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Numero do processo: 10650.901214/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante).
COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO.
A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação, e conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem.
CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004.
Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 12 14 /2 01 0- 84 Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 3 2 equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concedese o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindose salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação, e conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concedese o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente do Pedido de Restituição PER nº 41037.96597.050706.1.1.090209 e das Declarações de Compensação – Dcomp nºs 35956.52915.100506.1.3.095409, 00430.22131.010606.1.3.093087, 09464.95026.080606.1.3.09 5219, 34485.55118.280606.1.3.092671, 16144.54218.050706.1.3.095951, 39206.60392.190706.1.3.09 0741, 09968.33314.310706.1.3.096793, 28447.58996.090806.1.3.093918, 00350.65626.161006.1.7.09 7418, 31118.20944.210808.1.7.093330, 41803.46611.010409.1.7.099800, objetivando a compensação dos débitos, nelas declarados, com crédito da Cofins – regime não cumulativo exportação, relativo ao 2º trimestre de 2006, no montante de R$6.743.754,86. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final PISCOFINS NÃO CUMULATIVO – 2º TRIMESTRE 2006, constante das Informações Complementares da Análise do Crédito, parte integrante do presente Despacho Decisório, do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e óleo diesel, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero); duplicidade de aproveitamento de crédito, no momento da aquisição e nos encargos de depreciação; encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água e ENE – Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004; créditos apurados sobre itens importados sem incidência das contribuições, pois foram objeto de exportação temporária; ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 5 4 A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório de fl. 66, por meio do qual foi deferido o crédito no valor de R$6.242.683.23, insuficiente para compensação dos débitos informados pela requerente, razão pela qual foram homologadas parcialmente as de nºs 09464.95026.080606.1.3.095219 e 39206.60392.190706.1.3.090741 e não homologadas as de nºs 09968.33314.310706.1.3.096793, 28447.58996.090806.1.3.09 3918, 00350.65626.161006.1.7.097418. As demais Dcomp foram homologadas. Não houve crédito a ser ressarcido para o PER nº 41037.96597.050706.1.1.090209. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 77 a 107), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS; (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. 10650.901214/201084, 10650.900179/201167, 10650.900186/201117, 10650.900187/201111, 10650.900189/201111 e 10650.900188/201158; e (iv) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0937.521, sessão de 28/10/2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indefere se pedido de juntada de novas provas e, uma vez que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. SERVIÇOS. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. Somente os serviços aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda são considerados insumos e dão direito ao crédito. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. A seguir, após dissertar acerca do conceito de insumos no entendimento daqueles julgadores, mormente consubstanciado nas INs 247/2002 e 404/2004, estabeleceu as rubricas que a contribuinte incorreu em gastos para os quais a Fiscalização glosou os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins, a saber: I Aumento da base de cálculo da Cofins em procedimento de análise de direito creditório III Inclusão dos ingresso decorrente de cessão de crédito do ICMS na base de cálculo para apuração do crédito de Cofins. IV Glosa de créditos quanto a encargos com aquisição de/para: a) GLP e óleo diesel: b) Alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; c) Depreciação de bens do ativo imobilizado, nos seguintes centro de custo: (i) AGU (Abastecimento e Tratamento de Água), “ENE” (Subestação de energia elétrica); (ii) Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos; e Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 7 6 (iii) Bem do ativo imobilizado adquirido antes de 30/04/2004, relacionados nos quadros demonstrativos do item 6.1 do relatório fiscal. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 226/268), no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, explicitando sua atividade extrativa/industrial e a utilização de cada um dos bens ou serviços em seu processo, cujos gastos tiveram créditos das contribuições glosados. Submetido à julgamento em Colegiado desta 3ª Seção, na sessão de 26/06/2013, após conhecer do recurso voluntário decidiuse convertêlo em diligência para elaboração de laudo que demonstrasse a vinculação dos bens e serviços ao processo produtivo, por entende a Turma tratarse de informação essencial para a análise de qualquer pleito de reconhecimento de PIS e de Cofins não cumulativos. Os termos da diligência determinada na resolução nº 3202000.106 (fls. 312/320): Para o deslinde da questão entendo necessária a diligência para se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente. Diante disso, converto o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucintoacerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. A contribuinte elaborou Laudo (fls. 320/396) por meio de seu corpo técnico no qual descreve seu processo produtivo que se materializa no desenvolvimento de atividade de lavra, extração e produção de minérios utilizados na fabricação de produtos da indústria metalúrgica e siderúrgica. O insumo, minério de pirocloro, no qual é encontrado sob a forma do composto óxido de nióbio (Nb2O5), utilizado na produção de nióbio, e de outros produtos derivados, é explorado pela CBMM de seu próprio depósito minerário, e de outro, em forma de concessão, de propriedade da CODEMIG, que juntas otimizam a exploração do minério por intermédio da COMIPA que os vende, exclusivamente, à CBMM. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 8 7 A COMIPA é pois a responsável pela operação de lavra e transporte do minério até as instalações da CBMM. As máquinas e equipamentos necessários à extração são de propriedade da CBMM que os aluga à COMIPA, por disposição contratual. O minério adquirido pela CBMM é submetido a sucessivos processos de separação dos demais minerais até a obtenção do produto final o nióbio. Esse processo de separação consiste em etapas de concentração, sinterização, desfosforação, metalurgia, britagem e embalagem. Em termos de controle contábil, cada uma das etapas do processo de produção do nióbio constituise um centro de custo. Finda a caracterização de seu processo produtivo, a CBMM passa a discorrer sobre as despesas incorridas com as várias rubricas apropriadas na tomada de créditos das Contribuições para Pis/Cofins nãocumulativas. A Unidade de Origem produziu o relatório de diligência em que, objetivamente, analisou as glosas efetuadas na autuação fiscal comparando as despesas incorridas nas rubricas mencionadas relacionandoas ao processo produtivo descrito. Segue a síntese da manifestação da autoridade fiscal quanto aos itens glosados, que permanecem em litígios. GLP/Óleo diesel O GLP foi utilizado pelos fornos, equipamentos da produção. Contudo, a glosa ocorreu por outra razão: insumos adquiridos sem o pagamento da contribuição, conforme Relatório Fiscal. Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Não se trata de alugueis, locação, mas de serviços prestados com máquinas e equipamentos nas obras, conforme afirmam os Laudos nas folhas 18. Tratase de despesas apropriadas na conta do ativo imobilizado: 13210001 Obras, portanto, ativadas, cujo crédito foi apurado em duplicidade. Há fotografias dos equipamentos no Anexo VIII, do Laudo. Depreciação de bens do Ativo Imobilizado Os bens do centro de custo AGU Abastecimento de Água não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais. Os bens do centro de custo ENE Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa essas são suas funções. Eles não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Os bens que constam da tabela do item 9, exceto o de número 17, não se desgastaram ou danificaram na fabricação dos produtos. São necessários para viabilizar as atividades de qualquer Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa. Não foram adquiridos para fabricar os produtos da Contribuinte. Contudo, o Detector de radiação G606/650 é um separador magnético escória/produto, que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito sobre ele deve ser admitido. Quanto aos serviços, que constam da referida tabela do item 9, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admite crédito sobre suas cotas de depreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada à (i) à possibilidade de alteração da base de cálculo de Cofins de ofício; (ii) inclusão na base de cálculo da Cofins dos valores relativos à cessão de crédito de ICMS; (iii) às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição relacionadas às despesas com bens e serviços utilizados pela recorrente nas atividades de lavra, extração e produção de nióbio; e (iv) crédito com encargo de depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Aumento da base de cálculo da Cofins em procedimento de análise de direito creditório Argui a recorrente que a fiscalização não poderia proceder o aumento da base de cálculo da Cofins devida em apuração de créditos da Contribuição. Entende que eventuais ajustes na base de cálculo para exigência de tributo ou cálculo do rateio dos créditos somente poderiam ser feitos por meio de lançamento de oficio e que a interpretação da decisão recorrida ao mencionar o art. 9º, § 4º do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Medida Provisória n° 44/08, é equivocada. O enfrentamento da matéria é despiciendo, pois o aumento suscitado decorreu da inclusão como receita de valores provenientes da cessão de crédito de ICMS, que será analisada em tópico próprio, e goza de decisão definitiva em sede de repercussão geral, com a reprodução obrigatória da decisão do STJ nos julgamentos deste CARF. Desta forma, se não configura receita não há que se falar em aumento da base de cálculo por meio de lançamento de oficio. Cessão onerosa de crédito de ICMS Este mesmo contribuinte teve julgamento desta matéria em Turma do CARF em que se atestou o acúmulo de créditos de ICMS decorrentes de sua condição de exportador, conforme excerto do voto no acórdão nº 3301003.209, prolatado em 21/02/2017, cuja decisão foi o afastamento da exigência por unanimidade: (...) Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 10 9 Percebese, quando da leitura da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 417): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS (...) A inclusão como receita de PIS e de Cofins da cessão onerosa de crédito de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, foi definitivamente afastada pelo STJ no julgamento do RE nº 606.107/RS, na sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do antigo CPC, não sendo mais passível de discussão no CARF, que deverá reproduzir no julgamento, frente ao comando do § 2º do art. 62 da Portaria nº 343/2015 RICARF, redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. Eis a reprodução do julgado no STF, de relatoria da Ministra Rosa Weber, na sessão do Pleno de 22/05/2013: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, trata+se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 11 10 III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 12 11 IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. E o comando do § 2º do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto devese afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS. Glosa de créditos O recurso voluntário apresentado nestes autos, em relação às matérias abordadas na autuação, assemelhase em relação aos demais processos de glosa de créditos de bens e serviços que a fiscalização entendeu não relacionaremse com o processo produtivo da CBMM. Assim, antes de se proceder à análise individualizada de cada item, mister assentar os fundamentos para a utilização do conceito de insumos que irão conduzir este voto. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Neste ponto acolho o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, que fora sintetizado pelo Conselheiro relator ALEXANDRE KERN, no acórdão nº 3402002.663, sessão de 24/02/2015, o qual adoto neste voto e transcrevo: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 13 12 Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 14 13 Particularmente, entendo ainda mais apropriada a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; 2. emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; 3. essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça quais são os produtos finais elaborados com os insumos, ou o principal desses minério de pirocloro/óxido de nióbio , adquiridos da CEMIPA. A resposta se encontra às páginas 09/10 do Laudo (fls. 447/448): (i) ferronióbio, de alta pureza; (ii) óxido de nióbio (Nb2O5) de alta pureza; (iii) óxido de nióbio grau ótico; (iv) liga níquelnióbio (NiNb); e (v) nióbio metálico. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços discriminados no Laudo Técnico. GLP e óleo diesel Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 15 14 As despesas com óleo diesel e GLP foram glosadas pela aquisição dos referidos bens estar submetida à alíquota zero para o PIS e para a Cofins (art. 41, I da MP nº 2.15835/01), conforme vedação do art. 3º, § 2º, II das Leis nºs. 10.837/02 e 10.833/03. A recorrente, por sua vez, entende que o dispositivo não alcança os combustíveis com tributação na sistemática monofásica. Vejamos os dispositivos legais: Medida Provisória nº 2.15835/01 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; E o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° o valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; grifo nosso. [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." [...] A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, inclusive de combustíveis e lubrificantes, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 16 15 Conquanto este relator mantinha o entendimento de que os gastos com GLP e óleo diesel por pessoa jurídica consumidora não lhe conferia o direito ao crédito, uma vez que a aquisição fora tributada de forma concentrada, esta Turma tem decidido de forma contrária, com supedâneo no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, alinhada com recentes decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos nºs. 9303005.908 e 9303 005.623. Assim, tratandose de aquisições de GLP e óleo diesel, combustíveis utilizados no processo produtivo da recorrente, assistelhe razão, sendo possível sua pretensão em manter o crédito sobre tais rubricas. Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos No relatório fiscal justificase a glosa com alugueis de máquinas e equipamentos com o fundamento de que as despesas foram escrituradas em conta de ativo, no momento da aquisição, e também na depreciação. Menciona as Fichas 06A e 16A, Linha 06, do Dacon, como comprovação. A fiscalização não comprovou que os bens alugados foram imobilizados de forma que tenha havido duplicidade de aproveitamento de crédito. Inexistem elementos nos autos que permitam inferir tal assertiva; ao contrário, na tabela apresentada no relatório fiscal há a indicação do equipamento, número de nota fiscal, data, fornecedor e valor correspondente da locação, o que não se confunde com aquisições. Nos Laudos constam informações do bem alugado e o local de sua utilização/aplicação nas atividades da empresa. O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins com aluguel de bem está previsto no art. 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02, reproduzido na Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Conquanto tenha proferido voto no sentido de que a apropriação do crédito não alcança os veículos, esta Turma tem se manifestado que a determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. A premissa legal é que os veículos, além de máquinas e equipamentos, sejam utilizados nas atividades da empresa. No presente caso, a descrição da função ou aplicação dos veículos e equipamentos revela claramente estarem relacionados às atividades produtivas, ou seja, a utilização é na movimentação e transporte de insumos, máquinas, equipamentos e prestação de serviços essenciais ao processo produtivo. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados nas atividades da pessoa jurídica e pagos a pessoa jurídica. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 17 16 Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) A fiscalização entendeu que os bens deste centro de custo relacionados nos Anexo IV não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais, do que decorre a impossibilidade de se apropriar dos créditos com encargos de depreciação. Por sua vez, a contribuinte demonstrou no laudo a existência de vinculação direta da utilidade (água) a etapas do processo de produção de óxidos de nióbio, metalurgia, concentração, calcinação, bem como em, outra oportunidade, na barragem de contenção de rejeitos direitos da produção. Desta forma, faço me valer da idêntica conclusão a que chegou a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara desta mesma Seção do CARF ao analisar esta matéria da mesma contribuinte no acórdão nº 3301003.209, de 21/02/2017, que por unanimidade reverte a glosa dos bens empregados no centro de custo AGU reproduzida: Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na contribuição ao PIS nãocumulativo, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo CC AGU. Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo ENE (Subestação de Energia Elétrica) Consta do relatório de diligência que os bens do centro de custo ENE Subestação de Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa , sendo assim, entende a fiscalização que não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 18 17 Uma vez mais, peço vênia para adotar as conclusões e minhas razões de decidir o voto alhures mencionado no acórdão nº 3301003.209, que se identifica ao do presente processo: Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 657 a 711) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.637/02, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado,adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo ENE (Subestação de energia Elétrica). Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 19 18 Aduz a fiscalização que se trata de bens que não se relacionam ao processo produtivo e estão descritos no subitem 6.2 do Relatório Fiscal e Anexo V do Laudo, conforme indicação da utilização na tabela elaborada: Entende o Fisco, quanto aos serviços relacionados, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admitiu o crédito sobre suas cotas de depreciação. Exceção feita às glosas pela fiscalização, o item 17, "detector de radiação G606/650" separador magnético escória/produto que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito fora admitido. A contribuinte postula a reversão das glosas asseverando que desempenham funções nos processos e nas operações das etapas produtivas. Aparelhos de ar condicionado, incluindo serviço de instalação, monitores de LCD, exclusivamente utilizado em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção ou em equipamento (veículo), tanques para armazenagem de água ou outra substância e motoserras, utilizados em etapa produtiva são essenciais ao processo produtivo devendose estornar as glosas. Quanto aos demais bens da tabela, sua utilização não tem relação de essencialidade às etapas de industrialização do produto destinado a venda, portanto, não autoriza o creditamento, eis que secundários ao processo industrial. É o caso de rádios comunicadores, móveis, utensílios e arcondicionado de salas de operadores, enceradeira industrial. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 20 19 Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 A decisão recorrida manteve a glosa de créditos efetuadas pela fiscalização sobre quotas de depreciação sobre bens adquiridos antes de 30/04/2004, conforme determina o art. 31 da lei nº 10.865/04, que assim dispõe: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Suscita que não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4a Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/ PR, em 26.6.2008. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. Desse modo, não há como afastar a glosa relativa ao aproveitamento de crédito sobre encargos de depreciação referentes às aquisições de bens e serviços do ativo imobilizado, anteriores a 30/04/2004. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para (i) afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS; (ii) conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10650.901214/201084 Acórdão n.º 3201003.571 S3C2T1 Fl. 21 20 1. GLP e óleo diesel utilizados como combustíveis; 2. Despesas com aluguéis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados em atividades da empresas relativas às etapas do processo produtivo, relacionados no Anexo VIII do Laudo; 3. Encargos de depreciação de: a. itens imobilizados que constam do Anexo IV identificados como relacionados aos centos de custos AGU e ENE; b. aparelhos de ar condicionado e monitores de LCD, exclusivamente utilizados em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção da etapa produtiva (Anexo V); c. tanques de líquidos e motoserras, utilizados no processo produtivo (Anexo V); 4. Serviço de instalação de ar condicionado em veículo utilizado em etapa do processo produtivo. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 590DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.723691/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/08/2007, 27/08/2007, 06/09/2007, 21/09/2007, 10/10/2007, 13/11/2007, 28/12/2007, 25/01/2008, 22/02/2008, 17/03/2008, 04/04/2008, 21/05/2008, 28/05/2008, 03/06/2008, 27/08/2008, 22/09/2008, 24/09/2008
RECURSO DE OFÍCIO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. EXCLUSÃO DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE POR SOLIDARIEDADE. ART.34 DO PAF.
1. Excluir a responsabilidade do sujeito passivo solidário equivale, de fato e de direito, a exonerá-lo do pagamento do tributo em sua integralidade, e portanto, configura exoneração sujeita ao recurso de ofício.
2. Sendo o caso de interposição de recurso de ofício e não tendo este sido formalizado, a decisão de primeiro grau deverá ser anulada, para que outra seja prolatada com observância dessa formalidade.
PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS IMPUGNANTES. CIÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OBRIGATORIEDADE.
No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, que tenham impugnado a exigência fiscal, todos deverão ser cientificados da decisão de primeira instância, com abertura de prazo para que todos eles apresentem recurso voluntário ou contrarrazões ao recurso de ofício, conforme o caso.
Decisão de Primeiro Grau Anulada.
