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Numero do processo: 11080.720858/2015-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA.
Somente o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas escrituradas em Livro Caixa.
Numero da decisão: 2002-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. Somente o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas escrituradas em Livro Caixa.
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LIVRO CAIXA. Somente o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas escrituradas em Livro Caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 08 58 /2 01 5- 52 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 141 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 142 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.114/131), contra decisão de primeira instância (fls.98/109), que, POR MAIORIA, negou provimento à impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado auto de infração por dedução indevida de LivroCaixa, descrição dos fatos e enquadramento legal do lançamento à fl. 27: "Glosa do valor de R$ 38.374,46, indevidamente deduzido a título de livrocaixa, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução." Inconformado com o auto de infração o contribuinte apresentou impugnação, requerendo cancelamento do lançamento realizado, pelos seguintes fundamentos: a) que os rendimentos foram recebidos na condição de Conselheiro de Administração e de Conselheiro Fiscal de Sociedades Anônimas; b) que o fato de o MAFON atribuir o código 0561 (Rendimento do Trabalho Assalariado no País) ao pagamento da Remuneração de Conselheiro de administração e fiscal não tem o condão de transformar esses valores em rendimento de trabalho assalariado; c) que recebeu o recorrente rendimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na condição de aposentado; d) do direito a Dedução de Despesas escrituradas em livro caixa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação por maioria de votos, para manter o auto de infração em sua integralidade. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 143 4 Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Comungo do mesmo entendimento lançado no voto vencido do julgamento a quo, pois a conclusão alcançada pelo Sr. Auditor Fiscal não condiz com a realidade, na medida em que o impugnante não recebe qualquer espécie de rendimento do trabalho assalariado. Importante ressaltar que nestes autos não se discute a validade ou não das despesas escrituradas em livro caixa pelo contribuinte, residindo a controvérsia apenas e tão somente quanto a natureza jurídica dos rendimentos, se assalariado ou não assalariado. No caso sub oculis, provou o recorrente a teor do que lhe competia que os rendimentos combatidos foram frutos da sua condição de membro do Conselho de Administração da Empresa Renner, membro do Conselho Fiscal da Empresa Marcopolo e da empresa MPX Energia S/A, aposentadoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do INSS, além do recebimento de aluguel de Elsenau S/A. A glosa ocorreu porque somente pode deduzir despesas escrituradas em livro caixa o contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. O fato é que não houve um questionamento das despesas escrituradas em livro caixa apresentado pelo contribuinte, mas tão somente o apontamento de que o contribuinte não comprovou sua condição de não assalariado. Repisese, o litígio limitase à comprovação de o contribuinte, recebeu rendimentos do trabalho como assalariado ou não. Neste sentido, diz o voto vencido no julgamento feito pela DRJ: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 144 5 Com a tributação sendo feita na fonte, a norma que deve ser seguida para análise se o rendimento é assalariado ou não deve ser a prevista na INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 1500/2014, e seu artigo 22 separa categoricamente o que é rendimento decorrente do trabalho assalariado dos demais rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, este último não assalariado por dedução legal e lógica a contrario sensu. Desta forma, considero que todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte de Lojas Renner S/A, Marcopolo S/A, MPX Energia S/A, UFRGS, INSS e Elsenau S/A tem a Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 145 6 natureza jurídica de rendimento não assalariado, sendo possível a utilização dos mesmos para dedução das despesas escrituras no Livro Caixa. Pelo exposto voto no sentido de dar total provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a glosa de despesas em Livro Caixa, restabelecendo o direito do contribuinte do saldo de imposto a restituir, conforme apurado na DIRPF do exercício de 2013. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 146 7 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator quanto à possibilidade do recorrente utilizar dedução de livrocaixa. A teor da legislação consignada na autuação e na decisão de piso, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado deve registrar as receitas e as despesas em livrocaixa, podendo deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas escrituradas. O recorrente defende que faz jus a deduzir essas despesas em relação a todos os rendimentos declarados por ele: de aluguel, de aposentadoria e da sua participação em conselhos de administração e fiscal. Quanto aos rendimentos de aluguel, é certo que não se enquadram em rendimento do trabalho, configurandose em rendimento de capital, inexistindo previsão legal para dedução de despesas de livrocaixa nessa hipótese. Por seu turno, para receber sua aposentadoria, o contribuinte não exerce nenhuma atividade. Assim, não há como se falar em receitas e despesas decorrentes do exercício da atividade, também não se aplicando para esses rendimentos a possibilidade de escrituração e dedução de livrocaixa. Resta perquirir sobre a possibilidade de dedução de livrocaixa no tocante aos rendimentos auferidos por sua autuação em conselho de administração e fiscal. O recorrente elabora sua defesa utilizando o artigo 9º da IN SRF nº 15, de 2001. Essa IN foi revogada e encontrase em vigor a IN RFB nº 1.500, de 2014, que em seu artigo 22, traz idêntica redação ao dispositivo suscitado. Como consignado no voto vencedor da decisão de primeira instância, o artigo 22 da IN RFB nº 1.500, de 2014, trata da retenção na fonte de IR pela fonte pagadora, não cabendo sua utilização para classificar a natureza de rendimentos. Nesse sentido, é de se transcrever os artigos 43 e 45 do RIR/99, frisando que o artigo 43 se encontra inserido na Seção I Rendimentos do Trabalho Assalariado e Assemelhados, enquanto o artigo 45, na Seção II Rendimentos do Trabalho nãoassalariado e Assemelhados. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 147 8 Seção I Rendimentos do Trabalho Assalariado e Assemelhados Rendimentos do Trabalho Assalariado, de Dirigentes e Conselheiros de Empresas, de Pensões, de Proventos e de Benefícios da Previdência Privada Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; III licença especial ou licençaprêmio, inclusive quando convertida em pecúnia; IV gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e quotaspartes de multas ou receitas; V comissões e corretagens; VI aluguel do imóvel ocupado pelo empregado e pago pelo empregador a terceiros, ou a diferença entre o aluguel que o empregador paga pela locação do imóvel e o que cobra a menos do empregado pela respectiva sublocação; VII valor locativo de cessão do uso de bens de propriedade do empregador; VIII pagamento ou reembolso do imposto ou contribuições que a lei prevê como encargo do assalariado; IX prêmio de seguro individual de vida do empregado pago pelo empregador, quando o empregado é o beneficiário do seguro, ou indica o beneficiário deste; X verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego; XI pensões, civis ou militares, de qualquer natureza, meios soldos e quaisquer outros proventos recebidos de antigo empregador, de institutos, caixas de aposentadoria ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidos no passado; XII a parcela que exceder ao valor previsto no art. 39, XXXIV; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 148 9 XIII as remunerações relativas à prestação de serviço por: a) representantes comerciais autônomos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 34, § 1º, alínea "b"); b) conselheiros fiscais e de administração, quando decorrentes de obrigação contratual ou estatutária; c) diretores ou administradores de sociedades anônimas, civis ou de qualquer espécie, quando decorrentes de obrigação contratual ou estatutária; d) titular de empresa individual ou sócios de qualquer espécie de sociedade, inclusive as optantes pelo SIMPLES de que trata a Lei nº 9.317, de 1996; e) trabalhadores que prestem serviços a diversas empresas, agrupados ou não em sindicato, inclusive estivadores, conferentes e assemelhados; XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33); XV os resgates efetuados pelo quotista de Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI (Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, § 2º); XVI outras despesas ou encargos pagos pelos empregadores em favor do empregado; XVII benefícios e vantagens concedidos a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, ou a terceiros em relação à pessoa jurídica, tais como: a) a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, relativos a veículos utilizados no transporte dessas pessoas e imóveis cedidos para seu uso; b) as despesas pagas diretamente ou mediante a contratação de terceiros, tais como a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa, os pagamentos relativos a clubes e assemelhados, os salários e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos pela empresa, a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos na alínea "a". § 1º Para os efeitos de tributação, equiparase a diretor de sociedade anônima o representante, no Brasil, de firmas ou sociedades estrangeiras autorizadas a funcionar no território nacional (Lei nº 3.470, de 1958, art. 45). Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 149 10 § 2º Os rendimentos de que trata o inciso XVII, quando tributados na forma do § 1º do art. 675, não serão adicionados à remuneração (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º). § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). ... Seção II Rendimentos do Trabalho Nãoassalariado e Assemelhados Rendimentos Diversos Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; III remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; IV emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; V corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; VI lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a sua natureza; VII direitos autorais de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, quando explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra; VIII remuneração pela prestação de serviços no curso de processo judicial. Parágrafo único. No caso de serviços prestados a pessoa física ou jurídica domiciliada em países com tributação favorecida, o rendimento tributável será apurado em conformidade com o art. 245 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 19). (destaques acrescidos) Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11080.720858/201552 Acórdão n.º 2002000.119 S2C0T2 Fl. 150 11 Como destacado no dispositivo acima, os rendimentos auferidos pelo contribuinte em decorrência de sua atuação nos conselhos administrativo e fiscal das empresas encontramse inseridos junto aos rendimentos do trabalho assalariado e assemelhados. De certo que a atividade exercida pelo recorrente nos conselhos das empresas não é autônoma, não há que se falar em trabalho autônomo. A participação nesses conselhos envolve direitos e deveres das partes e existe uma prestação de serviço, da qual decorre a remuneração recebida. Cabe concluir que a remuneração recebida pelo recorrente na função de conselheiro tem natureza assemelhada a salário, não atendendo, portanto, ao disposto na legislação do imposto de renda relativamente às deduções de despesas escrituradas em livro caixa. Por todo o exposto, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917745/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.542
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917745/201151 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.542 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de abril de 2018 Assunto PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 74 5/ 20 11 -5 1 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.917745/201151 Resolução nº 3301000.542 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.426. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.917745/201151 Resolução nº 3301000.542 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.917745/201151 Resolução nº 3301000.542 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.917745/201151 Resolução nº 3301000.542 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000159/2007-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreendem como despesas de armazenagem propriamente dita.
