Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10735.908330/2011-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10735.908330/2011-75
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6010439
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.638
nome_arquivo_s : Decisao_10735908330201175.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10735908330201175_6010439.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7751742
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051910978666496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 116 1 115 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.908330/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.638 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente CASA TILIM DE CEREAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 83 30 /2 01 1- 75 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 117 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 37282.92278.280508.1.3.049409, em 28.05.2008, efls. 1626, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior efetuado pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de agosto do anocalendário de 2004 no valor de R$7.123,57 contido no DARF de R$8.299,69 arrecadado em 10.09.2004, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 32, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 7.123,57 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1659.509, de 17.07.2014, efls. 3745: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 30.09.2014, efl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.10.2014, efls. 61110, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: A motivação dessa compensação devea exclusão por OFÍCIO da empresa pelo Simples Nacional movido por uma a Ação Fiscal onde foi lavrados Autos de Infração pela DEFIS/RJO, PROCESSO nº 18471.001472/200783 Exclusão do Simples Nacional Portaria SRF 6129/2005 (anexo II), onde a fiscalização retroagiu a opção do Simples Nacional dos anoscalendário de 2004 até 30/06/2007 e notificou a empresa apresentar as Declarações de Imposto de Renda pelo Lucro Presumido ou Real e as DCTF's, mas a empresa somente conseguiu transmitir as DCTF's e não transmitir as Declarações de Imposto de Renda (DIPJ's), pois havia declarações de Simples Nacional processadas. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 118 3 Devido a essa ao Auto de Infração de exclusão, a empresa apresentou defesa através do Processo nº 18471.001400/200736 e que, tem despacho decisório do Acórdão 1228.52 da permanência no Simples Nacional, conforme decisão (Anexo III). No que concerne ao pedido conclui que: Já que a empresa não conseguiu transmitir as declarações de DIPJ's e não consegue compensar os débitos declarados em DCTF's, então, que a DCTF transmitida nesse período seja cancelada e conseqüentemente o débito em questão (anexo IV). À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida o presente Recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que "não conseguiu transmitir as declarações de DIPJ's e não consegue compensar os débitos declarados em DCTF's, então, que a DCTF transmitida nesse período seja cancelada e conseqüentemente o débito em questão". O Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, prevê: Conclusão 81. Em face do exposto, concluise que: a) a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 119 4 c) a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; d) compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as revisões relativas à tributação previdenciária; e) o despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada; f) a revisão de ofício nas hipóteses aqui tratadas não se insere nas reclamações e recursos de que trata o art. 151, III, do CTN, regulados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco a ela se aplica a possibilidade de qualquer recurso, uma vez que, ainda que possa ser originada de uma provocação do contribuinte, é procedimento unilateral da Administração, e não um processo para solução de litígios; g) todavia, para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que tenha implicado prejuízo ao contribuinte, em atenção ao devido processo legal, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. Por conseguinte, a revisão de ofício cabe a autoridade administrativa, nos termos do caput do art. 149 do Código Tributário Nacional, do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 120 5 Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 121 6 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a alocação para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1659.509, de 17.07.2014, efls. 3745, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débito para o IRPJ (código 236201 (PJ em geral obrigada ao Lucro Real/Estimativa Mensal; Período de Apuração: Outubro/2005 (R$ 7.123,57); data de vencimento: 30/11/2005) e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 32). Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 122 7 6.1. O referido DD aponta como causa da não homologação o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Por oportuno, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que não homologou a compensação, alegando que foi excluída do Simples Federal, sendo pertinente o aproveitamento dos débitos devidos pela tributação do Lucro Presumido. 8.1. Efetuada pesquisa no sistema Sief/Fiscel da RFB constatouse que o DARF indicado no DD (nº 4640175378 – R$ 8.299,69) foi devidamente processado, tendo seu valor alocado ao débito do Simples Federal referente ao Período de Apuração Agosto/2004 (R$ 7.774,40), bem como ao PER/DCOMP 13156.38012.270108.1.3.04 6888 (Homologado Totalmente), não restando crédito a ser aproveitado no PERDCOMP [...] 8.2. Assim, encontrase correto o Despacho Decisório, ao consignar que o crédito reivindicado pela contribuinte no DARF, no valor de R$ 8.299,69 (período de apuração – 31/08/2004; data de arrecadação – 10/09/2004; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Simples), foi alocado ao débito do Simples Federal referente ao Período de Apuração Agosto/2004 (R$ 7.774,40), bem como ao PER/DCOMP 13156.38012.270108.1.3.046888 (Homologado Totalmente). 8.3. No contraditório apresentado a recorrente alega que foi excluída do Simples Federal, sendo pertinente o aproveitamento dos débitos devidos pela tributação do Lucro Presumido. 8.4. Em pesquisa efetuada no sistema CNPJ constatouse que a defendente foi incluída no Simples Federal com efeitos a partir da data de início do regime (01/01/1997), sendo excluída apenas em 30/06/2007, quando ocorreu o encerramento desta sistemática de tributação. Referido sistema também informa que a empresa entregou sua Declaração Simplificada para o anocalendário 2004, inexistindo recepção de Declaração em outro regime de tributação para o mencionado anocalendário [...] 8.6. Ademais, conforme o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no mesmo prazo para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. 9. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vêse livre quanto ao convencimento quando da apreciação das provas trazidas aos autos, consoante previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 123 8 9.1. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, afigurase correto o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida. Conforme os registros internos da RFB copiados fielmente no voto condutor da decisão de primeira instância, o suposto direito creditório pleiteado foi integralmente utilizados para quitação de débitos, que se encontram extintos. O processo nº 18471.001472/200783 de exclusão do Simples encontrase no Arquivo Geral da SAMF/RJ desde 24.06.2009 e o processo nº 18471.001400/200736 de Auto de Infração do Simples encontrase no Arquivo Digital Órgãos Centrais RFB/MF desde 09.09.2015, efls. 106115, de modo que as respectivas decisões são definitivas. Ainda restou comprovada a inclusão da Recorrente na sistemática do Simples (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996) no período 01.01.1997 a 30.06.2007, bem como pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada no anocalendário de 2004. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.907144/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.102
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10735.907144/2009-02
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019289
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-001.102
nome_arquivo_s : Decisao_10735907144200902.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10735907144200902_6019289.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7777495
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051910997540864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.907144/200902 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.102 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP, de crédito de contribuições que teria sido recolhido a maior, com débito(s) da própria interessada. A unidade de jurisdição não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, na qual alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 07 14 4/ 20 09 -0 2 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 3 2 Na base de cálculo do valor originalmente apurado estavam incluídos os valores relativos às comissões das vendas diretas realizadas pela Volkswagen do Brasil; Nas vendas diretas feitas pela Volkswagen do Brasil diretamente ao comprador, o Concessionário, no caso a TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S.A., recebe uma comissão por ser intermediário na operação de venda; Tratase de uma "prestação de serviços", na qual é exigida a emissão de Nota Fiscal de Serviços. Tal receita é contabilizada como "receita operacional por venda de serviços". Nesta condição, como a comissão é inferior a 9% (nove por cento), para efeito de PIS e COFINS, a tributação se dá pela alíquota zero; A fundamentação legal é a Lei n° 10.485 de 03.07.2002 (D.O.U.: 04.07.2002); Constatada a diferença na determinação da base de cálculo, foi apresentada DACON retificadora. Cabe ressaltar que não foi possível fazer a retificação da DCTF, porque o programa acusava erro quando era informado um valor diferente de débito para um pagamento a maior. Face ao exposto, a Impugnante apresenta seu pedido para que essa Delegacia de Julgamento reconheça seu direito ao crédito e declare homologada a compensação declarada. A 17ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual reproduz os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e solicita a possibilidade de juntada de novos documentos no prazo de 60 dias. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. Posteriormente, dentro do prazo requerido, apresentou os documentos: que solicita sejam analisados. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 4 3 É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.089, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903534/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.089): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido do(a) Cofins em ago/05, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório, apenas solicitou o prazo de 60 dias para apresentar os documentos. Dentro dos 60 dias solicitados no recurso voluntário, o recorrente apresentou petição requisitando a análise dos seguintes documentos: termo de abertura e encerramento do livro 00007, folhas 32/134 do balancete analítico do período 09/2005e o comprovante de recolhimento no valor de R$ 9.278,00. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 5 4 todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Acontece que nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, o recorrente apresentou documentos que comprovassem as questões de direito por ele alagadas que embasariam seu indébito tributário. Posteriormente, conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Ocorre que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 6 5 indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.969885/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/2009-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.969885/2009-39
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016778
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.372
nome_arquivo_s : Decisao_15374969885200939.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 15374969885200939_6016778.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/2009-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7770591
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911002783744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.969885/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.372 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ Recorrente EPANOR S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/200998, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 98 85 /2 00 9- 39 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1151.855 proferido pela Quarta Turma da DRJ/REC em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – PER/DCOMP por meio da qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração de 31/01/2005, com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 66.558,14(...). Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que este crédito foi requerido em outra Per/Dcomp, porém esta foi cancelada por erros na informação do tipo de crédito. Expressamente requer: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. Analisando os elementos constantes dos autos, verificamos a ocorrência dos seguintes fatos: em 21/05/2007, a contribuinte transmitiu a PER/DCOMP em lide; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 4 3 em 07/10/2009 foi emitido o Despacho Decisório, o qual decidiu pela não homologação do PER/DCOMP em lide, tendo em vista que o crédito analisado, pelas características do DARF discriminado no PER/DCOMP, tinha sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte; Consta como DCTF ativa no sistema para o período de apuração de 31/01/2005 a declaração abaixo: Nesta Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ativa consta confessado o débito do IRPJ cód. 2362 para o período de apuração de 31/01/2005 o valor de R$ 104.288,02 e vinculação do crédito no mesmo valor referente ao recolhimento efetuado. Desta forma, o crédito pleiteado pela contribuinte encontrase alocado a um débito confessado pela própria impugnante. Dos fatos narrados acima, verificamos que a Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte, ao examinar a existência, ou não, do pretendido direito creditório, não poderia nortear sua análise senão a partir dos elementos contidos na Declaração de Compensação e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ativa à época, entregue pela contribuinte e constante dos sistemas de controle da RFB. Não merece reparo, portanto, a decisão prolatada por aquela autoridade, não homologando a compensação declarada. Por outro lado, também não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos demonstrativos que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a redução do IRPJ confessado. Diante da ausência da apresentação dos livros fiscais e contábeis que justificassem a redução do valor do IRPJ e da não retificação da DCTF anteriormente à decisão da Autoridade Administrativa por meio do Despacho Decisório, este não merece reparo ao não conceder o direito creditório tendo em vista o crédito analisado encontrarse integralmente utilizado para quitação do crédito informado em DCTF. O Código Tributário Nacional – CTN determina, em seu artigo 170, o seguinte: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 5 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em não havendo liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não deve ser homologada a DCOMP a ele vinculada. CONCLUSÃO Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório em lide que NÃO HOMOLOGOU a PER/DCOMP constante dos autos. Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde, após um breve relato do indeferimento do seu pleito, alegou que no ano de 2005 não apurou imposto a pagar, entretanto, recolheu, por equívoco, estimativa de imposto mensal no valor de R$ 104.288,02, ref. período de janeiro/2005. Que para aproveitar este crédito, utilizou diversas compensações, que indica em seu recurso; que não foi realizada nenhuma intimação e/ou diligência para apurar a existência de crédito e inexistência de estimativa no ano de 2005; não obstante, inexiste o referido débito, conforme DIPJ, LALUR e balancete registrado em Diário. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.371, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.963787/2009 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.371): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito, no Perd/Dcomp a que alude o Despacho Decisório, um valor pago de IRPJ/estimativa de R$ 104.288,02 (janeiro/2005), que reputa como pagamento indevido, cujo pedido inicialmente foi indeferido pelo Despacho Decisório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 6 5 Observese que na manifestação de inconformidade junto ao Acórdão da DRJ, a Recorrente não esclareceu que tipo de crédito se tratava, o fazendo somente agora em seu recurso voluntário. No sentido de demonstrar a liquidez e certeza de seu crédito, traz a sua DIPJ de 2005 onde encontrase ali declarado que não há lucro real positivo, além de balancetes, razão analítico e LALUR. Destaquese que tais documentos, trazidos somente agora, deveriam ter sido apresentados para a apreciação da DRJ, aliás, no voto condutor da decisão de piso consta que: Por outro lado, também não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos demonstrativos que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a redução do IRPJ confessado. Entendo que o crédito informado na DCOMP, constatado sendo proveniente de um pagamento indevido, pode ser tratado como saldo negativo de IRPJ de 2005, pois utilizado em DCOMP para compensação com débitos de 2006, como aliás, sugere a Recorrente quando afirmou que "caso não se entenda pela existência de pagamento indevido, tendo em vista que, em 31/12/2005, não foi apurado lucro real a ser tributado pelo IRPJ, deve ser reconhecido este valor de R$ 104.288,02 como saldo negativo a ser compensado." Em assim sendo, estaríamos diante de um claro erro no preenchimento da DCOMP, equívoco este que pode ser superado com base no Parecer Normativo COSIT nº 8, de 2014, que a seguir se reproduz excertos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser Fl. 191DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 7 6 efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. No sentido de não se suprimir instâncias de julgamento, entendo que deva ser oportunizado ao Contribuinte, após as intimações necessárias, sejam os documentos analisados a fim de se verificar a existência ou não do crédito alegado. Tudo se insere, inclusive, dentro do princípio pela busca da verdade material, uma vez que já se tem nos autos alguns documentos, ainda que só apresentados em sede recursal. Desta forma, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, entendo cabível, seguindo orientação do PN 08/2014, que o processo seja encaminhado à Unidade de Origem para realização da revisão de ofício. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720750/2011-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO
Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA).
Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2002-001.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10945.720750/2011-56
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008645
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.025
nome_arquivo_s : Decisao_10945720750201156.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 10945720750201156_6008645.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7746450
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911008026624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 97 1 96 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720750/201156 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.025 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente ELI BARRETO DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS VERBA INDENIZATÓRIA ISENÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 07 50 /2 01 1- 56 Fl. 97DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 10 a 18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e dedução indevida com despesas com instrução Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 12.892,12, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 65, que, conforme decisão da DRJ, o contribuinte alega: Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 06/06/2011. O contribuinte foi cientificado em 17/06/2011 e ingressou com impugnação em 14/07/2011, alegando, em síntese: Quanto a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: Que foi concedida uma diferença sobre seus proventos, na proporção de 28,86% por erro exclusivo da União e que portanto são de natureza indenizatória. Que as verbas indenizatórias não se sujeitam ao IR. Que os valores pagos pela sentença foram levantados por meio de precatório e pago pela Caixa Econômica Federal e que fora retido o valor de R$ 833,60 para compensação do Imposto de Renda Pessoa Física. Que como tratavase da Caixa Econômica Federal (empresa pública), bem como a retenção na fonte do valor do tributo, concluiu que dispensava a sua menção na DIRPF. Do Rendimento da Cônjuge Concorda com a omissão. Das Deduções legais Deixou de apresentar os comprovantes de despesas médicas e com instrução, por encontrarse recolhido em Instituto Prisional; Que desconhece a legislação tributária; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 98 3 Do Pedido Que seja reconhecido o caráter indenizatório da verba recebida, para que se considere os fatos geradores mês a mês; Que seja revisada a base de cálculo do tributo referente ao precatório e aplicado tão somente a alíquota de 3%; Sejam afastadas as multas aplicadas, bem como seja possibilitado o pagamento parcelado da mora e juros; Seja aceito os documentos apresentados para que justifiquem os gastos com despesas médicas e com instrução referente a DIRPF. A impugnação foi apreciada na 22ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, em 17/03/2015, no acórdão 1666.702, às efls. 79 a 85, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 90 a 94, no qual alega, em resumo, que: · os valores considerados omissos são oriundos de ação judicial proferida nos autos do processo nº 9400.096793/PR e são de natureza indenizatória; · se aplicado o regime de competência, estaria sob a guarida da faixa de isenção do IRPF; · concorda com a omissão dos rendimentos da cônjuge. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 30/03/2015, efls. 88, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 17/04/2015, efls. 90, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e dedução indevida com despesas com instrução Fl. 99DF CARF MF 4 Conforme decisão de piso, o contribuinte concordou com a omissão de rendimentos recebidos pela cônjuge, sendo mantidas as demais autuações. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte não apresenta defesa quanto a dedução indevida com dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e dedução indevida com despesas com instrução, atraindo a redação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Logo, a lide restringese a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica oriundos de ação judicial proferida nos autos do processo nº 9400.096793/PR. Da natureza indenizatória da verba A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 99 5 pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. Logo, a regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. É o que se extrai do caput do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ainda, conforme o inciso II, do artigo 111 do mesmo diploma legal, interpretase literalmente as hipóteses de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 101DF CARF MF 6 Assim, cabe ao contribuinte comprovar que aqueles rendimentos auferidos são isentos. No caso, o contribuinte alega que os rendimentos objeto do auto de infração tem natureza jurídica de indenização, contudo, limitouse a meras ilações, sem qualquer prova documental que corrobore com seu pleito. Logo, não há que se aplicar o instituto da isenção aos rendimentos em comento. Da omissão de rendimentos (aplicação do regime de competência) Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado em omissão de rendimentos recebidos de ação judicial promovida pelo contribuinte, da qual foi beneficiário de valores recebidos por meio de ação judicial. Tais valores foram recebidos no curso do processo nº 9400.096793/PR. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Inferese que o lançamento em exame foi realizado com base na Declaração de Imposto Retido na Fonte – DIRF original entregue pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal à Receita Federal do Brasil, onde consta que o notificado auferiu rendimentos tributáveis no período no valor total de R$ 27.786,81, com imposto retido na fonte no valor de R$ 833,60. Portanto deve ser mantido o lançamento da omissão de rendimentos do titular, conforme realizado pela autoridade lançadora. Tratase, os presentes autos, de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei nº 7.713/98, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 27/01/2016) Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 100 7 montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. Sobre o tema, leciona Hiromi Higuchi: No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (art. 640 do RIR/99). O valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, poderá ser deduzido para apurar a base de cálculo do imposto. Além dos casos de pagamentos acumulados de salários de vários meses, por dificuldade financeira da fonte pagadora, esse fato ocorre nas revisões judiciais de aluguéis comerciais quando as diferenças mensais em litígio são depositadas à disposição da justiça. No caso de salários há injustiça porque a alíquota de 27,5% incidirá sobre salários que isoladamente pagos estariam isentos do imposto. Há injustiça até na dedução de dependentes. O STJ vem, reiteradamente, decidindo que no cálculo do imposto incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, nos termos previstos no art. 521 do RIR (Decreto nº 85.450/80). A aparente antinomia desse dispositivo com o art. 12 da Lei nº 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (...) O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no RE 614.406/RS em repercussão geral. (grifos nossos) A fundamentação do voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no processo 10830.720626/201340, é precisa: Fl. 103DF CARF MF 8 Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 21, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese,ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 101 9 respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao não exame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário Assim, determino a aplicação do regime de competência para a tributação dos valores auferidos. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, para, no mérito, darlhe parcial provimento para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 105DF CARF MF 10 Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720095/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO ORIGINÁRIO.
O aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte.
In casu, a diligência fiscal serviu apenas para elucidar eventuais dúvidas da autoridade julgadora de primeira instância.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO EXISTÊNCIA
Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade.
SUJEITO PASSIVO DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. PESSOA FÍSICA.
Uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois reveste-se da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional.
SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Os depósitos cuja origem não tributada foi devidamente identificada devem ser excluídos da autuação.
DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS.
Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas.
Numero da decisão: 2401-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no ano-calendário 2008 e R$ 43.822,80 no ano-calendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Matheus Soares Leite, que declaravam a decadência. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO ORIGINÁRIO. O aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte. In casu, a diligência fiscal serviu apenas para elucidar eventuais dúvidas da autoridade julgadora de primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO EXISTÊNCIA Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade. SUJEITO PASSIVO DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. PESSOA FÍSICA. Uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois reveste-se da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA. Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Os depósitos cuja origem não tributada foi devidamente identificada devem ser excluídos da autuação. DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS. Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10932.720095/2012-66
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994466
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.085
nome_arquivo_s : Decisao_10932720095201266.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 10932720095201266_5994466.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no ano-calendário 2008 e R$ 43.822,80 no ano-calendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Matheus Soares Leite, que declaravam a decadência. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (Assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7710455
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911015366656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720095/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.085 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente EDSON JACOMO BELLOTTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO ORIGINÁRIO. O aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte. In casu, a diligência fiscal serviu apenas para elucidar eventuais dúvidas da autoridade julgadora de primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO EXISTÊNCIA Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade. SUJEITO PASSIVO DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. PESSOA FÍSICA. Uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois revestese da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 95 /2 01 2- 66 Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Os depósitos cuja origem não tributada foi devidamente identificada devem ser excluídos da autuação. DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS. Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no anocalendário 2008 e R$ 43.822,80 no anocalendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Matheus Soares Leite, que declaravam a decadência. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC) que julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 1158.993 (fls. 3091 3111): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros, registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IRPF. DECADÊNCIA, NÃO CABE A ALEGAÇÃO. Pela a regra do §4º do art. 150 do CTN lançamento por homologação o direito da fazenda pública constituir o crédito de IRPF começa a contar de 31 de dezembro de ano calendário de ocorrência do fato gerador. O IRPF tem fato gerador complexivo que só se aperfeiçoa ao final de cada ano calendário. Quando não há pagamento antecipado do IRPF, a regra que se aplica é a do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o sujeito passivo titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Também são considerados como rendimentos omitidos, os depósitos de origem não comprovada não oferecidos à tributação. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO RELATIVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrências das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na mesma forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 5 4 Exercício: 2009, 2010 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de Auto de infração lavrado contra o Contribuinte (fls. 1703/1707), para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 1.019.214,00, relativo aos exercícios de 2009 e 2010, bem como de juros moratórios, no valor de R$ 282.131,53 (calculado até 31/08/2012), e multa proporcional no valor de R$ 764.410,49. De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1705/1715) a Autuação tem por fundamento a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 14/09/2012, e, em 15/10/2012, apresentou sua Impugnação de fls. 2043 a 2064. Como fundamento de sua defesa argumentou: 1. Que o ato de lançamento é nulo, tendo em vista que a auditoria federal não informou quais seriam os depósitos cuja origem não foi comprovada, além de que não constam nos autos quaisquer justificativas para a recusa de considerável parcela da documentação comprobatória apresentada; 2. Que as provas obtidas para a autuação são ilícitas, tendo em vista que não havia autorização judicial para quebra do sigilo bancário da empresa 3. No mérito, defendeu: a. Que, mesmo havendo reconhecimento expresso que os valores recebidos decorreram do exercício da atividade empresária, a Fiscalização insistiu em lançar o tributo e as multas em face da pessoa física; b. Que sejam considerados os valores já declarados pelo contribuinte na DAA, uma vez que não existe dispositivo legal que permita ao Fisco presumir que as importâncias espontaneamente declaradas não transitaram pelas contas bancárias do Contribuinte; c. Que seja revisto o lançamento com base na apresentação de documentos aptos a justificar os ingressos em suas contas bancárias. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, que, através do Despacho nº 3.744/15 (fls. 3.015/3.019), converteu o feito em Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 6 5 diligência e requereu o esclarecimento dos motivos pelos quais a autoridades fiscal não levou em consideração alguns dos documentos apresentados pelo Contribuinte à título de justificativa pelos depósitos bancários em seu favor. Como resposta à determinação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o Agente Fiscal apresentou a manifestação de fls. 3028 a 3075. Nessa oportunidade, procurou justificar todos os motivos que levaram à desconsideração de parcela dos documentos acostados aos autos pelo Contribuinte. Uma vez cientificado do resultado da Diligência Fiscal, o Autuado juntou sua defesa (fls. 3080 a 3083), oportunidade na qual alegou: 1. Que a autoridade Fiscal se ocupou em rebater os pontos alegados na defesa conduta esta que não encontra respaldo no rito do processo administrativo fiscal federal. Por esse motivo, requer que sejam desconsideradas as informações trazidas pela auditoria; 2. Que o resultado da diligência apenas comprova a razão do Impugnante ao argumentar que o ato administrativo de lançamento se encontrava viciado por não apresentar justificativa para a desconsideração de parcela dos documentos apresentados pelo Contribuinte; 3. Que se consumou a decadência do lançamento, afirmando que o mesmo somente se aperfeiçoou no dia 21.07.2017, data na qual tomou ciência da diligência e, consequentemente, das justificativas nela formalizadas. Diante do exposto, o processo foi remetido novamente à 1ª Turma da DRJ/REC, para que novamente apreciassem a discussão. Na oportunidade, os julgadores de primeira instância decidiram pela PARCIAL PROCEDÊNCIA do lançamento, excluindo da base de incidência tributária o valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), uma vez que comprovado ser referente a uma transferência de outra conta bancária do recorrente. Todos os demais argumentos foram refutados pela Autoridade Julgadora (fls. 3091/3111). Em 14/02/2018 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 3137) e, em 13/03/2018, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 3140 a 3161, onde: 1. Inicialmente, evidencia que a Autuação não foi devidamente fundamentada, o que implica em sua nulidade por cerceamento do direito de defesa do Contribuinte; 2. Argumenta que, caso se considere válido o lançamento, há de se considerar que este somente se aperfeiçoou com a intimação do contribuinte acerca do resultado da Diligência Fiscal na primeira instância, motivo pelo qual haveria se consumado a decadência; 3. Aduz que a obtenção dos dados bancários do Contribuinte não se deu nos conformes da legalidade, uma vez que não foi comprovada a indispensabilidade desses extratos; 4. No mérito: Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 7 6 a. Sustenta que foi apresentada vasta documentação comprovando que os rendimentos do Contribuinte são oriundos da atividade de intermediação e administração da construção civil, o que implica em clara atividade de natureza empresarial e justifica a incidência do IRPJ; b. Relata que não foram expressamente indicados os depósitos cujas origem consideraramse desconhecidas; c. Afirma que houve erro na eleição do sujeito passivo, pois os lançamentos não deveriam ter sido lançados na pessoa física; d. Alega que não foi apresentada justificativa para a desconsideração dos documentos apresentados na oportunidade da fiscalização; e. Solicita que sejam deduzidos da base de incidência os valores que já foram declarados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do Contribuinte. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da decadência O Recorrente afirma que o lançamento apenas aperfeiçoouse após a sua intimação do resultado da Diligência Fiscal, razão pela qual supostamente teria ultrapassado o prazo decadencial para constituição do débito. Pois bem. Após a apresentação da impugnação por parte do contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência nos seguintes termos: 10. Considerando a necessidade de prover o processo dos elementos necessários ao julgamento da lide, considerando ainda o disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho o encaminhamento do presente processo à DRF São Bernardo do Campo para que a autoridade lançadora exponha os motivos pelo qual a documentação apresentada pelo contribuinte não foi Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 8 7 considerada hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários listados na Planilha "Valores Contestados e não Excluídos". 10.1. Após realizada a diligência, solicito que o contribuinte seja cientificado da motivação da recusa da documentação apresentada para fins de comprovação da origem dos depósitos bancários, sendolhe concedido novo prazo para manifestação. Verificase que foram constatadas falhas no lançamento, em virtude da falta de motivação, razão porque houve necessidade de complementação da das razões que ensejaram o lançamento, o que resultou em lançamento substitutivo com conteúdo alterado, incluindo vasta motivação com relação à recusa de documentos para a comprovação da origem dos depósitos, trazendo clareza à acusação fiscal, conforme se verifica do Relatório Fiscal após a diligência realizada por determinação da DRJ (fls. 3.028/3.072). Do lançamento deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (art. 145 do CTN) e, para o seu aperfeiçoamento, imprescindível se faz que a acusação fiscal venha acompanhada com todos os elementos que compõem o lançamento, dentre eles, a motivação, o cálculo do montante devido, a fim de dar conhecimento ao contribuinte da acusação que lhe é imposta. Vejamos como dispõe o Decreto nº 70.235/72 acerca da formalização do crédito tributário: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse diapasão, o lançamento para a exigência do crédito tributário somente se aperfeiçoou em 21.07.2017, data na qual o sujeito passivo tomou ciência da diligência e, consequentemente, das justificativas nela formalizadas e que completaram a acusação fiscal, a qual deve vir acompanhada de todos os elementos indispensáveis à sua comprovação. Como a presente demanda trata da exigência de Imposto de Renda relativo aos exercícios de 2009 e 2010, tanto com base no art. 150, § 4º, como com base no 173, I do CTN, já se operou a decadência dos créditos tributários em discussão. Caso reste vencida nesse ponto, necessário se faz a apreciação dos demais argumentos aduzidos na peça recursal. Nulidade do Lançamento por falta de fundamentação e do cerceamento do direito de defesa A maioria do colegiado votou por afastar a decadência considerando como válido o lançamento desde a sua origem, firmando entendimentos que os esclarecimentos Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 9 8 complementares foram requeridos pela autoridade julgadora de primeira instância para subsidiar a sua convicção, tendo em vista o preceito normativo do artigo 29 do Decreto 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Dessa forma, tomando como base a decisão colegiada, passamos à análise das razões recursais. Consoante alegado pelo Contribuinte, o Lançamento Tributário encontrase eivado por vício de nulidade. De acordo com o Recurso apresentado, a Autoridade Fiscal não teria apresentado as razões que a levaram a desconsiderar os documentos comprobatórios disponibilizados pelo Contribuinte. Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade. Do erro na eleição do sujeito passivo. O Recorrente afirma que teria havido erro na eleição do sujeito passivo, pois, no seu entender, o auto de infração não poderia ter sido lançado contra sua pessoa física, tendo em vista que teria sido demonstrado que a movimentação financeira seria decorrente de atividade empresarial (fl 2969). Ocorre que, conforme mencionado pela autoridade autuante no Termo de Verificação e de Constatação de Ação Fiscal e relatório de diligência (fl. 1713/1714; 3.028/3.072), os valores comprovados como referentes à Pessoa Jurídica foram devidamente excluídos, mantendose tão somente os depósitos considerados como sem comprovação. Desse modo, uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois revestese da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Dessa forma, não há que se falar em erro na eleição do sujeito passivo. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 10 9 Quebra de Sigilo Bancário O Contribuinte alega que houve quebra do seu sigilo bancário sem que se atendesse ao critério legal da indispensabilidade para a fiscalização. Entretanto, entendemos que o procedimento de fiscalização encontra pleno respaldo na legislação pertinente. O Plenário do Supremo Tribunal Federal firmou entendimento, por meio do julgamento de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) no sentido de que os dispositivos da Lei Complementar n° 105/2001 não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros não havendo ofensa à Constituição Federal. Destaquese ainda que o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória por este Conselho: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. Mérito O presente Processo Administrativo trata da exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não cabe ao órgão julgador administrativo o pronunciamento acerca da inconstitucionalidade da presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por ultrapassar a sua competência funcional. Da Comprovação da origem dos depósitos O Contribuinte alega em suas razões recursais, restou plenamente comprovado nos autos do presente processo que os valores que circularam por suas contas bancárias são originários da atividade de intermediação de negócios de construção civil. Nesses termos, faz menção a uma série de documentos que foram apresentados às autoridades fiscais e, de acordo com o seu entendimento, são plenamente capazes de demonstrar a origem dos depósitos auditados e sua natureza empresarial. Por esse motivo sustenta que estarseia diante de uma hipótese de incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Acontece que os documentos apresentados no presente processo não são capazes de comprovar a efetiva origem dos ingressos discriminados. Os contratos acostados sequer fazem menção à quaisquer comissões ou quantias a serem repassadas ao Recorrente. Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 11 10 Ademais, inexistem documentos que logrem êxito em comprovar a efetiva natureza comercial dos rendimentos tributados. Simplesmente juntar contratos firmados por terceiros e tentar vinculálos a certos depósitos, sem que haja qualquer identidade de datas ou valores, ou mesmo indicação em linguagem de prova que convergisse na comprovação da origem dos depósitos, é medida infrutífera, uma vez que não é suficiente para afastar a presunção do Art. 42 da Lei 9.430/96. Dessa forma, não sendo atendidos aos critérios quantitativos e temporais, ao menos de forma convergente, se mostra imprestável a vasta documentação apresentada pelo Contribuinte, sendo esta incapaz de atestar a natureza empresarial dos recebimentos e, consequentemente, a suposta incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. No caso em análise, apenas um depósito teve a origem devidamente comprovada pelo contribuinte, qual seja o realizado no dia 28/03/2008, no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), uma vez que verificouse que esse ingresso decorreu da transferência de uma outra conta bancária de sua titularidade, conforme documentos de fls. 2302, 2303 e 2304, os quais foram excluídos do lançamento, nos termos já expostos pela Decisão de Primeira Instância. Dedução dos valores informados nas Declarações de Ajuste Anual do Contribuinte Com relação a dedução dos valores declarados pelos contribuintes da importância apurada pela fiscalização à título de depósitos bancários de origem desconhecida, cabe ressaltar que essa possibilidade tem por fundamento o princípio da boafé, portanto, é de se considerar que, havendo sido declarados, naquele anobase, quaisquer rendimentos tributáveis, parcela das omissões já integraram os registros fiscais do Recorrente. Logo, constitui direito do Contribuinte que sejam excluídos da apuração os valores já apurados nas competentes Declarações de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, nos exercícios em que sejam constatadas as omissões. Portanto, devem ser excluídos do lançamento o rendimento de R$ 32.506,00 no anocalendário 2008 e R$ 43.822,80 no anocalendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no anocalendário 2008 e R$ 43.822,80 no anocalendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pela nobre julgadora, apenas quanto a decadência do crédito tributário, impondo manter incólume o Acórdão Recorrido, como passaremos a demonstrar. DA DECADÊNCIA APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 13 12 informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 14 13 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Códex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 15 14 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucidações a propósito da matéria, o ponto nodal da demanda é fixar se o Auto de Infração se perfectibilizou no momento da primeira intimação (Relatório Fiscal originário) ou da intimação do "Resultado da Diligência". Pois bem. No que se refere à diligência realizada, é válido acrescentar o que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. A realização de diligências e perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Acrescentese ainda que o novo Código de Processo Civil estabeleceu a prática de um contraditório substancial participativo e não apenas formal, no sentido de ouvir as partes interessadas anteriormente à tomada de decisão, evitando assim as "decisõessurpresa". Assim, a autoridade julgadora de primeira instância solicitou uma diligência no intuito de ouvir a autoridade lançadora no que se refere à alegação de ausência de motivação e, posteriormente, foi dada nova chance ao contribuinte para se manifestar quanto à insuficiência probatória. Registrese que o lançamento foi efetuado por autoridade competente e observou os requisitos contidos no Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, especificando sujeito passivo, enquadramento legal, fato gerador da obrigação, matéria tributável, cálculo do montante devido, penalidade aplicada e prazo para recolhimento ou impugnação, com indicação de cargo e número de matrícula do autuante. Dessa maneira, evidenciase que foram oferecidas condições para que o contribuinte identificasse os fundamentos da autuação realizada, propiciandolhe todos os meios para manifestar suas razões de defesa. Acrescentese ainda que, no caso em questão, a legislação tributária determinou a inversão do ônus da prova, cabendo ao impugnante ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Ademais, essa prova deve ser feita individualmente em relação a cada depósito, conforme veremos a seguir, não devendo prosperar, portanto, a alegação do sujeito passivo de que caso o contribuinte indique a origem dos depósitos, mesmo que de maneira geral, não pode a autoridade fiscal, simplesmente, Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 16 15 quedarse inerte, como se a tributação dos depósitos bancários fosse a única forma possível de autuação. Sendo assim, mais uma vez, o auto de infração não foi lavrado com falha de motivação, principalmente quando, conforme declara o próprio contribuinte, a contestação da origem dos depósitos é feita de forma generalizada. Cabe apenas à autoridade fiscal demonstrar a ocorrência da presunção legal, ou seja, a existência de depósitos bancários cuja comprovação não foi feita de forma individualizada e, portanto, não atendeu ao requisito exigido. Dito isto, a meu ver, resta claro que o aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGARLHE PROVIMENTO para afastar a decadência do crédito tributário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 3180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004185/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. REQUISITO MATERIAL EXIGIDO EM LEI. NULIDADE.
Para a lavratura de lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, a legislação exige, como condição necessária, a regular intimação do contribuinte para a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários elencados de forma individualizada. Esta intimação deve ser prévia à autuação fiscal a fim de conceder a oportunidade efetiva de se comprovar a origem dos recursos antes do lançamento.
O fato de não existir, antes da lavratura do auto de infração, a relação individualizada de depósitos investigados pela autoridade fiscal, ou, ainda, de ocorrer a intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, acarreta vício material tendo como consequência a nulidade do lançamento.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO MENSAL. CONSIDERAÇÃO DE SALDO DISPONÍVEL EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Para fins de renda declarada disponível deve ser considerado o saldo positivo disponível no mês anterior, sob pena de não restar configurada a comprovação, por parte da autoridade lançadora, dos gastos e aplicações em montante superior aos recursos e origens.
Numero da decisão: 2201-005.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. REQUISITO MATERIAL EXIGIDO EM LEI. NULIDADE. Para a lavratura de lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, a legislação exige, como condição necessária, a regular intimação do contribuinte para a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários elencados de forma individualizada. Esta intimação deve ser prévia à autuação fiscal a fim de conceder a oportunidade efetiva de se comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. O fato de não existir, antes da lavratura do auto de infração, a relação individualizada de depósitos investigados pela autoridade fiscal, ou, ainda, de ocorrer a intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, acarreta vício material tendo como consequência a nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO MENSAL. CONSIDERAÇÃO DE SALDO DISPONÍVEL EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Para fins de renda declarada disponível deve ser considerado o saldo positivo disponível no mês anterior, sob pena de não restar configurada a comprovação, por parte da autoridade lançadora, dos gastos e aplicações em montante superior aos recursos e origens.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.004185/2007-34
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 5999624
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.086
nome_arquivo_s : Decisao_19515004185200734.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 19515004185200734_5999624.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7718007
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911025852416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 801 1 800 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004185/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201005.086 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Recorrente MARIA EMILIA PILEGGI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. REQUISITO MATERIAL EXIGIDO EM LEI. NULIDADE. Para a lavratura de lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, a legislação exige, como condição necessária, a regular intimação do contribuinte para a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários elencados de forma individualizada. Esta intimação deve ser prévia à autuação fiscal a fim de conceder a oportunidade efetiva de se comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. O fato de não existir, antes da lavratura do auto de infração, a relação individualizada de depósitos investigados pela autoridade fiscal, ou, ainda, de ocorrer a intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, acarreta vício material tendo como consequência a nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO MENSAL. CONSIDERAÇÃO DE SALDO DISPONÍVEL EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Para fins de renda declarada disponível deve ser considerado o saldo positivo disponível no mês anterior, sob pena de não restar configurada a comprovação, por parte da autoridade lançadora, dos gastos e aplicações em montante superior aos recursos e origens. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 85 /2 00 7- 34 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 802 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 679/751, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP, de fls. 650/671, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 514/524, lavrado em 17/12/2007, relativo aos anos calendários de 2002 a 2005, com ciência do RECORRENTE em 17/12/2007, conforme extrato de fls. 525. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por: (i) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; e por (ii) acréscimo patrimonial a descoberto, no valor total de R$ 2.395.791,74, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, acostado às fls. 500/513 o contribuinte não logrou em comprovar a origem de todos os depósitos recebidos em suas contas correntes mantidas no Banco Itaú e no Banco do Estado de São Paulo S/A (incorporado pelo Banco Santander). Razão pela qual a autoridade fiscalizadora efetuou o lançamento dos seguintes montantes: Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 803 3 As planilhas com os depósitos individualizados sem origem comprovadas estão nas fls. 474/481. Também de acordo com o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal – TVF de fls. 500/513, durante a fiscalização constatouse o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados comprovados. A fiscalização, então, elaborou a planilha de demonstrativo da evolução mensal patrimonial, indicando os bens/direitos adquiridos, a situação (declarados ou omitidos) e os valores aceitos ou atribuídos (fls. 483/488). Esta análise ensejou o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, assim sintetizado: Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 804 4 Por fim, consta no TVF a apuração de ganho de capital, decorrente da alienação de imóveis, ante a correção do custo de aquisição, em valor inferior àquele declarado pelo contribuinte (fls. 512), além do arbitramento em relação ao valor de venda de um dos imóveis (dos R$ 900.000,00 inicialmente declarados para R$ 1.570.000,00, conforme Parecer Técnico 071/2007 – 5ª CCR do MPF). Contudo, o auto de infração não faz menção a nenhum lançamento por ganho de capital. Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 545/645. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo II/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificada do lançamento por via postal na data de 17/12/2007, conforme Aviso de Recebimento — AR de fls. 459, a contribuinte apresentou na data de 15/01/2008, a impugnação de fls. 473 a 573, instruída pelos documentos de fls. 574/575, aduzindo, em síntese, o que segue: • A Impugnante requereu que lhe fossem fornecidas cópias reprográficas do Processo Administrativo Fiscal e do Dossiê do Contribuinte. Contudo, somente lhe foram fornecidas as cópias do Processo Administrativo Fiscal, sendolhe negado o fornecimento das cópias do Dossiê do Contribuinte, sob o argumento de que tal fornecimento não encontra fundamento legal e que, se atendido o pedido, seria posto em risco todo o trabalho efetuado no curso da fiscalização; • Assim, negado o acesso o acesso a documentos que lhe dizem respeito e que, certamente, comprovariam a origem e a forma irregular como a presente ação fiscal se desenvolveu, além da demonstração cabal do desvio de finalidade, o Poder Público Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 805 5 deixou de atender a princípios constitucionais básicos, tais quais o da legalidade, da publicidade, do contraditório e da ampla defesa; • Na pressa de lavrar o auto a qualquer custo, os agentes fiscais esqueceramse de citar as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável a cada caso, sendo que a ausência de tais fundamentos legais tornam o auto de infração nulo e, por conseqüência, absolutamente imprestável; • As observações exaradas pelo Agente Fiscal são destituídas de fundamentação legal e tal procedimento faz com que o contribuinte não tenha como se defender dada a inexistência do tipo legal a ser contraditado; • A Receita ;Federal do Brasil obteve inesperada ajuda da Procuradoria Regional da República em São Paulo, recepcionando um tal Parecer Técnico 071/2007 5' CCR e seu Anexo Laudo de Avaliação, não tendo dado à Impugnante a oportunidade nem de conhecer esse documento nem de fazerlhe resistência legal durante a ação fiscal; • Na hipótese de querer quebrar a confiabilidade inerente ao documento público, há que se trazer à colação, provas robustas e incontestes dos vícios existentes naquele instrumento, o que não foi feito no caso vertente. Neste sentido, transcreve dezenas de julgados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes; • O arbitramento procedido exclusivamente com base no Laudo fornecido pela Procuradoria Regional da República é incabível, tendo em vista que a fiscalização dispunha de vários dados para a formação de sua convicção, a saber; a escritura de compra e venda; os recibos de recolhimento dos tributos de transmissão; os dados contidos na declaração ' de rendimentos do anobase entregue tempestivamente pela Impugnante, os quais jamais foram contestados pelos agentes do fisco; • Valeuse a fiscalização da Lei Complementar 105/2001 e do Decreto 3.724/2001, duas excrescências legislativas cuja constitucionalidade já se encontra em discussão através de Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal; • Não há qualquer fundamento jurídico que justifique a quebra do sigilo bancário da contribuinte sem que haja autorização judicial para tanto, sendo que as provas colhidas sem este requisito são nulas de pleno direito não podendo valer como base de cálculo para o lançamento; • A fiscalização simplesmente desconsiderou quaisquer saídas da suposta conta corrente da Impugnante, tomando por base somente as entradas, por isso resta evidente a total inconsistência do Auto de Infração; Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 806 6 • Em relação à venda do veículo AUDI A4, a alegação de que apenas o verso do documento fora apresentada não é verdadeira, como se verifica dos autos do PAF. Também, o fato da blindagem do veículo ter sido informada apenas no exercício posterior em nada modifica a situação fiscal da contribuinte eis que, se o problema tivesse existido no ano anterior, sua correção teria efeito retificador no ano seguinte. Tal argumento, portanto, igualmente não autoriza a glosa efetuada; • Com referência à doação efetuada entre mãe e filha, a ausência de tal soma nos extratos bancários da contribuinte não é suficiente para dizer que esta não dispunha de tal importância, pois esta poderia, por exemplo, ter essa verba em espécie em seu poder; • No Termo de Verificação Fiscal em nenhum momento há referência a solicitação de comprovação de valores em poder da contribuinte; • A adoção da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional e contraria a regra contida no artigo 161, § 1°, do CTN, sendo sua cobrança improcedente; • Ao final requer seja a Impugnante notificada da hora e local da sessão de julgamento por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, para que possa assistir à sessão, pessoalmente ou através de advogado, entregar memoriais, sustentar oralmente, etc; e protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive ajuntada posterior de documentos. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo II/SP julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 650/671). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 e 2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. A falta de vistas ao dossiê formalizado pela fiscalização não caracteriza cerceamento ao direito de defesa, na medida em que, todos os elementos necessários à elaboração da impugnação estão presentes no conteúdo do processo administrativo de cobrança do crédito tributário. Preliminar rejeitada. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 807 7 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DERENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada por motivo de força maior. SUSTENTAÇÃO ORAL. JULGAMENTO PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não cabe sustentação oral pelo contribuinte na primeira instância do julgamento administrativo, por falta de previsão legal. Esse instrumento de defesa está previsto na fase recursal, perante o Conselho de Contribuintes, caso o autuado recorra da decisão e proteste por sua produção naquela instância superior. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 17/4/2009, conforme AR de fl. 678, apresentou o recurso voluntário de fls. 679/751 em 15/5/2009. Em suas razões, alegou a decadência/prescrição do crédito tributário, por não observação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007, pois a decisão administrativa foi proferida em prazo superior aos 360 dias a contar do protocolo de sua defesa. No mais, reiterou os argumentos de sua impugnação, discorrendo também sobre o cerceamento do direito de defesa em razão da impossibilidade da prática da sustentação oral no julgamento de primeira instância, o que o tornaria nulo. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 808 8 Do Mandado De Segurança Também em face da decisão da DRJ, a RECORRENTE impetrou mandado de segurança pleiteando a nulidade da decisão da DRJ, sob o fundamento de cerceamento do direito de defesa, ante a ausência de intimação do contribuinte para participar do julgamento (MS nº 2009.61.00.0099069). Como se observa da sentença de fls. 754/758, a segurança pleiteada foi denegada, sob o argumento de ausência de cerceamento de defesa. Retirada de Pauta de Julgamento O presente processo foi incluído na pauta do dia 14/02/2019. Contudo, na semana que antecedeu a sessão de julgamento, a contribuinte apresentou petição em que solicitou a retirada do processo da pauta, com base no art. 56, §1º, do RICARF, a fim de confeccionar memoriais, preparar sustentação oral e apresentar provas técnicas em sua defesa (fls. 763/766). Assim, foi atendido o pedido de retirada do processo de pauta. Este processo, então, retornou na pauta do mês subsequente, especificamente no dia 13/03/2019. No entanto, em 08/03/2019 a contribuinte apresentou petição de fls. 782/800 através da qual apresentou questões de ordem pública com base nos seguintes tópicos: I. Uso indevido de apenas uma fonte para o lançamento tributário (Tema de Repercussão Geral nº 842 do STF); II. Falta de intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários precedente ao auto de infração; III. Erro material na análise da evolução patrimonial da contribuinte. Consequentemente, este processo foi retirado de pauta por proposta deste Conselheiro Relator, em razão da necessidade de análise das questões relevantes suscitadas mediante a petição juntada aos autos na semana que antecedeu o julgamento. Submetida à avaliação do colegiado, a proposta foi acolhida pela unanimidade dos membros da Turma. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 809 9 Apesar do Recurso Voluntário do contribuinte possuir 72 páginas, percebese que são estes os pontos atacados pelo contribuinte: (i) decadência do crédito tributário (fls 680); (ii) nulidade do acórdão por falta de fundamentação legal do auto de infração (fls. 692); (iii) nulidade do arbitramento com base Parecer Técnico 071/2007 – 5ªa CCR, desconsiderando a escritura pública de compra e venda (fls. 692); (iv) nulidade da decisão da DRJ por ausência de manifestação da autoridade julgadora quanto à impossibilidade de arbitramento (fls 719); (v) da ilegalidade da quebra do sigilo bancário (fl. 719); (vi) rebateu a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários e afirmou não terem sido consideradas as despesas/saídas nas contas bancárias (fl. 720); (vii) do erro da decisão da DRJ ao afirmar que o contribuinte não apresentou todos os documentos relativos ao veículo AUDI A4 (fls 721); (viii) reitera todos os argumentos da impugnação quanto a doação de quantia para sua filha (fls.722); (ix) a nulidade do acórdão da DRJ por ausência de manifestação expressa quanto aos valores em poder do contribuinte (fls. 723); (x) a ilegalidade da taxa Selic (fls. 724); (xi) a nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, ante a impossibilidade da prática da sustentação oral no julgamento de primeira instância (fls. 728); (xii) a ilegalidade da portaria nº 258/2001, que disciplina a constituição das turmas e funcionamento das delegacias da receita federal de julgamento (fls. 731). Contudo, em nova petição apresentada às fls. 782/800, a RECORRENTE suscitou questões de ordem pública relativos ao cerceamento do direito de defesa, eis que não foi intimada para comprovação da origem dos depósitos bancários na fase que antecedeu a lavratura do auto de infração, assim como teria havido erro material na construção da planilha de sua evolução patrimonial, o que prejudicaria o lançamento com base no APD identificado. Desta forma, analisarseá os argumentos do contribuinte em cada um dos fundamentos acima aduzidos. PRELIMINARES Alegação de nulidade do auto de infração por ausência da fundamentação legal. A RECORRENTE alega nulidade do auto de infração ocasionada pelo cerceamento de defesa, sob um argumento genérico de suposta ausência de exibição do fundamento legal das infrações. No processo administrativo federal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10 também Decreto nº 70.235/1972 elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in vebis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 810 10 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento tem que ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Pois bem, perceba que o contribuinte em sua peça recursal se limita a alegações genéricas, alegando suposta ausência de exibição do fundamento legal. Ora, basta olhar para o auto de infração para observar que houve enquadramento legal (fls. 521 e 523). Desta forma, não há como prosperar a alegação de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Da prescrição intercorrente no processo administrativo Defende a RECORRENTE a decadência/prescrição do crédito tributário ante o transcurso de mais de 360 dias entre o protocolo da impugnação e o julgamento da DRJ, com base no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. Perceba que, apesar da RECORRENTE denominar o instituto de “decadência”, em verdade, ele pleiteia o reconhecimento da prescrição intercorrente. No entanto, de acordo com a Súmula nº 11 deste CARF, vinculante, conforme Portaria MF nº 277, não se aplica prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. a conferir: “Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Portanto, incabíveis as alegações de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 811 11 Da nulidade da decisão da DRJ por cerceamento de defesa Defende a RECORRENTE a nulidade da Decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não houve sua intimação para participar do julgamento, tampouco foi concedido possibilidade do seu advogado efetuar sustentação oral. Acontece que, conforme se infere dos autos, a RECORRENTE impetrou Mandado de Segurança buscando o reconhecimento desta suposta ilegalidade (MS nº 2009.61.00.0099069), conforme sentença de fls. 754/758. Como cediço, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia as instâncias administrativas, nos termos da súmula 1 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, ante a renúncia do RECORRENTE, tais argumentos não devem ser conhecidos. Ademais, importante esclarecer que a referida decisão transitou em julgado em 27/02/2018, após o STF rejeitar o agravo interposto pela RECORRENTE com a finalidade de destrancar o seu Recurso Extraordinário (imagem abaixo): Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 812 12 Com o trânsito em julgado, prevaleceu a sentença de fls. 754/758, mantida pelo acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, com a seguinte ementa: MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO ADMINISTRATIVO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÃO DE NULIDADE À CONTA DE VIOLAÇÃO AO "DEVIDO PROCESSO LEGAL": INOCORRÊNCIA MATÉRIA REGIDA À EXAUSTÃO PELO DECRETO Nº 70.235/72, QUE NÃO PREVÊ AS PROVIDÊNCIAS DESEJADAS PELA CONTRIBUINTE IMPOSSIBILIDADE DE O JUDICIÁRIO TORNARSE GERADOR DE PROVIDÊNCIAS "PROCESSUAIS "INOVADORAS APELO DESPROVIDO. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal e o procedimento de consulta, não prevê as providências desejadas pela contribuinte/impetrante (notificação pessoal da data do julgamento, produção de prova testemunhal e oportunidade para "sustentação oral", perante o órgão julgador colegiado). No processo administrativo fiscal assegurase o contraditório e a ampla defesa do contribuinte na apresentação de sua impugnação escrita, que é ilimitada, bem como lhe facultando o duplo grau de jurisdição. Não é atribuição do Judiciário (que não é legislador positivo) debruçarse sobre a normatização processualadministrativa e nela inserir menos ainda criar em certo caso concreto novos atos procedimentais ou providências, a título de suplementar uma suposta insuficiência das regras existentes à luz do devido processo legal. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 813 13 Sentença denegatória do writ mantida. Atualmente, os autos do processo judicial encontramse ativos tãosomente em para execução de multas impostas pelo STF (processo judicial eletrônico nº 5027471 84.2018.4.03.6100), conforme demonstra o acompanhamento processual da JFSP: Portanto, não conheço do pedido da RECORRENTE. Da Quebra do Sigilo Bancário Quanto a este argumento, a RECORRENTE apenas a ratificou “tudo quanto foi dito na Impugnação a respeito desta matéria, propugnandose pela nulidade das provas colhidas em desacordo com o sistema jurídico de vigência”. Contudo, não merecem prosperar as alegações da RECORRENTE de que houve quebra ilegal de seu sigilo bancário. Afirma a contribuinte que houve a irregular quebra de seu sigilo bancário, na medida que “valeuse a fiscalização da Lei Complementar 105/2001 e do Decreto 3724/2001, duas excrescências legislativas cuja constitucionalidade já se encontra em discussão através de Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal” Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 814 14 De acordo com o que consta do TVF (fl. 507): “O não fornecimento das informações financeiras configurou embaraço à fiscalização, como previsto no inciso I do artigo 33 da Lei n° 9430/96. Fato circunstanciado, em 17/04/2007, mediante a lavratura do Termo de Embaraço à Fiscalização (AR de 26/04/2007). Por decorrência e diante da indispensabilidade do acesso a essas informações, foi quebrado o sigilo bancário da fiscalizada, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001. Emitiuse as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) de nos 08.1.90.002007003195 e 08.1.90.002007 003187, destinadas às instituições financeiras – Banco Itaú S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A, incorporado pelo Banco Santander Banespa S/A. Em 16 e 20 de junho de 2007, respectivamente; o requisitado foi atendido, permitindo a continuidade do procedimento.” Com base nesses extratos, que representam prova concreta dos depósitos nas contas bancárias, que a autoridade fiscal lançou mão da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 para efetuar o presente lançamento (conforme exposto em tópico específico deste voto). Importante esclarecer que a solicitação dos mencionados extratos às instituições financeiras para a instauração de processo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições é autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96 (com redação dada pela Lei nº 10.174/2001): LC 105/2001 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Lei nº 9.311/96 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 815 15 § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Sobre o tema, o STF já julgou a legalidade e constitucionalidade dos dispositivos acima transcritos, conforme decisão proferida nos autos do processo paradigma nº RE 601314, transitada em julgado no dia 11/10/2016, em que foi fixada a seguinte tese em repercussão geral (tema 225): I O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN. Nesse sentido, não prosperam as alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE sobre a obtenção de informações bancárias requisitadas diretamente às instituições financeiras com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Devese esclarecer, ainda, que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não prosperam as alegações de defesa. Alegação de nulidade do auto de infração pela falta de intimação, precedente ao lançamento, para comprovação da origem dos depósitos bancários. Cerceamento do direito de defesa. A RECORRENTE alega nulidade do auto de infração, ocasionada pelo cerceamento de defesa, sob o argumento de que deixou de ser intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários antes da lavratura do auto de infração. Como visto, no processo administrativo federal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos já citados arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento tem que ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 816 16 violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Pois bem, percebese que a contribuinte, em petição apresentada às fls. 782/800, argumenta que a autoridade fiscal não a intimou para comprovar a origem dos depósitos bancários antes do lançamento do crédito tributário e que somente lhe foi apresentada a relação individualizada dos depósitos quando da sua intimação do auto de infração em comento. Para embasar suas alegações, a RECORRENTE narra de forma cronológica o acontecimento dos fatos ocorridos antes da lavratura do auto de infração. Conforma consta no TVF (fls. 500/513), a RECORRENTE foi incialmente intimada a apresentar, dentre uma série de documentos, os seus extratos bancários. Como não atendeu a este ponto específico, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Embaraço à Fiscalização de 17/04/2007 (fl. 204) e obteve os extratos bancários por meio de RMFs expedidas ao Banco Santander e Banco Itaú, conforme trecho abaixo extraído do TVF (fl. 507): “Por decorrência e diante da indispensabilidade do acesso a essas informações, foi quebrado o sigilo bancário da fiscalizada, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001. Emitiuse as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) de n os . 08.1.90.002007003195 e 08.1.90.002007 003187, destinadas às instituições financeiras – Banco Itaú S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A, incorporado pelo Banco Santander Banespa S/A. Em 16 e 20 de junho de 2007, respectivamente, o requisitado foi atendido, permitindo a continuidade do procedimento.” Os extratos foram fornecidos pelo Banco Itaú através de documentação datada de 21/06/2017 (fls. 212/217) e Banco Santander por meio da documentação datada de 20/06/2017 (fls. 218/336). Concomitantemente ao recebimento dos extratos bancários, a autoridade lançadora lavrou o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01 (fl. 337), datado de 20/06/2007. No TVF, a autoridade fiscal afirmou que este Termo de Prosseguimento teve como objeto manter as “solicitações consignadas nos termos anteriores e não atendidas até aquela esta data, excetuandose a movimentação financeira em razão solicitação da quebra do sigilo bancário” (fl. 503). Como visto, o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01 foi elaborado no mesmo dia do documento através do qual o e Banco Santander remeteu os extratos bancários à autoridade fiscal, ou seja, em 20/06/2017 (fls. 218/336), e foi anterior ao documento elaborado pelo Banco Itaú para a remessa dos extratos bancários da RECORRENTE, documentação, esta, datada de 21/06/2017 (fls. 212/217). Portanto, quando a RECORRENTE foi intimada do Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01, não existia a relação individualizada de depósitos cuja origem foi solicitada a comprovação por parte da contribuinte. Após o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 02, datado de 08/08/2007 (fls. 339/340). Contudo, conforme expõe o TVF, referido Termo de Intimação teve por objeto apenas a requisição de documentos Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 817 17 envolvendo a doação do valor de R$ 222.195,95 informados na declaração de ajuste da RECORRENTE como efetuado à Adriana Pileggi (fl. 503): “O Termo de Intimação Fiscal n° 02 foi lavrado, em 08/08/2007 (ciência postal registrada em 09/08/2007), para requisitar da fiscalizada a comprovação, mediante documentação em sua forma original (DOC, recibo de depósito, cheque administrativo ou qualquer modalidade de transferência bancária), do valor de R$ 222.195,95, registrado na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004/anocalendário 2003 (Dirpf/2004), no quadro 7 Pagamentos e Doações, como efetuados à Adriana Pileggi de Soveral, CPF n°. 112.883.32807. Neste Termo, ressaltouse a importância da prova documental a ser exibida a esta fiscalização, a qual deveria contemplar o efetivo pagamento e/ou doação, vinculandose a este(a), a origem dos recursos, coincidentes em datas e valores, tendo sido observado que o solicitado já fora objeto de intimação anterior.” A RECORRENTE apresentou suas razões ao mencionado Termo de Intimação Fiscal nº 02, conforme resposta de fl. 342. Após esta intimação, não houve qualquer outra solicitação ou intimação da RECORRENTE até a lavratura do Auto de Infração em 17/12/2007 (fls. 519/523), o qual seguiu acompanhado do TVF (fls. 500/513) e da relação individualizada de depósitos cuja origem não foi comprovada (fls. 474/482). Ou seja, apesar de o TVF (fl. 507) afirmar que, “reiteradamente intimada, a fiscalizada deixou de comprovar integralmente, por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados/depositados, no curso dos anoscalendário de 2002 a 2004”, percebese que não houve, durante a fase de fiscalização, qualquer intimação da contribuinte acompanhada da relação individualizada dos depósitos para que a mesma comprovasse a origem. Devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda. Por outro lado, o mesmo dispositivo legal aponta que o contribuinte deve ser regularmente intimado para comprovar a origem dos recursos, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Tanto que, nos termos do §3º do referido art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a legislação aponta para a necessidade de análise individual de cada um dos depósitos: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 818 18 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Ou seja, para a composição da base de cálculo com os créditos omitidos, é condição necessária a apresentação ao contribuinte da relação individualizada dos créditos apontados como sem origem comprovada, o que permite, dentre outras garantias, o exercício da ampla defesa e contraditório por parte do contribuinte. Esta condição não foi observada no presente caso, já que somente quando da lavratura do auto de infração foi que a RECORRENTE teve acesso à relação individualizada dos créditos cuja comprovação da origem foi requisitada pela autoridade fiscal. É necessário também expor que a intimação do contribuinte para tomar ciência da relação individual de depósitos investigados pela autoridade fiscal deve ocorrer na fase que antecede a lavratura do auto de infração, sob pena de cerceamento do direito de defesa. No caso, entendo que aplicase – de forma indireta – o teor da Súmula nº 29 deste CARF, a qual trata do lançamento com base em depósitos bancários envolvendo contas conjuntas. É que, de acordo com referida súmula, todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares: Súmula CARF nº 29 Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co titulares. O presente caso não envolve contas conjuntas. No entanto, o teor desta súmula é importante para demonstrar o entendimento da jurisprudência no sentido de que a intimação do titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos deve ocorrer “na fase que precede à lavratura do auto de infração”. Ou seja, não há convalidação do ato caso o mesmo seja efetuado após a lavratura do auto de infração. Esta observação é particularmente importante ao presente caso pois, como visto, os extratos bancários da RECORRENTE foram obtidos por meio de RMFs e somente quando da lavratura do auto de infração foi que a RECORRENTE tomou ciência da relação individual de depósitos cuja comprovação da origem estava sendo requisitada pela fiscalização. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 819 19 Ou seja, somente com o lançamento pronto foi que ocorreu a intimação da RECORRENTE para comprovar a origem dos depósitos. Sob o tema, esclareçase que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece que o titular da conta bancária deve ser regularmente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Ademais, o §3º do mesmo dispositivo legal aponta para a necessidade de elaboração da relação individualizada dos depósitos a serem comprovados. Transcrevo abaixo julgados do CARF sobre o tema: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 DA OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE REQUISITO. NULIDADE. A falta de intimação à interessada solicitando a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários, devidamente individualizado, acarreta vício material, tendo como consequência a nulidade do lançamento. (acórdão nº 1402003.608; julgado em 11/12/2018) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. Atendidos os limites vigentes do recurso de ofício, deve ser conhecido e analisado no mérito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 820 20 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. INTIMAÇÃO COMPROVAÇÃO PRÉVIA. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a intimação fiscal para comprovar os depósitos bancários deve ocorrer previamente à autução fiscal. (...) (acórdão nº 1402003.213; julgado em 12/06/2018) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 (...) DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. INTIMAÇÃO REGULAR. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 exige a regular intimação do Contribuinte para que se estabeleça a presunção em seu desfavor. Não se trata de requisito formal, sendo necessário conceder a oportunidade efetiva, ao sujeito passivo, de comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. A intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, não é suficiente para que se estabeleça a presunção legal. (...) (acórdão nº 2202003.832; julgado em 09/05/2017) Como no presente caso as condições do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não foram observadas antes da lavratura do auto de infração, forçoso reconhecer a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa da RECORRENTE, em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. MÉRITO Acréscimo Patrimonial a Descoberto Em que pese haver menções no termo de verificação fiscal quanto ao ganho de capital auferido em decorrência da alienação do apartamento n° 61 do Edifício Conde de Fl. 820DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 821 21 Oxford, localizado à Rua Domingos Fernandes, 230 – Jd. Paulista/São Paulo e do apartamento n° 71 do Edifício Piazza Di Spagna, sito à Praça Pereira Coutinho n° 175 – Jardim Paulista/São Paulo, o presente processo não contempla qualquer lançamento decorrente dos mencionados fatos envolvendo ganho de capital. O presente lançamento foi realizado por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando os sinais exteriores de riqueza, com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos, com base no acréscimo patrimonial a descoberto, é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) Acontece que, no presente caso, a autoridade fiscalizadora errou na apuração do acréscimo patrimonial, na medida em que desconsiderou o saldo disponível para o mês seguinte (disponibilidade financeira do RECORRENTE), conforme se infere das planilhas de fls.483/488. Explico. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 822 22 Da análise da planilha elaborada pela fiscalização, inferese que ela fez uma comparação, mêsamês, dos rendimentos e dos dispêndios/aplicações da RECORRENTE, e nos meses em que os dispêndios foram superiores aos rendimentos, efetuou o lançamento, conforme exemplificado pelo lançamento de dezembro/2003 (fls. 483): · Total de receitas de dezembro/2003 (A): R$ 31.784,04 · Total de despesas de dezembro/2003 (B): R$ 48.084,53 · Lançamento (BA): R$ 48.084,53 R$ 31.784,04 = R$ 16.336,49 Acontece que, conforme se infere pela própria planilha, a autoridade fiscalizadora desconsiderou as sobras dos meses anteriores, que constituem saldo disponível para o mês seguinte (fls.483). Conforme acima destacado, é dever da autoridade lançadora comprovar gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível. Por renda declarada disponível obviamente se inclui a renda obtida nos meses anteriores do anocalendário, e não apenas a renda auferida no mês em que ocorrer o dispêndio. Nesse sentido, considerando apenas os rendimentos auferidos no ano de 2003, constantes na própria planilha elaborada pela fiscalização, o saldo disponível para uso no mês de dezembro/2003 deveria ser de R$ 228.485,36 (representado pelos recursos da ordem de R$ 31.748,04 no próprio mês acrescido de R$ 196.737,32 do somatório dos saldos disponíveis nos meses anteriores), o que faria frente às despesas da ordem de R$ 48.084,53 no mencionado mês de dez/2003. Destacase que o campo “SALDO DISOPNÍVEL DO MÊS ANTERIOR”, na parte dos rendimentos da planilha, é sempre mantido em branco. E que os valores dos rendimentos são exatamente iguais àqueles declarados em DIRF (fls.70). Pois bem, conforme dito no relatório fiscal, foram esses os lançamentos por acréscimo patrimonial a descoberto: Fl. 822DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 823 23 Nesse mesmo sentido, somando as receitas e despesas/dispêndios informado na planilha de fl. 485, constatase que o saldo disponível para utilização (sem considerar o saldo positivo no ano anterior) era de R$ 280.090,78 no mês de março/2004; de R$ 251.552,75 para o mês de maio/2004; e de R$ 3.471.394,54 para o mês de dezembro/2004, valores esses que fazem frente aos acréscimos apontados como descobertos, conforme tabela acima. Portanto, não houve acréscimo patrimonial, pois havia saldo disponível do mês anterior para arcar com todos os dispêndios/aplicações realizadas. O mesmo é válido para o ano de 2005 (fl. 487). A autoridade fiscalizadora lança um suposto acréscimo patrimonial de R$ 968.097,60 no mês de dezembro/2005, mas desconsidera o saldo acumulado disponível de aproximadamente R$ 1.009.531,37 (sem considerar o saldo positivo no ano anterior). Portanto, entendo que deve ser afastado o lançamento relativo ao APD apurado. Por conseguinte, entendo como prejudicado todos os argumentos da RECORRENTE relacionados ao lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, quais sejam: (vii) do erro da decisão da DRJ ao afirmar que o contribuinte não apresentou todos os documentos relativos ao veículo AUDI A4 (fls 721); (viii) reitera todos os argumentos da impugnação quanto a doação de quantia para sua filha (fls.722); (ix) a nulidade do acórdão da DRJ por ausência de manifestação expressa quanto aos valores em poder do contribuinte (fls. 723);; Por fim, como já exaustivamente aduzido, não houve qualquer lançamento por ganho de capital referente à alienação do apartamento n° 61 do Edifício Conde de Oxford, localizado à Rua Domingos Fernandes, 230 – Jd. Paulista/São Paulo e do apartamento n° 71 do Edifício Piazza Di Spagna, sito à Praça Pereira Coutinho n° 175 – Jardim Paulista/São Paulo. Desta forma, também entendo como prejudicado os argumentos do contribuinte acerca da (iii) nulidade do arbitramento com base Parecer Técnico 071/2007 — 5a CCR, desconsiderando a escritura pública de compra e venda (fls. 692) ); (iv) nulidade da decisão da DRJ por ausência de manifestação da autoridade julgadora quanto à impossibilidade de arbitramento (fls 719). Ademais, caso houvesse a imputação de infração decorrente do ganho de capital, a diferença apontada pela autoridade como recebimento a maior omitido pela contribuinte (no caso, os R$ 670.000,00) deveria integrar a linha de recursos/origens “2 RENDS. OMITIDOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO” na planilha de verificação da evolução patrimonial, assim como integraram os rendimentos apontados como omitidos em decorrência da infração relativa aos depósitos bancários sem origem comprovada; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 824 24 ou seja, seria mais um valor disponível para fins de cálculo do APD. Contudo, repitase, não houve lavratura do auto de infração por ganho de capital, neste processo. Tendo em vista o cancelamento integral do lançamento envolvendo tanto os depósitos bancários como também o APD, deixo de analisar as demais razões recursais apresentadas pela RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a improcedência do lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, assim como do lançamento por omissão de rendimentos caracterizado por depósitos sem origem comprovada, conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015179/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
IRPF. RENDIMENTO. PERITO OU ESPECIALISTA ONU OU AGÊNCIAS. ISENÇÃO.