Numero da decisão: 3302-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/08/2007, 27/08/2007, 06/09/2007, 21/09/2007, 10/10/2007, 13/11/2007, 28/12/2007, 25/01/2008, 22/02/2008, 17/03/2008, 04/04/2008, 21/05/2008, 28/05/2008, 03/06/2008, 27/08/2008, 22/09/2008, 24/09/2008 RECURSO DE OFÍCIO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. EXCLUSÃO DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE POR SOLIDARIEDADE. ART.34 DO PAF. 1. Excluir a responsabilidade do sujeito passivo solidário equivale, de fato e de direito, a exonerálo do pagamento do tributo em sua integralidade, e portanto, configura exoneração sujeita ao recurso de ofício. 2. Sendo o caso de interposição de recurso de ofício e não tendo este sido formalizado, a decisão de primeiro grau deverá ser anulada, para que outra seja prolatada com observância dessa formalidade. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS IMPUGNANTES. CIÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, que tenham impugnado a exigência fiscal, todos deverão ser cientificados da decisão de primeira instância, com abertura de prazo para que todos eles apresentem recurso voluntário ou contrarrazões ao recurso de ofício, conforme o caso. Decisão de Primeiro Grau Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 36 91 /2 01 2- 50 Fl. 4925DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 8.101.963,38 referentes Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, COFINS – Importação, PIS/PASEP – Importação, Multa Proporcional Qualificada (150%), Juros de Mora – calculados até 31/10/2012 e Multa Equivalente ao Valor Aduaneiro das Mercadorias. Relata a fiscalização, (“Relatório de Fiscalização” fls. 3.618 a 3.802), que a Empresa KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A. registrou diversas declarações de importação (listadas a folhas 3.625) por conta e ordem da Empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 06.114.935/000185), onde declarou a importação de diversas mercadorias estrangeiras voltadas para o mercado da engenharia eletrônica (equipamentos eletrônicos de medição, ferramentas para a indústria eletrônica, acessórios como sensores, antenas e cabos, etc). Tais mercadorias seriam trazidas ao País por interesse da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. (CNPJ 04.219.792/000140), Empresa ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 06.271.069/000136) e Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. (CNPJ 09.205.909/000150). Estas empresas, em conjunto com a Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 04.230.314/000131), segundo a ótica fiscal, compõem de fato um grupo econômicofinanceiro denominado de “GRUPO TOYO”, que, então, utilizava interpostas empresas (Empresa KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A. e Empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA.) para fins de formalização dos respectivos despachos de importação perante a autoridade aduaneira. Registra a fiscalização que as autuações em apreço decorrem de documentos encontrados e retidos por ocasião de diligências realizadas na Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. e na Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. em 12/08/2010. Fl. 4926DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.926 3 Com vistas a sustentar a caracterização do “GRUPO TOYO”, a fiscalização, à folhas 3.631 a 3.683, apresenta os motivos que ratificam a sua conclusão. Em síntese: Que, pesquisas na internete demonstram a coexistência de endereços e unicidade operacional, o que indica o funcionamento das empresas como um corpo único. Cita a localização de orçamentos elaborados pela Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., mas encontrados nas dependências da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA; Que, registros em documentos e correspondências eletrônicas comerciais (emails) comprovam que havia esforço comum para consecução de objetivos, e em especial, a coordenação da atividades das diversas empresas por funcionários da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. que repassavam informações, instruções e ordens às demais empresas. Correspondência eletrônica comercial indica que o sócio da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. solicitava até mesmo extrato de sua empresa ao sócio da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. para fins de formalização contábil; Que, os sistemas de dados das empresas pertencentes ao “GRUPO TOYO” estavam concentrados num mesmo servidor de dados. Correspondências comerciais eletrônicas ratificam a informação, além da própria apreensão do equipamento por ocasião da diligência. Registro de acesso das pessoas que se conectaram ao servidor (objeto de apreensão em diligência) indicam que o mesmo fora acessado tanto pela Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. quanto pela Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA.; Que, as mercadorias objeto de importação eram rateadas entre as empresas pertencentes ao “GRUPO TOYO” seguindo parâmetros prédefinidos, conforme correspondências comerciais eletrônicas encaminhadas por funcionário da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA; Que, houve formalização de transferências de funcionários entre empresas pertencentes ao grupo, movimentação realizada em acordo com as necessidades operacionais e interesses do grupo. Registra a fiscalização que a prática de compartilhamento de mãodeobra pode ser atestada em razão da presença de empregados de outras empresas do grupo, desenvolvendo suas atividades em sede de empresa diligenciada. Diversos empregados registrados em outra empresa do grupo prestaram depoimento perante o Poder Judiciário sobre os fatos ocorridos em referida diligência; Que, o cartão de visitas do Gerente Comercial da Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. tem por endereço o da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., contudo o gerente, à época da diligência (agosto de Fl. 4927DF CARF MF 4 2010) era funcionário da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA.; Que, documentos encontrados, por ocasião da diligência à Empresa PELCO COMERCIAL LTDA., possuíam como destinatário a Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., bem como boletos bancários do sócio daquela empresa possuíam endereço da segunda empresa; Que, documentos digitais encontrados no servidor de dados trazem referência às empresas e pessoas, sócios e funcionários de todas as empresas do “GRUPO TOYO”; Que, pesquisa na internete revelou que a Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. indica endereço que já foi da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. e atual telefone da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. Os sítios eletrônicos das empresas ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. possuem elementos e formatação semelhante, sendo que ambos os sítios encaminham emails para as mesmas pessoas (a depender do assunto) pertencentes a alguma das empresas do “GRUPO TOYO”; Que, noticias de participação da Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. em feiras e eventos revelam que os funcionários que a representam estão registrados em outras empresas do “GRUPO TOYO”; Que, análise dos domínios (serve para localizar e identificar computadores na internete) registrados pelas Empresas ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. revelam que a primeira está vinculada à segunda e ambas possuem como responsável o Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS (CPF 006.576.329 70) sócio da segunda, sendo que, posteriormente (em 19/08/2011), o Sr. MURILO MONCONILL PINHEIRO (CPF 063.451.37880) sócio da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. passou a ser o responsável. Os endereços eletrônicos estão fisicamente localizados em uma mesma empresa de São Paulo (Locaweb Serviços de Internet S/A.), sendo que alguns dos pagamentos foram feitos com cheques emitidos pela Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. ; Que, o “GRUPO TOYO” realizava planejamento estratégico (fl. 3.657), os seus principais representantes desempenhavam atividades estratégicas coordenadas e objetivas. Destaque para a participação do Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET (CPF 007.039.94921), que mesmo sem vínculo formal com as empresas do grupo exerce o controle da mãode obra das empresas do grupo, trata de relacionamento com fornecedor estrangeiro e interfere na área comercial. A fiscalização traz informações extraídas de atas e registros de reuniões com a presença das pessoas que exercem o controle do grupo; Fl. 4928DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.927 5 Que, quanto à movimentação financeira, a fiscalização informa que foram localizados dezenas de documentos nos arquivos da sede da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. que demonstram a ocorrência de pagamentos de despesas da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. e Empresa ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA., bem como de sócios e do Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET. Tais pagamentos teriam sido suportados, indistintamente pelas Empresas PELCO COMERCIAL LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., demonstrando tratarse na verdade de um caixa único (fato reforçado pelo preenchimento de cheques de empresas diversas, mas com a letras da mesma pessoa – fl. 3.663); Que, os Srs. MURILO MONCONILL PINHEIRO (sócio da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA.) e JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET se identificam em chinês como representantes da Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA., o primeiro como engenheiro eletrônico, o segundo como diretor; Que, o Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS e o Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET participam ativamente do processo de compra de mercadorias do exterior, interagindo com exportadores em nome da Empresa ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA., da Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. ou da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA.; Que, o controle de fato, do “GRUPO TOYO”, é exercido em unicidade por Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS e sua esposa, Sra. SILVIA CARINA GERZVOLF , Sr. MURILO MONCONILL PINHEIRO e Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET; Que, a concentração das informações fiscais contábeis das empresas PELCO COMERCIAL LTDA., ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. era realizada por meio de programa específico de computador que registrava no servidor de dados, em local específico (fl. 3.676), as informações relacionadas a cada empresa; Que, informações encontradas no servidor de dados demonstram que os funcionários das empresas, em diversos documentos, embora registrado numa empresa agiam em nome de outra; Segundo explicitado pela fiscalização, as mercadorias eram declaradas com valores subfaturados, o que reduzia a carga tributária incidente sobre as operações de importação. Em face da formalização realizada perante a autoridade aduaneira as empresas do grupo se eximiam do cumprimento de algumas obrigações previstas na legislação tributária e, ainda, “blindavam” o respectivo patrimônio. Entre as provas acostadas aos autos, a fiscalização chama a atenção para aquelas relacionadas à diligência realizada na Fl. 4929DF CARF MF 6 sede da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. e que foram objeto de duas ações, por parte da empresa, perante o Poder Judiciário (Mandado de Segurança n° 5011604 21.2010.404.7000 – concessão em 17/08/2010 e Ação Ordinária n° 501631654.2010.404.7000/PR). O Mandado de Segurança teve extinto o processo sem julgamento do mérito em 03/11/2010, já Ação Ordinária foi objeto de concessão de Antecipação de Tutela em 27/10/2010 (suspendeu o andamento de qualquer procedimento oriundo da apreensão de documentos e computadores por parte do Fisco). Revogada em 29/06/2012 a Tutela Antecipada, o procedimento fiscal teve prosseguimento. À folhas 3.627 a 3.631 a fiscalização traz informações relacionadas à constituição das empresas, sua localização, quadro societário, grau de parentesco entre os sócios e entre estes e sócios de outras empresas que já foram objeto de fiscalização, bem como um breve histórico das ocorrências aduaneiras envolvendo as empresas. Indica que a Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. embora tenha um site na internete ativo e atualizado, perante a Receita Federal do Brasil está inativa (no INPI há registro da marca “ICEL Manaus 1971”). Segundo a fiscalização os pedidos de compras no Exterior são enviados por Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS ou Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET. Destaca que o exportador (e fabricante) indicado nas declarações de importação não são os reais intervenientes da operação, traz o exemplo da declaração de importação n° 07/13851249 (Fatura instrutiva da ELETRADE INTERNATIONAL LIMITED com valores inferiores aos encontrados na respectiva planilha de controle interno que foi retida por ocasião da diligência realizada). Orientações eram repassadas ao fabricantes no Exterior com vistas a não deixar evidenciado o real operador da importação, o real fabricante ou o valor efetivamente transacionado na operação de compra e venda. Neste sentido são citadas correspondências comerciais eletrônicas (fls. 3.696 a 3.698) Com vistas a aparentar um pedido de compra no mercado interno, após o desembaraço aduaneiro são encaminhados pedidos de compra à Empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA. O destaque é que referidos pedidos informam exatamente o valor pelo qual as notas fiscais deveriam ser emitidas pela empresa vendedora. A fiscalização anexou aos autos planilha contendo levantamento do fluxo físico das importações (fls. 1.628 a 1.632) visando uma melhor compreensão dos fatos jurídicos . À folhas 3.700 e 3.701 traz a fundamentação de cada uma das colunas indicadas no documento. O relatório indica que todas as mercadorias importadas foram repassadas, em sua totalidade, para as empresas do “GRUPO TOYO”. Quanto ao fluxo financeiro relacionado às operações de compra (remessa de divisas), diferentemente do que seria o normal, Fl. 4930DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.928 7 foram encontrados documentos que amparam a remessa de valores que, a princípio, deveriam restringirse unicamente à relação exportador/importador, mas que estavam na posse da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. Arquivos eletrônicos demonstram a existência de controle específico. A fiscalização cita ainda exemplo onde os reais fornecedores (UNITREND e SUJUN ELECTRONIC) não foram declarados no despacho aduaneiro, receberam os recursos, todavia o exportador declarado era unicamente uma empresa diversa (ELETRADE INTERNATIONAL LIMITED). Correspondência comercial eletrônica ratifica a existência de remessa de diferença de valores ao real exportador, via escritório em Miami (EUA), que mediante bancos diversos realiza os pagamentos (fl. 3.705). Com vistas a detalhar o “modus operandi” utilizado pelo “GRUPO TOYO” para a prática de ocultação do real exportador, ocultação do real adquirente, modificação das características das mercadorias e, subfaturamento, a fiscalização apresenta exemplos à folhas 3708 a 3.719, bem como indica os documentos instrutivos, os percentuais de subfaturamento, as modificações realizadas, os números de controle/referência interna para a operação de importação, e ainda, os dados dos registros e controles informatizados (planilhas) utilizados pelos envolvidos. Considerando o “modus operandi” e a identificação de planilhas eletrônicas (ORDER SHA (ou HKG) 2007 (ou 2008).xls) de controle dos valores e produtos relativos às ordens de compra do “GRUPO TOYO” (diligência – servidor de dados), e ainda, a localização de outros documentos, a fiscalização afastou a valoração aduaneira declarada em razão da existência de fraude e, aplicou o disposto no artigo 84 do Decreto n° 4.543/02, fazendo a ressalva de que, no caso concreto, foi possível a apuração do preço efetivamente praticado. Assim, com base nos fatos descritos, a fiscalização autuou, além da Empresa KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A. (importador declarado) e da Empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA. (real adquirente declarado), as Empresas PELCO COMERCIAL LTDA., ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. (“GRUPO TOYO” – real adquirente de fato), arrolados como responsáveis solidários. À folhas 3.755 a fiscalização esclarece que, considerando os fatos descritos em seu relatório, a Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. nada mais é do que uma cisão de parte do grupo que criou uma “nova” empresa para as novas operações que se iniciavam pelo uso de operações de importação via empresas KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A. e KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA. (cita então a responsabilidade dos sucessores prevista no Código Tributário Nacional). Fl. 4931DF CARF MF 8 Considerando os fatos e provas acostados aos autos, os sócios e gerentes das empresas do “GRUPO TOYO” foram considerados pessoalmente responsáveis (atos com infração da lei). Também foi atribuída à estas pessoas a solidariedade prevista no Decreto n° 4.543/02, artigo 603, inciso I (concorreram para a prática da infração e dela se beneficiaram); assim, foram adicionados ao pólo passivo das autuações o. Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS, o Sr. MURILO MONCONILL PINHEIRO, a Sra. SILVIA CARINA GERZVOLF e, o Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET, administradores de fato do “GRUPO TOYO”. Foram considerados responsáveis solidários os sócios da empresa não localizada ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA., o Sr. NILTON FERREIRA OLIMPIO (CPF 460.973.50759) e a Sra. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA (CPF 636.190.75700). Em razão da prática de fraudes, simulações e conluios foi aplicada a multa de ofício qualificada (150% sobre o tributo devido). Aduz a fiscalização que as declarações de importação e os correspondentes documentos instrutivos dos despachos, produzidos com o intuito de burlar os controles exercidos pelo Estado, são ideologicamente falsos, notadamente pela falsidade do real exportador, modificação da descrição das mercadorias visando ludibriar as autoridades aduaneiras em sede de conferência física, subfaturamento dos valores declarados e ocultação do real adquirente das mercadorias. Assim, seja em razão da falsidade documental, seja em razão da ocultação, seja em razão da interposição fraudulenta de terceiros, a fiscalização, em razão da não localização das mercadorias aplicou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que seriam objeto de pena de perdimento se as mesmas fossem apresentadas para efetiva retenção. À folhas 3.622 a fiscalização registra que realizou a competente Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificada, a Empresa ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. apresentou impugnação de folhas 3.837 a 3.924, anexando o documento de folhas 3.925. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, seu sócio majoritário, e gestor, Sr. Nilton Ferreira Olímpio faleceu em 22/02/2012; Que, o crédito tributário relacionado às declarações de importação registradas anteriormente à dezembro de 2007 não pode ser exigido em razão da decadência. Cita o artigo 150 do Código Tributário Nacional e aduz ainda que de deve ser aplicado o disposto no DecretoLei n° 37/66 combinado com o Decreto n° 4.543/02 vez que a matéria e trato está relacionada com a “revisão aduaneira”; Que, intimada às partes da Sentença relacionada à Ação Ordinária, a impugnante apresentou Recurso de Apelação (fl. 3.849) em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em Fl. 4932DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.929 9 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo). Portanto, não poderia ter havido a deslacração do computador e a utilização de suas informações para a instrução do presente auto. A União interpôs embargos de declaração, o qual somente foi acolhido em 25/09/2012, logo não poderia ter deslacrado em data anterior; Que, a Receita, em total descumprimento de determinação judicial, procedeu com a deslacração em 14/07/2012 e utilizou, indevidamente, as informações no presente processo, o que causa nulidade absoluta do auto de infração. Se até o presente momento não existe uma firme decisão judicial definitiva em relação à licitude das provas, ou seja, com trânsito em julgado, todas as “provas” aqui utilizadas não se prestam para embasar o presente auto de infração, pois carente de certeza quanto a sua licitude. Traz a teoria dos “Frutos da Árvore Envenenada” contaminação decorrente de prova ilícita originária. Não sendo declarada a nulidade, deve o processo administrativo fiscal ser suspenso até que haja uma decisão judicial em definitivo; Que, inexiste a apontada formação de grupo econômico, tratam se de empresas distintas, com capital e administração próprias. Podese constatar nos contratos sociais que as empresas são situadas em endereços distintos, com estrutura financeira e patrimônio próprios, não havendo a mesma administração e nem ao menos sócios em comum. Nunca houve qualquer fusão, cisão ou incorporação entre as empresas, não há qualquer prova nos autos que uma empresa controle as demais; Que, não basta a comprovação da existência do grupo econômico, a atribuição da responsabilidade depende ainda da constatação de que a impugnante, através de seu sócio gestor, teve participação na situação configuradora do fato gerador. Contudo, os autos confirmam que adquiriu mercadorias no mercado interno; Que, a autoridade apresenta nos autos questões de ordem financeira interna, e de cunho organizacional, que nada se relacionam com o suposto subfaturamento de mercadorias ou dita interposição fraudulenta; Que, é preciso nexo de causalidade entre os atos supostamente cometidos pelas “ditas” sociedades do grupo, inexistindo este, apenas a sociedade infratora pode ser penalizada; Que, inexiste a solidariedade tributária atribuída às pessoas físicas, o Fisco faz confusão de pessoas física e jurídica, aplicando erroneamente a desconsideração da personalidade jurídica. Não há prova concreta do abuso da personalidade jurídica; Que, para que haja solidariedade com supedâneo no artigo 124 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da Fl. 4933DF CARF MF 10 obrigação tributária. O fato gerador praticado pela sociedade não atinge o sócio; Que, os fiscais se baseiam em alguns email’s e documentos apreendidos para chegar a conclusão de que todos os arrolados no pólo passivo são responsáveis tributários, todavia, a prova da responsabilidade deve ser robusta e indene de dúvidas, não pode haver presunção. O preceituado no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária (aplicado após o esgotamento prévio dos bens da pessoa jurídica) e, desde que provado o dolo ou culpa na prática do ilícito. Em tese quem praticou o fato gerador da importação e que cometeu, ao mesmo tempo, infração tributária consubstanciada pelo suposto subfaturamento foi a sociedade; Que, as alegadas constatações da autoridade fiscal se baseiam, unicamente, em meros indícios e presunções, carentes de provas e elementos que dêem robustez e fidúcia. A autuação é nula; Que, não houve o adequado e devido exame de valoração aduaneira das mercadorias em questão, calcando as supostas provas de subfaturamento em meras “planilhas”, obtidas junto ao computador ilegalmente exigido e subtraído de uma das impugnantes. O fato da Invoice WL08011 possuir os mesmo valores da respectiva planilha, não significa que estes sejam os referidos “valores reais da transação”, o que a autoridade realiza por mera presunção. Poderíamos ter um terceiro valor dentro de tais constatações, decorrente da correta valoração aduaneira; Que, mesmo que se entenda que em relação às DI’s n° 08/07883837 e 08/07464893 fosse dispensada a valoração, e que estas seriam supostos “paradigmas”, não se pode deixar de salientar que não há de se admitir o elastecimento ou condenação em cadeia. Necessário o Exame Conclusivo de valor aduaneiro; Que, as relações de compra e venda entre as referidas empresas e a encomendante no exterior das mercadorias, por mais que, eventualmente, tenham deixado de atender a certos requisitos formais, foram realizadas de modo idôneo. A participação do consumidor junto à importadora em relação aos produtos por esta importados, aspectos técnicos, não pode ser considerada interposição fraudulenta. É irrelevante a participação do encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. A participação da impugnante no processo de importação se deu de modo a apenas colaborar com os processo de compra e de negociação pelas importadoras, efetivas adquirentes de tais mercadorias. Não houve ausência de capacidade financeira ou de origem de recursos nos processos de importação; Que, as mercadorias foram integralmente comercializadas, através de sua revenda. Tal hipótese (revenda) só passou a existir com a Lei n° 12.350/10. Também a “falsidade ideológica” somente teve nascimento com o Decreto n° 6.759/09. A lei não pode retroagir; Fl. 4934DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.930 11 Que, é inaplicável o agravamento da multa de ofício, haveria que restar demonstrada a prova inequívoca do “evidente intuito de fraude”, o que não foi o caso dos autos. Há evidente caráter confiscatório; Que, a multa de ofício não poderia ter sido aplicada de forma cumulativa com a multa do valor aduaneiro das mercadorias. Ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma infração; Que, há inconstitucionalidade da inclusão do PIS/COFINS importação realizadas junto ao auto, com fundamento na Lei n° 10.865/04 e Instrução Normativa n° 572/05. Tais autuações são desprovidas da correta e adequada base de cálculo, portanto nulas; Que, não podem ser aplicados os juros calculados à Taxa Selic sobre o crédito tributário, há enriquecimento ilícito da União. Requer que os juros de mora sejam calculados a razão de 1% ao mês, na forma do CTN. Há ilegalidade no regramento da Selic por meio de regulamento editado pelo BACEN; Requer: seja apresentada decisão fundamentada e motivada; analisadas as questões preliminares, se vencidas o mérito julgando improcedente o auto de infração; a decisão seja comunicada aos autuados, advogados e procuradores e; deferida a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal. Cientificado, o Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS apresentou impugnação de folhas 3.926 a 4.004. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o crédito tributário relacionado às declarações de importação registradas anteriormente à dezembro de 2007 não pode ser exigido em razão da decadência. Cita o artigo 150 do Código Tributário Nacional e aduz ainda que de deve ser aplicado o disposto no DecretoLei n° 37/66 combinado com o Decreto n° 4.543/02 vez que a matéria e trato está relacionada com a “revisão aduaneira”; Que, intimada às partes da Sentença relacionada à Ação Ordinária, a impugnante apresentou Recurso de Apelação em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo). Portanto, não poderia ter havido a deslacração do computador e a utilização de suas informações para a instrução do presente auto. A União interpôs embargos de declaração, o qual somente foi acolhido em 25/09/2012, logo não poderia ter deslacrado em data anterior; Que, a Receita, em total descumprimento de determinação judicial, procedeu com a deslacração em 14/07/2012 e utilizou, indevidamente, as informações no presente processo, o que causa nulidade absoluta do auto de infração. Se até o presente momento não existe uma firme decisão judicial definitiva em relação à licitude das provas, ou seja, com trânsito em julgado, todas as “provas” aqui utilizadas não se prestam para embasar Fl. 4935DF CARF MF 12 o presente auto de infração, pois carente de certeza quanto a sua licitude. Traz a teoria dos “Frutos da Árvore Envenenada” – contaminação decorrente de prova ilícita originária. Não sendo declarada a nulidade, deve o processo administrativo fiscal ser suspenso até que haja uma decisão judicial em definitivo; Que, não existe fundamento legal, nem motivação fática para a imposição da responsabilidade atribuída ao impugnante; Que, inexiste a apontada formação de grupo econômico, tratam se de empresas distintas, com capital e administração próprias. Podese constatar nos contratos sociais que as empresas são situadas em endereços distintos, com estrutura financeira e patrimônio próprios, não havendo a mesma administração e nem ao menos sócios em comum. Nunca houve qualquer fusão, cisão ou incorporação entre as empresas, não há qualquer prova nos autos que uma empresa controle as demais; Que, não basta a comprovação da existência do grupo econômico, a atribuição da responsabilidade depende ainda da constatação de que a impugnante, através de seu sócio gestor, teve participação na situação configuradora do fato gerador. Contudo, os autos confirmam que adquiriu mercadorias no mercado interno; Que, a autoridade apresenta nos autos questões de ordem financeira interna, e de cunho organizacional, que nada se relacionam com o suposto subfaturamento de mercadorias ou dita interposição fraudulenta; Que, é preciso nexo de causalidade entre os atos supostamente cometidos pelas “ditas” sociedades do grupo, inexistindo este, apenas a sociedade infratora pode ser penalizada; Que, inexiste a solidariedade tributária atribuída às pessoas físicas, o Fisco faz confusão de pessoas física e jurídica, aplicando erroneamente a desconsideração da personalidade jurídica. Não há prova concreta do abuso da personalidade jurídica; Que, para que haja solidariedade com supedâneo no artigo 124 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária (ausência de interesse comum). O fato gerador praticado pela sociedade não atinge o sócio; Que, o preceituado no artigo 135 do CTN determina que reste provado o dolo na prática do ilícito. A autuações carecem de provas e especificação da conduta que teria sido praticada pelo impugnante; Que, os fiscais se baseiam em alguns email’s e documentos apreendidos para chegar a conclusão de que todos os arrolados no pólo passivo são responsáveis tributários, todavia, a prova da responsabilidade deve ser robusta e indene de dúvidas, não pode haver presunção. O preceituado no artigo 135 do CTN tem Fl. 4936DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.931 13 natureza subsidiária (aplicado após o esgotamento prévio dos bens da pessoa jurídica); Que, as alegadas constatações da autoridade fiscal se baseiam, unicamente, em meros indícios e presunções, carentes de provas e elementos que dêem robustez e fidúcia. A autuação é nula; Que, não houve o adequado e devido exame de valoração aduaneira das mercadorias em questão, calcando as supostas provas de subfaturamento em meras “planilhas”, obtidas junto ao computador ilegalmente exigido e subtraído de uma das impugnantes. O fato da Invoice WL08011 possuir os mesmo valores da respectiva planilha, não significa que estes sejam os referidos “valores reais da transação”, o que a autoridade realiza por mera presunção. Poderíamos ter um terceiro valor dentro de tais constatações, decorrente da correta valoração aduaneira; Que, mesmo que se entenda que em relação às DI’s n° 08/07883837 e 08/07464893 fosse dispensada a valoração, e que estas seriam supostos “paradigmas”, não se pode deixar de salientar que não há de se admitir o elastecimento ou condenação em cadeia. Necessário o Exame Conclusivo de valor aduaneiro; Que, as relações de compra e venda entre as referidas empresas e a encomendante no exterior das mercadorias, por mais que, eventualmente, tenham deixado de atender a certos requisitos formais, foram realizadas de modo idôneo. A participação do consumidor junto à importadora em relação aos produtos por esta importados, aspectos técnicos, não pode ser considerada interposição fraudulenta. É irrelevante a participação do encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. A participação da impugnante no processo de importação se deu de modo a apenas colaborar com os processo de compra e de negociação pelas importadoras, efetivas adquirentes de tais mercadorias. Não houve ausência de capacidade financeira ou de origem de recursos nos processos de importação; Que, as mercadorias foram integralmente comercializadas, através de sua revenda. Tal hipótese (revenda) só passou a existir com a Lei n° 12.350/10. Também a “falsidade ideológica” somente teve nascimento com o Decreto n° 6.759/09. A lei não pode retroagir; Que, é inaplicável o agravamento da multa de ofício, haveria que restar demonstrada a prova inequívoca do “evidente intuito de fraude”, o que não foi o caso dos autos. Há evidente caráter confiscatório; Que, a multa de ofício não poderia ter sido aplicada de forma cumulativa com a multa do valor aduaneiro das mercadorias. Ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma infração; Fl. 4937DF CARF MF 14 Que, há inconstitucionalidade da inclusão do PIS/COFINS importação realizadas junto ao auto, com fundamento na Lei n° 10.865/04 e Instrução Normativa n° 572/05. Tais autuações são desprovidas da correta e adequada base de cálculo, portanto nulas; Que, não podem ser aplicados os juros calculados à Taxa Selic sobre o crédito tributário, há enriquecimento ilícito da União. Requer que os juros de mora sejam calculados a razão de 1% ao mês, na forma do CTN. Há ilegalidade no regramento da Selic por meio de regulamento editado pelo BACEN; Requer: seja apresentada decisão fundamentada e motivada; analisadas as questões preliminares, se vencidas o mérito julgando improcedente o auto de infração com a sua exclusão do pólo passivo; a decisão seja comunicada aos autuados, advogados e procuradores e; deferida a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal. Cientificada, a Sra. SILVIA CARINA GERZVOLF apresentou impugnação de folhas 4.006 a 4.086. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o crédito tributário relacionado às declarações de importação registradas anteriormente à dezembro de 2007 não pode ser exigido em razão da decadência. Cita o artigo 150 do Código Tributário Nacional e aduz ainda que de deve ser aplicado o disposto no DecretoLei n° 37/66 combinado com o Decreto n° 4.543/02 vez que a matéria e trato está relacionada com a “revisão aduaneira”; Que, intimada às partes da Sentença relacionada à Ação Ordinária, a impugnante apresentou Recurso de Apelação em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo). Portanto, não poderia ter havido a deslacração do computador e a utilização de suas informações para a instrução do presente auto. A União interpôs embargos de declaração, o qual somente foi acolhido em 25/09/2012, logo não poderia ter deslacrado em data anterior; Que, a Receita, em total descumprimento de determinação judicial, procedeu com a deslacração em 14/07/2012 e utilizou, indevidamente, as informações no presente processo, o que causa nulidade absoluta do auto de infração. Se até o presente momento não existe uma firme decisão judicial definitiva em relação à licitude das provas, ou seja, com trânsito em julgado, todas as “provas” aqui utilizadas não se prestam para embasar o presente auto de infração, pois carente de certeza quanto a sua licitude. Traz a teoria dos “Frutos da Árvore Envenenada” – contaminação decorrente de prova ilícita originária. Não sendo declarada a nulidade, deve o processo administrativo fiscal ser suspenso até que haja uma decisão judicial em definitivo; Que, não existe fundamento legal, nem motivação fática para a imposição da responsabilidade atribuída à impugnante. Seu nome é citado apenas uma vez no relatório fiscal. Detinha apenas 4% do capital social da empresa autuada, o que lhe retira a amplitude de poderes decisórios que se pretende dar, Fl. 4938DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.932 15 não participou da gestão da empresa nem das operações em trato; Que, inexiste a apontada formação de grupo econômico, tratam se de empresas distintas, com capital e administração próprias. Podese constatar nos contratos sociais que as empresas são situadas em endereços distintos, com estrutura financeira e patrimônio próprios, não havendo a mesma administração e nem ao menos sócios em comum. Nunca houve qualquer fusão, cisão ou incorporação entre as empresas, não há qualquer prova nos autos que uma empresa controle as demais; Que, não basta a comprovação da existência do grupo econômico, a atribuição da responsabilidade depende ainda da constatação de que a impugnante, através de seu sócio gestor, teve participação na situação configuradora do fato gerador. Contudo, os autos confirmam que adquiriu mercadorias no mercado interno; Que, é preciso nexo de causalidade entre os atos supostamente cometidos pelas “ditas” sociedades do grupo, inexistindo este, apenas a sociedade infratora pode ser penalizada; Que, para que haja solidariedade com supedâneo no artigo 124 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária (ausência de interesse comum). O fato gerador praticado pela sociedade não atinge o sócio; Que, o preceituado no artigo 135 do CTN determina que reste provado o dolo na prática do ilícito. A autuações carecem de provas e especificação da conduta que teria sido praticada pelo impugnante; Que, atos de cunho administrativo de rotina interna da empresa, participação em reuniões, ou realização de um pagamento a um fornecedor não pode ser considerado ato suficiente para a inclusão no pólo passivo, todavia, a prova da responsabilidade deve ser robusta, não pode haver presunção. O preceituado no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária (aplicado após o esgotamento prévio dos bens da pessoa jurídica); Que, as alegadas constatações da autoridade fiscal se baseiam, unicamente, em meros indícios e presunções, carentes de provas e elementos que dêem robustez e fidúcia. A autuação é nula; Que, não houve o adequado e devido exame de valoração aduaneira das mercadorias em questão, calcando as supostas provas de subfaturamento em meras “planilhas”, obtidas junto ao computador ilegalmente exigido e subtraído de uma das impugnantes. O fato da Invoice WL08011 possuir os mesmo valores da respectiva planilha, não significa que estes sejam os referidos “valores reais da transação”, o que a autoridade realiza por mera presunção. Poderíamos ter um terceiro valor dentro de tais constatações, decorrente da correta valoração aduaneira; Fl. 4939DF CARF MF 16 Que, mesmo que se entenda que em relação às DI’s n° 08/07883837 e 08/07464893 fosse dispensada a valoração, e que estas seriam supostos “paradigmas”, não se pode deixar de salientar que não há de se admitir o elastecimento ou condenação em cadeia. Necessário o Exame Conclusivo de valor aduaneiro; Que, as relações de compra e venda entre as referidas empresas e a encomendante no exterior das mercadorias, por mais que, eventualmente, tenham deixado de atender a certos requisitos formais, foram realizadas de modo idôneo. A participação do consumidor junto à importadora em relação aos produtos por esta importados, aspectos técnicos, não pode ser considerada interposição fraudulenta. É irrelevante a participação do encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. A participação da impugnante no processo de importação se deu de modo a apenas colaborar com os processo de compra e de negociação pelas importadoras, efetivas adquirentes de tais mercadorias. Não houve ausência de capacidade financeira ou de origem de recursos nos processos de importação; Que, as mercadorias foram integralmente comercializadas, através de sua revenda. Tal hipótese (revenda) só passou a existir com a Lei n° 12.350/10. Também a “falsidade ideológica” somente teve nascimento com o Decreto n° 6.759/09. A lei não pode retroagir; Que, é inaplicável o agravamento da multa de ofício, haveria que restar demonstrada a prova inequívoca do “evidente intuito de fraude”, o que não foi o caso dos autos. Há evidente caráter confiscatório; Que, a multa de ofício não poderia ter sido aplicada de forma cumulativa com a multa do valor aduaneiro das mercadorias. Ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma infração; Que, há inconstitucionalidade da inclusão do PIS/COFINS importação realizadas junto ao auto, com fundamento na Lei n° 10.865/04 e Instrução Normativa n° 572/05. Tais autuações são desprovidas da correta e adequada base de cálculo, portanto nulas; Que, não podem ser aplicados os juros calculados à Taxa Selic sobre o crédito tributário, há enriquecimento ilícito da União. Requer que os juros de mora sejam calculados a razão de 1% ao mês, na forma do CTN. Há ilegalidade no regramento da Selic por meio de regulamento editado pelo BACEN; Requer: seja apresentada decisão fundamentada e motivada; analisadas as questões preliminares, se vencidas o mérito julgando improcedente o auto de infração com a sua exclusão do pólo passivo; a decisão seja comunicada aos autuados, advogados e procuradores e; deferida a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal. Cientificados, o Sr. MURILO MONCONILL PINHEIRO apresentou impugnação de folhas 4.088 a 4.166. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Fl. 4940DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.933 17 Que, o crédito tributário relacionado às declarações de importação registradas anteriormente à dezembro de 2007 não pode ser exigido em razão da decadência. Cita o artigo 150 do Código Tributário Nacional e aduz ainda que de deve ser aplicado o disposto no DecretoLei n° 37/66 combinado com o Decreto n° 4.543/02 vez que a matéria e trato está relacionada com a “revisão aduaneira”; Que, intimada as partes da Sentença relacionada à Ação Ordinária, a Tektoyo apresentou Recurso de Apelação em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo). Portanto, não poderia ter havido a deslacração do computador e a utilização de suas informações para a instrução do presente auto. A União interpôs embargos de declaração, o qual somente foi acolhido em 25/09/2012, logo não poderia ter deslacrado em data anterior; Que, a Receita, em total descumprimento de determinação judicial, procedeu com a deslacração em 14/07/2012 e utilizou, indevidamente, as informações no presente processo, o que causa nulidade absoluta do auto de infração. Se até o presente momento não existe uma firme decisão judicial definitiva em relação à licitude das provas, ou seja, com trânsito em julgado, todas as “provas” aqui utilizadas não se prestam para embasar o presente auto de infração, pois carente de certeza quanto a sua licitude. Traz a teoria dos “Frutos da Árvore Envenenada” – contaminação decorrente de prova ilícita originária. Não sendo declarada a nulidade, deve o processo administrativo fiscal ser suspenso até que haja uma decisão judicial em definitivo; Que, não existe fundamento legal, nem motivação fática para a imposição da responsabilidade atribuída ao impugnante; Que, inexiste a apontada formação de grupo econômico, tratam se de empresas distintas, com capital e administração próprias. Podese constatar nos contratos sociais que as empresas são situadas em endereços distintos, com estrutura financeira e patrimônio próprios, não havendo a mesma administração e nem ao menos sócios em comum. Nunca houve qualquer fusão, cisão ou incorporação entre as empresas, não há qualquer prova nos autos que uma empresa controle as demais; Que, não basta a comprovação da existência do grupo econômico, a atribuição da responsabilidade depende ainda da constatação de que a impugnante, através de seu sócio gestor, teve participação na situação configuradora do fato gerador. Contudo, os autos confirmam que adquiriu mercadorias no mercado interno; Que, é preciso nexo de causalidade entre os atos supostamente cometidos pelas “ditas” sociedades do grupo, inexistindo este, apenas a sociedade infratora pode ser penalizada; Que, para que haja solidariedade com supedâneo no artigo 124 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse Fl. 4941DF CARF MF 18 focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária (ausência de interesse comum). O fato gerador praticado pela sociedade não atinge o sócio; Que, o preceituado no artigo 135 do CTN determina que reste provado o dolo na prática do ilícito. A autuações carecem de provas e especificação da conduta que teria sido praticada pelo impugnante; Que, os fiscais se baseiam em alguns email’s e documentos apreendidos para chegar a conclusão de que todos os arrolados no pólo passivo são responsáveis tributários, todavia, a prova da responsabilidade deve ser robusta e indene de dúvidas, não pode haver presunção. O preceituado no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária (aplicado após o esgotamento prévio dos bens da pessoa jurídica); Que, as alegadas constatações da autoridade fiscal se baseiam, unicamente, em meros indícios e presunções, carentes de provas e elementos que dêem robustez e fidúcia. A autuação é nula; Que, não houve o adequado e devido exame de valoração aduaneira das mercadorias em questão, calcando as supostas provas de subfaturamento em meras “planilhas”, obtidas junto ao computador ilegalmente exigido e subtraído de uma das impugnantes. O fato da Invoice WL08011 possuir os mesmo valores da respectiva planilha, não significa que estes sejam os referidos “valores reais da transação”, o que a autoridade realiza por mera presunção. Poderíamos ter um terceiro valor dentro de tais constatações, decorrente da correta valoração aduaneira; Que, mesmo que se entenda que em relação às DI’s n° 08/07883837 e 08/07464893 fosse dispensada a valoração, e que estas seriam supostos “paradigmas”, não se pode deixar de salientar que não há de se admitir o elastecimento ou condenação em cadeia. Necessário o Exame Conclusivo de valor aduaneiro; Que, as relações de compra e venda entre as referidas empresas e a encomendante no exterior das mercadorias, por mais que, eventualmente, tenham deixado de atender a certos requisitos formais, foram realizadas de modo idôneo. A participação do consumidor junto à importadora em relação aos produtos por esta importados, aspectos técnicos, não pode ser considerada interposição fraudulenta. É irrelevante a participação do encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. A participação da impugnante no processo de importação se deu de modo a apenas colaborar com os processo de compra e de negociação pelas importadoras, efetivas adquirentes de tais mercadorias. Não houve ausência de capacidade financeira ou de origem de recursos nos processos de importação; Que, as mercadorias foram integralmente comercializadas, através de sua revenda. Tal hipótese (revenda) só passou a existir com a Lei n° 12.350/10. Também a “falsidade ideológica” somente teve nascimento com o Decreto n° 6.759/09. A lei não pode retroagir; Fl. 4942DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.934 19 Que, é inaplicável o agravamento da multa de ofício, haveria que restar demonstrada a prova inequívoca do “evidente intuito de fraude”, o que não foi o caso dos autos. Há evidente caráter confiscatório; Que, a multa de ofício não poderia ter sido aplicada de forma cumulativa com a multa do valor aduaneiro das mercadorias. Ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma infração; Que, há inconstitucionalidade da inclusão do PIS/COFINS importação realizadas junto ao auto, com fundamento na Lei n° 10.865/04 e Instrução Normativa n° 572/05. Tais autuações são desprovidas da correta e adequada base de cálculo, portanto nulas; Que, não podem ser aplicados os juros calculados à Taxa Selic sobre o crédito tributário, há enriquecimento ilícito da União. Requer que os juros de mora sejam calculados a razão de 1% ao mês, na forma do CTN. Há ilegalidade no regramento da Selic por meio de regulamento editado pelo BACEN; Requer: seja apresentada decisão fundamentada e motivada; analisadas as questões preliminares, se vencidas o mérito julgando improcedente o auto de infração com a sua exclusão do pólo passivo; a decisão seja comunicada aos autuados, advogados e procuradores e; deferida a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal. Cientificados, o Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET e a Sra. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA apresentaram impugnação conjunta de folhas 4.181 a 4.262. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, o crédito tributário relacionado às declarações de importação registradas anteriormente à dezembro de 2007 não pode ser exigido em razão da decadência. Cita o artigo 150 do Código Tributário Nacional e aduz ainda que de deve ser aplicado o disposto no DecretoLei n° 37/66 combinado com o Decreto n° 4.543/02 vez que a matéria e trato está relacionada com a “revisão aduaneira”; Que, intimada as partes da Sentença relacionada à Ação Ordinária, a Tektoyo apresentou Recurso de Apelação em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo). Portanto, não poderia ter havido a deslacração do computador e a utilização de suas informações para a instrução do presente auto. A União interpôs embargos de declaração, o qual somente foi acolhido em 25/09/2012, logo não poderia ter deslacrado em data anterior; Que, a Receita, em total descumprimento de determinação judicial, procedeu com a deslacração em 14/07/2012 e utilizou, indevidamente, as informações no presente processo, o que causa nulidade absoluta do auto de infração. Se até o presente momento não existe uma firme decisão judicial definitiva em relação à licitude das provas, ou seja, com trânsito em julgado, Fl. 4943DF CARF MF 20 todas as “provas” aqui utilizadas não se prestam para embasar o presente auto de infração, pois carente de certeza quanto a sua licitude. Traz a teoria dos “Frutos da Árvore Envenenada” – contaminação decorrente de prova ilícita originária. Não sendo declarada a nulidade, deve o processo administrativo fiscal ser suspenso até que haja uma decisão judicial em definitivo; Que, não existe fundamento legal, nem motivação fática para a imposição da responsabilidade atribuída aos impugnantes; Que, JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET nunca foi sócio, nem gestor ou administrador de qualquer das empresas arroladas no pólo passivo, e jamais teve qualquer poder neste sentido. Era mero prestador de serviços: comprador e consultor, participava de reuniões comerciais e esporadicamente atuava como tradutor. Nunca foi empregado, gerente ou sócio de nenhuma empresa. Os cartões de visita mencionados no auto serviram apenas para o impugnante ter o devido acesso e se apresentar perante terceiros, porém sem qualquer vinculo de ordem administrativa ou societária com as empresas; Que, quanto à pessoa de JACIRA OLÍMPIA FERREIRA (e por oportuno NILTON FERREIRA OLIMPIO) a autuação não cita qualquer indício ou responsabilidade pessoal ou atos materiais, sendo silente o auto de infração em relação a tal pessoa. A Sra. JACIRA sequer era sócia gerente, sendo mera quotista. O sócio NILTON faleceu, fato que resulta na impossibilidade material e jurídica de sua manutenção no pólo passivo na condição de responsável pessoalmente solidário; Que, para que haja solidariedade com supedâneo no artigo 124 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária (ausência de interesse comum). O fato gerador praticado pela sociedade não atinge o sócio; Que, o preceituado no artigo 135 do CTN determina que reste provado o dolo na prática do ilícito. A autuações carecem de provas e especificação da conduta que teria sido praticada pelo impugnante; Que, os fiscais se baseiam em alguns email’s e documentos apreendidos para chegar a conclusão de que todos os arrolados no pólo passivo são responsáveis tributários, todavia, a prova da responsabilidade deve ser robusta e indene de dúvidas, não pode haver presunção. O preceituado no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária (aplicado após o esgotamento prévio dos bens da pessoa jurídica); Que, inexiste a apontada formação de grupo econômico, tratam se de empresas distintas, com capital e administração próprias. Podese constatar nos contratos sociais que as empresas são situadas em endereços distintos, com estrutura financeira e patrimônio próprios, não havendo a mesma administração e nem ao menos sócios em comum. Nunca houve qualquer fusão, cisão ou incorporação entre as empresas, não há qualquer prova nos autos que uma empresa controle as demais; Fl. 4944DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.935 21 Que, não basta a comprovação da existência do grupo econômico, a atribuição da responsabilidade depende ainda da constatação de que a impugnante, através de seu sócio gestor, teve participação na situação configuradora do fato gerador. Contudo, os autos confirmam que adquiriu mercadorias no mercado interno; Que, é preciso nexo de causalidade entre os atos supostamente cometidos pelas “ditas” sociedades do grupo, inexistindo este, apenas a sociedade infratora pode ser penalizada; Que, as alegadas constatações da autoridade fiscal se baseiam, unicamente, em meros indícios e presunções, carentes de provas e elementos que dêem robustez e fidúcia. A autuação é nula; Que, não houve o adequado e devido exame de valoração aduaneira das mercadorias em questão, calcando as supostas provas de subfaturamento em meras “planilhas”, obtidas junto ao computador ilegalmente exigido e subtraído de uma das impugnantes. O fato da Invoice WL08011 possuir os mesmo valores da respectiva planilha, não significa que estes sejam os referidos “valores reais da transação”, o que a autoridade realiza por mera presunção. Poderíamos ter um terceiro valor dentro de tais constatações, decorrente da correta valoração aduaneira; Que, mesmo que se entenda que em relação às DI’s n° 08/07883837 e 08/07464893 fosse dispensada a valoração, e que estas seriam supostos “paradigmas”, não se pode deixar de salientar que não há de se admitir o elastecimento ou condenação em cadeia. Necessário o Exame Conclusivo de valor aduaneiro; Que, as relações de compra e venda entre as referidas empresas e a encomendante no exterior das mercadorias, por mais que, eventualmente, tenham deixado de atender a certos requisitos formais, foram realizadas de modo idôneo. A participação do consumidor junto à importadora em relação aos produtos por esta importados, aspectos técnicos, não pode ser considerada interposição fraudulenta. É irrelevante a participação do encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. A participação da impugnante no processo de importação se deu de modo a apenas colaborar com os processo de compra e de negociação pelas importadoras, efetivas adquirentes de tais mercadorias. Não houve ausência de capacidade financeira ou de origem de recursos nos processos de importação; Que, as mercadorias foram integralmente comercializadas, através de sua revenda. Tal hipótese (revenda) só passou a existir com a Lei n° 12.350/10. Também a “falsidade ideológica” somente teve nascimento com o Decreto n° 6.759/09. A lei não pode retroagir; Que, é inaplicável o agravamento da multa de ofício, haveria que restar demonstrada a prova inequívoca do “evidente intuito Fl. 4945DF CARF MF 22 de fraude”, o que não foi o caso dos autos. Há evidente caráter confiscatório; Que, a multa de ofício não poderia ter sido aplicada de forma cumulativa com a multa do valor aduaneiro das mercadorias. Ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma infração; Que, há inconstitucionalidade da inclusão do PIS/COFINS importação realizadas junto ao auto, com fundamento na Lei n° 10.865/04 e Instrução Normativa n° 572/05. Tais autuações são desprovidas da correta e adequada base de cálculo, portanto nulas; Que, não podem ser aplicados os juros calculados à Taxa Selic sobre o crédito tributário, há enriquecimento ilícito da União. Requer que os juros de mora sejam calculados a razão de 1% ao mês, na forma do CTN. Há ilegalidade no regramento da Selic por meio de regulamento editado pelo BACEN; Requer: seja apresentada decisão fundamentada e motivada; analisadas as questões preliminares, se vencidas o mérito julgando improcedente o auto de infração com as suas exclusões do pólo passivo; a decisão seja comunicada aos autuados, advogados e procuradores e; deferida a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal. Cientificadas, as Empresas PELCO COMERCIAL LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. apresentaram impugnação conjunta de folhas 4.399 a 4.486. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, o crédito tributário relacionado às declarações de importação registradas anteriormente à dezembro de 2007 não pode ser exigido em razão da decadência. Cita o artigo 150 do Código Tributário Nacional e aduz ainda que de deve ser aplicado o disposto no DecretoLei n° 37/66 combinado com o Decreto n° 4.543/02 vez que a matéria e trato está relacionada com a “revisão aduaneira”; Que, intimada às partes da Sentença relacionada à Ação Ordinária, a impugnante apresentou Recurso de Apelação em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo). Portanto, não poderia ter havido a deslacração do computador e a utilização de suas informações para a instrução do presente auto. A União interpôs embargos de declaração, o qual somente foi acolhido em 25/09/2012, logo não poderia ter deslacrado em data anterior; Que, a Receita, em total descumprimento de determinação judicial, procedeu com a deslacração em 14/07/2012 e utilizou, indevidamente, as informações no presente processo, o que causa nulidade absoluta do auto de infração. Se até o presente momento não existe uma firme decisão judicial definitiva em relação à licitude das provas, ou seja, com trânsito em julgado, todas as “provas” aqui utilizadas não se prestam para embasar o presente auto de infração, pois carente de certeza quanto a sua licitude. Traz a teoria dos “Frutos da Árvore Envenenada” – contaminação decorrente de prova ilícita originária. Não sendo Fl. 4946DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.936 23 declarada a nulidade, deve o processo administrativo fiscal ser suspenso até que haja uma decisão judicial em definitivo; Que, inexiste a apontada formação de grupo econômico, tratam se de empresas distintas, com capital e administração próprias. Podese constatar nos contratos sociais que as empresas são situadas em endereços distintos, com estrutura financeira e patrimônio próprios, não havendo a mesma administração e nem ao menos sócios em comum. Nunca houve qualquer fusão, cisão ou incorporação entre as empresas, não há qualquer prova nos autos que uma empresa controle as demais; Que, não basta a comprovação da existência do grupo econômico, a atribuição da responsabilidade depende ainda da constatação de que a impugnante, através de seu sócio gestor, teve participação na situação configuradora do fato gerador. Contudo, os autos confirmam que adquiriu mercadorias no mercado interno; Que, a autoridade apresenta nos autos questões de ordem financeira interna, e de cunho organizacional, que nada se relacionam com o suposto subfaturamento de mercadorias ou dita interposição fraudulenta; Que, é preciso nexo de causalidade entre os atos supostamente cometidos pelas “ditas” sociedades do grupo, inexistindo este, apenas a sociedade infratora pode ser penalizada; Que, inexiste a solidariedade tributária atribuída às pessoas físicas, o Fisco faz confusão de pessoas física e jurídica, aplicando erroneamente a desconsideração da personalidade jurídica. Não há prova concreta do abuso da personalidade jurídica; Que, para que haja solidariedade com supedâneo no artigo 124 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. O fato gerador praticado pela sociedade não atinge o sócio; Que, os fiscais se baseiam em alguns email’s e documentos apreendidos para chegar a conclusão de que todos os arrolados no pólo passivo são responsáveis tributários, todavia, a prova da responsabilidade deve ser robusta e indene de dúvidas, não pode haver presunção. O preceituado no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária (aplicado após o esgotamento prévio dos bens da pessoa jurídica) e, desde que provado o dolo ou culpa na prática do ilícito. Em tese quem praticou o fato gerador da importação e que cometeu, ao mesmo tempo, infração tributária consubstanciada pelo suposto subfaturamento foi a sociedade; Que, as alegadas constatações da autoridade fiscal se baseiam, unicamente, em meros indícios e presunções, carentes de provas e elementos que dêem robustez e fidúcia. A autuação é nula; Fl. 4947DF CARF MF 24 Que, não houve o adequado e devido exame de valoração aduaneira das mercadorias em questão, calcando as supostas provas de subfaturamento em meras “planilhas”, obtidas junto ao computador ilegalmente exigido e subtraído de uma das impugnantes. O fato da Invoice WL08011 possuir os mesmo valores da respectiva planilha, não significa que estes sejam os referidos “valores reais da transação”, o que a autoridade realiza por mera presunção. Poderíamos ter um terceiro valor dentro de tais constatações, decorrente da correta valoração aduaneira; Que, mesmo que se entenda que em relação às DI’s n° 08/07883837 e 08/07464893 fosse dispensada a valoração, e que estas seriam supostos “paradigmas”, não se pode deixar de salientar que não há de se admitir o elastecimento ou condenação em cadeia. Necessário o Exame Conclusivo de valor aduaneiro; Que, as relações de compra e venda entre as referidas empresas e a encomendante no exterior das mercadorias, por mais que, eventualmente, tenham deixado de atender a certos requisitos formais, foram realizadas de modo idôneo. A participação do consumidor junto à importadora em relação aos produtos por esta importados, aspectos técnicos, não pode ser considerada interposição fraudulenta. É irrelevante a participação do encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. A participação da impugnante no processo de importação se deu de modo a apenas colaborar com os processo de compra e de negociação pelas importadoras, efetivas adquirentes de tais mercadorias. Não houve ausência de capacidade financeira ou de origem de recursos nos processos de importação; Que, as mercadorias foram integralmente comercializadas, através de sua revenda. Tal hipótese (revenda) só passou a existir com a Lei n° 12.350/10. Também a “falsidade ideológica” somente teve nascimento com o Decreto n° 6.759/09. A lei não pode retroagir; Que, é inaplicável o agravamento da multa de ofício, haveria que restar demonstrada a prova inequívoca do “evidente intuito de fraude”, o que não foi o caso dos autos. Há evidente caráter confiscatório; Que, a multa de ofício não poderia ter sido aplicada de forma cumulativa com a multa do valor aduaneiro das mercadorias. Ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma infração; Que, há inconstitucionalidade da inclusão do PIS/COFINS importação realizadas junto ao auto, com fundamento na Lei n° 10.865/04 e Instrução Normativa n° 572/05. Tais autuações são desprovidas da correta e adequada base de cálculo, portanto nulas; Que, não podem ser aplicados os juros calculados à Taxa Selic sobre o crédito tributário, há enriquecimento ilícito da União. Requer que os juros de mora sejam calculados a razão de 1% ao mês, na forma do CTN. Há ilegalidade no regramento da Selic por meio de regulamento editado pelo BACEN; Fl. 4948DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.937 25 Requer: seja apresentada decisão fundamentada e motivada; analisadas as questões preliminares, se vencidas o mérito julgando improcedente o auto de infração; a decisão seja comunicada aos autuados, advogados e procuradores e; deferida a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal. Cientificada, a Empresa KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A. apresentou impugnação de folhas 4.265 a 4.305. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o auto de infração fundase nas informações obtidas através da apreensão de computador da empresa TEKTOYO (realizada de forma ilícita e sem autorização judicial). O feito foi questionado judicialmente e aguarda decisão final (transito em julgado). A ausência de autorização judicial implica na ilicitude da prova e na nulidade de todas as conclusões tomadas a partir dela (teoria dos frutos da árvore envenenada). Se não for declarado nulo, seria prudente o sobrestamento do auto de infração ora impugnado; Que, em razão do disposto no Decreto n° 4.543/02 (e Decreto Lei n° 37/66), parte das declarações de importação não poderiam ser objeto de revisão aduaneira (registradas a mais que cinco anos da data de notificação da autuação), tendo ainda ocorrido a decadência para os fatos geradores ocorridos em data anterior a 04 de dezembro de 2007 (tributos e infrações); Que, a conclusão da autoridade fiscal está lastreada em amostragem inferior a 10% das operações do período fiscalizado – 2 anos (2 declarações de importação registradas em datas próximas). Não se pode presumir que, de acordo com as operações ocorridas em uma semana do mês de maio de 2008, todas as operações de importação realizadas pela Impugnante ao longo de dois anos contam com as mesmas características e foram efetuadas da mesma forma. Não houve individualização, 90% das declarações não foram analisadas no auto de infração. A conclusão da prática de subfaturamento deuse por presunção; Que, a pena de perdimento foi aplicada concomitantemente com o arbitramento da base de cálculo e lançamento suplementar dos tributos aduaneiros (ao final, se realizado o pagamento integral dos tributos, o dano ao Erário desaparecerá e, conseqüentemente, a pena de perdimento perderá seu fundamento legal; Que, houve violação às regras de valoração aduaneira, não houve obediência ao disposto no Instrução Normativa SRF n° 327/03. A Receita Federal não tem competência para arbitrar “preço ou valor de transação” sem que tenha realizado a prévia valoração aduaneira (contraditório antes do exame conclusivo). Vícios encontrados: valor de transação não se baseou em informações fornecidas pelas partes envolvidas nas operações; as regras e métodos substitutivos de apuração do valor aduaneiro foram ignorados e; os preços apurados não levaram em conta as quantidades envolvidas na compra. Há cerceamento do seu direito de defesa; Fl. 4949DF CARF MF 26 Que, o caso descrito na autuação é de aplicação do artigo 33 da Lei n° 11.488/07 e não de aplicação de pena de perdimento, já que a acusação é de que a impugnante cedeu seu nome para a ocultação de terceiros. Ninguém pode ser condenado a “perder”, ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio bem ou direito que nunca o compôs. Não pode haver responsabilização solidária no caso de aplicação da pena de perdimento (cita a Constituição Federal artigo 5º, inciso XLV); Que, o lançamento de PIS e COFINS na importação apresenta erros em sua base de cálculo, há ilegalidade e inconstitucionalidade no dispositivo legal (Lei n° 10.865/04). A Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região emitiu decisão paradigmática e vinculante; Requer, sejam acolhidas as preliminares ou alternativamente seja provida a impugnação em razão dos argumentos ofertados e, sejam os advogados intimados da decisão. Cientificada, a Empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA. apresentou impugnação de folhas 4.320 a 4.361, anexando os documentos de folhas 4.362 a 4.398. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o auto de infração fundase nas informações obtidas através da apreensão de computador da empresa TEKTOYO (realizada de forma ilícita e sem autorização judicial). O feito foi questionado judicialmente e aguarda decisão final (transito em julgado). A ausência de autorização judicial implica na ilicitude da prova e na nulidade de todas as conclusões tomadas a partir dela (teoria dos frutos da árvore envenenada). Se não for declarado nulo, seria prudente o sobrestamento do auto de infração ora impugnado; Que, em razão do disposto no Decreto n° 4.543/02 (e Decreto Lei n° 37/66), parte das declarações de importação não poderiam ser objeto de revisão aduaneira (registradas a mais que cinco anos da data de notificação da autuação), tendo ainda ocorrido a decadência para os fatos geradores ocorridos em data anterior a 04 de dezembro de 2007 (tributos e infrações); Que, a conclusão da autoridade fiscal está lastreada em amostragem inferior a 10% das operações do período fiscalizado – 2 anos (2 declarações de importação registradas em datas próximas). Não se pode presumir que, de acordo com as operações ocorridas em uma semana do mês de maio de 2008, todas as operações de importação realizadas pela Impugnante ao longo de dois anos contam com as mesmas características e foram efetuadas da mesma forma. Não houve individualização, 90% das declarações não foram analisadas no auto de infração. A conclusão da prática de subfaturamento deuse por presunção; Que, a pena de perdimento foi aplicada concomitantemente com o arbitramento da base de cálculo e lançamento suplementar dos tributos aduaneiros (ao final, se realizado o pagamento integral dos tributos, o dano ao Erário desaparecerá e, conseqüentemente, a pena de perdimento perderá seu fundamento legal; Fl. 4950DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.938 27 Que, houve violação às regras de valoração aduaneira, não houve obediência ao disposto no Instrução Normativa SRF n° 327/03. A Receita Federal não tem competência para arbitrar “preço ou valor de transação” sem que tenha realizado a prévia valoração aduaneira (contraditório antes do exame conclusivo). Vícios encontrados: valor de transação não se baseou em informações fornecidas pelas partes envolvidas nas operações; as regras e métodos substitutivos de apuração do valor aduaneiro foram ignorados e; os preços apurados não levaram em conta as quantidades envolvidas na compra. Há cerceamento do seu direito de defesa; Que, o caso descrito na autuação é de aplicação do artigo 33 da Lei n° 11.488/07 e não de aplicação de pena de perdimento, já que a acusação é de que a impugnante cedeu seu nome para a ocultação de terceiros. Ninguém pode ser condenado a “perder”, ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio bem ou direito que nunca o compôs. Não pode haver responsabilização solidária no caso de aplicação da pena de perdimento (cita a Constituição Federal artigo 5º, inciso XLV); Que, o lançamento de PIS e COFINS na importação apresenta erros em sua base de cálculo, há ilegalidade e inconstitucionalidade no dispositivo legal (Lei n° 10.865/04). A Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região emitiu decisão paradigmática e vinculante. Há que se respeitar a ordem judicial emanada nos autos da Ação Declaratória de Inexigibilidade de Crédito Tributário c/ Pedido de Tutela Antecipada n° 2009.72.00.0104423 proposta pela impugnante; Requer, sejam acolhidas as preliminares ou alternativamente seja provida a impugnação em razão dos argumentos ofertados e, sejam os advogados intimados da decisão. Despacho da unidade preparadora à folhas 4.595 encaminha as impugnações indicando o contribuinte e responsáveis solidários, consideradas tempestivas, para julgamento. Contudo, relativamente ao caso do Sr. NILTON FERREIRA OLIMPIO se constata que não houve apresentação de impugnação por parte de seu espólio ou sucessores. O que de fato existe nos autos é a comunicação do seu falecimento em 22/02/2012 (Empresa ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. – fl. 3.838) com a apresentação de cópia da respectiva Certidão de Óbito à folhas 3.925. De acordo com referido documento o falecido é filho da Sra. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA (também considerada responsável solidária nos autos). Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, (i) a impugnação da pessoa jurídica ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. foi julgada parcialmente procedente, para excluir do polo passivo o Sr. NILTON FERREIRA OLIMPIO; (ii) a impugnação da Srª. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA foi julgada procedente, para excluíla do polo passivo da autuação; e (iii) as demais impugnações foram julgadas improcedentes. Os fundamentos da referida decisão encontramse resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Fl. 4951DF CARF MF 28 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/08/2007, 27/08/2007, 06/09/2007, 21/09/2007, 10/10/2007, 13/11/2007, 28/12/2007, 25/01/2008, 22/02/2008, 17/03/2008, 04/04/2008, 21/05/2008, 28/05/2008, 03/06/2008, 27/08/2008, 22/09/2008, 24/09/2008 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/08/2007, 27/08/2007, 06/09/2007, 21/09/2007, 10/10/2007, 13/11/2007, 28/12/2007, 25/01/2008, 22/02/2008, 17/03/2008, 04/04/2008, 21/05/2008, 28/05/2008, 03/06/2008, 27/08/2008, 22/09/2008, 24/09/2008 BASE DE CÁLCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. FRAUDE. ARBITRAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício dos tributos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/08/2007, 27/08/2007, 06/09/2007, 21/09/2007, 10/10/2007, 13/11/2007, 28/12/2007, 25/01/2008, 22/02/2008, 17/03/2008, 04/04/2008, 21/05/2008, 28/05/2008, 03/06/2008, 27/08/2008, 22/09/2008, 24/09/2008 ÓBITO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Atribuída a responsabilidade solidária a pessoa diversa daquela que deveria estar no pólo passivo, e não restando caracterizado o redirecionamento da responsabilidade ao espólio ou sucessores, deve o falecido ser excluído do pólo passivo. Ato administrativo formalizado após o falecimento do responsável solidário. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação Fl. 4952DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.939 29 principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. De outra sorte, não restando comprovado o interesse comum ou o benefício com a prática da infração deve a responsabilidade solidária ser afastada. OBSTÁCULO JUDICIAL. PROCEDIMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. A existência de obstáculo judicial, que impeça a ação das autoridades fiscais para início ou prosseguimento do procedimento fiscal e conseqüente formalização da exigência tributária, impede ou suspende o curso do prazo previsto para a prática do ato administrativo relacionado ao exercício do direito de constituir o crédito tributário relacionado a tributos ou penalidades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os seguintes impugnantes foram cientificados da referida decisão nas datas a seguir especificadas: KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S/A., em 8/9/2014; KOMLOG IMPORTACÃO LTDA., em 7/8/2014; TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. EPP, em 21/8/2014; TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., em 14/8/2014; JOSÉ YOHNNY GROSZ BENADERET, em 22/8/2014; ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. e Srª. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA, em 13/8/2014; e PELCO COMERCIAL LTDA., em 15/10/2014. Não foram localizados, nos autos, os documentos comprobatórios da ciência do acórdão recorrido das seguintes pessoas físicas impugnantes, arroladas no polo passivo como responsáveis solidários: ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS; MURILO MONCONILL PINHEIRO e SILVIA CARINA GERZVOLF. Tempestivamente, apresentaram recurso voluntário as pessoas jurídicas KOMLOG IMPORTACÃO LTDA. (fls. 4621/4722) e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. EPP (fls. 4734/4820) e a pessoa física JOSÉ YOHNNY GROSZ BENADERET (fls. 4821/4902). Nos referidos recursos, os recorrentes repisaram as razões de defesa apresentadas nas respectivas peças impugnatórias. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relatório. Os presentes recursos voluntários não se encontra em condições de ser julgado, por dois motivos: a) não há provas nos autos de que todas as pessoas arroladas no polo passivo da autuação e que apresentaram impugnação foram cientificadas da decisão recorrida; e b) não houve interposição de recurso de ofício contra a decisão que excluiu do polo passivo sujeito passivo arrolado como responsável solidário. Fl. 4953DF CARF MF 30 Da falta de intimação Em relação aos atos praticados no âmbito do processo administrativo fsical, , sabese que, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, conforme expressamente determina o art. 56, § 3º, do Decreto 7.574/2011, que segue transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. [...] Ainda no caso de pluralidade de sujeitos passivos, de modo geral, todos os impugnantes ou manifestantes deverão ser cientificados dos atos decisórios prolatados no processo, com abertura de prazo para cada um deles apresentar defesa, se esta for admitida, sob pena de grave prejuízo contraditório e ao direito de defesa do sujeito passivo. Quanto à necessidade/obrigatoriedade de ciência a todos os sujeitos passivos do resultado do julgamento de primeiro grau, embora não haja previsão expressa no referido Decreto, bem como no Decreto 70.235/1972, a leitura combinada dos arts. 311 e 332 deste último Decreto revela que uma das finalidades precípuas dessa providência é proporcionar ao sujeito passivo impugnante ou manifestante a oportunidade de apresentação perante este Conselho, no prazo de trinta dias, de recurso voluntário contra a decisão que lhe tenha sido desfavorável. Assim, a falta de intimação ou ciência de um ou de alguns dos impugnantes ou manifestantes do resultado do julgamento de primeiro grau, configura grave irregularidade processual, com evidente prejuízo ao contraditório e ao direito de defesa das pessoas impugnantes ou manifestantes não cientificadas, que, uma vez constatada em qualquer fase processual, deve ser prontamente sanada, consoante expressa determinação do art. 60 do Decreto 70.235/1972, que segue transcrito: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 1 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" 2 "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Fl. 4954DF CARF MF Processo nº 15165.723691/201250 Acórdão n.º 3302005.384 S3C3T2 Fl. 4.940 31 No caso em tela, embora tenha apresentado impugnação não há, nos autos, prova da ciência das pessoas físicas ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS; MURILO MONCONILL PINHEIRO e SILVIA CARINA GERZVOLF, arroladas no polo passivo das autuações e que apresentaram impugnação. Dada essa grave irregularidade, a necessidade de saneamento se impõe, segundo exige o art. 60 do Decreto 70.235/1972. Da ausência de interposição de recurso de ofício No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, sempre que a decisão de primeiro grau excluir o sujeito passivo de autuação, cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, a autoridade julgadora competente de primeira instância deverá interpor o recurso de ofídico perante este Conselho, por força do que determina o art. 70, § 3º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1o O recurso será interposto mediante formalização na própria decisão. § 2º Sendo o caso de interposição de recurso de ofício e não tendo este sido formalizado, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. § 3º O disposto no caput aplicase sempre que, na hipótese prevista no § 3º do art. 56, a decisão excluir da lide o sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) No caso em tela, foram excluídos do polo passivo da autuação o Sr. NILTON FERREIRA OLIMPIO (falecido) e Srª. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA e montante do exigido nas presentes autuações superam em muito o limite, no valor de R$ 2.500.000,00, fixado pelo Ministro de Estado da Fazenda no art. 1º da Portaria MF 63/2017, que segue reproduzido: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 4955DF CARF MF 32 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Assim, uma vez configurada a obrigatoriedade de interposição de recurso de ofício e não tendo sido este formalizado na respectiva decisão, por lapso manifesto, esta deve ser anulada, para que outra seja proferida em boa e devida forma, nos termos do art. 273 da Portaria MF 341/2011. Da conclusão Por todo o exposto, votase por declarar a nulidade da decisão de recorrida, para que outra seja proferida em boa e devida forma, para que dela conste a interposição do recurso de ofício, bem como dela sejam cientificados todos os sujeitos passivos arrolados no polo passivo das autuações, especialmente os que apresentaram impugnação, com exceção do falecido Sr. NILTON FERREIRA OLIMPIO, por razão óbvia. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 "Art. 27. O requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo, para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, será rejeitado por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, quando não demonstrar, com precisão, a inexatidão ou o erro." Fl. 4956DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.721646/2012-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
TERMO DE OPÇÃO. INDEFERIMENTO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO.
Deve ser indeferido o pedido de opção pelo SIMPLES NACIONAL, quando a empresa não comprovar no prazo legal a regularização de todas as pendências fiscais que impeçam o seu deferimento.
Numero da decisão: 1001-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 TERMO DE OPÇÃO. INDEFERIMENTO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de opção pelo SIMPLES NACIONAL, quando a empresa não comprovar no prazo legal a regularização de todas as pendências fiscais que impeçam o seu deferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 16 46 /2 01 2- 03 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 18470.721646/201203 Acórdão n.º 1001000.446 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 30) interposto contra o Acórdão nº 12 50.445, proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 24 a 26), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 TERMO DE OPÇÃO. INDEFERIMENTO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de opção pelo SIMPLES NACIONAL, quando a empresa não comprovar no prazo legal a regularização de todas as pendências fiscais que impeçam o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de indeferimento da opção de ingresso no SIMPLES NACIONAL, em virtude de existir débito de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa, conforme descrito no Termo de Indeferimento de fls. 03. O indeferimento considerou a existência dos débitos previdenciários Debcad nº 36.774.4015, 60.389.9676 e 000000002, cujas exigibilidades não estavam suspensas no último dia útil para a realização da opção, o que ocorreu em 31/01/2012. 3. A Impugnante inconformada apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 02, aduzindo, em síntese, que: 3.1. Efetuou o parcelamento dos débitos constantes do termo de indeferimento, na forma da Lei nº 11.941/09, tendo juntado certidão da Previdência Social e consulta de regularidade das contribuições previdenciárias que comprovariam o cumprimento dos requisitos." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 18470.721646/201203 Acórdão n.º 1001000.446 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 6. Compulsando os autos verificouse que a Impugnante juntou CPDEN relativa às contribuições previdenciárias, às fls. 10, e extrato de consulta à regularidade das mesmas contribuições, às fls. 11/12, as quais foram emitidas nos dias 16 e 17/02/2012, respectivamente, o que comprova a regularidade nestas datas, mas não em 31/01/2012, portanto, não serve para comprovar a regularidade no último dia útil para opção, como requer a lei. 7. Em relação aos débitos previdenciários sob Debcad nº 36.774.4015 e 60.389.9676, foram, de fato, incluídos em parcelamento da Lei nº 11.941/09, dentro do prazo para opção, conforme se verificou no sistema informatizado da RFB, porém, em relação ao débito com Debcad nº 000000002, não consta sua inclusão em parcelamento, nem o seu pagamento, até a data de encerramento da opção, 31/01/2012, o que justifica o indeferimento do pedido. 8. Consoante o disposto no artigo 17, V da Lei Complementar nº123/2006 c/c o artigo 7º, § 1ºA, I, da Resolução CGSN nº 04/2007, os argumentos e provas trazidos pela Impugnante não foram capazes de comprovar a regularização dos débitos, dentro do prazo para opção, de forma que a decisão a quo deve ser mantida. Lei Complementar nº123/2006 Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa Resolução CGSN nº 4, de 2007: Fl. 48DF CARF MF Processo nº 18470.721646/201203 Acórdão n.º 1001000.446 S1C0T1 Fl. 5 4 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; 9. Isso posto, resolvo negar provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento da opção de ingresso no SIMPLES NACIONAL. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000973/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
RECEITAS DE CONTRATOS DE TRANSPORTE. SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE AGENCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS À SUBCONTRATAÇÃO.
Inexiste agenciamento nos casos em que a prestadora de serviços de transporte contrata, em seu nome, serviços de transporte de terceiros para cumprir o contrato firmado com o tomador de serviço, configurando-se como faturamento o valor integral do primeiro contrato.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS
Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Breno do Carmo Moreira Vieira, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento parcial para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição da Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin), Ailton Neves da Silva (em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves). Ausentes justificadamente os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE AGENCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS À SUBCONTRATAÇÃO. Inexiste agenciamento nos casos em que a prestadora de serviços de transporte contrata, em seu nome, serviços de transporte de terceiros para cumprir o contrato firmado com o tomador de serviço, configurandose como faturamento o valor integral do primeiro contrato. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Breno do Carmo Moreira Vieira, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento parcial para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 09 73 /2 00 8- 87 Fl. 1089DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição da Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin), Ailton Neves da Silva (em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves). Ausentes justificadamente os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, tomo de empréstimo o relatório elaborado pelo julgador de primeira instância: O litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.002008005799 (ver fl. 06). Conforme relatório fiscal de fls. 773/780, os trabalhos de auditoria foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de 01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007 a 31/07/2007)". Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa jurídica foi a seguinte (ver fl. 24): Após comparar os registros constantes (a) do livro registro de saídas do ICMS e dos conhecimentos de transporte rodoviários de cargas apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil — RFB, a autoridade fazendária concluiu que as divergências examinadas dizem respeito a valores excluídos a título de descontos condicionais e subcontratação de fretes das bases de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774: "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros do ICMS] os descontos condicionais em função da mudança no peso final do transporte de produtos perecíveis e o repasse na subcontratação de fretes". Segundo o agente fiscal, as exclusões ocorreram à revelia da legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das exclusões — que em alguns períodos de apuração atingem valor até dez vezes maior do que a receita declarada —, está demonstrado no quadro de fl. 13. Diante desse cenário, a fiscalização: a) formalizou representação administrativa (ver fls. 01/05), que culminou na exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 13016.000973/200887 Acórdão n.º 1401002.327 S1C4T1 Fl. 1.078 3 de 2004, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 68, de 10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art. 14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária), conforme descrito no Parecer ARF/BGS/RS n° 002, de setembro/2008 (fls.641/642); b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697 (IRPJ), 698/723 (PIS), 724/749 (COFINS) e 750/771 (CSLL), com ciência à contribuinte 26/09/2008. Tendo em vista que a contribuinte não apresentou escrituração contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art. 530, III, do RIR/99, tomandose como base de cálculo a receita bruta conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99. Quanto à diferença de tributos devidos vinculados às receitas declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos vinculados às receitas omitidas foi associada a multa qualificada de 150%. À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa qualificada, a saber: "o contribuinte com a sua conduta impediu/retardou o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador relativo a grande parte de sua receita, conforme demonstrativo de fl. 13, apenas sendo apurado os valores corretos em procedimento de fiscalização(...)". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso) e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817). A manifestação de inconformidade foi originalmente instruída em processo administrativo fiscal autônomo (de n° 13016.001219/200864), que restou apensado aos presentes autos. Ambos os recursos foram protocolizados tempestivamente. As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, protocolizada junto ao processo 13016.001219/200864, em resumo, são as seguintes: a) A contribuinte reclama a nulidade do ato de exclusão, sob o argumento de que não teria ocorrido, em momento anterior, a Fl. 1091DF CARF MF 4 "conclusão do processo administrativo" relativo ao lançamento de oficio dos tributos devidos. b) Defende que a premissa adotada pela fiscalização de que teria ocorrido prática reiterada de infração tributária decorre de mera presunção. c) Subsidiariamente, alega que os efeitos da exclusão somente poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do presente procedimento administrativo tributário". Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão organizados em dois segmento principais: preliminares de nulidade (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber: Quanto às preliminares de nulidade a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de nulidade, dado que "(...) não foram observados os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 na lavratura da presente autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta". (fl. 791) b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792) c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal, tendo em vista que a contribuinte "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264, parágrafo primeiro, do Decreto n° 3.000/99 — RIR assim que constatado o extravio". Ao final, defende que "não prospera o argumento da Autoridade Fiscal para arbitramento a ausência de extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes. Quanto ao mérito a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas no caso concreto. Defende a licitude da exclusão dos valores repassados a terceiros das bases de cálculo tributáveis, sob o argumento de que essas parcelas não configuram receitas próprias. Argumenta que "nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo indispensável para tanto o caráter de definitividade dos valores ingressados". Ademais, afirma que os valores apurados pela fiscalização estão vinculados a levantamentos feitos por amostragem (ver fl. 805). b) Ainda no item 2.2 (fls. 803/804), reclama que a autoridade fazendária não procedeu "aos descontos permitidos pela legislação, quais seja, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente, bem como os valores das subcontratações", quando da apuração do IRPJ devido. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 13016.000973/200887 Acórdão n.º 1401002.327 S1C4T1 Fl. 1.079 5 Ademais, argumenta que "não se mostra aplicável o Adicional de Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas". c) No tópico 2.1.3, nominado "Da Exclusão do SIMPLES", ratifica a inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES, sob a premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que a fiscalização não contemplou os pagamentos realizados na modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício. d) O item 2.3 diz respeito à incidência do PIS e COFINS. De início, ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos. Subsidiariamente, argumenta a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não sejam operacionais. e) Nos itens 2.4 e 2.5 apresenta extensa argumentação contrária à incidência dos juros moratórios e multa de ofício. Nesse particular, requer (ver fls. 816/817), verbis: • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao invés da SELIC, e, determinada a exclusão do cálculo dos valores exigidos no auto de infração a aplicação da taxa SELIC ou correção monetária e juros". • "seja determinada a supressão da penalidade punitiva de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007"; • "seja determinada a supressão da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento), em razão da ausência de comprovação do inequívoco intuito de fraude, nos termos do artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão de primeiro grau (fls. 974981) deu provimento parcial à impugnação nos termos que se seguem. Exclusão do Simples Com base no art. 195 do Decreto nº 3000/99 Regulamento do Imposto de Renda , que reproduz o art. 14 da Lei 9.317/96, considerou ter sido caracterizada a hipótese legal de exclusão do regime favorecido, qual seja, a prática reiterada de infração à legislação Fl. 1093DF CARF MF 6 tributária. No presente feito, o contribuinte ofereceu ilegalmente apenas a diferença de valores dos fretes pagos e os subcontratados. O objeto social da contribuinte é "exploração do ramo de transporte de carga e geral" e age em consonância com tal objeto, isto é, vende serviços de transporte de carga. Também é incontroverso que os serviços são realizados em nome da autuada. Pelos elementos juntados aos autos, em especial, os livros de ICMS, tal prática foi executada repetidas vezes, ao menos, desde janeiro de 2004, marco temporal definido como início para fins de exclusão do regime favorecido. Efeitos da exclusão A autoridade julgadora também não acatou a alegação de que a exclusão só poderia surtir efeitos a partir do julgamento definitivo do processo nº 13016.000973/200887 (neste processo, apensado ao presente feito, consta o ato de exclusão do Simples), pois não está de acordo no a Lei nº 9.317/96. Ademais, informa que o decisão abarca o questionamento do próprio ato de exclusão, além da autuação. Nulidade do auto de infração Refuta a alegação de que o auto de infração seria nulo por não ter cumprido requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72, ao verificar que os argumentos apresentados (como falta de indicação da base de cálculo) não encontra amparo no feito. Arbitramento Também não acatou a contestação relativa ao arbitramento, uma vez que este foi realizado segundo os preceitos legais (art. 530, III, do RIR/99). No caso, a contribuinte não só deixou de apresentar à autoridade fiscal os livros obrigatórios, como limitouse a argumentar que estes teriam se extraviado. Omissão de receitas Manteve o lançamento de omissão de receitas por considerar que inexiste previsão para considerar como receita apenas a diferença entre os valores recebidos a título de frete contratados e aqueles pagos por subcontratação. Pelas provas dos autos, a relação contratual se dava entre a contribuinte e os tomadores de serviços e não entre estes e os prestadores subcontratados. Incorreções da base de cálculo Refutou as alegações de incorreções da base de cálculo, pois o auto de infração foi realizado em consonância com os documentos apresentado pelo próprio contribuinte, como DIPJ e Livro de Apuração do ICMS, onde não constam descontos incondicionais, vendas canceladas, nem impostos não cumulativos cobrados destacadamente. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 13016.000973/200887 Acórdão n.º 1401002.327 S1C4T1 Fl. 1.080 7 PIS e Cofins Deixou de enfrentar alegações de inconstitucionalidade do PIS e da Cofins, por considerar que não possui tal competência. Ademais, rejeitou também a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições por falta de previsão legal. Pagamentos na sistemática do SIMPLES Acatou os pagamentos feitos na sistemática do simples, mas apenas em relação às parcelas atinentes a cada um dos tributos lançados, ou seja, a parcela do IRPJ com o IRPJ e assim, sucessivamente. Multa qualificada Afastou a qualificadora da multa, reduzindoa ao patamar de 75 por considerar que inexistiu o intuito de fraude. Rejeitou a alegação de proibição ao confisco por a considerar de índole constitucional. Juros de mora Também refutou as alegações contra a incidência dos juros moratórios pelo índice SELIC, uma vez que há previsão legal para tal imposição. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 992/1024), em que repisa os seguintes argumentos aduzidos na peça impugnatória: a) não é devida a exclusão do simples nacional, uma vez que a posição da DRJ sobre a questão principal da omissão de receita não é definitiva. Assim, uma vez reformada a decisão, os efeitos devem ser retroativos; b) Defende, com base em doutrina e jurisprudência, que os valores repassados a título de fretes subcontratados não compõem o conceito de receita bruta; c) reitera a alegação de que a autoridade fiscal não deduziu da receita bruta valores previstos na legislação: vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos não cumulativos destacados. Ademais, não deveria se submeter ao adicional do IRPJ por não ter ultrapassado o limite legal; d) Pede a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins; Fl. 1095DF CARF MF 8 e) Aduz a não incidência do PIS e da Cofins sobre receitas financeiras, não operacionais e ganhos de capital; f) Contesta os juros Selic no patamar acima de 1% mensal e a multa por seu caráter confiscatório. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Exclusão do Simples e efeitos da exclusão Não reiterou a alegação de não ter ocorrido a prática reiterada de infrações à legislação tributária. Trouxe apenas o argumento de que a decisão da DRJ não é definitiva e, assim, caso venha a ser reformada, os efeitos devem ser retroativos. De fato, uma vez afastada a exclusão do simples, o auto de infração perece integralmente. No entanto, essa não é a conclusão a que chegamos. Conceito de receita bruta O recorrente aduz que o valor dos fretes repassados a terceiros não compõe o conceito de receita bruta. Para tal, começa a expor que a Constituição Federal está no ápice do ordenamento jurídico. Nela, consta o princípio da legalidade tributária. Ademais, o conceito de receita bruta deve ser aferido segundo uma ótica constitucional. Assim, a receita deve evidenciar capacidade contributiva objetiva. Desse modo, nem todo ingresso de recursos deve ser conceituado como receita, pois não representa capacidade contributiva. Devem, pois, possuir as características da titularidade, disponibilidade e definitividade, o que não ocorreu no presente caso, pois a maior parte dos valores eram repassados a terceiros. Ora, a defesa se esforça retoricamente para descaracterizar os valores pagos a terceiros subcontratados como receita própria da contribuinte. Nada obstante, tal alegação não pode prosperar, uma vez que inexistia relação jurídica estabelecida entre os tomadores de serviço e os transportadoras sub contratados. A defesa nem sequer alega que tal relação existia. Os ingressos na sua contabilidade eram recursos próprios, portanto. Dessa forma, caracterizaramse como receita. Afinal, a contribuinte se obrigava à prestação de serviço e a subcontratação decorria de mera liberalidade sua. Sobre esse tema específico, o CARF inclusive já se posicionou, como bem apontado pela decisão recorrida: Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 13016.000973/200887 Acórdão n.