Numero da decisão: 9303-006.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreendem como despesas de armazenagem propriamente dita.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13053.000159/200735 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.725 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Recorrente MITA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreendem como despesas de armazenagem propriamente dita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 01 59 /2 00 7- 35 Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3801005.279, de 18/03/2015, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 4 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. O presente processo trata de pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa vinculada à receita de exportação, cujo pedido foi deferido parcialmente pela Unidade de Origem. Pelo que consta dos autos, a empresa produz "cavaco de madeira" e exporta praticamente 100% de sua produção. O objeto do recurso especial é referente à possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nãocumulativas sobre as despesas citadas como fretes e armazenagem. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, solicitando o improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.718, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 13053.000053/200731, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.718): Da admissibilidade "O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento." Do mérito Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 5 4 (...)1 "Em que pese a excelente tese do Ilustre Relator. Com a devida vênia, divirjo dele na questão relativa ao frete na transferência de produtos acabados. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio deste processo, uma vez que o entendimento nele expresso resultou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303006.718). Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 6 5 Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 7 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 8 7 Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 9 8 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 10 9 RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 11 10 essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não cumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 13053.000159/200735 Acórdão n.º 9303006.725 CSRFT3 Fl. 12 11 O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Com essas considerações, dou provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, para acatar a possibilidade de creditamento em relação ao frete na transferência de produtos acabados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para admitir o creditamento em relação às despesas com o frete na transferência de produtos acabados. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.721400/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/11/2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 14 00 /2 01 1- 51 Fl. 92DF CARF MF 2 Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga (bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de conseqüência, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o artigo 37 do Decreto Lei 37/66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. O artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baldeação. Prazos dado às prestações de informações Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 93 3 São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a conseqüente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A chegada da embarcação MSC Tamara no Brasil, porto de Suape, ocorreu dia 23/09/2008, tendo atracado as 19hrs30, conforme informações constante no extrato de manifesto e detalhes de escala. A data e hora da atracação, servem como limites para que a Fl. 94DF CARF MF 4 agência de navegação presta as informações sobre a carga. A agencia MSC Mediterranean Shipping, informou sobre o manifesto e efetuou sua vinculação às escalas de forma tempestiva. Por sua vez, a empresa Craft Multimodal, na qualidade de agente de cargas, promoveu a desconsolidação e introduzindo as informações de forma tempestiva. Nova desconsolidação, com envio de informações também de forma tempestiva, ocorreu pela empresa Hafen. Consta como consignatária, a empresa Braservice, como desconsolidadora. Esta última, constituiu como sua representante a empresa Rioport Assessoria Aduaneira, também cadastrada como desconsolidadora. A embarcação prosseguiu viagem, tendo atracado no Rio de Janeiro dia 29/09/2008, figurando como transportador representante o agente de carga Rioport, tendo havido a desconsolidação da carga somente no dia 29/09/08 as 17hrs12min29. Impugnação Tratase do combate ao auto de infração, cuja lavratura do auto de infração deuse em 11/05/2010, por ter prestado informações sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN 800 e 899/08 e com aplicação de multa por infração ao artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66, com novel redação estabelecida pela Lei 10.833 03.Aponta que em 11 de maio de 2010 foi lavrado auto de infração impondo multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 107, IV, alínea e, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, cujo descritivo aponta a não prestação de informações sobre carga transportada, nos prazos estabelecidos pela Receita Federal. A empresa Braservice Assessoria em Comércio Exterior Ltda., constituiu junto ao Departamento do Fundo de Marinha Mercante DEFMM, como sua representante a ora impugnante. A embarcação MSC TAMARA atracou dia 29/09/2008 às 18 hrs., conforme escala 08000211740 fls. 28, argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12, em fls. 29 e 30 argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12. No mérito, argumenta que não haveria como imputar a multa aplicada haja vista estar a legislação em referência sob vacatio legislação, em razão da nova redação do artigo 22 da IN 800/07, dada pela IN 899 de dezembro de 2008 Repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação". Alternativamente, argumenta pela não obrigatoriedade da prestação de informações. DRJ/FLN O presente processo foi dispensado de ementa, sendo mister a transcrição de seu relatório, para o fiel entendimento do cerne discutidos nestes autos. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 94 5 Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação de CE (MHBL) n.º 130805182616644 intempestivamente. Junta às fls. 16/32 cópia das telas de informações das escalas e conhecimentos eletrônicos. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação alegando que as informações foram prestadas tempestivamente às 17:12 horas do dia 29/09/2008, já que a atracação se deu às 18:00 horas do mesmo dia, segundo relato no auto de infração. Ainda assim alega também que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários e como o fato alegado de informação intempestiva se deu antes daquela data é improcedente o lançamento da multa por violação ao princípio Constitucional de Reserva Legal. Examinando o que consta no processo, foi constatada divergência nas datas de atracação que constam na autuação e n os documentos que acompanham o auto de infração (Detalhes da Escala, às fls. 30). Por esta razão foi diligenciado à unidade preparadora para que saneasse tal erro material (fls. 49/50). A ALF/Porto do Rio de Janeiro procedeu, então, a retificação da data de atracação para o dia 28/09/2008, conforme dados da escala, emitindo auto de infração complementar do qual foi novamente cientificada a autuada. A interessada apresentou aditamento à impugnação às fls. 61/63 reiterando os argumentos já apresentados e contestando a alteração procedida pela fiscalização na autuação. Alega que tal erro material caracteriza vício intransponível, cabendo a nulidade do auto de infração para atender aos princípios da legalidade e ampla defesa. Ao longo do voto, o colegiado julgador de primeiro piso esclarece os fundamentos do voto: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, tendo em vista que a interessada prestou informações acerca da desconsolidação da carga na data/hora de 29/09/2008, às 118:00 h, de forma intempestiva, já Fl. 96DF CARF MF 6 que a atracação da embarcação se deu no dia 29/09/2008, às 17:12 h. Quanto ao mérito, o argumento trazido pela interessada para contestar a autuação é de que o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. Todavia está equivocada a impugnante em sua análise. Isto porque o indigitado art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, em vigor a partir de 31/03/2008, possuía, originalmente a seguinte redação: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. (grifei) Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente ressaltou o argumento de que o prazo seria obrigatório apenas a partir de 01 de abril de 2009 ,conforme artigo 50 da IN 800/07 e 899/08 No mérito, repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação", mencionando o artigo 22 prazos de antecedência, com sua referência legal. Destaca do voto condutor do acórdão recorrido, o argumento de que mesmo estando suspensa a obrigatoriedade, não exime o contribuinte de prestar as a informações, contrapondo que as informações foram, efetivamente, prestadas Do texto destacado do referido acórdão de piso, evidencia o início do termo dos prazos em 01 de abril de 2009 Ainda, menciona o artigo 76, I, h da Lei 10.833/03, a qual, em eu entendimento, impõe a sanção de advertência, no atraso por mais de 03 vezes Na seqüência, conclui que a aplicação da multa conforme efetivada, não é contemplada pelo regulamento aduaneiro, não havendo, portanto, fundamento legal para sua imposição, ocasionando ofensa ao princípio constitucional da reserva legal, em nome da preservação da segurança jurídica. Pela efetividade do princípio da Razoabilidade, menciona doutrina e precedentes do STJ quanto à inexigibilidade de multa administrativa em procedimento de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 95 7 vistoria e revisão aduaneira ante a inexistência de prejuízo ao fisco e a boa fé do sujeito passivo. Neste sentido, indica a inocorrência de dano ao erário É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Mérito Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 98DF CARF MF 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 96 9 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da Fl. 100DF CARF MF 10 IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 97 11 no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, fazendo se valer o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Fl. 102DF CARF MF 12 Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, acompanhado que foi pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual "houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009". Preâmbulo 2 Ainda, antes de adentrarse à questão jurídica que motivou a presente divergência de entendimento, destacase, por oportuno, que o caso sob exame processo 10711.002995/201061 (Acórdão 3001000.341), afora os dados concernentes ao nome da embarcação, a da data e hora de atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, o número do conhecimento eletrônico e a data e hora que o recorrente registrou a desconsolidação da carga, é congêrene àqueles tratado nos processos 10711.003775/201054 (Acórdão 3001000.342), 10711.004007/201018 (Acórdão 3001000.343), 10711.006048/201049 (Acórdão 3001000.344), 10711.008214/200916 (Acórdão 3001 000.345), 10711.008215/200952 (Acórdão 3001000.346), 10711.721400/201151 (Acórdão 3001000.347) e 10711.724279/201119 (Acórdão 3001000.348), tanto que igualmente são idênticos os argumentos de direito trazidos nos respectivos recursos voluntários. Desta feita, revela destacar também que a decisão encartada neste Voto Vencedor seguirá a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, o aqui decidido será adotado em todos os demais processos deste contribuinte, conforme destacados no parágrafo anterior, vez que tratamse, como já delineado, de processos paradigmas, o que importará na transcrição, como solução da controvérsia o entendimento que prevaleceu na decisão vencedora tratada nos autos deste processo (Acórdão 3001000.341). Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. O recorrente está certo quando defende que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que alguns os fatos datam de período posterior 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da referida norma regulamentar, com redação dada pela IN RFB 899 de 2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 98 13 informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Fl. 104DF CARF MF 14 Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10711.721400/201151 Acórdão n.º 3001000.347 S3C0T1 Fl. 99 15 Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão. Portanto, proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 106DF CARF MF 16 Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000919/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
REVISÃO DE DECLARAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Afasta-se a glosa de compensação do imposto de renda retido na fonte quando comprovados a retenção em nome do beneficiário e o efetivo pagamento e/ou parcelamento pela fonte pagadora, acompanhado dos acréscimos legais devidos.
