Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.720020/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
Ementa:
ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Comprovado erro de fato no preenchimento da declaração, a DCTF retificadora tem a eficácia de alterá-lo.
Numero da decisão: 1302-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 Ementa: ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Comprovado erro de fato no preenchimento da declaração, a DCTF retificadora tem a eficácia de alterá-lo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.720020/2006-21
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861472
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.692
nome_arquivo_s : Decisao_10380720020200621.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10380720020200621_5861472.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7279281
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050306229567488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.720020/200621 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.692 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria CSLL. DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA Recorrente NUTERAL INDÚSTRIA DE FORMULAÇÕES NUTRICIONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Ementa: ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Comprovado erro de fato no preenchimento da declaração, a DCTF retificadora tem a eficácia de alterálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 20 /2 00 6- 21 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10380.720020/200621 Acórdão n.º 1302002.692 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de retorno de diligência designado por esta Segunda Turma (Resolução nº 1302000.426, de 08/06/2016), para possibilitar a apreciação de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão 0820.340, da 4ª Turma da DRJ de Fortaleza, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. POSTERIOR AO LANÇAMENTO. A DCTF retificadora, apresentada depois de notificado o contribuinte do lançamento, não tem a eficácia de alterálo. O erro de fato no preenchimento da declaração comprovase mediante a juntada, com a impugnação, de documentos fiscais e contábeis. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c \ do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ destaca em seu relatório que a DRF efetuou lançamento tributário de CSLL (fls 17/20), relativa ao primeiro trimestre de 1997. O lançamento resultou da fiscalização em relação à DCTF apresentada pela recorrente, em 30/09/1997. Apurou falta de pagamento da contribuição. Formalizou crédito tributário de R$23.538,13, já computados juros de mora e multa de ofício (75%). A recorrente impugnou o lançamento, em 10/12/2001 (fl. 43), sob a alegação de que teria incorrido em erro no preenchimento da DCTF, ao informar a contribuição em valor muito superior ao efetivamente devido. Procedeu, assim, à retificação da DCTF, nos autos de n° 10380.000434/200214 (fl 44). Juntou cópia de DARFs, DCTFs original e retificadora, DIPJ retificadora Planilhas Demonstrativas, protocolo do processo de retificação da DCTF do 1º trimestre de 1997. A DRF analisou a impugnação e os documentos apresentados e concluiu pela improcedência dos créditos tributários constantes do Auto de Infração nr. 1.033, referentes à CSLL dos períodos de apuração 01/1997, 02/1997 e 03/1997 (fls. 47/50). Verificou que houve pagamentos (fl. 25) efetuados anteriormente ao Auto de Infração. Vinculou os pagamentos aos créditos tributários e concluiu pela improcedência parcial do crédito inicialmente constituído. Extinguiu crédito tributário no valor correspondente aos pagamentos. Determinou o encaminhamento para apreciação pela DRJ, o saldo devedor remanescente, R$8.698,59 (fl. 66). Quanto à DCTF e à DIPJ retificadoras, a DRF verificou que os lançamentos remanescentes constavam de tais declarações. Todavia, consignou que as retificações foram Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10380.720020/200621 Acórdão n.º 1302002.692 S1C3T2 Fl. 4 3 canceladas (fl. 51), em virtude de terem sido efetuadas posteriormente aos respectivos lançamentos. Após examinar a impugnação e os documentos apresentados, a DRJ destacou no acórdão recorrido, os seguintes fatos e fundamentos: a) a recorrente não comprovou que houve erro de fato no preenchimento da DCTF. O pedido de retificação da DCTF relativa ao primeiro trimestre contempla a contribuição lançada. Todavia, esse pedido foi indeferido (fl. 51). O pedido de retificação da DCTF, de 09.01.2002 e respectiva DIPJ (fl 26), foi posterior à ciência do lançamento. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo somente pode ser alterado nas situações expressamente estabelecidas nos incisos do art. 145 do CTN, o que não se verifica no presente caso; b) a recorrente menciona o Livro de Apuração do ICMS em sua defesa, no entanto, não juntou tal escrita; Em conclusão, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação. Manteve a CSLL do primeiro trimestre de 1997, no valor de R$8.698,59, mas exonerou a multa de ofício. Ressalvou a cobrança de acréscimos moratórios (juros). A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 04/07/2011 (fl. 67). Interpôs recurso voluntário, em 02/08/2011 (fl. 69), subscrito por procurador constituído por representante legal da contribuinte (fls. 96/105). Apresentou as seguintes razões de recurso voluntário: A recorrente recebeu cinco autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Al n°. 1029), IRRF (Al n°. 1030), COFINS (Al n°. 1031), PIS (Al n°. 1032) e CSLL (Al n°. 1033). Protocolou uma única impugnação abrangendo todos os autos de infração mencionados, pelo fato de os autos de infração serem originários da mesma Declaração de Contribuição e Tributos Federais DCTF, relativa ao 1º Trimestre de 1997. A SRF/FOR desmembrou os autos em cinco processos distintos, conforme discriminado abaixo: Tributo/Contr. A.I. Proc. IRPJ 1.029 10380000435/200251 IRRF 1.030 10380720.017/200615 COFINS 1.031 10380720.025/200653 PIS 1.032 10380720.019/200604 CSLL 1.033 10380720.020/200621 Alegou que, por equívoco a SRF/FOR não anexou a este processo cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS, juntado pelo contribuinte quando fez sua impugnação única. Presente na SRF/FOR, verificou que tal Livro foi anexado às fls. 104 a 108, do Proc. 10380000435/200251, que ainda não havia sido julgado. A Representação (fl. 2) confirma essas alegações. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10380.720020/200621 Acórdão n.º 1302002.692 S1C3T2 Fl. 5 4 Ressaltou que instruiu a sua impugnação com toda a documentação probatória do direito alegado, como cópias autenticadas dos DARFs de recolhimento, da DCTF Original do 1o Trimestre de 1997, do Livro Registro de Apuração de ICMS etc. Ao recurso voluntário, anexou DIPJ retificadora de 25/05/1998; Livro de Apuração do ICMS. Alegou que a DCTF retificadora está anexada ao referido Proc. 10380 000435/200251, sobre a cobrança de IRPJ. Alegou que não poderia ser penalizada por um erro de procedimento cometido pela própria Receita Federal quando esta, ao fazer o desmembramento dos processos, não anexou documento relevante para o deslinde dos processos. Anexou à impugnação única a Declaração de Rendimentos Pessoa Jurídica, Exercício 1997, cujos valores declarados comprovam que houve um erro de preenchimento da DCTF relativa ao 1o Trimestre de 1997. Dentre os erros de preenchimento da DCTF, relativa ao 1º Trimestre de 1997, estão as informações gerais (dados cadastrais e faturamentos mensais) que, com exceção ao número do CNPJ, tinham vínculo ao nome do contribuinte "FOTOSENSORES TECNOLOGIA INFORMÁTICA LTDA", que apresentou faturamentos de R$ 64.596,00 (janeiro/97), R$198.218,00 (fevereiro/97) e R$ 646.168,96 (março/97), comprovados por meio da DCTF Original do 1º Trimestre de 1997, anexados à impugnação. Sendo que, a DCTF correta, com denominação social de "NUTERAL INDÚSTRIA DE FORMULAÇÕES NUTRICIONAIS LTDA.", obteve os faturamentos mensais de R$20.894,20 (janeiro/97), R$2.479,10 (fevereiro/97) e R$657,04 (março/97), conforme se infere do Contrato Social e Último Aditivo, Cartão CNPJ e Livro de Apuração de ICMS, também anexos à impugnação (Relação de documentos juntados originalmente estão no processo n°. 10380000435/200251). Registrou que todos os documentos juntados originalmente pelo contribuinte e que haviam sido citados em sua defesa, encontravamse anexos ao Proc.10380000435/200251, conforme relacionado à fl. 07 daqueles autos. Alegou que não se cuida de disfarçar informações ou fazer uso de subterfúgios para alcançar resultados diversos daqueles constantes nos autos dos processos administrativos. Toda a documentação que comprova ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF relativa ao 1º Trimestre de 1997 se encontra nos autos ou então, no Proc 10380000435/200251 (que contém os originais juntados pelo contribuinte) para que se constate a veracidade do alegado pela recorrente, não havendo, portanto ato lesivo ao Fisco que justifique a procedência do auto impugnado. Diante de tais fatos narrados pela recorrente e dos documentos apresentados em sua impugnação de 09/01/2002 (fls. 3/15), reafirmados em recurso voluntário, 02/08/2011 (fl. 69), quanto aos referidos valores registrados por equívoco em sua contabilidade e DIPJ, relativos a uma outra empresa, que divergiram das informações da DCTF do 1º trimestre/1997, verificouse que havia indicativos de que a recorrente poderia estar correta em suas alegações e que o débito em questão poderia, de fato, não existir. Assim, converteuse o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à DRF, com o objetivo de examinarse a escrituração da contribuinte para confirmar se houve, de fato, erro de preenchimento na 1ª DCTF. Vejase a transcrição do relatório fiscal de conclusão da diligência: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10380.720020/200621 Acórdão n.º 1302002.692 S1C3T2 Fl. 6 5 Para realizar a análise, a DRF anexou aos autos cópia da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ/98, anocalendário 1997, fls. 126 a 132, extraída do sistema IRPJConsulta da Receita Federal do Brasil, acompanhada de cópia do Livro Registro de Apuração de ICMS dos meses de janeiro, fevereiro e março de 1997, fls. 121 a 125, para determinação da receita auferida no 1° trimestre de 1997. Da análise dos documentos acostados aos autos, verificouse que segundo as fichas do Livro de Registro de Apuração do ICMS, o contribuinte auferiu as receitas de R$20.894,20, para janeiro/1997, de R$ 2.479,10, para fevereiro, e de R$ 657,04, para março, perfazendo um total de R$ 24.030,34 para o 1° trimestre de 1997. Assim, considerando que a receita auferida no 1° trimestre de 1997 foi de R$20.894,20, determinouse a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL de R$ 2.883,64 (R$ 20.894,20x12%), apurando uma CSLL de R$ 230,69. Pelo acima exposto, concluise que ocorreu erro no preenchimento da DCTF do 1° trimestre de 1997. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram reconhecidos por ocasião da Resolução, portanto, deve ser conhecido. Na forma relatada, o crédito tributário de CSLL, de R$8.698,59 (fl. 66), referente ao 1º trimestre/1997 foi lançado em auto de infração específico (AI nº 1.033) e apurado mediante fiscalização da respectiva DCTF apresentada pela recorrente. A recorrente alegou que havia erro na referida DCTF, a qual teria sido retificada. Informou que a DCTF retificadora teria sido juntada ao Proc. 10380.000434/2002 14, à fl 44. O acórdão recorrido ressaltou que as retificações contemplam os valores lançados, todavia, as declarações (DIPJ e DCTF) são posteriores ao lançamento em questão e fundamentou que nesse caso, não produzem efeitos. No entanto, como registrouse na Resolução em referência, diante da apresentação, anexo à Impugnação, dos referidos documentos de retificação e esclarecimentos, a DRF poderia ter cotejado a DCTF original, com a respectiva retificadora, e assim verificado se estariam corretos os valores retificados pela recorrente. Essa não verificação pode ter sido motivada pelo fato de que tais documentos não foram juntados neste processo. De todo modo, verificase que a diligência realizada pela DRF permitiu demonstrar, mediante cópia da DIRPJ 1998, anocalendário 1997 (fls. 126/132) e cópia do Livro Registro de Apuração de ICMS dos meses de janeiro, fevereiro e março de 1997, fls. 121 a 125, para determinação da receita auferida no 1° trimestre de 1997, que a recorrente auferiu Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10380.720020/200621 Acórdão n.º 1302002.692 S1C3T2 Fl. 7 6 as seguintes receitas: de R$20.894,20, em janeiro/1997; de R$ 2.479,10, em fevereiro; e de R$ 657,04, para março, perfazendo um total de R$24.030,34 para o 1° trimestre de 1997. Com base em tais constatações, relativas à receita auferida pela recorrente no 1° trimestre de 1997, a DRF determinou a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL de R$ 2.883,64 (R$24.030,34 x 12%), apurando CSLL de R$ 230,69. Sendo assim, constatouse que assiste razão à recorrente, no que diz respeito à ocorrência de erro no preenchimento da DCTF do 1° trimestre de 1997. No entanto, à vista da apuração pela DRF de CSLL a pagar (R$230,69), voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o crédito tributário de R$8.467,90 (R$8.698,59 R$230,69 = R$8.467,90). (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908206/2009-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.908206/2009-63
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861831
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.133
nome_arquivo_s : Decisao_10983908206200963.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10983908206200963_5861831.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7280744
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307004465152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 35 1 34 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908206/200963 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.133 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente CLINICA PRÓVIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 06 /2 00 9- 63 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10983.908206/200963 Acórdão n.º 3002000.133 S3C0T2 Fl. 36 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 00984.45665.200606.1.3.045597, transmitido em 20/06/2006, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 04), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 29/06/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 13/07/2009 (fl. 02/03), na qual informou que foi retificada a DCTF, referente 3° Trimestre/2004, e entregue em 30/06/2009, com as devidas correções dos débitos do PIS, objetivando comprovar o seu direito creditório. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou apenas cópia da DCTF retificadora à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 . COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 31/33), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional c/c Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10983.908206/200963 Acórdão n.º 3002000.133 S3C0T2 Fl. 37 3 o art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, não haveria vedação legal ao procedimento realizado pela ora recorrente e, assim, devendo ser pressuposta sua validade. Ademais, a recorrente assevera que as leis tributárias somente têm o condão de determinar a forma de sua tributação, porém, sem jamais interferir em sua própria natureza jurídica, a ponto de restringir ou atingir o patrimônio do contribuinte para pagamento de débitos, que não são por ele devido. A recorrente não apresenta mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Assim, desde logo, refuto os argumentos jurídicos apresentados pela recorrente. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10983.908206/200963 Acórdão n.º 3002000.133 S3C0T2 Fl. 38 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10983.908206/200963 Acórdão n.º 3002000.133 S3C0T2 Fl. 39 5 No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, limitouse a juntar cópia da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório. Dessa forma, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Por isso, entendo que a decisão atacada foi correta. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37342.000557/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 37342.000557/2005-01
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861885
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.253
nome_arquivo_s : Decisao_37342000557200501.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 37342000557200501_5861885.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7281119
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307098836992
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-27T16:09:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-04-27T16:09:18Z; Last-Modified: 2018-04-27T16:09:18Z; dcterms:modified: 2018-04-27T16:09:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:edc488c1-f0dd-48d8-a5d1-a8d3de31ec51; Last-Save-Date: 2018-04-27T16:09:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-04-27T16:09:18Z; meta:save-date: 2018-04-27T16:09:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-04-27T16:09:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-04-27T16:09:18Z; created: 2018-04-27T16:09:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-04-27T16:09:18Z; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-04-27T16:09:18Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37342.000557/200501 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.253 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARABÁ PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 34 2. 00 05 57 /2 00 5- 01 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 179DF CARF MF Processo nº 37342.000557/200501 Acórdão n.º 2201004.253 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 180DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 37342.000557/200501 Acórdão n.º 2201004.253 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 182DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora.” Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000290/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário.
GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Para a caracterização do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a existência da constituição formal do grupo de direito ou, sendo de fato, a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando a existência do grupo econômico é afirmada pelo relatório fiscal sem qualquer fundamentação.
Numero da decisão: 2201-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência dos valores lançados para o período de 01 a 11/2002. Vencidos os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Quanto ao mérito, em relação aos débitos remanescentes aos excluídos em sede preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos solidários.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a existência da constituição formal do grupo de direito ou, sendo de fato, a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando a existência do grupo econômico é afirmada pelo relatório fiscal sem qualquer fundamentação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.000290/2008-53
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861599
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.386
nome_arquivo_s : Decisao_15504000290200853.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 15504000290200853_5861599.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência dos valores lançados para o período de 01 a 11/2002. Vencidos os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Quanto ao mérito, em relação aos débitos remanescentes aos excluídos em sede preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos solidários. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7279974
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307345252352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 368 1 367 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.000290/200853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.386 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a existência da constituição formal do grupo de direito ou, sendo de fato, a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando a existência do grupo econômico é afirmada pelo relatório fiscal sem qualquer fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência dos valores lançados para o período de 01 a 11/2002. Vencidos os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Quanto ao mérito, em relação aos débitos remanescentes aos excluídos em sede preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos solidários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 02 90 /2 00 8- 53 Fl. 368DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase da análise de recursos voluntários apresentados pela contribuinte (fls. 285/294) e responsáveis solidárias (fls. 296/358) em face do Acórdão nº 0217.822, da 6ª Turma da DRJ/BHE (fls. 262/264), que deu parcial provimento à impugnação da primeira (fls. 77/84) e negou provimento à impugnação das últimas (fls. 106/260) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo à contribuição previdenciária depositada judicialmente. O processo tem origem na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Debcad nº 37.027.1300, relativa ao adicional 2,5% e à parte da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, da Lei nº 8.212, de 1991, no percentual que foi majorado (5%) pela Lei nº 9.876, de 1999, no período de 01/2002 a 12/2002, cujos valores estariam sendo depositados judicialmente no âmbito da ação ordinária nº 2000.38.00.0131552, perante a 22ª Vara Federal de Minas Gerais (fls. 35/40). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 35/40), os valores lançados foram incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP e o lançamento teria por objetivo prevenir a decadência. Foram arroladas as empresas identificadas no item 13 do relatório fiscal (fl. 38) como responsáveis solidárias, porque seriam componentes de grupo econômico. Os Termos de Responsabilidade Solidária Grupo Econômico encontramse às fls. 48/65. A ciência do lançamento ocorreu em 18/12/2007 (fl. 34) para a contribuinte e em 29/12/2007, 02/01/2008 e 03/01/2008 para as responsáveis solidárias (fls. 66/74). As impugnações deram origem ao Acórdão nº 0217.822, da 6ª Turma da DRJ/BHE (fls. 262/264), que excluiu do lançamento a parcela relativa aos acréscimos moratórios. Tendo tomado ciência dessa decisão em 15/09/2008 (fl. 266), a empresa fiscalizada apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 14/10/2008 (fls. 285/294). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 369 3 Em suas razões de recorrer, alega, em síntese, que, quando tomou ciência do lançamento (18/12/2007), o crédito tributário relativo às competências 01/2002 a 11/2002 já estava decaído. Com base nessa alegação, pede a retificação do Acórdão recorrido, com o cancelamento dos valores relativos às competências 01/2002 a 11/2002, bem como a exclusão de juros e multa de mora. As responsáveis solidárias, por seu turno, cientificadas do lançamento em 15/09/2008 (fls. 267/284), apresentaram também tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 296/358) em 14/10/2008. Alegam que não foi demonstrado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal; que o art. 30, inciso IX da Lei nº 8212, de 1991, não poderia criar responsabilidade tributária porque não é Lei Complementar; e que a desconsideração da personalidade jurídica pretendida pela fiscalização só seria possível se demonstrado abuso de personalidade jurídica. Com base nesses argumentos, pedem que seja anulada a atribuição de responsabilidade solidária. Neste Conselho, o processo em questão compôs lote sorteado a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Contribuinte Decadência A empresa autuada alega em sua defesa que o crédito tributário relativo às competências 01/2002 a 11/2002 já se encontrava decaído quando foi cientificada do lançamento em 18/12/2007. Segundo o relatório fiscal, o lançamento foi realizado para prevenir a decadência e o valor lançado corresponde à importância depositada judicialmente, não tendo sido apurada qualquer diferença. O lançamento realizado para prevenir decadência tem tratamento específico no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Fl. 370DF CARF MF 4 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Conforme se verifica na leitura desse artigo, ele faz remissão a apenas duas das modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tratadas pelo art. 151 do CTN, ficando dele excluída a hipótese relativa ao depósito judicial. Isso não quer dizer que possa ser realizado lançamento de ofício com imposição de multa quando houver depósito do montante integral, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, esse lançamento é desnecessário, porque não há fluência do prazo decadencial. Nesse sentido, transcrevo do texto intitulado "Possibilidade de dispensa do lançamento tributário para prevenir decadência nos casos de depósito do montante integral", de Igor Rosado do Amaral (<http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=16096> acesso em 07/12/2017): Predomina doutrinariamente o entendimento de que o lançamento para prevenir decadência, consubstanciado no art. 63 da Lei nº 9.430/96, já apresentado, não se aplica à hipótese de existência do depósito integral, conforme explica Machado (2008, p. 187): “A interpretação literal do art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional nos leva a entender que o depósito é um meio para suspender a exigibilidade do crédito tributário, que pressupõe tenha havido o lançamento. Na verdade, porém, o depósito suspende também a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado dos tributos nos casos em que esse pagamento antecipado seja legalmente determinado, vale dizer, em relação aos tributos submetidos ao lançamento por homologação, disciplinado pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, mesmo sem existir o crédito tributário cuja exigibilidade deva ser suspensa pelo depósito, este é possível e tem o efeito de suspender a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado. O depósito suspende a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado e assume o lugar deste para ensejar a homologação, expressa ou tácita, da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo na apuração do respectivo montante. Feito o depósito, a autoridade geralmente é chamada a se manifestar sobre o mesmo, e, se concorda com o valor correspondente, essa concordância opera a homologação da atividade apuratória, consumandose, desta forma, o lançamento. Assim, não se cogitará mais de decadência. [...]Uma vez efetuado o depósito, em relação ao Fl. 371DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 370 5 valor correspondente não se há de cogitar mais de decadência, nem de prescrição. É que o depósito enseja o lançamento pela simples homologação, expressa ou tácita. E torna inteiramente sem sentido a ação de execução, porque, se a decisão final na ação em cujo âmbito tenha sido realizado for favorável à Fazenda Pública, a conversão do depósito em renda desta extinguirá o crédito tributário respectivo.” (grifo nosso) Esta posição é corroborada, com base em análise jurisprudencial, por Schoueri (2012, p. 1.199), que acrescenta: “Embora a sistemática do Código Tributário Nacional faça crer que sem o lançamento inexiste crédito tributário, a jurisprudência tem visto tal formalidade como desnecessária, afirmando que o débito declarado prescinde de um lançamento para que se efetue a cobrança. Ou seja: se o contribuinte declarou que deve um tributo, mas não o pagou no vencimento, a Administração pode inscrever o débito em dívida ativa e cobrá lo, inclusive em juízo, sem que precise, antes, efetuar um lançamento.” Ainda que o depósito do montante integral não seja pressuposto para a discussão da existência da obrigação tributária, ou da relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, este ocorre, geralmente, quando o contribuinte pretende declarar inconformidade, seja judicial, seja administrativa, em relação à exigência, diante do que se manifesta Coelho (2002, p. 85): “Em tais circunstâncias a cautela requerida ao juízo, garantindo com o depósito da quantia litigada, é sempre para que a Fazenda Pública se abstenha dos atos de lançamento ex officio enquanto durar a lide e até que seja resolvida pela prolação de um julgado irrecorrível. Na hipótese de a Fazenda sair vencedora, o depósito se converte em renda (art. 156, VI do CTN), extinguindose o crédito tributário pertinente, sem que tenha havido lançamento, evidentemente desnecessário, porquanto a juridicidade do crédito já foi declarada pelo Poder Judiciário, revisor da lei fiscal e dos atos tributários da Administração.” E, na mesma linha, Paulsen (2013, p. 2.475): “Em face de o depósito ficar vinculado, legalmente, à decisão final, estando, desde o início, vocacionado à conversão em caso de não restar o contribuinte vencedor, só será necessário o lançamento se o Fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Não haverá que falar em decadência, pois o depósito supre a necessidade do lançamento. De fato, já tendo o contribuinte apurado o montante devido e o vinculado ao resultado da demanda mediante o depósito, não há que se exigir o lançamento, que nenhuma função teria. [...] No prazo decadencial, deve ser constituído o crédito tributário pelo lançamento ou ser o crédito formalizado de outro modo, dispensando a realização do lançamento: declaração do débito, confissão para fins de parcelamento, depósito do montante do crédito etc. (grifo nosso).” Fl. 372DF CARF MF 6 Este é também o entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro Mauro Campbel Marques no Acórdão nº 1.008.788/CE: Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência deste STJ firmouse no sentido de que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão do crédito tributário, promoveu a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso, porque verificou a ocorrência do fato gerador, calculou o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário foi constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Destarte, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendese que o crédito foi constituído pelo contribuinte quando do depósito da quantia apurada, não havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por parte da autoridade. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 371 7 Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito, que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou ser restituído ao sujeito passivo. Também merece registro o Parecer PGFN/CAT/Nº 941/2007, que revisou o Parecer CRJ nº 1.064/93, ao tratar da necessidade de lançamento na hipótese de depósito integral do valor em litígio: 3. O posicionamento a ser revisado entendia que “colimandose o preceito do art. 151 do Código Tributário Nacional, em relação ao disposto no art. 62 do Decreto nº 70.235/72, resulta que a autoridade fiscal, diante de medida liminar em Mandado de Segurança, ou ante o depósito integral do montante em litígio, em procedimento cautelar, deve efetuar o lançamento tributário, abstendose, contudo, de qualquer medida, em relação ao sujeito passivo, que vise constrangêlo ao pagamento”. 4. Com base nisso, os contribuintes vinham alegando que nos casos em que efetuavam o depósito do montante discutido, e ao final a Fazenda Nacional saía vitoriosa, não seria possível a conversão em renda da União se a autoridade tributária não tivesse lançado o tributo no prazo legal. Assim sendo, o entendimento do Parecer PGFN/CRJ nº 1.064/93 vinha prejudicando a argumentação defendida pela PGFN em juízo. 5. A diferença básica entre o antigo parecer da PGFN e as recentes decisões do STJ é que nestas foi trazida para a discussão a situação peculiar dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Apesar de a lei ser expressa quanto à competência privativa da autoridade administrativa para o lançamento (art. 142 do CTN), há também os casos de lançamento por homologação onde essa mesma lei (art. 150 do CTN) ordena que o contribuinte apure o seu próprio débito, sob controle a posteriori daquela autoridade. 6. Equiparase esta situação ao que ocorre no depósito do valor em litígio: o contribuinte apura a quantia, mas ao invés de pagar efetivamente o tributo, deposita a quantia correspondente. A administração ao tomar ciência do montante devido poderá fazer sua própria apuração e se o valor depositado for menor do que o apurado ocorrerá o lançamento expresso pela autoridade. No caso de depósito de valor idêntico ao apurado pelo Fisco, este poderá homologálo tacitamente. Na lição de Leandro Paulsen: “impõese considerar, entretanto, que só será necessário o lançamento se o fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Do contrário, não fará sentido algum, eis que o depósito, por natureza, está vinculado ao resultado da demanda, de forma que, se improcedente, ocorre a conversão em renda da União” (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 2ª ed. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2000, p. 517) Fl. 374DF CARF MF 8 7. Neste sentido podemos citar trecho do Acórdão no Recurso Especial nº 615.303/PR, onde o Ministro José Delgado esclarece: “os contribuintes ao disponibilizarem essa importância ao Juízo, para garantir eventual insucesso no pleito formulado, induvidosamente tornaram explícito o quantum que não foi pago à Fazenda e, assim sendo, findaram por declarar e identificar a obrigação tributária pendente de solução judicial. Não havendo, portanto, como se desconhecer tal evidência jurídica, e reclamar da autoridade tributante a prática de ato expresso que consubstanciasse o lançamento do crédito objeto de controvérsia, isto porque se apresenta notório o direito à conversão do depósito em renda em favor do fisco”. 