A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevê-los em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário.
DECADÊNCIA.
Sendo a decadência matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo-se da base de cálculo do tributo lançado o valor referente à renda recebida da Unesco.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 IRPF. RENDIMENTO. PERITO OU ESPECIALISTA ONU OU AGÊNCIAS. ISENÇÃO. A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevê-los em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário. DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.015179/2007-45
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001582
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.188
nome_arquivo_s : Decisao_10166015179200745.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO SERGIO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10166015179200745_6001582.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo-se da base de cálculo do tributo lançado o valor referente à renda recebida da Unesco. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7724329
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911056261120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 99 1 98 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.015179/200745 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.188 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente MARCELO BISPO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRPF. RENDIMENTO. PERITO OU ESPECIALISTA ONU OU AGÊNCIAS. ISENÇÃO. A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevêlos em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário. DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindose da base de cálculo do tributo lançado o valor referente à renda recebida da Unesco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 51 79 /2 00 7- 45 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 100 2 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 77) pelo qual o recorrente se indispõe contra acórdão que decidiu pela procedência meramente parcial de impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, referente aos anoscalendário de 2003, no valor total de 3.607,72 (incluídos juros e multa), incidente sobre omissão de rendimentos, dedução indevida de contribuição à previdência oficial e dedução indevida e imposto de renda retido na fonte. Colacionase abaixo excerto da decisão recorrida, onde consta relato dos pontos questionados na impugnação apresentada naquela oportunidade: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 101 3 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 102 4 Além dessas matérias abordadas na impugnação, o contribuinte inova no recurso voluntário, alegando a ocorrência de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito analisado. Ao examinar o processo, entendendo a autoridade de piso 1) que a renda do contribuinte recebida do UNESCO (órgão vinculado à ONU) não se enquadra entre as hipóteses legais de isenção, manteve o tributo lançado; 2) que não foi comprovada o desconto de parte da contribuição previdenciária oficial declarada, manteve a glosa de 68,28; 3) que não foi comprovado parte da retenção de imposto de renda na fonte, manteve a glosa de 772,12, de forma que, ao final, foi decido pela procedência parcial da impugnação. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados no primeiro grau, agregando porém questionamentos a cerca da ocorrência de decadência e de cumulação indevida de penalidades. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Decadência No que tange à alegação de decadência, não obstante tratese de inovação em relação aos argumentos da impugnação apresentada à autoridade de piso, por tratarse de matéria de ordem pública, aqui se analisa. Assim, quanto à alegação de decadência, considerando que os fatos geradores em apreço ocorreram no decorrer do anocalendário de 2003 e tendo o fisco 5 anos para constituição do crédito tributário incidente, constatase tanto pelo critério de contagem do prazo decadencial previsto no §4º do Art. 150 como pelo critério do §1º do art. 171, do Código Tributário Nacional, que o direto de o fisco lançar o crédito não foi atingido, posto que o lançamento foi realizado em 08.11.2007 (fls. 43). Da omissão de renda Examinando os documentos verificase que os rendimentos questionados foram recebidos por prestação de serviço de consultor à Unesco, agência oficial ligada às Organização das Nações Unidas (ONU.) Quanto à tal fato, vale observar, que existe pronunciamento da Coordenação Geral de Tributação (COSIT) entendendo que os rendimentos pagos a prestadores de serviços contratados no Brasil para prestar serviços à órgão oficial ligado à ONU (Solução de Consulta nº 194 Cosit, de 05.08.2015) não devem ser objeto de lançamento ou devem, mesmo, ser revistos de ofício. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 103 5 PERITOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA. AGÊNCIA ESPECIALIZADA DA ONU. A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevêlos em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012. Dispositivos Legais: Decreto nº 59.308, de 23 de setembro de 1966; Decreto nº 52.288, de 24 de junho de 1963; Decreto nº 27.784, de 16 de fevereiro de 1950; Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 3 de dezembro de 2012; REsp nº 1.306.393/DF; Solução de Consulta Cosit nº 64, de 7 de março de 2014. Nesse mesmo sentido pronunciouse a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional NOTA PGFN/ CRJ / N º 1104 /2017, entendendo, pela Portaria PGFN/Nº 502/2016, que é dispensável a contestação ou a apresentação de recursos sobre fato relacionado à decisão exarada no REsp. 1.306.393/DF, evolvendo demandas que pleiteiam a isenção do IRPF sobre: (i) os rendimentos do trabalho auferidos por perito de assistência técnica (art. IV, 2, d, do Decreto nº 59.308, de 1996), a serviço da ONU, contratado no Brasil para trabalhar nos seus demais programas, bem como sobre: (ii) os rendimentos do trabalho auferidos por perito de assistência técnica (art. IV, 2, d, do Decreto nº 59.308, de 1996), contratado no Brasil a serviço das Agências Especializadas da ONU listadas expressamente no Decreto nº 59.308, de 1966, desde que o recebimento dos valores decorra única e exclusivamente das atividades prestadas a esses organismos internacionais. Em razão disso, deve ser afastada a tributação incidentes sobre tal remuneração, objeto do lançamento sob exame. Quanto à dedução indevida de contribuição à previdência oficial e à dedução de retenção do imposto de renda na fonte Sobre as alegações apresentadas pelo contribuinte envolvendo a exigência tributária incidente dedução indevida de contribuição à previdência oficial e de imposto de renda retido na fonte, o recurso apresentado apenas repete as alegações da impugnação, assim, em razão de o entendimento a ser adotado neste voto não diferir do constante no acórdão recorrido, colacionase excerto dessa decisão, tratando da matéria. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 104 6 Da cumulação indevida de penalidades Sobre a alegação apresentada pelo contribuinte quanto a uma suposta ocorrência de cumulação indevida de penalidades, em razão de tratarse de inovação processual, haja vista tal matéria não ter sido impugnada na instância de piso, deixase de conhecêla. Conclusão Posto isso, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, no mérito, dessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado, a fim de excluir da base de cálculo do tributo a remuneração recebida da UNESCO, com cálculo de eventual crédito residual a ser realizado pela unidade de origem. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006667/2009-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.006667/2009-99
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001601
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.148
nome_arquivo_s : Decisao_10380006667200999.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10380006667200999_6001601.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7724375
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911061504000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.006667/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.148 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 9 de abril de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CENTRO DE ESTOMATOLOGIA E RADIOLOGIA DO CE S/C LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO:MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ANOCALENDÁRIO 2008 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0819.189, da 3a Turma da DRJ/FOR, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração que exigiu o crédito tributário, relativamente a multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 66 67 /2 00 9- 99 Fl. 32DF CARF MF 2 Resumo, a seguir o relatório: Cuidam os presentes autos de Impugnação manejada pela interessada contra a Notificação de Lançamento de fls. 02, mediante a qual lhe foi cobrada multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao segundo semestre de 2008. Segundo o documento de fls. 02, a interessada entregou em 14/04/2009 a DCTF do segundo semestre de 2008, cujo prazo de entrega se exaurira em 07/04/2009. Em sua defesa, alega a interessada que: "Tendo em vista que por motivos superiores ou seja, pane no computador de nossa empresa, não foi possível cumprir o prazo legal para entrega da DCTF só podendo fazer a entrega no dia 14/04/2009, tal qual o espanto a notificação de lançamento de multa por este pequeno atrazo (sic) que ocorreu não por vontade própria mas por força maior." [...] nós fizemos a entrega por livre e espontânea vontade não fomos intimados ou notificados para a referida entrega". "Diz o Código Tributário Nacional: 'Ao procurar o órgão competente para sanar quaisquer irregularidades e cumprir formalidade legal antes de qualquer notificação ou solicitação, fica o contribuinte isento de que seja aplicada multa ou outras penalidades pelo referido cumprimento". [...] a Receita Federal descumpriu tacitamente o preceito legal do CTN acima citado, portanto solicitamos que seja tornado sem efeito a cobrança de multa [...]." A recorrente foi cientificada da decisão em 20/12/2010 (fl 25) e apresentou o seu recurso voluntário em 18/01/2011 (fl 26). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: 1 Ao fazer o julgamento do recurso imposto junto ao Delegado da Receita Federal de Julgamento, a 30 turma da DRJ/FOR não atendeu ao que diz o art. 138 do CTN que em seu teor diz: "Ao procurar o órgão competente para sanar quaisquer irregularidade e cumprir formalidade legal antes de qualquer notificação ou solicitação, fica o contribuinte isento de que seja aplicada multa ou outras penalidades pelo referido cumprimento. 2 Nos cumprimos nossa obrigação legal mesmo sem que tivéssemos sidos notificados, e a Receita Federal do Brasil, descumpriu tacitamente o preceito legal do CTN acima citado, pois no momento da entrega (14.04.2009) foi que a receita por meio eletrônico enviou a mensagem com notificação, pois apesar dela haver Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10380.006667/200999 Acórdão n.º 1001001.148 S1C0T1 Fl. 3 3 marcado a data de entrega dia 07.04.2009 nos dias seguintes a data não fomos notificados, após a entrega foi que a receita federal tomou tal atitude, solicitamos que seja tornado sem efeito a cobrança de multa pelo cumprimento desta obrigação pois será um ato de JUSTIÇA. A DRJ proferiu seu voto no sentido de que: ALEGAÇÃO DE MOTIVO DE FORCA MAIOR A apresentação da DCTF é uma obrigação acessória que compete ao Sujeito Passivo da obrigação tributária, sendo irrelevante, para qualquer efeito, ai incluído o de eximilo da multa por atraso na entrega da Declaração, o fato de o sujeito passivo haver incumbido o seu contador de preenchêla e entregála à Receita Federal. Além disso, a própria cautela do Profissional Contabilista aconselha que, para serem evitados imprevistos de última hora, devem ser praticados os atos sob sua responsabilidade, dentre os quais a entrega da DCTF, com a devida antecedência. Somese ao que foi dito que não constitui força maior eventual pane em equipamento de informática (computador) no escritório do Contabilista responsável pela escrituração do Contribuinte/Empresa, fato, inclusive, não comprovado pelo Impugnante. No ponto, aliás, por bem retratar o entendimento para o qual convirjo acerca desse mesmo tema, reproduzo excerto do voto do Julgador Andre Suaki dos Santos, consignado no já mencionado Acórdão DRI/FNS n.° 5.859, de 22/04/2005, e que diz o seguinte (omiti, ver fl 11): ... A entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, relativas ao anocalendário 2008, era disciplinada pela Instrução Normativa SRF 786, de 19/11/2007, que estabelecia o seguinte, quanto as pessoas jurídicas obrigadas a sua apresentação: ... Como se depreende da leitura dos dispositivos acima transcritos, é indiscutível que a interessada, por se subsumir à situação fática descrita no artigo 2°, e não se enquadrar em qualquer das hipóteses excludentes arroladas nos incisos do artigo 5 0, estava obrigada a entregar, nos prazos legalmente fixados, as DCTF relativas aos dois semestres do anocalendário 2008. A competência do Secretário da RFB para instituir obrigações acessórias por meio de Instruções Normativas está prevista na Portaria MF n° 118, de 28 de junho de 1984, mediante a qual o Ministro da Fazenda delegou ao titular da RFB a competência que lhe fora legalmente atribuída pelo artigo 5° do DecretoLei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, conforme se depreende da leitura dos dispositivos abaixo transcritos (cita a legislação aplicável, qual seja DecretoLei n°2.124, de 13 de junho de 1984, PORTARIA No. 118 DE 28 /06 /1984 MINISTÉRIO DA FAZENDA MF , Instrução Normativa n° 126, de 30 de outubro de 1998. A seguir, apresenta a base legal da aplicação da multa, ou seja o art. 7° da Lei 10.426/2002. Fl. 34DF CARF MF 4 Por último, concluí que não cabe a alegação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, com base no art. 113 do CTN, segundo o qual: Art. 113.A obrigação tributária é principal ou acessória. parag. 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. a inobservância do cumprimento de uma obrigação acessória, a converte em obrigação principal. ... Cita jurisprudência do Extinto Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A seguir, expõe: Inobstante a argumentação até aqui expendida, resta claro, como demonstrado alhures, que havia legislação vigente e eficaz sancionando a conduta da interessada, não competindo a este julgador afastar sua aplicação. A autoridade fiscal (lançadora e julgadora) não se pode furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (art. 3° e parágrafo único do art. 142 do CTN). Por sua vez o artigo 141 do mesmo CTN determina: O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse em aplicar a lei regularmente inserida no mundo jurídico, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Nesse sentido, observese o que dispõe o artigo 26A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Na mesma linha opera o disposto no artigo 7° da Portaria MF n° 58, de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: Art. 7° O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n°8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Em síntese, tratandose de processo administrativo fiscal, basta, para a formação do convencimento da autoridade julgadora, norma jurídica vigente e apta a incidir; se é válida ou não, já se cuida de questionamento a ser apreciado pelo Poder Judiciário, e, mesmo assim, para que a tutela beneficie o contribuinte, (1) deve ele Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.006667/200999 Acórdão n.º 1001001.148 S1C0T1 Fl. 4 5 ser parte interessada na contenda judicial, ou, se não, (2) deve referida tutela emanar, em última análise, do STF. Como antes já se demonstrou, a instituição da obrigação acessória de entrega da DCTF, bem como a cominação de multa pelo seu descumprimento ou cumprimento a destempo, estão amparadas, no que se refere ao anocalendário 2008, respectivamente, no DecretoLei n°2.124, de 13 de junho de 1984 (reiterado pela Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999), e na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, ambos vigentes e eficazes ao tempo da autuação ora debatida. Ante a argumentação acima exposta, não pode prosperar o pedido de cancelamento da Notificação de Lançamento de fls. 02 com fundamento na aplicação do instituto jurídicotributário da Denúncia Espontânea de Infrações, consagrado no artigo 138 do CTN. Adicionalmente ao correto arrazoado, apresentado no acórdão da DRJ, acrescento que a alegação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, em casos de penalidade por atraso na entrega de declaração, já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727675/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.610
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.727675/2016-36
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996515
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.610
nome_arquivo_s : Decisao_10166727675201636.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10166727675201636_5996515.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7714524
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911063601152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727675/201636 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.610 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 76 75 /2 01 6- 36 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727675/201636 Acórdão n.º 3302006.610 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.655. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727675/201636 Acórdão n.º 3302006.610 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727675/201636 Acórdão n.º 3302006.610 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727675/201636 Acórdão n.º 3302006.610 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727675/201636 Acórdão n.º 3302006.610 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000503/2003-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ANÁLISE DO CRÉDITO NA PERSPECTIVA DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Os autos devem ser devolvidos à Delegacia de origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2002.