Numero da decisão: 2401-005.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Afastase a glosa de compensação do imposto de renda retido na fonte quando comprovados a retenção em nome do beneficiário e o efetivo pagamento e/ou parcelamento pela fonte pagadora, acompanhado dos acréscimos legais devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 19 /2 00 6- 11 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200611 Acórdão n.º 2401005.509 S2C4T1 Fl. 81 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0724.940, de 17/06/2011 (fls. 43/46): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IRRF. SÓCIO OU DIRETOR. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. DEDUÇÃO DIRPF. Sendo o beneficiário dos rendimentos sócio ou dirigente da fonte pagadora, a dedução do imposto retido na fonte fica condicionada à comprovação do seu efetivo pagamento, em observância ao princípio da responsabilidade tributária solidária. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento, em 21/02/2006, relativa ao anocalendário de 2001, decorrente de procedimento de revisão interna de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte no importe original de R$ 12.583,80 (fls. 07/10). 2.1 Segundo o agente lançador, não houve comprovação da retenção e do recolhimento do imposto declarado pelo contribuinte como retido pela pessoa jurídica Trem Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 81.542.169/000175, anterior denominação da Átimo Empreendimentos Ltda (fls. 16/17). 2.2 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto no valor de R$ 11.413,62, acrescido de juros e multa de mora. 3. A intimação da notificação, via postal, deuse no dia 24/02/2006, tendo o contribuinte impugnado a exigência fiscal em 15/03/2006 (fls. 03/05 e 19/21). 4. Previamente à decisão de primeira instância, foi determinada a realização de diligência, com o fim de intimar a fonte pagadora Átimo Empreendimentos Ltda para comprovar a condição de empregado do notificado, bem como confirmar os valores retidos a título de imposto de renda (fls. 22/26). A diligência foi cumprida, revelando que o contribuinte foi contratado pela empresa para exercer a função de diretor superintendente, na condição de empregado, admitido em 15/03/2001 (fls. 27/38). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200611 Acórdão n.º 2401005.509 S2C4T1 Fl. 82 3 5. Cientificado em 02/08/2011, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/03/2011 (fls. 48/50 e 51/54). 5.1 Assevera o recorrente, como argumento de defesa, que o imposto de renda retido, relativamente ao anocalendário de 2001, foi integralmente incluído pela empresa empregadora no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não havendo mais que se falar, conforme razões de decidir do acórdão recorrido, em impedimento à dedução do imposto retido na fonte em observância ao princípio da responsabilidade solidária pela falta do efetivo pagamento do tributo (fls. 48/50 e 51/54). 6. Por meio da Resolução nº 2802000.210, de 19/03/2014, proferida pela 2ª Turma Especial da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, com a finalidade de certificar a inclusão em parcelamento da totalidade do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos percebidos pelo notificado no ano de 2001, objeto da glosa efetuada pela fiscalização (fls. 62/64): (...) Por conseguinte, voto por determinar a realização de diligência para fins de que a Delegacia de origem esclareça se, dentre o montante parcelado nos termos da Lei nº 11.941/2009 pela empresa Átimo Empreendimentos Ltda., CNPJ nº 81.542.169/000175, está incluído o IRRF retido sobre os rendimentos recebidos pelo contribuinte em epígrafe, e, sendo o caso, informe o valor original dessa retenção. 7. A diligência foi executada, esclarecendo a unidade da RFB que o imposto retido no valor de R$ 12.583,80 foi pago ou lançado de ofício, com posterior consolidação em parcelamento especial (fls. 68/69 e 71/76). 8. Por fim, tendo em vista que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 78/79). É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200611 Acórdão n.º 2401005.509 S2C4T1 Fl. 83 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 10. Abstraindose de articular considerações a respeito dos fundamentos que levaram à glosa do imposto de renda retido na fonte declarado pelo contribuinte no ajuste anual, assim como sobre as razões de decidir contidas no acórdão de primeira instância, o fato é que a instrução processual mostra que o lançamento fiscal não deve prevalecer. 11. Com efeito, a juntada aos autos das cópias das folhas de pagamento e da declaração da empresa Átimo Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ nº 81.542.169/0001 74, evidencia que o notificado sofreu retenção do imposto de renda na fonte, na condição de empregado, no montante de R$ 12.583,80, relativamente ao anocalendário de 2001 (fls. 27/37). 12. Por sua vez, o resultado da diligência fiscal ratificou que o valor retido foi recolhido ou parcelado pela fonte pagadora, na forma da Lei nº 11.941, de 2009, com os correspondentes acréscimos legais (fls. 76): Em complemento ao despacho de fl. 68/69 temos a informar que, confrontandose as datas de vencimento do IRRF lançado que constam do extrato do processo (Auto de Infração) nº 11516 003.276/200498 (fls. 41 à 47 do dossiê vinculado nº 10010.009074/071572) com a Dirf (ac 2001) apresentada pela Átimo, se verifica que todo IRRF declarado em Dirf (a qual, além de outras retenções, também engloba o IRRF referente ao contribuinte Loreno Ruaro Caldart (R$ 12.583,80) ou foi recolhido (fls. 71/75) ou foi lançado através do referido AI e posteriormente consolidado no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09, conforme já informado no despacho de fl. 68/69. 13. Logo, cabe afastar a exigência do crédito tributário da Notificação de Lançamento de fls. 07/10. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200611 Acórdão n.º 2401005.509 S2C4T1 Fl. 84 5 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a Notificação de Lançamento, emitida em 21/02/2006, relativa ao anocalendário de 2001 (fls. 07/10). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13642.000283/2009-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Fl. 91DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, de fls 33 a 38, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, ano-calendário de 2004, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 23.428,50, incluindo multa de ofício e de juros de mora calculados até maio/2009. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos, às fls. 34/36: 1) dedução indevida de dependentes – R$ 1.272,00; 2) dedução indevida de despesas médicas – R$ 26.500,00; 3) dedução indevida de contribuição à previdência privada e Fapi – R$ 9.440,61. Por meio da impugnação de fls. 2/3, instruída pelos elementos de fls. 9/32, o contribuinte contesta o lançamento argumentando, em apertada síntese, que: 1) não recebeu nenhuma intimação da Receita Federal; 2) está encaminhando, para análise, as cópias dos comprovantes das deduções questionadas pela Fiscalização. Embora ausente a documentação, requerida em momento anterior ao lançamento, a oferecida em conjunto com a impugnação foi analisada, em revisão de ofício pela DRF/Juiz de Fora/MG/SAFIS, em obediência à IN/RFB nº 958, de 2009, art.6ºA, com a redação dada pela a IN/RFB nº 1601, de 2010, no propósito de se observar a adequação desses documentos aos termos que estampa a pertinente legislação tributária. A par disso, foram lavrados em 19/7/2011 o Termo Circunstanciado de fl. 50 e o Despacho Decisório nº 226 de fl. 51, cuja conclusão foi pela alteração parcial da notificação, passando a exigência fiscal para os seguintes valores: R$ 5.500,01 de imposto suplementar, R$ 4.125,00 de multa de ofício(passível d e redução) e R$ 9.625,01 de juros de mora calculados até julho/2011. A justificativa da revisão de ofício, conforme Termo Circunstanciado de fl.50, foi essa: Analisando os documentos apresentados verificamos que foram declaradas despesas médicas para: Leonira de Fátima Lopes Santos – CPF 423.294.93649,R$ 10.000,00, mas de acordo com os recibos apresentados, recebeu foi de Márcia Pina Fuks, não dependente; Ângela Maria Batista – CPF 556.267.77687, R$ 10.000,00, cuja paciente é Márcia Pina Fuks, não dependente; valores que serão glosados na DIRPF, ano calendário 2004. Foram apresentados comprovantes de pagamentos para as demais deduções declaradas. Devidamente cientificado do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, antes mencionados, o contribuinte não se manifestou, conforme informação da ARF/São João Del Rei, à fl. 58. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manter-se a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13642.000283/2009-22 Acórdão n.º 2001-000.256 S2-C0T1 Fl. 3 3 de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem tê-los prestados. Colaciona jurisprudências, e traz argumentos jurídicos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal - Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Cabe esclarecer ao impugnante que se deu, de forma precedente à notificação, regular intimação (fls. 60/61) para apresentação dos comprovantes relativos a algumas informações constantes da DIRPF/2006, cuja correspondência foi enviada em 31/12/2008 para o endereço constante dos sistemas da Receita Federal à época – Rua Ana de Oliveira Silva, 690, São Caetano, São João del Rei, MG. A intimação foi devolvida ao remetente (tela de fl. 62) por inexistente o número indicado. Como a correspondência retornou à RFB, obrigou a que o referido chamamento ocorresse por Edital, o que foi feito (fls. 63/64) nos termos do art. 23, §§ 1º e 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, alterado pelo art. 113 da Lei nº 11.196/2005. Diante das datas em que os fatos ocorreram, não resta dúvida que foi correto o trabalho fiscal. Não procede, portanto, a alegação do notificado de não ter sido intimado para apresentar a documentação questionada pelo Fisco. Mérito - Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 93DF CARF MF 4 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos desprovidos de formalidades previstas em lei, como, por exemplo, endereço do estabelecimento do prestador, , e em alguns casos, sem ao mínimo informações do beneficiário do serviço médico. Tal fato gerou dúvidas na autoridade fiscal, a qual pediu maiores detalhes da comprovação da despesa, como o pagamento, a qual não foi apresentada pelo Contribuinte, o qual apenas contra argumentou que essa não era uma exigência legal para a dedução. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Conforme já relatado, o contribuinte foi devidamente cientificado do resultado da revisão de ofício do lançamento procedida pela DRF/JFA/MG/SAFIS e não se manifestou, o que leva a concluir que houve concordância de sua parte com os novos cálculos apontados pela autoridade fiscal e com a(s) justificativa(s) para tanto. Vale notar, a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2005, à fl. 01, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois o contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 26.500,00, ou seja, cerca de 42% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o ano-calendário de 2004. Registre-se que não se constatam nos autos quaisquer despesas de internação ou de cirurgia de grande porte, por exemplo, o que de fato poderia ocasionar dispêndios de tal magnitude. Destaque-se, apenas para ilustrar, o montante pleiteado pelo impugnante como dedução de despesas médicas em suas DAAs dos anos-calendário de 2004 a 2010, ou seja, R$ 148.913,27, a saber: R$ 26.500,00 (AC2004) + R$ 22.100,00 (AC2005) + R$16.000,00 (AC2006) + R$ 22.699,04 (AC2007) + R$ 30.175,82 (AC2008) + R$ 19.948,88(AC2009) + R$ 11.489,53 (AC2010). Isto posto, voto pela improcedência da impugnação.. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13642.000283/2009-22 Acórdão n.º 2001-000.256 S2-C0T1 Fl. 4 5 [...]” No caso concreto, demonstra-se, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com muitas dúvidas. justificadamente, acerca da existência de tais despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 95DF CARF MF 6 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando- se na fundamentação muito vasta do lançamento e da decisão da DRJ no sentido de que os documentos estavam desprovidos das formalidades previstas em Lei, geraram dúvidas e, portanto, por si só não foram suficientes, somada a postura do Contribuinte em não apresentar nenhuma comprovação adicional da existência das despesas alegadas, entendo que deve ser mantida a decisão a quo no sentido de manter as glosas outrora efetuadas CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão a quo - mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 96DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721473/2016-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.567
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
RELATÓRIO:
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 21 47 3/ 20 16 -9 3 Fl. 22358DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.359 2 RELATÓRIO: Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, que julgou IMPROCEDENTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Da autuação: Em 29/02/2016, foram lavrados autos de infração contra o recorrente, referente ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e respectivas tributações reflexas da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), anoscalendário de 2011 e 2012, cujo montante do crédito tributário lançado de ofício foi de R$ 852.988.024,83, assim discriminado: AI Tributo Principal Multa (75%) Juros Total IRPJ R$ 234.246.886,32 R$ 91.748.635,00 R$ 175.685.164,73 R$ 501.680.686,05 CSLL R$ 140.576.931,79 R$ 55.060.551,23 R$ 105.432.698,83 R$ 301.070.181,85 Cofins R$ 20.229.957,76 R$ 7.812.332,78 R$ 15.172.468,27 R$ 43.214.758,81 PIS R$ 3.287.368,09 R$ 1.269.504,00 R$ 2.465.526,03 R$ 7.022.398,12 Total R$ 398.341.143,96 R$ 155.891.022,26 R$ 298.755.857,86 R$ 852.988.024,83 A infração utilizada foi glosa de despesas não necessárias, em desrespeito ao art. 299 do RIR/99. Para o anocalendário de 2011, houve autuação de IRPJ e CSLL, pois PIS e Cofins já foram autuado em outro processo (11080.732743/201420). Para o anocalendário de 2012, houve autuação de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Para expor os principais elementos do Relatório de Fiscalização, aproveito o que consta no v. acórdão recorrido, pela forma sucinta e precisa que resume a autuação: 2.1. A fiscalizada é sociedade anônima fechada que tem por objeto a comercialização de títulos de capitalização, tendo sido constituída em 04/03/1982 com CNAE FISCAL “Seguros não vida”, e alterado em 27/08/1999 o CNAE Fiscal para (64506) “Sociedades de Capitalização”, fls. 978/980. 2.2. Em 28/04/2015, foi iniciada a fiscalização com a solicitação dos documentos que embasaram a apuração dos Fl. 22359DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.360 3 resultados contábil e fiscal dos anoscalendário de 2011 e 2012, fls. 02/04, Notas técnicas autorizativas da SUSEP no período da fiscalização; Cópias dos acordos comerciais com parceiros do período 2011 e 2012; Modelos de títulos de capitalização do período (no mínimo 10), e as contas e montantes envolvidos no resgate efetivo dos títulos 2011 e 2012; seguindose com os termos de intimação, de 28/05/2015, 03/06/2015 28/05/15, fls. 06, 03/06/2015, fls. 09/11, 11/06/2015, fls. 43, 17/06/2015, fls. 1160/1162. 2.3. Com a apresentação da DIPJ do ano calendário 2011, verificouse uma Receita Líquida com Títulos de Capitalização no valor de R$ 843.878.314,46 (fls. 1016/1049), a DIPJ Ano Calendário 2012, Receita Líquida com Títulos de Capitalização no valor de R$ 1.058.995.704,52 (981/1013), sendo que na contabilidade esse valor está informado na subconta “Arrecadação com títulos de Capitalização”, que, em verdade é resultado da subtração do valor R$ 1.348.203.326,89, conta 3.4.1, Receita Líquida com Títulos de Capitalização e a de nº 3.4.1.2.3, Despesas com Resgates (fl. 1014), as quais não constam entre as exclusões e/ou deduções na legislação do IR, distorcendo dessa forma a adequada apuração da base de cálculo. 2.4. A partir da análise dos documentos apresentados, concluiu se que as despesas com descontos contabilizadas em subconta 3.4.4.2.3.4.2.1.1.1, “Títulos de Capitalização à vista”, não são necessárias à atividade da empresa, (§1º do artigo 299 do RIR/99), tendo em vista que não só NÃO estão autorizados como até mesmo contrariam as Normas Técnicas da Susep as quais está submetido, fls. 26/41 e 1087/1157, não sendo nem usuais ou normais ao tipo de atividade da empresa (§ 2º do art. 299 do RIR/99). 2.5. Os valores de Cofins referentes ao anocalendário de 2011 foram exigidos no processo nº 11080.732743/201420. A base de cálculo de ano calendário de 2011 encontrase na planilha de fls. 898/899. A base de cálculo de 2012 encontrase na planilha de fls. 903/976, com subtotais à fl. 977. A fundamentação legal encontrase especificada no Auto de Infração, sob o título “Enquadramento Legal”, fls. 1193/1198. Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: 3. Inconformada com o auto de Infração, a empresa apresentou defesa tempestiva, fls. 1297/1307, acompanhada dos documentos de fls. 1308/1315, com os seguintes argumentos à seguir sintetizados: Fl. 22360DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.361 4 3.1. Segundo a Autoridade, as notas técnicas dos Títulos de Capitalização expedidos pela Impugnante não autorizariam o desconto e, em razão disso, todo o valor, mesmo aquele não recebido (desconto), deveria integrar a base de cálculo tributária, contudo efetivamente deu o desconto e não recebeu o preço integral, conforme comprovam suas demonstrações financeiras anexas. 3.2. A legislação é clara ao determinar junto ao §22, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/1998, que para fins de determinação da base de cálculo das contribuições excluemse da receita bruta determinados elementos, entre estes os descontos incondicionais concedidos. Cita legislação a respeito. Consequentemente, em razão de expressa determinação legal não há receio em afirmar que descontos incondicionais concedidos não devem ser considerados juntos à base de cálculo para incidência tributária, conforme confirma a própria jurisprudência. Traz julgados administrativos e judiciais. 3.3. Frisa ser verificável junto aos registros da Sociedade que em momento algum foram impostas qualquer condição ou requerimento de valores complementares junto às vendas de Títulos de Capitalização, não havendo qualquer tipo de caracterização de venda divergente da contendo desconto incondicional. Ainda, que o próprio AuditorFiscal reconhece que não houve qualquer tipo de fraude ou sonegação no que tange a receita da Sociedade, estando esta no cumprimento escrito de sua boafé desempenhando conduta adequada ao padrão ético. 3.4. Afirma ser a APLUB Capitalização S/A uma Sociedade de Capitalização devidamente construída de acordo com as leis brasileiras como se depreende dos seus Estatutos e Portaria do Ministério da Fazenda. Conforme se contata no artigo 3º do DecretoLei 261, de 21 de fevereiro de 1967 , o Sistema Nacional de Capitalização está submetido ao Conselho Nacional de Seguros Privados CNSP e à Superintendência de Seguros Privados SUSEP, sendo, portanto a Sociedade de Capitalização em tela, autorizada a operar em consonância com o sistema micro legislativo normatizado pela Autarquia Federal, sendo submetida periodicamente à fiscalizações. 3.5. Assim, a estrutura, a forma do plano de contas e os registros contábeis, propriamente ditos, seguem rigorosamente às orientações emanadas pelo órgão fiscalizador. O Termo de Lançamento lavrado pelo AuditorFiscal informa, equivocadamente, que os valores correspondentes aos descontos concedidos estão contabilizados como "Despesas de Comercialização", quando na verdade, por força da estrutura do plano de contas estabelecido pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP prevê que a mencionada rubrica "Descontos Concedidos Incondicionalmente" esteja alocado dentro do grupo "Despesas de Comercialização", subgrupo "Custeamento de Vendas". Fl. 22361DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.362 5 3.6. Junto à estrutura do plano de contas de uma empresa não financeira e nem supervisionada por agência reguladora, com certeza, a luz da legislação societária e a boa técnica contábil, estes descontos seriam redutores da receita. Ocorre que na condição de instituição financeira, normatizada SUSEP, tem que informar os descontos incondicionais dentro do grupo "Despesas de Comercialização", subgrupo "Custeamento de Vendas", o que não afeta a legalidade a sua aceitação pela Receita Federal, pois efetivamente o desconto foi concedido antecipadamente, sem nenhuma condicionante, portanto fora do alcance da tributação seja de que matriz for. 3.7. Sob outro aspecto, a luz dos artigos 481 e 482 do CC, as partes terão livre arbítrio para arbitrar preços certos em dinheiro para transferência de certas coisas, analogicamente os títulos de capitalização, o que significa a dispensa de qualquer ato contratual para comercialização de títulos de Capitalização da Modalidade Popular, assim como da emissão de Nota Fiscal, o que não desconstitui a concessão do desconto incondicional, haja vista que ambas as partes chegaram a um determinado preço e teve a venda concretizada, sendo portanto um negócio jurídico perfeito. 