicado na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais, mas sim utilizado para o aumento de capital da sociedade limitada (após transformação). O artigo 12, § 2º, da Lei 9.532 assevera que, para o gozo da imunidade, as instituições são obrigadas a aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, nos seguintes termos: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: (...). b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Desse modo, sob o prima das premissas adotadas da fiscalização de que houve a distribuição do superávit que, em razão da imunidade, não foi tributado na pessoa jurídica, não há como considerar a incidência do IRPF, já que, embora a autuação da pessoa jurídica se refira aos anos de 2006 a 2008, sendo possível que o superávit decorra também de anos anteriores (supostamente durante a vigência da imunidade), para fins de imunidade, o superávit teria que ser integralmente destinado à manutenção e ao desenvolvimento dos objetivos sociais e, sendo patente que assim não foram empregados, tratariamse efetivamente de lucros, que, conforme a fiscalização, teriam sido distribuídos após a transformação da associação em sociedade limitada. Constatada a perda da imunidade, não mereceria, pois, prosperar o auto de infração sobre esse ótica de distribuição de superávit (adotada pela fiscalização), que na verdade seria considerado como lucro e, portanto, seria isento de imposto de renda pessoa física. Não obstante o exposto, melhor interpretação a ser aplicada ao presente caso é a de que a conversão de fundos ou reservas de capital não significa distribuição de tais valores, considerando que o aumento de capital com a emissão de novas quotas não acarreta disponibilidade de riqueza aos sócios. Nessa perspectiva, identificase a aplicação do artigo 3º, § 2º, da Lei 8.849, abaixo transcrito: Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto sobre a renda. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.722595/201376 Acórdão n.º 2201003.233 S2C2T1 Fl. 547 17 § 1º Podem ser capitalizados nos termos deste artigo os lucros apurados em balanço, ainda que não tenham sido submetidos à tributação. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 2º A isenção estabelecida neste artigo se estende aos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, beneficiárias de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento do capital social, e ao titular da firma ou empresa individual. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 3º O disposto no § 2º não se aplica se a pessoa jurídica, nos cinco anos anteriores à data de incorporação de lucros ou reservas ao capital, restituiu capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social; neste caso, o montante dos lucros ou reservas capitalizados será considerado, até o montante da redução do capital, corrigido monetariamente com base na variação acumulada da UFIR, como lucro ou dividendo distribuído, sujeito, na forma da legislação em vigor, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas, ou do titular da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 4º Se a pessoa jurídica, dentro dos cinco anos subseqüentes à data da incorporação de lucros ou reservas, restituir capital social aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social ou, em caso de liquidação, sob a forma de partilha do acervo líquido, o capital restituído considerarseá lucro ou dividendo distribuído, sujeito, nos termos da legislação em vigor, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas ou do titular. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) Portanto, de todo modo, estaríamos diante de uma isenção legal, não podendo subsistir o auto de infração lavrado. Ademais, em vertente que também corrobora o provimento do recurso interposto pelo contribuinte, diante das discussões do colegiado, também destacase o entendimento no sentido de que, para alguns conselheiros, sequer ocorreu o fato gerador do IRPF no momento da transformação da entidade em sociedade empresária. Notese que, apenas com o fim de esclarecer a inaplicabilidade do § 4º do artigo mencionado, mesmo diante da inconsistência da discriminação da fiscalização acerca da restituição de capital aos sócios, a segunda parte do dispositivo foi revogada tacitamente pelo art. 10 da Lei n.º 9.249/95, uma vez que os lucros e dividendos distribuídos aos sócios se tornaram isentos, conforme se depreende do art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro: a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Diante do exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15504.723822/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
O Laudo Oficial juntado aos autos demonstra que o recorrente é portador de moléstia grave prevista na legislação vigente, fazendo jus a isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O Laudo Oficial juntado aos autos demonstra que o recorrente é portador de moléstia grave prevista na legislação vigente, fazendo jus a isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 38 22 /2 01 4- 72 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, nos termos do relatório e voto. Maria Cleci Coti Martins Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 15504.723822/201472 Acórdão n.º 2401004.366 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 15/01/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, AnoCalendário 2009, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 85.321,72 (oitenta cinco mil, trezentos e vinte um reais e setenta dois centavos), recebidos pelo titular. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pelo contribuinte, foi juntado aos autos Laudo Pericial emitido pela junta médica da Polícia Militar do Estado de Minas Gerias (fls. 9), dispondo que o contribuinte é portador de Glaucoma. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos em razão do reconhecimento da sua incapacidade por Laudo Médico de Órgão Oficial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “da PMMG, não se fez constar nos campos próprios a denominação de doença utilizada pelo legislador e aduzida na impugnação: “CEGUEIRA”. No caso em concreto, o laudo só informa ser o interessado portador de glaucoma, deixando de relacionar, nos campos próprios, esse mal à suposta cegueira, que seria uma das moléstias descritas na legislação. O documento para efeito de comprovar a doença deve expressar de forma indubitável que o paciente é portador da doença que lhe geraria a isenção pleiteada, o que não contém aquele laudo..” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que o acórdão recorrido não se atendou ao CID indicado no Laudo Pericial. O atestado constatou que o recorrente é portador de doença Glaucoma CID H40.1 + H54.1 (cegueira em um olho e visão subnormal em outro), desde janeiro de 1999, fazendo jus a isenção. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 16/07/2014, conforme AR às fls. 31, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 13/08/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis no valor de no valor de R$ 85.321,72 (oitenta cinco mil, trezentos e vinte um reais e setenta dois centavos), recebidos de Pessoa Jurídica indevidamente declarados como isentos ou não tributáveis, em razão da inexistência de comprovação da moléstia grave, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 19 de dezembro de 2004, determinam: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 15504.723822/201472 Acórdão n.º 2401004.366 S2C4T1 Fl. 4 5 Nesse sentido, o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia grave fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Confirase: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia grave e natureza específica do rendimento, qual sejam, provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Inexistindo dúvida acerca da natureza específica do rendimento, provenientes de aposentadoria, fazse necessário a análise acerca da moléstia grave que acomete o recorrente. Verificase que o cerne da controvérsia em questão é a possibilidade de isenção do Imposto de Renda do contribuinte portado de Glaucoma CID H40.1 + H54.1. Atenta aos argumentos trazidos em sede de Recurso Voluntário verificouse que no atestado apresentado existe a indicação de dois CID distintos, quais sejam: CID H40.1 + H54.1, conforme ressaltado na irresignação do contribuinte. Em vasta pesquisa foi possível concluir que o CID H 54.1 tratase de Cegueira em um olho e visão subnormal em outro, conforme afirmado pelo Recorrente na peça recursal. Nesse tocante, importante ressaltar, que a jurisprudência desse egrégio Conselho encontrase pacificada no sentido de que a cegueira monocular é suficiente para concessão da isenção. Recordese: “RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo”. (Acórdão nº 2201003.016, processo nº 11853.720278/201496, Relator(a) CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, j. em 10/03/2016) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 “RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial." (Acórdão nº 2202003.195, processo nº 13854.720298/201482, Relator(a) JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, j. em 18/02/2016) Assim, não resta dúvida sobre o direito do recorrente a isenção, pois os proventos são decorrentes de aposentadoria e o Laudo Oficial acostado aos autos demonstra que o recorrente esta acometido de moléstia grave previstas nos incisos XIV e XXI, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 19 de dezembro de 2004. Por todo o exposto, em razão da documentação anexada comprovar que o recorrente é portador de moléstia grave e seus rendimentos são oriundos de aposentadoria, faz jus a isenção prevista no artigo 6ª da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723522/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE.