Numero da decisão: 9101-004.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2002, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ANÁLISE DO CRÉDITO NA PERSPECTIVA DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Os autos devem ser devolvidos à Delegacia de origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2002.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13811.000503/2003-33
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013523
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.200
nome_arquivo_s : Decisao_13811000503200333.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 13811000503200333_6013523.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2002, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7760897
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911067795456
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-23T00:40:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-23T00:40:23Z; Last-Modified: 2019-05-23T00:40:23Z; dcterms:modified: 2019-05-23T00:40:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-05-23T00:40:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-23T00:40:23Z; meta:save-date: 2019-05-23T00:40:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-23T00:40:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-23T00:40:23Z; created: 2019-05-23T00:40:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2019-05-23T00:40:23Z; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-23T00:40:23Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13811.000503/200333 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101004.200 – 1ª Turma Sessão de 9 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CA PROGRAMAS DE COMPUTADOR LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. ANÁLISE DO CRÉDITO NA PERSPECTIVA DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Os autos devem ser devolvidos à Delegacia de origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no anocalendário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 05 03 /2 00 3- 33 Fl. 926DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 3 2 de 2002, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao não reconhecimento do direito creditório reivindicado nas Declarações de Compensação (DCOMP) objeto deste processo. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1202000.583, de 03/10/2011, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu não reconhecer o direito creditório reivindicado nas Declarações de Compensação, por entender que o suposto crédito (saldo negativo) seria diferente daquele indicado nas DCOMP (pagamento indevido ou a maior de estimativa). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 Ementa: Somente são passiveis de compensação créditos que tenham sido declarados em DCOMP vinculandoos aos débitos declarados, não assistindo direito à contribuinte requerer a compensação dos débitos com suposto créditos que não constavam anteriormente nas DCOMP apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a proposta de converter o julgamento em diligência.Vencidos os Conselheiros Fl. 927DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 4 3 Eduardo Martins Neiva Monteiro, Gilberto Baptista e Geraldo Valentim Neto. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatÓrio e votos que integram o presente julgado. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: BREVE SÍNTESE DOS FATOS o crédito tributário controvertido neste procedimento está relacionado a Pedido de Compensação (fls. 01 e 02 deste procedimento) apresentado pela Recorrente, por meio do qual se postulou a extinção de débitos de PIS (R$ 176.057,66) e COFINS (R$ 421.630,45) com créditos de IRPJ (R$ 935.179,32); este crédito de IRPJ indicado na respectiva Declaração de Compensação foi originado de “pagamento a maior ou indevido” referente ao anocalendário de 2002, mais precisamente do recolhimento do imposto devido por antecipação em 07/2002, por meio de DARF (fls. 03) e devidamente declarado na DCTF e na DIPJ apresentadas no exercício de 2003; ao analisar a referida DCOMP, a Fiscalização concluiu que o crédito em questão havia sido “integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, conforme pesquisa à fls. 28...” e, portanto, não haveria crédito disponível para quitação dos débitos objeto das compensações pleiteadas; após o mencionado Despacho Decisório (fls. 42), a Recorrente verificou que houve realmente equívoco no preenchimento da DCOMP, pois o mencionado recolhimento, relativo à antecipação do IRPJ por estimativa mensal, somente se tornou indevido após o encerramento do exercício, quando foi apurado saldo negativo do IRPJ; dessa forma, ao invés de ter assinalado a opção “pagamento a maior ou indevido” no campo nº 03 da DCOMP, a Recorrente deveria ter indicado a opção “saldo negativo de IRPJ e CSLL”; tratase efetivamente, Srs. Conselheiros, de um equívoco formal, consistente na indicação errônea da natureza do crédito oferecido para compensação; apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 48 a 52), a Recorrente buscou esclarecer a inexatidão por ela cometida quando da indicação da origem do crédito oferecido à compensação, bem como demonstrar que este crédito era (e é) perfeitamente suficiente para a extinção dos débitos indicados na DCOMP, ainda que atrelado a outros pedidos de compensação apresentados pela Recorrente; esta defesa, no entanto, restou rejeitada, sob o entendimento de que não seria possível homologar as compensações declaradas pela Recorrente, tendo em vista a impossibilidade de correção do equívoco constante na DCOMP após o Despacho Decisório de nãohomologação; Fl. 928DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 5 4 a Recorrente buscou a reforma deste entendimento junto a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No entanto, a Colenda 2ª Câmara Julgadora negou provimento ao Recurso Voluntário então interposto pela Recorrente, por entender que: (i) O Despacho Decisório se restringe à apreciação do crédito indicado no pedido de compensação, atendose ao que consta da inicial, permitindose sua retificação, desde que anterior à apreciação; e que (ii) As alterações efetuadas extemporaneamente pela Recorrente não podem ser aceitas, uma vez que o processo há de se limitar àquilo que fora declarado no pedido de compensação, apresentado até a data da decisão proferida, ou seja, do Despacho Decisório. a razão para o não reconhecimento do direito creditório da Recorrente na espécie seria, nos termos do v. acórdão então proferido, a impossibilidade de retificação das informações constantes na DCOMP após a prolação de Despacho Decisório não homologando a compensação, bem como a alocação do DARF apresentado para pagamento de débitos da Recorrente no anocalendário de 2002 Em síntese, entendeu a C. Câmara Julgadora que o equívoco formal cometido pela Recorrente quando da apresentação de sua DCOMP seria um óbice intransponível à apreciação de seu direito creditório, o que se daria pelo fato de referida análise cingirse às informações constantes da respectiva declaração, ou ainda de eventual declaração retificadora tempestivamente apresentada; em face de referido v. Acórdão, e por entender existentes determinadas obscuridades e omissões que impediam o correto enfrentamento do mérito de sua pretensão recursal, a Recorrente apresentou Embargos de Declaração; estes foram novamente rejeitados pela C. Câmara “a quo”, alegando não estarem presentes os requisitos necessários para ensejar seu acolhimento, mantendo o v. acórdão embargado por seus próprios termos; diante deste posicionamento adotado pela Colenda Câmara Julgadora de origem, a Recorrente não vislumbrou outra forma de promover sua reforma que não a interposição deste Recurso Especial, seja como forma de adequar o v. acórdão recorrido à jurisprudência deste E. CARF, seja até mesmo como medida de justiça, diante da patente e inconteste existência do crédito buscado pela Recorrente, como adiante novamente se buscará demonstrar; DA ADMISSÃO DESTE RECURSO ESPECIAL E DO COTEJO ANALÍTICO DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO E DAS DECISÕES PARADIGMÁTICAS o v. acórdão recorrido contraria, claramente, determinadas decisões já proferidas por este Egrégio Conselho, garantindo, assim, a admissão e o processamento da pretensão recursal aqui deduzida; neste sentido, a Recorrente pede “venia” para destacar inicialmente o recente Acórdão prolatado pela Colenda 3ª Câmara deste E. CARF nos autos do Proc. Adm. nº 11610.005921/200358 (Acórdão nº 1301001.918), no qual foi reconhecida expressamente a necessidade de a verdade material se sobrepor à verdade formal, para fins de perquirir a efetiva procedência do crédito buscado pelo contribuinte: Acórdão nº 1301001.918 Fl. 929DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de IRPJ apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido.” da leitura do trecho do voto acima transcrito, fica evidente o entendimento no sentido de ser necessária a correta apreciação acerca da existência do crédito buscado pelo contribuinte, ainda que para tanto seja necessário se sobrepor a eventuais vícios de forma constatados ao longo do procedimento administrativo; a constatação desta divergência fica mais nítida se analisada da seguinte forma: [...]; ou seja, em situação análoga, a C. 3ª Câmara do CARF homologou a compensação, mesmo diante de erro material no preenchimento do Pedido de Restituição. Embora o prazo para retificação da declaração já tivesse decaído, quando do julgamento do Recurso Voluntário, o Julgador buscou a verdade material e superou um mero equívoco do contribuinte quando da transmissão do pedido de restituição; assim, o acórdão acima é plenamente servível para demonstrar a divergência de critérios entre as Câmaras desse CARF, garantindo o conhecimento e provimento do Apelo Especial; esta mesma divergência pode ser constatada se comparada a fundamentação utilizada pelo v. Acórdão nº 1102001.295, prolatado nos autos do Proc. Adm. nº 10880.902468/201197, em que fica perfeitamente delimitado que o erro no preenchimento de DCOMP não pode de forma alguma obstar o reconhecimento do crédito legitimamente apurado pelo contribuinte: Acórdão nº 1102001.295 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 7 6 O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido, nos termos do art. 147, §2º do CTN. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Recurso voluntário provido Direito creditório reconhecido” aqui novamente o indispensável cotejo analítico: [...]; o acórdão acima ataca o ponto fulcral da discussão, ressaltando que incorreções na declaração não afastam o direito material, cabendo à autoridade julgadora apreciar o pedido levando em consideração o crédito efetivamente apurado; ou seja, não poderia o v. acórdão recorrido se eximir da verdade material, somente com base em um equívoco de preenchimento no campo “Origem do crédito utilizado” da declaração; resta aqui, portanto, demonstrada a necessidade de admissão do presente recurso para seu posterior provimento; DAS RAZÕES DE REFORMA DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO DO MERO ERRO FORMAL E DA NECESSIDADE DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL conforme analisado quando do cotejo dos acórdãos paradigmas, eventual equívoco no preenchimento da declaração de compensação não afasta o direito material ao crédito, não podendo a autoridade administrativa ignorar a verdade material; ademais, havendo incongruência, deveriam as autoridades fiscais terem intimado o contribuinte a prestar esclarecimentos ou provas complementares para somente então exararse o despacho decisório, conforme prevê o artigo 4º da Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e artigo 11, parágrafo único da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 06 de 21/11/2007; Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 8 7 a simples ausência de retificação da declaração não é elemento suficiente para a não homologação das compensações efetuadas, conforme, por exemplo, julgado do e. TRF da 5ª Região (TRF5. Primeira Turma. AC 00081974020134058300): [...]; o julgado acima demonstra um posicionamento pacífico do poder judiciário, sendo que caso mantida a decisão recorrida, certamente a União será vencida quando do debate na esfera judicial, resultando no pagamento de uma pesada sucumbência nos termos do art. 82 do NCPC; com base nisso, temse suficientemente demonstrado que, ao contrário do que afirmado no curso do processo administrativo, a simples ausência de retificação das declarações não justifica a não homologação das compensações; DA EFETIVA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO INDICADO NA DCOMP como já foi amplamente demonstrado ao longo deste contencioso administrativo e novamente abordado acima, discutese neste procedimento a possibilidade de a Recorrente aproveitar crédito decorrente de Saldo Negativo de IRPJ referente ao exercício de 2003 (anocalendário de 2002), indevidamente indicado quando do preenchimento da competente DCOMP como sendo originado de “Pagamento a maior ou indevido”; em decorrência da sistemática de apuração do Imposto de Renda pelo Lucro Real por meio do recolhimento de antecipações efetuadas mensalmente, a Recorrente apurou para o mês de julho de 2002 o montante a pagar de IRPJ de R$ 935.179,92, valor este devidamente recolhido, conforme Guia DARF constante às fls. 03 destes autos; ato contínuo, encerrada a apuração do IRPJ com o encerramento do ano calendário de 2002, a Recorrente constatou ter apurado um prejuízo fiscal de R$ 8.602.686,39, conforme expressamente indicado na DIPJ apresentada no exercício de 2003: [...]; em função deste crédito apurado, decorrente dos pagamentos efetuados em caráter de antecipação, a Recorrente formulou Pedido de Compensação, indicando como crédito justamente o montante relacionado ao pagamento do IRPJ apurado por estimativa em 07/2002 (R$ 935.179,92); vejam, portanto, Srs. Conselheiros, que não obstante a vastidão do prejuízo fiscal destacado na DIPJ (R$ 8.602.686,39), a Recorrente indicou para a compensação controvertida neste procedimento apenas o valor de R$ 935.179,92. E mais, deste montante do crédito informado, foram indicados débitos que totalizavam R$ 597.688,11 (teto da compensação). Ou seja, sequer foi utilizado o montante integral do crédito oferecido para compensação; ocorre que, ao invés de indicar que o crédito em questão seria decorrência de “Saldo Negativo de IRPJ”, a Recorrente equivocadamente mencionou tratarse de crédito decorrente de “Pagamento a Maior ou Indevido”, deflagrando toda a controvérsia que nestes autos se instaurou desde o longínquo ano de 2003; isto porque, tanto as autoridades fiscais como a Colenda Turma Julgadora de origem adotaram a posição de que este equívoco cometido pela Recorrente figuraria como um óbice intransponível à análise do direito creditório por esta formalizado junto à Receita Fl. 932DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 9 8 Federal do Brasil, já que estaria em desacordo com as especificidades formais instituídas pela legislação com o intuito de regulamentar o procedimento de compensação; a Recorrente, com o devido respeito, entende de forma diversa. E está abalizada, inclusive, em diversos julgados já proferidos por este Egrégio Conselho; isto porque, não obstante estarse diante de um efetivo equívoco cometido pela Recorrente quando do preenchimento de sua DCOMP, este não possui o condão de impedir a análise, por parte dos órgãos administrativos competentes, quanto à origem do crédito indicado quando da formalização do pedido de compensação. Ou seja, tal equívoco não poder ser erigido a tal ponto que impossibilite o reconhecimento do crédito e do direito subjetivo da Recorrente de o utilizar na compensação com débitos fiscais havidos com a Receita Federal; e isto fica ainda mais evidente quando se constata que o procedimento adotado pela Recorrente não está de todo errado. Isto porque, o prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário de 2002 teve origem justamente nas antecipações mensais por efetuadas em montantes superiores àqueles efetivamente devidos. Em outras palavras, o “Saldo Negativo de IRPJ” foi decorrência direta do “Pagamento a Maior ou Indevido” efetuado pela Recorrente; assim, o pagamento efetuado a título de antecipação do IRPJ em 07/2002 somente se tornou efetivamente um crédito da Recorrente quando do encerramento do respectivo período de apuração (2002), ocasião em que se constatou