º 1401002.327 S1C4T1 Fl. 1.081 9 RECEITAS DE CONTRATOS DE TRANSPORTE. SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE AGENCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS À SUBCONTRATAÇÃO. Inexiste agenciamento nos casos em que a prestadora de serviços de transporte contrata, em seu nome, serviços de transporte de terceiros para cumprir o contrato firmado com o tomador de serviço, configurandose como faturamento o valor integral do primeiro contrato. (AC 20216490, de 10/08/2005). A omissão de receita está plenamente caracterizada e, dessa forma, a exclusão do Simples deve ser mantida. Do arbitramento Com relação ao arbitramento, reitera as alegações da impugnação de que a autoridade fiscal não promoveu os descontos permitidos na legislação (vendas cancelas, descontos incondicionais e impostos não cumulativos, e as subcontratações). Ademais, não se aplica o adicional de alíquota do IRPJ, pois não excedeu o montante em cada trimestre de R$ 60.000,00. É oportuno destacar que o recurso não tece nenhuma linha acerca dos fundamentos da decisão na parte em que trata desses temas. Abaixo, reproduzo a referida decisão: Igualmente improcedentes as alegações pertinentes a eventuais incorreções nas bases de cálculo apuradas de ofício. O valor da receita bruta foi extraído diretamente dos livros "Registro de Saídas" do ICMS e cotejados com os valores declarados em DIPJ. Se não, vejamos como exemplo o mês de janeiro de 2004: À fl. 83, temos a informação do total de receitas do mês: R$330.453,27. Esse é exatamente o valor transferido para a planilha de fl. 13. Já a receita declarada à RFB (R$29.319,89) está informada na declaração de rendimentos de fl. 27. A diferença entre esses dois valores (R$301.133,38), que configura a parcela de receitas omitidas (ver fl. 13), está devidamente registrada nos correspondentes autos de infração. No caso do lançamento do IRPJ, o valor de R$301.133,38 (receitas omitidas) está registrado à fl. 674, enquanto o valor de R$29.319,89 (receitas declaradas) está informado à fl. 677. Não há registro, nos livros examinados, de "vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente", restando insubsistente a alegação de que tais parcelas não foram deduzidas pela fiscalização. Quanto ao adicional do imposto de renda, vale destacar que os cálculos indicados no auto de infração (ver fls. 682) foram Fl. 1097DF CARF MF 10 realizados em conformidade com o art. 542 do RIR199, que prevê a incidência da alíquota de 10% sobre a base de cálculo que exceder o valor resultante da multiplicação de vente mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração. Como cada período de apuração é trimestral, o valor de referência é R$60.000,00. Assim, para o mês de janeiro de 2004, temos um lucro arbitrado de R$103.467,69 (ver cálculo à fl. 681), resultando em um adicional total de R$4.346,76(R$3.369,78 mais R$976,98, conforme indicado à fl. 682). Esses fundamentos não foram infirmados pela recorrente, a qual, reiteramos, limitouse a aduzir argumentos genéricos da impugnação. A decisão deve, pois, ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins A exclusão do ICMS das bases de cálculo é tema de índole constitucional, em relação ao qual este colegiado não possui competência para apreciar, conforme Súmula Vinculante nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Exclusão da incidência do PIS/Cofins sobre receitas não operacionais A recorrente alega que devem ser excluídas da incidência do PIS e da Cofins as receitas financeiras, não operacionais e os ganhos de capital. Nada obstante, sua alegação não guarda relação com a infração caracterizada no auto de infração e, portanto, deve ser rechaçada. Juros Selic e caráter confiscatório da multa A contestação relativa ao patamar de juros e percentual de multa com base no argumento de ferir o preceito do não confisco também assume índole de controle de constitucionalidade, que é vedado ao julgador administrativo, conforme a Súmula vinculante CARF nº 2 já transcrita. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 13016.000973/200887 Acórdão n.º 1401002.327 S1C4T1 Fl. 1.082 11 Fl. 1099DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909861/2006-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3801003.876, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 61 /2 00 6- 44 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10880.909861/200644 Acórdão n.º 9303006.422 CSRFT3 Fl. 3 2 Data do fato gerador: 30/11/2001 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o tratamento conferido, no acórdão recorrido, às bonificações auferidas pela contribuinte, às quais, ao contrário do entendimento nele adotado, representariam receita tributável pelo PIS/Cofins. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.119 e 3403002.367. O recurso foi admitido mediante Despacho de Exame de Admissibilidade do então Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.418, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.909826/200625, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.418): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. Com efeito, restou decidido, no acórdão recorrido, que as bonificações em mercadorias, ainda que não se qualifiquem como descontos incondicionais, não são receitas tributadas pelo PIS/Cofins em face da gratuidade da operação, equiparandose, assim, a doações. O regime de apuração da contribuinte era o cumulativo. Todavia, em ambos os casos apreciados nos acórdãos paradigmas, os contribuintes foram tributados na sistemática não cumulativa, regime de apuração substancialmente diverso. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10880.909861/200644 Acórdão n.º 9303006.422 CSRFT3 Fl. 4 3 Há, ademais, ainda duas outras divergências, que, a nosso juízo, impedem a admissibilidade dos recurso especial. É que, enquanto as bonificações aqui tratadas foram concedidas em mercadorias, as bonificações de que tratam os paradigmas foram recebidas em pecúnia. Tratase, neste último caso, de dois grandes supermercadistas, que receberam recursos financeiros de seus fornecedores. Vejam: Acórdão nº 3302002.119: De um lado a fiscalização entende que tais descontos não se enquadram na categoria de incondicionais, por não se tratarem de parcelas redutoras de custo e por não cumprirem os requisitos da IN/RFB nº 51/78, ou seja, não estarem destacadas nas notas fiscais de aquisição. Aduz que, na verdade, o que a Recorrente chama de descontos incondicionais na verdade seria uma remuneração cobrada de seus fornecedores pelos serviços de distribuição de mercadorias e propaganda, bem como valores cobrados referentes a aniversários, inauguração, reforma de lojas, fidelização, não devolução de mercadorias defeituosas, bonificações e fundo de desenvolvimento de negócios. Em síntese todos teriam característica condicional. A Recorrente, por sua vez, aduz que todos os descontos obtidos não representam receita ou acréscimo patrimonial uma vez que são de natureza incondicional. Alega não prestar serviços a terceiros de transporte ou publicidade, bem como afirma não poderem ser consideradas como receitas os descontos recebidos por conta de campanhas promocionais, promoções de aniversário e inauguração de lojas por se caracterizarem como reembolso de despesas. (g.n.) Acórdão nº 3403002.367: A glosa efetuada pelo fisco, ensejadora da autuação, deveuse ao fato de a recorrente ter tributado à alíquota zero determinadas receitas (contas: receitas de promoções,..., cf. relatório), e de não ter computado outras receitas (contas: recuperação ordenado repositores, ..., cf. relatório) na base de cálculo das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS). Na sua defesa (tanto na impugnação quanto no Recurso Voluntário) a empresa sustenta em relação a ambas as situações que se tratam de descontos incondicionais (e, ainda que não o fossem, ad argumentandum tantum, seriam meros reembolsos de despesas, e não receitas). (...) Contudo, além de não constarem nas notas fiscais, os descontos a que se refere o presente caso são contraprestacionais, e não incondicionais. E se há contraprestação, há a possibilidade de incumprimento desta (por mais que se afirme na defesa da recorrente que os fornecedores não fiscalizam efetivamente se o produto está em gôndolas de destaque, etc.). (g.n.) Ora, sabese que nos regimes de apuração cumulativo e não cumulativo as bases de cálculo das contribuições sociais são bem diversas, de modo que, enquanto a base de cálculo no primeiro é o faturamento (na acepção mais moderna, as receitas que decorrem da realização das atividades típicas da pessoa jurídica), no segundo regime é a totalidade das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, excetuadas algumas que as próprias leis que o instituíram expressamente excluiu. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10880.909861/200644 Acórdão n.º 9303006.422 CSRFT3 Fl. 5 4 A meu sentir, o recurso especial somente se viabilizaria se, em todos os casos confrontados, o regime de apuração fosse o mesmo e se os contribuintes ou fossem todos os recebedores das bonificações (donatários), ou fossem todos os que promoveram a sua entrega (os doadores), porquanto tais circunstâncias se afiguram, a nosso juízo, fundamentais para o deslinde do litígio. Não sendo o caso, não há como conhecer do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da PFN." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000409/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei 9.430, de 1996 ,autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a demonstração da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR.
Súmula CARF 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Numero da decisão: 2301-005.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso.
João Bellini Júnior presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996 ,autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a demonstração da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. Súmula CARF 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso. João Bellini Júnior presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996 ,autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a demonstração da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. Súmula CARF 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 04 09 /2 00 8- 93 Fl. 265DF CARF MF 2 João Bellini Júnior – presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0425.793, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Campo Grande (fls. 118 a 120 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 84 a 91), é referente ao imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), anocalendário 2006. É exigido crédito tributário de R$802.402,92, dos quais R$399.981,52 correspondem a imposto, R$299.986,14 à multa proporcional de 75% e R$102.435,26 a juros de mora. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de rendimentos identificada através de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: (a) os valores relativos aos depósitos bancários têm origem em sua atividade mercantil, qual seja, a compra e revenda de jóias e bijuterias para terceiros; (b) cabe à autoridade fiscal apurar a base de cálculo do IR para apurar o lucro arbitrado com base na atividade exercida pelo contribuinte e não tributar integralmente o capital como se renda fosse, caracterizando erro na identificação do sujeito passivo, considerando a nãoassociação dos depósitos bancários realizados em sua conta conjunta com seu cônjuge com qualquer atividade da pessoa jurídica – firma individual – por acarretar conseqüências que ultrapassam os limites do lançamento tributário; (c) a fiscalização procedeu à apuração das supostas omissões no decorrer do ano calendário de 2005 tributando ao final de 2005 ao invés de fazêlo mensalmente como manda a lei, gerando nulidade do lançamento; (d) haver erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que a sua atividade implica em equiparação da pessoa física à pessoa jurídica para efeito de tributação, quer se encontre ou não regularmente inscrita junto ao órgão de registro de comércio ou registro civil, devendo a fiscalização, de ofício, promover sua inscrição no CNPJ como pessoa jurídica, para estabelecer a exata sujeição passiva e proceder ao lançamento dos tributos correspondentes. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu a seguinte ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A comprovação da origem dos depósitos bancários deve ser feita pelo sujeito passivo de forma individualizada, não cabendo à Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15563.000409/200893 Acórdão n.º 2301005.249 S2C3T1 Fl. 3 3 autoridade fiscal a comprovação da veracidade de alegações das origens desses depósitos indicadas pelo contribuinte com meras alegações. A ciência dessa decisão ocorreu em 20/09/2011 (Extrato do Processo, fl. 213). Em 18/10/2011, foi apresentado recurso voluntário (fls. 126 a 148), no qual: (a) foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação; (b) foi alegada a nulidade da decisão recorrida, por não ter sido reconhecida a nulidade do auto de infração em face da alegação de haver erro na identificação do sujeito passivo; (c) foi afirmado que a decisão recorrida não poderia subsistir em relação aos depósitos efetuados ao longo do ano calendário de 2005 junto a conta corrente 1.843, por afrontar o inciso II do §3º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996. O pedido consiste no cancelamento do lançamento. Em 09/12/2015, pela Resolução 2301556 (efls. 226 a 242), o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que a fiscalização se pronunciasse a respeito dos documentos (recibos) apresentados pelo Recorrente durante a fase recursal, os quais seriam relativos à venda de joias e, em consequência, a depósitos na contacorrente 28223 do Banco Bradesco. A fiscalização procedeu à intimação de Patrícia Sanches de Oliveira, na cidade de Duque de Caxias/RJ, suposta compradora de joias, mas ela respondeu que desconhecia o documento e declarou que seu nome estava sendo usado indevidamente. A fiscalização também intimou o Recorrente para apresentar outros elementos que justificassem a identificação de outras supostas compradoras, considerando que nos sistemas da Receita Federal constava ou diversos homônimos ou nenhum registro. O Recorrente respondeu que não tinha condições de prestar outras informações, além daquelas constantes dos recibos de pagamento, uma vez que as vendas de mercadorias eram feitas informalmente, porta a porta. O processo retornou a este CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÕES PRELIMINARES Fl. 267DF CARF MF 4 DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA De acordo com o contribuinte, haveria nulidade da decisão recorrida, por não ter sido reconhecida a sua equiparação à pessoa jurídica. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15563.000409/200893 Acórdão n.º 2301005.249 S2C3T1 Fl. 4 5 NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem Fl. 269DF CARF MF 6 despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). Logo, não há nulidade do auto de infração ou da decisão recorrida. A sua equiparação existência ou não é questão de mérito; caso configurada, a solução a ser dada é a procedência da contestação (impugnação ou recurso voluntário) em face de não restar observado o aspecto material do lançamento, restando, nesse caso, ferido o art. 142 do CTN. É provimento distinto da declaração de nulidade do procedimento, que se ampara no retrocitado art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Dessa forma, não se configurou a nulidade suscitada. QUESTÕES DE MÉRITO DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA É alegado que a origem de vários créditos/depósitos em suas contas é justificada; que não há obrigação à escrituração de livro caixa ou contabilidade, destacando que a presunção é relativa e não absoluta; que foram comprovados os depósitos no montante de R$2.283.980,25 e rendimentos de R$565.689,31, valores bem próximos da movimentação financeira verificada. A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15563.000409/200893 Acórdão n.º 2301005.249 S2C3T1 Fl. 5 7 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editadas diversas súmulas a respeito da matéria: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 29 (VINCULANTE): Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para Fl. 271DF CARF MF 8 comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Feitas essas considerações, passo à análise dos argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte. Como visto, não há a necessidade de ser demonstrada o consumo da renda por meio de sinais exteriores de riqueza; e, diferentemente do que afirma o sujeito passivo, há a obrigação, por parte dos contribuintes, da comprovação individualizada dos depósitos com coincidência de datas e valores. Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase omissão de rendimentos os depósitos bancários que não foram justificados com documentação hábil e idônea, e sem coincidência de datas e valores. (Acórdão 2101002.652, Relator(a) Maria Cleci Coti Martins) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Considerase comprovada a origem dos depósitos quando especificado, de forma individualizada, a que título os valores foram creditados e seja estabelecida uma vinculação entre cada crédito e a fonte dos recursos, com coincidência de datas e valores, tudo demonstrado mediante documentação hábil e idônea. (Acórdão 2201002.203, Relator(a) Marcio de Lacerda Martins) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15563.000409/200893 Acórdão n.º 2301005.249 S2C3T1 Fl. 6 9 IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS. CONTRATAÇÃO VERBAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação recursal de que a atividade geradora do rendimento não se baseia em contratos escritos não é o suficiente para comprovar a origem dos depósitos como sendo dessa atividade. A exigência de prova da origem dos recursos decorre de lei e o ônus probatório atribuído ao recorrente também. Como o recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe é imposto, não há razão para excluir os depósitos do lançamento. (Acórdão: 2802003.008, Relator: Jorge Claudio Duarte Cardoso) (Grifouse.) O recorrente refere que a decisão recorrida não poderia subsistir em relação aos depósitos efetuados ao longo do ano calendário de 2005 na conta corrente 1.843, por afrontar o inciso II do §3º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Esse texto legal determina que, para efeito de determinação da receita omitida, não serão considerados, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Porém, o somatório dos depósitos monta a R$1.474.784,44, conforme “termo de verificação” (fls. 84 a 86). Quanto ao aspecto temporal do fato gerador, é alegado que a base de calculo correta é mensal, “como manda a lei”, e não anual, como foi lançado. Porém, o lançamento está em conformidade com a Súmula CARF 38 (vinculante), que transcrevo: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O recorrente assevera que, durante o anocalendário de 2005, procedeu à compra de colares, pulseiras, alianças, brincos e anéis de ouro, mediante a aquisição de cautelas de jóias da Caixa Econômico Federal e pela compra das referidas mercadorias junto a joalheiros, para a sua posterior revenda a terceiros; como forma de operacionalização de seu trabalho, utilizava as contas bancárias fiscalizadas para o recebimento dos pagamentos das jóias pelos terceiros. Refere que depósitos na conta corrente 28.223, mantida junto ao Banco Bradesco S/A, se vinculam a determinados recibos, a seguir indicados, e, por fim, alega sua equiparação à pessoa jurídica. DATA VALOR (R$) RECIBO (fl.) DEPÓSITO (fl.) 25/02/2005 8.450,00 199 68 31/05/2005 10.558,00 201 71 26/07/2005 11.762,00 203 73 25/10/2005 15.490,00 205 75 17/11/2005 6.500,00 207 76 Fl. 273DF CARF MF 10 06/12/2005 10.622,00 209 77 total 63.382,00 Entendo que os recibos apontados são prova insuficiente para demonstrar a origem dos depósitos bancários. E, ademais, ao contrário do que afirma, os depósitos na sua conta bancária não fazem prova da suposta atividade mercantil, a qual não restou provada, mesmo diante do esforço desse colegiado e da fiscalização, já na fase recursal, de tentar localizar os compradores constantes dos recibos emitidos pelo próprio recorrente. Ademais, para equipararse à pessoa jurídica é preciso demonstrar a exploração habitual e profissional de atividade econômica para o que seria necessário mais do que quatro recibos e três notas de compras de pequena quantidade de jóias e seis recibos de venda de jóias em nome do contribuinte, em espaço de um ano (2005). Sublinho que a soma dos valores dos recibos de venda de jóias (R$63.382,00) é ínfimo, diante do montante de depósitos de origem não comprovada, R$1.474.784,44; mesmo tais recibos fossem aceitos para justificar os depósitos bancários, ainda assim seriam insuficientes para caracterizar a alegada equiparação do contribuinte à pessoa jurídica. Não foi juntada aos autos comprovação documental hábil e idônea capaz de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. Considerando que o ônus da prova recai sobre o contribuinte, a presunção de omissão de rendimentos resta mantida. Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 13891.720068/2016-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13891.720068/201639 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.444 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria IRPF: APOSENTADORIA MOLÉSTIA GRAVE Recorrente JOSE CARLOS BISSOLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 00 68 /2 01 6- 39 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2012, anocalendário de 2011, por meio do qual foi constatado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, gerando , assim, um saldo de imposto de renda a recolher de R$8.623,00, atualizado ate abril de 2016. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave, e que é portador da moléstia desde 2010, conforme devidamente comprovado através de laudo médico emitido por serviço médico oficial. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o impugnante não se enquadra nas hipóteses legais previstas para isenção pleiteada (aposentadoria, pensão ou reforma). A infração lavrada deveria subsistir, integralmente, portanto. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação, cita jurisprudência e base legal para corroborar suas alegações. Salienta que a isenção foi concedida para os anos de 2012, 2013, 2014 e 2015. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia Grave O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de rendimento recebido e declarado como isento em função de moléstia grave. Entende a DRJ que o contribuinte não logrou teria direito a isenção por ser caso de Reserva Remunerada. Vejamos: A teor dos dispositivos transcritos, percebese que para fazer jus à isenção do imposto de renda, o contribuinte deve satisfazer, ao mesmo tempo, duas condições: ser portador de moléstia grave, prevista em lei, e receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão (inclusive complementações). Inferese da Descrição dos Fatos, à fl. 20, que a autoridade fiscal já reconheceu que o contribuinte era portador de moléstia grave no anocalendário de 2011, tendo contestado o fato de ele Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13891.720068/201639 Acórdão n.º 2001000.444 S2C0T1 Fl. 3 3 não ser militar reformado, mas, sim, pertencente à reserva remunerada, e, como tal, não faz jus à isenção por ele pretendida. Com todo o respeito à interpretação feita pelo impugnante ao texto do dispositivo legal que trata da isenção em comento, com ela (a interpretação) não se pode concordar. Olvidouse o requerente do art. 111, inciso II, do art. do Código Tribunal Nacional – CTN, segundo o qual “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Ou seja, na espécie, não há que se fazer elucubrações. E nesse ponto agiu acertadamente a autoridade fiscal, haja vista que o militar integrante da reserva remunerada efetivamente não faz jus ao benefício da isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do RIR/1999, em que pesem os reclamos passivos. Desta feita, no anocalendário em discussão, ou seja, 2011, há que se considerar que o contribuinte não satisfazia as condições exigidas para fazer jus à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do Comando da Aeronáutica, porquanto era integrante da reserva remunerada, já que não houve a comprovação de sua transferência para a reforma. Em relação à isenção dos proventos de aposentadoria auferidos por portadores de moléstia grave, a matéria sob análise está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Fl. 60DF CARF MF 4 (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis d controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de uma das moléstias previstas em lei. A título de comprovação de sua isenção, o contribuinte traz aos autos todos os documentos exigidos por lei . Além disso, o contribuinte teve o seu pedido de restituição do IRRF referente a 13 salário, dos últimos 5 anos, deferido pela própria Receita Federal do Brasil. Não obstante, existe diversas decisões administrativas do próprio CARF, firmando decisão no sentido de que o contribuinte da Reserva Remunerada também se enquadra nos casos da referida isenção. A Sumula 63 do CARF, apregoa entendimento exatamente neste sentido, qual seja de que os portadores de moléstia grave, devidamente comprovados de acordo com laudo emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto de renda provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13891.720068/201639 Acórdão n.º 2001000.444 S2C0T1 Fl. 4 5 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na total comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave , nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário considerados os rendimentos como isentos para fins fiscais. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a situação de isenção fiscal do Contribuinte por ser portador de moléstia grave e, por conseqüência, considerar os seus rendimentos como isentos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 62DF CARF MF 6 Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000908/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DOS FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS. MULTA.
Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, o contribuinte que deixa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
CERCEAMENTO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA.
Não há que se cogitar em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, quando o auto de infração observou todos atos e normas previstos na legislação pertinente e o contribuinte foi devidamente cientificado de todos eles, com oportunidade de defesa.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO
Indefere-se o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível.Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
Numero da decisão: 2402-006.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente TUSSOR CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DOS FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS. MULTA. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, o contribuinte que deixa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTÊNCIA. 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Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1232.292, da 11ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 94/104) que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.252.3536, relativo a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória consistente, conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 40), na ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, relativas às competências 01/2006 a 12/2006. Ressaltese que as razões trazidas no recurso voluntário são absolutamente idênticas àquelas que constam da peça impugnatória, inclusive textualmente, razão pela qual transcrevese o relatório da decisão a quo, o qual se mostra suficiente para compreensão do contexto em que o litígio encontrase inserido: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 12897.000908/200900 Acórdão n.º 2402006.161 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Da Autuação: Tratase em e de Auto de Infração(AÍ), DEBCAD n° 37.252.3536, lavrado 25/02/2010, com fulcro no art. 32, II da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 225, II, §§ 13 a 1 j do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. No caso vertente, a empresa acima identificada deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 2. No relatório fiscal do auto de infração e no relatório fiscal da aplicação da multa, temos que: 2.1. Do Relatório do Contas a Pagar: 2.1.1. Neste relatório foram identificados diversos pagamento efetuados a pessoas físicas, valores estes não contabilizados em títulos próprios, o que acarretou a lavratura do presente Auto de Infração, assim como não foram considerados para recolhimento] de quaisquer Contribuição Previdenciária e não foram declarados em GFIP, acarretando a lavratura do AI 37.245.4844 (CFL68). Foi solicitado declaração e documentos referentes a estes lançamentos, o que não foi integralmente atendido, acarretando a lavratura do |AI 37.252.3528 (CFL35); 2.1.2. Aponta a fiscalização para os pagamentos efetuados sob o título] de "Antecipação de Lucros pagos ao Sr. Antônio Ricardo Moraes" (sócio da empresa) tendo em vista a não comprovação da natureza da despesa que eram pagas diversas vezes no mês, sendo que foi observado o pagamento de faturas de cartão de crédito neste título, não havendo contabilização de tais fatos, assim como não foi verificado lucro suficiente para comporta o montante destes pagamentos. Tais pagamentos foram caracterizados como PróLabore. 2.1.3. Da mesma forma o Auditor identificou outros pagamentos que também possuem natureza de remuneração indireta: Mutuo/Empréstimo Antonio Ricardo Espécie; Diversos Reemb. Despesas c/ Representação Antonio Ricardo Depósito; Mutuo/Empréstimo Banco American Express S/A N.doc: 69326 Duplicata; Obra Ricardo Moraes Depósito e Mutuo/Empréstimo Ilhas Gregas Viagens e Turismo Depósito. 2.1.4. "Também não foram apresentados quaisquer documentos/esclarecimentos que elidissem, a imposição de tributação sobre diversos pagamentos realizados à pessoas físicas." Estes pagamentos estão relacionados no Anexo V (Pagamento a Pessoas Físicas extraídos do Contas a Pagar) do processo COMPROT 12897.000828/200946, ao qual este se encontra apensado. Fl. 146DF CARF MF 4 2.1.5. "Tal conduta fica bem caracterizada ao se fazer a relação entre os lançamentos registrados no Contas a Pagar e o lançado na contabilidade no qual se pode constatar que os pagamentos sob o título ficto de "Antecipação de Lucros pagos ao Sr. Antonio Ricardo Moraes" eram lançados na contabilidade na conta Fornecedores (conta 2.1.1.01.5000) sob o histórico de "Aviso de Débito", conforme folhas do Livro Razão (amostragem) em anexo."; 2.2. Ante, portanto, o descumprimento da obrigação acessória acima, a autoridade fiscal, segundo o relatório fiscal da aplicação da multa de fls 39/40 sujeitou à empresa a multa prevista na Lei 8212/91, artigos 92 e 102 e no artigo 283, inciso II, alínea "a" e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, no valor total de R$ 14.107,77 (quatorze mil e cento e sete reais e setenta e sete centavos), valor este atualizado pelo art. 8º inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/2009. 2.3. Não ficou configurada a circunstância agravante, não tendo o infrator incorrido em reincidência, prevista no artigo 290, V, Regulamento da Previdência Social RPS. Da Impugnação 3. Inconformada com o lançamento, que tomou ciência em 03/03/2010, conforme AR de fls. 45/47 e Declaração de Conteúdo de fls. 48/53, a empresa apresentou Impugnação em 31/03/2010 (fls. 56), através do instrumento de fls. 56/66, argumentando, em síntese: 3.1. Que "não pode a autuada admitir a legitimidade do lançamento de débito em tela, visto que a mesma consigna procedimentos eivados de nulidade, por parte da autoridade fiscal, bem como não encarta preceito legal correspondente à sanção aplicável. 3.2. Que inexiste o DOLO ou mesmo CULPA, por parte da Suplicante. Que "A falta de penalidade, por si só, invalida a peça representativa do procedimento administrativo, visto que o mesmo é ato vinculado, regrado com as determinações encontradiças no sistema jurídico pátrio." 3.3. Informa que não há TIPICIDADE no comportamento da Defende ite e que a exigência contributiva está nula uma vez que a mesma se encontra em dissonância com a norma jurídica a respeito do lançamento. Que o caput do art. 142 do CTN, dispõe: "terá de conter a coerência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.'' Entende que o fiscal não atendeu a alguns itens deste elenco, "eivando a cobrança em tela de nulidade insanável.” Fl. 147DF CARF MF Processo nº 12897.000908/200900 Acórdão n.º 2402006.161 S2C4T2 Fl. 4 5 3.4. Que é imprescindível minudenciar a ação fiscal de forma a cumprir a determinação contida no art 5º, inciso LV da CF. Aponta o Princípio da Legalidade, "uma vez que coisa alguma deve ser feita ou deixar de ser feita sem estar devidamente fulcrada em Lei." Que "o agente do Estado, em consonância ao princípio da restritividade, possui a faculdade de fazer apenas o que a norma jurídica o autoriza de modo expresso ... o cidadão comum pode fazer tudo o que não seja proibido e deixar de fazer aquilo que a lei não obriga." 3.5. Que a cobrança em pauta está cheia de vícios, devendo ser anulada a uma vez que a Autuada em momento algum deixou de proceder como devido. Informa que "jamais em tempo algum a Impugnante deixou de obedecer ao regrado na legislação aplicável, tendo lançado mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos " Afirma ainda que. "Não houve pagamentos sem contabilização em título próprio.” 3.6. Solicita a produção de PROVA PERICIAL, de forma que respeitado seu amplo direito de defesa. A DRJ, por meio do Acórdão 1232.292 (fls. 94 / 104), concluiu que o Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo o auditor agido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, julgando, assim, improcedente a impugnação. Cientificado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando, inclusive textualmente, os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Da Preliminar de nulidade: 6. Quanto a alegação de nulidade do lançamento, inicialmente insta ressaltar que não houve violação alguma às leis e normas que regem a matéria nem tampouco ao direito de ampla defesa e do contraditório, eis que todo o lançamento foi feito com a correta descrição da infração e do dispositivo legal pertinente à autuação. Os fatos que caracterizam a infração assim como a aplicação da multa foram detalhados no relatório fiscal do auto] de infração e no relatório fiscal da aplicação da multa assim como nas cópias das folhas do Livro Razão (amostragem) anexo ao presente processo (fls. 41/45). Os dispositivos legais que fundamentam a infração estão claramente discriminados nos relatórios fiscais e na folha de rosto do presente processo. Além disto, os valores apurados estão minuciosamente demonstrados nas diversa planilhas e tabelas constantes do processo, não havendo nenhum cerceamento de defesa ao contribuinte, eis que a descrição dos fatos e a sua correspondência com o dispositivo legal que prevê a infração foi perfeitamente realizada pela autoridade fiscal. 7. O presente Auto de Infração não foi lavrado com o intuito de imputar à Impugnante DOLO ou CULPA, mas sim, por ter sido constatado pela fiscalização que a os Impugnante deixou de cumprir com sua obrigação acessória de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas | as contribuições previdenciárias. Como declarado pela própria Impugnante, o ato administrativo do lançamento é vinculado, nos termos do § I o do artigo 142 do Código Tributário Nacional. 8. Portanto, restando claro que o presente auto de infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, combinado com o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, in verbis: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 12897.000908/200900 Acórdão n.º 2402006.161 S2C4T2 Fl. 5 7 Lei n° 8212/91: "Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). " Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99: "Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. " Do descumprimento de obrigação acessória: 9. Quanto ao mérito da autuação, conforme demonstrado nos autos, a empresa descumpriu a obrigação acessória prevista na legislação previdenciária de contabilizar fatos geradores de contribuição previdenciária em desacordo com a legislação, ou seja, não registrando em títulos próprios de sua contabilidade tais fatos geradores. No caso concreto, verificase que o auditor fiscal informa que: "Tal conduta fica bem caracterizada ao se fazer a relação entre os lançamentos registrados no Contas a Pagar e o lançado na contabilidade no qual se pode constatar que os pagamentos sob o título ficto de "Antecipação de Lucros pagos ao Sr. Antonio Ricardo Moraes" eram lançados na contabilidade na conta Fornecedores (conta 2.1.1.01.5000) sob o histórico de "Aviso de Débito", conforme folhas do Livro Razão (amostragem) em anexo." 10. De fato verificandose o Anexo V, de fls. 78/85, do processo COMPROT 12897.000828/200946 (DEBCAD 37.252.3498), ao qual este processo se encontra apensado, observase, por amostragem, que os valores ali lançados encontramse lançados na contabilidade na conta Fornecedores, conforme cópias de fls. 41/45 do presente processo. 11. Portanto a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, referentes às remunerações pagas a segurados. Logo não houve o registro contábil de forma adequada dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, bem como os valores devidos à Previdência Social. Assim sendo, a autuação em apreço revelase correta, na medida em que a situação fática constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso II, da Lei n° Fl. 150DF CARF MF 8 8.212/91 c/c o artigo 225, inciso II e parágrafo 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social RPS, que dispõem: Lei nº 8.212/91 "Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante l as quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhido." (grifei) Regulamento da Previdência Social Decreto nº 3.048/99 "Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviço, (grifei) (...) Da multa aplicada: 12. No tocante à penalidade aplicada, a autoridade fiscal aplicou a multa corretamente, nos termos do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 30). A autuada por ter incorrido em tal infração à legislação previdenciária sujeitouse ao disposto nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 c/c arts. 283, inciso II, alínea "a" e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS no montante de R$ 14.107,77 (quatorze mil e cento e sete reais e setenta e sete centavos), valor este atualizado pelo art. 8º inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MI 350, de 30/12/2009. Art. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 12897.000908/200900 Acórdão n.º 2402006.161 S2C4T2 Fl. 6 9 "Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não hl aja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme gravidade da infração, a multa variável de CR$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a ÕR$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5o e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento aos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período (grifei) Art. 283, inciso II, "a" e art 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: "Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis n os 8.212 e 8.213, ambos de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposta nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguinte valores:(Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 – DOU DE 22/10/2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade.de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;" (grifei) "Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social” (greifei) Do Mérito: 13. O auditor autuante circunstancia que no Relatório do Contas a Pagar foram identificados diversos pagamento efetuados a pessoas físicas, valores estes não contabilizados em títulos próprios, não considerados para recolhimento de quaisquer Contribuição Previdenciária e não declarados em GFIP. Foi solicitado declaração documentos referentes a estes lançamentos, o que não foi integralmente atendido; Fl. 152DF CARF MF 10 13.1. Aponta a fiscalização, conforme acima já transcrito, para os pagamentos efetuados sob o título de "Antecipação de Lucros pagos ao Sr. Antônio Ricardo Moraes" (sócio da empresa) tendo em vista a não comprovação da natureza da despesa que eram pagas diversas vezes no mês, não sendo verificado lucro suficiente para comportar o montante destes pagamentos. Tais pagamentos foram caracterizados como PróLabore. 13.2. Da mesma forma o Auditor identificou outros pagamentos que também possuem natureza de remuneração indireta: Mutuo/Empréstimo Antonio Ricardo Espécie; Diversos Reemb. Despesas c/ Representação Antonio Ricardo Depósito; Mutuo/Empréstimo Banco American Express S/A N.doc: 69326 Duplicata; Obra Ricardo Moraes Depósito e Mutuo/Empréstimo Ilhas Gregas Viagens e Turismo Depósito. 13.3. "Também não foram apresentados quaisquer documentos/esclarecimentos que elidissem, a imposição de tributação sobre diversos pagamentos realizados à pessoas físicas," Estes pagamentos estão relacionados no Anexo V (Pagamento a Pessoas Físicas extraídos do Contas a Pagar) do processo COMPROT 12897.000828/200946, ao qual este se encontra apensado. 13.4. Especifica o Auditor, no item 7 do Relatório Fiscal: "Tal conduta fica bem caracterizada ao se fazer a relação entre os lançamentos registrados no Contas a Pagar e o lançado na contabilidade no qual se pode constatar que os pagamentos sob o título ficto de "Antecipação de Lucros pagos ao Sr. Antonio Ricardo Moraes " eram lançados na contabilidade na conta Fornecedores (conta 2.1.1.01.5000) sob o histórico de "Aviso de Débito", conforme folhas do Livro Razão (amostragem) em anexo. " Cópias, por amostragem, da conta Fornecedores foram acostadas aos auto pela fiscalização (fls.41/45). 13.5. Insta salientar que todos os elementos verificados pela fiscalização foram minuciosamente demonstrados através das diversos anexos e cópias de documentos acostados aos processos pela fiscalização. 14. Em sua defesa, verificase que a Defendente se resume a negar tal fato ao declarar que "jamais em tempo algum a Impugnante deixou de obedecer ao regrado na legislação aplicável, tendo lançado mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos" Afirma ainda que. "Não houve pagamentos sem contabilização em título próprio" Porém não acosta aos autos qualquer documento para fundamentar sua afirmativa; 14. Observase portanto que a alegação do interessado, de que não houve infração, não está acompanhada de qualquer prova, ônus que lhe compete, por se tratar de negativa de fato infrator alegado pelo agente fiscal (art. 333, I do CPC, art.16, III do Decreto 70.235/72 e art.7°, III da Portaria RFB 10.875/2007). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 12897.000908/200900 Acórdão n.º 2402006.161 S2C4T2 Fl. 7 11 15. Quanto aos fatos geradores apontados pela fiscalização, verificamos que tais fatos foram motivo de Impugnação no processo COMPROT 12897.000828/2009 46 (DEBCAD 37.252.3498), ao qual este processo se encontra apensado. Tal processo foi julgado em 19 de Julho de 2010, através do acórdão 32.286 da 11a Turma da DRJ/RJI, sendo negado provimento à impugnação e mantido o crédito tributário exigido. Do ônus da prova: 16. Inicialmente cumpre ressaltar que a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela Fazenda e pelo impugnante ou recorrente. Daí a necessidade de se comprovarem os fatos deduzidos. As partes não têm o dever ou a obrigação de produzir as provas, tãosó o ônus. Não o atendendo não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova, conforme acima apontado. 16.1. Neste sentido, o art. 36 da Lei n° 9.784/99 determina in verbis: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução (...)". 16.2. Não é diferente o preconizado no art. 16° do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos &e discordância e as razões e provas que possuir;(grifei) 16.3. O ato administrativo tem presunção de legitimidade. Por tal motivo é que HELY LOPES MEIRELLES pontifica: "Os atos administrativos (...) nascem com a presunção de legitimidade (...). A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuidese de arguição de nulidade do ato, por vício formal, ou ideológico, a prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante, e até sua anulação o ato terá plena eficácia."(grifei) Fl. 154DF CARF MF 12 16.4. Assim, como é dever do Auditor Fiscal comprovar a ocorrência do fato gerador ou da infração que deseja imputar ao contribuinte, ao sujeito passivo incumbe comprovar os fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito da Fazenda. Portanto, no caso ora em exame, a impugnante não trouxe aos autos elementos capazes de alterar o procedimento fiscal, assumindo assim o ônus probatório pela "sua inércia. É indiscutível que a presunção de legitimidade do ato administrativo não tem o condão de inverter o ônus probatório, mas não se pode aceitar que a simples negativa geral do sujeito passivo relativamente ao fato constitutivo do lançamento tributário possa debilitar o procedimento fiscal. (grifei) Do pedido de perícia Indeferimento: 17. Não cabe deferir a perícia solicitada, uma vez que o crédito encontrase devidamente demonstrado nos Relatórios e anexos que compõem o Auto de Infração a Impugnante não anexou à Impugnação qualquer elemento de prova de suas alegações, nos termos do artigo 16, III, assim como tal requerimento foi formulado de modo genérico, não específico, ausentes os requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto; n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) 17.1. Logo, tal perícia é totalmente prescindível e protelatória, razão pela qual indefiro o pedido, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/75, que dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio oi| a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n" 8.748, de 1993) (grifei) Conclusão: 18. Diante do exposto, concluise que o presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo o auditor agido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, motivo pelo qual nego provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 12897.000908/200900 Acórdão n.º 2402006.161 S2C4T2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por CONHECER do recurso para afastar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de realização de perícia e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907068/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O não enfrentamento das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente.