3.8. Portanto, é pacífico o entendimento de que somente poderá ocorrer a incidência a alíquota vigente sob aquilo que for reconhecido como receita auferida pela Sociedade de Capitalização, sendo, desta forma, somente aplicável sobre importâncias financeiras que de fato ingressem na Companhia. Cita Doutrina. 3.9. Aduz pela violação dos princípios da capacidade contributiva, uma vez que sendo inexistente o conteúdo econômico, será inexigível o tributo por parte do Poder Público. Nessa conjuntura, extraise a impossibilidade de admitir tributação que torne definitivo o recolhimento das contribuições a partir de valores que não se verificaram, e pior que significaram prejuízo e diminuição do patrimônio do contribuinte. 3.10. Por fim, espera a impugnante que seja deferida sua impugnação ao Termo de Lançamento reconhecendo a inexistência de qualquer suposto débito junto à Receita Federal. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 EMPRESAS DE CAPITALIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. DESCONTOS CONCEDIDOS. BENEFICIÁRIOS Fl. 22362DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.363 6 LIGADOS. USUALIDADE E NORMALIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Em caso de empresa de capitalização, não atende os requisitos da normalidade e usualidade da despesa os descontos concedidos de forma não isonômica, beneficiando somente empresas ligadas ao contribuinte, com identidade de sócios nos quadros societários. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS e COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS CONCEDIDOS. COMPROVAÇÃO. Somente os descontos incondicionais comprovadamente concedidos podem ser reduzidos da receita bruta, para o efeito de determinação da receita líquida de vendas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: (...) 5.2. Segundo a fiscalização, à partir da análise dos documentos apresentados, as despesas com descontos contabilizadas em subconta 3.4.4.2.3.4.2.1.1.1, “Títulos de Capitalização à vista”, não são necessárias à atividade da empresa, (§1º do artigo 299 do RIR/99), tendo em vista que não só NÃO estão autorizados como até mesmo contrariam as Normas Técnicas da SUSEP as quais está submetido, fls. 26/41 e 1087/1157, não sendo nem usuais ou normais ao tipo de atividade da empresa (§ 2º do art. 299 do RIR/99); 5.3. A defesa por sua vez, entende que a estrutura, a forma do plano de contas e os registros contábeis, propriamente ditos, seguem rigorosamente às orientações emanadas pelo órgão fiscalizador, Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, que prevê que a mencionada rubrica "Descontos Concedidos Incondicionalmente" esteja alocado dentro do grupo "Despesas de Comercialização", subgrupo "Custeamento de Vendas". Assim, quando ocorre a venda do título de Capitalização é gerada uma receita bruta e um desconto incondicional, entrando financeiramente na empresa apenas o valor líquido da venda; (...) 5.4.9. Verificase do quadro acima, que a função das contas 344 é a de Registrar as despesas promocionais ocorridas nas vendas dos títulos. Assim, ao individualizar o desdobramento do código da conta de Títulos de Capitalização à vista (PU), a impugnante acrescentou uma conta denominada “ Desconto”, Fl. 22363DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.364 7 acompanhado pelo nome do plano vendido, por exemplo citemos, a de nº 3.4.47.3.2.1.1.1.040 = Desconto ECOAPLUB. 5.4.10. O fato de assim proceder não é suficiente para comprovar que os valores ali contabilizados correspondem a “ descontos incondicionais concedidos”. 5.4.11. Consta da Circular SUSEP nº 379/2008, no Anexo IV Modelo de Publicação, que a demonstração de resultados do exercício das sociedades de capitalização com o grupo de contas iniciadas com 344 são apresentadas de forma aglutinadas em “ Despesas de Comercialização. Posteriormente a Circular SUSEP nº 430 de 05/03/2012, estabelece que as contas iniciadas com 344 são apresentadas de forma aglutinada em “ Custo de Aquisição”. Há ainda, que as despesas com comercialização (despesas com vendas) são apresentadas na Demonstração de Resultado da atividade de Capitalização como custo de aquisição e não como redutor de receitas, conforme modelo de publicação. 5.4.12. Desse modo, a utilização da denominação “descontos” no desdobramento das contas de Despesas com Vendas, não ampara a exclusão efetuada, pois não ficaram caracterizados os descontos incondicionais concedidos. De outro modo, a impugnante não trouxe prova suficiente que respaldasse tal fato: não apresentou os contratos junto aos distribuidores dos títulos de capitalização e não comprovou as despesas de comercialização na documentação relativa à colocação dos títulos. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: a) da ausência do recebimento de receitas: O v. acórdão recorrido não menciona e nem analisa toda a documentação apresentada na sua impugnação que a recorrente não auferiu os valores que lhe foram imputados nos autos de infração. A alienação dos títulos de capitalização por valores inferiores aos de face seria uma concessão de desconto, de forma incondicional, a recorrente recebeu, como receita, apenas os valores dos títulos já deduzidos dos descontos concedidos. Tal caracterização contábil como "despesas de comercialização" de tais descontos decorreu da exigência da estruturação do plano de contas fixadas em normas da SUSEP Superintendência de Seguros Privados. E tal classificação contábil não alteraria sua natureza jurídica. Para tanto, apresenta no presente recurso voluntário os recibos emitidos na venda dos títulos de capitalização, o que não fizera anteriormente. Tal apresentação Fl. 22364DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.365 8 extemporânea teria guarida no princípio da verdade material, e já teve reconhecimento em julgados anteriores do Carf (citando trecho da ementa do Acórdão nº 2201002.005, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 20 de fevereiro de 2013). b) da necessidade e usualidade dos descontos concedidos: Para demonstrar a necessidade e usualidade/normalidade dos descontos, argui que atua num mercado bastante restrito, com baixo retorno financeiro, dominado pelos grupos econômicos dos grandes bancos ou de grandes seguradoras. Com isso, não conta com uma estrutura operacional para capilarizar seus pontos de venda. Com isso, oferecem seus títulos ao mercado, o que dependem de expressivas despesas com publicidade e propaganda, com telemarketing, com material de divulgação, com serviços de distribuição etc., para que a aquisição dos títulos venha efetivamente a ocorrer. Destarte, a recorrente vende os títulos com descontos, e os adquirentes promovem a maior parte das ações necessárias para que os títulos sejam vendidos aos seus destinatários finais, no caso, pessoas físicas. Ou seja, os adquirentes assumiriam todos os encargos necessários para a colocação final no mercado desses títulos. A recorrente ao conceder os descontos incondicionais, obteve menor receita, mas, igualmente, incorreu em menos despesas, pertinente à própria comercialização dos títulos. c) da incompreensão do sentido das cotas que compõem o prêmio do título de capitalização: Houve uma má compreensão do sentido das cotas que compõem o prêmio (preço) do título de capitalização, tanto pela fiscalização quanto pela autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Relembrando, há três cotas para compor 100% do valor do prêmio pago: cota de capitalização, cota de sorteio e cota de carregamento. A cota de capitalização é destinada à formação do montante capitalizado ou do valor do título no seu vencimento. A cota de sorteio é destinada a custear os sorteios, se previstos. E a cota de carregamento é prevista para cobrir as despesas gerais com a colocação e administração do título. O desconto incondicional concedido tem o papel se atuar como a cota de carregamento, contrapartida assumida pelos adquirentes ao receberem o desconto. Disto, não haveria impedimento regulamentar à concessão de descontos incondicionais na alienação de títulos de capitalização. d) dos descontos incondicionais concedidos em 2012 ausência de exclusividade para a Ecoaplub Diversamente do consignado no auto de infração (item 25 do Relatório de Fiscalização, fl. 1.171), no exercício de 2012 houve também a concessão de descontos incondicionados a outros adquirentes, sem a limitação dos descontos às operações com a Associação Aplub de Preservação Ambiental – ECOAPLUB, CNPJ 10.326.675/0001 89. Fl. 22365DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.366 9 Além do montante de R$ 505.748.945,45 concedido à Ecoaplub, registrado na conta contábil 3.4.4.2.3.4.2.0.0.0.0001, haveria na conta contábil 3.4.4.2.8.1.1.0.0.0 a extensão da concessão de descontos incondicionados de R$ 66.191.892,21. Com isso, não haveria que se falar em falta de isonomia entre a recorrente as respectivas entidades adquirentes de seus títulos todos receberam descontos incondicionados. e) do total de descontos incondicionais concedidos em 2011 exclusão do desconto a SBT Incentivo No total do desconto incondicional concedido em 2011 (R$ 431.430.599,90), o valor de R$ 49.226,67, concedido em janeiro de 2011 foi integralmente devolvido em maio de 2011. Com isso, o total de descontos concedidos em 2011 monta R$ 431.381.373,23. Para tanto, deveria ser excluída das autuações referente ao anocalendário de 2011 o montante de R$ 49.226,67. f) das despesas com comercialização de títulos incorridas por Ecoaplub Nos anoscalendário em exame, um expressivo volume de vendas de títulos de capitalização ocorreu para a Associação Aplub de Preservação Ambiental Ecoaplub CNPJ 10.326.675/000189. A Ecoaplub assumiu as despesas pertinentes à comercialização dos títulos. Como comprovam as Demonstrações Contábeis da referida entidade ECOAPLUB (anexas), ela incorreu em despesas com a colocação de títulos de capitalização no mercado, na extensão de R$ 337.116.910,58, no exercício de 2011, e de R$ 419.554.176,47, no exercício de 2012, reconhecidos como Despesas com Angariações de Contribuições. Os documentos ora anexados prestamse a contrapor os fundamentos do acórdão recorrido. São pertinentes e necessários à plena cognição dos fatos que ensejaram a lavratura dos autos de infração. Legitimase, também aqui, a sua juntada aos autos, mesmo de forma extemporânea em relação à impugnação original. Tais descontos se justificariam para o repasse das despesas pertinentes, e jamais a situação de glosa efetuada configuraria uma realidade de lucro esperado na atividade negocial ora em exercício. g) da exclusão dos juros sobre as multas Deveriam ser excluídos dos autos de infração os juros calculados sobre os valores correspondentes a multas de ofício, por estas contarem com o mesmo caráter sancionatório da multa de mura, às quais não incidem juros, nos termos do parágrafo único do artigo 2º do DecretoLei nº 1.736/76, e do o § 2º do art. 54 da Lei nº 