a apuração do prejuízo fiscal. Isto, no entanto, não acarreta qualquer prejuízo ao crédito da Recorrente, uma vez que o Pedido de Compensação foi apresentado APÓS o encerramento do Período de Apuração do imposto recolhido por estimativa (mais especificamente em 13 de fevereiro de 2003); logo, ao formalizar o pedido de compensação controvertido nestes autos, a Recorrente já havia apurado prejuízo fiscal, de modo que já se sabia que o valor referente à antecipação efetuada em 07/2002 era indevido e que a Recorrente passou a ter o direito subjetivo à sua repetição ou, como foi feito, à sua compensação com outros débitos; percebese, portanto, que, sob qualquer óptica que se analise a questão, a conclusão haverá de ser sempre a mesma, qual seja: o crédito indicado no Pedido de Compensação efetivamente existia e fora legitimamente apurado; e é exatamente por conta desta efetiva existência do crédito aqui pleiteado que não se pode aceitar o argumento de que um mero erro formal (e estamos sim diante de um mero erro formal) impeça o contribuinte de fruir aquilo que lhe é seu de direito; qualquer entendimento em sentido contrário vai em sentido contrário a todo conjunto probatório constante dos autos e logo será flagrantemente ilegítimo e extremamente injusto; há de se primar, Srs. Conselheiros, pela instrumentalidade das formas e pela verdade material dos fatos, evitando que toda e qualquer formalidade venha a impedir o crédito legitimamente apurado e oferecido à compensação pelo contribuinte; e justamente como forma de se evitar a perpetração desta injustiça que é aqui combatida, a Recorrente pede “venia” para destacar, além daqueles acima elencadas como forma de preencher os requisitos de admissibilidade deste apelo especial, outros julgados já Fl. 933DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 10 9 proferidos por este Egrégio Conselho em que foi reconhecida a importância de se primar pela verdade material, até mesmo em detrimento à verdade formal, tudo com o intuito de apurar se o contribuinte tem efetivamente direito ao contribuinte por ele postulado; DO PEDIDO diante de todo o exposto, vem a Recorrente, sempre respeitosamente, requerer a estes nobres Conselheiros que seja o presente Recurso devidamente admitido, conhecido e processado, para que no mérito sejalhe dado integral provimento, reformando o v. Acórdão recorrido e reconhecendo o direito da Recorrente ao crédito de IRPJ aqui pleiteado, juntamente da procedência da compensação que ensejou este procedimento; subsidiariamente, e se assim entenderem estes Srs. Conselheiros, requer a Recorrente seja declarada a nulidade do v. Acórdão recorrido, para que outro seja prolatado em seu lugar, desta vez se atentando ao conjunto fático e às especificidades inerentes e constantes dos autos. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 20/01/2017, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Entendo que a recorrente logrou demonstrar de forma suficiente, neste juízo prévio de admissibilidade do recurso, a similitude fática processual entre os casos, e a divergência de decisões entre eles. De fato, todos os casos trazidos a confronto versam sobre a compensação de tributos, e em todos eles há argumentação, por parte dos contribuintes, da ocorrência de equívocos no preenchimento dos documentos em que identificado o crédito alegado (pedido de restituição, no caso do primeiro paradigma — acórdão 1301001.918, e declarações de compensação, no caso do acórdão recorrido e do segundo paradigma — acórdão 1102001.295). E, enquanto o acórdão recorrido manifestou o entendimento de que haveria óbice intransponível à retificação do PER/DCOMP (no caso, para a alteração de “pagamento a maior ou indevido” para “saldo negativo de IRPJ e CSLL”), uma vez que tal retificação somente seria admissível até o momento anterior à ciência da decisão administrativa a respeito do PER/DCOMP que se pretende retificar, os paradigmas manifestaram entendimento diametralmente oposto, na medida em que, em ambos os casos, foi admitido que os contribuintes corrigissem eventual erro no preenchimento do PER/Dcomp quando da apresentação da defesa administrativa (manifestação de inconformidade). Transcrevese, a seguir, excertos do voto condutor do acórdão recorrido, também parcialmente transcritos pela recorrente no recurso, que bem demonstram ter sido este o fundamento adotado pelo colegiado para, no caso, negar provimento ao recurso: Fl. 934DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 11 10 [...] Entretanto, nos acórdãos paradigmas, conforme dito, foi reconhecida a possibilidade de que os erros na identificação do crédito fossem corrigidos no curso do processo, consoante se pode verificar de suas próprias ementas, ao norte transcritas, e, nesta conformidade, foi dado provimento ao recurso, em ambos os casos. Pelo exposto, opino no sentido de que se deva DAR SEGUIMENTO ao recurso especial do sujeito passivo (art. 68 do RICARF). Em 23/01/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, e em 01/02/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: sobre a compensação, o Código Tributário Nacional em seus artigos 156, II, e 170 prescrevem o seguinte: [...]; como se pode concluir da leitura dos dispositivos transcritos, o CTN previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade acima mencionado, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias; a fim de normatizar a forma pela qual se daria a compensação no âmbito tributário foram editados diplomas legais e normativos dentre os quais se destaca a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 21/97, e alterações posteriores, redundando inclusive na edição da IN SRF nº 460/2004; dessa maneira, é importante verificar que a legislação em vigor à época, dispunha sobre a compensação: [...]; inferese da leitura desses dispositivos que a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, pode se dar de ofício ou por iniciativa daquele; da norma acima reproduzida é possível aferir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte; com efeito, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo; assim, o alegado erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitido, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação; Fl. 935DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 12 11 ademais, ainda nos termos da legislação retro transcrita, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração tributária no momento oportuno, ou seja, até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, sob a pecha de tratarse de erro material, seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de análise pela DRF responsável pela análise do pleito; os diplomas normativos regentes da matéria, quais sejam art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN deixam clara a necessidade da existência de créditos líquidos e certos no momento da declaração de compensação, hipótese em que o crédito tributário encontrarseia extinto sob condição resolutória, o que não ocorreu no caso dos autos. Da leitura dos dispositivos acima temos que os créditos a serem compensados devem ser líquidos e certos e devem ser minuciosamente informados na declaração de compensação quando de sua apresentação sob pena de invalidação do procedimento; vejase que essa análise não é da alçada da competência do CARF, mas da DRF; não é lícito ao órgão julgador de superposição fazer essa análise para obviar um suposto erro material para daí passar a analisar a “certeza e liquidez” dos créditos; logo, não se trata de erro material à toda evidência; nos termos do acima exposto, temos que, uma vez que a existência do suposto crédito não havia sido informado na DComp, não sendo indicada a origem dos mesmos, não podem ser considerados líquidos e certos, nem mesmo há como homologarse as compensações efetuadas com base nestes, sob pena de afronta direta aos ditames legais acima esposados; com efeito, a compensação de ofício ocorre “sempre que a Secretaria da Receita Federal verificar que o titular do direito à restituição ou ao ressarcimento tem débito vencido relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração”, nos termos do art. 7º do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, e do art. 6º do Decreto nº 2.138, de janeiro de 1997; por sua vez, a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; insta salientar ainda que os princípios da verdade material e da economia processual, apesar de louváveis, devem ser aplicados com cautela e, sobretudo, sem desrespeito ao princípio da legalidade insculpido no art. 37 da CF; assim, declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer após a ciência do despacho decisório não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito; Fl. 936DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 13 12 a apreciação da compensação em sede estranha aos procedimentos que lhe são pertinentes, não pode ser admitida; de tal sorte, qualquer discussão sobre a compensação, inclusive sobre erro no preenchimento do pedido correspondente, deve ser feita em sede própria; concluise, portanto, que o órgão julgador, ao analisar os autos, deve levar em consideração os dados informados no pedido de compensação apresentado pelo contribuinte para justificar a extinção do crédito tributário. Se considerar mês de apuração ou valor diverso do apontado pelo contribuinte na via compensatória, a decisão conflita com o próprio procedimento de compensação, em que se analisam os créditos e débitos tal qual indicados e não outros diversos; se entendesse ter ocorrido erro na indicação direito creditório que pretendia compensar, o interessado deveria ter solicitado ao órgão competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal, por meio de processo administrativo, a retificação da declaração de compensação; aliás, esta é a orientação da Receita Federal, expressa na IN SRF nº 460/2004, in verbis: [...]; a mesma orientação é reproduzida na Instrução Normativa SRF 600/05: [...]; logo, caso prevaleça o entendimento do Recorrente haveria violação ao disposto no art. 170 do CTN e no art. 74, §3º, inciso V, da Lei nº 9.430/96, uma vez que o alegado erro de preenchimento da DCOMP pelo interessado não pode e não poderia ser admitido, eis que, a retificação da origem e do valor do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido nos termos das normas citadas; e, por fim, para possibilitar a retificação da DCOMP nos moldes pretendidos deve ser atendido o quanto disposto na IN SRF nº 460/2004, ou seja, deve ser formalizada declaração retificadora para correção apenas de inexatidões materiais ocorridas no preenchimento da PER/DCOMP e deve ser apresentada antes de proferida a decisão administrativa; diante de todos os motivos acima expostos, o acórdão recorrido não merece reforma; DO PEDIDO ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 14 13 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, porque ele preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo trata de Declarações de Compensação em que a contribuinte informou direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, que decorreu do DARF recolhido em 30/08/2002, no valor de R$ 935.179,92, referente à estimativa do mês de 07/2002 (vol. I, efls. 02/04, 37/41 e 42/46). A Delegacia de origem indeferiu o pleito (vol. I, efls. 48), com o argumento de que o referido pagamento tinha sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte (no caso, do débito da referida estimativa, que havia sido declarado em DCTF). Desde a manifestação de inconformidade, a contribuinte vem alegando, entre outras coisas, que cometeu equívoco no preenchimento das DCOMP, que deveria ter assinalado o campo "saldo negativo de IRPJ", e não "pagamento a maior ou indevido". A decisão de primeira instância administrativa manteve a negativa em relação ao pleito da contribuinte, entendendo que as compensações não poderiam ser realizadas com suposto crédito que não constava das DCOMP. E a decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido), ao examinar o recurso voluntário, decidiu nesse mesmo sentido. Com seu recurso especial, a contribuinte busca, em síntese, que seu direito creditório seja tratado como saldo negativo de IRPJ em 2002, e que as compensações sejam homologadas. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial envolve o debate sobre a possibilidade, ou não, de retificação das informações constantes da DCOMP após a prolação do Despacho Decisório pela Delegacia de origem. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, e a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 15 14 Mas no caso sob exame, embora a contribuinte tenha indicado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apontando o DARF da estimativa mensal referente ao mês de julho/2002, sua pretensão não se enquadra na hipótese da referida súmula. Seu objetivo é ver reconhecido o direito creditório como saldo negativo do período anual de 2002, e não como pagamento indevido ou a maior a título da própria estimativa. A questão que deve ser analisada é se o atendimento desse pleito configura inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. As decisões já proferidas neste processo entendem que a lei não admite que a DCOMP seja retificada após o despacho que não homologou a compensação. Vale observar, entretanto, que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de julho/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que poderia ser, em tese, restituído/compensado. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Com efeito, há muitos casos em que os contribuintes, em vez de reivindicarem todo o saldo negativo de um determinado período de apuração de uma só vez, em um único Per/Dcomp, apresentavam vários Per/Dcomp, cada um deles correspondendo a um recolhimento de estimativa feito para o mesmo período de apuração, até porque a indicação precisa da origem do direito creditório está relacionada à indicação de um DARF, e não há nenhum DARF de saldo negativo, o que normalmente existe são os DARF das estimativas. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 13811.000503/200333 Acórdão n.º 9101004.200 CSRFT1 Fl. 16 15 O que há no presente caso não é propriamente uma pretensão de mudança do direito creditório, mas sim o aproveitamento de uma parte do crédito, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo quando há excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Importante distinguir o presente caso daquelas situações em que se pretende mudar o período de apuração do saldo negativo, situação, esta sim, caracterizadora de uma efetiva inovação no direito creditório, já que o saldo negativo de um ano não tem nenhuma relação com o saldo negativo de outro ano. Diferentemente é o que ocorre entre uma estimativa e o saldo negativo formado por ela, eis que guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. No caso, a contribuinte apresentou em 24/06/2003 uma DIPJ (original) com apuração de saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 8.602.686,39 (vol. II, efls. 54). E, posteriormente, apresentou uma DIPJ/retificadora (vol. I, efls. 71), onde passou a constar um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 8.604.905,25. Em seu recurso, a contribuinte alega que o valor do crédito reivindicado (e dos débitos compensados) é bem menor do que aquele que ela teria direito; que o crédito ao final do anocalendário de 2002 teve origem justamente nas antecipações mensais por ela efetuadas; que o “Saldo Negativo de IRPJ” foi decorrência direta do “Pagamento a Maior ou Indevido” efetuado por ela; que o Pedido de Compensação foi apresentado após o encerramento do Período de Apuração do imposto recolhido por estimativa (mais especificamente em 13 de fevereiro de 2003); e que ao formalizar o pedido de compensação, ela já havia apurado saldo negativo, de modo que já se sabia que o valor referente à antecipação de 07/2002 era indevido. Essas alegações estão alinhadas com o que se disse nos parágrafos precedentes. Penso que se a Delegacia de origem confirmar a existência e a disponibilidade do alegado saldo negativo de IRPJ em 2002, a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Desse modo, voto no sentido de CONHECER e DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da contribuinte, determinando o retorno dos autos à Unidade (Delegacia) de Origem, para que sejam reexaminadas as declarações de compensação, tratando do crédito na perspectiva de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 940DF CARF MF
score : 1.0