Numero da decisão: 3201-003.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente ABB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O não enfrentamento das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com fundamento na Lei 9.779, de 1999. A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 70 68 /2 01 1- 58 Fl. 656DF CARF MF 2 unidade de origem reconheceu em parte o crédito vindicado, utilizado na compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento relativo ao 1º trimestre de 2010, nos termos da Lei nº 9779/99, cujo Despacho Decisório de fl. 518, reconheceu, parcialmente, o crédito solicitado no PER/DCOMP n° 10687.83349.200410.1.1.010629, em virtude de trabalho fiscal. Segundo as informações fiscais, o contribuinte deu saída de produtos de sua fabricação sem destaque do IPI, deixou de estornar créditos de IPI nas saídas de insumos a empresas não industriais e revendedoras, não destacou o IPI nas saídas de insumos a estabelecimentos industriais e revendedoras. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 12/11/2013, e irresignado apresentou sua Manifestação de Inconformidade deduzindo em sua defesa, o seguinte: 1. Superficialidade da instrução probatória com ferimento da Verdade Material e cerceamento ao direito de defesa da Requerente, o que acarreta nulidade do Despacho Decisório; 2. No mérito, que o direito creditório pleiteado está regular; 3. E que não incide o IPI, nas vendas de partes e peças utilizadas em reparos ou prestação de serviço; 4. Ilegalidade do método utilizado pela fiscalização para fazer o estorno dos créditos da requerente; O processo foi baixado para diligência em 27 de agosto de 2014, conforme Resolução de fls. , que solicitou esclarecimento sobre o seguinte: Nesse sentido, a fim de que sejam cumpridas as providências indispensáveis, voto, com fulcro no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, para que o processo seja restituído à unidade de origem para a realização de diligência, que deverá confirmar, para cada produto e nota fiscal constante do Demonstrativo (1.2) – Revenda de Insumos (nac e estrangeira) Efetuadas a Empresas Industriais e Revendedoras – se tais insumos foram utilizados em alguma etapa de “industrialização” ou “revenda” no adquirente. A diligência retornou a esta DRJ com a informação de que a impugnação ao Auto de Infração de imposição de penalidade e que trata da mesma matéria e períodos de apuração foi julgada improcedente em 28/02/2014, conforme Acórdão 0950.187 3ª Turma da DRJ/JFA, tendo efetuado o recolhimento do débito, processo 16095.720185/201323. É o Relatório. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10882.907068/201158 Acórdão n.º 3201003.734 S3C2T1 Fl. 657 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1456.809, de 25/02/2015 (fls. 535 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. SAÍDAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E REVENDA DE INSUMOS. As saídas de produção própria bem como a revenda de insumos para industrialização ou nova revenda são passíveis de tributação pelo Imposto sobre Produtos Industrializados nos termos dos artigos 8º, 9º §4º e 24 do RIPI/2002. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 556 e ss., por meio do qual, além de requerer, por identidade de matéria, julgamento conjunto com outros processos idênticos, suscita, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Nulidade da decisão da DRJ A DRJ copiou os fundamentos da decisão prolatada no processo administrativo de nº 16095.720185/201323, que consubstanciou auto de infração contra o mesmo contribuinte. Todavia, as defesas apresentadas no presente processo e no citado são bem diversas, inclusive foram elaboradas por patronos distintos. Os débitos referentes ao processo nº 16095.720185/201323 foram quitados, porque perdeuse o prazo para a interposição do recurso, mas isso em nada se relaciona com a materialidade dos fatos jurídicotributários que são objeto destes autos. Deveria ter a DRJ enfrentado todos os argumentos. Houve cerceamento do direito de defesa. Nulidade do Despacho Decisório O Despacho Decisório é nulo, em face da superficialidade das informações necessárias para a sua adequada decisão, o que fere o princípio da verdade material. O não reconhecimento de parte dos créditos devese à apuração de débitos em valor superior aos por ela apurados e à glosa de créditos referentes a estornos não realizados. Todavia, analisado o documento intitulado "Análise do Crédito", verificase uma completa superficialidade das alegações da fiscalização. Não houve explicação individualizada dos itens que o compõem. A fiscalização não se atentou para diversas situações em que não ocorre o fato gerador do IPI: a) saídas de insumos para utilização em conserto, manutenção ou reparo; b) revenda de insumos a não industriais ou a não revendedores. MÉRITO A fiscalização afirma que se deu saída, sem o destaque do IPI, de produtos de fabricação própria e de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) nacionais e importados a pessoas jurídicas revendedoras ou industriais. Não se atentou, contudo, que muitos desses produtos foram utilizados como insumos na manutenção e reparo, de modo que não poderiam ter sido tributados pelo IPI. Não é qualquer saída que autoriza a cobrança do imposto, mas aquela a que se realiza com a intenção de venda. Fl. 658DF CARF MF 4 No caso em que utilizou os insumos ou produtos industrializados na prestação de serviços de conserto, manutenção ou reparo, nunca teve a intenção de vendêlos, mas apenas de prestar o serviço (reproduz o art. 5º, XI, do RIPI/2010, e cita os Acórdãos nº 3202002.236 e 20215.523). A fiscalização não comprovou que as pessoas jurídicas compradoras dos insumos vendidos seriam revendedores ou industriais, o que, por si só, já é motivo de nulidade do Despacho Decisório. A fiscalização não separou as pessoas jurídicas adquirentes que são revendedores ou industriais das que não seriam (cita alguns exemplos de adquirentes de insumos que nunca revenderam ou os utilizaram nos seus processos industriais). Cita, por exemplo, a nota fiscal de nº 60004, que se refere a uma chave seccionadora 145 KV 2000A, que, obviamente, não foi utilizada no processo industrial da adquirente (produção de açúcar). A fiscalização utilizouse da mesma mercadoria para imputar duas infrações (cita a nota fiscal de nº 58535, que se refere a uma chave comutadora PS15120M, que se teria considerado como revenda de mercadoria a revendedores ou industriais e, ao mesmo tempo, como revenda de mercadoria a NÃO revendedores ou industriais). A fiscalização afirma que não foram estornados créditos quando da revenda de mercadorias a não revendedores e industriais, fato que foi levantado a partir da análise das notas fiscais de entrada e saída. Todavia, poderia ter solicitado documentos contábeis, como Livros Razão e de Apuração do IPI. A fiscalização afirmou que considerou para o estorno o valor do crédito destacado na nota fiscal de entrada mais próxima da nota fiscal de saída, ou das notas fiscais mais próxima, considerando a quantidade vendida. Não foram questionados critérios de contabilização de custos. Agiuse com verdadeira presunção. Deverseia ter ao menos adotado o critério de controle de estoques adotado pela empresa, que é da média ponderada, tal como declarado na DIPJ. O arbitramento do valor dos estoques é medida extrema (cita Acórdão nº 10707.694). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente requer, inicialmente, o julgamento conjunto deste processos com outros idênticos, entre os quais o de nº 10882.907069/201101, ainda não distribuído. Não obstante a sua não distribuição conjunta mediante sorteio, não há, com efeito, prejudicialidade para o julgamento dos indicados para a pauta, pelo que é de se indeferir o pleito. No que respeita ao litígio, a Recorrente apresentou PER/DCOMPs por meio dos quais requereu, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, o ressarcimento de créditos de IPI com origem no 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010. Tal como informado nos respectivos Despachos Decisórios, os valores foram parcialmente reconhecidos, em face dos seguintes motivos: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e c) redução do saldo credor do trimestre passível de ressarcimento, em decorrência dos débitos apurados em procedimento fiscal. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10882.907068/201158 Acórdão n.º 3201003.734 S3C2T1 Fl. 658 5 Na ocasião, a fiscalização também lavrou auto de infração, exigindo multa de ofício isolada por falta de lançamento do imposto, com cobertura de crédito, nas notas fiscais respectivas. Os Despachos Decisórios foram mantidos pela DRJ, assim como mantida foi a autuação. A Recorrente, contudo, embora intimada, não apresentou recurso voluntário nos autos do processo administrativo de nº 16095.720185/201323 (o auto de infração), de modo que os valores lançados de ofício tornaramse definitivos (conforme ela mesma afirmou, já foram, inclusive, quitados). A DRJ transcreveu os fundamentos do voto condutor do Acórdão DRJ/JFA nº 0950.187, de 28/02/2014, e os adotou como razão de decidir. Afinal, os fatos são exatamente os mesmos. Em resumo, a falta de destaque do IPI nas saídas de produtos com alíquota positiva na TIPI ou nas saídas de insumos nacionais e importados a estabelecimentos industriais ou revendedores, bem como a não anulação do crédito do imposto na revenda de insumos a estabelecimentos não industriais ou não revendedores. Refeita a apuração do IPI em face da constatação desses fatos, é que se lavrou o auto de infração. Todavia, não se atentou a DRJ para o fato de que as defesas apresentadas no processo nº 16095.720185/201323 e nos processos que consubstanciam os pedidos de ressarcimento suscitam alegações diversas (foram, inclusive, apresentadas por escritórios de advocacia também diversos), que, assim, não foram enfrentadas nas decisões proferidas nos processos de ressarcimento, como o ora em julgamento, fato que, a nosso juízo, caracteriza cerceamento do direito de defesa da Recorrente e reclama a anulação da decisão, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Referimonos, por exemplo, à alegação de que algumas das notas fiscais utilizadas pela fiscalização para comprovar as vendas de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiro referemse, na realidade, a uma prestação de serviços de reparo, conforme indicam as informações registradas nas acostadas à manifestação de inconformidade: a) nota fiscal nº 60404, com CFOP 6102, mas que, nos campos "Dados Adicionais" e "Descrição dos Produtos", traz a informação de tratarse a operação de um reparo; b) nota fiscal nº 60620, com CFOP 5102, que traz as mesmas informações registradas na anterior. Não sabemos se os valores correspondentes a tais notas fiscais foram ou não consideradas pela fiscalização. Porém, mesmo que acessássemos o processo que consubstanciou o auto de infração para verificálo, não se poderia suprimir uma instância administrativa, o que findaria por ocorrer se aqui, depois de fazêlo, decidíssemos a respeito, inclusive quanto às demais alegações de defesa. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para ANULAR a decisão pela DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na manifestação de inconformidade. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 660DF CARF MF 6 Fl. 661DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.004196/2001-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995
Ementa:
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro
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E APLIC. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 41 96 /2 00 1- 44 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 189 2 Relatório Tratase de pedido de compensação (fl.02/04) de diversos tributos administrado pela Receita Federal recolhidos nos anoscalendário de 1992 a 1995, com débito de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 29.145,21. O pedido foi protocolizado em 31.10.2001 Com base na diligência realizada, a Fiscalização emitiu Despacho Decisório às fls 55, com base no Parecer DRF nº 281/2002 (fl. 47/52) não homologando o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, por entender estar extinto o direito de utilização do crédito, em virtude deste já ter sido alcançado pela decadência e, no mérito, entendeu que não houve demonstração da efetiva existência de indébitos tributários. Isso porque o prazo entre a data de protocolo de pedido de compensação (31.10.2001) e a data de recolhimento do supostos indébitos mencionados (anoscalendários 92 a 95) é superior a cinco anos, nos termos dos artigos 165 e 168 do CTN. A Embargada ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 60/88), a qual foi julgada improcedente pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, tendo em vista o pedido de restituição foi alcançado pela decadência, bem como que não há prova do indébito tributário, fator jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, sendo que lhe incube o ônus da prova, conforme ementa a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 03/01/1992 a 14/11/1995 Ementa: Decadência. Compensação de Indébito Tributário. O direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito à restituição ou à compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/01/1992 a 14/11/1995 Ementa: Indébito Tributário. Ônus da Prova. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido Compensação não Homologada Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 102/127), contrapondo o entendimento da decisão, sob a alegação de que a compensação foi efetuada regulamento com base em informações constantes do próprio sistema da Receita Federal, bem como destacando que o prazo quinquenal para a utilização do crédito não teria sido excedido, Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 190 3 Assim, como o pedido de restituição foi protocolada antes de decorrido cinco anos da publicação da referida Resolução (14.11.2001), o contribuinte requer seja reconhecido o crédito pleiteado, impondose a compensação regularmente processada. Este colegiado, por meio do acórdão n° 10196.399 (fls. 130), negou provimento ao recurso voluntário, mantendo a decadência do direito de pleitear a compensação Face a decisão do CARF, a Recorrente interpôs Recurso Especial (fls. 144/153) questionando a referida decisão, tendo em vista a divergência entre a decisão recorrida e o julgado paradigma do STJ, o qual aplica o prazo decenal relativo aos lançamentos por homologação, reforçando o seu entendimento sobre o prazo dos 5 + 5 para pleitear a restituição, que ocorrerá 5 anos, a contar do fato gerador, acrescidos de mais 5 anos, a partir da homologação tática. Às fls. 158/162 a Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao Recurso Especial. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, com base na orientação firmada pelo STF ao aludir que o art. 3º da LC 118/2005 só produziria os efeitos a partir de 9 de junho de 2005 (RE 566.621/RS), devendo se aplicar o prazo decenal para as compensações formalizadas até a referida data, entendeu não estar decaído o direito de pleitear a restituição do indébito tributário. Isso porque, no presente caso, restou consignado que o pedido de restituição foi protocolado em 31/10/2001, isto é, após o prazo indicado pelo STF, devendo ser aplicado, portanto, o prazo de cinco anos. Destacou que tanto a DRF como a DRJ já analisaram o mérito do direito crédito no que se refere à comprovação do indébito tributário. Assim, os presentes autos retornaram a este Colegiado para análise de mérito. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele conheço. Tratase de pedido de compensação (fl.02/04) de diversos tributos administrado pela Receita Federal recolhidos nos anoscalendário de 1992 a 1995, com débito de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 29.145,21. Como visto, os Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu que não houve decadência no presente caso, já que o pedido foi protocolizado em 21.10.2001. Isso porque po Supremo Tribunal já se posicionou no mesmo sentido de que o art. 3º da LC Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 191 4 118/2005 só produzirá efeitos a partir de 9 de junho de 2005 (RE 566.621/RS), devendo aplicar o prazo decenal para as compensações formalizadas até a referida data. Assim, na hipótese dos autos, permanece aplicável a tese dos “cinco mais cinco”, ou seja, aplicase o prazo de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador para repetição ou compensação de indébito, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Destacou adiante que nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, não poderia deixar de adotar, no presente caso, o quanto decidido pelo STF, no RE 566.621/RS, em sede de repercussão geral, e pelo STJ, no Resp 1.269.570/MG, sob o rito do recurso repetitivo. Ademais, este colegiado já teve a oportunidade de decidir nesse mesmo sentido em casos semelhantes, conforme os seguintes acórdãos: 3402003.074, 9101002.408, 1401001.685, tendo sido inclusive sumulado tal entendimento, conforme a seguir. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Pois bem, superada essa questão os autos retornaram para este Colegiado com vistas à análise de mérito. A Fiscalização com base no Parecer DRF nº 281/2002 entendeu, ao analisar o meríto, que não houve demonstração da efetiva exitência de indébitos tributários. Constata que a Recorrente apenas se limitou a apresentar uma planílha (fl. 02), contendo as seguintes colunas: Código Receita, Data Pagamento, Valor Pago, Valor em Reais 01jan96 e Valor Corrigido para Reais Outubro de 2001. Adiante destaca que a Recorrente resposta à intimação, às fls. 31/35, o informa que: "em atendimento ao Termo de Intimação SAORT n° 13884.539/2005, apresentar em anexo a planilha nos moldes solicitados, esclarecendo que os valores compensados referemse a pagamentos feitos a maior ou indevidos conforme levantamento efetuado com base em relatório fornecido por este próprio órgão e anexado ao requerimento inicial, relativo ao conta corrente da empresa com débitos e pagamentos efetuados, inclusive com os pagamentos não alocados e portanto não vinculados a qualquer pendência da empresa junto a este órgão." Com base nisso, concluiu que a planilha por si só não comprova o indébito alegado, tendo em vista que não traz nenhum racional e/ou motivo da ocorrências dos créditos pleiteados, além de ser o único documento que comprovaria a existência dos mesmos. Quanto a alegação de que a referida planilha estaria embasada por um relatório fornecido pela SRF em que se identificam pagamentos que não foram alocados a Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 192 5 débitos da Recorrente, também não seria argumento suficiente para determinar se o valor é devido ou não. Nessa linha, caberia a Recorrente demonstrar a situação prevista, consoante o art. 165 do CTN, em que se embase para postular a restituição de indébito. Ainda, incube ao postulante apresentar demonstrativo de cálculo contendo a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir é o que se depreende da IN SRF n° 21, de 10/03/97, vigente a época do pleito., in verbis: "Art. 6° À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2°, serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoas física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. § 1° O demonstrativo a que se refere o caput deverá conter a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir." Adicionalmente como não reconhecimento da existência do crédito pleiteado, o Parecer traz à fl. 53: Numa análise da segunda planilha apresentada verificase que, para justificar a existência de um indébito, o interessado simplesmente zera o valor devido. Essa situação acontece, por exemplo, no caso do Finsocial (6120) devido no ano calendário de 1992. A base de cálculo do Finsocial era a receita bruta auferida mensalmente. Para que o valor devido daquele tributo fosse zero, a empresa deveria ter apresentado receita bruta nula também. Não é o que se verifica na consulta à declaração IRPJ Ex. 1993, à fl. 45, segundo a qual houve faturamento constante no anocalendário de 1992. Não se pode considerar como valor devido a diferença entre o valor pago e o valor não alocado. O valor devido éaqueledeterminado com a utilização da alíquota aplicável sobre a base de cálculo legalmente prevista Concordo, pois a Recorrente não demonstrou de forma cabal a realização de pagamentos indevidos, bem como o enquadramento a que este se insere, conforme as hipóteses previstas no art. 165 do CTN Analisando a documentação suporte ao crédito, entendo que de fato não há qualquer fundamento jurídico para amparar o reconhecimento do indébito tributário. Nesse particular, destaquese que, no âmbito da compensação tributária, o contribuinte figura como autor do pleito e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, é o contribuinte que deve apresentar todos os documentos comprobatórios do direito por ele pretendido. O Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73) estabelece, em caráter geral, preceito nesse sentido: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, o autor em momento algum apurou valores dissonantes do que confessou e recolheu. A justificativa do pedido de compensação se pautou em planilha juntada Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 193 6 à fl. 02. Vejamos a síntese da documentação trazida pela Recorrente, conforme aponta a decisão da DRJ: Depreendese da Planilhadefls. 02 denominada "Demonstrativo_de _Créditos Apurados para a compensação Período 1992 a 1996", requerer o contribuinte em questão o reconhecimento do indébito tributário, de montante total de RS 62.011,31 (atualizado até 01/10/1996), sem qualquer fundamento fático ou jurídico a lhe dar suporte. Verificase, na planilha, que os indébitos se referem a pagamentos de diversos tributos (0764 IRRF Demais Resultados de Participação Societária; 0561 IRRF Rendimento de Trabalho Assalariado; 1708 IRRF Remuneração por Serviço Prestado por Pessoa Jurídica; 3885 PIS Receita Operacional; 2172 Cofins Contribuição para Financiamento Seguridade Social;), recolhidos entre 03/01/1992 e 14/11/1995. Todavia, não há nos autos sequer uma explicação de o porquê tais pagamentos configurariam indébitos tributários. Registrese, por oportuno, que o fato de estarem os valores "disponíveis" nos sistemas de controle de arrecadação não faz prova do indébito tributário, mesmo porque praticamente todos os tributos ali referidos se sujeitam ao lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN, sistemática na qual o sujeito passivo apura e procede ao pagamento do tributo devido, antes e independentemente, de qualquer procedimento administrativo de lançamento de ofício. Tendo em conta a modalidade de lançamento, em caso de pagamento indevido ou maior que o devido, compete ao sujeito passivo a prova do erro, de fato ou de direito, na apuração e/ou no pagamento do crédito tributário. O fato de os valores estarem "disponíveis" nos sistemas de controle da SRF não é prova de se tratar de indébitos tributários, mas apenas é indicativo de que tais tributos se sujeitam a lançamento por homologação, em que a constituição do crédito tributário é feita pelo próprio sujeito passivo, a partir de sua escrituração comercial e fiscal (e da documentação que lhe dá suporte), nas declarações de débitos apresentadas à SRF, em cumprimento a dever instrumental instituído na legislação, ou, em caso de dispensa de apresentação, mediante o próprio pagamento, sendo prescindível o lançamento de ofício. Conseqüentemente, contrariamente ao entendimento adotado pela Requerente, a prova do indébito tributário não se faz sem a verificação da ocorrência do fato gerador, da base de cálculo sujeita à tributação e do tributo 'devido na escrituração comercial e fiscal (e da documentação que lhe dá suporte), e nas declarações de débitos apresentadas. Qualquer erro porventura ocorrido no pagamento de tributos deverá estar ali registrado e justificado. Desta feita, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, não é possível comprovar o indébito tributário somente pelo confronto entre os pagamentos e os sistemas de controle da SRF, quando a prova depende necessariamente da determinação da base de cálculo e do tributo devido. Na verdade, os pagamentos não alocados não designam pagamentos indevidos, mas, em regra, apenas pagamentos em que o sujeito passivo deixou de apresentar ou foi dispensado da apresentação das declarações de débitos fiscais. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 194 7 Portanto, entendo que, neste caso, não restou comprovada pelo contribuinte, a existência do crédito pleiteado, sobretudo, por não ter demonstrado a escrituração do pagamento efetivado, bem como comprovado este indébito por meio de documentação contábil e fiscal, sendo irretocável a decisão da DRJ. Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13884.004196/200144 Acórdão n.º 1301002.752 S1C3T1 Fl. 195 8 Fl. 195DF CARF MF
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