8. Neste mesmo sentido, decidiu o Ministro Teori Albino Zavascki, quando ainda integrava o Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Transitada em julgado a sentença denegatória do pedido do contribuinte, cabível a conversão em renda dos depósitos judiciais correspondentes. Em se tratando de tributos sujeitos a autolançamento (ART – 150 do CTN 66), a conversão pode ser feita desde logo, independentemente de prévio lançamento ex officio.”(TRF 4ª Região, AG 9604323830 – RS, 2ª Turma, DJ de 30/04/1997) Com base nos argumentos expostos, nego provimento ao recurso da empresa fiscalizada no que diz respeito à alegação de decadência. Juros e multa de mora A empresa autuada pede também o cancelamento da exigência fiscal no que diz respeito aos juros e multa moratórios. Penso que lhe assiste razão. Acerca da possibilidade de se exigir multa ou juros moratórios sobre valores de contribuições previdenciárias depositadas judicialmente, este Conselho registra jurisprudência uníssona, conforme revelam os seguintes julgados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/08/2001 PREVIDENCIÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INDEVIDOS A súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF pacificou a questão dos juros de mora, no sentido de que existindo depósito no montante integral são indevidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. No que diz respeito a multa de mora, o comando do § 2º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aduz que: “ Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, (..) Fl. 375DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 372 9 A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. ” CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA. O depósito é garantia do pagamento do tributo, com destino vinculado à decisão que vier a transitar em julgado. (Acórdão nº 403001.485) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL INCRA AÇÃO JUDICIAL JUROS E MULTA MORATÓRIA LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. Tendo o auditor descrito no relatório fiscal que os valores lançados correspondem aos valores depositados em juízo e contabilizados pela empresa, não cabe a incidência de juros e multa. (Acórdão nº 2401003.731) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. Fl. 376DF CARF MF 10 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. (Acórdão nº 2302002.762) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MATÉRIA SUB JUDICE LANÇAMENTO POSSIBILIDADE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO A existência de discussão judicial relativa à exigibilidade de determinada contribuição não é óbice ao lançamento que é atividade vinculada, ainda que exista depósito do montante integral, cuja conseqüência é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL ENCARGOS MORATÓRIOS Na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cujo valor tenha sido objeto de depósito judicial, não cabe a exigência dos encargos moratórios, juros e multa, uma vez que o depósito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora. (Acórdão 2402 003.134) Ampliando a análise da jurisprudência deste Conselho para as demais Seções de Julgamento, merece registro o seguinte trecho do voto da Conselheira Tatiana Midore Migiyama, relatora no Acórdão nº 933005762, cujas razões adoto: Passadas tais considerações, passo a análise se seria devido os acréscimos moratórios sobre a parcela do crédito tributário objeto de depósito judicial. Em relação à essa matéria – que não é nova nesse Colegiado, expresso meu entendimento pela concordância ao voto do relator do acórdão recorrido – o que peço vênia para transcrever: “[...] Recordase que em 20.2.2002, por meio da Guia de Depósito Judicial de fl 91 o sujeito passivo realizou depósito judicial no valor de R$ 277.675,12 – que representa metade do valor do crédito tributário exigido e devido. O depósito foi efetivado antes do vencimento da divida, que se deu em 27/02/2002, naquela data, apenas o valor do crédito tributário principal era devido, Fl. 377DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 373 11 portanto, sem incidência de nenhum acréscimo moratório, seja a título de juros ou multa. Portanto, sobre este valor depositado, na transformação em pagamento definitivo, na forma do preceito legal supra transcrito, se for o caso (a depender da decisão judicial definitiva ainda em curso), não incidirá qualquer acréscimo moratório.” Frisese o REsp n. 1.348.640/RS que decidiu que “na fase de execução, o depósito judicial do montante (integral ou parcial) da condenação extingue a obrigação do devedor, nos limites da quantia depositada”. É de se observar ainda a inteligência do art. 9º, § 4º, da Lei 6.830/80: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: [...] § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Com efeito, se o depósito for feito integralmente ou parcialmente não há que se falar em encargos moratórios e de penalidades sobre o valor depositado, ficando, assim, afastada a incidência daqueles encargos sobre o sujeito passivo. O que, por conseguinte, entendo ser indevida a incidência de juros e multa de mora sobre a parcela do valor do crédito tributário depositado em juízo antes do seu vencimento (art. 1º da Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, combinando com o disposto no inciso lido art. 151 do CTN). Ademais, cabe salientar que não se aplica para o presente caso a Súmula CARF nº 5 – que diz que “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Eis que tal súmula foi considerada com suporte em acórdãos que somente tratavam de hipóteses referentes a concessões de liminar, e não a depósitos judiciais. Pelas razões acima expostas, entendo que deve ser afastada a exigência no que diz respeito aos juros e multa moratórios. Responsáveis solidárias As empresas a quem foi atribuída responsabilidade solidária solicitam sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária pelas razões que foram expostas no relatório. Embora por motivo diverso, penso que lhes assiste razão. Fl. 378DF CARF MF 12 Analisandose o relatório fiscal (fl. 36), vêse que o item 13 se limita a afirmar a existência de grupo econômico e arrolar as empresas que o comporiam, sem qualquer preocupação em demonstrar os fundamentos para essa afirmação. O mesmo ocorre nos termos de responsabilidade solidária por grupo econômico, onde é afirmada a existência deste e os seus efeitos tributários sem qualquer fundamentação. Por amor à clareza, transcrevo abaixo os atos normativos que conduziriam à responsabilidade de que ora se trata: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Decreto nº 3.048, de 1999 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/D40 32.htm art1 In RFB nº 971, de 2009 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Se a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária deve ser demonstrada pela Autoridade Fiscal para que se torne legítima a constituição do crédito tributário, a mesma sorte merece a atribuição de responsabilidade por esse crédito. De fato, para que surja a responsabilidade é também necessário demonstrar a ocorrência dos fatos que lhe deram origem, o que não foi realizado no processo em questão. Quanto a esse aspecto, por sua clareza, transcrevo trecho do voto da Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarine, no Acórdão nº 2401004.470: Sobre os "grupos econômicos", têmse os constituídos formalmente (de acordo com a Lei 6.404/76) e os denominados "grupos econômicos de fato", que podem ser regulares ou irregulares. A Lei 6.404/76, denominada "Lei das Sociedades Anônimas", cuida do "grupo econômico" (que denomina "grupo de sociedade"), legalmente constituído, limitandose a estabelecer as normas aplicáveis nos casos em que uma sociedade Fl. 379DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 374 13 controladora e suas controladas deliberada e formalmente constituem um grupo, que se sujeita, portanto, às devidas exigências legais, inclusive registro público. Além dos grupos econômicos formalmente constituídos, são frequentemente encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Esses "grupos de empresas" são os denominados grupos econômicos de fato, que podem ser regulares ou irregulares. Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem dotados de formalização legal, não realizam práticas dissuasivas irregulares, ao serem constituídos. Os grupos econômicos de fato e irregulares também não são dotados de formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na sua constituição, com o objetivo, dentro outros, de se eximir ilegalmente do pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança. A partir dessa explicação, que prima pela didática, vêse que os grupos econômicos a que se refere o art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991, podem ser de duas naturezas: de direito, quando assim constituídos; de fato, quando, sem estarem assim formalizados, apresentam direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo conjunto de pessoas, característica que evidencia a existência do grupo. Sendo de direito, a prova da sua existência darseia pela apresentação dos instrumentos que formalizaram sua constituição. Sendo de fato, pela demonstração das peculiaridades na relação entre as pessoas jurídicas envolvidas, compatíveis com a estrutura e funcionamento de um grupo econômico. Em ambas as hipóteses, fazse necessário demonstrar essa situação. A fiscalização não se reporta aos atos constitutivos para demonstrar a existência do grupo econômico de direito e também não traz elementos para a caracterização do grupo de fato. Quanto a este último, a demonstração de sua existência deveria se dar nos termos que são assim descritos pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, no Acórdão nº 2402005.776: Como se vê, para a caracterização de grupo econômico as normas acima exigem que haja um comando centralizado das empresas envolvidas. A moderna doutrina do Direito Laboral, avançando na interpretação destes dispositivos, lança mão do "princípio da primazia da realidade", para acolher o entendimento de que para configuração de grupo econômico de fato, basta a existência de provas nos autos demonstrando que entre as empresas constantes da relação jurídica processual trabalhista haja direção ou controle ou administração, ainda Fl. 380DF CARF MF 14 que seja coordenação horizontal, tendo um objeto social que evidencie o propósito comum das empresas. A questão também foi desenvolvida pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no voto condutor no Acórdão nº 2201003.285, de onde se extrai: Encontramos no relatório fiscal a comprovação de grupo econômico caracterizado pela existência de sócios comuns, mesma atuação dentro da atividade econômica, confusão patrimonial e ainda, utilização de meio comum para atingimento dos objetivos sociais. Merece menção, ainda, o Acórdão nº 2402002.819: Desta forma, para que seja configurada a existência de um grupo econômico, é necessário que a autoridade tributária, especialmente por ocasião do relatório, demonstre que efetivamente há unicidade de comando estratégico entre as empresas, e que as empresas se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e recursos humanos, além de estarem subordinadas a um mesmo comando, caso contrário não estaria configurada a existência de um grupo econômico. Na hipótese em questão, o relatório fiscal se limita a afirmar a existência do grupo econômico, o que não é suficiente para suportar a atribuição de responsabilidade pretendida. E a perfeita identificação do sujeito passivo, com a demonstração dos fundamentos de fato e de direito para tanto, constitui matéria essencial ao lançamento, a teor do comando inserto no art. 142 do CTN. Com base no exposto, por falta de fundamentação apta a amparar a pretensão, entendo por bem afastar a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas listadas no item 13 do Relatório Fiscal (fl. 38). Conclusão Com base no exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte para determinar a exclusão dos valores relativos a multa e juros moratórios e dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelas responsáveis solidárias. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 381DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 375 15 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pese o brilhantismo do voto da insigne Conselheira Relatora, ouso, com o máximo respeito, dela discordar quanto aos efeitos da decadência verificada. Explico. No entendimento da Relatora, não há necessidade de constituição de crédito tributário por meio de lançamento quando se observa que houve depósito do montante integral de tal crédito. Recordemos seu raciocínio: "A empresa autuada alega em sua defesa que o crédito tributário relativo às competências 01/2002 a 11/2002 já se encontrava decaído quando foi cientificada do lançamento em 18/12/2007. Segundo o relatório fiscal, o lançamento foi realizado para prevenir a decadência e o valor lançado corresponde à importância depositada judicialmente, não tendo sido apurada qualquer diferença. O lançamento realizado para prevenir decadência tem tratamento específico no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Conforme se verifica na leitura desse artigo, ele faz remissão a apenas duas das modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tratadas pelo art. 151 do CTN, ficando dele excluída a hipótese relativa ao depósito judicial. Isso não quer dizer que possa ser realizado lançamento de ofício com imposição de multa quando houver depósito do montante integral, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, esse lançamento é desnecessário, porque não há fluência do prazo decadencial." (destaquei) Fl. 382DF CARF MF 16 Linhas adiante, após reproduzir algum entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre o tema, a Relatora assevera: Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito, que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou ser restituído ao sujeito passivo E assim conclui: "Com base nos argumentos expostos, nego provimento ao recurso da empresa fiscalizada, mantendo integralmente o lançamento realizado." Inegável o equívoco conceitual em que incorreu a eminente Relatora. Vejamos. O crédito em discussão, como apontado, decorre de autuação fiscal em que existindo ação judicial com depósito do montante integral a autoridade lançadora opta por realizar um lançamento tributário visando prevenir eventual decadência do crédito tributário decorrente da demanda proposta. Ora, a motivação do lançamento de per si já demonstra o equívoco do voto. Ao reconhecer ser despicienda a constituição de crédito por ato da autoridade fiscal, e observar a fruição do lapso temporal para que se procedesse tal constituição, não se pode admitir que tal ato administrativo continue produzindo efeitos. Com efeito. O lançamento visa precipuamente prevenir a perda do direito do Fisco em realizar a constituição do crédito tributário em face de ocorrência de interstício temporal no qual o credor, o Fisco, permanece inerte não exercitando seu direito de constituir o crédito tributário. Essa é a definição de decadência. Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 142ª ed., Ed. Saraiva, pag. 461): "A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo (...) Só se observa o efeito extintivo da obrigação tributária, porém, quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação tributária" Ora, ao reconhecer que houve a obrigação tributária, que surge, infalivelmente nos dizeres de Paulo de Barros, com a ocorrência do fato gerador, o Fisco decide por praticar seu ato administrativo de constituição do crédito tributário, porém, o faz fora do lustro permitido pelo artigo 150, § 4º, do CTN O reconhecimento da decadência nada mais é de que a comprovação de que o crédito tributário constituído pelo lançamento não pode prosperar posto que extinto, ou seja, não há mais direito de crédito a ser reconhecido pelo Fisco, uma vez que este se quedou inerte quanto ao exercício desse direito por um lapso temporal maior do que o permitido pela lei. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 15504.000290/200853 Acórdão n.º 2201004.386 S2C2T1 Fl. 376 17 Com o perdão da repetição: a extinção do crédito tributário pela comprovação da decadência ocorrida não afeta de modo algum o depósito judicial realizado pelo contribuinte e reconhecido pela Autoridade Fiscal, apenas e tão somente impede o Fisco da agir no sentido da constituição desse crédito atingido pela caducidade. O que há efetivamente é a impossibilidade de discussão sobre valores constantes do lançamento tributário decorrente do lançamento aqui combatido, vez que o ato administrativo foi realizado fora do período que em era permitido à Administração Tributária, realizálo. Tal entendimento, decorrência lógica da própria jurisprudência mencionada no voto, se encontra demonstrado também doutrinariamente. Em livro coordenado por Eurico Marcos Diniz de Santi (Decadência no Imposto sobre a Renda, Investigação e Análise I, Editora Quartier Latin, pag. 106), encontramos exatamente a mesma questão aqui analisada. Reproduzo: "É imprópria, assim, a interpretação de que o depósito judicial pertence ao depositante, ou está a disposição do juiz.Ele representa o objeto cuja titularidade está sendo discutida judicialmente e, ao final da demanda, deve ser atribuído ao vencedor. Contudo, o lançamento é necessário, não só porque a Lei nº 9.430/96 assim implicitamente cogitou, mas também para liquidação do valor devido e como segurança contra interpretações judiciais divergentes. Cabe à autoridade julgadora, neste contexto, avaliar se a autoridade lançadora ainda tinha competência para editar a norma jurídica vinculada pelo lançamento, competência esta cujo aspecto temporal é definido mediante a fixação dos prazos decadenciais. Significa dizer que, se o lançamento for efetuado a destempo, deve ser declarada a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento, o que não implica concluir que o crédito tributário esteja extinto pela decadência, por ser possível cogitar sua constituição também na esfera judicial" (destaquei) Em que pese, de minha parte, alguma discordância teórica com o final do excerto reproduzido (posto que o que há no depósito judicial é uma forma de pagamento do crédito tributário devido, verdadeira constituição de crédito por meio do lançamento por homologação vez que o contribuinte somente cumpre (perante o juiz), os ditames do artigo 150 do CTN), inegável que a distinção entre decadência e a conversão em renda do depósito do montante integral como formas de extinção de crédito tributário, se demonstra. Como exemplo de tal assertiva, podemos imaginar um crédito tributário extinto pelo pagamento, no entendimento do contribuinte, que o Fisco pugna ser insuficiente para o cumprimento integral da obrigação tributária que lhe deu origem. O fato de terse operado a decadência do direito de constituir tal crédito, pela Administração Tributária, não implica em dizer que os valores pagos podem ser objeto de pedido de ressarcimento ou compensação. Fl. 384DF CARF MF 18 Em resumo: a decadência operada se consubstancia na impossibilidade de lançamento de ofício do crédito tributário relativo ao período caduco, como se verifica no caso concreto, uma vez que, como apontado pela Relatora, tal crédito se refere a período anterior a novembro de 2002, inclusive. Tal constatação em nada, absolutamente nada, afeta os valores depositados, pelo Recorrente, em juízo. Destarte, embora despiciendo o lançamento para prevenir decadência quando há depósito do montante integral, como bem esposado pela Conselheira Dione Wasilewski, se tal ato administrativo for realizado, como no caso em apreço, deve, tal procedimento, se pautar por todas as normas a ele aplicáveis, inclusive o respeito ao lapso temporal em que pode ser realizado. Mister apontar, por amor a clareza, minha total aquiescência com os demais pontos do voto da ínclita Relatora. CONCLUSÃO Em face do exposto e pelos fundamentos apresentados, e ainda, compatibilizando meu voto com os demais termos do voto da Relatora, voto, em acatar a preliminar arguída, em razão do reconhecimento da decadência operada, para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos as competências de janeiro a novembro de 2002, inclusive. No mais, no mérito, em relação aos débitos remanescentes aos excluídos em sede preliminar, voto por dar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos solidários. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900038/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 3301-004.611
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.900038/2008-15
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868381
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.611
nome_arquivo_s : Decisao_10882900038200815.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10882900038200815_5868381.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7316393
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307407118336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 151 1 150 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.900038/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.611 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 00 38 /2 00 8- 15 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 152 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 63/71), abaixo transcrito: O sujeito passivo em referência manifesta sua inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação declarada na Per/Dcomp nº 24119.47994.301104.1.7.040918, por meio da qual pretendia extinguir o débito de R$ 7.916,41 referente ao Pis de outubro de 2003. O crédito que alega possuir tem origem em DARF utilizado para pagamento de PIS relativo ao período de apuração 30/06/2003. O Despacho Decisório atacado foi proferido com base na seguinte constatação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. Alega o interessado que impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0023490 com o objetivo de recolher a contribuição ao PIS na forma prevista na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, tributo calculo à razão de 5% sobre o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A liminar pleiteada não foi deferida, mas a decisão de primeira instância foi reformada em sede do agravo de instrumento interposto ao TRF da 3ª Região, decidindose favoravelmente à recorrente. Sustenta que houve erro de fato no recolhimento promovido em 15/07/2003, uma vez que providenciou dois recolhimentos no valor de R$ 332.205,54, na modalidade conhecida como PIS repique e PISdedução, quando deveria ter realizado dois recolhimentos de R$ 10.664,27. Os valores devidos decorrem da aplicação da alíquota de 5% sobre o valor de R$ 213.285,44 (estimativa do IRPJ incidente em 15% sobre a receita bruta de R$ 1.421.902,91). Todavia, cada recolhimento foi indevidamente calculado com base em 5% do Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 153 3 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real provisionado (R$ 11.071.517,93). Percebido o erro de fato, declarou, em 30/11/2004, a compensação objeto do Despacho Decisório combatido. Como, na DCTF original, não ficou evidenciado o recolhimento a menor, noticia ter transmitido, em 20/11/2007, DCTF retificadora na qual informou que, do débito apurado a título de PIS, R$ 21.328,54 estariam extintos por pagamento e R$ 994.666,76 estariam com exigibilidade suspensa. Informa que, em 27/11/2007, a tutela concedida foi cassada, o que o levou a promover, dentro do prazo previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o recolhimento no valor de R$ 28.846.704,12, diferença entre as contribuições previstas na Lei nº 10.637, de 2003, e a Lei Complementar nº 7, de 1970. Requer que a DCTF retificadora seja efetivamente processada e que o despacho decisório combatido seja reformado, homologandose a compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1532.0124ª Turma da DRJ/SDR (fls 63/64), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 77/148, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO; 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170a DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 154 4 É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO Informou a Recorrente que efetuou recolhimento a maior no período de apuração de junho de 2003, deixando de aplicar liminar que lhe era favorável. Apresenta a seguinte tabela: E concluiu que "não resta dúvida de que houve recolhimento a maior no montante de R$ 321.541,27, para o período originário do crédito." Conforme observouse na decisão de piso, para o contribuinte do IRPJ pelo lucro real, no ano de 2003, a norma legal que disciplinava as contribuições para o PIS era a Lei nº 10.637, de 2002. Esta lei instituiu o regime nãocumulativo do PIS. No entanto, em mandado de segurança impetrado, a Recorrente requereu que fosse submetida à sistemática da arrecadação do PIS em sua modalidade PISrepique e PIS dedução, na forma estabelecida pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970. A Recorrente não obteve liminar, mas o o TRF da 3ª Região lhe concedeu a tutela antecipada. Essa tutela foi revogada com a sentença judicial de primeira instância, publicada em 26/10/2007 (conforme extrato constante da decisão recorrida) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 155 5 Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, ausentes os pressupostos legais, DENEGO A SEGURANÇA requerida. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.º 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Comuniquese a Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal Relatora do Agravo de Instrumento n.º 2003.03.00.0007108, a respeito do teor desta decisão. Após o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em receita a favor da União Federal.Custas e demais despesas ex lege.P. R. I. Oficiese. O contribuinte não logrou êxito em sua apelação, visto que a decisão recorrida foi mantida em 16/10/2008, pelo Tribunal competente (conforme extrato constante da página 67): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEPÇÃO, ART. 239 CF. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO VIA DE LEI ORDINÁRIA. LEI 10.637/02. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. I – A contribuição ao PIS foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF, a ela não se opondo as restrições constantes dos arts. 154, I e 195, §, 4º da mesma Carta. (STF ADIN MC 14170/ DF, Rel. Min. Octávio Gallotti, Pleno, v. u., j. 02/08/99). II – A contribuição ao Pis pode ser validamente alterada por lei ordinária, não se tratando de contribuição social nova. Ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas sim reserva material posta na CF (art. 146) III – Constitucionalidade da Lei 10.637. O tratamento diferenciado no que pertine à alíquotas e bases de cálculo em razão da diversidade quanto às atividades econômicas desenvolvidas pelos contribuintes encontra respaldo no próprio Texto Constitucional, art. 195, §§ 9º e 12. IV – Precedentes (TRF – 3ª Região, AG nº 2003.03.00.0110618, Rel. Des. Fed. Fábio Prieto, j. 16/11/05, p. DJU 08/03/06; TRF – 4ª Região, AMS nº 2005.72.08.0045630, Rel. Des. Fed. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 13/12/06, p. de 30/04/07; TRF – 2ª Região, AC nº 2003.51.01.0037080, Rel. Des. Fed. Alberto Nogueira, j. 05/09/06, p. DJU 16/11/06) V – Apelação improvida. A decisão desfavorável à Recorrente transitou em julgado em 02/07/2010, segundo informação obtida na página eletrônica do TRF da 3ª Região, o que levou à baixa definitiva dos autos em 10/08/2011. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 156 6 Portanto, verificase que, mesmo no interregno de tempo em que havia liminar favorável à Recorrente, ainda não era ela titular de crédito líquido e certo e não podia, portanto, efetuar a compensação. Em resumo, a Recorrente deixou de recolher nos termos da decisão judicial (tutela antecipada) e recolheu em montante que correspondia ao entendimento do Fisco. Segundo a Recorrente tal recolhimento a maior se deu por "erro de fato". 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170A DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Defende a Recorrente que a vedação do art. 170A do CTN referese a fatos passados, a pagamentos objeto de ação judicial, ao passo que seu caso se refere ao recolhimento de PIS no transcurso da ação, tendo por objeto efeitos futuros de uma decisão judicial, nos seguintes termos: Ou seja, não se pode aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, criada para impedir que contribuintes compensem antes do trânsito em julgado créditos apurados em períodos anteriores e decorrentes de pagamentos indevidos ou seja, crédito já extinto por pgamento indevido utilizado para quitar tributos devidos em períodos posteriores a situações em que e a "compensação" diz respeito à apuração da base de cálculo e, portanto, à constituição do crédito tributário. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela decisão judicial e, mesmo que houvesse, esse direito somente poderia operar seus efeitos após o trânsito em julgado de sentença favorável à Recorrente, fato que não ocorreu, ou melhor, houve decisão transitada em julgado desfavorável à Recorrente. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Colacionase ainda disposição análoga do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao permitir a compensação de crédito discutido judicialmente apenas após o trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 157 7 Conforme se concluiu na decisão recorrida: No caso concreto, mesmo não pretendendo agir deste modo, o contribuinte acabou por pagar tributo com exigibilidade suspensa. Como a validade do tributo estava em discussão, o crédito do contribuinte não pode ser considerado certo, não sendo, por conseguinte, passível de compensação nos termos do artigo 170 do CTN." Situação semelhante, asseverase na decisão recorrida, ocorre com o depósito judicial, o qual, uma vez efetivado em valores suficientes para garantir a extinção do crédito em eventual vitória do Fisco, não pode ser objeto de restituição até o encerramento da lide judicial, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 6.830, de 1980: § 2º. Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A planilha juntada aos autos que trata das parcelas que compõem o valor recolhido de R$ 28.846.704,12 indica que o crédito com exigibilidade suspensa relativo ao período de apuração 06/2003 restou recolhido. Deste modo, se recolhimento a maior houve, ele teria ocorrido, quando muito, em 27/11/2007, não em 15/07/2003. Correto, portanto, despacho decisório que considerou não liberado o PIS Dessarte, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10882.900038/200815 Acórdão n.º 3301004.611 S3C3T1 Fl. 158 8 Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006481/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO.
Notas fiscais ou recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO. Notas fiscais ou recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.006481/2008-11