A inclusão na declaração de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam incluídos tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do declarante.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE. A inclusão na declaração de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam incluídos tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do declarante. Recurso Voluntário Negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE Recorrente JORGE VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE. A inclusão na declaração de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam incluídos tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do declarante. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 35 22 /2 01 1- 53 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.723522/201153 Acórdão n.º 2401004.401 S2C4T1 Fl. 45 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1245.426 (fls. 27/32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada parcela que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos. ÔNUS DA PROVA Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.723522/201153 Acórdão n.º 2401004.401 S2C4T1 Fl. 46 3 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2010/185808375295248, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas as seguintes infrações (fls. 6/12): i) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, referente à pessoa física inscrita no Cadastro da Pessoa Física (CPF) sob o nº 743.333.30700; ii) dedução indevida de contribuições para Previdência Privada e Fundos de Aposentadoria Programada Individual (Fapi); e iii) dedução indevida de despesas com instrução, por falta de comprovação. 3. Cientificado da notificação por via postal em 22/7/2011, às fls. 23, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). 4. Intimado em 10/5/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 34/36, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 28/5/2013 (fls. 37/38). 5. Nessa fase recursal, a matéria litigiosa cingese unicamente à omissão de rendimentos. 5.1 Expõe o contribuinte que a omissão referese a rendimentos de sua companheira, CPF nº 743.333.30700, conforme documentação em anexo (fls. 39/40). 5.2 Requer, assim, a desconsideração dos rendimentos da companheira, pois seu valor está isento de declaração de ajuste anual. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.723522/201153 Acórdão n.º 2401004.401 S2C4T1 Fl. 47 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 7. Da documentação dos autos, constato que o contribuinte incluiu na sua DIRPF como dependente, código 11, a Srª Diva Vitória Fernandes de Almeida, inscrita no CPF 743.333.30700 (fls. 18). O valor referente à dedução anual como dependente não foi glosado pela fiscalização (fls. 9/11 e 22). 8. A inclusão na declaração de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam incluídos tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do declarante. 8.1 Com efeito, tal conduta implica opção pela tributação em conjunto dos rendimentos, correspondendo a base de cálculo do imposto devido no anocalendário a diferença entre todos os rendimentos percebidos e as deduções permitidas pela legislação, relativamente ao declarante e a seus dependentes. 9. Logo, é procedente a omissão apurada pela fiscalização quanto aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pela sua dependente, Srª Diva Vitória Fernandes de Almeida, CPF 743.333.30700, a qual foi incluída, nesta condição, na DAA do declarante. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 13884.902375/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro problema que seja identificado, ou mesmo nos casos em que se constate que o procedimento foi realizado sem a emissão do Mandado, não haverá que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem, dentre outros, a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados no Demonstrativo original.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Negreiros Feitosa - OAB 246837 - SP.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 10/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro problema que seja identificado, ou mesmo nos casos em que se constate que o procedimento foi realizado sem a emissão do Mandado, não haverá que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem, dentre outros, a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados no Demonstrativo original. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro problema que seja identificado, ou mesmo nos casos em que se constate que o procedimento foi realizado sem a emissão do Mandado, não haverá que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem, dentre outros, a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados no Demonstrativo original. REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 75 /2 01 2- 00 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 No Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dá direito a crédito. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Negreiros Feitosa OAB 246837 SP. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 10/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento PER e posterior Declaração de Compensação de créditos calculados no Sistema Não Cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relacionados a operação de exportação de mercadorias, no montante de R$ 31.472.310,69, correspondente ao 4º trimestre de 2008. Com base em procedimento de auditoria realizada pelo Serviço de Fiscalização da DRF/São José dos Campos/SP foi reconhecido, para o período objeto do presente processo, apenas o valor de R$ 738.938,45, tendo em vista as glosas realizadas pela Fiscalização Federal. Depreendese do Relatório Fiscal, que as glosas foram motivadas pelas seguintes razões: 1 Créditos compensados com fulcro no § 1o do art. 6o da Lei n° 10.833/03 A Fiscalização Federal esclarece que a utilização dos créditos com base no dispositivo legal em epígrafe se restringe àqueles apurados na forma do art. 3o da Lei n° 10.833/03, que, por sua vez, estabelece, em seu § 3o, que o direito aplicase exclusivamente em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Por essa razão, glosou os créditos que excederam à soma dos créditos do mercado interno. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902375/201200 Acórdão n.º 3302003.188 S3C3T2 Fl. 3 3 Explica que Não se enquadraram nessa hipótese e foram considerados não passíveis de ressarcimento os valores dos pedidos de ressarcimento formalizados pela fiscalizada que excederam à soma dos créditos do mercado interno, vinculados a receitas de exportação, apurados em cada trimestrecalendário nos respectivos Dacon (Ficha 16A). A apuração dos valores considerados não passíveis de compensação ou de ressarcimento por meio dos Per/Dcomp em tela, está demonstrada de forma detalhada no Quadro 01 A em anexo. 2 Créditos compensados com fulcro no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 A Fiscalização Federal explica que a Secretaria disponibiliza duas modalidades de PerDcomp para formalização de pedidos de ressarcimento de créditos de Cofins apurados no Sistema da incumulatividade. Uma deve ser utilizada para o crédito denominado "Cofins NãoCumulativa Exportação" e se destina aos créditos apurados com base no §1º, do art. 6° da Lei n° 10.833/03, a outra é utilizada para o crédito denominado "Cofins NãoCumulativo Mercado Interno" e contempla os créditos apurados com fulcro art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Por essa razão, os créditos que utilizaram a PerDcomp própria dos créditos "Cofins NãoCumulativa Exportação", mas que foram requeridos com base no que dispõe o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 foram glosados. Explica: Foram considerados passíveis de ressarcimento com fulcro no art. 1 7 , d a L e i 1 1.033/2004 os valores dos pedidos de ressarcimento formalizados pela fiscalizada que corresponderam à soma dos seguintes tipos de crédito apurados em cada trimestrecalendario nos respectivos Dacon: . a) crédito calculado em relação a Aquisições no Mercado Interno Vinculadas à Receita Não tributada no Mercado Interno (Ficha 16A); b) crédito calculado em relação a Importações Vinculadas à Receita Não Tributada no Mercado Interno (Ficha 16B); e c) crédito calculado em relação a Importações Vinculadas à Receita de Exportação (Ficha 16B). A apuração de tais valores, considerados passíveis de compensação ou de ressarcimento por meio dos PerDcomp em tela, está demonstrada de forma detalhada no Quadro 03A em anexo. 3 Aproveitamento de créditos extemporâneos Conforme relata o Fisco, a própria Fiscalizada reconheceu que havia incluído aquisições extemporâneas de serviços, efetuadas no mercadointerno, para efeito de apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon dos meses de junho de 2008 a janeiro de 2009. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Segundo os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento, por força do disposto nos §§ 1º dos artigos 3º das Leis 10.673/02 e 10.833/03, somente os bens adquiridos no mês dão direito a crédito. Observese o texto normativo. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (grifos acrescidos) Considerouse que, para utilização extemporânea de créditos, a Fiscalizada deveria ter retificado os Dacon e as DCTF. 4 Créditos de insumos tributados à alíquota zero Também foram glosados pelo Fisco os créditos correspondentes aos insumos adquiridos no mercado interno não sujeitos ao pagamento das contribuições por força do disposto no inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865/20041. Após reiteradas intimações realizadas à empresa no intuito de evitar quaisquer equívocos na avaliação do emprego que confere aos insumos adquiridos, a Fiscalização conclui que Como se vê, novamente a fiscalizada repete o teor das respostas apresentadas aos termos de intimação fiscal lavrados em 19/11/2012 e em 04/01/2013. Não discriminou quaisquer aquisições de insumos que tenham sido empregados de forma diversa da prevista no inciso IV, do art. 28 da Lei n° 10.865/2004. O que nos permite concluir que os referidos insumos foram utilizados na forma do citado dispositivo legal, não gerando direito a crédito, em razão de tais insumos estarem sujeitos à alíquota zero (Inciso II do § 2o do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003). 5 Créditos sobre aquisições de ativo imobilizado Tratamse de glosas de moldes adquiridos pela Recorrente. A Fiscalização Federal relata: Em resposta à referida intimação, a fiscalizada reconheceu que os mencionados itens foram equivocadamente escriturados como insumos do processo produtivo, conforme documento protocolado em 30/07/2012, cujo teor transcrevese parcialmente abaixo, verbis: (...) 1 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (...) IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902375/201200 Acórdão n.º 3302003.188 S3C3T2 Fl. 4 5 Em 12/08/2013, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 57 a 82. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, após análise dos fatos e do direito aplicável, sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. MERO ATO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é um mero instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento, implicando, em essência, que não atingem a competência impositiva e vinculada dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. PER/DCOMP. NÃOCUMULATIVIDADE. ERRO DE FATO NA IDENTIFICAÇÃO DO TIPO DE CRÉDITO. Constatado pelo julgador que o contribuinte declarou em PER/Dcomp equivocadamente um direito creditório como sendo do tipo de crédito de Não Cumulatividade da modalidade Mercado Interno, e tendo ficado claro que o crédito, no exato valor declarado, referese ao tipo de crédito da modalidade Exportação do respectivo período, pode ser como tal considerado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, mediante retificação da declaração em que foram apurados. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. ALCANCE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos ao PIS decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Assim, o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 somente alcança os casos em que houve incidência da contribuição na aquisição de insumos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição para o PIS e da Cofins apurada de forma nãocumulativa as aquisições de bens incorporados ao ativo imobilizado, mas apenas os encargos de depreciação e amortização desses bens, desde que devidamente comprovada a contabilização desses encargos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Reitera ocorrência de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal por meio do qual foi autorizada a realização da auditoria objeto do vertente litígio e que tais vícios acarretam a nulidade de toda a fundamentação exposta no Relatório Fiscal. Assim, explica que o MPF foi lavrado com vigência até o dia 27.11.2011, mas somente depois de transcorrido mais de 1 (um) mês do prazo de validade, em 31.01.2012, foi que a Autoridade fiscal emitiu o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. Contesta a glosa dos créditos extemporâneos, uma vez que tenha sido reconhecido o direito em si e os créditos glosados apenas porque os DACON referentes aos períodos/competências anteriores não foram retificados. A esse respeito, contesta o também entendimento da RFB de que o único meio para recuperação desses valores seria por meio da apresentação de PER/Dcomp para compensação com outros tributos federais, com incidência de atualização pela Taxa SELIC. Argumenta que Entretanto, o aproveitamento de créditos extemporâneos no âmbito do regime não cumulativo da COFINS está fundamentado na previsão contida no artigo 3o, §4°, da Lei n° 10.833/03, e o prazo prescricional para o exercício deste direito consignado no artigo 1o, do Decreto n° 20.910/32 Segue advogando a respeito do tema, discorrendo que, diferentemente da hipótese da regra matriz do Imposto de Renda de Pessoas Jurídica (IRPJ), em que o fato jurídico renda somente se obtém pelo confronto entre receitas e despesas obtidas em certo período (regime de competência), a hipótese da regra matriz da Cofins não contempla tal previsão, mas unicamente a de auferimento de receitas em determinado mês, conforme determina o artigo 1o da Lei n° 10.833/03. Noutro vértice, que os créditos extemporâneos em litígio não existiam à época da apresentação das declarações originais, porquanto somente foram apurados e considerados válidos/legítimos, dotados da segurança necessária para o seu lançamento, em momento posterior, sendo certo que anteriormente a este fato não havia qualquer informação incorreta a ser retificada. Cita na Solução de Consulta n° 35/2005, por meio da qual a RFB teria reconhecido o direito do contribuinte de efetuar a compensação extemporânea sem que fosse necessário apresentar declarações retificadoras para consubstanciar o crédito utilizado. Transcreve jurisprudência do CARF que, segundo alega, confirma seu entendimento. No que concerne à glosa dos créditos computados para os insumos tributados à alíquota zero, explica: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902375/201200 Acórdão n.º 3302003.188 S3C3T2 Fl. 5 7 No entanto, os insumos adquiridos pela Recorrente não tiveram a receita de sua saída beneficiada com a redução a zero das alíquotas da contribuição ao PIS e da COFINS, da forma como preconizava os dispositivos legais transcritos acima, como atestado no curso do procedimento de fiscalização, mas sim foram regulamente tributados, nos moldes da Lei n° 10.833/03, o que, pela regra geral da não cumulatividade, autoriza o aproveitamento do crédito presumido correlato. E, sobre o assunto, finaliza: Quanto ao direito da Recorrente ao aproveitamento dos créditos nos termos do artigo 17, da Lei n° 11.033/04, a 1a Turma da DRJ/BHE entendeu que "ressalvadas as situações específicas previstas na legislação, o que determina o direito ao crédito da Contribuição para o PIS e da Cofins é a incidência dessas na aquisição de bens ou serviços". E conclui, in verbis: No caso em questão o contribuinte não conseguiu comprovar que houve incidência das contribuições nas aquisições efetuadas no período (...). Desta forma, essas aquisições, o presente caso, não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, independentemente de haver ou não incidência na venda dos produtos, (fl. 149) É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Necessário esclarecer, desde logo, que, tendo em vista a decisão tomada em primeira instância de julgamento, reconhecendo parcial procedência à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, assim como o teor do Recurso Voluntário interposto, percebese que restam em litígio apenas as irregularidades identificadas no Relatório supra sob os números 3 e 4. A infração número 2, conforme se percebe, foi a irregularidade afastada no julgamento proferido na instância a quo. A infração número 5 foi, desde o Despacho Decisório, reconhecida pelo contribuinte. Já no que diz respeito à infração identificada pelo número 1, observase das informações contidas no Quadro 01A do Relatório Fiscal, no qual a Fiscalização Federal demonstra os valores glosados em face dessa irregularidade específica, ocorrida ao longo dos anos de 2006 a 2009, que para o período neste fiscalizado (01/07/2008 a 30/09/2008) não houve glosas decorrentes da infração apontada neste item. Esclarecido isso, inicio pelo exame da nulidade arguida pela Recorrente. Tratase de pedido reconhecimento da nulidade do lançamento por ter sido realizado ao amparo de Mandado de Procedimento Fiscal eivado de vício, uma vez que sua vigência estivesse prevista para o dia 27.11.2011, mas somente depois de transcorrido mais de um mês do prazo de validade, em 31.01.2012, a Autoridade fiscal emitiu o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 A esse respeito, como já tive oportunidade de afirmar em inúmeras ocasiões, tal como dispõe o artigo 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa2. Como se observa, no âmbito do processo administrativo fiscal, há induvidosa restrição normativa em relação ao universo dos acontecimentos alcançados pela nulidade. De fato, logo a seguir, o texto legal confirma essa restrição por meio da recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas pelo servidor responsável pela prática do ato processual. Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Quanto a isso, importa destacar, também, que a fase litigiosa do procedimento, nos termos do Decreto 70.235/72, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração3. Haverão de ser menos prováveis as falhas acontecidas ainda no curso da formalização da exigência que tragam prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Uma vez que o auto de infração seja impugnado, terseá iniciado, aí sim, o contencioso tributário, ocasião em que serão contestadas e debatidas as acusações contidas no processo, evento que é, justamente, o elemento garantidor do direito que a parte tem de defenderse das acusações que lhe são dirigidas. Feita essa necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passo ao exame focado especificamente no Mandado de Procedimento Fiscal. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal. A Portaria tinha o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste desiderato, estabeleceuse que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) 3 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902375/201200 Acórdão n.º 3302003.188 S3C3T2 Fl. 6 9 da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) Como se vê, tratase de uma medida inserida dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento de garantia ao direito de ampla defesa. É fato que a instituição do MPF pretendeu atribuir moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que aspectos relacionados aos poderes nele outorgados possam acarretar preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Noutro giro, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº. 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira4. A inevitável conclusão a que se chega é a de que não há no Mandado de Procedimento Fiscal nada que lhe atribua a conseqüência pretendida, nem por preterição ao direito de defesa, nem por falta de competência do agente responsável pelo procedimento. Passo ao mérito. 4 “Art.” 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindo se curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. “Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil”. Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. “Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil”: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus). b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Tal como relatado alhures, a Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos, realizada única e exclusivamente pelo fato de os DACON referentes aos períodos/competências anteriores ao objeto do pedido não terem sido retificados. A esse respeito, creio os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento tenham sido muito felizes ao abordar a questão. Transcrevo excerto contido no Relatório Fiscal. Tal procedimento não é mero formalismo, mas visa obedecer à determinação da legislação de regência da matéria, que impõe que os créditos sejam distribuídos proporcionalmente de acordo com as receitas auferidas pela empresa no mesmo período de apuração, vinculandoos às receitas de mercado interno, tributadas ou não, ou de exportação, sendo que somente esses últimos podem ser objeto de ressarcimento ou utilizados em compensação de débitos próprios. Além disso, visa facilitar o controle e utilização dos créditos para dedução das contribuições devidas, compensação de débitos próprios ou o ressarcimento em espécie. Com efeito, embora o apego ao formalismos exacerbado seja procedimento há muito confrontado nas decisões tomadas no âmbito deste Conselho, é fato que as formalidades exigidas pelo Fisco são, em grande parte, destinadas à formulação de mecanismos de controle da regularidade do procedimento empregado na extinção do crédito tributário devidos pelo Administrado. No caso específico, como é de amplo conhecimento, houve, durante longo período de tempo, a imposição de restrições ao uso do crédito com base no tipo de receita que estivesse a ele vinculado. Embora, a meu sentir, tais restrições tenham sido drasticamente mitigadas pelo disposto no artigo 16 da Lei 11.116/05, persistem certas particulares na forma de uso do crédito escriturado pelo contribuinte. Por exemplo, créditos vinculados às receitas de exportação, conforme inteligência do artigo 6º da Lei 10.833/035 e 5º da Lei 10.637/02, podem ser utilizados para compensação com outros tributos dentro do próprio mês no qual a empresa incorreu nos gastos que deram origem a esses crédito. Já os créditos acumulados em decorrência da desoneração da receita proveniente da operações realizadas no mercado interno somente poderão ser utilizados na compensação com outros tributos ao final de cada trimestre do ano calendário6. 5 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 6 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13884.902375/201200 Acórdão n.º 3302003.188 S3C3T2 Fl. 7 11 E também não será demais lembrar que compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil definir as regras que devem ser observadas pelo Administrado no processo de apuração e utilização dos créditos no sistema da incomulatividade. No caso concreto, a RFB deixa claro de que modo devem ser escriturados os créditos, conforme a seguir se lê. IN SRF nº. 590/2005: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º. O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (grifos meus) E não há nenhuma objeção ao reconhecimento do direito alegado pela Parte, fundamentado na previsão contida no artigo 3o, §4°, da Lei n° 10.833/03 e no artigo 1o, do Decreto n° 20.910/32. O que se exige é que se sejam observadas as formalidades definidas na legislação como instrumento de controle da apuração e utilização dos créditos escriturados, sob pena de restar o Fisco obrigado a revisar e uma enorme quantidade de informações a cada situação na qual o administrado age em desacordo com as regras estabelecidas. O argumento de que somente em momento posterior passou a existir informação incorreta a ser retificada é absolutamente despropositado. Era exatamente em momento posterior que as informações deveriam ter sido retificadas. E nem se fale em regra matriz de incidência das Contribuições. As particularidades de cada tributo ou contribuição não podem, como pretende a Recorrente, serem oposta a razoáveis e necessários mecanismos de controle criados pelo Órgão Fiscalizador com base em competência a ele outorgada por Lei. A Solução de Consulta n° 35/2005, citada em sede de Recurso Voluntário como sendo favorável ao entendimento proposto pela Parte, curiosamente, na leitura que faço, professa em sentido contrário. Ainda que trate da desnecessidade de retificação da DCTF, ao mesmo tempo especifica justamente o procedimento que, em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte considera demasiadamente trabalhoso, qual seja, a compensação eletrônica do saldo credor por meio da apresentação de uma PER/DCOMP. "8. Claro é, portanto, o significado primeiro do termo retificar, que é "corrigir". Para que a DCTF possa ser "corrigida" é preciso que ela tivesse sido entregue "errada", o que, pelo que foi descrito, não é o caso em questão. Quando a consulente entregou DCTF informando débitos sem vinculação de suspensão ou extinção, o que quer dizer prontos para execução de cobrança, assim eram eles, o que representa dizer que a declaração foi apresentada com correção, o que dispensa retificação. A apuração posterior, pelo contribuinte, de algum direito creditório ensejará o direito à compensação daqueles débitos, por opção própria Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 12 observadas determinadas condições, o que exigirá a entrega de uma declaração específica da compensação efetuada, apresentada eletronicamente pelo programa PER/DCOMP, cujo tratamento de homologação exigirá, posteriormente, por parte da autoridade administrativa, manifestação tanto em relação ao direito pleiteada quando à extinção de débito por essa forma. (grifos meus) 9. Diante do exposto, soluciono a presente consulta respondendo à interessada que a compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada." (grifos meus) Por fim, no que se refere à glosa de insumos tributados à alíquota zero, a linha de defesa apresentada em sede de Recurso Voluntário evidencia que Recorrente não entendeu a razão pela qual tais gastos foram desconsiderados. O argumento de que os insumos adquiridos não tiveram a receita de sua saída beneficiada com a redução a zero da alíquota das Contribuições, atesta que, de fato, a motivação da glosa não foi compreendida pela Parte. Sendo assim, é de se esclarecer, mais uma vez, que tais glosas ocorreram não porque a receita decorrente da venda de bens fosse desonerada, mas porque os insumos adquiridos eram tributados à alíquota zero. Quanto a isso, é incontroverso que a aquisição de bens ou insumos não tributados não gera direito de crédito no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, como a seguir se lê. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Pelas razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10865.001848/2006-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1996 a 28/02/1999
MEDIDA PROVISÓRIA. EFICÁCIA. REEDIÇÕES.
A medida provisória é passível de reedição, mantida sua eficácia quando ela se dá dentro do prazo de validade da anterior.
MEDIDA PROVISÓRIA. PRAZO NONAGESIMAL.