8.383/91. Fl. 22366DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.367 10 h) do pedido: Consequentemente, pede: seja julgado improcedente os lançamentos, diante da ausência de receitas auferidas, em razão dos descontos incondicionados concedidos, que apenas foram contabilizados como “Despesas de Comercialização” ou “Custos de Aquisição”; subsidiariamente: . seja julgado improcedente os lançamentos de IRPJ e de CSLL, tendo em vista que incorreu em despesas necessárias e usuais na comercialização de títulos de capitalização; . seja excluída da base de cálculo apurada em 2011, o montante de R$ 49.226,67 tendo em vista sua devolução; . sejam excluídos os juros calculados sobre as multas. Requer ainda o deferimento para juntada dos documentos ora anexados. Das Contrarrazões da PGFN: A Procuradoriageral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário. Nesta, expõe os seguintes elementos e argumentos. a) da juntada intempestiva de provas preclusão Evoca o art. 16, § 4º do Decreto 70.235/72, que diz que a prova documental será apresentada na impugnação, para tentar afastar os novos documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário. A recorrente não atendeu nenhuma das situações que excepcionam tal dispositivo. Igualmente, procura destacar que não existe conflito entre ao princípio da verdade material e a limitação do supracitado dispositivo, visto que o legislador estabeleceu as situações em que a regra preclusiva não se aplica. Reforça com argumentos que enfrentam a questão do sopesamento do princípio da finalidade/celeridade do processo, regrado, e o princípio da verdade material, onde destaca que este não pode aniquilar todos os demais princípios, como os princípios da economia processual, da razoabilidade e da proporcionalidade, e a observância das formalidades estabelecidas na lei e que visam justamente assegurar a transparência e segurança de todos e não apenas da Administração Tributária. Adicionalmente destaca que durante o procedimento fiscal, apesar de intimado, foi evasivo na apresentação de documentos, alegando apreensão pela Polícia Federal, o que se revelou inverídico, conforme apontado pelo Fisco. Igualmente não apresentou tais provas na impugnação, se limitando a afirmar que o código civil não Fl. 22367DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.368 11 prevê a necessidade de instrumento contratual para a compra e venda de títulos de capitalização. Neste diapasão, ao não apresentar nos momentos oportunos (fiscalização e impugnação), haveria preclusão do direito de apresentação apenas na peça recursal, o que afrontaria a própria finalidade processual e importaria em supressão de instância. Destarte, pede que não seja conhecidos os documentos juntados intempestivamente com o recurso voluntário, e caso o sejam, se determine diligência para que a autoridade fiscal possa sobre eles se manifestar. b) do mérito O caráter incondicional dos descontos não se encontra demonstrado, pois baseado na argumentação da própria recorrente, é possível supor que os descontos eram concedidos sob a condição de que o adquirente promovesse a revenda dos títulos pelo valor integral aos destinatários finais, arcando com tais ônus. Ou seja, há a ausência de qualquer documento que demonstre se tratar de descontos incondicionais concedidos. Ainda que se considere os documentos extemporaneamente apresentados aos autos, tratamse de recibos de lavra própria da recorrente. Quando muito provam a venda dos títulos com descontos, o que seria incontroverso nos autos. De outro lado, houve a contabilização das receitas pela integralidade do valor dos títulos (valor de face), tratando os descontos como despesas de comercialização ou custo de aquisição, ao qual, a recorrente argumentou para agir assim por supostas determinações normativas da SUSEP, o que não demonstra. Já a decisão da DRJ procedeu uma análise esmerada das circulares da SUSEP, conforme quadro e excertos abaixo: 5.4.8. De outro modo, contrapondo os argumentos da defesa, a Circular SUSEP nº 379, de 19/12/2008, Anexo III – 2, que disciplina as normas, critérios e procedimentos para registro das operações das sociedades de capitalização, a função e funcionamento da conta de despesas de vendas é a seguinte: Fl. 22368DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.369 12 5.4.9. Verificase do quadro acima, que a função das contas 344 é a de Registrar as despesas promocionais ocorridas nas vendas dos títulos. Assim, ao individualizar o desdobramento do código da conta de Títulos de Capitalização à vista (PU), a impugnante acrescentou uma conta denominada “ Desconto”, acompanhado pelo nome do plano vendido, por exemplo citemos, a de nº 3.4.47.3.2.1.1.1.040 = Desconto ECOAPLUB. 5.4.10. O fato de assim proceder não é suficiente para comprovar que os valores ali contabilizados correspondem a “ descontos incondicionais concedidos”. 5.4.11. Consta da Circular SUSEP nº 379/2008, no Anexo IV Modelo de Publicação, que a demonstração de resultados do exercício das sociedades de capitalização com o grupo de contas iniciadas com 344 são apresentadas de forma aglutinadas em “ Despesas de Comercialização. Posteriormente a Circular SUSEP nº 430 de 05/03/2012, estabelece que as contas iniciadas com 344 são apresentadas de forma aglutinada em “ Custo de Aquisição”. Há ainda, que as despesas com comercialização (despesas com vendas) são apresentadas na Demonstração de Resultado da atividade de Capitalização como custo de aquisição e não como redutor de receitas, conforme modelo de publicação. Portanto, ao ter registrado os descontos na subconta referente a despesas de vendas não os equipararia a despesa dedutível, e nem a um desconto incondicional concedido. Ademais, tais descontos não poderiam ser concedidos, pois há regulamentação consubstanciada nas notas técnicas que não podem ser prejudicadas, conforme mencionado no TVF e reafirmado pela DRJ. Além disso, destaquese que tais descontos foram concedidos quase que exclusivamente à pessoa ligada ECOAPLUB. Fl. 22369DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.370 13 A Ecoaplub apresentou declaração de IRPJ na condição de isenta, e com apenas dois sócios, que também são sócios da recorrente. Ademais, há identidade de endereço de funcionamento de ambas. No relatório fiscal há a afirmação que no anocalendário de 2011, 94,31% dos descontos foram concedidos para a Ecoaplub, e no anocalendário de 2012, são 100%. Em relação aos outros descontos apontados pela recorrente no ano calendário de 2012, para contrapor o total de 100% dado à Ecoaplub, em outra conta contábil (34428110000), no total de R$ 66.191.892,21, R$ 44.008.345,26 também foram concedidos à Ecoplub. Ou seja, mesmo considerando a outra contábil, mais de 95% dos descontos foram concedidos à Ecoaplub. Destarte, o dado trazido no recurso voluntário não é suficiente para infirmar os argumentos fiscais no sentido de anormalidade dos descontos concedidos majoritariamente a um único cliente, a ela vinculado. Em que conclui: Destarte, não há dúvida de que os descontos, registrados como despesas, não se revestem das características de normais, usuais ou necessários, bem como não há dúvida que foram concedidos de forma irregular, e beneficiando pessoa ligada, que se declara isenta do IRPJ. Da mesma forma, não cabe a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, pois não há prova de que se trate de descontos incondicionais concedidos. c) dos juros sobre a multa de ofício Contra a insurgência da recorrente sobre a incidência dos juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", há que comentar o artigo 161 do CTN (Código Tributário Nacional), que define que o crédito tributário "não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora". O art. 113, § 1º do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária, ou seja, o critério utilizado pelo CTN para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. Neste sentido, restaria evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável seu conteúdo pecuniário. O conceito de crédito tributário está no art. 139 do CTN, ao dizer que este decorre da obrigação principal. Neste caso, a multa, indubitavelmente, seria obrigação principal, e ela integra o crédito tributário. Por consequência, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do CTN. Para tanto, reforça posicionamento da 1ª Turma da CSRF nesta linha (Acórdão CSRF 910100.539 1ª Turma). É o relatório. Fl. 22370DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.371 14 VOTO: Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Antes de qualquer análise ulterior, cabe analisar a preliminar suscitada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre os documentos juntados no recurso voluntário, e que não foram apresentados anteriormente, nem durante o procedimento fiscal, nem na peça impugnatória. Cabe destacar que o presente colegiado tem aceito documentos mesmo após o recurso voluntário, desde que não prejudiquem a apreciação e voto do relator, e se mostrem hábeis à busca da verdade material dos fatos ocorridos. Não se pretende que substitua a peça recursal, que deve respeitar o rito processual devido e seu prazo, mas seria um complementar probatório ao alegado, que eventualmente pode ficar disponível após expirado o prazo devido. Há nesta postura uma primazia da busca da verdade material, a qual se rege o processo administrativo fiscal. Há certo sentido nas ponderações do douto Procurador na sua peça das contrarrazões, sobre o respeito ao regrado art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972 e princípios associados ao rito processual, mas se o apresentado consegue formar convicção sem prejuízo aos fatos apostos no processo, não há que negálos. Em recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), sobre a matéria, decidiu que por força do princípio da verdade material e do princípio da ampla defesa, as provas podem ser apresentadas também “em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida” (Número do Processo 16327.001227/200542, Data da Sessão 08/08/2017, Acórdão 9101003.003). No tocante à autuação fiscal, temos aqui a glosa de valores contabilizados como despesas com descontos praticados pela recorrente, ao longo dos anoscalendário de 2011 e 2012. Observandose o constante no Relatório de Fiscalização, baseado na contabilidade entregue pela recorrente, os valores glosados são os contabilizados nas contas contábeis abaixo: Em 2011, as despesas com descontos foram contabilizadas na subconta 3.4.4.3.2.1.1.1 "Títulos de capitalização à vista (PU)", subconta da conta 3.4.4.3.2 "Despesas com vendas. Fl. 22371DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.372 15 Em 2012, as despesas com descontos foram contabilizadas na subconta 3.4.4.2.3.4.2.0.0 "Títulos de Cap PM", subconta da conta 3.4.4.2.3 Desp com vendas. No