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5865562
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.364
nome_arquivo_s : Decisao_10830006481200811.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10830006481200811_5865562.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7295167
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307489955840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 80 1 79 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.006481/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.364 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 22 de março de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente ROGERIO EDUARDO RODRIGUES BAZI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO. Notas fiscais ou recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 81 /2 00 8- 11 Fl. 80DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.500,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas e de acordo com a exigência da legislação tributária, para usufruir da dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que para utilizar o benefício da dedução das despesas médicas na declaração de ajuste do imposto sobre a renda é indispensável à apresentação de documentação idônea que atenda o exigido na legislação tributária, como segue: (...) Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 07/08, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, exercício 2006, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 10.987,35, sendo R$ 5.500,00 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 4.125,00 à multa de oficio e R$ 1.362,35 aos juros de mora (calculados até 30/05/2008). No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e' informado que foi efetuada a glosa do valor de R$ 20.000,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. A glosa referese ao profissional Antonio Terzis. (...) O artigo 8° da Lei n° 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos, determina: (...) O contribuinte, embora intimado, não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. A simples juntada dos recibos, alguns dos quais emitidos em finais de semana (janeiro, julho e Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10830.006481/200811 Acórdão n.º 2001000.364 S2C0T1 Fl. 81 3 outubro) e de uma declaração prestada pelo Dr. Antonio Terzis, que à época era colega de trabalho do contribuinte (ambos eram empregados da “Sociedade Campineira de Educação e Instrução” CNPJ n° 46.020.301/000188). Não é suficiente para comprovar a efetiva prestação dos serviços. Não foi trazida aos autos nenhuma comprovação dos pagamentos declarados. Em face de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇAO apresentada, devendo o crédito tributário lançado ser mantido integralmente. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 5.500,00, referente à glosa do valor das despesas médicas, mais multas e juros incidentes sobre o crédito tributário. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 82DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização no processo é que o Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda mediante apresentação de documentação simplificada e carente de informações mínimas que satisfaçam o convencimento do Fisco e injustificadamente não a complementou, permanecendo, portanto, em desacordo com os temos da legislação tributária. Além disso, apresentou comprovantes de despesas em nome de sua esposa que não consta na DAA como sua dependente. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.006481/200811 Acórdão n.º 2001000.364 S2C0T1 Fl. 82 5 É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. Assim, é de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação. Logo, seria legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil, da nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado e informações de identificação complementares, pois tais documentos devem guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento, desde que se refira a pessoa do Recorrente, referente à efetiva prestação de serviço, cuja comprovação é requerida legalmente com documento idôneo e em atendimento as especificações de exigências legais. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ se fundamenta na afirmativa de que as despesas médicas para serem deduzidas do imposto devem ter sido incorridas com o próprio declarante ou de seus dependentes legalmente comprovados, nos termos da legislação tributária, com prova do efetivo desembolso das despesas pagas ou com elementos que sustentem a veracidade das informações de prestação dos serviços. No caso presente, o Recorrente apresentou recibos que constam como paciente o próprio contribuinte, sem contudo comprovar a realização da prestação de serviços e o correspondente efetivo pagamento. Embora as oportunidades de comprovação das despesas pudessem estar à disposição do Recorrente, restou ausente qualquer tentativa consistente de comprovação, direta ou indiretamente, da ocorrência da despesa ou de seu pagamento. Assim que, no exame do processo consta o forte indício da não prestação dos serviços, com apresentação de doze recibos sendo que quatro deles no valor total de R$ 8.000,00, nos meses de janeiro, abril, agosto e dezembro de 2005, de R$ 2.000,00 cada recibo/mês. E oito recibos no valor total de R$ 12.000,00, nos meses de fevereiro, março, maio, junho, julho, setembro, outubro e novembro de 2004, de R$ 1.500,00 cada recibo/mês, do Fl. 84DF CARF MF 6 mesmo profissional, como tratamento psicoterápico. A declaração do profissional, fl. 10 do processo, foi expedida com data de 11/06/2008. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do acórdão vergastado com a mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012692/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA.
Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social - GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, devendo-se acrescer que o valor da penalidade está limitado a R$ 500,00 por ocorrência, entendida esta como cada competência em que se verificar a mencionada omissão.
Numero da decisão: 2201-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Relator
EDITADO EM: 03/04/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social - GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, devendo-se acrescer que o valor da penalidade está limitado a R$ 500,00 por ocorrência, entendida esta como cada competência em que se verificar a mencionada omissão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.012692/2010-08
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856536
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.299
nome_arquivo_s : Decisao_10830012692201008.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830012692201008_5856536.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 03/04/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7245655
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307670310912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 162 1 161 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.012692/201008 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.299 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MCAMP CONCESSIONARIA DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, devendose acrescer que o valor da penalidade está limitado a R$ 500,00 por ocorrência, entendida esta como cada competência em que se verificar a mencionada omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator EDITADO EM: 03/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 26 92 /2 01 0- 08 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10830.012692/201008 Acórdão n.º 2201004.299 S2C2T1 Fl. 163 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ, a qual julgou improcedente a impugnação do contribuinte ofertada para desconstituir o Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 16/09/2010, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 29/09/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5°, da Lei n.° 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §2° e §3°, da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 11.941/2009, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP’s, todos os trabalhadores identificados nas folhas de pagamento nas competências de 01/2007, 02/2007 e 05/2007 a 12/2007, conforme planilhas de fls. 11/12. O relatório fiscal de fl. 09 diz que as competências de 07/2006 a 12/2006, 03/2007 e 04/2007 foram lançadas em outro auto de infração, de Código de Fundamento LegalCFL 68, em virtude da aplicação da multa ter se mostrado mais benéfica. Após impugnação, Acórdão de fls.52/83, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário arguindo em síntese: cerceamento de defesa devido a falha na descrição do fato gerador, que as informações omitidas não foram discriminadas pelo fisco; bis in idem com o AI 37.286.5526, já que a autuação se refere aos mesmos fatos geradores; que os valores não declarados são indenizatórios; que os valores pagos se prestavam a ressarcir despesas com veículos, cujo entendimento é pacífico nos tribunais quanto a não incidência de contribuição previdenciária; que as despesas pagas com cartão "infiniti" visam recompor o patrimônio do trabalhador; que houve erro na aplicação da multa que não poderia ultrapassar o limite de R$ 500,00. Por fim, requereu a suspensão do julgamento até a decisão final das NFLD’s 37.286.5550; 37.286.5542; 37.286.5585 e 37.286.5577, assim como o apensamento do AI Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10830.012692/201008 Acórdão n.º 2201004.299 S2C2T1 Fl. 164 3 37.286.5526. Requer, ainda a reforma do Acórdão recorrido para determinar a nulidade do auto de infração e o cancelamento do lançamento, ou que a multa seja reduzida a R$ 500,00. Solicita que as intimações seja feitas ao seu patrono. A Turma originária deste CARF firmou o entendimento de que as obrigações principais, relativas aos pagamentos que não foram informados em GFIP, estavam sendo discutidas em outros processos e somente após o julgamento daqueles é que se poderia julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória. Por este motivo, a Resolução 2302000.117, de 27/10/2011, converteu o julgamento em diligência para que fosse julgado conjuntamente com os processos que tratam das obrigações principais conexas a este auto de infração. Todavia, em resposta à diligência solicitada, Informação Fiscal contida no Despacho de fls. 155, explicita que as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos trabalhadores discriminados neste auto de infração, conforme planilhas de fls. 11 e 12, e que não constavam das GFIP's, foram recolhidas pela recorrente antes do início do procedimento fiscal e que possuem bases distintas do processo 10.830.12693/201044. Em nova Resolução, a Turma originária deste CARF converte o julgamento em diligência para ciência ao contribuinte dos termos da diligência anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Nulidade do Auto de Infração Alega a recorrente que houve cerceamento ao direito de defesa por uma falha na descrição dos fatos geradores, uma vez que o Fisco omitiu informações. Analisando detidamente os autos, não se verifica qualquer ausência de informação que tenha causado prejuízo à defesa. A infração em comento consiste na entrega de GFIP com erro ou omissão nos campos. É previsto na legislação um valor de multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. A multa tem um valor mínimo de R$ 500,00 para cada competência. A autoridade fical cuidou de demonstrar como apurou o valor da multa. Relatório Fiscal de Aplicação da Multa explicita a sua forma de cálculo e o anexo VII do Auto de Infração, (fls.13/14), relaciona nominalmente, competência por competência, os segurados que tiveram campos com erros ou informações omitidas. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10830.012692/201008 Acórdão n.º 2201004.299 S2C2T1 Fl. 165 4 Destarte, deve ser rejeitada a argüição de nulidade do Auto de Infração por cerceamento ao direito de defesa. Do mérito Da ocorrência de bis in idem Alega o o recorrente a ocorrência de bis in idem com o AI 37.286.5526, já que a autuação se refere aos mesmos fatos geradores. Todavia, bastante uma simples dos dois Autos de Infração, para se concluir que enquanto as competências inseridas na presente autuação foram 01/2007, 02/2007 e de 05/2007 a 12/2007. No Auto de Infração debcad nº 37.286.5526, por sua vez, estão inseridas as competências de 01/2006 a 12/2006 e 03/2007 e 04/2007. Resta evidente, pois, a inexistência de bis in idem. Do pagamento de verbas indenizatórias Afirma a recorrente que os valores pagos se prestavam a ressarcir despesas com veículos, cujo entendimento é pacífico nos tribunais quanto a não incidência de contribuição previdenciária e que as despesas pagas com cartão "infiniti" visam recompor o patrimônio do trabalhador. Todavia, de acordo com a Informação Fiscal de fls. 155, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos aos trabalhadores que tiverem campos com erros ou omissões na GFIP, e que motivaram a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória foram recolhidas pela empresa antes do início do procedimento fiscal. Desta forma, não há verba controserva que possa ensejar alteração da presente autuação. Do erro na aplicação da multa Por derradeiro, sustenta a recorrente que houve um erro na aplicação da multa, que não poderia ultrapassar o limite de R$ 500,00. Todavia, a legislação de regência é clara que o valor mínimo da vertente multa em cada competência é que é R$ 500,00, e não o seu valor máximo, como quer fazer crer o recorrente. Vejamos a redação da Lei nº 8.212/91, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.941/2009, vigente no momento do lançamento e que serviu de parâmetro para se perquirir acerca da penalidade mais benéfica ao contribuinte: Lei 8.212/91: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.012692/201008 Acórdão n.º 2201004.299 S2C2T1 Fl. 166 5 entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como bem posto pela decisão de piso, no caso que se cuida, cada uma das dez competências abrangidas no presente auto (01/2007, 02/2007 e 05/2007 a 12/2007) deve ser considerada uma ocorrência, de modo que o quantum de R$ 500,00, fixado no inciso II do § 3° do art. 32A da lei de custeio deve, efetivamente, ser multiplicado por dez, do que resulta correto o procedimento fiscal, no sentido de impor penalidade no importe de R$ 5.000,00. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909624/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.909624/2011-06
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868134
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.605
nome_arquivo_s : Decisao_10850909624201106.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10850909624201106_5868134.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7315389
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307674505216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909624/201106 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.605 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 24 /2 01 1- 06 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.501. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.394, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10850.909624/201106 Acórdão n.º 3301004.605 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000913/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO E AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS. COMPROVAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. FORÇA PROBANTE.