Conta-se o prazo da anterioridade nonagesimal para as contribuições sociais a partir da veiculação da primeira medida provisória, posteriormente convertida em lei.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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EFICÁCIA. REEDIÇÕES. A medida provisória é passível de reedição, mantida sua eficácia quando ela se dá dentro do prazo de validade da anterior. MEDIDA PROVISÓRIA. PRAZO NONAGESIMAL. Contase o prazo da anterioridade nonagesimal para as contribuições sociais a partir da veiculação da primeira medida provisória, posteriormente convertida em lei. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Antonio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 48 /2 00 6- 33 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10865.001848/200633 Acórdão n.º 3402003.099 S3C4T2 Fl. 541 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O Município de Limeira/SP compensou supostos indébitos de PASEP relativos aos períodos de apuração de agosto de 1996 a fevereiro de 1999, com seus débitos relativos a outros tributos, administrados pela RFB, vencidos e vincendos. O fundamento do alegado indébito seria de que a partir da edição da Medida Provisória (MP) 1212/95 foram editadas Medidas Provisórias subsequentes após o decurso do prazo de vigência da MP imediatamente anterior, deixando de observar o trintídio previsto pelo artigo 62 da CF. O valor original do indébito, consoante demonstrativo apresentado pelo peticionante, montava, à época em RS 1.948.680,94. Em 02 de agosto de 2007, foi editado Despacho Decisório (fls. 62) da unidade local da RFB (DRF Limeira/SP), o qual considerou não declarada a primeira Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 01 a 13 (protocolada em 29/09/2006) pelo fato de ter sido feito em formuláriopapel, enquanto a IN SRF 460/2004 (art 31, § 1º, II, d) determinava que fosse feito eletronicamente. As demais DCOMP não foram homologadas ao fundamento de que não haveria indébito (crédito) a ser compensado, uma vez decaído seu direito à repetição do postulado indébito e também pelo motivo de que as normas insertas na MP 1.215/95 até sua última reedição foram válidas até a edição da Lei 9.715/98, acrescendo que o art. 17 desta Lei convalidou os atos praticados com base na última reedição daquela MP, o que se deu pela MP 1.67637/98. Em 07/12/2007, foi deferido pedido de liminar em mandado de segurança (nº 2007.61.09.0109899 3ª Vara Federal de Piracicaba/SP fls. 148/154 do processo papel digitalizado), determinando a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados neste processo e a expedição de Certidão Positiva de Débito com efeito de negativa, caso não houvesse outros débitos em aberto (inicial desse mandamus às fls. 160/180). A decisão, de 30/05/2008, no referido writ (fls. 353/363) manteve os termos da liminar em relação aos débitos deste processo "até a decisão final a ser proferida em sede administrativa, no julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela impetrante...". Em 20/07/2007, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho da unidade local da RFB (fls. 74/119), sendo aquela, por meio do Acórdão 14 35.412, da 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP (fls. 225/232), de 29/09/2011, julgada improcedente. Em 06/12/2011, foi interposto o presente recurso voluntário, onde, em suma, entende que seu direito à repetição não decaiu, e no mérito, argui que houve vacatio legis entre algumas das medidas provisórias que vieram a resultar na Lei 9.715/98, que deu novo regramento à cobrança do PIS/PASEP. Às fls. 236 a 244, foi anexado aos autos, sem qualquer despacho circunstanciado, decisão em Agravo de Instrumento proferida pelo TRF3 em que consta como agravante o município de Limeira e como agravada a União, no qual a agravante insurgese "contra decisão que indeferiu o pedido de antecipação de tutela, em ação de conhecimento processada sob o rito comum ordinário com o objetivo de suspender a exigibilidade da Fl. 541DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10865.001848/200633 Acórdão n.º 3402003.099 S3C4T2 Fl. 542 3 contribuição destinada ao PASEP do período que indica". Nessa peça decisória monocrática, de 10/10/2011, o julgador enfrentou a questão da decadência do direito à repetição do indébito e o alcance do art. 3º da LC 118/2005, vazando a parte dispositiva do julgado nos seguintes termos: "Ante o exposto, defiro em parte o efeito suspensivo pleiteado, suspendendo a cobrança do tributo discutido na ação de origem até seu julgamento, num plano de cognição exauriente, pelo Juízo de origem." Não há no recurso da municipalidade (interposto em 06/12/2011, portanto posterior à referida decisão em sede de agravo) qualquer menção a esse fato. Em 08/12/2015, esta Turma, por meio da Resolução 3402000.722, converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes termos: ... voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que o órgão local intime o contribuinte para que este, no prazo de 30 (trinta) dias, informe o processo judicial que deu azo à decisão em agravo de instrumento de fls. 236/244, assim como para que apresente cópia da petição inicial, cópia de eventuais decisões nesse processo, bem como Certidão de Objeto e Pé do mesmo. O contribuinte, por meio do Termo de Intimação nº 03/2016 (fl. 522), de 06/01/2016, foi cientificado para cumprimento da referida Resolução, tendo tomado ciência da mesma em 11/01/2016 (fl. 536). Em 13/04/2016, portanto bem após o prazo para cumprimento dos termos da diligência, não tendo até aquela data o contribuinte se manifestado, foi exarado pela unidade local da RFB o despacho de fl. 537, propondo retorno dos autos a este CARF, o que foi feito. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Enfrento a questão da alegada vacatio legis, superada a questão colocada na diligência. No tocante à vigência da Contribuição para o PIS/Pasep nos moldes da MP nº 1.212, de 1995, reedições e Lei nº 9.715, de 1998, o acórdão do Superior Tribunal Federal no julgamento da ADIN nº 14170 assim estipulou: O tribunal, por unanimidade, julgou procedente, em parte, a ação direta para declarar a inconstitucionalidade no art. 18 da Lei n.º 9.715, de 25/11/1998, da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 01 de outubro de 1995”. O acórdão não poderia ser diferente, pois, de fato, a expressão referida no art. 18 ofende o princípio da irretroatividade das leis, uma vez a Lei nº 9.715, de 1998, pretendia ter sua aplicação a fato anterior ao início da vigência da Medida Provisória n.º 1.212, de 1995, publicada em 29/11/1995, a qual entrou em vigor apenas 90 dias depois, em 01/03/1996. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10865.001848/200633 Acórdão n.º 3402003.099 S3C4T2 Fl. 543 4 Entretanto, o acórdão não declarou a inconstitucionalidade do art. 17, que convalidou os atos praticados com base na Medida Provisória n.º 1.67637, de 25 de setembro de 1998, que por sua vez convalidou o da MP n.º 1.67636, de 1998, e assim regressivamente até chegarmos à MP n.º 1.212, de 1995. Quanto à contagem do prazo para a anterioridade nonagesimal, essa questão está plenamente resolvida no STF: o termo inicial é contado a partir da primeira medida provisória e não da última. As sucessivas reedições em nada afetam este prazo já que o mecanismo de reedição estava previsto no ordenamento legislativo da época (período entre 1995 e 1998). Se assim não fosse, uma medida provisória, naquela época, nunca entraria em vigor até sua conversão em lei, pois necessitaria ser reeditada mensalmente até que se transformasse em lei, justamente para não perder sua eficácia. Ainda com relação a essa vigência, a regra acima é válida para o caso da Contribuição para o PIS/Pasep devida para os fatos geradores a partir de março de 1996, pois as reedições da MP nº 1.212, de 1995, não sofreram a solução de continuidade alegada pela recorrente. Como exemplo, a MP nº 1.365, de 12/03/1996, foi publicada em 13/03/1996. Contandose seu prazo de validade de trinta dias, nos termos da Lei de Introdução ao Código Civil (excluindose o dia de início e incluindose o de término), ela venceria em 12/04/1996, precisamente a data de publicação da MP nº 1.407, de 11/04/1996. Portanto, a reedição daquela MP nº 1.365 foi feita dentro do prazo, como de resto todas as outras reedições relativas à MP nº 1.212. A questão já foi submetida ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, notadamente ao Ministro CARLOS VELLOSO, que, ao examinar pleito veiculado através da Petição nº 1.9539/ SP1, assim se manifestou sobre a questão: “Como se nota, dúvida alguma há de que o prazo de trinta dias para conversão da MP em lei (ou sua reedição) começa a contar a partir da publicação. Após esse prazo ela perde totalmente sua eficácia, desde sua edição, como se não tivesse sido adotada, cabendo ao Congresso Nacional apenas disciplinar as relações jurídicas que dela decorram. No entanto, nosso ordenamento jurídico acolheu como regra de contagem de prazo o princípio dias a quo non computator in termino, pelo qual o dia de início da contagem do prazo, que no caso em exame é o dia da Medida Provisória nº 1.48220, deve ser excluído e dia do término deve ser contado (A respeito dessa regra, confirase no Código Civil o art. 125 caput; no CPC o art. 184; no Código Tributário o art. 210; na CLT o art. 775 e o art. 798 do CPP). Adotandose o princípio supra, ou seja, contando o prazo de dias a partir do dia 10 de setembro de 1997 (quando da publicação da MP nº 1.48220), porém excluindo esse dia na contagem e incluindo o dia do término, notase que o prazo em questão terminou no dia 10 de outubro de 1997 e não no dia 9, como entende a parte Autora, uma vez que o mês de setembro tem 30 dias. Logo, em face dessa regra de contagem de prazo, tenho em conta que a MP nº Fl. 543DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10865.001848/200633 Acórdão n.