anocalendário de 2011, os valores glosados totalizaram R$ 431.430.599,90 (fl. 899). E no anocalendário de 2012, o montante foi de R$ 505.758.945,45. Notese que a maior (quase totalidade) dos valores glosados se referem a descontos concedidos à Ecoaplub (CNPJ nº 10.326.675/000189), conforme tabela listada abaixo: total dos descontos concedidos à Ecoaplub concedidos aos demais % Ecoaplub / Total 431.430.599,90 406.917.956,88 24.512.643,02 94,3% 505.758.945,45 505.758.945,45 0,00 100% Em R$~ Tais valores, na opinião da autoridade fiscal, não são necessários à atividade da empresa (§2º do artigo 299 do RIR/99), por não estarem autorizados, e até mesmo contrariando, as normas da SUSEP, às quais a recorrente está submetida, e também por não serem usuais ou normais ao tipo de atividade da empresa (§2º do artigo 299 do RIR/99). Já a recorrente argumenta que seguiu tal estruturação do plano de contas, classificando tais valores ora como despesas de comercialização (AC 2011) ora como custo de aquisição (AC 2012), por exigências fixadas em normas da SUSEP, pois tais valores seriam na realidade descontos incondicionais concedidos. E não haveria vedação à concessão dos descontos, pois se travestiria na realidade na parcela inerente à cota de carregamento dos títulos, a qual, ao invés de ser assumida diretamente por si, estava sendo repassada aos adquirentes. O artigo 299 do RIR 1999 define que incumbe ao contribuinte comprovar que aos valores deduzidos como despesa corresponderam gastos que concorreram de algum modo para o desempenho das atividades produtoras da empresa, assim como que tais gastos eram normais ou usuais no ramo de negócios em que atua. Em se tratando de prestação de serviço, esse dever de comprovação avulta, visto que, em geral, uma vez concluído o serviço, este fisicamente se esgota, sem deixar vestígios materiais. Assim, para permitir ao fisco averiguar se um determinado pagamento a título de remuneração de prestação de serviços atende os requisitos legais de dedutibilidade (sobretudo a necessidade, a utilidade e a usualidade do gasto), o contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a sua efetiva realização e qual a natureza dos serviços prestados. Para que sejam considerados hábeis, o mínimo que se requer é que os documentos discriminem minuciosamente os serviços prestados e que tenham sido emitidos de acordo com as prescrições legais, tanto as de ordem formal como as de ordem material. Fl. 22372DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.373 16 Na sua peça recursal, o contribuinte traz uma série de documentos anexos, principalmente recibos, em grande volume a partir da fl. 8697, até a fl. 21956, ou seja, mais de 13 mil folhas (!) para gerar esta comprovação. Apesar de demandado durante o procedimento fiscal, não apresentou tais documentos. E, igualmente, não os apresentou na sua peça impugnatória. Só o fez nesta instância administrativa atual, ou seja, a recursal. Numa análise preliminar efetuada por este relator, os recibos apresentam as seguintes características muito singelas, ao destacar um valor bruto, o desconto, e o total recebido, e indicação do lote referente a títulos de capitalização. Muitos estão sem nenhuma assinatura. E todos são emitidos pela própria recorrente. Há outros elementos além dos recibos, como demonstrações contábeis da Ecoaplub. Agora, caberia definir se esses valores para o pagamento das despesas de comercialização, que seria o custo de carregamento, comprovados através dos recibos anexados a sua peça recursal bastariam para comprovar a situação. Contudo, a demonstração destes recibos só se deu na esfera recursal, sem sua apreciação nas esferas anteriores, prejudicando o julgamento desta Corte a respeito. Nas contrarrazões da PGFN, conforme anteriormente citado, já o pleito da mesma, que se conhecidos os documentos, que se determine diligência para que a autoridade fiscal possa sobre eles se manifestar. Neste cenário, considerando a importância de uma análise mais detida de tais documentos para o deslinde do julgamento, algo que não pode ser feito a contento neste CARF, até por eventuais necessidades de esclarecimentos adicionais, algo que só poderia ser obtido na unidade de origem, entendo oportuno a conversão do presente julgamento em diligência. Destarte, atendendo o pleito da PGFN, e nos termos do Parecer Cosit nº 2, de 15 de janeiro de 2018, proponho diligência em que a autoridade fiscal designada, em relação a estes documentos anexos à peça recursal, deve fazer uma análise e batimento, além de outros elementos que entender necessários, verificando se o apresentado na peça recursal podem ser comprovados e relacionados aos elementos de despesas glosados motivadores da autuação fiscal, ainda que amostral, possam caracterizar a situação alegada pela recorrente. A autoridade fiscal poderá trazer aos autos, utilizandose dos meios que entender necessários, qualquer elemento ou informação, mesmo que não contemplado nos explicitado acima, mas que no seu entender seja relevante para um melhor resultado da diligência. Caso entendido necessário, seja intimado a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos complementares e adicionais julgado devidos no que concerne a estes documentos. Após estas providências, elabore relatório DETALHADO e CONCLUSIVO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios necessários. Fl. 22373DF CARF MF Processo nº 11080.721473/201693 Resolução nº 1402000.567 S1C4T2 Fl. 22.374 17 Do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no parágrafo anterior, cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento. Destarte, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 22374DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.001000/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 25/09/2009 a 23/11/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO.
A interposição fraudulenta de terceiros na importação resta caracterizada diretamente por indícios fortes e convergentes, ou por presunção legal, pela ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados na operação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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A interposição fraudulenta de terceiros na importação resta caracterizada diretamente por indícios fortes e convergentes, ou por presunção legal, pela ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados na operação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 10 00 /2 01 0- 98 Fl. 306DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo trecho do relatório de primeira instância: Cuida o presente de exigência de crédito tributário decorrente de procedimento especial de fiscalização (IN SRF nº 228/2002), levado a efeito pela DRF em Boa Vista (RR), concernente às importações realizadas pela empresa SANTOS E SANTOS COMÉRCIO LTDA. ME., que culminou com a lavratura, datada de 13/12/2010, do Auto de Infração (AI) MPF nº 0260100/00042/10 relativo à conversão em multa pecuniária da pena de perdimento das mercadorias fruto da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros – art. 23, V, parágrafos 1º, 2º e 3º do Decretolei nº 1.455/1976, com esteio na redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, e arts. 73, §§ 1º e 2º, e 77 da Lei nº 10.833/2003, bem como no art. 689 e parágrafos do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009 , em vista da impossibilidade de apreensão das mesmas, no importe equivalente ao respectivo valor aduaneiro dos bens, redundando no montante de R$ 255.252,12 (conforme demonstrativo de apuração, à fl.15), nos termos da Peça de Autuação, às fls. 2/21, e do Relatório Final da Ação Fiscal, às fls. 22/51. Foi, igualmente, objeto desta autuação, na condição de responsável solidário, o senhor CHARLES DANTAS DA SILVA, ex vi do art. 124, inciso II, do CTN c/c art. 95, inciso I, do Decretolei nº 37/1966. Tratase de empresa que tem como atividade Lan House, em sala alugada a R$ 350,00, que habilitouse para comércio exterior, e importou milhares de sacos de cimento, ferros para construções e carvão mineral. O Fisco aponta os seguintes irregularidades: Não há comprovação de integralização de capital, os sócios não tinham recursos; O Livro Caixa mostra reiterados saldos credores de caixa, evidenciando a insuficiência dos recursos para amparar as importações; As notas fiscais indicam movimento de estoque com necessidade de armazenamento de milhares de sacos de cimento, e não há espaço/depósito/armazém da empresa; Que diversas notas fiscais de venda não foram reconhecidas pelos respectivos clientes; Em entrevista, o sócio Ruy Costa afirma: que teria começado as importações em 2010, quando na verdade as operações em foco são de 2009; que o responsável pelas transações comerciais seria Charles Dantas; que Charles já trabalhava com importações de cimento; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10245.001000/201098 Acórdão n.º 3201003.669 S3C2T1 Fl. 307 3 que Charles não era sócio porque tinha problemas no CPF; que seus clientes seriam Itaoca e Forte Construções. Na verdade, a Itaoca não confirmou as operações, e não há notas fiscais de venda para Forte Construções; Desse modo, o Fisco aplicou multa substitutiva do perdimento das mercadorias, conforme art. 23, §§ 1º e 3º, do Decreto 1.455/76, por ocultação do real adquirente, fundado ainda na presunção do §2º do mesmo artigo. Aplicou ainda a multa prevista no artigo 702, I, b1 do Regulamento Aduaneiro, nos casos de notas fiscais consideradas inidôneas, isto é, cujas vendas não foram confirmadas pelos supostos clientes. A empresa apresentou Impugnação, onde sustenta: que reconhece ter havido erros contábeis; que os recursos utilizados foram financiamentos dos fornecedores, com prazo de pagamento de até 180 dias, que são recursos em espécie, inferiores a R$10.000,00 que podem passar pela Alfândega sem necessidade de registro ou fechamento de câmbio; que o sócio Ruy Costa seria inexperiente, e por isso teve assessoria do Sr. Charles, que seria remunerado por comissão de 2,5% a 5%; que as vendas à Itaoca não confirmadas, seriam negociações não fechadas, e as notas fiscais deveriam ser canceladas, mas por inexperiência, o sócio Ruy Costa não pediu à contabilidade para cancelar; que usou a sede da empresa como depósito em 2009, e que somente se transformou em Lan House em 2010, quando o Auditor Fiscal lá compareceu; que a responsabilização solidária do Sr. Charles só seria possível se houvesse algum vínculo formal, como relação empregatícia; apresenta nova contabilidade corrigida. A DRJ/Fortaleza/CE – 7ª Turma, por meio do Acórdão 0823.754, de 15/06/2012, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/09/2009 a 23/11/2009 LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. 1 Art. 702. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 106, caput): I de cem por cento: (...) b) pelo desvio, por qualquer forma, de bens importados com isenção ou com redução do imposto; Fl. 308DF CARF MF 4 Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/09/2009 a 23/11/2009 IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS EMPREGADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. OCORRÊNCIA. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA PECUNIÁRIA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Considerase dano ao erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A empresa então apresenta o Recurso Voluntário, que tem o mesmo teor da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recusto é tempestivo e não vislumbro óbices a seu conhecimento. A ocultação fraudulenta de intervenientes em operação de comércio exterior é considerada dano ao eráro e punida com o perdimento das mercadorias, cf. DL 1.455/76, art. 23, V, e §1º, ou com multa equivalente ao valor aduaneiro, cf. §3º2: 2 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10245.001000/201098 Acórdão n.º 3201003.669 S3C2T1 Fl. 308 5 A ocultação fraudulenta pode ser provada diretamente, pela coleta de provas ou indícios convergentes da fraude ou simulação, ou por presunção legal, pela demonstração da “nãocomprovação da origem disponibilidade e transferência dos recursos empregados” na operação, cf §2º3: Desse modo, e por imposição legal, a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação enseja o perdimento ou multa substitutiva. Com efeito, em vista da infinidade de fraudes e interesses nas fraudes em comércio exterior4, e ainda, a impossibilidade de regulação de intervenientes estrangeiros, é que a legislação impõe transparência plena nas operações. No presente caso, há elementos mais que suficientes para que se considere o Sr. Charles Dantas como real adquirente das mercadorias, tal como relatado em entrevista pelo sócio Ruy Costa. Não há contestação das informações prestadas pelo Sr. Ruy Costa, apenas se tentou, nos recursos, caracterizar o Sr. Charles como “assessor”. Todavia, o conjunto probatório leva à conclusão de que era o real adquirente, pois 1 – o sr. Ruy Costa não demonstra conhecer os detalhes do negócio, dando informações incorretas, e aponta o Sr. Charles como o responsável pelas negociações, sendo remunerado com 20%, depois corrigido para 2,5% ou 5%, e ainda, por divisão de lucros; 2 – Os clientes informaram que somente tiveram negociações com o Sr. Charles, reconhecendoo como o representante da empresa; 3 – O Sr. Charles já trabalhava com importação de cimento, e tinha problemas no CPF, não podendo figurar como importador; Além desse elementos, outros corroboram na caracterização da ocultação fraudulenta do real adquirente: 4 – Não se comprovaram a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações; 5 – A contabilidade indicava saldos credores reiterados, em clara demonstração de insuficiência de recursos; 6 – não havia depósito para o armazenamento das mercadorias; 7 – não se confirmou a venda de mercadorias a clientes indicados em diversas notas fiscais, caracterizandoas como inidôneas. interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). (…) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 3 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. 4 , tais como lavagem de dinheiro, operações fíctícias para auferimento de benefícios à exportação, ocultação de intervenientes para ludibrirar controles e cotas, ocultação de interveniente para evasão tributária, blindagem patrimonial do real interveniente, e muitos outros Fl. 310DF CARF MF 6 A alegada origem dos recursos pelo financiamento dos exportadores carece de qualquer amparo, seja porque contraria a contabilidade registrada, seja porque alegadamente feita em espécie. Ora, os valores transacionados superam os R$ 10.000,00 que seriam permitidos para operações em espécie no comércio exterior. A alegada utilização da sede da empresa como depósito para milhares de sacos de cimento também soa inverossímil, numa localidade alugada por R$ 350,00 para Lan House. Tal inverossimilhança somase ao conjunto probatório como direcionador da formação do convencimento do julgador5 em sentido desfavorável à empresa. A falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, por si só, caracteriza a ocultação fraudulenta de terceiros, conforme §2º do art. 23 do Decreto 1.455/76. Cumulado com os outros indícios veementes, não há como deixar de concluir pela efetiva interposição fraudulenta de terceiros, com ocultação do real adquirente, no presente caso, e a particpação efetiva do Sr. Charles, ensejando sua responsabilização tributária solidária, conforme artigo 124, I do CTN6 e artigo 95, I, do Decreto Lei 37/667. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira Relator 5 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 6 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 7 Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923843/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 43 /2 01 1- 32 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.715, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.923843/201132 Acórdão n.º 3301004.376 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902401/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.411
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.902401/201321 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.411 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2018 Assunto IRPJ Recorrente EXPRESSO UNIR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a recorrente requer a compensação de débito com crédito referente a pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/03/2011. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (i) houve pagamento a maior de IRPJ; (ii) procedeu à retificação da DCTF alterando o valor do débito declarado para o valor efetivamente devido e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 02 40 1/ 20 13 -2 1 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13609.902401/201321 Resolução nº 1201000.411 S1C2T1 Fl. 3 2 informado na DIPJ; (iii) as cópias da documentação anexadas comprovam o direito ao crédito do saldo não aproveitado e legitimam a compensação do débito. O processo foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da recorrente, em síntese, sob o fundamento de que não foram trazidos aos autos documentos comprobatórios da existência de pagamento indevido ou a maior que o devido e, a retificação da DCTF não dispensa a apresentação dessas provas. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de IRPJ referente ao mês de 31/03/2011; (ii) diante das provas trazidas aos autos (LALUR, balancete e balanço patrimonial referentes ao período e DIPJ) não há duvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.399, de 10.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13609.902382/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de 31/08/2010, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do período de apuração de 31/03/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.399), adequandoa ao caso concreto: "5. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 6. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente, haja vista o tema ser alvo de súmula no âmbito desta Corte Administrativa, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação A questão controvertida é se há ou não prova de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ em agosto de 2010. 7. De acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, em caso de recolhimento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13609.902401/201321 Resolução nº 1201000.411 S1C2T1 Fl. 4 3 trata de débito declarado em DCTF não retificada ou retificada após a ciência do Despacho Decisório, cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo. 8. É certo que, o descumprimento da obrigação de retificar a DCTF ou a retificação em momento posterior ao Despacho Decisório não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela autoridade fiscal através da DIPJ e elementos da escrituração fiscal e contábil que corroborem o valor declarado/confessado. 9. E, por mais que a DIPJ não constitua confissão de dívida, nem represente instrumento hábil para a exigência do crédito tributário nela informado (Súmula CARF nº 82), deve ser considerada instrumento probatório legítimo, juntamente com outros elementos, para fins de demonstrar a ocorrência de suposto erro no preenchimento de outras obrigações acessórias, como é o caso da DCTF. 10. Reforçando essas diretrizes, transcrevo as seguintes ementas: "COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF e em DIPJ, não retificadas, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo." (Processo nº 16327.901219/200921, Acórdão nº 1301 002.241, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 23.03.2017, Relator: Waldir Veiga Rocha) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13609.902401/201321 Resolução nº 1201000.411 S1C2T1 Fl. 5 4 Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência.” (Processo nº 10860.903213/200965, Acórdão nº 1301002.410, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 15.05.2017, Relator: José Eduardo Dornelas Souza) 11. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 12. A Recorrente apresentou três DCTF relativas a agosto de 2010: (i) a original, em 21/10/2010, (ii) a primeira retificadora, em 13/09/2011, e (iii) a segunda retificadora, em 06/09/2013 (ou seja, após a ciência do Despacho Decisório). Nas duas primeiras, foi informado débito de R$ 107.366,77. Na última, débito de R$ 65.525,58. 13. Foi confirmado o recolhimento de R$107.366,77, referente ao código 5993, período de apuração agosto de 2010, efetuado em 30/09/2010. 14. A Recorrente, em sua DIPJ/2011 (AC 2010), entregue em 30/06/2011, efetuou balancete de suspensão/redução em todos os meses do AC 2010, tendo informado débito de R$ 65.525,58 de IRPJ apurado por estimativa, em relação ao mês de agosto (fls. 22). 15. A partir da análise da Parte A do LALUR (fls. 105/113), no período de agosto de 2010, o lucro real foi exatamente de R$ 977.952,24, ou seja, a mesma base de cálculo informada na DIPJ/2011 (fls. 22). 16. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR1 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 17. Contudo, há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; 1 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13609.902401/201321 Resolução nº 1201000.411 S1C2T1 Fl. 6 5 c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; 18. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iii) se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; 19. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 20. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 166DF CARF MF
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