Diante da apresentação de documento dotado de fé pública, correto afastar o lançamento, uma vez que as demais provas não tem força suficiente para mantê-lo. Sem apresentação de provas irretocáveis, não é possível afastar importância de documentos lavrados por aquele que tem fé pública.
Numero da decisão: 2402-006.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Mario Pereira de Pinho Filho, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO E AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS. COMPROVAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. FORÇA PROBANTE. Diante da apresentação de documento dotado de fé pública, correto afastar o lançamento, uma vez que as demais provas não tem força suficiente para mantê-lo. Sem apresentação de provas irretocáveis, não é possível afastar importância de documentos lavrados por aquele que tem fé pública.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.000913/2009-09
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868369
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.147
nome_arquivo_s : Decisao_19515000913200909.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000913200909_5868369.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Mario Pereira de Pinho Filho, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7316263
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307681845248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 150 1 149 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000913/200909 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.147 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente HELOISA SCHWARZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO E AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS. COMPROVAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. FORÇA PROBANTE. Diante da apresentação de documento dotado de fé pública, correto afastar o lançamento, uma vez que as demais provas não tem força suficiente para mantêlo. Sem apresentação de provas irretocáveis, não é possível afastar importância de documentos lavrados por aquele que tem fé pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 13 /2 00 9- 09 Fl. 154DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Mario Pereira de Pinho Filho, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 155DF CARF MF Processo nº 19515.000913/200909 Acórdão n.º 2402006.147 S2C4T2 Fl. 151 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 132 usque 146, voltado contra Acórdão de fls. 116 a 122, emanado da 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, em que se julgou improcedente a Impugnação apresentada pela recorrente, mantendo, in totum, o crédito tributário lançado. Transcrevo, por oportuno, o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 2/55), ano calendário 2005, exercício 2006. A autuada teve ciência do lançamento em 25/03/2009, e o valor do crédito tributário apurado está assim constituído (fl. 01): (em Reais) Imposto 61.223,58 Juros de Mora (cálculo até 02/2009) 25.799,57 Multa Proporcional 45.917,68 Total do Crédito Tributário 132.940,83 Consta da fl. 53 dos autos que, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foi efetuado o seguinte lançamento de ofício, tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas. Omissão parcial de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais – Fato gerador Valor tributável Multa (%) 31/07/2005 R$172.458,00 75,00 31/08/2005 R$150.348,00 75,00 30/09/2005 R$150.348,00 75,00 31/10/2005 R$150.348,00 75,00 30/11/2005 R$150.348,00 75,00 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 45/48), a autoridade lançadora consigna os seguintes fatos. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal, foi solicitada à contribuinte a documentação comprobatória da alienação e aquisição do imóvel da Rua das Mangabeiras, 135, apartamento 20, São Paulo, SP, bem como do respectivo recolhimento do imposto sobre o ganho de capital apurado. Após análise da documentação apresentada, apurouse que a contribuinte alienou o imóvel da Rua das Mangabeiras, 135/20, para Dirce Carvalho Polito, CPF 213.436.82843, conforme Fl. 156DF CARF MF 4 Escritura de Venda e Compra, passada no 1º Tabelionato de Notas de São Paulo, SP, em 07/03/2006 nas seguintes condições: Preço: R$1.410.000,00 Forma de Pagamento: recebido em parcelas nas datas 15/07/2005 – R$390.000,00 15/08/2005 – R$340.000,00 15/12/2005 – R$680.000,00 Houve três recolhimentos de Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, (código 4600), nas datas: 31/08/2005 – R$16.534,22 30/09/2005 – R$13.828,50 30/01/2006 – R$27.407,64. Na comparação com os valores informados no documento denominado Dimob Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias, de responsabilidade da corretora que intermediou a operação, Kauffmann Consultoria de Imóveis S/A, CNPJ 60.563.988/000129, surgiram indícios de divergência em relação ao valor da transação. Efetuouse, então, diligência esclarecedora na empresa corretora, e apurou se que houve, para o referido imóvel, um “Instrumento particular de compromisso de venda e compra de bem imóvel e outras avenças”, onde constam as seguintes condições: Preço: R$ 1.750.000,00 Forma de Pagamento: Parcelado na seguinte forma: 18/07/2005 R$ 390.000,00; 08/08/2005 R$ 340.000,00; 08/09/2005 R$ 340.000,00; 08/10/2005 R$ 340.000,00; 08/11/2005 R$ 340.000,00. Depreendese, então, que houve uma diferença entre o preço efetivo de venda e aquele que serviu de base para recolhimento do imposto de R$340.000,00, acarretando um pagamento de imposto a menor, e por este motivo foi lavrado o Auto de Infração, para cobrança do tributo omitido. O custo do imóvel, conforme apurado na declaração de bens lançado na DIRPF/2005, foi R$593.374,50, havendo portanto um ganho bruto de capital de R$1.156.650,00, que se sujeitará às reduções autorizadas pelo Arts. 40, § 1º, inciso II da Lei 11.196/2005. Para o cálculo do imposto, foram lançados os valores mensais originários e descontadas as parcelas do imposto recolhido, nos respectivos meses. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 19515.000913/200909 Acórdão n.º 2402006.147 S2C4T2 Fl. 152 5 Ressalta a fiscalização que o valor pago em 31/01/2006, (R$ 27.407,64), foi alocado para o mês de Novembro/05 em R$ 22.552,20 e para o mês de Outubro/2005 em R$1.939,00 depois de sofrer o reajuste em relação à multa e aos juros tendo em vista o pagamento fora do prazo. Salienta também que a contribuinte, quando apurou o ganho de capital na Declaração de Imposto de Renda, anocalendário de 2005, informou como data de alienação 15/12/2006, quando o correto seria 18/07/2005, (data do Instrumento particular de compromisso de venda e compra de bem imóvel e outras avenças e início de pagamento). Em 22/04/2009, a autuada, por meio de procurador, impugnou o lançamento em petição de fls. 65/78, acompanhada da documentação de fls. 79/112, alegando, em síntese o que se segue. Afirma que a exigência não pode prosperar, uma vez que o valor da operação foi exatamente aquele declarado pela impugnante e constante da escritura pública de venda e compra, firmada no 1º Tabelionato da Capital, que tem fé pública, devendo a divergência apontada decorrer de erro da empresa Kauffmann no preenchimento da Dimob. Destaca que, se considerado a escritura de venda e compra e o aditivo ao compromisso de venda e compra, firmado entre as partes, é possível verificar que os valores pagos foram realmente aqueles por ela indicados na declaração, sobre os quais pagou o imposto devido. Alega que o fiscal verificou apenas o instrumento particular de compra e venda, firmado em 18/07/2005 e desconsiderou o valor real de R$1.410.000,00, conforme a escritura pública do Cartório, firmada na frente de Tabelião juramentado, o que confere presunção de veracidade e certeza de que o valor é o da real operação. Colaciona ementas do Conselho de Contribuintes. Aduz que a alteração nas condições de venda e compra do referido imóvel ocorreu por força de aditamento do contrato, firmado entre as partes no dia 07/09/2005, aqui anexada. Informa que neste documento constam expressamente os motivos pelos quais o aditamento foi firmado em condições mais vantajosas para a compradora do imóvel. Alega que possuía um inquilino no imóvel que não desocupou o apartamento no prazo concedido, além de lhe causar graves problemas com pagamento de condomínios e IPTU do imóvel, bem como deteriorou parte das instalações, que levaram a compradora a quase desistir da compra. Diz que todo este problema com o inquilino foi objeto até de ação cível de "reparação de danos", para cobrança dos impostos, condomínio, taxa do lixo e outros, conforme se verifica das cópias anexas, que comprovam o ocorrido. Fl. 158DF CARF MF 6 Informa que desconhece os motivos que podem ter levado a imobiliária a entregar Dimob com informação incorreta, pois a empresa era representante da Compradora, tendo participado das reuniões sobre o assunto. Tal fato deve ter decorrido por equívoco ou mesmo falta de envio de documentos/arquivo pela Kauffmann, que levaram ao preenchimento da DIMOB com dados incorretos, considerando apenas o compromisso de venda e compra. Informa que enviou carta a essa empresa para que seja feita a correção da Dimob, o que deve ocorrer em breve. Nessas condições, entende que deve ser cancelada a cobrança do IRPF sobre esta suposta parcela de R$340.000,00 a maior, vez que o ganho de capital real foi de R$816.625,50 e não de R$1.156,625,50. Discorda também do recálculo do valor de imposto efetuado pela fiscalização que considerou a data de 15/07/2005 como data da compra, entendendo que a data da real venda do imóvel foi 07/03/2006, quando passada a escritura e transmitida a propriedade. Afirma que se efetuando os cálculos nestes termos, o montante que deveria ser pago é quase idêntico ao dos Darf’s pagos pela impugnante e junta planilhas (fl. 75). Ressalta que, em qualquer hipótese que se faça este cálculo, a legislação aplicável é o art. 40 da Lei n° 11.196/2005, que apesar de ser do mês de Novembro/2005 deve ser aplicada a qualquer autuação que envolve valores a título de ganho de capital, já que veicula vantagem ao contribuinte, por força do princípio da retroatividade benigna, previsto no artigo 106 do CTN. Entende que os valores que poderiam ser exigidos a título de ganho de capital no caso estão integralmente pagos. Requer o acolhimento da impugnação e protesta pela juntada de novos documentos que se entenda necessários, bem como pela produção de sustentação oral, se o caso, quando do julgamento de eventual recurso. Requer ainda que as intimações relativas ao presente feito sejam dirigidas aos advogados Pedro Miranda Roquim, OAB/SP n° 173.481 e Marcelo Guedes Nunes, OAB/SP n° 185.797, ambos com endereço à Avenida Paulista, 509, 14° andar, São Paulo, SP." Irresignada, apela a Contribuinte alegando que, ao contrário do que informado da r. decisão, não seria lícito exigir IR sobre Ganho de Capital relativo a valores que a recorrente não recebeu, uma vez que teria havido erro na DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) apresentada pela Kauffman Consultoria. Segue: "Por outro lado, e também ao contrário do que entendeu a r. decisão recorrida, a ausência de assinatura da Kauffman não invalida o aditamento firmado, pois obviamente na condição de intermediária, contratada pela compradora, a mesma não tem ingerência sobre a vontade das partes, sendo certo que o Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19515.000913/200909 Acórdão n.