º 3402003.099 S3C4T2 Fl. 544 5 1.48221, e 10 de outubro de 1997, foi editada no último dia de validade da MP 1.48220, sendo, portanto, eficaz a sua convalidação. A adoção dessa regra de contagem de prazo tem razões de ordem lógica pois se assim não fosse o prazo de trinta dias iria se reduzindo em dia a cada período de trinta dias. Basta imaginar que se o prazo em questão fosse de um dia apenas, a inclusão do dia de início na sua contagem teria como conseqüência a necessidade da Medida Provisória ser convertida em lei no mesmo dia em que foi publicada, ou seja o prazo não existiria de fato.” Tal decisão não divergiu do entendimento da melhor doutrina, como se vê da seguinte lição de CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, de toda aplicável ao caso em exame, que, ao discorrer sobre a contagem do prazo de vacatio legis, ensina: “A forma de contagem do prazo de vacatio legis é a dos dias corridos, com exclusão do dia de começo e inclusão do encerramento, computados domingos e feriados ...” Vejamse, a propósito, os comentários de MARIA HELENA DINIZ ao art. 1º da Lei de Introdução ao Código Civil: “O prazo de vacatio legis contarseá de acordo com o art. 125 do Código Civil, excluindose o dies a quo, o da publicação oficial, e incluindose o dies ad quem, em que se vence o prazo, conforme a velha parêmia romana. Dies a quo non computatur, dies termini computator in termino. Não se conta o dia da publicação (dies a quo), mas se inclui o último dia (dies ad quem).” Digase ainda, que a questão da validade de medidas provisórias sujeitase também ao raciocínio sobre reconhecimento de inconstitucionalidade na via administrativa exposto acima. Em suma, não ocorreu vacatio legis que desse azo aos indébitos pleiteados e parcialmente compensados. Por fim, mesmo que tais óbices não existissem, tenho reiteradamente me manifestado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Mormente quando estes sem qualquer manifestação da Fazenda, já são compensados com débitos líquidos e certos. Para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é exclusivo do contribuinte, já que se trata de declaração de compensação, de seu exclusivo interesse. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10865.001848/200633 Acórdão n.º 3402003.099 S3C4T2 Fl. 545 6 No presente, a interessada limitouse a apresentar a planilha de fl. 14, sem qualquer documentação que a lastreasse, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento. Enfrentada a questão de fundo, entendo por prejudicada a preliminar de mérito acerca da decadência do postulado indébito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11065.721263/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3201-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 12 63 /2 01 4- 21 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 551 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O estabelecimento industrial acima qualificado, originalmente Cassel S/A Indústria de Bebidas, posteriormente Industrial Boituva de Alimentos S/A e, atualmente, Industrial Boituva de Bebidas S/A, doravante designado “Boituva”, foi autuado por Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, para exigência do IPI, no valor de R$ 10.688.950,80, acrescido de juros de mora e da multa de 150% do referido imposto, majorada por reincidência específica, totalizando R$ 29.860.664,83, na data do lançamento de ofício, conforme Auto de Infração das fls. 336 a 344. Os motivos da autuação se acham explicitados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 345 a 352, a seguir resumido. De posse da documentação inicialmente solicitada, a fiscalização verificou que foram escrituradas no livro Registro de Entradas notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento, sob o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 1.949, alusivo a “outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada”, fato em relação ao qual o estabelecimento apresentou a seguinte justificativa: “Estorno dos débitos fiscais extemporâneos produzidos pelo não uso nas épocas oportunas dos créditos fiscais demonstrados nas planilhas anexas com o fito de compensação (abatimento) com os débitos fiscais gerados no período de apuração atual consoante direito potestativo decorrente do art. 153, parágrafo 3, II, da CF/88”. Intimado a dar maiores explicações, o estabelecimento se reportou ao Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, em que, segundo a autora do procedimento fiscal, foi reconhecido o direito ao aproveitamento de créditos do IPI nas aquisições de insumos isentos desse imposto, ou tributados à alíquota zero, ao passo que as aquisições em relação às quais foram aproveitados créditos por Boituva dizem respeito a produtos saídos dos estabelecimentos fornecedores com suspensão do IPI, que é uma técnica fiscal de postergação do pagamento do imposto para etapas subsequentes do processo produtivo, não se confundindo com o benefício fiscal da isenção, nem com a tributação à alíquota zero, suspensão que, sobretudo, não legitima qualquer crédito, dada a inexistência de cobrança do IPI na operação, seja do ponto de vista da legislação tributária, seja do ponto de vista do mandado de segurança invocado pelo estabelecimento. A propósito do referido mandado de segurança, a fiscalização refere a existência de decisão na Ação Rescisória nº 0012600 84.2012.404.0000/RS, favorável à União, permitindo o lançamento de ofício do IPI que não tenha sido recolhido pela utilização de créditos desse imposto, nas aquisições de insumos isentos desse imposto, ou tributados à alíquota zero, excluindo a imposição de multa. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 552 3 A fiscalização ressalta que o principal produto fabricado pelo estabelecimento é a aguardente de cana, que, em razão do princípio constitucional da seletividade do IPI, em função da essencialidade do produto, é normalmente tributado por esse imposto, nas saídas promovidas por Boituva, que é o contribuinte de direito, sendo o ônus correspondente suportado pelos respectivos clientes de Boituva, que são os contribuintes de fato. Ocorre, segue a fiscalização, que graças ao artifício de escrituração dos créditos fictos nas aquisições de insumos saídos dos estabelecimentos fornecedores com suspensão, Boituva não recolhe aos cofres públicos o valor do IPI lançado nas notas fiscais de saída e pago pelos seus clientes, eis que deduz, do montante dos débitos escriturados, os créditos considerados indevidos na presente auditoria. Assim, foi constatado que o interessado utilizou, para dedução de débitos na escrita fiscal do IPI, de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, créditos fictos desse imposto, constantes de notas fiscais de entrada emitidas pelo próprio interessado, sem amparo na legislação e tampouco na decisão judicial invocada, conforme planilha na fl. 349, no valor total de R$ 10.688.950,80 (R$ 6.067.134,26 em 2010 e R$ 4.621.816,54 em 2011), relativos a entradas de álcool e de aguardente de cana, que saíram dos estabelecimentos remetentes com suspensão do IPI, tendo sido promovida a glosa desses créditos e o correspondente lançamento de ofício do IPI, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 150%, por reincidência específica. Notese que a ação fiscal que deu origem ao presente processo 11065.721263/201421, referente ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, também gerou o processo 11065.724728/201315, pela mesma infração, referente ao período de janeiro a dezembro de 2009, além de ter gerado o citado processo 11065.724885/201321, sendo que os três estão sendo apreciados nesta sessão de julgamento. No tocante à glosa de créditos nas aquisições de produtos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, a fiscalização ressalta que a pessoa jurídica havia sido autuada anteriormente pela mesma infração, em especial, nos processos 11065.000887/200197, 11065.001289/200721 e 11065.000577/201063. Além desses processos, também houve autuação sob o mesmo fundamento no processo 11065.001149/00 88. Nesse último processo 11065.001149/0088, o estabelecimento foi autuado pela utilização indevida, no período de janeiro de 1998 a janeiro de 2000, do crédito ficto descrito no item precedente, sendo que a autuação foi objeto da Decisão DRJ/POA no 1.023, de 20 de agosto de 2001, confirmada em segunda instância pelo Acórdão no 20215.422, da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. O julgamento em primeira instância considerou que houve opção do interessado pela discussão na via judicial, no tocante ao aproveitamento de créditos de IPI em aquisições de insumos com Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 553 4 suspensão do imposto, matéria essa objeto do Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, antes mencionado, razão pela qual a impugnação e o recurso não foram conhecidos, nessa parte, e o lançamento foi considerado definitivo na esfera administrativa. No outro processo mencionado, 11065.000887/200197, o estabelecimento foi autuado pela utilização indevida, no período de maio de 2000 a março de 2001, do mesmo crédito ficto nas aquisições de produtos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, sendo que a autuação foi alvo da Decisão DRJ/POA no 1.052, de 27 de agosto de 2001, confirmada em segunda instância pelo Acórdão no 20215.423, da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. O