º 2402006.147 S2C4T2 Fl. 153 7 instrumento esta datado de 07/05/2005, com efeitos retroativos a 18/07/2005, por ser a data do problema com o inquilino." Em seguida, aduz que, a todo momento trouxe aos autos prova constitutiva do que alegado. Além disso, defende que ter a recorrente recebido em ação de indenização os valores do inquilino, seria prova de que teria havido a redução do valor do imóvel, bem como que tais valores, por ter caráter indenizatório e diferente destinação, não poderia ser considerado para fins de ganho de capital. Advoga no sentido de que a escritura pública e o aditamento provam que a operação foi no valor de R$ 1.410.000,00, como declarado pela contribuinte, de modo que a decisão guerreada estaria ao contrária à prova dos autos. No mérito, alega que há inexistência de omissão de ganho de capital, uma vez que houve repactuação do valor de compra, constando do novo acordo valor menor do que o informado pela corretora Kaufman, com acima descrito. Diz que a cláusula quarta do novo Contrato firmado é clara quanto a isso. Transcrevo: “4.1 O preço total, certo e previamente ajustado, para o presente compromisso de venda e compra é de R$ 1.410.000,00 (um milhão, quatrocentos e dez mil reais), que será pago pela COMPRADORA à VENDEDORA, da seguinte forma: (...)” Aponta que tal modificação de valores foi em decorrência de problemas com o inquilino da vendedora, que quase levaram a ora requerente cancelar a compra. Informa que cópia de tal aditivo foi enviado á Kauffman pela compradora. Assenta que o i. fiscal não está levando em consideração os documentos coligidos pela contribuinte, fundando seu lançamento apenas na DIMOB entregue pela Kauffman que, a seu ver, conteria erro, e que não foi corrigdo por “receio e ser penalizada por prestar informações equivocadas”. Assim, expressa não há dúvidas acerca do verdadeiro valor da transação efetuada, havendo nos documentos coligidos os expressos motivos da alteração dos valores, sendo que a “ausência de assinatura da Kauffman não invalida o aditamento firmado”. Mesmo porque, teria feito prova dos pagamentos realizados, bem como teria tomado “o cuidado de indicar os cheques e as datas em que recebeu os valores remanescentes das parcelas, o que afasta a alegação de que não provou o pagamento”. Além disso, o fato de ter recebido em ação de indenização os valores do inquilino, seria prova suficiente para demonstrar que realmente teria havido o problema ensejador da redução do valor do imóvel – valor este que não poderia ser considerado para fins de ganho de capital, por não ser do valor integral e por destinarse a indenização por ato ilícito. Às fls. 143, resume que: “a) existe o aditamento ao compromisso de venda e compra com assinatura da adquirente e da vendedora, b) a escritura pública itnha o valor correto e que o valor realmente recebido foi de R$ Fl. 160DF CARF MF 8 1.410.00,00, c) DIMOB da Kauffman está equivocada por desconhecimento do aditamento ou por erro que a Kaufmann só não reconhece agora para evitar multa por preenchimento da DIMOB ou para justificar a comissão que recebeu foi paga sobre o valor originário, e d) efetivamente os problemas com o inquilino ocorreram e que existe até mesmo ação judicial contra o mesmo e os valores recebidos foram comprovados; e e) o d. Fiscal autuante tinha obrigação de desconstituir as provas apresentadas pela Recorrente ,mas preferiu desconsiderar os fatos e provas e fundamentar a autuação na DIMOB com erro feita pela Kauffmann.” (sic, grifo do original) Sublinha que a jurisprudência deste e. Conselho coaduna com os interesses postos no recursos, uma vez que, em situação idêntica, foi reconhecido o direito do contribuinte ao não pagamento do tributo, através do Processo nº 10940.000035/9625, do relato de Elizabeto Carreirão Varão. Em seguida, reforça que o imposto no valor devido foi pago pela recorrente. No entanto, alega que, se considerada a data de 15/07/2005 como fato gerador, o valor devido a título e ganho de capital, usandose o mesmo fator de redução do art. 40 da lei nº 11.196/2005, seria de R$ 61.001,92, no caso e quem haveria pequeno valor a ser pago, valor esse que não se opõe a recolher, requerendo apenas que seja aplicado ao caso o artigo de lei acima mencionado, uma vez que veicula vantagem ao contribuinte, por força do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106 do CTN. Desse modo, requer que o recurso seja conhecido e provido a fim de reconhecer a improcedência do v. acordão recorrido, com o cancelamento da autuação. Por derradeiro, requer a intimação do patrono para oferecimento ode sustentação oral na sessão de julgamento. É, no mais, o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19515.000913/200909 Acórdão n.º 2402006.147 S2C4T2 Fl. 154 9 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal merecendo, assim, ser conhecido. A irresignação merece provimento. O ponto nodal da questão instalase na veracidade dos valores postos na Escritura Pública de Compra e Venda, em que se constaria os reais valores daquilo que pactuado pelas partes e que fora verdadeiramente recebido pela recorrente, o que injustificaria o presente PAF, uma vez que não teria havido ganho de capital tributável. Na decisão atacada, a d. DRJ afastou as informações contidas em tal documento para acolher as informações que formam a DIMOB apresentada pela corretora Kauffmann, fundamento igualmente importante para alicerçar o lançamento feito pelo i. Fiscal autuante. Vale que se confira, em primeiro momento, as conjunturas que envolvem a prova documental, essencial para o deslinde das controvérsias jurídicas de um modo geral e, também, para formação do pensamento do julgador no caso concreto. Como magistralmente ensina Pontes de Miranda: “o documento provém de pessoa que o fez, que o comôs, alguém que o fez para si, ou o fez para outrem. Não se confunda tal pessoa que o fez para outrem com o autor, figurante do negócio jurídico. Quem o fez pode também ser figurante, porem insere elemento subjetivo e não só objetivo (dito material). A redação do documento pode ser por escrito, ou por datilografia, e até por impressão. Se a pessoa que assim funciona é apenas secretário, ou empregado, não se tem como autor: o autor ou fez e assinou o documento, ou incumbiu alguém de assinálo, ou, tratandose de livros comerciais ou assuntos domésticos, não precisava assinar para que o autor se reputasse. Não há autoria se quem assinou o fez como representante, ou presentante, ou incumbido presenta. Redigir ou datilografar é inconfundível com assinar: quem assina ou o fez por si, ou por outrem. Portanto, signatário que não é figurante autor não é: ou representou ou presentou o autor.” 1 Daí temse que são dois os sujeitos a serem analisados na conduta em deslinde: os autores do documento (aqui, compradora e vendedora) e aquele que o fez (in casu, o 1º Tabelião de Notas da Comarca de São Paulo, Aldo Neves Godinho Filho). 1 Comentários ao Código de Processo Civil cit. T. IV, p.368 Fl. 162DF CARF MF 10 Quanto à vontade das partes, autoras do documento, estão, pelo que se depreende dos autos, justas e seguem o mesmo caminho: a compra e venda do imóvel, não podendo se falar que houve, a qualquer tempo, vício da vontade das partes, o que faria com que o próprio negócio abarcasse sua nulidade total. Quanto à questão do documento em si mesmo, uma análise merece ser feita. Como cediço, a prova tem que conter conteúdo, forma, finalidade e função, para que possa ser, a qualquer momento, verificada e, igualmente, para que albergue o direito nela contido, não podendo ser considerada um fim em si mesma, mas, também, como “instrumento para construir a verdade no processo: a prova é sempre prova de algo. Por isso, não obstante sua função seja persuasiva, essa tarefa de convencer o julgador visa a atingir determinada finalidade, orientada à constituição ou desconstituição do fato jurídico em sentido estrito” (CF. Fabiana Del Padre Tomé – A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 176177). No caso em comento, temos que o documento proposto pela requerente para afastar o lançamento é a Escritura Pública de Compra e Venda de Imóvel, juntada ás fls. 96/97, em que consta o valor da venda como sendo de R$ 1.410.000,00 (um milhão, quatrocentos e dez mil reais) e, portanto, o valor do imposto já teria sido pago pelas DARF’s de fls. 112. No entanto, e como já acima nadado, tal prova foi afastada pela d. Delegacia sob o argumento de que “a escritura pública, atendidos os requisitos de validade exigidos, em relação aos atos jurídicos em geral, é o instrumento constitutivo e translativo de direitos reais sobre imóveis, sobrepondose a qualquer outro documento particular. Porém, não se pode perder de vista que se trata de declaração de vontade das partes prestadas perante o escrivão público, representando o documento a verdade que ao tabelião foi declarada. Portanto, é perfeitamente possível, diante da apresentação de provas irrefutáveis, que a operação tenha sido realizada com efeitos jurídicos diferentes daqueles atribuídos à escritura pública” (fls. 121). Argumento esse reagitado no apelo. De tal modo, temos que a fé do documento foi apartada pelo julgamento a quo, por entender que haveria vício no conteúdo da escritura. Confirase escólio de Moacyr Amaral dos Santos: “uma coisa é declarar falso um documento, outra considerálo desmerecedor de fé. Para declarar falso um documento, há de necessariamente haver um pedido nesse sentido, sobre o qual cumpre que o juiz decida. O objeto aí é uma declaração de falsidade documental. Já na apreciação da fé que possa merecer o documento, o juiz é livre como é livre na apreciação de toda e qualquer prova, atento aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pela parte” 2 Também vale que se confira o que explicita Pontes de Miranda: “Se os fatos que se mencionam no documento, mesmo se instrumento público, não correspondem ao que nele se diz, não se pode pensar em falsidade do documento, mas sim em invalidade, se alguma das figuras de nulidade ou de anulabilidade se compõe. Ainda assim, temse de acentuar que 2 grifei Santos, Moacyr Amaral. Prova judiciária no cível e comercial, v. 4, p. 574575 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19515.000913/200909 Acórdão n.º 2402006.147 S2C4T2 Fl. 155 11 se trata de conteúdo do documento, do ato jurídico, e não do documento, que é envolutório” 3 Igualmente, a dogmática de Nelson Hungria: “na falsidade material, o que se falsifica é a materialidade gráfica, visível do documento (e, portanto, simultânea e necessariamente, o seu teor intelectual); na falsidade ideológica, é apenas o seu teor ideativo. Diversamente da primeira, a última não pode ser averiguada por inspeção pericial ou direta, senão por outros elementos de convicção, coligíveis aliunde” 4 Chegase, nesse momento, na iminência do que dito na Lei nº 9.784 , de 29 de Janeiro de 1999, em seu art. 38, §2º, verbis: “Art. 38 (omissis) § 2oSomente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” De mesmo modo, transcrevo o que contido no art. 215 do Código Civil: “Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena” Com tais premissas bem assentadas e verificando todos os documentos que dos autos contam, temse que não há nada que possa elidir a fé pública da Escritura de Compra e Venda. Ademais, a forma como ocorreu a negociação está claramente expressa na documentação aportada nos autos, especificamente o “Instrumento Particular De Compromisso De Venda E Compra De bem imóvel E Outras avenças” de fls.31/35 e o “Aditivo Ao Instrumento Particular De Compromisso De Venda E Compra De Bem Imóvel”, juntado às fls. 98/100, não deixando nenhuma dúvida sobre a mecânica negocial. Muito embora a DIMOB entregue pela Kauffman conste valor maior que aquele constante no Documento Público, tal declaração não tem valor probante maior do que aquele lavrado por tabelião, que tem, como sabido, presunção juris tantum. Para que a presunção de veracidade do que contido na Escritura Pública fosse banida, haveria necessidade de prova cabal em contrário, como bem denotou a decisão em testilha. No entanto, tal prova inexiste nesses autos. Ora... se como bem diz o v. acórdão recorrido, caso “a operação tenha sido realizada com efeitos jurídicos diferentes daqueles atribuídos à escritura pública”, tal operação diferente tem que ser comprovada. O i. Fiscal baseou todo seu lançamento em apenas um único documento, fiandose no sentido de que se não houve assinatura da Kauffman no aditivo, o valor nele posto e reprisado na Escritura estariam invalidados. 3 Pontes de Miranda, F.C. Tratado das ações, t. II, p. 111 4 Hungria, Nelson. Comentários ao Código Penal. Rio de Janeiro: Forense, 1959. V. 9 Fl. 164DF CARF MF 12 No entanto, vale atentarse que, mesmo notificada acerca da alteração dos valores (fls. 107/110), a Consultora de Imóveis não fez a alteração solicitada ou mesmo consta que houve resposta quando ao requerido. Com efeito, se existe dúvida quando a veracidade do que as provas delimitam, há que se ter em mente o princípio in dubio pro contribuinte, que bem se assenta ao caso, eis que o documento coligido pela parte, tem força suficiente para suplantar a DIMOB apresentada, uma vez que, nela sim, as provas guerreiam no sentido de haver erro. Conclusão Em vista do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a força probante da Escritura Pública de Compra e Venda e afastar o lançamento perseguido. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722121/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012
Ementa:
INTIMAÇÃO POR EDITAL. EXCEPCIONALIDADE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL PROFÍCUA.
A intimação por edital é admitida apenas excepcionalmente, desde que improfícuos um dos meios: pessoal, postal ou outro meio com prova de recebimento, ou eletrônico com prova de recebimento, previstos nos incisos I a III do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo a intimação por via postal sido profícua, ela prevalece sobre a intimação por edital.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTIMAÇÃO POR EDITAL. EXCEPCIONALIDADE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL PROFÍCUA. A intimação por edital é admitida apenas excepcionalmente, desde que improfícuos um dos meios: pessoal, postal ou outro meio com prova de recebimento, ou eletrônico com prova de recebimento, previstos nos incisos I a III do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo a intimação por via postal sido profícua, ela prevalece sobre a intimação por edital. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12466.722121/2014-21
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5870915
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.469
nome_arquivo_s : Decisao_12466722121201421.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12466722121201421_5870915.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7328701
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050307684990976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 7.220 1 7.219 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722121/201421 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3302005.469 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria Multa por Interposição Fraudulenta Recorrentes MULTIMEX S/A e FAZENDA NACIONAL MULTIMEX S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTIMAÇÃO POR EDITAL. EXCEPCIONALIDADE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL PROFÍCUA. A intimação por edital é admitida apenas excepcionalmente, desde que improfícuos um dos meios: pessoal, postal ou outro meio com prova de recebimento, ou eletrônico com prova de recebimento, previstos nos incisos I a III do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo a intimação por via postal sido profícua, ela prevalece sobre a intimação por edital. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 21 /2 01 4- 21 Fl. 7220DF CARF MF Processo nº 12466.722121/201421 Acórdão n.º 3302005.469 S3C3T2 Fl. 7.221 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não localizada, ou que tiver sido consumida, ou revendida, por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, bem como pelo uso de documento falso no despacho aduaneiro. As importação aqui tratadas foram registradas pela Multimex como importações por encomenda de LOLMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELLI, no período de 29/01/2010 a 03/11/2010 (efl. 64/65). A fiscalização iniciou o procedimento fiscal, efetuando vários termos de intimação e reintimação, cujo descumprimento parcial e reiterado ensejou a inclusão da recorrente no procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002. Da análise da escrituração, a fiscalização concluiu pela imprestabilidade da escrituração contábil, uma vez que havia omissão de registros contábeis, especialmente a inexistência de lançamentos relativos às movimentações bancárias. O lançamento foi efetuado em face da MULTIMEX S/A, e de LOLMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELLI e, ao final, elaborada representação fiscal para fins penais. A MULTIMEX S/A apresentou impugnação, alegando, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal por vício no Mandado de Procedimento Fiscal e a não comprovação dos fatos indiciários da presunção de interposição fraudulenta de terceiros por não comprovação do origem, disponibilidade e transferência dos recursos. No mérito, alega a licitude das operações e sua capacidade financeira, a ausência de provas do fato presuntivo, a ofensa ao princípio da verdade material, a inexistência da falsidade ideológica e a inexistência da simulação de negócio jurídico, a ausência de demonstração do dolo específico de fraudar, a ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das infrações imputadas, ausência de dano ao erário em face do recolhimento dos tributos incidentes, a aplicação de penalidade equivocada em vista do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. A responsável solidária LOLMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELLI apresentou impugnação alegando cerceamento de defesa por falta de acesso ao inteiro teor do processo, a ilegitimidade passiva por falta de demonstração de ação ou omissão da recorrente que pudesse contribuir para a capacidade financeira da MULTIMEX. A Vigésima Terceira Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 16069.237, julgando procedente a impugnação de NEUSA MOREIRA FERREIRA, excluindo a solidária TAICON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ELETRO ELETRÔNICOS LTDA do polo passivo e, consequentemente, as exsócias administradoras, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/09/2014 Dano ao erário por infração de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Fl. 7221DF CARF MF Processo nº 12466.722121/201421 Acórdão n.º 3302005.469 S3C3T2 Fl. 7.222 3 Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. A incidência do artigo 33 da Lei 11.488/2007 é específica para a prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (SUJEITO PASSIVO OCULTO / REAL COMPRADOR) está identificado. Dado princípio da PERSONALIDADE, a o importador e o encomendante são entidades distintas. Logo, não é plausível exigir que o encomendante tenha conhecimento e muito menos qualquer gerência sobre o fato da contabilidade do importador ser imprestável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido. Por ter ultrapassado o limite de alçada vigente à DRJ recorreu de ofício. Inconformada, a MULTIMEX interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações efetuadas em sua impugnação. Por sua vez, a solidária LOLMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELLI não se manifestou após ter sido cientificada da decisão que a excluía do polo passivo. Em 18/12/2017, mediante petição juntada às efls. 7185, a MULTIMEX pediu a distribuição por dependência com o processo 12466.722113/201485. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Inicialmente, analisase a petição de distribuição por dependência ao processo nº 12466.722113/201485. A recorrente alegou que este último processo seria o principal e o processo em julgamento seria reflexo daquele. O referido processo 12466.722113/201485 tratou, segundo a recorrente, do mesmo fundamento da autuação aqui realizada, ou seja, nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, porém, referindose a importações por conta própria, enquanto estes autos tratam de importações por encomenda. Não localizei a peça acusatória do alegado processo principal, mas admitindo tratarse do mesmo fundamento fático e jurídico, constatase que não se trata de processos Fl. 7222DF CARF MF Processo nº 12466.722121/201421 Acórdão n.º 3302005.469 S3C3T2 Fl. 7.223 4 principal e reflexo, mas de processos conexos que tratam de exigência de multa fundamentada em fatos idênticos, nos termos do artigo 6º do Anexo II do RICARF, abaixo reproduzido: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Não há uma obrigatoriedade de se realizar a conexão, embora seja desejável para se evitar decisões conflitantes. Porém, o processo alegado como principal estava na carga do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, o qual não mais compõe o quadro de conselheiros do CARF, o que resultou na devolução de todos os processos para nova distribuição, não havendo, pois, prevenção em relação a esse relator. Portanto, afasto o pedido da recorrente. Recurso de Ofício O conhecimento de recurso de ofício deve ser realizado tendo como limite de alçada o vigente na data de sua apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 103, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O recurso foi interposto em razão de exoneração de sujeito passivo da multa no valor de R$ 1.170.578,91, superando o limite de alçada de que tratava a Portaria MF nº 3/2008. Referida portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63/2017, que estabeleceu novo limite, conforme transcrito abaixo: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 7223DF CARF MF Processo nº 12466.722121/201421 Acórdão n.º 3302005.469 S3C3T2 Fl. 7.224 5 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O novo limite deve ser observado para efeito de conhecimento do recurso de ofício. Portanto, sendo o crédito relativo à multa lançado inferior ao novo limite de alçada, não conheço do recurso de ofício, tornandose definitiva a exclusão do sujeito passivo LOLMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELLI. Recurso Voluntário A tempestividade da peça recursal foi questionada pela autoridade administrativa, ao lavrar o termo de perempção à efl. 7180. No caso, a recorrente fora intimada por via postal com Aviso de Recebimento, recebido em 11/07/2015 e por edital com afixação em 03/07/2014. Por sua vez, a recorrente postou o recurso voluntário em 20/08/2015, conforme doc de efl. 7177/7178, considerada esta data como data de entrega da peça recursal, nos termos do ADN nº 19/1997. A recorrente alega que o prazo a ser considerado seria o do edital e que, portanto, o recurso seria tempestivo. Sem razão a recorrente. O artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011 (artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972) dispõe que a intimação por edital será realizada quando resultarem improfícuas as intimações pessoal, por via postal ou outro meio com prova do recebimento no domicílio tributário e a por meio eletrônico com prova de recebimento, conforme abaixo transcrito: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou Fl. 7224DF CARF MF Processo nº 12466.722121/201421 Acórdão n.º 3302005.469 S3C3T2 Fl. 7.225 6 IV por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): (grifos nossos) a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. No caso, a intimação por via postal com AR se mostrou eficaz, tendo a recorrente recebido a correspondência em 11/07/2015, considerada a ciência em 13/07/2015 e o prazo final em 12/08/2015, implicando a intempestividade da peça recursal. Esclareçase que, ainda que se considerasse o edital como o meio correto, o recurso também seria intempestivo. O edital fora afixado em 03/07/2015, com ciência considerada ocorrida quinze dias após a afixação, ou seja, 18/07/2015, conforme artigo 11, inciso IV do referido decreto: Art.11. Considerase feita a intimação: (Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) [...] IV se por edital, quinze dias após a sua publicação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 11 A respeito da contagem deste prazo, esclarecem Marcos Vinícius Néder e Maria Teresa Martínez López1: COMENTÁRIOS II.58. Intimação Postal e Editalícia Data do Recebimento Constava da redação original: "III trinta dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado". Caso seja mantida a data do recebimento da correspondência, considerase efetivada a intimação 15 dias após a data da sua expedição. Para essa contagem, não se aplicam as normas gerais de contagem de prazo processual do PAF, eis que se inicia sempre no dia seguinte ao da expedição, mesmo se esta data recair em dia não útil. Seu termo final é o décimo quinto dia seguinte, sendo dia útil ou não. No caso do edital, a metodologia de contagem é a mesma descrita acima, considerase o contribuinte intimado 15 dias após a publicação ou afixação do edital, com a contagem iniciada no dia seguinte à publicação e termianda, impreterivelmente, 15 dias depois." 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2º ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 296. Fl. 7225DF CARF MF Processo nº 12466.722121/201421 Acórdão n.º 3302005.469 S3C3T2 Fl. 7.226 7 Como 18/07/2015 foi um sábado, a contagem se iniciou em 20/07/2015, encerrandose o prazo de trinta dias em 18/08/2015. Assim, tendo a postagem sido feita em 20/08/2015, o recurso voluntário também seria intempestivo levandose em conta o edital afixado. Diante do exposto, voto para não conhecer o recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 7226DF CARF MF
score : 1.0