julgamento em primeira instância também considerou que houve opção do interessado pela discussão na via judicial, no tocante ao aproveitamento de créditos de IPI em aquisições de insumos com suspensão do imposto, matéria que, segundo antes mencionado, é objeto do Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, razão pela qual a impugnação e o recurso não foram conhecidos, nessa parte, e o lançamento foi considerado definitivo na esfera administrativa. Em relação aos dois processos citados nos dois itens precedentes (11065.001149/0088 e 11065.000887/200197), sobreveio sentença em outro mandado de segurança, dessa feita de nº 502425496.2012.404.7108/RS, impetrado pelo interessado neste processo. A referida sentença considerou que a matéria objeto do lançamento discutido administrativamente não é a mesma da ação judicial que beneficiou o contribuinte, determinando a apreciação das impugnações interpostas nos processos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, na parte em que não haviam sido conhecidas sob o argumento de opção pela via judicial. O magistrado, na sentença, discorreu com propriedade sobre as diferenças entre os institutos da isenção e da suspensão do IPI. O novo julgamento determinado pelo juízo aconteceu, respectivamente, pelos Acórdãos nº 1046.707 e nº 1046.708, ambos de 30 de setembro de 2013, desta Terceira Turma, que consideraram improcedentes as impugnações apresentadas nos referidos processos, mantendo o crédito tributário exigido em relação às glosas de créditos nas aquisições de insumos saídos com suspensão do IPI do estabelecimento fornecedor. Os dois acórdãos citados transitaram em julgado, sem interposição de recurso voluntário, e os débitos correspondentes foram encaminhados pela unidade de jurisdição do sujeito passivo, para inscrição em dívida ativa. Posteriormente, o interessado voltou a ser autuado pelas mesmas glosas de créditos nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, nessa oportunidade, no processo 11065.001289/200721, mencionado no início deste relatório, processo que focalizou o período que vai de 2003 a 2006, inclusive com majoração da multa de ofício, de 75% para 150%, por reincidência específica. Nesse último caso, o julgamento guardou conformidade com os julgamentos Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 554 5 das autuações anteriores, conforme Acórdão no 1015.059, de 24 de janeiro de 2008, desta Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), mantendose a autuação, sem que se tomasse conhecimento da impugnação no tocante à glosa de créditos nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, dada a opção pela via judicial, nessa matéria. Ainda quanto a esse processo 11065.001289/200721, cumpre relatar que houve interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual foi apreciado conforme Acórdão nº 3403000.947, de 2 de junho de 2011, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, segundo consta nas fls. 1248 a 1260 do citado processo, acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário em comento, exclusivamente para descaracterizar a majoração da multa, por reincidência específica, no tocante a alguns dos períodos de apuração. O voto condutor do aresto considerou o trânsito em julgado em 10 de agosto de 2004, em relação aos Acórdãos 20215.422 e 20215 423 proferidos nos processos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, respectivamente, data a partir da qual o Acórdão nº 3403000.947 manteve a reincidência específica. Importante observar que o sujeito passivo interpôs, em duas oportunidades, embargos de declaração contra o citado Acórdão nº 3403000.947, tendo sido ambos rejeitados, em caráter definitivo, sob o fundamento de que o Recorrente pretendia rediscutir as questões postas em recurso voluntário e devidamente julgadas no acórdão questionado, conforme consta nas fls. 1339 e 1510 do processo 11065.001289/200721. Nesse mesmo processo, ainda houve a interposição de recurso especial pelo interessado, contra os despachos de rejeição dos embargos declaratórios, sem abordar a questão de fundo do antes mencionado Acórdão nº 3403000.947, recurso especial que não foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf, conforme consta nas fls. 1560 e 1561 do processo 11065.001289/200721, por considerar incabível recurso especial contra despacho monocrático de rejeição de embargos. O despacho que não admitiu o recurso especial foi confirmado por despacho do Presidente do Carf, na fl. 1652 do processo 11065.001289/200721. Nesse mesmo processo, recentemente, foi apresentado o requerimento das fls. 1658 a 1660, pelo qual o sujeito passivo postula a exclusão da multa, invocando decisão proferida na Ação Rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS, proposta pela União contra o antes mencionado Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, que havia reconhecido, ao interessado, o direito de se creditar do IPI relativo aos insumos e matériasprimas imunes, isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. O despacho mais recente no processo 11065.001289/200721 é de encaminhamento para ciência do interessado sobre o fato de não ter sido admitido o recurso especial por ele apresentado. Recentemente, em outro processo administrativo, dessa feita protocolizado sob nº 11065.000577/201063, sobreveio nova autuação contra o interessado, também alusiva à glosa de Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 555 6 créditos nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, autuação que foi objeto de impugnação e julgamento por esta Terceira Turma, conforme Acórdão nº 10 31.179, de 29 de abril de 2011, mantendose o lançamento de ofício, sem que se tomasse conhecimento da impugnação no tocante à referida glosa relacionada à suspensão, tendo em vista que Boituva optou por discutir esse assunto na via judicial. O referido Acórdão nº 1031.179 foi alvo de recurso voluntário, que aguarda apreciação pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Carf. Retornando ao presente processo, cumpre dizer que as infrações foram enquadradas nos dispositivos mencionados nas fls. 338 a 340. Quanto à exigência de multa e juros, o enquadramento achase especificado na fl. 344. Cientificado da autuação ora em exame em 27 de março de 2014, segundo consta na fl. 336, o contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, em 24 de abril de 2014, por meio do arrazoado das fls. 357 a 388, firmado por advogado credenciado pelos documentos das fls. 389 a 399 e instruído pelos documentos das fls. 400 a 458, alegando novamente ser beneficiário do direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do referido imposto, com menção e transcrição de excertos doutrinários e jurisprudenciais, reiterando a argumentação apresentada nas impugnações opostas aos diversos lançamentos anteriores, e dizendo, em resumo, o que segue. O impugnante sustenta que, ao lhe ser reconhecido em juízo o direito de aproveitar créditos do IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, fica implícito o direito de crédito do mesmo imposto nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão, dado que, do ponto de vista da defesa, suspensão é espécie do gênero isenção. Segue dizendo que reforça esse entendimento o fato de que suspensão e isenção têm os mesmos efeitos jurídicos e econômicos. Aduz que, na hipótese de suspensão, o IPI incide e, se incide, há necessariamente crédito. Deixar de reconhecer esse direito implica, segundo o impugnante, desobediência à decisão judicial. Segue afirmando que a Ação Rescisória nº 0012600 84.2012.404.0000/RS não tem o efeito de impedir o aproveitamento dos créditos em questão com efeitos retroativos, porquanto, ao tempo da apropriação dos créditos em litígio, vigorava decisão do STF e do TRF da 4ª Região que reconheciam ao impugnante o direito discutido. Para sustentar o exame, neste processo, do litígio sobre o alegado crédito do IPI referente aos insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão, invoca a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 5024254 96.2012.404.7108, que anulou decisões de não conhecimento Fl. 555DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 556 7 dessa matéria baseadas na opção pela via judicial, proferidas nos processos administrativos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, obrigando o conhecimento da impugnação no tocante à referida glosa de créditos. Afirma que a exigência de multa é descabida, à luz do que ficou decidido pelo TRF da 4ª Região na Ação Rescisória nº 0012600 84.2012.400.0000. Além disso, a defesa alega que a multa aplicada no percentual de 150% do valor do tributo exigido é manifestamente inconstitucional, por ser confiscatória. Encerra, pedindo a improcedência da autuação. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2011 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. MULTA. PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, dentro de cinco anos da data em que o infrator tenha tomado conhecimento da decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida, em face da renúncia às instâncias administrativas pela propositura de ação judicial com o mesmo objeto da autuação. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Fl. 556DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 557 8 Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo parcial conhecimento, nos termos que serão expostos no decorrer deste voto. Da Ação Judicial concomitância A recorrente questiona a decisão recorrida em relação aos efeitos que a ação judicial provoca neste lançamento, entendendo que a decisão judicial lhe garante o direito ao credito em relação às entradas de produtos com suspensão do IPI. Afirma ainda que, caso se entenda que a decisão judicial não abrange as entradas com suspensão, então deveria o órgão a quo ter se manifestado sobre a questão, sob pena de cerceamento de seu direito de defesa. Exposta a questão, verifico que a mesma já foi objeto de análise neste Conselho em outro processo administrativo da mesma contribuinte, tendo a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento decidido pela improcedência do pleito. A decisão encontrase formalizada no acórdão nº 3403000.947, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, o qual transcrevese abaixo, e se adota como causa de decidir neste processo: Direito ao crédito pelas entradas com suspensão – interpretação equivocada da decisão judicial. A contribuinte impetrou o Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270 em 26 de outubro de 1999. Na petição inicial respectiva (fls. 18/97) foi pedido o reconhecimento do direito de aproveitamento de créditos do IPI, decorrentes de compras de insumos isentos e/ou beneficiados pela alíquota zero. Na fundamentação do impetrante verificase que existe argumentação no sentido de que a isenção abrange também as “isenções parciais”, entre as quais estariam enquadradas as saídas com alíquota zero e as com suspensão do imposto (fls. 19). Portanto, está correta a decisão de primeira instância na parte em que decidiu pela concomitância com o processo judicial, já que o lançamento impugnado e a ação judicial possuem o mesmo objeto, no tocante ao direito aos créditos do imposto nas entradas de insumos com suspensão do IPI. Por outro lado, a sentença, datada de 30 de outubro de 2000 (fls. 98/105), denegou a segurança. O julgamento da apelação ocorreu em 21 de fevereiro de 2002, conforme fls. 169/177, cuja ementa transcrevo a seguir: “TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 558 9 1. O princípio constitucional da nãocumulatividade tem como finalidade essencial a proteção do consumidor final, evitando que este venha a suportar carga tributária excessiva, decorrente da incidência cumulativa de IPI, nas operações que envolvem o processo de industrialização. 2. O contribuinte tem direito de creditarse do IPI relativo aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, a fim de que o benefício possa ser efetivamente refletido no preço final do produto oferecido ao consumo. 3. Sobre os créditos apurados incide correção monetária, a fim de conservarlhes o poder aquisitivo da moeda.” A literalidade do julgado não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o pronunciamento judicial não fez nenhuma menção ao direito de crédito do IPI nas entradas de insumos com suspensão desse imposto. O exame do inteiro teor do referido acórdão (fls. 169/177) não deixa nenhuma dúvida de que o Judiciário não se manifestou sobre as entradas com suspensão do imposto. Do cotejo do inteiro teor da petição inicial com o inteiro teor do acórdão acima citado, verificase que, conquanto a Recorrente tenha revelado a pretensão de utilizar créditos de IPI pelas entradas de insumos com suspensão, o acórdão do TRF da 4a Região foi omisso quanto a esta questão, tendo se limitado a autorizar créditos do IPI em relação a outras entradas desoneradas do imposto. Não há notícia nos autos de que a Recorrente tenha oposto embargos de declaração ao Acórdão do TRF da 4ª Região, o que tornou definitivo o não reconhecimento pelo Poder Judiciário do direito aos créditos de IPI pelas entradas com suspensão do imposto. Alegou a Recorrente que a Procuradoria da Fazenda Nacional, ao interpor o recurso extraordinário, não recorreu do direito ao crédito quanto aos produtos isentos. Acontece que da ausência de recurso da PFN nesta parte, não decorre logicamente a conclusão de que houve o reconhecimento por parte do Judiciário do direito ao crédito pelas entradas com suspensão de IPI, pois o Acórdão do TRF da 4ª Região foi omisso quanto a esta matéria. A Recorrente citou o julgamento pelo TRF da 4ª Região da Apelação em Mandado de Segurança no 2002.72.03.0002452/ SC, cuja transcrição que foi feita no recurso voluntário, demonstra que naquele caso concreto foi reconhecido o direito ao crédito de IPI pelas entradas com suspensão do imposto. Contudo, além deste julgado beneficiar outro contribuinte, ele foi proferido em 11/06/2006, mais de quatro anos após o julgamento da apelação da Recorrente, o que pode caracterizar uma mudança no posicionamento do Tribunal Regional da 4ª Região. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 559 10 Inexistindo pronunciamento do Judiciário quanto ao crédito de IPI pelas entradas com suspensão do imposto, é óbvio que o lançamento não configura nenhum desrespeito à ordem judicial. (grifo nosso) Como consequência, devido a opção da contribuinte pela via judicial, não se analisará, neste voto, as alegações referentes ao aproveitamento de créditos referente a produtos adquiridos com suspensão do IPI. Da Multa de Ofício Inicialmente, a recorrente afirma que a decisão de mérito proferida na ação rescisória proposta pela Fazenda Nacional, que tem por objeto a decisão judicial acima comentado, impede a aplicação da multa de ofício. Transcrevese o da citada decisão: Entendo que, no caso específico dos autos, o contribuinte não pode ser penalizado com a aplicação de multas, decorrentes da desconstituição da decisão que transitou em julgado e que está sendo rescindida. Afinal de contas a empresa ré nesta rescisória estava, desde 2002, amparada por uma decisão judicial que se tornou, na época (2002) irrecorrível. Observase, de pronto, que a citada decisão não aproveita a recorrente em relação a este processo, pois, como já esclarecido, a contribuinte não possuía decisão judicial que lhe concedia o direito ao crédito em relação as entradas com suspensão de IPI. A recorrente sustenta ainda a inconstitucionalidade da multa no percentual de 150%. Neste ponto, esclarecese que este Conselho não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis. Tal entendimento previsto na súmula CARF nº 2, transcrita abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em estando a exigência da multa de 150% prevista na legislação que rege o tributo, este voto não analisará a questão. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11065.721263/201421 Acórdão n.º 3201002.136 S3C2T1 Fl. 560 11 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 17460.000583/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS. EMBARGOS. OMISSÃO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pela extinto Conselho de Contribuintes, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado, como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 2301-004.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros d o colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão constante em seu dispositivo, para constar decisão a respeito da multa, conforme consta no voto do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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EMBARGOS. OMISSÃO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pela extinto Conselho de Contribuintes, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado, como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros d o colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão constante em seu dispositivo, para constar decisão a respeito da multa, conforme consta no voto do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 05 83 /2 00 7- 39 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 2301004.317 S2C3T1 Fl. 168 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de embargos de declaração, opostos, tempestivamente, pela PGFN, devido a suposta omissão, pois não há, segundo a embargante, no dispositivo do acórdão, matéria decidida quanto à multa, constante no corpo do voto. Segundo o Regimento Interno do CARF, cabem embargos quando há omissão ou contrariedade, entre voto e dispositivo. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Como muito bem exposto pela embargante, apesar de constar no dispositivo e no Voto Vencedor do acórdão o provimento parcial do recurso apenas em relação à decadência (até 01/2002), diante da contradição com a ementa do acórdão não se tem certeza se o julgamento concluiu pelo provimento parcial também para determinar a aplicação da retroatividade benigna do art. 106, II , “c” do CTN. Verificando os autos, há razão em seu argumento e os embargos declaratórios devem ser acolhidos. Acolhidos os embargos, posicionome, como sempre tenho feito, pela aplicação da retroatividade, determina pelo art. 106 do CTN, a fim de sanar a omissão constante em seu dispositivo, para constar decisão a respeito da multa, decidindo que a mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta não é de ser aplicada uma vez que o regime atual não a manteve no procedimento de ofício. Chegamos a essa conclusão pois para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. Portanto, acolho os embargos e deixo registrado, para se somar ao acórdão embargado, que a multa de ofício deve ser excluída, devido ao exposto acima. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. Marcelo Oliveira Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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